Comunicado dos Bispos húngaros depois do anúncio do Papa sobre sua próxima viagem à Budapeste para o Congresso Eucarístico Internacional.

 

Vatican News

Na sua coletiva durante o voo de regresso do Iraque ao explicar aos jornalistas o seu próximo compromisso internacional o Papa Francisco anunciou que participará da missa final do 52º Congresso Eucarístico Internacional.  Na ocasião disse: “Agora devo ir à Hungria para a missa final do Congresso Eucarístico Internacional, não para uma visita ao país, mas somente para a missa. Mas Budapeste fica a duas horas de carro de Bratislava, por que não fazer uma visita à Eslováquia?”.

A Conferência Episcopal da Hungria manifestou em um comunicado a alegria pela notícia. “Com grande alegria recebemos a notícia de que o Santo Padre anunciou sua decisão de vir a Budapeste para a Santa Missa na conclusão do 52º Congresso Eucarístico Internacional”.

O Congresso Eucarístico Internacional está programado para o mês de setembro entre os dias 5 a 12, e seu objetivo é confirmar a fé dos crentes, reconstruir a identidade da comunidade cristã através de uma nova evangelização, aprofundar a comunhão com Cristo e com nossos irmãos e irmãs, trabalhar pela reconciliação entre os povos e ser uma ocasião para fortalecer o diálogo entre os cristãos. "Estamos certos - concluem os bispos - que a presença do Santo Padre será um grande encorajamento e reforço espiritual para todos nós e para os participantes do Congresso Eucarístico".

O comunicado foi assinado pelo Primaz da Hungria cardeal Péter Erdò Arcebispo de Esztergom-Budapeste. Fonte: https://www.vaticannews.va

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista- direto da Igreja da Imaculada Conceição de Angra dos Reis/RJ- comenta o Evangelho do terceiro Domingo da Quaresma. (Jo 2, 13-25). Convento do Carmo de Angra. 7 de março-2021. DIVULGAÇÃO: www.instagram.com/freipetronio

Papa Francisco tem encontro histórico com aiatolá Ali al-Sistani no Iraque

Esta é a primeira vez que um líder católico se reúne com um clérigo xiita; Sistani concordou em se encontrar com o papa com a condição de que nenhuma autoridade iraquiana estivesse presente

 

Redação, O Estado de S. Paulo

NAJAF - O Papa Francisco se reuniu neste sábado, 6, com o aiatolá Ali al-Sistani, em um encontro histórico no Iraque. A reunião de Francisco na cidade sagrada de Najaf, no sul do país, durante uma viagem turbulenta e arriscada, marcou a primeira vez que um papa se encontrou com um clérigo xiita.

No encontro, os dois religiosos transmitiram uma mensagem de coexistência pacífica e exortaram islâmicos iraquianos a abraçarem a minoria cristã, alvo de perseguição no país. 

 

Sob forte segurança, papa se torna o 1º chefe da Igreja Católica a visitar o Iraque

O Aiatolá Ali al-Sistani disse que as autoridades religiosas têm um papel na proteção dos cristãos do Iraque, que devem viver em paz e desfrutar dos mesmos direitos que os outros iraquianos.    

O Vaticano informou que Francisco agradeceu a al-Sistani por ter "levantado sua voz em defesa dos mais fracos e perseguidos" durante alguns dos momentos mais violentos da história recente da nação árabe.    

A televisão estatal Ehbariya mostrou o grande comboio do papa passando pela cidade, onde crianças se enfileiraram em uma rua e agitaram bandeiras do Iraque e do Vaticano para o líder dos católicos do mundo.

 

Papa reza por paz e unidade no Oriente Médio

Mais tarde, o pontífice foi à antiga cidade de Ur, no sul do Iraque, para um encontro ecumênico no tradicional local de nascimento de Abraão, o patriarca bíblico reverenciado por cristãos, muçulmanos e judeus.

Durante uma oração ecumênica, Francisco novamente defendeu que a liberdade de consciência e a liberdade religiosa sejam respeitadas em todos os lugares.  "São direitos fundamentais, porque tornam o homem livre para contemplar o céu para o qual foi criado", acrescentou o pontífice argentino neste país muçulmano, onde sua minoria cristã (1% da população) é considerada vítima de discriminação.

O papa condenou o "terrorismo" que "abusa da religião" durante a oração. Ele afirmou que os fiéis "não podem calar-se quando o terrorismo abusa da religião".  "Hostilidade, extremismo e violência não nascem de um espírito religioso. São traições religiosas. E nós, os crentes, não podemos ficar calados quando o terrorismo abusa da religião. Além disso, cabe a nós resolver claramente os mal-entendidos", disse ele, antes de Muslim, Líderes Yazidi e Sabaean.

Nesta cidade bíblica e em frente à chamada casa de Abraão e ao monumental Zigurate, imponente santuário piramidal sumério, Francisco assegurou que "a ofensa mais blasfema é profanar o nome de Deus odiando o irmão".

Cercado por representantes das religiões que compõem este mosaico de civilizações que são o Iraque, sunitas, xiitas, zoroastrianos e yazidis, embora não judeus, o papa lembrou a perseguição étnica e religiosa que muitas comunidades sofreram durante a invasão dos terroristas em 2014. 

Ele pediu para orar por "todos aqueles que sofreram tanto sofrimento e por aqueles que ainda estão desaparecidos e sequestrados, para que logo voltem para suas casas". 

Ele ressaltou que diante do terrorismo que entrou no norte do país, em referência aos jihadistas do Estado Islâmico, e que destruiu brutalmente parte da maravilhosa herança do Iraque, "há jovens voluntários muçulmanos de Mosul que ajudaram a reconstruir igrejas e mosteiros, construindo amizades fraternas sobre os escombros do ódio, e cristãos e muçulmanos que hoje restauram mesquitas e igrejas juntos". 

Diante das "tormentas que estamos passando, o isolamento não nos salvará, não nos salvará a corrida para reforçar armamentos e construir muros, pelo contrário, nos tornará cada vez mais distantes e irritados", afirma o papa. O jeito é orar "juntos na mesma direção". 

 

As religiões devem trabalhar mais para eliminar a injustiça 

Para Francisco, são as religiões que devem exortar mais fortemente "os responsáveis pelas nações para que a crescente proliferação de armas dê lugar à distribuição de alimentos para todos" dar voz ao grito dos oprimidos e desprezados do planeta. Muitos carecem de pão, remédios, educação, direitos e dignidade ”

“Cabe a nós que as obscuras manobras que giram em torno do dinheiro venham à tona e exijam fortemente que nem sempre sirva e apenas para alimentar as ambições desenfreadas de alguns”, disse ele. 

 

Ali al-Sistani

Sistani, de 90 anos, é uma das figuras mais importantes do islamismo xiita, dentro e fora do Iraque.

Ele exerce enorme influência sobre a política. Seus decretos enviaram iraquianos às urnas pela primeira vez em 2005, reuniram centenas de milhares de homens para lutar contra o Estado Islâmico em 2014 e derrubaram um governo iraquiano sob pressão de manifestações em massa em 2019.

Sistani raramente faz reuniões e recusou negociações com os atuais e ex-primeiros-ministros do Iraque, segundo autoridades próximas a ele. O clérigo concordou em se encontrar com o papa com a condição de que nenhuma autoridade iraquiana estivesse presente, disse uma fonte do gabinete do presidente à Reuters.

Na manhã de sábado, o pontífice, viajando em um Mercedes-Benz à prova de balas, parou ao em uma rua estreita de Najaf, que culmina na cúpula dourada do Santuário Imam Ali, um dos locais mais reverenciados no Islã xiita. 

Ele então caminhou alguns metros até a casa de al-Sistani.    

O papa tirou os sapatos antes de entrar no quarto de al-Sistani e foi servido chá e uma garrafa plástica de água. 

Al-Sistani falou durante a maior parte da reunião. Francisco fez uma pausa antes de sair do quarto de al-Sistani para dar uma última olhada, disse um oficial que testemunhou o evento.

 

Visita do papa

O papa visitou países predominantemente muçulmanos, incluindo TurquiaJordâniaEgitoBangladeshAzerbaijãoEmirados Árabes Unidos e territórios palestinos, usando essas viagens para pedir um diálogo inter-religioso.

Ele iniciou sua viagem ao exterior mais arriscada na sexta-feira, 5, voando para o Iraque - em meio à segurança mais rígida já vista para uma visita papal -, para apelar aos líderes do país e ao povo para que acabem com a violência e os conflitos religiosos.

Francisco, de 84 anos, fez um apelo para que os iraquianos dessem uma chance aos pacificadores durante uma reunião de oficiais e diplomatas iraquianos no palácio presidencial.

Mais tarde, ele prestou homenagem às pessoas mortas em ataques motivados pela religião, visitando uma igreja de Bagdá onde homens armados islâmicos mataram cerca de 50 fiéis em 2010. Após seu encontro com Sistani, Francisco visitou as ruínas da antiga Ur, venerada como o local de nascimento de Abraão, pai do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

Depois de voar de volta a Bagdá, ele deve fazer uma missa na Catedral Caldéia de São José./ REUTERS, AP, EFE e AFP. Fonte: https://internacional.estadao.com.br

Liturgia da Palavra de Deus. (Ex. 20,1-17) (1 Cor. 1,22-25) (Jô. 2,13-25).

 

Cristo veio ao mundo para dar um novo sentido às práticas religiosas, e ao culto no templo. Neste templo Cristo disse: “Pode destruir este o templo e em três dias o reconstruirei”. Esta afirmação nos estranharia, se João não tivesse dito: “Jesus falava do templo do seu coração”. Cristo veio ao mundo e assim Deus Pai se fez presente por meio de Seu Filho.

O templo de Jerusalém pode ser destruído, mas ninguém conseguiria destruir Jesus, que ressuscitou no terceiro dia. Aqui também Jesus falava no pátio em torno do templo, de onde Jesus expulsava os vendedores. Era o lugar que os judeus tinham reservado para os estrangeiros, que vinham adorar Deus em Jerusalém.

 

Reflexão.

Não adianta esperar, que Deus nos vá trazer a felicidade de mão beijada. Não deu nem da carona à humanidade, que os espera ao longo da estrada da vida, junto ao carro estragado. Mas Ele ensinou, e ainda ensina como consertar o motor.

Em primeiro lugar Deus nos ensinou a observar os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Mas recentemente Deus se comunicou através do Seu Filho Jesus Cristo, feito homem.

Na Sua palavra, por Suas obras e por Seu corpo ressuscitado nós encontramos Deus Filho. No Evangelho de hoje isto está bem claro e bem explicado. Ouvimos como Jesus acaba com o comércio no templo. Assim Cristo acaba com uma religião puramente social. Quando as autoridades lhe chamam atenção. Ele diz: “Destruam este templo e em três dias Eu o levanto de novo”. As autoridades pensavam, que Jesus pensavam, que Jesus estava falando daquele templo de pedras, construído em quarenta e seis anos. Mas Jesus falava do templo do Seu Corpo morto pelos homens, mas depois de três dias ressuscitado pelo Pai.

Escutem bem! O templo do Novo Testamento é o Corpo Ressuscitado de Jesus. Não um edifício, uma Igreja de pedras, em que nós nos reunimos. O corpo de Jesus Ressuscitado é o Templo de Deus. Também o nosso corpo deve ser um templo e um santuário de Deus.

 

Resposta à Palavra de Deus.

Deus é a única suprema autoridade. Se o homem não crê na autoridade que o criou, fatalmente fará deuses falsos, e vai submeter-se a eles. O único, que pode impor-se à nossa liberdade, é aquele que nos criou com a nossa liberdade.    

 

 

1) Oração

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da Páscoa que se aproximam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 21, 33-43.45-46)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 33Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. 34Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. 35Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. 36Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. 37Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho. 38Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança! 39Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. 40Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores? 41Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo. 42Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que fôra rejeitada pelos que edificavam, tornou-se cabeça do ângulo? Pelo Senhor foi feito isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. 43Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele. 45Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava. 46E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O texto do evangelho de hoje faz parte de um conjunto mais amplo que engloba Mateus 21,23-46. Os chefes dos sacerdotes e os anciãos tinham perguntado a Jesus com que autoridade ele fazia as coisas (Mt 21,23). Eles se consideravam os donos de tudo e achavam que ninguém podia fazer nada sem a licença deles. A resposta de Jesus consta de três partes: 1) Ele faz uma contra-pergunta e quer saber deles se João Batista era do céu  ou da terra (Mt 21,24-27). 2) Conta a parábola dos dois filhos (Mt 21,28-32). 3) Conta a parábola da vinha (Mt 21,33-46) que é o evangelho de hoje.

Mateus 21,33-40: A parábola da vinha.

Jesus começa assim: "Escutem essa outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva, e construiu uma torre de guarda”. A parábola é um resumo bonito da história de Israel, tirado do profeta Isaías (Is 5,1-7). Jesus se dirige aos chefes dos sacerdotes, aos anciãos (Mt 21,23) e aos fariseus (Mt 21,45) e dá uma resposta à pergunta que eles tinham feito sobre a origem da sua autoridade (Mt 21,23). Por meio desta parábola, Jesus esclarece várias coisas:  (1) Revela qual a origem da sua autoridade: ele é o filho, o herdeiro.  (2) Denuncia o abuso da autoridade dos vinhateiros, isto é, dos sacerdotes e anciãos que não cuidavam do povo de Deus. (3) Defende a autoridade dos profetas, enviados por Deus, mas massacrados pelos sacerdotes e anciãos. (4) Desmascara as autoridades que manipulam a religião e matam o filho, porque não querem perder a fonte de renda que conseguiram acumular para si, ao longo dos séculos.

Mateus 21,41: A sentença dada por eles mesmos

No fim da parábola, Jesus pergunta: “Pois bem: quando o dono da vinha voltar, o que irá fazer com esses agricultores?” Eles não se deram conta de que a parábola estava falando deles mesmos. Por isso, pela resposta dada eles decretaram sua própria condenação: “Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: É claro que mandará matar de modo violento esses perversos, e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". Várias vezes Jesus usa esse mesmo método. Ele leva a pessoa a dizer a verdade sem ela se dar conta de que está se condenando-se a si mesma. Por exemplo, no caso do fariseu que condenou a moça como pecadora (Lucas 7,42-43) e no caso da parábola dos dois filhos Mt 21,28-32).

Mateus 21,42-46: A sentença dada por eles mesmos é confirmada pelo comportamento deles.

Pelo esclarecimento de Jesus, os sacerdotes, os anciãos e os fariseus entenderam que a parábola falava deles mesmos, mas eles não se converteram. Pelo contrário! Mantiveram o seu projeto de matar Jesus. Rejeitaram “a pedra fundamental”. Mas não tiveram a coragem de fazê-lo abertamente porque tinham medo do povo.

Os vários grupos no poder no tempo de Jesus. No evangelho de hoje apareceram alguns dos grupos que, naquele tempo, exerciam o poder junto ao povo: sacerdotes, anciãos e fariseus. Segue aqui uma breve informação sobre o poder de cada um destes e de alguns outros grupos:

  1. Sacerdotes: Eram os encarregados do culto no Templo. Era para o Templo que o povo levava o dízimo e as outras taxas e ofertas para pagar suas promessas. O sumo sacerdote ocupava um lugar muito importante na vida da nação, sobretudo depois do exílio. Era escolhido ou nomeado entre as três ou quatro famílias aristocratas, que detinham mais poder e maior riqueza.
  2. Anciãos ou Chefes do povo: Eram os líderes locais nas várias aldeias e cidades. Sua origem vinha das chefias das tribos de antigamente.
  3. Saduceus: Eram a elite leiga aristocrata da sociedade. Muitos deles eram ricos comerciantes ou latifundiários. Do ponto de vista religioso eram conservadores. Não aceitavam as mudanças defendidas pelos fariseus, como por exemplo, a fé na ressurreição e a existência de anjos.
  4. Fariseus: Fariseu significa: separado. Eles lutavam para que, através da observância perfeita da lei da pureza, o povo chegasse a ser puro, separado e santo como o exigiam a Lei e a Tradição! Por causa do testemunho exemplar da sua vida dentro das normas da época, eles tinham uma liderança moral muito grande nas aldeias da Galileia.
  5. Escribas ou doutores da lei: Eram os encarregados do ensino. Dedicavam sua vida ao estudo da Lei de Deus e ensinavam ao povo como fazer para observar em tudo a Lei de Deus. Nem todos os escribas eram da mesma linha. Uns estavam ligados aos fariseus, outros, aos saduceus.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Alguma vez, você já se sentiu controlada, indevidamente, em casa, no trabalho, na igreja? Qual foi a sua reação? Como Jesus?
  2. Se Jesus voltasse hoje e contasse a mesma parábola, como eu iria reagir?

 

5) Oração final

Quanto é alto o céu sobre a terra tanto prevalece sua bondade para com os que o temem. Quando é distante o oriente do ocidente, tanto ele afasta de nós nossas culpas. (Sl 102, 11-12)

 

1) Oração

 

Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos, para que, renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 16, 19-31)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 19Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. 20Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. 21Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. 22Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. 24Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. 25Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. 26Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. 27O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, 28para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. 29Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! 30O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. 31Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Toda vez que Jesus tem uma coisa importante para comunicar, ele cria uma história e conta uma parábola. Assim, através da reflexão sobre a realidade visível, ele leva os ouvintes a descobrirem os apelos invisíveis de Deus, presentes na vida. Uma parábola é feita para fazer pensar e refletir. Por isso, é importante prestar atenção até nos seus mínimos detalhes. Na parábola do evangelho de hoje aparecem três pessoas: o pobre Lázaro, o rico sem nome e o pai Abraão. Dentro da parábola, Abraão representa o pensamento de Deus. O rico sem nome representa a ideologia dominante da época. Lázaro representa o grito calado dos pobres do tempo de Jesus e de todos os tempos.

Lucas 16,19-21: A situação do rico e do pobre.  Os dois extremos da sociedade. De um lado, a riqueza agressiva. Do outro, o pobre sem recurso, sem direitos, coberto de úlceras, impuro, sem ninguém que o acolhe, a não ser os cachorros que lambem suas feridas. O que separa os dois é a porta fechada da casa do rico. Da parte do rico não há acolhimento nem piedade pelo problema do pobre à sua porta. Mas o pobre tem nome e o rico não tem. Ou seja, o pobre tem o seu nome inscrito no livro da vida, o rico não. O pobre se chama Lázaro. Significa Deus ajuda. É através do pobre que Deus ajuda o rico e que o rico poderá ter o seu nome no livro da vida. Mas o rico não aceita ser ajudado pelo pobre, pois mantém a porta fechada. Este início da parábola que descreve a situação, é um espelho fiel do que estava acontecendo no tempo de Jesus e no tempo de Lucas. É espelho do que acontece até hoje no mundo!

Lucas 16,22: A mudança que revela a verdade escondida.  O pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na parábola, o pobre morre antes do rico. Isto é um aviso aos ricos. Enquanto o pobre está vivo à porta, ainda tem salvação para o rico. Mas depois que o pobre morre, morre também o único instrumento de salvação para o rico. Agora, o pobre está no seio de Abraão. O seio de Abraão é a fonte de vida, de onde nasceu o povo de Deus. Lázaro, o pobre, faz parte do povo de Abraão, do qual era excluído enquanto estava à porta do rico. O rico que pensa ser filho de Abraão não vai para o seio de Abraão! Aqui termina a introdução da parábola. Agora começa a revelação do seu sentido, através de três conversas entre o rico e o pai Abraão.

Lucas 16,23-26: A primeira conversa.  Na parábola, Jesus abre uma janela sobre o outro lado da vida, o lado de Deus. Não se trata do céu. Trata-se do lado verdadeiro da vida que só a fé enxerga e que o rico sem fé não percebia. É só à luz da morte que a ideologia do império se desintegra na cabeça do rico e que aparece para ele o que é valor real na vida. No lado de Deus, sem a propaganda enganadora a ideologia, os papéis são trocados. O rico vê Lázaro no seio de Abraão e pede para ele vir aliviá-lo no sofrimento. O rico descobre que Lázaro é o seu único benfeitor possível. Mas agora é tarde demais! O rico sem nome é piedoso, pois reconhece Abraão e o chama de Pai.  Abraão responde e o chama de filho. Esta palavra de Abraão, na realidade, está sendo dirigida a todos os ricos vivos. Enquanto vivos, eles ainda têm chance de se tornarem filhos e filhas de Abraão, se souberem abrir a porta para Lázaro, o pobre, o único que em nome de Deus pode ajudá-los. A salvação para o rico não é Lázaro trazer uma gota de água para refrescar-lhe a língua, mas é ele, o próprio rico, abrir a porta fechada para o pobre e, assim, transpor o grande abismo.

Lucas 16,27-29: A segunda conversa.  O rico insiste: "Pai, eu te suplico: manda Lázaro para a casa do meu pai. Tenho cinco irmãos!" O rico não quer que seus irmãos venham no mesmo lugar de tormento. Lázaro, o pobre, é o único verdadeiro intermediário entre Deus e os ricos. É o único, porque é só aos pobres que os ricos podem e devem devolver o que roubaram e, assim, restabelecer a justiça prejudicada! O rico está preocupado com os irmãos. Nunca esteve preocupado com os pobres! A resposta de Abraão é clara: "Eles têm Moisés e os Profetas: que os ouçam!" Têm a Bíblia! O rico tinha a Bíblia. Conhecia-a até de memória. Mas nunca se deu conta de que a Bíblia tivesse algo a ver com os pobres. A chave para o rico poder entender a Bíblia é o pobre sentado à sua porta!

Lucas 16,30-31: A terceira conversa.  "Não, pai, se alguém entre os mortos der um aviso, eles vão se arrepender!" O próprio rico reconhece que ele está errado, pois fala em arrependimento, coisa que durante a vida nunca sentiu. Ele quer um milagre, uma ressurreição! Mas este tipo de ressurreição não existe. A única ressurreição é a de Jesus. Jesus ressuscitado vem até nós na pessoa do pobre, dos sem-direito, dos sem-terra, dos sem-comida, do sem-casa, dos sem-saúde. Na sua resposta final, Abraão é curto e grosso: "Se não escutarem Moisés e os profetas, mesmo que alguém ressuscitar dos mortos, eles não se convencerão!" Está encerrada a conversa! Fim da parábola!

A chave para entender o sentido da Bíblia é o pobre Lázaro, sentado à porta! Deus vem até nós na pessoa do pobre, sentado à nossa porta, para nos ajudar a transpor o abismo intransponível que os ricos criaram. Lázaro é também Jesus, o Messias pobre e servidor, que não foi aceito, mas cuja morte mudou radicalmente todas as coisas. É à luz da morte do pobre que tudo se modifica. O lugar de tormento é a situação da pessoa sem Deus. Por mais que o rico pense ter religião e fé, não há jeito de ele estar com Deus, enquanto não abrir a porta para o pobre, como fez Zaqueu (Lc 19,1-10).

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Qual o tratamento que nós damos aos pobres? Eles têm nome para nós? Nas atitudes que tomo na vida, sou parecido com Lázaro ou com o rico?
  2. Entrando em contato conosco, os pobres percebem algo diferente? Percebem uma Boa Notícia? E eu, para que lado tende o meu coração: para o milagre ou para a Palavra de Deus?

 

5) Oração final

Feliz quem não segue o conselho dos maus, não anda pelo caminho dos pecadores nem toma parte nas reuniões dos zombadores, mas na lei do SENHOR encontra sua alegria e nela medita dia e noite. (Sl 1, 1-2)

 

Padre de Tapejara Elizeu Lisboa Moreira, 27 anos, será temporariamente afastado da Igreja

 

JENIFFER GULARTE

 

Poucos dias antes de completar seu 18º mês de ordenação, o padre de Tapejara Elizeu Lisboa Moreira, 27 anos, surpreendeu a comunidade do norte do Estado ao cometer três assaltos em sequência em Passo Fundo na tarde desta terça-feira (2). O arrastão aconteceu no intervalo de uma hora, entre 17h e 18h. 

O sacerdote usou uma arma de brinquedo para levar mercadorias e dinheiro de um supermercado do bairro Lucas Araújo, em uma farmácia do bairro São Cristóvão e em outro supermercado no bairro Petrópolis — o último fica em frente à Delegacia de Pronto Atendimento de Passo Fundo (DPPA).

Foi capturado por volta das 20h em uma abordagem da Brigada Militar no centro da cidade quando estava a bordo de um Hyundai ix35 que pertence a Arquidiocese de Passo Fundo. Em seguida, foi reconhecido pelas vítimas dos três estabelecimentos.

De boné vermelho, máscara branca, camiseta azul, jeans e tênis chegava aos locais, comprava itens, ia até o caixa, pagava em dinheiro e quando a operadora se preparava para dar o troco, tirava a arma da cintura e pedia o que estava no caixa. Os assaltos foram registrados por câmeras de segurança. Agiu da mesma forma nos dois supermercados e na farmácia. Roubou R$ 1,4 mil e foi preso com R$ 655. O destino do restante do valor ainda é um mistério, segundo o delegado Diogo Ferreira:

— Não sabemos se ele tinha alguma dívida ou comprou algo. A BM localizou o veículo pelas câmeras da cidade. Ao revistarem, viram que tinha carteira de identificação de padre e que o veículo estava em nome da arquidiocese.

A Polícia Civil pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva. O padre, que não tem antecedentes, foi encaminhado ao presídio de Passo Fundo. Também foi solicitada a quebra de sigilo do telefone, para que os investigadores possam averiguar seu envolvimento em outros delitos. O veículo da arquidiocese está apreendido no depósito do Detran. Em depoimento, o padre disse apenas que os crimes foram cometidos em um momento de loucura.

— Foi a única frase que ele disse. Estava totalmente calmo, parecia que não tinha caído a ficha do que ele fez e que estava no mundo da lua. A arma de brinquedo que ele usou não deve pesar 10 gramas, é de plástico e oca. Um fato sem explicação — diz o delegado.

Responsável pela defesa do sacerdote, a advogada criminalista Maura da Silva Leitzke conversou com o padre no final da manhã desta quarta-feira. Segundo ela, Elizeu está em tratamento psiquiátrico e, há três semanas, deixou de tomar, por conta própria, remédios de uso contínuo. Maura fará o pedido de relaxamento da prisão. 

— As pessoas que convivem com ele relataram que nos últimos dias estava mais quieto e arredio — diz a defensora.

Nesta terça-feira, o padre foi a Passo Fundo celebrar a missa de falecimento da irmã de um amigo. Ao final do culto, segundo a defensora, ele teria comprado a arma de brinquedo em uma loja e praticado os assaltos.

— Ele disse que efetivamente só se deu conta do que fez hoje pela manhã, tanto que ele me pediu para pedir desculpa as vitimas. Ele não tinha noção do que estava fazendo tanto que usou o carro da mitra. Está muito fragilizado. Ele não representa qualquer perigo à ordem pública. Vai ficar muito melhor em um local onde possa ter tratamento médico. 

"O mais chocado de todos sou eu", afirma arcebispo

Natural da pequeno município de Ciríaco, o padre Elizeu é o caçula de cinco filhos. Vindo de uma família evangélica, optou por seguir carreira na Igreja Católica quando, no final do Ensino Fundamental, conheceu o Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Passo Fundo. Ao concluir o Ensino Médio, deixou a cidade natal e passou a estudar para ser padre. Foi ordenado em 9 agosto de 2019 pelo arcebispo dom Rodolfo Luís Weber.

A celebração, transmitida à época em vídeo pelas redes sociais, lotou a paróquia Santa Terezinha, em Ciríaco, com padres, seminaristas, amigos e familiares. Já como padre, assumiu a paróquia São Judas Tadeu, em Passo Fundo, e atualmente atuava nas igrejas de Tapejara e Vila Lângaro. 

 

“Quero saber como chegou a isso, qual a justificativa. Se é que tem justificativa. O fato é grave mas todo ser humano tem direito a defesa. Tenho 30 anos como padre e 12 como bispo, não lembro de outro fato nessas condições”. DOM RODOLFO LUÍS WEBER

Arcebispo de Passo Fundo.

 

A partir de agora, a curta carreira religiosa do padre Elizeu ficará prejudicada. A arquidiocese de Passo Fundo irá afastá-lo provisoriamente de suas funções. Internamente, o trâmite é denominado ato de cautela, usado para esclarecer os fatos e dar oportunidade para que o sacerdote apresente sua defesa e manifeste seus argumentos.

— O mais chocado de todos sou eu, que acompanho a formação desses jovens. Ele era recém-ordenado, uma pessoa que estava indo bem nos seus trabalhos. E de uma hora para outra acontece um fato desses. É chocante. É triste. É muito sofrido — afirma o arcebispo.

O líder religioso afirma que, assim que tiver oportunidade, quer conversar pessoalmente com o padre para ouvir dele a versão do que aconteceu:

 

“Estava totalmente calmo, parecia que não tinha caído a ficha do que ele fez e que estava no mundo da lua. A arma de brinquedo que ele usou não deve pesar 10 gramas, é de plástico e oca. Um fato sem explicação” DIOGO FERREIRA-Delegado de Passo Fundo.

 

— Quero saber como chegou a isso, qual a justificativa. Se é que tem justificativa. O fato é grave mas todo ser humano tem direito a defesa. Tenho 30 anos como padre e 12 como bispo, não lembro de outro fato nessas condições.

Conforme o relato do arcebispo, nada no comportamento do padre Elizeu até esta terça-feira indicava que ele pudesse ter uma atitude criminosa. Tinha uma rotina discreta, morava na paróquia junto com outro padre e era bem aceito pela comunidade.

— Ele atendia dois municípios que estão tão chocados como eu. Chama atenção não ter motivo nenhum pra fazer isso, nunca deu sinais. Era muito bem quisto. É injusto nesse momento levantar hipóteses ou especulações sobre o que levou ele a fazer isso — afirma. Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br

 

A Comissão Nacional de Presbíteros (CNP), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou nesta terça-feira, 2 de março, o número de padres diocesanos do Brasil acometidos pela Covid-19. O levantamento, realizado em fevereiro, traz a confirmação de 1390 positivados e 65 mortes, totalizando 1455 casos da doença. Os dados, apresentados pela CNP, foram consolidados com base em consultas aos regionais da CNBB.

Conforme o balanço, o regional Sul 1 da CNBB que compreende o Estado de São Paulo, é o que mais contabiliza infecções de padres por Covid-19 (168). Com relação ao número de mortes, o regional Leste 1, que corresponde ao Estado do Rio de Janeiro, e o regional Norte 2, que compreende os Estados do Pará e Amapá, são os que mais contabilizam óbitos, ambos com 12 cada.

Em segundo lugar, por número de infecções, o regional Centro-Oeste que abrange o Goiás e o Distrito Federal registra 136 casos positivados. Já com relação ao número de mortes, o Sul 1 também fica em segundo lugar com o número de 7 óbitos.

Ocupando o terceiro lugar, por número de infecções, está o Nordeste 2, que abrange os Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Pernambuco (130). Levando em consideração o número de óbitos, em terceiro lugar, estão os regionais Norte 1 (Amazonas e Roraima), Nordeste 2, e Leste 2, ambos com 5 óbitos cada.

Confira (aqui) o balanço da CNP na íntegra.

 

Episcopado Brasileiro

No episcopado brasileiro, a Covid-19 também tem feito vítimas. Desde o início da pandemia no país, três bispos já tiveram o óbito confirmado pela doença. O caso mais recente foi o do arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal Eusébio Oscar Scheid, que faleceu no dia 13 de janeiro (relembre o caso).

Além dele, dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares (PE) faleceu em 18 de julho, aos 57 anos de idade (relembre o caso). Dom Aldo Pagotto, arcebispo emérito da Paraíba, também teve o óbito confirmado pela doença. O bispo faleceu em abril, aos 70 anos de idade (relembre o caso).

 

Pan-Amazônia

Como acontece toda semana, a Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, tem lançado o informe semanal que recolhe os números da Covid-19 na Pan-Amazônia. Até 1º de março de 2021, segundo os números oficiais, os casos já chegaram em 2.174.226 e os falecidos são 53.983 desde o início da pandemia.

Na última semana, na Região Pan-amazônica, o aumento dos casos foi de 60.003 e os óbitos foram 1.535. Comparando os números com a semana anterior, vemos que tanto os contágios como os falecidos têm se reduzido mais de 25 %.

No Regional Norte 1 da CNBB, o número de casos é de 366.400 e os óbitos 11.598. Nos últimos 7 dias, nas dioceses e prelazias que fazem parte do Regional Norte 1, os casos foram 11.269 e os falecidos chegaram em 427. Mesmo sendo uma situação grave, com uma média de 61 falecidos por dia e 1.609 casos a cada 24 horas, os números vão descendo nos últimos dias. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras, e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzi-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 20, 17-28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 17Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: 18Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. 19E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará. 20Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. 21Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. 22Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe. 23De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou. 24Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. 26Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. 27E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. 28Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz três assuntos: o terceiro anúncio da paixão (Mt 20,17-19), o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).

Mateus 20,17-19: O terceiro anúncio da paixão.  Eles estão a caminho de Jerusalém. Jesus vai na frente. Sabe que vão matá-lo. O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Porém, a sua morte não é fruto de um plano já preestabelecido, mas é conseqüência do compromisso assumido com a missão recebida do Pai junto aos excluídos do seu tempo. Por isso, Jesus alerta os discípulos sobre a tortura e a morte que ele vai enfrentar em Jerusalém. Pois o discípulo deve seguir o mestre, mesmo que for para sofrer com ele. Os discípulos estão assustados e o acompanham com medo. Não entendem o que está acontecendo (cf. Lc 18,34). O sofrimento não combinava com a idéia que eles tinham do messias (cf. Mt 16,21-23).

Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos.  Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.

Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus.  Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.

Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim.  Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.

Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus. Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

 

4) Para um confronto pessoal

1-Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?

2-Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?

 

5) Oração final

Livra-me do laço que me armaram, porque és minha força. Nas tuas mãos entrego meu espírito; tu me resgatas, SENHOR, Deus fiel. (Sl 30, 5-6)

 

1) Oração

Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 23, 1-12)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 1Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: 2Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. 3Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. 4Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. 5Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. 6Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. 7Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. 8Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos. 9E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. 11O maior dentre vós será vosso servo. 12Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz uma crítica de Jesus contra os escribas e fariseus do seu tempo. No começo da atividade missionária de Jesus, os doutores de Jerusalém já tinham ido até a Galileia para observá-lo (Mc 3,22; 7,1). Incomodados pela pregação de Jesus, tinham espalhado a calúnia de que ele era um possesso (Mc 3,22). Ao longo dos três anos a popularidade de Jesus cresceu. Cresceu também o conflito dele com as autoridades religiosas. A raiz deste conflito estava na maneira de eles se colocarem frente a Deus. Os fariseus buscavam sua segurança não tanto no amor de Deus para com eles, mas mais na observância rigorosa da Lei. Confrontado com esta mentalidade, Jesus acentua a prática do amor que relativiza a observância da lei e lhe dá o seu verdadeiro sentido.

Mateus 23,1-3: A raiz da crítica: “Eles dizem, mas não fazem”. Jesus reconhece a autoridade dos escribas e fariseus. Eles ocupam a cátedra de Moisés e ensinam a lei de Deus, mas eles mesmos não observam o que ensinam. Daí a advertência de Jesus ao povo: “Fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis suas ações, pois dizem mas não Fazem!” É uma crítica arrasadora! Em seguida, como num espelho, Jesus faz ver alguns aspectos da incoerência das autoridades religiosas

Mateus 23,4-7: Olhar no espelho para fazer uma revisão de vida. Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento incoerente de alguns doutores da lei. Ao meditar estas incoerências, convém pensar não nos fariseus e escribas daquele longínquo passado, mas sim em nós mesmos e nas nossas incoerências: amarrar pesos pesados nos outros e nós mesmos não os carregamos; fazer as coisas para sermos vistos e elogiados; gostar dos lugares de honra e de sermos chamados de doutor. Os escribas gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! (Mc 12,40)

Mateus 23,8-10: Vocês todos são irmãos.  Jesus manda ter atitude contrária. Em vez de usar a religião e a comunidade como meio de auto-promoção para aparecer mais importante diante dos outros, ele pede para não usar o título de Mestre, Pai ou Guia, pois um só é o guia, o Cristo; só Deus no céu é Pai; e o próprio Jesus é o mestre. Todos vocês são irmãos. Esta é a base da fraternidade que nasce da certeza de que Deus é nosso Pai.

Mateus 23,11-12: O resumo final: o maior é o menor . Esta frase final é o que caracteriza tanto o ensino como o comportamento de Jesus: “O maior de vocês deve ser aquele que serve a vocês. Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (cf. Mc 10,43; Lc 14,11; 18,14).

 

4) Para um confronto pessoal

1) O que Jesus criticou nos doutores da Lei, e em que os elogiou? O que ele critica em mim e o que elogiaria em mim?

2) Você já olhou no espelho?

 

5) Oração final

Quem me oferece o sacrifício de louvor, me honra, e a quem caminha retamente farei experimentar a salvação de Deus. (Sl 49, 23)

 

Entrevista do Pontífice Emérito Bento XVI ao jornal italiano Corriere della Sera: a renúncia foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência e acredito que fiz muito bem"

 

Vatican News

A renúncia ao pontificado, feita oito anos atrás, foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência", da qual ele não se arrependeu de forma alguma. Mais uma vez o  Papa emérito Bento XVI, embora em voz baixa, repete o que já disse várias vezes para desmentir os "amigos um tanto fanáticos" que continuam a ver "teorias conspiratórias" por trás da decisão de deixar a Cátedra de Pedro, retirando-se por razões de velhice. Isto foi reiterado por Joseph Ratzinger em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera.

"Foi uma decisão difícil", explicou o Papa emérito, "mas tomei-a em plena consciência, e acredito que fiz muito bem". Alguns de meus amigos um tanto "fanáticos" ainda estão irritados, eles não quiseram aceitar minha escolha. Acreditam nas teorias de conspiração: alguns disseram que foi por causa do escândalo Vatileaks, outros por causa de um complô da lobby gay, outros ainda por causa do caso do teólogo conservador Lefebvrian Richard Williamson. Eles não querem acreditar em uma escolha feita conscientemente. Mas minha consciência está limpa".

Bento XVI também falou sobre a iminente viagem do Papa ao Iraque: "Creio que seja uma viagem muito importante". "Infelizmente estamos em um momento muito difícil que torna a viagem perigosa: por razões de segurança e por causa da Covid. E também pela situação instável do Iraque. Acompanharei Francisco com minha oração". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

A Viagem Apostólica ao Iraque será a 33ª do Pontificado de Francisco, e contemplará etapas em Bagdá, Najaf, Mosul, Qaraqosh, Erbil e Nassiriya, de onde parte para Ur, local símbolo para as três religiões monoteístas.

 

Vatican News

O Patriarcado caldeu divulgou nesta sexta-feira, 26, em seus canais oficiais, uma oração para entregar a próxima viagem do Papa Francisco ao Iraque nas mãos do Senhor, com a súplica para que venha o Espírito Santo de Cristo para apoiar e iluminar as suas ações e palavras durante a viagem, tocando também o coração de todos aqueles que o encontrarão e o ouvirão durante a Viagem Apostólica. A oração foi divulgada acompanhada pelo convite para ser recitada todos os dias da semana que antecederá o início da viagem.

“Senhor - lê-se na breve súplica - entregamos a ti a viagem ao Iraque do Papa Francisco a partir de 5 de março. Que teu Santo Espírito esteja em seus gestos e palavras e no coração de quem o encontra e o escuta, para que se difundam os dons de encorajamento, de consolação, de encontro entre diferentes etnias, culturas e religiões, com o compromisso de dar passos corajosos de reconciliação e colaboração para o bem comum”.

A oração pede também que “à Igreja no Iraque seja dado conforto, luz e força para nunca se cansar de tecer novos laços de fraternidade e de paz” e termina com uma invocação que expande o olhar para toda a região do Oriente Médio: “Senhor, livra o Iraque e os países do Oriente Médio do ódio e da violência”.

Novenas e encontros de oração são convocados em todo o mundo para confiar a próxima viagem do Papa Francisco ao Iraque à Virgem Maria e ao Espírito Santo.

O arcebispo de Chicago, cardeal Blaise Joseph Cupich, por exemplo, ao anunciar em sua conta no Twitter as intenções de oração da novena promovida em sua Arquidiocese, escreve que “a população cristã no Iraque antes da invasão dos Estados Unidos em 2003, era de 1,5 milhão de pessoas; agora são menos de 400 mil. Hoje iniciamos uma novena de oração: que a visita pastoral do Papa Francisco de 5 a 8 de março a essa nação martirizada seja fecunda e que ele e todos os outros sejam protegidos de todo perigo”.

Agência Fides – GV. Fonte: https://www.vaticannews.va

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista- direto de Angra dos Reis/RJ- comenta a Transfiguração do Senhor (Mc 9, 2-10). Convento do Carmo de Angra. 28 de fevereiro-2021. DIVULGAÇÃO: www.instagram.com/freipetronio

Frei Jorge Van Kampen, O. Carm.  In Memoriam (*17/04/1932 + 08/08/2013). 

 

           Geralmente temos um ouvido muito bom para escutar a nossa voz e a nossa opinião. Mas o que um outro diz, o nosso ouvido enfraquece. No Monte Tabor é Deus que tem a palavra. Ele nos chama para ouvi-lo. É importante o que ele nos quer comunicar; não é fácil saber o que vem de Deus. É uma fraqueza nossa de querer ouvir a voz de Deus, quando coincide com a nossa opinião.

         Como é bom, quando podemos dizer, que Deus nos deu a razão. Mas quem garante esta coincidência? Geralmente não são vozes misteriosas. Podem ser palavras e testemunhas de pessoas, que sabe distinguir o bem e o mal. Na campanha da fraternidade devemos estar atentas o que se diz sobre a vida.

 

Introdução às leituras.

        Deus chama Abrão para realizar um projeto e mostra a grande benção, que este projeto tem para os seus descendentes. Timóteo ficou arrasado com a prisão de Paulo, mas este mostra o grande amor de Jesus que realizou grandes promessas, e insiste conosco: “Levantem-se, não tenhais medo!” A Campanha da Fraternidade nos mostra o grande dom da vida.

 

Reflexão.

      Na vida prática sempre temos uma ideia vaga de Deus. A sua Revelação não é muito clara. Cremos em Deus e por isso sabemos que ele existe. Não precisamos ter vergonha por causa dessa afirmação. Na Bíblia Deus se apresenta por imagens. Jesus diz assim: “Meu Pai” ou “Vosso pai celeste”. O apóstolo João diz: “Deus é amor”.  Em toda a Bíblia Deus se apresenta como um amigo fiel, que se promete conosco; como diz João 3,21: “Os que vivem de acordo com a verdade, procurem a luz”, como que quisesse dizer: “Valorize os ensinamentos de Jesus, e você encontra uma luz na caminhada da vida”.

      No silêncio do monte Tabor Deus convida para escutá-lo. No silêncio da vida é necessário colocar a nossa antena em direção a Deus. Saibamos escutar a sua palavra?

 

Resposta à Palavra de Deus.

      Terminada a visão, Jesus ficou só. Ele é a nossa palavra. A maneira de praticar a Palavra de Deus sugere, nesta quaresma, a Campanha da Fraternidade: Valorizar a Vida!

 

Frei Carlos Mesters, O. Carm.

 

Dois assuntos ligados entre si: a Transfiguração de Jesus e a questão da volta do profeta Elias. Hoje, muita gente vive esperando pela volta de Jesus e escreve nos muros da cidade: Jesus voltará! Eles não se dão conta de que Jesus já está presente dentro da nossa vida. De vez em quando, como um relâmpago repentino, esta presença se ilumina e transfigura nossa vida.

A fé que você tem em Jesus já lhe proporcionou algum momento de transfiguração e de alegria intensa? Estes momentos de alegria dão força na hora das dificuldades. 

Vamos olhar de perto nos seus mínimos detalhes o texto que nos descreve a transfiguração de Jesus (Lucas 9,28-36). Durante a leitura, vamos prestar atenção no seguinte: “Como acontece a transfiguração e qual a reação dos discípulos diante desta experiência?”

 

LEITURA DO TEXTO LUCAS 9, 28-36

Como acontece a transfiguração e qual a reação dos discípulos diante desta experiência?

Por que o texto apresenta Jesus com vestes resplandecentes conversando com Moisés e Elias? O que Moisés e Elias significam para Jesus? E o que significam para os discípulos?

Qual a mensagem da Voz do Pai para Jesus? E qual para os discípulos?

Como transfigurar, hoje, tanto a vida pessoal e familiar, como a vida comunitária aqui no bairro?

 

Vamos rezar o salmo que fala da luz de Deus: Salmo 27(26)

A Transfiguração acontece depois do primeiro anúncio da Morte de Jesus (Lc 9,21-22). Este anúncio tinha transtornado a cabeça dos discípulos, sobretudo de Pedro (Mc 8,31-33). (Lucas omite esta passagem sobre Pedro.) Eles tinham os pés no meio dos pobres, mas a cabeça perdida na propaganda do governo e da religião da época (Mc 8,15). Pois, conforme o Antigo Testamento, um condenado à morte na cruz devia ser considerado como um “maldito de Deus” (Dt 21,22-23) e jamais poderia ser o messias! Por isso Pedro reagiu com tanta força contra a cruz (Mc 8,32). A cruz era um impedimento para crer em Jesus. “A cruz é um escândalo!”, assim diziam (1Cor 1,23). A Transfiguração de Jesus ajuda os discípulos a superar o trauma da Cruz. No Evangelho de Lucas, Jesus conversa sobre a sua Paixão e Morte com Moisés e Elias (Lc 9,31).

Nos anos 80, quando Lucas escreve, a Cruz continuava sendo um grande impedimento para os judeus aceitarem Jesus como Messias. Como é que um crucificado, morto como marginal, podia ser o grande messias que o povo esperava há séculos? As comunidades não sabiam como responder às perguntas críticas dos judeus. Um dos maiores esforços dos primeiros cristãos consistia em ajudar as pessoas a perceber que a cruz não era escândalo nem loucura, mas sim expressão do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1,22-31). Lucas dá a sua contribuição neste esforço. Ele usa textos e figuras do Antigo Testamento para descrever a cena da Transfiguração. Assim ele ilumina os fatos da vida de Jesus e mostra que Jesus veio realizar as profecias e que a Cruz era o caminho para a Glória. Assim ajudava as comunidades para entender melhor quem era Jesus e qual a mensagem dele.

 

Jesus muda de aspecto.

        Jesus sobe a uma montanha alta. Lucas acrescenta que ele subiu para rezar (Lc 9,28). Lá em cima, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto com ele aparecem Moisés e Elias. A Montanha alta evoca o Monte Sinai, onde Deus tinha manifestado sua vontade ao povo entregando a lei. As vestes brancas lembram Moisés que ficava fulgurante quando conversava com Deus na Montanha e dele recebia a lei (cf. Ex 34,29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, conversam com Jesus e aprovam o que ele diz e faz. Lucas informa que a conversa de Moisés e Elias é sobre a Morte de Jesus em Jerusalém (Lc 9,31).

 

Pedro gostou mas não entendeu.

            Pedro gostou e quer segurar o momento agradável na Montanha. Ele se oferece para construir três tendas. Lucas diz que Pedro não sabia o que estava dizendo. Falou por falar. E Lucas acrescenta que os discípulos estavam com sono (Lc 9,32). Os discípulos são como nós: têm dificuldade para entender a Cruz!

 

A voz do céu esclarece os fatos. 

            A voz do Pai diz: “Este é o meu Filho ama­do! Ouvi-o!”. A expressão “Filho amado” lembra a figura do Messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1). A expressão “Ouvi-o!” lembra a profecia que prometia a chegada de um novo Moisés (cf. Dt 18,15). Com outras palavras, em Jesus, as profecias do Antigo Testamento estão se realizando. Os discípulos já não podem duvidar. Devem entender que Jesus é realmente o Messias glorioso e que o caminho da glória passa pela cruz. Pois tudo isto já tinha sido anunciado na profecia do Servo sofredor (Is 53,3-9). Moisés e Elias o confirmam. A glória da Transfiguração o comprova. O Pai o garante. Jesus o aceita.

No fim, Lucas diz que, depois da visão, os discípulos vêem só Jesus e ninguém mais. Daqui para frente, Jesus é a única revelação de Deus para nós! Só ele! Jesus é a chave para a gente entender o Antigo Testamento.

 

Saber guardar o silêncio.

            Jesus pedia para não dizerem nada a ninguém até que tivesse ressuscitado dos mortos, mas os discípulos não entenderam. De fato, não entende o significado da Cruz quem não liga o sofrimento com a ressurreição. A Cruz de Jesus é a prova de que a vida é mais forte que a morte.

 

A volta do profeta Elias. 

            No Evangelho de Marcos os discípulos querem saber sobre a volta do profeta Elias (Mc 9,11-13). O profeta Malaquias tinha anunciado que Elias devia voltar para preparar o caminho do Messias (Ml 3,23-24). O mesmo anúncio está no livro do Eclesiástico (Eclo 48,10). Então, como Jesus podia ser o Messias, se Elias ainda não tinha voltado? Por isso, os discípulos perguntam: “Por que motivo os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?” (Mc 9,11). A resposta de Jesus é clara: “Elias já veio e fizeram com ele tudo o que quiseram, conforme dele está escrito” (Mc 9, 13). Escrito aonde e o que? Jesus alude à morte violenta de João Batista (cf Mc 6,16.27-28). Nela se realizou a ameaça de morte que Jezabel fez contra Elias, conforme está escrito no livro dos Reis (1 Rs 19,2.10). Com outras palavras, as profecias de Isaías que falam da morte violenta do Messias Servo também se cumprirão.

 

Instrução sobre a necessidade da fé (Mc 9,14-29).

Ao descer do Monte, Jesus encontra os discípulos tentando inutilmente expulsar o demônio impuro de um menino doente. Anteriormente, eles tinham sido capazes de expulsar demônios (Mc 6,13). Mas, ao que parece, o desencontro crescente entre eles e Jesus tinha enfraquecido sua fé. Jesus teve um desabafo: “Ó geração sem fé! Até quando vou estar com vocês! Até quando vou suportá-los?” (Mc 9,19) De volta em casa, os discípulos perguntaram: “Por que não pudemos expulsá-lo?” Jesus responde: “Essa espécie não pode sair a não ser com oração” (Mc 9,28-29). Só mesmo a oração fortalece a fé do discípulo a ponto de ela ser capaz de expulsar o demônio e de corrigir as idéias erradas sobre Jesus, o Messias. Pois “tudo é possível àquele que crê!” (Mc 9,24)

 

1) Oração

Concedei, ó Deus, que vossos filhos se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação desta Quaresma frutifique em todos nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 20-26)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 20 Disse Jesus , se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. 21Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. 22Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena. 23Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. 25Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O texto do evangelho de hoje faz parte de uma unidade maior de Mt 5,20 até Mt 5,48. Nela Mateus mostra como Jesus interpreta e explica a Lei de Deus. Por cinco vezes ele repete a frase: "Antigamente foi dito, mas eu vos digo!" (Mt 5,21. 27.33.38.43). Um pouco antes, ele tinha dito: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os Profetas. Não vim acabar, mas sim dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17). A atitude de Jesus frente à lei é, ao mesmo tempo, de ruptura e de continuidade. Ele rompe com as interpretações erradas, mas mantém firme o objetivo que a lei quer alcançar: a prática da justiça maior que é o Amor.

Mateus 5,20: A justiça maior que a justiça dos fariseus. Este primeiro versículo dá a chave geral de tudo que segue no conjunto de Mt 5,20-48. A palavra Justiça  aparece nenhuma vez em Marcos, e sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). Isto tem a ver com a situação das comunidades para as quais Mateus escreve. O ideal religioso dos judeus da época era "ser justo diante de Deus". Os fariseus ensinavam: "A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos os seus detalhes!" Este ensinamento gerava uma opressão legalista e trazia muita angústia para as pessoas, pois era muito difícil alguém observar todas as normas (cf. Rom 7,21-24). Por isso, Mateus recolhe palavras de Jesus sobre a justiça mostrando que ela deve ultrapassar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). Para Jesus, a justiça não vem do que eu faço por Deus observando a lei, mas sim do que Deus faz por mim, acolhendo-me como filho ou filha. O novo ideal que Jesus propõe é este: "Ser perfeito com o Pai do céu é perfeito!" (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas da mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa, apesar dos meus defeitos e pecados.

Por meio de cinco exemplos bem concretos, Jesus vai mostrar como fazer para alcançar esta justiça maior que supera a justiça dos escribas e dos fariseus. Como veremos, o evangelho de hoje traz o primeiro exemplo relacionado com a nova interpretação do quinto mandamento: Não matarás! Jesus vai revelar o que Deus queria quando entregou este mandamento a Moisés.

Mateus 5,21-22: A lei diz "Não matarás!" (Ex 20,13) Para observar plenamente este quinto mandamento não basta evitar o assassinato. É preciso arrancar de dentro de si tudo aquilo que de uma ou de outra maneira possa levar ao assassinato, como por exemplo, raiva, ódio, xingamento, desejo de vingança, exploração, etc.

Mateus 5,23-24: O culto perfeito que Deus quer. Para poder ser aceito por Deus e estar unido a ele, é preciso estar reconciliado com o irmão, com a irmã. Antes da destruição do Templo, no ano 70, quando os judeus cristãos participavam das romarias a Jerusalém para fazer suas ofertas no altar e pagar suas promessas, eles sempre se lembravam desta frase de Jesus. Nos anos 80, no momento em que Mateus escreve, o Templo e o Altar já não existem. Tinham sido destruídos pelos romanos. A própria comunidade e a celebração comunitária passam ser o Templo e o Altar de Deus.

Mateus 5,25-26: Reconciliar. Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação. Isto mostra que, nas comunidades daquela época, havia muitas tensões entre grupos radicais com tendências diferentes e até opostas. Ninguém queria ceder diante do outro. Não havia diálogo. Mateus ilumina esta situação com palavras de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhimento e compreensão. Pois o único pecado que Deus não consegue perdoar é a nossa falta de perdão aos outros (Mt 6,14). Por isso, procure a reconciliação, antes que seja tarde demais!

 

5) Oração final

Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica. (Sl 129, 1-2)

 

O padre Naim Shoshandy tem muitas razões para estar nervoso: em 23 de março de 2014, a organização terrorista Daesh assassinou seu irmão de 27 anos, unicamente por ele ser cristão. Hoje, ele acolhe a “bravura” do Papa Francisco em decidir visitar a “nação martirizada” do Iraque. A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 24-02-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

“O país está em chamas, mas ele mesmo assim está indo”, afirmou o padre ao Crux, por telefone. “É um ato de bravura ir ao Iraque, a terra de Abraão, como um apóstolo”. Um ato de bravura, disse Shoshandy, sem negar que isso poderia ser considerado um ato de “loucura”.

Lá ocorreram três ataques de mísseis nos últimos dez dias, incluindo um sobre a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, e outro na base estadunidense no aeroporto de Erbil, a capital do Curdistão, a região autônoma no norte do país que o Papa Francisco também visitará e usará como base na planície de Nínive.

Shoshandy é desta região, especificamente Qaraqosh. No entanto, as chances são baixas de ele estar lá na visita do papa: depois que seu irmão foi assassinado, ele foi forçado a fugir do Iraque e hoje vive em Albacete, Espanha, onde é pároco da igreja de Santa Ana desde 2016.

Francisco visitará Erbil, Mosul e Qaraqosh em 7 de março. Sua viagem ao Iraque de 5 a 8 de março também inclui paradas na Planície de Ur – a terra natal do patriarca bíblico Abraão – e Najaf, onde se encontrará com o aiatolá Ali al-Sistani.

 

O encontro entre o pontífice e uma das principais figuras do Islã xiita será apenas mais um momento marcante durante a visita histórica, a primeira de um papa ao Iraque.

João Paulo II tentou ir ao Iraque em 1999 para dar início a uma peregrinação que o levou aos locais mais sagrados do cristianismo, mas as negociações com o governo de Saddam Hussein fracassaram e a visita nunca se materializou. “Esperamos que esta visita abra os olhos de muitos no Iraque, sirva como um lembrete de que somos todos irmãos”, disse Shoshandy.

“E também esperamos que traga algo de extrema importância: a esperança da liberdade religiosa”, Shoshandy, observando que o encontro do papa com al-Sistani será histórico.

O padre católico siríaco foi ordenado em 12 de setembro de 2013 na Catedral da Imaculada Conceição em Qaraqosh, e trabalhou como padre em várias paróquias iraquianas até ser forçado a fugir de sua diocese, ameaçado pelo Daesh. A catedral foi destruída, mas, com a ajuda da organização papal de caridade Ajuda à Igreja que Sofre, foi reconstruída e está pronta para a visita de Francisco, como mostram as fotos compartilhadas pelo padre no Twitter:

Ele costuma se referir a 6 de agosto de 2014 como o dia do “mal e da crueldade”. A memória das bombas que cobriram a cidade e a imagem de si mesmo removendo os corpos sem vida de seus próprios vizinhos sob os escombros depois que o Daesh invadiu sua cidade ainda está fresca em sua mente.

Apesar disso, ele tem esperanças para a visita do Papa: “Somos todos irmãos, como diz o lema da visita. Esperançosamente, as pessoas no Iraque entenderão isso”.

Ele quer ir ao Iraque para a visita e está tentando colocar toda a sua papelada em ordem, mas tem medo de ter problemas para reentrar na Espanha vindo do Iraque se deixar a União Europeia. Ele não está desistindo, entretanto, e até o último dia ele dirá a qualquer um que perguntar que “ele espera estar no Iraque quando o papa estiver lá”.

Se ele não puder ir, ele ainda seguirá a visita da Espanha, bem como as centenas de milhares de cristãos forçados a fugir do Iraque em uma diáspora que começou após a invasão dos EUA em 2003, mas que se agravou em 2014, após o surgimento do Daesh.

Shosandy se encontrou com o papa em 20 de março de 2019, no Vaticano: “Minhas pernas estavam tremendo e eu mal conseguia pronunciar as palavras, mas ele agarrou minhas mãos e me disse para ficar à vontade”.

“Eu me apresentei como o que sou: um padre do Iraque que também é vítima do Daesh”, disse ele. “Disse-lhe que represento os cristãos perseguidos no meu país e pedi-lhe que orasse por nós. Em seus olhos, pude ver o reflexo de sua compaixão com a história da minha família, particularmente o sofrimento que passamos desde o assassinato de meu irmão”.

A proximidade do papa, disse Shosandy, é algo que estará com ele “por toda a minha vida. Agradeço a Deus por esses momentos que ele me deu”.

Esta será a primeira viagem internacional do pontífice desde novembro de 2019, quando visitou o Japão e a Tailândia. Ele tinha uma viagem agendada para Malta em maio passado, mas foi cancelada devido à pandemia de covid-19. Quando o Vaticano anunciou a viagem ao Iraque em dezembro passado, o fez com o alerta de que a situação internacional da covid-19 seria monitorada de perto.

Na semana passada, o Iraque anunciou uma série de restrições, incluindo o fechamento de todas as casas de culto, até 8 de março, último dia da visita papal, na tentativa de conter a disseminação do coronavírus, com cerca de 3 mil novos casos registrados diariamente.

Mais de 13.295 pessoas morreram de covid-19, em um país com um sistema de saúde muito comprometido devido aos anos de guerra e violência.

A igreja martirizada do Iraque, disse Shoshandy, dá as boas-vindas à visita do papa e espera-se “trazer apoio para um povo que sofre”.

“Desde o primeiro dia de meu sacerdócio, entendi o significado da dor, geralmente causada pelo silêncio, indiferença e solidão, sofrida tanto durante a guerra no Iraque, quanto durante a guerra contra o coronavírus”, disse o padre ao Crux.

“O Iraque é uma nação que precisa da visita do Santo Padre, mas quando chegar a Bagdá não estará apenas visitando o Iraque: todos os cristãos do Oriente Médio aguardam essa peregrinação”, disse.

“Todos estão muito entusiasmados e felizes com a visita de Sua Santidade”, acrescentou. “É uma visita sagrada para nós, e a única nuvem acima dela é a do coronavírus, mas todo o possível está sendo feito para garantir que todos estejam seguros”.

Por exemplo, embora o estádio onde o papa irá celebrar a missa em Erbil possa acomodar confortavelmente 20 mil pessoas, apenas 10 mil terão permissão para comparecer.

“Cristãos e todas as pessoas de boa-vontade no Oriente Médio viveram por algum tempo em um estado de dúvida e medo, enfrentando muitos problemas”, disse Shoshandy. “Mas o Papa vem até nós para nos apoiar e nos encorajar. Nós todos, mesmo aqueles que vivem além-fronteiras, esperam ansiosamente para dar-lhe as boas-vindas”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

A caligrafia pequena na folha amarelada de um diário escolhido ao acaso e que traz no cabeçalho as palavras "notas e memórias do dia". Um único erro de ortografia, corrigido à mão. É o primeiro fragmento excepcional de uma grande quantidade de escritos inéditos e ainda secretos: os diários, cuja existência pela primeira vez o Repubblica pode revelar, de uma grande personalidade da Igreja do século XX, o cardeal Carlo Maria Martini. Até agora, poucos sabiam de sua existência. Martini não falou com ninguém sobre isso. Eram o seu segredo. O fragmento foi escrito em 5 de setembro de 1955, uma segunda-feira. A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 21-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Martini tem 28 anos, já é padre, estuda teologia com vistas ao doutorado. Está na Inglaterra. Aqui, como fulgurado, comunica a decisão de manter um diário íntimo e pessoal, um trabalho que o acompanhará por toda a vida. Ele escreve: “Chego a Londres à noite, depois de uma viagem por Carlisle, Preston, Crewe. Li algumas páginas do diário de Merton: gostaria também de escrever um diário que revelasse verdadeiramente quem eu sou, que servisse para me descobrir. Eu gostaria que isso me aproximasse de Deus, mas temo que se torne um instrumento de complacência. Tive muito que sofrer por minha própria causa em Blackburn. Por um lado, me sinto amarrado e pequeno, por outro, pareço ter algo grande para expressar. Eu quero que tudo seja apenas para Deus, ao custo de esmagar todo o resto de mim. Faça, oh! meu Deus, que seja assim!”.

Ninguém sabe a que sofrimento Martini alude. O que se conhece é a humildade do cardeal, que desde pequeno tem como leitura predileta os Evangelhos, os clássicos da teologia, até os diários do monge trapista estadunidense Merton que, como Martini, adorava a busca de um diálogo com cada homem, respeitando as diferenças de cada um. Muitos dos diários de Merton relatam seu interesse em um maior conhecimento do monaquismo budista. Como ele, também Martini fará do conhecimento de outras religiões um traço decisivo de sua vida.

O estilo de Martini tem muito em comum com a busca da voz de Deus no retiro que para Merton era o deserto, para ele a cidade com suas contradições. Aqueles do religioso jesuíta são textos pessoais que - 34 entre cadernos e agendas - revelam pensamentos súbitos e que, precisamente pelo seu caráter confidencial, se não contextualizados podem gerar mal-entendidos. Por isso, explica Carlo Casalone - presidente da "Fundação Carlo Maria Martini" e provincial da Itália da Companhia quando o cardeal deixou em legado seus escritos aos Jesuítas - "por algum tempo não estarão disponíveis para consulta: precisam de uma reorganização e de uma análise que só mãos experientes podem realizar”. Os diários, encontrados em Gallarate onde Martini passou seus últimos anos de vida, também exigirão uma delicada restauração, confiada ao prestigioso laboratório das freiras beneditinas de Viboldone. Foram recuperados por dom Luigi Testore, executor testamentário do cardeal e atual bispo de Asti, e por Paolo Cortesi, secretário pessoal de Martini de 1983 a 1990. Muitos cadernos têm um título, dado diretamente por Martini e contêm pensamentos quase diários: anotações pessoais, espirituais, de estudo, notas de trabalho, notas de viagem e de escritório, reflexões sobre os Evangelhos ou personagens bíblicos, impressões sobre pessoas encontradas, fatos atuais. Martini usa vários cadernos ao mesmo tempo, muitos também têm papéis soltos dentro deles, consistindo em apontamentos pessoais ou de terceiros, recortes de jornal, imagens, correspondência e outros materiais.

Por meio do seu estudo, a Fundação poderá dissecar traços desconhecidos de Martini. Além disso, já nos arquivos, existem muitos textos inéditos que ainda precisam da correta localização histórica. Entre os mais interessantes estão os escritos dedicados às relações com outras religiões, tema também do último volume da Opera omnia publicada pela Bompiani, Fratelli e sorelle. Ebrei, cristiani, musulmani.

Nas Conversas Noturnas de Jerusalém, Martini argumenta que Deus poderia nem mesmo ser tradicionalmente "católico".

Nos documentos já recolhidos nos arquivos e em grande parte disponíveis no site da Fundação - 5044 textos, 323 serviços fotográficos, 200 áudios, 623 documentos doados, 51 entrevistas em vídeo - Martini vai ao fundo de seus pensamentos. Existe a busca pelo confronto com o budismo. E as reflexões sobre o Islã que tenta se defender de todas as infiltrações do método histórico-crítico, com a constatação de que quando essa defesa não for mais possível "passará por uma grande crise interna".

Num rascunho datilografado de 1989 e dedicado à presença e ação missionária cristã na Índia e nos países muçulmanos, Martini se pergunta que sentido tenha a presença da Igreja onde o Islã é como um "muro" impenetrável. “Se especificarmos que temos como meta a sua conversão, o diálogo é queimado desde o início”, escreve ele.

O mesmo ocorre na Índia, com os hindus ou onde o budismo é praticado.

Entre aqueles que acreditam que seja legítimo tentar trazer as grandes massas de volta para a Igreja, tanto quanto possível, e aqueles que, em vez disso, na esteira de Atos 1, acreditam que o mandato seja simplesmente o de dar testemunho independentemente da conversão, Martini, como é seu estilo, não resolve completamente, não condena os primeiros em favor dos segundos, embora ele pessoalmente admita que prefere a segunda abordagem.

É o estilo de Martini, um homem de diálogo sem fundamentalismos, que emerge em documentos que acompanham grande parte do século XX até sua morte em 31 de agosto de 2012, em um momento difícil para a Igreja, um ano e meio antes da renúncia de Bento XVI. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br