Dom Wilson Tadeu Jönck

Arcebispo de Florianópolis (SC)

 

Conta uma parábola de origem judaica que a Mentira e a Verdade, em um dia de sol, saíram a caminhar no campo. E resolveram banhar-se nas águas de um rio que se apresentava muito convidativo. Cada uma tirou a sua roupa e caíram na água. Mas, a um dado momento a Mentira aproveitou-se da distração da Verdade, saiu da água e vestiu as roupas da Verdade. Quando esta saiu da água, negou-se a usar as vestes da Mentira. Saiu nua a perseguir a Mentira. As pessoas que as viam passar acolhiam a Mentira com as vestes da Verdade, mas proferiam impropérios e condenações contra a atitude despudorada da Verdade. Moral: as pessoas estão mais dispostas a aprovar a Mentira com vestes de Verdade do que enfrentar a Verdade nua e crua.

A parábola apresenta uma realidade da comunidade dos seres humanos. Aquilo que mostram nem sempre corresponde à verdade. Mais, as pessoas na sociedade atual consomem tempo e dinheiro para construir vestes vistosas que possam ocultar a realidade da vida. Torna-se uma segunda natureza, artigo que não pode faltar no dia a dia. Há uma indústria de cosméticos, de vestuário, de perfumaria que assumem o nível de primeira necessidade na vida do ser humano. E tantas vezes eles existem para esconder imperfeições ou aspectos menos aceitáveis da própria pessoa.

Outra característica da sociedade hodierna é a exposição da imagem. Os meios de comunicação são especializados em produzir aparências. Aquelas imagens que aparecem na TV são produzidas para provocarem impacto. Quando as pessoas mostram admiração pela imagem apresentada por nós, reagimos como se a imagem fosse o eu verdadeiro. Na sociedade atual somos educados a esconder a verdade que somos nós. Já dizia Fernando Pessoa “o poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que dor, a dor que deveras sente”.

É da natureza humana o querer apresentar uma imagem de si, melhor do que a realidade. Podemos afirmar de nós mesmos que não somos tão bons, tão justos, tão generosos, tão honestos como fazemos acreditar. Dar-se conta disto é o caminho para se chegar à verdade de si mesmo. Diz o Evangelho: “a verdade liberta”. O mundo da aparência traz consigo o peso da escravidão. Um exemplo: Quando o casamento é realizado sobre aparências que encobrem a verdade, acaba se tornando insustentável. Descobrir a verdade sobre nós mesmos, sobre a realidade que nos cerca, é o caminho de libertação.

Para terminar, uma frase atribuída a Bismark: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante a guerra, e depois de uma caçada”. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O Papa tinha feito um apelo no Angelus desta sexta-feira (01) pela libertação de dom Moses Chikwe e seu motorista, sequestrados em 27 de dezembro. Representantes da Organização das Mulheres Cristãs tinham organizado uma manifestação pedindo a libertação dos dois. A arquidiocese de Owerri, no Estado de Imo, na Nigéria, divulgou nota oficial comunicando que eles foram libertados ilesos: dom Anthony Obinna agradeceu a Francisco e à Polícia local.

 

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Francisco, no Angelus desta sexta-feira (1), fez um apelo pela “segurança, concórdia e paz” na Nigéria e pediu orações para todas as pessoas sequestradas no país, entre elas, o bispo auxiliar de Owerri. Neste sábado (2), a boa notícia divulgada pelo arcebispo local, dom Anthony Obinna: o prelado e o seu motorista, sequestrados no último domingo, 27 de dezembro, foram libertados na noite desta sexta-feira, 1º de janeiro.

Em nota oficial da Arquidiocese de Owerri, veio a confirmação da libertação. O arcebispo disse que chegou a visitar o bispo auxiliar, na sua casa, próximo das 23h: "ele parecia fraco pela experiência traumática".

Segundo a Agência de Notícias Fides, o porta-voz da polícia local, Orlando Ikeokwu, disse que o bispo auxiliar e o motorista foram libertados ilesos e sem nenhum resgate pago, graças a uma operação da Polícia do Estado de Imo. O motorista, no entanto, foi levado ao hospital às pressas para receber o tratamento necessário devido às feridas causadas por facadas.

O arcebispo de Owerri, na nota oficial, agradeceu à polícia pelos esforços empreendidos para conseguir libertar o prelado e o motorista. O agradecimento também foi dirigido ao Papa Francisco, que fez um apelo pela libertação, além de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que rezaram pela feliz conclusão do sequestro. Representantes da Organização das Mulheres Cristãs (CWO) haviam organizado uma marcha de protesto no último dia 30 de dezembro, em Owerri, também pedindo a libertação dos dois homens. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Neste ano o Te Deum será presidio pelo cardeal decano Giovanni Battista Re que lerá a homilia do Papa Francisco ausente devido a uma dolorosa ciatalgia. A cerimônia das Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, será realizada na tarde desta quinta-feira e se concluirá com o hino cristão pelo ano transcorrido marcado pela Covid.

 

Vatican News

Devido a uma dolorosa ciatalgia, as celebrações desta noite e da manhã do dia 1º de janeiro no altar da Cátedra na Basílica do Vaticano não serão presididas pelo Papa Francisco. As Primeiras Vésperas e Te Deum desta noite, 31 de dezembro de 2020, serão presididas por Sua Eminência Card. Giovanni Battista Re, Decano do Colégio dos Cardeais, enquanto a Santa Missa amanhã, 1º de janeiro de 2021, será presidida por Sua Eminência o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado.  Amanhã, 1º de janeiro de 2021, o Papa Francisco ainda fará a oração do Angelus na Biblioteca do Palácio Apostólico, conforme previsto.

Um ano que se encerra com a incerteza global e os medos com os quais iniciara, no sofrimento produzido nestes últimos meses, e portanto com uma necessidade ainda mais aguda de confiar tudo ao céu. De certa forma, os gestos e as notas da tradição e a solenidade simples do Te Deum na tarde desta quinta-feira 17 horas, hora de Roma (13 horas de Brasília) na Basílica de São Pedro resumem todos os Te Deum que serão cantados nas igrejas do mundo inteiro, no final de doze meses duramente condicionados pela pandemia.

 

Te Deum 2020

O hino de ação de graças que neste 31 de dezembro é cantado durante as Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Mãe de Deus, mas que acompanha a vida da Igreja também noutras ocasiões importantes - na Capela Sistina, após a eleição de um novo Pontífice, antes da dissolução do Conclave ou na conclusão de um Concílio - presidido pelo cardeal decano será um ato de veneração ao Menino Jesus no início e no fim do rito. No final das Vésperas haverá a exposição do Santíssimo Sacramento e alguns minutos de silêncio para adoração. Depois, o Te Deum será cantado e o cardeal Giovanni Battista Re concederá a Bênção com o Santíssimo Sacramento.

 

Uma breve história de um cântico antigo

Hoje os especialistas atribuem a redação final do Te Deum a Niceta, bispo de Remesiana, no final do século IV, quando anteriormente o autor era considerado São Cipriano de Cartago. Não existe, contudo, qualquer base histórica para a tese – que remonta a uma crônica de Milão do século XI falsamente atribuída ao bispo Dacio - de que o Te Deum foi cantado por Santo Ambrósio e Santo Agostinho no dia do batismo deste último, que teve lugar em Milão em 386.

Rádio Vaticano – Vatican News irá transmitir a celebração com comentários em português a partir das 12h55, hora de Brasília. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

 

 

 

1) Oração

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho como homem nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 2, 36-40)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 36Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. 38Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. 39Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré. 40O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

 

3) Reflexão

Nos primeiros dois capítulos de Lucas, tudo gira em torno do nascimento de duas crianças: João e Jesus. Os dois capítulos nos fazem sentir o perfume do Evangelho de Lucas. Neles, o ambiente é de ternura e de louvor. Do começo ao fim, se louva e se canta a misericórdia de Deus: os cânticos de Maria (Lc 1,46-55), de Zacarias (Lc 1,68-79), dos anjos (Lc 2,14), de Simeão (Lc 2,29-32). Finalmente, Deus chegou para cumprir suas promessas, e Ele as cumpre em favor dos pobres, dos anawim, dos que souberam perseverar e esperar pela sua vinda: Isabel, Zacarias, Maria, José, Simeão, Ana, os pastores.

Os capítulos 1 e 2 do Evangelho de Lucas são muito conhecidos, mas pouco aprofundados. Lucas escreve imitando os escritos do AT. É como se os primeiros dois capítulos do seu evangelho fossem o último capítulo do AT que abre a porta para a chegada do Novo. Estes dois capítulos são a dobradiça entre o AT e o NT. Lucas quer mostrar como as profecias estão se realizando. João e Jesus cumprem o Antigo e iniciam o Novo.

Lucas 2,36-37: A vida da profetisa Ana

“Havia também uma profetisa chamada Ana, de idade muito avançada. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Tinha-se casado bem jovem, e vivera sete anos com o marido. Depois ficou viúva, e viveu assim até os oitenta e quatro anos. Nunca deixava o Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações”. Como Judite (Jd 8,1-6), Ana é viúva. Como Débora (Jz 4,4), ela é profetisa. Isto é, pessoa que comunica algo de Deus e que tem uma abertura especial para as coisas da fé a ponto de poder comunicá-las aos outros. Ana casou jovem, viveu em casamento durante sete anos, ficou viúva e continuou dedicada a Deus até oitenta e quatro anos. Hoje, em quase todas as nossas comunidades, no mundo inteiro, você encontra um grupo de senhoras de idade, muitas delas viúvas, cuja vida se resume em rezar e marcar presença nas celebrações e em servir ao próximo.

Lucas 2,38: Ana e o menino Jesus

Ela chegou nesse instante, louvava a Deus, e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”. Chegou ao templo no momento em que Simeão abraçava o menino e conversava com Maria sobre o futuro do menino (Lc 2,25-35). Lucas sugere que Ana participou neste gesto. O olhar de Ana é um olhar de fé. Ela vê um menino nos braços de sua mãe, e descobre nele o Salvador do mundo.

Lucas 2,39-40: A vida de Jesus em Nazaré

Quando acabaram de cumprir todas as coisas, conforme a Lei do Senhor, voltaram para Nazaré, sua cidade, que ficava na Galileia. O menino crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele”.  Nestas poucas palavras, Lucas comunica algo do mistério da encarnação. “A Palavra de fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). O Filho de Deus tornou-se igual a nós em tudo e assumiu a condição de servo (Filp 2,7). Foi obediente até a morte e morte de cruz (Filp 2,8). Dos trinta e três anos que viveu entre nós, trinta foram vividos em Nazaré. Se você quiser saber como foi a vida do Filho de Deus durante os anos que ele viveu em Nazaré, procure conhecer a vida de qualquer nazareno daquele época, mude o nome, coloque Jesus e você terá a vida do Filho de Deus durante trinta dos trinta e três anos da sua vida, igual a nós em tudo, menos no pecado (Hb 4,15). Nestes trinta anos da sua vida, “o menino crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele”. Em outro lugar Lucas afirma a mesma coisa com outras palavras. Ele diz que o menino “crescia em sabedoria, idade e tamanho diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Crescer em Sabedoria significa assimilar os conhecimentos, a experiência humana acumulada ao longo dos séculos: os tempos, as festas, os remédios, as plantas, as orações, os costumes, etc. Isto se aprende vivendo e convivendo na comunidade natural do povoado. Crescer em Tamanho significa nascer pequeno, crescer aos poucos e ficar adulto. É o processo de cada ser humano com suas alegrias e tristezas, descobertas e frustrações, raivas e amores. Isto se aprende vivendo e convivendo na família com os pais, os irmãos e irmãs, os tios, os parentes. Crescer em Graça significa: descobrir a presença de Deus na vida, a sua ação em tudo que acontece, a vocação, o chamado dele. A carta aos hebreus diz que: “Embora fosse filho de Deus, Jesus teve que aprender a ser obediente através dos seus sofrimentos” (Hb 4,8).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Conhece pessoas como Ana, que tem um olhar de fé sobre as coisas da vida?

2) Crescer em sabedoria, tamanho e graça: como isto acontece em minha vida?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome, anunciai dia após dia a sua salvação.

Entre os povos narrai a sua glória, entre todas as nações dizei seus prodígios. (Sl 95, 2-3)

 

1) Oração

Ó Deus invisível e todo-poderoso, que dissipastes as trevas do mundo com a vinda da vossa luz, volvei para nós o vosso olhar, a fim de que proclamemos dignamente a maravilhosa natividade de vosso Filho Unigênito. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 2, 22-35)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - 22Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2); 24e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31que preparastes diante de todos os povos, 32como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel. 33Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, 35a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.

 

3) Reflexão

Os primeiros dois capítulos do Evangelho de Lucas, escrito na metade dos anos 80, não são história no sentido em que nós hoje entendemos a história. Funcionam muito mais como espelho, onde os cristãos convertidos do paganismo descobriam que Jesus tinha vindo realizar as profecias do Antigo Testamento e atender às mais profundas aspirações do coração humano. São também símbolo e espelho do que estava acontecendo entre os cristãos do tempo de Lucas. As comunidades vindas do paganismo tinham nascido das comunidades dos judeus convertidos, mas eram diferentes. O Novo não correspondia ao que o Antigo imaginava e esperava. Era "sinal de contradição" (Lc 2,34), causava tensões e era fonte de muita dor. Na atitude de Maria, imagem do Povo de Deus, Lucas apresenta um modelo de como perseverar no Novo, sem ser infiel ao Antigo.

Nestes dois primeiros capítulos do evangelho de Lucas tudo gira em torno do nascimento de duas crianças: João e Jesus. Os dois capítulos nos fazem sentir o perfume do Evangelho de Lucas. Neles, o ambiente é de ternura e de louvor. Do começo ao fim, se louva e se canta, pois, finalmente, a misericórdia de Deus se revelou e, em Jesus, ele cumpriu as promessas feitas aos pais. E Deus as cumpriu em favor dos pobres, dos anawim, como Isabel e Zacarias, Maria e José, Ana e Simeão, os pastores. Estes souberam esperar pela sua vinda.

A insistência de Lucas em dizer que Maria e José cumpriram tudo aquilo que a Lei prescreve evoca o que Paulo escreveu na carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei para resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adotados como filhos” (Gal 4,4-5).

A história do velho Simeão ensina que a esperança, mesmo demorada, um dia se realiza. Ela não se frustra nem se desfaz. Mas a forma de ela realizar-se nem sempre corresponde à maneira como a imaginamos. Simeão esperava o Messias glorioso de Israel. Chegando ao templo, no meio de tantos casais que trazem seus meninos ao templo, ele vê um casal pobre lá de Nazaré. É neste casal pobre com seu menino ele vê a realização da sua esperança e da esperança do povo: “Meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel."

No texto do evangelho deste dia, aparecem os temas preferidos de Lucas, a saber, uma grande insistência na ação do Espírito Santo, na oração e no ambiente orante, uma atenção contínua à ação e à participação das mulheres, e uma preocupação constante com os pobres e com a mensagem a ser dada aos pobres.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Você seria capaz de perceber numa criança pobre a luz para iluminar as nações?

2) Você seria capaz de agüentar uma vida inteira esperando a realização da sua esperança?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome, anunciai dia após dia a sua salvação. (Sal 95, 1-2)

 

1) Oração

Ó Deus, hoje os santos inocentes proclamam vossa glória, não por palavras, mas pela própria morte; dai-nos também testemunhar com nossa vida o que nossos lábios professam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 2,13-18)

13Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: "Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo". 14José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu Filho". 16Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou muito furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, exatamente conforme o tempo indicado pelos magos. 17Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18"Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais.

 

3) Reflexão

 O Evangelho de Mateus, redigido em torno dos anos 80 e 90, tem a preocupação de mostrar que em Jesus se realizam as profecias. Muitas vezes se diz: “Isto aconteceu para que se realizasse o que diz a escritura....” (cf. Mt 1,22; 2,17.23; 4,14; 5,17; etc).  É porque os destinatários do Evangelho de Mateus são as comunidades de judeus convertidos que viviam uma crise profunda de fé e de identidade. Depois da destruição de Jerusalém no ano 70, os fariseus eram o único grupo sobrevivente do judaísmo. Nos anos 80, quando eles começaram a se reorganizar, crescia a oposição entre judeus fariseus e judeus cristãos. Estes últimos acabaram sendo excomungados da sinagoga e separados do povo das promessas. A excomunhão tornou agudo o problema da identidade. Já não podiam mais freqüentar suas sinagogas. E vinha a dúvida: Será que erramos? Quem é o verdadeiro povo de Deus? Jesus é realmente o Messias?

É para este grupo sofrido que Mateus escreve o seu evangelho como Evangelho da consolação para ajudá-los a superar o trauma da ruptura; como Evangelho da revelação para mostrar que Jesus é o verdadeiro Messias, o novo Moisés, no qual se realizam as promessas; como Evangelho da nova prática para ensinar o caminho de como alcançar a nova justiça, maior do que a justiça dos fariseus (Mt 5,20).

No evangelho de hoje transparece esta preocupação de Mateus. Ele consola as comunidades perseguidas mostrando que Jesus também foi perseguido. Ele revela que Jesus é o Messias, pois por duas vezes insiste em dizer que as profecias nele se realizaram; e sugere ainda que Jesus seja o novo Moisés, pois como Moisés foi perseguido e teve que fugir. Ele aponta um novo caminho, sugerindo que devem fazer como os magos que souberam driblar a vigilância da Herodes e voltaram por um ouro caminho para casa.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Herodes mandou matar as crianças de Belém. O Herodes de hoje continua matando milhões de crianças. Elas morrem de fome, de doença, de desnutrição, de aborto. Quem é hoje Herodes?

2) Mateus ajuda a superar a crise de fé e de identidade. Hoje, muitos vivem uma crise profunda de fé e de identidade. Como o Evangelho pode ajudar a superar esta crise?

 

5) Oração final

Nosso auxílio está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra. (Sal 123, 8)

 

A liturgia deste domingo propõe-nos a família de Jesus como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares... Como a família de Jesus - diz-nos a liturgia deste dia - as nossas famílias devem viver numa atenção constante aos desafios de Deus e às necessidades dos irmãos.

O Evangelho põe-nos diante da Sagrada Família de Nazaré apresentando Jesus no Templo de Jerusalém. A cena mostra uma família que escuta a Palavra de Deus, que procura concretizá-la na vida e que consagra a Deus a vida dos seus membros. Nas figuras de Ana e Simeão, Lucas propõe-nos também o exemplo de dois anciãos de olhos postos no futuro, capazes de perceber os sinais de Deus e de testemunhar a presença libertadora de Deus no meio dos homens.

 

Evangelho- Atualização (LC 2,22-40).

Neste episódio do "Evangelho da Infância", Lucas apresenta-nos uma família - a Sagrada Família - que vive atenta aos apelos de Deus e que se empenha em cumprir cuidadosamente os preceitos do Senhor. Por quatro vezes (vers. 22.23.24.27), Lucas refere, a propósito da família de Jesus, o cumprimento da Lei de Moisés, da Lei do Senhor ou da Palavra do Senhor - o que sugere a importância que a Palavra de Deus assume na vida da família de Nazaré. Trata-se, na perspectiva de Lucas, de uma família que escuta a Palavra de Deus e que constrói a sua existência ao ritmo da Palavra de Deus e dos desafios de Deus.

Maria e José perceberam provavelmente que uma família que escuta a Palavra de Deus e que procura responder aos desafios postos por essa Palavra é uma família feliz, que encontra na Palavra indicações seguras acerca do caminho que deve percorrer e que se constrói sobre a rocha firme dos valores eternos. Que importância é que a Palavra de Deus assume na vida das nossas famílias? Procuramos que cada membro das nossas famílias cresça numa progressiva sensibilidade à Palavra de Deus e aos desafios de Deus? Encontramos tempo para reunir a família à volta da Palavra de Deus e para partilhar, em família, a Palavra de Deus?

Segundo a Lei judaica, todo o primogénito devia ser consagrado e dedicado ao Senhor. Também Jesus é apresentado no Templo e consagrado ao Senhor. Nas nossas famílias cristãs há normalmente uma legítima preocupação com o proporcionar a cada criança condições ótimas de vida, de educação, de acesso à instrução e aos cuidados essenciais... Haverá sempre uma preocupação semelhante no que diz respeito à formação para a fé e em proporcionar aos filhos uma verdadeira educação para a vida cristã e para os valores de Jesus Cristo? Os pais cristãos preocupam-se sempre em proporcionar aos seus filhos um exemplo de coerência com os compromissos assumidos no dia do Batismo? Preocupam-se em ser os primeiros catequistas dos próprios filhos, transmitindo-lhes os valores do Evangelho? Preocupam-se em acompanhar e em potenciar a formação e a caminhada catequética dos próprios filhos, em inseri-los numa comunidade de fé, em integrá-los na família de Jesus, em consagrá-los ao serviço de Deus?

Simeão e Ana, os dois anciãos que acolhem Jesus no Templo de Jerusalém, não são pessoas desiludidas da vida, que vivem voltadas para o passado sonhando com um tempo ideal que já não volta; mas são pessoas voltadas para o futuro, atentas ao Deus libertador que vem ao seu encontro, que sabem ler os sinais de Deus naquele menino que chega e que testemunham diante dos seus conterrâneos a presença salvadora e redentora de Deus no meio do seu Povo. Os anciãos - quer pela sua maturidade, sabedoria e equilíbrio, quer pelo tempo de que normalmente dispõem - podem ser testemunhas privilegiadas dos valores de Deus, intérpretes dos sinais de Deus, profetas credíveis que obrigam o mundo a confrontar-se com os desafios de Deus. É preciso que não vivam voltados para o passado, refugiados numa realidade que alienam transformados em "estátuas de sal", mas que vivam de olhos postos no futuro, de espírito aberto e livre, pondo a sua sabedoria e experiência ao serviço da comunidade humana e cristã, ensinando os mais jovens a distinguir entre o que é eterno e importante e o que é passageiro e acessório.

*Leia a reflexão na íntegra. Clique ao lado o link- EVANGELHO DO DIA.

1) Oração

Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos santo Estêvão, vosso primeiro mártir, que soube rezar por seus perseguidores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 10, 17-22)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 17 Cuidado com os homens, porque eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. 18 Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. 19 Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. 20 Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós. 21 O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. 22 Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

 

3) Reflexão

O contraste é grande. Ontem, dia de Natal, foi o presépio do recém nascido com o canto dos anjos e a visita dos pastores. Hoje é o sangue derramado de Estevão, apedrejado até a morte, porque teve a coragem de crer na promessa expressa na simplicidade do presépio. Estevão criticou a interpretação fundamentalista da Lei de Deus e o monopólio do Templo. Por isso foi morto por eles (At 6,13-14).

Hoje, na festa de Estevão, primeiro mártir, a liturgia traz um trecho do evangelho de Mateus (Mt 10,17-22), tirado do assim chamado Sermão da Missão (Mt 10,5-42). Nele Jesus adverte os seus discípulos dizendo que a fidelidade ao evangelho traz dificuldades e perseguição: “eles entregarão vocês aos tribunais e açoitarão vocês nas sinagogas deles”. Mas para Jesus o que importa na perseguição não é o lado doloroso do sofrimento, mas sim o lado positivo do testemunho: “Vocês vão ser levados diante de governadores e reis, por minha causa, a fim de serem testemunhas para eles e para as nações”. A perseguição é uma oportunidade para dar testemunho da Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe.

Foi o que aconteceu com Estevão. Ele deu testemunho da sua fé em Jesus até o último momento da sua vida. Na hora de morrer ele disse: “Vejo os céus abertos, e o Filho do Homem em pé à direita de Deus” (At 7,56). E ao cair morto debaixo das pedradas imitou Jesus gritando: “Senhor, não lhes leve em conta este pecado!” (At 7,60; Lc 23,34).

Jesus tinha dito: “Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês o que vocês devem dizer. Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. Esta profecia de Jesus também se realizou em Estevão. Os seus adversários “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com o qual ele falava” (At 6,10). “Os membros do sinédrio tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo” (At 6,15). Estevão falava “repleto do Espírito Santo” (At 7,55). Por isso, a raiva dos outros era maior e o lincharam na hora.

Até hoje acontece o mesmo. Em muitos lugares muita gente é arrastada diante dos tribunais e sabe dar respostas que superam em sabedoria aos sábios e entendidos (Lc 10,21).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Colocando-se na posição de Estevão: você já sofreu alguma vez por causa da sua fidelidade ao Evangelho?

2) A simplicidade do presépio e a dureza do martírio vão de par em par na vida dos Santos e Santas e na vida de tantas pessoas que hoje são perseguidas até a morte por causa da sua fidelidade ao evangelho. Você conheceu de perto pessoas assim?

 

5) Oração final

Inclina para mim teu ouvido, vem depressa livrar-me. Sê para mim o rochedo que me acolhe, refúgio seguro, para a minha salvação. Pois tu és minha rocha e meu baluarte, pelo teu nome me diriges e me guias. (Sal 30, 3-4)

A liturgia deste dia convida-nos a contemplar o amor de Deus, manifestado na encarnação de Jesus... Ele é a "Palavra" que se fez pessoa e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de "filhos de Deus".
O Evangelho desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a "Palavra" viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho/"Palavra" é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus.

 

Evangelho (Jo 1,1-18).  Atualização

A transformação da "Palavra" em "carne" (em menino do presépio de Belém) é a espantosa aventura de um Deus que ama até ao inimaginável e que, por amor, aceita revestir-Se da nossa fragilidade, a fim de nos dar vida em plenitude. Neste dia, somos convidados a contemplar, numa atitude de serena adoração, esse incrível passo de Deus, expressão extrema de um amor sem limites.

Acolher a "Palavra" é deixar que Jesus nos transforme, nos dê a vida plena, a fim de nos tornarmos, verdadeiramente, "filhos de Deus". O presépio que hoje contemplamos é apenas um quadro bonito e terno, ou uma interpelação a acolher a "Palavra", de forma a crescermos até à dimensão do homem novo?

Hoje, como ontem, a "Palavra" continua a confrontar-se com os sistemas geradores de morte e a procurar eliminar, na origem, tudo o que rouba a vida e a felicidade do homem. Sensíveis à "Palavra", embarcados na mesma aventura de Jesus - a "Palavra" viva de Deus - como nos situamos diante de tudo aquilo que rouba a vida do homem? Podemos pactuar com a mentira, o oportunismo, a violência, a exploração dos pobres, a miséria, as limitações aos direitos e à dignidade do homem?

Jesus (esse menino do presépio) é para nós a "Palavra" suprema que dá sentido à nossa vida, ou deixamos que outras "palavras" nos condicionem e nos induzam a procurar a felicidade em caminhos de egoísmo, de alienação, de comodismo, de pecado? Quais são essas "palavras" que às vezes nos seduzem e nos afastam da "Palavra" eterna de Deus que ecoa no Evangelho que Jesus veio propor?

*Leia a reflexão na integra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, ao aproximar-nos do natal do vosso Filho, concedei-nos obter a misericórdia do Verbo, que se encarnou no seio da Virgem e quis viver entre nós Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 1, 57-66)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - 57Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho. 58Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias. 60Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João. 61Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome. 62E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse. 63Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados. 64E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus. 65O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia. 66Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.

 

3) Reflexão

Nos capítulos 1 e 2 do seu evangelho, Lucas descreve o anúncio e o nascimento de dois meninos, João e Jesus, que vão ocupar um papel importante na realização do projeto de Deus. O que Deus iniciou no AT começa a ser realizado por meio deles. Por isso, nestes dois capítulos, Lucas evoca muitos fatos e pessoas do AT e ele chega a imitar o estilo do AT. É para sugerir que com o nascimento destes dois meninos a história faz a grande curva e inicia a realização das promessas de Deus por meio de João e de Jesus e com a colaboração dos pais Isabel e Zacarias e Maria e José.

Existe certo paralelismo entre o anúncio e o nascimento dos dois meninos:

  1. O anúncio do nascimento de João (Lc 1,5-25) e de Jesus (Lc 1,26-38)
  2. As duas mães grávidas se encontram e experimentam a presença de Deus (Lc 1,27-56)
  3. O nascimento de João (Lc 1,57-58) e de Jesus (Lc 2,1-20)
  4. A circuncisão na comunidade de João (Lc 1,59-66) e de Jesus (Lc 2,21-28)
  5. O canto de Zacarias (Lc 1,67-79) e o canto de Simeão com a profecia de Ana (Lc 2,29-32)
  6. A vida oculta de João (Lc 1,80) e de Jesus (Lc 2,39-52)

Lucas 1,57-58: Nascimento de João Batista

Completou-se para Isabel o tempo do parto e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela”. Como tantas mulheres do AT, Isabel era estéril: Como Deus teve piedade de Sara (Gn 16,1; 17,17; 18,12), de Raquel (Gn 29,31) e de Ana (1Sam 1,2.6.11) transformando a esterilidade em fecundidade, assim Ele teve piedade de Isabel, e ela concebeu um filho. Grávida, Isabel escondeu-se durante cinco meses. Quando, depois de cinco meses, o povo pôde verificar no corpo dela como Deus tinha sido bom para Isabel, todos se alegraram com ela. Este ambiente comunitário em que todos se envolvem com a vida dos outros, tanto na alegria como na dor, é o ambiente em que João e Jesus nasceram, cresceram e receberam a sua formação. Um ambiente assim marca a personalidade das pessoas pelo resto da sua vida.  É este ambiente comunitário que mais nos falta hoje.

Lucas 1,59: Dar o nome no oitavo

No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias”. O envolvimento da comunidade na vida da família de Zacarias, Isabel e João é tanto que os parentes e vizinhos chegam a interferir até na escolha do nome do menino. Querem dar ao menino o nome do pai: Zacarias!” Zacarias quer dizer: Deus se lembrou. Talvez quisessem expressar a gratidão a Deus  por Ele ter se lembrado de Isabel e de Zacarias e por ter-lhes dado um filho na velhice.

Lucas 1,60-63: O nome dele será João!  

Mas Isabel intervém e não permite os parentes tomarem a dianteira na questão do nome. Lembrando o anúncio do nome pelo anjo a Zacarias (Lc 1,13), ela diz: "Não! Ele vai se chamar João".  Num lugar pequeno como Ain Karem na serra da Judéia, o controle social é muito forte. E quando uma pessoa sai fora dos costumes normais do lugar, ela é criticada. Isabel não seguiu os costumes do lugar e escolheu um nome fora dos padrões normais. Por isso, os parentes e vizinhos reclamam: "Você não tem nenhum parente com esse nome!"  Os parentes não cedem com facilidade e fazem sinais ao pai para saber dele como quer que o menino seja chamado. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: "O nome dele é João." Todos ficaram admirados, pois deviam ter percebido algo do mistério que Deus que envolvia o nascimento do menino.

É esta percepção que o povo teve do mistério de Deus presente nos fatos tão comuns da vida, que Lucas quer comunicar a nós, seus leitores e leitoras. Na sua maneira de descrever os acontecimentos, Lucas não é como o fotógrafo que só registra o que os olhos podem ver. Ele é como quem usa o Raio-X que registra aquilo que os olhos não podem ver. Lucas lê os fatos com o Raio-X da fé que revela o que o olhar comum não percebe.

Lucas 1,64-66: A notícia do menino se espalha

No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: "O que será que esse menino vai ser?" De fato, a mão do Senhor estava com ele”. A maneira de Lucas descrever os fatos evoca as circunstâncias do nascimento de pessoas que no AT tiveram um papel importante na realização do projeto de Deus e cuja infância já parecia marcada pelo destino privilegiado que iam ter: Moisés (Ex 2,1-10), Sansão (Jz 13,1-4 e 13,24-25), Samuel (1Sam 1,13-28 e 2,11).

Quanto mais conhecimento você conseguir acumular do Antigo Testamento, mais evocações vai descobrir nos escritos de Lucas. Os dois primeiros capítulos do seu Evangelho não são histórias no sentido em que nós hoje entendemos a história. Funcionam mais como espelho para ajudar os leitores e leitoras a descobrir que João e Jesus tinham vindo realizar as profecias do Antigo Testamento. Lucas quer mostrar como Deus, através dos dois meninos, veio atender às mais profundas aspirações do coração humano. De um lado, Lucas mostra que o Novo realiza o que o Antigo prefigurava. De outro lado, ele mostra que o novo ultrapassa o antigo e não corresponde em tudo ao que o povo do Antigo Testamento imaginava e esperava. Na atitude de Isabel e Zacarias, de Maria e José, Lucas apresenta um modelo de como se converter e acreditar no Novo que está chegando.

 

4) Para um confronto pessoal

1) O que mais me cativou na maneira de Lucas descrever os fatos da vida?

2) Como leio os fatos da minha vida? Como fotografia ou como raio-X?

 

5) Oração final

Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir, eu entrarei e cearemos juntos. (Ap 3, 20)

1) Oração

Deus de misericórdia, vendo o homem entregue à morte, quis salvá-lo pela vinda do vosso Filho; fazei que, ao proclamar humildemente o mistério da encarnação, entremos em comunhão com o Redentor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 1, 46-56)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 46Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, 47meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

 

3) Reflexão

O cântico de Maria era um dos cânticos das comunidades dos primeiros cristãos. Ele revela o nível de consciência e a firmeza da fé que as animava por dentro. Cantado nas Comunidades, este cântico de Maria ensina como rezar e cantar.

Lucas 1,46-50:  Maria começa proclamando a mudança que aconteceu em sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: "Exulto de alegria em Deus, meu Salvador".

Lucas 1,51-53: Em seguida ela canta a fidelidade de Deus para com seu povo e proclama a mudança que o braço do Senhor estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão "braço de Deus" lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora e libertadora de Javé que faz acontecer as mudanças: ela dispersa os orgulhosos (Lc 1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (Lc 1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (Lc 1,53). 

Lucas 1,54-55: No fim, Maria lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão da sua fidelidade às promessas feitas a Abraão. A Boa Nova veio não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às suas promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos. 

 

4) Para um confronto pessoal

1) O cânticos são o termômetro da vida das comunidades. Revelam o grau de consciência e de compromisso. Examine os cânticos da sua comunidade.

2) Analise a consciência social que transparece no cântico de Maria. No século XX depois de Cristo este canto foi censurado como subversivo pelos militares de um país na América Latina.

 

5) Oração final

Levanta do pó o necessitado e do monturo ergue o indigente: dá-lhe assento entre os príncipes, destina-lhe um trono de glória. (1Sam 2, 8)

 

presidente-eleito dos EUA conversou com Stephen Colbert sobre um encontro pessoal que teve com o atual pontífice.

 

A reportagem é de Carol Kuruvilla, publicada por HuffPost, 18-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

presidente-eleito Joe Biden – que está se preparando para ser o segundo presidente católico dos EUA – reflete sobre sua relação de muitos anos com o papa Francisco.

Biden falou no “The Late Show” a Stephen Colbert, que também é católico, sobre um momento em que o Francisco deixou de lado seu “chapéu” de pontífice para assumir o papel de pastor para Biden e sua família.

Ele disse que durante a visita de Francisco aos EUA em 2015, a qual ocorrera meses depois da morte de Beau Biden, filho de Joe, o Papa tirou um tempo para conversar com o então vice-presidente e 15 membros da sua extensa família.

“O Papa tem sido incrivelmente generoso com nossa família”, falou Biden a Colbert, na entrevista que foi ao ar na sexta-feira.

“Ele pediu para se encontrar com minha família no hangar do aeroporto quando ele estava saindo”, na Filadélfia, contou Biden. “Ele não falou apenas sobre Beau, ele falou em detalhes sobre Beau, sobre quem ele era e sobre os valores da família, perdão e decência”.

“Eu sou um grande admirador de Sua Santidade. Eu realmente sou”, acrescentou Biden.

Biden sofreu uma feroz reação de alguns de seus colegas católicos por suas visões políticas, especialmente seu apoio ao direito ao aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. No último ano, enquanto Biden estava em campanha na Carolina do Sul, um padre negou a ele a comunhão.

“Isso cria confusão com os fiéis sobre o que a Igreja ensina verdadeiramente sobre essas questões”, falou no mês passado o arcebispo José Gomez, presidente da Conferência dos Bispos dos EUA

Católicos progressistas esperam que Biden na Casa Branca mostrará um lado diferente de sua religião – alguém que foca no cuidado aos pobres, migrantes e meio ambiente. Francisco já alertou o perigo sobre os católicos que se tornaram “obsessivos” com questões como aborto, casamento gay e contracepção, e urge a seu rebanho para que foquem no serviço aos pobres e oprimidos.

O arcebispo Wilton Gregory, de Washington D.C., quem Francisco recentemente elevou a cardeal, sinalizou que ele não negará a comunhão a Biden. O presidente-eleito frequenta a igreja regularmente.

Biden falou a Colbert ter enviado ao Papa um livro assinado que foi entregue por Gregory, que esteve em Roma.

O primeiro presidente estadunidense, John F. Kennedy, teve que lutar contra o preconceito contra sua religião durante sua campanha presidencial de 1960, particularmente a noção de que não se podia confiar nos católicos como cidadãos estadunidenses leais porque deviam fidelidade ao Papa. Mesmo após sua eleição, Kennedy teve que navegar cuidadosamente em seu relacionamento com o então papa Paulo VI.

Sessenta anos depois, os católicos alcançaram cargos de poder político no Congresso, como governadores de estados, e na Suprema Corte (seis dos nove juízes são católicos praticantes). Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

 

Dom Luigi Ventura. Captura de vídeo da Eglise Catholique Yvelines

 

PARIS, 18 dez. 20 / 09:48 am (ACI).- O ex-Núncio Apostólico na França, Dom Luigi Ventura, foi condenado pelo Tribunal Correcional de Paris a oito meses de prisão com pena suspensa e ao pagamento de 13 mil euros como indenização por “agressões sexuais” contra quatro homens.

O Arcebispo terá também que pagar 9 mil euros de custas judiciais, depois de ter sido considerado culpado de colocar "as mãos nas nádegas" dos demandantes.

Dois deles foram indevidamente tocados pelo ex-núncio na prefeitura de Paris nas recepções do início do ano em 2018 e 2019, o terceiro em uma reunião em um hotel parisiense; e o quarto – um seminarista – após a Missa. Um quinto homem fez a denúncia, mas não abriu processo.

“Meu cliente é inocente de qualquer intenção sexual nesses gestos extremamente isolados que foram deste modo apresentados”, disse ao jornal francês Le Figaro, a advogada do Arcebispo de 76 anos, Solange Doumic, que também disse que Dom Ventura “planeja fazer uma apelação, mas está destruído por este caso".

Jade Dousseling, advogada de um dos demandantes, disse estar “extremamente satisfeita”, em primeiro lugar “porque a culpa foi reconhecida, em segundo lugar, porque é uma pena próxima da solicitada. No entanto, oito meses sem prisão não é nada. A justiça teve a coragem de ir ao fundo. Estamos falando do ex-embaixador do Vaticano!”.

Segundo o jornal espanhol ABC, a má conduta do Arcebispo se deveria a uma “doença cognitiva”, apresentada como atenuante pela defesa e admitida pelo promotor, a ponto de solicitar apenas uma pena suspensa de dez meses.

O julgamento contra Dom Ventura começou em 10 de novembro. O Prelado apresentou sua renúncia ao cargo de Núncio Apostólico na França em dezembro de 2019, quando atingiu o limite de idade de 75 anos.

O Papa Francisco aceitou sua renúncia menos de dez dias depois.

Para permitir que o julgamento seja feito em tribunais franceses, o Vaticano revogou a imunidade diplomática de Dom Ventura, em julho de 2019.

Em novembro, a advogada Solange Dominic disse à Agence France Presse (AFP) que “Dom Ventura espera impacientemente por este julgamento para que possa se explicar e que sua inocência seja reconhecida e revelada”.

A jurista indicou que o próprio Dom Ventura, que atualmente reside em Roma e não esteve em Paris para o julgamento, pediu "o levantamento da imunidade para que possa se explicar no tribunal". No entanto, os advogados dos acusadores observam que essa ação foi tomada graças à pressão dos autores em fevereiro de 2019.

Em comunicado, a Santa Sé informou que tomou conhecimento da sentença sobre Dom Luigi Ventura e que a advogada do Prelado reiterou sua inocência. “A Santa Sé confirma o seu respeito pelas autoridades judiciárias francesas, com as quais Dom Ventura sempre demonstrou vontade de colaborar”.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz. Fonte: http://www.acidigital.com

Dom Aloísio Alberto Dilli

Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

 

PRESÉPIO – ADMIRÁVEL SINAL – 03

Caros diocesanos. O Natal se aproxima e continuamos a refletir a Carta do Papa Francisco, chamada Admirável Sinal, sobre o significado e valor do presépio, considerado evangelho vivo, que apresenta, em linguagem simbólica, o inefável amor de Deus ao nascer entre nós. Nas mensagens anteriores versamos sobre a origem histórica do presépio, sua rica espiritualidade popular e os sinais que nele se fazem presentes. Hoje continuamos a refletir sobre a parte final da Carta, em que o Papa insiste que o presépio é para todas as idades: Os adultos recordam a infância, o tempo de armar o presépio que ajudou a transmitir-lhes a fé cristã. Agora é seu dever e alegria proporcionar a mesma experiência aos filhos e netos: “Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano”. E o Papa conclui, dizendo: “O Presépio educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós, sentir e acreditar que Deus está conosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino, Filho de Deus e da Virgem Maria… Na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça singela”.

No final de nossa mensagem apresentamos um texto de Natal do Papa Francisco, emitido em dezembro de 2015: “O Natal é Você”.

O Natal costuma ser uma festa ruidosa, há muito barulho; nos faria muito bem um pouco mais de silêncio, para ouvirmos a voz do Amor.

Natal é você, quando decide nascer de novo, cada dia, deixando que Deus penetre seu interior.

O pinheiro do Natal é você, quando resiste fortemente aos ventos e dificuldades da vida.

Os enfeites de natal são você, quando suas virtudes são cores que enfeitam a vida.

O sino do natal é você, quando chama, une, reúne, congrega pessoas.

A luz do natal é você, quando ilumina com sua vida o caminho dos outros através da bondade, paciência, alegria, generosidade.

Os anjos do natal são você, quando canta ao mundo uma mensagem de paz, de justiça e de amor.

A estrela do natal é você, quando conduz alguém ao encontro do Senhor.

Você também é os reis magos, quando dá o melhor que tem aos necessitados.

A música do natal é você, quando consegue encontrar harmonia interior.

O presente do natal é você, quando é verdadeiramente amigo e irmão de todo ser humano.

O cartão de natal é você, quando a bondade está escrita em suas mãos.

A felicidade do natal é você, quando perdoa e restabelece a paz mesmo que ainda esteja sofrendo.

O presépio do natal é você, quando sacia de pão e de esperança o pobre que está ao seu lado.

Você é, sim, a noite de natal, quando humilde e consciente recebe, no silêncio da noite o Salvador do mundo sem barulho nem celebrações, você é sorriso de confiança e ternura na paz de um natal perene, que estabelece o reino em você”. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

 

Especialistas em saúde pública e católicos especialistas em ética estão expressando preocupação com o plano do papa Francisco de visitar o Iraque em março, alertando que a viagem pode facilitar a disseminação do coronavírus em um país com um sistema de saúde subdesenvolvido. A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 14-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Embora haja esperança de que alguns países tenham programas de vacinação bem encaminhados até a primavera, é improvável que seja o caso no Iraque, onde mesmo antes da pandemia medicamentos essenciais nem sempre estavam disponíveis.

Em entrevistas com o NCR, médicos e teólogos preocupados com a perspectiva de uma visita papal expor os organizadores locais e funcionários de segurança ao vírus, ou atrair até mesmo pequenas multidões, onde pode ser difícil aplicar medidas de distanciamento social.

“Seria difícil justificar esse tipo de viagem”, disse Howard Forman, radiologista de emergência e diretor do programa de gerenciamento de saúde da Escola de Saúde Pública de Yale.

Forman disse que embora aprecie a importância do ministério do Papa, uma viagem ao Iraque “não seria o melhor para reduzir a propagação”.

“Eles são um país que teve uma perda substancial de vidas e um surto substancial”, disse o profissional da saúde, que também ensina economia da saúde. “Mesmo que as coisas pareçam estar muito mais sob controle... é difícil pensar que essa é a coisa certa a fazer neste momento”

O padre Andrea Vicini, jesuíta, teólogo moral e médico, disse estar preocupado com a possibilidade de a viagem colocar pessoas em risco de infecção que de outra forma não estariam.

"A visita do Papa deve ser uma visita que não coloque ninguém em risco", disse Vicini, professor de teologia moral e bioética do Boston College. “Não podemos realmente ter uma situação no momento em que não haja risco para a saúde dos envolvidos”.

“Durante uma pandemia, quem mais sofre são os mais vulneráveis”, disse o teólogo, acrescentando: “Queremos expô-los ainda mais, para uma situação que estamos criando?”.

O Vaticano anunciou o plano de Francisco de viajar ao Iraque em 7 de dezembro, dizendo que o Papa esperava estar no país de 5 a 8 de março e queria visitar cinco cidades em todo o país. O anúncio não deu maiores detalhes, exceto para dizer que o plano “levará em consideração a evolução da emergência sanitária mundial”.

A viagem ao Iraque seria a primeira de Francisco fora da Itália desde novembro de 2019. Devido à pandemia, ao longo de 2020 o Papa interrompeu uma tradição de décadas de pontífices visitando comunidades católicas em todo o mundo e perseguindo os objetivos diplomáticos do Vaticano.

A assessoria de imprensa do Vaticano não respondeu às perguntas enviadas em 10 de dezembro sobre quais precauções específicas estão sendo planejadas em termos de prevenção da disseminação do coronavírus durante a viagem papal ao Iraque.

Uma fonte bem informada, que pediu para não ser identificada porque não estava autorizada a falar sobre o assunto, disse que a agenda da viagem provavelmente teria o Papa participando de eventos quase privados abertos apenas a pequenos grupos.

O diretor do serviço de saúde do Vaticano disse em 11 de dezembro que a cidade-estado começará a fornecer à sua pequena população de residentes e funcionários vacinas contra o coronavírus “nos primeiros meses” de 2021, levantando a possibilidade de que o Papa e aqueles que o acompanham sejam vacinados a tempo da viagem de março.

O sistema de saúde do Iraque é conhecido por ser subfinanciado e insuficiente. Uma investigação da Reuters de março, publicada no momento em que a pandemia começava a afetar o país, descobriu que cerca de 85% dos medicamentos da lista de medicamentos essenciais do país estavam em falta ou indisponíveis.

Tobias Winright, professor de ética da saúde na Universidade de St. Louis, sugeriu que o Vaticano poderia usar seu suprimento de vacinas contra o coronavírus para imunizar pessoas no Iraque com as quais o Papa planeja se reunir. Ou, sugeriu Winrigh , uma agência católica de ajuda humanitária poderia receber suprimentos para vacinar as pessoas em nome do Vaticano.

“Se houver planos de se reunir com multidões maiores, talvez a Catholic Relief Services ou alguma outra agência apoiada pelo financiamento do Vaticano possa fornecer e distribuir vacinas com antecedência”, disse Winright. “Fazer isso ajudaria a salvar vidas e realmente serviria como um exemplo de construção da paz”.

Embora as viagens papais a países predominantemente católicos muitas vezes atraiam grandes multidões, as visitas de Francisco a algumas outras nações têm sido assuntos menos importantes. Quando o pontífice viajou para de maioria muçulmana Egito em 2017, por exemplo, trasladou-se em um carro normal, e as autoridades locais bloquearam o acesso externo às áreas em que ele estava.

Mas mesmo nesses países, pequenas multidões costumam se reunir nas igrejas visitadas pelo Papa, com os fiéis que não participam dos eventos esperando pelo menos dar uma olhada no pontífice.

Embora o Vaticano ainda não tenha indicado quais lugares específicos Francisco pode visitar no Iraque, os meios de comunicação em língua árabe relataram que o Papa espera viajar para pelo menos duas igrejas em Bagdá: a Catedral Católica Siríaca de Nossa Senhora da Salvação, que foi alvo de um ataque terrorista que matou 58 pessoas em outubro de 2010, e a Catedral Católica Caldéia de São José.

Fora de Bagdá, o Vaticano diz que Francisco espera visitar a cidade histórica de Ur, considerada o local de nascimento de Abraão, e as cidades de Erbil, Mosul e Qaraqosh. Os dois últimos lugares sofreram cada um sob o controle do Daesh entre 2014 e 2017.

A Anistia Internacional afirma que a luta do governo iraquiano para retomar Mosul em 2017 deslocou cerca de 600 mil civis e matou cerca de 6 mil.

Forman disse que “ninguém deve minimizar” a importância de o Papa visitar lugares tão devastados. Mas ele acrescentou que quaisquer mortes causadas pelo coronavírus agora, conforme as vacinas estão se tornando disponíveis, seriam especialmente trágicas.

“Estamos tão perto de vacinar as populações que cada vida que você salva agora não é mais uma infecção adiada, mas provavelmente uma infecção evitada e, portanto, uma morte evitada”, disse o radiologista. "Estamos tão perto." Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

As Quatro Velas do Advento

"Uma Vela se acende" (COROA DO ADVENTO)

 

1-Uma vela se acende no caminho a iluminar, preparemos nossa casa, é Jesus quem vai chegar.

 

No Advento a tua vinda nós queremos preparar. Vem, Senhor, que é teu Natal, Vem nascer em nosso lar. (bis)

 

2-A segunda vela acesa vem à vida clarear, rejeitemos, pois, as trevas, é Jesus quem vai chegar.

 

3-Na terceira vela temos a esperança a crepitar. Nossa fé se reanima, é Jesus quem vai chegar.

 

4-Eis a luz da quarta vela: um clarão se faz brilhar. Bate forte o coração, é Jesus quem vai chegar.

Edição: Olhar Jornalístico (Frei Petrônio de Miranda, O. Carm) Comunidade Capim, Lagoa da Canoa/AL. 15 de dezembro-2020.

 

1) Oração

Ó Deus, que por meio do vosso Unigênito nos transfigurastes em nova criatura, considerai a obra do vosso amor, e purificai-nos das manchas da antiga culpa no advento do vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 21, 28-32)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: 28Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: - Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. 29Respondeu ele: - Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. 30Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: - Sim, pai! Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus! 32João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz uma parábola. Como de costume, Jesus conta uma história tirada da vida quotidiana das famílias; história comum que fala por si e não necessita de muita explicação. Em seguida, por meio de por meio de uma pergunta muito simples, Jesus procura envolver os ouvintes e comunicar uma mensagem.  se envolvam na história sem, por ora, se darem conta do objetivo que Jesus tinha em mente. Depois que deram a resposta à pergunta, Jesus aplica a história e os ouvintes se dão conta de que eles se condenaram a si mesmos. Vejamos:

Mateus 21, 28-30: A história dos dois filhos

Jesus faz uma pergunta inicial: "O que vocês acham disto?”  É para chamar a atenção das pessoas para que prestem muita atenção na história que segue. Em seguida vem a história: "Certo homem tinha dois filhos. Ele foi ao primeiro, e disse: 'Filho, vá trabalhar hoje na vinha'. O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois arrependeu-se, e foi. O pai dirigiu-se ao segundo, e disse a mesma coisa. Esse respondeu: 'Sim, senhor, eu vou'. Mas não foi”. Trata-se de uma história da vida familiar de cada dia. As pessoas que o escutam Jesus entendem do assunto, pois já o devem ter vivido várias vezes em sua própria casa. Por ora ainda não apareceu o que Jesus tem em mente. O que será que ele quer alcançar com esta história?

Mateus 21, 31ª: O envolvimento das autoridades na história dos dois filhos

Jesus formulou a história em forma de uma pergunta. No início ele disse: “O que vocês acham disto?” e no fim ele termina perguntando: Qual dos dois fez a vontade do pai?"  Os que escutam são pais de família e eles respondem a partir do que já deve ter acontecido várias vezes com seus próprios filhos: Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "O primeiro".  Esta é a resposta que Jesus queria ouvir deles e por onde ele os pega em flagrante para comunicar sua mensagem.

Mateus 21, 31b-32: A conclusão de Jesus

Então Jesus lhes disse: "Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu. Porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não acreditaram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele."  A conclusão de Jesus é evidente e muito dura. Na opinião dos sacerdotes e dos anciãos, os publicanos e as prostitutas eram pessoas pecadoras e impuras que não faziam a vontade do Pai. Na opinião de Jesus, publicanos e prostitutas, de fato, diziam “Não quero”, mas acabaram fazendo a vontade do Pai, pois se arrependeram diante da pregação de João Batista. Enquanto eles, os sacerdotes e publicanos que oficialmente sempre dizem “Sim, senhor, eu vou!”, mas acabaram não observando a vontade do Pai, pois não quiseram acreditar em João Batista.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Com qual dos dois filhos eu me identifico?

2) Quem são hoje as prostitutas e os publicanos que dizem “Não quero!”, mas que acabam fazendo a vontade do Pai?

 

5) Oração final

Bendirei o Senhor em todo tempo, seu louvor estará sempre na minha boca. Eu me glorio no Senhor, ouçam os humildes e se alegrem. (Sal 33, 2-3)

 

As leituras do 3º Domingo do Advento garantem-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida plena para propor aos homens e para os fazer passar das "trevas" à "luz".
Na primeira leitura, um profeta pós-exílico apresenta-se aos habitantes de Jerusalém com uma "boa nova" de Deus. A missão deste "profeta", ungido pelo Espírito, é anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação que Deus vai oferecer aos "pobres".

O Evangelho apresenta-nos João Batista, a "voz" que prepara os homens para acolher Jesus, a "luz" do mundo. O objetivo de João não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública; ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a "conhecer" Jesus, "aquele" que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.

Na segunda leitura Paulo explica aos cristãos da comunidade de Tessalônica a atitude que é preciso assumir enquanto se espera o Senhor que vem... Paulo pede-lhes que sejam uma comunidade "santa" e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus.

 

EVANGELHO - Jo 1,6-8.19-28: Atualização

 

A "voz", através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar "o caminho do Senhor". É, na linguagem do Evangelho segundo João, um convite a deixar "as trevas" e a nascer para "a luz". Implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, a instalação, o comodismo, a autossuficiência, tudo o que desfeia a nossa vida, nos torna escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade. Em termos pessoais, quais são as mudanças que eu tenho de operar na minha existência para passar das "trevas" para a "luz"? O que é que me escraviza e me impede de ser plenamente feliz? O que é que na minha vida gera desilusão, frustração, desencanto, sofrimento?

A "voz", através da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois só Ele é "a luz" e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para apresentar aos homens. À nossa volta abundam os "vendedores de sonhos", com propostas de felicidade "absolutamente garantida". Atraem-nos, seduzem-nos, manipulam-nos, escravizam-nos e, quase sempre, deixam-nos decepcionados e infelizes, mais angustiados, mais perdidos, mais frustrados. João garante-nos: só Jesus é "a luz" que liberta os homens da escravidão e das trevas e lhes oferece a vida verdadeira e definitiva. A quem dou ouvidos: às propostas de Jesus, ou às propostas da moda, do politicamente correto, das pessoas "in" que aparecem dia a dia nas colunas sociais e que ditam o que está certo e está errado à luz dos critérios do mundo? Que significado é que Jesus e a sua proposta assumem no meu dia a dia?

Jesus marca, realmente, a minha existência? Os valores que Ele veio propor têm peso e impacto nas minhas decisões e opções? Quando celebro o nascimento de Jesus, celebro um acontecimento do passado que deixou a sua marca na história, ou celebro o encontro com alguém que é "a luz" que ilumina a minha existência e que enche a minha vida de paz, de alegria, de liberdade?

O "homem chamado João", enviado por Deus "para dar testemunho da luz", convida-nos a pensar sobre a forma de Deus atuar na história humana e sobre as responsabilidades que Deus nos atribui na recriação do mundo... Deus não utiliza métodos espetaculares e assombrosos para intervir na nossa história e para recriar o mundo; mas Ele vem ao encontro dos homens e do mundo para os envolver no seu amor através de pessoas concretas, com um nome e uma história, pessoas "normais" a quem Deus chama e a quem confia determinada missão. A todos nós, seus filhos, Deus confia uma missão no mundo - a missão de dar testemunho da "luz" e de tornar presente, para os nossos irmãos, a proposta libertadora de Jesus. Tenho consciência de que Deus me chama e me envia ao mundo? Como é que eu respondo ao chamamento de Deus: com disponibilidade e entrega, ou com preguiça, comodismo e instalação?

A atitude simples e discreta com que João se apresenta é muito sugestiva: ele não procura atrair sobre si as atenções, não usa a missão para a sua glória ou promoção pessoal, não busca a satisfação de interesses egoístas; ele é apenas uma "voz" anónima e discreta que recorda, na sombra, as realidades importantes. João é uma tremenda interpelação para todos aqueles a quem Deus chama e envia... Com ele, o profeta (isto é, todo aquele a quem Deus chama e a quem confia uma missão) deve aprender a ficar na sombra, a ser discreto e simples, de forma a que as pessoas não o vejam a ele mas às realidades importantes que ele propõe.

A atitude dos fariseus e dos líderes judaicos, cheios de preconceitos, preocupados em manter os seus esquemas de poder e instalação, instalados no seu comodismo e nos seus privilégios, impede-os de "conhecer" "a luz" que está a chegar. Trata-se de um aviso, para nós: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa autossuficiência, fechamos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz... Dessa forma, não reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e não O deixamos entrar na nossa vida. A liturgia convida-nos, neste Advento, à desinstalação, a fim de que o Senhor que vem possa nascer na nossa vida.

*Leia a reflexão na íntegra. Clique ao lado no link- EVANGELHO DO DIA.