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Todos os brasileiros eleitos nos Estados Unidos são do Partido Democrata. A maior parte deles foi eleita em Massachusetts, estado com a 2ª maior concentração de brasileiros do país.
Sete brasileiros foram eleitos deputados estaduais nas eleições de meio de mandato dos EUA: Felipe Sousa-Lazaballet, Priscila Sousa, Rita Mendes, Lorena Betts, Farley Santos, Danillo Sena e Elaine Marzola — Foto: Redes sociais / Reprodução
Por Juliana Maselli, g1
Sete brasileiros, todos do Partido Democrata, foram eleitos deputados estaduais em 4 estados dos Estados Unidos. A maioria obteve vagas em Massachusetts.
Em Massachusetts, Priscila Sousa, Rita Mendes e Danillo Sena conquistaram a reeleição. A estreante Lorena Betts também venceu a disputa estadual.
Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, conquistou vaga na Flórida. E Farley Santos foi reeleito para a Câmara de Connecticut.
Nascida no Rio de Janeiro, Elaine Marzola conquistou sua 3ª reeleição em Nevada.
Sete brasileiros saíram vencedores das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e irão atuar como deputados estaduais em quatro estados do país. Todos são democratas.
A maior parte deles foi eleita em Massachusetts, estado com a segunda maior concentração de brasileiros do país. São quatro: Priscila Sousa, Rita Mendes, Lorena Betts e Danillo Sena. Três conseguiram a reeleição para seguirem em seus cargos.
Farley Santos, de Danbury, 109º distrito de Connecticut, também foi reeleito, assim como Elaine Marzola, do 21º distrito de Nevada.
Felipe Sousa-Lazaballet disputou pela primeira vez e conquistou uma vitória difícil na Flórida, um estado predominantemente republicano.
Veja a lista de eleitos:
Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, natural de Duque de Caxias (RJ). Eleito na Flórida.
Priscila Sousa, de 38 anos, natural de Ipatinga (MG). Eleita em Massachusetts.
Rita Mendes, de 42 anos, natural de Conselheiro Pena (MG). Eleita em Massachusetts.
Danillo Sena, natural de Timbaúba (PE). Eleito em Massachusetts.
Lorena Betts, natural de Mato Grosso. Eleita em Massachusetts.
Farley Santos, eleito em Connecticut.
Elaine Marzola, natural do Rio de Janeiro. Eleita em Nevada.
Saiba mais sobre eles:
Felipe Sousa-Lazaballet
Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, e filho de mãe solo, uma empregada doméstica natural do Ceará, o brasileiro chegou aos Estados Unidos. Aos 26 anos, por meio do DACA, recebeu permissão para trabalhar.
DACA foi um programa federal criado durante o governo de Barack Obama para oferecer proteção temporária contra a deportação para imigrantes de até 31 anos que haviam entrado nos EUA antes dos 16. Os beneficiários também recebiam autorização para trabalhar legalmente no país.
No entanto, apenas em 2021, um ano após obter seu green card, Lazaballet conquistou definitivamente a cidadania americana.
Quem é o primeiro brasileiro eleito deputado estadual na Flórida
Ativista em organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQIAPN+, ele teve a primeira experiência na administração pública no governo de Buddy Dyer, prefeito de Orlando, onde trabalhou por 5 anos.
Lazaballet tem 40 anos e é casado com Luis Sousa-Lazaballet desde 2020.
"Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais. Foi justamente por causa desse processo tão difícil, de ser uma pessoa imigrante nesse país, que eu me envolvi com a política. Para ajudar as pessoas e buscar mudanças sociais. Minha história de superação indica que eu sei o que é sofrer e ter que lutar pelo sonho americano", contou ele ao g1.
Priscila Sousa
Nascida em Ipatinga, Minas Gerais, Priscila mudou-se para os Estados Unidos aos 7 anos e foi criada em Framingham, cidade que abriga uma das maiores e mais tradicionais comunidades brasileiras dos EUA. São cerca de 8 mil brasileiros em uma população de 72 mil habitantes.
Priscila obteve o green card no ano de 2004, aos 16 anos. Anos depois, formalizou sua situação e virou cidadã americana.
Em 2009, obteve seu diploma em Ciência Política, Relações Internacionais e Inglês pela Simmons University.
Este ano, Priscila, que tem 38 anos, concorreu à sua segunda reeleição. Ela é a representante do 6º distrito de Middlesex desde janeiro de 2023 - os mandatos duram dois anos.
Questionada pelo g1 se já sofreu preconceito por ser imigrante, Priscila diz que sempre foi bem acolhida na Câmara de Vereadores e de Deputados do estado, mas que a situação mudou após a volta de Donald Trump à Presidência:
"Quanto à discriminação dos eleitores ou da comunidade em geral, nós vimos, infelizmente, acontecer mais depois da eleição do presidente Donald Trump. Certas ideologistas, mentalidades, certo desprezo ao estrangeiro imigrante... Mas continuamos lutando".
Rita Mendes
Assim como Priscila, Rita é deputada estadual desde janeiro de 2023 em Massachusetts.
Nascida em Conselheiro Pena, cidade de Minas Gerais, ela se mudou para os EUA junto com os pais em 2002 e chegou ao país sem falar uma palavra em inglês.
Brockton, onde ela atua como representante atualmente, foi a cidade escolhida pela família para se estabelecer. Antes de chegar à Câmara estadual, em 2019, a brasileira foi eleita para integrar o Conselho Municipal.
Rita, que está com 42 anos, tem formação em Direito e atua como advogada e corretora de imóveis.
Danillo Sena
Nascido em Timbaúba, cidade que fica na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Sena ocupa uma cadeira na Câmara dos Representantes de Massachusetts desde junho de 2020.
Ele emigrou para os Estados Unidos em 2001, aos 14 anos, indo morar com a mãe em Acton, cidade que faz parte do 37º distrito de Middlesex, onde ele atua.
Assim como Felipe, Danillo foi beneficiário do DACA, mas só obteve o green card e se tornou cidadão americano em 2018, aos 31 anos.
Lorena Betts
Natural de Mato Grosso, Lorena venceu a disputa para ocupar uma cadeira pelo 16º Distrito de Middlesex na Câmara de Massachusetts.
Casada e mãe de três filhos, um menino e duas meninas, ela mora nos Estados Unidos há 15 anos. Chegou ao país trabalhando como babá e, antes de emigrar, trabalhava na área de enfermagem no Brasil.
Já em território americano, estudou Ciências Políticas e passou a se dedicar a atividades comunitárias, especialmente relacionadas às dificuldades enfrentadas por imigrantes.
Em um post no Instagram após a vitória, Lorena escreveu:
"Estou profundamente honrada e incrivelmente grata por ter conquistado sua confiança e seu voto. Esta campanha foi sobre o poder das pessoas, a importância de cada voz e o que podemos realizar quando nos unimos. Nossa maior força reside na nossa disposição de apoiar uns aos outros. Trabalharei diariamente para continuar a merecer a confiança depositada em mim, ouvir as suas vozes e representar a nossa comunidade."
Farley Santos
Farley Santos foi reeleito para a Câmara dos Representantes de Connecticut, pelo 109º Distrito Estadual, na cidade de Danbury, que concentra uma expressiva comunidade brasileira. Está no cargo desde 2023.
Farley chegou aos Estados Unidos aos 7 anos de idade e viveu inicialmente como imigrante indocumentado. Ele é casado e tem uma filha.
Após a vitória, ele postou no Instagram e afirmou nunca ter esquecido de sua origem:
"Como um jovem imigrante que cresceu nesta cidade, jamais imaginei que um dia teria o privilégio de representar a própria comunidade que deu a mim e à minha família a chance de alcançar o sonho americano. Nunca me esqueci de onde vim, onde fui criado, por quem luto ou por que sirvo. A eleição pode ter terminado, mas o trabalho continua. E eu também. Continuarei presente, lutando com todas as minhas forças e entregando resultados para Danbury."
Elaine Marzola
Nascida no Rio de Janeiro, Elaine chegou a Las Vegas com os pais, ainda criança, em 1984, e hoje ocupa um dos cargos de liderança da Assembleia de Nevada.
Representante do 21º distrito do estado americano desde 2021, Elaine conquistou sua terceira reeleição.
Ela obteve um bacharelado em Estudos Femininos pela Universidade de Nevada em 2006 e, quatro anos depois, se formou em Direito pela Faculdade Thomas M. Cooley, na Universidade de Michigan. Fonte: https://g1.globo.com
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Palver analisou separadamente postagens e conteúdos trocados em aplicativos
Conteúdos neutros foram excluídos da comparação entre apoio e crítica
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, nos Estados Unidos - Eva Marie Uzcategui - 28.out.26/Reuters
Mídias e Eleição,
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos e a carta em que contesta o resultado da eleição foram alvo de críticas na maioria das postagens com posicionamento analisadas pela plataforma Palver nas redes sociais. Já nas mensagens trocadas em grupos de aplicativos, a divisão entre apoio e rejeição foi mais equilibrada.
O levantamento separa esses dois ambientes. De um lado, estão as publicações em redes sociais: nesse conjunto, 66% dos conteúdos criticam Flávio e 34% o apoiam. De outro, estão as mensagens compartilhadas em grupos de conversa: entre elas, 54% são favoráveis e 46%, contrárias ao senador.
Segundo a análise da plataforma, a fuga puxou o debate negativamente para o senador. No começo da semana, conteúdos favoráveis eram a maioria nas redes (51%) e nos grupos (72%).
Esses percentuais foram calculados separadamente, após a exclusão dos conteúdos classificados como neutros.
Flávio deixou o Brasil após ser derrotado pelo presidente Lula (PT) no segundo turno, no domingo (25). Na quarta-feira (28), publicou uma carta em que contestou, sem apresentar provas, o resultado da eleição e afirmou que pretende liderar a oposição a partir do exterior.
Os percentuais de apoio e crítica a Flávio se referem às mensagens de 22 a 29 de outubro, excluídos os conteúdos classificados como neutros.
Segundo a Palver, mensagens críticas chamam Flávio de "covarde" e "foragido", fazem referência à saída "de jatinho" e descrevem a autoproclamação como "golpe 2.0".
Entre as manifestações favoráveis, o senador é apresentado como "presidente legítimo", e sua chegada aos Estados Unidos, como um "resgate" articulado por Donald Trump e Marco Rubio. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), é chamado de "ditador".
Na segunda-feira (26), antes da notícia da fuga, eram favoráveis a Flávio 51% das publicações em redes sociais e 72% das mensagens nos grupos monitorados pela Palver.
Entre terça-feira (27), quando a saída do país se tornou pública, e a divulgação da carta, na quarta-feira (28), a proporção caiu para 28% nas redes sociais e 53% nos grupos.
No período posterior à carta divulgada na quarta-feira (28), a parcela de conteúdos favoráveis passou a 39% nas redes sociais e 55% nos grupos.
Os números se referem aos conteúdos analisados, não à proporção de pessoas que apoiam ou rejeitam o senador. O levantamento não equivale a uma pesquisa de opinião com a população. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Não há como chamar a direita e a extrema direita antidemocrática pelo mesmo nome. Os dois fenômenos são distintos, jamais poderiam ter se embaralhado no discurso jornalístico
Por Eugênio Bucci
E, de repente, não menos que de repente, a coisa não coube mais no próprio nome, o fato escapou ao relato e o objeto discrepou do conceito. Parecia haver um problema com os eventos da realidade, mas não era isso. O problema não estava nas coisas, nos fatos e nos objetos, mas no modo como o jornalismo os nomeava. Recapitulemos.
Enquanto a campanha eleitoral pegava fogo, gente de direita começou a dizer que não estava à vontade na direita. Personagens expressivos do chamado campo conservador, ou seja, personagens notoriamente da direita, passaram a atacar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que vinha sendo qualificada nos órgãos de imprensa, com poucas exceções, como a chapa de direita. O general Santos Cruz, a ex-deputada Joice Hasselmann e até João Amoêdo, entre várias outras pessoas, todas de direita, passaram a repudiar a candidatura que representaria a direita no segundo turno. Mas como assim, perguntava o cidadão? Não eram todos igualmente de direita? O público se sentia tragado por uma dissonância cognitiva. Se Flávio Bolsonaro era o representante da direita, como diziam os jornais, o rádio e a TV, por que tanta gente da direita o rejeitava?
A explicação teria sido muito simples, embora até hoje não tenha sido assimilada por uma parcela expressiva das redações. Os personagens de direita não se reconheciam na candidatura da direita não porque tivessem desistido de ser o que eram, ou seja, de direita, mas porque não queriam mais abaixar a cabeça para a extrema direita antidemocrática, que o discurso jornalístico insistia em designar como de “direita”, sem outros qualificativos.
Os personagens lembrados aqui há dois parágrafos, exatamente por se reconhecerem de direita, não se dispunham mais a bater continência para uma coagulação que namorava o golpismo, chafurdava no entreguismo, estreitava laços de camaradagem com gangues armadas e, de resto, sabotava a Justiça (parece que um dos seus se esmerou em escafeder-se, em fugir das autoridades).
Pois bem. Ao dar a essa aberração o rótulo singelo de “direita”, pura e simplesmente, muitas das narrativas da imprensa atrapalharam o discernimento do público. O objeto não coube no conceito e, como resultado, o que seria fácil de explicar assumiu o aspecto de mistério insondável.
O jornalismo deveria ter prestado mais atenção. Nas páginas e nas telas noticiosas, nós não devemos chamar muriçoca de varejeira, arcebispo de cardeal e promotor de magistrado. Não podemos escrever que juiz dá parecer. Pelas mesmas razões, não há como chamar a direita e a extrema direita antidemocrática pelo mesmo nome. Os dois fenômenos são distintos, jamais poderiam ter se embaralhado no discurso jornalístico. A direita valoriza o respeito às instituições republicanas, enquanto a extrema direita antidemocrática não hesita em conspirar contra a alternância no poder. A primeira preza a urbanidade e a convivência pacífica; a segunda hostiliza a dissidência e autoriza a violência. Uma coisa não é igual à outra coisa, mas, infelizmente, uma parte considerável do discurso jornalístico as igualou.
A chapa de Flávio Bolsonaro não era, nunca foi e jamais poderia ter sido tratada como se fosse uma composição de direita, pois nunca se pautou pelos princípios liberais ou pela sobriedade conservadora. Longe disso, tinha origem na celebração do golpe de 1964, na idolatria de torturadores, no culto das garruchas (de preferência desviadas das Forças Armadas) e no obscurantismo. Por definição, era uma anormalidade política – anormalidade que, ao ser chamada candidamente de “direita”, saiu por aí desfilando com uma roupagem semântica de normalidade.
Foi então que, de repente, não menos que de repente, a retórica da normalidade foi varrida pelos ventos factuais. A coisa não cabia mais no próprio nome, o fato escapou ao relato e o objeto discrepou do conceito. Com a terminologia que dava ao aberrante um aspecto benigno de eventualidade cotidiana, não havia como demonstrar o que levou tanta gente identificada com a direita a recusar seu voto para Bolsonaro.
Foi um tropeço, um descuido, uma imprecisão. Se as redações, desde o início, tivessem chamado a extrema direita antidemocrática pelo seu nome devido, seu nome objetivo, a explicação teria sido mais fácil, ou mesmo óbvia.
A designação irrefletida – e incorreta – trouxe um segundo desvio: a tentativa de tratar como simétricas as duas candidaturas que disputavam o segundo turno. Entre ambas, contudo, não havia nenhuma homologia, nenhuma paridade. Uma, a de Lula, apesar de todos os defeitos, tinha compromisso provado e já testado com as instituições democráticas e com o respeito à Justiça. A outra desdenhava dos ordenamentos do Estado de Direito. As duas eram de naturezas distintas. Por sorte, ou por milagre, o eleitorado, intuitivo, enxergou a distinção de natureza. Uma boa parte do jornalismo não viu até agora.
Em nota pública, o Instituto Vladimir Herzog, do qual sou conselheiro, alertou sobre o tema, sem maiores repercussões. Por dever de ofício, volto ao ponto, sem maiores esperanças. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Senador publicou duas versões do documento após aliados divulgarem outras duas, uma delas com brasão errado
Derrotado por Lula, Flávio contesta resultado da eleição sem apresentar provas de
O senador Flávio Bolsonaro ao desembarcar em Brasília no domingo (25), após votar no Rio de Janeiro -
Isabella MenonCarolina LinharesLaura Intrieri
Washington, Brasília e São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trocou a expressão "verdadeiro presidente" por "líder do Brasil" na abertura de uma carta golpista publicada em sua conta no X nesta quarta-feira (28). Ao menos quatro versões do documento circularam, mas apenas as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador.
As duas anteriores foram divulgadas por aliados, que atribuíam o texto a Flávio. Ambas o apresentavam como "verdadeiro presidente eleito do Brasil", apesar da derrota para Lula (PT) na eleição de domingo (25).
Esses dois primeiros arquivos tinham o mesmo texto, mas brasões diferentes. Um era antigo e trazia o símbolo com a palavra "Brazil", escrita com z. No seguinte, a imagem foi substituída pelo brasão com a inscrição "República Federativa do Brasil".
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", afirmava a abertura das versões divulgadas pelos aliados.
Depois, Flávio publicou em sua própria conta uma versão em que se apresentava como "verdadeiro presidente". Em seguida, fez uma edição e republicou o conteúdo, adotando a expressão "líder do Brasil".
Na versão mais atualizada da carta, o senador anuncia que pretende liderar a oposição brasileira do exterior e volta a alegar, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição. Também critica o STF (Supremo Tribunal Federal) e agradece ao presidente americano, Donald Trump, por acolher sua família nos Estados Unidos.
Trump afirmou a jornalistas nesta quarta que não pretende se envolver na crise política brasileira. "Não vou comentar sobre isso, mas sei que demos a ele autorização para entrar no país, então veremos", disse a jornalistas. "Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, com certeza", acrescentou.
Flávio desembarcou em Miami, na manhã desta quarta, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião privado que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
A fuga e a declaração golpista representam uma reviravolta, já que o senador afirmou, na véspera, que desistiria de anular a eleição e que não iria fugir do país. Foi um recuo em relação ao seu discurso após a apuração, quando disse que não reconheceria o resultado.
Neste domingo, Lula venceu Flávio por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Apesar de tanto a campanha do PT como a do PL terem pedido a prorrogação da votação por duas horas no dia da eleição, o candidato derrotado acabou questionando posteriormente a medida determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, com aval posterior de Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado à Suprema Corte por Jair Bolsonaro (PL).
Apenas 34 mil votos —0,03% do total— foram registrados após as 17h neste domingo. Ainda assim, Flávio concentra sua carta nesse argumento, insistindo que a prorrogação representa uma "nulidade".
No pronunciamento divulgado nesta quarta, Flávio afirma que não pretendia deixar o país, mas que decidiu viajar para escapar do que descreveu como uma perseguição política.
O presidente americano disse na noite de terça-feira (27) que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, apesar de afirmar que não sabia seu paradeiro. Uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederia vistos a Flávio e seus familiares.
O candidato derrotado também agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela "coragem, senso de justiça e legalidade". O senador passou pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos.
Ao contestar novamente o resultado das urnas, Flávio concentrou suas críticas na decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação no segundo turno. Ele acusou o STF de interferir nas competências do TSE e afirmou que a mudança teria beneficiado Lula, contrariando os dados que apontam para uma diferença mínima na quantidade de votos.
"A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno", declarou.
O crescimento do número de votos recebidos por um candidato entre dois turnos não configura, porém, nenhuma evidência de fraude eleitoral.
Flávio também acusou a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico, além de utilização da máquina pública em favor da reeleição, e afirmou que essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa Lula-Alckmin. Ele não apresentou provas das acusações no pronunciamento.
O senador dedicou parte da carta a atacar o Judiciário, que acusou de atuar para silenciar a oposição. Sem citar nominalmente Moraes, fez referências ao magistrado e afirmou que as medidas judiciais adotadas contra ele fazem parte de um suposto plano de perseguição política.
"Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada", afirmou.
Flávio disse acreditar que a apreensão de seus passaportes seria apenas o primeiro passo de uma sequência de medidas que poderia incluir tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e condenação judicial.
A decisão de Moraes determinou a entrega dos documentos em uma investigação que envolve a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. A medida não equivale a uma ordem de prisão.
Flávio se compara a políticos exilados, o que não é seu caso. Ele menciona Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí para afirmar que essas personalidades foram "tratados como criminosos", mas a "história os chamou de outra coisa".
Charles de Gaulle, por exemplo, liderou a resistência contra a ocupação nazista da França na Segunda Guerra Mundial.
Ele também cita opositores da ditadura chavista na Venezuela, como María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, e Juan Guaidó, que proclamou-se presidente da Venezuela quando era líder da Assembleia Nacional, em 2019. Dezenas de países o reconheceram na época, e Trump apostou nele como uma alternativa à ditadura. Sem sucesso, porém, perdeu fôlego e influência.
O senador também afirmou que pretende assumir a liderança da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e fez um apelo direto a parlamentares e governadores aliados, com menção especial ao senador Rogério Marinho (PL-RN).
Flávio diz apoiar que Marinho, coordenador de sua campanha, seja o próximo presidente do Senado. A direita tem dois nomes para o posto –Rogério e Tereza Cristina (PP-MS). O PL vai ter a maior bancada da Casa no ano que vem, com 29 de 81 senadores.
"Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", afirmou.
O discurso indica que Flávio pretende manter uma atuação política ativa mesmo fora do território brasileiro, com pronunciamentos regulares e articulação de aliados.
"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos", disse.
O senador não detalhou quais seriam as medidas dessa estratégia nem esclareceu se pretende solicitar asilo político aos Estados Unidos. Também não estabeleceu uma previsão de retorno ao Brasil.
No encerramento, afirmou que sua saída do país não representa o fim de sua atuação política. "Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Além de Flávio Bolsonaro, seu irmão Eduardo, Ramagem, Carla Zambelli e Silvinei Vasques saíram ou tentaram sair do Brasil para evitar penalidades

Flávio Bolsonaro fugiu do país depois de perder a eleição presidencial. O senador é investigado em dois inquéritos no STF. Foto: Wilton Junior/ Estadão Foto: Wilton Junior/ Estadão
Por Lóren Souza
Nesta terça-feira, 27, Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições presidenciais, deixou o País. Segundo apurou o Estadão, ele fugiu para os Estados Unidos após a Polícia Federal intimá-lo a entregar o passaporte.
O senador está sendo investigado em dois inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). Um relacionado ao filme Dark Horse e a pedidos de recursos para Daniel Vorcaro e outro para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz.
A fuga do senador amplia a lista de pessoas relacionadas ao bolsonarismo que deixaram ou tentaram fugir do País para evitar o cumprimento de pena.
Relembre os casos a seguir:
Willer Tomaz
Investigado por descontos ilegais em aposentadorias, o advogado Willer Tomaz deixou o País. Ele também está relacionado em outro inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro (PL) foi sentenciado a 4 anos de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A condenação tem como razão sua tentativa de interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, incitando sanções ao Brasil junto ao governo estadunidense
Ele foi para os Estados Unidos em fevereiro de 2025, antes das denúncias do crime, mas permanece no país desde então. No início de outubro, Alexandre de Moraes, ministro do STF, determinou sua prisão e seu nome foi adicionado ao Banco Nacional de Mandados de Prisão.
Silvinei Vasques
Em dezembro de 2025, o ex-diretor da Polícia Federal Rodoviária (PRF) foi preso em Assunção, Paraguai, após ter sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão por compor o “núcleo de gerência” do plano golpista para manter Jair Bolsonaro no poder. Silvinei deixou o País com destino a El Salvador na tentativa de evitar o cumprimento da pena.
Alexandre Ramagem
O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL), fugiu para os Estados Unidos em setembro de 2025, mesmo com a proibição de deixar o País. Em novembro do mesmo ano, foi decretada sua prisão preventiva após a conclusão da sua condenação por participação na tentativa de golpe de Estado. No início do ano, Ramagem chegou a ser preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), mas foi liberado. Ele tem um pedido de asilo e um processo de extradição em análise pelo governo estadunidense.
Carla Zambelli
A ex-deputada Carla Zambelli (PL) foi condenada a 10 anos de prisão em 2025, após envolvimento com a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsificação de documentos oficiais.
Ela fugiu pela Argentina e Estados Unidos até chegar à Itália, onde foi presa e aguarda julgamento para extradição.
Oswaldo Eustáquio
O blogueiro está foragido da justiça brasileira desde 2023 e reside na Espanha. Mesmo no exterior, ele responde a investigações por crimes como ameaça, perseguição, incitação ao crime e associação criminosa.
No último sábado, 24, o STF decidiu abrir uma ação penal contra o blogueiro por supostamente integrar associação criminosa para promover ataques ao Estado democrático de direito e ao sistema eleitoral.
Allan dos Santos
O também blogueiro Allan dos Santos teve prisão preventiva expedida em 2021 em caso relacionado ao inquérito das fake news e a ações de desinformação e ataque a instituições. Desde então, ele reside nos Estados Unidos. Ele também foi investigado em um caso que apura a formação e o funcionamento de “milícias digitais”, que atuariam para desinformar e pressionar autoridades. O inquérito foi arquivado. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Liminar determina que parlamentar retire publicações das redes sociais
Primeira sessão na ALERJ após a eleições. Deputado India Armelau (PL) — Foto: Marcelo Theobald
A Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual India Armelau pare de incentivar empresários a demitir ou perseguir funcionários por suas convicções políticas. A decisão liminar atende parcialmente a um pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, que entrou com ação civil pública contra a parlamentar nesta terça-feira (27).
Com cerca de um milhão de seguidores nas redes sociais, India publicou uma mensagem em que sugeria que empresários verificassem as redes sociais de seus funcionários para saber se haviam votado em Lula. “Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, escreveu a deputada.
A liminar determina ainda que India retire as publicações que motivaram a ação dos canais em que foram divulgadas, incluindo sites, redes sociais e aplicativos de mensagens.
Na decisão, o juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca ressaltou que, como integrante do Parlamento, a deputada deve respeitar as diferentes posições políticas e evitar discursos que possam estimular ódio, perseguição ou discriminação.
Em caso de descumprimento, a parlamentar estará sujeita a multa diária de R$ 5 mil. O prazo para a retirada do conteúdo é de 48 horas. Fonte: https://oglobo.globo.com
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Ao pedir anulação da eleição que perdeu, candidato do PL honra histórico golpista do pai
Por Bernardo Mello Franco
Derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro se recusou a reconhecer o resultado e pediu a anulação das eleições.
Num discurso de mau perdedor, alegou que teria sido prejudicado pela decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário da votação.
A medida foi tomada para permitir o voto de eleitores prejudicados pelas manobras que tiraram ônibus das ruas em pelo menos sete estados.
A fala de Flávio derruba de vez o esforço dos marqueteiros de apresentá-lo como um político civilizado, que respeitaria as regras da democracia.
Ao pedir a anulação da eleição que perdeu, o senador mostra ser o legítimo herdeiro da herança golpista do pai. Fonte: https://oglobo.globo.com
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Adolescente é suspeito de efetuar disparos que deixaram também um ferido em Bonito (MS)
Em Porto Esperidião (MT), dois homens morreram após discussão e tiros em posto de combustível
São Paulo
Três pessoas morreram baleadas e outras três ficaram feridas em duas brigas por motivações políticas em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, na noite de sábado (24). Ninguém foi preso.
Em Bonito (MS), um adolescente de 16 anos é apontado como autor de disparos que mataram um homem e feriram outro em uma carreata pró-Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Em Porto Esperidião (MT), dois homens morreram após uma discussão seguida de tiros em um posto de combustível.
Os mortos em Mato Grosso foram identificados como Anderson Pires Bolandin, 35, e Sebastião Dusso Braga Neto, 64. Em Mato Grosso do Sul, morreu Ewerton Rodrigues da Silva, 34. Os boletins de ocorrência descrevem agressões e tiros, mas não detalham as discussões políticas nem esclarecem se os envolvidos eram de correntes ideológicas diferentes.
Em Bonito, a PM foi chamada para atender a uma briga generalizada perto do Posto Aroeira, durante carreata pró-Flávio. No local, os policiais souberam que dois baleados já haviam sido socorridos e levados para um hospital.
Testemunhas relataram aos PMs que um homem foi abordado por outro, que passou a agredi-lo. Amigos da vítima intervieram e entraram em luta com o homem.
O filho do homem que começou a briga, de 16 anos, teria pego um revólver e efetuado disparos que atingiram duas pessoas —uma delas, Ewerton, morreu atingido por três tiros (no abdômen, no tórax e na perna).
Pai e filho fugiram do local, ainda segundo o relato de testemunhas, e não haviam sido localizados pela polícia até a manhã deste domingo (25).
Em Porto Esperidião, a Polícia Militar foi acionada às 22h15 de sábado devido a uma briga no pátio do Posto Prata com disparos de arma de fogo.
Os policiais encontraram Anderson caído perto de uma bomba de combustível, baleado e com dificuldade para respirar. Ele foi socorrido, mas morreu durante o transporte de ambulância. Um primo da vítima foi atingido no pé direito e socorrido.
Na unidade de saúde, os agentes souberam que outros dois homens baleados haviam dado entrada para atendimento. Um deles era Sebastião, atingido no abdômen e transferido para Cáceres (MT) devido à gravidade do ferimento. Sua morte foi confirmada depois à reportagem.
O outro, ferido, relatou aos policiais que tudo começou com uma discussão por divergência política que evoluiu para agressões físicas e tiros. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Deputado federal eleito por Minas Gerais estava acompanhado de um assessor. Os dois seguiriam para acompanhar a apuração do segundo turno ao lado do presidente Lula.
Pedro Rousseff (PT) é sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff e se elegeu deputado federal — Foto: Reprodução/Redes Sociais
acidentes na Rodovia Fernão Dias,
Por Redação
O deputado federal eleito por Minas Gerais, Pedro Rousseff (PT), sofreu um acidente de carro na Rodovia Fernão Dias, na tarde deste domingo (25), enquanto seguia para São Paulo. Segundo a assessoria do parlamentar, ele estava acompanhado de um assessor. O estado de saúde dos dois ainda não foi divulgado.
Pedro Rousseff viajaria para acompanhar a apuração do segundo turno da eleição presidencial ao lado do presidente Lula (PT). A assessoria divulgou uma imagem do veículo, que apresenta danos principalmente na parte traseira e nas laterais, e informou que atualizará as informações sobre o acidente.
Pela manhã, o deputado eleito votou na região da Pampulha, em Belo Horizonte, acompanhado da tia-avó, a ex-presidente Dilma Rousseff.
O acidente ocorreu durante as fortes chuvas que atingem Minas Gerais. Segundo a Cemig, cerca de 400 mil pessoas estão sem energia elétrica no estado. O Tribunal Regional Eleitoral informou que 136 locais de votação foram afetados, mas a votação continua normalmente, já que as urnas eletrônicas possuem baterias próprias.
Deputado tranquiliza apoiadores
Em vídeo publicado posteriormente, Pedro Rousseff tranquilizou seus seguidores e atualizou sua condição de saúde. Segundo o próprio, ninguém envolvido no acidente passou por qualquer ferimento mais grave, apesar do veículo ter capotado três vezes. Fonte: https://cbn.globo.com
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Flávio Bolsonaro ora durante Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Knapp - 6.jun.26/Folhapress
Mariliz Pereira Jorge
Jornalista e roteirista
Me senti uma senhorinha religiosa ao ler que Flávio fez uma festinha com prostitutas no lago Paranoá
Atrás de cada paladino da virtude, há um falso puritano que chafurda na sacanagem no quarto
Bonita a cena em que Flávio Bolsonaro posa ao lado da mulher, Fernanda, com um buquê de rosas vermelhas na comemoração do aniversário dela. Pelo meu olhômetro, eram umas 120 colombianas bem parrudas. Haja flor para compensar a humilhação de ser traída com prostitutas em orgias e ainda precisar sorrir para a foto da campanha.
Eu, que me considero uma mulher progressista, me senti uma senhorinha religiosa ao ler que o "zero um" fez uma festinha numa lancha no Lago Paranoá com direito a profissionais do sexo, bebidas e lobistas para negociar vacina superfaturada com o governo do pai.
Foi em 17 de julho de 2020, dia em que a Covid matou 1.110 brasileiros. Na saída, um executivo da Precisa (a da Covaxin, que o senador defendeu na CPI) tirou o próprio Rolex do pulso e o deu ao parlamentar. O relógio nem me choca mais diante do histórico da "familícia". Mas as três garotas de programa levadas de São Paulo para animar o candidato do "Vem com Fé" testaram meu moralismo.
O fato é que nem deveria me espantar. Venho de uma cidade do interior do Paraná que já foi chamada de capital da Reaçolândia. Coleciono histórias de ex-amigos –por quem fui cancelada por meu posicionamento político–, que na juventude e bem depois dela eram muito chegados em festinhas com puta e pó. Mais de um deles obrigou a namorada a abortar. Fora os homens que mantinham casamentos de fachada quando o município inteiro sabia que eram gays nem um pouco enrustidos. Todos votam 22.
Quem sou eu para julgar a vida dos outros? Pois é, não julgo. Quem fez isso com maestria foi Nelson Rodrigues, que transformou em clássicos da literatura toda a devassidão e as taras inconfessáveis que os homens de bem praticam debaixo dos panos. O dramaturgo sabia como ninguém que, atrás de cada paladino da virtude, há um falsos puritano que posa de santo na sala e chafurda na sacanagem no quarto. E, convenhamos, pulada de cerca de político não tem ideologia, a crônica em Brasília está recheada de casos.
O duro é a cara de pau dessa gente que sempre transforma a disputa eleitoral numa "batalha moral" e jura viver sob o lema "Deus, pátria e família" quando o slogan deveria ser atualizado para "Deus, pátria e orgia", como fez a internet. Mas o problema, segundo essa turma, são as feministas, a autonomia feminina, a liberdade sexual das mulheres, os gays, as lésbicas, a maconha, o aborto legal de menores de idade, o Bolsa Família, o "comunismo", as próprias putas, quando não estão com eles.
E a esbórnia é reincidente. Em setembro, o PlatôBR revelou mensagens de um ex-sócio sobre noitadas de Flávio com acompanhantes ("Precisa ser tudo sigiloso. Pois nessa época de eleição tá fodaaaa", pedia o organizador à agenciadora). Prostituição entre adultos não é crime no Código Penal, mas, pelo código de honra dos lares brasileiros, a traição deveria escandalizar. Quando o material chegou a Fernanda Bolsonaro, o senador acusou o antigo parceiro de querer "destruir meu casamento e minha família". São sempre os outros os culpados, nunca o homem que, por conta própria, trai os votos que fez à mulher, além daqueles que prega como inegociáveis para a sociedade.
E ainda teve o Carnaval de "KN", iniciais que têm toda cara de serem de Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair e presidente do TSE. No convescote, caviar, "pessoal tudo pelado na piscina" e quarto para o "ministro com 5 meninas". O ex-ministro Fábio Faria armou a "Festa das Suíças" (120 mulheres para 20 homens), e o deputado Elmar Nascimento pediu "um time aí" para o "profano", implorando depois à revista piauí: "Isso pode acabar com o meu casamento".
O mais sórdido, porém, é a barbárie dos poderosos que tratam mulheres como mercadorias. A CPI do Crime Organizado viu indícios de tráfico internacional nos eventos de Daniel Vorcaro, e diálogos divulgados pelo UOL mostram operadores recrutando jovens, inclusive refugiadas ucranianas, chamadas de "creche" e "escravas". Dos guardiões da virtude não se ouviu um pio. Que moral tem essa gente para falar que a esquerda está acabando com a família? Que família? Aquela formada por homem, mulher, filhos e putas bancadas com dinheiro de propina. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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O consolo na democracia é que sempre teremos uma nova eleição. A alternância é a grande qualidade do sistema. Essa qualidade jamais poderá ser roubada
Por Fernando Gabeira
Faltam apenas algumas horas para a decisão. São duas visões antagônicas. O País será algo muito diferente com a vitória de um ou outro. Nossas vidas serão impactadas. É natural que seja uma semana tensa.
No meu caso, temo pelos anos dedicados à legislação ambiental. Ouço Flávio declarando sobre a Amazônia que os fazendeiros serão livres para fazer o que quiserem em suas terras. O pai dele também pensava assim. Mas é um delírio. Nenhuma terra está fora de uma região, de um país ou do próprio planeta. Se um rio passa em sua propriedade, você não pode nem represá-lo nem contaminá-lo sem prejudicar os que vivem à jusante. Não é possível atear fogo dentro de suas terras sem levar em conta a segurança das terras vizinhas. Quando se vive numa região tão especial como a Amazônia, por lei, não se pode desmatar livremente, apenas 20% da área.
Uma concepção anárquica como a dos Bolsonaros pode não apenas levar a Amazônia a um ponto de não retorno, transformando a floresta numa savana, mas arrasar com o nosso comércio exterior. Todos os acordos comerciais dependem dessa cláusula ambiental. Mesmo os Estados Unidos, liderados por Trump, investigam o Brasil, acusando o País de desmatamento para justificar suas tarifas.
Portanto, as decisões de domingo podem nos levar a diferentes papéis no mundo: interlocutores no combate às mudanças climáticas ou vilões ambientais. De um ponto de vista da política mais ampla, nosso papel no mundo será diferente.
Flávio Bolsonaro propõe um alinhamento com os Estados Unidos. Mas não vai muito adiante. Uma boa relação com os norte-americanos é essencial. Mas é inegável que são dois países diferentes, com interesses específicos. Um exemplo: o Pentágono se prepara para comprar a empresa que explora terras raras em Goiás. Isso acontece num momento em que o Brasil apresenta uma importante restrição ao comércio de terras raras: a exigência de que sejam beneficiadas dentro do território. O projeto que define isso já foi aprovado no Congresso. É preciso ver se é aplicável às explorações de Minaçu, em Goiás, e Poços de Caldas, em Minas.
De qualquer maneira, há uma diferença entre um país totalmente alinhado com os Estados Unidos e um país amigo que concorda em muitos temas, mas mantém sua própria identidade política.
A direita no Brasil cresce na denúncia da corrupção. Mas será que, em caso de sua vitória, emergirá um país mais honesto? O candidato escolhido por ela sofre inúmeras acusações que vão desde rachadinha, passando por compra de mansão e outras situações confusas. Ele tem um perfil mais parecido com um clássico político do Centrão. Como evitar que se comporte como tal, uma vez na Presidência?
A escolha de um outro candidato vai impactar a política cultural. O fato de a maioria dos artistas e acadêmicos apoiar Lula tem sempre uma grande repercussão na cabeça dos Bolsonaros, que passam a antagonizar a ciência e a arte, como se fossem territórios inimigos. Essas diferenças culturais podem trazer situações dramáticas como se viveu na pandemia, e, de uma certa forma, ainda se vive no debate sobre a importância das vacinas.
Finalmente, as concepções de segurança pública são muito divergentes. A maioria aprova as teses mais repressivas da direita. Muito se falou na experiência de El Salvador, como se um país tão pequeno pudesse servir de modelo ao Brasil.
De qualquer forma, embora a retórica seja diferente, a política de segurança pública de Jair Bolsonaro não representou uma mudança qualitativa em relação às outras desenvolvidas no período da redemocratização. Isso revela a dificuldade do tema, a necessidade de compreendê-lo em todas as suas variáveis e encontrar uma política eficaz, algo que não aconteceu ao longo dessas décadas. O problema só se agrava e o próprio sistema penitenciário passou a ser uma complicação a mais, apesar de tanto dinheiro e energia para que fosse parte da solução.
As pessoas chegam às suas escolhas por múltiplos caminhos. Elas se diferem entre as que buscam soluções individuais e as que enfatizam soluções coletivas. Elas frequentam as redes sociais, onde não faltam argumentos, acusações e até mesmo insultos.
A esta altura, apesar do importante debate final, a sorte parece estar lançada. Na segunda-feira, saberemos que país teremos nos próximos quatro anos. Em função disso, teremos de repensar nossos destinos, buscar aqueles que estão em situação semelhante e redesenhar nossa trajetória. O consolo na democracia é que sempre teremos uma nova eleição. A alternância é a grande qualidade do sistema. Essa qualidade jamais poderá ser roubada.
Creio que os candidatos foram submetidos a grandes sessões de perguntas. Mas em todas elas, para início de conversa, deveria ser colocada a questão democrática. “Aceita o resultado das urnas e promete não tentar golpe em caso de ser derrotado?” A sociedade amadureceu, há mudança entre os militares, a conjuntura internacional também ainda é favorável à democracia. Experimentos que pareciam eternos, como na Hungria, onde Viktor Orbán conquistou o Congresso e o Judiciário, acabaram se mostrando frágeis e passageiros. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Candidatos que estão na lista dos 100 maiores políticos influenciadores obtiveram 16% dos votos ao Legislativo
Por William Brizola, Lucas Keske, Bruno Ponceano e Francielly Barbosa
As eleições gerais de 2026 representaram a consolidação de um tipo de político que vem ganhando cada vez mais espaço: o influencer. Diferentemente dos influenciadores que tentam a vida pública, grande parte dos eleitos são “políticos de carreira” que jogam o jogo das redes para atingir grandes públicos e somar números expressivos.
Eles trazem a estética das redes para suas argumentações políticas, realizando uma campanha baseada sobretudo em reels no feed. Com isso, fazem das redes sociais parte central da estratégia de campanhas que consolidam votações recordes.
Engajamento não significa necessariamente uma eleição certa, mas é um bom impulso. Um levantamento realizado pelo Estadão mostra que, entre os políticos mais influentes no Instagram, 64 foram eleitos, dois estão no segundo turno, mas outros 17 ficaram sem cargos. O índice de eleição neste grupo se aproxima de 80%. Veja abaixo o desempenho dos 100 políticos mais influentes na rede.
Dentre os dez mais influentes, oito são filiados ao Partido Liberal (PL). Com a exceção do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que não concorreu, e seu irmão Flávio, que ainda disputa a Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (posição no ranking: 11º) no segundo turno, todos foram eleitos.
Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal reeleito mais votado da história, com mais de três milhões de votos, lidera isolado em engajamento médio. Em seguida, surgem os nomes da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). O deputado federal reeleito Sargento Fahur (PL-PR), a deputada federal eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) e o deputado federal reeleito André Fernandes (PL-CE) complementam a lista de integrantes do PL.
A deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP), mulher mais votada da Câmara, aparece na 4ª posição. Carlos Bezerra Jr. (PSD-SP), eleito deputado federal, completa o ranking.
O relatório que mapeia os nomes mais influentes da política nacional na rede foi realizado pela ZEENG, plataforma brasileira que agrega dados de desempenho e engajamento nas redes sociais. O estudo analisou o engajamento médio dos perfis dos políticos entre janeiro e junho deste ano e considerou como principal métrica a média de interações em cada publicação no feed, especificamente curtidas e comentários.
“O engajamento médio acaba estabilizando todos os perfis analisados ao longo de um determinado período de tempo. Olhando por essa perspectiva, acabamos eliminando a volatilidade de desempenho de um determinado perfil”, explica o realizador do estudo e CEO da ZEENG, Eduardo Prange.
A escolha específica pelo Instagram vem da grande representatividade encontrada na rede, em comparação com outras. Para Prange, a plataforma reúne uma presença “relevante de diferentes públicos e acaba contemplando melhor todas as bolhas”.
Transformando like em voto
O engajamento pode ser um grande indicativo da atenção que um político recebe, mas não significa que todos serão capazes de transformar esse tempo de tela em votos.
Em alguns casos, políticos já conhecidos pelos eleitores ou que investem em outros formatos de campanha podem aparecer no gráfico acima de candidatos que detêm maior influência digital.
Votos dos candidatos x Engajamento médio no Instagram
Candidatos com melhor relação entre engajamento e votos disputaram cargos legislativos
A diferença de pouco mais de dois milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno das eleições foi maior no engajamento. Enquanto o candidato do PL ocupa a 5a posição no ranking, Lula é o 11º. Esses números podem ajudar a explicar a diferença de votação entre os candidatos, mesmo que outros aspectos, fora as redes, entrem nesta equação.
Depois dos candidatos à Presidência, o político mais eficiente em transformar “like” em voto foi o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Ele aparece como o 68o nome mais influente no Instagram, com um número de 24,5 mil interações por publicação, baixo se comparado com outros da lista. Ao fim do primeiro turno, Derrite foi o senador mais votado por São Paulo, com 13,2 milhões de votos, e passa a ocupar o cargo pela primeira vez.
O senador eleito figura ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador do Estado de São Paulo no primeiro turno, com 14,5 milhões de votos. Ambos aparecem acima de Fernando Haddad (PT), que concorreu com Tarcísio.
Os 10 políticos mais influentes figuram todos ao lado mais à direita do gráfico, ou seja, tendo uma relação quase que direta entre engajamento e voto. Contudo, nem sempre na mesma ordem do ranking: candidatos como André Fernandes (PL-CE), que é o 10º em influência, aparece acima de Sargento Fahur (PL-PR), 6º.
Carlos Bezerra Jr. (PSD-SP), eleito deputado federal, terminou com um dos piores desempenhos quando se compara seu engajamento e os votos recebidos. Com uma média de mais de 127 mil interações por post, somou menos de 90 mil votos nesta eleição. Mesmo sendo o 8º político mais influente, figurou abaixo no gráfico.
Com exceção da deputada federal Erika Hilton, 4a em engajamento médio, nomes conhecidos da esquerda aparecem mais abaixo e à esquerda do gráfico. Os deputados federais Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Rick Azevedo (PSOL-RJ) e Duda Salabert (PSOL-MG), embora eleitos, acumularam menos engajamento médio nas redes sociais ao longo do primeiro semestre do ano e converteram menos interações por publicação em votos.
Preferência pelo Legislativo para concordar nas redes
Candidatos influenciadores no Instagram receberam cerca de 16% de todos os votos disputados em seus Estados para o Legislativo. Dentre os 544 milhões de votos válidos (cada eleitor poderia votar duas vezes para senador, uma para deputado federal e outra para deputado estadual/distrital), mais de 87 milhões foram para os 83 influencers que se candidataram.
Os influencers eleitos alcançaram, ao todo, mais de 64 milhões de votos. Ou seja, 20,6% dos votos válidos.
Distribuição dos votos no primeiro turno
Candidatos influencers receberam mais de 87 milhões de votos (64.268.837 eleitos e 23.163.032 não eleitos)
Para Camilo de Oliveira Aggio, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), não é por acaso que a maior parte dos candidatos influenciadores disputam as eleições proporcionais, ou seja, para o Poder Legislativo. Segundo ele, a forma como esse tipo de eleição ocorre é semelhante ao funcionamento das redes.
“A disputa para o Legislativo costuma estar profundamente relacionada com o modo como as relações se estabelecem nas plataformas digitais: são interações profundamente segmentadas. Os candidatos não precisam conquistar um segmento heterogêneo e profundamente diversificado. Basta eles jogarem esse jogo cada vez mais tribal e que é cada vez mais natural para as plataformas digitais” Camilo de Oliveira Aggio, Professor da UFMG
A maioria (55) dos políticos mapeados como os mais influentes no Instagram pertence a partidos de direita. Desses, 40 são do Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro.
“A direita sempre conseguiu engajar mais nas redes sociais, desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff”, avalia Helcimara de Souza Telles, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ela observa que enquanto a esquerda disseminava suas pautas a partir de organizações sindicais, entre os grupos de direita, a relação entre rede e indivíduo era direta. Para a pesquisadora, “é natural que uma parte desses influenciadores possa ser eleita não apenas porque estão nas redes, mas porque tem uma pauta nas plataformas”.
Também coordenadora do grupo de pesquisa “Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral”, ela cita o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, que já era um político profissional e se tornou famoso nas redes a partir também das campanhas endereçadas a fiéis de igrejas evangélicas.
Procurado sobre a atuação de candidatos nas redes sociais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que as regras sobre propaganda eleitoral na internet, inclusive em plataformas como o Instagram, estão previstas na Resolução nº 23.755/2026, atualizada para as eleições de 2026.
Nela, no Art. 27, o TSE prevê que a livre manifestação do pensamento somente é passível de limitação quando “ofender a honra ou a imagem de candidatas, candidatos, partidos, federações ou coligações, ou quando divulgar fatos sabidamente inverídicos”.
Também questionada, a Meta não se manifestou sobre as políticas de uso do Instagram por candidatos influenciadores em período eleitoral. Porém, na última sexta-feira, 16, a empresa publicou uma nota pública em que afirma não estar interferindo nas eleições brasileiras e esclarece que “a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de 1 hora, e não por razões políticas”.
Novo método para ‘puxar voto’
Com as votações recordes concentradas em alguns nomes, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, o Partido Liberal conquistou 22 cadeiras “extras” na Câmara dos Deputados. Apenas o deputado mineiro “puxou” 13 colegas.
Dentre eles, estão outros candidatos prolíficos nas redes, como o reeleito Paulo Bilynskyj (PL-SP) e o eleito Carmelo Neto (PL-CE). Com isso, a “Bancada do Like” foi preenchida com 39 dos 513 deputados.
Influenciadores eleitos no Legislativo
No total, influenciadores vão ocupar 52 cadeiras nas câmaras do legislativo
A estratégia bem amarrada pelos articuladores do PL permitiu usar os influenciadores não só para auxiliarem na entrada de outros influenciadores, como também na de outros políticos. Pelo menos 20 candidatos, que não integram os mais influentes, foram beneficiados pelos números recordes de seus colegas.
O quociente eleitoral para a Câmara dos Deputados é calculado dividindo o total de votos válidos pelo número de vagas disponíveis em cada Estado. As cadeiras são distribuídas proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos e federações e, depois, preenchidas pelos candidatos mais votados que atendam aos requisitos legais, como ter obtido pelo menos 10% dos votos proporcional ao quociente (cláusula de desempenho individual).
A mesma lógica não foi efetiva no caso do Partido Socialismo e Liberdade. Erika Hilton (PSOL-SP) ficou logo atrás de Pavanato em sua votação, mas puxou apenas Sônia Guajajara (PSOL-SP), mesmo tendo quociente eleitoral para alavancar a candidatura de três cadeiras. Raul Marcelo (PSOL-SP) e Juliano Medeiros (PSOL-SP), que poderiam ser beneficiados com a votação dela, não superaram a cláusula de desempenho individual.
Influencers geram engajamento no debate
Com as campanhas de boa parte desses candidatos influenciadores encerradas, e a maioria deles eleita já no primeiro turno, o grupo ganha um novo papel: atuar no segundo turno da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula.
A forma como se posicionaram no debate Band/Estadão, realizado no domingo, 18, entre os presidenciáveis, oferece uma prévia de como devem atuar nos novos cargos. Confira abaixo os principais destaques.
1º - Nikolas Ferreira (PL-MG)
Estava presente no debate e gravou vídeos confrontando outros candidatos
3º - Lucas Pavanato (PL-SP)
Também estava presente no debate, postou quatro reels ao longo da noite fazendo memes e confrontando outros candidatos
4ª - Erika Hilton (PSOL-SP)
Não estava presente no debate, mas repostou cortes de falas do Lula e seu desfile na SPFW
14º - André Janones (Rede-MG)
Estava presente no debate e postou um reels mobilizando sua rede de seguidores
8º - Carlos Bezerra Jr. (PSD-SP)
Não estava presente no debate, mas postou um reels criticando o desempenho dos candidatos
Reportagem: Lucas Keske e Francielly Barbosa; Dados: Lucas Keske; Desenvolvimento e Design multimídia: William Brizola e Bruno Ponceano; Editora de infografia multimídia: Regina Elisabeth Silva; Editores-assistentes de infografia multimídia: Adriano Araujo e William Mariotto; Editor: Ricardo Corrêa; Editor-executivo de Política: Renato Andrade; Editor-executivo de Brasília: Murilo Rodrigues Alves Fonte: www.estadao.com.br
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Empresa lucrou ao menos R$ 2 mi com propaganda originada principalmente dos EUA
Custo de anúncios foi similar ao de campanhas como de Haddad ao Governo de SP
O aplicativo do Instagram, da empresa Meta, em um celular - Dado Ruvic/Reuters
São Paulo
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, veiculou nas redes sociais, entre julho e setembro de 2026, ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares no Brasil. É o que aponta levantamento do NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O gasto com os anúncios, de R$ 2 milhões, foi similar ao de campanhas de políticos como Fernando Haddad (PT), que gastou R$ 2,4 milhões entre 5 de julho e 3 de outubro com anúncios na Meta sobre a campanha ao Governo de São Paulo.
A propaganda estrangeira foi veiculada sobretudo por páginas apócrifas e com fonte pagadora nos Estados Unidos, origem de 98,1% do total de anúncios que informaram a localização (1.076).
As peças publicitárias descumprem uma série de regras eleitorais, que não autorizam publicidade vinda de fonte estrangeira nem o impulsionamento de anúncios políticos por atores diferentes de candidatos, partidos, federações e coligações.
Parte dos anúncios veiculou propaganda negativa contra postulantes, cujo impulsionamento é proibido por lei. Também foram encontrados materiais sem o rótulo de "propaganda eleitoral" e sem a informação da fonte pagadora, o que é vetado pela legislação.
Para chegar aos anúncios, foi feita a coleta na biblioteca da Meta a partir de termos relacionados aos candidatos e às eleições. Foram considerados aqueles com pagamento em moeda diferente do real.
Para os pesquisadores, os dados indicam a circulação de peças publicitárias visando a incidir sobre a disputa eleitoral brasileira, e a empresa só agiu para restringir o conteúdo ilegal após lucrar com ele.
As 1.613 peças político-eleitorais identificadas pela equipe foram impulsionadas por 187 anunciantes, totalizando o gasto de R$ 2 milhões, valor referente à conversão das moedas estrangeiras com base nas cotações de 1º de outubro de 2026.
Quase a totalidade, 99,5%, foi paga em dólar americano. As peças tiveram 171,1 milhões de impressões (número de vezes em que um anúncio foi exibido em telas), e 70 candidatos foram mencionados.
"É escandaloso que a Meta tenha ganhado R$ 2 milhões veiculando anúncio absolutamente ilegal durante as eleições brasileiras. Isso aponta falhas sistêmicas que são problemáticas e podem afetar as eleições", afirma Marie Santini, diretora do Netlab UFRJ.
A principal fonte pagadora identificada foi a Corporativo Lam, LCC, responsável por 97,3% dos anúncios com identificação do pagador (1.076). A pesquisa não aponta a quem esta fonte pagadora está vinculada, mas identificou que ela promoveu ou atacou "diferentes candidatos, muitas vezes de forma contraditória, dificultando a compreensão dos objetivos e das estratégias políticas dessas campanhas".
Segundo o levantamento, a Corporativo Lam pode ter investido, sozinha, até R$ 1,6 milhão em propaganda eleitoral nas plataformas da Meta, o maior volume entre todas as fontes pagadoras identificadas.
Os anúncios foram veiculados inicialmente sem a classificação de "assunto político" e depois recategorizados ou retirados de circulação, mas depois de terem atingido milhares de brasileiros. Com isso, a empresa lucrou com ilícitos que podem impactar diretamente o processo eleitoral brasileiro "sem oferecer informações suficientes para identificar os interesses políticos envolvidos", na opinião dos especialistas.
Em nota à reportagem, a Meta diz que "como o próprio estudo reconhece, os anúncios analisados foram identificados e posteriormente recategorizados ou, quando aplicável, retirados de circulação por violarem nossas políticas", afirma a empresa.
"Além disso, o estudo engloba anúncios veiculados a partir de julho, antes do período oficial de campanha. Nosso processo de análise possui diversas camadas de revisão e detecção, antes e durante a veiculação."
Para os pesquisadores, porém, a correção depois da veiculação evidencia uma "deficiência sistêmica da governança de publicidade da Meta, baseada em um controle reativo do conteúdo impulsionado, que busca combatê-lo apenas após sua veiculação, sem mecanismos robustos de verificação e aprovação prévia, como a empresa afirma oferecer".
A cifra de R$ 2 milhões vinda do exterior colocaria a categoria, se fosse um candidato, na 11ª colocação no ranking dos maiores investidores em publicidade política nas plataformas da Meta durante o período analisado.
Nessa classificação, Haddad fica em sexto lugar, com R$ 2,4 milhões, antecedido por Tarcísio de Freitas, com R$ 3 milhões. Encabeçam a lista os presidenciáveis Lula (PT), com R$ 9,4 milhões, e Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 6,8 milhões.
O valor, entretanto, é provavelmente muito abaixo do lucro real da Meta com a modalidade, uma vez que o levantamento só considerou anúncios que a própria empresa reclassificou como políticos depois de deixar circular de maneira ilegal. Com isso, pode haver muito mais anúncios irregulares que os pesquisadores não conseguiram acessar.
"Para ter noção do nível do problema, teria que haver transparência da totalidade de publicidade de anúncio que acontece na Meta, seja marcado como político ou não. Porque eu só consigo ver o que a plataforma diz que é político", explica Marie Santini. "A gente só vai ter condições de entender o tamanho desse problema se houver transparência total da publicidade que circula na Meta." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Estamos diante de uma forte onda internacional de direita. Para fazer frente a ela é preciso estudo, pesquisa, humildade, uma tentativa de compreender o outro
Por Fernando Gabeira
O problema desse primeiro turno, encerrado com a vitória de Flávio Bolsonaro e uma grande votação da direita no Senado, é o fato de precisarmos de muito tempo para entender, num contexto em que não há tempo, pois o segundo turno já começou. É difícil corrigir em 20 dias erros que se arrastaram por quatro anos. Um deles se refere à amplitude e eficácia da frente democrática, bem-sucedida em 2022. Para ser fiel à proposta, o governo teria de evitar a hegemonia de um só partido e tentar, progressivamente, conquistar setores da sociedade que ainda estavam fora da frente. Não foi isso que aconteceu. A frente foi vista apenas como um instrumento da vitória eleitoral, e não como uma ferramenta que precisa ser aperfeiçoada para confrontar o crescimento da direita, uma realidade internacional.
Dificilmente num primeiro momento podemos avaliar o impacto que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) teve na campanha eleitoral. Para medi-lo, talvez seja necessário começar pelo julgamento dos envolvidos no 8 de Janeiro. Os juízes foram muito severos em suas penas, além disso, por falta de estrutura, não se avaliou adequadamente a participação individual de cada manifestante. A severidade de uma determinada sentença não é algo extraordinário. Pode ocorrer aqui e ali, sobretudo pelo fato de que os juízes não analisam em detalhes as consequências políticas de suas decisões. O problema é que os políticos do governo se identificaram com as decisões judiciais e as aprovaram sem reservas. Isso contribuiu não para inibir a direita, ao contrário, foi um estímulo para uma campanha denunciando injustiças e perseguição política. Em pouco tempo, o Supremo, com o qual o governo se identificou, entra numa grande crise de credibilidade. O mesmo juiz que se destacou no rigor da repressão é apontado como cúmplice de Daniel Vorcaro, a partir do contrato de R$ 131 milhões que o escritório de sua família tinha com o Banco Master.
Para quem era de oposição e denunciava o ministro Alexandre de Moraes por sua severidade e algumas injustiças, tornou-se fácil estabelecer uma ligação entre governo e STF. Algumas decisões atabalhoadas dos ministros a favor de Lula nas eleições, como no caso do debate cancelado, podem ter contribuído para que grande parte dos eleitores identificasse uma instituição impopular com o governo. Essa hipótese é fortalecida pela grande vitória da direita no Senado. Muitos candidatos vitoriosos prometiam votar o impeachment de ministros. Parece que grande parte do eleitorado comprou a ideia de que era necessário mudar o governo.
Uma das grandes questões da política atual no Brasil é esta: se o bolsonarismo foi derrotado em 2022, apesar de ter o governo nas mãos, por que, em vez de perder substância, continuou crescendo a ponto de realizar sem problemas sua estratégia de ganhar o Senado?
Estava tudo tão claramente exposto e, no entanto, foi impossível de evitar. Há dois caminhos de análise: avaliar a força de um movimento internacional de crescimento da direita, mas também examinar os erros da frente que começou com uma amplitude e foi se estreitando. Em termos de distribuição de cargos, houve uma tentativa de ampliação. E isso sempre funciona, pois há muita gente querendo cargos. Mas em termos de intercâmbio político, de troca de ideias, de tentativa de crescimento, inclusive para cima dos eleitores de Bolsonaro, pouco foi feito.
A ideia sempre foi a de delimitar o bolsonarismo e atacá-lo, numa falsa suposição de que milhões de eleitores são de extrema direita. Talvez não tenha sido a melhor. Um dos fatores que influenciam as posições políticas é a lacração ou o desprezo pelo adversário.
Num livro lançado agora no Brasil, o sociólogo François Dubet destaca a importância do desprezo, da humilhação e da falta de reconhecimento no crescimento do populismo e na crise da democracia. Muitas pessoas não compreendem isso e, ao começar o segundo turno, tornam-se agressivas contra quem não votou com elas. Todas as pessoas que são ofendidas por causa de suas opções políticas acabam se enraizando e dificilmente consideram a possibilidade de mudar de ideia.
Para obter um resultado um pouco melhor, teria sido importante voltar à vitória de 2022 e avaliar os erros de interpretação. O primeiro deles foi considerar a frente democrática apenas como uma bandeira de campanha, e não como um instrumento de aperfeiçoamento constante.
O segundo deles é mais difícil de conter, pois é um esporte popular: insultar o adversário político, renunciar à ideia de convencê-lo. É muito comum nas redes o insulto ao “pobre de direita”, por exemplo. Isso sem contar as milhares de lacrações do politicamente correto. É importante que as pessoas reconheçam que estamos diante de uma forte onda internacional. Para fazer frente a ela, é preciso estudo, pesquisa, humildade, uma tentativa de compreender o outro.
Fatores como demonstração de artistas ricos e bonitos a favor de uma candidatura talvez não tenham mais o peso do início do processo de democratização. Existem forças políticas capazes de moldar identidades, alimentar ressentimentos.
No seu pequeno livro, François Dubet lança a ideia de que em nossos tempos nem sempre as desigualdades são vividas como injustiça material, mas como uma humilhação simbólica. São ainda tímidas as tentativas de entender o que se passa, mas algumas coisas mais urgentes precisam ser discutidas agora. Fonte: https://www.estadao.com.br
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O segundo turno é uma nova eleição, que está apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno, Flávio Bolsonaro pode ser surpreendido no segundo
Por Jorge J. Okubaro
Além de surpreendente, pois até a véspera a maioria das pesquisas de intenção de voto não a indicava, a vitória numérica do candidato Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais mostra de modo eloquente a consolidação do prestígio da direita. É preciso observar, porém, que, mesmo expressiva, a vantagem de 2,2 milhões de votos que Bolsonaro obteve sobre seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é garantia antecipada de vitória no segundo turno. Em 2022, nas quatro semanas entre o primeiro e o segundo turnos, o pai de Flávio, o hoje preso ex-presidente Jair Bolsonaro, conseguiu reduzir em 4,1 milhões de votos, de 6,2 milhões para 2,1 milhões, a diferença que o separava do mesmo candidato que o filho enfrenta neste ano. Mas Flávio começa a campanha do segundo turno com vantagem.
Há um fato talvez intrigante no crescimento de sua candidatura. Mesmo acusado, não raro com provas, da prática de atos que caracterizam no mínimo imoralidade no exercício de função pública, Flávio Bolsonaro foi conquistando mais apoio num corpo de eleitores que dizem repudiar corrupção e afirmam, com a convicção dos puros, que jamais votariam em alguém envolvido em casos de manipulação de dinheiro de origem suspeita. Tudo se passou, para essa fatia do eleitorado, como se não tivesse havido um episódio moralmente repugnante de relações entre um banqueiro ambicioso e políticos interessados mais em dinheiro do que em ações públicas que deles se pode esperar.
Flávio é o mais notório homem público (há outros em outra esfera do poder) que se beneficiou, em dinheiro, das ações do hoje ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. É como se o dinheiro que lhe foi repassado por Vorcaro, do extinto Banco Master, e outros atos moralmente condenáveis nada tivessem a ver com ele. Rachadinhas, pagamento em dinheiro da compra de imóvel avaliado em milhões de reais (prática que evita o registro no sistema bancário do valor de certas transações), homenagens a ex-policiais que se tornaram milicianos (e assassino, pelo menos em um caso) e sua notória incapacidade de propor programas de ação com um mínimo de coerência não têm importância para uma parte muito expressiva do eleitorado.
Foi o que seu desempenho nas urnas mostrou. Mas as urnas mostraram algo mais preocupante: a real possibilidade de uma figura política com esse perfil tornar-se presidente da República por quatro anos a partir do dia 5 de janeiro de 2027. Será preciso muito otimismo para esperar que, se isso ocorrer, teremos um país melhor do que o que temos hoje. Podem ser tempos difíceis para muitos, sobretudo os que mais necessitam de ações do poder público. Do ponto de vista programático, o que o candidato detentor do maior número de votos no domingo tem de mais conhecido é o princípio de que o Estado brasileiro precisa ser reduzido. Como seu pai condenado pela Justiça, Flávio Bolsonaro é adversário de políticas públicas que, mesmo adequadamente inscritas na programação orçamentária do governo federal e de grande impacto na vida de boa parte da população, impliquem gastos que poderiam ser utilizados para ações que não tenham características sociais.
Das urnas de domingo levantou-se uma onda conservadora poucas vezes vista em tempos recentes. O PL que abriga Bolsonaro e os partidos aliados Republicanos e PP elegeram 10 dos 20 governadores definidos no primeiro turno. O PT de Lula elegeu três. Das 54 vagas para o Senado que foram preenchidas, o PL de Bolsonaro conquistou 19. Partidos que fariam parte da base de apoio de um novo governo bolsonarista, como Novo, PP e Republicanos, elegeram mais oito senadores. O PT elegeu seis.
Em alguns Estados, a vitória da direita foi avassaladora. São Paulo talvez seja o melhor exemplo. O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, foi reeleito em primeiro turno por ampla vantagem de 6 milhões de votos sobre seu oponente, Fernando Haddad, do PT. Dos dois senadores eleitos no Estado, um, Guilherme Derrite, é do PP; o outro, André do Prado, é do PL.
Se eleito, por isso, Flávio Bolsonaro terá a seu favor um Congresso Nacional cujas características políticas predominantes serão muito parecidas com as suas. Isso lhe facilitaria a tarefa de governar. Mas isso será bom ou ruim?
Mudança de governo e, consequentemente, de prioridades e de políticas públicas é parte do jogo democrático. Ações que caracterizavam determinada gestão serão encerradas ou substituídas por outras; novos gastos, com novas finalidades e com novos beneficiários serão introduzidos nos programas orçamentários. Em certos momentos, porém, mudanças desse tipo podem implicar rupturas de consequências não previsíveis. Pode ser que sejam para melhor.
Mas nada está decidido. O segundo turno é uma nova eleição, que está apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno, Flávio Bolsonaro pode ser surpreendido no segundo. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Senador marca 32% entre católicos, enquanto petista tem 26% entre evangélicos; percentuais são de votos totais
Lula lidera entre eleitores de 60 anos ou mais; nas demais faixas etárias, há empate técnico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência - Pedro Ladeira e Danilo Verpa/Folhapress
São Paulo
O presidente Lula (PT) oscilou de 45% para 50% das intenções de voto entre os católicos, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), de 47% para 52% entre os evangélicos, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º). Ambos mantêm a liderança nos respectivos grupos no primeiro turno.
Os percentuais são de votos totais, na comparação com o levantamento divulgado em 24 de setembro. Entre os católicos, Flávio estava com 33% e agora aparece com 32%. Entre os evangélicos, Lula estava com 27% e agora tem 26%.
As margens de erro são de três pontos percentuais entre os católicos e quatro entre os evangélicos, para mais ou para menos, nos dois levantamentos. Na pesquisa atual, as diferenças entre os candidatos ficam fora do empate técnico nos dois grupos.
O resultado vem após dias de embate com a circulação da notícia falsa de que Flávio retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador negou a informação e recorreu à Justiça contra sua divulgação.
A desinformação retomava uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado Victorio Galli e arquivada no ano seguinte. Lula passou a abordar o episódio em discursos e afirmou que, enquanto for presidente, a santa continuará como padroeira do país.
Na quarta-feira (30), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou a determinação de retirar publicações que reproduziam a notícia falsa, com divergências entre os ministros sobre o alcance da medida
O cenário é o estimulado, em que os entrevistados recebem uma lista de candidatos. A base de votos totais inclui as respostas em branco, nulo ou nenhum e os indecisos, que são excluídos do cálculo dos votos válidos.
No conjunto do eleitorado, Lula tem 42%, e Flávio, 38%, em votos totais. Ambos oscilaram dois pontos para cima em relação à pesquisa anterior e permanecem tecnicamente empatados no limite da margem de erro nacional, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em votos válidos, têm 45% e 40%, respectivamente, com Lula liderando fora da margem de erro.
Lula tem 49% entre os eleitores de 60 anos ou mais, contra 36% de Flávio. A margem de erro nesse segmento é de quatro pontos percentuais. Essa é a única das cinco faixas etárias em que há liderança fora do empate técnico no primeiro turno.
Na rodada anterior, o presidente tinha 42%, e o senador, 37%, com margem de cinco pontos. Naquele levantamento, havia empate técnico em todas as faixas etárias.
Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Lula marca 41%, e Flávio, 34%, com margem de seis pontos. Na faixa de 25 a 34 anos, os percentuais são de 39% e 40%, respectivamente, com margem de cinco pontos.
Dos 35 aos 44 anos, os dois têm 40%. Entre quem tem de 45 a 59 anos, o petista marca 40%, ante 38% do senador. A margem de erro é de quatro pontos em cada um desses grupos.
Lula lidera entre os eleitores com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, com 50%, contra 28% de Flávio. Entre aqueles com renda de mais de dois a cinco salários mínimos, o senador tem vantagem, por 47% a 34%. A margem de erro é de três pontos em cada grupo.
Na faixa acima de cinco salários mínimos, Flávio tem 47%, ante 37% do presidente.
Entre os eleitores com ensino fundamental, Lula lidera por 54% a 27%, com margem de erro de quatro pontos.
Há empate técnico entre aqueles com ensino médio, com 42% para Flávio e 39% para Lula, e entre os que têm ensino superior, com 43% para o senador e 36% para o presidente. As margens são de três e quatro pontos, respectivamente.
Entre as mulheres, Lula tem vantagem, com 45%, ante 35% de Flávio. Entre os homens, os dois marcam 40%. A margem de erro é de três pontos em cada grupo.
O petista lidera entre os eleitores que se autodeclaram pretos, com 53%, contra 27% do senador, e entre os pardos, por 44% a 36%. As margens de erro são de cinco e três pontos, respectivamente.
Entre os brancos, Flávio tem 45%, ante 36% de Lula. A margem de erro de três pontos coloca o senador à frente, fora do empate técnico.
Lula lidera no Nordeste, com 56%, ante 26% de Flávio, com margem de quatro pontos. No Sul, o senador tem vantagem, por 50% a 30%, com margem de cinco pontos.
No Sudeste, o presidente marca 40%, e Flávio, 39%, em empate técnico, com margem de três pontos. No agrupamento Centro-Oeste/Norte, o senador tem 43%, contra 35% do petista, também em empate técnico, com margem de cinco pontos.
Nas regiões metropolitanas, Lula lidera por 43% a 35%. No interior, tem 42%, e Flávio, 39%, em empate técnico. A margem de erro é de três pontos em cada recorte.
Segundo turno
Na simulação de segundo turno, Lula tem 55% entre os católicos, contra 38% de Flávio. Entre os evangélicos, o senador marca 62%, ante 32% do petista. As margens de erro são de três e quatro pontos, respectivamente, e as diferenças ficam fora do empate técnico nos dois grupos.
Entre os eleitores de 60 anos ou mais, o presidente também tem vantagem, por 52% a 41%, com margem de quatro pontos. Nas demais faixas etárias, há empate técnico.
No total da amostra, Lula tem 48%, ante 45% de Flávio, em empate técnico. O presidente oscilou um ponto para cima em relação à semana anterior, enquanto o senador manteve seu percentual.
O Datafolha ouviu 2.506 eleitores de 16 anos ou mais entre 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-08039/2026. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Santa se tornou tema eleitoral depois de boato sobre retirada do título de padroeira do Brasil
Caso é alvo de disputa no STF após decisões de André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux nos últimos dias
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) segura imagem de Nossa Senhora Aparecida durante visita ao Mercado Municipal de São Paulo nesta segunda-feira (28) - Bruno Santos/Folhapress
São Paulo
Nossa Senhora Aparecida se tornou protagonista desta reta final da campanha eleitoral no Brasil. Afinal, existe uma proposta de bolsonaristas para tirar da santa o título de padroeira do país?
Surgem outras dúvidas: quais decisões tomaram os ministros do Supremo André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux? O que é uma padroeira? Por que os evangélicos não cultuam santos?
Entenda esses e outros pontos que envolvem questões políticas, religiosas e jurídicas:
Caso eleito presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil?
Não há registro de nenhuma declaração nesse sentido do candidato do PL ou da sua assessoria.
Em um vídeo gravado em 23 de agosto, feito para justificar a decisão de faltar ao debate da TV Bandeirantes, Flávio disse que queria debater com quem não acreditava em Deus. "Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", afirmou.
A partir dessa declaração, não se pode concluir que ele planeja tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Trata-se, portanto, de notícia falsa.
Qual é a origem do boato?
Pelo que se sabe até agora, a origem é um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT) e arquivado no ano seguinte. Anos mais tarde, Galli foi assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro e hoje é novamente candidato a deputado federal.
A notícia falsa de que Flávio retomaria a proposta ganhou tração depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, apontou "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria tentando destituir Aparecida da condição de padroeira.
Horas depois, na madrugada de sexta (25), a GloboNews fez uma retratação e afirmou que a informação se baseava em um projeto de lei que, na verdade, fora arquivado quase 20 anos atrás.
O que Flávio fez quando percebeu que o boato tinha viralizado?
Os advogados da campanha do candidato do PL enviaram uma representação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dizendo que "essa informação é absolutamente falsa" e pedindo uma intervenção da corte.
O que André Mendonça decidiu na sexta-feira?
Antes da resposta, vale esclarecer: Mendonça é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e também do TSE.
Na decisão provisória, ordenou que as redes sociais "atuem preventivamente contra a disseminação dos conteúdos" que tratam do tema, classificado por ele de "notoriamente inverídico". Também afirmou que os provedores deveriam indisponibilizar imediatamente as publicações que reproduzam essa notícia falsa mesmo sem uma nova ordem judicial específica para isso.
O que Flávio Dino decidiu no domingo, dia 27?
Na hierarquia do Judiciário brasileiro, o STF está acima do TSE.
A decisão de Flávio Dino atendia a um pedido do ator Antônio Tabet, que teve uma publicação derrubada pelas plataformas digitais por ordem de Mendonça. No texto, Tabet afirmava que "a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida". Não havia menção ao nome de Flávio.
Dino disse que postagens como a de Tabet não trazem "grau de certeza de ilicitude para extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa".
O que Luix Fux decidiu na segunda, dia 28?
Como ministro do STF, Fux contrariou a ordem de Dino e determinou novamente a suspensão de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Ele é relator da ação do Marco Civil da Internet e, atualmente, integra a ala pró-Mendonça no Supremo.
Em sua decisão, justificou a adoção da medida citando, entre outros argumentos, a proximidade das eleições. "O referendo [da decisão de Dino] foi designado para 'sessão presencial', sem data; se sobrevier após o pleito, qualquer que seja o seu resultado, terá perdido a utilidade —pressuposto inerente à tutela de urgência", afirmou.
Fux disse ainda que sua decisão não "cassa" a do colega, apenas "suspende-lhe os efeitos externos até a deliberação do colegiado", em referência ao plenário do Supremo. O presidente do STF, Edson Fachin, sinalizou que deve levar o caso para deliberação pelo plenário na quarta (30).
Um presidente da República pode definir o padroeiro de um país? Ou, no caso de Nossa Senhora Aparecida, cassar o título de padroeira?
Pode eventualmente sugerir, mas a decisão final é do Vaticano, a autoridade máxima da Igreja Católica.
Foi a primeira vez que Nossa Senhora Aparecida esteve no centro de uma discussão religiosa e política que mobilizou o país?
Não. Em 12 de outubro de 1995, a TV Record exibiu o programa O Despertar da Fé, em que o apresentador, o bispo Sérgio von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, dava socos e chutes em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O então presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou a importância da tolerância religiosa. Edir Macedo, líder da Universal e proprietário da Record, pediu perdão aos católicos e classificou o ato do bispo von Helder como "desastroso". Von Helder foi processado e condenado a dois anos e dois meses de prisão por crimes de discriminação religiosa e vilipêndio de imagem.
Quando Nossa Senhora Aparecida foi encontrada?
Em outubro de 1717, três pescadores resgataram uma escultura de terracota fragmentada, separada em corpo e cabeça. A partir de então, a estátua "aparecida" (daí o nome) virou objeto de devoção popular.
Onde essa escultura estava?
A imagem foi resgatada pelos pescadores no rio Paraíba do Sul, na altura do atual município de Aparecida, no interior de São Paulo. A escultura original está guardada e exposta em um espaço blindado dentro da Basílica Nossa Senhora Aparecida.
Por que Nossa Senhora é representada como negra?
Porque a imagem encontrada pelos pescadores tem a cor escura. Segundo a Igreja Católica do Brasil, o tempo nas águas do rio, onde ela foi encontrada, e a fuligem das velas acesas diante dela contribuíram para que a estatueta ficasse mais escura.
O que é um padroeiro ou uma padroeira?
É um santo ou uma santa que os católicos consideram como aquele que protege uma cidade ou um país, entre outras possibilidades. São Sebastião, por exemplo, é o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro; Nossa Senhora da Boa Viagem é a padroeira de Belo Horizonte.
O padroeiro também pode ser reconhecido como protetor de um grupo ou de uma atividade –o padroeiro dos médicos, por exemplo, é São Lucas Evangelista.
Quando Nossa Senhora Aparecida passou a ser considerada padroeira do Brasil?
Até o início do século 20, o padroeiro oficial do Brasil era são Pedro de Alcântara, título estabelecido em 1826 a pedido de dom Pedro 1º.
A festa pública ocorreu no ano seguinte, em 31 de maio, na então capital do país, o Rio de Janeiro, em cerimônia comandada pelo então presidente Getúlio Vargas.
Por que os evangélicos não cultuam santos, como Nossa Senhora Aparecida?
No século 16, a Reforma Protestante adotou a Sola Scriptura, segundo a qual somente a Bíblia é a palavra de Deus. Como não existem na Bíblia exemplos de cristãos orando aos santos falecidos ou celebrando festas em sua honra, os crentes passam a rejeitar essas práticas.
Segundo Carvalho, "para os evangélicos, os santos são reconhecidos como exemplos de fé e testemunhas da história cristã, mas não são alvos de orações ou devoções".
Como os evangélicos veem a Virgem Maria?
"Maria tem o seu lugar na tradição evangélica, como mãe de Jesus. Porém, ela é valorizada como serva de Deus, que gerou Jesus, o Salvador. Não é compreendida como 'mãe de Deus' nem como intercessora das pessoas diante do Filho de Deus que ela gerou, uma vez que na doutrina protestante não há mediação entre Deus e o ser humano", explica Magali Cunha, pesquisadora do Iser (Instituto de Estudos da Religião).
Por que alguns evangélicos participam das festas caipiras em junho e julho, tradicionais celebrações em homenagem a santos como São João?
Segundo Roney de Carvalho, muitas práticas culturais do catolicismo popular foram ressignificadas pelas igrejas evangélicas ao longo da história. "Até porque o ser humano necessita de símbolos, ritos, celebrações e pertencimento comunitário", afirma o professor de teologia.
"Esse fenômeno mostra que, embora os fiéis evangélicos rejeitem a devoção aos santos, muitas comunidades preservam elementos culturais ligados à convivência, à celebração e à identidade brasileira. Trata-se menos de uma continuidade da devoção religiosa e mais de uma adaptação cultural", diz.
Colaborou Rodrigo Toniol, colunista da Folha. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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- Presidentes do TSE e do Supremo se reúnem nesta segunda-feira (28) e devem discutir tensão entre as duas cortes
- Kassio vê interferência indevida de Dino e pretende alertar Fachin sobre falhas no sistema de distribuição de processos

Ministros Kassio Nunes Marques e Flávio Dino em sessão no STF - Adriano Machado - 2.set.26/REUTERS
Brasília
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, prepara uma reação à decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, que liberou publicações nas redes sociais sobre a polêmica de Nossa Senhora Aparecida, desautorizando ordem da corte eleitoral.
Kassio vai se reunir com o presidente do STF, Edson Fachin, nesta segunda-feira (28) e alertá-lo sobre o que considera interferências indevidas de ministros do Supremo no TSE. Também vai cobrar de Fachin medidas institucionais contra a manipulação do sistema de escolha de relatores na corte.
A reunião entre Fachin e Kassio já estava prevista desde a semana passada, mas o presidente do TSE vai aproveitar os acontecimentos dos últimos dias e endereçar sua preocupação quanto a uma possível escalada de tensões entre as duas cortes.
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a remoção de conteúdos "notoriamente inverídicos" que apontavam para uma suposta intenção do candidato de retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Proferida no âmbito do TSE, a decisão foi anulada por Dino neste domingo (27). O ministro do Supremo afirmou que não havia, nas postagens, "grau de certeza de ilicitude para extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa".
Dino analisou um requerimento ajuizado pelo ator Antônio Tabet (um dos perfis atingidos pela ordem de Menonça) em um processo que tramitava no seu gabinete desde maio, e que diz respeito não às eleições presidenciais, mas a um caso de censura a posts sobre a inelegibilidade do ex-deputado Deltan Dallagnol.
Kassio disse a um interlocutor que viu volação ao princípio do juiz natural. É como se a defesa de Tabet tivesse burlado o sistema de sorteio do STF e escolhido o magistrado que analisaria seu pedido, para ter mais chances de um resultado favorável.
O presidente do TSE pretende dizer a Fachin, nesta segunda, que a manobra tem sido utilizada com frequência e que é preciso fixar algum tipo de regra para evitar o direcionamento de processos dentro do Supremo. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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É extremamente preocupante que um candidato à Presidência tenha mantido vínculo tão próximo, até pouco tempo atrás, com um miliciano condenado pelo Supremo pela morte de Marielle
Este jornal informou na primeira página de sua edição de ontem que, em 2023, uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou pessoalmente com o miliciano Robson Calixto, vulgo “Peixe”, o repasse de quase R$ 200 mil provenientes de emenda parlamentar em troca de vantagens indevidas. A negociata já seria escandalosa se Flávio não fosse candidato à Presidência da República e se o tal “Peixe” fosse um sicário qualquer, desses com os quais a população do Rio de Janeiro, lamentavelmente, acostumou-se a conviver. Ocorre que Flávio não só é candidato, como tem boas chances de ser eleito. E “Peixe”, definitivamente, não é um ilustre desconhecido do sistema de Justiça.
Em fevereiro deste ano, por unanimidade, “Peixe” foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão em regime fechado por ter participado do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. O indigitado era uma espécie de “faz-tudo” para os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, mandantes do crime, e elo da dupla com a milícia da zona oeste da capital fluminense de onde saiu o facínora Ronnie Lessa, autor dos disparos. Todos cumprem pena presos.
É extremamente preocupante, para dizer o mínimo, que um candidato à Presidência da República tenha mantido vínculo tão próximo com um criminoso de sangue até pouco tempo atrás. Para piorar, confrontado com um fato dessa gravidade, Flávio se limitou a dar uma resposta protocolar, afirmando, por meio de nota, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e que a responsabilidade pela prestação de contas é de quem recebe os recursos, não do parlamentar. Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores.
Talvez seja mesmo difícil para o candidato tratar do tema com mais objetividade. Afinal, faz mais de duas décadas que, por onde quer que ande, Flávio Bolsonaro está sempre acompanhado pela sombra dos milicianos do Rio de Janeiro com os quais se relaciona, abertamente, desde o seu primeiro mandato como deputado estadual, iniciado em 2003. A ligação entre Flávio e “Peixe”, por mais problemática que seja, não é um desvio pontual.
Recorde-se que, em 2007, Flávio subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para legitimar as milícias como um “novo tipo de policiamento”. Na ocasião, o então deputado estadual reduziu os crimes praticados por milicianos – não raro policiais e bombeiros corruptos – a “casos isolados”. Em outro discurso, Flávio chegou a dizer que “não se importaria” em pagar mensalidades de “R$ 30 ou R$ 40” às milícias para “ter mais segurança”. Ele sabia do que falava. Além de condecorar dezenas de milicianos, pouco tempo depois, Flávio empregara em seu gabinete na Alerj familiares de um dos mais temidos matadores do País, Adriano da Nóbrega, capo da milícia Escritório do Crime, baseada em Rio das Pedras.
Adriano seria morto durante troca de tiros com a polícia em 2020, escondido sob nome falso no interior da Bahia. Mas o grupo criminoso que ergueu em Rio das Pedras, envolvido no assassinato de Marielle Franco, sobreviveu a ele – e agora volta às páginas do jornal pela negociação do tal “Peixe” e a assessora de Flávio Bolsonaro.
Estamos a poucos dias da eleição que definirá o futuro presidente do Brasil. Por óbvio, não é questão menor ter entre os postulantes à chefia de Estado e de governo um candidato cuja biografia política está indelevelmente marcada por vínculos estreitos e reiterados – e jamais devidamente explicados – com membros de organizações criminosas responsáveis por execuções sumárias, extorsões, exploração ilegal do comércio e controle social, na base do terror, sobre larguíssimas porções do território do Rio de Janeiro.
Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Com autorização de André Mendonça, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela PF por sua relação financeira com Daniel Vorcaro e segue devendo explicações convincentes ao País
O País acaba de tomar conhecimento de que Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, é oficialmente investigado pela Polícia Federal (PF) por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Como se sabe, Flávio pediu de viva voz R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF. O candidato, inclusive, esteve pessoalmente com o banqueiro vigarista no curto interstício em que ele esteve livre, condicionado ao uso de tornozeleira eletrônica, entre uma prisão e outra.
É gravíssimo o fato de um candidato favorito, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, concorrer à Presidência da República na condição de investigado – e sob tão sérias suspeitas. Isso só reforça que Flávio Bolsonaro não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos, quanto mais para ser chefe de Estado e de governo.
Ao que tudo indica, o financiamento do tal filme pode ter sido apenas um meio de obtenção de dinheiro sujo da rede de operações de Vorcaro para bancar uma série de gastos de figuras de proa do bolsonarismo – desde a produção do filme propriamente dita até o sustento da vida de playboy que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, leva nos Estados Unidos. Um fundo de investimentos no Texas, cujo titular é um advogado amigo de Eduardo, recebeu dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse, uma transação inusual no setor audiovisual. Ademais, há suspeita, ainda a ser investigada, de que parte dos milhões recebidos por Flávio de Vorcaro possa ter sido usada no financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”.
Louve-se aqui a iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de pedir a Mendonça, relator do caso Master na Corte, que levantasse o sigilo das investigações, pedido este atendido, ainda que parcialmente. Por mais graves que sejam as informações que ora vêm a público, é incerto se elas prejudicarão a candidatura presidencial de Flávio. Mas isso pouco importa. O eleitor tem o direito de ir às urnas sabendo exatamente de tudo o que pesa contra quem pretende governá-lo. A decisão de voto diz respeito apenas à sua consciência.
Diante dessa mixórdia entre interesse público e interesses privados, Flávio não só segue devendo explicações convincentes ao País, como chega a ser cínico ao insistir que tudo não teria passado de uma relação “privada”, envolvendo dinheiro “privado”. É uma dupla mentira. Em primeiro lugar, porque há fundadas suspeitas de que recursos de emendas ao Orçamento da União do deputado federal Mario Frias (PL-SP) tenham sido direcionados para o orçamento de Dark Horse, como revelou a Operação Make Up, deflagrada pela PF há poucos dias. Em segundo lugar, porque o dinheiro de Vorcaro não pode ser tratado naturalmente como recurso privado: trata-se de fruto da maior fraude financeira de que o País já teve notícia. O que Flávio trata como dinheiro “privado” é o prejuízo de milhões de correntistas, investidores, servidores públicos e aposentados, o maior rombo já coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
Se Flávio Bolsonaro considera normal financiar uma hagiografia do pai – e sabe-se lá mais o quê – com recursos de origem tão gritantemente espúria, a fragilidade jurídica da defesa é o menor de seus problemas. Está-se diante, isso sim, de sua própria falência ética. Espera-se que um candidato à Presidência da República saiba distinguir entre o certo e o errado, o público e o privado, o lícito e o ilícito. Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil.
Pode não parecer, mas caráter ainda importa. E ele se revela nas escolhas feitas por um candidato. Flávio fez as suas: chamou Vorcaro de “irmão” no áudio em que lhe pediu R$ 134 milhões e não teve pudor em ignorar a origem do dinheiro. Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República. Fonte: https://www.estadao.com.br
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