JUAN ARIAS

No Brasil já se fala, sem meias palavras, que o presidente e a maior parte de seu Governo parecem ineptos para confrontar os grandes desafios que têm pela frente

 

O atual mandato presidencial no Brasil começou há pouco mais cinco meses, mas já começam a se escutar alarmes sobre a possibilidade de que Jair Bolsonaro não termine seu mandato. Não só porque ele aparece sem um projeto de país concreto, mas também porque o pouco já realizado é alvo de duras crítica até por parte de muitos que o elegeram e hoje não o fariam, conforme mostram todas as pesquisas em que, apesar dos 57 milhões de votos conquistados nas urnas, seu apoio desvanece. Recente pesquisa da Atlas Político mostrou que apenas 28% dos entrevistados consideravam sua gestão boa ou ótima, contra 36,2% que a veem como ruim ou péssima. Entre os que o apoiam estão um exército de radicais que desejaria devolver o Brasil aos tempos do pior obscurantismo, com uma política apoiada em messianismos alucinados, com suas preocupações fálicas e uma mórbida obsessão pelas armas.

Poderia parecer incrível num país normal que em cinco meses de Governo já se fale já abertamente na possibilidade de impeachment do presidente, não só pelo que ele não fez, mas também pelo que fez até agora, que está revelando uma forte desconfiança sobre sua capacidade de governar um Brasil-continente com 207 milhões de pessoas que já começaram a sair às ruas. E sobre como deseja conduzir o tema da educação, um ponto crucial deste país com ainda milhões de analfabetos funcionais e da qual depende também seu futuro econômico.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acaba de dizer ao jornal O Globo que o Brasil “caminha para um colapso social” com o novo Governo, que ainda não soube apresentar um projeto para fazer frente às graves crises que o afligem e que poderia levá-lo a uma catástrofe econômica se em vez de apoiar as reformas urgentes acabar boicotando-as para favorecer propostas milagrosas e às vezes até patéticas.

Preocupa à sociedade democrática um presidente que parece alheio às reformas enquanto se perde em fantasia messiânicas, como quando afirma que ainda “não nasceu para ser presidente”, pois foi algo que Deus lhe impôs. E assim repete, às vezes chorando diante das câmeras de televisão, enquanto levanta a camisa e mostra as cicatrizes do atentado que sofreu durante a campanha eleitoral. Deus, segundo ele, está ao seu lado e o escolheu como um novo Messias.

Junto a esse messianismo profético, o presidente continua tão obcecado em armar os brasileiros que seu primeiro decreto foi para ampliar a posse de armase seu porte para toda a sociedade, decreto contra o qual acabam de se manifestar 73% dos brasileiros, segundo a última pesquisa de Ibope. Multiplicar as armas nas mãos das pessoas deve parecer melhor para o país que multiplicar o pão nas mãos dos ainda milhões de pobres e as possibilidades para os jovens de um ensino que os prepare para se realizarem em liberdade e criatividade. E sem absurdas receitas de escolas sem partido, de alunos espiões e denunciantes de seus professores e o pavor de que nelas se possa falar de sexo, que é como proibir falar da vida.

Há uma história que revela o absurdo de uma presidência em seus temores relacionados com o sexo. Em abril passado, saindo do Ministério da Educação, coração do futuro nacional, o presidente confiou a um grupo de jornalistas uma de suas maiores preocupações no momento. Sobre o drama da educação no país? Não. “Temos por ano mil amputações de pênis por falta de água e sabão”, contou-lhes, e acrescentou: ”Quando se chega a este ponto, a gente vê que estamos no fundo do poço”. Essa preocupação com a higiene masculina e as proporções de suas genitálias perturba tanto o presidente que poderia ter criado uma crise diplomática com o Japão, ao dizer que naquele país “tudo é pequeno”, referindo-se ao órgão masculino.

A obsessão do presidente por tudo o que é fálico está preocupando até os psicólogos e psicanalistas, como Contardo Calligaris, que na Folha de S.Paulo, analisando estas obsessões fálicas do presidente, afirmou: “Não se pode entender uma posição repressora contra os outros, seja qual for, a não ser como um modo da pessoa reprimir e lutar com a sua própria dificuldade”.

Já João Luiz Mauad, do Instituto Liberal e colunista de vários jornais do país, escreveu que ainda não é hora de falar no impeachment do presidente, já que “improvisação, amadorismo, incompetência, idiotice e histrionismo não são, por si sós, suficientes para abrir um processo de impeachment contra um presidente”. Talvez seja verdade juridicamente, mas um presidente com todas essas “qualidades” não parece o mais bem preparado para conduzir o transatlântico Brasil, o quinto maior pais do mundo e com imensas riquezas naturais que, além disso, o presidente parece querer destruir.

No Brasil já se fala, sem meias palavras, que o presidente Bolsonaro e a maior parte de seu Governo parecem ineptos para confrontar os grandes desafios que têm pela frente. Até agora parece, entretanto, que Bolsonaro continua em campanha eleitoral, dialogando só com o grupo de radicais de extrema direita que permaneceram fiéis a ele, sem ainda demonstrar que é quer ser o presidente de todos os brasileiros, como exige a Constituição.

O presidente continua confundindo as redes sociais com a realidade viva do país e parece ter aterrissado de outra galáxia, sem entender que o Brasil é uma nação que importa no mundo e que já aceitou a modernidade faz muito tempo. E, pior ainda, está destruindo no exterior, com sua incapacidade de governar e suas obsessões de caráter messiânico e psiquiátrico, a imagem positiva e até invejável até ontem atrelada a este país, coração econômico do continente e cadinho de mil experiências culturais que estão sendo pisoteadas.

ERRATA

O texto original deste artigo mencionava que dos 57 milhões de votos recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro nas eleições, apenas 30% mantinham o apoio. Na verdade, são 28% os que  consideram o Governo de Bolsonaro bom ou ótimo, segundo pesquisa do Atlas Político. Fonte: https://brasil.elpais.com

Em visita a São Paulo, ex-presidente dos Estados Unidos afirma que países precisam investir nas pessoas para crescer economicamente

 

Em um dia marcado por protestos em defesa da educação, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que visita o Brasil, defendeu a importância do investimento na área para o desenvolvimento dos países. Em palestra em um evento sobre inovação digital em São Paulo, nesta quinta-feira, ele ressaltou que "dar educação e serviços sociais não é caridade" e, se um país não investe nas pessoas, provavelmente não será bem-sucedido.

Em sua terceira visita ao Brasil, Obama continua colecionando um número grande de fãs e é recebido como estrela. A fila para participar da palestra, que começou às 13h, dava voltas já às 9h. E os ingressos da área vipcustavam até 2.500 reais. Bastante carismático, ele começou o discurso dando boa tarde em português, reclamou do trânsito de São Paulo, contou que tinha encontrado Pelé na parte da manhã e revelou que tocava músicas de Tom Jobim para a esposa Michelle.

Diante de uma plateia de 10.000 pessoas —a maioria empresários, que ovacionaram todo o tempo o ex-presidente— , Obama disse que é necessário criar um sistema educacional que prepare crianças e jovens para o pensamento crítico. “As pessoas querem que os fatos se encaixem nas opiniões delas”, disse. “Acho que o mais valioso da educação é aprender a habilidade de analisar a realidade, mesmo quando isso é desconfortável e prova que aquilo que eu achava ser verdade está errado.”

O democrata elogiou ainda o poder que um professor tem de dar confiança a uma criança e criticou como a categoria é pouco reconhecida em alguns países. "Nos Estados Unidos, os professores também não são valorizados, em parte porque a maioria deles é mulher", disse o ex-presidente, que defendeu o modelo da Finlândia, onde a categoria é valorizada e "ganha tão bem quanto um médico". Apesar de discursar muitos minutos sobre a educação, Obama não fez nenhuma menção aos protestos desta quinta no Brasil e nem sobre o Governo de Jair Bolsonaro.

"Eu sempre falo, e nem sempre me ouvem, que os empresários deveriam ficar felizes em pagar impostos", afirmou ao defender que é essa arrecadação que permite a implementação de políticas públicas.

O ex-mandatário também defendeu uma maior inclusão de mulheres e afro brasileiros na política e na sociedade. "Se afro brasileiros não são incluídos, o país está desperdiçando talento. Se mulheres não estão incluídas, estão desperdiçando talento", afirmou. Segundo Obama, ele sempre fez questão de ter mulheres em sua equipe. "Se sua organização só tem homens brancos que parecem todos iguais, você está perdendo algo".

O ex-presidente contou que, após deixar a Casa Branca, decidiu focar seu trabalho em preparar novos líderes pelo mundo. “Avaliei que meu maior impacto seria o de inspirar outras pessoas a se envolverem e a encorajar as pessoas para que se engajem a fazer a diferença”, diz.

Dinheiro não traz felicidade

O americano confessou que, apesar de atualmente ter muito mais dinheiro do que ao longo de grande parte da sua vida, sua felicidade não está relacionada a esse tipo de riqueza. Obama criticou ainda que a acumulação de dinheiro e de bens seja hoje a medida para avaliar o sucesso de uma pessoa. “Nós ensinamos a nós mesmos que a nossa medida de sucesso é esta: quanto mais nós temos e quando mais nos apegamos a isso, melhor devemos ser. Mais alto é o nosso status”, disse. Para ele, essa forma de raciocínio pode explicar um pouco porque no Brasil, nos EUA e em muitas partes do mundo temos dificuldade em criar sociedades mais justas.

Ao fazer uma análise dos seus oito anos na Casa Branca, Obama celebrou o fato de não ter se envolvido em nenhum escândalo. "Ninguém foi preso. Erramos, não fomos perfeitos. Mas mantivemos a integridade. E fomos capazes de mostrar que é possível alcançar um grande poder sem corrupção". Ele também fez questão de mencionar o esforço de seu Governo nas negociações que deram início ao Acordo de Paris, embora seu país, agora sob comando de Donald Trump, não estivesse mais nele.

Obama foi fortemente aplaudido ao criticar as leis referentes à venda de armas nos Estados Unidos e lamentar não ter tido o poder de alterá-las. "Um dos dias mais difíceis no meu Governo foi quando houve um tiroteio em uma escola e eu não pude prometer aos pais que perderam seus filhos que eu mudaria as leis para que aquilo não acontecesse com outras crianças", disse. Para o ex-presidente, "as leis sobre armas nos EUA não fazem muito sentido".

O ex-mandatário encerrou sua fala pedindo que os brasileiros mantivessem o seu otimismo.  Apesar de considerar que muitas coisas não andam bem, Obama afirmou que o mundo nunca viveu tamanho progresso com elevado padrão de vida. Fonte: https://brasil.elpais.com

"O uso ingênuo da Bíblia é instrumento que facilmente pode ser usado para manipular mentes e consciências. Ao longo da história, não poucos governos agiram, e ainda agem assim. Nesta hora, é importante resgatar a tradição profética do pensamento bíblico. Na tradição judaico-cristã, o profeta é o enviado de Deus que não teme criticar as falhas e incoerências do líder político", escreve Carlos Caldas, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Minas em Belo Horizonte.

Eis o artigo.

Religião e política, sabemos, são constituintes inalienáveis da existência humana. Desde sempre, e em toda parte, o humano é não apenas homo sapiens, mas também é homo religiosus. E de acordo com Aristóteles, o homem é zoon politikon – em bom português, “animal político”. Usando a linguagem da antropologia bíblica, é oportuno lembrar que adam, o humano, é religioso e político, político e religioso. 

Só que a relação entre política e religião nem sempre tem sido tranquila. Algumas vezes o poder político quer sufocar, reprimir e até mesmo suprimir a religião. Em outras ocasiões ocorre o inverso: a religião determina os rumos da política. Quando assim acontece, temos teocracias. Em outras, acontece como que uma variação do modelo teocrático, e religião e política vivem em simbiose, em retroalimentação, uma aliança, não raro espúria, entre “trono e altar”. Nesta relação o poder político e o poder religioso dependem um do outro, e se beneficiam mutuamente. Conscientemente ou não, um manipula o outro, e ambos saem ganhando. A história está repleta de casos em que aconteceram manipulações desta natureza.

Exemplo concreto de manipulação da religião em benefício do poder político foi amplamente divulgado pela imprensa brasileira nesta semana: no dia 19 de maio o Presidente Jair Bolsonaro divulgou um vídeo em sua conta no Facebook no qual um pastor congolês, por nome Steve Kunda, líder de uma igreja evangélica em Orleans, França, afirma que Bolsonaro, tal qual Ciro (o imperador persa, não o Gomes) foi “estabelecido por Deus” para guiar o país. Kunda, que se apresenta como “apóstolo”, ainda pede a todos, evangélicos, católicos, todos sem distinção, que apoiem Bolsonaro, que ele não seja criticado e que não se lhe faça oposição. No vídeo, enquanto Kunda fala, aparece no canto direito inferior da tela uma foto de um sorridente Jair Bolsonaro. Em sua postagem Bolsonaro afirmou: “não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política” e que “quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias”.

Não é novidade para ninguém que grande parte da população evangélica do Brasil deu votou em Bolsonaro, e segue lhe dando apoio acrítico. Ele tem sido apresentado como sendo seu segundo nome: um Messias, um enviado de Deus para limpar o Brasil e mudar “tudo isso que está aí”. Não é coincidência que o apelo do pastor do Congo tenha sido postado por Bolsonaro poucos dias depois de centenas de manifestações em todo o país protestando contra a anunciada política de cortes draconianos na educação. Não é coincidência também que, ao postar este vídeo, de um homem que usa linguagem religiosa e cita a Bíblia, Bolsonaro se dirija diretamente aos evangélicos, que, como dito, em sua quase absoluta maioria têm lhe dado apoio sem qualquer crítica. Não é coincidência que isto acontece quando o mesmo Bolsonaro divulga um texto pelo WhatsApp com a afirmação que o Brasil é ingovernável sem conchavos. Não é coincidência que tudo isto acontece quando grupos pró-Bolsonaro convocam manifestações populares para o dia 26 de maio. Não é coincidência que se multiplicam nas redes sociais postagens que, em nome de combate à corrupção, sugerem, insinuam ou abertamente defendem que o Congresso e o STF devem ser fechados. Não é coincidência que, enquanto tudo isso está a acontecer, o Senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair, esteja sendo investigado pela Receita Federal.

A divulgação do vídeo com a fala do pastor congolês é claramente parte de uma estratégia para apoiar o Presidente quando este se encontra desgastado em suas relações com o Congresso. Os evangélicos, e muitos católicos também, são importantes neste movimento de conseguir apoio para o governo. A maioria do povo evangélicoa pela para leituras simplistas e superficiais de Romanos 13.1-2: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação”.

No pequenino, mas valioso Cristo e política, o biblista luterano Oscar Cullmann, um dos gigantes da teologia bíblica de meados do século passado, afirma que Romanos 13 deve ser lido ao lado de Apocalipse 13: neste capítulo, usando a linguagem simbólica e figurada típica da literatura apocalíptica, João adverte quanto ao perigo destes dois poderes, o religioso e o político, se unirem. O poder político incontestado torna-se totalitário, e assim, instrumento da maldade e da iniquidade. Foi exatamente com base na leitura unilateral de Romanos 13 que boa parte dos cristãos na Alemanha nazista deu apoio total, completo e irrestrito ao Führer Hitler, não questionando nunca nenhuma de suas atitudes ou decisões. 

O uso ingênuo da Bíblia é instrumento que facilmente pode ser usado para manipular mentes e consciências. Ao longo da história, não poucos governos agiram, e ainda agem assim. Nesta hora, é importante resgatar a tradição profética do pensamento bíblico. Na tradição judaico-cristã, o profeta é o enviado de Deus que não teme criticar as falhas e incoerências do líder político, e que faz ouvir sua voz não em benefício próprio, mas em benefício das vítimas, dos frágeis, dos que sofrem por causa de um sistema. À luz da tradição bíblica, nenhum governante está acima de críticas, e ninguém que diz falar em nome de Deus pode pedir que não sejam feitas críticas a um líder político, quem quer que este seja. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

"Grande perversidade significa escandalizar os pequenos, transformando a Imagem de Maria em instrumento de manipulação política". 

O artigo é de Ceci Maria Costa Baptista Mariani, professora do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e da faculdade de Teologia. Integrante da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião - Soter, é filósofa pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora de Medianeira, graduada em Teologia Dogmática pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora de Assunção, mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora de Assunção e doutora em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Entre suas publicações, destacamos Mística e Teologia: Desafios contemporâneos e contribuições. Atualidade Teológica (PUCRJ, 2009, v. 33) e Teologia e Arte: expressões de transcendência, caminhos de renovação (São Paulo: Paulinas, 2011).

Eis o artigo. 

“como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar...”

(Renato Teixeira, “Romaria”)

A cada maio, vale refletir sobre Maria, a Mãe de Jesus. Das doces lembranças de infância que acalento, uma das mais queridas é a das noites de maio (algumas muito frias!) em que saia à noite de casa com uma rosa na mão, para junto com minha mãe, ir rezar o terço na Igreja Matriz da cidade do interior em que morava. Piedade simples de criança, expressão da reverência a essa que de fato, é para os cristãos, a “Bem-aventurada”.

Maria, a “Nossa Senhora”, é figura que catalisa para a vivência religiosa, dimensões fundamentais associadas ao feminino que são as dimensões de vida, profundidade, mistério, ternura, interioridade e aconchego. Maria representa para o cristianismo, o cuidado maternal de Deus. Os pequenos captam esse elemento e o expressam em sua vivência de fé. Os pobres, certamente, contemplam em seu culto à Maria, o rosto materno de Deus. Bela tradução dessa experiência popular encontra-se nos conhecidos versos de Renato Teixeira em sua música “Romaria”. Essa música consegue dizer da mística do homem simples que vem a Nossa Senhora de Aparecida trazendo sua vida sofrida e, não tendo palavras prontas, no silêncio, diante dela, só faz mostrar seu olhar...

Me disseram porém

que eu viesse aqui

pra pedir de romaria e prece paz dos desaventos

como eu não sei rezar

só queria mostrar

meu olhar, meu olhar, meu olhar.

Sou caipira pira pora Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida.

Grande perversidade significa escandalizar os pequenos, transformando a Imagem de Maria em instrumento de manipulação política. Desalentadora é a notícia do uso ideológico da “Consagração à Nossa Senhora” pela Frente Parlamentar Católica, que apresentou uma “Moção de consagração do Brasil a Jesus Cristo por meio do Imaculado Coração de Maria” ao ministro chefe da casa civil da presidência da república Floriano Peixoto Vieira, em ato político-religioso realizado no dia 21 de maio de 2019, no Palácio do Planalto, para manifestar o apoio político ao presidente.

É público que notório que a política do presidente Jair Bolsonaro tem sido uma ameaça aos direitos humanos, como demonstra a análise publicada no site do IHU - com base na avaliação de Conectas - que relaciona “dez exemplos sobre porque precisamos continuar vigilantes e atuantes com relação ao governo”[1]. Entre esses exemplos encontra-se o afrouxamento das regras para a posse de armas no país; o desmonte de Ministério do Meio Ambiente, a imposição de obstáculos à fiscalização da tortura, o incentivo à celebração do Golpe de 1964 que resultou numa ditadura militar que durou 21 anos.

No discurso de abertura do evento, o Deputado Federal Eros Biondini interpreta o “livramento” do Presidente Bolsonaro - restabelecimento dele depois do atentado sofrido em Juiz de Fora - como milagre atribuído a Nossa Senhora de Fátima. Compara o Presidente Bolsonaro a São João Paulo II.

Ao que parece, essa iniciativa expressa a posição de um grupo que, diante dos desafios do tempo, recorre a uma postura tradicionalista apoiando-se no fundamentalismo bíblico e teológico, no moralismo e no conservadorismo político. Em nome do combate ao comunismo, militam por um regime de cristandade há muito questionado pela modernidade que defende o Estado laico como lugar do exercício da liberdade religiosa. Postura que rejeita o espírito Concílio Vaticano II que orienta aos cristãos católicos cultivarem uma abertura ao mundo, reconhecendo a autonomia das realidades terrestres.

Neste sentido, diante da manipulação que se tem feito da devoção a Nossa Senhora de Fátima, vale trazer presente as orientações do Concílio Vaticano II, cuja mariologia proposta, como bem observa a teóloga Elizabeth A. Johnson, está integrada com as principais noções da fé cristã.

Enraizada nas Escrituras e na tradição patrística, ela é cristológica, eclesial e escatológica em perspectiva, e ecumênica no tom. A Visão do Vaticano II é: Maria no seio da comunidade dos santos no céu; os santos como amigos de Deus partilhando comunidade de vida com o povo de Deus peregrino na terra; e a própria totalidade da igreja refletindo a luz de Cristo como a lua reflete a do sol. (JOHNSON, E. In: FIORENZA; GALVIN, 1997, p.218)

Isso quer dizer que para conhecer a verdadeira Maria deve-se levar em conta o testemunho bíblico global. A figura de Maria deve ser considerada a partir do relato da infância segundo Lucas, mas também é preciso que se considere as histórias incômodas do encontro de Maria com Jesus segundo os sinóticos. Retomar os estudos bíblicos sobre Maria com os recursos da exegese crítica nos permite conhecer a mãe de Jesus como discípula, isto é, como mulher de fé que vai discernindo a sua participação no projeto de Deus, cuja misericórdia se estende de geração em geração, em defesa dos pequenos, conforme Lucas 1, 46-55.

Em consonância com a mais antiga tradição da Igreja, a tradição patrística, o Concílio adverte que o discurso sobre Maria não pode ser um capítulo separado, ela está inseparavelmente ligada ao evento-Cristo. A “Theotokos” representa na reta cristologia, afirma o teólogo ortodoxo Nikos NISSIOTIS (1983), “a testemunha e a guardiã da realidade e plenitude da união hipostática divino-humana na forma de um homem concebido na humanidade em plena reciprocidade, co-pertença e união desde o início”. Fundada na Bíblia e cristocêntrica, a mariologia manifestará a ação do Espírito Santo na história de Cristo e na história dos homens.

Para a Igreja, Maria é modelo, exemplo de fé integral e ocupa a função mediadora. No entanto, como mediadora, não obscurece a mediação singular de Cristo, mas revela sua eficácia quando participa na oração dele pelo mundo. Também a maternidade da Igreja é compreendida no espelho da maternidade de Maria. Pela pregação e pelo batismo, lemos da LG 64, “a Igreja gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos por obra do Espírito Santo e nascidos de Deus”.

Por tudo isso, Maria deve ser cultuada. O culto a Maria, todavia, orienta o Concílio, deve obedecer a alguns critérios: se basear em fé verdadeira e não em “vã credulidade”, ser animado por um autêntico “amor filial” e não apenas num “estéril e transitório afeto”, levar à “imitação” (das virtudes), não se limitando à invocação.

Em maio, portanto, contra a manipulação que se fez e que se tem feito ainda hoje, vale dedicar à Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, um tempo de estudo e reflexão. Resgatando as fontes bíblicas e recorrendo à antiga Tradição Patrística poderemos nos aproximar melhor daquela que é Bendita e Bem-aventurada pelas maravilhas que nela o Senhor operou.

Bibliografia:

COMPÊNDIO DO VATICANO II. Petrópolis, Vozes, 1982.

JOHNSON, Elisabeth A.. Os santos e Maria. In: FIORENZA; GALVIN, Teologia sistemática: perspectivas católico-romanas. São Paulo: Paulus, 1997.

NISSIOTIS, Nikos. Maria na teologia ortodoxa. In: Maria nas Igrejas: perspectivas de uma Mariologia Ecumênica. Concilium/188 – 1983/8, p. 49[957].

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Em Brasília, polícia estima em 10.000 a participação. Atos causam divergência entre a direita. Bolsonaro promove manifestações em seu Twitter

Simpatizantes de Jair Bolsonaro (PSL) realizam neste domingo, 26 de maio, manifestações em várias cidades do Brasil em apoio ao presidente da República. De acordo com os organizadores, cerca de 350 cidades devem ter atos pró-Bolsonaro, mas os protestos não têm adesão de toda a base governistas nem o apoio dos principais movimentos da direita anti-PT —MBL e Vem Pra Rua já descartaram a participação. Convocados pelas alas alinhadas ao ideólogo Olavo de Carvalho, os protestos de 26 de maio causam divergências até mesmo entre os parlamentares da bancada do PSL.

Embora apoie as manifestações (e as use como uma estratégia para medir forças com o Congresso e atrair um apoio num momento que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, é alvo de uma investigação por lavagem de dinheiro), a presença do presidente Jair Bolsonaro nas ruas neste domingo ainda é incerta.

Os manifestantes protestam também contra o bloco parlamentar chamado Centrão, a quem acusam de "achacar" o Planalto, contra o Supremo Tribunal Federal e a favor da reforma da Previdênciae do pacote anticrime do ministro Sergio Moro. Nos grupos bolsonaristas, circulam mensagens muito mais radicais, pedindo o fechamento do Congresso, por exemplo. Fonte: https://brasil.elpais.com

POR MÍRIAM LEITÃO

Durante os anos em que foi parlamentar, Jair Bolsonaro não presidiu comissão, não relatou qualquer projeto, nunca liderou grupo algum. Ele não se interessava pelas matérias que passavam por lá, concentrando-se em questões do seu nicho. Sua preocupação era apenas a defesa dos interesses da corporação dos militares e policiais. Afora isso, ofendia colegas que considerasse de esquerda e dava declarações espetaculosas para ocupar espaço no noticiário. Com esse currículo ele chegou à Presidência. Hoje, não entende nem os projetos que envia ao Congresso, como se vê diariamente nas declarações que faz.

A informação de que ele não sabe o que faz é possível notar até nos pequenos detalhes. Cercado de crianças, ontem, ele disse que elas sustentariam a aposentadoria dos adultos ali presentes. O ministro Paulo Guedes teve que lembrar que o próprio governo propôs criar um novo sistema que em tese mudaria a lógica da repartição. Mais importante do que saber se ele vai aprovar a capitalização é constatar que ele não sabe que a incluiu no projeto da reforma. O seu decreto de armas tem tantas inconstitucionalidades que contra ele se levantam desde governadores até as companhias aéreas estrangeiras. Quando perguntado sobre a reação ao projeto, Bolsonaro declarou: “se é inconstitucional tem que deixar de existir”. Ora, ele deveria ter procurado saber da constitucionalidade do seu ato antes de editá-lo. Para isso existem, ou deveriam existir, o Ministério da Justiça e a Casa Civil.

Diariamente, Bolsonaro diz algo que contraria o espírito dos projetos que seu governo defende ou contradiz o que disse. De manhã, afirma que a “classe política” é o grande problema do país, de tarde, a adula. Navega por qualquer tema com a mesma superficialidade que demonstrava no exercício dos seus mandatos de deputado. Nenhuma surpresa nisso. Por que mesmo ele seria presidente diferente do parlamentar que foi?

A direita que o defendeu, e se surpreende agora com o péssimo desempenho da sua administração, demonstra, no arrependimento, a qualidade do próprio voto. Houve opções à direita que não colocariam o país nesta brutal incerteza em que se encontra.

O fato é simples: o presidente Bolsonaro não sabe governar. É essa a razão da sua performance tão errática nestes quase cinco meses. Sua relação tumultuada com o Congresso não deriva de uma tentativa de mudar a prática da política, mas da sua falta de aptidão para qualquer tipo de diálogo. Não sabe ouvir, não entende os projetos, não tem interesse em estudá-los. Repete frases feitas, porque são mais fáceis de decorar, como: “Tirar o governo do cangote do empresário”, “empresário no Brasil é herói”. E outras monótonas repetições.

O jargão “Mais Brasil e menos Brasília” não é apenas oco. Ele tem sido negado na prática. Este governo quer decidir de Brasília qual é o método de alfabetização em cada município, e do Planalto qual é o marketing do Banco do Brasil. Não fez rigorosamente nada para descentralizar coisa alguma. Não conseguiu entender até o momento qual é a lógica da formação de preços da Petrobras. Quando ele e seu ministro da Energia, Bento Albuquerque, afirmam que os preços serão mais baixos quando o país for autossuficiente em petróleo demostram que desconhecem que a estatal segue preços internacionais. Portanto, nem se a empresa produzir toda a gasolina e diesel consumidos internamente o país estará protegido das oscilações.

O texto avalizado por ele na última sexta-feira tem uma mensagem implícita contra o Congresso e as instituições democráticas. Inclui também a afirmação de que o Brasil é um “cadáver”. Com esse sentimento confuso de oposição a tudo, o presidente e os seus convocaram uma manifestação a favor dele mesmo, Bolsonaro. Lembra o chavismo, movimento iniciado por um coronel autoritário e que governou sempre convocando manifestações a favor do seu governo e demonizando todos os que se opunham aos seus métodos e decisões. Nada mais parecido com Hugo Chávez, em seu início, do que Bolsonaro.

Como Chávez e seu sucessor Maduro, Bolsonaro quer seus seguidores nas ruas, e nas redes sociais, constrangendo os políticos, os juízes e a imprensa, para culpá-los pela própria incapacidade de governar.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

Segundo advogados, texto continua extrapolando o que prevê o Estatuto do Desarmamento

Guilherme Caetano e Tiago Dantas

SÃO PAULO - As mudanças propostas pelo novo decreto das armas, publicado na manhã desta quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, foram pontuais e não são suficientes para afastar as dúvidas sobre a constitucionalidade do texto, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO. De acordo com advogados, a medida fere a Constituição e pode ser suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque o governo não poderia ter alterado uma lei, o Estatuto do Desarmamento, por meio de um decreto, sem aprovação prévia do Congresso.

— O decreto de hoje faz algumas modificações pontuais, mas não houve uma adequação à Constituição — afirma o criminalista João Paulo Martinelli, doutor em direito penal pela USP. — A discussão sobre a constitucionalidade desse decreto continua pertinente. Ele dá um alcance maior do que a lei, que é o Estatuto do Desarmamento. E para se fazer isso, o correto seria passar um novo projeto de lei pelo Congresso.

Segundo especialistas, Bolsonaro alterou o Estatuto do Desarmamento ao aumentar de 11 para 20 as categorias profissionais que tem acesso às armas sem comprovar "efetiva necessidade" e ao flexibilizar o porte de armamentos para o cidadão comum.

A constitucionalidade do decreto das armas já foi questionada pela Secretaria-Geral da Câmara dos Deputados, pela Consultoria Legislativa do Senado e pelo Ministério Público Federal (MPF) . Em 10 de maio, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber pediu explicações sobre a medida para o governo federal. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu mais prazo para responder.

— Do ponto de vista do processo legislativo, (o decreto continua) inconstitucional. O vício de raiz permanece. Só uma lei pode alterar o que uma lei diz. O decreto tem a função de detalhar, explicar, complementar (uma lei). Mas nunca (a função de) contrariar, afrontar, questionar, contradizer uma lei — afirma o criminalista Renato Stanziola Vieira, do escritório Kehdi e Vieira Advogados. Fonte: https://oglobo.globo.com

BandNews FM

Manifestações em defesa dos recursos para a educação superior ainda acontecem em todo o país, após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reduzir o orçamento das universidades federais e bloquear bolsas de pesquisa.

A reportagem da BandNews FM mostra, desde cedo, que os protestos tem a adesão de estudantes e também de trabalhadores da educação das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. Os atos têm o apoio de dezenas de escolas particulares em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Segundo os organizadores, o objetivo é mostrar à população a importância das universidades no ensino, na pesquisa e na prestação de serviços à sociedade. Alunos e professores da Universidade de São Paulo protestam com faixas e caminhão de som, na entrada da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista.

SALVADOR

Cerca de 30 mil pessoas participaram de uma caminhada pela educação em Salvador, na Bahia. O dado é do Sindicato dos Professores da Bahia. A Polícia Militar informou que não divulga estimativa de público. O grupo saiu do Campo Grande e segiu em direção a Praça Castro Alves, no centro da capital baiana. O protesto deixa o trânsito congestionado na região. Aproximadamente 800 mil alunos das escolas da rede estadual de ensino da Bahia estão sem aulas hoje, por causa da paralisação dos professores. Em Salvador, por volta de 140 mil  estudantes de 434 escolas também são afetados. Não há dados oficiais sobre a adesão da rede privada de ensino, mas estima-se que 50% dos estabelecimentos também fiquem fechados.

RIO DE JANEIRO

No Rio de Janeiro, dois grupos de manifestantes se concentram no Largo do Machado, na Zona Sul. O primeiro é formado por estudantes de diferentes instituições de ensino que se concentram no local e manifestam contra o corte de verbas destinados a área da Educação. O segundo grupo é formado por funcionários da saúde que irão em direção ao Palácio Guanabara. Em outro ponto da Zona Sul, em Antero de Quental, pais, mães, alunos e professores de escolas particulares participam de uma aula pública. Desde às 10h, grupos de manifestantes se reúnem na Praça XV, localizada no Centro do Rio, com aulas públicas, performances artísticas e apresentações. Já a concentração dos protestos está agendada para às três horas da tarde na Candelária, região central. Os manifestantes seguem em caminhada até a Central do Brasil a partir das cinco horas.

BELO HORIZONTE

Manifestantes seguiram em direção à Praça Raul Soares, em outro ponto da região central de BH. Ainda não há informações sobre o número de manifestantes, mas nas fotos é possível ver centenas de pessoas seguindo com cartazes e faixas pela Av. Amazonas, uma das principais avenidas de BH. Não houve nenhum registro de confusão, e o grupo segue com a presença de alunos da UFMG, IFMG e Cefet, além de servidores e professores.

SÃO PAULO

A Avenida Paulista, no centro de São Paulo, segue bloqueada nos dois sentidos por causa da manifestação de estudantes contra os cortes nas universidades anunciados pelo Ministério da Educação. O ato se concentra em frente ao vão livre do MASP e teve a adesão de estudantes e também de trabalhadores da educação das redes pública e privada de ensino fundamental e médio.

Os protestos também têm o apoio de dezenas de escolas particulares em São Paulo. Alunos e professores da Universidade de São Paulo protestaram com faixas e caminhão de som, na entrada da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. No campus da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, na Vila Clementino, zona sul da capital, também não houve aulas. Universidades privadas também aderiram às manifestações. No Mackenzie, na Consolação, no centro da cidade, alunos aproveitaram o intervalo das aulas para fazer manifestação no interior do campus.

VITÓRIA

Protesto contra os cortes na educação pública mobilizam trabalhadores da educação e estudantes em frente a Assembleia Legislativa, em Vitória. Segundo a organização do ato, seis mil pessoas participam do protesto. Durante a tarde também houve manifestações em frente à Universidade Federal do Espírito Santo e nos campi dos Institutos Federais. Os atos fazem parte de um dia nacional de paralisações.

PORTO ALEGRE

Um ato contra os cortes na educação estava marcado para às 18h no Centro de Porto Alegre, na chamada Esquina Democrática. Desde o início da tarde alunos, professores e representantes da área estão reunidos em frente a Faculdade de Educação da UFRGS. Eles fazem caminhada que passa pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul.

Mais cedo, houve intervenção da Polícia Militar em um protesto em frente as faculdades de educação e arquitetura da UFRGS. 120 pessoas bloquearam parcialmente a rua, mas ninguém ficou ferido. Na capital gaúcha, grande parte das escolas da rede estadual aderiram à paralisação e não tinham atividades letivas programadas. Entre as instituições federais, alguns cursos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e UFRGS também não tiveram aula. Além de Porto Alegre, protestos ocorreram nos principais municípios da Serra, da Campanha e do Sul do Rio Grande do Sul.

JOÃO PESSOA

Em João Pessoa, professores, estudantes, e trabalhadores em educação estiveram no Ponto de Cem Réis, no centro da cidade, protestando contra o contingenciamento das verbas em educação.As manifestações acontecem em outras 17 cidades do estado. A organização estima que 10 mil pessoas participaram da mobilização. No entanto, a Polícia Militar ainda não divulgou os números. Às 14h estava prevista uma audiência pública na Assembléia Legislativa da Paraíba para discutir sobre o tema.

FORTALEZA

Acabaram os protestos de alunos e professores na Praça da Bandeira, no Centro de Fortaleza, contra o corte de investimentos na educação e a Reforma da Previdência. O ato teve início às 8h da manhã. Ouvintes da BandNews FM, no entanto, relataram ações em outras avenidas da cidade, mas com menor adesão. Além da capital, pelo menos, 26 cidades cearenses registraram manifestações do tipo.

No Ceará, o corte de verbas é de quase 108 milhões de reais nas quatro instituições federais de ensino no Estado. Só na universidade federal, o contingenciamento de 46 milhões de reais deve impactar em vários serviços prestados à população, como assistência psicológica. Não há previsão de novos atos hoje.

BRASÍLIA

Cerca de 15 mil pessoas estiveram nas ruas desde cedo em defesa das universidades federais, da pesquisa científica e do investimento na educação básica. Eles protestaram contra o contingenciamento de verbas dos institutos e universidades federais. O número foi divulgado pela Polícia Militar do Distrito Federal. O protesto que começou de manhã terminou por volta das 14h30. Eles se concentraram na Esplanada dos Ministérios e caminharam em direção ao MEC e ao Congresso Nacional. Ao final do protesto, houve confusão com a PM que usou spray de pimenta. Manifestantes soltaram rojões e dois deles acabaram detidos e foram levados para a delegacia.

MANAUS

Estava marcada para às 16h desta quarta-feira na Praça da Saudade, Centro de Manaus, uma segunda manifestação de alunos e professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pela manhã, cerca de 200 pessoas participaram do ato que adere ao movimento nacional das universidades federais que tiveram corte de 30 por cento dos recursos anunciado pelo Ministério da Educação. A UFAM teve 38 milhões de reais bloqueados pelo governo Bolsonaro. Os manifestantes cumpriram agenda dentro da Universidade com aulas públicas sobre filosofia. Os atos também vão ocorrer nas unidades de ensino da Universidade no interior do estado. Fonte: http://www.bandnewsfm.com.br

Nos EUA, Bolsonaro chama manifestantes da educação de 'idiotas úteis'

Presidente brasileiro afirmou que não gostaria de fazer o corte, mas culpou a situação herdada dos governos anteriores

Henrique Gomes Batista, enviado especial, e Paola De Orte, especial para o Valor

DALLAS — Em sua chegada a Dallas, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os estudantes em manifestação contra o corte de verbas para a Educação são "massa de manobra" e " idiotasúteis". Em sua opinião, eles são manipulados por uma minoria que comanda as universidades federais.

— É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil — disse o presidente na porta do hotel onde ficará hospedado, cercado de manifestantes a seu favor.

— Na verdade não existe corte. O que houve é um problema que a gente pegou o Brasil destruído economicamente também, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento, e se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal. Então não tem jeito, tem que contingenciar. Mas eu gostaria (que não cortasse) nada, em especial na educação.

Bolsonaro reiterou que a educação está deixando muito a desejar no Brasil:

—  Se você pega as provas, que acontecem de três em três anos, está cada vez mais ladeira abaixo — disse.  — A garotada, com 15 anos de idade, na oitava série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas? Fala-se que tem muito desempregado, 14 milhões, mas parte deles não tem qualquer qualificação porque esse cuidado não teve pelo PT ao longo de 13 anos. Fonte: https://oglobo.globo.com

Pedido foi feito pelo Ministério Público e autorizado pelo TJ no dia 24 de abril

Rio - O Tribunal de Justiça (TJ) do Rio autorizou a quebra de sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, e do ex-policial militar Fabrício Queiroz. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Estado e autorizado no dia 24 de abril. A informação foi antecipada pelo jornal O Globo.

A quebra de sigilo bancário foi autorizada no período entre janeiro de 2007 a dezembro de 2018. O juiz Flávio Nicolau, responsável pela decisão, também autorizou a quebra do sigilo fiscal dos investigados, entre 2008 e 2018. O magistrado destacou no documento que o afastamento é "importante para a instrução do procedimento investigatório criminal". 

A Justiça também quebrou o sigilo bancário da esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro; uma empresa deles, Bolsotini Chocolates e Café Ltda; as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn; e a esposa do ex-assessor, Marcia.

A defesa de Queiroz divulgou uma nota dizendo receber a notícia com "tranquilidade". "A defesa de Fabrício Queiroz e família recebe a notícia com tranquilidade, uma vez que seu sigilo bancário já havia sido quebrado e exposto por todos os meios de comunicação", diz a nota. O texto diz ainda se tratar de "mera tentativa de dar aparência de legalidade a um ato que foi praticado de forma ilegal".

Em nota, o senador disse ter tido o sigilo bancário quebrado ilegalmente. Confira a íntegra:

"O meu sigilo bancário já havia sido quebrado ilegalmente pelo MP/RJ, sem autorização judicial. Tanto é que informações detalhadas e sigilosas de minha conta bancária, com identificação de beneficiários de pagamentos, valores e até horas e minutos de depósitos, já foram expostas em rede nacional após o Chefe do MP/RJ, pessoalmente, vazar tais dados sigilosos.

Somente agora, em maio de 2019 - quase um ano e meio depois - tentam uma manobra para esquentar informações ilícitas, que já possuem há vários meses.

A verdade prevalecerá, pois nada fiz de errado e não conseguirão me usar para atingir o governo de Jair Bolsonaro". Fonte: https://odia.ig.com.br

Confrontos aumentam em Caracas e blindado atropela manifestantes que tentam invadir base militar

Ministro da Defesa diz que tentativa de golpe 'insignificante' na Venezuela foi 'parcialmente derrotada'; coronel foi baleado

CARACAS — Enquanto blindados da Guarda Nacional Bolivariana reprimiam manifestantes diante da base militar de La Carlota, em Altamira, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir PadrinoLópez, anunciava pela TV uma tentativa de golpe de Estado "insignificante" na Venezuela , que segundo ele foi "parcialmente derrotada".

Imagens da TV Reuters mostraram pelo menos quatro veículos blindados, um deles em chamas, avançando contra pessoas em frente à base, que fica em um bairro de classe média alta de Caracas,  onde de manhã cedo o  líder opositor da Venezuela Juan Guaidó anunciou "o fim definitivo da usurpação" do poder pelo presidente Nicolás Maduro. Guaidó conclamou os venezuelanos a ir às ruas em apoio ao movimento, e depois falou a uma multidão reunida na principal praça de Altamira.

Segundo Padrino, o coronel Yerzon Jiménez Báez foi baleado no pescoço na rodovia Francisco Fajardo, onde ocorreram os confrontos, e será operado. Pelo menos seis manifestantes ficaram feridos e foram levados à policlínica Metropolitana, uma delas baleada, segundo o site Efecto Cocuyo. Um jovem manifestante também teria sido ferido com um tiro no pescoço e foi levado a um hospital particular.

Falando ao vivo da sede do Batalhão de Caracas, o ministro da Defesa afirmou que um grupo reduzido de militares e policiais decidiu sequestrar alguns veículos, armamentos e munições, depois de o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó , anunciar, ao lado de soldados, o início da operação para depor Nicolás Maduro. Na TV, Padrino assegurou que 80% dos militares retornaram a suas unidades. O metrô de Caracas teve as operações suspensas por medida de segurança.

— Este ato de violência foi derrotado. Quase todo esse grupo de uniformizados com armas deixou o distribuidor e foi para a praça Altamira, repetindo 2002  — afirmou Padrino, terminando o pronunciamento com a expressão "Chávez vive!". —  Não se chega a Miraflores pela violência. É uma oposição golpista e selvagem.

Luz Mely Reyes , uma das criadoras do site Efecto Cocuyo e uma das jornalistas mais respeitadas do país, afirmou que segundo fontes, a oposição teria entrado em contato com altos funcionários militares e inclusive com o Tribunal Supremo de Justiça para realizar a Operação Liberdade, que precisou ser adiantada por rumores de que Guiadó seria preso pelo governo. Com a mudança de data, no entanto, os militares recuaram.

O líder opositor da Venezuela Juan Guaidó — que em janeiro se proclamou presidente interino com o apoio da Assembleia Nacional de maioria opositora —  publicou no início da manhã desta terça-feira em suas redes sociais um vídeo, gravado próximo à base militar de La Carlota, anunciando "o fim definitivo da usurpação" do poder pelo presidente Nicolás Maduro.

No vídeo postado às 5h47 locais (6h47 no Brasil),  Juan Guaidó aparece cercado de militares, e firma que "hoje valentes soldados acudiram a nosso chamado" e conclama a população a ir às ruas. Desde que se autoproclamou presidente interino, em 23 de janeiro, Guaidó trabalhou para arregimentar membros das forças militares da Venezuela, principal pilar de sustentação de Maduro no poder. Organizou uma operação de ajuda internacional nas fronteiras de Colômbia e Brasil, na esperança de que os soldados deixassem passar as mercadorias e desertassem em apoio à oposição.

Em janeiro, um pequeno grupo de militares se rebelou no quartel da Guarda Nacional de Cotiza, em Caracas, mas acabou reprimido pela força do governo. O regime chavista negou nesta terça-feira que haja grande mobilização de soldados contra si e convocou cidadãos ao Palácio de Miraflores para a defesa do regime.

Até o início da tarde desta terça-feira, não estava claro o tamanho da adesão dos militares e da população ao movimento opositor. Em postagem no Twitter, a analista militar venezuelana Rocío San Miguel afirmou que "se desconhece o alcance que poderia ter na Força Armada o apoio a Guaidó e a Maduro. Não há sinais de fraturas em unidades com poder de fogo". Em entrevista ao GLOBO, Carlos Romero, da Universidade Central da Venezuela, disse que Maduro mantinha o controle da situação .

Horas depois publicar o vídeo, por volta de 10h30 locais (11h30 em Brasília), Guaidó foi até a praça Altamira, a poucas quadras da base de La Carlota, e, falando em um megafone do alto de uma caminhonete, dirigiu-se à população.

— A maioria das pessoas está na rua exigindo mudanças. O povo precisa de uma mudança de Constituição e de governo — afirmou. — Chamem a todas as pessoas para que venham para cá, que vamos resistir e ser bem-sucedidos. Chamem a todos para que venham para Altamira e a Operação Liberdade. O chamado é para os poucos militares que, por perseguição, por medo, não terminam de dar o passo. Resistiremos a partir daqui. Fonte: https://oglobo.globo.com

Presidente almoçou com o congressista do DEM que, em entrevista ao BuzzFeed, dizer que Carlos Bolsonaro pode ser 'doido à vontade'. Bolsonaro disse que teve conversa maravilhosa com o presidente da Câmara e que relação 'está 100%' entre os dois. Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com

 

Bolsonaro parece o Jânio, que ficava mandando bilhetinho proibindo biquini

Merval Pereira

Só que os bilhetinhos do Bolsonaro são o Twitter. E ele se preocupa com coisas pequenas. O anúncio do BB, por exemplo, que ele vetou, tinha intenção de atrair os jovens. E ele não gostou de ver gente tatuada, de cabelo colorido. Não dá para ter atitude hostil às modernidades. Bolsonaro tem que entender que uma 'canelada' dele representa o país. Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com

Ex-presidente diz que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro

Mônica Bergamo

Marlene Bergamo

Victor Parolin

ex-presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (26), em entrevista exclusiva concedida à Folha e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por "um bando de maluco". 

Depois de uma batalha judicial na qual a entrevista chegou a ser censurada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), decisão revista na semana passada pelo presidente da corte, Dias Toffoli,  o petista enfim recebeu os dois veículos, em uma sala preparada pela Polícia Federal na sede do órgão em Curitiba, onde está preso desde abril do ano passado.

Os agentes explicaram aos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas presentes que ele seria colocado em uma mesa a uma distância de 4 metros de todos. Ninguém poderia se aproximar.

Segundo a PF, eles estavam cumprindo um protocolo de segurança comum a todos os presos.  Em duas horas e dez minutos de conversa, o ex-presidente falou da vida na prisão, da morte do neto, do governo de Jair Bolsonaro, das acusações de corrupção que sofre e da possibilidade de nunca mais sair da prisão.

"Não tem problema", afirmou, ele quando questionado sobre a possibilidade. "Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o [procurador Deltan] Dallagnol não dorme, que o [ministro da Justiça e ex-juiz Sergio] Moro não dorme."

Reservou ao ex-magistrado, o primeiro que o condenou pelo caso do tríplex de Guarujá, algumas de suas principais ironias. "Sempre riram de mim porque eu falava 'menas'. Agora, o Moro falar 'conje' é uma vergonha", afirmou. Lula disse também acreditar que "Moro não sobrevive na política".

Já sobre o presidente Jair Bolsonaro, não foi tão taxativo. Apesar de várias críticas, afirmou que "ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura".

Lula disse que a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica depois da eleição de Bolsonaro. "Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso", afirma.

E comparou o tratamento que a imprensa dá a ele com o que reserva ao atual presidente da República. "Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?", questionou, referindo-se ao fato de o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando era deputado estadual pelo Rio.

O ex-presidente chorou quando falou da morte do neto Artur, de 7 anos, vítima de uma bactéria, há um mês: "Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver".

Lula disse ainda que, se sair da prisão, quer "conversar com os militares" para entender "por que esse ódio ao PT", já que seu governo teria recuperado o orçamento das Forças Armadas.
Disse que acompanha a briga de Bolsonaro com o vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Mas afirmou que era "grato" ao general "pelo que ele fez na morte do meu neto [defender que ele fosse ao velório], ao contrário do filho do Bolsonaro [Eduardo]", que afirmou no Twitter que Lula queria se vitimar com a morte do menino.
Afirmou que o país tem hoje "o mais baixo nível de política externa que já vi na vida". E disse, em tom de brincadeira, que o ex-chanceler de seu governo, Celso Amorim, tem uma dívida por ter deixado o atual chanceler, Ernesto Araújo, seguir carreira no Itamaraty.
Questionado sobre Fernando Henrique Cardoso (PSDB), disse que o ex-presidente poderia "ter um papel de grandeza e mais respeitoso com ele mesmo, não comigo". 

O ex-presidente falou ainda da necessidade de diálogo entre partidos de esquerda. E comentou o episódio em que o senador Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro Gomes, afirmou em um encontro do PT: "Lula está preso, babaca!". O petista disse que não ficou chateado pois está mesmo preso. "Isso é uma verdade. Só não precisava chamar os outros de babaca", disse, rindo.

Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Ele está preso desde abril de 2018, depois de ter sido condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), a segunda instância da Justiça Federal.
Na última terça-feira (23), em decisão unânime, a Quinta Turma do STJ reduziu a pena do ex-presidente e abriu caminho para ele saia do regime fechado ainda neste ano. O tribunal manteve a condenação do petista, mas baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

O petista já foi condenado também no caso do sítio de Atibaia (SP) —a 12 anos e 11 meses pela juíza Gabriela Hardt, na primeira instância em Curitiba, pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso, porém, ainda passará pela análise do TRF-4.

O pedido de entrevista com o ex-presidente passou por um vaivém de decisões judiciais. Em julho de 2018, a juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena de Lula, barrou a realização da entrevista, afirmando não haver previsão constitucional que dê ao preso direito de falar com a imprensa.

Após reclamação ao STF (Supremo Tribunal Federal) feita pela Folha, o ministro Ricardo Lewandowski autorizou em 28 de setembro que a entrevista fosse realizada em Curitiba. A liminar, porém, foi derrubada no mesmo dia pelo ministro Luiz Fux, também do Supremo. Ele julgou pedido do partido Novo, que alegava que o PT apresentava Lula como candidato à Presidência da República, desinformando os eleitores. ​

O petista foi impedido de concorrer na eleição presidencial devido à Lei da Ficha Limpa, que barra candidaturas de condenados em segunda instância, e acabou substituído por Fernando Haddad, também do PT.

Ao suspender a entrevista, Fux determinou ainda que, caso já tivesse sido realizada, sua divulgação estaria censurada. A liminar de Fux foi revogada no último dia 18 pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Já nesta quinta-feira (25), véspera da entrevista, a Polícia Federal tentou modificar a decisão do STF, permitindo que jornalistas de outros veículos assistissem à entrevista, conduzida pela Folha e pelo jornal El País, autores da ação judicial no Supremo.

Lewandowski, no entanto, barrou a presença de jornalistas que não sejam da Folha e do El País e considerou a iniciativa da PF uma "franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão". Fonte: www1.folha.uol.com.br

O ex-presidente Lula falou com exclusividade ao EL PAÍS e à 'Folha' na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, na manhã desta sexta-feira

FLORESTAN FERNANDES JUNIOR

CARLA JIMÉNEZ

Suas mãos tremem um pouco quando começa a ler. Seu rosto fica vermelho olhando para o texto que traz um rosário de críticas contra seus julgadores. “Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira.” Lula critica o ex-juiz Sergio Moro, responsável pela sua condenação, a Operação Lava Jato, e o procurador Deltan Dallagnol. “Reafirmo minha inocência, comprovada em diversas ações”. O silêncio é absoluto, apesar da presença de delegados da Polícia Federal e de três oficiais armados, todos a serviço da PF, que está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça, conduzido por Sergio Moro.

Lula está engasgado e sabe que esta entrevista é a oportunidade para falar depois de um ano silenciado pela prisão em abril de 2018. A conversa tem início e o ex-presidente ainda mantém um semblante sério. Mas uma pergunta quebra a rigidez. Quando é questionado sobre a morte do irmão Vavá, em janeiro deste ano, e o neto, Arthur Araújo Lula da Silva, de 7anos, dois meses depois.  “Esses dois momentos foram os mais graves”, lembra ele, citando também a perda do ex-deputado Sigmaringa Seixas, morto no final do ano passado. “O Vavá é como se fosse um pai pra família toda. E a morte do meu neto foi uma coisa que efetivamente não, não, não… [pausa e chora]. Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver."

“Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro”

Lula diz que há outros momentos que o deixam triste, com uma mágoa profunda. “Quando vejo essa gente que me condenou na televisão, sabendo que eles são mentirosos, sabendo que eles forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol, aquilo nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Esse messianismo ignorante, sabe? Então eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm que saber, eu tenho um compromisso com este país, com este povo”, completa.

O ex-presidente Lula, durante a entrevista desta sexta-feira, na superintendência da PF em Curitiba. 

Começa a entrevista, que virou caso de Justiça. Só foi realizada após a interferência do Supremo Tribunal Federal. Uma conversa que vai durar duas horas. E o ex-presidente começa a relaxar. É o Lula de sempre. Ele está igual. Quem esperava vê-lo envelhecido ou derrotado, se frustra. Ele tem fúria. E obsessão para provar sua inocência. “Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro, Dallagnol e o juiz do TRF-4 [que confirmou sua condenação em segunda instância].”

Os detalhes desta conversa serão publicados ao longo do dia no site e nas redes sociais do EL PAÍS. Fonte: https://brasil.elpais.com

Também nesta quinta-feira, Toffoli liberou o ex-presidente Lula de conceder entrevistas na prisão

BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), recuou em decisão anterior e suspendeu, nesta quinta-feira, a censura imposta à revista "Crusoé" e ao site "O Antagonista". Segundo Moraes, novas informações comprovam que o documento mencionado pela revista na reportagem censurada, de fato, existe. Portanto, não haveria motivo para a suspensão do texto.

"Comprovou-se que o documento sigiloso citado na matéria realmente existe, apesar de não corresponder à verdade o fato que teria sido enviado anteriormente à PGR (Procuradoria-Geral da República) para investigação", explica Moraes.

O documento é o trecho de um depoimento do empresário Marcelo Odebrecht.  Ao revisar antiga declaração, o empresário informa que o "amigo do amigo do meu pai", mencionado por ele num e-mail, é o presidente do STF, Dias Toffoli. Moraes mandou censurar a matéria depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter afirmado, em nota, que não havia recebido o documento, como a reportagem alegava. Após a publicação, no entanto, o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná pediu que o documento fosse retirado dos autos da Lava-Jato e enviado à PGR para apuração. A 13ª Vara Federal de Curitiba autorizou o envio.

"A existência desses fatos supervenientes – envio do documento à PGR e integralidade dos autos ao STF – torna, porém, desnecessária a manutenção da medida determinada cautelarmente, pois inexistente qualquer apontamento no documento sigiloso obtido mediante suposta colaboração premiada, cuja eventual manipulação de conteúdo pudesse gerar irreversível dano a dignidade e honra do envolvido e da própria Corte, pela clareza de seus termos. Diante do exposto, REVOGO a decisão anterior que determinou ao site "O Antagonista" e à revista "Crusoé" a retirada da matéria intitulada “O amigo do amigo de meu pai” dos respectivos ambientes virtuais", escreveu Moraes na decisão.

Também nesta quinta-feira, o presidente do STF, Dias Toffoli, liberou o ex-presidente Lula para dar entrevistas a veículos de comunicação que pediram autorização para falar com ele na prisão. Em setembro do ano passado, o ministro Luiz Fux suspendeu uma liminar concedida por Ricardo Lewandowski que dava o direito da "Folha de S. Paulo" entrevistar o ex-presidente. À época, Fux declarou aidna que a entrevista estaria censurada caso já tivesse sido realizada.

A decisão de Moraes de mandar retirar a reportagem do ar gerou críticas de outros ministros do Supremo. Marco Aurélio Mello criticou em entrevistas concedidas nesta quinta-feira a decisão do colega de Corte. Em visita a Gramado, no Rio Grande do Sul, Marco Aurélio classificou como "mordaça" a decisão, em declaração à "Rádio Gaúcha".

"Mordaça, mordaça. Isso não se coaduna com os ares democráticos da Constituição de 1988. Não temos saudade do regime pretérito. E não me lembro nem no regime pretérito, que foi regime de exceção, de medidas assim, tão virulentas como foi essa", disse o ministro.

A ministra Cármen Lúcia, ex-presidente da Corte, também criticou as restrições impostas às duas empresas de comunicação. Ao GLOBO, a ministra – que costuma dizer que “o cala boca já morreu" quando questionada sobre a liberdade de noticiar da imprensa – se associou às palavras de Celso de Mello e disse que “toda censura é incompatível com a democracia”, até mesmo a decretada pelo seu colega de Corte, o ministro Alexandre de Moraes.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou um comunicado nesta quinta-feira em que chama a censura de "prática ilegítima e intolerável". Divulgada na semana em que o ministro Alexandre de Moraes determinou que uma reportagem da revista "Crusoé" fosse tirada do ar, a mensagem não faz referência direta ao episódio, mas ressalta que, no Estado Democrático de Direito, "não há lugar possível para o exercício do poder estatal de veto (...) à transmissão de informações e ao livre desempenho da atividade jornalística".

O inquérito de Toffoli

A decisão de Moraes não interfere na continuidade do inquérito aberto pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli,  para apurar ofensas e notícias falsas  consideradas criminosas à Corte e seus integrantes. O inquérito foi aberto por meio de portaria, e não a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), como é a praxe. Apesar de incomum, a situação está prevista no Regimento Interno do Supremo. A relatoria do inquérito ficou por conta do ministro Alexandre de Moraes, por designação de Toffoli.

O inquérito  gerou controvérsia na comunidade jurídica  e não foi considerado uma unanimidade nem entre os ministros da própria Corte. A iniciativa, no entanto, recebeu apoio de entidades como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um ofício  mandando arquivar o inquérito sobre ataques ao STF  . Segundo Dodge, não foi delimitado o alvo da investigação, nem tampouco os alvos das apurações. A procuradora-geral argumenta ainda que a investigação não deveria ter sido aberta no tribunal, porque a suposta vítima de um crime não pode investigar e julgar os fatos.

Moraes ignorou determinação da procuradora-geral e  manteve o inquérito aberto  . E o presidente do STF concedeu mais 90 dias para as apurações serem concluídas. Na decisão, Moraes afirmou que o pedido de arquivamento da PGR “não se configura constitucional e legalmente lícito”, já que a investigação não foi solicitada pelo Ministério Público. Fonte: https://oglobo.globo.com

Douglas Garcia disse que tomou a atitude após sofrer ameaças, por ter dito que "tiraria a tapa" do banheiro homem que se sente mulher e entrasse em banheiro feminino

Marcelo Ernesto

O plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo presenciou um momento diferente na tarde desta sexta-feira. O deputado estadual, Douglas Garcia (PSL), resolveu revelar que é gay e teve como porta-voz da notícia a colega de partido, Janaína Paschoal. 
Contudo, antes de tomar a decisão, o parlamentar foi acusado de homofobia, após ter dito na sessão dessa quinta-feira que “tirara a tapa” do banheiro homem que se sente mulher e estivesse usando o banheiro feminino, se referindo a pessoas transexuais. 
Durante a sessão de hoje, Janaína foi ao microfone da casa para fazer o anúncio. “Ele tomou uma decisão e como ele está um pouco abalado, pediu para que eu faça essa comunicação por ele. Hoje depois de 25 anos ele conseguiu conversar com os pais dele é dizer que é homossexual”, contou. Do plenário, Douglas acompanhava ao momento e sorria.

A deputada disse ainda que foi procurada por Douglas Garcia que demonstrava preocupação com possíveis consequências para a bancada do partido. Após a revelação, Garcia disse que foi acolhido pelos integrantes da legenda e que o fato demonstra que a imagem do partido é deturpada. 

“Como uma questão particular minha, eu nunca quis trazer a público, porque é uma coisa de foro íntimo minha e eu nunca utilizei como bandeira política etc”, disse.

Ainda de acordo com ele, a sexualidade dele não era segredo e qe amigos mais próximos já tinham ciência. Porém, ele sentiu necessidade de dizer isso, devido a “ameaças” que recebeu após a fala violenta contra transexuais no plenário da Casa. 

“Eu ficaria o resto da minha visa resolvido, porque eu sou uma pessoa resolvida e extremamente feliz. Mas como estão chegando essas ameaças e pode ser que muito em breve exploda alguma coisa na internet eu resolvi me antecipar”, afirmou.

A revelação pública de que é gay, contudo, não parece que terá impacto nas pautas conservadoras defendidas por ele. Em postagem nas redes sociais, Douglas disse que continuará lutando contra causas como a que ele chamou de “ideologia de gênero” e outras matérias inclusivas para a população LGBTI+. “Eu sou gay, sim, Mas o movimento LGBT nunca me representou. Eu nunca neguei minha orientação sexual para ninguém”, declarou.

Sobre a acusação de homofobia, Douglas Garcia disse que usou apenas de sua imunidade para demonstrar indignação. “Usei uma figura de linguagem para demonstrar o tamanho da minha discordância, respaldado pela minha imunidade parlamentar”, disse. O episódio, no entanto, levou as bancadas do PSOL, PT e PCdoB a representar por quebra de decoro contra ele, por causa das declarações consideradas homofóbicas.

Entenda o caso

A polêmica começou na sessão dessa quinta-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Após a deputada Erica Malunguinho (PSOL), primeira parlamentar trans, discursar contra o projeto de lei do deputado Altair Morais (PRB), que estabelece o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado.

“Mais uma vez mais uma pessoa tentando precarizar o processo de construção de cidadania de pessoas que já estão em condição de precariedade. Isso é inconstitucional, fere a Constituição, é um absurdo”, disse Malunguinho.

Logo após a fala, Douglas Garcia veio ao microfone para defender o projeto e disparou: “Eu gostaria aqui de parabenizar do projeto de lei do deputado Altair Moraes. É um projeto de lei muito eficiente. Se por acaso dentro do banheiro uma mulher, em que a minha irmã ou a minha mãe, estiver utilizando, e entrar um homem que se sente mulher, ou que pode ter alegando o que ele quiser e colocado o que quiser, porém eu não estou nem aí, eu vou tirar primeiro no tapa e depois chamar a polícia para ir levar”.

Pedido de desculpas

Ainda na sessão de ontem, o parlamentar pediu desculpas pela fala. “Muito embora eu possua imunidade parlamentar, eu gostaria de pedir desculpas caso as palavras que eu tenha proferido mais cedo tenha ofendido alguém.”

Erica Malunguinho também se pronunciou. “Discursos como você proferiu nesse plenário matam vidas todos os dias. Você mencionou aqui, e isso não existe desculpa que apague. Discursos não apagam sentimentos e construção dos seus valores”, declarou. Fonte: https://www.em.com.br

Filho de uma prostituta e pai desconhecido, David Miranda ficou órfão aos 5 anos. Foi criado pela tia na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio. Morou na rua, passou fome e viu seu destino mudar aos 19, quando conheceu o amor de sua vida, o jornalista Glenn Greenwald. Anos depois, decidiu entrar para a política, também por amor. Militante dos direitos humanos, assumiu o cargo de deputado federal há dois meses, quando Jean Wyllys, de quem era suplente, deixou o Brasil

Ouvir David Miranda, 33 anos, contar sobre o dia que mudou sua vida é como entrar em uma série de Fernando Meirelles feita de episódios (quase) sempre felizes. O cenário é o Rio de Janeiro de 2005. O sol já começa a esquentar as areias de Ipanema, na altura do Posto 9, quando uma bola de futevôlei acerta um copo de caipirinha de um norte-americano recém-chegado em terras fluminenses. David, então aos 19 e autor do chute, sai para recuperar a bola e faz questão de pedir desculpas pelo acidente, mesmo que em um inglês macarrônico. O gringo, um advogado de 37 anos especialista em direito constitucional, por sua vez, se esforça em desenvolver o português rudimentar aprendido meses antes em aulas particulares.

Nenhum cuidado das partes foi por boa educação, mas “por amor”, conta David, sentado no sofá de sua casa de paredes envidraçadas no bairro da Gávea, Zona Sul da capital, enquanto segura as mãos do marido – não por acaso, Glenn Greenwald, hoje com 52 anos, o turista da caipirinha. Fonte: https://revistamarieclaire.globo.com

 

O frade católico brasileiro assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar no Recife. Mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em outubro de 1968, foi preso por participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). Fichado pela polícia, tornou-se alvo de perseguição pela repressão militar.

Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infraestrutura a Carlos Marighella, Tito foi submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontrava em mãos da Justiça Militar, foi retirado do Presídio Tiradentes e levado para a sede da Operação Bandeirantes (Oban).

Durante três dias, bateram sua cabeça na parede, queimaram sua pele com brasa de cigarros e deram-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, “para receber a hóstia”. Os algozes queriam que Tito denunciasse quem o ajudara a conseguir o sítio de Ibiúna para o congresso da UNE e assinasse depoimento atestando que dominicanos haviam participado de assaltos a bancos. Tito tentou o suicídio e foi socorrido a tempo no hospital militar, no bairro do Cambuci.

Na prisão, escreveu sobre a sua tortura. O documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Tito foi banido do Brasil pelo governo Médici e seguiu para o Chile. Sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. De Roma, foi para Paris, onde recebeu apoio dos dominicanos. Traumatizado pela tortura, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Nas ruas da capital francesa, ele “viu” o espectro de seus torturadores e cometeu suicídio.

No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon encontrou o corpo de Frei Tito suspenso por uma corda pendurada em uma árvore. Foi enterrado no cemitério dominicano do Convento Sainte-Marie de La Tourette, em Éveux.

Em 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Cercado por bispos e um numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente, acompanhada por mais de 4 mil pessoas. A missa foi celebrada em trajes vermelhos, usados em celebrações de mártires.

Vários trabalhos sobre a vida do religioso foram desenvolvidos, como o curta-metragem Frei Tito, dirigido por Marlene França, e a peça de Licínio Rios Neto Não seria o Arco do Triunfo um monumento ao pau de arara?, em memória de Tito. Em 2014, Leneide Duarte Plon e Clarisse Meireles publicaram o livro “Um homem torturado – Nos passos de Frei Tito de Alencar”.

Poema escrito por Tito em Paris, a 12 de outubro de 1972:

“Quando secar o rio da minha infância / secará toda dor. Quando os regatos límpidos de meu ser secarem / minh’alma perderá sua força. Buscarei, então, pastagens distantes / lá onde o ódio não tem teto para repousar. Ali erguerei uma tenda junto aos bosques. Todas as tardes, me deitarei na relva / e nos dias silenciosos farei minha oração. Meu eterno canto de amor: / expressão pura de minha mais profunda angústia. Nos dias primaveris, colherei flores / para meu jardim da saudade. Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio”

Trecho do livro: “Um homem torturado – Nos passos de Frei Tito de Alencar”:

“No interrogatório de Tito, Fleury lhe disse:
– Ivo e Fernando foram submetidos ao soro da verdade e já falaram.
Como o frade continuasse impassível durante duas horas, Fleury mandou levarem Tito para a sala de tortura, onde se encontravam umas cinco pessoas que começaram a lhe dar socos, antes de colocá-lo no pau de arara.” Fonte: http://memoriasdaditadura.org.br

Ela atendeu a um pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública da União

Fábio Fabrini

BRASÍLIA

A juíza Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara da Justiça Federal em Brasília, proibiu nesta sexta (29) o governo de Jair Bolsonaro de comemorar o aniversário de 55 anos do golpe de 1964 no próximo domingo (31). 

Ela atendeu a um pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública da União, que alegou risco de afronta à memória e à verdade, além do emprego irregular de recursos públicos nos eventos.

“Defiro o pedido de tutela de urgência para determinar à União que se abstenha da ordem do dia alusiva ao 31 de março de 1964, prevista pelo ministro da Defesa e comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica”, decidiu a magistrada.

Ela determinou que a Defesa seja intimada da ordem. No início da semana, Bolsonaro havia determinado à pasta que o golpe fosse comemorado nos quartéis.

Na prática, várias unidades militares anteciparam as celebrações ao movimento golpista para esta sexta (29), já que o aniversário cairá no domingo. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br