Nas palavras de Dom Frei Wilmar Santin; “Toda vez que as Ordens religiosas e congregações se fecharam para a Missão, entraram em crise vocacional”.

 

Nasceu em Fontiveros (Ávila), no ano de 1540. em Medina Del Campo, aos 21 anos de idade, recebeu o hábito da Ordem, na qual pediu para viver uma vida mais austera, de acordo com a chamada Regra Primitiva. Foi um instrumento providencial nas mãos de Santa Teresa de Jesus, a quem ajudou na sua obra desde a primeira fundação de religiosas contemplativos em Duruelo no dia 28 de novembro de 1568. morreu em Úbeda, no dia 13 de dezembro de 1591. é um grande mestre nos caminhos do espírito. As suas obras, Subida do Monte Carmelo, Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor e muitos ditos, valeram-lhe o título de Doutor da Igreja universal, conferido por Pio XI em 24 de agosto de 1926. São João da Cruz é Pai e Mestre espiritual do Carmelo Teresiano, Doutor da vida cristã no seu dinamismo teologal, Cantor da formosura de Deus e da beleza da criação. A sua recordação transforma-se hoje em liturgia viva; mediante esta, sobretudo na Liturgia das Horas, a sua oração e poesias servem de viático do Carmelo peregrino na terra. A sua doutrina foi uma exegese viva do Evangelho. A Palavra de Deus ilumina a sua experiência mística, e os seus ensinamentos constituem uma meditação sobre a palavra revelada e vivida por um justo sofredor, cujo lema era “sofrer e ser desprezado por amor de Jesus”. Assim a Liturgia das Horas desta celebração é Palavra de Deus e palavra de São João da Cruz, numa síntese que constitui o louvor e ação de graças de todo o Carmelo por todos os benefícios concedidos por Deus à Igreja.

 

Invitatório

 

  1. Vinde, adoremos o Senhor Jesus, Palavra única do Pai!

 

Ofício das Leituras

 

Hino à escolha 1) ou 2)

 

1) Em uma noite escura, com ânsias, em amores inflamada,

- Oh! Ditosa Ventura! –

 

OFÍCIO DAS LEITURAS

 

Saí sem ser notada, ´Stando já minha casa sossegada.

 

Nessa noite ditosa,

Em segredo, porque ninguém me via

Nem via eu qualquer coisa,

Sem outra luz ou guia,

Exceto a que no coração ardia;

 

Mas esta me guiava,

Mais certeira que a luz do meio-dia,

Aonde me esperava

Quem eu pra mim sabia,

Em parte onde ninguém morar par’cia.

 

Oh! Noite, que guiaste!

Oh! Noite amável mais do que a alvorada!

Oh! Noite, que juntaste

Amado com Amada:

A Amada no Amado transformada!

 

Fiquei-me e esqueci-me,

O rosto reclinado sobre o Amado.

Cessou tudo e rendi-me,

Deixando meu cuidado

Em meio de açucenas olvidado.

 

ou

 

2) “O Pai celeste disse uma Palavra,

que foi seu Filho em quem ‘stava a Vida,

e a diz sempre no eterno silêncio:

no silêncio há de ser ouvida”.

 

No silêncio da noite, irmão santo,

o Amor de Deus em nosso peito grava.

Prepara a nossa alam pra falar com Deus

e para ouvir atenta a sua Palavra.

 

Tu, que tanto amaste a Sagrada Escritura,

com ela confirmastes a tua doutrina,

ensina a todos a beber desta Fonte,

Fonte de Vida, de Vida divina.

 

Já na agonia, ouvindo a meia-noite,

tu, que aos filhos até o fim ensinas,

a todos dizes muito simplesmente:

“Vou para o Céu a cantar Matinas!”

 

Se a nossa alma procura o Bem-Amado,

muitos mais o Amado nos procura:

prepara-nos pra ir ao seu encontro

ao nos chamar desta noite escura.

 

Nós te louvamos, ó Pai Celeste,

por teu Filho, Palavra Divina,

e ao Espírito, que a João da Cruz

inspirou tão celestial doutrina.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Deus predestinou-nos a sermos conformes à imagem do seu Filho.

 

Salmo 15(16)

 

O Senhor é a minha herança

 

Deus ressuscitou Jesus, libertando-o das angústias da morte (At 2,24)

 

=1  Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!†

  2  Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor:*

      nenhum bem eu posso achar fora de vós!”

 

_3 Deus me inspirou uma admirável afeição *

     pelos santos que habitam sua terra.

 

_4 Multiplicam no entanto suas dores *

     os que correm para os deuses estrangeiros;

 

_   seus sacrifícios sanguinários não partilho *

     nem seus nomes passarão pelos meus lábios.

 

_5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *

      meu destino está seguro em vossas mãos!

_6  Foi demarcada para mim a melhor terra, *

      e eu exulto de alegria em minha herança.

 

_7  Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, *

      e até de noite me adverte o coração.

_8  Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *

      pois, se o tenho a meu lado, não vacilo.

 

=9  Eis por que meu coração está em festa, †

      minha alma rejubila de alegria, *

      e até meu corpo no repouso está tranqüilo,

 

_10 pois não haveis de me deixar entregue à morte, *

       nem vosso amigo conhecer a corrupção.

 

=11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida: †

       junto a vós felicidade sem limites, *

       delícia eterna e alegria ao vosso lado!

 

Ant. 1 Deus predestinou-nos a sermos conformes à imagem do seu Filho.

 

Ant. 2 Entre vós eu de nada quis saber a não ser de Jesus Cristo, e Jesus Cristo Crucificado.

 

Salmo 33(34)

 

O Senhor é a salvação dos justos

 

Vós provastes que o Senhor é bom (1Pd 2,3).

 

I

 

_2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, *

     seu louvor estará em minha boca.

_3 Minha alma se gloria no Senhor: *

     que ouçam os humildes e se alegrem! ___

 

 

_4 Comigo engrandecei ao Senhor Deus, *

      exaltemos todos juntos o seu nome!

_5  todas as vezes que o busquei, ele me ouviu *

      e de todos os temores me livrou.

 

_6 Contemplai a sua face e alegrai-vos, *

     e vosso rosto não se cubra de vergonha!

_7 Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, *

     e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

_8 O anjo do Senhor vem acampar *

     ao redor dos que o temem e os salva.

_9 Provai e vede quão suave é o Senhor! *

     Feliz o homem que tem nele o seu refúgio.

 

_10 Respeitai o Senhor seus santos todos, *

       porque nada faltará aos que o temem;

_11 Os ricos empobrecem, passam fome, *

       mas, aos que o buscam o Senhor, não falta nada.

 

Ant. Entre vós eu de nada quis saber a não ser de Jesus Cristo, e Jesus Cristo Crucificado.

 

Ant. 3 Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.

 

II

 

_12 Meus filhos, vinde agora e escutai-me: *

       vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus!

_13 Qual o homem que não ama sua vida, *

       procurando ser feliz todos os dias?

 

_14 Afasta tua língua da maldade *

       e teus lábios, de palavras mentirosas.

_15 Afasta-te do mal e faze o bem, *

       procura a paz e vai com ela em seu caminho.

 

_16 O Senhor pousa seus olhos sobre os justos *

       e seu ouvido está atento ao seu chamado,

_17 mas ele volta a sua face contra os maus, *

       para da terra apagar sua lembrança. ___

 

 OFÍCIO DAS LEITURAS

 

_18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta *

       e de toda as angústias os liberta.

_19 Do coração atribulado ele está perto *

       e conforta os de espírito abatido.

 

_20 Muitos males se abatem sobre os justos, *

       mas o Senhor de todos eles os liberta,

_21 mesmo os seus ossos ele os guarda e protege, *

       e nenhum deles haverá de se quebrar.

 

_22 A malícia do iníquo leva à morte, *

       e quem odeia o justo é castigado,

_23 mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, *

       e castigado não será quem nele espera.

 

Ant.   Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.

 

  1. Em vós, Senhor, está a fonte da vida!
  2. E em vossa luz contemplamos a luz.

 

Primeira Leitura

 

Da Carta de São Paulo aos Colossenses  (Cl 1,12-29)

 

Deus nos transferiu para o Reino do seu Filho

 

        Irmãos, com alegria daí graças ao Pai, que vos tornou

Capazes de participar d luz, que é a herança dos santos. Ele  nos liberou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, pelo qual temos a redenção, o perdão dos pecados.

         Cristo Jesus é a imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda a criação, pois por causa dele foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisa e todas têm nele a sua consistência.

        Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o Primogênito dentre os que ressuscitam dos mortos, de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude, e por  ele reconciliar consigo todos os seres. Todos os que estão na terra e no céu ele quis conduzir a Cristo, que trouxe a paz, ao derramar seu sangue na cruz.

       E vós, que outrora éreis estrangeiros e cujas más obras manifestavam profunda hostilidade, eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte que sofreu no seu corpo mortal, para vos apresentar como santos, imaculados, irrepreensíveis diante de si. Mas é necessário que permaneçais inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança, que vos dá o Evangelho. A toda criatura debaixo do céu foi anunciado o Evangelho, que ouvistes, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.

    Alegro-me com tudo o que já sofri por vós e procuro compensar na minha própria carne as deficiências que atribulam a Cristo, em solidariedade com seu corpo, isto é, a Igreja. A ela eu sirvo, exercendo o cargo, que Deus me confiou de transmitir-vos a palavra de Deus em sua plenitude. Esta palavra é o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado ao seu povo santo, a quem Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo junto a vós, a esperança da glória. nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda a sabedoria, para tornar perfeitos a todos na sua união com Cristo. Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela força que em mim opera.

 

Responsório   Mt 17,5b; Hb 1,1-2a

 

  1. Ressoou a voz do Pai: “Este é o meu Filho muito amado: * escutai-o!”
  2. Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do seu Filho. * Escutai-o!

 

OFICIO DAS LEITURAS

 

 Segunda Leitura [à escolha 1) ou 2)]

 

1) Do Cântico Espiritual de São João da Cruz, presbítero (Séc. XVI).

(Red. B. str. 36-37. Ed Pacho, S. Juan de la Cruz – Obras Completas Burgos 1982 p. 1124-1135).

 

          Conhecimento do mistério escondido em Cristo Jesus

 

    Embora os santos doutores tenham explicado muitos mistérios e maravilhas, e pessoas devotadas a esse estudo de vida os conheçam está por ser enunciada, ou melhor, resta para ser entendida.

    Pro isso, é preciso cavar fundo em Cristo, que se assemelha a mina riquíssima, contendo em si os maiores tesouros; nela, por mais que alguém cave em profundidade, nunca encontra fim ou termo; ao contrário, em toda cavidade, aqui e ali, novos veios de novas riquezas.

     Por este motivo o Apóstolo Paulo falou acerca de Cristo: “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência de Deus (Cl 2,3). A alma não pode ter acesso a estes tesouros nem consegue alcançá-los se não houver antes atravessado e entrado na espessura dos trabalhos, sofrendo interna e externamente, e sem ter primeiro recebido de Deus muitos benefícios intelectuais e sensíveis, e sem prévio e contínuo exercício espiritual.

      Tudo isto é, sem dúvida, insignificante: são meras disposições para as sublimes profundidades do conhecimento dos mistérios de Cristo, a mais alta sabedoria a que se pode chegar nesta vida.

     Quem dera reconhecessem os homens ser totalmente impossível chegar à espessura das riquezas e da sabedoria de Deus! Importa antes entrar na espessura das lutas, suportar muitos sofrimentos, a ponto de renunciar à consolação e ao desejo dela. Com quanta razão a alma, sedenta da divina sabedoria, escolhe antes, em verdade, entrar na espessura da cruz.

    Por isso, São Paulo exortava os efésios a não desanimaram nas tribulações, a serem fortíssimos, “enraizados e fundados na caridade, para que pudessem compreender com todos os santos qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento, a fim de serem cumulados até receberem toda a plenitude de Deus (Ef 3,17-19).

    Já que a porta, por onde se pode entrar até esta preciosa sabedoria, é a cruz, e é porta estreita, muitos são os que cobiçam as delícias, que por ela se alcançam; pouquíssimos os que por ela entrar.

 

Responsório  ( 1 Cor 2,9-10)

 

  1. Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem suspeitou a mente humana * o que Deus preparou para aqueles que o amam.
  2. Deus, porém, revelou-nos pelo Espírito Santo. * O que Deus.

 

ou

 

2) Do Cântico Espiritual de São João da Cruz.

(Canção V 1,4).

 

As criaturas são como que a marca dos passos de Deus

     A resposta das criaturas à alma, como diz Santo Agostinho, é o testemunho que dão, em si, da grandeza e excelência de Deus. Deus criou todas as coisas com grande facilidade e brevidade, e nelas deixou algum rastro de quem era, e não só dando-lhes o ser do nada, mas ainda dotando-as de inumeráveis graças e virtudes, aformoseando-as com uma ordem admirável e uma dependência indefectível, que têm umas das outras, e tudo isto fez pela sua Sabedoria, pela qual as criou, que é o Verbo, seu Unigênito Filho.

    Segundo diz São Paulo, “O Filho é o esplendor da usa glória e imagem da sua substância”. É, pois, de saber que só com esta imagem de seu Filho olhou Deus todas as coisas, que foi dar-lhes o ser natural, comunicar-lhes muitas graças e dons naturais, e fazendo-as acabadas e perfeitas, segundo diz no Gênesis, por estas palavras: “Olhou Deus par todas as coisas que tinha feito e eram muito boas”. Vê-las muito boas era fazê-las muito boas no Verbo, seu Filho. E não somente olhando-as lhes comunicou o ser e graças naturais, como dissemos, mas também só com esta figura de seu Filho as deixou vestidas de formosura, comunicando-lhes o ser sobrenatural. Isto foi quando se fez homem, exaltando-o em formosura de Deus e, por conseguinte, a todas as criaturas nele, por se ter unido com a natureza de todas elas no homem. Pelo que disse o mesmo Filho de Deus: “Quando for levantado da terra, atrairei tudo a mim”. E assim, neste levantamento da Encarnação do seu Filho e na glória da sua Ressurreição segundo a carne, não somente o Pai aformoseou as criaturas em parte, mas podemos dizer que totalmente as deixou vestidas de formosura e dignidade.

 

Responsório  (Oração da alma enamorada).

 

  1. Não me tirareis, meu Deus, o que uma vez me destes em vosso único Filho: * nele me destes tudo quanto quero.
  2. O céu é meu e minha a terra; minhas são as gentes; os justos são meus e meus, os pecadores; os anjos são meus e a Mãe de Deus é minha; e todas as coisas são minhas; e o próprio Deus é meu e para mim, porque Cristo é meu e todo para mim.
  3. * Nele me destes.

 

Hino Te Deum (omite-se quando se reza a Oração da Vigília logo em seguida).

 

Oração

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

 

Laudes

 

Hino

 

Oh! Chama de amor viva,

Que ternamente feres

Da minha alma no centro mais profundo!

Pois já não és esquiva,

Acaba já se queres:

Rompe a teia de encontro tão jucundo.

 

Oh! Cautério suave!

Oh! Saborosa chaga!

Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado,

Que à vida eterna sabe!

E quanto deves paga!

Matando, morte em vida tens trocado.

 

Que manso e que amoroso

Acordas em meu seio,

Onde tu só secretamente moras!  

Nesse aspirar gozoso

De bem e glória cheio

Quão delicadamente me enamoras!

 

Ant. 1 Verdadeiramente vós sois um Deus escondido, ó Deus de Israel, ó Salvador!

 

Salmos e Cântico do domingo da I Semana.

 

Ant. 2 Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus.

 

 

OFÍCIO DAS LEITURAS

 

Ant. 3 Do fundo dos vossos corações cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças.

 

Leitura breve  (2 Cor 3,17-18)

 

    Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor aí está a liberdade. E nós todos, que temos a face descoberta,

Refletimos, como num espelho, a glória do Senhor, e somos transfigurados nesta mesma imagem cada vez mais resplandecente, vinda do Senhor que é Espírito.

 

Responsório breve

 

  1. Então a tua luz brilhará nas trevas * e a tua escuridão será como a luz do meio-dia. R. Então a tua luz.
  2. E o Senhor inundará de luz a tua alma. * E a tua escuridão.

Glória ao Pai. R. Então a tua luz.

 

Cântico evangélico, Ant. à escolha 1) ou 2) ou 3)

 

1) Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz.

 

Ou

2) O Senhor nascido de Maria vem para iluminar a todos os que jazem entre as trevas e estão sentados na sombra da morte, e par guiar os nosso passos no caminho da paz.

 

ou

3) Prestai bem atenção à palavra dos Profetas, como a uma lamparina, que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia, e a Estrela da Manhã venha raiar nos vossos corações.

 

Preces

 

Acalmemos o Senhor Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja, que nos alegra hoje com a festa de São João da Cruz; e digamos:

 

  1. Senhor Jesus Cristo, Vós sois o Rei da Glória!   

 

Palavra única do Pai pronunciada desde sempre ao eterno silencio e recebida no seio da Virgem Maria na plenitude dos tempos,

- ensinai-nos hoje a escutar a vossa palavra na íntimo do coração e guardá-la e manifestá-la pelas obras.                R.

 

Sabedoria do Pai, que nos revelastes e excesso do vosso amor, quando vos humilhastes na Encarnação e na Cruz,

- concedei aos que redimistes com o vosso Sangue que vivam continuamente em íntima comunhão convosco.    R.

 

Imagem perfeita do Pai, em vós nos são revelados e concedidos todos os mistérios do Amor eterno,

- fazei que, movidos pelo vosso Espírito, caminhemos de claridade em claridade até à vossa Luz inacessível.         R.

 

Encanto Supremo do Pai, em vós Deus olha com ternura e carinho para todos os homens e mulheres,

- fazei que sejamos perfeitos e misericordiosos como o vosso Pai celeste.                                                              R.

 

Jesus, Primogênito de todas as criaturas, por meio de vós o Pai criou e reformou todas as coisas com o seu Amor,

- fazei que passemos das coisas visíveis para a contemplação da vossa beleza, que é invisível.               R.         

 

(intenções livres)

 

Pai Nosso...

 

Oração

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

 

HORA MÉDIA

 

HORA MÉDIA

 

Oração das Nove Horas

 

Hino

 

Oh! Deus, quem pudera

em vosso amor abrasar-se?!

Ai de mim! Quem me dera

deixar todo o criado,

ver-me na glória transformado?!

 

Gravai no íntimo do meu

a vossa imagem sagrada!

Sem jamais vos esquecer,

unida ao vosso querer,

A “Casa” esteja habitada!

 

Neste esconderijo secreto,

num vazio mui profundo,

num silêncio amoroso,

escutarei a voz do Amado:

encher-me-ei de gozo!

 

Quem me dera, ó Bom Jesus,

em minha mente vos pintar!

Meu coração vos amara,

amando e sendo amado,

e em vós já transformado.

 

Antífona e salmos do dia da semana corrente.

 

Leitura breve                                    Ef 4,23-24

 

    Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade e transformai-vos. Revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus em verdadeira justiça e santidade.

 

  1. Criai em mim, Senhor, um coração que seja puro!
  2. E dai-me de novo um espírito decidido.

Oração

 

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

 

Oração das Doze Horas

 

Hino

Que buscas, ó alma minha?

São meus os céus e a terra.

Meu é todo ser criado,

Que neste globo se encerra.

 

Meus são os Anjos celestes.

É minha a Mãe de Deus

E são meus todos os justos;

Os pecadores são meus.

 

Cristo é meu, todo para mim,

Dom que o Pai me quis dar:

“Scutando a Palavra, verei

em mim a Trindade habitar!

 

E, no centro mais profundo

Desta imensa solidão,

Viverei perdida em Deus,

Em profunda união.

 

Antífona e salmos do dia da semana corrente.

 

Leitura breve   (Rm 5,1-2)

 

   Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por meio dele, temos acesso à graça, através da fé, graça na qual permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus.

 

HORA MÉDIA

 

  1. A vida, que vivo agora, eu vivo pela fé no Filho de Deus.
  2. Que me amou e se entregou por mim.

 

Oração

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

 

Oração das Quinze Horas

 

Hino

 

Um pastorinho está só e dorido,

alheio ao prazer e ao contento,

posto em sua Pastora o pensamento,

e o peito pelo amor muito ferido.

 

Não chora por havê-lo o amor chagado,

que lhe não dá pena ser afligido,

embora o coração esteja ferido,

mas chora por se crer já olvidado:

 

Que só de pensar que estará esquecido

da sua bela Pastora, com pesar

se deixa em terra estranha maltratar,

o peito pelo amor muito ferido.

 

E diz o pastorinho mui dorido:

“Ai do que a meu amor fizer ausência

e não quiser gozar minha presença

e o peito por seu amor tão ferido”.

 

Passado longo tempo, ei-lo subido

à árvore, onde abriu seus belos braços

e, morto, se ficou entre esses laços,

o peito pelo amor muito ferido!

 

Ant. No silêncio e na esperança estará a vossa força.

 

 

Leitura breve   (Rm 8,24-25)

      É na esperança que já foram salvos, pois ver o que se espera não é esperar: quem espera o que já está vendo? Mas, se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o esperamos.

 

  1. O Senhor é bom para os que nele esperam.
  2. E para a alma que o procura.

 

Oração

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

 

 

Vésperas

 

Hino

 

Do Céu à terra vieste,

Filho de Deus humanado,

e por meu amor quiseste

sofrer e ser desprezado.

 

De igual modo eu quisera

provar-te como és amado:

por ti, Senhor, quem me dera

sofrer e ser desprezado.

 

Tua cruz é minha cruz,

em ti vivo transformado;

na vida só me seduz

sofrer e ser desprezado.

 

Meu Cristo Crucificado!

Todos os bens encontrei

 

VÉSPERAS

 

quando de ti alcancei

sofrer e ser desprezado.

 

“Quem se humilha é exaltado!”

bendito sejas, Senhor!

É grande prova de amor

sofrer e ser desprezado.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Por causa do grande amor, com que nos amou, Deus nos deu a vida com Cristo.

 

 

  Salmo 14 (15)

 

Quem é digno aos olhos de Deus?

 

Vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade do Deus Vivo (Hb 12,22).

  

_1 “Senhor, quem morará em vossa casa *

     e em vosso Monte santo habitará?”

 

_2 É aquele que caminha sem pecado *

     e pratica a justiça fielmente;

_   que pensa a verdade no seu íntimo *

  3 e não solta em calúnias a sua língua; 

 

_   que em nada prejudica o seu irmão, *

     nem cobre de insultos o seu vizinho;

_4 que não dá valor algum ao homem ímpio, *

     mas honra os que respeitam o Senhor;

 

_   que sustenta o que jurou mesmo com dano; *

  5 não empresta o seu dinheiro com usura,

_   nem de deixa subornar contra o inocente.*

     Jamais vacilará quem vive assim!

 

Ant.  Por causa do grande amor, com que nos amou, Deus nos deu a vida com Cristo.

  

Ant. 2 Nós reconhecemos o amor, que Deus tem por nós, e nós acreditamos no Amor.

 

Salmo 111 (112)

 

A felicidade do justo

 

Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se bondade, justiça, verdade (Ef 5,8-9).

 

_1 Feliz o homem que respeita o Senhor *

     e que ama com carinho a sua lei!

_2 Sua descendência será forte sobre a terra, *

     abençoada a geração dos homens retos!

 

_3 Haverá glória e riqueza em sua casa, *

     e permanece para sempre o bem que fez.

_4 Ele é o correto, generoso, compassivo, *

     como luz brilha nas trevas para os justos.

 

_5 Feliz o homem caridoso e prestativo, *

     que resolve seus negócios com justiça.

_6 Porque jamais vacilará o homem reto: *

     sua lembrança permanece eternamente!

 

_7 Ele na teme receber notícias más: *

     confiando em Deus, seu coração está seguro.

 

_8 Seu coração está tranqüilo e nada teme, *

     e confuso há de ver seus inimigos.

 

=9 Ele reparte com os pobres os seus bens, †     

     permanece para sempre o bem que fez, *

     e crescerão a sua glória e o seu poder.

 

=10 O ímpio, vendo isto, se enfurece, †

       range os dentes e de inveja se consome; *

       mas os desejos do malvado dão em nada.

 

Ant. Nós reconhecemos o amor, que Deus tem por nós, e nós acreditamos no Amor.

 

VÉSPERAS

 

Ant. 3 O amor de Deus derramou-se sobre nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado.

 

 Cântico   (Ef 1,3-10)

 

O plano divino da salvação

 

_3 Bendito e louvado seja Deus, *

     o Pai de Jesus Cristo, Senhor Nosso,

_   que do alto céu nos abençoou em Jesus Cristo *

     com bênção espiritual de toda sorte!

 

(R. Bendito sejais vós, nosso Pai, que nos abençoastes em Cristo!)

 

_4 Foi em Cristo que Deus Pai nos escolheu, *

     já bem antes de o mundo ser criado,

_   para que fôssemos, perante a sua face , *

     sem mácula e santos pelo amor.                              (R)

 

=5 Por livre decisão da usa vontade, †

     predestinou-nos, através de Jesus Cristo, *

     a sermos nele os seus filhos adotivos,

_6 para o louvor e para a glória de sua graça, *

     que em seu Filho bem-amado nos doou.                  (R)

 

_7 É nele que nós temos redenção, *

     dos pecados remissão pelo seu sangue.

=   Sua graça transbordante e inesgotável †

  8 Deus derrama sobre nós com abundância, *

     de saber e inteligência nos dotando.                           (R)

 

_9 E assim ele nos deu a conhecer *

     o mistério do seu plano e sua vontade,

_   que propusera em seu querer benevolente *

 10 na plenitude dos tempos realizar:                             

_    o desígnio de em Cristo reunir *

      todas as coisas, as da terra e as do céu.                     (R)

 

Ant. O amor de Deus derramou-se sobre nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado.

 

          

Leitura breve   (1Cor 13,8-10.12-13;14,1a)

O amor não acabará nunca! As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência acabará. Com efeito o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas então conhecerei como sou conhecido. Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, amor. Mas a maior delas é o amor. Ambicionai o amor.

 

Responsório breve

 

  1. Forte como a morte é o amor. * Suas chamas são chamas de fogo, um raio de Javé. R. Forte.
  2. Quem nos separará do amor de Cristo? * Suas chamas.

Glória ao Pai. R. Forte.

 

Cântico evangélico

 

Ant. Pai, aqueles que me deste quero que estejam comigo onde eu estiver; o amor com que me amaste esteja neles e eu mesmo esteja neles também.

 

Preces

 

Demos graças a Deus Pai, por meio do seu amado Filho, nos enviou o seu Espírito, para que participemos da natureza divina e sejamos na Igreja testemunhas do Amor; e imploremos:

 

  1. Pela intercessão de São João da Cruz, ouvi-nos, Senhor!

 

Daí à vossa Igreja uma fé viva que conduza todos, homens e mulheres, para vós,

- e os faça viver em íntima união convosco.                    R.

 

A todos os que vos procuram com sinceridade concedei a esperança celeste,

- que tanto mais alcança quanto mais espera.                   R

 

Derramai sobre nós o vosso amor,

- para que possamos semear amor onde ele não existir.   R.

 

Fazei que, nos Carmelos, as nossas irmãs, a exemplo da Virgem Maria, sua Mãe,

- sempre sejam fiéis e dóceis às inspirações do Espírito. R.

 

(intenções livres)

 

Concedei aos nossos irmãos e irmãs falecidos que, por fim purificados no fogo do vosso Amor,

- possam quanto antes cantar-vos, com Maria e todos os Santos, o seu eterno Cântico de Amor.

 

Pai Nosso...    

 

Oração

Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos à contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.

PRIMEIRA COMUNHÃO: Primeiras fotos. Paróquia Nossa Senhora do Carmo- Vila Kosmos, Vicente de Carvalho. Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Sábado, 26 de agosto-2023. Imagens: Rosemiro Magalhaes. @sgmomiromb 

Irmã Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein (1891-1942)

 

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II NA CERIMÓNIA DE CANONIZAÇÃO DE EDITH STEIN.

 

11 de Outubro de 1998

    

  1. Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Gl 6, 14).

As palavras de São Paulo aos Gálatas, que acabámos de escutar, adaptam-se bem à experiência humana e espiritual de Teresa Benedita da Cruz, que hoje é solenemente inscrita no álbum dos santos. Também ela pode repetir com o Apóstolo: Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

A cruz de Cristo! No seu constante florescimento, a árvore da Cruz dá sempre renovados frutos de salvação. Por isso, os fiéis olham com confiança para a Cruz, haurindo do seu mistério de amor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade nas pegadas de Cristo crucificado e ressuscitado. Assim, a mensagem da Cruz entrou no coração de muitos homens e mulheres, transformando a sua existência.

Um exemplo eloquente desta extraordinária renovação interior é a vicissitude espiritual de Edith Stein. Uma jovem em busca da verdade, graças ao trabalho silencioso da graça divina, tornou-se santa e mártir: é Teresa Benedita da Cruz, que hoje repete do céu a todos nós as palavras que caracterizaram a sua existência: «Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de Jesus Cristo».

  1. No dia 1 de Maio de 1987, durante a minha visita pastoral na Alemanha, tive a alegria de proclamar Beata, na cidade de Colónia, esta generosa testemunha da fé. Hoje, a onze anos de distância aqui em Roma, na Praça de São Pedro, é-me dado apresentar solenemente esta eminente filha de Israel e filha fiel da Igreja como Santa perante o mundo inteiro.

Assim como nessa data, também hoje nos inclinamos diante da memória de Edith Stein, proclamando o testemunho invicto que ela deu durante a vida e sobretudo com a morte. Ao lado de Teresa de Ávila e de Teresa de Lisieux, esta outra Teresa vai colocar-se no meio da plêiade de santos e santas que honram a Ordem carmelitana.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, que vos congregastes para esta solene celebração, dêmos glória a Deus pela obra que realizou em Edith Stein.

  1. Saúdo os numerosos peregrinos vindos a Roma, com um particular pensamento para os membros da família Stein, que quiseram estar connosco nesta feliz circunstância. Uma cordial saudação dirige-se também à representação da Comunidade carmelitana, que se tornou a «segunda família» para Teresa Benedita de Cruz.

Depois, dou as minhas boas-vindas à delegação oficial da República Federal da Alemanha, chefiada pelo Chanceler Federal resignatário, Helmut Kohl, a quem saúdo com deferente cordialidade. Além disso, cumprimento os representantes das regiões de Nordrhein-Westfalen e Rheinland-Pfalz, bem como o Primeiro Presidente da Câmara Municipal de Colónia. Inclusivamente da minha Pátria veio uma delegação oficial, guiada pelo Primeiro-Ministro Jerzy Buzek.

Dirijo-lhe uma cordial saudação. Depois, quero reservar uma especial menção aos peregrinos das dioceses de Vratislávia, Colónia, Monastério, Espira, Cracóvia e Bielsko-Žywiec, presentes com os seus Bispos e sacerdotes. Eles unem-se ao numeroso grupo de fiéis vindos da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da minha Pátria, a Polónia.

  1. Dilectos Irmãos e Irmãs! Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. Hoje recordamo-nos de todos com profundo respeito. Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».

Doravante, ao celebrarmos a memória da nova Santa, não poderemos deixar de recordar todos os anos também o Shoah, aquele atroz plano de eliminação de um povo, que custou a vida a milhões de irmãos e irmãs judeus. O Senhor faça brilhar o seu rosto sobre eles, concedendo-lhes a paz (cf. Nm 6, 25s.).

Por amor de Deus e do homem, lanço de novo um premente brado: nunca mais se repita uma semelhante iniciativa criminosa para nenhum grupo étnico, povo e raça, em qualquer recanto da terra! É um brado que dirijo a todos os homens e mulheres de boa vontade; a todos aqueles que crêem no Deus eterno e justo; a todos aqueles que se sentem unidos em Cristo, Verbo de Deus encarnado. Aqui, todos nós devemos ser solidários: é a dignidade humana que está em jogo. Só existe uma única família humana. É isto que a nova Santa afirmou com grande insistência: «O nosso amor pelo próximo - escrevia - é a medida do nosso amor a Deus. Para os cristãos - e não só para eles - ninguém é "estrangeiro". O amor de Cristo não conhece fronteiras».

  1. Estimados Irmãos e Irmãs! O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Embora sua mãe a tenha educado na religião hebraica, aos 14 anos de idade Edith Stein, «consciente e propositadamente desacostumou-se da oração». Só queria contar consigo mesma, preocupada em afirmar a própria liberdade nas opções de vida. No fim do longo caminho, foi-lhe dado chegar a uma surpreendente conclusão: só quem se une ao amor de Cristo se torna verdadeiramente livre.

A experiência desta mulher, que enfrentou os desafios de um século atormentado como o nosso, é para nós exemplar: o mundo moderno ostenta a porta atraente do permissivismo, ignorando a porta estreita do discernimento e da renúncia. Dirijo-me especialmente a vós, jovens cristãos, em particular aos numerosos ministrantes reunidos em Roma nestes dias: evitai conceber a vossa vida como uma porta aberta a todas as opções! Escutai a voz do vosso coração! Não permaneçais na superfície, mas ide até ao fundo das coisas! E quando chegar o momento, tende a coragem de vos decidirdes! O Senhor espera que coloqueis a vossa liberdade nas suas mãos misericordiosas.

  1. Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade uma do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade!
  2. Enfim, a nova Santa ensina-nos que o amor a Cristo passa através da dor. Quem ama verdadeiramente, não se detém diante da perspectiva do sofrimento: aceita a comunhão na dor com a pessoa amada. Consciente do que comportava a sua origem judaica, Edith Stein pronunciou palavras eloquentes a este respeito: «Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus... Efectivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão». Pouco a pouco, o mistério da Cruz impregnou toda a sua vida, até a impelir rumo à oferta suprema. Como esposa na Cruz, a Irmã Teresa Benedita não escreveu apenas páginas profundas sobre a «ciência da cruz», mas percorreu até ao fim o caminho da escola da Cruz. Muitos dos nossos contemporâneos quereriam fazer com que a Cruz se calasse. Mas nada é mais eloquente que a Cruz que se quer silenciar! A verdadeira mensagem da dor é uma lição de amor. O amor torna o sofrimento fecundo e este aprofunda aquele. Através da experiência da Cruz, Edith Stein pôde abrir um caminho rumo a um novo encontro com o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé e a cruz revelaram-se-lhe inseparáveis. Amadurecida na escola da Cruz, ela descobriu as raízes às quais estava ligada a árvore da própria vida. Compreendeu que lhe era muito importante «ser filha do povo eleito e pertencer a Cristo não só espiritualmente, mas inclusive mediante um vínculo sanguíneo».
  3. «Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). Caríssimos Irmãos e Irmãs, com estas palavras o divino Mestre entretém-se com a Samaritana junto do poço de Jacob. Quanto Ele deu à sua ocasional mas atenta interlocutora, encontramo-lo presente também na vida de Edith Stein, na sua «subida ao Monte Carmelo ». A profundidade do mistério divino tornou-se-lhe perceptível no silêncio da contemplação. Ao longo da sua existência, enquanto amadurecia no conhecimento de Deus adorando-O em espírito e verdade, ela experimentava cada vez mais claramente a sua específica vocação de subir à cruz juntamente com Cristo, de abraçá-la com serenidade e confiança, de amá-la seguindo as pegadas do seu dilecto Esposo: hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz é-nos indicada como modelo em que nos devemos inspirar e como protectora à qual havemos de recorrer. Dêmos graças a Deus por este dom. A nova Santa seja para nós um exemplo do nosso compromisso no serviço da liberdade e na nossa busca da verdade. O seu testemunho sirva para tornar cada vez mais sólida a ponte da recíproca compreensão entre judeus e cristãos. Santa Teresa Benedita da Cruz, ora por nós! Amém. Fonte: https://www.vatican.va 

 

Frei Joseph Chalmers O. Carm. Ex- Prior Geral

 

Diversos modos de seguir Jesus Cristo foram experimentados e testados através dos séculos. Alguns perduram até hoje e ainda têm o poder de atrair muitas pessoas e de ajudá-las a viver uma vida mais profunda em obséquio a Jesus Cristo. Um desses modos é o carmelitano.

A vocação é um chamado muito pessoal de Deus. Cada um de nós tem sua própria vocação pessoal, em se tornar aquilo que Deus sabe que podemos ser. Uma parte importante de nossa vocação é nossa atração por um jeito determinado de seguir a Cristo. Algumas pessoas se sentem atraídas pelos jesuítas, ou pelos franciscanos ou pelos dominicanos, mas nós sentimos bem dentro de nós uma atração pelos carmelitas. Nenhuma espiritualidade é melhor do que a outra. Todas elas têm o objetivo de nos ajudar a viver o Evangelho do modo mais pleno. Nosso modo é o carmelitano porque foi para este caminho que Deus nos chamou.

Então qual é o modo carmelitano? Em primeiro lugar, como em toda a espiritualidade cristã, somos chamados a ser seguidores de Cristo. Fixamos nossos olhos nele; ele é nosso líder, nosso mestre, nosso irmão, nosso salvador, nosso Senhor. Procuramos assimilar sua mensagem e viver o Evangelho no nosso dia a dia. O modo carmelitano de realizar isso é nos comprometendo em buscar a face do Deus Vivo, que é a dimensão contemplativa de uma vida voltada para a fraternidade e para o serviço aos outros. Esses valores estão intimamente ligados uns aos outros e estão unidos pela experiência do deserto. Como Elias, devemos passar pelo deserto para alcançar o Monte Horeb, a montanha de Deus. No deserto, a chama viva do amor arde dentro de nós, queimando tudo que não é Deus e nos preparando para encontrar Deus no murmúrio da brisa suave. Não estamos sós nesta jornada. Nossa Senhora, nossa irmã e nossa mãe, sempre nos acompanha. Ela gentilmente nos ensina como escutar a voz mansa de Deus e como acolher a presença e a ação de Deus em nossa vida. O Carmelo sempre foi e será mariano. Expressamos nossa devoção a Nossa Senhora de diferentes modos, de acordo com nossas diferentes culturas, mas todos nós buscamos viver nossa devoção nos tornando iguais a ela.

Os primeiros eremitas no Monte Carmelo se reuniram como uma comunidade para buscarem juntos a vontade de Deus. Em algum lugar entre 1206 e 1214 estes eremitas alcançaram tal unidade e propósito comum. Decidiram então, formalizar seu grupo buscando aprovação eclesiástica. Pediram então a Alberto, Patriarca de Jerusalém, que escrevesse uma “formula vitae” para eles, baseada no propósito que lhe apresentaram.

Em 1997 celebramos 750 anos da aprovação definitiva da Regra. Nesta ocasião, o Superior Geral dos Carmelitas Descalços e eu enviamos uma carta conjunta sobre a Regra a toda a Família Carmelitana que foi e permanece como inspiração para as duas Ordens. Ela não é apenas um documento histórico, mas uma fonte verdadeira de inspiração para todos os carmelitas. O título de nossa carta é: “Abertos para o Futuro de Deus”. Nossa tradição espiritual não é apenas um grande tesouro do passado, mas tem o poder de nos inspirar hoje e no futuro.

A Regra carmelitana é breve e não possuímos uma cópia do original, escrito entre 1206 e 1214. A versão mais antiga que existe é a que foi definitivamente aprovada pelo Papa Inocêncio IV em 1247, quando os eremitas desejaram se unir ao novo movimento profético na Igreja daquele tempo – o movimento mendicante

Existem diversas formas de se ler um texto. Podemos perguntar o que Santo Alberto quis dizer e o que os eremitas compreenderam quando ele escreveu. Também existem outras interpretações possíveis que vão além do que Santo Alberto e os eremitas tinham em mente. Essas novas interpretações surgem ao questionarmos o texto a partir de nossa própria experiência de vida. Um texto antigo como a Regra também pode ser estudado de forma científica ou histórica. Todos esses estudos e métodos diferentes de interpretação são importantes, mas muito mais importante é viver os valores contidos na Regra.

É possível interpretar um texto e não permitir que ele nos toque profundamente. Podemos abordar um texto com a convicção de que já conhecemos muito bem o que ele tem a dizer. Neste caso, corremos o risco de não estarmos abertos às nuances do texto. O mesmo problema ocorre quando abordamos a Sagrada Escritura. Às vezes, a familiaridade com as palavras de Jesus podem ser uma barreira ao que Deus quer dizer a nós hoje com sua palavra de salvação.

A Regra está impregnada com a Palavra de Deus. Embora seja breve, ela contém aproximadamente 100 alusões bíblicas explícita ou implicitamente. Santo Alberto era um homem que meditava longamente sobre a Palavra de Deus. Os eremitas nos exortaram a meditar dia e noite sobre a lei do Senhor. A razão desse preceito se volta para a transformação da pessoa em Cristo. É importante buscar com o pensamento o que a Palavra quer dizer, mas muito mais importante é que a própria Palavra habite em nossos bocas e em nossos corações e nos acompanhe em toda ação que realizamos (Regra, 19).

No começo da Regra, Santo Alberto diz que fomos chamados a viver em “obsequium Iesu Christi”. Estudos sobre a Regra demonstram que ela não é apenas uma lista de regulamentos. De fato, comparando o esboço da comunidade cristã presente nos Atos dos Apóstolos com a Regra, podemos observar muitos pontos de convergência e uma estrutura lógica semelhante. Nos Atos encontramos:

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamentos dos apóstolos, à comunhão e às orações... Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum...” (2,42-27) e “A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum” (4,32).

Os eremitas vieram de várias partes da Europa para viver numa terra que se tornou sagrada pela presença de Jesus e onde ele derramou seu sangue para a redenção da humanidade. Jesus Cristo está no centro da Regra e da vida de cada eremita. Eles desejaram formar uma comunidade de discípulos, tendo como exemplo a comunidade cristã primitiva. Para realizar tal projeto, cada pessoa deve permitir que a lei de Deus se aposse de seu coração. Vigiar em oração é uma atitude essencial (Regra, 10) para estarmos sempre prontos para a vinda do Senhor até nós. Uma comunidade pode ser comparada a uma orquestra. Cada instrumento deve estar em harmonia com todos os outros para que toda a orquestra possa tocar a mesma melodia. Analogamente em nossas comunidades, o estado espiritual de cada membro afeta toda a comunidade.

Cada eremita deve permanecer na cela designada a ele pelo prior. Somos tentados muitas vezes a buscar Deus em toda parte, exceto onde estamos. Mas Deus vem nos encontrar em nossa realidade atual e cabe a nós descobrir a presença de Deus nos eventos do dia a dia. Santo Agostinho disse que gastou muito tempo buscando Deus fora de si mesmo, quando Deus sempre esteve presente no mais íntimo de seu ser.

A Regra fala de rezar as horas canônicas (Regra, 11). Quando rezamos os salmos, temos a chance de assimilar o modo com que o próprio Jesus pensou e rezou. Mais tarde esta seção da Regra aplicou-se à obrigação de rezar o Ofício Divino, que é a oração oficial de toda a Igreja. Cristo, a cabeça do Corpo, sempre intercede por nós diante do trono de misericórdia e nós, como membros da Igreja, fazemos parte dessa oração constante de Cristo. Somos membros vivos do Corpo de Cristo que é a Igreja e rezamos uns pelos outros e pelo mundo. Cristo é o Sacerdote eterno e nele somos uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa (1Pd 2,9). Devemos louvar e agradecer a Deus em nome daqueles que nunca pensam em Deus. No Ofício Divino, fazemos parte da liturgia celestial que é o relacionamento íntimo entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta oração de toda a Igreja nos alimenta e nos ajuda a crescer espiritualmente. É importante levar para a liturgia corações ardentes para que ao voltarmos para nossas “celas”, como diz a Regra, a nossa oração pessoal seja alimentada pela oração de toda a Igreja.

Os eremitas devem construir um oratório no meio de suas celas (Regra, 14) onde devem reunir-se toda manhã para celebrar a Eucaristia. No tempo em que a Regra foi escrita parece-nos que os eremitas se reuniam normalmente apenas para a Missa no domingo, por isso o preceito de reunirem-se a cada dia mostra a grande importância que o primeiro grupo de carmelitas dava à Eucaristia. A reunião diária é um convite para sair da solidão das celas individuais, e do risco de auto-suficiência, para encontrar Deus no coração da comunidade. Devemos criar espaço em nossas vidas para encontrar Deus face à face, mas nunca devemos nos esquecer de que a autenticidade de qualquer experiência religiosa se prova no modo como nos relacionamos com nosso próximo. Nossa oração pessoal nos faz aceitar as outras pessoas como elas são? Deus nos aceita como somos em toda nossa fraqueza e imperfeição. Podemos fazer o mesmo pelos outros?

A Eucaristia é a celebração dos filhos e filhas de Deus. Diante da comunhão recebemos a paz de Cristo e partilhamos esta paz uns com os outros. Assim estamos unidos em comunhão uns com os outros. Recebemos Cristo para crescer em Sua semelhança como indivíduos e como comunidade. Recebendo a comunhão entramos em união com Cristo. A Regra nos ajuda a continuar a viver em união com Cristo e em comunhão uns com os outros para que possamos juntos viver Nele. A Eucaristia é fundamental para nossa oração. Durante a celebração fazemos uma oferta viva de nós mesmos em união com Cristo ao Pai e, após a celebração, devemos colocar esta oferta viva em prática, no nosso dia a dia. Os detalhes da Regra fornecem a estrutura dentro da qual podemos realizar tal oferta e Deus nos apresenta a cada dia muitas situações onde podemos viver esta oferta. É obvio que se em dado momento estivéssemos conscientes de que Deus estava falando conosco através de algum evento, ouviríamos cuidadosamente, mas Deus tornou-se um de nós e se aproxima de nós a cada dia de modo bem humano. Muitas vezes a forma que Deus escolhe para se aproximar de nós é tão insignificante que temos muita dificuldade de reconhecer Sua presença. A solidão e o silêncio da cela é o espaço sagrado onde nossos corações estão sintonizados na escuta da voz de Deus. Através de nossa oração pessoal e comunitária, aprendemos como ouvir a voz mansa de Deus que fala dentro de nós e aprendemos a ver o rosto de Deus na face de nosso próximo.

De acordo com o tempo e o lugar onde a Regra foi escrita, a vida espiritual é vista como um combate entre o bem e o mal. Como preparação para esta grande batalha a Regra propõe o jejum e a abstinência (Regra, 16 & 17). Devemos colocar a armadura de Deus (Regra, 19) e nos proteger de todo mal com o escudo da fé.

A fé deu a Teresa de Lisieux a força para continuar apesar de grandes tentações. Ter fé implica em acreditar firmemente na presença de Deus que vive em nós e nos sustenta a cada momento. Se estamos no deserto ou no meio da escuridão, é a fé no Deus vivo que nos protege e nos leva a seguir adiante. Somos chamados a colocar o capacete da salvação para nos lembrarmos de que a salvação é necessária. Precisamos acreditar na misericórdia de Deus que nos libertará do pecado e nos levará à vida eterna. A espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, deve ser abundante em nossas bocas e corações. Devemos procurar conhecer a Palavra de Deus para que ela se torne uma parte essencial de nosso ser. Devemos ser transformados pela Palavra para que o plano de Deus possa ser realizado em cada um de nós. Ler e meditar sobre a Palavra de Deus não nos torna necessariamente pessoas cultas, mas nos faz sábios, cheios da sabedoria de Deus. Aos olhos do mundo isso pode parecer loucura, mas na realidade, o que é loucura de Deus é mais sábio do que toda a sabedoria humana e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana (1Cor 1,25).

O trabalho e o silêncio são elementos importantes da vida carmelitana. Trabalhar é participar na criatividade de Deus e, por isso, qualquer trabalho que realizemos é importante. No entanto, o trabalho não deve se tornar um ídolo para nós. Ele é vital para dar espaço a Deus em meio a todas as nossas atividades. O silêncio é o meio no qual nos tornamos mais facilmente conscientes da presença de Deus. O silêncio não deve ser apenas a ausência de ruído. Ele deve ser preenchido com Deus. O silêncio exterior é útil, mas o silêncio interior é muito mais necessário. No silêncio de nossos corações começamos a discernir a voz de Deus.

“Deus pronunciou uma palavra que foi seu Filho. Ele sempre a repete num silêncio eterno e, no silêncio, ela deve ser escutada pela alma” (João da Cruz, Máximas e Conselhos, 21).

O primeiro grupo de eremitas carmelitanos floresceu, quando a família carmelitana mundial. Ser membro de uma família é um elemento muito importante de nossa vocação carmelitana. Não seguimos Cristo como indivíduos isolados, mas como irmãs e irmãos. É óbvio que existem diferentes formas de viver este valor de fraternidade de acordo com nosso chamado particular. No entanto, o elemento essencial é que estamos conscientes de nossa ligação uns com os outros como irmãos e irmãs. O coração da vocação cristã é tornar-se como Cristo e amar como Deus ama. Podemos ser muito bons em amar nosso próximo na teoria. O que nos causa problemas é amar realmente as pessoas na prática. Em nossa jornada através do deserto e na escalada rumo ao Monte Carmelo, caminhamos com outras pessoas que partilham nossos valores fundamentais e que estão tentando seguir a Cristo assim como nós. Penso em nosso relacionamento com outras pessoas como o dom de Deus para nós. É como a estátua da Pietá na Basílica de São Pedro. Ela começou como um bloco de mármore e somente Michelangelo podia ver no que este bloco se transformaria. Ele começou seu trabalho usando um martelo e um formão. Deus é o grande artista. Deus pode ver o que podemos ser e trabalha em nós. As ferramentas que Deus usa são muitas vezes outras pessoas, especialmente aquelas com quem convivemos todos os dias. São elas que vão fazendo o polimento de nossas asperezas.

Somos indivíduos únicos, mas partilhamos uma herança comum. Estamos unidos como irmãos e irmãs. Buscamos a face de Deus juntos e encontramos Deus uns nos outros. Provamos nosso amor por Deus no modo como tratamos uns aos outros. Temos uma tendência normal de restringir nosso amor de algum modo, mas ao buscarmos Deus juntos, aprendemos gradualmente a amar, partindo da Fonte de todo amor. Ao deixarmos de lado nossa visão limitada de quem merece ser amado, aprendemos a olhar as pessoas como Deus olha para elas. Aprendemos a ter compaixão e respeito pelos outros e eles se libertam através de nosso amor.

Unidos como uma família internacional é um modo profético de viver. Um dos elementos essenciais do modo de vida carmelitano é o compromisso com o serviço. Existem muitas formas de realizar tal serviço no nosso dia a dia. Todo serviço cristão se volta, de algum modo, para a vinda do Reino de Deus. Buscamos viver os valores do Reino aqui e agora e estamos conscientes de que o fazemos de modo profético com a força da tradição de Elias. Profeta é aquele que proclama a Palavra de Deus em determinadas situações. Podemos profetizar de maneira simples e discreta, mas também em trabalhos muito importantes. Elias foi levado à ação profética por causa de sua experiência de Deus. O âmago do modo de vida carmelitano é a dimensão contemplativa. Ser contemplativo não significa necessariamente passar muitas horas em oração todos os dias, embora seja essencial um compromisso de passar algum tempo sozinho com Deus. O teste para saber se nossa experiência de Deus é autêntica é como vivemos nosso dia a dia – como tratamos outras pessoas – se buscamos servir ou não aos outros.

Titus Brandsma disse que a vocação carmelitana nos transforma em outra Maria e penso que isso resume da melhor maneira nossa vocação contemplativa. Ela teve o relacionamento mais íntimo com Cristo. Ela abandonou sua própria vontade, suas próprias idéias e planos para que a vontade de Deus se realizasse nela. Algumas pessoas têm dificuldades com o jeito católico de tratar Nossa Senhora e ressaltam que ela aparece muito pouco nos Evangelhos, mas é exatamente este o modo do(a) contemplativo(a) que está repleto de Deus e sempre aponta para Deus e não para si mesmo(a).

Ser contemplativo (a) não significa ter experiências extraordinárias na oração. Isso acontece a muito pouca pessoas. A maioria dos contemplativos seguem Cristo pelo deserto à noite e raramente vislumbra o que está acontecendo com eles, mas Deus trabalha na escuridão, formando-os e moldando-os numa nova criação. O artigo 17 das Constituições dos frades nos diz que a contemplação começa quando nos confiamos a Deus seja qual for a forma que Deus escolher de chegar a nós. Deus geralmente vem a nós da forma mais inesperada. Maria recebeu a Palavra de Deus através da mensagem de um anjo, mas ela também estava aberta para escutar a voz de Deus aos pés da cruz. Elias não encontrou Deus no terremoto ou no fogo ou no vento forte, mas no murmúrio da brisa suave. Devemos estar atentos à voz de Deus no nosso dia a dia.

Existem muitos aspectos de nossa vocação carmelitana, mas estou convencido de que o aspecto contemplativo é crucial porque se o considerarmos seriamente, os outros aspectos também se tornarão muito mais proveitosos. O Carmelo é sinônimo de oração e de contemplação. Não concretizamos nossa vocação realizando muitas coisas para Deus, mas sim permitindo que Deus nos transforme.

Se aceitarmos o convite de Deus para continuar essa jornada interior, encontraremos algumas dificuldades porque começaremos a ver mais claramente o que está nos motivando. Teremos consciência de que, às vezes, nossas melhores ações emergem de motivos egoístas. Contudo, seguindo esse caminho, viveremos os valores fundamentais de nossa Regra e de nossa espiritualidade e assim, nosso modo humano de pensar, amar e agir, será transformado num modo divino. Finalmente veremos com os olhos de Deus e amaremos toda a criação com o coração de Deus.

Por quase 800 anos a Regra tem inspirado diversas pessoas a revestirem-se com a Palavra de Deus. A espiritualidade carmelitana não se resume a um breve texto da Regra, mas é a fonte da qual emerge toda a tradição. Rezo para que nossa Regra seja uma palavra viva para todos nós e que nos inspire hoje e no futuro para que sejamos dignos de seguir os passos de todos aqueles homens e mulheres que assumiram a Regra como uma luz para seus caminhos através dos tempos. 

Comentarista 

O profeta Elias aparece nas Sagradas Escrituras como o homem de Deus que caminha na presença do Senhor, e que, abrasado de zelo, luta pela defesa do culto do único Deus verdadeiro. Defendeu os direitos de Deus num desafio público, realizado no monte Carmelo entre ele e os sacerdotes de Baal. Entregou-se à íntima experiência do Deus vivo no monte Horeb. Nele se inspiraram os primeiros eremitas que, por volta do séc. XII, iniciaram no Monte Carmelo um novo estilo de vida que originou a Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Por este motivo, o profeta Elias é considerado o Fundador ideal da Ordem.

 

ANTÍFONA DE ENTRADA 1Rs 17, 1

O profeta Elias disse: «Vive o Senhor, Deus de Israel, a quem eu sirvo».

 

ORAÇÃO COLETA

Deus eterno e onipotente, que concedestes ao bem-aventurado Elias, vosso profeta e nosso pai, a graça de viver na vossa presença e de se inflamar de zelo pela vossa glória,

Fazei que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos testemunhas do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

1ª LEITURA: 1Rs 19,1-9.11-14

Leitura do primeiro livros dos Reis.

Acab contou a Jezabel tudo que Elias tinha feito e como tinha passado ao fio da espada todos os profetas de Baal. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias para lhe dizer: “Os deuses me cumulem de castigos, se amanhã, a esta hora, eu não tiver feito contigo o mesmo que fizeste com a vida desses profetas”. Elias ficou com medo e, para salvar sua vida, partiu. Chegou a Bersabéia de Judá e ali deixou o seu servo. Depois, adentrou o deserto e caminhou o dia todo. Sentou-se, finalmente, debaixo de um junípero e pediu para si a morte, dizendo: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. E, deitando-se no chão, adormeceu à sombra do junípero. De repente, um anjo tocou-o e disse: “Levanta-te e come!” Ele abriu os olhos e viu junto à sua cabeça um pão assado na pedra e um jarro de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Mas o anjo do SENHOR veio pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus. Chegando ali, entrou numa gruta, onde passou a noite. Então a palavra do SENHOR veio a ele, dizendo: “Que fazes aqui, Elias?” Ele respondeu: “Estou ardendo de zelo pelo SENHOR, Deus dos exércitos, porque os israelitas abandonaram tua aliança, demoliram teus altares, mataram à espada teus profetas. Só eu escapei; mas agora querem matar-me também”. O SENHOR disse-lhe: “Sai e permanece sobre o monte diante do SENHOR”. Então o SENHOR passou. Antes do SENHOR, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos, mas o SENHOR não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto. Passado o terremoto, veio um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo. E depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isto, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta. Ouviu, então, uma voz que dizia: “Que fazes aqui, Elias?”  Ele respondeu: “Estou ardendo de zelo pelo SENHOR, Deus dos exércitos, porque os israelitas abandonaram tua aliança, demoliram teus altares e mataram à espada teus profetas. Só eu escapei. Mas, agora, querem matar-me também”. – Palavra do Senhor.

 

SALMO DE MEDITAÇÃO

Diante dos meus olhos tenho presente o Senhor.

 

Protege-me, ó Deus: em ti me refugio.

Eu digo ao SENHOR: “És tu o meu Senhor,

Fora de ti não tenho bem algum”.

 

O SENHOR é a minha parte da herança e meu cálice.

Nas tuas mãos, a minha porção.

Para mim a sorte caiu em lugares deliciosos,

maravilhosa é minha herança.

 

Sempre coloco à minha frente o SENHOR,

Ele está à minha direita, não vacilo.

Disso se alegra meu coração, exulta a minha alma;

também meu corpo repousa seguro,

 

Pois não vais abandonar minha vida no sepulcro,

Nem vais deixar que teu santo experimente a corrupção,

O caminho da vida me indicarás,

alegria plena à tua direita, para sempre.

 

2ª LEITURA: 1Pd 1,8-12

Leitura da primeira carta de São Pedro.

Sem terdes visto o Senhor, vós o amais. Sem que agora o estejais vendo, credes nele. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.  Esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que estava destinada para vós. Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória que viria depois.  Foi-lhes revelado que não para si mesmos, mas para vós é que estavam ministrando esses ensinamentos, que agora são anunciados a vós. Agora vo-los anunciam aqueles que vos pregam a Boa Nova em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; são revelações que até os anjos desejam contemplar! – Palavra do Senhor.

 

EVANGELHO: Lc 9,28B-36

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para orar. Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante. Dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias. Apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a saída deste mundo que Jesus iria consumar em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Quando acordaram, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E enquanto esses homens iam se afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Nem sabia o que estava dizendo. Estava ainda falando, quando desceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Ao entrarem na nuvem, os discípulos ficaram cheios de temor. E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!” Enquanto a voz ressoava, Jesus ficou sozinho. Os discípulos ficaram calados e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto. – Palavra da Salvação.

Onde se celebra como Solenidade, diz-se o Credo.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS

Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja, e, assim como aceitastes o sacrifício do profeta Elias, dignai-Vos, de igual modo, receber as nossas ofertas de pão e vinho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PREFÁCIO O profeta Elias, amigo de Deus e apóstolo.

  1. O Senhor esteja convosco.
  2. Ele está no meio de nós.
  3. Corações ao alto.
  4. O nosso coração está em Deus.
  5. Demos graças ao Senhor nosso Deus.
  6. É nosso dever, é nossa salvação.

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e onipotente é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Vós suscitastes profetas para que proclamassem que sois o Deus vivo e verdadeiro e conduzissem o vosso povo na esperança da salvação. Entre eles honrastes com a vossa divina amizade o profeta Elias, para que, devorado pelo zelo da vossa glória, manifestasse a vossa onipotência e a vossa misericórdia. Ele caminhou sempre na vossa presença e por isso o quisestes junto a Cristo no Tabor, como testemunha da Transfiguração, para se alegrar com a presença gloriosa do vosso Filho. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO Cfr 1Rs 19, 8

Elias comeu e bebeu, e, fortalecido com o alimento, caminhou até ao monte de Deus.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Fortalecidos com a comida e a bebida angélica da mesa do vosso Filho, concedei-nos, Senhor, que, procurando-Vos sempre por meio da fé, alcancemos a contemplação da vossa presença no monte santo da glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

BÊNÇÃO SOLENE

- Deus, nosso Pai, que hoje nos reuniu para celebrar a festa de Santo Elias, vos abençoe e proteja e vos confirme na sua paz.

  1. Amém

- Cristo Nosso Senhor, que manifestou de modo admirável em Santo Elias a força e a imagem do mistério pascal, faça de vós testemunhas fiéis do seu Evangelho.

  1. Amém.

- O Espírito Santo, que em Santo Elias nos deu um sinal da caridade divina, vos torne capazes de formar uma verdadeira comunidade de fé e amor.

  1. Amém.

- Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo.

  1. Amém.

 

COMENTÁRIO

 

Boa noite!

Nesta Missa iremos entrar na espiritualidade profética a partir da história de Elias em defesa de Nabot.

Hoje, queremos rezar............. (Falar as intenções do dia ou da comunidade.

O rei Acab queria que Nabot lhe vendesse um terreno que ficava perto da propriedade do rei. Mas Nabot não quis. O rei ficou muito triste com a recusa de Nabot. Então, Jezabel apoiando-se nos assim chamados "direitos do rei" (cf. 1Sam 8,11-17), mandou matar Nabot e roubou dele o terreno para entregá-lo ao rei Acab. Quando Acab foi tomar posse do terreno de Nabot, Elias aparece para denunciar o Rei.

 Na história do povo de Deus os profetas eram homens escolhidos por Ele para serem canais da manifestação de sua vontade. Durante muito tempo, eles foram instrumentos de Deus a favor dos pobres. “Se eles se calarem, as pedras falarão”, disse Jesus sobre a missão dos discípulos.

De pé, vamos iniciar a Santa Missa cantando!

 

Primeira leitura. 1Reis 21,15-26.

 

Comentário.

Elias atua em defesa de Nabot, um agricultor, cujos direitos tinham sido desrespeitados pela rainha Jezabel e pelo rei Acab.

Ouçamos com atenção a palavra de Deus.

 

15Quando Jezabel ouviu que Nabot tinha sido apedrejado e que estava morto, disse a Acab: "Levanta-te e vai tomar posse da vinha de Nabot de Jezrael, que ele não quis te ceder por seu preço em dinheiro; pois Nabot já não vive: está morto." 16Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer à vinha de Nabot de Jezrael e dela tomar posse. 17Então a palavra de Iahweh foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 18"Levanta-te e desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que está em Samaria. Ele se encontra na vinha de Nabot, aonde desceu para dela tomar posse. 19Isto lhe dirás: Assim fala Iahweh: Mataste e ainda por cima roubas! Por isso, assim fala Iahweh: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, os cães lamberão também o teu."

20Acab disse a Elias: "Então me apanhaste, meu inimigo!" Elias respondeu: "Sim, apanhei-te. Porque te deixaste subornar para fazer o que é mau aos olhos de Iahweh, 21farei cair sobre ti a desgraça: varrerei a tua raça, exterminarei os varões da casa de Acab, ligados ou livres em Israel. 22Farei com tua casa como fiz com as de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías, porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar. 23(Também contra Jezabel Iahweh pronunciou uma sentença: 'Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael.')

24A pessoa da família de Acab que morrer na cidade será devorada pelos cães; e quem morrer no campo será comido pelas aves do céu." 25De fato, não houve ninguém que, como Acab, se tenha vendido para fazer o que desagrada a Iahweh, porque a isso o incitava sua mulher Jezabel. 26Agiu de um modo extremamente abominável, cultuando os ídolos, como fizeram os amorreus que Iahweh expulsara de diante dos filhos de Israel.

Palavra do Senhor

 

SALMO DE MEDITAÇÃO.

Salmo 128: O lar abençoado por Deus.

(Salmo de Romaria que o povo rezava no tempo de Elias)

 

Todos: Feliz todo aquele que teme o Senhor e anda em seus caminhos.

        

1-Do trabalho de tuas mãos comerás, tranquilo e feliz: tua esposa será como vinha fecunda, na intimidade do teu lar; teus filhos, como rebentos de oliveira, ao redor de tua mesa.

 

2-Assim será abençoado quem teme o Senhor. Que o Senhor te abençoe de Sião, que possas ver a prosperidade de Jerusalém.

 

3-Todos os dias de tua vida; que possas ver os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!

 

EVANGELHO.

 

Comentário.

O programa de Jesus é programa de justiça em favor dos pobres e oprimidos. Ouçamos!

 

Leitura do Evangelho: Lucas 4,16-22

16Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. 17Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o, encontrou o lugar onde está escrito: 18O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos 19e para proclamar um ano de graça do Senhor. 20Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga olhavam-no, atentos. 21Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura". 22Todos testemunha­vam a seu respeito, e admiravam-se das palavras cheias de graça que saíam de sua boca.

Palavra da Salvação.

 

PRECES

1-Para que, a exemplo de Santo Elias, Pai e Guia do Carmelo, possamos viver na presença de Deus e refazer a nossa história a partir da Boa Nova de Jesus Cristo, rezemos.

 

Senhor, atendei a nossa prece.

 

2-Para que, o exemplo de partilha da viúva de sarepta, nos inspire a vivermos uma fé solidária e comprometida com os menos favorecidos, rezemos.

 

3- Para que, as nossas ações sejam coerentes com a fé que professamos no Deus vivo e verdadeiro do Profeta Elias, rezemos.

 

4- Para que, em nossas noites escuras, não percamos de vista a presença amorosa do nosso Bom Deus, rezemos.

 

5- Para que, na agitação do dia a dia, tenhamos a coragem de silenciar para ouvir a voz de Deus, rezemos. 

 

6- Para que, inspirados em Santo Elias- O Profeta, não fechemos os olhos diante das injustiças sociais, rezemos ao Senhor.

 

Textos para ajudar na homilia/ Reflexão.

Frei Carlos Mesters, O. Carm.

1Reis 21,15-24: Lutar pela justiça e defender os pobres

1 Reis 21,17-29

Elias atua em defesa de Nabot, um agricultor, cujos direitos tinham sido desrespeitados pela rainha Jezabel e pelo rei Acab. Acab queria que Nabot lhe vendesse um terreno que ficava perto da propriedade do rei. Mas Nabot não quis. O rei ficou muito triste com a recusa de Nabot. Então, Jezabel apoiando-se nos assim chamados "direitos do rei" (cf. 1Sam 8,11-17), mandou matar Nabot e roubou dele o terreno para entregá-lo ao rei Acab. Quando Acab foi tomar posse do terreno de Nabot, Elias aparece e fulmina a sentença de Deus: " Você matou, e ainda por cima está roubando? Por isso, assim diz Javé: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o seu". Elias não tem medo de denunciar o rei, como transparece neste diálogo. Acab disse a Elias: "Então, meu inimigo, você me surpreendeu?" Elias deu o troco na hora e respondeu: "Sim, eu surpreendi você. Pois você se deixou subornar para fazer o que Javé reprova. Por isso, farei cair sobre você a desgraça. Vou deixá-lo sem descendência, vou exterminar todo israelita da sua família. Javé também pronunciou uma sentença contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael". Elias não é um profeta da corte como Natã e outros antes dele. Ele age em plena liberdade a partir da experiência que ele mesmo tem de Deus. A mesma liberdade transparece na carta de Elias para o rei Jorão (2Crôn 21,12-15). Qual a raiz da liberdade que existe em nós carmelitas? Será que é aquela mesma liberdade que nasce da experiência de Deus vivo?

 

EVANGELHO:  Lucas 4,16-21 O programa de Jesus é programa de justiça

SOLENE COMEMORAÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DO MONTE CARMELO-SOLENIDADE

 

A nossa comunidade celebra hoje a Solenidade da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo- A Senhora do Santo Escapulário, mãe e protetora dos carmelitas. 

A Ordem do Carmo nasceu juridicamente no início do séc. XIII, com o título de Santa Maria do Monte Carmelo. Esta invocação, que exprime o conjunto de benefícios recebidos da nossa Padroeira, começou a celebrar-se com toda a solenidade no séc. XIV na Inglaterra, expandindo-se rapidamente por toda a Ordem, até se tornar a festa principal e mais solene.

De pé, vamos receber o presidente da celebração (-------------------------) o ministro da eucaristia, os ministros da palavra e os coroinhas....................................... Cantemos!

 

ANTÍFONA DE ENTRADA (Is 35, 2)

Foi-lhe dada à glória do Líbano, e a formosura do Carmelo e do Sáron; verão a glória do Senhor e a beleza do nosso Deus.

 

ORAÇÃO COLETA

Venha em nossa ajuda, Senhor, a poderosa intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, para que, protegidos pelo seu auxílio, cheguemos ao verdadeiro monte da salvação, Jesus Cristo Nosso Senhor. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PRIMEIRA LEITURA (1 Reis 18, 42b-45)

Elias orou no monte Carmelo e o céu fez cair a chuva Leitura do Primeiro Livro dos Reis Naqueles dias, Elias foi ao cimo do monte Carmelo, prostrou-se em terra e pôs a cabeça entre os joelhos. Depois disse ao seu servo: «Sobe e olha em direção ao mar». O servo subiu, olhou e disse: «Não há nada». Elias ordenou-lhe: «Volta sete vezes». À sétima vez, o servo exclamou: «Do lado do mar vem subindo uma nuvenzinha, tão pequena como a palma da mão». Elias ordenou-lhe: «Vai dizer a Acab: ‘Manda atrelar os cavalos e desce, para que a chuva te não detenha’». Num instante o céu se cobriu de nuvens, soprou o vento e caiu uma forte chuvada. Palavra do Senhor.

 

SALMO RESPONSORIAL Salmo 14 (15), 1.2-3.4

Refrão: Chamai-nos, ó Virgem Maria, e seguiremos os vossos passos.

1-Quem habitará, Senhor, no vosso santuário, quem descansará na vossa montanha sagrada?

2-O que vive sem mancha e pratica a justiça e diz a verdade que tem no seu coração,

3-O que não usa a língua para levantar calúnias e não faz o mal ao seu próximo nem ultraja o seu semelhante.

4-O que tem por desprezível o ímpio mas estima os que temem o Senhor.

 

SEGUNDA LEITURA (Gal 4, 4-7)

«Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas Irmãos: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá ! Pai !». Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus. Palavra do Senhor.

 

SEQUÊNCIA

Flor do Carmelo, Videira florescente, Esplendor do Céu, Virgem Mãe, singular. Doce Mãe, Mas sempre Virgem, Aos teus filhos Dá teus favores, Ó Estrela do mar.

 

ALELUIA (Lc 11, 28)

Refrão: Aleluia Repete-se

Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Refrão

 

EVANGELHO (JO 19, 25-27)

«Eis o teu filho... Eis a tua Mãe» ✠ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe:  «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. Palavra da salvação. 

 

 

PRECES

Celebrante:  Irmãos caríssimos, neste tempo de pandemia, elevemos a oração da nossa comunidade a Deus Pai, para que nos conceda a graça de viver como seus filhos devotos na prática da caridade fraterna, empenhando a nossa vida na vivência cristã tendo como exemplo a flor do Carmelo. Rezemos. 

 

Todos: Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós

Leitor: Pelo Papa Francisco, pelo nosso Bispo ...................., para que o Senhor lhes infunda com abundância os dons de suas graças para que possam dirigir-nos no caminho da justiça e santidade, roguemos a Senhora do Lugar.

 

Leitor: Pelos devotos e devotas de Nossa Senhora do Carmo, para que seja um sinal do Evangelho  na Igreja Sinodal, roguemos a Virgem do Escapulário. 

 

Leitor: Para que nós; revestidos com o Santo Escapulário, sejamos fiéis a nossa vocação de seguidores de Jesus Cristo tomando como modelos a vida do profeta Elias e de nossa Mãe e Irmã, a Senhora do Carmo, Roguemos.

 

Leitor: Para que nós, revestidos do Santo Escapulário, busquemos força e ânimo frente aos diversos desafios com a mesma confiança da Senhora do Carmo. Roguemos.   

 

PREFÁCIO. A maternidade espiritual de Maria.

  1. O Senhor esteja convosco.
  2. Ele está no meio de nós.
  3. Corações ao alto.
  4. O nosso coração está em Deus.
  5. Demos graças ao Senhor nosso Deus.
  6. É nosso dever, é nossa salvação.

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na solenidade da Virgem Maria, Mãe do Carmelo. Ela acolheu e conservou fielmente a vossa palavra, e, perseverando em oração com os Apóstolos, foi associada de modo admirável ao mistério da salvação e constituída mãe espiritual de todos os homens. Agora, velando pelos irmãos do seu Filho com amor materno, brilha como sinal de esperança segura e de consolação para nós que peregrinamos para o monte da vossa glória. Nela, como em imagem perfeita, já contemplamos o que desejamos e esperamos na Igreja. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo...

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO Lc 2, 19.

Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Renovados pelo sacramento do vosso Corpo e Sangue, nós Vos pedimos, Senhor, que o dom inefável da vossa graça nos fortaleça, e, entregues aos cuidados da bem-aventurada Virgem Maria, nos faça fiéis imitadores das suas virtudes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

BÊNÇÃO FINAL

Deus, Pai de bondade, encha de alegria a vossa vida na celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo.

  1. Amém.

Deus conceda a todos os Carmelitas e a quantos levam o escapulário do Carmo a graça de meditar e proclamar a Palavra, a exemplo de Maria.

  1. Amém

Deus vos faça sentir na hora da morte, a proteção maternal da Virgem Maria para que, purificados do pecado, possais gozar eternamente da sua companhia na comunhão dos santos.

  1. Amém.

Abençoe-vos Deus todo-poderoso Pai, Filho e Espírito Santo.

  1. Amém

 

A nossa comunidade celebra hoje a Solenidade da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo- A Senhora do Santo Escapulário, mãe e protetora dos carmelitas. 

A Ordem do Carmo nasceu no início do séc. XIII, com o título de Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Esta invocação, que exprime o conjunto de benefícios recebidos da nossa Padroeira, começou a celebrar-se com toda a solenidade no séc. XIV na Inglaterra, expandindo-se rapidamente por toda a Ordem, até se tornar a festa principal e mais solene.

De pé, vamos receber o presidente da celebração (-------------------------) o ministro da eucaristia, os ministros da palavra e os coroinhas....................................... Cantemos!

 

ANTÍFONA DE ENTRADA (Is 35, 2)

Foi-lhe dada à glória do Líbano, e a formosura do Carmelo e do Sáron; verão a glória do Senhor e a beleza do nosso Deus.

 

ORAÇÃO COLETA

Venha em nossa ajuda, Senhor, a poderosa intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, para que, protegidos pelo seu auxílio, cheguemos ao verdadeiro monte da salvação, Jesus Cristo Nosso Senhor. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PRIMEIRA LEITURA (1 Reis 18, 42b-45)

Elias orou no monte Carmelo e o céu fez cair a chuva Leitura do Primeiro Livro dos Reis Naqueles dias, Elias foi ao cimo do monte Carmelo, prostrou-se em terra e pôs a cabeça entre os joelhos. Depois disse ao seu servo: «Sobe e olha em direção ao mar». O servo subiu, olhou e disse: «Não há nada». Elias ordenou-lhe: «Volta sete vezes». À sétima vez, o servo exclamou: «Do lado do mar vem subindo uma nuvenzinha, tão pequena como a palma da mão». Elias ordenou-lhe: «Vai dizer a Acab: ‘Manda atrelar os cavalos e desce, para que a chuva te não detenha’». Num instante o céu se cobriu de nuvens, soprou o vento e caiu uma forte chuvada. Palavra do Senhor.

 

SALMO RESPONSORIAL Salmo 14 (15), 1.2-3.4

Refrão: Chamai-nos, ó Virgem Maria, e seguiremos os vossos passos.

1-Quem habitará, Senhor, no vosso santuário, quem descansará na vossa montanha sagrada?

2-O que vive sem mancha e pratica a justiça e diz a verdade que tem no seu coração,

3-O que não usa a língua para levantar calúnias e não faz o mal ao seu próximo nem ultraja o seu semelhante.

4-O que tem por desprezível o ímpio mas estima os que temem o Senhor.

 

SEGUNDA LEITURA (Gal 4, 4-7)

«Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas Irmãos: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá ! Pai !». Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus. Palavra do Senhor.

 

SEQUÊNCIA

Flor do Carmelo, Videira florescente, Esplendor do Céu, Virgem Mãe, singular. Doce Mãe, Mas sempre Virgem, Aos teus filhos Dá teus favores, Ó Estrela do mar.

 

ALELUIA (Lc 11, 28)

Refrão: Aleluia Repete-se

Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Refrão

 

EVANGELHO (JO 19, 25-27)

«Eis o teu filho... Eis a tua Mãe» ✠ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe:  «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. Palavra da salvação. 

 

 

PRECES

Celebrante:  Irmãos caríssimos, neste tempo de pandemia, elevemos a oração da nossa comunidade a Deus Pai, para que nos conceda a graça de viver como seus filhos devotos na prática da caridade fraterna, empenhando a nossa vida na vivência cristã tendo como exemplo a flor do Carmelo. Rezemos. 

 

Todos: Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós

 

Leitor: Pelo Papa Francisco, pelo nosso Bispo ...................., Pelo nosso Padre......................para que o Senhor lhes infunda com abundância os dons de suas graças para que possam dirigir-nos no caminho da justiça e santidade, roguemos a Senhora do Lugar.

 

Leitor: Pelos devotos e devotas de Nossa Senhora do Carmo, para que seja um sinal do Evangelho na Igreja Sinodal, roguemos a Virgem do Escapulário. 

 

Leitor: Para que nós; revestidos com o Santo Escapulário, sejamos fiéis a nossa vocação de seguidores de Jesus Cristo tomando como modelos a vida do profeta Elias e de nossa Mãe e Irmã, a Senhora do Carmo, Roguemos.

 

Leitor: Para que nós, revestidos do Santo Escapulário, busquemos força e ânimo frente aos diversos desafios com a mesma confiança da Senhora do Carmo. Roguemos.   

 

PREFÁCIO. A maternidade espiritual de Maria.

 

O Senhor esteja convosco.

Ele está no meio de nós.

Corações ao alto.

O nosso coração está em Deus.

Demos graças ao Senhor nosso Deus.

É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na solenidade da Virgem Maria, Mãe do Carmelo. Ela acolheu e conservou fielmente a vossa palavra, e, perseverando em oração com os Apóstolos, foi associada de modo admirável ao mistério da salvação e constituída mãe espiritual de todos os homens. Agora, velando pelos irmãos do seu Filho com amor materno, brilha como sinal de esperança segura e de consolação para nós que peregrinamos para o monte da vossa glória. Nela, como em imagem perfeita, já contemplamos o que desejamos e esperamos na Igreja. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo...

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO Lc 2, 19.

Maria guardava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Renovados pelo sacramento do vosso Corpo e Sangue, nós Vos pedimos, Senhor, que o dom inefável da vossa graça nos fortaleça, e, entregues aos cuidados da bem-aventurada Virgem Maria, nos faça fiéis imitadores das suas virtudes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

BÊNÇÃO FINAL

Deus, Pai de bondade, encha de alegria a vossa vida na celebração da festa de Nossa Senhora do Carmo.

Amém.

 

Deus conceda a todos os Carmelitas e a quantos levam o escapulário do Carmo a graça de meditar e proclamar a Palavra, a exemplo de Maria.

Amém

 

Deus vos faça sentir na hora da morte, a proteção maternal da Virgem Maria para que, purificados do pecado, possais gozar eternamente da sua companhia na comunhão dos santos.

Amém.

 

Abençoe-vos Deus todo-poderoso Pai, Filho e Espírito Santo.

Amém 

Por Frei Petrônio de Miranda, O Carm.

 

Mãe dos Carmelitas e de todos os fiéis, especialmente dos que vestem o Santo Escapulário, nós vos escolhemos como protetora desta casa e desta cidade.

Dignai-vos mostrar nesta família e nesta cidade, a vossa proteção como outrora mostrastes à Ordem do Carmo. Preservai esta casa do incêndio, dos ladrões, da inundação, dos raios, das tempestades, da violência, do ódio, da inveja, da desunião, dos vícios e de todos os males que afetam o corpo e a alma destes vossos filhos e filhas.

Rainha excelsa e Mãe amável do Carmelo, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso amparo e laço de aliança entre vós e os vossos filhos e filhas. Dai-nos a fé que tivestes na palavra de Deus, e o amor que nutristes para com o vosso Filho, e atendei a nossa oração. (Faz um pedido).

Senhora do Carmo, cobri com o vosso manto os motoristas, os jovens e as crianças, e rogai por todos que moram nesta casa e na nossa cidade. Amém

 

Nós, Província Carmelitana Fluminense, e Comissão para Ordem Terceira do Carmo, nos solidarizamos com os irmãos (as) do Sodalício  do Carmo de Salvador-Ba, seus familiares e amigos pela Páscoa do nosso grande carmelita, sr. Osvaldo Martins. Para quem não sabe, foi ele que reorganizou a OTC de Salvador/BA, quando da intervenção da Província e, logo em seguida, foi eleito prior, missão esta que exerceu por vários mandatos.

Com o seu jeito simples, conseguiu reerguer aquele sodalício e incentivar o cultivo pela devoção a Nossa Senhora do Carmo.

Deus na sua infinita misericórdia, a Virgem do Carmo, Santo Elias juntamente com a glória celestes dos seus santos e santas carmelitas, o acolha.

Pela Província- Ordem Terceira do Carmo- Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, Delegado Provincial e Paulo Daher.

Mariano Cera

IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO

Na Vida dos Padres do deserto se conta este episódio. Um dia um jovem monge pediu ao velho mestre: “Por que estás sempre rezando? A oração é tão importante assim para ti?” Então o bom mestre leva o jovem à fonte, lhe segura a cabeça e coloca-a dentro d‘água, segurando-a forte, enquanto o jovem se debatia... Finalmente o tira para fora já meio asfixiado e lhe pergunta: “Enquanto estavas debaixo d‘água, qual a coisa que mais desejavas?” Responde o jovem: “Queria respirar!” Então, concluiu o velho mestre: “Assim é para mim. Orar se tornou a respiração da minha vida”.

“À fórmula da nossa existência falta algo, que nossa ilusória auto-suficiência não dá: necessitamos de um suplemento de causalidade providencial; necessitamos de Deus, de conversar com Ele, de encontrar Nele aquela segurança, aquela plenitude que nos pode vir somente da sua concomitante bondade. É preciso rezar para viver” (Paulo VI).

O ser humano tem necessidade de rezar, porque tem absoluta necessidade de Deus. Necessita de Deus para preencher de eternidade seu vazio existencial e assim, atenuar sua angustiante e misteriosa saudade.

"Senhor, ensina-nos a orar". Este é apenas um dos muitos pedidos que os apóstolos fazem ao Mestre. Mas, nesse pedido, está o ser humano de todos os tempos exprimindo um profundo desejo de seu coração.

A oração nos coloca em contato com Deus, cria uma comunhão, um face a face, um coração-a-coração, no qual a riqueza de Deus se derrama sobre a miséria da criatura e a faz definitivamente feliz. Eis porque a oração sempre foi considerada uma necessidade fundamental do ser humano de todo tempo e em qualquer lugar.

A oração é um fenômeno primário da vida religiosa. Todo crente sente a necessidade de comunicar-se com Deus. Por isso, a oração se encontra em todas as religiões teístas como ato fundamental da vida religiosa.

Nas religiões primitivas, segundo F. Heiler, a oração é a expressão imediata de experiências profundas que possuem origem no sentimento de necessidade, de gratidão. É o livre derramar-se de um devoto, que no diálogo com um Outro, mais ou menos Absoluto, extravasa suas angústias, confessa seus pecados, confia os próprios desejos, dá prova de sua dedicação ou de sua gratidão.

As pesquisas da psicologia religiosa sobre o fenômeno da oração mostram que a atividade de orar é o ato de toda a pessoa humana que se dirige a um Absoluto. Esta atividade exige entrar em si mesmo, distanciar-se das coisas ordinárias e, ao mesmo tempo, provoca um movimento e uma abertura em direção do Outro, que se expressa num diálogo.[1]

No mundo de hoje, onde o ser humano, estressado pelas múltiplas tarefas e preso a mil problemas, percebe-se sozinho, experimentando a falta de comunicação. Então ele ou ela pode preencher sua solidão pela oração e dialogar com Deus, a quem vê como um Amigo.

Pela oração, Deus volta a ser a resposta das interrogações existenciais, o significado para compreender nossa própria existência, para nos descobrirmos como seres espirituais.

Neste contexto de nova religiosidade, a oração se torna o meio da união, a resposta dialógica, o ponto de encontro, o momento silencioso.

 

[1]ANCILLI E., La Preghiera, dois volumes, Città Nuova 1988, 1°, pg. 15.

Declaramos que a presente pesquisa, na primeira parte, depende muito destes dois volumes que apresentam uma riqueza sobre o desenvolvimento da oração. Algumas vezes tomamos o texto literalmente.

Frei Victor Octávio Kruger Júnior, O. Carm. In Memoriam

            

A partir do século XII com o aparecimento dos MENDICANTES, o que é uma revolução na vida religiosa, percebe-se duas formas no exercício do ministério ordenado.

           

O ministério ordenado é então desempenhado:       

            na estabilidade de um local,

            dirige-se exclusivamente a fiéis cristãos,

            define-se pela  relação com o bispo.,

            sua tarefa é predominantemente litúrgica.

           

Com as ordens mendicantes, os religiosos são ministros destinados à pregação ambulante, evangelizadores, que se orienta aos que estão à margem da Igreja ( infiéis, hereges, pagãos ... ) e sua vida se caracteriza pela relação de fraternidade   ( e não de hierarquia ).

Assim, a diferença entre presbítero diocesano e religioso presbítero não é só uma questão de espiritualidade distinta mas uma concepção diferente de ministério.

No entanto o decreto do Vaticano II Presbyterorum Ordinis aplainou a diferença, equiparando todo ministério ordenado na Igreja ao do presbítero diocesano, isto é, a partir do episcopado, portanto não se admite a existência de um presbítero que não pertença ao presbitério de nenhum bispo, ou seja, um ministério presbiteral desconectado de uma Igreja local, de uma diocese. O primeiro milênio da história do cristianismo corresponde ao ministério ordenado, uma concepção

 

PNEUMATOLÓGICO-ECLESIAL.

Os elementos que configuram a ordenação são: comunidade guiada pelo Espírito Santo que escolhe seu candidato dentro do seu seio;

os bispos das Igrejas vizinhas reconhecendo a legitimidade da ação e das qualidades do candidato, conferindo o Espírito Santo pela oração e imposição das mãos;

tudo isso como resposta ao Espírito às necessidades de uma Igreja local.

 

É A ORDENAÇÃO RELATIVA.

No segundo milênio, o ministério presbiteral é identificado por uma concepção CRISTOLÓGICO – INDIVIDUALISTA-SACERDOTALIZANTE.

O indivíduo recebe de Cristo, pela oração e imposição das mãos do bispo o PODER de ORDEM e se torna um outro Cristo, capaz de realizar as ações de Cristo nos sacramentos;

em nenhum momento se visibiliza a intermediação de uma comunidade eclesial movida pelo Espírito Santo.

O ponto de partida dessa concepção é o fato jurídico da ORDENAÇÃO VÁLIDA, independentemente do quadro eclesial.

No primeiro milênio é ordenado quem preside a comunidade e ordena-se para presidi-la em sua vida e, portanto, também em sua celebração.

No segundo milênio, o ministro é ordenado para receber o PODER DE ORDEM, abstraindo de uma comunidade concreta, embora venha a servir a uma comunidade. É A ORDENAÇÃO ABSOLUTA.

A ordenação de religiosos quase se torna comum no Ocidente a partir do Século XII, quando a vida monástica e as fraternidades mendicantes, originalmente não clericais, acabam clericalizando-se, permanecendo dentro da lógica cristológico-individualista-sacerdotalizante.

Poder presidir a celebração  da eucaristia é uma boa obra que eleva o mérito dos religiosos presbíteros e também uma honra que alimenta seu prestígio perante os fiéis em comparação com os SIMPLES RELIGIOSOS.

Uma das soluções apresentadas seria pensar a ação dos religiosos presbíteros no sentido de presbíteros destinados à PASTORAL EXTRAORDINÁRIA , não à PASTORAL PAROQUIAL que seria a ORDINÁRIA.

Não há, pois, razão para tomar o padre diocesano como modelo do padre religioso, nem tampouco para fundamentar teologicamente os 2 tipos de ministério de forma igual.

Considerando que o segundo milênio de cristianismo definiu o presbítero a partir de seu PODER sobre o Corpo Eucarístico de Cristo, ( presbiterado presidencial local ) o ponto de partida para outro caminho de solução seriam os casos de presidência da eucaristia por não-bispos e não-presbíteros, já acontecidos na Igreja ( Didaché sec. I e a Tradição Apostólica de Hipólito de Roma séc. III ) como: eremitas e monges por sua exímia santidade;

os profetas e doutores itinerantes que tendo animado, pela exortação, ensino da doutrina e testemunho de vida, a vida das comunidades, presidam sua celebração eucarística ( presbiterado profético-itinerante ) o presbiterado itinerante volta a ter sentido com o surgimento do movimento itinerante da Idade Média;

os confessores, aqueles que nas perseguições contra os cristãos deram testemunho de fé diante dos tribunais (presbiterado martirial ).

A proximidade do martírio constituía, pois, o cristão em presbítero, sem necessidade de qualquer celebração litúrgica.

O fim das perseguições e a estruturação jurídica mais rígida da Igreja da era constantiniana trouxe consigo o desaparecimento desse modelo de presbiterato.

A posterior evolução no sentido da sacerdotalização do ministério presbiteral leva à perda da relação entre o ministério litúrgico e os ministérios da direção ou da Palavra: o litúrgico-eucarístico passa a ocupar o primeiro lugar na compreensão do ministério eclesial, a partir do qual  se compreende todos os outros serviços.

O presbiterado do religioso tem por base sua ação profética e itinerante de animar as comunidades pela pregação da Palavra, levando-as a um afervoramento espiritual. Portanto não seria apropriado ao ministério do religioso presbítero assumir paróquias e funções mais ou menos estáveis numa diocese.

Como conseqüências possíveis estaria a valorização da vocação religiosa, enquanto tal, não enquanto forma de acesso à ordenação presbiteral.

Essa valorização teria conseqüências para os Institutos masculinos compostos de presbíteros e irmãos, solucionando de vez a diferença de graus entre os 2 grupos e favorecendo a fraternidade.

O IRMÂO não poderia mais ser considerado o “minus habens”, mais aquele que percebe que para o exercício dos ministérios a que se dedica, não há necessidade da ordenação e por isso não se candidata a ela.

Os Institutos poderiam se dedicar com muito mais afinco a seus carismas específicos, livres das ADMINISTRAÇÕES PAROQUIAIS. A VIDA RELIGIOSA MASCULINA VOLTARIA À SUA INSPIRAÇÃO ORIGINAL DE MOBILIDADE, AUDÁCIA, PIONEIRISMO.

Amanhã dia 16- Domingo da Misericórdia- Santa Missa e Encontro da Ordem Terceira do Carmo na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro/RJ (Próxima dos Arcos da Lapa-Centro) com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, Delegado Provincial para Ordem Terceira do Carmo.

 

Programação:

8h, Santa Missa

9h, Encontro com o Sodalício.

Contamos com a sua presença! Para participar da Ordem Terceira do Carmo no Rio de Janeiro, entre em contato com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, através do whatsapp: 98291-7139.

 

       Província Carmelitana Fluminense.

Assembleia Eletiva da Comissão Provincial

para Ordem Terceira do Carmo.

 De 17-19 de março-2023 no

Convento do Carmo, São Paulo

Tema: O Poder na Espiritualidade Carmelitana

 

Contexto sociocultural

A Autoridade, sem dúvida alguma, é um conceito dissonante para a nossa mentalidade, principalmente para a realidade corrupta e corrompida do poder da política no Brasil. Na Bíblia e na espiritualidade carmelitana o poder-autoridade é qualificado como graça de Deus e vocação desde as primeiras linhas espirituais da primeira comunidade cristã e da Regra da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventura Virgem Maria do Monte Carmelo.

A relação tradicional superior- súdito, é posta diante do visor do julgamento pela mentalidade caraterística da nossa época, que se caracteriza pela forte acentuação que se põe sobre a liberdade da pessoa e no desejo de reencontrar no indivíduo as últimas raízes do seu agir evitando qualquer formalismo. Por outra parte, cresceu no indivíduo a consciência da sua interdependência com relação aos outros seres humanos, não somente no pequeno mundo, onde estava acostumado a viver, mas também num mundo mais amplo, globalizado, no diálogo entre as culturas, as classes sociais, as nações, as economias.

(O Poder aprofunda as suas raízes no Ágape Divino

e é expressão de amor. Ef 4,7.11-16)).

 

O "Poder Sagrado" na Igreja, mistério de comunhão

A Autoridade ou o poder de dar uma ordem, de pretender que seja cumprida, na Igreja e, portanto, em um Sodalício da Ordem Terceira do Carmo, tem uma componente mística, que está relacionada com o Mistério da Igreja e em última análise, com o Mistério do Deus-Trindade.

Dentro de um Sodalício, e em conformidade com o carisma carmelitano, a autoridade de superior procede do Espírito do Senhor em união com a hierarquia (Prior, Delegado Provincial, Padre Provincial e Prior Geral da Ordem do Carmo).

O ofício de governar ou organizar um Sodalício traz consigo a exigência de competência e responsabilidade do Prior e seu conselho, de fazer convergir as suas ações, os seus dons e seus projetos comuns de vida espiritual e de missão da comunidade. É um ofício de unidade, de comunhão, mesmo no sentido da visibilidade e da real eficiência, seja embora a nível dos indivíduos, da comunidade, mas também da Paróquia, Diocese ou da Província Carmelitana de Santo Elias

           

A Autoridade no Carmelo

O grupo de eremitas, "moradores do Monte Carmelo junto à Fonte", apresenta-se logo sob o signo da Autoridade-Obediência: estão sob a obediência de Brocardo e desejam exprimir a sua voluntária e total "obediência" a Cristo Jesus, reconhecendo-Lhe a "Soberania" universal (Regra 1 e 2), sacramentalmente manifestada na sua Igreja e nos seus Pastores. Desde o início procuram a aprovação da Igreja. "Alberto, por graça de Deus chamado a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém, aos amados filhos Brocardo e outros eremitas, que vivem debaixo da sua obediência junto à Fonte, no Monte Carmelo, saúde no Senhor e bênção do Espírito Santo" (Regra 1).

Nos três ramos carmelitas; Ordem Primeira, Ordem Segunda e Ordem Terceira, a Autoridade está orientada para o bem e o serviço da própria Igreja e, mais diretamente, para o serviço daqueles fiéis que com a profissão religiosa abraçam a vida e a santidade da Igreja na Forma de Vida carmelita, aprovada canonicamente pela própria Igreja. (Regra da OTC Nº 12)

 

Homem da Unidade e do Carisma da Ordem.

Santo Inácio da Antioquia na sua Carta aos Cristãos de Filadélfia chamava o responsável por uma Comunidade pelo nome de "Homem determinado à Unidade", governado pela preocupação com a unidade. Homem da unidade, seja das pessoas, seja das várias instâncias e funções da comunidade - no nosso caso, da comunidade do Sodalício.

O bem do Sodalício- que é a primeira e indispensável contribuição para a missão da Igreja- é o Carisma Carmelitano vivido e testemunhado nos diversos Sodalícios da Província Carmelitana Fluminense através dos irmãos e irmãs que, livremente-repito- LIVREMENTE- através dos Votos Perpétuos ou Solenes (OTC-Regra Nº 14) assumem publicamente viver a espiritualidade sob a orientação ou autoridade de um Prior ( a ). Em outras palavras, viver em comunidade é, na verdade, viver todos juntos a vontade de Deus seguindo a orientação do dom do Carisma carmelitano sob a autoridade do Prior e seu Conselho. Portanto, a autoridade consolida a unidade da Ordem Terceira do Carmo em cada um dos  Sodalícios é  baseada sobre a caridade e a cooperação harmoniosa na luta pelo ideal que nos propusemos através da nossa consagração pelos votos.

O Prior da Ordem Terceira do Carmo ( a ) não é o guardião do status quo, que procura não incomodar os irmãos que estão dormindo ou que se limita a atender eventuais iniciativas de cada um em particular. Ele, consciente de que ao centro da comunidade está presente Cristo com o seu Evangelho, coloca-se ao serviço da vontade de Deus e dos irmãos, guiando-os à obediência a Cristo por meio do diálogo e oportuno discernimento, embora deixando firme a sua autoridade de decidir e ordenar o que se deve fazer. O Prior é no Sodalício estímulo a viver o nosso Carisma e é sinal e estímulo de união.

 

Estilo de exercício da Autoridade: Um olhar Bíblico sobre o Poder. (1Cor 12,4-11. 28).

A teologia da Autoridade tem as suas consequências quanto ao estilo de exercício: é o estilo de Deus, manifestado em Cristo Jesus. "Fazer as vezes de Deus", ser dóceis à sua vontade, expressar o amor paternal de Deus defronte aos religiosos confiados aos nossos cuidados pessoais, isto é um compromisso ascético-místico de conformação com a caridade de Deus Pai, que trata como a "filhos", no seu modo de respeitar a dignidade e a liberdade do homem (Câns. 617-619- Cân. 617 - Os Superiores desempenhem seu ofício e exerçam seu poder de acordo com o direito universal e com o direito próprio- Pode-se mesmo pensar numa "Espiritualidade da Autoridade".

 

Perguntas para reflexão.

1- Que lugar o Carisma Carmelita ocupa no exercício da minha relação com a autoridade do Sodalício? 

2- Estou consciente da importância e da missão do prior e seu concelho no Sodalício?

3- Após este olhar sobre o poder a partir da Bíblia, dos Documentos da Igreja e da Espiritualidade Carmelitana, quem melhor representa para exercer a missão ao longo dos próximos 3 anos na Comissão Provincial para Ordem Terceira do Carmo?        

 

A oração contemplativa

Os místicos nos ensinam que nesta etapa da vida de oração, o cristão é inteiramente transformado no amor de Deus que habita nele. Os sentidos, a mente, todas as aptidões foram purificadas pelo fogo do amor.

Todas as coisas revelam, na sua transparência, a presença divina.

O preço da contemplação é a noite escura dos sentidos e do espírito. Somos transformados em Deus. Agora não oramos mais, mas toda a nossa vida é um ato de oração, é sacramento da ação de Deus na história humana.

A luz da sua palavra penetra em nós sem encontrar resistência. Mesmo empenhados na complexidade dos nossos serviços pastorais, não conseguimos viver se não para amar, por amor e no amor. Tudo é dom de Deus.[1]

 

A oração como vida[2]

Todo movimento em direção a Deus – aspiração, murmúrio, desejo, alegria, hesitação – é sempre uma oração. A oração é antes de tudo tarefa do coração: consiste no querer sempre, e acima de tudo, a vontade de Deus. O verdadeiro caminho da oração é a vida. Uma oração contínua é uma vida inteiramente voltada ao serviço de Deus.

É o amor que dá consistência e unidade à vida. Ação e contemplação não são mais que dois momentos de um mesmo e único amor.

“Jesus, que minha vida seja uma oração contínua; que nada possa distrair-me de ti: nem minhas ocupações, nem minhas alegrias, nem meus sofrimentos... que Isabel desapareça e permaneça apenas Jesus”.[3]

A oração é contínua quando o amor é contínuo. O amor é contínuo quando é único e total. Entendida desta maneira, a oração é sempre possível em qualquer circunstância e em meio a qualquer ocupação. Para um cristão que ama verdadeiramente o Senhor, seria impossível interrompê-la, como seria impossível interromper a respiração. E assim, se compreende como todos, também aqueles que vivem entre os afazeres do mundo, podem cumprir a palavra do Evangelho: “Precisamos rezar sempre”.

O cristão não reza somente quando se dirige a Deus direta e imediatamente com suas práticas devocionais. Mas toda vez que pratica o bem por amor a Deus, não importando suas obrigações, em qualquer obra de apostolado, de caridade, de penitência, de humildade e de serviço oculto.

Vista assim, a oração não se apresenta mais como uma fórmula exterior, uma ação à margem da vida, nem sobreposta a ela, nem como um ato intermitente, mas se revela como o hábito mais necessário da pessoa. Quando o Senhor convidava os apóstolos a orar incessantemente, já dava uma clara indicação a respeito da natureza da oração, cuja essência, para um cristão, se identifica com a própria essência da vida.

Quando a vida é um canto de amor, nossa oração nunca termina.[4]

“A vida do Carmelo é uma união perene com Deus, desde a manhã até a noite e da noite até a manhã. Se não fosse Ele a encher nossas celas e nossos claustros, como tudo seria vazio!”[5]

 

 

[1] FREI BETTO, La preghiera nell’azione, EDB 1977, pg. 66-68.

[2] ANCILLI E. op.cit., v.1°, pg. 34-35. Também VALABEK R. M. Sarete raggianti, Roma 1993, pg. 31-33: FREI BETTO, op.cit., pg. 20-29.

[3] Sr. ELISABETTA DELLA TRINITÁ, Scritti, L.45.

[4] ANCILLI E., op.cit. v.1°, pg. 35.

[5] Sr. ELISABETTA DELLA TRINITÁ, Scritti, L. 179.

Província Carmelitana Fluminense.

Oração pelo Capítulo Provincial 2023.

23-27 de janeiro em Jundiaí, São Paulo.

 

 

Senhor nosso Deus, Pai de Jesus Cristo, fonte de todo bem, que fizeste nascer o Carmelo para ser neste mundo em transformação uma expressão viva e radiante da tua presença.

Neste tempo de preparação para o nosso Capítulo Provincial, em nome de Jesus, em cujo obséquio queremos viver, nós te pedimos encarecidamente: 

Vem caminhar conosco como caminhaste com os discípulos de Emaús e faz-nos experimentar, no dia a dia da nossa vida, a força da tua ressurreição, para que possamos ser sal da terra e luz do mundo.

Vem conversar conosco, como conversaste com a Samaritana perto do poço, para que a conversa entre nós sobre o Capítulo Provincial, faça aparecer rumos e pistas novas para a nossa missão.

Vem sentar conosco, para conversar com o povo, sobretudo com os pobres e marginalizados, para que neste tempo de preparação para o Capítulo Provincial, nos ajudemos mutuamente a descobrir e assumir os teus apelos neste mundo em transformação.

Vem conviver conosco como Jesus conviveu trinta anos com o povo de Nazaré, para que assim nos ensines como viver e anunciar aos pobres a Boa Nova do Reino e a libertação aos oprimidos.

Vem ser nosso caminho, nossa verdade, nossa vida, para que, com a ajuda de Jesus e de Maria sua Mãe, possamos ser “uma paixão por Deus pela humanidade na fraternidade”.

Tudo isso, ó Pai, nós te pedimos, pela intercessão de todos os Santos e Santas do Carmelo que, junto com Maria e Jesus, intercedem por nós e por toda a Família Carmelitana,

 Tu que vives e reinas com o Filho e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém!

            Como indivíduos, cada um de nós tem seu próprio jeito de viver o Evangelho, como uma resposta pessoal ao chamado de Cristo para segui-lo. As grandes tradições espirituais – carmelitana, franciscana, jesuíta, dominicana – evoluíram durante centenas de anos e ainda estão em processo de evolução. A tradição carmelitana nos oferece um lar e o meio que nos ajudam a nos tornarmos aquilo que Deus sabe que poderemos ser. Se as grandes tradições espirituais falharem em seu desenvolvimento e não forem mais capazes de dar assistência às pessoas em seu seguimento de Cristo dentro das circunstâncias de cada nova era, então elas morrerão e vão dar lugar a novos movimentos.

            As fontes da espiritualidade carmelitana são o Evangelho, que é a lei suprema para todos os religiosos (cf. Perfectae Caritatis, 2), seguido da Regra e das Constituições, e pelas figuras do profeta Elias e de Nossa Senhora. Santa Teresa e São João da Cruz foram formados e alimentados nessa tradição espiritual. Eles não surgiram do nada. Eles desenvolveram a tradição, mas esta certamente não começou com eles, nem parou de evoluir após a morte deles. A popularidade de Teresa e de João vai além da Igreja Católica e muito além das fronteiras do cristianismo. Para compreender tal relevância, precisamos nos voltar brevemente para algumas tendências contemporâneas.

            Parece que hoje vivemos num mundo sem esperança. Nosso mundo está devastado por guerras, declaradas ou não-oficiais. Dois terços da humanidade vivem numa pobreza miserável enquanto uma minoria tem muito. Muitos morrem de fome, enquanto a indústria que mais cresce no Ocidente é a que investe no combate à obesidade. O secularismo cresce com toda força, pelo menos no ocidente. A norma é um ateísmo prático. O ateísmo intelectual do século XIX produziu uma vaidade no imaginário humano. Acreditava-se que os seres humanos tinham atingido a maturidade e que não precisavam mais de Deus. Não havia mais necessidade da existência de um ser divino para preencher o vazio no conhecimento humano. Acreditava-se intensamente que os seres humanos logo seriam capazes de fazê-lo. Essa segurança foi abalada por todas as guerras em que nosso mundo se envolveu, no terrorismo, e nos eventos como a tsunami na Ásia, que demonstram que os seres humanos são muito pequenos quando comparados aos atos poderosos da natureza.

            A ciência, a tecnologia e a rápida industrialização do ocidente falharam em realizar suas promessas. As descobertas científicas são excitantes e têm produzido mais bens de consumo do que nunca. Pela internet podemos nos comunicar quase que instantaneamente com pessoas a milhares de quilômetros. Contudo parece que perdemos nossa alma. O valor é medido pelo que podemos produzir. As drogas, como tentativa dolorosa de fuga da realidade, são um grande problema, pelo menos nas sociedades ocidentais. No entanto, em meio ao desespero, houve um novo aumento no interesse pela espiritualidade e não na religião institucional. Podemos ver um exemplo desse interesse pela espiritualidade na enorme publicidade dada à morte e ao funeral do Papa João Paulo II, assim como ao Conclave que se seguiu.

            Os anos 60 e 70 viram uma revolução nas sociedades ocidentais. Muitos jovens decidiram “cair fora”, rejeitando os pseudo-valores do consumismo. Os jovens do ocidente passaram a ter um grande interesse pelo misticismo oriental. As formas mais exuberantes de revolução desapareceram, mas permanece uma inquietação, uma sede, uma fome de Deus. João da Cruz e Teresa falam à fome de tantas pessoas pelo Absoluto. Os dois apresentam um Deus transcendente que, ao mesmo tempo, está muito perto de nós. Eles não apresentam um caminho fácil, mas a maioria das pessoas não acredita em respostas fáceis. João e Teresa nos dizem a verdade – se vale a pena possuir alguma coisa, ela exige o sofrimento. Os dois reafirmam a mensagem do Evangelho – “Busquem o Reino de Deus, e Deus dará a vocês essas coisas em acréscimo” (Mt 6,33; Lc 12,31); “Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 10,39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24; 17,33; Jo 12,25).

 

TERESA, JOÃO E A ESPIRITUALIDADE CARMELITANA

             Na vida e nos escritos de Teresa e de João, vemos que a vida espiritual não está dissociada da vida real. A espiritualidade carmelitana, com suas raízes na Regra e na experiência dos eremitas no Monte Carmelo, deu origem a muitos movimentos nos 800 anos de sua existência. A maioria desses movimentos enfatizou a contemplação e Teresa e João são autoridades renomadas nesta área. Os dois falam da possibilidade de experimentar o divino e do caminho que deve ser seguido rumo à oração.

            Teresa e João faziam parte de um amplo movimento, mais forte na Espanha, que enfatizava a chamada “oração intelectual”. Sabemos que surgiram todos os tipos de problemas com este movimento e que isso incluiu a Inquisição. Ocasionalmente, Teresa e João eram denunciados a este órgão por seus inimigos mas nada sério veio das acusações, embora os dois tivessem que ser cautelosos. Apesar dos perigos, Teresa e João não podiam ignorar o chamado. Eles estavam respondendo com seus corações Àquele que os amava. A definição de Teresa de oração intelectual era muito simples e, ao mesmo tempo, muito profunda: “não é nada mais do que uma partilha íntima entre amigos; significa dedicar freqüentemente um tempo para estar a sós com Ele, aquele que sabemos que nos ama” (Vida 8,5). João escreve: “Aquele que foge da oração, foge de tudo que é bom” (Outras Máximas, 11).

            Através da história da Ordem, é inquestionável que a contemplação sempre foi compreendida como o coração do carisma carmelitano. O Institutio Primorum Monachorum, que por centenas de anos foi o documento de formação para todos os jovens carmelitanos, diz: “O objetivo desta vida é duplo: Uma parte adquirimos através de nossos próprios esforços e pelo exercício das virtudes, com a ajuda da graça divina. Significa oferecer a Deus um coração que é sagrado e puro da verdadeira mancha do pecado. Alcançamos este objetivo quando somos perfeitos e ‘no Carit’, isto é, escondidos naquela caridade que o Homem Sábio cita, ‘O amor cobre ofensas’ (Pr 10,12). ... O outro objetivo da vida nos é dado como dom gratuito de Deus; ou seja, não apenas após a morte mas nesta vida mortal, para saborear algo no coração e experimentar na mente o poder da presença divina e a doçura da glória celestial” (Livro 1, cap. 3).

            Santa Teresa e São João da Cruz foram bem formados na tradição carmelitana e lembraram a Ordem de sua inspiração inicial, como o fizeram todas as outras reformas através da história da Ordem. Ocasionalmente a Contemplação foi definida de diferentes maneiras e essas formas de compreendê-la estiveram mais ou menos em contato com a realidade das vidas dos verdadeiros carmelitanos. Na atual apresentação do carisma carmelitano, a Ordem diz o seguinte: “Os carmelitas buscam viver sua obediência a Jesus Cristo pelo compromisso de buscar a face do Deus vivo (a dimensão contemplativa da vida), pela fraternidade e pelo serviço no meio do povo” (Const. 14). Outro artigo da Constituição diz: “A tradição da Ordem sempre interpretou a Regra e o carisma fundador como expressões da dimensão contemplativa da vida e os grandes mestres espirituais da Família Carmelitana sempre retornaram a esta vocação contemplativa” (Const. 17). O mesmo artigo das Constituições assim descreve a contemplação: “uma experiência transformadora do irresistível amor de Deus. Esse amor nos esvazia de nossos modos humanos limitados e imperfeitos de pensar, amar e comportar-se, transformando-os em modos divinos” (Const. 17).

            A Ratio esclarece o papel da contemplação no carisma da Ordem: A dimensão contemplativa não é meramente aquela dos elementos de nosso carisma (oração, fraternidade e serviço): é o elemento dinâmico que os unifica.

            Na oração nos abrimos para Deus, que, por sua ação, nos transforma gradualmente através de todos os grandes e pequenos eventos de nossas vidas. Esse processo de transformação permite que participemos e experimentemos relacionamentos fraternos autênticos; nos coloca prontos para servir, capazes de compaixão e de solidariedade, e nos dá a capacidade de colocar diante do Pai as aspirações, as angústias, as esperanças e as súplicas do povo.

            A fraternidade é o campo de provas da autenticidade da transformação que está acontecendo dentro de nós (Ratio 23). A Ratio continua: Através dessa transformação gradual e contínua em Cristo, que se realiza em nós pelo Espírito, Deus nos leva para si mesmo numa jornada interior que nos tira das margens dispersivas da vida para o âmago interior de nosso ser, onde ele vive e nos une a si mesmo.

            O processo interior que leva ao desenvolvimento da dimensão contemplativa nos ajuda a adquirir uma atitude de abertura à presença de Deus na vida, nos ensina a ver o mundo com os olhos de Deus e nos inspira a buscar, reconhecer, amar e servir a Deus naqueles que estão ao nosso redor (Ratio 24).

            Algumas pessoas vêem dificuldades entre o modo como as Constituições e a Ratio compreendem o carisma. Eu, pessoalmente, não vejo. O deserto foi usado muitas vezes como eufemismo para a jornada da contemplação (cf. Living Flame B, 3,38).

 

A JORNADA ESPIRITUAL

             O teste crucial que revela o progresso em nossa jornada espiritual está em percebermos se estamos nos tornando seres humanos melhores: “A fraternidade é o campo de provas da autenticidade da transformação que está acontecendo dentro de nós (Ratio 23). Isso também fica claro em Santa Teresa. Não podemos progredir na vida de oração a menos que melhoremos no amor a Deus e num amor muito prático pelo próximo (cf. Caminho, 4). Teresa nunca buscou progredir na vida espiritual ou na oração. Ela buscou o progresso no amor a Deus e ao próximo. Ela escreveu: “quando vejo pessoas tentando descobrir que tipo de oração estão experimentando e completamente envolvidas em suas orações que parecem ter medo de mover-se, ou de entregar-se a um pensamento momentâneo, para que não percam o mínimo nível de ternura e de devoção que sentiram, percebo que compreendem muito pouco a estrada para a realização da união. Eles acham que tudo se resume nisso. Mas não, irmãs, não; o Senhor deseja obras” (Castelo Interior 5, 3, 12). João diz em uma de suas máximas: “Aquele que não ama seu próximo abomina Deus” (Outras Máximas, 9).

            Um dos problemas de estudar Teresa e João é que seus ensinamentos foram escondidos sob camadas de interpretação, especialmente de forma sutil na tradução por teólogos que impuseram suas próprias idéias de como um santo deveria ser. Teresa saiu-se melhor do que João nesse processo porque sua personalidade brilhava mais claramente através de seus escritos. João da Cruz tem sido apresentado como uma personalidade melancólica, sombria, cujo desejo parece ser escapar deste mundo. Contudo, recentemente, um biógrafo em inglês descobriu uma figura diferente: “... um ser humano que se apaixonou por Deus no mundo. Descobri um homem que é realmente santo, mas não porque escapou do mundo. Descobri um homem que descobriu em sua vida que a santidade significava buscar e encontrar Deus neste mundo em que vivemos. Era um homem para quem a Encarnação da Palavra de Deus em Jesus significou a consagração do mundo e da história. Para Frei João, Deus fala no tempo, na vida, no mundo” (Richard Hardy, The Search for Nothing, Intro, p. 3).

 

ORAÇÃO

             Deus, que busca um relacionamento de amor com o ser humano, é central aos escritos de Teresa e João. Eles vêem a oração como um meio privilegiado de comunicação com Deus. Um traço forte de suas vidas e escritos é o intenso relacionamento que têm com Deus e a possibilidade que oferecem a qualquer pessoa que busca a Deus em alcançá-lo.

            Qual é o objetivo da oração? Não seria melhor gastar nosso tempo no proveitoso trabalho apostólico? Esse é um problema específico que você enfrentará quando entra no trabalho apostólico em tempo integral. A oração é “vacare Deo”, ou seja, perder tempo com Deus, e rapidamente rezar pode parecer uma completa perda de tempo. O apostolado muitas vezes lhe dará muitas certezas e será mais atraente do que a oração. Algumas pessoas sentem-se mais atraídas pela vida tranqüila do que pelos apostolados atarefados. Existem comunidades eremitas na Ordem. Por favor não tenha nenhuma noção romântica sobre permanecer rezando em sua cela o dia inteiro. Esses homens e mulheres trabalham duro. A maioria de nós está completamente envolvida no mundo engajados em apostolados ativos. Nossas Constituições deixam claro qual é o principal objetivo de nosso trabalho: “Fiéis à herança espiritual da Ordem, devemos canalizar nossos diversos trabalhos para o objetivo de promover a busca de Deus e a vida de oração” (Const. 95).

            Teresa resistiu ao encontro pessoal com Deus na oração. Ela teve medo de encontrar Deus na oração pessoal porque pensava que sua vida era má (Vida, 6). Contudo, ela tentou manter a aparência exterior da virtude e todos a estimavam. Existe um paradoxo comum de que quanto mais nos aproximamos de Deus, pior parecemos. Os santos não se comparam com outras pessoas mas olham para si mesmos à luz do amor de Deus por eles. Eles percebem que sua contribuição é pequena diante do amor que Deus tem por eles. O fato de que muitas vezes parecemos piorar ao nos aproximarmos de Deus não significa que estejamos piorando. Paradoxalmente, quase sempre significa que estamos melhorando. Parece que estamos piorando porque somos capazes de suportar uma luz mais forte e a luz do amor de Deus está nos mostrando como realmente somos. Assim aprendemos nossa grande necessidade de Deus. Como Santa Teresa escreveu sobre a oração, devemos ter uma determinação muito determinada para não desistirmos independente do que aconteça (Caminho da Perfeição, 21).

            Nossa tendência é julgar a oração através de nossos sentimentos. Pensamos que nossa oração foi boa quando estamos em paz ou quando sentimos um verdadeiro crescimento na fé. Sentimos que a oração foi ruim quando nos distraímos ou fomos incomodados. No entanto, não podemos julgar nosso relacionamento com Deus através de nossos sentimentos. O único modo de julgar é através de nossa vida exterior. A primeira carta de João deixa claro: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, e no entanto, odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). A verdadeira oração se reflete em nossas ações. A oração não é um luxo nas vidas atarefadas dos cristãos ativos. Ela é essencial, porque é pela oração que nos relacionamos com Deus. A relação correta entre oração e prática não é que a prática seja muito mais importante e a oração a ajude. Ao contrário, a oração é sumamente importante e a prática é seu teste.

            Rezamos porque Deus de alguma maneira toca nossas vidas. Desejamos rezar porque Deus nos chama e a oração é a nossa resposta. A oração é um mistério porque é um encontro pessoal com o Mistério Último. Deus sempre inicia esse encontro pessoal. Deus alcança o grande abismo que existe entre Ele e sua criação através de seu Filho. Contudo, já que a oração é encontro pessoal ou diálogo, ela exige de nós algum esforço em resposta. Em primeiro lugar, devemos fazer o esforço de ouvir a Deus e nosso esforço sempre é sustentado pela graça de Deus. Nosso esforço de ouvir e de responder ao que Deus nos fala é uma questão tanto de cabeça quanto de coração. Devemos nos esforçar para conhecer Deus. Podemos chegar a conhecer alguma coisa de Deus através da leitura da Bíblia, da teologia e da espiritualidade. É isso o que acontece, humanamente falando, no primeiro estágio de um relacionamento pessoal.

            Quando começamos a rezar seriamente, nosso amor por Deus geralmente não é muito forte. Por isso precisamos construí-lo através da leitura, etc. Acima de tudo, dando tempo a Deus. Quanto tempo? As Constituições dizem: “A oração silenciosa é de grande ajuda no desenvolvimento de um espírito de contemplação; por isso devemos praticá-la diariamente por um período de tempo” (Const. 80).

            O silêncio é uma virtude muito importante para os carmelitas. A Regra nos ensina que o silêncio é um modo de cultivar a justiça (Regra 21). Palavras e ações que não venham de um coração silencioso levam à injustiça e simplesmente acrescentam problemas ao mundo e não uma solução. Silêncio não significa sentar em nossos quartos estudando sem ouvir música. Isso não é silêncio, é estudo. Devemos ter uma prática sólida de oração diária na qual o silêncio é um elemento importante. A lectio divina é uma prática santificada por muitos séculos de uso. Nesse método, existe tempo para a leitura, tempo para meditação sobre o que lemos, tempo para responder ao que lemos e, por fim, tempo de deixar a Bíblia de lado e abandonar até mesmo nossas palavras e pensamentos sagrados, permitindo que a Palavra de Deus se apodere de nossos corações. Permitimos que Deus nos fale no silêncio ou nos defendemos contra Deus? O que é falso dentro de nós detesta o silêncio porque o silêncio o coloca em foco e então sempre haverá a tentação de preencher o silêncio com palavras e pensamentos. Qualquer coisa servirá, desde que nos distraia deste terrível silêncio! Para que qualquer tipo de oração, que fazemos diariamente, seja realmente eficaz no caminho da transformação, deve incluir longos períodos de silêncio.

            Precisamos aprender como nos tornarmos silenciosos. O primeiro fruto da oração autêntica é o auto-conhecimento, que sempre permanece uma parte essencial da vida espiritual saudável (Castelo Interior, 1, 2, 8-9). Não podemos conhecer Deus sem aprender muito sobre nós mesmos e, quase sempre, isso é muito doloroso. Quando refletimos sobre alguns fatos dolorosos sobre nós mesmos, devemos tentar fazer alguma coisa para transformá-los. Nossa oração não será boa se nos recusarmos a desistir de algum pecado. “Não importa quão elevada nossa contemplação possa ser, procure sempre começar e terminar sua oração com o conhecimento de nós mesmos” (C. 39,5)

            No começo na oração, tentamos aprender quem é Deus. Usamos nossa cabeça, nossa inteligência para que nossa compreensão possa alimentar nossos corações e assim possamos amar a Deus. Esse é o caminho da meditação, que é estritamente discurso e não oração, mas que é uma preparação essencial para a verdadeira oração. A verdadeira oração começa quando nossos corações estão em comunicação com o coração de Deus. Teresa nos lembra que o importante na oração é “não pensar muito e sim amar muito” (Castelo Interior, 4, 1, 7; Foundations, 5,2). Se formos fiéis a Deus na oração e na vida diária, provavelmente acharemos muito fácil rezar depois de algum tempo. Compreendemos que não precisamos de muita preparação para deixar que nossos corações falem ao coração de Deus. Com o tempo, pouca ou nenhuma preparação imediata através da meditação será necessária para a oração – assim que nos colocarmos em oração, entraremos imediatamente num diálogo com Deus. Contudo, às vezes, será muito difícil rezar.

            A jornada espiritual é o processo onde somos transformados em Deus. Observemos cuidadosamente que o verbo está na voz passiva, i. e., nós não realizamos a transformação, este é um trabalho apenas de Deus. Não está dentro de nossa capacidade. Não podemos simplesmente nos transformar por mais que tentemos, por mais penitência que façamos, por mais boas ações que pratiquemos, por mais comunhões que acumulemos. Nunca podemos nos tornar santos por mais que façamos. Apenas Deus pode nos santificar. Nossa tarefa consiste simplesmente em consentir a presença e a ação de Deus em nossas vidas – uma tarefa muito difícil, muito mais difícil do que qualquer obrigação auto-imposta.

            A Regra assume o ritmo da lectio divina, que leva à contemplação. Podemos decidir ler a Palavra de Deus e a refletir sobre ela. Nossa resposta à Palavra geralmente é espontânea e fruto do que aconteceu antes, mas ainda estamos no controle. A oração contemplativa acontece para nós. Não temos controle quando se torna oração contemplativa. Esta é a ação transformadora de Deus dentro de nós e, de certa forma, somos colocados para dormir enquanto Deus, o grande Médico, opera bem dentro de nós para transformar os espaços vazios de nossos corações na imagem do Cristo. O processo de contemplação continua no dia a dia, mas alcança seu ponto alto na oração contemplativa. Ele não pode ser alcançado, apenas recebido: “Tão delicado é este repouso interior que, geralmente, se o desejarmos ou tentarmos experimentá-lo, ele não será experimentado; porque, como digo, ele realiza seu trabalho quando a alma está mais descansada e mais livre de cuidado; ele é como o ar que escapa ao tentarmos prendê-lo em nossas mãos” (Noite Escura, 19.6). A princípio a contemplação é tão vaga e gentil que o indivíduo normalmente não percebe que algo incomum está acontecendo. Em algumas pessoas essa consciência cresce muito e podemos ver os resultados desta consciência contemplativa na abundância da literatura mística através dos séculos.

            A contemplação não é uma recompensa que Deus dá a algumas almas excepcionalmente santas por suas virtudes. João da Cruz diz que a contemplação começa quando Deus guia a alma para uma noite escura (Noite Escura 1,1). Portanto, a contemplação não é uma recompensa pela santidade mas uma necessidade para tornar-se santo porque as várias fases da noite escura nos purificam de tudo que não é Deus. A contemplação é um processo de transformação gradual em Cristo. Como carmelitas, os leigos virão ao nosso encontro para falar sobre problemas na oração. Eles esperam que nós tenhamos conhecimento desse tipo de coisa a partir da experiência pessoal.

            Deus destrói o que é falso dentro de nós e cura as feridas emocionais de uma vida toda através da Noite Escura, o famoso exemplo usado por São João da Cruz. Os métodos de Deus não são os nossos e os pensamentos de Deus não são nossos pensamentos. Muitas vezes Deus coloca nossas idéias sobre a jornada espiritual de cabeça para baixo e de trás para frente. O modo como Deus age pode ir contra qualquer coisa que possamos imaginar e quando isso acontece, as coisas podem parecer realmente muito escuras.

            A transformação não é apenas uma mudança de uma ou duas circunstâncias exteriores. É uma mudança profunda do que nos motiva diariamente. Nossa motivação muitas vezes está escondida de nós mas determina como agimos e reagimos durante o dia. É essa motivação que deve ser purificada em algum momento de nossa jornada. Nosso comportamento exterior pode ser angelical ou uma crucificação para nós mesmos e/ou para os outros, mas realmente não podemos mudar muito até mudarmos a raiz do problema. Muitas vezes é necessário mudar o comportamento exterior, mas nenhuma mudança será duradoura a menos que o motivo subjacente também seja modificado. Este último é muito mais difícil.

            O falso eu é o modo que cada um de nós busca para se defender do ataque daquilo que pensamos ser o “eu”. Para que a transformação aconteça, devemos cooperar, devemos abandonar este falso eu, devemos morrer verdadeiramente para que recebamos a vida em abundância. Isso envolve uma luta contínua contra toda manifestação do falso eu, que invade todo aspecto de nossas vidas: emocional, intelectual, social e até mesmo espiritual. O sacramento da Reconciliação e a direção espiritual são muito úteis no caminho para a transformação. Se estivermos presos numa rede de pecado, essa ajuda é essencial. Contudo, o falso eu é muito sutil e sua primeira defesa é nos assegurar de que ele não existe. Temos todos os tipos de métodos para racionalizar nosso comportamento. A falha é sempre da outra pessoa. No entanto, nossas próprias emoções podem nos dizer muito. Se experimentamos agitação emocional, eis um sinal seguro de que o problema está dentro de nós e precisamos olhar para aquilo que estamos tentando evitar, ganhar ou agarrar. Geralmente nossa atitude é de que nunca somos culpados por nada e por isso, nunca temos que refletir sobre nosso comportamento. O único modo de ficarmos conscientes da presença do falso eu é permitindo que ele venha à tona em silêncio. Ele vem à tona em nossos comentários interiores ou mesmo num vago sentimento de inquietude que nos constrange com o silêncio. Podemos facilmente ignorar isso voltando a ser ativo na oração ou através do trabalho, por isso precisamos estar vigilantes para não reprimirmos o que Deus está nos dizendo.

            É importante lembrar as palavras do sábio:

            “Meu filho, se você se apresenta para servir ao Senhor, prepare-se para a provação. Tenha coração reto, seja constante e não se desvie no tempo da adversidade. Una-se ao Senhor e não se separe, para que você seja exaltado no último dia. Aceite tudo o que lhe acontecer, e seja paciente nas situações dolorosas, porque o ouro é provado no fogo e as pessoas escolhidas, no forno da humilhação. Confie no Senhor, e ele o ajudará; seja reto o seu caminho, e espere no Senhor” (Eclo 2,1-6).

            A razão desse teste é que precisamos ser purificados para que sejamos capazes de servir aos outros com o coração puro. Contudo, não iniciamos a jornada com um coração puro. Isso é um processo gradual. Muitas vezes nossa oração estará seca, mas isso não significa que Deus não esteja falando conosco. Normalmente Deus fala fora do tempo de oração, no nosso dia a dia. O processo contemplativo é muito mais amplo do que o tempo que dedicamos à oração, mas não podemos afirmar que somos contemplativos, a menos que ficar um tempo a sós com Deus seja uma parte importante de nossas vidas. É durante esse período que Deus purifica gradualmente nossos sentidos espirituais para que sejamos capazes de discernir a voz de Deus em meio às muitas outras vozes que ouvimos a cada dia. Às vezes Deus nos diz palavras de consolo, mas outras vezes Deus nos aponta algo que precisa ser modificado. É vital que aceitemos isso e façamos algo a esse respeito, do contrário não haverá crescimento. É claro que nosso falso eu usará todos os tipos de argumentos razoáveis para que não haja mudança. Devemos permitir que qualquer emoção forte se acalme e depois perguntar a nós mesmos o que podemos aprender com o que foi dito ou com o que percebemos sobre nós mesmos. É útil perguntar porque essas emoções fortes surgiram. Desse modo, gradualmente, nos desprenderemos de nossas próprias opiniões, de nosso jeito de fazer as coisas e seremos capazes de discernir o que Deus está nos dizendo.

            O coração humano é muito sutil e requer uma profunda purificação. Esse é o propósito da jornada contemplativa e da noite escura. Ao crescermos mais e mais à semelhança de Cristo, aprendemos a nos ver como realmente somos. Esse é o dom de Deus e o resultado da ação purificadora e transformadora de Deus dentro do ser humano.

            Nossa vocação carmelitana é muito profunda. Somos chamados a servir as pessoas em comunidades contemplativas. Ao respondermos ao chamado de Cristo para segui-lo, nos comprometemos a assumir sua visão e valores. Mas logo percebemos que somos incapazes de viver de acordo com nossos ideais por nosso própria conta. Ao amadurecermos em nosso relacionamento com Deus, damos espaço para que Deus nos purifique para que possamos começar a ver como Deus vê e amar como Deus ama. Esse jeito de ver e de amar é doloroso para o ser humano porque requer uma transformação radical do coração. O clamor dos pobres vai penetrar em nossas defesas e nossa resposta, libertada da distorção do falso “eu”, virá de um coração puro. O Papa João Paulo II nos lembra que, “o Cristo encontrado na contemplação é o mesmo que vive e sofre nos pobres” (VC, 82).

            A contemplação é um dom puro de Deus. Como a salvação, ela não pode ser merecida. Deus não é um ídolo que podemos controlar através do ritual certo. Não podemos forçar Deus a nos conceder o dom da contemplação.

Nos estágios finais da contemplação, somos ligados a Deus de tal modo que as palavras não podem expressar e que nossa compreensão não pode alcançar: “Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem o coração humano concebeu o que Deus preparou para aqueles que O amam” (2Cor 9).

O conhecimento que adquirimos pela contemplação é do tipo que nunca poderíamos aprender com anos de estudo ou de reflexão. Deus confere um verdadeiro conhecimento de si mesmo a nossos corações. Só podemos fazer tudo que está ao nosso alcance para nos prepararmos pela fidelidade à oração e acima de tudo demonstrando nosso amor por Deus amando ativamente nosso próximo.

            A contemplação ou a oração mística não deve ser confundida com o fenômeno das visões ou êxtases ou locuções ou com qualquer outra coisa que tenhamos lido. Esses são os efeitos num número muito pequeno de pessoas do poder do amor de Deus crescendo dentro delas. Para a maioria das pessoas, o processo de transformação acontece na escuridão.

 

O CAMINHO PARA A PERFEIÇÃO CRISTÃ

             Existem fundamentalmente dois modos diferentes para a perfeição da vida cristã? Apenas alguns são chamados a percorrer o caminho místico? Nem Teresa nem João respondem diretamente essas questões mas podemos encontrar uma ou duas alusões em seus escritos. Todos nós fomos chamados à santidade. Cada um de nós foi chamado a ser santo de modo único para contribuirmos com o esplendor do Corpo de Cristo. Só porque não podemos ser santos como Nossa Senhora, não significa que possamos dar vez à mediocridade. O primeiro mandamento é que amemos o Senhor, nosso Deus, com todo nosso ser. Os místicos nos mostram do que o espírito humano é capaz quando impregnado do Espírito Santo. Nenhum de nós pode alcançar os níveis de santidade de São João da Cruz ou de Santa Teresa d’Ávila, mas cada um de nós pode desenvolver ao máximo nosso próprio potencial humano e esse é o trabalho de Deus, mas devemos cooperar com graça.

            Acredito que existe apenas um caminho para a perfeição da vida cristã. Devemos permitir que Deus, que faz em nós sua morada, assuma gradualmente o controle de nossas vidas até que Ele seja tudo em todos. Quanto a nós, devemos nos conscientizar de nossa pobreza, de nossa incapacidade e deixar que Deus assuma. Não podemos alcançar a santidade sozinhos. Deus é nossa santidade. Não existem dois caminhos. Se existissem dois caminhos para a perfeição cristã, então uma grande parte dos escritos de Santa Teresa e, virtualmente, tudo que João da Cruz escreveu, seriam interessantes a partir de um ponto de vista literário, mas seriam irrelevantes para a maioria de nós. Contudo, se existe apenas um caminho, então podemos descobrir em Teresa e em João os princípios básicos para cooperar com Deus neste grande trabalho de transformação e de purificação do espírito humano.

            Existem vários elementos da espiritualidade carmelitana que não mencionei porque a totalidade da espiritualidade carmelitana não se limita a esses dois santos. Se você deseja saber qual a hora do vôo da Ibéria de Madri para Roma amanhã, você vai procurar o horário dos vôos e não o horário dos trens. Não espere encontrar tudo em Teresa e João. Não é necessário encontrar uma citação de Teresa ou de João para tudo que queremos fazer ou dizer. Contudo, os dois são de grande importância para a espiritualidade carmelitana hoje e para seu desenvolvimento futuro. Devemos ser homens e mulheres de oração. Como dizem nossas Constituições: “Desde o princípio, a Ordem Carmelitana assumiu uma vida de oração e um apostolado de oração. A oração é o centro de nossas vidas e a comunidade autêntica e o ministério brotam desta fonte” (Con. 64).

            Teresa e João não pretendiam escrever a palavra final sobre a oração, mas o que escreveram é um ensinamento seguro e isso foi reconhecido por toda a Igreja quando eles foram declarados doutores da Igreja. Hoje, muitas pessoas buscam a Deus porque suas almas estão famintas devido ao secularismo moderno. Elas não estão buscando nos lugares tradicionais, isto é, dentro da religião institucional. O Capítulo Geral de 1995 desafiou a Ordem a mudar-se para o novo “areópago”, os novos mercados do mundo. A busca pela espiritualidade acontece muitas vezes no mundo da internet. Devemos estar lá e em outros lugares novos, com nossa espiritualidade que tem enriquecido tantas pessoas nos últimos 800 anos. Contudo, o que importa acima de tudo é que nós mesmos vivamos esta espiritualidade. Teresa e João não conheciam nada sobre nosso mundo atual, mas seus escritos permanecem atuais.

            “Meu Bem-amado, as montanhas, os vales solitários

            as ilhas estranhas, os rios sonoros, o sussurro das brisas amorosas,

            a noite tranqüila, na hora do raiar do dia,

            a música silenciosa, a solidão sonora, a ceia que recria e o amor inflamado”.

            (Cântico Espiritual, 14-15).

“A vida é um livro que deve ser foleado página a página, sem que se consulte o índice” (Coelho Neto). A narração da história de vida de dom Wilmar Santin, bispo da prelazia de Itaituba. E nos conta um pouco da sua história.

 

Dom Wilmar Santin, bispo da prelazia de Itaituba – Vatican News

Uma das coisas mais encantadoras e prazerosas da vida é recordar as belas e edificantes experiências. Particularmente, me é apaixonante recordar os tempos de criança. Se olho para minha infância, vejo que fui muito feliz, apesar de todas as dificuldades que a vida nos impôs.

Tive a graça de nascer numa família numerosa. Sim, considero este fato um privilégio e uma verdadeira graça de Deus. Éramos 9 filhos = 5 x 4 para os homens. Por uma fatalidade, o mais velho morreu num acidente automobilístico aos 28 anos. Portanto, há mais de 45 anos somos em 8, ou seja, 4 homens e 4 mulheres. 

Meu pai era marceneiro e carpinteiro. Órfão de mãe com um ano de idade e de pai aos 9 anos. Foi criado por uma virtuosa e santa madrasta. Desde pequeno teve que trabalhar. Foi um pai muito rígido com os filhos e amabilíssimo com os netos. Gostava muito de futebol e era palmeirense, portanto não negava sua origem italiana. Cresci indo com ele assistir jogos do Nova Londrina Esporte Clube. Ele por décadas fez parte da diretoria do time. Como católico praticante, exigia que os filhos participassem da missa dominicalmente. Por mais de 30 anos foi ministro extraordinário da Eucaristia. Despediu-se serenamente deste mundo aos 85 anos.

A minha mãe é uma guerreira, dotada de uma força e disposição incríveis. Além de se dedicar aos 9 filhos, encontrava tempo para costurar para fora e fazer permanente nos cabelos das mulheres para ajudar nas despesas da casa. Também foi empreendedora: teve bazar, mercearia e funerária. Era incansável em fazer, duas ou três vezes por semana, o pão caseiro mais gostoso da cidade pra alimentar a “renca” de filhos. Não nos deixava comer pão quente. Dizia que dava dor de barriga. Uma vez eu lhe disse que isso não era verdade, porque a gente comia arroz e feijão quentes e não dava dor de barriga. Ela ponderou que pão era massa. Na “tampa” retruquei: “Mãe, a gente come macarrão quente, que é massa, e não dá dor de barriga!” Ela me disse: “Ah, não sei! Você está perguntando demais, mas que comer pão quente dá dor de barriga, dá!”

Por muito tempo fiquei matutando esta convicção da minha mãe sobre o pão quente. Fiquei observando e pensando. Por fim cheguei à conclusão de que realmente comer pão quente dá dor de barriga, mas não porque o pão está quente e sim porque é muito gostoso, por isso a pessoa come muito além do normal, se empanturra e como consequência passa mal. Eu com 10 anos, se a mãe deixasse, eu comeria pelo menos dois pães inteiros, ou seja,  a quantidade de pão destinada para a família toda no café da manhã.

Nunca passamos fome, mas o dinheiro era escasso. Tempos de crise braba! A vontade de ir ao cinema para assistir aos famosos bangue-bangues do Velho Oeste era enorme. Como não recordar os filmes: “O dólar furado” com Giugliano Gemma? ou “Os três homens em conflito - O Bom, o Mau e o Feio” com Clint Eastwood, Lee van Cleef e Eli Wallach? Como esquecer os filmes do Zorro com o índio Tonto? e do Tarzan? do Gordo e Magro ou Mazzaropi? Os nossos heróis cinematográficos eram: Roy Rogers, Henry Fonda, John Wayne, Burt Lancaster, Kirk Douglas, ... Entretanto, o melhor de tudo era depois ir brincar de “mocinho”. Como éramos felizes com tão pouco!!!! Um cabo de vassoura colocado entre as pernas “virava” um cavalo, qualquer pequeno pedaço de pau podia virar um revólver! Todo mundo dava tiro à vontade, as balas nunca acabavam e ninguém morria: só matava! O grande escritor e orador Cícero diria: “O tempora! O mores” (Ó tempos! Ó costumes!) Eu, porém, digo “Ó tempos encantadores e experiências inesquecíveis!!!”

Ao repassar na memória aqueles tempos magníficos, os meus lábios começam a recitar espontaneamente o início da poesia “Meus oito anos”: 

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!

Os poetas românticos, como Casemiro de Abreu nesta poesia, foram geniais e se eternizaram. Basta mencionar Gonçalves Dias, Castro Alves, Álvares de Azevedo... para ter a confirmação da genialidade dos românticos. Por falar em poetas românticos, recordo que o Romantismo foi introduzido no Brasil por Gonçalves Magalhães, em 1836, com o livro "Suspiros poéticos e saudades.

É certo que o Romantismo brasileiro foi marcado por um certo exagero sentimental. Os românticos souberam despertar a emoção e a ação do leitor e da leitora ao idealizarem o amor e o saudosismo, ao valorizarem o nacionalismo e colocando em destaque a figura do índio como herói, quesito este em que o grande José de Alencar se sobressaiu com as obras: “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”. Até hoje o romantismo está presente com maior ou menor intensidade na cultura e mentalidade dos brasileiros.

Mas a realidade da infância não foi só de sonhos e alegrias: foi dura e às vezes também cruel! Que sentimento de frustração era o de ter vontade imensa de ir a cinema e não ter o dinheiro para a entrada. Que sensação horrível era “sentir as lombrigas assanhadas” ao ver doces e sorvetes, mas não poder comprá-los por falta do “baioque”, como dizia a mãe ao nos contar como o nono Foletto chamava a grana. A mãe nos colocou em sintonia com a tradição familiar contando as histórias de sua infância e das peripécias de seu pai e irmãos. Repetiu muitas vezes o que o nono dizia, em dialeto vêneto, quando os comerciantes queriam comprar fiado a sua produção de banha: “Vien il baioque e via la banha! Senza baioque prima, la banha non va!” (“Venha o dinheiro e vai a banha, sem dinheiro primeiro, a banha não vai”). Só entregava a banha quando o dinheiro estava na sua mão. Certamente ele tinha sido enganado algumas vezes pra não confiar nos compradores. A vida é mestra e nos ensina!

Nós nos virávamos como podíamos pra arrumar alguns trocados. Íamos derriçar e colher café, à “panha” de algodão, carpir, escolher e separar grãos de café na cooperativa, engraxar sapatos, ... Nós catávamos mamona, deixávamos secar no pátio e depois recolhíamos grão por grão manualmente colocando-os numa lata de um litro. Quando a lata estava cheia, íamos vender no seu Severino Troian por um cruzeiro. Dava pra comprar um picolé. Ah! como eram deliciosos aqueles picolés! Quando a colheita era maior, dava pra comprar um ingresso para o cinema. Que felicidade!

Quantas vezes fiquei desejando comer os doces que eram vendidos no bar São João do Seu Vitório Zoletti, em frente de casa e não tinha nem um cruzeiro. Havia um doce de abóbora em forma de coração. Como era saboroso! Lembro que eu sabia as todas orações rezadas por um católico, menos a Ave Maria. Rezávamos um terço do rosário todas as noites em família. Portanto, eu repetia 50 vezes esta oração diariamente e nada de decorar. Sabia rezar junto com os pais e irmãos, mas não conseguia rezar sozinho. Até hoje não sei qual era o porquê do bloqueio, mas não tinha jeito de aprender a principal oração dedicada à Mãe de Deus. Um dia meu pai me prometeu dar um cruzeiro se aprendesse de cor a principal oração dedicada à Virgem Maria. Ah! num instantinho aprendi. Cheguei e disse: 

- “Pai, o senhor me prometeu dar um cruzeiro se eu aprendesse de cor a Ave Maria e agora eu sei.” 

- “Eu prometi e eu cumpro o que prometo. Porém, reze primeiro pra eu ter a certeza de que você sabe tudo direitinho sem pular nada ou embaralhar”, contestou. 

Rezei sem me atrapalhar, ele me deu a nota de um cruzeiro, que tinha a imagem do Almirante Tamandaré, e eu todo feliz corri até o Bar São João comprar o saboroso doce de abóbora em forma de coração. Deu pra comprar dois! Que alegria! Que felicidade! É só eu recordar aquele momento tão especial, e logo me dá água na boca!

O tempo passou, crescemos e a vida se transformou. Os gostos mudaram, muitas coisas que “adorávamos” foram pouco a pouco ficando para trás. Passaram-se os anos e as novas atividades foram nos engolindo. É raro nos lembrarmos dos picolés, dos doces, dos mocinhos, dos filmes... Tudo isso deixou de ser uma necessidade para nós!

Quando voltei a morar em Paranavaí, já com mais de 32 anos, constantemente eu ia para Graciosa visitar os confrades do seminário. Nestas idas, algumas vezes visitava o Seu Manoel Jó. Ele era um nordestino do sertãozão da Paraíba com uma incrível sabedoria popular, adquirida no dia-a-dia com as experiências e dificuldades da vida. Conversar com o seu Manoel era para mim ocasião de prazer e de enriquecimento pessoal ouvindo as experiências e conhecimentos daquele sertanejo paraibano. Quase a vida toda ele trabalhou na roça, mas, quando as forças já não eram as mesmas, e a idade começava a pesar, ele comprou um bar para continuar ganhando o pão de cada dia.

Certa vez fui encontrá-lo no seu bar. Ficamos conversamos, dando risadas com seus causos e experiências. De repente olho para as prateleiras. Vejo potes transparentes de vidros cheios de doces. Fui vendo os potes com pirulitos, com balas de diversos tipos, com paçoquinhas, pés de moleque, ... e de repente meus olhos se fixaram extasiados no pote que continha os inigualáveis doces de abóbora formato de coração. Aflorou-me na memória os tempos de criança, fiquei com uma vontade imensa de comer aquela delícia feita de abóbora. Comentei que fazia uns 20 ou mais anos que não via o meu doce preferido em forma de coração. Claro que pedi um. Seu Manoel se levantou e foi buscar a “divina” iguaria. Não o comi: devorei-o! Foi tamanha a minha voracidade que o Seu Manoel pegou mais um e me deu. Num instantinho também desapareceu na minha boca.

Quando fui pagar os doces. Seu Manoel me disse:

- “Não vou cobrar não. Nunca vi alguém comer um doce de abóbora com tanto gosto como desta vez. Fiquei tão feliz que nem tenho coragem de cobrar”.

Ao repassar esses fatos da minha infância apareceu na minha memória o texto do Apóstolo Paulo: “11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12Agora nós vemos em espelho e de maneira confusa; mas, depois, veremos face a face. Agora meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido” (1Cor 13,11-12).

Não sou mais criança, mas tenho que reconhecer que, com meus 70 anos, aquelas experiências dos tempos de criança foram importantes para me ajudar a ser aquilo que sou hoje. Sou grato a Deus por ter me proporcionado uma infância tão feliz! Só recordo as coisas boas e edificantes, as ruins ou foram incorporadas na minha experiência me fortalecendo ou já as esqueci.

Concluo com as primeiras duas estrofes e a conclusão de uma das poesias publicadas por Gonçalves de Magalhães em Suspiros poéticos e saudades ao introduzir o movimento artístico cultural denominado Romantismo no Brasil em 1836.

 

A INFÂNCIA

Oh minha infância! Oh estação de flores!

De inocente ilusão alva saudosa!

Inda hoje te apresentas

Ante mim, como a imagem deleitosa

De um sonho que encantou-me a fantasia,

Ou como a aurora de um formoso dia.

Oh da infância atrativos lisonjeiros!

Mentirosos afetos!

Com que prazer amigos passageiros,

Inúmeros, na infância contraímos!

E quão fáceis após os repelimos,

De ligeiras palavras agastados.

...........

Oh quão perto a velhice está da infância!

E quão perto da infância a morte adeja!

 

Wilmar Santin

Itaituba, 15 de novembro de 2022. Fonte: https://www.vaticannews.va