Dom Frei WilmarSantin, O.Carm.

 

Na Bíblia

O ciclo de Eliseu (2Rs 2-9.13,1-10) está ligado com o de Elias. A vocação de Eliseu está colocada após a teofania do Horeb (1Rs 19,16-21). Segundo a ordem divina, ele é aquele que deve suceder ao Tesbita. Por isso torna-se seu servidor e discípulo (2Rs 2,1-18). Pelo fato de acompanhar e ser testemunha do rapto de Elias, Eliseu herda o duplo espírito do Tesbita (2Rs 2,1-18). O carro e os cavalos que raptaram Elias constituem a escolta invisível de Eliseu (2Rs 6,17). Numerosos milagres e prodígios exaltam “o homem de Deus”, o taumaturgo a serviço dos pobres e que intervém na política. Morto, o seu cadáver ressuscita um morto (2Rs 13,20-21). No livro do Eclesiástico, o seu elogio segue o do seu mestre (Eclo 48,12-14) e recorda o dom do espírito de Elias que recebeu durante o rapto. Entre as suas obras maravilhosas é indicada a ressurreição de um morto após a sua morte. A cura de Naamã, o Sírio, é recordada no Evangelho (Lc 4,27), também depois de recordar Elias.

Por duas vezes a Bíblia menciona a estada de Eliseu no Monte Carmelo: para lá ele se retira após o episódio dos meninos devorados pelos ursos (2Rs 2,25) e ali a sunamita vai encontrá-lo para suplicar-lhe que devolva a vida ao seu filho (2Rs 4,25). Uma gruta com dois patamares era considerada como a “casa de Eliseu”, aquela onde ele recebeu a visita da sunamita. Ali foi construída uma laura (cenóbio) bizantina conhecida como Mosteiro de S. Eliseu.

 

Nascimento de Eliseu

O provincial carmelita da Catalunha, Felipe Ribot (+ 1392), recorda o prodígio que acompanhou o nascimento de Eliseu, assim como foi contado por Isidoro de Sevilha e Pedro Comestor: “ao nascimento de Eliseu um dos novilhos de ouro adorados pelos filhos de Israel mugiu atravessando o jardim de Eliseu. Um sacerdote do Senhor o escutou em Jerusalém e, inspirado por Deus, proclamou: ‘nasceu em Israel um profeta que destruirá todos os ídolos esculpidos e fundidos”. Só João de Hornby, carmelita inglês do século XIV, indica que Eliseu era descendente de Arão, como Elias, enquanto que a Vitae Prophetarum e Isidoro mencionam “a tribo de Rubem”.

 

Eliseu, figura de Cristo

Como Elias, Eliseu é apresentado pelos Padres da Igreja como figura de Cristo enquanto taumaturgo. Já Orígenes chamava Cristo “o Eliseu espiritual que purifica no mistério batismal os homens cobertos pela sujeira da lepra” (Hom. sobre Lucas 33,5). Eliseu estendendo-se sobre o menino anuncia a Encarnação de Cristo que se faz pequeno para salvar-nos. O vaso novo lançado com sal na água (episódio amplamente desenvolvido pelos Padres Latinos), o sal que purifica as águas, o machado recuperado, são figuras de Cristo. Multiplicando os pães de cevada para cem pessoas, iluminando os olhos do seu servo e cegando os de seus inimigos, curando Naamã com o banho no rio Jordão, Eliseu é ainda figura do Messias. A ressurreição de um morto ao contato com os seus ossos prefigura da descida de Cristo aos infernos para dar vida aos mortos. No sermão 128 de Cesário, a viúva libertada da sua indigência, graças ao milagre operado por Eliseu, prefigura a Igreja libertada do pecado à vinda do Salvador; a sunamita estéril, que concebe pela oração de Eliseu, é também figura da Igreja estéril antes da vinda de Cristo. Igualmente João Baconthorp (+ 1348) faz o paralelo entre os milagres de Elias e de Eliseu com os de Jesus (Speculum 2).

 

Eliseu, modelo do monge

Numerosos Padres da Igreja atestam a virgindade de Eliseu seguindo a de Elias. Para São Jerônimo “na Lei antiga, a fecundidade era objeto de bênção. Mas pouco a pouco entretanto, na medida em que a messe se torna mais abundante, foi enviado um ceifador: Elias que foi virgem. Eliseu também o foi, como do mesmo modo os filhos dos profetas” (Ep. 22). Os carmelitas medievais reproduziram estas linhas insistindo sobre o fato que Elias e Eliseu foram os primeiros a consagrarem-se a Deus na virgindade. Pe. Daniel da Virgem (+ 1678) explica que o celibato honra e imita por antecipação a Virgem Maria: “Eliseu conheceu antecipadamente e imitou a pureza da Virgem Mãe de Deus” (Vida de Santo Eliseu, pref.).

A oração tem um papel primordial na vida de Eliseu: é a fonte dos milagres que o Senhor faz através dele. No texto bíblico, isto é expresso explicitamente através da ressurreição do filho da sunamita, por isto o Senhor abre os olhos do seu servo para cegar os arameus. Os Padres da Igreja acentuam ainda mais o papel da oração: ele obtém um filho para a sunamita, faz submergir o machado caído na água do rio Jordão. Assim através de Eliseu os carmelitas fazem jorrar o seu apostolado pelo colóquio com Deus.

A renúncia inicial de Eliseu, que sacrifica os bois e o arado antes de seguir Elias, é um exemplo de exortação para se afastar das preocupações mundanas (Jerônimo, Ep. 71,3). A recusa dos presentes de Naamã fornece aos Padres um belo exemplo de afastamento dos bens. Para Cassiano, Eliseu é um dos fundadores do monaquismo e, de modo especial, um mestre da pobreza (Inst. 7, 14,2).

Amona (século IV), discípulo de Antonio o Grande, canta todos aqueles que obedeceram aos seus pais, cumprindo a sua vontade com a obediência perfeita em tudo. Eliseu é um dele (Ep. 18). Isaías de Scete (+ 491) exorta à obediência com o exemplo de Eliseu (Asceticon 7). A homilia bizantina mais freqüentemente indicada para a festa de Santo Elias é um comentário sobre o Profeta Elias, o Tesbita, atribuída a São João Damasceno, sem dúvida provém do ambiente monástico. A menção de Eliseu põe em relevo a sua ligação total a Elias: “Tendo deixado tudo, casa, campos, bois, ele o segue, servindo-lhe em tudo e totalmente ligado à sua pessoa. Elias, que viveu dali em diante com Eliseu a quem havia também consagrado profeta segundo um oráculo divino, estava dia após dias reunido com ele sob o mesmo teto, compartilhando o mesmo estilo de vida, absolutamente inseparáveis”.

Atanásio de Alexandria, na vida de Antão, mostra que Eliseu via Giezi distante e as forças que o protegiam porque o seu coração era puro, escopo de toda ascensão monástica. João Baconthorp considera em Eliseu o carmelita aplicado à contemplação que “vê” Deus, destinado a trazer no seu coração a chama ardente e irradiante e a palavra de vida, como Maria, e a imitação de Elias e de Eliseu que viveram a vida contemplativa no Carmelo (Laus 2,2). Pe. Daniel da Virgem na suaVida do Santo Profeta Eliseu reassume os papéis respectivos de Elias e de Eliseu: “Inaugurando a vida religiosa, monástica e eremita, Elias a plantou, Eliseu depois a irriga e grandemente a divulga”.

 

Eliseu, discípulo de Elias

Nas Antiguidades Judaicas de Flávio Josefo e em numerosos escritos patrísticos seja do Oriente como do Ocidente, Eliseu está constantemente presente como discípulo de Elias, seu filho espiritual, seu herdeiro. Jacques de Saroug (449-521), autor de sete discursos em métrica que representam longamente a figura de Eliseu e a sua mensagem, utiliza diversos epítetos. Igualmente Máximo de Torino (+ 408/423), de quem duas homilias se referem a Eliseu: “Porque se admirar que os anjos, que levaram o mestre, levam o discípulo (…)? De fato ele mesmo é o filho espiritual de Elias, herdeiro da sua santidade” (Sermão 84). Os Diálogos do Papa Gregório Magno muitas fazem eco às façanhas de Eliseu. Se a “rubrica prima” das Constituições de 1289 se contenta de justapor Elias e Eliseu, João de Cheminot, depois João de Venette especificam que Eliseu é “discípulo” de Elias. Porém as Constituições de 1357 foram assim modificadas: “A partir do Profeta Elias e de Eliseu, seu discípulo”.

 

Eliseu, o discípulo por excelência

Eliseu não é discípulo de Elias somente. Seguindo a tradição hebraica que se encontra nas Vitae prophetarum, na introdução de São Jerônimo em seu Comentário ao livro de Jonas e algum outro escrito patrístico, Jonas seria o filho da viúva de Sarepta, ressuscitado pelo profeta e que se tornou discípulo de Elias: “Jonas, depois da sua morte, foi ressuscitado pelo profeta Elias: o seguiu, sofreu com ele e, por sua obediência ao profeta, mereceu receber do dom da profecia” (Sinassário árabe jacobita de 22 de setembro). João Baconthorp conhecia esta tradição que provém de São Jerônimo. João de Cheminot, seguindo Felipe Ribot, indica como primeiro discípulo o servo que Elias deixou em Bersabéia, quando fugia de Jesabel (1Rs 19, 3). Este servo é aquele que Elias enviou ao cume do Monte Carmelo para observar a chegada da chuva (1Rs 18, 43).

Segundo as Vitae prophetarum, Abdias, o intendente de Acab que escondeu os cem profetas em grupos de cinqüenta, enviado por Acazias, (1Rs 18, 3-4) tornou-se discípulo de Elias. Teodoro Bar-Koni, autor nestoriano do século VIII, especifica que ele recebeu o dom da profecia após ter seguido Elias. Os carmelitas medievais enumeram Abdias entre os grandes discípulos de Elias.

Felipe Ribot é o único carmelita do século XIV a mencionar o profeta Miquéias como discípulo de Elias. Para Cheminot e Ribot, Eliseu ocupa o primeiro lugar no grupo dos discípulos do Profeta Elias.

 

O duplo espírito de Elias

Eliseu é o sucessor de Elias que recebeu o seu duplo espírito, quando viu seu rapto (2Rs 2, 9-13). De acordo com uma tradição hebraica, Eliseu realizou 16 milagres, enquanto que Elias havia feito 8. A partir do século XII, Ruperto de Deutz fez o mesmo cálculo (A Vitória do Verbo de Deus). Para São Jerônimo, o duplo espírito se manifesta com os milagres maiores. Para Felipe Ribot, o duplo espírito é o dom da profecia que consente prever o futuro e o dom dos milagres: «Eis porque lhe dá a direção do magistério espiritual de todos os religiosos que tinha instituído.Como sinal disto, ele deu a Eliseu o seu hábito como sinal distintivo do seu instituto, deixando-lhe o seu manto, quando foi levado ao céu» (nº 149). A partir do século XVI, outros – como Pedro da Mãe de Deus, carmelita descalço holandês – vêem no duplo espírito o espírito da contemplação e da ação: «Os discípulos do Carmelo (…) estão obrigados por vocação a pedir sempre a Deus o duplo espírito de Elias (…), isto é, o espírito de oração e de ação, o verdadeiro espírito do Carmelo» (As Flores do Carmelo).

Santa Teresa de Ávila evoca juntos Elias e Eliseu numa poesia: «Seguindo o Pai Elias, nós combatemos a nós mesmas, com a sua coragem e o seu zelo, ó Monjas do Carmelo. Após ter renunciado a nosso prazer, busquemos o forte Espírito de Eliseu, ó Monjas do Carmelo» (Caminho para o céu). Notemos que na sua correspondência ou nas Relações, Santa Teresa designa frequentemente com o nome de Eliseu o seu caro filho, Pe. Jerônimo Gracián.

Em Lisieux, Santa Teresa do Menino Jesus, que morava na cela Santo Eliseu do dormitório Santo Elias, muito naturalmente alude ao duplo do espírito: «Recordando-me da oração de Eliseu ao seu pai Elias, quando ele ousou pedir-lhe o dobro do seu espírito, me apresentei diante dos Anjos e dos santos, e lhe disse (…) ouso pedir-lhes que me concedam o dobro do vosso amor» (Ms B 4r).

 

Prior dos filhos dos profetas

O apologista São Justino se refere ao episódio do ferro do machado caído na água que Eliseu fez boiar com um pedaço de madeira (2Rs 6, 1-7). Onde o texto bíblico diz simplesmente que os filhos dos profetas queriam construir um lugar de moradia, Justino precisa que estes estavam cortando a madeira destinada pra construir «a casa para aqueles que queriam repetir e meditar a lei e os preceitos de Deus» (Diálogo com Trifão, 86). Esta paráfrase se tornará no século XIII o coração da Regra dos carmelitas que se consideram os sucessores dos filhos dos profetas para «meditar dia e noite na lei do Senhor».

Gerado à vida pelo Espírito de Elias, Eliseu pode por sua vez gerar filhos, chamados na Bíblia de «filhos dos profetas». Teodoreto de Ciro apresenta Eliseu à testa do «coro» dos profetas que o consideravam como «prior» deles (Quaest4 Re 6, 19).

Felipe Ribot mostra como Eliseu é reconhecido «pai» dos filhos dos profetas: «Vendo Eliseu revestido do hábito de Elias, reconheciam que estava repleto do espírito de Elias e o receberam imediatamente como pai deles e mestre no lugar de Elias» (nº 149). Ele ensina aos filhos dos profetas, dá a eles ordens, organiza a comunidade religiosa instituída por Elias. Igualmente para João Soreth, após a ascensão de Elias, os filhos dos profetas «o veneraram, como superior deles, porque substituía Elias no governo dos eremitas».

 

Os caçoadores de Eliseu

Segundo a Haggadah, os caçoadores de Eliseu não são meninos, mas adultos que se comportam como meninos tolos. O número de pessoas devoradas pelos dois ursos corresponde então aos 42 sacrifícios ofertados por Balac (Nm 23). Os Padres Latinos não se referiram a esta tradição e dão uma interpretação anti-hebraica: Vespasiano e Tito – os dois ursos – aniquilaram Jerusalém 42 anos após a Paixão de Cristo, escarnecido pelos hebreus. Por outro lado o grito «sobe, careca» é um insulto a Elias para transformar em chacota o seu rapto. João Baconthorppensa nos detratores da Ordem: Eliseu ensina o respeito devido à antiguidade da Ordem como para cada forma de velhice (Laus 2, 1).

 

A sepultura de Eliseu

Um tradição hebraica tardia, bem atestada na Patrística (Jerônimo, Egéria, Anônimo de Piacenza, Isidoro de Sevilha, Beda o Venerável), localiza a tumba de Eliseu em Sebaste na Samaria, com as tumbas de Abdias e de João Batista. Os carmelitas da Idade Média (João de Cheminot, Speculum 1; João de Hildesheim,Diálogo) conheciam esta tradição. A sepultura de Eliseu foi violada por Juliano o Apóstata no século IV. Parte dos ossos foi transferida para Alexandria e para Constantinopla, e dali para Ravenna em 718 e colocada na igreja de São Lourenço. No Capítulo Geral de 1369, autorizou-se a Ordem a fazer investimento econômico para obter as relíquias de Eliseu. A igreja foi destruída em 1603 e se ignora a sorte das relíquias, entretanto se mostra na igreja de Santo Apolinário a cabeça de Santo Eliseu.

 

Culto litúrgico

O primeiro decreto oficial aprovando a festa de Santo Eliseu para o dia 14 de junho, data na qual o profeta é festejado no rito bizantino, se encontra nas Constituições de 1369. Foi promulgada no Capítulo Geral de Florença de 1399. Em 1564 se adicionou uma oitava à celebração da festa. No calendário da Reforma Teresiana, em 1609, a memória de Eliseu recebe a categoria de festa de primeira classe, mas em 1617 foi reduzida à condição de segunda classe, com oitava, e depois abandonada em 1909. As Constituições O. Carm. de 1971 determinavam: “Com oportuna solenidade sejam celebradas as festas dos pais da Ordem Elias e Eliseu, do protetor S. José e dos nossos santos” (nº 72). Mas na reforma litúrgica de 1972, Eliseu foi excluído do calendário dos dois ramos do Carmelo. Por solicitação dos Carmelitas da Antiga Observância, a re-introdução da memória de Santo Eliseu foi aceita pela Sagrada Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos em 1992.

 

Conclusão

Elias e Eliseu são considerados o ponto de partida de uma sucessão ininterrupta de monges no Antigo Testamento e depois no Novo Testamento, antes de serem mais simplesmente os inspiradores dos Carmelitas dos quais estes querem ser seus imitadores e ainda mais seus filhos. A devoção ao profeta Eliseu conheceu um eclipse de uns 30 anos após o Concílio Vaticano II: a reforma litúrgica do Próprio do Carmelo não conservou a sua festa, as Constituições O. Carm. (1971) e as dos Carmelitas Descalços (1991) nomeiam o profeta Elias somente quando se referem à tradição bíblica da Ordem. Por sorte, diversos estudos o recolocaram no seu lugar (Carmel 1994/1). As Constituições O. Carm. de 1995 dizem: “O Carmelo celebra, com especial devoção, os seus Santos, colhendo neles a expressão mais viva e genuína do carisma e da espiritualidade da Ordem ao longo dos séculos. Com particular solenidade, sejam celebradas a festividade de Santo Elias Profeta, a memória de S. Eliseu Profeta e as festas dos protectores da Ordem, a saber, S. José, S. Joaquim e Santa Ana” (nº 88).

De fato o Carmelo reconhece como seus inspiradores, não só o Tesbita, mas juntos Elias e Eliseu, porque nesta mesma relação se manifesta o carisma do Carmelo.

 

1) Oração

 

Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 38-42)

Naquele tempo disse Jesus: 38Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. 40Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. 41Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. 42Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado. 43Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.

 

3) Reflexão - Mt 5, 38-42

O evangelho de hoje faz parte de uma pequena unidade literária que vai desde Mt 5,17 até Mt 5,48, na qual se descreve como passar da antiga justiça dos fariseus (Mt 5,20) para a nova justiça do Reino de Deus (Mt 5,48). Descreve como subir a Montanha das Bem-aventuranças, de onde Jesus anunciou a nova Lei do Amor. O grande desejo dos fariseus era alcançar a justiça, ser justo diante de Deus. Este é também o desejo de todos nós. Justo é aquele ou aquela que consegue viver no lugar onde Deus o quer. Os fariseus se esforçavam para alcançar a justiça através da observância estrita da Lei. Pensavam que era pelo próprio esforço que poderiam chegar até o lugar onde Deus os queria, Jesus toma posição diante desta prática e anuncia a nova justiça que deve ultrapassar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). No evangelho de hoje estamos quase chegando no topo da montanha. Falta pouco. O topo é descrita com a frase: “Sede perfeito como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48), que meditaremos no evangelho de amanhã. Vejamos de perto este último degrau que nos falta para chegar ao topo da Montanha, da qual São João da Cruz diz: “Aqui reinam o silêncio e o amor”.

Mateus 5,38: Olho por olho, dente por dente

Jesus cita um texto da Lei antiga dizendo: "Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente!”. Ele abreviou o texto. O texto inteiro dizia: ”Vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé,  queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex 21,23-25). Como nos casos anteriores, também aqui Jesus faz uma releitura inteiramente nova. O princípio “olho por olho, dente por dente” estava na raiz da interpretação que os escribas faziam da lei. Este princípio deve ser subvertido, pois ele perverte e estraga o relacionamento entre as pessoas e com Deus.

Mateus 5,39ª: Não retribuir o mal com o mal

Jesus afirma exatamente o contrário: Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem fez o mal a vocês”. Diante de uma violência recebida, nossa reação natural é pagar o outro com a mesma moeda. A vingança pede “olho por olho, dente por dente”. Jesus pede para retribuir o mal não com o mal, mas com o bem. Pois, se não soubermos superar a violência recebida, a espiral da violência tomará conta de tudo e já não haverá mais saída. Lameque dizia: “Por uma ferida recebida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete” (Gn 4,24). Foi por causa desta vingança extremada que tudo terminou na confusão da Torre de Babel (Gn 11,1-9). Fiel ao ensinamento de Jesus, Paulo escreve na carta aos Romanos: “Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos os homens. Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem”. (Rm 12,17.21). Para poder ter esta atitude é necessário ter muita fé na possibilidade da recuperação do ser humano. Como fazer isto na prática. Jesus oferece 4 exemplos concretos. 

Mateus 5,39b-42: Os quatro exemplos para superar a espiral da violência

Jesus diz: Pelo contrário:  (1) se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda!  (2) Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto!  (3) Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele.  (4) Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado.” (Mt 5,40-42). Como entender estas quatro afirmações? Jesus mesmo nos ofereceu uma ajuda de como devemos entendê-las. Quando o soldado lhe deu uma bofetada numa face, ele não ofereceu a outra. Pelo contrário, ele reagiu energicamente: "Se falei mal, mostre o que há de mal. Mas se falei bem, por que você bate em mim?" (Jo 18,23) Jesus não ensina passividade. São Paulo acredita que, retribuindo o mal com o bem, “você fará o outro corar de vergonha” (Rm 12,20). Esta fé na possibilidade da recuperação do ser humano só é possível a partir de uma raiz que nasce da total gratuidade do amor criador que Deus mostrou para conosco na vida e nas atitudes de Jesus.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Você já sentiu alguma vez uma raiva tão grande de querer aplicar a vingança “olho por olho, dente por dente”? Como fez para supera-la?

2) Será que a convivência comunitária hoje na igreja favorece a ter em nós o amor criador que Jesus sugere no evangelho de hoje?

 

5) Oração final

Senhor, ouvi minhas palavras, escutai meus gemidos. Atendei à voz de minha prece, ó meu rei, ó meu Deus. É a vós que eu invoco, Senhor. (Sl 5, 2-4)

 

Constant Dölle

Tradução: Frei Gabriel Haamberg, O. Carm

            O espírito empreendedor de Tito para escrever artigos começou bem cedo. Escreve sobre Santa Teresa de Jesus e outros assuntos religiosos. Enfrenta o desafio de fundar uma revista para sua cidade e para toda a Holanda. Em 1911 foi dado o tiro de partida, sendo Tito a cabeça da redação com 16 frades formados. A revista recebe o nome de “Rosas do Carmelo”, alusão às rosas que Santa Teresinha prometera fazer chover sobre a terra após a sua morte. Chegou a 11.000 assinaturas. Os melhores artigos eram do frei Tito. O objetivo era a devoção a Maria, Mãe de Deus. Frequentemente terminava seus artigos com a benção: “Desçam sobre nossa terra o amor de Cristo e de sua mãe Maria”.

            No conhecido Dictionnaire de Spiritualité encontramos artigos clássicos dele; ainda hoje são fonte importante para quem se dedica ao estudo de espiritualidade e mística.

            Tito não se limita a escrever só sobre temas religiosos, mas também sobre questões sociais e políticas. Refunda um jornal, prestes a desaparecer. Após seu doutoramento em filosofia e especialização em sociologia escreve em mais de vinte jornais e revistas de cobertura regional e nacional. Desde 1918 escreve, a cada ano, 104 artigos. Os seus muitos trabalhos pastorais e científicos são editados em várias línguas. O jornalismo em todas as suas facetas é a paixão de sua vida. Considera-o como um caminho privilegiado de levar Deus às pessoas e ao povo. O anúncio da verdade era uma questão de justiça para ele. “A verdade vos libertará”, já dizia Paulo Apóstolo.  Também cobra uma melhor posição jurídica e salarial para jornalistas. Luta pela atualização do currículo de formação jornalística, buscando novas formas. Naquela época, já se movimentava em busca de modernização e atualização do currículo para formação de cineastas, sem êxito, porém. Havia ventos contrários. 

            Em tudo Tito quis servir ao povo de Deus. Seu coração carregado de amor por ele, sua abertura ao Mistério de amor e sua força transformadora eram o núcleo de sua espiritualidade e assinalavam também seus trabalhos acadêmicos e suas múltiplas iniciativas.

Em 1935, é nomeado pelo arcebispo de Jong diretor espiritual da União de Jornalistas Católicos de seu país. Por ocasião da instalação da sua função anuncia: “Nós, jornalistas católicos, devemos abordar em tudo o lado positivo e construtivo da vida. Este é para nós o único caminho desejado por Deus para servir à causa católica. É preciso colocar o amor em primeiro lugar. Esse amor deve revelar-se na imprensa católica”.

As palavras de Tito acontecem ao mesmo tempo em que, em Nüremberg, são editadas as leis absurdas de exclusão da cidadania aos judeus e povos não-arianos pelo nacional socialismo. São muitíssimo conhecidos seus trabalhos entre os jornalistas católicos e sua defesa intransigente dos princípios da fé católica, da integridade e liberdade da imprensa católica na Holanda contra a ideologia nazista. Nas suas aulas na universidade falava aos alunos sobre esse sistema pagão e opressor, defensor da superioridade da raça ariana.

No dia 18 de dezembro de 1941, as empresas jornalísticas na Holanda recebem ordens das autoridades nazistas de aceitarem em seus jornais publicações de notícias nazistas. Eram igualmente pressionadas a substituírem altos funcionários por pessoas de ideologia nacional socialista. O arcebispo De Jong protesta contra as medidas discriminatórias de Hitler. Na Holanda, o porta-voz de Hitler é Seyss Inquart, que antes já entregara a Áustria ao Führer.

Por ordem do arcebispo, Tito elabora uma carta com a sua aprovação, para os diretores e redatores chefes dos diários católicos. Nela era comunicado que tanto para os diretores como redatores chefes, existia a obrigação, sob pena de multa, suspensão ou até mesmo a supressão de jornais, de recusar toda a cooperação com o nacional socialismo em nosso país e conservar o caráter católico de seus diários. A carta termina com o versículo: “Deus tem a última palavra e recompensa o servo fiel”.

Tito diz ao arcebispo que vai entregar pessoalmente a carta pastoral, mas antes irá falar com os bispos. Esses o alertaram do grande risco de sua missão. O temor deles tinha fundamento. Tito sabia disto: “Estou me sentindo incomodado, mas não tenho medo e a omissão não é do meu feitio”.

Iniciando no dia primeiro de janeiro de 1942, por um prazo de nove dias visita todas as diretorias dos jornais católicos na Holanda, esclarecendo a posição do não da Igreja. Não retarda a resposta da polícia secreta, pois houve traição. Durante suas viagens, o nazista alemão Janke se comunica com o general Schmidt: “O Prof. Brandsma deve ser imediatamente processado e enviado para um campo de concentração, devido à oposição sistemática às autoridades de ocupação alemã. É um homem perigoso”.

Tito suspeita do que o espera: “Agora percebo que tudo o que acontece faz parte da minha vida. Agora vou parar na cadeia e me tornar um verdadeiro carmelita”.

De fato, sua posição coerente e firme em favor do ensino e da liberdade de expressão leva-o, por fim, ao martírio no campo de extermínio em Dachau, na Alemanha. Isto ocorre devido ao que falara anteriormente às autoridades nazistas: “O povo holandês faz enormes sacrifícios em favor da fé cristã, tanto crentes como católicos. Veneramos na sua história um tal número de mártires que são exemplos para a humanidade. O povo é capaz de dar a sua vida em defesa da fé, onde ela for reprimida!”.

*Do Livro: O CAMINHO DE TITO BRANDSMA NO TEMPO DE HITLER: PROFESSOR – MÍSTICO CARMELITA – JORNALISTA – MÁRTIR

(O Frei Tito Brandsma, Frade Carmelita da Ordem do Carmo, foi Reitor da Universidade, Professor e Mártir. Foi martirizado no dia 26 de julho de 1942 em Dachau, campo de concentração nazista e seu corpo jogado num crematório coletivo. Portanto a 80 anos, vítima do Nazismo com uma injeção letal ele disse a enfermeira: “Vou rezar por você…” e entregou a ela o seu terço. Mártir da imprensa, não negociou a verdade denunciando as barbáries do nazismo. O Papa João Paulo II o beatificou em 3 de novembro de 1985 e será canonizado no dia 15 de maio -2022, em Roma)

*Por Courtney Mares

Mais de 60 jornalistas solicitaram ao Papa Francisco que faça de Titus Brandsma um santo padroeiro oficial do jornalismo.

Uma carta aberta publicada em 10 de maio dizia que o mundo “requer urgentemente um intercessor santo” como Brandsma, padre e jornalista carmelita, “nestes tempos de desinformação e polarização”.

Brandsma, que será canonizado como santo na Igreja Católica em 15 de maio, morreu no campo de concentração de Dachau em 1942, depois de se opor firmemente à propaganda nazista obrigatória em jornais católicos.

“Nós, jornalistas católicos, reconhecemos em Titus Brandsma um colega profissional e companheiro de fé de posição considerável. Alguém que compartilhou a missão mais profunda que deve impulsionar o jornalismo nos tempos modernos: a busca da verdade e da veracidade, a promoção da paz e do diálogo entre as pessoas”, diz a petição.

A carta de recurso foi co-escrita por três jornalistas da Holanda, onde Brandsma nasceu , e um jornalista da Bélgica. Foi co-assinado por mais de 60 correspondentes do Vaticano.

“Titus Brandsma significou muito para a comunidade católica dos Países Baixos, mas seus trabalhos jornalísticos se destacam entre todas as suas outras atividades. Foi redator-chefe de um jornal, dedicou-se à modernização e profissionalização da imprensa diária católica na Holanda e lutou por melhores condições de trabalho e pela formação profissional dos jornalistas”, diz a carta.

“O padre Brandsma fez seu trabalho no contexto da ascensão do fascismo e do nazismo na Europa. Em palavras e atos, ele se opôs à linguagem de ódio e divisão que estava se tornando comum na época. Em sua opinião, o que agora descrevemos como 'fake news' não deveria ser tolerado na imprensa católica; ele defendeu com sucesso a proibição episcopal da impressão de propaganda nacional-socialista em jornais católicos”.

A carta reconhece que a Igreja Católica já tem um santo padroeiro dos jornalistas: São Francisco de Sales.

O Papa Pio XI proclamou o bispo de Genebra o santo padroeiro dos jornalistas e escritores em 1923. O santo do século 16 usou seus dons como escritor para escrever o clássico devocional “Introdução à Vida Devota” , bem como cartas, sermões, e documentos abordando controvérsias e calvinismo.

A carta argumenta que o santo francês era “sem dúvida um homem santo de fé e de grande mérito, mas não era um jornalista no sentido moderno da palavra”.

“Tito Brandsma era. E como dissemos, ele deu a vida por isso. Em nossa opinião, isso o torna particularmente adequado para esse patrocínio”, acrescenta.

Brandsma serviu como conselheiro espiritual para a equipe de mais de 30 jornais católicos na Holanda. Ele também trabalhou na biografia da carmelita Santa Teresa de Ávila, compôs meditações sobre a Via Sacra e escreveu cartas .

Ao longo da década de 1930, Brandsma assistiu horrorizado quando Adolf Hitler fortaleceu seu domínio sobre a vizinha Alemanha. O frade criticou duramente as políticas nazistas em artigos de jornal e palestras. "O movimento nazista é uma mentira negra", disse ele. “É pagão.”

Quando os jornais holandeses foram instruídos a aceitar anúncios e comunicados de imprensa de seus senhores nazistas, o arcebispo de Utrecht pediu a Brandsma que dissesse aos editores católicos do país que eles deveriam recusar a ordem.

Brandsma conseguiu visitar 14 editores antes de ser preso em 19 de janeiro de 1942, em um mosteiro em Boxmeer. Enquanto a Gestapo se preparava para levá-lo, ele se ajoelhou diante de seu superior e recebeu sua bênção.

Um oficial, o capitão Paul Hardegen, mais tarde pediu a Brandsma que expressasse por escrito por que seus compatriotas desprezavam o partido nazista holandês.

“Os holandeses”, escreveu o frade, “fizeram grandes sacrifícios por amor a Deus e possuem uma fé permanente em Deus sempre que tiveram que provar a adesão à sua religião … nossas vidas por nossa religião.”

Brandsma e outros 10 candidatos, incluindo Charles de Foucauld e quatro mulheres , serão declarados santos na primeira missa de canonização no Vaticano em mais de dois anos e meio.

Antes de sua canonização, a Embaixada da Holanda junto à Santa Sé organizou um simpósio sobre Brandsma e liberdade de imprensa.

A embaixadora Caroline Weijers disse ao Vatican News que um dos temas que ela esperava ser abordado no simpósio era que “o mundo precisa de jornalistas corajosos como Titus Brandsma para fazer a diferença pela humanidade e pelos direitos humanos para todos”.

 

*Courtney Mares é correspondente em Roma da Catholic News Agency. Formada pela Universidade de Harvard, ela fez reportagens em agências de notícias em três continentes e foi premiada com a Gardner Fellowship por seu trabalho com refugiados norte-coreanos. Fonte: https://www.catholicnewsagency.com

O carmelita Titus Brandsma, assassinada em Dachau em 1942, é uma inspiração para o jornalismo contemporâneo. Em um simpósio em Roma ficou claro o quanto a fala e as ações do carmelita próximo só podem ser compreendidas em seu contexto, mas ao mesmo tempo têm grande valor tópico.

Roma

O embaixador holandês dos direitos humanos, Bahia Tahzib-Lie, havia viajado a Roma especialmente para falar aos jornalistas, diplomatas, clérigos e outras partes interessadas reunidas, poucos dias antes da canonização de Brandsma em Roma. "A vida e o espírito de Titus Brandsma me inspiram de muitas maneiras", disse ela em seu discurso de abertura . 

De acordo com Tahzib-Lie, Brandsma enfatizou 'que o amor é mais forte do que uma ideologia que prega o ódio, condena e rejeita o amor e o chama de fraqueza'. 

O simpósio em inglês sobre 'Titus Brandsma e os desafios do jornalismo em tempos turbulentos' foi organizado em Roma pela embaixada holandesa junto à Santa Sé em colaboração com a Associação Internacional de Jornalistas Credenciados no Vaticano (AIGAV). 

No prédio dos Carmelitas em Roma, onde Tito viveu durante seus estudos, dois professores carmelitas também falaram sobre Tito Brandsma, os tempos turbulentos em que viveu e sua espiritualidade carmelita. "Titus não percebeu totalmente os riscos que corria, como muitos jornalistas hoje", disse o professor carmelita Craig Morrison. Três correspondentes internacionais do Vaticano falaram sobre os desafios contemporâneos do jornalismo na era das notícias falsas e das redes sociais.

A contribuição lida em voz alta pelo professor emérito de ciências da comunicação de Amsterdã, Joan Hemels, mostrou que a morte de Brandsma em 1942 passou praticamente despercebida na Holanda. Apenas o De Telegraaf com suas 'tendências amigáveis ​​aos nazistas' publicou uma pequena notícia sobre a morte de Tito. A grande maioria da mídia católica não mencionou a morte do conhecido professor e ex-reitor da Universidade Católica de Nijmegen, "por medo de represálias", segundo Hemels. 

Mas, no final, a ação corajosa e o martírio do carmelita não passaram despercebidos. “Para mim, Titus Brandsma é um importante defensor dos direitos humanos que continua a inspirar as pessoas em todo o mundo em nossa luta contra os venenos da desinformação, mentiras e notícias falsas”, disse Tahzib-Lie. Fonte: https://www.nd.nl/geloof/katholiekinside

Quatro jornalistas católicos da Holanda e da Bélgica pedem ao Papa Francisco que faça do novo São Tito Brandsma o santo padroeiro do jornalismo. Mais de sessenta jornalistas internacionais assinaram seu apelo.

 

Sua Santidade,

Em 2018 você pediu a nós, jornalistas, em alto e bom som, 'promover um jornalismo de paz', um 'jornalismo verdadeiro e contrário a falsidades, slogans retóricos e manchetes sensacionalistas. Um jornalismo feito de pessoas para pessoas, ao serviço de todos, (…) um jornalismo empenhado em apontar alternativas à escalada da gritaria e da violência verbal” (“A verdade vos libertará” (Jo 8 :32), Fake news e jornalismo para a paz. Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações, 24 de janeiro de 2018).

Apoiamos de todo o coração o seu apelo à ação e nele reconhecemos uma declaração de missão para todo o empreendimento jornalístico: para velhas e novas mídias, para editores de jornais, revistas, estações de rádio e televisão e plataformas de internet - e não apenas para jornalistas de origem católica, mas para todos os jornalistas de boa vontade.

No dia 15 de maio, em Roma, você canonizará um homem que incorporou esses valores jornalísticos cruciais até o dia de sua morte: o padre carmelita holandês Titus Brandsma (1881 - 1942). 

Titus Brandsma significou muito para a comunidade católica dos Países Baixos, mas seus trabalhos jornalísticos se destacam entre todas as suas outras atividades. Foi redator-chefe de um jornal, dedicou-se à modernização e profissionalização da imprensa diária católica na Holanda, e lutou por melhores condições de trabalho e pelo estabelecimento de uma formação profissional para jornalistas.

O padre Brandsma fez seu trabalho no contexto da ascensão do fascismo e do nazismo na Europa. Em palavras e ações, ele se opôs à linguagem de ódio e divisão que estava se tornando comum na época. Em sua opinião, o que agora descrevemos como 'fake news' não deveria ser tolerado na imprensa católica; ele defendeu com sucesso a proibição episcopal da impressão de propaganda nacional-socialista em jornais católicos. 

O compromisso com a verdade e a humanidade também é extremamente perigoso em nossos tempos de desinformação e polarização.

Ele pagou com a vida por essas ações corajosas: no início de 1942, o padre Tito foi preso pelas forças de ocupação e, consequentemente, enviado para o campo de concentração de Dachau. Lá, em 26 de julho do mesmo ano, foi morto por uma injeção, no domingo em que os bispos holandeses fizeram seu corajoso protesto contra as deportações de judeus lidos em todas as igrejas.

Nós, jornalistas católicos, reconhecemos em Titus Brandsma um colega profissional e companheiro de fé de posição considerável. Alguém que compartilhou a missão mais profunda que deve impulsionar o jornalismo nos tempos modernos: a busca da verdade e da veracidade, a promoção da paz e o diálogo entre as pessoas.

Por isso, o vemos como amigo e defensor de toda a nossa profissão, aliás, um santo padroeiro do jornalismo. Gostaríamos, portanto, de pedir-lhe com ousadia que oficialize o ofício desta padroeira. 

O atual padroeiro do jornalismo é Francisco de Sales. É sem dúvida um homem santo de fé e de grande mérito, mas não era jornalista no sentido moderno da palavra. Tito Brandsma era.

E como dissemos, ele deu a vida por isso. A nosso ver, isso o torna particularmente adequado para esse patrocínio. Segundo a UNESCO, em 2021, nada menos que 55 jornalistas morreram em todo o mundo enquanto realizavam seu trabalho. Muitos mais tiveram que lidar com violência, ameaças, repressão, censura e perseguição. O compromisso com a verdade e a humanidade é extremamente perigoso nestes tempos de desinformação e polarização. Isso requer urgentemente um intercessor santo que tenha experimentado isso pessoalmente - e passado pela provação com louvor.

Agradecemos sua gentileza em considerar este pedido.

Conheceu vriendelijke groeten,

 

Iniciadores:

Anton de Wit, editor-chefe Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Hendro Munsterman, correspondente do Vaticano, Nederlands Dagblad (Holanda)

Emmanuel Van Lierde, editor-chefe e vaticanista Tertio (Bélgica)

Wilfred Kemp, apresentador de rádio e TV, KRO-NCRV (Holanda)


Co-signatários:

Valentina Alazraki, jornalista Noticieros Televisa (México)

Junno Arocho Esteves, jornalista Catholic News Service (Estados Unidos)

Loup Besmond de Senneville, correspondente no Vaticano para La Croix (França)

Anita Bourdin, jornalista ZENIT e Rádio Esperance (França)

Giusi Brega, jornalista LaPresse (Itália)

Jan Brouwers, jornalista freelance (Holanda)

Maria Antonietta Calabro, jornalista Huffpost.it (Itália)

Cristiana Caricato, jornalista TV2000 (Itália)

Salvatore Cernuzio, correspondente do Vaticano Jornal Católico e jornalista do Vatican News (Itália)

Camille Dalmas, jornalista I-Media (França)

Vincent Delcorps, editor-chefe do diretor CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Charles Delhez sj, ex-editor-chefe Dimanche (Bélgica)

Robin van Deutekom, jornalista Nederlands Dagblad (Holanda)

Selinde van Dijk-Kroesbergen, editora web Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Peter Doorakkers, jornalista Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Luuk van den Einden, jornalista Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Stefania Falasca, jornalista e colunista Avvenire (Itália)

Eva Fernández, correspondente do Vaticano e Roma Cadena Cope (Espanha)

Leo Fijen, diretor/editor Adveniat e apresentador de televisão KRO-NCRV (Holanda)

Thulio Fonseca, jornalista e correspondente da TV Canção Nova (Brasil)

Andrea Gagliarducci, jornalista EWTN (Itália)

Filippo Di Giacomo, jornalista Il Venerdì (Itália)

Alexey Gotovskiy, jornalista EWTN (Itália)

Pierre Granier, jornalista CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Christian van der Heijden, vaticanista KRO-NCRV (Holanda)

Christophe Herinckx, jornalista CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Michiel van Hout, jornalista de cinema Nederlands Dagblad e De Nieuwe Koers (Holanda/Reino Unido)

Ignazio Ingrao, jornalista Tg1 Rai (Itália)

Antoine-Marie Izoard, diretor Famille Chrétienne (França)

Salvatore Izzo, diretor FarodiRoma.it (Itália)

Martin Janssen, correspondente no Oriente Médio Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Andjela Jelicic Krajcar, correspondente do Vaticano HRT (Croácia)

Susanne Kurstjens-van den Berk, jornalista Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Clément Laloyaux, jornalista CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Christopher Lamb, jornalista e autor, correspondente do Vaticano The Tablet (Reino Unido)

Benoit Lannoo, publicitário freelance (Bélgica)

Joan Lewis, Contribuinte Especial EWTN (Estados Unidos)

Manu Van Lier, jornalista CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Vania De Luca, jornalista Tg3 (Itália)

Jonathan Luxmoore, jornalista freelancer (Reino Unido)

Carlo Marino, jornalista Agência Europeia de Notícias (Alemanha)

Javier Martínez-Brocal, correspondente do Vaticano ABC (Espanha)

Mirticeli Medeiros, correspondente do Dom Total em Roma e no Vaticano (Brasil)

Carmen Monton Lecumberri, jornalista freelance (Holanda)

Remco van Mulligen, jornalista Nederlands Dagblad (Holanda)

Sara Nesci, jornalista RaiNews (Itália)

Michela Nicolais, jornalista Agenzia SIR (Itália)

Stefano Maria Paci, chefe do noticiário de televisão SkyTg 24 (Itália)

Francesco Paloni, jornalista Katholiek Nieuwsblad (Holanda)

Francesca Paltracca, jornalista de rádio Rai (Itália)

Maria Rita Pasqualucci, ex-jornalista RaiNews (Itália)

Ludwig Ring-Eifel, editor-chefe da KNA (Alemanha)

Alicia Romay, jornalista Huffpost / La Razón (Espanha)

Enzo Romeo, editor-chefe e vaticanista Tg2-Rai (Itália)

Ines San Martin, chefe do escritório de Roma, Crux (Argentina/Itália)

Christoph Strack, jornalista Deutsche Welle (Alemanha)

Angélique Tasiaux, jornalista CathoBel/Dimanche (Bélgica)

Paola Testoni-de Groot, jornalista freelance (Holanda)

Erik Thijssen, jornalista freelance (Holanda)

Annachiara Valle, jornalista Famiglia Cristiana (Itália)

Frederique Vanneuville, jornalista Tertio (Bélgica)

Hettie van der Ven, jornalista freelance (Holanda)

Ludwig De Vocht, jornalista Tertio (Bélgica)

Andrea Vreede, jornalista NOS News (Holanda)

Ary Waldir Ramos, correspondente em Roma Aleteia.org (Itália)

Sylvie Walraevens, jornalista Tertio (Bélgica). Fonte: https://www.nd.nl/geloof/katholiekinside

 

 

1) Oração

Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para conosco: fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 5, 17-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33e o seu reino não terá fim. 34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de João è diferente dos outros três. Ele revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue perceber nas palavras e gestos de Jesus. Os Padres da Igreja diziam que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito faz descobrir nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um exemplo bonito desta dimensão espiritual do evangelho de João é o trecho que meditamos hoje.

João 5,17-18Jesus explicita o significado profundo da cura do paralítico. Criticado pelos judeus por ter feito uma cura em dia de sábado, Jesus responde: “Meu Pai trabalha até agora e por isso eu também trabalha!”. Os judeus ensinavam que em dia de sábado não se podia trabalhar, pois até o próprio Deus descansou e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele diz que o Pai não parou de trabalhar até agora. Por isso, ele, Jesus, também trabalha, mesmo em dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade à obra da criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Querem matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do sábado e por se dizer igual a Deus.

João 5,19-21: É o amor que deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo do mistério do relacionamento entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, ele também faz. Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta atenção total do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar totalmente no Filho e, através do Filho, realizar a sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e fazer viver. A cura do paralítico foi uma forma de tirar as pessoas da morte e faze-las viver. É uma forma de dar continuidade à obra criadora do Pai.

João 5,22-23: O Pai não julga, mas confiou o julgamento ao filho. O decisivo na vida é a maneira como nós nos situamos frente ao Criador, pois dele dependemos radicalmente. Ora, o Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude da divindade (cf. Col 1,19). Por isso, é na maneira como nos definimos diante de Jesus, que expressamos nossa posição frente ao Deus Criador. O que o Pai quer é que o conheçamos e honremos na revelação que Ele fez de si mesmo em Jesus.

João 5,24: A vida de Deus em nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Onde ele se faz presente, a vida renasce. Ele se faz presente através da Palavra de Jesus. Quem escuta a palavra de Jesus como sendo de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o toque vivificante que o leva para além da morte. Já passou da morte para a vida. A cura do paralítico é a prova disso.

João 5,25-29: A ressurreição já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que ainda não nos abrimos para a voz de Jesus que vem do Pai. Mas “vem a hora, e é agora, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que o ouvirem viverão”. Com a palavra de Jesus, vinda do. Pai, iniciou-se a nova criação. Ela já está em andamento. A palavra criadora de Jesus vai atingir a todos, mesmo os que já morreram. Eles ouvirão e viverão.

João 5,30: Jesus é o reflexo do Pai. “Por mim mesmo nada posso fazer, eu julgo segundo o que ouço, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas sim a vontade daquele que me enviou”. Esta frase final é o resumo de tudo que foi refletido anteriormente. Esta era a compreensão que as comunidades da época de João tinham e irradiavam a respeito de Jesus.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Como você imagina o relacionamento entre Jesus e o Pai?

2) Como você vive a fé na ressurreição?

 

5) Oração final

O SENHOR é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça. O SENHOR é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)

 

 

O holandês Titus Brandsma morreu em um campo de concentração na Alemanha, em 1942

 

Escrito por Guilherme Gomes

Carmelita, professor e jornalista atuante contra o nazismo. Estas são as credenciais do holandês Titus Brandsma, que será canonizado pelo Papa Francisco em 15 de maio, de acordo com a Santa Sé.

Ele será o primeiro jornalista profissional reconhecido como santo pela Igreja Católica.

Em meados dos anos 1930, Brandsma usou uma rede de jornais católicos para defender a liberdade de informação e a dignidade de cada pessoa, e também condenar as ideologias nazistas, das quais criticou duramente a abordagem anti-humana.

Padre Tito, como era mais conhecido, foi preso em janeiro de 1942, como um perigoso subversivo e levado para Amersfoort, um "campo de trânsito" à espera da deportação.

O holandês morreu em 26 de julho de 1942, aos 61 anos, em um campo de concentração na Alemanha. A enfermeira que injetou o ácido fênico no jornalista relatou seus últimos momentos de vida, durante o interrogatório do processo de canonização.

"Ele pegou minha mão e disse: 'Pobre jovem que você é, eu rezarei por você!'". O processo de canonização atrasou por causa da pandemia de Covid-19.

Em 3 de setembro de 1985, João Paulo II o proclamou beato e mártir da fé. Agora, com Francisco, ele se torna santo.

O milagre atribuído à sua intercessão foi a cura de um sacerdote carmelita de um melanoma metastático dos linfonodos, em 2004, em Palm Beach, na Flórida (EUA). Fonte: https://www.a12.com/redacaoa12

 

O Santo Padre presidiu o Consistório Ordinário Público para três beatos: além do carmelita holandês Titus Brandsma, morto em Dachau, serão também canonizadas a religiosa francesa Maria Rivier e a religiosa italiana Maria de Jesus.

 

Salvatore Cernuzio/Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco presidiu a Hora Terça e o Consistório Ordinário Público para a votação de algumas Causas de Canonização, na manhã desta sexta-feira (04/03), na Sala do Consistório, no Vaticano.

"Rezarei por você". O carmelita Titus Brandsma pronunciou estas três palavras, as últimas de sua vida, à enfermeira que, por ordem das autoridades nazistas do campo de concentração de Dachau, aplicou nele uma injeção letal. Um perdão, manifestado pelo religioso, professor e jornalista, em seus últimos instantes de vida, na conclusão de uma vida de santidade traduzida em coragem e determinação durante os anos sombrios da invasão nazista.

Santidade que agora é reconhecida pela Igreja, que o canonizará em 15 de maio próximo, junto com duas religiosas, a francesa Maria Rivier e a italiana Maria de Jesus, numa grande cerimônia, na Praça São Pedro, que também elevará à honra dos altares sete beatos, cuja canonização foi decretada pelo Papa no Consistório de 3 de maio de 2021, sem fixar uma data por causa da pandemia. A cerimônia foi então marcada para maio. Dentre os beatos está também Charles De Foucauld, religioso francês e explorador do Saara e da cultura tuaregue, ponte de diálogo entre as religiões.

Dez novos santos em 15 de maio

Em 15 de maio, serão dez os novos santos proclamados pelo Papa Francisco. No início da cerimônia desta sexta-feira (04/03), o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, leu os nomes e apresentou um breve perfil dos três beatos, "irmãos e irmãs que acolheram a luz de Deus em seus corações e a transmitiram ao mundo, cada um de acordo com sua própria tonalidade". "Os milagres a eles atribuídos e reconhecidos pelo Papa", acrescentou o cardeal, "são um sinal de que o povo de Deus não só admirou o seu martírio ou o exercício heroico de suas virtudes, mas também reconheceu sua proximidade a Deus a ponto de confiar na intercessão deles".

 

Brandsma, professor e jornalista contra o nazismo

"Homem manso, mas determinado", Brandsma, natural da Holanda, onde a devoção a ele é profunda e difundida, em virtude do papel de assistente eclesiástico dos jornalistas católicos, assim nomeado pelos bispos holandeses, em 1935, utilizou a rede de jornais católicos para defender a liberdade de informação e a dignidade de cada pessoa e condenar as ideologias nazistas, das quais criticou duramente a abordagem anti-humana. Os seus corajosos escritos tornaram-se um ponto de referência para a resistência moral e cultural do povo holandês, mas entraram em choque com o Reich, que temia "aquele professor maligno", como dizia a manchete do jornal berlinense Fridericus, que decidiu silenciá-lo.

O pretexto foi a carta circular Brandsma enviada, em 31 de dezembro de 1941, a todos os jornais católicos, exortando-os a não publicar anúncios do Movimento Nacional Socialista que exaltava a "raça". Caso contrário, dizia, "eles não deverão mais ser considerados católicos e não deverão e não poderão contar com os leitores e assinantes católicos". Padre Tito foi preso, em janeiro de 1942, como um perigoso subversivo e levado para Amersfoort, um "campo de trânsito" à espera da deportação. Os detalhes de seus dias de prisão são conhecidos graças a um diário e algumas cartas enviadas aos superiores, confrades, familiares e amigos. Nelas, o carmelita descreveu o espaço pequeno de sua cela, os maus-tratos, sem expressar tristeza ou reclamações. Embora impossibilitado de receber a comunhão, ele dizia sentir-se em casa na prisão, porque Deus estava ao seu lado.

 

Morte em Dachau

Ele manteve a mesma serenidade até sua morte ocorrida, em Dachau, através de uma injeção de veneno. A enfermeira que o injetou o ácido fênico relatou seus últimos momentos de vida, durante o interrogatório do processo de canonização: "Ele pegou minha mão e disse: 'Pobre jovem que você é, eu rezarei por você!" A viagem terrena de Brandsma concluiu-se, em 26 de julho de 1942, aos 61 anos. Em 3 de setembro de 1985, João Paulo II o proclamou beato e mártir da fé. Agora, com Francisco, ele se tornará santo. O milagre atribuído à sua intercessão foi a cura de um sacerdote carmelita de um "melanoma metastático dos linfonodos", em 2004, em Palm Beach (EUA).

 

Maria Rivier, uma vida dedicada à educação

Com Brandsma, será canonizada a francesa Maria Rivier. Sua santidade foi cultivada desde o tempo em que criança, que sofria de uma doença que a impedia de andar, prometeu à Virgem Maria que, se fosse curada, dedicaria sua vida à educação das crianças. Ela foi curada e aos 18 anos abriu uma escola para crianças em sua cidade natal. Na época da Revolução Francesa, tão hostil à religião católica e suas instituições, seu carisma fundador floresceu: a jovem fundou a Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria. As irmãs se dedicaram não somente à formação religiosa e educação das jovens, mas também a um verdadeiro apostolado para o despertar da fé e da prática religiosa nas paróquias onde as pessoas se reuniam todos os domingos, explicando a doutrina e convidando-as à oração. Maria Rivier morreu em 3 de fevereiro de 1738 e foi beatificada por João Paulo II, em 1982. O milagre atribuído à sua intercessão diz respeito à recuperação vital, em 2013, de um menino de Meru, no Quênia, que nasceu não obstante a "ausência prolongada de atividade cardíaca, respiratória e neurológica".

 

Maria de Jesus, a "senhora" a serviço dos pobres e dos pequenos

Maria de Jesus, fundadora das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes, nasceu em Palermo sob o nome de Carolina Santocanale, em uma família rica. Na casa de seus avós em Monreale, ela viu a necessidade de seu povo por assistência e educação. Então, abandonou a ideia de uma vida de clausura, que cultivava desde menina, e se colocou a serviço da população, que a chamava de "senhora", mas que admirava sua humildade. Ela abraçou a espiritualidade franciscana e tornou-se terciária. Reuniu outras jovens que queriam passar a vida ajudando o próximo. Estabeleceu-se na cidade de Cinisi, onde, no oratório, abriu um jardim de infância, um educandário e uma oficina de costura. Trabalhou até o último de seus dias e morreu ao final de um dia cansativo, em 1923. O milagre de sua canonização diz respeito a duas gravidezes levadas a termo, entre 2016 e 2017, por uma mulher siciliana que sofria de uma doença grave que havia causado sua infertilidade.

 

Nove cardeais elevados à Ordem dos Persbíteros

No final do Consistório, seguiu-se a elevação de nove cardeais da Ordem dos Diáconos à Ordem dos Presbíteros. Eles são os cardeais Manuel Monteiro de Castro, (Diaconia de Domenico di Guzmán); Santos Abril y Castelló, (San Ponziano); Antonio Maria Vegliò, (San Cesareo in Palatio); Giuseppe Bertello, (Santissimi Vito, Modesto e Crescenzia); Francesco Coccopalmerio, (San Giuseppe dei Falegnami); João Braz de Aviz, (Santa Elena fora de Porta Prenestina); Edwin Frederick O'Brien, (San Sebastiano al Palatino); Domenico Calcagno, (Anunciação da Santíssima Virgem na Via Ardeatina); Giuseppe Versaldi, (Sagrado Coração de Jesus em Castro Pretório). Fonte: https://www.vaticannews.va

Fotos e fatos do 4º Dia da Novena de Nossa Senhora da Conceição em Angra dos Reis/RJ, Diocese de Itaguaí. Celebrante nesta quinta-feira, dia 2- Frei Eduardo Ferreira, O. Carm- Frade Carmelita do Carmo da Lapa, Rio. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 3 de dezembro-2021. Câmera: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm

 

Promulgação de decretos para novos Servos de Deus, Beatos e Santos

O Papa autorizou os decretos sobre as virtudes heroicas de Odette Vidal e de outros cinco Servos de Deus. Também foram reconhecidos os milagres de dois beatos que serão santos: o beato Tito Brandsma sacerdote que morreu no campo de concentração de Dachau e a Beata Maria de Jesus, religiosa italiana. E serão beatificados por reconhecimento do martírio cinco sacerdotes franceses, mortos em 1871 em ódio à fé em Paris

 

Frei Tito Brandsma: Em Bolsward, povoado holandês de 10.000 habitantes, do matrimônio de Tito e Postma, em 23/02/ 1881, vinha ao mundo “o quinto” de seis filhos com que o Senhor abençoou aqueles pais cristãos. Desde menino deu provas de uma preclara inteligência e de um coração de ouro, ainda encerradas em um corpo franzino e debilitado.

Aos 17 anos vestiu o hábito do Carmelo exclamando: “a espiritualidade do Carmelo que é vida de oração e de terna devoção a Maria, me levaram à feliz decisão de abraçar esta vida. O espírito do Carmelo me fascinou!”. Emitiu seus votos religiosos em 03/10/1899 e se ordenou sacerdote em 17/ 06/1905.

Cursou brilhantemente seus estudos, primeiro em sua Pátria e depois passou a Roma, onde se doutorou em filosofia. Retornando à Holanda, se entregou de cheio a toda classe de apostolado: escreveu livros e artigos em várias revistas; dá aulas dentro e fora do convento; prega e dirige cursilhos; organiza congressos; confessa e administra outros sacramentos. Todos se admiram de como pode chegar a todos os lugares (a todas as partes). E do que mais se admiram é que, antes de tudo, é religioso observante, alma de profunda oração, fervoroso sacerdote e profundamente sensível e humilde.

Foi cofundador da Universidade Católica de Nimega, catedrático e reitor magnífico da mesma. Assessor religioso de todos os editores de periódicos (revistas, jornais) da Holanda, em cujo campo trabalhou com grande zelo e acerto. Era a pessoa pública mais conhecida da Holanda.

No jardim de sua alma floresceram todas as virtudes. É um enamorado de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de sua Ordem do Carmo.

Na tarde de segunda-feira, 19 de janeiro de 1942, foi capturado pelos “SS” nazistas e encarcerado em vários campos de concentração. Seis longos meses de calvário, sobretudo no “inferno” de Dachau (campo de concentração tão terrível como o de Auchwitz). Por fim, por seu grande amor à Igreja e a seus irmãos, no domingo, dia 26 de julho de 1942, seu corpo caía por terra, como o “grão de trigo” do Evangelho, por obra de uma injeção mortal de ácido fênico. Todos no campo repetiam: “morreu um santo!”

Padre Tito Brandsma, em seus meses de prisão, sempre se conservou sereno, levando a todos a bondade e o amor que ardiam em seu coração. Foi um “anjo” para os demais prisioneiros, já acabrunhados e desesperados por tanto sofrimento. A própria enfermeira alemã que lhe aplicou a injeção mortal, mais tarde, no processo de beatificação, testemunhou emocionada a mansidão e a paz conservadas por nosso querido Beato.

Foi beatificado por Sua Santidade São João Paulo II, em 03 de novembro de 1985. Sua festa é celebrada no dia 27 de julho.

Com informações: www.vaticannews.va; https://institutohesed.org.br

O Papa autorizou os decretos sobre as virtudes heroicas de Odette Vidal e de outros cinco Servos de Deus. Também foram reconhecidos os milagres de dois beatos que serão santos: o beato Tito Brandsma sacerdote que morreu no campo de concentração de Dachau e a Beata Maria de Jesus, religiosa italiana. E serão beatificados por reconhecimento do martírio cinco sacerdotes franceses, mortos em 1871 em ódio à fé em Paris

Vatican News

O decreto da Congregação para as Causas dos Santos assinado pelo Papa em 25 de novembro de 2021 autorizou o reconhecimento das virtudes heroicas de seis novos Servos de Deus. Além de ser reconhecidas as virtudes heroicas da brasileira Odette Vidal, fiel leiga; nascida em 18 de fevereiro de 1931 no Rio de Janeiro e falecida em 25 de novembro de 1939, foram também reconhecidas as virtudes heroicas dos seguintes Servos de Deus:

 

Padre Tonino Bello, Bispo de Molfetta; nascido em 18 de março de 1935 em Alessano (Itália) e falecido em 20 de abril de 1993 em Molfetta (Itália);

 

João de Jesus Maria (nome de nascimento: João de San Pedro e Ustarroz), sacerdote professo da Ordem dos Carmelitas Descalços; nascido em 27 de janeiro de 1564 em Calahorra (Espanha) e falecido em 28 de maio de 1615 em Monte Compatri (Itália);

 

Giorgio Guzzetta, Sacerdote da Confederação do Oratório de São Felipe Neri; nascido em 23 de abril de 1682 em Piana dei Greci (hoje Piana degli Albanesi, Itália) e falecido em 21 de novembro de 1756 em Partinico (Itália);

 

Natalina Bonardi (nome de nascimento: Maria), fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Maria de Loreto; nascida em 4 de dezembro de 1864 em Cuneo (Itália) e falecida em 25 de julho de 1945 em Vercelli (Itália);

 

Maria Dositea Bottani (nome de nascimento: Maria Domenica), Superiora Geral da Congregação das Irmãs Ursulinas da Imaculada Virgem Maria de Gandino; nascida em 31 de maio de 1896 em Pianca (Itália) e falecida em 2 de setembro de 1970 em Bérgamo (Itália).

Também serão declarados Santos pelo reconhecimento do milagre atribuído à sua intercessão:

 

Beato Tito Brandsma (nome de nascimento: Anno Sjoerd), sacerdote professo da Ordem dos Carmelitas; nascido em 23 de fevereiro de 1881 em Bolsward (Holanda) e morto em ódio à fé em 26 de julho de 1942 em Dachau (Alemanha);

 

Beata Maria de Jesus (nome de nascimento Carolina Santocanale), fundadora da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada de Lourdes; nascida em 2 de outubro de 1852 em Palermo (Itália) e falecida em 27 de janeiro de 1923 em Cinisi (Itália);

Por fim, serão Beatificados por reconhecimento do martírio os Servos de Deus:

Henry Planchat, sacerdote professo do Instituto dos Religiosos de São Vicente de Paulo, Ladislau Radigue e 3 Companheiros, sacerdotes professos da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, e da Perpétua Adoração do Santíssimo Sacramento; mortos em ódio à fé em 26 de maio de 1871 em Paris (França). Fonte: https://www.vaticannews.va

No vídeo, mensagem do Frei Cláudio Van Balen, O. Carm. In Memória. (* 26/09/1933 + 20/11/2021). Nota: Ele faleceu na tarde de sábado, 21 de novembro-2021 em Belo Horizonte-MG. Nascido na Holanda, no dia 26 de setembro de 1933, frei Cláudio se mudou para o Brasil em 1950 e, por muitos anos, testemunhou a sua fé em Jesus Cristo na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte. Deixou marcas importantes com seu trabalho de amparo aos mais pobres, conquistando o respeito e a admiração de cristãos, líderes da sociedade civil e comunidades. Dentre os muitos reconhecimentos, foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte em 1990.

Religioso Carmelita desde 1954, frei Cláudio graduou-se em Letras Clássicas, se especializou em Teologia Dogmática, em Roma. Também tinha graduação em Psicologia Clínica. Escreveu mais de 40 livros, centenas de artigos, para revistas e jornais. Edição: Olhar Jornalístico. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 23 de novembro-2021

 

Religioso, que tinha 88 anos, estava internado desde a última quinta-feira (18) em um hospital da capital

 

Por O TEMPO 

Morreu neste sábado (20) em Belo Horizonte o Frei Cláudio van Balen, ex-pároco da igreja Nossa Senhora do Carmo, que fica na região Centro-Sul da capital. O religioso, que tinha 88 anos, estava internado desde a última quinta-feira (18) e faleceu em decorrência de complicações da Covid-19.

O anúncio foi feito pelo frei Gilvander Moreira. Em nota, ele informou que frei Cláudio havia sido internado por causa de uma “forte gripe e problemas respiratórios decorrentes” e que exames constaram que ele estava infectado com o vírus. "O médico explicou que a doença evoluiu rapidamente e o coração não resistiu", disse.

Frei Gilvander também informou que o religioso estava com Alzheimer e que ultimamente não reconhecia mais ninguém. Segundo ele, seguindo as recomendações dos órgãos de saúde em caso de morte por Covid-19, não será realizado o velório de frei Cláudio.

"Você, frei Cláudio van Balen nos deixou um legado imenso. Cuidaremos do seu legado. Que o Deus da vida, mistério de infinito amor, console todos/as que sentem já sua falta física. Gratidão eterna a você", afirmou o religio, que atuou na Igreja do Carmo ao lado do ex-pároco. 

Frei Cláudio van Balen nasceu em 26 de setembro de 1933 na cidade de  Wytgaard, na Holanda. Ele residia no Brasil desde 1950. Em 1990, ganhou o título de Cidadão Honorário de BH e, em 1997, o Personalidade do Ano, também na capital mineira.

Dos 88 anos, mais de 50 foram dedicados à Paróquia Nossa Senhora do Carmo. No período em que celebrava missas, se envolveu em alguns conflitos com a Igreja e com alguns fiéis.

Em 2010, por causa de seus sermões polêmicos, a transferência de frei Cláudio van Balen passou a ser considerada pela Ordem dos Carmelitas. Para evitar sua saída, fiéis organizaram um abaixo-assinado com mais de 3.000 nomes, pedindo a permanência do religioso em Belo Horizonte.

Em 2011, a chegada de um novo pároco à igreja do Carmo, frei Evaldo Xavier, causa temor na comunidade. Boatos de que frei Cláudio deixaria a paróquia mobilizam novamente os fiéis.

Em janeiro de 2014, prestes a começar a missa, frei Cláudio discutiu com uma ministra da eucaristia, que foi expulsa da igreja pelos fiéis. Na época, um dos frequentadores da igreja publicou um texto nas redes sociais se dizendo escandalizado por um sermão do frei.

No mesmo mês, fiéis pró-frei Cláudio se revoltaram porque não foi ele o celebrante da missa das 11h, como de costume. Houve discussão com os apoiadores de frei Evaldo. Por causa da confusão, a arquidiocese suspendeu a missa. Dias depois, fiéis fizeram protestaram na porta da igreja e abraçaram o prédio. Com dizeres de ordem, pediam a volta de frei Cláudio, o que foi atendido pela arquidiocese. Fonte: https://www.otempo.com.br

 

Frei Cláudio Van Balen, O. Carm

 

A morte-ressurreição de Jesus consagrou a aprendizagem de seus discípulos(as). De um lado, a Religião do Dever com tradição; do outro lado, a Religião do Reino com vida de qualidade. Ali, devoções: oração, jejum, esmola; aqui, a gratuidade–compaixão, entrega confiante, gestos de lava-pés. De um lado, a observância legal, justiça-cobrança com exclusão; do outro lado, o amor–perdão com inclusão.

A mudança havia sido grande demais para ser assimilada na breve duração da convivência, cruelmente interrompida. Desânimo pela frustração. Dera tudo errado. A Escola de Sonho se fez experiência de derrota.  No fim, a morte. A casa desmoronou. Por alguns dias. A perda se fez confronto com riqueza incomum; desânimo se fez limiar da grande descoberta. O testemunho de Jesus passou a brilhar.

Mudança radical. O “espírito de Jesus” os impele. Não como doutores da lei nem como mestres de disciplina, porém como “testemunhas” de um amor que transpõe as fronteiras de culpa, medo e exclusão. A inclusão é o objetivo. O Pai em mim, eu no Pai; vós em mim, eu em vós. Todos, um só. A Comunhão. Barreiras são eliminadas, muros derrubados, portas abertas. Não há judeu nem grego.

No sonho de Jesus o “renascer”: respeito, compaixão, acolhida, lava-pés - comunhão graças à participação. Céu e terra congregados no amor que confraterniza, transforma, liberta. O objetivo é a festa em torno da Mesa. Ascensão. Não é Jesus que sobe para o céu; a terra estremece pelo convite de acolher o céu. Não podemos mais fugir do sonho. A missão é: fazer a terra habitável para todos.

A religião, em matizes variados, há de mostrar-se acolhedora; o poder se despoje de vaidade e prepotência e se faça serviço libertador. Na convivência, grandes se ponham de joelhos, valorizando os pequenos. É Ascensão. Em Jesus, o Deus que desce. Ele promove todos através de nós – Estado, Escola, Família e Igreja. Ascensão: o coração humano navega no sopro do Espírito a serviço da BOA NOVA.  

RELIGIÃO INSERIDA NA VIDA. Fonte: https://www.freiclaudiovanbalen.com

 

Frei Cláudio van balen, eu o conheci como colega e estudante  no Convento do Carmo em São Paulo na década de sessenta.

Ele era de certo modo diferente porque era idealista, sempre quis caminhar a frente do tempo presente , soube valorizar o corpo com seu trabalho na chácara plantando flores, especialmente palmas de Santa Rita , que ele levava para colocar no altar de nossa Capela conventual e na Igreja do Carmo, valorizou muito a natureza no sítio que Ele amava e lá  se descontraia, a Outra Casa, ou Miguelao, assim era ela chamada, usou bem o tempo para ler, para refletir, para escrever, para se transbordar,  para animar e servir.

Temperamento forte que  fortaleceu a muitos em suas fraquezas,  valeu a vida que viveu e tudo que escreveu para o seu tempo e para as pessoas que o apreciavam.

Frei  Cláudio pode dizer agora como São Paulo :  Passei por muitas dificuldades , lutei,  contestei pessoas e autoridades religiosas e civis, acreditei , combati meu Bom Combate, agora só me resta esperar que o Justo Juíz faça justiça comigo, fazendo- me feliz , assim como  busquei fazer outros felizes na vida com minhas inquietações.

Frei Cláudio,  descanse em paz  naquele descanso que você procurou aqui entre nós e possa  não o ter encontrado, que o encontre em Deus.

Do seu colega frei Felisberto.

 

Profundamente comovido, comunico que nosso querido Frei Claudio Van Balen, da Igreja do Carmo, no Carmo Sion, em Belo Horizonte, MG, há mais de 50 anos, partiu para a vida em plenitude (faleceu), aos 88 anos, hoje, dia 20/11/2021, às 14h58, no Hospital Vera Cruz, em BH, onde estava internado desde anteontem, dia 18/11, por causa de uma “forte gripe e problemas respiratórios decorrentes”, e, após teste específico, “constatou-se que ele estava com Covid-19”, segundo frei Evaldo. O médico explicou que a doença evoluiu rapidamente e o coração não resistiu.

Frei Cláudio van Balem estava com Alzheimer e ultimamente não reconhecia mais ninguém.

Sem palavras e tomado por forte emoção, digo: Frei Cláudio van Balen, querido irmão de caminhada e de luta, gratidão por ter me acolhido na Igreja do Carmo, em BH, e por termos morado juntos durante dez anos e compartilhado a missão de seguir Jesus Cristo testemunhando seu Evangelho, com Opção pelos Pobres, juntos. Aprendi a admirá-lo e a respeitá-lo muito. Durante dez anos (de junho/2000 a 2011), eu vinha correndo da Vila Acaba Mundo, onde eu celebrava missa, para chegar a tempo de ouvir sua homilia na missa das 11h, na Igreja do Carmo. Aprendi muito com você, querido irmão.

Perdemos apenas sua presença física. Você, Frei Cláudio van Balen, nos deixou um legado imenso. Cuidaremos do seu legado. Frei Cláudio combateu o bom combate e fortaleceu muitos na fé cristã e na luta pela libertação. Que o Deus da vida, mistério de infinito amor, console todos/as que sentem já sua falta física. Gratidão eterna a você, Frei Cláudio.

Frei Evaldo Xavier me disse agora que, devido à causa morte ser covid-19, não poderá acontecer velório.

Abraço terno.

Frei Gilvander Moreira

 

O religioso, que nasceu na Holanda, esteve a frente de trabalhos de caridade na Igreja do Carmo por mais de 50 anos.

 

Por Thais Pimentel, g1 Minas — Belo Horizonte

O frei Claudio Van Balen, da Igreja do Carmo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, morreu neste sábado (20) por complicações causadas pela Covid-19. Ele estava internado desde quinta-feira (18), no Hospital Vera Cruz.

A informação foi confirmada pelo frei Gilvander Moreira, companheiro da Ordem dos Carmelitas.

Frei Claudio tinha 88 anos. Nascido na Holanda, trabalhava há mais de 50 anos em obras de caridade em Belo Horizonte. Ele chegou a coordenar mais de 300 profissionais da área de saúde, que ofereciam consultas e exames gratuitos em várias especialidades.

O religioso quase foi transferido da Igreja do Carmo em 2010 e 2014, mas uma grande mobilização dos fiéis impediu que ele saísse.

O frei sofria do Mal de Alzheimer e já não reconhecia ninguém. A Arquidiocese de Belo Horizonte confirmou que ele morreu às 14h58. Não haverá velório, pois, a morte foi por Covid-19, segundo frei Gilvander. Fonte: https://g1.globo.com

O Santo do Dia, por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. Sábado, 6 de novembro-2021. www.instagram.com/freipetronio

NOTA: Nuno Álvares Pereira

Nuno Álvares Pereira, também conhecido como o Santo Condestável, formalmente São Nuno de Santa Maria ou simplesmente Nun'Álvares, foi um nobre e general português do século XIV. Desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal defendeu a sua independência de Castela. Fonte: www.google.com.br

 

Filho do Profeta Elias- Pai e Guia do Carmelo, Frei Carlos Mesters, O. Carm, viveu e vive toda riqueza Profética, Contemplativa e Missionária do Pai do Profetismo. Em cada fala e em cada gesto, ele retrata toda espiritualidade Eliana e Mariana que marcou a sua caminhada e do povo de Deus ao longo de todos estes anos.

Jacobus Gerardus Hubertus Mesters, 90 anos, nasceu na Holanda, no dia 20 de outubro de 1931. Foi este o nome que recebeu na pia batismal.  Vinte anos mais tarde, ao receber o hábito da Ordem Carrnelita, já no Brasil, foi rebatizado de Carlos: Frei Carlos Mesters, O. Carm.

Aos 17 anos, o jovem Jacobus Mesters escolheu o Brasil como campo de sua futura atividade missionária.  No dia 6 de janeiro de 1949, festa dos Santos Reis, ele e seu amigo Dom Frei Vital Wilderink, O. Carm, (In Memoriam) tomaram o navio rumo ao Brasil. Foram duas semanas entre o céu e o mar. No dia 20 de janeiro, o navio lançou âncoras no porto do Rio de Janeiro. Era a festa do padroeiro da cidade, São Sebastião. 

Terminado o noviciado, fez a profissão religiosa no dia 22 de janeiro de 1952.  Cursou a Filosofia em São Paulo e foi fazer a Teologia em Roma, no Colégio Internacional Santo Alberto, em 1954.  Foi consagrado presbítero no dia 7 de julho de 1957 com mais dois estudantes carmelitas; Frei Dom Vital Wilderink, O. Carm, (In Memoriam) e Frei Paulo Gullarte, O. Carm

Formou-se em Teologia no Angelicum, Faculdade Teológica dos dominicanos, em 1958. Em ciências bíblicas, formou-se primeiro, no Institutum Biblicum dirigido pelos jesuítas em Roma e, depois, na Escola Bíblica de Jerusalém, dos dominicanos.  Em 1962, voltou a Roma para defender tese junto à Pontifícia Comissão Bíblica. Em 1963, de volta ao Brasil, foi nomeado professor no Curso Teológico dos Carmelitas, em São Paulo. 

Em 1967, foi convocado para dar aulas no Colégio Internacional Santo Alberto, em Roma.
É claro que este "brasileiro" não podia se conformar em ficar longe do Brasil. Em 1968, deu por encerrada sua colaboração em Roma e voltou, sendo transferido para Belo Horizonte (MG), onde o Convento do Carmo se destacava como um centro de irradiação, um lugar de acolhimento e um ponto de referência, naqueles tempos convulsos.

Foi chamado para lecionar no Instituto Central de Teologia e Filosofia da Universidade Católica, que vivia uma fase de grande efervescência.  Aliás, todo o mundo estudantil, em Belo Horizonte, estava em febre alta.  Frei Carlos e seus companheiros participavam ativamente dos movimentos de resistência ao regime militar que se exacerbava.

No começo dos anos 70, época da ditadura, foi respondendo a muitos pedidos de cursos de Bíblia tanto nas paróquias carmelitas como em outras dioceses, a exemplo de Volta Redonda/RJ, Crateús/CE, Santos/SP, Valença/RJ, Itaguaí/RJ Duque de Caxias/RJ Fortaleza/CE, Recife/PE, etc.

Em 1977 foi mestre de noviços em Angra dos Reis. Em 1982, junto com frei Antônio Muniz ajudou na criação do Noviciado comum em Camocim. A partir de 1987 junto com outros carmelitas, ajudou a criar o INTERCAB CARMEITANO. Ele também foi Conselheiro Geral da Ordem do Carmo.

A semente do CEBI- Centro de Estudos Ecumênicos Bíblicos- foi lançada a semente em Angra dos Reis e oficialmente instalado no dia 20 de Julho de 1979, festa do Profeta Elias. Deu muitos cursos para ajudar na implantação e crescimento do CEBI. No encontro da CNBB em Goiânia, com mais de 450 pessoas do Brasil inteiro, quando foi mencionado o CEBI, houve um aplauso espontâneo da Assembleia. Em 1979 foi semeada regionalmente no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sul.

Em 1988 o Jornal Estadão publicou- com estardalhaço- um longo artigo feito de ataques contra Carlos Mesters e o CEBI, foi grande a repercussão.  Repórteres de jornais e revistas iam ao CEBI ou telefonavam, à cata de informações e queriam marcar entrevistas com Frei Carlos. Na falta de notícia, publicavam especulações sobre supostos processos em andamento no Vaticano. Frei Carlos se esquivou da imprensa, mas preparou uma resposta contundente a todas as acusações para distribuir aos amigos e interessados.

Ele tem uma frase que resume o seu método bíblico: “Um Pé na Bíblia e outro no chão”. Atualmente reside no Carmo de Unaí, noroeste de Minas Gerais. Neste dia 20, louvemos ao Bom Deus pelos seus 90 Anos.

Fonte: http://mesters80anos.blogspot.com (Com atualização do Olhar Jornalístico neste dia 20 de outubro-2021. www.olharjornalistico.com.br