1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

3) Reflexão (Marcos 4,1-20)

Sentado num barco, Jesus ensina o povo. Nestes versos, Marcos descreve o jeito que Jesus tinha de ensinar o povo: na praia, sentado no barco, muita gente ao redor para escutar. Jesus não era uma pessoa estudada (Jo 7,15). Não tinha freqüentado a escola superior de Jerusalém. Vinha do interior, da roça, de Nazaré. Era um desconhecido, meio camponês, meio artesão. Sem pedir licença às autoridades, começou a ensinar o povo. Falava tudo diferente. O povo gostava de ouvi-lo.

Por meio das parábolas, Jesus ajudava o povo a perceber a presença misteriosa do Reino nas coisas da vida. Uma parábola é uma comparação. Ela usa as coisas conhecidas e visíveis da vida para explicar as coisas invisíveis e desconhecidas do Reino de Deus. Por exemplo, o povo da Galileia entendia de semente, de terreno, chuva, sol, sal, flores, colheita, pescaria, etc. Ora, são exatamente estas coisas conhecidas do povo que Jesus usa nas parábolas para explicar o mistério do Reino.

A parábola da semente retrata a vida do camponês. Naquele tempo, não era fácil viver da agricultura. O terreno tinha muita pedra. Muito mato. Pouca chuva, muito sol. Além disso, muitas vezes, o povo encurtava estrada e, passando no meio do campo, pisava nas plantas (Mc 2,23). Mesmo assim, apesar de tudo isso, todo ano, o agricultor semeava e plantava, confiando na força da semente, na generosidade da natureza.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! Jesus começou a parábola dizendo: “Escutem!” (Mc 4,3). Agora, no fim, ele termina dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O caminho para chegar ao entendimento da parábola é a busca: “Tratem de entender!” A parábola não entrega tudo pronto, mas leva a pensar e faz descobrir a partir da própria experiência que os ouvintes têm da semente. Provoca a criatividade e a participação. Não é uma doutrina que já vem pronta para ser ensinada e decorada. A Parábola não dá água engarrafada, mas entrega a fonte. O agricultor que escutou, diz: “Semente no terreno, eu sei o que é! Mas Jesus diz que isso tem a ver com o Reino de Deus. O que seria?” E aí você pode imaginar as longas conversas do povo! A parábola mexe com o povo e leva a escutar a natureza e a pensar na vida.

Jesus explica a parábola aos discípulos. Em casa, a sós com Jesus, os discípulos querem saber o significado da parábola. Eles não entenderam. Jesus estranhou a ignorância deles (Mc 4,13) e respondeu por meio de uma frase difícil e misteriosa. Ele diz aos discípulos: “A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus. Aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas, para que vendo não vejam, ouvindo não ouçam e para que não se convertam e não sejam salvos!”. Esta frase faz a gente se perguntar: Afinal, a parábola serve para que? Para esclarecer ou para esconder? Será que Jesus usa parábolas, para que o povo continue na ignorância e não chegue a se converter? Certamente que não! Pois em outro lugar Marcos diz que Jesus usava parábolas “conforme a capacidade dos ouvintes” (Mc 4,33)

Parábola revela e esconde ao mesmo tempo! Revela para “os de dentro”, que aceitam Jesus como Messias Servidor. Esconde para os que insistem em ver nele o Messias, Rei grandioso. Estes entendem as imagens da parábola, mas não chegam a entender o seu significado.

A explicação da parábola, parte por parte. Uma por uma, Jesus explica as partes da parábola, desde a semente e o terreno até a colheita. Alguns estudiosos acham que esta explicação foi acrescentada depois. Ela seria de alguma comunidade. É bem possível. Pois dentro do botão da parábola está a flor da explicação. Botão e flor, ambos têm a mesma origem que é Jesus. Por isso, nós também podemos continuar a reflexão e descobrir outras coisas bonitas dentro da parábola. Certa vez, alguém perguntou numa comunidade: “Jesus falou que devemos ser sal. Para que serve o sal?” Discutiram e, no fim, encontraram mais de dez finalidades diferentes para o sal! Aí foram aplicar tudo isto à vida da comunidade e descobriram que ser sal é difícil e exigente. A parábola funcionou! O mesmo vale para a semente. Todo mundo tem alguma experiência de semente.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Qual a experiência que você tem de semente? Como ela te ajuda a entender melhor a Boa Nova

2) Que terreno eu sou?

 

5) Oração final

Busquei o SENHOR e ele respondeu-me e de todo temor me livrou. Olhai para ele e ficareis radiantes, vossas faces não ficarão envergonhadas. (Sal 33, 5-6)

Com católicos no governo, Trump buscou aproximação, mas pauta migratória empurrou a Igreja para a linha de frente da resistência

Mais de 100 religiosos de diferentes denominações cristãs foram presos enquanto participavam dos protestos em Minneapolis

 

Manifestantes contrários ao serviço de imigração Estados Unidos durante protesto pela morte do enfermeiro Alex Pretti na semana passada - Octavio Jones/AFP

 

Rodrigo Toniol

Professor de antropologia da UFRJ, é membro da Academia Brasileira de Ciências

Padres, freiras e bispos católicos têm participado ativamente dos protestos contra a política de deportação dos Estados Unidos. O fato não é por acaso. Pelo contrário, é sintomático da tensão crescente entre a Igreja Católica e o governo Trump.

Neste seu segundo mandato, Trump fez movimentos contundentes para se aproximar do catolicismo. Na escolha de J. D. Vance como seu vice, o fato de ele ser um católico convertido de prestígio nos setores mais conservadores contou a seu favor. Outros nomes relevantes da administração Trump também se declaram católicos, como o secretário de Estado, Marco Rubio, e a secretária da Educação, Linda McMahon.

A morte do papa Francisco, apenas três meses depois de Trump voltar ao Salão Oval, também serviu para o presidente chamar a atenção para si. Na ocasião, declarou que poderia ser papa, publicou uma imagem feita por IA em que aparece vestido como pontífice e especulou sobre sua influência no conclave. Pouco depois, viu o primeiro norte-americano ser eleito papa: Leão 14. A convergência entre os dois, no entanto, parece terminar na nacionalidade.

Em novembro de 2025, Leão 14 fez referência à situação dos migrantes nos Estados Unidos e lembrou o evangelho de Mateus: todos serão julgados pela forma como tratam os estrangeiros. No início de 2026, após a invasão americana à Venezuela, defendeu a soberania do país latino.

Se migração e Venezuela são pautas centrais do governo Trump, nos dois temas o Vaticano se colocou na direção contrária. Mas a reação católica não ocorre apenas no plano da política global.

Michael Pham tinha 13 anos de idade quando fugiu do Vietnã em um barco com mais de 100 pessoas, ficou à deriva por dias, até aportar na Malásia. Naquele país, Michael tornou-se refugiado, até obter asilo nos Estados Unidos. Hoje é bispo de San Diego, no sul da Califórnia, na fronteira com o México.

Desde junho de 2025, o bispo de origem vietnamita acompanha pessoalmente os imigrantes quando chegam ao tribunal federal da cidade para as audiências judiciais sobre sua situação migratória.

Na semana passada, dezenas de organizações católicas lançaram uma iniciativa denominada Projeto de Ação Profética Católica para imigrantes, que tem como objetivo fornecer às dioceses ferramentas de pesquisa, comunicação e planejamento estratégico de ação. Na prática, isso significa oferecer proteção aos imigrantes a partir de uma ampla rede católica de apoio.

A iniciativa veio ainda acompanhada de um raro tipo de declaração feita por três membros do alto clero americano. Na segunda-feira (19), os arcebispos de Chicago, Washington e Newark manifestaram preocupação e discordância com os rumos do governo Trump.

Na última sexta-feira (23), mais de 100 religiosos de diferentes denominações cristãs foram presos enquanto participavam dos protestos em Minneapolis. Entre os católicos, o envolvimento na organização dos protestos e na rede de proteção aos imigrantes é crescente. As razões para isso são teológicas, mas também demográficas.

Segundo o Pew Research Center, os hispânicos representam 36% dos católicos do país; os imigrantes, 29%; e os filhos de imigrantes, outros 14%. Este é o elemento-chave da articulação entre a política migratória do governo americano e a reação que tem vindo dessas comunidades religiosas.

Na história recente dos Estados Unidos, a luta por direitos civis teve religiosos entre seus protagonistas, como o pastor batista Martin Luther King Jr. e a freira católica Mary Antona Ebo. Isso não significa que a história se repetirá. Mas o fato de que o primeiro papa americano, membros do clero e comunidades católicas estejam reagindo frontalmente à política migratória de Trump merece atenção. Também serve de antídoto contra leituras apressadas que tratam religiosos, por definição, como base automática do trumpismo. Fonte: www1.folha.uol.com.br

O encontro reforçou os laços de comunhão entre a Igreja no Brasil e o Sucessor de Pedro e integrou a visita anual da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil à Santa Sé, que inclui reuniões com os dicastérios da Cúria Romana.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu, na manhã desta segunda-feira (26/01), a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), composta pelo presidente, cardeal Jaime Spengler, O.F.M., arcebispo de Porto Alegre; por dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; por dom Paulo Jáckson Nóbrega de Sousa, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente; e por dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral.

A audiência insere-se na visita anual que a CNBB realiza ao Vaticano, durante a qual são promovidos encontros com os diversos dicastérios que compõem a Santa Sé. Segundo dom Jaime, o encontro com o Sucessor de Pedro foi “um momento especial para aprofundar o espírito de comunhão e de colaboração entre a Conferência Episcopal do Brasil e o Santo Padre”.

 

Espontaneidade e proximidade 

Na ocasião, afirmou o cardeal Spengler, foi possível partilhar com o Papa as experiências vividas recentemente pela Igreja no Brasil, bem como as repercussões de importantes eventos eclesiais realizados no país, como a COP30. Também foi apresentado um relatório das atividades desenvolvidas pela CNBB ao longo do último ano.

De forma fraterna e descontraída, recordou-se ainda que a última Assembleia Geral da Conferência precisou ser suspensa, uma vez que o pregador convidado para a abertura do encontro foi chamado a assumir o ministério como Sucessor de Pedro. O Papa reagiu com espontaneidade, em um clima de proximidade e cordialidade. O presidente da CNBB destacou que se tratou de um encontro respeitoso e fecundo, no qual foi reafirmada a disposição de colaboração da Igreja no Brasil com o Pontífice, que, por sua vez, manifestou sua proximidade pastoral para com o povo brasileiro.

 

Visitas aos Dicastérios da Santa Sé

A visita da presidência da CNBB a Roma ocorre em um contexto significativo, marcado pela celebração dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, realizada na semana passada, e também pelos 15 anos do Acordo Brasil–Santa Sé. Soma-se a isso a memória dos 400 anos das missões no sul do Brasil, que tiveram papel decisivo na formação histórica e territorial do país, tanto na região amazônica quanto no Sul.

Durante esta semana, a presidência da Conferência cumpre ainda a tradição de visitar os diversos organismos da Cúria Romana, promovendo um diálogo fraterno sobre a vida e a missão da Igreja. Nesta segunda-feira, a agenda incluiu também uma visita ao Dicastério para a Comunicação e uma reunião com o prefeito Paolo Ruffini, para dialogar sobre os desafios da comunicação e a missão evangelizadora da Igreja nos meios contemporâneos. Fonte: https://www.vaticannews.va

Seja em Teerã, Jerusalém, Washington ou Brasília, religiosos tentam impor suas convicções, contribuindo para a violência e o sofrimento humano

Realidade deveria provocar uma reflexão honesta entre os cristãos

 

Marcos Amado

Pastor, teólogo e missionário, é autor do ebook 'Israel, o Armagedom e os Árabes Palestinos' (Martureo, 2019)

Durante os séculos 19 e 20, diversos intelectuais ocidentais acreditavam que o progresso científico e tecnológico levaria, de forma inevitável, à diminuição da influência da religião ao redor do mundo. A modernidade, supunha-se, substituiria a fé pela razão. No entanto, ao observarmos a trajetória da humanidade nos últimos 200 anos, torna-se evidente que tais previsões estavam equivocadas. Longe de desaparecer, a religião continua exercendo profundo impacto político, social e cultural.

Um exemplo emblemático dessa realidade é o Irã contemporâneo. O país que conhecemos hoje é, em grande medida, resultado da Revolução Islâmica de 1979, quando clérigos xiitas assumiram o poder e estabeleceram uma teocracia fundamentada em uma interpretação específica do Alcorão, o livro sagrado do Islã. Para muitos iranianos, aquele momento representou um novo começo: uma esperança renovada, a promessa de prosperidade e o fim da tirania e da corrupção associadas ao regime do xá Reza Pahlavi, apoiado pelo Ocidente.

No entanto, esse sonho não se concretizou. Ao longo das décadas, a repressão religiosa se intensificou, buscando impor à população uma interpretação rígida do islã. Apesar de possuir vastas reservas de petróleo, a economia do país deteriorou-se significativamente. Nos últimos meses, a desvalorização da moeda local agravou ainda mais as condições de vida, levando novamente a população às ruas em protesto.

Uma das causas dessa situação crítica é a insistência da liderança política iraniana em desenvolver a capacidade de enriquecimento de urânio. Oficialmente apresentado como um programa de fins pacíficos, ele é visto por grande parte da comunidade internacional como uma tentativa de alcançar armamento nuclear. Esse projeto consome bilhões de dólares e acaba desviando recursos que poderiam ser destinados às necessidades mais urgentes da população.

Entre os objetivos atribuídos ao regime iraniano por seus discursos e por analistas internacionais, destaca-se o reiterado desejo de ver o Estado de Israel destruído. Isso transforma o Irã em alvo constante de ações militares e cibernéticas por parte de Israel e de seu principal aliado, os Estados Unidos, que também se sentem ameaçados por eventuais mísseis nucleares iranianos. O cenário evidencia a complexa interseção entre política, religião e segurança internacional.

Mas o que leva os aiatolás a se disporem a pagar um preço tão alto? Para muitos observadores, a resposta passa por uma motivação religiosa. Ela está ligada a uma declaração atribuída ao profeta Maomé, registrada não no Alcorão, mas na tradição islâmica. Segundo esse relato, nos eventos escatológicos que antecederiam o fim dos tempos, ocorreria um conflito final no qual os muçulmanos lutariam contra os judeus, culminando numa perseguição total. A partir dessa leitura escatológica, adotada por setores do regime iraniano, a destruição do Estado de Israel seria vista como parte do cumprimento das profecias e da instauração do Reino de Deus.

Essa realidade deveria provocar uma reflexão honesta entre os cristãos. Enquanto líderes xiitas enxergam a destruição de Israel como um passo necessário para o fim dos tempos, algumas correntes teológicas cristãs, inclusive no Brasil, alimentam o desejo de ver a mesquita em Jerusalém destruída e Israel triunfando sobre seus inimigos muçulmanos, acreditando que isso aceleraria o retorno de Cristo. Essa mentalidade contribui para intensificar ações de grupos radicais e reforça a animosidade entre cristãos e muçulmanos.

Foi nesse contexto que a jornalista israelense Noa Landau expressou sua frustração ao afirmar que "o desejo compartilhado pelo apocalipse agora uniu fanáticos religiosos em Teerã, Gaza, Jerusalém e Washington". Ela cita líderes cristãos que pressionam seus governos a oferecer apoio incondicional a Israel, promovendo uma teologia que legitima a guerra como meio de cumprir profecias bíblicas.

Desde os tempos do imperador Constantino, quando a igreja deixou de ser perseguida e tornou-se, gradualmente, a religião oficial do Império Romano, a fusão entre religião e Estado tem se mostrado nociva. No Brasil, nos Estados Unidos e em Israel, grupos religiosos trabalham para impor suas convicções aos governos, contribuindo para a ausência de paz e para o sofrimento humano. Não creio que esse tenha sido o ensinamento deixado pelo Príncipe da Paz. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Marcos 3,7-12)

Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. 8E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse.

10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: "Tu és o Filho de Deus!" 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

A conclusão a que se chega, no fim destes cinco conflitos (Mc 2,1 a 3,6), é que a Boa Nova de Deus tal como era anunciada por Jesus dizia exatamente o contrário do ensinamento das autoridades religiosas da época. Por isso, no fim do último conflito, se prevê que Jesus não vai ter vida fácil e será combatido. A morte aparece no horizonte. Decidiram matá-lo (Mc 3,6). Sem uma conversão sincera não é possível as pessoas chegarem a uma compreensão correta da Boa Nova.

Um resumo da ação evangelizadora de Jesus. Os versículos do evangelho de hoje (Mc 3,7-12) são um resumo da atividade de Jesus e acentuam um enorme contraste. Um pouco antes, em Mc 2,1 a 3,6, só se falou em conflitos, inclusive em conflito de vida e morte entre Jesus e as autoridades civis e religiosas da Galiléia (Mc 3,1-6). E aqui no resumo, aparece o contrário: um movimento popular imenso, maior que o movimento de João Batista, pois veio gente não só da Galiléia, mas também da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, da Transjordânia e até da região pagã de Tiro e Sidônia para encontrar-se com Jesus! (Mc 3,7-12). Todos querem vê-lo e tocar nele. É tanta gente, que o próprio Jesus fica preocupado. Ele corre o perigo de ser esmagado pelo povo. Por isso, pediu aos discípulos para manter um barco à disposição a fim de que o povo não o apertasse. E do barco falava à multidão. Eram sobretudo os excluídos e os marginalizados que vinham a ele com seus males: os doentes e os possessos. Estes, que não eram acolhidos na convivência social da sociedade da época, são acolhidos por Jesus. Eis o contraste: de um lado, a liderança religiosa e civil que decide matar Jesus (Mc 3,6); do outro lado, um movimento popular imenso que busca a salvação em Jesus. Quem vai ganhar?

Os espíritos impuros e Jesus. A insistência de Marcos na expulsão dos demônios é muito grande. O primeiro milagre de Jesus é a expulsão de um demônio (Mc 1,25). O primeiro impacto que Jesus causa no povo é por causa da expulsão dos demônios (Mc 1,27). Uma das principais causas da briga de Jesus com os escribas é a expulsão dos demônios (Mc 3,22). O primeiro poder que os apóstolos vão receber quando são enviados em missão é o poder de expulsar os demônios (Mc 6,7). O primeiro sinal que acompanha o anúncio da ressurreição é a expulsão dos demônios (Mc 16,17). O que significa expulsar os demônios no evangelho de Marcos?

No tempo de Marcos, o medo dos demônios estava aumentando. Algumas religiões, em vez de libertar o povo, alimentavam nele o medo e a angústia. Um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar o povo a se libertar deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder mais forte. Jesus é “o homem mais forte” que chegou para amarrar o Satanás, o poder do mal, e roubar dele a humanidade prisioneira do medo (Mc 3,27). Por isso, Marcos insiste tanto, na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demônio, sobre o Satanás, sobre o pecado e sobre a morte. Do começo ao fim, com palavras quase iguais, ele repete a mesma mensagem: “E Jesus expulsava os demônios!” (Mc 1,26.27.34.39; 3,11-12.15.22.30; 5,1-20; 6,7.13; 7,25-29; 9,25-27.38; 16,9.17). Parece até um refrão! Hoje, em vez de usar sempre as mesmas palavras preferimos usar palavras diferentes. Diríamos: “O poder do mal, o Satanás, que mete tanto medo no povo, Jesus o venceu, dominou, amarrou, destronou, derrotou, expulsou, eliminou, exterminou, aniquilou, abateu, destruiu e matou!” O que Marcos nos quer dizer é isto: “Ao cristão é proibido ter medo de Satanás!” Depois que Jesus ressuscitou, já é mania e falta de fé apelar, a toda hora, para Satanás, como se ele ainda tivesse algum poder sobre nós. Insistir no perigo dos demônios para chamar o povo de volta para as igrejas é desconhecer a Boa Nova do Reino. É falta de fé na ressurreição de Jesus!

 

4) Para um confronto pessoal

1) Como você vive a sua fé na ressurreição de Jesus? Contribui para vencer o medo?

2) Expulsão dos demônios. Como você faz para neutralizar esse poder em sua vida?

 

5) Oração final

Exultem e se alegrem em ti todos os que te buscam; digam sempre: “O SENHOR é grande” os que desejam a tua salvação. (Sal 39, 17)

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 3,1-6)

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: "Levanta-te e fica aqui no meio!" 4E perguntou-lhes: "E permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?" Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: "Estende a mão". Ele a estendeu e a mão ficou curada.

6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

No evangelho de hoje vamos meditar o último dos cinco conflitos que Marcos colecionou no início do seu evangelho (Mc 2,1 a 3,6). Os quatro conflitos anteriores foram provocados pelos adversários de Jesus. Este último é provocado pelo próprio Jesus e revela a gravidade do conflito entre ele e as autoridades religiosas do seu tempo. É um conflito de vida e morte. Importa notar a categoria de adversários que aparece neste último conflito. Trata-se dos fariseus e dos herodianos, ou seja, das autoridades religiosas e civis. Quando Marcos escreve o seu evangelho nos anos 70, muitos traziam na lembrança a terrível perseguição dos anos 60, que Nero moveu contra as comunidades cristãs. Ouvindo agora como o próprio Jesus tinha sido ameaçado de morte e como ele se comportava no meio destes conflitos perigosos, os cristãos encontravam uma fonte de coragem e de orientação para não desanimar na caminhada.

Jesus na sinagoga em dia de sábado. Jesus entra na sinagoga. Ele tinha o costume de participar das celebrações do povo. Havia ali um homem com a mão atrofiada. Um deficiente físico não podia participar plenamente, pois era considerado impuro. Mesmo presente na comunidade, era marginalizado. Devia manter-se afastado.

A preocupação dos adversários de Jesus. Os adversários observam para ver se Jesus faz curas em dia de sábado. Querem acusá-lo. O segundo mandamento da Lei de Deus mandava “santificar o sábado”. Era proibido trabalhar nesse dia (Ex 20,8-11). Os fariseus diziam que curar um doente era o mesmo que trabalhar. Por isso ensinavam: “É proibido curar em dia de sábado!” Colocavam a lei acima do bem-estar das pessoas. Jesus os incomodava, porque ele colocava o bem-estar das pessoas acima das normas e das leis. A preocupação dos fariseus e dos herodianos não era o zelo pela lei, mas sim a vontade de acusar e de eliminar Jesus.

Levanta-te e vem aqui para o meio! Jesus pede duas coisas ao deficiente físico: Levanta-te e vem aqui para o meio! A palavra “levanta-te” é a mesma que as comunidades do tempo de Marcos usavam para dizer “ressuscitar”. O deficiente deve “ressuscitar”, levantar-se, vir para o meio e ocupar o seu lugar no centro da comunidade! Os marginalizados, os excluídos, devem vir para o meio! Não podem ser excluídos. Devem ser incluídos e acolhidos. Devem estar junto com todo mundo! Jesus chamou o excluído para ficar no meio.

A pergunta de Jesus deixa os outros sem resposta. Jesus pergunta: Em dia de sábado é permitido fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matá-la?  Ele podia ter perguntado: ”Em dia de sábado é permitido curar: sim ou não?” Aí, todos teriam respondido: “Não é permitido!” Mas Jesus mudou a pergunta. Para ele, naquele caso concreto, “curar” era o mesmo que “fazer o bem” ou “salvar uma vida”, e “não curar” era o mesmo que “fazer o mal” ou “matar uma vida”! Com a sua pergunta Jesus colocou o dedo na ferida. Denunciou a proibição de curar em dia de sábado como sendo um sistema de morte. Pergunta sábia! Os adversários ficaram sem resposta.

Jesus fica indignado diante do fechamento dos adversários. Jesus reage com indignação e tristeza diante da atitude dos fariseus e herodianos. Ele manda o homem estender a mão, e ela ficou curada. Curando o deficiente, Jesus mostrou que ele não estava de acordo com o sistema que colocava a lei acima da vida. Em resposta à ação de Jesus, os fariseus e os herodianos decidem matá-lo. Com esta decisão eles confirmam que são, de fato, defensores de um sistema de morte! Eles não têm medo de matar para defender o sistema contra Jesus que os ataca e critica em nome da vida.

 

4) Para um confronto pessoal

1) O deficiente foi chamado para estar no centro da comunidade. Na nossa comunidade, os pobres e os excluídos têm um lugar privilegiado?

2) Você já se confrontou alguma vez com pessoas que, como os herodianos e os fariseus, colocam a lei acima do bem-estar das pessoas? O que você sentiu naquele momento? Deu razão a eles ou os criticou?

 

5) Oração final

De todos tens compaixão porque tudo podes, e fechas os olhos aos pecados os mortais, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe e não esprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa, não a terias criado. (Sab 11,23-24)

 

 

Os Frades Carmelitas da Província Carmelitana Pernambucana se reúnem na cidade de Camocim de São Fêlix-PE para o seu Capítulo Provincia 2026. O tema que norteia as reflexões, planejamento e decisões é: Restaurados na esperança, sermos um.

Orações, eucaristia, grupos de reflexão e assembleias formam o ambiente deste grande encontro vivido a cada três anos e que norteiam toda a dinâmica da província.

O capítulo conta com a presença do prior geral da Ordem do Carmo, o Frei Desidério Garcia, O.Carm. e o delegado para as américas, o Frei Rolf Nepomuk, O.Carm.

Unamo-nos em oração para que o Espírito Santo de Deus derrame seus dons e carismas sobre todos os frades na superação dos desafios e fortalecimento do rico carisma carmelita.

Rogai por nós, Virgem Bendita. Ó padroeira dos Carmelitas!

Fonte: Facebook- Província Carmelitana Pernambucana

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 2,18-22)

Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: "Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?"

19Jesus respondeu: "Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar.

21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos".

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

Os cinco conflitos entre Jesus e as autoridades religiosas.  Em Mc 2,1-12 vimos o primeiro conflito. Era em torno do perdão dos pecados. Em Mac 2,13-17, o segundo conflito tratava da comunhão de mesa com pecadores. O evangelho de hoje traz o terceiro conflito sobre o jejum. Amanhã, teremos o quarto conflito em torno da observância do sábado (Mc 2,13-28). Depois de amanhã, o último dos cinco conflitos será em torno da cura em dia de sábado (Mc 3,1-6). O conflito sobre o jejum ocupa o lugar central. Por isso, as palavras meio soltas sobre o remendo novo em pano velho e sobre o vinho novo em barril novo (Mc 2,21-22) devem ser entendidas como uma luz que joga sua claridade também sobre os outros quatro conflitos, dois antes e dois depois.

Jesus não insiste na prática do jejum.  O jejum é um costume muito antigo, praticado em quase todas as religiões. O próprio Jesus praticou-o durante quarenta dias (Mt 4,2). Mas ele não insiste com os discípulos para que façam o mesmo. Deixa a eles a liberdade. Por isso, os discípulos de João Batista e dos fariseus, que eram obrigados a jejuar, querem saber por que Jesus não insiste no jejum.

Enquanto o noivo está com eles não precisam jejuar. Jesus responde com uma comparação. Enquanto o noivo está com os amigos do noivo, isto é, durante a festa do casamento, estes não precisam jejuar. Jesus se considera o noivo. Os discípulos são os amigos do noivo. Durante o tempo em que ele, Jesus, estiver com os discípulos, é festa de casamento. Chegará o dia em que o noivo vai ser tirado. Aí, se eles quiserem, poderão jejuar. Jesus alude à sua morte. Sabe e sente que, se ele continuar neste caminho de liberdade, as autoridades religiosas vão querer matá-lo.

Remendo novo em roupa velha, vinho novo em barril novo. Estas duas afirmações de Jesus, que Marcos colocou aqui, esclarecem a atitude crítica de Jesus frente às autoridades religiosas. Não se coloca remendo de pano novo em roupa velha. Na hora de lavar, o remendo novo repuxa o vestido velho e o estraga mais ainda. Ninguém coloca vinho novo em barril velho, porque a fermentação do vinho novo faz estourar o barril velho. Vinho novo em barril novo! A religião defendida pelas autoridades religiosas era como roupa velha, como barril velho. Não se deve querer combinar o novo que Jesus trouxe com os costumes antigos. Nem se pode querer reduzir a novidade de Jesus ao tamanho do judaísmo. Ou um, ou outro! O vinho novo que Jesus trouxe faz estourar o barril velho. Tem que saber separar as coisas. Jesus não é contra o que é “velho”. O que ele quer evitar é que o velho se imponha ao novo e, assim, o impeça de manifestar-se. Seria o mesmo que reduzir a mensagem do Concílio Vaticano II ao tamanho do catecismo anterior ao Concílio, como alguns estão querendo.

 

4) Para um confronto pessoal

1) A partir da experiência profunda de Deus que o animava por dentro, Jesus tinha muita liberdade com relação às normas e práticas religiosas. E hoje, será que temos a mesma liberdade ou será que nos falta a liberdade dos místicos?

2) Remendo novo em roupa velha, vinho novo em barril velho. Existe isto em minha vida?

 

5) Oração final

Todo aquele que professa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. E nós, que cremos, reconhecemos o amor que Deus tem para conosco. (1Jo 4,15-16)

Os civis que fogem da guerra que está ensanguentando seu país vivem em condições extremamente precárias. Em alguns campos de refugiados falta tudo e doenças como a cólera estão matando muitas pessoas. O testemunho de um missionário xaveriano: desde o início, estima-se que sejam mais de 200 mil pessoas. Agora elas precisam urgentemente de ajuda, antes que seja tarde demais.

 

Federico Piana – Vatican News

Uma hecatombe e um inferno que deixam consternados. Também porque tudo está se consumindo na indiferença geral, no esquecimento do mundo. Porque ninguém parece realmente interessado no fato de que a guerra civil que está inflamando a República Democrática do Congo — especialmente o norte de Kivu, província rica em recursos naturais estratégicos como coltan, ouro, diamantes, estanho e tungstênio — além de causar milhares de vítimas, está levando centenas de milhares de pessoas a abandonar o país africano para se refugiar no vizinho e pobre Burundi, onde, nos campos de refugiados em que milhares de pessoas estão amontoadas, estão morrendo de fome, frio e privações. O missionário xaveriano Mario Pulcini vive no Burundi desde 1978, quando chegou a Bujumbura, capital econômica do país. Agora que, do outro lado da fronteira, o grupo paramilitar rebelde M23, envolvido em uma guerra sangrenta com as forças armadas congolesas, conquistou com uma ferocidade inaudita toda a zona de Uvira, as coisas pioraram ainda mais. O religioso, originário de Bergamo (Itália), conta aos meios de comunicação do Vaticano que “o intenso fluxo de milhares de refugiados começou em 10 de dezembro do ano passado, dia da queda da cidade congolesa. Desde o início, estimou-se em mais de 200 mil pessoas, muitas das quais hoje estão alojadas em vários campos de acolhimento, bastante grandes: um na província de Ruyigi e outro na zona de Rumonge, nas margens do lago Tanganica”. E é nessas duas estruturas construídas com tendas improvisadas e restos de madeira e chapas metálicas que se vive o inferno. “Falei ontem com o diretor da Caritas Burundi, que me confirmou uma notícia terrível: recentemente, no campo de Ruyigi, houve mais de 60 mortes, muitas delas causadas pela cólera. E lá, como em Rumonge, falta tudo: água, comida, roupas. E as doenças se alastram”.

 

Gota no mar

A intensa estação das chuvas e o frio, então, só aumentam os riscos: as tendas em que vivem essas pessoas pobres muitas vezes se transformam em túmulos, porque lá dentro elas podem ficar presas pela fúria das águas e da lama. E se isso acontece, ninguém é capaz de tirá-las de lá. Apenas algumas organizações internacionais continuam tentando levar aos campos alguns bens de primeira necessidade e alguns medicamentos, incluindo a Caritas que, quando não pode distribuir os pacotes de sobrevivência, entrega a cada refugiado 36 mil francos locais, o que corresponde a cerca de 7 euros. Uma gota no mar, se considerarmos também a circunstância de que, naquele contexto degradado, é quase impossível encontrar algo para comprar.

 

Ajuda urgente

Agora que as fronteiras entre a República Democrática do Congo, Burundi e Ruanda estão fechadas, a ajuda só pode transitar pela Tanzânia, numa travessia que dura vários dias e não está isenta de enormes riscos. Embora “os milhões de dólares alocados pela ONU ainda não tenham chegado”, admite o padre Pulcini, o Burundi, onde 70% da população vive abaixo da linha da pobreza e sofre de desnutrição crônica, não “recuou e empreendeu um esforço humanitário sem precedentes: os refugiados que não conseguiram regressar à República Democrática do Congo e que não estão nos campos foram acolhidos por famílias burundinesas. Inicialmente, havia entre a população o receio de uma possível infiltração de elementos do grupo M23, mas depois prevaleceu o sentido de humanidade e acolhimento”.

 

Igreja na linha de frente

Da mesma forma, a Igreja local e as congregações religiosas nacionais e internacionais não se viraram para o outro lado, apesar de suas extremas dificuldades econômicas. As paróquias abriram suas portas e, no próximo dia 30 de janeiro, na arquidiocese de Bujumbura, toda a comunidade eclesial participará de um retiro espiritual durante o qual serão coletados ajuda humanitária e dinheiro, que serão entregues aos refugiados dos campos de acolhimento. O inferno congolês de Uvira, porém, parece ainda pior. A cidade nas mãos dos milicianos do M23, que fica a 26 quilômetros de Bujumbura, antes do ataque do grupo paramilitar era considerada uma das portas de acesso privilegiadas para o comércio entre as duas nações. Agora não há mais nada: apenas destruição, escombros e morte. É aqui que tenta sobreviver outra comunidade de religiosos xaverianos, para a qual o padre Pulcini telefona todos os dias: “Contaram-me o que aconteceu e ainda está acontecendo: tiros, bombas, pessoas fugindo. E morrendo. Nos últimos dias, parece que a situação se acalmou um pouco. Nossos confrades, quando podem, saem e tentam encontrar pessoas. Mas ainda há muito medo: o M23 afirma ter se retirado, mas isso não é verdade”.

 

Também em Uvira se morre

Aqui também, como nos campos de refugiados do Burundi, não há mais nada para comer. Morre-se de fome em toda a cidade. Mas não é apenas a escassez de alimentos que mata. É também a ausência de humanidade que aniquila a alma e a esperança. Um exemplo recente é contado pelo próprio padre Pulcini e diz respeito a um de seus três confrades de Uvira, dois italianos e um mexicano: “há duas semanas, a mãe do religioso mexicano faleceu e o filho queria voltar ao seu país para poder participar do funeral. Depois de obter todas as autorizações necessárias, os confrades de Uvira deveriam levá-lo até a fronteira com Burundi, onde eu deveria buscá-lo, levá-lo ao aeroporto e embarcá-lo em um voo para o México”.  Mas do outro lado da fronteira, inesperadamente, algo deu errado: “enquanto eu estava na companhia dos militares burundineses, que deveriam me ajudar nessa operação, fui informado de que do outro lado da fronteira eles haviam mudado de ideia. Não havia mais nada a fazer. Impedir um homem de dar o último adeus à sua mãe foi um gesto extremamente desumano”.  Um pequeno, mas significativo, sinal de alarme que nos faz perceber como o conflito entrou numa nova fase, mais perigosa, onde agora tudo pode realmente acontecer. Fonte: https://www.vaticannews.va

AS NOSSAS ORAÇÕES...

 

Nesta sexta-feira 9 de janeiro-2026, os confrades; Frei Gilvander, da Comunidade Edith Stein, de Belo Horizonte/MG, Frei Vicente, do Carmo Sion, de Belo Horizonte /MG e Frei Gabriel, do Carmo de Mogi das Cruzes, São Paulo, submeteram a uma cirurgia.

 

NOTA

Frei Gabriel passou pela punção/biópsia e está bem.

Frei Gilvander fez a cirurgia para retirada da vesícula e passa bem

Frei Vicente fez cirurgia para troca de válvula e se recupera.

Aos Sodalícios e amigos do Carmelo, pedimos orações pelos confrades em recuperação. 

 

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Neste final de semana celebramos a Festa do Batismo do Senhor Jesus, por João Batista, nas águas do rio Jordão. Jesus, o filho de Deus, aquele que “batizará no Espirito Santo e no fogo”, assumindo a natureza humana vai até o rio Jordão para receber o batismo de conversão que João Batista pregava. Aquele que não tinha pecado desce no coração da humanidade, junta-se aos pecadores, para elevar consigo a humanidade ao Pai. Jesus, manso e humilde de coração, é solidário com a humanidade que padece entorpecida pelo pecado do egoísmo, do abandono e da indiferença. Ele veio revelar ao mundo a face misericordiosa do nosso Deus e Pai, que no seu projeto de amor busca a reconciliação da criatura com o Criador, através do amor e da misericórdia. 

Creio que a Festa do Batismo de Jesus, que encerra as celebrações do Natal, pode ser também um momento oportuno para recordarmos os compromissos do nosso batismo. Através dele renascemos, em nome da Santíssima Trindade, como filhos e filhas de Deus e somos acolhidos na Igreja, comunidade de fé. Acolhidos não por acaso, mas para vivermos uma missão: testemunhar Jesus Cristo ao mundo, por nossa vida e nossas obras.  

No mundo temos muitos meios e modos de testemunhar a nossa fé, no dia-a-dia, na família, no local de trabalho, participando nas celebrações da comunidade ou colocando-se a serviço do Senhor nos vários ministérios, tão necessários para o fortalecimento da comunhão e o cultivo da vida de fé nas comunidades. Quando nos dispomos a servir o Senhor, saímos do nosso isolamento e deixamos a indiferença de lado para dar um novo sentido à nossa vida.  

A graça de poder servir a Deus e aos irmãos, através dos ministérios na comunidade e na ação missionária, pode também ajudar a despertar nos jovens o sentido da corresponsabilidade e do compromisso em relação à vida e às fragilidades e feridas que atingem uma grande parcela do nosso povo. “Aquilo que os olhos não veem o coração não sente”. Jesus viu o sofrimento do povo, encontrando-o ao longo do caminho. Por isso é louvável a participação dos jovens nos serviços e ministérios na vida da Igreja.  

Devemos recordar que o batismo, além de ser um mistério e sacramento de encontro com Deus Pai e com o Filho, Jesus Cristo, enquanto participação na sua morte e ressurreição, é também sacramento da ação do Espírito Santo. No Espírito, o batizado é configurado ao Filho Jesus Cristo, na plenitude do seu mistério: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo” (Rm 8,9). Fonte: https://www.cnbb.org.br

Cardeais brasileiros participam em Roma do primeiro Consistório Extraordinário convocado por Leão XIV

 

A Evangelii Gaudium e a missão da Igreja, a constituição apostólica Praedicate Evangelium, o papel da Cúria e sua relação com as Igrejas particulares, a sinodalidade, a liturgia. Esses serão os temas centrais dos trabalhos do Consistório extraordinário convocado pelo Papa Leão XIV, o primeiro de seu pontificado, que se realizarão nesta quarta-feira, 7, e depois, na quinta-feira, 8 de janeiro.

Dois dias de oração, partilha e reflexão, sob o signo da fraternidade e da comunhão, que o Papa viverá com os membros do Colégio Cardinalício, muitos dos quais participaram na manhã da terça-feira na cerimônia de encerramento da Porta Santa e na Missa da Epifania. O encontro terá como objetivo “promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselho ao Santo Padre no exercício de sua alta e pesada responsabilidade no governo da Igreja universal”.

Mais especificamente, o Consistório terá início na tarde desta quarta-feira, às 16h, na Sala do Sínodo, no Vaticano. Os trabalhos serão realizados a portas fechadas e contarão com a presença do Papa. Na quinta-feira, 8 de janeiro, o Papa concelebrará com os cardeais uma Missa no Altar da Cátedra da Basílica do Vaticano. Às 9h30, haverá a sessão matinal até às 12h45, novamente na Sala do Sínodo. O Pontífice e os cardeais se reunirão novamente à tarde, das 15h15 às 19h, para a conclusão dos dois dias de encontros. Fonte: Mons. André Sampaio 

 

Estão previstas três sessões a partir desta quarta-feira à tarde até quinta-feira, dia em que, pela manhã, às 7h30, o Pontífice concelebrará uma missa com os cardeais presentes no Altar da Cátedra de São Pedro.

 

Vatican News

A Evangelii Gaudium e a missão da Igreja, a constituição apostólica Praedicate Evangelium, o papel da Cúria e sua relação com as Igrejas particulares, a sinodalidade, a liturgia. Esses serão os temas centrais dos trabalhos do Consistório extraordinário convocado pelo Papa Leão XIV, o primeiro de seu pontificado, que se realizarão nesta quarta-feira, 7, e depois, na quinta-feira, 8 de janeiro. Dois dias de oração, partilha e reflexão, sob o signo da fraternidade e da comunhão, que o Papa viverá com os membros do Colégio Cardinalício, muitos dos quais participaram na manhã desta terça-feira na cerimônia de encerramento da Porta Santa e na Missa da Epifania. 

O encontro terá como objetivo “promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselho ao Santo Padre no exercício de sua alta e pesada responsabilidade no governo da Igreja universal”.

Mais especificamente, o Consistório terá início na tarde desta quarta-feira, às 16h, na Sala do Sínodo, no Vaticano. Os trabalhos serão realizados a portas fechadas e contarão com a presença do Papa. Na quinta-feira, 8 de janeiro, o Papa concelebrará com os cardeais uma Missa no Altar da Cátedra da Basílica do Vaticano. Às 9h30, haverá a sessão matinal até às 12h45, novamente na Sala do Sínodo. O Pontífice e os cardeais se reunirão novamente à tarde, das 15h15 às 19h, para a conclusão dos dois dias de encontros. Fonte: https://www.vaticannews.va

Segundo o relatório anual divulgado pela Agência Fides, a Nigéria registrou o quadro mais violento, com o assassinato de três sacerdotes e dois seminaristas. Desde 2000, o número de missionários e agentes pastorais que sofreram mortes violentas chegou a 626.

 

A África foi o continente mais afetado por mortes violentas de padres e agentes pastorais em 2025. 

 

Federico Piana - Cidade do Vaticano

Em 2025, em todo o mundo, foram assassinados 17 sacerdotes, religiosas, seminaristas e leigos. Esses são os números do novo relatório sobre missionários e agentes pastorais que perderam a vida no contexto da propagação da fé, apresentado na manhã de terça-feira, 30, pela agência de notícias Fides, das Pontifícias Obras Missionárias.

 

Testemunhas do Evangelho

 O relatório revela como, no ano que está prestes a terminar, a África registrou o maior número de mortes, um total de 10: 6 sacerdotes, 2 seminaristas e 2 catequistas. "No continente americano", continua o texto, "foram mortos 4 missionários (2 sacerdotes e 2 religiosas), na Ásia 2 (1 sacerdote e 1 leigo). Na Europa, foi morto 1 sacerdote."

 

Números e histórias

 Em 25 anos, de 2000 a 2025, o número de missionários e agentes pastorais assassinados chegou a 626. Uma lista de homens, mulheres e jovens que, já há algum tempo, explica a Fides, "não se refere apenas a missionários ad gentes em sentido estrito, mas procura registrar todos os cristãos católicos envolvidos de alguma forma em atividade pastoral, mortos de forma violenta, mesmo que não expressamente 'por ódio à fé'".

 

Amor sem fim

 Propagadores credíveis ​​do amor — como disse Leão XIV em sua homilia na Missa dos mártires e testemunhas da fé do Século XXI, em 14 de setembro, na Basílica de São Paulo — tornaram conhecida a Palavra de Deus "sem jamais usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e gentil do Evangelho". O relatório, no entanto, revela mais do que apenas dados, números e estatísticas. Revela também nomes e histórias, que muitas vezes retratam histórias de nações atormentadas por guerras, revoluções e pobreza. É o caso da África, o continente mais afetado pelo sangue derramado por sacerdotes e agentes pastorais.

 

Sangue e Evangelho

 Para dar apenas alguns exemplos, Mathias Zongo e Christian Tientga viajavam de motocicleta perto da cidade de Bondokuy, em Burkina Faso, quando um grupo de homens armados os atacou e matou. Era 25 de janeiro do ano passado, e os dois jovens eram catequistas na paróquia de Ouakara. Eram muito amados e respeitados. E depois há Luka Jomo, pároco de El Fasher, a capital do estado de Darfur do Norte, no Sudão, devastado por uma guerra civil impiedosa. O sacerdote encontrou a morte em uma noite durante confrontos entre o exército governamental e as Forças de Apoio Rápido: estilhaços de uma bala perdida o mataram enquanto ele estava com dois jovens.

 

Nigéria, a mais atingida

Entre as nações africanas, a Nigéria é a que registrou o maior número de assassinatos de sacerdotes e agentes pastorais este ano: três padres e dois seminaristas, vítimas da violência, sequestros e roubos que assolam o país há anos.

"Tudo isso é motivo de grande tristeza. E também de um pouco de vergonha", disse o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, em entrevista publicada pela Fides, que acompanha o relatório. "A Nigéria - argumentou ele - é um dos países com a população mais religiosa do mundo. Um povo de crentes, cristãos e muçulmanos. Todos nós dizemos que somos um povo de paz. Até mesmo nossos amigos muçulmanos repetem continuamente que o Islã é a religião da paz. E diante de certos fatos e certas situações, eu gostaria de ver os amigos muçulmanos denunciarem e rejeitarem o uso de sua religião para cometer atos de violência. Todos nós devemos rejeitar qualquer justificativa para o uso da religião para cometer atos violentos a ponto de matar pessoas."

 

Ajuda externa

"Nesta situação - acrescentou o prelado - uma intervenção externa indireta para apoiar o Estado e o governo contra grupos extremistas e ajudar o país a eliminar as causas da violência generalizada pode não ser totalmente injustificada ou inadequada." "Um país - explicou ele - pode ​​se ver incapaz de lidar com suas próprias crises e divisões sem ajuda externa. Vejo muitos amigos muçulmanos que não sabem como reagir ao que está acontecendo. E a inação do governo é evidente."

 

Haiti e Europa

A situação também é dolorosa no Haiti — onde, no contexto dramático do confronto entre gangues armadas em 21 de março, grupos armados assassinaram duas freiras da mesma congregação religiosa — e no México, onde um padre foi encontrado morto após ser sequestrado. Mas a Europa também não foi poupada. Na Polônia, em 13 de fevereiro, um sacerdote de 58 anos foi encontrado estrangulado na casa paroquial de sua igreja. Fonte: https://www.vaticannews.va 

 

Tema da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Oito dias depois da celebração do Natal de Jesus, a liturgia convida-nos a olhar para Maria, a mãe de Deus (“Theotókos”), solenemente designada com este título no Concílio de Éfeso, em 431. Com o seu “sim” tornou possível a presença de Jesus nas nossas vidas e no nosso mundo.

Mas este dia é também o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada que queremos percorrer de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que nos abençoa e que conduzirá os nossos passos, com cuidado de Pai, ao longo deste Ano Novo.

Também celebramos o Dia Mundial da Paz: em 1968, o Papa Paulo VI propôs aos homens de boa vontade que, no primeiro dia de cada novo ano, se rezasse pela paz no mundo. Hoje, portanto, pedimos a Deus que nos dê a paz e que faça de cada um de nós testemunha e arauto da reconciliação e da paz.

As leituras que a liturgia deste dia nos propõe abraçam esta diversidade de temas e de evocações.

 

primeira leitura oferece-nos, através de uma antiga fórmula de bênção, a certeza da presença contínua de Deus ao nosso lado nos caminhos que percorremos todo os dias. Ele será sempre para nós fonte de Vida e de paz.

 

Na segunda leitura evoca-se o amor e o cuidado de Deus, mil vezes manifestados na história dos homens. Ele enviou o seu Jesus ao nosso encontro para nos libertar da escravidão e para nos tornar seus “filhos”. É nessa situação privilegiada de “filhos” livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe “abbá” (“papá”).

Evangelho mostra como a presença de Deus na nossa história é fonte de alegria e de esperança para todos os homens e mulheres, mas particularmente para os pobres e os marginalizados. Sugere ainda que Maria, a mãe de Jesus, é o modelo do crente que, em silêncio e sem espalhafato, acolhe as propostas de Deus, guarda-as no coração e deixa-se guiar por elas.

 

LEITURA I – Números 6,22-27

O Senhor disse a Moisés:
«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes:
Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo:
‘O Senhor te abençoe e te proteja.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face
e te seja favorável.
O Senhor volte para ti os seus olhos
e te conceda a paz’.
Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel,
e Eu os abençoarei».

 

CONTEXTO

O texto situa-nos no Sinai, frente à montanha onde se celebrou a aliança entre Deus e o seu Povo… No contexto das últimas instruções de Javé a Moisés, antes de Israel levantar o acampamento e iniciar a caminhada em direção à Terra Prometida, é apresentada uma fórmula de bênção, que os “filhos de Aarão” (sacerdotes) deviam pronunciar sobre a comunidade.

Provavelmente trata-se de uma fórmula litúrgica utilizada no Templo de Jerusalém para abençoar a comunidade, no final das celebrações litúrgicas, antes de o Povo regressar a suas casas… Essa bênção é aqui apresentada como um dom de Deus, no Sinai.

A “bênção” (“beraka”) é concebida, no universo dos povos semitas, como uma comunicação de vida, real e eficaz, que atinge o “abençoado” e que lhe transmite vigor, força, êxito, felicidade. É um dom que, uma vez pronunciado, não pode ser retirado nem anulado. Aqui, essa comunicação de vida – fruto da generosidade e do amor de Deus – derrama-se sobre os membros da comunidade por intermédio dos sacerdotes (no Antigo Testamento, os intermediários entre o mundo de Javé e a comunidade israelita).

 

INTERPELAÇÕES

Temos à nossa frente um novo ano. Não sabemos, para já, o que ele nos trará… Provavelmente conheceremos, nesta nova etapa, as vicissitudes que são inerentes à nossa condição humana: alegrias e tristezas, esperanças e desilusões, encantos e desencantos, momentos de festa e momentos de desânimo… Mas, no meio de tudo isso, de uma coisa podemos estar seguros: não caminhamos sozinhos, abandonados à nossa sorte. Esse Deus que conduz a história dos homens, que nos criou com amor e que sempre se interessou pela nossa vida e pela nossa história, vai continuar a olhar para nós com o olhar terno de um Pai e o sorriso amoroso de uma Mãe; vai, em cada dia, consolar o nosso coração e guiar-nos em direção à Vida. Esta certeza irá acompanhar-nos em cada passo deste caminho que hoje começa?

É de Deus que tudo recebemos: vida, saúde, força, amor e aquelas mil e uma pequeninas coisas que enchem a nossa vida e que nos dão instantes plenos. Tendo consciência dessa presença contínua de Deus ao nosso lado, do seu amor e do seu cuidado, somos gratos por isso? No nosso diálogo com Ele, sentimos a necessidade de O louvar e de Lhe agradecer por tudo o que Ele nos oferece? Agradecemos todos os dons que Ele derramou sobre nós no ano que acaba de terminar?

A “bênção” de Deus de que fala este texto do livro dos Números não cai do céu como uma chuva mágica que transforma toda a nossa vida, quer queiramos quer não. A oferta de vida que Deus nos faz, para ter efeitos práticos na nossa vida, tem de ser acolhida com amor e gratidão. Temos de estar disponíveis para acolher os dons de Deus e para nos deixarmos transformar por Ele. Temos de dar ouvidos a Deus, temos de acolher as suas indicações, desafios e propostas; e então, efetivamente, trilharemos caminhos de Vida nova, de felicidade e de paz. Estamos prontos a acolher os dons de Deus?

 

EVANGELHO – Lucas 2,16-21

 

INTERPELAÇÕES

Naquele Menino frágil que os pastores encontram deitado numa manjedoura de uma gruta de Belém, Deus desce à nossa história e abraça a nossa frágil humanidade. Ele traz-nos a salvação e a paz. Não sejamos insensatos a ponto de colocar a nossa esperança de salvação nas ideologias, na clarividência dos líderes, no poder do dinheiro, na força das armas, na embriaguez dos aplausos. A salvação verdadeira vem de Jesus e da proposta irrecusável que Ele nos trouxe. Hoje, ao olhar para o Menino do presépio, podemos decidir-nos a viajar com Ele e a fazer dele a nossa referência; hoje, ao contemplar o Deus que se vestiu de fragilidade para nos apontar caminhos novos de realização e de plenitude, podemos decidir-nos por uma vida mais digna, mais fraterna, mais solidária. Estamos disponíveis, neste Ano Novo, para um novo começo, com Jesus?

É bem singular a lógica de Deus na sua aproximação ao mundo e aos homens… Ele não apresenta o seu “cartão de visita” aos poderosos e influentes, mas sim a uns pobres pastores de fama duvidosa. Os que estão em primeiro lugar, no coração paterno e materno de Deus, são aqueles filhos que mais necessitam de ternura e de amor. No nosso mundo aumenta todos os dias o imenso cortejo dos homens e mulheres descartáveis, para os quais não há lugar à mesa da dignidade e da abundância; a cada instante há mais irmãos nossos arrumados em campos de refugiados, sem perspetivas nem futuro; a cada passo há mais seres humanos esquecidos e desamparados, sem cuidados e sem amor. Nós, os que conhecemos a lógica de Deus e do seu amor seremos peças desta engrenagem de indiferença e de sofrimento? Podemos aceitar que o mundo se construa deste jeito? Que podemos fazer pelos nossos irmãos e irmãs que não têm vez, nem voz, nem direitos, nem vida?

Os pastores, maravilhados pela “boa notícia” da chegada da salvação e da paz, reagiram com o louvor e a ação de graças. Sabemos ser gratos ao nosso Deus pelos seus dons, pelo seu cuidado, pelo seu amor, pelo seu empenho em nos libertar da escravidão e em nos ensinar os caminhos da paz?

Os pastores, tocados pelo projeto libertador de Deus, tornaram-se “testemunhas” desse projeto. Sentimos também o imperativo do testemunho? Temos consciência de que a experiência da libertação é para ser passada aos nossos irmãos que ainda a desconhecem?

Maria, a mãe de Jesus, guardava todas estas coisas “e meditava-as no seu coração”. Guardava-as porque não é possível olvidar os gestos incríveis que traduzem o amor e a bondade de Deus pelos seus filhos e filhas; meditava-as porque queria percebê-las plenamente e conformar a sua vida com o projeto de Deus. No meio da agitação, do ruído, das correrias destes dias, temos conseguido reservar momentos para guardar, meditar e tirar conclusões desta história extraordinária que é Deus vir ao encontro dos homens para lhes oferecer a salvação e a paz?

*Leia a Reflexão na íntegra, clique ao lado no link- EVANGELHO DO DIA.

Enquanto os sinos das igrejas tocam e anunciam o Ano Novo, os historiadores afirmam que a pilhagem de mais de 150 mil sinos durante a Segunda Guerra Mundial deixou uma ‘lacuna sonora’ na paisagem europeia

 

O Waakklok, ou sino do relógio, em Utrecht. Ele tocava quando os portões da cidade estavam prestes a fechar ou abrir. O sino foi levado para a Alemanha e devolvido após a guerra  Foto: Desiré Van Den Berg/The New York Times

 

Por Nina Siegal (The New York Times)

Em uma entrada do diário no verão de 1943, Anne Frank escreveu que havia perdido toda a noção do tempo. Os sinos da torre mais alta da igreja de Amsterdã, a Westertoren, bem ao lado de seu esconderijo no sótão de uma casa à beira do canal, haviam parado de tocar.

“Há uma semana, estamos todos um pouco confusos sobre o tempo, desde que nosso querido e precioso sino da Westertoren foi aparentemente levado para uso industrial”, escreveu ela em 10 de agosto de 1943, “e não sabemos exatamente que horas são, nem se é dia ou noite”.

A jovem, em seu isolamento aterrorizado, recebeu a notícia de que os ocupantes nazistas na Holanda estavam confiscando sinos de igrejas em todo o País para derretê-los e fabricar armas e munições. “Ainda tenho alguma esperança de que eles inventem algo que lembre um pouco o relógio para a vizinhança”, acrescentou ela.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler tomou cerca de 175.000 sinos de igrejas em toda a Europa, para extrair seus componentes metálicos, principalmente cobre e estanho.

A grande maioria deles, cerca de 150.000 sinos, nunca foi devolvida às igrejas. Muitos foram destruídos no processo de remoção, derretidos e convertidos em munições, e milhares acabaram nos chamados Glockenfriedhöfe, ou cemitérios de sinos.

A destruição dos sinos das igrejas, considerada um crime de guerra durante o Tribunal de Nuremberg de 1945 e um ato de sacrilégio pela Igreja Católica Romana, é um aspecto menos conhecido da pilhagem nazista. Muitas cidades e vilas que durante séculos tinham medido suas vidas pelo toque diário dos sinos das igrejas ficaram em silêncio.

 

Significado psicológico

O confisco teve um impacto imediato na vida dos europeus comuns, que mediam o tempo pelos sinos das igrejas, que normalmente tocavam uma vez a cada quarto de hora e tocavam melodias a cada hora.

“Isso marca o ritmo dos dias das pessoas, o ritmo de suas vidas”, disse Kirrily Freeman, professora de história da St. Mary’s University em Halifax, Nova Escócia, que escreveu extensivamente sobre o uso militar de metais, incluindo sinos, durante a Segunda Guerra Mundial. “É algo que reúne as pessoas para eventos importantes da vida, casamentos, batismos, funerais.”

Os sinos das igrejas nos países europeus tinham “significado pessoal, familiar, comunitário e talvez até psicológico” para grande parte do público que frequentava a igreja, acrescentou Freeman. “Perder isso, não voluntariamente, e especialmente porque muitas vezes foi feito de forma violenta e no contexto da ocupação, bem, as consequências seriam enormes.”

A perda musical, de acordo com a historiadora Carla Shapreau, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos Europeus da Universidade da Califórnia, Berkeley, e fundadora do Lost Music Project, deixou “uma lacuna sonora no panorama europeu”.

Levou quase duas décadas para que a maioria desses sinos fosse substituída, disse Rainer Schütte, historiador e curador de sinos do Museu Klok and Peel em Asten, na Holanda, um museu dedicado à história dos sinos e carrilhões (uma experiência musical mais intensa tocada em teclado).

“Em muitos lugares, eles se empenharam em fazer novos sinos e, às vezes, também adicionaram carrilhões”, disse Schütte. “Muitas vezes, os carrilhões eram introduzidos como uma espécie de memorial para as vítimas da guerra.” Sinos comemorativos também eram dados como presentes, como o Netherlands Carillon em Arlington, Virgínia, que os holandeses enviaram como um sinal de gratidão pela ajuda americana durante e após a Segunda Guerra Mundial.

A destruição dos sinos durante a guerra também teve um lado positivo, dando aos campanólogos a oportunidade de estudar os sinos da Europa e impulsionando as fundições de sinos a melhorar sua qualidade e timbre. Em 1960, quando “quase todos os sinos haviam sido devolvidos às suas torres”, disse Schütte, “as fundições conseguiram aumentar seu nível de produção, tanto em quantidade quanto em qualidade dos sinos”.

Uma “corrida pela qualidade dos sinos” no pós-guerra, acrescentou ele, levou a grandes avanços na campanologia. “Eles estavam analisando questões como: ‘Como podemos melhorar os sinos? Precisamos mudar o perfil ou a forma do sino? Quais são as melhores condições para pendurar os sinos — torres abertas ou fechadas?’”

 

Perdas datam de 1700

Sinos de igreja de qualidade variável eram criados na Europa desde o início da Idade Média por fundições que alternavam entre dois tipos de produção: canhões em tempos de guerra e sinos em períodos de paz. Como ambos exigiam cobre e estanho, a escassez de metal muitas vezes significava que os sinos eram fundidos para a fabricação de armas.

A apreensão nazista de sinos na Alemanha e, posteriormente, na Europa ocupada, começou com um decreto de Hermann Göring, o segundo no comando de Hitler, intitulado “Recuperação de todos os sinos para fins de guerra”, em 15 de março de 1940. Mais tarde, os países ocupados pelos nazistas foram obrigados a fazer um inventário de seus sinos e classificá-los por data, sendo “D” o mais antigo — fabricado antes de 1740 — e “A” o mais recente.

Os sinos fundidos antes de 1450 não foram confiscados, mas aqueles a partir de 1700 foram removidos e enviados para locais de fundição na Alemanha. As regiões dentro dos novos domínios do Terceiro Reich, como o Protetorado da Boêmia e Morávia (Tchecoslováquia ocupada) e a Alsácia-Lorena, que os alemães anexaram após a derrota da França, foram os primeiros alvos da remoção dos sinos.

Após a invasão da Holanda e da Bélgica em maio de 1940, os dois países, famosos por seus carrilhões, receberam instruções de Berlim para entregar 75% de seus sinos. Os holandeses se opuseram à medida e conseguiram algumas concessões.

Mas a promulgação de uma nova regulamentação nacional no outono de 1942 deu início à confiscação em massa dos sinos das igrejas holandesas, que foi realizada sob a direção de P.J. Meulenberg, membro do partido nazista holandês, o NSB.

Ele logo ganhou o apelido de “Bell Peter” (Pedro Sino). No início de 1944, ele já havia removido milhares de sinos das torres das igrejas em todo o país, de acordo com registros do Instituto NIOD para Estudos sobre Guerra, Holocausto e Genocídio, em Amsterdã.

Até então, os sinos eram um elemento fundamental da vida comunitária nas cidades holandesas, disse Wouter Iseger, músico e historiador holandês que escreveu um livro sobre os sinos saqueados de sua cidade, Utrecht: “Os sinos das igrejas eram importantes quando havia um incêndio ou uma tempestade se aproximando, ou quando algumas guildas eram convocadas para se reunir. Em Utrecht, tínhamos um sino que tocava todos os dias quando os portões da cidade se abriam e fechavam”.

Quando os nazistas invadiram a Holanda, a maior igreja de Utrecht, a Dom Tower, baixou os sinos da igreja de 1505 e 1506 e os cobriu com sacos de areia para protegê-los. Eles foram marcados com um “M”, que ainda é visível hoje. Durante toda a guerra, aquela torre permaneceu em silêncio, disse Iseger.

Percival Price, músico, compositor e especialista em campanologia nascido no Canadá, da Universidade de Michigan, descobriu que a Alemanha perdeu 102.500 sinos para o esforço de guerra, dos quais 90.000 eram “irrecuperáveis como sinos”.

Entre os países ocupados pelos nazistas, a Polônia teve cerca de 20.800 sinos de igreja destruídos.

Após o fim da guerra, em 1945, os Aliados descobriram o maior cemitério de sinos no porto de Hamburgo, onde cerca de 10.000 sinos permaneciam no cais. Price viu o conjunto de sinos de toda a Europa como uma “oportunidade única para condições controladas de pesquisa”.

Seu relatório e análise subsequentes “criaram um banco de dados das propriedades tonais dos sinos sobreviventes, usando instrumentação osciladora eletrônica”, disse Andrea McCrady, professora adjunta de música na Carleton University em Ottawa, Ontário, onde atua como Dominion Carillonneur do Peace Tower Carillon. “A qualidade da afinação moderna” e outros ajustes que facilitaram a execução, acrescentou ela, levaram a “apresentações mais expressivas”.

 

Preservando seu ofício

Da mesma forma, campanólogos europeus como Bert van Heuven e os fabricantes de sinos holandeses Tuur Eijsbouts e André Lehr reviveram uma tradição de fabricação de sinos que estava praticamente adormecida há séculos.

Os novos sinos foram afinados com mais precisão, disse Schütte, “para que pudessem tocar uma gama mais ampla de músicas”.

“O panorama ou a paisagem sonora dos sinos teria sido mais rico em 1960 do que em 1940, devido ao crescimento dos sinos, mas também ao número de torres e igrejas”, disse ele.

Anne Frank escreveu algumas vezes em seu diário sobre os sinos da igreja Westerkerk, de acordo com o estudioso holandês da Segunda Guerra Mundial David Barnouw. Em fevereiro de 1944, ela descreveu ter ouvido “um sino” tocando “Erect of Body, Erect of Soul” (Erguido de Corpo, Erguido de Alma) e, um mês depois, ela sentiu como se estivesse participando de um casamento ao ouvir o som dos sinos ao lado.

Gertjan Broek, pesquisador da Casa de Anne Frank, disse que os sinos da Westertoren nunca ficaram totalmente em silêncio durante a guerra. Frank pode ter acrescentado esse elemento para dar um efeito dramático, disse ele, baseando-se em notícias que ela tinha acesso pela imprensa clandestina da resistência.

O maior sino da Westerkerk foi confiscado no início de 1943 e devolvido em julho, mas só voltou a tocar em novembro daquele ano. O carrilhão da igreja, de 1658, nunca foi removido.

De acordo com os registros de Price, dos 9.000 sinos que existiam na Holanda antes da guerra, 4.660 nunca foram devolvidos às torres das igrejas. Frank, junto com sua família, foi descoberta em 4 de agosto de 1944 e deportada para um campo de extermínio nazista, onde morreu.

Quando a Holanda foi libertada em maio de 1945, os moradores de Amsterdã se reuniram ao redor da Westerkerk, enquanto a bandeira holandesa era hasteada na torre e o hino nacional tocava no antigo carrilhão. Fonte: https://www.estadao.com.br

"O discípulo que Jesus amava": assim João se autodefine, simplesmente, em seu Evangelho. Ele tinha razão em definir-se desta maneira, porque assumiu uma das funções mais importantes na história da salvação, além, naturalmente, de Maria, que Jesus lhe confiou, pessoalmente, quando estava agonizante na cruz: "eis o teu filho" e "eis a tua mãe". Desde então, João levou Maria consigo e cuidou dela como "a pessoa mais querida"; o elo de união entre os dois era, precisamente, a pureza e a vida virginal, que ambos viveram.

 

Dados históricos

São várias as fontes históricas, que dão detalhes sobre a vida do evangelista e apóstolo. Algumas são apócrifas, como outro Evangelho, que, segundo alguém, devem ser atribuídas precisamente à sua pena. Sabemos que João era o mais novo entre os Doze e o que viveu mais que todos.

João era natural da Galileia, de uma região às margens do Lago de Tiberíades. Por isso, era de uma família de pescadores. Seu pai se chamava Zebedeu e sua mãe Salomé. Seu irmão, Tiago, chamado Maior, também foi apóstolo. Jesus sempre se referia a ele e estava no meio dos poucos, que O acompanham, nas ocasiões mais importantes: por exemplo, quando ressuscitou a filha de Jairo, na sua Transfiguração sobre o Monte Tabor e durante a sua agonia no Getsêmani. Durante a Última Ceia, João ocupou um lugar de honra, à direita do Senhor, em cujo ombro encostou a cabeça, como gesto de carinho.
Naquele momento, o Espírito Santo infundiu-lhe a sabedoria, com a qual pôde escrever o seu Evangelho na velhice. João foi o único que esteve aos pés da Cruz, além de Maria, com a qual passou os três dias antes da ressurreição; foi também o primeiro a chegar ao túmulo vazio, após o anúncio de Maria Madalena. Porém, deixou Pedro entrar por primeiro, por respeito e por ser mais velho. Desde então, transferiu-se com Maria para Éfeso, onde começou a sua pregação do Evangelho na Ásia Menor.
Parece que João sofreu pela perseguição de Domiciano e foi exilado para a ilha de Patmos. Depois, com a chegada de Nerva, retornou para Éfeso, onde terminou seus dias, com mais de cem anos, por volta do ano 104.

 

"A flor dos Evangelhos"

Assim foi chamado o Evangelho escrito por João, também denominado "Evangelho espiritual" ou “Evangelho do Logos”, graças à perfeição da sua linguagem teológica e à invenção do termo polissêmico "Logos", para indicar Jesus, com diversos significados: "Palavra", "diálogo" , "projeto", "Verbo".

Além disso, em seu Evangelho, a palavra “crer” é citada 98 vezes, porque somente assim se podia atingir o Coração de Jesus: acreditar na liberdade e aceitar a graça, como demonstra o discípulo amado de Jesus.

O Evangelho de São João é altamente mariano, não tanto pela enorme quantidade de referências à Virgem Maria, mas pela graça especial de ter conhecido seu Filho, mais do que qualquer outra pessoa, e por desvendar o mistério de Cristo. No entanto, Maria aparece apenas duas vezes na narração de João: nas Bodas de Caná e no Calvário.
A narrativa das Bodas de Caná é de particular importância: naquela ocasião, deu-se o primeiro encontro de Jesus com João. No entanto, a vocação de João – que, com André, já era discípulo de João Batista – ocorreu, provavelmente, em Betânia, às margens do rio Jordão. Ao ver Jesus chegar, Batista o saudou como "Cordeiro de Deus". O evangelista João ficou tão impressionado com aquele encontro, a ponto de recordar até a hora em que ocorreu: a décima hora, ou seja, às 16 horas. Doravante, não pôde não seguir a Jesus.
Todavia, além do alto valor teológico, o Evangelho de João se diferenciou dos Sinópticos pela sua ênfase à humanidade de Cristo, que emerge pelos detalhes de algumas narrativas, como: “sentar-se cansado”, “derramar lágrimas por Lázaro” ou “sentir sede na Cruz”.

 

Apocalipse e Cartas de João

São João escreveu também três Cartas e o Apocalipse, o único Livro profético do Novo Testamento. As Escrituras se concluem com este Livro e, conforme o significado do seu próprio nome - "revelação" - indica a mensagem concreta de esperança, que traz consigo. Assim, de qualquer maneira, coloca um ponto final no diálogo entre Deus e o homem. Desde então, coube à Igreja falar e interpretar a ação de Deus no âmbito da História, até ao seu retorno definitivo à Terra, no fim dos tempos. Nesse sentido, o Apocalipse é também uma "profecia".

Quanto às três Cartas ou Epístolas de São João, escritas, provavelmente, em Éfeso, são Cartas sobre o amor e a fé, que visam defender algumas Verdades espirituais fundamentais, contra o ataque das doutrinas gnósticas.

Eis o “prólogo” inimitável do Evangelho de João:


«No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou» (João 1:1-18). Fonte: https://www.vaticannews.va

Integrantes da arquidiocese dizem que dom Odilo Scherer determinou procedimento e agora busca proteger Lancellotti

Religioso afirma que procedimento é feito mensalmente

 

Padre Julio Lancellotti distribui pães a moradores de rua no Centro Comunitario Santa Dulce dos Pobres (da Paroquia Sao Miguel Arcanjo) na rua Sapucaia, na Mooca - Eduardo Knapp/Folhapress

 

Mônica Bergamo

Arquidiocese de São Paulo determinou uma auditoria financeira na paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, que é liderada há 40 anos pelo padre Júlio Lancellotti.

A decisão foi do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. Segundo integrantes da igreja, o procedimento está sendo realizado em função de informações que o cardeal arcebispo teria recebido sobre o funcionamento da paróquia.

Lancellotti, no entanto, afirma que se trata de um procedimento de rotina, feito todos os meses nas mais diversas paróquias da cidade.

''Auditoria financeira tem sempre", afirma ele.

Como revelou a coluna, Scherer determinou que Lancellotti não transmita mais missas ao vivo, suspenda todas as suas atividades em redes sociais e pode retirá-lo da paróquia.

As celebrações eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), mantida por sindicatos, pelo portal ICL e pelo YouTube.

A medida, drástica, teria sido tomada para proteger o padre Júlio.

O próprio religioso afirmou à coluna que "Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção".

Questionado se concordava com a decisão, ele respondeu que tem "apenas que obedecer".

Lancellotti, que se dedica especialmente à população de rua de São Paulo, é alvo comum de parlamentares e políticos de direita, especialmente de integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

Apesar de ser pressionado há muitos anos para afastar o padre de suas atividades, dom Odilo Scherer sempre resistiu às investidas. Desta vez, no entanto, tomou a decisão de afastá-lo da mídia.

A iniciativa do cardeal gerou ampla repercussão, com o padre Júlio colhendo diversas manifestações de solidariedade.

Depois que a coluna revelou as medidas contra o religioso, mais de 40 organizações que atuam com a população em situação de rua enviaram nesta terça-feira (16) uma carta ao cardeal pedindo a revisão da decisão nas redes sociais.

No documento, as organizações afirmam que a limitação da manifestação pública do padre afeta redes de solidariedade e o debate sobre a pobreza extrema na cidade. Scherer pode retirar o padre da paróquia em que atua há 40 anos, na Mooca, ainda neste ano. Lancellotti afirmou que recebeu o pedido como um "tempo de recolhimento" e disse que irá obedecer.

A articulação a favor do padre é liderada pelo Instituto GAS, ONG que atua há dez anos no atendimento direto à população vulnerável em ruas e favelas de São Paulo e que é parceira histórica do padre Júlio. O grupo também é fundador dos movimentos Na Rua Somos Um e Solidariedade Não É Crime.  Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Religioso não poderá mais transmitir missas ao vivo e vai se afastar de atividades nas plataformas virtuais. Arquidiocese diz que não irá se manifestar

 

 

Padre Júlio Lancelotti Foto: Felipe Rau/Estadão

 

Por Gonçalo Junior

“Reafirmo minha pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo”, afirmou o padre Júlio Lancelotti ao comentar sobre não poder mais transmitir missas ao vivo e se afastar temporariamente das atividades nas redes sociais.

A mudança ocorre após determinação da Arquidiocese de São Paulo. Procurada, ela disse que não irá se manifestar sobre o assunto.

A missa do último domingo, 14, foi a última a ser transmitida, segundo informado pelo próprio Lancelotti durante a celebração. “Agradeço a todos que ajudaram na transmissão dessa missa desde a pandemia. Hoje é a última vez que a missa está sendo transmitida. Até que haja ordem em contrário, a partir do domingo que vem, a missa será só presencial. Não terá mais transmissão”, anunciou o religioso.

As celebrações eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), mantida por sindicatos, pelo portal ICL e pelo YouTube.

Em nota enviada ao Estadão, o religioso acrescentou que as “redes sociais não estão movimentadas por um período de recolhimento temporário”.

Coordenador da Pastoral do Povo da Rua, o padre seguirá na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Belenzinho, zona leste, onde atua há quase 40 anos. Seu foco é pastoral com populações de rua, adolescentes infratores e crianças com HIV.

 

Quem é o padre Júlio Lancelotti

Júlio Lancelotti é uma figura conhecida nacionalmente pelo trabalho que realiza, há mais de 40 anos, com a população em situação de rua na capital paulista.

Paulistano nascido no bairro do Brás, Lancellotti é também o padre responsável pela Paróquia de São Miguel Arcanjo, da Mooca, desde 1986, onde começou o trabalho pastoral com populações de rua, menores infratores e crianças com HIV.

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O padre tem sido alvo frequente de criticas de políticos nas redes sociais pelo trabalho com a população de rua.

Tachado de “padre esquerdista” por políticos de direita, Júlio Lancellotti chegou a ser alvo de ataques nas redes sociais e de ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara.

Após uma dessa onda de ataques, ele chegou a receber ligação de apoio do papa Francisco, que morreu em abril deste ano. O pontífice recomendou que ele não desanimasse do trabalho para auxílio dos pobres, mesmo diante de todas as dificuldades.

Um dos políticos mais próximos de Lancelotti é Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência no governo Lula. Fonte: https://www.estadao.com.br

Continuamos, nesta terceira etapa do “caminho do advento”, a preparar a vinda do Senhor. Chamado “domingo Gaudete”, este terceiro domingo do advento convida-nos à alegria: a vinda do Senhor aproxima-se; a nossa libertação está cada vez mais perto.

 

Na primeira leitura um profeta anónimo anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que estão a acabar os anos de tristeza e que vão finalmente chegar os tempos novos da alegria e da esperança. Porquê? Porque Deus “aí está para fazer justiça”. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo, em procissão triunfal, possa regressar a Sião. Deus nunca desiste dos seus queridos filhos.

 

No Evangelho, o próprio Jesus define a missão que o Pai lhe confiou quando o enviou ao encontro dos homens: dar vista aos cegos e tirá-los da escuridão onde se afundam, libertar os coxos de tudo aquilo que os impede de caminhar, curar os leprosos e reintegrá-los na família de Deus, abrir os ouvidos dos surdos que vivem fechados no seu mundo autossuficiente, devolver a vida àqueles que se sentem às portas da morte, anunciar aos pobres a “Boa Notícia” do amor de Deus. Com Jesus, o Reino de Deus chegou à vida e à história dos homens.

 

Na segunda leitura um tal Tiago, que se apresenta como “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, avisa os pobres, vítimas das prepotências dos poderosos, que o Senhor, o “juiz” dos homens, está a chegar para fazer justiça. A sua vinda irá libertá-los da opressão a que têm estado sujeitos. Enquanto esperam, os pobres devem colocar a sua confiança em Deus e continuar a percorrer, com fidelidade e sem desânimo, o seu caminho que têm à frente.

 

EVANGELHO – Mateus 11, 2-11

 

INTERPELAÇÕES

No belo texto de Mateus que a liturgia deste terceiro domingo do Advento nos propõe, o próprio Jesus apresenta-se como o Messias que veio ao mundo para cumprir as promessas de Deus, para derrotar o mal e para abrir para os homens um caudal de vida abundante. A sua presença inaugura uma nova era, um mundo onde se rasgam caminhos novos para os deserdados, os abandonados, os injustiçados, os que não conhecem a alegria, os que vivem mergulhados nas trevas, os que caminham sem esperança, os que não têm voz nem vez. Esta maravilhosa história do Messias de Deus, contada por Mateus, não é uma história vivida e cumprida num tempo já fechado, com princípio, meio e fim há mais de dois mil anos; mas é uma história que continua a escrever-se hoje, para nós que vivemos no séc. XXI. Jesus continua a vir ao nosso encontro, a inundar de vida nova o nosso mundo velho, a curar as nossas feridas, a oferecer-nos generosamente a salvação de Deus. Estamos disponíveis para O acolher? Estamos efetivamente interessados em romper as velhas cadeias que nos prendem para abraçar essa vida nova e plena que Jesus nos vem oferecer?

Jesus, depois de ter terminado o Seu caminho na terra, reentrou na glória do Pai. No entanto, quando se despediu daqueles homens e mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia a Jerusalém e que tinham sido testemunhas de tudo o que Ele disse e fez, pediu-lhes que fossem, no mundo, os arautos da salvação de Deus. Hoje, mais de dois mil anos depois, isto é conosco. Nós, discípulos e testemunhas de Jesus, dedicamo-nos a fazer as obras que Ele fazia? Os “cegos”, encerrados nas trevas do egoísmo e do erro, podem contar conosco para saírem da escuridão e encontrarem a luz libertadora de Deus? Os “coxos”, incapazes de caminhar sozinhos, podem contar conosco para se verem livres daquilo que os limita e os impede de ir em frente, em direção a uma vida com sentido? Os “leprosos”, marginalizados e excluídos por uma sociedade que não tem lugar para todos, podem contar conosco para serem novamente acolhidos à mesa familiar dos filhos de Deus? Os “surdos”, fechados no seu mundo de autossuficiência e de silêncio, podem contar conosco para descobrirem a beleza do diálogo e da comunhão? Os “mortos”, os que vivem mergulhados no desespero e já desistiram de viver, podem contar conosco para aprenderem a sonhar com um amanhã de esperança? Os “pobres”, privados de recursos necessários para terem uma vida digna, podem contar conosco para se defenderem da miséria que lhes rouba a dignidade? Deus pode contar conosco para curar as feridas do mundo?

João, o “Batista”, aquele de quem Jesus disse que era “o maior entre os filhos de mulher”, reaparece-nos todos os anos neste tempo de Advento para nos ajudar a preparar a chegada do Messias. A sua verticalidade e coerência, a sua integridade e fortaleza, o seu compromisso firme com a verdade, o seu estilo de vida simples e desprendido, o seu desprezo pelos bens materiais, a sua indiferença pela vida cómoda e fácil, o seu “jeito” de remar contra a corrente, a sua decisão irrevogável de fazer a voz de Deus ecoar no mundo dos homens, interpelam-nos fortemente. João é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la com fidelidade. A nossa vida e o nosso testemunho profético cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade de João? Sentimos que o “estilo” de vida de João nos pode inspirar a viver de uma forma mais verdadeira? Captando a mensagem de João, estamos dispostos a uma mudança radical na nossa forma de estar na vida, a fim de que Jesus possa “caber” no nosso projeto?

Talvez resulte um pouco chocante ouvirmos dizer que, a certa altura, João teve dúvidas sobre a messianidade de Jesus. Aquele Jesus que antes queria falar da misericórdia de Deus do que da Sua ira, que acolhia os pecadores e se sentava com eles à mesa, que não condenava ninguém nem ameaçava com castigos terríveis, não encaixava na conceção que João tinha do “ungido de Deus”. No entanto, ao questionar Jesus (“és Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”), João assumiu uma posição de profunda honestidade. Quis saber, quis perceber o projeto de Jesus. Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas inamovíveis, que estão absolutamente certos das suas verdades e dos seus dogmas, do que daqueles que procuram honestamente, em diálogo com os seus irmãos, as respostas às questões que a vida todos os dias coloca. Como nos comportamos quando vemos que a realidade que nos cerca não coincide exatamente com as nossas ideias feitas? Entrincheiramo-nos atrás das nossas certezas e disparamos contra o mundo, ou procuramos sinceramente escutar aqueles que nos rodeiam, compreender as visões diferentes e encontrar, a partir daí, o caminho que conduz à verdade?

*Leia a reflexão na integra, clique ao lado no EVANGELHO DO DIA.