Ele passou mal enquanto cantava durante um culto no último domingo (17) e morreu nesta quarta-feira (20), em um hospital de Vitória.

 

Por g1 ES

Pastor morreu após sofrer AVC em igreja do Sul do ES

Um pastor de 48 anos morreu nesta quarta-feira (20), depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante culto, no último domingo (17), em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo.

O pastor Geter da Silva estava cantando "não deixe um soldado ferido morrer" quando passou mal, caiu e foi socorrido por outras pessoas que estavam no local. O momento foi registrado por fiéis que acompanhavam o culto. 

Da igreja, Geter foi levado para o Hospital Santa Casa de Misericórdia. Com a piora do quadro de saúde, o pastor foi transferido para um hospital em Vitória, onde faleceu nesta quarta.

Além de pastor, Geter trabalhava para a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim e vendia picolé no Centro do município.

O corpo dele será velado e sepultado no bairro Coronel Borges, em Cachoeiro de Itapemirim. Fonte: https://g1.globo.com

 

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 12, 49-53)

49Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso? 50Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra! 51Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação. 52Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três; 53estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz algumas frases soltas de Jesus. A primeira sobre o fogo na terra só ocorre em Lucas. As outras têm frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos remete para o problema da origem da composição destes dois evangelhos que já fez correr muita tinta ao longo dos últimos dois séculos e só será resolvido plenamente quando pudermos conversar com Mateus e Lucas, depois da nossa ressurreição.

Lucas 12,49-50: Jesus veio trazer fogo sobre a terra

"Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra!”   A imagem do fogo ocorre muito na Bíblia e não tem um sentido único. Pode ser imagem de devastação e castigo e também pode ser imagem de purificação e iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode até evocar proteção como transparece em Isaías: “Se passar pelo fogo, estarei contigo” (Is 43,2). João Batista batizava com água, mas depois dele Jesus haveria de batizar pelo fogo (Lc 3,16). Aqui, a imagem do fogo é associada à ação do Espírito Santo que desceu no dia de Pentecostes  sob a imagem de línguas de fogo (At 2,2-4). Imagens e símbolos nunca têm um sentido obrigatório, totalmente definido, que não permitiria divergência. Nesse caso já não seria imagem nem símbolo. É da natureza do símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e expectadores. Deixando liberdade aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a imagem do batismo indica a direção na qual Jesus quer que a gente dirija a imaginação. Batismo é associado com água e é sempre expressão de um compromisso. Em outro lugar o batismo aparece como símbolo do compromisso de Jesus com a sua paixão: “Você podem ser batizados com o batismo com que serei batizado?”. (Mc 10,38-39).

Lucas 12,51-53: Jesus veio trazer a divisão

Jesus sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo 14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que parece dizer o contrário: “Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão”. Esta afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não quer a divisão. Mas o anúncio da verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o Messias tornou-se motivo de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou comunidade, uns eram a favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Nova de Jesus era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou, como dizia Jesus: “Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”. Era o que estava acontecendo, de fato, nas famílias e nas comunidades: muita divisão, muita discussão, como conseqüência do anúncio da Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros negando. O mesmo vale para o anúncio da fraternidade como o valor supremo da convivência humana. Nem todos concordavam com este anúncio, pois preferiam manter seus privilégios. Por isso, não tinham medo de perseguir os que anunciavam a fraternidade e a partilha. Esta é a divisão que surgia e que está na origem da paixão e morte de Jesus. Era o que estava acontecendo. Era o julgamento em andamento. Jesus quer é a união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Até hoje é assim. Muitas vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo da Boa Nova se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que durante anos viveram acomodadas na rotina da sua vida cristã, já não querem ser incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, elas usam toda a sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a verdadeira fé.  

 

4) Para um confronto pessoal

1) Buscando a união, Jesus era causa de divisão. Isto já aconteceu com você?

2) Diante das mudanças na Igreja, como me situo?

 

5) Oração final

Exultai no Senhor, ó justos, pois aos retos convém o louvor. Celebrai o Senhor com a cítara, entoai-lhe hinos na harpa de dez cordas. (Sl 33, 1-2)

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 12, 35-38)

35Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. 36Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á. 38Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!

 

3) Reflexão

Por meio da parábola o evangelho de hoje traz uma exortação à vigilância.

Lucas 12,35: Exortação à vigilância

"Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas”. Cingir-se significava amarrar um pano ou uma corda ao redor da veste talar, para que ela não atrapalhasse os movimentos do corpo. Estar cingido significava estar preparado, pronto para ação imediata. Na véspera da saída do Egito, na hora de celebrar a páscoa, os israelitas deviam estar cingidos, isto é, preparados, prontos para poder partir imediatamente (Ex 12,11). Quando alguém ia trabalhar, lutar ou executar uma tarefa ele se cingia (Ct 3,8). Na carta aos Efésios, Paulo descreve a armadura de Deus e diz que os rins devem estar cingidos com o cíngulo da verdade (Ef 6,14). As lâmpadas deviam estar acesas, pois a vigilância é tarefa tanto para o dia como para a noite. Sem luz não se anda na escuridão da noite.

Lucas 12,36: A parábola

Para explicar o que significa de estar cingido, Jesus conta uma pequena parábola. “Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta”.  A tarefa de aguardar a chegada do patrão exige uma vigilância constante e permanente, sobretudo quando é de noite, pois, o patrão não tem hora marcada. Ele pode voltar a qualquer momento. O empregado deve estar atento, vigilante sempre!

Lucas 12,37: Promessa de felicidade

“Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá”. Aqui, nesta promessa de felicidade, os papeis se invertem. O patrão se torna empregado e começa a servir ao empregado que virou patrão. Evoca Jesus na última ceia que, mesmo sendo senhor e mestre, se fez servidor e empregado de todos (Jo 13,4-17). A felicidade prometida tem a ver com o futuro, com a felicidade no fim dos tempos, e é o oposto daquilo que Jesus prometeu numa outra parábola que dizia: “Se alguém de vocês tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: Venha depressa para a mesa?  Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: 'Prepare-me o jantar, cinja-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois disso você vai comer e beber'? Será que vai agradecer ao empregado, porque este fez o que lhe havia mandado? Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17,7-10).  .

Lucas 12,38: Repete a promessa de felicidade

“E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra!”  Repete a promessa de felicidade que exige vigilância total. O patrão pode voltar meia noite, três da madrugada, ou qualquer outra hora. O empregado deve estar acordado, cingido, pronto para poder entrar em ação.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Somos empregados de Deus. Devemos estar cingidos, de prontidão, atentos e vigilantes, vinte e quatro horas por dia. Você está conseguindo? Como faz?

2) A promessa de felicidade futura é a inversão do presente. O que isto nos revela sobre a bondade de Deus para conosco, para comigo?

 

5) Oração final

Escutarei o que diz o Senhor Deus, porque ele diz palavras de paz ao seu povo,para seus fiéis, e àqueles cujos corações se voltam para ele. Sim, sua salvação está bem perto dos que o temem, de sorte que sua glória retornará à nossa terra. (Sl 84, 9-10)

 

As mensagens de solidariedade que chegam à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, e também endereçadas ao Papa Francisco têm se multiplicado, desde ontem, 17, após a divulgação da Carta aberta da entidade ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e aos Cidadãos e cidadãs brasileiros.

A CNBB afirmou rejeitar “fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo”. Com ódio descontrolado, continuou a Conferência, “o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”.

Autoridades, políticos, entidades religiosas e civis têm manifestado apoio a dom Orlando, ao Papa e à Conferência Episcopal, repudiando as falas agressivas do parlamentar. Confira alguns trechos dos pronunciamentos:

Opus Dei e Arautos do Evangelho

As organizações católicas citadas pelo deputado se manifestaram sobre o pronunciamento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O vigário regional da Prelazia Opus Dei no Brasil, padre Fábio Henrique Carvalheiro, divulgou declaração manifestando repúdio às declarações do deputado estadual Frederico d’Avila. No texto, ressaltou que “a Prelazia, cujas finalidades são exclusivamente espirituais e apostólicas, sempre viveu e fomentou – pois esse é o espírito ensinado pelo seu fundador São Josemaria Escrivá – veneração pelo Santo Padre e união ao colégio episcopal e à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil.

Já o Comissário Pontifício para os Arautos do Evangelho, cardeal Raymundo Damasceno Assis, reiterou a comunhão com o Santo Padre, o Papa Francisco, a CNBB e Dom Orlando Brandes e reprovou “o pronunciamento infeliz do deputado da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo”.

 

Profecia e oração da Vida Religiosa

A vida religiosa consagrada feminina, por meio União das Superioras Gerais das Congregações Brasileiras (USGCB), manifestou apoio e solidariedade a dom Orlando e ao Papa Francisco “profetas de nosso tempo, que anunciam que a alegria do Evangelho é vida em abundância para os pobres”. No texto, assinado pela diretora Geral das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e delegada da USGCB, irmã Maria Freire da Silva, a entidade observa que o dinamismo da profecia “nunca é aceito por aqueles que são contrários ao Projeto de justiça e de verdade, proclamado e vivenciado por Jesus Cristo”.

Motivadas a serem como Ester (Est 4,17) “que se preparou durante três dias, inclinou-se em sua dor, mas também em sua esperança, suplicando ao Senhor através da oração, do jejum e da incessante busca da Vontade de seu Deus a seu respeito na defesa da vida do seu povo”, as religiosas foram convidadas a unirem-se em oração no dia 22 deste mês na intenção pelo Papa e por dom Orlando. Leia na íntegra.

Em carta aberta, a Província Frei Bartolomeu de Las Casas – dos frades dominicanos no Brasil – e a Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, manifestaram ‘indignação e reprovação das agressões dirigidas à CNBB, ao Papa Francisco e a Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida”.

“O discurso, cujas bases são o ridículo e a ignorância, a desinformação e a má-fé, traduz o que de pior chegou à política brasileira: o ódio, a violência e a barbárie. O fato de que uma pessoa pública se manifeste nesses termos traduz os grandes perigos que ameaçam a nossa democracia. Por isso mesmo, tal episódio deve ser punido rigorosamente, em nome da justiça e da verdade”, lê-se no texto.

A província da congregação religiosa renovou seu apoio e sua comunhão com o Papa Francisco, com a CNBB e com Dom Orlando, “cuja presença são inspiração ética para milhões de brasileiros e brasileiras. As palavras irascíveis e descabidas do deputado paulista só confirmam a importância dessa presença no Brasil contemporâneo”.

A coordenação da Conferência dos Religiosos do Brasil no Ceará expressou solidariedade a dom Orlando Brandes, ao Papa Francisco, e à CNBB. “Neste dia celebrativo de abertura oficial do Sínodo dos bispos na Arquidiocese de Fortaleza, reiteramos a nossa “união” com toda a Igreja nesse momento difícil de provação. Estamos “juntos”, não vamos nos calar diante de tanta violência, desrespeito, ofensas e acusações proferidas contra
a Igreja e seus pobres filhos”, afirmaram os religiosos no texto.

 

Organismos

O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) emitiu nota de repúdio às falas do deputado paulista e quis esclarecer que “em Cristo Jesus somos uma só comunidade, e caminhamos no desejo ardente da Paz e da Justiça”. Para tanto, prossegue a nota, “nos unimos em defesa do Papa Francisco, da CNBB e de Dom Orlando, reforçando o nosso fecundo desejo do respeito às pessoas e às instituições de nosso país”.

O CNLB pediu ainda às autoridades competentes e à Assembleia Legislativa de São Paulo que instaurem “as apurações cabíveis sobre a postura do deputado e a aplicação das devidas sanções regimentares, incluindo a retratação desta tentativa de macular a Instituição Igreja Católica e seus representantes”.

Também a Cáritas Brasileira manifestou solidariedade a dom Orlando Brandes. Em nota, o organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repudiou “o uso de um espaço do povo para incentivar a violência, agredir verbalmente ao Santo Padre o Papa Francisco e atacar a Igreja no Brasil, assim como aos seus bispos”.

A Cáritas lembrou que, historicamente, a Igreja no Brasil esteve comprometida com a promoção da paz e construção de uma sociedade do Bem Viver. “O uso de linguagem violenta, como a usada pelo deputado paulista, apenas reforça a importância de resgatar princípios civilizados e humanos no nosso país”, afirma. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O deputado estadual Frederico D'Ávila (PSL) em discurso na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) - Mauricio Garcia de Souza/Alesp/Divulgação

 

Entidade da Igreja Católica afirma que também vai fazer uma interpelação judicial para que Frederico d'Avila faça esclarecimentos sobre as acusações

 

SÃO PAULO

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou uma carta aberta à Assembleia Legislativa de São Paulo na qual pede punição ao deputado bolsonarista Frederico d’Avila (PSL), que chamou o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados'".

A entidade afirma que também vai levar o assunto à Justiça, por meio de uma interpelação, para que o deputado preste esclarecimentos sobre as ofensas e acusações.

O deputado realizou os ataques verbais em discurso na Assembleia no dia 14 de outubro, em reação a críticas feitas por Brandes em sermão de missa no feriado de 12 de outubro.

Em Aparecida, pela manhã, antes de visita do presidente Jair Bolsonaro ao local, o arcebispo pregou: "Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada".

O religioso fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e as notícias falsas e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus.

No mesmo dia, mas à tarde, Bolsonaro esteve no Santuário Nacional de Aparecida, onde foi recebido com aplausos e vaias, e ouviu um outro sermão com referências à situação atual do país, incluindo o desemprego e a pandemia.

Na última quinta-feira, o deputado estadual atacou a conduta de Brandes.

“Seu vagabundo, safado da CNBB, dando recadinho para o presidente [Jair Bolsonaro], para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha, seu safado”, afirmou na tribuna da Assembleia.

“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito e do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, disse.

Na carta divulgada neste domingo, a CNBB pede ao presidente da Assembleia, Carlão Pignatari, que a Casa adote medidas contra d’Avila.

“Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”, segundo a carta.

“A CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade —sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada”, afirma a CNBB.

Diz ainda esperar “uma resposta rápida” de Pignatari, o que seria uma “postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres”.

Na carta assinada pelo seu presidente, o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, a CNBB afirma que a reação ocorrerá também via Justiça.

“A CNBB tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar, protagonista desse lastimável espetáculo, serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem, de modo exigente nos termos da lei”, de acordo com a carta.

Procurado pela Folha, o deputado d’Avila afirmou que a carta "mostra claramente que [a CNBB] é um conglomerado político travestido de grupo religioso".

"Usam a batina e o altar, a boa-fé e a pureza de alma das pessoas para fazer proselitismo politico partidário, pregar a luta de classes, condenar as conquistas materiais fruto do trabalho árduo e desconstruir os valores pregados pelo cristianismo como fé, família e tradição", afirmou.

"Eles querem é desacreditar a Igreja perante os seus fiéis. Criar uma confusão e pregar o socialismo através do altar", disse o deputado. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Especialistas dizem que resultado se deve à política armamentista, crise econômica e descaso com vítimas da Covid, mas lembram que presidente ainda tem apoio

 

Guilherme Caetano

Bolsonaro assiste à missa em Aparecida (SP) no dia da Padroeira do Brasil Foto: BRUNO CASTILHO/FUTURA PRESS

SÃO PAULO — As críticas ao governo Jair Bolsonaro feitas pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, no feriado de 12 de outubro, ecoam uma desaprovação ao presidente que vem crescendo entre fiéis e bispos da Igreja Católica. A rejeição ao mandatário entre o grupo hoje é de 56%, segundo o Datafolha, 14 pontos percentuais a mais do que o registrado em janeiro. Para estudiosos do catolicismo, a política armamentista e o descaso com as vítimas da pandemia ajudam a explicar a reprovação a Bolsonaro neste segmento da sociedade.

Durante a missa em homenagem à padroeira, em Aparecida, na última terça-feira, Brandes afirmou que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada” nem com “mentira e fake news”. Embora não tenha citado Bolsonaro, Brandes fez referência a “Pátria amada”, o slogan do governo, e à defesa do armamento civil, pauta do presidente. O projeto armamentista de Bolsonaro é um dos pontos que mais incomoda o eleitorado católico, segundo a socióloga Maria José Rosado, professora na PUC-SP e fundadora do grupo Católicas pelo Direito de Decidir.

— As religiões têm na questão da não violência um elemento muito forte da sua narrativa e da sua proposta prática de ação. E, de repente, você vê um presidente da República colocando, sobre os ombros, uma criança com uma arma na mão. Isso impacta — diz ela.

“As religiões têm na não violência um elemento muito forte da sua narrativa. E você vê um presidente colocando, sobre os ombros, uma criança com uma arma na mão. Isso impacta”

Segundo o Datafolha, a reprovação dos católicos a Bolsonaro é numericamente maior que a taxa da população geral, mas acompanha a mesma curva de crescimento. Em janeiro, 42% dos católicos achavam o governo péssimo ou ruim. Na última pesquisa, divulgada em 16 de setembro, esse índice chegou a 56%. Na população geral, o crescimento foi de 40% para 53%.

Não é só reflexo da política armamentista de Bolsonaro, conhecida desde que ele era deputado. A gravidade da pandemia e a crise econômica também podem ter contribuído para a queda de popularidade, diz Maria José.

Ana Carolina Evangelista, diretora-executiva do Instituto de Estudos da Religião, diz ser difícil atribuir motivos específicos à queda no apoio entre católicos e lembra que a desaprovação é crescente até entre evangélicos — a aprovação neste segmento caiu de 40% para 29% de janeiro a setembro.

— Assim como a gente não pode considerar o segmento das mulheres, dos jovens ou dos professores como um bloco generalizado, não podemos fazer isso com os religiosos. Essa perda de apoio não está mais conectada a dogmas religiosos do que a outras crises pelas quais passamos, como desemprego, fome, insegurança — diz Ana Carolina.

O eleitorado adepto do cristianismo é caro a Bolsonaro. Ele geralmente diz ser um “presidente cristão”, usa o nome de Deus em slogan, cita frequentemente um versículo bíblico como bordão (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”) e prega a nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” no Supremo Tribunal Federal (STF).

Embate na igreja

Além de demonstrar um respaldo entre os fiéis, a declaração pública de Brandes em Aparecida revela que a opinião crítica ao governo federal tem eco tanto em sua diocese quanto na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), segundo Maria José. Apesar disso, ela reforça, a opinião não é unânime entre os católicos:

— (A crítica) explicita um embate existente na Igreja Católica entre progressistas e conservadores. Não diria que a CNBB é majoritariamente progressista, mas a fala do arcebispo indica haver recepção para esse tipo de opinião na Igreja.

Em maio de 2020, padres conservadores ligados rádios e TVs católicas participaram de videoconferência com Bolsonaro para pedir investimento do governo federal nas emissoras por meio de propagandas do governo federal. Em troca, indicaram que poderiam apresentar ações do governo na pandemia do novo coronavírus. A CNBB repudiou o encontro.

A divergência interna se acentuou dois meses depois, quando foi publicada uma carta assinada por 152 arcebispos em que os religiosos afirmaram que o governo federal demonstrava “omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres”, além de “incapacidade para enfrentar crises”. Dias depois, mais de mil padres apoiaram os bispos. Fonte: https://oglobo.globo.com

29º Domingo do Tempo Comum (Mc 10, 35-45). Um Olhar sobre o Evangelho Dominical a partir dos morros da Carioca e Abel, em Angra dos Reis/RJ. Domingo, 17 de outubro-2021. www.instagram.com/freipetronio

 

A  presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual, Carlão Pignatari. No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas no último dia 14 de outubro, dia de seu aniversário de 69 anos de presença e serviços ao Brasil, pelo deputado estadual Frederico D’Avila, da Tribuna da ALESP.

O político, diz a carta, agiu com ódio descontrolado e desferiu ataques ao Santo Padre o Papa Francisco, à própria CNBB e ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Na Carta Aberta, a CNBB afirma se ancorar, profeticamente, sem medo de perseguições, no princípio contido na Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança” em latim) sobre o papel da Igreja no mundo contemporâneo, a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II:

“a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76)

A CNBB busca agora, por meio da presidência de seu regional Sul 1, um agenda para entregar pessoalmente o documento ao presidente da ALESP, deputado Carlão  Pignatari. Confira, abaixo, a íntegra do documento em versão word e aqui em versão PDF.

 

CARTA ABERTA

P – Nº. 0325/21

 

Exmo. Sr.

Deputado Estadual Carlão Pignatari

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.

Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.
Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,

Brasília-DF, 16 de outubro de 2021

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

 

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

Sônia Braga no filme 'Fátima: A História de um Milagre' Foto: Origin Entertainment/Divulgação

 

Longa faz estudo sobre fronteiras do realismo e a transcendência com olhar politizado

Rodrigo Fonseca, Especial para o Estadão

 

Depois de 28 anos de experiência como diretor de fotografia, tendo trabalhado com Antonioni (Eros) e Francesco Rosi (A Trégua), o romano Marco Pontecorvo filmou uma história real que redefiniu o sentido da palavra “fé”: a aparição da Virgem Maria a três crianças, na cidade lusa de Fátima.

No dia 13 de maio de 1917, Lúcia dos Santos, de 10 anos, Francisco Marto, de 9, e sua irmã, Jacinta, de 7, afirmaram ter visto “uma senhora mais brilhante do que o Sol”. A mesma “senhora” teria aparecido sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel. A tal entidade teria se manifestado ao trio nos cinco meses seguintes, confiando a ele mensagens que, na liturgia católica, alertaram os mortais sobre os perigos do mundo e sobre as vontades de Deus. 

Filho do mítico diretor Gillo Pontecorvo (1919-2006), Marco, hoje com 54 anos, cresceu com um olhar politizado, o mesmo utilizado em Fátima, em cartaz nos cinemas, um estudo sobre as fronteiras do realismo e a transcendência. E coube a Sônia Braga viver Irmã Lúcia em sua idade madura.

“Quis ser fiel aos relatos que mobilizaram Fátima em 1917 e, sobretudo, ao espírito de Portugal, na relação daquele povo com a natureza, que entra no meu filme como um personagem. É óbvio que essa fidelidade é filtrada pela interpretação que fazemos e pelos filmes que carregamos como referência. Não me reportei ao cinema português, em especial, mas tenho Roberto Rossellini comigo, pelo tanto que o estudei. Mas a ideia aqui era mostrar ao espectador como o mundo é visto pelos olhos de uma criança”, diz Pontecorvo ao Estadão, em entrevista via Zoom. “Foi um prazer ter Sônia comigo pois ela é atriz instintiva que injeta humanidade às narrativas que estrela.”

Pontecorvo rodou Fátima como um projeto americano – das produtoras Origin Entertainment, Rose Pictures e Panorama Films –, com Harvey Keitel no elenco. Insistiu em filmar em Portugal, circulando por locações em Santarém, Setúbal, Coimbra, Tomar e Lisboa. E levou o lisboeta Joaquim de Almeida, um dos astros europeus que Hollywood adotou nos anos 1990, para o elenco, para viver o padre Ferreira. “Filmamos 90% em terras portuguesas, mas adotamos o inglês como idioma para abrir o mercado internacional, por ser um projeto grande”, diz o cineasta. “Quando se é diretor de fotografia, o aspecto da ficção de que a gente mais se ressente é a falta de contato com os atores, o que eu pude resolver agora, como realizador, trabalhando com um elenco luso e com atores como Harvey, que reagem ao que é pedido a partir de um método.” 

Respeitado na televisão por ter fotografado séries da HBO icônicas, como Roma e Game of Thrones, Pontecorvo faz de Fátima um estudo sobre a visão infantil para o que é metafísico e para confusões terrenas provocadas pela hipótese de charlatania. À época do ciclo chamado pelos teólogos de Aparições de Fátima houve quem acusasse Lúcia e os Martos de mentir para se promover. E houve quem falasse de histeria, embora a mesma região tivesse registrado um fenômeno religioso similar em 1758, quando Nossa Senhora teria também se manifestado para o Velho Mundo. Fonte: https://cultura.estadao.com.br

 

 

Os que buscam a ordenação devem ser treinados com o entendimento de que são servos, não mestres (Ulrike Leone / Pixabay)

O pensamento de que os sacerdotes podem tratar seus semelhantes de forma tão insensível abala a crença de uma divindade que cuida e protege a todos

 

Julie A. Ferraro


Global Sister Report

Com consternação, li no início de junho o anúncio do Vaticano sobre as revisões do Direito Canônico que criminalizam a exploração sexual de adultos por padres que abusam de sua autoridade e por leigos com poder na Igreja.

Essas mudanças entram em vigor no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição. Determinar as razões pelas quais esta data foi selecionada não é meu objetivo aqui.

É para aumentar a conscientização sobre outro conjunto de crimes ainda não resolvidos dentro da Igreja Católica: o abuso psicológico, emocional e verbal de religiosas e leigos por padres.

Como acontece com tantos relatos de abuso sexual por padres, eu pessoalmente conheço casos em que alguns bispos e superiores religiosos zombam das notificações de que padres em paróquias ou vários ministérios tratam mulheres religiosas e leigos como lixo, e não fazem nenhum esforço para tratá-los com respeito. Essas autoridades se recusam a investigar as alegações, mesmo quando as evidências são apresentadas, e não tomam nenhuma ação contra o autor do crime.

Honestamente, é motivo de riso para alguns que enfrentaram acusações. Um desses padres, com quem tive a infelicidade de trabalhar por quase dois anos, humilhou sistematicamente os paroquianos e sua cultura, insultou as religiosas que serviam na paróquia e a mim, a única funcionária do escritório.

Nesse então, ele brincava sobre isso. "Enquanto eu não for pego na cama com uma mulher, ou um homem, ou vendo pornografia no computador, nada vai acontecer", disse-me um dia, acrescentando que, para os padres, "todos nós temos cartas [de reclamação] em nossos arquivos".

Essa atitude de que o padre tinha carta branca para se comportar da maneira que quisesse, independentemente de como isso impactou aqueles a quem deveria servir - e aqueles que serviram com ele – cheira além do mero clericalismo, na minha opinião. No entanto, nem o bispo daquela diocese, nem o superior religioso deste padre em particular (ou seu sucessor) tomariam qualquer atitude. Recebi cartas polidamente vagas da diocese e acabei tendo que renunciar ao meu cargo quando os superiores religiosos só aumentaram o abuso alegando que eu estava mentindo.

Meu corpo pode não ter sido violado por este homem, mas meu estado mental sofreu danos horríveis. Considerando que as únicas vezes em que cheguei perto de um "ataque de pânico" ocorreram ao enfrentar agulhas em um consultório médico ou ao encontrar uma cobra em uma caminhada, passei muitas noites sem dormir me perguntando o que tinha feito para merecer afirmações como "você parece uma m..." ou "você parece zumbi" ou, ainda mais estranho, "alguém quer ser levado para o crematório". Ele também ameaçou mandar o gato de quem eu cuidava na propriedade para o abrigo de animais se eu deixasse meu cargo.

Como seus superiores viram que esse padre - já na casa dos 70 - ainda tinha "alguns bons anos de ministério", não o questionaram nem mesmo sobre o excesso de bebida ou o desvio de fundos. O padre brincou comigo uma vez: "Tenho dinheiro que nem Deus conhece". Também homofóbico, o padre fazia comentários depreciativos, publicamente, sobre o "jeito homossexual" de algumas pessoas.

Esse padre em particular não é o único que exibe tal comportamento, e isso ficou claro nas últimas décadas. Já ouvi muitas homilias do púlpito, onde o celebrante pronuncia insultos velados contra a congregação sentada à sua frente, ou atribui a sua equipe os deveres que ele acredita estar abaixo de sua dignidade ou não dignos de seu tempo.

Outros padres que encontrei ao longo dos anos rezam missa e saem furtivamente pela porta da sacristia para evitar as pessoas, escondendo-se em sua reitoria, convento ou mosteiro com instruções para não se perturbar com as necessidades de seu rebanho.

É difícil se recuperar de abusos psicológicos, emocionais e verbais cometidos por padres - com algumas semelhanças com aqueles que foram abusados sexualmente e algumas diferenças. A probabilidade de um diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático é muito real, especialmente porque até mesmo entrar em uma igreja pode desencadear as memórias, ver uma certa estátua, uma placa de rua ou até mesmo um determinado tipo de carro.

Não apenas a mente sofre os efeitos colaterais de tal abuso, mas o corpo também. Os sintomas físicos podem se manifestar, os quais os médicos não podem tratar adequadamente por causa de sua conexão com o abuso.

A alma pode sofrer uma perda de fé, permanente ou temporária. O pensamento de que os sacerdotes, que foram consagrados ao serviço de Deus, podem tratar seus semelhantes - igualmente filhos de Deus - de forma tão insensível, abala a crença de uma divindade totalmente amorosa que cuida e protege a todos.

Os membros da hierarquia da Igreja que falham com as vítimas de abuso psicológico por padres são igualmente culpados e devem ser responsabilizados. Ao ignorar os apelos daqueles que foram emocionalmente espancados por clérigos hipócritas, esses homens apenas aumentam a dor e o fardo.

No nível diocesano, a instalação de coordenadores de assistência às vítimas para lidar com vítimas de abuso sexual é louvável, mas esses oficiais não são acusados de fornecer recursos às vítimas de outros abusos sacerdotais, como descobri quando denunciei meu agressor. Muito da ignorância, pela minha experiência, continua surgindo do conceito de que o abuso psicológico - como o abuso sexual - ocorre em privado, sem nenhuma evidência tangível.

No caso do padre que abusou psicologicamente de mim, não estive sozinha em muitas ocasiões quando proferiu insultos contra mim, ou outras pessoas na paróquia. Testemunhas estavam disponíveis para serem entrevistadas, para confirmar seu comportamento ultrajante.

Esse padre deveria ter sido removido de seu ministério (incluindo cargos de destaque dentro da diocese e sua comunidade religiosa) anos atrás, mas ele continua sendo elogiado como um homem honrado, embora eu e outros o tenhamos ouvido expressar o quanto desprezava as pessoas que é destinado a servir.

Ao se concentrar em apenas uma forma de abuso - infligido por padres ou leigos em posição de autoridade - a Igreja presta um grave desserviço àqueles que são vítimas de abusos que fogem da definição tão bem divulgada nas últimas duas décadas. No meu caso, simplesmente desejava usar minhas habilidades e experiência para apoiar os padres e as irmãs com quem trabalhei.

Não apenas as acusações de qualquer tipo de abuso por parte de um padre devem ser minuciosamente investigadas por bispos e superiores religiosos, usando os mesmos padrões descritos para o abuso sexual, mas todos os padres devem receber avaliações psicológicas regularmente, para evitar que progridam por meio de comportamentos que possam ser considerados simples "clericalismo" para algo muito pior.

Os seminários devem ser monitorados de perto em sua formação sacerdotal, para evitar que os instrutores incutam em seus alunos esse senso de direito e superioridade sobre os leigos, como escreveu Ken Briggs no National Catholic Reporter em 2018. O desenvolvimento de tais atitudes é o ponto de partida para abuso posterior - em todas as formas - de leigos e religiosas.

Os que buscam a ordenação devem ser treinados com o entendimento de que são servos, não mestres. As virtudes da humildade e compaixão devem estar no centro de sua formação, não apenas o aprendizado de livros e rubricas.

As recentes revisões da lei canônica devem ser expandidas ainda mais, para incluir não apenas o abuso sexual, mas todo tipo de abuso que os padres continuam infringindo aos outros. A Igreja não pode ignorar essas outras vítimas e deve assumir a responsabilidade pelas ações hediondas daqueles encarregados não apenas de consagrar a Eucaristia e administrar os sacramentos, mas de cuidar de todo o povo de Deus.

Publicado originalmente em Global Sister Report.

*Julie A. Ferraro, jornalista há mais de 30 anos, é uma Oblata Beneditina do Mosteiro da Ascensão, Jerome, Idaho. Atualmente atua como gerente de mídia social para as Irmãs Beneditinas de Mount St. Scholastica, Atchison, Kansas. Fonte: https://domtotal.com

 

SERVIDORES DO REINO

Dom Adimir Antonio Mazali

Bispo de Erexim (RS)

 

            Saudamos a todos os irmãos e irmãs que mais uma vez estão em sintonia com a Voz da Diocese, ao celebrarmos o 29º Domingo do Tempo Comum, no espírito deste mês missionário, recordando o lema: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20).

            Prezados irmãos e irmãs. Voltamos nosso olhar para a Palavra de Deus que nos convida a refletir sobre o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo que assume a condição de servo para salvar a humanidade.

            A Leitura do Livro do Profeta Isaias retrata parte do Cântico do Servo sofredor, prefigurando Jesus Cristo que oferece sua vida em “expiação” e “carregando sobre si as nossas culpas”. Renova desta forma o povo de Deus que assume uma nova condição, justificada em seu amor. Ele é expressão do amor comprometido de Deus em favor de seu povo.

            A Carta aos Hebreus no conforta com a expressão: “temos um sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas” e nos anima a caminharmos ao seu encontro para “alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Jesus é solidário conosco e seu amor é misericordioso.

            O Evangelho apresenta o anúncio da morte da paixão de Jesus e gera um conflito entre seus discípulos na disputa por poder. Jesus, porém, recorda que a condição de seu seguimento é o desapego e seu reino difere dos reinos terrenos. Seu Reino não consiste no poder, mas sim no serviço. Recorda sua missão que deve ser assumida, da mesma forma por todos: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos” (Mc 10,45).

            Iluminados por esta Palavra, somos encorajados a assumir nossa missão na condição de servidores do Reino e testemunhas do grande amor que Deus manifestou a nós pelo mistério da encarnação de seu Filho Jesus. Sua missão foi de revelar ao mundo, por palavras e pelo exemplo, o projeto salvador do Pai do qual nós temos a graça de sermos os destinatários.

            Estimados irmãos e irmãs. Queremos no unir, nesta oportunidade, com toda a Igreja neste momento especial de sua história. O papa Francisco lançou o Sínodo dos Bispos que deverá acontecer em outubro de 2023´e que foi aberto por ele neste dia 10 de outubro. É um tempo de graça que traz como tema: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. É um “momento eclesial” disse o papa: “No único Povo de Deus, portanto, caminhamos juntos, a fim de experimentar uma Igreja que recebe e vive este dom da unidade e está aberta à voz do Espírito”.

            Será um processo de dois anos e em diversas etapas, de outubro deste ano até outubro de 2023. Será um tempo de escuta, pois, reforçou o papa na homilia de abertura: “fazer Sínodo significa caminhar pela mesma estrada, caminhar juntos”. E prossegue: “Fixemos Jesus, que na estrada primeiro encontra o homem rico (recordando a passagem do Evangelho), depois escuta as suas perguntas e, por fim, ajuda-o a discernir o que fazer para ter a vida eterna”. Aparece os três verbos centrais do processo sinodal: “Encontrar, Escutar e Discernir”.

            Continua o papa em sua homilia: “O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, de discernimento eclesial, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus”. E conclui o papa: “Queridos irmãos e irmãs, […] sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor”.

            Prezados irmãos e irmãs. Vivamos este tempo de preparação para o Sínodo da Igreja, animados pelo espírito missionário e iluminados pela Palavra de Deus que nos indica o caminho da comunhão e da participação em nossa comunidade eclesial. “Agora é tempo de ser Igreja; caminhar juntos, participar”.

            Deus, em seu amor misericordioso, abençoe a todos. Amém. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho   (Lucas 12, 1-7)

1Enquanto isso, os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido. 3Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados. 4Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer. 5Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este. 6Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus. 7Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais.

 

3) Reflexão   Lucas 12,1-7  (Mt 10,28-31)

O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.

Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus

“Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).

Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia

“Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.  Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.

Lucas 12,2-3: O escondido será revelado

“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados".  É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).   

Lucas 12,4-5: Não ter medo

“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.

Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais

“Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Você valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf Mt 10,29-31)

A contemplação da natureza

No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macro-cosmo e do micro-cosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.

 

4) Para um confronto pessoal

1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?

2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?

 

5) Oração final

A palavra do Senhor é reta, em todas as suas obras resplandece a fidelidade: ele ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra. (Sl 32, 4-5)

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 47-54)

Naquele tempo disse Jesus: 47Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram. 48Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. 49Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros. 50E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, 51desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração! 52Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar. 53Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas, 54armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca.

 

3) Reflexão   Lucas 11,47-54

Novamente, pela enésima vez, o evangelho de hoje fala do conflito entre Jesus e as autoridades religiosas da época.

Lucas 11,47-48: Ai de vocês, que constroem túmulos para os profetas

“Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos”. Mateus diz que se trata de escribas e fariseus (Mt 23,19). O raciocínio de Jesus é claro. Se os pais mataram os profetas e os filhos construíram os túmulos, é porque os filhos  aprovaram o crime dos pais. Além disso, todo mundo sabe que profeta morto não incomoda. Deste modo os filhos tornam-se testemunhas e cúmplices no mesmo crime (cf. Mt 23,29-32).

Lucas 11,49-51: Pedir contas do sangue derramado desde a criação do mundo

“É por isso que a sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles os matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário'. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a esta geração”. Comparado com o evangelho de Mateus, Lucas costuma oferecer uma versão abreviada do texto de Mateus. Mas aqui ele acrescentou a observação: “derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel”. Ele fez a mesma coisa com a genealogia de Jesus. Mateus, que escrevia para os judeus convertidos, começa em Abraão (Mt 1,1.2.17), enquanto Lucas vai até Adão (Lc 3,38). Lucas universaliza e inclui os pagãos, pois escreve o seu evangelho para os pagãos convertidos. A informação sobre o assassinato de Zacarias no Templo é dada pelo livro das Crônicas: “Então o espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se dirigiu ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que é que vocês estão desobedecendo aos mandamentos de Javé? Vocês vão se arruinar. Vocês abandonaram Javé, e ele também os abandona!" Então eles se reuniram contra o profeta e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Javé”.  (2Cr 24,20-21). Jesus conhecia a história do seu povo até nas minúcias. Ele sabe que vai ser o próximo na lista de Abel até Zacarias. Até hoje a lista continua aberta. Muita gente é morta pela causa da justiça e da verdade.

Lucas 11,52: Ai de vocês, especialistas em leis

“Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar". Fecham o Reino como? Eles pensam ter o monopólio da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus e impõem o seu modo de ver aos outros, sem deixar margem para um pensamento diferente. Apresentam Deus apenas como juiz severo e em nome de Deus impõem leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino. É importante notar a diferença entre Mateus e Lucas. Mateus fala da entrada no Reino do céu e a frase é redigida na forma verbal do presente: "Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam” (Mt 23,13). A expressão entrar no Reino do Céu pode significar entrar no céu depois da morte, mas é mais provável que se trate da entrada na comunidade ao redor de Jesus e nas comunidades dos primeiros cristãos. Lucas fala da chave da ciência e a frase é redigida na forma verbal do passado. Lucas simplesmente consta que a pretensão dos escribas de possuir a chave da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus impediu a eles de reconhecer Jesus como Messias e impediu que o povo judeu reconhecesse Jesus como messias: Vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.

Lucas 11,53-54: Reação contra Jesus

A reação das autoridades religiosas contra Jesus foi imediata. “Quando Jesus saiu daí, os doutores da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca”. Considerando-se os únicos intérpretes verdadeiros da lei de Deus, tentam provocar Jesus em torno da interpretação da Bíblia para poder pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca. Assim, continua e cresce a oposição contra Jesus e cresce o desejo de elimina-lo (Lc 6,11; 11,53-54; 19,48; 20,19-20; 22,2).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Muitas pessoas que queriam entrar foram impedidos de entrar ou deixaram de crer por causa de atitudes ante-evangélicas de sacerdotes. Você tem experiência neste ponto?

2) Os escribas começaram a criticar Jesus que pensava e agia diferente deles. Não é difícil encontrar motivos para criticar quem pensa diferente de nós. Você tem experiência neste ponto?

 

5) Oração final

O Senhor fez conhecer a sua salvação. Manifestou sua justiça à face dos povos. Lembrou-se de sua bondade e de sua fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins da terra puderam ver a salvação de nosso Deus. (Sl 97, 2-3)

SANTA DULCE DOS POBRES, 2 ANOS DA CANONIZAÇÃO. (13 de outubro de 2019- 13 de outubro-2021). Missa de Ação de Graças da Fraternidade Santa Dulce dos Pobres, com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Igreja do Carmo-Angra/RJ.

Sínodo sobre a sinodalidade que começou no último sábado, 9 leva fiéis do mundo todo a refletir sobre a própria Igreja

 

Teólogo Rafael Luciani em encontro com o papa Francisco (L'Osservatore Romano/Arquivo Pessoal)

 

Mirticeli Medeiros*

Basílica de São Pedro lotada como há muito não se via. Diante dos nossos olhos, um momento histórico. Cardeais, bispos e famílias inteiras reunidas para refletir, até 2023, quais os rumos a Igreja Católica deve tomar daqui para frente. Um sínodo com cheiro de Concílio. E um dos maiores da história, desde que o escritório permanente do sínodo dos bispos foi instituído por Paulo VI, em 1965.

Os protagonistas, como acontecia até aqui, não serão mais bispos e religiosos reunidos no Vaticano por um mês. Mas o padre da sua comunidade e você mesmo, que é católico, atua na sua paróquia, e lê este texto. As dioceses farão um verdadeiro mutirão de discernimento e escuta.

Como bom jesuíta, o Santo Padre, neste domingo, traçou aos participantes não só qual será o itinerário espiritual desse sínodo, mas pediu atitudes concretas. Disse claramente quais são suas expectativas para essa assembleia, que é a ‘cereja do bolo’ de seu projeto de reforma. Se a Igreja é universal, que faça jus ao nome. Se a Igreja Católica é constituída por todos, independente do cargo que cada um ocupe, que todos sejam ouvidos.

“Fazer sínodo significa caminhar pela mesma estrada, caminhar em conjunto. Encontrar, escutar, discernir: três verbos do Sínodo, nos quais quero me deter. [...] Estamos prontos para a aventura do caminho ou, temerosos face ao desconhecido, preferimos refugiar-nos nas desculpas «não adianta» ou «sempre se fez assim»?”, disse o Papa.

Um dos peritos do sínodo sobre a sinodalidade, o teólogo Rafael Luciani, fala de como essa assembleia, em especial, quer promover uma mudança de mentalidade em relação à própria Igreja. “É uma nova forma de a instituição pensar sobre ela mesma”, explica.  

“É a eclesiologia do povo de Deus em uma nova recepção. O que isso significa? Que leigos e leigas, religiosas e religiosos, os bispos e o Papa somos todos fiéis, christifideles e, portanto, essas novas relações horizontais marcam essa nova relação, essa nova forma de ser Igreja. E a chave dessa sinodalidade não é somente escutar, mas também incluir nos processos de participação da vida eclesial, da elaboração das decisões ao discernimento e ao consenso eclesial”, ressalta Luciani.

O teólogo venezuelano, que atua como assessor teológico do CELAM (Conferência Episcopal Latino-Americana) e também participou do Sínodo sobre a Amazônia, de 2019, é secretário da comissão teológica do sínodo que está em curso. Junto com ele estão os teólogos Agenor Brighenti, do Brasil, e o argentino Carlo Maria Galli. Luciani destaca que essa é assembleia é diferente das outras não somente por causa do formato, mas porque se trata da maior iniciativa de continuidade do próprio Concílio Vaticano II.

“Este sínodo não foca em um tema específico, como os anteriores (da família, dos jovens, da Amazônia, etc), mas é um sínodo sobre a Igreja. E é sobre a Igreja porque a sinodalidade é uma essência, o elemento constitutivo, o que faz a Igreja. Por isso, o que estamos refletindo, e o que estamos discernindo, é como criar um modelo institucional de Igreja para o terceiro milênio. E isso não é qualquer coisa. Por conta disso, é um sínodo que exige muito, exige conversão, porque as mentalidade que trazemos devem ser transformadas para que possamos corresponder aos sinais dos tempos atuais”.

Pensar nesse sínodo em especial, como o pontífice ressaltou nas duas colocações que fez neste fim de semana, é traçar um caminho de mudança. A palavra assusta os opositores de Francisco, mas a história do catolicismo, com suas luzes e sombras, também é feita de reformas, de um constante “aparar as arestas”, apesar dos percalços.

A diferença é que, após o último grande concílio ecumênico de 1962, elas não servem para satisfazer os interesses da cúria ou de um grupo restrito. O problema é que muitos ainda não se atentaram ao fato que a própria instituição rompeu, formalmente, com um modelo de societas perfecta autorreferencial que rejeitava qualquer possibilidade de atualização a partir do momento em que João XXIII estreou essa nova era.

De maneira concreta, Luciani elenca quais seriam as mudanças a serem discutidas ao longo desse caminho sinodal, que termina em 2023.

“Uma participação ativa de leigas e leigos, não só em âmbito pastoral, mas em conselhos diocesanos. Embora esses organismos contem com algumas dessas pessoas, elas acabam não constituindo, muitas vezes, parte integrante da vida da Igreja. E isso seria um passo à frente. Que nas estruturas eclesiais possamos sentar e chegar a um acordo sobre como poderá ser essa missão da Igreja. Não que seja aquela coisa elaborada somente pela autoridade e nós a tenhamos que executar. Como diz o papa Francisco, ao falar sobre as mulheres, numa mensagem em vídeo, que elas não assumam simplesmente funções de governo e administrativas, mas que elas também ocupem espaços onde possam ter voz ativa na tomada de decisões”.

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras. Fonte: https://domtotal.com

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 42-46)

Naquele tempo disse Jesus: 42Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de diversas ervas e desprezais a justiça e o amor de Deus. No entanto, era necessário praticar estas coisas, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas. 43Ai de vós, fariseus, que gostais das primeiras cadeiras nas sinagogas e das saudações nas praças públicas! 44Ai de vós, que sois como os sepulcros que não aparecem, e sobre os quais os homens caminham sem o saber. 45Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. 46Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos.

 

3) Reflexão

No Evangelho de hoje continua o relacionamento conflituoso entre Jesus e as autoridades religiosas da época. Hoje, na igreja acontece o mesmo conflito. Numa determinada diocese, o bispo convocou os pobres a participar ativamente. Eles atenderam ao pedido e em grande número começaram a participar. Surgiu um grave conflito. Os ricos diziam que foram excluídos e alguns sacerdotes começaram a dizer: “O bispo só faz política e esquece o evangelho!”

Lucas 11,42: Ai de vocês, que deixam de lado a justiça e o amor

“Ai de vocês, fariseus, porque vocês pagam o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixam de lado a justiça e o amor de Deus. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”.  Esta crítica de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetido contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a justiça e o amor. Por exemplo, o jansenismo tornou árida a vivência da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Santa Teresa de Lisieux foi criada nesse ambiente jansenista que marcava a França no fim do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.

A observação final de Jesus dizia: “Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”. Esta advertência  faz lembrar uma outra observação de Jesus que serve de comentário: "Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu" (Mt 5,17-20) 

Lucas 11,43: Ai de vocês, que gostam dos lugares de honra

“Ai de vocês, fariseus, porque gostam do lugar de honra nas sinagogas, e de serem cumprimentados em praças públicas”.  Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento hipócrita de alguns fariseus. Estes tinham gosto em circular pelas praças com longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes (cf. Mt 6,5; 23,5-7). Marcos acrescenta que eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! Pessoas assim vão receber um julgamento mais severo (Mc 12,38-40). Hoje acontece o mesmo na nossa igreja.

Lucas 11,44: Ai de vocês, túmulos escondidos

“Ai de vocês, porque são como túmulos que não se vêem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Lucas modificou a comparação. Em Mateus se diz: “Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23,27-28).  A imagem de “sepulcros caiados” fala por si e não precisa de comentário. Por meio dela, Jesus condena os que mantêm uma aparência fictícia de pessoa correta, mas cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer aparecer para fora. Lucas fala em sepulcros escondidos: “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se vêem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Quem pisa ou toca num sepulcro torna-se impuro, mesmo quando o sepulcro existe escondido debaixo do chão. A imagem é muito forte: por fora, o fariseu de sempre parece justo e bom, mas esse aspecto é um engano, pois dentro dele existe um sepulcro escondido que, sem o povo se dar conta, espalha um veneno que mata, comunica uma mentalidade que afasta de Deus, sugere uma compreensão errada da Boa Nova do Reino. Uma ideologia que faz do Deus vivo um ídolo morto!

Lucas 11,45-46: Crítica do doutor da lei e a resposta de Jesus

“Um especialista em leis tomou a palavra, e disse: "Mestre, falando assim insultas também a nós!"  Na resposta Jesus não voltou atrás mas deixou bem claro que a mesma crítica valia também para os escribas: "Ai de vocês também, especialistas em leis! Porque vocês impõem sobre os homens cargas insuportáveis, e vocês mesmos não tocam essas cargas nem com um só dedo”. No Sermão da Montanha, Jesus expressou a mesma crítica que serve de comentário: “Os doutores da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt 23,2-4).  

 

4) Para um confronto pessoal

1) A hipocrisia mantém uma aparência enganadora. Até onde atua em mim a hipocrisia? Até onde a hipocrisia atua na nossa igreja?

2) Jesus criticava os escribas que insistiam na observância disciplinar das coisas miúdas da lei como dízimo da hortelã, da arruda e de todas as ervas, e esqueciam de insistir no objetivo da lei que é a prática da justiça e do amor. Vale para mim esta crítica?

 

5) Oração final

Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. (Sl 1, 1-2)

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 11, 29-32)

Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas. 30Pois, como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem o será para esta geração. 31A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque ela veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão! Ora, aqui está quem é mais que Salomão.32Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.

 

3) Reflexão Lucas 11, 29-32

O evangelho de hoje traz uma acusação muito forte de Jesus contra os fariseus e os escribas. Eles queriam que Jesus lhes desse um sinal, pois não acreditavam nos sinais e milagres que ele estava realizando. Esta acusação de Jesus continua nos evangelhos dos próximos dias (até sexta feira, 13 de outubro). Ao meditarmos estes evangelhos, devemos tomar muito cuidado para não generalizar a acusação de Jesus como se fosse dirigida contra todo o povo judeu. No passado, a ausência deste cuidado contribuiu, lamentavelmente, para aumentar em nós cristãos o anti-semitismo que tantos males trouxe à humanidade ao longo dos séculos. Em vez de levantarmos o dedo contra os fariseus do tempo de Jesus, é melhor olharmos no espelho dos textos para perceber neles o fariseu que vive escondido na nossa igreja e em cada um de nós, e que merece a mesma crítica da parte de Jesus.

Lucas 11, 29-30: O sinal de Jonas

“Quando as multidões se reuniram, Jesus começou a dizer: "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas”. O evangelho de Mateus informa que eram os escribas e os fariseus que pediram um sinal (Mt 12, 38). Queriam que Jesus realizasse para eles um sinal, um milagre, para que pudessem verificar se ele era mesmo o enviado de Deus conforme eles o imaginavam. Queriam que Jesus se submetesse aos critérios deles. Queriam enquadrá-lo dentro do esquema do messianismo deles. Não havia neles abertura para uma possível conversão. Mas Jesus não se submeteu ao pedido deles. O evangelho de Marcos diz que Jesus, diante do pedido dos fariseus, soltou um profundo suspiro (Mc 8,12), provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tão grande cegueira. Pois não adianta mostrar uma pintura bonita a quem não quer abrir os olhos. O único sinal que lhe será dado é o sinal de Jonas. “De fato, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração”. Como será este sinal do Filho do Homem? O evangelho de Mateus responde: “Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra” (Mt 12,40). O único sinal será a ressurreição de Jesus. Este é o sinal que, futuramente, vai ser dado aos escribas e fariseus. Jesus, por eles condenado à morte de cruz, será ressuscitado por Deus e continuará ressuscitando de muitas maneiras naqueles que nele acreditarem. O sinal que converte não são os milagres, mas sim o testemunho de vida!

Lucas 11,31: Salomão e a rainha do Sul

A alusão à conversão do povo de Nínive associou e fez lembrar a conversão da Rainha de Sabá: “No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará contra esta geração, e a condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão". Esta evocação quase ocasional do episódio da Rainha de Sabá que reconheceu a sabedoria de Salomão, mostra como se usava a Bíblia naquele tempo. Era por associação. A regra principal da interpretação era esta: “A Bíblia se explica pela Bíblia”. Até hoje, esta é uma das normas mais importantes para a interpretação da Bíblia, sobretudo para a Leitura Orante da Palavra de Deus.

Lucas 11,32: Aqui está quem é maior do que Jonas

Depois da digressão sobre Salomão e a Rainha de Sabá, Jesus volta a falar do sinal de Jonas: “No dia do julgamento, os homens da cidade de Nínive ficarão de pé contra esta geração, e a condenarão. Porque eles fizeram penitência quando ouviram Jonas pregar”. O povo de Nínive se converteu diante do testemunho da pregação de Jonas e vai denunciar a incredulidade dos escribas e dos fariseus. Pois “aqui está quem é maior do que Jonas”. Jesus é maior que Jonas, maior que Salomão. Para nós cristãos, ele é a chave principal para a escritura (2Cor 3,14-18).

4) Para um confronto pessoal

1) Jesus criticou os escribas e os fariseus que chegavam a negar a evidência, tornando-se incapazes de reconhecer o apelo de Deus nos acontecimentos. E nós cristãos hoje, e eu: merecemos a mesma crítica de Jesus?

2) Nínive se converteu diante da pregação de Jonas. Os escribas e fariseus não se converteram. Hoje, os apelos da realidade provocam mudança e conversão nos povos do mundo inteiro: ameaça ecológica,urbanização que desumaniza, consumismo que massifica e aliena, injustiças, violência, etc. Muitos de nós cristãos vivemos alheios a estes apelos de Deus que vem da realidade.

 

5) Oração final

Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre. (Sl 112, 1-2)

 

RICO, MAS TRISTE

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Avançando no Tempo Comum e a cada domingo vamos caminhando e conhecendo Jesus. O Evangelho deste 28º. Domingo do Tempo Comum traz uma realidade que devemos ter cuidado. Não se apoiar em nossas riquezas e em nossas falsas seguranças. Quando Jesus saiu com os seus discípulos, a caminho de Jerusalém, apareceu um jovem que se ajoelhou diante d’Ele e lhe perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” O Senhor indica-lhe os Mandamentos como caminho seguro e necessário para alcançar a salvação. O jovem, com grande simplicidade, respondeu-lhe que os cumpria desde a infância. Então Jesus, que conhecia a pureza daquele coração e o fundo de generosidade e de entrega que existe em cada homem e em cada mulher, “olhou para ele com amor” e convidou-o a segui-Lo, pondo à parte tudo o que possuía.

À pergunta, voluntariamente insidiosa, Jesus responde com simplicidade absoluta: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro Mandamento” (Mt 22,37-38). Com efeito, a exigência principal para cada um de nós é que Deus é esteja presente na nossa vida. Como diz a Escritura, Ele deve imbuir todas as camadas do nosso ser e enchê-las completamente: o coração deve conhecê-Lo e deixar-se tocar por Ele; e assim também a alma, as energias do nosso querer e decidir, bem como a inteligência e o pensamento. É poder dizer como São Paulo: “Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Neste texto podemos situar dois casos: do jovem rico que não vende tudo para seguir Jesus e dos apóstolos que, ao invés abandonam tudo para segui-Lo. A tônica deste trecho evangélico não é “vender tudo”, mas “vem e segue-me”; ele não fala em primeiro lugar da pobreza voluntária, mas da suprema riqueza que é possuir Jesus. Pode-se aproximar esta passagem do Evangelho à parábola do homem que descobriu um tesouro no campo e vende tudo para comprá-lo, e do homem que cede toda uma coleção de pedras preciosas para adquirir a pérola de grande valor (Mt 13, 44-46).

Como gostaríamos de contemplar esse olhar de Jesus! Umas vezes, imperioso; outras, de pena e de tristeza, por exemplo ao ver a incredulidade dos fariseus (Mc 2,5); outras, de compaixão, como à entrada de Naim, quando passou o enterro do filho da viúva (Lc 7,13). É esse olhar que comunica uma força persuasiva às palavras com que convida Mateus a deixar tudo e segui-Lo (Mt 9,9); ou com que se faz convidar a casa de

Zaqueu, levando-o à conversão (Lc 19,5). Mas o jovem prefere a “segurança” da riqueza e recusa o convite de Jesus!

Ao recusar o convite, diz o Evangelho: “ quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico” (Mc 10,22). “A tristeza deste jovem deve fazer-nos refletir. Podemos ter a tentação de pensar que possuir muitas coisas, muitos bens neste mundo, pode fazer-nos felizes. E no entanto, vemos no caso deste jovem do Evangelho que as muitas riquezas se converteram em obstáculo para aceitar o chamamento de Jesus. Não estava disposto a dizer Sim a Jesus e não a si próprio, a dizer Sim ao amor e não à fuga!

O amor verdadeiro é exigente. O amor exige esforço e compromisso pessoal para cumprir a vontade de Deus. Significa disciplina e sacrifício, mas significa também alegria e realização humana. Não tenhais medo a um esforço honesto e a um trabalho honesto; não tenhais medo à verdade. Queridos jovens, com a ajuda de Cristo e através da oração, vós podeis responder ao Seu chamamento, resistindo às tentações, aos entusiasmos passageiros e a toda a forma de manipulação de massas.

A reflexão da passagem bíblica sobre o jovem rico leva-nos a entender o uso dos bens materiais. Jesus não os condena por si mesmos; são meios que Deus pôs à disposição do homem para o seu desenvolvimento em sociedade com os outros. O apego indevido a eles é o que faz que se convertam em ocasião pecaminosa. O pecado consiste em “confiar” neles, como solução única da vida, voltando as costas à divina Providência. São Paulo diz que a ganância é uma idolatria (Cl 3,5). Cristo exclui do Reino de Deus a quem cai nesse apego às riquezas, constituindo-as em centro da sua vida, ou melhor disto, ele mesmo se exclui. Quem é esse jovem do Evangelho?

Posso ser eu. Pode ser você… São muitas pessoas que observam os Mandamentos e até desejariam fazer mais…, mas quando Deus pede algo mais… se retiram tristes, porque estão apegadas a muitas coisas, que prendem o seu coração e impedem de dar esse passo a mais. As vezes são medíocres, querem ficar satisfeitas apenas com o mínimo necessário!

E a este ponto Jesus dá aos discípulos – e a nós hoje – o seu ensinamento: “Como é difícil, para aqueles que possuem riquezas, entrar no Reino de Deus!” (v. 23). Ouvindo essas palavras, os discípulos ficaram desapontados; e ainda mais quando Jesus acrescentou: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de

Deus”. Mas, vendo-os admirados, disse: “Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível”. (Mc 10, 24-27).

Assim comenta São Clemente de Alexandria: “A parábola ensina aos ricos que não devem descuidar a sua salvação como se fossem já condenados, nem devem abandonar a riqueza nem a condenar como insidiosa e hostil à vida, mas devem aprender de que modo usar a riqueza e conquistar a vida”. A História da Igreja está cheia de exemplos de pessoas ricas, que usaram os próprios bens de modo evangélico, alcançando também a santidade. Pensemos apenas em São Francisco de Assis, em Santa Isabel da Hungria ou São Carlos Borromeu, etc.

Que a Virgem Maria, a Senhora de Aparecida, Sede da Sabedoria, nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus, para entrar na plenitude da vida. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 15-26)

15Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios. 16E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu. 17Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros. 18Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul. 19Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes! 20Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus. 21Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui. 22Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos. 23Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha. 24Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí. 25Chegando, acha-a varrida e adornada. 26Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz uma longa discussão em torno da expulsão de um demônio mudo que Jesus acabava de realizar diante do povo.

Lucas 11,14-16: Três reações diferentes diante da mesma expulsão

Jesus estava expulsando demônios. Diante deste fato bem visível, realizado diante de todos, houve três reações diferentes. O povo ficou admirado, aplaudiu. Outros diziam: "É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios". O evangelho de Marcos informa que se tratava dos escribas que tinham vindo de Jerusalém para controlar a atividade de Jesus (Mc 3,22). Outros ainda pediam um sinal do céu, pois não se convenceram diante do sinal tão evidente da expulsão realizada diante de todo o povo.

Lucas 11,17-19: Jesus mostra a incoerência dos adversários

Jesus usa dois argumentos para rebater a acusação de estar expulsando demônio em nome de Beelzebu. Em primeiro lugar, se o demônio expulsa o próprio demônio, ele se divide a si mesmo e não vai sobreviver. Em segundo lugar, Jesus lhes devolve o argumento: Se eu expulso em nome de demônio, os filhos de vocês o fazem em nome de quem? Com outras palavras, eles também estariam fazendo as expulsões em nome de Beelzebu.

Lucas 11,20-23: Jesus é o homem mais forte que chegou, sinal da chegada do Reino

Aqui Jesus chega no ponto central da sua argumentação: “Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os bens dele estão em segurança. Mas, quando chega um homem mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou.”. Na opinião do povo daquele tempo, Satanás dominava o mundo através de demônios (daimônia). Ele era o homem forte e bem armado que guardava a sua casa. A grande novidade era o fato de que Jesus conseguia expulsar os demônios. Sinal de que ele era e é o homem mais forte que chegou. Com a chegada de Jesus o reino de Beelzebu entrou em declínio: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou para vocês”. Quando os magos do Faraó viram que Moisés fazia coisas que eles não eram capazes de realizar, foram mais honestos que os escribas diante de Jesus e disseram: “Aqui tem o dedo de Deus!” (Ex 8,14-15).

Lucas 11,24-26: A segunda queda é pior que a primeira

Na época de Lucas nos anos 80, diante das perseguições, muitos cristãos voltaram atrás e abandonaram as comunidades. Voltaram à maneira de viver de antes. Para advertência a eles e a todos nós, Lucas guardou estas palavras de Jesus sobre a segunda queda que é pior do que a primeira.

A expulsão dos demônios

O primeiro impacto que a ação de Jesus causava no povo era a expulsão dos demônios: “Até mesmo aos espíritos impuros ele dá ordens e eles lhe obedecem!” (Mc 1,27). Uma das principais causas da briga de Jesus com os escribas era a expulsão dos demônios. Eles o caluniavam dizendo: “Ele está possuído por Beelzebu! É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios!” O primeiro poder que os apóstolos receberam quando foram enviados em missão foi o poder de expulsar os demônios: “Deu-lhes poder sobre os espíritos maus” (Mc 6,7). O primeiro sinal que acompanha o anúncio da ressurreição é a expulsão dos demônios: “Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome!” (Mc 16,17). A expulsão dos demônios era o que mais chamava a atenção do povo (Mc 1,27). Ela atingia o centro da Boa Nova do Reino. Por meio dela Jesus devolvia as pessoas a si mesmas. Devolvia-lhes o juízo, a consciência (Mc 5,15). É sobretudo o evangelho de Marcos, do começo ao fim, com palavras quase iguais, repete sem parar a mesma mensagem: “E Jesus expulsava os demônios!” (Mc 1,26.34.39; 3,11-12.22.30; 5,1-20; 6,7.13; 7,25-29; 9,25-27.38; 16,17). Parece um refrão que sempre volta. Hoje, em vez de usar sempre as mesmas palavras usaríamos palavras diferentes para transmitir a mesma mensagem e diríamos: “O poder do mal, o Satanás, que mete tanto medo no povo, Jesus o venceu, dominou, amarrou, destronou, derrotou, expulsou, eliminou, exterminou, aniquilou, abateu, destruiu e matou!” O que o Evangelho nos quer dizer é isto: “Ao cristão é proibido ter medo de Satanás!” Pela sua ressurreição e pela sua ação libertadora, Jesus afasta de nós o medo de Satanás, cria liberdade no coração, firmeza na ação e esperança no horizonte! Devemos caminhar na Estrada de Jesus com sabor de vitória sobre o poder do mal!

 

4) Para um confronto pessoal

1) Expulsar o poder do mal. Qual é hoje o poder do mal que massifica o povo e roube dele a consciência crítica?

2) Você pode dizer de você mesma que é totalmente livre e liberta? Caso a resposta for negativa, alguma parte em você está em poder de outras forças. O que você faz para expulsar este poder que toma conta de você?

 

5) Oração final

Sua obra é toda ela majestade e magnificência. E eterna a sua justiça. Memoráveis são suas obras maravilhosas; o Senhor é clemente e misericordioso. (Sl 110, 3-4)

Evangelho (Lc 11,1-4)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

1Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. 2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos,4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 6 de outubro-2021. www.instagram.com/freipetronio