1) Oração

Nós vos pedimos, ó Deus, que venha a nós a força do Espírito Santo, para que realizemos fielmente a vossa vontade e a manifestemos por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Jo 16, 29-33)

29Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura. 30Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus. 31Jesus replicou-lhes: Credes agora!... 32Eis que vem a hora, e ela já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não estou só, porque o Pai está comigo. 33Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.

 

3) Reflexão - Jo 16,29-33

O contexto do evangelho de hoje continua sendo o ambiente da Última Ceia, ambiente de confraternização e de despedida, de tristeza e de expectativa, no qual se reflete a situação das comunidades da Ásia Menor do fim do primeiro século. Para poder entender bem os evangelhos, não podemos nunca esquecer que eles não relatam as palavras de Jesus como se fossem gravadas num CD para transmiti-las literalmente. Os Evangelhos são escritos pastorais que procuram encarnar e atualizar as palavras de Jesus nas novas situações em que se encontravam as comunidades na segunda metade do primeiro século na Galileia (Mateus), na Grécia (Lucas), na Itália (Marcos) e na Ásia Menor (João). No evangelho de João, as palavras e as perguntas dos discípulos não são só dos discípulos, mas nelas transparecem também as perguntas e os problemas das comunidades. São espelhos, nos quais as comunidades, tanto as daquele tempo como as de hoje, se reconhecem com suas tristezas e angústias, com suas alegrias e esperanças. Elas encontram luz e força nas respostas de Jesus.

João 16,29-30: Agora estás falando claramente

Jesus tinha dito aos discípulos: O próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus. Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai (Jo 16,27-28). Ouvindo esta afirmação de Jesus, os discípulos respondem: Agora estás falando claramente e sem comparações. Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus". Os discípulos acham que entenderam tudo. Sim, realmente, eles captaram uma luz verdadeira para clarear seus problemas. Mas era uma luz ainda muito pequena. Captaram a semente, mas por ora não conhecem a árvore. A luz ou a semente era a intuição básica da fé de que Jesus é para nós a revelação de Deus como Pai: Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus. Mas isto era apenas o começo, a semente. Jesus, ele mesmo, era e continua sendo a grande parábola ou revelação de Deus para nós. Nele Deus chega até nós e se revela. Mas Deus não cabe em nossos esquemas. Ultrapassa tudo, desarruma nossos esquemas e traz surpresas inesperadas que, por vezes, são muito dolorosas.

João 16,31-32: Vocês me deixam só, mas não estou só. O Pai está comigo

Jesus pergunta: "Agora vocês acreditam?  Ele conhece seus discípulos. Sabe que falta muito para a compreensão total do mistério de Deus e da Boa Nova de Deus. Sabe que, apesar da boa vontade e apesar da luz que acabaram de receber naquele momento, eles ainda deviam enfrentar a surpresa inesperada e dolorosa da Paixão e Morte de Jesus. A pequena luz que captaram não bastava para vencer a escuridão da crise: Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. Esta é a fonte da certeza de Jesus e, através de Jesus, esta é e será a fonte da certeza de todos nós: O Pai está comigo!  Quando Moisés foi enviado para a missão de libertar o povo da opressão do Egito, ele recebeu esta certeza: “Vai! Estou com você!” (Ex 3,12). A certeza da presença libertadora de Deus está expressa no nome que Deus assumiu na hora de iniciar o Êxodo e de libertar o seu povo: JHWH, Deus conosco: Este é o meu nome para sempre (Ex 3,15). Nome que ocorre mais de seis mil vezes só no Antigo Testamento.

João 16,33: Coragem! Venci o mundo!

E vem agora a última frase de Jesus que antecipa a vitória e que será fonte de paz e de resistência tanto para os discípulos e discípulas daquele tempo como para todos nós, até hoje: Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.  “Com seu sacrifício por amor, Jesus vence o mundo e o Satanás. Seus discípulos são chamados a participar da luta e da vitória. Sentir o ânimo que ele infunde já é ganhar uma batalha” (L.A.Schokel).

 

4) Para confronto pessoal

1) Uma pequena luz ajudou os discípulos a dar um passo, mas não iluminou o caminho todo. Você já teve uma experiência assim na sua vida?

2) Coragem! Eu venci o mundo! Esta frase de Jesus já te ajudou alguma vez em sua vida?

 

5) Oração final

Protege-me, ó Deus: em ti me refúgio. Eu digo ao Senhor: “És tu o meu Senhor, fora de ti não tenho bem algum”. O Senhor é a minha parte da herança e meu cálice: Nas tuas mãos está a minha vida (Sl 15).

 

Tempo Pascal

Ano B - Sétimo Domingo - Solenidade da Ascensão

 

A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
No Evangelho, Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, ajuda-os a vencer a desilusão e o comodismo e envia-os em missão, como testemunhas do projeto de salvação de Deus. De junto do Pai, Jesus continuará a acompanhar os discípulos e, através deles, a oferecer aos homens a vida nova e definitiva.

 

EVANGELHO – (Mc 16,15-20): Atualização.

Jesus foi ao encontro do Pai, depois de uma vida gasta ao serviço do "Reino"; deixou aos seus discípulos a missão de anunciar o "Reino" e de torná-lo uma proposta capaz de renovar e de transformar o mundo. Celebrar a ascensão de Jesus significa, antes de mais, tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do "Reino" na vida dos homens. Estou consciente de que a Igreja - a comunidade dos discípulos de Jesus, a que eu pertenço também - é hoje a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens? Como é que eu procuro testemunhar o "Reino" na minha vida de todos os dias - em casa, no trabalho ou na escola, na paróquia, na comunidade religiosa?

A missão que Jesus confiou aos discípulos é uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas não podem ser obstáculos para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo. Tenho consciência de que a missão que foi confiada aos discípulos é uma missão universal? Tenho consciência de que Jesus me envia a todos os homens - sem distinção de raças, de etnias, de diferenças religiosas, sociais ou económicas - a anunciar-lhes a libertação, a salvação, a vida definitiva? Tenho consciência de que sou responsável pela vida, pela felicidade e pela liberdade de todos os meus irmãos - mesmo que eles habitem no outro lado do mundo?

Tornar-se discípulo é, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus - a partir das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida oferecida por amor. É claro que o mundo do século XXI apresenta, todos os dias, desafios novos; mas os discípulos, formados na escola de Jesus, são convidados a ler os desafios que hoje o mundo coloca, à luz dos ensinamentos de Jesus. Preocupo-me em conhecer bem os ensinamentos de Jesus e em aplicá-los à vida de todos os dias?

No dia em que fui batizado, comprometi-me com Jesus e vinculei-me com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?
É um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo os valores do "Reino" (esses valores que, muitas vezes, estão em contradição com aquilo que o mundo defende e que o mundo considera serem as prioridades da vida). Com frequência, os discípulos de Jesus são objeto da irrisão e do escárnio dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade está no amor e no dom da vida; com frequência, os discípulos de Jesus são apresentados como vítimas de uma máquina de escravidão, que produz escravos, alienados, vítimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena está no perdão, no serviço, na entrega da vida. O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos discípulos, desilusão, sofrimento, frustração nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: "Eu estarei convosco até ao fim dos tempos". Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.

*Leia a reflexão na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.

 

1) Oração

Ó Deus, que associastes são Matias ao colégio apostólico, concedei, por sua intercessão, que, fruindo da alegria do vosso amor, mereçamos ser cotados entre os eleitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 15, 9-17)

Naquele tempo disse Jesus: 9Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 11Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

 

3) Reflexão   Jo 15,9-17

Hoje é a festa do apóstolo Matias. O Evangelho João 15,9-17 já foi meditado no dia 24 de abril. Vamos retomar alguns pontos que já foram vistos naquele dia.

João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria. 

Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”.  É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.

João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.

O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"

João 15,14-15 Amigos e não empregados

"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até à doação total de si!  Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!"  Jesus já não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos a uma total transparência, a ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).  

João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu  

Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galileia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

 

4) Para um confronto pessoal

1) Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de cada cristão. Como isto está sendo vivido por mim?

2) Tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma total transparência. Como isto está sendo vivido na minha comunidade?

 

5) Oração final

Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.

 

1) Oração

Ó Deus, ao celebrarmos solenemente a ressurreição do vosso Filho, concedei que nos alegremos com todos os santos, quando ele vier na sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 16,12-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12"Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu".

 

3) Reflexão - Jo 16,12-15

 

Nestas semanas do tempo pascal, os evangelhos diários são quase todos tirados dos capítulos 12 a 17 de João. Isto revela algo a respeito da origem e do destino destes capítulos. Eles refletem não só o que aconteceu antes da paixão e morte de Jesus, mas também e sobretudo a vivência da fé das primeiras comunidades depois da ressurreição. Refletem a fé pascal que as animava.

João 16,12: Ainda tenho muita coisa para dizer

O evangelho de hoje começa com esta frase: "Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar”.  Nestas palavras de Jesus transparecem duas coisas: o ambiente de despedida que marcava a última ceia, e a preocupação de Jesus, o irmão mais velho, com seus irmãos mais novos que em breve ficariam sem a sua presença. O tempo que restava era pouco. Em breve Jesus iria ser preso. A obra iniciada ainda estava incompleta. Os discípulos estavam apenas no início do aprendizado. Três anos é muito pouco para alguém mudar de vida e começar a viver e pensar a partir de uma nova imagem de Deus. A formação deles não estava terminada. Faltava muito, e Jesus ainda tinha muita coisa para ensinar e transmitir. Mas ele conhece seus discípulos. Eles não são dos mais inteligentes. Nem suportariam conhecer desde já todas as implicações e conseqüências do discipulado. Ficariam desanimados. Não seriam capazes de suporta-lo.

João 16,13-15: O Espírito Santo dará a sua ajuda

“Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês”. Esta afirmação de Jesus reflete a experiência das primeiras comunidades. Na medida em que iam imitando Jesus, tentando interpretar e aplicar a Palavra dele nas várias circunstâncias de suas vidas, experimentavam a presença e a luz do Espírito. E isto acontece até hoje nas comunidades que procuram encarnar a palavra de Jesus em suas vidas. A raiz desta experiência são as palavras de Jesus: “Tudo o que pertence ao Pai, é meu também. Por isso é que eu disse: o Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês”.

A ação do Espírito Santo no Evangelho de João.

João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e Vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que crêem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados; aqueles aos quais retiverem, serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito que Jesus nos comunica tem ação múltipla: consola e defende (Jo 14,16), comunica a verdade (Jo 14,17; 16,13), faz lembrar o que Jesus ensinou (Jo 14,26); dará testemunho de Jesus (Jo 15,26); manifesta a glória de Jesus (Jo 16,14); desmascara o mundo (Jo 16,8). O Espírito nos é dado para que possamos entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade do Espírito de que fala São Paulo: "Onde há o Espírito do Senhor, aí está a liberdade", (2Cor 3,17). 

 

4) Para confronto pessoal

1) Como vivo a minha adesão a Jesus: sozinho ou em comunidade?

2) Minha participação na comunidade já me levou alguma vez a experimentar a luz e a força do Espírito Santo?

 

5) Oração final

Só o nome do Senhor é excelso. Sua majestade transcende a terra e o céu. Conferiu a seu povo um grande poder. Louvem-no todos os seus fiéis (Sl 148, 13-14).

 

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo de Natal (RN)

 

A ternura que recebemos de nossas mães é um sinal da ternura de Deus direcionada aos homens e mulheres. É uma ternura que embeleza, que anima e alegra. Deus mesmo agiu na história de seu povo, realizando para aquelas mulheres que não podiam ter filhos, a graça da maternidade. E em todos os casos em que o fez sempre relacionou com seu plano de revelação e de salvação. Na verdade, é assim que podemos olhar e entender a maternidade: ela se enquadra no grande plano de Deus – criação, vida em comunhão, salvação e plenitude. Deus não traz à vida nenhum ser que viva errante nas estradas do mundo, quase como se fossem seres que não tivessem a razão de ser. Pelo contrário, a atitude de Deus em criar se realiza dentro de uma experiência de amor, onde chamar à vida o que não existe é sempre para uma existência de comunhão, de amor e de plenitude. Até afirmamos, também, que os outros seres, irracionais, são criados por gesto de amor da parte de nosso Deus!

Todos os seres humanos, independentemente de qualquer que seja a particularidade, estão envolvidos pelo amor e beneplácito divinos. E mais, Deus ainda faz com que participem, como colaboradores de sua obra, os mesmos que ele criou. Por isso, homens e mulheres são como que “co-criadores”, isto é, parceiros de Deus na obra da criação.

Na dinâmica dessa colaboração estão as mulheres, e nomeadamente, aquelas que vivem a graça da maternidade. Certamente, o entendimento não é de exclusão, ou seja, pensamos as mães e deixamos de lado os pais. Na verdade, não podemos esquecer que se trata de entender o ser humano, que foi criado por Deus, à sua imagem e semelhança, como ser de relação. Uma relação cujo primeiro e fundamental sentido encontra-se no universo da gestação, obra de Deus e colaboração do homem e da mulher.

Com esse belo sentido, humano, antropológico e religioso, somos chamados a comemorar, domingo próximo, o Dia das Mães.  Claro, não podemos esquecer as tantas mães que passam necessidades, a que sofrem porque cuidam sozinhas de seus filhos, aquelas que são maltratadas pelo machismo e pelo flagelo e chaga do feminicídio, e as tantas mães que perderam seus filhos ou mesmo morreram por causa da pandemia que nos assola. Hoje, mas do que nos tempos passados, somos convidados, e isso, com base na nossa fé, a reconhecer o quanto Deus realiza na nossa vida e ter confiança que o que correspondemos, precisamente tendo presente que não conseguimos a perfeição, mas que buscamos e tentamos nos voltar sempre para Deus, tudo é, não só assumido por Ele, mas levado, por causa do sacrifício redentor de seu Filho e pela presença amorosa e curadora de seu Espirito, ao perfeito cumprimento.

Quando pensamos nas mães nosso coração se emociona e se eleva a ponto de desejar sempre que elas sejam felizes. Nunca será demais louvar e engrandecer o nosso bom Deus, que não só quis dar para seu Filho uma mãe, a Virgem de Nazaré, mas até mesmo se apresentou comparando-se a uma mãe. É célebre o texto do profeta Isaías, onde Deus assume, em sumo grau, a ternura da mãe: “Sião vinha dizendo: ‘O SENHOR me abandonou, o SENHOR esqueceu-se de mim!’. Acaso uma mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu de ti jamais me esquecerei! ” (Is 49,14-15). E ainda, lembremos de uma palavra tão doce e cheia de ternura do Papa João Paulo I, que afirmou:

“Também nós, que nos encontramos aqui, temos os mesmos sentimentos; somos objecto, da parte de Deus, dum amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papá; mais ainda, é mãe. Não quer fazer-nos mal, só nos quer fazer bem, a todos, Os filhos, se por acaso estão doentes, possuem um título a mais para serem amados pela mãe. Também nós, se por acaso estamos doentes de maldade, fora do caminho, temos um título a mais para que o Senhor nos ame” (JOÃO PAULO I. Angelus, 10 de setembro de 1978).

Assim, queridos filhos e filhas, no dia das mães, não deixem de agradecer ao bom Deus pela sua existência. Não deixem de dar ou mandar um beijo para dias mães, não deixem de rezar por elas, ou ainda, não esqueçam que, as que já não estão aqui na terra, estão olhando por vocês de junto de Deus, no céu. E isso, precisamente porque, enquanto elas viveram aqui junto a vocês, elas não viveram ou não tiveram outra razão de ser senão amar, doar-se e gastar-se por cada um de seus filhos e filhas. E cremos: quando já amor, quando a vida e doada, ela se torna vida plena, pois quando amamos, estamos no coração de Deus, o qual plenitude de vida. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Paulo Coelho

 

Um dos símbolos sagrados do cristianismo é a figura do pelicano. A explicação é simples: na total ausência de comida, o pelicano abre seu peito com o bico, e oferece a própria carne aos filhotes.

Entretanto, muitas vezes somos incapazes de entender as bênçãos que recebemos como presentes de Deus. Muitas vezes não percebemos o que Ele faz para nos manter espiritualmente alimentados.

Uma velha história nos fala de um pelicano que – durante um inverno rigoroso – consegue sobreviver ao seu auto sacrifício por alguns dias, oferecendo sua própria carne aos filhos.

Quando, finalmente, morre de fraqueza, um dos filhotes comenta com o outro: “ainda bem. Eu estava cansado de comer todos os dias a mesma coisa”.

 

 

1) Oração

Ó Deus, vossa graça nos santificou quando éramos pecadores e nos deu a felicidade, quando infelizes. Vinde em socorro das vossas criaturas e sustentai-nos com vossos dons, para que não falte a força da perseverança àqueles a quem destes a graça da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,9-11)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

 

3) Reflexão - Jo 15,9-11

A reflexão em torno da parábola da videira compreende os versículos 1 a 17. Ontem meditamos os versículos 1 a 8. Hoje meditamos os versículos 9 a 11. Depois de amanhã, o evangelho do dia salta os versículos 12 a 17 e retoma no versículo 18, que já traz outro assunto. Por isso, incluímos hoje um breve comentário dos versículos 12 a 17, pois é nestes versículos que desabrocha a flor e que a parábola da videira mostra toda a sua beleza.,

O evangelho de hoje é de apenas três versículos, que dão continuidade ao evangelho de ontem e trazendo mais luz para aplicar a comparação da videira à vida das comunidades. A comunidade é como uma videira. Ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, momento necessário para que produza mais frutos.

João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria. 

Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”.  É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.

João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.

O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"

João 15,14-15 Amigos e não empregados

"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até a doação total de si!  Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos à total transparência, ao ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).  

João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu  

Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

O Símbolo da Videira na Bíblia.

O povo da Bíblia cultivava videiras e produzia bom vinho. A colheita da uva era uma festa, com cantos e danças. Foi daí que se originou o cântico da vinha, usado pelo profeta Isaías. Ele compara o povo de Israel com uma videira (Is 5,1-7; 27,2-5; Sl 80,9-19). Antes dele, o profeta Oséias já tinha comparado Israel a uma vinha exuberante que quanto mais produzia frutos, mais multiplicava suas idolatrias (Os 10,1). Este tema foi também utilizado por Jeremias, que comparou Israel a uma vinha bastarda (Jr 2,21), da qual seriam arrancados os ramos (Jr 5,10; 6,9). Jeremias usa estes símbolos porque ele mesmo teve uma vinha que foi pisada e devastada pelos invasores (Jr 12,10). Durante o cativeiro da Babilônia, Ezequiel usou o símbolo da videira para denunciar a infidelidade do povo de Israel. Ele contou três parábolas sobre a videira: 1) A videira queimada que já não serve mais para coisa alguma (Ez 15,1-8); 2) A videira falsa plantada e protegida por duas águias, símbolos dos reis da Babilônia e do Egito, inimigos de Israel (Ez 17,1-10). 3) A videira destruída pelo vento oriental, imagem do cativeiro da Babilônia (Ez 19,10-14). A comparação da videira foi usada por Jesus em várias parábolas: os trabalhadores da vinha (Mt 21,1-16); os dois filhos que devem trabalhar na vinha (Mt 21,33-32); os que arrendaram uma vinha, não pagaram ao dono, espancaram seus servos e mataram seu filho (Mt 21,33-45); a figueira estéril plantada na vinha (Lc 13,6-9); a videira e os ramos (Jo 15,1-17).

 

4) Para confronto pessoal

1-Somos amigos e não empregados. Como vivo isto no meu relacionamento com as pessoas?

2-Amar como Jesus nos amou. Como cresce em mim este ideal do amor?

 

5) Oração final

Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! (Sl 95, 3)

 

1) Oração

Ó Deus, que amais e restituís a inocência, orientai para vós os nossos corações, para que jamais se afastem da luz da verdade os que tirastes das trevas da descrença. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.

5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

 

3) Reflexão - Jo 15,1-8

Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:

Jo 15,1-17:      Reflexões em torno da parábola da videira

Jo 15,18 a 16,4a:      Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos

Jo 16,4b-15:   Promessa sobre a vinda do Espírito Santo

Jo 16,16-33:   Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus

Jo 17,1-26:     O Testamento de Jesus em forma de oração

Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira 

No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!".  A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.

João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola   

Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!"  Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!

João 15,7-8: Permanecer no amor.   

Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!"  Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

 

4) Para confronto pessoal

1-Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?

2-O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor um canto novo, Cantai ao Senhor em toda a terra. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)

 

1) Oração

Ó Deus, que pela ressurreição do Cristo nos renovais para a vida eterna, dai ao vosso povo constância na fé e na esperança, para que jamais duvide das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 14,27-31a)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. 30Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

 

3) Reflexão - Jo 14,27-31a

Aqui, em Jo 14,27, começa a despedida de Jesus e no fim do capítulo 14, ele encerra a conversa dizendo: "Levantem! Vamos embora daqui!" (Jo 14,31). Mas, em vez de sair da sala, Jesus continua falando por mais três capítulos: 15, 16 e 17. Se você pular estes três capítulos, você vai encontrar no começo do capítulo 18 a seguinte frase: "Tendo dito isto, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia ali um jardim onde entrou com seus discípulos" (Jo 18,1). Em Jo 18,1, está a continuação de Jo 14,31. O Evangelho de João é como um prédio bonito que foi sendo construído lentamente, pedaço por pedaço, tijolo por tijolo. Aqui e acolá, ficaram sinais destes remanejamentos. De qualquer maneira, todos os textos, todos os tijolos, fazem parte do edifício e são Palavra de Deus para nós.

João 14,27: O dom da Paz. 

Jesus comunica a sua paz aos discípulos. A mesma paz será dada depois da ressurreição (Jo 20,19). Esta paz é mais uma expressão da manifestação do Pai, de que Jesus tinha falado antes (Jo 14,21). A paz de Jesus é a fonte da alegria que ele nos comunica (Jo 15,11; 16,20.22.24; 17,13). É uma paz diferente da paz que o mundo dá, diferente da Pax Romana. Naquele fim do primeiro século a Pax Romana era mantida pela força das armas e pela repressão violenta contra os movimentos rebeldes. A Pax Romana garantia a desigualdade institucionalizada entre cidadãos romanos e escravos. Esta não é a paz do Reino de Deus. A Paz que Jesus comunica é o que no AT se chama Shalôm. É a organização completa de toda a vida em torno dos valores da justiça, fraternidade e igualdade.

João 14,28-29: O motivo por que Jesus volta ao Pai.   

Jesus volta ao Pai para poder retornar em seguida. Ele dirá a Madalena: “Não me segure, porque ainda não subi para o Pai “ (Jo 20,17). Subindo para o Pai, ele voltará através do Espírito que nos enviará (cf Jo 20,22). Sem o retorno ao Pai ele não poderá estar conosco através do seu Espírito.

João 14,30-31a: Para que o mundo saiba que amo o Pai.  

Jesus está encerrando a última conversa com os discípulos. O príncipe deste mundo vai tomar conta do destino de Jesus. Jesus vai ser morto. Na realidade, o Príncipe, o tentador, o diabo, nada pode contra Jesus. Jesus faz em tudo o que lhe ordena o Pai. O mundo vai saber que Jesus ama o Pai. Este é o grande e único testemunho de Jesus que pode levar o mundo a crer nele. No anúncio da Boa Nova não se trata de divulgar uma doutrina, nem de impor um direito canônico, nem de unir todos numa organização. Trata-se, antes de tudo, de viver e de irradiar aquilo que o ser humano mais deseja e tem de mais profundo dentro de si: o amor. Sem isto, a doutrina, o direito, a celebração não passa de peruca em cabeça calva.

João 14,31b: Levantem e vamos embora daqui.   

São as últimas palavras de Jesus, expressão da sua decisão de ser obediente ao Pai e de revelar o seu amor. Na eucaristia, na hora da consagração, em alguns países se diz: “Na véspera da sua paixão, voluntariamente aceita”. Jesus diz em outro lugar: “O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10,17-18).

 

4) Para confronto pessoal

1) Jesus disse: “Dou-vos a minha paz”. Como contribuo para a construção da paz na minha família e na minha comunidade?

2) Olhando no espelho da obediência de Jesus ao Pai, em que ponto eu poderia melhorar a minha obediência ao Pai?

 

5) Oração final

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder! (Sl 144, 10-11)

 

1) Oração

Ó Deus, vós nos alegrais cada ano com a festa dos apóstolos são Felipe e são Tiago. Concedei-nos, por suas preces, participar de tal modo da paixão e ressurreição do vosso Filho que vejamos eternamente a vossa faze. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 14,6-14)

Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto. 8Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. 9Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai... 10Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. 11Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. 13E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei.

 

3) Reflexão  - Jo 14,6-14

O evangelho de hoje, festa dos apóstolos Filipe e Tiago, é o mesmo que já meditamos nos dias 18 e 19 de abril deste ano, pois traz o trecho em que o apóstolo Filipe pede a Jesus: “Mostra-nos o Pai, e basta”.

João 14,6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Tomé tinha feito a pergunta: "Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos conhecer o caminho?" (Jo 14,5). Jesus responde: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Três palavras importantes. Sem caminho, não se anda. Sem verdade, não se acerta. Sem vida, só há morte! Jesus explica o sentido. Ele é o caminho, porque "ninguém vem ao Pai senão por mim!" Pois, ele é a porta, por onde as ovelhas entram e saem (Jo 10,9). Jesus é a verdade, porque olhando para ele, estamos vendo a imagem do Pai. "Se vocês me conhecem, conhecerão também o Pai!" Jesus é a vida, porque caminhando como Jesus caminhou, estaremos unidos ao Pai e teremos a vida em nós!

João 14,7: Conhecer Jesus é conhecer o Pai. Jesus acrescentou: “Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram". Jesus sempre fala do Pai, pois o Pai era a vida dele e transparecia em tudo que ele, Jesus, falava e fazia. Esta referência constante ao Pai provoca a pergunta de Filipe, cuja festa hoje celebramos.

João 14,8-11: Filipe pergunta: "Mostra-nos o Pai, e basta!"  Ver e experimentar o Pai era o desejo dos discípulos e das discípulas; era o desejo de muitas pessoas nas comunidades do Discípulo Amado da Ásia Menor e, até hoje, continua sendo o desejo de muitos de nós. Como experimentar a presença do Pai de que Jesus fala tanto? A resposta de Jesus é muito bonita e vale até hoje: "Filipe, tanto tempo estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece! Quem me vê, vê o Pai!" A gente não deve pensar que Deus está longe de nós, como alguém distante e desconhecido. Quem quiser saber como é e quem é Deus Pai, basta olhar para Jesus. Ele o revelou nas palavras e gestos da sua vida! "O Pai está em mim e eu estou no Pai!" Através da sua obediência, Jesus está totalmente identificado com o Pai. Ele a cada momento fazia aquilo que o Pai mostrava que era para fazer (Jo 5,30; 8,28-29.38). Por isso, em Jesus tudo é revelação do Pai! E os sinais ou as obras de Jesus são as obras do Pai! Como diz o povo: "O filho é a cara do pai!" Em Jesus e por Jesus, Deus está no meio de nós.

João 14,12-14: Promessa de Jesus.  Jesus faz uma promessa para dizer que a intimidade dele com o Pai não é privilégio só dele, mas é possível para todos e todas que crêem nele: Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. O que vocês pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem qualquer coisa em meu nome, eu o farei. Nós também, através de Jesus, podemos chegar a fazer coisas bonitas para os outros do jeito que Jesus fazia para o povo do seu tempo. Ele vai interceder por nós. Tudo que a gente pedir a ele, ele vai pedir ao Pai e vai conseguir, contanto que seja para servir. Jesus é o nosso defensor. Ele vai embora, mas não nos deixa sem defesa. Ele promete que vai pedir ao Pai para Ele mandar um outro defensor ou consolador, o Espírito Santo (Jo 14,15-17). Jesus chegou a dizer que ele precisa ir embora, pois, do contrário, o Espírito Santo não poderá vira (Jo 16,7). É o Espírito Santo que realizará as coisas de Jesus em nós, desde que peçamos em nome de Jesus e observemos o grande mandamento da prática do amor.

 

4) Para confronto pessoal

1) Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Sem caminho, sem verdade e sem vida não se vive. Procure deixar isto penetrar na sua consciência.

2) Duas perguntas importantes: Quem é Jesus para mim? Quem sou eu para Jesus?

 

5) Oração final

Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete (Sl 18).

 

A Igreja comemora, no dia 1º de maio, a festa de São José Operário: uma oportunidade para se refletir sobre o valor do trabalho

 

Amedeo Lomonaco - Vatican News

Se, há mais de 2000 anos, alguém perguntasse quem poderia conhecer um bom artesão para consertar a rachadura no telhado de madeira da sua casa, os habitantes de Nazaré teriam indicado, provavelmente, a carpintaria do galileu, chamado José, esposo de Maria e pai de Jesus.

Para "ver José com mãos à obra”, poderíamos comparar as obras de vários artistas, sobretudo a do holandês, Gerrit Van Honthorst, nascido em 1590, em Utrecht. Em uma sua pintura, que se encontra no Eremitério de São Petersburgo, o artista descreve uma cena quase íntima: “São José em plenas atividades, enquanto seu filho segura uma vela”. Jesus é “a Luz que veio ao mundo", que ilumina a carpintaria de seu pai. José era um humilde carpinteiro que trabalhava, honestamente, para sustentar a sua família.

 

Nas pegadas de São José

A festa litúrgica de São José Operário foi instituída por Pio XII, em 1º de maio de 1955. Naquela ocasião, o Papa disse: “Queridos trabalhadores e trabalhadoras, vocês aceitam este presente? Tenho certeza que sim, porque o humilde artesão de Nazaré não representa apenas, para Deus e a Santa Igreja, a dignidade de um trabalhador braçal, mas também e sempre o padroeiro de vocês e de suas famílias".

“O testemunho de São José, padroeiro dos trabalhadores, sobretudo neste tempo de pandemia, recorda-nos a força da paciência para vencer os problemas e as adversidades”

Para comemorar os 150 anos do Decreto “Quemadmodum Deus”, com o qual Pio IX declarou São José Padroeiro da Igreja Católica, o Papa Francisco quis, com a Carta apostólica "Patris Corde", dedicar um “Ano especial a São José”, do dia 8 de dezembro 2020 a 8 de dezembro de 2021. No fundo, esta sua Carta fala sobre a crise causada pelo Covid-19, que, como escreve Francisco, nos faz compreender quão são importantes as pessoas comuns, que, longe dos holofotes, infundem esperança.

 

Dignidade do Trabalho

Na Carta apostólica “Patris Corde”, Francisco ressalta, de modo particular, que “Jesus aprendeu de São José o valor, a dignidade e a alegria de ter pão todos os dias, fruto do trabalho”: “Neste nosso tempo, em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge, por vezes, níveis impressionantes, mesmo em países onde se experimentou, durante várias décadas, certo bem-estar, é necessário tomar uma renovada consciência do significado do trabalho, que dignifica e do qual o nosso São José é padroeiro e exemplo. A perda de empregos, que afeta tantos irmãos e irmãs, e que, nos últimos tempos, tem aumentado devido à pandemia de Covid-19, deve ser um chamado para rever nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias, onde possamos nos comprometer, até dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”

Enfim, a oficina de São José, é um exemplo que ultrapassa os séculos e os milênios; é um modelo que, em nossos tempos, serve para recordar o sentido mais autêntico do trabalho, a dignidade do trabalho.

 

A Bíblia e os trabalhadores

Na Bíblia encontramos também citações de profissões e trabalhadores. O trabalho de carpinteiro, como afirma Silvia Giovanrosa, não era um dos mais comuns na Palestina, na época de Jesus. Ao artesão não competia apenas a produção de artefatos de madeira, como mesas, cadeiras e outros móveis, mas também a produção de vigas, pranchas e estruturas de madeira, necessárias para a construção das casas. Na época, a profissão mais popular era a de agricultor. As pessoas trabalhavam por dia: começavam cedo e acabavam de noite.

Os primeiros Apóstolos, chamados para seguir Jesus, eram pescadores: Pedro, André, Tiago e João lançavam suas redes no lago de Tiberíades; a pesca no mar cabia aos fenícios. "Eu vos farei pescadores de homens", disse-lhes Jesus. Na verdade, o trabalho de pescador exigia paciência, espera, vigilância, até nas noites mais escuras, para depois, na hora certa, lançar as redes. Além disso, muitos trabalhavam também como comerciantes, ferreiros, oleiros. Os Escribas ensinavam nas Sinagogas; os publicanos eram cobradores de impostos. A Bíblica cita também outros tipos de trabalhadores como os pastores, que viviam à margem da sociedade e eram considerados impuros e não confiáveis, ​​porque estar em contato com animais; eles forneciam ovelhas para os sacrifícios no Templo, onde não podiam entrar; mas, eram também considerados mensageiros, porque iam, de aldeia em aldeia, levar notícias. Portanto, não nos surpreende se, por vocação, eles foram os primeiros a receber a “boa nova do nascimento de Cristo”.

 

Oficinas de ontem e hoje

A oficina de São José é uma das tantas, que, ao longo da história, como na nossa época, abalada pela pandemia, transmitem a sabedoria artesanal. Trata-se de uma arte que se torna cultura do trabalho, fonte de conhecimento para as novas gerações.

Ainda hoje, o artesão faz parte fundamental da produção. Na Itália, segundo dados do INPS, em 2019, havia mais de um milhão e 600 mil artesãos. Eram, muitas vezes, pequenas empresas familiares, que, em nossos dias, estão fechando por causa da pandemia e da consequente crise econômica.

No entanto, ainda temos muitos exemplos de oficinas, que continuam a tomar parte integrante do tecido econômico de uma cidade ou comunidade. Oficinas que resistem à crise e à lógica da globalização. Sem os artesãos, não nascem as pequenas indústrias. É preciso aprender o ofício de artesão desde criança. Toda e qualquer atividade não é fruto de improvisação, mas de necessária experiência.

 

O primeiro contrato de aprendizagem

Quando se fala de trabalho é preciso falar também dos Salesianos, ou seja, de São João Bosco. Há quase 170 anos, no dia 8 de fevereiro de 1852, Dom Bosco inventou um modo de aprendizagem, no Oratório de São Francisco de Sales, em Turim. Foi ele que compilou o primeiro contrato e garante do primeiro jovem aprendiz, o artesão Giuseppe Odasso. Este contrato, conservado nos arquivos dos Salesianos, obrigava o empregador, Giuseppe Bertolino, a corrigir o aprendiz somente com palavras, respeitando a sua idade, capacidade, férias e deveres de aluno do Oratório. Por sua vez, o jovem devia compromete-se em comportar-se como bom aprendiz, diante do diretor do oratório Dom Bosco e do seu pai. Durante dois anos de aprendizagem, recebia uma paga semanal, que aumentava com o tempo.

 

A coragem de trabalhar

O trabalho é também um ato de coragem diária, pessoal e coletiva, que encarna e reivindica as razões de um recomeço, que diz respeito a todos e nos permite não perder a oportunidade de uma verdadeira conversão ecológica, social e civil. Por isso, para melhor sair da crise atual, a coragem de trabalhar é a mensagem lançada para o Dia do Trabalho, neste 1º de maio.

Neste momento difícil, apesar da dura crise, não faltam oportunidades de trabalho, sobretudo na chamada “economia verde” e no âmbito das novas tecnologias. É preciso acompanhar e ajudar os jovens a transformar seus sonhos, paixões e habilidades em projetos concretos.

 

O trabalho é a vocação do homem

A festa de São José Operário é, portanto, o Dia do Trabalhador. Em 1º de maio de 2020, na celebração da manhã transmitida ao vivo da capela de Santa Marta, o Papa Francisco lembrou que "o trabalho humano é a vocação do homem recebida de Deus no final da criação do universo". "Rezemos por todos os trabalhadores. Para todos. Para que nenhuma pessoa - disse o Pontífice naquela ocasião - possa carecer de trabalho e que todos possam ser justamente pagos e possam desfrutar da dignidade do trabalho e da beleza do descanso". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

1) Oração

Ó Deus, criador do universo, que destes aos seres humanos a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e proteção de são José, cumprir as nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo Mateus (Mt 13,54-58)

54Foi para a sua cidade e ensinava na sinagoga, de modo que todos diziam admirados: Donde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa? 55Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso? 57E não sabiam o que dizer dele. Disse-lhes, porém, Jesus: É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado. 58E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres.

 

3) Reflexão - Mt 13,54-58

Hoje, na festa de São José operário, o evangelho descreve como foi a visita de Jesus em Nazaré, sua cidade, onde conviveu durante 30 anos e aprendeu de José, seu pai, a profissão de carpinteiro. A passagem por Nazaré foi dolorosa para Jesus. O que antes era a sua comunidade, agora já não é mais. Alguma coisa mudou. No evangelho de Marcos, esta experiência de rejeição por parte do povo de Nazaré (Mc 6,1-6ª) levou Jesus a mudar sua prática pastoral. Ele envia seus discípulos em missão e dá-lhes instruções de como relacionar-se com as pessoas (Mc 6,6b-13).

Mateus 13,54-57ªReação do povo de Nazaré frente a Jesus.

Jesus se criou em Nazaré. Quando iniciou sua pregação ambulante, saiu de lá e fixou domicílio em Cafarnaum (Mt 4,12-14). Após longa ausência, voltou para sua terra e, como de costume, no dia de sábado, foi para a reunião da comunidade. Jesus não era coordenador, mesmo assim tomou a palavra e começou a ensinar o povo que estava na sinagoga. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião. Mas o povo não gostou das palavras dele. O Jesus, que eles tinham conhecido desde criança, já não parecia ser o mesmo. Como é que ele ficou tão diferente? Lá em Cafarnaum o povo aceitava o ensinamento de Jesus (Mc 1,22), mas aqui em Nazaré o povo se escandalizou. Eles diziam: "De onde vêm essa sabedoria e esses milagres? Esse homem não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não moram aqui conosco? Então, de onde vem tudo isso?"  Eles não aceitaram o mistério de Deus presente num homem comum como eles! Para poder falar de Deus Jesus teria de ser diferente deles! Não deram conta de crer nele. Nem tudo foi bem sucedido para Jesus. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, de Deus estas eram as que mais se recusavam a aceitá-la. O conflito não era só com os de fora de casa, mas também e sobretudo com os próprios parentes e com o povo de Nazaré.

Mateus 13,57b-58Reação de Jesus diante da atitude do povo de Nazaré.

Jesus sabe muito bem que “santo de casa não faz milagre”. Ele diz: "Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família". De fato, onde não existe abertura nem fé, ninguém pode fazer nada. O preconceito o impede. Jesus, mesmo querendo, não podia fazer nada. O evangelho de Marcos diz expressamente: “Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ele admirou-se da incredulidade deles” (Mc 6,5-6).

Os irmãs e as irmãs de Jesus.

A expressão “irmãos e irmãs de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve outros filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso? Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça. Pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos bem mais para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé, pelo desrespeito à natureza. Deveríamos lembrar algumas outras frases de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”(Jo 10,10). “Que todos sejam um, para que o mundo creia que Tu, Pai, me enviaste”(Jo 17,21). “Não o impeçam! Quem não é contra nós é a favor”(Mc 10,39.40). 

 

4) Para confronto pessoal

 1-Jesus teve problemas com a sua família. Desde que você começou a participar na comunidade, alguma coisa mudou no relacionamento com sua família?

2-Jesus não pôde fazer muitos milagres em Nazaré. Por que a fé é tão importante? Será que Jesus não podia mesmo fazer milagre sem a fé das pessoas? O que significa isto hoje para mim?

 

5) Oração final

Antes que se formassem as montanhas, e a terra e o universo fossem gerados, desde toda a eternidade vós sois Deus (Sl 89).

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte (BH)

 

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, divulgou, nesta sexta-feira, 30 de abril, uma vídeo-mensagem destinada aos trabalhadores e às trabalhadoras do Brasil, por ocasião do 1º de maio, neste sábado, data que marca a conquista de direitos trabalhistas no mundo.

Dom Walmor reforçou que a data, celebrada no mesmo tempo em que a Igreja faz  memória de São José Operário, interpela a Igreja a buscar formas de garantir trabalho digno a todos sem exclusões. Dom Walmor dedica, em sua mensagem, especial atenção aos trabalhadores da saúde que têm doado a vida em favor dos doentes, prestando serviços essenciais e contribuindo para mitigar os efeitos da pandemia.

O presidente da CNBB lembrou também de cada trabalhador sem emprego, dos pequenos empreendedores angustiados pelas incertezas deste tempo e das famílias sem renda mínima. Em celebração ao dia dos trabalhadores e trabalhadoras, dom Walmor reforça a convocação à Igreja no Brasil: “É Tempo de Cuidar, fortalecendo a nossa rede de solidariedade ao mesmo tempo que cobramos políticas públicas efetivas”, disse.

Lembrando o Papa Francisco, dom Walmor reforçou que são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos. “O dia 1º de maio faz ecoar o que os bispos do Brasil pedem para este tempo: é cada vez mais necessário superar a desigualdade social no Brasil e o caminho é buscar uma política que não se submeta aos interesses econômicos”, apontou.

 

A íntegra da mensagem do presidente da CNBB para o 1º de Maio

O Dia do Trabalhador, neste contexto de pandemia da COVID-19, evidencia ainda mais as muitas feridas do mundo do trabalho. As alarmantes estatísticas dos sem-trabalho sinalizam rostos sofridos e desesperançados. A chaga do mundo do trabalho torna-se ainda mais grave quando alguns se enriquecem inescrupulosamente enquanto muitos convivem com a fome. Um cenário que se perpetua por modelos perversos de exercício da política, pela indiferença social, por uma cultura segregacionista e excludente de uma sociedade adoecida. Adoecimento que ameaça até aqueles que ilusoriamente buscam amparo nas próprias rendas e lucros. É, pois, urgente uma nova lógica na política e na economia, para que seja evitada a derrocada da humanidade.

A civilização contemporânea padece com a falta de compaixão. Uma carência que prejudica a inteligência humana, ofuscando a sua luminosidade. É preciso agir para que essa inteligência não descarrilhe ainda mais na direção de negacionismos e da falta de sentido humanístico. A sociedade reúne condições e meios para ser justa e solidária, pautada pela lógica da amizade social, ao sabor do Evangelho de Jesus Cristo. Não pode submeter-se às lideranças vazias de governos que não se pautam pelas lógicas das construções pluralistas – distantes do cristianismo autêntico que pode salvar e fecundar culturas, conferir à humanidade valores e princípios com força de transformação. Valores e princípios que permitam reconhecer a vida como dom.

Na perspectiva do autêntico cristianismo, o Dia do Trabalho é um grito de trabalhadores e trabalhadoras sem rumo, sem trabalho, desamparados. Um clamor que precisa incomodar os insensíveis, inspirar os que têm maior responsabilidade na condução da sociedade e fecundar intuições para que sejam arquitetados novos cenários no mundo do trabalho. O gesto prioritário é a solidariedade, exercida em rede. Um indispensável remédio que funciona como nova luz para a inteligência e sabedoria no exercício de poderes. Os cristãos, em diálogo aberto e cooperativo com a sociedade pluralista, são convocados a ajudar para que a solidariedade se torne um princípio da vida social. Essa responsabilidade está enraizada nas muitas lições do Mestre e Senhor, que diz: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” e “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Assim, a Doutrina Social da Igreja Católica reúne elementos merecedores de redobrada atenção e comprometimentos urgentes. Urge-se investir na solidariedade como princípio social e virtude moral.

As relações entre pessoas e povos, marcadas pela interdependência, precisam ser pautadas por autêntica solidariedade ético-social, para que seja recuperada a sociabilidade intrínseca à pessoa humana. Sob os parâmetros da solidariedade ético-social, prevaleça também o respeito à igualdade de todos em dignidade e direitos. Trilhando nesse sentido, a civilização contemporânea pode tratar adequadamente as feridas que ameaçam o mundo do trabalho. Deve-se reconhecer que trabalhar é um direito e um bem fundamental para cada pessoa. O trabalho é útil e necessário para formar e manter uma família, para efetivar o direito à propriedade e oferecer contribuição na promoção do bem comum. O desemprego é problema que desafia principalmente o Estado a promover adequadas políticas capazes de gerar trabalho.

A Doutrina Social da Igreja Católica mostra a necessidade de se reconhecer que o trabalho humano é condição indispensável para a promoção da justiça social e da paz civil. A comunidade politica está desafiada a assumir, com qualidade e protagonismo, o seu papel e, alicerçada em autoridade ilibada, promover o bem comum. Isso exige reconhecer e considerar as prioridades dos pobres, dos vulneráveis, dos sem-trabalho. Trata-se de um caminho para a preservação e fortalecimento da democracia. Sem medos, livres das indiferenças alimentadas por mesquinhez, a hora exige a coragem de se dedicar aos pobres, aos sem-trabalho. Um exercício essencial para construir uma economia que promova e preserve a vida, estimulando novos hábitos e a cura das feridas do mundo do trabalho. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Deus, a quem devemos a liberdade e a salvação, fazei que possamos viver por vossa graça e encontrar em vós a felicidade eterna, pois nos remistes com o sangue do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 14, 1-6)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos,1Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. 3E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também. 4E para onde eu vou, conheceis o caminho”. 5Tomé disse: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

3) Reflexão

Estes cinco capítulos (Jo 13 a 17) são um exemplo bonito de como as comunidades do Discípulo Amado do fim do primeiro século lá na Ásia Menor, atual Turquia, faziam catequese. Por exemplo, neste capítulo 14, as perguntas dos três discípulos, Tomé (Jo 14,5), Filipe (Jo 14,8) e Judas Tadeu (Jo 14,22), eram também as perguntas e os problemas das Comunidades. Assim, as respostas de Jesus para os três eram um espelho em que as comunidades encontravam uma resposta para as suas próprias dúvidas e dificuldades.  Para sentir melhor o ambiente em que se fazia a catequese, você pode fazer o seguinte. Durante ou depois da leitura do texto, feche os olhos e faça de conta que você está lá na sala no meio dos discípulos e discípulas, participando do encontro com Jesus. Enquanto vai escutando, procure prestar atenção na maneira como Jesus prepara seus amigos para a separação e lhes revela sua amizade, transmitindo segurança e apoio.

João 14,1-2: Nada te perturbe.   O texto começa com uma exortação: "Não se perturbe o coração de vocês!" Em seguida, diz: "Na casa do meu Pai há muitas moradas!" A insistência em conservar palavras de ânimo que ajudam a superar a perturbação e as divergências, é um sinal de que havia muita polêmica e divergências entre as comunidades. Uma dizia para a outra: "Nossa maneira de viver a fé é melhor do que a de vocês. Nós estamos salvos! Vocês estão erradas! Se quiserem ir para o céu, têm que se converter e viver como nós vivemos!" Jesus diz: "Na casa do meu Pai há muitas moradas!" Não é necessário que todos pensem do mesmo jeito. O importante é que todos aceitem Jesus como revelação do Pai e que, por amor a ele, tenham atitudes de compreensão, de serviço e de amor. Amor e serviço são o cimento que liga entre si os tijolos e faz as várias comunidades serem uma igreja de irmãos e de irmãs.

João 14,3-4: Jesus se despede.  Jesus diz que vai preparar um lugar e depois retornará para levar-nos com ele para a casa do Pai. Ele quer que estejamos todos com ele para sempre. O retorno de que Jesus fala é a vinda do Espírito que ele manda e que trabalha em nós, para que possamos viver como ele viveu (Jo 14,16-17.26; 16,13-14). Jesus termina dizendo: "Para onde eu vou, vocês conhecem o caminho!" Quem conhece Jesus conhece o caminho, pois o caminho é a vida que ele viveu e que o levou através da morte para junto do Pai.

João 14,5-6: Tomé pergunta pelo caminho. Tomé diz: "Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos conhecer o caminho?" Jesus responde: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Três palavras importantes. Sem caminho, não se anda. Sem verdade, não se acerta. Sem vida, só há morte! Jesus explica o sentido. Ele é o caminho, porque "ninguém vem ao Pai senão por mim!" Pois, ele é a porteira, por onde as ovelhas entram e saem (Jo 10,9). Jesus é a verdade, porque olhando para ele, estamos vendo a imagem do Pai. "Se vocês me conhecem, conhecerão também o Pai!" Jesus é a vida, porque caminhando como Jesus caminhou, estaremos unidos ao Pai e teremos a vida em nós!

 

4) Para um confronto pessoal

1) Que encontros bons do passado você guarda na memória e que são força na sua caminhada?

2) Jesus disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas". O que significa esta afirmação para nós hoje?

 

5) Oração final

Cantai ao SENHOR um cântico novo, pois ele fez maravilhas. Deu-lhe vitória sua mão direita e seu braço santo. (Sl 97, 1)

 

Dom Vital Corbellini

Bispo de Marabá (PA)

 

A solidariedade é uma atitude humana e cristã de ajudar o próximo nas necessidades físicas, econômicas e espirituais. Ela diz respeito ao amor que se demonstra à outra pessoa, pois não há nada melhor ao ser humanos para ser feliz do que praticar o bem enquanto vive (cfr. Eclo 3,12). Jesus mesmo disse que se identificará com os mais necessitados no dia do julgamento final: “foi a mim que o fizestes ou foi a mim que não o fizestes” (cfr. Mt 25, 40; 45). Estamos vivenciando o tempo pascal, onde Cristo venceu o pecado, a morte e ressuscitou. Nós também estamos vivendo o tempo da pandemia, que exige solidariedade para com as pessoas necessitadas. A fome está batendo às nossas portas. O Papa Francisco pede a toda a pessoa de boa vontade a solidariedade para com os sofredores. Muitas são as perdas e muitas são as pessoas que pedem ajuda.

 

A pandemia e a questão da fome

A pandemia está acarretando milhares de mortes, muitas entre nossos familiares, amigos e amigas. Nesta atual fase da pandemia, observa-se que o vírus atinge fortemente pessoas jovens e de meia idade, com grande número de internações entre indivíduos com menos de 40 anos, segundo os meios de comunicação social. Noticia-se também a falta de insumos para tratamento das pessoas acometidas pelo vírus do covid 19, de modo que os pacientes poderão sofrer mais ainda durante o processo de recuperação ou poderão vir a falecer. Há o colapso da rede hospitalar pública e privada, com mortes de pacientes aguardando na fila por um leito.

O sofrimento causado pela covid 19 é agravado pelo crescimento exponencial de famílias que passam fome, pois o país passou a figurar na geopolítica da miséria. A pandemia resultou em quase vinte milhões de brasileiros e de brasileiras em situação de fome, o que significa quase dez por cento da população. Estes dados são preocupantes e apontam para a necessidade de ações em favor dos muitos necessitados. É preciso ter cuidado para não se contaminar com o vírus, através de medidas sanitárias, mas é também imprescindível realizar ações em prol da vida do próximo, porque o amor a Ele leva ao amor a Deus.

 

No ano passado: a solidariedade e a pandemia

No ano passado, quando do início da pandemia, tivemos momentos de solidariedade muito fortes em nossas comunidades cristãs e sociais. Muitas organizações doaram alimentos para as pessoas pobres e desempregadas. Em Marabá, os agricultores acampados ajudaram os povos indígenas com a doação de alimentos. As organizações eclesiais auxiliaram na compra de cestas básicas. Muitas famílias carentes e organizações sociais receberam cestas básicas. Sociedades empresariais de nossa região doaram mais de seis mil cestas para as famílias carentes, acompanhadas de álcool gel, máscaras e material de limpeza.

 

A ajuda emergencial e a alta dos preços

Milhares de famílias foram ajudadas no ano passado pelo auxílio emergencial do governo federal. Esse auxílio se destinava aos trabalhadores informais, micro empreendedores individuais, autônomos e desempregados, e tinha por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do corona vírus – COVID 19. Acreditamos que tal ajuda possibilitou a retomada de vida para milhares de pessoas em relação à alimentação e ao sustento da própria vida familiar e social. Este ano, uma nova ajuda emergencial está sendo proporcionada pelo governo federal, menor que aquela do ano passado, mas que certamente ajudará milhares de famílias que se encontram em situação de fome e de miséria.

            Diante da alta dos preços como, por exemplo, do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) de cozinha, muitas famílias estão preferindo a lenha para cozinhar os alimentos. Havia a promessa do governo federal quanto à diminuição do preço do gás, mas ocorreu o contrário. Por isso, as pessoas vão à busca de pedaços de madeiras, muitas vezes perdidos, para a preparação dos alimentos. Para algumas famílias, há também a economia com a substituição do uso de carro por bicicletas porque o preço dos combustíveis está ficando sempre mais caro. Diante dessas situações e outras, estamos unidos aos milhares de sofredores nesta pandemia, a qual deixou milhares de famílias em situação crítica. Contudo, não perdemos a esperança de uma situação melhor com o avanço da vacinação por todo o país.

 

As paróquias e a solidariedade

As paróquias arrecadaram alimentos para ajudar os pobres nas diversas cidades do Brasil, o que também ocorreu na Diocese de Marabá. Essa ajuda ameniza a fome de muitas pessoas. Equipes paroquiais se mobilizaram em busca de alimentos para serem distribuídos às pessoas e famílias carentes, pois a pandemia reduziu a circulação de bens e serviços, modo que essa ajuda deu novo vigor na caminhada de fé, de esperança e de caridade.

 

O momento atual: Cansaço pela solidariedade?

O momento atual clama pela solidariedade, o amor para com o próximo. Os sofrimentos causados pela pandemia já se estendem por mais de 01 (um) ano e constata-se uma redução nas ações de solidariedade para com os mais necessitados. É certo que todos estão estafados e, provavelmente, esse cansaço pode ter afetado a mobilização social. Como dito acima, nos primeiros meses de pandemia no país, as contribuições para projetos e iniciativas sociais eram robustas e freqüentes, porém agora, no momento mais crítico e delicado da doença no Brasil, as doações diminuíram significativamente. Mesmo nesse atual terreno árido para a solidariedade, é preciso renovar nosso espírito e ações de doação para o próximo e, nesse sentido, diversas instituições e meios de comunicação social buscam motivar a sociedade para que a corrente de boas ações não se rompa. A Igreja pede para as pessoas e órgãos competentes pela volta da solidariedade, para que as doações aumentem e, assim, um maior número de pessoas que passam fome ou necessidades possa receber auxílio alimentar.

 

Domingo da misericórdia, domingo da solidariedade

A CNBB lançou há um ano a Ação Solidária Emergencial, no domingo da misericórdia de 2020. “É tempo de Cuidar”, que apontou centenas de ações registradas em diversas dioceses brasileiras com a arrecadação e doação de toneladas de alimentos e de recursos financeiros. Na primeira fase, a campanha distribuiu alimentos, roupas, calçados e equipamentos de proteção individual para as populações mais vulneráveis. Neste ano, o domingo da misericórdia foi no dia 11 de abril, onde ocorreu o relançamento desta Ação. As igrejas foram convidadas a repicar os sinos às 15h, com o propósito de fazer lembrar a mensagem de que todas as vidas humanas são importantes, frente aos números alarmantes de mortes em conseqüência da pandemia.

 

Solidariedade aos moradores de rua

A Diocese de Marabá mantém um programa de solidariedade aos moradores de rua, desde o início de pandemia, distribuindo marmitas para os mesmos. Esta ajuda é dada também para os povos indígenas venezuelanos. Ações como esta são importantes para amenizar o problema crescente da fome no país, de modo que o menor auxílio, desde que feito com amor, ajudará muitas pessoas em suas necessidades alimentares e espirituais. Tais ações são gestos concretos realizados por aqueles que acreditam em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.

 

O amor ao próximo

A solidariedade não é feita por palavras, mas por ações efetivas que objetivem salvar vidas neste tempo de pandemia. Estamos ajudando com a doação de máscaras para a população carente, contribuindo para a redução da disseminação do vírus, evitando que as gotículas de umas pessoas sejam transmitidas para outra. O Senhor nos ajude nesta caminhada para sermos solidários com os outros e realizarmos boas ações que enalteçam o Deus Uno e Trino. Fonte: https://www.cnbb.org.br 

 

1) Oração

Ó Deus, que restaurais a natureza humana dando-lhe uma dignidade ainda maior, considerai o mistério do vosso amor, conservando para sempre os dons da vossa graça naqueles que renovastes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 13, 16-20)

Naquele tempo, depois de haver lavado os pés dos discípulos, Jesus disse-lhes: 16Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que seu senhor, e o enviado não é maior do que aquele que o enviou. 17Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática. 18Eu não falo de todos vós. Eu conheço aqueles que escolhi. Mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19Desde já, antes que aconteça, eu vo-lo digo, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. 20Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

 

3) Reflexão

Nos próximos dias, com exceção das festas, o evangelho diário é tirado da longa conversa de Jesus com os discípulos durante a Última Ceia (Jo 13 a 17). Nestes cinco capítulos que descrevem a despedida de Jesus, percebe-se a presença daqueles três fios de que falamos anteriormente e que tecem e compõem o evangelho de João: a palavra de Jesus, a palavra das comunidades e a palavra do evangelista que fez a última redação do Quarto Evangelho. Nestes cinco capítulos, os três fios estão de tal maneira entrelaçados que o todo se apresenta como uma peça única de rara beleza e inspiração, onde é difícil distinguir o que é de um e o que é do outro, mas onde tudo é Palavra de Deus para nós.  

Estes cinco capítulos trazem a conversa que Jesus teve com os seus amigos, na véspera de ser preso e morto. Era uma conversa amiga, que ficou na memória do Discípulo Amado. Jesus, assim parece, queria prolongar ao máximo esse último encontro, momento de muita intimidade. O mesmo acontece hoje. Há conversa e conversa. Há conversa superficial que gasta palavras à toa e revela o vazio das pessoas. E há conversa que vai fundo no coração e fica na memória. Todos nós, de vez em quando, temos esses momentos de convivência amiga, que dilatam o coração e vão ser força na hora das dificuldades. Ajudam a ter confiança e a vencer o medo.

Os cinco versículos do Evangelho de hoje tiram duas conclusões do lava-pés (Jo 13,1-15). Falam (1) do serviço como característica principal dos seguidores e seguidoras de Jesus, e (2) da identidade de Jesus como revelação do Pai.

João 13,16-17: O servo não é maior que o seu senhor.  Jesus acabou de lavar os pés dos discípulos. Pedro levou susto e não quis que Jesus lhe lavasse os pés. “Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo” (Jo 13,8). E basta lavar os pés; o resto não precisa (Jo 13,10). O valor simbólico do gesto do lava-pés consistia em aceitar Jesus como o Messias Servidor que se entrega a si mesmo pelos outros, e recusar um messias rei glorioso. Esta entrega de si mesmo como servo de todos é a chave para entender o gesto do lava-pés. Entender isto é a raiz da felicidade de uma pessoa: “Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática". Mas havia pessoas, mesmo entre os discípulos, que não aceitavam Jesus como Messias Servo. Não queriam ser servidores dos outros. Provavelmente, queriam um messias glorioso como Rei e Juiz, de acordo com a ideologia oficial. Jesus diz: "Eu não falo de todos vocês. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: Aquele que come pão comigo, é o primeiro a me trair!” João se refere a Judas, cuja traição vai ser anunciada logo em seguida (Jo 13,21-30).

João 13,18-20: Digo isto agora, para que creiais que EU SOU.  Foi por ocasião da libertação do Egito ao pé do Monte Sinai, que Deus revelou o seu nome a Moisés: “Estou com você!” (Ex 3,12), “Estou que Estou” (Ex 3,14), “Estou” ou “Eu sou” me mandou até vocês!” (Ex 3,14), O nome Javé (Ex 3,15) expressa a certeza absoluta da presença libertadora de Deus junto do seu povo. De muitas maneiras e em muitas ocasiões esta mesma expressão Eu Sou  ou Sou Eu é usada por Jesus (Jo 8,24; 8,28; 8,58; Jo 6,20; 18,5.8; Mc 14,62; Lc 22,70). Jesus é a presença do rosto libertador de Deus no meio de nós.

4) Para um confronto pessoal

1) O servo não é maior que o seu senhor. Como faço da minha vida um serviço permanente aos outros?

2) Jesus soube conviver com pessoas que não o aceitavam. E eu consigo?

 

5) Oração final

Vou cantar para sempre a bondade do SENHOR; anunciarei com minha boca sua fidelidade de geração em geração. Pois disseste: “Minha bondade está de pé para sempre”. Estabeleceste tua fidelidade nos céus. (Sl 88, 2-3)

 

1) Oração

Ó Deus, vida dos que creem em vós, glória dos humildes, e felicidade dos justos, atendei com bondade às nossas preces, e saciai sempre com vossa plenitude os que anseiam pelas riquezas que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 12, 44-50)

Naquele tempo, 44Jesus exclamou: “Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouve as minhas palavras e não as observa, não sou eu que o julgo, porque vim não para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras já tem quem o julgue: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por conta própria, mas o Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que devo dizer e falar. 50E eu sei: o que ele ordena é vida eterna. Portanto, o que eu falo, eu o falo de acordo com o que o Pai me disse”.

 

3) Reflexão

O Evangelho de hoje traz a parte final do Livro do Sinais (1 a 12), na qual o evangelista faz um balanço. Muitos acreditaram em Jesus e tinham a coragem de manifestar sua fé publicamente como discípulos e as discípulas. Outros acreditaram, mas não tiveram a coragem de manifestar publicamente sua fé. Tinham medo de serem expulsos da sinagoga. E muitos não acreditaram: “Apesar de Jesus ter realizado na presença deles tantos sinais, não acreditaram nele. Assim se cumpriu a palavra dita pelo profeta Isaías: "Senhor, quem acreditou em nossa mensagem? Para quem foi revelada a força do Senhor?" (Jo 12,37-38). Depois desta constatação geral, João retoma alguns dos temas centrais do seu evangelho:

João 12,44-45: Crer em Jesus é crer naquele que o enviou.  Esta frase é um resumo do evangelho de João. É o tema que aparece e reaparece de muitas maneiras. Jesus está tão unido ao Pai, que ele já não fala em nome próprio, mas sempre em nome do Pai. Quem vê a Jesus vê o Pai. Se quiser conhecer a Deus, olhe para Jesus. Deus é Jesus!

João 12,46: Jesus é a luz que veio ao mundo. Aqui João retoma o que já tinha sido dito no prólogo: “O Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo ser humano” (Jo 1,9). “A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam” (Jo 1,5). Aqui ele repete: “Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que acredita em mim não fique nas trevas”.  Jesus é uma resposta viva às grandes interrogações que movimentam e inspiram a busca do ser humano. Ele é uma luz que clareia o horizonte. Faz descobrir o lado luminoso da escuridão da fé.

João 12,47-48: Não vim para julgar o mundo. Chegando no fim de uma etapa, surge a pergunta: “Como vai ser o julgamento? Nestes dois versículos o evangelista esclarece o tema do julgamento. O julgamento não se faz na base da ameaça com maldições. Jesus diz: Eu não condeno quem ouve as minhas palavras e não obedece a elas, porque eu não vim para condenar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita e não aceita minhas palavras, já tem o seu juiz: a palavra que eu falei será o seu juiz no último dia. O julgamento consiste na maneira como a pessoa se define frente à verdade e frente a sua própria consciência.

João 13,49-50: O que digo, eu o digo conforme o Pai me disse. As últimas palavras do Livro dos Sinais são um resumo de tudo que Jesus disse e fez até agora. Ele reafirma o que afirmava desde o começo: “Não falei por mim mesmo. O Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. E eu sei que o mandamento dele é a vida eterna. Portanto, o que digo, eu o digo conforme o Pai me disse”. Jesus é o reflexo fiel do Pai. Por isso mesmo, ele não oferece prova nem argumento aos que o provocam para que se legitime e apresente suas credenciais. É o Pai que o legitima através das obras que ele faz. E dizendo obras, não se refere só aos grandes milagres, mas a tudo que ele disse e fez, até nas mínimas coisas. Jesus, ele mesmo, é o Sinal do Pai. Ele é o milagre ambulante, a transparência total. Ele já não se pertence, mas é todo inteiro propriedade do Pai. As credenciais de um embaixador não vem dele mesmo, mas vem daquele a quem representa. Vem do Pai.

 

4) Para um confronto pessoal

1) João faz um balanço da atividade reveladora de Jesus. Se eu fizer um balanço da minha vida, o que vai sobrar de positivo em mim?

2) Existe algo em mim que me condena?

 

5) Oração final

Que os povos te louvem, ó Deus, que te louvem todos os povos. A terra deu o seu fruto. Que Deus, o nosso Deus, nos abençoe. (66, 6-7)

 

Do hospital de Nairobi, Quênia, onde foi submetido a uma nova operação, o bispo eleito de Rumbek ferido nas pernas em sua casa no Sudão do Sul, fala de reconciliação e amor: "Não posso condenar meus agressores: são jovens que não tinham nada contra mim". Em nossa entrevista, o missionário comboniano italiano recorda os momentos do ataque e reitera: "Não deixarei de perseguir o sonho de um país pacificado: este é o desejo de toda a Igreja".

 

Federico Piana – Vatican News

"Se eu perdoo eles? Certamente. E o faço com todo o meu coração". De seu leito de hospital em Nairóbi, Quênia, onde foi operado novamente para limpar as feridas dos estilhaços de bala, padre Christian Carlassare diz que não deseja condenar os agressores que no Sudão do Sul o feriram nas pernas com espingardas Kalashnikov depois de atacá-lo em sua casa: "Faço-o porque são jovens e certamente não agiram por uma razão contra mim. Suspeito que alguém os encarregou de fazer isso. Portanto, sinto que posso perdoá-los, assim como perdoo àqueles que os levaram a se comportar desta maneira. E o faço em nome de todo o povo de Rumbek que, quando fui baleado, estava fora do hospital da cidade e do aeroporto, dizendo-me: padre, não nos abandone, padre, volte. Eles não queriam me deixar partir para não perder seu bispo". Então ele acrescenta, com voz serena, sem uma ponta de ressentimento, que o que ele oferece "é um perdão que pede unidade, escuta e capacidade de resolver os problemas buscando o bem de todos".

 

Recordar é doloroso, o senhor pode nos dizer o que aconteceu na noite da emboscada?

Eu já estava na cama quando ouvi que alguém estava mexendo na porta da frente. Levantei-me e tentei descobrir o que estava acontecendo. Após dez minutos, as duas pessoas armadas com Kalashnikovs começaram a atirar na fechadura da porta. Naquele momento, comecei a pedir ajuda: segurei a porta com a mão e um pé enquanto tentava me abrigar atrás de uma parede. Um sacerdote da diocese de Rumbek, que mora comigo, saiu de seu quarto alarmado e pensei imediatamente que era melhor sair de casa para conversar com essas pessoas.  Assim que eu estava do lado de fora, em poucos segundos, a arma apontada contra as minhas pernas disparou seis ou sete tiros, quatro dos quais me atingiram.

 

Na sua opinião, qual poderia ser a razão deste ataque?

R.- É difícil dizer. No momento, a investigação está em andamento e espera-se que seja tudo esclarecido. Minha impressão é que, certamente, o motivo não pode ser o roubo. Mas também excluo o assassinato porque, se eles quisessem me matar, o teriam feito muito facilmente. Eu acho que é um ato de intimidação, um aviso.

 

O senhor sempre esteve comprometido com o diálogo e a reconciliação no país, abalado também pelos ódios tribais. Seu ferimento poderia pôr um fim ao seu sonho de paz?

Esta não é a minha ação, mas a ação de toda a Igreja. É a mensagem do Evangelho que não pode mudar diante dos obstáculos e dificuldades. A situação da cruz que estamos vivendo nos obriga, de fato, a sermos ainda mais fiéis à mensagem do Evangelho, sabendo também que talvez tenhamos que pagar o preço.

 

Parece uma ação necessária porque o país precisa sair da espiral de violência....

R- Sim. Será um esforço que continuará. O governo de unidade nacional deve ser levado a todos os territórios da nação e também deve ser compartilhado por todos os clãs do país.

 

O mundo, nestas horas ficou apreensivo pelo senhor. Gostaria de dirigir uma mensagem a todos aqueles que se preocuparam com o senhor?

Eu, pessoalmente, sofri este ferimento, mas o povo do Sudão do Sul sofreu muito mais nas últimas décadas. E, portanto, convido o mundo a compartilhar esta solidariedade com os povos do Sudão do Sul e com os povos de todos os continentes, tentando entender que estes casos isolados, que fazem tanto barulho, não devem nos fazer perder a esperança e nos tornar cegos para não ver o bem que existe no mundo e, acima de tudo, na África. Fonte: https://www.vaticannews.va

Renascer com a criação... A Palavra do Frei Petrônio, direto da Praia Grande, Angra dos Reis/RJ. Segunda-feira, 26 de abril-2021. www.instagram.com/freipetronio

1) Oração

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 10, 22-30)

Naquele tempo, 22Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente!” 25Jesus respondeu: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. 26Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

 

3) Reflexão

Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam. Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de pensar e de agir.  Hoje também, cada um de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz uma luz a este respeito.

João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus.  Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão direito de falar e de atuar.

João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão testemunho de mim.  A resposta de Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.

João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz.  Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento  -  entre Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade  -  é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.

João 10,29-30: Eu e o Pai somos um.  Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre  faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30). A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?

2) Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?

 

5) Oração final

Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face. para que se conheça na terra o teu caminho, entre todos os povos a tua salvação. (66, 2-3)