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A Arquidiocese de San Salvador confirmou o suicídio do padre Edgar Lisandro Winter Coronado, que estava sendo investigado por suposto abuso sexual. O incidente ocorreu em sua cidade natal, Cobán, na Guatemala.
SAN SALVADOR — A Arquidiocese de San Salvador anunciou na quinta-feira que o padre Edgar Lisandro Winter Coronado, que estava sendo investigado por alegações de abuso sexual, tirou a própria vida em sua cidade natal , Cobán , na Guatemala.
Segundo um comunicado divulgado pela instituição religiosa, o padre havia viajado aos Estados Unidos no final de abril para realizar trabalho pastoral. No entanto, ele retornou a Cobán por vontade própria, onde cometeu suicídio em 12 de maio.
"Infelizmente, a causa de sua morte foi suicídio", dizia o comunicado.
A notícia da morte do líder religioso foi divulgada na quarta-feira, embora a causa da morte não tenha sido confirmada imediatamente.
Antes desse trágico acontecimento, na segunda-feira, a Arquidiocese de San Salvador havia informado que um processo legal havia sido instaurado contra ele, de acordo com o direito canônico, após uma denúncia de suposto abuso sexual. O padre era responsável pela Paróquia de Santa Maria da Encarnação, localizada no município de San Marcos, na zona sul da capital salvadorenha.
Em um caso separado, a Arquidiocese informou em janeiro que o padre Jesús Orlando Erazo Gálvez foi permanentemente afastado do sacerdócio após ser condenado a 14 anos de prisão pelo estupro de uma menor. Este processo foi conduzido sob a supervisão do Dicastério para a Doutrina da Fé , órgão do Vaticano, e foi realizado pelo Tribunal Eclesiástico da Região Central.
A condenação de Erazo Gálvez ocorreu após um julgamento em El Salvador relacionado a um caso ocorrido em dezembro de 2022 no município de San Cristóbal , no departamento de Cuscatlán , de acordo com informações fornecidas pelo Ministério Público. Fonte: https://www.cadena3.com
A Arquidiocese confirma que o padre que estava sendo investigado por abuso sexual 'cometeu suicídio'.
Por Steven Rosales
O Vicariato Episcopal de Comunicações da Arquidiocese de San Salvador informou esta manhã que a morte do padre Edgar Lisandro Winter Coronado foi resultado de um suicídio, ocorrido na cidade de Cobán, Alta Verapaz, na Guatemala, sua cidade natal.
A morte do padre católico ocorreu dois dias depois de uma investigação eclesiástica contra ele ter sido tornada pública na segunda-feira, 11 de maio, na sequência de alegações de abuso sexual infantil.
Segundo um comunicado divulgado pela Arquidiocese, o padre "no final de abril, viajou para os Estados Unidos para prestar serviço pastoral em uma paróquia daquele país; no entanto, constatamos que, mesmo sem cumprir a referida missão pastoral, por iniciativa própria, ele viajou para a Guatemala, para seu local de origem - Cobán".
Foi nessa cidade que ele faleceu na noite de terça-feira, 12 de maio. "Infelizmente, a causa de sua morte foi suicídio. Pedimos a todos que ofereçam orações a Deus por seu descanso eterno", informou a Igreja Católica de El Salvador.
No dia 11 de maio, o Vicariato Episcopal anunciou que a Congregação Episcopal recebeu uma denúncia de um suposto crime de abuso sexual de menores contra o sacerdote Winter Coronado, que estava lotado na Paróquia Santa María de la Encarnación, em San Marcos, San Salvador.
"Esta Cúria procedeu imediatamente à imposição de medidas cautelares e à instauração do devido processo legal, em conformidade com o Direito Canônico", informou a Arquidiocese de San Salvador por meio de comunicado oficial.
No dia 13 de maio, por meio de um comunicado publicado pela paróquia de Santa María de la Encarnación, foi anunciada a morte do líder religioso, que realizava trabalho pastoral naquele templo católico. Fonte: https://eluniversalsv.com
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Por Redação central
Hoje (14) a Igreja celebra são Matias, o escolhido para ocupar o lugar que o traidor Judas Iscariotes havia deixado entre os Apóstolos. Nos Atos dos Apóstolos há sinais do quanto a Igreja primitiva o apreciava, assim como a narração do episódio que explica a sua eleição.
Depois da Ascensão do Senhor, os Apóstolos, junto com Maria e vários discípulos, estavam em oração, esperando o Espírito Santo. Naqueles dias, Pedro convidou a comunidade a decidir quem deveria substituir Judas:
"Convém, pois, que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha da sua Ressurreição" (Atos 1, 21-22).
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“Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. E oraram nestes termos: ‘Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar’. Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos” (Atos 1, 23-26).
Não se sabe muito mais sobre são Matias, mas é claro que ele permaneceu fiel ao Senhor até o fim de seus dias.
O papa emérito Bento XVI, em 2006, partilhou uma bela reflexão a partir da figura deste santo: "Tiramos disto mais uma lição: mesmo se na Igreja não faltam cristãos indignos e traidores, compete a cada um de nós equilibrar o mal que eles praticam com o nosso testemunho transparente a Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador". Fonte: https://www.acidigital.com
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1) Oração
Ó Deus, que associastes são Matias ao colégio apostólico, concedei, por sua intercessão, que, fruindo da alegria do vosso amor, mereçamos ser cotados entre os eleitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 15, 9-17)
Naquele tempo disse Jesus: 9Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 11Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.
3) Reflexão Jo 15,9-17
Hoje é a festa do apóstolo Matias. O Evangelho João 15,9-17 já foi meditado no dia 24 de abril. Vamos retomar alguns pontos que já foram vistos naquele dia.
João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria.
Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”. É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.
João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"
João 15,14-15 Amigos e não empregados
"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até à doação total de si! Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus já não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos a uma total transparência, a ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).
João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"
4) Para um confronto pessoal
1) Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de cada cristão. Como isto está sendo vivido por mim?
2) Tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma total transparência. Como isto está sendo vivido na minha comunidade?
5) Oração final
Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.
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Vereador de São José dos Campos fez representação à Arquidiocese de SP e anexou comprovantes
Cúria Metropolitana de SP diz que recebeu representação contra o padre e irá analisar; religioso não se manifesta

Padre Júlio Lancellotti, na Paroquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, com estatua da Irmã Dulce - Eduardo Knapp - 11.jan.24/Folhapress
São Paulo
Um vereador de São José do Campos acusa o padre Júlio Lancellotti de pagar despesas de um processo judicial que ele move com dinheiro da sua paróquia, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo.
Segundo a denúncia, Lancellotti usou a conta da igreja para saldar duas guias de Dare (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais) no ano passado: uma de R$ 450 em fevereiro e outra de R$ 1.200 em novembro.
Os comprovantes bancários das transferências da Paróquia de São Miguel Arcanjo, onde o padre atua, foram anexados pelo vereador Thomaz Henrique (PL) em uma denúncia contra o pároco feita à Arquidiocese de São Paulo.
"A Cúria Metropolitana de São Paulo recebeu, na sexta-feira, 8 de maio, uma representação canônica encaminhada pelo vereador Thomaz Henrique referente ao padre Júlio Lancellotti", disse a Arquidiocese em nota ao Painel.
"Seu conteúdo será analisado oportunamente pelas instâncias competentes da Arquidiocese de São Paulo", completou.
Procurado pela coluna na tarde desta sexta (8), Lancellotti escreveu que não tinha conhecimento dos fatos.
O pagamento se refere ao pagamento de custas de um processo que ele moveu contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil), de Praia Grande, por calúnia e difamação, em 2024, solicitando uma indenização de R$ 30 mil por danos morais.
Em uma entrevista, ela associou o padre a um assistencialismo midiático. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização, no entanto. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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O Papa Leão XIV celebra o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro em 8 de maio de 2026. Doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens ao Oriente Médio e à África, pelo Consistório com o Colégio Cardinalício, ajustes e renovações na Cúria Romana e por um compromisso com a paz expresso em vigorosos apelos e pelo trabalho diplomático nos bastidores.
Salvatore Cernuzio – Vatican News
O primeiro Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado pela multidão reunida na Praça São Pedro ao ver o primeiro fio de fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina. Em seguida, veio o anúncio do Cardeal Protodiácono, às 19h12 locais: "Robertum Franciscum..." Por fim, a aparição do balcão central da Basílica Vaticana às 19h23 locais: vestindo uma murça vermelha, mãos unidas, um leve sorriso, olhos marejados de emoção. Robert Francisco Prévost é o 267º Sucessor de Pedro: Leão XIV.
“Que a paz esteja com todos vocês.”
Ao cair da tarde deste mesmo dia, doze meses atrás, a história bimilenar da Igreja iniciou um novo capítulo com a eleição de um novo Pontífice, escolhido num conclave rápido por 133 cardeais. O primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos, nascido 69 anos atrás em Chicago, de espírito peruano depois de mais de 22 anos vividos naquele país latino-americano. Um "filho de Santo Agostinho", proveniente da Ordem Agostiniana, da qual serviu dois mandatos como Prior Geral. Um Papa de origens mistas, especialista em matemática, línguas e Direito Canônico, pároco e bispo de Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e cardeal prefeito do Dicastério para os Bispos. Um Pontífice com uma formação multifacetada, que se dirigiu ao mundo em sua primeira aparição em italiano, espanhol e latim, lendo um texto de sua autoria, no qual a palavra "paz" apareceu dez vezes.
Esforços pela paz
Por esta paz — "desarmada e desarmante", como ele a definiu em 8 de maio, com uma expressão que se tornou uma marca registrada de seu pontificado — o Papa Leão XIV fez apelos vigorosos ao longo deste ano: de o "Nunca mais a guerra!", no primeiro Regina Caeli do balcão central da Basílica Vaticana, ao apontar o dedo para os senhores da guerra cujas mãos "pingam sangue", durante a missa do Domingo de Ramos (29 de março), e ao denunciar quem é "escravo" da morte "para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe", expresso na Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril.
Pela paz, Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina e de Israel, Abbas e Herzog, para reiterar a ambos a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados, e manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum sinal de interlocução.
Apelos públicos e trabalho "nos bastidores"
Leão XIV promoveu o trabalho diplomático pela paz, talvez menos visível ao público em geral e aos holofotes da mídia, mas fundamental para a nobre causa do bem dos povos, objetivo primordial da Igreja. Esse trabalho acontece "nos bastidores", como ele próprio confidenciou a jornalistas no voo de retorno do Líbano, destino de sua primeira viagem apostólica junto com a Turquia: "Nosso trabalho não é, primordialmente, algo público que declaramos nas ruas; é algo que acontece 'nos bastidores'". É algo que já fizemos e continuaremos a fazer, para tentar, digamos, convencer as partes a abandonarem as armas, a violência e a se reunirem à mesa de diálogo".
O Papa em uma paróquia em Roma
Estas declarações do Papa são a chave para muitas iniciativas lançadas neste primeiro ano de pontificado, começando pela primeira disponibilidade, poucos dias após a sua eleição, de abrir as portas do Vaticano para acolher as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Esta proposta foi recebida com ceticismo por parte dos russos e entusiasmo por parte dos ucranianos, expresso pelo presidente Volodymyr Zelensky, com quem o Papa se encontrou três vezes. Duas dessas ocasiões foram em Castel Gandolfo, onde — após doze anos — Leão XIV retomou o retorno à residência de verão, deixando a Residência Papal como museu aberto ao público e passando a residir na Villa Barberini. Esta residência tornou-se familiar a muitos jornalistas que se encontram com o Papa todas as terças-feiras à noite, depois de ouvirem as suas declarações e observações sobre assuntos da atualidade. Ou apelos, mesmo que breves, mas sempre com o objetivo de instar os "grandes líderes mundiais" a "pôr fim à guerra" e trabalhar pela paz "não com armas", mas "com diálogo", ou a estimular a ação popular, como quando, após o ataque dos EUA ao Irã, ele exortou seus compatriotas estadunidenses a "encontrarem maneiras de se comunicar com os 'membros do Congresso', com as autoridades, para dizer que não queremos guerra, queremos paz!". Essa ação sem precedentes provocou uma reação da administração dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump criticando duramente o Pontífice no mesmo dia em que ele embarcava para a Argélia, destino, juntamente com Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de sua até então viagem apostólica mais longa (13 a 23 de abril). Solicitado por jornalistas no avião, o Papa não respondeu a essas críticas, mas sim recordou seu papel e missão: o de "pastor" e não o de "político". Portanto, "nenhum debate" com Trump, nem "medo" de potenciais ataques daquela administração, mas apenas a missão de proclamar a "mensagem do Evangelho", que infelizmente alguns hoje abusam. Palavras reiteradas recentemente em Castel Gandolfo: "A Igreja proclama o Evangelho, prega a paz. Se alguém quiser me criticar, que o faça com a verdade."
A peregrinação africana
O anúncio do Evangelho, como missão primordial do Sucessor de Pedro, Leão XIV reverberou pelas elegantes praças do Principado de Mônaco durante sua viagem em 28 de março, e depois nas ruas, estádios e igrejas dos quatro países africanos que visitou, em meio a filas e plateias de milhares de fiéis em clima de festa, apesar do calor escaldante e das chuvas tropicais. Os apelos do Pontífice por uma paz que "não deve ser inventada, mas sim acolhida" em um território como Bamenda, no noroeste de Camarões, devastado por guerras separatistas. Exortações à fraternidade numa Argélia 90% muçulmana; apelos por justiça — a "verdadeira" justiça que corrige e cura — proferidos na prisão de Bata, na Guiné Equatorial, diante de 630 detentos sob a chuva. E, mais uma vez, orações e invocações pela distribuição justa de recursos e pelo desenvolvimento integral em Angola, um país rico em petróleo e diamantes, onde, no entanto, 50% da população vive em extrema pobreza. O Papa também exortou os jovens a assumirem um papel de liderança, a respeitarem os direitos humanos, a defenderem a dignidade dos pobres e das mulheres e a preservarem a fé, um verdadeiro recurso que ninguém pode saquear. Estas são ideias e motivações para que o continente caminhe de cabeça erguida rumo ao futuro pelo qual os seus povos anseiam.
A viagem à Turquia e ao Líbano
A viagem à África foi rica em imagens e palavras; uma viagem que Leão XIV desejava fazer, como revelou no voo para Argel, desde o início de seu pontificado, mas que adiou para priorizar a promessa e o desejo de seu antecessor, Francisco. Tratava-se de ir à Turquia para celebrar em Iznik, hoje Niceia, o aniversário de 1.700 anos do Concílio e depois ir ao Líbano para encontrar um povo exausto pela guerra, crises, pobreza, emigração e imigração. Esta também foi uma peregrinação — de 27 de novembro a 2 de dezembro — que revigorou o caminho ecumênico, com inúmeros encontros com o Patriarca Bartolomeu, oferecendo oportunidades de diálogo com líderes de outras religiões e proporcionando preciosos registros. Dentre eles, o Papa em oração silenciosa diante da devastação do porto de Beirute, palco da explosão de 2020, ou o Papa imerso no abraço coletivo de 15 mil jovens libaneses e de outras nacionalidades em Bkerké.
Entre os jovens
O Papa Leão viu muitos jovens nos últimos meses, graças às numerosas celebrações do Jubileu da Esperança, aberto por Francisco e concluído por ele em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O momento culminante do Ano Santo foi, sem dúvida, o Jubileu dedicado aos jovens, de 28 de julho a 3 de agosto. Mais de um milhão de jovens, rapazes e moças, de diversas idades e origens, lotaram as ruas de Roma durante dias, e depois acorreram à Tor Vergata para a vigília e a missa com o Sucessor de Pedro. Foi um espetáculo de rostos, luzes, cores, bandeiras e celulares prontos para registrar as palavras do Pontífice, que encorajou as novas gerações a não se contentarem com a superficialidade, mas a construírem laços autênticos, superando a hiperconexão e a falta de comunicação, e aspirando à santidade.
Também ficou gravada na memória daqueles dias a surpresa da aparição do Papa num jipe na Via della Conciliazione, na Praça São Pedro, para saudar a multidão reunida para a abertura das comemorações do Jubileu. "Vocês são a luz do mundo!", exclamou o Bispo de Roma na praça. E por falar em surpresas, não podemos esquecer a chegada do Papa a Óstia, no dia 17 de outubro, a bordo do Med25 Bel Espoir, o navio que percorreu os portos do Mediterrâneo transportando 25 jovens de diferentes nacionalidades e religiões. Ele, Leão XIV, estava no leme com eles, os marinheiros da paz, "sinais de esperança" em meio ao ódio e à violência.
Rearmamento, violência e o domínio da força
Essa mesma violência que o Papa por vezes descreveu como "diabólica", como afirmou em seu discurso monumental na sessão plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), condenando a "lógica da divisão e da retaliação", o comércio de armas que sufoca o desenvolvimento de escolas e hospitais e a "falsa propaganda do rearmamento". Esse apelo foi reiterado com força em sua mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, na qual o Pontífice denunciou "a irracionalidade de uma relação entre os povos" baseada "no medo e no domínio da força", mais do que na justiça, na confiança e no diálogo.
Diálogo é talvez a palavra que mais se repetiu nos discursos, homilias, saudações e reflexões de Leão XIV neste primeiro ano de seu pontificado. O diálogo é a chave para abrir todas as portas fechadas, uma ponte para superar todos os muros. O Papa tem apelado ao diálogo, inclusive dentro da Igreja, para superar essas "polarizações" que criam feridas no corpo eclesial. É o caso das fraturas no Vetus Ordo, pelas quais o Pontífice, como escreveu em mensagem aos bispos franceses, expressou preocupação, ao mesmo tempo que exortou a "soluções concretas que permitam a inclusão generosa de pessoas sinceramente" ligadass ao antigo rito, "de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II sobre a liturgia".
Divisões sobre a Liturgia
O tema da Liturgia também foi proposto entre os quatro temas que Leão XIV apresentou aos mais de 170 cardeais reunidos no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro para o primeiro, mas não o último (o próximo será em junho), Consistório com os membros do Colégio Cardinalício. Com este evento, o Papa procurou iniciar um método de escuta, trabalho "em conjunto" e colegialidade. Assim, disse ele em seu discurso de abertura, "algo novo pode começar, algo que coloque o presente e o futuro em jogo". Dos quatro temas propostos, os cardeais reunidos durante dois dias no Vaticano votaram por uma clara maioria os temas sobre os quais refletir: Sínodo e Sinodalidade, Evangelização e missionariedade na Igreja, conforme interpretado pela Evangelii Gaudium.
Atenção aos migrantes
Dois temas representam fortes ligações com o pontificado do Papa Francisco, citado inúmeras vezes por Leão XIV em discursos públicos. Embora o atual Pontífice tenha revisto algumas das decisões de governança de seu antecessor (a reintegração do Setor Central da Diocese de Roma, a supressão da Comissão de Doações à Santa Sé e do Comitê para o Dia Mundial da Criança), ele também concentrou e revitalizou a questão da migração, denunciando o tratamento dispensado a milhares de migrantes: como se fossem "lixo", disse ele em seu discurso aos Movimentos Populares, ou "animais", declarou em sua viagem de retorno da Guiné Equatorial. O Papa irá ver de perto a tragédia migratória e suas consequências em sua visita a Lampedusa em 4 de julho, terra que ainda recorda a histórica visita do Papa Francisco em 2013, e sua parada nas Ilhas Canárias como parte de sua viagem apostólica à Espanha, de 6 a 12 de junho. Além de Madri e Barcelona, o Papa também visitará Gran Canária e Tenerife, em meio ao fluxo de homens e mulheres que chegam a essas costas há anos.
Dilexi te e o foco nos últimos
A missão do Pontífice para os migrantes está livre de qualquer agenda política, sendo puramente pastoral, fruto de um foco nos últimos que estão no coração do Evangelho e da missão da Igreja. O Papa recordou isso na Dilexi te, a primeira exortação apostólica assinada em 4 de outubro. É um projeto iniciado por Francisco e relançado por Leão XIV sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto – lemos – encontramos “o sofrimento dos inocentes”. No texto magisterial, o Papa denuncia a economia que mata, a falta de igualdade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a crise educacional e “as estruturas de injustiça” que “devem ser destruídas com a força do bem”.
Ecumenismo e criação
Outros caminhos abertos por Bergoglio, e nos quais Prevost está trilhando, são os do diálogo, do ecumenismo e do respeito pela Criação. Esse compromisso foi reafirmado durante o momento histórico com os membros da realeza inglesa, Carlos III e Camilla, vivido na manhã de 23 de outubro, na Capela Sistina, onde ocorreu uma celebração em louvor a Deus Criador. Esse evento fortaleceu o caminho rumo à unidade, buscando superar divisões que hoje parecem ainda mais "escandalosas", como reiterou Leão XIV em sua audiência com a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primaz da Igreja Anglicana. Mullally foi recebida em 27 de abril, sessenta anos após o "encontro memorável" entre o arcebispo Michael Ramsey e São Paulo VI, que anunciou o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos.
Visitas na Itália
Neste primeiro ano na Sé de Pedro — marcado por aproximadamente 50 audiências gerais, cerca de 100 audiências públicas e privadas e mais de 60 missas — também merece destaque a primeira visita do Papa à Itália, a Assis, em 20 de novembro, para a conclusão da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e a oração no túmulo de São Francisco, no oitavo centenário de sua morte. O Pontífice retornará à cidade da Úmbria em 4 de agosto, no âmbito de suas visitas pelas dioceses italianas em 2026, que começa na sexta-feira, 8 de maio, dia do primeiro aniversário de pontificado, com visitas a Pompeia e Nápoles. Ele visitará então Acerra, na Terra dos Fogos, a já mencionada Lampedusa e Assis, e participará do Encontro de Rimini (o primeiro Papa em quase 30 anos) e da missa com a Diocese de Rimini.
Reformas da Cúria
Em 2026, o Papa também fez suas primeiras nomeações internas importantes: dois chefes de dicastérios, o arcebispo Filippo Iannone, prefeito para os Bispos, e o arcebispo Anthony Randazzo, prefeito para os Textos Legislativos; o novo substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Paolo Rudelli, que substituiu o arcebispo Edgar Peña Parra, nomeado núncio na Itália; o prefeito da Casa Pontifícia, Petar Rajič; o padre Agostiniano Edward Daniang Daleng, vice-regente da Prefeitura da Casa Pontifícia; o monsegnhor Anthony Onyemuche Ekpo, assessor da Secretaria de Estado; e as nomeações dos arcebispos de Nova York, Ronald Hicks, e de Westminster, Charles Phillip Richard Moth. Por meio de motu proprio, rescritos e quirógrafos, Leão XIV já iniciou o processo de reforma financeira do Vaticano, retirando do IOR seus direitos exclusivos de investimento e introduzindo uma "responsabilidade compartilhada" com a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). Publicou o novo Regulamento da Cúria Romana e promoveu a inclusão de pessoas com deficiência na comunidade de trabalho da Santa Sé.
Rumo ao novo ano
Doze meses, portanto, de sinais e orientações, com algumas diretrizes já evidentes, como a centralidade da missão, a atenção às periferias e a diplomacia ativa em conflitos. Os próximos meses deixarão clara a marca do pontificado, com a publicação da primeira encíclica e outras viagens internacionais, incluindo uma à América Latina, desejada pelo Papa Leão. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
Ó Deus, que amais e restituís a inocência, orientai para vós os nossos corações, para que jamais se afastem da luz da verdade os que tirastes das trevas da descrença. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.
5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
3) Reflexão - Jo 15,1-8
Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:
Jo 15,1-17: Reflexões em torno da parábola da videira
Jo 15,18 a 16,4a: Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos
Jo 16,4b-15: Promessa sobre a vinda do Espírito Santo
Jo 16,16-33: Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus
Jo 17,1-26: O Testamento de Jesus em forma de oração
Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.
João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira
No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!". A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.
João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola
Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!" Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!
João 15,7-8: Permanecer no amor.
Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!" Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.
4) Para confronto pessoal
1-Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?
2) O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?
5) Oração final
Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor em toda a terra. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)
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Marcos Vinícius morreu diante do filho e o casal Ariane e Ygor foi assassinado à luz do dia
Por Carmélio Dias
— Rio de Janeiro
Em um intervalo de 24 horas, duas famílias foram atravessadas de forma dramática pela violência na cidade do Rio. Na tarde de terça-feira, em São Cristóvão, na Zona Norte, Marcos Vinícius Cerqueira Oliveira, de 28 anos, foi baleado por assaltantes dentro do seu carro. Ele estava com o filho de 7 anos. A criança não ficou fisicamente ferida, mas assistiu a tudo. Anteontem, no Terreirão, Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste, a biomédica Ariane Anselmo Cortes, de 31 anos, que havia anunciado sua gravidez aos seguidores em uma rede social há cerca de duas semanas, foi morta a tiros ao lado do companheiro Ygor Dante Santos Cordeiro, de 29 anos. O casal teria ficado em meio a um conflito envolvendo grupos criminosos locais e Ygor pode ter sido confundido com um miliciano. A Polícia Civil diz que investiga as circunstâncias das mortes.
— Parece que a vida ficou banal por aqui, a gente tem a sensação de que não tem mais valor nenhum, a nossa vida não vale nada. Um carro, um cordão... Por conta disso levaram a infância dos meus filhos, levaram a vida de um pai... podiam ter levado tudo, mas deixado meu marido — desabafou Camila Nascimento Ferreira, de 28 anos, após o enterro de Marcos Vinícius, na tarde de ontem, no Caju.
O desafio agora, conta Camila, é encontrar forças para retomar a vida sem o companheiro e cuidar dos filhos, especialmente do menino, que presenciou o assassinato do pai:
— Ele ficou completamente inconsolável, estamos tentando distrair, mas está sendo muito difícil. Os dois eram muito ligados, Marcos era um pai excepcional. É um trauma que vai acompanhar meu filho por toda a vida.
Chá de revelação
Ariane e Ygor foram executados na movimentada Avenida Canal das Taxas, no Terreirão. De acordo com familiares, os dois tinham ido ao local para buscar uma encomenda que seria usada no chá de revelação do bebê esperado pelo casal. Grávida de seis meses, Ariane, que já era mãe de um menino, vivia um momento especial em sua vida. Além da expectativa pela chegada do segundo filho, ela, que completaria 32 anos amanhã, tinha acabado de se formar em Biomedicina em dezembro do ano passado.
A conquista foi bastante celebrada. Em postagem do dia 13 de dezembro, Ariane e Ygor aparecem em vários registros, sorridentes, na festa que marcou a conclusão do curso: “Formatura dessa mulher incrível que me faz sentir a obrigação de melhorar a cada dia! Te amo Dra. Ariane”, escreveu Ygor, que no seu Instagram se apresentava como “supervisor em logística de distribuição” na área de comércio eletrônico. Ele era sócio em uma empresa de “serviços de malote não realizados pelo Correio Nacional” com endereço em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
Meses antes de se formar, em maio do ano passado, Ariane havia publicado uma foto usando o jaleco do curso de Biomedicina. A imagem foi fixada no topo das publicações. A legenda dá uma dimensão do quanto a conquista significava para ela e sua família: “É, dona Maria da Guia, a primeira Anselmo tá chegando lá”, diz mensagem direcionada à avó materna.
Treze segundos
O assalto que resultou na morte de Marcos Vinícius Cerqueira Oliveira aconteceu por volta das 16h na Rua Dulce Rosalina, nas proximidades do estádio de São Januário. Ele tinha ido buscar o filho na escolinha de futsal quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Vídeos de câmeras de segurança mostram que a ação toda, até a fuga da dupla, dura meros 13 segundos.
Policiais do 4º BPM (São Cristóvão) foram chamados e encontraram Marcos ferido. Ele chegou a ser levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu. Moradora de Del Castilho, a viúva de Marcos, que tocava uma peixaria em sociedade com o marido no Cachambi, conta que temia por assaltos no bairro onde vive.
— Acabou que aconteceu em outro lugar. Na minha cabeça fica a sensação de impotência, de medo, sempre morria de medo de ser assaltada aqui, mas a verdade é que não tem para onde correr. A gente não se sente seguro em lugar nenhum — desabafou Camila.
Por iniciativa de pais de outras crianças da escolinha de futsal frequentada pelo filho de Marcos e Camila, foi aberta uma vaquinha virtual para ajudar a família. Fonte: https://oglobo.globo.com
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Nos Evangelhos, uma única palavra grega define o ofício de José: "tektōn". A tradição a restringe, a arte a torna visível: assim, o trabalho de construir se concentra na madeira e se aproxima da cruz.
Maria Milvia Morciano – Cidade do Vaticano
As fontes dos Evangelhos descrevem a profissão de José com uma única palavra. No Evangelho de Marcos (6,3), Jesus é chamado de "o tektōn", enquanto no Evangelho segundo Mateus (13,55) ele é "o filho do tektōn". O termo grego τέκτων, traduzido na tradição latina como faber, refere-se a um contexto mais amplo do que a ideia atual de um carpinteiro: indica um artesão da construção, capaz de trabalhar com diversos materiais e intervir na construção de estruturas. A palavra mantém uma certa abertura, inserindo José num contexto de trabalho concreto, não rigidamente especializado. Já em 155 d.C., Justino, em seu Diálogo com Trifão, recorda que Jesus fazia arados e cangas, objetos ligados à terra e ao trabalho, sinal de um artesanato concreto que o termo conserva desde as primeiras fontes cristãs.
Uma palavra, um ofício
O contexto da Galileia do primeiro século torna ainda mais preciso esse perfil. Em uma região onde a madeira para construção era limitada e a construção dependia em grande parte da pedra local, o tektōn estava associado ao canteiro de obras, à transformação do espaço habitacional e à manutenção das necessidades diárias. Isso representa uma figura imersa no trabalho, com habilidades práticas e adaptabilidade aos materiais disponíveis, longe de uma definição redutiva e excessivamente especializada. Um elemento sutil, mas significativo, também aparece nesse contexto: no Evangelho de Lucas (2,24), a oferta de duas pombas no Templo coloca a família numa condição modesta, como exigido pela lei bíblica, sem que isso esgote a complexidade de seu perfil, que permanece ligado ao trabalho qualificado e reconhecido.
Do construir à madeira
Partindo desse fato essencial, a tradição dá um passo decisivo. A palavra ampla das fontes se estreita progressivamente: o tektōn se torna carpinteiro, o construir se concentra na madeira, e precisamente essa concentração abre um espaço para a interpretação que transcende os dados originais sem contradizê-los. A madeira, material do trabalho cotidiano, torna-se o ponto de onde se vislumbra, em filigrana, a madeira da cruz, segundo uma continuidade que pertence não à narrativa evangélica, mas à sua interpretação.
É nessa perspectiva que uma reflexão como a de Agostinho de Hipona adquire significado, não como uma fonte direta de imagens, mas como uma concentração de sentido: no Sermão 265, a cruz é concebida como armadilha, uma isca que atrai e derrota o diabo, e essa densidade simbólica da madeira também ilumina retrospectivamente o ofício atribuído a José, demonstrando como a matéria mais comum pode se tornar o lugar onde todo o evento da salvação é reunido e antecipado.
A arte captura e torna visível essa transição. A cena da carpintaria como um espaço para a Sagrada Família afirma-se gradualmente a partir do século XVI, quando as gravuras de Albrecht Dürer oferecem um repertório figurativo inicial da vida cotidiana em Nazaré: Maria concentrada em costurar ou fiar, José em sua bancada, o Filho presente e trabalhador. Trata-se de uma iconografia que responde ao gosto pelo naturalismo que se difundia na arte sacra e que encontrou terreno fértil na Contrarreforma, quando a extensão da festa litúrgica de São José a toda a Igreja (1621) impulsionou decisivamente a produção artística. A carpintaria, as ferramentas, as tábuas trabalhadas tornam-se elementos constantes, através dos quais a madeira assume uma presença insistente, capaz de direcionar o olhar sem se tornar explícita.
Durante o século XVII, essa iconografia foi enriquecida com uma densidade simbólica cada vez mais elaborada. Entre os exemplos mais conhecidos estão os noturnos caravaggescos de Gerrit van Honthorst e a célebre pintura de Georges de La Tour no Louvre, onde a luz da vela segurada pelo Menino transforma a carpintaria em um espaço onde o cotidiano assume um valor sagrado.
Mas, ao lado dessas obras-primas célebres, a tradição produz trabalhos menos conhecidos e não menos significativos. Na Sagrada Família na Carpintaria atribuída ao círculo de Mattia Preti (1695, Rabat, Malta), a iconografia se articula em dois níveis de prefiguração: José aplaina uma tábua — um gesto que evoca a madeira da cruz — enquanto a Virgem, à parte, costura um pano branco, prefigurando o sudário. Alguns anos mais tarde, Giuseppe Maria Crespi, conhecido como Lo Spagnolo (1715, atualmente em Modena), leva o tema para uma dimensão doméstica e antirretórica: o Menino não ajuda o pai no trabalho, mas mostra à mãe uma pequena cruz de madeira, talvez um brinquedo feito para ele por José, e Maria inclina a cabeça nas sombras, triste e consciente.
A partir do século XVII, essa iconografia transcendeu os limites da alta arte e se difundiu amplamente na devoção popular, por meio de santinhos, gravuras e impressões produzidas e distribuídas por toda a Europa por gravadores e impressores de placas de cobre. A oficina de São José — com suas ferramentas, a madeira e o Filho presente — tornou-se um dos temas mais reproduzidos e reconhecíveis da piedade cristã, um sinal de como aquela cena conseguiu condensar, de forma visual e acessível, o profundo significado de um mistério que as fontes evangélicas haviam transmitido em uma única palavra.
Assim, forma-se uma linguagem que conecta a obra ao seu resultado final, construindo uma coerência que nasce da interpretação das fontes ao longo do tempo.
A sobriedade das fontes permanece em segundo plano. O termo tektōn continua a ter um significado mais amplo, ligado à construção e à prática do trabalho. A figura do carpinteiro, tão familiar, surge de uma leitura que encontrou na madeira um ponto de condensação eficaz e duradouro. Nessa distância entre a palavra original e a imagem, compreendemos a maneira como a tradição elabora, esclarece e torna visível o que os textos transmitem em sua forma essencial. Fonte: https://www.vaticannews.va
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Família tradicional paulista denunciou Marcos Fontana, que se apresentava como monsenhor católico
OUTRO LADO: acusado diz que só se pronunciará em juízo, mas admitiu para vítima receber doações para orfanato que nunca existiu
Fontana se apresentava como monsenhor para fiéis, como a artista plástica Elisa Stecca e seus familiares
São Paulo
Ao longo de mais de uma década, monsenhor Marcos frequentou a casa, distribui bênçãos e participou de ritos importantes dos Stecca e de outras famílias católicas tradicionais de São Paulo.
"Ele tem uma oratória maravilhosa. Encomendou o corpo da minha mãe com palavras lindas", recorda-se a artista plástica Elisa Stecca, sobre a presença do religioso no velório da matriarca em 30 de julho de 2024.
O padre privava do apreço e da confiança de todos e contava com suporte financeiro para manter uma casa de acolhimento para crianças. No entanto, o homem que se apresentava paramentado como um sacerdote católico era um impostor, segundo a família.
A descoberta veio após a morte da mãe, quando Elisa fez uma doação "generosa" em dinheiro para o orfanato que o padre se dizia à frente, além de passar a contribuir com cestas de Natal e presentes para as crianças.
"Toda hora ele me pedia uma ajuda financeira para comprar remédio ou trocar ventiladores queimados da casa", diz Elisa, que guarda extratos bancários, como o de uma transferência no valor de R$ 5.200.
Ela começou a desconfiar de que havia algo errado quando pediu para fazer uma visita ao abrigo infantil. "Ele disse que as crianças eram protegidas pelo Estado e não poderiam ser visitadas."
A negativa acendeu o alerta e fez a artista plástica procurar a madrinha, Benedita de Almeida Bego que apresentara o monsenhor à família, onde sempre fora tratado com a deferência devida ao título de honra concedido pelo Papa por méritos especiais.
Diante da exigência do CNPJ e do endereço da instituição de acolhimento infantil, o suposto monsenhor informou que deixara a diretoria da casa por problemas de saúde para se tratar em Minas Gerais.
Elisa voltou a falar com a madrinha, desconfiada também do fato de o monsenhor ter escolhido um hotel para celebrar os 25 anos de sacerdócio.
"Não estou gostando nada disso. Foi só a gente apertar o cara que ele vai para Minas?", indagou-se a artista plástica. "Cheguei a temer que houvesse algum tipo de exploração infantil com as crianças que apareciam nas fotos que ele nos mandava."
Pesquisas na internet revelaram a ficha corrida de Marcos Rodrigues Fontana, 65. Em 8 de outubro de 2009, o jornal "Agora" estampava em suas páginas policiais a notícia: "Falso padre acusado de cobrar para rezar em cinco cemitérios".
Segundo a reportagem, o homem de 48 anos cobrava até R$ 500 para celebrar missas de sétimo dia e era alvo de três inquéritos.
Uma dona de casa relatou ter sido abordada por Marcos Fontana no velório do marido no Cemitério do Araçá, quando viu o padre arrecadar R$ 240 entre seus filhos e se ofereceu para celebrar a missa de sétimo dia por R$ 450. "Disse que R$ 200 seriam destinados às crianças [de uma creche] e outros R$ 250 eram pelo aluguel da capela."
A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.
Elisa Stecca, artista plástica
Ao puxar o fio da meada, a também viúva Benedita confrontou o suposto religioso, em troca de mensagens e áudios por WhatsApp. Diante das evidências, ele acabou confessando que o orfanato nunca existira e disse pertencer à Igreja Vétero Católica.
Trata-se de movimento católico independente não reconhecido pelo Vaticano, surgido a partir de uma dissidência da Igreja Romana, a partir de 1870. Em contestação ao Concílio Vaticano I, os véteros rejeitam dogmas como a infalibilidade papal, buscando retornar aos fundamentos da "velha" igreja.
"Sofri uma perseguição de uns ministros da Igreja Romana e aí os jornais aumentaram e inventaram muitas coisas", escreveu Marcos à senhora que chegou a chamar de uma segunda mãe.
Ele aparece em um vídeo no YouTube de celebração de 20 anos de sacerdócio na Paróquia Santo Antônio, sede da Ordem de Santo André, na Vila Clara, em São Paulo. "Então falso padre não sou", afirmou ele para Benedita. Sua ordenação teria sido em 26 de fevereiro de 2000.
Por meio de nota, a Arquediocese de São Paulo informa que "o mencionado senhor não é padre da arquidiocese, nem foi ordenado sacerdote na Igreja Católica Apostólica Romana, não possuindo, portanto, qualquer vínculo ou autorização para atuar em nome da Igreja".
E orienta os fiéis a verificarem sempre a procedência de pessoas ou iniciativas que se apresentem como ligadas à igreja, especialmente em casos de solicitação de doações.
Dom Diego Pereira, arcebispo primaz da Igreja Vétero Católica no Brasil, também informa que "após checar o nome da pessoa em questão posso dizer que nunca ouvi falar dele". "A nossa Igreja tem apenas um sacerdote no Estado de São Paulo e também não tem este nome. Lamento profundamente a atitude do cidadão."
Padre Jonas, da Vétero Católica em São Paulo, também não conhece nenhum monsenhor Marcos. "O senhor mencionado não faz parte da nossa igreja."
Foi então que Benedita, católica fervorosa, chamou para si a responsabilidade de denunciá-lo formalmente à polícia, à Arquidiocese de São Paulo e ao Ministério Público.
"Monsenhor participou de várias missas no cemitério Gethsemani em memória de meu marido, reuniões familiares e atos religiosos dos quais duvido da legitimidade e licitude", relatou Benedita ao registrar o boletim de ocorrência em 24 de março.
O caso está sob investigação no 36º Distrito Policial, em fase de ouvir as testemunhas.
"Convivi com ele por 14 anos, tratando-o com o maior respeito por sua condição de sacerdote. Infelizmente descobri suas falsidades que revelaram suas mentiras a respeito do exercício de sua função sacerdotal e a manutenção do orfanato que dizia acolher crianças encaminhadas pelo judiciário", denunciou a viúva, ao pedir providências para que não haja novas vítimas.
O histórico de Marcos revela uma reincidência no uso de títulos religiosos. Em 2009, ele foi condenado em primeira instância por estelionato após realizar celebrações fúnebres ilegais no tradicional Cemitério do Araçá, usando as vestes sacerdotais sem pertencer a qualquer ordem oficial da Igreja Católica Romana.
Em 2013, saiu a decisão definitiva, em que a pena de três anos de prisão inicialmente prevista foi substituída por prestação de serviços à comunidade e multa.
Procurado pela Folha no endereço em que recebia os donativos para o abrigo infantil no centro de São Paulo, o suposto monsenhor recebeu a reportagem na entrada do prédio e disse que não daria entrevista. "Meu advogado me orientou a só falar em juízo."
Os vizinhos são testemunhas das muitas doações que costumava chegar ao prédio em datas festivas. Um comerciante das redondezas diz que o "tal padre" é um problema, ao relatar que há uns três anos ele foi esfaqueado no apartamento por um rapaz.
As novas vítimas do falso padre esperam que desta vez as denúncias sirvam para que outros fiéis não caiam em golpes semelhantes. "Mediante a desilusão ao descobrir que o nosso orfanato não existia, fiz o que achei que devia na minha consciência", diz Benedita.
A viúva colocou fotos, comprovantes bancários e outras evidências numa pasta. "Engavetei tudo. Assim como fiz no meu coração. Perdoar está sendo muito difícil pela confiança que depositei nesse senhor. Foi uma desilusão muito profunda", conclui. "Se os homens não fizerem Justiça, Deus fará."
Sua afilhada Elisa afirma que decidiu falar publicamente sobre o caso para evitar que esse tipo de manipulação por meio da fé volte a acontecer.
"Todas as vezes que fiz as doações em meu nome e da minha mãe, eu fiz com muita gratidão no meu coração pela oportunidade de poder ajudar", diz ela. "A pior coisa é uma pessoa manipular o que a gente tem de mais sagrado que é essa nossa vontade de ser bom, além de usar o nome de Deus.". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Padres e bispos não são anjos, são pessoas: mais humanidade e menos idealização

Pe. Wladimir - Diocese de São João da Boa Vista
A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela.
O Padre Wladimir Porreca, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), chama atenção para um ponto decisivo — e muitas vezes esquecido — na compreensão do sofrimento e do adoecimento mental no clero: a imagem idealizada de padre e bispo que ainda recai sobre os ministros ordenados.
Para Padre Wladimir, psicólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, essa construção simbólica — que exige perfeição espiritual, emocional e moral — tornou‑se um dos fatores mais fortes e preocupantes de risco para o adoecimento mental na vida do clero de hoje.
A imagem que pesa: perfeição, disponibilidade total e equilíbrio constante
A idealização da figura do padre e do bispo — frequentemente vistos como líderes espirituais sempre disponíveis, emocionalmente estáveis e moralmente impecáveis — tem se mostrado um dos principais gatilhos de sofrimento e adoecimento mental entre ministros ordenados.
Pesquisas recentes indicam que essa expectativa, reforçada tanto pela comunidade quanto pela própria cultura eclesial, dificulta que padres e bispos expressem fragilidades e busquem ajuda quando precisam.
Estudos nacionais e internacionais publicados entre 2021 e 2026 apontam que a pressão para corresponder a um modelo de perfeição está diretamente associada ao aumento de casos de solidão, ansiedade, depressão e transtornos mentais no clero. Pesquisadores como Pereira (2024), Galletta & Lopes (2024) e Francis & Village (2025) confirmam que a idealização da figura sacerdotal é hoje um dos fatores de risco mais relevantes para o adoecimento emocional de padres e bispos.
Quando o papel sagrado se confunde com a identidade
Entre 2021 e 2023, o psiquiatra espanhol Carlos Chiclana estudou mais de 140 sacerdotes e identificou um fenômeno recorrente: muitos ministros acabam confundindo o papel sagrado que exercem com a própria identidade pessoal. Segundo ele, a internalização de um ideal de santidade inatingível — um verdadeiro pseudoendeusamento — leva alguns padres e bispos a acreditar que precisam ser, eles mesmos, “sagrados”, e não apenas servidores do sagrado.
Essa confusão entre quem o padre é e o papel que exerce favorece o isolamento emocional, a repressão dos afetos e a dificuldade de reconhecer limites. Com o tempo, esse padrão de autoexigência excessiva compromete a saúde mental e dificulta a busca por apoio psicológico ou espiritual.
A cultura do silêncio e o medo de decepcionar (exposição do real)
A pressão por manter uma imagem impecável, somada à falta de espaços seguros para partilhar vulnerabilidades, cria um ambiente propício ao sofrimento silencioso. Pesquisas citadas por Knox et al. (2021) e Francis et al. (2022) mostram que padres e bispos submetidos a expectativas irreais apresentam índices mais altos de ansiedade, culpa e autoexigência patológica. Outros estudam (internacionais) também apontam que a cultura clerical, quando marcada por idealização e silêncio, dificulta a procura por ajuda profissional, reforçando o ciclo de sofrimento (O’Connor, 2021; Hoge & Wenger, 2022).
A realidade brasileira: entre o ideal e o possível
No Brasil, o padre e pesquisador Lício de Araújo Vale analisou casos de autoextermínio entre padres e destacou, em artigo publicado no Vatican News (2023), que a cobrança excessiva e a idealização da figura clerical são fatores recorrentes no adoecimento mental. Ele aponta a tensão entre duas imagens que pesam sobre os ministros ordenados: a teológica, espiritualizada e quase angelical; e a sociológica, moldada pelas expectativas concretas da comunidade.
A essas duas, podemos acrescentar uma terceira: a imagem pessoal, que muitas vezes se perde entre o ideal teológico e as exigências sociais.
Quando o ministro ordenado tenta corresponder simultaneamente a esses três modelos — o que a teologia descreve, o que o povo espera e o que ele próprio acredita que deveria ser — surge um terreno fértil para conflitos internos, sentimentos de inadequação e profundo sofrimento emocional.
Essa dissonância gera sentimentos de inadequação, conflitos internos e um sofrimento emocional profundo, especialmente quando os ministros ordenados não encontram espaços reais de acolhimento e escuta. Aos poucos, o padre ou o bispo vai perdendo o chão: não sabe mais quem é, nem de onde vem, nem para onde está caminhando. A identidade se embaralha, a missão se confunde e a pessoa, por dentro, vai se apagando — mesmo que, por fora, continue funcionando como se tudo estivesse bem.
Quando a idealização vira risco real
O “endeusamento”, a idealização excessiva do padre pode transformar o ambiente eclesial em um fator de risco. A crença de que o ministro ordenado é alguém imune ao sofrimento — alguém que não se cansa, não adoece e não tem necessidades humanas — reforça o estigma que impede muitos de buscar ajuda.
Quando esse ideal é internalizado como verdade, ele gera culpa, repressão emocional e negação das próprias fragilidades, e assim o sofrimento vai crescendo em silêncio. Diante dessa pressão insustentável, muitos acabam buscando saídas compensatórias, “escapes”, para suportar a pressão, e, às vezes, simplesmente ignoram um “eu real” que está gritando por ajuda e socorro.
Caminhos possíveis: mais humanidade, mais cuidado
A literatura especializada é unânime: a idealização do ministério ordenado, quando não equilibrada por formação afetiva adequada, acompanhamento espiritual e apoio institucional, torna‑se um dos fatores mais significativos para o sofrimento mental no clero (Rossetti, 2022; Galletta & Lopes, 2024; Pereira, 2025).
Entre as soluções apontadas pelos pesquisadores estão:
1) Revisão da formação inicial e permanente, com foco em maturidade afetiva, autoconhecimento e gestão emocional. Atenção e cuidado as tendências de idealização sinalizadas.
2) Criação de espaços seguros de escuta, onde padres e bispos possam partilhar vulnerabilidades sem medo de julgamento. Grupos de partilha, com ou sem facilitadores, de idade de vida ou de ordenação
3) Acompanhamento psicológico e espiritual contínuo e “profissionais”, garantidos institucionalmente.
4) Desconstrução ou desincentivo de expectativas irreais, tanto no clero, na comunidade externa, quanto dentro da própria Igreja.
5) Pares fraternos — ou simplesmente amigos, colegas e conhecidos que conseguem vencer a inveja, o ciúme e a competição silenciosa que, não raramente, se infiltram na vida clerical. Quando dois ou mais padres ou bispos se reconhecem como irmãos, e não como rivais ou competidores desleais, nasce um espaço de ajuda mútua, sincera e verdadeiramente evangélica.
Nessa relação, um apoia o outro, escuta sem julgar, acolhe sem comparar, corrige com caridade e celebra as conquistas do irmão sem sentir-se diminuído. É uma fraternidade que não se constrói na aparência, mas na verdade; não nasce da disputa, mas da comunhão; não se alimenta de máscaras, mas de confiança. E quando essa fraternidade existe, ela se torna um dos maiores antídotos contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso que tantos ministros ordenados enfrentam.
É nesse tipo de relacionamento— simples, humano e espiritual — que muitos ministros ordenados encontram o suporte que a instituição nem sempre consegue oferecer. E, quando vivida com autenticidade, essa fraternidade se torna um dos remédios mais eficazes contra o isolamento, o desgaste emocional e o adoecimento silencioso.
A beleza de sermos humanos: quando a fragilidade revela o Divino
Urge a promoção evangélica de uma cultura de vulnerabilidade compartilhada, que reconheça a humanidade dos ministros ordenados. Que ao enfrentar o problema exige não apenas ações individuais, mas mudanças estruturais e espirituais na cultura pessoal e eclesial. A saúde mental do clero depende do próprio ministro, bem como de uma comunidade que acolha fragilidades e reconheça que a santidade não nasce da negação da humanidade, mas da vivência autêntica dela. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 10, 22-30)
Naquele tempo, 22Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente!” 25Jesus respondeu: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. 26Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.
3) Reflexão
Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam. Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de pensar e de agir. Hoje também, cada um de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz uma luz a este respeito.
João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus. Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão direito de falar e de atuar.
João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão testemunho de mim. A resposta de Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.
João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz. Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento - entre Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade - é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.
João 10,29-30: Eu e o Pai somos um. Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30). A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).
4) Para um confronto pessoal
1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?
2) Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?
5) Oração final
Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face. para que se conheça na terra o teu caminho, entre todos os povos a tua salvação. (66, 2-3)
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Criminosos criam contas falsas com fotos de líderes religiosos para pedir doações para campanhas que não existem; dioceses emitiram alerta e até o Vaticano já entrou na história
Da esquerda para a direita, dom Paulo Jackson, dom Gregório Paixão e dom Carlos Alberto Breis. Foto: Divulgação
Por Edison Veiga
Se a eficiência de qualquer golpe depende da boa-fé da vítima, agora parece que criminosos estão mirando justamente na fé popular para tentar tirar vantagem. Em ações parecidas — com repercussão até no Vaticano —, golpistas têm usado perfis falsos de figuras conhecidas do Catolicismo para enganar fiéis.
Entre os mais ilustres religiosos que vêm tendo seus nomes e fotografias usados para o golpe do Pix estão os arcebispos:
O padrão do golpe é idêntico. Os criminosos usam um perfil falso e, fazendo-se passar pelo bispo, entram em contato com moradores da região por meio do WhatsApp. No texto, pedem doação de dinheiro via Pix para ajudar com supostas despesas urgentes. O pretexto varia: às vezes, é a necessidade de custear o aluguel de um espaço utilizado para atividades pastorais, em outras, para bancar frete de ônibus para algum evento, ou mesmo para doação de alimentos para alguma campanha social.
Os casos repercutiram no meio católico. As três arquidioceses emitiram notas públicas alertando sobre as tentativas de golpe — e conscientizando os fiéis sobre a importância de terem um pé atrás nesse tipo de abordagem.
A Arquidiocese de Maceió considerou o tema “urgente” e disse que o estratagema era obra de “indivíduos agindo de má-fé” e que nem Breis Pereira nem a Cúria solicitam transferências ou doações via aplicativos de mensagem. Em comunicação semelhante, a Arquidiocese de Fortaleza qualificou o esquema de “fraude”.
Já a de Olinda e Recife pediu que “abordagens com esse teor sejam desconsideradas”, enfatizando que não autoriza “quaisquer pedidos dessa natureza realizados por contatos informais ou pessoais”.
Até o Vaticano acabou repercutindo a notícia: o Vatican News, portal oficial de informações da Santa Sé, publicou a respeito. As três arquidioceses registraram boletim de ocorrência na polícia.
Crime ‘reciclado’
Esse tipo de script não é novidade entre golpistas. Em 2020, o frade Manoel Delson Pedreira da Cruz, arcebispo da Paraíba, teve seu nome e sua imagem usados por criminosos que pediam dinheiro alegando que era para auxiliar financeiramente jovens candidatos ao seminário religioso. Mais recentemente, os prelados José Carlos de Souza Campos, arcebispo de Montes Claros, e Luiz Fernando Lisboa, da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, foram associados ao envio de boletos falsos a fiéis — em ambos os casos, suas fotos foram utilizadas por criminosos.
A Igreja tem orientado os católicos a tomarem cuidado com esse tipo de abordagem. “Não realize transferências. Caso receba qualquer mensagem deste número ou de perfis semelhantes solicitando dinheiro, ignore e não responda”, pontua a nota da Arquidiocese de Maceió. “Bloqueie e denuncie: utilize a ferramenta de denúncia do próprio WhatsApp para reportar o perfil falso.”
“Verifique as fontes. Toda e qualquer campanha de arrecadação oficial da Arquidiocese é divulgada apenas pelos canais de comunicação institucionais e em documentos timbrados”, alerta ainda. “Pedimos a todos que compartilhem este alerta para evitar que mais pessoas sejam vítimas deste golpe. As medidas legais cabíveis junto às autoridades policiais já estão sendo tomadas.”
Fique atento para não cair nos golpes
Se alguém cai em um golpe desses, nem sempre o dinheiro está perdido. De acordo com a advogada Patricia Peck, especialista em Direito digital e membro do Comitê Nacional de Cibersegurança e da Comissão de Proteção de Dados do Conselho Nacional de Justiça, “depende do caso concreto”.
“Quando a pessoa faz um Pix por engano ou induzida por golpe, o primeiro caminho é acionar o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central para situações de fraude”, explica. Esse sistema permite o bloqueio cautelar dos valores na conta recebedora e, havendo confirmação de fraude e saldo disponível, a devolução total ou parcial do dinheiro.
Na prática, a vítima precisa comunicar “imediatamente o banco” pelo aplicativo ou pelo atendimento. Em seguida, a instituição avalia se há indícios de golpe — em caso positivo, aciona o mecanismo. “Confirmada a fraude, o dinheiro é devolvido se ainda houver saldo disponível na conta do fraudador”, diz a especialista.
O problema é que, se o dinheiro já tiver sido transferido, sacado ou pulverizado rapidamente, “o banco não é obrigado a devolver automaticamente valores que não estão mais disponíveis”, enfatiza a advogada. Aí o caminho para reaver os valores tem de ser por meio de investigação policial e eventual ação judicial contra o fraudador. “Em situações específicas, cabe discussão sobre eventual responsabilidade do banco se houver evidência clara de falha na segurança, no monitoramento ou na prevenção de transações suspeitas.”
“Quando a própria vítima realiza voluntariamente a transferência, como ocorre no golpe via WhatsApp em que alguém se passa por conhecido, o Judiciário tem afastado a responsabilidade do banco, por entender que não houve falha na prestação do serviço, mas que o dano decorreu da falta de cautela do próprio usuário”, lembra a advogada Maria Eduarda Nunes, especialista em Direito digital. “O fato de o golpe ser considerado amplamente divulgado reforça alguns entendimentos dos tribunais de que cabia ao consumidor se precaver.”
Ela orienta que a vítima registre boletim de ocorrência imediatamente após perceber que se trata de golpe.
Ex-presidente da Comissão de Direito Bancário da seção de Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o advogado Benito Conde, especialista em Direito bancário, lembra que o Pix é, “a princípio, irrevogável”. E isto afasta “em tese”, a obrigação de devolução pelo banco.
“Cumpre esclarecer que, não havendo falha comprovada na segurança no âmbito das operações bancárias, não há de se falar em responsabilidade da instituição financeira em ressarcir o usuário, pois a transferência foi feita por ele próprio, com inclusão dos valores e senha para concretizar a operação”, esclarece Conde.
Criminosos costumam seguir um padrão
Ao analisar esses casos das dioceses, Patrícia Peck nota a evidência de um padrão clássico do golpe. Ou seja, a potencial vítima pode ficar esperta quando uma mensagem mescla os seguintes elementos: uso de uma identidade visual muito verossimilhante, um pedido urgente, e a ênfase no Pix como meio de pagamento, em geral com dados de pessoa física.
Para evitar cair em golpe, o ideal é sempre verificar os dados oficiais da paróquia ou da diocese, checando inclusive o CNPJ vinculado à chave Pix. “Deve-se desconfiar de pedidos financeiros por aplicativos de mensagem, em caráter de urgência”, aponta Patrícia Peck.
“Também é necessário verificar o canal, não apenas o nome ou a foto. Fotos, nomes e cargos não garantem autenticidade. Golpistas utilizam imagens reais e números comuns”, comenta ela. O ideal, frisa a advogada, é checar as informações nos sites oficiais, nas redes institucionais verificadas ou diretamente na secretaria da instituição.
“Em geral, os golpistas usam contas de ‘laranjas’, e o nome não corresponde à pessoa conhecida”, lembra a advogada Maria Eduarda Nunes.
“Desconfie de pedidos repentinos de dinheiro, ainda mais acompanhados de alegações de urgência ou troca de número”, recomenda ela. “Solicite uma confirmação por voz ou vídeo, peça para a pessoa ligar ou faça uma videochamada, nesses casos, golpistas dificilmente aceitarão.”
A especialista também lembra que figuras públicas, como autoridades religiosas ou celebridades, dificilmente entram em contato diretamente solicitando transferências pessoais.
“O cuidado mais importante e relevante é não confiar exclusivamente no canal pelo qual o pedido foi feito”, adverte Conde. “Os usuários devem sempre confirmar a solicitação por outro meio de comunicação previamente conhecido como, por exemplo, telefone institucional, site oficial, etc. Outra recomendação é evitar a interação com o número que fez o pedido, pois os golpistas se valem da persuasão para conseguir informações importantes para a concretização da fraude.”
A advogada Patrícia Peck ainda afirma ser preciso redobrar o cuidado com mensagens “de urgência emocional”. “Pedidos com frases como ‘é urgente’, ‘precisamos agora’, ‘última chance’, são um gatilho clássico de engenharia social, feito para reduzir o senso crítico”, contextualiza.
“A mensagem principal é: nunca tenha receio de confirmar. Confirmar não é desconfiança indevida, é proteção. Se o pedido for legítimo, ele resistirá à espera e à verificação”, acrescenta.
Nesse caso, adverte a especialista, o golpe se sustenta porque se ancora não na tecnologia sofisticada, mas na credibilidade social — no caso, o uso da identidade de um bispo. Com a instantaneidade do Pix, o tempo de reação da vítima é reduzido. Fonte: https://www.estadao.com.br
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1) Oração
Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei de santa alegria os vossos filhos que libertastes da escravidão do pecado e concedei-lhes a felicidade eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 10, 11-18)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos, 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o lobo as ataca e as dispersa. 13Por ser apenas mercenário, ele não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. 16(Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.) 17É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida. E assim, eu a recebo de novo. 18Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai”.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz a parábola do Bom Pastor. Em alguns países o texto é de João 10,1-10 e em outros é de João 10,11-18. É difícil escolher entre um e outro. Por isso, preferimos comentar brevemente os dois (Jo 10,1-18). O discurso sobre o Bom Pastor traz três comparações ligadas entre si:
1ª comparação: Jesus fala do pastor e dos assaltantes (Jo 10,1-5)
2ª comparação: Jesus é a porteira das ovelhas (Jo 10,6-10)
3ª comparação: Jesus é o Bom Pastor (Jo 10,11-18)
João 10,1-5: 1ª comparação: entrar pela porteira e não por outro lugar. Jesus inicia o discurso com a comparação da porteira: "Quem não entra pela porteira mas sobe por outro lugar é ladrão e assaltante! Quem entra pela porteira é o pastor das ovelhas!" Naquele tempo, os pastores cuidavam do rebanho durante o dia. Quando chegava a noite, levavam as ovelhas para um grande redil ou curral comunitário, bem protegido contra ladrões e lobos. Todos os pastores de uma mesma região levavam para lá o seu rebanho. Um porteiro tomava conta de tudo durante a noite. No dia seguinte, de manhã cedo, o pastor chegava, batia palmas na porteira e o porteiro abria. O pastor entrava e chamava as ovelhas pelo nome. As ovelhas reconheciam a voz do seu pastor, levantavam e saiam atrás dele para a pastagem. As ovelhas dos outros pastores ouviam a voz, mas elas não se mexiam, pois era uma voz estranha para elas. De vez em quando, aparecia o perigo de assalto. Ladrões entravam por um atalho ou derrubavam a cerca do redil, feita de pedras amontoadas, para roubar as ovelhas. Eles não entravam pela porteira, pois lá havia o guarda que tomava conta.
João 10,6-10: 2ª comparação: Jesus é a porteira. Os ouvintes, os fariseus (Jo 9,40-41), não entenderam o que significava "entrar pela porteira". Jesus então explicou: "Eu sou a porteira das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes". De quem Jesus está falando nesta frase tão dura? Provavelmente, se referia a líderes religiosos que arrastavam o povo atrás de si, mas que não respondiam às esperanças do povo. Não estavam interessados no bem do povo, mas sim no próprio bolso e nos próprios interesses. Enganavam o povo e o deixavam na pior. Entrar pela porteira é o mesmo que agir como Jesus agia. O critério básico para discernir quem é pastor e quem é assaltante, é a defesa da vida das ovelhas. Jesus pede para o povo não seguir as pessoas que se apresentam como pastor, mas não buscam a vida do povo. É aqui que ele disse aquela frase que até hoje cantamos: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância!" Este é o critério!
João 10,11-15: 3ª comparação: Jesus é o bom pastor. Jesus muda a comparação. Antes, ele era a porteira das ovelhas. Agora, é o pastor das ovelhas. Todo mundo sabia o que era um pastor e como ele vivia e trabalhava. Mas Jesus não é um pastor qualquer, mas sim o bom pastor! A imagem do bom pastor vem do AT. Dizendo que é o Bom Pastor, Jesus se apresenta como aquele que vem realizar as promessas dos profetas e as esperanças do povo. Veja por exemplo a belíssima profecia de Ezequiel (Ez 34,11-16). Há dois pontos em que Jesus insiste: (1) Na defesa da vida das ovelhas: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (2) No mútuo reconhecimento entre pastor e ovelhas: o Pastor conhece as suas ovelhas e elas conhecem o pastor. Jesus diz que no povo há uma percepção para saber quem é o bom pastor. Era isto que os fariseus não aceitavam. Eles desprezavam as ovelhas e as chamavam de povo maldito e ignorante (Jo 7,49; 9,34). Eles pensavam ter o olhar certo para discernir as coisas de Deus. Na realidade eram cegos. O discurso sobre o Bom Pastor ensina duas regras como curar este tipo bastante freqüente de cegueira: 1) Prestar muita atenção na reação das ovelhas, pois elas reconhecem a voz do pastor. 2) Prestar muita atenção na atitude daquele que se diz pastor para ver se o interesse dele é a vida das ovelhas, sim ou não, e se ele é capaz de dar a vida pelas ovelhas. Certa vez, na festa da tomada de posse de um novo bispo, as “ovelhas” colocaram uma faixa na porta da igreja que dizia: “As ovelhas não conhecem o pastor!” As “ovelhas” não foram consultadas. Advertência séria para quem nomeia os bispos.
João 10,16-18: A meta onde Jesus quer chegar: um só rebanho e um só pastor. Jesus abre o horizonte e diz que tem outras ovelhas que não são deste redil. Elas ainda não ouviram a voz de Jesus, mas quando a ouvirem, vão perceber que ele é o pastor e vão segui-lo. É a dimensão ecumênica universal.
4) Para um confronto pessoal
1) Pastor-Pastoral. Será que a pastoral na minha paróquia imita a missão de Jesus - Pastor? E eu na minha ação pastoral, qual a minha atitude? Sou pastor como Jesus?
2) Você já teve a experiência de ter sido enganado por um falso pastor? Como conseguiu superar?
5) Oração final
Como a corça deseja as águas correntes, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando hei de ir ver a face de Deus? (Sl 41, 2-3)
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Reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o episcopado brasileiro divulgou, nesta sexta-feira, 24, a tradicional “Mensagem ao Povo Brasileiro” durante o último dia da 62ª Assembleia Geral, que acontece no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida. O documento traz reflexões sobre o momento atual do país e do mundo, destacando tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes.
Inspirados pelo tempo Pascoal, os bispos afirmam que há motivos para esperança, como iniciativas de solidariedade, promoção da cidadania e defesa da vida. No texto, também são valorizadas ações voltadas à economia solidária, à democracia e aos direitos humanos.
Apesar disso, a mensagem faz um alerta contundente sobre o cenário global e nacional. Segundo os bispos, o mundo vive “tempos de incertezas e sofrimentos”, marcados por guerras, fome e destruição. O documento cita ainda preocupações com a concentração de poder e interesses econômicos que impactam negativamente a vida das populações.
No contexto brasileiro, a mensagem chama atenção para o avanço da violência e do crime organizado. De acordo com o texto, práticas como o narcotráfico e a atuação de milícias têm fortalecido um ambiente de insegurança, especialmente nas periferias, onde essas organizações chegam a controlar territórios e enfraquecer instituições legítimas.
A mensagem também reforça a defesa da vida “desde a concepção até a morte natural” e destaca a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade à população, sobretudo aos mais pobres.
Ao final, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz, da justiça social e da esperança, convidando a sociedade brasileira a construir caminhos de fraternidade e solidariedade.
Fonte:https://www.cnbb.org.br
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Ao final da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi divulgada a mensagem do episcopado a todo o povo de Deus. Esperança e unidade inspiram o texto que apresenta um chamado à comunhão e ao renovado compromisso de evangelizar numa Igreja onde todos são “corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos”.
Os bispos unem-se ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz; destacam o Batismo como fonte de todas as vocações e a riqueza dos dons e carismas “que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade”; e manifestam gratidão a todo o Povo de Deus, “que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo”, com proximidade aos que “sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho”.
Há o pedido de esforço pela unidade e pela valorização da diversidade dos dons, além do convite ao renovado compromisso na construção da cultura vocacional.
No espirito de comunhão e unidade, os bispos motivam a assumir “com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, expressão concreta da acolhida ao caminho sinodal.
“Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus”.
Confira a mensagem na íntegra:
MENSAGEM DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS
Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)
Reunidos em Aparecida, junto à Padroeira do Brasil, nós, Bispos Católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da CNBB, de 15 a 24 de abril, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo com amor e fidelidade.
Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da solidariedade com os mais pobres.
O Batismo é a fonte de todas as vocações e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade.
Manifestamos nossa gratidão a todo o Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da Casa Comum.
Pedimos a todos um esforço contínuo pela unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num caminho de comunhão, participação e missão.
Somos gratos aos cristãos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas gerações e na transmissão da fé.
Esse mesmo olhar queremos dirigir aos diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário, especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.
Iluminados pelo magistério do Papa Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e abertura missionária permanentes.
Agradecemos, de modo especial, a todos os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na escuta e no discernimento.
Convidamos todos a um renovado compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.
Neste espírito de comunhão, como um só corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da variedade das vocações, carismas e ministérios.
Somos uma Igreja ministerial e, sob o olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança, para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.
Aparecida – SP, 24 de abril de 2026.
62ª Assembleia Geral da CNBB
Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB
Fonte: https://www.cnbb.org.br
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1) Oração
Ó Deus todo-poderoso, concedei que, conhecendo a ressurreição do Senhor e a graça que ela nos trouxe, ressuscitemos para uma vida nova pelo amor do vosso espírito. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 6, 52-59)
Naquele tempo, 52Os judeus discutiam entre si: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Jesus disse: “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. 56Quem consome a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, assim aquele que me consome viverá por meio de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram – e no entanto morreram. Quem consome este pão viverá para sempre”. 59Jesus falou estas coisas ensinando na sinagoga, em Cafarnaum.
3) Reflexão
Estamos chegando quase ao fim do Discurso do Pão da Vida. Aqui começa a parte mais polêmica. Os judeus se fecham e começam a questionar as afirmações de Jesus.
João 6,52-55: Carne e sangue: expressão da vida e da doação total. Os judeus reagem: "Como esse homem pode dar-nos 0a sua carne para comer?" Era perto da festa da Páscoa. Dentro de poucos dias, todos iam comer a carne do cordeiro pascal na celebração da noite de páscoa. Eles não entenderam as palavras de Jesus, porque tomaram tudo ao pé da letra. Mas Jesus não diminui as exigências, não retira nada do que disse, e insiste: "Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele”. (1) Comer a carne de Jesus significa aceitar Jesus como o novo Cordeiro Pascal, cujo sangue nos liberta da escravidão. A lei do Antigo Testamento, por respeito à vida, proibia comer sangue (Dt 12,16.23; At 15.29). Sangue era o sinal da vida. (2) Beber o sangue de Jesus significa assimilar a mesma maneira de viver que marcou a vida de Jesus. O que traz vida não é celebrar o maná do passado, mas sim comer este novo pão que é Jesus, a sua carne e o seu sangue. Participando da Ceia Eucarística, assimilamos a sua vida, a sua doação e entrega. “Se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue não terão vida em vocês”. Devem aceitar Jesus como messias crucificado, cujo sangue vai ser derramado.
João 6,56-58: Quem me receber como alimento viverá por mim. As últimas frases do Discurso do Pão da Vida são de grande profundidade e tentam resumir tudo que foi dito. Elas evocam a dimensão mística que envolve a participação na eucaristia. Expressam o que Paulo diz na carta aos Gálatas: “Vivo, mas já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). E o que diz o Apocalipse de João: “Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, ele comigo” (Ap 3,20). E o próprio João no Evangelho: “Se alguém me ama guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23). E termina com a promessa da vida que marca a diferença com o antigo êxodo: “Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os pais de vocês comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre."
João 6,59: Termina o discurso na sinagoga. Até aqui foi a conversa entre Jesus e o povo e os judeus na sinagoga de Cafarnaum. Como aludimos anteriormente, o Discurso do Pão da Vida nos oferece uma imagem de como era a catequese naquele fim do primeiro séculos nas comunidades cristãs da Ásia Menor. As perguntas do povo e dos judeus refletem as dificuldades dos membros das comunidades. E as resposta de Jesus representam os esclarecimentos para ajuda-los a superar as dificuldades, aprofundar sua fé e viver mais intensamente a eucaristia que era celebrada sobretudo nas noites de sábado para o domingo, o Dia do Senhor.
4) Para um confronto pessoal
1) A partir do Discurso do Pão da Vida, a celebração da Eucaristia recebe uma luz muito forte e um aprofundamento enorme. Qual a luz eu estou percebendo que me ajuda a dar um passo?
2) Comer a carne e o sangue de Jesus, é o mandamento que ele nos dá. Como vivo a eucaristia na minha vida? Mesmo não podendo ir à missa todos os dias ou todos os domingos, minha vida deve ser eucarística. Como tento realizar este objetivo?
5) Oração final
Povos todos, louvai o SENHOR, nações todas, dai-lhe glória; porque forte é seu amor para conosco e a fidelidade do SENHOR dura para sempre. (Sl 116, 1-2)
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No voo para Roma, Leão XIV reitera que sua primeira missão é anunciar o Evangelho. Lembra as crianças vítimas da guerra no Irã e no Líbano, condena a pena de morte e insiste no direito internacional. Sobre os migrantes, questiona: “O que o Norte faz pelo Sul do mundo?” e denuncia o fato de serem tratados pior que animais. Sobre os casais homossexuais, confirma que a Santa Sé não concorda com a bênção formalizada adotada na Alemanha, mas reforça o princípio de acolhida a "todos, todos, todos".
Vatican News
“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.
“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé."
Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?
Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia "Bem-vindo, Papa Leão". Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.
Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?
O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.
E as próximas viagens?
Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.
Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?
Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.
Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.
Anneliese Taggart (Newsmax TV - USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?
Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas — desde a concepção até a morte natural — deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado. Fonte: https://www.vaticannews.va
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Pontífice criticou o que chamou de imprecisão de relatos sobre suas declarações
Leão 14 realiza visitas a países africanos em sua primeira viagem internacional de larga escala

O papa Leão 14 acena durante visita a Luanda, capital de Angola - Cesar Muginga - 18.abr.26/Reuters
Reuters
O papa Leão 14 tentou minimizar sua desavença com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado (18), afirmando que os relatos sobre os comentários que ele fez sobre tiranos durante sua viagem à África "não foram precisos em todos os aspectos".
A declaração foi dada a jornalistas a bordo de seu voo para Angola, para a terceira etapa de sua ambiciosa viagem de dez dias pela África.
O primeiro papa dos EUA disse que os comentários feitos dois dias antes em Camarões, denunciando que o mundo estava sendo "devastado por um punhado de tiranos", não foram dirigidos a Trump.
Esse discurso, disse Leão, "foi preparado há duas semanas, muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo".
Desde o fim de março, o papa Leão 14 vem fazendo críticas à guerra no Irã, o que tem gerado tensões na relação entre o Vaticano e Washington, com ataques diretos de Trump ao pontífice.
Durante a celebração do Domingo de Ramos, o papa Leão 14 declarou que "Deus rejeita as orações de líderes que fazem guerras", cujas mãos estão "cheias de sangue", um dia após o conflito no Irã completar um mês.
O sumo pontífice também lamentou que cristãos no Oriente Médio sofressem as consequências de um "conflito atroz" e que não possam celebrar a Páscoa. Em 12 de abril, o presidente americano fez sua primeira declaração atacando diretamente o papa pela forma como criticava a política externa de seu governo.
Em sua rede, a Truth Social, Trump disse que Leão 14 era "fraco com a criminalidade e terrível para a política externa", além de sugerir que o papa deveria "se concentrar em ser um grande papa, e não um político".
Um dia após a declaração, o pontífice respondeu que "não tem medo" do governo Trump. Durante sua viagem de dez dias pela África, Leão 14 também falou a jornalistas que "não é um político" e não queria debate com o presidente dos EUA.
Antes, o presidente americano havia se pronunciado em suas redes que Leão 14 somente foi escolhido para o cargo pois é americano. "Eles [a Igreja] acharam que seria o melhor modo de lidar com o presidente Donald J. Trump.", disse o republicano.
Mais tarde no mesmo dia, Donald Trump fez mais uma provocação ao pontífice, publicando em suas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial, onde aparece vestido como Jesus Cristo, com a mão apoiada sobre a testa de um homem doente e com a bandeira dos EUA ao fundo.
Horas depois, a publicação foi apagada. Em entrevista a repórteres, Trump declarou que foi ele mesmo quem havia publicado a imagem. "Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha, que nós apoiamos", disse o presidente, que culpou a imprensa pela comparação com Jesus.
Dois dias após a polêmica da imagem, Trump compartilhou mais uma imagem gerada por inteligência artificial, na qual aparece sendo abraçado por Jesus.
Na postagem feita na rede Truth Social, o presidente republicou o tuíte de um usuário do X que disse que Deus deveria estar jogando sua "carta Trump". Na legenda, Trump disse: "Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar disso, mas eu acho bem legal!!!", em mais uma provocação à Igreja Católica. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunicou o falecimento do padre Elmo Andrade de Souza, ocorrido na noite desta quarta-feira, 16 de abril. O sacerdote foi localizado no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador, após um período em que esteve desaparecido. O religioso havia sido visto pela última vez na região de São Cristóvão, na quinta-feira (15), por volta das 12h30.
Segundo informações médicas, a causa da morte foi uma infecção generalizada, decorrente de um quadro de erisipela bolhosa.
Por meio de nota, a Arquidiocese lamentou com profundo pesar a morte do religioso e agradeceu por sua vida, ministério e dedicação à Igreja. A instituição informou que os detalhes sobre a Celebração das Exéquias e o sepultamento serão divulgados em breve. Fonte: https://takta.com.br
Comunicado oficial sobre o desaparecimento do padre Elmo Andrade de Souza
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, do registro de boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento do Reverendíssimo Padre
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, do registro de boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento do Reverendíssimo Padre Elmo Andrade de Souza.
Segundo as informações comunicadas à autoridade policial, o sacerdote foi visto pela última vez no dia 15 de abril de 2026, por volta das 12h30, na região de São Cristóvão, em Salvador.
Neste momento, a Arquidiocese manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos, irmãos no sacerdócio e fiéis que acompanham com preocupação a situação, ao tempo em que se mantém em oração pelo pronto e seguro retorno do padre Elmo.
A Arquidiocese solicita que qualquer informação idônea sobre seu paradeiro seja comunicada diretamente aos canais oficiais da Polícia Civil da Bahia, a fim de colaborar com o trabalho investigativo das autoridades competentes.
Por responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa, pede-se que a comunidade e os veículos de comunicação evitem a divulgação de boatos, especulações ou informações não verificadas, de modo a não prejudicar as buscas nem expor indevidamente a imagem do sacerdote.
A Arquidiocese permanece à disposição para colaborar, no que lhe couber, com as autoridades e acompanhará o caso com a devida prudência institucional.
Salvador, 16 de abril de 2026.
Setor de Comunicação da Arquidiocese
de São Salvador da Bahia
Fonte: https://arquidiocesesalvador.org.br
Nota de falecimento – Padre Elmo Andrade de Souza
”Quem come minha carne e bebe meu sangue, possui a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunica,
”Quem come minha carne e bebe meu sangue, possui a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54).
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia comunica, com profundo pesar, o falecimento do padre Elmo Andrade de Souza, ocorrido na noite de hoje, 16 de abril. O sacerdote foi recentemente localizado no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador, após período em que esteve desaparecido.
De acordo com informações médicas, a causa da morte foi uma infecção generalizada, decorrente de um quadro de erisipela bolhosa.
Neste momento de dor e esperança na Ressurreição, a Arquidiocese se une em oração, confiando a alma do padre Elmo à infinita misericórdia de Deus, agradecendo por sua vida, ministério e dedicação à Igreja.
Rogamos também a todos os fiéis que elevem preces por seus familiares, amigos e comunidades por onde exerceu seu sacerdócio, para que encontrem consolo e fortaleza neste tempo de luto. Que Cristo, Bom Pastor, o acolha em Seu Reino.
Em breve serão divulgadas informações sobre a Celebração das Exéquias e sepultamento.
Salvador, 16 de abril de 2026.
Arquidiocese de São Salvador da Bahia
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1) Oração
Concedei, ó Deus, que vejamos frutificar em toda a nossa vida as graças do mistério pascal, que instituístes na vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (João 3, 31-36)
Naquele tempo, João Batista disse aos seus discípulos: 31Aquele que vem do alto está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Ele dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. 36Aquele que crê no Filho tem a vida eterna. Aquele, porém, que se recusa a crer no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.
3) Reflexão
No dia 12 de janeiro deste ano meditamos João 3,22-30, que traz o último testemunho de João Batista a respeito de Jesus. Era a resposta dada por ele aos seus discípulos, e na qual reafirmou que ele, João, não é o Messias mas apenas o precursor (Jo 3,28). Naquela ocasião, João disse aquela frase tão bonita que resume o seu testemunho: "É necessário que ele cresça e eu diminua!" Esta frase é o programa de todos e de todas que querem seguir Jesus.
Os versículos do evangelho de hoje são, novamente, um comentário do evangelista para ajudar as comunidades a entender melhor todo o alcance das coisas que Jesus fez e ensinou. Temos aqui uma outra amostra daqueles três fios de que falamos ontem.
João 3,31-33: Um refrão que sempre volta. Ao longo do evangelho de João, muitas vezes aparece o conflito entre Jesus e os judeus que contestam as palavras de Jesus. Jesus fala a partir do que ele ouve do Pai. Ele é total transparência. Os seus adversários, por não se abrirem para Deus e por se agarrarem nas suas próprias idéias aqui da terra, não são capazes de entender o significado profundo das coisas que Jesus vive, diz e faz. No fim, é este mal-entendido que vai levar os judeus a prender e condenar Jesus.
João 3,34: Jesus nos dá o Espírito sem medida. O evangelho de João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que crêem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados; aqueles aos quais retiverem, serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito nos é dado para que possamos lembrar e entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade do Espírito de que fala São Paulo: "Onde há o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2Cor 3,17).
João 3,35-36: O Pai ama o filho. Reafirma a identidade entre o Pai e Jesus. O Pai ama o filho e entregou tudo em sua mão. São Paulo dirá que em Jesus habita a plenitude da divindade (Col 1,19; 2,9). Por isso, quem aceita Jesus e crê em Jesus ele já tem a vida eterna, pois Deus é vida. Quem recusa crer em Jesus se coloca a si mesmo do lado de fora.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus nos comunica o Espírito sem medida. Você teve ou tem alguma experiência desta ação do Espírito em sua vida?
2) Quem crê em Jesus tem a vida eterna. Como isto acontece hoje na vida das famílias e das comunidades?
5) Oração final
O SENHOR está perto de quem tem o coração ferido, salva os ânimos abatidos. Muitas são as desventuras do justo, mas de todas o SENHOR o livra. (Sl 33, 19-20)
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