Em 22 de maio, é celebrado o dia desta santa italiana que viveu entre 1381 e 1457

 

 

Em 22 de maio, é celebrado o dia de Santa Rita de Cássia, uma italiana que viveu entre 1381 e 1457 - Domínio Público

 

 

Edison Veiga

BLED (ESLOVÊNIA) | BBC NEWS BRASIL

 

Para muitos hagiógrafos, quando um santo tem uma vida próxima da normalidade de uma pessoa comum, embora nos trilhos das tais virtudes inabaláveis, isso ajuda a criar uma empatia com os fiéis.

É o que explica a popularidade de Santa Rita de Cássia, italiana que viveu entre 1381 e 1457, entre devotos brasileiros.

"Ela viveu em seu tempo o que vivemos hoje: violências dentro e fora da família, escalada de ódio, pobreza e miséria. [Não à toa, é] largamente difundida no Brasil", comenta o escritor J. Alves, graduado em teologia, titular da Academia Brasileira de Hagiologia e autor de, entre outros livros, "Santa Rita de Cássia - Novena e Biografia".

"A fama dos inúmeros milagres foi se divulgando e, certamente, chegou ao Brasil com os colonizadores que trouxeram para a nova terra o catolicismo", acrescenta o hagiólogo José Luís Lira, fundador da Academia Brasileira de Hagiologia e professor da Universidade Estadual Vale do Aracaú, do Ceará.

Para o estudioso de hagiografias Thiago Maerki, pesquisador da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e associado da Hagiography Society, dos Estados Unidos, a fama de Rita como santa "das causas impossíveis" contribuiu para "criar uma tradição" em torno dela.

"Essa ideia certamente fez muito sucesso entre a população mais carente no Brasil, por juntar o elemento da vida sofrida e difícil e apresentá-la como solução para conseguir um milagre impossível. Logo, tornou-se comum pedir ajuda à Santa Rita", explica.

A devoção à santa acabou se materializando também em obras vultuosas. Em 2010, o município de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, ganhou a maior estátua em honra à religiosa em todo o mundo, uma imagem de 42 metros de altura sobre um pedestal de 6 metros —maior que o Cristo Redentor, do Rio, que mede 38 metros incluindo o pedestal.

Santa Rita já era padroeira do município. E o monumento, administrado pela paróquia local, tem servido como atração para o turismo religioso: todos os anos, em 22 de maio, a cidade atrai cerca de 60 mil peregrinos, conforme estimativas da Arquidiocese de Natal.

Já o pequeno município de Cássia, com 18 mil habitantes, em Minas Gerais, quer se converter em um polo de atração de romeiros de todo o país. Neste domingo, será inaugurado ali um santuário dedicado à Santa Rita, que deve ser o maior em honra a ela em todo o mundo.

Em uma área de 180 mil metros quadrados foi construído um complexo turístico-religioso, com estacionamento para ônibus, centro comercial, réplica da casa original onde vivia a santa e, claro, uma imensa igreja com 70 metros de largura e 100 de comprimento, com capacidade para 7.000 pessoas —5.000 sentadas.

O santuário, gerido e administrado pela diocese de Guaxupé, na região, foi viabilizado graças à doação de um empresário nascido em Cássia e devoto da santa —foram R$ 25 milhões para a construção.

 

O MARIDO VIOLENTO ASSASSINADO E A MORTE DOS FILHOS

Santa Rita nasceu em 22 de maio de 1381 no povoado de Roccaporena, região de Cássia, na Itália.

De acordo com o livro "Santa Rita de Cássia", escrito por Luís de Marchi, a "antiga tradição" enfatiza que ela foi batizada em Cássia "porque a povoaçãozinha de Roccaporena só em 1720 possuiu fontes batismais". Seu nome original era Margherita Lotti.

Seus detalhes biográficos são poucos e inconsistentes, variando de fonte a fonte. Muitos dizem que ela era filha de juiz de paz, mas que sua família era bastante simples e que ela precisava ajudar os pais na lida diária, principalmente cultivando alimentos para subsistência.

Também há registros de que os pais já tinham idade avançada quando ela nasceu, e que ela teria sido filha única.

Contra a sua vontade, seu pai a arranjou um casamento. Marchi aponta que isso pode ter ocorrido quando ela tinha apenas 12 anos, embora alguns "biógrafos antigos" também falem em 18 anos.

Do casamento, nasceram dois filhos gêmeos. Mas a maior dificuldade da jovem moça não era cuidar das crianças, mas sim aturar a constante ira do marido.

"Rita, ao que consta, não queria casar, mas, seguir a vida religiosa. Por atender à vontade de seu pai, casou. E casou com um homem violento", pontua Lira.

"O marido de Rita tinha inimigos por causa de seu caráter violento; era ofendido e procurava vingar-se. Quando não podia alcançar seu objetivo, desabava em casa a tempestade, e sua pobre esposa, tímida e inocente, devia suportar as consequências", diz o livro de Marchi.

"Havia então cenas violentas e brutais. Excitado pelo vinho e pela cólera, Paulo se deixava levar por raivas loucas, quebrando tudo o que lhe caía nas mãos ou lhe oferecia resistência, apostrofando ou blasfemando ignominiosamente, fazendo assim estremecer de horror e desespero a pobre Rita."

Em meio a essas desavenças com outras pessoas do povoado, o marido de Rita acabou assassinado.

"Seus filhos queriam vingar a morte do pai", conta Maerki.

"Mas ela sempre foi uma mulher de muita oração e rezava a Deus para que isso não ocorresse, para que os filhos não cometessem aquele pecado. Ela dizia preferir que os filhos morressem a matar alguém."

O pesquisador ressalta que é importante situar a santa como "uma mulher casada", pois isso faz dela alguém diferente em um contexto em que geralmente as religiosas celibatárias acabam sendo, com mais frequência, canonizadas.

Os filhos de Rita acabaram morrendo ainda jovens. Algumas fontes dizem que tiveram hanseníase. Outros registros apontam para peste bubônica.

 

O FIM DA VIDA EM UM CONVENTO

Viúva e sozinha, ela se viu empenhada em realizar o sonho da infância e, finalmente, abraçara a vida religiosa.

Depois de muito custo e algumas histórias consideradas milagrosas, finalmente conseguiu ser aceita por um convento agostiniano. Ali assumiria o nome de Rita e passaria o resto de seus dias.

O hagiólogo Lira conta que, pela tradição e pelos relatos antigos, ela teria sonhado com o convento fechado. Então, apareciam a ela Santo Agostinho, São Nicolau e São João Batista - e estes a fizeram entrar na casa religiosa.

Os três santos teriam pedido que ela os seguisse pelas ruas. Depois de andanças, eles desapareceram e ela sentiu um empurrão. Quando despertou, estava dentro do mosteiro, mesmo que ele estivesse com os portões cerrados. Teria sido desta forma que acabou aceita pelas outras religiosas agostinianas.

"[Foi] uma mulher cativante e de uma fé inabalável", ressalta J. Alves. "Além de seu tempo. Embora tenha vivido e morrido antes da descoberta do Brasil, ela se tornou uma das mais populares santas veneradas por aqui."

"Após a morte de Rita, 43 anos antes da descoberta do Brasil, houve grande popularização de sua devoção na região onde ela viveu. Embora sua beatificação tenha ocorrido 180 anos depois, sua santidade já era notada e percebida", afirma Lira.

"Os santos possuem uma característica que se aproximam de cada um de nós, nas necessidades que viveram quando estavam na Terra. Não se pode negar que Santa Rita teve uma vida difícil e que sua fé a tudo superou."

Para o hagiólogo, isto fez dela "um modelo" e a transformou em "uma intercessora para todos nós, em nossas dificuldades".

"Assim ela foi se tornando popular, devocionada e amada em todo o Brasil, a ponto de que haja no Rio Grande do Norte a maior estátua a ela dedicada no mundo", enfatiza.

"Ela sofreu, mas não desistiu de seu amor a Deus", comenta Lira.

 

MENSAGEM DE SANTIDADE

Para Alves, o extraordinário é o fato de Santa Rita "ter se tornado uma figura icônica de mulher forte, que não se deixa abater pelas adversidades da vida".

"Sua vida foi uma sucessão de sofrimentos, desde a violência doméstica sofrida do marido antes de sua conversão, até o assassinato dele, o desejo de vingança dos filhos, a morte destes pela peste", analisa.

"Situações essas muito semelhantes às que muitas famílias brasileiras vivem hoje, o que a torna tão próxima e familiar à nossa gente."

O escritor acredita ainda que o "legado de santidade" de Rita tenha superado "o tempo, as fronteiras, os modelos e as classes sociais, bem como os paradigmas socioculturais".

"Fica difícil explicar racionalmente, a não ser pela fé. Como explicar que em um momento da história humana marcada pelo protagonismo masculino, aquela mulher se tornaria Santa Rita das causas impossíveis?", reflete ele.

"Como explicar que uma simples mulher do povo, pobre, filha de camponeses, mãe de família, sem instrução, exposta a toda sorte de violência, se tornaria amada e venerada para além do seu tempo, pelos católicos do mundo todo?"

"Desde o início, sua mensagem é entendida por nossa gente. Mesmo antes de ser canonizada, Santa Rita já era reconhecida como santa e venerada. Em 1727, no Rio de Janeiro, já existia uma igreja a ela dedicada", enumera Alves.

"E logo sua devoção se espalhou por toda a parte, sendo hoje inumeráveis as igrejas e capelas a ela dedicadas em terras brasileiras." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

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O padre Reginaldo Veloso, que conduziu por 12 anos a paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que fica no Morro da Conceição, faleceu aos 84 anos, na noite da quinta-feira (19), por volta das 23h. Segundo familiares, no final de 2020 ele fez quatro cirurgias para o câncer na bexiga. Passou um mês e dois dias internado na UTI de um hospital particular do Recife. Ele teve melhora, mas contraiu uma infecção e não resistiu. Veloso teve uma longa trajetória na Igreja Católica, iniciada por volta dos 13 anos, quando começou a se preparar para o Seminário. Teve importante atuação na luta para que a então capela no Morro da Conceição se tornasse paróquia e ajudou a comunidade na busca por melhorias sociais. Ele foi ordenado presbítero em dezembro de 1961 e teve diversas titularidades. No ano de 1989, foi destituído da paróquia e suspenso das funções sacerdotais (celebrar missa, realizar matrimônios, fazer batizados) pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, da ala conservadora da Igreja. Para aplicar a punição, dom José alegou que o padre incitava nos fiéis aversão ao arcebispo. Padre Reginaldo não quis entregar a paróquia. A polícia foi chamada para arrombar as portas da Igreja. Reginaldo trabalhava com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que faziam parte do modelo de Igreja de Dom Helder Câmara. Afastado, somente em abril de 1994, optou pelo matrimônio e se casou. Veloso continuou sendo uma voz ativa na comunidade. O velório está previsto para ocorrer nesta sexta-feira (20), na escola estadual Padre João Barbosa, localizada próxima a Igreja Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição. O horário ainda não foi divulgado.

“Falar sobre Reginaldo Veloso... Não é fácil, mas ao mesmo tempo é”, disse emocionada Edileuza Veloso, de 54 anos, esposa de Reginaldo. “É a pessoa mais evangélica que eu conheci. Tinha um compromisso muito grande com os empobrecidos e marginalizados. Era uma pessoa que estava preocupada sempre com bem-estar dos outros. Preocupado com a situação do país o tempo todo. Era uma pessoa muito boa e muito humana. Era uma pessoa que lutava pelos direitos humanos e dos mais fracos. Passou sua vida toda com esse compromisso. Vivia a música litúrgica da Igreja Católica, tinha compromisso com a juventude. Desenvolvida trabalhos culturais nas cidades do Recife, em Jaboatão dos Guararapes e no Cabo de Santo Agostinho”. Edileuza e Reginaldo completaram 28 anos de casados no último dia 23 de abril. Eles têm um filho João José Veloso, que tem 27 anos.

Segundo Edileuza, Reginaldo estava fazendo um tratamento de câncer na bexiga. Ele fez quatro cirurgias desde 2020. Três cirurgias no intestino, devido a uma hernie. “Então, ele foi ficando mais fraco. E além disso, foi passar por um tratamento de quimioterapia por conta do câncer na bexiga. E com esse tratamento, ele não aguentou. Ele foi internado. Passou um mês e dois dias na UTI da Unimed III. Houve melhora depois de 15 dias, mas depois começou um processo de infecção”, conta. Reginaldo faleceu ontem, por volta das 23h. Ele estava internado desde o dia 17 de abril, a Sexta-feira Santa.

Edileuza conta como o seu esposo era dentro de casa. “Era um homem maravilhoso. Era só cuidado e só amor o tempo todo, comigo e com todos aqui em casa. Ele estava o tempo todo preocupado com a gente e queria sempre o nosso melhor. O que eu o quisesse e pensasse queria realizar e fazer”.

 

HOMENAGENS
Sua trajetória dedicada às causas sociais e ao trabalho pelos mais necessitados é celebrada em mensagens de despedidas por autoridades pernambucanas. Confira:

 

Arquidiocese de Olinda e Recife, por meio do Vigário Geral, Monsenhor Luciano José Rodrigues Brito, expressou condolências:

 

"Reginaldo Veloso foi presbítero na Arquidiocese de Olinda e Recife, onde exerceu seu ministério sacerdotal na Paróquia Santa Maria Mãe de Deus, no bairro da Macaxeira, e na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no Morro da Conceição. Muito contribuiu para o Setor de Música Litúrgica da CNBB com suas composições, muitas das quais cantadas nas celebrações litúrgicas em todo o Brasil. Que seja concedido a Reginaldo Veloso cantar diante do Senhor Ressuscitado: Senhor, piedade, vem me socorrer! Minha dor e meu pranto mudaste em prazer; teu nome para sempre eu irei bendizer!"

 

O governador Paulo Câmara escreveu: 

 

"Nos despedimos hoje do padre Reginaldo Veloso, um humanista que dedicou sua vida às causas sociais e ao trabalho pelos mais necessitados. Nas décadas de 70 e 80, à frente da emblemática paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Recife, este alagoano de alma e cidadania pernambucana, adepto da Teologia da Libertação, deixou uma marca na luta contra a repressão e em favor de uma igreja democrática e do empoderamento popular, construindo uma bonita trajetória, recentemente retratada nas telas. Quero externar meu profundo pesar por sua partida e me solidarizar com seus familiares, amigos e seguidores neste momento de dor e tristeza. Que ele esteja em paz".

 

A deputada Teresa Leitão escreveu:

 

"Que notícia triste! Padre Reginaldo é daquelas pessoas que não 'passam' pelo mundo, e sim transformam o mundo. Pessoas que fazem muita falta, e ao mesmo tempo a gente sabe que estão sempre presentes. Vá em paz, padre Reginaldo Veloso. O seu legado permanece".

Em entrevista, em 2021, à jornalista Tainá Milena, deste caderno, Reginaldo Veloso, conhecido por ser incentivador de grupos de reflexões sobre o evangelho e suas aplicações na vida cotidiana, contou um pouco da sua trajetória de inspiração e luta contra as injustiças políticas, sociais e econômicas.  

 

Confira a entrevista:

 

TAINÁ MILENA - O senhor foi uma figura importante no Morro da Conceição como pessoa e como padre. Como o senhor descobriu sua vocação? 

REGINALDO VELOSO - Eu tinha apenas 13 anos e estudava no Ginásio Pio XII, dirigido pelos Padres do Sagrado Coração de Jesus, em Palmeira dos Índios, AL. Sempre fui bastante religioso e ajudava na missa do Colégio. Um padre me perguntou se eu queria ir para o Seminário, preparar-me para ser padre. No dia seguinte, respondi que sim. 

 

TAINÁ MILENA- O senhor é devoto de Nossa Senhora da Conceição ou possui alguma história de devoção à Mãe de Jesus? 

 

REGINALDO VELOSO - Aprendi de minha família a querer bem a mãe de Jesus desde criança. minha avó paterna, Maria Veloso de Melo, foi morar com minha família assim que mamãe faleceu, em 1946. Minha avó, ao ver chegar o mês de maio, não se conteve: o que fazia, todos os anos, na sua cidade em Lajedo, tinha que fazer lá em casa. Conversou com a vizinhança, aprontou tudo e eu, como sabia ler, fui escolhido para “tirar as rezas” e, assim, começou minha devoção à Mãe de Jesus.

 

TAINÁ MILENA - O senhor já tinha tido a experiência de servir em um Santuário antes de chegar ao Morro? 

 

REGINALDO VELOSO - Estudei Teologia em Roma, e especializei-me em História da Igreja. Fui ordenado presbítero, em dezembro de 1961. Voltei ao Brasil em fevereiro de 1966. Fui como professor/formador de seminaristas, durante dois anos e meio, no então Seminário Cristo Rei, em Camaragibe.

 

Em 1968, juntamente com um amigo holandês, assumi a Pastoral da Paróquia de Santa Maria, na Macaxeira, Casa Amarela, no Recife. Passei 10 anos tendo contato com as demais igrejas do Setor Pastoral dos Altos e Córregos de Casa Amarela, inclusive, como coordenador do Conselho Pastoral deste setor, trabalhei pela criação da nova paróquia do Morro. Em maio de 1978, eu cheguei como novo pároco. 

 

TAINÁ MILENA - Como era a comunidade ao redor, quando o senhor chegou ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição? 

 

REGINALDO VELOSO - Os meus dois desafios maiores eram acompanhar o processo de desenvolvimento das quatro comunidades e atender da melhor maneira, essencialmente com a preocupação da evangelização, os devotos de Nossa Senhora da Conceição, que chegavam no santuário de todas as partes, especialmente na época da festa. 

 

TAINÁ MILENA - Durante esse período em que o senhor estava no Santuário, quais mudanças aconteceram? 

 

REGINALDO VELOSO - Fruto do trabalho de evangelização nas quatro comunidades, surgiram grupos de evangelização e coordenação nas igrejas que cuidavam de catequese e liturgia, por exemplo. Mas também surgiram grupos comunitários para lutar em busca de melhorias para as classes jovens, adultos da terceira idade e com um destaque especial para o surgimento do Centro de Atendimento à Criança com Deficiência, o CERVAC. A necessidade de uma igreja-matriz mais ampla levou à construção de uma nova igreja, um projeto idealizado por  três arquitetas chamadas Marias, sob orientação do Administrador Arquidiocesano Bosco Gomes e do Administrador Paroquial. A construção chegou ao ponto de acabamento, mas não foi adiante, porque o Administrador Paroquial foi destituído pelo, então, sucessor de Dom Helder, e quem o substituiu não levou adiante. 

 

TAINÁ MILENA - Quando o senhor foi destituído da função de Administrador Paroquial foi necessário deixar de ser padre?

 

REGINALDO VELOSO - Eu nunca precisei deixar de “ser padre”, melhor dizendo, nunca deixei de exercer o ministério presbiteral, para o qual fui ordenado em dezembro de 1961, há 60 anos. Por ter optado pela vida matrimonial, a instituição me impede de exercê-lo oficialmente. Respeitando as limitações que me são impostas, venho exercendo sem quebra de continuidade o ministério presbiteral, de muitas maneiras, e prestando vários serviços, como no acompanhamento de Comunidades Eclesiais de Base.

 

TAINÁ MILENA - Como o senhor percebeu sua vocação para o matrimônio? 

 

REGINALDO VELOSO - Tudo aconteceu naturalmente, na convivência comunitária, no acompanhamento das CEBs. Tudo foi conversado e amadurecido entre nós, eu   minha esposa, nossas famílias e comunidades. Solicitei a permissão para casar às autoridades eclesiásticas, externando minha vontade de continuar exercendo o ministério Me responderam que de acordo com a legislação vigente, não seria possível. Celebramos com as comunidades nosso casamento, na manhã de 23 de abril de 1994, na capela da Comunidade de São José Operário, no Alto José Bonifácio, comunidade à qual pertencia Edileuza. Em maio de 95, nasceu nosso filho, que recebeu o de meu pai e o do pai de Edileuza, João José. Fonte: https://www.diariodepernambuco.com.br

Religioso desenvolveu trabalho voltado para construção de uma Igreja democrática, participativa e de empoderamento do povo em busca dos seus direitos

 

padre Reginaldo Veloso, que conduziu a paróquia de Nossa Senhora da Conceição por 12 anos, faleceu, aos 84 anos, na noite dessa quinta-feira (19), por volta das 23h. A informação foi confirmada pelos familiares do religioso.

Reginaldo Veloso estava internado em um hospital particular na área central do Recife para tratar de um câncer na bexiga.

De acordo com a esposa, o religioso não resistiu ao tratamento e chegou a falecer. Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento do padre Reginaldo Veloso.

 

RELEMBRE TRAJETÓRIA DO PADRE REGINALDO VELOSO

Entre 1978 e 1989, o padre Reginaldo Veloso desenvolveu na paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Morro um trabalho comunitário, voltado para construção de uma Igreja democrática, participativa e de empoderamento do povo em busca dos seus direitos.

Recentemente, o padre Reginaldo Veloso recebeu o título de cidadão de Pernambuco, estado onde viveu a maior parte dos seus 84 anos.

Em entrevista recente ao JC, o padre Reginaldo Veloso falou sobre o seu ministério na Igreja Católica.

"Graças a Deus eu continuo exercendo o ministério que há 60 anos me foi confiado pela Igreja quando me ordenou presbítero. Continuo exercendo, acompanhando pequenas comunidades, prestando assessoria a movimentos, a dioceses, a congregações religiosas", disse ele.

O religioso também contou sobre sua devoção à Nossa Senhora. "A minha devoção é para a mãe de Jesus, tenha ela o título que for. É uma dimensão importante da minha fé cristã. Porque Maria, sobretudo na teologia do terceiro evangelista, São Lucas, ela é um ícone para Igreja", afirmou.

Em dezembro do ano passado, Geraldo Freire e a bancada do programa Passando a Limpo conversaram com o Padre Reginaldo Veloso. O ex-pároco no Morro da Conceição entre as décadas de 1970 e 1980, o religioso resgatou alguns momentos históricos da vida dele.

 

ORIGEM DO PADRE REGINALDO VELOSO

Reginaldo Veloso nasceu em Alagoas, veio ao Recife para estudar Teologia aos 13 e só saiu daqui para morar em Roma, onde foi ordenado padre.

Adepto da Teologia da Libertação, defende uma igreja nas mãos do povo, em luta contra a opressão e a fome.

Veloso também foi um dos divulgadores do documento 'Eu Ouvi os Clamores do Meu Povo', de 1973, durante a Ditadura Militar. Fonte: https://tvjornal.ne10.uol.com.br

 

O casal Antônio Eliwelton Rodrigues da Silva e Brenda Jamille planejaram o casamento com pajens especiais: os vira-latas Scooby e Pipoca. Para surpresa dos noivos e para os convidados, o padre se negou a dar a bênção final por não concordar na entrada dos cachorros na igreja. O caso aconteceu no sábado (14) na Paróquia São Sebastião, em Nova Olinda, 560 km de Fortaleza.

Vídeos da cerimônia mostram os noivos no altar e o padre César Retrão responsável pelo casamento criticar: “Isso é o cúmulo”.

De acordo com Antônio Eliwelton, a atitude do padre César Retrão deixou noivos e todos os presentes perplexos. Segundo o noivo, a entrada dos cães havia sido combinada no dia anterior ao da cerimônia. Eles pagaram R$ 310 como taxa de matrimônio.

A diocese do Crato afirmou que o caso será analisado em uma reunião com o Colégio dos Consultores junto do bispo diocesano. A data ainda não foi marcada, segundo a diocese. Somente após a reunião, a diocese poderá tratar do assunto.

“Para evitar qualquer imprevisto perguntamos para o secretário paroquial se tinha algum problema. Ele afirmou que não tinha nenhum problema, pois o padre não iria achar inconveniente. Ficou um clima ruim demais. Na hora que os cães entraram, ele disse que era inaceitável, um cúmulo dois cachorros entrarem com alianças e estarem ali naquele ambiente”, afirmou Antônio.

Antônio Eliwelton, que trabalha como balconista, diz que após pegarem as alianças, o pároco mudou de humor e pediu para os noivos e padrinhos assinarem os papéis e deixou o local rapidamente. Antônio Elivelto disse que a bênção final, o ritual que o padre diz “declaro vocês marido e mulher” e o tradicional beijo não foi realizado.

“A bênção final, a parte mais esperada do casamento não aconteceu, pois ele saiu do local logo depois da gente assinar os papéis. Aí ficamos lá constrangidos”, disse.

 

Cuidado com cães e gatos

Além de serem balconistas, o casal mantém há quase quatro anos o Instituto Lilica, uma instituição que cuida de 130 cachorros e 40 gatos. Scooby e Pipoca ,que entraram com as alianças, receberam cuidados da instituição. Antônio Eliwelton contou que Scooby foi atropelado perto da casa dos seus pais e ficou com ferimento grave em uma das patinhas. O cão foi para a instituição e o tratamento durou cerca de três meses.

Pipoca foi abandonada pelos seus antigos tutores em um terreno baldio por apresentar uma doença grave que a deixou cega. O casal resgatou a cadela e deu cuidados. No caso dela, segundo Antônio Eliwelton, foi mais delicado e o tratamento demorou, mas ela está bem.

“Ela foi abandonada e estava cega. Demos para ela todo um tratamento especial e medicação. Por isso, todo esse cuidado todo, ela é mais carinhosa. Quando escuta a voz da gente já corre e pula em cima da gente. São animais e têm sentimentos. Acho que merecem respeito”, afirmou. Fonte: https://terrabrasilnoticias.com

 

O arcebispo de Santa Fé John Wester no anúncio de falência em novembro de 2018. SUSAN MONTOYA BRYAN (AP)

 

Igreja Católica chega a acordo para evitar falência pela acusação de 375 pessoas em um dos maiores acordos judiciais dos Estados Unidos

 

 

LOUIS PAUL BEAUREGARD

A Arquidiocese de Santa Fé, uma das mais antigas dos Estados Unidos, chegou a um acordo com centenas de vítimas de abuso sexual . A Igreja Católica do Novo México enfrenta há anos centenas de acusações “credíveis” de que 74 de seus padres cometeram crimes de pederastia em paróquias ou escolas administradas pela diocese. O acúmulo de reclamações levou a organização católica à falência. Para evitar isso, os religiosos prometeram o pagamento de 121,5 milhões de dólares para indenizar 375 denunciantes de crimes ocorridos há mais de 25 anos. Este é um dos maiores acordos judiciais alcançados no país recentemente.

“Nenhuma quantia pode desfazer a dor e o trauma de nossos clientes e famílias. Esperamos que este acordo possa fechar as feridas de alguns dos sobreviventes de abuso”, disse Dan Fasey, o advogado que representa desde 2018 algumas das famílias que foram ao tribunal para desvendar o escândalo. Desde então, a diocese gastou US$ 52 milhões em acordos com as vítimas para evitar que os casos fossem a julgamento.

A diocese descreveu o acordo como “notícia muito positiva”, o que permite evitar o Capítulo 11 , o procedimento de reestruturação financeira. “A Igreja assume sua responsabilidade de garantir que as vítimas de abuso sexual sejam compensadas de maneira justa e muito séria”, disse John Wester, arcebispo de Santa Fé, na terça-feira, dia da inauguração do acordo. Este ainda não recebeu o sim das vítimas.

A indenização aos afetados virá do dinheiro da arquidiocese, dos orçamentos paroquiais, de outras entidades católicas e das seguradoras da Igreja. Embora o pagamento represente um sacrifício financeiro para algumas das freguesias, a contribuição é um sacrifício que as protege de futuros processos judiciais, assegurou a organização. O arcebispo explicou que o dinheiro chegará integralmente às vítimas de abuso e que nenhum dólar será usado para pagar advogados ou para o processo de falência. Estes serão abordados de outra forma.

A negociação entre as partes foi coordenada por um comitê de credores formado em 2018, quando a arquidiocese iniciou o processo de reestruturação financeira. Charles Paez, presidente da comissão, informou que o acordo contempla também uma parte não monetária. Isso obriga a Igreja Católica a criar um arquivo público com documentos que contam a história de abuso dos mais de 70 religiosos envolvidos no escândalo. Haverá também serviços religiosos e reuniões com sobreviventes. “A arquidiocese espera que esses passos positivos possam ajudar a curar as vítimas de abuso e a comunidade”, diz o comunicado assinado em Albuquerque.

A arquidiocese tem suas origens em 1850, quando o Papa Pio IX criou um vicariato na região. 25 anos depois foi elevada a arquidiocese. É um dos maiores do oeste americano, cobrindo 158.000 quilômetros quadrados em 19 condados do Novo México. Durante várias décadas, os responsáveis ​​encobriram centenas de abusos cometidos pelos padres responsáveis ​​pelas paróquias e igrejas. Em junho de 2019, quando fechou a janela para processar a igreja por casos de pederastia, os tribunais foram inundados com quase 400 reclamações em uma entidade com apenas dois milhões de habitantes.

"O número de queixas recebidas mostra a intensidade da crise que o Novo México experimentou", disse Levi Monagle, um dos advogados das vítimas, na época. "Esta diocese ficou saturada de padres abusivos nas últimas quatro ou cinco décadas", disse ele. A organização publicou há alguns anos uma lista com os nomes dos padres identificados , vários deles mortos, e os locais onde oficiaram.

A arquidiocese diz que tem uma política de tolerância zero para abusos há 25 anos. Este protocolo de proteção de crianças e jovens exige uma verificação de antecedentes de todos os funcionários da organização católica e a obrigação de fazer cursos sobre ambientes seguros para os jovens católicos. As igrejas de Portland (Oregon), San Diego (Califórnia) ou Milwaukee (Wisconsin) também sofreram ações coletivas como a de Santa Fé. Em 2007, os católicos de Los Angeles assinaram um acordo para pagar quase 500 milhões de dólares aos compensar meio milhar de vítimas de abuso. Fonte: https://elpais.com

 

1) Oração

Ó Deus, vossa graça nos santificou quando éramos pecadores e nos deu a felicidade, quando infelizes. Vinde em socorro das vossas criaturas e sustentai-nos com vossos dons, para que não falte a força da perseverança àqueles a quem destes a graça da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,9-11)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

 

3) Reflexão - Jo 15,9-11

A reflexão em torno da parábola da videira compreende os versículos 1 a 17. Ontem meditamos os versículos 1 a 8. Hoje meditamos os versículos 9 a 11. Depois de amanhã, o evangelho do dia salta os versículos 12 a 17 e retoma no versículo 18, que já traz outro assunto. Por isso, incluímos hoje um breve comentário dos versículos 12 a 17, pois é nestes versículos que desabrocha a flor e que a parábola da videira mostra toda a sua beleza.,

O evangelho de hoje é de apenas três versículos, que dão continuidade ao evangelho de ontem e trazendo mais luz para aplicar a comparação da videira à vida das comunidades. A comunidade é como uma videira. Ela passa por momentos difíceis. É o momento da poda, momento necessário para que produza mais frutos.

João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria. 

Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”.  É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.

João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.

O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"

João 15,14-15 Amigos e não empregados

"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até a doação total de si!  Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!" Jesus não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos à total transparência, ao ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).  

João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu  

Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galileia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

O Símbolo da Videira na Bíblia.

O povo da Bíblia cultivava videiras e produzia bom vinho. A colheita da uva era uma festa, com cantos e danças. Foi daí que se originou o cântico da vinha, usado pelo profeta Isaías. Ele compara o povo de Israel com uma videira (Is 5,1-7; 27,2-5; Sl 80,9-19). Antes dele, o profeta Oséias já tinha comparado Israel a uma vinha exuberante que quanto mais produzia frutos, mais multiplicava suas idolatrias (Os 10,1). Este tema foi também utilizado por Jeremias, que comparou Israel a uma vinha bastarda (Jr 2,21), da qual seriam arrancados os ramos (Jr 5,10; 6,9). Jeremias usa estes símbolos porque ele mesmo teve uma vinha que foi pisada e devastada pelos invasores (Jr 12,10). Durante o cativeiro da Babilônia, Ezequiel usou o símbolo da videira para denunciar a infidelidade do povo de Israel. Ele contou três parábolas sobre a videira: 1) A videira queimada que já não serve mais para coisa alguma (Ez 15,1-8); 2) A videira falsa plantada e protegida por duas águias, símbolos dos reis da Babilônia e do Egito, inimigos de Israel (Ez 17,1-10). 3) A videira destruída pelo vento oriental, imagem do cativeiro da Babilônia (Ez 19,10-14). A comparação da videira foi usada por Jesus em várias parábolas: os trabalhadores da vinha (Mt 21,1-16); os dois filhos que devem trabalhar na vinha (Mt 21,33-32); os que arrendaram uma vinha, não pagaram ao dono, espancaram seus servos e mataram seu filho (Mt 21,33-45); a figueira estéril plantada na vinha (Lc 13,6-9); a videira e os ramos (Jo 15,1-17).

 

4) Para confronto pessoal

  1. Somos amigos e não empregados. Como vivo isto no meu relacionamento com as pessoas?
  2. Amar como Jesus nos amou. Como cresce em mim este ideal do amor?

 

5) Oração final

Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! (Sl 95, 3)

 

1) Oração

Ó Deus, que amais e restituís a inocência, orientai para vós os nossos corações, para que jamais se afastem da luz da verdade os que tirastes das trevas da descrença. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 15,1-8)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.

5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

 

3) Reflexão - Jo 15,1-8

Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:

Jo 15,1-17:      Reflexões em torno da parábola da videira

Jo 15,18 a 16,4a:      Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos

Jo 16,4b-15:   Promessa sobre a vinda do Espírito Santo

Jo 16,16-33:   Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus

Jo 17,1-26:     O Testamento de Jesus em forma de oração

Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira 

No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!".  A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.

João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola   

Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!"  Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!

João 15,7-8: Permanecer no amor.   

Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!"  Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

 

4) Para confronto pessoal

1) Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?

2) O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor um canto novo, Cantai ao Senhor em toda a terra. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. (Sl 95, 1)

A decisão do Papa contida em um rescrito em vigor a partir desta quarta-feira, 18 de maio: o dicastério dedicado à Vida consagrada avaliará os casos individualmente de forma discricionária

 

Vatican News

Ser nomeado "superior maior", mesmo sem ser sacerdote, à frente de um instituto religioso ou de uma sociedade de vida apostólica clerical de direito pontifício. É o que pode acontecer a partir de agora para aqueles que fazem parte de uma família religiosa como "membros não-clericais", ou seja, aquela categoria de membros que em muitas congregações são chamados de "irmãos".

Foi o que estabeleu o Papa com um rescrito em vigor a partir desta quarta-feira, 18 de maio, que segue a audiência com a qual, em 11 de fevereiro passado, Francisco concedeu à Congregação para a Vida Consagrada a "faculdade de autorizar, de forma discricionária e em casos individuais" esta possibilidade, "mantendo – especifica-se – o cânon 134 §1" do Direito Canônico (que define quem normalmente devem ser considerados os bispos ordinários e os superiores maiores).

O rescrito papal publicado este 18 de maio contém quatro artigos que sancionam os vários graus de autorização que a nomeação de um não-clérigo para dirigir um instituto deve receber, quer "nomeado" como "superior local" ou "superior maior", ou mesmo "eleito" como "moderador supremo ou superior maior". A instância suprema, entretanto, continua sendo a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, que - o quarto artigo especifica - "reserva-se o direito de avaliar o caso individualmente e as razões alegadas pelo Moderador supremo ou pelo capítulo geral". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

1) Oração

Ó Deus, que pela ressurreição do Cristo nos renovais para a vida eterna, dai ao vosso povo constância na fé e na esperança, para que jamais duvide das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 14,27-31a)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. 30Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

 

3) Reflexão - Jo 14,27-31a

Aqui, em Jo 14,27, começa a despedida de Jesus e no fim do capítulo 14, ele encerra a conversa dizendo: "Levantem! Vamos embora daqui!" (Jo 14,31). Mas, em vez de sair da sala, Jesus continua falando por mais três capítulos: 15, 16 e 17. Se você pular estes três capítulos, você vai encontrar no começo do capítulo 18 a seguinte frase: "Tendo dito isto, Jesus foi com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia ali um jardim onde entrou com seus discípulos" (Jo 18,1). Em Jo 18,1, está a continuação de Jo 14,31. O Evangelho de João é como um prédio bonito que foi sendo construído lentamente, pedaço por pedaço, tijolo por tijolo. Aqui e acolá, ficaram sinais destes remanejamentos. De qualquer maneira, todos os textos, todos os tijolos, fazem parte do edifício e são Palavra de Deus para nós.

João 14,27: O dom da Paz. 

Jesus comunica a sua paz aos discípulos. A mesma paz será dada depois da ressurreição (Jo 20,19). Esta paz é mais uma expressão da manifestação do Pai, de que Jesus tinha falado antes (Jo 14,21). A paz de Jesus é a fonte da alegria que ele nos comunica (Jo 15,11; 16,20.22.24; 17,13). É uma paz diferente da paz que o mundo dá, diferente da Pax Romana. Naquele fim do primeiro século a Pax Romana era mantida pela força das armas e pela repressão violenta contra os movimentos rebeldes. A Pax Romana garantia a desigualdade institucionalizada entre cidadãos romanos e escravos. Esta não é a paz do Reino de Deus. A Paz que Jesus comunica é o que no AT se chama Shalôm. É a organização completa de toda a vida em torno dos valores da justiça, fraternidade e igualdade.

João 14,28-29: O motivo por que Jesus volta ao Pai.   

Jesus volta ao Pai para poder retornar em seguida. Ele dirá a Madalena: “Não me segure, porque ainda não subi para o Pai “ (Jo 20,17). Subindo para o Pai, ele voltará através do Espírito que nos enviará (cf Jo 20,22). Sem o retorno ao Pai ele não poderá estar conosco através do seu Espírito.

João 14,30-31a: Para que o mundo saiba que amo o Pai.  

Jesus está encerrando a última conversa com os discípulos. O príncipe deste mundo vai tomar conta do destino de Jesus. Jesus vai ser morto. Na realidade, o Príncipe, o tentador, o diabo, nada pode contra Jesus. Jesus faz em tudo o que lhe ordena o Pai. O mundo vai saber que Jesus ama o Pai. Este é o grande e único testemunho de Jesus que pode levar o mundo a crer nele. No anúncio da Boa Nova não se trata de divulgar uma doutrina, nem de impor um direito canônico, nem de unir todos numa organização. Trata-se, antes de tudo, de viver e de irradiar aquilo que o ser humano mais deseja e tem de mais profundo dentro de si: o amor. Sem isto, a doutrina, o direito, a celebração não passa de peruca em cabeça calva.

João 14,31b: Levantem e vamos embora daqui.   

São as últimas palavras de Jesus, expressão da sua decisão de ser obediente ao Pai e de revelar o seu amor. Na eucaristia, na hora da consagração, em alguns países se diz: “Na véspera da sua paixão, voluntariamente aceita”. Jesus diz em outro lugar: “O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai” (Jo 10,17-18).

 

4) Para confronto pessoal

1) Jesus disse: “Dou-vos a minha paz”. Como contribuo para a construção da paz na minha família e na minha comunidade?

2) Olhando no espelho da obediência de Jesus ao Pai, em que ponto eu poderia melhorar a minha obediência ao Pai?

 

5) Oração final

 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder! (Sl 144, 10-11) 

Dom José Ionilton segue o Papa Francisco, que o nomeou para Itacoatiara (AM)

 

O bispo de Itacoatiara (AM), Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira (SDV), decretou, por tempo indeterminado, que as paróquias, comunidades, pastorais e movimentos da prelazia não receberão "recursos financeiros, em moeda ou outros bens, de políticos, de madeireiras, de empresas de mineração, de exploração de petróleo e gás, que contribuem para o desmatamento e a expulsão de suas terras dos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pequenos agricultores".

Os padres, párocos, vigários e administradores das 13 paróquias devem entregar cópia do decreto aos coordenadores e postar o documento nas redes sociais.

O bispo levou em consideração a afirmação do Papa Francisco de que "não podemos excluir que membros da Igreja também tenham feito parte das redes de corrupção, por vezes chegando ao ponto de aceitar manter silêncio em troca de ajudas econômicas para as obras eclesiais".

O decreto cita orientação do Papa, que recomenda "prestar uma atenção especial à procedência de doações ou outros tipos de benefício".

Dom José Ionilton formou-se em Filosofia em 1991 (Escola Teológica do Mosteiro de São Bento), fez convalidação do Curso de Teologia na Universidade Católica de Salvador, em 2015.

Professou seus votos na Sociedade das Divinas Vocações (SDV) em 1990, foi ordenado padre dois anos depois na Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Raso, em Araci.

Foi nomeado prelado para Itacoatiara pelo Papa Francisco em 2017. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

1) Oração

Ó Deus, que restaurais a natureza humana dando-lhe uma dignidade ainda maior, considerai o mistério do vosso amor, conservando para sempre os dons da vossa graça naqueles que renovastes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 13, 16-20)

Naquele tempo, depois de haver lavado os pés dos discípulos, Jesus disse-lhes: 16Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que seu senhor, e o enviado não é maior do que aquele que o enviou. 17Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática. 18Eu não falo de todos vós. Eu conheço aqueles que escolhi. Mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19Desde já, antes que aconteça, eu vo-lo digo, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. 20Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.

 

3) Reflexão

Nos próximos dias, com exceção das festas, o evangelho diário é tirado da longa conversa de Jesus com os discípulos durante a Última Ceia (Jo 13 a 17). Nestes cinco capítulos que descrevem a despedida de Jesus, percebe-se a presença daqueles três fios de que falamos anteriormente e que tecem e compõem o evangelho de João: a palavra de Jesus, a palavra das comunidades e a palavra do evangelista que fez a última redação do Quarto Evangelho. Nestes cinco capítulos, os três fios estão de tal maneira entrelaçados que o todo se apresenta como uma peça única de rara beleza e inspiração, onde é difícil distinguir o que é de um e o que é do outro, mas onde tudo é Palavra de Deus para nós.  

Estes cinco capítulos trazem a conversa que Jesus teve com os seus amigos, na véspera de ser preso e morto. Era uma conversa amiga, que ficou na memória do Discípulo Amado. Jesus, assim parece, queria prolongar ao máximo esse último encontro, momento de muita intimidade. O mesmo acontece hoje. Há conversa e conversa. Há conversa superficial que gasta palavras à toa e revela o vazio das pessoas. E há conversa que vai fundo no coração e fica na memória. Todos nós, de vez em quando, temos esses momentos de convivência amiga, que dilatam o coração e vão ser força na hora das dificuldades. Ajudam a ter confiança e a vencer o medo.

Os cinco versículos do Evangelho de hoje tiram duas conclusões do lava-pés (Jo 13,1-15). Falam (1) do serviço como característica principal dos seguidores e seguidoras de Jesus, e (2) da identidade de Jesus como revelação do Pai.

João 13,16-17: O servo não é maior que o seu senhor.  Jesus acabou de lavar os pés dos discípulos. Pedro levou susto e não quis que Jesus lhe lavasse os pés. “Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo” (Jo 13,8). E basta lavar os pés; o resto não precisa (Jo 13,10). O valor simbólico do gesto do lava-pés consistia em aceitar Jesus como o Messias Servidor que se entrega a si mesmo pelos outros, e recusar um messias rei glorioso. Esta entrega de si mesmo como servo de todos é a chave para entender o gesto do lava-pés. Entender isto é a raiz da felicidade de uma pessoa: “Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática". Mas havia pessoas, mesmo entre os discípulos, que não aceitavam Jesus como Messias Servo. Não queriam ser servidores dos outros. Provavelmente, queriam um messias glorioso como Rei e Juiz, de acordo com a ideologia oficial. Jesus diz: "Eu não falo de todos vocês. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: Aquele que come pão comigo, é o primeiro a me trair!” João se refere a Judas, cuja traição vai ser anunciada logo em seguida (Jo 13,21-30).

João 13,18-20: Digo isto agora, para que creiais que EU SOU.  Foi por ocasião da libertação do Egito ao pé do Monte Sinai, que Deus revelou o seu nome a Moisés: “Estou com você!” (Ex 3,12), “Estou que Estou” (Ex 3,14), “Estou” ou “Eu sou” me mandou até vocês!” (Ex 3,14), O nome Javé (Ex 3,15) expressa a certeza absoluta da presença libertadora de Deus junto do seu povo. De muitas maneiras e em muitas ocasiões esta mesma expressão Eu Sou  ou Sou Eu é usada por Jesus (Jo 8,24; 8,28; 8,58; Jo 6,20; 18,5.8; Mc 14,62; Lc 22,70). Jesus é a presença do rosto libertador de Deus no meio de nós.

4) Para um confronto pessoal

1) O servo não é maior que o seu senhor. Como faço da minha vida um serviço permanente aos outros?

2) Jesus soube conviver com pessoas que não o aceitavam. E eu consigo?

 

5) Oração final

Vou cantar para sempre a bondade do SENHOR; anunciarei com minha boca sua fidelidade de geração em geração. Pois disseste: “Minha bondade está de pé para sempre”. Estabeleceste tua fidelidade nos céus. (Sl 88, 2-3)

Libertado por volta das 23h locais desta quarta-feira, 11 de maio, o cardeal de 90 anos foi acusado de "conluio com forças estrangeiras" em relação com seu papel de administrador do 612 Humanitarian Relief Fund. Ele foi detido na noite do dia anterior pela seção de polícia criada para supervisionar a segurança nacional.

 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

O cardeal Joseph Zen, 90 anos, que de 2002 a 2009 foi bispo católico da Diocese de Hong Kong, foi preso esta terça-feira, 10 de maio, pelas autoridades de Hong Kong.  O purpurado foi solto sob fiança esta quarta-feira, por volta das 23h locais (12 de Brasília), como relatado por jornalistas de Hong Kong que também postaram fotos de Zen fora da delegacia de polícia de Wan Chai nas redes sociais. Ao sair, o cardeal entrou imediatamente em um carro particular estacionado nas proximidades, sem fazer nenhum comentário. Acompanhavam-no cinco pessoas.

 

Detenção e acusação

O purpurado tinha sido detido na noite de terça-feira pela seção de polícia criada para supervisionar a segurança nacional chinesa; de acordo com fontes locais, ele estaria agora em uma delegacia de polícia para ser interrogado. A acusação contra o cardeal é "conluio com forças estrangeiras", em relação com seu papel de administrador do 612 Humanitarian Relief Fund (Fundo de Auxílio Humanitário), um fundo que apoiou os manifestantes pró-democracia no pagamento das despesas legais e médicas que enfrentaram. "A Santa Sé tomou conhecimento com preocupação da notícia da prisão do cardeal Zen e está acompanhando a evolução da situação com extrema atenção", afirmou na tarde desta quarta-feira, 11 de maio, o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Matteo Bruni, em resposta às perguntas dos jornalistas.

 

Outras três prisões

O cardeal salesiano foi um dos administradores da organização, fundada em 2019 e dissolvida em outubro do ano passado. Além dele, as autoridades também prenderam outros promotores do Fundo, incluindo a conhecida advogada Margaret Ng, ex-deputada da oposição; o acadêmico Hui Po-keung e a cantora e compositora Denise Ho. A detenção deles foi confirmada por fontes legais de Hong Kong. Também eles, segundo fontes locais, teriam sido libertados sob caução.

 

A investigação

A mídia local noticiou a prisão, dizendo que a investigação das Forças da ordem se concentra no suposto "conluio" do Fundo 612 com forças estrangeiras, em violação à lei de segurança nacional imposta por Pequim em junho de 2020. A acusação que os quatro detidos enfrentam é um dos quatro delitos previstos pela Lei de Segurança Nacional da cidade - e condenada internacionalmente - para arrefecer protestos pró-democracia em Hong Kong. Os outros delitos são subversão, secessão e terrorismo e podem levar a sentenças de prisão perpétua.

Já nos últimos meses, alguns meios de comunicação de Hong Kong acusaram o bispo emérito de incitar os estudantes a se revoltarem em 2019 contra uma série de medidas governamentais. No passado, Zen se expôs em primeira pessoa por ter criticado o Partido Comunista chinês, denunciando pressões e perseguições a comunidades religiosas. Fonte: https://www.vaticannews.va 

BERLIM, 04 mai. 22 / 03:35 pm (ACI).- A diocese alemã de Trier, liderada pelo bispo Stephan Ackermann, anunciou a suspensão da causa de beatificação do padre Joseph Kentenich, fundador do movimento internacional de Schoenstatt, informou a CNA Deustch, agência em alemão do grupo ACI, na terça-feira (3).

"As discussões dos últimos dois anos mostraram que há necessidade de uma investigação completa da pessoa e da obra de Joseph Kentenich", disse o bispo. "Por isso, acolherei as investigações correspondentes nos próximos anos", acrescentou.

"Sou consciente de que a suspensão do processo de beatificação é uma medida dolorosa para a família de Schoenstatt", disse o bispo.

Em 2020, o bispo de Trier anunciou que criaria uma comissão de historiadores para analisar a causa de beatificação do padre Kentenich, após denúncias de que ele havia agido de forma coerciva e manipuladora contra as freiras do Instituto Secular das Irmãs Marianas de Maria de Schoenstatt. Em 2021, o bispo disse que estabeleceria um "grupo de especialistas".

Segundo a diocese de Trier, a decisão de interromper o processo de beatificação foi discutida com a Congregação para as Causas dos Santos da Santa Sé.

Ao tomar conhecimento da decisão, a presidência geral da Obra Internacional de Schoenstatt publicou um comunicado no qual afirma: "Acolhemos esta decisão, sem deixar de agradecer à diocese o trabalho realizado até agora em relação a este processo. Schoenstatt aproveitará a suspensão do processo de beatificação para uma nova e intensa elaboração dos contextos históricos".

"Anteriormente era necessário reserva e sigilo devido ao processo de beatificação em curso, agora as questões e conclusões podem ser tratadas e comunicadas com a necessária abertura. Estão em curso considerações sobre o marco em que a investigação será prosseguida", acrescenta.

O padre Joseph Kentenich fundou o Movimento Apostólico de Schoenstatt na Alemanha em 1914. Ele foi para os Estados Unidos em 1951 e foi autorizado a retornar à Alemanha em outubro de 1965. Morreu três anos mais tarde e o processo de beatificação começou em 1975.

O movimento, que inclui padres, mulheres consagradas e leigos, está presente em 42 países e se concentra na formação espiritual e na espiritualidade mariana.

Schoenstatt, na diocese de Trier, ainda é a sede principal do movimento.

Em 2020, a teóloga e historiadora da Igreja Alexandra von Teuffenbach publicou uma investigação sobre o movimento de Schoenstatt.

A investigação revelou que o padre Kentenich teria um poder manipulador e coercitivo sobre as mulheres consagradas no movimento, às vezes de natureza sexual.

O movimento nega as alegações de que seu fundador era abusivo. Fonte: https://www.acidigital.com

1) Oração

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 10, 22-30)

Naquele tempo, 22Em Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. 23Jesus andava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente!” 25Jesus respondeu: “Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. 26Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu lhes dou a vida eterna. Por isso, elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

 

3) Reflexão

Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados “O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras. Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam. Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de pensar e de agir.  Hoje também, cada um de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz uma luz a este respeito.

João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus.  Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59). Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo, no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão direito de falar e de atuar.

João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão testemunho de mim.  A resposta de Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava faltando nos fariseus.

João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz.  Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento  -  entre Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade  -  é fonte de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.

João 10,29-30: Eu e o Pai somos um.  Estes dois versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre  faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30). A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz” (Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?

2) Jesus não se submeteu às exigências dos que queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?

 

5) Oração final

Deus tenha pena de nós e nos abençoe, faça brilhar sobre nós a sua face. para que se conheça na terra o teu caminho, entre todos os povos a tua salvação. (66, 2-3) 

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO- Com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, - Direto  de Angra dos Reis/RJ, deixa para você um olhar sobre o Evangelho do dia. 9 de maio-2022.): 3º Domingo da Páscoa- Ano Litúrgico C.  (Jo 10,1-10)

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Celebramos no próximo dia 8 de maio, segundo domingo de maio, o Dia das Mães aqui no Brasil e em algumas partes do mundo. O Dia das Mães aqui no Brasil ocorre no mês de maio, que é o mês mariano por excelência e quando celebramos a memória de Nossa Senhora de Fátima. Maria é o exemplo de Mãe para todas as mães e, para nós, é importante que o Dia das Mães ocorra neste mês. Todas as mães devem se espelhar no exemplo de Maria como esposa e mãe que em tudo fez a vontade de Deus.  

Atualmente, há muita inversão de valores, seja pela própria crise ideológica em que não querem mais festejar esse dia, seja porque, os filhos não respeitam as suas mães, não cuidam delas na velhice e acabam esquecendo de quem os colocou no mundo. Não devemos apenas nos lembrar das mães no Dia das Mães, mas durante todos os dias do ano. Não é somente nesse dia que devemos presentear as nossas mães, mas devemos nos fazer presentes todos os dias na vida delas.  

Nesse Dia das Mães, procuremos ir à celebração Eucarística com nossas mães. Se elas já faleceram, coloque o nome delas em intenção na missa. Se elas ainda estão vivas, encontrem-se com as suas mães, façam uma refeição em família, especialmente com suas mães, ou se não for possível porque resida distante, façam um telefonema ou uma chamada de vídeo pelo aplicativo do celular. O importante é não esquecer da data. É claro que o Dia das Mães é todos os dias, não somente nesse dia, essa data é mais comercial, mas é a oportunidade de agradecer a presença de nossas mães junto de nós. Faz parte de nossa psicologia humana o relacionamento com nossas mães. Mesmo na falta delas somos chamados a encontrar caminhos para compensar esse relacionamento. 

As mães são muito importantes para nós, pois nos deram a vida e cuidaram de nós e sempre que precisarmos, estarão dispostas a cuidar de nós. Mesmo que os filhos saiam de casa por algum motivo, seja casamento ou morar sozinhos e não dê certo e desejam voltar para casa, as mães são as primeiras a acolher os filhos de volta de braços abertos. Por isso, as mães são de grande importância na vida dos filhos. Mesmo na velhice, na hora da dificuldade, os filhos clamam por suas mães. 

Quando rezamos o terço, oferecemos rosas para Nossa Senhora, podemos durante o mês de maio rezar o terço e colocar como intenção de todas as nossas mães e assim, em cada ave-maria, oferecer rosas para elas, também. Esse é o maior e melhor presente que podemos oferecer para nossas mães, rezar por elas e agradecê-las por nos ter dado a vida.  

Convivemos nos últimos dois anos com a pandemia da Covid-19, e não pudemos estar presentes como queríamos com nossas mães nesse dia dedicado a elas. Esse ano, com a pandemia um pouco mais tranquila, é a oportunidade de estarmos com elas, levarmos elas para almoçar em algum lugar ou reunir a família em casa. Reunir com elas, sobretudo, como forma de agradecer a presença delas em nossa vida.  

As mulheres são mães duas vezes, ou seja, mães e avós. Deus concedeu essa graça às mulheres. Que ensinemos aos nossos filhos a respeitarem as avós. Normalmente, são as avós que ensinam as primeiras orações aos netos, pois ficam com os netos enquanto os filhos trabalham. As avós desempenham um papel importante na vida dos netos. Que nesse Dia das Mães, os netos também possam estar com as avós e agradecer a presença delas em suas vidas.  

Algumas mães partem cedo para a vida eterna, por isso, temos que aproveitar cada minuto enquanto elas estão ao nosso lado, dizer que amamos a nossa mãe enquanto estamos aqui com elas, para que depois não seja tarde demais. Não colocar as nossas mães em casa de repouso e esquecer delas, mas cuidar delas até o último momento. O próprio mandamento da lei de Deus diz que devemos honrar pai e mãe e isso se dá até a velhice.  

Peçamos que Nossa Senhora, a Virgem de Fátima, proteja e abençoe todas as mães e que a exemplo da Virgem Maria as mães guardem tudo e meditem em seu coração. Que as mulheres e mães dos dias de hoje sofram menos violência e sejam mais respeitadas por seus filhos e maridos. As mães devem ser amadas e respeitadas e, ao invés de levantar as mãos para elas, devemos antes de tudo oferecer carinho e amor para elas.  

Tem muitas mulheres que são mães espirituais, pois cuidam de tantas pessoas com o carinho materno. Lembremos também da presença feminina na vida das pessoas necessitadas. As mulheres demoraram para conseguir o seu espaço na sociedade, como emprego, direito a voto, entre outros. Permitamos que elas continuem com esse espaço na sociedade e que enquanto elas trabalham fora, os filhos e marido cuidem da casa.  

Muitas mulheres são pais e mães, ou seja, cuidam da casa e dos filhos sozinhas, se desdobram para que tudo corra bem. Que os filhos reconheçam o esforço dessas mães e sejam reconhecidas nesse dia.  

Valorize a sua mãe, esteja junto com ela, faça com que esta data para ela seja uma data alegre e feliz, e que ela se orgulhe de ter você como filho e você tenha orgulho de tê-la como mãe. Antes de comprar presente, faça-se presente na vida dela, essa é melhor forma de gesto e carinho que podemos oferecer as nossas mães.  

Que Deus abençoe todas as mães e famílias do Brasil inteiro, para que sempre possam estar unidas pelo amor, se amando e se respeitando a cada dia. Amém. 

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós. Fonte: https://www.cnbb.org.br

A depressão num país deprimido

O alto índice da doença entre os brasileiros não terá relação direta com as estruturas políticas hojedeprimidas?

 

Flávio Tavares, O Estado de S.Paulo

O aumento dos casos de depressão no Brasil (que os especialistas qualificam como assustador) mostra algo que deveria ser entendido – ou resolvido – pela sociedade inteira, não apenas pelos diretamente afetados. Pesquisa recente do Ministério da Saúde nas 26 capitais estaduais e em Brasília aponta que mais de 11% dos brasileiros sofrem de depressão. A cifra supera, inclusive, os afetados por diabetes, que nos últimos anos aparecia como doença em avassaladora expansão.

Não busco substituir-me à psicanálise ou aos psicanalistas nem ser um panfletário Freud perscrutando os desvãos do inconsciente. Tento apenas chamar a atenção para as causas sociais de um distúrbio provocado, também, pelo ambiente cotidiano.

Sim, pois estamos cercados pelas atraentes e perigosas quinquilharias da sociedade de consumo. Não foi ao acaso que a pesquisa constatou que o endividamento pessoal tornou-se a principal causa da depressão, afetando mais do que tudo as mulheres. A compulsão por comprar “todas as novidades” – até as inalcançáveis – afeta todas as classes sociais, mas tem crescido nos setores médios, superando em muito os orçamentos domésticos.

Em consequência, surge o endividamento familiar e as dívidas crescem com os escorchantes juros bancários.

Os endividados buscam aliviar-se do peso da dívida e passam a beber, numa (falsa, mas habitual) tentativa de fugir do problema. O arco perigoso se completa, então, e surge o alcoolismo, estimulado pela tonitruante propaganda para consumir cerveja e similares. Com outros ingredientes, repete-se a situação dos anos 1930-1970 em que fumar era visto como elegante e de bom tom. Quando o cancioneiro argentino arrebatava o mundo ocidental, surgiu até um tango que pregava “fumar é um prazer”.

A pretendida e falsa fuga do endividamento através da bebida abre portas para os estados depressivos gerados pelo alcoolismo. O torpor típico dos deprimidos, que passam na cama todo tempo possível, agrava o quadro pela falta de exercícios físicos.

A pesquisa constatou, ainda, que as mulheres – aparentemente por problemas hormonais – têm o dobro do risco dos homens para desenvolverem a depressão.

A pandemia agravou e expandiu o quadro geral da depressão ao restringir a convivência e o contato pessoal. O distanciamento e o “trabalho em casa” nos protegem da covid-19, mas geram, igualmente, a solidão que alimenta o deprimido.

Hoje, especialmente nas grandes cidades, os psicanalistas vêm constatando um forte aumento dos casos de depressão entre os adolescentes. A vida tensa nas grandes cidades é uma das faces do problema, ao qual se juntam outros criados pela competição desenfreada da sociedade de consumo, em que, desde tenra idade, somos levados até a esmagar e destruir o outro para “vencer na vida”.

Trata-se, inclusive, da perda total da visão cristã que manda “amar ao próximo como a ti mesmo”. A ânsia de vencer passou a dominar a própria vida, não só o desporto, que é competição em si. Chegamos a competir conosco mesmos, gerando angústias que acabam em depressão.

Desconheço se a situação se resume ao Brasil ou se é, como penso, um fenômeno mundial gerado (ou agravado) pela ansiedade de consumir.

Entre nós, tudo cresceu a partir de janeiro de 2019, quando os atos iniciais do novo governo federal mostraram a confusa balbúrdia que aumentou nos tempos seguintes. As armas passaram a ter prioridade sobre o amor. Armai-vos uns aos outros substituiu o preceito que os Evangelhos resumem no “amai-vos uns aos outros”.

Em paralelo ao quadro geral de incentivo ao ódio, surgiu a pandemia, com o presidente da República desmobilizando a população nos cuidados com o novo coronavírus, que Jair Bolsonaro chamava de “gripezinha” sem importância.

Armou-se no País, desde então, uma situação de medo geral, quase pânico, com o presidente da República inventando, até, que a vacinação anticovid provocava aids.

A sucessão de disparates verbais veio acompanhada de um crescente aumento de preços dos bens essenciais de consumo, dos alimentos aos combustíveis. O índice geral de preços cresce a cada dia, tal qual o desemprego, que chega a mais de 11 milhões de brasileiros, mais que o dobro da população do Uruguai.

O fantasma da inflação reaparece como se fosse maldição da qual não podemos fugir. No recente 1.º de maio, porém, o Dia do Trabalho nada reivindicou aos trabalhadores nem expôs as penúrias do desemprego. Grupos bolsonaristas se concentraram nas ruas pedindo a dissolução do Supremo Tribunal Federal e a intervenção militar. Ou seja, reivindicaram a ditadura, num absurdo dos absurdos.

Não será isso – indago – uma inusitada forma de depressão generalizada, que abarca até o ambiente político, num país em que os partidos se transformaram em meros aglomerados de pessoas em busca de poder pessoal ou de negociatas? O alto índice de depressão não terá relação direta com as estruturas políticas hoje deprimidas?

* JORNALISTA E ESCRITOR, PRÊMIO JABUTI DE LITERATURA 2000 E 2005, PRÊMIO APCA 2004, É PROFESSOR APOSENTADO DA UnB. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br 

 

1) Oração

Ó Deus eterno e onipotente, que nestes dias vos mostrais tão generoso, dai-nos sentir mais de perto o vosso amor paterno para que, libertados das trevas do erro, sigamos com firmeza a luz da verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 6, 44-51)

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o ensinamento do Pai e o aprendeu vem a mim. 46Ninguém jamais viu o Pai, a não ser aquele que vem de junto de Deus: este viu o Pai. 47Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê, tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. 51“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo”.

 

3) Reflexão

Até agora, o diálogo era entre Jesus e o povo. Daqui para a frente, os líderes judeus começam a entrar na conversa, e a discussão se torna mais tensa.

João 6,44-46: Quem se abre para Deus, aceita Jesus e a sua proposta.  A conversa torna-se mais exigente. Agora são os judeus, os líderes do povo, que murmuram: "Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como é que ele pode dizer que desceu do céu?" (Jo 6,42) Eles pensavam conhecer as coisas de Deus. Na realidade, não as conheciam. Se fossem realmente abertos e fiéis a Deus, sentiriam dentro de si o impulso de Deus atraindo-os para Jesus e reconheceriam que Jesus vem de Deus, pois está escrito nos Profetas: 'Todos serão instruídos por Deus'. Todo aquele que escuta o Pai e recebe sua instrução vem a mim.

João 6,47-50: Vossos pais comeram o maná e morreram. Na celebração da páscoa, os judeus lembravam o pão do deserto. Jesus os ajuda a dar um passo. Quem celebra a páscoa, lembrando só o pão que os pais comeram no passado, vai acabar morrendo como todos eles! O verdadeiro sentido da Páscoa não é lembrar o maná que caiu do céu, mas sim aceitar Jesus como o novo Pão da Vida e seguir pelo caminho que ele ensinou. Agora já não se trata de comer a carne do cordeiro pascal, mas sim de comer a carne de Jesus, para que não pereça quem dele comer, mas tenha a vida eterna!

João 6,51: Quem comer deste pão viverá eternamente. E Jesus termina dizendo: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida."  Em vez do maná e em vez do cordeiro pascal do primeiro êxodo, somos convidados e comer o novo maná e o novo cordeiro pascal que é o próprio Jesus que se entregou na Cruz pela vida de todos.

O novo Êxodo. A multiplicação dos pães aconteceu perto da Páscoa (Jo 6,4). A festa da páscoa era a memória perigosa do Êxodo, a libertação do povo das garras do faraó. Todo o episódio narrado neste capítulo 6 do evangelho de João tem um paralelo nos episódios relacionados com a festa da páscoa, tanto com a libertação do Egito quanto com a caminhada do povo no deserto em busca da terra prometida. O Discurso do Pão da Vida, feito na sinagoga de Cafarnaum, está relacionado com o capítulo 16 do livro do Êxodo que fala do Maná. Vale a pena ler todo este capítulo 16 de Êxodo. Percebendo as dificuldades do povo no deserto, podemos compreender melhor os ensinamentos de Jesus aqui no capítulo 6 do evangelho de João. Por exemplo, quando Jesus fala de “um alimento que perece” (Jo 6,27) ele está lembrando o maná que estragava e perecia (Ex 16,20). Da mesma forma, quando os judeus “murmuram” (Jo 6,41), eles fazem a mesma coisa que os israelitas faziam no deserto, quando duvidavam da presença de Deus no meio deles durante a travessia (Ex 16,2; 17,3; Nm 11,1). A falta de alimentos fazia com que o povo duvidasse de Deus e começasse a murmurar contra Moisés e contra Deus. Aqui também os judeus duvidam da presença de Deus em Jesus de Nazaré e começam a murmurar (Jo 6,41-42).

 

4) Para um confronto pessoal

1) A eucaristia me ajuda a viver em estado permanente de Êxodo? Estou conseguindo?

2) Quem é aberto para a verdade encontra em Jesus a resposta. Hoje, muita gente se afasta e já não encontra a resposta. Culpa de quem? Das pessoas que não quer escutar? Ou de nós cristãos que não sabemos apresentar o evangelho como uma mensagem de vida?

 

5) Oração final

Vinde e escutai, vós todos que temeis a Deus, porque quero narrar-vos o que ele fez para mim. A ele gritei com minha boca e a minha língua o exaltou. (Sl 65, 16-17)

 

1) Oração

Permanecei, ó Pai, com vossa família e, na vossa bondade, fazei que participem eternamente da ressurreição do vosso Filho aqueles a quem destes a graça da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 6, 35-40)

Naquele tempo, 35disse Jesus às multidões: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Contudo, eu vos disse que me vistes, mas não credes. 37Todo aquele que o Pai me dá, virá a mim, e quem vem a mim eu não lançarei fora, 38porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Esta é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.

 

3) Reflexão

João 6,35-36: Eu sou o pão da vida. Entusiasmado com a perspectiva de ter o pão do céu de que falava Jesus e que dá vida para sempre (Jo 6,33), o povo pede: "Senhor, dá nos sempre desse pão!" (Jo 6,34). Pensavam que Jesus estivesse falando de um pão especial. Por isso, interesseiramente pede: “Dá-nos sempre desse pão!” Este pedido do povo faz lembrar a conversa de Jesus com a Samaritana. Jesus tinha dito que ela poderia ter dentro de si a fonte de água que brota para a vida eterna, e ela interesseiramente pedia: "Senhor, dá-me dessa água!" (Jo 4,15). A Samaritana não percebeu que Jesus não estava falando da água material. Da mesma maneira, o povo não se deu conta de que Jesus não estava falando do pão material. Por isso, Jesus responde bem claramente: "Eu sou o pão da vida! Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”. Comer o pão do céu é o mesmo que crer em Jesus. É crer que ele veio do céu como revelação do Pai. É aceitar o caminho que ele ensinou. Mas o povo, apesar de estar vendo Jesus, não acredita nele. Jesus percebe a falta de fé e diz: “Vocês me vêem, mas não acreditam”.

João 6,37-40: Fazer a vontade daquele que me enviou.  Depois da conversa com a Samaritana, Jesus tinha dito aos discípulos: "O meu alimento é fazer a vontade do Pai que está no céu!" (Jo 4,34). Aqui, na conversa com o povo a respeito do pão do céu, Jesus toca no mesmo assunto: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, e sim para fazer a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia. Sim, esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele acredita, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”  Este é o alimento que o povo deve buscar: fazer a vontade do Pai do céu. É este o pão que sustenta a pessoa na vida e lhe dá rumo. Aí começa a vida eterna, vida que é mais forte que a morte! Se estivessem realmente dispostos a fazer a vontade do Pai, não teriam dificuldade em reconhecer o Pai presente em Jesus.

João 6,41-43: Os judeus murmuram. O evangelho de amanhã começa com o versículo 44 (Jo 6,44-51) e salta os versículos 41 a 43. No versículo 41, começa a conversa com os judeus, que criticam Jesus. Damos aqui uma breve explicação do significado da palavra judeus no evangelho de João para evitar que uma leitura superficial alimente em nós cristãos o sentimento do anti-semitismo. Antes de tudo, é bom lembrar que Jesus era Judeu e continua sendo judeu (Jo 4,9). Judeus eram seus discípulos e discípulas. As primeiras comunidades cristãs eram todas de judeus que aceitavam Jesus como o Messias. Só depois, pouco a pouco, nas comunidades do Discípulo Amado, gregos e pagãos começam a ser aceitos em pé de igualdade com os judeus. Eram comunidades mais abertas. Mas tal abertura não era aceita por todos. Alguns cristãos vindos do grupo dos fariseus queriam manter a “separação” entre judeus e pagãos (At 15,5). A situação ficou mais crítica depois da destruição de Jerusalém no ano 70. Os fariseus se tornam a corrente religiosa dominante dentro do judaísmo e começam a definir as diretrizes religiosas para todo o povo de Deus: suprimir o culto em língua grega; adotar unicamente o texto bíblico em hebraico; definir a lista dos livros sagrados eliminando os livros que estavam só na tradução grega da Bíblia: Tobias, Judite, Ester; Baruc, Sabedoria, Eclesiástico e os dois livros dos Macabeus; segregar os estrangeiros; não comer nenhuma comida, suspeita de impureza ou de ter sido oferecida aos ídolos. Todas estas medidas assumidas pelos fariseus repercutiam nas comunidades dos judeus que aceitavam Jesus como Messias. Estas comunidades já tinham caminhado muito. A abertura para os pagãos era irreversível. A Bíblia em grego já era usada há muito tempo. Não podiam voltar atrás. Assim, lentamente, cresce um distanciamento mútuo entre cristianismo e judaísmo. As autoridades judaicas nos anos 85-90 começam a discriminar os que continuavam aceitando Jesus de Nazaré como Messias (Mt 5, 11-12; 24,9-13). Quem teimava em permanecer na fé em Jesus era expulso da sinagoga (Jo 9,34) . Muitos das comunidades cristãs sentiam medo desta expulsão (Jo 9,22), já que significava perder o apoio de uma instituição forte e tradicional como a sinagoga. Os que eram expulsos perdiam os privilégios legais que os judeus tinham conquistado ao longo dos séculos dentro do império. As pessoas expulsas perdiam até a possibilidade de ter um enterro decente. Era um risco muito grande. Esta situação conflituosa do fim do primeiro século repercute na descrição do conflito de Jesus com os fariseus. Quando o evangelho de João fala em judeus não está falando do povo judeu como tal, mas está pensando muito mais naquelas poucas autoridades farisaicas que estavam expulsando os cristãos das sinagogas nos anos 85-90, época em que o evangelho foi escrito. Não podemos permitir que esta afirmações sobre os façam crescer o anti-semitismo entre os cristãos.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Anti-semitismo: olhe bem dentro de você e arranque qualquer resto de anti-semitismo.

2) Comer o pão do céu é crer em Jesus. Como isto me ajuda a viver melhor a eucaristia?

 

5) Oração final

Aclamai a Deus, terra inteira, cantai hinos à glória do seu nome; dai glória em seu louvor. Dizei a Deus: “Como são estupendas as tuas obras! pela grandeza da tua força teus adversários se curvam diante de ti”. (Sl 65, 1-3)

BRASILIA, 29 abr. 22 / 03:24 pm (ACI).- Por ocasião do fim da etapa virtual da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a entidade divulgou a tradicional mensagem ao povo brasileiro. O texto recorda as eleições deste ano e afirma que “o cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança”. Além disso, diz que “duas ameaças merecem atenção especial”: a manipulação religiosa e a fake news.

A mensagem é assinada pelo arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, por dom Walmor Oliveira de Azevedo, pelo arcebispo de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da entidade, dom Jaime Spengler, pelo arcebispo nomeado de Cuiabá (RS) e segundo vice-presidente, dom Mário Antônio da Silva, e pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado.

A mensagem afirma que o Brasil passa por uma “complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política”, que foi acentuada com a pandemia de covid-19. Neste âmbito, a CNBB espera que os governantes “promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988”.

A mensagem ainda toca no processo eleitoral deste ano, que segundo a entidade está envolto “de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança”. A CNBB chama atenção para as ameaças ao pleito e faz um apelo pela democracia.

“Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro”, afirma a entidade.

Além disso, afirma que há a ameaça da “manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo”, e das fake news, que “modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder”.

 

Acompanhe o texto da mensagem na íntegra:

MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

59ª. Assembleia Geral da CNBB

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Guiados pelo Espírito Santo e impulsionados pela Ressurreição do Senhor, unidos ao Papa Francisco, nós, bispos católicos, em comunhão e unidade, reunidos para a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de modo on-line e com a representação de diversos organismos eclesiais, dirigimos ao povo brasileiro uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade, que tem marcado todo o País na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID-19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência. Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 660.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces.

Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade.

A grave crise sanitária encontrou o nosso País envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. A COVID-19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados.

O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, os criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum. Num sistema voraz de “exploração e degradação” notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes socioambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum.

Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e em outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres, não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal.

Diante deste cenário, esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados.

Nesse contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a “boa política”, como nos diz o Papa Francisco. Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral candidatos condenados em decisões colegiadas, e da Lei 9.840 de 1999, que criminaliza a compra de votos. Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral.

Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições.

Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental. A segunda é a disseminação das fake news, que através da mentira e do ódio, falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco.

Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve. Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e pela paz.

Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho. Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós. Fonte: https://www.acidigital.com