1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 14, 1-6)

1Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam. 2Havia ali um homem hidrópico. 3Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado? 4Eles nada disseram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado? 6A isto nada lhe podiam replicar.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz mais um episódio de discussão entre Jesus e os fariseus, acontecido durante a longa viagem de Jesus desde a Galileia até Jerusalém. É muito difícil de situar este fato no contexto da vida de Jesus. Existem semelhanças com um fato narrado no evangelho de Marcos (Mc 3,1-6). Provavelmente, trata-se de uma das muitas histórias transmitidas oralmente e que, na transmissão oral, foram sendo adaptadas de acordo com a situação, as necessidades e as esperanças do povo das comunidades.

Lucas 14,1: O convite em dia de sábado

“Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam”. Esta informação inicial sobre refeição na casa de um fariseu é o gancho para Lucas contar vários episódios que falam da refeição: cura do homem doente (Lc 14,2-6), escolha dos lugares à mesa (Lc 14,7-11), escolha dos convidados (Lc 14,12-14), convidados que recusam o convite (Lc 14,15-24). Muitas vezes Jesus é convidado pelos fariseus para participar das refeições. No convite deve ter havido também um motivo de curiosidade e um pouco de malícia. Querem observar Jesus de perto para ver se ele observa em tudo as prescrições da lei.

Lucas 14,2: A situação que vai provocar a ação de Jesus

“Havia um homem hidrópico diante de Jesus”. Não se diz como um hidrópico pôde entrar na casa do chefe dos fariseus. Mas se ele está diante de Jesus é porque quer ser curado. Os fariseus que o observam Jesus. Era dia de sábado, e em dia de sábado é proibido curar. O que fazer? Pode ou não pode?

Lucas 14,3: A pergunta de Jesus aos escribas e fariseus

“Tomando a palavra, Jesus falou aos especialistas em leis e aos fariseus: "A Lei permite ou não permite curar em dia de sábado?"  Com a sua pergunta Jesus explicita o problema que estava no ar: pode ou não pode curar em dia de sábado? A lei permite, sim ou não? No evangelho de Marcos, a pergunta é mais provocadora: “Em dia de sábado pode fazer o bem ou o mal, salvar ou matar?” (Mc 3,4).

Lucas 14,4-6: A cura

Os fariseus não responderam e ficaram em silêncio. Diante do silêncio de quem não aprova nem desaprova, Jesus tomou o homem pela mão, o curou, e o despediu. Em seguida, para responder a uma possível crítica, explicitou o motivo que o levou a curar: "Se alguém de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tiraria logo, mesmo em dia de sábado?"  Com esta pergunta Jesus mostra a incoerência dos doutores e dos fariseus. Se qualquer um deles, em dia de sábado, não vê problema nenhum em socorrer a um filho ou até a um animal, Jesus também tem o direito de ajudar e curar o hidrópico. A pergunta de Jesus evoca o salmo, onde se diz que o próprio Deus socorres a homens e animais (Sl 36,8). Os fariseus “não foram capazes de responder a isso” . Pois diante da evidência não há argumento que a negue.

 

4) Para um confronto pessoal

1) A liberdade de Jesus diante da situação. Mesmo observado por quem não o aprova, ele não perde a liberdade. Qual a liberdade que existe em mim?

2) Há momentos difíceis na vida, em que somos obrigados a escolher entre a necessidade imediata de um próximo e a letra da lei. Como agir?

 

5) Oração final

Louvarei o Senhor de todo o coração, na assembleia dos justos e em seu conselho. Grandes são as obras do Senhor, dignas de admiração de todos os que as amam. (Sl 110, 1-2)

 

1) Oração

Ó Deus, que, pela pregação dos Apóstolos, nos fizestes chegar ao conhecimento do vosso Evangelho, concedei, pelas preces de São Simão e São Judas, que a vossa Igreja não cesse de crescer, acolhendo com amor novos fiéis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 6, 12-19)

12Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.13Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos:14Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,15Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;16Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.17Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.18E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.19Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.

 

3) Reflexão  Lucas 6, 12-19

O evangelho de hoje é o mesmo de 9 de setembro. Ele traz dois assuntos: (1) descreve a escolha dos doze apóstolos (Lc 6,12-16) e (2) informa que uma multidão imensa de gente queria encontrar-se com Jesus para ouvi-lo, tocar nele e ser curada (Lc 6,17-19).

Lucas 6,12-13: Jesus passa noite em oração e escolhe os doze apóstolos

Antes de fazer a escolha definitiva dos doze apóstolos, Jesus subiu a uma montanha e passou uma noite inteira em oração. Rezou para saber a quem escolher e escolheu os Doze, cujos nomes estão registrados nos evangelhos. A eles deu o título de apóstolo. Apóstolo significa enviado, missionário. Eles foram chamados para realizar uma missão, a mesma que Jesus recebeu do Pai (Jo 20,21). Marcos concretiza mais a missão e diz que Jesus os chamou para estar com ele e enviá-los em missão (Mc 3,14).

Lucas 6,14-16: Os nomes dos doze apóstolos

Com pequenas diferenças os nomes dos Doze são iguais nos evangelhos de Mateus (Mt 10,2-4), Marcos (Mc 3,16-19) e Lucas (Lc 6,14-16). Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento: Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que o nome de Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também se chamava Levi (Mc 2,14), que foi outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete tem nome que vem do tempo dos patriarcas: duas vezes Simão, duas vezes Tiago, duas vezes Judas, e uma vez Levi! Isto revela a sabedoria do povo. Através dos nomes dos patriarcas e das matriarcas, dados aos filhos e filhas, eles mantinham viva a tradição dos antigos e ajudavam seus filhos a não perder a identidade. Quais os nomes que nós damos hoje para os nossos filhos e filhas?

Lucas 6,17-19: Jesus desce da montanha e a multidão o procura

Ao descer da montanha com os doze, Jesus encontrou uma multidão imensa de gente que o procurava para ouvir sua palavra e tocá-lo, porque dele saía uma força de vida. Nesta multidão havia judeus e estrangeiros, pois vinham da Judéia e também lá de Tiro e Sidônia. É o povo abandonado, desorientado. Jesus acolhe a todos que o procuram. Judeus e pagãos! Aqui transparece o ecumenismo, a abertura universal da missão, tema preferido de Lucas que escreve para pagãos convertidos.

As pessoas chamadas por Jesus, consolo para nós.

Os primeiros cristãos lembraram e registraram os nomes dos Doze apóstolos e de outros homens e mulheres que seguiram Jesus de perto. Os Doze, chamadas por Jesus para formar com ele a primeira comunidade, não eram santos. Eram pessoas comuns, como todos nós, com suas virtudes e seus defeitos. Os evangelhos informam muito pouco sobre o jeito e o caráter de cada um deles. Mas o pouco que informam é motivo de consolo para nós. 

Pedro era uma pessoa generosa e entusiasta (Mc 14,29.31; Mt 14,28-29), mas na hora do perigo e da decisão, o coração dele encolhia e voltava atrás (Mt 14,30; Mc 14,66-72). Chegou a ser satanás (Mc 8,33) e pedra de tropeço (Mt 16,23). Negou Jesus na hora do perigo (Lc 22,56-62). Jesus deu a ele o apelido de Pedra . Pedro, ele por si mesmo, não era Pedra. Tornou-se pedra (rocha), porque Jesus rezou por ele (Lc 22,31-32).

Tiago e João estavam dispostos a sofrer com e por Jesus (Mc 10,39), mas eram muito violentos (Lc 9, 54). Jesus os chamou “filhos do trovão” (Mc 3,17). João parecia ter um certo ciúme, pois queria Jesus só para o grupo dele e proibiu os outros usar o nome de Jesus para expulsar demônios (Mc 9,38).

Filipe tinha um jeito acolhedor. Sabia colocar os outros em contato com Jesus (Jo 1,45-46), mas não era muito prático em resolver os problemas (Jo 12,20-22; 6,7). Às vezes, era meio ingênuo. Teve hora em que Jesus perdeu a paciência com ele: “Mas Filipe, tanto tempo que estou com vocês, e ainda não me conhece?” (Jo 14,8-9)

André, irmão de Pedro e amigo de Filipe, era mais prático. Filipe recorre a ele para resolver os problemas (Jo 12,21-22). Foi André que chamou Pedro (Jo 1,40-41), e foi André que encontrou o menino com cinco pãezinhos e dois peixes (Jo 6,8-9).

Bartolomeu parece ter sido o mesmo que Natanael. Este era bairrista e não podia admitir que algo de bom pudesse vir de Nazaré (Jo 1,46).

Tomé foi capaz de sustentar sua opinião, uma semana inteira, contra o testemunho de todos os outros (Jo 20,24-25). Mas quando viu que estava equivocado, não teve medo de reconhecer seu erro (Jo 20,26-28). Era generoso, disposto a morrer com Jesus (Jo 11,16).

Mateus ou Levi era publicano, cobrador de impostos, como Zaqueu (Mt 9,9; Lc 19,2). Os publicanos eram pessoas comprometidas com o sistema opressor da época.

Simão, ao contrário, parece ter sido do movimento que se opunha radicalmente ao sistema que o império romano impunha ao povo judeu. Por isso tinha o apelido de Zelota (Lc 6,15). O grupo dos Zelotas chegou a provocar uma revolta armada contra os romanos.

Judas era o que tomava conta do dinheiro do grupo (Jo 13,29). Ele chegou a trair Jesus.

Tiago de Alfeu e Judas Tadeu, destes dois os evangelhos nada informam a não ser o nome.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Jesus passou a noite inteira em oração para saber a quem escolher, e escolheu estes doze! Qual a lição que você tira deste gesto de Jesus?

2) Os primeiros cristãos lembravam os nomes dos doze apóstolos que estavam na origem das suas comunidades. Você lembra dos nomes das pessoas que estão na origem da comunidade a que você pertence? Você lembra o nome de alguma catequista ou professora que foi significativa para a sua formação cristã. O que mais lembra delas: o conteúdo que lhe ensinaram ou o testemunho que deram?

 

5) Oração final

Exaltai o Senhor nosso Deus, prostrai-vos ante seu santo monte, porque santo é o Senhor, nosso Deus. (Sl 99, 9)

 

Ana Maria e Huber: marido, morto pela Covid-19, tinha expectativa de ressuscitar no terceiro dia Foto: Arquivo pessoal

 

Casada por 26 anos com Huber Rodrigues, que foi vítima de complicações da Covid-19, ela conta que recorreu à Justiça para atender a desejo do marido que, em carta de 2008, escreveu que voltaria à vida depois de três dias de velório

 

Carla Rocha e Raphaela Ramos

RIO — "Deus tem a forma Dele de ressuscitar. Ressuscitar, para Deus, pode ser levar um espírito para o céu". A frase é de Ana Maria Oliveira Rodrigues, de 56 anos. De filha de lavrador que plantava milho e soja em Joviânia, no interior de Goiás, ela se tornou celebridade, da noite para o dia, em Goiatuba, cidade vizinha de sua terra natal, onde passou a morar. Na segunda-feira à noite, o tempo parou no local de pouco mais de 35 mil habitantes. Centenas de pessoas foram para a porta da funerária Paz Universal esperar o momento em que o marido de Ana Maria, o pastor Huber Rodrigues, de 49 anos, ressuscitaria. Não aconteceu. Por volta de meia-noite, o estabelecimento, que existe há 44 anos na região, deu início à cerimônia de despedida que, pela primeira vez, aconteceria de madrugada. A pedidos.

Com o coração na mão e dividida até o último minuto, porque temia que a profecia que o próprio marido fez constar em documento em 2008 não se cumprisse, Ana Maria não se envergonha, apesar de algumas pessoas terem transformado o caso em piada. Os cristãos queriam um milagre, que consistiria em Huber sair do caixão com as próprias pernas. Os céticos, por sua vez, só assistiam a distância por pura diversão. Uma "live" acompanhava os acontecimentos em tempo real.  

— Não me importo com as brincadeiras, eu entendo. Mas muita gente que estava do lado de fora da capela viu um clarão no céu na hora em que o Huber tinha pedido para ser feito o sepultamento. Ele foi muito claro quanto ao horário. Ele tinha muito medo de ser enterrado vivo — conta Ana Maria, lembrando que, além da luz repentina, começou a chover. — Deus sabe o que faz, a minha fé não ficou abalada, muito pelo contrário, foi avivada. Eu estou com a minha consciência tranquila de que atendi a um pedido do meu marido, que tanto bem fez para esta comunidade.

Quando os dois se conheceram, Ana Maria era solteira e tinha 30 anos, e Huber, mais novo, 23. Os dois nunca puderam ter filhos e saíram de Joviânia para tentar uma vida melhor em Goiatuba. Lá, enfrentaram "atribulações". Criada numa família religiosa - "minha mãe era católica de verdade" -, ela passou a dormir mal à noite, e o marido a ter episódios de desmaios que acabavam nas emergências da região. Formada técnica em contabilidade, ela acredita que a situação foi superada à medida que os dois foram cada vez mais mergulhando na religiosidade. Convidada por amigos, ela passou a frequentar um templo evangélico. "Vivíamos um para o outro e para o ministério", diz, acrescentando que, sem filhos, sentia até então um vazio no peito que só o coração da mulher entende.

— Só quem não pôde ter filhos sabe o que é isso. Logo que casamos, o médico me examinou e disse que eu não podia ter um bebê, sem explicar a razão. E eu não procurei saber. Acho que ele falou assim para evitar mais sofrimento — recorda-se Ana Maria, que tem sete irmãos que se revezam no apoio emocional a ela desde que o marido adoeceu.

O casal teve Covid-19 junto. Ana Maria se recuperou em casa, Huber um dia após os primeiros sintomas foi internado e intubado. Em 26 anos de união, foi a primeira vez que ela passou mais de um mês sem vê-lo.

— Mas ele começou a melhorar e melhorar. Pela graça de Deus porque ele ficou muito grave, a ponto de fazer hemodiálise, dia sim, dia não. Os médicos falavam que ele estava se recuperando, retiraram do tubo e só o deixaram na UTI para ter um suporte de oxigênio. Eu avisava todos os dias à família dele, dava notícias, estávamos esperando a alta. Passamos a nos ver pela câmera do celular porque, devido à pandemia,  ninguém pode entrar no hospital (Itumbiara, a cerca de 50km de Goiatuba). Na quinta-feira, foi a última vez que nos vimos. Eu estava no nosso ministério e outros missionários também viram como ele estava pela câmera do celular. No sábado, entretanto, houve uma piora e ele partiu após ter uma parada cardiorrespiratória.

O tom de realismo fantástico, descambando para o deboche, que parte da população local deu ao velório prolongado de Huber não a incomoda. Ana Maria se manteve firme no propósito de velar o corpo do marido por três dias. Numa carta escrita  há 13 anos, ele dizia que era o tempo necessário para ser agraciado pelo "Mistério de Deus". Na previsão, o pastor afirmava: "minha integridade física tem que ser totalmente preservada, pois ficarei por três dias morto, sendo que no terceiro dia eu ressuscitarei. Meu corpo durante os três dias não terá mau cheiro  nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência". Pelas instruções deixadas pelo marido, que morreu no sábado de manhã, o enterro só poderia acontecer na segunda-feira às 23h30. Ana Maria ainda esperou mais dez minutos. Quando finalmente o caixão começou a baixar na cova, parte da multidão gritava: "abre! abre! abre!". Queriam ter a prova de que a premonição, soprada pelo Espírito Santo nos ouvidos de Huber, não se completara.

— Na hora, você pensa: "Deus, não vai acontecer?" Não foi fácil para mim, fiz tudo com toda a minha alma e minha fé. De fato, eu sou testemunha de que ele não exalava qualquer mau cheiro. A pele dele era íntegra, mesmo sem ter passado pelos procedimentos de conservação do corpo. Isso nunca aconteceria, numa situação normal, com uma pessoa que estivesse morta há tanto tempo, porque o odor seria muito forte. Fui todos os dias à capela vê-lo, estava intacto. Acho que só Deus sabe os motivos de as coisas terem acontecido desse jeito. As pessoas que não são tão espirituais não acreditam, eu entendo a reação— diz Ana Maria, que não espera ter problemas com a Justiça, embora a Vigilância Sanitária da Prefeitura de Goiatuba tenha autuado a funerária e aberto um processo administrativo por infração sanitária porque o corpo não foi submetido à tanatopraxia, quando é embalsamado para suportar um período maior de tempo até o sepultamento.

— A funerária e a família me procuraram para pedir autorização. Mas eu não poderia dar. As regras da Anvisa não permitem. O corpo, dependendo das condições, exala mau cheiro e elimina substâncias que podem ser prejudiciais à saúde das pessoas — explica o farmacêutico Luciano Borges Chaves, fiscal da Vigilância.

O casal faz parte de uma comunidade que já representa cerca de 30% dos praticantes de alguma religião no país, segundo pesquisa do DataFolha divulgada no ano passado. Pelos números, 50% dos brasileiros são católicos, 31% evangélicos e 10% não têm religião. Uma proporção que cresceu em relação ao último Censo de 2010, quando havia 42.275.440 evangélicos no Brasil, 22,2% da população à época. O professor Valdemar Figueiredo, doutor em Ciência Política, pastor e membro do Instituto Mosaico, afirma que a situação causa um assombro por acontecer em pleno século XXI:

— Mesmo quem é religioso leva um susto quando se depara com pessoas que acreditam dessa forma. Remete a um tempo bíblico em que Lázaro estava morto e Jesus o chama à vida. Mas estamos falando de um tempo em que não havia laudo médico, atestado de óbito, além de ser uma narrativa muito mais poética do que um texto objetivo — observa. 

Homem de fé e também evangélico, o gerente da funerária Paz Universal, José Dourado, explica que estranhou o pedido, mas acredita em milagres. Ele lembra que a Bíblia - "em outros tempos, é claro" - mostra que é possível. Além disso, ressalta que o objetivo do serviço funerário é amparar a família do morto da melhor forma. 

— Como cristão, acreditei que pudesse acontecer um milagre. A gente vive e está todo dia aprendendo. Não aconteceu com Lázaro? — indaga ele que acompanhou toda a cerimônia até a descida do caixão excepcionalmente na madrugada de segunda para terça-feira. 

A Igreja Assembleia de Deus Maranata (Catedral dos Milagres), que o casal mantinha em parceria, vai continuar de portas abertas, de acordo com Ana Maria, que foi auxiliar administrativa quando mais jovem enquanto Huber foi motorista de ônibus:

— Eu era a mulher do pastor, agora eu tocarei a obra do Senhor. Fonte: https://oglobo.globo.com 

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 13, 22-30)

22Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus ia atravessando cidades e aldeias e nelas ensinava.23Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os homens que se salvam? Ele respondeu:24Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão.25Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei de onde sois.26Direis então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas praças.27Ele, porém, vos dirá: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim todos vós que sois malfeitores.28Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós serdes lançados para fora.29Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão à mesa no Reino de Deus.30Há últimos que serão os primeiros, e há primeiros que serão os últimos.

 

3) Reflexão   Lucas 13, 22-30

O evangelho de hoje traz mais um episódio acontecido durante a longa caminhada de Jesus desde a Galiléia até Jerusalém, cuja descrição ocupa mais de uma terça parte do evangelho de Lucas (Lc 9,51 a 19,28).

Lucas 13,22: A caminho de Jerusalém

“Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo caminho para Jerusalém”.  Mais uma vez Lucas menciona que Jesus está a caminho de Jerusalém. Durante os dez capítulos que descrevem a viagem até Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28), Lucas, constantemente, lembra que Jesus está a caminho de Jerusalém (Lc 9,51.53.57; 10,1.38; 11,1; 13,22.33; 14,25; 17,11; 18,31; 18,37; 19,1.11.28). O que é claro e definido, desde o começo, é o destino da viagem: Jerusalém, a capital, onde Jesus será preso e morto (Lc 9,31.51). Raramente, informa o percurso e os lugares por onde Jesus passava. Só no começo da viagem (Lc 9,51), no meio (Lc 17,11) e no fim (Lc 18,35; 19,1), ficamos sabendo algo a respeito do lugar por onde Jesus estava passando. Deste modo, Lucas sugere o seguinte ensinamento: temos que ter claro o objetivo da nossa vida, e assumi-lo decididamente como Jesus fez. Devemos caminhar. Não podemos parar. Nem sempre, porém, é claro e definido por onde passamos. O que é certo é o objetivo: Jerusalém, onde nos aguarda o “êxodo” (Lc 9,31), a paixão, morte e ressurreição.

Lucas 13,23: A pergunta sobre os número dos que se salvam

Nesta caminhada para Jerusalém acontece de tudo: informações sobre massacres e desastres (Lc 13,1-5), parábolas (Lc 13,6-9.18-21), discussões (Lc 13,10-13) e, no evangelho de hoje, perguntas do povo: "Senhor, é verdade que são poucos aqueles que se salvam?"  Sempre a mesma pergunta em torno da  salvação!

Lucas 13,24-25: A porta estreita

Jesus diz que a porta é estreita: "Façam todo o esforço possível para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo: muitos tentarão entrar, e não conseguirão”.  Será que Jesus diz isto só para encher-nos de medo e obrigar-nos a observar a lei como ensinavam os fariseus? O que significa esta porta estreita? De que porta se trata? No Sermão da Montanha Jesus sugere que a entrada para o Reino tem oito portas. São as oito categorias de pessoas das bem-aventuranças: (1) pobres em espírito, (2) mansos, (3) aflitos, (4) famintos e sedentos de justiça, (5) misericordiosos, (6) puros de coração, (7) construtores da paz e (8) perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-10). Lucas as reduziu para quatro: (1) pobres, (2) famintos, (3) tristes e (4) perseguidos (Lc 6,20-22). Só entra no Reino quem pertence a uma destas categorias enumeradas nas bem-aventuranças. Esta é a porta estreita. É o novo olhar sobre a salvação que Jesus nos comunica. Não há outra porta! Trata-se da conversão que Jesus pede de nós. Ele insiste: "Façam todo o esforço possível para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo: muitos tentarão entrar, e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês vão ficar do lado de fora. E começarão a bater na porta, dizendo: Senhor, abre a porta para nós! E ele responderá: Não sei de onde são vocês”. Enquanto a hora do julgamento não chegar, é tempo favorável para a conversão, para mudar nossa visão sobre a salvação e entrar em uma das oito categorias.

Lucas 13,26-28: O trágico mal-entendido

Deus responde aos que batem na porta: “Não sei de onde são vocês”. Mas eles insistem e argumentam: Nós comíamos e bebíamos diante de ti, e tu ensinavas em nossas praças! Não basta ter convivido com Jesus, de ter participado da multiplicação dos pães e de ter escutado seus ensinamentos nas praças das cidades e povoados. Não basta ter ido à igreja e de ter participado das instruções do catecismo. Deus responderá: Não sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês que praticam injustiça!”. Mal-entendido trágico e falta total de conversão, de compreensão. Jesus declara injustiça aquilo que os outros consideram ser coisa justa e agradável a Deus. É uma visão totalmente nova sobre a salvação. A porta é realmente estreita.

Lucas 13,29-30: A chave que explica o mal-entendido

“Muita gente virá do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. Vejam: há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos".  Trata-se da grande mudança que se operou com a vinda de Deus até nós em Jesus. A salvação é universal e não só do povo judeu. Todos os povos terão acesso e poderão passar pela porta estreita.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Ter o objetivo claro e caminhar para Jerusalém: Será que tenho objetivos claros na minha vida  ou deixo-me levar pelo vento do momento da opinião pública?

2) A porta é estreita. Qual a visão que tenho da Deus, da vida, da salvação?

 

5) Oração final

Glorifiquem-vos, Senhor, todas as vossas obras, e vos bendigam os vossos fiéis. Que eles apregoem a glória de vosso reino, e anunciem o vosso poder. (Sl 144, 10-11)

O AMOR DE DEUS E AOS IRMÃOS!

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

 

A liturgia do 31° Domingo do Tempo Comum diz-nos que o amor está no centro da experiência cristã. O caminho da fé que, dia a dia, somos convidados a percorrer, resume-se no amor Deus e no amor aos irmãos – duas vertentes que não se excluem, antes se complementam mutuamente.

Somos convidados a expressar nosso amor incondicional a Deus, de quem nos aproximamos por meio de seu Filho. O Pai nos ama e quer que o amemos, amando nossos irmãos e irmãs. Neste dia da juventude, rezemos pelos jovens, chamados a ser testemunhas da esperança em meio a tanta dor e sofrimento, causados pelas consequências da pandemia da COVID-19.

A primeira leitura(Dt 6,2-6) apresenta-nos o início do “Shema’ Israel” – a solene proclamação de fé que todo o israelita devia fazer diariamente. É uma afirmação da unicidade de Deus e um convite a amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Ouvir e amar o Senhor: são dois imperativos muito fortes no Livro do Deuteronômio. O povo que se prepara para entrar na terra prometida não pode fazê-lo sem estar disposto a cumprir os mandamentos. Associado a esses dois verbos estão outros como recordar e temer. Somente assim se lembrarão do Deus misericordioso que os livrou da escravidão do Egito e os conduziu para um erra boa. Essa memória deverá encher os corações do povo de alegria, a fim de que vivam na santidade diante do seu libertador. É por isso que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, como afirma Provérbios(9, 10).

O Evangelho(Mc 12,28-34) diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor –  amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã. A Palavra do Senhor àquele que lhe pergunta sobre quem é o próximo é iluminadora para a nossa vida. Jesus ensina que não se pode amar a Deus sem amar o próximo e isso vale como medida para se entender a força dessa proximidade.

Quem ama não se permite insensibilidade e frieza. O mundo, por vezes, faz jogo sujo para nos anestesiar diante de realidade que nos pedem atitude. O amor não tolera inércia do outro humilhado na própria carne por ser pobre, migrante, encarcerado ou diferente.

A segunda leitura(Hb 7,23-28) apresenta-nos Jesus Cristo como o sumo-sacerdote que veio ao mundo para cumprir o projeto salvador do Pai e para oferecer a sua vida em doação de amor aos homens. Cristo, com a sua obediência ao Pai e com a sua entrega em favor dos homens, diz-nos qual a melhor forma de expressarmos o nosso amor a Deus. Jesus é o único e perfeito sacerdote da Nova Aliança. Vivendo na presença de Deus, exerce a função de mediador entre nós e Deus, dispensando a necessidade de outros mediadores. A santidade plena de Cristo torna perfeita a oferenda que Ele fez de si mesmo ao Pai, de uma vez para sempre.

A prova de nosso amor a Deus está no próximo. Não há como provar que amamos a Deus se não amamos as pessoas. Não há outros mandamentos maiores do que amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Tratam-se de dois amores que dispensam holocaustos e sacrifícios. Que possamos aprender hoje, agradecendo a Deus pelo mês das missões, que possamos buscar no Senhor a força para que aprendamos a amar sempre mais e realizar nossa missão com coração sincero e sempre voltado para Deus. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O PRIMADO DO AMOR

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba (MG)

 

Diante dos Mandamentos divinos, o amor tem uma vertente de primazia fundamental, até como dualidade de uma mesma moeda, que é “amar a Deus e amar o próximo”. Esse princípio, confirmado publicamente no Evangelho por Jesus, não foi praticado de forma precisa no Antigo Testamento, mesmo diante de uma exigência tão determinante pelos fariseus no cumprimento legalista da Lei antiga.

Hoje nós somos desafiados na prática do verdadeiro amor, porque depende de fidelidade ao Senhor, condição fundamental para receber de Deus as bençãos prometidas. Acontece que agimos com um formato de infidelidade e fechados para as realidades do alto. Há muita falta de temor e de adesão ao projeto bíblico, capaz de gerar vida em abundância, com fecundidade e longevidade.

Numa cultura de fortes polarizações ideológicas extremistas, onde as pessoas não conseguem agir de modo equilibrado, os ânimos ficam agitados e à flor da pele, dificultando muito o exercício do primado do amor. O que estamos vendo é a evidência dos interesses pessoais e de grupos, pouco abertos para as riquezas do amor fecundo de Deus, que envolve a interioridade e o agir humano.

O ideal e modelo de amor perfeito encontramos em Jesus Cristo, o sumo e eterno sacerdote que, obediente e cumpridor do Projeto de Deus-Pai, entregou sua vida no madeiro de uma cruz, como expressão maior de doação, abrindo caminho para a viabilidade do amor. Não pode ser uma prática de egoísmo, de vir a nós sem ir ao encontro do outro, mas de despojamento possível de vida.

 São fortes as oposições aos que lutam num amor coletivo, interpretado como ação social e política, que leva pessoas a se emanciparem de amarras que as impedem de ser livres e felizes. É um processo de conscientização para que cada indivíduo seja agente de seu próprio caminho. Os profetas do passado, como também os de hoje, são estigmatizados no exercício de profetismo.

Diante do legalismo vigente, Jesus foi interrogado sobre o sentido das inúmeras leis judaicas. Ele pontua o primado da lei do amor em dupla dimensão e como elemento essencial para a fé cristã: amar a Deus e amar o próximo. Sem isto, as demais leis do Decálogo tornam-se infecundas e sem efeito para a pessoa. Na prática do amor encontramos o paradigma do agir cristão no mundo. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 13, 10-17)

10Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado. 11Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se. 12Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença. 13Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus. 14Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado. 15Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber? 16Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado? 17Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.

 

3) Reflexão   Lucas 13, 10-17

O evangelho de hoje descreve a cura da mulher encurvada. Trata-se de um dos muitos episódios que Lucas vai narrando, sem muita ordem, ao descrever a longa caminhada de Jesus para Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28).

Lucas 13,10-11: A situação que vai provocar a ação de Jesus

Jesus está na sinagoga num dia do repouso. Ele cumpre a lei, guardando o sábado e participando da celebração com seu povo. Lucas informa que Jesus estava ensinando. Havia na sinagoga uma mulher encurvada. Lucas diz que um espírito de fraqueza a impedia de tomar posição reta. Era a maneira do povo daquele tempo explicar as doenças. Já fazia dezoito anos que a mulher estava nessa situação. Ela não fala, não tem nome, não pede para ser curada, não toma nenhuma iniciativa. Sua passividade chama a atenção.

Lucas 13,12-13: Jesus cura a mulher

Vendo a mulher, Jesus a chama e lhe diz: “Mulher, você está livre da sua doença!”. A ação de libertar é realizada pela palavra, dirigida diretamente à mulher, e pelo toque da imposição das mãos. Imediatamente, ela fica de pé e começa a louvar o Senhor. Há uma relação entre o colocar-se de pé e dar glória a Deus. Jesus faz a mulher ficar de pé, para que ela possa louvar a Deus no meio do povo reunido em assembleia. A sogra de Pedro, quando curada, levantou-se e se pôs a servir (Mc 1,31). Louvar a Deus e servir aos irmãos!

Lucas 13,14: A reação do chefe da sinagoga

O chefe da sinagoga ficou furioso com a ação de Jesus, por ele ter feito a cura num dia de sábado: “Há seis dias para o trabalho! Portanto, venham num destes dias para serem curados e não no dia de sábado!”. Na crítica do chefe da sinagoga ao povo ressoa a palavra da Lei de Deus que dizia: “Lembre-se do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé seu Deus. Não faça nenhum trabalho”. (Ex 20,8-10). Nesta reação autoritária do chefe temos uma chave para entender por que motivo o povo estava tão oprimido e por que a mulher não podia participar naquele tempo. A dominação das consciências através da manipulação da lei de Deus era muito forte. Era esta a maneira de eles manterem o povo submisso e encurvado.

Lucas 13,15-16: A resposta de Jesus ao chefe da sinagoga

O chefe condenou as pessoas porque ele queria que observassem a Lei de Deus. Aquilo que para o chefe da sinagoga é observância da lei de Deus, é hipocrisia para Jesus: "Hipócritas! Cada um de vocês não solta do curral o boi ou o jumento para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? Aqui está uma filha de Abraão que Satanás amarrou durante dezoito anos. Será que não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?" Com este exemplo tirado da vida diária, Jesus mostra a incoerência desse tipo de observância da lei de Deus. Se é permitido desamarrar um boi e um jumento em dia de sábado só para dar-lhes de beber, muito mais é permitido desamarrar uma filha de Abraão para liberta-la do poder do mal. O verdadeiro sentido da observância da Lei que agrada a Deus é este: libertar as pessoas do poder do mal e colocá-las de pé, para que possam glorificar a Deus e render-lhe homenagem. Jesus imita Deus que endireita os encurvados (Sl 145,14; 146,8).

Lucas 13,17: A reação do povo diante da ação de Jesus

  O ensinamento de Jesus deixa confusos os seus adversários, mas a multidão se enche de alegria pelas coisas maravilhosas que Jesus está realizando: “Toda a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus fazia”. Na Palestina do tempo de Jesus, a mulher vivia encurvada, submissa ao marido, aos pais e aos chefes religiosos do seu povo. Esta situação de submissão era justificada pela religião. Mas Jesus não quer que ela fique encurvada. Desatar e libertar as pessoas não tem dia marcado. É todos os dias, mesmo em dia de sábado!

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Será que a situação da mulher mudou muito de lá para cá? Qual a situação da mulher hoje na sociedade e na igreja? Tem alguma relação entre religião e opressão da mulher?
  2. A multidão se alegrou com a ação de Jesus. Qual a libertação que está acontecendo hoje e que está levando a multidão a se alegrar e dar graças a Deus?

 

5) Oração final

Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. (Sl 1, 1-2)

 

Ele passou mal enquanto cantava durante um culto no último domingo (17) e morreu nesta quarta-feira (20), em um hospital de Vitória.

 

Por g1 ES

Pastor morreu após sofrer AVC em igreja do Sul do ES

Um pastor de 48 anos morreu nesta quarta-feira (20), depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante culto, no último domingo (17), em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo.

O pastor Geter da Silva estava cantando "não deixe um soldado ferido morrer" quando passou mal, caiu e foi socorrido por outras pessoas que estavam no local. O momento foi registrado por fiéis que acompanhavam o culto. 

Da igreja, Geter foi levado para o Hospital Santa Casa de Misericórdia. Com a piora do quadro de saúde, o pastor foi transferido para um hospital em Vitória, onde faleceu nesta quarta.

Além de pastor, Geter trabalhava para a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim e vendia picolé no Centro do município.

O corpo dele será velado e sepultado no bairro Coronel Borges, em Cachoeiro de Itapemirim. Fonte: https://g1.globo.com

 

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 12, 49-53)

49Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso? 50Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra! 51Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação. 52Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três; 53estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz algumas frases soltas de Jesus. A primeira sobre o fogo na terra só ocorre em Lucas. As outras têm frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos remete para o problema da origem da composição destes dois evangelhos que já fez correr muita tinta ao longo dos últimos dois séculos e só será resolvido plenamente quando pudermos conversar com Mateus e Lucas, depois da nossa ressurreição.

Lucas 12,49-50: Jesus veio trazer fogo sobre a terra

"Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra!”   A imagem do fogo ocorre muito na Bíblia e não tem um sentido único. Pode ser imagem de devastação e castigo e também pode ser imagem de purificação e iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode até evocar proteção como transparece em Isaías: “Se passar pelo fogo, estarei contigo” (Is 43,2). João Batista batizava com água, mas depois dele Jesus haveria de batizar pelo fogo (Lc 3,16). Aqui, a imagem do fogo é associada à ação do Espírito Santo que desceu no dia de Pentecostes  sob a imagem de línguas de fogo (At 2,2-4). Imagens e símbolos nunca têm um sentido obrigatório, totalmente definido, que não permitiria divergência. Nesse caso já não seria imagem nem símbolo. É da natureza do símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e expectadores. Deixando liberdade aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a imagem do batismo indica a direção na qual Jesus quer que a gente dirija a imaginação. Batismo é associado com água e é sempre expressão de um compromisso. Em outro lugar o batismo aparece como símbolo do compromisso de Jesus com a sua paixão: “Você podem ser batizados com o batismo com que serei batizado?”. (Mc 10,38-39).

Lucas 12,51-53: Jesus veio trazer a divisão

Jesus sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo 14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que parece dizer o contrário: “Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão”. Esta afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não quer a divisão. Mas o anúncio da verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o Messias tornou-se motivo de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou comunidade, uns eram a favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Nova de Jesus era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou, como dizia Jesus: “Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”. Era o que estava acontecendo, de fato, nas famílias e nas comunidades: muita divisão, muita discussão, como conseqüência do anúncio da Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros negando. O mesmo vale para o anúncio da fraternidade como o valor supremo da convivência humana. Nem todos concordavam com este anúncio, pois preferiam manter seus privilégios. Por isso, não tinham medo de perseguir os que anunciavam a fraternidade e a partilha. Esta é a divisão que surgia e que está na origem da paixão e morte de Jesus. Era o que estava acontecendo. Era o julgamento em andamento. Jesus quer é a união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Até hoje é assim. Muitas vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo da Boa Nova se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que durante anos viveram acomodadas na rotina da sua vida cristã, já não querem ser incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, elas usam toda a sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a verdadeira fé.  

 

4) Para um confronto pessoal

1) Buscando a união, Jesus era causa de divisão. Isto já aconteceu com você?

2) Diante das mudanças na Igreja, como me situo?

 

5) Oração final

Exultai no Senhor, ó justos, pois aos retos convém o louvor. Celebrai o Senhor com a cítara, entoai-lhe hinos na harpa de dez cordas. (Sl 33, 1-2)

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 12, 35-38)

35Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. 36Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á. 38Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!

 

3) Reflexão

Por meio da parábola o evangelho de hoje traz uma exortação à vigilância.

Lucas 12,35: Exortação à vigilância

"Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas”. Cingir-se significava amarrar um pano ou uma corda ao redor da veste talar, para que ela não atrapalhasse os movimentos do corpo. Estar cingido significava estar preparado, pronto para ação imediata. Na véspera da saída do Egito, na hora de celebrar a páscoa, os israelitas deviam estar cingidos, isto é, preparados, prontos para poder partir imediatamente (Ex 12,11). Quando alguém ia trabalhar, lutar ou executar uma tarefa ele se cingia (Ct 3,8). Na carta aos Efésios, Paulo descreve a armadura de Deus e diz que os rins devem estar cingidos com o cíngulo da verdade (Ef 6,14). As lâmpadas deviam estar acesas, pois a vigilância é tarefa tanto para o dia como para a noite. Sem luz não se anda na escuridão da noite.

Lucas 12,36: A parábola

Para explicar o que significa de estar cingido, Jesus conta uma pequena parábola. “Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta”.  A tarefa de aguardar a chegada do patrão exige uma vigilância constante e permanente, sobretudo quando é de noite, pois, o patrão não tem hora marcada. Ele pode voltar a qualquer momento. O empregado deve estar atento, vigilante sempre!

Lucas 12,37: Promessa de felicidade

“Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá”. Aqui, nesta promessa de felicidade, os papeis se invertem. O patrão se torna empregado e começa a servir ao empregado que virou patrão. Evoca Jesus na última ceia que, mesmo sendo senhor e mestre, se fez servidor e empregado de todos (Jo 13,4-17). A felicidade prometida tem a ver com o futuro, com a felicidade no fim dos tempos, e é o oposto daquilo que Jesus prometeu numa outra parábola que dizia: “Se alguém de vocês tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: Venha depressa para a mesa?  Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: 'Prepare-me o jantar, cinja-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois disso você vai comer e beber'? Será que vai agradecer ao empregado, porque este fez o que lhe havia mandado? Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17,7-10).  .

Lucas 12,38: Repete a promessa de felicidade

“E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra!”  Repete a promessa de felicidade que exige vigilância total. O patrão pode voltar meia noite, três da madrugada, ou qualquer outra hora. O empregado deve estar acordado, cingido, pronto para poder entrar em ação.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Somos empregados de Deus. Devemos estar cingidos, de prontidão, atentos e vigilantes, vinte e quatro horas por dia. Você está conseguindo? Como faz?

2) A promessa de felicidade futura é a inversão do presente. O que isto nos revela sobre a bondade de Deus para conosco, para comigo?

 

5) Oração final

Escutarei o que diz o Senhor Deus, porque ele diz palavras de paz ao seu povo,para seus fiéis, e àqueles cujos corações se voltam para ele. Sim, sua salvação está bem perto dos que o temem, de sorte que sua glória retornará à nossa terra. (Sl 84, 9-10)

 

As mensagens de solidariedade que chegam à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, e também endereçadas ao Papa Francisco têm se multiplicado, desde ontem, 17, após a divulgação da Carta aberta da entidade ao Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e aos Cidadãos e cidadãs brasileiros.

A CNBB afirmou rejeitar “fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo”. Com ódio descontrolado, continuou a Conferência, “o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”.

Autoridades, políticos, entidades religiosas e civis têm manifestado apoio a dom Orlando, ao Papa e à Conferência Episcopal, repudiando as falas agressivas do parlamentar. Confira alguns trechos dos pronunciamentos:

Opus Dei e Arautos do Evangelho

As organizações católicas citadas pelo deputado se manifestaram sobre o pronunciamento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O vigário regional da Prelazia Opus Dei no Brasil, padre Fábio Henrique Carvalheiro, divulgou declaração manifestando repúdio às declarações do deputado estadual Frederico d’Avila. No texto, ressaltou que “a Prelazia, cujas finalidades são exclusivamente espirituais e apostólicas, sempre viveu e fomentou – pois esse é o espírito ensinado pelo seu fundador São Josemaria Escrivá – veneração pelo Santo Padre e união ao colégio episcopal e à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil.

Já o Comissário Pontifício para os Arautos do Evangelho, cardeal Raymundo Damasceno Assis, reiterou a comunhão com o Santo Padre, o Papa Francisco, a CNBB e Dom Orlando Brandes e reprovou “o pronunciamento infeliz do deputado da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo”.

 

Profecia e oração da Vida Religiosa

A vida religiosa consagrada feminina, por meio União das Superioras Gerais das Congregações Brasileiras (USGCB), manifestou apoio e solidariedade a dom Orlando e ao Papa Francisco “profetas de nosso tempo, que anunciam que a alegria do Evangelho é vida em abundância para os pobres”. No texto, assinado pela diretora Geral das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e delegada da USGCB, irmã Maria Freire da Silva, a entidade observa que o dinamismo da profecia “nunca é aceito por aqueles que são contrários ao Projeto de justiça e de verdade, proclamado e vivenciado por Jesus Cristo”.

Motivadas a serem como Ester (Est 4,17) “que se preparou durante três dias, inclinou-se em sua dor, mas também em sua esperança, suplicando ao Senhor através da oração, do jejum e da incessante busca da Vontade de seu Deus a seu respeito na defesa da vida do seu povo”, as religiosas foram convidadas a unirem-se em oração no dia 22 deste mês na intenção pelo Papa e por dom Orlando. Leia na íntegra.

Em carta aberta, a Província Frei Bartolomeu de Las Casas – dos frades dominicanos no Brasil – e a Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, manifestaram ‘indignação e reprovação das agressões dirigidas à CNBB, ao Papa Francisco e a Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida”.

“O discurso, cujas bases são o ridículo e a ignorância, a desinformação e a má-fé, traduz o que de pior chegou à política brasileira: o ódio, a violência e a barbárie. O fato de que uma pessoa pública se manifeste nesses termos traduz os grandes perigos que ameaçam a nossa democracia. Por isso mesmo, tal episódio deve ser punido rigorosamente, em nome da justiça e da verdade”, lê-se no texto.

A província da congregação religiosa renovou seu apoio e sua comunhão com o Papa Francisco, com a CNBB e com Dom Orlando, “cuja presença são inspiração ética para milhões de brasileiros e brasileiras. As palavras irascíveis e descabidas do deputado paulista só confirmam a importância dessa presença no Brasil contemporâneo”.

A coordenação da Conferência dos Religiosos do Brasil no Ceará expressou solidariedade a dom Orlando Brandes, ao Papa Francisco, e à CNBB. “Neste dia celebrativo de abertura oficial do Sínodo dos bispos na Arquidiocese de Fortaleza, reiteramos a nossa “união” com toda a Igreja nesse momento difícil de provação. Estamos “juntos”, não vamos nos calar diante de tanta violência, desrespeito, ofensas e acusações proferidas contra
a Igreja e seus pobres filhos”, afirmaram os religiosos no texto.

 

Organismos

O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) emitiu nota de repúdio às falas do deputado paulista e quis esclarecer que “em Cristo Jesus somos uma só comunidade, e caminhamos no desejo ardente da Paz e da Justiça”. Para tanto, prossegue a nota, “nos unimos em defesa do Papa Francisco, da CNBB e de Dom Orlando, reforçando o nosso fecundo desejo do respeito às pessoas e às instituições de nosso país”.

O CNLB pediu ainda às autoridades competentes e à Assembleia Legislativa de São Paulo que instaurem “as apurações cabíveis sobre a postura do deputado e a aplicação das devidas sanções regimentares, incluindo a retratação desta tentativa de macular a Instituição Igreja Católica e seus representantes”.

Também a Cáritas Brasileira manifestou solidariedade a dom Orlando Brandes. Em nota, o organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repudiou “o uso de um espaço do povo para incentivar a violência, agredir verbalmente ao Santo Padre o Papa Francisco e atacar a Igreja no Brasil, assim como aos seus bispos”.

A Cáritas lembrou que, historicamente, a Igreja no Brasil esteve comprometida com a promoção da paz e construção de uma sociedade do Bem Viver. “O uso de linguagem violenta, como a usada pelo deputado paulista, apenas reforça a importância de resgatar princípios civilizados e humanos no nosso país”, afirma. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O deputado estadual Frederico D'Ávila (PSL) em discurso na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) - Mauricio Garcia de Souza/Alesp/Divulgação

 

Entidade da Igreja Católica afirma que também vai fazer uma interpelação judicial para que Frederico d'Avila faça esclarecimentos sobre as acusações

 

SÃO PAULO

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou uma carta aberta à Assembleia Legislativa de São Paulo na qual pede punição ao deputado bolsonarista Frederico d’Avila (PSL), que chamou o papa Francisco e o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, de “pedófilos”, “vagabundos” e “safados'".

A entidade afirma que também vai levar o assunto à Justiça, por meio de uma interpelação, para que o deputado preste esclarecimentos sobre as ofensas e acusações.

O deputado realizou os ataques verbais em discurso na Assembleia no dia 14 de outubro, em reação a críticas feitas por Brandes em sermão de missa no feriado de 12 de outubro.

Em Aparecida, pela manhã, antes de visita do presidente Jair Bolsonaro ao local, o arcebispo pregou: "Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada".

O religioso fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e as notícias falsas e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus.

No mesmo dia, mas à tarde, Bolsonaro esteve no Santuário Nacional de Aparecida, onde foi recebido com aplausos e vaias, e ouviu um outro sermão com referências à situação atual do país, incluindo o desemprego e a pandemia.

Na última quinta-feira, o deputado estadual atacou a conduta de Brandes.

“Seu vagabundo, safado da CNBB, dando recadinho para o presidente [Jair Bolsonaro], para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha, seu safado”, afirmou na tribuna da Assembleia.

“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também. A última coisa que vocês tomam conta é do espírito e do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, disse.

Na carta divulgada neste domingo, a CNBB pede ao presidente da Assembleia, Carlão Pignatari, que a Casa adote medidas contra d’Avila.

“Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”, segundo a carta.

“A CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade —sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada”, afirma a CNBB.

Diz ainda esperar “uma resposta rápida” de Pignatari, o que seria uma “postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres”.

Na carta assinada pelo seu presidente, o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, a CNBB afirma que a reação ocorrerá também via Justiça.

“A CNBB tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar, protagonista desse lastimável espetáculo, serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem, de modo exigente nos termos da lei”, de acordo com a carta.

Procurado pela Folha, o deputado d’Avila afirmou que a carta "mostra claramente que [a CNBB] é um conglomerado político travestido de grupo religioso".

"Usam a batina e o altar, a boa-fé e a pureza de alma das pessoas para fazer proselitismo politico partidário, pregar a luta de classes, condenar as conquistas materiais fruto do trabalho árduo e desconstruir os valores pregados pelo cristianismo como fé, família e tradição", afirmou.

"Eles querem é desacreditar a Igreja perante os seus fiéis. Criar uma confusão e pregar o socialismo através do altar", disse o deputado. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Especialistas dizem que resultado se deve à política armamentista, crise econômica e descaso com vítimas da Covid, mas lembram que presidente ainda tem apoio

 

Guilherme Caetano

Bolsonaro assiste à missa em Aparecida (SP) no dia da Padroeira do Brasil Foto: BRUNO CASTILHO/FUTURA PRESS

SÃO PAULO — As críticas ao governo Jair Bolsonaro feitas pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, no feriado de 12 de outubro, ecoam uma desaprovação ao presidente que vem crescendo entre fiéis e bispos da Igreja Católica. A rejeição ao mandatário entre o grupo hoje é de 56%, segundo o Datafolha, 14 pontos percentuais a mais do que o registrado em janeiro. Para estudiosos do catolicismo, a política armamentista e o descaso com as vítimas da pandemia ajudam a explicar a reprovação a Bolsonaro neste segmento da sociedade.

Durante a missa em homenagem à padroeira, em Aparecida, na última terça-feira, Brandes afirmou que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada” nem com “mentira e fake news”. Embora não tenha citado Bolsonaro, Brandes fez referência a “Pátria amada”, o slogan do governo, e à defesa do armamento civil, pauta do presidente. O projeto armamentista de Bolsonaro é um dos pontos que mais incomoda o eleitorado católico, segundo a socióloga Maria José Rosado, professora na PUC-SP e fundadora do grupo Católicas pelo Direito de Decidir.

— As religiões têm na questão da não violência um elemento muito forte da sua narrativa e da sua proposta prática de ação. E, de repente, você vê um presidente da República colocando, sobre os ombros, uma criança com uma arma na mão. Isso impacta — diz ela.

“As religiões têm na não violência um elemento muito forte da sua narrativa. E você vê um presidente colocando, sobre os ombros, uma criança com uma arma na mão. Isso impacta”

Segundo o Datafolha, a reprovação dos católicos a Bolsonaro é numericamente maior que a taxa da população geral, mas acompanha a mesma curva de crescimento. Em janeiro, 42% dos católicos achavam o governo péssimo ou ruim. Na última pesquisa, divulgada em 16 de setembro, esse índice chegou a 56%. Na população geral, o crescimento foi de 40% para 53%.

Não é só reflexo da política armamentista de Bolsonaro, conhecida desde que ele era deputado. A gravidade da pandemia e a crise econômica também podem ter contribuído para a queda de popularidade, diz Maria José.

Ana Carolina Evangelista, diretora-executiva do Instituto de Estudos da Religião, diz ser difícil atribuir motivos específicos à queda no apoio entre católicos e lembra que a desaprovação é crescente até entre evangélicos — a aprovação neste segmento caiu de 40% para 29% de janeiro a setembro.

— Assim como a gente não pode considerar o segmento das mulheres, dos jovens ou dos professores como um bloco generalizado, não podemos fazer isso com os religiosos. Essa perda de apoio não está mais conectada a dogmas religiosos do que a outras crises pelas quais passamos, como desemprego, fome, insegurança — diz Ana Carolina.

O eleitorado adepto do cristianismo é caro a Bolsonaro. Ele geralmente diz ser um “presidente cristão”, usa o nome de Deus em slogan, cita frequentemente um versículo bíblico como bordão (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”) e prega a nomeação de um ministro “terrivelmente evangélico” no Supremo Tribunal Federal (STF).

Embate na igreja

Além de demonstrar um respaldo entre os fiéis, a declaração pública de Brandes em Aparecida revela que a opinião crítica ao governo federal tem eco tanto em sua diocese quanto na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), segundo Maria José. Apesar disso, ela reforça, a opinião não é unânime entre os católicos:

— (A crítica) explicita um embate existente na Igreja Católica entre progressistas e conservadores. Não diria que a CNBB é majoritariamente progressista, mas a fala do arcebispo indica haver recepção para esse tipo de opinião na Igreja.

Em maio de 2020, padres conservadores ligados rádios e TVs católicas participaram de videoconferência com Bolsonaro para pedir investimento do governo federal nas emissoras por meio de propagandas do governo federal. Em troca, indicaram que poderiam apresentar ações do governo na pandemia do novo coronavírus. A CNBB repudiou o encontro.

A divergência interna se acentuou dois meses depois, quando foi publicada uma carta assinada por 152 arcebispos em que os religiosos afirmaram que o governo federal demonstrava “omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres”, além de “incapacidade para enfrentar crises”. Dias depois, mais de mil padres apoiaram os bispos. Fonte: https://oglobo.globo.com

29º Domingo do Tempo Comum (Mc 10, 35-45). Um Olhar sobre o Evangelho Dominical a partir dos morros da Carioca e Abel, em Angra dos Reis/RJ. Domingo, 17 de outubro-2021. www.instagram.com/freipetronio

 

A  presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual, Carlão Pignatari. No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas no último dia 14 de outubro, dia de seu aniversário de 69 anos de presença e serviços ao Brasil, pelo deputado estadual Frederico D’Avila, da Tribuna da ALESP.

O político, diz a carta, agiu com ódio descontrolado e desferiu ataques ao Santo Padre o Papa Francisco, à própria CNBB e ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Na Carta Aberta, a CNBB afirma se ancorar, profeticamente, sem medo de perseguições, no princípio contido na Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança” em latim) sobre o papel da Igreja no mundo contemporâneo, a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II:

“a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76)

A CNBB busca agora, por meio da presidência de seu regional Sul 1, um agenda para entregar pessoalmente o documento ao presidente da ALESP, deputado Carlão  Pignatari. Confira, abaixo, a íntegra do documento em versão word e aqui em versão PDF.

 

CARTA ABERTA

P – Nº. 0325/21

 

Exmo. Sr.

Deputado Estadual Carlão Pignatari

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.

Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.
Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,

Brasília-DF, 16 de outubro de 2021

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

 

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

Sônia Braga no filme 'Fátima: A História de um Milagre' Foto: Origin Entertainment/Divulgação

 

Longa faz estudo sobre fronteiras do realismo e a transcendência com olhar politizado

Rodrigo Fonseca, Especial para o Estadão

 

Depois de 28 anos de experiência como diretor de fotografia, tendo trabalhado com Antonioni (Eros) e Francesco Rosi (A Trégua), o romano Marco Pontecorvo filmou uma história real que redefiniu o sentido da palavra “fé”: a aparição da Virgem Maria a três crianças, na cidade lusa de Fátima.

No dia 13 de maio de 1917, Lúcia dos Santos, de 10 anos, Francisco Marto, de 9, e sua irmã, Jacinta, de 7, afirmaram ter visto “uma senhora mais brilhante do que o Sol”. A mesma “senhora” teria aparecido sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel. A tal entidade teria se manifestado ao trio nos cinco meses seguintes, confiando a ele mensagens que, na liturgia católica, alertaram os mortais sobre os perigos do mundo e sobre as vontades de Deus. 

Filho do mítico diretor Gillo Pontecorvo (1919-2006), Marco, hoje com 54 anos, cresceu com um olhar politizado, o mesmo utilizado em Fátima, em cartaz nos cinemas, um estudo sobre as fronteiras do realismo e a transcendência. E coube a Sônia Braga viver Irmã Lúcia em sua idade madura.

“Quis ser fiel aos relatos que mobilizaram Fátima em 1917 e, sobretudo, ao espírito de Portugal, na relação daquele povo com a natureza, que entra no meu filme como um personagem. É óbvio que essa fidelidade é filtrada pela interpretação que fazemos e pelos filmes que carregamos como referência. Não me reportei ao cinema português, em especial, mas tenho Roberto Rossellini comigo, pelo tanto que o estudei. Mas a ideia aqui era mostrar ao espectador como o mundo é visto pelos olhos de uma criança”, diz Pontecorvo ao Estadão, em entrevista via Zoom. “Foi um prazer ter Sônia comigo pois ela é atriz instintiva que injeta humanidade às narrativas que estrela.”

Pontecorvo rodou Fátima como um projeto americano – das produtoras Origin Entertainment, Rose Pictures e Panorama Films –, com Harvey Keitel no elenco. Insistiu em filmar em Portugal, circulando por locações em Santarém, Setúbal, Coimbra, Tomar e Lisboa. E levou o lisboeta Joaquim de Almeida, um dos astros europeus que Hollywood adotou nos anos 1990, para o elenco, para viver o padre Ferreira. “Filmamos 90% em terras portuguesas, mas adotamos o inglês como idioma para abrir o mercado internacional, por ser um projeto grande”, diz o cineasta. “Quando se é diretor de fotografia, o aspecto da ficção de que a gente mais se ressente é a falta de contato com os atores, o que eu pude resolver agora, como realizador, trabalhando com um elenco luso e com atores como Harvey, que reagem ao que é pedido a partir de um método.” 

Respeitado na televisão por ter fotografado séries da HBO icônicas, como Roma e Game of Thrones, Pontecorvo faz de Fátima um estudo sobre a visão infantil para o que é metafísico e para confusões terrenas provocadas pela hipótese de charlatania. À época do ciclo chamado pelos teólogos de Aparições de Fátima houve quem acusasse Lúcia e os Martos de mentir para se promover. E houve quem falasse de histeria, embora a mesma região tivesse registrado um fenômeno religioso similar em 1758, quando Nossa Senhora teria também se manifestado para o Velho Mundo. Fonte: https://cultura.estadao.com.br

 

 

Os que buscam a ordenação devem ser treinados com o entendimento de que são servos, não mestres (Ulrike Leone / Pixabay)

O pensamento de que os sacerdotes podem tratar seus semelhantes de forma tão insensível abala a crença de uma divindade que cuida e protege a todos

 

Julie A. Ferraro


Global Sister Report

Com consternação, li no início de junho o anúncio do Vaticano sobre as revisões do Direito Canônico que criminalizam a exploração sexual de adultos por padres que abusam de sua autoridade e por leigos com poder na Igreja.

Essas mudanças entram em vigor no dia 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição. Determinar as razões pelas quais esta data foi selecionada não é meu objetivo aqui.

É para aumentar a conscientização sobre outro conjunto de crimes ainda não resolvidos dentro da Igreja Católica: o abuso psicológico, emocional e verbal de religiosas e leigos por padres.

Como acontece com tantos relatos de abuso sexual por padres, eu pessoalmente conheço casos em que alguns bispos e superiores religiosos zombam das notificações de que padres em paróquias ou vários ministérios tratam mulheres religiosas e leigos como lixo, e não fazem nenhum esforço para tratá-los com respeito. Essas autoridades se recusam a investigar as alegações, mesmo quando as evidências são apresentadas, e não tomam nenhuma ação contra o autor do crime.

Honestamente, é motivo de riso para alguns que enfrentaram acusações. Um desses padres, com quem tive a infelicidade de trabalhar por quase dois anos, humilhou sistematicamente os paroquianos e sua cultura, insultou as religiosas que serviam na paróquia e a mim, a única funcionária do escritório.

Nesse então, ele brincava sobre isso. "Enquanto eu não for pego na cama com uma mulher, ou um homem, ou vendo pornografia no computador, nada vai acontecer", disse-me um dia, acrescentando que, para os padres, "todos nós temos cartas [de reclamação] em nossos arquivos".

Essa atitude de que o padre tinha carta branca para se comportar da maneira que quisesse, independentemente de como isso impactou aqueles a quem deveria servir - e aqueles que serviram com ele – cheira além do mero clericalismo, na minha opinião. No entanto, nem o bispo daquela diocese, nem o superior religioso deste padre em particular (ou seu sucessor) tomariam qualquer atitude. Recebi cartas polidamente vagas da diocese e acabei tendo que renunciar ao meu cargo quando os superiores religiosos só aumentaram o abuso alegando que eu estava mentindo.

Meu corpo pode não ter sido violado por este homem, mas meu estado mental sofreu danos horríveis. Considerando que as únicas vezes em que cheguei perto de um "ataque de pânico" ocorreram ao enfrentar agulhas em um consultório médico ou ao encontrar uma cobra em uma caminhada, passei muitas noites sem dormir me perguntando o que tinha feito para merecer afirmações como "você parece uma m..." ou "você parece zumbi" ou, ainda mais estranho, "alguém quer ser levado para o crematório". Ele também ameaçou mandar o gato de quem eu cuidava na propriedade para o abrigo de animais se eu deixasse meu cargo.

Como seus superiores viram que esse padre - já na casa dos 70 - ainda tinha "alguns bons anos de ministério", não o questionaram nem mesmo sobre o excesso de bebida ou o desvio de fundos. O padre brincou comigo uma vez: "Tenho dinheiro que nem Deus conhece". Também homofóbico, o padre fazia comentários depreciativos, publicamente, sobre o "jeito homossexual" de algumas pessoas.

Esse padre em particular não é o único que exibe tal comportamento, e isso ficou claro nas últimas décadas. Já ouvi muitas homilias do púlpito, onde o celebrante pronuncia insultos velados contra a congregação sentada à sua frente, ou atribui a sua equipe os deveres que ele acredita estar abaixo de sua dignidade ou não dignos de seu tempo.

Outros padres que encontrei ao longo dos anos rezam missa e saem furtivamente pela porta da sacristia para evitar as pessoas, escondendo-se em sua reitoria, convento ou mosteiro com instruções para não se perturbar com as necessidades de seu rebanho.

É difícil se recuperar de abusos psicológicos, emocionais e verbais cometidos por padres - com algumas semelhanças com aqueles que foram abusados sexualmente e algumas diferenças. A probabilidade de um diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático é muito real, especialmente porque até mesmo entrar em uma igreja pode desencadear as memórias, ver uma certa estátua, uma placa de rua ou até mesmo um determinado tipo de carro.

Não apenas a mente sofre os efeitos colaterais de tal abuso, mas o corpo também. Os sintomas físicos podem se manifestar, os quais os médicos não podem tratar adequadamente por causa de sua conexão com o abuso.

A alma pode sofrer uma perda de fé, permanente ou temporária. O pensamento de que os sacerdotes, que foram consagrados ao serviço de Deus, podem tratar seus semelhantes - igualmente filhos de Deus - de forma tão insensível, abala a crença de uma divindade totalmente amorosa que cuida e protege a todos.

Os membros da hierarquia da Igreja que falham com as vítimas de abuso psicológico por padres são igualmente culpados e devem ser responsabilizados. Ao ignorar os apelos daqueles que foram emocionalmente espancados por clérigos hipócritas, esses homens apenas aumentam a dor e o fardo.

No nível diocesano, a instalação de coordenadores de assistência às vítimas para lidar com vítimas de abuso sexual é louvável, mas esses oficiais não são acusados de fornecer recursos às vítimas de outros abusos sacerdotais, como descobri quando denunciei meu agressor. Muito da ignorância, pela minha experiência, continua surgindo do conceito de que o abuso psicológico - como o abuso sexual - ocorre em privado, sem nenhuma evidência tangível.

No caso do padre que abusou psicologicamente de mim, não estive sozinha em muitas ocasiões quando proferiu insultos contra mim, ou outras pessoas na paróquia. Testemunhas estavam disponíveis para serem entrevistadas, para confirmar seu comportamento ultrajante.

Esse padre deveria ter sido removido de seu ministério (incluindo cargos de destaque dentro da diocese e sua comunidade religiosa) anos atrás, mas ele continua sendo elogiado como um homem honrado, embora eu e outros o tenhamos ouvido expressar o quanto desprezava as pessoas que é destinado a servir.

Ao se concentrar em apenas uma forma de abuso - infligido por padres ou leigos em posição de autoridade - a Igreja presta um grave desserviço àqueles que são vítimas de abusos que fogem da definição tão bem divulgada nas últimas duas décadas. No meu caso, simplesmente desejava usar minhas habilidades e experiência para apoiar os padres e as irmãs com quem trabalhei.

Não apenas as acusações de qualquer tipo de abuso por parte de um padre devem ser minuciosamente investigadas por bispos e superiores religiosos, usando os mesmos padrões descritos para o abuso sexual, mas todos os padres devem receber avaliações psicológicas regularmente, para evitar que progridam por meio de comportamentos que possam ser considerados simples "clericalismo" para algo muito pior.

Os seminários devem ser monitorados de perto em sua formação sacerdotal, para evitar que os instrutores incutam em seus alunos esse senso de direito e superioridade sobre os leigos, como escreveu Ken Briggs no National Catholic Reporter em 2018. O desenvolvimento de tais atitudes é o ponto de partida para abuso posterior - em todas as formas - de leigos e religiosas.

Os que buscam a ordenação devem ser treinados com o entendimento de que são servos, não mestres. As virtudes da humildade e compaixão devem estar no centro de sua formação, não apenas o aprendizado de livros e rubricas.

As recentes revisões da lei canônica devem ser expandidas ainda mais, para incluir não apenas o abuso sexual, mas todo tipo de abuso que os padres continuam infringindo aos outros. A Igreja não pode ignorar essas outras vítimas e deve assumir a responsabilidade pelas ações hediondas daqueles encarregados não apenas de consagrar a Eucaristia e administrar os sacramentos, mas de cuidar de todo o povo de Deus.

Publicado originalmente em Global Sister Report.

*Julie A. Ferraro, jornalista há mais de 30 anos, é uma Oblata Beneditina do Mosteiro da Ascensão, Jerome, Idaho. Atualmente atua como gerente de mídia social para as Irmãs Beneditinas de Mount St. Scholastica, Atchison, Kansas. Fonte: https://domtotal.com

 

SERVIDORES DO REINO

Dom Adimir Antonio Mazali

Bispo de Erexim (RS)

 

            Saudamos a todos os irmãos e irmãs que mais uma vez estão em sintonia com a Voz da Diocese, ao celebrarmos o 29º Domingo do Tempo Comum, no espírito deste mês missionário, recordando o lema: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20).

            Prezados irmãos e irmãs. Voltamos nosso olhar para a Palavra de Deus que nos convida a refletir sobre o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo que assume a condição de servo para salvar a humanidade.

            A Leitura do Livro do Profeta Isaias retrata parte do Cântico do Servo sofredor, prefigurando Jesus Cristo que oferece sua vida em “expiação” e “carregando sobre si as nossas culpas”. Renova desta forma o povo de Deus que assume uma nova condição, justificada em seu amor. Ele é expressão do amor comprometido de Deus em favor de seu povo.

            A Carta aos Hebreus no conforta com a expressão: “temos um sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas” e nos anima a caminharmos ao seu encontro para “alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Jesus é solidário conosco e seu amor é misericordioso.

            O Evangelho apresenta o anúncio da morte da paixão de Jesus e gera um conflito entre seus discípulos na disputa por poder. Jesus, porém, recorda que a condição de seu seguimento é o desapego e seu reino difere dos reinos terrenos. Seu Reino não consiste no poder, mas sim no serviço. Recorda sua missão que deve ser assumida, da mesma forma por todos: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos” (Mc 10,45).

            Iluminados por esta Palavra, somos encorajados a assumir nossa missão na condição de servidores do Reino e testemunhas do grande amor que Deus manifestou a nós pelo mistério da encarnação de seu Filho Jesus. Sua missão foi de revelar ao mundo, por palavras e pelo exemplo, o projeto salvador do Pai do qual nós temos a graça de sermos os destinatários.

            Estimados irmãos e irmãs. Queremos no unir, nesta oportunidade, com toda a Igreja neste momento especial de sua história. O papa Francisco lançou o Sínodo dos Bispos que deverá acontecer em outubro de 2023´e que foi aberto por ele neste dia 10 de outubro. É um tempo de graça que traz como tema: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. É um “momento eclesial” disse o papa: “No único Povo de Deus, portanto, caminhamos juntos, a fim de experimentar uma Igreja que recebe e vive este dom da unidade e está aberta à voz do Espírito”.

            Será um processo de dois anos e em diversas etapas, de outubro deste ano até outubro de 2023. Será um tempo de escuta, pois, reforçou o papa na homilia de abertura: “fazer Sínodo significa caminhar pela mesma estrada, caminhar juntos”. E prossegue: “Fixemos Jesus, que na estrada primeiro encontra o homem rico (recordando a passagem do Evangelho), depois escuta as suas perguntas e, por fim, ajuda-o a discernir o que fazer para ter a vida eterna”. Aparece os três verbos centrais do processo sinodal: “Encontrar, Escutar e Discernir”.

            Continua o papa em sua homilia: “O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, de discernimento eclesial, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus”. E conclui o papa: “Queridos irmãos e irmãs, […] sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor”.

            Prezados irmãos e irmãs. Vivamos este tempo de preparação para o Sínodo da Igreja, animados pelo espírito missionário e iluminados pela Palavra de Deus que nos indica o caminho da comunhão e da participação em nossa comunidade eclesial. “Agora é tempo de ser Igreja; caminhar juntos, participar”.

            Deus, em seu amor misericordioso, abençoe a todos. Amém. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho   (Lucas 12, 1-7)

1Enquanto isso, os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido. 3Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados. 4Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer. 5Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este. 6Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus. 7Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais.

 

3) Reflexão   Lucas 12,1-7  (Mt 10,28-31)

O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.

Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus

“Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).

Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia

“Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.  Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.

Lucas 12,2-3: O escondido será revelado

“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados".  É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).   

Lucas 12,4-5: Não ter medo

“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.

Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais

“Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Você valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf Mt 10,29-31)

A contemplação da natureza

No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macro-cosmo e do micro-cosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.

 

4) Para um confronto pessoal

1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?

2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?

 

5) Oração final

A palavra do Senhor é reta, em todas as suas obras resplandece a fidelidade: ele ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra. (Sl 32, 4-5)

 

1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 47-54)

Naquele tempo disse Jesus: 47Ai de vós, que edificais sepulcros para os profetas que vossos pais mataram. 48Vós servis assim de testemunhas das obras de vossos pais e as aprovais, porque em verdade eles os mataram, mas vós lhes edificais os sepulcros. 49Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, mas eles darão a morte a uns e perseguirão a outros. 50E assim se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, 51desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e o templo. Sim, declaro-vos que se pedirá conta disso a esta geração! 52Ai de vós, doutores da lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar. 53Depois que Jesus saiu dali, os escribas e fariseus começaram a importuná-lo fortemente e a persegui-lo com muitas perguntas, 54armando-lhe desta maneira ciladas, e procurando surpreendê-lo nalguma palavra de sua boca.

 

3) Reflexão   Lucas 11,47-54

Novamente, pela enésima vez, o evangelho de hoje fala do conflito entre Jesus e as autoridades religiosas da época.

Lucas 11,47-48: Ai de vocês, que constroem túmulos para os profetas

“Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos”. Mateus diz que se trata de escribas e fariseus (Mt 23,19). O raciocínio de Jesus é claro. Se os pais mataram os profetas e os filhos construíram os túmulos, é porque os filhos  aprovaram o crime dos pais. Além disso, todo mundo sabe que profeta morto não incomoda. Deste modo os filhos tornam-se testemunhas e cúmplices no mesmo crime (cf. Mt 23,29-32).

Lucas 11,49-51: Pedir contas do sangue derramado desde a criação do mundo

“É por isso que a sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles os matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário'. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a esta geração”. Comparado com o evangelho de Mateus, Lucas costuma oferecer uma versão abreviada do texto de Mateus. Mas aqui ele acrescentou a observação: “derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel”. Ele fez a mesma coisa com a genealogia de Jesus. Mateus, que escrevia para os judeus convertidos, começa em Abraão (Mt 1,1.2.17), enquanto Lucas vai até Adão (Lc 3,38). Lucas universaliza e inclui os pagãos, pois escreve o seu evangelho para os pagãos convertidos. A informação sobre o assassinato de Zacarias no Templo é dada pelo livro das Crônicas: “Então o espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se dirigiu ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que é que vocês estão desobedecendo aos mandamentos de Javé? Vocês vão se arruinar. Vocês abandonaram Javé, e ele também os abandona!" Então eles se reuniram contra o profeta e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Javé”.  (2Cr 24,20-21). Jesus conhecia a história do seu povo até nas minúcias. Ele sabe que vai ser o próximo na lista de Abel até Zacarias. Até hoje a lista continua aberta. Muita gente é morta pela causa da justiça e da verdade.

Lucas 11,52: Ai de vocês, especialistas em leis

“Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar". Fecham o Reino como? Eles pensam ter o monopólio da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus e impõem o seu modo de ver aos outros, sem deixar margem para um pensamento diferente. Apresentam Deus apenas como juiz severo e em nome de Deus impõem leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino. É importante notar a diferença entre Mateus e Lucas. Mateus fala da entrada no Reino do céu e a frase é redigida na forma verbal do presente: "Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam” (Mt 23,13). A expressão entrar no Reino do Céu pode significar entrar no céu depois da morte, mas é mais provável que se trate da entrada na comunidade ao redor de Jesus e nas comunidades dos primeiros cristãos. Lucas fala da chave da ciência e a frase é redigida na forma verbal do passado. Lucas simplesmente consta que a pretensão dos escribas de possuir a chave da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus impediu a eles de reconhecer Jesus como Messias e impediu que o povo judeu reconhecesse Jesus como messias: Vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.

Lucas 11,53-54: Reação contra Jesus

A reação das autoridades religiosas contra Jesus foi imediata. “Quando Jesus saiu daí, os doutores da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca”. Considerando-se os únicos intérpretes verdadeiros da lei de Deus, tentam provocar Jesus em torno da interpretação da Bíblia para poder pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca. Assim, continua e cresce a oposição contra Jesus e cresce o desejo de elimina-lo (Lc 6,11; 11,53-54; 19,48; 20,19-20; 22,2).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Muitas pessoas que queriam entrar foram impedidos de entrar ou deixaram de crer por causa de atitudes ante-evangélicas de sacerdotes. Você tem experiência neste ponto?

2) Os escribas começaram a criticar Jesus que pensava e agia diferente deles. Não é difícil encontrar motivos para criticar quem pensa diferente de nós. Você tem experiência neste ponto?

 

5) Oração final

O Senhor fez conhecer a sua salvação. Manifestou sua justiça à face dos povos. Lembrou-se de sua bondade e de sua fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins da terra puderam ver a salvação de nosso Deus. (Sl 97, 2-3)