1) Oração

 

Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz, para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 26, 14-25)

 

14Um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se eu vos entregar Jesus?” Combinaram trinta moedas de prata. 16E daí em diante, ele procurava uma oportunidade para entregá-lo. 17No primeiro dia dos Pães sem fermento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal. 20Ao anoitecer, Jesus se pôs à mesa com os Doze. 21Enquanto comiam, ele disse: “Em verdade vos digo, um de vós me vai entregar”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a perguntar-lhe: “Acaso sou eu, Senhor?” 23Ele respondeu: “Aquele que se serviu comigo do prato é que vai me entregar. 24O Filho do Homem se vai, conforme está escrito a seu respeito. Ai, porém, daquele por quem o Filho do Homem é entregue! Melhor seria que tal homem nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”. Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Ontem o evangelho falou da traição de Judas e da negação de Pedro. Hoje, fala novamente da traição de Judas. Na descrição da paixão de Jesus do evangelhos de Mateus acentua-se fortemente o fracasso dos discípulos. Apesar da convivência de três anos, nenhum deles ficou para tomar a defesa de Jesus. Judas traiu, Pedro negou, todos fugiram. Mateus conta isto, não para criticar ou condenar, nem para provocar desânimo nos leitores, mas para ressaltar que o acolhimento e o amor de Jesus superam a derrota e o fracasso dos discípulos! Esta maneira de descrever a atitude de Jesus era uma ajuda para as Comunidades na época de Mateus. Por causa das freqüentes perseguições, muitos tinham desanimado e abandonado a comunidade e se perguntavam: "Será que é possível voltar? Será que Deus nos acolhe e perdoa?" Mateus responde sugerindo que nós podemos romper com Jesus, mas Jesus nunca rompe conosco. O seu amor é maior do que a nossa infidelidade. Esta é uma mensagem muito importante que colhemos do evangelho durante a Semana Santa.

Mateus 26,14-16: A Decisão de Judas de trair Jesus. Judas tomou a decisão, depois que Jesus não aceitou a crítica dos discípulos a respeito da mulher que gastou um perfume caríssima só para ungir Jesus (Mt 26,6-13). Ele foi até os sacerdotes e perguntou: “Quanto vocês me pagam se eu o entregar?” Combinaram trinta moedas de prata. Mateus evoca as palavras do profeta Zacarias para descrever o preço combinado (Zc 11,12). Ao mesmo tempo, a traição de Jesus por trinta moedas evoca a venda de José pelos seus próprios irmãos, avaliado pelos compradores em vinte moedas (Gn 37,28). Evoca ainda o preço de trinta moedas a ser pago pelo ferimento a um escravo (Ex 21,32).

Mateus 26,17-19: A Preparação da Páscoa.  Jesus era da Galiléia. Não tinha casa em Jerusalém. Ele passava as noites no Horto das Oliveiras (cf. Jo 8,1). Nos dias da festa de páscoa a população de Jerusalém triplicava por causa da quantidade enorme de peregrinos que vinham de toda a parte. Não era fácil para Jesus encontrar uma sala ampla para poder celebrar a páscoa junto com os peregrinos que tinham vindo com ele desde a Galiléia. Ele manda os discípulos encontrar uma pessoa em cuja casa decidiu celebrar a Páscoa. O evangelho não oferece ulteriores informações e deixa que a imaginação complete o que falta nas informações. Era um conhecido de Jesus? Um parente? Um discípulo? Ao longo dos séculos, a imaginação dos apócrifos soube completar a falta de informação, mas com pouca credibilidade.

Mateus 26,20-25: Anúncio da traição de Judas. Jesus sabe que vai ser traído. Apesar de Judas fazer as coisas em segredo, Jesus está sabendo. Mesmo assim, ele faz questão de se confraternizar com o círculo dos amigos, do qual Judas faz parte. Estando todos reunidos pela última vez, Jesus anuncia quem é o traidor. É "aquele que põe a mão no prato comigo". Esta maneira de anunciar a traição acentua o contraste. Para os judeus a comunhão de mesa, colocar juntos a mão no mesmo prato, era a expressão máxima da amizade, da intimidade e da confiança. Mateus sugere assim que, apesar da traição ser feita por alguém muito amigo, o amor de Jesus é maior que a traição!

*  O que chama a atenção é a maneira de Mateus descrever estes fatos. Entre a traição e a negação ele colocou a instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29): a traição de Judas, antes (Mt 25,20-25); a negação de Pedro e a fuga dos discípulos, depois (Mt 25,30-35). Deste modo, ele destaca para todos nós a inacreditável gratuidade do amor de Jesus, que supera a traição, a negação e a fuga dos amigos. O seu amor não depende do que os outros fazem por ele.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Será que eu seria capaz de ser como Judas e de negar e trair a Deus, a Jesus, aos amigos e amigas?

2) Na semana santa é importante eu reservar algum momento para compenetrar-me da inacreditável gratuidade do amor de Deus por mim.

 

5) Oração final

Quero louvar com um cântico o nome de Deus e exaltá-lo com ações de graças; “Vede, humildes e alegrai-vos! Vós que buscais a Deus, vosso coração reviva! Pois o SENHOR atende os pobres, não despreza os seus cativos. (Sl 68, 31.33-34)

 

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

        

Ó Encontro, tão doloroso!

Ó Encontro, já predestinado!

Ó Encontro, com tantas vozes, gritos de ódio, choros desesperados e angustiados!

Ó Encontro, dos olhares da Mãe e do Filho, de dores e esperanças!

Ó Encontro, que o velho Simeão preparou o coração da Mãe ao ver o seu Filho carregando o Pecado do mundo em suas costas!     

   

Rememorar o Encontro de Jesus Cristo e sua Mãe, a Virgem Santíssima, na Via Dolorosa da Cruz, nos faz entender todo o caminho que é perpassado para o cumprimento total do Plano da Salvação. Vivenciar a loucura da Cruz, é ter a certeza de que Deus não usa das ações para que os sábios possam entender, mas através da entrega total do Seu Filho Unigênito, depõe-se para o cumprimento do alcance da Salvação a todos que O buscam e acreditam no Amor Incondicional.

Maria Santíssima, já tinha o seu coração preparado por tamanha dor. Ora, o velho Simeão profetizou a ela quando Cristo era apenas uma criança: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma” (cf. Lucas 2,34b-35). Portanto, a Virgem do Silêncio sabia todo o caminho de dor que Seu Amado Filho iria passar, pelo Sacrifício de morte, e morte de Cruz, afinal “Cristo é nossa Paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a).

“Ele será sinal de contradição”, não forçou uma guerra, não propôs uma batalha para conquistar impérios, reinados. Cristo fez de seus sinais a contradição daquilo que é esperado por aqueles que se dizem líderes. Pois, o Cristo veio ao encontro do diálogo, da misericórdia, a qual podemos afirmar que a fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, porque Cristo fez uma unidade daquilo que era dividido” (cf. Texto-base CFE-2021, p.8). Portanto, Jesus usou do contraditório para demonstrar a todos que somente através do amor, da entrega total é que a graça se estabelece.

Maria sempre sentiu a importância deste ato, afinal “o mistério da Cruz e da Ressurreição garante-nos que o ódio, a violência, o sangue e a morte não têm a última palavra nas vicissitudes humanas. A vitória definitiva é de Cristo e nós devemos voltar a partir d’Ele, se queremos construir para todos um futuro de paz autêntica, de justiça e de solidariedade”. (São João Paulo II). Por isto, embora o silêncio de Nossa Senhora possa ecoar em nosso entendimento como uma reação a dor a qual ela via seu filho passar, este mesmo silêncio demonstra a capacidade da Mãe Santíssima em confiar piamente nos Planos de Deus.

Ao olharmos este Encontro do Silêncio, sejamos fiéis em vivenciar o Amor que levou a contradição da Cruz em vista da salvação de todos nós. E rezemos fielmente, em adoração, a este momento marcante em favor de nossas vidas:

“Pela cruz tão oprimido,

Cai Jesus, desfalecido

Pela tua salvação

(…)

De Maria lacrimosa,

No Encontro lastimosa

Vê a imensa compaixão

Pela Virgem Dolorosa

Vossa Mãe tão piedosa

Perdoai-me, meu Jesus”

Saudações em Cristo!

Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O Ofício de trevas- existe desde o século XIII- mostra, de forma bastante clara, a figura do servo Sofredor e, junto dEle, nos colocamos rezando e meditando sobre os Sofrimentos de Sua Paixão e Morte na Cruz. Este nome- Ofício de Trevas- tem diversas explicações. Entre elas:

As trevas naturais de meia-noite ao anoitecer, ou seja, as horas destinadas à recitação do ofício, lembrando as palavras de Jesus, “Esta é a vossa hora e do poder das trevas”. (Lc 22, 53);

As trevas litúrgicas, quando durante as cerimonias da paixão apagam-se todas as luzes na igreja, exceto uma;

 

As trevas simbólicas da paixão.

As velas simbolizam o abandono experimentado por Jesus durante a Paixão: dez velas recordam os Apóstolos, que fugiram diante da Paixão; quatro velas recordam o apóstolo João e as mulheres junto à cruz que, embora tenham permanecido fiéis, também experimentam a escuridão da morte do Senhor; e a última vela  recorda o próprio Cristo.

Esta vela, a de Cristo, não é apagada ao final da celebração, mas conduzida para a parte de trás do altar ou para a sacristia, simbolizando o mistério do sepultamento de Cristo e sua alma que desce à “mansão dos mortos”

Na celebração são utilizadas as matracas que contém um som seco e oco, esse som remete que Cristo está caminhando para a morte e as marteladas dos pregos na Cruz. Por não ser um momento de festa, as pessoas utilizam roupas da cor preta, utiliza-se também um candelabro triangular com 15 velas a frente do altar.

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 13, 21-33.36-38)

21Depois de dizer isso, Jesus ficou interiormente perturbado e testemunhou: “Em verdade, em verdade, vos digo: um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem estava falando. 23Bem ao lado de Jesus estava reclinado um dos seus discípulos, aquele que Jesus mais amava. 24Simão Pedro acenou para que perguntasse de quem ele estava falando. 25O discípulo, então, recostando- se sobre o peito de Jesus, perguntou: “Senhor, quem é?” 26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der um bocado passado no molho”. Então, Jesus molhou um bocado e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do bocado, Satanás entrou em Judas. Jesus, então, lhe disse: “O que tens a fazer, faze logo”. 28Mas nenhum dos presentes entendeu por que ele falou isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus estava dizendo: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa para os pobres. 30Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, Jesus disse: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, Deus também o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo eu ainda estou convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’. 36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, não podes seguir-me agora; mais tarde me seguirás”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei minha vida por ti!” 38Jesus respondeu: “Darás tua vida por mim? Em verdade, em verdade, te digo: não cantará o galo antes que me tenhas negado três vezes. Palavra da salvação

 

3) Reflexão

Estamos na terça feira da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à prisão e à condenação de Jesus. Os textos não trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, mas também relatam as traições e negações dos próprios discípulos que possibilitaram a prisão de Jesus pelas autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus. 

João 13,21: O anúncio da traição.  Depois de ter lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e de ter falado da obrigação que temos de lavar os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comoveu profundamente. E não era para menos. Enquanto ele estava fazendo aquele gesto de serviço e de total entrega de si mesmo, ao lado dele um discípulo estava tramando a maneira de como traí-lo naquela mesma noite. Jesus expressa a sua comoção e diz: “Em verdade lhes digo: um de vocês vai me trair!” Não diz: “Judas vai me trair”, mas “um de vocês”. É alguém do círculo da amizade dele que vai ser o traidor”.

João 13,22-25: A reação dos discípulos.  Os discípulos levam susto. Não esperavam por esta declaração tão séria de que um deles seria o traidor. Pedro faz um sinal a João para ele perguntar a Jesus qual dos doze iria cometer a traição. Sinal de que eles nem sequer desconfiavam quem pudesse ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles ainda não tinha chegado à mesma transparência de Jesus para com eles (cf. Jo 15,15). João se inclinou para perto de Jesus e perguntou: “Quem é?”

João 13,26-30: Jesus indica Judas.  Jesus disse: é aquele a quem vou dar um pedaço de pão umedecido no molho. Ele pegou um pedaço de pão, molhou e deu a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam fazer entre si. E Jesus disse a Judas: “O que você tem que fazer, faça logo!” Judas tinha a bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e de dar esmolas para os pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anúncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: “Até o meu amigo, em quem eu confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair” (Sl 41,10; cf. Sl 55,13-15). Judas percebeu que Jesus estava sabendo de tudo (Cf. Jo 13,18). Mesmo assim, não voltou atrás, e manteve a decisão de trair Jesus. É neste momento que se opera a separação entre Judas e Jesus. João diz que o satanás entrou nele. Judas levantou e saiu. Ele entrou para o lado do adversário (satanás). João comenta: “Era noite”. Era a escuridão.

João 13,31-33: Começa a glorificação de Jesus.   É como se a história tivesse esperado por este momento da separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entraram em Judas quando ele decidiu de executar o que estava tramando. Neste mesmo momento se fez luz em Jesus que declara: “Agora o Filho do Homem foi glorificado, e também Deus foi glorificado nele. Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo!”  O que vai acontecer daqui para frente é contagem regressiva. As grandes decisões foram tomadas, tanto da parte de Jesus (Jo 12,27-28) e agora também da parte de Judas. Os fatos se precipitam. E Jesus já dá o aviso: “Filhinhos, é só mais um pouco que vou ficar com vocês”. Falta pouco para que se realize a passagem, a Páscoa.

João 13,34-35: O novo mandamento.  O evangelho de hoje omite estes dois versículos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.

João 13,36-38: Anúncio da negação de Pedro. Junto com a traição de Judas, o evangelho traz também a negação de Pedro. São os dos dois fatos que mais contribuíram para o sofrimento de Jesus. Pedro diz que está disposto a dar a vida por Jesus. Jesus o chama à realidade: “Você dar a vida por mim? O galo não cantará sem que me renegues três vezes”. Marcos tinha escrito: “O galo não cantará duas vezes e você já me terá negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando de manhã cedo o primeiro galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os galos estão cantando. Pedro é mais rápido na negação do que o galo no canto.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Judas, amigo, torna-se traidor. Pedro, amigo, torna-se negador. E eu?

2) Colocando-me na situação de Jesus: como enfrenta negação e traição, o desprezo e a exclusão?

 

5) Oração final

És tu, Senhor, a minha esperança, és minha confiança, SENHOR, desde a minha juventude. Sobre ti me apoiei desde o seio materno, desde o colo de minha mãe és minha proteção; em ti está sempre o meu louvor. (Sl 70, 5-6)

Austeridade é palavra de ordem no governo do papa jesuíta

 

Em decisão histórica, Francisco reduz em 10%, e por tempo indeterminado, o salário dos cardeais que atuam em Roma (AFP/ Vincenzo Pinto)

 

Mirticeli Medeiros*

Como o resto do mundo, o Vaticano está em crise. Recentemente, a Secretaria de Economia da instituição publicou seu balanço anual, que prevê déficit de 49,7 milhões de euros. Motivo: atividades comerciais em queda (atrações turísticas e museus fechados); menos doações à Igreja e setor imobiliário pouco movimentado por causa da crise. Diante disso, qual a atitude do papa? Evitar, a todo o custo, as demissões. O pontífice disse que nenhum funcionário do Vaticano ficará sem emprego, independente do que aconteça. O pequeno Estado mantém, atualmente, cerca de 5 mil funcionários. Dentre os quais mais de 3 mil não são religiosos.

Mas para tomar esse tipo de decisão, outros cortes tiveram que ser feitos. E num ato corajoso, Francisco mexeu, justamente, no bolso de seus mais estreitos colaboradores: os cardeais. Preferiu sacrificá-los a reduzir a remuneração dos pais de família que dependem do Vaticano.

Um cardeal que trabalha no pequeno Estado ganha, atualmente, cerca de 5. 500 mil euros (pouco mais de 36 mil reais, na cotação atual). Além disso, eles não pagam impostos na Itália (porque são cidadãos do Vaticano) e moram em 'apartamentos funcionais' cedidos pela instituição. Com a medida, eles passarão a receber 4.950 mil euros – menos 10%. Mesmo assim, é um valor acima da média, se compararmos à realidade italiana. Para se ter uma ideia, um funcionário público, no país, fatura metade disso. Um gerente de banco, por exemplo (um dos cargos mais bem pagos na Itália), embolsa cerca de 4 mil euros ao mês.

Vale salientar que a medida se aplica somente aos cardeais que trabalham no Vaticano. São eles que, em sua maioria, coordenam os dicastérios (ministérios) da Cúria Romana, como no caso da Congregação para a Doutrina da Fé, Institutos de Vida Consagrada, Culto Divino, etc. Como vimos, o valor da remuneração ultrapassa o recebido por trabalhadores formais na Itália. Porém, enquanto ministros de um Estado (no caso, o Vaticano), os purpurados recebem menos que um ministro do governo italiano, cujo salário varia entre 9 mil e 12 mil euros ao mês.

Os outros cardeais, que geralmente são arcebispos de grandes cidades pelo mundo, são mantidos pelas dioceses que coordenam. Os italianos recebem entre 1.400 e 3 mil euros.

A decisão de Francisco foi publicada em forma de motu proprio (um documento pontifício que exprime um desejo pessoal do papa). É a segunda vez que ele, dentro do seu projeto de reforma das finanças vaticanas, mexe no dinheiro dos purpurados. E explicou que a mudança não foi motivada somente pela crise provocada pela pandemia. O texto também diz que o objetivo é seguir os "critérios da proporcionalidade e da progressividade", de modo que "os postos de trabalho, daqui pra frente, sejam salvaguardados".

Em 2013, após ser eleito, o papa argentino retirou o bônus de 2 mil euros que era concedido aos cardeais da Comissão do Banco do Vaticano (IOR). Na época, para conter gastos, também congelou o salário de todos os empregados do Vaticano.

Desta vez, além dos cardeais, chefes de outros organismos da Cúria Romana, bem como religiosos e padres, que não necessariamente assumem cargos de direção, terão redução na folha de pagamento. Menos 8% para o primeiro grupo e menos 3% para o segundo.

Os cardeais, que trabalham em Roma, sempre receberam uma contribuição?

A remuneração dada aos cardeais, que por muito tempo foi chamada de "piatto cardinalizio" – do italiano, "prato cardinalício" – foi estabelecida, formalmente, no século 15, pelo papa Paulo III. Porém, para que o cardeal pudesse receber a remuneração, alguns critérios deveriam ser observados.

O beneficiado não poderia pertencer a uma família nobre nem receber nenhum tipo de sustento do soberano do território de proveniência. O prato, nesse caso, servia para suprir o que faltava à manutenção daquele cardeal em Roma, um auxílio "ao prato do pobre cardeal".

Atualmente, o Vaticano prefere usar o termo "contribuição cardinalícia" quando se refere à remuneração recebida pelos cardeais que atuam na Cúria Romana.

 

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras. Fonte: https://domtotal.com

 

 

1) Oração

Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 12, 1-11)

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele tinha ressuscitado dos mortos. 2Lá, ofereceram-lhe um jantar. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, então, tomando meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. A casa inteira encheu-se do aroma do perfume. 4Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que entregaria Jesus, falou assim: 5“Por que este perfume não foi vendido por trezentos denários para se dar aos pobres?” 6Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas, porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a! que ela o guarde em vista do meu sepultamento. 8Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis”. 9Muitos judeus souberam que ele estava em Betânia e foram para lá, não só por causa dele, mas também porque queriam ver Lázaro, que Jesus tinha ressuscitado dos mortos. 10Os sumos sacerdotes, então, decidiram matar também Lázaro, 11pois por causa dele muitos se afastavam dos judeus e começaram a crer em Jesus.

 

3) Reflexão

Estamos entrando na Semana Santa, a semana da páscoa de Jesus, da sua passagem deste mundo para o Pai (Jo 13,1). A liturgia de hoje coloca diante de nós o início do capítulo 12 do evangelho de João, que faz a ligação entre o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc.13-21). No fim do "Livro dos Sinais", apareceram com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-21.39) e o perigo que Jesus corria. Várias vezes tentaram matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto assim, que Jesus era obrigado a levar uma vida clandestina, pois podia ser preso a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).

João 12,1-2: Jesus, perseguido pelos judeus, vai à Betânia. Seis dias antes da páscoa, Jesus vai à Betânia na casa das suas amigas Marta e Maria e de Lázaro. Betânia significa Casa da Pobreza. Ele estava sendo perseguido pela polícia (Jo 11,57). Queriam matá-lo (Jo 11,50). Mesmo sabendo que a polícia estava atrás de Jesus, Maria, Marta e Lázaro receberam Jesus em casa e ofereceram um jantar para ele. Acolher em casa uma pessoa perseguida e oferecer-lhe um jantar era perigoso. Mas o amor faz superar o medo

João 12,3: Maria unge Jesus. Durante o jantar, Maria unge os pés de Jesus com meio litro de perfume de nardo puro (cf. Lc 7,36-50). Era um perfume cheiroso, caríssimo, de trezentos denários. Em seguida, ela enxuga os pés de Jesus com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume. Em todo este episódio, Maria não fala. Só age. O gesto cheio de simbolismo fala por si mesmo. Lavando os pés, Maria se faz servidora. Jesus vai repetir o gesto na última ceia (Jo 13,5).

João 12,4-6: Reação de Judas. Judas critica o gesto de Maria. Acha que é um desperdício. De fato, trezentos denários eram o salário de trezentos dias! O salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez! Judas acha que o dinheiro deveria ser dado aos pobres. O evangelista comenta que Judas não tinha nenhuma preocupação com os pobres, mas que era um ladrão. Tinha a bolsa comum e roubava dinheiro. Julgamento forte que condena Judas. Não condena a preocupação com os pobres, mas sim a hipocrisia que usa os pobres para se promover e se enriquecer. Nos seus interesses egoístas, Judas só pensava em dinheiro. Por isso não percebeu o que estava no coração de Maria. Jesus enxerga o coração e defende Maria.

João 12,7-8: Jesus defende a mulher. Judas olha o gasto e critica a mulher. Jesus olha o gesto e defende a mulher: “Deixa-a! Ela o conservou para o dia da minha sepultura!"  Em seguida, Jesus diz: "Pobres sempre tereis, mas a mim nem sempre tereis!"  Quem dos dois vivia mais perto de Jesus: Judas ou Maria? Como discípulo, Judas convivia com Jesus há quase três anos, vinte e quatro horas por dia. Fazia parte do grupo. Maria só o encontrava uma ou duas vezes ao ano, por ocasião das festas, quando Jesus vinha a Jerusalém e visitava a casa dela. Só a convivência sem o amor não faz conhecer. Tolhe o olhar. Judas era cego. Muita gente convive com Jesus e até o louva com muito canto, mas não o conhece de verdade nem o revela (cf. Mt 7,21). Duas afirmações de Jesus merecem um comentário mais detalhado: (1) “Pobres sempre tereis”, e (2) “Ela guardou o perfume para me ungir no dia do meu sepultamento”.

1. “Pobres sempre tereis” Será que Jesus quis dizer que não devemos preocupar-nos com os pobres, visto que sempre vai haver gente pobre? Será que a pobreza é um destino imposto por Deus? Como entender esta frase? Naquele tempo, as pessoas conheciam o Antigo Testamento de memória. Bastava Jesus citar o começo de uma frase do AT, e as pessoas já sabiam o resto. O começo da frase dizia: “Vocês vão ter sempre os pobres com vocês!” (Dt 15,11a). O resto da frase que o povo já conhecia e que Jesus quis lembrar, era este: “Por isso, eu ordeno: abra a mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu indigente, na terra onde você estiver!” (Dt 15,11b). Conforme esta Lei, a comunidade deve acolher os pobres e partilhar com eles seus próprios bens. Mas Judas, em vez de “abrir a mão em favor do pobre” e de partilhar com ele seus próprios bens, queria fazer caridade com o dinheiro dos outros! Queria vender o perfume de Maria por trezentos denários e usá-los para ajudar os pobres. Jesus cita a Lei de Deus que ensinava o contrário. Quem, como Judas, faz campanha com o dinheiro da venda dos bens dos outros, não incomoda. Mas aquele que, como Jesus, insiste na obrigação de acolher os pobres e de partilhar com eles os próprios bens, este incomoda e corre o perigo de ser condenado.

2. "Ela guardou esse perfume para me ungir no dia do meu sepultamento" A morte na cruz era o castigo terrível e exemplar, adotado pelos romanos para castigar os subversivos que se opunham ao império. Uma pessoa condenada à morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois ficava pendurada na cruz até que os animais comessem o cadáver, ou recebia sepultura rasa de indigente. Além disso, conforme a Lei do Antigo Testamento, ela devia ser considerada como "maldita por Deus" (Dt 21, 22-23). Jesus ia ser condenado à morte de cruz, conseqüência do seu compromisso com os pobres e da sua fidelidade ao Projeto do Pai. Não ia ter enterro. Por isso, depois de morto, não poderia ser ungido. Sabendo disso, Maria se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, ela mostra que aceitava Jesus como Messias, mesmo crucificado!  Jesus entende o gesto dela e o aprova.

João 12,9-11: A multidão e as autoridades. Ser amigo de Jesus pode ser perigoso. Lázaro corre perigo de morte por causa da vida nova que recebeu de Jesus. Os judeus decidiram matá-lo. Um Lázaro vivo era prova viva de que Jesus era o Messias. Por isso, a multidão o procurava, pois o povo queria experimentar de perto a prova viva do poder de Jesus. Uma comunidade viva corre perigo de vida porque é prova viva da Boa Nova de Deus!

 

4) Para um confronto pessoal

1) Maria foi mal interpretada por Judas. Você já foi mal interpretada alguma vez? Como você reagiu?

2) O que nos ensina o gesto de Maria? Que alerta nos traz a reação de Judas?

 

5) Oração final

O SENHOR é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é quem defende a minha vida; a quem temerei? Ele me dá abrigo na sua tenda no dia da desgraça. Esconde-me em sua morada, sobre o rochedo me eleva. (Sl 26, 1.5)

 

A diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT) comunicou o falecimento de dom Juventino Kestering, na manhã deste domingo, 28 de março. O bispo testou positivo para Covid-19 no final de fevereiro e estava internado desde o dia 11 de março. De acordo com informações dadas pelos médicos que o acompanhavam na UTI, dom Juventino sofreu uma parada cardíaca às 9h45 desta manhã, e não resistiu.

O comunicado da diocese também informa que o bispo teve seu quadro agravado “consideravelmente a partir de ontem”. O texto também informa que o será permitido o velório do bispo uma vez que não há mais a presença do vírus, de acordo com os médicos. O funeral deverá ocorrer “seguindo rigorosamente os protocolos de segurança, distanciamento e higiene, na Catedral Santa Cruz em Rondonópolis”. O horário do sepultamento será divulgado em breve pela diocese. 

 

Biografia

Dom Juventino Kestering nasceu no dia 19 de maio de 1946, em Morro do Gato, hoje Morro do Cruzeiro, município de São Ludgero, região sul de Santa Catarina. Ingressou no seminário Nossa Senhora de Fátima, em Tubarão (SC), no dia 12 de fevereiro de 1959, quando tinha 13 anos. Estudou filosofia e teologia em Curitiba (PR); foi ordenado padre pelo bispo Dom Anselmo Pietrulla, no dia 14 de julho de 1973, na igreja matriz São João, em São Ludgero, e celebrou a primeira missa na igreja de São Pio X, em sua terra natal. Logo assumiu a missão de vigário paroquial na catedral diocesana de Tubarão.

No Regional Sul 4 da CNBB, quando ainda era padre da diocese de Tubarão, dom Juventino foi professor do Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC) e coordenador regional da Comissão para a Catequese. Em nível nacional, também assessorou a Comissão para a Animação Bíblico-catequética da Conferência Episcopal.

Em 19 de novembro de 1997, o então padre Juventino Kestering foi nomeado bispo diocesano de Rondonópolis (MT) pelo Papa João Paulo II e recebeu a Sagração Episcopal no dia 8 de março de 1998, na catedral de Tubarão, pela imposição das mãos de dom Hilário Moser, SDB, assumindo como lema ‘Enviou-me para evangelizar’.

Em 22 de março de 1998, dom Juventino tomou posse como bispo diocesano de Rondonópolis. Em seu episcopado aconteceram as mudanças geográficas com anexação de mais cinco paróquias, passando a ser diocese de Rondonópolis-Guiratinga.

Em sua missão episcopal, dom Juventino Kestering atuou como membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB; membro do Departamento Missões e Espiritualidade, ao qual está ligada a seção Catequese, do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam); e referencial da Catequese no Regional Oeste 2 da CNBB.

 

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Juventino Kestering

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta pesar pelo falecimento de Dom Juventino Kestering, bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT), na manhã deste Domingo de Ramos, 28 de março, vítima das consequências da Covid-19. Unimo-nos em solidariedade aos familiares, amigos, ao povo de Deus no Sul de Mato Grosso e aos agentes da Animação Bíblico-Catequética de todo o Brasil, que puderam se enriquecer com a doação deste nosso irmão enviado para evangelizar.

Em preces pela alma de dom Juventino, reforçamos nossa Mensagem Pascal deste ano: “Cristo Ressuscitado, bálsamo da vitória da vida sobre a morte, seja perseverança em nosso caminhar, especial sustento para os profissionais e servidores da saúde, consolação para os enlutados e feridos no coração”. Em Cristo,

 

Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG

Presidente

 

Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

 

Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

 

Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, destacou os desafios e dificuldades da realização da 58ª Assembleia Geral do episcopado brasileiro que, pela primeira vez, será realizada em um formato virtual, de 12 a 16 de abril com atividades nos períodos de manhã e tarde.

 

Vatican News

O tema central da 58ª Assembleia Geral diz respeito ao Pilar da Palavra proposto pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023). Mesmo sem a possibilidade de votação de um documento, será debatido o tema “Casas da Palavra – Animação bíblica da vida e da pastoral nas comunidades eclesiais missionárias” e também diversos outros assuntos relacionados à atuação da Igreja Católica no Brasil.

“Percebemos que este é um momento de se amadurecer no Brasil quanto à animação bíblica da vida e da pastoral”, disse. 

A realização da Assembleia foi cancelada em 2020 por conta da pandemia e das dificuldades com os recursos virtuais. Com a aprovação unânime do Conselho Permanente, dom Joel explica que, em 2021, a CNBB optou por fazer a reunião do episcopado de forma on-line após a aquisição das condições técnicas e da experiência em organização de eventos no formato remoto.

“Somos uma conferência episcopal muito grande. São 278 circunscrições eclesiásticas, um total de 485 bispos hoje, dos quais 318 exercendo alguma missão e função de governo mais 167 eméritos. Se por um lado, depois de um ano convivendo com a realidade virtual, nós aprendemos muito, com certeza o fato de ser a primeira assembleia on-line trará para nós ainda um conjunto de exigências para lidar com esse mundo virtual”, disse.

 

Primeira assembleia on-line

Dom Joel enumera as dificuldades quanto ao formato virtual. A primeira delas, segundo o bispo, diz respeito às votações. Ele explica que a legislação canônica geral e a legislação própria da Conferência da CNBB, não permitem que se realize votações de modo virtual.

“Não se garante, por exemplo, o sigilo e em algumas situações, como o tema central, não há possibilidade de debater, replicar, apresentar emendas e sustentar ideias diante do plenário”, aponta.

Frente a esse limite, dom Joel explica que a presidência da CNBB, ouvindo a Comissão de canonistas e seu Conselho Permanente, optou por realizar uma Assembleia sem votações que impliquem alterações ou consequências de natureza legislativa para a Conferência. Por outro lado, ele destaca que as votações de natureza pastoral poderão ocorrer, como acontece normalmente sobre as mensagens que a Conferência envia ao povo brasileiro. Uma outra dificuldade é quanto a realização das reuniões reservadas das quais participam apenas os bispos.

Sobre o tema central, dom Joel explica que embora não tenha acontecido a assembleia em 2020, a Comissão continuou seu trabalho de sistematização e que apresentará um documento  aos bispos. Ele alerta que os bispos vão refletir e que, no máximo, poderão sugerir, ao final do estudo, que seja feita uma publicação de reflexão na série de Estudos da CNBB. “Não poderá ser um documento porque ele não terá essa dimensão vinculante legislativa”, disse.

Em Aparecida (SP), onde a assembleia se realiza presencialmente todos os anos, os bispos têm contato direto com os fiéis nas celebrações diárias na Basílica Nossa Senhora Aparecida. Desta vez, a assembleia, por conta do formato on-line, perderá este contato. Por outro lado, dom Joel convida os católicos a fazerem sua oração pessoal e com a família pela Assembleia em casa. “Nem por isso deixará de ser oração, ouvida por Deus”, disse.

“Os fiéis são convidados a acompanhar e a rezar pelos bispos, rezar pela Igreja no Brasil, pelo nosso país e pelo povo brasileiro nesse momento tão difícil, pesado e de tanta perplexidade e tristeza. Nós bispos do Brasil contamos muito com a oração de cada irmão e irmã, de cada coração, que ama esse país e que quer a rápida superação da pandemia”, concluiu.

Fonte: CNBB; https://www.vaticannews.va

Domingo de Ramos... O Silêncio de Jesus... Por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. Domingo, 28 de março-2021. www.instagram.com/freipetronio 

 

A tradição de cobrir os santos durante a Quaresma é muito antiga. Para entendê-la é preciso primeiro entender o que significam as imagens dos santos numa igreja. 

Quando entramos na Igreja e vemos as imagens, recordamos o mistério da Comunhão dos Santos: nós formamos com Eles, que já estão glorificados com Cristo Ressuscitado, a única Igreja que é Igreja Triunfante (que está nos céus), Igreja padecente (no Purgatório) e Igreja militante (nós na Terra). As imagens são, pois, uma mensagem de alegria: anunciam para nós essa consoladora e alegre verdade da fé de que estamos unidos à vitória daqueles que viveram antes de nós e – como nós – seguiram a Jesus.

Quando cobrimos os santos na quaresma e, sobretudo na Semana Santa, estamos querendo representar que, antes de eles viverem o mistério da glória com Cristo, passaram pelo mistério da dor, dos sofrimentos e da morte de Jesus. Os santos não são cobertos como sinal de luto, mas sim como sinal do mistério de “solidariedade” e união profunda ao mistério da Paixão do Senhor. Nós os cobrimos, dando um ar “pesante” ao espaço litúrgico, nada alegre, pois agora é tempo de pensar na paixão do senhor.

Isso fica ainda mais claro quando, no canto do Glória na Vigília Pascal vemos cair os panos roxos e volta a alegria pois, no lugar daquela cor pesada e triste, aparecem de novo as imagens coloridas e bonitas, sinais de quem venceu com Cristo, tendo passado pela sua cruz em união à Dele.

Cobrir e descobrir os santos, então, nos remete ao Mistério Pascal, que é mistério de morte e ressurreição, de sofrimento e de alegria, de perca e de vitória. Cobrir os santos é linguagem simbólica muito expressiva, que tem sido recuperada em muitas Comunidades Cristãs, que estão se conscientizando do valor e da necessidade do simbolismo na caminhada humana. Infelizmente esse uso foi se perdendo (mas isso é até concebível diante da retirada das imagens das igrejas na década de 70) e muitas comunidades simplesmente aboliram o seu uso nem nenhuma explicação.

Também conhecido como “Velatio“, este costume de cobrir as imagens das Igrejas com tecido roxo durante a Quaresma, é para que os fiéis não “se distraiam” com os Santos e que a sua devoção deve estar fundamentada no Mistério Pascal de Cristo, ou seja, na Sua paixão, morte e ressurreição.

Assim, cobrindo-se todas as imagens dos Santos e os crucifixos, surge com maior evidência o que há de essencial nas igrejas: o altar, onde se opera e atualiza o Mistério Pascal de Cristo, por seu Sacrifício incruento.

A rubrica no Missal Romano, 2ª edição típica, no sábado da IV semana da Quaresma (pág. 211, em português) e também a contida na Paschalis Sollemnitatis: A Preparação e Celebração das Festas Pascais, nº 26, nos ensina que:

“o uso (costume) de cobrir as cruzes e as imagens na igreja, desde o V Domingo da Quaresma, pode ser conservado segundo a disposição da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até ao término da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa; as imagens até ao início da Vigília Pascal”.

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Com informações dos blogs A Fé Explica! e Salvem a Liturgia.

Fonte: https://blog.cordis.com.br

 

Foto: Igreja do Carmo de Angra dos Reis/RJ. (Frei Petrônio de Miranda, O. Carm)

Entenda porque cobrimos as imagens no tempo quaresmal

Este é um costume muito antigo na história da Igreja. Remonta ao século sétimo indicando um luto antecipado pela morte do Senhor. As imagens são cobertas com um tecido roxo. É uma prática facultativa. O crucifixo é descoberto na sexta-feira da paixão na adoração da Santa Cruz, e os santos na Vigília Pascal. Trata-se de um ato exterior que estimula um ato interior. A atitude da penitência representa pela cor roxa, o arrependimento, a conversão, a mudança de vida.

Quando se cobre as imagens a igreja nos ensina que estamos em um tempo diferente. Além das imagens também tira se as flores do altar, silencia um pouco os instrumentos, suprime o, aleluia não se canta o glória, e as celebrações são mais sóbrias convidando as pessoas a também cobrirem-se, mas espiritualmente para fazerem um exame de consciência, examinarem se, e pedirem de modo especial para mudarem de caminho. Para tal mudança é preciso o arrependimento, o perdão dos pecados, o bom propósito de não pecar mais, e nesta época em especial Jesus nos ajuda a obter este perdão, pois a primeira palavra que Ele falou no alto da cruz foi uma palavra de perdão: “Pai, perdoai-lhes eles não sabem o que fazem.” (Lucas 23,34).

Hoje cobrimos as imagens para simbolizar o período de penitência que estamos vivendo. Na sua paixão foi Jesus que nos cobriu com o manto todo especial, não roxo, mas vermelho era o manto de seu sangue, cobria a multidão dos pecados da humanidade para a modificar por dentro. Por tanto ele espera uma mudança de nosso coração. As imagens em alguns lugares agora estão cobertas pedindo de cada um de nós uma verdadeira conversão interior nesta quaresma.

É TEMPO DE CONVERSÃO!

Fonte: Arautos do Evangelho; http://radio.cancaonova.com

A Igreja Católica dá início neste Domingo de Ramos, 28 de março – a Semana Santa que se estende até o próximo domingo, dia 4 de abril – domingo de páscoa.  A Semana Santa é o momento central da liturgia católica romana e é a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Este ano, novamente, a vivência desse momento será diferente por causa das exigências sanitárias impostas diante do avanço da pandemia da Covid-19. Em muitas regiões do país, as celebrações serão mais simples, com a presença limitada ou sem a presença física de fieis nas Igrejas.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou orientações e sugestões para que as arquidioceses e dioceses possam realizar as celebrações diante das exigências sanitárias impostas por causa da pandemia, que interferem diretamente no rito celebrativo da Semana Santa.

Para ajudar a compreender o sentido litúrgico deste momento, o portal da CNBB traz o significado de cada dia da Semana Santa.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

 

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

 

Terça-feira Santa

A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre no caminho a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

 

Quarta-feira Santa

Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem de uma igreja ou local determinado com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

 

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto, esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.

Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

 

Sexta-feira Santa 

 A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

 

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal – Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando na oração e no jejum Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

 

Domingo da Ressurreição

É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.

Com informação dos Jovens Conectados. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Perdoai, ó Deus, nós vos pedimos, as culpas do vosso povo. E, na vossa bondade, desfazei os laços dos pecados que em nossa fraqueza cometemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 10, 31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 31Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedrejar. 32Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais? 33Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus. 34Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)? 35Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada), 36como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus? 37Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. 38Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai. 39Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos. 40Ele se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu. 41Muitos foram a ele e diziam: João não fez milagre algum, 42mas tudo o que João falou deste homem era verdade. E muitos acreditaram nele. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Estamos chegando perto da Semana Santa, em que comemoramos e atualizamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Desde a quarta semana da quaresma, os textos dos evangelhos diários são tirado quase exclusivamente do Evangelho de João, dos capítulos que acentuam a tensão dramática entre, de um lado, a revelação progressiva que Jesus faz do mistério do Pai que o enche por inteiro e, de outro lado, o fechamento progressivo da parte dos judeus que se tornam cada vez mais impenetráveis à mensagem de Jesus. O trágico deste fechamento é que ele é feito em nome da fidelidade a Deus. É em nome de Deus que eles rejeitam Jesus.

Esta maneira de João apresentar o conflito entre Jesus e as autoridade religiosas não é só algo que aconteceu no longínquo passado. É também um espelho que reflete o que acontece hoje. É em nome de Deus que algumas pessoas se transformam em bombas vivas e matam os outros. É em nome de Deus que nós, membros das três religiões do Deus de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, nos condenamos e nos combatemos mutuamente, ao longo da história. É tão difícil e tão necessário o ecumenismo entre nós. Em nome de Deus foram feitas muitas barbaridades e continuam sendo feitas até hoje. A quaresma é um período importante para parar e perguntar qual a imagem de Deus que habita o meu ser?

João 10,31-33: Os judeus querem apedrejar Jesus.  Os judeus apanham pedras para matar Jesus. Jesus pergunta: "Por ordem do meu Pai, tenho feito muitas coisas boas na presença de vocês. Por qual delas vocês me querem apedrejar?" A resposta: "Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus." Querem matar Jesus por blasfêmia. A lei mandava apedrejar tais pessoas.

João 10,34-36: A Bíblia chama todos de Filhos de Deus. Eles querem matar Jesus porque ele se faz passar por Deus. Jesus responde em nome da mesma Lei de Deus: "Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: 'Eu disse: vocês são deuses'? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus?”.

Estranhamente, Jesus diz “a lei de vocês”. Ele deveria dizer “nossa lei”. Por que ele fala assim? Aqui transparece novamente a ruptura trágica entre Judeus e Cristãos, dois irmãos, filhos do mesmo pai Abraão, que se tornaram inimigos irredutíveis a ponto de os cristãos dizerem “a lei de vocês”, como se não fosse mais nossa lei.

João 10,37-38: Ao menos acreditem nas obras que faço.  Jesus torna a falar das obras que ele faz e que são a revelação do Pai. Se não faço as obras do Pai não precisam crer em mim. Mas se as faço, mesmo que vocês não acreditem em mim, acreditem ao menos nas obras, para que você possam chegar a perceber que o Pai está em mim e eu no pai. As mesmas palavras Jesus vai pronunciar para os discípulos na última Ceia (Jo 14,10-11).

João 10,39-42: Novamente querem matá-lo, mas ele escapou das mãos deles.  Não houve nenhum sinal de conversão. Eles continuam achando que Jesus é blasfemo e insistem em querer matá-lo. Não há futuro para Jesus. Sua morte está decretada, mas sua hora ainda não chegou. Jesus sai e atravessa o Jordão para o lugar onde João tinha batizado. Assim mostra a continuidade da sua missão com a missão de João. Ajudava o povo a perceber a linha da ação de Deus na história. O povo reconhece em Jesus aquele que João tinha anunciado.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Os judeus condenam Jesus em nome de Deus, em nome da imagem que eles têm de Deus. Já aconteceu eu condenar alguém em nome de Deus e depois descobrir que eu estava errado?

2) Jesus se diz “Filho de Deus”. Quando eu professo no Credo que Jesus é o Filho de Deus, qual o conteúdo que eu coloco nesta minha profissão de fé?

 

5) Oração final

Eu te amo, SENHOR, minha força, SENHOR, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador; meu Deus, minha rocha, na qual me refúgio; meu escudo e baluarte, minha poderosa salvação. (Sl 17, 2-3)

O SILÊNCIO DIANTE DA MORTE... A Palavra do Frei Petrônio, por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Praia das Gordas, Angra dos Reis/RJ. Quinta-feira, 25 de março-2021. www.instagram.com/freipetronio 

 

1) Oração

Ó Deus de misericórdia, iluminai nossos corações purificados pela penitência. E ouvi com paternal bondade aqueles a quem dais o afeto filial. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 8, 31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 31Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; 32conhecereis a verdade e a verdade vos livrará. 33Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres? 34Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. 35Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. 36Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois a raça de Abraão; mas quereis matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós. 38Eu falo o que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai. 39Nosso pai, replicaram eles, é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 40Mas, agora, procurais tirar-me a vida, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus! Isso Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras de vosso pai. Retrucaram-lhe eles: Nós não somos filhos da fornicação; temos um só pai: Deus. 42Jesus replicou: Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

No evangelho de hoje, continua a reflexão sobre o capítulo 8 de João. Em forma de círculos concêntricos, João vai aprofundando o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Parece repetição, pois ele sempre torna a falar do mesmo assunto. Na realidade, é o mesmo assunto, mas é cada vez num nível mais profundo. O evangelho de hoje aborda o tema do relacionamento de Jesus com Abraão, o Pai do povo de Deus. João procura ajudar as comunidades a compreender como Jesus se situa dentro do conjunto da história do Povo de Deus. Ajuda-as a perceber a diferença que existe entre Jesus e os judeus, pois também os judeus e aliás todos nós somos filhos e filhas de Abraão.

João 8,31-32: A liberdade que nasce da fidelidade à palavra de Jesus. Jesus afirma aos judeus: "Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês". Ser discípulo de Jesus é o mesmo que abrir-se para Deus. As palavras de Jesus são na realidade palavras de Deus. Elas comunicam a verdade, pois fazem conhecer as coisas do jeito que elas são aos olhos de Deus e não aos olhos dos fariseus. Mais tarde, durante a última Ceia, Jesus ensinará a mesma coisa aos discípulos. 

João 8,33-38: O que é ser filho e filha de Abraão? A reação dos judeus é imediata: "Nós somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: 'vocês ficarão livres'?” Jesus rebate fazendo uma distinção entre filho e escravo e diz: "Quem comete o pecado, é escravo do pecado. O escravo não fica para sempre na casa, mas o filho fica aí para sempre. Por isso, se o Filho os libertar, vocês realmente ficarão livres”. Jesus é o filho e vive na casa do Pai. O escravo não vive na casa. Viver fora de casa, fora de Deus, é viver em pecado. Se eles aceitarem a palavra de Jesus poderão tornar-se filhos e terão a liberdade. Deixarão de ser escravos. E Jesus continua: “Eu sei que vocês são descendentes de Abraão; no entanto, estão procurando me matar, porque minha palavra não entra na cabeça de vocês”. Em seguida aparece bem clara a distinção: “Eu falo das coisas que vi junto do Pai; vocês também devem fazer aquilo que ouvem do pai de vocês”. Jesus lhes nega o direito de dizer que são filhos de Abraão, pois as obras deles dizem o contrário.

João 8,39-41a: Um filho de Abraão pratica as obras de Abraão. Eles insistem em afirmar: “Nosso Pai è Abraão!” como se quisessem apresentar a Jesus o documento de sua identidade. Jesus rebate: "Se vocês são filhos de Abraão, façam as obras de Abraão. Agora, porém, vocês querem me matar, e o que eu fiz, foi dizer a verdade que ouvi junto de Deus. Isso Abraão nunca fez. Vocês fazem a obra do pai de vocês”. Nas entrelinhas, ele sugere que o pai deles é satanás (Jo 8,44). Sugere que são filhos da prostituição.

João 8,41b-42: Se Deus fosse pai de vocês, vocês me amariam, porque eu saí de Deus. Usando palavras diferentes, Jesus repete a mesma verdade: “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus”. A origem desta afirmação vem de Jeremias que disse: “Colocarei minha lei em seu peito e a escreverei em seu coração; eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais precisará ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: "Procure conhecer a Javé". Porque todos, grandes e pequenos, me conhecerão - oráculo de Javé. Pois eu perdoo suas culpas e esqueço seus erros” (Jr 31,33-34). Mas eles não se abriram para esta nova experiência de Deus, e por isso não reconhecem Jesus como o enviado do Pai.

 

4) Para um confronto pessoal

 

1) Liberdade que se submete totalmente ao Pai. Existe algo assim em você? Conhece pessoas assim?

2) Qual a experiência mais profunda em mim que me leva a reconhecer Jesus como o enviado de Deus?

 

5) Oração final

Bendito és tu, Senhor, Deus dos nossos pais, sejas louvado e exaltado para sempre! Bendito seja o teu nome santo e glorioso! Sejas louvado e exaltado para sempre! (Dn 3, 52)

 

Dom Lindomar Rocha Mota

Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)

 

Prestes a assumir a liderança mundial no número de decaídos por causa da COVID-19, surge inevitavelmente a pergunta de se o vírus tem sido mais agressivo conosco ou se outros ingredientes se juntam a esta pandemia para nos castigar ainda mais?

Ao colocar essa questão se abre um leque de temas e reflexões que calam profundamente na alma de todos enquanto nação que sofre, e, desnorteada de qualquer horizonte, padece mais que os outros para encontrar um caminho.

Muitas estatísticas se distorcem de nossa situação real no mundo.

A partir de nossa posição econômica, muito embora a soma do produto bruto não sinalize diretamente para o quesito riqueza dos povos, poderíamos estar em uma situação intermediária entre as nações. Entretanto, ao tomarmos o quesito violência, por exemplo, saltamos imediatamente para os pontos mais distantes de nossa pobreza e de nossa riqueza. Igualmente se tomarmos o quesito corrupção, assumimos também um lugar de destaque nesta representação. O caminho é inverso quando tomamos os quesitos positivos, como educação e saúde; aí despencamos para patamares de países muito menos abastados que o nosso.

Esta incongruência também diz respeito às formas exemplares de vida e de admiração. Ao aproximar-se dos EUA, nos últimos anos, o Brasil balizou-se pelo que há de pior naquela nação, a sua indiferença para com o outro, o bairrismo estrutural, a divisão de classe e o capitalismo primitivo. Bem que poderia ser por outro viés. Há naquela nação, tanto quanto em outros povos, princípios que poderiam ser melhor aproveitados, numa lista bastante extensa. O horror pela corrupção, o apego ao trabalho duro e pelo serviço, o amor pela liberdade, o desejo de ser relevante e cooperador maior que o desejo de herança. Prova do momento inoportuno de aproximação com as ideias americanas é que os próprios americanos já mudaram de rumo.

Neste meio tempo, vítimas da sina da escolha errada, o Brasil embocou por caminhos estranhos que o afastaram da ciência e das práticas de organização e gestão.

Uma aposta às cegas em soluções milagrosas e de tateio político, coloca-nos, agora, como um perigo para nós mesmos e para a humanidade, enquanto disseminadores incontroláveis de dois inimigos, o coronavirus, que nos infecta, adoece e mata, destruindo vidas, famílias e sonhos; e o vírus da predestinação às escolhas equivocadas, que sempre rolou a pedra ladeira acima, quando o normal é rolá-la ladeira abaixo.

Esses dois fatores somados produz um abismo reflexivo que puxa para si tudo que ainda há de bom e amável nos seus contornos, momento no qual os descrentes da democracia e da vida cavam ainda mais fundo para tentar impor visões conturbadas e distorcidas da realidade, mas que podem lhes permitir a continuação no poder, embora seja um poder para seu único e exclusivo benefício, que mais tarde também se estende, mas somente para os seus, e aí termina.

Assim sendo, assistimos com enorme perplexidade um Brasil que chora por suas dores, por seus trezentos mil mortos; que sofre principalmente ao se perguntar como seria se tivesse feito as coisas de maneira ordinária, com eficiência e diálogo? Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

O padre romeno Benoni Ambarus, 46, sucede a monsenhor Enrico Feroci, nomeado cardeal: é diretor da Caritas há pouco mais de 2 anos. “Os pobres - disse há algum tempo - nos ensinam sobre a vida”. A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 21-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma escolha revolucionária e sem precedentes na diocese do Papa. Francisco nomeou como bispo auxiliar de Roma para os migrantes o padre romeno Benoni Ambarus. Dom Ben, como gosta de ser chamado, tem 46 anos e é desde setembro de 2018 diretor da Caritas diocesana. Neste cargo, ele sucedeu a monsenhor Enrico Feroci, recentemente nomeado cardeal, de quem foi o número dois por alguns meses. A escolha de Bergoglio é muito significativa porque, precisamente na sua diocese de Roma, ele quis confiar a um jovem sacerdote o cuidado pastoral dos migrantes, promovendo-o ao episcopado. O sinal eloquente de como Francisco, nestes oito anos de pontificado, decisivamente mudou os critérios de escolha dos novos bispos, ao chamar para esse encargo os padres de rua.

Embora nomeado para a cúpula da Caritas diocesana pelo cardeal vigário do Papa para a diocese de Roma, Angelo De Donatis, nos últimos anos Dom Ben construiu uma relação sólida e direta com Bergoglio, que desde sua eleição para o pontificado destacou seu sentir-se antes de tudo bispo da capital da Itália.

Dirigindo-se a Francisco durante a assembleia diocesana de maio de 2019, Dom Ben destacou que “a pobreza não é um passeio ou uma diversão; é uma realidade que marca fortemente e arranha profundamente. Mas acredito que também não seja uma culpa que deva ser passada de pai para filho. E ainda que haja vozes à nossa volta que só querem dar lugar a uma leitura negativa sobre os pobres, vozes que zombam ou até nos acusam porque nos dedicamos aos últimos, gostaria de dizer com veemência: servir aos pobres para nós é sempre uma oportunidade de receber uma boa notícia de uma forma atual e autêntica!”. E explicou o significado do serviço aos últimos: “Eles nos ensinam o valor da vida, terrena e eterna. Eles nos ensinam o que significa resiliência de vida, dignidade e capacidade de viver com o que se tem. Sim, caro Papa, eles nos ensinam sobre a vida”.

Dom Ben nasceu em 22 de setembro de 1974 em Somusca-Bacau, na Romênia. Em 1990 entrou no seminário menor. Quatro anos depois, obteve o diploma do ensino médio clássico e, em 1996, ingressou no seminário maior também na Romênia. No final daquele ano chegou à Itália para completar os estudos no Seminário Romano Maior e obteve o bacharelado em Teologia. Em 2000 foi ordenado padre, mas já no ano seguinte voltou a Roma, onde obteve a licenciatura em teologia dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana. De 2001 a 2004, ele trabalhou como educador no Seminário Maior Romano. Desde 2004 é colaborador da paróquia de San Frumenzio, da qual se tornou vice pároco desde 2007. De 2010 a 2012, porém, foi vice pároco de Santa Maria Causa Nostra e Laetitiae. Em 2012 tornou-se pároco de Santi Elisabetta e Zaccaria, a primeira paróquia romana a receber a visita pastoral de Bergoglio apenas dois meses após sua eleição, em 26 de maio de 2013.

Finalmente, em 2017, foi nomeado vice-diretor da Caritas em Roma, da qual no ano seguinte tornou-se diretor. “Estou ciente - disse Dom Ben naquela ocasião - de estar realizando um serviço exigente e delicado com a certeza de poder contar com a experiência e a dedicação de muitos operadores, voluntários e todos os pobres. A experiência de vice-diretor, vivida nos últimos meses, foi para mim a escola do Evangelho da vida através dos olhos e do coração dos pobres. A Caritas continuará seu caminho ao lado de tantas comunidades paroquiais e de todo o vasto mundo da Igreja de Roma, onde a caridade se realiza através da defesa da dignidade e da justiça: experiências que devem operar cada vez mais em comunhão”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

1) Oração

Concedei-nos, ó Deus, perseverar no vosso serviço para que, em nossos dias, cresça em número e santidade o povo que vos serve. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 8, 21-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 21Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir. 22Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir? 23Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado. 25Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro. 26Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo. 27Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. 28Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado. 30Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Na semana passada, a liturgia nos levava a meditar o capítulo 5 do Evangelho de João. Esta semana ela nos confronta com o capítulo 8 do mesmo evangelho. Como o capítulo 5, também o capítulo 8 contém reflexões profundas sobre o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Aparentemente, trata-se de diálogos entre Jesus e os fariseus (Jo 8,13). Os fariseus querem saber quem é Jesus. Eles o criticam por ele dar testemunho de si mesmo sem nenhuma prova ou testemunho para legitimar-se diante do povo (Jo 8,13). Jesus responde dizendo que ele não fala a partir de si mesmo, mas sempre a partir do Pai e em nome do Pai (Jo 8,14-19).

Na realidade, os diálogos são também expressão de como era a transmissão catequética da fé nas comunidades do discípulo amado no fim do primeiro século. Eles refletem a leitura orante que os cristãos faziam das palavras de Jesus como expressão da Palavra de Deus. O método de pergunta e resposta ajudava-os a encontrar a resposta para os problemas que, naquele fim de século, os judeus levantavam para os cristãos. Era uma maneira concreta de ajudar a comunidade a ir aprofundando sua fé em Jesus e sua mensagem.

João 8,21-22: Onde eu vou, vocês não podem me seguir. Aqui João aborda um novo assunto ou um outro aspecto do mistério que envolve a pessoa de Jesus. Jesus fala da sua partida e diz que, para onde ele vai, os fariseus não podem segui-lo. “Eu vou e vocês me procuram e vão morrer no seu pecado”. Eles procuram Jesus, mas não vão encontra-lo, pois não o conhecem e o procuram com critérios errados. Eles vivem no pecado e vão morrer no pecado. Viver no pecado é viver afastado de Deus. Eles imaginam Deus de um jeito, e Deus é diferente do que eles o imaginam. Por isso não são capazes de reconhecer a presença de Deus em Jesus. Os fariseus não entendem o que Jesus quer dizer e tomam tudo ao pé da letra: “Será que ele vai se matar?” 

João 8,23-24: Vocês são aqui de baixo e eu sou lá de cima. Os fariseus se orientam em tudo pelos critérios deste mundo. “Vocês são deste mundo e eu não sou deste mundo!” O quadro de referências que orienta Jesus em tudo que ele diz e faz é o mundo lá de cima, isto é, Deus, o Pai, e a missão que recebeu do Pai. O quadro de referências dos fariseus é o mundo cá de baixo, sem abertura, fechado nos seus próprios critérios. Por isso, eles vivem em pecado. Viver em pecado é não ter o olhar de Jesus sobre a vida. O olhar de Jesus é totalmente aberto para Deus a ponto de Deus estar nele em toda a sua plenitude (cf. Col 1,19). Nós dizemos: “Jesus é Deus”. João nos convida a dizer: “Deus é Jesus!”. Por isso, Jesus diz. “Se vocês não acreditarem que EU SOU, vocês vão morrer em seus pecados”. EU SOU é a afirmação com que Deus se apresentou a Moisés no momento de libertar o seu povo da opressão do Egito (Ex 3,13-14). É a expressão máxima da certeza absoluta de que Deus está no meio de nós através de Jesus. Jesus é a prova definitiva de que Deus está conosco. Emanuel.

João 8,25-26: Quem è você?   O mistério de Deus em Jesus não cabe nos critérios com que os fariseus olham para Jesus. De novo perguntam: “Quem è você?” Eles nada entenderam porque não entendem a linguagem de Jesus. Jesus teria muito a falar a eles a partir de tudo que ele experimentava e vivia em contato com o Pai e a partir da consciência da sua missão. Jesus não se auto-promove. Ele apenas diz e expressa o que ouve do Pai. Ele é pura revelação porque é pura e total obediência.

João 8,27-30: Quando vocês tiverem elevado o Filho do Homem saberão que EU SOU.  Os fariseus não entendem que Jesus, em tudo que diz e faz, é expressão do Pai. Só vão compreendê-lo depois que tiverem elevado o Filho do Homem. “Aí vocês saberão que EU SOU”. A palavra elevar tem o duplo sentido de elevar sobre a Cruz e de ser elevado à direita do Pai. A Boa Nova da morte e ressurreição vai revelar quem é Jesus, e eles saberão que Jesus é a presença de Deus no meio de nós. O fundamento desta certeza da nossa fé é duplo: de um lado, a certeza de que o Pai está sempre com Jesus e nunca o deixa sozinho e, de outro lado, a radical e total obediência de Jesus ao Pai, pela qual ele se torna abertura total e total transparência do Pai para nós

 

4) Para um confronto pessoal

1) Quem se fecha nos seus critérios e acha que já sabe tudo, nunca será capaz de compreender o outro. Assim eram os fariseus frente a Jesus. E eu frente aos outros, como me comporto?

2) Jesus é radical obediência ao Pai e por isso é total revelação do Pai. E eu, que imagem de Deus se irradia a partir de mim?

 

5) Oração final

SENHOR, escuta minha oração, e chegue a ti meu clamor. Não me ocultes teu rosto no dia da minha angústia. Inclina para mim teu ouvido; quando te invoco, atende-me depressa. (Sl 101, 2-3)

 

1) Oração

Ó Deus, que pela vossa graça inefável, nos enriqueceis de todos os bens, concedei-nos passar da antiga à nova vida, preparando-nos assim para o reino da glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 8, 1-11)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 1Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. 2Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. 3Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. 4Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. 5Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? 6Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. 7Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. 8Inclinando-se novamente, escrevia na terra. 9A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. 10Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? 11Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

No Evangelho de hoje, vamos meditar sobre o encontro de Jesus com a mulher que ia ser apedrejada. Pela sua pregação e pelo seu jeito de agir, Jesus incomodava as autoridades religiosas. Por isso, elas procuravam todos os meios possíveis para acusá-lo e eliminá-lo. Assim, levam até ele uma mulher, pega em flagrante de adultério. Sob a aparência de fidelidade à lei, usam a mulher para ter argumentos contra Jesus. Também hoje, sob a aparência de fidelidade às leis da igreja, muitas pessoas são marginalizadas: divorciados, aidéticos, prostitutas, mães solteiras, homossexuais, etc. Vejamos como Jesus reage:

João 8,1-2: Jesus e o povo.  Depois da discussão sobre a origem do Messias, descrita no fim do capítulo 7 (Jo 7,37-52), “cada um tinha voltado para casa” (Jo 7,53). Jesus não tinha casa em Jerusalém. Por isso, foi para o Monte das Oliveiras. Lá havia um Horto, onde ele costumava passar a noite em oração (Jo 18,1). No dia seguinte, antes do nascer do sol, Jesus já estava novamente no templo. O povo também veio bem cedo para poder escutá-lo. Eles sentavam no chão ao redor de Jesus e ele os ensinava. O que será que Jesus ensinava? Deve ter sido muito bonito, pois o povo vinha antes do nascer do sol para poder escutá-lo!

João 8,3-6a: Os escribas armam uma cilada.  De repente, chegam os escribas e os fariseus, trazendo consigo uma mulher pega em flagrante de adultério. Eles a colocam no meio da roda. Conforme a lei, esta mulher deveria ser apedrejada (Lv 20,10; Dt 22,22.24). Eles perguntam: "E qual é a sua opinião?" Era uma cilada. Se Jesus dissesse: "Apliquem a lei", eles diriam: “Ele não é tão bom como parece, porque mandou matar a pobre da mulher!” Se dissesse: "Não matem", diriam: "Ele não é tão bom como parece, porque nem sequer observa a lei!" Sob a aparência de fidelidade a Deus, eles manipulam a lei e usam a pessoa da mulher para poder acusar Jesus.

João 8,6b-8: Reação de Jesus: escreve no chão.  Parecia um beco sem saída. Mas Jesus não se apavora nem fica nervoso. Pelo contrário. Calmamente, como quem é dono da situação, ele se inclina e começa a escrever no chão com o dedo. Quem fica nervoso, são os adversários. Eles insistem para que Jesus dê a sua opinião. Então, Jesus se levanta e diz: "Quem for sem pecado seja o primeiro a jogar pedra!" E inclinando-se tornou a escrever no chão. Jesus não discute a lei. Apenas muda o alvo do julgamento. Em vez de permitir que eles coloquem a luz da lei em cima da mulher para poder condená-la, pede que eles se examinem a si mesmos à luz do que a lei exige deles. A ação simbólica da escritura no chão esclarece tudo. A palavra da Lei de Deus tem consistência. Uma palavra escrita no chão não tem consistência. A chuva e o vento a apagam logo. O perdão de Deus apaga o pecado identificada e denunciado pela lei.

João 8,9-11: Jesus e a mulher.  O gesto e a resposta de Jesus derrubaram os adversários. Os fariseus e os escribas se retiram envergonhados, um depois do outro, a começar pelos mais velhos. Aconteceu o contrário do que eles esperavam. A pessoa condenada pela lei não era a mulher, mas eles mesmos que pensavam ser fiéis à lei. No fim, Jesus ficou sozinho com a mulher no meio da roda. Jesus se levanta e olha para ela: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou!" Ela responde: "Ninguém, Senhor!" E Jesus: "Nem eu te condeno! Vai, e de agora em diante não peques mais!"

Jesus não permite que alguém use a lei de Deus para condenar o irmão ou a irmã, quando ele mesmo ou ela mesma é pecador ou pecadora. Este episódio, melhor do que qualquer outro ensinamento, revela que Jesus é a luz que faz aparecer a verdade. Ele faz aparecer o que existe de escondido dentro das pessoas, no mais íntimo de cada um de nós. À luz da sua palavra, os que pareciam os defensores da lei, se revelam cheios de pecado e eles mesmos o reconhecem, pois vão embora, a começar pelos mais velhos. E a mulher, considerada culpada e merecedora da pena de morte, está de pé diante de Jesus, absolvida, redimida e dignificada (cf. Jo 3,19-21). 

 

4) Para um confronto pessoal

1) Procure colocar-se na pele da mulher: quais eram os sentimentos dela naquele momento?

2) Que passos nossa comunidade pode e deve dar para acolher os excluídos?

 

5) Oração final

O SENHOR é o meu pastor, nada me falta. Ele me faz descansar em verdes prados, a águas tranquilas me conduz. Restaura minhas forças, guia-me pelo caminho certo, por amor do seu nome. (Sl 22, 1-3)

(Liturgia da Palavra de Deus: (Jer. 31, 31-34) (Heb. 5,7-9) (João 12,20-33)).

Frei Jorge Van Kampen, Carmelita. In Memoriam. (*17/04/1932 + 08/08/2013)

 

Às vezes ouvimos todas as palavras, que alguém dirige a nós, mas não as entendemos. Ouvir é outra coisa do que entender. Para entender precisamos mais; a nosso ouvido só não é suficiente. Isto vale também para os verbos ver e enxergar. Podemos ver uma pintura e contemplá-la, mas podemos enxergar algo sem saber o que é.

Assim no Antigo Testamento os profetas são, muitas vezes, chamados “videntes”. O seu “dom de ver” vai muito além do que enxergar. Este “dom de ver” é praticamente a virtude da Fé.

Na liturgia das leituras da Missa há alguns pagãos que querem ver Jesus, e daí Jesus entendeu logo, que o querem ver para aumentar a sua fé. Cristo quer, que usamos os olhos para ver mais de perto a finalidade da Sua presença no meio dos homens.

Se fosse para enxergar Jesus, então chegariam apenas para observar Jesus. Mas Cristo veio para abrir os olhos para ver a finalidade da nossa existência: Ele é a Luz nas trevas!

Deus fez muitas vezes uma aliança com o Seu Povo. Jesus, o Filho de Deus, dá a Sua vida para reconciliar o povo com Deus Pai. Pela a Sua presença oferece aos homens um exemplo de uma conversão sincera.

 

Reflexão.

Ninguém vai formar um álbum de fotografias só com negativos. As imagens serão irreconhecíveis; apenas aparecem uns borrões. Mas para se ter uma boa fotografia, precisa-se ter antes um filme negativo. Assim acontece com a vida: provocações, maldades, revezes, sofrimentos físicos ou morais constituem o filme negativo do viver humano.

Só Deus pode revelar-lhe o sentido: extrair a fotografia. Ter fé é substituir os olhos humanos pelos olhos de Deus, antecipar o futuro no presente, descobrir nos borrões a harmonia da fotografia. Deste modo o homem de fé não cai no pessimismo; é capaz de entrever nas linhas maltraçadas dos homens o dedo de Deus.

 

Resposta à Palavra de Deus.

Jesus abre os olhos daqueles que querem colocar-se a serviço da salvação dos homens com o convite: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”.