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Leão XIV chegou na cidade italiana de Assis, onde se encontra ainda na manhã desta quinta-feira (20/11) com os bispos da Conferência Episcopal Italiana (CEI) reunidos para a 81ª Assembleia Geral. Antes do encontro na Basílica de Santa Maria dos Anjos, uma parada na Basílica Inferior de São Francisco para prestar homenagem ao santo da Úmbria diante do túmulo que abriga os seus restos mortais desde 1230.
Benedetta Capelli - Assis
“É uma bênção poder vir hoje a este lugar sagrado. Estamos próximos dos 800 anos da morte de São Francisco, o que nos dá a oportunidade de nos prepararmos para celebrar este grande Santo humilde e pobre, enquanto o mundo busca sinais de esperança”. Essas foram as primeiras palavras públicas que o Papa Leão XIV pronunciou na cidade italiana de Assis, diante do túmulo de São Francisco, primeira etapa de sua visita à cidade da Úmbria, onde nesta quinta-feira, 20 de novembro, se reúne com os bispos da Conferência Episcopal Italiana (CEI), ao final da 81ª Assembleia Geral.
A chegada a Assis
O Pontífice chegou na parte da manhã de helicóptero, aterrando após as 8h do horário local no Estádio de Bastia Umbra. De lá, seguiu de carro para a cidade do Santo da Úmbria, terra de arte, história, cultura, devoção, destino de milhões de peregrinos, entre os quais também 20 Pontífices que a visitaram ao longo dos séculos. Papa Francisco, acima de tudo, que em Assis, em 2020, assinou também a Encíclica Fratelli tutti.
A recepção na Basílica inferior
Agora é a vez do Papa Leão que, antes de se dirigir à Basílica de Santa Maria dos Anjos para o encontro com a CEI, pouco depois das 8h30, quis visitar o túmulo do santo padroeiro da Itália. À espera de Leão XIV na praça, sob uma chuva forte e uma temperatura fria, alguns fiéis que o receberam com coros de “Viva o Papa”. Presentes na entrada da Basílica, o presidente da CEI, o cardeal Matteo Zuppi, e o custódio do Sacro Convento, Frei Marco Moroni, que, juntamente com outros frades, acompanharam o Sucessor de Pedro até a cripta, iluminada pela lâmpada votiva, alimentada pelo óleo doado este ano pela Região de Abruzzo, na qual está gravado um verso do Paraíso de Dante: “Não é senão um raio de sua luz”. Uma homenagem que chega perto das comemorações dos 800 anos da morte do frade com a exposição de seus restos mortais.
A oração no túmulo do Pobrezinho
Lá, diante daquelas antigas paredes de pedra que, diretamente sob o altar-mor da Basílica, guardam o corpo do santo, um momento íntimo, de silêncio e recolhimento. Em seguida, algumas palavras, transmitidas para a parte externa do local através de altofalantes, reitera a mensagem de esperança que esta pequena mas grande figura continua a difundir na Igreja e no mundo após séculos. Fonte: vaticannews
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Redescobrir a África na história bíblica é um gesto de reparação histórica
Devolver à narrativa suas cores, seus caminhos e seus múltiplos sotaques

Sacerdotes leem a Bíblia durante a celebração da Páscoa na igreja Bole Medhanialem em Adis Abeba, Etiópia, uma das regiões da África onde se preserva as tradições bíblicas -
É doutor pela Univ. de Paris 1 e professor de história da USP
Em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra convida o Brasil a repensar e celebrar suas raízes africanas —as religiões de matriz afro, as influências na culinária e na música, a história de luta e resistência dos escravizados. Mas há uma herança menos lembrada: aquela que atravessa a própria Bíblia e a tradição judaico-cristã.
A razão é simples. No Brasil, o cristianismo chegou tardiamente pelas mãos da colonização portuguesa, sendo imposto e percebido como uma religião europeia, associada ao "homem branco". No entanto, o continente africano não é um território alheio à Bíblia. A África molda histórias, personagens e paisagens bíblicas desde o Gênesis até os primeiros séculos do cristianismo.
Desde o início, o Egito, o país de Kush (atual Sudão e Etiópia) e os líbios aparecem no horizonte dos antigos israelitas. O rio Geon "rodeia toda a terra de Kush" (Gênesis 2:13); o Egito é palco de refúgio e de fuga; e os profetas mencionam a Etiópia como aliada, inimiga ou exemplo moral. A Bíblia hebraica foi escrita em um mundo afro-asiático interligado por rotas comerciais, desertos e rios.
O Egito teve papel ambíguo nessa história: símbolo de opressão e cativeiro dos hebreus, mas também de reconhecimento e abrigo para José, filho de Jacó. No Novo Testamento, quando Herodes ordena a matança dos meninos de Belém, é novamente no Egito que a família de Jesus busca refúgio.
A arqueologia confirma o contato intenso entre esses mundos. Escavações em cidades cananeias como Laquish e Megido encontraram amuletos, cerâmicas e selos com motivos egípcios datados de 3.400 anos atrás —época em que o delta do Nilo e a região de Canaã formavam um mesmo sistema político e cultural.
Do Egito também vem uma das primeiras menções extrabíblicas a Israel. A estela do faraó Merneptá, de cerca de 1208 a.C., hoje no Museu do Cairo, traz a inscrição: "Israel está devastado, sua semente não existe mais". É a mais antiga referência escrita ao nome de Israel.
O reino de Kush, na antiga Núbia, é outra presença africana marcante. Na Bíblia, os kushitas aparecem como guerreiros valorosos e diplomatas. A arqueologia moderna devolveu-lhes o rosto: as pirâmides e templos de Napata e Meroé, erguidos entre os séculos 8º a.C. e 4º d.C., revelam uma civilização africana poderosa que chegou a dominar o próprio Egito. Foram os "faraós negros" da 25ª dinastia. O profeta Isaías menciona um deles, Tiraca, em meio às guerras entre Egito e Assíria.
No Novo Testamento, a África reaparece em outro contexto. O livro dos Atos dos Apóstolos cita um "eunuco etíope", servidor da rainha Candace, que encontra o apóstolo Filipe, é batizado e leva o cristianismo para o interior do continente. Séculos depois, comunidades cristãs floresceriam no vale do Nilo e na Etiópia, preservando tradições bíblicas que se perderiam em outros lugares. Foi ali que sobreviveram, em língua geʿez, livros como Henoc e Jubileus, fundamentais para compreender o judaísmo e o cristianismo antigos.
A primeira tradução da Bíblia nasceu também em solo africano. Em Alexandria, no Egito helenístico, tradutores judeus verteram o texto hebraico para o grego: a Septuaginta, realizada entre os séculos 3º e 1º a.C. Essa versão seria a Bíblia usada pelos primeiros cristãos e citada no próprio Novo Testamento. As ruínas de sinagogas e escolas alexandrinas confirmam a vitalidade dessa diáspora judaica africana, cujo legado moldou o pensamento religioso ocidental.
Outras descobertas arqueológicas ampliam esse quadro. Em Elefantina, ilha no sul do Egito, foram achados papiros aramaicos do século 5º a.C. que documentam uma comunidade judaica com seu próprio templo dedicado a Yahweh. Esses textos mostram que a presença judaica na África é muito mais antiga e diversa do que se supunha. Os judeus de Elefantina falavam aramaico, trabalhavam para o exército egípcio e mantinham contato com Jerusalém —um exemplo precoce de mundo híbrido que a Bíblia tantas vezes reflete.
Durante séculos, no entanto, a tradição europeia apagou essa geografia original. As representações ocidentais branquearam as figuras bíblicas, deslocando simbolicamente a história sagrada para o norte do Mediterrâneo. Redescobrir a África na Bíblia é também um gesto de reparação histórica: devolver à narrativa suas cores, seus caminhos e seus múltiplos sotaques. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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O ano de 314 inaugura um novo capítulo na história da Igreja. Constantino, depois de haver restituído a paz à Igreja, quis assegurar-lhe o triunfo também exterior sobre as antigas divindades dos pagãos, multiplicando os edifícios do culto cristão. De Constantino a Justiniano nascem as grandes basílicas sob o modelo das basílicas civis.
A basílica de Latrão (cuja dedicação é celebrada em 9 de novembro) e depois a basílica vaticana tornaram-se o sinal do triunfo do cristianismo. A dedicação da basílica de São Pedro foi feita pelo papa Silvestre (314-335), e a da basílica de São Paulo, pelo papa Sirício (384-399).
A memória de sua dedicação não pretende tanto celebrar a finalização do edifício material, que se prolongou nos séculos com várias restaurações, quanto oferecer uma ocasião de refletir sobre a figura e a obra dos dois grandes apóstolos, Pedro e Paulo. Ambos os nomes e sobretudo sua obra de evangelização estão ligados à cidade de Roma, onde deram o supremo testemunho a Cristo com a efusão do próprio sangue.
Roma compartilha com Jerusalém e com Antioquia o privilégio de ter hospedado Pedro durante a pregação. Em Roma Pedro teria vivido 25 anos antes de enfrentar o martírio.
Sua pregação tinha por tema Jesus, a lembrança do tempo passado junto com ele: “Fomos testemunhas oculares da sua grandeza”, escreve na sua segunda carta, e “essa voz nós a ouvimos descer do céu enquanto estávamos com ele sobre o seu santo monte”.
Sob o altar da confissão da basílica vaticana é conservado o túmulo de Pedro crucificado durante a perseguição desencadeada pelo imperador Nero. As escavações mandadas fazer por Pio XII debaixo da basílica permitiram identificar o lugar da sepultura do príncipe dos apóstolos. Nenhuma dúvida, ao contrário, quanto ao túmulo de são Paulo, guardado na basílica a ele dedicada. Quanto à realidade da pregação feita na Cidade Eterna, temos o testemunho direto na Carta aos Romanos.
Fonte: Pia Sociedade das Filhas de São Paulo; https://osaopaulo.org.br
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Depoimentos revelam como grupo ajudou a ocultar o corpo e furtar objetos da casa do religioso
Leanderson de Oliveira Junior durante depoimento na delegacia (Foto: Reprodução)
Por Bruna Marques e Helio de Freitas, de Dourados
Em depoimento à Polícia Civil, Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, confessou ter matado o padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, na noite de sexta-feira (14), em Dourados, após ser forçado a praticar sexo oral na vítima. O jovem disse que usou uma marreta e uma faca no assassinato e que após praticar o crime roubou o veículo Jeep Renegade com a intenção de vender por R$ 40 mil no Paraguai.
O suspeito afirmou que conheceu o padre por intermédio de seu ex-cunhado e relatou que o religioso costumava buscar aproximação com jovens da região. Segundo ele, o padre se identificava apenas como Alex, abordava estudantes na porta da escola e oferecia pequenas quantias em dinheiro para encontros. Leanderson disse que esteve com o religioso na quarta-feira e retornou à casa dele na sexta, já com a intenção de roubar o carro e o dinheiro. Declarou ainda que o suposto abuso ocorreu quando ficou sozinho com a vítima.
Em depoimento, o jovem contou que usou uma marreta encontrada no imóvel para iniciar o ataque e disse que o padre ainda tentou se defender. Relatou também que utilizou uma faca para concluir a agressão. Após o crime, afirmou que tomou banho na casa, buscou a namorada e saiu pela cidade com um amigo de 17 anos, que, segundo ele, chegou ao local quando o padre já estava morto. Os três passaram por conveniências, encontraram conhecidos e depois seguiram em direção a casa de João Victor Martins Vieira, de 18 anos.
Leanderson revelou a João o que havia ocorrido e o levou até a casa da vítima, onde mostrou o corpo. João afirmou que sugeriu buscar uma solução, mas, ainda assim, o grupo continuou circulando pela cidade até a madrugada. Conforme a investigação, duas adolescentes auxiliaram na limpeza de portas e objetos, enquanto João recolhia itens da residência, como talheres, panelas, ventilador, bebidas e eletrodomésticos.
Após fazer um "limpa" na casa, o grupo enrolou o corpo do padre em um tapete, colocou no porta-malas do Jeep e saiu com todos no banco da frente. Os quatro seguiram até a região da Rua José Feliciano de Paiva, conhecida como Zé Tereré, onde deixaram o corpo. O grupo voltou para a casa de João Victor, rodou por outros pontos da cidade, limpou o carro e foi ao mercado por volta das 10h de sábado (15), quando a polícia os localizou com o veículo.
O desaparecimento do padre levantou um alerta quando familiares tentaram falar com ele e ouviram de uma mulher que o celular havia sido achado em um terreno baldio próximo ao IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul). O filho dessa mulher identificou um telefone com símbolo religioso e disse que um Jeep Renegade circulava pela área à procura do aparelho. A equipe policial foi ao local e encontrou o veículo com Leanderson, João e duas adolescentes.
Alexandro era pároco em Douradina e sumiu na noite de sexta-feira (Foto: Direto das Ruas)
Enquanto uma equipe abordava o grupo, outra realizava perícia na casa da vítima e identificava sinais de violência e sangue. Confrontado, Leanderson revelou onde estava o corpo e citou o amigo adolescente, de 17 anos, que confirmou ter estado na casa, mas negou envolvimento direto na morte e disse que limpou o rosto da vítima antes de ser deixado em uma conveniência. Ele declarou que recusou participar da ocultação do corpo e afirmou que Leanderson pretendia ficar com o carro.
A polícia reuniu provas com base em depoimentos, perícia no local, apreensão da marreta e da faca no porta-malas e localização do corpo. Os investigadores recuperaram o veículo e o celular da vítima, coletaram objetos furtados e pediram a extração de dados dos aparelhos apreendidos.
O delegado decidiu pela prisão em flagrante de Leanderson por latrocínio, ocultação de cadáver e fraude processual. João Victor recebeu voz de prisão por furto, ocultação de cadáver e fraude. O adolescente foi apreendido por ato infracional análogo ao crime de latrocínio, enquanto as duas meninas, de 16 e 17 anos, foram apreendidas por atos infracionais análogos aos crimes de furto, ocultação de cadáver e fraude. A Polícia Civil representou pela conversão das prisões em preventivas e pela manutenção das medidas socioeducativas.
O caso – De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, o crime está sendo investigado como latrocínio. A vítima morava no Jardim Vival dos Ipês, mas não era vista desde a noite de ontem. A polícia foi avisada sobre o sumiço após o celular do padre ser encontrado no bairro Jardim Canaã I.
As equipes continuaram em diligências até que, durante a madrugada, encontraram o carro do padre, um Jeep Renegade preto com dois homens. Os policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) abordaram o veículo e a dupla confessou o crime.
No início da tarde de ontem, o corpo de Alexsandro foi encontrado enrolado em um tapete, ao lado de uma área de mata, no Distrito Industrial. A vítima tinha marcas de facadas no pescoço e ferimentos na cabeça provocados por golpes de martelo. O padre foi morto na casa onde morava.
Alexsandro era pároco em Douradina e, em 2018, já havia sido vítima de assalto. Na ocasião, ele teve a casa invadida por um ladrão armado e, ao chegar, foi rendido e obrigado a entrar no quarto, onde foi agredido. O criminoso fugiu levando o relógio, o celular e o Gol do padre. A vítima foi socorrida e três pessoas chegaram a ser presas na época com o carro roubado.
Em nota, a Arquidiocese de Dourados lamentou profundamente a morte do pároco Alexsandro da Silva Lima. Destacou que ele atuava na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Douradina, além de exercer funções de liderança na Diocese, como coordenador geral do Clero, assessor dos Diáconos Permanentes e da Pastoral da Acolhida. Padre Alexsandro também presidia a Comissão Regional de Presbíteros do Regional Oeste I da CNBB. A Arquidiocese ressaltou ainda que o sacerdote havia completado 44 anos em 13 de outubro e que sua ordenação ocorreu em 27 de agosto de 2011. Fonte: www.campograndenews.com.br
Meninas foram chamadas após crime para limpar casa onde padre foi morto
O corpo do religioso foi encontrado enrolado em um tapete, com marcas de facadas no pescoço

Grupo detido após a morte do padre é apresentado na delegacia (Foto: Leandro Holsbach)
Por Bruna Marques e Helio de Freitas, de Dourados
Duas meninas de 17 anos foram chamadas para limpar a casa onde o padre Alexsandro da Silva Lima foi assassinado na noite de sexta-feira, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. O corpo do religioso foi encontrado na tarde de sábado (15), enrolado em um tapete ao lado de uma área de mata no Distrito Industrial.
Leanderson de Oliveira Junior é suspeito de matar o padre com golpes de faca e martelo durante um assalto na casa onde a vítima morava. Conforme apurado pelo Campo Grande News, Leanderson estava no imóvel acompanhado de um adolescente de 17 anos. No momento do crime, os dois chamaram um rapaz identificado como João Vitor, de 18 anos, e as duas meninas para limpar o local.
As apurações preliminares indicam que o adolescente ajudou a ocultar o corpo. Ele e Leanderson colocaram o cadáver no carro do padre e levaram o veículo até o ponto onde o corpo foi encontrado. As meninas permaneceram na casa, limparam marcas de sangue ao jogar areia na grama e furtaram pertences da vítima.
A participação de cada envolvido ainda está sob apuração. As versões apresentadas pelo grupo divergem entre si e dificultam esclarecer o papel individual de cada pessoa.
Entenda o caso - De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, o crime está sendo investigado como latrocínio. A vítima morava no Jardim Vival dos Ipês, mas não era vista desde a noite de ontem. A polícia foi avisada sobre o sumiço, após o celular do padre ser encontrado no bairro Jardim Canaã I.
As equipes continuaram em diligências até que, durante a madrugada, encontraram o carro do padre, um Jeep Renegade preto, com dois homens. Os policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) abordaram o veículo e a dupla confessou o crime.
No início da tarde, o corpo de Alexsandro foi encontrado enrolado em um tapete, ao lado de uma área de mata, no Distrito Industrial. A vítima tinha marcas de facadas no pescoço e ferimentos na cabeça provocados por golpes de martelo. O padre foi morto na casa onde morava.
Os dois presos afirmaram que o padre foi assassinado durante o roubo para que eles levassem o veículo, dinheiro, joias e outros objetos de valor. O autor foi identificado como Leanderson de Oliveira Junior, de 18 anos, e foi preso com o carro no Bairro Canaã 1. Um adolescente, de 17 anos, foi apreendido e alegou ter apenas ajudado a esconder o corpo. O caso continua sendo investigado.
Alexandre era pároco em Douradina e, em 2018, já havia sido vítima de assalto. Na ocasião, ele teve a casa invadida por um ladrão armado e, ao chegar, foi rendido e obrigado a entrar no quarto, onde foi agredido. O criminoso fugiu levando o relógio, o celular e o Gol do padre. A vítima foi socorrida, e três pessoas chegaram a ser presas na época com o carro roubado. Fonte: www.campograndenews.com.br
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Com imensa tristeza, comunicamos o falecimento do Padre Alexsandro da Silva Lima.
O presbítero atuava como pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no município de Douradina. Também era coordenador geral do Clero, assessor dos Diáconos Permanentes e assessor eclesiástico da Pastoral da Acolhida na Diocese de Dourados. Também atuava como Presidente da Comissão Regional de Presbíteros – CNBB Regional Oeste I. Padre Alexsandro da Silva Lima havia completado 44 anos em 13 de outubro deste ano. Foi ordenado presbítero em 27/08/2011.
Dom Henrique, juntamente com todo o clero da Diocese de Dourados, roga a Deus para que acolha a alma deste sacerdote, dê conforto à família e amigos, e que sejam fortalecidos pela Esperança que nunca decepciona (cf. Rm 5,5).
“Se estamos vivos é para o Senhor que vivemos e se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor.” (Rm 14,8). Fonte: https://diocesededourados.org.br
Padre é morto com facadas no pescoço e marteladas na cabeça durante roubo
Padre é morto em Douradina,
Autores foram presos com o carro da vítima e confessaram que Alexandro foi morto durante o roubo
Corpo da vítima foi encontrado enrolado em tapete ao lado de mata (Foto: Leandro Holsbach)
Por Ana Paula Chuva e Helio de Freitas, de Dourados
Padre Alexsandro da Silva Lima, 43 anos, responsável pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina, foi encontrado morto na tarde deste sábado (15), na região do Distrito Industrial, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. A vítima estava desaparecida desde a noite de sexta-feira (14) e foi assassinada com golpes de faca e martelo por dupla durante um assalto. Os autores estão presos
De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, o crime está sendo investigado como latrocínio. A vítima morava no Jardim Vival dos Ipês, mas não era vista desde a noite de ontem. A polícia foi avisada sobre o sumiço após o celular do padre ser encontrado no bairro Jardim Canaã I.
As equipes continuaram em diligências até que, durante a madrugada, encontraram o carro do padre, um Jeep Renegade preto, com dois homens. Os policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) abordaram o veículo e a dupla confessou o crime.

Perito nesta manhã na casa onde padre foi assassinado (Foto: Leandro Holsbach)
No início da tarde, o corpo de Alexsandro foi encontrado enrolado em um tapete, ao lado de uma área de mata, no Distrito Industrial. A vítima tinha marcas de facadas no pescoço e ferimentos na cabeça provocados por golpes de martelo. O padre foi morto na casa onde morava
Os dois presos afirmaram que o padre foi assassinado durante o roubo para que eles levassem o veículo, dinheiro, joias e outros objetos de valor. O autor foi identificado como Leanderson de Oliveira Junior, de 18 anos, e foi preso com o carro no Bairro Canaã 1. Um adolescente, de 17 anos, foi apreendido e alegou ter apenas ajudado a esconder o corpo. O caso continua sendo investigado.

Martelo e faca utilizadas no crime no porta-malas do carro (Foto: Leandro Holsbach)
Alexandre era pároco em Douradina e, em 2018, já havia sido vítima de assalto. Na ocasião, ele teve a casa invadida por um ladrão que estava armado e, ao chegar, foi rendido e obrigado a entrar no quarto, onde foi agredido. O criminoso fugiu levando o relógio, o celular e o veículo Gol do padre, que foi socorrido. Três pessoas chegaram a ser presas na época com o carro roubado. Fonte: www.campograndenews.com.br
No matagal, corpo de padre é encontrado enrolado em tapete em MS
Polícia apura se religioso foi vítima de latrocínio
ALISON SILVA
O padre Alexsandro da Silva Lima, 43 anos, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina, foi encontrado morto na tarde deste sábado (15), enrolado em um tapete em uma área de mata no Distrito Industrial, em Dourados. Segundo a Polícia Civil, dois suspeitos foram presos e o caso é investigado, a princípio, como latrocínio, roubo seguido de morte.
De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, o corpo foi localizado após diligências que começaram na noite de sexta-feira, quando o padre passou a ser considerado desaparecido. O celular da vítima foi achado no bairro Jardim Canaã I, o que levou os policiais a intensificarem as buscas. Durante a madrugada, agentes do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil encontraram o veículo do padre, um Jeep Renegade preto, com dois homens dentro. Eles foram detidos e teriam confessado participação no crime.
Peritos relataram que Alexsandro apresentava ferimentos no pescoço causados por facadas e lesões na cabeça compatíveis com golpes de martelo. Segundo a polícia, os primeiros levantamentos indicam que uma faca e um martelo podem ter sido usados. Os suspeitos afirmaram que o objetivo era roubar o carro, dinheiro, joias e outros pertences do padre. Um deles disse ter cometido o homicídio, enquanto o outro relatou ter ajudado a ocultar o corpo.
Conforme o portal Dourados News, a investigação aponta que o ataque ocorreu na residência do padre, no bairro Jardim Vival dos Ipês. A polícia trabalha para detalhar a dinâmica do crime, coletar depoimentos e analisar evidências encontradas na casa, no carro e na área de mata onde o corpo foi abandonado. A Polícia Civil não descarta novas prisões.
A Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina divulgou nota de pesar pelo falecimento do pároco e pediu orações pela comunidade. O velório deve ocorrer em dois locais, Dourados e Douradina, com detalhes ainda a serem confirmados.
O delegado Lucas Albe Veppo reforçou que o caso está sendo tratado como latrocínio e que as equipes seguem reunindo provas para concluir o inquérito. Fonte: https://correiodoestado.com.br
Investigações do SIG avançam e cinco são presos por morte de padre.
O SIG da polícia Civil efetuou a prisão de mais envolvidos na morte do Padre Alexsandro da Silva Lima morto com golpes de faca e martelo neste sábado.
Além de Leanderson de Oliveira Junior 18 e do adolescente de 17 anos. Policiais efetuaram ainda a prisão de João Victor Martins Vieira de 18 anos da namorada de adolescente de 17 anos e outra adolescente de 17 anos namorada de Leanderson.
Segundo informações, as adolescentes com João Victor ajudaram na limpeza da casa e subtração de objetos da casa.
Ao todo são dois maiores e três adolescentes até agora envolvidos na morte do padre.
O delegado Lucas Veppo deve se pronunciar sobre o caso na segunda-feira.
Reportagem Osvaldo Duarte. Fonte: https://www.facebook.com/vozdacomunidadedourados
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Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Bispo de Santos (SP)
POBRES EMPOBRECIDOS
no âmago de Jesus, no âmago da Igreja
Vamos vivenciar e celebrar o 9º Dia Mundial dos Pobres, antecedido pela Jornada Mundial dos Pobres: para um dia tão especial, uma semana de jornada, porque assim como a conversão é um processo de vida, para dar sentido ao Dia dos Pobres é necessário trilhar um caminho novo, de mudanças profundas no coração (sensibilidade humana), no pensamento (reflexões comprometidas) e nas ações (atitudes libertadoras). Quando a mudança profunda é iluminada pelo Espírito Santo ela se chama conversão. Os pobres clamam por nossa conversão.
Feliz iniciativa do Papa Francisco, que com a Jornada e o Dia Mundial dos Pobres, quis sacudir a humanidade para a realidade de penúria e de dignidade ferida, de milhões de pessoas na pobreza e na miséria. O Papa Leão continua essa ação chamando a todos para refletir sobre a expressão bíblica do Salmo 71,5: “Tu és a minha esperança”, porque, de fato, a muitos irmãos e irmãs pobres só resta a esperança, mas quando a descobrem, descobrem também que ainda têm tudo para continuarem na luta pela vida dia após dia.
O Dia dos Pobres, no entanto, não é propriamente um dia de homenagem a eles, ou de entrega de algumas marmitas sob clicks fotográficos, ou ainda de cuidados de higiene, o que deve ser feito cotidianamente – porque cotidianamente todos precisam comer, lavar-se, morar, trabalhar – num grande mutirão de solidariedade e fraternidade, mas é uma oportunidade de aproximação para se deixar evangelizar pelos pobres e com eles assumir o compromisso com suas causas por emprego, moradia, saúde, educação, mobilidade, lazer, cultura. Como tudo isso é feito na perspectiva do Reino de Deus, motivado pela fé cristã, tudo isso ganha sabor espiritual, torna-se experiência da presença do Senhor que encontramos nos pobres.
Cristo os elegeu. Eles elegeram a Cristo. Escolheram-se mutuamente, por isso não há disputa entre eles para ocuparem o lugar central, porque onde está um está o outro. Isso se dá ainda mais explicitamente quanto lembramos que, de modo especial, foram os pobres que acolheram a Jesus e sua mensagem do Reino de Deus, e dentre os pobres aqueles anawin, os pobres do Senhor, os que depositaram toda a sua confiança em Deus e em mais nada. Esses apontam para os irmãos e irmãs que vivem nas ruas de todo o mundo, ocupando, sim, o último lugar.
O Dia Mundial dos Pobres chama-nos à consciência de suas fragilidades e clama pelo cuidado dos fragilizados. Mas precisamos ir adiante, para que não pequemos por hipocrisia: sabemos quem são os pobres e o que padecem, todavia, devemos saber também as causas de sua pobreza e miséria, para que atuemos, em múltiplas parcerias, com vigor e rigor, sobre a economia que mata, já que o sistema social e econômico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça , tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social (Cf. Evangelii Gaudium 53 e 59).
A esperança cristã comporta a conjugação de duas forças, a da indignação diante de realidades de sofrimento e a da coragem, para iniciar processos novos para compor novas realidades, novos céus e nova terra (Cf. Is 65,17-18; Ap 21,1-5).
O caminho dos pobres não é exclusivista, pois é o caminho para todos. Dê o seu primeiro passo neste caminho envolvendo-se na Jornada e no Dia Mundial dos pobres. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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1) Oração
Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 17, 20-25)
Naquele tempo, 20Os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo. 21Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós. 22Mais tarde ele explicou aos discípulos: Virão dias em que desejareis ver um só dia o Filho do Homem, e não o vereis. 23Então vos dirão: Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali. Não deveis sair nem os seguir. 24Pois como o relâmpago, reluzindo numa extremidade do céu, brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem no seu dia. 25É necessário, porém, que primeiro ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz uma discussão entre Jesus e os fariseus sobre o momento da vinda do Reino. Os evangelhos de hoje e dos próximos dias tratam da chegada do fim dos tempos.
Lucas 17,20-21: O Reino no meio de nós
“Os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: "O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: Está aqui ou: está ali, porque o Reino de Deus está no meio de vocês". Os fariseus achavam que o Reino só poderia vir depois que povo tivesse chegado à perfeita observância da Lei de Deus. Para eles, a vinda do Reino seria a recompensa de Deus pelo bom comportamento do povo, e o messias viria de maneira bem solene como um rei, recebido pelo seu povo. Jesus diz o contrário. A chegada do Reino não pode ser observada como se observa a chegada dos reis da terra. Para Jesus, o Reino de Deus já chegou! Já está no meio de nós, independente do nosso esforço ou mérito. Jesus tem outro modo de ver as coisas. Tem outro olhar para ler a vida. Ele prefere o samaritano que vive na gratidão aos nove que acham que merecem o bem que recebem de Deus (Lc 17,17-19).
Lucas 17,22-24: Sinais para reconhecer a vinda do Filho do Homem
"Chegarão dias em que vocês desejarão ver um só dia do Filho do Homem, e não poderão ver. Dirão a vocês: 'Ele está ali' ou: 'Ele está aqui'. Não saiam para procurá-lo. Pois como o relâmpago brilha de um lado a outro do céu, assim também será o Filho do Homem”. Nesta afirmação de Jesus existem elementos que vem da visão apocalíptica da história, muito comum nos séculos antes e depois de Jesus. A visão apocalíptica da história tem a seguinte característica. Em épocas de grande perseguição e de opressão, os pobres têm a impressão de que Deus perdeu o controle da história. Eles se sentem perdidos, sem horizonte e sem esperança de libertação. Nestes momentos de aparente ausência de Deus, a profecia assume a forma de apocalipse. Os apocalípticos, procuram iluminar a situação desesperadora com a luz da fé para ajudar o povo a não perder a esperança e para continuar com coragem na caminhada. Para mostrar que Deus não perdeu o controle da história, eles descrevem as várias etapas da realização do projeto de Deus através da história. Iniciado num determinado momento significativo no passado, este projeto de Deus avança, etapa após etapa, através da situação presente vivida pelos pobres, até à vitória final no fim da história. Deste modo, os apocalípticos situam o momento presente como uma etapa já prevista dentro do conjunto mais amplo do projeto de Deus. Geralmente, a última etapa antes da chegada do fim costuma ser apresentada como um momento de sofrimento e de crise, do qual muitos tentam se aproveitar para iludir o povo dizendo: “Ele está ali' ou: 'Ele está aqui'. Não saiam para procurá-lo. Pois como o relâmpago brilha de um lado a outro do céu, assim também será o Filho do Homem” Tendo olhar de fé que Jesus comunica, os pobres vão poder perceber que o reino já está no meio deles (Lc 17,21), como relâmpago, sem sombra de dúvida. A vinda do Reino traz consigo sua própria evidência e não depende dos palpites e prognósticos dos outros.
Lucas 17,25: Pela Cruz até à Glória
“Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração”. Sempre a mesma advertência: a Cruz, escândalo para judeus e loucura para os gregos, mas para nós expressão da sabedoria e do poder de Deus (1Cor 1,18.23). O caminho para a Glória passa pela cruz. A vida de Jesus é o nosso cânon, é a norma canônica para todos nós.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus diz: “O reino está no meio de vós!” Você já encontrou algum sinal da presença do Reino em sua vida, na vida do seu povo ou na vida da sua comunidade?
2) A cruz na vida. O sofrimento. Como você vê o sofrimento, o que faz com ele?
5) Oração final
O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos oprimidos, dá alimento a quem tem fome. O Senhor livra os prisioneiros. (Sl 145, 6b-7)
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Nova instrução aprovada pelo papa Leão XIV afirma que o conteúdo das supostas mensagens levanta ‘questões teológicas delicadas que merecem esclarecimento’
Papa Leão XIV durante audiência na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foto: ALBERTO PIZZOLI/AFP
O Vaticano publicou na última terça-feira, 3, uma carta ao bispo de Bayeux-Lisieux, na França, na qual o Dicastério para a Doutrina da Fé considera definitivamente “não sobrenatural” o fenômeno envolvendo as supostas aparições de Jesus na cidade de Dozulé, ligadas à figura de Madeleine Aumont.
A nova instrução aprovada pelo papa Leão XIV afirma que Jesus pode responder a orações, mas não fez aparições na região. “Parece enganoso, tanto do ponto de vista teológico quanto pastoral-simbólico, comparar a “Cruz Gloriosa” de Dozulé com a de Jerusalém”, diz o texto assinado por dom Víctor Manuel Fernández.
As aparições teriam ocorrido entre 1972 e 1978, segundo Madeleine. A mensagem principal incluiria o pedido de construir uma cruz luminosa, com 738 metros de altura. Segundo o texto publicado, “o conteúdo das supostas mensagens, embora contenha exortações à conversão, à penitência e à contemplação da Cruz, levanta algumas questões teológicas delicadas que merecem esclarecimento, para que a fé dos fiéis não seja exposta ao risco de distorções”.
A carta afirma que “qualquer outro sinal, por mais devoto ou monumental que seja, não pode ser colocado no mesmo plano”.
O Dicastério reforçou ainda que, embora a veneração da cruz seja legítima e importante como “meio de conversão” e aprofundamento da fé, ela não deve apoiar-se em aparições privadas que assumam “autoridade sobrenatural” sem o adequado discernimento eclesial.
Na última semana, o Vaticano instruiu os católicos do mundo a não se referirem a Maria como “corredentora”. Segundo o decreto, a Igreja reconhece que Maria “cooperou” na obra redentora de Cristo, mas não atuou como uma mediadora.
O decreto apontou que o título de “corredentora” carrega um risco de “obscurecer a única mediação salvífica de Cristo”, podendo causar “confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã”. Fonte: https://www.estadao.com.br
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O Padre Claudiano Quirino, da Paróquia São Bernardo, em Baldim, Minas Gerais, foi encontrado enforcado na casa paroquial.
Os fiéis estavam na igreja a espera da missa das 19 horas. Com o atraso, alguns foram até a casa paroquial e o encontraram enforcado, dependurado por uma corda enforcado.
A polícia investiga.
A comunidade católica de Sete Lagoas (MG) se reúne nesta segunda-feira (10) para a despedida do Padre Claudiano Quirino, sacerdote da Diocese de Sete Lagoas, que faleceu neste sábado (08) em Baldim, onde atuava como pároco da Paróquia São Bernardo.
O corpo do religioso foi inicialmente velado na igreja onde exercia seu ministério, em Baldim, com celebração exequial presidida por padres da diocese e participação expressiva de fiéis locais. Em seguida, o corpo foi trasladado para Sete Lagoas, onde continua sendo velado na Paróquia do Divino Espírito Santo, localizada no bairro Montreal.
Uma nova celebração exequial está sendo realizada no local, reunindo sacerdotes, autoridades religiosas e civis, além de dezenas de fiéis que foram prestar suas últimas homenagens ao padre, conhecido por sua dedicação pastoral e simplicidade no convívio com a comunidade.
Após as celebrações, o sepultamento ocorrerá no Cemitério Parque Boa Vista, em Sete Lagoas.
Em nota oficial, a Diocese de Sete Lagoas destacou a importância da trajetória de Padre Claudiano e pediu orações pelo descanso eterno de sua alma:
“Roguemos a Deus que conceda ao Padre Claudiano o repouso eterno e conforte com sua graça todos os que sofrem sua partida.”
A morte do padre gerou grande comoção entre os fiéis e nas redes sociais, onde diversas mensagens de despedida e gratidão vêm sendo publicadas desde o anúncio de seu falecimento.
Fonte: https://www.noticiasguariba.com.br
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Foto: Divulgação da Diocese de Sete Lagoas
A cidade de Baldim (MG) está de luto com a morte do padre Claudiano Quirino, da Diocese de Sete Lagoas, confirmada neste domingo (9) pela Prefeitura Municipal de Baldim. O sacerdote era pároco da Paróquia de São Bernardo e era amplamente reconhecido pelo trabalho pastoral e pela dedicação à comunidade local.
Em nota oficial, a administração municipal expressou condolências à família, aos amigos e aos fiéis. “Sua presença sempre acolhedora e dedicação ao próximo marcaram profundamente nossa comunidade. Seu legado permanece em cada gesto de carinho, orientação e serviço realizado ao longo de sua missão”, diz o comunicado assinado pelo prefeito Fabrício Andrade.
O padre Claudiano Quirino era conhecido pelo acolhimento e pela atuação próxima às famílias de Baldim, conduzindo celebrações e projetos sociais que fortaleceram os vínculos de fé e solidariedade entre os fiéis.
A Diocese de Sete Lagoas e a Paróquia de São Bernardo também devem divulgar nota oficial com informações sobre o velório e o sepultamento. Nas redes sociais, dezenas de fiéis manifestaram pesar e lembraram do sacerdote como “um pastor dedicado e exemplo de fé viva”. Fonte: https://teclemidia.com
A Diocese de Sete Lagoas informa os horários das celebrações exequiais do Reverendíssimo Padre Claudiano Quirino.
O velório será realizado, inicialmente, na Paróquia São Bernardo, em Baldim, com celebração exequial no local. Em seguida, o corpo será trasladado para a Paróquia do Divino Espírito Santo, em Sete Lagoas, onde ocorrerá nova celebração. O sepultamento será realizado no Cemitério Parque Boa Vista, em Sete Lagoas.
Roguemos a Deus que conceda ao Padre Claudiano o repouso eterno e conforte com sua graça todos os que sofrem sua partida. Fonte: Diocese de Sete Lagoas
O Manicômio Majestoso
Pe. Ronan Belo Júnior
Hoje mais um padre se suicidou. Mais um. A notícia chega como sempre: rápida, sussurrada e imediatamente engolida pelo silêncio institucional. A Igreja pede orações, mas não pede explicações. Reza, mas não encara. Consola, mas não questiona. A cada morte, nada muda. A cada tragédia, tudo continua igual. E a pergunta mais urgente, a que ninguém quer pronunciar, explode por dentro: quantos cadáveres serão necessários para admitir que a Igreja está adoecendo seus próprios ministros?
O cenário já não pode ser descrito com suavidade. A instituição se tornou um manicômio majestoso. Majestoso nos símbolos. Manicômio no funcionamento. Um lugar onde a aparência litúrgica convive com o colapso psicológico. Onde a disciplina pastoral esconde o desespero dos que servem. Onde homilias falam de esperança enquanto presbíteros penduram a própria vida no limite.
Foucault explicou que toda instituição que precisa preservar sua imagem antes de enfrentar sua verdade cria dispositivos de controle que sufocam o indivíduo. A Igreja, nesse ponto, tornou-se um laboratório perfeito do que ele chamou de “tecnologias de poder”: vigilância, normalização e silenciamento. Padres são treinados para parecer fortes, obedientes, impecáveis. São moldados para funcionar. Não para viver. O sofrimento é visto como falha. A fragilidade, como ameaça. O resultado é um corpo clerical disciplinado até a exaustão. E quando a estrutura aperta mais do que o humano suporta, o desfecho se repete: suicídio.
Enquanto padres morrem, lideranças adoecidas são empurradas para o centro das comunidades. Gente em surto espiritual vira coordenador. Pessoas em tratamento psiquiátrico são colocadas como referência de fé. Delírios são promovidos a carismas. Visões semanais ganham microfone. A emoção descontrolada ocupa funções que exigiriam discernimento e estabilidade. A Igreja confunde barulho com espiritualidade e entrega poder justamente a quem mais precisa ser protegido de si mesmo.
E onde estão os bispos? Muitos desaparecem atrás de discursos genéricos, reuniões protocolares e uma lentidão pastoral que chega a ser cruel. Foucault chamaria isso de “governamentalidade”: administrar corpos, não cuidar de vidas. Uma liderança que regula, mas não acompanha. Que organiza, mas não se envolve. Que mantém a ordem do manicômio, enquanto evita olhar para quem está desabando dentro dele.
Nesse vazio, surgem os padres midiáticos. Performam segurança, vendem certezas, disputam atenção e transformam o Evangelho em produto. São líderes que acumulam seguidores enquanto a base eclesial se fragmenta emocionalmente. Não formam consciência. Formam público. São figuras perfeitas para o manicômio majestoso: muito barulho, pouca verdade.
O quadro é claro demais para continuar sendo negado. Padres estão morrendo. Fiéis adoecidos estão liderando. Bispos estão calados. A liturgia tornou-se performance. E a estrutura continua produzindo o mesmo tipo de subjetividade dócil, culpada e silenciosa que Foucault descreveu como fruto de instituições que preferem ordem à verdade.
A questão, agora, é política no sentido foucaultiano: quem governa quem?
A Igreja governa seus ministros ou os destrói?
A fé cura ou adoece?
O Evangelho liberta ou disciplina até a morte?
O manicômio majestoso pode continuar funcionando por algum tempo, mas o preço será cada vez mais alto. E hoje, novamente, ele foi pago com a vida de um padre.
A Igreja precisa decidir se quer continuar administrando cadáveres ou finalmente começar a salvar pessoas.
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1) Oração
Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 17, 1-6)
Naquele tempo, 1Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm! 2Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos. 3Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe. 4Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás. 5Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé! 6Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá. - Palavra da salvação.
3) Reflexão Lucas 17,1-6
O evangelho de hoje traz três palavras distintas de Jesus: uma sobre como evitar o escândalo dos pequenos, outra sobre a importância do perdão e uma terceira sobre o tamanho da fé em Deus que devemos ter.
Lucas 17,1-2: Primeira palavra: evitar o escândalo
“Jesus disse a seus discípulos: "É inevitável que aconteçam escândalos, mas, ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos”. Escândalo é aquilo que faz a pessoa tropeçar e cair. No nível da fé significa aquilo que desvia a pessoa do bom caminho. Escandalizar os pequenos é ser motivo pelo qual os pequenos se desviem e percam a fé em Deus. Quem faz isto recebe a seguinte sentença: “Corda no pescoço amarrada numa pedra de moinho para ser jogado no fundo do mar!” Por que tanta severidade? É porque Jesus se identifica com os pequenos, os pobres. (Mt 25,40.45). São os seus preferidos, os primeiros destinatários da Boa Nova (cf. Lc 4,18). Quem toca neles, toca em Jesus! Ao longo dos séculos, muitas vezes, nós cristãos pelo nosso modo de viver a fé fomos motivo pelo qual os pequenos se afastaram da igreja e procuraram outras religiões. Já não conseguiam crer, como dizia o apóstolo na carta aos romanos, citando o profeta Isaías: "Por causa de vocês, o nome de Deus é blasfemado entre os pagãos." (Rm 2,24; Is 52,5; Ez 36,22). Até onde nós temos culpa? Será que merecemos a corda no pescoço?
Lucas 17,3-4: Segunda palavra: Perdoar o irmão
“Prestem atenção! Se o seu irmão peca contra você, chame a atenção dele. Se ele se arrepender, perdoe. Se ele pecar contra você sete vezes num só dia, e sete vezes vier a você, dizendo: 'Estou arrependido', você deve perdoá-lo”. Sete vezes por dia! Não é pouco! Jesus pede muito! No evangelho de Mateus, ele diz que devemos perdoar até setenta vezes sete! (Mt 18,22). O perdão e a reconciliação são um dos assuntos em que Jesus mais insiste. A graça de poder perdoar as pessoas e reconcilia-las entre si e com Deus foi dada a Pedro (Mt 16,19), aos apóstolos (Jo 20,23) e à comunidade (Mt 18,18). A parábola sobre a necessidade de perdoar o próximo não deixa dúvida: se não perdoarmos aos irmãos, não podemos receber o perdão de Deus (Mt 18,22-35; 6,12.15; Mc 11,26). Pois não há proporção entre o perdão que recebemos de Deus e o perdão que devemos oferecer ao próximo. O perdão com que Deus nos perdoa gratuitamente é como dez mil talentos comparados com cem denários (Mt 18,23-35). A Bíblia de Jerusalém fez o cálculo: dez mil talentos são 174 toneladas de ouro; cem denários não passam de 30 gramas de ouro.
Lucas 17,5-6: Terceira palavra: Aumentar em nós a fé
“Os apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé!" O Senhor respondeu: "Se vocês tivessem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: 'Arranque-se daí, e plante-se no mar'. E ela obedeceria a vocês”. Neste contexto de Lucas, a pergunta dos apóstolos aparece como motivada pela ordem de Jesus de perdoar até sete vezes por dia ao irmão ou à irmã que pecar contra nós. Não é fácil perdoar. O coração fica magoado, e a razão arruma mil motivos para não perdoar. Só com muita fé em Deus é possível chegarmos ao ponto de ter um amor tão grande que ele nos torne capazes de perdoar até sete vezes por dia ao irmão que peca contra nós. Humanamente falando, aos olhos do mundo, perdoar assim é loucura e escândalo, mas para nós tal atitude é expressão da sabedoria divina que nos perdoa infinitamente mais. Dizia Paulo: “Nós anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. (1Cor 1,23) .
4) Para um confronto pessoal
1) Na minha vida, alguma vez, já fui motivo de escândalo par o meu próximo? Ou alguma vez, os outros foram motivo de escândalo para mim?
2) Será que sou capaz de perdoar sete vezes por dia ao irmão ou à irmã que me ofende sete vezes por dia?
5) Oração final
Cantai em sua honra, tocai para ele, recordai todos os seus milagres. Gloriai-vos do seu santo nome, alegre-se o coração dos que buscam o Senhor. (Sl 104, 2-3)
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”Quem come minha carne e bebe meu sangue, possui a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54).
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informa, com profundo pesar, sobre o falecimento do PADRE CARLOS AUGUSTO DA CRUZ SILVA, Vigário Episcopal para o Serviço da Caridade e pároco da Paróquia Santos Cosme e Damião, ocorrido na noite deste sábado, 8 de novembro de 2025, aos 45 anos de idade.
O sacerdote estava na casa de familiares quando uma laje cedeu, ocasionando uma tragédia que resultou em feridos e vítimas fatais, entre elas o padre Carlos Augusto – ainda não temos a confirmação sobre o número de pessoas. Com o coração entristecido, unimo-nos em oração pelos familiares, amigos e por todos os atingidos por este trágico acontecimento, pedindo a Deus que conceda o consolo da fé e a esperança da vida eterna.
Recordamos, com gratidão, o testemunho de dedicação e amor à Igreja que o padre Carlos Augusto sempre demonstrou em seu ministério sacerdotal, especialmente no serviço aos pobres e na animação pastoral da caridade em nossa Arquidiocese.
Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família do padre Carlos Augusto, às comunidades por onde ele exerceu seu ministério e a todos os fiéis que partilham deste luto.
Rezemos para que o Senhor da Vida o acolha em Sua misericórdia e para que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro interceda pelo descanso eterno das vítimas e por todos os que sofrem com estas perdas.
Assim que possível, informaremos o local e o horário da Missa de Exéquias e do sepultamento.
Salvador, 8 de novembro de 2025
Arquidiocese de São Salvador da Bahia
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Dicastério para a Doutrina da Fé se posicionou contra patamar mais elevado da mãe e Jesus
Decisão busca equilibrar devoção popular e diálogo com outras igrejas cristãs
São Carlos (SP)
Há pelo menos duas maneiras de enxergar a recente declaração oficial do Vaticano sobre o papel de Maria, mãe de Jesus, na fé católica. De um lado, ela faz parte de um processo milenar de reflexão teológica e devoção popular sobre a "Virgem de Nazaré". Essa evolução, muitas vezes, levou a divisões entre os grupos cristãos —divisões que a Igreja Católica moderna busca sanar, na medida do possível.
Por outro lado, o debate doutrinário também pode ter algum impacto sobre as rusgas atuais dentro do próprio catolicismo e, nesse caso, a decisão representada pelo novo documento pode não ser tão apaziguadora para certos fiéis.
No primeiro caso, é importante lembrar que as crenças sobre a Virgem Maria demoraram bastante tempo para ser formuladas. Durante os dois ou três séculos iniciais do cristianismo, os principais debates giraram em torno da natureza de Jesus e de sua relação com Deus. A reflexão mais detalhada sobre a figura de Maria veio um pouco mais tarde, chegando à definição oficial de que ela deveria ser vista como "Theotôkos" —em grego, "aquela que dá à luz Deus"— numa reunião de líderes da igreja que aconteceu no ano 431.
Essa primeira decisão já causou desconforto entre certos religiosos, para quem não seria correto misturar a gestação humana de Jesus no ventre de Maria e a natureza divina de Cristo, já que uma mulher não seria capaz de ser "mãe de Deus". Apesar disso, a ideia foi aceita pela maioria dos cristãos, assim como a ideia da virgindade perpétua de Maria, segundo a qual ela teria permanecido intocada mesmo após o nascimento de Jesus.
Com o passar do tempo, enquanto as igrejas ortodoxas (na Europa Oriental, Oriente Médio e norte da África) mantiveram apenas esses dois dogmas, a Igreja Católica, no Ocidente, passou a desenvolver novas abordagens e devoções sobre Maria ao longo da Idade Média.
Quando as igrejas protestantes surgiram, no século 16, quase todas elas deixaram de lado a reverência à figura da mãe de Cristo, enquanto os católicos reforçaram esse aspecto de sua teologia. Isso culminou com a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição, em 1854 (segundo ele, Maria estaria isenta do "pecado original", um tipo de corrupção espiritual que afetaria todos os seres humanos desde a concepção); e, por fim, com o dogma da Assunção, segundo o qual ela teria sido levada ao céu de corpo e alma, proclamado em 1950.
Para teólogos cristãos que não são católicos, o risco por trás desses diversos dogmas é colocar Maria num patamar muito superior a qualquer outro ser humano, numa condição quase divina. Mas o elemento essencial da fé cristã é o monoteísmo, ou seja, a crença de que existe apenas um único Deus verdadeiro, manifestado em Jesus Cristo quando ele teria se "encarnado", ou seja, quando se tornou humano. Elevar Maria dessa maneira, portanto, seria uma contradição perigosa.
Sabendo que esse tipo de crítica precisa ser levado a sério e que ele tem um impacto importante no diálogo dos católicos com outras igrejas cristãs, o Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano responsável pelo documento, posicionou-se contra títulos dados a Maria que a colocariam num patamar ainda mais elevado.
Um desses títulos é o de "corredentora". Ou seja, Maria estaria lado a lado com Jesus no ato de salvar toda a humanidade. O outro, "medianeira de todas as graças", indicaria que ela atuaria como intermediária junto a Deus em todas as situações nas quais ele concede sua benevolência aos seres humanos, facilitando o que alguém pede numa oração, por exemplo. O perigo de transformar essas ideias em dogma, ou seja, numa crença obrigatória para os católicos, seria igualar Maria à figura divina de Jesus.
A oposição a essas ideias não se define por uma simples oposição entre teólogos "conservadores" e "progressistas". Enquanto o papa João Paulo 2º, conservador, chegou a usar esses termos algumas vezes, o então chefe doutrinário de seu papado, o futuro papa Bento 16, também conservador, opôs-se. "O significado preciso dos títulos não é claro e a doutrina neles contida não está madura", declarou ele em 1996.
O papa Francisco seguiu a linha de Bento 16, e foi o cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, indicado por Francisco, o responsável por formular o novo documento. Para o vaticanista americano Charles Collins, do site de notícias católicas Crux, a decisão de Fernández de colocar um ponto final no debate — algo que Bento 16 não fez— pode estar ligada ao apego de grupos católicos ultratradicionalistas a esses títulos de Maria.
Tais grupos estiveram entre os opositores mais ferrenhos do papado de Francisco. Se a inferência estiver correta, trata-se de um indício de que os embates entre os partidários da visão do papa argentino e os grupos ultraconservadores continuam sendo relevantes neste momento. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Dedicação da igreja
Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)
Quando dia 09 de novembro cai num domingo a Igreja celebra a liturgia da “Dedicação da Basílica do Latrão”, a Catedral de Roma. A dedicação de uma igreja significa consagrá-la a Deus. O Pontifical Romano orienta como deve ser a construção: “a igreja deve ser adequada às celebrações sacras, bela, resplandecente de nobre formosura e não de mera suntuosidade e verdadeiramente sinal e símbolo das realidades celestes”. Depois de construída, a igreja seja dedicada ou abençoado. Para recordar a história da dedicação da Basílica do Latrão, o significado e o importância das catedrais e igrejas dedicadas, transcrevo a mensagem de Bento XVI proferida em 09 de novembro de 2009, na Praça de São Pedro.
“A liturgia faz-nos celebrar hoje a Dedicação da Basílica Lateranense, chamada “mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade e do mundo”. De fato, esta basílica foi a primeira a ser construída depois do Edito do imperador Constantino que, em 313, concedeu aos cristãos a liberdade de praticar a sua religião. O mesmo imperador doou ao Papa Melquíades a antiga propriedade da família Lateranenses e nela fez construir a Basílica, o Batistério e a “Patriarquia”, ou seja, a residência do Bispo de Roma, onde os papas habitaram até ao período de Avinhão (1309-1377).
A Dedicação da Basílica foi celebrada pelo Papa Silvestre por volta de 324 e o templo foi intitulado ao Santíssimo Salvador; só por volta do século VI foram acrescentados os títulos dos Santos João Batista e João Evangelista, que deram origem à comum denominação. Esta data interessou primeiro só a cidade de Roma; depois, a partir de 1565, alargou-se a todas as Igrejas do rito romano. Desta forma, honrando o edifício sagrado, pretende-se expressar amor e veneração à Igreja romana que, como afirma Santo Inácio de Antioquia, “preside na caridade” toda a comunhão católica (Rm1,1).
A Palavra de Deus nesta solenidade recorda uma verdade fundamental: o templo de pedra é símbolo da Igreja viva, a comunidade cristã, que já os Apóstolos Pedro e Paulo, nas suas cartas, significavam como “edifício espiritual”, construído por Deus com as “pedras vivas” que são os cristãos, sobre o único fundamento que é Jesus Cristo, por sua vez comparado com a “pedra angular” (Cf.1Cor 3,9-11.16-17; 1Pd 2,4,8; Ef 2,2-22). “Irmãos, vós sois edifício de Deus”, escreve São Paulo e acrescenta: “Santo é o templo de Deus, que sois vós” (1 Cor 3,9.17).
A beleza e a harmonia das igrejas, destinadas a prestar louvor a Deus, convida também nós seres humanos, limitados e pecadores, a converter-nos para formar um “cosmos”, uma construção bem ordenada, em estreita comunhão com Jesus, que é o verdadeiro Santo dos Santos. Isto acontece de modo culminante na liturgia eucarística, na qual a “ecclesia”, isto é, a comunidade dos batizados, se reúne para ouvir a Palavra de Deus e para se alimentar do Corpo e Sangue de Cristo. Em volta desta dúplice mesa a Igreja de pedras vivas edifica-se na verdade e na caridade e é plasmada pelo Espírito Santo transformando-se no que recebe, conformando-se cada vez mais com o seu Senhor Jesus Cristo. Ela mesma, se vive na unidade sincera e fraterna, torna-se assim sacrifício espiritual agradável a Deus.
Queridos amigos, a festa de hoje celebra um Mistério sempre atual: isto é, que Deus quer edificar no mundo um templo espiritual, uma comunidade que o adore em “espírito e verdade” (Cf. 4,23-24). Mas esta celebração recorda também a importância dos edifícios materiais, nos quais as comunidades se reúnem para celebrar o louvor de Deus. Cada comunidade tem, portanto, o dever de conservar com cuidado os próprios edifícios sagrados, que constituem um precioso patrimônio religioso e histórico. Invoquemos então a intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a tornar-nos como ela, “casa de Deus”, templo vivo do seu amor”. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Estar ao lado dos últimos, os pobres, os excluídos e marginalizados, é compromisso intrínseco à fé cristã e fonte de lições para a sociedade – permite iluminar o olhar cidadão. Nessa perspectiva, preciosidades são oferecidas ao mundo contemporâneo a partir da recente Exortação Apostólica Dilexi te (Eu te amei), do Papa Leão XIV, com ensinamentos importantes e inspiradores fundamentados na Doutrina Social da Igreja Católica. A Exortação cultiva o sentido social necessário para que os governantes vivam adequado discernimento e a cidadania seja qualificada, ajudando o mundo a enfrentar tantas injustiças que ferem a dignidade humana. Para os que buscam seguir Jesus, estar ao lado dos pobres, acolhendo o que ensina o Papa, é oportunidade para fazer florescer a santidade, a partir da proximidade com os lugares mais esquecidos e feridos da humanidade. Ora, a todos é lembrado: os mais pobres entre os pobres, carentes não só de bens, mas também de voz, de reconhecimento de sua dignidade, ocupam um lugar especial no coração de Deus. É neles que Cristo, lembra Leão XIV, continua a sofrer e a ressuscitar. Também é neles que a Igreja reencontra o chamamento a mostrar sua realidade mais autêntica.
Oportuna é a lembrança de figuras icônicas na caridade, como Santa Madre Tereza de Calcutá, na Índia, ao viver extrema dedicação aos indigentes e descartados pela sociedade. Lembra o Pontífice, Madre Tereza recolhia moribundos, abandonados nas ruas, lavava suas feridas e os acompanhava até o momento da morte com uma ternura que era autêntica prece. Cuidava de suas necessidades materiais e ensinava-lhes o tesouro do Evangelho de Jesus. Tinha uma força espiritual gigantesca advinda da oração e do amor contemplativo de Jesus, dizia São João Paulo II. O Papa Leão XIV cita também Santa Dulce dos Pobres, o “anjo bom da Bahia”, que agiu de modo semelhante à Madre Tereza, mas com feições brasileiras. Dulce dos Pobres torna-se exemplar ao enfrentar a precariedade com criatividade, os obstáculos com ternura, a carência com fé inabalável. Inicialmente acolhia os doentes em um galinheiro e, depois, consolidou uma das maiores obras sociais do Brasil. A obra de Santa Dulce dos Pobres é uma luz que deve inspirar o compromisso social de governos que, por vezes, empregam mal ou até desviam recursos fartos.
A sensibilidade de governantes, que precisam estar ao lado dos últimos da sociedade, é essencial. O avanço econômico pode ajudar na superação da pobreza que fere grande parte da população, programas técnicos e sistêmicos são importantes e imprescindíveis, mas é muito necessária a proximidade de governantes e políticos em relação aos sofredores, para ouvir seus clamores. Assim, as ações são fundamentadas na solidariedade, diminuindo riscos de se priorizar a lógica da vantagem, da mesquinhez de querer possuir sempre mais, alimentando a indiferença diante de quem tem urgências. Diariamente, fatos extremos apontam a necessidade de aperfeiçoar estratégias para mudar rumos violentos da sociedade. Importa um investimento a longo prazo para consolidar uma luz moral que confronte gigantes escondidos, disfarçados, intocáveis, que perversamente lavam as mãos diante da dor do semelhante. Sem cultivar valores morais capazes de tratar, ostensivamente, a indiferença, a população continuará a sofrer com mortes e a proliferação de organizações criminosas.
Entristecedor e preocupante é saber que o poder do dinheiro comanda um “vale tudo”. Uma realidade que pode ser transformada a partir da lógica de estar “ao lado dos últimos” da sociedade. Essa postura tem força educativa de ordem espiritual e moral, com propriedades para redimensionar interesses. O compromisso de estar ao lado dos pobres faz parte da identidade dos discípulos e discípulas de Jesus, depositários do tesouro do Evangelho, fonte inesgotável de ensinamentos que são essenciais para se exercer a cidadania com nobreza. Estar ao lado dos últimos permite reconhecer a urgência de enfrentar uma economia que mata, assumindo a luta pela equidade.
Fortalece a coragem para combater as diferentes formas de violência, a fome e as muitas emergências educacionais. É preciso deixar-se iluminar pela contemplação do amor de Cristo para alcançar a condição moral e espiritual que possibilita reconhecer a dignidade humana, priorizando o mais fraco, o mísero, o sofredor. Neste caminho, aproximar-se dos ensinamentos da Igreja Católica auxilia o ser humano a corajosamente estar “ao lado dos últimos” – escola que promove mudanças transformadoras, aperfeiçoando critérios, refinando juízos e, sobretudo, criando a oportunidade de se vencer a ilusão promovida pelo dinheiro. A interpelação do Papa Leão XIV, para que todos busquem estar ao lado dos que mais sofrem, projeta para o mundo o que ensina a Igreja: o sentido profundo e profético do amor aos pobres, renovado compromisso para edificar um tempo de mais justiça e solidariedade, reconhecendo a dignidade inviolável de cada ser humano. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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Dom Juarez Albino Destro
Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS)
Não, não me refiro ao famoso René Descartes, mundialmente conhecido pela frase que, certamente, já escutamos em algum momento da vida: “Penso, logo existo” (em latim: Cogito, ergo sum). O filósofo e matemático francês viveu entre os anos 1596 e 1650. Autor do “Discurso sobre o Método”, publicado em 1637, seu pensamento deu origem à Filosofia Moderna. Evidência, análise, síntese, enumeração, racionalismo, conhecimento…
Justamente no dia em que eu estava concluindo a leitura – agradável – da autobiografia do papa Francisco, Esperança, naquela parte onde faz referência à sua última Encíclica, a quarta de seu pontificado de 12 anos, com o título em latim: Dilexit nos, sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo, as notícias não paravam de chegar – desagradáveis – sobre as consequências da chamada “Operação Contenção”, em nossa querida e bela São Sebastião do Rio de Janeiro. “Ver avós chorarem sem que isso seja intolerável só pode ser sinal de um mundo sem coração”, afirmava o papa, referindo-se ao escândalo com o qual se confrontava “demasiadas vezes em demasiadas viagens, em demasiadas audiências, num mundo dilacerado por conflitos devastadores” (p. 348). Nas fotos estampadas no dia seguinte ao que ocorreu naquele conflito nos Complexos da Penha e do Alemão, impossível não se emocionar, sentir um “nó na garganta”, imaginando o choro daquela gente, pais, mães, avós, filhos… Intolerável! E os mortos? Anjos ou demônios? Certamente veremos “juízes” de ambos os lados!
No sábado celebraremos a Solenidade de Todos os Santos, um dia para recordarmos nossa vocação, nosso chamado à santidade. Os santos e santas são os nossos numerosos intercessores. A eles costumamos pedir que interceda a Deus por nós. Como lemos no Apocalipse, um dos livros da Bíblia, trata-se de “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Quem são esses? São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,9.13-14). A Igreja nos propõe os exemplos dos santos para chegarmos a Deus. Mas, por sermos seus filhos e filhas, somos todos chamados à santidade! Desde as primeiras páginas da Bíblia, de várias maneiras, percebemos este chamado: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17,1); “Antes da fundação do mundo Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). E o Papa Francisco, falecido há pouco mais de seis meses, dentre tantos belos escritos deixados, presenteou-nos também com uma Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade no mundo atual: Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai). Nesse documento ele nos recorda que não devemos pensar que os santos sejam apenas aquelas pessoas já beatificadas e canonizadas: “Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra” (GEx 14). E o Papa Francisco nos encoraja: “Não tenhas medo […] de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça” (GEx 34). Nessa frase ele acaba nos dando uma definição do que seja santidade: o encontro da nossa fragilidade com a força da graça de Deus! Em outras palavras, o encontro do humano com o divino! Isso nos dá um alento e nos estimula a praticar, no dia a dia, as bem-aventuranças proferidas por Jesus (cf. Mt 5,1-12): desapego, paciência, mansidão, misericórdia, pureza de coração, paz, justiça, alegria, ousadia, ardor… Desafios!
No domingo faremos memória de todos aqueles que já passaram por essa vida e que estão vivos em outra dimensão. Alimentamos, claro, uma saudável saudade em relação aos nossos entes queridos que já não se encontram entre nós. No entanto, fazer memória dos falecidos é também ocasião para recordarmos que a morte é certa para todos e que podemos melhor projetar nossa vida, dando espaço para refletir sobre o autêntico sentido da vida. A morte, pois, ensina-nos a viver! E Deus é o Deus da vida, não é um Deus de mortos, mas de vivos, lemos em São Marcos (12,27). O Texto Conclusivo de Aparecida, a 5ª Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho, de 2007, tratando dessa questão, afirmou que devemos “neutralizar a cultura da morte com a cultura cristã da solidariedade” (DAp 480), pois não queremos “andar pelas sombras da morte” (DAp 350), mas, sim, no caminho da vida, pois “a vida é presente gratuito de Deus, dom e tarefa que devemos cuidar desde a concepção, em todas as suas etapas, até a morte natural, sem relativismos” (DAp 464). O Dia de Finados, portanto, junto à memória de nossos entes queridos chamados à eternidade, nos ensina, mais uma vez, o valor da vida. E nos convoca a repudiar todo e qualquer sinal de morte em nossa vida.
Na Exortação Apostólica do papa Leão XIV, Dilexi Te, sobre o amor para com os pobres, refletindo sobre as estruturas de pecado que criam pobreza e desigualdades extremas (n. 90-98), assim afirma: “Embora não faltem diversas teorias que tentam justificar o estado atual das coisas ou explicar que a racionalidade econômica nos exige esperar que as forças invisíveis do mercado resolvam tudo, a dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada já agora, não só amanhã, e a situação de miséria de tantas pessoas, a quem é negada esta dignidade, deve ser um apelo constante à nossa consciência” (n. 92). “A falta de equidade é a raiz dos males sociais. Com efeito, muitas vezes constata-se que, de fato, os direitos humanos não são iguais para todos” (n. 94).
Certamente, mesmo sem ser mencionado ou compreendido, Descartes, o filósofo racionalista, com seus métodos de conhecimento, será bastante utilizado nas evidências análises, sínteses, enumerações do massacre histórico de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2025. Mas, o título deste singelo artigo quer fazer referência a um outro significado da palavra “descarte”, que nos foi aprofundada pelo saudoso papa Francisco, desde, ao menos, 2015, há 10 anos, com a sua primeira Encíclica, a Laudato Si’, sobre o cuidado da Casa Comum, a Ecologia Integral. Nas páginas finais do livro Esperança, sua autobiografia lançada no início deste ano, lemos: “Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são essenciais para salvar a humanidade” (p. 349). E, querendo indicar um antídoto ou espécie de remédio para as pessoas que não amam, ou mantém um ódio inconsciente, Francisco afirma que “o oposto mais comum ao amor de Deus, à compaixão de Deus, à misericórdia de Deus é a indiferença. Para aniquilar um homem ou uma mulher, basta ignorá-los. A indiferença é uma agressão. A indiferença pode matar. O amor não tolera indiferença” (p. 357).
A cultura do descarte, que diz respeito não apenas aos alimentos e aos bens de consumo, mas, antes de tudo, às pessoas que são marginalizadas por sistemas tecnoeconômicos em cujo centro, mesmo sem percebermos, muitas vezes não está mais a humanidade, mas seus produtos, essa cultura do descarte só pode ser superada pela educação à fraternidade e à solidariedade concreta, recorda Francisco (p. 358).
Que não fiquemos indiferentes aos tantos descartes que fazemos em nosso dia a dia, uma cultura que, de modo urgente, deve mudar. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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A Solenidade de Todos os Santos começou no Oriente, no século IV. Depois, difundiu-se em datas diferentes. Em Roma, dia 13 de maio; na Inglaterra e Irlanda, a partir do século VIII, dia 1º de novembro, uma data que também foi adotada em Roma, a partir do século IX.
Vatican News
Ao final do século II, já era grande a veneração dos Santos. No início, os santos mártires, aos quais os Apóstolos foram logo assimilados, eram testemunhas oficiais da fé.
Depois das grandes perseguições do Império Romano, homens e mulheres, que viveram a vida cristã, de modo belo e heroico, começaram a tornar-se, paulatinamente, exemplos de veneração: o primeiro santo, não mártir, foi São Martinho de Tours.
Em fins do ano mil, diante do incontrolado desenvolvimento da veneração dos santos e do "comércio" em torno das suas relíquias, iniciou-se um processo de canonização, até se chegar à comprovação dos milagres.
A Solenidade de Todos os Santos começou no Oriente, no século IV. Depois, difundiu-se em datas diferentes. Em Roma, dia 13 de maio; na Inglaterra e Irlanda, a partir do século VIII, dia 1º de novembro, uma data que também foi adotada em Roma, a partir do século IX.
Esta Solenidade era celebrada no fim do Ano litúrgico, quando a Igreja mantinha seu olhar fixo ao término da vida terrena, pensando naqueles que haviam atravessado as portas do Céu.
O Evangelho deste domingo é o Evangelho das bem-aventuranças
«Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então, abriu a boca e lhes ensinava.
Os Santos e as Santas - autênticos amigos de Deus - aos quais a Igreja nos convida, hoje, a dirigir nossos olhares, são homens e mulheres, que se deixaram atrair pela proposta divina, aceitando percorrer o caminho das Bem-aventuranças; não porque sejam melhores ou mais intrépidos que nós, mas, simplesmente, porque "sabiam" que todos nós somos filhos de Deus e assim viveram; sentiram-se “pecadores perdoados”... Eis os verdadeiros de Santos! Eles aprenderam a conhecer-se, a canalizar suas forças para Deus, para si e para os outros, sabendo confiar sempre, nas suas fragilidades, na Misericórdia divina.
Hoje, os Santos nos animam a apontar para o alto, a olhar para longe, para a meta e o prêmio que nos aguardam; exortam-nos a não nos resignar diante das dificuldades da vida diária, pois a vida não só tem fim, mas, sobretudo, tem uma finalidade: a comunhão eterna com Deus.
Com esta Solenidade, a Igreja nos propõe os Santos, amigos de Deus e exemplos de uma vida feliz, que nos acompanham e intercedem por nós; eles nos estimulam a viver com maior intensidade esta última etapa do Ano litúrgico, sinal e símbolo do caminho da nossa vida.
Condições evangélicas
Trata-se de percorrer o caminho, ou melhor, as nove condições traçadas por Jesus e indicadas no Evangelho: as Bem-aventuranças!
“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus...”: o ponto forte não é tanto ser “bem-aventurado”, mas o “porquê”. Uma pessoa não é "bem-aventurada" porque é "pobre", mas porque, como pobre, tem a condição privilegiada de entrar no Reino dos Céus.
A mesma coisa acontece com as outras oito condições: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem... Alegrai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos Céus”.
A explicação de tudo encontra-se naquele “porquê”, pois revela onde os mansos encontrarão confiança, onde os pacíficos encontrarão alegria... Logo, "bem-aventurados", não deve ser entendido como uma simples emoção, se bem que importante, mas como um auspício para se reerguer, não desanimar, não desistir e seguir em frente... pois Deus está conosco.
A questão, portanto, consiste em ver Deus, estar da sua parte, ser objeto das suas atenções; contemplar Deus, não no paraíso, mas, aqui e agora.
Enfim, eis o caminho que devemos percorrer para participar também da alegria indicada pelo Apocalipse, que todos nós podemos conseguir: "Caríssimos, considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato... desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser" ”(1 Jo 3,1-2). Nós, diz o refrão do Salmo, em resposta à primeira leitura da Carta de João: “Somos a geração que busca a face do Senhor”. Não porque somos melhores que os outros, mas porque Deus quis assim. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 14, 1-6)
1Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam. 2Havia ali um homem hidrópico. 3Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado? 4Eles nada disseram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado? 6A isto nada lhe podiam replicar.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz mais um episódio de discussão entre Jesus e os fariseus, acontecido durante a longa viagem de Jesus desde a Galiléia até Jerusalém. É muito difícil de situar este fato no contexto da vida de Jesus. Existem semelhanças com um fato narrado no evangelho de Marcos (Mc 3,1-6). Provavelmente, trata-se de uma das muitas histórias transmitidas oralmente e que, na transmissão oral, foram sendo adaptadas de acordo com a situação, as necessidades e as esperanças do povo das comunidades.
Lucas 14,1: O convite em dia de sábado
“Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam”. Esta informação inicial sobre refeição na casa de um fariseu é o gancho para Lucas contar vários episódios que falam da refeição: cura do homem doente (Lc 14,2-6), escolha dos lugares à mesa (Lc 14,7-11), escolha dos convidados (Lc 14,12-14), convidados que recusam o convite (Lc 14,15-24). Muitas vezes Jesus é convidado pelos fariseus para participar das refeições. No convite deve ter havido também um motivo de curiosidade e um pouco de malícia. Querem observar Jesus de perto para ver se ele observa em tudo as prescrições da lei.
Lucas 14,2: A situação que vai provocar a ação de Jesus
“Havia um homem hidrópico diante de Jesus”. Não se diz como um hidrópico pôde entrar na casa do chefe dos fariseus. Mas se ele está diante de Jesus é porque quer ser curado. Os fariseus que o observam Jesus. Era dia de sábado, e em dia de sábado é proibido curar. O que fazer? Pode ou não pode?
Lucas 14,3: A pergunta de Jesus aos escribas e fariseus
“Tomando a palavra, Jesus falou aos especialistas em leis e aos fariseus: "A Lei permite ou não permite curar em dia de sábado?" Com a sua pergunta Jesus explicita o problema que estava no ar: pode ou não pode curar em dia de sábado? A lei permite, sim ou não? No evangelho de Marcos, a pergunta é mais provocadora: “Em dia de sábado pode fazer o bem ou o mal, salvar ou matar?” (Mc 3,4).
Lucas 14,4-6: A cura
Os fariseus não responderam e ficaram em silêncio. Diante do silêncio de quem não aprova nem desaprova, Jesus tomou o homem pela mão, o curou, e o despediu. Em seguida, para responder a uma possível crítica, explicitou o motivo que o levou a curar: "Se alguém de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tiraria logo, mesmo em dia de sábado?" Com esta pergunta Jesus mostra a incoerência dos doutores e dos fariseus. Se qualquer um deles, em dia de sábado, não vê problema nenhum em socorrer a um filho ou até a um animal, Jesus também tem o direito de ajudar e curar o hidrópico. A pergunta de Jesus evoca o salmo, onde se diz que o próprio Deus socorres a homens e animais (Sl 36,8). Os fariseus “não foram capazes de responder a isso” . Pois diante da evidência não há argumento que a negue.
4) Para um confronto pessoal
1) A liberdade de Jesus diante da situação. Mesmo observado por quem não o aprova, ele não perde a liberdade. Qual a liberdade que existe em mim?
2) Há momentos difíceis na vida, em que somos obrigados a escolher entre a necessidade imediata de um próximo e a letra da lei. Como agir?
5) Oração final
Louvarei o Senhor de todo o coração, na assembleia dos justos e em seu conselho. Grandes são as obras do Senhor, dignas de admiração de todos os que as amam. (Sl 110, 1-2)
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1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 13, 31-35)
31No mesmo dia chegaram alguns dos fariseus, dizendo a Jesus: Sai e vai-te daqui, porque Herodes te quer matar. 32Disse-lhes ele: Ide dizer a essa raposa: eis que expulso demônios e faço curas hoje e amanhã; e ao terceiro dia terminarei a minha vida. 33É necessário, todavia, que eu caminhe hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não é admissível que um profeta morra fora de Jerusalém. 34Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os enviados de Deus, quantas vezes quis ajuntar os teus filhos, como a galinha abriga a sua ninhada debaixo das asas, mas não o quiseste! 35Eis que vos ficará deserta a vossa casa. Digo-vos, porém, que não me vereis até que venha o dia em que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor!
3) Reflexão Lucas 13, 31-35
O evangelho de hoje nos faz sentir o contexto ameaçador e perigoso no qual Jesus vivia e trabalhava. Herodes, o mesmo que tinha matado João Batista, quer matar Jesus.
Lucas 13,31: O aviso dos fariseus a Jesus
“Nesse momento, alguns fariseus se aproximaram, e disseram a Jesus: "Deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar". É importante notar que Jesus recebeu o aviso da parte dos fariseus. Algumas vezes, os fariseus estão juntos com o grupo de Herodes querendo matar Jesus (Mc 3,6; 12,13). Mas aqui, eles são solidários com Jesus e querem evitar a morte dele. Naquele tempo, o poder do rei era absoluto. Ele não prestava conta a ninguém da sua maneira de governar. Herodes já tinha matado a João Batista e agora está querendo acabar também com Jesus.
Lucas 13,32-33: A resposta de Jesus
“Jesus disse: "Vão dizer a essa raposa: eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho”. A resposta de Jesus é muito clara e corajosa. Ele chama Herodes de raposa. Para anunciar o Reino Jesus não depende da licença das autoridades políticas. Ele até manda um recado informando que vai continuar seu trabalho hoje e amanhã e que só vai embora depois de amanhã, isto é, no terceiro dia. Nesta resposta transparece a liberdade de Jesus frente ao poder que queria impedi-lo da realizar a missão recebida do Pai. Pois quem determina os prazos e a hora é Deus e não Herodes! Ao mesmo tempo, na resposta transparece um certo simbolismo relacionado com a morte e a ressurreição ao terceiro dia em Jerusalém. E para dizer que não vai ser morto na Galiléia, mas sim em Jerusalém, capital do seu povo, e que vai ressuscitar no terceiro dia.
Lucas 13,34-35: Lamento de Jesus sobre Jerusalém
"Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas e apedreja os que lhe foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir seus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas você não quis!” Este lamento de Jesus sobre a capital do seu povo evoca a longa e triste história da resistência das autoridades aos apelos de Deus que chegavam a elas através de tantos profetas e sábios. Em outro lugar Jesus fala dos profetas perseguidos e mortos desde Abel até Zacarias (Lc 11,51). Chegando em Jerusalém pouco antes da sua morte, olhando a cidade do alto do Monte das Oliveiras, Jesus chora sobre ela, porque ela não reconheceu o tempo em que Deus veio para visitá-la." (Lc 19,44).
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus qualifica o poder político como raposa. O poder político do seu país merece esta qualificação?
2) Jesus tentou muitas vezes converter o povo de Jerusalém, mas as autoridades religiosas resistiram. E eu, quanto vezes resisti?
5) Oração final
Procurai o SENHOR e o seu poder, não cesseis de buscar sua face. Lembrai-vos dos milagres que fez, dos seus prodígios e dos julgamentos que proferiu. (Sl 104, 4-5)
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Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm
1) Oração
Ó Deus, que, pela pregação dos Apóstolos, nos fizestes chegar ao conhecimento do vosso Evangelho, concedei, pelas preces de São Simão e São Judas, que a vossa Igreja não cesse de crescer, acolhendo com amor novos fiéis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 6, 12-19)
12Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus.13Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos:14Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,15Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador;16Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor.17Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.18E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.19Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.
3) Reflexão Lucas 6, 12-19
O evangelho de hoje é o mesmo de 9 de setembro. Ele traz dois assuntos: (1) descreve a escolha dos doze apóstolos (Lc 6,12-16) e (2) informa que uma multidão imensa de gente queria encontrar-se com Jesus para ouvi-lo, tocar nele e ser curada (Lc 6,17-19).
Lucas 6,12-13: Jesus passa noite em oração e escolhe os doze apóstolos
Antes de fazer a escolha definitiva dos doze apóstolos, Jesus subiu a uma montanha e passou uma noite inteira em oração. Rezou para saber a quem escolher e escolheu os Doze, cujos nomes estão registrados nos evangelhos. A eles deu o título de apóstolo. Apóstolo significa enviado, missionário. Eles foram chamados para realizar uma missão, a mesma que Jesus recebeu do Pai (Jo 20,21). Marcos concretiza mais a missão e diz que Jesus os chamou para estar com ele e enviá-los em missão (Mc 3,14).
Lucas 6,14-16: Os nomes dos doze apóstolos
Com pequenas diferenças os nomes dos Doze são iguais nos evangelhos de Mateus (Mt 10,2-4), Marcos (Mc 3,16-19) e Lucas (Lc 6,14-16). Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento: Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que o nome de Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também se chamava Levi (Mc 2,14), que foi outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete tem nome que vem do tempo dos patriarcas: duas vezes Simão, duas vezes Tiago, duas vezes Judas, e uma vez Levi! Isto revela a sabedoria do povo. Através dos nomes dos patriarcas e das matriarcas, dados aos filhos e filhas, eles mantinham viva a tradição dos antigos e ajudavam seus filhos a não perder a identidade. Quais os nomes que nós damos hoje para os nossos filhos e filhas?
Lucas 6,17-19: Jesus desce da montanha e a multidão o procura
Ao descer da montanha com os doze, Jesus encontrou uma multidão imensa de gente que o procurava para ouvir sua palavra e tocá-lo, porque dele saía uma força de vida. Nesta multidão havia judeus e estrangeiros, pois vinham da Judéia e também lá de Tiro e Sidônia. É o povo abandonado, desorientado. Jesus acolhe a todos que o procuram. Judeus e pagãos! Aqui transparece o ecumenismo, a abertura universal da missão, tema preferido de Lucas que escreve para pagãos convertidos.
As pessoas chamadas por Jesus, consolo para nós.
Os primeiros cristãos lembraram e registraram os nomes dos Doze apóstolos e de outros homens e mulheres que seguiram Jesus de perto. Os Doze, chamadas por Jesus para formar com ele a primeira comunidade, não eram santos. Eram pessoas comuns, como todos nós, com suas virtudes e seus defeitos. Os evangelhos informam muito pouco sobre o jeito e o caráter de cada um deles. Mas o pouco que informam é motivo de consolo para nós.
Pedro era uma pessoa generosa e entusiasta (Mc 14,29.31; Mt 14,28-29), mas na hora do perigo e da decisão, o coração dele encolhia e voltava atrás (Mt 14,30; Mc 14,66-72). Chegou a ser satanás (Mc 8,33) e pedra de tropeço (Mt 16,23). Negou Jesus na hora do perigo (Lc 22,56-62). Jesus deu a ele o apelido de Pedra . Pedro, ele por si mesmo, não era Pedra. Tornou-se pedra (rocha), porque Jesus rezou por ele (Lc 22,31-32).
Tiago e João estavam dispostos a sofrer com e por Jesus (Mc 10,39), mas eram muito violentos (Lc 9, 54). Jesus os chamou “filhos do trovão” (Mc 3,17). João parecia ter um certo ciúme, pois queria Jesus só para o grupo dele e proibiu os outros usar o nome de Jesus para expulsar demônios (Mc 9,38).
Filipe tinha um jeito acolhedor. Sabia colocar os outros em contato com Jesus (Jo 1,45-46), mas não era muito prático em resolver os problemas (Jo 12,20-22; 6,7). Às vezes, era meio ingênuo. Teve hora em que Jesus perdeu a paciência com ele: “Mas Filipe, tanto tempo que estou com vocês, e ainda não me conhece?” (Jo 14,8-9)
André, irmão de Pedro e amigo de Filipe, era mais prático. Filipe recorre a ele para resolver os problemas (Jo 12,21-22). Foi André que chamou Pedro (Jo 1,40-41), e foi André que encontrou o menino com cinco pãezinhos e dois peixes (Jo 6,8-9).
Bartolomeu parece ter sido o mesmo que Natanael. Este era bairrista e não podia admitir que algo de bom pudesse vir de Nazaré (Jo 1,46).
Tomé foi capaz de sustentar sua opinião, uma semana inteira, contra o testemunho de todos os outros (Jo 20,24-25). Mas quando viu que estava equivocado, não teve medo de reconhecer seu erro (Jo 20,26-28). Era generoso, disposto a morrer com Jesus (Jo 11,16).
Mateus ou Levi era publicano, cobrador de impostos, como Zaqueu (Mt 9,9; Lc 19,2). Os publicanos eram pessoas comprometidas com o sistema opressor da época.
Simão, ao contrário, parece ter sido do movimento que se opunha radicalmente ao sistema que o império romano impunha ao povo judeu. Por isso tinha o apelido de Zelota (Lc 6,15). O grupo dos Zelotas chegou a provocar uma revolta armada contra os romanos.
Judas era o que tomava conta do dinheiro do grupo (Jo 13,29). Ele chegou a trair Jesus.
Tiago de Alfeu e Judas Tadeu, destes dois os evangelhos nada informam a não ser o nome.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus passou a noite inteira em oração para saber a quem escolher, e escolheu estes doze! Qual a lição que você tira deste gesto de Jesus?
2) Os primeiros cristãos lembravam os nomes dos doze apóstolos que estavam na origem das suas comunidades. Você lembra dos nomes das pessoas que estão na origem da comunidade a que você pertence? Você lembra o nome de alguma catequista ou professora que foi significativa para a sua formação cristã. O que mais lembra delas: o conteúdo que lhe ensinaram ou o testemunho que deram?
5) Oração final
Exaltai o Senhor nosso Deus, prostrai-vos ante seu santo monte, porque santo é o Senhor, nosso Deus. (Sl 99, 9)
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