Integrantes da arquidiocese dizem que dom Odilo Scherer determinou procedimento e agora busca proteger Lancellotti
Religioso afirma que procedimento é feito mensalmente
Padre Julio Lancellotti distribui pães a moradores de rua no Centro Comunitario Santa Dulce dos Pobres (da Paroquia Sao Miguel Arcanjo) na rua Sapucaia, na Mooca - Eduardo Knapp/Folhapress
A Arquidiocese de São Paulo determinou uma auditoria financeira na paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, que é liderada há 40 anos pelo padre Júlio Lancellotti.
A decisão foi do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. Segundo integrantes da igreja, o procedimento está sendo realizado em função de informações que o cardeal arcebispo teria recebido sobre o funcionamento da paróquia.
Lancellotti, no entanto, afirma que se trata de um procedimento de rotina, feito todos os meses nas mais diversas paróquias da cidade.
''Auditoria financeira tem sempre", afirma ele.
Como revelou a coluna, Scherer determinou que Lancellotti não transmita mais missas ao vivo, suspenda todas as suas atividades em redes sociais e pode retirá-lo da paróquia.
As celebrações eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), mantida por sindicatos, pelo portal ICL e pelo YouTube.
A medida, drástica, teria sido tomada para proteger o padre Júlio.
O próprio religioso afirmou à coluna que "Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção".
Questionado se concordava com a decisão, ele respondeu que tem "apenas que obedecer".
Lancellotti, que se dedica especialmente à população de rua de São Paulo, é alvo comum de parlamentares e políticos de direita, especialmente de integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre).
Apesar de ser pressionado há muitos anos para afastar o padre de suas atividades, dom Odilo Scherer sempre resistiu às investidas. Desta vez, no entanto, tomou a decisão de afastá-lo da mídia.
A iniciativa do cardeal gerou ampla repercussão, com o padre Júlio colhendo diversas manifestações de solidariedade.
Depois que a coluna revelou as medidas contra o religioso, mais de 40 organizações que atuam com a população em situação de rua enviaram nesta terça-feira (16) uma carta ao cardeal pedindo a revisão da decisão nas redes sociais.
No documento, as organizações afirmam que a limitação da manifestação pública do padre afeta redes de solidariedade e o debate sobre a pobreza extrema na cidade. Scherer pode retirar o padre da paróquia em que atua há 40 anos, na Mooca, ainda neste ano. Lancellotti afirmou que recebeu o pedido como um "tempo de recolhimento" e disse que irá obedecer.
A articulação a favor do padre é liderada pelo Instituto GAS, ONG que atua há dez anos no atendimento direto à população vulnerável em ruas e favelas de São Paulo e que é parceira histórica do padre Júlio. O grupo também é fundador dos movimentos Na Rua Somos Um e Solidariedade Não É Crime. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br




