A exemplo de Tomé, que encontrou Jesus Ressuscitado oito dias após a Páscoa com a comunidade reunida, Leão XIV disse que "nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós". Por isso a Igreja convida a fazer como os primeiros discípulos, reunindo-se para a Eucaristia dominical, "indispensável para a vida cristã": "é através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado'", tanto nos sinais dos sacrifícios, como naqueles de gesto de caridade.

 

Andressa Collet - Vatican News

Em véspera de viagem apostólica à África e após a Vigília de Oração pela Paz na Basílica Vaticana, o Papa Leão XIV recordou aos 18 mil fiéis presentes na Praça São Pedro para a oração mariana do Regina Caeli deste domingo (12/04), o segundo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia, que "a fé precisa ser alimentada e sustentada". A reflexão veio através do Evangelho, quando João narra a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé, oito dias após a Páscoa, enquanto a comunidade está reunida. O encontro de Tomé com Cristo, que "o convida a olhar para os sinais dos pregos, a colocar a mão na ferida", também é nosso quando temos dificuldades em acreditar: "onde encontrá-lo? Como reconhecê-lo? Como acreditar?". A resposta é: diante de todos, "com a comunidade reunida, e reconhece-o pelos sinais do seu sacrifício":

 

"É claro que nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós. A fé precisa ser alimentada e sustentada. Por isso, no 'oitavo dia', isto é, todos os domingos, a Igreja convida-nos a fazer como os primeiros discípulos: a nos reunirmos e a celebrarmos juntos a Eucaristia. Nela, ouvimos as palavras de Jesus, rezamos, professamos a nossa fé, partilhamos os dons de Deus na caridade, oferecemos a nossa vida em união com o Sacrifício de Cristo, alimentamo-nos do seu Corpo e do seu Sangue, para depois sermos, por nossa vez, testemunhas da sua Ressurreição, como indica o termo 'Missa', isto é, 'envio', 'missão'."

 

"A Eucaristia dominical é indispensável para a vida cristã", reforça o Papa que, nesta segunda-feira (13/04), parte para a viagem apostólica à África, onde alguns mártires da Igreja local dos primeiros séculos "nos deixaram um belíssimo testemunho": diante da oferta de terem a vida poupada, contou o Pontífice, "desde que renunciassem à celebração da Eucaristia, responderam que não podiam viver sem celebrar o Dia do Senhor. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce":

 

“É através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado' – testemunhas da sua presença, da sua misericórdia, da sua paz – nos sinais do trabalho, dos sacrifícios, da doença, do passar dos anos, que frequentemente nelas ficam gravados, tal como na ternura de uma carícia, de um aperto de mão, de um gesto de caridade. Queridos irmãos e irmãs, num mundo que tanto necessita de paz, isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado, para daí partirmos como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação. Que nos ajude a fazê-lo a Virgem Maria, bem-aventurada porque foi a primeira que acreditou sem ver.” Fonte: https://www.vaticannews.va

Leão XIV une as forças morais do mundo que repudia a guerra para invocar a paz com a oração do terço, para romper "a cadeia demoníaca do mal" que até usa o Santo Nome de Deus em "discursos de morte": "quem não reza não mata nem ameaça com a morte" porque "virou as costas ao Deus vivo", sacrificando valores e esperando que "o mundo inteiro se ajoelhe". "Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro!" e com "a loucura da guerra", e se cultive o cuidado da vida com a oração em "casas de paz".

 

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Leão XIV reuniu o mundo em oração neste sábado, 11 de abril, a partir da Basílica Vaticana com 7 mil pessoas e outras 3 mil que acompanharam pelos telões da Praça São Pedro, para invocar a paz com a força que vem da oração - e através do terço, uma das formas mais antigas que une todos através de um ritmo regular, marcado pela repetição: "assim a paz vai ganhando espaço, palavra após palavra, gesto após gesto, como uma pedra que gota a gota se fura", explicou o Pontífice. A reflexão sobre o poder da oração, que não é "esconderijo" e nem "anestésico" para tanta dor e injustiça, veio ao final da Vigília de Oração pela Paz, expressão "daquela fé que, segundo a palavra de Jesus, move as montanhas", que é resposta "gratuita, universal e revolucionária à morte".

 

“Obrigado por terem acolhido este convite, reunindo-se aqui, junto ao túmulo de São Pedro, e em tantos outros lugares do mundo para invocar a paz. A guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história.”

 

A oração de todos rompe a cadeia demoníaca do mal

Assim como fez Cristo, cada ser humano é convidado a "elevar o olhar" para acolher a paz, mesmo diante de um mundo em que "se continua, sem direito e sem piedade, a crucificar e a aniquilar a vida". Leão XIV, então, trouxe junto com a oração, a força das palavras de João Paulo II, "testemunha incansável da paz", que afirmou com emoção, no contexto da crise iraquiana de 2003: «Eu pertenço à geração que viveu a segunda guerra mundial e lhe sobreviveu. Tenho o dever de dizer a todos os jovens, aos que são mais jovens do que eu, que não tiveram esta experiência: “Nunca mais a guerra”, como disse Paulo VI na sua primeira visita às Nações Unidas» (Angelus, 16 de março de 2003). Prevost se uniu ao apelo do Papa polonês, "que é tão atual", e disse:

 

"A oração ensina-nos a agir. Na oração, as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Temos aqui uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta. Os equilíbrios na família humana estão gravemente desestabilizados. Até mesmo o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte."

 

E o Papa Leão XIV voltou a enfatizar que "quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe":

 

“Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida.”

 

Leão XIV também usou da "simplicidade evangélica" de São João XXIII para enaltecer as "vantagens da paz" que beneficiam toda a comunidade humana e das "palavras lapidares" de Pio XII que afirmava: «Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra». Prevost, assim, pediu a união das "forças morais e espirituais de milhões, de milhares de milhões de homens e mulheres, de idosos e de jovens que hoje acreditam na paz, que hoje optam pela paz, que cuidam das feridas e reparam os danos deixados pela loucura da guerra". Como acontece com as crianças inocentes que sofrem nas zonas de conflito com "todo o horror e a desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!", apelou o Pontífice.

Uma responsabilidade "inalienável que incumbe aos governantes das nações", disse o Papa, a quem "clamamos: parem! É tempo de paz! Sentem-se às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte!". Responsabilidade "não menos importante" também nossa, de "homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que repudia a guerra, com obras, e não apenas com palavras". Daí o pedido de Leão XIV para nos comprometermos com a oração para invocar a paz "nas casas, nas escolas, nos bairros, nas comunidades civis e religiosas, tirando espaço à polêmica e à resignação com a amizade e a cultura do encontro. Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa política". Na "paciência de Deus", acrescentou o Pontífice, rezar e curar as feridas como os "artesãos de paz" citatos pelo Papa Francisco na Fratelli tutti.

 

Nunca mais a guerra, mas casas de paz

Antes de Leão XIV suplicar ao Senhor "que a loucura da guerra tenha fim e que a Terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, guardar, amar a vida", ele pediu que todos voltem "para casa com este compromisso de rezar sempre, sem desanimar, e de uma profunda conversão do coração. A Igreja é um grande povo ao serviço da reconciliação e da paz, que vai em frente sem titubear, mesmo quando a rejeição da lógica bélica lhe pode custar incompreensão e desprezo". Diante das "contínuas violações do direito internacional" que colocam em risco a dignidade das pessoas, «é desejável que cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão. Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia»:

“Irmãos e irmãs de todas as línguas, povos e nações: somos uma única família que chora, espera e se levanta. «Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violência» (São João Paulo II, Oração pela paz, 2 de fevereiro de 1991).” Fonte: https://www.vaticannews.va

 

‘Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada’, ameaçou Trump nesta terça-feira, 7

 

Papa Leão XIV durante missa na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: ALBERTO PIZZOLI/AFP

 

O papa Leão XIV qualificou nesta terça-feira, 7, como “inaceitável” a ameaça do presidente dos Estados UnidosDonald Trump, de eliminar toda a civilização iraniana se Teerã não respeitar seu ultimato, esta noite, para reabrir o Estreito de Ormuz.

“Hoje (...) foi feita esta ameaça contra todo o povo do Irã, e isto é realmente inaceitável. Certamente, há questões de direito internacional, mas muito mais que isso, trata-se de uma questão moral”, disse o papa aos jornalistas, ao deixar sua residência de Castel Gandolfo, perto de Roma, rumo ao Vaticano.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, ameaçou Trump nesta terça-feira, 7, por meio de seu perfil na rede Truth Social. O prazo final para o Irã fechar um acordo com os EUA se encerra nesta terça às 21 horas, pelo horário de Brasília.

Em resposta, o Irã ameaçou retaliar países do Oriente Médio. Segundo a agência, uma fonte iraniana de alto escalão informou que “toda a região e a Arábia Saudita ficarão em completa escuridão com os ataques retaliatórios do Irã” se Washington atacar as usinas de energia do país.

No último mês, o papa Leão XIV contestou a ideia de que Deus possa ser usado para justificar guerras e rezou especialmente pelos cristãos no Oriente Médio durante a missa de Domingo de Ramos, celebrada diante de dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro.

Com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entrando no segundo mês e o conflito militar da Rússia na Ucrânia ainda em curso, Leão dedicou seu sermão a afirmar que Deus é o “rei da paz”, que rejeita a violência e acolhe os oprimidos./Com informações da AFP. Fonte: https://www.estadao.com.br

 

Na homilia da missa deste domingo pascal, o Papa recordou que "a Páscoa do Senhor nos dá esperança", não obstante "o poder da morte" nos ameace "constantemente, por dentro e por fora". "Dentro de nós, quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver", fora de nós, a morte está "presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis", na "guerra que mata e destrói".

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu a missa deste Domingo de Páscoa (05/04) e da Ressurreição do Senhor, na Praça São Pedro. Estiveram presentes 50 mil pessoas na praça e 10 mil fora dela em seus arredores.

“Hoje, toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!”

Com estas palavras Leão XIV iniciou a sua homilia e afirmou que "este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, alcançando-nos nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós"!

 

A morte está sempre à espreita

“Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora.”

"Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos de lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar num túnel do qual não vemos a saída", frisou o Papa.

 

“Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.”

 

Erguer o olhar e a alargar o coração

De acordo com Leão XIV, "nesta circunstância, a Páscoa do Senhor nos convida a erguer o olhar e a alargar o coração. Ela continua alimentando, no nosso espírito e no percurso da história, a semente da vitória prometida".

 

“Ela põe-nos em movimento, tal como Maria Madalena e os Apóstolos, para nos fazer descobrir que o sepulcro de Jesus está vazio e que, por isso, em cada morte que experimentamos, há também espaço para uma nova vida que renasce. O Senhor está vivo e permanece conosco.”

 

"Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão", o Senhor "entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós somos ressuscitados".

 

Páscoa, um novo começo

A seguir, Leão XIV recordou as palavras do Papa Francisco num trecho da Exortação apostólica, Evangelii gaudium. O Pontífice argentino escreve que a ressurreição de Cristo «não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto».

"A Páscoa do Senhor nos dá esta esperança, lembrando-nos que, em Cristo ressuscitado, uma nova criação é possível todos os dias", disse ainda o Papa, recordando que "uma vida nova, mais forte do que a morte, está agora brotando para a humanidade". "A Páscoa é a nova criação realizada pelo Senhor Ressuscitado, é um novo começo, é a vida finalmente tornada eterna pela vitória de Deus sobre o antigo adversário".

 

Levar com a nossa vida a alegria da ressurreição

“É deste canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemo-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda paira o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida.”

"Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro", concluiu o Papa Leão. Fonte: https://www.vaticannews.va

Na Basílica de São João de Latrão, o Pontífice celebrou à missa da "Ceia do Senhor", lavando os pés a 12 sacerdotes. "Face a uma humanidade de joelhos devido a muitos exemplos de brutalidade, ajoelhemo-nos também nós, como irmãos e irmãs dos oprimidos. É assim que queremos seguir o exemplo do Senhor", afirmou Leão XIV.

 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa Leão deu início ao Tríduo Pascal presidindo à Santa Missa da "Ceia do Senhor", com o rito do Lava-pés, na Basílica de São João de Latrão.

Como disse o Pontífice na homilia, participa-se da solene liturgia não como meros espectadores ou por inércia, mas como convidados para a Ceia em que o pão e o vinho se tornam para nós Sacramento de salvação. O amor de Cristo torna-se gesto e alimento para todos, revelando a justiça de Deus. 

Nesta celebração, ao se renovarem os gestos e as palavras do Senhor, faz-se memória da instituição da Eucaristia e da Sagrada Ordem. O vínculo intrínseco entre os dois Sacramentos representa a entrega perfeita de Jesus, Sumo Sacerdote e Eucaristia viva por toda a eternidade.

 

Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfêmias

Durante esta Última Ceia, Ele lava os pés aos seus apóstolos - um gesto, explicou o Santo Padre, que sintetiza a revelação de Deus. Ao assumir a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, derrubando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência. Como dizia Bento XVI, devemos «aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza, […] porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão». Palavras, comentou Leão XIV, que indicam que somos sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja prestativo como o dinheiro e o poder. A onipotência de Deus está em nos servir com a sua verdade. Eis então o significado do gesto do lava-pés:

“Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfêmias que a mancharam, mas purifica também a nossa imagem do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido.”

 

"Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo dá-nos, pelo contrário, um exemplo de dedicação, serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios, e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira."

 

Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma

O exemplo de Cristo não é dado quando todos estão felizes e o amam, mas na noite em que foi traído, na escuridão da incompreensão e da violência, para que fique bem claro que o Senhor não nos ama porque somos bons e puros: Ele ama-nos e, por isso, nos perdoa e purifica. "Aprendamos de Jesus este serviço recíproco", foi a exortação do Pontífice. O seu exemplo não pode ser imitado por conveniência, de má vontade ou com hipocrisia, mas apenas por amor. Portanto, deixar-nos servir pelo Senhor é condição para servir como Ele serviu.

“Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma. Nele, Deus deu o exemplo não de como se domina, mas de como se liberta; de como se doa a vida e não de como se a destrói.”

Diante a uma humanidade de joelhos devido a muitos exemplos de brutalidade, Leão XIV pediu que nos ajoelhemos também nós, como irmãos e irmãs dos oprimidos. 

"A Quinta-feira Santa é, portanto, um dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade. Que a adoração eucarística desta noite, em todas as paróquias e comunidades, seja um momento para contemplar o gesto de Jesus, ajoelhando-nos como Ele fez e pedindo-Lhe a força para, com o mesmo amor, O imitarmos no serviço", concluiu o Santo Padre.

A Santa Missa prosseguiu com o rito do lava-pés a 12 sacerdotes, sendo 11 deles ordenados pelo próprio Pontífice. Ao final da celebração, não houve bênção final nem o tradicional envio. Em vez disso, o Papa levou o Santíssimo Sacramento até a capela da reposição. Ali, Leão XIV o incensou e, depois de uma breve adoração, a assembleia foi embora em silêncio. Fonte: https://www.vaticannews.va

Leão XIV preside a Missa do Crisma nesta Quinta-feira Santa e destaca três segredos da missão cristã: desapego, encontro e rejeição. Renovar as promessas sacerdotais é se libertar de poderes e prevaricações, ser testemunha de aproximação com serviço desinteressado, diálogo e respeito. Um caminho que pode ser incompreendido:"foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso 'sim' a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz".

 

Andressa Collet - Vatican News

Nesta Quinta-feira Santa o Papa Leão XIV presidiu a Missa do Crisma, também chamada dos Santos Óleos, na Basílica de São Pedro, concelebrada por patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e presbíteros presentes em Roma. É o primeiro ano que Prevost preside a celebração como Bispo de Roma, como ele mesmo lembrou na homilia, a última antes do Tríduo Pascal, com a renovação das promessas sacerdotais e a bênção dos santos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. 

 

Os três segredos da missão cristã

O Pontífice, assim, refletiu sobre três segredos da missão cristã, "a mesma de Jesus, e não outra", explicou o Papa, afirmando que "cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão!". Renovar as promessas, continuou o Papa se dirigindo a bispos e presbíteros, é ser Igreja enviada, com "desapego" e "herdeiros de tanto bem", para estar a serviço de todos os batizados. Uma missão que precisa de "esvaziamentos" para renascer, como fez Jesus ao "esvaziar-se a si mesmo". Esse é o primeiro segredo da missão, disse o Papa, de "algo que não se experimenta uma só vez, mas em cada recomeço, em cada novo envio":

"O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há «Boa-nova aos pobres» (Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir."

Depois da lei do desapego, "vem a lei do encontro", continuou o Papa na homilia, ao explicar sobre o segundo segredo da missão cristã. Como na Igreja é preciso "caminharmos juntos", ser "testemunho vivo de um Corpo com muitos membros", estabelecendo "uma sintonia com o invisível" ao confiar no Espírito Santo, a missão pode ser "pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo". Mas se faz necessário, enfatizou Leão XIV, chegar ao lugar para se é enviado com simplicidade "para acolher" depois que se deixou "ser acolhido", mesmo em locais "onde a secularização parece estar mais avançada" em contraste com o Evangelho de Jesus:

"É portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação."

 

Sem medo, a missão exige unidade

O Papa, então, aprofundou sobre a terceira dimensão "– talvez a mais radical – da missão cristã. A dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição", manifestada inclusive pelos habitantes de Nazaré. A cruz, recordou Leão XIV, faz parte da missão e é preciso se comprometer "a não fugir, mas a 'passar pelo meio' da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho". Diante de tantas "ressurreições que nos são dadas experimentar", continuou o Pontífice, até poderá vir o questionamento "se a missão terá sido inútil". Mas "podemos fazer nossa a esperança de muitos testemunhos", como a do santo Bispo Óscar Arnulfo Romero, disse o Papa, que um mês antes da sua morte chegou a anotar no caderno dos Exercícios Espirituais a iminência de um perigo que seria enfrentado com a graça de Deus: "basta-me, para ser feliz e confiante, saber com certeza que n’Ele está a minha vida e a minha morte", escreveu o arcebispo de El Salvador, assassinado em 1980 em consequência dos conflitos da Guerra Civil no país e reconhecido como mártir Igreja Católica. "Os santos escrevem a história", afirmou o Papa, ao finalizar uma mensagem de encorajamento aos bispos e presbíteros:

“Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso 'sim' a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” Fonte: https://www.vaticannews.va

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Leão XIV falou sobre o quarto capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativo aos leigos. "Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", frisou o Papa.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Lumen Gentium na Audiência Geral, desta quarta-feira (1º/04), realizada na Praça São Pedro que contou com a participação de quinze mil pessoas.

Hoje, o Pontífice abordou o quarto capítulo, "que trata dos leigos". A seguir, recordou as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados».

De acordo com o Papa, essa seção da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativa aos leigos "procura explicar positivamente a natureza e a missão dos leigos, depois de séculos em que foram definidos simplesmente como aqueles que não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas".

 

Igualdade de todos os batizados

"Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", disse Leão XIV, acrescentando:

 

“A própria descrição dos leigos que o Concílio nos oferece diz: «Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo».”

 

O povo santo de Deus não é uma massa informe

"O povo santo de Deus, portanto, nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade organicamente estruturada, em virtude da relação fecunda entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial", disse ainda o Papa.

“Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. De fato, «O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita».”

 

A seguir, Leão XIV citou a Exortação Apostólica Christifideles laici de São João Paulo II. Nela o Pontífice polonês sublinhou "que «o Concílio, com o seu riquíssimo patrimônio doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, feitos eco do chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na Sua vinha»".

 

O vasto campo do apostolado laico estende-se ao mundo

"Desta forma, o meu venerável Predecessor relançou o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio tinha dedicado um documento específico, que abordaremos mais adiante", disse o Papa Leão.

 

“O vasto campo do apostolado laico não se limita à Igreja, mas estende-se ao mundo. A Igreja, de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.”

 

Uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão

"É preciso que o mundo «seja penetrado pelo espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim». E isso só é possível com o contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos", sublinhou o Papa.

 

“É o convite para sermos aquela Igreja “em saída” de que nos falou o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!”

"Irmãos e irmãs, que a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de sermos, como Maria Madalena, como Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado", concluiu Leão XIV. Fonte: https://www.vaticannews.va

A partir do ensinamento da Lumen Gentium, no seu capítulo III, Leão XIV dedicou sua reflexão à dimensão hierárquica do novo Povo de Deus, que tem seu fundamento nos Apóstolos, colunas vivas escolhidas por Jesus.

 

Thulio Fonseca - Vatican News

O céu ensolarado na Praça São Pedro acolheu milhares de fiéis e peregrinos que vieram ao Vaticano para a Audiência Geral com o Papa Leão XIV, nesta quarta-feira, 25 de março. Em sua catequese, o Santo Padre deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II, aprofundando o capítulo III da Constituição dogmática Lumen Gentium, dedicado à estrutura hierárquica da Igreja.

Ao iniciar sua reflexão, o Pontífice recordou que a Igreja encontra seu fundamento nos Apóstolos, escolhidos por Cristo como sustentação viva do seu Corpo, e sublinhou que essa dimensão hierárquica "opera ao serviço da unidade, da missão e da santificação de todos os seus membros”.

 

Fundamento apostólico da Igreja

Leão XIV também explicou que a estrutura hierárquica da Igreja está intimamente ligada à continuidade da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. Por meio da sucessão apostólica, esse ensinamento é preservado e transmitido ao longo da história, garantindo a fidelidade ao Evangelho. Nesse sentido, destacou que a própria Lumen Gentium apresenta essa realidade como constitutiva da Igreja, e não como elemento secundário ou posterior:

 “A estrutura hierárquica não é uma construção humana, funcional à organização interna da Igreja como corpo social, mas uma instituição divina destinada a perpetuar a missão dada por Cristo aos Apóstolos até ao fim dos tempos.”

 

Serviço ao Povo de Deus

O Papa também aprofundou a relação entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, recordando que ambos participam, de modos distintos, do único sacerdócio de Cristo e se ordenam mutuamente na vida da Igreja. Assim, a hierarquia existe em função do serviço, e não do poder. Dentro dessa missão, os ministros ordenados — bispos, presbíteros e diáconos — recebem a responsabilidade de guiar, santificar e ensinar o povo de Deus, sempre em vista da salvação de todos:

“Os bispos, em primeiro lugar, e através deles os sacerdotes e os diáconos, receberam deveres que os conduzem ao serviço de todos os que pertencem ao Povo de Deus.”

 

Uma hierarquia que nasce da caridade

Retomando o ensinamento conciliar, o Santo Padre enfatizou que a autoridade na Igreja deve ser compreendida à luz da caridade de Cristo, configurando-se como verdadeira “diaconia”, isto é, serviço. Trata-se de uma missão que brota do amor e se orienta para a edificação da comunidade e a transmissão fiel da fé:

 

 “Com o adjetivo ‘hierárquica’, portanto, o Concílio deseja indicar a origem sagrada do ministério apostólico na ação de Jesus, o Bom Pastor, bem como as suas relações internas.”

Ao concluir a catequese, Leão XIV convidou os fiéis a rezarem “para que o Senhor envie à Sua Igreja ministros ardentes de caridade evangélica, dedicados ao bem de todos os batizados, e missionários corajosos em todas as partes do mundo”. Fonte: https://www.vaticannews.va

"Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade", disse o Santo Padre

 

Vatican News

 “A morte e a dor provocadas por essas guerras são um escândalo para toda a família humana e um grito diante de Deus!”

Ressoaram fortes as palavras do Papa Leão ao final do Angelus de 22 de março. Diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, o Pontífice afirmou que continua acompanhando com consternação a situação no Oriente Médio, assim como em outras regiões do mundo dilaceradas pela guerra e pela violência.

 

Não podemos silenciar

"Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade", disse o Santo Padre, acrescentando que a morte e a dor provocadas pelos conflitos são um escândalo para toda a família humana e um clamor diante de Deus.

O Papa reiterou com veemência o apelo aos fiéis para perseverarem na oração, "para que cessem as hostilidades e se abram finalmente caminhos de paz baseados no diálogo sincero e no respeito pela dignidade de cada pessoa humana". Fonte: https://www.vaticannews.va

Ao comentar o episódio da ressurreição de Lázaro, proposto pela Liturgia desta V domingo de Quaresma, Leão XIV recorda que no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus": palavras de Leão XIV ao rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a oração do Angelus neste quinto domingo da Quaresma.

 

A Liturgia propõe o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45), que o Pontífice comenta como um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo. "Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 25-26)."

Assim, explica o Papa, a Liturgia convida os fiéis a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor para compreender o seu sentido mais autêntico e nos abrir ao dom da graça que eles encerram.

 

Fama e bens materiais não saciam nossa sede de infinito

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento. A sua graça ilumina este mundo que, afirma o Santo Padre, parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes, como tempo, energias, valores, afetos. "Como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais", diz ainda o Papa, recordando que não é no efêmero que podemos confiar a nossa necessidade de infinito.

 

“Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos Nele (cf. Confissões, I, 1.1).”

 

Libertar-se dos sepulcros que nos desorientam

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, "nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade". Nestes lugares não há vida, afirmou o Santo Padre, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Eis então que Jesus ordena também a nós: «Vem cá para fora!» (Jo 11, 43), encorajando-nos a sair desses espaços confinados para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites. Leão XIV então conclui:

"Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado."

 

Maratona de Roma

Ao final do Angelus, o Pontífice saudou os atletas provenientes de todo o mundo que participaram este domingo da "Maratona de Roma": "Este é um sinal de esperança! Possa o esporte traçar sendas de paz, de inclusão social e de espiritualidade". Fonte: https://www.vaticannews.va

“Estar com o Mestre. Jesus chamou os que quis para que estivessem com Ele. Esse é o fundamento de toda formação sacerdotal: permanecer com Ele e deixar-se formar a partir de dentro”. São palavras do Papa Leão XIV no encontro com um grupo de seminaristas espanhóis neste sábado (28/02) no Vaticano.

 

Jane Nogara - Cidade do Vaticano

Na manhã deste sábado, (28/02) o Papa Leão recebeu um grupo de seminaristas espanhóis de Alcalá de Henares, Toledo, Interdiocesanos de Cataluña e Cartagena. Na sua alocução o Santo Padre destacou que gostaria de centralizar suas palavras em algo que sustenta silenciosamente tudo o que é necessário para a formação sacerdotal e que por isso corre o risco de ser dado como certo sem ser cultivado, ou seja “ter um olhar sobrenatural sobre a realidade”.

 

O antinatural

Leão XIV explicou com uma frase do autor Chesterton que “pode servir como chave de leitura de tudo o que eu gostaria de compartilhar com vocês: 'Retirai o sobrenatural e não encontrareis o natural, mas sim o antinatural' (cf. Heretics, VI)”. Leão explicou que o homem não foi feito para viver fechado em si mesmo, “mas em uma relação viva com Deus”. E se isso não acontece a vida “começa a desordenar-se a partir de dentro”.

O antinatural não é apenas o escandaloso; basta viver prescindindo de Deus no cotidiano, deixando-O à margem dos critérios e das decisões com os quais se enfrenta a existência”. “O que poderia haver de mais antinatural do que um seminarista ou um sacerdote que fala de Deus com familiaridade, mas vive interiormente como se a Sua presença existisse apenas no plano das palavras, e não na densidade da vida?” Questiona o Papa sobre o sacerdote “antinatural”. “Nada seria mais perigoso do que se acostumar com as coisas de Deus sem viver de Deus”, acrescentou. “Por isso, no fundo, tudo começa — e volta sempre — à relação viva e concreta com Aquele que nos escolheu sem mérito nosso.

 

O sobrenatural: é o princípio que dá unidade a todas as coisas

Ter visão sobrenatural não significa fugir da realidade, mas sim aprender a reconhecer a ação de Deus no concreto de cada jornada”, continua o Pontífice, “um olhar que não se improvisa nem se delega, mas que se aprende e se exercita no ordinário da vida” . Explicando que exatamente por isso, se a visão sobrenatural é tão decisiva para a vida cristã, com maior razão o é para quem agirá in persona Christi, e já “desde a etapa formativa merece ser guardada com especial atenção”, reitera, “porque é o princípio que dá unidade a todas as coisas”.

 

Prática da presença de Deus

Em seguida o Papa destaca que até as práticas intrinsecamente boas, como o estudo, a oração, a vida comunitária, podem esvaziar-se interiormente e desnaturalizar-se, tornando-se mero cumprimento sem uma intenção interior real. Sugerindo, “um modo simples e comprovado para guardar este olhar é exercitar-se na prática da presença de Deus, que mantém o coração desperto e a vida constantemente referida a Ele”.

 

A vida espiritual está enraizada em Deus

O Papa Leão cita um exemplo sobre o que pode acontecer com a falta da vida espiritual na vida dos seminaristas e futuros sacerdotes quando confundem a fecundidade com a intensidade das atividades ou o cuidado meramente exterior das formas. "Diz-se que as árvores 'morrem de pé': permanecem erguidas, conservam a aparência, mas por dentro já estão secas” disse o Papa . “A vida espiritual não dá fruto pelo que se vê, mas pelo que está profundamente enraizado em Deus. Quando essa raiz é descuidada, tudo acaba secando por dentro, até que, silenciosamente, termina-se por 'morrer de pé'”.

 

Estar com o Mestre

Por fim, o Papa Leão afirma que “no fundo, o olhar sobrenatural nasce do que há de mais simples e decisivo na vocação: estar com o Mestre. Jesus chamou os que quis 'para que estivessem com Ele' (Mc 3,14). Esse é o fundamento de toda formação sacerdotal: permanecer com Ele e deixar-se formar a partir de dentro; ver Deus agir e reconhecer como Ele opera na própria vida e na vida do Seu povo”. Concluindo assim o Papa reitera que nada pode substituir essa relação com o Mestre, destacando, “o verdadeiro protagonista deste caminho é o Espírito Santo, que configura o coração, ensina a corresponder à graça e prepara uma vida fecunda a serviço da Igreja. Tudo começa agora” concluiu o Papa Leão aos seminaristas, “no ordinário de cada dia, ali onde cada um decide se permanece com o Senhor ou se tenta sustentar-se apenas em suas próprias forças”. Fonte: https://www.vaticannews.va

Papa Leão: “com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade”…

 

Vatican News

O Papa Leão XIV enviou à Igreja Católica no Brasil, uma mensagem, com data de 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. Há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade - escreveu o Papa –, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te.

 

Eis a íntegra da mensagem do Santo Padre:

 

Queridos irmãos e irmãs do Brasil,

«Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas almas e disciplinando nossos corpos» (Sermão 210). Assim escreveu Santo Agostinho em um de seus sermões sobre o tempo litúrgico que estamos para iniciar, durante o qual recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por quarenta dias. Neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica (cf. Mt 25, 35-40). O Espírito Santo, autor da nossa santificação, nos conduza ao longo deste caminho.

Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94). À semelhança do que havia sido feito em 1993, no presente ano, inspirados pelo lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1, 14), a proposta apresentada é aquela de voltar o olhar para os nossos irmãos que sofrem com a falta de uma moradia digna.

O meu santo predecessor, São João Paulo II, convidava a voltar a atenção «para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências negativas no plano individual, familiar e social», afirmando que «a falta de habitações, que é um problema de per si muito grave, deve ser considerada como o sinal e a síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais, culturais ou simplesmente humanas» (Sollicitudo Rei Socialis, 17).

Neste sentido, é meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas sem dúvida, necessárias — que venham de modo emergencial em seu auxílio, mas gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não tem onde morar.

Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação.

Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou morada em Belém para dar à luz ao Redentor, mas que tem sua casa, como Rainha e Padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham moradia digna, a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Fonte: https://www.vaticannews.va

Perguntas e respostas desta quinta (19/02) entre Leão XIV e os padres da sua diocese reunidos no Vaticano. O Pontífice responde a 4 presbíteros de diferentes faixas etárias e oferece orientações práticas sobre o acompanhamento de jovens, a fraternidade e o risco do isolamento, a eutanásia e o valor dos idosos. Uma advertência para não preparar homilias com IA e sobre fraudes da internet e uso das redes sociais: “se não estamos transmitindo a mensagem de Jesus Cristo, talvez estejamos errando”.

 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Havia quatro perguntas e respostas, mas os temas abordados foram múltiplos, entre diretrizes espirituais (a vida de oração, o incentivo a viver em amizade, a advertência para não se isolar e estar atento à “pandemia” da inveja); indicações concretas para o ministério e a pastoral (como estar ao lado dos jovens, visitar os idosos) e algumas recomendações bem específicas (não abandonar os estudos, não se perder atrás de uma tela, não preparar as homilias com IA). Diálogo livre e aberto, na manhã da quinta-feira (19/02), na Sala Paulo VI, no Vaticano, entre o Papa Leão XIV e o clero da Diocese de Roma. Após o discurso, o Papa quis manter uma conversa com os sacerdotes, cujo conteúdo foi divulgado nesta sexta-feira (20/02).

 

Ser modelos para os jovens

Para introduzir o diálogo a portas fechadas, o cardeal vigário Baldo Reina apresentou os 4 sacerdotes escolhidos para fazer as perguntas em representação de quatro faixas etárias. Entre eles, havia também um jovem padre ordenado pelo Papa Leão no mês de maio. Por sua vez, ele fez uma pergunta sobre como eles, jovens padres, podem se colocar ao lado de seus coetâneos no mundo.

O Papa, em primeiro lugar, convida a manter “os olhos abertos” sobre a realidade das famílias de onde vêm os jovens: famílias com “crises muito fortes”, pais ausentes ou “divorciados, casados de segunda união”. Muitos jovens “também viveram experiências de abandono”, por isso o sacerdote deve “conhecer a sua realidade”: “estar perto nesse sentido, acompanhá-los, mas não ser apenas mais um entre os jovens”, afirma o Pontífice. Importante, nesse sentido, “o testemunho do sacerdote” que pode oferecer “um modelo de vida”.

 

Isolamento e vidas terríveis

O Papa pede então para não se contentarem com os jovens que talvez continuem a frequentar a paróquia ou o oratório: “é preciso organizar, pensar, buscar iniciativas que possam ser uma forma de saída”, diz aos padres romanos. “Devemos ir nós, devemos convidar outros jovens, ir com eles para a rua; oferecer talvez diferentes maneiras, atividades” entre esportes, arte, cultura. “Conhecer” é a palavra-chave, segundo Leão, e o conhecimento ocorre através de “uma experiência humana de amizade” com jovens que “vivem um isolamento, uma solidão incrível”.

Após a pandemia, de maneira particular, mas também por causa do smartphone: “eles vivem sozinhos, mesmo que digam: ‘não, meu amigo está aqui’, mas não há contato humano. Vivem uma espécie de distância dos outros, uma frieza, sem conhecer a riqueza, o valor das relações verdadeiramente humanas”. É preciso, portanto, entender como oferecer aos jovens “outro tipo de experiência de amizade, de partilha e, aos poucos, de comunhão”, e a partir dessa experiência “convidá-los também a conhecer Jesus”.

É claro que são necessários “tempo” e “sacrifício”, sublinha Leão XIV, considerando também que muitos desses jovens estão hoje presos a “uma vida terrível” entre drogas, delinquência e violência. É necessário, então, que os sacerdotes “mais próximos em idade, cultura e formação” possam prestar “um grande serviço” e anunciar a mensagem do Evangelho.

 

Conhecer a comunidade que vai servir

Proximidade e conhecimento são os dois caminhos que o Papa indica também para a pastoral, em resposta à pergunta de um pároco sobre como conseguir ser “incisivo” nesta cultura pós-moderna sem voltar a esquemas “anacrônicos”. Segundo Leão XIV, o primeiro passo é “conhecer verdadeiramente a comunidade onde sou chamado a servir”. Ele recorda aqui sua experiência pessoal: “eu morei em Roma por quatro anos na década de 80, depois por doze anos, de 2000 a 2012-13, e agora há três anos, e cada vez que volto a Roma, de certa forma, encontro uma outra Roma. São muitas coisas... A ‘cidade eterna’, digamos, as ruas são as mesmas, os buracos são os mesmos, mas a vida mudou muito. Então, para servir também como Bispo de Roma, pensei muito, quando fomos a Ostia no domingo passado, para falar com essas pessoas, é preciso começar por conhecer a fundo, tanto quanto possível, a sua realidade”. 

 

 

Não às homilias preparadas com Inteligência Artificial

O convite é, portanto, para entrar na realidade. A verdadeira, bem diferente da outra realidade que “chega até nós mesmo que não queiramos”, ou seja, “a inteligência artificial, o uso da internet”. E aqui Leão XIV adverte contra a “tentação de preparar as homilias com Inteligência Artificial”: “como todos os músculos do corpo, se não os usamos, se não os movemos, eles morrem, o cérebro precisa ser usado, então também nossa inteligência precisa ser exercitada um pouco para não perder essa capacidade”. Além disso, “fazer uma verdadeira homilia é compartilhar a fé” e a IA “nunca será capaz de compartilhar a fé”. Este é o ponto: “se podemos oferecer um serviço, inculturado, no lugar, na paróquia onde estamos trabalhando, as pessoas querem ver a sua fé, a sua experiência de ter conhecido e amado Jesus Cristo”.

 

 

As armadilhas da internet

Nesse sentido, é fundamental “uma vida de oração” que não seja apenas “a rotina de recitar o breviário o mais rápido possível, que também carrego no celular”, mas “o tempo de estar com o Senhor”. Com essa “vida autenticamente enraizada no Senhor”, então podemos oferecer algo diferente: “não é porque eu sou que ofereço aquilo que sou eu, isso é um engano muitas vezes na internet, no Tik Tok, e queremos ser nós: ‘eu tenho muitos seguidores, muitos likes, porque veem o que estou dizendo...’. Não é você: se não estamos transmitindo a mensagem de Jesus Cristo, talvez estejamos errando, e também precisamos refletir muito bem com muita humildade para ver quem somos e o que estamos fazendo”, destaca o Papa Leão XIV.

 

 

Inveja clericalis

Outro conselho que ele oferece aos sacerdotes é que vivam em fraternidade, em amizade, desenvolvendo relações interpessoais entre si. Atenção, portanto, a “uma das pandemias do clero em nível universal”, que é a “inveja clericalis”: “um sacerdote que vê que outro foi chamado para ser pároco de uma paróquia maior, mais bonita, chamado para ser vigário”. É assim que “as relações se rompem”, nascem os “boatos” e tudo se “destrói”, em vez de se construir “pontes de amizade”. “Somos todos humanos, há sentimentos, emoções, muitas coisas, mas, como sacerdotes – e espero que já desde o seminário – podemos dar modelos de vida, onde os sacerdotes possam ser verdadeiramente amigos, irmãos, e não inimigos ou indiferentes uns aos outros”, afirma o Papa Leão.

 

Exemplos de fraternidade sacerdotal

A esse respeito, ele lembra um exemplo “lindo” de fraternidade sacerdotal em Chicago, sua cidade natal, com um grupo de padres que, já desde os tempos do seminário, havia decidido se encontrar uma vez por mês. Alguns fizeram isso até depois dos 90 anos: eles se reuniam, rezavam, estudavam. Estudar é outro ponto em que o Pontífice se detém: “o estudo em nossa vida deve ser permanente, contínuo. Quando ouço alguém me dizer – isso é histórico, um padre me disse –: ‘não abro um livro desde que saí do seminário’. Nossa Senhora – pensei – que tristeza!”.

Leão XIV convida então a agir e não ficar sentado pensando: “ninguém vem me visitar”. “Não tenhamos medo de bater à porta do outro, de tomar a iniciativa, de dizer aos companheiros ou a um grupo de amigos, a alguns: por que não nos reunimos de vez em quando, para estudar juntos, refletir juntos, um momento de oração e depois um bom almoço? O pároco com a melhor cozinheira pode convidar os outros, e assim fazemos um bom almoço juntos”. Ao mesmo tempo, é preciso identificar pessoas com quem se possa ter “uma relação fraterna um pouco mais profunda”. É preciso, isto é, “criar situações para quebrar essa tendência que nos leva à solidão, ao isolamento uns dos outros”.

 

Testemunhando o valor da vida

Compartilhar alegrias, dificuldades, experiências ajuda, de fato, a superar as crises e também ajuda a se preparar para aceitar o momento em que chegam “a velhice, a doença, a solidão”. Mas “se alguém vive toda a vida como um caminho que nos leva adiante, mesmo com o peso dos anos, muitas vezes também – seja jovem ou idoso – com doenças, com essas dificuldades, terá a capacidade, com a graça de Deus, de aceitar a cruz, o sofrimento que vem”, assegura o Bispo de Roma.

Nessa linha, o Papa Leão aborda a questão da eutanásia, que é discutida em muitos países e que em outros, como o Canadá, já é legal. “A questão do fim da vida, pessoas que não têm mais sentido de vida e estão lá com a cruz de uma doença e dizem: ‘não quero mais carregar isso, prefiro tirar a minha vida’. Se somos tão negativos em relação à nossa vida, e às vezes com menos sofrimento do que o que muitas pessoas carregam, como podemos dizer a elas: ‘não, você não pode tirar a sua vida, tem que aceitar’”, diz o Pontífice aos sacerdotes.

Nós, acrescenta ele, “devemos ser os primeiros testemunhos de que a vida tem um valor imenso”. É importante, portanto, ter gratidão, humildade e demonstrar proximidade. “Certamente todos nós conhecemos algum idoso, algum doente, sacerdote, leigo, religiosa... que vive momentos de grande dificuldade. Ligamos para eles, vamos visitá-los. Façamos um esforço também nós para ajudar essas pessoas que sofrem”. Significa também restaurar o bom hábito de levar a comunhão e o óleo dos enfermos aos doentes da paróquia. “Hoje, com menos sacerdotes e mais idosos, tornou-se: ‘bem, mandemos os leigos, eles fazem isso’. É um belo serviço que os leigos prestam... Mas isso não significa que o sacerdote pode ficar em casa a ver a internet, enquanto os outros estão visitando”.

Por fim, o Papa dirige também uma palavra aos próprios padres idosos: “mesmo que estejam doentes na cama, se viveram uma vida verdadeiramente de serviço e sacrifício, sabem muito bem que a sua oração também pode ser um grande serviço, um grande dom. A vida deles ainda tem um grande sentido”. Fonte: https://www.vaticannews.va

No Angelus deste domingo, o Papa disse que "Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus" e que "o cumprimento da Lei é o amor". De acordo com Leão XIV, "não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum".

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo 15 de fevereiro, que contou com a participação de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice falou sobre o Evangelho deste domingo que traz uma parte do Sermão da Montanha.  

 

 

Relação de amor com Deus e os irmãos

"Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés", disse Leão XIV, acrescentando:

“Eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para levá-la à perfeição».”

 

Uma justiça que não se limita a observar os mandamentos

"O cumprimento da Lei", disse ainda o Papa, "é o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça superior” à dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele". "Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística – as antinomias – para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, digo-vos»", frisou o Papa.

“Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele. Mas agora Ele mesmo, na pessoa de Jesus, veio entre nós, que cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.”

 

A verdadeira justiça é o amor

De acordo com o Pontífice, "Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor".

“Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum.”

 

"A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar outros ainda", sublinhou Leão XIV, ressaltando que "o Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus".

O Papa concluiu, convidando a invocar "juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que Ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça". Fonte: https://www.vaticannews.va 

Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Dei Verbum. "A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus", disse o Papa, ressaltando que toda a Escritura proclama Jesus Cristo e "a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade". "Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja", sublinhou.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina na Audiência Geral, desta quarta-feira (11/02), realizada na Sala Paulo VI.

Na catequese de hoje, o Pontífice se deteve no capítulo sexto da Constituição conciliar a propósito da "profunda e vital ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja".

 

A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus. Na comunidade cristã, por assim dizer, tem o seu habitat: na vida e na fé da Igreja, encontra o espaço para revelar o seu sentido e manifestar a sua força.

 

O Papa recordou que "a Igreja nunca deixa de refletir sobre o valor da Sagrada Escritura" e que "após o Concílio, um momento muito importante a este respeito foi a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema 'A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja', em outubro de 2008".

De acordo com Leão XIV, "na comunidade eclesial, a Escritura encontra o contexto necessário para cumprir a sua tarefa específica e alcançar o seu objetivo: dar a conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus".

A seguir, o Papa citou esta expressão de São Jerônimo: «A ignorância da Escritura é, de fato, a ignorância de Cristo». Ela nos lembra "o propósito último da leitura e da meditação das Escrituras: conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em comunhão com Deus, comunhão que pode ser entendida como uma conversa, um diálogo".

Leão XIV disse ainda que "a Constituição Dei Verbum nos apresentou a Revelação como um diálogo, em que Deus fala aos homens como amigos. Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo conosco".

 

A Sagrada Escritura, confiada à Igreja, por ela guardada e explicada, desempenha um papel ativo: com efeito, com a sua eficácia e poder, dá sustento e força à comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a beber desta fonte, sobretudo na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos.

 

Segundo o Papa, "o amor pela Sagrada Escritura e a familiaridade com ela devem guiar aqueles que exercem o ministério da Palavra: bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas. O trabalho dos exegetas e dos que praticam a ciência bíblica é precioso; e a Escritura ocupa um lugar central na teologia, que encontra o seu fundamento e a sua alma na Palavra de Deus".

Leão XIV sublinhou que "o que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé. Mas a Palavra de Deus também impele a Igreja para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão de chegar a todos".

De fato, vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas. É a única Palavra que é sempre nova: revelando-nos o mistério de Deus, é inesgotável, nunca deixa de oferecer as suas riquezas.

O Papa concluiu, dizendo que "vivendo na Igreja, aprendemos que a Sagrada Escritura está totalmente relacionada com Jesus Cristo e experimentamos que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é o Verbo vivo do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Toda a Escritura proclama a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja". Fonte: https://www.vaticannews.va

No Angelus dominical, o Papa comentou o Evangelho deste IV Domigo do Tempo Comum, que apresenta a página das Bem-aventuranças. "É assim que Jesus ilumina o sentido da história: não aquela escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza salvando os oprimidos", afirmou o Pontífice

 

Vatican News

O Papa se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a oração do Angelus neste primeiro domingo de fevereiro. Comentando o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12), proposto pela liturgia do dia, Leão XIV as definiu como "uma página esplêndida da Boa Nova que Jesus anuncia a toda a humanidade". Com efeito, "elas são luzes que o Senhor acende na penumbra da história, revelando o projeto de salvação que o Pai realiza por meio do Filho, com o poder do Espírito Santo".

No monte, Cristo entrega aos discípulos a nova lei, não aquela escrita em pedras, mas nos corações. É uma lei que renova a nossa vida, explicou o Papa, tornando-a boa, mesmo quando para o mundo parece fracassada e miserável. Na perseguição, Deus é fonte de redenção; na mentira, é âncora da verdade. Por isso, Jesus proclama: «Exultai e alegrai-vos».

 

A esperança a quem o mundo descarta

Estas bem-aventuranças, prosseguiu, permanecem um paradoxo apenas para aqueles que acreditam que Deus é diferente do modo como Cristo o revela. Quem espera que os prepotentes continuarão sempre senhores da terra, surpreende-se com as palavras do Senhor.

 

“Quem se acostuma a pensar que a felicidade pertence aos ricos, pode acreditar que Jesus é um iludido. Mas a ilusão está precisamente na falta de fé em Cristo: Ele é o pobre que com todos partilha a sua vida, o manso que persevera na dor, o construtor da paz perseguido até à morte na cruz.”

"É assim que Jesus ilumina o sentido da história: não aquela escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza salvando os oprimidos", disse ainda o Santo Padre. Ele doa esta esperança em primeiro lugar a quem o mundo descarta como caso perdido.

 

Não consolação distante, mas graça constante!

"Queridos irmãos e irmãs, as Bem-aventuranças tornam-se para nós então uma prova de felicidade, levando-nos a perguntar-nos se a consideramos como uma conquista que se compra ou um dom que se partilha; se a depositamos em objetos que se consomem ou em relações que nos acompanham. Na verdade, é 'por causa de Cristo' e graças a Ele que a amargura das provações se transforma na alegria dos redimidos: Jesus não fala de uma consolação distante, mas de uma graça constante que sempre nos sustenta, principalmente na hora da aflição."

As Bem-aventuranças exaltam os humildes e dispersam os soberbos, concluiu o Santo Padre, pedindo a intercessão da Virgem Maria. Fonte: https://www.vaticannews.va 

Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos. Foi o que disse o Leão XIV no Angelus deste domingo, o III do Tempo Comum e também Domingo da Palavra de Deus

 

Raimundo de Lima – Vatican News

Tal como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamamento do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor: disse o Santo Padre no Angelus deste domingo, 25 de janeiro, o III do Tempo Comum, Domingo da Palavra de Deus e também festa da Conversão de São Paulo.

Na alocução que precedeu à oração mariana, Leão XIV, atendo-se ao Evangelho do dia (Mt 4,12-22), ressaltou que Jesus, tendo recebido o batismo, inicia sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão Pedro, André, Tiago e João. O Papa frisou que Jesus iniciou sua missão num momento que não parecia ser o melhor: João Batista acabara de ser preso, por isso, os líderes do povo estavam pouco dispostos a acolher a novidade do Messias.

 

O Evangelho nos pede o risco da confiança

Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, destacou o Pontífice, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «Está próximo o Reino do Céu».

“Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, sendo bom qualquer momento para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.”

 

Deus se aproxima de todos, não exclui ninguém

O relato evangélico, prosseguiu o Papa, também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele, «abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm». Permanece contudo na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes, observou Leão XIV.

O Evangelho diz-nos, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes pelo contrário, envolve-se nas situações e nas relações humanas.

 

Vencer a tentação de nos fecharmos

“Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.”. Fonte: https://www.vaticannews.va

“Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”. São palavras do Papa Leão XIV na sua mensagem por ocasião do 60º Dia das Comunicações Sociais, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”

 

Vatican News

Na Mensagem para o 60º Dia das Comunicações Sociais, “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão introduz com a expressão: “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro”. “O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos doados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele próprio nos dirigiu”. O Pontífice continua sua introdução recordando que “preservar rostos e vozes humanas significa preservar o “reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que emerge da vida e que se manifesta precisamente na comunicação com os outros”.

 

Ecossistemas informativos e as relações pessoais

Papa Leão adverte que se “falharmos nessa preservação”, a tecnologia digital “corre o risco de modificar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes damos como certos”. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não apenas interferem nos ecossistemas informativos, mas invadem também o nível mais profundo da comunicação: o da relação entre pessoas humanas”.

 

Desafio antropológico

“O desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico” continua o Papa. “Preservar rostos e vozes significa, em última instância, preservar nós mesmos. Acolher com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial, não significa esconder de nós mesmos os pontos críticos, as opacidades e os riscos”.

 

Não renunciar ao próprio pensamento

Mas hoje acontece que “algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – lucrativo para as plataformas – recompensam as emoções rápidas”, penalizam as expressões humanas, que necessitam de mais tempo, como o esforço de compreensão e a reflexão”. Ao fechar “grupos de pessoas em bolhas de consenso fácil e de indignação fácil”, “enfraquecem a capacidade de escuta e de pensamento crítico, aumentando a polarização social”. Além disso, em alguns contextos, há “uma confiança ingenuamente acrítica” em relação à IA percebida como “uma espécie de ‘amiga’ onisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, ‘oráculo’ de todos os conselhos”. Tudo isso pode “enfraquecer” a capacidade do homem “de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica”, adverte o Pontífice. “Contentando-nos com uma compilação estatística artificial”, corremos o risco de, “a longo prazo, consumir nossas capacidades cognitivas, emotivas e comunicativas”.

 

Não ceder às máquinas

Todavia, a questão fundamental não é sobre “o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que podemos e poderemos fazer nós, crescendo em humanidade e conhecimento, com um uso inteligente de ferramentas tão poderosas a nosso serviço”. “Renunciar ao processo criativo e ceder às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa, no entanto, enterrar os talentos que recebemos com o fim de crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

 

Simulação das relações e da realidade

Temos dificuldade cada vez maior de identificar se estamos interagindo com outros seres humanos ou com 'bots' ou 'influencers virtuais'. Os chatbots, adverte o Papa, com sua estrutura dialógica e adaptativa, mimética, “é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Essa antropomorfização, que pode soar até mesmo divertida, é ao mesmo tempo enganosa, especialmente para as pessoas mais vulneráveis”. Com visíveis consequências, pois “tornados excessivamente 'afetuosos', além de sempre presentes e disponíveis, podem se tornar arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desse modo, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas”.

“A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não apenas ter consequências dolorosas no destino dos indivíduos, mas pode também ferir o tecido social, cultural e político das sociedades”

 

Imersos na multidimensionalidade

Leão XIV também faz um alerta sobre “distorções” presentes nos sistemas emergentes, chamadas BIAS, que podem reforçar tendenciosidades existentes e ampliar a discriminação, o preconceito e a estereotipagem. “Estamos imersos em uma multidimensionalidade, onde está se tornando cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção”. “A isso, continua, “se soma o problema da falta de precisão. Sistemas que vendem uma probabilidade estatística como conhecimento estão, na verdade, oferecendo-nos, no máximo, aproximações da verdade que, às vezes, são verdadeiras 'alucinações'.

 

Desafios

O desafio” sugere ainda o Papa, “que nos espera não está em frear a inovação digital, mas em orientá-la, em sermos conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas humanas, para que estas ferramentas possam ser verdadeiramente integradas por nós como aliadas”. Esta aliança é possível, mas precisa fundamentar-se em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. “Esta pode ser articulada, dependendo dos papéis, como honestidade, transparência, coragem, capacidade de visão, dever de compartilhar o conhecimento e direito a ser informado. Para os que estão no comando das plataformas on-line; criadores e desenvolvedores de modelos de IA; aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais. Ainda no âmbito da responsabilidade o Papa recorda: “Deve-se tutelar a paternidade e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e dos outros criadores de conteúdo. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e em um padrão elevado de qualidade”.

Com relação à cooperação, Leão afirma: “Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de guiar a inovação digital e a governança da IA”. Continuando afirma a necessidade de “criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – da indústria tecnológica aos legisladores, das empresas criativas ao mundo acadêmico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável”.

Por fim, com relação à educação, Leão afirma: “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, a avaliar a confiabilidade das fontes e os possíveis interesses que estão por trás da seleção das informações que chegam até nós” e “elaborar critérios práticos para uma cultura da comunicação mais saudável e responsável”.

 

Introduzir estudos

Na conclusão da mensagem o Papa reitera a necessidade “cada vez mais urgente” de introduzir nos sistemas educativos de todos os níveis, ao lado do letramento midiático, também a alfabetização no campo da IA. “O acrônimo MAIL (ou seja, Media and Artificial Intelligence Literacy) descreve bem essa necessidade, e algumas instituições civis já estão promovendo essa conscientização. “O MAIL”, explica o Pontífice, “ajudará a todos a não se adequarem à deriva antropomorfizante dos sistemas de IA, mas a tratá-los como ferramentas; a utilizar sempre uma validação externa das fontes – que poderiam ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA; a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de contestação”, frisa por fim Leão.

O Papa conclui sua mensagem reiterando “Precisamos que o rosto e a voz voltem a significar pessoa. Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”. Fonte: https://www.vaticannews.va

O Santo Padre rezou o Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro, neste II Domingo do Tempo Comum. Recordou que o Evangelho nos fala de João Batista, que reconhece em Jesus o Cordeiro de Deus, o Messias, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”.

 

Silvonei José – Vatican News

“A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus”: foi o que disse o Papa Leão XIV na sua alocução que precedeu a Oração mariana do Angelus, com os fiéis presentes na Praça São Pedro, neste II Domingo do Tempo Comum.

O Papa iniciou recordando que neste domingo o Evangelho nos fala de João Batista, que reconhece em Jesus o Cordeiro de Deus, o Messias, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”; e acrescenta: “Foi para Ele se manifestar a Israel que eu vim batizar com água”.

João reconhece em Jesus o Salvador, - acrescentou o Santo Padre -, proclama a sua divindade e missão em favor do povo de Israel e depois, tendo cumprido a sua tarefa, afasta-se, como atestam estas suas palavras: “Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim”.

João Batista é um homem muito amado pelas multidões, a ponto de ser temido pelas autoridades de Jerusalém. Teria sido fácil explorar esta fama - disse Leão XIV -, mas ele não cede de forma alguma à tentação do sucesso e da popularidade.

 

“Diante de Jesus, reconhece a própria pequenez e abre espaço para a grandeza d’Ele. Sabe que foi enviado para preparar o caminho do Senhor e, quando o Senhor vem, reconhece com alegria e humildade a sua presença, retirando-se de cena”.

Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho!

 

“Realmente, muitas vezes é dada uma demasiada importância à aprovação, ao consenso e à visibilidade, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, causando sofrimento e divisões, criando estilos de vida e de relacionamento efémeros, decepcionantes e aprisionadores. Na realidade, não precisamos desses “substitutos de felicidade”.

 

A nossa alegria e grandeza – afirmou o Papa -, não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus. “É o amor de que Jesus nos fala: o amor de um Deus que ainda hoje vem estar no meio de nós, não para nos surpreender com efeitos especiais, mas para partilhar o nosso cansaço e assumir os nossos fardos, revelando-nos quem realmente somos e quanto valemos a seus olhos”.

O Papa concluiu pedindo: “não deixemos que Ele, ao passar, nos encontre distraídos. Não desperdicemos tempo e energia buscando o que é apenas aparência. Aprendamos com João Batista a manter o espírito vigilante, amando as coisas simples e as palavras sinceras, vivendo com sobriedade e profundidade de mente e coração, contentando-nos com o necessário e encontrando, de preferência todos os dias, um momento especial para nos determos em silêncio a rezar, refletir, escutar, enfim, “fazer deserto”, para encontrar o Senhor e estar com Ele”.

Que em tudo isto nos ajude a Virgem Maria, modelo de simplicidade, sabedoria e humildade. Fonte: https://www.vaticannews.va

O Papa Leão XIV durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI: a Constituição dogmática Dei Verbum recorda-nos que Jesus Cristo mudou radicalmente a relação do ser humano com Deus, transformando-a em aliança de amor.

 

Silvonei José - Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se na manhã desta quarta-feira (14/01) com os fiéis e peregrinos durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI. O Santo Padre, como disse na semana passada, iniciou a série de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. Nesta quarta-feira começou a aprofundar a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a divina Revelação.

Trata-se - disse o Pontífice -, de um dos documentos mais belos e importantes do Concílio, e para introduzi-lo, pode ser útil recordar as palavras de Jesus: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai" (Jo 15,15).

 

"Este é um ponto fundamental da fé cristã, que a Dei Verbum nos recorda: Jesus Cristo transforma radicalmente a relação do homem com Deus; a partir de agora, será uma relação de amizade. Por isso, a única condição da nova aliança é o amor".

 

A Constituição dogmática Dei Verbum recorda-nos que Jesus Cristo mudou radicalmente a relação do ser humano com Deus, transformando-a em aliança de amor.

O Santo Padre, recordando Santo Agostinho que comenta a passagem do Quarto Evangelho, de João, "insiste na perspetiva da graça, que só nos pode tornar amigos de Deus no seu Filho. De fato, um antigo lema dizia: “Amicitia aut pares invenit, aut facit”, “a amizade surge entre iguais ou torna-nos iguais”. Não somos iguais a Deus, mas o próprio Deus nos torna semelhantes a Ele no seu Filho".

Por esta razão, podemos constatar ao longo das Escrituras, há um momento inicial de afastamento na Aliança, pois o pacto entre Deus e o homem permanece sempre assimétrico:

 

"Deus é Deus e nós somos criaturas; mas, com a vinda do Filho em carne humana, a Aliança abre-se ao seu objetivo final: em Jesus, Deus faz-nos filhos e chama-nos a tornarmo-nos semelhantes a Ele na nossa frágil humanidade".

 

Em seguida o Papa Leão destacou que as palavras do Senhor Jesus que recordamos — “Eu vos chamei amigos” — repetem-se precisamente na Constituição Dei Verbum, que afirma: "Em virtude desta revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele".

A Constituição Dei Verbum também nos recorda isto: Deus fala conosco. É importante compreender a diferença entre a palavra e a conversa de circunstância, disse Leão XIV. Esta última permanece superficial e não cria comunhão entre as pessoas, enquanto que, nas relações autênticas, a palavra serve não só para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos. "A palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, ao falar connosco, Deus revela-se como um Aliado que nos convida à amizade com Ele".

 

"Nesta perspetiva, a primeira atitude a cultivar é a escuta, para que a Palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações; ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para Lhe comunicar o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos".

 

Daí - continuou o Papa -, a necessidade da oração, em que somos chamados a viver e a cultivar a amizade com o Senhor. Isto concretiza-se principalmente na oração litúrgica e comunitária, onde não decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas sim Ele próprio nos fala através da Igreja. Além disso, realiza-se na oração pessoal, que acontece no coração e na mente.

Leão XIV concluiu recordando que o dia e a semana de um cristão não podem ser desprovidos de tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão. "Só quando falamos com Deus podemos também falar de Deus". Fonte: https://www.vaticannews.va