O Papa: os avós e os idosos não são sobras de vida, desperdícios para jogar fora

Em sua homilia, Francisco afirma que "hoje há necessidade duma nova aliança entre jovens e idosos, necessidade de partilhar o tesouro comum da vida, sonhar juntos, superar os conflitos entre as gerações para preparar o futuro de todos."

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, presidiu a missa do primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, neste domingo (25/07), na Basílica de São Pedro.

Devido à recente cirurgia no cólon, o Santo Padre não presidiu a celebração, mas a sua homilia foi lida por dom Fisichella. O Papa inicia a sua homilia com o seguinte versículo do Evangelho deste domingo: «Jesus disse a Filipe: “Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?”» “Jesus não se limita a ensinar, mas deixa-se interpelar também pela fome que se faz sentir na vida das pessoas. E assim alimenta a multidão, distribuindo os cinco pães de cevada e os dois peixes recebidos de um jovem. Ao fim, sobram ainda numerosos pedaços de pão, dizendo aos seus discípulos que os recolham, «para que nada se perca».”

Neste Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, o Papa se deteve nestes três momentos: Jesus vê a fome da multidão; Jesus partilha o pão; Jesus recomenda a recolher os pedaços que sobraram. Três momentos que se resumem em três verbos: verpartilhar e guardar.

 

 

Ver: Jesus vê a fome da multidão

Jesus levanta os olhos e vê a multidão faminta depois de tanto ter caminhado para o encontrar. “O milagre começa assim, com o olhar de Jesus; um olhar não indiferente nem apressado, mas que sente as agulhadas da fome que atribulam a humanidade cansada. Preocupa-se conosco, cuida de nós, quer saciar a nossa fome de vida, amor e felicidade. Jesus tem um olhar contemplativo, isto é, capaz de parar em frente da vida do outro e ler dentro dela.”

Este é também o olhar que os avós e os idosos tiveram sobre a nossa vida. Foi o modo como cuidaram de nós, desde a nossa infância. Depois de uma vida feita muitas vezes de sacrifícios, não se mostraram indiferentes a nosso respeito nem apressados sem nos ligar; mas tiveram olhos atentos, cheios de ternura. No nosso crescimento quando nos sentíamos incompreendidos ou com medo dos desafios da vida, eles deram-se conta de nós, do que estava a mudar no nosso coração, das nossas lágrimas escondidas e dos sonhos que trazíamos dentro de nós. Todos nos sentamos no colo dos avós, que nos pegaram no colo. E foi também graças a este amor que nos tornamos adultos.

A seguir, o Papa fez as seguintes perguntas: "E nós! Que olhar temos para com os avós e os idosos? Quando foi a última vez que fizemos companhia ou telefonamos a um idoso para o certificar da nossa proximidade e deixar-nos abençoar pelas suas palavras?"

“Sofro quando vejo uma sociedade que corre, apressada e indiferente, ocupada com tantas coisas e incapaz de parar para dar um olhar, uma saudação, uma carícia. Tenho medo duma sociedade onde todos formamos uma multidão anônima e já não somos capazes de erguer os olhos e reconhecer-nos. Os avós, que alimentaram a nossa vida, hoje têm fome de nós: da nossa atenção, da nossa ternura; de sentir-nos perto deles. Ergamos o olhar para eles, como Jesus faz conosco.”

 

Partilhar: Jesus partilha o pão

O segundo momento é partilhar. Jesus partilha o pão. "Depois de ter visto a fome daquelas pessoas, Jesus quer alimentá-las. Mas isto acontece graças à dádiva dum jovem, que oferece os seus cinco pães e os dois peixes. É belo encontrar, no centro deste prodígio que beneficiou tantos adultos – cerca de cinco mil pessoas –, um rapaz, um jovem, que partilha o que tem."

Hoje há necessidade duma nova aliança entre jovens e idosos, necessidade de partilhar o tesouro comum da vida, sonhar juntos, superar os conflitos entre as gerações para preparar o futuro de todos. Sem esta aliança de vida, sonhos e futuro, corremos o risco de morrer de fome, porque aumentam os laços desfeitos, as solidões, os egoísmos e as forças desagregadoras. Frequentemente, na nossa sociedade, deixamos a vida guiar-se por esta ideia: «cada um pensa por si». Mas isto mata! O Evangelho nos exorta a partilhar o que somos e temos: só assim poderemos ser saciados.

A propósito, o Papa recordou o que diz o profeta Joel: jovens e idosos juntos. "Os jovens, profetas do futuro que não esquecem a história donde provêm; os idosos, sonhadores sempre incansáveis que transmitem experiência aos jovens, sem lhes bloquear o caminho. Jovens e idosos, o tesouro da tradição e o frescor do Espírito. Jovens e idosos juntos. Na sociedade e na Igreja: juntos."

 

Guardar:  Jesus recomenda a recolher os pedaços que sobraram

O terceiro momento citado pelo Papa é guardar. Jesus recomenda a recolher os pedaços que sobraram. "Depois de terem comido, o Evangelho observa que sobraram muitos pedaços de pão. E Jesus recomenda: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». Assim é o coração de Deus: não apenas nos dá mais do que precisamos, mas preocupa-se também que nada se perca, nem um pedaço sequer."

Um pedaço de pão pode parecer insignificante, mas aos olhos de Deus nada deve ser descartado; e, com mais forte razão, ninguém deve ser descartado. É um convite profético que, hoje, somos chamados a fazer ressoar em nós e no mundo: recolhei, conservai cuidadosamente, guardai.

“Os avós e os idosos não são sobras de vida, desperdícios para jogar fora. Mas são aqueles preciosos pedaços de pão deixados na mesa da nossa vida, que ainda nos podem nutrir com uma fragrância que perdemos, «a fragrância da memória».”

Não percamos a memória de que os idosos são portadores, porque somos filhos daquela história e, sem raízes, murcharemos. Guardaram-nos no caminho do nosso crescimento, agora cabe a nós guardar a vida deles, aliviar as suas dificuldades, atender às suas necessidades, criar as condições que lhes permitam ver facilitadas as suas tarefas diárias e não se sintam sozinhos.

Francisco nos convidou a fazer as seguintes perguntas: «Visitei os avós? Os idosos da minha família ou do meu bairro? Prestei-lhes atenção? Dediquei-lhes algum tempo?» Guardemo-los, para que nada se perca: nada da sua vida e dos seus sonhos. Cabe a nós, hoje, prevenir o lamento de amanhã por não termos dedicado suficiente atenção a quem nos amou e nos deu a vida.

A homilia do Papa se conclui com as seguintes palavras: "Os avós e os idosos são pão que nutre a nossa vidaSejamos agradecidos pelos seus olhos atentos, que se aperceberam de nós, pelos seus braços que nos deram colo, pelas suas mãos que nos acompanharam e levantaram, pelos jogos que fizeram conosco e pelas carícias com que nos consolaram. Por favor, não nos esqueçamos deles. Aliemo-nos com eles. Aprendamos a parar, a reconhecê-los, a ouvi-los. Nunca os descartemos. Guardemo-los amorosamente. E aprendamos a partilhar tempo com eles. Sairemos melhores. E juntos, jovens e idosos, nos saciaremos à mesa da partilha, abençoada por Deus." Fonte: https://www.vaticannews.va

 

(4º domingo de julho – 25 de julho de 2021)

 

«Eu estou contigo todos os dias»

Queridos avôs, queridas avós!

«Eu estou contigo todos os dias» (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! «Eu estou contigo todos os dias» são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado.

Bem sei que esta mensagem te chega num tempo difícil: a pandemia foi uma tempestade inesperada e furiosa, uma dura provação que se abateu sobre a vida de cada um, mas, a nós idosos, reservou-nos um tratamento especial, um tratamento mais duro. Muitíssimos de nós adoeceram – e muitos partiram –, viram apagar-se a vida do seu cônjuge ou dos próprios entes queridos, e tantos – demasiados – viram-se forçados à solidão por um tempo muito longo, isolados.

O Senhor conhece cada uma das nossas tribulações deste tempo. Ele está junto de quantos vivem a dolorosa experiência de ter sido afastado; a nossa solidão – agravada pela pandemia – não O deixa indiferente. Segundo uma tradição, também São Joaquim, o avô de Jesus, foi afastado da sua comunidade, porque não tinha filhos; a sua vida – como a de Ana, sua esposa – era considerada inútil. Mas o Senhor enviou-lhe um anjo para o consolar. Estava ele, triste, fora das portas da cidade, quando lhe apareceu um Enviado do Senhor e lhe disse: «Joaquim, Joaquim! O Senhor atendeu a tua oração insistente».[1] Giotto dá a impressão, num afresco famoso[2], de colocar a cena de noite, uma daquelas inúmeras noites de insónia a que muitos de nós se habituaram, povoadas por lembranças, inquietações e anseios.

Ora, mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: «Eu estou contigo todos os dias». Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!

Este anjo, algumas vezes, terá o rosto dos nossos netos; outras vezes, dos familiares, dos amigos de longa data ou conhecidos precisamente neste momento difícil. Neste período, aprendemos a entender como são importantes, para cada um de nós, os abraços e as visitas, e muito me entristece o facto de as mesmas não serem ainda possíveis em alguns lugares.

Mas o Senhor envia-nos os seus mensageiros também através da Palavra divina, que Ele nunca deixa faltar na nossa vida. Cada dia, leiamos uma página do Evangelho, rezemos com os Salmos, leiamos os Profetas! Ficaremos comovidos com a fidelidade do Senhor. A Sagrada Escritura ajudar-nos-á também a entender aquilo que o Senhor nos pede hoje na vida. De facto, Ele manda os operários para a sua vinha a todas as horas do dia (cf. Mt 20, 1-16), em cada estação da vida. Eu mesmo posso dar testemunho de que recebi a chamada para me tornar Bispo de Roma quando tinha chegado, por assim dizer, à idade da aposentação e imaginava que já não podia fazer muito de novo. O Senhor está sempre junto de nós – sempre – com novos convites, com novas palavras, com a sua consolação, mas está sempre junto de nós. Como sabeis, o Senhor é eterno e nunca vai para a reforma. Nunca.

No Evangelho de Mateus, Jesus diz aos Apóstolos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (28, 19-20). Estas palavras são dirigidas também a nós, hoje, e ajudam-nos a entender melhor que a nossa vocação é salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Atenção! Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Não vos esqueçais disto.

Não importa quantos anos tens, se ainda trabalhas ou não, se ficaste sozinho ou tens uma família, se te tornaste avó ou avô ainda relativamente jovem ou já avançado nos anos, se ainda és autónomo ou precisas de ser assistido, porque não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelhoda tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo.

Portanto existe uma renovada vocação, também para ti, num momento crucial da história. Perguntar-te-ás: Mas, como é possível? As minhas energias vão-se exaurindo e não creio que possa ainda fazer muito. Como posso começar a comportar-me de maneira diferente, quando o hábito se tornou a regra da minha existência? Como posso dedicar-me a quem é mais pobre, se já tenho tantas preocupações com a minha família? Como posso alongar o meu olhar, se não me é permitido sequer sair da residência onde vivo? Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? Quantos de vós se interrogam: Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? O próprio Jesus ouviu Nicodemos dirigir-Lhe uma pergunta deste tipo: «Como pode um homem nascer, sendo velho?» (Jo 3, 4). Isso é possível – responde o Senhor –, abrindo o próprio coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-Se por toda a parte e faz aquilo que quer.

Como afirmei já mais de uma vez, da crise que o mundo atravessa, não sairemos iguais: sairemos melhores ou piores. E «oxalá não seja mais um grave episódio da história, cuja lição não fomos capazes de aprender [somos de cabeça dura!]. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de respiradores (...). Oxalá não seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça» (Papa Francisco, Enc. Fratelli tutti, 35). Ninguém se salva sozinho. Devedores uns dos outros. Todos irmãos.

Nesta perspectiva, quero dizer que há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade. Todos devemos ser «parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas» (Ibid., 77). Entre os vários pilares que deverão sustentar esta nova construção, há três que tu – melhor que outros – podes ajudar a colocar. Três pilares: os sonhos, a memória e a oração. A proximidade do Senhor dará – mesmo aos mais frágeis de nós – a força para empreender um novo caminho pelas estradas do sonho, da memória e da oração.

Uma vez o profeta Joel pronunciou esta promessa: «Os vossos anciãos terão sonhos e os jovens terão visões» (3, 1). O futuro do mundo está nesta aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? Mas, para isso, é necessário continuar a sonhar: nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro. É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa. E tenho a certeza de que não será a única, pois, na tua vida, terás tido tantas e sempre conseguiste triunfar delas. E, dessa experiência que tens, aprende como sair da provação atual.

Nisto se vê como os sonhos estão entrelaçados com a memória. Penso como pode ser de grande valor a memória dolorosa da guerra, e quanto podem as novas gerações aprender dela a respeito do valor da paz. E, a transmitir isto, és tu que viveste a tribulação das guerras. Recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros. Segundo Edith Bruck que sobreviveu à tragédia do Holocausto, «mesmo que seja para iluminar uma só consciência, vale a pena a fadiga de manter viva a recordação do que foi… e continua. Para mim, a memória é viver».[3] Penso também nos meus avós e naqueles de vós que tiveram de emigrar e sabem quanto custa deixar a própria casa, como fazem muitos ainda hoje à procura dum futuro. Talvez tenhamos algum deles ao nosso lado a cuidar de nós. Esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor. Mas, sem a memória, não se pode construir; sem alicerces, tu nunca construirás uma casa. Nunca. E os alicerces da vida estão na memória.

Por fim, a oração. Como disse o meu predecessor, Papa Bento (um idoso santo, que continua a rezar e trabalhar pela Igreja), «a oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o talvez de modo mais incisivo do que a fadiga de tantos».[4] Disse-o quase no fim do seu pontificado, em 2012. É belo! A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo (cf. Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 262). Sobretudo neste tempo tão difícil para a humanidade em que estamos – todos na mesma barca – a atravessar o mar tempestuoso da pandemia, a tua intercessão pelo mundo e pela Igreja não é vã, mas indica a todos a serena confiança de um porto seguro.

Querida avó, querido avô! Ao concluir esta minha mensagem, gostaria de indicar, também a ti, o exemplo do Beato (e proximamente Santo) Carlos de Foucauld. Viveu como eremita na Argélia e lá, naquele contexto periférico, testemunhou «os seus desejos de sentir todo o ser humano como um irmão» (Enc. Fratelli tutti, 287). A sua história mostra como é possível, mesmo na solidão do próprio deserto, interceder pelos pobres do mundo inteiro e tornar-se verdadeiramente um irmão e uma irmã universal.

Peço ao Senhor que cada um de nós, graças também ao seu exemplo, alargue o próprio coração e o torne sensível aos sofrimentos dos últimos e capaz de interceder por eles. Oxalá cada um de nós aprenda a repetir a todos, e em particular aos mais jovens, estas palavras de consolação que ouvimos hoje dirigidas a nós: «Eu estou contigo todos os dias». Avante e coragem! Que o Senhor vos abençoe.

Roma, São João de Latrão, na Festa da Visitação da Virgem Santa Maria, 31 de maio de 2021.

 

FRANCISCO

 

[1] O episódio é narrado no Protoevangelho de Tiago.

[2] Trata-se da imagem escolhida como logótipo do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos.

[3] «La memoria è vita, la scrittura è respiro», in L'Osservatore Romano (26 de janeiro de 2021).

[4] Visita à casa-família “Viva gli anziani”, 12 de novembro de 2012.

Fonte: https://www.vaticannews.va

CARTA APOSTÓLICA NA FORMA DE MOTU "PROPRIO" DO ALTO PONTIFF FRANCIS

"TRADITIONIS CUSTODES" SOBRE O USO DA LITURGIA ROMANA ANTES DA REFORMA DE 1970

 

Guardiães da tradição, os bispos, em comunhão com o bispo de Roma, constituem o princípio visível e o fundamento da unidade nas suas Igrejas particulares.[1] Sob a direção do Espírito Santo, através do anúncio do Evangelho e da celebração da Eucaristia, eles governam as Igrejas particulares que lhes são confiadas.[2]

Para promover a harmonia e a unidade da Igreja, com paternal solicitude para com aqueles que em algumas regiões aderiram às formas litúrgicas anteriores à reforma desejada pelo Concílio Vaticano II , os meus venerados Predecessores São João Paulo II e Bento XVI , concederam e regulamentou o corpo docente para usar o Missal Romano publicado por São João XXIII no ano de 1962.[3] Pretendiam assim "facilitar a comunhão eclesial para os católicos que se sentem vinculados a algumas formas litúrgicas anteriores" e não a outras.[4]

Na esteira da iniciativa do meu Venerável Predecessor  Bento XVI de convidar os bispos a verificar a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum , três anos após sua publicação, a Congregação para a Doutrina da Fé fez uma ampla consulta aos bispos em 2020, cujos resultados foram cuidadosamente considerados à luz da experiência adquirida nos últimos anos.

Agora, tendo considerado os desejos formulados pelo episcopado e ouvido o parecer da Congregação para a Doutrina da Fé, desejo, com esta Carta Apostólica, continuar ainda mais na busca constante da comunhão eclesial. Portanto, achei apropriado estabelecer o seguinte:

Art. 1. Os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano.

Art. 2. Ao Bispo diocesano, como moderador, promotor e custódio de toda a vida litúrgica na Igreja particular que lhe foi confiada,[5] É a responsabilidade de regular as celebrações litúrgicas na própria diocese.[6] Portanto, é da sua competência exclusiva autorizar o uso do Missale Romanum de 1962 na diocese, segundo as orientações da Sé Apostólica.

Art. 3. O bispo, nas dioceses em que até agora haja a presença de um ou mais grupos que celebram segundo o Missal anterior à reforma de 1970:

  • 1. Cuide para que tais grupos não excluam a validade e a legitimidade da reforma litúrgica, dos ditames do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices;
  • 2. indica um ou mais lugares onde os fiéis aderentes a estes grupos podem se reunir para a celebração eucarística (mas não nas igrejas paroquiais e sem erigir novas paróquias pessoais);
  • 3. estabelecer no lugar indicado os dias em que são permitidas as celebrações eucarísticas com a utilização do Missal Romano promulgado por São João XXIII em 1962.[7] Nestas celebrações as leituras devem ser proclamadas na língua vernácula, utilizando as traduções da Sagrada Escritura para uso litúrgico, aprovadas pelas respectivas Conferências Episcopais;
  • 4. Nomeie um sacerdote que, como delegado do bispo, se encarregue das celebrações e da pastoral desses grupos de fiéis. O sacerdote é idôneo para este ofício, é competente para usar o Missale Romanumantes da reforma de 1970, possui um conhecimento da língua latina que lhe permite compreender plenamente as rubricas e os textos litúrgicos, é animado por uma viva caridade pastoral e sentido de comunhão eclesial. De facto, é necessário que o sacerdote responsável tenha em vista não só a dignidade da celebração litúrgica, mas também o cuidado pastoral e espiritual dos fiéis.
  • 5. nas paróquias pessoais canonicamente erigidas em benefício desses fiéis, faça uma avaliação adequada da sua real utilidade para o crescimento espiritual, e avalie se as mantém ou não.
  • 6º tomará cuidado para não autorizar a constituição de novos grupos.

Art. 4. Os padres ordenados após a publicação deste Motu proprio, que pretendam celebrar com o Missale Romanum de 1962, devem apresentar um pedido formal ao Bispo diocesano, que consultará a Sé Apostólica antes de conceder a autorização.

Art. 5. Os sacerdotes que já celebram segundo o Missale Romanum de 1962 pedem ao Bispo diocesano autorização para continuar a fazer uso da faculdade.

Art. 6. Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, então erigidos pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, são da competência da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Art. 7. A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, para os assuntos da sua competência, exercerão a autoridade da Santa Sé, velando pela observância destas disposições .

Art. 8º São revogadas as normas, instruções, concessões e costumes precedentes que não atendam ao disposto neste Motu Proprio .

Tudo o que deliberei com esta Carta Apostólica em forma de Motu Proprio , ordeno que seja observado em todas as suas partes, apesar do contrário, ainda que digno de menção particular, e estabeleço que seja promulgado mediante publicação. no jornal "L'Osservatore Romano", imediatamente entrando em vigor e posteriormente publicado no Comentário Oficial da Santa Sé, Acta Apostolicae Sedis .

Dado em Roma, em São João de Latrão, aos 16 de julho de 2021, Memória Litúrgica de Nossa Senhora do Carmelo, nono de Nosso Pontificado.

FRANCIS 

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[1] Veja CONC. ECUM. CUBA. II, Constituição Dogmática. sobre a Igreja “ Lumen Gentium ”, 21 de novembro de 1964, n. 23: AAS 57 (1965) 27.

[2] Veja CONC. ECUM. CUBA. II, Constituição Dogmática. Sobre a Igreja " Lumen Gentium ", 21 de novembro de 1964, n. 27: AAS 57 (1965) 32; CONC. ECUM. CUBA. II, Decr. sobre a missão pastoral dos bispos na Igreja " Christus Dominus ", 28 de outubro de 1965, n. 11: AAS 58 (1966) 677-678; Catecismo da Igreja Católica , n. 833.

[3] Ver JOHN PAUL II, Litt. Ap. Motu proprio datae “ Ecclesia Dei ”, 2 de julho de 1988: AAS 80 (1998) 1495-1498; BENTO XVI, Litt. Ap. Motu proprio datae “ Summorum Pontificum ”, 7 de julho de 2007: AAS 99 (2007) 777-781; Litt. Ap. Motu proprio datae “ Ecclesiae unitatem ”, 2 de julho de 2009: AAS 101 (2009) 710-711.

[4] JOÃO PAULO II, Litt. Ap. Motu proprio datae “ Ecclesia Dei ”, 2 de julho de 1988, n. 5: AAS 80 (1988) 1498.

[5] Veja CONC. ECUM. CUBA. II, Constituição sobre a sagrada liturgia “ Sacrosanctum Concilium ”, 4 de dezembro de 1963, n. 41: AAS 56 (1964) 111; Caeremoniale Episcoporum , n. 9; CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS, Instr. sobre algumas coisas que devem ser observadas e evitadas a respeito da Santíssima Eucaristia “ Redemptionis Sacramentum ”, 25 de março de 2004, nn. 19-25: AAS 96 (2004) 555-557.

[6] Cf. CIC , cân 375, §1 ; posso. 392 .

[7] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decreto " Quo magis " sobre a aprovação de sete novos prefácios para a forma extraordinária do Rito Romano, 22 de fevereiro de 2020, e o Decreto " Cum sanctissima " sobre a celebração litúrgica em homenagem aos santos na forma extraordinária do rito romano, 22 de fevereiro de 2020: L'Osservatore Romano , 26 de março de 2020, p. 6.

Fonte: https://www.vatican.va

 

Do Hospital Agostino Gemelli, onde se recupera de uma cirurgia, o Papa Francisco rezou de modo especial por todos os enfermos e fez um apelo por um sistema de saúde acessível a todos. Da janela do décimo andar, recebeu o carinho dos fiéis - uma imagem que não se via desde 2005, quando no dia 13 de março São João Paulo II pronunciou algumas palavras em público após uma traqueotomia.

 

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

“Estou feliz por poder manter o encontro dominical do Angelus, também aqui da Policlínica “Gemelli”. Agradeço a todos: senti muito a proximidade e o amparo de suas orações. Obrigado de coração!”

Um sentimento de gratidão marcou o Angelus deste domingo, realizado do Hospital Agostino Gemelli, onde o Papa Francisco está internado há uma semana, desde que se submeteu a uma cirurgia no intestino.

Da janela do seu apartamento no décimo andar da Policlínica, rodeado por crianças enfermas, o Papa acenou aos fiéis presentes na pequena praça que fica na entrada da estrutura e dali fez uma breve meditação sobre o Evangelho do dia, destacando de modo especial uma frase de Jesus aos discípulos: "curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo" (Mc 6,13).

"Este 'óleo' é certamente o sacramento da Unção dos enfermos, que dá conforto ao espírito e ao corpo. Mas este 'óleo' é também a escuta, a proximidade, o cuidado, a ternura de quem cuida da pessoa doente: é como uma carícia que faz sentir melhor, alivia a dor e soleva."

Para Francisco,  mais cedo ou mais tarde, todos necessitamos desta “unção” e todos podemos oferecê-la a alguém, com uma visita, um telefonema, uma mão estendida a quem necessita de ajuda. "Recordemos que no protocolo do juízo final Mateus, 25, uma das coisas que nos perguntarão será a proximidade aos doentes.

 

Sistema de saúde acessível a todos

Todavia, esta dimensão pessoal do cuidado deve ser alargada para uma dimensão social, em que todos os cidadãos possam usufruir de um sistema de saúde.

"Nesses dias de internação no hospital, prosseguiu o Pontífice, experimentei quanto é importante um bom serviço de saúde gratuito, acessível a todos, como existe na Itália e em outros países. Um sistema de saúde gratuito, que garanta um bom serviço acessível a todos. Não se pode perder este bem precioso. É preciso mantê-lo! E para isso é necessário que todos se empenhem, porque serve a todos e pede a contribuição de todos."

O Santo Padre lamentou que às vezes, na Igreja, quando alguma instituição de saúde passa por problemas financeiros, inclusive por má gestão, o primeiro pensamento é vender a estrutura: "Mas a sua vocação na Igreja não é ter dinheiro, mas prestar um serviço e um serviço é sempre gratuito, não se esqueçam, salvar as instituições gratuitas".

Por fim, Francisco dirigiu uma palavra a quem trabalha em hospitais, pedindo orações pelos enfermos:

"Quero expressar o meu apreço e o meu encorajamento aos médicos e a todos os agentes de saúde e aos funcionários dos hospitais. E rezemos por todos os doentes, aqui estão alguns amigos crianças doentes. Por que as crianças sofrem? Por que sofrem as crianças é uma pergunta que toca o coração. Acompanhemo-las com a oração e rezemos por todos os doentes, especialmente por aqueles em condições mais difíceis: ninguém fique só, cada um possa receber a unção da escuta, da proximidade, da ternura e do cuidado. E é o que pedimos por intercessão de Maria, nossa Mãe, saúde dos enfermos." Fonte: https://www.vaticannews.va

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO


Eucaristia, com a bênção dos pálios,
na Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo
(Basílica de S. Pedro, 29 de junho de 2021)

 

Celebramos hoje a festa de dois grandes apóstolos do Evangelho e duas colunas angulares da Igreja: Pedro e Paulo. Observemos de perto estas duas testemunhas da fé: no centro da sua história, não está a própria destreza, mas o encontro com Cristo que lhes mudou a vida. Fizeram a experiência de um amor que os curou e libertou e, por isso, tornaram-se apóstolos e ministros de libertação para os outros.

Pedro e Paulo são livres unicamente porque foram libertados. Detenhamo-nos neste ponto central.

Pedro, o pescador da Galileia, foi libertado em primeiro lugar da sensação de ser inadequado e da amargura de ter falido, e isso verificou-se graças ao amor incondicional de Jesus. Embora fosse um hábil pescador, várias vezes experimentou, em plena noite, o sabor amargo da derrota por não ter pescado nada (cf. Lc 5, 5; Jo 21, 5) e, perante as redes vazias, sentiu a tentação do desânimo; apesar de forte e impetuoso, muitas vezes se deixou tomar pelo medo (cf. Mt 14, 30); embora fosse um discípulo apaixonado do Senhor, continuou a pensar à maneira do mundo, sem conseguir entender e aceitar o significado da Cruz de Cristo (cf. Mt 16, 22); apesar de dizer-se pronto a dar a vida por Ele, bastou sentir-se suspeitado de ser um dos Seus para se atemorizar chegando a negar o Mestre (cf. Mc 14, 66-72).

Mas Jesus amou-o desinteressadamente e apostou nele. Encorajou-o a não desistir, a lançar novamente as redes ao mar, a caminhar sobre as águas, a olhar com coragem para a sua própria fraqueza, a segui-Lo pelo caminho da Cruz, a dar a vida pelos irmãos, a apascentar as suas ovelhas. Deste modo libertou-o do medo, dos cálculos baseados apenas nas seguranças humanas, das preocupações mundanas, infundindo nele a coragem de arriscar tudo e a alegria de se sentir pescador de homens. Foi precisamente a ele que chamou para confirmar na fé os irmãos (cf. Lc 22, 32). Como ouvimos no Evangelho, deu-lhe as chaves para abrir as portas que levam a encontrar o Senhor e o poder de ligar e desatar: ligar os irmãos a Cristo e desatar os nós e as correntes das suas vidas (cf. Mt 16, 19).

Tudo isto só foi possível, porque antes, como nos dizia a primeira Leitura, Pedro foi libertado. As correntes que o mantêm prisioneiro são quebradas e, tal como aconteceu na noite da libertação dos israelitas da escravidão do Egito, é convidado a levantar-se depressa, colocar o cinto e calçar as sandálias para sair. E o Senhor abre as portas diante dele (cf. At 12, 7-10). É uma nova história de abertura, de libertação, de correntes quebradas, de saída do cárcere que o prende. Pedro faz a experiência da Páscoa: o Senhor libertou-o.

Também o apóstolo Paulo experimentou a libertação por obra de Cristo. Foi libertado da escravidão mais opressiva, a de si mesmo, e de Saulo – nome do primeiro rei de Israel – tornou-se Paulo, que significa «pequeno». Foi libertado também daquele zelo religioso que o tornara fanático na defesa das tradições recebidas (cf. Gal 1, 14) e violento ao perseguir os cristãos. A observância formal da religião e a defesa implacável da tradição, em vez de o abrir ao amor de Deus e dos irmãos, haviam-no endurecido. Foi disto que Deus o libertou; ao invés, não o poupou a tantas fraquezas e dificuldades que tornaram mais fecunda a sua missão evangelizadora: as canseiras do apostolado, a enfermidade física (cf. Gal 4, 13-14); as violências e perseguições, os naufrágios, a fome e sede, e – segundo as suas próprias palavras – um espinho que o atormentava na carne (cf. 2 Cor 12, 7-10).

Paulo compreendeu assim que «o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte» (1 Cor 1, 27), que tudo podemos n’Ele que nos dá força (cf. Flp 4, 13), que nada poderá jamais separar-nos do seu amor (cf. Rm 8, 35-39). Por isso, no final da sua vida, como nos dizia a segunda Leitura, Paulo pode dizer: «o Senhor esteve comigo» e «me livrará de todo o mal» (2 Tm 4, 17.18). Paulo fez a experiência da Páscoa: o Senhor libertou-o.

Queridos irmãos e irmãs, a Igreja olha para estes dois gigantes da fé e vê dois Apóstolos que libertaram a força do Evangelho no mundo, só porque antes foram libertados pelo encontro com Cristo. Ele não os julgou, nem humilhou, mas partilhou de perto e afetuosamente a sua vida, sustentando-os com a sua própria oração e, às vezes, admoestando-os para os impelir à mudança. A Pedro, disse Jesus com ternura: «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32); a Paulo, pergunta: «Saulo, Saulo, porque Me persegues?» (At 9, 4). De igual modo procede Jesus também conosco: assegura-nos a sua proximidade, rezando por nós e intercedendo junto do Pai; e repreende-nos com doçura quando erramos, para podermos encontrar a força de nos levantar novamente e retomar o caminho.

Tocados pelo Senhor, também nós somos libertados. E sempre temos necessidade de ser libertados, porque só uma Igreja liberta é uma Igreja credível. Como Pedro, somos chamados a ser libertos da sensação da derrota face à nossa pesca por vezes malsucedida; a ser libertos do medo que nos paralisa e torna medrosos, fechando-nos nas nossas seguranças e tirando-nos a coragem da profecia. Como Paulo, somos chamados a ser libertos das hipocrisias da exterioridade; libertos da tentação de nos impormos com a força do mundo, e não com a debilidade que deixa espaço a Deus; libertos duma observância religiosa que nos torna rígidos e inflexíveis; libertos de vínculos ambíguos com o poder e do medo de ser incompreendidos e atacados.

Pedro e Paulo oferecem-nos a imagem duma Igreja confiada às nossas mãos, mas conduzida pelo Senhor com fidelidade e ternura; duma Igreja débil, mas forte com a presença de Deus; duma Igreja libertada que pode oferecer ao mundo aquela libertação que ele, sozinho, não se pode dar a si mesmo: a libertação do pecado, da morte, da resignação, do sentimento da injustiça, da perda da esperança que embrutece a vida das mulheres e dos homens do nosso tempo.

Interroguemo-nos: quanta necessidade de libertação têm as nossas cidades, as nossas sociedades, o nosso mundo? Quantas correntes devem ser quebradas e quantas portas trancadas devem ser abertas! Podemos ser colaboradores desta libertação, mas só se, primeiro, nos deixarmos libertar pela novidade de Jesus e caminharmos na liberdade do Espírito Santo.

Hoje os nossos irmãos Arcebispos recebem o Pálio. Este sinal de unidade com Pedro recorda a missão do pastor que dá a vida pelo rebanho. É dando a vida que o Pastor, liberto de si mesmo, se torna instrumento de libertação para os irmãos. Hoje temos conosco a Delegação do Patriarcado Ecuménico, enviada para esta ocasião pelo querido irmão Bartolomeu: a vossa amável presença é um sinal precioso de unidade no caminho de libertação das distâncias que, escandalosamente, dividem os crentes em Cristo.

Rezamos por vós, pelos Pastores, pela Igreja, por todos nós: para que, libertados por Cristo, possamos ser apóstolos de libertação em todo o mundo. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Neste domingo Francisco rezou a oração mariana do Angelus com os Fiéis reunidos na Praça São Pedro. "Hoje, no Evangelho, Jesus se depara com as nossas duas situações mais dramáticas, morte e doença”, disse o Papa.

 

Silvonei José – Vatican News

"A maior doença da vida é a falta de amor, é não ser capaz de amar. E a cura mais importante é a dos afetos". Estas são palavras pronunciadas pelo Papa Francisco antes da oração mariana do Angelus ao meio-dia deste 13º Domingo do Tempo Comum, assomando à janela de seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano, diante dos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

"Hoje, no Evangelho, Jesus se depara com as nossas duas situações mais dramáticas, morte e doença”, disse o Papa. Delas ele liberta duas pessoas: uma menina, que morre enquanto o pai foi pedir ajuda a Jesus; e uma mulher, que perde sangue há muitos anos. Jesus se deixa tocar pela nossa dor e morte, e realiza dois sinais de cura para nos dizer que nem a dor nem a morte têm a última palavra. Ele nos diz que a morte não é o fim. Ele vence este inimigo, do qual não podemos nos libertar sozinhos”.

"Concentremo-nos, no entanto, neste período em que a doença ainda está no centro das crônicas, no outro sinal, a curada mulher", sublinhou. “Mais do que sua saúde, eram seus afetos a serem comprometidos: ela tinha perda de sangue e, portanto, de acordo com a mentalidade da época, era considerada impura. Ela era, portanto, marginalizada, não podia ter relações, um marido, uma família e relações sociais normais. Ela vivia sozinha, com o coração ferido".

"A história desta mulher sem nome, na qual todos nós podemos nos ver, é exemplar", explicou o Papa Francisco. O texto diz que ela tinha feito muitas curas, "gastando todos os seus bens sem nenhuma vantagem", ao contrário, piorando".  "A maior doença da vida é o câncer, a tuberculose, a pandêmia? Não... disse o Papa. É a falta de amor é não conseguir amar. Esta pobre mulher estava doente pela falta de amor. E a cura mais importante é a dos afetos", disse Bergoglio.

“Também nós, quantas vezes nos lançamos em remédios errados para satisfazer nossa falta de amor”. “Pensamos que a nos fazer felizes sejam o sucesso e o dinheiro, mas o amor não se compra é gratuito. Refugiamo-nos no virtual, mas o amor é concreto. Nós não nos aceitamos como somos e nos escondemos por detrás dos truques da exterioridade, mas o amor não é aparência. Procuramos soluções em magos e gurus, para depois nos encontrarmos sem dinheiro e sem paz”.

No entanto "nos refugiamos no virtual, mas o amor é concreto", continuou o Papa.

Francisco disse ainda que muitas vezes “gostamos de ver as coisas ruins das outras pessoas. Quantas vezes caímos na tagarelice, que é fofocar sobre os outros. Que horizonte de vida é este"? "Não julgue a realidade pessoal e social dos outros", reiterou ele, "não julgue e deixe os outros viverem". "Olhe ao seu redor: você verá que tantas pessoas que vivem ao seu lado se sentem feridas e sozinhas, elas precisam se sentir amadas. Dê o passo. Jesus lhe pede um olhar que não se detém na exterioridade, mas vai ao coração; um olhar que não julga, deixemos de julgar os outros, Jesus nos pede um olhar que não julga, mas acolhedor. Porque só o amor cura a vida. Que Nossa Senhora, finalizou o Papa Francisco, consoladora dos aflitos, nos ajude a levar uma caricia aos feridos no coração que encontramos em nosso caminho". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

"No meio do drama, na dor atroz da alma e do corpo, Jesus reza com as palavras dos salmos; com os pobres do mundo, especialmente os esquecidos por todos", disse Francisco na última catequese sobre o tema da oração.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"A oração pascal de Jesus por nós" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (16/06), realizada no Pátio São Dâmaso.

"A oração é uma das caraterísticas mais marcantes da vida de Jesus. Jesus rezava, e rezava muito. No decurso da sua missão, Jesus imergiu-se na oração, pois o diálogo com o Pai era o núcleo incandescente de toda a sua existência", sublinhou Francisco, ressaltando que "os Evangelhos testemunham que a oração de Jesus se tornou ainda mais intensa e densa na hora da sua paixão e morte".

 

 

Uma salvação total, messiânica

De fato, estes acontecimentos culminantes constituem o âmago da pregação cristã, o kerygma: as últimas horas vividas por Jesus em Jerusalém são o coração do Evangelho não só porque os Evangelistas dedicam um espaço proporcionalmente maior para esta narração, mas também porque o acontecimento da sua morte e ressurreição –   como um relâmpago – lança luz sobre todo o resto da vicissitude de Jesus. Não era um filantropo que cuidava do sofrimento e das doenças humanas. Ele foi isso e muito mais. Nele não há apenas bondade: há salvação, e não uma salvação episódica – a que me salva de uma doença ou de um momento de desânimo – mas uma salvação total, messiânica, que dá esperança na vitória definitiva da vida sobre a morte.

Nos dias da sua última Páscoa encontramos Jesus totalmente imerso na oração. "Ele reza de forma dramática no Jardim do Getsémani, acometido por uma angústia mortal. No entanto, naquele exato momento Jesus dirige-se a Deus, chamando-lhe “Abbá”, Pai. Esta palavra aramaica, o idioma de Jesus, expressa intimidade e confiança. Quando sente as trevas que se adensam à sua volta, Jesus as atravessa com aquela pequena palavra: Abbá! Pai", frisou o Papa.

 

Tudo é oração nas três horas da Cruz

"Jesus reza também na cruz, envolto no silêncio obscuro de Deus. Contudo, nos seus lábios, mais uma vez, aflora a palavra “Pai”. É a oração mais audaz, porque na cruz Jesus é o intercessor absoluto:  reza pelos outros, por todos, até por aqueles que o condenam, sem que ninguém, exceto um pobre malfeitor, se declare a seu favor. Todos estavam contra ele, ou indiferentes, somente o malfeitor reconhece o poder. «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem»." A seguir, Francisco acrescentou:

No meio do drama, na dor atroz da alma e do corpo, Jesus reza com as palavras dos salmos; com os pobres do mundo, especialmente os esquecidos por todos, ele pronuncia as trágicas palavras do salmo 22: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». Ele sentia o abandono e rezava. Na Cruz realiza-se o dom do Pai, que oferece o amor, ou seja, se realiza a nossa salvação. Tudo é oração nas três horas da Cruz. Jesus reza nas horas decisivas da Paixão e da morte. Com a ressurreição, o Pai responderá à sua oração. A oração de Jesus é intensa, a oração de Jesus é única, e se torna o modelo da nossa oração.

 

A oração de Jesus está conosco

O Papa reiterou que Jesus "rezou por mim, por cada um de nós. Cada um de nós pode dizer que Jesus na cruz rezou por mim. Rezou! Jesus pode dizer a cada um de nós que rezou por mim na última ceia e no madeiro da cruz. Até mesmo no mais doloroso do sofrimento não estamos sozinhos, a oração de Jesus está conosco. Que com a sua palavra possamos ir adiante".

Segundo o Pontífice, o aspecto mais bonito a recordar, na conclusão deste ciclo de catequeses dedicado ao tema da oração, é "a graça que não só imploramos, mas que, por assim dizer, fomos “implorados”, já somos acolhidos no diálogo de Jesus com o Pai, na comunhão do Espírito Santo". "Fomos queridos em Cristo Jesus, e também na hora da paixão, morte e ressurreição tudo nos foi oferecido. E assim, com a oração e com a vida, devemos ter coragem, esperança e com esta coragem e esperança sentir forte a oração de Jesus e seguir adiante", concluiu o Papa, concedendo a todos a sua bênção apostólica. Fonte: https://www.vaticannews.va

Em tantas situações da vida pode acontecer de ficarmos desanimados, porque vemos a fraqueza do bem em relação à aparente força do mal. E podemos nos deixar paralisar pela desconfiança quando constatamos que nos comprometemos, mas os resultados não chegam e as coisas parecem não mudar nunca. A nós - disse o Papa - cabe semear, com amor, empenho, paciência. Mas a força da semente é divina. O bem sempre cresce de maneira humilde, escondida, muitas vezes invisível.

 

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

“O bem sempre cresce de forma humilde, escondida, muitas vezes invisível”, por isso não devemos desanimar quando nossos esforços parecem infrutíferos ou quando o mal parece triunfar, “a nós cabe semear, com amor, empenho, paciência. Mas a força da semente é divina.”

As duas parábolas do Evangelho de Marcos, proposto pela Liturgia deste XI Domingo do Tempo Comum, oferecem ao Papa a ocasião para nos encorajar a seguir com as boas obras e a ter total confiança na ação do Senhor, mesmo quando não a percebemos, pois “os resultados da semeadura não dependem das nossas capacidades”, mas sim “da ação de Deus”.

 

A presença escondida de Deus no dia a dia.

Com a temperatura por volta dos 31°C na Praça São Pedro, Francisco começou explicando aos presentes - sempre em maior número no tradicional encontro dominical - que as duas parábolas falam de fatos cotidianos, revelando assim “o olhar atento de Jesus, que observa a realidade”. E por meio dessas pequenas imagens do dia-a-dia, Ele “abre janelas sobre o mistério de Deus e sobre a vida humana. Jesus falava de uma maneira fácil de entender, falava com imagens da realidade, da vida cotidiana”:

Assim, ensina-nos que mesmo as coisas do dia-a-dia, aquelas que por vezes parecem todas iguais e que levamos em frente com distração ou fadiga, são habitadas pela presença escondida de Deus, ou seja, têm um significado Assim, também nós temos necessidade de olhos atentos, para saber buscar e encontrar Deus em todas as coisas.

 

Humilde e lentamente, a pequena semente dá seus frutos

 Jesus hoje, compara o Reino de Deus - sua presença que habita o coração das coisas e do mundo - ao grão de mostarda, o menor grão que existe, mas que após semeado, cresce até se tornar a maior de todas as hortaliças. Este é o modo de agir de Deus:

Às vezes, o alarido do mundo, junto com as tantas atividades que enchem os nossos dias, nos impedem de parar e de perceber como o Senhor conduz a história. E, no entanto - assegura o Evangelho - Deus está agindo, como uma pequena boa semente, que brota silenciosa e lentamente. E, aos poucos, torna-se uma árvore vigorosa, que dá vida e refrigério a todos.

“Para nós, muitas vezes , a semente de nossas boas obras pode parecer pequena. No entanto, tudo o que é bom pertence a Deus e, portanto, humilde e lentamente, dá frutos. O bem – recordemos - sempre cresce de maneira humilde,  de maneira escondida, muitas vezes invisível.”

 

Perceber a ação de Deus na nossa vida e na história

 Com essa parábola, de fato - disse Francisco - Jesus quer inspirar confiança em nós:

Em tantas situações da vida, de fato, pode acontecer de ficarmos desanimados, porque vemos a fraqueza do bem em relação à aparente força do mal. E podemos nos deixar paralisar pela desconfiança, quando constatamos que nos comprometemos, mas os resultados não chegam e as coisas parecem não mudar nunca. Neste sentido, o Evangelho nos pede um novo olhar sobre nós mesmos e sobre a realidade:

Pede para ter olhos maiores, que saibam ver além, especialmente além das aparências, para descobrir a presença de Deus que, como amor humilde, está sempre agindo no terreno da nossa vida e naquele da história.

 

Devemos semear o bem. Os frutos dependem da ação de Deus

Esta – enfatizou Francisco - é a nossa confiança, “é isso que nos dá força para seguir em frente a cada dia com paciência, semeando o bem que dará fruto”. Atitude, aliás, especialmente importante “para sair bem da pandemia”, ou seja, “cultivar a confiança de estar nas mãos de Deus e ao mesmo tempo comprometermo-nos, todos, em reconstruir e recomeçar, com paciência e constância.”

Mas, alertou o Pontífice – “também na Igreja o joio da desconfiança pode criar raízes, sobretudo quando testemunhamos a crise da fé e o fracasso de vários projetos e iniciativas:

“Mas nunca esqueçamos que os resultados da semeadura não dependem das nossas capacidades: dependem da ação de Deus. A nós cabe semear,  e semear com amor, com empenho e com a paciência. Mas a força da semente é divina.”

 

Mesmo nos terrenos mais áridos, com Deus há sempre esperança

Ao final de sua reflexão, o Papa mencionou a segunda parábola presente no Evangelho do dia, em que “o lavrador lança a semente e depois não percebe como dá fruto, porque é a própria semente que cresce espontaneamente, de dia, de noite, quando menos espera”. Assim, ressaltou, “com Deus, mesmo nos terrenos mais áridos, há sempre esperança de novos brotos”.

Que Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, nos ensine a ver a grandeza de Deus que opera nas pequenas coisas e a vencer a tentação do desânimo. Confiemos n’Ele todos os dias. Fonte: https://www.vaticannews.va

Carta de Francisco ao cardeal demissionário por causa da situação da Igreja alemã diante de abusos de menores: "Obrigado por sua coragem cristã que não tem medo de ser humilhado diante da tremenda realidade do pecado. Assumir a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho frutuoso"

 

Vatican News

"Se és tentado a pensar que, ao confirmar tua missão e não aceitar tua demissão, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te compreende, pensa no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, à sua maneira, apresentou sua renúncia" colocando-se como um pecador e ouviu como resposta "Apascenta as minhas ovelhas".

Esta imagem conclui a carta com a qual o Papa Francisco rejeitou a renúncia apresentada pelo arcebispo de Munique e Freising, cardeal Reinhard Marx, que em 21 de maio passado escreveu uma carta - posteriormente publicada - explicando as razões de seu gesto.

Marx havia pedido ao Papa para poder deixar a condução da Arquidiocese alemã por causa do escândalo de abusos na Alemanha e da resposta por ele julgada insuficiente do episcopado.

O Papa, na missiva publicada em espanhol e alemão pela Sala de Imprensa da Santa Sé, agradece a Marx pela "coragem cristã que não teme a cruz, que não teme ser humilhado diante da tremenda realidade do pecado".

Francisco lembra que "toda a Igreja está em crise por causa do caso de abusos" que "a Igreja hoje não pode dar um passo adiante sem assumir esta crise" porque "a política do avestruz não leva a lugar algum, e a crise deve ser assumida por nossa fé pascal. Os sociologismos e os psicologismos são inúteis". Portanto, "enfrentar a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho frutuoso, porque não se sai de uma crise sozinho, mas em comunidade".

O Papa concorda com a descrição da crise proposta pela carta de Marx: "Concordo contigo ao descrever a triste história dos abusos sexuais e a maneira como a Igreja tem lidado com ela até recentemente como uma catástrofe. Perceber esta hipocrisia na forma como vivemos nossa fé é uma graça, é um primeiro passo que devemos dar. Devemos assumir a história, tanto pessoalmente como comunidade. Não podemos ficar indiferentes a este crime. Aceitar significa colocar-se em crise".

É verdade, acrescenta Francisco, "que as situações históricas devem ser interpretadas com a hermenêutica da época em que aconteceram, mas isso não nos isenta de assumi-las e assumi-las como a história do 'pecado que nos sitia'. Portanto, a meu ver, todo bispo da Igreja deve assumir isso e se perguntar: o que devo fazer diante desta catástrofe?".

O Papa recorda o "mea culpa" já repetido muitas vezes "diante de tantos erros históricos do passado". Hoje, explica, "nos é pedido uma reforma, que - neste caso - não consiste em palavras, mas em atitudes que tenham a coragem de enfrentar a crise, de assumir a realidade quaisquer que sejam as consequências. E toda reforma começa por si mesmo. A reforma na Igreja foi feita por homens e mulheres que não tiveram medo de entrar em crise e deixar-se reformar pelo Senhor".

Este, diz o Bispo de Roma, "é o único caminho, senão não seremos mais do que 'ideólogos da reforma' que não arriscam sua própria carne", como fez Jesus, que o fez "com sua vida, com sua história, com sua carne na cruz". E este, reconhece Francisco, "é o caminho, a maneira que tu mesmo, querido irmão, assumiste ao apresentar tua renúncia", porque "enterrar o passado não nos leva a nada". O silêncio, as omissões, dar muito peso ao prestígio das instituições só leva ao fracasso pessoal e histórico".

Francisco define "urgente" deixar "o Espírito nos conduzir ao deserto da desolação, à cruz e à ressurreição". É o caminho do Espírito que devemos seguir, e o ponto de partida é a humilde confissão: erramos, pecamos. Nem as pesquisas nem o poder das instituições nos salvarão. Não seremos salvos pelo prestígio de nossa Igreja, que tende a esconder seus pecados; não seremos salvos pelo poder do dinheiro ou pela opinião da mídia (tantas vezes somos muito dependentes deles). Seremos salvos abrindo a porta para Aquele que pode fazê-lo e confessando nossa nudez: 'pequei', 'pecamos' .... e chorando, e balbuciando o melhor que pudermos aquele 'afasta-te de mim, pois sou um pecador', a herança que o primeiro Papa deixou para os Papas e Bispos da Igreja".

Ao fazer isso, explica o Papa, "sentiremos aquela vergonha curativa que abre as portas para a compaixão e ternura do Senhor que está sempre perto de nós". Francisco também escreve que aprecia o final da carta de Marx e sua disposição de continuar de bom grado "a ser sacerdote e bispo desta Igreja", comprometendo-se com a renovação espiritual.

"E esta é minha resposta, querido irmão - conclue o Papa. Continua como tu propões, mas como arcebispo de Munique e Freising". Recordando que o Bispo de Roma, Sucessor daquele Pedro que tinha dito a Jesus "Afasta-te de mim, porque sou um pecador", pode compreendê-lo bem e o convida a ouvir a resposta que o Nazareno deu ao Príncipe dos Apóstolos: "Apascenta as minhas ovelhas". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

 

“Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua sendo o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita”, disse o Papa em sua catequese.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

«Rezem sem cessar. Deem graças em todas as circunstâncias». Estes versículos da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses nortearam a penúltima catequese do Papa Francisco sobre o tema da oração na Audiência Geral desta quarta-feira (09/06), realizada no Pátio São Dâmaso.

Citando o itinerário espiritual do Peregrino russo, que começa quando se depara com esta frase do Apóstolo dos Gentios, Francisco sublinhou que as palavras de Paulo "comovem aquele homem que se questiona como é possível rezar sem interrupção, dado que a nossa vida é fragmentada em tantos momentos diferentes, que nem sempre tornam possível a concentração". Assim, ele "começa a sua busca, que o levará a descobrir a oração do coração".

 

A oração como pauta musical

Consiste em repetir com fé: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!” É uma oração que, pouco a pouco, se adapta ao ritmo da respiração e se estende ao longo do dia. Com efeito, a respiração nunca para, nem sequer quando dormimos. A oração é o respiro da vida.

A propósito dessa necessidade de oração contínua, ponto fulcral da existência cristã, o monge Evágrio do Ponto afirma: «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar». São João Crisóstomo, pastor atento à vida concreta, pregava: «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar». "A oração é uma espécie de pauta musical, onde colocamos a melodia da nossa vida. Não está em contraste com o trabalho diário, não contradiz as muitas pequenas obrigações e compromissos, mas é o lugar onde cada ação encontra o seu sentido, o seu porquê e a sua paz".

 

Trabalho e equilíbrio interior

Certamente, pôr em prática estes princípios não é fácil. Um pai e uma mãe, ocupados em mil afazeres, podem sentir saudade de um período da sua vida, quando era fácil encontrar tempos regulares e espaço para a oração. Depois, os filhos, o trabalho, as ocupações da vida familiar, os pais que envelhecem. Tem-se a impressão de nunca conseguir concluir tudo. Por isso é bom pensar que Deus, nosso Pai, o qual tem de cuidar de todo o universo, se lembra sempre de cada um de nós. Por conseguinte, também nós devemos recordá-Lo sempre!

A seguir, o Papa recordou "que no monaquismo cristão o trabalho foi sempre realizado com grande honra, não só por dever moral de prover a si mesmo e aos outros, mas também por uma espécie de equilíbrio interior: é perigoso para o homem cultivar um interesse tão abstrato a ponto de perder o contato com a realidade".

“O trabalho nos ajuda a manter-nos em contato com a realidade. As mãos juntas do monge carregam os calos daqueles que empunham pás e enxadas.”

Quando, no Evangelho de Lucas, Jesus diz a Marta que a única coisa realmente necessária é ouvir Deus, não significa de modo algum que despreza os muitos serviços que ela estava realizando com tanto empenho", disse Francisco

 

Trabalho e a oração são complementares

Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua sendo o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita. É desumano estar tão absorvidos pelo trabalho a ponto de não encontrar tempo para a oração.

"Ao mesmo tempo, uma oração que está alienada da vida não é saudável. A oração que nos afasta da realidade do viver torna-se espiritualismo, ou pior, ritualismo", sublinhou o Papa, recordando "que Jesus, depois de ter mostrado a sua glória aos discípulos no monte Tabor, não quis prolongar aquele momento de êxtase, mas desceu com eles do monte e retomou o caminho diário". Segundo Francisco, "aquela experiência devia permanecer nos corações como luz e força da sua fé. Também uma luz e força para os dias próximos, os dias da Paixão". "Assim, os tempos dedicados a estar com Deus reavivam a fé, que nos ajuda na realidade da vida, e a fé, por sua vez, alimenta a oração, sem interrupção. Nesta circularidade entre fé, vida e oração, o fogo do amor cristão que Deus espera de cada um de nós mantém-se aceso", concluiu o Papa. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

"O sacerdote é um homem que, à luz do Evangelho, espalha o gosto de Deus ao seu redor e transmite esperança aos corações atribulados", disse Francisco.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (07/06), no Vaticano, os sacerdotes do Colégio de São Luís dos Franceses, em Roma.

"Numa sociedade marcada pelo individualismo, autoafirmação e indiferença, vocês fazem a experiência de viverem juntos com seus desafios cotidianos. Situada no coração de Roma, a casa de vocês, com seu testemunho de vida, pode comunicar às pessoas que a frequentam os valores evangélicos de uma fraternidade variada e solidária, especialmente quando alguém passa por um momento difícil", disse Francisco em seu discurso.

 

Na vida comunitária, a tentação de criar grupos fechados

Neste ano dedicado a São José, o Papa os convidou "a redescobrirem o rosto deste homem de fé, este pai terno, modelo de fidelidade e de abandono confiante ao plano de Deus". «A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza», disse o Francisco citando um trecho da Carta Apostólica, Patris corde. "Não deixem as fragilidades de lado: elas são um lugar teológico. A minha fragilidade, de cada um de nós é um lugar teológico de encontro com o Senhor. Os sacerdotes super-homens terminam mal, todos eles. O sacerdote frágil, que conhece suas fraquezas e fala delas com o Senhor, esse irá bem. Com José, somos chamados a voltar à experiência dos simples atos de acolhimento, ternura e dom de si." A seguir, o Papa acrescentou:

Na vida comunitária, sempre existe a tentação de criar pequenos grupos fechados, de se isolar, de criticar e falar mal dos outros, de acreditar-se superior, mais inteligente. A conversa fiada é um hábito de grupos fechados, um hábito até dos padres que se tornam solteirões: eles vão, falam e fofocam. Deixem isso pra lá. Isso prejudica a todos nós! Isso não é bom. Olhar e pensar na misericórdia de Deus. Que vocês sempre recebam um ao outro como um dom. Numa fraternidade vivida na verdade, na sinceridade das relações e numa vida de oração, podemos formar uma comunidade na qual se respire o ar da alegria e da ternura.

 

Sacerdote, homem que espalha o gosto de Deus ao seu redor

Francisco os encorajou "a viverem os preciosos momentos de partilha e oração comunitária numa participação ativa e alegre, e também os momentos de gratuidade, de encontro gratuito".

O sacerdote é um homem que, à luz do Evangelho, espalha o gosto de Deus ao seu redor e transmite esperança aos corações atribulados. Os estudos que vocês realizam nas diversas universidades romanas os preparam para suas tarefas futuras como pastores e lhes permitem apreciar melhor a realidade na qual vocês são chamados a proclamar o Evangelho da alegria. Todavia, vocês não entram em campo para aplicar teorias sem levar em consideração o ambiente em que se encontram, assim como as pessoas que lhes foram confiadas.

O Papa convidou os sacerdotes a serem «pastores com o cheiro das ovelhas», "pessoas capazes de viver, sorrir e chorar com seu povo, de se comunicar com ele". "Preocupo-me com as reflexões e pensamentos que são feitos sobre o sacerdócio, como se fosse algo de laboratório: este sacerdote, aquele outro sacerdote. Não se pode refletir sobre o sacerdote fora do povo santo de Deus. O sacerdócio ministerial é uma consequência do sacerdócio batismal do santo povo fiel de Deus. Não se esqueçam disso. Se vocês pensam num sacerdócio isolado do povo de Deus, isso não é sacerdócio católico, não; nem é sacerdócio cristão. Despojem-se de suas ideias preconcebidas, seus sonhos de grandeza, sua autoafirmação, a fim de colocar Deus e as pessoas no centro de suas preocupações cotidianas", sublinhou o Papa.

 

Gratidão, uma arma contra a solidão e o desânimo

Francisco convidou os sacerdotes, "a terem sempre horizontes grandes, a sonharem com uma Igreja inteiramente a serviço, e um mundo mais fraterno e solidário", a serem com Cristo apóstolos da alegria, cultivando neles "a gratidão de estarem a serviço dos irmãos e da Igreja". Gratidão que São João Maria Vianney chamou de "arma poderosa" para manter viva a esperança "em momentos de desânimo, solidão e provação". Convidou também os sacerdotes a terem "o senso de humor" que "caminha junto com a alegria". "Um sacerdote que não tem senso de humor ninguém gosta, algo está errado". "Grandes sacerdotes que riem dos outros, de si mesmos e também de sua própria sombra: o senso de humor que é uma das características da santidade, como assinalei na Encíclica sobre santidade."

 

Um grande obrigado ao padre Landousies

Falando de gratidão, o Papa Francisco expressou sua gratidão ao padre Landousies, por tanto tempo seu tradutor francês. "Ele me disse que no final de junho deixará este escritório aqui na Cúria. Ele me disse que deixaria, que foi mandado embora. Isso é importante, não é mesmo?" brincou o Papa, em meio às risadas dos presentes. "Eu gostaria, em relação ao que disse, de fazer um resumo na pessoa dele. Um exemplo. Encontrei nele o testemunho de um sacerdote feliz, de um padre coerente, de um sacerdote que foi capaz de viver com mártires já beatificados, que os conhecia um por um, e também de viver com uma doença da qual não se sabia o que era, com a mesma paz, com o mesmo testemunho. Aproveito isto publicamente, também diante do L'Osservatore Romano, de todos, para lhe agradecer pelo seu testemunho, que me fez bem muitas vezes. A maneira de ser me fez bem. Ele irá embora, mas irá exercer o ministério em Marselha, e o fará muito bem com esta capacidade que tem de acolher a todos; mas ele deixa aqui o bom cheiro de Cristo, o bom cheiro de um padre, de um bom sacerdote". Fonte: https://www.vaticannews.va

 

Francisco, na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, refletiu sobre a unidade invocada por Jesus que não pode ser ignorada: "a beleza do Evangelho requer ser vivida e testemunhada em harmonia entre nós, que somos tão diferentes!". E essa unidade, esse mistério imenso revelado pelo próprio Jesus, acrescentou o Pontífice, "não é uma atitude, uma forma de dizer", mas "é essencial porque nasce do amor" de Deus que, "embora seja um e único, não é solidão, mas comunhão".

 

Andressa Collet - Vatican News

Num domingo (30) de tempo instável na Cidade do Vaticano, diferente dos dias quentes e anteriores de primavera na Europa, o Papa Francisco aqueceu os corações dos fiéis no Angelus ao refletir a liturgia do dia em que se celebra a Santíssima Trindade, "o mistério de um único Deus, e esse Deus é: o Pai e o Filho e o Espírito Santo, três pessoas". O Pontífice disse que pode ser difícil de entender, mas "é um só deus e três pessoas", um mistério revelado pelo próprio Jesus Cristo:

Hoje paramos para celebrar esse mistério, porque as Pessoas não são adjetivações de Deus, não. São pessoas, reais, diversas, diferentes. Não são - como dizia aquele filósofo - 'emanações de Deus', não, não! São pessoas. Há o Pai, a quem rezo com o Pai Nosso; há o Filho, que me deu a redenção, a justificação; há o Espírito Santo que habita em nós e que habita na Igreja. 

Esse é um grande mistério que fala "ao nosso coração", insistiu o Papa, porque o encontramos incluído na expressão de São João que resume toda revelação: "Deus é amor". Um mistério que deve ser vivido por nós, fortalecendo a nossa comunhão com o Senhor e com as pessoas com as quais convivemos, não só através das palavras, mas com a força da unidade e do amor:

“E, na medida em que é amor, Deus, embora seja um e único, não é solidão, mas comunhão, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Porque o amor é essencialmente dom de si e, na sua realidade original e infinita, é Pai que se entrega gerando o Filho, que por sua vez se entrega ao Pai, e o seu amor recíproco é o Espírito Santo, vínculo da sua unidade.”

 

A unidade ao cristão que nasce do amor

O Papa, assim, refletiu sobre a importância deste Domingo da Santíssima Trindade nos encorajando a "contemplar esse maravilhoso mistério de amor e de luz", sem ignorar a unidade invocada por Jesus: "a beleza do Evangelho requer ser vivida - a unidade - e testemunhada em harmonia entre nós, que somos tão diferentes!".

“E essa unidade, eu ouso dizer, é essencial para o cristão: não é uma atitude, uma forma de dizer, não. É essencial, porque é a unidade que nasce do amor, da misericórdia de Deus, da justificação de Jesus Cristo e da presença do Espírito Santo nos nossos corações.” Fonte: https://www.vaticannews.va

Papa: a oração não faz mágicas, é preciso rezar com humildade

“A oração não é uma varinha de condão, mas um diálogo com Deus”, disse Francisco na Audiência Geral, recordando que o mal é senhor do penúltimo dia, jamais do último. "Este pertence a Deus, e é o dia em que se realizarão todos os anseios humanos de salvação."

 

 

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

A certeza de ser ouvidos: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (26/05), realizada com a presença de fiéis no Pátio interno do Palácio Apostólico.

O Pontífice acrescentou mais um capítulo à sua série sobre a oração, falando das preces que parecem permanecer desatendidas, algo que podemos interpretar como escandaloso. Francisco citou as inúmeras preces pelo fim dos conflitos, com guerras em andamento em muitos países, como no Iêmen e na Síria.  

Mas se pode questionar: “Se Deus é Pai, por que não nos ouve? Todos nós fazemos esta experiência”, disse Francisco: todos rezamos pela doença de um amigo, de um pai, de uma mãe, que depois se foram.

 

A oração não é uma varinha de condão, mas um diálogo com Deus

Uma boa resposta está contida no Catecismo, afirmou o Papa, pois adverte para o risco de transformar a relação com Deus em algo mágico, e não numa autêntica experiência de fé. “A oração não é uma varinha de condão, mas um diálogo com Deus.”

Com efeito, podemos cair na pretensão de que Deus nos deve servir, e não contrário. Que Ele deve realizar os nossos desejos, sem que admitamos outros projetos. Mas a humildade é a primeira condição. Jesus teve a grande sabedoria de colocar sobre os lábios o “Pai-Nosso”, pedindo que se realizasse a vontade do Pai no mundo.

Francisco adverte ainda para as súplicas por motivos duvidosos, como o de derrotar o inimigo em guerra, sem se questionar o que Deus pensa daquela guerra.

“É fácil escrever sobre um estandarte ‘Deus está conosco’; muitos se apressam em garantir que Deus está com eles, mas poucos se preocupam de verificar se eles estão efetivamente com Deus.”

 

O tempo de Deus não é o nosso tempo

Na oração, disse o Papa, é Deus que deve nos converter, e não nós que devemos convertê-Lo. “É a humildade”, devemos rezar pedindo a Deus que converta o nosso coração pedindo o que é conveniente e o que é melhor para a minha saúde espiritual.

Todavia, permanece o escândalo: quando homens rezam com coração sincero, quando uma mãe reza por um filho doente, por que às vezes Deus parece não ouvir?

Para o Pontífice, para responder a esta pergunta é preciso meditar com calma os Evangelhos. Às vezes, Jesus cura imediatamente um doente que pede piedade, outras vezes não, como com a mulher de Cananeia.

“Todos tivemos esta experiência. Quantas vezes pedimos uma graça, um milagre e nada aconteceu. Depois, com o tempo, as coisas se ajustaram, mas segundo o modo de Deus, o modo divino, não segundo o que eu queria naquele momento. O tempo de Deus não é o nosso tempo.”

 

O mal é senhor do penúltimo dia, jamais do último

Como exemplo, cita a filha de Jairo, que acaba falecendo mesmo tendo implorado misericórdia ao Mestre. Este parece o epílogo, mas Jesus diz ao pai: Não tenha medo, tenha fé. É a fé que sustenta a oração, disse o Papa. E, com efeito, Jesus despertará a menina do sono. Mas por um período, Jairo teve que caminhar na escuridão, somente com a chama da fé. Pedir a graça de ter fé.

Também a oração de Jesus ao Pai no Getsêmani parece permanecer desatendida. Mas o Sábado Santo não é o capítulo final, porque no terceiro há a ressurreição: o mal é senhor do penúltimo dia, jamais do último. Este pertence a Deus, e é o dia em que se realizarão todos os anseios humanos de salvação.

“Aprendamos esta paciência humilde de esperar a graça do Senhor, esperar o último dia. Muitas vezes o penúltimo é terrível, porque os sofrimentos humanos são terríveis. Mas o Senhor está ali. E no último dia Ele resolve tudo.” Fonte: https://www.vaticannews.va

 

“Hoje, se dermos ouvidos ao Espírito, deixaremos de nos focar em conservadores e progressistas, tradicionalistas e inovadores, de direita e de esquerda; se fossem estes os critérios, significaria que na Igreja se esquece o Espírito. O Paráclito impele à unidade, à concórdia, à harmonia das diversidades", disse o Papa, presidindo a missa na Solenidade de Pentecostes.

 

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

Dom supremo, dom dos dons, o Espírito Santo diz à Igreja que hoje é o tempo da consolação: na Solenidade de Pentecostes, o Papa Francisco presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro.

Na homilia, o Pontífice se inspirou no trecho proposto pela liturgia, extraído do Evangelho de João: «Virá o Paráclito, que Eu vos hei de enviar da parte do Pai» (cf. Jo 15, 26). E foi justamente a esta palavra – Paráclito – que Francisco fez a sua reflexão, explicando seus dois significados: Consolador e Advogado.

 

O Consolador perfeito

Hoje, Jesus nos oferece o “Consolador perfeito”, pois todos nós procuramos consolações em momentos difíceis. Todavia, explicou o Papa, as consolações do mundo são como os anestésicos: oferecem um alívio momentâneo, mas não curam o mal profundo que temos dentro. Já o Espírito Santo age no íntimo dos nossos corações.

“Irmã, irmão, se você sente o breu da solidão, se carrega dentro um peso que sufoca a esperança, se tem no coração uma ferida que queima, se não encontra a via de saída, abra-se ao Espírito Santo.”

Os discípulos são o exemplo de que tudo muda quando recebem o Paráclito: os problemas e defeitos permanecem os mesmos, mas eles já não os temem.

O Papa convidou os fiéis a se tornarem paráclitos, consoladores, e isto é possível não fazendo grandes discursos, mas se aproximando das pessoas; não com palavras empolgadas, mas com a oração e a proximidade.

“O Paráclito diz à Igreja que hoje é o tempo da consolação. É o tempo do anúncio feliz do Evangelho, mais do que do combate ao paganismo. É o tempo para levar a alegria do Ressuscitado, não para nos lamentarmos do drama da secularização.”

 

O Advogado que sopra o Espírito da verdade

Na sequência, Francisco explicou o segundo significado do termo Paráclito: o Advogado. Não se trata de falar pelo acusado, mas de inspirar pensamentos e sentimentos.

E o Espírito o faz com delicadeza, propondo, não se impondo. O Papa então identificou três sugestões típicas que o Paráclito oferece, que são antídotos contra três tentações atualmente difusas: viver no presente, procurar o conjunto e colocar Deus antes do eu.

O Paráclito afirma o primado do hoje, a graça do presente. “Não há tempo melhor para nós: agora e aqui onde estamos é o único e irrepetível momento para fazer bem, fazer da vida uma dádiva. Vivamos no presente!”

Depois, o primado do conjunto, não da parte: “Hoje, se dermos ouvidos ao Espírito, deixaremos de nos focar em conservadores e progressistas, tradicionalistas e inovadores, de direita e de esquerda; se fossem estes os critérios, significaria que na Igreja se esquece o Espírito. O Paráclito impele à unidade, à concórdia, à harmonia das diversidades. Faz-nos sentir parte do mesmo Corpo, irmãos e irmãs entre nós. Procuremos o conjunto!”

“O inimigo quer que a diversidade se transforme em oposição e por isso a transforma em ideologias. Dizer "não" às ideologias, "sim" ao conjunto.”

Por fim, o primado da graça: "Só deixaremos espaço ao Senhor, se nos esvaziarmos de nós mesmos; só como pobres em espírito é que nos tornamos ricos de Espírito Santo. Isto vale também para a Igreja. Com as nossas forças, não salvamos ninguém, nem sequer a nós mesmos." (...) "A Igreja não é uma organização humana, é o templo do Espírito Santo. Coloquemos Deus em primeiro lugar!"

Francisco conclui sua homilia com uma oração:

“Espírito Santo, Espírito Paráclito, consolai os nossos corações. Fazei-nos missionários da vossa consolação, paráclitos de misericórdia para o mundo. Ó nosso Advogado, suave Sugeridor da alma, tornai-nos testemunhas do hoje de Deus, profetas de unidade para a Igreja e a humanidade, apóstolos apoiados na vossa graça, que tudo cria e tudo renova.” Fonte: https://www.vaticannews.va

 

“A Ascensão completa a missão de Jesus entre nós. Na verdade, se foi por nós que Jesus desceu do céu, é sempre por nós que ele sobe para lá. Depois de ter descido à nossa humanidade e tê-la redimido, ele agora sobe ao céu levando nossa carne com ele. À direita do Pai senta-se agora um corpo humano, o corpo de Jesus, e neste mistério cada um de nós contempla o próprio destino futuro,” disse Francisco no Regina Caeli deste Domingo da Ascensão do Senhor

 

Raimundo de Lima – Vatican News

“A evangelização, por mais empenhativa, exigente e superior às capacidades humanas, será tão verdadeira e eficaz quanto cada um de nós - e toda a Igreja - deixar o Senhor agir dentro de si e por meio de si. Isso é o que o Espírito Santo faz: nos torna instrumentos por meio dos quais o Senhor pode operar.”

Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli deste VII Domingo da Páscoa - Ascensão do Senhor e 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais – na alocução que precedeu a oração mariana deste tempo pascal.

Atendo-se ao Evangelho deste domingo, o Santo Padre destacou que a passagem do Evangelho de Marcos (16,15-20) apresenta-nos o último encontro do Ressuscitado com os discípulos antes de subir à direita do Pai.

 

A ascensão completa a missão de Jesus entre nós

Francisco observou que normalmente as cenas de despedida são tristes, dão aos que ficam uma sensação de perplexidade, de abandono; em vez disso, tudo isso não é o acontece aos discípulos.

“Apesar da separação do Senhor, não se mostram desconsolados, pelo contrário, estão alegres e prontos a partir como missionários ao mundo”, frisou o Papa, prosseguindo com duas interrogações: “Por que os discípulos não estão tristes? Por que também nós devemos nos alegrar ao ver Jesus que sobe ao céu?”

“A ascensão completa a missão de Jesus entre nós. Na verdade, se foi por nós que Jesus desceu do céu, é sempre por nós que ele sobe para lá. Depois de ter descido à nossa humanidade e tê-la redimido, ele agora sobe ao céu levando nossa carne com ele. À direita do Pai senta-se agora um corpo humano, o corpo de Jesus, e neste mistério cada um de nós contempla o próprio destino futuro.”

 

A oração de Jesus diante do Pai

“Não se trata de forma alguma de um abandono, Jesus permanece para sempre com os discípulos - conosco -  permanece na oração, porque ele, como homem, reza ao Pai, e como Deus: homem e Deus”, destacou. Jesus mostra ao Pai as chagas, as chagas com as quais nos redimiu.

“A oração de Jesus está ali, com nossa carne: é um de nós, Deus homem, e reza por nós. E isto deve nos dar uma segurança, aliás, uma alegria, uma grande alegria! E o segundo motivo de alegria é a promessa de Jesus. Ele nos disse: "Eu vos enviarei o Espírito Santo". E ali, com o Espírito Santo, é feito aquele mandamento que Ele dá precisamente na despedida: ‘Ide pelo mundo, proclamai o Evangelho’.”

 

A missão guiada pelo Espírito Santo

E será o Espírito Santo que nos levará pelo mundo, para levar o Evangelho. É o Espírito Santo daquele dia, que Jesus prometeu e, nove dias depois, Ele virá na festa de Pentecostes. Foi precisamente o Espírito Santo que tornou possível que todos nós sejamos assim hoje. Uma grande alegria! Jesus se foi: o primeiro homem perante o Pai. Ele partiu com as chagas, que foi o preço de nossa salvação, e reza por nós. Depois nos envia o Espírito Santo, nos promete o Espírito Santo, para irmos e evangelizar. Daí a alegria de hoje, daí a alegria deste Dia da Ascensão.

Francisco concluiu exortando a pedirmos a Maria, Rainha do Céu, que nos ajude a ser no mundo testemunhas corajosas do Ressuscitado nas situações concretas da vida. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

"Obrigado por sua presença e por sua visita. Levem a mensagem do Papa a todos. A mensagem do Papa é que rezo por todos, e peço que rezem por mim unidos em oração", disse o Papa aos fiéis reunidos no Pátio São Dâmaso, no início de sua catequese.

 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"O combate da oração" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (12/05), realizada no Pátio São Dâmaso, no Vaticano, com a presença de alguns fiéis de várias partes do mundo.

Estou feliz em retomar estes encontros face a face, pois lhes digo uma coisa: não é bom falar diante do nada, diante de uma câmera. Encontrar as pessoas, encontrar vocês, cada um com sua história, ver cada um de vocês, para mim é uma alegria. Obrigado por sua presença e por sua visita. Levem a mensagem do Papa a todos. A mensagem do Papa é que rezo por todos, e peço que rezem por mim unidos em oração.

 

Rezar não é algo fácil

Segundo o Pontífice, "a oração cristã, como toda a vida cristã, não é um “passeio”. Nenhum dos grandes orantes que encontramos na Bíblia e na história da Igreja teve uma oração “confortável”. Sim, é possível rezar como papagaios, mas isso não é oração. Certamente ela concede uma grande paz, mas através de uma luta interior, por vezes dura, que pode acompanhar até longos períodos da vida. Rezar não é algo fácil. Cada vez que a queremos fazer, de repente lembramos de outras atividades, que naquele momento parecem mais importantes e mais urgentes. Isso acontece também comigo!"

Francisco disse ainda que "quase sempre, depois de termos adiado a oração, percebemos que aquelas coisas não eram absolutamente essenciais, e que talvez tenhamos desperdiçado tempo. O inimigo nos engana deste modo. Quem quiser rezar deve lembrar-se de que a fé não é fácil, e por vezes procede na quase total obscuridade, sem pontos de referência".

"Contudo, os piores inimigos da oração estão dentro de nós", disse ainda o Papa, citando o Catecismo da Igreja Católica que os chama de: «Desânimo na aridez, tristeza por não dar tudo ao Senhor, porque temos “muitos bens”, decepção por não sermos atendidos segundo a nossa própria vontade, o nosso orgulho ferido que se endurece perante a nossa indignidade de pecadores, alergia à gratuitidade da oração».

 

Combater na oração

"O que fazer no tempo da tentação, quando tudo parece vacilar? Se olharmos para a história da espiritualidade, vemos imediatamente que os mestres da alma foram muito claros sobre a situação que descrevemos", disse o Papa, citando, por exemplo, os Exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, um livreto de grande sabedoria, que ensina como pôr a vida em ordem. Santo Antônio Abade, fundador do monaquismo cristão, que enfrentou momentos terríveis no Egito, quando a oração se tornou uma dura luta.

"Combater na oração. Muitas vezes a oração é um combate", disse o Papa, contando um episódio que aconteceu numa diocese na Argentina. Francisco recordou que um casal tinha uma filha doente por causa de uma infecção. Segundo os médicos, a menina morreria ainda naquela noite. O homem era um operário. Ele saiu do hospital chorando. Pegou o trem e viajou 70 km e foi à Basílica de Nossa Senhora de Luján. Quando chegou, a Basílica estava fechada e se agarrou às grades do portão. Rezou a noite inteira e de manhã a igreja abriu ele entrou para saudar Nossa Senhora. Essa cena é indelével: "Eu a vi! Eu a vivi", disse o Papa. O combate daquele pai na oração precede um sorriso: o de sua esposa que lhe disse, quando voltou para casa, que sua filha foi inexplicavelmente curada. "Nossa Senhora o ouviu". A "oração", salientou o Papa, lembrando este episódio, "faz milagres".

Jesus está sempre conosco: se num momento de cegueira não conseguirmos vislumbrar a sua presença, conseguiremos no futuro. Também nós um dia poderemos repetir a frase que o patriarca Jacó disse certa vez: «De fato, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia disso!» (Gn 28, 16). No final da nossa vida, olhando para trás, também nós poderemos dizer: “Pensava que estava sozinho, mas não, não estava: Jesus estava comigo”. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

No Regina Coeli deste domingo Francisco reafirmou que “amar como o Senhor nos ama significa apreciar a pessoa que está ao nosso lado e respeitar sua liberdade, amá-la como ela é, não como queremos que fosse”.

 

Silvonei José – Vatican News

“Amar como Cristo significa dizer não a outros "amores" que o mundo nos propõe: amor pelo dinheiro – quem ama o dinheiro não ama como ama Jesus - amor pelo sucesso, pela vaidade, pelo poder”: foi o que disse o Papa Francisco da janela do Palácio Apostólico do Vaticano antes de recitar neste domingo, Dia das Mães, a oração do Regina Coeli com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Estes caminhos enganosos de “amor” – continuou o Papa - nos afastam do amor do Senhor e nos levam a nos tornarmos cada vez mais egoístas, narcisistas e prepotentes.

“E a prepotência leva a uma degeneração do amor, a abusar dos outros, a fazer a pessoa amada sofrer. Penso no amor doentio que se transforma em violência - e em quantas mulheres são vítimas disso hoje em dia das violências. Isto não é amor”.

Amar como o Senhor nos ama – destacou Francisco - significa apreciar a pessoa que está ao nosso lado e respeitar sua liberdade, amá-la como ela é, não como queremos que fosse; como é, gratuitamente.

“Em última análise, Jesus nos pede para permanecermos no seu amor, para habitar em seu amor, não em nossas ideias, não no culto de nós mesmos; quem habita no culto de si mesmo, habita no espelho...Sempre a olhar-se. Pede-nos para sair da pretensão de controlar e administrar os outros. Não controlar, mas servir. Mas abrir o coração aos outros, isto é amor, doar-se aos outros”.

No Evangelho deste domingo recordou Francisco Jesus, depois de se comparar com a videira e nós com os ramos, explica que o fruto que produzem aqueles que permanecem unidos é o amor. Ele retoma o verbo-chave: permanecer. Ele nos convida a permanecer em seu amor para que sua alegria esteja em nós e nossa alegria seja plena. Permanecer no amor de Jesus.

Nós nos perguntamos, continuou o Pontífice: qual é esse amor no qual Jesus nos diz para ficarmos para ter a sua alegria? Qual é este amor? É o amor que tem sua origem no Pai, porque "Deus é amor". E este amor de Deus, do Pai, como um rio escorre no Filho Jesus e através d’Ele chega até nós, suas criaturas. O amor que Jesus nos dá é o mesmo amor com o qual o Pai O ama: amor puro, incondicional, amor gratuito.

“Não se pode comprar, é gratuito. Doando-o a nós, Jesus nos trata como amigos, - com este amor - fazendo-nos conhecer o Pai e nos envolve em sua própria missão para a vida do mundo”.

Para onde conduz este permanecer no amor do Senhor? Para onde nos conduz? Jesus nos disse: "Para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena". E a alegria que o Senhor possui, porque é em total comunhão com o Pai, quer que ela esteja em nós, pois estamos unidos a Ele”, frisou Francisco.

A alegria de saber que somos amados por Deus – disse o Santo Padre -, apesar das nossas infidelidades nos faz enfrentar as provações da vida com fé, nos faz atravessar as crises para sairmos melhores.

É em viver esta alegria que consiste em sermos verdadeiras testemunhas, porque a alegria é o sinal distintivo do verdadeiro cristão. “O verdadeiro cristão não é triste, sempre tem a alegria dentro, também nos momentos difíceis”.

Francisco finalizou pedindo à Virgem Maria que “nos ajude a permanecer no amor de Jesus e a crescer no amor para com todos, testemunhando a alegria do Senhor Ressuscitado”. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

“Para testemunhar o Seu amor, o fruto a ser dado é o amor. Dos frutos se reconhece a árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo”. Palavras do Papa Francisco no Regina Coeli deste V Domingo do Tempo de Páscoa

 

Jane Nogara – Vatican News

No Regina Coeli deste V Domingo de Páscoa, o Papa Francisco recordou mais uma vez que não podemos viver como cristãos sem permanecer unidos ao Senhor. Ao falar sobre o Evangelho do dia, no qual lê-se: “Não há videira sem ramos” e que “os ramos não são autossuficientes, mas dependem totalmente da videira, que é a fonte de sua existência”, analisou o verbo “permanecer”.

"Permanecei em mim como eu em vós", disse Jesus aos apóstolos antes de ir junto ao Pai. “Esta permanência – afirma Francisco - não é uma permanência passiva, um "adormentar-se" no Senhor, deixando-se acomodar pela vida. Não é isso. O permanecer n’Ele que Jesus nos propõe é um permanecer ativo, e também recíproco. Por quê? Porque os ramos sem a videira não podem fazer nada, eles precisam da seiva para crescer e dar frutos”. Do mesmo modo a videira precisa dos ramos, “é uma necessidade mútua, é um permanecer recíproco para dar frutos."

 

Testemunho da nossa vida cristã

E Francisco pondera:

“Mas também Jesus, assim como a videira com os ramos, também precisa de nós. Talvez pareça audacioso dizer isso, e então nos perguntamos: em que sentido Jesus precisa de nós? Ele precisa do nosso testemunho. O fruto que nós, como ramos, devemos dar é o testemunho da nossa vida cristã”

Os discípulos devem continuar a anunciar o Evangelho com a palavra e com as obras, afirma o Papa. E fazem isso “testemunhando seu amor: o fruto a ser dado é o amor”.

“Dos frutos se reconhece a árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo”

 

A fecundidade da nossa vida depende da oração

Como podemos fazer isso?, pergunta-se o Santo Padre. A resposta está em Jesus que nos diz: "Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vós o tereis".

“A fecundidade da nossa vida depende da oração. Podemos pedir para pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de Jesus. E assim amar os nossos irmãos e irmãs, começando pelos mais pobres e sofredores, como Ele fez, e amá-los com o seu coração e levar ao mundo frutos de bondade, frutos de caridade, frutos de paz”

Por fim o Santo Padre concluiu confiando-nos “à intercessão da Virgem Maria”. E disse:

Ela sempre permaneceu totalmente unida a Jesus e deu muitos frutos. Que ela nos ajude a permanecer em Cristo, em seu amor, em sua palavra, para testemunhar o Senhor Ressuscitado no mundo”. Fonte: https://www.vaticannews.va

No 58º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Francisco presidiu a Missa com a ordenação sacerdotal de nove diáconos na Basílica de São Pedro. Ele recomendou aos novos sacerdotes viver o estilo de Deus de proximidade, compaixão e ternura, recordando que o sacerdócio "não é uma carreira, mas um serviço".

 

Antonella Palermo – Vatican News

No Altar da Confissão da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco conferiu o ministério sacerdotal a nove diáconos, na presença de várias centenas de fiéis, todos usando máscaras, incluindo os novos ordenandos. Concelebraram o cardeal Angelo De Donatis, vigário geral do Papa para a Diocese de Roma, Dom Gianpiero Palmieri, vice-regente de Roma, alguns cardeais, bispos auxiliares, superiores dos seminários onde os novos sacerdotes foram formados ​​e os párocos dos ordenandos.

 

Sacerdócio não é uma carreira, é um serviço

O Papa, em uma homilia proferida de forma espontânea, convidou os novos sacerdotes a serem pastores, como o Senhor, “é isso o que ele quer de vocês: pastores. Pastores do Santo povo fiel de Deus. Pastores que vão com o povo de Deus: às vezes na frente, no meio, atrás do rebanho, mas sempre ali, com o povo de Deus", repetiu Francisco, que convidou a superar a linguagem de um tempo que fala de “carreira eclesiástica”. “Isto não é uma carreira: é um serviço, um serviço como o mesmo que Deus fez ao seu povo”, afirmou.

 

Proximidade, compaixão, ternura

Estas são as três palavras que distinguem o estilo de Deus e que o Papa as examina detalhadamente, entregando aos novos sacerdotes a imitação desse estilo. Ele se detém em particular nas quatro declinações de proximidade: com Deus, na oração, nos Sacramentos, na Missa.

 “Falar com o Senhor, estar próximo do Senhor”, esta é a preocupação do Papa, que recorda que o Senhor se fez próximo de nós em seu Filho. E que esteve próximo no caminho de discernimento vocacional dos ordenandos, “mesmo nos maus momentos do pecado: ele estava lá. Proximidade. Estejam próximos do santo povo fiel de Deus, mas antes de tudo perto de Deus, com a oração”. E diz: “Um sacerdote que não reza lentamente apaga o fogo do Espírito em seu interior”.

 

Sejam colaboradores do bispo

“No bispo tereis a unidade”, esta é a principal razão pela qual é importante permanecer firme com o seu bispo. “Vós sois colaboradores do bispo”, diz o Papa, que recorda um episódio de muito tempo atrás: “Um sacerdote teve a infelicidade - digamos assim - de me fazer escorregar. A primeira coisa que tive em mente foi chamar o bispo. Mesmo nos momentos difíceis, chama o bispo para estar perto dele”. O Papa sublinha a paternidade espiritual do bispo, a quem se confiar com humildade.

 

Não cair na fofoca

O Papa sugeriu um propósito para este dia: nunca falar pelas costas de um irmão sacerdote. “Se vocês tiverem alguma coisa contra o outro - disse Francisco - sejam homens (...), vão lá e digam na frente”. E enfatizou mais uma vez a nunca falar pelas costas. “Não sejam fofoqueiros. Não caiam na fofoca” e recomendou a unidade: no Conselho Episcopal, nas comissões, no trabalho.

 

Sacerdotes do povo, não clérigos do Estado

“Nenhum de vocês estudou para se tornar sacerdote. Vocês estudaram ciências eclesiásticas”, continuo Francisco, dirigindo-se novamente aos ordenandos. “Vocês foram eleitos, tirados do povo de Deus”. E cita as palavras do Senhor a Davi: "Eu te tirei de trás do rebanho". Então, convida a não se esquecerem de onde vieram: “de sua família, de seu povo. Não percam o faro do povo de Deus”.

O Santo Padre também cita o apóstolo Paulo que disse a Timóteo para se lembrar de sua mãe, sua avó, das próprias origens.  O autor da Carta aos Hebreus diz: «Lembrai-vos daqueles que vos introduziram na fé». Francisco deixa com clareza este convite: “Sejam sacerdotes do povo, não clérigos do Estado!”.

 

Não fechar o coração aos problemas das pessoas

O Papa exorta os sacerdotes a "perderem tempo ouvindo e consolando", e a serem dispensadores do perdão de Deus, que nunca se cansa de perdoar. Usar a “terna compaixão, de família, de pai, que faz sentir que tu estás na casa de Deus”: é o estilo que o Papa deseja aos padres, na recomendação de não serem “galgadores”, perseguindo o orgulho do dinheiro. “Sacerdotes, não empresários”, repete o Pontífice, convidando-os a não terem medo: “Se tiverem o estilo de Deus, tudo irá bem”. Fonte: https://www.vaticannews.va

Após ordenar nove sacerdotes para a Diocese de Roma na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento pontifício para rezar o Regina Coeli com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, dizendo que "somos chamados a cooperar com alegria com a missão do Bom Pastor".

 

Jackson Erpen – Vatican News

Jesus, o Bom Pastor “que defende, conhece e ama as suas ovelhas”, “quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus”, pois seu amor “não é seletivo, abraça a todos”. E a Igreja, “é chamada a levar em frente esta missão de Cristo”.

Bom Pastor "defende" suas ovelhas

 

No Regina Coeli deste Domingo do Bom Pastor, o Papa inspirou sua reflexão no Evangelho de João 10, 11-18, proposto pela liturgia do dia. Dirigindo-se aos fiéis reunidos na Praça São Pedro, em um belo domingo primaveril, Francisco começou explicando que a narrativa do Evangelho de João contrapõe o verdadeiro pastor - que é Jesus, que “defende, conhece e ama as ovelhas” - com o mercenário, que não se preocupa com elas, pois não lhe pertencem, e que as abandona ao ver a chegada do lobo. “Jesus nos defende sempre e nos salva em tantas situações difíceis, situações perigosas, mediante a luz de sua palavra e a força de sua presença, que nós experimentamos sempre, e se quisermos escutar, todos os dias.”

 

Bom Pastor "conhece" suas ovelhas

O Papa destaca então um segundo aspecto do Bom Pastor, isto é, além de defender, ele também “conhece suas ovelhas e as ovelhas o conhecem”:

Como é lindo e consolador saber que Jesus nos conhece um a um, que não somos anônimos para Ele, que nosso nome lhe é conhecido! Para ele não somos "massa", "multidão", não. Somos pessoas únicas, cada um com a própria história, nos conhece com a própria história, cada um com o próprio valor, quer enquanto criatura como redimido por Cristo. Cada um de nós pode dizer: Jesus me conhece! É verdade, é assim: Ele nos conhece como ninguém. Somente Ele sabe o que está em nosso coração, as intenções, os sentimentos mais escondidos. Jesus conhece as nossas virtudes e os nossos defeitos e está sempre pronto a cuidar de nós, a curar as feridas dos nossos erros com a abundância da sua misericórdia.

 

Amor de Cristo não é seletivo

Assim, em Jesus se realiza a imagem do pastor do povo de Deus delineada pelos profetas, pois Ele “se preocupa com suas ovelhas, reúne-as, enfaixa aquela ferida, cura os enfermos”, como lemos no livro do Profeta Ezequiel. Este Bom Pastor, portanto, “defende, conhece e, sobretudo, ama suas ovelhas. Por isso dá a vida por elas”:

O amor pelas suas ovelhas, isto é, por cada um de nós, leva-o a morrer na Cruz, porque esta é a vontade do Pai, que ninguém se perca. O amor de Cristo não é seletivo, abraça a todos. Ele mesmo nos recorda isso no Evangelho de hoje, quando diz: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também. Elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”.

 

Igreja chamada a levar em frente a missão de Cristo

Estas palavras de Jesus, explicou o Santo Padre, atestam seu desejo universal: “Ele é o pastor de todos. Jesus quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus”:

E a Igreja é chamada a levar em frente esta missão de CristoAlém daqueles que frequentam nossas comunidades, há a maioria, tanta gente, que o fazem apenas em casos particulares ou nunca. Mas por isso não deixam de ser filhos de Deus. O Pai confia todos a Jesus Bom Pastor e por todos deu a vida.

“Irmãos e irmãs – disso o Papa ao concluir – Jesus defende, conhece e ama, nós, todos. Que Maria Santíssima nos ajude a acolher e sermos os primeiros a seguir o Bom Pastor, para cooperar com alegria na sua missão.”

 

Operários para trabalhar na messe

Depois de rezar o Regina Coeli, o Papa Francisco fez vários apelos, agradecendo pelos novos sacerdotes por ele ordenados na manhã deste domingo:

Hoje se celebra em toda a Igreja o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que tem como tema “São José: o Sonho da Vocação”. Agradecemos ao Senhor porque continua a suscitar na Igreja pessoas que por amor a Ele se consagram ao anúncio do Evangelho e ao serviço dos irmãos. E hoje, em particular, agradecemos pelos novos sacerdotes que ordenei há pouco na Basílica de São Pedro ... Não sei se eles estão aqui ... E peçamos ao Senhor que envie bons operários para trabalhar em sua messe e multiplicar as vocações à vida consagrada. Fonte: https://www.vaticannews.va