Popularidade em queda? Instagram remove ícone do IGTV do feed principal

 

Você costuma acessar o Instagram TV (IGTV), seção do da rede social dedicada somente aos streaming de lives e outros conteúdos em vídeo? Pois é, embora mais de 7 milhões dos mais de 1 bilhão de usuários mensais do Instagram já tenham baixado o app independente dessa plataforma, ao que parece, ninguém dá muita bola para seu botão dedicado na página inicial. E justamente por isso é que ele deve sumir

Lançado em junho de 2018, o IGTV veio para oferecer mais “tempo de tela” para os criadores e marcas. Mas, a surpreendente ascensão do TikTok ofuscou essa iniciativa. Só para ter uma ideia, o aplicativo chinês de vídeos musicais curtos foi baixado mais de 1,15 bilhão de vezes nesse mesmo período — somente nos Estados Unidos, o TikTok teve 80,5 milhões de downloads, em comparação com 1,1 milhão do IGTV, nos últimos 18 meses.

Tudo bem que o TikTok vem recebendo investimento massivo de marketing em todas as partes do mundo, mas esses números podem ser considerados um fracasso para o IGTV.

“Enquanto continuamos a trabalhar para facilitar a criação e descoberta de conteúdo IGTV, aprendemos que a maioria das pessoas encontra conteúdo IGTV por meio de visualizações no Feed, o canal IGTV no Explore, os perfis dos criadores e o aplicativo autônomo. Muito poucos estão clicando no ícone IGTV no canto superior direito da tela inicial no aplicativo Instagram”, disse um porta-voz da empresa do Facebook ao TechCrunch.

"Sempre pretendemos manter o Instagram o mais simples possível, removendo esse ícone com base nesses aprendizados e nos comentários de nossa comunidade", acrescentou.

 

Usuários continuarão vendo o IGTV no Instagram

O IGTV vai deixar de estar na página principal, mas continuará na rede social. Para acessar, você só precisa ira até a aba de Descobertas e entrar no botão, que fica na parte superior esquerda da página. Fora isso, nada muda.

E, talvez, aí esteja o erro do Facebook no momento. Segundo especialistas os principais fatores para a baixa do IGTV no momento são a falta de ferramentas e oportunidades de monetização, conteúdos exclusivos pouco atrativos e limitações. As celebridades contratadas, por exemplo, não podem fazer quaisquer menções políticas, sociais ou sobre eleições e somente têm reembolso de custos de produção, sem lucro algum.

Ainda não dá para saber ao certo qual será o futuro do IGTV, mas certo mesmo é que ele precisa de mais investimentos e nova regras de monetização, além, claro, de conteúdo — o próprio Instagram sabe disso e vem tentando solucionar essa última questão ao permitir que vídeos sejam postados a partir da interface principal. Se não mudar, o app corre o sério risco de ser ofuscado de vez por concorrente como o TikTok e o Quibi. Fonte: TechCrunch; https://canaltech.com.br

 

 

Foto: Reprodução/Istagram @guipagnoncelli_

 

O influencer Digital Gui Pagnoncelli, 30 anos, é alvo de um inquérito por crime de estelionato, movido pelo Ministério Publico de Alagoas e aceito pela Justiça Alagoana. O caso está sob a responsabilidade da 3º Vara Criminal da Capital, em Maceió, desde o mês passado.

Além do crime de estelionato, o influenciador digital está sendo investigado pelo crime de falsificação de laudos médicos.

Gui Pagnoncelli é o nome de Gilson Wagner da Silva natural de Diadema (SP) que atualmente mora em Maceió, capital de Alagoas. Gui foi diagnosticado, em 2012, com um tipo de câncer agressivo, conhecido como adenocarcinoma, período em que ele teria feito um procedimento cirúrgico de grande complexidade, para retirar seu estômago, duodeno e parte do intestino.

Na época diversas celebridades como Ivete Sangalo, Celso Portiolli, Pablo Vittar entre outros abraçaram a causa do Gui, o levando a se tornar destaque nacional, por sua luta contra o câncer. 

Porém a bonita história de Gui se tornou alvo de várias denúncias, de que ele já estaria curado e ganhando fama e dinheiro devido a doença. Nas redes sociais, Gui postava constantemente que estava em hospitais, fazendo tratamento contra o câncer. Uma de suas idas ao hospital, em 2020, se tornou alvo de investigação, por parte da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) da Polícia Civil de Alagoas, após denúncia de fraude.

Gui ainda chegou a afirmar que estava sendo vítima de calúnia e difamação e apresentou documentos médicos para a DEIC e para a justiça. Porém há suspeita que os documentos sejam falsos.

O médico Glauco Moreira Leitão alegou em declaração “que não omitiu ou subscreveu relatório médico apresentado pelo agravado no processo de origem". Além dele, a médica Patrícia Cerqueira Wanderley também alegou que prescreveu a Gui uma “dieta aberta”, mas que foi surpreendida com um documento que ela não havia entregue ao paciente após questionamentos do plano de saúde do influenciador.

A investigação culminou no processo que está nas mãos do juiz Carlos Henrique Pita Duarte desde o dia 03 de maio. Esta semana, as redes sociais do influencer foram desativadas.

Em contato com o Tribunal de Justiça e com o Ministério Público de Alagoas, o Portal Já É Notícia foi informado que o processo contra o influencer corre em segredo de justiça.

 

A farsa para conseguir dinheiro

Em 2017, o influencer afirmou que teria no máximo 8 meses de vida. e que sua chance de viver seria através de um transplante a ser feito nos Estados Unidos. Ele inicialmente pediu doação de R$ 50 mil. O valor foi arrecadada em menos de 24h, através de uma vaquinha online criada por ele. Em seguida ele alterou o valor da meta para R$ 100 mil. Posteriormente, o valor subiu para R$ 350 mil e em uma quarta vez, o valor da meta subiu para R$ 3 milhões, que seria o valor do suposto transplante.

Em 2018, já após ter ultrapassado "seu tempo de vida", Gui arrecadou R$ 380 mil e informou que não havia viajado pois estava com a imunidade baixa. Apesar de não ter viajado, ele continuou pedindo dinheiro para fazer o suposto transplante.

No fim de 2018 ele postou uma nota fiscal de compra no valor de R$ 41 mil, para um tratamento de imunoterapia e que já teria gasto todo dinheiro arrecadado no tratamento. Segundo ele, ainda precisava de R$ 250 mil para continuar seu tratamento.

O caso começou a ser questionado em 2019, quando ele criou outra vaquinha online com meta de R$ 50 mil. Na época, ele disse estar perdendo a luta contra o câncer e chegou a reutilizar fotos antigas de procedimentos e internações.

Em julho de 2020 ele criou outra vaquinha online, mas foi fechada em seguida, sem conseguir doações. Na mesma época, ele fez postagens afirmando que estava entre a vida e a morte, e solicitando ajuda financeira. Fonte: https://www.jaenoticia.com.br

Isenção jornalística em tempos de autoritários digitais

Não há jornalismo real fora da democracia assim como não há democracia sem jornalismo

 

Por Pedro Doria - O Estado de S. Paulo

Uma das perguntas mais comuns que nós jornalistas recebemos é a respeito da isenção. Às vezes vêm em tom provocador, noutras como curiosidade — mas é uma pergunta perfeitamente natural. Uma pergunta que, feita hoje em dia, necessariamente toca em questões bastante profundas. Tanto a ascensão de movimentos populistas autoritários pelo mundo quanto mudanças de linguagem criadas pela comunicação digital nos forçam a voltarmos aos fundamentos essenciais do jornalismo.

O jornalismo existe para servir à democracia. Uma coisa está amarrada à outra. Não há jornalismo real fora da democracia assim como não há democracia sem jornalismo. Muito cedo se compreendeu que, para democracias funcionarem, era preciso uma estrutura de informação a respeito do que se passa nas estruturas de poder e na sociedade que não fizesse, porém, parte do Estado. Tinha necessariamente de ser independente. Não poderia estar veiculado a um grupo político.

O motivo, e já havia compreensão a este respeito no século 18, é que para votar precisamos todos estar informados. Democracias funcionam bem quando há informação de qualidade e em quantidade à disposição de todos os eleitores. Informação sobre os fatos, mas também informação sobre os argumentos em curso no debate público. Quem é contra, quem é a favor, defende como suas posições?

Por isso é sempre importante voltar aos fundamentos. O jornalismo é uma instituição essencial da democracia. No jogo político habitual, o dos partidos que disputam poder, ele deve sempre estar de fora como observador crítico. Não quer dizer sempre contra em suas análises, mas quer dizer sempre desconfiado.

Não há mistério por trás da ideia de isenção jornalística. Outras profissões também exigem que as pessoas exerçam desprendimento a respeito de suas convicções pessoais. O psicanalista precisa deixar seu ego de lado ao ouvir quem está no divã. O advogado precisa deixar seus sentimentos sobre um crime de lado ao defender seu cliente. O médico, o padre, tantos trabalham separando crenças pessoais da atuação profissional. Porque esta é a natureza da função.

A isenção, porém, vale para o jogo político habitual. Porque, um degrau acima, o jornalismo tem lado — é o lado da democracia. No momento que se implanta, um governo autoritário tentará controlar o que pode ser publicado. É por isso que autoritários prendem jornalistas, matam jornalistas ou tentam controlar o jornalismo por ameaças. Aliás, sintoma de autoritarismo é como o governante lida com a imprensa crítica.

Benjamin Netanyahu, em Israel, quase partiu as três principais redes de TV do país argumentando que representavam monopólios. Um grupo grande de jornais, lá, cedeu perante ampla verba de publicidade. Na Rússia, jornalistas independentes são assassinados, mesmo. A toda hora. No Brasil, Jair Bolsonaro atua na base da intimidação direta a repórteres que lhe fazem perguntas. É particularmente agressivo quando são mulheres a perguntar.

Não é tão simples censurar a imprensa no tempo da internet, mas a desinformação cumpre o mesmo objetivo. E o digital, principalmente após a entrada das redes sociais que selecionam o que vemos com base em algoritmos, é uma máquina que facilita à desinformação que se espalhe.

Então, se democracias dependem de uma população informada, quem atua para produzir e distribuir desinformação está conscientemente atentando contra o regime. Desafios trazidos pela tecnologia sempre fizeram parte da história do jornalismo. Para nossa geração, o desafio é um só. Restabelecer, na sociedade, o predomínio da informação sobre os falsários. Fonte: https://link.estadao.com.br

Câmera de segurança registrou vítima sendo baleada. Segundo testemunhas, atirador realizou os disparos logo após chamar a vítima, sem nenhuma conversa prévia. O suspeito fugiu do local do crime, foi localizado pela polícia e morreu após entrar em confronto com os militares.

 

Por G1 PR e RPC Londrina

Uma transexual de 26 anos foi morta a tiros em Londrina na noite de quarta-feira (30). O crime, que aconteceu na Rua Cabo Verde, esquina com a Avenida Leste Oeste, foi registrado por imagens de segurança em uma câmera. 

O suspeito fugiu do local, foi perseguido pela polícia e morreu após uma troca de disparos.

 

Imagens registraram crime

Conforme o registro divulgado pela Polícia Militar, uma caminhonete para na via e chama a vítima que está do outro lado da rua. Ela é atingida por disparos quando chega perto do veículo. Depois disso, o motorista foge.

Mesmo ferida, a transexual corre para pedir ajuda.

Segundo o relato de testemunhas a Polícia Militar, o atirador realizou os disparos logo após chamar a vítima, sem nenhuma conversa prévia.

Durante a fuga, a caminhonete foi localizada por uma equipe do Batalhão de Choque da PM. A polícia afirma que tentou parar o veículo, mas o motorista acelerou e seguiu sentido Ibiporã, na BR-369, e houve perseguição.

O condutor perdeu o controle da direção próximo ao Ceasa e bateu a caminhonete. A PM afirmou ainda que, depois disso, o motorista sacou a arma de fogo e começou a atirar contra os policiais, que revidaram. O suspeito foi atingido e morreu no local.

Os dois corpos foram levados ao Instituto Médico-Legal de Londrina. Fonte: https://g1.globo.com

 

 

Três meses se passaram desde o desaparecimento de Davi Lima Silva, de 11 anos, e a mãe do garoto, Lilia Lima, de 39 anos, continua sem respostas. Filho único, o menino desapareceu após ter saído da casa de uma tia em direção à residência da avó, no povoado de Varzinha, na zona rural de Itiúba, norte da Bahia.

Ao G1, Lilia Lima, que trabalha como fotógrafa, conta que mora em Salvador com o esposo e com o filho. Quando o menino desapareceu, ele estavam em Itiúba para visitar a família.

“A gente mora em Salvador, sempre morou em Salvador, e só ia para lá para passar Natal, Ano Novo, Páscoa... com a família”, contou Lilia Lima.

Desde que o filho sumiu, os olhos de Lilia não fecham durante a noite, e se alimentar se tornou cada vez mais difícil.

“Até agora eu me pergunto todos os dias, todas as noites... Eu nunca mais dormi, nunca mais me alimentei, meu filho dormia abraçado comigo. Ele só dormia comigo”, disse Lilia Lima.

“É tudo muito estranho, é tudo muito estranho... Até agora eu não consigo explicar. É muito triste."

 

Visitas à Secretaria de Segurança

Desde que Davi Lima Silva desapareceu, a mãe dele tem ido até a sede da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) uma vez por semana em busca de respostas. No entanto, ela sempre escuta que o caso está em sigilo, sendo investigado.

“Falam que é sigilo e não podem falar até o momento, porque pode atrapalhar o andamento da investigação", relatou a mãe do garoto.

"É só isso que eles passam para a gente. Toda semana eu vou na Secretaria Pública de Segurança, e a delegada passa essa informação para mim. A entidade daqui [Salvador] cobra a de lá [Itiúba], e eles falam a mesma coisa: que não pode falar, que estão trabalhando, buscando uma forma, e pediram mais um prazo de 30 dias para continuar as investigações."

De acordo com a fotógrafa, a falta de resposta faz com que a angústia aumente mais.

“Eu não consigo entender esse sigilo, esse prazo que eles vão dando, porque era 30, depois 60, já foi 90 e mês que vem completa 120 dias. É uma angústia que não termina, muito difícil”, desabafou.

 

'Eu nunca deixei meu filho'

"Eu nunca deixei meu filho nem no condomínio onde a gente mora. Meu filho não brincava, só porque eu não deixava. Nem eu, nem o pai. Nem com todas as câmeras do condomínio que a gente mora, o único lugar que eu deixava ele era com minha irmã e com minha mãe”, disse Lilia, explicando como era a rotina de Davi, sempre debaixo dos olhos dos pais.

No dia em que o garoto desapareceu, ele estava sob os cuidados da tia, pois Lilia fotografava uma gestante.

“Nunca deixei ele sozinho. No dia que ele desapareceu, ele estava com minha irmã. Eu deixei ele com ela, para fotografar, e em menos de duas horas ela simplesmente me disse que ele tinha desaparecido, que correu e desapareceu”, contou.

A mãe do garoto ressalta que, por não morar no povoado, Davi não conhecia muitas pessoas no local.

“Davi só brincava com um amiguinho e dois primos, porque a gente não morava no interior, a gente foi para lá para passear, então ele não tinha amizade lá”, afirmou.

“Ele não tinha amiguinhos, não tinha costume de ir para casa de ninguém, porque ele não tinha amizades em Itiúba."

 

Relembre o caso

Davi foi visto pela última vez no dia 28 de março, após sair da casa de uma tia, em direção à residência da avó. Os imóveis são próximos um do outro e, segundo os familiares, o menino fazia o percurso com frequência.

De acordo com a tia do garoto, no dia do desaparecimento ele estava muito agitado. Davi estava usando uma camisa de cor cinza e um short estampado no dia em que desapareceu.

“O trajeto da casa de minha irmã para a casa de minha mãe ele sabia. Tantas vezes eu já mandei ele ir, ficava olhando e via ele chegar. Ainda falava que Davi estava indo”, disse a mãe do menino.

Ainda segundo a família, um vizinho informou que ele seguiu em direção a uma serra próxima ao povoado, mas desde então não há informações sobre o garoto.

Familiares disseram que uma pessoa teria ouvido gritos de socorro em uma região de mata, na localidade de Laje da Cruz, também em Itiúba. Mas como essa pessoa não sabia que alguém na área estava desaparecido, não foi averiguar.

 

Mistério e investigações

A família do garoto recebeu um relatório da polícia, ao qual o G1 teve acesso, que relata que inicialmente foi realizada uma busca com apoio de drones, helicóptero do Graer e cães farejadores da PM, bombeiros, COE da Polícia Civil da Bahia, e que o resultado de todos os cães farejadores foram idênticos e apontaram que a criança foi levada por um automóvel.

De acordo com o relatório, também foi realizada uma busca com um cão farejador de cadáver dos bombeiros, e o resultado foi negativo para cadáver em toda a região onde possivelmente o menino poderia ser encontrado, inclusive no local onde sandálias do menino foram achadas.

Ainda segundo o documento, no inquérito policial já foram ouvidas todas as possíveis testemunhas e suspeitos, e diligências estão em andamento, em sigilo.

G1 entrou em contato com a Polícia Civil, para saber como estão os andamentos do caso e entender o motivo do sigilo, mas não recebeu respostas até a publicação desta reportagem. Fonte: https://g1.globo.com

A população brasileira é a mais preocupada com a desinformação e fake news sobre a covid-19

 

Quando um inimigo invisível invade os corpos de milhões de pessoas no mundo inteiro, a informação confiável se mostra literalmente uma questão de vida ou morte. Na década de 2010, a confiança na imprensa caiu consistentemente, mas no último ano essa tendência sofreu uma reversão brusca. O porcentual de pessoas que dizem acreditar na maioria das notícias na maior parte do tempo subiu de 38% para 44%. Esta é uma das constatações do Digital News Report anual do Instituto Reuters, ligado à Universidade de Oxford, que contempla 46 países responsáveis por metade da população mundial.

Com a “infodemia” de notícias falsas e teorias da conspiração sobre a covid em geral, e a invasão do Capitólio nos EUA em particular, o anseio por informações verdadeiras beneficiou marcas reputadas, tanto em termos de maior alcance e mais confiança como de assinaturas. “A distância entre ‘the best and the rest’ cresceu, assim como a distância entre as mídias de notícias e as mídias sociais.” Boa parte das assinaturas se concentrou em poucos grandes veículos, “reforçando a dinâmica ‘the winner takes most’”.

Mas, se a pandemia reverteu algumas tendências, ela acelerou outras, como a migração para um ambiente digital dominado pelas plataformas e acessado por dispositivos móveis. O desempenho do noticiário televisivo segue forte, mas a pressão sobre jornais e revistas, em plena e penosa metamorfose do papel para as telas, aumentou. Tanto mais que as novas assinaturas digitais não chegaram perto de compensar as perdas das assinaturas impressas. E, embora o modelo de assinaturas esteja se tornando sustentável para um número crescente de publicações de alta qualidade ou de nicho, a maior parte do público ainda não está disposta a pagar pelas notícias online.

É preocupante que, apesar do “surto” de confiança, o interesse pelas notícias em geral siga um declínio histórico. Especialmente desafiador para os veículos de imprensa é que tanto os partidários políticos como os jovens tendem a se sentir injustamente representados. Entre os jovens até 25 anos (a Geração Z) há uma diferença de percepção radical, mesmo em relação aos seus antecessores millennials. Esses “nativos digitais” têm muito mais propensão a utilizar as redes sociais (sempre mescladas pelo entretenimento e distração) para exprimir sua indignação política e colher informações, e menos propensão a visitar sites de notícias ou buscar notícias imparciais.

“Numa era em que o consumo de notícias se tornou mais abundante, fragmentário e turbulento, os veículos de imprensa enfrentam uma escolha.” Uma opção é aprofundar o relacionamento com um público específico, por meio de posicionamentos assertivos que representem e repercutam suas visões e aspirações. Por outro lado, os veículos podem tentar erguer pontes entre essas divisões para atingir o maior público possível – uma postura favorecida por 3 em 4 entrevistados. Neste caso, o desafio é abranger diferentes pontos de vista sem ser solapado pelas guerras partidárias e culturais.

A propósito, no Brasil a Federação Nacional dos Jornalistas registrou em 2020 428 ataques verbais e físicos a jornalistas, incluindo dois homicídios – o maior número desde o início dos anos 90. A entidade vê na retórica truculenta do presidente Jair Bolsonaro – só ele  autor de 175 agressões verbais – a maior responsável pelo aumento de ocorrências. Segundo o Repórteres sem Fronteiras, Bolsonaro e seus correligionários fomentaram uma atmosfera de “ódio e desconfiança contra o jornalismo no Brasil”.

Apesar disso – ou talvez por isso – o Brasil é um dos sete países que mais confiam na imprensa. A população brasileira também é a mais preocupada com a desinformação (82%) e com a disseminação de fake news sobre a covid via WhatsApp (35%), assim como a que mais associa os políticos à desinformação sobre a doença. É uma reação tão instintiva quanto racional: quando o vírus do autoritarismo invade o coração da República, a informação confiável se mostra uma questão de vida ou morte para a democracia. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

Por Bernardo Mello Franco

 

500 mil mortos: Manifestantes protestam contra Bolsonaro no Rio | Guito Moreto

O Brasil atingiu as 500 mil mortes pelo coronavírus. A pandemia devastou o país com a cumplicidade de Jair Bolsonaro. O presidente sabotou as medidas de distanciamento, boicotou a compra de vacinas e segue em cruzada contra o uso de máscaras.

A CPI da Covid já reuniu provas de que a irresponsabilidade foi calculada. O capitão apostou na estratégia da “imunidade de rebanho”. Atuou para acelerar a disseminação da doença, como se isso fosse abreviar o baque na economia e facilitar sua reeleição.

Indiferente à tragédia, ele torra dinheiro público para fazer campanha antecipada. Na sexta, transformou uma visita ao Pará em comício, com transmissão ao vivo na TV estatal.

O presidente tem razões para confiar na impunidade. As instituições se acoelharam diante de suas afrontas. A Câmara já recebeu mais de uma centena de pedidos de impeachment, mas nenhum chegou a sair da gaveta.

“No momento, parece muito provável que Bolsonaro dispute o segundo turno em 2022, e nada provável que ele seja defenestrado do Planalto por seus crimes de responsabilidade”, resume o professor Rafael Mafei, da Faculdade de Direito da USP.

No epílogo de “Como remover um presidente” (Zahar, 378 págs.), ele discute por que o capitão não enfrenta o mesmo processo que derrubou Fernando Collor e Dilma Rosuseff.

Não é por falta de base jurídica. O autor compara a contagem dos crimes de Bolsonaro a um bingo: “a cada tantos dias, pode-se marcar um novo crime na cartela da Lei do Impeachment”. Antes da pandemia, ele já atentava contra o decoro do cargo e a autonomia dos outros Poderes.

Os constantes ataques ao Supremo fazem parte de uma tática de intimidação. “Não são arroubos de temperamento, mas uso estratégico do poder presidencial para atentar contra o Judiciário”, escreve o professor.

“Até aqui, os presidentes preocupavam-se ao menos em dissimular a intenção de agredir a Constituição. Ele, ao contrário, comete crimes de responsabilidade em série, abertamente e de modo ostensivo”, sustenta. “Cada comportamento ultrajante e indecente tira o foco da infração anterior. Ele e seus apoiadores são mestres na arte de usar o crime de hoje como diversionismo para o delito de ontem”.

O professor da USP contesta a tese de que o Congresso não pune Bolsonaro por falta de pressão popular. Ele lembra que Rodrigo Maia segurou dezenas de denúncias em 2020. “É pedir demais que multidões desafiem um vírus perigoso e tomem as ruas para exigir um impeachment que a própria autoridade competente passou o ano jurando que não tiraria da gaveta”, afirma.

Apesar dos riscos, as ruas voltaram a encher ontem em todo o país. Mas agora o impeachment enfrenta outras barreiras. A Câmara está nas mãos de Arthur Lira, que tem recebido milhões de incentivos para blindar o presidente. E a oposição acredita ter mais chances se ele estiver no páreo em 2022.

Pode ser um erro fatal, avisa o autor de “Como Remover um Presidente”. “O plano de vencer Bolsonaro nas urnas subestima a quantidade de incentivos e possibilidades que ele tem de jogar sujo no pleito”, adverte Mafei. É o que sugerem os ataques ao voto eletrônico e aos ministros do TSE. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

Vídeo divulgado nas redes sociais mostra rapaz com símbolo nazista em um dos braços sendo segurado por segurança

 

Um jovem foi expulso de um shopping em Caruaru, Pernambuco, por ostentar faixa vermelha com suástica nazista em um dos braços nesta quinta-feira (17).

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o rapaz aparece sendo segurado por um segurança do estabelecimento. Ele usava moletom em homenagem à série "O Mundo Sombrio de Sabrina", da Netflix.

O Caruaru Shopping publicou nota informando que o jovem foi "flagrado pelo sistema de segurança, abordado por um de nossos seguranças e expulso do nosso shopping".

O texto ainda descreveu o rapaz como "nitidamente conturbado". A Polícia não foi acionada e não foi registrado boletim de ocorrência.

No Brasil, o uso de símbolos nazistas é crime com pena de reclusão de um a três anos e multa. Fonte: https://cultura.uol.com.br

Freud propôs que a experiência de perda trazida pela morte nem sempre é tangível e pode coincidir com uma recusa inconsciente de que a morte signifique o aniquilamento da vida

 

Amanda Mont’Alvão Veloso*, Especial para o Estadão

Há uma cena na série The Looming Tower (2018), baseada em fatos reais, em que um homem adentra o quadro na medida em que os escombros do que foram as Torres Gêmeas abatidas no 11 de Setembro permitem ver algo diferente da destruição. Ele caminha por uma rua que se funde ao céu pela cor das ruínas, enquanto a câmera identifica em seus passos a vida e o movimento que não esperávamos de um acontecimento como aquele. Ele anda até chegar à casa de uma mulher conhecida, que com cuidados lhe devolve a feição que o identificava como humano e, agora, como sobrevivente. Na sequência, eles escutam na secretária eletrônica a fala exasperada de um homem a quem ambos amam e admiram. O bipe que encerra a mensagem trazia também as últimas palavras daquele que falava; marcava-se, ali, o fim de uma existência e o começo de um luto. A finitude que nos persegue como destino enquanto seres viventes é prontamente aceita apenas de modo racional; inconscientemente, cada um de nós está convencido de que é imortal. Freud propõe o exercício de imaginarmos a própria morte: o ato de imaginá-la em si já denota que ainda existimos, na condição de observadores daquele encerramento imaginário. 

Em 1915 ele havia escrito no pungente ensaio Considerações Atuais sobre a Guerra e a Morte que a experiência de perda trazida pela morte nem sempre é tangível. Há uma certa disposição psíquica primordial em cada um nós para admitir que pode ocorrer a morte de pessoas amadas, mas que coloca como contrapartida uma recusa inconsciente de que esta morte signifique o aniquilamento da vida. 

Sem espanto, há tempos que o término da vida puxa narrativas fundamentais para sua tolerância, seja via religião, arte ou outros caminhos. Presume-se um “depois” ou uma continuidade aqui e acolá, com diferentes matizes para o que se entende por morte. Mas universalmente somos atingidos por seus acontecimentos. 

Desde que 2020 se pronunciou como o ano que suspendeu o tempo e o colocou sob os caprichos do imponderável do horror, milhares de famílias brasileiras depositam lágrimas e desconsolos em suas tentativas de nomear o insuportável das mortes advindas da pandemia de coronavírus. Em paralelo, transcorrem as mortes provocadas por outras causas, não menos desesperadoras. Em comum, biografias particulares se perdem quando são submetidas à massividade dos números. Por algumas sensíveis iniciativas que rompem com a dimensão estatística das mortes, como a do projeto Inumeráveis, podemos pelo menos honrar alguns nomes: Wilma, Orlando, Ricardo, Irani, Erika. 

Mortes coletivas e tornadas “invisíveis” não são uma ocorrência atípica no Brasil que brutalmente asfixia vidas periféricas, reaviva os pesadelos da tortura e negligencia os avisos de catástrofes ecológicas e urbanas. Poupar é verbo direcionado não às vidas, mas à economia, ciência de Humanas que tem seu berço científico humano abertamente ignorado. Dia após dia, somos invadidos pela frequência das perdas, sistematizadas em gráficos e regionalizadas nos sotaques que, por sorte, pudermos conhecer nas despedidas. Essa mórbida constante, porém, ainda deixa ver uma anomalia: há quem não se envergonhe de confiscar o respeito e a dignidade das experiências de perda sofridas por tantas famílias. O pesar não recebe pronunciamentos oficiais, a morte é desdenhada com sadismo.

Sem se chocar com suas perdas, é como se parte do Brasil estivesse se acostumando a trivializar seus mortos mediante política pública. Incitados à frieza por algumas “lideranças”, alguns de nós esculpimos, via obediência, uma suposta normalidade, sem assombro diante dos absurdos. Obedece-se a um circuito de desumanidade, como advertiu Primo Levi sobre os numerosos homens ordinários que renunciam ao questionamento ético e, com isso, encarnam o perigo antes atribuído aos monstros. 

Faz-se necessário desobedecer à crueldade para manter a vida e o afeto, como propõem os filósofos Etienne de La Boétie e Frédéric Gros. Todos perdemos com mortes não reconhecidas e lutos violentamente subtraídos. Desagregamos cada vez que esgarçamos o laço comunitário do sofrimento, pois é preciso viver a experiência de assentamento da dor como forma de permitir que ela vá embora um dia. Existências findadas sem memória são como desaparições abruptas. Legam àqueles que ficam um rastro doloroso e angustiante que não remete a uma origem, em um padecimento assim descrito por Manuel Bandeira: “Morrer tão completamente / que um dia ao lerem o teu nome num papel / perguntem: “Quem foi?...” / Morrer mais completamente ainda, sem deixar sequer esse nome”. 

Que a “indesejada das gentes” seja, então, recebida sem silêncio covarde e com pudor, reconhecida em vez de amargurada, evitada por este mortífero Brasil em vez de acumulada. No país que enterra Paulo, Ismael, Alfredo, José Aparecido, Moraes, Zulmira, Vanessa, Naomi, Flávio e Aldir, entre quase 500 mil inesquecíveis, nunca esqueçamos que o apreço não tem preço. 

É PSICANALISTA, JORNALISTA E MESTRE EM LINGUÍSTICA APLICADA PELA PUC-SP. Fonte: https://alias.estadao.com.br

 

Um deles criticou declaração de Erick Rianelli feita ao vivo, em 2020, para o marido; Sindicato dos Jornalistas e TV Globo emitiram nota se solidarizando com o casal

 

Erick Rianelli se declarou ao vivo para o marido, Pedro Figueiredo, e foi alvo de comentários homofóbicos Foto: Reprodução / Instagram

 

RIO — Os repórteres Erick Rianelli e Pedro Figueiredo, da TV Globo, foram alvo de ataques homofóbicos no último fim de semana por parte de um padre e de um empresário do ramo de hamburgueria de Brasília.

No último dia 12,  voltou a ganhar repercussão um vídeo feito no Dia dos Namorados do ano passado, em que Rianelli se declara para Figueiredo, seu marido, ao vivo no telejornal "Bom Dia Rio". Num grupo de WhtasApp, o empresário Alexandre Geleia fez a seguinte crítica por meio de aúdios:

"O grupo é público, eu falo o que penso, o que acho. Se ficou incomodado, me desculpa, garoto. Só acho que não precisa, não é necessário passar em TV aberta, em jornal, esse tipo de coisa. É minha opinião e não vou mudar minha opinião porque sou figura pública."

Em seguida, em mensagem para o mesmo grupo, ele negou que fosse homofóbico, afirmando ter  homossexuais em seu quadro de funcionários:

"Tenho gerentes, encarregados, funcionários, o chef de cozinha de dentro da minha casa tem a opção dele, o dono do lava a jato onde lavo o carro, um dos meus melhores amigos de infância, estudou comigo e é meu amigo até hoje, e frequenta minha casa".

Em seu perfil no Twitter, Rianelli repostou o vídeo e rebateu as críticas feitas pelo empresário:

"Recebi alguns relatos sobre um empresário de Brasília que reagiu com homofobia a um vídeo em que eu declarei amor ao meu marido. Agradeço por todas as mensagens de apoio! Sobre o empresário... acho que nenhum LGBT do DF vai comer mais nas lojas dele".

O tuíte recebeu dezenas de comentários em apoio ao jornalista.

No último domingo, foi a vez do padre Paulo Antônio Müller, da Paróquia de Tapurá, no Mato Grosso, atacar os jornalistas. Durante a missa, ele declarou: "A gente faz um namoro, não como a Globo apresentou essa semana. Dois viados. Desculpa, dois viados. Um repórter com um veadinho, chamado Pedrinho. ‘Prepara meu almoço, tô chegando, tô com saudade’. Ridículo! Que chamem a união de dois viados, duas lésbicas, como querem, mas não de casamento".

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso abriu uma investigação para apurar o caso.

Diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis classifica como discriminação "generosa" a atitude do empresário.

— Quem diz: "você é, mas não deve se expor" está sendo extremamente preconceituoso e tolhendo o direto da pessoa expressar seu afeto, seu amor — explica.

Reis ressaltou que comportamentos como o do empresário podem estimular atitudes violentas direcionadas à população LGBTI:

— Ele não matou ninguém, mas afia a faca para que alguém mate. Não se deve intervir na vida de uma pessoa. Se ela está falando de amor, tenho mais é que parabenizar. Amor não tem genitália.

Em nota, a TV Globo disse que "se solidariza com Erick Rianelli e Pedro Figueiredo, reafirma seu compromisso com a diversidade e repudia de forma veemente toda forma de preconceito".

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro também se solidarizou com o casal de jornalistas.

"A entidade manifesta o repúdio a manifestações de intolerância. Toda forma de amor deve ser respeitada. LGBTfobia é crime", diz a postagem.

À TV Globo, a lanchonete Geleia, que pertence ao empresário Alexandre Geleia, disse que está apurando o real contexto das falas que circulam na internet e que eventuais comportamentos ilegais e antiéticos de envolvidos não correspondem aos valores das empresas do grupo. Disse ainda que acredita no amor de todas as formas. A TV Globo tentou contato com o padre sobre a investigação do ministério público, mas não obteve retorno. Fonte: https://oglobo.globo.com

Paulo Silvestre

Tem sempre alguém querendo dizer o que devemos ser ou o que temos que fazer: pode ser a família, a chefia, os amigos. As redes sociais pioraram ainda mais esse problema, pois estamos continuamente sob escrutínio de todos. Isso acontece de maneira tão invasiva e tão contínua, que alguns perdem a referência de quem verdadeiramente são, passando a viver um personagem.

Haja autoestima para resistir a essa virtual “autópsia de pessoa viva”, com uma plateia planetária!

Sempre usamos “máscaras sociais”: isso não é novidade. Adaptamos naturalmente nossa conduta, nossa linguagem e até filtramos nossas ideias de acordo com a situação. Mas, como em muitos outros casos, as redes sociais aqui não inventam algo novo, mas fazem isso acontecer de maneira mais intensa e mais rápida.

Dá para sermos nós mesmos nas redes sociais?

Estou online desde 1987 e convivo com redes sociais há duas décadas. No começo, elas eram apenas um espaço para encontrar amigos (especialmente aqueles há muito tempo não vistos) e trocar ideias inofensivas. Isso era muito legal, e lhes garantiu enorme sucesso instantâneo.

De uns 15 anos para cá, os gestores dessas plataformas descobriram que haviam criado uma mina de ouro, com seus algoritmos que lhes permitiam conhecer profundamente cada um de seus incontáveis usuários, agrupando-os em “bolhas”, zonas de conforto de pensamento único, excelentes para se vender qualquer tipo de coisa. E esse recurso essencial das redes vem se tornando cada vez mais eficiente.

As empresas rapidamente perceberam a enorme oportunidade que isso abriu, mas também muitos indivíduos viram isso. Ouvimos o tempo todo: “você é a sua marca”. E isso se tornou a mais pura verdade.

Mas quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza. Assim como aconteceu com empresas, algumas pessoas tiraram grandes benefícios dessa exposição. Mas, para cada celebridade digital bem sucedida, há um exército de pessoas que fazem de tudo para aparecer, mas colhem muito pouco ou apenas frustração. E isso acontece porque elas não têm a menor ideia do que fazem, mas continuam “se jogando” no digital assim mesmo. Fale-se muito bem do sucesso, mas ninguém gosta de mostrar o fracasso!

 

Depressão digital

Em junho de 2014, o cientista de dados do Facebook Adam Kramer e outros dois colegas publicaram um controverso estudo na prestigiada revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Batizado de “Contágio emocional em grande escala por meio de redes sociais”, o experimento comprovou que usuários dessas plataformas ficam mais alegres se expostos apenas a publicações positivas nelas, mas também podem ficar deprimidos se veem muitas coisas tristes lá.

Assim, as pessoas naturalmente preferem se associar nas redes àqueles que lhes fazem bem, que as inspiram de alguma maneira. Isso reforçou a preocupação de muita gente de mostrar apenas o seu lado bom nas redes e, assim, atrair seguidores e potenciais clientes. Ou, quem sabe, alguns amigos?

A princípio, não haveria nada de errado com isso, desde que a coisa não fugisse de controle, como fugiu. A história de “mentir no currículo” ganhou uma nova dimensão no meio digital: qualquer acontecimento precisa ser maquiado e maximizado, para depois ser anunciado.

Em outras palavras, não basta mais “ser”, é preciso “mostrar” (literalmente) ao mundo!

O problema é que ninguém é assim tão brilhante o tempo todo. Mesmo celebridades e grandes profissionais têm seu lado sombrio, feio, que não precisa ser visto. Mas, como as pessoas estão com suas entranhas à mostra nas redes sociais, isso lhes exige cada vez mais energia.

Muito antes do surgimento do meio digital, no dia 1 de setembro de 1994, em uma conversa que antecedeu uma entrevista com o  jornalista Carlos Monforte, o embaixador Rubens Ricupero, então ministro da Fazenda, disse “eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. A fala vazou, causando a renúncia do ministro.

De volta a nossa realidade digital, vivemos continuamente o risco de sermos expostos. Aliás, “exposed” se tornou uma palavra comum nas redes sociais no ano passado, referindo-se a pessoas que são pesadamente expostas nessas plataformas por supostos crimes ou comportamentos reprováveis, antes de qualquer julgamento.

As pessoas vivem então no fio da navalha, entre exporem seu lado mais brilhante e serem expostas pelo seu lado sombrio. O primeiro lhes causa grande euforia; o segundo pode causar depressão.

 

O valor da autenticidade

Existe um ditado que diz que “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Isso talvez servisse na Roma Antiga, mas agora as redes sociais podem fazer parecer que não é preciso ser honesto: basta parecer honesto. Não caia nessa armadilha! A verdade é sempre o melhor caminho no fim da história.

Como consultor, já me perguntaram se o melhor seria não se posicionar nas redes sociais sobre qualquer assunto polêmico. Em tempos de intolerância, isso pode ser mesmo um problema.

Só que não dá para demonstrar apatia completa. O mundo pulsa diante de nós e o público espera que nos posicionemos sobre pelo menos alguns fatos. Empresas e profissionais mais bem qualificados são aqueles que demonstram opiniões embasadas sobre o que realmente importa.

Não estou dizendo para ir às redes sociais e não deixar pedra sobre pedra. Temos que ser autênticos e expor pontos de vista construtivos nos debates que movem nossa sociedade.

Não devemos deixar de ser quem somos, filtrar nossa verdade. Mas podemos aprender a sempre ser pessoas melhores para nós e para quem estiver a nossa volta. Fazer isso contribui muito para nossa autoestima e nossa saúde mental, e ainda nos trará benefícios pessoais e profissionais.

Nossa energia deve ser canalizada para isso, ao invés de criar personagens nas redes sociais que muito se afastam do que realmente somos. Em um cenário de tanta exposição, relacionamentos pessoais ou comerciais duradouros nascem e amadurecem com a verdade. Fonte: https://brasil.estadao.com.br

Designer e professora de dança foram desligados após rapaz negro ter sido acusado de ter furtado bicicleta elétrica

 

Matheus Nunes com sua bicicleta elétrica Foto: Reprodução

Rodrigo Castro

RIO - Um casal de jovens acusados de racismo após sugerir que um rapaz negro teria furtado uma bicicleta no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi demitido das empresas para as quais trabalhavam. A dupla envolvida no episódio já foi identificada. A vítima é esperada para depor ainda nesta terça-feira (15).

Após cobrança de usuários nas redes sociais, a Papel Craft comunicou que desligou o funcionário, designer da marca, de seus quadros. A informação foi confirmada ao GLOBO nesta terça-feira (15) pela gerente da loja da marca na Gávea. Até o momento, no entanto, a empresa não se posicionou oficialmente.

Já a Espaço Vibre comunicou nesta terça em suas redes sociais que a professora implicada no caso foi demitida. A empresa afirmou em nota que está "consternada"  e "tratando o assunto com toda gravidade que ele merece".

"Nos solidarizamos com o Matheus pela dor sofrida e mesmo que o gesto condenável não tenha ocorrido dentro de nosso espaço, esta é uma violência que todos temos que combater juntos", afirmou a Espaço Vibre no comunicado.

A ocorrência foi registrada pelo sistema virtual e remetida à 14ª DP, no Leblon. A vítima é esperada para depor ainda hoje. Por enquanto, apenas a menina envolvida no caso foi intimada a prestar esclarecimentos nesta quarta-feira, já que ela foi a única identificada pela vítima no registro. O jovem demitido poderá ser chamado a depender dos depoimentos.

Segundo a delegada Natacha Alves de Oliveira, o relato registrado pela vítima foi sucinto e não apresentou critério racial em seu teor, motivo pelo qual apenas após os depoimentos será possível determinar que crime será investigado ou não.

O instrutor de surfe Matheus Ribeiro esperava a namorada em frente ao shopping Leblon no último sábado (12), quando foi abordado por um casal, que questionou se a bicicleta elétrica na qual estava era mesmo dele. A menina chegou a afirmar que era idêntica à sua bicicleta que havia sido furtada. O final da discussão foi gravado pelo instrutor e compartilhado em suas redes.

O instrutor diz que precisou provar ser o verdadeiro dono da bicicleta, com fotos antigas e até a chave do cadeado. Em um post nas redes sociais, ele relatou que o casal só desistiu quando o rapaz tirou a tranca de sua mão e tentou abrir com a chave que ele possuía. Ao ver que não abria e, portanto, a tranca e a bicicleta eram outras, ele pediu desculpas.

Na sequência, o jovem branco pede desculpas seguidamente, e afirma: "Eu não te acusei, só estou te perguntando". Até que Ribeiro, já irritado, grita para os dois irem embora.

 

"A gente que é negro convive com esse tipo de situação desde sempre"

Nascido e criado na Vila do João, no Complexo da Maré, Matheus Ribeiro tinha contatos esporádicos com a Zona Sul, na adolescência. E quase sempre através da praia. Há quatro anos e meio, ele recebeu a oportunidade de aprender a surfar, ao receber uma bolsa de Marcelo Bispo em sua escolinha no Arpoador. Um mês depois, já começou a trabalhar como assistente do professor, principalmente com atividades braçais, como guardar as pranchas. Hoje ocupa posto mais alto e é instrutor técnico dos alunos.

Apesar de ainda morar na Maré, Ribeiro passa muitos dias na casa da namorada, em Copacabana, até porque o trabalho na escolinha ocupa seis dos sete dias da semana. Ainda assim, conseguiu iniciar, no início do ano, a faculdade de Educação Física, na Estácio. Seu sonho é seguir carreira na área do surfe.

Ser vítima de racismo não é uma situação inédita, explica. Mas o jovem diz que nunca havia passado por uma situação tão "constrangedora".

— A gente que é negro convive com esse tipo de situação desde sempre. Mas nunca tinha sido tão constrangedor, apesar de não ser inédito —  afirma o jovem, que gosta de se dedicar aos estudos de temas raciais. — Eu assisto e leio muito sobre o assunto. Além de estar em pauta, a gente passa por isso né, cara. Uma pessoa branca pode se interessar, mas eu vivo o assunto, preciso saber sempre como lidar com isso.

Dono da escolinha de surfe, Marcelo Bispo diz que Matheus é motivo de orgulho para ele. Sua rápida ascensão, de aluno a instrutor, ocorreu principalmente em razão de sua dedicação, educação e inteligência, explica Bispo, que destaca a frieza que seu pupilo teve ao conseguir filmar a discussão.

— Falei para ele trabalhar comigo, porque são pessoas assim que quero, educado, e com o astral lá em cima. Até brincava que eu estava dando sorte porque ele poderia ser modelo, de tão bonito. Não deu outra, ele é um excelente profissional, tenho muito orgulho dele — diz Bispo, que lembra de outros episódios de racismo com Matheus. — Em duas ou três ocasiões, agentes do Ipanema Presente o pararam para pedir documentos, e depois ele foi liberado. Quando eu vi o que aconteceu sábado, fiquei chocado. Foi grave, pesado. Como as pessoas fazem um troço desse? Eu não sou preto retinto, mas sofro para caramba como negro. Tenho trauma com banco, por exemplo. Será que a gente não tem direito de ter bicicleta elétrica? Só porque que ela é cara?

 

Se tivesse polícia no momento, poderia ser pior, lamenta o jovem

Originalmente, Ribeiro diz que não pretendia registrar ocorrência, por não acreditar que o caso vá para frente, pelas vias legais. Mas, após ouvir conselhos, decidiu levar o registro à delegacia.

—  O que eu espero é que no mínimo as pessoas que fizeram isso tenham consciência do que estão fazendo. Minha intenção na delegacia não é ganhar cesta básica. Eles aparentavam ser jovens formados nos estudos, e com informações que temos, precisamos estar ligados com isso — afirma o jovem.

Ele deu mais detalhes sobre como se deu a abordagem:

—  Estamos no Rio, claro que todo mundo tem medo de ser assaltado. Mas ali não havia nenhuma situação diferente. Estava todo mundo parado na rua. Por que eles pensariam que fui eu? Essas coisas que a gente fica se perguntando.

Desde o ocorrido, Ribeiro ainda não voltou para casa e continuou na casa da namorada. Mas seus familiares —   ele mora com a mãe, além das três irmãs morarem nas casas ao lado —  entraram em contato no fim de semana para perguntar como ele estava.

— Ficaram preocupadas, mas falei que eu estava tranquilo, que não ia deixar me abalar. Quando alguém próximo passa por isso, a gente fica com raiva né? Tentando entender. Mas é raiva momentânea — conclui o jovem, que ainda diz ter tido sorte da acusação não ter ganhado maiores dimensões naquele momento. — Conversei com amigos do trabalho hoje, e eu falei que dei sorte de não ter passado polícia. Para a polícia, até explicar que a bicicleta era do preto no Leblon poderia ser pior.

 

Confira o post original

"Agora já sem clima de amor
Na tarde de ontem, dia dos namorados, eu estava esperando minha namorada em frente ao shopping Leblon
Quando do nada me aparecem esses dois jovens com as seguintes frases:
“Você pegou essa bicicleta ali agora, não foi?”
“É sim, essa bicicleta é minha!” - replicou a jovem moça
E daí, eu sem entender nada, fui tentar mostrar pros dois que a bicicleta é minha, com fotos antigas com ela, chave, o que foi possível naquele momento de segundo.

Porém eu só consegui provar que a bicicleta é minha, quando sem minha autorização, o lindo rapaz pega o cadeado da minha bicicleta e tenta abrir
Frustrado com sua tentativa, ele diz que não me acusou, afinal, o rapaz só estava perguntando...
Moral da história, esses fi(...) não aguentam nos ver com nada, no mesmo lugar que eles?! Piorou.

Eu não era alguém pedindo esmola ou vendendo jujuba...
Um preto numa bike elétrica?! No Leblon???!
Aaah só podia ser, eu acabei de perder a minha, foi ele...



São coisas que encabulam o racista.

Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove

Então eu quero que todos vão se f(..), quem pensa igual, quem acha que é mimimi, mas principalmente quem não vê maldade em situações como essa. Isso não foi um desespero de quem foi furtado, isso o é o desespero do racista quando vê a gente perto.
Ela não tem ideia de quem levou sua bicicleta, mas a primeira coisa que vem a sua cabeça é que algum neguinho levou

E pra você, que é pretin igual eu, seja cuidadoso ao andar em lugares assim. Eles vão te culpar, pra depois verem o que aconteceu." Fonte: https://oglobo.globo.com 

Empresário com Covid morre três dias após ser batizado em leito do HC de Ribeirão Preto, SP

Ramon Kobelnik, de 34 anos, tinha manifestado vontade de receber sacramento antes de adoecer e planejava casar na igreja. Capelão do hospital realizou cerimônia na quinta, e ele morreu no domingo (13).

 

Ramon Kobelnik foi batizado e crismado em leito de CTI no HC Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação/HC Ribeirão Preto

 

Por G1 Ribeirão Preto e Franca

Um empresário de 34 anos, que estava internado no Hospital das Clínicas (HC) com Covid, morreu no domingo (13), três dias após ser batizado e crismado no próprio leito.

Ramon Kobelnik estava no Centro de Terapia Intensiva (CTI) há 43 dias. Segundo o hospital, a mulher dele, Jussara Carvalho, contou aos médicos que, antes de adoecer, o marido disse que tinha vontade de receber os sacramentos católicos. Ele queria se casar com ela na igreja e o filho do casal levaria as alianças até o altar.

Na quinta-feira (10), o padre Josirlei Silva, capelão do hospital, atendeu ao pedido do paciente e realizou uma cerimônia do batizado e crisma no CTI. Médicos e enfermeiros acompanharam as orações em silêncio.

Desde o início da pandemia, o religioso não parou de percorrer as alas para levar palavras de fé e esperança aos pacientes e aos profissionais de saúde, como parte do tratamento humanizado.

“Durante tudo isso que estamos passando, muitas vezes nos perguntamos onde está Deus que não responde às nossas orações. Ele está aqui e a resposta dele se dá através da mão de cada profissional de saúde. Deus não silenciou, ele se faz presente”, disse.

 

Mulher agradece nas redes sociais

Após a cerimônia, Jussara usou o perfil em uma rede social para agradecer o carinho e o cuidado do padre e da equipe médica do hospital. “Foi lindo e emocionante, agradeço a toda equipe o cuidado diário com o Ramon. Agradeço ao padre por realizar o desejo dele”, escreveu.

Passados três dias, o quadro de saúde do empresário se agravou, e ele morreu às 12h30 do domingo, segundo o hospital. Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram a morte do empresário.

 

Profissionais de saúde acompanham cerimônia de batismo e crisma no CTI do HC Ribeirão Preto, SP — Foto: Divulgação/HC Ribeirão Preto

Fonte: https://g1.globo.com

Especialistas alertam que não há vacina 100% eficaz e que imunizantes protegem contra formas graves da doença

 

Especialistas afirmam que uso de máscara e distanciamento deve continuar mesmo pra quem recebeu duas doses da vacina Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Cleide Carvalho e Jan Niklas

RIO E SÃO PAULO — Estudante do 5º ano de veterinária na cidade de Matão (SP), Giovanni Reggi Bortolani, de 22 anos, tomou a segunda dose da vacina CoronaVac no dia 4 de março. Um mês depois, após um jantar em família em que todos presentes acabariam contraindo a Covid-19 , ele também saiu infectado. Casos como esse — de pessoas que contraíram a doença mesmo após as duas doses da vacina — vêm causando dúvidas acerca da efetividade dos imunizantes contra o novo coronavírus.

Médicos e especialistas alertam que, mesmo após 14 dias da aplicação da segunda dose, quando se completa o ciclo de imunização, é sim possível contrair e transmitir o vírus. Isso ocorre porque as vacinas atualmente disponíveis protegem principalmente contra o desenvolvimento de formas graves da Covid-19, como explica Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas e do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

— Quando falamos da importância da vacinação não é que a pessoa vai estar totalmente livre de pegar a doença. Mas a chance dela ser internada, intubada e ter complicações cai expressivamente e assim combatemos a pandemia — aponta Richtmann.

 A especialista ressalta que nenhuma vacina é 100% eficaz. Ela explica que, apesar das diferenças de eficácia das vacinas, todas disponíveis para vacinação atualmente possuem uma proteção para prevenção de casos moderados e graves entre 75-80% com as duas doses.

Um estudo sobre a CoronaVac, por exemplo, feito pelo Ministério da Saúde do Chile, apontou que ela é 67% efetiva na prevenção da infecção sintomática pela doença; 85% para prevenir internações e de 80% na prevenção de mortes pela Covid-19. Já duas doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 podem ter cerca de 85% a 90% de efetividade contra o desenvolvimento da doença, segundo a Public Health England (PHE).

Além do tipo do imunizante, especialistas explicam que o principal fator que irá determinar o nível de proteção é o próprio organismo de cada paciente. Segundo a infectologista da Unicamp e consultora da SBI Raquel Stucchi, basicamente, há três grupos de reações às vacinas: quem desenvolve uma boa formação da imunidade celular e não adoece; aqueles que criam resposta parcial e podem ter casos leves;  e uma minoria que desenvolve poucas células de defesa e pode ter casos moderados e graves.

— Os pacientes que não desenvolvem imunidade a partir da vacina são na maioria idosos (devido ao processo de envelhecimento natural do sistema imunológico), imunodeprimidos e pessoas com comorbidades como obesidade e diabetes — diz Stucchi.

Faz parte desse grupo, por exemplo, a funcionária do setor de saúde de Franca, no interior de São Paulo, Cacilda Vendramini Ferreira, de 68 anos, que é diabética e hipertensa. Ela havia tomado a segunda dose em 2 de março e começou a se sentir mal em 10 de abril.  Ficou oito dias internada, cinco deles na UTI, mas não precisou ser intubada.

— Se eu não tivesse tomado a vacina poderia ter sido muito pior — afirma Ferreira.

Outra funcionária do setor de Saúde da cidade, Laudicéia Satler Duarte, 53 anos, tomou a segunda dose no dia 3 de março. No fim de maio seu marido contraiu a doença e ela também se infectou, apresentando sintomas como dor de garganta, sinusite e fraqueza leve.

— Eu achava que não pegaria. Mas acredito que a vacina ajudou a não ter sintomas mais graves — conta.

O imunologista Daniel Mansur, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) explica que quando tomamos a vacina treinamos nossas células para combater o vírus. Porém, em parte dos casos, as células de defesa treinadas contra o vírus acabam não sendo suficientes para combater o antígeno.

— O vírus não é uma entidade estática. Ele se multiplica, tem seus próprios mecanismos de defesa e vai usar de tudo para continuar se replicando. É uma “corrida armamentista”, e onde tiver menos resistência pode surgir a doença — define Mansur.

Por conta dessa capacidade do vírus de infectar mesmo após a vacinação, a infectologista Raquel Stucchi ressalta que a imunização é também importante para proteger outras pessoas e o próprio sistema de saúde.

— A gente insiste que a vacinação não é um ato individual, mas coletivo. Com muita gente vacinada diminui as internações e tende a diminuir a circulação do vírus. Assim a chance dessas pessoas cujo sistema imunológico não respondeu à vacina adoecerem diminui muito — analisa Stucchi.

Os especialistas alertam ainda para a importância de tomar as duas doses e completar o ciclo de imunização. Atualmente, apenas 11,11% da população brasileira recebeu as duas doses da vacina. Além disso, destaca Rosana Richtmann, se a pessoa se expõe muito a locais aglomerados, a chance dela se infectar mesmo imunizada também será maior.

— No hospital vejo muitas pessoas que, após 4 ou 5 dias da primeira dose já relaxam e acabam se contaminando e desenvolvendo a doença. Por isso é importante completar a imunização com a segunda dose e seguir usando máscara para proteger a si mesmo e aos outros — recomenda a infectologista.

O pneumologista Flávio Arbex, do município de Araraquara (SP), afirma que já atendeu pacientes que positivaram no teste de Covid mesmo depois de imunizados. A maioria evoluiu bem melhor do que aqueles que não foram vacinados.

— Mesmo vacinados, existe a chance de uma evolução ruim. Isso ocorre também com a vacina da gripe, não só com a da Covid — diz o profissional. — Não dá para baixar a guarda. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

Suspeita não foi localizada pela polícia e criança foi encaminhada para abrigo. Tanto a mãe quanto as pessoas na boca de fumo já tinham antecedentes criminais.

 

Um bebê de dois meses foi resgatado nesta terça-feira (8) depois de ser abandonado em uma boca de fumo em Pontes e Lacerda — Foto: Divulgação

 

Por Denise Soares e Alexia Schumacher, G1 MT e Centro América FM

Um bebê de dois meses foi resgatado nesta terça-feira (8) depois de ser abandonado em uma boca de fumo em Pontes e Lacerda, a 487 km de Cuiabá. De acordo com informações da Polícia Militar e da Polícia Civil, a mãe, de 28 anos, é usuária de drogas e deixou a criança no local como ‘garantia’ que retornaria ao local para pagar uma dívida de drogas.

A mãe não foi localizada até esta quarta-feira (9). Uma denúncia chegou ao Conselho Tutelar que, com apoio da Polícia Militar, foi até a boca de fumo e resgatou o bebê.

O ponto de droga fica em uma casa no bairro Residencial Vera, em Pontes e Lacerda. Duas mulheres estavam com a criança e não assumiram que a pegaram como garantia do pagamento.

Elas alegaram que a mãe pediu para que cuidassem do bebê. Tanto elas quanto a mãe têm antecedentes criminais por tráfico no estado.

Segundo a delegada Bruna Caroline Laet, foi aberta uma investigação para apurar o crime previsto no artigo 238, do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA): prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa.

“Nessa situação repugnante, a mãe de um bebê o entregou em uma boca de fumo como garantia que retornaria para pagar. A criança foi, de certa forma, um pagamento pela droga adquirida. Nas investigações vamos apurar a conduta da mãe e das pessoas que receberam o bebê como pagamento”, disse a delegada.

O bebê foi levado ao Lar de Apoio à Criança (LAC) de Pontes e Lacerda.

 

Decisão

Um dia antes, na segunda-feira (7), o juiz Cláudio Deodato Rodrigues Pereira, da 2ª Vara de Pontes e Lacerda, havia retirado temporariamente a guarda da criança da mãe. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPE) que já tinha conhecimento das atitudes de negligência da mãe.

A suspeita é usuária de drogas há 10 anos e tem cinco filhos. Com exceção do bebê, todos foram retirados do convívio dela. O primeiro morreu aos 2 anos, o segundo e o terceiro estão com pessoas que não são da família dela. Uma quarta criança está em um abrigo.

O MPE soube que ela estava frequentando bocas de fumo com o filho recém-nascido e entrou com o pedido na Justiça de Mato Grosso.

De acordo com a Justiça, o bebê estava sob os cuidados da avó da criança, mãe da suspeita, mas não pôde mais cuidar dele porque teve problemas cardíacos. Fonte: https://g1.globo.com

A decisão do comando do Exército de não punir o general Eduardo Pazuello facilitou o florescimento da insubordinação nos quartéis

A lamentável decisão do Comando do Exército de não punir o general intendente Eduardo Pazuello, que desafiou a hierarquia e a disciplina ao participar de ato político do presidente Jair Bolsonaro, não tem nenhuma relação com os valores e regramentos militares. Foi exclusivamente política.

O intendente Pazuello deveria ter sido punido de modo exemplar pelo Exército no mesmo dia em que subiu em um palanque ao lado de Bolsonaro durante comício no Rio de Janeiro, contrariando as normas das Forças Armadas e a Constituição. Não havia razão, a não ser política, para a hesitação do Comando do Exército na deliberação sobre o caso, pois as imagens eram claras.

Conforme a nota do Exército acerca da decisão, contudo, o Comando aceitou a cínica justificativa apresentada pelo intendente, obviamente combinada com Bolsonaro, de que o ato não era político-partidário porque não é época de eleição e porque o presidente não tem nem partido. Uma desfaçatez que desonra Caxias e insulta a inteligência dos brasileiros.

Na verdade, a “defesa” de Pazuello cumpriu apenas uma formalidade. Bolsonaro havia deixado claro que receberia como uma afronta à sua autoridade de comandante supremo das Forças Armadas qualquer punição a seu fidelíssimo “gordinho”, como o presidente jocosamente a ele se referiu no tal ato. A nomeação de Pazuello para um cargo no Palácio do Planalto reforçou os laços do intendente com o presidente, que assim mandou seu recado de valentão: mexeu com ele, mexeu comigo.

Ao escolher o apaziguamento com aqueles que insultam a história e os valores militares, o Exército facilitou o florescimento da insubordinação nos quartéis. Como comentou, alarmado, o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, o Exército “capitulou”. E Jungmann acrescentou: “É hora de reagir e de unidade, antes que seja tarde”.

Ao se calar, o Exército se torna um partido para Bolsonaro, e ninguém garante que os militares doravante não se dividirão em facções incontroláveis. Se o Exército não se manifestar pela manutenção da ordem constitucional e, afinal, pela manutenção da paz civil, como espera a maioria da Nação e dos cidadãos responsáveis, as Forças Armadas deixarão de ser o Grande Mudo.

Bolsonaro criou uma crise praticamente insolúvel, qualquer que seja o resultado. Rompe-se o preceito lembrado pelo marechal Castello Branco às vésperas da eclosão do movimento de 31 de março de 1964: se a alguns oficiais é dado apoiar o presidente da República na pugna política, a outra facção terá o mesmo direito de criticar e repudiar o mesmo presidente.

Isso significa a quebra da ordem civil, o fim das instituições tal como as conhecemos desde 1988 (a rigor, desde 1985) e a ruptura do sentimento de irmandade dentro do País.

É isso o que o presidente Jair Bolsonaro vem tentando fazer desde muito antes de se eleger presidente da República: dissipar a autoridade da Constituição de 1988 e dividir até obter a irrelevância dos Poderes do Estado – inclusive da Presidência, totalmente entregue por sua vontade, que acredita soberana, a seus filhos e familiares, ao gabinete do ódio e ao grupo rastaquera que no terceiro e no quarto andares do Palácio do Planalto lhe faz todas as vontades.

Essa destruição sistemática do Estado e do governo precisa acabar. Os militares da ativa e da reserva que o sr. Bolsonaro convocou para cumprir a sinistra tarefa de respaldá-lo em sua aventura golpista precisam demonstrar que de fato, como sempre afirmam, são patriotas – e, portanto, precisam demitir-se. Além disso, os políticos que se venderam a Bolsonaro por 30 moedas logo verão que a anarquia e a desordem esvaziam de valor os seus dinheiros.

A hora é esta. Cada qual escolha seu papel na história pátria. É o momento de apoiar as instituições, lastreadas nos valores indisputáveis da democracia, da República e da liberdade. Que os bons brasileiros façam o silêncio cair sobre os anarquistas golpistas que querem destruir a Nação e instalar aqui uma ditadura baseada na desordem e estruturada na milícia. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

Cairemos na escuridão permanente ou estamos chegando ao fim do túnel?

 

Fernando Gabeira, O Estado de S.Paulo

Para o jornal inglês The Guardian, a manifestação de motos comandada por Bolsonaro foi obscena. Para quem observa o cenário nacional, ele foi também um marco que vai definir expectativas para os próximos meses.

Com Bolsonaro, no palanque da manifestação, estava um general da ativa, Eduardo Pazuello. A reação do Exército a essa violação de suas regras ainda é uma incógnita. O Ministério da Defesa ia se pronunciar, mas foi proibido de fazê-lo por Bolsonaro. Tanto Bolsonaro como Pazuello são perfeitamente conscientes da provocação que lançaram.

Bolsonaro costuma se referir ao Exército como “o meu Exército”. Todos sabemos que o Exército é uma instituição que pertence ao País. Bolsonaro quer demonstrar que ele manda e pode até romper com o regulamento militar.

Se o Exército responder como se espera que responda, Bolsonaro terá de aceitar a punição de Pazuello e reconhecer mais uma vez que não consegue impor sua vontade pessoal. Se o Exército não responder, Bolsonaro sentirá que deu mais um passo no controle do poder. O que seus aliados nas ruas pedem, um avanço sobre instituições democráticas, seria mais viável nesse cenário.

Não só nos próximos meses, como na própria eleição de 2022, Bolsonaro vai se sentir à vontade para contestar o resultado das urnas e impor sua vitória, com movimentos parecidos com o ataque ao Capitólio, nos EUA. Não é um cenário fácil. Uma ruptura com a democracia nesse momento radicalizaria o isolamento internacional do Brasil.

As tentativas de Bolsonaro de ampliar seu apoio resultaram numa viagem ao Equador para a posse de Guillermo Lasso. Mas ela foi apenas uma revelação da dramaticidade desse isolamento, não só pela relativa importância do Equador, mas também pelo fato de que Lasso pode ser um conservador do mesmo estilo de Piñera, no Chile, isto é, mantendo certa distância da extrema direita. Se o Exército brasileiro aceitar essa aventura, vai entrar em choque com a própria população e o Estado será forçado a cometer barbaridades para se impor.

A ida de Pazuello e um grupo de militares para o Ministério já foi de uma grande irresponsabilidade histórica. Pazuello não é médico, desconhece o SUS, ignora o que se sabe sobre o vírus e nem sequer conhece o medicamento que foi levado a prescrever, a cloroquina. O resultado é conhecido de todos e não pode ser apagado pelas mentiras contadas na CPI.

O que leva militares a ocupar postos para os quais não estão preparados? A mística de que basta ser militar para resolver os problemas?

Na verdade, ao levar quase 3 mil militares para o governo, Bolsonaro exerce sobre eles a mesma atração que fascina os partidos fisiológicos. Os fisiológicos ocupam os cargos com claros interesses materiais. Mas os militares também estão sendo beneficiados, ampliando com altos salários os seus soldos. Recentemente o governo baixou portaria acabando com o teto salarial para um restrito grupo, entre eles os generais do Planalto.

Essa convergência entre militares e Bolsonaro se dá num momento de pandemia. A posição do governo é negacionista. Pazuello assumiu o ministério com esse espírito, a disposição de dificultar a compra das vacinas, porque, na visão negacionista, um remédio milagroso pesa mais do que investir em imunização. Em torno do meio do ano, o Brasil já terá perdido meio milhão de pessoas para a pandemia, segundo previsões da Universidade de Washington.

Não só a opinião pública nacional, mas o mundo inteiro sabe que existe uma condução negacionista e ela tem peso no número de mortes. Associar-se a essa política nefasta num contexto de ruptura democrática é um salto no escuro com consequências muito mais perenes do que o próprio regime ditatorial de 1964.

Não posso imaginar quantas gerações seriam necessárias para reatar os laços e curar as feridas. Já temos hoje 450 mil mortos, tratados com desprezo, sem nenhuma empatia ou solidariedade oficial.

Finalmente, é necessário perguntar: o que leva alguns militares a acharem que isso vá dar certo, que essa experiência tenha alguma viabilidade histórica?

O melhor caminho para os militares já foi trilhado pelos generais Santos Cruz e Rêgo Barros: retirada com dignidade e a tentativa permanente de dissociar o Exército, instrumento de Estado, de um governo/ideologia envenenado por concepções anticientíficas,

Não é possível encarar o Brasil apenas a partir das vantagens materiais que o governo proporciona. Há muitos políticos que fazem isso. Mas entrar na política para repetir velhos erros dos próprios políticos, mentir descaradamente, afrontar a própria instituição, não é isso que se esperava de quadros das Forças Armadas.

Alguns generais cooptados pelo governo Bolsonaro interpretaram a política como uma orgia na qual se podem mover sem nenhuma responsabilidade. São os neocínicos, uma categoria que merece análise especial, pois chegou envolvida numa retórica de novidade e decaiu sem chegar a florescer.

O domingo de louvor ao vírus é um marco e, ao mesmo tempo, um enigma: cairemos na escuridão permanente ou estamos chegando ao fim do túnel? Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

Alguns adolescentes, jovens receptores da vacina, desenvolveram miocardite após a injeção

 

Por Reuters

Robert Riccoban, de 13 anos, é inoculado pela enfermeira Karen Pagliaro no centro de vacinação em massa da Hartford Healthcare no Connecticut Convention Center em Hartford, Connecticut em 13 de maio de 2021. Foto: VCG

   

Alguns adolescentes e jovens adultos que receberam as vacinas COVID-19 experimentaram inflamação do coração, disse um grupo consultivo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, recomendando estudos adicionais sobre a rara condição.
O Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC em um comunicado datado de 17 de maio disse que examinou relatos de que alguns jovens receptores da vacina, predominantemente adolescentes e adultos jovens, e predominantemente homens, desenvolveram miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco.

A condição geralmente desaparece sem complicações e pode ser causada por uma variedade de vírus, disse o grupo do CDC.

Os sistemas de monitoramento do CDC não encontraram mais casos do que o esperado na população, mas os membros do comitê de vacinação consideram que os profissionais de saúde devem ser informados sobre os relatórios do "evento adverso potencial", disse o comitê no comunicado.

Não foi informado quantas pessoas foram afetadas e recomendou uma investigação mais aprofundada.
O Dr. Amesh Adalja, pesquisador sênior do Centro Johns Hopkins para Segurança Sanitária, disse que as vacinas são conhecidas por causar miocardite e seria importante monitorar para ver se há relação causal com a vacina. É importante olhar para a relação risco-benefício, acrescentou. 

"As vacinas vão ser inequivocamente muito mais benéficas do que este risco muito baixo, se estabelecido de forma conclusiva." O CDC disse que os casos ocorrem normalmente quatro dias após o recebimento das vacinas de mRNA. Não especificou quais vacinas. 

Os EUA deram autorização de emergência para duas vacinas de mRNA, da Moderna Inc e Pfizer / BioNTech.

O Ministério da Saúde de Israel disse em abril que estava examinando um pequeno número de casos de inflamação do coração em pessoas que receberam a vacina da Pfizer, embora ainda não tenha tirado nenhuma conclusão. A maioria dos casos em Israel foi relatada entre pessoas de até 30 anos de idade.

APfizer na época disse não ter observado uma taxa mais alta da doença do que seria normalmente o caso na população em geral e que uma relação causal com a vacina não havia foi estabelecido.

A Pfizer e a Moderna não responderam imediatamente aos pedidos de comentários no sábado. 
O CDC no final de abril, após notícias da investigação israelense, disse não ver uma ligação entre os dois. No início de maio, os reguladores dos EUA expandiram a autorização da vacina COVID-19 da Pfizer e da BioNTech para crianças de 12 a 15 anos.
O New York Times relatou anteriormente sobre a declaração do CDC. Fonte: https://www.globaltimes.c

A banalidade da mentira

A CPI está sendo útil para que os brasileiros se convençam de que estão sendo governados por um grupo político que milita ferozmente contra a verdade

 

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello mentiu várias vezes em seu depoimento à CPI da Pandemia. Em dois dias de oitiva, o general intendente, mesmo estando sob juramento, inventou respostas para questões sobre os mais variados temas – o relator da comissão, senador Renan Calheiros, apontou nada menos que 14 ocasiões em que Pazuello “mentiu flagrantemente” e “ousou negar suas próprias declarações”.

O repertório de imposturas é vasto. As mais relevantes dizem respeito à negociação para a compra de vacinas. O ex-ministro negou o que está fartamente documentado – que o governo ignorou ou boicotou diversas ofertas de imunizantes.

Pazuello chegou a dizer que o presidente Jair Bolsonaro “nunca” lhe deu ordem para interromper as conversas com o Butantan para a aquisição da Coronavac, fabricada pelo instituto paulista em parceria com a China. Confrontado com a lembrança de que Bolsonaro publicamente, e de maneira enfática, disse que jamais compraria a “vacina chinesa”, o ex-ministro teve a ousadia de argumentar que essa declaração do presidente não constituía uma ordem para cancelar a compra da Coronavac, e sim apenas uma “posição do agente político (Bolsonaro) na internet”.

Aos fatos. A primeira proposta do Butantan ao governo federal foi feita em julho do ano passado. Somente no dia 19 de outubro, o Ministério da Saúde assinou com o instituto um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. O entendimento foi anunciado numa reunião de Pazuello com governadores no dia seguinte. Ato contínuo, Bolsonaro informou que havia mandado cancelar o protocolo: “Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade”. Depois, gravou um vídeo com Pazuello em que o intendente declarou sobre o assunto: “Um manda, o outro obedece”. Mais claro, impossível.

Pazuello ofendeu a inteligência alheia a respeito de diversos outros temas, do desabastecimento de oxigênio em Manaus que resultou em muitas mortes até a campanha irresponsável pelo uso de remédios sem eficácia. O ex-ministro tinha um habeas corpus para se manter calado, de modo a não produzir provas contra si mesmo, mas aparentemente preferiu mentir o tempo todo, produzindo inúmeras provas de que a mendacidade é o que melhor traduz o governo Bolsonaro.

Isso já havia ficado evidente no depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, quando ele teve a coragem de negar que ajudou a criar inúmeras rusgas com a China – nosso principal parceiro comercial e origem dos insumos para a fabricação da vacina responsável por 80% da imunização no Brasil até este momento. A senadora Kátia Abreu chamou Araújo, muito apropriadamente, de “negacionista compulsivo”.

Assim, a CPI está sendo extremamente útil para que os brasileiros afinal se convençam de que estão sendo governados não apenas por mitômanos, mas por um grupo político que milita ferozmente contra a verdade. A mentira não é acidental ou circunstancial. Não é contada para escapar de situações constrangedoras ou para enganar eleitores na disputa por votos. É a essência da estratégia bolsonarista de destruição dos alicerces da democracia.

Não é possível alcançar consensos democráticos e formular políticas públicas realistas num ambiente em que o embuste é a norma e quando o debate público é travado com base em mentiras escandalosas produzidas por quem tem máxima autoridade política, como o presidente da República e seus ministros. Como informou singelamente o próprio ex-ministro Pazuello, as palavras do presidente Bolsonaro ditas em público são apenas “coisa de internet” – portanto, não devem ser levadas a sério.

Ou seja, a Presidência é ocupada hoje por um animador de auditório, que, de novo segundo o intendente Pazuello, “diz o que vem à cabeça”, para êxtase de seus fanáticos seguidores. E, ao contrário de ser cômico, esse comportamento é trágico. O quase meio milhão de mortos pela pandemia e a indiferença de parte da sociedade com a perda de 2 mil vidas por dia são o resultado da progressiva desmoralização da verdade. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

Aplicativo revolucionou não só o mundo do entretenimento como transformou-se em poderosa ferramenta de vendas

 

Ontem descobri as mil e uma utilidades de dois ingredientes que eu nem sabia que eram ingredientes: Bis e Oreo. Aprendi no TikTok ! Parece mágica: em segundos, o Luciano do Valle (@lucianodvs, 7,9 milhões de seguidores) transforma Oreos em sorvete, num vídeo, e em bolo, noutro. Com o jovem Gabriel Bernardes (@Downlicia, um milhão de seguidores) aprendi receitas de pipoca e chocolate quente que levam Bis, socado ou em cubos.

Nutella, margarina…. porcarias industrializadas viram doces num piscar de olhos em vídeos postados por influencers no TikTok — enganam-se os desantenados que pensam que a plataforma só serve para adolescentes replicarem dancinhas. Coreografias dominam, sim, mas também ganha-se fortunas postando comes e bebes. Rafael Licks, o @cheflicks (2,2 milhões de seguidores) sensualiza, dá tapões em um salmão cru e frita bife vendado, arrebatando centenas de milhares de likes (e de reais ?).

Desde 2018, o TikTok revolucionou não só o mundo do entretenimento como transformou-se em poderosa ferramenta de vendas. Em dois anos ganhou bilhões de usuários — inclusive adultos como o Maxi Riedel, CEO da Riedel, marca austríaca de taças de cristal, e o casal foodie Ana Lembo e Zé Soares (@dopaoaocaviaroficial, 199,2 mil seguidores)

como Dunkin’ e Wendy’s encorajam seus funcionários a se tornarem tiktokers : o impacto de posts autênticos é bem maior do que o dos superproduzidos. Quando uma receita viraliza — caso da #fetapasta, massa com molho de tomatinhos cereja e feta—, vendas explodem. A demanda pelo queijo cresceu a ponto de esgotar os estoques em diversos mercados americanos.

Nestlé, iFood e outras gigantes pagam caro por posts. Publicitária me garante que os maiores tiktokers do Brasil, como a Maísa (14,6 milhões de seguidores) não postam por menos de R$ 1 milhão. Fofa, ela, de pérolas e bustiê de plumas, tomando um sorvete da rede paulista Chiquinho… Conclusão? Estou virando obsoleta em três, dois… um! Fonte: https://oglobo.globo.com