União de todos contra o vírus

O iminente colapso do sistema de saúde em boa parte do País não permite relaxamento – nem das autoridades nem dos cidadãos

 

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

 

O Brasil superou a terrível marca de 250 mil mortes em decorrência da covid-19. É a maior tragédia nacional a se abater sobre as atuais gerações. Para aumentar ainda mais a angústia de milhões de brasileiros, nada indica que a pior fase da peste já tenha passado. Ao contrário, há evidentes sinais de recrudescimento da pandemia. No Amazonas, por exemplo, só nos dois primeiros meses de 2021 foram registradas mais mortes por covid-19 do que ao longo de todo o ano passado.

O novo coronavírus se espalha como nunca antes pelo País desde o início deste flagelo, há um ano. Há mais de um mês, os brasileiros convivem com a morte de mais de mil de seus concidadãos todos os dias. O número é subestimado. A baixa testagem e a imprecisão diagnóstica escondem a real dimensão da tragédia.

A campanha de vacinação, única saída para pôr fim ao morticínio, segue lenta, incerta. A distribuição das poucas vacinas que há é atabalhoada, vide a recente trapalhada ocorrida no envio dos imunizantes para o Amapá e o Amazonas.

Novas cepas do coronavírus, mais contagiosas, já circulam livremente Brasil afora, sem qualquer tipo de rastreamento pelas autoridades sanitárias.

Os sistemas de saúde de pequenas e médias cidades do interior do Brasil entraram em colapso. Médicos têm de decidir na porta dos hospitais quem será socorrido e quem terá de se haver com a própria sorte. Muitos cidadãos, em especial os mais jovens, comportam-se como se a pandemia tivesse passado. Ou pior, como se não lhes dissesse respeito. É muito difícil nutrir a esperança por dias melhores diante da ausência de um espírito mais fraterno que una a sociedade nos esforços para superar um mal que, independentemente da medida, afeta todos, sem distinções de qualquer ordem.

No mais rico Estado do País, São Paulo, estima-se que em apenas três semanas não haverá leitos de UTI para dar conta do atendimento de todos os doentes. É de imaginar o que pode ocorrer – na verdade, já está ocorrendo – em Estados sem as mesmas condições dos paulistas. O governador João Doria (PSDB) anunciou uma “restrição de circulação” entre 23 e 5 horas, que valerá de hoje até o dia 14 de março, para tentar conter o avanço da doença.

A medida está longe do ideal. Mas o que é “ideal” no atual estágio da pandemia e dos humores da sociedade? Ideal é o que é possível fazer. É verdade que a maior parte das pessoas já estaria recolhida naquele período, mas também é fato que há muitos eventos e festas clandestinas que reúnem pequenas multidões nas madrugadas. Os objetivos do governo paulista são coibir, na medida do possível, esses eventos e alertar a população, mais uma vez, de que as coisas não vão bem. Qualquer medida de restrição tem também essa função de alertar os cidadãos para o risco.

Sempre é possível questionar as chances de eficácia das medidas impostas pelo Palácio dos Bandeirantes, seguindo a recomendação do Comitê de Contingência da Covid-19, na contenção do espalhamento do vírus. No entanto, o fato é que, sejam quais forem as medidas adotadas por governos, no Brasil e no mundo, por melhores que sejam entre as paredes dos gabinetes de crise, de nada valerão se os cidadãos não as respeitarem na vida cotidiana. Em outras palavras, a solução para uma crise da magnitude da pandemia de covid-19 não depende apenas da atuação do Estado, mas também do engajamento da sociedade.

Evidentemente, não se está aqui a relativizar a enorme responsabilidade que os atos e as omissões das autoridades, em especial do presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, têm na construção dessa tragédia sem paralelos recentes. Chegará o dia em que a negligência de um e de outro será escrutinada pela Justiça. Entretanto, não cabe uma postura igualmente omissa e passiva de cada um dos cidadãos.

Hoje, o País chora a morte de 250 mil dos seus, e nada indica que a pandemia arrefecerá sem uma robusta campanha de imunização e sem a adoção de rigorosas medidas preventivas. O iminente colapso do sistema de saúde em boa parte do País não permite relaxamento – nem das autoridades nem dos cidadãos. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

O monopólio da virtude

O direito de opinião vale se a opinião do outro convergir com a nossa...

 

Basilio Jafet, O Estado de S.Paulo

Religiosos ou seculares, negros, brancos ou pardos, sentimos – com razão – que os desafios mais importantes de nosso país estão sendo ignorados e que seremos a primeira geração em muito tempo a deixar para trás um país mais fraco e mais dividido do que aquele que herdamos. Talvez mais do que em qualquer outro momento da nossa história recente, precisamos de uma nova política que possa explorar e usar como alicerce o entendimento comum que nos une como americanos.” A frase está no último livro do ex-presidente do EUA Barack Obama, A Audácia da Esperança: reflexões da reconquista do sonho americano. E poderia ficar por lá, não fosse sua essência tão aderente à nossa realidade.

Realidade que também se espelha em outro trecho da obra: “Rejeito qualquer política baseada apenas em identidade racial, identidade de gênero, orientação sexual ou vitimização geral. Acho que parte dos males que acontecem nas periferias de nossas cidades envolve um colapso cultural que não será curado apenas com dinheiro e que nossos valores, nossa vida espiritual, são tão importantes quanto nosso PIB”.

Não bastassem as inúmeras dificuldades tangíveis que enfrentamos (pandemia, solavancos da economia, desemprego, etc.), vimo-nos diante do desafio de tentar sobreviver às dificuldades intangíveis, que têm que ver com a cultura de valores.

A patrulha das redes sociais, legítimos canais da liberdade de expressão, vem causando perigoso constrangimento. O “nós contra eles” continua mais vivo do que nunca.

As consequências são representadas pela desunião e pelos conflitos internos no Brasil e em praticamente todos os países, com os povos se mantendo divididos. A democracia sobrevive com votações por margens apertadas e nenhum respeito aos perdedores.

O direito de opinião vale se a opinião do outro convergir com a nossa. E assim é na discussão de qualquer assunto. Por exemplo, quem defende o lucro resultante do trabalho honesto é mercenário, quem defende a volta às aulas é excluído, quem defende cidades inclusivas, com habitações acessíveis, só o faz por interesse de mercado. E por aí vai.

Sabemos que as pessoas têm necessidade de pertencer a um grupo. E hoje isso significa abraçar integralmente suas ideias. Mas o radicalismo atual está segmentando ainda mais uma sociedade já fatiada por renda, formação, status, posses (ou a falta completa de tudo isso).

E qual seria objetivamente a relevância dessa reflexão num momento que exige soluções efetivas para problemas concretos? Acontece que sentimentos moldam o caráter e as atitudes de todos nós. Dos que estão nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário definindo nossa vida. Dos responsáveis pela vacinação, pelo abastecimento, pela educação. Dos que produzem, vendem, consomem. Sentimentos determinam a qualidade das relações humanas e destas decorre a qualidade das cidades onde vivemos.

Polarização e radicalismo servem apenas ao oportunismo e ameaçam duramente a recuperação da economia nacional. Se ter lucro é pecado, trabalhar para quê? Se ter conhecimento é esnobismo, por que estudar? Defender o liberalismo não é coisa de capitalista ganancioso? Nesse processo, vamo-nos empobrecendo mútua e coletivamente. E não apenas em termos materiais: amesquinhamos nossa alma.

Pensar diferente significa, hoje, assumir uma bandeira ou outra. Se apresentamos propostas para o planejamento urbano, a bandeira oposta nem se dispõe a ouvir. Desclassifica-as e rotula-as de “especulação imobiliária”. Despreza o que poderia ser considerado desenvolvimento imobiliário. Coloca na estante do esquecimento os benefícios desse processo para a coletividade. E eterniza as periferias e a falta de acesso a teto digno.

Vamos sofrer muito, e mais uma vez, os efeitos perversos dessa dicotomia nas discussões do novo Plano Diretor de São Paulo, cuja revisão está programada para este ano. O contraditório é sempre bem-vindo. Mas não os contrários que se alimentam do acirramento de conflitos e se arvoram em detentores do monopólio da virtude (aquele que não pensa igual é antidemocrático, até mesmo fascista).

Quem assim age ignora o que nos ensinou sobre virtude o filósofo grego Aristóteles, no século 4.º aC. Segundo ele, a virtude é o meio de atingir a felicidade – o que todos nós, radicais ou não, almejamos.

E o que é a virtude, segundo Aristóteles? Agir de forma virtuosa é, nas diferentes situações, adotar o meio termo entre extremos. Para chegar ao final da vida e dizer que ela foi feliz é necessário treinarmos ou nos habituarmos a praticar ações virtuosas e não abdicar do bom senso.

No meio termo entre extremos não se apedreja quem pensa diferente; quem acredita, por exemplo, que o individualismo deve ceder lugar à solidariedade, à busca do bem comum (que nada tem que ver com comunismo); ou quem defende a ideia de as oportunidades serem, sim, mais igualitárias, porém cada um deve ser responsável pelo próprio sucesso.

É assim que funcionam a sociedade japonesa e, em certa medida, as escandinavas, pautadas no genuíno respeito aos outros. Temos muito a aprender com elas e, por esse caminho, melhorar, traçar perspectivas melhores e evitar que as próximas décadas se transformem num caos, numa distopia.

PRESIDENTE DO SECOVI-SP

Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

Segundo estatística da Rio de Paz, vítimas tinham entre 0 e 14 anos

 

Ana Carolina Torres

RIO — O presidente da ONG  Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, comentou, nesta terça-feira, o caso do adolescente Ray Pinto Faria, de 14 anos, morto nesta segunda-feira durante uma operação da Polícia Militar em Campinho, na Zona Norte do Rio. A família acusa PMs de terem executado o jovem. De acordo com Antônio Carlos, entre 2007 e 2021 o estado teve 81 crianças — de 0 a 14 anos — mortas por bala perdida:

— Ou, permita-me dizer, bala achada. Sempre que um menino e uma menina morrem de forma tão banal e hedionda pensamos que tudo vai mudar, mas nada muda. O motivo deve-se ao fato de que esses pequeninos moram em comunidades cujos moradores são considerados pelo poder público e grande parte da sociedades matáveis.

Antônio Carlos citou os dois casos mais recentes, ocorridos este ano. O da menina Ana Clara Gomes Machado, morta aos 5 anos durante uma operação da PM em Niterói, em 2 de fevereiro — o cabo Bruno Dias Delaroli, do 12º BPM (Niterói), foi preso em flagrante por suspeita de ter feito o disparo que atingiu a criança. E o de Alice Pamplona da Silva de Souza, também de 5 anos. Ele morreu meia-noite do dia 1º de janeiro durante uma festa de revéillon no Morro do Turano, no Rio Comprido, na Zona Norte da capital.

— Perguntas nos são feitas sobre essas mortes. Respostas objetivas são dadas por nós, estudiosos do tema da segurança pública. Mas as medidas que salvariam vidas não são implementadas e os crimes continuam. Essas tragédias deixariam de acontecer se armas não chegassem nas mãos de criminosos, se parte da sociedade parasse de celebrar a guerra e as nossas polícias entendessem que numa operação policial, mais importante do que a prisão do bandido é a preservação da vida do morador de comunidade pobre. Agora ficam as seguintes perguntas: o que vai mudar? O que o poder público fez pela família da Ana Clara, morta no início do mês e fará pela família do menino Ray? — questionou Antônio Carlos.

Além de acusar os PMs de terem executado Ray, a família do adolescente ainda acusa os agentes de o terem levado, baleado, da comunidade de Campinho para outra favela e só então seguirem para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte, com outras duas pessoas que também haviam sido feridos e acabaram morrendo.

Em nota, a Polícia Militar informa que "três indivíduos foram atingidos e socorridos ao Hospital municipal Salgado Filho" e diz que "todas as circunstâncias das ações estão sendo apuradas pelo Comando de Operações Especiais (COE) e pelo 1° Comando de Policiamento de Área (CPA)":

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o 1º Comando de Policiamento de Área (CPA) e o Comando de Operações Especiais (COE) atuaram na Zona Norte e parte da Zona Oeste da Cidade do Rio, na segunda-feira (22/02), para coibir a ação de grupos criminosos que disputam a Praça Seca. As equipes estiveram nas comunidades Caixa D' Água, Camarista Méier, Campinho, Fubá, Lemos Brito, Morro do Dezoito, Morro do Urubu e Saçu.Durante as ações, foram apreendidos três fuzis, três pistolas, duas granadas e entorpecentes. Três indivíduos foram atingidos e socorridos ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, onde não resistiram. Um quarto suspeito foi detido.Todas as circunstâncias das ações estão sendo apuradas pelo Comando de Operações Especiais (COE) e pelo 1° Comando de Policiamento de Área (CPA)As ocorrências foram apresentadas nas 24ª DP, 25ª DP e Delegacia de Homicídios da Capital.Ainda durante o dia, manifestantes depredaram um ônibus e agrediram seu motorista na Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura. A mobilização foi contida por equipes policiais e 29 pessoas foram conduzidas à 28ª DP. Um coletivo foi incendiado na região na parte da noite.A Corporação reitera seu compromisso com a atuação técnica e idônea de seus policiais e reforça os canais da Corregedoria da Polícia Militar para denúncias, através do telefone (21) 2725-9098 e do e-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. O anonimato é garantido".

Armas de agentes apreendidas

As armas dos agentes que participaram da operação foram apreendidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e passarão por perícial, informou a Polícia Civil em nota. De acordo com a corporação, parentes da vítima e PMs prestaram depoimento. A nota destaca ainda que "diligências estão sendo realizadas para identificar outras testemunhas que ajudem a esclarecer o homicídio". Fonte: https://oglobo.globo.com

Família, resposta ao crime

A pobreza material castiga o corpo, mas a falta de amor corrói a alma

 

Carlos Alberto Di Franco, O Estado de S.Paulo

Jovens de classe média e média alta têm frequentado o noticiário policial. Crimes, vandalismo, consumo e tráfico de drogas deixaram de ser marca registrada das favelas e da periferia das grandes cidades. O novo mapa do crime transita nos bares badalados, vive nos condomínios fechados, estuda nos colégios da moda e não se priva de regulares viagens ao exterior. O fenômeno, aparentemente surpreendente, é o reflexo de uma cascata de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da delinquência é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do bombardeio de setores do mundo do entretenimento que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores.

Os pais da geração transgressora têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. O delito não é apenas reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta e carência. A pobreza material castiga o corpo, mas a falta de amor corrói a alma. Os adolescentes, disse alguém, necessitam de pais morais, e não de pais materiais. A grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, mas mais cruel: desumanização das relações familiares.

Reféns da cultura da autorrealização, alguns pais não suportam ser incomodados pelas necessidades dos filhos. O vazio afetivo, imaginam na insanidade do seu egoísmo, pode ser preenchido com carros, boas mesadas e consumismo desenfreado. Acuados pela desenvoltura antissocial dos seus filhos, recorrem ao salva-vidas da psicoterapia. E é aí que a coisa pode complicar. Como dizia Otto Lara Rezende, com ironia e certa dose de injusta generalização, “a psicanálise é a maneira mais rápida e objetiva de ensinar a odiar o pai, a mãe e os melhores amigos”. Na verdade, a demissão do exercício da paternidade está na raiz do problema. A omissão da família está se traduzindo no assustador aumento da delinquência infantojuvenil e no comprometimento, talvez irreversível, de parcelas significativas da nova geração.

Se a crescente falange de adolescentes criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os próprios filhos. Não é difícil imaginar em que ambiente afetivo se desenvolvem os integrantes das gangues bem-nascidas. As análises dos especialistas em políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família. Mas o nó está aí. Se não tivermos a firmeza de desatá-lo, assistiremos, acovardados e paralisados, a uma espiral de crueldade sem precedentes. É uma questão de tempo. Infelizmente.

O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. Pena é termos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio. A sociedade precisa de um choque de bom senso. O erro deve ser condenado e punido. A solidariedade deve ser recuperada. É preciso ensinar à moçada que o ser está acima do ter. Gastamos muito tempo no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas. O resultado é uma geração desorientada, vazia e imatura.

O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento estão na outra ponta do problema. A era do mundo do espetáculo, rigorosamente medida pelas oscilações da audiência, tem na violência um de seus carros-chefes. A transgressão passou a ser a diversão mais rotineira de todas. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de engomadinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de TV crescem à sombra da exploração das paixões humanas. Ao subestimar a influência perniciosa da violência ficcional, levam adolescentes ao delírio em shows de auditório que promovem uma grotesca sucessão de quadros desumanizadores e humilhantes. A guerra pela conquista de mercados passa por cima de quaisquer balizas éticas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o marketing do entretenimento com conteúdo violento está apontando as baterias na direção do público infantil.

A onipresença de uma televisão pouco responsável e a transformação da internet em descontrolado espaço para manifestação de atividades criminosas (pedofilia, racismo e oferta de drogas, frequentemente presentes na clandestinidade de alguns sites, desconhecem fronteiras, ironizam legislações e ameaçam o Estado Democrático de Direito) estão na origem de inúmeros comportamentos patológicos.

É preciso ir às causas profundas da delinquência. Ou encaramos tudo isso com coragem, ou seremos tragados por uma onda de violência jamais vista. O resultado final da pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise da autoridade está apresentando consequências dramáticas. Chegou para todos a hora de falar claro. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus dramáticos efeitos antissociais.

JORNALISTA. E-MAIL: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

 

Quatro pessoas morrem após uma explosão atingir uma casa no bairro de Mãe Luzia, na Zona Leste de Natal, no Rio Grande do Norte, na madrugada deste domingo (07).

 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a suspeita é que a explosão tenha ocorrido por causa de um botijão de gás; pelo menos cinco residências sofreram os impactos da explosão.

Duas pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

Segundo a nota divulgada pelas secretarias de Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte, os imóveis vizinhos ao local do desmoronamento foram isolados e serão avaliados pela perícia técnica.

Os nomes das vítimas ainda não foram divulgados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia do estado. Fonte: https://bandnewsfm.band.uol.com.br

Com imagens do Cais de Santa Luzia, neste sábado de Graças e Bênçãos do nosso Bom Deus.

 

Originária do Amazonas, essa nova cepa brasileira é uma das três que atraíram atenção mundial recentemente

Na última terça-feira, o governo aprovou um aumento nas restrições à entrada no país por via aérea a partir do Brasil e da África do Sul para evitar novas cepas da Covid-19

Por Jovem Pan

As autoridades sanitárias da Espanha notificaram nesta sexta-feira, 5, o primeiro caso da variante brasileira da Covid-19 no país, detectado em Madri, em um homem de 44 anos procedente do Brasil que desembarcou no aeroporto de Barajas, no dia 29 de janeiro. Ele chegou à Espanha com um teste PCR negativo na origem, mas foi realizado um teste antigênico com resultado positivo no aeroporto de Madri. Posteriormente, o homem foi transferido para um hospital na capital espanhola, onde passou por um novo PCR que deu resultado positivo, informou hoje a Secretaria de Saúde de Madri, em um comunicado.

Na última terça-feira, o governo espanhol aprovou um aumento nas restrições à entrada na Espanha por via aérea a partir do Brasil e da África do Sul para evitar essas variantes detectadas do coronavírus. Até o momento, a mutação britânica é a mais difundida no país e vários casos da sul-africana estão sendo estudados.

Originária do Amazonas, essa nova cepa brasileira é uma das três que atraíram atenção mundial recentemente, junto com as que foram detectadas no Reino Unido e na África do Sul, por ser considerada altamente contagiosa. Além da Espanha e Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou no último dia 27 que a variante detectada em Manaus já estaria presente em outros sete países: AlemanhaCoreia do SulEstados UnidosIrlandaItáliaJapão e Reino Unido. Fonte: https://jovempan.com.br

Vive-se a perigosa tolice de haver gente que negue a vacina e invente mentiras estapafúrdias

 

Flávio Tavares, O Estado de S.Paulo

 

Todas as urgências e emergências fazem perder de vista a origem profunda dos próprios problemas, ou até da vida em si. Se, por exemplo, alguém estiver se afogando por não saber nadar, seria absurdo mandar que, para se salvar, tenha aulas de natação, cuja ausência seria, de fato, a causa do eventual afogamento.

Mas as urgências mostram as carências ou erros acumulados, como agora com as vacinas da covid-19. Tal qual noutros setores, continuamos dependentes da ciência e da tecnologia estrangeira. Temos de apelar (ou mendigar) a dois países asiáticos, China e Índia, que – meio século atrás – tinham o mesmo nível de subdesenvolvimento do Brasil. Os chineses constituem, hoje, uma potência mundial e desbravam até o espaço.

O caso da Índia, porém, é, talvez, mais emblemático. Nossa independência ocorreu em 1822. A Índia tornou-se independente somente em 1947, 125 anos depois do grito às margens do riacho Ipiranga. As diferenças começam em que nós tivemos Pedro I, príncipe devotado à vida mundana, enquanto os indianos tiveram Mahatma Gandhi e sua pregação de analisar para resistir, mas com cordura e não violência.

Não tento estabelecer comparações, pois as duas sociedades são diferentes em termos históricos. Na Índia persiste o brutal e opressivo regime de castas. Paralelamente, porém (e em liberdade), desenvolveram a pesquisa científica e tecnológica, enquanto, aqui, a normalidade democrática era interrompida por duas décadas de ditadura e cada um de nós se extasiava em ser campeão mundial no futebol, pondo o desporto como parte essencial da vida. Além disso, vivemos montados num Estado burocrático, em que os papéis contam mais do que a realidade.

Conclusão: hoje, vimos nossos governantes pedindo ajuda aos governantes da Índia e da China para não nos deixarem sem os componentes farmacêuticos da vacina contra a covid-19... Sabemos copiar seguindo as normas vindas do estrangeiro, mas não nos interessamos em criar a partir da experimentação científica.

As vacinas que o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz fabricam aqui dependem totalmente de insumos farmacêuticos do exterior. Portanto, são “nossas vacinas” somente na mão de obra científica da etapa final. Ou, para usar uma caricatura verbal: no Brasil, descobrimos a água morna a partir do esfriamento da água fervente...

Nunca o mundo viveu algo tão brutal quanto a covid-19, amontoando mortos em todos os continentes. Em Portugal, com os hospitais lotados, os doentes são levados para a Áustria e já existe “crise funerária”. Escasseiam coveiros e cemitérios, tal qual meses atrás em Manaus. Aqui, no Brasil, os contagiados em Rondônia ou no Amazonas são levados, agora, para São Paulo e Rio Grande do Sul para serem medicados. Com isso, a nova variante amazônica do vírus corre o risco de se espalhar pelo Sudeste e o Sul, ampliando ainda mais o horror.

Muito antes, no início da pandemia, o desdém do governo federal abriu portas à expansão da peste. O presidente da República negou, sempre, o perigo, chegou a chamar a covid-19 de “gripezinha” sem importância e, hoje, insiste no absurdo de dizer que não se vai vacinar, como se proclamasse uma verdade a ser seguida pela população.

A postura de Jair Bolsonaro torna-se, assim, um acinte e uma agressão não só à ciência, mas até ao sentido comum. Como todo absurdo, tem o falso requinte de “ser diferente” e assim consegue adeptos e seguidores. No caso de Bolsonaro, há um perigoso e extravagante fanatismo que multiplica o horror entre a população desinformada que o apoia de boa-fé.

E, assim, hoje se vive a perigosa tolice de haver gente que negue a vacina e até invente e espalhe mentiras estapafúrdias pelas chamadas “redes sociais”. A mais estrepitosa inventa que “a vacina pode mudar o DNA de quem a receba...

Nesse monturo de desperdícios, seria até desnecessário lembrar o “mal menor” da pandemia ou de como pisoteia nosso idioma e o substitui por desnecessárias expressões em inglês. Dizemos lockdown em vez de “bloqueio total” ou “fecha tudo”, tal qual nos vacinamos em drive-thru e não “ao dirigir o carro”.

A balbúrdia provocada pela desorganização do governo federal na distribuição da vacina fez com que deixássemos de lado a ameaça permanente e ainda mais perigosa da crise climática.

Tempos atrás, o papa Francisco alertou: “Não há duas crises separadas – uma ambiental e outra social –, mas uma única e complexa crise socioambiental”.

Vale relembrar as palavras do papa aos ministros de Economia de oito países europeus: “Se nos aproximamos da natureza sem admiração e encanto, se deixamos de falar a língua da fraternidade e da beleza da nossa relação com o mundo, então nossas atitudes serão as do dominador, de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de impor um limite aos seus interesses imediatos”.

Aqui, ignoramos as maldades e pisoteamos a beleza da natureza. Fonte: https://opiniao.estadao.com.br

 

Deng Lingling (à esquerda) e Deng Junwei se beijam enquanto exibem suas certidões de casamento em frente ao cartório de registro de casamento do Gabinete de Assuntos Civis do Distrito de Nanshan em Shenzhen, província de Guangdong do Sul da China, 14 de fevereiro de 2020. Foto: Xinhua

De Chen Xi

 

Uma hashtag para “o salário anual dos conselheiros matrimoniais em Xangai ultrapassa milhões de yuans” no site de mídia social chinês Sina Weibo estimulou o debate entre os internautas chineses, muitos dos quais suspeitam que a indústria seja fraudulenta.

De acordo com relatos, uma instituição de aconselhamento matrimonial em Xangai oferece cursos sobre como salvar casamentos, administrar casos extraconjugais e cura pós-divórcio. Seu curso de administração de casamento custa 10.000 yuans (1.578 dólares) por hora, uma série de cursos custa 19.800 yuans e os cursos de treinamento de gerente de casamento custam 49.800 yuans. Os conselheiros matrimoniais podem ganhar mais de 1 milhão de yuans por ano. 

Um conselheiro matrimonial, Zhu Shenyong, acredita que o curso de administração matrimonial é diferente de outros cursos no mercado. Zhu diz que ensina seus alunos a administrar um casamento usando métodos semelhantes aos usados ​​na administração de uma empresa. 

A hashtag ganhou 190 milhões de visualizações no Weibo na quarta-feira. Muitos internautas chineses disseram nunca ter ouvido falar da ocupação antes e questionaram sua validade. Alguns expressaram simpatia por aqueles que precisam do serviço, mas expressaram dúvidas sobre se funcionaria.

"Isto é ridículo. É tão horrível usar o dinheiro que seu marido lhe deu para administrar seu casamento e cair no ciclo vicioso de negar o casamento. Um casamento infeliz não é causado em um dia. Como um problema tão complicado pode ser resolvido por meio de um curso ou treinamento? ” disse um internauta no Weibo.

“Sinto muito pelos alunos, porque eles sofreram uma lesão emocional em seu casamento e agora estão sofrendo um golpe econômico. Espero que essas assim chamadas indústrias emergentes possam ser profissionais. Seria melhor fazer algo benéfico para a sociedade sob uma estrutura legal adequada ”, disse outro internauta.

Shen Binti, advogado baseado em Pequim, disse ao Global Times na quarta-feira que é difícil resolver problemas de casamento por meio de cursos. Ela disse que os cursos geralmente são embalados pelos chamados especialistas e oferecem algumas falsas promessas. 
“Eles são suspeitos de explorar brechas na lei. Se for sério, pode envolver fraude criminosa ”, disse Shen. 

Xia Yinlan, professor da Universidade Chinesa de Ciência Política e Direito em Pequim, disse ao Global Times que, ao encontrar problemas no casamento, pedir ajuda às pessoas ao seu redor, como pais, primos e amigos, pode ajudar a aliviar os problemas.

“Ao procurar uma agência para consulta, você deve estar atento ao compliance da agência. Organizações regulares, como aconselhamento psicológico, advogados ou federações de mulheres, são mais seguras e confiáveis ​​”, sugeriu Xia. Fonte: https://www.globaltimes.cn

Com novas variantes do coronavírus, tsunami no Brasil se aproxima

A questão não é quando vão chegar novas cepas, mas qual será a intensidade e o preparo

 

Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 05h00

 

Tudo indica que um tsunami vai atingir o Brasil. A Europa e Manaus já estão sofrendo com novas cepas do Sars-CoV-2 que se espalham rapidamente. Elas são difíceis de controlar, aumentam o número de mortes por 100 mil habitantes, e conseguem ludibriar parcialmente o sistema imune dos já infectados e vacinados. A solução na Europa tem sido trancar a população em casa e vacinar em questão de semanas todo o grupo de risco com as vacinas da Pfizer e Moderna. E na falta destas, com a vacina da AstraZeneca. A questão não é se esse tsunami vai se espalhar pelo Brasil, é quando isso vai acontecer, qual a intensidade, e se vamos estar preparados. Para sentir o perigo basta entender um dos trabalhos publicados esta semana sobre as novas cepas. Escolhi o estudo feito pelo grupo de David Ho. Ele é um cientista que você pode descrever em uma frase: Ho transformou a AIDS de uma sentença de morte em uma doença crônica controlável por um coquetel de antirretrovirais. Foi dele a ideia de evitar o aparecimento de novas cepas de HIV usando combinações de drogas. São os coquetéis que usamos até hoje. 

O trabalho possui uma quantidade enorme da dados coletados usando uma versão da metodologia que descrevi semana passada. Utilizando técnicas de engenharia genética o grupo de Ho é capaz de construir e testar as propriedades das mais diferentes cepas do SARS-CoV-2. Cada cepa contém uma ou mais das mutações da Inglaterra (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351). Para a cepa inglesa, além da original que já circula, os cientistas construíram cepas contendo cada uma das 8 mutações mais importantes. Para a cepa da África do Sul, além da própria, foram construídas cepas com cada uma das 9 mutações. De posse dessa coleção, os cientistas mediram sua capacidade de invadir células humanas. Essa medida foi feita na presença e na ausência de anticorpos gerados contra o SARS-CoV-2 original. Esse experimento permite determinar a capacidade de cada anticorpo de bloquear a entrada de cada cepa em células humanas. Anticorpos que evitam a entrada (chamados de neutralizantes) devem proteger a pessoa. Os que não evitam a entrada não devem proteger.

Num primeiro estudo foi averiguada a capacidade de 18 anticorpos monoclonais (como os utilizados para tratar Donald Trump) de neutralizar cada uma das cepas. São 324 experimentos distintos. Em seguida os cientistas repetiram o experimento usando os anticorpos presentes no soro de 20 pacientes que se recuperaram de casos graves e leves de covid-19 causado pelo SARS-CoV-2 original. Isso gerou outra tabela com 360 resultados. Finalmente repetiram os experimentos usando os anticorpos presentes no soro de 22 pessoas que haviam sido imunizadas com a vacina da Pfizer (10 pessoas) e da Moderna (12 pessoas) para verificar se essas cepas conseguiam escapar dos anticorpos gerados por essas duas vacinas. São mais 396 resultados.

Os cientistas conseguiram determinar quais anticorpos neutralizam qual cepa. A primeira conclusão é que a inglesa, B.1.1.7, não é neutralizada por nenhum dos anticorpos dirigidos para a região N-terminal da proteína Spike do SARS-CoV-2 original. Entretanto ela é parcialmente bloqueada pelos anticorpos que se ligam na região que o vírus usa para entrar na célula. Mais importante, a cepa B.1.1.7 é três vezes mais resistente aos anticorpos presentes nas pessoas que tiveram covid-19 causada pelo SARS-CoV-2 original e duas vezes mais resistente aos anticorpos presentes nas pessoas vacinadas. Ou seja, não somente ela se espalha rapidamente, mas parece possuir características que a ajudam a despistar a resposta do sistema imune.

Já a cepa da África do Sul, B.1.351, é muito mais preocupante. Ela não é bloqueada pelos anticorpos monoclonais, é de 11 a 33 vezes mais resistente aos anticorpos presentes no soro de pessoas previamente infectadas e de 6,5 a 8,6 vezes mais resistente que o vírus original aos anticorpos gerados pelas vacinas da Pfizer e Moderna.

A conclusão é de que essas duas cepas, que estão se espalhando pelo mundo, podem tornar inúteis os anticorpos monoclonais que estão sendo desenvolvidos como tratamento e devem ameaçar de forma significativa a eficácia das vacinas. É por esse motivo que a Pfizer e a Moderna já anunciaram que estão desenvolvendo novas versões de suas vacinas.

Esse estudo não analisou a nova cepa de Manaus (semelhante à cepa sul-africana), e não analisou a capacidade das três cepas (Inglaterra, África do Sul e Manaus) de burlar as defesas criadas pelas vacinas Cononavac e AstraZeneca. Ou seja, não sabemos ainda as propriedades da cepa de Manaus nem como as vacinas que dispomos vão se comportar diante dessas novas cepas. 

É uma questão de tempo a disseminação dessas cepas pelo Brasil, mas muito provavelmente elas vão chegar antes de vacinarmos uma fração significativa da população. Nos EUA se acredita que elas serão dominantes nas próximas semanas. 

Desculpem o pessimismo, mas é melhor apertar os cintos e nos prepararmos para o pior. E lembrem: no início de 2020, quando o coronavírus demorou um pouco mais para chegar ao Brasil, muitos acreditavam que ele não chegaria por aqui. Fonte: https://saude.estadao.com.br

 Comediante que acaba de anunciar que será pai foi um dos responsáveis pela campanha de doação de oxigênio para Manaus

 

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

Aos 26 anos, Whindersson Nunes anuncia que vai ser pai pela primeira vez Foto: Reprodução/Instagram de Whindersson Nunes

Whindersson Nunes é notícia e isso não é de hoje. Quem namora, de quem se separa, se está deprimido ou envolvido em algum comentário polêmico. Tudo o que ele faz alimenta o noticiário de celebridades. Nos últimos dias, porém, o comediante de 26 anos e dono do segundo maior canal brasileiro no YouTube, com mais de 41 milhões de seguidores (KondZilla tem 63 milhões), virou notícia por outra coisa: ele liderou uma grande campanha de doação de oxigênio e respiradores para Manaus, que via seu sistema de saúde entrar novamente em colapso levando à morte de pacientes com coronavírus por falta de oxigênio nos hospitais. Nesta quinta, 28, ele voltou aos holofotes ao anunciar a gravidez de Maria, sua namorada.

Nascido em 1995 em Bom Jesus, cidade com 30 mil habitantes, e criado em Santa Luz, com cerca de 2 mil, o piauiense Whindersson Nunes é filho de representantes comerciais e tinha escolhido a profissão de analista de sistema porque, segundo lhe disseram, ele poderia ganhar R$ 10 mil por mês. Era um bom salário para o garoto sonhador que já tinha feito bicos de garçom. Ele até estudou para ser técnico em informática, mas começou a fazer alguns vídeos em seu quarto, para postar no YouTube, e foi pegando gosto. 

Não que tenha dado certo logo de cara. Não tinha graça, ninguém via. Fez a autocrítica, se preparou melhor. O sucesso veio com a paródia Alô vó, to reprovado. Hoje, oito anos depois, o vídeo soma 8 milhões de pageviews. É muito - mas não é nada comparado com o do show Proparoxítona, compartilhado no canal em dezembro de 2017 e que soma mais de 99 milhões de visualizações.

Seus números são todos superlativos. O segundo vídeo mais visto, o show Marminino, tem 87 milhões de visualizações. O terceiro é Qual é a senha do wi-fi, paródia de Adele, com 76 milhões de views. E por aí vai.

Whindersson Nunes alterna, em seu canal, essas paródias com outros tipos de vídeos. Também bastante populares são aqueles em que ele fala sobre as diferenças de classe, como a parádia de Ed Sheeran Eu cansei de ser pobre (65 milhões), Criança de rico e criança de pobre (62 milhões) e Escola de rico e de pobre (44 milhões). Ele imita artistas, dubla cenas e comenta filmes, dança, canta, faz caras e bocas.

Com o primeiro grande pagamento que recebeu, deu entrada em um carro. Com o segundo, contou em entrevista, “arrumou os dentes”. Tem mansão em Fortaleza, que custou R$ 1 milhão, um jatinho para seis pessoas e outros investimentos que não revela.

Teresina foi a primeira cidade grande em que viveu. Chegou sem nada. Hoje mora em São Paulo, cidade que escolheu para facilitar sua locomoção - antes da pandemia, ele fazia um show atrás do outro em cidades espalhadas pelo Brasil todo e também em outros países. 

Ex-evangélico praticante, não por influência da família, mas por vontade própria, Whindersson Nunes já contou que não faz piada sobre política. Também não fala sobre religião. Mesmo evitando esse tipo de tema mais polêmico, às vezes desagrada - como quando, no programa Caldeirão do Huck, em 2018, resolveu fingir que era um intérprete de libras. Ele pediu desculpas.  

Seu trabalho é fazer com que a maioria goste dele, ele disse em uma entrevista. Sua meta para 2021, revelou nas redes sociais, é ficar rico. Mais rico. O primeiro casamento, com a cantora Luísa Sonza, acabou. Seu novo relacionamento está exposto também nas redes sociais, onde acaba de anunciar que vai ser pai pela primeira vez - em apenas 11 horas, até a publicação deste texto, o post somava 8,9 milhões de likes e 335 mil comentários. Whindersson é uma pessoa pública. Muito pública. São 49 milhões de seguidores no Instagram; 20 milhões no Twitter e 5,8 milhões no Facebook. E a pressão vem.

Whindersson é muito jovem, trabalha demais e tem muita responsabilidade. Em julho de 2019, ele revelou que sofria de depressão e estava se tratando com remédio e adotando um estilo de vida menos acelerado. Tirou um período sabático para se cuidar. Com a pandemia - e shows cancelados - Whindersson desacelerou ainda mais.

Há um especial dele e sobre ele na Netflix: Whindersson Nunes - Adulto. Sua cinebiografia está sendo produzida. E ele já atuou em Os Parças e Os Parças 2, ao lado de Bruno De Luca, Tom Cavalcante e Tirulipa, e em Os Roni. Isso tudo sem descuidar de seu próprio canal. 

A recente doação para Manaus para ajudar no tratamento de pacientes com coronavírus não foi a primeira manifestação de preocupação e de solidariedade de Whindersson Nunes, que já disse em entrevistas que gostaria de “fazer alguma coisa” pelo outro, e não dar apenas o que lhe resta. Naquela época, em 2019, ele disse que pensava em criar algum projeto ou instituto que ajudasse as crianças a se tornar adultos melhores e também considerava financiar pesquisas científicas. Fonte: https://cultura.estadao.com.br

Quando o Programa Nacional estiver funcionando normalmente, aí vai aparecer o imunizante no sistema privado

 

Vamos falar francamente: ainda neste ano, mais para o segundo semestre, hospitais e clínicas particulares estarão oferecendo vacina contra a Covid-19, em caráter suplementar ao Programa Nacional de Imunizações — e tudo de acordo com a Constituição.

Um pouco de história: a Constituinte de 1988 tinha um viés claramente estatizante. Por isso, temos o Sistema Único de Saúde — e o “único” aí não era apenas um modo de falar. A ideia era essa mesma: um sistema estatal, universal e gratuito. E obrigatório, vetando a medicina privada.

Só não ficou assim por dois motivos. Primeiro, porque seria preciso estatizar hospitais, clínicas e mesmo consultórios privados. E não havia dinheiro para isso — já que não se poderia simplesmente confiscar tudo, como se fosse uma ditadura.

O segundo motivo vai na mesma linha: teria o Estado os recursos necessários para esse sistema gratuito? Está lá no artigo 196: que a “saúde é direito de todos e dever do Estado” e que será garantido “acesso universal e igualitário”.

Reconhecendo isso, os constituintes incluíram o artigo 199, dizendo que a assistência à saúde é “livre à iniciativa privada”. Como isso estava em contradição com o contexto, colocaram-se várias ressalvas: essa atuação seria “complementar” e controlada pelo SUS, seria vedada a empresas estrangeiras e se daria preferência às instituições filantrópicas em relação àquelas com fins lucrativos.

O entendimento dos estatizantes era simples: com o tempo, dada a qualidade e gratuidade do SUS, o sistema privado desapareceria ou ficaria apenas para os poucos milionários.

O mundo andou, e como estamos hoje? Mais de 40 milhões de contratos particulares com planos e operadoras de saúde, muitas de capital estrangeiro. E um sistema privado de qualidade internacional.

Isso já funciona no caso da Covid-19. Os hospitais e clínicas particulares atendem os doentes e aplicam os testes. Aliás, os altos dirigentes da República se tratam nesses hospitais.

 

Por que, portanto, não podem vacinar?

Por questões econômicas, éticas e políticas. Na economia: ainda há escassez de vacinas em relação à demanda mundial. As farmacêuticas que já têm o imunizante estão vendendo apenas para governos e instituições multilaterais, como a OMS. A entrada do setor privado no negócio, no mundo, aumentaria ainda mais a demanda e elevaria os preços. Assim, se cairia onde os líderes mundiais de respeito tentam evitar: que os ricos passem na frente.

Mas, para falar francamente, de novo, ricos, no cenário mundial, estão tentando passar à frente. A União Europeia encomendou 400 milhões de doses à AstraZeneca, para entrega neste primeiro trimestre. A farmacêutica avisou, nestes dias, que não conseguirá entregar nem metade disso. Qual a reação de parte dos líderes da União Europeia. Proibir a AstraZeneca, que tem sede na Europa, de exportar sua vacina antes de atender a toda a demanda da comunidade. Ainda bem que líderes como a alemã Angela Merkel se opõem ao que consideram falta de solidariedade global.

 

Mas veremos.

A questão ética vem na sequência. Não se podem vacinar os ricos, aqui e lá fora, antes dos grupos prioritários, pobres ou não.

A questão política decorre das anteriores. Claro que os hospitais e clínicas privadas, assim como as grandes empresas, poderiam estar no mercado comprando vacinas, se é que já não o fizeram. Mas não estão querendo vacinar neste momento justamente por temor da reação da sociedade, dos clientes e dos parceiros comerciais.

Tudo considerado, no momento, no Brasil e no mundo, cabe aos governos comprar e aplicar as vacinas, seguindo a fila dos mais para os menos vulneráveis.

Não há problema onde os governos estão cumprindo isso. Não é o caso do Brasil. Como o governo Bolsonaro desdenhou a doença, está muito atrasado na busca dos imunizantes. Se não fosse o governo paulista, tudo o que teríamos seriam dois milhões de doses vindas da India.

Saída de momento? O setor privado financiar o público e, sobretudo, apoiar na organização. Quando o Programa Nacional estiver funcionando normalmente, aí vai aparecer a vacina no sistema privado. E se o governo nem assim conseguir vacinar? Aí os mais ricos vão se vacinar à sua maneira. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

 

Criança foi levada para o hospital pela PM e aparenta ter 10 dias de vida. Caso aconteceu em Salinas e a polícia tenta identificar quem abandonou a menina. 'Estamos chamando de Vitória porque foi uma vitória achá-la viva e bem', disse o morador.

 

Por Marina Pereira, G1 Grande Minas

Uma família encontrou um bebê abandonado em Salinas, no Norte de Minas, no início da manhã desta quarta-feira (27). A menina estava enrolada em uma manta e foi deixada na calçada de um comércio no Bairro Panorama 

Em entrevista ao G1, o técnico em manutenção Darcy Pereira da Silva contou que passava de carro com a família quando a filha, de 12 anos, percebeu que tinha uma criança na calçada.

“Ela estava no banco de trás e começou a gritar que viu um bebê abandonado. Eu dei ré e percebi que realmente tinha uma criança na calçada. A menina estava bem agasalhada e quietinha. Os olhinhos estavam abertos como se estivesse observando o movimento da rua e aparentava estar com fome”.

A família acionou a Polícia Militar, que levou a criança para o hospital, onde ela foi avaliada por uma pediatra. O Conselho Tutelar também foi acionado e acompanha o caso.

“É uma sensação que nunca vivi na vida. Na mesma hora que é boa, é ruim. Bom por achar uma criança tão linda e preciosa, mas vem a tristeza de saber que um ser humano abandonou no relento da madrugada. Não consigo descrever a sensação e minha filha está chorando muito”.

A família de Darcy se apaixonou pela menina e resolveu chamá-la de Vitória. Eles acompanharam o atendimento no hospital e pretendem manter um vínculo com a criança.

“Estamos chamando de Vitória porque foi uma vitória achá-la viva e bem, ela poderia ter sido atacada por animais peçonhentos ou até por cachorros. Queremos acompanhá-la pelo resto da vida e ajudar no que ela precisar. É um vínculo que vamos levar pra sempre”.

Até a publicação dessa reportagem, a polícia fazia rastreamento para identificar a pessoa responsável por abandonar o bebê. Segundo a PM, a menina aparenta ter 10 dias de vida e passa bem.

Veja mais notícias da região no G1 Grande Minas. Fonte: https://g1.globo.com

Ônibus, que viajava do Pará a Santa Catarina, saiu da pista e tombou na margem da rodovia na altura do km 668, no trecho conhecido como Curva da Santa, no Paraná, segundo a PRF.

 

Por Pedro Brodbeck e Adriana Justi, G1 PR

 

Acidente grave em Guaratuba, no Paraná, deixa 19 mortos e 33 feridos

Um acidente com um ônibus na BR-376, em Guaratuba, no litoral do Paraná, deixou 19 mortos na manhã desta segunda-feira (25), de acordo com o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA).

Segundo a polícia, 33 pessoas foram socorridas feridas, sendo sete delas em estado grave e seis com ferimentos moderados.

De acordo com a concessionária responsável, as vítimas que foram a óbito são 13 adultos, cinco adolescentes e uma criança.

A princípio, a informação repassada pelo Corpo de Bombeiros e pela concessionária era de que 21 pessoas tinham morrido no acidente. O número foi corrigido por volta das 14h.

O acidente aconteceu na altura do km 668, no trecho conhecido como Curva da Santa, por volta das 8h30, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com a concessionária Arteris Litoral Sul, que administra o trecho, ficou totalmente bloqueada para atendimento do caso até as 12h45. Às 13h, o congestionamento era de 22 quilômetros.

A PRF informou que ônibus, com placa de Belém, no Pará, descia a Serra do Mar em direção ao litoral catarinense quando bateu na mureta de contenção, saiu da pista e tombou às margens da rodovia.

De acordo com a PRF, o ônibus saiu de Ananindeua (PA) e tinha como destino Balneário Camboriú (SC).

De acordo com o capitão do Corpo de Bombeiros Ícaro Grenert, que participou dos resgates, as informações preliminares dão conta que o ônibus saiu sozinho da pista, sem se chocar em outro veículo.

"A gente não tem como falar se foi uma falha mecânica ou o que aconteceu. Ele caiu na ribanceira. Felizmente ele não caiu rio abaixo, que dá pelo menos 50 metros, então esse número de óbitos seria bem mais significativos", disse o socorrista.

De acordo com a PRF, um dos motoristas do ônibus ficou ileso. Ele foi encaminhado para a Delegacia de Guaratuba para prestar esclarecimentos e, na sequência, foi liberado. Até a última atualização desta reportagem, o segundo motorista ainda não foi identificado.

 

Resgate

Ambulâncias e helicópteros dos bombeiros do Paraná e de Santa Catarina socorreram os feridos moderados e graves e encaminharam as vítimas para Curitiba e Joinville.

As pessoas com ferimentos leves foram levadas para Garuva.

 

De acordo com o BPMOA, há crianças entre as vítimas.

Segundo a PM, 54 passageiros e dois motoristas estavam no ônibus no momento do acidente.

 

O que diz a empresa

A empresa de turismo dona do ônibus afirmou que o veículo foi fretado por uma terceira pessoa.

A TC Turismo disse que está a caminho do local do acidente para prestar auxílio às vítimas e que está providenciando um meio de comunicação para prestar informações aos familiares.

"A TC Pires da Cruz informa que prestará todo apoio necessário às vítimas e familiares e não medirá esforços para amenizar a dor de cada um dos paraenses envolvidos no acidente, assim como a dos seus entes queridos, neste momento tão difícil para todos", disse a empresa em nota.

 

Trajeto

Conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus de turismo saiu de Ananindeua (PA), às 19h, de sexta-feira (22), e tinha como destino final São José (SC).

O transporte parou em Goiânia (GO), na tarde de domingo (24), e teria como próxima parada a cidade de Balneário Camboriú (SC), segundo a agência.

A previsão era que os passageiros chegassem ao litoral catarinense na terça-feira (26) e em São José, que era o destino final, na madrugada de quarta-feira (27). Fonte: https://g1.globo.com

CORONAVÍRUS: Salve-se quem puder! Angra dos Reis/RJ. Um Olhar do Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista. Domingo, 24 de janeiro-2021. Olhar Jornalístico

 

O Amazonas vive um caos no sistema de saúde com hospitais lotados e sem oxigênio suficiente para todos os pacientes — o que fez o governo adotar medidas emergenciais para receber o insumo.

 

Por G1 AM

A prefeitura de Coari, distante 450 km de Manaus pela via fluvial, divulgou uma nota em que afirma que sete pacientes internados no Hospital Regional da cidade morreram por falta de oxigênio, nesta terça-feira (19). Segundo o texto, Coari deveria ter recebido 40 cilindros na segunda-feira (18), mas a aeronave que levaria os cilindros acabou viajando para Tefé (AM) e ficou impossibilitada de retornar, pois o aeroporto não aceita voos noturnos.

O texto culpa falhas de planejamento da Secretaria de Saúde do Amazonas pela falta do insumo, o que prejudicaria as medidas de combate à doença no município. Segundo a nota, 200 cilindros do Hospital Regional de Coari estão retidos pela Secretaria da Saúde, parte deles estaria aguardando o abastecimento. A prefeitura acusa a o governo de distribuir a outra parte a UBSs de Manaus.

O G1 questionou a Secretaria da Saúde do Amazonas sobre as acusações e aguarda posicionamento.

 

Crise do oxigênio

Com mais de 232 mil casos e 6,3 mil mortes decorrentes da Covid-19, o Amazonas vive um caos no sistema de saúde com hospitais lotados. As unidades de saúde não têm oxigênio suficiente para todos os pacientes, o que fez o governo adotar medidas emergenciais para receber o insumo. O governo da Venezuela é um dos que enviou ajuda ao Amazonas.

A situação é tão dramática que, desde a semana passada, o estado está enviando pacientes para receber atendimento em outros estados. No total, 115 pacientes foram transferidos. O transporte dos passageiros é feito em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), que foram adaptadas para essa finalidade. Fonte: https://g1.globo.com