Precisamos impedir que continuem impulsionando conteúdos que desumanizam, violentam e corroem o tecido social

A economia do engajamento das redes sociais recompensa aquilo que provoca choque, raiva e indignação

 

Um acusado de ter estuprado coletivamente uma adolescente é encaminhado à cadeia de custódia - Eduardo Anizelli/Folhapress

 

Danilo Leite Dalmon

Doutor em Cooperação Internacional pela Universidade de Kobe (Japão) e pesquisador em Stanford (EUA)

Os últimos dias escancararam algo que preferimos não encarar. O estupro coletivo de uma menina de 17 anos no Rio de Janeiro pode parecer apenas mais um crime brutal, mas é também um sintoma de um ecossistema digital que alimenta, amplifica e normaliza comportamentos violentos. Os acusados foram gravados comemorando o feito e um dos envolvidos se entregou à polícia usando uma camiseta com a frase "regret nothing" (em inglês, não se arrependa de nada), expressão celebrada em comunidades online da machosfera, dedicadas a homens que desprezam mulheres.

O caso do cachorro Orelha, dias antes, segue a mesma lógica: jovens que se organizam em espaços digitais onde a crueldade é tratada como humor, desafio ou demonstração de poder. A fronteira entre o que é dito na tela e o que é feito na rua está cada vez mais nebulosa. É impossível ignorar que as plataformas criaram um ambiente em que conteúdos violentos, misóginos e desumanizantes são tolerados pelos usuários e impulsionados pelos algoritmos.

Isso não acontece por acidente. A economia do engajamento das redes sociais recompensa aquilo que provoca choque, raiva e indignação. Quanto mais extremo o conteúdo, maior o tempo de permanência na tela. Quanto maior o tempo de tela, maior o lucro das plataformas.

A personalização só agrava o problema. Meninas recebem mais conteúdos que reforçam padrões inalcançáveis de beleza e consumo. Meninos são expostos de forma desproporcional a vídeos agressivos, misóginos e conspiratórios. As plataformas sabem disso e continuam promovendo esses comportamentos. Ao fazê-lo, moldam atitudes e percepções de mundo.

Se os acusados forem condenados, devem responder pelos seus atos. Mas há uma pergunta maior, que não podemos mais adiar: em que medida as redes sociais são responsáveis quando impulsionam conteúdos que incentivam certas atitudes de seus usuários?

Outros países já começaram a agir. A Austrália proibiu o acesso a redes sociais para menores de 16 anos. O Reino Unido passou a exigir verificação de idade em sites pornográficos, reduzindo drasticamente o acesso de menores. A União Europeia adotou regulações que preveem punições severas para plataformas que promovem conteúdos associados a crimes. Até os Estados Unidos estão debatendo leis que protegem jovens e crianças em plataformas online.

O Brasil ainda hesita. Mas hesitar agora significa aceitar que as redes continuem exacerbando o que temos de pior. Significa permitir que algoritmos decidam quais valores serão reforçados entre nossos jovens. Podemos fingir que crimes nascem apenas da mente do criminoso, mas muitas vezes eles são cultivados em grupos fechados, incentivados em "timelines" que ninguém vê.

Regular as redes sociais é nossa responsabilidade. A lei deve estabelecer que empresas que lucram com o comportamento humano têm deveres proporcionais ao poder que exercem. Precisamos impedir que continuem impulsionando conteúdos que desumanizam, violentam e corroem o tecido social. É nosso dever responsabilizá‑las quando seus algoritmos são cúmplices, incentivando crimes.

O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Danilo Leite Dalmon foi "Pedras e Sonhos", de El Efecto. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Duas mulheres são assassinadas em Praia Grande (SP); suspeitos são presos

Uma das vítimas tinha 40 anos e foi morta a tiros; a outra tinha 34

Casos ocorrem na véspera e no próprio Dia Internacional da Mulher

 

Viaturas da Polícia Militar de São Paulo - Divulgação/SSP-SP - 26.nov.2024

 

 André Fleury Moraes

São Paulo

Dois homens foram presos entre a manhã de sábado (7) e a deste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, suspeitos de praticarem dois feminicídios distintos em Praia Grande, no litoral paulista.

O primeiro caso, no sábado, envolve um homem de 46 anos que teria assassinado a tiros sua mulher, de 40 anos. A ocorrência se deu no bairro Vila Sônia.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública do estado), a vítima estava caída no chão quando foi encontrada pelos policiais. Ela chegou a ser socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu. A arma usada para o crime e um veículo foram apreendidos.

No segundo caso, por sua vez, a vítima tinha 34 anos. O suspeito tem 40. A PM chegou até a residência dele, segundo a SSP, após familiares relatarem ameaças publicadas em uma rede social. A mulher estava caída na sala do imóvel quando os agentes chegaram à residência. O local, no bairro Tupiry, passou por perícia.

Os casos ocorrem ao mesmo tempo em que o estado de São Paulo registra recordes em números relacionados a feminicídio.

Balanço da SSP divulgado no início deste ano mostra que aumento de 8,1% nos casos de feminicídio em 2025, atingindo o maior número da série histórica iniciada em 2018 para esse tipo de crime. Foram 266 casos de mulheres assassinadas em razão do gênero, contra 246 em 2024, segundo dados da pasta.

No total, segundo um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 13% das vítimas de feminicídio tinham medida protetiva ativa no momento da morte —ou seja, haviam buscado ajuda do Estado antes do crime.

Os dados abrangem 1.127 feminicídios registrados em 16 unidades da federação. Em 148 casos, a mulher já havia acionado o sistema de Justiça e recebido decisão protetiva, decisão que não impediu o desfecho letal. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 Suspeito ainda teria tentado assassinar a mãe da ex-companheira, segundo a Polícia Civil. Defesa não foi localizada

 

Homem foi preso por policiais da 57ª delegacia de Nilópolis, no Rio de

 

Por Caio Possati

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

 

Um homem foi preso na última quinta-feira, 5, no Rio de Janeiro, após estuprar a ex-companheira e, horas depois, voltar para a matar o filho dela enquanto a vítima fazia exame de corpo de delito por conta da violência sexual sofrida. O caso aconteceu em Nilópolis, cidade da Baixada Fluminense.

O nome do agressor não foi informado e, por esse motivo, não foi possível localizar a defesa.

Na noite da última quarta, 4, ele foi à casa da ex-namorada, onde também moravam o filho de 11 anos e a mãe dela, para tentar uma reconciliação. De acordo com a polícia, ele não aceitava o término da relação.

Por conta do horário, ele pediu para dormir na residência, o que foi aceito. Durante a madrugada de quinta, porém, ele ameaçou a ex-companheira com uma faca e a estuprou. Antes de ir embora, ainda roubou uma televisão da residência.

Horas depois, a mulher foi à delegacia denunciar o crime. De acordo com o relato policial, enquanto ela fazia exame de corpo de delito no período da tarde, o suspeito voltou até a casa, matou o filho dela e ainda tentou assassinar a mãe da vítima (avó do garoto).

Um vizinho relatou ter ouvido gritos de socorro e foi até a casa. Lá, ele encontrou o suspeito estrangulando a avó do menino, que apresentava também marcas de esfaqueamento no braço. O homem tentou fugir, mas acabou sendo contido por vizinhos, que passaram a agredi-lo.

As polícias Civil e Militar foi acionada, localizou o homem e conteve a multidão. O suspeito foi preso em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

A mãe da vítima foi socorrida e segue hospitalizada. O menino não resistiu. O caso foi registrado na 57ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro (Nilópolis). Fonte: https://www.estadao.com.br 

Um incêndio trágico em Nova York e uma revolução na Rússia estão entre os eventos que influenciaram a criação da data

 

Mulheres fazem comício Pró-Diretas, São Paulo, SP, 16/4/1984. Foto: Claudinê Petroli/ Estadão

 

Por Liz Batista

Dia Internacional da Mulher foi oficialmente criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1977. No entanto, o dia 8 de março já era utilizado por movimentos femininos como uma data para celebrar a luta pelos direitos das mulheres desde o início do século 20. Vários eventos influenciaram a criação da data, mas dois entre eles são lembrados como determinantes para sua oficialização.

O primeiro - o incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist, em Nova York, em 1911 - foi uma tragédia que levou às capas dos jornais as terríveis condições de trabalho a que as mulheres eram submetidas.

O segundo - um marco da História Contemporânea, a marcha das mulheres russa por pão e paz em 1917 - iniciou uma revolução de efeitos globais que reverberam até hoje.

 

Tragédia

Em 25 de março de 1911 um incêndio atingiu a fábrica de roupas Triangle Shirtwaist, nos Estados Unidos. Foi o mais mortal acidente industrial da cidade de Nova York, matou 146 pessoas; 23 homens e 123 mulheres. Quem estava no prédio teve pouca chance contra o fogo, pois as saídas estavam trancadas. A prática de fechar as portas das oficinas, para impedir a saída para pausas durante o turno, era uma das ações arbitrárias contra as trabalhadoras.

O noticiário também revelou as péssimas condições de trabalho das vítimas. Cargas horárias extenuantes, que podiam chegar a mais de 16 horas diárias, salários incrivelmente baixos e locais insalubres eram alguns dos fatos da dura realidade vivida pelas operárias.

 

Revolução

Desde o final do século 19, organizações socialistas e sufragistas feministas defendiam a criação de um data para lembrar a luta das mulheres por direitos. A marxista alemã Clara Zetkin é lembrada como principal idealizadoras da proposta. Em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, Zetkin defendeu a criação de uma mobilização anual.

A revolta diante da tragédia na tecelagem Triangle se transformou numa bandeira por melhores condições de trabalho para as mulheres e acabou arregimentando mais ativistas para as diferentes causas femininas defendidas no Dia Internacional da Mulher.

 

Dia Internacional da Mulher

No dia seguinte, uma onda de insatisfação irrompeu entre as mulheres nas filas de racionamento de pão, elas se juntaram aos comícios do Dia Internacional da Mulher e a mobilização tomou conta das ruas de São Petersburgo. O movimento operário aderiu à manifestação e cerca de 50 mil trabalhadores entraram em greve. O evento marcou o início da chamada Revolução Russa de 1917. As demonstrações também fortaleceram a causa do sufrágio feminino no país.

 

Oficialização

A ONU declarou o ano de 1975 o Ano Internacional da Mulher. Ações e jornadas por todo mundo foram desenvolvidas pela entidade para promover a igualdade de gêneros e a proteção dos direitos das mulheres. Em 1977, a ONU oficializou a data 08 de março como o Dia Internacional da Mulher. Fonte: https://www.estadao.com.br

Temporal deixou mortos, desaparecidos e desabrigados; cidade decretou estado de calamidade pública.

 

 

Por Luiza SudréCarol Delgado, g1 Zona da Mata — Juiz de Fora

A chuva intensa em Juiz de Fora e Ubá resultou na morte de estudantes e profissionais de saúde, segurança e educação.

Juiz de Fora declarou estado de calamidade pública.

Escolas municipais e particulares, além do Demlurb, confirmaram a morte de alunos e uma funcionária.

Instituições como a UFJF, Cead e diversas escolas manifestaram luto pelas vítimas da catástrofe.

 

Estudantes, profissionais da saúde, da segurança e da educação estão entre os mortos após a forte chuva que atingiu Juiz de Fora e Ubá na segunda-feira (23). A cidade decretou estado de calamidade pública.

 

Vítimas Juiz de Fora

1-Bernardo Lopes Dutra, estudante do 7º ano do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

2-Carla Teixeira, profissional de educação do Centro de Educação a Distância (Cead/UFJF)

3-Arminda de Fátima Soa, de 63 anos, moradora do bairro Esplanada

4-Maitê Cedlia Pereira Fernandes, de 5 anos, aluna da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves

5-Arthur Rafael de Oliveira Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves

6-Miguel Carlos da Silva Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves

7-Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves

8-Kaleb Marques Reis dos Santos, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira

9-Ramom Rafael Araújo de Almeida, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira

10-Neuza Mageste, moradora do bairro de Lourdes

11-Deogracia Aurélia Fernandes, contratada do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DEMLURB)

12-Ivana Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho

13-Liana Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho, bancária e integrante do bloco Parangolé

14-Iara Martins de Paula, moradora da Rua Santa Clara, no bairro Costa Carvalho

15-Jaqueline de Fátima Theodoro Vicente, de 32 anos, moradora do bairro Paineiras

16-Neide Aparecida, de 58 anos, mãe da Jaqueline

17-Reinaldo Neiva Ferreira, de 35 anos, policial penal e morador do bairro Paineiras

18-Melissa Emanuely Garcia, de 2 anos

19-Fabiana Cristina Gomes, de 40 anos, avó da Melissa

20-João Batista dos Santos, idade não informada

21-Marcos José dos Santos Almeida, idade não informada

 

Vítimas - Ubá

1-Edmara Peluzo Candido, 32 anos

2-João Gonçalves Soares, 74 anos (marido de Maria)

3-Maria da Conceição Honorato Soares, 65 anos (esposa de João)

4-Elza das Graças da Silva, 77 anos

5-Homem, de 35 anos, de nome não divulgado

6-Homem, de 48 anos, de nome não divulgado

 

Notas de pesar

Em nota, a UFJF e o Cead lamentaram as mortes ocorridas em Juiz de Fora.

 

A Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves expressou pesar pela morte dos alunos Maitê Cedlia Pereira Fernandes, Arthur Rafael de Oliveira Machado, Miguel Carlos da Silva Machado e Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JS) divulgou nas redes sociais uma nota de pesar pelo falecimento de Deogracia Aurélia Fernandes, contratada do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb). Fonte: https://g1.globo.com

Volume intenso de chuva entre segunda (23) e terça (24) provocou estragos em cidades da Zona da Mata, com deslizamentos de terra e alagamentos

Autoridades confirmaram 46 mortes após temporal na Zona da Mata

 46 mortos nas chuvas de Minas, 

O número de mortes provocadas pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá, na Região da Zona da Mata, em Minas Gerais, subiu para 46, conforme último balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) às 15h17 desta quarta-feira (25).

A corporação trabalha nos municípios em oito frentes de trabalho para buscar vítimas soterradas. Mais de 100 bombeiros fazem parte do efetivo. Ao menos 21 pessoas ainda estão desaparecidas, sendo duas em Ubá e 19 em Juiz de Fora. Fonte: https://www.itatiaia.com.br

Juiz de Fora contabiliza 24 óbitos em meio à maior chuva para o mês de fevereiro

Três cidades decretam calamidade pública; temporais continuam na quarta

 

Bombeiros trabalham em área de desabamento na região de Parque Burnier em Juiz de Fora (MG) - Reprodução/TV Globo

 

Artur BúrigoCristina Camargo

São Paulo

   

Ao menos 30 pessoas morreram e 39 estão desaparecidas na zona da mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região desde a noite de segunda-feira (23). Cenas de moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas completamente alagadas, além de carros e até caixões de funerária sendo levados pela enxurrada, se repetiam ao longo do dia.

Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, registrava na noite desta terça 24 óbitos e 37 desaparecidos, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Outras seis mortes aconteceram na cidade de Ubá, a 111 quilômetros, que também buscava dois desaparecidos, segundo a corporação.

Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça, o que foi reconhecido pelo governo federal. Ubá e a cidade de Matias Barbosa também decretaram a medida, o que facilita para receber ajuda tanto federal quanto estadual.

Mais de 3.000 pessoas estão desabrigadas em Juiz de Fora, segundo a prefeitura. Elas receberam acolhimento e acomodação provisória em 15 escolas. As aulas no município foram suspensas, assim como foi determinado trabalho remoto para os servidores que atuam na sede da prefeitura, no centro.

Segundo a prefeita, o temporal provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis no município, principalmente na região sudeste. Somente no bairro Parque Jardim Burnier, o mais afetado, uma encosta deslizou e 12 imóveis foram soterrados.

Até as 18h desta terça-feira, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) havia registrado 605,6 mm de chuva no município de Juiz de Fora, o que torna este o fevereiro mais chuvoso da história da cidade. Esse volume é cerca de três vezes e meia o volume médio histórico do município, de 170 mm, que é definido baseado nos registros dos últimos 30 anos.

O maior volume ocorreu entre as 18h e a meia-noite de segunda-feira, período em que o acumulado alcançou quase 150 mm, na região de Nossa Senhora de Lourdes, pela medição do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais). Isso significa que, em seis horas, choveu quase a média histórica do mês.

A intensidade da chuva provocou o transbordamento do rio Paraibuna e a interdição da ponte Vermelha e do túnel Mergulhão.

"Juiz de Fora é um município que tem um conjunto de morros que ultrapassam 100 metros de altura, do topo à base. Ao mesmo tempo, tem uma rede de drenagem muito volumosa. Por isso há dois problemas simultâneos. O de movimento de massa, com deslocamento de encostas, e o transbordamento de rios", explica Miguel Felippe, professor do departamento de geociências da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

Em Ubá, foram cerca de 170 mm de precipitação em cerca de três horas e meia, segundo a gestão do prefeito José Damato Neto (PSD). De acordo com medições realizadas na área central, o rio Ubá atingiu 7,82 metros e gerou inundações em área urbana, com impacto em diversos bairros, ruas e estabelecimentos comerciais. A prefeitura diz ter atendido a 18 ocorrências, sendo que três pontes estão totalmente danificadas.

O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias. "Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento", afirmou.

Os ministros do governo Lula (PT) Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Adriano Massuda, interino do Ministério da Saúde, foram enviados à região e se reuniram com Zema e prefeitos. O presidente, em viagem pela Índia e Coreia do Sul, se manifestou sobre o episódio via redes sociais e afirmou ter telefonado diretamente para a prefeita de Juiz de Fora para prestar solidariedade e apoio federal.

Nesta quarta, o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na zona da mata e no sul e sudoeste de Minas, afirma a Defesa Civil estadual. "É uma situação extrema, que permite medidas extremas", disse a prefeita.

De acordo com o boletim do Cemaden para esta quarta, a zona da mata mineira tem risco muito alto tanto para alagamentos quanto para deslizamentos de terra. Assim, a população precisa estar preparada para enfrentar novos deslizamentos esparsos e generalizados em encostas, quedas de barreira à margem de estradas e rodovias, além de ocorrências de enxurradas, alagamentos em áreas de drenagem deficiente e inundações.

Segundo ela, a cidade precisa de um período de recuperação. "Estamos nos desdobrando para socorrer as pessoas e salvar vidas", disse.

Outras regiões mineiras que merecem atenção especial, segundo o Cemaden, é a região metropolitana de Belo Horizonte e de Ipatinga, no Vale do Aço. Nesses locais, o risco é alto de alagamentos e movimentação de massa.

O vice-governador Mateus Simões (PSD) afirmou que a população que recebeu alerta de risco de deslizamento deve deixar os imóveis. "Temos que começar a tratar da ocupação irregular no Brasil. É previsível que aconteceria uma coisa como essa, e é absolutamente devastador pensar que nós temos idosos e crianças soterradas aqui", afirmou. Fonte: www1.folha.uol.com.br

Manoel Rocha Reis Neto faleceu em Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano. Corpo foi sepultado em Amargosa, cidade natal dele.

 

Psicólogo mestrando da Ufba é encontrado morto na Bahia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Por g1 BA

O psicólogo e mestrando da Universidade Federal da Bahia, Manoel Rocha Reis Neto, de 32 anos, morreu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia, na terça-feira (17).

Ele chegou a ser atendido pelo Samu, mas não resistiu. A Polícia Civil registrou a morte como suicídio.

O corpo foi sepultado em Amargosa, cidade natal dele, na mesma região. A cerimônia aconteceu na quarta-feira (18).

O psicólogo e mestrando da Universidade Federal da Bahia, Manoel Rocha Reis Neto, de 32 anos, morreu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia, na terça-feira (17). Ele chegou a ser atendido pelo Samu, mas não resistiu.

O corpo foi sepultado em Amargosa, cidade natal dele, na mesma região. A cerimônia aconteceu na quarta-feira (18). A Polícia Civil registrou a morte como suicídio.

Nesta quinta (19), a Ufba emitiu uma nota de pesar e se solidarizou com amigos e familiares do estudante, que tinha sido aprovado para o programa de mestrado da instituição no dia 29 de janeiro deste ano.

Manoel chegou a comemorar o fato nas redes sociais, com um longo texto sobre as dificuldades enfrentadas até a conquista. "Um velho-novo caminho começa", escreveu.

A Ufba também destacou ainda que o baiano cursou psicologia no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); pós-graduação em Saúde da Família pelo programa de residência multiprofissional da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf); e foi aluno do Programa de Mobilidade Internacional da UFRB, no curso de Educação Social do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal.

"O psicólogo era reconhecido pela atuação profissional comprometida e pelo vínculo próximo com a comunidade", disse a instituição na nota.

O Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03) também se posicionou sobre o caso. Em nota, a entidade manifestou pesar e se solidarizou com todas as pessoas que conviveram com o psicólogo, incluindo colegas de profissão.

O CRP ainda destacou o trabalho de Manoel, pela "prática profissional comprometida com a escuta ética, o cuidado e a promoção da saúde mental".

"Sua atuação também foi marcada pelo engajamento na luta por uma sociedade antirracista, contribuindo ativamente para o fortalecimento de debates e práticas alinhadas à justiça social e à equidade racial".

 

Denúncia de racismo

Horas antes de morrer, Manoel Neto usou as redes sociais para fazer um relato de racismo, sofrido no Camarote Ondina, no circuito Dodô (Barra-Ondina), durante o carnaval de Salvador. Na ocasião, segundo o desabafo feito pelo psicólogo, um homem teria impedido sua passagem em um ponto da estrutura, gerando confusão.

Não há registro de briga física, mas a situação gerou desconforto em Manoel, que fez uma reflexão sobre o caso com os seguidores.

"Caros amigos pretos, não se enganem. Dinheiro, títulos, sucesso… isso não nos torna legitimados pelos olhos das belas almas brancas. Vocês serão humilhados sempre que uma pessoa branca cruzar o seu caminho", escreveu.

Em nota, o Camarote Ondina manifestou pesar pela morte do cliente e se solidarizou com familiares, amigos e pacientes dele.

"Reafirmamos nosso compromisso inegociável com o respeito, a diversidade e o combate a qualquer forma de racismo e discriminação. O carnaval da Bahia é expressão da cultura negra, da pluralidade e da convivência, valores que norteiam a atuação do nosso espaço. Seguimos comprometidos em promover um ambiente de acolhimento, inclusão e celebração para todas as pessoas", diz o posicionamento. Fonte: https://g1.globo.com

Sentimento que surge nesse 'primeiro dia do ano' talvez não seja apenas ressaca emocional

É delicioso viver encontros catárticos na festa, mas esse não é o único caminho para começar um bom samba a dois

 

Como lidar com o medo de ficar só que chega com tudo após o Carnaval? - Fizkes - 23.mai.24/Adobe Stock

 

"Ah, Mrs. Dalloway, sempre dando festas para evitar o silêncio", provoca Peter, amigo íntimo da protagonista de Virginia Woolf. A frase me vem à cabeça quando penso em nossa relação ambígua com a celebração e a evitação.

Quando alguém que nos conhece bem sugere que nossas festas talvez evitem o silêncio, não está condenando o encontro, está interrogando sua função. Porque há uma diferença sutil, e profundamente psíquica, entre gregarismo e escapismo. O primeiro é movimento em direção ao outro; o segundo, movimento para longe de si.

Nós, brasileiros carnavalescos, sabemos bem o que é rebolar nesta corda-bamba que é a tal linha fina entre o lançar-se ao mundo e o fugir de si. Sabemos fazer da rua um palco de êxtase e conexão. E é lindo que saibamos. A catarse coletiva, o delírio compartilhado, a fantasia que veste o corpo e suspende por alguns dias as hierarquias da vida ordinária não são mero adorno.

psicanálise sustenta que não existe desejo sem fantasia. Não amamos o real cru; amamos através das cenas e narrativas que montamos pra dar contorno ao que nos falta. Fantasiar, assim, não é fugir da vida, é condição do vínculo.

O problema surge quando nos tornamos reféns do excesso. Quando a euforia funciona menos como celebração e mais como tampão contra a angústia que retorna, inevitável, nas cinzas da quarta. E, pior, quando passamos a acreditar que só somos desejáveis e amáveis enquanto estamos fantasiados com um excesso de amor próprio e autoestima: leves, bem-resolvidos, propositivos, brilhantes como a purpurina que ilumina a pele e encobre as sombras. É delicioso viver encontros intensos e catárticos na festa? Claro. Mas é esse o único caminho para começar um bom samba a dois? Jamais.

O medo da solidão que chega nesse "primeiro dia do ano" talvez não seja apenas ressaca emocional. E sim o retorno do que vinha sendo estancado não apenas nos dias de folia, mas no modus operandi de nossos tempos: multitarefas, produtivos, acelerados, viciados em emoções intensas e recompensas rápidas —essa nação dopamina que, ao maximizar ganhos, contatos e prazer, começa a patologizar o medo, a angústia, o tédio, o desinvestimento.

Traços profundamente humanos que são suprimidos pelo ideal de eu contemporâneo. Lacan já dizia que o superego moderno não proíbe o gozo; ele ordena que gozemos, que sejamos intensos, performáticos, emocionalmente resolvidos e sexualmente livres. Aprisionamos assim nossos retraimentos, dúvidas e dívidas emocionais temendo que elas sejam lidas como falhas morais e como indícios de que somos produtos afetivos com baixo valor simbólico.

Quando patologizamos o medo da solidão, nos sentimos duplamente condenados: por estarmos sós e por sermos "fracos". Como se o medo evidenciasse nossa falha em viver a solitude idealizada —autossuficiente e instagramável— e não a solidão real, que dói e revela nossa dependência estrutural do outro.

Somos seres de vínculo. Ao invés de perseguir a autossuficiência como ideal, desapegue dela. Você tem medo de ficar sozinho? Não fique. Peça e ofereça companhia. Busque colos de amigos, familiares, colegas de trabalho ou ioga. Conte sobre seus medos e nomeie seus desejos. E pergunte os do outro também. Falar sobre o que nos falta e ouvir as faltas alheias nos lembra que faltas não são falhas.

Ao invés de querer matar o medo, mate sua hiperexigência e se permita estar em boas companhias, mesmo quando não estiver bem. Esse movimento acalma o fantasma da solidão eterna e a fantasia de que se você estiver "pesado emocionalmente" ninguém vai te aguentar. Teste os vínculos, se jogue em quem se interessa por você e veja que eles sustentam.

Que possamos tirar as máscaras não para nos expor indiscriminadamente, mas para escolher melhor nossos laços. Que o medo não nos empurre para qualquer braço romântico apenas para silenciar o vazio. Que ele também não nos faça revisitar antigos fantasmas só para não atravessar o deserto do novo.

Ainda assim, permita-se querer um amor romântico. Diga que quer. Peça para ser apresentado. Circule por espaços que te interessam. Converse no estado em que estiver. Não espere a alma purpurinada. Faça contato visual. Divida uma referência, um pensamento, um desabafo honesto de quem está angustiado ou de mau humor.

Talvez o gesto mais subversivo depois do Carnaval não seja seguir beijando a três, mas pedir companhia sem performance. E, se pudermos levar algo do Carnaval para a vida que começa agora, que seja a abertura aos encontros e aos acasos —mas sem a exigência de estarmos prontos para o bloco. Que possamos sustentar o desejo de vínculos que nutram, apoiem, curem. E possamos honrar o medo de não encontrá-los. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Intolerância religiosa no Brasil não é um fenômeno isolado, tampouco restrito a um único grupo ou tradição

 

Por Carolline Mello e Edilmar Alcantara

O final de 2025 foi marcado por intensa agitação na cidade do Rio de Janeiro. Não apenas pelo movimento típico de dezembro, mas sobretudo por um debate que se deslocou para os campos político e religioso – duas esferas que, há algum tempo, vêm se misturando de forma preocupante no cenário social brasileiro.

O imbróglio teve início quando o prefeito da cidade e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (PSD-RJ), respondeu em suas redes sociais a um trecho de entrevista concedida pelo professor e babalawô Ivanir dos Santos (UFRJ). O docente questionou a laicidade do Estado ao tomar conhecimento de que a prefeitura promoveria, no réveillon de 2026, um palco dedicado exclusivamente ao segmento gospel na Praia do Leme, e lamentou que tradições como saudações a Iemanjá perderiam espaço na orla.

Ao responder às críticas, o prefeito argumentou que Copacabana comporta diferentes manifestações culturais e religiosas e que a música gospel também poderia ocupar esse espaço. A controvérsia se agravou, no entanto, quando ele afirmou: “É impressionante o nível de preconceito dessa gente”. A expressão, ainda que possivelmente não intencional, mobiliza uma lógica recorrente quando o assunto é intolerância: a produção de um “outro” genérico, indistinto e potencialmente ameaçador.

O Rio de Janeiro tem sido palco de ataques sistemáticos a templos, sacerdotes e adeptos de religiões de matriz africana. Grupos autodeclarados cristãos, por vezes associados a organizações criminosas que controlam diferentes territórios da cidade, atuam de forma violenta contra praticantes do candomblé e da umbanda. Esses grupos, conhecidos como “soldados de Cristo” ou “traficantes evangelizados”, espalham terror e medo, impõem regras religiosas, ameaçam lideranças e obrigam líderes religiosos a vilipendiar seus objetos litúrgicos e seus templos. Promovem, ainda, o apagamento simbólico de tradições, como a proibição do uso de roupas brancas às sextas-feiras.

Esse ambiente de intolerância não se restringe às religiões afro-brasileiras. Ele também favorece a circulação de discursos antijudaicos e antissemitas, especialmente em contextos de radicalização política e moral. O antissemitismo, historicamente estruturado a partir da construção do judeu como inimigo simbólico – acusado de conspiração, poder oculto ou corrupção moral –, encontra terreno fértil em cenários em que a religião é instrumentalizada como ferramenta política.

Não é coincidência que, nesses mesmos espaços, proliferem apropriações distorcidas de elementos do judaísmo, leituras fundamentalistas da Bíblia e estereótipos antijudaicos que esvaziam a complexidade histórica, cultural e religiosa do povo judeu. Assim como ocorre com os povos de terreiro, o judaísmo é frequentemente reduzido a caricaturas que servem a projetos de poder e exclusão.

É legítimo que agentes políticos dialoguem com diferentes públicos, sobretudo em período pré-eleitoral. O que não se pode admitir é a naturalização de discursos que reforçam categorias genéricas como “essa gente”, pois elas alimentam processos históricos de desumanização. O Brasil já criminalizou práticas religiosas de origem africana e perseguiu expressões culturais negras; do mesmo modo, o antissemitismo, ainda que nem sempre se manifeste por meio da violência física, opera de forma estrutural na linguagem, nas narrativas e na suspeição permanente sobre a presença judaica no espaço público. Essa mesma estrutura do antissemitismo é frequentemente mobilizada para sustentar outras formas de opressão e intolerância, mudando os alvos, mas preservando a estrutura da exclusão.

No contexto do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro por força da Lei n.º 11.635/2007 em homenagem à ialorixá Mãe Gilda de Ogum, o debate torna-se ainda mais urgente. Questionar o uso de recursos públicos para beneficiar um segmento religioso específico não constitui, em si, preconceito. Ao contrário: é exercício democrático e deve abrir espaço para reflexões mais amplas sobre o diálogo inter-religioso e a defesa das liberdades individuais e coletivas.

A recorrência de episódios como esses evidencia que a intolerância religiosa no Brasil não é um fenômeno isolado, tampouco restrito a um único grupo ou tradição. Trata-se de uma lógica estrutural que se intensifica em contextos de disputa política, nos quais a religião é mobilizada para produzir inimigos simbólicos, hierarquizar pertencimentos e legitimar exclusões. Enfrentar esse cenário exige mais do que reações pontuais: requer posicionamentos públicos claros, produção de conhecimento crítico e o fortalecimento de iniciativas comprometidas com a defesa do Estado laico, da democracia e do pluralismo religioso.

Diante desse cenário, o laboratório de estudos sobre Judeidade e Negritude, iniciativa do Instituto Brasil-Israel, por meio do projeto IBI no Campus, elaborou um manifesto contra todas as formas de intolerância, em defesa da liberdade, da democracia e do convívio plural. O manifesto é um chamado público à ação e à responsabilidade coletiva e está aberto à assinatura de todas as pessoas e instituições que se recusam a naturalizar o ódio religioso. Axé, shalom!

 

Opinião por Carolline Mello

Historiadora, mestre em Sociologia, é gerente de Educação do Instituto Brasil-Israel

Edilmar Alcantara

Cientista social, mestre em Biblioteconomia, é colaborador do Instituto Brasil-Israel

Fonte: https://www.estadao.com.br

Mirian Goldenberg

Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"

 

Como disse Betinho, a indignação é a minha forma de me manter vivo

Rubem Alves escreveu "As duas caixas" (27 de abril de 2010) dias antes da minha primeira coluna ser publicada na Folha (1º de junho de 2010). Ele contou que Fernando Pessoa escrevia, lia o que escrevera e se assombrava. "Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto? Isto é melhor do que eu..."

"Coisa parecida acontece comigo. Alguém me mostra um texto e diz que fui eu quem o escreveu. Leio-o, mas não o reconheço. É como se tivesse sido escrito por uma outra pessoa. Mas, à medida em que vou lendo, vou ficando alegre. É um texto bom, melhor do que eu!... Sinto, então, vontade de publicar aquele texto de novo. Se ele surpreendeu a mim, é de se esperar que o mesmo aconteça com os leitores. E por que não?"

Quando reli a coluna "Medíocres ou guerreiros" que escrevi sobre o governo de Fernando Collor de Mello, no Jornal do Brasil de 18 de novembro de 1990, me assombrei com a minha coragem e indignação. E me deu vontade de publicar aquele texto de novo. Por que não?

 

Medíocres ou guerreiros

Vivemos uma época de crises. Dizer isso já virou lugar comum. Crise de valores, crise social, crise econômica, crise política, crise da família, crise individual... Quem, em nosso país, não está em crise?

Pesquisas recentes demonstram que aumentou, vertiginosamente, o número de casos de doenças mentais... Muitos sonham em sair do Brasil, buscando um lugar sem violência ou desemprego. Outros desfazem casamentos para preservar a própria "individualidade". Amor e sexo transformaram-se em artigos de consumo, descartáveis. A palavra "compromisso" é "out". O país está doente. Filhos matam pais. Pais matam filhos. Maridos matam esposas. A mídia manipula facilmente a opinião pública. A desesperança impera soberana.

Decisões e atitudes do governo Collor são aceitas por todos, acriticamente, passivamente. Desde os episódios grotescos e vergonhosos da campanha eleitoral até atos recentes de corrupção descarada. Um governo medíocre, manipulador, corrupto, incompetente e sem nenhuma ética. Com um único mérito: usar e abusar dos veículos de comunicação em massa. Um governo maquiado de moderno e inovador, mas que, na verdade, é vazio de propostas e ideais sociais. E a fachada está ruindo apodrecida precocemente.

E nós, onde ficamos? Qual é a nossa responsabilidade frente a esta situação? "O que fazer?" Somos, sem dúvida, muito mais covardes, medíocres e infelizes do que éramos na época que sabíamos lutar. Quando ser "de esquerda" não era um problema existencial... Hoje vivemos uma profunda crise de identidade. Nossos valores, ideais, estão escondidos, envergonhados, em busca de uma nova definição. Somos pressionados pelo "consenso".

Os guerreiros, os revolucionários de tantos anos, que sabiam gritar, lutar e chorar, não sabem como enfrentar os vermes de caras bonitas e corpos atléticos. Tornamo-nos medrosos, desaprendemos como ousar, criar, acreditar. Como disse Betinho, Herbert de Souza, há algum tempo: "a indignação é a minha forma de me manter vivo". A coragem e a integridade também. O medo, a mediocridade e a resignação são formas de morrer.

Vivemos um momento em que o governo só quer destruir, acabar, aniquilar a cultura, a economia, as universidades, a saúde e, principalmente, a esperança. Nossa única saída é "fugir para a frente", enfrentando essa destruição construindo, reconstruindo, reaprendendo, buscando parceiros nesta enorme tarefa.

Medíocres ou guerreiros... Está em nossas mãos. Quem topa? Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Vítima se pendurou no veículo sem autorização, escorregou e caiu sob as rodas, afirma empresa

Limpurb prestou solidariedade e reforçou que prática é proibida

 

Salvador

Uma estudante de 24 anos morreu atropelada por um caminhão de limpeza na madrugada desta segunda-feira (16) na Carnaval de Salvador. O acidente aconteceu no circuito Barra Ondina após a passagem dos últimos trios elétricos, quando equipes realizavam a limpeza da via com um caminhão-pipa.

A Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) informou que a mulher subiu no caminhão sem autorização, escorregou e caiu sobre uma das rodas do veículo. O socorro foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu.

A empresa municipal de limpeza prestou solidariedade aos amigos e familiares da vítima. Também alertou que a prática de subir nos caminhões de limpeza é terminantemente proibida e orienta que as pessoas não subam ou se pendurem nos veículos.

A Limpurb destacou que ainda que seus caminhões operam seguindo protocolos de segurança e que o acesso é restrito a profissionais autorizados. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

 

Mulher mata marido a facadas em Lagoa da Canoa - Foto: Josival Meneses/Já É Notícia

 

Por Redação

Uma mulher matou o próprio marido com golpes de arma branca, neste sábado, 14, dentro de um quartinho, em uma localidade conhecida como Alto do Pixuta, nas proximidades da antiga estação e por trás de uma lagoa no município de Lagoa da Canoa, no Agreste do Estado. A vítima morreu no local antes de receber qualquer socorro médico.

De acordo com informações de populares, o casal vivia de favor em um quartinho, nos fundos de uma residência da região e costumava ingerir bebida alcoólica com frequência tanto na antiga estação quanto na casa onde dormiam. Na manhã do crime, os dois teriam iniciado mais uma discussão, que acabou evoluindo para agressão física.

Durante o desentendimento, a mulher teria esfaqueado o companheiro, conhecido como Gaguinho. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda dentro do quartinho.

Segundo relatos de moradores, o casal tinha um histórico de brigas constantes, com agressões mútuas. E após atingir o marido, a suspeita ainda foi até um posto de saúde da cidade pedindo ajuda para socorrê-lo. No entanto, quando as equipes chegaram ao local, o homem já estava em óbito.

A Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão da mulher em flagrante, ainda no local do crime.

Também estiveram presentes equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), responsáveis pela perícia e pelo recolhimento do corpo. Fonte: https://www.jaenoticia.com.br

Ex-marido agride a enteada de 15 anos e mata mulher a tiros antes de cometer suicídio, dias após o caso do secretário de Itumbiara

 

Novo caso em Itumbiara é tratado como feminicídio seguido de suicídio Foto: @vidocaofc/Instagram/ND Mais

 

cidade de Itumbiara, em Goiás, foi palco de uma nova tragédia neste sábado (14). Um homem identificado como Pedro da Costa Queiroz assassinou a ex-esposa a tiros no bairro Jardim Europa, por volta das 16h, antes de tirar a própria vida.

A vítima, Elieser Teodoro da Silva, foi encontrada sem vida dentro de casa. O suspeito chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu.

A Polícia Militar de Goiás informou que a filha da vítima também foi agredida com uma coronhada na cabeça. A adolescente de 15 anos sofreu lesão na região craniana e precisou de atendimento médico. Até o momento, não há maiores detalhes sobre o estado de saúde.

A residência ficará isolada para preservação da cena até a conclusão dos trabalhos periciais. A polícia apreendeu a arma do crime, um revólver calibre .38, e outros pertences do autor.

Segundo o portal Mais Goiás, moradores tentaram prestar socorro ao ouvir os disparos, mas o suspeito armado ordenou que todos se afastassem.

O delegado Felipe Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara, afirmou ao jornal O HOJE que o caso é tratado como feminicídio seguido de suicídio.

“Tudo indica que seja mais um feminicídio seguido de suicídio. A filha da mulher, de 15 anos, foi atingida apenas com a coronhada e encaminhada ao hospital. A princípio, é isso. Mas ainda vamos apurar tudo corretamente”, disse o delegado ao O HOJE.

“A investigação acaba de começar. Estamos acompanhando a perícia aqui no local do crime e, assim que chegarmos à delegacia, vamos instaurar o inquérito e dar continuidade às investigações”, completou.

 

Itumbiara vive nova tragédia após pai matar os próprios filhos nesta semana

O feminicídio ocorre dias após o secretário municipal de Itumbiara, Thales Machado, disparar contra os dois filhos e cometer suicídio na quarta-feira (11). O caso provocou comoção e revolta na cidade de 107 mil habitantes.

Benício Araújo Machado, de 8 anos, foi sepultado neste sábado. Ele teve a morte cerebral confirmada após passar por cirurgia e ser internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara.

enterro do irmão Miguel, de 12 anos, ocorreu na quinta-feira (12). Ele chegou a ser levado ao HMMC (Hospital Municipal Modesto de Carvalho) na noite do crime, mas não resistiu aos ferimentos.

Thales Machado, de 40 anos, era casado com a filha do prefeito Dione Araújo (União Brasil) e ocupava cargo de confiança na gestão do sogro. Antes de tirar a própria vida, ele teria publicado uma carta aberta acusando a esposa Sarah Araújo de traição.

“Partimos eu e meus meninos que agora são anjos que infelizmente vieram comigo… a todos digo que nunca pensei nisso, foi hoje… todos sabem como sou intenso e verdadeiro e não iria conseguir viver mais com essas lembranças…”, diz o texto.

“Dione meu eterno respeito e admiração e desculpe pelo que fiz… sei que não tem perdão mas foi o q sobrou nesse dia infeliz dos meus 40 anos”, teria escrito Thales.

mãe das crianças, Sarah Araújo, tem sido alvo de ataques nas redes sociais pela suposta traição. Ela precisou ser escoltada no velório do próprio filho, em que foi hostilizada. A tragédia em Itumbiara acende alerta para violência vicária, quando o agressor usa os filhos para provocar sofrimento e culpabilizar a vítima. Fonte: https://ndmais.com.br

Adolescente é morta com golpes de machado em Irará e pai de 39 anos, suspeito do crime, teria tirado a própria vida Foto: Redes sociais/Reprodução/ND Mais

 

De acordo com a polícia, adolescente foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12) em Irará e pai, suspeito do crime, tirou a própria vida

A adolescente Beatriz Alves Moraes, de 15 anos, foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12), no município de Irará (BA). De acordo com informações da Polícia Civil, o corpo da vítima foi encontrado em um terreno baldio.

O pai da menina, Danilo Moraes da Silva, de 39 anos, suspeito de matar a filha, teria tirado a própria vida na sequência. Ele foi encontrado morto em um imóvel da família, em um loteamento residencial da cidade.

A Polícia Civil da Bahia investiga as circunstâncias e a motivação do caso, segundo o programa de televisão Bahia No Ar.

Na madrugada de quinta-feira, outro crime similar chocou o país. Em Itumbiara (GO), o secretário da Prefeitura Thales Machado teria cometido suicídio após atirar contra os dois filhos, que não resistiram.

 

Adolescente é morta com golpes de machado e Prefeitura presta solidariedade

Nas redes sociais, a Prefeitura de Irará lamentou a morte de Beatriz. “Uma pessoa querida por todos, que deixou uma marca de bondade e alegria por onde passou”, escreveu em nota. Fonte: https://ndmais.com.br

Incidente aconteceu na noite da sexta-feira (13), em edifício que fica próximo ao Segundo

 

Jardim de Boa Viagem, na Zona Sul. Ambos morreram em decorrência da queda.

 

Por g1 Pernambuco, TV Globo

Um homem empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e se jogou em seguida. Ambos faleceram em decorrência da queda.

O incidente ocorreu no Edifício Pindorama, na noite da sexta-feira (13).

A Polícia Civil do Recife investiga as circunstâncias e a motivação do crime, que ainda são desconhecidas.

Um homem de 35 anos empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na noite desta sexta-feira (13). Em seguida, ele se jogou. Os dois morreram em decorrência da queda. Imagens feitas por vizinhos, logo após o crime, mostram a movimentação de policiais na área (veja vídeo acima).

De acordo com apuração da TV Globo, a polícia afirmou que o cadeirante foi arremessado e morreu na hora da queda. Já o homem que o empurrou e depois pulou do prédio chegou a ser encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, no Centro do Recife, mas não resistiu aos ferimentos e chegou morto à unidade de saúde.

A tragédia aconteceu no Edifício Pindorama, que fica na Rua Phaelante da Câmara, próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem. A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência e enviou equipe do 19º Batalhão para isolar a área para atuação do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML).

De acordo com apuração feita pela TV Globo, os homens estavam juntos dentro do apartamento quando um deles, em surto, arremessou o cadeirante. Uma terceira pessoa tentou contê-lo e também quase foi jogada do quarto andar. Porém, antes disso, o homem em surto pulou do prédio. Fonte: https://g1.globo.com

Polícia Civil confirma morte de menino de 8 anos; irmão de 12 também não resistiu

Caso é investigado como duplo homicídio seguido de suicídio; prefeitura decreta luto de três dias

 

Thales Machado e seus filhos Benício, 8, e Miguel, 12; segundo a polícia, pai matou as duas crianças e cometeu suicídio - Thales Machado no Instagram

 

Aléxia Sousa

Rio de Janeiro

Polícia Civil de Goiás confirmou nesta sexta-feira (13) a morte de Benício Araújo Machado, 8, segundo filho do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, 40. O menino estava internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual da cidade desde a noite de quarta-feira (11), quando foi baleado pelo pai, e morreu no final da tarde.

O irmão mais velho, Miguel Araújo Machado, 12, morreu ainda na quinta-feira (12) após ser atingido pelos disparos.

Segundo a investigação, Thales atirou contra os dois filhos no condomínio onde a família morava, na madrugada de quinta, e se matou em seguida. Com a morte do caçula, o caso passou a ser tratado como duplo homicídio seguido de suicídio.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos. A investigação é conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara. Até o momento, segundo a corporação, não há indícios de participação de terceiros.

Durante o enterro de Miguel, no fim da tarde de quinta-feira, a mãe do menino, Sarah Araújo, deixou o cemitério antes do encerramento da cerimônia após relatos de ameaças, segundo testemunhas que pediram para não ser identificadas. De acordo com o portal Mais Goiás, ela precisou de escolta para participar da despedida.

Ainda segundo o site, Sarah entrou no cemitério sob proteção, e o carro que a transportava parou em frente ao local do sepultamento. Amparada por familiares e amigos, acompanhou o cortejo, que teve início às 17h50.

O corpo de Benício será velado a partir das 7h deste sábado (14), na casa do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. O enterro está previsto para o Cemitério Avenida da Saudade, mas o horário ainda não havia sido definido até a última atualização desta reportagem.

Thales era genro do prefeito. Horas antes do crime, publicou nas redes sociais um vídeo ao lado dos filhos, declarando amor aos dois.

A Prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de três dias. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), manifestou pesar nas redes sociais e afirmou que irá à cidade para prestar solidariedade à família.

"A notícia de violência dentro de um lar, sobretudo quando crianças são vítimas, atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto", declarou. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Excesso deixou de ser valor ritual e virou 'despedida da carne' sob vigilância moral da Igreja

Cristianismo herdou Saturnálias e Lupercálias, mas as reinterpretou como exceção vigiada antes da Quaresma

 

Foliões desfilam no tradicional bloco do Cordão do Boitatá, na rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro - Fernando Maia - 8.fev.26/Divulgação Riotur

 

Marcelo Rede

É doutor pela Univ. de Paris 1 e professor de história da USP

 

À primeira vista, Carnaval e cristianismo parecem opostos. De um lado, riso, máscaras, excesso, inversão. Do outro, disciplina, penitência, contenção dos desejos. Não é raro ouvir que o Carnaval seria um resíduo pagão tolerado a contragosto pela Igreja. Mas essa explicação é insuficiente.

A história mostra algo mais complexo: o Carnaval não sobreviveu apesar do cristianismo. Ele tomou forma dentro dele, quando o cristianismo precisou decidir como lidar com uma cultura festiva herdada do mundo romano antigo.

Nesse mundo, festas não eram desvios da ordem. Eram parte da própria ordem religiosa. O calendário estava repleto de celebrações nas quais a rotina era suspensa, relativizada ou publicamente ridicularizada. É o caso das Saturnálias, realizadas em dezembro.

Durante essas festas, escravos sentavam-se à mesa com seus senhores, a franqueza era autorizada, a zombaria ganhava estatuto ritual. Máscaras, jogos, bebida e riso não eram desvios tolerados a contragosto. Eram comportamentos esperados.

Outras festas, como as Lupercálias, combinavam purificação, fertilidade e provocação pública. Corridas rituais, nudez parcial, contato corporal e riso faziam parte de um repertório religioso legítimo. Essas práticas tinham data e duração definidas, mas isso não significa que fossem vistas como problemas morais. No politeísmo romano, não havia oposição estrutural entre festa e religião: a exceção fazia parte do funcionamento normal do mundo.

É aqui que ocorre a grande mudança com o cristianismo. Quando ele se torna dominante, a partir do século 4º, não herda apenas um calendário, mas também um problema novo: como conciliar uma moral religiosa baseada na disciplina contínua com práticas festivas que celebravam o corpo, o riso e a inversão das hierarquias?

Nada disso desapareceu de imediato. As populações continuaram a cantar, dançar, usar máscaras. Pregadores cristãos reagiram com veemência. Um exemplo eloquente é o de Cesário de Arles —que se tornaria santo—, no início do século 6º, que repreende fiéis por se fantasiarem com "formas monstruosas", cantarem obscenidades e se comportarem "não como cristãos, mas como pagãos". A força do ataque revela que essas práticas continuavam vivas dentro de comunidades cristãs.

A diferença decisiva não está no fato de que o cristianismo passou a permitir a indisciplina. Está no modo como ele a reinterpretou. No mundo romano, a festa era um valor positivo em si. No cristianismo, ela se torna um problema a ser administrado. A solução não foi multiplicar festas, mas concentrá-las; não foi celebrá-las, mas justificá-las.

O cristianismo reorganizou o tempo de forma radical. Criou longos períodos de disciplina, jejum e penitência, como a Quaresma, e passou a tolerar a exceção apenas como limiar. O Carnaval nasce exatamente aí: não como uma festa autônoma, mas como o último momento antes da renúncia. O excesso deixa de ser um bem ritual e passa a ser um "antes de".

A própria etimologia do termo —associada à "despedida da carne"— revela essa mudança profunda. O Carnaval não é definido pelo que afirma, mas pelo que antecede. Ele existe em função da abstinência, não da celebração. É uma exceção vigiada, moralmente ambígua, sempre à beira da condenação.

Isso não significa, porém, que o Carnaval tenha sido apenas uma válvula de escape controlada pela Igreja. Ao contrário. Justamente por ocupar esse espaço ambíguo, ele se tornou também um terreno fértil para a contestação. Máscaras, sátiras e inversões passaram a ser meios pelos quais a cultura popular tensionava valores e autoridades dominantes. O riso carnavalesco não apenas reforça a ordem: ele a comenta, a critica, às vezes a expõe ao ridículo.

O Carnaval cristão nasce, assim, de uma negociação permanente. De um lado, tentativas de controle, moralização e enquadramento. De outro, práticas populares que insistem em reinventar a festa, ampliando seus sentidos. O resultado não é uma continuidade simples do mundo romano, nem uma criação inteiramente nova, mas um arranjo histórico instável.

Quando olhamos para o Carnaval brasileiro hoje, com sua crítica política, sua criatividade e sua capacidade de expor desigualdades, vemos a persistência dessa tensão antiga. O Carnaval não é apenas um momento em que a ordem "se permite" ser suspensa. É também um espaço em que se diz, por meio do riso, o que a ordem prefere calar.

O cristianismo não acabou com o Carnaval porque percebeu que não podia eliminar a exceção. Mas o transformou profundamente: retirou-lhe a autonomia religiosa e o colocou sob o signo da penitência. Desde então, uma vez por ano, o mundo pode virar de cabeça para baixo, não porque isso seja bom em si, mas porque, mesmo sob vigilância, o riso nunca deixou de encontrar um caminho. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Episódio aconteceu em um açougue; humorista descobriu que vídeo de sua conversa com atendente estava no Instagram

 

O humorista Paulo relatou pelo X que um vídeo seu feito sem que ele soubesse foi parar nas redes sociais Foto: Reprodução/X

 

Por Redação

O humorista Paulo Vieira utilizou as redes sociais para relatar um incômodo de privacidade. De acordo com Vieira, um vídeo filmado com óculos inteligentes em que ele aparece em um açougue foi parar no Instagram, sem que ele soubesse que estava sendo gravado.

Segundo ele, a pessoa que o atendeu estava utilizando um óculos com câmera - e que o aparelho não tinha nenhuma indicação de que estava ligado - em geral, dispositivos desse tipo indicam com uma luz na armação caso estejam filmando ou tirando fotos.

Depois da interação, Vieira afirmou que encontrou o vídeo com o conteúdo da conversa em um Reels, do Instagram.

“Eu achei que era só uma conversa entre dois seres humanos, mas, no fim, era a merda da produção de conteúdo”, afirmou Vieira em sua conta do X, neste sábado, 7.

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O humorista ainda respondeu um usuário que alertou sobre a luz que indica que os óculos estão ligados, mas afirmou que muitos usuários têm burlado o sistema de indicação.

“Já tão vendendo o adaptador que esconde a luzinha que mostra que tá filmando”, disse em uma resposta no X.

A falta de privacidade incomodou Vieira, que afirmou que se sentiu traído. Ele ainda reclamou que o açougueiro deveria ter perguntado a ele se tinha a permissão para filmá-lo no momento.

“Parece que postar qualquer coisa insignificante sobre a sua vida não é mais opcional: se você não fizer, vão fazer por você. O açougueiro com os óculos que filma vai contar pro mundo se você comprou acém ou maminha. Sim, eu tenho 180 anos”, publicou. Fonte: https://www.estadao.com.br

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças; veículo tinha aproximadamente 60 ocupantes

 

Gabriela Bento e Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil03/02/26

Ao menos 15 pessoas morreram após um ônibus de romeiros capotar, nesta terça-feira (3), na rodovia AL-220, localizada no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano.

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças.

De acordo com informações preliminares, o ônibus contava com aproximadamente 60 ocupantes. As vítimas sobreviventes foram socorridas e levada para hospitais da região, onde seguem recebendo atendimento médico.

Por conta do acidente, o governador do estado, Paulo Dantas, decretou luto oficial de três dias.

A ocorrência, classificada como um incidente com múltiplas vítimas de alta complexidade, conta com o apoio de aeronaves do Departamento Estadual de Aviação, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas e da Polícia Militar de Alagoas.

Após a ocorrência, o Instituto de Criminalística de Arapiraca foi acionado para periciar o local e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente.

Em nota, a prefeitura de Juazeiro do Norte lamentou o acidente. 

 

Leia na íntegra:

"A Prefeitura de Juazeiro do Norte manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido na manhã desta terça-feira, 3, na rodovia AL-220, envolvendo um ônibus com romeiros que retornavam ao estado de Alagoas após participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias.

Juazeiro do Norte, cidade cuja história é marcada pela fé e pelo acolhimento aos romeiros, recebe essa notícia com imensa tristeza e solidariedade, sentimento que une a gestão municipal e toda a população neste momento de luto.

Diante dessa dolorosa circunstância, a administração municipal expressa suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas e deseja pronta recuperação às pessoas feridas, reafirmando seu respeito, cuidado e apoio a todos os atingidos por essa fatalidade." Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br