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As exéquias do Papa Francisco, na Basílica Vaticana, foram ocasião para um encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da Ucrânia, sobre o futuro do país martirizado por mais de três anos de guerra e constantemente nas orações do falecido Pontífice. Um encontro, segundo Zelensky, que tem potencial para “tornar-se histórico” se forem alcançados “resultados conjuntos”.
Valerio Palombaro – Vatican News
Entre as muitas imagens que ficarão da última despedida do Papa Francisco, além das do funeral do Pontífice, certamente há uma que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sentados frente a frente num canto da Basílica de São Pedro. Um encontro que foi anunciado, depois colocado em dúvida por uma possível ausência do segundo, e finalmente aconteceu. Trata-se do primeiro encontro face a face entre os dois, que durou 15 minutos, após o dramático ocorrido e transmitido mundialmente no Salão Oval da Casa Branca, de onde Zelensky saiu sem participar da coletiva de imprensa.
Um colóquio "muito produtivo"
A conversa, de acordo com o diretor de comunicações da Casa Branca, Steve Cheung, foi "muito produtiva". A presidência ucraniana também divulgou uma fotografia de outra breve conversa entre Trump e Zelensky, no Vaticano, desta vez estendida incluindo o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron. De acordo com o porta-voz presidencial ucraniano, Sergei Nikiforov, Zelensky e Trump concordaram em continuar as negociações. Zelensky, escrevendo no X, falou de um “bom encontro” que “poderia tornar-se histórico se fossem alcançados resultados conjuntos”. O presidente ucraniano, em particular, pediu "um cessar-fogo completo e incondicional" e "uma paz confiável e duradoura que impeça o início de outra guerra".
A contraoferta ucraniana
De acordo com o New York Times, no encontro também foi discutida a contraoferta da Ucrânia à proposta da Casa Branca de acabar com a guerra. Um plano que incluiria a implantação de um "contingente de segurança europeu" apoiado pelos EUA, sem mencionar a restituição total dos territórios ocupados pela Rússia, nem a adesão de Kiev à OTAN, duas questões que Zelensky há muito declarou não negociáveis. Enquanto isso, de Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, anunciou que o Chefe do Estado-Maior russo informou Putin sobre a "conclusão da operação" para libertar a região russa de Kursk, parcialmente ocupada pelos ucranianos desde agosto de 2024. Muitas outras breves reuniões bilaterais ocorreram hoje por ocasião do funeral de Francisco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, compartilhou uma foto de seu aperto de mão com Trump hoje em suas redes sociais. A chefe do executivo europeu e o presidente dos EUA — em sua breve conversa na Praça São Pedro — concordaram em se encontrar novamente, frisou a porta-voz de Von der Leyen, Paula Pinho. Sinais encorajadores na escolha do caminho do diálogo, particularmente significativos no contexto atual marcado por impostos e tensões internacionais. Fonte: https://www.vaticannews.va
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A despedida do Papa Francisco, num sábado ensolarado, foi emocionante, intensa e compartilhada, onde prevaleceu a oração e a unidade. O povo de Deus que o abraçou no Domingo de Páscoa sem saber que seria a última vez, hoje o acompanhou com carinho na reta final de sua viagem terrena.
Reuniram-se ao seu redor os poderosos da terra, mas também muitos adolescentes, que tinham planejado a viagem para o Jubileu dos Adolescentes. Assim como muitos representantes de outras denominações cristãs e religiões diferentes se reuniram em torno dele.
Todos unidos na despedida de um Pastor fiel ao Evangelho, que se dedicou a pregar a fraternidade e que até do seu leito de hospital gritou o seu não à guerra.
Duas passagens em particular foram aplaudidas na homilia do cardeal Giovanni Battista Re. A primeira foi aquela em que ele lembrou que o fio condutor da missão do Papa Francisco foi “a convicção de que a Igreja é uma casa para todos; uma casa com portas sempre abertas”. “Todos, todos, todos”, repetiu o Bispo de Roma durante a última Jornada Mundial da Juventude, para explicar como nada nem ninguém pode nos separar do amor de um Deus que está sempre de braços abertos à nossa espera para nos acolher, seja qual for a nossa condição.
Uma casa de portas abertas é a Igreja que Francisco procurou construir, dando prioridade aos últimos, aos pobres, aos humildes, aos pecadores. Aqueles últimos que o acolheram no limiar da Basílica de Santa Maria Maior antes do último olhar de Maria Salus Populi Romani.
Mas os fiéis também aplaudiram, sobretudo, a passagem em que Re recordou o apelo incessante pela paz e o convite à razão e à “negociação honesta para encontrar soluções possíveis, porque a guerra — disse ele — é apenas a morte de pessoas, a destruição de casas, a destruição de hospitais e escolas”.
Antes do início da cerimônia, os presidentes americano e ucraniano se encontraram por alguns minutos. Esperamos e rezamos para que algo positivo possa surgir dessa conversa, o último colóquio de paz propiciado pelo Sucessor de Pedro, que foi o primeiro a querer se chamar santo de Assis, o santo da paz. Fonte: https://www.facebook.com
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A liturgia deste domingo continua a celebrar a Boa notícia da vitória de Jesus sobre a morte. Convida-nos especialmente a olhar para a comunidade nascida de Jesus. Garante-nos que Jesus está no meio dela, caminha com ela, dá-lhe a força para vencer as crises e os desafios que lhe dificultam a caminhada. É a partir da comunidade cristã que Jesus continua a oferecer ao mundo e aos homens, em cada passo da história, a sua proposta salvadora e libertadora.
A fé de Tomé,
EVANGELHO – João 20,19-31.
INTERPELAÇÕES
Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convicção profunda de que a comunidade dos discípulos nunca estará sozinha, abandonada à sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a injustiça, o egoísmo, o pecado, acompanhá-la-á em cada passo do seu caminho histórico. É verdade que os discípulos de Jesus não vivem num mundo à parte, onde a fragilidade e a debilidade dos humanos não os tocam. Como os outros homens e mulheres, eles experimentam o sofrimento, o desalento, a frustração, o desânimo; têm medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de violência; sofrem quando são atingidos pela injustiça, pela opressão, pelo ódio do mundo; conhecem a perseguição, a incompreensão e a morte… Mas, apesar de tudo isso, não se deixam vencer pelo pessimismo e pelo desespero pois sabem que Jesus vai “no meio deles”, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da Vida definitiva. É com esta certeza que caminhamos e que enfrentamos as tempestades da vida? Os outros homens e mulheres que partilham o caminho conosco descobrem Jesus, vivo e ressuscitado, através do testemunho de esperança que damos?
O Espírito Santo é o grande dom que Jesus ressuscitado faz à comunidade dos discípulos. É Ele que nos transforma, que nos anima, que faz de nós pessoas novas, que nos capacita para sermos testemunhas e sinais da Vida de Deus; é Ele que nos dá a coragem e a generosidade para continuarmos no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Espírito só atua em nós se estivermos disponíveis para o acolher. Ele não se impõe nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos disponíveis para acolher o Espírito? O nosso coração está aberto aos desafios que o Espírito constantemente nos lança?
A comunidade cristã gira em torno de Jesus, é construída à volta de Jesus e é de Jesus que recebe Vida, amor e paz. Sem Jesus, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Jesus, seremos um grupo de gente que se apoia em leis, que vive de ritos, que defende doutrinas e não a comunidade que vive e testemunha o amor de Deus; sem Jesus, estaremos divididos, mergulhados em conflitos estéreis, e não seremos uma comunidade de irmãos e de irmãs; sem Jesus, cairemos facilmente em caminhos errados e iremos beber a fontes que não matam a nossa sede de Vida… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte? Escutamos as suas palavras, alimentamo-nos d’Ele, vivemos d’Ele, estamos ligados a Ele como os ramos estão ligados à videira?
Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas, que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O sempre que nos reunimos em seu nome, em comunidade. É no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida, que fazemos a experiência da presença de Jesus vivo no meio de nós. O que é que a comunidade cristã significa para nós? Sentimo-nos bem a caminhar em comunidade, ou a nossa experiência de fé é uma experiência isolada, à margem da riqueza e dos desafios que a comunidade me oferece? E, neste âmbito, o que é que significa, para nós, a participação na celebração da Eucaristia, no “primeiro dia da semana”, o dia do encontro comunitário à volta da mesa de Jesus?
É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo; é com gestos de bondade, de misericórdia, de compaixão, de perdão que testemunhamos diante do mundo a Vida nova do Ressuscitado. Quem procura Cristo ressuscitado, encontra-O em nós? O amor de Jesus – amor total, universal e sem medida – transparece nos nossos gestos e na nossa vida?
Leia a reflexão na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.
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'Era um irmão', diz freira que quebrou protocolo no velório do papa Francisco após visitar caixão pela 4ª vez
Irmã Geneviève Jeanningros, de 81 anos, é uma freira francesa que comanda projeto de acolhimento a minorias. Ela era amiga do pontífice e sua primeira visita ao caixão do papa viralizou.
Foto de arquivo: irmã Geneviève Jeanningros em audiência com o papa Francisco em 2018 — Foto: Vatican Media
Por Redação g1
“Era um pai, um irmão, um amigo. Vai fazer falta para todos”. Foi assim que se referiu ao papa Francisco a freira Geneviève Jeanningros, que ficou famosa por quebrar o protocolo durante o velório público do pontífice.
Geneviève falou com o serviço de imprensa do Vaticano após visitar a Basílica de São Pedro novamente nesta sexta-feira (25), sua quarta vez. "Muita gente me disse: quando for ver o Papa, leve a gente com você. Chorei também por eles", afirmou a freira.
"Irmãzinha de Jesus" e amiga de Francisco, a freira viralizou ao se aproximar do caixão do pontífice no primeiro dia do velório público, na quarta-feira. Auxiliada por um segurança, a irmã foi levada para o cordão de proteção, onde permaneceu alguns minutos. Ocasionalmente, ela levava a mão ao rosto e chorava a morte do amigo, enquanto observava o pontífice. (Saiba mais sobre a freira abaixo)
Freira que quebrou protocolo em velório do papa vive em trailer; conheça
Na visita desta sexta-feira, Geneviève foi acompanhada por Laura Esquibel, uma mulher trans paraguaia que conhecia do papa Francisco: "Fui a primeira mulher transexual a apertar a mão dele. Já o vi sete vezes, almoçamos juntos. Eu gostava muito dele". Segundo o Vaticano, o pontífice gostava das empanadas de Esquibel, e a mulher mandava o salgado para ele em algumas ocasiões.
Geneviève afirmou que foi procurada pela imprensa do mundo inteiro para dar entrevistas sobre o momento da quebra de protocolo. No entanto, ela recusou todos os pedidos, porque "não consegue" falar sobre o assunto. “Não, não consigo. Não quero falar com ninguém, me desculpem. Não consigo porque é demais, sabe? Eu gostava muito dele, é isso”, disse a freira ao Vaticano com seu forte sotaque francês sobre os pedido de entrevista.
'Irmãzinha de Jesus' e vive em trailer: conheça freira Geneviève
A freira amiga do papa Francisco que quebrou o protocolo e se aproximou do caixão é Geneviève Jeanningros, de 81 anos. Pouco tempo após o pontífice ser colocado na Basílica de São Pedro, a irmã foi levada para o cordão de proteção, onde permaneceu alguns minutos.
Parte da fraternidade Irmãzinhas de Jesus, Geneviève comanda um projeto que acolhe minorias sociais em Roma. Ela mora em um trailer na periferia da capital italiana e já chegou a levar pessoas a quem atende a audiências com Francisco no Vaticano.
"A religiosa conheceu o papa há algum tempo; ela escreveu para ele logo depois da eleição, relembrando a história de uma tia missionária na Argentina que desapareceu durante a 'Guerra Suja'", conta o Vatican News. "A correspondência nunca parou e Francisco, em uma audiência com artistas de rua, chegou a desejar a ela um feliz aniversário".
A irmã Geneviève, conta a agência do Vaticano, também levou familiares de um médico americano morto pela pandemia de Covid-19 a Roma para se encontrar com o papa, após ele ter tido o funeral católico recusado por ser homossexual.
Encontro emblemático com o papa
Em 2024, a irmã encontrou-se com o papa Francisco, na Audiência Geral, em junho, junto com um grupo formado por: homossexuais, transexuais, um casal de catequistas, uma jovem engajada na Pastoral Carcerária.
Na época, Geneviève afirmou que não conhecia as pessoas, mas que não perguntou a eles sobre sua orientação sexual.
"O que importa para a irmã Geneviève é 'ir aonde a Igreja tem mais dificuldade de ir', conforme desejava Charles de Foucauld, de quem as Irmãzinhas de Jesus herdaram o carisma", disse o Vatican News sobre o encontro. Fonte: https://g1.globo.com
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Pela lei peruana, presidente só pode sair do país após aprovação do Congresso. Pedido de Dina Boluarte foi vetado em votação na quarta, 23
Por Redação AFP
O Congresso do Peru recusou na quarta-feira, 23, o pedido da presidente Dina Boluarte para assistir ao funeral do papa Francisco no Vaticano. Pela lei peruana, o presidente não pode deixar o país sem autorização.
Após um breve debate, o parlamento, controlado por uma maioria de direita, negou o pedido. Foram 45 votos contrários, 40 a favor e uma abstenção.
A solicitação tinha sido feita na noite de terça-feira, 22. A presidente ficaria fora do país entre os dias 24 e 28 de abril para estar na Missa de Exéquias do papa no Vaticano (também conhecida como missa de corpo presente), como prevê o rito funerário católico. Fonte: https://www.estadao.com.br
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A verdade é que sua obra de amor, resistência e esperança precisa continuar
*Por Felipe Salto
O Papa Francisco exerceu uma liderança transformadora. Desde o início, ligou-se aos mais pobres. Seus escritos, ações e pastoreio desenvolveram-se a partir da ideia fundadora do cristianismo: o amor ao próximo. Não apenas nos atos individuais, mas na política, na economia, na causa ambiental e na ação social.
Na encíclica “Laudato si”, publicada por Francisco em 2015, apresenta-se uma visão ampla e profunda sobre a economia, o meio ambiente, a vida em sociedade e a responsabilidade de cada um e das instituições na construção de um mundo novo; menos injusto e mais fraterno.
A solidariedade universal, para ele, não se desvincula do cotidiano de cada um, da responsabilidade individual, do papel e do valor inestimável das pessoas, com suas diferenças, dificuldades e idiossincrasias. Da mesma forma, apenas o indivíduo não basta. A amizade social é a ideia-força central em Francisco. Trata-se do amor como um sentimento que transcende a esfera individual. Objetiva-se a luta coletiva por uma realidade política, social e econômica agregadora, para além do assistencialismo, como ele mesmo coloca.
Escreveu que “a simples proclamação da liberdade econômica, enquanto as condições reais impedem que muitos possam efetivamente ter acesso a ela e, ao mesmo tempo, se reduz o acesso ao trabalho, torna-se um discurso contraditório (...)”. Essa liberdade serve a quem, se as instituições e o modelo econômico preservam e ampliam segregações e desigualdades?
Destacou, assim, a importância da atividade econômica, mas voltada aos objetivos permeados pela fraternidade e pela amizade social. Ora, quer discussão mais atual, dado o encantamento, por vezes, tão direto e fácil com as inteligências artificiais e seus aparatos? A quem servirá ou a quem serve um modelo em que os eficientes, os considerados bons, capazes e desenvolvidos são integrados e participam da vida, têm sua dignidade, isto é, seu trabalho, ao passo que os demais ficam à margem?
A defesa do trabalho tem a ver com a dignidade humana, antes de tudo. Pode haver beleza na vida em sociedade apenas pelo progresso? Para Francisco, precisa-se de um desenvolvimento econômico como espécie de processo integrador de realidades culturais, sociais, políticas e regionais distintas.
A esse respeito, na encíclica publicada em 2020, “Fratelli tutti”, Francisco argumenta que, “numa sociedade realmente desenvolvida, o trabalho é uma dimensão essencial da vida social, porque não é só um modo de ganhar o pão, mas também um meio para o crescimento pessoal, para estabelecer relações sadias, expressar-se a si próprio, partilhar dons, sentir-se corresponsável no desenvolvimento do mundo e, finalmente, viver como povo.”
Em algumas ocasiões, as encíclicas flagram o próprio autor colocando-se à prova, no sentido de questionar-se sobre o caráter utópico de suas análises. Ato contínuo, no entanto, mostrava, por meio de propostas, os caminhos. Descreveu, por exemplo, a importância de instituições de caráter mundial e de como reformá-las para aprimorar ou corrigir sua atuação em busca do bem comum, de uma economia próspera, mas solidária.
A aparentemente surrada ideia do bem comum, aliás, renasceu à luz da tese do amor ao próximo no enredo de Francisco. Apegou-se à conhecida parábola do Bom Samaritano, na encíclica “Fratelli tutti”, para evidenciar a amplitude da caridade. Não apenas aquela contida no gesto pessoal, tão valioso, mas também a derivada da transformação do ato de cada um em ação política – de grupos, de instituições e de países.
Dizia ele na encíclica “Laudato si”: “(...) O bem comum requer a paz social, isto é, a estabilidade e a segurança de uma certa ordem, que não se realiza sem uma atenção particular à justiça distributiva, cuja violação gera sempre violência. Toda a sociedade – e, nela, especialmente o Estado – tem obrigação de defender e promover o bem comum.”
O tempo de Francisco, para a Igreja e os católicos, propiciou união, abertura ao novo e resgate dos ideais verdadeiramente cristãos. Falo da amizade social, da fraternidade, da solidariedade, da tolerância e de sua atuação repleta desses propósitos. Reaproximou a Igreja dos seus, acolheu os marginalizados e, sobretudo, desmontou os farisaísmos internos.
O quinto capítulo do texto “Fratelli tutti” termina com provocação de que a ação política pode levar a “perguntas dolorosas”, passado o tempo de cada um. São elas: “Quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que laços reais construí? Que forças positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? Que produzi no lugar que me foi confiado?”
A análise do tempo de Francisco propicia as melhores respostas para essas indagações.
Contudo, vale dizer, seu tempo ainda não acabou. A verdade é que sua obra de amor, resistência e esperança precisa continuar. Fonte: https://www.estadao.com.br
*Economista-chefe da Warren Investimentos, membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp, foi secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo. Felipe Scudeler Salto escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto
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1) Oração
Ó Deus, que reunistes povo tão diversos no louvor do vosso nome, concedei aos que renasceram nas águas do batismo ter no coração a mesma fé e na vida a mesma caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 24, 35-48)
35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como o tinham reconhecido ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” 37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um espírito. 38Mas ele disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, ele mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, tanta era sua alegria e sua surpresa. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que eu vos falei quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45Então ele abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e disse-lhes: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, 47e no seu nome será anunciada a conversão, para o perdão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas destas coisas.
3) Reflexão
Nestes dias depois da Páscoa, os textos do evangelho relatam as aparições de Jesus. No início, nos primeiros anos depois da morte e ressurreição de Jesus, os cristãos não se preocupavam em defender a ressurreição por meio das aparições. Eles mesmos, a comunidade viva, era a grande aparição de Jesus ressuscitado. Mas na medida em que cresciam as críticas dos inimigos contra a fé na ressurreição e que, internamente, surgiam críticas e dúvidas a respeito das várias funções nas comunidades (cf. 1Cor 1,12), eles começaram a lembrar as aparições de Jesus. Há dois tipos de aparições: (1) as que acentuam as dúvidas e resistências dos discípulos em crer na ressurreição, e (2) as que chamam a atenção para as ordens de Jesus aos discípulos e discípulas conferindo-lhes alguma missão. As primeiras respondem às críticas vindas de fora. Elas mostram que os cristãos não são pessoas ingênuas e crédulas que aceitam qualquer coisa. Pelo contrário. Eles mesmos tiveram muitas dúvidas em crer na ressurreição. As outras respondem às críticas de dentro e fundamentam as funções e tarefas comunitárias não nas qualidades humanas sempre discutíveis, mas sim na autoridade e nas ordens recebidas do próprio Jesus ressuscitado. A aparição de Jesus narrada no evangelho de hoje combina os dois aspectos: as dúvidas dos discípulos e a missão de anunciar e perdoar recebida de Jesus.
Lucas 24,35: O resumo de Emaús. De retorno a Jerusalém, os dois discípulos encontram a comunidade reunida e comunicam a experiência que tiveram. Narram o que aconteceu no caminho e como reconheceram Jesus na fração do pão. A comunidade reunida, por sua vez, comunica a eles como Jesus aparecera a Pedro. Foi uma partilha mútua da experiência de ressurreição, como até hoje acontece quando as comunidades se reúnem para partilhar e celebrar sua fé, sua esperança e seu amor.
Lucas 24,36-37: A aparição de Jesus causa espanto nos discípulos. Neste momento, Jesus se faz presente no meio deles e diz: “A Paz esteja com vocês!” É a saudação mais freqüente de Jesus: “A Paz esteja com vocês!” (Jo 14,27; 16,33; 20,19.21.26). Mas os discípulos, ao verem Jesus, ficam com medo. Eles se espantam e não reconhecem Jesus. Diante deles está o Jesus real, mas eles imaginam estar vendo um espírito, um fantasma. Há um desencontro entre Jesus de Nazaré e Jesus ressuscitado. Não conseguem crer.
Lucas 24,38- 40: Jesus os ajuda a superar o medo e a incredulidade. Jesus faz duas coisas para ajudar os discípulos a superar o espanto e a incredulidade. Ele mostra as mãos e os pés, dizendo: “Sou eu!”, e manda apalpar o corpo, dizendo: “Espírito não tem carne nem osso como vocês estão vendo que eu tenho!” Jesus mostra as mãos e os pés, porque é neles que estão as marcas dos pregos (cf. Jo 20,25-27). O Cristo ressuscitado é Jesus de Nazaré, o mesmo que foi morto na Cruz, e não um Cristo fantasma como imaginavam os discípulos ao vê-lo. Ele mandou apalpar o corpo, porque a ressurreição é ressurreição da pessoa toda, corpo e alma. A ressurreição não tem nada a ver com a teoria da imortalidade da alma, ensinada pelos gregos.
Lucas 24,41-43: Outro gesto para ajuda-los a superar a incredulidade. Mas não bastou. Lucas diz que por causa de tanta alegria eles não podiam crer. Jesus pede que lhe dêem algo para comer. Eles deram um pedaço de peixe e ele comeu diante deles, para ajuda-los a superar a dúvida.
Lucas 24,44-47: Uma chave de leitura para compreender o sentido novo da Escritura. Uma das maiores dificuldades dos primeiros cristãos era aceitar um crucificado como sendo o messias prometido, pois a própria lei de Deus ensinava que uma pessoa crucificada era “um maldito de Deus” (Dt 21,22-23). Por isso, era importante saber que a própria Escritura já tinha anunciado que “o Cristo devia sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que em seu nome fosse proclamado o arrependimento para o perdão dos pecados a todas as nações”. Jesus mostrou a eles como isto já estava escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. Jesus ressuscitado, vivo no meio deles, se torna a chave para abrir o sentido total da Sagrada Escritura.
Lucas 24,48: Vocês são testemunhas disso. Nesta ordem final está toda a missão das comunidades cristãs: ser testemunha da ressurreição, para que se torne manifesto o amor de Deus que nos acolhe e nos perdoe, e quer que vivamos em comunidade como seus filhos e filhas, irmãos e irmãs uns dos outros.
4) Para um confronto pessoal
1) Às vezes, a incredulidade e a dúvida se aninham no coração e procuram enfraquecer a certeza que a fé nos dá a respeito da presença de Deus em nossa vida. Você já viveu isto alguma vez? Como o superou?
2) Ser testemunha do amor de Deus revelado em Jesus é a nossa missão, a minha missão. Será que eu sou?
5) Oração final
Ó SENHOR, nosso Deus, como é glorioso teu nome em toda a terra! Sobre os céus se eleva a tua majestade! Que coisa é o homem, para dele te lembrares, que é o ser humano, para o visitares? (Sl 8, 2.5)
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‘Não ardia o nosso coração, enquanto nos falava pelo caminho e explicava as Escrituras?’ Francisco falou ao nosso coração
Por Nicolau da Rocha Cavalcanti
São Lucas narra uma das cenas mais bonitas da Bíblia. Dois discípulos de Jesus iam a pé de Jerusalém a Emaús. “Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se e caminhava com eles. Mas os seus olhos estavam como que vendados e não o reconheceram. Perguntou-lhes, então: ‘De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?’”. Eles, então, explicaram o que havia ocorrido: Jesus – “profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo” – tinha sido crucificado e, apesar de alguns boatos sobre sua ressurreição, ninguém ainda o vira. Este era o motivo da sua tristeza: aquele que pensavam ser o Messias estava morto. Aquela história, que parecia tão bonita, tinha chegado ao fim.
Jesus, então, os advertiu: “‘Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas para, assim, entrar em sua glória?‘. E, começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras”.
O fim da cena é conhecido. “Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: ‘Fica conosco, já é tarde e declina o dia’. Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então, se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu. Disseram, então, um para o outro: ‘Não ardia o nosso coração, enquanto ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?’”.
Penso que todos, crentes e não crentes, podemos dizer algo semelhante a respeito dos 12 anos de pontificado do papa Francisco: “Não ardia o nosso coração, enquanto ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”. Francisco falou ao coração de todos nós. De diversas maneiras e em diferentes tons, mas sempre ao coração. Viveu o que Jesus ensinara: “Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”.
Francisco foi popular, mas nunca populista. Não teve medo de dizer verdades contrárias à opinião pública. Sua pregação foi sempre a das bem-aventuranças, que é exigente e oposta tanto a uma visão materialista da vida como à indiferença com o mundo e com os outros, tão presentes nos dias de hoje. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. Não são essas as palavras fundamentais do pontificado de Francisco? Paz, pobreza, caridade, mansidão, justiça, misericórdia.
O papa falava dos pobres como os “prediletos de Deus”. É o oposto da cultura do sucesso e da cultura da indiferença. Como olhamos os pobres à nossa volta?
Com razão, muito se diz que Francisco foi um reformador, que buscou promover reformas na Igreja Católica. O papa argentino queria deixar mais visível, transparecendo na organização e na ação, que a Igreja é um projeto de serviço, e não de poder. Afinal, Jesus “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos”. Mas a reforma de Francisco não tinha relação com atividades meramente externas, com “reformas estruturais desprovidas de Evangelho”. Sobre estas, disse na Encíclica Dilexit nos: “O resultado é, muitas vezes, um cristianismo que esqueceu a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa, a cativante beleza de Cristo, a gratidão emocionante pela amizade que Ele oferece e pelo sentido último que dá à vida”.
Francisco foi um homem do diálogo e do encontro, mas porque era, antes, uma pessoa do silêncio e da oração. Cultivava a vida interior. Em 2021, em entrevista ao Estadão, o biógrafo do papa Austen Ivereigh, questionado sobre a pandemia e o pontificado de Francisco, disse: “A Igreja mudou durante a crise, que acelerou o que já era claro: que a fé já não se transmite pela lei, pela cultura, pela instituição e pela família, mas pelo testemunho e pela experiência. Entender essa mudança é a chave do pontificado”.
Francisco transmitiu-nos sua experiência de Deus, seu testemunho pessoal de Deus. E, por isso, foi tão genuíno, próximo, acolhedor, sincero, humano. Com falhas, certamente. Não poucas vezes precisou esclarecer o que havia dito. Mas Francisco – e aqui está o mistério – não foi apenas Jorge Mario Bergoglio. Muito mais do que expressão de uma personalidade cativante ou de uma liderança excepcional, o pontificado que se encerrou há dois dias evidencia o mistério da Igreja, em sua dimensão humana e também divina. Evidenciou que Deus não é uma ideia, menos ainda uma ideologia. Deus é Amor. Fonte: https://www.estadao.com.br
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O Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. Em 23 de abril, o corpo será trasladado à Basílica de São Pedro. A Missa das Exéquias será celebrada em 26 de abril, seguida do sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior.
Vatican News
O Departamento de Celebrações Litúrgicas do Vaticano anunciou os detalhes das exéquias do Papa Francisco. A cerimônia segue as indicações estabelecidas no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, documento que rege os ritos funerários do Pontífice Romano.
Traslado para a Basílica de São Pedro
Na quarta-feira, 23 de abril, às 9h (horário local), o corpo do Papa Francisco será trasladado da Capela da Casa Santa Marta até a Basílica de São Pedro. A condução da urna será precedida por um momento de oração, presidido pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana.
A procissão seguirá pela Praça Santa Marta e pela Praça dos Protormártires Romanos, saindo pelo Arco dos Sinos até a Praça São Pedro, entrando em seguida na Basílica Vaticana pela porta central. Diante do Altar da Confissão, o cardeal camerlengo conduzirá a Liturgia da Palavra, após a qual será aberto o período de visitação à urna mortuária do Papa Francisco.
Exéquias e sepultamento
No sábado, 26 de abril, às 10h (horário local), será celebrada a Missa das Exéquias, que marca o primeiro dia do Novendiali (novenário), os nove dias de luto e orações em honra ao Pontífice falecido. A celebração ocorrerá no átrio da Basílica de São Pedro e será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício.
Ao final da celebração eucarística, ocorrerão os ritos da Última Commendatio e da Valedictio — despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias. Em seguida, o caixão do Papa será levado novamente para o interior da Basílica de São Pedro e, de lá, transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde será realizada a cerimônia de sepultamento.
Diversos chefes de Estado e de governo já anunciaram oficialmente sua presença para prestar homenagem ao Pontífice falecido. Fonte: https://www.vaticannews.va
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Pontífice de 88 anos morreu nesta segunda, 21; leia o texto em que ele deixou instruções para seu sepultamento
Por Luisa Laval
O Vaticano publicou nesta segunda-feira, 21, o testamento do papa Francisco, no qual ele expressa seus últimos desejos. O pontífice de 88 anos morreu nesta segunda, vítima de um acidente vascular cerebral e de colapso cardiocirculatório.
Diferentemente de seus antecessores, ele pediu para ser enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, na Capela da Salus Populi Romani, imagem de Nossa Senhora considerada padroeira de Roma. A tradição diz que ela teria sido pintada por São Lucas, um dos quatro evangelistas do Novo Testamento.
O pontífice argentino será o primeiro em 122 anos a ser sepultado fora das grutas do Vaticano, no subsolo da Basílica de São Pedro. No ano passado, Francisco já havia anunciado seu desejo de ser enterrado na igreja, uma das quatro basílicas papais de Roma.
Leia na íntegra o testamento do papa Francisco
“Miserando atque Eligendo
Em Nome da Santíssima Trindade. Amém.
Sentindo que se aproxima o ocaso da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar a minha vontade testamentária somente no que diz respeito ao local da minha sepultura.
Sempre confiei a minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que os meus restos mortais repousem, esperando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior.
Desejo que a minha última viagem terrena se conclua precisamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde me dirigia para rezar no início e fim de cada Viagem Apostólica, para entregar confiadamente as minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo dócil e materno cuidado.
Peço que o meu túmulo seja preparado no nicho do corredor lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza desta mesma Basílica Papal, como indicado no anexo.
O túmulo deve ser no chão; simples, sem decoração especial e com uma única inscrição: Franciscus.
As despesas para a preparação da minha sepultura serão cobertas pela soma do benfeitor que providenciei, a ser transferida para a Basílica Papal de Santa Maria Maior e para a qual dei instruções apropriadas ao Arcebispo Rolandas Makrickas, Comissário Extraordinário do Cabido da Basílica.
Que o Senhor dê a merecida recompensa àqueles que me quiseram bem e que continuarão a rezar por mim. O sofrimento que esteve presente na última parte de minha vida eu o ofereço ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos.
Santa Marta, 29 de junho de 2022″. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Andrea Tornielli
“A misericórdia de Deus é a nossa libertação e a nossa felicidade. Vivemos da misericórdia e não podemos nos dar ao luxo de ficar sem misericórdia: ela é o ar que respiramos. Somos pobres demais para estabelecer condições, precisamos perdoar, porque precisamos ser perdoados”. Se há uma mensagem que, mais do que qualquer outra, caracterizou o pontificado do Papa Francisco e está destinada a permanecer, é a da misericórdia. O Papa nos deixou repentinamente nesta manhã, depois de ter dado a última bênção Urbi et Obi no dia de Páscoa, do balcão central da Basílica de São Pedro, depois de ter dado a última volta pela multidão, para abençoar e saudar.
Muitos temas foram abordados pelo primeiro pontífice argentino na história da Igreja, em especial a preocupação com os pobres, a fraternidade, o cuidado com a Casa Comum, o firme e incondicional não à guerra. Mas o coração de sua mensagem, o que certamente causou mais impressão, é o chamado evangélico à misericórdia. A proximidade e ternura de Deus para com aqueles que se reconhecem necessitados da sua ajuda. A misericórdia como “o ar para respirar”, isto é, do que mais precisamos, sem o qual seria impossível viver.
Todo o pontificado de Jorge Mario Bergoglio foi vivido sob o lema dessa mensagem, que é o coração do cristianismo. Desde o primeiro Angelus recitado em 17 de março de 2013 da janela do apartamento papal que ele nunca habitaria, Francisco falou da centralidade da misericórdia, lembrando as palavras ditas a ele por uma senhora idosa que foi se confessar quando ele tinha sido apenas ordenado bispo auxiliar de Buenos Aires: “O Senhor perdoa tudo... Se o Senhor não perdoasse tudo, o mundo não existiria”.
O Papa que veio “do fim do mundo” não fez mudanças nos ensinamentos da tradição cristã de dois mil anos, mas ao trazer de modo novo a misericórdia ao centro de seu magistério, ele mudou a percepção que muitos tinham da Igreja. Ele deu testemunho da face materna de uma Igreja que se inclina sobre aqueles que estão feridos e, em particular, sobre aqueles que estão feridos pelo pecado. Uma Igreja que dá o primeiro passo em direção ao pecador, assim como Jesus fez em Jericó, convidando-se para ir à casa do pouco apresentável e odiado Zaqueu, sem lhe pedir nada, sem condições prévias. E foi por se sentir olhado e amado dessa maneira pela primeira vez que Zaqueu se reconheceu pecador, encontrando naquele olhar do Nazareno o impulso para se converter.
Muitas pessoas, há dois mil anos, ficaram escandalizadas quando viram o Mestre entrar na casa do publicano de Jericó. Tantas pessoas se escandalizaram nos últimos anos com os gestos de boas-vindas e proximidade do pontífice argentino em relação a todas as categorias de pessoas, especialmente os “pouco apresentáveis” e pecadores. Em sua primeira homilia em uma missa com o povo, na Igreja de Santa Ana, no Vaticano, Francisco disse: “Quantos de nós talvez mereceríamos uma condenação! E seria também justa. Mas Ele perdoa! Como? Com a misericórdia, que não apaga o pecado: é somente o perdão de Deus que o apaga, enquanto a misericórdia vai além. É como o céu: olhamos para o céu, tantas estrelas, mas quando o sol vem pela manhã, com tanta luz, as estrelas não podem ser vistas. Assim é a misericórdia de Deus: uma grande luz de amor, de ternura, porque Deus perdoa não com um decreto, mas com uma carícia”.
Ao longo dos anos de seu pontificado, o 266º sucessor de Pedro mostrou o rosto de uma Igreja próxima, capaz de testemunhar ternura e compaixão, acolhendo e abraçando a todos, mesmo à custa de assumir riscos e sem se preocupar com as reações dos simpatizantes. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e suja por estar nas ruas” - escreveu Francisco na ‘Evangelii gaudium’, a road map de seu pontificado -, “do que uma Igreja doente por estar fechada e a comodidade de agarrar-se à sua própria segurança. Uma Igreja que não confia nas capacidades humanas, no protagonismo de influenciadores que só se referem a si mesmos e nas estratégias de marketing religioso, mas que se torna transparente para tornar conhecido o rosto misericordioso d'Aquele que a fundou e a faz viver, apesar de tudo, há dois mil anos.
É esse rosto e esse abraço que tantos reconheceram no idoso bispo argentino de Roma, que começou seu pontificado indo rezar pelos migrantes que morreram no mar em Lampedusa, e o terminou imobilizado em uma cadeira de rodas, dedicando todos os últimos momentos para testemunhar ao mundo o abraço misericordioso de um Deus próximo e fiel em seu amor por todas as suas criaturas. Fonte: https://www.vaticannews.va
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“Ressuscitou como disse... Aleluia! A vida venceu a morte!”
Padre Cesar Augusto, SJ - Vatican News
O Evangelho de São João nos diz que no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de Jesus e o encontrou vazio. João faz questão de ressaltar que era de madrugada e ainda estava escuro. Podemos perceber que o evangelista ao registrar que o fato aconteceu no primeiro dia da semana, quer fazer alusão à nova criação. O que ele vai relatar é uma novidade radical, é a vida nova de um homem, não um fato como a denominada ressurreição de Lázaro, que volta à vida, mas continua submetido à necessidade de cuidar de sua saúde, de se alimentar e que voltará a morrer.
João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte. Jesus jamais voltará a morrer. A morte nunca mais terá poder sobre ele, porque ele, a Vida, a destruiu.
Contudo, Maria Madalena, apesar de ter escutado várias vezes Jesus dizer que ressuscitaria, a dor da morte é tal que ela se esquece das palavras do Mestre.
Apesar do corpo de Jesus já ter sido ungido na sexta-feira por José de Arimatéia e por Nicodemos, ela não consegue ficar longe do corpo morto do Senhor. A escuridão enfatizada no texto é um símbolo do estado interior de Maria. Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seu grande libertador, seu grande amigo está morto. Ela vai ao sepulcro quando ainda está escuro, na natureza e no seu interior. Mas seu coração está iluminado pelo amor, por isso ela vai até ao sepulcro.
Ela o encontra vazio. Sente-se despontada e mais desolada, perdida e impotente. Maria Madalena busca o cadáver de Jesus. Ela esqueceu totalmente a promessa dele de que iria ressuscitar.
Ela olha para o sepulcro vazio e vê dois anjos, um na cabeceira e outro nos pés. O evangelista quer nos recordar os dois anjos que foram colocados, um à cabeceira e outro aos pés da arca da aliança. Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.
Mas Madalena, abalada pela dor não reconhece os sinais e só vê o sepucro vazio. Somente após a segunda pergunta de Jesus, ao ouvi-lo pronunciar seu nome e deixar de olhar para o sepulcro e voltar-se para o lado contrário é que ela vê o ressuscitado.
Como Maria Madalena, também nós só veremos os sinais da ressurreição, quando levantarmos nossos olhos dos sinais de morte, e dirigirmos nosso coração para a VIDA. Enquanto estivermos afeiçoados àquilo que é egoísmo, ambição, ira, não perceberemos que a Vida está à nossa frente, e sofreremos as consequências da opção pelos atrativos mortais. Ao contrário, quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento, pois estaremos desde agora vivendo à luz de Deus.
Feliz Páscoa a todos!
Fonte: https://www.vaticannews.va
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O que aconteceu com a cruz em que Jesus morreu?
Igrejas em todo o mundo afirmam ter pelo menos um pedaço da verdadeira cruz, mas especialistas dizem que a possibilidade é remota
Segundo vários relatos, Helena, mãe do imperador Constantino, foi quem encontrou a cruz onde Cristo morreu em Jerusalém - Getty Images via BBC
Alejandro Millán Valencia
Segundo a história em que os cristãos se baseiam, Jesus de Nazaré morreu crucificado por ordem do então prefeito romano da Judeia, Pôncio Pilatos.
A jornada dele até aquela morte - uma série de episódios conhecida como Paixão de Cristo —é um dos elementos centrais das comemorações da Semana Santa.
A crucificação é tão simbólica para o Cristianismo que a cruz acabou se tornando o símbolo das religiões que professam devoção à figura de Jesus Cristo.
Mas o que aconteceu com a cruz original?
Dezenas de mosteiros e igrejas em todo o mundo afirmam ter pelo menos um pedaço da chamada "verdadeira cruz" nos altares, para louvor dos seus fiéis.
E muitos deles baseiam a veracidade da origem dessas relíquias em textos dos séculos 3 e 4, que narram a descoberta em Jerusalém do pedaço de madeira onde Jesus Cristo foi executado pelos romanos.
"Essa história, que inclui o imperador romano Constantino e a mãe dele, Helena, foi o ponto inicial dessa trajetória da cruz de Cristo, que sobrevive até hoje", explica Candida Moss, professora de História dos Evangelhos e Cristianismo Primitivo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
Ela baseia-se nos escritos de historiadores antigos como Gelásio de Cesareia e Tiago de Vorágine. Mas, para muitos historiadores de hoje, eles não determinam a autenticidade dos pedaços de madeira que vemos em vários templos ao redor do mundo —nem podem servir como confirmação da origem dessas relíquias.
"É muito provável que aquele pedaço de madeira não seja a cruz onde Jesus foi crucificado, porque muitas coisas poderiam ter acontecido com esse objeto. Por exemplo, os romanos podem tê-lo reutilizado para outra crucificação, em outro lugar e com outras pessoas", raciocina Moss.
Mas, então, como surgiu a história da "verdadeira cruz" e por que existem tantas peças que supostamente fazem parte da madeira "original"?
"(Isso se deve ao) desejo de ter uma proximidade física com algo que acreditamos", responde o historiador Mark Goodacre, especialista em Novo Testamento da Universidade Duke, nos Estados Unidos.
"As relíquias cristãs são mais um desejo do que algo verdadeiro", diz ele.
A lenda dourada
Na narrativa do Evangelho, após a morte de Jesus na cruz, o corpo dele foi levado para um túmulo onde hoje é a Cidade Velha de Jerusalém.
E, durante quase 300 anos, não houve menção alguma ao pedaço de madeira usado na crucificação.
Foi por volta do século 4 que o bispo e historiador Gelásio de Cesaréia publicou um relato em seu livro A História da Igreja sobre a descoberta em Jerusalém da "verdadeira cruz" por Helena, uma santa da Igreja Católica.
Helena também era mãe do imperador romano Constantino, que impôs o Cristianismo como religião oficial do império.
A história, referenciada por outros historiadores e por escritores como Tiago de Voragine no livro Lenda Dourada, do século 13, indica que Helena, enviada pelo filho para encontrar a cruz de Cristo, foi levada para um local próximo do Monte Gólgota, onde Jesus foi supostamente crucificado. Havia ali três cruzes.
Algumas versões indicam que Helena, ao duvidar de qual seria a cruz verdadeira, colocou uma mulher doente próxima de cada uma das cruzes —e aquela que curou a mulher foi considerada a autêntica.
Outros historiadores afirmam que a "cruz verdadeira" foi reconhecida porque era a única das três que apresentava sinais de ter sido usado para uma crucificação com pregos —segundo o Evangelho de João, Jesus foi o único que foi crucificado com esse método naquele dia.
"Toda essa história faz parte do desejo por relíquias que começou a ocorrer no cristianismo durante os séculos 3 e 4", contextualiza Goodacre.
O acadêmico destaca que os primeiros cristãos não tinham como foco a busca ou a preservação desse tipo de objeto como fonte de devoção.
"Nenhum cristão durante o primeiro século colecionava relíquias de Jesus", destaca ele.
"À medida que o tempo passou e o cristianismo se expandiu pelo mundo naquela época, os seguidores da religião começaram a criar formas de ter alguma conexão física com a pessoa que consideram o salvador", acrescenta o acadêmico.
A origem da busca por essas relíquias tem muito a ver com os mártires.
Segundo historiadores, o culto aos santos começou a ser uma tendência dentro da Igreja Católica. Desde cedo, por exemplo, se estabeleceu que os ossos dos mártires eram evidências do "poder de Deus operando no mundo", pois eles supostamente produziam milagres que "provavam" a eficácia da fé.
E, como Jesus ressuscitou, não foi possível procurar os ossos dele: segundo a Bíblia, depois de três dias no túmulo, o regresso de Cristo à vida e a posterior "ascensão ao céu" foram corporais.
Com isso, só restaram os objetos, como a cruz e a coroa de espinhos, entre outros.
"Esse período de tempo, quase três séculos após a morte de Jesus, é o que torna improvável que os objetos encontrados em Jerusalém, como a cruz onde ele morreu ou a coroa de espinhos, sejam autênticos", observa Goodacre.
"Se isso tivesse sido feito pelos primeiros cristãos, que tiveram um contato mais próximo com os acontecimentos, poderíamos falar na possibilidade de que fossem reais, mas não foi assim que aconteceu."
Relíquias para encher um navio
Parte da cruz entregue à missão capitaneada por Helena foi levada para Roma (o outro pedaço permaneceu em Jerusalém). Segundo a tradição, grande parte dos restos de madeira está preservada na Basílica de Santa Cruz, na capital italiana.
Com o "descobrimento" e a expansão do cristianismo pela Europa durante a Idade Média, a cruz se tornou o símbolo universal da religião. Nesse período, iniciou-se também a multiplicação de fragmentos da cruz, que foram parar em outros templos.
Esses pedaços são conhecidos como lignum crucis ("madeira da cruz", em latim).
Além da Basílica da Santa Cruz, as catedrais de Cosenza, Nápoles e Gênova, na Itália, o mosteiro de Santo Turíbio de Liébana (que tem a peça maior), Santa Maria dels Turers e a Basílica de Vera Cruz, na Espanha, afirmam ter um fragmento do tronco onde Jesus Cristo foi executado.
A Abadia de Heiligenkreuz, na Áustria, também guarda uma peça. Outro segmento muito importante está na Igreja da Santa Cruz, em Jerusalém.
Junto com as evidências físicas, os concílios de Niceia, no século 4, e de Trento, no século 16, deram validade espiritual à devoção destas relíquias.
Um tratado católico de 1674 afirma: "O sentido religioso do povo cristão encontrou, em todos os tempos, uma expressão em formas variadas de piedade em torno da vida sacramental da Igreja com a veneração das relíquias."
Esses registros também indicam que as próprias relíquias não são "objetos de salvação", mas meios para alcançar intercessão e "benefícios por meio de Jesus Cristo, seu Filho, nosso Senhor, que é nosso redentor e salvador".
Da mesma forma, a multiplicidade de fragmentos foi questionada na época por diversos pensadores.
O teólogo francês João Calvino destacou no século 16, em meio a um boom no tráfico de relíquias onde pedaços da chamada "verdadeira cruz" foram espalhados por igrejas e mosteiros, que, "se quiséssemos recolher tudo o que foi encontrado (da cruz), haveria o suficiente para encher um grande navio".
No entanto, esta afirmação foi posteriormente refutada por vários teólogos e cientistas ao longo da História.
Recentemente, Baima Bollone, professor da Universidade de Turim, na Itália, destacou num estudo que, se todos os fragmentos que afirmam fazer parte da cruz de Cristo fossem reunidos, "só conseguiríamos restaurar 50% do tronco principal".
Veracidade
"É muito provável que Helena tenha encontrado um pedaço de madeira, mas o que também é muito provável é que alguém o tenha colocado naquele local para dar ideia de que aquela era a cruz onde Jesus morreu", pondera Moss.
O acadêmico indica que há outra dificuldade em comprovar se estas peças realmente pertenceram, pelo menos, a uma crucificação ocorrida no tempo de Cristo.
"Por exemplo, a datação por carbono, que seria uma das primeiras coisas a se fazer num caso desses, é cara. Uma igreja de porte médio não tem fundos para realizar este tipo de trabalho", diz ele.
Mesmo que fosse possível financiar tal estudo, a investigação pode afetar a integridade da relíquia.
"A datação por carbono é considerada intrusiva e um tanto destrutiva. Mesmo que seja necessária apenas cerca de 10 miligramas de madeira, esse processo ainda envolve o corte de um objeto sagrado", observa Moss.
Em 2010, o pesquisador americano Joe Kickell, membro do Comitê de Investigação Cética, conduziu um estudo para determinar a origem das lascas que eram consideradas parte da "verdadeira cruz".
"Não há uma única evidência que apoie que a cruz encontrada por Helena em Jerusalém, ou por qualquer outra pessoa, venha da verdadeira cruz onde Jesus morreu", escreveu Kickell num artigo.
Tanto para Moss quanto para Goodacre, a possibilidade de encontrar a verdadeira cruz de Cristo é muito remota.
"Teríamos que fazer um trabalho arqueológico, não teológico. E, mesmo assim, seria muito improvável encontrar uma madeira de mais de dois milênios atrás", especula Goodacre.
Nesse sentido, para Moss as dificuldades vêm até do objeto a ser procurado.
"Tanto em grego como em latim, a palavra cruz se refere a uma árvore ou a uma vara vertical onde se praticava tortura", explica o historiador.
"Ou seja, possivelmente estamos falando de um único pedaço de madeira ou estaca- e não do símbolo que conhecemos atualmente", conclui ele. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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Nesse dia, os fiéis são convidados a refletir e esperar, seguindo o exemplo de Maria, a mãe de Jesus, enquanto também recordam a perplexidade dos apóstolos diante da morte de Cristo.
Thulio Fonseca – Vatican News
Descrito pelos Padres da Igreja como "o mais longo dos dias", o Sábado Santo propõe uma espera silenciosa, que revive a angústia dos discípulos após a crucificação. A reforma litúrgica realizada por Pio XII restaurou esse dia como tempo de recolhimento, no qual cada cristão reflete sobre a morte de Cristo e sobre a finitude da existência humana. Nesse momento, a fé é posta à prova: o Messias morreu, e o desfecho permanece desconhecido. Só resta confiar que o vazio interior será um dia preenchido.
Cristo permanece em ação
Mesmo em silêncio, Cristo não deixa de agir. Segundo uma antiga tradição, Ele desce à morada dos mortos, atravessa as sombras da morte e resgata a humanidade. Vai ao encontro de Adão — figura que representa todos os homens —, o desperta e anuncia a salvação, oferecida a todos. Assim, constrói uma ponte entre o túmulo e o Reino dos Céus. Com a Cruz em mãos, vence a morte por meio da própria morte.
O padre Diogo Shishito, da Diocese de Mogi das Cruzes (SP), doutorando em Liturgia na Universidade Sant’Anselmo, em Roma, nos convida a contemplar o silêncio fecundo deste dia, repleto de sentido e esperança.
"O que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos."
Assim começa uma homilia do século IV que a Igreja retoma no Ofício das Leituras em cada Sábado Santo e da qual nasce o costume de chamar esse dia como o “Dia do Grande Silêncio”. De fato, diante do Mistério Pascal de Jesus, o silenciar parece ser natural para a nossa pequenez humana, uma vez que não se encontram palavras para expressar o misto de surpresa e gratidão que move interiormente quem se coloca diante de tamanha Graça.
O Silêncio é o lugar da ação do Espírito Santo
O silêncio parece apresentar-se como único caminho para aqueles que são inundados de um amor sem igual manifestado na entrega sem reservas do Deus feito homem que, ao dar seu último suspiro no alto da cruz, rasgou de cima abaixo o véu que separava a habitação divina da sua criatura predileta. É o silêncio de quem faz espaço para acolher algo de novo e nunca antes presenciado no tempo. O silêncio de quem, admirado, não encontra no elenco das reações uma atividade capaz de responder ao que se apresenta diante de seus olhos. Mas o silêncio, diferentemente do que muitas vezes se pensa, não é vazio.
No silêncio se encontra aquele espaço necessário entre uma ação e outra que nos permite comunicar a multiforme expressão de vida presente em cada um de nós. O silêncio é a pausa sem a qual a comunicação não seria possível, pois é ela que separa as palavras e dá clareza ao discurso. Só com o silêncio se pode passar de um conceito a outro, de uma ideia à outra. O grande silêncio desse dia faz passar da morte à Vida, do tempo à eternidade. Por isso podemos dizer que o Silêncio é o lugar da ação do Espírito Santo. Quando o Verbo cala, o Espírito trabalha no germinar de uma realidade nova.
Fé e expectativa
No alto da Cruz, com o calar-se do Verbo divino, a Palavra Eterna transformou-se em silêncio, produzindo na humanidade um sentimento de expectativa… Uma espera que brota da fé, que nasce da confiança sem reservas na promessa feita pelo próprio Senhor de que estaria conosco sempre. Para os Discípulos, que não sabiam como seriam as coisas depois da cruz e não imaginavam que a ressurreição se daria, esse silêncio certamente produziu dúvidas e medos, mas também é certo que, assim como quando um discurso é interrompido, fica a expectativa de como seria sua continuidade, no coração de cada um deles brotava também a esperança de que o Senhor, de algum modo, daria sentido àquilo que eles não conseguiam entender ainda.
Esperar com Maria
Olhando para Maria, que sabia com clareza que Jesus é o Filho de Deus, podemos pensar que o silêncio que brota da morte do Senhor tenha levado seu pensamento à doce espera da sua chegada, àquele silêncio de contemplação da surpreendente ação divina que realiza o que aos critérios humanos parecia impossível, de maneira que aquele silêncio se tornasse mais uma vez um ato de espera do próximo passo na história da Salvação. Para a Igreja, no entanto, esse silêncio é memorial da nossa fé, é a ação que reconhece a grandeza do mistério pascal de Cristo e abre espaço para o agir transformador de Deus que faz germinar, a partir dos nossos limites, o amor gerador de uma nova realidade. O amor verdadeiro daquele que nos amou até o fim e que manifestou a sua graça à humanidade quando estava ainda imersa no pecado.
O Senhor venceu a morte
De fato, por suas qualidades, uma pessoa pode ser admirada, mas só pelas suas limitações que pode ser acolhida e amada. É fácil acolher alguém quando tudo vai de acordo com o que nos agrada; somente quando o outro se mostra diferente do que gostaríamos é que a acolhida de suas inconstâncias se torna amor. Imbuídos da certeza da ressurreição, cada um de nós é chamado, através do silêncio, a abrir espaço para que o Senhor transforme em nosso interior as situações de morte fazendo brotar a vida nova e eterna que é Dele e da qual podemos participar pela sua misericórdia.
Peçamos então que o nosso silenciar possa de verdade dar espaço à ação silenciosa do Espírito Santo, que revigora em nós a graça dos que têm a vida escondida com Cristo em Deus e que o ressoar do esperado Aleluia dessa noite santa renove em nosso interior a força de ser no mundo uma voz que proclama o centro da nossa fé: o Senhor venceu a morte e está vivo no meio de nós. Fonte: https://www.vaticannews.va
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Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Aos Padres
Quinta-Feira Santa
Neste dia em que celebramos a instituição da Eucaristia, quero dirigir-me a todos os presbíteros que, diariamente, consagram o Corpo e o Sangue de Cristo para o alimento espiritual dos fiéis. Neste momento festivo para a Igreja, em que recordamos a entrega total de Jesus por nós, convido todo o povo de Deus a elevar uma prece pelos sacerdotes, para que perseverem com fidelidade em sua missão e busquem viver a santidade no cotidiano.
Rezemos por todos os padres doentes e idosos, que tanto se dedicaram ao sacerdócio ao longo da vida. Rezemos também por aqueles que, por diferentes motivos, estão afastados ou privados do exercício ministerial, para que o Senhor os fortaleça e renove neles a confiança em Sua misericórdia que jamais falha. Que tudo se realize conforme a vontade de Deus.
Sabemos o quanto o ministério sacerdotal é desafiador e vai muito além da celebração da Missa e da administração dos sacramentos. Muitas vezes, o sacerdote assume múltiplas funções: é secretário da paróquia, cozinheiro na casa paroquial, responsável por resolver questões burocráticas como idas a bancos, cartórios, correios e compras de materiais litúrgicos. Acrescente-se as situações de violência, de insegurança e de questões diversas que aparecem no dia a dia da paróquia. Por isso, é compreensível que, ao final do dia, esteja exausto diante das inúmeras tarefas desempenhadas.
Entretanto, para que tudo isso seja fecundo, o sacerdote não pode negligenciar a vida de oração. É a oração, unida à Eucaristia diária, que sustenta o ministério presbiteral. Antes de qualquer outra atividade, é essencial começar o dia com a oração, rezando as Laudes, e, se houver celebração pela manhã, presidir a Santa Missa. Sem a oração e, sobretudo, sem a Eucaristia cotidiana, o ministério enfraquece, e o padre corre o risco de tornar-se apenas um “executador de tarefas”. O sacerdote é muito mais que isso: é ministro do Sagrado, chamado a proclamar a Palavra de Deus e a celebrar, com piedade, a Eucaristia para o povo que lhe foi confiado.
Além disso, o padre está a serviço da comunidade e não pode permitir que as obrigações administrativas o afastem do contato com os fiéis. É preciso encontrar tempo para visitar os enfermos, atender confissões, presidir celebrações, sepultar os mortos e ministrar os demais sacramentos. O sacerdote precisa estar presente na paróquia, acessível ao povo que o procura.
O sacerdócio não deve ser encarado como um fardo. Quando o Senhor nos chamou para esta missão, não o fez para nos sobrecarregar, mas para que, com alegria, servíssemos ao seu povo. O padre não deve ser alguém amargurado, constantemente cansado ou de mau humor. Ao contrário, mesmo diante das muitas tarefas do dia, é preciso conservar o bom humor e acolher bem os fiéis. Como em qualquer outra vocação, é fundamental que o padre se sinta realizado em sua missão. Só assim é possível viver com alegria. Cumprir tudo apenas por obrigação leva ao desgaste e à infelicidade.
Esta é uma mensagem de encorajamento e ânimo para que continuem a exercer com amor o ministério que lhes foi confiado. Embora o Dia do Padre seja celebrado em 4 de agosto, na quinta-feira santa comemoramos a razão de ser da Igreja: a instituição da Eucaristia. E os sacerdotes são, por excelência, os ministros deste mistério de amor. Rogo a Deus pelo ministério de cada um, para que sejam verdadeiros pastores, cuidando com zelo do rebanho, especialmente das ovelhas feridas e dispersas.
Uma característica essencial da vida presbiteral é a fraternidade, especialmente entre os padres e com o bispo. A chamada fraternidade presbiteral implica cuidado mútuo, interesse pelo irmão que não está bem, visitas fraternas e busca conjunta de soluções. Muitas vezes, isolamo-nos em nossos próprios mundos e esquecemos de olhar para a dor do outro. Precisamos dar o exemplo, cultivar o amor entre os presbíteros, e a partir daí, ensinar os fiéis a viverem a caridade entre si.
Do mesmo modo, os sacerdotes são chamados a viver a fraternidade com os leigos, acolhendo com misericórdia e buscando os que se afastaram. A fraternidade é uma virtude evangélica que deve marcar a vida de todos: bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e leigos.
Vivam o sacerdócio com amor e, a cada dia, renovem o “sim” dado no dia da ordenação, como fazemos também na missa do Crisma, na quinta-feira santa. Essa renovação acontece na oração diária, onde se reaviva o chamado. Que a Virgem Maria, Mãe das Divinas Vocações, interceda por todos vocês. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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Sermão do Encontro de Bom Jesus dos Passos e Nossa Senhora das Dores
“Os sete passos de Jesus nas sete capelinhas dos Passos“
Dom Pedro Brito Guimarães,
Arcebispo de Palmas – TO
Oeiras – PI, 11/04/2025
Amados e amadas de Deus, tenho sede!
Sou Dom Pedro Brito Guimarães, atualmente Arcebispo de Palmas. Muito agradecido a Oeiras por ter me acolhido, em 1976, como seminarista menor. Morei aqui, três anos, no antigo Palácio Episcopal. Estudei na Escola Normal Presidente Castelo Branco. Fiz estágio pastoral na paróquia Nossa Senhora da Vitória. Fui modelo do Cristo Crucificado que se encontra na Igreja da Conceição, esculpido pelo padre Ângelo, de saudosa memória.
Hoje, estou aqui, convidado por Dom Edilson, bispo desta diocese, para proferir o Sermão do Encontro de Bom Jesus dos Passos com Nossa Senhora das Dores, Mãe da Soledade. Esta Praça é testemunha viva de muitos Sermões memorais. Certamente os nossos ouvidos já ouviram muitos destes Sermões.
Para ser breve, escolhi para esta nossa meditação e oração OS SETE PASSOS DE JESUS, antes de ser pregado na Cruz, que correspondem simbolicamente às sete Capelinhas dos Passos. A piedade popular convencionou chamar este Encontro de Jesus, com sua mãe, de Quarta Estação da Via-Sacra. Retorno já a este quinto passo. Seguirei a inteligência espiritual da paixão de Jesus, segundo João (Jo 18,28-19,16). Segundo este evangelista, Jesus deu sete Passos até chegar a hora da sua morte na cruz:
Primeiro: O PASSO DE JESUS NO JARDIM DAS OLIVEIRAS, ao lado da torrente do Cedron. Tudo começou em um jardim, como os primeiros habitantes desta terra, Adão e Eva. A terra foi feita no formato ou na configuração de um jardim. Hoje já não é mais assim. Hoje, quase não se cultiva mais jardim. A terra se parece mais um deserto do que um jardim. Como reza a Campanha da Fraternidade 2025 – Fraternidade e Ecologia Integral – por meio da conversão ecológica, passamos do deserto ao jardim novamente. Foi num ambiente ecologicamente harmonioso como o de um jardim que “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). No Antigo Testamento, este jardim chamava-se de Éder. Aqui, no Novo Testamento, o jardim é chamado de Oliveira. Foi neste jardim que houve o fatídico beijo de Judas. E foi também neste jardim que Jesus fez a pergunta do milênio: “a quem procurais?” Esta mesma pergunta Jesus faz hoje, aqui e agora, a todos e a cada um de nós: “a quem procurais?” Na manhã da Páscoa, Maria Madalena confundiu Jesus com um jardineiro.
O segundo: O PASSO DA PRISÃO DE JESUS. Os soldados e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o levaram a Anás, genro de Caifás, Sumo Sacerdote daquela época. Neste segundo passo, Pedro traiu a Jesus, como Judas, no primeiro passo, também o traiu. A traição parece algo normal na nossa cultura. Quantos de nós traímos ou fomos traídos! O traidor é primeiramente traidor de si mesmo, dos seus princípios e dos seus acordos e só depois é traidor de alguém. Por que Jesus não nega o Pai e Pedro nega Jesus? Porque Jesus se apoia no Pai e Pedro se apoia em si mesmo. Mas em Jesus, custou a sua vida. Se Jesus não tivesse sido traído, provavelmente não teria sofrido o martírio que sofreu. Neste segundo passo é característico o interrogatório. Às vezes, somos exímios especialistas em interrogatórios. Com tantas perguntas, Jesus se incomodou e perguntou a eles: por que me interrogas? Por causa desta sua pergunta, Jesus ganhou bofetadas e foi torturado, no corpo e na alma. Entende-se aqui interrogatório como condenação sumária, sem direito de defesa.
Terceiro: JESUS NA PRESENÇA DE CAIFÁS. Este foi o passo mais curto. Mas foi um passo fatal. O suficiente para traçar o destino de Jesus. O característico neste passo é, novamente, a traição de Pedro. Foi neste passo que o galo cantou três vezes, anunciando a traição de Pedro. Se esta moda pegar, todas às vezes que trairmos o galo canta, vai faltar galos para cantar as nossas traições.
Quarto passo: JESUS ENVIADO AO PALÁCIO DO GOVERNADOR. Há um ditado popular que diz: “fulano entrou na história, como Pilatos entrou no Credo”. Mas Pilatos não é tão inocente assim. Não entra no Credo inocentemente. Na cadeia das responsabilidades pela morte de Jesus, Pilatos é um elo importante. De fato, Pilatos é um personagem secundário neste passo, pois, na paixão, Jesus é sempre o personagem principal. Jesus é tido, neste passo, como malfeitor. “Malfeitor”, em outras palavras, significa “feitor de coisas feias e más”. Para nós, cristãos, Jesus passou no mundo fazendo o bem a todos, coisas boas e bonitas (At 10,37). Mas para seus algozes, Jesus fez coisas feias e ruins. O reinado de Deus, uma das ações que Jesus mais fez na sua vida pública, é entendido como ameaça ao reinado de Pilatos, no império Romano. Jesus desfaz este equívoco afirmando que o seu Reino não deste mundo. Jesus não se deixa julgar. É Ele que julga os que estão lhe julgando. Ele mesmo reina neste julgamento. A elevação de Jesus na cruz, segundo João, é similar à elevação de um rei ao trono. Jesus elevado na cruz, é elevado e exaltado ao seu reinado. Aqui está o reinado de Jesus: dar a sua vida por nós. Não conseguiu convencer Pilatos. A liberdade de Jesus foi trocada pela liberdade de Barrabás. Anistiar Barrabás para condenar Jesus é chegar ao limite da legalidade judicial. Lembrado de que “Barrabás” não é o nome de registro de uma pessoa física. Etimologicamente, significa “filho do pai”. Quem é o pai de Barrabás? Pai de quem? Filho de quem? Barrabás é pai e é filho das bandidagens e dos julgamentos parciais, nefastos e tendenciosos que punem inocentes e absolvem culpados. Neste passo, também Jesus é flagelado, insultado, blasfemado, coroado de espinhos, vestido com manto vermelho e, por fim, crucificado. Daqui, com a cruz nos ombros, Jesus é conduzido ao Calvário. Ali suas vestes foram repartidas em quatro partes, uma para cada soldado. Não sabemos o que eles fizeram destas roupas rasgadas. Só sabemos que foi para se cumprir a Escritura (Jo 19,23).
Quinto: O ENCONTRO DE JESUS COM SUA MÃE e com as outras mulheres, amigas de Jesus. Tudo cai na conta e no colo da mãe. Neste quarto passo, Jesus que não tinha mais quase nada, agora não terá nem a sua mãe. Até sua mãe, ele a deu. Neste passo Maria sofreu as três últimas dores de suas sete dores, como a tradição as convencionou chamá-las. A quarta dor: Maria encontra o seu Filho a caminho do Calvário. A quinta dor: Jesus morre na Cruz. E a sexta dor: Jesus é descido da cruz e entregue a sua Mãe. Na cruz Jesus não tem mais nada para si, nem mesmo a sua mãe. Mas tem uma coisa que não a desejou, mas que o fez sofrer ardentemente: “TENHO SEDE” (Jo 19, 28-29). E deram-lhe de beber vinagre, uma bebida que não chegou a ser vinho. Os grandes místicos viram nesta sede de Jesus uma sede mais profunda, que torturava sua alma e seu coração: sede de doação, de Deus, do Reino, do infinito, de amor, de paz, de mim e de nós. A sede física e biológica não é tão fatal quanto as sedes existencial e espiritual. A sede de Jesus é o seu amor pelo Pai e pela humanidade. Esta também deverá ser a sede que mais nos fascina, nos empurra, nos contagia e nos faz apaixonados pelo Reino. Madre Teresa de Calcutá se via na ótica da sede de Jesus: “a sede de Jesus se torna a minha sede”. Em todo o caso, este brado de Jesus: – “TENHO SEDE” – é dirigido a todos nós, a cada um de nós… Mas tinha uma coisa: a sede. Tenho sede! Deste ofegante grito de Jesus na cruz, terei o meu lema episcopal. De que Jesus tem realmente sede? De mim, de você, de nós. Nesta doação de Maria está o nascimento da Igreja. Maria e os apóstolos se constituem o núcleo central da Igreja de Jesus.
Sexto: JESUS MORRE NA CRUZ. Sede é sonho, é desejo, é desiderata. Deixar de ter sede é começar a morrer. A sede fez Jesus inclinar a cabeça. Ofereceu o perdão ao ladrão arrependido e pediu ao Pai que perdoasse todos aqueles e aquelas que não sabem o que fazem. Ele, de fato, derramou seu sangue pelos nossos pecados. Depois que Jesus bebeu vinagre, inclinou a cabeça, entregou o seu espírito e, segundo João, disse: “tudo está consumado!” (Jo 19,30). Segundo o papa Bento XVI, no seu livro Jesus de Nazaré, esta palavra “consumado” alude ao lava-pés: “amou até o fim” (Jo 13,1). Jesus foi até o fim, até o limite e para além do limite. A morte na cruz, segundo o Papa Bento, foi um acontecimento cósmico e litúrgico: o sol escondeu-se, o véu do templo rasgou-se em dois, a terra tremeu, os mortos ressuscitaram. Mais importante é o sinal da fé: “verdadeiramente, diz o centurião, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Inclinando a cabeça Jesus pronunciou o seu último veredito: “tudo está consumado”. Jesus morreu na cruz para nos salvar. Para João, Jesus não morreu simplesmente, “entregou o seu espírito”. Em respeito à morte de Jesus, um minuto de silêncio. E a mim, o que isto diz? O que faz a minha cabeça se inclinar? Ou tenho o pescoço duro, a cabeça dura, a cerviz dura? Quais são os sinais desta dureza? A afetividade mal resolvida gera agressividade e aspereza. A falta de oblatividade e de doação é sinal de que falta em nós a sede de amor, de doação, de autoentrega. Fazer nossa, a sede do Senhor, é viver para o serviço e para a doação. Inclinar a cabeça foi o gesto, o sentimento mais profundo, mais límpido que Jesus teve em toda a sua vida. Esta, na verdade, foi a sua hora. A hora da sua entrega, da conclusão da sua obra. De fato, em Jo 17,4, ele mesmo fala da conclusão da sua obra com a sua morte. E também diz, em Jo 4, 31-34, que o seu alimento era fazer a vontade do Senhor: consumar a sua obra. É por isso que quando tudo estava consumado (Jo 19,28), inclinando à cabeça, entregou o seu espírito (v. 30). O seu último AMÉM, livremente. E diz, em Jo 10,15c-18: “dou a minha vida livremente, entrego-a voluntariamente”. E esta é também a nossa missão de guias espirituais: ser lâmpada acesa, deixar-nos consumir pelo irmão.
Sétimo: JESUS É RETIRADO DA CRUZ. No final destes seus passos, aparece a coragem de amigos de Jesus, José de Arimateia e Nicodemos. A exemplo destes dois amigos de Jesus, vamos retirar Jesus da cruz e levá-lo em nossos corações, não para ser sepultado, mas para ser guardado e cuidado para sempre por nós.
Caros irmãos e irmãs, a Via-Sacra que o papa preside, no Coliseu, em Roma, na sexta-feira santa: Jesus encontra sua mãe. Diz São João: “Então Jesus, ao ver ali ao pé da cruz a sua mãe e o discípulo que ele amava, disse (…) ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua (Jo 19, 26-27). As meditações das famosas Vias-Sacras do Coliseu, nos últimos anos, foram preparadas por bispos, religiosos, famílias, jovens, estudantes, casais, missionários, migrantes e refugiados de guerra. Esta última, de 2024, foi escrita, de próprio punho, pelo Papa Francisco. Mal sabia ele que este ano estaria passando, certamente, pela maior e mais dolorosa via-sacra da sua vida. Desta Via-Sacra, escrita, de próprio punho, extraí este trecho:
“Jesus, os vossos abandonaram-vos, Judas traiu-vos, Pedro renegou-vos: ficastes sozinho com a cruz. Mas está lá a vossa mãe. Não são necessárias palavras, bastam os seus olhos, que sabem enfrentar o sofrimento e ocupar-se dele. Jesus, no olhar de Maria cheio de lágrimas e de luz, encontrais a memória da ternura, das carícias, dos braços amorosos que sempre Vos acolheram e sustentaram. O olhar materno é o olhar da memória, que nos fundamenta no bem. Não se pode prescindir duma mãe que nos traz ao mundo, mas também não podemos prescindir duma mãe que nos ponha direitos, no mundo. Vós o sabeis e, da cruz, dais-nos a vossa própria mãe. Eis a tua mãe – dizeis ao discípulo, a cada um de nós: depois da Eucaristia, dais-nos Maria, a dádiva extrema antes de morrer. Jesus, no vosso caminho, serviu-Vos conforto a recordação do seu amor; também o meu caminho precisa de se fundar na memória do bem. Dou-me conta, porém, que a minha oração é pobre de memória: rápida, apressada, uma lista de necessidades para hoje e amanhã. Maria, detende a minha corrida! Ajudai-me a fazer memória: a guardar a graça, a lembrar o perdão e os prodígios de Deus, a reavivar o primeiro amor, a saborear as maravilhas da providência, a chorar de gratidão.
E, para concluir este memorial, rezando pela saúde do Papa Francisco, vamos fazer um minuto de silêncio. Rezemos, dizendo: Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor.
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Quando reaparecem as feridas do passado |
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Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor. |
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Quando extravio o sentido e o fio das coisas |
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Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor. |
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Quando perco de vista os dons que recebi |
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Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor. |
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Quando perco de vista o dom que sou |
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Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor. |
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Quando me esqueço de Vos agradecer |
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Senhor, reavivai em mim a recordação do vosso amor. |
Ó Maria concebida sem pecado. Rogai por nós que recorremos a vós. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Quais são as promessas de Cristo que devemos ser dignos?
Olhemos então para Maria, a Virgem das Dores, Mãe da Soledade, e respondamos “EU”, quando eu perguntar:
1-Quem quer receber Maria em sua casa? – Diga: EU!
2-Quem quer levar Maria para a sua casa? – Diga: EU!
3-Quem quer imitar as virtudes de Maria na sua vida diária? – Diga: EU.
Amém! Fonte: https://diocesedeoeiras.org
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Relíquia fica originalmente em Portugal, mas será transportada em peregrinação por cinco Estados e o Distrito Federal até 26 de abril

Cruz original da primeira missa realizada no Brasil fica preservada no Museu da Sé de Braga e foi exposta na Catedral da Sé, em São Paulo. Foto: Luciney Martins/Arquidiocese de São Paulo
Por Giovanna Castro
A cruz utilizada na primeira missa rezada no Brasil está de volta ao País em comemoração aos 525 anos do evento realizado em 26 de abril de 1500 - a chegada dos portugueses ocorreu em 22 de abril de 1500, quando a expedição de Pedro Álvares Cabral desembarcou no litoral sul da Bahia.
A relíquia, que pertence ao Museu da Sé de Braga, em Portugal, chegou em São Paulo, nesta terça-feira, 15, e vai passar em peregrinação por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pará e Bahia (veja o cronograma mais abaixo).
Uma missa utilizando a cruz foi rezada nesta terça pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, na Catedral da Sé, centro da capital paulista. “Hoje temos a alegria de acolher aqui uma relíquia muito importante para a história do Brasil e para a Igreja do Brasil”, disse Scherer.
“Esse sinal (a cruz) nos lembra tanta coisa da nossa história, mas lembra sobretudo a cruz de Cristo. Lembra Cristo, que está na cruz e que por nós padeceu e que anunciou a boa nova da vida, do perdão, da misericórdia a todos os povos e também aos povos originários que aqui já viviam e que aqui depois chegariam”, afirmou o arcebispo na abertura da missa. Após o culto religioso, a relíquia foi levada em procissão até o Pateo do Collegio.
A cruz deve seguir para outras cidades paulistas, como Cachoeira Paulista e Aparecida, e ser levada a outros Estados, em peregrinação escoltada pela Polícia Rodoviária Federal.
“Ela passará pelos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a PRF em comboio a acompanhará pela Rodovia Presidente Dutra, BR-116, além do Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pará e Bahia”, diz a PRF.
Por fim, no dia 26 de abril, às 16h, será realizada a Missa Pontifical dos 525 anos da primeira missa no Brasil, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal Sérgio da Rocha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia, onde aconteceu a primeira missa e está instalado um monumento em homenagem ao culto.
“A primeira missa celebrada no Brasil, em 26 de abril de 1500, na Praia de Coroa Vermelha, Aldeia do Descobrimento, município de Santa Cruz Cabrália, na Bahia, é amplamente reconhecida como marco fundacional da história nacional“, diz o Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, um dos responsáveis pela peregrinação, junto ao Movimento Brasil com Fé e o Instituto Redemptor.
“A cruz original, atualmente preservada no Museu da Sé de Braga, em Portugal, transcende seu significado religioso, simbolizando amor, união e interconexão entre povos”, afirma o Santuário.
Os locais exatos onde ocorrerão as missas utilizando a cruz em cada cidade de passagem da peregrinação podem ser conferidos no Instagram do Movimento Brasil com Fé. Fonte: https://www.estadao.com.br
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Pe. Edivaldo Pereira dos Santos
Encontramos na Bíblia uma das páginas mais duras da experiência humana: o beijo, uma das mais genuínas expressões de amor, convertido em estratagema de traição, onde uma das motivações era o “metal vil”. Judas, amigo de mesa e apóstolo de Jesus o entrega aos romanos com um beijo.
Vejamos o que diz o texto:
Predisposição de trair. “Judas Iscariot, um dos Doze, foi aos chefes dos sacerdotes para entregá-Lo a eles. Ao ouví-lo, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma oportunidade para entregá-lo” (Mc 14,10-11).
O “cheiro” da traição. “Ao cair da tarde, Ele foi para lá com os Doze. E quando estavam à mesa, comendo, Jesus disse: ‘Em verdade vos digo: um de vós que come comigo há de me entregar’. Começaram a ficar tristes e dizer-lhe, um após outro: ‘acaso sou eu?’ Ele, porérm, disse-lhes: ‘um dos Doze, que coloca a mão no mesmo prato comigo’” (Mc 14,17-20).
O beijo como senha. “E, imediatamente, enquanto ainda falava, chegou Judas, um dos Doze, com uma multidão trazendo espadas e paus, da parte dos chefes, dos sacerdotes, escribas e anciãos. O seu traidor dera-lhes uma senha dizendo: ‘É aquele que eu beijar. Prendei-o e levai-o bem guardado’. Tão logo chegou, aproximando-se dele disse: ‘Rabi!’ E o beijou. Eles lançaram a mão sobre ele e o prenderam” (Mc 14,43-46).
O remorso. “Então, Judas, que o entregara, vendo que Jesus fora condenado, sentiu remorsos e veio devolver aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata dizendo: ‘Pequei, entregando um sangue inocente’. Mas estes responderam: ‘Que temos nós com isso? O problema é teu!’ Ele, atirando as moedas no Templo, retirou-se e foi enforcar-se” (Mt 27,3-5).
E agora é conosco! O que estas palavras tem a ver conosco? De que modo nos atinge, ensina e corrige? Que problemática concreta ela encerra?
Rastro destruidor. Sabemos que a problemática da traição não se circunscreve, simplesmente, em torno a dramas de ordem sexual. E, mesmo sendo esta uma das que mais afeta vidas, pessoas, e famílias, vai além disso.
Sendo assim, não precisamos recorrer às abstrações e/ou aos eufemismos para dizer que a traição já atingiu a vida de muitas pessoas e deixou o seu rastro destruidor.
“Mediações da traição”. Toda traição tem em comum a utilização de elementos (ou mediações) que são fatores de convivência e do mais genuíno relacionamento humano. No caso de Judas, o beijo e, de “outros” Judas, a casa, a cama, o trabalho, a fé, a amizade, um algo partilhado. Isso, certamente é o que mais influencia no estado da pessoa que é “vítima”.
O problema não é tanto o ato em si, mas as “mediações” que, antes favoreciam o inter-relacionamento saudável e que, de uma hora para outra se transformou em “plataforma” do desespero. E, agora?
Reações imediatas. São diversas as reações de quem foi traído: a desconfiança de tudo e de todo, sentimento de ter sido usado, enojamento da pessoa em questão, distanciamento, agressividade, apassivamento, cumplicidade, depreciação de si mesmo, fuga, sentimentos de auto destruição, humilhação, medo, insegurança… e a rejeição tácita a “freqüentar” a “mediação” que favoreceu a traição.
A experiência concreta demonstra que o cenário da traição escapa da minúscula dimensão de acontecimento e lança raízes na dimensão existencial. Quer dizer, prejudica profundamente a vida de uma pessoa. Sendo assim, se suporta até a morte, mas ninguém admite o “beijo” de Judas, o beijo de traição! Fonte: https://diocesedeoeiras.org
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Quem celebra a Semana Santa não pratica apenas ritos, mas sente-se profundamente envolvido naquilo que é celebrado
Todas as semanas do ano têm a mesma duração. Para a piedade católica, porém, a Semana Santa é a Semana Maior, por vários e bons motivos. Iniciando no Domingo de Ramos e culminando com o Domingo da Páscoa, o povo cristão acompanha misticamente os últimos dias vividos por Jesus na Terra, sobretudo, seus padecimentos, morte na cruz, sepultamento e ressurreição gloriosa.
Não se trata de simples recordação de fatos passados: os eventos lembrados e celebrados envolvem as raízes profundas da fé religiosa cristã, em que a memória se mistura com a profissão de fé, o louvor, o pedido de perdão e o agradecimento por aquilo que Deus realizou e segue realizando. Quem celebra a Semana Santa não pratica apenas ritos, mas sente-se profundamente envolvido naquilo que é celebrado.
No Domingo de Ramos, o povo acompanha o ingresso de Jesus em Jerusalém, aclamando com cânticos e louvores, ramos verdes nas mãos, saudando antecipadamente o triunfo do reinado de Deus e da vida sobre a morte. A celebração da Quinta-feira Santa, recordando a última ceia de Jesus com seus apóstolos, é um momento marcante para os cristãos. Jesus celebrou a ceia pascal judaica, conforme a tradição do seu povo; porém, introduziu um significado novo naquele rito, instituindo a Eucaristia como memorial perene de sua paixão, morte e ressurreição.
No pão que abençoou e repartiu com os apóstolos durante a ceia, Jesus ofereceu a si mesmo, seu corpo entregue sobre a cruz por amor à humanidade. E no vinho que lhes distribuiu no cálice, ele entregou seu sangue derramado na paixão, para que todos tivessem remissão e vida por meio dele. Quando os cristãos celebram a Eucaristia, fazem-no em memória de Jesus Cristo (ver Lucas 22, 14-20), de tudo o que Ele significa para eles e para o mundo.
Ao final da última ceia, Jesus realizou um gesto desconcertante, que os discípulos custaram a entender. Ele lavou os pés deles e explicou: Compreendestes? Se eu, que sou vosso mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa (ver João 12,12-15). Toda a vida de Jesus, mesmo a dura paixão que sofreu, foi um serviço de amor pela humanidade: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (ver João 10,10). Após a última ceia, Jesus despediu-se dos discípulos e lhes fez suas últimas recomendações: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (ver João 13,34-35).
A Sexta-Feira Santa é dedicada a rememorar os passos da paixão e morte de Jesus: sua prisão, o julgamento religioso diante dos sumos-sacerdotes Anás e Caifás, as torturas e humilhações, o julgamento diante das autoridades romanas, a injusta condenação à morte, o caminho doloroso até o Gólgota, a crucificação e a morte. Os relatos evangélicos da paixão, morte e ressurreição de Jesus muito provavelmente foram as primeiras partes escritas dos Evangelhos. Os cristãos das primeiras gerações já faziam algo semelhante ao que ainda hoje se faz no tríduo pascal: narravam os passos da paixão de Jesus e, talvez, também os encenavam.
Na celebração da Sexta-Feira Santa há o momento especialmente intenso, quando os participantes, após terem ouvido o relato da paixão e morte de Jesus, são convidados a externar um gesto de gratidão e homenagem a Jesus diante do crucifixo exposto à sua devoção. É o momento de dizer no íntimo do coração: foi também por mim que ele aceitou morrer na cruz. Não se trata de cena teatral, ou de mero gesto estético, mas de mística profunda, em que cada um pode expressar seu envolvimento na ação celebrada.
O Sábado Santo, para os cristãos, é dia de reflexão e vigília junto da sepultura de Jesus, que experimentou o mistério da morte, o mesmo que também nos angustia. As interrogações e a profunda perplexidade que a morte nos causa têm uma resposta cheia de esperança: o túmulo ficou vazio; Jesus venceu a morte. O Sábado Santo convida a refletir sobre o sentido da vida e da morte à luz da morte e ressurreição de Jesus.
A vigília pascal, no Sábado Santo à noite, é marcada pela luz e a certeza de que a morte não tem a última palavra sobre a existência, porque o Autor da vida venceu a morte e ressuscitou Jesus dentre os mortos. Nesta “mãe de todas as vigílias”, a Igreja celebra e espera o alegre anúncio da ressurreição de Jesus e do seu triunfo sobre o mal e a morte.
Durante a vigília, leem-se trechos da história da salvação, na Bíblia, e se renovam as promessas do Batismo. No final, ainda durante a noite, já se celebra a solene liturgia pascal, que segue durante todo o Domingo de Páscoa da Ressurreição, marcado pelo alegre anúncio da ressurreição de Jesus. É o primeiro de todos os domingos.
A Semana Maior poderia parecer carregada de tonalidades tristes; em vez disso, porém, ela é a celebração sempre renovada da esperança e o anúncio do amor salvador de Deus pela humanidade: “Deus amou tanto o mundo, que lhe entregou seu Filho único para que não pereça todo aquele que nele crer, mas tenha a vida” (ver João 3,16). Fonte: https://www.estadao.com.br
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Neste final de semana, 12 e 13 de abril, fiéis de todas as dioceses do Brasil se unem em um gesto concreto de solidariedade: a Coleta Nacional da Campanha da Fraternidade 2025, realizada no Domingo de Ramos. Essa coleta representa o compromisso cristão com a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Os recursos arrecadados serão destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), que financia projetos sociais em diversas regiões do país, especialmente aqueles voltados às populações em situação de vulnerabilidade.
Os valores arrecadados são divididos da seguinte maneira:
60% permanecem nas próprias dioceses, por meio dos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS), para apoiar iniciativas locais voltadas ao enfrentamento das situações de pobreza, fome, exclusão e vulnerabilidade.
40% são enviados à CNBB, que coordena o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), destinando os recursos a projetos sociais em âmbito nacional, priorizando iniciativas que promovam o desenvolvimento humano integral, a justiça social e a cidadania.
Projeto da Associação Amparo Maternal transforma vidas com apoio do FNS em 2024
Um dos projetos que recebeu apoio do FNS em 2024 foi a Associação Amparo Maternal, em São Paulo, que há mais de 80 anos acolhe gestantes, mães e bebês com atendimento integral e humanizado. Fundada em 1939 e localizada na Rua Napoleão de Barros, na Vila Clementino, a entidade dedica-se ao acolhimento integral e humanizado de gestantes, mães e bebês em situação de vulnerabilidade.
Com os recursos recebidos, a Associação fortaleceu o projeto “Amparo Pela Vida”, iniciativa que teve como missão reconstruir o tecido social a partir do cuidado com a vida desde seu início.
“O apoio do FNS foi fundamental para garantir alimentação adequada às mulheres e crianças acolhidas no Pavilhão Irmã Leoni para Gestantes, Mães e Bebês, que possui capacidade para atender até 100 pessoas por dia, em funcionamento 24 horas”.
Distribuição de alimentos
Ao longo do período de execução do projeto foram realizadas compras mensais de alimentos, cuidadosamente planejadas com base nas necessidades nutricionais específicas de gestantes e mulheres no puerpério. Quatro profissionais especializados em culinária atuaram na preparação das refeições, garantindo uma alimentação balanceada, saudável e adequada ao público acolhido.
As refeições foram distribuídas em café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Essa rotina garantiu que todas as gestantes, puérperas e crianças acolhidas recebessem nutrição adequada, regular e de qualidade, contribuindo diretamente para sua saúde física e emocional durante o período de acolhimento.
Equipe multidisciplinar
A realização e o desenvolvimento das atividades foram acompanhados por uma equipe técnica especializada que garantiu o bem-estar físico, conforto e segurança das mulheres acolhidas no ambiente institucional. A equipe foi composta por gerente de serviço, psicólogo, assistentes pessoais, pedagoga, orientadoras socioeducativas e cuidadoras sociais.
O acompanhamento das ações foi realizado de forma qualitativa e quantitativa, com monitoramento constante ao longo do projeto. Entre os indicadores analisados estiveram a satisfação das usuárias, o alcance das metas estabelecidas e os resultados obtidos junto às gestantes, puérperas e seus filhos.
Projeto solicitude e ações complementares
Paralelamente à alimentação foi executado o Projeto Solicitude, que acompanhou mulheres após a saída qualificada do acolhimento. Essas ex-acolhidas participaram de encontros mensais no centro, onde puderam compartilhar experiências, celebrar conquistas, participar de palestras e receber cestas básicas.
As atividades promoveram o fortalecimento de vínculos e ofereceram suporte emocional e social. Segundo a coordenação do projeto, os temas abordados nas palestras foram fundamentais para o processo de reintegração e autonomia das mulheres.
Beneficiados
Ao final do projeto foram 100 pessoas impactadas diretamente, entre mulheres e crianças. Todas as assistidas receberam alimentação adequada ao longo do período, além de apoio emocional, social e educativo.
“A ação contribuiu de forma efetiva para a redução da vulnerabilidade social, promovendo dignidade, autoestima e oportunidades reais de reconstrução de vidas”, salienta a coordenação do projeto.
A continuidade do projeto será assegurada por meio de parcerias, incluindo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), além de colaborações com pessoas jurídicas, como o Mesa Brasil e a Instituição BibliAsp, juntamente com doações de pessoas físicas. Essas parcerias e contribuições são fundamentais para garantir a manutenção de uma alimentação saudável e de qualidade para as mulheres gestantes, puérperas, bebês e seus filhos até a primeira infância.
“Essa rede de apoio diversificada fortalece o projeto e garante sua sustentabilidade a longo prazo, beneficiando assim as famílias atendidas de forma contínua e consistente”. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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