1) Oração

 Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 18,21-19,1)

18:21Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? 22Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos. 24Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida. 26Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo! 27Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida. 28Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves! 29O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! 30Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida. 31Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado. 32Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. 33Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti? 34E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. 35Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração. 19:1Após esses discursos, Jesus deixou a Galiléia e veio para a Judéia, além do Jordão.

 

3) Reflexão   Mateus 18,21-19,1

No evangelho de ontem ouvimos as palavras de Jesus sobre a correção fraterna (Mt 18,15-20). No evangelho de hoje (Mt 18,21-39) o assunto central é o perdão e a reconciliação.

Mateus 18,21-22: Perdoar setenta vezes sete!.

Diante das palavras de Jesus sobre a correção fraterna e a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?” Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!” É como se dissesse: “Sempre, não! Pedro, mas setenta vezes sempre!” Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor para com o irmão. Aqui se evoca o episódio de Lamec do AT. “Lamec disse para as suas mulheres: da e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete" (Gn 4,23-24). A tarefa das comunidades é a de reverter o processo da espiral da violência. Para esclarecer a sua resposta a Pedro Jesus conta a parábola do perdão sem limite.

Mateus 18,23-27: A atitude do patrão

Esta parábola é uma alegoria, isto é, Jesus fala de um patrão, mas pensa em Deus. Isto explica os contrastes enormes desta parábola. Como veremos, apesar de se tratar de coisas normais diários, existe algo nesta história que não acontece nunca na vida diária. Na história que Jesus conta, o patrão segue as normas do direito da época. Era um direito dele de prender o empregado com toda a sua família e mantê-lo na prisão até que tivesse pago pelo trabalho escravo a sua dívida. Mas diante do pedido do empregado endividado, o patrão perdoa a dívida. O que chama a atenção é o tamanho da dívida: dez mil talentos. Um talento equivale a 35 kg. Segundo os cálculos feitos, dez mil talentos equivalem a 350 toneladas de ouro. Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fossem trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 350 toneladas de ouro. O cálculo extremo é proposital. Nossa dívida frente a Deus é incalculável e impagável.

Mateus 18,28-31: A atitude do empregado

Ao sair daí, esse empregado perdoado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. Dívida de cem denários é o salário de cem dias de trabalho. Alguns calculam que era de 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois! Nem dá para entender a atitude do empregado: Deus lhe perdoou 350 toneladas de outro e ele não quer perdoas 30 gramas de ouro. Em vez de perdoar, ele faz com o companheiro aquilo que o patrão ia fazer, mas não fez. Mandou prender o companheiro de acordo com as normas da lei, até que fosse paga a dívida. Atitude chocante para qualquer ser humano. Chocou os outros companheiros. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. Qualquer um de nós teria tido a mesma atitude de desaprovação.

Mateus 18,32-35: A atitude de Deus

“O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida”. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 350 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos ao irmão a pequena dívida de 30 gramas de ouro. O perdão de Deus é sem limites. O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus vem de nós mesmos, da nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34). É o que dizemos e pedimos no Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,12-15).

A comunidade como espaço alternativo de solidariedade e fraternidade

A sociedade do Império Romano era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas comunidades cristãs, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro da convivência os mesmos critérios da sociedade e da sinagoga. Assim, nas comunidades começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e na sinagoga entre rico e pobre, dominação e submissão, homem e mulher, raça e religião. Em vez da comunidade ser um espaço de acolhimento, tornava-se um lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus, Mateus quer iluminar a caminhada dos seguidores e das seguidoras de Jesus, para que as comunidades sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Notícia para os pobres.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Perdoar. Tem gente que diz: “Perdôo, mas não esqueço!” E eu? Sou capaz de imitar a Deus?

2) Jesus deu o exemplo. Na hora de ser morto pediu perdão para os seus assassinos (Lc 23,34). Será que sou capaz de imitar Jesus?

 

5) Oração final

Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do Senhor. O Senhor é excelso sobre todos os povos, sua glória ultrapassa a altura dos céus. (Sl 112, 3-4)

 

Como é possível que uma jovem italiana, Clara, nascida em Assis, no ano de 1193, possa ser chamada padroeira da televisão?

No tempo de Clara, os meios de comunicação mais modernos eram os púlpitos das igrejas, as praças públicas e as canções dos trovadores populares. Sequer jornais existiam. Se considerarmos a data de 1930 como aquela em que os televisores começaram a ser usados pela população, então Santa Clara nasceu quase 750 anos antes.

Mas a jovem Clara de Assis, companheira de missão de São Francisco e coroada com a graça da santidade em Jesus Cristo, tornou-se, pela sua vida, um exemplo que ultrapassa séculos e gerações e, por isso mesmo, quando do surgimento da televisão, alguém se recordou dela, de sua história e de algumas curiosidades de sua biografia.

Como para o povo cristão é de bom tom relacionar a vida com a fé, foi preciso encontrar uma padroeira para a nova tecnologia que nascia. E, em 1958, o Papa Pio XII proclamou-a padroeira da televisão e de todos os que trabalham com esse meio de comunicação.

E qual foi o fato extraordinário da vida de Santa Clara que a fez candidata ao posto de padroeira da televisão?

Conta-nos a história que no natal de 1253, um ano antes de sua morte, Clara, acamada, desejava muito participar da santa missa na igreja de São Francisco, mas não tinha condições físicas para sair.

Em oração profunda, Clara clamou ao Senhor que permitisse a ela viver a missa de natal. Então, de acordo com o testemunho da própria santa, o milagre aconteceu. Em seu quarto, na cama, Clara viu e ouviu a missa completa e ainda pôde até comungar – “Escutei, por graça do Senhor, toda a solenidade celebrada esta noite na igreja de São Francisco e lá estive presente, recebendo até a santa comunhão. Agradecei comigo a Nosso Senhor Jesus Cristo, por tal graça a mim concedida”.

Por ter vivido essa “transmissão” da missa em seu próprio leito, Clara é agora chamada padroeira da televisão. Uma pena que hoje em dia, pela televisão, muita coisa ruim e desnecessária entre dentro de nossas casas. Que bom seria se cada um de nós soubéssemos selecionar o que passa por essa janela midiática e escolher somente coisas boas para o entretenimento de nossas. Fonte: https://saosebastiaofabriciano.com.br

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 18,15-20)

Naquele tempo, disse Jesus: 15Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. 16Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. 17Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. 18Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. 19Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. 20Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

 

3) Reflexão   Mateus 18,15-20

No evangelho de hoje e de amanhã vamos ler e meditar a segunda parte do Sermão da Comunidade. O evangelho de hoje fala da correção fraterna (Mt 18,15-18) e da oração em comum (Mt 18,19-20). O de amanhã fala do perdão (Mt 18,21-22) e traz a parábola do perdão sem limites (Mt 18,23-35). A palavra chave desta segunda parte é “perdoar”. O acento cai na reconciliação. Para que possa haver reconciliação que permita o retorno dos pequenos, é importante saber dialogar e perdoar. pois o fundamento da fraternidade é o amor gratuito de Deus. Só assim a comunidade será um sinal do Reino. Não é fácil perdoar. Certas mágoas continuam machucando o coração. Há pessoas que dizem: "Eu perdôo, mas não esqueço!" Rancor, tensões, brigas, opiniões diferentes, ofensas, provocações dificultam o perdão e a reconciliação.

A organização das palavras de Jesus nos cinco grandes Sermões do evangelho de Mateus mostra que, já no fim do primeiro século, as comunidades tinham formas bem concretas de catequese. O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35), por exemplo, traz instruções atualizadas de como proceder em caso de algum conflito entre os membros da comunidade e como encontrar critérios para solucionar os conflitos. Mateus reuniu aquelas frases de Jesus que pudessem ajudar as comunidades do fim do primeiro século a superar os dois problemas agudos que elas enfrentavam naquele momento, a saber, a saída dos pequenos por causa do escândalo de alguns e a necessidade de diálogo para superar o rigorismo de outros e acolher os pequenos, os pobres, na comunidade. 

Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de perdoar.

Estes versículos trazem normas simples de como proceder no caso de algum conflito na comunidade. Se um irmão ou uma irmã pecar, isto é, se tiver um comportamento não de acordo com a vida da comunidade, não se deve logo denunciá-los. Primeiro, procure conversar a sós. Procure saber os motivos do outro. Se não der resultado, leve mais duas ou três pessoas da comunidade para ver se consegue algum resultado. Só em caso extremo, deve levar o problema para a comunidade toda. E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja para você “como um publicano ou pagão”, isto é, como alguém que já não faz parte da comunidade. Não é você que está excluindo, mas é a pessoa, ela mesma, que se exclui a si mesma. A comunidade reunida apenas constata e ratifica a exclusão. A graça de poder perdoar e reconciliar em nome de Deus foi dada a Pedro (Mt 16,19), aos apóstolos (Jo 20,23) e, aqui no Sermão da Comunidade, à própria comunidade (Mt 18,18). Isto revela a importância das decisões que a comunidade toma com relação a seus membros.

Mateus 18,19: A oração em comum 

A exclusão não significa que a pessoa seja abandonada à sua própria sorte. Não! Ela pode estar separada da comunidade, mas nunca estará separada de Deus. Caso a conversa na comunidade não der resultado e a pessoa não quiser integrar-se na vida da comunidade, resta o último recurso de rezar juntos ao Pai para conseguir a reconciliação. E Jesus garante que o Pai vai atender: “Se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu”.

Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade.

O motivo da certeza de ser ouvido pelo Pai é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!” Jesus é o centro, o eixo, da comunidade e, como tal, junto com a Comunidade ele estará rezando conosco ao Pai, para que conceda o dom do retorno ao irmão ou à irmã que se excluiu.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Por que será que é tão difícil perdoar? Na nossa comunidade existe espaço para a reconciliação? De que maneira?
  2. Jesus disse: "Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estarei no meio deles". O que significa isto para nós hoje?

 

5) Oração final

Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre. (Sl 112, 1-2)

 

Morto como mártir de Cristo, São Lourenço é Padroeiro dos Diáconos. Por ocasião da sua festa, celebrada hoje 10 de agosto, o céu, à noite, se ilumina de rastros luminosos. O fenômeno ocorre por uma chuva de meteoritos. O Diácono de Roma morreu martirizado durante a perseguição do imperador Valério no ano 258

 

Amedeo Lomonaco – Vatican News

O terceiro santo padroeiro da cidade de Roma depois dos santos Pedro e Paulo, Lourenço nasceu na Espanha na primeira metade do século III. Foi diácono da Igreja de Roma em uma época de perseguição dos cristãos. Ele administrava bens e ofertas para suprir as necessidades dos pobres, órfãos e viúvas. Em 258 d.C., o imperador Valério emitiu um édito segundo o qual todos os bispos, presbíteros e diáconos seriam condenados à morte. O pontífice, Papa Sisto II, tinha sido morto em 6 de agosto. Inicialmente, Lourenço foi poupado com o objetivo de obter informações sobre os bens da comunidade. Mas Lourenço, depois de distribuir aos pobres os poucos bens que a Igreja tinha na época, apresentou uma multidão de pobres, aleijados e cegos às autoridades romanas e disse: "Estes são os tesouros da Igreja".

Portanto, o martírio de São Lourenço foi 4 dias depois do Papa e de acordo com uma antiga "paixão", extraída dos escritos de Santo Ambrósio, foi queimado em uma grelha de ferro. No "De Officiis" Santo Ambrósio imagina um encontro no caminho do martírio. No texto, Lourenço faz algumas perguntas ao Papa Sisto II. "Pai, para onde vais sem o teu filho? Para onde te apressas, santo bispo, sem teu diácono? Jamais ofereceste o sacrifício sem o teu ministro. O que fiz para desagradá-lo, pai? Talvez me consideres indigno? Provai-me, e vejas se escolheste um ministro indigno para a distribuição do sangue do Senhor. Talvez recuses àquele que admitiste aos mistérios divinos de ser teu companheiro no derramamento do sangue"?

 

Nas pegadas de São Lourenço

O testemunho de São Lourenço vai além do período histórico em que o diácono da Igreja de Roma viveu. Ao encontrar os diáconos permanentes da diocese de Roma em 19 de junho de 2021, o Papa Francisco entrelaça o exemplo de São Lourenço com os desafios atuais. E ele os exorta a "se inspirarem nas raízes da Igreja":

"A diminuição do número de sacerdotes levou a um compromisso predominante dos diáconos com tarefas de substituição que, por muito importantes que sejam, não constituem a natureza específica do diaconado. São tarefas de substituição. O Concílio, depois de falar de serviço ao Povo de Deus ‘no ministério da Liturgia, da palavra e da caridade’, sublinha que os diáconos são sobretudo — sobretudo — ‘consagrados aos ofícios da caridade e da administração’. A frase remonta ao início dos séculos, quando os diáconos se ocupavam em nome e por conta do bispo das necessidades dos fiéis, especialmente dos pobres e dos doentes. Podemos também recorrer às raízes da Igreja de Roma. Não penso apenas em São Lourenço, mas também na decisão de dar vida às diaconias. Na grande metrópole imperial foram organizados sete lugares, distintos das paróquias e distribuídos pelos municípios da cidade, nos quais os diáconos realizavam um trabalho intenso a favor de toda a comunidade cristã, em particular dos ‘últimos’, de modo que, como dizem os Atos dos Apóstolos, nenhum entre eles fosse necessitado. Por esta razão, em Roma, procurou-se recuperar esta antiga tradição com a diaconia na igreja de Santo Estanislau".

 

Estrelas cadentes

A noite de São Lourenço é tradicionalmente associada com o fenômeno das estrelas cadentes. São consideradas evocativos das brasas ardentes sobre as quais o santo foi martirizado. Neste momento, a Terra passa pela chuva de meteoritos Perseidas. No poema intitulado "10 de agosto", Giovanni Pascoli interpreta a "chuva" de estrelas cadentes como um rio de lágrimas celestiais:

São Lourenço, eu sei porque cai e cintila 
tanta estrela nesse espaço tranquilo, 
porque é um grande pranto o que resplandece
nesse côncavo céu. Fonte: https://www.vaticannews.va

 

A vítima é o padre Olivier Maire, Superior Provincial da Congregação dos Missionários Monfortinos, com sede em Saint-Laurent-sur-Sèvre. Um ruandês que já havia sido indiciado pelo incêndio na Catedral de Nantes no ano passado confessou o assassinato.

 

Gabriella Ceraso e Michele Raviart - Cidade do Vaticano

Padre Olivier Maire, Superior Provincial dos Monfortinos, foi assassinado na segunda-feira, 9, em Vendée, na localidade de Saint-Laurent-Sur-Sevre. Seu corpo foi encontrado pela gendarmaria após indicação de um ruandês que se apresentou como autor do assassinato.

Emmanuel Abayisenga, 40 anos, nascido em Ruanda, também é o principal suspeito do incêndio doloso da Catedral de Nantes, em julho de 2020. Indiciado, foi libertado sob vigilância judicial no início de junho, sendo acolhido em uma comunidade religiosa - da qual o sacerdote assassinado fazia parte – à espera do julgamento, previsto para 2022. Como indicado por seu advogado, seria um homem "frágil física e psicologicamente". Os investigadores excluíram qualquer motivação ligada ao terrorismo e seguem a linha de homicídio voluntário.

 

 

A dor da Igreja na França

Dor e proximidade da Igreja na França à família do sacerdote e à sua Congregação, foram expressos por meio de um tweet pelo presidente do episcopado francês, Dom Éric de Moulins-Beaufort. Ele viveu - escreve o prelado - seguindo a Cristo até o fim, na acolhida incondicional de todos. Rezo por sua família, seus confrades e por toda a população traumatizada por esta tragédia, e também por seu assassino.

A mesma dor presente nas palavras do Superior Geral dos Monfortinos, padre Santino Brembilla, que fala do padre Olivier Maire como um "religioso, um sacerdote e um missionário de grande valor, um especialista em espiritualidade montfortiana que acompanhou toda a sua comunidade na compreensão profunda da mensagem de seu fundador, Louis-Marie Grignion de Montfort".

A Conferência dos Bispos da França (CEF) e a Conferência dos Religiosos e Religiosas da França (CORREF) expressam sua imensa tristeza e também temor pelo ocorrido, assegurando suas orações "aos familiares, aos missionários monfortinos, à comunidade da Basílica de Saint Louis-Marie Grignon de Montfort em Saint-Laurent-sur-Sèvres e a toda a grande família religiosa Montfortina".

Já Dom Dominique Lebrun, bispo da Diocese de Rouen - onde foi assassinado o padre Jacques Hamel -, uniu-se ao luto dos familiares do sacerdote, aos irmãos da comunidade dos Montfortinos, à Diocese de Luçon, recordando que "a dor e a ira costumam estar muito próximas. Todos experimentam isso." Neste sentido, assegura a oração dos católicos de sua diocese para que Deus aplaque a dor do coração das pessoas próximas ao sacerdote assassinado.

“Pai Nosso… livra-nos do Mal”, são as primeiras e as últimas palavras da oração cristã. Todos os dias o cristão faz essa oração. Ela recobra a esperança na fraternidade que Deus deseja para todos os homens. Ela pede a Deus e a recebe d’Ele, como uma missão. Com todos os homens de boa vontade, ele quer lutar contra toda violência. Suas armas são a justiça, a paz e o perdão. Domingo, 15 de agosto, rezaremos intensamente à Virgem da Assunção pela França, com o coração em Vendée."

 

As palavras do presidente Macron e do governo

Proximidade e solidariedade a todos os católicos da França, bem como à Congregação dos Montfortinos (Companhia de Mariaem latim Societas Mariae Montfortana) foi expressa pelo presidente Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro Jean Castex, que se disseram profundamente consternados com o ocorrido.  “Demonstrava nos traços de seu rosto a generosidade e o amor ao próximo”, escreveu o presidente no Twitter, assegurando que “proteger aqueles que creem é uma prioridade”.

“Queremos que este ato odioso seja esclarecido: agredir um sacerdote, um homem de Igreja, é agredir a alma da França”, disse por sua vez o ministro do Interior em uma coletiva de imprensa, ao final do encontro com os membros da Congregação montfortiana na tarde de segunda-feira. Gérald Darmanin rejeitou qualquer controvérsia com a líder da extrema direita Marine Le Pen, que condenou a não expulsão do ruandês após o incêndio em Nantes. Este é o momento de luto e não de polêmica, afirmou o ministro, explicando que o homem não poderia ser expulso pois estava sob controle judicial enquanto aguardava decisão da justiça.

 

Sacerdotes e religiosos vítimas da violência na França

Diversas tragédias envolvendo sacerdotes e religiosos na França suscitaram comoção, como o assassinato do padre Jacques Hamel, em 26 de julho de 2016, o primeiro ocorrido durante uma Celebração Eucarística desde a Revolução Francesa.

Antes ainda, recordemos padre Jean-Luc Cabes, da Diocese de Tarbes e Lourdes, assassinado em Tarbes na noite de 10 para 11 de maio de 1991. A Diocese de Tulle também recorda padre Louis Jousseaume, pároco de Égletons, em Corrèze , assassinado no seu presbitério no dia 26 de outubro de 2009. Era 16 de agosto de 2005, quando os peregrinos que rezavam as Vésperas na Igreja ds Reconciliação, coração da comunidade de Taizé, foram abalados pelo assassinato do fundador da Comunidade de Taizé, Irmão Roger Schutz, por uma pessoa com desequilíbrio mental. Fonte: https://www.vaticannews.va 

 

A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o "pão" da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da autossuficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.

A primeira leitura mostra como Deus se preocupa em oferecer aos seus filhos o alimento que dá vida. No "pão cozido sobre pedras quentes" e na "bilha de água" com que Deus retempera as forças do profeta Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo.

O Evangelho apresenta Jesus como o "pão" vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse "pão" sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso "acreditar", isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto, segui-l'O no "sim" a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o "pão" da vida... Quando alguém acolhe Jesus como o "pão" que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo.

 

LEITURA I - 1 Re 19,4-8

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias,
Elias entrou no deserto e andou o dia inteiro.
Depois sentou-se debaixo de um junípero
e, desejando a morte, exclamou:
«Já basta, Senhor. Tirai-me a vida,
porque não sou melhor que meus pais».
Deitou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero.
Nisto, um Anjo do Senhor tocou-lhe e disse:
«Levanta-te e come».
Ele olhou e viu à sua cabeceira
um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água.
Comeu e bebeu e tornou a deitar-se.
O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse:
«Levanta-te e come,
porque ainda tens um longo caminho a percorrer».
Ele levantou-se, comeu e bebeu.
Depois, fortalecido com aquele alimento,
caminhou durante quarenta dias e quarenta noites
até ao monte de Deus, Horeb.

 

AMBIENTE

Elias atua no Reino do Norte (Israel) durante o século IX a.C., num tempo em que a fé jahwista é posta em causa pela preponderância que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o intercâmbio cultural e comercial... Mas essas razões políticas não são entendidas nem aceites pelos círculos religiosos de Israel. O ministério profético de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz também se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).

Elias é o grande defensor da fidelidade a Jahwéh. Ele aparece como o representante dos israelitas fiéis que recusavam a coexistência de Jahwéh e de Baal no horizonte da fé de Israel. Num episódio dramático, o próprio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re 18). Esse episódio é, certamente, uma apresentação teológica dessa luta sem tréguas que se trava entre os fiéis a Jahwéh e os que abrem o coração às influências culturais e religiosas de outros povos.

Para além da questão do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re 21, no célebre episódio da usurpação das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tréguas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahwéh.

Após o massacre dos 400 profetas de Baal no monte Carmelo, Acab e a sua esposa fenícia juraram matar Elias; e o profeta fugiu para o sul, a fim de salvar a vida. Chegado à zona de Beer-Sheba, Elias internou-se no deserto. É precisamente nesse contexto que o episódio do Livro dos Reis que hoje nos é proposto nos situa.

 

MENSAGEM

A cena apresenta-nos um Elias abatido, deprimido e solitário face à incompreensão e à perseguição de que é alvo. O profeta sente que falhou, que a sua missão está condenada ao fracasso e que a sua luta o conduziu a um beco sem saída; sente medo e está prestes a desistir de tudo... O pedido que o profeta faz a Deus no sentido de lhe dar a morte (vers. 4) reflecte o seu profundo desânimo, desilusão, angústia e desespero. É uma cena tocante, que nos recorda que o profeta é um homem e que está, por isso, condenado a fazer a experiência da sua fragilidade e da sua finitude.

No entanto, Deus não está longe e não abandona o seu profeta. O nosso texto refere, neste contexto, a solicitude e o amor de Deus, que oferece a Elias "pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água" (vers. 6). É a confirmação de que o profeta não está perdido nem abandonado por Deus, mesmo quando é incompreendido e perseguido pelos homens. A cena garante-nos a presença contínua de Deus e o seu cuidado com aqueles que chama e a quem dá o alimento e o alento para serem fiéis à missão, mesmo em contextos adversos. Repare-se como Deus não anula a missão do profeta, nem elimina os perseguidores; mas limita-Se a dar ao profeta a força para continuar a sua peregrinação.
Alimentado pela força de Deus, o profeta caminha durante "quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, o Horeb" (vers. 8). A referência aos "quarenta dias e quarenta noites" alude certamente à estadia de Moisés na montanha sagrada (cf. Ex 24,18), onde se encontrou com Deus e onde recebeu de Jahwéh as tábuas da Lei; também pode aludir à caminhada do Povo durante quarenta anos pelo deserto, até alcançar a Terra Prometida. Em qualquer caso, esta peregrinação ao Horeb - o monte da Aliança - é um regresso às fontes, uma peregrinação às origens de Israel como Povo de Deus... Perseguido, incompreendido, desesperado, Elias necessita revitalizar a sua fé e reencontrar o sentido da sua missão como profeta de Jahwéh e como defensor dessa Aliança que Deus ofereceu ao seu Povo no Horeb/Sinai.

 

ACTUALIZAÇÃO

No quadro que o texto nos apresenta, Elias aparece como um homem vencido pelo medo e pela angústia, marcado pela decepção e pelo desânimo, que experimentou dramaticamente a sua impotência no sentido de mudar o coração do seu Povo e que, por isso, desistiu de lutar; a sua desilusão é de tal forma grande, que ele prefere morrer a ter de continuar. "Este" Elias testemunha essa condição de fragilidade e de debilidade que está sempre presente na experiência profética. É um quadro que todos nós conhecemos bem... A nossa experiência profética está, muitas vezes, marcada pelas incompreensões, pelas calúnias, pelas perseguições; outras vezes, é o sentimento da nossa impotência no sentido de mudar o mundo que nos angustia e desanima; outras vezes ainda, é a constatação da nossa fragilidade, dos nossos limites, da nossa finitude que nos assusta... Como responder a um quadro deste tipo e como encarar esta experiência de fragilidade e de debilidade? A solução será baixar os braços e abandonar a luta? Quem pode ajudar-nos a enfrentar o drama da desilusão e da decepção?

O nosso texto garante-nos que Deus não abandona aqueles a quem chama a dar testemunho profético. No "pão cozido sobre pedras quentes" e na "bilha de água" com que Deus retempera as forças de Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo. Quando tudo parece cair à nossa volta e quando a nossa missão parece condenada ao fracasso, é em Deus que temos de confiar e é n'Ele que temos de colocar a nossa segurança e a nossa esperança.

Como nota marginal, atentemos na forma de atuar de Deus: Ele não resolve magicamente os problemas do profeta, nem Se substitui ao profeta... O profeta deve continuar a sua missão, enfrentando os mesmos problemas de sempre; mas Deus "apenas" alimenta o profeta, dando-lhe a coragem para continuar a sua missão. Por vezes, pedimos a Deus que nos resolva milagrosamente os problemas, com um golpe mágico, enquanto nós ficamos, de braços cruzados, a olhar para o céu... O nosso Deus não Se substitui ao homem, não ocupa o nosso lugar, não estimula com a sua ação a nossa preguiça e a nossa instalação; mas está ao nosso lado sempre que precisamos d'Ele, dando-nos a força para vencer as dificuldades e indicando-nos o caminho a seguir.

A "peregrinação" de Elias ao Horeb/Sinai, para se reencontrar com as origens da fé israelita e para recarregar as baterias espirituais, sugere-nos a necessidade de, por vezes, encontrarmos momentos de "paragem", de reflexão, de "retiro", de reencontro com Deus, de redescoberta dos fundamentos da nossa missão... Essa "paragem" não será nunca um tempo perdido; mas será uma forma de recentrarmos a nossa vida em Deus e de redescobrirmos os desafios que Deus nos faz, no âmbito da missão que nos confiou.

 

EVANGELHO - Jo 6,41-51: ATUALIZAÇÃO

Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o "pão" de Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens... Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um facto que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d'Ele que construímos a nossa existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?

"Quem acredita em Mim, tem a vida eterna" - diz-nos Jesus. "Acreditar" não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem... "Acreditar" é aderir, de facto, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l'O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida - como Ele fez da sua - uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objetividade, que "acredito" em Jesus?

No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o "pão" que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que vêm a revelar-se falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no "pão" que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como "pão" verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem...

Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l'O como "o pão que desceu do céu"? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta "doença" de que padecem os líderes e "fazedores" de opinião do mundo judaico não é assim tão rara... Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.

*Leia na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA

 

Frei Jorge Van Kampen, Carmelita. In Memoriam. (*17/04/1932 + 08/08/2013)

 

Há momentos em que a vida torna-se pesada, demais. Às vezes pensamos assim: “Se continuar assim, prefiro morrer”. A liturgia da Missa nos apresente o profeta Elias, um grande homem. Mas aqui o encontramos num momento mais difícil da sua vida. Ele prefere dormir para nunca mais acordar. Ele deu-se totalmente para defender a causa de Deus.

Mesmo assim os inimigos o perseguem para tirar-lhe a vida. Daí vem o momento mais crítico: parece que as dificuldades são insuperáveis.

Ele prefere morrer. Numa última tentativa procura fugir das dificuldades. Foge pelo deserto até chegar ao monte Horeb, o lugar santo de Deus. Mas nem lá, assim parece, encontra a paz de Deus. Apesar de tudo, Deus o consola com a Sua presença amiga.

 

Introdução às Leituras.

O profeta Elias teve que enfrentar os adoradores de Baal, mas Jesabel quer vigar-se matando Elias, que foge para o monte Horeb para viver em paz. Paulo mostra a angústia na sua carta por causa de tantas famílias que não conseguem a harmonia nos lares por causa dos filhos, que perdem a fé. Jesus não abandonou a Igreja e deseja apaziguar as contrariedades que encontramos.

 

Reflexão.

Senhor, gostaria de ser um bom pai. Sei que a consciência da paternidade vem pouco a pouco. Ser pai é um processo, que se prolonga no dia a dia.

Há, sem dúvida, na caminhada de pai, uma grande parcela de improvisação, em que prevalece o método do ensaio e do erro. Às vezes penso: Será que a minha missão de pai está dando certo?

Sei, Senhor, que um pai não poderá ser avaliado através de um sucesso ou de um fracasso. Já fui tentado a imaginar, que o pai ideal seria aquele que se ajustasse às necessidades, à personalidade e às expectativas dos filhos para com ele.

Outras vezes fui levado a pensar que, para melhor cumprir a minha missão deveria buscar e tentar, principalmente, ser eu mesmo. Os filhos deveriam se adaptar a mim e não eu a eles.

Mas, Senhor, vejo que a realidade é outra. Filhos e pais não são, mas estão e vão sendo. Numa caminhada, que é ao mesmo tempo uma grande aventura de imensos riscos e não menos gratificações; mas sem o qual nem os pais, nem os filhos serão gente.

Senhor, sou o pai que meus filhos tem. Não fui planejado, nem premeditado. Que posso ser para os meus os meus filhos aquele, que eu gostaria de ser. Amém.

 

Resposta à Palavra de Deus.

Que diante das ilusões da vida tenhamos a força de olhar para Cristo, e recomeçar a vida com fé firme.

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta (RS)

 

            A Igreja está comemorando cinco anos da publicação da Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” sobre a beleza e a alegria do amor familiar. Neste dia, 19 de março, o Papa Francisco inaugurou o Ano “Família Amoris Laetitia”, que terminará em 26 de junho de 2022, por ocasião do X Encontro Mundial das Famílias em Roma. Nestes dias, em que celebramos o dia dos pais, nas famílias, é tempo de nos unirmos com esta realidade familiar. Uma família só se dá com os pais presentes e atuantes. Neste ano, sobretudo com o Ano “Família Amoris Laetitia”, o Papa quer que nós possamos revisitar, renovar, o amor pelas famílias e ver as propostas que ainda não conseguimos pôr em prática.

            Ajudar as pessoas a experimentarem “que o Evangelho da família é alegria que enche o coração e a vida inteira” (AL 200). Uma família que descobre e experimenta a alegria de ter um dom e de ser um dom para a Igreja e para a sociedade, o será sempre. Como precisamos hoje desta luz, sobretudo neste tempo da pandemia, em que ficou ainda mais presente esta realidade. A questão central está na importância que damos ao sacramento, no sentido fiel da palavra. Nem falamos no sacramento no sentido de um momento solene somente, mas no sentido fiel, da busca de Deus na vida de cada um que se encontra para uma nova vida a dois. Ninguém de nós casa por um motivo unicamente social, mas porque vemos em Deus a razão de ser, de viver, de se portar antes e depois do matrimônio. Temos este dom presente, um grande presente, de modo que não se viva mais uma vida a dois, mas desde sempre, com três, com Deus, e, sobretudo, com os filhos que Deus nos dá.

            Um dos graves problemas do nosso tempo são as pessoas terem alguém que as acompanha, no seu casamento, um bom leigo, um padre, um diácono ou uma irmã religiosa. Já fizemos este caminho de proximidade. Um casal deve estar pronto a ir ao encontro de outro, na sua casa, nos lugares onde vivem. Quando um casal realiza estes encontros, temos certeza de que serão, eles mesmos, muito abençoados. Como é significativo para um casal falar destas realidades da vida, do que reside em seu coração e, guarda, secretamente para um dia revelar diante de Deus. Quantas realidades nós podíamos resolver antes! Para tanto, é necessário “um esforço evangelizador e catequético dirigido à família” (AL 200), pois uma família discípula torna-se também família missionária. Todos nós, padres e diáconos, leigos e leigas, somos chamados ao trabalho com a vocação matrimonial. Com certeza, a Exortação Apostólica “A alegria do amor”, ainda tem que ser muito visitada, lida, refletida  e conversada pastoralmente.

            “Toda a criança tem o direito de receber o amor de uma mãe e de um pai, ambos necessários para o seu amadurecimento íntegro e harmonioso” (AL 172). De fato, “não apenas do amor do pai e da mãe separadamente, mas também do amor entre eles, captado como fonte da própria existência, como ninho acolhedor e como fundamento da família. […] Mostram aos seus filhos o rosto materno e o rosto paterno do Senhor” (AL 172). A sociedade atual fala da “ausência do pai”. Vemos como isto pode realmente estar presente, seja pelo fato de que as mulheres assumem a paternidade, junto com a maternidade. Olhamos ainda que os pais, muitas vezes, são pessoas importantes em seu trabalho ou nas suas realizações pessoais. Mas, não terá nisso um “coração” de mulher? Mas por outro lado, vemos hoje muitos pais muito próximos. Estes pais os seus filhos os veem como o modelo a ser seguido. Parabéns, queridos pais! Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os vosso filhos que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 16, 13-23)

13Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? 14Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. 15Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? 16Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! 17Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. 18E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. 20Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo. 21Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia. 22Pedro então começou a interpelá-lo e protestar nestes termos: Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá! 23Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!

 

3) Reflexão   Mateus 16,13-23

Estamos na parte narrativa entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o Sermão da Comunidade (Mt 18). Nestas partes narrativas que ligam entre si os cinco Sermões, Mateus costuma seguir a sequência do Evangelho de Marcos. De vez em quando, ele cita outras informações, também conhecidas por Lucas. E aqui e acolá, ele traz textos que só aparecem no evangelho de Mateus, como é o caso da conversa entre Jesus e Pedro do evangelho de hoje. Este texto recebe interpretações diversas e até opostas nas várias igrejas cristãs.

Naquele tempo, as comunidades cultivavam uma ligação afetiva muito forte com as lideranças que tinham dado origem à comunidade. Por exemplo, as comunidades de Antioquia na Síria cultivavam a sua ligação com a pessoa de Pedro. As da Grécia, com a pessoa de Paulo. Algumas comunidades da Ásia, com a pessoa do Discípulo Amado e outras com a pessoa de João do Apocalipse. Uma identificação com estes líderes da sua origem ajudava as comunidades a cultivar melhor a sua identidade e espiritualidade. Mas também podia ser motivo de briga, como no caso da comunidade de Corinto (1 Cor 1,11-12).

Mateus 16,13-16: As opiniões do povo e dos discípulos a respeito de Jesus.

Jesus faz um levantamento da opinião do povo a respeito da sua pessoa, o Filho do Homem. As respostas são variadas: João Batista, Elias, Jeremias, algum dos profetas. Quando Jesus pergunta pela opinião dos discípulos, Pedro se torna porta-voz e diz: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!” A resposta não é nova. Anteriormente, os discípulos já tinham dito a mesma coisa (Mt 14,33). No Evangelho de João, a mesma profissão de fé é feita por Marta (Jo 11,27). Ela significa que em Jesus se realizam as profecias do Antigo Testamento.

Mateus 16,17: A resposta de Jesus a Pedro: "Feliz você, Pedro!"

Jesus proclama Pedro “Feliz!”, porque recebeu uma revelação do Pai. Aqui também a resposta de Jesus não é nova. Anteriormente, Jesus tinha louvado o Pai por ele ter revelado o Filho aos pequenos e não aos sábios (Mt 11,25-27) e tinha feito a mesma proclamação de felicidade aos discípulos por estarem vendo e ouvindo coisas novas que, antes deles, ninguém conhecia nem tinha ouvido falar (Mt 13,16).

Mateus 16,18-20: As atribuições de Pedro: Ser pedra e tomar conta das chaves do Reino.

  1. Ser Pedra: Pedro deve ser pedra, isto é, deve ser fundamento firme para a igreja a ponto de ela poder resistir contra as portas do inferno. Com estas palavras de Jesus a Pedro, Mateus anima as comunidades perseguidas da Síria e da Palestina que viam em Pedro a liderança marcante da sua origem. Apesar de fraca e perseguida, a comunidade tem fundamento firme, garantido pela palavra de Jesus. A função de ser pedra como fundamento da fé evoca a palavra de Deus ao povo no exílio: “Vocês que buscam a Deus e procuram a justiça, olhem para a rocha (pedra) de onde foram talhados, olhem para a pedreira de onde foram extraídos. Olhem para Abraão seu pai e para Sara sua mãe. Quando os chamei, eles eram um só, mas se multiplicaram por causa da minha bênção”. (Is 51,1-2). Indica que em Pedro existe um novo começo do povo de Deus.
  2. As chaves do Reino: Pedro recebe as chaves do Reino. O mesmo poder de ligar e desligar é dado também às comunidades (Mt 18,18) e aos outros discípulos (Jo 20,23). Um dos pontos em que o evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação e o perdão. É uma das tarefas mais importantes dos coordenadores e coordenadoras das comunidades. Imitando Pedro, devem ligar e desligar, isto é, fazer com que haja reconciliação, aceitação mútua, construção da fraternidade, até setenta vezes sete (Mt 18,22).

Mateus 16,21-22: Jesus completa o que faltava na resposta de Pedro, e este reage.

Jesus começou a dizer: “que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Dizendo que devia ir e devia ser morto, ou que era necessário sofrer, ele indicava que o sofrimento estava previsto nas profecias. O caminho do Messias não é só de triunfe de glória, também de sofrimento e de cruz! Se Pedro aceita Jesus como Messias e Filho de Deus, deverá aceitá-lo também como o Messias Servo que vai ser morto. Mas Pedro não aceita a correção de Jesus e procura dissuadi-lo. Levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!".

Mateus 16,23: A resposta de Jesus a Pedro: pedra de tropeço

A resposta de Jesus é surpreendente. Pedro queria orientar Jesus tomando a dianteira. Jesus reage: "Sai daqui para atrás de mim. Você é satanás e uma pedra de tropeço para mim. Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!"  Pedro deve seguir Jesus, e não o contrário. É Jesus que dá a direção. Satanás é aquele que desvia a pessoa do caminho traçado por Deus. Novamente, aparece a expressão pedra, mas agora em sentido oposto. Pedro, ora é pedra de apoio, ora é pedra de tropeço! Assim eram as comunidades da época de Mateus, marcadas pela ambiguidade. Assim, somos todos nós e assim é, no dizer de João Paulo II, é o próprio papado, marcado pela mesma ambiguidade de Pedro: pedra de apoio na fé e pedra de tropeço na fé.

 

4) Para um confronto pessoal

 

  1. Quais as opiniões que na nossa comunidade existem sobre Jesus? Estas diferenças na maneira de viver e expressar a fé enriquecem a comunidade ou prejudicam a caminhada?
  2. Que tipo de pedra é a nossa comunidade? Qual a missão que resulta disso para nós?

 

5) Oração final

Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito. (Sl 50, 12-13)

 

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

A Igreja celebra, no dia 4 de agosto, a memória de São João Maria Vianney. Também conhecido como Cura d’Ars, nasceu (1786) e viveu na França e foi pároco da pequenina cidade de Ars. Considerado limitado em sua inteligência, fez verdadeiros milagres a partir da escuta. Isso mesmo. Passava horas ao confessionário, diariamente, escutando as pessoas. Essas confissões foram fonte de graças para milhares de penitentes que vinham ao seu encontro. Viveu na mais completa simplicidade. Morreu no dia 04 de agosto de 1859. Foi proclamado Santo.

Nessa data introduziu-se o costume de celebrar o Dia do Pároco e, por extensão, o Dia do Padre. Sirvo-me desse espaço para homenagear os padres da Arquidiocese de Montes Claros, aqueles chamados diocesanos, cujo vínculo de incardinação é com a diocese, e os religiosos, que pertencem a diferentes expressões da vida consagrada e exercem seu ministério nestas paragens.

Às vésperas da etapa arquidiocesana da IV Assembleia de Pastoral, há 134 padres no elenco da Arquidiocese. Os diocesanos somam 96; 42 exercem o ministério nas paróquias de Montes Claros e 43 nas paróquias das outras cidades da Arquidiocese. Estão fora do território arquidiocesano, por motivos diversos, 11 padres: 2 servindo como Capelães no Ordinariado Militar, 1 em Roma, para estudos e 8 em outras missões, no Brasil e no exterior.

Os religiosos somam 38 padres. O maior grupo é dos Cônegos Premonstratenses, primeira Ordem a chegar em Montes Claros, em 1903. Hoje são 15 sacerdotes que, além do Priorado, atendem a 3 paróquias. Os Franciscanos da Ordem dos Frades Menores são 7, 4 servindo na Paróquia Santo Antônio de Salinas e outros 3 no Noviciado São Benedito, em Montes Claros. Os Jesuítas estão em número de 4 e cuidam da extensa Paróquia N. Srª de Montes Claros e São José de Anchieta, além de outras obras, entre as quais a Casa de Nazaré. Os Missionários da Sagrada Família são 7 e cuidam de duas paróquias, uma em Taiobeiras e outra em Montes Claros. Estão em número de 3 os padres da Sagrada Família de Bérgamo. Eles cuidam da Paróquia Sagrada Família. Arautos do Evangelho são 2.

Merecem destaque os “patriarcas”: Mons. Antônio Rocha, o mais idoso, com 90 anos; Mons. Antônio Alencar, próximo dos 90 anos; Pe. Antônio Maia, em Bocaiúva; Mons. Tolentino, com 55 anos de sacerdócio, tendo sido ordenado por São Paulo VI em Roma, em 1966. Dos religiosos: Pe. João Batista e Dom Paulo (O. Praem.), acompanhados do Pe. Arlindo e do Pe. Germano (MSF), e, também, do Pe. Sefrin (SJ). Todos esses já passaram dos 80 anos e continuam servindo com alegria e disposição ao povo de Deus.

Citemos, também, o mais jovem, tanto em idade quanto em tempo de ordenação: o Pe. Cleydson Rafael, com 29 anos de idade e 7 meses de sacerdócio.

Insisto que é importante escrever a história dos nossos padres. Em Montes Claros, por exemplo, há ruas com nomes de sacerdotes e muitos não sabem dizer quem foram, embora eu esteja certo de que foram notáveis. Professores, doutores, médicos, advogados, psicólogos, músicos, artistas, comunicadores… quantos carismas reúne o presbitério. A todos os padres, nosso apreço, reconhecimento e gratidão. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Vídeo viralizou nas redes. Discurso tem recebido críticas de internautas e movimentos que defendem causas raciais e LGBTQIA+.

 

Por Ariane Marques e Leonardo Libânio, G1 — Nova Friburgo

O vídeo da pregação de uma mulher em uma igreja evangélica de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, repercutiu nas redes sociais nesta segunda-feira (2) por conter críticas feitas a fiéis que defendem causas políticas, raciais e LGBTQIA+. A Polícia Civil abriu inquérito depois de analisar o discurso de Kakau Cordeiro, membro da Igreja Sara Nossa Terra.

"É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira.

"Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta!".

O delegado titular da 151ª DP, Henrique Pessoa, disse que há um "teor claramente racista e homofóbico, o que configura transgressão típica na forma do artigo 20 da Lei 7716/87".

"De tal modo que a pena é de 3 a 5 anos com circunstâncias qualificadoras por ter sido feita em mídias sociais e através da imprensa. De tal modo que já foi instaurado inquérito policial pelo crime de intolerância racial e homofóbica, de acordo com a recente previsão do STF", disse o delegado.

O G1 tenta um posicionamento de Kakau Cordeiro, que ainda não retornou às tentativas de contato feitas pela reportagem. Já a Igreja Sara Nossa Terra disse que não irá se pronunciar. Ela chegou a publicar o vídeo em seu perfil no Instagram, mas a página saiu do ar.

O compartilhamento feito pelo ex-deputado estadual Wanderson Nogueira já teve mais de 18 mil visualizações e centenas de comentários com críticas ao discurso.

"Tenho certeza que esse não é o pensamento cristão. Machuca ouvir(...)", disse o político em sua postagem.

A vereadora de Nova Friburgo, Maiara Felício, se manifestou em seus stories no Instagram.

"Um vídeo extremamente intolerante, dentro de uma instituição religiosa (...) A gente quer fazer um movimento gigante para mostrar que em Nova Friburgo a intolerância não vai reinar", disse.

O Coletivo Negro de Nova Friburgo também divulgou nota repudiando a atitude. Veja íntegra.

"Nós do Coletivo Negro Lélia Gonzalez NF denunciamos, condenamos e repudiamos qualquer forma de discriminação contra a classe trabalhadora e realizada pela mesma reproduzindo a lógica da classe dominante que é racista, facista, lgbtfobica, eugenista, branca, heteronormativa, patrimonialista, patriarcal, branca, lascivos e cristãos. Não podemos dizer que todes cristãs tem comportamento e postura, como esta pessoa, porém não podemos ignorar que ela está expressando a hegemonia dominante. Não devemos naturalizar tais posturas, declarações sem que os órgão tomem devidas medidas, embora estes órgãos expressam interesses da classe dominante. Quando ela faz este ataque, e a todes que defendem o direito da classe trabalhadora que são majoritariamente negras, quando ela de forma superior, ela concorda com a morte da juventude negra, desaparecimento de nossas crianças, e naturaliza feminicídio incidentes nas mulheres negras trans e cia, ela naturaliza o primeiro lugar de morte de mulheres trans e travestis e nosso encarceramento em massa nas senzalas modernas. Racistas, genocidas, Eugenista, Lgbtfóbicos exploradores não passarão! Por uma sociedade onde a diversidade não seja instrumento de dominação e exploração". Fonte: https://g1.globo.com

AO VIVO-CARMO ANGRA/RJ: 18º Domingo do Tempo Comum. Santa Missa com Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Mês Vocacional, Dia do Padre e Semana da Família. www.instagram.com/freipetronio

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo de Natal (RN) 

          No primeiro domingo de agosto, dentro da dinâmica pastoral da Igreja no Brasil, isto é, celebrando o Mês Vocacional, comemoramos o Dia do Padre. A proximidade com a memória litúrgica de São João Maria Vianney (1786-1859), patrono dos párocos, no dia 4 de agosto, faz a Igreja celebrar com alegria e júbilo os presbíteros de todo o mundo.

Proclamado patrono de todos os párocos do mundo, pelo Papa Pio XI, em 1929, celebrado pelos últimos santos papas, como São João XXIII, que lhe dedicou uma carta encíclica, “Sacerdotii nostri primordia” (“… as primícias do nosso sacerdócio”), no centenário de sua morte, em 1959,  São João Paulo II celebrou, em Ars, na França, em 1986, o bicentenário de seu nascimento, Bento XVI proclamou o Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário de sua morte, em 2009 e em 2019 Papa Francisco celebrou os 160 anos de sua morte, o Santo Cura d’Ars, como é conhecido, é uma inspiração para todos os presbíteros da Igreja Católica, especialmente a humildade, a simplicidade e a caridade. O Concílio Vaticano II afirma que o Sacerdócio ministerial não é um super poder que torna o presbítero um super-cristão, superior aos outros, mas é chamado a viver o seu ministério com as mesmas virtudes do seu patrono. Sim, o sacerdócio a que o padre é configurado parte do Sacerdócio comum a todos os batizados. De fato, o Batismo é o início dessa configuração, pois por ele todos os batizados são feitos participes do Sacerdócio de Cristo. “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen gentium, n. 10).

 Serviço aos outros, cuidado e compaixão, ministério da reconciliação e da misericórdia, ser pastor da comunidade, sempre a exemplo do bom Pastor, Jesus Cristo, que deu a sua vida pelos outros, faz do padre um membro importante e necessário para a comunidade cristã. Mas, é preciso sempre insistir: o chamado à santidade, destinado a todos os batizados, é também exigência para sua vida (cf. Lumen gentium, capítulo V – “A vocação universal à santidade na Igreja”). Como também, é necessário e urgente, talvez hoje mais do que nunca, reconhecer que o ativismo e o esgotamento físico e psíquico são inimigos dos ministros ordenados, e que devem ser tratados com honestidade, atenção e caridade. Cuidar da saúde não é comodismo, nem busca de uma vida no “dolce far niente”, mas fortalecer a saúde para servir melhor. Exorto a todos os presbíteros que não deixem de procurar os cuidados médicos, para que todos possam estar bem e dedicados ao serviço pastoral com alegria, harmonia e equilíbrio. Inclusive, é preciso cuidar da saúde mental, um dos temas muito atual, e que se apresenta na união ou relação de espiritualidade, terapia e, sobretudo, abertura de coração ao diálogo. Quanto a isso, todos são conscientes da beleza e da importância da amizade, seja com os leigos e leigas, seja amizade com os outros presbíteros.

Desejo que o dia do padre seja vivido com oração, alegria e paz no coração de todos. Agradeço, de coração, o empenho das comunidades com a coleta que será realizada neste final de semana, para a ação da Pastoral Presbiteral em nossa Arquidiocese. E, rezemos pelos nossos padres. Parabéns a todos os nossos padres. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os vosso filhos que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 14, 22-36)

22Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia a multidão.23Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite,estava lá sozinho.24Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.25Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre o mar.26Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: É um fantasma! disseram eles, soltando gritos de terror.27Mas Jesus logo lhes disse: Tranqüilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!28Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti!29Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus.30Mas, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!31No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse: Homem de pouca fé, por que duvidaste?32Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou.33Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu és verdadeiramente o Filho de Deus.34E, tendo atravessado, chegaram a Genesaré.35As pessoas do lugar o reconheceram e mandaram anunciar por todos os arredores. Apresentaram-lhe, então, todos os doentes,36rogando-lhe que ao menos deixasse tocar na orla de sua veste. E, todos aqueles que nele tocaram, foram curados.

 

3) Reflexão   Mateus 14,22-36

O Evangelho de hoje descreve a difícil e cansativa travessia do mar da Galileia num barco frágil, balançado pelo vento contrário. Entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o da Comunidade (Mt 18), está, novamente, a parte narrativa (Mt 14 até 17). O Sermão das Parábolas chamava nossa atenção para a presença do Reino. Agora, a parte narrativa mostra como esta presença acontece provocando reações a favor e contra Jesus. Em Nazaré ele não foi aceito (Mt 13,53-58) e o rei Herodes pensava que Jesus fosse uma espécie de reencarnarão de João Batista, por ele assassinado (Mt 14,1-12). O povo pobre, porém, reconhecia em Jesus o enviado de Deus e o seguia no deserto, onde aconteceu a multiplicação dos pães (Mt 14,13-21). Depois da multiplicação dos pães, Jesus despede a multidão e manda os discípulos fazer a travessia, descrita no evangelho de hoje (Mt 14,22-36). 

Mateus 14,22-24: Iniciar a travessia a pedido de Jesus.

Jesus forçou os discípulos a entrar no barco e ir para o outro lado do mar, onde ficava a terra dos pagãos. Ele mesmo sobe a montanha para rezar. O barco simboliza a comunidade. Ela tem a missão de dirigir-se aos pagãos e de anunciar também entre eles a Boa Nova do Reino que gera um novo jeito de conviver em comunidade. Mas a travessia é cansativa e demorada. A barca é agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Apesar de terem remado a noite toda, falta muito para chegar à terra. Faltava muito para as comunidades fazerem a travessia para os pagãos. Jesus não foi com os discípulos. Eles devem aprender a enfrentar juntos as dificuldades, unidos e fortalecidos pela fé em Jesus que os enviou. O contraste é grande: Jesus em paz junto de Deus rezando no alto da montanha, e os discípulos meio perdidos lá em baixo, no mar revolto.

A travessia para o outro lado do lago simboliza também a difícil travessia das comunidades do fim do primeiro século. Elas deviam sair do mundo fechado da antiga observância da lei para o novo jeito de observar a Lei do amor, ensinado por Jesus; sair da consciência de pertencer ao povo eleito, privilegiado por Deus entre todos os povos, para a certeza de que em Cristo todos os povos estavam sendo fundidos num único Povo diante de Deus; sair do isolamento da intolerância para o mundo aberto do acolhimento e da gratuidade. Também nós hoje estamos numa travessia difícil para um novo tempo e uma nova maneira de ser igreja. Travessia difícil, mas necessária. Há momentos na vida em que o medo nos assalta. Boa vontade não falta, mas não basta. Somos como um barco que enfrenta o vento contrário.

Mateus 14,25-27: Jesus se aproxima e eles não o reconhecem.

Na quarta vigília, isto é, entre as horas três e seis da madrugada, Jesus foi ao encontro dos discípulos. Andando sobre as águas, chegou perto deles, mas eles não o reconheceram. Gritavam de medo, pensando que fosse um fantasma. Jesus os acalma dizendo: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo!” A expressão "Sou Eu!" é a mesma com que Deus tentou superar o medo de Moisés quando o enviou para libertar o povo do Egito (Ex 3,14). Para as comunidades, tanto as de ontem como as de hoje, era e é muito importante ouvir sempre de novo: "Coragem! Sou eu! Não tenham medo!"

Mateus 14,28-31: Entusiasmo e fraqueza de Pedro .

Sabendo que é Jesus, Pedro pede para poder andar sobre as águas. Quer experimentar o poder que domina a fúria do mar. Um poder que, na Bíblia, é exclusivo de Deus (Gn 1,6; Sl 104,6-9). Jesus permite que ele participe desse poder. Mas Pedro tem medo. Pensa que vai afundar e grita: "Senhor! Salva-me!" Jesus o segura e repreende: "Homem fraco na fé! Por que duvidou?" Pedro tem mais força do que ele imagina, mas tem medo diante das ondas contrárias e não acredita no poder de Deus que existe nele. As comunidades não acreditam na força do Espírito que existe dentro delas e que atua através da fé. É a força da ressurreição (Ef 1,19-20).

Mateus 14,32-33: Jesus é o Filho de Deus

Diante da onda que avança sobre ele, Pedro afunda no mar por falta de fé. Depois que foi salvo, ele e Jesus, os dois, entram na barca e a ventania para. Os outros discípulos, que estavam na barca, ficam maravilhados e se ajoelham diante de Jesus, reconhecendo nele o Filho de Deus: "De fato, tu és o Filho de Deus". Mais tarde, Pedro também vai professar a mesma fé em Jesus: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Assim, Mateus sugere que não é só Pedro que sustenta a fé dos discípulos, mas também é a fé dos discípulos, que sustenta a fé de Pedro.

Mateus 14,34-36: Levaram a Jesus todos os doentes

O episódio da travessia termina com este final bonito: “Acabando de atravessar, desembarcaram em Genesaré. Os homens desse lugar, reconhecendo-os, espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a Jesus todos os doentes, e pediram que pudessem ao menos tocar a barra da roupa dele. E todos os que tocaram, ficaram curados”.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Um vento contrário assim já aconteceu na sua vida? Como fez para vencer? Já aconteceu alguma vez na comunidade? Como superaram?
  2. Qual a travessia que hoje as comunidades estão fazendo? De onde para onde? Como tudo isto nos ajuda a reconhecer hoje a presença de Jesus nas ondas contrárias da vida?

 

5) Oração final

Afastai-me do caminho da mentira, e fazei-me fiel à vossa lei. Não me tireis jamais da boca a palavra da verdade, porque tenho confiança em vossos decretos. (Sl 118, 29.43)

 

Dom Rodolfo Luís Weber

Arcebispo de Passo Fundo (RS)

              A palavra dom resume bem a liturgia deste domingo e a vocação ao ministério ordenado. Os textos bíblicos de Êxodo 16,2-4.12-15; Efésios 4, 17.20-24 e João 6,24-35 ressaltam a gratuidade de Deus. É o maná que chove do céu. É o homem novo, com novo espírito, nova mentalidade, revestido de justiça e santidade que se forma a partir de Deus. “É meu Pai que dá o verdadeiro pão do céu (…) e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

            O mês vocacional celebrado na Igreja, no mês de agosto, lembra dos dons concedidos a cada batizado. Neste primeiro domingo celebramos o ministério ordenado: o dom do episcopado, do presbiterado e do diaconado. Estes escolhidos e enviados proporcionam que o “pão descido do céu” chegue aos que o desejam.

            É muito prazeroso receber presentes, como também oferecê-los aos outros. A troca de presentes ou dons constrói pontes e desencadeia ocasiões para cultivar amizades e aprofundar o intercâmbio de vida. Não falamos de presentes dados com “segundas intenções”, pois estes resultam em aprisionamento. Falamos de dons marcados pela liberalidade e gratuidade que geram comunhão e vida.

            Jesus fala da bondade de Deus já manifestada no maná, na multiplicação dos pães e, agora, com a sua presença no mundo. O pão se torna oportunidade e ao mesmo tempo símbolo do pão que dura para a vida eterna. É o pão que não se procura, mas é dado gratuitamente e multiplicado por Deus através de Jesus Cristo.

            Depois de saciar a fome da multidão com os pães e peixes multiplicados, Jesus deseja abrir novos horizontes na multidão que o procura. As preocupações das necessidades imediatas do comer, vestir, são urgentes, mas não podem limitar a busca. “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará”. Convida a irem ao seu encontro não para receber alguma coisa, mas para se encontrar com Ele, estabelecer relações, conviver e alimentar-se dele, pois, ele “é o pão da vida”. Porque o novo alimento é dom, o homem pode usufruir da medida em que o acolhe. Tal dom leva o discípulo à experiência da vida mesma de Deus.

A Igreja entende que a vocação e a missão do diácono, do padre e do bispo nasceram da livre escolha divina que necessita uma livre e total resposta do escolhido. Eles se tornam personagens da sociedade. A vida, principalmente do padre e do bispo, concentra-se em oferecer Jesus Cristo ao mundo, “o verdadeiro pão descido do céu (…) que dá vida.”.

Alguém poderia perguntar sobre a utilidade do padre na sociedade. Certamente não é nesta direção que deve ir o questionamento, mas a pergunta deve ser sobre a importância deles. Eles lembram que o céu e a terra se tocam, mesmo que a percepção não seja imediata e nem sempre evidente. Ao realizarem cerimônias sagradas unem os dois mundos. “O sagrado é uma categoria da mente que expressa a necessidade de ter uma resposta imediata, se remeter a outro, como muitas vezes acontece para a ciência e o raciocínio. (…) O sacerdote é, um homem religioso que, através de gestos, liturgias, cerimônias, dá respostas às necessidades do sagrado que todo ser humano experimenta”. (Vittorino Andreoli – psiquiatra italiano).

A nossa homenagem e gratidão a todos os padres. Fonte: https://www.cnbb.org.br

 

1) Oração

Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo: redobrai de amor para convosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 13,54-58)

 54Foi para a sua cidade e ensinava na sinagoga, de modo que todos diziam admirados: Donde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa? 55Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso? 57E não sabiam o que dizer dele. Disse-lhes, porém, Jesus: É só em sua pátria e em sua família que um profeta é menosprezado. 58E, por causa da falta de confiança deles, operou ali poucos milagres.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje conta como foi a visita de Jesus à Nazaré, sua comunidade de origem. A passagem por Nazaré foi dolorosa para Jesus. O que antes era a sua comunidade, agora já não é mais. Alguma coisa mudou. Onde não há fé, Jesus não pode fazer milagre.

Mateus 13, 53-57ªReação do povo de Nazaré frente a Jesus.

É sempre bom voltar para a terra da gente. Após longa ausência, Jesus também voltou e, como de costume, no dia de sábado, foi para a reunião da comunidade. Jesus não era coordenador, mesmo assim ele tomou a palavra. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião. O povo ficou admirado, não entendeu a atitude de Jesus: "De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres?” Jesus, filho do lugar, que eles conheciam desde criança, como é que ele agora ficou tão diferente? O povo de Nazaré ficou escandalizado e não o aceitou: “Não é ele o filho do carpinteiro?” O povo não aceitou o mistério de Deus presente num homem comum como eles conheciam Jesus. Para poder falar de Deus ele teria de ser diferente. Como se vê, nem tudo foi bem sucedido. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, estas eram as que se recusavam a aceitá-la. O conflito não é só com os de fora de casa, mas também com os parentes e com o povo de Nazaré. Eles recusam, porque não conseguem entender o mistério que envolve a pessoa de Jesus: “Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não moram aqui conosco? Então, de onde vem tudo isso?"  Não deram conta de crer.

Mateus 13, 57b-58: Reação de Jesus diante da atitude do povo de Nazaré.

Jesus sabe muito bem que “santo de casa não faz milagre”. Ele diz: "Um profeta só não é honrado em sua própria pátria e em sua família". De fato, onde não existe aceitação nem fé, a gente não pode fazer nada. O preconceito o impede. Jesus, mesmo querendo, não pôde fazer nada. Ele ficou admirado da falta de fé deles.

Os irmãos e as irmãs de Jesus.

A expressão “irmãos de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso?  Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça. Pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos bem mais para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé. Deveríamos lembrar algumas outras frases de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”(Jo 10,10). “Que todos sejam um, para que o mundo creia que Tu, Pai, me enviaste”(Jo 17,21). “Não o impeçam! Quem não é contra nós é a favor”(Mc 10,39.40).

 

4)  Para um confronto pessoal

  1. Em Jesus algo mudou no seu relacionamento com a Comunidade de Nazaré. Desde que você começou a participar na comunidade, alguma coisa mudou no seu relacionamento com a família? Por que?
  2. A participação na comunidade tem ajudado você a acolher e a confiar mais nas pessoas, sobretudo nos mais simples e pobres?

 

5) Oração final

Eu, porém, miserável e sofredor, seja protegido, ó Deus, pelo vosso auxílio. Cantarei um cântico de louvor ao nome do Senhor, e o glorificarei com um hino de gratidão. (Sl 68, 30-31) 

 

1) Oração

Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo: redobrai de amor para convosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 13,44-46)

 44O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo. 45O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. 46Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz mais duas pequenas parábolas do Sermão das Parábolas. As duas são semelhantes entre si, mas com diferenças significativas para esclarecer melhor determinados aspectos do Mistério do Reino que está sendo revelado através destas parábolas.

Mateus 13,44: A parábola do tesouro escondido no campo

Jesus conta uma história bem simples e bem curta que poderia acontecer na vida de qualquer um de nós. Ele diz: “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo”. Jesus não explica. Ele só diz: O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo”. Assim, ele provoca os ouvintes a partilhar com os outros o que esta história nele suscitou. Partilho alguns pontos que descobri: (1) O tesouro, o Reino, já está no campo, já está na vida. Está escondida. Passamos e pisamos por cima sem nos dar conta. (2) O homem encontrou o tesouro. Foi puro acaso. Ele não esperava encontra-lo, pois não estava procurando. (3) Ao descobrir que se trata de um tesouro muito importante, o que ele faz? Faz o que todo mundo faria para ter o direito de poder apropriar-se do tesouro. Ele vai, vende tudo que tem e compra o campo. Assim, junto com o campo adquiriu o tesouro, o Reino. A condição é vender tudo! (4) Se o tesouro, o Reino, já estava na vida, então é um aspecto importante da vida que começa a ter um novo valor. (5) Nesta história, o que predomina é a gratuidade. O tesouro é encontrado por acaso, para além das programações nossas. O Reino acontece! E se acontece, você ou eu temos que tirar as conseqüências e não permitir que este momento de graça passe sem dar fruto.

Mateus 13,45-46: A parábola do comprador de pedras preciosas

A segunda parábola é semelhante à primeira mas tem uma diferença importante. Tente descobri-la. A história é a seguinte: “O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola”.  Partilho alguns pontos que descobri: (1) Trata-se de um comerciante de pérolas. A profissão dele é buscar pérolas. Ele só faz isso na vida: buscar e encontrar pérolas. Buscando, ele encontra uma pérola de grande valor. Aqui a descoberta do Reino não é puro acaso, mas fruto de longa busca. (2) Comerciante de pérola entende do valor das pérolas, pois muitas pessoas querem vender para ele as pérolas que encontraram. Mas o comerciante não se deixa enganar. Ele conhece o valor da sua mercadoria. (3) Quando ele encontra uma pérola de grande valor, ele vai e vende tudo que tem e compra essa pérola. O Reino é o valor maior.

Resumindo o ensinamento das duas parábolas. As duas tem o mesmo objetivo: revelar a presença do Reino, mas cada uma revela uma maneira diferente de o Reino mostrar a sua presença: através de descoberta da gratuidade da ação de Deus em nós, e através do esforço e da busca que todo ser humano faz para ir descobrindo cada vez melhor o sentido da sua vida.

 

4)  Para um confronto pessoal

1) Tesouro escondido: já encontrou alguma vez? Já vendeu tudo para poder adquiri-la?

2) Buscar pérolas: qual a pérola que você busca e ainda não encontrou?

 

5) Oração final

Eu, porém, cantarei vosso poder, e desde o amanhecer celebrarei vossa bondade. Porque vós sois o meu amparo, um refúgio no dia da tribulação. (Sl 58, 17)