"Neste ano, antes que a Quaresma inicie, nós já estamos com uma polêmica em torno do Texto-Base. Essa polêmica está movida por preconceitos e paixão anti-ecumênica; além de acusações infundadas".

 

Escrito por Redação A12

A Campanha da Fraternidade é um modo pelo qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Em 2021, a CF é ecumênica e traz um convite para nos educar para o diálogo.

É o momento de refletir, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual.

Dentro desse contexto e respondendo a várias críticas que circulam na internet sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer fala sobre a iniciativa da Igreja Católica que acontece desde a década de 60.

“É uma Campanha de Evangelização popular. Durante a Quaresma sempre se aborda um aspecto da dimensão social da nossa fé. Nossa fé em Deus, não esqueçamos, tem sempre uma dimensão social, da caridade, da fraternidade. Sem fraternidade, nossa fé em Deus, pode ser vazia”, falou Dom Odilo sobre a Campanha deste ano.

O Cardeal explicou que a Campanha da Fraternidade 'se insere dentro do tema da Quaresma quando todos nós somos chamados a nos convertermos mais e mais ao Evangelho. Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1, 15)'.

“A Campanha da Fraternidade todos os anos propõe um tema e uma comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) prepara os textos. É o Conselho Pastoral da CNBB que aprova o texto. A cada cinco anos a Campanha da Fraternidade é promovida de forma ecumênica. Isso foi pedido, aceito e é uma ideia importante envolvendo outras Igrejas Cristãs na promoção da Campanha da Fraternidade”.

Dom Odilo ainda explicou que a campanha deste ano é promovida de forma ecumênica e o texto base foi preparado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), do qual também faz parte a Igreja Católica no Brasil. “O texto base é importante, pois traz uma reflexão básica sobre o tema, ele ajuda a reflexão da Campanha da Fraternidade ao longo da Quaresma”.

"Neste ano, antes que a Quaresma inicie, nós já estamos com uma polêmica em torno do Texto-Base [da Campanha da Fraternidade]. Essa polêmica está movida por preconceitos e paixão anti-ecumênica; além de acusações infundadas contra a CNBB, é uma polêmica também marcada por polarização ideológica", afirmou.

E continuou dizendo que “o objetivo é, justamente, aproximar as Igrejas, é promover uma iniciativa boa juntos”.

O Cardeal pede ainda que o que tiver que ser criticado, seja feito com serenidade, mas julgar antes mesmo de iniciar a Campanha da Fraternidade não é de caridade em relação à Igreja e falta com a verdade. Fonte: https://www.a12.com

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

 

1) Oração

Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 6, 53-56)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 53Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram. 54Assim que saíram da barca, o povo o reconheceu. 55Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que ele se encontrava. 56Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O texto do Evangelho de hoje é a parte final do conjunto mais amplo de Marcos 6,45-56 que compreende três assuntos diferentes: 1) Jesus sobe sozinho a montanha para rezar (Mc 6,45-46). 2) Em seguida, andando sobre as águas, ele vai ao encontro dos discípulos que lutam contra as ondas do mar (Mc 6,47-52). 3) Agora, no evangelho de hoje, estando já em terra Jesus é procurado pelo povo que a cura das suas enfermidades (Mc 6,53-56).

Marcos 6,53-56. A busca do povo.

“Acabando de atravessar, chegaram à terra, em Genesaré, e amarraram a barca. Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus”.  O povo vai em massa atrás de Jesus. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconheceu Jesus e vai atrás dele. O que o move nesta busca de Jesus não é só o desejo de encontrar-se com ele, de estar com ele, mas também o desejo de obter a cura das suas doenças. “Iam de toda a região, levando os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E onde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocaram, ficaram curados”. O evangelho de Mateus comenta e ilumina este fato citando a figura do Servo de Javé, do qual Isaías diz: “Carregou sobre si as nossas enfermidades” (Is 53,4 e Mt 8,16-17)

Ensinar e curar, curar e ensinar. Desde o começo da sua atividade apostólica, Jesus anda por todos os povoados da Galileia para falar ao povo sobre o Reino de Deus que estava chegando (Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar: nas sinagogas  durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1,21; 3,1; 6,2); em reuniões informais nas casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49)! Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). O povo ficava admirado (Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e o procurava em massa.

Na raiz deste grande entusiasmo do povo estava, de um lado, a pessoa de Jesus que chamava e atraía, e, de outro lado, o abandono do povo que era como ovelha sem pastor (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só falava sobre Deus, mas também o revelava. Comunicava algo do que ele mesmo vivia e experimentava. Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. Nele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e sobretudo o testemunho, o gesto concreto. Esta é a Boa Nova do Reino que atrai!

 

4) Para um confronto pessoal

  1. O entusiasmo do povo em busca de Jesus, em busca de um sentido para a vida e uma solução para os seus males. Onde existe isto hoje? Existe em você, existe em mim?
  2. O que chama a atenção é a atitude carinhosa de Jesus para com os pobres e abandonados. E eu, como me comporto com as pessoas excluídas da sociedade?

 

5) Oração final

Ó Senhor, quão variadas são as vossas obras! Feitas, todas, com sabedoria, a terra está cheia das coisas que criastes. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! (Sl 103, 24.35c)

 

Francisco está com uma forte inflamação no nervo ciático, o que tem comprometido bastante suas atividades (AFP)

É sério o problema de saúde que tem feito Francisco cancelar vários compromissos nos últimos dias?

 

Mirticeli Medeiros*

Papa Francisco, de 84 anos, que esbanja vivacidade por onde passa, começa a sentir o peso da idade. Ninguém tinha notado isso de uma maneira tão evidente até ele começar a cancelar compromissos por causa de seu estado de saúde.

De repente, uma forte inflamação no nervo ciático – uma ciática, para usar o termo técnico – resolveu se manifestar com toda a força. É um problema antigo, que o acompanha desde quando ele ainda era arcebispo de Buenos Aires. No entanto, parece que, agora, as crises têm maltratado mais o santo padre.

A ciática obrigou o pontífice a ficar de repouso durante as celebrações de fim de ano. Dois cardeais, de última hora, tiveram que celebrar no seu lugar. Em janeiro deste ano, o mesmo problema impediu que ele participasse da Festa da Conversão de São Paulo, no dia 25 de janeiro, evento que reúne, todos os anos, os líderes das principais tradições cristãs.

Recentemente, no dia 29 de janeiro, em reunião com os membros da Rota Romana, um dos Tribunais da Santa Sé, Francisco pediu desculpas aos participantes por pronunciar o seu discurso sentado. "A ciática é um hóspede chato", justificou.

Especulava-se que, por causa da intensidade das dores, só uma cirurgia poderia contornar a situação. Mas o Vaticano negou que Francisco estivesse se preparando para se submeter a uma operação. Em vez disso, de acordo com o vaticanista Antonio Pelayo, um médico de fora, que foi chamado exclusivamente para tratar desse problema, prescreveu que o pontífice, inicialmente, fizesse uma dieta para perder de 7 a 8 quilos. De acordo com o profissional, tal medida será capaz de aliviar a dor.

Desde que assumiu o pontificado, em 2013, Francisco tem cumprido uma agenda repleta de reuniões, audiências e viagens. Ele, literalmente, não para.

Num período em que o fluxo de atividades caiu por causa da pandemia, o corpo do papa começou a emitir alguns sinais. Todos sabem que ele não se rende nem quando está doente. E para completar, ao contrário dos seus antecessores, renuncia às férias de verão do meio do ano. Faz uma pausa no Vaticano mesmo, em agosto, mas acaba não se desligando 100% daquilo que ocorre em seu pequeno Estado.

Nesses anos cobrindo o pontificado de Francisco, só o vi faltar a algum compromisso – que eu lembre, no máximo duas vezes – por causa de uma gripe forte.

 

As 'doenças pontifícias' ao longo da história

Ao contrário do que ocorre agora, informações camufladas em relação à integridade física do sumo pontífice foi algo recorrente em muitas fases da história da Igreja. As doenças crônicas de alguns papas nem chegaram ao conhecimento do público. E se hoje os historiadores têm acesso a esses dados, foi graças às crônicas de reis, embaixadores e escritores cristãos desconhecidos.

Em alguns casos, a instituição preferiu guardar a informação para si, por medo de que a própria capacidade de governar do pontífice fosse colocada em xeque pelos seus contemporâneos.

Entre os séculos 14 e 16, a fase tenebrosa dos papas renascentistas que, como sabemos, de santos não tinham nada, muitas dessas patologias acabaram sendo maquiadas pela própria Santa Sé. Há um livro que trata exclusivamente do tema, escrito pelo famoso historiador italiano, Agostino Paravicini, intitulado O corpo do papa. Ele elenca, através da sua pesquisa, quem foram os papas mais fragilizados da história.

Palavicini lembra que Alexandre VI, o Bórgia, no século 16, por causa da vida nada convencional que levava, contraiu sífilis. E que Pio IX, ao final de sua vida, teve crises de epilepsia. Até o irrepreensível Pio XII passou parte de seu governo tendo que conviver com uma hérnia gástrica que lhe causava crises constantes. Inocêncio XIII, no século 18, sofria tanto com o cálculo renal, que alguns canonistas cogitaram a possibilidade de ele vir a renunciar.

Com efeito, os papas começaram a ter médico privado nos idos de 1200. Pio III, em 1503, foi o primeiro a ser operado; e Paulo VI, por sua vez, o último. Na história da Igreja, João Paulo II e Francisco já são considerados os papas "mais transparentes" em relação à divulgação de seus boletins médicos.

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras. Fonte: https://domtotal.com

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

1) Oração

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todos os homens com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 6, 14-29)

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 14O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tornara célebre. Dizia-se: João Batista ressurgiu dos mortos e por isso o poder de fazer milagres opera nele. 15Uns afirmavam: É Elias! Diziam outros: É um profeta como qualquer outro. 16Ouvindo isto, Herodes repetia: É João, a quem mandei decapitar. Ele ressuscitou! 17Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. 18João tinha dito a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém. 20Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia. 21Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galileia. 22A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei. 23E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino. 24Ela saiu e perguntou à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista. 25Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista. 26O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar. 27Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere, 28trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe. 29Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão   Marcos 6,14-29

O evangelho de hoje descreve como João Batista foi vítima da corrupção e da prepotência do Governo de Herodes. Foi morto sem processo, durante um banquete de Herodes com os grandes do reino. O texto traz muitas informações sobre o tempo em que Jesus vivia e sobre a maneira como era exercido o poder pelos poderosos da época. Desde o começo do evangelho de Marcos ficou um suspense. Ele tinha dito: “Depois que João foi preso, Jesus voltou para a Galiléia e começou a anunciar a Boa Nova de Deus!” (Mc 1,14). No evangelho de hoje, como que de repente, ficamos sabendo que Herodes já tinha matado João Batista. Assim, na cabeça do leitor e da leitora, vem logo a pergunta: ”E o que será que ele vai fazer com Jesus? Vai dar a ele o mesmo destino?” Além disso, ao fazer um balanço das opiniões do povo e de Herodes sobre Jesus, Marcos provoca uma outra pergunta: “Quem é Jesus?” Esta última pergunta vai crescendo ao longo do evangelho até receber a resposta definitiva pela boca do centurião ao pé da Cruz: "De fato, esse homem era mesmo Filho de Deus!" (Mc 15,39)

Marcos 6,14-16. Quem é Jesus?

O texto começa com um balanço das opiniões do povo e de Herodes sobre Jesus. Alguns associavam Jesus com João Batista e Elias. Outro o identificavam como um Profeta, isto é, como alguém que falava em nome de Deus, que tinha a coragem de denunciar as injustiças dos poderosos e que sabia animar a esperança dos pequenos. As pessoas procuravam compreender Jesus a partir das coisas que elas mesmas conheciam, acreditavam e esperavam. Tentavam enquadrá-lo dentro dos critérios familiares do Antigo Testamento com suas profecias e esperanças, e da Tradição dos Antigos com suas leis. Mas eram critérios insuficientes. Jesus não cabia lá dentro. Ele era maior!

Marcos 6,17-20. A causa do assassinato de João.

Galileia, terra de Jesus, era governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, desde 4 antes de Cristo até 39 depois de Cristo. Ao todo, 43 anos! Durante todo o tempo que Jesus viveu, não houve mudança de governo na Galileia! Herodes Antipas era dono absoluto de tudo, não prestava conta a ninguém, fazia o que bem entendia. Prepotência, falta de ética, poder absoluto, sem controle por parte do povo! Mas quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 antes de Cristo, era o Império Romano. Herodes, para não ser deposto, procurava agradar a Roma em tudo. Insistia sobretudo numa administração eficiente que desse lucro ao Império. A preocupação dele era a sua própria promoção e segurança. Por isso, reprimia qualquer tipo de subversão. Flávio José, um escritor daquela época, informa que o motivo da prisão de João Batista era o medo que Herodes tinha de um levante popular. Herodes gostava de ser chamado de benfeitor do povo, mas na realidade era um tirano (cf. Lc 22,25). A denúncia de João contra ele (Mc 6,18), foi a gota que fez transbordar o copo, e João foi preso.

Marcos 6,21-29: A trama do assassinato.

Aniversário e banquete de festa, com danças e orgias! Era o ambiente em que se costuravam as alianças. A festa contava com a presença “dos grandes da corte, dos oficiais e das pessoas importantes da Galileia”. É nesse ambiente que se trama o assassinato de João Batista. João, o profeta, era uma denúncia viva desse sistema corrupto. Por isso foi eliminado sob pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a fraqueza moral de Herodes. Tanto poder acumulado na mão de um homem sem controle de si! No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes fez um juramento leviano a uma jovem dançarina. Supersticioso como era, pensava que devia manter esse juramento. Para Herodes, a vida dos súditos não valia nada. Dispunha deles como dispunha da posição das cadeiras na sala. Marcos conta o fato tal qual e deixa às comunidades e a nós a tarefa de tirarmos as conclusões.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Você conhece casos de pessoas que morreram vítimas da corrupção e da dominação dos poderosos? E na nossa comunidade e na igreja, há vítimas de desmando e de autoritarismo?
  2. 2. Herodes, o poderoso que pensava ser o dono da vida e da morte do povo, era um grande supersticioso com medo diante de João Batista. Era um covarde diante dos grandes. Um bajulador corrupto diante da moça. Superstição, covardia e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compare com o exercício do poder religioso e civil hoje nos vários níveis da sociedade e da Igreja.

 

5) Oração final

Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam. (Sl 17, 31)

A PALAVRA DO FREI PETRÔNIO: Hoje não é mais um dia, hoje é o DIA! Por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Imagens: Praia das Gordas, Angra dos Reis/RJ. Quinta-feira, 4 de fevereiro-2021. www.instagram.com/freipetronio

 

1) Oração

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todos os homens com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 6, 7-13)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 7Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. 8Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; 9como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas. 10E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. 11Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele. 12Eles partiram e pregaram a penitência. 13Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de hoje  descreve a continuidade do que vimos no evangelho de ontem. A passagem por Nazaré foi dolorosa para Jesus. Ele foi rejeitado pelo seu povo (Mc 6,1-5). O que antes era a sua comunidade, agora já não é mais. Alguma coisa mudou. A partir deste momento, como informa o Evangelho de hoje, Jesus começou a andar pelos povoados da Galileia para anunciar a Boa Nova (Mc 6,6) e a enviar os doze em missão. Nos anos 70, época em que Marcos escrevia o seu evangelho, as comunidades cristãs viviam uma situação difícil, sem horizonte. Humanamente falando, não havia futuro para elas. Em 64, Nero começou a perseguir os cristãos. Em 65, estourou a revolta dos judeus da Palestina contra Roma. Em 70, Jerusalém foi totalmente destruída pelos romanos. Por isso, a descrição do envio dos discípulos, após o conflito em Nazaré, era fonte de luz e de ânimo para os cristãos.

Marcos 6,7. O objetivo da Missão  

O conflito cresceu e tocou de perto a pessoa de Jesus. Como ele reage? De duas maneiras. 1) Diante do fechamento do povo da sua comunidade, Jesus deixou Nazaré de lado e começou a percorrer os povoados nas redondezas (Mc 6,6). 2) Ele alargou a missão e intensificou o anúncio da Boa Nova chamando outras pessoas para envolve-las na missão. “Chamou os doze discípulos, começou a enviá-los dois a dois e dava-lhes poder sobre os espíritos maus”. O objetivo da missão é simples e profundo. Os discípulos participam da missão de Jesus. Não podem ir sozinhos, mas devem ir dois a dois, pois duas pessoas representam melhor a comunidade do que uma só e podem ajudar-se mutuamente. Eles recebem poder sobre os espíritos impuros, isto é, devem aliviar o sofrimento do povo e, através da purificação, devem abrir as portas do acesso direto a Deus.

Marcos 6,8-11. As atitudes a serem tomadas na Missão  

As recomendações são simples: “recomendou que não levassem nada pelo caminho, além de um bastão; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: "Quando vocês entrarem numa casa, fiquem aí até partirem. Se vocês forem mal recebidos num lugar e o povo não escutar vocês, quando saírem sacudam a poeira dos pés como protesto contra eles". E eles foram. É o começo de uma nova etapa. Agora já não é só Jesus, mas é todo o grupo que vai anunciar a Boa Nova de Deus ao povo. Se a pregação de Jesus já dava conflito, quanto mais agora, com a pregação de todo o grupo. Se o mistério já era grande, ainda será maior com a missão intensificada.

Marcos 6,12-13. O resultado da missão.

“Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo”. Anunciar a Boa Nova, provocar conversão ou mudança nas pessoas e aliviar a dor do povo, curando as doenças e expulsando os males.

O envio dos discípulos em Missão

No tempo de Jesus havia vários outros movimentos de renovação. Por exemplo, os essênios e os fariseus. Também eles procuravam uma nova maneira de conviver em comunidade e tinham os seus missionários (cf. Mt 23,15). Mas estes, quando iam em missão, iam prevenidos. Levavam sacola e dinheiro para cuidar da sua própria comida. Pois não confiavam na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus recebem recomendações diferentes que ajudam a entender os pontos fundamentais da missão de anunciar a Boa Nova, que recebem de Jesus e que ainda é a nossa missão:

  1. a) Deviam ir sem nada.

Não podiam levar nada, nem bolsa, nem dinheiro na cintura, nem bastão, nem pão, nem sandálias, nem sequer duas túnicas. Isto significa que Jesus os obriga a confiar na hospitalidade. Pois quem vai sem nada, vai porque confia no povo e acredita que vai ser recebido. Com esta atitude criticavam as leis de exclusão, ensinadas pela religião oficial, e mostravam, pela nova prática, que tinham outros critérios de comunidade. 

  1. b) Deviam comer o que o povo lhes dava.

Não podiam viver separados com sua própria comida mas deviam aceitar a comunhão de mesa (Lc 10,8). Isto significa que, no contato com o povo, não deviam ter medo de perder a pureza tal como era ensinada na época. Com esta atitude criticavam as leis da pureza em vigor e mostravam, pela nova prática, que tinham outro acesso à pureza, isto é, à intimidade com Deus.

  1. c) Deviam ficar hospedados na primeira casa em que fossem acolhidos.

Deviam conviver de maneira estável e não andar de casa em casa. Deviam trabalhar como todo mundo e viver do que recebiam em troca, “pois o operário merece o seu salário” (Lc 10,7). Com outras palavras, eles deviam participar da vida e do trabalho do povo, e o povo os acolheria na sua comunidade e partilharia com eles casa e comida. Significa que deviam confiar na partilha.

  1. d) Deviam tratar dos doentes, curar os leprosos e expulsar os demônios (Lc 10,9; Mc 6,7.13; Mt 10,8).

Deviam exercer a função de “defensor” (goêl) e acolher para dentro do clã, dentro da comunidade, os que viviam excluídos. Com esta atitude criticavam a situação de desintegração da vida comunitária do clã e apontavam saídas concretas.

Estes eram os quatro pontos básicos que deviam animar a atitude dos missionários ou das missionárias que anunciavam a Boa Nova de Deus em nome de Jesus: hospitalidade, comunhão de mesa, partilha e acolhida aos excluídos (defensor, goêl). Caso estas quatro exigências fossem preenchidas, eles podiam e deviam gritar aos quatro ventos: “O Reino chegou!” (cf. Lc 10,1-12; 9,1-6; Mc 6,7-13; Mt 10,6-16). Pois o Reino de Deus que Jesus nos revelou não é uma doutrina, nem um catecismo, nem uma lei. O Reino de Deus acontece e se faz presente quando as pessoas, motivadas pela sua fé em Jesus, decidem conviver em comunidade para, assim, testemunhar e revelar a todos que Deus é Pai e Mãe e que, portanto, nós, seres humanos, somos irmãos e irmãs uns dos outros. Jesus queria que a comunidade local fosse novamente uma expressão da Aliança, do Reino, do amor de Deus como Pai, que faz de todos irmãos e irmãs.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Você participa da missão como discípulo ou discípula de Jesus?
  2. Qual o ponto da missão dos apóstolos que tem maior importância para nós hoje? Por que?

 

5) Oração final

Grande é o Senhor e digno de todo louvor, na cidade de nosso Deus. O seu monte santo, colina magnífica, é uma alegria para toda a terra. (Sl 47, 2-3a)

 

NOVO OU VELHO DIA?... Depende de você. Por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Imagens: Praia das Gordas em Angra dos Reis/RJ. Quarta-feira, 3 de janeiro-2021. www.instagram.com/freipetronio

 

1) Oração

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todos os homens com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 6, 1-6)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, seguido de seus discípulos. 2Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres? 3Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito. 4Mas Jesus disse-lhes: Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa. 5Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. 6Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão    Marcos 6,1-6

O evangelho de hoje fala da visita de Jesus a Nazaré e descreve como o povo de Nazaré se fechou e não quis aceita-lo (Mc 6,1-6). O evangelho de amanhã descreve como Jesus se abriu para o povo da Galileia enviando seus discípulos em missão (Mc 6,7-13).

Marcos 6,1-2ªJesus volta para Nazaré

“Jesus foi para Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga”. Sempre é bom voltar para a terra da gente e reencontrar as pessoas amigas. Após longa ausência, Jesus também voltou e, como de costume, no dia de sábado, foi na sinagoga participar da reunião da comunidade. Jesus não era coordenador da comunidade, mesmo assim ele tomou a palavra e começou a ensinar. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião.

Marcos 6,2b-3Reação do povo de Nazaré frente a Jesus.

O povo de Cafarnaum tinha aceitado o ensinamento de Jesus (Mc 1,22), mas o povo de Nazaré não gostou das palavras de Jesus e ficou escandalizado. Motivo? Jesus, o moço que eles conheciam desde criança, como é que ele agora ficou tão diferente? Eles não aceitaram o mistério de Deus presente em Jesus, um ser humano comum como eles, conhecido de todos! Para poder falar de Deus ele teria que ser diferente deles! Como se vê, nem tudo foi bem sucedido para Jesus. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, estas eram as que mais se recusavam a aceitá-la. O conflito não era só com os de fora de casa, mas também e sobretudo com os próprios parentes e o povo de Nazaré. Eles se recusaram a crer em Jesus, porque não conseguiam entender o mistério de Deus que envolvia a pessoa de Jesus: “De onde lhe vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? Ele não é o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?”  Não deram conta de crer em Jesus! 

Os irmãos e as irmãs de Jesus A expressão “irmãos de Jesus” é causa de muita polêmica entre católicos e protestantes. Baseando-se neste e em outros textos, os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso?  Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça. Pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la. Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos unir-nos para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé. Deveríamos lembrar algumas outras frases de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”(Jo 10,10). “Que todos sejam um, para que o mundo creia que Tu, Pai, me enviaste”(Jo 17,21). “Quem não é contra nós é a favor”(Mc 10,39.40).

Marcos 6,4-6. Reação de Jesus diante da atitude do povo de Nazaré.

Jesus sabe muito bem que “santo de casa não faz milagre”. Ele diz: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família!” De fato, onde não existe aceitação nem fé, a gente não pode fazer nada. O preconceito o impede. Jesus, mesmo querendo, não pôde fazer nada e ele ficou admirado da falta de fé deles. Por isso, diante da porta fechada da sua própria comunidade, ele “começou a percorrer as redondezas, ensinando nos povoados”. A experiência de rejeição levou Jesus a mudar sua prática. Ele se dirige aos outros povoados e, como veremos no evangelho de amanhã, ele envolve os discípulos na missão dando instruções de como devem dar continuidade à missão.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Jesus teve problemas com seus parentes e com a sua comunidade. Desde que você começou a viver melhor o evangelho, alguma coisa mudou no seu relacionamento com a sua família e seus parentes?
  2. Jesus não pôde fazer muitos milagres em Nazaré porque faltou a fé. E hoje, será que ele encontraria fé em nós, em mim?

 

5) Oração final

Feliz aquele cuja iniqüidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argúi de falta, e em cujo coração não há dolo. (Sl 31) 

 

Em 'ato simbólico', Júlio Lancellotti denuncia descaso do governo municipal com pessoas em situação de vulnerabilidade

Em 'ato simbólico', Julio Lancellotti denuncia descaso do governo municipal com pessoas em

 

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

Indignado com a colocação de pedras embaixo de um viaduto feita pela Prefeitura de São Paulo, a fim de afugentar pessoas em situação de vulneralibilidade de permanecerem no local, o padre Julio Lancellotti foi para o local na manhã desta terça-feira, 2, e com uma marreta tentou tirar os pedregulhos à força. "Quis mostrar nossa indignação participando diretamente da ação. Aquilo é um absurdo, uma aberração, é até ato de improbidade administrativa. Fomos para lá e agora a Prefeitura começou a remover, por causa de toda repercussão", disse ao Estadão.

O viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida fica na zona leste de São Paulo, no bairro do Tatuapé. A subprefeitura da Mooca, sob o comando de Guilherme Kopke Brito, promoveu as mudanças no local colocando pedras. "Isso eles dizem que é fato isolado; não é verdade. É política dessa subprefeitura da Mooca. Já tinham feito em outro na avenida Salim Farah Maluf", protesta Lancellotti, se referindo ao viaduto Antonio de Paiva Monteiro.

Com a repercussão negativa após a instalação das pedras, na manhã desta terça-feira a Prefeitura já havia mandado funcionários no local para desfazer o serviço. "Tinha duas escavadeiras, cinco caminhões, três técnicos e mais de 30 funcionários. Eu derrubei algumas pedras com a marreta, mas é muito difícil, pois é concreto", explicou o padre, que tem 72 anos e quis fazer esse "ato simbólico" para chamar atenção para o fato.

Logo que deixou o local, Lancellotti postou em suas redes sociais e em instantes muita gente aprovou a atitude do padre e se prontificou a ir para o local ajudar. Ele revela que tem cobrado diariamente a Secretaria Municipal das Subprefeituras e que, segundo ele, essa política de exclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade é algo constante. "Eles fazem mil estratagemas para tirar as pessoas, só maldades. Só não fazem o que precisa realmente ser feito, como aluguel social, por exemplo", desabafa.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo classificou o episódio como um caso isolado. "A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal das Subprefeituras, informa que a implantação de pedras sob viadutos foi uma decisão isolada, não faz parte da política de zeladoria da gestão municipal, tanto é que foi imediatamente determinada a remoção. A SMSUB instaurou uma sindicância para apurar os fatos, inclusive o valor, e um funcionário já foi exonerado do cargo", disse.

O comunicado ainda explica que "os viadutos Antônio de Paiva Monteiro e Dom Luciano Mendes de Almeida têm o monitoramento diário do SEAS Mooca, que intensifica a ação quando há pessoas em situação de vulnerabilidade no local com atendimentos de orientação à saúde, documentação, obtenção de benefícios dos programas de transferência de renda e encaminhamento para Centros de Acolhida", afirmou, reforçando que o aceite é voluntário.

 

Explicações

A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) enviou um ofício ao secretário Municipal de Subprefeituras, Alexandre Modonezi de Andrade, questionando quem é o responsável pela instalação das pedras e se há algum tipo de infração na medida, além de indagar o custo da instalação. Ela também perguntou quando as pedras serão totalmente retiradas. 

"As instalações das pedras com objetivo de evitar a presença de pessoas em situação de rua não encontram lastro na Lei nº 17.252, que consolida a Política Municipal para a População em Situação de Rua. Por isso, agradeço pela celeridade da Prefeitura em retirá-las e abrir uma sindicância para apurar o ocorrido", diz o ofício. 

 

População em situação de rua

Na capital paulista, o número de pessoas que vivem nas ruas saltou de 15 mil para 24 mil no período de 2015 a 2019, de acordo com o novo Censo da População em Situação de Rua realizado pela Prefeitura. Lideranças ligadas a essa população questionam a metodologia utilizada e dizem que o número pode ser maior. O aumento de 60% da população de rua está relacionado, segundo o levantamento, com a crise econômica, desemprego, conflitos familiares, questões relacionadas à moradia e o uso abusivo de álcool e drogas. Fonte: https://sao-paulo.estadao.com.br

CONGREGAÇÃO PARA A VIDA CONSAGRADA: CARTA A TODOS OS CONSAGRADOS

Congregação para a vida consagrada: carta a todos os consagrados

Do Vaticano, 18 de janeiro de 2021

 

A todos os homens e mulheres consagrados

Juntamo-nos a vós na véspera de um dia querido a todos nós, consagrados e consagrados, porque é dedicado à nossa maravilhosa vocação que faz brilhar de diversas formas o amor de Deus pelo homem, pela mulher e por todo o universo. No dia 2 de fevereiro, celebraremos o 25º Dia da Vida Consagrada. Na Basílica de São Pedro, às 17h30, o Papa Francisco presidirá a uma celebração eucarística, despojada dos sinais e dos rostos alegres que a iluminaram nos anos anteriores, mas sempre expressão daquela fecunda gratidão que caracteriza a nossa vida.

Com esta carta, queremos aliviar o distanciamento físico que a pandemia nos impôs por tantos meses e expressar nossa proximidade e aqueles que trabalham neste Dicastério a cada um de vocês e a cada comunidade individualmente. Há meses que acompanhamos as notícias que chegam das comunidades das diversas nações: falam de perplexidade, de infecções, de mortes, de dificuldades humanas e econômicas, de institutos que vão diminuindo, de medos ... mas também falam de fidelidade comprovada pelo sofrimento, pela coragem, pelo testemunho sereno mesmo na dor ou na incerteza, pela partilha de toda dor e de toda ferida, do cuidado e da proximidade com os menores, da caridade e do serviço à custa da própria vida (cf. Fratelli Tutti , cap. II).

Não podemos pronunciar todos os vossos nomes, mas sobre cada um de vós pedimos a bênção do Senhor para que passais do "eu" ao "nós", sabendo "que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários, todos chamados a remar juntos ”(Papa Francisco, Momento Extraordinário de Oração, sexta-feira , 27 de março de 2020). Sede os samaritanos destes dias, vencendo a tentação de se retirar e chorar sobre si mesmo, ou de fechar os olhos diante da dor, do sofrimento, da pobreza de tantos homens e mulheres, de tantos povos.

Na Encíclica Irmãos Todos, o Papa Francisco nos convida a atuar juntos, a reavivar em todos "uma aspiração mundial à fraternidade" (n. 8), a sonhar juntos ( n. 9) para que "diante dos diversos modos de vida atuais. eliminando ou ignorando os outros, podemos reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social ... ”( n. 6).

Consagrados e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, em institutos seculares e em novos institutos, membros do ordo virginum, eremitas, membros de sociedades de vida apostólica, pedimos a todos que coloquem esta Encíclica no centro de sua vida, formação e missão. Doravante não podemos ignorar esta verdade: somos todos irmãos e irmãs, porque oramos, talvez não com muita consciência, no Pai Nosso, porque «Sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estável para o apelo à fraternidade ”( n. 272)

Esta Encíclica, escrita num momento histórico que o próprio Papa Francisco definiu «a hora da verdade», é um dom precioso para todas as formas de vida consagrada que, sem esconder as muitas feridas da fraternidade, pode encontrar nela as raízes da profecia.

Estamos enfrentando um novo chamado do Espírito Santo. Como São João Paulo II, à luz da doutrina da Igreja-comunhão, ele exortou as pessoas consagradas a "serem verdadeiramente especialistas na comunhão e a praticar sua espiritualidade" ( Vita consecratan. 46), Papa Francisco, inspirado por São Francisco, fundador e inspirador de muitos institutos de vida consagrada, ele alarga o horizonte e nos convida a ser arquitetos da fraternidade universal, custódios da casa comum: da terra e de todas as criaturas (cf. Encíclica Laudato si ') . Irmãos e irmãs de todos, independentemente da fé, cultura e tradição de cada um, porque o futuro não é "monocromático" (FT n. 100) e o mundo é como um poliedro que deixa transparecer a sua beleza, precisamente através das suas diferentes faces.

Trata-se, portanto, de abrir processos para acompanhar, transformar e gerar; desenvolver projetos que promovam a cultura do encontro e do diálogo entre os diferentes povos e gerações; partindo da própria comunidade vocacional para depois chegar a todos os cantos da terra e a todas as criaturas, porque, nunca como neste tempo de pandemia, experimentamos que tudo está conectado, tudo está relacionado, tudo está conectado (cf. Encíclica Laudato si ' ) .

“Sonhamos como uma só humanidade, como viajantes feitos da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos acolhe a todos, cada um com a riqueza da sua fé ou convicções, cada um com a sua voz, todos irmãos!” (FT  8). Então, no horizonte deste sonho que se entrega às nossas mãos, à nossa paixão, à nossa perseverança, o próximo dia 2 de fevereiro será também uma bela festa este ano para louvar e agradecer ao Senhor pelo dom da nossa vocação e missão. .!

A Maria, nossa Mãe, Mãe da Igreja, mulher fiel e a São José, seu esposo, neste ano que lhe é dedicado, confiamos a cada uma de vós. Que em vós se fortaleça uma fé viva e amorosa, uma esperança certa e alegre, uma caridade humilde e laboriosa.

Do Pai e do Filho e do Espírito Santo, nosso Deus misericordioso, imploramos a bênção sobre cada um de vocês.

João Braz Card. De Aviz  Prefeito

José Rodríguez Carballo, Arcebispo Secretário OFM 

Fonte: http://www.internationalunionsuperiorsgeneral.org

OLHAR DE FÉ... Por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. Gravação: Praia do Bonfim, Angra dos Reis/RJ. Sábado, 30 de janeiro-2021

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 4, 26-34)

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: "O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.

28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou".

30E Jesus continuou: "Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra'.

33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

É bonito ver como Jesus, cada vez de novo, buscava na vida e nos acontecimentos elementos e imagens que pudessem ajudar o povo a perceber e experimentar a presença do Reino. No evangelho de hoje ele, novamente, conta duas pequenas histórias que acontecem todos os dias na vida de todos nós: “A história da semente que cresce sozinha” e “A história da pequena semente de mostarda que cresce e se torna grande”.

A história da semente que cresce sozinha. O agricultor que planta conhece o processo: semente, fiozinho verde, folha, espiga, grão. Ele não mete a foice antes do tempo. Sabe esperar. Mas não sabe como a terra, a chuva, o sol e a semente têm esta força de fazer crescer uma planta do nada até a fruta. Assim é o Reino de Deus. Tem processo, tem etapas e prazos, tem crescimento. Vai acontecendo. Produz fruto no tempo marcado. Mas ninguém sabe explicar a sua força misteriosa. Ninguém é dono. Só Deus!

A história da pequena semente de mostarda que cresce e se torna grande. A semente de mostarda é pequena, mas ela cresce e, no fim, os passarinhos vêm para fazer seu ninho nos ramos. Assim é o Reino. Começa bem pequeno, cresce e estende seus ramos para os passarinhos fazerem seus ninhos. Começou com Jesus e uns poucos discípulos e discípulas. Foi perseguido e caluniado, preso e crucificado. Mas cresceu e foi estendendo seus ramos. A parábola deixa uma pergunta no ar que vai ter resposta mais adiante no evangelho: Quem são os passarinhos? O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar na comunidade e ter parte no Reino.

O motivo que levava Jesus a ensinar por meio de parábolas. Jesus contava muitas parábolas. Tudo tirado da vida do povo! Assim ele ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no quotidiano. Tornava o quotidiano transparente. Pois o extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. O povo entendia da vida. Nas parábolas recebia a chave para abri-la e encontrar dentro dela os sinais de Deus.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Jesus não explica as parábolas. Ele conta as histórias e provoca em nós a imaginação e a reflexão da descoberta. O que você descobriu nestas duas parábolas?

2) Tornar a vida transparente é o objetivo das parábolas. Ao longo dos anos, sua vida ficou mais transparente ou aconteceu o contrário?

 

5) Oração final

Deus, tem piedade de mim, conforme a tua misericórdia; no teu grande amor cancela o meu pecado. Lava-me de toda a minha culpa, e purifica-me de meu pecado. (Sal 50, 3-4)

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

 

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 4, 21-25)

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21"Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça". 24Jesus dizia ainda: "Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem".

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

A lâmpada que ilumina. Naquele tempo, não havia luz elétrica. Imagine o seguinte. A família está em casa. Começa a escurecer. O pai levanta, pega a lamparina, acende e coloca debaixo de um caixote ou debaixo de uma cama. O que os outros vão dizer? Vão gritar: “Pai! Coloca na mesa!” Esta é a história que Jesus conta. Ele não explica. Apenas diz: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! A Palavra de Deus é a lâmpada a ser acesa na escuridão da noite. Enquanto estiver dentro do livro fechado da Bíblia, ela é como a lamparina debaixo do caixote. Quando ligada à vida e vivida em comunidade, ela é colocada na mesa e ilumina!

Prestar atenção aos preconceitos. Jesus pede aos discípulos para tomar consciência dos preconceitos com que escutam o ensinamento que ele oferece. Devemos prestar atenção nas ideias com que olhamos para Jesus! Se a cor dos óculos é verde, tudo aparece verde. Se for azul, tudo será azul! Se a ideia com que eu olho para Jesus for errada, tudo o que penso sobre Jesus estará ameaçado de erro. Se eu acho que o messias deve ser um rei glorioso, não vou entender nada do que Jesus ensina e vou entender tudo errado.

Parábolas: um novo jeito de ensinar e de falar sobre Deus.  O jeito de Jesus ensinar era, sobretudo, através de parábolas. Ele tinha uma capacidade muito grande de encontrar imagens bem simples para comparar as coisas de Deus com as coisas da vida que o povo conhecia e experimentava na sua luta diária pela sobrevivência. Isto supõe duas coisas: estar por dentro das coisas da vida, e estar por dentro das coisas do Reino de Deus.

O ensino de Jesus era diferente do ensino dos escribas. Era uma Boa Nova para os pobres, porque Jesus revelava um novo rosto de Deus, no qual o povo se re-conhecia  e se alegrava. “Pai, eu te agradeço, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado! (Mt 11,25-28)”.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Palavra de Deus, lâmpada que ilumina. Qual o lugar que a Bíblia ocupa em minha vida? Qual a luz que dela recebo?

2) Qual a imagem de Jesus que está em mim? Quem é Jesus para mim, e quem sou eu para Jesus?

 

5) Oração final

Busquei o SENHOR e ele respondeu-me e de todo temor me livrou. Olhai para ele e ficareis radiantes, vossas faces não ficarão envergonhadas. (Sal 33, 5-6)

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Marcos 4,1-20)

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.

2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3"Escutai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.

8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9E Jesus dizia: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". 10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11Jesus lhes disse: "A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados".

13E lhes disse: "Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a Palavra. 15Os que estão na beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.

18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um."

- Palavra da Salvação.

 

3) Reflexão

Sentado num barco, Jesus ensina o povo. Nestes versos, Marcos descreve o jeito que Jesus tinha de ensinar o povo: na praia, sentado no barco, muita gente ao redor para escutar. Jesus não era uma pessoa estudada (Jo 7,15). Não tinha freqüentado a escola superior de Jerusalém. Vinha do interior, da roça, de Nazaré. Era um desconhecido, meio camponês, meio artesão. Sem pedir licença às autoridades, começou a ensinar o povo. Falava tudo diferente. O povo gostava de ouvi-lo.

Por meio das parábolas, Jesus ajudava o povo a perceber a presença misteriosa do Reino nas coisas da vida. Uma parábola é uma comparação. Ela usa as coisas conhecidas e visíveis da vida para explicar as coisas invisíveis e desconhecidas do Reino de Deus. Por exemplo, o povo da Galileia entendia de semente, de terreno, chuva, sol, sal, flores, colheita, pescaria, etc. Ora, são exatamente estas coisas conhecidas do povo que Jesus usa nas parábolas para explicar o mistério do Reino.

A parábola da semente retrata a vida do camponês. Naquele tempo, não era fácil viver da agricultura. O terreno tinha muita pedra. Muito mato. Pouca chuva, muito sol. Além disso, muitas vezes, o povo encurtava estrada e, passando no meio do campo, pisava nas plantas (Mc 2,23). Mesmo assim, apesar de tudo isso, todo ano, o agricultor semeava e plantava, confiando na força da semente, na generosidade da natureza.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! Jesus começou a parábola dizendo: “Escutem!” (Mc 4,3). Agora, no fim, ele termina dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O caminho para chegar ao entendimento da parábola é a busca: “Tratem de entender!” A parábola não entrega tudo pronto, mas leva a pensar e faz descobrir a partir da própria experiência que os ouvintes têm da semente. Provoca a criatividade e a participação. Não é uma doutrina que já vem pronta para ser ensinada e decorada. A Parábola não dá água engarrafada, mas entrega a fonte. O agricultor que escutou, diz: “Semente no terreno, eu sei o que é! Mas Jesus diz que isso tem a ver com o Reino de Deus. O que seria?” E aí você pode imaginar as longas conversas do povo! A parábola mexe com o povo e leva a escutar a natureza e a pensar na vida.

Jesus explica a parábola aos discípulos. Em casa, a sós com Jesus, os discípulos querem saber o significado da parábola. Eles não entenderam. Jesus estranhou a ignorância deles (Mc 4,13) e respondeu por meio de uma frase difícil e misteriosa. Ele diz aos discípulos: “A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus. Aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas, para que vendo não vejam, ouvindo não ouçam e para que não se convertam e não sejam salvos!”. Esta frase faz a gente se perguntar: Afinal, a parábola serve para que? Para esclarecer ou para esconder? Será que Jesus usa parábolas, para que o povo continue na ignorância e não chegue a se converter? Certamente que não! Pois em outro lugar Marcos diz que Jesus usava parábolas “conforme a capacidade dos ouvintes” (Mc 4,33)

Parábola revela e esconde ao mesmo tempo! Revela para “os de dentro”, que aceitam Jesus como Messias Servidor. Esconde para os que insistem em ver nele o Messias, Rei grandioso. Estes entendem as imagens da parábola, mas não chegam a entender o seu significado.

A explicação da parábola, parte por parte. Uma por uma, Jesus explica as partes da parábola, desde a semente e o terreno até a colheita. Alguns estudiosos acham que esta explicação foi acrescentada depois. Ela seria de alguma comunidade. É bem possível. Pois dentro do botão da parábola está a flor da explicação. Botão e flor, ambos têm a mesma origem que é Jesus. Por isso, nós também podemos continuar a reflexão e descobrir outras coisas bonitas dentro da parábola. Certa vez, alguém perguntou numa comunidade: “Jesus falou que devemos ser sal. Para que serve o sal?” Discutiram e, no fim, encontraram mais de dez finalidades diferentes para o sal! Aí foram aplicar tudo isto à vida da comunidade e descobriram que ser sal é difícil e exigente. A parábola funcionou! O mesmo vale para a semente. Todo mundo tem alguma experiência de semente.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Qual a experiência que você tem de semente? Como ela te ajuda a entender melhor a Boa Nova

2) Que terreno eu sou?

 

5) Oração final

Busquei o SENHOR e ele respondeu-me e de todo temor me livrou. Olhai para ele e ficareis radiantes, vossas faces não ficarão envergonhadas. (Sal 33, 5-6)

 

São Timóteo nasceu em Listra. A sua mãe era hebreia e o seu pai era grego. Colaborou intimamente com S. Paulo na evangelização, mantendo por ele um afeto filial. O Apóstolo colocou-o à frente da Igreja de Éfeso.

São Tito, que parece vir do paganismo, tornou-se um cristão de fé sólida e um evangelizador ativo e fervoroso. Na carta que lhe é dirigida, aparece-nos como responsável pela Igreja de Creta.

 

Evangelho: Lucas 10, 1-9

A obra de Jesus está internamente aberta e realiza-se através dos discípulos. Os Doze continuam a ser o fundamento de toda a missão da Igreja. Mas, juntamente com eles, e depois deles, Jesus escolheu muitos outros. A messe é grande e os trabalhadores acabam sempre por ser poucos. O nosso texto alude a setenta e dois, número de plenitude e sinal de todos os missionários posteriores que anunciam a mensagem do reino na nossa Igreja. Através desses discípulos, a missão de Jesus alcança todas as fronteiras da história, chegando à sua plenitude na grande meta da ceifa escatológica.

 

Meditação

"Recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti" (v. 6). Para nós, esse dom é a vocação cristã, primeiro anel de uma corrente de dons que Deus tem para nos dar. Podemos meditar nesse dom na perspectiva da fraternidade, sublinhando dois aspectos: a simplicidade fraterna e a fidelidade fraterna. Quanto à simplicidade fraterna, não havemos de nos julgar mais do que os outros, alimentar ambições, ser presumidos. Pelo contrário, há que fazer-nos pequenos com os outros, irmãos entre os irmãos: "Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo" (Mc 10, 43). A fraternidade cristã apoia-se numa igualdade fundamental: diante de Deus, todos somos iguais; diante dos outros, todos somos carenciados. Por isso, ninguém pode pretender ser mais do que os outros. O nosso modelo é Jesus, que se fez nosso irmão. Poderia fazer sentir o seu poder, a sua autoridade; mas preferiu estar no meio de nós como quem serve! "Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve." (Lc 22, 27).

A fraternidade, a simplicidade fraterna manifesta-se também como afeto fraterno. Os sentimentos recíprocos entre Paulo e Timóteo manifestam essa igualdade de afeto solidário, e não meramente jurídica: "Ao lembrar-me das tuas lágrimas, anseio ver-te, para completar a minha alegria" (v. 4). Timóteo tinha chorado quando Paulo partiu. Paulo deseja estar com os irmãos que se amam. Por vezes chama a Timóteo "irmão", mas aqui chama-o "filho querido", porque o gerou para a graça de Cristo pela pregação e pelo Batismo.
A fraternidade inclui outro aspeto ainda mais realista e exigente: a fidelidade fraterna. Trata-se da solidariedade uns para com os outros, especialmente em momentos de crise e de sofrimento: "Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações," (Lc 22, 28), diz Jesus aos seus discípulos. É isto que faz perdurar e crescer a fraternidade. Irmão é aquele que ajuda o seu irmão. Jesus fez-se nosso irmão para nos ajudar e ajudou, mesmo à custa de muito sofrimento. Ao fazer-se nosso irmão, também quis precisar da nossa ajuda e ser ajudado por nós. Por isso, congratula-se com os apóstolos que permaneceram junto d´Ele nas suas tribulações.

Paulo pede a Timóteo que ponha em prática, na solidariedade fraterna, essa fidelidade: "Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado na força de Deus." (v. 8).
Havemos de sentir esta solidariedade, de modo particular, para com aqueles que têm maiores responsabilidades na Igreja. Se Jesus se fez nosso irmão, é porque quis ensinar-nos a viver esse espírito de fraternidade, sem o não é possível caminhar no amor.

*Leia a reflexão na íntegra. Clique ao lado no link- EVANGLEHO DO DIA.

 

Pastor foi assassinado na porta de casa em Itueta — Foto: Redes Sicuaus

 

Religioso morava ao lado da igreja e foi para casa após o culto, logo depois um homem chamou pelo pastor, que foi atingido por disparos ao sair no portão. Crime será investigado.

 

Por G1 Vales de Minas Gerais

Um pastor evangélico de 40 anos foi assassinado na porta de casa na noite deste domingo (24) em Itueta (MG). Segundo a Polícia Militar, Christian André Souza foi atingido por seis disparos pouco depois de um culto.

Ainda de acordo com a PM, o pastor morava ao lado da igreja e foi para casa junto à família após a celebração. Em seguida apareceu um homem perguntando se o pastor estava. Quando o religioso foi até o portão, o homem atirou nele e fugiu de moto.

Testemunhas contaram que, durante a pregação, o pastor afirmou que o ano anterior havia sido muito difícil e que ele tinha sido ameaçado.

A PM também recebeu informações de que o pastor teve uma discussão com um inquilino de um apartamento na região metropolitana de Belo Horizonte.

Além disso, Christian foi testemunha contra um homem suspeito de ter abusado sexualmente de uma filha. Esse homem foi preso e desapareceu depois de ser solto, sendo que os parentes dele chegaram a culpar o pastor pelo desaparecimento.

Todas as informações levantadas serão apuradas pela Polícia Civil para descobrir a autoria e motivação do crime. Fonte: https://g1.globo.com

 

Saulo, cidadão romano por privilégio da sua cidade natal, Tarso, era um judeu convicto, formado na escola de Gamaliel, em Jerusalém. Opôs-se decididamente à nova fé que começava a propagar-se na Palestina e arredores. Clamou pela morte de Estêvão, e tomou parte nela, guardando as capas dos que apedrejavam o protomártir. Perseguiu violentamente os crentes em Jesus Cristo. O seu nome causava terror nas comunidades cristãs.

Ao dirigir-se para Damasco para prender os cristãos que lá encontrasse e conduzi-los a Jerusalém, encontrou Jesus ressuscitado. Esse encontro mudou-lhe para sempre a vida, com a sua forma de crer e de pensar. Jesus ressuscitado, que ele perseguia, tornou-se o centro da sua espiritualidade e da sua teologia. Em Antioquia, Saulo faz a sua primeira experiência de vida cristã.

Tornado apóstolo do Evangelho, com o nome de Paulo, Antioquia será também o ponto de partida para as suas viagens missionárias. Funda diversas comunidades na Ásia e na Europa. Escreve-lhes cartas que testemunham o seu amor a Jesus Cristo e à Igreja, e nos dão elementos importantes da sua teologia.

Como apóstolo verdadeiro e autêntico, Paulo tem sempre o cuidado de voltar a Jerusalém para se confrontar com os outros apóstolos e não correr em vão.

Há muitos séculos que a festa da conversão de S. Paulo foi fixada no dia 25 de Janeiro, talvez por causa da data da transladação do seu corpo, que atualmente repousa na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

 

Evangelho: Marcos 16, 15-18

 

Meditação

Em São Paulo, revela-se verdadeiramente o poder de Deus. Inimigo acérrimo do nome de Cristo, Saulo encontra-se com o Senhor no caminho de Damasco, acolhe-o na fé e torna-se seu Apóstolo entusiasta, com uma fecundidade extraordinária, que ainda não terminou. O seu itinerário de fé é símbolo do nosso.

Acreditar implica, antes de mais, encontrar pessoalmente Jesus de Nazaré, Deus feito homem. O cristão não se acredita numa doutrina, num sistema, mas numa pessoa, a pessoa humano-divina de Jesus. Ter fé é aderir vitalmente a Jesus, de tal modo que já não se pode viver sem Ele.

Realizado o encontro, passa-se ao diálogo, uma vez que a fé é encontro e adesão entre pessoas inteligentes e livres. A quem se dispõe ao diálogo, Deus revela a Si mesmo, revela a sua vontade e os seus projetos. Este diálogo vital leva aqueles que o realizam a uma forma de vida cada vez mais elevada.

Mas a fé cristã também é obediência, submissão, abandono total da criatura ao Criador. Obedecer não significa abdicar da própria liberdade ou dos próprios direitos. Significa, sim, perceber a imensa distância que existe entre si o interlocutor e, ao mesmo tempo, intuir que a adesão à vontade divina leva à total satisfação e realização de si mesmo.
Finalmente, a fé cristã é também missão. Não se pode privatizar um bem que, por sua natureza, é comunitário. Quem recebeu de Cristo o dom da salvação em Cristo, sente-se intimamente obrigado a fazer dele um dom para os outros.

O Apóstolo Paulo é nosso guia em tempos de aprofundamento espiritual e de renovação apostólica. Como ele, o apóstolo dos tempos novos deve procurar, em primeiro lugar, a inteligência do Mistério de Cristo num apego inquebrantável ao seu Amor (cf. Ef 3, 4; Rm 8, 35; Fl 3, 8-10). É apóstolo, em primeiro lugar, pelo testemunho da visão de Cristo (At 26, 1) e tornando-se no Espírito imagem viva do Salvador morto e ressuscitado. É a caridade do Senhor que vive nele e que o impele em direção aos homens para lhes anunciar o Evangelho de Deus, o Evangelho que todos podem ler na sua vida e nos seus escritos. Ensina-nos o serviço ardente e inteligente em favor do Reino.

Vivendo de Cristo, a ponto de ser identificado com Ele pela graça (Gl 2, 20), lembra-nos que o serviço apostólico enraíza numa verdadeira consagração a Deus e dá à nossa oblação capacidade para se manifestar e aprofundar no trabalho generoso para que a humanidade se torne «uma oblação agradável santificada pelo Espírito Santo (XV Capítulo Geral, DOC VII, n. 167).

*Leia a reflexão na íntegra. Clique no link ao lado- Evangelho do Dia.

 

O Domingo da Palavra de Deus, desejado pelo Papa Francisco todos os anos no Terceiro Domingo do Tempo Comum[1], recorda a todos, Pastores e fiéis, a importância e o valor da Sagrada Escritura para a vida cristã, bem como a relação entre a Palavra de Deus e a liturgia: «Como cristãos, somos um só povo que caminha na história, fortalecido pela presença no meio de nós do Senhor que nos fala e alimenta. O dia dedicado à Bíblia pretende ser, não “uma vez no ano”, mas uma vez por todo o ano, porque temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes. Para tal, precisamos de entrar em confidência assídua com a Sagrada Escritura; caso contrário, o coração fica frio e os olhos permanecem fechados, atingidos, como somos, por inumeráveis formas de cegueira»[2].

Portanto, este domingo constitui uma boa ocasião para reler alguns documentos eclesiais[3] e especialmente os Praenotanda do Ordo Lectionum Missae , que apresentam uma síntese dos princípios teológicos, celebrativos e pastorais relativos à Palavra de Deus proclamada na Missa, mas que também são válidos em todas as celebrações litúrgicas (Sacramentos, Sacramentais, Liturgia das Horas).

  1. Através das leituras bíblicas proclamadas na liturgia, Deus fala ao seu povo e o próprio Cristo proclama o seu Evangelho[4]; Cristo é o centro e a plenitude de toda a Escritura, do Antigo e do Novo Testamento[5].5 Ouvir o Evangelho, o ponto alto da Liturgia da Palavra[6], é caracterizado por uma veneração particular[7], expressa não só por gestos e aclamações, mas também pelo próprio livro dos Evangelhos[8]. Uma das modalidades rituais adequadas para este domingo poderia ser a procissão de entrada com o Evangeliário[9]ou, na sua ausência, a sua colocação sobre o altar[10].
  2. A ordem das leituras bíblicas organizadas pela Igreja no Lecionário abre o caminho para o conhecimento de toda a Palavra de Deus[11]. Portanto é necessário respeitar as leituras indicadas, sem as substituir ou suprimir, e utilizando versões da Bíblia aprovadas para uso litúrgico[12]. A proclamação dos textos do Lecionário constitui um vínculo de unidade entre todos os fiéis que os ouvem. Uma compreensão da estrutura e da finalidade da Liturgia da Palavra ajuda a assembleia dos fiéis a receber de Deus a palavra que salva[13].
  3. O canto do Salmo Responsorial, a resposta da Igreja orante, é recomendado[14]; por conseguinte, o serviço do salmista em cada comunidade deve ser aumentado[15].
  4. Na homilia, os mistérios da fé e as normas da vida cristã são expostos ao longo do ano litúrgico, começando com as leituras bíblicas[16]. «Primariamente os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura. Uma vez que é o livro do povo, todos os que têm a vocação de ser ministros da Palavra devem sentir fortemente a exigência de a tornar acessível à sua comunidade»[17]. Os Bispos, os sacerdotes e os diáconos devem sentir o compromisso de realizar este ministério com especial dedicação, valorizando os meios propostos pela Igreja[18].
  5. De particular importância é o silêncio que, ao promover a meditação, permite que a palavra de Deus seja recebida interiormente por aqueles que a ouvem[19].
  6. A Igreja sempre mostrou particular atenção àqueles que proclamam a palavra de Deus na assembleia: sacerdotes, diáconos e leitores. Este ministério requer uma preparação específica interior e exterior, familiaridade com o texto a proclamar e a prática necessária na forma de o proclamar, evitando qualquer improvisação[20]. É possível pré-configurar as leituras com monições breves e apropriadas[21].
  7. Devido ao valor da Palavra de Deus, a Igreja convida-nos a cuidar do ambão do qual ela é proclamada[22]; não é um móvel funcional, mas sim o lugar apropriado à dignidade da Palavra de Deus, em correspondência com o altar: de facto, falamos da mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo, em referência tanto ao ambão como, especialmente, ao altar[23]. O ambão é reservado para as leituras, o canto do Salmo Responsorial e do precónio pascal;  a homilia e as intenções da oração universal podem dele ser proferidas, enquanto que é menos apropriado ter acesso a ele para comentários, anúncios, e a direção do canto[24].
  8. Os livros que contêm excertos da Sagrada Escritura despertam em quem os ouve uma veneração pelo mistério de Deus falando ao seu povo[25]. Por esta razão, deve-se ter o cuidado de garantir o seu valor material e a sua correta utilização. É inadequado recorrer a folhetos, fotocópias e subsídios como substitutos dos livros litúrgicos[26].
  9. Na proximidade ou nos dias sucessivos ao Domingo da Palavra de Deus é conveniente promover encontros formativos para realçar o valor da Sagrada Escritura nas celebrações litúrgicas; pode ser uma oportunidade para aprender mais sobre como a Igreja em oração lê a Sagrada Escritura, com leitura contínua, descontínua e tipológica; quais são os critérios para a distribuição litúrgica dos vários livros bíblicos ao longo do ano e nos seus tempos, a estrutura dos ciclos dominicais e dos dias da semana das leituras da Missa[27].
  10. O Domingo da Palavra de Deus é também uma ocasião propícia para aprofundar a ligação entre a Sagrada Escritura e a Liturgia das Horas, a oração dos Salmos e Cânticos do Ofício, as leituras bíblicas, promovendo a celebração comunitária de Ladainhas e Vésperas[28].

Entre os muitos Santos e Santas, todos testemunhas do Evangelho de Jesus Cristo, São Jerónimo pode ser proposto como exemplo, devido ao grande amor que tinha pela Palavra de Deus. Como o Papa Francisco recordou recentemente, foi «incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura […] Colocando-se à escuta da Sagrada Escritura, Jerónimo encontra-se a si mesmo, encontra o rosto de Deus e o dos irmãos, e apura a sua predileção pela vida comunitária[29].

Esta Nota pretende contribuir para despertar, à luz do Domingo da Palavra de Deus, uma consciência da importância da Sagrada Escritura para a nossa vida de crentes, a começar pela sua ressonância na liturgia que nos coloca em diálogo vivo e permanente com Deus. «A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária»[30].

Da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos,  17 de dezembro de 2020.

Robert Cardinal Sarah
Prefeito

+Arthur Roche
Arcebispo Secretário

 

[1]. Cf. Francisco, Carta Apostólica sob forma de Motu proprio Aperuit illis, 30 de setembro de 2019.

[2] Francisco, Aperuit illis , n. 8; concílio Vaticano II, Constituição Dei Verbum, n. 25:  «É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legitimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne “pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro”, tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam “a sublime ciência de Jesus Cristo” (Fl  3, 8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo».

[3] Concílio Vaticano II, Constituição Dei Verbum ; Bento XVI, Exortação Apostólica Verbum Domini.

[4] Cf. Sacrosanctum Concilium, nn. 7, 33; Institutio generalis Missalis Romani  (IGMR), n. 29; Ordo lectionum Missae  (OLM), n. 12.

[5] Cf. OLM, n. 5.

[6] Cf. IGMR, n. 60; OLM, n. 13.

[7] Cf. OLM, n. 17; Caeremoniale Episcoporum , n. 74.

[8] Cf. OLM, nn. 36, 113.

[9] Cf. IGMR, nn. 120, 133.

[10] Cf. IGMR, n. 117.

[11] Cf. IGMR, n. 57; OLM, n. 60.

[12] Cf. OLM, nn. 12, 14, 37, 111.

[13] Cf. OLM, n. 45.

[14] Cf. IGMR, n. 61; OLM, nn. 19-20.

[15] Cf. OLM, n. 56.

[16] OLM, n. 24; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Diretório Homilético , n. 16.

[17] Francisco, Aperuit illis , n. 5; Diretório Homilético , n. 26.

[18] Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium , nn. 135-144; Diretório Homilético .

[19] Cf. IGMR, n. 56; OLM, n. 28.

[20] Cf. OLM, nn. 14, 49.

[21] Cf. OLM, nn. 14, 49.

[22] Cf. IGMR, n. 309; OLM, n. 16.

[23] Cf. OLM, n. 32.

[24] Cf. OLM, n. 33.

[25] Cf. OLM, n. 35; Caeremoniale Episcoporum , n. 115. 

[26]   Cf. OLM, n. 37.

[27] Cf. OLM, nn. 58-110; Diretório Homilético , nn. 37-156.

[28] Institutio generalis de Liturgia Horarum , n. 140: «A leitura da Sagrada Escritura, que por tradição antiga é feita publicamente não só na celebração da Eucaristia, mas também no Ofício Divino, deve ser realizada com a maior estima por todos os cristãos, porque é proposta pela própria Igreja, não por escolha de indivíduos ou de acordo com a disposição mais favorável do seu ânimo, mas em ordem ao mistério que a Esposa de Cristo desempenha através do ciclo anual [...]. Além disso, na celebração litúrgica, a leitura da Sagrada Escritura é sempre acompanhada pela oração».

[29] Francisco, Carta Apostólica Scripturae sacrae affectus, no XVI centenário da morte de São Jerónimo, 30 de setembro de 2020.

[30] Cf. Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 174.

Fonte: http://www.vatican.va

 

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publica uma Nota com indicações para a celebração do Domingo da Palavra de Deus: "Através das leituras bíblicas proclamadas na liturgia, Deus fala a seu povo e o próprio Cristo proclama seu Evangelho"

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou uma nota sobre o “Domingo da Palavra de Deus”, que o Papa Francisco instituiu em 30 de setembro do ano passado com a Carta apostólica, em forma de Motu proprio "Aperuit illis", para recordar alguns "princípios teológicos, celebrativos e pastorais acerca da Palavra de Deus proclamada na Missa”.

O Santo Padre proclamou o III Domingo do Tempo Comum como dia dedicado à celebração, reflexão e propagação da Palavra. O documento, elaborado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, assinado na quinta-feira (17/12) pelo prefeito do Dicastério, cardeal Robert Sarah, quer contribuir para despertar a consciência sobre a importância da Sagrada Escritura para a vida dos fiéis, sobretudo na Liturgia, “que leva ao diálogo vivo e permanente com Deus”.

Na nota destaca-se ainda que o “Domingo da Palavra de Deus” é “uma boa oportunidade para reler alguns documentos eclesiais”, de modo especial, a Praenotanda do Ordo Lectionum Missae, dividido em dez pontos, com muitas orientações para a celebração.

 

Não substituir as Leituras

Ao ressaltar que, “por meio das leituras bíblicas, proclamadas na Liturgia, Deus fala a seu povo e o próprio Cristo anuncia o seu Evangelho”, o Dicastério indica que “uma das modalidades rituais próprias para este domingo (...) é a procissão de entrada com o Evangelho ou, na impossibilidade, a sua colocação sobre o altar”.

Desta forma, a nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos esclarece também que as leituras bíblicas, dispostas pela Igreja no Lecionário, não devem ser substituídas ou suprimidas e, sim, utilizadas as versões da Bíblia, aprovadas para uso litúrgico.

Por isso - lê-se no documento -, “a proclamação dos textos do Lecionário constitui um vínculo de unidade entre todos os fiéis que os escutam” e se recomenda também o canto do Salmo responsorial.

A respeito da homilia, os Bispos, presbíteros e diáconos são convidados a "explicar e permitir que todos compreendam a Sagrada Escritura, tornando-a acessível à própria comunidade", desempenhando seu ministério "com especial dedicação, aproveitando dos meios propostos pela Igreja". A seguir, destaca-se a importância do silêncio na celebração litúrgica, porque, “ao favorecer a meditação, permite que a Palavra de Deus seja acolhida interiormente por quem a escuta”.

 

Cuidado para com o ambão

Em relação aos que proclamam a Palavra de Deus na assembleia - sacerdotes, diáconos e leitores -, a nota explica que se requer “preparação interior e exterior específica, familiaridade com o texto a ser proclamado e prática necessária no modo de proclamá-lo”.

O Dicastério insiste ainda a ter cuidado com o ambão, do qual se proclama a Palavra de Deus, se pronuncia "a homilia e as intenções da oração universal, mas não deve ser usado para fazer comentários, avisos, dirigir cantos"; insiste para que seja dado o devido valor ao material necessário e ao bom uso dos “livros que contêm as passagens da Sagrada Escritura”, definindo “inadequado o uso de folhetos, fotocópias, subsídios para substituir os livros litúrgicos”.

Desta forma, para que a Sagrada Escritura e seu valor nas celebrações litúrgicas sejam mais conhecidos, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos convida a promover encontros formativos, antes ou depois do Domingo da Palavra de Deus, para, por exemplo, ilustrar mais detalhadamente “os critérios de distribuição litúrgica dos vários livros bíblicos, no decorrer do ano e em seus respectivos tempos, a estrutura dos ciclos dominicais e semanais das leituras da Missa”.

Enfim, a nota do Dicastério identifica o Domingo da Palavra de Deus, onde se favorece a celebração comunitária das Laudes e das Vésperas, como uma “ocasião propícia para aprofundar o nexo entre a Sagrada Escritura e a Liturgia das Horas, a oração dos Salmos e Cânticos do Ofício com as leituras bíblicas”.

 

São Jerônimo, exemplo a ser seguido

A nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos conclui sugerindo que “São Jerônimo seja proposto como exemplo pelo seu grande amor que nutria pela Palavra de Deus”. De fato, na Carta Apostólica “Scripturae sacrae afetus”, escrita no último dia 30 de setembro, por ocasião do XVI centenário da morte de São Jerônimo, o Papa Francisco recordou que “ele foi um incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura". Ao meditá-la, encontrou a si mesmo, o rosto de Deus e dos seus irmãos, aprimorando sua predileção pela vida comunitária. Fonte: https://www.vaticannews.va

O SANTO DO DIA: Hoje, Santa Inês. O Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, direto do Carmo de Angra dos Reis/RJ, fala sobre a Santa do Dia.   NOTA: Seu nome em latim é “Agnes”, associado a “agnus”, que significa cordeiro. Segundo a história mais conhecida, Santa Inês era uma jovem formosa, rica e pretendida por muitos nobres romanos. Não aceitou nenhum, expondo que já estava comprometida com Cristo. Então, acusaram-na de ser cristã.

Foi levada a um prostíbulo, mas anjos e sinais celestes a protegeram. Então, puseram-na em uma fogueira que não a queimou. Finalmente, foi decapitada no ano 304. Constantina, a filha do imperador Constantino, edificou uma basílica dedicada a ela na Via Nomentana e sua festa começou a ser celebrada em meados do século IV. Fonte:  https://www.acidigital.com Angra, 21 de janeiro-2020.