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1) Oração
Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 7,11-17)
11No dia seguinte dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.12Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.13Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! 14E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te.15Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.16Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo.17A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
3) Reflexão Lucas 7,11-17
O evangelho de hoje traz o episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim. É esclarecedor o contexto literário deste episódio no capítulo 7 do Evangelho de Lucas. O evangelista quer mostrar como Jesus vai abrindo o caminho, revelando a novidade de Deus que avança através do anúncio da Boa Nova. A transformação e a abertura vão acontecendo: Jesus acolhe o pedido de um estrangeiro não judeu (Lc 7,1-10) e ressuscita o filho de uma viúva (Lc 7,11-17). A maneira como Jesus revela o Reino surpreende aos irmãos judeus que não estavam acostumados com tão grande abertura. Até João Batista ficou perdido e mandou perguntar: “É o senhor ou devemos esperar por outro?” (Lc 7,18-30). Jesus chegou a denunciar a incoerência dos seus patrícios: "Vocês parecem crianças que não sabem o que querem!" (Lc 7,31-35). E no fim, a abertura de Jesus para com as mulheres (Lc 7,36-50).
Lucas 7,11-12: O encontro das duas procissões
“Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Com ele iam os discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto para enterrar; era filho único, e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade ia com ela”. Lucas é como um pintor. Com poucas palavras consegue pintar o quadro tão bonito do encontro das duas procissões: a procissão da morte que sai da cidade e acompanha a viúva que leva seu filho único para o cemitério; a procissão da vida que entra na cidade e acompanha Jesus. As duas se encontram na pequena praça junto à porta da cidade de Naim.
Lucas 7,13: A compaixão entra em ação
“Ao vê-la, o Senhor teve compaixão dela, e lhe disse: Não chore!" É a compaixão que leva Jesus a falar e a agir. Compaixão significa literalmente “sofrer com”, assumir a dor da outra pessoa, identificar-se com ela, sentir com ela a dor. É a compaixão que aciona em Jesus o poder, o poder da vida sobre a morte, poder criador.
Lucas 7,14-15: "Jovem, eu lhe ordeno, levante-se!"
Jesus se aproxima, toca no caixão e diz: "Jovem, eu lhe ordeno, levante-se!" O morto sentou-se, e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe”. Às vezes, na hora de um grande sofrimento provocado pelo falecimento de uma pessoa querida, as pessoas dizem: “Naquele tempo, quando Jesus andava pela terra havia esperança de não perder uma pessoa querida, pois Jesus poderia ressuscitá-la”. Elas olham o episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim como um evento do passado que apenas suscita saudade e uma certa inveja. A intenção do evangelho, porém, não é suscitar saudade nem inveja, mas sim ajudar-nos a experimentar melhor a presença viva de Jesus em nós. É o mesmo Jesus, capaz de vencer a morte e a dor da morte, que continua vivo no meio de nós. Ele está hoje conosco e, diante dos problemas e do sofrimento que nos abatem, ele nos diz: “Eu lhe ordeno: levante-se!”
Lucas 7,16-17: A repercussão
“Todos ficaram com muito medo, e glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus veio visitar o seu povo." E a notícia do fato se espalhou pela Judéia inteira, e por toda a redondeza” É o profeta que foi anunciado por Moisés (Dt 18,15). O Deus que nos veio visitar é o “Pai dos órfãos e o protetor das viúvas” (Sl 68,6; cf. Judite 9,11).
4) Para um confronto pessoal
1) Foi a compaixão que levou Jesus a ressuscitar o filho da viúva. Será que o sofrimento dos outros provoca em nós a mesma compaixão? O que faço para ajudar o outro a vencer a dor e criar vida nova?
2) Deus visitou o seu povo. Percebo as muitas visitas de Deus na minha vida e na vida do povo?
5) Oração final
Aclamai o Senhor, por toda a terra. Servi o Senhor com alegria. Vinde, entrai exultantes em sua presença. (Sl 99,1-2)
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Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)
A liturgia da Exaltação da Santa Cruz nos convida a contemplar o madeiro no qual Cristo entregou a vida por nós. Aos olhos do mundo, a cruz é sinal de fracasso, humilhação e morte. Mas, na fé, descobrimos que ela é o trono de Cristo, onde Ele reina pelo amor e inaugura um novo tempo para toda a humanidade: não mais o domínio do pecado e da morte, mas o reinado da graça e da vida no Espírito.
Na Carta aos Romanos, Paulo ensina que o batismo nos une de tal forma à cruz de Cristo que podemos dizer: fomos “sepultados com Ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos, também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). Pela cruz, morremos para o pecado; pela ressurreição, vivemos para Deus. A cruz não é, portanto, um episódio isolado da vida de Jesus: é o ponto decisivo da história humana. Nela, o amor venceu o egoísmo, a obediência venceu a rebeldia, a vida venceu a morte.
A cruz: vitória que sustenta a esperança
Paulo sabe que essa vitória não nos dispensa da luta. O pecado ainda tenta dominar “os nossos membros” (Rm 6,12), e as forças de morte continuam presentes no mundo. Mas quem vive unido a Cristo já não pertence à velha escravidão. A cruz se torna, então, a força que sustenta a nossa resistência e o fundamento da nossa esperança: “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5).
Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é reconhecer que nossa liberdade custou o preço do sangue de Cristo. Por isso, não podemos viver de forma superficial ou indiferente. Aquele que foi “obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8) nos chama a viver na novidade de vida, como servidores da justiça e construtores de paz.
O capítulo 7 de Romanos lembra que, antes da cruz, estávamos sob o peso da Lei, incapazes de cumprir plenamente a vontade de Deus. A cruz liberta desse “corpo de morte” (Rm 7,24) e abre o caminho para o dom do Espírito, que escreve a Lei no coração e nos conduz à vida eterna. Assim, a cruz não é um fardo inútil, mas a ponte entre a nossa fragilidade e a misericórdia de Deus.
A espiritualidade da Cruz
Viver a espiritualidade da cruz significa aprender a olhar para a vida a partir do amor que se entrega totalmente. A cruz não é um convite ao sofrimento pelo sofrimento, mas à doação livre que transforma o sofrimento em oferta de amor.
Quando o cristão carrega a sua cruz — seja nas lutas diárias, nas renúncias silenciosas, no cuidado fiel pelos outros —, ele se une ao caminho de Cristo e participa de sua obra redentora. A espiritualidade da cruz nos ensina a confiar mesmo quando não compreendemos, a perdoar quando fomos feridos, a servir quando seria mais fácil recuar.
Assim, a cruz se torna uma escola de humildade, fortaleza e misericórdia, moldando em nós o coração do próprio Cristo, que venceu não com poder e violência, mas com a força mansa e invencível do amor.
A Cruz: reconciliação e missão
A Igreja proclama: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.” A esperança cristã nasce desse mistério: o Filho de Deus assumiu o que havia de mais doloroso e vergonhoso em nossa condição humana e o transformou em fonte de vida. Quem abraça a cruz, abraça a certeza de que nada — nem o pecado, nem a morte — poderá separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus (cf. Rm 8,39).
A cruz permanece erguida no centro da história como sinal de definitivo de reconciliação. É nela que Deus nos reconcilia consigo e nos dá a missão de reconciliar o mundo: famílias feridas, sociedades divididas, povos em conflito. Olhar para a cruz é deixar-se configurar ao Crucificado, para que também nossas palavras e gestos se tornem sementes de esperança.
Que, ao celebrarmos a Exaltação da Santa Cruz, renovemos nossa decisão de viver como batizados: mortos para o pecado, vivos para Deus, peregrinos de esperança. Pois na cruz encontramos a resposta para o clamor humano e a garantia de que a graça sempre terá a última palavra. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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A comunidade católica de Independência foi surpreendida na noite deste domingo (07) com o anúncio do afastamento do padre Ruan Cordeiro da Paróquia Senhora Sant’Ana, da cidade de Independência. O comunicado teria sido feito aos fiéis, pelo Padre Denilson, durante a celebração da missa dominical.
Até o momento, não há comunicado oficial da Diocese de Crateús sobre o caso. No entanto, circula uma versão de que a decisão de afastamento teria partido do próprio religioso e outra de que a decisão teria sido da Diocese.
Testemunhas relataram que, logo após a notícia, padre Ruan deixou o templo e teria embarcado em um veículo que o aguardava em frente à igreja.
Conhecido por sua forma carismática de evangelizar e por unir fé e tradições nordestinas como a vaquejada, padre Ruan ganhou destaque nos últimos meses, inclusive viralizando em redes sociais. O afastamento, portanto, gerou surpresa e forte repercussão entre os fiéis da região.
Agora, a comunidade aguarda definição sobre quem assumirá a condução da Paróquia Senhora Sant’Ana e detalhes sobre os rumos pastorais após a saída do sacerdote.
Padre quiterianopolense
Antônio Ruan Cordeiro Oliveira foi o primeiro filho de Quiterianópolis a se ordenar padre. Sua ordenação foi no dia 10 de fevereiro de 2024, em missa na Igreja da Santíssima Trindade, em Quiterianópolis, presidida pelo bispo da Diocese de Crateús, Dom Ailton Menegussi.
Reportagem: Nossa TV Crateús/Cícero Lacerda Fonte: https://blogdowilrismar.com.br
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No dia da canonização do filho, Antônia Salzano fala da emoçõe de um evento que mudou a vida dela e de sua família: muitos se converteram ao ver seu exemplo, e sua lembrança mais querida é a generosidade que ele sempre demonstrou em amar a Deus e ao próximo.

Antonia Salzano Acutis, mãe de Carlo.
Daniele Piccini – Cidade do Vaticano
Não é fácil imaginar os sentimentos de uma mãe ao ver seu filho ser proclamado Santo diante de dezenas de milhares de pessoas, tendo a consicência que são milhares os devotos em todo o mundo, que a ele dirigem orações e o guardam em seus corações.
Antonia Salzano, mãe de Carlo Acutis, estava presente neste domingo, 7 de setembro, juntamente com o marido e os filhos, na Missa de canonização presidida pelo Papa Leão XIV. Ela compartilha com a Rádio Vaticano o caminho que percorreu ao longo desses anos, e que culminou na cerimônia na Praça de São Pedro.
Sra. Acutis, como a senhora vivenciou as horas que antecederam a Missa de canonização?
Estou feliz porque é certamente o ápice de um caminho que durou muitos anos, durante a qual recebemos tantas surpresas maravilhosas do Carlo. Todos os dias recebemos notícias de milagres e conversões. Portanto, os fiéis certamente ficarão contentes. Estou emocionada, mas também calma, serena, porque esta canonização terá os efeitos que todos os fiéis esperavam. O Carlo tem fiéis em todo o mundo — da China, do Japão, dos Estados Unidos, da América Latina. Estou especialmente feliz por eles. Acredito que o Carlo está tocando tantos corações, tantas vidas, com seu exemplo, com sua fé contagiante, e isso me deixa muito feliz.
Há alguma lembrança específica do seu filho que lhe vem à mente com mais insistência neste momento?
O Carlo deixou tantas lembranças bonitas, sua grande fé, sua grande devoção. Lembro-me de que, quando ele estava organizando a exposição sobre os Milagres Eucarísticos, ele estava preocupado. "Há filas que se estendem por quilômetros em um show, em um jogo de futebol - disse ele - mas eu não vejo essas filas em frente ao Sacrário onde está a vida e a presença real de Cristo."
E eu me lembro dele trabalhando, quando eu estava de férias, até às duas ou três da manhã, e minha mãe, que dormia com ele, dizia: "Mas, Carlo, deixe a Igreja fazer essas coisas!". Mas ele passava todos os verões organizando as coisas. Ele fazia questão de que as pessoas entendessem a importância da Eucaristia. Certamente, a lembrança mais querida que tenho de Carlo é essa generosidade, esse amor pelos outros e, acima de tudo, por Deus.
Como você imagina sua vida a partir de amanhã?
Minha vida de fé será sempre a mesma. A vida é uma caminhada rumo à santidade. Espero que nós também possamos progredir, porque todos somos limitados, estamos em uma jornada, nosso destino é o céu. Mas a vida apresenta obstáculos, fragilidades, temos tantas. Gostaria de ter essas graças suficientes para ajudar a mim e à minha família. Gostaria também de poder seguir esse caminho de santificação. Mas gostaria que todos os devotos de Carlo também recebessem essa graça. Ele serve como uma ponte, uma ponte para chegar a Jesus. Fonte: https://www.vaticannews.va
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No próximo dia 7 de setembro, a Praça de São Pedro, no Vaticano, recebe um momento histórico para a Igreja: a celebração eucarística e o rito da canonização do Beato Pier Giorgio Frassati, ao lado do Beato Carlo Acutis. A celebração será presidida pelo Papa Leão XIV, às 5h (de Brasília).
Nascido em Turim, em 1901, Frassati viveu apenas 24 anos, mas deixou um testemunho de fé, alegria e serviço que continua inspirando jovens e adultos em todo o mundo. Apaixonado pela Eucaristia e devoto da Virgem Maria, ele assumiu o lema “oração, ação e sacrifício” como caminho para a santidade.
Serviço aos pobres e relação com o Brasil e os jovens
Um dos aspectos mais marcantes da vida de Frassati foi seu vínculo com a Sociedade de São Vicente de Paulo. Ainda estudante, ele se uniu às Conferências Vicentinas em Turim e dedicou sua juventude ao serviço dos mais vulneráveis: visitava doentes, distribuía alimentos e roupas e partilhava tempo e atenção com os mais necessitados.
Essa ligação com os vicentinos aproxima Frassati do Brasil, país que abriga a maior Sociedade de São Vicente de Paulo do mundo. Milhares de jovens vicentinos brasileiros reconhecem nele um modelo de espiritualidade e de compromisso social, já que Frassati é considerado Padroeiro das Juventudes Vicentinas.
Um jovem apaixonado por Deus e pela vida
Frassati conciliava seu amor aos pobres com uma vida intensa e cheia de entusiasmo. Montanhista, amante das artes e engajado politicamente em defesa da justiça social, ele fazia da amizade e da convivência com os colegas ocasiões de apostolado. Seu testemunho mostra que a santidade não está distante da vida cotidiana, mas pode florescer na simplicidade de cada dia.
O Papa Leão XIV recordou recentemente que “a vida de Pier Giorgio, simples e luminosa, nos lembra que, assim como ninguém nasce campeão, também ninguém nasce santo”. Sua canonização confirma a atualidade de seu exemplo, sobretudo para os jovens que buscam unir fé, compromisso social e alegria de viver.
Ao ser elevado às honras dos altares, Pier Giorgio Frassati passa a ser reconhecido universalmente como Santo, deixando para a Igreja e para o Brasil uma herança de esperança e coragem: a certeza de que é possível ser cristão no mundo, vivendo a fé com autenticidade e transformando-a em serviço ao próximo.
Dados biográficos
Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim, em 6 de abril de 1901, em uma família de prestígio: o pai, Alfredo, era fundador e diretor do jornal La Stampa, e a mãe, Adelaide Ametis, uma artista de temperamento forte. Desde cedo, Pier Giorgio revelou uma fé que surpreendia em meio a um lar de convicções diversas: o pai, agnóstico; a mãe, formalmente crente. Essa fé, amadurecida ao longo dos anos, tornou-se o centro de sua vida.
Estudou no Instituto Social, dos jesuítas, onde passou a comungar diariamente e se engajou nas Conferências Vicentinas, dedicando-se ao serviço dos pobres. Em 1918 ingressou no Politécnico de Turim, com o desejo de ser engenheiro de minas para estar próximo dos trabalhadores. Foi ativo na Juventude Católica, adotando como lema: oração, ação e sacrifício.
Com uma vida de intensa espiritualidade, sustentada pela Eucaristia, oração e leitura da Palavra de Deus, Pier Giorgio via Cristo nos mais necessitados. Percorria as ruas de Turim, visitava os bairros pobres, os hospitais e o Cottolengo, sempre levando apoio material e espiritual. Ao mesmo tempo, participou da vida social e política, ingressando no Partido Popular Italiano e posicionando-se firmemente contra o fascismo nascente.
Apaixonado pelas montanhas, pela arte e pela amizade, reunia jovens em grupos que uniam lazer, cultura e evangelização. Ingressou na Ordem Terceira Dominicana em 1922, assumindo o nome de “Fra Girolamo”.
Sua vida, marcada pela alegria, generosidade e compromisso cristão, foi interrompida aos 24 anos, em 4 de julho de 1925, quando contraiu poliomielite fulminante ao servir os pobres. Seu funeral reuniu multidões, revelando a grandeza de seu testemunho. Em 1990, foi beatificado por São João Paulo II, que o chamou de “o homem das oito bem-aventuranças”.
O Papa Francisco, em novembro de 2024, reconheceu o milagre que abriu caminho para a canonização do beato. Pela intercessão de Pier Giorgio, o seminarista Juan Gutierrez de Los Angeles (EUA), de 38 anos, recebeu uma cura depois de rezar a novena de Frassati.
Juan, que se tornou padre em junho de 2023, rompeu o tendão de Aquiles em um jogo de basquete em 2017, enquanto ainda era seminarista. Impelido pela preocupação com sua recuperação e despesas do tratamento, recorreu à intercessão do beato.
Enquanto rezava um dos dias da novena em uma capela, sentiu algo incomum ao redor do seu machucado, como a sensação de calor provocada por fogo. Embora não tivesse fogo algum, Gutierrez se sentiu tocado espiritualmente e direcionou seu olhar para o sacrário.
Quando se deu conta, recebeu a cura física e conseguiu andar normalmente. Ao retornar ao médico que acompanhava o seu caso, recebeu a confirmação de que não haveria mais necessidade de cirurgia, pois o rompimento havia desaparecido. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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Quando passa-se a aviltar nossa soberania para tentar obter a anistia, não se pretende pacificação
Por Miguel Reale Júnior
Advogado, professor titular sênior da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras e ex-ministro da Justiça
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que, se eleito, seu primeiro ato será conceder a graça (indulto pessoal) a Jair Bolsonaro, que, por óbvio, reconhece que será condenado. Dessa maneira, seu principal compromisso é desfazer a decisão em defesa da democracia editada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Que começo!
Assim, é evidente que a anistia ganhará impulso por causa de bajuladores de Bolsonaro, que pretendem ser ungidos como candidatos in pectore do ex-presidente. A anistia será tema da direita a partir de agora. Por isso, dedico-me a analisar o significado do instituto e seu possível cabimento.
O legislador, ao criar uma norma incriminadora, avalia a conduta escolhida como lesiva a um valor importante à convivência social, tanto que ameaça a imposição de pena, caso seja praticada a conduta violadora.
Colhe, portanto, o legislador na realidade social quais os valores vivenciados pela sociedade que devam ser reputados essenciais, sendo contraponto eventual a revogação da norma incriminadora ou a anistia. Determinado comportamento delituoso pode ser considerado não mais lesivo graças à anistia, deixando de incidir a resposta penal. O fato criminoso, sucedido em dadas condições, quando objeto de anistia, torna-se indiferente perante a lei penal.
A qualificação como delito desfaz-se e, de conseguinte, suprime-se o processo ou as consequências penais, em caso de já aplicadas. Como medida excepcional, que suspende a aplicação da norma penal, cabe perquirir quando se justifica a anistia.
São valores protegidos pelos artigos 359-L e 359-M do Código Penal o livre exercício dos Poderes e a incolumidade do governo legítimo, fruto do pluralismo político e da escolha do governante por via do voto direto, secreto e universal, sendo vedada a cassação de direitos políticos, a serem perdidos apenas em razão de condenação criminal.
Resta, então, ver em que situações a tutela destes valores protegidos pelo Direito Penal poderia ser excepcionalmente suspensa. São três hipóteses:
1) Considerar que, na forma praticada, os comportamentos delituosos deixaram de ser tidos como lesivos ao bem jurídico “Estado de Direito” e devem ficar isentos de repressão penal;
2) Ser medida de transição, na passagem de um regime autoritário para o Estado de Direito; e
3) Ser providência que o titular do Poder legítimo toma diante dos antagonismos existentes, para promover uma pacificação.
Nenhuma das três hipóteses, todavia, se apresenta a justificar o levantamento da resposta penal ao ataque ao Estado de Direito promovido por Bolsonaro e sua trupe.
As tentativas de golpe de Estado e de impedir o exercício dos Poderes permanecem como ferida na consciência da sociedade, não havendo esgarçamento da importância da democracia a ser reafirmada por meio da resposta penal. A desmoralização contínua do processo eleitoral foi o pano de fundo indutor da violência dos acólitos no seu avanço sobre a sede dos Três Poderes. Esta forte imagem de destruição ainda perdura na mente dos brasileiros.
A segunda hipótese corresponde à anistia de agosto de 1979, proposta pelo presidente Figueiredo, que, mesmo em projeto deficiente, afirmava: “A anistia reabre o campo da ação política, enseja o reencontro, reúne e congrega a construção do futuro”.
Estávamos em meio ao processo de distensão, o gradualismo, como se pode constatar da Lei de Segurança Nacional de 1983, em cujo artigo 16 constava como crime: “Integrar ou manter associação, partido (...) que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito”. Reconhecia-se, portanto, que do regime vigente passava-se ao Estado de Direito. Era um momento de transição para o Estado de Direito.
Em fins de 2022 não se estava em transição política, apenas dando-se continuidade à democracia, malgrado as diatribes de Bolsonaro contra o sistema eleitoral.
A terceira hipótese diz respeito a ser a anistia uma ferramenta para apaziguamento. Os atuais defensores da anistia não procuram pacificação, mas impunidade. Realizam campanha agressiva, a demonstrar a total falta de obediência ao jogo democrático, de que é exemplo o motim promovido pelos parlamentares bolsonaristas que ocuparam pela força a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Os deputados não exerceram o legítimo expediente da obstrução, próprio do jogo parlamentar, mas impediram com violência que a Câmara dos Deputados viesse a exercer suas funções, em conduta similar à que é objeto do pedido de anistia.
A campanha em curso pela anistia, cujo único beneficiário que interessa é Bolsonaro, incluiu em sua estratégia o ataque ao nosso país pela potência norte-americana. Quando passa-se a aviltar nossa soberania para tentar obter a anistia, não se pretende pacificação.
Os crimes contra o Estado de Direito são imprescritíveis, a indicar que não basta o passar do tempo para se extinguir a punibilidade. Como medida excepcional, é preciso mais, ou seja, a ocorrência das hipóteses acima mencionadas, o que não sucede. Com essa anistia, apenas corre-se o risco de animar a preparação de novo golpe. Fonte: https://www.estadao.com.br
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1) Oração
Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 4,38-44)
Naquele tempo, 38Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela. 39Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los. 40Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava. 41De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo. 42Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse. 43Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão. 44E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
3) Reflexão Lucas 4,38-44 (Mc 1,29-39)
O evangelho de hoje traz quatro assuntos diferentes: a cura da sogra de Pedro (Lc 4,38-39), a cura de muitos doentes à noite, depois do sábado (Lc 4, 40-41), a oração de Jesus num lugar deserto (Lc 4,42) e a sua insistência na missão (Lc 4,43-44). Com pequenas diferenças Lucas segue e adapta as informações que tirou do evangelho de Marcos.
Lucas 4,38-39: Jesus restaura a vida para o serviço
Depois de participar da celebração do sábado, na sinagoga, Jesus entra na casa de Pedro e cura a sogra dele. A cura faz com que ela se coloque imediatamente de pé. Com a saúde e a dignidade recuperadas, ela se põe a serviço das pessoas. Jesus não só cura, mas cura para que a pessoa possa colocar-se a serviço da vida.
Lucas 4,40-41: Jesus acolhe e cura os marginalizados
Ao cair da tarde, na hora do aparecimento da primeira estrela no céu, terminado o sábado, Jesus acolhe e cura os doentes e os possessos que o povo tinha trazido. Doentes e possessos eram as pessoas mais marginalizadas naquela época. Elas não tinham a quem recorrer. Ficavam entregues à caridade pública. Além disso, a religião as considerava impuras. Elas não podiam participar na comunidade. Era como se Deus as rejeitasse e as excluísse. Jesus as acolhe e as cura impondo a mão em cada um. Assim, aparece em que consiste a Boa Nova de Deus e o que ela quer atingir na vida da gente: acolher os marginalizados e os excluídos e reintegrá-los na convivência.
“De muitas pessoas saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava e não os deixava falar, porque os demônios sabiam que ele era o Messias”. Naquele tempo, o título Filho de Deus ainda não tinha a densidade e a profundidade que o título tem hoje para nós. Significava que o povo reconhecia em Jesus uma presença todo especial de Deus. Jesus não deixava os demônios falar. Ele não queria propaganda fácil por meio do impacto de expulsões espetaculares.
Lucas 4,42a: Permanecer unido ao Pai pela oração
“Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam, e, indo até ele, não queriam deixá-lo que fosse embora”. Aqui Jesus aparece rezando. Ele faz um esforço muito grande para ter o tempo e o ambiente apropriado para rezar. Levantou mais cedo que os outros e foi para um lugar deserto, para poder estar a sós com Deus. Muitas vezes, os evangelhos nos falam da oração de Jesus no silêncio (Lc 3,21-22; 4,1-2.3-12; 5,15-16; 6,12; 9,18; 10,21; 5,16; 9,18; 11,1; 9,28;23,34; Mt 14,22-23; 26,38; Jo 11,41-42; 17,1-26; Mt Mc 1,35; Lc 3,21-22). É através da oração que ele mantém viva em si a consciência da sua missão.
Lucas 4,42b-44: Manter viva a consciência da missão e não se fechar no resultado
Jesus tornou-se conhecido. O povo ia atrás dele e não queria que ele fosse embora. Jesus não atendeu ao pedido e disse: "Devo anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus também para as outras cidades, porque para isso é que fui enviado." Jesus tem muito clara a sua missão. Não se fecha no resultado já obtido, mas quer manter bem viva a consciência da sua missão. É a missão recebida do Pai que o orienta na tomada das decisões. Foi para isto que fui enviado! E aqui no texto esta consciência tão viva aparece como fruto da oração.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus tirava tempo para poder rezar e estar a sós com o Pai? Eu tiro tempo para rezar e estar a sós com Deus?
2) Jesus mantinha viva a consciência da sua missão. E eu, será que, como cristã ou cristão, tenho consciência de alguma missão ou vivo sem missão?
5) Oração final
Nossa alma espera no Senhor, porque ele é nosso amparo e nosso escudo. Nele, pois, se alegra o nosso coração, em seu santo nome confiamos (Sl 32)
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1) Oração
Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 4,31-37)
Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e ali ensinava-os aos sábados. 32Maravilharam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com autoridade. 33Estava na sinagoga um homem que tinha um demônio imundo, e exclamou em alta voz: 34Deixa-nos! Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem és: o Santo de Deus! 35Mas Jesus replicou severamente: Cala-te e sai deste homem. O demônio lançou-o por terra no meio de todos e saiu dele, sem lhe fazer mal algum. 36Todos ficaram cheios de pavor e falavam uns com os outros: Que significa isso? Manda com poder e autoridade aos espíritos imundos, e eles saem? 37E corria a sua fama por todos os lugares da redondeza.
3) Reflexão Lucas 4,31-37
No evangelho de hoje, vamos ver de perto dois assuntos: a admiração do povo pela maneira de Jesus ensinar e a cura de um homem possuído por um demônio impuro. Nem todos os evangelistas contam os fatos do mesmo jeito. Para Lucas, o primeiro milagre é a calma com que Jesus se livrou da ameaça de morte da parte do povo de Nazaré (Lc 4,29-30) e a cura do homem possesso (Lc 4,33-35). Para Mateus, o primeiro milagre é a cura de uma porção de doentes e endemoninhados (Mt 4,23) ou, mais especificamente, a cura de um leproso (Mt 8,1-4). Para Marcos, foi a expulsão de um demônio (Mc 1,23-26). Para João, o primeiro milagre foi em Caná, onde Jesus transformou água em vinho (Jo 2,1-11). Assim, na maneira de contar as coisas, cada evangelista mostra qual foi, segundo ele, a maior preocupação de Jesus.
Lucas 4,31: A mudança de Jesus para Cafarnaum
“Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e aí ensinava aos sábados”. Mateus diz que Jesus foi morar em Cafarnaum (Mt 4,13). Mudou de residência. Cafarnaum era uma pequena cidade junto ao entroncamento de duas estradas importantes: uma que vinha da Ásia Menor e ia para Petra no sul da Transjordânia, e a outra que vinha da região dos rios Euphrates e Tigris e descia para o Egito. A mudança para Cafarnaum facilitava o contato com o povo e a divulgação da Boa Nova.
Lucas 4,32: Admiração do povo pelo ensino de Jesus
A primeira coisa que o povo percebe é o jeito diferente de Jesus ensinar. Não é tanto o conteúdo, mas sim o jeito de ensinar, que impressiona. “Jesus falava com autoridade”. Marcos acrescenta que, por este seu jeito diferente de ensinar, Jesus criava consciência crítica no povo com relação às autoridades religiosas da época. O povo percebia e comparava: Ele ensina com autoridade, diferente dos escribas” (Mc 1,22.27). Os escribas da época ensinavam citando autoridades. Jesus não cita autoridade nenhuma, mas fala a partir da sua experiência de Deus e da vida.
Lucas 4,33-35: Jesus combate o poder do mal
O primeiro milagre é a expulsão de um demônio. O poder do mal tomava conta das pessoas e as alienava. Jesus devolve as pessoas a si mesmas. Devolve a consciência e a liberdade. E ele o faz pelo poder da sua palavra: "Cale-se, e saia dele!" Ele dizia em outra ocasião: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou para vocês” (Lc 11,20). Hoje também, muita gente vive alienada de si mesma pelo poder dos meios de comunicação, da propaganda do governo e do comércio. Vive escrava do consumismo, oprimida pelas prestações e ameaçada pelos cobradores. Acha que não vive direito enquanto não comprar aquilo que a propaganda anuncia. Não é fácil expulsar este poder que hoje aliena tanta gente, e devolver as pessoas a si mesmas!
* Lucas 1,36-37: A reação do povo: ele manda nos espíritos impuros primeiro impacto
Além do jeito diferente de Jesus ensinar as coisas de Deus, o outro aspecto que causava admiração no povo era o seu poder sobre os espíritos impuros: "Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros com autoridade e poder, e eles saem". Jesus abre um novo caminho para o povo poder conseguir a pureza através do contato com ele. Naquele tempo, uma pessoa impura não podia comparecer diante de Deus para rezar e receber a bênção prometida a Abraão. Teria que purificar-se, primeiro. Havia muitas leis e normas que dificultavam a vida do povo e marginalizavam muita gente como impura. Mas agora, purificadas pela fé em Jesus, as pessoas podiam comparecer novamente na presença de Deus e rezar a Ele, sem necessidade de recorrer àquelas complicadas e, muitas vezes, dispendiosas normas de pureza.
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus provocava a admiração do povo. A atuação da nossa comunidade aqui no bairro provoca alguma admiração no povo? Qual?
2) Jesus expulsava o poder do mal e devolvia as pessoas a si mesmas. Hoje, muita gente vive alienada de si mesma e de tudo. Como devolve-las a si mesmas?
5) Oração final
O Senhor é clemente e compassivo, longânime e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos, e sua misericórdia se estende a todas as suas obras (Sl 144, 1)
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Flagelo da fome
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
A crueldade do flagelo da fome em Gaza é ferida que precisa doer em toda a civilização contemporânea para ser adequadamente tratada. As cenas de aflição e de desespero expressam os atrasos humanitários neste tempo de tantas conquistas científicas e tecnológicas, insuficientes diante das bizarrices políticas que geram situações de extermínio. Confrontar a crueldade em Gaza, com juízo austero, é exigência para as autoridades diretamente envolvidas no conflito. Essa exigência precisa envolver também líderes de outras partes do mundo, chamados a exercer a corresponsabilidade cidadã. O planeta não pode aceitar, pacificamente, que seres humanos padeçam com a fome. Um flagelo que também ameaça crianças e idosos, no alto dos morros, diante de lugares onde se consome até o desperdício. A chaga do flagelo da fome está também, ainda, como mácula no tecido da sociedade brasileira.
Compadecer-se diante do semelhante privado do direito essencial à alimentação pode levar à conquista de um novo estilo de vida que inspire consumo mais responsável. A humanidade não pode normalizar situações em que pessoas correm para obter comida sob o risco de serem exterminadas, ou lentamente morrem por falta de adequada alimentação. A fome em Gaza e em outros lugares do mundo merece tornar-se pauta mundial, de modo interpelante e transformador, para além das abordagens restritas ao marketing político-eleitoral. A construção de soluções exige a consideração de valores e princípios norteadores, em um horizonte ético-moral capaz de inspirar respostas organizacionais sistêmicas com propriedades para banir o flagelo da fome, onde ele está e cresce. As guerras tarifárias, as disputas que levam ao confronto bélico, a defesa de privilégios, a corrupção e certos “interesses de mercado” precisam ser confrontados a partir de valores e princípios que representem luz de esperança. Trata-se de investimento para fazer surgir nova cidadania, convencendo a sociedade que vale a pena ser justa e solidária. A Doutrina Social da Igreja Católica apresenta o princípio da solidariedade como cláusula pétrea, respeitado o valor comum que todos partilham – iguais em direito e dignidade.
O princípio da solidariedade é iluminado pela consciência universal da interdependência entre pessoas e povos. Sem essa consciência, convive-se com imposições autoritárias e manipulações interesseiras em detrimento do bem de todos. O antídoto para esses males é a adoção da solidariedade como princípio social e virtude moral. A solidariedade, enquanto princípio social, ordena as instituições para livrá-las de manipulações e estreitamentos organizacionais, libertando-as de lógicas que ameaçam o bem comum. Na condição de virtude moral, a solidariedade é mais que expressão de um simples sentimento. Torna-se compromisso para agir, de modo determinante, na promoção do bem comum, emoldurando a prática da justiça que busca superar as várias situações de pobreza.
A promoção do bem comum é indissociável do exercício da solidariedade, lembrando que a luta pelo bem partilhado por todos é indispensável alavanca para se alcançar a paz. O Magistério Social da Igreja Católica afirma: ao reconhecer os laços que unem as pessoas e os grupos sociais, abre-se um espaço para a liberdade humana e o crescimento comum de todos. Aqueles que são capazes de enxergar os laços que unem as pessoas e grupos capacitam-se para exercer a liderança de modo humanista, tornando-se políticos com envergadura de estadistas e cidadãos que buscam a igualdade social, para além de individualismos e particularismos. Abre-se a possibilidade de uma compreensão iluminada pela consciência de que os bens da Terra foram criados por Deus para serem sabiamente administrados por todos. Bens que devem ser partilhados com equidade, segundo a justiça e a caridade. O flagelo da fome há, pois, de ser vencido pelo respeito e aplicação do princípio da destinação universal dos bens – orientação moral e cultural.
A fome é um problema moral e ecológico que atinge a humanidade. O princípio ético da destinação universal dos bens desafia a inteligência humana ante a necessidade de encontrar caminhos e práticas que, de fato, sejam capazes de vencer a fome. A humanidade não pode continuar a conviver com as justificativas terroristas daqueles que buscam matar de fome os inocentes e indefesos. O caminho que leva à solução desse grave problema é longo e, por isso mesmo, gera aflições, pois o compromisso moral de salvar vidas é urgente, quem passa fome tem uma necessidade inadiável. Os bens da criação não podem se reduzir apenas à consideração comercial. Essa consideração precisa ser confrontada com o direito básico à segurança alimentar, de modo sensível, prioritariamente, à realidade dos pobres.
Desconsiderar o sofrimento de quem tem fome é imoral e abominável. A sociedade precisa gritar contra os desperdícios e exigir de políticos o enfrentamento desse mal. Quem tem fome tem pressa. O apelo é tomar sobre si responsabilidades e fomentar ações, em uma sociedade que precisa de governantes, magistrados, cidadãos, todos dedicados a vencer a fome e, assim, superar ferida dolorosa na história da humanidade. Fonte: https://www.cnbb.org.br
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Frei Carlos Mesters, O. Carm
1) Oração
Ó Deus, quisestes que São João Batista fosse o precursor do nascimento e da morte do vosso Filho; como ele tombou na luta pela justiça e a verdade, fazei-nos também lutar corajosamente para testemunhar a vossa palavra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 6,17-29)
17Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado.18João tinha dito a Herodes: Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, não o conseguindo, porém.20Pois Herodes respeitava João, sabendo que era um homem justo e santo; protegia-o e, quando o ouvia, sentia-se embaraçado. Mas, mesmo assim, de boa mente o ouvia.21Chegou, porém, um dia favorável em que Herodes, por ocasião do seu natalício, deu um banquete aos grandes de sua corte, aos seus oficiais e aos principais da Galiléia.22A filha de Herodíades apresentou-se e pôs-se a dançar, com grande satisfação de Herodes e dos seus convivas. Disse o rei à moça: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.23E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja a metade do meu reino.24Ela saiu e perguntou à sua mãe: Que hei de pedir? E a mãe respondeu: A cabeça de João Batista.25Tornando logo a entrar apressadamente à presença do rei, exprimiu-lhe seu desejo: Quero que sem demora me dês a cabeça de João Batista.26O rei entristeceu-se; todavia, por causa da sua promessa e dos convivas, não quis recusar.27Sem tardar, enviou um carrasco com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi, decapitou João no cárcere,28trouxe a sua cabeça num prato e a deu à moça, e esta a entregou à sua mãe.29Ouvindo isto, os seus discípulos foram tomar o seu corpo e o depositaram num sepulcro.
3) Reflexão
Hoje comemoramos o martírio de São João Batista. O evangelho traz a descrição de como João Batista foi morto sem processo, durante um banquete, vítima da corrupção e da prepotência de Herodes e sua corte.
Marcos 6,17-20. A causa da prisão e do assassinato de João.
Herodes era um empregado do império romano. Quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 antes de Cristo, era César, o imperador de Roma. Herodes, para não ser deposto, procurava agradar a Roma em tudo. Insistia sobretudo numa administração eficiente que desse lucro ao Império e a ele mesmo. A preocupação de Herodes era a sua própria promoção e segurança. Por isso, reprimia qualquer tipo de subversão. Ele gostava de ser chamado de benfeitor do povo, mas na realidade era um tirano (cf. Lc 22,25). Flávio José, um escritor daquela época, informa que o motivo da prisão de João Batista era o medo que Herodes tinha de um levante popular. A denúncia de João Batista contra a moral depravada de Herodes (Mc 6,18), foi a gota que fez transbordar o copo, e João foi preso.
Marcos 6,21-29: A trama do assassinato.
Aniversário e banquete de festa, com danças e orgias! Era o ambiente em que os poderosos do reino se reuniam e no qual se costuravam as alianças. A festa contava com a presença “dos grandes da corte, dos oficiais e das pessoas importantes da Galiléia”. É nesse ambiente que se trama o assassinato de João Batista. João, o profeta, era uma denúncia viva desse sistema corrupto. Por isso, ele foi eliminado sob pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a fraqueza moral de Herodes. Tanto poder acumulado na mão de um homem sem controle de si! No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes fez um juramento leviano a uma jovem dançarina. Supersticioso como era, pensava que devia manter esse juramento. Para Herodes, a vida dos súditos não valia nada. Dispunha deles como dispunha da posição das cadeiras na sala. Marcos conta o fato tal qual e deixa às comunidades e a nós a tarefa de tirarmos as conclusões.
Nas entrelinhas, o evangelho de hoje traz muitas informações sobre o tempo em que Jesus vivia e sobre a maneira como era exercido o poder pelos poderosos da época. Galiléia, terra de Jesus, era governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, desde 4 antes de Cristo até 39 depois de Cristo. Ao todo, 43 anos! Durante todo o tempo que Jesus viveu, não houve mudança de governo na Galiléia! Herodes era dono absoluto de tudo, não prestava conta a ninguém, fazia o que bem entendia. Prepotência, falta de ética, poder absoluto, sem controle por parte do povo!
Herodes construiu uma nova capital, chamada Tiberíades. Sefforis, a antiga capital, tinha sido destruída pelos romanos em represália contra um levante popular. Isto aconteceu quando Jesus tinha em torno de sete anos de idade. Tiberíades, a nova capital, foi inaugurada treze anos mais tarde, quando Jesus tinha seus 20 anos. Era chamada assim para agradar a Tibério, o imperador de Roma. Tiberíades era um quisto estranho na Galiléia. Era lá que viviam o rei, “os magnatas, os generais e os grandes da Galiléia” (Mc 6,21). Era lá que moravam os donos das terras, os soldados, a polícia, os juizes muitas vezes insensíveis (Lc 18,1-4). Para lá eram levados os impostos e o produto do povo. Era lá que Herodes fazia suas orgias de morte (Mc 6,21-29). Não consta nos evangelhos que Jesus tenha entrado nessa cidade.
Ao longo daqueles 43 anos do governo de Herodes, criou-se toda uma classe de funcionários fieis ao projeto do rei: escribas, comerciantes, donos de terras, fiscais do mercado, publicanos ou coletores de impostos, militares, policiais, juizes, promotores, chefes locais. A maior parte deste pessoal morava na capital, gozando dos privilégios que Herodes oferecia, por exemplo, isenção de impostos. Outra parte vivia nas aldeias. Em cada aldeia ou cidade havia um grupo de pessoas que apoiavam o governo. Vários escribas e fariseus estavam ligados ao sistema e à política do governo. Nos evangelhos, os fariseus aparecem junto com os herodianos (Mc 3,6; 8,15; 12,13), o que reflete a aliança que existia entre o poder religioso e poder civil. A vida do povo nas aldeias da Galiléia era muito controlada, tanto pelo governo como pela religião. Era necessário ter muita coragem para começar algo novo, como fizeram João e Jesus! Era o mesmo que atrair sobre si a raiva dos privilegiados, tanto do poder religioso como do poder civil, tanto em nível local como estadual.
4) Para um confronto pessoal
- Conhece casos de pessoas que morreram vítimas da corrupção e da dominação dos poderosos? E aqui entre nós, na nossa comunidade e na igreja, há vítimas de desmando e de autoritarismo? Dê um exemplo.
- Superstição, covardia e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compare com o exercício do poder religioso e civil hoje nos vários níveis tanto da sociedade como da Igreja.
5) Oração final
É em vós, Senhor, que procuro meu refúgio; que minha esperança não seja para sempre confundida. Por vossa justiça, livrai-me, libertai-me; inclinai para mim vossos ouvidos e salvai-me. (Sl 70, 1-2)
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1) Oração
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 24, 42-51)
42Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.43Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.44Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.45Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?46Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!47Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.48Mas, se é um mau servo que imagina consigo:49- Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,50o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,51e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
3) Reflexão Mateus 24, 42-51
O evangelho de hoje, festa de Santo Agostinho, fala da vinda do Senhor no fim dos tempos e nos exorta à vigilância. Na época dos primeiros cristãos, muita gente achava que o fim deste mundo estava perto e que Jesus voltaria logo. Hoje, muita gente acha que o fim do mundo está perto. Por isso, é bom refletir sobre o significado da vigilância.
Mateus 24,42: Vigilância
“Portanto, fiquem vigiando! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês”. A respeito do dia e da hora do fim do mundo, Jesus tinha dito: "Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai!" (Mc 13,32). Hoje, muita gente vive preocupado com o fim do mundo. Nas ruas das cidades, você vê escrito nas paredes: Jesus voltará! E como será esta vinda? Depois do ano 1000, apoiados no Apocalipse de João (Apc 20,7), começaram a dizer: “De 1000 passou, mas de 2000 não passará!” Por isso, na medida em que o ano 2000 chegava mais perto, muitos ficavam preocupados. Teve até gente que, angustiada com a proximidade do fim do mundo, chegou a cometer suicídio. Outros, lendo o Apocalipse de João, chegaram a predizer a hora exata do fim. Mas o ano 2000 passou e nada aconteceu. O fim não chegou! Muitas vezes, a afirmação “Jesus voltará” é usada para meter medo nas pessoas e obrigá-las a frequentar uma determinada igreja! Outros ainda, de tanto esperar e especular em torno da vinda de Jesus, já nem percebem mais a presença dele no meio de nós, nas coisas mais comuns da vida, nos fatos do dia-a-dia.
A mesma problemática havia nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Muita gente das comunidades dizia que o fim deste mundo estava perto e que Jesus voltaria logo. Alguns da comunidade de Tessalônica na Grécia, apoiando-se na pregação de Paulo, diziam: “Jesus vai voltar logo!” (1 Tes 4,13-18; 2 Tes 2,2). Por isso, havia até pessoas que já não trabalhavam, porque achavam que a vinda fosse coisa de poucos dias ou semanas. “Trabalhar para que, se Jesus vai voltar logo?” (cf 2Ts 3,11). Paulo responde que não era tão simples como eles imaginavam. E aos que já não trabalhavam avisava: “Quem não quiser trabalhar não tem direito de comer!” Outros ficavam só olhando o céu, aguardando o retorno de Jesus sobre as nuvens (cf At 1,11). Outros reclamavam da demora (2Pd 3,4-9). Em geral, os cristãos viviam na expectativa da vinda iminente de Jesus. Jesus viria realizar o Juízo Final para encerrar a história injusta deste mundo cá de baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do Novo Céu e da Nova Terra. Achavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas gerações. Muita gente ainda estaria viva quando Jesus fosse aparecer glorioso no céu (1Ts 4,16-17; Mc 9,1). Outros, cansados de esperar, diziam: “Ele não vai voltar nunca! (2 Pd 3,4).
Até hoje, a vinda de Jesus ainda não aconteceu! Como entender esta demora? É que já não percebemos que Jesus já voltou, já está no nosso meio: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20). Ele já está do nosso lado na luta pela justiça, pela paz, pela vida. A plenitude ainda não chegou, mas uma amostra ou garantia do Reino já está no meio de nós. Por isso, aguardamos com firme esperança a libertação plena da humanidade e da natureza (Rm 8,22-25). E enquanto esperamos e lutamos, dizemos acertadamente: “Ele já está no meio de nós!” (Mt 25,40).
Mateus 24,43-51: O exemplo do dono da casa e seus dois empregados
“Compreendam bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria vigiando, e não deixaria que a sua casa fosse arrombada”. Jesus deixa bem claro. Ninguém sabe nada a respeito da hora: "Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai!" O que importa mesmo não saber a hora do fim deste mundo, mas sim ter um olhar capaz de perceber a vinda de Jesus já presente no meio de nós na pessoa do pobre (cf Mt 25,40) e em tantos outros modos e acontecimentos da vida de cada dia. O que importa é abrir os olhos e ter presente o exemplo do bom empregado de que Jesus fala na parábola.
4) Para um confronto pessoal
- Perguntas para a reflexão:
- Em que sinais o povo se apóia para dizer que o fim do mundo está perto? Você acha que o fim do mundo está perto?
- O que responder aos que dizem que o fim do mundo está próximo? Qual a força que anima você a resistir e ter esperança?
5) Oração final
Dia a dia vos bendirei, e louvarei o vosso nome eternamente. Grande é o Senhor e sumamente louvável, insondável é a sua grandeza. (Sl 144, 2-3)
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A Igreja recorda hoje Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. O Papa Francisco apontou-a várias vezes como modelo a imitar, especialmente por sua constante oração a Deus, um diálogo de fé que sustentou a sua caminhada cristã.
Tiziana Campisi – Vatican News
Uma mulher tenaz e amorosa, com uma fé sólida: este é o retrato de Santa Mônica. Esposa virtuosa e mãe cuidadosa, ela alimentou sua fé com a oração, prática piedosa e escuta da Palavra de Deus. O seu é o exemplo de oração incessante que deveria alimentar a fé de todo cristão. E, de fato, a oração é o "segredo" da vida de Mônica, um diálogo com Deus que nunca se interrompeu. Uma oração que, embora às vezes parecesse que não era ouvida, foi insistente, sustentada pela vontade de ferro de querer ser uma boa esposa e de ver seus filhos seguros no porto de Deus. Em uma meditação matinal proposta na Capela da Casa de Santa Marta (11 de outubro de 2018), o Papa chamou a oração "uma trabalho: um trabalho que nos pede vontade, nos pede constância, nos pede determinação, sem vergonha". (...) Uma oração constante e intrusiva. Pensemos em Santa Mônica, por exemplo, quantos anos ela rezou assim, mesmo com lágrimas, pela conversão de seu filho. O Senhor finalmente abriu a porta".
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A oração escola de perfeição
E foi precisamente na oração que Mônica alcançou a Sabedoria e a perfeição, tanto que um dia, conversando com seu filho Agostinho, agora determinado a dar sua vida inteiramente pela Igreja, sabendo-o na vida de Cristo, desejando a plenitude em Deus e bem-aventurança eterna, ela disse que a vida não tinha mais nenhuma atração para ela. E perto da morte, encontrando-se em Óstia, longe da Numídia, a região do norte da África onde nasceu, ela comentou com seus parentes que não queriam deixar que seus restos mortais ficassem em uma terra estrangeira, recomendou: "enterrem este corpo onde ele está, sem nenhuma piedade. Peço a você apenas uma coisa: lembrem-se de mim, onde quer que vocês estejam, diante do altar do Senhor" (Conf. IX, 11.27).
Mônica em diálogo com Deus
Sem dúvida, Mônica não teria conseguido tal visão de sua existência se não tivesse alimentado sua vida cristã com a oração. A Irmã Ilaria Magli, monja agostiniana do Mosteiro dos Santos Quatro Coroados, de Roma, explica o que caracterizou a conversa de Santa Mônica com Deus:
- - O que certamente distingue sua oração é sua tenacidade e insistência em arrancar Agostinho tanto da seita maniqueísta como de todos os erros de sua adolescência, a fim de trazê-lo àquela certa felicidade que é a estabilidade com Deus. Esta insistência, e esta grande liberdade que a mulher e mãe Mônica tinha para com Deus, gosto um pouco de compará-la à mulher sirofenícia do Evangelho que, para sua filha doente, insiste também diante das respostas que parecem bruscas de Jesus e quer a todo custo conseguir a cura de sua filha, com aquela liberdade que não a faz dizer: "Ah, olha, Senhor, é verdade, tens razão, eu não pertenço à casa de Israel". Com licença, estou indo embora". Não, não, ela insiste e insiste. Isto realmente nos ensina perseverança e confiança em um Pai que nos salva. E também me parece que, além da insistência, há este belo fato que é fundamentalmente a maternidade, isto é, rezar como sendo ventres que continuamente geram vida. Agostinho nos conta isso sobre Mônica, que ela havia criado seus filhos dando à luz tantas vezes quantas as que viu se afastando de Deus. Isto diz que a oração parte da própria essência de uma realidade, que para Mônica era a maternidade, sendo ela precisamente uma mulher que deseja a vida de seus filhos. E isto não nos separa também de uma oração que está ancorada em nosso tecido vital, de nosso ser mulheres ou homens, sacerdotes ou homens consagrados, mulheres casadas ou mulheres que vivem a castidade, mas ancoradas à sua realidade. Portanto, uma mulher, mãe, Mônica, que insiste na vida e dá à luz e gera, continuamente à vida, vida concreta, mas também vida na fé.
O que Santa Mônica aprendeu com a oração?
R.- Parece-me que Mônica, entretanto, fosse uma mulher que rezava muito. Agosinho nos lembra dela quando passava um tempo em Milão ouvindo Ambrósio. E o espaço que ele dedicava à escuta, à oração, deu a Mônica esse conhecimento, essa Sabedoria que é precisamente o sabor da presença de Deus em sua vida e em sua história. E talvez Mônica também aprende e nos ensina que estar com Deus, "desperdiçando nosso tempo", torna possível adquirir um bom sabor da vida que é esta eternidade, que então se encarna nos fragmentos de nossa existência. É bonito quando Agostinho, nos diálogos com seus amigos neste caminho de busca, agora próximo da conversão, vê Mônica também presente que lança estas pérolas de sabedoria. Mas de onde vem essa sabedoria nela que não tem os fundamentos filosóficos que esses jovens têm? Vem precisamente desta bela Sabedoria que é o Evangelho, que é a escuta dos textos, que é esta oração, este sabor que torna Deus presente na história e que torna você sábio.
Como cultivar a oração hoje?
- - Hoje é tão difícil rezar - porque estamos todos imersos numa sociedade extremamente frenética e apressada - que parar e adorar o Santíssimo Sacramento, ler as Escrituras, neste tempo livre, parece, precisamente, uma perda de tempo; não é tempo explorável, não tem lucro. Cultivar a oração significa, enquanto isso, aprender que somente tomando tempo, tomando espaço durante o dia, chegaremos àquela Sabedoria que Mônica nos ensinou, que é a de garantir que em todas as coisas que fazemos ali esteja aquela reverberação da eternidade que Deus nos dá. Depois há um espaço sagrado a preservar - a partir da própria interioridade, da escuta da Palavra, de uma oração, também vocal, daquela que é a forma pessoal de oração - mas para chegar a esta conexão com a realidade, esta compreensão de toda a realidade, com sua fadigas e alegrias, com as doenças e as dores, com as solidões e os vazios. É nesta realidade que Deus nos fala. Para Mônica Deus falou precisamente através de um sofrimento que era a distância de Agostinho de Deus, também de seu marido. E ele a levou a assumir na oração este grito materno.
Assim, estar verdadeiramente ancorado à própria história, à própria vida, faz com que a doação de espaços de silêncio torne a vida plena, bela, cheia de Deus. Porque, nos lembra o próprio Agostinho, estamos inquietos, temos um coração continuamente ansioso, preocupado, até que O encontramos, até que descansamos n’Ele. Significa alcançar, trazer para cá, acolher aqui aquele Paraíso e aquela eternidade que o Senhor quer nos dar em cada fragmento do dia. Isto podemos aprender com a oração e podemos cultivar se aprendermos a descobrir aquele desejo básico que é uma felicidade que habita em nós, que está escrito em nossos corações. Assim, fazer florescer novamente este desejo que habita em nosso coração significa então aprender, lentamente, a tomar tempo e permanecer dentro desta bela escola da vida. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 23, 27-32)
27Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de cadáveres e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Vós, pois, completai a medida de vossos pais!
3) Reflexão
Estes dois últimos Ais, que Jesus pronunciou contra os doutores da lei e os fariseus do seu tempo, retomam e reforçam o mesmo tema dos dois Ais do evangelho de ontem. Jesus critica a falta de coerência entre a palavra e a prática, entre o interior e o exterior.
Mateus 23,27-28: O sétimo Ai contra os que se parecem sepulcros caiados
“Vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça”. A imagem de “sepulcros caiados” fala por si e não precisa de comentário. Jesus condena os que mantêm uma aparência fictícia de pessoa correta, mas cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer aparecer para fora.
Mateus 23,29-32: O oitavo Ai contra os que enfeitam os sepulcros dos profetas, mas não os imitam
Os doutores e fariseus diziam: “Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas”. E Jesus conclui: pessoas que falam assim “confessam que são filhos daqueles que mataram os profetas”, pois eles dizem “nossos pais”. E Jesus termina dizendo: “Pois bem: acabem de encher a medida dos pais de vocês!” De fato, naquela altura dos acontecimentos, eles já tinham decidido matar Jesus. Assim acabavam de encher a medida dos pais.
4) Para um confronto pessoal
1) São mais dois Ais, mais dois motivos para receber uma crítica severa da parte de Jesus. Qual das dois cabe em mim?
2) Qual a imagem de mim mesmo que eu procuro apresentar aos outros? Ela corresponde ao que sou de fato diante de Deus?
5) Oração final
Felizes os que temem o Senhor, os que andam em seus caminhos. Poderás viver, então, do trabalho de tuas mãos, serás feliz e terás bem-estar. (Sl 127, 1-2)
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OUTRO LADO: Diocese diz que religioso está afastado; reportagem não consegue contatar defesa
Padre Antônio de Souza Carvalho foi condenado por estupro em Penápolis (SP)
São José do Rio Preto (SP)
O padre Antônio de Souza Carvalho, 67, foi condenado a 26 anos e oito meses de prisão por estupro de um coroinha em Penápolis (SP). Segundo a sentença, foram ao menos dez episódios desde 2009, quando a vítima tinha 13 anos, e persistiram por cinco anos. O religioso pode recorrer da decisão em liberdade.
A reportagem não conseguiu contato com o religioso nem com a defesa dele. A Diocese de Lins, no interior de São Paulo, a qual o padre pertence, disse que ele foi afastado do exercício do ministério.
A sentença da 1ª Vara da comarca de Penapólis, a 477 km de São Paulo, do juiz Vinicius Gonçalves Porto, foi publicada na sexta-feira (22).
Conforme a sentença, os abusos teriam começado quando a vítima tinha 13 anos. Na época, o adolescente havia se mudado com a família da área rural para a urbana de Penápolis, e todos passaram a frequentar a paróquia Sagrada Família, no bairro Eldorado.
Com o tempo, o adolescente passou a atuar como coroinha e a ajudar o padre na organização das missas na cidade e também na área rural. Os abusos teriam acontecido, principalmente, durante os trajetos até as missas realizadas na área rural.
Segundo o processo, durante o percurso feito de carro, o padre passava as mãos nas pernas e nas partes íntimas do adolescente, além de dar beijos em seu pescoço. Os abusos teriam ocorrido de 2009 a 2014, quando o padre foi transferido de cidade.
Ainda conforme a decisão, apesar de os abusos terem ocorrido há mais de uma década, somente em 2023 a vítima teve coragem de fazer a denúncia. No decorrer do processo, o padre negou as acusações.
De acordo com o processo judicial, ao ser interrogado na fase policial, o padre ficou em silêncio. Já na audiência de instrução e julgamento, ele negou as acusações.
"Questionado sobre o crime que lhe está sendo imputado, disse que sempre foi um padre muito carinhoso na comunidade; o "gesto carinhoso" é sempre um beijo e um abraço; não passava as mãos nas partes íntimas da vítima", diz trecho do processo.
Em nota, a Diocese de Lins disse que teve conhecimento da condenação, em primeira instância, na segunda-feira (25), após a informação ser vinculada na imprensa e acrescentou que o religioso foi afastado das funções.
"Desde que tomamos conhecimento da denúncia, envolvendo um suposto abuso sexual de menor, a Diocese adotou todas as medidas canônicas e pastorais cabíveis. O referido sacerdote foi afastado do exercício de seu ministério, conforme cân.1722 do CIC/83, e o caso foi imediatamente comunicado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma, que determinou a instauração de um Processo Penal Administrativo, ainda em curso", diz trecho da nota assinada por dom João Gilberto de Moura, bispo de Lins.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) disse que não vai se manifestar sobre o assunto. Procurado, o Vaticano ainda não respondeu.
O padre Antônio, mais conhecido como padre Toninho, começou a atuar na paróquia Sagrada Família em 2001, e seis anos depois ganhou o título de cidadão penapolense.
Segundo o site da Diocese de Lins, de 2014 a 2023 ele atuou como pároco na paróquia Nossa Senhora Rainha dos Anjos, em Reginópolis (SP) e depois foi transferido para a cidade de Luziânia, também no interior paulista.
O padre segue no quadro do clero da diocese, porém não foi informada a cidade em que ele está. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
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1) Oração
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 23,23-26)
23Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante. 24Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo. 25Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz outros dois Ais ou pragas que Jesus falou contra os líderes religiosos da sua época. Os dois Ais de hoje denunciam a falta de coerência entre palavra e atitude, entre o exterior e o interior. Repetimos hoje o que afirmamos ontem. Ao meditar estas palavras tão duras de Jesus, devo pensar não só nos doutores e fariseus da época de Jesus, mas também e sobretudo no hipócrita que existe em mim, em nós, na nossa família, na comunidade, na nossa igreja, na sociedade de hoje. Vamos olhar no espelho do texto para descobrir o que está errado em nós mesmos.
Mateus 23,23-24: O quinto Ai contra os que insistem na observância e esquecem a misericórdia
“Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. Este quinto Ai de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetido contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a misericórdia. Por exemplo, o jansenismo tornou árida a vivência da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Teresa de Lisieux foi criada nesse ambiente jansenista que marcava a França no fim do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.
Mateus 23,25-26: O sexto Ai contra os que limpam as coisas por fora e sujam por dentro
“Vocês limpam o copo e o prato por fora, mas por dentro vocês estão cheios de desejos de roubo e cobiça”. No Sermão da Montanha, Jesus critica os que observam a letra da lei e transgridem o espírito da lei. Ele diz: "Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: 'Não mate! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu perante o tribunal. Quem diz ao seu irmão: 'imbecil', se torna réu perante o Sinédrio; quem chama o irmão de 'idiota', merece o fogo do inferno. Vocês ouviram o que foi dito: 'Não cometa adultério'. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que olha para uma mulher e deseja possuí-la, já cometeu adultério com ela no coração” (Mt 5,21-22.27-28). Não basta observar a letra da lei. Não basta não matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar, para ser fiel ao que Deus pede de nós. Só observa plenamente a lei de Deus aquele que, para além da letra, vai até raiz e arranca de dentro de si “os desejos de roubo e de cobiça” que possam levar ao assassinato, ao roubo, ao adultério. É na prática do amor que se realiza a plenitude da lei.
4) Para um confronto pessoal
1-São mais dois Ais ou duas pragas, mais dois motivos para receber uma crítica severa da parte de Jesus. Qual das dois cabe em mim
2-Observância e gratuidade: qual das duas prevalece em mim?
5) Oração final
Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas. (Sl 95, 2-3)
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Informações foram repassadas pela Polícia Civil; arcebispo disse que padre foi suspenso assim que denúncia chegou à Diocese de Cascavel
Foto por REPRODUÇÃO/POLÍCIA CIVILPadre foi preso no domingo (24) em Cascavel
Escrito por Da Redação
Investigação da Polícia Civil do Paraná aponta que o padre de Cascavel, preso por estupro de vulnerável no domingo (24), teria dopado um jovem de 19 anos e abusado sexualmente dele enquanto oferecia tratamento contra o vício em drogas. Ainda conforme a investigação conduzida pela delegada Thaís Zanatta, denúncias anteriores contra o religioso foram abafadas por superiores na Igreja, permitindo que ele continuasse a atuar por anos.
A polícia formalizou a denúncia por três crimes de abuso de vulnerável, mas a delegada afirma que o número de vítimas pode ser ainda maior. Um dos casos mais recentes, de 2019, envolve um jovem de 19 anos que buscou ajuda do padre para tratar o vício em drogas. Segundo a investigação, o padre teria pedido que o jovem pernoitasse em sua casa para receber uma medicação. Segundo a polícia, a vítima foi dopada a estuprada na terceira noite.
As investigações revelaram que o histórico de abusos do sacerdote não é recente. A investigação aponta que o primeiro registro contra ele é de 2010, quando ele ainda era seminarista. Na ocasião, a vítima foi outro seminarista, que, embora maior de idade, estava em estado de sonolência, sendo considerado vulnerável.
As denúncias anteriores, inclusive casos com crianças, teriam sido abafadas pela hierarquia da Igreja, o que fez com que o padre continuasse na função.
O arcebispo de Cascavel, Dom José Mário Scalon Angonese, informou por meio de comunicado que o padre foi suspenso de suas atividades em 14 de agosto, assim que a denúncia chegou oficialmente à diocese. Um processo de investigação eclesiástica foi iniciado e, caso os crimes sejam confirmados, o sacerdote poderá ser "demitido do estado clerical", conforme a decisão do Vaticano. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não se manifestou sobre o caso.
O padre, cujo nome não foi divulgado, está detido na Cadeia Pública de Cascavel e será transferido para o sistema penitenciário. Fonte: https://tnonline.uol.com.br
Arcebispo de Cascavel se pronuncia após prisão de padre acusado de assédio sexual
Em sua fala, Dom José Mário expressou consternação e sofrimento diante da situação, ressaltando que a Igreja deseja que a verdade venha à tona.
O Arcebispo de Cascavel, Dom José Mário, realizou na manhã desta segunda-feira (25) um pronunciamento oficial em resposta à prisão de um padre cascavelense acusado de assédio sexual. O religioso, cujo nome não foi divulgado, já estava afastado de suas funções há alguns dias, desde que a Igreja Católica recebeu a denúncia e tomou conhecimento da investigação dos fatos.
Em sua fala, Dom José Mário expressou consternação e sofrimento diante da situação, ressaltando que a Igreja deseja que a verdade venha à tona. “Se o padre, de fato, cometeu delito, ele deve responder por isso”, afirmou. O arcebispo destacou ainda que, ao assumir a liderança em Cascavel, instituiu para todos os presbíteros um código de conduta, com orientações claras sobre o comportamento esperado dos padres.
Segundo Dom José Mário, a denúncia foi recebida formalmente pela Igreja, o que permitiu a adoção imediata dos procedimentos recomendados pelo direito canônico. O padre foi suspenso de suas atividades e um processo de investigação foi aberto. “Temos um prazo de 90 dias na diocese, depois encaminhamos para a Congregação da Doutrina da Fé, ou do Clero, em Roma, no Vaticano, onde eles farão o julgamento”, explicou o arcebispo. Ele acrescentou que, caso seja confirmada a prática de pedofilia, a decisão do Vaticano tem sido a demissão do estado clerical, o que implica o desligamento do padre de suas funções religiosas.
O arcebispo também comentou sobre as transferências de padres entre paróquias, explicando que se trata de uma prática comum na Igreja, visando o dinamismo e a renovação do trabalho pastoral. No caso específico, o padre investigado já estava há nove anos na mesma paróquia, ultrapassando o período considerado ideal, motivo pelo qual sua transferência já estava sendo avaliada pelo conselho dos presbíteros.
Dom José Mário enfatizou o compromisso da Igreja em apoiar possíveis vítimas de abuso, oferecendo auxílio para superar as dificuldades e curar as feridas. “É uma atitude positiva da igreja, de solidariedade, de ajuda e de compreensão e de acompanhamento destas pessoas”, declarou.
Ao final do pronunciamento, o arcebispo destacou que a Arquidiocese de Cascavel conta com 74 padres, ressaltando que a grande maioria é composta por homens justos e dedicados à missão religiosa. Ele pediu que a comunidade católica continue orando pela Igreja e por seus padres e reforçou a importância de denúncias formais em casos de conduta inadequada. “Se eventualmente tiver algum comportamento equivocado de qualquer um dos presbíteros ou diáconos, por favor, ofereçam-nos a denúncia e nós vamos acolher”, concluiu. Fonte: https://cgn.inf.br/noticia
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1) Oração
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 23, 13-22)
13Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar. 14[Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Devorais as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso, sereis castigados com muito maior rigor.] 15Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos. 16Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: Se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento. 17Insensatos, cegos! Qual é o maior: o ouro ou o templo que santifica o ouro? 18E dizeis ainda: Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado. 19Cegos! Qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20Aquele que jura pelo altar, jura ao mesmo tempo por tudo o que está sobre ele. 21Aquele que jura pelo templo, jura ao mesmo tempo por aquele que nele habita. 22E aquele que jura pelo céu, jura ao mesmo tempo pelo trono de Deus, e por aquele que nele está sentado.
3) Reflexão Mateus 23,13-22
Nestes próximos três dias vamos meditar o discurso que Jesus pronunciou criticando os doutores da lei e os fariseus, chamando-os de hipócritas. No evangelho de hoje (Mt 23,13-22), Jesus pronuncia contra eles quatro Ais ou pragas. No de amanhã, mais duas pragas (Mt 23,23-26), e no evangelho de depois de amanhã, outras duas pragas(Mt 23,27-32). Ao todo oito Ais ou pragas contra os líderes religiosos da época. São palavras muito duras. Ao meditá-las, devo pensar não só nos doutores e fariseus do tempo de Jesus, mas também e sobretudo no hipócrita que existe em mim, em nós, na nossa família, na comunidade, na nossa igreja, na sociedade de hoje. Vamos olhar no espelho do texto para descobrir o que existe de errado em nós mesmos.
Mateus 23,13: O primeiro Ai contra os que fecham a porta do Reino
“Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam”. Fecham o Reino como? Apresentando Deus apenas como juiz severo, deixando pouco espaço para a misericórdia. Impondo em nome de Deus leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino.
Mateus 23,14: O segundo Ai contra os que usam a religião para se enriquecer
“Vocês exploram as viúvas, e roubam suas casas e, para disfarçar, fazem longas orações! Por isso, vocês vão receber uma condenação mais severa”. Jesus permite aos discípulos viver do evangelho, pois diz que o operário digno do seu salário (Lc 10,7; cf. 1Cor 9,13-14), mas usar a oração e a religião como meio para enriquecer-se, isto é hipocrisia e não revela a Boa Nova de Deus. Transforma a religião num mercado. Jesus expulsou os comerciantes do Templo (Mc 11,15-19) citando os profetas Isaías e Jeremias: “Minha casa é casa de oração para todos os povos e vocês a transformaram num covil de ladrões” (Mc 11,17; cf Is 56,7; Jr 7,11)). Quando o mago Simão quis comprar o dom do Espírito Santo, Pedro o amaldiçoou (At 8,18-24). Simão recebeu a “condenação mais severa” de que Jesus fala no evangelho de hoje.
Mateus 23,15: O terceiro Ai contra os que fazem proselitismo
“Vocês percorrem o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguem, o tornam merecedor do inferno duas vezes mais do que vocês”. Há pessoas que se fazem missionários e anunciam o evangelho não para irradiar a Boa Nova do amor de Deus, mas para atrair as pessoas para o seu grupo ou sua igreja. Certa vez, João proibiu uma pessoa de usar o nome de Jesus porque ela não fazia parte do grupo dele. Jesus respondeu: “Não proíba, pois quem não é contra, é a favor” (Mc 9,39). O documento da Assembléia Plenária dos bispos da América Latina, realizada no mês de maio de 2008, em Aparecida, Brasil, tem como título: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida!” Ou seja, o objetivo da missão não é para que os povos se tornem católicos, nem para fazer proselitismo, mas sim para que os povos tenham vida, e vida em abundância.
Mateus 23,16-22: O quarto Ai contra os que vivem fazendo juramento
“Vocês dizem: 'Se alguém jura pelo Templo, não fica obrigado, mas se alguém jura pelo ouro do Templo, fica obrigado'”. Jesus faz um longo raciocínio para mostrar a incoerência de tantos juramentos que o povo fazia ou que a religião oficial mandava fazer: juramentos pelo ouro do templo ou pela oferenda que está no altar. O ensinamento de Jesus, dado no Sermão da Montanha, é o melhor comentário da mensagem do evangelho de hoje: “Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Não jure nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Diga apenas 'sim', quando é 'sim'; e 'não', quando é 'não'. O que você disser além disso, vem do Maligno." (Mt 5,34-37)
4) Para um confronto pessoal
1) São quatro Ais ou quatro pragas, quatro motivos para receber uma crítica severa da parte de Jesus. Qual das quatro críticas cabe em mim?
2) Nossa Igreja hoje merece estes Ais da parte de Jesus?
5) Oração final
Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. (Sl 95, 1-2)
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1) Oração
Ó Deus, que preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 22,1-14)
1Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas: 2O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho. 3Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. 4Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas! 5Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. 6Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram. 7O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade. 8Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos. 9Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes. 10Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados. 11O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial. 12Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma. 13Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. 14Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
3) Reflexão Mateus 22,1-14
O evangelho de hoje traz a parábola do banquete que se encontra em Mateus e em Lucas, mas com diferenças significativas, provenientes da perspectiva de cada evangelista. O pano de fundo, porém, que levou os dois evangelistas a conservar esta parábola é o mesmo. Na comunidades dos primeiros cristãos, tanto de Mateus como de Lucas, continuava bem vivo o problema da convivência entre judeus convertidos e pagãos convertidos. Os judeus tinham normas antigas que os impediam de comer com os pagãos. Mesmo depois de terem entrado na comunidade cristã, muitos judeus mantinham o costume antigo de não sentar à mesma mesa com um pagão. Assim, Pedro teve conflitos na comunidade de Jerusalém, por ter entrado na casa de Cornélio, um pagão, e ter comido com ele (At 11,3). Este mesmo problema, porém, era vivido de maneira diferente nas comunidades de Lucas e nas de Mateus. Nas comunidades de Lucas, apesar das diferenças de raça, classe e gênero, eles tinham um grande ideal de partilha e de comunhão (At 2,42; 4,32; 5,12). Por isso, no evangelho de Lucas (Lc 14,15-24), a parábola insiste no convite feito a todos. O dono da festa, indignado com a desistência dos primeiros convidados, mandou chamar os pobres, os aleijados, os cegos, os mancos para virem participar do banquete. Mesmo assim sobrava lugar. Então, o dono da festa mandou convidar todo mundo, até que a casa ficasse cheia. No evangelho de Mateus, a primeira parte da parábola (Mt 22,1-10) tem o mesmo objetivo de Lucas. Ele chega a dizer que o dono da festa mandou entrar “bons e maus” (Mt 22,10). Mas no fim ele acrescenta uma outra parábola (Mt 22,11-14) sobre o traje de festa, que insiste no que é específico dos judeus, a saber, a necessidade da pureza para poder comparecer diante de Deus.
Mateus 22,1-2: O convite para todos
Alguns manuscritos dizem que a parábola foi contada para os chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Esta afirmação pode até servir como chave de leitura, pois ajuda a compreender alguns pontos estranhos que aparecem na história que Jesus conta. A parábola começa assim: "O Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho”. Esta afirmação inicial evoca a esperança mais profunda: o desejo do povo de estar com Deus para sempre. Várias vezes nos evangelhos se alude a esta esperança, sugerindo que Jesus, o filho do Rei, é o noivo que veio preparar o casamento (Mc 2,19; Apc 21,2; 19,9).
Mateus 22,3-6: Os convidados não quiseram vir
O rei fez dois convites muita insistentes, mas os convidados não quiseram vir. “Um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios, e outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram”. Em Lucas são os deveres da vida cotidiana que impedem os convidados de aceitar o convite. O primeiro diz: “Comprei um terreno. Preciso vê-lo!” O segundo: “Comprei cinco juntas de bois! Vou experimentá-las!” O terceiro: “Casei. Não posso ir!” (cf. Lc 14,18-20). Dentro das normas e costumes da época, aquelas pessoas tinham o direito e até o dever de recusar o convite que lhes foi feito (cf Dt 20,5-7).
Mateus 22,7: Uma guerra incompreensível
A reação do rei diante da recusa surpreende. “Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram fogo na cidade deles. Como entender esta reação tão violenta? A parábola foi contada para os chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo (Mt 22,1), os responsáveis pelos da nação. Muitas vezes, Jesus tinha falado a eles sobre a necessidade da conversão. Ele chegou a chorar sobre a cidade de Jerusalém e dizer: "Se também você compreendesse hoje o caminho da paz! Agora, porém, isso está escondido aos seus olhos! Vão chegar dias em que os inimigos farão trincheiras contra você, a cercarão e apertarão de todos os lados. Eles esmagarão você e seus filhos, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio para visitá-la." (Lc 14,41-44). A reação violoenta do rei na parábola refere-se provavelmente ao que aconteceu de fato de acordo com a previsão de Jesus. Quarenta anos depois, Jerusalém foi destruída (Lc 19,41-44; 21,6;).
Mateus 22,8-10: O convite permanece de pé
Pela terceira vez, o rei convida o povo. Ele disse aos empregados: “A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram. Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem para a festa todos os que vocês encontrarem. Então os empregados saíram pelos caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados“. Os maus que eram excluídos como impuros da participação no culto dos judeus, agora são convidados, especificamente, pelo rei para participar da festa. No contexto da época, os maus eram os pagãos. Eles também são convidados para participar da festa de casamento.
Mateus 22,11-14: O traje de festa
Estes versos contam como o rei entrou na sala da festa e viu alguém sem o traje da festa. O rei perguntou: 'Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu. A história conta que o homem foi amarrado e jogado fora na escuridão. E conclui: “Muitos são chamados, e poucos são escolhidos”. Alguns estudiosos acham que aqui se trata de uma segunda parábola que foi acrescentada para abrandar a impressão que ficou da primeira parábola onde se disse que “maus e bons” entraram para a festa (Mt 22,10). Mesmo admitindo que já não é a observância da lei que nos traz a salvação, mas sim a fé no amor gratuito de Deus, isto em nada diminui a necessidade da pureza do coração como condição para poder comparecer diante de Deus.
4) Para um confronto pessoal
- Quais as pessoas que normalmente são convidadas para as nossas festas? Por quê? Quais as pessoas que não são convidadas para as nossas festas? Por quê?
- Quais os motivos que hoje limitam a participação de muitas pessoas na sociedade e na igreja? Quais os motivos que certas pessoas alegam para se excluir do dever de participar na comunidade? Será que são motivos justos?
5) Oração final
Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito. (Sl 50, 12-13)
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1) Oração
Ó Deus, que preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 19,23-30)
Naquele tempo, 23Jesus disse então aos seus discípulos: Em verdade vos declaro: é difícil para um rico entrar no Reino dos céus!24Eu vos repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.25A estas palavras seus discípulos, pasmados, perguntaram: Quem poderá então salvar-se?26Jesus olhou para eles e disse: Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.27Pedro então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?28Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós, que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.29E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.30Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros.
3) Reflexão Mateus 19,23-30
O evangelho de hoje é a continuação imediata do evangelho de ontem. Traz o comentário de Jesus a respeito da reação negativa do jovem rico.
Mateus 19,23-24: O camelo e o fundo da agulha.
Depois que o jovem foi embora, Jesus comentou a decisão dele e disse: "Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus". Duas observações a respeito desta afirmação de Jesus: 1) O provérbio do camelo e do buraco da agulha se usava para dizer que uma coisa era impossível e inviável, humanamente falando. 2) A expressão “um rico entrar no Reino” trata, não em primeiro lugar da entrada no céu depois da morte, mas sim da entrada na comunidade ao redor de Jesus. E até hoje é assim. Os ricos dificilmente entram e se sentem em casa nas comunidades que tentam viver o evangelho de acordo com as exigências de Jesus e que procuram abrir-se para os pobres, os migrantes e os excluídos da sociedade.
Mateus 19,25-26: O espanto dos discípulos
O jovem tinha observado os mandamentos, mas sem entender o porquê da observância. Algo semelhante estava acontecendo com os discípulos. Quando Jesus os chamou, fizeram exatamente o que Jesus tinha pedido ao jovem: largaram tudo e foram atrás de Jesus (Mt 4,20.22). Mesmo assim, ficaram espantados com a afirmação de Jesus sobre a quase impossibilidade de um rico entrar no Reino de Deus. Sinal de que não tinham entendido bem a resposta de Jesus ao moço rico: “Vai vende tudo, dá para os pobres e vem e segue-me!” Pois, se o tivessem entendido, não teriam ficado tão chocados com a exigência de Jesus. Quando a riqueza ou o desejo da riqueza ocupa o coração e o olhar, a pessoa já não consegue perceber o sentido da vida e do evangelho. Só Deus mesmo para ajudar! "Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível."
Mateus 19,27: A pergunta de Pedro.
O pano de fundo da incompreensão dos discípulos transparece na pergunta de Pedro: “Olhe, nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?” Apesar da generosidade tão bonita do abandono de tudo, eles mantinham a mentalidade anterior. Abandonaram tudo para receber algo em troca. Ainda não entendiam bem o sentido do serviço e da gratuidade.
Mateus 19,28-30: A resposta de Jesus
"Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros". Nesta resposta, Jesus descreve o mundo novo, cujos fundamentos estavam sendo lançados pelo trabalho dele e dos discípulos. Jesus acentua três pontos importantes: (1) Os discípulos vão sentar nos doze tronos junto com Jesus para julgar as doze tribos de Israel (cf. Apc 4,4). (2) Vão receber em troca muitas vezes aquilo que tinham abandonado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, e terão a herança da vida eterna garantida. (3) O mundo futuro será a inversão do mundo atual. Nele os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. A comunidade ao redor de Jesus é semente e amostra deste mundo novo. Até hoje as pequenas comunidades dos pobres continuam sendo semente e amostra do Reino.
Cada vez que, na história do povo da Bíblia, surge um movimento para renovar a Aliança, ele começa restabelecendo os direitos dos pobres, dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Ele denuncia o sistema antigo que, em nome de Deus, excluía os pobres. Jesus anuncia um novo começo que, em nome de Deus, acolhe os excluídos. Este é o sentido e o motivo da inserção e da missão da comunidade de Jesus no meio dos pobres. Ela atinge a raiz e inaugura a Nova Aliança.
4) Para um confronto pessoal
1) Abandonar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do nome de Jesus. Como isto acontece na sua vida? O que já recebeu de volta?
2) Hoje, a maioria dos países pobres não é da religião cristã, enquanto a maioria dos países ricos é da religião cristã. Como se aplica hoje o provérbio do camelo que não passa pelo fundo de uma agulha?
5) Oração final
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso cajado são o meu amparo. (Sl 22, 4)
- Detalhes
A luz ainda brilha. A esperança ainda pulsa. Deus ainda é procurado – e encontrado – pelos corações jovens
Roma viveu uma noite histórica. Um milhão de jovens, oriundos dos cinco continentes, reuniram-se em Tor Vergata, nos arredores da Cidade Eterna, para a grande Vigília com o Santo Padre, o papa Leão XIV. O mundo, acostumado aos ruídos de um cotidiano fragmentado, presenciou um fenômeno de unidade, beleza e transcendência. Um mar humano de cores, bandeiras, línguas e canções tomou conta do imenso campo aberto, transformando-o num coração palpitante da Igreja. Em tempos de indiferença e relativismo, ali proclamou-se – com cantos, lágrimas e silêncios – que a Igreja está viva. E que ela vive onde está Pedro.
Mas o dado mais eloquente daquela noite não foi o entusiasmo das canções ou a multiplicidade das culturas. Não foram os gritos de festa, os flashes das câmeras ou o colorido das bandeiras. Foi o silêncio. Um silêncio que falava mais alto do que qualquer palavra. Quando o papa se ajoelhou diante do Santíssimo Sacramento, aquele milhão de jovens – que minutos antes cantava, aplaudia e celebrava – caiu de joelhos. O campo se tornou um templo. A alegria deu lugar à adoração. O burburinho das línguas foi substituído por um silêncio denso, carregado de reverência e fé.
Esse foi o momento culminante de um encontro que ultrapassou as categorias convencionais. Tor Vergata não foi apenas um evento religioso, uma espécie de Woodstock cristão, como alguns quiseram rotular. Foi algo infinitamente mais profundo: uma epifania. A manifestação clara e inequívoca de que uma nova geração se levanta. Uma geração que se recusa a ceder ao cinismo, à descrença, à ironia barata. Uma juventude que não quer ser escrava do vazio. Que não aceita a anestesia da alma. Que clama – ainda que silenciosamente – por algo maior. Por sentido. Por verdade. Por fé.
Essa juventude, tantas vezes rotulada como líquida, apática ou relativista, mostrou ali o oposto: sede de valores sólidos, fome de beleza autêntica, desejo de santidade. Em meio a um mundo marcado pela corrupção, violência, hiperconectividade e hedonismo, Tor Vergata foi um grito silencioso: o mal não terá a última palavra. A luz ainda brilha. A esperança ainda pulsa. Deus ainda é procurado – e encontrado – pelos corações jovens.
Há uma inquietação saudável nas novas gerações. Uma rebeldia sadia. Uma sede que não se sacia com promessas vazias, com entretenimento raso ou com ideologias enganosas. Muitos desses jovens chegaram a Roma depois de longas peregrinações, enfrentando o calor, o cansaço, a distância. Mas chegaram com os olhos cheios de expectativa. Queriam ver o papa, sim. Mas, mais do que isso, queriam ver a si mesmos à luz de Deus. Queriam descobrir quem são, de onde vêm e para onde vão. E ali, na presença real de Cristo, encontraram mais do que respostas: encontraram um olhar. O olhar do Pai.
O papa Leão XIV, com sua serenidade, olhar firme e palavras doces, pareceu compreender a alma daquela multidão. “Vocês são a esperança viva da Igreja”, disse. Não como um slogan. Mas como uma constatação carregada de verdade e responsabilidade. O aplauso que se seguiu foi mais do que entusiasmo: foi uma profissão de fé. Uma confirmação de que, sim, a Igreja continua jovem. Não por causa da idade de seus membros, mas pela vitalidade de sua fé.
Há algo profundamente comovente em ver 1 milhão de jovens ajoelhados. Ajoelhar-se, no mundo de hoje, é quase um escândalo. É sinal de fraqueza para alguns, de submissão para outros. Mas, para quem crê, ajoelhar-se diante de Deus é o maior ato de liberdade. Porque é só diante d’Ele que o homem encontra sua verdadeira dignidade. Tor Vergata nos lembrou que ajoelhar-se não é humilhação: é elevação. Não é fuga: é encontro. Não é alienação: é reencontro com a realidade mais profunda da existência.
O que aconteceu em Roma foi um sinal. Um sopro do Espírito. Uma primavera espiritual que começa a despontar nos corações, especialmente nos corações jovens. E esse fenômeno precisa ser compreendido com seriedade. Não se trata de um surto religioso passageiro, mas de uma resposta clara à crise de sentido que assola o mundo contemporâneo. Numa época marcada pela superficialidade, pela cultura do descarte e pelo narcisismo digital, jovens reunidos em torno do papa, da Eucaristia e da oração são um testemunho profético.
A experiência de Tor Vergata deve, portanto, ser lida como um sinal dos tempos. E não um sinal qualquer, mas um sinal luminoso. Uma centelha de esperança num cenário muitas vezes sombrio. Uma lembrança de que, por trás das estatísticas e dos diagnósticos pessimistas, existe uma juventude que busca. Que luta. Que sonha. Que tem fé.
E o mais belo é que essa juventude não busca um Deus genérico, diluído, adaptado às modas do tempo. Busca a beleza da fé. Busca um sentido que não se esgota nos likes ou nas notificações. Busca um amor que seja eterno.
Tor Vergata não é passado. É profecia. E como toda profecia verdadeira, não grita – sussurra. Não impõe – propõe. Não acusa – convida. Aquele milhão de jovens, ajoelhados diante do Santíssimo, não estava fugindo do mundo. Estava sendo preparado para transformá-lo. Fonte: https://www.estadao.com.br
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