1) Oração

Dai-nos, ó Deus, pensar sempre o que é reto e realizá-lo com solicitude. E como só podemos existir em vós, fazei-nos viver segundo a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 7, 7-12)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 7Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. 8Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á. 9Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? 10E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? 11Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem. 12Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje traz um trecho do Sermão da Montanha, a Nova Lei de Deus que nos foi revelada  por Jesus. O Sermão da Montanha tem a seguinte estrutura:

1) Mateus 5,1-16: O portão da entrada: as bem-aventuranças (Mt 5,1-10) e a missão dos discípulos: ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,12-16).

2) Mateus 5,17 a 6,18: O novo relacionamento com Deus: A nova justiça (Mt 5,17-48) que não visa mérito na prática da esmola, da oração e do jejum (Mt 6,1-18).

3) Mateus 6,19-34: O novo relacionamento com os bens da terra: não acumular (Mt 6,19-21), não olhar o mundo com olhar doente (Mt 6,22-23), não servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24), não se preocupar com comida e bebida (Mt 6,23-34).

4) Mateus 7,1-23: O novo relacionamento com as pessoas: não reparar no cisco no olho do irmão (Mt 7,1-5); não jogar pérolas aos porcos (Mt 7,6); o evangelho de hoje: não ter medo de pedir as coisas a Deus (Mt 7,7-11); e a Regra de Ouro (Mt 7,12); escolher o caminho difícil e estreito (Mt 7,13-14), tomar cuidado com os falsos profetas (Mt 7,15-20).

5) Mateus 7,21-29: Conclusão; não só falar mas também praticar (Mt 7,21-23); comunidade construída em cima deste fundamento ficará em pé na tempestade (Mt 7,24-27). O resultado destas palavras é uma nova  consciência frente aos escribas e doutores (Mt 7,28-29)

Mateus 7,7-8As três recomendações de Jesus

Três recomendações: pedir, procurar e bater na porta: "Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês!” Pedir se faz a uma pessoa. A resposta depende tanto da pessoa como da insistência do pedido. Procurar se faz orientando-se por algum critério. Quanto melhor o critério, maior será a certeza de encontrar o que se procura. Bater na porta se faz na esperança de que haja alguém do outro lado dentro da casa. Jesus completa a recomendação oferecendo a certeza da resposta: “Todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta”. Isto significa que quando pedimos a Deus, Ele atende ao nosso pedido. Quando buscamos a Deus, ele se deixa encontrar (Is 55,6). Quando batemos na porta da casa de Deus, ele vai atender.

Mateus 7,9-11: A pergunta de Jesus ao povo

“Quem de vocês dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe?”  Aqui transparece o jeito simples e direto de Jesus ensinar as coisas de Deus ao povo. Falando para pais e mães de família, ele apela para a experiência diária. Nas entrelinhas das perguntas se adivinha a resposta gritada do povo: “Não!” Pois, ninguém dá uma pedra ao filho quando este pede um pão. Não existe mãe nem pai que dá uma cobra quando o filho ou a filha pede um peixe. E Jesus tira a conclusão: “Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o Pai de vocês que está no céu dará coisas boas aos que lhe pedirem."  Jesus nos chama de maus para acentuar a certeza de sermos atendidos por Deus quando pedimos algo a Ele. Pois se nós, que não somos santos nem santas, sabemos dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu. Esta comparação tem como objetivo tirar de dentro de nós qualquer dúvida a respeito do resultado da oração feita a Deus com confiança. Deus vai atender! Lucas acrescenta que Deus nos dará o Espírito Santo (Lc 11,13)

Mateus 7,12: A Regra de Ouro

"Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas."  Este é o resumo de todo o Antigo Testamento, da Lei e dos profetas. É o resumo de tudo que Deus nos tem a dizer, o resumo de todo o ensinamento de Jesus. Esta Regra de Ouro encontra-se não só no ensinamento de Jesus, mas também, de uma ou de outra maneira, em todas as religiões. Ela responde ao sentimento mais profundo e mais universal do ser humano.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Pedir, buscar, bater na porta: Como você reza e conversa com Deus?

2) Como você vive a Regra de Ouro?

 

5) Oração final

A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples. (Sl 18, 8)

 

Quaresma com São José! A cada semana da Quaresma, o Pe. Rafhael Silva Maciel propõe uma pequena catequese, que este ano terá como linha guia o Ano de S. José, proclamado pelo Papa Francisco. Pe. Rafhael é Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia. Confira a segunda reflexão.

 

Vatican News

Como tempo especial de conversão e discernimento da nossa vida cristã, a Quaresma nos lembra a cada dia, seja na liturgia e seja nos exercícios espirituais que nos são propostos, a contemplação do mistério da Cruz de Jesus Cristo.

O Diretório para liturgia e a piedade popular, afirma que os fiéis, “contemplando o Salvador crucificado, entendem mais facilmente o significado da imensa dor injusta que Jesus, o Santo e Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem, desse modo, o valor do seu amor solidário e a eficácia do seu sacrifício redentor” (n. 127).

A Cruz de Jesus Cristo é o ato mais alto de sua obediência ao Pai do Céu, pois “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo” (Jo13,1).

Foi pelo seu amor incondicional à vontade do Pai que Jesus “abaixou-se, tornando-se obediente até a morte, à morte sobre uma cruz” (Fl 2,8).

Toda a vida de Jesus foi obediência, todas as suas ações e palavras foram em consonância e união íntima entre a sua vontade e a vontade do Seu Pai.

O Senhor, ainda na sua glória junto do Pai, como Verbo divino já obedecera, encarnando-se no seio da Virgem Maria. De Maria mesmo Ele aprendeu a obedecer, tendo escutado a resposta da escolhida: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”, o Verbo entra no mundo, por obra do Espírito Santo.

Não é somente da Virgem Mãe que Jesus recebe o testemunho da obediência e da acolhida radical da vontade divina na vida. O homem ao qual está prometida Maria em casamento, José, também é testemunho de obediência e de acolhida irrestrita da vontade de Deus. Ao final do sonho em que o Anjo Gabriel lhe revela o projeto divino, diz o evangelista Marcos que “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher” (Mc 1,24).

Ainda outras duas vezes José agirá em plena conformidade com a ordem de Deus, quando avisado em sonho pelo Anjo do perigo que rondava à Sagrada Família “levantou-se, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito” (Mc 2,14), e quando recebe a revelação de que pode retornar para casa e sair do Egito, José “levantou-se, tomou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel” (Mc 2,21).

Papa Francisco na sua carta Patris corde escreve que São José, em nenhum momento “hesitou em obedecer”, que “com confiança e paciência, esperou” (n. 3), por isso São José é o “pai na obediência”, é o homem, esposo e pai de família que sabe que obedecer a Deus é princípio vital para a sobrevivência da vida, em sentido integral.

O que é a vontade de Deus? A serva de Deus Chiara Lubich uma vez respondeu, quando questionada, que a vontade “é aquilo que mais nos custa”. Levada em consideração essa resposta, São José é ícone dessa suave e doce submissão à vontade divina porque sabe, desde o seu interior, que quando Deus chama, quando Deus pede algo da pessoa, Ele não quebra a sua vida, mas a deixa ainda mais aberta e livre! Fazer a vontade de Deus não é uma condenação, outrossim é uma experiência de enamoramento com a Graça de Deus.

No nosso caminho quaresmal com São José encontramos o “justo” – aquele que, temente a Deus, realiza na sua vida o que Deus lhe chama a fazer, a vocação para a qual foi chamado. Pessoalmente, São José deu o testemunho da sua obediência ao Filho de Deus, que estava sob seus cuidados e, ao mesmo tempo, “na sua função de chefe de família, ensinou Jesus a ser submisso aos pais (Lc 2,51)” e, na escola de José, Ele [Jesus] aprendeu a fazer a vontade do Pai” (Francisco, Patris corde, n.3)

Vivemos tempos difíceis seja no entendimento da palavra obediência, numa sociedade que prega uma liberdade sem limites e uma consciência moral frouxa, seja o reconhecimento de que a vontade de Deus, que tem como fundamento a salvação do ser humano e o seu bem.

São José emerge como um exemplo de obediência e de liberdade sem iguais, porque deixou-se iluminar pela luz divina e, “quando os homens estão na luz, não são eles que iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela (Sto. Irineu).

Como mais um gesto concreto quaresmal, aprendendo a obediência, na escola de São José, durante essa Quaresma demos mais espaço para a escuta de Palavra de Deus e vivamos a penitência que já foi escolhida (se ainda foi seria bom escolher) buscando realizar através dela a vontade de Deus – “aquilo que mais nos custa”!

Desse modo, nossa penitência, por mais simples que seja, leve-nos à santa obediência e que nossas ações, acompanhadas pela oração, sejam feitas conforme a vontade do Senhor. São José, providenciai! Boa oração, abençoada meditação!

Roma, 24 de fevereiro de 2021 Quarta-feira, I Semana da Quaresma

Pe. Rafhael Silva Maciel

Missionário da Misericórdia e Mestre em Sagrada Liturgia

Fonte: https://www.vaticannews.va

 

 

1) Oração

Considerai, ó Deus, com bondade o fervor do vosso povo. E, enquanto mortificamos o corpo, sejamos espiritualmente fortalecidos pelos frutos das boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 11, 29-32)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 29Afluía o povo e ele continuou: Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas. 30Pois, como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem o será para esta geração. 31A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque ela veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão! Ora, aqui está quem é mais que Salomão. 32Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Estamos no tempo de quaresma. A liturgia privilegia os textos que possam ajudar-nos na conversão e na mudança de vida. Aquilo que melhor ajuda na conversão são os fatos da história do povo de Deus. No evangelho de hoje, Jesus traz dois episódios do passado: de Jonas e da rainha de Sabá, e os transforma em espelho para o povo olhar nele e descobrir o apelo de Deus à conversão.

Lucas 11,29: A geração má que pede um sinal. Jesus chama a geração de má, porque ela não quer acreditar em Jesus e vive pedindo sinais que possam legitimar Jesus como enviado de Deus. Mas Jesus recusa dar um sinal, pois, no fundo, se eles pedem um sinal é porque não querem crer. O único sinal que vai ser dado é o sinal de Jonas.

Lucas 11,30: O Sinal de Jonas. O sinal de Jonas tem dois aspectos. O primeiro é o que afirma o texto de Lucas no evangelho de hoje. Jonas foi um sinal para o povo de Nínive através da sua pregação. Ouvindo Jonas, o povo se converteu. Assim, a pregação de Jesus estava sendo um sinal para o seu próprio povo, mas o povo não dava sinais de conversão. O outro aspecto é o que afirma o evangelho de Mateus por ocasião do mesmo episódio: “Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra” (Mt 12,40). Quando Jonas foi cuspido na praia, ele foi anunciar a palavra de Deus ao povo de Nínive. Da mesma maneira, depois da morte e ressurreição no terceiro dia, A Boa Nova será anunciada ao povo da Judéia.

Lucas 11,31A Rainha de Sabá. Em seguida, Jesus evoca a história da Rainha de Sabá que veio de longe para ver Salomão e aprender da sabedoria dele (cf. 1Rs 10,1-10). E por duas vezes Jesus afirma: “E aqui está quem é maior do que Salomão”.  “E aqui está quem é maior do que Jonas”.

Um aspecto muito importante que está por detrás desta discussão entre Jesus os líderes do seu povo é a maneira diferente como ele, Jesus, e os seus adversários se colocavam frente a Deus. O livro de Jonas é uma parábola, que critica a mentalidade daqueles que queriam Deus só para os Judeus. Na história de Jonas, os pagãos se converteram diante da pregação de Jonas e Deus os acolheu na sua bondade e não destruiu a cidade. Quando viu que Deus acolheu o povo de Nínive e não destruiu a cidade, “Jonas ficou muito desgostoso e irado. E rezou a Javé: "Ah! Javé! Não era justamente isso que eu dizia quando estava na minha terra? Foi por isso que eu corri, tentando fugir para Társis, pois eu sabia que tu és um Deus compassivo e clemente, lento para a ira e cheio de amor, e que voltas atrás nas ameaças feitas. Se é assim, Javé, tira a minha vida, pois eu acho melhor morrer do que ficar vivo" (Jonas 4,1-3). Por isso, Jonas era um sinal para os judeus do tempo de Jesus e continua sendo um sinal também para nós cristãos. Pois, imperceptivelmente, como em Jonas aparece também em nós uma mentalidade de que nós cristãos temos uma espécie de monopólio de Deus e que todos os outros devem tornar-se cristãos. Isto seria proselitismo. Jesus não pede que todos sejam cristãos. Ele pede que todos se tornem discípulos (Mt 28,19), isto é, sejam pessoas que como ele, irradiem e anunciem a Boa Nova do amor de Deus para todos os povos ao redor (Mc 16,15).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Quaresma, tempo de conversão. O que deve mudar na imagem que tenho de Deus? Sou como Jonas ou como Jesus?

2) Minha fé está baseada em que? Em sinais ou na palavra do próprio Jesus?

 

5) Oração final

Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito. (Sl 50, 12-13)

 

Papa Francisco aceitou o pedido de renúncia de Dom Edson de Castro Homem, até então Bispo da Diocese de Iguatu, no Ceará. A informação foi confirmada nesta manhã de quarta-feira, dia 24, pela Nunciatura Apostólica do Brasil.

 

Dom Edson de Castro Homem.

A renúncia de Dom Edson se dá por motivo de saúde, segundo informações do departamento de comunicação da Diocese, agora vacante. Ainda nesta quarta-feira, Dom Edson concederá entrevista coletiva, às 17h.

No dia 19 de março será a Missa em Ação de Graças pelo serviço de Dom Edson. Na ocasião, o Bispo emérito, de origem carioca, receberá o título de cidadão cearense.

O Código de direito Canônico, no artigo 401,  prever a renúncia de um Bispo quando este completa 75 anos ou em caso de doença, além de outros motivos que o impossibilite exercício do serviço.

 

Confira o artigo 401 do Código de Direito Canônico

Cân. 401 § 1. O Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, é solicitado a apresentar a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, que, ponderando todas as circunstâncias, tomará providências.

2. O Bispo diocesano que, por doença ou por outra causa grave, se tiver tornado menos capacitado para cumprir seu ofício, é vivamente solicitado a apresentar a renúncia do ofício.

 

Trajetória eclesial

Filho de Lazaré Andrade Homem e Maria Hercília de Castro Homem. Fez seus estudos de Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 18 de outubro de 1977, no Rio de Janeiro. Fez o doutorado em Teologia Espiritual, em 1981, na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma e também o doutorado em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, concluído em 2004. Foi professor de Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, no Instituto Superior de Teologia da arquidiocese, no Instituto de Filosofia e Teologia de São Bento; e professor de Filosofia no Instituto de Filosofia João Paulo II e na Universidade Católica de Petrópolis.

Foi pároco das paróquias: Nossa Senhora Reparadora, em Del Castilho; Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel; Nossa Senhora da Luz, no Alto da Boa Vista e São Lourenço, em Bangu. Foi diretor do Instituto Superior de Teologia da arquidiocese do Rio de Janeiro e diretor espiritual do seminário menor do Rio de Janeiro. Dom Edson foi prefeito de disciplina do seminário maior da arquidiocese do Rio de Janeiro. Coordenador da Comissão para o Diaconato Permanente e assistente eclesiástico dos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão. Foi membro da Comissão Arquidiocesana para a Doutrina da Fé, do Conselho de Pastoral da Arquidiocese e do Conselho de Consultores.

Foi eleito bispo em 16 de fevereiro de 2005 pelo Papa João Paulo II com a sede titular de Muzia, ocorrendo a sua ordenação episcopal no dia 12 de março de 2005, na cidade do Rio de Janeiro. Dom Edson escolheu como lema de vida episcopal: Sufficit tibi gratia, “Graça te basta”.

Na Arquidiocese do Rio de Janeiro, dom Edson desempenhou os seguintes encargos: animador dos Vicariatos Episcopal Urbano e de Jacarepaguá. Animador do Diaconato Permanente, da Associação Cultural, das Faculdades Católicas, do Instituto Superior de Direito Canônico, da Assistência Religiosa ao Menor Privado de Liberdade, de cursos de Doutrina Social e da Pastoral do Menor no Regional Leste I da CNBB. Também foi diretor do Instituto Superior de Teologia e do Instituto Superior de Ciências Religiosas.

No dia 6 de maio de 2015, o Papa Francisco nomeou-o como bispo diocesano de Iguatu (CE), transferindo-o da sede titular de Muzia e do ofício de auxiliar na arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. (Com informações da CNBB). Fonte: https://blogs.opovo.com.br

 

1) Oração

Olhai, ó Deus, a vossa família e fazei crescer no vosso amor aqueles que agora se mortificam pela penitência corporal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 6, 7-15)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 12perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; 13e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Há duas redações do Pai Nosso: Lucas (Lc 11,1-4) e Mateus (Mt 6,7-13). Em Lucas, o Pai Nosso é mais curto. Lucas escreve para comunidades que vieram do paganismo. Ele busca ajudar pessoas que estão se iniciando no caminho da oração. Em Mateus, o Pai Nosso está situado no Sermão da Montanha, naquela parte onde Jesus orienta os discípulos na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O Pai Nosso faz parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles já estavam habituados a rezar, mas tinham certos vícios que Mateus tenta corrigir.

Mateus 6,7-8: Os vícios a serem corrigidos. Jesus critica as pessoas para as quais a oração era uma repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a atender às nossas necessidades. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição de palavras, mas sim da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer o nosso bem e conhece as nossas necessidades antes mesmo das nossas preces.

Mateus 6,9a: As primeiras palavras: “Pai Nosso”  Abbá, Pai, é o nome que Jesus usa para dirigir-se a Deus. Revela a nova relação com Deus que deve caracterizar a vida das comunidades (Gl 4,6; Rm 8,15). Dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”. O adjetivo “nosso” acentua a consciência de pertencermos todos à grande família humana de todas as raças e credos. Rezar ao Pai e entrar na intimidade com ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs pelo pão de cada dia. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como nosso Pai é o fundamento da fraternidade universal.

Mateus 6,9b-10: Três pedidos pela causa de Deus: o Nome, o Reino, a Vontade.  Na primeira parte do Pai-nosso, pedimos para que seja restaurado o nosso relacionamento com Deus. Santificar o Nome: O nome JAVÉ significa Estou com você! Deus conosco. Neste NOME Deus se deu a conhecer (Ex 3,11-15). O Nome de Deus é santificado quando é usado com fé e não com magia; quando é usado conforme o seu verdadeiro objetivo, i.é, não para a opressão, mas sim para a libertação do povo e para a construção do Reino. A Vinda do Reino: O único Dono e Rei da vida humana é Deus (Is 45,21; 46,9). A vinda do Reino é a realização de todas as esperanças e promessas. É a vida plena, a superação das frustrações sofridas com os reis e os governos humanos. Este Reino acontecerá, quando a vontade de Deus for plenamente realizada. Fazer a Vontade: A vontade de Deus se expressa na sua Lei. Que a sua vontade se faça assim na terra como no céu. No céu, o sol e as estrelas obedecem às leis de suas órbitas e criam a ordem do universo (Is 48,12-13). A observância da lei Deus será fonte de ordem e de bem-estar para a vida humana.

Mateus 6,11-13: Quatro pedidos pela causa dos irmãos: Pão, Perdão, Vitória, Liberdade.  Na segunda parte do Pai-nosso pedimos para que seja restaurado o relacionamento entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade para que todos os filhos e filhas de Deus vivam com igual dignidade. Pão de cada dia: No êxodo, cada dia, o povo recebia o maná no deserto (Ex 16,35). A Providência Divina passava pela organização fraterna, pela partilha. Jesus nos convida para realizar um novo êxodo, uma nova maneira de convivência fraterna que garante o pão para todos (Mt 6,34-44; Jo 6,48-51). Perdão das dívidas: Cada 50 anos, o Ano Jubilar obrigava todos a perdoar as dívidas. Era um novo começo (Lv 25,8-55). Jesus anuncia um novo Ano Jubilar, "um ano da graça da parte do Senhor" (Lc 4,19). O Evangelho quer recomeçar tudo de novo! Não cair na Tentação: No êxodo, o povo foi tentado e caiu (Dt 9,6-12). Murmurou e quis voltar atrás (Ex 16,3; 17,3). No novo êxodo, a tentação será superada pela força que o povo recebe de Deus (1Cor 10,12-13). Libertação do Maligno:  O Maligno é o Satanás, que afasta de Deus e é motivo de escândalo. Ele chegou a entrar em Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11). Ele nos diz: "Coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).

Mateus 6,14-15: Quem não perdoa não será perdoado. Rezando o Pai-nosso, pronunciamos a sentença que nos condena ou absolve. Rezamos: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6,12). Oferecemos a Deus a medida do perdão que queremos. Se perdoamos muito, Ele perdoará muito. Se perdoamos pouco, ele perdoará pouco. Se não perdoamos, ele também não poderá perdoar.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Jesus falou "perdoai as nossas dívidas". Em alguns países se traduz "perdoai as nossas ofensas". O que é mais fácil: perdoar ofensas ou perdoar dívidas?
  2. As nações cristãs do hemisfério norte (Europa e USA) rezam todos os dias: “Perdoai as nossas dívidas assim como também nós perdoamos aos nossos devedores”. Mas elas não perdoam a dívida externa dos países pobres do Terceiro Mundo. Como explicar esta terrível contradição, fonte de empobrecimento de milhões de pessoas?

 

5) Oração final

Glorificai comigo ao Senhor, juntos exaltemos o seu nome. Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores. (Sl 33, 4-5)

Neste dia 22 de fevereiro, a Igreja celebra a Festa da Cátedra de São Pedro, uma ocasião importante que remonta ao século IV e que rende comemoração ao primado e autoridade do Apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja.

Além disso, esta celebração recorda a autoridade conferida por Cristo ao Apóstolo quando lhe diz, conforme relatam os Evangelhos: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.

A palavra “cátedra” significa acento ou trono e é a raiz da palavra catedral, a Igreja onde um bispo tem o trono do qual prega. Sinônimo de cátedra é também “sede” (assento). A “sede” é o lugar de onde um bispo governa sua diocese. Por exemplo, a Santa Sé é a sede do Papa. Fonte: https://www.acidigital.com

Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. 22 de fevereiro-2021. www.instagram.com/freipetronio

Antes do lançamento oficial da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 (CFE), no primeiro dia da Quaresma, já circulavam nas redes sociais postagens de uma “Campanha da Desfraternidade”, com ataques dirigidos a pessoas e ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) por conta do conteúdo que o tema “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor” busca refletir e trabalhar. A divisão da sociedade brasileira está espelhada nas duas “campanhas”.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

E o que é que a CFE aborda de tão “pecaminoso”, segundo vozes da desfraternidade? A cartilha elaborada pelo Conic ataca a necropolítica brasileira, defende povos indígenas, questiona o feminicídio e defende a acolhida da população LGBTQI+. A Campanha da Desfraternidade incentiva os fiéis a não darem um centavo ao Fundo Nacional de Solidariedade que, com os recursos angariados durante a Quaresma, os distribui a obras de caridade.

A Campanha da Desfraternidade é recheada por palavras até mesmo de bispos, que contam, inclusive, com o apoio do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, que postou mensagem ilustrada nas redes sociais afirmando: “Eu digo não. Campanha da Fraternidade Ecumênica”. Quem esperaria o dia em que bispos católicos se prestariam a receber apoio de olavistas!!!

Dom Fernando Guimarães, arcebispo do Ordinário Militar do Brasil, contesta, em carta enviada à presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “A evangelização dos fiéis, no entanto, em qualquer tempo e ainda mais em um tempo especial como é a quaresma católica (pelo visto, só cristãos católicos celebram a Quaresma), não é espaço para se dialogar sobre temas polêmicos e contrários à autêntica doutrina de nossa igreja”. Guimarães comunica que os capelães militares, a ele subordinados, não utilizarão a cartilha da Campanha da Fraternidade.

De forma indireta, Guimarães bate até no papa Francisco, que enviou mensagem gravada ao Conic sobre a CFE, dando sua bênção apostólica. Na mensagem, o papa recomendou “sentar-se juntos e escutar o outro num mundo surdo”, assumir uma atitude receptiva, “superar o narcisismo e acolher o outro”. Os cristãos, disse, devem ser os primeiros a dar o exemplo, também na defesa da justiça na sociedade. Justamente o que o arcebispo Guimarães não se dispõe a fazer!

No portal Brasil de Fato, o repórter Igor Carvalho traz reportagem mostrando que o bispo Dom Adair José, da Diocese de Formosa, Goiás, instigou: “Não fiquem escutando coisas que não têm nada a ver com a nossa fé”. E o padre Samuel Cavalcante de Araújo, da Arquidiocese de Iguatu, Ceará, recomendou: “Católicos, rezem, amem, e se receberem esse texto da Campanha da Fraternidade, queimem!

Os ataques no YouTube, no Twitter e no Instagram, relata a repórter Raphael Veleda, do portal Metrópole, é “promovida por grupos católicos ultraconservadores”, que se revoltaram com as “pautas abortistas e anticristãs” e com “o protesto da iniciativa religiosa contra a violência sofrida pela população LGBTQI+”. Mas a cruzada da Campanha da Desfraternidade não é só de “milícias religiosas católicas”, luteranas também!

O texto da cartilha da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 traz dados do Atlas da Violência e da ONG Grupo Gay da Bahia, denunciando o assassinato de 420 pessoas desse grupo em 2018! Explica, então, que tais “homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos” dessa população e de outros grupos perseguidos e vulneráveis.

O texto da cartilha afirma que “na lógica da necropolítica, a humanidade do outro é negada. São estimuladas as políticas de inimizade. A violência praticada pelo Estado é legitimada e justificada. No caso brasileiro, os sinais de necropolítica são perceptíveis em setores de Segurança Pública, que é altamente violenta e repressiva contra pessoas negras e pobres”. A pastora luterana Romi Márcia Bencke, secretária executiva do Conic, foi alvo preferencial das ofensas.

A Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) manifestou “total apoio e compromisso” ao trabalho “missionário e evangelizador” realizado pelo Conic, “em especial através da incansável dedicação de sua Secretária Geral, pastora Romi Bencke”. O tema da Campanha, enfatizam os bispos anglicanos, se mostra cada dia mais urgente e necessário, num país onde “o ódio, o desrespeito à dignidade humana, todas as formas de discriminação, a naturalização de desigualdades, violência e injustiça estão, lamentável, e tristemente, na ordem do dia”.

Causa espanto e temor, expressa nota da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), “que precisemos defender de pessoas ditas cristãs aquilo que há de mais belo e cristão nessa nossa CFE-2021: a compreensão de que o Evangelho nos obriga a amar ao próximo como a si mesmo. E isso não é ‘ideologia’, ‘comunismo’, ou quais outros adjetivos que pensem usar como forma de violência. Não, é puro e simples – porém radical – Evangelho de Jesus de Nazaré”. A maneira como agimos diante de quem sofre é o único parâmetro válido da nossa ortodoxia, enfatizam batistas.

O Conselho Curador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) solidariza-se com a diretoria do Conic e agradece à comissão ecumênica que preparou o texto base da Campanha da Fraternidade Ecumênica, representantes de oito instituições: IECLB, IPU, ABB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), IEAB, Igreja Siriana Ortodoxa de Antioquia, Igreja Betesda e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP). “Reconhecemos nesses irmãos e nessas irmãs o testemunho cristão marcado pela coerência profética, por sólido fundamento teológico e pelo histórico de compromisso ecumênico”, afirmam presbiterianos.

Também destacam que a Campanha da Fraternidade Ecumênica “representa bem nossas convicções cristãs ecumênicas e seu tema e lema são oportunos para a proclamação do testemunho profético no momento histórico em que vivemos tantas divisões em nossa sociedade e boa parte delas criadas por instituições e pessoas que se identificam como cristãs”.

“Não queremos muros de divisão, mas pontes de aproximação e comunhão”, diz a nota da presidência da IECLB. Ela presta solidariedades à pastora Romi Márcia Bencke e lamenta que pessoas, que não entendem “a necessidade e a magnitude desta ação”, afrontem e agridam a iniciativa ecumênica.

Embora manifestasse apoio, a nota da presidência da CNBB preocupa-se antes em se resguardar das críticas internas, ao explicar às congregações que a cartilha da CFE não se trata “de um texto ao estilo que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB”. A nota da presidência do organismo católico recebeu duro comentário da filósofa, teóloga e religiosa católica Ivone Gebara (que pode ser lida aqui). Ela pretende o nascimento de um ecumenismo orgânico, mais verdadeiro, que substitua a morte do ecumenismo institucional.

A CNBB enfatiza, pois, no final da nota, que dificuldades levantadas para a realização de uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica não devem levar ao desânimo e romper a comunhão. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta. A nota lembra, ainda, que já pronto o texto-base “fomos presenteados com a Fratelli Tutti, (Carta Encíclica do papa, de 20 de outubro de 2020, sobre a fraternidade e a amizade social) que recomendamos vivamente” fosse também utilizada como subsídio para a CFE.

Campanha da Fraternidade é uma iniciativa da CNBB, desde 1960, que convida à reflexão, sempre no tempo da Quaresma, sobre temas da vida religiosa, comunitária, social, mundial. Desde 2000, por uma deferência da CNBB, a Campanha foi aberta para ser ecumênica, de cinco em cinco anos. Assim, a CFE 2021 está na sua quinta edição.

A redação do texto-base da Campanha é um processo coletivo de construção, que, para 2021, teve início no final de 2019. Dela participaram pessoas de diferentes áreas do conhecimento, em especial da sociologia, ciência política e teologia.

A parte bíblica contou com a colaboração de biblistas das igrejas cristãs afiliadas ao Conic. O texto passou, então, pela análise de uma Comissão Ecumênica, formada por oito integrantes, seis indicad@s pelas igrejas-membros, mais duas pessoas representativas. A cartilha nunca foi trabalho de “uma só pessoa”, como informado, maldosamente, em postagens nas redes sociais. Por isso, cerca de 200 organizações da sociedade civil lançaram nota de solidariedade à pastora Romi e ao Conic. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

Em uma entrevista ao Vatican News, a escritora húngara expressa a emoção vivida pela visita de Francisco que, no sábado à tarde, foi à sua casa no centro de Roma. "Eu chorei assim que ele chegou. Abracei e beijei ele".

 

Amedeo Lomonaco – Vatican News

 

O Papa visita Edith Bruck, sobrevivente de Auschwitz

Edith Bruck nasceu em uma pequena aldeia húngara, em 1931, a última de 6 filhos de uma família pobre de judeus. Em abril de 1944, junto com os pais e dois irmãos, foi deportada para o gueto e, depois, para os campos de concentração de Auschwitz, Dachau e Bergen-Belsen. Ela sobreviveu junto com a irmã Judit, chegando vários anos depois à Itália e estabelecendo-se em Roma.

Em uma entrevista concedida ao jornal vaticano L'Osservatore Romano, em janeiro por ocasião do Dia da Memória, ela lembrou os horrores que viveu durante o trágico período de perseguição nazista. O Papa Francisco quis conhecê-la e foi fazer uma visita privada na sua casa no centro de Roma no último sábado (20). Um encontro que Edith Bruck define como "inimaginável".

Ao Vatican News, ela revela que durante a visita, o Papa recordou vários trechos do seu livro "O pão perdido", publicado pela editora "La nave di Teseo", da série Oceanos.

 

A entrevista com Edith Bruck

R - Ainda estou em choque positivo. Conversamos por um longo tempo. Ele disse que havia lido o meu livro, citando muitas partes. O Papa chegou às 16h e saiu por volta das 18h. Foi um encontro inexplicável. Ainda estou emocionada. Chorei assim que ele chegou. Abracei e beijei ele. Era uma coisa muito bonita e, com uma voz trêmula, apresentei as poucas pessoas que estavam em casa. O Papa também falou sobre a Shoah. Pediu perdão pessoalmente. Ele falou um pouco da Argentina. Fiquei tão impressionada, que não conseguia pronunciar uma palavra corretamente.

 

Qual é a sensação de receber o Papa Francisco na própria casa?

R - Não podia imaginar uma coisa assim. Quando o vi na porta, desandei a chorar. Ele também me abraçou. Estávamos os dois cheios de emoção. Não havia como conter a emoção.

 

O abraço do Papa Francisco foi paternal?

R - Sim, de fato, disse: somos irmãos.

 

Portanto, um encontro entre irmãos que também foi de muita convivência...

R - O Papa comeu um bolo com ricota. Preparei uma bela poltrona com almofadas. E, então, lhe dei uma poesia minha que ele apreciou muito. Estávamos todos atônitos. Foi verdadeiramente um encontro inimaginável. Ele ficou quase duas horas. Foi uma coisa incrível vê-lo em casa. Fiquei muito emocionada.

 

Vamos recordar aqueles horrores vividos no campo de concentração de Auschwitz, onde a senhora conheceu o mal absoluto. Mas mesmo naquela escuridão, viveu momentos de luz.

R - Sim, contei isso ao Papa. Eu chamo de as cinco luzes. Eu lhe contei sobre as cinco luzes. O Papa disse que sabia de tudo. E lembrava do meu livro quase linha por linha.

 

E também lembrou o Papa que naquele período dramático houve também um pequeno gesto cheio de vida. Foi feito por um cozinheiro....

R - Eu também contei esse episódio. O Papa também lembrava disso. No campo de concentração em Dachau, um cozinheiro me disse: qual é o seu nome? E me presenteou um pente. O Papa recordou o episódio do pente. Enquanto conversávamos, o Papa e eu estávamos na mesma linha humana.

 

Os seus pais e um dos seus irmãos não sobreviveram. A senhora disse que foi salva por causa da sua irmã....

Ela me ajudou muito. Acredito que sem mim, ela não teria sobrevivido. Sem ela, eu também não teria sobrevivido. Ela era quatro anos mais velha do que eu. Me apoiava. Ela pegou inclusive coletes que eu não conseguia mais arrastar. É claro, nós nos apoiamos mutuamente. Agora, infelizmente, ela se foi. Ela desmaiou quatro vezes e eu gritava: não me deixe! Já passei por coisas alucinantes. Tudo o que vivi não pode ser contado nem escrito em mil livros. Não se pode descrever a dor, a indignação moral. Nunca se poderá contar tudo, mesmo que eu não faça outra coisa que contar e escrever.

 

Por falar em contar e recordar, um soldado alemão que separou a senhora da sua mãe ao chegar no campo de concentração, na verdade, salvou a sua vida...

 R - Sim, isso aconteceu logo na chegada. Eu estava com a minha mãe. Eles tinham me conduzido com a minha mãe ao crematório do lado esquerdo. Mas o último soldado alemão tinha sussurrado e me  disse para ir à direita. Naquele momento, eu não entendia o que ele queria dizer. Eu me agarrei à carne de minha mãe. Eu não queria deixá-la. Finalmente, o soldado, não sabendo como nos separar, bateu na minha mãe com um fuzil. Ela caiu e eu nunca mais a vi. Ele também me bateu e me arrastou até que eu estivesse do lado direito. Eu não sabia que naquele momento ele estava tentando me salvar.

 

Hoje, a senhora compartilhou algumas dessas lembranças com o Papa Francisco. Um dia indelével que cicatriza a memória com a esperança....

O Papa também ficou muito triste com esses inocentes que foram aniquilados. Mas há sempre esperança. Há sempre uma pequena luz, mesmo na escuridão total. Sem esperança, não podemos viver. Nos campos de concentração, bastava um alemão olhando para você com um olhar humano. Bastava um gesto. Bastava um olhar humano. Eles me deram uma luva com furos, me deixaram um pouco de geleia na marmita. Ali estava a vida, dentro. Aquela é esperança. Fonte: https://www.vaticannews.va

UMA SEMANA DE PROTEÇÃO: Por Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, direto do Carmo de Angra dos Reis/RJ. Segunda-feira, 22 de fevereiro-2021. www.instagram.com/freipetronio 

NOTA: Araraquara entra em lockdown para frear disseminação de covid-19. Das 12h de hoje (21) até 23h59 da próxima terça-feira (23), a cidade de Araraquara, no interior paulista, está em lockdown, com proibição de circulação nas ruas. O objetivo é tentar frear a disseminação de novas cepas do coronavírus que circulam no município. Araraquara fica a 270 quilômetros (km) da capital paulista, com população estimada em 238, 3 mil pessoas. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

 

O Papa Francisco visita a poetisa e sobrevivente do Holocausto, Edith Bruck, na casa dela em Roma, na Itália, no sábado (20) — Foto: Vatican Media/Handout via Reuters

Visita a autora húngara Edith Bruck, que tem 89 anos e vive em Roma, foi homenagem a todos que foram mortos pela 'insanidade' nazista, segundo Vaticano. Porta-voz disse que os dois conversaram sobre o que ela viveu nos campos de concentração e o quanto é importante que futuras gerações tenham consciência do que aconteceu.

 

Por Reuters

O Papa Francisco visita a poetisa e sobrevivente do Holocausto, Edith Bruck, na casa dela em Roma, na Itália, no sábado (20) — Foto: Vatican Media/Handout via Reuters

Papa Francisco fez uma visita surpresa neste sábado (20) à casa de Edith Bruck, autora húngara e sobrevivente do Holocausto, e prestou homenagem a todos que foram mortos pela “insanidade” nazista.

Bruck, de 89 anos, que vive em Roma, nasceu em uma família judaica pobre e foi levada a uma série de campos de concentração, nos quais perdeu o pai, a mãe e o irmão.

Um porta-voz do Vaticano, que anunciou a visita após ela ter acabado, disse que os dois conversaram sobre o que ela viveu nos campos de concentração e o quanto é importante que futuras gerações tenham consciência do que aconteceu.

“Eu vim agradecer pelo seu testemunho e prestar homenagem às pessoas martirizadas pela insanidade do populismo nazista”, teria dito o papa à Bruck segundo o Vaticano.

Bruck, que vive na Itália há décadas e escreve em italiano, tinha aproximadamente 13 anos quando foi levada para Auschwitz na Polônia ocupada pela Alemanha ao lado da sua família.

Sua mãe morreu em Auschwitz, e seu pai, em Dachau, na Alemanha, para onde ela foi levada posteriormente. Em Dachau, ela cavou trincheiras e construiu ferrovias, disse recentemente ao jornal do Vaticano, "Osservatore Romano". Fonte: https://g1.globo.com

 

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Marcos 1,12-15, que corresponde ao 1° Domingo de Quaresma, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

 

Eis o texto

A chamada à conversão evoca quase sempre em nós a memória do esforço exigente, próprio de todo o trabalho de renovação e purificação. No entanto, as palavras de Jesus, «Convertei-vos e acreditai na Boa Nova», convidam-nos a descobrir a conversão como um passo para uma vida mais completa e gratificante.

O Evangelho de Jesus vem dizer-nos algo que nunca devemos esquecer: «É bom converter-se. Faz-nos bem. Permite-nos experimentar um modo novo de viver, mais saudável e alegre. Dispõem-nos a entrar no projeto de Deus para construir um mundo mais humano». Alguém se perguntará: mas, como viver essa experiência? Que passos dar?

O primeiro é parar. Não termos medo de ficar sozinhos conosco mesmos para nos fazermos as perguntas importantes da vida: quem sou eu? O que estou fazendo com a minha vida? É isto o único que quero viver?

Este encontro consigo mesmo requer sinceridade. O importante é não continuarmos a enganar-nos por mais tempo. Procurar a verdade do que estamos vivendo. Não nos empenharmos em ocultar o que somos e parecer o que não somos. É possível que experimentemos então o vazio e a mediocridade. Apresentam-se diante de nós atuações e posturas que estão arruinando nossa vida. Não é isto o que teríamos querido. No fundo desejamos viver algo melhor e mais alegre.

Descobrir como estamos prejudicando nossa vida não tem que nos afundar no pessimismo ou no desespero. Esta consciência de pecado é saudável. Dignifica-nos e ajuda-nos a recuperar a autoestima. Nem tudo é mau e ruim em nós. Dentro de cada um atua sempre uma força que nos atrai e empurra para o bem, o amor e a bondade. É Deus que quer uma vida mais digna para todos.

A conversão exige-nos sem dúvida introduzir mudanças concretas na nossa forma de atuar. Mas a conversão não consiste nessas mudanças. Ela própria é a mudança. Converter-se é mudar o coração, adotar uma nova postura na vida, tomar uma direção mais saudável. Colaborar no projeto de Deus.

Todos, crentes e menos crentes, podem dar os passos mencionados até aqui. A sorte do crente é poder viver esta experiência abrindo-se confiadamente a Deus. Um Deus que se interessa por mim mais do que eu próprio, para resolver não os meus problemas, mas «o problema», essa minha vida medíocre e fracassada que parece não ter solução. Um Deus que me entende, me espera, me perdoa e que me quer ver viver de forma mais plena, alegre e gratificante.

Por isso o crente vive a sua conversão invocando Deus com as palavras do salmista: «Tem misericórdia de mim, Ó Deus, segundo a tua bondade. Lava-me completamente da minha culpa, limpa o meu pecado. Cria em mim um coração limpo. Renova-me por dentro. Devolve-me a alegria da tua salvação» (Sal 51). Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

Também devido à crise econômica provocada pela pandemia, o déficit previsto para este ano será de 49,7 milhões de euros.

 

Vatican News

Na noite de quinta-feira, 18, o Santo Padre concedeu o nulla osta ao Orçamento 2021 da Santa Sé, proposto pela Secretaria para a Economia e discutido e aprovado na terça-feira, 16 de fevereiro, pelo Conselho para a Economia.

Com receitas totais de 260,4 milhões de euros e despesas de 310,1 milhões de euros, a Santa Sé prevê um déficit de 49,7 milhões de euros em 2021, fortemente afetado pela crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19.

Pela primeira vez, com o objetivo de dar maior visibilidade e transparência às transações econômicas da Santa Sé - como reiteradamente solicitado pelo Santo Padre - o Orçamento 2021 consolida o fundo do Óbolo de São Pedro e todos os fundos dedicados.

Com entradas de cerca 47,3 milhões de euros e desembolsos em favor de terceiros beneficiários de 17 milhões de euros, a Santa Sé prevê um saldo líquido de 30,3 milhões de euros destes fundos. Excluindo o Óbolo e os fundos dedicados, o déficit da Santa Sé seria de 80 milhões de euros em 2021.   

As receitas diminuíram 21% (48 milhões de euros) em relação a 2019, devido à redução da atividade comercial, serviços e atividade imobiliária, bem como de donativos e contribuições.

O orçamento reflete também um esforço significativo de contenção de custos, com despesas operacionais - excluindo despesas de pessoal, reduzidas em 14% (24 milhões de euros) em relação a 2019.

A manutenção dos postos de trabalho continua a ser uma prioridade para o Santo Padre nestes tempos difíceis. Coerentemente com a sua missão, a maior parte dos recursos da Santa Sé em 2021 será dedicada ao apoio às atividades apostólicas, equivalente a 68% das despesas totais, enquanto 17% se destinam à gestão do patrimônio e de outros bens, e 15% à atividade de administração e serviços. Se o nível de doações se mantiver dentro do previsto, o déficit será coberto com o uso de parte das reservas da Santa Sé. Fonte: https://www.vaticannews.va

Frei Jorge Van Kampen, Carmelita. In Memoriam. (*17/04/1932 + 08/08/2013)

Liturgia da Palavra de Deus. (Gen. 9,8-15) (1 Pe. 3,18-22) ( Mar. 1,12-15)

Já sabemos, que a pessoa humana não vive só para trabalhar, mas mesmo assim o trabalho ocupa um tempo espaçoso na nossa vida. Mas quem trabalha, é respeitado e considerado uma pessoa digna. Para qualquer trabalho olhamos para a capacidade técnica da pessoa. Por isso pessoas, que não trabalham mais, perdem facilmente sua consideração, e elas tem a impressão, que não são mais importantes para viver; não são mais valorizados e estão perdendo a sua auto-confiança. Idosos com 65 anos devem aposentar-se, mais muitos sentem uma dificuldade para descansar na vida, principalmente quando são levados para o “lar dos velhinhos” ou asilo. Jesus chama todos a continuar o seu trabalho pela salvação do mundo.

Deus colocou sinais na obra da criação. Pedro nos lembra, que devemos renovar nossa sociedade. Para seguir Cristo devemos assumir com coragem a nossa missão.

 

Reflexão.

O tempo da quaresma é para nós uma ocasião para fazer uma revisão da nossa vida, ou como nós dizemos: fazer uma confissão dos nossos pecados. Falar sobre o pecado não é nada fácil, porque é sempre uma conversa pessoal. Mas, como sabemos, o dinamismo da vida gira em torno do pecado.

A nação do pecado se refere muito mais sobre a transgressão de normas e leis do que sobre a fuga dos nossos valores vitais. O catecismo nos ensina: “Pecado é uma transgressão voluntária da Lei de Deus”. E esta Lei de Deus é explicada a partir de grande número de Leis e prescrições. Assim o pecado tornou-se uma transgressão da Lei. Podia-se determinar, quando havia pecado e quando não havia. O “porque” da transgressão pouco interessava. A partir desta consciência do pecado podia-se determinar a gravidade do pecado. Sabemos, que este julgamento sobre o pecado é perigoso. Depende muito da nossa visão das coisas.

Quando cometemos falhas, que afetam a nossa felicidade ou a felicidade dos outros, então podemos falar da existência do pecado. Estamos prejudicando a nossa pessoa ou a vida dos outros, e concluímos que a ocasião da tentação não aumenta a nossa felicidade. O pecado prejudica a nossa felicidade e a felicidade dos outros. Deus só quer uma coisa, e que tanto apareceu na vida de Jesus: que contribuímos para a felicidade dos outros, e que realizamos  a nossa felicidade.

 

Resposta à Palavra de Deus.

Jesus pede duas atitudes no início da quaresma: - Convertam-se: mudem de mentalidade: aceitem os idosos como os seus irmãos.

- Creiam na Palavra do Evangelho: a Palavra do Evangelho deve ser a nossa palavra: lutemos para que os idosos sejam respeitados.

 

Dom Joel Portella Amado, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Foto: Divulgação CNBB

Dom Joel Portella Amado fala sobre reação de grupos que pedem boicote à Campanha da Fraternidade 2021, que condena a violência contra mulheres, negros, indígenas e LGBTQI+

 

Raphaela Ramos

 

RIO — Na última quarta-feira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) lançaram a Campanha da Fraternidade de 2021, com um texto-base que desagradou grupos conservadores. Com o tema "Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, a campanha critica a violência contra mulheres, negros, indígenas e LGBTQI+, além de desaprovar discursos negacionistas e a falta de políticas efetivas no combate à Covid-19.

Para dom Joel Portella Amado, secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, reações como as críticas e ataques que foram feitos nas redes sociais podem surgir devido à "mentalidade polarizada" que cresce no mundo todo e também no Brasil.

— Num tempo de fanatismos e polarizações, o equilíbrio entre fé e ciência tem sido difícil — afirma o bispo, que também destaca que a indiferença com o outro está se tornando "um estilo de vida", contribuindo para gerar violência, critica os "fura-filas" na vacinação contra a Covid-19 e propõe a autocrítica entre os religiosos.

Em entrevista ao GLOBO, ele respondeu, por escrito, perguntas sobre a campanha e a escolha do tema deste ano, a atuação da CNBB em relação a eles, as reações ao texto-base e seus possíveis impactos.

 

Como foi a escolha do tema da Campanha da Fraternidade deste ano?

Os temas das Campanhas da Fraternidade são escolhidos com uma antecedência média de dois anos. São considerados dois aspectos: a realidade vivenciada pelo país e os temas anteriores. O tema de 2021, fraternidade e diálogo, faz parte de uma sequência que se iniciou em 2016 e, pelo menos até o momento, deverá chegar a 2022. Ao pensar a Campanha de 2021, propusemos ao Conic que se abordasse a questão do diálogo como postura humana e social indispensável para se conseguir tudo que as campanhas anteriores vinham propondo. Após análise e consultas, o Conic aceitou.

 

O texto-base traz um posicionamento contra a violência contra as mulheres, negros, indígenas e LGBTQI+. Por que a CNBB decidiu se posicionar sobre esses temas?

A Igreja Católica traz em seu DNA a defesa da vida como condição irrenunciável. Como sabido, entende a vida desde a concepção até a morte natural. Em consequência, atua na defesa da vida ameaçada, seja que vida for. Se está vulnerável, recebe a atenção da Igreja Católica. O texto-base da CFE 2021, seguindo um estilo literário próprio do Conic, indicou algumas situações. Essas, porém, são exemplos de muitas outras que também experimentam a vulnerabilidade. Por isso, não se trata de uma postura nova da CNBB, mas da continuidade de um histórico longo de solidariedade. Basta lembrar tudo que a CNBB fez durante, por exemplo, o período da ditadura militar no Brasil.

 

 

 

Qual a importância de falar sobre esses temas?

É o chamado de atenção para a sociedade brasileira de que não podemos construir um país, uma sociedade de indiferentes, para os quais a dor das outras pessoas nada me diz porque não me atinge. Sabemos que a indiferença mata, pois não se mata apenas por comissão, mas também por omissão, por braços cruzados, por virar as costas. Se, por um lado, sempre houve indiferentes na face da Terra, qualquer pessoa observa e sente na pele que esta indiferença está se tornando um estilo de vida, uma opção que solidifica o egoísmo e gera a violência. Basta ver a lamentável situação dos fura-filas na vacinação contra a Covid-19. Por isso, é tão importante alertar para o fato de que há seres humanos sofrendo. Se, no texto-base, há uma lista, essa lista não é exaustiva. Ela destaca alguns exemplos que preocupam as Igrejas que compõem o Conic, mas deve ser lida em abertura a tantas outras situações de pessoas sofrendo.

 

O fato de a campanha incluir temas como a crítica à violência contra pessoas LGBTQI+ representa um passo da igreja para avançar em questões referentes a essa população?

De algum modo, já respondi a essa questão. A Igreja Católica olha as pessoas, se preocupa por elas, defende a vida. Por isso, critica qualquer forma de violência a um ou outro grupo, com olhar mais atento para onde a vulnerabilidade é maior.

 

Outro ponto mencionado foi a falta de políticas efetivas no combate à Covid-19 e o negacionismo científico, citando inclusive igrejas que permaneceram abertas contrariando orientações de distanciamento. Esse posicionamento tem relação com o contexto de polarização que o país vive?

A polarização foi um dos motivos que levou à sugestão e depois à decisão de abordar o tema diálogo. De fato, vivemos uma triste e generalizada situação em que, por um lado, temos uma sociedade culturalmente plural, mas, por outro, uma forte inaceitação de quem pensa diferente. A solução que parece estar sendo mais divulgada e aceita é a da violência, com consideração do diferente como inimigo e, consequentemente, alguém até mesmo a ser abatido. Foi, portanto, para tratar dessa barbárie que o tema do diálogo foi escolhido. Queremos dizer que uma outra forma de enfrentar as polarizações é possível, viável e necessária. Ela se encontra no diálogo.

 

E como se dá essa relação entre fé e ciência, entre os cristãos, durante a pandemia?

Esse é um tema que atravessa séculos, com o pêndulo indo para um lado e para o outro. O Conic, ao elaborar o texto-base, quis chamar a atenção para o fato de que, também entre os religiosos, existem atitudes que precisam ser revistas. Ninguém é perfeito. Num tempo de fanatismos e polarizações, o equilíbrio entre fé e ciência tem sido difícil, um lado desejando extinguir o outro, quando, na verdade, diante de um ser humano que é racionalidade e transcendência, as duas dimensões precisam encontrar articulação, diálogo portanto.

A CNBB tem a clara postura de se manifestar em favor das orientações dos cientistas, orientações que não mudaram desde o início da pandemia e que, a meu ver, não mudarão em curto prazo. Não temos vacinas. Não temos plano de vacinação. Ao mesmo tempo, nos assustamos com as vergonhosas aglomerações que vêm acontecendo. Reconheço que as pessoas estão cansadas, deprimidas mesmo. Isso, porém, não autoriza que se fechem os ouvidos às orientações dos cientistas. Nessa pandemia, somos todos responsáveis, cabendo, portanto, a cada um fazer a sua parte.

 

O texto-base da campanha tem provocado reações entre alguns grupos cristãos, com críticas e ataques nas redes sociais e sugestões de boicote. Por que acredita que isso aconteceu? Já era esperado?

Em razão exatamente da mentalidade polarizada que cresce no mundo todo e também no Brasil, esse e outros tipos de reação podem surgir. O mundo, pelo menos o ocidental, está passando por uma fase de reorganização. Momentos históricos como esse de nossos dias geram posturas radicais, fundamentalistas ou que outro nome possam ter. O importante é que, numa sociedade que se queira democrática, todos têm direito à manifestação. Importa que assumam a responsabilidade pelo que vierem a dizer e fazer. Aqui está, a meu ver, a grande diferença entre falar, mostrar, indicar e, do outro lado, acusar, atacar e sugerir boicotes. Se queremos o bem e a paz, não vamos conseguir com ataques e outras posturas violentas. Só vamos conseguir com o diálogo, tema da campanha.

 

Também receberam manifestações de apoio?

Sim, ao mesmo tempo que esses grupos mencionados têm se manifestado nas redes sociais, temos igualmente recebido o apoio de muitos mais, preocupados com a paz, com o diálogo e com o respeito. Esse não é, na história da Igreja, um fato novo. Em uma família, nem todos pensam igual e seria muito ruim se houvesse a família ou a sociedade do pensamento uniformizado, com clones. A diferença de pensamentos é importante. Entretanto, ela precisa ser vivenciada na maturidade do diálogo. Caso contrário, o que se faz é suscitar perplexidade e mesmo violência. Temos visto algumas situações assim mundo afora.

 

Qual a sua avaliação sobre essa repercussão e como a CNBB se posiciona em relação a essas críticas?

Repito que temos buscado colocar a repercussão no seu devido lugar, ou seja, mensurando entre esses posicionamentos e os outros. Em sua história, a CNBB sempre ouviu as críticas, avaliando e verificando se, de fato, procedem. Assim temos feito também com as críticas mencionadas. A Presidência da CNBB mantém contato diário, pois os recursos virtuais assim os permitem. As diversas assessorias também são ouvidas e, quando necessário, os diversos conselhos da entidade são igualmente chamados a se pronunciar.

 

Um dos objetivos da campanha é arrecadar recursos para os Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade. Acredita que essa reação possa trazer impactos para a arrecadação deste ano?

O Fundo Nacional de Solidariedade é uma experiência muito significativa na vida da Igreja no Brasil, e se constrói exclusivamente da generosidade que se manifesta na coleta feita no Domingo de Ramos, com 60% ficando com a diocese arrecadadora e 40% sendo enviados para a CNBB para atender em média a 200 projetos anualmente. O importante é destacar que tudo isso só acontece se houver a generosidade das pessoas. Em 2020, não houve arrecadação. O Fundo zerou por completo. Este ano, como a pandemia não está vencida, corremos o risco de viver a mesma experiência. Isso preocupa porque são situações muito sofridas, por exemplo, a fome.

Por isso, as campanhas contra a generosidade das pessoas, além de manifestarem desconfiança em relação à gestão do fundo e à destinação dos recursos, estimulam a que não se pratique a caridade. Isso significa não viver o Evangelho, querer levar outras pessoas a não viverem e fazer com que os mais pobres, que seriam beneficiados com os recursos do Fundo, não sejam atendidos. Eu me pergunto o que existe de cristão nessa atitude. Graças a Deus e à generosidade dos brasileiros e brasileiras, havendo possibilidade de se realizar a coleta, os recursos chegarão. Por isso, temo mais a pandemia que tanto nos tem maltratado. Essa, sim, é preocupante. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

 

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

 

1) Oração

Ó Deus, assisti com vossa bondade a penitência que iniciamos, para que vivamos interiormente as práticas da Quaresma. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 9, 14-15)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 14os discípulos de João, dirigindo-se a Jesus, perguntaram: "Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?" 15Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje é uma versão abreviado do evangelho que já meditamos no dia 21 de janeiro, onde nos foi proposto o mesmo assunto do jejum (Mc 2,18-22), mas com uma pequena diferença. A liturgia de hoje omitiu os acréscimos sobre o remendo novo em pano velho e sobre vinho novo em odre velhos (Mt 9,16-17), e concentrou a sua atenção no jejum.

Jesus não insiste na prática do jejum.  O jejum é um costume muito antigo, praticado em quase todas as religiões. O próprio Jesus praticou-o durante quarenta dias (Mt 4,2). Mas ele não insiste com os discípulos para que façam o mesmo. Deixa a eles a liberdade. Por isso, os discípulos de João Batista e dos fariseus, que eram obrigados a jejuar, querem saber porque Jesus não insiste no jejum.

Enquanto o noivo, está com eles não precisam jejuar. Jesus responde com uma comparação. Enquanto o noivo está com os amigos do noivo, isto é, durante a festa do casamento, estes não precisam jejuar. Jesus se considera o noivo. Os discípulos são os amigos do noivo. Durante o tempo em que ele, Jesus, estiver com os discípulos, é festa de casamento. Chegará o dia em que o noivo vai ser tirado. Aí, se eles quiserem, poderão jejuar. Nesta frase Jesus alude à sua morte. Sabe e sente que, se ele continuar neste caminho de liberdade, as autoridades religiosas vão querer matá-lo.

O jejum e a abstinência de carne são práticas universais e bem atuais. Os muçulmanos têm o jejum do mês do Ramadan, durante o qual não comem nem bebem, desde o nascer até o pôr do sol. Cada vez mais, há pessoas que, por motivos diversos, se impõem a si mesmas alguma forma de jejum. O jejum é um meio importante para se chegar a um domínio de si mesmo, a um auto-controle, como existe em quase todas as religiões e como é apreciado pelos esportistas. 

A Bíblia faz muita referência ao jejum. Era uma forma de se fazer penitência e provocar a conversão. Através da prática do jejum, os cristãos imitavam Jesus que jejuou quarenta dias.  O jejum visa alcançar a liberdade da mente, o controle de si, uma visão crítica da realidade. É um instrumento para manter livre a mente e para não se deixar levar por qualquer vento. Através do jejum, a clareza da mente aumenta. É também uma forma de cuidar melhor da saúde. O jejum pode ser uma forma de identificação com os pobres que fazem jejum forçado o ano inteiro e raramente comem carne. Existe o jejum como protesto: Dom Luis Cappio.

Mesmo que hoje não se pratique mais o jejum e a abstinência, o objetivo que estava na base desta prática continua inalterada como força que deve animar a nossa vida: participar na paixão, morte e ressurreição de Jesus. Doar a vida para poder possuí-la em Deus. Tomar consciência de que o compromisso com o Evangelho é uma viagem sem retorno, que exige perder a vida para poder possuí-la e reencontrar tudo na total liberdade. 

 

4) Para um confronto pessoal

1) Qual a forma de jejum você faz? E se não faz, qual a forma que você poderia fazer?

2) Como o jejum pode ajudar-me a preparar-me melhor para a festa de páscoa?

 

5) Oração final

Ó Deus, tem piedade de mim, conforme a tua misericórdia; no teu grande amor cancela o meu pecado. Lava-me de toda a minha culpa, e purifica-me de meu pecado. (Sl 50, 3-4)

Missa de Cinzas: Homilia do Frei Petrônio de Miranda, O. Carm- Na abertura da Campanha da Fraternidade-2021 em Angra dos Reis/RJ- Diocese de Itaguaí. Quarta-feira de Cinzas. 17 de fevereiro-2021. www.instagram.com/freipetronio

 

Frei Carlos Mesters, O.Carm

 

1) Oração

Inspirai, ó Deus, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece e termine tudo aquilo que fizemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 9,22-25)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 22Jesus acrescentou: É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia. 23Em seguida, dirigiu-se a todos: Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me. 24Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. 25Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína? - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Ontem entramos na Quaresma. Até agora a liturgia diária seguia o evangelho de Marcos, passo a passo. A partir de hoje até o dia de Páscoa, a seqüência das leituras diárias será dada pela tradição antiga da quaresma com suas leituras próprias, já fixas, que nos ajudarão a entrar no espírito da quaresma e da preparação para a Páscoa. Já desde o primeiro dia, a perspectiva é a Paixão, Morte e Ressurreição e o significado deste mistério para a nossa vida. É o que nos é proposto pelo texto bem pequeno do evangelho de hoje. O texto fala da paixão, morte e ressurreição de Jesus e afirma que o seguimento de Jesus implica em carregar a cruz atrás de Jesus.

Pouco antes em Lucas 9,18-21, Jesus tinha perguntado: “Quem diz o povo que eu sou?”. Eles responderam relatando as várias opiniões: -“João Batista”.  -“Elias ou um dos antigos profetas”. Depois de ouvir as opiniões dos outros, Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Pedro respondeu: “O Cristo de Deus!”, ou seja, o senhor é aquele que o povo está esperando! Jesus concordou com Pedro, mas proibiu de falar sobre isto ao povo. Por que Jesus proibiu? É que naquele tempo todos esperavam o messias, mas cada um do seu jeito: uns como rei, outros como sacerdote, doutor, guerreiro, juiz, ou profeta! Jesus pensa diferente. Ele se identifica com o messias servidor e sofredor, anunciado por Isaías (Is 42,1-9; 52,13-53,12).

O primeiro anúncio da paixão.  Jesus começa a ensinar que ele é o Messias Servidor e afirma que, como o Messias Servidor anunciado por Isaías, será preso e morto no exercício da sua missão de justiça (Is 49,4-9; 53,1-12). Lucas costuma seguir o evangelho de Marcos, mas aqui ele omitiu a reação de Pedro que desaconselhava Jesus de pensar no messias sofredor e omitiu também a dura resposta: “Vá embora Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as dos homens!” Satanás é uma palavra hebraica que significa acusador, aquele que afasta os outros do caminho de Deus. Jesus não permite que Pedro o afaste da sua missão.

Condições para seguir Jesus. Jesus tira as conclusões que valem até hoje: Quem quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me! Naquele tempo, a cruz era a pena de morte que o império romano impunha aos criminosos marginais. Tomar a cruz e carregá-la atrás de Jesus era o mesmo que aceitar ser marginalizado pelo sistema injusto que legitimava a injustiça. Era o mesmo que romper com o sistema. Como dizia Paulo na carta aos Gálatas: “O mundo é um crucificado para mim, e eu um crucificado para o mundo” (Gl 6,14). A Cruz não é fatalismo, nem é exigência do Pai. A Cruz é a conseqüência do compromisso livremente assumido por Jesus de revelar a Boa Nova de que Deus é Pai e que, portanto, todos e todas devem ser aceitos e tratados como irmãos e irmãs. Por causa deste anúncio revolucionário, ele foi perseguido e não teve medo de dar a sua vida. Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Todos esperavam o messias, cada um do seu jeito. Qual o messias que eu espero e que o povo hoje espera?

2) A condição para seguir Jesus é a cruz. Como me situo frente às cruzes da vida?

 

5) Oração final

 

Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. (Sl 1, 1-2)

Iniciativa lançada nesta quarta (17) também desaprova falta de políticas efetivas no combate à Covid-19; posicionamentos despertaram reações entre grupos católicos

 

Raphaela Ramos

 

Dom Joel Portella Amado, secretário-geral da CNBB Foto: Reprodução

 

RIO — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) lançaram oficialmente nesta quarta-feira (17) a Campanha da Fraternidade de 2021. Com o tema "Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, a iniciativa critica a cultura de violência contra as mulheres, pessoas negras, indígenas e pessoas LGBTQI+.

Também está presente no texto-base da campanha uma crítica a "sinais da necropolítica perceptíveis em setores da segurança pública que é altamente repressiva e violenta contra pessoas negras e pobres", na não regulação de territórios indígenas e quando o "governo brasileiro não adota políticas efetivas no combate à Covid-19".

São citados o assassinato da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes e também o de Paulo Paulino, liderança do povo Guajajara, e outros três guardiões da floresta do território indígena Arariboia, no Maranhão.

Outro ponto mencionado são os "recorrentes" discursos negacionistas sobre a realidade e fatalidade da Covid-19, assim como "a negação da ciência e do papel de organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS)".

Na cerimônia de abertura virtual nesta quarta-feira, dom Joel Portella Amado, secretário-geral da CNBB, lembrou "os mais de 235 mil" brasileiros que morreram pelo coronavírus, e destacou o compromisso de lutar "até onde for possível" para que a pandemia encontre seu término.

— Não podemos negar que o vírus já tão letal em si mesmo encontrou aliados na indiferença, no negacionismo, no obscurantismo, desprezo pela vida — afirmou. — Sejamos aliados na responsabilidade, na lucidez e na fraternidade.

Em seu discurso, o secretário-geral da CNBB também lembrou a morte de George Floyd, que foi sufocado por um policial nos Estados Unidos no ano passado, e a falta de oxigênio em Manaus durante o colapso do sistema de saúde. Ele criticou as radicalizações, a polarização no Brasil e o desrespeito às pessoas, em especial as mais simples e mais fragilizadas.

— O mundo não pode ser organizado a partir da separação, da divisão, do sectarismo, das polarizações, da destruição, nem muito menos da morte, que é consequência de tudo isso — disse dom Joel.

A Campanha da Fraternidade é realizada pela CNBB todos os anos na Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa. Este ano a iniciativa é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs.

 

Campanha despertou reações

Os temas abordados na Campanha da Fraternidade 2021 provocaram reações entre alguns católicos conservadores, que criticaram o posicionamento nas redes sociais. Alguns grupos pediram boicote à iniciativa, que tem como um dos objetivos arrecadar recursos para os Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade, "os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da campanha".

Em nota, a CNBB afirmou que o texto da campanha foi elaborado em várias reuniões, seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do CONIC e passou por revisão da assessoria teológica do conselho.

"Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos específicos, a saber, as questões de gênero", informa a nota.

E continua: "A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo”.

Em artigo publicado no portal da CNBB, dom Manoel Ferreira dos Santos Junior, Bispo de Registro (SP), afirmou que todos os anos algumas pessoas procuram "polemizar" a campanha, e questionou se o grupo que gera polêmicas é grande ou um grupo pequeno "que faz bastante barulho".

"No texto base da Campanha da Fraternidade, são citados diversos grupos de pessoas marginalizadas em nossa sociedade. Neste mesmo texto, são colocadas estatísticas de violência contra estas minorias. A única coisa que o Conselho das Igrejas Cristãs pede é o diálogo, o amor e a vida para os que são diferentes", escreveu dom Manoel.

 

Papa Francisco

Em mensagem enviada à CNBB e divulgada durante a cerimônia de abertura nesta quarta-feira, o Papa Francisco reforçou o tema da campanha, pediu orações pelos que morreram durante a pandemia e destacou o serviço dos profissionais da saúde.

"Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida", afirmou. "Neste ano de 2021, com o tema Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor, os fiéis são convidados a sentar-se a escutar o outro e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes um mundo surdo", escreveu o Papa. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

A abertura simbólica e virtual da quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), uma realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), aconteceu nesta Quarta-feira de Cinzas, 17 de fevereiro.

O lançamento virtual foi uma escolha das entidades promotoras da Campanha como forma de prevenção da Covid-19.  Como constava na programação, às 10h houve a divulgação de um vídeo, por meio das redes sociais da CNBB, com pronunciamentos de representantes das Igrejas que compõem o Conic. Também houve a apresentação da mensagem do Papa Francisco sobre a CFE e a quaresma.

No vídeo, dom Joel Portella Amado (secretário-geral da CNBB) acolheu e saudou a todos e, especialmente, a memória dos mais de duzentos e trinta mil irmãos e irmãs que o coronavírus levou de nosso convívio. “A esses e essas, nossa saudade e nosso compromisso por lutarmos até onde for possível para que essa pandemia encontre o seu término e sejamos capazes de construir um mundo eminentemente marcado pela fraternidade”, disse dom Joel.

“É certo que a fraternidade exige presença, contato, convívio. Mas, exige também maturidade suficiente para podermos viver o distanciamento quando, por razões que nos ultrapassam, ele se faz necessário”, disse o bispo.

Dom Joel enfatizou, no vídeo, que esta Campanha da Fraternidade traz consigo um significado que não podemos perder, que não podemos deixar morrer, sufocar, abafar. “Perplexas pela pandemia, as Igrejas que compõem o CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, e algumas Igrejas observadoras uniram-se e identificaram no tema do diálogo a mensagem que nosso tempo necessita”, disse.

Segundo o bispo, é triste ver que nosso tempo vem apresentando a marca das radicalizações, das polarizações, com o desrespeito às pessoas, em especial as mais simples, as mais fragilizadas. “Nosso tempo necessita que radicalizemos a fraternidade e a comunhão, a solidariedade e a partilha”.

 

O que é o diálogo?

Ainda, em seu depoimento, dom Joel afirmou que não se trata, por certo, de querer que todos pensem do mesmo modo, pois Deus não nos criou clones. “Trata-se, porém, de perceber que a diferença é convite ao encontro, encontro que se faz exatamente através do diálogo”.

É por isso, de acordo com ele, que a Campanha da Fraternidade desse ano, Campanha da Fraternidade Ecumênica, tem como tema não um ou outro aspecto da realidade humana, social, religiosa, econômica ou política.

“Ela une tudo isso e chega aos fundamentos maiores, ou, como costumamos dizer, aos fundamentos últimos do modo como estamos organizando o mundo atualmente. E o mundo não pode ser organizado a partir da separação, da divisão, do sectarismo, das polarizações, da destruição nem muito menos da morte, que é a consequência de tudo isso”.

O secretário-geral da CNBB também afirmou que a fé nos ensina de onde vem a divisão. “Ela nos mostra quem é o divisor. Ao contrário, como nos diz a carta aos Efésios, o Senhor Jesus Cristo uniu, formou um único povo, ainda que as diferenças permaneçam. A Campanha da Fraternidade Ecumênica desse ano nos recorda, a partir da Carta aos Efésios, que Cristo derrubou os muros, ou seja, as razões que o pecado faz surgir para a separação”, disse.

Dom Joel pediu para que não nos esqueçamos de que o tema do diálogo se encontra em linha de continuidade com a Campanha da Fraternidade de 2020. “Ano passado, nós fomos convidados a encontrar caminhos para superar a indiferença e construir relações baseadas no cuidado. E essa construção se dá exatamente por meio do diálogo, da busca em comum, envolvendo partilha de ideias, escuta e discernimento”.

“Por isso, irmãs e irmãos, celebremos mais uma Campanha da Fraternidade, neste ano, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o coração aberto, afastando o que divide e buscando sempre a unidade. Onde a dificuldade se fizer presente, façamos do diálogo nosso caminho de solução. Diante da pandemia do coronavírus, o mundo busca vacinas. Diante dos impasses da vida, onde as radicalizações e polarizações se manifestam, vacinemo-nos com o diálogo. Esse o Bom Deus não deixa faltar não”.

Após a exibição do vídeo, jornalistas credenciados puderam participar de uma entrevista coletiva com representantes das igrejas por meio da plataforma Zoom.

 

A CFE

Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”, extraído da carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 2, versículo 14.

Realizada pela CNBB todos os anos no tempo da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a Campanha da Fraternidade de 2021 é promovida de forma ecumênica, ou seja, em parceria entre várias Igrejas Cristãs. A CFE 2021 quer convidar os cristãos e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual. Tudo isso através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo.

 

Gesto concreto

A Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos nas comunidades de todo o Brasil. Os recursos são destinados aos Fundos Diocesanos e Nacional da Solidariedade, os quais apoiam projetos sociais relacionados à temática da campanha. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) distribuiu a quantia de R$3.814.139,81, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Conheça alguns projetos apoiados pelo FNS.

 

Histórico

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) tem sido realizada, em média, a cada cinco anos. A iniciativa congrega diversas denominações cristãs, sempre de forma ecumênica, valorizando as riquezas em comum entre as igrejas. Desde 2000, abordou os seguintes temas:

2000 – Tema “Dignidade humana e paz” e lema “Novo milênio sem exclusões”;

2005 – Tema “Solidariedade e paz” e lema “Felizes os que promovem a paz”;

2010 – Tema “Economia e Vida” e lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”;

2016 – Tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” (tratou do meio ambiente e saneamento básico) e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. Fonte: https://www.cnbb.org.br 

 

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas. O Senhor Jesus, que nos convida a caminhar com Ele pelo deserto rumo à vitória pascal sobre o pecado e a morte, faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia. Ele nos convoca e convida a orar pelos que morreram, a bendizer pelo serviço abnegado de tantos profissionais da saúde e a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade.

Convoca-nos a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros, como nos ensina na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Precisamos vencer a pandemia e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida. Como indiquei na recente Encíclica Fratelli tutti, «passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta» (n. 35). Para que isso não ocorra, a Quaresma nos é de grande auxílio, pois nos chama à conversão através da oração, do jejum e da esmola.

Como é tradição há várias décadas, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como um auxílio concreto para a vivência deste tempo de preparação para a Páscoa. Neste ano de 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, os fiéis são convidados a «sentar-se a escutar o outro» e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes «um mundo surdo». De fato, quando nos dispomos ao diálogo, estabelecemos «um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro» (Ibidem, n. 48). E, na base desta renovada cultura do diálogo está Jesus que, como ensina o lema da Campanha deste ano, «é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade» (Ef 2,14).

Por outro lado, ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico. Certos de que «devemos sempre lembrar-nos de que somos peregrinos, e peregrinamos juntos», no diálogo ecumênico podemos verdadeiramente «abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus» (Exort. Apost. Evangelii gaudium, n. 244). É, pois, motivo de esperança, o fato de que este ano, pela quinta vez, a Campanha da Fraternidade seja realizada com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Desse modo, os cristãos brasileiros, na fidelidade ao único Senhor Jesus que nos deixou o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34) e partindo «do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade» (Carta Enc. Fratelli tutti, n. 271). A fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis.

Desejando a graça de uma frutuosa Campanha da Fraternidade Ecumênica, envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 17 de fevereiro de 2021

Fonte: https://www.cnbb.org.br