Chegou a hora de os bispos pararem de esperar por um aumento nas vocações sacerdotais celibatárias e reconhecer que a Igreja necessita de padres casados para servir o Povo de Deus. Não se pode ter uma Igreja Católica sem sacramentos, e um padre é necessário para a Eucaristia, a Confissão e Unção.

Na Santa Ceia, Jesus disse: “Façam isto em memória de mim”, não “tenham um sacerdócio celibatário”. A necessidade eucarística excede a necessidade do sacerdócio celibatário. O comentário é de Thomas Reese, jesuíta e jornalista, publicado por National Catholic Reporter, 16-03-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Por pelo menos 50 anos, a Igreja Católica nos EUA tem visto uma queda no número dos padres. Segundo relatórios do Centro de Pesquisa Aplicada para o Apostolado – CARA, na sigla em inglês, em 1970 havia 59.192 padres nos EUA; em 2016, havia somente 37.192. Enquanto isso, o número de fiéis aumentou de 51 milhões para 74.2 milhões. Isto significa que a proporção pessoas/padre cresceu de 861 católicos para cada sacerdote em 1970 para 1.995 a cada um em 2016. Estes números incluem todos os padres, religiosos e diocesanos, junto dos que já estão aposentados. Quando morrerem os padres que hoje estão acima dos 65 anos, estes números vão piorar ainda mais.

Em muitas regiões dos EUA já vemos o impacto do número declinante de padres. Paróquias estão se fundindo enquanto outras fecham as portas. Poucas paróquias têm mais de um padre. Padres africanos e asiáticos tornaram-se missionários nos EUA. Em zonas rurais, os padres dirigem centenas de quilômetros nos fins de semana visitando paróquias em municípios pequenos que não contam mais com um padre residente. Algumas paróquias rurais veem um padre uma vez por mês. O número de paróquias sem padre aumentou de 571 em 1970 para 3.499 em 2016.

Este problema não acontece só nos EUA; na verdade, ele é mais grave em outros lugares. Em 2014, havia 414.313 padres para 1.2 bilhão de católicos no mundo, numa proporção de fiéis/padre na casa dos 2.896 por um.

Na América Latina, por motivos históricos, existe uma escassez de padres há mais de 100 anos. Eis um dos motivos por que os evangélicos pentecostais vêm tendo sucesso na região. Se não há padre algum na cidade, as pessoas vão aonde houver uma celebração.

A África e a Ásia são apontados como lugres onde as vocações são abundantes, mas mesmo nessas regiões não há padres o suficiente. E as vocações já estão começando a quedar em alguns lugares destes continentes.

Por que as vocações estão em declínio?

Há várias teorias. Os conservadores tendem a culpar a cultura secular e a geração atual de jovens que são vistos como consumidores autocentrados, pessoas que carecem de disciplina e espírito de autossacrifício necessários para se ser um padre.

Os sociólogos apontam para as mudanças demográficas. As famílias são menores. Numa família grande, os pais apoiam a ideia de um dos filhos se tornar padre, mas se só tiverem um ou dois, preferirão netos a sacerdotes.

O acesso universal à educação também faz a diferença. Historicamente, tornar-se padre era uma das poucas maneiras de conseguir estudar, especialmente uma criança que não vinha de família rica. O padre era frequentemente a pessoa com maior formação na comunidade, o que lhe dava um status adicional. Hoje, a formação está mais prontamente disponível. O padre não possui o status que teve no passado.

Em suma, muitas vocações no passado vieram de famílias grandes onde o padre era o primeiro membro delas a conseguir entrar para a faculdade e onde a família vivia numa comunidade em que o pároco era figura respeitada. Na medida em que este mundo desaparece, o mesmo ocorre com as vocações. Mesmo em partes da Índia, onde os católicos têm formação, pertencem à classe média e estão tendo menos filhos, já vemos um declínio nas vocações.

Nada indica que o mesmo não continuará acontecendo na África e na Ásia quando os católicos se tornarem mais prósperos.

Têm havido igualmente mudanças na própria Igreja e que afetaram as vocações. O Concílio Vaticano II enfatizou o papel dos leigos e a importância do matrimônio como caminho à santidade. O sacerdócio e a vida religiosa foram tirados de seus pedestais.
Além disso, após o Concílio, muitos ministérios que antes eram abertos somente para padres tornaram-se possíveis aos leigos. Existem agora teólogos leigos, agentes pastorais, diretores espirituais, professores, assim como leigos trabalhando em chancelarias e organizações caritativas católicas. Tecnicamente, um leigo pode fazer quase tudo que um padre faz – exceto presidir a Eucaristia, ouvir confissões e ungir os enfermos. Os que se sentem chamados a servir as Igreja viram que poderiam se casar e fazer muitas coisas sem ser padres.

O sociólogo americano Dean Hoge pesquisou os jovens que trabalhavam na pastoral universitária e descobriu que números significativos deles se interessavam em ser padres caso pudessem se casar. Na verdade, alguns sustentam que não houve um declínio nas vocações; o que acontece é que os bispos não estariam reconhecendo que Deus está chamando homens casados e, até mesmo, mulheres ao sacerdócio.

No começo deste mês, o Papa Francisco falou sobre as vocações e da possibilidade de ordenar viri probati, isto é, homens casados de fé comprovada.

“Um problema é a falta de vocações, um problema que a Igreja deve resolver”, disse Francisco. “Devemos pensar sobre se os viri probati são uma possibilidade, mas temos também que discutir quais tarefas eles poderiam assumir em comunidades remotas. Em muitas comunidades neste momento, mulheres comprometidas estão preservando o domingo como dia de culto realizando celebrações da Palavra. Mas uma igreja sem a Eucaristia não possui força”.

Em artigo que escrevi semana passada, observei que uma das maiores realizações de Francisco é a sua abertura ao debate na Igreja. Ainda que o Papa Paulo VI tenha considerado brevemente a ideia, sob os últimos dois papados não foi permitido discutir o tema de padres casados. Eu não poderia ter escrito este presente artigo aqui quando fui editor da revista America (1998-2005). 

Mesmo quando era arcebispo, Jorge Bergoglio levantou a questão dos padres casados na Igreja. No Capítulo de seu livro “Sobre o céu e a terra”, ele reconheceu que há padres casados na Igreja Católica de tradições orientais (bizantina, ucraniana e grega), e notou que eles eram bons sacerdotes. A Igreja Católica de Roma, ou ocidental, tem a regra do celibato, mas as igrejas católicas orientais, que estão em união com Roma, sempre tiveram padres casados. Nos Estados Unidos, nós também temos ex-padres anglicanos e luteranos que estão casados e trabalham como padres na Igreja Católica hoje.

Durante os primeiros mil anos de sua existência, a Igreja contou com clérigos casados. Nos últimos mil anos, estamos tendo a regra do celibato. Esta nem sempre é bem observada. Bergoglio odiava a prática dos padres que não viviam plenamente o compromisso antes assumido. Ele poderia perdoar caso o sacerdote mudasse de modos, mas disse que preferia um bom leigo a um mau padre. Se um padre gerasse um filho, Bergoglio falou que o padre deve sair [da Igreja] porque o direito de a criança ter um pai era maior do que a obrigação de um homem permanecer no sacerdócio.

Creio que Francisco seja a favor do celibato opcional, porém ele não vai de repente anunciar da Praça de São Pedro que a Igreja terá padres casados a partir da semana que vem. Não é assim que ele faz as coisas. O papa acredita numa Igreja que trabalha de forma colegiada, onde as decisões são tomadas por ele juntamente com o Colégio Cardinalício.
Erwin Kräutler, bispo brasileiro, falou com o papa sobre ter padres casados em sua imensa diocese na floresta amazônica, onde existem 700 mil pessoas para 27 padres. A resposta do papa foi instá-lo a voltar-se à sua conferência episcopal e fazer que eles – os bispos – peçam isso. Esta é maneira mais provável em que os padres casados serão reintroduzidos na Igreja romana. Será a pedido das conferências dos bispos por padres casados em lugares remotos, onde há grande necessidade. Mas assim que padres casados forem introduzidos, rapidamente irão se espalhar para outros lugares.

Se o Povo de Deus quer padres casados, ele precisa fazer com que os bispos saibam. O papa está esperando que os bispos peçam. As pessoas precisam pressionar os seus bispos nesse sentido. FONTE: http://www.ihu.unisinos.br

 

 

Uma criança foi filmada "roubando" o solidéu usado pelo papa Francisco, que em seguida cai na risada. 

O usuário do Twitter Mountain Boutorac, morador de Roma, na Itália, postou o vídeo dizendo que havia levado a afilhada para conhecer o pontífice na audiência geral do Vaticano.

A criança, que veio dos EUA com os pais, se aproveitou do momento em que o papa se inclinou para lhe dar um beijo no rosto, seguida pegou o solidéu.

Fonte: https://noticias.bol.uol.com.br

Dom Edney Gouvêa Mattoso

Bispo  de Nova Friburgo (RJ)

Caros amigos, a Quaresma nos convida à conversão, e, consequentemente, à oposição aos nossos pecados cotidianos. A verdadeira radicalidade nesta batalha é a paciência, que muda as realidades próprias e alheias pela tenacidade e persistência no amor.

Esta virtude é necessária em todos os campos de nossa vida, na oração cotidiana até nos mais ativos trabalhos, nas casas, hospitais, escolas, em tempos difíceis e sempre com alegria, e também nas comunidades e pastorais de nossas Paróquias. Pois, o desejo de fazer o bem deve persistir apesar dos obstáculos. São Paulo quando escreveu o belíssimo hino à caridade (Cfr. ICor 13) quis começar, sob inspiração de Deus, dizendo que “o amor é paciente” (v.4).

Muitos são os desafios desta paciência cristã. Pensemos em primeiro lugar na “impaciência”, que costumamos traduzir como irritabilidade e mau humor, mas que isso não seja sinônimo de “desistência”.

Uma boa penitência para esta Quaresma poderia ser a de perseverar pacientemente, evitando toda a murmuração nas tarefas que Deus nos confia. Um ditado que ouvi certa vez diz: “Fazer o que é devido e estar no que é feito”. E o apóstolo São Paulo acrescenta: “Fazei tudo sem murmurar nem questionar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, na qual brilhais como luzeiros no mundo, apegados firmemente à palavra da vida” (Fl 2, 14-16a). Partindo deste entendimento, podemos concluir que a paciência é uma virtude de homens e mulheres fortes na fé.

Na audiência de 16 de novembro de 2016, o Papa Francisco recordou que é fácil perceber uma presença que nos incomoda. Disse: “Olhemos sobretudo a Jesus: quanta paciência teve que ter nos três anos da sua vida pública! (...) Ele nos ensina a ir sempre ao essencial e a olhar mais longe para assumir com responsabilidade a própria missão”.

Gostaria de terminar esta reflexão quaresmal pensando neste exemplo que o Senhor nos dá. Ele foi paciente nos anos de sua vida oculta, trabalhando e crescendo em companhia de Maria e José, em seu magistério público, nas perseguições que finalmente o levaram à morte de cruz e, depois da ressurreição, acompanhando os discípulos e repreendendo-os em sua falta de fé. Diante deste modelo que nos é proposto, resta-nos pedir: ‘Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!’.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

Gregorio Rosa Chávez está prestes a viajar para Roma com todos os bispos de El Salvador e leva uma carta do Presidente Salvador Sánchez Cerén ao Papa apoiando a moção de que Romero seja declarado santo o quanto antes possível. A data poderia ser - de acordo com o desejo dos viajantes - em agosto, no centésimo aniversário do nascimento do atual beato Oscar Arnulfo Romero V.

Dom Rosa Chávez também espera que isso aconteça, mas não se ilude e propõe uma outra possibilidade: em 2019, quando o Dia Mundial da Juventude acontecerá no Panamá. "Isso nos daria tempo para trabalhar duro para conseguir o que eu chamo de 'o milagre da paz' ", pois consagraria Romero como o santo da América Latina e não acrescentaria mais viagens às que o Papa já tem programadas. Explica todos os seus argumentos junto com algumas outras coisas inéditas ou pouco conhecidas sobre o futuro santo e o candidato a beato, Rutilio Grande. A entrevista é de Alver Metalli, publicada por Tierras de América, 17-03-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis a entrevista.

Monsenhor, o que você esconde na mala?

[risos] É muito pequena para esconder grandes coisas...

O que você espera desta viagem?

A visita "ad limina" é protocolar, mas todos os bispos de El Salvador juntos terão um diálogo coletivo com o Papa. Estou fascinado pela nova forma de realizar este tipo de visitas, especialmente a respeito do momento do encontro com ele. Pelo que sei da experiência dos bispos da Costa Rica e Chile que já a realizaram, é algo que realmente vale a pena.

Existe alguma novidade sobre Romero?

A novidade é o encerramento do estudo sobre um suposto milagre. Foi realizada uma sessão solene do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de San Salvador, com a presença do arcebispo, do núncio apostólico e dois outros bispos. Aqueles que conhecem o caso de perto estão muito otimistas.

Será que no próximo mês de agosto, no centenário do seu nascimento, falaremos do Beatificado Romero ou de São Romero?

Imagine como esperamos por esta notícia! Para o Papa - basta ver sua carta ao arcebispo que foi lida no final da cerimônia de beatificação -, o maior milagre de Romero seria que o país conquistou a paz. A receita do Santo Padre é conhecer o pensamento de Romero, imitar o seu testemunho e pedir sua intercessão com autêntico fervor. Meu maior medo é que esperamos uma canonização "grátis", que não tenha nenhum custo; bastando que o suposto milagre que acaba de ser apresentado em Roma fosse aprovado. Meu sonho é ver, pouco a pouco, que todo o país se coloque neste movimento. O principal sinal exterior seria as peregrinações aos lugares sagrados de Romero, incluindo a pequena cidade onde ele nasceu há quase cem anos, Ciudad Barrios.

Mas o senhor espera a notícia da canonização?

Pessoalmente, acho que não vai acontecer nada em 2017. Gosto da data de janeiro de 2019, data da Jornada Mundial da Juventude, que se realizará no Panamá. Já existem precedentes, por exemplo, quando o Papa João Paulo II visitou o Canadá, a Guatemala e o México em 2002, e no primeiro país canonizou Juan Diego e no segundo o irmão Pedro de San José de Betancourt. Uma data como esta nos daria tempo de trabalhar duro para alcançar o que eu chamo de "o milagre da paz".

Se o milagre humano acontecer...

É verdade, mas há também um milagre que eu chamaria de "moral", do qual não se fala, que é de quando houve uma enxurrada de conversões assim que o Monsenhor Romero foi beatificado. Muitos vêm se desculpar porque odiavam Romero ou ficaram felizes com sua morte... é algo silencioso, mas real. E muitos admitem que formaram um julgamento negativo sobre ele sem nunca tê-lo escutado com base em coisas ditas por terceiros e que agora sabe-se que eram mal-intencionadas.

Houve um caso que me ocorreu quando fui a uma escola católica para administrar a confirmação. Quando a missa terminou, um homem se aproximou de mim para perguntar se poderia falar comigo. Ele disse que seu pai, um notável professor da Universidade Nacional de El Salvador, militante da esquerda, tinha sido assassinado. Muito depois supus que Romero tivesse denunciado esse crime. E ele havia lido a homilia em que fez a denúncia. Ele disse: "Se ele defendeu um homem justo como meu pai, ele mesmo deve ser justo." A partir daquele momento, ele se converteu.

Há muitos casos como esse e muitos outros continuarão acontecendo. Em uma escola católica, um militar me abordou e ajoelhou-se diante de mim. Pediu perdão dizendo que ele "tinha desejado a morte de Romero", mas que agora compreendia que "era um homem de Deus".

Romero tem causado um verdadeiro terremoto espiritual com fortes abalos sísmicos, como se diz no jargão. E isso é importantíssimo para o processo de canonização. Eu não tenho pressa.

O senhor acredita que seja necessário aguardar pelo Padre Rutilio Grande?

A relação que o Papa estabelece entre as duas figuras é clara, pelo menos em seu coração, inclusive a ideia de canonizar Romero e beatificar Rutilio na mesma ocasião. No México, ele fez duas beatificações na mesma viagem, a de João Batista e de Jacinto dos Anjos. De qualquer forma, Roma tem toda a documentação, ampla, interessante e bem verificada, e uma excelente biografia de Rutilio, como homem de Deus, como pastor.

Se o senhor, que conhece tão bem a Rutilio, diz...

Ele era meu professor e mentor. Rutilio é um jesuíta atípico. Sua postura é de um excelente pastor. Sua visão da Igreja e do ministério foi marcada por um curso realizado no IPLA (Instituto Pastoral para a América Latina) em Quito, no Equador, com um grupo magnífico de professores. Ao voltar a El Salvador, ele se propôs a trabalhar para que os campesinos recuperassem a palavra e sua dignidade, na perspectiva dos documentos de Medellín.

Há um fato que poucos conhecem e que mostra seus dons extraordinários como pastor: refiro-me ao campo-missão organizada e conduzida por ele na paróquia de Ciudad Barrios, com todos nós, que na época éramos estudantes de teologia. Curiosamente a Ciudad Barrios é a cidade onde nasceu Dom Romero. Quem poderia imaginar que estas duas vidas poderiam se cruzar dez anos depois?

Por que enfatiza a pastoralidade de Rutilio?

Ele tinha uma capacidade impressionante de falar com os camponeses, sabia levar a mensagem de Cristo às pessoas simples e sempre dentro de um horizonte de busca por justiça. Aprendeu com Dom Proaño, bispo de Riobamba, no Equador, que concorreu ao Prêmio Nobel da Paz. Foi um dos poucos latino-americanos que participaram do Concílio Vaticano II. Como eu disse, Rutilio foi para o Equador para participar de um curso de Proaño em Quito e depois foi com ele para sua diocese de Riobamba, na Cordilheira dos Andes. Isso marcou-o profundamente. Sem Proaño, o apóstolo dos índios, não se compreende Rutilio, suas habilidades pedagógicas e, especialmente, sua extraordinária capacidade de inculturar o Evangelho no mundo dos pobres e dos camponeses.

... e sem Rutilio não se compreende Romero...

Encontramos a melhor resposta na homilia fúnebre que o arcebispo mártir proferiu na catedral de San Salvador. Na introdução, o D. Romero disse que considerava Rutilio "como um amigo". Logo depois ele explicou o porquê: "em momentos decisivos da minha vida, ele estava muito perto de mim e esses gestos jamais se esquece". Em seguida, traçou o perfil de Rutilio com as três características que Paulo VI menciona na "Evangelii Nuntiandi" sobre a contribuição da Igreja para a luta de libertação: os verdadeiros libertadores têm "uma inspiração de fé, uma doutrina social que é a base de sua prudência e sua existência... e, especialmente, uma motivação de amor".

A forma como Romero usa esses traços para falar de seu amigo é comovente. Mas gostaria de acrescentar outro elemento em resposta à sua pergunta: não se compreende Romero sem Pironio. Pironio pesa mais do que Rutilio na vida de Romero. Romero liderou o semanário Orientación e era muito reticente com a Conferência de Medellín e muito crítico a respeito da Teologia da Libertação. Romero começou a compreender Medellín quando Pironio, secretário adjunto do Secretariado Episcopal da América Central e do Panamá, pregou um retiro para os bispos da América Central na Guatemala em 1974...

Romero estava presente?

Sim, e ele ficou muito surpreso com o que ouviu. No diário de Romero, pode-se ver que sempre que vai a Roma para as audiências com o Papa, ele visita Pironio. Em Roma, como se sabe, Romero teve de enfrentar várias acusações falsas e sofreu muitos mal-entendidos e era sempre Pironio que o confortava e iluminava seu caminho. Em seu diário, Romero detalha seus encontros com Pironio depois de ver o Papa. Quase sempre ele carrega um grande peso em sua alma. Em uma ocasião, Pironio conforta-o dizendo que ele também foi acusado e que estava circulando um panfleto em Roma intitulado "Pironio piromaníaco". Pode-se dizer que entre Pironio, no processo de beatificação, e Romero, em vias de canonização, havia uma aliança santa.

Foi feita justiça com Romero? Refiro-me à ação judicial, que deve encontrar, julgar e condenar os autores do assassinato.

Este é um ponto importante. Foi D. Rivera y Damas, grande amigo e primeiro sucessor de Romero, que denunciou à Corte Interamericana de Direitos Humanos que o assassinato nunca foi investigado a fundo pelo governo. O governo rejeitou a denúncia e nunca assumiu responsabilidade explícita e pública. Depois de anos de litígio, na última sessão que presenciei juntamente com María Julia Hernández (que trabalhou com Romero e dirigiu a Tutela Legal até sua morte, N.d.R.), o governo, através de seu representante, concluiu mais ou menos nestes termos: nos reconciliamos, firmamos um acordo de paz, o caso prescreveu, existe anistia, portanto, arquiva-se. Afirmamos a necessidade de perdoar, mas com verdade e justiça.

A partir desse ponto de vista, acreditamos que a mensagem de João Paulo II, em 1997, "receba o perdão e ofereça a paz" é um documento chave para uma Igreja como a nossa, que promove a reconciliação. Ele argumenta que há duas linhas: uma fala de perdão e esquecimento, a outra de verdade, justiça e perdão. Na América do Sul, ambas têm sido aplicadas; onde se seguiu a linha de perdão e esquecimento, foi um fracasso; onde se seguiu - como no Chile - uma linha de justiça e perdão, obtiveram-se os melhores resultados. Pessoalmente eu acrescentaria um quarto termo: a reconciliação, como no esquema colombiano.

E no caso de Romero?

Houve uma anistia decretada pelo Presidente Cristiani em 1993, a critério do perdão e do esquecimento. Esta anistia acaba de ser revogada. Abriu-se novamente espaço para investigação. Estamos nesse ponto. Mas continua uma dívida pendente. A sentença da Organização dos Estados Americanos (OEA) pedia três coisas fundamentais: em primeiro lugar, que o Presidente da República reconhecesse publicamente a responsabilidade do Estado de El Salvador no assassinato de Romero, o que foi feito pelo presidente Mauricio Funes; segundo, que fossem concedidas honras públicas em nome de Romero, o que também foi aconteceu, por exemplo, dedicando o Aeroporto Internacional de San Salvador a ele; e em terceiro que a história verdadeira de Romero fosse ensinada às crianças nas escolas, mas justamente aqui nos deparamos com a necessidade de esclarecimentos.

Na Comissão da Verdade, um grupo de advogados peruanos associados ao monsenhor Bambaren e fortemente motivados em seu trabalho promoveu grandes avanços. Os três vieram até mim e disseram: "sabemos de tudo, agora precisamos cruzar as informações". Eu tinha uma carta de uma pessoa envolvida de várias maneiras nos esquadrões da morte, em que ela contava tudo o que sabia, como, entre outras coisas, o seu modus operandi. Entreguei uma cópia da carta a este grupo de advogados. Alguns dias depois, eles disseram que tudo o que tinha sido investigado foi confirmado pelo documento. A carta era de uma pessoa que havíamos ajudado a sair do país. D. Rivera y Damas também tinha uma cópia. O tempo passou, o homem voltou para El Salvador em segredo e concordou em falar com os advogados peruanos. No diálogo verbal só faltava um ponto: quem cometeu o disparo. E isto ainda não foi esclarecido.

O irmão mais novo de Romero, Gaspar, fez uma declaração, desconcertante em certo sentido, em uma conversa recente que tive com ele: "se meu irmão estivesse vivo hoje, eles teriam o assassinado novamente...".

Também estou convencido disso. Embora o ambiente seja diferente, Romero falaria em alto e bom tom, como nos anos terríveis da nossa história... 

*Oscar Arnulfo Romero nasceu em agosto de 1917 numa família modesta em Ciudad Barrios (El Salvador). Aos 14 anos, ingressa no seminário, mas seis anos depois afasta-se para ajudar a família que estava com dificuldades. Passa a trabalhar nas minas de ouro com os irmãos. Retoma os estudos e é enviado para Roma para estudar teologia, na Universidade Gregoriana. Romero é ordenado sacerdote em 1942, regressa a El Salvador e assume uma paróquia do interior. Foi depois transferido para a catedral de San Miguel, onde fica por 20 anos. Sacerdote dedicado à oração e à atividade pastoral, dedica-se a obras de caridade, mas sem nenhum particular empenho reconhecidamente social.

Em 1970 é nomeado Auxiliar de San Salvador. O Arcebispo Luis Chávez y Gonzalez busca atualizar a linha pastoral de acordo com o Concílio Vaticano II e a Conferência de Medellín. Mas Romero não se identifica integralmente com a linha pastoral proposta. Em 1974 é nomeado bispo da diocese de Santiago de Maria no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas.

No ano seguinte, a Guarda Nacional executa cinco camponeses e D. Romero celebra missa pelas vítimas. Ele não faz uma denúncia explícita do crime, mas escreve uma carta severa ao presidente Molina.

Em 1977, D. Óscar Romero é nomeado Arcebispo de San Salvador. Pouco tempo depois, é assassinado o jesuíta padre Rutílio Grande, empenhado na luta do povo e ligado a D. Romero. Esse é o momento em que ele reavalia a sua posição e coloca-se corajosamente junto dos oprimidos, denunciando a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os setores político-militares e económicos, apoiada pelos Estados Unidos da América. O Arcebispo denuncia também a violência da guerrilha revolucionária. As suas homilias são transmitidas pela rádio católica dando esperança à população e provocando a fúria dos governantes.

Em outubro de 1979, um golpe de Estado depõe o ditador Humberto Romero. Uma junta de civis e militares assume o poder, e nesse cenário, exército e organizações paramilitares assassinam centenas de civis (entre eles sacerdotes). A guerrilha responde com execuções sumárias.

Em fevereiro de 1980, D. Romero escreve ao presidente dos EUA, Jimmy Carter, um apelo para que ele não envie ajuda militar e econômica ao governo salvadorenho e para não financiar a repressão ao povo. A 24 de março do mesmo ano, D. Oscar Romero é assassinado por um franco-atirador, enquanto celebrava a missa na capela do Hospital da Divina Providência em S. Salvador.

Para inúmeras comunidades cristãs do continente americano, Oscar Romero passou a ser considerado santo desde o dia do seu martírio. Chamam-lhe S. Romero da América Latina pelo seu empenho em favor da paz, sua luta contra a pobreza e a injustiça.

Fontes; http://pt.radiovaticana.va; http://www.ihu.unisinos.br

Papa Francisco pediu perdão pelos "pecados e falhas da igreja e de seus membros" durante o genocídio ocorrido em Ruanda em 1994, e disse ao presidente ruandês, Paul Kagame, que esperava que suas desculpas ajudassem o país a se curar; Francisco "implorou um novo perdão de Deus pelos pecados e falhas da igreja e de seus membros" e "expressou o desejo de que o pedido de perdão possa "contribuir para uma 'purificação da memória" e promover "um futuro de paz"; Em 1994, durante cerca de 100 dias, mais de 800 mil tutsis étnicos e hutus moderados foram mortos por extremistas da etnia hutu

Sputnik - O Papa Francisco pediu perdão nesta segunda-feira (20) pelos "pecados e falhas da igreja e de seus membros" durante o genocídio perpetrado em Ruanda em 1994, e disse ao presidente do país africano que esperava que suas desculpas ajudassem o país a se curar.

Em uma declaração extraordinária após o encontro de Francisco com o presidente ruandês Paul Kagame, o Vaticano reconheceu que a parcela de culpa da própria igreja, assim como de alguns padres e freiras católicos que "sucumbiram ao ódio e à violência, traindo sua própria missão evangélica" ao participarem do genocídio.

Fonte: http://www.brasil247.com

Ensinamentos do médium espírita viram livro, lançado em abril em Uberaba. Filho do médium elogia iniciativa: 'podemos esperar coisas boas'.

O médium Chico Xavier, que viveu em Uberaba, ganhou mais uma homenagem. Desta vez, 25 de vários de seus ensinamentos foram transformados em um livro com a Turma da Mônica, que tem o objetivo de levar os exemplos do líder espírita às crianças, independente da religião ou crença.

Escrito pelos autores Luís Hu Rivas e Ala Mitchel, com ilustrações da Maurício de Sousa Produções, “Chico Xavier e seus ensinamentos” já vendeu 10 mil exemplares da 1ª edição na pré-venda. O lançamento oficial deve acontecer no dia 1º de abril, em Uberaba, um dia antes do aniversário de Chico.

A ideia do livro sobre as histórias de Chico Xavier surgiu como uma continuidade dos outros três livros já feitos em parceria da editora espírita Boa Nova com a editora de Maurício de Sousa.

Segundo os escritores Luís Hu Rivas e Ala Mitchell, a produção de “Chico Xavier e seus ensinamentos” durou, aproximadamente, um ano, e teve três etapas: a concepção do projeto, onde foram selecionados 25 ensinamentos do médium; depois as entrevistas com o filho de Chico, Eurípedes Higino, e companheiros do espírita; e, por último, a avaliação do conteúdo da Maurício de Sousa – que foi aprovado.

“Após o sucesso dos outros livros, eu e o Luís achamos que era a hora de aprofundar um pouco mais sobre o legado da doutrina espírita do Brasil pelo mundo afora. Então, nada melhor que apresentar o médium Chico Xavier, que foi tantas vezes reconhecido como um exemplo de caridade para o povo brasileiro. O Maurício de Sousa e sua equipe aceitaram na hora e ficamos muito felizes com isso”, contou Ala Mitchell.

Histórias
Conforme o escritor Ala explica, no livro a Turma da Mônica faz um piquenique no parquinho e convida o primo do Cascão, chamado André. Na conversa, Cebolinha fica desconfiado que Dorinha tem superpoderes, porque ela consegue identificar coisas sem usar a visão. Então, André começa a apresentar este nobre personagem [Chico Xavier], que possui não só o sentido de se comunicar com o além, mas também a sensibilidade da humildade, da disciplina, da paciência e do amor com o próximo.

Esperamos que seu exemplo continue cultivando amor aonde quer o que livro possa estar"

Luis Hu conta que Chico Xavier ficava até de madrugada psicografando e um gatinho chamado Banjo mordiscava sua mão, e as pessoas achavam que era inconveniente o que o animal fazia; mas o gatinho estava cuidando de Chico, como se fosse um aviso para ele parar, orientado pelos amigos espirituais.

“Esta lição transformamos em uma história do livro, mas com a Magali e seu gatinho Mingau. A partir disso, começamos a fazer um jogo entre as situações de temática de cunho moral e valores cruzando com os personagens da Turma da Mônica”, explicou.

Chico: o exemplo

Para Luis Hu, Chico é considerado o maior brasileiro de todos os tempos e serve de exemplo para a vida de muitas pessoas. “Além de médium, ele foi um homem que viveu uma humildade e uma caridade em nível fantástico. Com essa oportunidade, 15 anos depois da desencarnação do Chico, oferecer e dar um presente no mês de aniversário dele, que consiga trazer ensinamentos de valor, é algo gratificante. As lições dele servem para a construção de um indivíduo bom, para que amanhã tenhamos homens de bem”, comentou o escritor.

“O Chico se considerava apenas um cisco. Nós somos apenas o efeito que o cisco pode fazer em vidas. Esperamos que este seu exemplo continue cultivando amor aonde quer que o livro possa estar”, acrescentou o autor Ala Mitchell.

Em relação ao lançamento oficial do livro, as expectativas do filho de Chico Xavier, Eurípedes Higino, e de todos que acompanharam o médium, são as melhores.

“Vindo do Chico e do Maurício de Sousa, só podemos esperar coisas boas. Neste livro vamos ver as histórias deste ser humano ímpar. Independente de religiosidade, Chico Xavier conseguiu chegar, com seu carisma, em todos. E também nas crianças, porque ele dizia que a ‘criança educada seria os homens e mulheres que o país precisa para o dia de amanhã’", comentou Eurípedes.

Parceria com a Maurício de Sousa Produções

Sobre a parceria com a editora espírita Boa Nova, o diretor editorial da Maurício de Sousa Produções, Rodrigo Paiva, afirma que a empresa viu nesta parceria a oportunidade de cumprir o papel de facilitar a comunicação das famílias com seus filhos.

“Nossa intenção é servir de instrumento para que as famílias de diferentes credos possam transmitir seus valores a seus filhos. Há décadas, Mônica e a turma vêm falando diretamente com as famílias brasileiras sobre a importância da educação, da amizade, do respeito à diversidade, entre outros assuntos importantes. Os personagens são reconhecidos por famílias e escolas como facilitadores na comunicação de valores positivos”, ressaltou.

Ainda segundo Rodrigo Paiva, a Maurício de Sousa Produções considera que os ensinamentos de Chico Xavier – como amor, solidariedade, humildade, disciplina e paciência com o próximo – são valores positivos e que, no livro, os personagens servem como um meio de os pais transmitirem valores que consideram importantes para seus filhos.

Hoje, a empresa tem, entre os mais de 28 parceiros editoriais, editoras de diferentes religiões, como Editora Santuário e Editora Ave Maria, com publicações católicas, a Editora Boa Nova, com publicações espíritas, além de outras editoras com perfis diversos (quadrinhos, literatura, didáticos etc.). A intenção da Maurício de Sousa Produções é fazer parcerias com editoras de várias religiões.

“Também estamos em conversação com editoras evangélicas. Nosso sonho é ter títulos que contemplem as famílias islâmicas, budistas, afro-brasileiras, para citar alguns exemplos. Queremos estar próximos das famílias brasileiras e dos temas que são importantes para elas, e a religião faz parte da vida família”, acrescentou Paiva.

Intolerância religiosa

A divulgação do livro foi feita pelas redes sociais, como Facebook. É possível ver que, enquanto muitos elogiaram a iniciativa, ainda há pessoas que fazem comentários com teor de intolerância religiosa, dizendo, por exemplo, ‘que a parceria com a editora espírita é algo errado’.

Sobre os comentários de alguns internautas, a empresa ressalta que é contra qualquer tipo de intolerância e lembra que a Constituição Federal protege a liberdade de culto, assim como o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente, portanto, a escolha cabe à cada família e deve ser respeitada.

"No Bairro do Limoeiro, onde vivem nossos personagens, o respeito às diferenças é um dos principais valores, seja em relação a religião, origem, local de moradia ou gênero, entre outros fatores.  A Turma da Mônica comunga de valores universais a todas as religiões, como fraternidade, respeito, solidariedade, tolerância, mas não se vincula a nenhuma delas especificamente, respeitando as escolhas de cada família", finalizou o diretor editorial, Rodrigo Paiva.

Lançamento em Uberaba

O lançamento oficial de “Chico Xavier e seus ensinamentos” em Uberaba está marcado para o dia 1º de abril, às 18h30, no Grupo Espírita da Prece, na Avenida João XXIII, nº 1.469, Parque das Américas. Além da presença de um representante da Maurício de Sousa Produções e do escritor Luís Hu Rivas, também haverá palestras com o espírita Sérgio Villar e juiz Haroldo Dutra. Fonte: http://g1.globo.com

(Veja esta reflexão ao vivo nesta segunda, 20, às 13h na “Palavra do Frei Petrônio” no facebook: www.olharjornalistico.com.br)

Se há algo de curioso nos pontos em comum dos vários chamamentos de Deus na Bíblia e na vida dos santos é, sem dúvida, o "abraço no impossível". Parece fazer parte da pedagogia do Deus dos Impossíveis exigir daquele que Ele chama este abraço radical que levará a dois do fundamentos básicos para o "sim" à vontade de Deus: um esvaziamento total e radical de si mesmo e, ao mesmo tempo, a entrega e confiante à vontade de Deus.

Quem foram os grandes eleitos de Deus na Bíblia? Quais as características de personalidade? Como se deu com cada um, este tão imensamente difícil e libertador abraço no impossível"?

"Deixa!"

"Deixa!" Foi esta a primeira palavra que Deus disse a Abrão. Deixa! O que Deus pedia para o caldeu Abrão deixar? Basicamente a mesma coisa que Jesus pediria aos seus, séculos mais tarde: terra, família, a casa do pai. O Deus dos Impossíveis pedia a Abrão que deixasse tudo. Não teria mais pátria, nem a terra que ele conhecia tão bem e que o mantinha. Não teria mais o apoio seguro da presença da família, que provavelmente nunca mais veria, nem a tradição do clã, ao qual jamais voltaria. (Gn 12,1-4)

"Deixa", diz Deus a Abrão. Em troca de quê? De promessas. Abrão calou-se e obedeceu. Séculos mais tarde, o intempestivo Pedro não se calaria: "Vê, nós abandonamos tudo e te seguimos"(Mt 19,27-29). O Deus dos Impossíveis lembra que é também o Deus das Promessas e responde com a mesma garantia dada a Abrão: a promessa do cêntuplo, com tribulações, e a vida eterna.

Abrão obedeceu. Resolveu abraçar o impossível. Sabia que ele e Sarai eram idosos e que ela era estéril. Sabia que devia obedecer não apenas por causa da promessa, mas, muito especialmente por causa daquele que o chamava. O autor do Gênesis reserva para o capítulo 15 o momento da pergunta de Abrão, cuja fé havia já sido provada no sofrimento da fome e da seca, na humilhação do Egito, na desfio da guerra. Mesmo sabendo que, aqui o Gênesis não segue uma cronologia, pode-se contemplar Abrão, provado pela tribulação, que argumenta: "Senhor Javé, o que me darei vós?" (Gn 15,2)

Você sabe a resposta. O Senhor dá a Abrão uma promessa impossível ao velho marido da estéril Sarai: "Levanta os olhos para os céus, e conta as estrelas, se és capaz... Pois bem, ajuntou ele, assim será a tua descendência (Gn 15,5). Abrão não mais argumentou: "confiou no Senhor e o Senhor lho imputou para justiça"(Gn 15,6). Na nossa linguagem, diríamos: "o Senhor viu nesta atitude de Abrão uma prova de confiança e santidade e fez com que este ato de fé se transformasse em graças em favor daquele que seria "pai de uma multidão". (Gn 17,4)

A confiança de Abrão nos promessas de Deus levou-o a selar com Ele um pacto pela circuncisão da carne. A confiança do nosso intempestivo Pedro, levou-o a selar com Deus uma aliança nova e eterna, no sangue de Jesus Cristo.

A maior parte dos santos não se apoiou em outra promessa que não a promessa bíblica do cêntuplo e não foi guiada por outra motivação que não a do amor a Deus.

"Moisés, Moisés!"

"Moisés, Moisés!". Com estas palavras, o Deus que costuma chamar Seus filhos pelo nome interpela Moisés. Séculos mais tarde, interpela da mesma maneira o grande Paulo: "Saulo, Saulo!" o que ordenou o "Eu Sou" a Moisés? Naturalmente, o impossível: "Vai, eu te envio ao Faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo" (Ex 3,10).

E ao altivo Saulo, homem intelectualizado, conhecedor das culturas helênica e judaica, cidadão romano a quem ninguém ousava enfrentar, o que ordenou aquele a quem Saulo perseguira e agora chamava "Senhor" (At 9,5) ? O que queria aquele Senhor que o valente Saulo, preparado para qualquer desafio, fizesse? Nada! Pelo menos, da sua auto-suficiência. Instruído minuciosamente pelo Senhor para levantar-se, entrar na cidade e esperar novas ordens, Saulo se vê cego e, portanto, impotente para cumprir a ordem que lhe fora dada. Deus, novamente, pede o impossível e Saulo, tomado pelo mão, é introduzido em Damasco, tendo passado três dias sem ver, sem comer nem beber, esperando, em tremendo desconforto, que fosse cumprida a promessa de que lhe "seria dito" o que deveria fazer (At 9,1-9)

"Quando o Espírito Santo Deseja Algo, Sempre Realiza" ( S. Cura D’ars)

Observando da ótica do Deus dos Impossíveis, poderíamos percorrer cada um dos grandes homens da Bíblia e perceber a presença do trinômio: "chamado – impossível – promessa". O mesmo ocorreria se víssemos a vida dos santos. O "Reconstrói a minha Igreja" era tão impossível a Francisco que ele nem consegue atinar o seu significado e confunde Igreja com a igreja de S. Damião. No entanto, ainda que inocente sobre o plano total de Deus, Francisco, como Abrão, como Pedro, como Moisés e Paulo, deu cada pequeno passo de obediência e fé, e a graça de Deus caiu sobre a Igreja sob a forma do franciscanismo, renovando – a

A reforma da secular Ordem Carmelita não seria impossível a uma "formigazita", a uma "mulherzita", como Sta. Teresa de Jesus se intitula? Teresa não vislumbrou aonde conduziria a Sua obra.

Sentia, a realidade, a "despreocupação de tudo quanto não fosse servi-lo"(Fundações, Capítulo I). Deu, no entanto, o passo na fé que lhe pedia o Deus dos Impossíveis, confiada, inteiramente, na Sua graça e fidelidade.

A maior parte do santos não se apoiou em outro promessa que não na promessa bíblica do cêntuplo e não foi guiada por outra motivação que não a do amor a Deus. No entanto, permanece o trinômio "chamado – impossível – promessa" ao qual cada um responde como amor obediente a Deus e a fé confiante em Sua fidelidade.

Claro, tudo isso nada mais é que a correspondência à graça, ao Espírito que lhes trabalha na alma, pois, "quando o Espírito deseja algo, sempre o realiza".

"Senhor, eu te dou tudo... E eu te peço tudo!"

Alguém no mundo jamais recebeu ou receberá chamado tão impossível como o de Maria? Alguém jamais terá ouvido promessa tão improvável? Alguém terá jamais respondido com tamanha fé e simplicidade?

"A Deus nenhuma coisa é impossível (Lc 1,37), afirma o Arcanjo Gabriel resumindo em uma frase a explicação da ação fiel da graça de Deus em milênios da história da Salvação. O Deus dos Impossíveis foi tecendo, ao longo dos "sim" dos homens. "sim" ora titubeantes e medrosos, ora corajosos, arrojados, impetuosos, mas sempre "sim". Na verdade, Deus precisa apenas deste "Sim" inicial, porque, de resto, tudo é graça que o renova revitaliza e conduz para o centro da Sua vontade`.

"Fiat!", disse Maria, na palavra que resume, ecoa e eleva a píncaros insondáveis todos os "fiat" de todos os tempos. Resume o "Pai, é difícil, mas eu creio, eu quero, eu vou", porque Tu queres, eu quero. Resume ainda a entrega daqueles que têm a graça de unir a generosidade à humildade; a entrega ao abandono, em uma "humilde rendição a Deus".

Deus, na verdade, pede a cada um o impossível que mais convém à sua alma. No entanto, em todos os "impossíveis" que pede, está sempre presente a exigência da entrega, da humildade, do abandono de si mesmo. O orgulho e a auto-suficiência consistem nos maiores empecilhos para que seja feita a vontade de Deus na vida de alguém. "Confiar em si mesmo não é somente conservar a consciência e a propriedade do próprio ser. É, ainda que inconscientemente, erigir-se como princípio último de seus próprios atos, afirmar, prática, sua independência, confrontando-a ao ser de Deus. A alma que confia em si não tem como estar perfeitamente submissa e nem, por conseguinte, pode amar". Como abraçar o impossível se confia apenas em si mesmo, se considera como princípio último dos próprios atos a sua própria força e potência? Não foi à toa que Deus precisou deixar Paulo cego!

Deus, na verdade, pede a cada um o impossível que mais convém à sua alma

Consciente de sua inteira incapacidade e pobreza, Pe. Jacques Marin orou, no momento de sua entrega a Deus: "Senhor, eu te dou tudo... e eu te peço tudo". É como se orasse: Eis aqui o meu "Seja feita", mas vê bem, é voz passiva! Não sou eu quem farei, é tu quem farás em mim e por mim, para que vejam a Tua glória". Quem pensa assim diz com Maria "realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo Sua Misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço"(Lc 1, 49ss). Quem tem esta convicção sincera da própria impotência diante do chamamento de Deus – e age e m coerência com Ela! – abraça o impossível.

Deus, Drama e Solução

"Deus, Drama e Solução" é o título do segundo capítulo do livro de Maximiliano Herraiz Garcia "Solo Dios Basta".

Olhando nossos irmãos que durante toda a história da salvação e da Igreja abraçaram o impossível, reconhecemos a veracidade e adequação desta expressão. Deus foi o seu drama, diríamos, até, seu "problema", mas foi também , sua única e felicíssima solução!

Abrão, Moisés, José, Samuel, Judite, Rute, Ester, Davi, Elias, Isaias, Oséias, certamente concordaram com esta afirmação. José, João Batista, Maria, Pedro, Felipe, André, Barnabé, João, Saulo, testemunham-na com suas vidas. Os santos a retratam; sua vida é Deus, está inseparável e intrinsecamente ligada à Vida d’Ele e n’Ele. Jeremias, porém, resume-a magistralmente:

"Seduziste-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominaste-me e obtiveste triunfo." (Jr 20,7)

Incompreendido, caluniado e perseguido por causa de Deus, Jeremias tem n’Ele o seu problema e a sua solução depois, quando a opção por Deus entra pelo caminho da aceitação humilde, do amor desinteressado, do abandono confiante e do despego efetivo, ainda que pobre nos começos, dos amores que haviam resistido ao Amor".

A Solidão Necessária

Jeremias viu-se só e, na solidão e dor, optou fundamental e definitivamente por Deus. O mesmo fizera Davi no silêncio da caverna onde poderia ter optado por si mesmo e matado Saul. Davi e Jeremias partilham da solidão necessária para o "sim" fundamental e incondicional, crescente e irreversível, responsável e consciente a Deus. O abraço no impossível é, necessariamente, solitário. Seu itinerário é tão exigente e doloroso quanto mais agudas as arestas que o Oleiro precisar moldar.

Daí ser fundamental retirar-se para o "Horeb" e lá, em oração humilde e paciente, "afinar" cada vez mais os ouvidos da alma para poder perceber a vontade de Deus no "murmúrio da brisa ligeira"( I Rs 19) Sem a oração não conhecemos a Deus. Se não O conhecemos, não temos como confiar n’Ele. Moisés precisou ir "para além do deserto" de sua curta visão para encontrar a sarça. Oséias e João Batista foram levados ao deserto. Cada santo, cada um deles, contou com o auxílio da oração e, pela oração conheceu e encontrou a Deus e a Sua vontade. Na oração, encontramos resposta e força para, na solidão do encontro frente a frente com Deus, abraçarem o impossível.

Não há como não evocar aqui José, que encontra, na solidão mais absoluta, a resposta e orientação de Deus: "Filho de Davi, não temas... Maria concebeu do Espírito Santo... é a Virgem de Israel que dará à luz o Messias, filho de Deus"(cf Mt 1,20ss). José, repentinamente arrebatado a um deserto de angústia, dúvida e solidão, encontra a resposta no seu Deus, a quem certamente invocara embora, por sua decisão humana, houvesse resolvido "rejeitar Maria secretamente". A resposta de Deus àquele homem justo superou em amor sua generosidade lícita de poupar Maria. Deus sempre dá uma resposta mais adequada ao amor àquele que, na solidão, O escuta.

O Abraço no Caminho Mais Excelente

Pelos séculos afora, Deus tem sido o problema e a solução de todo aquele que O ama. A estes homens e mulheres chamados a amá-lo acima de tudo, Deus propõe o abraço do impossível. A eles oferece uma promessa, na qual devem confiar por causa de Quem a faz. Seduzidos pelo Amor, confiam naquele que os ama e obedecemos. Nem têm mais diante de si a promessa, mas somente o desejo de amar mais e melhor.

O Espírito, que sempre realiza o que deseja, leva-os a mar cada vez mais a Deus e ter na vivência deste amor seu principal problema e sua principal solução.

E quem a Deus ama, ensina Jesus, prova este amor pela obediência à Sua vontade (cf Jo 14,21-24). A estes amantes obedientes Deus dá o Espírito Santo porque obedecem (cf. At 5,32). O Espírito, que sempre realiza o que deseja leva-os a amar cada vez mais a Deus e ter na vivência deste amor seu principal problema e sua principal solução. Impulsionados a amar a Deus, íntimos dele na solidão da oração, entendem profundamente o "Amai-vos como eu vos amo"(Jo 15,12). Entendem-no porque o experimentem, sabem como é que Deus ama, conhecem na própria vida a maneira dele amar. Podem, assim, cumprirs, nas diversas formas de chamamento, o único carisma comum a todas as vocações e abraçam, impotentes, humildes e generosos, o impossível de amar a Deus e ao homem como são amados pelo fiel Deus dos Impossíveis. Deixam, assim seus passos de luz no caminho que abraçaram, o "mais excelente de todos".

Possa o Fiel Deus dos impossíveis tomar-nos, como a eles, seduzir-nos, colher nosso "sim" e ser nosso problema - diante do qual nos rendemos – dando tudo – e nossa solução – quando, dependendo inteiramente dele, pedimos tudo.

Olhe o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galileia

Casar com Debora ou com Sara
Meu bom Jose, você podia
E nada disso acontecia,
Mas você foi amar Maria

Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
E se esconder com Maria

Meu bom José você  podia
Ter muitos filhos com Maria
E teu oficio ensinar
Como teu pai sempre fazia

Porque será meu bom Jose
Que esse teu pobre filho um dia
Andou com estranhas ideias
Que fizeram chorar Maria

Me lembro as vezes de você
Meu bom Jose, meu pobre amigo
Que dessa vida só queria
Ser feliz com sua Maria.

Vinde Alegres, Cantemos.

1- Vinde alegre, cantemos, a Deus demos louvor;

a um Pai exaltemos, sempre com mais fervor.

SÃO JOSÉ, A VÓS NOSSO AMOR, SEDE O NOSSO BOM PROTETOR. AUMENTAI O NOSSO FERVOR.

2- São José triunfante, da glória vai gozar,

e prá sempre reinante, no Senhor repousar.

3- Vós esposo preclaro, amantíssimo pai.

Dos cristãos firme amparo, este canto aceitai.

4- Já cingis a coroa, na glória celestial;

o céu vos entoa, um louvor eternal.

5- José, por um decreto, de Deus, o Criador,

desposastes, discreto; a Mãe do Salvador. 

6- Quis o Verbo Divino, dar-vos nome de Pai.

Um glorioso destino, para nós implorai!

7- Ao Senhor, já nascido, amoroso abraçais,

lá no Egito, fugido, do perigo O salvais! 

8- Ó Trindade inefável, a oração escutai,

de quem nos ama, afável, de José, nosso Pai!

Tema do 3º Domingo da Quaresma.

A Palavra de Deus que hoje nos é proposta afirma, essencialmente, que o nosso Deus está sempre presente ao longo da nossa caminhada pela história e que só Ele nos oferece um horizonte de vida eterna, de realização plena, de felicidade perfeita.
O Evangelho  garante-nos que, através de Jesus, Deus oferece ao homem a felicidade (não a felicidade ilusória, parcial e falível, mas a vida eterna). Quem acolhe o dom de Deus e aceita Jesus como “o salvador do mundo” torna-se um Homem Novo, que vive do Espírito e que caminha ao encontro da vida plena e definitiva.

EVANGELHO – Jo 4,5-42: Atualização

A modernidade criou-nos grandes expectativas. Disse-nos que tinha a resposta para todas as nossas procuras e que podia responder a todas as nossas necessidades. Garantiu-nos que a vida plena estava na liberdade absoluta, numa vida vivida sem dependência de Deus; disse-nos que a vida plena estava nos avanços tecnológicos, que iriam tornar a nossa existência cômoda, eliminar a doença e protelar a morte; afirmou que a vida plena estava na conta bancária, no reconhecimento social, no êxito profissional, nos aplausos das multidões, nos “cinco minutos” de fama que a televisão oferece… No entanto, todas as conquistas do nosso tempo não conseguem calar a nossa sede de eternidade, de plenitude, dessa “mais qualquer coisa” que nos falta para sermos, realmente, felizes. A afirmação essencial que o Evangelho de hoje faz é: só Jesus Cristo oferece a água que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem. Eu já descobri isto, ou a minha procura de realização e de vida plena faz-se noutros caminhos? O que é preciso para conseguirmos que os homens do nosso tempo aprendam a olhar para Jesus e a tomar consciência dessa proposta de vida plena que Ele oferece a todos?

Essa “água viva” de que Jesus fala faz-nos pensar no batismo. Para cada um de nós, esse foi o começo de uma caminhada com Jesus… Nessa altura acolhemos em nós o Espírito que transforma, que renova, que faz de nós “filhos de Deus” e que nos leva ao encontro da vida plena e definitiva. A minha vida de cristão tem sido, verdadeiramente, coerente com essa vida nova que então recebi? O compromisso que então assumi é algo esquecido e sem significado, ou é uma realidade que marca a minha vida, os meus gestos, os meus valores e as minhas opções?

Atentemos no pormenor do “cântaro” abandonado pela samaritana, depois de se encontrar com Jesus… O “cântaro” significa e representa tudo aquilo que nos dá acesso a essas propostas limitadas, falíveis, incompletas de felicidade. O abandono do “cântaro” significa o romper com todos os esquemas de procura de felicidade egoísta, para abraçar a verdadeira e única proposta de vida plena. Eu estou disposto a abandonar o caminho da felicidade egoísta, parcial, incompleta, e a abrir o meu coração ao Espírito que Jesus me oferece e que me exige uma vida nova?

A samaritana, depois de encontrar o “salvador do mundo” que traz a água que mata a sede de felicidade, não se fechou em casa a gozar a sua descoberta; mas partiu para a cidade, a propor aos seus concidadãos a verdade que tinha encontrado. Eu sou, como ela, uma testemunha viva, coerente, entusiasmada dessa vida nova que encontrei em Jesus?

Fonte: http://www.dehonianos.org

*Leia a reflexão completa desse 3º Domingo da Quaresma. Clique aqui no Olhar na Seção- EVANGELHO DO DIA).

“Existem certos demônios que só são expulsos mediante muita oração” (Mt 17,21). Quem sabe, estejamos diante de um deles.  IRMÃ MARIA INÊS VIEIRA RIBEIRO, Presidente da CRB Nacional (Na Foto, com o Padre Geral da Ordem do Carmo, Frei Fernando Millán Romeral). Leia na íntegra a carta aqui no olhar.

“No confessionário, às vezes, torna-se necessário anunciar novamente as verdades de fé mais elementares”

(ZENIT – Cidade do Vaticano. 17 Mar. 2017).- O Papa Francisco recebeu nesta sexta-feira no Vaticano, os participantes do Curso sobre Foro Interno, promovido pela Penitenciaria Apostólica, e propôs “o confessionário como lugar de evangelização”. Não basta um curso para se tornar bons confessores, disse, pois isso de confissão é uma “longa escola” que dura toda a vida.

O Pontífice saudando os membros da Penitenciaria disse que é um tipo de Tribunal que oferece aquele “remédio indispensável” para a nossa alma, que é a misericórdia divina.

O que é afinal “um bom confessor”, perguntou Francisco. E respondeu indicando três critérios: a oração, o discernimento; e o confessionário como lugar de evangelização.

Oração
Um bom confessor é, antes de mais, um verdadeiro amigo de Jesus Bom Pastor. Sem isto é difícil amadurecer aquela paternidade tão necessária ao ministério da Reconciliação

Na oração, implora-se o dom de um coração ferido para compreender as feridas alheias e pede-se o dom da humildade para evitar atitude de dureza, que inutilmente julga o pecador e não o pecado.

Na oração deve-se pedir o coração de um bom samaritano, o dom da humildade, o uso da misericórdia. Na oração se invoca também o Espírito Santo, que é espirito de discernimento e de compaixão que ajuda a compreender os sofrimentos do irmão, da irmã, que se aproxima do confessionário.

Discernimento
Em segundo lugar o bom confessor é um homem do discernimento. “A falta de discernimento causa muito mal à Igreja” -indicou o Papa- mal provocado pela falta da escuta humilde do Espírito Santo e da vontade de Deus. O confessor não faz a própria vontade e não ensina uma doutrina própria, mas é chamado sempre e somente a fazer a vontade de Deus.

No confessionário, o sacerdote deve ser capaz de identificar inclusive os distúrbios espirituais dos fiéis, situações que podem mesmo requerer a colaboração de peritos noutras ciências humanas, ou seja exorcistas.

Evangelização
O confessionário é um lugar de evangelização, de encontro com o Deus da misericórdia, com o Deus que é misericórdia. O confessionário torna-se assim num lugar de formação.

“No confessionário, às vezes, torna-se necessário anunciar novamente as verdades de fé mais elementares; às vezes, trata-se de indicar os fundamentos da vida moral”.

O confessor, concluiu o Papa, é chamado a ir cotidianamente às “periferias do mal e do pecado”, e a sua obra representa uma autêntica prioridade pastoral. Fonte: https://pt.zenit.org

A entidade apontou vários abusos na proposta do governo, entre eles, o fim da filantropia no Brasil

A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) elaborou uma carta aberta convocando todos os religiosos e religiosas, colaboradores, e pessoas atendidas pelas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos para mobilizarem-se contra a Reforma da Previdência (PEC 287/2016), que também visa extinguir o direito à Filantropia a que muitas instituições beneficentes e de caridade tem direito. O documento aponta ainda que cristãos e religiosos devem aguçar o senso crítico para não legitimar posições assumidas que vão contra o Evangelho e os direitos dos mais pobres.

Leia a íntegra da carta:  

Brasília, DF, 08 de março de 2017

“Felizes sois vós quando vos insultam e perseguem e mentindo dizem contra vós toda espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos”. (Mt 5,11)

Queridas Religiosas e Queridos religiosos!

É em nome pessoal e em nome da CRB Nacional, que representa mais de 35 mil religiosos e religiosas, que lhes escrevo. Faço-o com o coração entristecido por, mais uma vez, ver os interesses de poucos solaparem os direitos de muitos, especialmente das crianças e jovens mais pobres e vulneráveis. Literalmente querem nos tirar as migalhas.

Pessoas com passado não muito transparente se sentem no direito de legislar e de impor suas ideias, valendo-se do cargo que ocupam como representantes do povo. Como cristãos e como religiosos devemos aguçar o nosso senso crítico para não legitimar posições assumidas que vão contra o Evangelho e os direitos dos mais pobres. 

Nos próximos dias estará sendo discutida, e talvez votada, por nosso parlamento, a Reforma da Previdência, na qual o Governo Federal busca alterar a Constituição Federal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 287/2016. Além de outros absurdos, no bojo dessa reforma, nossos representantes querem extinguir o direito à Filantropia a que muitas instituições beneficentes e de caridade tem direito. Trata-se de um dos efeitos colaterais de contornos imprevisíveis que tal emenda produzirá contra os pobres dessa nação no presente e no futuro.

O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, tem se pronunciado categoricamente contra as desonerações fiscais em favor de alguns setores da sociedade, em especial das instituições filantrópicas. Chegou ao ponto de apelar à difamação pública dessas instituições centenárias, imputando-lhe adjetivos como: “pilantropia”, “pouca vergonha” e “aberração” no infeliz intuito de desqualificar a imunidade tributária das entidades beneficentes e de assistência social. É triste ver nas redes sociais anúncios do PMDB afirmando: “Se a reforma da previdência não sair – Adeus Bolsa Família – Adeus FIES ...”.

Uma campanha bem ao estilo autoritário e segundo a ética de quem a patrocina e, quem sabe, a financia. O cronograma de tramitação dessa matéria no Congresso Nacional é extremamente curto. Já nos próximos dias, por volta do dia 22/03/2017, deverá ser votada na Plenária da

Câmara. O atual domínio da bancada do Governo certamente garantirá a aprovação sem o menor esforço, pouco se lixando com as consequências de tal decisão. O que importa é arrecadar mais impostos.

A única forma de mudarmos esse triste panorama é o engajamento de todos: lideranças, religiosos/as, colaboradores, atendidos das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos. Ou nós nos mobilizamos e defendemos o direito das nossas instituições e dos pobres, ou mais uma vez pagaremos a conta dos desmandos palacianos.

Permitam-me oferecer-vos alguns dados e ilustrações para melhor compreensão da gravidade do assunto:  

  • Pesquisa do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas - FONIF, realizada a partir de dados oficiais fornecidos pela própria Administração Pública, revela que as entidades imunes proporcionam um retorno social da ordem de 5,92 x 1. Isto é, para cada R$ 1,00 não cobrado em tributos, R$ 5,92 são convertidos em benefício da população, na forma de serviços, empregos, infraestrutura, qualidade de vida e conhecimento. Ou seja: se o governo tirar a filantropia das instituições que prestam esses serviços, ele terá que arcar com a assistência a essas pessoas, gastando 5,92 vezes mais do que arrecada para dar o atendimento necessário. Como percebemos, essa decisão é pouco inteligente e incidirá diretamente na queda ou desqualificação do atendimento dos mais necessitados. 
  • As isenções das entidades filantrópicas correspondem a apenas 3% da arrecadação total da Previdência Social, de modo que a suspensão de tal isenção não vai solucionar o problema. A devolução do dinheiro desviado no “propinoduto” daria muito mais resultado financeiro do que terminar com as filantrópicas; 
  • Caso as entidades filantrópicas percam esse incentivo, centenas ou milhares de escolas, hospitais, universidades, centros sociais, centros de atendimentos a vulneráveis pertencentes a estas instituições deverão fechar as portas. Milhões de pessoas serão privadas de atendimento digno e humanitário nas unidades atendidas pelas filantrópicas e passarão para a rede pública, já incapaz de oferecer ao nosso povo o mínimo em saúde e educação. 
  • A consequência de curto prazo, será o aumento de crianças e adolescentes vivendo na rua, com muita possibilidade de futuramente assaltarem os que hoje lhe negam um tratamento digno. E então, a economia feita hoje, será insuficiente para construir prisões para abrigar os infratores produzidos pelo abandono produzido por tal decisão. Uma pena que a maioria dos nossos políticos não consigam ver além da próxima eleição. 

Irmãos e Irmãs, precisamos mobilizar as nossas instituições! Precisamos defender os nossos direitos e os direitos dos pobres e vulneráveis! Não se trata de luta ideológica, mas de posicionamento evangélico. 

Como ação prática, sugiro que enviem centenas, milhares, milhões de e-mails, aos deputados e senadores. Usemos as redes sociais para denunciar mais esse abuso de poder econômico e político de poucos que marginaliza quem trabalhou com seriedade durante séculos em favor dos necessitados. Participemos de manifestações públicas com esse objetivo. 

Alertemos os nossos atendidos, alunos, enfermos, sobre esse perigo e peçamos a eles que se manifestem nas redes sociais contra esse “assalto” a dignidade das instituições e das pessoas.

Não poupemos nenhum esforço no sentido de esclarecer e de influir na decisão dos nossos representantes em Brasília. 

Termino pedindo a todos os religiosos e religiosas, especialmente aos anciãos, aos enfermos e aos de clausura, que rezem fervorosamente a Deus, para que o Espírito Santo ilumine as mentes e os corações dos que devem decidir nosso futuro. Se Deus ouviu o clamor de Israel quando o Faraó escravizou o seu povo, certamente nos ouvirá também. Ele é Pai e Mãe e cuidará de nós e dos pobres do mundo. Recordo o Evangelho: “Existem certos demônios que só são expulsos mediante muita oração” (Mt 17,21). Quem sabe, estejamos diante de um deles.

Que o Deus bondoso tenha para nosso país olhos de misericórdia e nos conduza pelos caminhos da justiça e da fraternidade. Que a Virgem de Aparecida nos proteja e nos abençoe.

Em união de preces 

MARIA INÊS VIEIRA RIBEIRO

Presidente da CRB Nacional

 

“O amor não deve ser um amor de novela”. O Papa Francisco começou sua reflexão pela passagem da Carta de São Paulo aos romanos, durante a Audiência Geral na Praça São Pedro, para advertir sobre “um amor vivido com hipocrisia”, “egoísmo disfarçado de amor”, caridade feita “para nos sentirmos satisfeitos” ou para “aparecer”. Todas estas atitudes escondem “uma ideia falsa, enganosa, ou seja, que, se amamos, é porque somos bons”. Ao passo que o amor é graça de Deus, “que nos permite, mesmo em nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do pai e celebrar as maravilhas do seu amor”. Ao final da catequese, Francisco fez um apelo pelos trabalhadores da Sky Itália, destacando que, em geral, “aqueles que, por manobras econômicas, para fazer negócios pouco claros, fecham empresas e deixam pessoas sem emprego, cometem um pecado gravíssimo”. A reportagem é de Gianni Valente e publicada por Vatican Insider, 15-03-2017. A tradução é de André Langer.

 

No início da Audiência Geral, quando Jorge Mario Bergoglio desceu do Jeep branco, após sua costumeira volta entre os fiéis presentes na Praça São Pedro, encontrou-se primeiro com um menino, depois com uma senhora, que passou quase se esgueirando por entre as pernas dos guardas suíços, e um idoso chinês, que se ajoelharam diante do Papa para beijar-lhe os pés e pedir-lhe que desse a bênção a uma estátua de Nossa Senhora.
São Paulo, disse Francisco, “nos previne: existe o risco de o nosso amor ser hipócrita, de o nosso amor ser hipócrita. Então, devemos nos perguntar: quando isso acontece, essa hipocrisia? E como podemos estar seguros de que o nosso amor é sincero, que a nossa caridade é autêntica? Como podemos estar seguros de que não fazer caridade para aparecer ou que o nosso amor não seja uma novela? Amor sincero, forte. A hipocrisia pode introduzir-se em todas as partes, também em nosso modo de amar. Isso se verifica quando o nosso amor é um amor interessado, motivado por interesses pessoais; e quantos amores interessados existem... quando os serviços caritativos nos quais parece que nos doamos são realizados para nos mostrarmos a nós mesmos ou para nos sentirmos satisfeitos: ‘mas, como eu sou bom’, não? Isso é hipocrisia; ou ainda, quando buscamos coisas que têm ‘visibilidade’ para fazer alarde da nossa inteligência ou das nossas capacidades. Por trás de tudo isso existe uma ideia falsa, enganosa, isto é, que se amamos é porque nós somos bons; como se a caridade fosse uma criação do homem, um produto do nosso coração”.

Pelo contrário, a caridade “é antes de tudo uma graça, um dom; poder amar é um dom de Deus, e devemos pedi-lo. E Ele o dá com gosto, se nós o pedimos. A caridade é uma graça; não consiste em mostrar aquilo que não somos, mas aquilo que o Senhor nos dá e que nós livremente acolhemos; e não se pode expressar no encontro com os outros se antes não é gerada no encontro com o rosto humilde e misericordioso de Jesus. Paulo nos convida a reconhecer que somos pecadores, e que também nosso modo de amar está marcado pelo pecado. Ao mesmo tempo, porém, se faz mensageiro de um anúncio novo, um anúncio de esperança: o Senhor abre diante de nós um caminho de libertação, um caminho de salvação. É a possibilidade de viver também o grande mandamento do amor, de nos convertermos em instrumentos da caridade de Deus. E isso acontece quando nos deixamos curar e renovar o coração pelo Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado que vive no meio de nós, que vive conosco, é capaz de curar o nosso coração: Ele o faz, se nós o pedimos. É Ele que nos permite, apesar da nossa pequenez e pobreza, experimentar que tudo aquilo que podemos viver e fazer pelos irmãos não é senão a resposta ao que Deus fez e continua a fazer por nós. É o próprio Deus que, habitando em nosso coração e em nossa vida, continua a fazer-se próximo e a servir todos aqueles que encontramos diariamente em nosso caminho, a começar pelos últimos e mais necessitados nos quais Ele se reconhece em primeiro lugar”.

Todos nós, continuou o Papa Bergoglio, “fazemos a experiência de não viver plenamente como deveríamos o mandamento do amor. Mas também esta é uma graça, porque nos faz compreender que inclusive para amar precisamos que o Senhor renove continuamente este dom no nosso coração, através da experiência de sua infinita misericórdia. Somente então voltaremos a apreciar as pequenas coisas, simples, de todos os dias; e seremos capazes de amar os outros como Deus os ama, isto é, procurando apenas o seu bem, isto é, que sejam santos, amigos de Deus; e nos sentiremos felizes por nos aproximarmos do pobre e do humilde, contentes por nos debruçarmos sobre os irmãos caídos por terra, a exemplo de Jesus, assim como Ele, o Bom Samaritano, faz com cada um de nós, com sua compaixão e seu perdão”.

Ao final da catequese, o Papa saudou, entre outros, as pessoas que participaram do congresso promovido pelo Movimento dos Focolares, por ocasião do 50º aniversário de sua fundação, e os exortou a dar testemunho da beleza das famílias novas, guiadas pela paz e pelo amor de Cristo.

Francisco dirigiu um “pensamento especial” aos trabalhadores da Sky Itália, que, em uma nota, anunciaram a presença de um contingente de cerca de 100 empregados para denunciar a situação “dramática de aproximadamente 600 pessoas e suas famílias”, depois que a empresa revelara o plano de cortes e transferências. “Espero – disse o Papa – que sua situação trabalhista encontre uma solução rápida, no respeito pelos direitos de todos, especialmente das famílias”. Francisco acrescentou: “O trabalho nos dá dignidade e os empresários e os líderes políticos têm a obrigação de fazer todo o possível para que cada homem e mulher possa trabalhar e caminhar com a cabeça erguida, olhando nos olhos das pessoas, com dignidade. Aqueles que fecham fábricas e empresas para fazer negócios pouco claros e deixam pessoas sem emprego cometem um pecado gravíssimo”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Também os leigos Carmelitas são chamados a viver na presença do Deus vivo e verdadeiro, que em Cristo habitou no meio de nós, e a procurar toda a possibilidade e ocasião de alcançar a intimidade divina, deixando-se guiar pela ação do Espírito Santo, os leigos Carmelitas aceitam ser transformados na mente e no coração, no olhar e nos gestos. Todo o seu ser e sua existência se abrem ao reconhecimento da ação imediata e plena de misericórdia de Deus na vida de cada um.

Descobrem-se irmãos e irmãs, chamados a repartir o caminho comum em direção à plena santidade e a levar a todos o anúncio de que somos filhos do único Pai, irmãos de Jesus. Deixam-se entusiasmar pelas grandes obras que Deus executa e por meio das quais Ele solicita seu compromisso e eficaz contributo.

“No Carmelo se recorda aos homens, cheios de tantas preocupações, que a prioridade absoluta deve ser dada à procura “do Reino de Deus e da sua justiça”. Por essa razão, na família, no ambiente de trabalho e na vida profissional, nas responsabilidades sociais e eclesiais, nas ações de cada dia, no relacionamento com o próximo, os leigos Carmelitas procuram as pegadas ocultas de Deus. Reconhecendo-as, fazem com que germine a semente da salvação segundo o espírito das bem-aventuranças, com humilde e constante exercício das virtudes da probidade, espírito de justiça, sinceridade, cortesia, fortaleza de ânimo, sem as quais não pode haver uma verdadeira vida humana e cristã.

Sacerdote de Volta Redonda foi herói da partida, evitando gol adversário

Rio - Ave Maria, que partida foi essa! Com gols dos padres Anevair, de Goiânia, e Cássio, de São Paulo, o time de sacerdotes brasileiros, representado pelo Colégio Pio Brasileiro, matou a pau (ou melhor, nada de matar nesse caso), estreou bem neste domingo na 11ª Clericus Cup, a Copa do Mundo dos Sacerdotes Católicos, ao vencer por 2 a 1 o Chape Cusmano Belga. O Pio Brasileiro é constituído por padres e seminaristas que estudam em Roma.

Apesar da imprensa esportiva local ter voltado os holofotes para padre Neimar, meio campista de Guaíra, no Paraná, de 34 anos, por ser xará (com I) do craque Neymar, o herói da partida foi o padre Leandro Nunes, lateral direito de 35 anos, de Volta Redonda, no Sul Fluminense. “Ele salvou um gol do adversário em cima da linha. Não fosse Leandro, não tínhamos saído de campo com vitória”, elogia Neimar, capitão do grupo, reconhecendo algumas falhas em sua equipe, que teve até torcida organizada.

“Temos que corrigi-las para a próxima partida (contra o Vaticano Anselmiano, domingo que vem) e rezar mais”, brincou Neimar, em entrevista ao DIA pelo telefone, após o confronto, hoje à tarde. Modesto, Leandro diz apenas que o “jogo foi duro e bem disputado”. “Acho que merecemos a vitória pelo que apresentamos em conjunto. Vamos pensar agora no próximo jogo, com o objetivo de somar mais três pontos”, comentou o flamenguista Leandro

O Campeonato Mundial Pontifício, como também é conhecida a competição, reúne 404 padres de 66 nacionalidades em 18 times. As regras são um pouco diferentes do futebol convencional. O tempo para cada lado é de 30 minutos e não 45. E há apenas um cartão, de cor azul, que, diante de alguma indisciplina, digamos, menos religiosa, bota o faltoso para “pensar e se arrepender do que fez” por pelo menos oito minutos. “Xingar a mãe do juiz, nem pensar”, diz o sacerdote volta-redondense, às gargalhadas. Sob as bênçãos do Papa Francisco, os atletas de Cristo são estimulados nas partidas a exercerem a convivência fraterna, cooperação e amizade.

Hoje, os belgas, dirigidos pelo padre brasileiro Adenis de Oliveira, jogaram de verde e branco, em homenagem à Chapecoense, vítima do desastre aéreo que matou 71 pessoas em 2016. A melhor performance dos brasileiros no campeonato foi em 2010, com um tímido terceiro lugar. Quem quiser acompanhar o campeonato e, claro, torcer pelo Brasil, basta acessar o site www.clericuscup.it. Fonte: http://odia.ig.com.br