Visita do Frei Evaldo Xavier, O. Carm, Provincial dos Carmelitas e dos Freis; Petrônio, Adailson e Tiago, à Comunidade do Carmo de Salvador- BA(Freis; Raimundo e Alberto)

Venda iria custear estudos de outra irmã no exterior, segundo investigação.  Suspeito tem histórico de ameaças ao pai; irmã também foi morta.

Parte do dinheiro da venda de uma casa teria motivado a morte do dentista Francisco Ferreira Barro, de 72 anos, e da filha, Glaucia Rayssa Antony Barros, 25, em Coari, a 363 km de Manaus. O suspeito de ser o mandante do crime é Glauco Luiz Antony Barros, 29, filho adotivo do dentista. Ele foi preso e transferido para Manaus, nesta terça-feira (21). A venda do imóvel - avaliado em R$ 100 mil - já estava programada, e a maior parte do valor seria destinada ao pagamento dos estudos de outra irmã que cursa medicina na Bolívia. Para conseguir ficar com mais dinheiro, o suspeito teria encomendado a morte, segundo a polícia.

De acordo com a Polícia Civil, pai e filha morreram após dois homens invadirem a casa onde moravam em 16 de fevereiro. O suposto mandante do crime é filho adotivo da vítima. Ele tem histórico de ameaças ao pai e tentativa de agressão a irmã.

"O Neto, que era filho do dentista, mais conhecido como Sr Assis, tinha contratado outra pessoa por R$ 5 mil  - cuja alcunha era neyzinho - este chamou o foragido de justiça para quebrar algum (matar a vítima), mas era simulado para ser um roubo", disse o delegado Juan Valério.

Ainda segundo a Polícia Civil, há indícios de que o suspeito tenha viajado para Manaus no dia do assassinato para simular um álibi. O suspeito nega ser o mandante do crime. Ele foi transferido para se evitar que fosse vítima de algum atentado no município de Coari, onde o pai era conhecido por atender a população. 

Segundo o delegado, o suspeito se sentia preterido em relação aos demais filhos da vítima. O pai dele estava vendendo uma casa e já tinha recebido parte do dinheiro. "Ele ia pegar a maior parte do dinheiro e ajudaria outra filha a custear os estudos. Uma pequena parte ia para o Neto [suspeito]", disse o delegado.

A investigação aponta que a irmã reagiu durante a ação dos criminosos e, por isso, acabou morta.

Os dois suspeitos de efetuarem os disparos também foram presos no município. Segundo relato de testemunhas à polícia, homens invadiram a residência e pediram celulares dos moradores. Ao entrar no quarto das vítimas, os suspeitos atiraram contra pai e filha, que morreram no local. A dupla fugiu em uma motocicleta. O crime ocorreu na casa onde as vítimas moravam, no bairro Tauá-Mirim. Fonte: http://g1.globo.com

 

 

 Dom Edney Gouvêa Mattoso

Bispo  de Nova Friburgo, RJ.

Caros amigos, segundo os recentes documentos da Igreja, estamos vivendo uma “mudança de época” (Cfr. Aparecida, 44; Evangelii Gaudium, 52) com ênfase em uma profunda transformação cultural que vem colocando em crise muitos valores fundamentais da atual sociedade. Segundo estudiosos da atualidade, a realidade traz consigo uma verdadeira crise de sentido. Não se trata certamente das múltiplas tarefas do cotidiano, desenvolvidas pelo indivíduo, mas do nexo profundo que dá o eixo do próprio viver que os cristãos chamam de senso religioso. (Cf. n.37).

Neste contexto, é natural a desorientação dos cristãos. Infelizmente, o ambiente também torna-se propício para o surgimento de oportunistas que, explorando a boa-fé de nosso povo, querem utilizar o Evangelho para o lucro pessoal e não para a pregar a Verdade.

Nos primórdios da Igreja, tal atitude já era denunciada por São Paulo: “Se alguém transmite uma doutrina diferente e não se atém às palavras salutares de Nosso Senhor Jesus Cristo e ao ensino segundo a piedade, é um orgulhoso, um ignorante, alguém doentiamente preocupado com questões fúteis e contendas de palavras. Daí se originam invejas, ultrajes, suspeitas malévolas, discussões sem fim entre pessoas de mente corrompida, que estão privadas da verdade e consideram a piedade como uma fonte de lucro”. (1Tm 6, 3-5)

É lastimável o espetáculo das vendas de milagres, promissórias de bênçãos e “campanhas” de graças do céu. Sempre envolvendo altas quantias de dinheiro e uma linguagem puramente comercial, tal situação é um escândalo que se opõe à mensagem do Evangelho.

Nossa responsabilidade ante este quadro é dupla: em primeiro lugar, devemos fazer sério exame de nossa conduta e avaliar se estamos nos rendendo a este nefasto espírito de mercado; e, em segundo lugar, a denúncia dos falsos profetas e suas doutrinas, sempre presentes na histórica caminhada do Povo de Deus.

Muitos fiéis deixam os ensinamentos de Nosso Senhor não especificamente pela profissão de fé cristã, mas pelo modo como os cristãos vivem (Aparecida, 225); outros, entretanto, adquirem falsas práticas religiosas porque não conhecem o que Jesus disse no Evangelho ou apenas o ouviram de modo fragmentado.

Uma religião do bem-estar temporal nunca será compatível com a pregação de Jesus Cristo. Que Deus livre nossa sociedade de cair nesta antiga tentação. Fonte: http://www.cnbb.org.br

À espera da próxima eleição do presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que irá ocorrer em maio, Francisco já está modificando o rosto do episcopado italiano ao som de nomeações. Até hoje, a liderança de mais de um terço das dioceses do país foi mudada pelo papa, com solavancos fortes até. A última ocorreu na última quarta-feira, 15, em Ferrara, onde foi nomeado Giancarlo Perego, padre de Cremona, de 56 anos. A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 16-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na diocese liderada por Luigi Negri, do movimento Comunhão e Libertação, onde, em outubro passado, parte da comunidade de Gorino tinha erguido barricadas contra a decisão da prefeitura de enviar 12 refugiados (incluindo um cartaz afixado do lado de fora de uma igreja: “Por que vocês não vão para o Califado de vocês?”), Francisco mandou aquele que, desde 2009, é diretor-geral da Fundação Migrantes, o órgão pastoral da CEI que se dedica justamente a eles, aos excluídos.

O sinal de que o papa enviou, em essência, sempre o mesmo desde que se tornou bispo de Roma, fala por si só. E diz mais coisas. Entre elas, que os bispos devem ter algumas características imprescindíveis: devem ser pastores que acolhem as pessoas, especialmente os últimos, que sabem escutar, que não rejeitam, que não escolhem o rebanho que lhes foi confiado.

Sim, o rebanho. Deste, os bispos bergoglianos devem ter, ou ao menos conhecer, o cheiro. Ou seja, o que importa é a proximidade a todos, porque “o episcopado – explicou o papa várias vezes – não é uma honraria, mas um serviço”. E, nesse sentido, um serviço que também pode ser prestado por aqueles que não têm os “graus” que até quatro anos atrás pareciam ser necessários: a maioria dos novos prelados são simples párocos e, salvo exceções, não tinham grandes cargos antes da nomeação, eram isentos de uma particular “carreira” curial.

Antes de Ferrara, muitos outros casos. Acima de tudo, três dioceses de primeiro plano. Pádua, onde Santo Antônio morreu e onde, governada pelo Vaticano, ergue-se a basílica com os seus restos mortais; Bolonha, marcada pelas grandes figuras da Giacomo Lercaro e do seu “oposto”, Giacomo Biffi, a diocese mais rica da Itália; Palermo, a sede siciliana mais importante, cardinalícia por tradição.

Em Pádua, desde 1932, não era designado um pastor que já não fosse bispo. Em 2015, Francisco escolheu o Pe. Claudio Cipolla, por muitos anos diretor da Cáritas da diocese e simples pároco.

Em Bolonha, depois de Carlo Caffarra, chegou Dom Matteo Zuppi, bispo auxiliar de Roma e membro da Comunidade de Santo Egídio, desde sempre comprometido com os sem-teto, os pobres e os refugiados. 

Já em Palermo, o papa quis levar o Pe. Corrado Lorefice, este também pároco, amigo do Pe. Ciotti, na linha de frente contra a rede de prostituição.

Francisco deu desde cedo os sinais de uma profunda mudança em curso. Até mesmo dentro da liderança da CEI. A escolha de nomear Nunzio Galantino, quando ele estava à frente da diocese de Cassano all’Ionio, como secretário-geral dos bispos vai nesse sentido. Assim também a decisão de dar a púrpura a bispos como Gualtiero Bassetti (Perugia), Edoardo Menichelli (Ancona) e Francesco Montenegro (Agrigento), pastores de dioceses não tradicionalmente cardinalícias. Mas há muitos outros exemplos, e haverá muitos outros no futuro.

Recentemente, os três novos bispos de Savona-Noli, de Messina-Lipari-Santa Lucia del Mela e de Lucera-Troia foram respectivamente os três párocos Calogero Marino, Giovanni Accolla e Giuseppe Giuliano. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Dezenas de cartazes com críticas ao Papa Francisco foram espalhados nas ruas de Roma

No início do mês, cartazes criticando o papa surgiram em Roma, e um jornal falso que zombava do pontífice foi enviado a cardeais da cidade. O repórter Christopher Lamb investiga o caso.

Fiquei chocado quando os vi.

Estava sentado algumas fileiras atrás de uma freira em um bonde quando paramos ao lado de cartazes em que o papa Francisco aparece com um olhar carregado.

Sob seu rosto aborrecido, quase ameaçador, havia uma lista de reclamações: ele havia destituído padres, ignorado preocupações de cardeais e "decapitado" um antigo grupo católico, a Ordem de Malta. Isso é o oposto do que me acostumei a esperar ver em Roma. O bonde passava por uma parte da cidade onde normalmente há imagens de um papa sorridente, com os braços estendidos ou fazendo um sinal positivo com a mão.

Aqui na Itália, o papado é o mais perto que há de uma monarquia, então, não é surpreendente que autoridades da capital tenham ordenado que os pôsteres fossem cobertos, só restando um aviso: "Cartaz colado ilegalmente". Ao mesmo tempo em que os cartazes surgiam nas paredes da cidade, cardeais de Roma abriram suas caixas de correio e encontraram uma versão falsa do jornal do Vaticano, o L'Osservatore Romano.

Na capa, havia uma lista de perguntas ao papa feitas por um grupo de cardeais conservadores em que a resposta sempre era sic et non (sim e não). Estavam pregando uma peça no pontífice em seu próprio território - e em latim.

O papa Francisco é popular entre muitos católicos, mas enfrenta bastante resistência às mudanças que promoveu e ainda promove no Vaticano, motivo de fúria entre fiéis das alas mais tradicionais da Igreja.

O principal motivo de tensão tem sido sexo - sim, sexo. Francisco quer que divorciados que se casaram novamente possam comungar. Seus críticos dizem que isso mina ensinamentos da Igreja sobre matrimônio, porque uniões secundárias seriam adultério. Todas as perguntas na capa falsa do jornal eram sobre isso.

Um cardeal americano, Raymond Burke, está na linha de frente da oposição a Francisco. Burke preza as regras atuais. Foi ele que disse certa vez ao então candidato presidencial John Kerry que ele não poderia comungar por já ter apoiado o aborto.

O cardeal Burke vem criticando abertamente as mudanças promovidas por Francisco

Burke dedicou-se durante a maior da vida ao estudo das leis da Igreja e quer garantir que sejam cumpridas. Ele acredita que o papa está fazendo ajustes perigosos na tradição de mais de 2 mil anos do Cristianismo. Ele ameaçou até mesmo decretar "um ato formal de correção de um erro grave" contra o papa. Seria um gesto ousado e raro - algo assim não ocorre há séculos.

O cardeal vive em um grande apartamento na rua construída por Mussolini que leva à Praça de São Pedro a partir do rio Tibre. É dali que ele comanda sua operação para prover o que chama de "clareza da doutrina". Costumes e tradições são muito valorizados por ele. Quando o visitei para entrevistá-lo, passei por um chapéu de cardeal mantido em uma redoma de vidro, como de fosse uma relíquia sagrada, no caminho para uma sala onde esperei por sua entrada.

Ao meu lado, estava seu assessor de imprensa, que cumprimentou o cardeal se ajoelhando e beijando seu anel de ouro, um sinal de respeito. Por outro lado, quando visitei o papa Francisco - como um membro da imprensa que cobre o Vaticano -, nós trocamos um aperto de mãos, e não pude deixar de notar um ligeiro desconforto nele quando as pessoas se ajoelhavam à sua frente.

Diz-se em Roma que os cartazes foram obra de um grupo de direita que não gosta dos apelos do papa para que a Europa receba melhor os imigrantes. Novamente, ele e Burke parecem estar em lados opostos da questão, mas não há evidências de que o cardeal esteja por trás dos pôsteres ou do jornal falso.

Há muitos católicos conservadores que ficam desconfortáveis com as mudanças promovidas pelo papa e sua decisão de viver em uma casa simples em vez de ocupar o apartamento papal, carregar sua própria maleta e andar por aí em seu carro, gestos que rompem com a pompa do cargo e são considerados inadequados por alguns.

Até agora, o papa não parece ter dado importância às críticas. "Não tomo tranquilizantes", disse em tom de brincadeira recentemente. Sua forma de lidar com o estresse, explicou, é anotar os problemas em um papel e colocá-lo sobre uma imagem de um São José adormecido.

São José é a figura à qual os católicos recorrem quando enfrentam dificuldades de ordem prática. "Agora, ele dorme sobre um colchão de papéis", acrescentou Francisco.

O problema é que a função do papa é ser a base da unidade da Igreja. Alertas soam quando um papado começa a gerar muitas divisões. Ao mesmo tempo em que Francisco tem sido muito bem-sucedido em falar com as ovelhas desgarradas, ele corre o risco de alienar quem ainda está por perto. O papa admitiu que fissuras estão surgindo entre bispos e padres - e, se forem ignoradas, elas podem se tornar problemas ainda maiores.

Christopher Lamb é correspondente do Vatico para o "The Tablet". Fonte: https://noticias.uol.com.br

Francisco sublinha que justiça proposta por Cristo exclui qualquer ato de «vingança»

Cidade do Vaticano, 19 fev 2017 (Ecclesia) – O Papa disse hoje no Vaticano que os católicos são chamados a responder com atos de “bem” aos que os caluniam, sublinhando que a justiça proposta por Cristo exclui qualquer ato de “vingança”.

Francisco referiu aos peregrinos reunidos para a recitação do ângelus, na Praça de São Pedro, que a “revolução” proposta por Jesus passa por “quebrar a cadeia do mal”, mesmo perante quem é considerado como “inimigo”.

“Inimigos são os que falam mal de nós, quem nos calunia e é injusto connosco. Não é fácil digerir isto”, admitiu o Papa, para quem os crentes devem “responder com o bem” e com estratégias “inspiradas pelo amor”.

A intervenção sublinhou que esta proposta de Jesus representa “uma realização superior da justiça”, com uma “nítida distinção” entre justiça e “vingança”.

Francisco alertou, em particular, para situações de conflito no seio das próprias famílias.

“Quantas inimizades nas famílias, quantas!”, lamentou. O Papa convidou os presentes a rezar pela intercessão da Virgem Maria para que todos possam seguir em frente neste “caminho exigente”.

“Que ela nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão e a ser, assim, artesãos de comunhão, artesãos de fraternidade na nossa vida quotidiana, sobretudo na nossa família”, declarou Francisco.

Frei Geraldo Bezerra, O. Carm.

Este ano, a Igreja na América Latina e Caribe, deveria estar celebrando o grande acontecimento eclesial- a V Conferência do Episcopado Latino americano e Caribenho, que teve lugar entre os dias 13 a 31 de maio de 2007.

O que chegou até nós de Aparecida?  Nossas Igrejas se tornaram mais discípulas missionárias, ou simplesmente estão buscando encontrar caminhos? (Fonte: Facebook)

Pe. Lucas Emanuel, C.Ss.R

Historicamente falando, o Anel de Tucum nasce no tempo do Império do Brasil. Enquanto a realeza usava joias de metais e ouro, os escravos e índios, sem acesso a esses materiais, criaram o Anel do Tucum.

Tucum é uma Palmeira comum na Amazônia. Fizeram, então, desse objeto rústico um símbolo de amizade entre si, pactos matrimoniais e, também, de resistência na luta por libertação. Desse modo, o anel de Tucum era um símbolo cuja linguagem, só eles conheciam. Um símbolo secreto da amizade deles e de suas lutas cotidianas. Mais tarde, os cristãos passam a ter no Anel de Tucum um símbolo de fé e compromisso.

Especialmente com a Teologia da Libertação, nos anos 60, quando o apelo às causas dos mais pobres e abandonados começa a crescer, não só no Brasil como também em nossa América Latina. Tivemos, portanto, nesse período um grupo grande de pessoas dedicadas à luta dos mais fracos, o que rendeu muitos testemunhos e martírios. Dom Pedro Casaldáliga é um exponente que nos retrata essas lutas. Esse ilustre Bispo Profeta, num Filme sobre o Anel de Tucum, nos apresenta o significado do anel com essas palavras: “Anel de Tucum é sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas consequências”. Dizendo isto, lança o convite: “Você toparia levar um anel? Topa?”. As causas de ontem se encontram com as causas de hoje.

Nossas lutas mudaram de cenários e nomes e os pobres ainda continuam excluídos e oprimidos. Por isso, o anel de Tucum quer simbolizar uma fé engajada, um compromisso com os pobres, com os sem voz e os sem vez, um compromisso com a VIDA! Jesus nos revela que Deus está ao lado dos pobres e quer promover sua dignidade, no rosto do pobre encontramos o rosto de Deus. “Na verdade vos digo: toda vez que fizestes isso a um desses mais pequenos dentre meus irmãos foi a mim que o fizestes!” (Mt 25, 40). (Fonte: Facebook)

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo de Juiz de Fora

Foi nos meados de outubro de 1717 que três pescadores encontraram, entre suas redes, a pequena imagem negra da Beatíssima Virgem Maria, que se tornou principal ícone de devoção sempre crescente do povo brasileiro. Desde o princípio, os moradores da região costumaram referir-se a ela como Nossa Senhora da Conceição Aparecida ou simplesmente Nossa Senhora Aparecida.

Ao correr do tempo, orações, celebrações, escuta da Palavra de Deus, súplicas em situações de extrema dificuldade se repetiram, subindo a Deus como suave incenso, resultando em graças alcançadas e milagres verdadeiros. O aumento do movimento popular gerou sucessivas construções de espaços cada vez mais amplos para o povo local e peregrinos de várias partes. De uma simples sala na casa de Felipe Pedroso, da pequena capela no morro dos Coqueiros, edificações sucessivas foram surgindo até se chegar ao extraordinário Santuário Nacional, o maior do mundo construído em louvor da Virgem Maria, sagrado solenemente pelo inesquecível Papa São João Paulo II, no ano de 1980, em sua primeira viagem ao Brasil. 

Ocorrendo frequentes milagres de Deus por intercessão da Virgem Mãe de Cristo, a devoção foi se tornando cada vez mais centro de piedade popular, reconhecida repetidas vezes pelas autoridades eclesiais, configurando-se como autêntico e forte elemento evangelizador e santificador.

Para isso, contribuiu a iniciativa pioneira de Dom Silvério Gomes Pimenta, o primeiro bispo negro do Brasil, Bispo e posteriormente Arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, que em 1893 trouxe para a cidade de Juiz de Fora, hoje sede de nossa Arquidiocese, a Congregação dos Padres Redentoristas. Tal iniciativa foi secundada pelo Bispo de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti que, no ano seguinte, conseguiu na Baviera, a vinda de Redentoristas para a sua diocese, colocando-os em Aparecida, ampliando assim o trabalho catequético, evangelizador e missionário, além da assistência cotidiana dos Sacramentos. Concretiza-se assim o ideal do fundador, Santo Afonso Maria de Ligorio, que era de evangelizar os abandonados.

Como já referido em outro artigo de nossa autoria, não há dúvidas que o maior de todos os milagres acontecidos em Aparecida tem sido a inexplicável força deste singelo símbolo. Uma imagenzinha de 36 centímetros, de terra-cota, já considerada desprezível, atirada em dois pedaços no fundo de um rio, apanhada por humildes pescadores, vem arrastando crescentes romarias, chegando hoje a multidões incalculáveis que buscam o Senhor, na casa de Maria. A IX Romaria do Terço dos Homens, a acontecer no próximo sábado, 18 de fevereiro, já conta com inscrição de mais de 70 mil pessoas. A devoção a Maria foi sempre cristológica, sabendo-se que quem busca Maria, a busca por ser mãe de Jesus, o Divino Salvador, tendo profundo sentido bíblico. 

Diz Moisés Alves dos Santos, comentarista das agendas da editora Ave Maria, falando das experiências de fé em Aparecida: A “aparição” de Maria em terras brasileiras é simples... O extraordinário é que se tornou essa experiência fundante: quantas conversões, quantas promessas, quantas curas! ... É próprio de Deus atuar a partir de uma experiência simples. Foi assim que Abraão foi chamado para ser pai de uma grande multidão, após uma simples experiência com o céu estrelado. Foi assim também que Jeremias aderiu à sua missão, após ter a visão de uma “panela fervendo”. (Agenda Ave Maria, 2017, 12 de outubro). 

Podemos acrescentar à reflexão as contínuas atitudes de Jesus, que empregava elementos muito simples para suas pregações, a fim de comunicar verdades de grande profundidade. Assim foi com a semente de mostarda, com um pouco de lama feita com a sua saliva e um pouco de terra para curar o cego de nascença, e o pão, o mais comum dos alimentos, para instituir o mais sublime dos Sacramentos que é a Sagrada Eucaristia.

Os elementos materiais, tão pequenos a aparentemente insignificantes, tornam-se pela forma simbólica, a causa de coisas imensamente maiores, sobrenaturais, transformadoras, edificadoras, força e intermediação da Salvação. Só Deus pode fazer isto! 

Maria, a humilde serva, jovenzinha de Nazaré, foi escolhida pela iniciativa divina para ser o canal intermediador da Salvação, sendo mãe do Filho de Deus encarnado. Sua singela súplica nas Bodas de Caná resultou no primeiro milagre de Cristo, o início de sua vida pública, segundo o evangelho de São João.

A ação de Maria, pelo divino desígnio dos mistérios de Deus, prossegue realizando a obra misericordiosa do Pai, que após 300 anos, vem atraindo e acolhendo o povo fiel do Brasil, na conta de seus filhos queridos. Fonte: http://www.cnbb.org.br

Dom Luigi Negri, da Arquidiocese de Cremona, líder de longa data da ala conservadora dos bispos italianos, teria manifestado, em novembro de 2015, juízos severos sobre o Papa Francisco e suas escolhas para o episcopado. Na quarta-feira, ele renunciou e foi substituído por um prelado claramente a favor dos imigrantes. A reportagem é publicada por Crux, 15-02-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Um prelado italiano, que esteve no centro de uma polêmica em novembro de 2015 por supostamente manifestar o desejo de ver o Papa Francisco morrer, renunciou na quarta-feira, 15-02-2017, e foi substituído por um padre conhecido por defender migrantes e refugiados.
Dom Luigi Negri, de Cremona, que completou 75 anos em novembro passado – alcançando a idade em que os bispos devem submeter o pedido de renúncia ao papa –, tinha sido nomeado para conduzir a arquidiocese italiana no norte do país, localizada na Lombardia, pelo Papa Bento XVI 2012.

Um dos mais experientes do influente movimento católico “Comunhão e Libertação”, Negri há tempos é visto como um dos líderes da ala conservadora do episcopado italiano.

Em novembro de 2015, irrompeu uma polêmica em âmbito nacional quando o jornal Il Fatto Quotidiano publicou uma matéria de capa que descreveu relatos oculares de um diálogo que Negri teria tido um mês antes a bordo de um trem em direção a Roma com o seu secretário pessoal, um padre arquidiocesano.

No diálogo, o prelado de 74 anos teria dito que esperava que a “Madonna” (Nossa Senhora) realizasse um milagre e causasse a morte do Papa Francisco, em referência ao exemplo do Papa João Paulo I, que faleceu depois de apenas 33 dias. Em tese, Negri também disse duras palavras sobre as nomeações episcopais feitas por Francisco para as dioceses de Bolonha e Palermo. (Em ambos os casos, o pontífice designou prelados considerados de centro-esquerda para substituir figuras percebidas como mais conservadoras.)

Nenhuma das supostas testemunhas ocupares foram identificadas na reportagem, e ninguém veio a público afirmar ter ouvido o diálogo. De início, Negri negou a matéria energicamente, dizendo que se baseava em “invenções” tão fantásticas que o autor precisa “se tratar dos seus delírios”, e ameaçou acionar juridicamente o jornal por difamação.
Mais tarde, Negri reconheceu ter tido a conversa, mas insistiu que o “milagre” a que se referia era em relação ao Papa João Paulo II e à crença de que a Nossa Senhora havia redirecionado a bala para salvar-lhe a vida durante a tentativa de assassinato de 1981. Sobre os dois bispos, ele disse que estava fazendo observações históricas e culturais, não condenando-os pessoalmente. Muitos italianos, no entanto, acharam os sentimentos expressos na reportagem plausíveis, no mínimo.

Tempos atrás Negri serviu como o braço direito de Dom Luigi Giussani, fundador do Comunhão e Libertação, grupo lançado em Milão no começo do século XX, prelado visto na época como uma espécie de representante rival da ala progressista liderada pelo falecido cardeal jesuíta Carlo Maria Martini. (Quando primeiramente surgiu a notícia dos supostos comentários de Negri, o movimento emitiu uma nota indicando que desde 2005 ele não ocupava nenhum cargo de responsabilidade na organização e reafirmando a lealdade do grupo “a todo gesto e a toda palavra” do Papa Francisco.)

Na política italiana, Negri é visto como um apoiador do ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi. Ele também está entre os prelados pró-vida de maior destaque do país, declarando que não daria a Comunhão a políticos católicos italianos de centro-esquerda que apoiam uniões civis homoafetivas.

Quando foi lançado em 2006 o documento do papa Amoris Laetitia, Negri esteve entre os bispos que insistiam que o texto não abria as portas para a recepção da Comunhão a fiéis divorciados e recasados no civil, dizendo: “Se ele pessoalmente pensa isso e ainda não o disse, vamos aguardar para ver quando ele dirá, mas não podemos dizer que ele já disse que sim, quando ele não disse!” Pelo que tudo indica, o substituto de Negri em Cremona é um bispo mais aos moldes do Papa Francisco.

Giancarlo Perego, 56 anos, serviu anteriormente como diretor de uma fundação chamada “Migrantes”, agência oficial da Conferência dos Bispos da Itália destinada a atender os migrantes e refugiados. É também o editor de uma revista publicada pela fundação, e foi consultor para o Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes que acabou sendo absorvida pelo novo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

Antes disso, por muito tempo Perego foi uma referência para as organizações caritativas católicas italianas, ocupando uma série de cargos na Caritas. Em Cremona, Perego herda uma região da Itália conhecida por nutrir um sentimento anti-imigrante. A arquidiocese inclui duas pequenas cidades, Goro e Gorino, que em 2016 foram motivos de manchetes por erguerem barricadas contra 12 refugiados que tentavam entrar no país, incluindo uma mulher grávida e oito crianças.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

 

16/02/2017- O primeiro compromisso do Papa nesta quinta-feira foi a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice deu destaque ao sofrimento de tantos povos castigados pelas guerras promovidas pelos poderosos e pelos traficantes de armas. De modo especial, falou de três imagens presentes na Primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis: a pomba, o arco-íris e a aliança.

“A aliança que Deus faz é forte – comentou – mas como nós a recebemos e a aceitamos é com fraqueza. Deus faz a paz connosco, mas não é fácil preservá-la”. “É um trabalho de todos os dias, porque dentro de nós ainda existe aquela semente, aquele pecado original, o espírito de Caim que por inveja, ciúme, cobiça e desejo de dominação faz a guerra”. Francisco observou que, falando da aliança entre Deus e os homens, se faz referência ao “sangue”: “pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão”. Nós, portanto, “somos custódios dos irmãos e quando há derramamento de sangue, há pecado e Deus nos pedirá contas”:

“Hoje no mundo há derramamento de sangue. Hoje o mundo está em guerra. Muitos irmãos e irmãs morrem, inclusive inocentes, porque os grandes e os poderosos querem um pedaço a mais de terra, querem um pouco mais de poder ou querem ter um pouco mais de lucro com o tráfico de armas. E a Palavra do Senhor é clara: ‘pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão’. Também a nós, que parecemos estar em paz aqui, o Senhor pedirá contas do sangue dos nossos irmãos e irmãs que sofrem a guerra”.

Custodiar a paz, a declaração de guerra começa em cada um de nós

“Como proteger a pomba? Pergunta-se Francisco; “O que faço para que o arco-íris seja sempre um guia? O que faço para que não seja mais derramado sangue no mundo?”. Todos nós, reiterou, estamos envolvidos nisto. A oração pela paz não é uma formalidade, o trabalho pela paz não é uma formalidade. E relevou com amargura que a guerra começa no coração do homem, começa nas casas, nas famílias, entre amigos, e depois vai além, a todo o mundo. “O que faço, eu, quanto sinto no meu coração ‘algo que quer destruir a paz’?”

“A guerra começa aqui e termina lá. Vemos as notícias nos jornais e na TV... Hoje, muita gente morre e a semente de guerra que gera inveja, provoca ciúmes, a cobiça no meu coração é a mesma coisa do que a bomba que cai num hospital, numa escola, matando crianças - é o mesmo. A declaração de guerra começa aqui, em cada um de nós. Por isso, pergunto: “Como custodiar a paz em meu coração, em meu íntimo, na minha família?”. Custodiar a paz, mas não só: fazê-la com as mãos, todos os dias. E assim conseguiremos fazê-la no mundo inteiro”.

A recordação do fim da guerra na lembrança do menino

“O sangue de Cristo – evidenciou – é o que faz a paz, mas não o sangue que eu faço com o meu irmão” ou “o que fazem os traficantes de armas ou os poderosos da terra nas grandes guerras”. Francisco relatou um episódio pessoal, de quando era criança, sobre a paz:

“Recordo quando começou a tocar o alarme dos Bombeiros, depois nos jornais e na cidade... Isto se fazia para atrair a atenção para um fato ou uma tragédia, ou outra coisa. E logo ouvi a vizinha de casa chamar minha mãe: ‘Senhora Regina, venha, venha!’ E minha mãe saiu, assustada: ‘O que aconteceu?’ E a mulher, do outro lado do jardim, disse: ‘A guerra acabou!’, chorando.

Francisco recordou o abraço das duas mulheres, o pranto e a alegria porque a guerra havia terminado. “Que o Senhor – concluiu – nos dê a graça de poder dizer: ‘Terminou a guerra’ e chorando. ‘Acabou a guerra no meu coração, acabou a guerra na minha família, acabou a guerra no meu bairro, acabou a guerra no meu trabalho, acabou a guerra no mundo’. Assim serão mais fortes a pomba, o arco-íris e a aliança”. Fonte: http://pt.radiovaticana.va

Há uma frase de Hélder Câmara, arcebispo brasileiro, que explica bem o pensamento de outro arcebispo, Carlo Maria Martini: “Quando dou comida aos pobres chamam-me de santo. Quando pergunto por que eles são pobres chamam-me de comunista”. Frase que Ermanno Olmi, em colaboração com o jornalista Marco Garzonio (que, pelo jornal Corriere della Sera, acompanhou e contou Martini desde a sua chegada em Milão, em 1979, até a sua morte, em 2012), quis citar no seu intenso retrato do cardeal, vedete, sono uno di voi [vejam, sou um de vocês. Sim, a grafia é em minúsculo, pois Martini não apreciava as maiúsculas, segundo o diretor do filme. Nota da IHU On-Line], que será lançado em março. A reportagem é de Antonello Catacchio, publicada no jornal Il Manifesto, 11-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Olmi não é nem quer ser um biógrafo que enrola histórias e anedotas, mas cava profundamente, permite que o homem Martini levite, como o pão camponês, enquadra-o “como uma árvore que cresceu para fora do jardim, onde a ordem hierárquica não é avaliada em termos econômicos, mas de função”.

Reunindo entrevistas, clipes, fotografias, material de arquivo e imagens escolhidas com cuidado, Olmi acompanha o relato com a sua própria voz “para falar com honestidade” e oferece o percurso de um personagem singular, natural de Turim, de origens abastadas, que decidiu se tornar sacerdote desde pequeno, depois jesuíta, teólogo, estudioso da Bíblia, convicto defensor do diálogo entre as religiões. 

Um grande intelectual da Igreja, chamado, a despeito de si mesmo, por Wojtyla para se tornar arcebispo de Milão em 1979. Cidade difícil, atravessada por todas as contradições da época, e Martini, de algum modo se transformou, entendeu que “estar nos passos do homem é mais importante do que qualquer livro”.

Um episcopado sofrido e próximo dos sofredores. Com uma primeira e inquietante carta pastoral, “a dimensão contemplativa da vida”, a lectio divina na Catedral, as vigílias na praça com os trabalhadores, as frequentes visitas à prisão. As hierarquias, muitas vezes, não compartilharam as suas escolhas, como a de batizar os gêmeos de dois membros das Brigadas Vermelhas nascidos na prisão, assim como a rejeição à lógica do lucro como motor de civilização e progresso, mas também a constituição do “fundo de solidariedade em favor das famílias necessidades dos demitidos e dos desempregados” (1982). Ou, melhor, alguns levantaram a hipótese de um dualismo entre Wojtyla e Martini, que foi colocado em posição antagônica ao papa, obscurecendo uma possível sucessão.

Na Sexta-feira Santa de 1984, Martini celebrou uma procissão penitencial rezando para derrotar em Milão as três pragas do momento: “a violência, a solidão, a corrupção”. Passam-se apenas dois meses, e são entregues no arcebispado sacos cheios de armas das Brigadas Vermelhas. Ele chegou também a instituir uma “cátedra dos não crentes”, ou seja, uma série de encontros sobre “perguntas da fé”, um debate “estranho e imprudente” entre pensantes e não pensantes. 

Liberdade, justiça, democracia, temas caras também a Olmi (“Hoje, a democracia tornou-se uma grande máscara”), que também consegue citar a ilha de Chios, onde as pessoas modestas que ele gosta e estima desde sempre inventaram a democracia, mas que “não deve ser vivida passivamente”.

Agora, Martini já amadureceu as suas escolhas; segundo ele, a Igreja deve se renovar, chegou a afirmar que ela “está 200 anos atrás”. Ele não gostava de toda a ênfase e a prosopopeia da ostentação. Tinha sido um dos primeiros a intuir como a santificação do lucro trazia consigo os gérmens da corrupção e, curiosamente, foi justamente em Milão que explodiu ruidosamente a bolha da Tangentopoli [escândalo de corrupção na Itália nos anos 1990]. 

“Para perseguir a riqueza, tornamo-nos pobres”, recorda Olmi. Ele que acaricia com olhar respeitoso o seu protagonista, compartilha-o antes mesmo de narrá-lo, mostra-o quando, depois de ter renunciado ao cargo de arcebispo de Milão, foi a Jerusalém, cidade de contradições devastadoras, mas também de grande oração: “Na sexta-feira, os muçulmanos. No sábado, os judeus. No domingo, os cristãos”. E, sobre tudo, recorre uma constante, aquele quartinho do Alosianum de Gallarate, onde Martini expirou aos 85 anos e onde tinha feito o seu noviciado aos 17 anos.

No filme, ele não está nem podia estar, mas Garzonio e Olmi quiseram recordar como o Papa Francisco, na sua primeira aparição, saudou os romanos simplesmente com um “boa noite”. Um sinal de proximidade com a simplicidade de Martini, que, na sua chegada a Milão, não quis celebrações. Uma proximidade que encontrou outros pontos de contato, não por último a luz verde para a beatificação de Câmara. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Santuário de Medjugorje acabou debaixo da lupa do Papa Bergoglio. Será um bispo polonês, um dos mais conservadores, Henryk Hoser – com um passado como missionário na África e como membro da Propaganda Fide –, que jogará luz sobre as atividades pastorais e econômicas ligadas à realidade religiosa europeia mais misteriosa. “Eu aceitei uma missão nada fácil”, comenta o religioso. A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 12-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há décadas, nos arredores de Medjugorje, chocam-se visões opostas, bispos céticos sobre as aparições de Nossa Senhora, freis rebeldes e suspensos a divinis, videntes que se consideram enviados pela Providência, curas nunca verificadas, e até mesmo pessoas que arruinaram a visão olhando para o sol.

O mandato

Tecnicamente, Hoser é um visitador, mas, de fato, é um inspetor com um mandato bem específico: redigir um relatório abrangente sobre o funcionamento do santuário, sobre as suas atividades pastorais, sobre as suas receitas econômicas e tudo gira em torno delas, do negócio dos hostels – que brotaram como fungos nas últimas décadas – às agências de viagens religiosas, até chegar, naturalmente, a verificar como os sacerdotes acolhem as multidões que chegam abundantemente à cidadezinha bósnia perto de Mostar. 

Mas não caberá ao inspetor papal investigar as aparições. Para isso, já existe o longo relatório da comissão do cardeal Ruini, entregue ao Papa Ratzinger há cinco anos. Antes de poder dar a última palavra definitiva sobre a veracidade das aparições, o Papa Bergoglio (que herdou o relatório de Ruini, mas ainda não o divulgou) quer ver claramente e, justamente para isso, precisa de uma intervenção super partes e inflexível como a do bispo de Varsóvia, Hoser. 

O fluxo de peregrinações começou sob o comunismo, em 1981, quase às escondidas. Na época, em Medjugorje, não havia nada. Depois, ela progressivamente se expandiu, até assumir uma importância enorme para a Igreja. Para além do ceticismo, o santuário bósnio atesta uma realidade religiosa extensa demais para ser fechada ou redimensionada através de um parecer negativo. A religiosidade popular transformou aquela árida colina de entulhos em um lugar de conversões e curas.

Em 1991, os bispos da Iugoslávia assinaram em Zara uma prudente declaração para tomar distância: “Com base nas pesquisas realizadas até aqui, não é possível afirmar que se trata de aparições e fenômenos sobrenaturais”.

Os videntes

Os seis videntes principais (aos quais se somaram posteriormente outros dois) afirmam ver Nossa Senhora e falar com ela. Eles a descrevem sobre uma nuvem, com um rosto sorridente, as sobrancelhas bem cuidadas, um vestido de túnica cinza-azulado. 

Em 1981, eles eram todos adolescentes. Hoje, são casados, têm filhos, vivem perto do santuário, e diz-se que gerenciam indiretamente hotéis e outras atividades econômicas. 

Miriana vê Nossa Senhora no dia 18 de março de cada ano. Jakov, a cada Natal. Marija, Vicka e Ivan têm visões mais frequentes. Essas aparições marianas são recordes e vão entrar para a história como as mais longas e as mais frequentes jamais ocorridas. 
Para alguns dos videntes, a Nossa Senhora, por um certo período, aparecia todos os dias, independentemente do lugar onde se encontrassem. Até mesmo a bordo de aviões. 
Sobre esse tema, a Igreja se dividiu. Wojtyla tomou tempo, Ratzinger dispôs uma investigação, e agora o Papa Francisco deverá enfrentar a questão. Em algumas ocasiões, ele mesmo se mostrou cético: Nossa Senhora não é carteira. 

“A Nossa Senhora não é a chefe de uma agência dos correios que, a cada dia, manda uma carta diferente, dizendo: ‘Meus filhos, façam isto e, depois, no dia seguinte, façam aquilo’. Não, não essa. A Nossa Senhora verdadeira é aquela que gera Jesus no nosso coração. Essa moda da Nossa Senhora superstar, como uma protagonista que coloca a si mesma no centro, não é católica.”

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

 

Dom Rodolfo Luís Weber

Arcebispo de Passo Fundo

Alguns minutos de reflexão e observação são suficientes para perceber a importância e a necessidade de ser justo. O poder judiciário faz parte da organização da sociedade que envolve milhares de pessoas e imensas estruturas. O curso de Direito é um dos mais procurados e as vagas existentes são muitas. Cada dia são julgados processos e novos são iniciados com o objetivo de restabelecer a justiça. Tudo isto revela a importância do valor de ser justo, da justiça. Ao mesmo tempo, a quantidade de processos revela a ausência de justiça nas relações entre as pessoas, entre pessoas e instituições e vice-versa.

Ser justo é um valor. É uma virtude cardeal. Diz o Catecismo da Igreja Católica que “a virtude é uma disposição habitual e firme de fazer bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si”. São Paulo recomenda aos filipenses: “Quanto ao mais, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, digno de respeito ou justo, puro, amável ou honroso, com tudo o que é virtude ou louvável” (Filipenses 4,8).

Ser justo faz parte da identidade humana. Conforme a antropologia cristã, a justiça não é uma simples convenção humana, porque o que é “justo” não é originalmente determinado pela lei, mas pela identidade profunda do ser humano. Podemos dizer que as leis são um desdobramento da lei natural. 

O homem justo se distingue pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. Age dentro da medida, em conformidade com a norma, na ordem justa. Realiza a justiça que consiste na vontade constante e firme de dar aos outros o que lhe é devido. Respeita os direitos de cada um e estabelece nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. 

O homem justo não se preocupa apenas que os direitos entre as pessoas sejam respeitados, mas que a justiça chegue a todas as pessoas para satisfazerem as suas necessidades. Ajuda a criar uma ordem justa entre todos os membros da sociedade. A mentalidade contemporânea, em geral, é mais propensa a reivindicar direitos do que promover a ordem justa.

O homem justo deseja a justiça social para a realização do bem comum, onde cada membro da sociedade e as instituições possam realizar a sua missão conforme sua vocação. Se é verdade que as pessoas são diferentes e únicas, também é verdade que todas são iguais, pois tem a mesma dignidade e os mesmos direitos e deveres.

A sentença de Jesus é bem incisiva: “Quem é fiel nas pequenas coisas será fiel também nas grandes, e quem é injusto nas pequenas será injusto também nas grandes” (Lc 16, 10). Diariamente, vêm à tona denúncias de grandes injustiças, de desvios, de propinas que a maioria da população não consegue dimensionar. Não podemos esquecer as pequenas injustiças e as pequenas falcatruas que vão adormecendo a consciência da pessoa justa. Tantas vezes, as pequenas injustiças são a porta de entrada para as grandes injustiças.  Fonte: http://www.cnbb.org.br

Hino da Campanha da Fraternidade de 2017

Tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

 01 – Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão (cf. LS, n.1)
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar e bem guardar a criação.”

 Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,

chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)

 02 – Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom (cf. Gn 1-2).

 03 – Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.

 04 – Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração (cf. Os 2.16),
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.

 05 – Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção (cf LS, n.207).

06 – Que entre nós cresça uma nova ecologia (cf LS, cap.IV),
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.

CÂMERA: Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ. Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 14 de fevereiro-2017. DIVULGAÇÃO: www.olharjornalistico.com.br