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“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.
O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.
Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).
Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.
Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).
Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.
Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.
Aparecida, 27 de abril de 2017.
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Dom Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília Presidente da CNBB |
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ Arcebispo São Salvador da Bahia Vice-Presidente da CNBB |
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Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília Secretário-Geral da CNBB Fonte: CNBB |
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“Não se curvem ao querer de quem não tem coragem de ouvir o povo”.
Participando da 55ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida-SP, o Arcebispo de Aracaju, Dom João José Costa, acompanha com especial atenção o delicado momento político, social e econômico do Brasil. Em nota dirigida a toda Arquidiocese e aos membros da Cáritas Brasileira, organismo do qual é presidente, o prelado apela para que o povo não se deixe abater, conclamando no sentido de que “enfrentemos este momento com muita firmeza, serenidade e esperança”.
Veja a nota, na íntegra:
AOS IRMÃOS E IRMÃS DA ARQUIDIOCESE DE ARACAJU E DA CÁRITAS BRASILEIRA
Diante de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, participando da 55ª Assembleia Geral da CNBB, estou acompanhando com atenção o desenrolar dos acontecimentos em Brasília e em todo o país.
O momento político, social e econômico que o Brasil atravessa é muito delicado e carecedor do discernimento de todos nós. A corrupção deve ser combatida com o rigor que as leis estabelecem, seja ela praticada por quem quer que seja. Corruptos e corruptores vivem nas trevas, vivem sob a sombra do mal. A impunidade e a injustiça não devem mais ser toleradas. A violência deve ser contida. E a exploração do homem pelo homem não tem amparo no Evangelho de Jesus Cristo.
As mudanças nas leis trabalhistas e na previdência social, como estão sendo anunciadas e, no caso das primeiras, já sendo votadas no Congresso Nacional, ferem direitos consagrados na Constituição de 1988, que está sendo desconstruída de forma absurda, para atender aos interesses do grande capital, nacional e internacional, que suga o suor e o sangue das classes trabalhadoras, sob a alegação de que é preciso fazer ajustes fiscais. Que se façam os ajustes necessários, mas sem decepar direitos tão duramente conquistados e mantidos até agora.
Como membros do Corpo Místico de Cristo (1 Cor 12,12), fazendo uso da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, tão diligentemente constituída ao longo de mais de um século por inúmeros e abençoados Pontífices, nós devemos repudiar toda ação que prejudique o povo brasileiro.
Seguidores que nós somos do Verbo Encarnado, não temos o direito de nos calar, quando ameaças diversas pairam sobre a sociedade. Neste momento, calar equivale a mentir. E a verdade deve ser proclamada. Jesus veio para que todos tenham vida em plenitude (Jo 10,10). A plenitude da vida dos brasileiros não deve ser molestada por nenhum governo, por nenhum grupo político que esteja ou possa estar no poder.
Conclamamos a todos os irmãos e irmãs, para que, sob a inspiração do Santo Espírito, não se curvem ao querer de quem não tem coragem de ouvir o povo. Devemos perguntar aos nossos representantes no Congresso Nacional como eles estão fazendo uso dos votos que receberam. A favor do povo ou contra o povo?
Neste momento, cada irmão e cada irmã devem compreender o que fazer, para mostrar a sua indignação e seu descontentamento contra tudo que agride a vida, a liberdade, a segurança jurídica e a felicidade do povo brasileiro.
Dizer NÃO a tudo que contraria a plenitude da vida é um dever cristão. Exercitemos, pois, o nosso dever, para que os nossos direitos não sejam dilapidados. Que o povo não se deixe abater. Que o Brasil vença este momento tão difícil.
Dirigindo a nossa prece a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, nas comemorações dos 300 anos do encontro de sua imagem, pedimos a ela, nossa Mãe querida, que nos cubra de bênçãos, e, por intermédio de seu Filho Jesus Cristo, interceda ao Pai por nós, para que possamos vencer todas as dificuldades que atravessamos e enfrentemos este momento com muita firmeza, serenidade e esperança.
Aparecida (SP), 27 de abril de 2017.
Dom João José Costa
Arcebispo Metropolitano de Aracaju
Presidente da Cáritas Brasileira
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Líderes se manifestaram em missas, cultos e notas. Há representantes em todos os estados brasileiros.
Confira abaixo os líderes religiosos que declararam apoio à greve geral:
Dom Reginaldo Andrietta – Jales-SP
Dom Odelir José Magri – Chapecó-SC
Dom Antônio Carlos – Caicó-RN
Dom Farei Rubival – Grajaú-MA
Dom Fernando -Olinda-Recife
Dom Manoel João Francisco – Cornélio Procópio-PR
Dom Gilberto Pastana- Crato-CE
Dom Anuar Battisti – Maringá-PR
Dom Manoel Delson – Arqui. da Paraíba-PB
Dom Edmar – Paranavaí-PR
Dom Francisco Biasin – Barra do Piraí-Volta Redonda-RJ
Dom Paulo Mendes Peixoto – Uberaba-MG
Dom Adriano Ciocca Vasino – São Félix do Araguaia-MT
Dom José Eudes Campos do Nascimento – Leopoldina-MG
Dom José Maria, Bispo da Diocese de Abaetetuba – PA.
Dom António Carlos, de Caicó – RN
Dom Vital Corbellini – Bispo de Marabá – PA
Dom Carlos Alberto, Diocese de Juazeiro – BA
Dom Flávio Giovrnali de Santarém – PA
Dom Celso Antônio – Apucarana-PR
Dom Aloísio, da diocese de Teófilo Otoni – MG
Dom Walmor Oliveira de Azevedo-Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte-MG
Dom João Justino de Medeiros Silva-
Arcebispo Coadjutor eleito de Montes Claros, transferido de Bispo Auxiliar de Belo Horizonte-MG
Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães-Bispo Auxiliar de Belo Horizonte-MG
Dom Edson José Oriolo dos Santos-
Bispo Auxiliar de Belo Horizonte -MG
Dom Otacílio Ferreira de Lacerda-
Bispo Auxiliar de Belo Horizonte -MG
Mons. Geovane Luís da Silva- Bispo Auxiliar eleito de Belo Horizonte-MG
Mons. Vicente de Paula Ferreira -Bispo Auxiliar eleito de Belo Horizonte-MG
Dom Guilherme Porto – Bispo Diocesano de Sete Lagoas -MG
Dom José Aristeu Vieira – Bispo Diocesano de Luz – MG
Dom José Carlos de Souza Campos –
Bispo Diocesano de Divinópolis – MG
Dom Miguel Ângelo Freitas Ribeiro –
Bispo Diocesano de Oliveira – MG
Arcebispo Dom Luiz Mancilha Vilela- ES
Dom Mario Antonio da Silva, Bispo de Roraima – RR
Dom Sergio Castriani – Arcebispo de Manaus – AM
Dom Jaime Vieira Rocha – Arcebispo de Natal – RN
Dom Zanoni Demettino Castro – Arcebispo de Feira de Santana – BA
Dom Jacinto Brito – Arquidiocese de Teresina – PI
Dom Roque Paloschi, bispo de Porto Velho – RO
Dom Philip Dickmans – Bispo de Miracema – TO
Dom Egídio Bisol – Bispo de Afogados da Ingazeira – PE
Dom Paulo Francisco Machado – Bispo de Uberlândia – MG
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Na tarde desta quarta-feira (26) parte do teto da Igreja Nossa Senhora do Bom Conselho, localizada no Centro de Arapiraca, desabou. O incidente ocorreu minutos antes do início da missa das 16 horas, que diariamente é assistida por dezenas de fiéis.
Por determinação superior a cerimônia foi cancelada. Há suspeitas que desabamento de parte da estrutura de PVC do teto do templo teria sido motivado por infiltrações, uma vez que várias telhas do prédio estão quebradas ou apresentam rachaduras. No momento do desabamento não havia fiéis no interior da igreja.
História
A Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho foi a primeira igreja de Arapiraca, construída em 1864 por Manoel André, fundador do município. Foi neste local que a cidade foi fundada.
No chão da igreja, também conhecida como Santuário do Santíssimo Sacramento, foram sepultados os primeiros habitantes de Arapiraca, até o ano de 1905. Lá também está sepultada dona Isabel da Rocha Pires, sogra de Manoel André, que faleceu em 1873. Fonte: http://minutoarapiraca.cadaminuto.com.br
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Após a recomendação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Arquidiocese de Maceió também vai apoiar a greve geral dos trabalhadores que está marcada para essa sexta-feira (28), em todo Brasil. Nesta quarta-feira (26), os bispos estarão reunidos em assembleia geral, da qual Dom Antônio participa, em Aparecida e o assunto será discutido entre eles.
De acordo com a assessoria da comunicação da Arquidiocese de Maceió, durante a Missa da Misericórdia, realizada no último domingo (23), no bairro do Vergel, o arcebispo convocou os fiéis para que eles fossem ao protesto que terá a participação de movimentos e de algumas categorias que aderiram à paralisação.
“Ele pediu para que os fiéis fossem a manifestação para lutar por um país melhor e reivindicar os direitos”, disse a assessoria.
O secretário geral da Conferência, dom Leonardo Steiner, concedeu uma entrevista em Brasília e ressaltou que “é fundamental que se escute a população em suas manifestações coletivas. “Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”.
A greve geral é contra as reformas da Previdência e trabalhistas. Em Alagoas, bancários, rodoviários, professores, estudantes, policiais civis, entre outras categorias já confirmaram a paralisação na sexta-feira que tem como ponto de concentração a praça da Centenário, no bairro do Farol e de lá, a caminhada segue até a Praça dos Martírios, no Centro. Fonte: http://www.cadaminuto.com.br
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Arcebispo de Olinda e Recife convoca para greve geral contra as reformas.
"A classe trabalhadora não pode permitir que os direitos arduamente conquistados por intensa participação democrática sejam retirados".
Por meio de sua conta pessoal na rede social Facebook, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, convidou todas as pessoas a participarem da greve geral marcada para a próxima sexta-feira contra as reformas trabalhista e da Previdência e "erguerem a voz em seu nome, em nome das gerações futuras e dos milhões de desempregados". O vídeo foi postado por volta das 6h20 desta terça-feira na página que conta com 19.737 seguidores.
Iniciando sua fala com um trecho da Bíblia ("Eis que clama o salário dos trabalhadores que ceifam os vossos campos e seus gritos chegam aos ouvidos do Senhor, Tiago 5,4), o religioso convida os "homens e mulheres de boa vontade para a grande manifestação contra as reformas.
"Em nosso entendimento, as propostas de reforma, iniciativa do poder Executivo em trâmite no Congresso vão contra os direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988 e pela CLT - Consolidação das Leis do Trabalho. A classe trabalhadora não pode permitir que os direitos arduamente conquistados por intensa participação democrática sejam retirados. Qualquer ameaça a esses direitos merece imediato repúdio. Não podeos concordar com propostas de reformas que atingem apenas os trabalhadores assalariados do Brasil, que pagam seus impostos, enquanto outras categorias privilegiadas com altos salários não serão afetadas com as reformas trabalhistas e da Previdência que são apresentadas". Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br
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Nos dias em que se multiplicaram, com justiça, os parabéns dirigidos ao Papa Emérito Bento XVI, que completou 90 anos no dia 16 de abril passado, eu multipliquei, quase de reflexo, a leitura de alguns dos seus escritos. Eu não diria a verdade se escondesse a admiração pela profundidade de pensamento e de intuição própria de Joseph Ratzinger. Em relação a ele, eu sempre alimentei uma sincera estima, e não apenas porque eu tive a possibilidade de conhecê-lo como pontífice antes que como teólogo. O comentário é de Antonio Ballarò, publicada no sítio Settimana News, 20-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
No entanto, nos dias anteriores, e não por pouco, à recorrência do aniversário do papa alemão, reapareceram algumas leituras alternativas do passado eclesial mais recente; algumas também implicitamente capazes de criar tensões. Mas o fato é que algumas “saídas de efeito” são contraproducentes: servem, no máximo, para se contorcerem contra si mesmas. E eu acho que, justamente aqui, entrecruzam-se, indiretamente, duas leituras concretas.
Um papa “frágil”
A primeira é a de um “papado frágil”. Bento XVI foi o pontífice que mais do que outros – penso até no seu antecessor – soube manifestar força na fraqueza (cf. 2Co 12, 10). A sua “docilidade” se estendeu até a consciência de ter chegado ao limite, àquela cognitio certa que lhe confirmava que não podia mais levar adiante o “peso” do ministério petrino (cf. Bento XVI, “Último Testamento”, Ed. Planeta).
Foi uma decisão sofrida. Mas foi, acima de tudo, a escolha com a qual, embora deixando arregalados os olhos do mundo, todo o pontificado se “resumia” e se “reunificava”.
O papa do encontro entre fé e razão, do abraço inabalável ao Deus vivo e verdadeiro, da forte tentativa de recuperação da barca de Pedro permaneceu sempre, essencialmente, humilde. Nunca procurou os holofotes: foram estes que o encontraram sem deixá-lo mais, incidindo, e não por pouco, na sua vida. E, embora se possa discordar de algumas das suas escolhas que, como prefeito e como pontífice, ele fez, em caso algum se pode chegar a uma maquinação procurada, que já se revelou como expressão de uma insensibilidade radical em relação ao bem da comunidade eclesial.
Um papa “desmarcado”
A segunda é a de um “papado desmarcado”. Nesse sentido tinha se exposto Massimo Faggioli, professor da Villanova University, por ocasião do lançamento do último livro-entrevista do Papa Bento. Ele escreveu então na Commonweal: “As declarações de Bento sobre algumas questões parecem tentativas de um reposicionamento de si mesmo”. E isso para evitar “indevidas apropriações” da sua pessoa, para tentar “gerir” com serenidade os últimos anos de vida, para não deixar de olhar para a Igreja como para uma “casa”; embora de modo novo e inédito.
A atividade acadêmica e pastoral do “papa teólogo” frequentemente correu o risco de uma “recondução não desejada” a esta ou aquela corrente. Com a mentira de que, inevitavelmente, as posições das quais ele se fazia promotor tornavam-se objeto de instrumentalizações e de exageros.
Entende-se que o homem Ratzinger usou constantemente os “filtros” de uma teologia e de uma ação de governo que manifestavam um senso de boa-fé, por um lado, e de grande afeição pela Igreja, por outro. São, portanto, duas razões suficientes para “justificar” o distanciamento. Um fato inevitável para ele, que, com toda a probabilidade, tornou-se evidente ainda antes da oficialidade da renúncia. E que agora leva os seus amigos mais fiéis a definirem a serenidade e a regularidade do seu rosto.
Bento foi o protagonista de um papado que requer, sumamente, uma consideração em si mesmo. Além disso, ele olhou com atenção e preocupação para o tempo que o viu a serviço da Igreja. Certamente, ele se mostrou consciente e experiente. Isso aconteceu a tal ponto de ele dar à luz algo nunca visto na era moderna: um solene ato de renúncia seguido por um sábio silêncio, que, justamente a seu modo, indica serenidade, proteção, confiança no futuro. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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“Mata o próximo quem lhe tira os meios necessários à vida, e derrama sangue quem priva o trabalhador de seu salário” (Eclo 34,22)
Estamos assistindo a um desmonte dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras conquistados com muito suor e sangue nestes últimos anos e estabelecidos na Constituição de 1988:
“Capítulo II – Dos Direitos Sociais Art.6º.: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº.90, de 2015).
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já se pronunciou, em 27 de outubro de 2016, contra a Proposta de Emenda à Constituição, agora aprovada, que limita as despesas primárias do Estado relacionadas à educação, saúde, infraestrutura, segurança e funcionalismo, criando um teto para estas despesas aplicado nos próximos vinte anos. A CNBB afirmava que esta medida era “injusta e seletiva”, “supervalorizava o mercado em detrimento do Estado” e “afrontava a Constituição Cidadã de 1988”.
Neste momento, está em discussão no parlamento projeto de Reforma da Previdência. Em relação a esta medida, a CNBB também se posicionou, afirmando que “a opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência” (Nota da CNBB sobre a PEC 287/16 – Reforma da Previdência, 23 de março de 2017).
A tramitação deste projeto de reforma da previdência social está sendo feita de forma atropelada, sem nenhuma consulta à população, assim como aconteceu com a Lei da Terceirização e o mesmo caminho se prevê para a Reforma Trabalhista, destruindo- se todo o arcabouço legal e social das relações trabalhistas e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras consagrados pelo CLT. O foco do projeto de reforma é fiscal e economicista, privilegiando o capital especulativo e irá aprofundar ainda mais as desigualdades já insuportáveis da sociedade brasileira.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirma: “Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados” (Nota da CNBB sobre a PEC 287/16– Reforma da Previdência, 23 de março de 2017).
E, em nota conjunta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e o Conselho Federal de Economia-COFECON afirmam que “nenhuma reforma que afete direitos básicos da população pode ser formulada, sem a devida discussão com o conjunto da sociedade e suas organizações. A Reforma da Previdência não pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as razões de ordem econômica acima das necessidades da população. Os valores ético-sociais e solidários são imprescindíveis na busca de solução para a Previdência” (CNBB,OAB,COFECON, Por uma Previdência Social e Ética, 19 de abril de 2017). E a nota conjunta termina convocando “seus membros e as organizações da sociedade civil ao amplo debate sobre a Reforma da Previdência e sobre quaisquer outras que visem alterar direitos conquistados, como a Reforma Trabalhista. Uma sociedade justa e fraterna se fortalece, a partir do cumprimento do dever cívico de cada cidadão, em busca do aperfeiçoamento das instituições democráticas”.
Também as Centrais Sindicais, que representam a imensa maioria dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, estão apontando 3 motivos para a GREVE GERAL programada para o dia 28 de abril de 2017:
- O Governo quer que a gente morra de trabalhar sem se aposentar.
- A Reforma Trabalhista acaba com os direitos históricos.
- A Terceirização precariza o trabalho.
Como membros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e membros das Pastorais Sociais, assumindo a proposta de Jesus de Nazaré que veio para que “todos e todas tenham vida e vida em abundância” (cf. Jo 10,10), somos interpelados a não permitir o retrocesso nos direitos da classe trabalhadora do Brasil, prejudicando de forma mais intensa os trabalhadores rurais, as mulheres que convivem com a dupla jornada de trabalho e a população que necessita de assistência especial como os indígenas, quilombolas, pescadores.
Uma das formas de defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, indicada pelo Ensinamento Social da Igreja, é a greve como legítimo instrumento de luta em prol da justiça:
“Ao agirem em prol dos justos direitos dos seus membros, os sindicatos lançam mão também do método da “greve”, ou seja, da suspensão do trabalho, como de uma espécie de “ultimatum” dirigido aos órgãos competentes e, sobretudo, aos dadores de trabalho. É um modo de proceder que a doutrina social católica reconhece como legítimo” (Papa São João Paulo II, Laborem Exercens – Sobre o trabalho humano, nº. 20).
Como cristãos e cristãs, seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré, o carpinteiro da Galileia, e cidadãos e cidadãs conscientes e críticos, assumindo a opção pelos pobres,
somos convidados a lutar pela defesa da vida de todas as pessoas e, especialmente, daquelas mais vulneráveis e que serão as mais atingidas pelas reformas que o atual governo ilegítimo está propondo.
Digamos NÃO ÀS REFORMAS E SAIAMOS ÀS RUAS PARA DEFENDER O DIREITO A UMA VIDA DIGNA EXPRESSO NA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL DE 1988.
Comunidades Eclesiais de Base e Pastoral Operária de Campinas.
Campinas, 20 de abril de 2017
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“Meu Deus, não sei se fico mais assustada com as notícias da lava-jato e da administração Temer ou com o tanto de postagens mostrando os panos e adereços religiosos que meus alunos e ex-alunos de teologia redescobriram nos armários das paróquias! Batina, capa, túnica, sobrepeliz e até barrete! O brega voltou à moda; tornou-se fashion! Não me envergonhem, alunos meus! A teologia que vocês aprenderam nos dois institutos onde leciono não ensinou vocês a revirarem os armários em busca de modelitos religiosos, mas a revirarem as entranhas do coração em busca da misericórdia… Meu Deus, onde foi que erramos?“, pergunta Solange do Carmo, professora de teologia na PUC de Minas, em comentário reproduzido por por Observatório da Evangelização, 19-04-2017.
Eis o artigo.
Ao longo da Semana Santa, circularam pela internet reflexões profundamente críticas sobre os diversos paramentos utilizados na liturgia por alguns presbíteros e seminaristas. Pela importância do conteúdo discutido, disponibilizamos no Observatório da Evangelização a polêmica causada a partir do desabafo da professora de teologia da PUC-Minas, Solange do Carmo, na expectativa de provocar e enriquecer o debate travado nas redes sociais. A forma de vivenciar a dinâmica dos acontecimentos se transformou profundamente nesse mundo cada vez mais conectado por meio das redes sociais. Uma avalanche diária de notícias, selfies, fotos, vídeos, seguidos de inúmeros comentários e curtidas se espalham com fantástica rapidez. A vivência da religião não escapa dos registros on line. Cada rito, cada gesto, cada olhar, em seus múltiplos ângulos, passa a ser registrado, transmitido e contemplado pelos presentes e, virtualmente, por um incontrolável número de pessoas nas redes sociais. O que é registrado está a provocar reflexões diversas sobre o sentido, o significado ou mesmo sobre a coerência entre o que é celebrado e a sua composição estética. Por exemplo, padres ornamentados: o que nos diz?
Diante de inúmeras imagens de padres ornamentados, como essas acima, divulgadas nas redes sociais, a teóloga Solange Carmo não se conteve; reagiu criticamente e publicou a seguinte postagem em sua rede social:
“Meu Deus, não sei se fico mais assustada com as notícias da lava-jato e da administração Temer ou com o tanto de postagens mostrando os panos e adereços religiosos que meus alunos e ex-alunos de teologia redescobriram nos armários das paróquias! Batina, capa, túnica, sobrepeliz e até barrete! O brega voltou à moda; tornou-se fashion! Não me envergonhem, alunos meus! A teologia que vocês aprenderam nos dois institutos onde leciono não ensinou vocês a revirarem os armários em busca de modelitos religiosos, mas a revirarem as entranhas do coração em busca da misericórdia… Meu Deus, onde foi que erramos?“
Essa provocativa postagem da professora, doutora em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE, suscitou imediatos comentários. Muitos endossaram a crítica da teóloga:
“Suas palavras me representam Solange Carmo. Ah, meus ex-alunos, onde foi que erramos?” (Tereza Pereira); “São as famosas teologias do pano e da fumaça…” (Harrison Saraiva); “Pena que nos bastidores das aulas sempre o assunto foi os panos, sem contar que muitos já faziam seu guarda-roupa antes mesmo de ordenar, essa sempre foi a preocupação. Ainda com brincadeiras ‘quem vai segurar minha capa de asperge?’ Talvez a vestimenta consiga prender a atenção, porque penso que o discurso deve ser uma tristeza. Pena mesmo.” (Dener Souza); “Não sei se a pergunta sobre o erro cabe a vocês professores, Solange Carmo. Afinal muitos passam pelos bancos de escolas e faculdades como patos. Dentro da água, mas com penas secas. E por falar em penas é de dar pena.” (Helder Alvarenga); “É um vazio de sentido, amiga Solange Carmo, o que precisa ser coberto e enfeitado. Ele precisa do disfarce. Eu acompanho você no assombro quanto aos atores, mas acrescentaria ainda o gosto dos espectadores desse espetáculo religioso. Espiritualidade se constrói no silêncio, no serviço, na nudez… Espiritualidade do espetáculo, da mera exterioridade. Quem ainda precisa disso? (Flavio Senra); “… e isso das vestes, ‘dos panos e adereços’ é ainda mais gritante quando as palavras e gestos litúrgicos fazem memória de um esvaziamento, de um despojamento e de um desnudamento supremo, que é o de Jesus na entrega de si à morte. Vê-se que o exterior, o que aparece, é a negativa da fé que se professa com boca. É um Frankenstein religioso.” (Tânia Mayer); “Algumas vezes, já pensei em fazer uma postagem com ideias semelhantes as que você expressou aqui… Meu facebook está quase congestionado com tanta foto da semana santa postada por padres e seminaristas… Estou percebendo que os religiosos de dioceses dos interiores dos estados são mais propensos à teologia dos panos e das fumaças…” (Renato Alves de Oliveira); “Parece que o fenômeno é complementar às duas realidades: de um lado os desafios impostos pelo cenário político/ social pelo qual passamos gera tamanha angústia que a válvula de escape seja a ‘facilidade’ dos panos, muitos adereços e pouca reflexão e comprometimento. Não vi ainda nestas postagens, em nenhuma até agora, uma arte, algo que faça refletir, uma profecia a denunciar a opressão pela qual passamos, a realidade crua & nua despe o Cristo, com a desforra dos direitos dos pobres & as sacristias tentando aliviar, camuflar com panos, em verniz a esconder a dureza mesma da realidade.” (Juliano Coelho Lopes); “Concordo completamente com você, SolangeCarmo. Convido aos embatinados a virem passar alguns dias comigo no Mato Grosso e rezar cinco missas no domingo. Tenho certeza que trocarão a batina por uma veste mais sóbria. E tenho certeza que as comunidades os amarão não pela veste, mas pela prédica e pela acolhida!” (Wenderson Nascimento).
Alguns inclusive, em sintonia com as críticas do Papa Francisco, mostraram que essa realidade explicitada na Semana Santa seria apenas um reflexo da situação eclesial que precisa ser urgentemente repensada, com toda seriedade: a formação que está sendo oferecida nos Seminários para os futuros presbíteros da Igreja:
“Tenho a mesma preocupação que você e não é de hoje. Lembro-me de você fazendo uma palestra aos bispos do regional Leste II que estavam em assembleia na casa de retiro São José. Na ocasião foram convidados seminaristas e formadores. Sua fala lúcida, realista e cirúrgica sobre os novos pastores e seu comportamento, sobre aqueles que mamavam nas tetas da pecadora, mas também santa igreja, arrancou gargalhadas de muitos, parecia um show de stand up. Pessoas rindo de si mesmas. Foi um absurdo. Alguns de nós, compactados com aquela fala que não tinha a menor graça, fomos censurados por não rir. Parecia certos problemas familiares que a gente sabe que existem, mas devem ficar só em família. Nos institutos se estuda filosofia e teologia (formação intelectual), nos seminários, a formação humana, espiritual e, no contato com o povo, aprende-se a ser servidor, hipoteticamente. A falta de autonomia em alguns seminários produz gente de todo tipo, mas sem dúvidas o melhor dentre eles é aquele que menos questiona, ou melhor, nunca questiona. Quando alguns se ordenaram diziam suspirando: ‘Graças a Deus, estou livre!’ Viviam num cárcere… o problema é bem maior. Nossos filhos são o resultado da ‘comida’ que damos a eles. Mas toda família tem um filho deserdado. Creio que, de todo processo de formação, a parte menos responsável seja o Instituto e seus professores. Esta casa formou bons cristãos, dentre eles alguns padres. Tenho amigos que ontem celebraram o dia da instituição do ministério presbiteral com clareza e convicção do seu serviço à igreja, povo de Deus, mas muitos que receberam de presente um reforço dessa onda conservadora que ronda. Não os culpo, pois a cada dia que passa, vejo gente despreparada trabalhando na formação do clero. Precisa-se de sangue novo, vinho novo, ou seja, diferente do perfil que se estabeleceu como certo.” (Antenor Silva Santos Junior); “Por um lado, há um ‘aburguesamento’ na formação, seja para a Vida Religiosa, seja para o clero secular. A maioria dos jovens é das camadas mais humildes da sociedade, entram se apossando de todos os confortos possíveis (& até impossíveis), carros, casa, lavadeiras, passadeiras, serviçais… estudos pagos pelas instituições. Há pouco fui convidado por uma congregação para um almoço, deparei com a seguinte conversa de um formando: ‘o quê? Só porque é sexta-feira da paixão eu sou obrigado a comer ovo frito no almoço!?’ O mesmo disse que iria comer na casa de uma paroquiana que tinha bacalhau no cardápio. São em atitudes assim que vemos o distanciamento da igreja para com a realidade crudelíssima que passa o Povo. As homilias são vazias de sentido, a linguagem revela este abismo. Por outro lado, há uma plateia adepta a esta ‘casta’ de clérigos. Mas tanto este perfil de clérigos quanto o perfil da plateia adepta, vemos que retirando-se as casulas, as alvas & sobrepeliz, sobram o vazio do descompromisso. Acabou a missa, lavo minhas mãos. Ademais surge também por entre estes mesmos personagens uma falsa moral, quando livres de suas obrigações religiosas, só Deus sabe o que estão aprontando.” (Juliano Coelho Lopes); “Há um número significativo de seminaristas e religiosos que insistem numa Igreja pré-moderna e pré-Vaticano II. O clericalismo tem várias características, e uma delas são os excessos das vestes litúrgicas, bem como hábitos e roupas clericais. Os que assim procedem, de modo geral, escondem certas patologias que precisam ser tratadas. Se os bispos fossem mais ousados expulsariam muitos destes do seminário. Mas o que ocorre é que muitos bispos sofrem do mesmo mal. Todos, sem exceção, se encontram na contramão do evangelho. Jesus abominou essa hipocrisia.” (Thiago de França)
Do mesmo modo, as reações contrárias à reação crítica de Solange Carmo também se manifestaram com forte alarido:
“Como se panos e adereços impedissem as entranhas do coração a buscar misericórdia…” (Leandro Cunha); “Erramos quando pensamos que a liturgia/ teologia só pode ser verdadeira e eficaz quando ela eh celebrada segundo nosso ‘querer’ e visão particular…” (Fernando Fagundes); “Orgulho em saber que existem jovens sacerdotes que estão lutando pra manter a tradição litúrgica da igreja de pé . Orgulho em saber que o pontificado de Pio XII e Bento XVI estão dando frutos. Se pudesse daria meus parabéns pessoalmente a seus ex-alunos. Que com a força e a bênção de Deus surjam cada dia mais padres dispostos a manter viva a tradição litúrgica de celebrar dignamente os santos mistérios usando os paramentos os quais a igreja permite e orienta que sejam usados em seus documentos litúrgicos.” (Danillo Abreu Alves); “Não é revirar armários. Mas o gosto por preservar a tradição e a beleza da liturgia bem celebrada. Não é necessário despir-se do belo e do tradicional para estar com o povo. A beleza sacra e o serviço do povo podem caminhar juntos. Bento XVI e seus frutos que agora nascem. Obrigado Santo Padre e que tenhamos coragem de assim como católicos intenderem que o marxismo não pode caminhar na Igreja como já afirmado por tantos Papas. Parabéns as estes ex-alunos que não se deixaram contaminar com o secularismo desenfreado e com a corrupção da fé nos ensinos teológicos. Obrigado a vocês que revirando os armários da Igreja estão redescobrindo a beleza do Sagrado.” (Reginaldo Bastos); “Não concordo com seu comentário minha professora… A veste talar é uma indumentária clerical e nos tempos atuais é fonte ‘de Evangelização’, precisamos nos dias atuais sermos cristãos verdadeiros que assumimos a Verdade de Cristo que morre e Ressuscita para nos a dar vida… Uso com amor!!!” (Edivan Cardoso); “Duras palavras, professora! Em parte, bastante pertinentes. De outro lado, bem generalizadoras e que acabam, de certo modo, por ferir a imagem daqueles Sacerdotes comprometidos com a sua vocação e com a salvação das almas, que fazem uso dos sagrados paramentos (expressamente recomendados nas normas litúrgicas em vigor e que, inclusive, são todos usados pelo Santo Padre) não por vaidade, mas por zelo litúrgico. Andamos numa linha entre assumir posturas relapsas, que expressa a falta de amor pelo Sagrado por parte de muitos sacerdotes, bem como no exagero que vem da “pompa”. Tudo o que a senhora disse é verdadeiro, vergonhoso e doloroso. Também compartilho de tais pensamentos, que “os panos e incensos” são utilizados de forma errônea por não terem como fim o zelo pelo Sagrado e pela vocação. Mas também é bem verdade que não são peças de museu, são indumentárias próprias dos ministros ordenados, segundo as determinações em vigor na Igreja. O “sapatinho vermelho” do Papa pode até ser um detalhe… Mas ele continua usando sua tradicional batina, com todos os paramentos que lhes são próprios, de acordo com a posição que ocupa dentro da hierarquia, sem fazer deles sinal de vaidade. Por isso, generalizar é sempre um perigo. Nem todos são iguais. (Giovanni Morais).
Na liberdade da reflexão crítica e autocrítica, a professora Solange Carmo, diante das reações contrárias, ofereceu a seus alunos, ex-alunos e tantos outros que entraram na conversa, uma resposta ainda mais provocante e que alimentou o horizonte do debate:
“Eu não acuso vocês de nada. Nem falei para ofender, mas não posso me calar diante do que tenho visto. Não duvido da reta intenção de vocês, mas devo esclarecer alguns equívocos.
1) O uso dessas vestes não é sinal de amor à liturgia e muito menos um sinal do Evangelho. Ao contrário: é sinal de ostentação e de poder sacro. Jamais se vê nos Evangelhos qualquer indicação de que as vestes seriam sinal de conversão para o povo. Ao contrário, o despojamento, a renúncia aos privilégios e a simplicidade são sempre indicados como sinal do seguimento de Jesus. Eu não encontro nos Evangelhos a seguinte frase: “Nisso conhecerão que sois os meus discípulos, se vestirem vestes glamourosas e pomposas para vossas liturgias”. Não. disse Jesus que o sinal do Evangelho é o amor. “Nisso conhecereis que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como eu vos amei”.
2) Veste talar, como vocês gostam de dizer, são antigas peças de museu que fizeram parte da história da Igreja durante um tempo de sua história quando ela esteve atrelada ao poder. O presbítero – um nobre da corte – se vestia como era costume dessa classe social naquela ocasião. Hoje isso é simplesmente descabido.
3) Em tempos de Francisco, ressuscitar tais vestes é um despropósito e fazê-lo na Semana Santa é um acinte ao mistério celebrado. Olhemos para o Cristo nu na cruz. Aquele paninho que tampa suas partes genitais foi posto pela caridade cristã. Ele morreu nu, desvestido de tudo, inclusive do apoio da religião de seu tempo. E não há liturgia maior que a liturgia da cruz. Certamente o presbítero não vai celebrar pelado, mas vai aprender com o desapego do Nazareno a se vestir com discrição e simplicidade.
4) Outra coisa, para quem diz que isso é tradição, seria bom perguntar: Tradição de que tempo? Das origens cristãs não é, com certeza. Vocês gostam tanto de apelar para a Tradição. Pois bem, apelemos! Voltemos às comunidades cristãs originais. Já pensou o presbítero ou ancião celebrando com tais vestes naquelas catacumbas fedidas? Ah, voltemos a Pedro, a pedra da Igreja. Já pensou o pescador do lago de Nazaré com essas roupas? Sejamos razoáveis por amor à Tradição cristã.
5) Por fim, permitam-me dizer. Tais vestes, infelizmente, não servem ao altar mas àqueles que as portam. Elas projetam o presbítero, colocam-no num pedestal imaginário; criam uma eclesiologia totalmente deformada da fé cristã mais genuína e – pior – servem para esconder muitas perversões. Vejam só os exemplos dos fundadores de comunidades e congregações neoconservadoras que têm estado sob investigação, com a presença de um comissário de Roma. Quase todos esses foram considerados culpados de assédio, pedofilia ou de roubo; e tem até assassinato na lista. Será que queremos seguir esse caminho? por esses dias mesmo, um amigo meu me disse que, estando num bar reconhecidamente LGBT para comemorar aniversário de uma amiga, viu por lá muitos seminaristas. Nada demais se se comportassem como deve um cristão, mas não: mostraram conduta moralmente reprovável. Na semana seguinte, estavam fazendo longas procissões ostentando belas vestes, batinas, sobrepeliz, capas (será que esqueci alguma veste talar?). Vocês podem rebater duvidando da conduta de meu amigo, dizendo que ele não pode falar pois também estava lá. Só pra esclarecer: meu amigo não é seminarista, nem padre, nem fez opção pelo celibato. Mesmo assim é mais casto que muitos que estão encobertos por esses panos. Será que é isso o Evangelho? Será que a cultura da hipocrisia é o que move os que se dizem cristãos? É bem verdade que os que não sustentam longas vestes estilisticamente perfeitas e se vestem de túnicas amarrotadas e puídas também não estão isentos de tais contradições, mas pelo menos não usam as vestes sacras para se projetarem nem se escondem atrás do amor à liturgia.
Eu lamento se decepciono alguns alunos e ex-alunos, mas é um abuso com o povo e com a fé cristã o que estamos vendo por aí. O Evangelho se esvazia de sentido tanto mais nos enchemos de apetrechos e tentamos ressuscitar esses costumes já ultrapassados (não é Tradição). Pode parecer que isso agrada ao povo, mas esse é um emburrecimento dos leigos. Um leigo minimamente razoável acha graça disso; e tais cenas viram motivo de chacota na internet. Eles veem isso como uma alegoria de carnaval, não como sinal do Evangelho. Aliás, até o papa Francisco falou isso em relação ao sapatinho vermelho. Façamos como o papa Francisco: menos vestes, menos glamour; mais amor e acolhida do Evangelho e dos pequeninos do Reino!
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A Greve Geral que deve paralisar o Brasil próxima sexta-feira, 28, ganhou reforço de membros da igreja Católica. Na Paraíba, o arcebispo dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, que foi anunciado pelo Vaticano no início do mês passado como novo arcebispo do estado, gravou uma mensagem convocando a população para participar das manifestações contra a reforma da Previdência.
“Sabemos que esta reforma implica em tirar direitos adquiridos dos trabalhadores e assegurados na Constituição de 1988”, diz com Manoel. “Convocamos todos os trabalhadores a participarem desta grande manifestação, dizendo a palavra que o povo não aceita a reforma da Previdência nos termos que estão anunciando”, afirmou o arcebispo.
Em março, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), chegou a emitir uma nota aprovada em seu Conselho Permanente sobre a reforma da Previdência. O documento afirma que a seguridade não é uma concessão governamental, mas sim direitos sociais conquistados com intensa participação democrática.
“Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil”, diz trecho de nota conjunta divulgada por entidades.
Além de Dom Delson, quem também está engajado nos preparativos do “Vamos parar o Brasil”, é Dom Genival Saraiva de França, atual administrador apostólico da Arquidiocese da Paraíba. Na última quarta-feira (20), ele esteve reunido com integrantes da Frente Brasil Popular na Paraíba, discutindo detalhes do protesto.
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O padre jesuíta nigeriano Samuel Okwuidegbe foi sequestrado no dia 18 de abril na Nigéria, em uma estrada que liga as cidades de Benin City e Onitsha, no sul do país. A reportagem é de Loup Besmond de Senneville e publicada por La Croix, 20-04-2017. A tradução é de André Langer.
Diretor de um centro de espiritualidade em que mora junto com outros três confrades, o padre de 50 anos estava indo à cidade vizinha, situada a 150 quilômetros de distância, para pregar um retiro. Seu carro foi encontrado pela polícia, que segue as buscas para encontrar o religioso.
“Neste momento, não temos muitos detalhes”, explica o padre Rigobert Kyungu Musenge, secretário regional dos jesuítas para a África e Madagascar. “É a primeira vez em muitos anos que um padre da Companhia de Jesus é vítima de um sequestro na região”. Duas outras pessoas foram sequestradas junto com ele. “Nós acreditamos que ele não esteve na mira por ser padre”, continuou.
Sequestros de quadrilhas armadas
Até a quinta-feira, 20 de abril, o sequestro não foi reivindicado por nenhum grupo. Na região, os sequestros por quadrilhas armadas que exigem resgates para libertar seus reféns, não são raros. “É bem provável que esse seja desprezível. Esta estrada é particularmente perigosa, desse ponto de vista”, nota um observador ocidental que mora no país.
Em julho de 2016, o presidente da Associação dos Padres Diocesanos da Nigéria, o padre Sylvester Onmoke, mostrou preocupação com a amplitude do fenômeno do sequestro de padres ligado, segundo ele, “à corrupção e à sede de dinheiro que afligem a sociedade nigeriana”
Em junho de 2016, o padre John Adeyi, sequestrado dois meses antes a 300 quilômetros ao sul de Abuja, a capital nigeriana, foi encontrado morto perto da aldeia em que foi sequestrado. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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