Justin Taylor, sm.

(Tema do Programa- AO VIVO- A Palavra do Frei Petrônio, nesta terça-feira, 20 de junho-2017).

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Já encontramos diversas alusões à cruz como sinal. A mais notável é o formato do cordeiro pascal, assado em dois espetos na forma de uma cruz. O caso mais simbólico é a confirmação pelo bispo, que unge a testa com óleo e faz o sinal da cruz como selo. Entretanto, é difícil encontrar uma ligação intrínseca entre essas duas alusões. É possível tomar um caminho indireto e interpretar todo o batismo “no nome de Jesus” como a transferência de uma dívida, que era um uso habitual da expressão “no nome de XY”. O resultado para o batizado é a anulação de sua dívida, o que é o conteúdo da proclamação inaugural de Jesus do ano do perdão (Lc 4,19).

Em termos estritamente bancários, o certificado de dívida era anulado, traçando-se nele duas linhas em forma de cruz, aparentemente um gesto bastante natural. Desse modo, a marca de uma cruz na testa, traçada com o polegar, pode facilmente representar o perdão dos pecados, isto é, a redenção por meio da cruz do cordeiro imolado. A associação é ainda mais natural se puder ser demonstrado que a cruz na testa preexistia antes de ter qualquer importância estritamente cristã. Se for acrescentada a unção com óleo (feita com o dedo), será possível identificar os dois elementos essenciais na expressão estranhamente combinada “um Messias crucificado”, com referência a Jesus ou a seus seguidores (“se morrermos com ele”). Entretanto, isso não significa que tivessem esse sentido no começo.

Há, de fato, um modelo bíblico. Em Ez 9,1ss, um homem vestido de linho (um anjo) fica em pé no meio dos destruidores que vão castigar Jerusalém e Iahweh lhe diz: “Passa no meio da cidade, no meio de Jerusalém, e marca com um tau na testa os homens que gemem e suspiram por tantas abominações que nela se praticam”. A palavra para “marca”, traduzida como “sinal” pela LXX [Septuaginta] é a última letra do alfabeto hebraico, thaw. Essa marca na testa é muito semelhante à do sangue do cordeiro pascal posto nas ombreiras da porta (Ex 12,7) e talvez também posto como lembrança na fronte (Ex 13,9.16). A mesma passagem de Ezequiel, traduzida independentemente da LXX, está no pano de fundo de Ap 7,3ss, onde o anjo que sobe do leste traz consigo o selo de Deus, mas não pode destruir nada enquanto os eleitos (os 144.000) não forem marcados na testa com esse selo; a mesma coisa é ordenada ao anjo com a quinta trombeta (Ap 9,4). Percebemos uma ideia análoga em Ef 4,30: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, com o qual fostes marcados, como por um sinal, para o dia da redenção”.

O elemento constante nessas metáforas é um selo oficial (na testa). As metáforas baseiam-se em mais do que um simples empréstimo literário, pois o termo usado (selo) é mais forte que o de Ezequiel. No mesmo espírito, CD 9,10-12 declara, citando a profecia de Ezequiel, que quando o Ungido de Aarão e Israel (isto é, os dois Messias, Sacerdote e Rei) chegar, os que estão marcados na testa com o thaw serão salvos.

Tertuliano afirma que esse thaw era precisamente o sinal da cruz (Contra Marcião 3,22). Não era uma invenção pessoal. Na mesma época, Orígenes cita a opinião de um judeu, “um dos que creem em Cristo”: o formato do thaw na antiga escrita hebraica assemelha-se à cruz e prefigura o futuro sinal na testa dos cristãos (Selecta in Ezechielem, PG 13,800d).

Essa informação dada pelo judeu-cristão sobre o formato do thaw é exata e pode até ser completada. No antigo alfabeto hebraico, que já não está em uso, duas letras têm mais ou menos o formato de uma cruz, isto é, de uma simples marca: a primeira, aleph, e a última, thaw, as duas passíveis de revezar-se entre os sinais + e X. Ora, em Ap 1,8, lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus”. Aqui, a primeira e a última letras do alfabeto grego revelam que Deus é o começo e o fim de todas as coisas; mas, no contexto, a declaração aplica-se igualmente bem a Jesus Cristo, “que por seu sangue nos libertou de nossos pecados” (Ap 1,5).

Se transpusermos os termos dessa declaração do alfabeto grego para o antigo alfabeto hebraico, ela fica: “Eu sou o aleph e o thaw”, isto é, “Eu sou o + e o X”. No Apocalipse, lemos também que ninguém pode abrir o livro, exceto “um Cordeiro (...) de pé, como que imolado” (5,6). É possível deduzir que a cruz do cordeiro pascal está sobreposta à primeira e à última letras do alfabeto: o Jesus crucificado fornece a chave do alfabeto e, em última análise, da própria Escritura. Assim, por meio de uma espécie de trocadilho simbólico, a cruz completa a Escritura: “Está consumado” é precisamente o que Jesus diz na cruz (Jo 19,30). Todo esse simbolismo está ligado ao hebraico. Em grego, porém, é ainda mais simples, em especial quando há também uma unção com óleo. No alfabeto grego, o sinal X é a letra chi, a inicial do verbo “ungir” e do título Christos. É esse o meio mais direto de entender Ap 22,4: “e seu nome estará sobre suas frontes”.

Entretanto, a clareza desse simbolismo da cruz não deve obscurecer o fato de reunir duas séries de elementos muito bem definidos. Uma é o instrumento da morte de Jesus, com três braços desiguais, à qual é associada a preparação do cordeiro pascal. A outra é a marca (na testa) em forma de cruz, na posição vertical ou de lado, com quatro braços iguais e diversos sentidos diferentes, diretos ou anexados (supressão, selo, alfabeto). O fato de essas duas realidades se unirem em um simbolismo comum pressupõe que ambas preexistiam de modo independente, o que é óbvio quanto à primeira. Quanto à segunda, a tradição rabínica, que tem uma base próxima dos costumes marginais dos haberim, jamais se interessa por outras religiões em consideração a elas, nisso seguindo um costume bem bíblico. Em outras palavras, a própria energia com a qual essa tradição opõe-se à colocação de um filactério na testa revela que ela estava familiarizada com outro sinal na testa, que agora está associado aos minim.

A conclusão mais simples de todas essas observações é que a descrição que Hipólito faz da recepção pelo bispo de um novo membro, ungindo-o com óleo e marcando-lhe a testa com uma cruz, é apenas uma reinterpretação cristã do gesto que vem inalterado das irmandades judaicas de renovação da Aliança, zelotes ou não. A cruz, como simples marca com vários sentidos possíveis, era originalmente um gesto oficial de adoção feito pelo “inspetor”. É, então, fácil compreender por que as autoridades romanas chamaram alguns desses “ungidos”, que proclamavam o fim e a chegada iminente do “Ungido” (o Messias), christiani, isto é, adeptos de “Christus” ou “Chrestus”, entendido como nome próprio.

É igualmente fácil entender certos aspectos da cultura religiosa de Paulo que, com toda probabilidade, era um messianista “ungido”. O paralelo entre a marca do Espírito no batismo (Ef 1,13) e o selo da circuncisão (Rm 4,11) sugere um rito. Onde ele declara que não foi enviado para batizar, mas para anunciar o evangelho “sem sabedoria de palavras, para não esvaziar a força da cruz de Cristo” (1Cor 1,17), Paulo não expressa necessariamente falta de interesse em sinais propriamente ditos, mas sua consciência de uma missão para lhes dar outro sentido “mais pleno”. Quer dizer, a cruz (uma simples marca) na testa de alguém ungido já existia como sinal costumeiro que concluía o processo batismal; na pregação, ele recebeu o novo sentido da “cruz de Cristo”, que combina morte e vida (ressurreição, nova criação). Isso acarretou completa mudança no messianismo, que deixou de se centralizar em Jerusalém e podia ser levado “até os confins da terra” (At 1,8).

*Justin Taylor, sm. As origens do cristianismo

Cidade do Vaticano (18/06/2017) – O Serviço para o Desenvolvimento Humano e Integral publicou as conclusões do "Primeiro debate Internacional contra a Corrupção", que ocorreu no Vaticano na última quinta-feira, dia 15de Junho.

No encontro, promovido em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais, participaram cerca de 50 magistrados antimáfia e anticorrupção, Bispos e personalidades do Vaticano e de outros Estados, líderes de Movimentos, vítimas, jornalistas, estudiosos, intelectuais e alguns Embaixadores.

Os participantes afirmaram que a luta contra a corrupção e as máfias é uma questão não apenas de legalidade, mas também de civilização.

O Prefeito do Serviço para o Desenvolvimento Humano e Integral, Cardeal Peter Turkson, explicou que “este encontro ocorreu com o intuito de enfrentar um fenómeno que leva a espezinhar a dignidade da pessoa. Queremos afirmar que nunca se pode espezinhar, negar, prejudicar a dignidade das pessoas. Logo, cabe a nós, mediante este Organismo Vaticano, defender e promover o respeito da dignidade da pessoa. Por isso, procuramos chamar a atenção do mundo sobre este fenómeno”.

Por sua vez, o Arcebispo Dom Silvano Tomasi destacou o objectivo principal do encontro: “Sensibilizar a opinião pública e dar passos concretos para se encontrar políticas e leis que possam prevenir a corrupção, pois ela é como um caruncho, que se infiltra nos processos de desenvolvimento dos Países Pobres como nos Ricos, arruinando as relações entre as Instituições e as pessoas. Logo, o esforço que estamos a fazer é para criar uma mentalidade, uma cultura da justiça que possa combater a corrupção e beneficiar o bem comum”.

O grupo participante no encontro está providenciando à elaboração de um texto conjunto como guia dos trabalhos sucessivos e de futuras iniciativas, entre as quais a necessidade de aprofundar, a nível internacional e da Doutrina jurídica da Igreja, a questão sobre a excomunhão por corrupção e associação mafiosa. Fonte: http://pt.radiovaticana.va

Esta é uma antiga reivindicação, tanto na América Latina como em outras partes do mundo. Especialmente ali onde religiosidade popular e crime organizado se cruzam tecendo um perverso sincretismo. Uma exigência natural, naqueles lugares onde os narcotraficantes se encomendam a Nossa Senhora e aos santos. Agora, um grupo do Vaticano vai estudar as implicações, “em nível internacional” e “segundo a doutrina jurídica da Igreja”, da aplicação da excomunhão aos corruptos, mafiosos e expoentes do crime organizado. A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 17-06-2017. A tradução é de André Langer.

Esta é a conclusão mais relevante do primeiro Debate Internacional sobre a Corrupção, que aconteceu no dia 15 de junho na Casina Pio IV, um prédio histórico situado no centro dos Jardins Vaticanos. Um encontro convocado pela Pontifícia Academia para as Ciências Sociais e pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Segundo confidenciaram alguns participantes ao Vatican Insider, a reunião contou com poucos participantes considerando a importância do tema. Reuniu apenas cerca de 50 pessoas entre magistrados anti-máfia e anti-corrupção, bispos, personalidades de instituições vaticanas, líderes de movimentos, vítimas, jornalistas, estudiosos, intelectuais e embaixadores. Cada participante pôde tomar a palavra durante três a cinco minutos.
As discussões aconteceram a portas fechadas. Esperava-se que, no final do dia, fosse emitido um importante comunicado. Finalmente, dois dias depois, a Sala de Imprensa vaticana divulgou um breve boletim com pouco conteúdo. Não obstante, incluiu algumas significativas novidades. Por um lado, fez referência, ainda que de maneira genérica, à formação de um “grupo de trabalho” que dará prosseguimento a iniciativas na luta contra a corrupção.

“O grupo está avançando na elaboração de um texto compartilhado que irá nortear os trabalhos sucessivos e as futuras iniciativas”, precisou. E depois, estabeleceu que o grupo abordará “a necessidade de aprofundar a questão relativa à excomunhão por corrupção e associação mafiosa”.

Ponto. Não foram dadas maiores informações. Assim, fica evidente que a iniciativa, por enquanto, encontra-se em estado embrionário e não se pode afirmar que, no final, seja colocada em prática. Mas este é um primeiro passo.

Embora o crime organizado seja um pecado grave, as normativas da Igreja não contemplam – até agora – que quem incorrer nele seja excomungado, a pior punição que pode ser aplicada a um católico. Segundo o Código de Direito Canônico, a excomunhão é uma “pena medicinal” que implica praticamente a expulsão da vida da Igreja de uma pessoa, que é suspensa de todos os seus direitos na comunidade católica.

Contudo, não se trata de uma “pena de morte da alma”, já que o excomungado pode pedir (e até exigir) ser readmitido na Igreja, caso se comprometa formal e publicamente a abandonar o estado de coisas que o levou a ser punido. Segundo a tradição eclesiástica, a excomunhão é aplicada aos atos considerados gravíssimos, como o aborto (que, para a Igreja, é o assassinato de um inocente indefeso) ou a ordenação de um bispo sem a autorização expressa do Papa.

Existem dois tipos de excomunhão. Uma é automática (latae sententiae) e nela incorre um fiel no momento mesmo em que comete o ato em questão. A outra se aplica após um processo formal (ferendae sententiae). A segunda requer uma declaração pública por parte da autoridade eclesiástica, ao passo que a primeira não. Em ambos os casos, a absolvição pode ser concedida pelo Papa, pelo bispo do lugar ou por sacerdotes especialmente autorizados.

O cardeal africano Peter Turkson, prefeito do  Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, foi um dos organizadores do debate sobre a corrupção. “Pensamos, neste encontro, em enfrentar um fenômeno que leva ao afastamento da dignidade da pessoa. Nós queremos afirmar que não se pode jamais negar ou obstruir esta dignidade. Por isso, queremos chamar a atenção para este ponto”, explicou.
O arcebispo Silvano Tomasi, secretário do dicastério, por sua vez, precisou que o objetivo do debate é sensibilizar a opinião pública, além de identificar passos concretos que possam ajudar a promulgação de leis contra a corrupção, um “cupim” que “acaba com as relações entre as pessoas e as instituições”.

“Portanto, o esforço que estamos fazendo é o de criar uma mentalidade, uma cultura da justiça que combata a corrupção para favorecer o bem comum”, disse. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Pós-graduação sobre intolerância contará docentes de vários credos

RIO — Em tempos de intolerância, a existência de um curso composto por professores de diferentes religiões, coordenado por um babalaô e sediado numa universidade católica parece estar mais próxima do sonho que da realidade. No último dia 7, no entanto, a pós-graduação lato sensu Pluralidades e Intolerância Religiosa foi aprovada por unanimidade no conselho da Universidade Católica de Petrópolis.

Com um corpo docente que inclui católicos, umbandistas, judeus, muçulmanos, protestantes e uma ex-testemunha de Jeová, o curso começará em agosto, com uma turma na universidade em Petrópolis e outra no centro de estudos Dom Vital, no Rio. Para se candidatar, é preciso ter diploma de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

— Fiz questão de ter uma equipe plural. Uma coisa é falar sobre intolerância, outra é saber lidar com ela. Não é um curso de teologia, embora abordemos diversas religiões. É uma mensagem contra intolerância. Há aqueles que não querem o diálogo, mas há um setor amplo que quer — analisa o babalaô Ivanir dos Santos, que coordenará o programa.

Embora qualquer pessoa com curso superior possa se candidatar, o programa pretende atingir, prioritariamente, professores das redes particular e pública de ensino, jornalistas e líderes religiosos. A ideia é também alcançar magistrados e outros agentes que possam trabalhar o tema de forma responsável, com habilidade para mediar conflitos e criar programas sobre o assunto.

— Queremos formar pessoas capazes de desenvolver políticas públicas relativas à intolerância — afirma Carlos Frederico da Silveira, presidente do Centro Dom Vital e diretor do Centro de Teologia da Universidade Católica de Petrópolis. — Precisamos potencializar nossa capacidade de entender o outro e promover a liberdade de culto e a não agressão. Juízes, advogados e professores estão frequentemente envolvidos em problemas relacionados à intolerância. As manifestações da umbanda e do candomblé muitas vezes são violentadas. As pessoas precisam entender e respeitar os diversos credos.

UTILIDADE NAS SALAS DE AULA

Professora da educação básica, Lucimar Santos, que também faz parte do corpo docente do novo curso, conta que frequentemente os professores são confrontados com questões delicadas em sala de aula, evidenciando a necessidade de uma formação específica.

— Trabalho em algumas prefeituras com crianças do 6º ao 9º ano, e a intolerância é uma questão enfrentada diariamente. Muitos docentes deixam de dar a aula completa de cultura brasileira pela resistência de alunos e pais a aspectos culturais africanos, por remetê-los a outra religião — diz Lucimar, que é ex-testemunha de Jeová. — A banca do novo curso é bastante plural e jovem. Há pessoas ligadas ao feminismo, ao antirracismo. Na verdade, considero este um programa sobre intolerâncias diversas, ele não está voltado apenas para o público religioso.

Os alunos passarão por três módulos. O primeiro será dedicado a fundamentação e contextualização; o segundo, a intolerância, história e cultura; e o terceiro terá discussões sobre religião e sociedade. Entre as disciplinas estão Cultura Europeia, Cultura Africana, Sociologia e Antropologia da Religião.

Embora tenha nascido com o objetivo de promover a pluralidade e o respeito às diferentes religiões, o próprio curso foi alvo de preconceito em sua gênese. Ivanir dos Santos conta que foi procurado inicialmente por membros de uma universidade protestante para que construísse o curso. No entanto, o projeto precisou ser submetido a um líder religioso e, desde então, há mais de um ano, está engavetado na instituição. Diante disso, o babalaô optou por sugerir o projeto para uma universidade católica.

— Felizmente, vamos conseguir realizá-lo em outra instituição. O curso é um marco, sobretudo por acontecer neste momento de tanta intolerância e desrespeito, e ser sediado numa universidade com aspectos confessionais — acredita.

O diretor do Centro de Teologia da Universidade Católica de Petrópolis conta que, embora a proposta tenha gerado surpresa, ela foi muito bem aceita pela instituição desde o início:

— Já estávamos fazendo um diálogo inter-religioso há algum tempo. É cada vez mais importante que as religiões se unam para testemunhar que a fé também ajuda a promover a convivência social e a paz. As pessoas veem a religião como algo agressivo, mas é o contrário. Fonte: https://oglobo.globo.com

 

Plínio Corrêa de Oliveira lá do além, sentado ao lado de Nossa Senhora, determina alterações climáticas e empenha-se a valer para que o Papa Francisco morra em breve. Esses são os tipos de absurdos valorizados pelos líderes da entidade Arautos do Evangelho. Para muitos ficou óbvio que havia razões bem sólidas na origem da decisão do Vaticano quando solicitou uma investigação sobre os Arautos, embora outros logo tratassem de torcer o pedido tentando enquadrar a decisão da Congregação para os Religiosos em uma intolerância inexistente contra as realidades eclesiais mais tradicionais e conservadoras.A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por La Stampa - Vatican Insider, 14-06-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em 12 de junho, tornou-se pública a carta em que se comunicava o pedido de afastamento de monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, 77 anos, fundador e superior geral da sociedade clerical de vida apostólica "Virgo Flos Carmeli” e presidente da associação privada de fiéis "Arautos do Evangelho”, a primeira nascida e aprovada no novo milênio. Monsenhor Clá não faz nenhuma referência à profunda investigação iniciada pelo dicastério do Vaticano liderada pelo bispo brasileiro Cardeal João Braz de Aviz. Mas a coincidência temporal fala por si.

O culto de Correa

Entre as razões da investigação está o que o sociólogo Massimo Introvigne define de "uma espécie de culto secreto e extravagante a uma espécie de trindade composta por Plinio Corrêa de Oliveira, sua mãe Dona Lucília, e o próprio monsenhor Clá Dias". O brasileiro Correa de Oliveira, chamado de "Dr. Plínio", que morreu em 1995, foi um pensador católico tradicionalista, de direita e contrarrevolucionário, idealizador e fundador da associação TFP (Tradição, Família e Propriedade), que após a sua morte foi desmembrada e de um dos seus ramos nasceu a entidade Arautos do Evangelho. Sobre esse culto secreto, que na opinião de alguns teria ido muito além do mero culto da personalidade, já tiveram oportunidade de escrever vários ex-membros.

O diabo confirma a doutrina oculta

Agora, para complicar os fatos surgem alguns vídeos recém-gravados, que mostram não só que o fundador dos Arautos, Scognamiglio Clá Dias, e os seus sacerdotes usam rituais de exorcismo compilados por eles mesmos, considerando ineficazes os da Igreja Católica aprovados pela Santa Sé, mas também fornecem uma confirmação do bizarro culto ao "Dr. Plínio" e sua mãe, Lucilia. Além disso, o agora ex-superior dos Arautos, dá crédito a delirantes teorias, convencendo seus sacerdotes a fazerem o mesmo. Quem é a fonte dessas pseudo-revelações: o próprio diabo, durante um dos frequentes exorcismos que os padres dos Arautos do Evangelho celebram através de fórmulas que carecem de aprovação eclesiástica.

Um dos vídeos em questão.

No vídeo – que certamente não foi feito por uma câmara escondida dada a estabilidade de imagem e a panorâmica inicial que mostra toda a sala – pode ser visto o fundador dos Arautos, Scognamiglio Clá Dias, enquanto conversa com cerca de sessenta dos seus sacerdotes. O vídeo foi filmado durante uma recente visita papal e é certamente posterior a fevereiro de 2016, porque um dos oradores menciona a peregrinação de Francisco ao México. Monsenhor Clá pega um envelope contendo uma transcrição de perguntas e respostas e entrega as folhas ao padre Beccari que as lê, em pé, ao seu lado. Trata-se do diálogo entre um padre e o demônio durante um exorcismo. O conteúdo dessas divagações é lido sem que o superior ou qualquer um dos presentes levante objeção alguma. Na verdade, tudo é endossado e entende-se também, através de uma das perguntas do sacerdote ao demônio, que todas as indagações foram feitas "por ordem do monsenhor Clá" e que servem "apenas para confirmar" o que os Arautos já acreditam.

Ao "Dr. Plínio" todo o poder sobre o mundo

O sacerdote pratica o exorcismo sobre a pessoa possuída, nunca nomeada, com a fórmula: "A maldição de Monsenhor João caia sobre a tua cabeça!" O demônio revela que "Nossa Senhora está muito empenhada para que os membros do grupo (os Arautos, ndr) se comprometam a servir Monsenhor João, renunciando à própria vontade para fazer a do monsenhor". Plínio Correa "está sentado à direita da Virgem, ele também acomodado em um trono e tem todo o poder. Dona Lucília está à sua esquerda, um pouco mais abaixo e colabora para tudo o que o filho Plínio constrói". Plínio Correa detém "o controle sobre o mundo porque ele é a ordem do universo". Todos os padres presentes comentam entusiasmados: "Nossa! Impressionante", enquanto o monsenhor fundador acena a cabeça confirmando.

O diabo também revela que dona Lucília conversa normalmente do além com monsenhor João, que novamente confirma com um aceno da cabeça.

Plínio Correa provoca a mudança climática

Durante o exorcismo do suposto demônio, solicitado pela curiosidade do padre que faz perguntas em nome de Monsenhor João, são feitas várias "revelações". Diz-se que "Plínio está estragando os computadores das pessoas, para que elas não acessem a Internet". Além disso, Correa de Oliveira, do seu trono, sentado à direita da Virgem Maria, também está "mudando o clima". Seria ele, portanto, o autor da "mudança climática, do aumento do calor. É Plínio que faz tudo", garante o demônio exorcizado. E avisa: "Um meteorito irá cair no oceano na frente dos EUA, no Atlântico, e a América do Norte vai desaparecer". Monsenhor João ouve satisfeito.

"O Papa? É um dos meus servos. Rodé[1] será o sucessor". O auge da anuência entusiasmada de Monsenhor João e de seu fascinado público de padres acontece quando o suposto demônio fala do Papa atual. "O Vaticano? É meu, é meu! (O Papa, ndr) faz tudo o que eu mando, é um tolo". Todo mundo ri satisfeito e acena confirmando. "Obedece a tudo que mando - continua o demônio - é a minha glória, está disposto a fazer tudo por mim. Ele me serve". Para confirmar a autoridade da fonte e, assim, as pseudo-revelações, Monsenhor João diz: "Este é o demônio mais preparado que já apareceu entre nós." A diversão dos padres dos Arautos Evangelho continua quando o demônio exorcizado explica que "o Papa vai morrer em um tombo", no Vaticano, não durante uma viagem como esperam os presentes, dado que na época Francisco estava envolvido em uma de suas peregrinações. O demônio explica que o "Dr. Plínio está incentivando a morte do Papa", está tentando encurtar sua vida. Também se fala que "o próximo papa será bom", e que o diabo está tramando para "matar o homem que Deus chama, o Cardeal Rodé, o próximo Papa". O cardeal esloveno Franc Rodé, Prefeito da Congregação para os religiosos, é considerado um amigo pelos Arautos do Evangelho. Por fim, também é dito que o diabo não tem poder sobre os Arautos do Evangelho, porque são consagrados a Plínio Corrêa de Oliveira: "Os planos dependem de Deus e do Dr. Plínio".

As palavras de um verdadeiro exorcista

Não são necessários comentários sobre o que é visto e afirmado no vídeo em questão. Contudo, vale lembrar as palavras de um verdadeiro grande exorcista, padre Gabriele Amorth, a propósito das "revelações" durante os rituais: "As respostas do demônio precisam ser avaliadas. Às vezes o Senhor impõe ao demônio falar a verdade, para provar que Satanás foi derrotado por Cristo e também é forçado a obedecer aos seguidores de Cristo que agem em seu nome. Muitas vezes o maligno afirma expressamente ser obrigado a falar, embora faça de tudo para evitar isso. É um perigo, no entanto, quando o exorcista se perde atrás de perguntas por curiosidade (que o Ritual proíbe expressamente) ou se deixa guiar em uma discussão pelo demônio! Justamente porque ele é um mestre da mentira".

Nota:

  1. Refere-se ao cardeal Franc Rodé, esloveno, que foi prefeito, no Vaticano, da Congregação para os Religiosos.
  2. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Severino da Silva, de 53 anos, tentava fugir do tiroteio na região

Ele é a 30ª vítima fatal de balas perdidas no Rio, neste ano, segundo levantamento da BandNewsFM. 

Um pastor evangélico morreu vítima de bala perdida neste domingo (18) na comunidade do Bateau Mouche, na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a Polícia Militar, Severino da Silva, de 53 anos foi atingido durante um confronto entre criminosos na comunidade.

A vítima chegou a ser socorrida para o hospital Urgências Médicas, na Vila Valqueire, na mesma região, mas não resistiu aos ferimentos. Ainda segundo a corporação, o batalhão responsável pela área está fazendo buscas pelos bandidos no local.

Severino da Silva é a 30ª vítima fatal de balas perdidas no Rio, neste ano, segundo levantamento da BandNewsFM.

Fonte: http://bandnewsfmrio.com.br

Justin Taylor, sm.

Jesus e os discípulos foram desde o início chamados “nazoreus”, termo mantido em siríaco e hebraico. Porém, como vimos, o termo latino christiani, dado pelos romanos a agitadores messiânicos, foi atribuído aos discípulos em Antioquia, em uma época de distúrbios. O nome firmou-se em grego e em latim. Que isso acontecesse é ainda mais notável, visto que, estritamente falando, o cristianismo paulino não é messianismo: “Cristo” tornou-se nome próprio, e a narrativa de Pentecostes em At 2 tem o cuidado de evitar a pergunta (messiânica) final dos discípulos, que aguardam o restabelecimento do Reino para Israel (At 1,6). Podemos bem nos admirar por que o cristianismo neotestamentário, em especial com os novos horizontes abertos por Paulo, ainda sentia a necessidade de conservar uma ligação polêmica com o judaísmo, declarando-se a “nova Aliança” e transformando o messianismo, em vez de cortar todos esses laços e lançar-se em águas inteiramente novas.

Se os nomes de Cristo (Ungido) e cristão foram preservados, embora desviados do sentido primitivo, só pode ser porque originalmente eles tinham alcance apreciável, presumivelmente ligado a unção. Além disso, em uma cultura tão sensível a sinais como o judaísmo, precisamos começar a procurar não arranjos inteligentes com versículos, nem sutis alusões bíblicas a um rei-Messias ou a um sacerdote-Messias, mas pontos de referência concretos, isto é, seguir o método que usamos até agora, ritos em vez de acontecimentos ou doutrinas.

Falando francamente: as informações disponíveis são vagas demais para levar a certas conclusões. Teremos de nos contentar com suposições baseadas em indicações convergentes e distinguir duas partes: primeiro, tratar das unções propriamente ditas; em seguida, fazer algumas observações sobre o sinal da cruz.

*Justin Taylor, sm. As origens do cristianismo

Justin Taylor, Sm.

Antes de prosseguir com a história da Galileia, precisamos fazer uma pausa. Já vimos o bastante para fazer uma ideia do ambiente galileu em que Jesus chamou os primeiros discípulos. Esse ambiente era rural, efusivo e muito diferente em cada lado do lago, o que propicia um cenário para muitos detalhes dos evangelhos. Pode ser útil apresentar uma pequena lista de aspectos característicos que esclareçam o ambiente original de Jesus e dos discípulos.

  1. Nos evangelhos, Jesus vem de Nazaré, mas essa é precisamente a cidade da qual ele sai (mais adiante, examinaremos o significado da palavra “nazoreu” e sua relação com o lugar chamado Nazaré: cap. 5, §II,2). Sua “cidade” era antes Cafarnaum, no lago, não longe de Tiberíades (Mc 2,1; 3,20; 9,33), onde escavações arqueológicas mostraram claramente que antes de Herodes existia uma aldeia de pescadores. Era conhecida de Jesus e ali ele chamou discípulos que eram pescadores e marinheiros experientes.
  2. Falando de modo geral, identificamos uma oposição entre círculos zelotes a oeste do lago de Tiberíades e outros a leste que eram mais submissos. Esse lago desempenha importante papel nas viagens de Jesus, não só do ponto de vista da geografia, mas também pelo simbolismo da água e da pesca. Além do tema de atravessar o lago, as muitas referências ao “outro lado” agora se destacam (ver Jo 6,1 etc.). A maldição simétrica de Betsaida e Corazim (Mt 11,21 par.) inclui os dois lados. A primeira multiplicação dos pães acontece na margem ocidental, com doze cestos (Mt 14,13-34 par.); a segunda, na margem oriental, com sete (Mt 15,32-39 par.). Essas comunicações entre as duas margens não tinham originalmente o propósito de construir uma ponte entre a Decápolis dos gentios e a Galileia judaica, mas entre duas tendências opostas dentro da mesma cultura. A cultura em si era muito fechada e Jesus viera apenas “para as ovelhas perdidas da casa de Israel”
  3. O ambiente de referência é rural e altamente motivado do ponto de vista religioso, com tendências diferentes empenhadas em debate, ou mesmo conflito. A última pergunta que os discípulos fazem a Jesus antes da ascensão (At 1,6) diz respeito à restauração do Reino para “Israel”. A passagem não leva em conta, de modo algum, a verdadeira Judeia dos sucessores de Herodes. É antes sinal de um sonho de libertação tipicamente zelote, que também se encontra na terceira tentação (Mt 4,8ss), no desapontamento dos dois discípulos que vão de Jerusalém para Emaús e na escolha de Barrabás, que era um “sicário”, isto é, não assaltante comum, mas galileu da espécie mais pura, segundo a terminologia de Josefo. Jesus resistiu ao ativismo político e ao messianismo transformado ou, mais exatamente, ele o redefiniu em termos bíblicos apropriados. Por outro lado, enquanto andava pela Galileia e chamava discípulos, ficou bem longe de Séforis e Tiberíades, as duas únicas cidades de fama na Galileia; elas estavam efetivamente sob o controle romano por intermédio da dinastia herodiana. A julgar pela vã tentativa de Josefo, durante a revolta, de unificar a Galileia pelo domínio dos conflitos entre essas cidades e os galileus intransigentes nos distritos rurais vizinhos, está claro que o ambiente de Jesus e dos discípulos assemelha-se ao dos “galileus”. Esse rótulo tinha conotações bem marcantes, religiosas e também políticas, embora Jesus mantivesse sua independência.
  4. O grupo que seguia Jesus era realmente muito variado. Incluía Mateus, o publicano, e Simão, o cananeu (dois que eram, em princípio, opostos, e correspondiam às duas margens do lago) e também Joana, mulher de um alto funcionário de Herodes Antipas, que representa um terceiro enfoque oposto, ligado às classes governantes das cidades, em especial a nova – e escandalosa – capital Tiberíades. Discípulos de João Batista deixaram-no para seguir Jesus. Em Jerusalém, para a Última Ceia, Jesus ocupou uma sala da qual os discípulos não tinham conhecimento, pois estavam ali apenas em peregrinação; assim, Jesus tinha outros contatos fora da Galileia. As controvérsias entre os discípulos de Jesus e os “fariseus” a respeito da purificação antes de comer (cf. Mc 7,1ss; Lc 11,38) mostram que eles compartilham uma cultura religiosa comum ou similar, que também está próxima da dos essênios; por outro lado, ele se opunha aos fariseus, mantendo a primazia da Escritura sobre a tradição oral. Alguns escribas aceitavam Jesus, enquanto outros o rejeitavam; todos defendiam as Escrituras e eram adversários dos fariseus.

Todas essas tendências formam uma imagem do judaísmo da Galileia, na qual dificilmente encontram-se saduceus ou sacerdotes. Jesus atravessou todas essas barreiras, embora ainda permanecesse no judaísmo. Ele até mesmo andou em companhia de “pecadores”, leprosos e prostitutas, mas seus contatos com os gentios não passaram de alguns gestos simbólicos, que eram certamente o máximo que seu ambiente tolerava. Tais gestos eram sempre realizados na frente de espectadores judeus; é esse o sentido do “sinal de Jonas”, que se destinava aos israelitas (até o pior dos profetas é capaz de converter uma capital gentia, enquanto Israel continua resistente). A essa lista de transgressões, podemos acrescentar a visita aos samaritanos, que seguiam o texto escrito e aguardavam um novo Moisés, e que fizeram um reconhecimento de Jesus dos mais solenes. Todos esses cruzamentos de fronteiras reunidos indicam que Jesus não tinha medo de se expor à impureza. Fundamentalmente, ele não tinha medo dos outros.

  1. Assim como João Batista estava cercado de discípulos singulares, também Jesus, que chamou e formou um grupo. Dentro desse grupo, ele era reconhecido como o Mestre (“Rabûni”), mas não era uma escola no sentido próprio da palavra: os apóstolos foram posteriormente considerados pessoas “simples e sem instrução” (At 4,13). Isso não significa necessariamente que eles eram ignorantes; somente não se encaixavam em nenhum sistema reconhecido de capacidade doutrinal. O grupo vivia em comunidade, um tanto isoladamente, e seguia costumes próprios, dos quais a Última Ceia é exemplo perfeito. Assim, era na verdade uma irmandade, mais ou menos itinerante, com organização própria, que ao mesmo tempo se incumbia de anunciar a todos que o Reino estava próximo. O ambiente galileu era favorável a ambiguidades políticas, como torna-se aparente até pela acusação escrita fixada na cruz de Jesus.
  2. Jesus foi diversas vezes a Jerusalém, sozinho ou em grupo. Embora censurasse o Templo, nunca deixou de ver nele o centro das promessas. No momento decisivo, ele insistiu em confrontar as autoridades, apesar do conselho dos discípulos (ver Mt 16,22 par.). É perfeitamente possível que alguns deles nunca tivessem feito a peregrinação antes, pois, embora fossem adultos, olhavam admirados para a arquitetura. Ao voltar da Judeia passando pela Samaria, Jesus prevê o fim dos dois lugares de culto, em Jerusalém e em Garizim (Jo 4,21ss), e segue seu caminho para a Galileia. O horizonte é uma vez mais o judaísmo da Galileia, mas com alguns vislumbres de perspectivas mais amplas.
  3. A extrema importância das peregrinações que são ocasiões de encontro e conflito, está enfatizada nos evangelhos, especialmente por Lucas. São relatadas numerosas controvérsias entre Jesus e outros judeus quanto ao sábado, à pureza, à autoridade da tradição oral etc. Entretanto, em seu julgamento, nenhuma observância errada foi apresentada como motivo para acusação, mas unicamente a acusação a respeito do Templo e, assim, peregrinações. Isso é significativo. Como muitos outros antes dele, Jesus e seus companheiros tinham opiniões sobre o Templo e o que ele deveria ser, e essas opiniões, na medida em que atraíam apoio, eram consideradas ameaça pelas autoridades, quer pelo sumo sacerdote, quer pelo governador romano. O fato de compararem Jesus com Judas, o Galileu, e Teudas (At 5,35ss) mostra onde estava o problema.

As fontes estudadas revelaram alguns fatores simbólicos e religiosos que explicam a obsessão de Josefo pela Galileia. Circunstâncias socioeconômicas, fomes e opressão política também desempenharam sua parte. Mas os estudos da Galileia nesse período, que consideram decisivos esses fatores materiais, não alcançaram nenhuma síntese coerente dos aspectos específicos da cultura local, embora ponham em jogo noções como “povo da terra” ou “os pobres”. Eles acabam por fazer do Jesus histórico uma figura um tanto irreal, que por acaso surgiu na Galileia, mas sem raízes tradicionais ali.

Jesus não foi nem o primeiro nem o último reformador “fariseu” ou “galileu” a meter-se em apuros com as autoridades de Jerusalém. Seu perfil associa-se a dois tipos religiosos conhecidos, que às vezes se opõem: o mestre, com uma palavra que conta (“rabûni”), inconfundível com o escriba, e o hassid, repleto do Espírito, bem evidenciado em fontes rabínicas, com um comportamento que às vezes é paradoxal e se mantém afastado de círculos eruditos. Todos os que têm origem conhecida vêm da Galileia. Esses hassidim têm, de fato, o mesmo nome que os hassideus do tempo dos macabeus (ver 1Mc 2,42). Esses últimos têm de ser considerados antecessores dos fariseus (“separados”) e dos essênios (“fiéis”); antes designação de grupos diversos, o adjetivo tinha sentido similar. Nenhum dos termos restringe-se à definição de Josefo, que reflete uma situação mais tardia que a queda de Jerusalém. Em especial os essênios, os hassidim da Galileia e os fariseus do NT têm alguns pontos em comum. Notavelmente, todos são capazes de fazer as Escrituras falarem ao presente. Assim, para favorecer nossa pesquisa, precisamos continuar o estudo dos amplos esboços da história da Galileia judaica.

*Justin Taylor, sm. As origens do cristianismo

Os Freis; Petrônio e Donizetti, Carmelitas, falam sobre os benefícios do NONI.

NOTA: Reconhecido pela grande quantidade de antioxidantes, fruto famoso na medicina oriental deve ser evitado, segundo as autoridades.

Consumido na Ásia há pelo menos 2 mil anos, o noni, um fruto bastante parecido com a fruta-do-conde, está se tornando cada vez mais conhecido por aqui. Na medicina popular oriental, ele é receitado para combater desde dores no corpo até tumores ou diabetes.

Os supostos benefícios do consumo do fruto ou de chás, pílulas e sucos são extraordinários. Segundo vendedores - e parte da medicina popular asiática -, ele é basicamente 'pau para toda obra': serve para combater de febre a câncer, de inflamação a mal de Alzheimer, de infecção a asterosclerose. 

Natural do sudeste asiático, o noni é bastante consumido no Taiti (maior produtor mundial), Polinésia, Malásia, Filipinas e algumas regiões do Japão e da China. Ele tem um sabor bastante amargo e, portanto, costuma ser consumido em sucos e chás. Aliás, uma simples busca no Google pelo termo 'chá de noni' traz quase 400 mil resultados.  DIVULGAÇÃO: www.olharjornalistico.com.br Rio de Janeiro. 16 de junho-2017.

“Tomar consciência de sermos frágeis, vulneráveis e pecadores: somente a potência de Deus salva e cura. Foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira (16/06/07) na Casa Santa Marta.

Nenhum de nós se  ‘pode salvar sozinho’: precisamos do poder de Deus para sermos salvos. O Papa Francisco refletiu sobre a Segunda carta aos Coríntios, em que o apóstolo fala do mistério de Cristo dizendo “temos um tesouro em vasos de barro” e exorta todos a tomar consciência de serem ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus – recordou, não podemos prosseguir. “Temos este tesouro de Cristo – explicou o Papa – em nossa fragilidade ... nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”.

A dificuldade de admitir nossa fragilidade

“Todos nós somos vulneráveis, frágeis, fracos, e precisamos ser curados. Ele nos diz: somos afligidos, abalados, perseguidos, atingidos: é a manifestação da nossa fraqueza, é a nossa vulnerabilidade. E uma das coisas mais difíceis na vida é admitir a própria fragilidade. Às vezes, tentamos encobri-la para que não se veja; ou mascará-la, ou dissimular... O próprio Paulo, no início deste capítulo, diz: ‘Quando caí em dissimulações vergonhosas’. Dissimular é vergonhoso sempre. É hipocrisia”.

Além da ‘hipocrisia com os outros’ – prosseguiu Francisco – existe também a ‘comparação com nós mesmos’, ou seja, quando acreditamos ‘ser outra coisa’, pensando ‘não precisar de curas ou apoio’. Quando dizemos: “não sou feito de barro, tenho um tesouro meu”.

“Este é o caminho, é a estrada rumo à vaidade, à soberba, à auto-referencialidade daqueles que não se sentindo de barro, buscam a salvação, a plenitude de si mesmos. Mas o poder de Deus é o que nos salva, porque Paulo reconhece a nossa vulnerabilidade:

Paulo e a vergonha da dissimulação

‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro... a hipocrisia em relação a nós mesmos”.

O apóstolo Paulo – destacou o Papa – com este modo de pensar, de raciocinar, de pregar a Palavra de Deus, nos conduz a um diálogo entre o tesouro e a argila. Um diálogo que continuamente devemos fazer para sermos honestos”. Francisco citou o exemplo da confissão, ‘quando dizemos os pecados como se fossem uma lista de preços no supermercado’, pensando em “clarear um pouco o barro” para sermos mais fortes. Ao invés, temos que aceitar a fraqueza e a vulnerabilidade, mesmo que seja difícil fazê-lo: é aqui que entra em jogo a ‘vergonha’.

“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O que? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”.

Reconhecer nossas fragilidades e obter a salvação

É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro – concluiu o Papa – “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor. (BS/CM). Fonte: http://pt.radiovaticana.va

OLHAR DO DIA: Este é Pedro Rafael, de 6 anos. Ele é da paróquia Nossa Senhora do Resgate. O amor do Pedro pela Eucaristia é tão grande que ele pediu à mãe para participar da Solenidade de Corpus Christi. (Arquidiocese de Salvador-BA)

Vídeo do antes e depois do tapete de Corphus Christi! Como a presença e participação da comunidade faz toda a diferença. Nós somos membros de uma única igreja que é Jesus. Obrigado a todos que participaram!

Fonte: https://www.facebook.com/OCarmoemVilaKosmos/?hc_ref=NEWSFEED

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal Trasnsiturus de hoc mundo, estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração.

Compôs o hino Lauda Sion Salvatorem (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes. A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, para que dê a paz ao Brasil e ao mundo inteiro. “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”. (Papa Francisco)

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos!

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas. Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém! (Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!). Fonte: www.cnbb.net.br

O Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, fundador e Superior-Geral da Sociedade Clerical de Vida Apostólica "Virgo Flos Carmeli", e presidente da associação privada de fiéis "Arautos do Evangelho", a primeira nascer e ser aprovada no novo milênio, renunciou. Com uma carta de 12 de junho de 2017, ele anunciou sua renúncia ao cargo para que um de seus filhos espirituais "pudesse conduzir esta Obra à perfeição desejada por Nossa Senhora". João Scognamiglio Clá Dias acrescentou que "ao deixar este cargo não posso (e nem desejaria), diante de Deus, renunciar minha missão como padre". Portanto, ele continuará "à disposição das pessoas, por ter consciência de que fui constituído por Deus como modelo e guardião-vivo deste carisma que o Espírito Santo me deu". A reportagem é de Andrea Tornielli , publicada por Vatican Insider, 12-06-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

A decisão surpreendente do fundador estaria relacionada à investigação sobre os Arautos iniciada pela Congregação que se ocupa dos religiosos. Uma investigação "profunda e séria", explicam as fontes do Vaticano, embora ainda não se tenha tomado qualquer decisão sobre uma possível visita apostólica.

João Scognamiglio Clá Dias representa uma das duas ramificações que dividiu a associação fundada no Brasil, durante os anos cinquenta, por Plinio Corrêa de Oliveira, pensador católico tradicionalista, de direita e contrarrevolucionário, criador da associação TFP (Tradição, Família e Propriedade).

Após sua morte, o grupo se dividiu. De um lado, os "Fundadores", que obtiveram o direito ao uso do nome TFP nos Estados Unidos e na Europa (a associação italiana é muito próxima das posturas do professor Roberto De Mattei, e nos próximos meses se dedicará a apoiar as atividades dos quatro cardeais autores das "dubia" sobre o "Amoris laetitia"). Do outro lado, João Scognamiglio Clá Dias, obteve os bens e o nome da associação no Brasil, e que após a morte de Plinio Corrêa (em 1995), fundou uma ordem religiosa e uma associação privada de leigos, com ramos masculino e feminino: os "Arautos do Evangelho". (Nota de IHU On-Line: para mais informações clique aqui)

Conhecidos por seu hábito muito peculiar, semelhante a uma bata curta, com uma gigantesca cruz branca e vermelha em seu peito, e botas parecidas às de ginetes, os "Arautos" se espalharam por 78 países, dispondo de muitas vocações, envolvendo milhares de jovens, além de terem sido apoiados particularmente pelo cardeal esloveno Franc Rodè, durante a época em que ele era o prefeito dos religiosos.

A investigação do Vaticano parte, dentre muitas outras indicações, de algumas cartas e vídeos enviados por Alfonso Beccar Varela a Roma. Há menos de três anos atrás falava-se da existência, dentro da TFP e depois dentro dos "Arautos", de uma espécie de sociedade secreta, "Semper viva", na qual se praticava o culto pela mãe de Plinio Corrêa, Dona Lucilia, pelo próprio Corrêa e também por João Scognamiglio Clá Dias. Um culto que a Igreja não permite.

Os vídeos postados online por Alfonso Beccar Varela são frequentemente transferidos a outros sites da Internet, porque no Brasil os "Arautos" adotam medidas legais para apagá-los segundo as regras de direitos autorais. Tratam-se de imagens que mostram exorcismos com fórmulas não aprovadas pela autoridade eclesiástica, mas, sobretudo, mostram gravações de encontros entre o fundador e alguns sacerdotes. Seguramente são vídeos gravados com o consenso dos interessados, mas em que as autoridades vaticanas encontram elementos suficientes para se aprofundar na investigação.

Um deles por ora pode ser visto aqui. Dos diálogos e declarações surge um certo milenarismo: alguns dos "Arautos" estão convencidos de que, graças à Virgem de Fátima, está chegando uma espécie de fim do mundo em que o Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias triunfará. Os sacerdotes falam sobre os exorcismos que estão acontecendo, que o diabo anuncia que o próprio Fundador se tornará Papa ("As chaves pontifícias estão nas mãos do demônio, mas estão por passar para as mãos de Dom João"), e que as forças satânicas temem-no mais do que qualquer coisa no mundo. Um demônio através de uma pessoa exorcizada teria dito: "Jogue-me mais água benta, mas não jogue a água que passou pelas mãos de Dom João".

Nos vídeos, atesta-se que os nomes de dona Lucila, Plinio Corrêa e Monsenhor João são invocados nos exorcismos como se fossem muito poderosos. Eles são quase divinizados. Como se pode ver, há material suficiente para pedir explicações, embora haja pessoas que tentaram imediatamente apresentar a notícia da investigação do Vaticano (mas recaindo sobre os graves motivos) como se fosse um ato "imperial" da Santa Sé para sufocar as realidades mais próximas do tradicionalismo. 

Massimo Introvigne é um sociólogo reconhecido que estudou durante anos os movimentos que derivaram de Plínio Corrêa de Oliveira e que reuniu uma vasta documentação (como demonstrado nos artigos "Tradition, Family and Property (TFP) and the Heralds of The Gospel: The Religious Economy of Brazilian Conservative Catholicism" e "Alternative Spirituality and Religion Review", do outono de 2016), na biblioteca do Censor (Centro de Estudo sobre as Novas Religiões) de Turim, que ele próprio dirige.

Ele afirma que "muitos indícios sugerem que dentro dos ‘Arautos do Evangelho’ pratica-se uma espécie de culto secreto e extravagante a uma espécie de trindade composta por Plinio Corrêa de Oliveira, sua mãe Lucilia e o próprio Monsenhor Clá Dias".

"Trata-se, acrescentou, da continuação de práticas que começaram há cerca de 30 anos, por parte do próprio Clá Dias e outros, dentro do movimento de Corrêa de Oliveira, antes da morte deste último, em 1995. Creio ser importante distinguir entre as obras de Corrêa de Oliveira (controversas especialmente durante os últimos anos de sua vida, quando ele se aproximou dos que rejeitavam o Concílio Vaticano II, mas que são de considerável importância para a história do pensamento latino-americano do século XX) e as ações de seus herdeiros verdadeiros ou presumidos. Entrevistei três vezes Corrêa de Oliveira e, inclusive, perguntei-lhe sobre os rumores de um culto secreto a ele e sua mãe, e sempre me disse que essas eram coisas de seus seguidores mais jovens, mas que em nada tinham sido incentivadas ou aprovadas por ele. Pode ser que ele seja culpável pelo menos pela pouca vigilância. Mas isto não invalida para mim o valor de seus escritos". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br