Padre foi morto com pelo menos 29 facadas; polícia descarta latrocínio.

Polícia Civil descartou que a morte do padre Pedro Gomes Bezerra, de 49 anos, tenha sido um latrocínio, conforme informou o delegado Diógenes Fernandes, nesta quinta-feira (24). O delegado ouviu cerca de oito pessoas, entre vizinhos e pessoas próximas da vítima, para realizar a instrução do inquérito. O padre foi morto com pelo menos 29 facadas, em Borborema, Brejo paraibano.

“Pela cena do crime, verifica-se a luta corporal entre duas pessoas. O autor foi recepcionado, entrou voluntariamente, foi recebido, havia comida, e eles passaram cerca de uma hora entre conversas amigáveis. E aí houve alguma motivação para que houvesse a briga, que foi bastante violenta”, explicou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado Diógenes, o dinheiro da paróquia não foi levado e nem outros objetos de valor. Apenas o carro foi roubado, para a fuga do agressor, mas foi encontrado abandonado na zona rual do município de Solânea, a cerca de 15km da cidade onde aconteceu o assassinato.

“Não há dúvidas de que era uma pessoa conhecida. Ele [o padre] não só recebeu [o agressor], mas recepcionou”, disse o delegado.

O crime aconteceu na noite desta quarta-feira (23), mas o corpo só foi encontrado na manhã desta quinta, pela secretária da casa paroquial. O padre estava caído na sala de jantar, muito machucado e sem roupas.

Velório do padre Pedro Gomes Bezerra

A assessoria de comunicação da Diocese de Guarabira, responsável pela região de Borborema, confirmou que está programada para acontecer uma missa na noite desta quinta-feira (24) na igreja de Borborema e o velório do padre Pedro Gomes começará logo em seguida. O enterro está previsto para acontecer em Guarabira, na sexta-feira (24).

Fonte: http://g1.globo.com

Padre foi assassinado em Borborema hoje pela amanhã dentro de sua casa.

Chega à nossa redação a informação de que um padre da paróquia de Nossa Senhora do Carmo, de Borborema-PB, por nome de Pedro Gomes foi encontrado amarrado e morto dentro da casa paroquial, onde residia, na manhã desta quinta-feira (24). Ainda segundo detalhes ele teria sido esfaqueado. A informação foi confirmada por um secretário do padre.

De acordo com informações repassadas pelo Capitão J. Ferreira, da CIA da PM da cidade de Solânea, a secretária do Padre informou que ao chegar na residência, para trabalhar, por volta das 08:00h da manhã, encontrou a porta fechada, mas sem ser na chave. Ainda segundo ela, o corpo do Padre estava enrolado num lençol e a casa estava revirada. Ela de imediato ligou para a Polícia Militar que foi ao local e constatou o fato, porém ficou aguardando a chegada da perícia para que desenrolasse o corpo e confirmasse se realmente era o Padre Pedro Gomes.

De acordo com o Capitão J. Ferreira, a casa apresentava sinais de que teria acontecido uma luta corporal em seu interior e que não havia sinais de arrombamento. Como o carro do Padre, um Fiat Strada, foi levado e a porta estava fechada, a polícia acredita que o assassino poderia ter acesso livre à residência.

Uma das hipóteses é que o religioso tenha sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), mas todo o dinheiro do ofertório e do dízimo estava no quarto do Padre. Mas alguns objetos pessoais que estavam no carro também foram levados.

A perícia já está no local e vários padres da diocese de Guarabira se deslocaram para Borborema para acompanhar o caso de perto. Outras informações ainda dão conta de que no interior da residência, foram encontradas latas de cerveja, copos e duas cadeiras, num ambiente o qual indica que houve uma comemoração. O corpo do Padre estava sem roupas, enrolado apenas pelos lenções.

Um rapaz que trabalha na secretaria da igreja, residente em Arara e que estava sendo procurado pela polícia já foi localizado e poderá ajudar no esclarecimento do crime. Perguntado sobre esses detalhes, o Padre Bosco, que teve acesso ao local do crime, preferiu deixar que a perícia se pronunciasse.

O Padre Pedro tinha 50 anos e era irmão do professor Luizinho da cidade de Guarabira. A informação de seu assassinato vem chocando a sociedade da região e chamando a atenção da imprensa de todo o Estado. Fonte: http://portalmidia.net

 

Neste momento de imenso sofrimento por que passa a população baiana, pelo trágico acidente ocorrido na manhã de hoje na Baía de Todos os Santos, nós, da família da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, fazemos também nossa a dor de todas e de cada uma das famílias atingidas com a perda de um ente querido. Pedimos a Deus que as reconforte e as ajude a superarem tanta dor. Nós nos unimos às orações que fazem pelo descanso eterno daqueles que amavam, lembrados das palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, mesmo se houver morrido viverá” (Jo 11, 25).

Sabemos que, em situações como esta, não há palavra que conforte o suficiente. Mas sabemos também o quanto é importante estarmos ao lado de quem foi atingido pela dor. Pedimos, pois, que cada qual procure manifestar sua proximidade com todos aqueles que sofrem porque, direta ou indiretamente, todos fomos atingidos por essa tragédia.

Mais do que nunca, em horas assim, somos convidados a ouvir o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11, 28).

A todos, com muita solidariedade, a minha bênção.

Salvador, 24 de agosto de 2017.

Dom Murilo S. R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia

Primaz do Brasil

Em nome do Papa Francisco, a Nunciatura Apostólica no Brasil (órgão que representa a Santa Sé) também divulgou nota sobre as mortes ocorridas após o naufrágio na manhã de hoje. Leia o texto na íntegra:

 Brasília, 24 de agosto de 2017

Excelência,

Acolhi, com profunda tristeza, a notícia da morte de inúmeras pessoas no naufrágio de uma embarcação, ocorrido hoje na Baía de Todos os Santos.

Pela presente, em nome do Santo Padre, o Papa Francisco, quero manifestar sinceras condolências às famílias das vítimas, como também orações ao Senhor da Vida para que acolha os defuntos em seu Reino de paz e de vida eterna.

Imagino o desespero de quantos foram atingidos por essa tragédia! Mas, ao mesmo tempo, estou certo de que a confiança em Deus ajudará a acreditar sempre mais que: “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (Jo 11, 25).

A solidariedade de quantos estão agora a lamentar este triste acontecimento contribuirá a suavizar o sofrimento e a dor daqueles que choram e sentem a perda dos seus entes queridos, a fim de poder aceitar, na certeza da ressurreição, a dolorosa separação humana.

Assegurando um especial sufrágio na Celebração Eucarística que hei de presidir amanhã de manhã, e unindo-me às orações de Vossa Excelência e de toda a Igreja que está em Salvador da Bahia, em nome do Santo Padre concedo a todos uma Bênção Apostólica.

Dom Giovanni d’Aniello

Núncio Apostólico no Brasil

O heroísmo de um bispo espanhol na República Centro-Africana

 

República Centro-Africana não existe. No mapa, tem fronteiras, florestas, uma capital e até conta com um aeroporto internacional, mas é tudo uma grande ficção. Na realidade, este quilômetro zero do continente é hoje um conjunto de ilhas rodeadas de bairros queimados, de mortos mal enterrados e de grupos armados sem pátria. Se existe, a República Centro-Africana só sobrevive no coração de alguns homens e mulheres que, em vez de contribuir para a sua dissolução definitiva, decidiram lutar contra a sua destruição com tudo contra. Uma dessas pessoas é o espanhol Juan José AguirreA reportagem é de Alberto Rojas, publicada por El Mundo, 21-08-2017. A tradução é de André Langer.

O padre Aguirre é o bispo de Bangassou, uma dessas ilhas de terra vermelha e florestas tropicais onde, nos últimos meses, o que resta do país é sangrado a tiros e golpes de machetes. Em sua missão católica, Aguirre e seu bispo auxiliar, o também espanhol Jesús Ruiz, mantêm 2 mil civis muçulmanos que as milícias cristãs Anti-Balaka (literalmente, os que não temem as balas de AK) teriam exterminado não fosse sua intervenção para protegê-los. Hoje, a paróquia onde se encontram é um autêntico barril de pólvora, e seus anfitriões, os religiosos católicos, são seus escudos humanos.

Os arredores de Bangassou são controlados pelo senhor da guerra nigeriano Ali Darassa, um criminoso saqueador que veio pegar os despojos desta antiga colônia francesa. Com sua milícia Seleka, de maioria muçulmana, foi conquistando povoado a povoado desde a sua base de Bria (onde são extraídos os maiores diamantes do mundo) até a fronteira com o Congo, delimitada pelo Rio Ubangui. Nos 12 povoados que conquistou foi destruindo as paróquias católicas. A maior parte dos sacerdotes está em paradeiro desconhecido.

A única cidade que ainda não pôde conquistar é Bangassou, controlada pelas milícias cristãs Anti-Balaka, a maioria deles crianças ou adolescentes armados, drogados e indisciplinados. Diante dos ataques de Ali Darassa, os Anti-Balaka a tomaram com os habitantes muçulmanos de Bangassou.

Dois mil muçulmanos refugiados

O ódio e a manipulação, em um país onde nunca houve problemas entre as comunidades cristãs e muçulmanas, produziram um ambiente explosivo que finalmente eclodiu em 12 de maio passado. Casa por casa, os Anti-Balaka foram matando homens, mulheres e crianças. Mais de 100. Quando chegou aos ouvidos do padre Aguirre, que estava na catedral, conseguiu refugiar o resto dos muçulmanos nos domínios da igreja. Ao todo, são duas mil pessoas que estão refugiadas ali desde então.

“Eles não podem sair. Se as mulheres tentam deixar o recinto da catedral para recolher lenha os franco-atiradores atiram contra elas. Caso não tivessem se refugiado ali, já teriam sido exterminados”, conta Jesús Ruiz.

“Todos os dias enchemos os tanques de água, mas não temos mais recursos para atendê-los. Eles queimaram os bancos de madeira da igreja para cozinhar, mas já acabaram”, assegura este religioso, que descreve uma situação complexa e tensa. “Os cascos azuis da Minusca (missão de paz da ONU no país) protegem o nosso perímetro para que os Anti-Balaka não entrem, mas há um problema grave: eles são marroquinos e egípcios e tomaram partido pelos muçulmanos”.

“Isso provocou uma rejeição por parte do resto da população, que os vê com desconfiança. Também não ajuda o fato de que cada vez que saem para fazer patrulhas por Bangassou atirem contra todos os que se mexem, quer sejam civis ou milicianos”, disse. Além disso, os marroquinos já perderam sete soldados em confrontos armados com os Anti-Balaka.
A neutralidade foi rompida há semanas. As forças muçulmanas Seleka tomaram Gambo, um povoado situado a 75 quilômetros de Bangassou. Diante da permissividade dos soldados das Nações Unidas presentes, acabaram decapitados 50 milicianos Anti-Balaka.

“Alguns sacerdotes compram alimentos para as famílias muçulmanas refugiadas aqui, mas precisam fazê-lo às escondidas. Se as milícias cristãs Anti-Balaka vissem que os religiosos estão alimentando os muçulmanos, sem dúvida nos matariam. Já ameaçaram a nossa enfermeira. Se lhes ocorrer que estamos dispensando cuidados médicos para algum deles, os outros virão até nós”.

Como é o dia a dia dos muçulmanos refugiados na catedral? “A grande maioria deles é muito agradecida. Eles sabem que salvamos as suas vidas. Uma mulher acaba de ter um menino e o chamou Aguirre, em homenagem a Juan José, mas há um pequeno grupo de jovens, uma minoria radicalizada de 14 ou 15 anos, que nos ameaça diariamente de morte e que está bem armado”.

Jesús Ruiz fala das travessias para o Congo para fugir: “Uma mulher nos pediu para que a ajudássemos a cruzar o rio junto com os nossos sacerdotes. Ela levava os seus quatro filhos consigo; o menor era um bebê. Os Anti-Balaka detectaram o bote e o interceptaram. Obrigaram os sacerdotes a entregar a mulher e os seus filhos a ponta de metralhadora. Atiraram contra todos, mas a mulher sobreviveu e puderam recolhê-la ferida e em estado de choque na beira do rio. Eles não respeitam nada”.

As armas fluem sem controle e há um paradoxo curioso: enquanto as milícias recebem pontualmente entregas de Kalashnikovs e munição, as forças armadas nacionais, treinadas pela França e pela Espanha sob o comando do general Fernando García Blázquez, sofrem um embargo de armas. Ou seja, os soldados que deveriam defender os civis não podem se armar, ao passo que as milícias, cada uma com lealdades diferentes, assassinam e campeiam ao seu redor armados até os dentes.

Bangassou é apenas uma amostra em pequena escala da sorte que está correndo o resto do país. Pequenas ilhas de deslocados internos, horrorizados com a possibilidade de um genocídio em câmara lenta e provocada pelos dois lados, sobrevivem desde 2013 em condições muito precárias escondidos em escolas, igrejas e hospitais.

O melhor exemplo disso é Batangafo, uma cidade situada no norte do país, também cercada de florestas, onde 15 mil pessoas se refugiaram no centro que Médicos Sem Fronteiras tem na localidade. Seu coordenador, o espanhol Carlos Francisco, descreve uma situação catastrófica: “Alguns perderam suas casas nos ataques, outros têm medo de sair... Tivemos que disponibilizar latrinas para todos, proporcionar o acesso a água potável, fazer vacinações em massa contra doenças como o sarampo, que aqui já virou surto... Infelizmente, nem mesmo nós podemos sair do hospital nas últimas três semanas. É uma situação desesperadora”.

Assim como acontece com os sacerdotes de Bangassou, no hospital de Batangafotambém sofrem ameaças de um e de outro lado no desempenho de suas funções: “Nós procuramos enviar uma mensagem de imparcialidade. Mostramos que não fazemos parte do conflito, mas temos dificuldades para nos fazer entender”, disse Carlos Francisco.

A população não é deslocada, mas realocada, isto é, foi se deslocando de um lugar para o outro diante do avanço da violência. A Minusca, por sua vez, está desde 2013 tentando pacificar a situação, mas cada vez está mais distante do objetivo. As cidades são esqueletos de bairros queimados, com os muçulmanos cercados nas populações cristãs e os cristãos vivendo em localidades de maioria muçulmana à espera do assalto final.

Um jornalista local, intérprete deste repórter anos atrás, conta de Bangui: “Não há um genocídio porque não há coordenação entre as milícias. Cada uma das milícias mata por sua conta, com alianças entre elas em uma cidade e declarações de guerra entre as mesmas em outra. A República Centro-Africana desapareceu. Nunca foi grande coisa, mas não resta nada”.

Uma guerra permanente

A República Centro-Africana é um dos países mais pobres e subdesenvolvidos do mundo, mesmo que possua enormes reservas de recursos naturais, como ouro e diamantes, em suas minas de Bria e Carnot. O idioma local é o sango, embora nas poucas zonas urbanas se fale também francês, a língua da antiga metrópole. Em sua história conheceu poucos momentos de estabilidade. A cada quatro ou cinco anos havia um golpe de Estado que trocava um ditador por outro, com o autodenominado “imperador Bocassa” como melhor exemplo. Em 2013, um grupo de milícias do norte do país se uniu na chamada coalizão Seleka e invadiu o país com a ajuda de mercenários do Chade e do Sudão. Desde então, eclodiu uma sangrenta guerra civil com as milícias cristãs Anti-Balaka, que virou um conflito religioso. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Lancelotti sobre o Bolsonaro: 'Ele fala em liberdade de expressão para poder dizer o que quer, mas acha que ninguém pode contraria-lo'. A reportagem foi publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 14-08-2017.

O padre Julio Lancelotti está sendo processado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PEN-RJ), por chamar o parlamentar de racista, machista e homofóbico, em março passado. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, nesta segunda-feira (14), ele diz que a ação movida pelo político de extrema-direta é controverso.

"Se fala em liberdade de expressão para ele poder dizer o que ele quer, com discurso contra negros, quilombolas, mulheres e a comunidade LGBT, mas acha que ninguém pode contrariá-lo", questiona. "Muitas pessoas acham que a liberdade é poder dizer tudo que eu penso. Se o discurso ofende o mais fraco, o outro, eu não tenho direito de dizer", completou Lancelotti.

O religioso discursava contra a cultura do ódio, durante a pregação que marcou o primeiro dia da Quaresma para os católicos. Julio se disse assustado pela devoção provocada por "uma figura homofóbica e violenta" como Jair Bolsonaro. "Eu fico impressionado — e não tenho medo dizer, não precisa cortar a gravação –, que uma pessoa homofóbica, violenta como Bolsonaro, apareça nas pesquisas eleitorais e seja seguido por tanta gente no Brasil. Isso é vergonhoso", disse.

Na ocasião, Bolsonaro criticou o ato de usar uma pregação dentro da igreja para ataca-lo. Ele considerou "absurdo" utilizar-se do nome de Deus "para praticar blasfêmia e calúnias".

Assassinato

O religioso e integrante da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo também comentou a morte de três moradores de rua – dois homens e uma mulher –, assassinados a tiros na madrugada de sábado (12), na avenida Senador Teotônio Vilela, em Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo. "Foi uma execução. Foi uma ação covarde e premeditada. Nós temos que estar atentos a essa onda neonazista que toma a sociedade", afirmou. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Uma longa preparação, que começou com a beatificação no mês de maio de 2015 e chega ao seu término natural: o centenário do nascimento de Oscar Arnulfo Romero no dia 15 de agosto de 1917 na pequena localidade de Ciudad Barrios, segundo de sete filhos de Guadalupe Galdámez, uma mulher simples do povo, e Santos Romero, telegrafista de profissão. A reportagem é de Alver Metalli, publicada por Tierras de América, 09-08-2017. A tradução é de André Langer.

As esperanças dos salvadorenhos eram, naturalmente, que o aniversário coincidisse com a canonização, mas para isso será preciso esperar mais um pouco. Não muito, considerando que o patrocinador número um do bispo mártir, o Papa Francisco, disse aos bispos de El Salvador, quando o visitaram em março passado, que “a causa está em boas mãos”, freando a impaciência dos prelados, mas dando a entender que o momento está próximo.

A espera, como mostram as celebrações para o centenário, não será tempo perdido. Pelo contrário. Gregorio Rosa Chávez, recentemente criado cardeal, que dedicou a púrpura a dom Romero declarando que recebia o barrete vermelho em sua honra, vê realizado o seu “sonho de ver que em breve todo o país se colocará em movimento”. “O sinal exterior mais claro”, disse há um ano a Tierras de América, “seriam as peregrinações aos lugares santos de Romero, incluindo o pequeno povoado onde ele nasceu há quase 100 anos, Ciudad Barrios”.

Justamente Ciudad Barrios foi o destino da procissão de 13 de agosto promovida conjuntamente pelas dioceses de San Miguel, em cujo seminário o jovem Romeroingressou em 1931, com apenas 12 anos, e Santiago de Maria, diocese da região oriental de El Salvador para a qual dom Romero foi nomeado bispo em 15 de outubro de 1974 aos 57 anos.

No dia anterior, 12 de agosto, cruzou a diocese de Santa Ana uma peregrinação para a qual confluiu toda a região ocidental do país e que culminou em uma celebração eucarística presidida pelo bispo da Província, Miguel Ángel Aquino Morán, e pelo núncio apostólico de El Salvador, dom León Kalenga Badikebele, que fez a homilia. Nesta ocasião também houve uma alocução do novo cardeal, Gregorio Rosa Chávez.
O último evento dos festejos pelo centenário acontecerá no dia do seu aniversário, 15 de agosto, na catedral de San Salvador, com uma celebração solene presidida pelo cardeal Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago do Chile, eleito pelo Papa para representá-lo. Ezzati, salesiano, estará acompanhado por Rafael Edgardo Urrutia, chanceler da Arquidiocese de San Salvador e vigário episcopal para os Movimentos e as Associações de Fiéis Leigos, que participaram ativamente do processo de beatificação de Romero, e por Reinando Sorto Martínez, pároco de San José de la Montaña, vigário episcopal e diretor da Radio San José, que durante muitos anos esteve a cargo de Romero.

Em uma carta escrita em latim, com data de 18 de julho de 2017, e que foi divulgada no dia 05 de agosto deste ano, o próprio Francisco explica que foi convidado para a celebração pelos 100 anos de nascimento de Romero em sua terra natal. Na mesma carta resume as circunstâncias da sua morte, no dia 24 de março de 1980, enquanto celebrava a eucaristia na capela do Hospital da Divina Providência de San Salvador, e faz referência ao fato de que “os mandantes e executores não foram identificados”. O Papa também recorda que – e não deixa de ser significativo – “na missa do funeral participaram 350 mil pessoas, 300 presbíteros e 30 bispos de todo o mundo” e que o rito fúnebre “não pôde ser concluído porque uma bomba e tiros com armas de fogo automáticas semearam o pânico. Estima-se que cerca de 50 pessoas – muitas crianças – morreram pisoteadas e cerca de 10 por tiros”.

De pouco mais de um ano para cá as relíquias de Romero vão de paróquia em paróquiapor toda a província eclesiástica de San Salvador. No dia 24 de julho, na capela da Universidade Centro-Americana, a mesma onde aconteceu o massacre dos jesuítasem novembro de 1989, foi exposta a urna com as relíquias do beato Romero, como parte do percurso realizado pelas paróquias do país que começou na diocese de Zacatecoluca para culminar em San Salvador.

A universidade recordou que a veneração das relíquias de Romero “está em fina sintonia com uma tradição que remonta aos primeiros séculos do cristianismo, quando os seguidores de Jesus eram perseguidos e morriam por ódio à fé. De lá para cá, a Igreja começou a conservar e a cuidar com grande estima dos objetos relacionados com as pessoas que deram testemunho de fé com sua própria vida” para “venerar a memória dos mártires”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida a todos para uma Jornada de Oração pelo Brasil, a ser realizada nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, de 1º a 7 de setembro próximo. Os bispos decidiram mobilizar os cristãos, por meio da oração, após a análise da realidade brasileira feita na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da entidade, dias 10 e 11 de agosto.

O Dia de Oração e Jejum sugerido é o dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil. Além da carta, enviada a todos os bispos brasileiros, foi enviada também uma oração (confira abaixo), a mesma enviada por ocasião da celebração de Corpus Christi, com uma pequena adaptação na última prece.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a Jornada de Oração é uma oportunidade para que os cristãos e pessoas de boa vontade que querem um Brasil melhor, mais fraterno e não dividido se unam.

“Nós estamos necessitados de um novo Brasil, mais ético; de uma política mais transparente. Nós não podemos chegar a um impasse de acharmos que a política pode ser dispensada. A política é muito importante, mas do modo do comportamento de muitos políticos, ela está sendo muito rejeitada dentro do Brasil. Nós esperamos que esse dia de jejum e oração ajude a refletir essa questão em maior profundidade.”

Um dos trechos da oração, encaminhada a todos os bispos do país pelo Consep, pede:

“Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos”.

Veja a íntegra da oração:

 

JORNADA DE ORAÇÃO PELO BRASIL

Semana da Pátria. 1º a 07 de setembro de 2017

07 de setembro – dia da Pátria: Vida em primeiro lugar

“A paz é o nome de Deus” (Papa Francisco)

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, pedindo a bênção da paz para o Brasil.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém!

(Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!)

Veja a íntegra da carta:

Brasília-DF, 10 de agosto de 2017
Prezado irmão no episcopado,

Unidos para servir!

Vivemos um momento difícil e de apreensão no Brasil. A realidade econômica, política, ética vem acompanhada de violência e desesperança.

O Conselho Permanente, ao refletir o momento vivido, pediu que a Presidência enviasse carta ao irmão, sugerindo um Dia de jejum e oração pelo Brasil. Pediu igualmente que fosse enviada uma oração que pudesse ser rezada nas comunidades e famílias.

O dia de oração e jejum sugerido é o dia 7 de setembro próximo. A oração que enviamos também em anexo é a mesma que rezamos no dia de Corpus Christi. Houve uma adaptação na última prece.

Convidamos o irmão a incentivar a participação das comunidades e famílias no Dia de Jejum e oração pelo Brasil.

Em Cristo, unidos para servir,

Cardeal Sergio da Rocha                                     Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de Brasília – DF                                          Arcebispo de São Salvador
Presidente da CNBB                                                 Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
     Bispo Auxiliar de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB.

Fonte: http://cnbb.net.br

Escritor contesta autoria de um conto do livro ‘Momento de Fé’, do sacerdote. Assessoria jurídica de Rossi diz que ação foi analisada e o autor não recorreu

Rio - Conhecido pelo Vaticano como o Evangelizador do Novo Milênio, o padre, cantor e escritor, Marcelo Rossi, de 50 anos, um dos expoentes da Igreja Católica, teve autoria de um texto em seu livro contestada. O analista de sistemas carioca e também escritor, Ronaldo Siqueira da Silva, 57 anos, garante que o sacerdote plagiou um de seus 50 contos, reunidos no livro ‘O Eremita Urbano’, de 2001.

Exibindo registro do texto ‘O homem e a água’, com data de 1999, no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional, sob número 172.467, da folha 113 do livro 290, Ronaldo, que usa também o codinome Odylanor Havlis, afirma que o mesmo artigo, na íntegra, inclusive com o mesmo título, foi publicado no livro ‘Momento de Fé’, lançado por Marcelo Rossi, em 2004, e em um CD, sem referência ou crédito a ele.

Em 2012, Ronaldo apelou judicialmente para o reconhecimento da autoria do conto. Mas, em 2015, conforme sentença da 1ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, para onde o processo por danos morais e materiais — registrado com o número 0057672520148260003 — foi levado, a pedido da defesa de Rossi, a juíza Camila Quinzani deu como como prescrita a pretensão do autor da ação.

Embora a magistrada tenha dado razão a Ronaldo, ela destacou que o autor tinha três anos para apelar, conforme o artigo 206 do Código Civil, mas ele só recorreu oito anos depois da publicação de ‘Momento de Fé’. Agora,Ronaldo procura uma suposta alternativa judicial para tentar novo processo.

“Fica difícil entender a posição de Marcelo Rossi, quanto à ética, principalmente diante de Deus, que tudo vê e sabe”, alfinetou Ronaldo, dizendo que hesitou por muito tempo, até concluir que “não é certo o que fizeram” com ele. “No futuro, imagino, meus netos vão pensar que eu é que plagiei Marcelo Rossi”, lamentou.

Em nota, a assessoria jurídica do padre argumentou que o mérito da ação “foi devidamente analisado” pelo Poder Judiciário. “O autor sequer recorreu da decisão, que transitou em julgado. Por conta disso, o autor não poderá demandar novamente contra o padre, pois deve ser observado o princípio da imutabilidade das decisões, bem como da coisa julgada, princípios consagrados na Constituição Federal”, diz a nota, alegando ainda que a matéria estaria visando “constranger o padre”. Fonte: http://odia.ig.com.br

Uma árvore de grande porte caiu em cima de fiéis que participavam de uma procissão da Festa da Nossa Senhora do Monte, na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo a imprensa portuguesa, o incidente deixou mortos e vários feridos, ainda sem números oficiais.

Segundo a "RTP", a multidão esperava o início da caminhada religiosa na manhã da última desta terça-feira 15, quando a árvore tombou no Largo da Fonte. É a festa da padroeira da ilha, considerada a maior festividade local. A emissora confirmou 11 mortos e 35 feridos, quatro deles em estado grave.

Já o "Diário de Notícias de Madeira", que cita fontes do serviço regional de Proteção Civil, noticia pelo menos 10 mortos e 15 feridos. O jornal ressaltou que o carvalho tinha 200 anos e ameaçava cair desde 2014. A agência "Lusa" destacou que a árvore caiu no local em que eram vendidas velas.

A procissão foi cancelada. Os feridos teriam sido encaminhados ao Hospital Nélio Mendonça do Funchal. A maioria sofreu fraturas e traumatismos cranioencefálicos, segundo a "TVI24". Fonte: https://extra.globo.com

             A II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizou-se em Medellín (Colômbia, 1968), sob o tema: “A Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concílio”. Temas que marcaram Medellín foram: a promoção humana; a evangelização e o crescimento na fé; a Igreja visível e suas estruturas. Medellín se apresentou como uma releitura do Concílio.    

            Em Medellín a Igreja convida a todos a experimentarem a comunhão; e enfatiza sua responsabilidade de utilizar sua sabedoria, para fermentar ainda mais a participação do povo de Deus na vida eclesial e social. Vê-se também que a eclesiologia assimila-se perfeitamente às grandes intuições da Lumen Gentium, tais como: Igreja como Povo de Deus; batismo, como fonte e raiz dos ministérios; o chamado de cada cristão à santidade e ao apostolado. Dá, porém, alguns passos à frente, ao mesmo tempo em que radicaliza outros.

           Em Medellín surge um novo perfil da vocação à santidade, como expressão da vivência da fé cristã na fidelidade aos necessitados em uma sociedade injusta e excludente. A missão, por sua vez, adquire um caráter profético, tornando-se sinal de contradição para os opressores e suas estruturas injustas. A figura do missionário associa-se ao testemunho dos mártires das causas sociais. Temos então, uma santidade que se volta para os pequeninos, pela qual a missão se apresenta como profecia, pois o profeta é aquele que anuncia a palavra e denuncia as injustiças.

“Infelizmente, o uso pastoral que a Igreja fez (tantas vezes) da morte tem sido abusar do medo que todos temos de morrer para obter a submissão das pessoas à normativa moral e sacramental que a lei eclesiástica impõe aos fiéis. Não há necessidade de explicar isso. Todos nós sofremos e suportamos isso”, escreve José María Castillo, em artigo publicado por Religión Digital, 10-08-2017. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Na primeira semana de agosto, aconteceu, na Itália, uma importante semana de estudos bíblicos sobre um tema que sempre tem a máxima atualidade e que, no entanto, nem sempre é analisado com o seu devido cuidado. Refiro-me ao tema da morte. Não a morte dos outros, sobretudo se são vítimas da violência ou da injustiça. Neste caso, o problema da morte é analisado como um problema social, político ou jurídico, o que, sem dúvida, é uma das questões mais urgentes e mais graves que precisamos enfrentar neste momento. Este é um fato inquestionável.

Mas também é um fato que a morte pessoal – da qual ninguém escapa – é um tema que todos costumam enfrentar na sua intimidade secreta, mas no qual poucos pensam, compartilhando seu pensamento com outros, a não ser quando vão ao médico, para um problema sério, ou quando precisam ir a um velório para dar os pêsames pela morte de um parente ou de um amigo.

A semana a que me refiro – e da qual tive a sorte de participar – foi organizada pelo Centro de Estudos Bíblicos G. Vannucci, com sede em Montefano (Maccerata), não muito longe de Ancona. A semana contou com uma significativa participação, com pessoas vindas de toda a Itália, desde a Sicília até Trieste ou Gênova. Sinal indiscutível de que o problema da morte preocupa a todos. O que disse e o que diz a religião sobre este assunto?

O fundador e diretor do Centro de Estudos Bíblicos de Montefano, Alberto Maggi, esteve (pouco tempo atrás) às portas da morte durante meses. Nele, a vida foi (e é) mais forte que a morte. Fruto de sua experiência única é o belo livro L’ultima beatitudine. La morte come pienezza di vita (Garzanti, Milão).

A partir deste livro – com a valiosa ajuda do professor do Marianum, de Roma, o espanhol (de Granada), Ricardo Pérez Márquez, que tivemos a sorte de poder participar da semana de estudos e reflexões sobre a morte – pudemos pensar a fundo sobre o que foi e deve ser o fato de “ter que morrer”. E isso tanto na vida da Igreja como, sobretudo, na experiência de cada um dos fiéis na crença em Jesus, o Senhor.

Uma vez que eu estava entre os participantes, a amizade que me une aos professores da Semana Bíblica, Alberto e Ricardo, colocou-me na grata obrigação de expor (brevemente) aos ouvintes três temas relacionados à morte: o pecado original, o pecado pessoal e o inferno.

Infelizmente, o uso pastoral que a Igreja fez (tantas vezes) da morte tem sido abusar do medo que todos temos de morrer para obter a submissão das pessoas à normativa moral e sacramental que a lei eclesiástica impõe aos fiéis. Não há necessidade de explicar isso. Todos nós sofremos e suportamos isso.

Quando, na realidade, como bem disse Alberto Maggi, a morte é “a plenitude da vida”. Não é o final. Já temos a “vida eterna”, de que tanto fala o Novo Testamento, nesta vida, de acordo com a surpreendente e insistente afirmação do quarto Evangelho. A morte não pode ser o fim. É a última e a maior de todas as “bem-aventuranças” que a genial memória de Jesus nos deixou.

E vou resumir a minha modesta contribuição para a Semana:

1) “Pecado original”: não é nenhum pecado, e nem por semelhante pecado a morte entrou no mundo (Rm 5, 12). A religião não pode transformar um mito (Adão e Eva) em história e menos ainda em teologia.

2) “Pecado pessoal”: foi explicado como “culpa”, “mancha”, “ofensa” (Paul Ricoeur). Mas pode o ser humano, imanente, ofender o Transcendente? “Só se agirmos contra o nosso próprio bem” (Tomás de Aquino).

3) “Inferno”: não existe. Nem é definido como dogma de fé. Além disso, pode o absolutamente Bondoso ser, por sua vez, absolutamente castigador eternamente, ou seja, sem outra possível finalidade que fazer sofrer? Se cremos no Inferno, não podemos crer em Deus.

A morte dá a pensar. Para o crente, é uma fonte inesgotável de esperança e felicidade, já possuída e alcançada. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

O Padre Samuel da Costa, pároco da paróquia de São Filipe Apóstolo e vice-Reitor do Seminário de São José, foi assaltado e sequestrado na noite de sexta-feira, 11, na porta do Seminário de São José na Prainha, cidade da Praia. O seu carro está desaparecido e a polícia já está no terreno a investigar.

Segundo o sítio “Terra Nova”, “por volta das nove horas da noite, de regresso de mais um dia de trabalho, quando se preparava para descer do seu carro, o padre Samuel terá sido abordado por três indivíduos, sendo um deles armado com uma arma de fogo. O sacerdote, indefeso, foi levado sob ameaça e durante cerca de três horas fizeram-no circular na Praia”. Presume-se que este “passeio” na cidade até meia-noite deve-se à necessidade de esperar pelo novo dia para fazer um segundo levantamento na rede 24.

Ainda, de acordo com a mesma fonte, depois de feito o segundo levantamento, o padre, amarrado, foi levado no seu próprio carro até à zona de São Martinho, onde o deixaram atado com corda e abandonado. Ele conseguiu desamarrar da corda e procurou socorro na localidade de Trindade.  A Polícia Nacional, avisado, levou-o para Hospital Agostinho Neto para observação.

Entretanto, segundo fontes próximas da Diocese de Santiago, o Padre Samuel encontra-se estável e sem nenhum ferimento. Contudo, o carro no qual o padre circulava, uma Toyota de cabine dupla, ainda não foi encontrada.

Recorde-se que a vítima (padre Samuel) é padre desde 2012 e pároco em São Filipe, cidade da Praia. É prefeito do Seminário de São José onde tem residência. Fonte: http://anacao.cv

Comentário de Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista, Rio de Janeiro.

ELIAS, PEDRO E TODOS NÓS: O MEDO DE CADA DIA.

-Na primeira leitura (1Rs 19, 9a. 11-13), nos deparamos com o Profeta Elias (c. 850 a.C.), Pai e guia da Ordem do Carmo. No Monte Carmelo ele tinha invocado o fogo do céu -sobre os sacerdotes de Baal. Com medo da rainha Jezabel- adoradora de baal, foge até o Horeb, a mesma montanha no deserto do Sinai onde Deus tinha mostrado a sua força e majestade a Moisés e ao povo de Israel durante o êxodo do Egito. É lá, na calmaria que Javé se manifesta não no fogo, não no terremoto ou no furacão, mas na brisa suave.

-O Deus que se manifesta no Evangelho desse domingo em Jesus Cristo- a exemplo do encontro de Elias- não é um Deus grandioso, mas sereno (Mt 14, 22-33). Ele nos ajuda a superar os nossos medos diários e nos incentiva a caminhar frente as perseguições- A exemplo do Profeta Elias- ou dos medos nossos de cada dia- A exemplo de Pedro.

-Quando falamos em Deus, em nossa mente vem as megaproduções de filme de Hollywood mostrando o poder total de um Deus barulhento e poderoso. Na liturgia desse domingo a imagem desse Deus não existe. Ele é o Deus da brisa de Elias e o Deus da calmaria de Jesus. Temos a capacidade e encontra-lo?  

UM OLHAR DE MEDO PARA O BRASIL...

-A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil.

-Nós, cidadãos e cidadãs da cidade “maravilhosa”, convivemos com uma estatista assustadora. Nesse ano, apenas de janeiro a julho, 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas, uma média de 3,4 casos por dia no estado. Dessas, pelo menos 67 morreram. Repito, 67 vítimas inocentes da violência bárbara em nossas ruas e comunidades carentes. NÓS TEMOS MEDO!

-Nove entre cada dez pessoas mortas pela polícia no Estado do Rio de Janeiro são negras e pardas.

-Mais de 900 Caminhoneiros foram vítimas de assalto em junho no estado do Rio de Janeiro. No estado, são 27 roubos desse tipo por dia. Repito, 27 roubos desse tipo por dia! A situação na cidade está insustentável!

-Até o dia de hoje, 97 Policiais foram assassinados. Vivemos uma crise na segurança pública, na saúde, na educação... Crise ética, política e social. NÓS TEMOS MEDO!

-Desde 2015 foram assassinadas 23 crianças por bala perdida em nossa cidade. NÓS TEMOS MEDO!

-No Brasil, entre cada 100 pessoas assassinadas, 71 são pobres, negros e jovens das periferias. 

UM OLHAR DE MEDO PARA ALGUNS SETORES DA IGREJA

-Mesmo com olhar carinhoso, humano e solidário do Papa Francisco, nos deparamos com uma Igreja triunfalista, conservadora e descomprometida.

-Na última Greve Geral- Apesar do apoio declarado em vídeos e cartas nas mídias sociais de mais de 100 bispos e Arcebispos- o que vimos foi a grande maioria em silêncio diante do desmonte do país.

-Nos seminários e conventos-verdadeiras fábricas de padres- nos deparamos com jovens conservadores e ultraconservadores com estampas e mensagens em suas páginas nas mídias sociais de ornamentos da idade média. Francisco- o Papa dos pobres- perde para Bento XVI e, muitos padres jovens aderiram o rito antigo. Digo, a Missa de costa para o povo.

-Grito dos Excluídos, Movimentos Sociais? Sob hipótese alguma estão na agenda de tais sacerdotes consagrados para o anuncio da Boa Nova daquele que Morreu na Cruz para salvar os pobres e todo ser humano explorado na sua dignidade.  

UM OLHAR DE FÉ E ESPERANÇA.

-Na Igreja, apesar da barca em alta mar ameaçar afundar, nos alegramos com Evangelii Gaudium- Alegria do Evangelho- a primeira Exortação Apostólica pós-Sinodal escrita pelo Papa Francisco, nos motivando viver a alegria do anuncio e da vivência da fé e do compromisso assumido em nossa missão.

-Mesmo com o caos e a destruição da natureza no Brasil e no mundo, nos deparamos com um olhar de fé e esperança a partir da Carta Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si- o cuidado da Casa Comum.

-Apesar dos profissionais da corrupção e de um governo que está destruindo os Movimentos Sociais, ainda encontramos homens e mulheres que, mesmo nas eternas noites escuras, continuam lutando por um novo dia com mais justiça social, ética e solidariedade.  

 Comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose.

- De acordo com o quarto Evangelho, depois da multiplicação dos pães, aquelas pessoas à espera de um libertador político que faça reinar a justiça e enche todos os pobres de alimento, gostaria de proclamar Jesus como Rei Messias, e é por isso que Jesus se retira para o monte sozinho (cf. Jo 6, 14-15). 

- Eis, então, Jesus em solidão e em oração, na montanha, lugar não habitado, onde ele encontra silêncio e quietude, montanha que, para a Bíblia, é o lugar das grandes revelações de Deus.

Sabemos que Mateus apresenta a montanha como lugar da tentação de Jesus (cf. Mt 4, 8-19), da proclamação do discurso do Reino (cf. Mt 5-7), da transfiguração (Mt 17, 1-8), da missão entregue aos discípulos pelo Ressuscitado (cf. Mt 28, 16-20). Mas aqui é lugar de solidão e de oração.

- Jesus, na solidão, é um ícone que deveríamos ter mais presente, justamente porque, na sua humanidade plena e absoluta, assumida na encarnação, ele buscou na solidão a vontade do Pai. Na Solidão ele lutou na contra as tentações, vencendo Satanás, graças ao único sustento na Palavra de Deus, conservada, interpretada e rezada no coração. 

- Na solidão, Jesus se preparou para concordar com a lógica da cruz, com o perdão dos seus inimigos, com o amor aos seus discípulos até o fim (cf. Jo 13, 1). Ele viveu pelo menos 30 anos de solidão antes da sua missão pública. Portanto, a solidão não foi, para ele, lugar de ausência, mas sim de presença de Deus.

- Jesus se retirava- Na Solidão- à parte para rezar. Mas o que era a oração de Jesus? Acima de tudo, escuta de Deus, do Pai, do “Abba”(Mc 14, 36)

- Os Padres da Igreja sempre interpretaram assim essa barca longe da margem e jogada pelas ondas. Em todas as horas da história, a barca dos discípulos de Jesus se cruza com ventos contrários e tempestades: não pode ser de outra forma neste mundo, onde, contra os discípulos de Jesus, desencadeiam-se, muitas vezes, oposições, inimizades, perseguições.

- O caminho da Igreja, de cada comunidade cristã, de cada um de nós conhece e conhecerá contrariedade, horas de medo, sofrimentos e dificuldades. 

Comentário de Johan Konings, jesuíta.

- No seu zelo pelo único Senhor e sofrendo a perseguição da rainha Jezabel, adoradora das divindades pagãs, o profeta Elias (c. 850 a.C.) invocou o fogo do céu sobre os sacerdotes de Baal, no monte Carmelo. Mas Deus o fez experimentar que o zelo não é sempre vitorioso e que sua vocação não é a violência, mas o serviço paciente. Elias, perseguido, fica sem força e foge até o Horeb, a montanha no deserto do Sinai onde anteriormente Deus tinha mostrado a sua grandeza a Moisés e ao povo de Israel durante o êxodo do Egito. Elias quase que deseja provocar Deus a mostrar novamente sua força e a esmagar aqueles que passaram os seus profetas a fio de espada (cf. 1Rs 19,9-10). E aí Deus lhe fala, porém não nos elementos violentos. Deus o manda esperar no cume da montanha. Passa um vento violento, mas Deus não está no vento violento; há um terremoto, mas Deus não está no terremoto; flameja o fogo, mas Deus não está no fogo. Depois, ouve-se o murmúrio de uma brisa ligeira… Então, Elias cobre o rosto e escuta a voz de Deus.

- Deus é precedido pela tempestade, mas domina-a. É na calmaria que ele dirige a palavra a Elias. Jesus domina as ondas do lago e dissipa o pânico dos discípulos. Sua manifestação é um convite a ter fé nele.

- A Igreja como poderosa instituição está sendo atingida pelo desmantelamento da força política que durante muito tempo lhe serviu de sustentáculo: o Ocidente e suas extensões coloniais. “Morreu a cristandade”, o regime no qual Igreja e Sociedade se identificavam. Sociologicamente falando, a Igreja aparece sempre mais como o que era no início.

- As dificuldades que a Igreja enfrenta hoje devem nos fazer enxergar melhor a presença de Cristo em novos setores da Igreja, sobretudo na população empobrecida e excluída da sociedade do bem-estar globalizado. De repente, Jesus se manifesta como calmaria no ambiente tempestuoso das “periferias” do mundo, na simplicidade das comunidades nascidas da fé do povo.

 

Comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

- Somente as pessoas que fazem essa travessia têm convicção suficiente para comunicar a outras a força e o ânimo indispensável para isso. Elas sabem das dificuldades que tiveram que atravessar. Os discípulos ajoelham-se diante de Jesus e adoram-no como o Senhor da sua vida.

- Unamo-nos a eles e a tantos desconhecidos que atravessam tormentas, tempestades, impulsionados pela procura de uma terra nova. Que a vida nas nossas comunidades seja um exemplo da coragem que nos conduz e fortalece sempre. Que saibamos comunicar a humildade de Pedro, que reconhece que afunda e por isso procura a mão estendida de Jesus para salvá-lo.

- Hoje há muitas situações de pessoas que escolhem navegar num mar desconhecido, à procura de uma terra diferente. Movidas pelo amor a sua família e pela coragem, sem nenhuma segurança, arriscam suas vidas à procura da terra, de alimento. Desafiam as tormentas que se apresentam numa pequena e quase insignificante barca. A exigência de sair de um mundo de contínua destruição, onde suas mulheres, meninos ou meninas podem ser capturados para ser vendidos como escravos sexuais ou de trabalho. 

Comentário de Adroaldo Palaoro, sacerdote jesuíta.

- As experiências obscuras, as tribulações, as tempestades... são inerentes à fé cristã; estão presentes em todas as pessoas. Mas isso deve nos permitir renovar constantemente uma confiança e uma união com o Senhor na realidade mais cotidiana.

- Chegamos à pós-modernidade com uma enorme carga de medo; somos atormentados o tempo todo pelo medo; um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade; medo cruel que afeta os corajosos e agride os ousados. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo guardados nas escuras profundezas do ser humano. Há um verdadeiro pânico permanente envolvendo grupos, pessoas e instituições.

- Seguir Jesus implica estar continuamente passando para a outra margem; passar para o outro diferente, não permanecer fechado em si mesmo. “Passar para o outro” como condição necessária para “passar para Deus”. Aquele que se instala, se perde, envolve-se na tormenta. É preciso buscar sempre novos espaços e novos horizontes. E toda travessia implica “correr riscos”.

- Percebemos que algumas pessoas fazem opção pelo porto seguro das falsas certezas e seguranças, mas outros preferem correr o risco do “mar agitado” e são capazes de construir o novo. As tempestades, o vento contrário, a escuridão da noite... “agitam a alma dentro de nós”.

Para meditar na oração. Para fazer a “travessia da vida” será necessário descobrir:

1- Quantos fantasmas há em sua vida que o paralisam, o impedem de avançar, o travam na hora de tomar decisões?

2- Quantos fantasmas o impedem crescer, assumir os desafios, ser criativo...

3- Numa dimensão mais ampla, quantos fantasmas há na igreja que não a deixam rejuvenescer-se, que a impedem viver um processo de contínua mudança, que a fazem suspeitar de tudo, que a fazem surda aos chamados de Deus no meio das tormentas da atualidade?

A Diocese de Montreal escolheu experimentar uma forma bastante severa e prolongada de vigilância sobre os sacerdotes e os leigos engajados na vida e nas atividades da igreja em matéria de tutela das pessoas mais vulneráveis contra episódios de violência física ou psicológica (menores, doentes, idosos). A informação é de Marco Bernardoni, publicada por Settimana News, 08-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

À norma que não permite a qualquer padre ou leigo, membro de qualquer titulação de uma equipe paroquial, de isolar-se com um menor sem estar sob "o olhar de outro adulto” (o que também pode envolver a supervisão de um adulto no momento da confissão), à proibição de fotografar um menor ou uma pessoa vulnerável com o próprio celular ou câmera e entrar em comunicação (chamadas de telefone, SMS, e-mails ...) fora do âmbito das atividades paroquiais, acrescenta-se agora - para todas as posições consideradas de 'alto risco' (pároco, capelão, diácono, responsável do coro, etc.) – a solicitação de fornecer impressões digitais para a polícia e a verificação dos antecedentes criminais, a cada três anos.

Todo esse processo, que terminará em 2020, abrange 194 paróquias e envolve dezenas de pessoas em cada uma delas, deixando prever um longo tempo para realizar os controles. Mons. Faubert, vigário geral da diocese, está encarregado da supervisão do projeto, que foi inspirado nas 'boas práticas' já em uso em grupos de escoteiros e associações esportivas. "A confiança deve ser conquistada", afirmou ao Le Journal de Montréal. "A Igreja não faz exceção. Não creio que possa reivindicar o direito de ser acreditada por sua mera palavra em tudo o que faz e diz. Precisamos mostrar a nossa coerência".

Apesar de não faltar descontentamentos por uma parte do clero frente aos novos requisitos, no entanto, foi reconhecido pela maioria que essas providências também tutelarão os próprios sacerdotes. A tutela do clero e dos membros do pessoal das paróquias contra "falsas acusações" é, de fato, um dos objetivos declarados pela Diocese de Montreal.

De acordo com os dados reportados no ano passado pelo mesmo Le Journal de Montréal seriam mais de 600 as pessoas, em Quebec, vítimas de violência por parte de padres, religiosos ou funcionários paroquiais, desde 1940. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Ele passou por sessões semanais de massagens e injeções para aliviar incômodo na perna

CIDADE DO VATICANO- Aos 80 anos de idade, o Papa Francisco dedicou o mês de julho, período de férias dele, para cuidar da saúde. Além de colocar suas leituras em dia e aproveitar para acordar algumas horas mais tarde, o Pontífice argentino usou as últimas semanas para passar por um tratamento contra as dores no nervo ciático que o incomodam há vários anos.

Em julho de 2013, quando voltava do Brasil, primeiro destino internacional de seu pontificado, o Papa foi perguntado sobre qual era a pior coisa que lhe tinha acontecido desde que assumira o trono de Pedro.

- A pior coisa que me ocorreu é o ciático, de verdade - respondeu Francisco, na ocasião.

Por recomendação de seu médico pessoal, o Papa foi submetido no último mês a duas sessões semanais de massagens e injeções para aliviar o desconforto na perna.

Desde que era arcebispo de Buenos Aires, ele não tem o hábito de tirar férias, mas há dois anos ele vem usando esse período de descanso para cuidar da saúde e se preparar para os compromissos dos meses seguintes. Fonte: https://oglobo.globo.com