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"A vida consagrada começa a ser corrompida pela falta de pobreza". O Papa Francisco afirmou isso na Catedral de São Pedro, durante a visita a Bolonha, no encontro com sacerdotes, religiosos, seminaristas e diáconos locais. "Se uma congregação perde suas posses, eu digo ‘Obrigado Senhor’". A informação é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 01-10-2017.
Esteve presente também monsenhor Bettazzi, testemunha histórica do Concílio Vaticano II, bispo emérito de Ivrea, cidadão de Bolonha por parte materna; em Bolonha foi ordenado padre e agora voltou para viver ali seus últimos anos. Francisco e Bettazzi brincaram um pouco, por alguns instantes antes do discurso papal.
E o arcebispo de Bolonha, Monsenhor Matteo Maria Zuppi, acabou citando esse momento em sua saudação de abertura a Francisco. Começou o Papa: "É um consolo estar com aqueles que levam adiante o apostolado da Igreja; os religiosos procuram dar testemunho de antimundanidade".
Ao Pontífice foram postas duas perguntas: uma sobre a fraternidade entre os sacerdotes, a outra sobre a "psicologia de sobrevivência"; a ambas respondeu sem textos escritos, exceto algumas notas que consultou enquanto ele próprio falava. O Papa afirmou: "Às vezes, brincando entre religiosos diocesanos e não, os religiosos dizem: ‘Eu sou da ordem fundada pelo tal santo...’ mas, qual é o centro da espiritualidade do presbítero? – perguntou-se o Papa - A diocesaneidade". Ser presbíteros é "uma experiência de pertencimento, pertence-se a um corpo que é a diocesaneidade". Isso “significa que você" padre, religioso, "você não é um livre (líbero, em italiano)" não existem as figuras do "líbero", como no futebol. Em vez disso, "você é um homem que pertence a um corpo, que é a diocesaneidade, o corpo presbiteral". Tudo isso "nós o esquecemos muitas vezes, e nos transformamos em indivíduos, muito sozinhos, com o risco de nos tornarmos infecundos ou cheios de nervosismos, para não dizer neuróticos, quase como solteirões".
Um padre "sozinho não tem relação com o corpo de sacerdotes, é ruim," declarou com amargura. Por isso é importante "aumentar a sensação de diocesaneidade, que também tem uma dimensão de sinodalidade com o bispo". O corpo diocesano "tem uma força especial, deve sempre seguir em frente com a transparência, a virtude da transparência, a coragem de falar, de dizer tudo". E também com "a coragem da paciência, para suportar os outros. É necessário".
Sobre a coragem de falar claramente, e sobre a oposta conveniência de não se expor, contou: "Eu me lembro quando eu era um estudante de Filosofia, e um velho jesuíta bem esperto me disse: ‘Se você quiser sobreviver na vida religiosa, pensa com clareza, mas fala com obscuridade". Anedota que despertou um grande sorriso entre os presentes na Catedral.
Francisco observou como "é triste quando um pastor não tem como horizonte o povo de Deus, não sabe o que fazer"; e é "muito triste quando as igrejas permanecem fechadas, quando se vê um bilhete na porta: ‘Aberta de tal a tal hora’, no resto do tempo não tem ninguém, as confissões são restritas a algumas horas. Mas esse não é um escritório, é o lugar onde se entra para prestar honras ao Senhor, e se o fiel encontra a porta fechada, o que pode fazer?". Às vezes, "ele pensa nas igrejas nas ruas movimentadas, que ficam fechadas: alguns párocos fizeram a experiência de abri-las, sempre com um confessor disponível e o confessor nunca parava de confessar” tantas eram as pessoas que afluíam, porque "sempre a porta está aberta" e a luz do confessionário permanece sempre acesa.
Em seguida, o bispo de Roma falou dos "dois vícios que existem em todos os lugares". Um deles é "pensar o serviço presbiteral como uma carreira eclesiástica". Francisco referiu-se aos “alpinistas”: eles são uma "praga, não presbitério. Os "alpinistas", que sempre têm as unhas sujas, porque sempre querem subir mais. Um alpinista é capaz de criar um monte de discórdia dentro do corpo presbiteral: pensa só na carreira, "agora me dão esta paróquia, depois me darão uma maior", e se o bispo não lhe dá uma bastante importante, fica com raiva: ‘Cabe-me... ’ a você não cabe nada!", ele exclamou. Depois acrescentou: "Os alpinistas causam tanto mal, pois estão na comunidade, mas só pensam em seu próprio avanço".
O outro vício: "A fofoca: ‘Alguém disse, alguém viu’ e, pronto, a reputação do irmão padre acaba sendo sujada, sendo arruinada. ‘Graças a Deus eu não sou como aquele’, esse é o refrão da fofoca". O carreirismo e as fofocas são dois vícios do "clericalismo", afirmou Francisco. Em vez disso, um pastor é chamado ao "bom relacionamento com o povo de Deus, à frente ao qual dever estar para mostrar o caminho"; deve manter-se "no meio para ajudar" principalmente "nas obras de caridade; e atrás, para ver como tudo vai".
Acreditar "na ‘psicologia da sobrevivência’- continuou ele - significa esperar o carro fúnebre, que leva a nossa instituição” ao fechamento. Acreditar na psicologia da sobrevivência conduz "para o cemitério". Trata-se de "pessimismo, e isso não condiz com homens e mulheres de fé, não é atitude evangélica, mas de derrota". E, enquanto talvez "esperamos a carruagem, nós arranjamos como podemos, e arrecadamos algum dinheiro para garantir nossa segurança. Isso leva à falta de pobreza". A psicologia da sobrevivência é “buscar a segurança no dinheiro; às vezes se escuta, se ouve o seguinte raciocínio: ‘Em nosso instituto somos idosas e não existem vocações, mas temos bens suficientes para garantir nosso fim’, e esse é o caminho mais certo para nos levar até a morte". A segurança "na vida consagrada não é trazida pela abundância de dinheiro, mas vem de outra parte" de Deus. Algumas congregações "que diminuem, enquanto seus bens aumentam, com religiosos apegados ao dinheiro como segurança: essa é a psicologia de sobrevivência".
O problema "não reside tanto na castidade ou na obediência, mas na pobreza. A vida consagrada começa a ser corrompida pela falta de pobreza". Santo Inácio de Loyola, "chamava a pobreza de mãe e muro da vida religiosa: mãe que gera e muro que defende da mundanidade". Sem essa atitude orientada à pobreza e ao desinteresse, não é possível "apostar na esperança divina". O dinheiro "é a perdição da vida consagrada". Mas Deus é bom "porque quando uma congregação começa a ganhar dinheiro, ele envia um ecônomo que acaba com tudo". O Papa revelou, sorrindo: "Quando ouço que uma congregação perde suas posses, eu digo ‘Obrigado Senhor’".
O Papa exortou a um "exame de consciência sobre a pobreza, tanto pessoal como da instituição". Quanto à falta de vocações, é preciso "perguntar ao Senhor: ‘O que está acontecendo na minha instituição? Por que está faltando àquela fecundidade? Por que os jovens não sentem entusiasmo pelo carisma da minha instituição? Porque perdeu a capacidade de chamar?". Para Francisco, o "coração" do problema é a "pobreza". Daí um encorajamento: "A vida consagrada é um tapa no mundanismo espiritual. Continuem em frente". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Sede da Assembleia de Deus foi construída em área de parque, próximo a residência do presidente Temer. Deputado Federal Marco Feliciano, ligado à igreja, diz que 'atitude é digna de uma ditadura'.
A derrubada de uma igreja da Assembleia de Deus gerou troca de acusações entre o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) e a presidente da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), Bruna Pinheiro. Os vídeos foram publicados nas redes sociais durante o fim de semana (veja vídeos abaixo).
De acordo com a Agefis, a igreja foi construída em área pública, no parque próximo ao Palácio do Jaburu – residência do presidente Michel Temer – , na expansão da Vila Planalto. Já o deputado Feliciano afirma que o terreno é propriedade da igreja "há mais de 50 anos".
A presidente da Agência, que também é evangélica, foi a primeira a falar. No vídeo, Bruna afirma que a demolição do templo tem base legal. “Como evangélica, acredito que devemos fazer a coisa certa. Os evangélicos devem ser os primeiros a respeitar a lei de nossa cidade. ”
Nesta segunda-feira (2), em um outro vídeo, o deputado federal e pastor da Assembleia de Deus, Marco Feliciano (PSC-SP), rebateu a ação do GDF. O parlamentar questionou o que chama de “abuso de autoridade” e considerou a ação uma “atitude digna de uma ditadura”.
“O governador do Distrito Federal mandou demolir a igreja evangélica de forma criminosa, sem mandado judicial ou aviso prévio."
No vídeo, o deputado fala ainda em desrespeito ao bispo Manoel Ferreira, responsável pela igreja. “Como o senhor sabe que cristão não briga, não xinga, vossa excelência desrespeitou o bispo primaz da igreja”.
Terra pública
A presidente da Agefis afirma que a área é pública e que a construção é recente - menos de dois meses – e nega perseguição à igreja. “Respeito muito todo o trabalho que a igreja faz. Não existe nenhum tipo de perseguição ao setor evangélico e não é uma guerra de ricos contra pobres.”
O GDF destaca ainda a importância de manter o parque "devido à relevância ambiental para a preservação dos recursos hídricos do DF".
Opiniões divididas
Seguidores do deputado Feliciano nas redes sociais ficaram divididos em relação a atitude do governo do DF. Em um dos comentários, uma pessoa fala em “falta de caráter” por parte do GDF e critica a ação. “Com isso ele está destruição [sic] não só o templo, mas famílias que dependem da igreja para sobreviverem”. Já outro seguidor afirma que “a lei é para todos”.
Em nota, também divulgada nas redes sociais, o GDF afirmou que tem tomado as medidas necessárias para "garantir o ordenamento territorial". O Palácio do Buriti esclareceu que a regularização é uma "obrigação legal" e uma forma de minimizar impactos ambientais e compensar o "patrimônio público lesado".
O que diz a legislação
Para fazer derrubadas de áreas e obras irregulares no DF, a Agefis considera o artigo 178 do Código de Edificações. De acordo com a normativa, para irregularidades identificadas em áreas públicas, a Agência tem aval para ação imediata. Nestas situações não está previsto nenhum tipo de aviso prévio.
Já, em casos de irregularidades identificadas em área privada, a Agefis é obrigada a notificar o dono e só depois adotar determinadas ações como multa, interdição e apreensão, até chegar a ponto de demolir a construção. Nesses casos, o dono do terreno ou imóvel tem o prazo de 5 a 30 dias, segundo o órgão, “a depender da urgência”.
Questionada pelo G1, a Agência de Fiscalização informou que até agosto de 2017 demoliu construções irregulares feitas em mais de 20 milhões de metros quadrados de área pública do DF. Fonte: https://g1.globo.com
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O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu, nesta terça-feira, a liminar que proibia a exibição do espetáculo "O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu” em Jundiaí, no interior de São Paulo. Uma decisão judicial, a partir de ação movida contra o Sesc — local que iria abrigar a peça na cidade —, impedia e apresentação sob o argumento de que a "exibição vai de encontro à dignidade cristã, posto apresentar Jesus Cristo como um transgênero, expondo ao ridículo os símbolos como a cruz e a religiosidade que ela representa".
A decisão que suspendeu a proibição foi tomada pelo desembargador José Luiz Mônaco da Silva. A apresentação que estava prevista para ocorrer no dia 16 de setembro no Sesc Jundiaí foi cancelada. Ainda não há previsão de quando a peça será encenada na cidade.
Escrito pela autora trans inglesa Jo Clifford, que em 2006, aos 56 anos, abriu mão do nome John, traz a também atriz trans Renata Carvalho no papel de Jesus e provoca reflexões em torno de questões de gênero. O Sesc informou em sua página na internet que vai recorrer da decisão. A peça já havia sido montada em outubro do ano passado, no Sesc Pinheiros, na capital paulista.
Ao impedir a exibição, em sua fundamentação, Campos Júnior escreveu que não se trata de "imposição a uma crença e tampouco a uma religiosidade". Ele argumentou que a peça é "um ato desrespeitoso e de extremo mau gosto". Advertiu também que não esquece a "liberdade de expressão, em referência no caso específico, à arte, mas o que não pode ser tolerado é o desrespeito a uma crença, a uma religião, enfim, a uma figura venerada no mundo inteiro".
Por meio de uma rede social, a organização do espetáculo comemorou a decisão desta terça-feira.
Informamos que o recurso à liminar transfóbica e fundamentalista que CANCELOU nosso espetáculo em Jundiaí no último dia 15 foi deferido! A liminar foi derrubada. Estaremos em breve em Jundiaí, dando o recado da Rainha Jesus. Amém! Fonte: https://extra.globo.com
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TUDO PRONTO! A Igreja de Nossa Senhora Aparecida, da Comunidade Capim-Paróquia São Maximiliano Maria Kolbe- Diocese de Penedo/AL está pronta para o início da Novena da Padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Hoje, às 19h, Missa e Novena- AO VIVO- no Olhar. www.olharjornalistico.com.br e no face: www.facebook.com/comunidadecapim ESPERAMOS VOCÊ!
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Nas comemorações do tricentenário (1717-2017) do encontro da venerável imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida; faço aqui memória, de seus diversos títulos eclesiásticos e civis concedidos em reconhecimento.
Dentre os mais diversos deve especial destaque o de Generalíssima do Exército Brasileiro;por tratar-se de um título completamente civil e único na história do país, outorgado em 15 de agosto de 1967, cujo jubileu de ouro (50 anos) comemoramos. Junto a este título unem-se outros dois, o de Rainha do Brasil, conferido em 1904 e o de Padroeira da nação brasileira, em 1931.
Em 30 de junho de 1980, o então Presidente João Figueiredo, sancionou a Lei Nº 6.802, na qual ficava “declarado feriado nacional o dia 12 de outubro, para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”.
Em sua etimologia – Generalíssimo – trata-se de uma das mais altas patentes militares, de caráter exclusivo masculino. O termo, que é um superlativo da palavra General, é utilizado para descrever Generais, cujos cargos foram além do normalmente permitido pelas patentes militares.
Em 17 de abril de 1965, uma comissão de militares de Belo Horizonte (MG), encaminhou ao Reitor do Santuário de Aparecida o pedido de peregrinação nacional da imagem, em decorrência das comemorações dos 250 anos de seu encontro, a iniciar pela capital mineira Belo Horizonte. O pedido fora levado à Aparecida (SP), em pergaminho, pelo Comandante da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, o documento trazia os seguintes dizeres:
“O Povo Mineiro, interpretando o desejo de todo o Povo Brasileiro, vem, pela comissão abaixo relacionada, respeitosamente. Pedir a Vossa Eminência Reverendíssima e ao D.D. Conselho Administrativo da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que se dignem conceder licença para que a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, seja levada em triunfante peregrinação às Capitais de todos os Estados do Brasil, sendo em Brasília aclamada Generalíssima das Gloriosas Forças Armadas Brasileiras”. Segue-se a assinatura do então Presidente da República: Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.
O pedido de peregrinação acabou não sendo atendido, o título de Generalíssima do Exército foi protelado e, assim, coube posteriormente ao então Presidente da República: Marechal Arthur da Costa e Silva outorgar, em 1967, o título, ato que aconteceu na capital espiritual do Brasil: Aparecida, durante as comemorações dos 250 anos do encontro da imagem, na ocasião em que foi solenemente entregue pelo legado pontifício, o Cardeal Amleto Cicognani, a Rosa de Ouro – alta condecoração pontifícia exclusiva a mulheres – oferecida pelo Papa Paulo VI em 15 de agosto de 1967.
Passando assim a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, ter o reconhecimento civil conferida pela patente mais alta do Exército Brasileiro, sendo-lhe prestadas às devidas honras militares. Fonte: http://www.a12.com
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Depois de desafiar o papa para um debate formal sobre o conteúdo de Amoris laetitia, o Cardeal Gerhard Müller já tem preparado seus primeiros golpes retóricos. O mais contundente: que Francisco, em seu pontificado, ao fazer distinções tão marcantes entre a doutrina e a prática pastoral, sucumbiu a um enfoque essencialmente "marxista" baseado em um "dualismo entre a teoria e a prática". A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 30-09-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.
Falando com o National Catholic Register, o ex-Prefeito da Doutrina da Fé tomou a liberdade de discutir as diferenças, a partir do seu julgamento, entre os pontificados de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, por um lado, e o de Francisco, por outro. Os três primeiros papas, segundo o purpurado alemão, tomaram do magistério de Pedro um estilo no qual "deram resposta à todas as questões modernas e à gênese do mundo moderno", perguntas pelas quais eles "deram boas explicações". O Papa Bergoglio, apesar disso, "pensa que sua contribuição não é essa, porque [ele busca] um enfoque pastoral a partir do chamado Terceiro Mundo".
Um enfoque em que "os pobres são fundamentais para a Nova Evangelização" e que Müller qualifica como tendo uma "intenção muito boa". No entanto, também trouxe consigo uma nova atitude, na qual o Santo Padre "não quer apenas discutir a permissividade de alguns pontos da doutrina, mas também dar mais importância às boas intenções, à positividade, dizendo que o Evangelho está a favor da vida, e não apenas contra o aborto, por exemplo".
Segundo Müller, qual é o problema disto tudo? Na Igreja "temos a relação inseparável entre a fé e a vida, a graça e o amor, e não o dualismo entre a teoria e a prática". Distinguir entre estas últimas se constituiria em um "enfoque marxista". "Nossas categorias não são a teoria e a prática, mas a verdade e a vida", prosseguiu o purpurado, em uma observação que se torna um ataque ao papa que, especialmente em Amoris laetitia, tentou distinguir precisamente a doutrina de sua aplicação, em casos concretos.
Mas não é que, segundo Müller, o Amoris laetitia tenha sido o único lugar no qual o Papa Francisco tentou aplicar sua metodologia "marxista" na vida da Igreja. Em outra instância, seria a de ter continuado o "erro" que Paulo VI cometeu ao equiparar a Congregação para a Doutrina da Fé - historicamente, o mais importante dos dicastérios romanos - com as outras diversas Congregações. Além disso, ter aumentado a visibilidade e o poder da Secretaria de Estado, decisão de Francisco em que Müllervoltou a fazer duras críticas por ter deixado a Doutrina da Fé ainda mais debilitada.
"A verdade", argumentou Müller, "é que a Doutrina da Fé é mais importante do que as demais [Congregações] porque a fundação da Igreja não é a política, mas a fé", tornando a fazer uma crítica que já havia lançado a Francisco algumas vezes: de que, como papa, ele se preocupa mais com as questões terrenas do que as da fé. "A Secretaria de Estado", continuou o purpurado, "tem o trabalho de organizar os núncios apostólicos, promover a paz e a liberdade entre os Estados, fomentar a justiça social, etc.". E ainda que este seja um papel "muito importante", disse Müller, com o Papa Francisco esqueceu-se que "a Igreja não é uma organização política; não é uma organização social; não é uma ONG".
E quais são as outras consequências deste "dualismo" marxista do Papa Francisco, segundo Müller? Não apenas que ele causou, em certo sentido, a atual polêmica sobre a Amoris laetitia, mas que ele a continua exacerbando. Além disso, pelo fato de que já não há "nenhuma ideia clara do status eclesiológico da Igreja romana na forma de congregação de cardeais e da Cúria romana", a última, que não é meramente "um aparato funcional ou burocrático". Por mais que o ex-Prefeito da Doutrina da Fé não creia que seja necessário pôr diretamente a culpa no papa por esta "confusão", ele acredita que Francisco "está autorizado por Jesus Cristo para superá-la".
"Não quero lhe criticar [a Francisco], públicamente ou em privado", suavizou Müller. "Mas sou livre para dizer o que acredito que seja para o bem da Igreja". A partir disso que o purpurado alemão aconselha a estratégia de "distinguir entre o que é a doutrina oficial da Igreja e o que [o papa] está dizendo" em suas "opiniões particulares".
"Estas opiniões particulares do papa precisam ser respeitadas porque são as opiniões e as palavras do Santo Padre, mas ninguém é obrigado a aceitar acriticamente tudo o que ele diz por exemplo sobre as questões políticas ou científicas". Acerca do lugar na Igreja merecido pelos divorciados e pelas pessoas que tornaram a se casar, também parece ser o caso para as críticas de Müller, já que, por mais que a discussão suscitada pelos 'dubia' e pela "correção filial" acerca do conteúdo de Amoris laetitia "não tenham ido contra ele", é verdade "que há uma necessidade de mais esclarecimentos" antes que os fiéis possam aceitar conscientemente os ensinamentos que a exortação apostólica contém. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Ano de penitência
No Ano Mariano a pedido do Papa Francisco pediu para que fossem concedidas indulgências para os “verdadeiramente penitentes e impulsionados pela caridade” visitarem o Santuário Nacional de Aparecida, ou qualquer uma das Igrejas de Nossa Senhora Aparecida pelo Brasil “devotamente participar das celebrações jubilares ou de promoções espirituais ou ao menos, por um conveniente espaço de tempo, elevarem humildes preces a Deus por Maria”.
Porém não bastará apenas visitar os templos, foram estabelecidos os seguintes requisitos para a concessão de indulgências:
A confissão sacramental,
A comunhão eucarística,
Orações na intenção do santo padre, o Papa.
Mas o que é a Indulgência ?
“A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa. O fiel bem-disposto obtém esta remissão, em determinadas condições, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui a aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos” (Paulo VI, Constituição Apostólica Indulgentarium doctrina, Normae I: AAS 59 (1967) 21).
Aos Idosos e Enfermos
Aos idosos e enfermos que não podem peregrinar para as igrejas e santuários foi aberta uma exceção para a concessão de indulgências, no documento enviado pelo vaticano consta: “assumida a rejeição de todo pecado, e com a intenção de cumprir onde em primeiro lugar for possível as três condições, espiritualmente se dedicarem diante de alguma pequena imagem da Virgem Aparecida, a funções ou peregrinações jubilares, ofertando suas preces e dores ao Deus misericordioso por Maria”.
O Ano Mariano é uma oportunidade de nos entregarmos por completo a Virgem Santíssima, além de comemorar, um ano de muita penitência, oração e sacrifício a Nossa Senhora.
Rogai por nós Nossa Senhora Aparecida.
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Muitas pessoas receberam nomes de santos, ou por uma devoção dos pais ou por terem nascido no dia em que se celebrava tal santo. Quando acontece isso dizemos que nós temos um santo onomástico, ou seja, temos um “santo com o nosso nome”, ou melhor, nós temos o nome de um santo. Antes também na Vida Religiosa Consagrada, principalmente na vida contemplativa, quando um monge ou uma monja faziam sua consagração religiosa eles escolhiam o nome de algum santo ao qual passavam a ser chamados, e não mais celebravam o aniversário de nascimento, mas sim o dia do santo do seu nome.
Ter o onomástico de algum santo é um apelo forte para que possamos acolher este santo como patrono e protetor oficial em nossa vida, mas é, acima de tudo, deixar que sua vida seja inspiração para a nossa, sabendo ver no seu testemunho de fé e caridade exemplos que devemos seguir.
"O que nos santifica é a coragem de amar como Jesus amou, de amar com a vida".
Muitas pessoas receberam o nome de Camilo, e sinto-me feliz por ter este onomástico também. Acredito que ao conhecer a história do santo, cujo nome levamos, isso deve nos motivar a buscar a caridade de Cristo com a qual eles se revestiram e por isso foram capazes de amar e servir. O que nos santifica é a coragem de amar como Jesus amou, de amar com a vida. São Camilo nos dá esse bonito exemplo, pois somente quem faz a experiência de se sentir amado por Cristo e deseja dar uma resposta de amor a Ele, será capaz de transformar sua vida num dom de amor para os outros.
Conheça aqui a história de São Camilo
São Camilo nos dá o grande exemplo da gratuidade do amor. Servir a Cristo na pessoa do doente, do enfraquecido, do empobrecido, aqueles que muitas vezes são descartados pelo mundo, mas que o amor de Deus elege para mostrar o valor sagrado da vida.
Seria interessante e importante você que tem o nome de algum santo ou santa, procurar conhecer mais sua história e assim poder trazer o caminho de santificação que eles percorreram como exemplo também para sua vida. Assim, não estaremos levando apenas o nome do Santo, mas manteremos em nosso coração o desejo de santidade que eles buscaram e alcançaram. Pois o próprio Cristo disse: “Sede santos, como vosso Pai do Céu é Santo” (Mt 5,48). Fonte: http://www.a12.com
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ATUALIZAÇÃO DO EVANGELHO ( Mt 21,28-32)
Antes de mais, a parábola dos dois filhos chamados para trabalhar “na vinha” do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos – sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, de formação intelectual – implicados na concretização desse projeto. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus?
Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta… Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a auto-suficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito “sim” a Deus e tenham sido batizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel activo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?
O que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É ser batizado ou crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma confraria qualquer da paróquia? É fazer parte da equipa que gere a Fábrica da Igreja? É ter feito votos num qualquer instituto religioso? É ir todos os dias à missa e rezar diariamente a Liturgia das Horas? Atenção: na parábola apresentada por Jesus, não chega dizer um “sim” inicial a Deus; mas é preciso que esse “sim” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na “vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de registo”, que tem o nome nos livros da paróquia, ou sou um cristão “de facto”, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?
Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento “religiosamente correto” ou que não cumprem estritamente as regras do “bom comportamento” cristão… Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar… Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar “na vinha”. A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos “santos” príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: “os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”. Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os “vós”? Hoje, quem são os “publicanos e mulheres de má vida”?
LEIA A REFLEXÃO NA ÍNTEGRA. CLIQUE NO LINK – AO LADO- EVANGELHO DO DIA.
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“A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”, este é o tema escolhido pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) para a Campanha Missionária de 2017 que será trabalhada durante todo o mês de outubro. A inspiração vem do convite do papa Francisco na Evangelii Gaudium para uma “nova etapa evangelizadora marcada pela alegria” (EG,1).
Mês das Missões é um período de intensificação das iniciativas de animação e cooperação missionária em todo o mundo. O objetivo é sensibilizar, despertar vocações missionárias. A coleta no Dia Mundial das Missões – instituído pelo papa Pio XI em 1926, que ocorre sempre penúltimo final de semana de outubro, este ano será nos dias 21 e 22.
Todos os recursos arrecadados são utilizados para a animação e cooperação missionária em todo o mundo, pois e uma coleta universal.
Tudo está em sintonia como os ensinamentos do papa Francisco quando afirma: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontraram com Jesus” (EG 1). Essa alegria precisa ser anunciada pela Igreja que caminha unida, em todos os tempos e lugares, e em perspectiva ad gentes. Por isso, o lema: “Juntos na missão permanente”.
Para o bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Esmeraldo Barreto de Farias, a campanha não deve ser restrita aos conselhos missionários paroquiais ou diocesanos.
“Todos nós somos convidados a participar, pastorais, movimentos e as pessoas de boa vontade. A igreja é por natureza missionária e, cada um e nós, a partir do nosso batismo somos chamados a ser um missionário”, destaca o bispo.
Para facilitar o acesso ao conteúdo de divulgação que está disponível no site das POM, foi lançado também no final do 4º Congresso Missionário Nacional, que aconteceu de 7 a 10 de setembro, em Recife (PE), o aplicativo para celular, o ‘Zappar’, explica o diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Maurício da Silva Jardim
“A novidade é que este ano temos um aplicativo, e com este aplicativo, apontamos para a arte, tanto da Novena Missionária como a Oração Missionária, o cartaz, e o celular o lê e abre um vídeo de apresentação da Campanha e as pessoas podem acessar todo o material, inclusive os nove testemunhos: tudo aí dentro do aplicativo”.
A Campanha Missionária, na qual colaboram a CNBB por meio da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, a Comissão para a Amazônia e outros organismos que compõem o Conselho Missionário Nacional (Comina) é organizada pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) que preparou um amplo material de divulgação e estudos. Entre eles, subsídios, DVD´s e orações. Fonte: http://cnbb.net.br
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Dom Milton Kenan, Bispo da Diocese de Barretos, São Paulo.
Os anos passam rápido. Teresa já está há quase nove anos naquele Carmelo tão sonhado, onde quisera “dar-me toda inteira a Ele, já não quero viver senão para Ele.” (CT 43B). Naqueles primeiros anos, Teresa acalentara o desejo de chegar ao recorde do amor a Deus: “Queria amá-Lo tanto...amá-Lo como jamais foi amado” (CT 74).
Teresa abordou a sua vida de carmelita com a firme resolução de realizar, custe o que custar, o seu ideal de santidade. "Quero ser santa (...), quero sê-lo" (Ct 45). "Chegar a ser uma grande santa" é o leitmotiv (Ct 52,80). O seu Senhor não "quer pôr limites à (sua) santidade" (Ct 83). O preço nunca será demasiado alto: "Jesus pede-te tudo, tudo, tudo, tanto quanto pode pedir aos maiores Santos" — e sublinha a palavra "tudo", respectivamente, duas, três e cinco vezes (Ct 57).
Teresa tem clara diante de si a meta que espera alcançar a custa do esforço e da luta acirrada; e lhe é claro também o caminho a percorrer, nada menos do que o próprio amor: "Por mim não conheço outro meio para chegar à perfeição senão 'O amor'... Amar, o nosso coração foi feito para isso!... Às vezes procuro outra palavra para exprimir o amor, mas na terra do exílio as palavras são impotentes para exprimirem todas as vibrações da alma, por isso temos de limitar-nos a esta única palavra: "Amar!..."(Ct 109).
Entretanto, há medida que os meses e anos passam, Teresa vai se dando conta de que as dificuldades não são pequenas: Tem de conviver com a distância não física mas afetiva das irmãs Paulina e Maria que na sua infância ocuparam o lugar da mãe (morta precocemente) que não estavam mais dispostas a recriar no Carmelo o ambiente afetuoso de Buissonets; o temperamento tão difícil de Madre Maria do Gonzaga, que oscilava entre afeto e desprezo; a comunidade constituída de personalidades tão diferentes. Referindo-se a estas dificuldades, nas sublimes páginas do Manuscrito C sobre o mandamento do amor, Teresa fala dos “tristes sentimentos da natureza” (Ms C 19r); dos “combates”, das “fraquezas”, dos “fracassos” (Ms C 23v); das “doenças morais que [são] crônicas: a falta de bom senso, de educação, de susceptibilidade de alguns caracteres, todas as coisas que não tornam a vida muito agradável” (Ms C 28r).
Tem conviver também com a aridez, o sono, as distrações nas horas de oração mental; mas, sobretudo, o triste estado de seu Pai, a quem chama de “seu Rei”, vítima de ausências, crises de agressividade, fugas repentinas.
Teresa a intrépida não se dobra diante do sofrimento. Sofre heroica e virilmente. Entrega-se nas mãos de Jesus como “a bolinha”, humilde e pequena como “um grão de areia”, “desconhecida” e “esquecida” (CT 103), “ignorada” e “debaixo dos pés de todos”, porém “vista por Jesus” (CT 95).
As humilhações que sofre com as recaídas do seu paizinho querido, a sua internação em Caen, num hospital destinado a pacientes de doenças mentais, levam Teresa a se confrontar com o mistério de Deus! Porque permite Deus semelhante provação a quem sempre O serviu com fidelidade? Certamente, diz-se — e Teresa repete-o —que o sofrimento é um privilégio reservado aos amigos de Deus e que no céu tudo terá a sua recompensa. Mas, existe o céu? Teresa, que na sua autobiografia cala de propósito muitas coisas, refere de passagem esta afirmação: "Tinha então grandes provações interiores de todas as espécies até me interrogar, por vezes, se haveria Céu" (Ms A 80v). É a pergunta sobre o mais além, que no fim da sua vida virá ao de cima com tanta crueldade e à qual Teresa respondeu, em Jesus, com uma fé e um amor magníficos.
Neste período Teresa faz a descoberta da “Sagrada Face”, o ícone do Filho amado do Pai que submete-se ao sofrimento por amor, unicamente por amor. No Rosto de Cristo coroado pelos espinhos, desfigurado por causa do sofrimento, Teresa vê a resposta para suas dúvidas: o Pai não poupara o Filho, entregou o Filho nas mãos dos pecadores. Graças a esta contemplação, Teresa faz a passagem de uma fé tradicional, para uma fé genuinamente “cristã”, assumida pessoal e responsavelmente; onde Jesus tornar-ase o seu argumento.
No meio da noite Cristo brilha incessantemente. Quem poderá dizer "as belezas escondidas de Jesus"? Apenas as vê na fé. "Sim, a Face de Jesus é luminosa, mas se no meio das feridas e das lágrimas é já tão bela, que será então quando a virmos no Céu? Oh! O Céu... Sim, para ver um dia a Face de Jesus, para contemplar eternamente a maravilhosa beleza de Jesus, o pobre grão de areia deseja ser desprezado na terra!..." (Ct 95). Mesmo na noite percebe-se "uma claridade semi-velada, a claridade que espalham à sua volta os olhos baixos da face do meu Prometido" (Ct 110).
A beleza de Jesus, Verbo eterno, é também a beleza do seu amor pelos homens... Ama-nos inefavelmente: "Jesus arde de amor por nós... Contempla a sua face adorável!... Vê esses olhos apagados e baixos!... Vê essas feridas... Contempla Jesus na sua Face... Aí verás como Ele nos ama" (Ct 87). “A tua Face é a minha única Pátria, ela é o meu Reino de amor" (PN 20). Aos poucos o sofrimento e o esforço pessoal perdem sua primazia para dar lugar não só à amorosa vontade do Senhor, mas antes de tudo, à sua mesma Ação divina.
A nossa carmelita afirma que "o mérito não consiste em dar muito, mas em receber muito". Não quer de modo nenhum "amontoar tesouros para o céu" (Ct 91), mas abandona agora o seu "negócio" espiritual no Senhor. "A tua Teresa — confessa a Celina — não se encontra neste momento nas alturas, mas Jesus ensina-lhe 'a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si' [São João da Cruz]. Ensina-lhe a jogar à banca do amor, ou antes, joga Ele por ela sem lhe dizer como se faz porque isso é assunto d'Ele e não de Teresa, o que ela tem de fazer é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar para si, nem mesmo a alegria de saber quanto lhe rende o banco (...) Jesus não me ensina a contar os meus atos; ensina-me a fazer tudo por amor (...), mas isto faz-se na paz, no abandono, é Jesus que faz tudo e eu não faço nada" (Ct 142). Tendo já percorrido grande parte de sua estadia no Carmelo, nossa jovem santa se dá conta de que sua fraqueza é irremediável, e a necessidade que tem da misericórdia de Deus.
Teresa não espera de si mesma méritos e progressos, mas de Deus. É profunda a consciência da sua incapacidade. A partir de agora, procura mais deixar agir o Senhor do que transformar por si mesma a sua fraqueza em amor. Dá-se conta da prioridade do amor de Deus, que não só está na origem dos nossos atos de amor, mas também os aperfeiçoa.
Conforme o que Teresa nos explicou sobre o seu "pequeno caminho completamente novo", é de Deus de quem fez a sua grande descoberta, que se referirá à misericórdia divina precisamente enquanto misericórdia. Certamente que já antes Teresa tinha consciência da bondade de Deus e da sua compaixão. Mas agora aprende a reconhecer que o amor de Deus não só é real, primeiro e fiel, mas é um amor que desce ao pequeno, que busca o pequeno porque é pequeno, e que Ele é grande para com o pequeno. A pequenez, em vez de ser principalmente humildade, será a partir de agora principalmente confiança.
Desejosa de ser pequena e de chegar a sê-lo cada vez mais, Teresa ambicionará antes de tudo uma confiança completamente filial. "O que agrada a Deus na minha pequena alma — escreverá mais tarde — é ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza, é a esperança cega que tenho na sua misericórdia... Só a confiança e nada mais do que a confiança tem de conduzir-nos ao Amor" (Ct 197). Com plena consciência e vontade confiar-se-á à obra da Graça nela, colaborará com ela e a ela se entregará.
Só no manuscrito autobiográfico C, escrito três meses antes de morrer, é que Teresa se referiu à descoberta do seu "pequeno caminho muito direito, muito curto, um pequeno caminho completamente novo" (cf. Ms C 2r-v). Tendo comprovado, ao comparar-se com os santos, por um lado que é como um grão de areia aos pés de uma montanha e, por outro, que "fazer-se crescer a si mesma é impossível" (quer dizer, que ela se faça crescer a si mesma, mas isto não exclui que Deus a faça crescer), Teresa põe-se a procurar nos "Livros Sagrados" uma solução: uma espécie de "ascensor", que a elevasse ao cimo da montanha da santidade.
Convém saber aqui que no dia 14 de setembro de 1894, um mês e meio depois da morte do Sr. Martin, Celina se tinha consagrado também ao Senhor no Carmelo de Lisieux. Quando entrou levava consigo um pequeno caderno onde tinha copiado as passagens mais belas do Antigo Testamento. Como então não era permitido às carmelitas jovens ler o Antigo Testamento na sua totalidade, Teresa, ávida da Palavra de Deus, tinha mergulhado no pequeno caderno de Celina. Foi assim como num dia de Outono de 1894 viveu o seu eureka tão importante.
Ao princípio, ficou impressionada com uma primeira frase: "Se alguém for pequenino, venha a mim" (Pr 9,4). Sentiu-se aqui pessoalmente retratada: não era a pequenez o seu especial problema no seu caminhar para chegar a ser uma grande santa? Ei-la aqui convidada a aproximar-se de Deus como "pequena", a ver-se "toda pequena".
Guiada pelo Espírito, prossegue na sua procura, com uma exegese totalmente pessoal e penetrante. Ei-la desconcertada ao ler a promessa de Deus: "Como uma mãe acaricia o seu filho, assim Eu vos consolarei; levar-vos-ei ao colo e embalar-vos-ei nos meus joelhos" (Is 66,13.12).
Detenhamo-nos um instante. Teresa cita duas vezes esta passagem, e duas vezes deixa transparecer a emoção que provoca nela. Eis o que sobre isto diz: "Ah! Nunca palavras tão ternas e tão melodiosas me vieram alegrar a alma!" (Ms C 3r). Mais ainda: "Depois de semelhante linguagem, nada mais resta senão calar-nos, chorar de gratidão e de amor" (Ms B 1r).
Porquê uma emoção tão profunda? Porque, Teresa lê aqui na Bíblia, pela primeira vez na sua vida, que Deus é como uma mãe para o seu filho. E Teresa é hipersensível ao amor de uma mãe! Não tinha perdido, na idade de quatro anos e oito meses, a sua "incomparável" mãe, que morreu de câncer? (Ms A 4v). Esta perda brutal, na idade em que a filha tinha tanta necessidade do amor maternal para estruturar a sua personalidade, causou em Teresa um profundo traumatismo do qual não sairá até aos catorze anos, com a "graça do Natal". Imediatamente, depois da morte da sua mamãe, Teresa afeiçoou-se com todas as suas forças à sua Irmã Inês, a sua "segunda mamãe", que em breve partiria para o Carmelo. Nova ruptura quando a outra irmã, Maria, terceira mamãe por assim dizer, vai também ela para o convento...
E Teresa, a órfã, lê que Deus é como uma mamãe para com o seu filho pequeno! Então, conclui: "É preciso que eu permaneça pequena, e que me torne cada vez mais pequena" — até ser o "pequenino" a quem Deus cumula com o seu amor de mãe. A sua conclusão é evidente: este "pequeno caminho muito direito, muito curto" que conduz ao cume do amor e da santidade, este "ascensor" que Teresa procura, "são os vossos braços, ó Jesus!" (Ms C 3r).
*Reflexão do Retiro- Na companhia e sob a guia de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face.
- Detalhes
Os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro
Com alegria, comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a estes amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro pois, como São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra “Arcanjo” significa “Anjo principal”. E a palavra “Anjo”, por sua vez, significa “mensageiro”.
São Miguel
O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também. “Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12,7-8)
São Gabriel
O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.
São Rafael
Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobit. Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu à vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante. “Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4).
São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!
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