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Frei Carlos Mesters, O. Carm.
Zacarias
Não foi capaz de crer no chamado e ficou mudo (Lc 1,11-22).
Isabel
Era estéril, mas acreditou no chamado, concebeu e tornou-se capaz de reconhecer a presença de Deus em Maria (Lc 1,23-25.41-45).
João Batista
Chamado desde o seio materno (Lc 1,11-17), assume a missão com coragem (Mc 6,17-29). É o primeiro profeta depois de muitos séculos de silêncio (Lc 1,59-66; Mt 11,7-15).
José
Chamado a ser o esposo de Maria, rompe com as normas do machismo da época, e não manda Maria embora (Mt 1,18-25).
Maria
Acostumada a ruminar os fatos (Lc 2,19.51), percebe e acolhe a Palavra, trazida pelo anjo Gabriel, a ponto de encarná-la em seu seio, em sua própria vida (Lc 1,26-38).
Apóstolos
Foram chamados para estar com Jesus, para anunciar a palavra e para combater o poder do mal (Mc 3,13-19). O chamado de cada um dos doze e de algumas discípulas encontra-se no capítulo VI: “Jesus chama pessoas para estar com ele e ir em missão”.
Pedro
Pessoa generosa e entusiasta (Mc 14,29.31; Mt 14,28-29), mas na hora do perigo e da decisão, o seu coração encolhia e voltava atrás (Mt 14,30; Mc 14,66-72). Jesus rezou por ele (Lc 22,31).
Tiago e João
Dois irmãos. Estavam dispostos a sofrer com Jesus (Mc 10,39), mas eram violentos (Lc 9,54). Jesus os chamou filhos do trovão (Mc 3,17). João pensava ter o monopólio de Jesus. Jesus o corrigiu (Mc 9,38-40
Filipe
Tinha jeito para colocar os outros em contato com Jesus (Jo 1,45-46), mas não era muito prático em resolver os problemas (Jo 6,5-7; 12,20-22). Parecia um pouco ingênuo. Jesus chegou a perder a paciência com ele: “Filipe, tanto tempo que estou com vocês, e você ainda não me conhece?” (Jo 14,8-9)
André
Pessoa prática. Foi ele que encontrou o menino com cinco pães e dois peixes (Jo 6,8-9). É a ele que Filipe se dirige para resolver o caso dos gregos que queriam ver a Jesus (Jo 12,20-22), e é André que chama Pedro para encontrar-se com Jesus (Jo 1,40-43).
Tomé
Com teimosia sustentou sua opinião, uma semana inteira, contra o testemunho de todos os outros (Jo 20,24-25). É que o Jesus ressuscitado em que Tomé acreditava, tinha de ser o mesmo Jesus que fora crucificado e que carregava os sinais da tortura no corpo (Jo 20,26-28).
Natanael
Era bairrista e não podia admitir que algo de bom pudesse vir de Nazaré (Jo 1,46). Mas quando Jesus o explica, ele se entrega (Jo 1,49). Este Natanael aparece só no evangelho de João. Alguns o identificam com o Bartolomeu que aparece na lista do evangelho de Marcos (Mc 3,18).
Mateus
Era um publicano, pessoa excluída pela religião dos judeus (Mt 9,9). Sabemos pouco da vida dele. No evangelho de Marcos e de Lucas ele é chamado Levi (Mc 2,14; Lc 5,27). O nome Mateus significa Dom de Deus. Os excluídos são "mateus" (dom de Deus), para a comunidade.
Simão
Era um zelote (Mc 3,18). Dele só sabemos o nome e o apelido. Nada mais. Ele era zelote, isto é, fazia parte do movimento popular que na época se opunha à dominação romana.
Judas
Guardava o dinheiro do grupo (Jo 12,6; 13,29). Tornou-se o traidor de Jesus (Jo 13,26-27). Setenta anos depois da traição, no fim do primeiro século, o autor do quarto evangelho ainda tem raiva dele e o chama de "ladrão" (Jo 12,4-6).
Samaritana
Teve dificuldade em perceber o chamado (Jo 4,7-30), mas tornou-se uma grande apóstola no meio do seu povo (Jo 4,39-42)
A moça do perfume
Teve a coragem de quebrar as normas da época e entrou na casa do fariseu, onde Jesus estava. Banhou os pés dele com lágrimas, enxugou com seus cabelos e os ungiu com perfume (Lc 7,36-50)
A mulher Cananeia
Gritou atrás de Jesus pela saúde de sua filha doente e, chamada de cachorrinho por Jesus, teve a coragem de exigir os seus direitos como cachorrinho, que era receber as migalhas que caem da mesa dos filhos (Mt 15,21-28).
O jovem rico
Observava todos os mandamentos desde criança, mas chamado para abandonar tudo que tinha e dá-lo aos pobres afim de poder seguir Jesus de perto, não teve coragem e voltou atrás (Mc 10,17-31).
Nicodemos
Era membro do Sinédrio, o Supremo Tribunal da época. Homem importante. Ele aceita a mensagem de Jesus, mas não tem coragem de manifestá-lo publicamente (Jo 3,1). Junto com José de Arimatéia cuidou da sepultura de Jesus (Jo 19,39)
Joana e Susana
Joana era a esposa de Cusa, procurador de Herodes, que governava a Galiléia. As duas faziam parte do grupo de mulheres que seguiam a Jesus, o serviam com seus bens e subiam com ele até Jerusalém (Mc 15,40-41; Lc 8,2-3).
Maria Madalena
Era nascida da cidade de Magdala. Daí o nome Maria Magdalena. Jesus a curou de uma doença (Lc 8,2). Ela o seguiu até ao pé da Cruz (Mc 15,40). Depois da páscoa, foi ela que recebeu de Jesus a ordenação de anunciar aos outros a Boa Nova da Ressurreição (Jo 20,17; Mt 28,10).
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Sair do armário. Isso é o que o Padre James Martin SJ incentiva os padres gays a fazerem. O jesuíta americano de renome e também conselheiro da Secretaria para a Comunicação do Vaticano acredita que o exemplo destes sacerdotes homossexuais ao divulgar sua sexualidade "ajudaria a mostrar aos católicos comuns como uma pessoa gay é e como os homossexuais podem viver de forma casta". A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 09-07- 2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.
Em uma entrevista com a CNN, Martin apresentou seu novo livro, cujo título se traduz ao português como Construindo Pontes: como a Igreja Católica e a comunidade LGBT podem adentrar em uma relação de respeito, compaixão e sensibilidade.
Ele também refletiu sobre "a enorme mudança" que está ocorrendo na Igreja em termos de aceitação - e já não mais de rejeição - de pessoas gays: uma mudança atribuída ao exemplo de prelados como o Cardeal Joseph Tobin, Arcebispo de Newark, ou o próprio Papa Francisco.
"Há duas razões para essa mudança" no sentido de uma hospitalidade mais calorosa das pessoas LGBT na Igreja, assinala Martin.
"Uma é o Papa Francisco. Sua pergunta: 'Quem sou eu para julgar?'; sua reunião pública com Yayo Grassi, seu ex-aluno homossexual, em sua visita papal aos Estados Unidos; seus comentários sobre o Amoris laetitia, que foram usados para permitir que homossexuais praticantes recebam a Comunhão". Mas não foi apenas o próprio pontífice, mas também, - como observa
Martin - o fato de que "os bispos que o Papa Francisco está nomeando nos Estados Unidos são muito mais favoráveis aos LGBTs".
A outra razão que o Padre Martin explica sobre esta abertura cada vez maior na Igreja em direção às pessoas gays é "o aumento do número de católicos LGBTs que estão saindo do armário e fazendo com que as questões LGBTs sejam muito mais importantes para a Igreja em geral". Mas ainda assim, falta uma parte importante da Igreja que não foi tão corajosa - ou que não lhe deixaram mostrar a sua valentia - em reconhecer publicamente suas inclinações afetivas. Exceto, é claro, de algumas exceções heroicas, como a de Krzysztof Charamsa, ex-oficial da Congregação para a Doutrina da Fé.
O jesuíta Martin acredita que há "várias razões" pelas quais os milhares de sacerdotes e religiosos gays e lésbicas não saem do armário. "Um, por que seus bispos ou superiores religiosos lhes pedem para não fazê-lo. Dois, por que temem as represálias de seus devotos. Três, por que temem que isso geraria divisões. Quatro, por que são pessoas reservadas. Cinco, por que eles não estão plenamente conscientes de sua sexualidade", lista o sacerdote, reservando para o final o motivo mais preocupante: por que "as pessoas têm misturado a homossexualidade com pedofilia", de modo que os padres gays "não querem sair do armário por medo de serem rotulados como pederastas".
Será por medo, então, mais do que qualquer coisa, a razão pela qual não conhecemos mais religiosos homossexuais confessos. Mas se os padres homossexuais conseguissem dominar seus medos, opina Martin, eles dariam uma poderosa lição para toda a Igreja.
Se esses padres vencerem seus medos e saírem do armário, diz Martin, "ajudaria a mostrar aos católicos comuns como uma pessoa gay é e como os homossexuais podem viver de forma casta". Mais do que uma injustiça da qual eles precisam se esforçar para viver a sua personalidade de maneira furtiva, para Martin é uma "grande ironia". Ironia porque "estes homens e mulheres estão vivendo exatamente o que a Igreja pede para as pessoas LGBTs - castidade e abstinência - e eles não são permitidos a falar sobre isso". É por isso que Martin esclarece que "eles estão fazendo um grande trabalho sob uma nuvem estranha que nem deveria existir". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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O sítio da revista America, 16-09-2017, publicou o texto das declarações. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A primeira declaração é do editor-chefe da revista America. James Martin tem sido duramente atacado nas redes sociais por grupos católicos conservadores e tem sido desconvidado para conferências anteriormente agendadas.
Eis os textos.
Declaração do Pe. Matthew F. Malone, SJ
Presidente e editor-chefe
No dia 15 de setembro de 2017, o Theological College, o seminário nacional sob os auspícios da Catholic University of America, anunciou sua decisão de rescindir um convite ao Pe. James Martin, SJ, editor-chefe de longa data da revista America, para se dirigir aos professores e estudantes durante a sua próxima celebração das Jornadas Discentes [Alumni Days].
De acordo com uma declaração emitida pela Catholic University, a decisão de rescindir o convite era contrária ao “conselho específico recebido da universidade e da sua liderança”. A decisão do Theological College seguiu o recente cancelamento da presença do Pe. Martin agendada para o jantar anual de investidura da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e de uma palestra que ele proferiria para a CAFOD, a agência de caridade católica de desenvolvimento internacional.
O Pe. Martin tinha sido convidado para fazer considerações sobre Jesus e a espiritualidade inaciana em cada um desses fóruns. No entanto, os promotores dos eventos se sentiram obrigados a rescindir seus convites à luz da controvérsia pública em torno do recente livro do Pe. Martin, Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity [Construindo uma ponte: como a Igreja Católica e a comunidade LGBT podem estabelecer uma relação de respeito, compaixão e sensibilidade].
Depois de ter sido revisado pelo censor librorum, o livro recebeu o necessário imprimi potest do superior jesuíta do Pe. Martin, o Pe. John J. Cecero, SJ. Building a Bridge recebeu recomendações públicas do cardeal Joseph Tobin, de Newark, Nova Jersey; do arcebispo John Wester, de Santa Fe, Novo México; do bispo de San Diego, Robert McElroy; de Dom John Stowe, bispo de Lexington, Kentucky; e do cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida do Vaticano. Como os superiores jesuítas do Pe. Martin observam em um comunicado divulgado hoje (ver abaixo), Building a Bridge “é uma importante publicação para a nossa Igreja e para o povo de Deus”.
A maioria dos leitores e comentaristas acolheram o livro, embora alguns tenham levantado questões sobre a sua tese. Na maioria dos casos, a crítica tem sido inteligente e caritativa. Alguns elementos da Igreja estadunidense, no entanto, tomaram a iniciativa de organizar uma campanha por conta própria, não apenas contra os conteúdos do livro, mas também contra o próprio Pe. Martin.
Nas últimas semanas, o Pe. Martin foi submetido a ataques repetidos e caluniosos nas mídias sociais e na imprensa, envolvendo invectivas que são tão assustadoras quanto tóxicas.
Uma coisa é se envolver em debates espirituosos. Outra coisa é tentar obstruir esses debates através do medo, da desinformação ou da franca censura. A campanha contra o Pe. Martin, travada por uma facção pequena, mas influente, na Igreja dos Estados Unidos, é injustificada, não caritativa e não cristã.
O Pe. Martin é um membro de longa data da equipe editorial da revista America. Ele é um cristão fiel. Alguns podem discordar dos seus pontos de vista, mas você não encontrará um homem mais dedicado a Cristo e à sua Igreja.
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Declaração dos Jesuítas dos Estados Unidos e Canadá sobre o novo livro do Pe. James Martin, Building a Bridge
http://jesuits.org - 16 de setembro de 2017 –
O Pe. James Martin, SJ, é um padre fiel, escritor de best-sellers e um membro respeitado da equipe editorial do grupo American Media, dirigido pelos jesuítas.
Seu livro mais recente, Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity, é uma publicação importante para a nossa Igreja e para o povo de Deus a quem ministramos. Todos os livros do Pe. Martin são escritos com o pleno consentimento dos seus superiores religiosos e em conformidade com as orientações de publicação da Igreja Católica.
Building a Bridge, que foi revisado pelo Censor Librorum da Província do Nordeste dos Estados Unidos da Companhia de Jesus, recebeu um Imprimi Potest do provincial do Pe. Martin, declarando a sua adequação para publicação.
O Pe. Martin é uma voz significativa na nossa Igreja, tanto nos Estados Unidos, quanto em todo o mundo. A sua recente nomeação como consultor da Secretaria para a Comunicação do Vaticano afirma o poder da sua obra, que é um importante instrumento tanto para a pregação do Evangelho quanto para a evangelização.
Pe. John Cecero, SJ
Provincial da Província do Nordeste dos Estados Unidos
Pe. Timothy Kesicki, SJ
Presidente da Conferência Jesuíta do Canadá e dos EUA
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Pe. Adroaldo Palaoro, Jesuíta,
O perdão, então, restitua as pessoas na grande corrente da vida; busca restabelecer um vínculo positivo entre vidas feridas, vidas que se ferem e a vida que as rodeia.
O perdão é uma experiência forte que reconecta com a vida; ele quer abrir uma porta à vida, em um muro fechado de dores, de sentimentos feridos, de auto-agressividade. O perdão busca estabelecer uma aposta pela vida. É um ato de realismo, em profundidade e a longo prazo.
Podemos falar, então, que o perdão ativo é terapêutico pois desencadeia um processo de conversão, mobiliza todas as dimensões da pessoa, reestrutura o universo relacional e abre a interioridade à alteridade.
O perdão reconstrutor, libera em nós as melhores possibilidades, riquezas escondidas, capacidades, intuições... e nos faz descobrir em nós, nossa verdade mais verdadeira de pessoas amadas, únicas, sagradas, responsáveis... É ele que “cava” no nosso coração o espaço amplo e profundo para desvelar nossa própria interioridade.
A força criativa do perdão põe em movimento os grandes dinamismos da vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada.
Por isso, o perdão é expansivo, ele abre um novo futuro e desata ricas possibilidades latentes em cada um. Ele não se limita ao erro, mas impulsiona cada um a ir além de si mesmo; ele destrava a vida, potência o dinamismo do “mais” e o coloca em movimento em direção a um amplo horizonte de sentido.
É gesto gratuito e positivo de encontro, de acolhida, de cordialidade, que se torna hábito de vida: até “setenta vezes sete”.
O perdão é aquele que melhor revela a natureza do Deus Pai e Mãe de infinita bondade. É a que revela igualmente o lado mais luminoso da natureza humana. Por isso é a que mais humaniza as relações entre as pessoas. Não apenas afetivo, mas efetivo. Não apenas implica mudança na disposição da pessoa que perdoa, mas leva também a modificar a situação da pessoa perdoada. O perdão liberta as pessoas para poderem cuidar de outras questões importantes na vida; é uma obra de amor para com o outro e para consigo mesmo.
O ser humano é quebradiço por dentro e por fora. Mas o perdão o redime, depositando nele algo que é maior que sua fragilidade. Trata-se de um dinamismo que o ressuscita, o vivifica e o resgata.
O que era sucata, torna-se material para a construção do ser humano novo; o que era motivo de vergonha, agora é impulso confiante e esperançoso; o que era sinal de morte, agora ressurge para uma vida nova. A novidade interior se dinamiza para fora e configura, por sua vez, a modalidade do comportamento diante dos outros.
Em última análise, o perdão é um ato de fé na bondade fundamental do ser humano.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A igreja celebra duas festas em honra de Nossa Senhora das Dores: a primeira na sexta feira da semana da paixão, e a segunda no dia 15 de setembro. A primeira é celebrada na Igreja desde 1727, instituída pelo papa Bento VIII. A segunda foi determinada por Pio VIII em 18 de setembro de 1814, porém já acontecia em muitas Igrejas. É provável que a propagação da primeira festa tenha ocorrido em 1413, por ocasião do concílio provincial ocorrido em Edônia, para falar sobre os hereges hussitas, que desfiguravam as imagens de Jesus Cristo e da Virgem Dolorosa. Assim, estabeleceu-se que todos os anos, na sexta-feira seguinte ao domingo da Paixão, se celebrasse a festa da comemoração das angústias e dores da Virgem Maria.
Na festa seguinte ao domingo da Paixão, celebramos a paciência e a força com que Nossa Senhora viu a paixão de seu Filho, e depois se deixou atravessar pela espada que lhe profetizara o santo velho Simão. Na segunda festa, a de setembro, celebram-se todas as dores de Maria, principalmente as sete dores principais pelas quais Ela passou durante a vida, paixão e morte de Jesus Cristo. Já a segunda festa tem origem com a Ordem dos Servitas, inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora (os sete santos Fundadores no século XIII instituíram a "Companhia de Maria Dolorosa"), em 1667 obteve a aprovação da celebração litúrgica das sete Dores da Virgem, esta festa foi celebrada também com o título de Nossa Senhora da Piedade e A compaixão de Nossa Senhora, tendo sido promulgada por Bento XIII (1724-1730) a festa com o título de Nossa Senhora das Dores, e que durante o pontificado de Pio VII foi acolhida no calendário romano e lembrada no terceiro domingo de setembro.
Foi o Papa Pio X que fixou a data definitiva de 15 de Setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa, reduzida a simples memória: não mais Sete Dores de Maria, mas menos especificadamente e mais portunamente: Virgem Maria Dolorosa. Com este título nós honramos a dor de Maria aceita na redenção mediante a cruz. É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do corpo místico nascido da Cruz, isto é, nós somos nascidos, enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria. Eis porque hoje se oferece à nossa devota e afetuosa meditação a dor de Maria. Mãe de Deus e nossa.
A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho:
1º- A profecia do velho Simeão,
2- A fuga para o Egito,
3- A perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa
4- O caminho de Jesus para o Gólgata,
5- A crucificação
6- A Deposição da cruz
7- Sepultura
Portanto, somos convidados hoje a meditar estes episódios mais importantes que os evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus. Vamos nós, cristãos, pedir auxílio à Rainha dos Mártires, para que nos mantenha afastados do pecado, e nos dê força, auxílio e paciência para levarmos a nossa Cruz. (Fonte: site "senhoradasdores"); http://domtotal.com
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Manhã de domingo, igreja cheia. Muitos homens vestem trajes formais. Mulheres levam véus sobre os cabelos. O silêncio absoluto é quebrado por um canto gregoriano. O padre passa pelos fiéis a caminho do altar. Sempre de costas para a audiência, dá início à missa em inconfundível latim: In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. A resposta vem em uníssono: Introibo ad altare Dei, ad Deum qui lætificat juventutem meam(Subirei ao altar de Deus, o Deus que alegra minha juventude). A cena evoca imediatamente imagens medievais, mas ocorreu no último dia 13 de julho, no Centro do Rio de Janeiro. Lá, a antiga Sé do Brasil, atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo, sítio da coroação de João VI e Pedro I, é palco para uma das muitas missas tridentinas que se espalham pelo Brasil, numa ressurreição de formas litúrgicas antigas que atrai incontáveis jovens fiéis. O termo Juventutem, aliás, designa um movimento de volta às tradições católicas liderado por pessoas de 16 a 34 anos. A reportagem é de Leonardo Vieira, publicada pelo jornal O Globo, 28-07-2014.
— Descobri a missa há uns anos, é um tesouro. Está claro que tem algo de sagrado aqui. É possível perceber tanto com os ouvidos quanto com os olhos — arrisca o engenheiro Felipe Alves, de 25 anos.
Origens no império romano do ocidente
A missa tridentina, ou rito latino, foi normatizada no Concílio de Trento, em 1570, mas tem bases bem mais antigas, que remontam ao Império Romano do Ocidente, extinto no século V. O conservadorismo, a sobriedade e o extremo recolhimento dos fiéis na cerimônia foram utilizados pela Igreja no século XVI como resposta às reformas protestantes do Norte da Europa que abalaram as estruturas pontifícias.
Nela, o único idioma utilizado é o latim, chamado pelos adeptos de “língua universal da fé”. Enquanto nas missas comuns nos nossos tempos os católicos se ajoelham apenas uma vez, na antiga esse número salta para quase dez, incluindo o momento de receber a hóstia. Há intervalos para a meditação, quando o silêncio chega ao extremo de permitir que se ouça tudo o que se passa do lado de fora da igreja. Durante quase toda a cerimônia o padre permanece de frente para a cruz do altar.
Foram séculos assim, até que o Concílio Vaticano II, na década de 1960, introduziu inúmeras mudanças, o uso da língua local e o padre de frente para os fiéis entre elas. Mas o século XXI vive uma intrigante retomada de tradições conservadoras na Igreja. Em 2007, o agora papa emérito Bento XVI promulgou a carta “Summorum Pontificum”, em que exaltava a volta às tradições e o caráter “excepcional” da missa tridentina. Até então, párocos que quisessem rezar no estilo antigo deveriam pedir permissão direta à Cúria, no Vaticano. Desde então, a escolha passou a caber a cada paróquia.
Para o padre Luís Correa Lima, professor de Teologia da PUC-Rio, o mistério por trás da missa tridentina é o que fascina.
— Tudo nela é meio misterioso. O padre fica de costas, falando em uma língua desconhecida e seguindo uma liturgia extremamente codificada. Mas esse rito encanta por ser algo ancestral e imutável, por evocar a transcendência de Deus. São elementos que fascinam o jovem — opina.
Curiosamente, a introdução da missa moderna e a ressurreição da antiga têm a mesma preocupação: tentar estancar a perda de fiéis da maior designação cristã. Não há números que revelem se a volta ao passado teve algum efeito nesse sentido. Mas é fato que, amparadas pelos jovens católicos conservadores, as missas tridentinas crescem país afora. Em 2007, uma organização independente contabilizou 20 dessas celebrações no território nacional. Agora, cerca de cem ocorrem com regularidade.
— Vivemos numa sociedade muito centrada no indivíduo, na qual se valoriza a autodeterminação e tudo é incerto. Então surgem grupos que evocam o passado, em que tudo estava respondido pelo religioso — analisa o historiador Sérgio Coutinho, presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina (CEHILA).
Ligado à ala progressista da Igreja, Coutinho entende que os fiéis da missa tridentina são conservadores em tudo, inclusive politicamente:
— Eles creem que o Concílio Vaticano II não deveria ter acontecido, pois teria aberto demais a Igreja. Querem uma fuga do mundo, encontrar formas tradicionais de se viver. É como se quisessem que o passado voltasse.
Responsável por rezar a missa tridentina aos domingo na igreja do Centro do Rio, o padre Bruce Judice discorda. Segundo ele, dois dos princípios pregados em sua celebração são o respeito às diferenças e a orientação para que os fiéis não se fechem em círculos católicos isolados.
— Sempre dizemos que este não é o único modo de rezar. Não somos contra o Concílio Vaticano II — esclarece o padre, de 35 anos.
— O que há, sim, é uma sede de espiritualidade entre os jovens. Há quem procure ioga, meditação, natureza... E há quem busque a missa tridentina.
Foi esta última a escolha do adolescente Eduardo Salomão, de 15 anos. Ele aprendeu latim sozinho e quer ser padre. Aos domingos, vai a uma missa tridentina e a outra contemporânea:
— Claramente prefiro a tridentina. Já cheguei a ser tachado de maluco. O rito contemporâneo não é para mim. No antigo, a meditação, o silêncio e a beleza encantam.
Bárbara Soares descobriu o rito pela internet. Foi no quase extinto Orkut que a estudante de Letras conheceu outros jovens adeptos da tradição. Ela ficou tão encantada com as primeiras celebrações que não parou mais de frequentar as missas. Numa delas, conheceu seu marido. Hoje, já casada aos 20 anos, Bárbara vai à igreja com o véu sobre os cabelos e defende a vestimenta:
— Ele mostra a dignidade da mulher, exalta seu caráter sagrado.
Ela segue a linha de centenas de integrantes oficiais do Juventutem no Brasil. Fundado em 2004, na Suíça, o movimento teve um primeiro encontro internacional em 2005, na Alemanha, e, desde então, tem crescido e sido cada vez mais representado nas Jornadas Mundiais da Juventude. Ano passado, milhares deles vieram ao Rio de Janeiro. E, pela internet, muitos se já se articulam para a próxima edição do evento católico, em 2016, na Polônia. Em fóruns internacionais do movimento pela internet são comuns discussões relacionadas à liturgia católica e também a assuntos ligados a direitos civis, com muitos dos seus membros condenando uniões entre pessoas do mesmo sexo e o direito ao aborto, por exemplo.
Ortodoxos mantêm uso de grego e árabe
Engana-se quem pensa que o ritual tridentino é o único dentro do catolicismo que busca a retomada de tradições ancestrais. A poucas quadras da antiga Sé carioca, na paróquia greco-melquita de São Basílio e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em plena Saara, histórico lar dos primeiros imigrantes sírios e libaneses católicos ortodoxos, os idiomas usados em ritos conservadores são o grego e o árabe. A igreja melquista, espremida entre prédios na rua República do Líbano, é o primeiro templo católico oriental do Brasil, fundado em 1941. Apesar de ainda ter forte conexão com a comunidade sírio-libanesa, a missa tem um público crescente de jovens e de pessoas curiosas.
Lá se celebra a missa bizantina, tradição que começou ainda no século V numa região onde onde se estendem parte dos territórios da Turquia, de Israel e da Palestina. Assim como no rito latino, o sacerdote reza de costas para o público. A música, a liturgia e as vestimentas remetem à cultura medieval dos católicos orientais.
— O rito chama a atenção dos jovens, eles se sentem bem pela beleza das orações. Hoje em dia os fieis estão a procurar as tradições em resposta aos tempos tão conturbados em que vivemos. Devemos voltar sempre às origens — diz o monsenhor George Khoury, da paróquia de São Basílio. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Como parte do que faziam para nos conduzir a uma vida religiosa mais profunda, os meus pais nos levaram eu e meus irmãos, quando ainda éramos criança, a uma missa celebrada no Rito Tridentino. Não me recordo de ter ficado particularmente impressionado nas primeiras vezes. No entanto, em um domingo de verão, eu decidi frequentar uma missa neste rito por mim mesmo, mais por uma mudança de ritmo em relação à minha paróquia costumeira. Aconteceu que este dia era a Festa de Corpus Christi, e eu me vi surpreendido pelo espetáculo total do ritual. O comentário é de Timothy Kirchoff, pós-graduado pela Universidade de Notre Dame, publicado por America, 13-09-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Por uns instantes, senti que os hinos e as procissões me manteriam naquela igreja por mais tempo do que havia imaginado inicialmente, mas fui logo tomado por um sentimento que posso descrever como uma verdadeira comunhão. Esta havia sido, pensei eu, a missa vivenciada por inúmeros santos ao longo da história. Muito embora não tinha ninguém nos bancos ao meu redor, comecei a me sentir como se estivesse rodeado pelos santos que haviam vindo conhecer e adorar a Deus através da liturgia. Naquela altura, eu não sabia que os rituais da missa mudaram várias vezes nestes dois milênios de história cristã, mas saber destas mudanças nunca me vez duvidar do cerne da minha experiência naquele dia.
No ano passado, o Papa Francisco falou abertamente sobre os seus receios para com os tradicionalistas em entrevista que poderia servir como uma introdução para um livro dos seus sermões enquanto arcebispo de Buenos Aires:
“Eu sempre tento entender o que está por trás das pessoas que são jovens demais para ter vivido a liturgia pré-conciliar, mas que a desejam. Às vezes eu me vejo em frente de pessoas que são rigorosas demais, que têm uma atitude rígida. E eu me pergunto: Como pode uma tal rigidez? (...) Essa rigidez sempre esconde alguma coisa: insegurança, às vezes até mais (…) A rigidez é defensiva. O verdadeiro amor não é rígido”.
Penso sobre esta declaração desde que a li. Eu me pergunto sobre se eu fui esse tipo de pessoa que Francisco tinha em mente. Será que fui um católico “rígido”? A experiência de estar cercado pelos santos na missa em latim é uma das experiências espirituais mais profundas e formativas de meus anos de adolescente.
Também venho pensando sobre estas palavras do papa porque o esforço dele para entender os tradicionalistas jovens reproduz as suspeitas mantidas por muitos católicos mais velhos que viveram a época do Concílio Vaticano II, especialmente alguns padres. (E mais: o papa recentemente reafirmou o seu compromisso com a reforma litúrgica do Vaticano II, dizendo que ela é “irreversível”.)
A experiência que tenho com a missa em latim oferece uma resposta possível às dúvidas do Papa Francisco sobre o porquê os jovens são atraídos pelas liturgias tradicionais: tendo crescido com a missa em inglês, estes jovens católicos possuem um sentido vago do que se trata os momentos da missa. Os rituais pouco familiares e o idioma do Rito Tridentino, no entanto, permitem-lhes ver estes momentos com um olhar renovado. A descoberta da missa em latim é, para muitos integrantes da minha geração, aquilo que a introdução da missa em língua vernácula foi para muitas pessoas como Francisco.
Quando às pessoas “rigorosas, rígidas” sobre cujas inseguranças o papa se refere, ele claramente não está falando a todos os que querem a opção de frequentar a liturgia pré-conciliar. Muito embora alguns de meus amigos irão estranhar diante de algumas homilias ou de desvios da rubrica litúrgica, dificilmente os gostos deles são dignos de serem contados no divã. Eles não precisam que alguém “analise profundamente” as suas psiques. O amor a Deus e ao próximo corre, no mínimo, de modo tão profundo neles quanto corre em mim, mesmo se este amor se manifeste às vezes em orações em latim.
A quem, então, o Papa Francisco está se referindo? A resposta pode residir no próprio passado de Francisco. Na qualidade de provincial jesuíta e, depois, reitor do seminário jesuíta na Argentina, Jorge Bergoglio ficou conhecido como uma figura rigorosa e formidável, e contava com um número considerável de seguidores entre os membros de sua província. Mas as críticas dele a grupos católicos tradicionalistas raramente são interpretadas por meio destas lentes.
Quando o papa sugere que a rigidez e o rigorismo escondem uma insegurança, talvez ele esteja falando das pessoas que certa vez conheceu bem ou mesmo esteja falando de si mesmo. A ex-inflexibilidade de Francisco deveria dar muito mais credibilidade a suas advertências sobre as ciladas do tradicionalismo moderno. Os tradicionalistas não levam as suas críticas tão a sério quanto provavelmente deveriam. Mas sem contexto algum fornecido, as declarações de Francisco soam menos com um conselho pastoral e mais como a lamentação perene de gerações mais velhas a respeito das tendências entre aos jovens.
O mesmo se pode dizer sobre muitas das admoestações que ouço da “geração Vaticano II” sobre as imperfeições da Igreja pré-conciliar. Só foi quando eu tive diálogos ampliados com estes católicos que a profundidade e a relevância da experiência deles se tornaram claras. Se não tivesse tirado um tempo para ouvir-lhes e fazer perguntas, tudo o que eu teria ouvido seria um lamento repetitivo sobre os jovens católicos que tentam fazer o relógio voltar atrás, para a década de 1950.
Quando realmente ouvi os mais velhos, aprendi sobre as muitas maneiras em que um foco muito acentuado em fazer valer as leis corre o risco de levar as pessoas a uma espiritualidade vazia, a um legalismo e à superstição. Aprendi sobre grupos de homens que ficavam do lado de fora da igreja fumando até a hora do ofertório, já que este era o momento crucial para cumprir a obrigação de domingo. Descobri que muitos padres que, externamente, pareciam firmes em suas vocações, depois do Concílio abandonaram o sacerdócio. As críticas por católicos mais velhos às práticas e tendências neotradicionalistas não são uma reação alérgica ao cheiro de incenso. São uma cautela que decorre da experiência.
Muitos jovens católicos buscam um maior entendimento da – e uma continuidade com a – Igreja pré-conciliar. Muitos católicos mais velhos que viveram o concílio e estão bastante familiarizados com as imperfeições da Igreja pré-conciliar se preocupam com que um revisitar as práticas antigas vá trazer de volta os problemas que o Vaticano II se esforçou para corrigir. Cada grupo tem algo a aprender com o outro. Estas lições só se esclarecem quando deixamos de lado as nossas inquietações ideológicas e temos a paciência para compreender as experiências do outro. A forma de rigidez sobre a qual mais devemos nos preocupar é a rigidez ideológica que nos impede de ver como Deus está trabalhando entre os nossos companheiros católicos.
Encontramos pontos em comum quando temos a paciência para buscá-los, assim como as liturgias em que participamos se parecem bem diferentes, mas que, no fundo, são a mesma celebração do mistério Pascal. http://www.ihu.unisinos.br
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"Quando qualquer questão recebe imediatamente um ponto de chegada, não há mais caminho a ser percorrido. Por isso é que às inquietações humanas, Deus responde com o silêncio e a ausência", escreve Alfredo J. Gonçalves, CS, padre carlista e assessor das Pastorais Sociais.
Eis o artigo.
“Deus me abandonou” – eis uma frase recorrente, quer na vida atormentada de cada pessoa, quer no seu percurso espiritual, sempre pavimentado de altos e baixos. Evidentemente, o abandono é tanto mais sentido, quanto mais graves as tribulações porque passamos. Os momentos “baixos” nos levam a erguer os olhos ao alto, buscando qualquer socorro ou consolo. Fazem emergir com redobrada veemência a pergunta fundamental da existência humana: quem sou, de onde vim, para onde vou, por que existo? Porém, quanto mais furiosamente os ventos rugem à porta, tanto mais o céu nos parece cego e surdo, mudo, longínquo e indiferente.
Por que Deus se ausenta exatamente quando mais necessitados estamos de sua presença? Por que nos abandona? – perguntamos. Entra em cena então o poema de Carlos D. de Andrade, que tem justamente como título A ausência: “Por muito tempo achei que a ausência é falta/. E lastimava, ignorante, a falta/. Hoje não a lastimo/. Não há falta na ausência/. A ausência é um estar em mim/. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços/, que rio e danço e invento exclamações alegres/, porque a ausência assimilada/, ninguém a rouba mais de mim”.
Com base na visão do poeta brasileiro, não seria exagero afirmar que a ausência de Deus representa não uma falta, e sim uma oportunidade para que a pessoa possa estar a sós consigo mesma. Tempo para que ela possa repousar e meditar sobre a pergunta. “Dormir no assunto”, diz com razão o ditado popular! Nesse aparente vazio, cria-se o terreno propício para melhor discernir a própria pergunta fundamental sobre o sentido último da existência humana. A essa inquietude, Deus não oferece respostas prontas, imediatas, paliativas. Seu silêncio ou ausência abrem espaço para que tal pergunta, que conduz ao centro vital de nossa peregrinação terrestre, possa amadurecer como um projeto de vida, o qual, vale recordar, mantém-se sempre em evolução ativa, dinâmica e orgânica. Em lugar de um copo de água aqui e agora, a presença/ausência divinaprocura indicar o caminho da fonte. Em termos populares, Deus “não dá o peixe, mas ensina a pescar”.
Nas experiências significativas da vida, determinada pergunta martela-nos insistentemente o coração e a mente. Habita nossa alma irrequieta. Ao invés de escutá-la, as pessoas costumam sobrecarregar-nos com respostas apressadas, irrefletidas, superficiais. Têm-nas na ponta da língua! Não possuem ouvidos para a pergunta, antecipando-se com uma resposta padrão. Em lugar de aproveitar da interrogação para desencadear o diálogo sobre o projeto de vida que está em jogo, fecham-no com uma resposta clichê, padronizada. Com essa atitude precipitada, tendem a bloquear o processo de crescimento que a questão reabre a cada crise vivenciada. Impossibilitam o confronto consigo e conosco mesmos. A solução como que vem antes da pergunta, o que impede um tempo privilegiado de reflexão em que o assunto pode ser mastigado, engolido e digerido, antes de receber uma resposta definitiva.
Mantém-se, dessa forma, um tipo de comportamento infantil e infantilizante. Quando qualquer questão recebe imediatamente um ponto de chegada, não há mais caminho a ser percorrido. Por isso é que às inquietações humanas, Deus responde com o silêncio e a ausência. O Pai obriga os filhos a curvarem-se mais detidamente sobre o questionamento, até porque toda pergunta, em si mesma, já possui vestígios de resposta. Ninguém suportaria uma pergunta totalmente suspensa no vazio. Quando expressamos uma inquietude é porque intuímos fragmentos de luz que nos fazem vislumbrá-la numa espécie de penumbra. Daí a necessidade de espaço e tempo para recolher, ruminar e esclarecer tais fragmentos. O primeiro esboço de resposta, está contido na própria formulação da pergunta.
Resulta que a resposta às nossas perguntas vitais não é algo que possamos encontrar no outro de forma mecânica ou automática. O outro, ou o totalmente Outro, se revela não como resposta pronta e acabada, mas como espelho no qual nossas interrogações se refletem e se confrontam. Pouco a pouco, através do diálogo profundo, descortina-se o caminho da resposta. Caminho que, a seu turno, nos convida a recomeçar, pois, como diz o escritor estadunidense John Steinbeck, “o importante na vida é dar um passo, um posso, por menor que seja”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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O legislador teria cedido a pressão de seus colegas religiosos e rabinos do partido ultraconservador Shas
Jerusalém - Um legislador ultraortodoxo israelense renunciou ao cargo nesta quarta-feira, após pressões de seus colegas religiosos e de rabinos por ter comparecido ao casamento de um parente gay, informou sua filha.
Yigal Guetta, membro do partido ultraconservador e religioso Shas, disse recentemente em uma entrevista a uma rádio que há dois anos compareceu ao casamento de um sobrinho gay, o que provocou uma forte reação de rabinos, segundo meios de comunicação locais.
Nesta quarta-feira de manhã, Guetta apresentou sua renúncia ao presidente do partido, o atual ministro do Interior, Aryeh Deri. Sua filha, Simcha, afirmou que está orgulhosa do pai por sua lealdade familiar. "É o sobrinho dele!", disse à rádio pública israelense. Yitzhak Vaknin, membro do Shas, disse que Guetta violou as leis religiosas ao participar de uma cerimônia que é proibida, a do casamento homossexual.
"Não existe nenhuma situação em que seja permitido participar de um evento como esse", disse à rádio do exército. "É totalmente proibido".
Na entrevista, realizada em 29 de agosto e que provocou críticas, Guetta disse que, embora quisesse estar ao lado do seu sobrinho, deixou claro para seus filhos que o estilo de vida dele era um tabu.
"Nós fomos juntos para o casamento, eu, minha esposa e meus filhos", disse ele. "Eu disse a eles: 'o comparecimento é obrigatório'. Ao mesmo tempo, eu disse aos meus filhos, estejam cientes de que a Torá diz que isso é proibido", acrescentou.
Enquanto o estado judeu é considerado pioneiro na promoção e no respeito aos direitos dos gays, a homossexualidade continua sendo um tabu entre os partidos religiosos e ultraortodoxos, que exercem um poder político significativo. Fonte: http://odia.ig.com.br
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Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá (PR)
Cuidar-se significa levar-se em conta, escutar as próprias necessidades e compreender que temos direito de nos sentir bem. É entender e reconhecer nossa existência, sabendo que merecemos nosso amor e nossa compaixão além de todos os preconceitos, castigos e cobranças que impomos a nós mesmos.
Estamos cuidado de nós quando evitamos o que nos produz mal-estar: quando nos afastamos de certas pessoas que nos prejudicam, quando impomos limites em relação ao que queremos e não queremos fazer, e quando nos damos a oportunidade de tomar decisões por nós mesmos. “Não se cuidar é uma forma de autoagressão sutil ou manifesta. Às vezes, como em um estado depressivo, a pessoa está sem energia para ela mesma, e em outros problemas o sujeito reverte sua energia contra si mesmo, aumentando por sua vez a culpa e a autodepreciação” (Fina Sanz).
Diante da revelação pública que o padre Fábio de Melo fez nos meios de comunicação, de que estaria sofrendo de “Síndrome do Pânico”, despertou em muita gente um lado obscuro da vida, visto com muito preconceito e desconhecimento, muitas vezes. Agora podemos falar, pois “até o padre Fábio” falou. Com certeza ele foi muito corajoso e fez muita gente encarar a situação pessoal de forma mais real, sem criar falsos temores. Neste sentido, despertou o valor do cuidado que todos devemos ter. Cuidar-se para poder cuidar. Só damos aquilo que temos e se não temos tempo para nos abastecer, reconstruir diariamente a própria vida, estaremos todos fadados a cair, em qualquer “síndrome”, ou qualquer tipo de doença física ou psicológica.
Não temos outra saída a não ser aprender com o Mestre, que há mais de dois mil anos deixou-nos o exemplo. Quantas vezes, Jesus, depois de atender a multidão, fazer milagres, fazer discursos, instruir os discípulos, deixava tudo e ia para a montanha rezar, passar a noite toda em oração. Na calada da noite, na escuridão silenciosa das montanhas, o Senhor, ali entrava em comunhão com o Pai Deus, e tudo era iluminado, para recomeçar tudo de novo, no outro dia. O homem moderno ocupou o lugar de Deus. A auto suficiência faz do ser humano um semi deus.
Não só na vida dos padres e bispos, mas de todos os leigos, é urgente a dinâmica do equilíbrio. Qualquer ser, qualquer coisa, se perder o equilíbrio cai, e caindo se quebra, se destrói ou fica machucado por muito tempo. Fomos feitos para não cair, reconstruindo-nos a cada dia, não deixando a vida fazer de nós o que ela quer, e sim o que nós queremos fazer com a nossa vida. Nunca diga “não tenho tempo, de descansar, de meditar, de encontrar os outros, com a gente mesmo, de buscar ser útil, de solidarizar-se com o outro, de ganhar o pão com o suor do próprio rosto, de sorrir e abraçar, de chorar e carregar a cruz de cada dia”. Nunca diga “não tenho tempo para cuidar-se”. A vida é tão curta, tudo passa tão rápido, a felicidade custa muito pouco, só um pouco de amor, para poder amar o próximo como a si mesmo.
Nunca deixe para depois o tempo que você precisa para viver bem, reconstruindo-se a cada momento. Deixe de lado a onipotência, a vaidade de super homem ou super mulher e se vista de humildade sincera, reconstruindo-se sempre. A pior agressão não vem de fora, e sim do próprio coração, que não tem tempo para cuidar-se. Tire um tempo todos os dias para silenciar a tua alma e a tua inteligência e orar e tudo terá sabor de felicidade, até mesmo as cruzes que carregamos. Fonte: http://cnbb.net.br
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Um pequeno incidente ocorreu em Cartagena com o Papa Francisco. Felizmente, nada grave. Enquanto o pontífice percorria o centro da cidade colombiana de papamóvel descoberto, na quarta e última etapa da sua viagem ao país sul-americano, ele bateu no para-brisa do carro enquanto se inclinava para cumprimentar uma criança. A informação é publicada por Vatican Insider, 10-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O incidente, causado por uma freada, provocou uma leve contusão no papa, que se estende acima e abaixo do olho esquerdo, exatamente na arcada da sobrancelha e na bochecha.
Depois da batida, Bergoglio apoiou uma mão no rosto, mas, mesmo assim, quis continuar o seu percurso entre as duas alas da multidão. Ele foi imediatamente socorrido pelo comandante da Gendarmeria vaticana, Domenico Giani, que tampou as feridas com um lenço. Em seguida, ele foi medicado com dois pequenos curativos. Algumas gotas de sangue caíram na sua veste, que ficou manchada.
O porta-voz vaticano, Greg Burke, tranquilizou os jornalistas que acompanhavam o bispo de Roma no seu deslocamento: “O papa está bem agora. Aplicaram-lhe gelo”, disse ele, esclarecendo que ele continuaria o programa da viagem “sem qualquer modificação.”
Às pessoas preocupadas que lhe perguntavam o que lhe acontecera, o próprio Francisco respondia com uma piada: “Me deram um soco! Mas estou bem”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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O último compromisso do Papa Francisco em Medellín foi o encontro com os sacerdotes, os consagrados, os seminaristas e os seus familiares no Centro de Eventos La Macarena. Depois dos testemunhos de um sacerdote, uma religiosa de clausura e uma família, o Papa tomou a palavra inspirando-se no Evangelho da videira e os ramos: a verdadeira vocação é permanecer sempre unidos a Cristo, disse e, citando o Documento de Aparecida, acrescentou:
"Como diz o Documento de Aparecida, conhecer Jesus é o mais belo presente que qualquer pessoa pode receber, tê-lo encontrado é a melhor coisa que nos aconteceu na vida, e fazê-lo conhecer com palavras e obras é para nós uma alegria”.
O Papa dirigiu-se em seguida aos jovens: "Muitos de vós" – diz ele - "descobristes Jesus vivo nas vossas comunidades; comunidades com um fervor apostólico contagioso, que entusiasmam e suscitam atração. Onde há vida, fervor, desejo de levar Cristo aos outros, nascem vocações genuínas; a vida fraterna e fervorosa da comunidade é aquela que suscita o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização":
Mas Francisco falou também dos jovens capturados e destruídos pela droga e rezou pela conversão daqueles que devastam tantas vidas. No entanto – sublinhou o Papa - "são muitos os jovens que se mobilizam em conjunto perante os males do mundo e se dedicam a várias formas de militância e voluntariado. Quando o fazem por amor de Jesus, sentindo-se parte da comunidade, eles se tornam "mensageiros da fé", felizes de levar Jesus em cada estrada, em cada praça, em cada ângulo da terra”.
O Papa Francisco lembrou, assim, da videira mencionada por Jesus no texto proclamado no encontro, que é a videira do “povo da aliança”: às vezes expressa uma alegria, outras, uma desilusão, mas jamais o desinteresse. O Pontífice, então, questionou:
“Como é a terra, o alimento, o suporte onde cresce esta videira na Colômbia? Em que contextos são gerados os frutos das vocações de especial consagração? Certamente em ambientes cheios de contradições, de luzes e sombras, de situações relacionais complexas. Gostaríamos de contar com um mundo de famílias e vínculos mais serenos, mas somos parte desta crise cultural; e é no meio dela, contando com ela, que Deus continua a chamar".
Desde o início, foi assim, observou Francisco, Deus manifesta a sua proximidade e a sua eleição, Ele muda o curso dos acontecimentos, chamando homens e mulheres na fragilidade da história pessoal e comunitária. Não tenhamos medo! Nesta terra complexa, Deus sempre fez o milagre de gerar cachos bons, como as torradas para o café da manhã. Que não faltem vocações em nenhuma comunidade, em nenhuma família de Medellín!”
A videira, disse o Papa, tem a característica de ser verdadeira. “Ora, a verdade não é algo que recebemos, como o pão ou a luz, mas brota de dentro. Somos povo eleito para a verdade, e a nossa vocação deve acontecer na verdade”, prosseguiu.
Mas os percursos podem ser manifestados pela “secura e pela morte”, impedindo o fluxo da seiva que alimenta e dá vida. Por isso, o Papa recomenda atenção para que a condição religiosa não seja aproveitada para se obter benefícios próprios e materiais:
“As vocações de especial consagração morrem quando querem nutrir-se de honrarias, quando são impelidas pela busca de tranquilidade pessoal e promoção social, quando a motivação é ‘subir de categoria’, apegar-se a interesses materiais chegando mesmo ao erro da avidez de lucro. Como já disse noutras ocasiões, o diabo entra pela carteira. Isto não diz respeito apenas ao início, todos nós devemos estar atentos porque a corrupção nos homens e mulheres que estão na Igreja começa assim, pouco a pouco".
E o Papa falou do veneno da mentira, da dissimulação, da manipulação e do abuso do povo de Deus, dos mais frágeis e especialmente dos idosos e das crianças não pode ter lugar na nossa comunidade; “são ramos que decidiram secar e que Deus nos manda cortar” – ressaltou Francisco.
Os bons exemplos colombianos foram citados pelo Papa Francisco, como o da Santa Laura Montoya, uma obra missionária a favor dos indígenas, e do Beato Mariano de Jesús Euse Hoyos, um dos primeiros alunos do Seminário de Medellín.
O Santo Padre convidou, então, a cortar todos os factores que distorcem a vocação e a “permanecer em Jesus”, o que não é uma “atitude meramente passiva”, mas pode ser efectiva de três maneiras: tocando a humanidade de Cristo; contemplando a sua divindade; e vivendo na alegria.
Tocar a humanidade, “com o olhar e os sentimentos de Jesus, que contempla a realidade não como juiz, mas como bom samaritano”, e também com “os gestos e palavras de Jesus, que expressam amor aos vizinhos e a busca dos afastados”.
Contemplar a divindade de Cristo, “suscitando e cultivando a estima pelo estudo, que aumenta o conhecimento de Cristo” e, assim, privilegiando “o encontro com a Sagrada Escritura”: “gastemos tempo numa leitura oral da Palavra, ouvindo nela o que Deus quer para nós e para o nosso povo”. Para contemplar a divindade, o Papa também sugere “fazer da oração a parte fundamental da nossa vida e do nosso serviço apostólico”:
“A oração nos liberta das escórias do mundanismo, ensina-nos a viver com alegria, a escolher a fuga do superficial, num exercício de liberdade autêntica. Arranca-nos da tendência a nos concentrar sobre nós mesmos, fechados numa experiência religiosa vazia e nos leva colocar-nos docilmente nas mãos de Deus para cumprir a sua vontade e corresponder ao seu plano de salvação. E, na oração, adorar. Aprender a adorar em silêncio”.
E, finalmente, permanecer em Cristo para viver na alegria, porque, segundo o Papa, “a nossa alegria contagiante deve ser o primeiro testemunho da proximidade e do amor de Deus”.
“Cabe-nos oferecer todo o nosso amor e serviço unidos a Jesus Cristo, nossa videira, e ser promessa dum novo início para a Colômbia, que deixa para trás um dilúvio de conflitos e violências, que quer produzir muitos frutos de justiça e paz, de encontro e solidariedade”. - concluiu Francisco. Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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Fernando Meirelles será diretor do filme The Pope, que será produzido para o serviço de streaming Netflix, apresentando a relação entre o papa Francisco e o antecessor, Bento XVI, noticiou nesta quarta-feira o site 'Deadline'. A informação é publicada por O Estado de S. Paulo, 06-09-2017.
De acordo com o veículo especializado, Jonathan Pryce, o High Sparrow, em Game of Thrones, fará o papel do atual líder da Igreja Católica. Já Anthony Hopkins está em negociações para interpretar Joseph Ratzinger, que ostenta o título de papa emérito.
O longa mostrará a escolha do alemão como o Bento XVI, a posterior renúncia em 2013, além da sucessão pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, que se tornaria o papa Francisco.
O diretor de "Cidade de Deus" e, mais recentemente, da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, não dirige um filme completo desde "360: A Vida é um Círculo Perfeito", de 2011, que contou com Hopkins no elenco.
Há três anos, Meirelles participou de "Rio, Eu Te Amo", dirigindo um dos 11 segmentos da obra. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Neste domingo, Missa com Frei Petrônio de Miranda, Carmelita, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro, às 8h
A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correto para atingir esse objetivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Comentário do Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/ RJ.
-Decepcionada com a ação dos seus irmãos e irmãs de Pastoral, Dona Francisca prometeu a sua família que jamais seria humilhada na Igreja. Saiu da coordenação do grupo e nunca mais pisou os pés lá. “Irmãos! Que nada, o meu Jesus não humilha”, afirmou a pobre mãe e avó, após o divórcio.
-Aquele frade estudante saiu revoltado! Era devoto, tinha uma caminhada, um futuro. Em uma das correções “fraternas” da comunidade foi humilhado no convento pelo formador. A partir daquele dia chutou o pau da barraca! “Lá pode ser tudo, menos casa de formação religiosa”, afirmou Carlos.
Esses dois exemplos são um pequeno retrato de uma grande colcha de retalhos de rostos sofridos, massacrados e jogados no lixo por nós, homens e mulheres que falamos do amor de Jesus, mas, no entanto, colocamos para fora dos muros paroquiais e conventuais aqueles e aquelas que “pisaram na bola”.
Se tem um lugar onde existem pessoas feridas, machucadas e sofridas, esse lugar chama-se IGREJA. Refiro-me a Paróquias, Conventos e Seminários. Algo está errado em nossas relações de guardiães da Boa Nova.
EVANGELHO – Mt 18,15-20: Atualização.
A palavra “tolerância” é uma palavra profundamente cristã, que sugere o respeito pelo outro, pelas suas diferenças, até pelos seus erros e falhas. No entanto, o que significa “tolerância”? Significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito? Implica recusarmo-nos a intervir quando alguém toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros? Quer dizer que devemos ficar indiferentes quando alguém assume comportamentos de risco, porque ele “é maior e vacinado” e nós não temos nada com isso? Quais são as fronteiras da “tolerância”? Diante de alguém que se obstina no erro, que destrói a sua vida e a dos outros, devemos ficar de braços cruzados? Até que ponto vai a nossa responsabilidade para com os irmãos que nos rodeiam? A “tolerância” não será, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfarçar a indiferença, a demissão das responsabilidades, o comodismo?
- O Evangelho deste domingo sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Convida-nos a respeitar o nosso irmão, mas a não pactuar com as atitudes erradas que ele possa assumir. Amar alguém é não ficar indiferente quando ele está a fazer mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar… É preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de não concordar com ele, de lhe fazer observações que o vão magoar; no entanto, trata-se de uma exigência que resulta do mandamento do amor…
- Que atitude tomar em relação a quem erra? Como proceder? Antes de mais, é preciso evitar publicitar os erros e as falhas dos outros. O denunciar publicamente o erro do irmão, pode significar destruir-lhe a credibilidade e o bom-nome, a paz e a tranquilidade, as relações familiares e a confiança dos amigos. Fazer com que alguém seja julgado na praça pública – seja ou não culpado – é condená-lo antecipadamente, é não dar-lhe a possibilidade de se defender e de se explicar, é restringir-lhe o direito de apelar à misericórdia e à capacidade de perdão dos outros irmãos. Humilhar o irmão publicamente é, sobretudo, uma grave falta contra o amor. É por isso que o Evangelho de hoje convida a ir ao encontro do irmão que falhou e a repreendê-lo a sós…
- Sobretudo, é preciso que a nossa intervenção junto do nosso irmão não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas seja guiada pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a sua conversão; e essa lógica devia estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irmãos que falharam. O que é que nos leva, por vezes, a agir e a confrontar os nossos irmãos com os seus erros: o orgulho ferido, a vontade de humilhar aquele que nos magoou, a má vontade, ou o amor e a vontade de ver o irmão reencontrar a felicidade e a paz?
- A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de denúncia e de condenação, diante de atos que afetam gravemente o bem comum… No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa e os seus atos errados. As ações erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas ações devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, a quem se acolhe e a quem se dá sempre outra oportunidade de acolher as propostas de Jesus e de integrar a comunidade do Reino.
*Leia a reflexão na íntegra. Clique ao lado no link- EVANGELHO DO DIA.
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Durante a Missa no Parque Simón Bolívar de Bogotá o Papa Francisco falou da Colômbia como terra de inimaginável fecundidade. Mais de um milhão os participantes.
O evangelista recorda que a chamada dos primeiros discípulos teve lugar nas margens do lago de Genesaré, onde as pessoas se reuniam para ouvir uma voz capaz de as orientar e iluminar; e é também o lugar onde os pescadores concluem a sua jornada fatigante, durante a qual buscam o sustento para levar uma vida sem penúrias, digna e feliz. É a única vez, em todo o evangelho de Lucas, que Jesus prega junto do chamado mar da Galileia. No mar aberto, confundem-se a esperada fecundidade do trabalho com a frustração pela inutilidade dos esforços vãos. Segundo uma antiga interpretação cristã, o mar também representa a vastidão onde convivem todos os povos. Finalmente, pela sua agitação e obscuridade, evoca tudo aquilo que ameaça a existência humana e que tem o poder de a destruir.
Usamos expressões semelhantes para definir multidões: uma maré humana, um mar de gente. Naquele dia, Jesus tem atrás d’Ele o mar e, à sua frente, uma multidão que O seguiu ao ver como Ele Se comove perante o sofrimento humano... e as suas palavras justas, profundas, seguras. Todos vêm ouvi-Lo; a Palavra de Jesus tem algo de especial que não deixa ninguém indiferente. A sua Palavra tem o poder de converter os corações, mudar planos e projetos. É uma Palavra corroborada pela ação, não são conclusões redigidas no escritório, expressões frias e distantes do sofrimento das pessoas; por isso, é uma Palavra que serve tanto para a segurança da margem como para a fragilidade do mar.
Esta querida cidade, Bogotá, e este belo país, a Colômbia, têm muito destes cenários humanos apresentados pelo Evangelho. Aqui vivem multidões que anseiam por uma palavra de vida, que ilumine com a sua luz todos os esforços e mostre o sentido e a beleza da existência humana. Estas multidões de homens e mulheres, crianças e idosos habitam uma terra de fertilidade inimaginável, que poderia dar frutos para todos. Mas também aqui, como noutras partes do mundo, há densas trevas que ameaçam e destroem a vida: as trevas da injustiça e da desigualdade social; as trevas corrutoras dos interesses pessoais ou de grupo, que consomem, egoísta e desaforadamente, o que se destina para o bem-estar de todos; as trevas da falta de respeito pela vida humana que diariamente ceifa a existência de tantos inocentes, cujo sangue brada ao céu; as trevas da sede de vingança e do ódio que mancha com sangue humano as mãos de quem faz justiça por sua conta; as trevas de quem se torna insensível ao sofrimento de tantas vítimas. Todas estas trevas, as dissipa e destrói Jesus com o seu mandato na barca de Pedro: «Faz-te ao largo» (Lc 5, 4).
Nós podemos enredar-nos em discussões intermináveis, somar tentativas fracassadas e fazer um elenco de esforços que acabaram em nada; tal como Pedro, sabemos o que significa a experiência de trabalhar sem resultado algum. Esta nação também sabe disso, quando nos inícios, durante um período de seis anos, teve dezasseis Presidentes e pagou caro as suas divisões («a pátria tonta»); também a Igreja na Colômbia sabe de trabalhos pastorais vãos e infrutuosos..., mas, como Pedro, também somos capazes de confiar no Mestre, cuja Palavra suscita fecundidade mesmo onde a inospitalidade das trevas humanas torna infrutíferos muitos esforços e fadigas. Pedro é o homem que acolhe, decidido, o convite de Jesus, que deixa tudo e O segue para se transformar num novo pescador, cuja missão é levar os seus irmãos ao Reino de Deus, onde a vida se torna plena e feliz.
Mas o mandato de lançar as redes não é dirigido apenas a Simão Pedro; a ele, coube-lhe fazer-se ao largo, como aqueles que na vossa pátria foram os primeiros a ver o que era mais urgente fazer, aqueles que tomaram iniciativas de paz, de vida. Lançar as redes implica responsabilidade. Em Bogotá e na Colômbia, peregrina uma comunidade imensa, que é chamada a tornar-se uma rede vigorosa que congregue a todos na unidade, trabalhando na defesa e cuidado da vida humana, particularmente quando é mais frágil e vulnerável: no seio materno, na infância, na velhice, nas condições de invalidez, e nas situações de marginalização social. Também as multidões que vivem em Bogotá e na Colômbia podem tornar-se verdadeiras comunidades vivas, justas e fraternas, se escutarem e acolherem a Palavra de Deus. Nestas multidões evangelizadas, hão de surgir muitos homens e mulheres tornados discípulos que, com um coração verdadeiramente livre, sigam a Jesus; homens e mulheres capazes de amar a vida em todas as suas fases, de a respeitar e promover.
É necessário chamar uns pelos outros, fazermos sinais como os pescadores, voltar a considerar-nos irmãos, companheiros de estrada, sócios desta empresa comum que é a pátria. Bogotá e a Colômbia são simultaneamente margem, lago, mar aberto, cidade por onde Jesus passou e passa para oferecer a sua presença e a sua palavra fecunda, para nos fazer sair das trevas e conduzir-nos para a luz e a vida. Chamar os outros, chamar a todos para que ninguém seja deixado ao arbítrio das tempestades; fazer entrar na barca todas as famílias, santuário de vida; colocar o bem comum acima dos interesses mesquinhos ou particulares, ocupar-se dos mais frágeis promovendo os seus direitos.
Pedro experimenta a sua pequenez, a grandeza da Palavra e da ação de Jesus; Pedro sabe das suas fraquezas, das suas hesitações..., como o sabemos nós, como o sabe a história de violência e divisão do vosso povo que nem sempre nos encontrou disponíveis para compartilhar a barca, as tempestades, os infortúnios. Mas Jesus, como a Simão, convida-nos a fazer-nos ao largo, impele-nos a compartilhar o risco, a deixar os nossos egoísmos e a segui-Lo; convida-nos a perder medos que não vêm de Deus, que nos paralizam e atrasam a urgência de ser construtores da paz, promotores da vida. (Bogotá, 7 de setembro de 2017).
Fonte: http://pt.radiovaticana.va
- Detalhes
A Colômbia é um país de católicos. Dos 49 milhões de habitantes, 45,3 milhõesdizem que o são, de acordo com o Anuário Pontifício e de Estatísticas da Igreja. Os fieis estão em festa esta semana com a visita do papa Francisco à Colômbia,anunciada em julho de 2016 e confirmada em março. Haverá ponto facultativo e as cidades que o receberão se preparam há várias semanas. Em Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena as avenidas por onde o Papamóvel passará foram reformadas e foram montadas tribunas, telões e as plataformas de onde Francisco falará. A reportagem é de Sally Palomino e publicada por El País, 05-09-2017.
O último Pontífice que esteve no país foi João Paulo II, em 1986. Um ano difícil para os colombianos, que acabavam de sair de duas tragédias. Em 1985, o centro do poder Judiciário, em pleno no coração da Colômbia, sangrou sob os olhos de todos. A guerrilha do M-19 tomou o Palácio da Justiça e, ao vivo, pela televisão, os colombianos testemunharam a retomada do lugar pela Polícia e pelo Exército. Houve mortos e desaparecidos. Naquele mesmo ano, uma avalanche produzida pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz matou ao menos 20 mil pessoas. Da cidadezinha de Armero ficou uma dolorosa lembrança. A visita do papa João Paulo II a esse lugar foi um momento histórico no país.
O papa Francisco chega quando os colombianos tentam superar o capítulo de mais de 50 anos de guerra, enquanto enfrentam a desesperança provocada por cada escândalo de corrupção. Em meio da alegria que desperta entre os paroquianos e os discursos que falam da importância de sua presença no país para impulsionar a paz, alguns setores católicos rejeitam sua visita. O canal de televisão Teleamiga se dedicou nos últimos meses a transmitir mensagens contrárias. Por trás do protesto está José Galat, ex-candidato à presidência, reitor da Universidade Gran Colômbia e diretor da emissora. “O canal é católico, os que não são católicos são aqueles que negam a fé católica, isto é, os bispos que acompanham um Papa que nega as verdades da fé”, afirmou. A posição da Teleamiga provocou a reação do Episcopado Colombiano, que pediu aos fiéis para não assistirem esse canal sob o argumento de que não representa o ensinamento da Igreja Católica. Em uma carta, os mais altos representantes do catolicismo na Colômbia advertiram que o canal “fere seriamente a comunhão da Igreja”.
Galat lançou campanhas para se opor ao aborto e ao processo de paz com as FARC. Fez isso a partir da academia e da televisão. Seu protesto nas últimas semanas se concentrou no Papa. “Sua designação foi obra de uma máfia de cardeais. Supondo que sua origem seja pura e não tenha nenhuma mancha, ensinou coisas contrárias à fé da Igreja”, afirmou. A essas críticas uniu-se a voz daqueles que questionam a visita de Franciscopelos custos que representa. Os cálculos apontavam há alguns dias uma cifra próxima de 10,1 milhões de dólares (cerca de 31,53 milhões de reais) por toda a sua permanência no país.
Mas nenhuma queixa foi suficiente para conter a expectativa pela visita do Papa.Somente em Bogotá espera-se a chegada de 700.000 pessoas e um faturamento próximo de 30 milhões de dólares. De acordo com os especialistas, ativará o turismo religioso e dinamizará a economia. A transmissão das atividades do Pontífice naColômbia será vista em oitenta países. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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