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"Ser humildes, reconhecer-se filhos, repousar no Pai, confiar n’Ele", é o primeiro ponto para ter um verdadeiro diálogo com Deus. “A Missa é a oração por excelência, a mais elevada, a mais sublime, e ao mesmo tempo a mais “concreta”. Francisco.
(15/11/2017). Ao dar prosseguimento ao seu ciclo de catequeses sobre a Eucaristia, o Papa Francisco enfatizou na Audiência Geral desta quarta-feira que a Missa é “o encontro do amor com Deus mediante a sua Palavra e o Corpo e Sangue de Jesus”.
Estar em oração – explicou o Santo Padre - significa acima de tudo, estar em diálogo, numa relação pessoal com Deus: “o homem foi criado como ser em relação com Deus, que encontra a sua plena realização somente no encontro com o seu Criador. O encontro da vida é rumo ao encontro definitivo com o Senhor”.
A importância do silêncio
“A Missa, a Eucaristia é o momento privilegiado para estar com Jesus, e por meio d’Ele, com Deus e com os irmãos”, observou o Papa, ao referir-se ao encontro do Senhor com Moisés e de Jesus quando chama os seus discípulos:
“Rezar, como todo verdadeiro diálogo, é também saber permanecer em silêncio. No diálogo existem momentos de silêncio, no silêncio junto a Jesus. E quando nós vamos à Missa, talvez chegamos cinco minutos antes e começamos a conversar com quem está ao meu lado. Mas não é o momento de conversa! É o momento do silêncio para nos prepararmos para o diálogo. Momento de se recolher no coração para nos prepararmos para o encontro com Jesus. O silêncio é muito importante”.
“Recordem o que eu disse na semana passada, completou o Papa. Não vamos a um espetáculo. Vamos a um encontro com o Senhor e o silêncio nos prepara e nos acompanha”.
Dirigir-se a Deus como "Pai"
“Jesus mesmo nos ensina como realmente é possível estar com o Pai e demonstra isto com a sua oração”. Ele explica aos discípulos que o veem retirar-se em oração, que a primeira coisa necessária para rezar é saber dizer “Pai”. E faz um alerta:
“E prestem atenção: se eu não sou capaz de dizer “Pai” a Deus, não sou capaz de rezar. Devemos aprender a dizer “Pai”. Tão simples. Dizer Pai, isto é, colocar-se na sua presença com confiança filial”.
Humildade e condição filial
Mas para poder aprender isto, “é necessário reconhecer humildemente que temos necessidade de ser instruídos e dizer com simplicidade: Senhor, ensina-me a rezar”:
“Este é o primeiro ponto: ser humildes, reconhecer-se filhos, repousar no Pai, confiar n’Ele. Para entrar no Reino dos Céus é necessário fazer-se pequenos como crianças, no sentido de que as crianças sabem entregar-se, sabem que alguém se preocupará com elas, com o que irão comer, o que vestirão e assim por diante”.
Deixar-se surpreender
A segunda condição, também ela própria das crianças – continuou Francisco – “é deixar-se surpreender”:
“A criança sempre faz mil perguntas porque deseja descobrir o mundo; e se maravilha até mesmo com as coisas pequenas, porque tudo é novo para ela. Para entrar no Reino dos céus, é preciso deixar-se maravilhar”.
“Em nossa relação com o Senhor, na oração, deixamo-nos maravilhar? Ou pensamos que a oração é falar a Deus como fazem os papagaios?”, pergunta Francisco. “Não! É entregar-se e abrir o coração para deixar-se maravilhar”.
“Deixamo-nos surpreender por Deus que é sempre o Deus das surpresas? Porque o encontro com o Senhor é sempre um encontro vivo. Não um encontro de Museu. É um encontro vivo e nós vamos à Missa, não a um Museu. Vamos a um encontro vivo com o Senhor”.
Nascer de novo
O Papa então recorda o episódio envolvendo Nicodemos, a quem o Senhor fala sobre a necessidade de “renascer do alto”. “Mas o que significa isto? Se pode “renascer”? Voltar a ter o gosto, a alegria, a maravilha da vida, é possível?”:
“Esta é uma pergunta fundamental de nossa fé e este é o desejo de todo verdadeiro fiel: o desejo de renascer, a alegria de recomeçar. Nós temos este desejo? Cada um de nós tem desejo de renascer sempre para encontrar o Senhor? Vocês têm este desejo? De fato, se pode perdê-lo facilmente, por causa de tantas atividades, de tantos projetos a serem concretizados, e no final, resta pouco tempo e perdemos de vista o que é fundamental: a nossa vida de coração, a nossa vida espiritual, a nossa vida que é um encontro com o Senhor na oração”.
Na Comunhão, Deus vai de encontro a minha fragilidade
O Senhor nos surpreende – disse o Papa – mostrando-nos que “Ele nos ama também em nossas fraquezas”, tornando-se “a vítima de expiação pelos nossos pecados” e por aqueles do mundo inteiro:
“E este dom, fonte da verdadeira consolação – mas o Senhor nos perdoa sempre, isto consola, é uma verdadeira consolação, é um dom que nos é dado por meio da Eucaristia, aquele banquete nupcial em que o Esposo encontra a nossa fragilidade. Posso dizer que quando faço a comunhão na Missa o Senhor encontra a minha fragilidade? Sim, podemos dizer isto porque isto é verdade! O Senhor encontra a nossa fragilidade para nos levar de volta àquele primeiro chamado: o de ser a imagem e semelhança de Deus. Este é o ambiente da Eucaristia, esta é a oração”. Fonte: http://br.radiovaticana.va
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O livro de um sacerdote nigeriano revela o papel dos papas na prática da escravidão até 1839. “Os papas abusaram da Bíblia para lucrar com o comércio de escravos". Estas palavras não são ditas por algum autor de Thriller Trash a base de escândalos do Vaticano, mas por um historiador sério que sobre o tema desfruta de dupla legitimação. É nigeriano (portanto, parte em causa) e, principalmente, é um padre católico. Chama-se Pius Adiele Onyemechi e exerce há 20 anos seu ministério na Alemanha, na região de Baden-Württemberg. A reportagem é de Rita Monaldi e Francesco Sorti, publicada por La Stampa, 12-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.
A sua pesquisa inovadora The Popes, the Catholic Church and the Transatlantic Enslavement of Black Africans 1418-1839 (p. XVI / 590, € 98 Olms, 2017), que entre os historiadores já desperta discussões, derruba o velho dogma segundo o qual o papado ficou basicamente alheio ao maior massacre de todos os tempos: o tráfico de escravos. Uma tragédia secular que - como relembra o grande escritor dinamarquês Thorkild Hansen em sua clássica trilogia sobre a escravidão – disseminou mais de 80 milhões de mortes.
Uma surpresa
Justamente nesses meses a prestigiada Academia de Ciências de Mainz concluiu um colossal projeto de pesquisa sobre a história da escravidão que durou 65 anos, com a colaboração de pesquisadores de primeira linha como o sociólogo de Harvard Orlando Patterson (ele próprio descendente de escravos) e o historiador da antiguidade Winfried Schmitz. Quase a selar o projeto chegou o livro de dom Onyemechi: uma radiografia minuciosa do papel dos papas no comércio de escravos na África do XV ao XIX séculos, a era de ouro do comércio escravista. Pela primeira vez, ao som de datas, fatos e nomes, dom Onyemechi aponta o dedo sobre responsabilidades morais e materiais, dando início a um acerto de contas com o passado no exato momento em que a Igreja de Roma, na sua tradição secular de apoiar os mais fracos, apela para a solidariedade para com os migrantes. Como o próprio autor resume, os resultados "muito surpreendentes" que vieram à luz "afundam um dedo nas feridas desse capítulo sombrio da História e da vida da Igreja católica".
“A Igreja”, explica o religioso “abusou da passagem bíblica contida no capítulo 9 do Gênesis”, em que se afirma que todos os povos da terra são descendentes dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. Depois do dilúvio, Cam revelou a seus irmãos ter visto seu pai deitado bêbado e nu. Noé amaldiçoou Cam, juntamente com todos os seus descendentes, condenando-os a se tornarem servos de Sem e de Jafé. A Igreja então afirmou que os africanos seriam descendentes de Cam. Pio IX, ainda em 1873, iria convidar todos os crentes a rezar para que fosse retirada a maldição de Noé jogada sobre a África.
Documentos desaparecidos
Em nosso romance Imprimatur divulgamos o caso de Inocêncio XI Odescalchi (1676-1689), que era dono de escravos, tinha negócios com mercadores de escravos e subjugava os presos em correntes nas galés pontifícias. Os documentos que provam isso, publicados em 1887, em seguida, misteriosamente, desapareceram. Claro que, no século XVII, os direitos humanos modernos ainda estavam por vir, mas depois o papa Odescalchi foi beatificado em 1956, e indicado para a canonização em 2002.
Onyemechi desenterrou milhares de contradições desse tipo. O comércio de escravos originalmente visava a China, Rússia, Armênia e Pérsia; mercados internacionais eram realizados em Marselha, Pisa, Veneza, Gênova e Barcelona e Verdun. Com o tempo tais rotas desapareceram, exceto aquelas africanas. Por que isso? Teria sido a Igreja que desempenhou o papel decisivo, recomendando a soberanos e imperadores "preferir" escravos africanos. Fizeram isso bispos e até papas como Paulo V.
A justificação provinha não só da Bíblia, mas também de Aristóteles, para o qual alguns povos eram simplesmente "escravos por natureza". Uma visão depois retomada por São Tomás e pela influente faculdade teológica de Salamanca, nos séculos XV e XVI. Padres da Igreja, como Basílio de Cesareia, Santo Ambrósio, Gregório de Nissa, João Crisóstomo e o próprio Santo Agostinho, ao contrário, justificavam a escravidão como resultado do pecado original.
O Portugal
Em meados do século XV, o português Nicolau V concedeu ao seu país de origem o direito de evangelizar, conquistar e deportar "em escravidão perpétua", os africanos, selados como inimigos do cristianismo junto com os sarracenos (que na verdade eram bem mais perigosos e massacravam, estes sim, os reinos cristãos). Os sucessores Calisto III, Sisto IV, Leão X e Alexandre VI nada fizeram além de confirmar e ampliar os direitos concedidos a Portugal. Outros papas (Paulo III, Gregório XIV, Urbano VIII, Bento XIV) em suas Bulas oficiais declaravam-se contra a escravidão dos índios norte-americanos, mas não contra aquela dos africanos.
Da escravidão, a Igreja teve um retorno econômico concreto. Foram extremamente ativos os missionários portugueses e especialmente os jesuítas, que compravam escravos para empregá-los em suas plantações no Brasil e no Maryland. Ou os revendiam com seu navio negreiro "privado", que transportava a mercadoria humana do Congo, Luanda e São Tomé para o Brasil. Dom Onyemechi cita o contrato com o qual, em 1838, o Provincial dos Jesuítas do Maryland, Thomas Mulledy, vendeu 272 escravos africanos. Preço: 115.000 dólares a "peça". A evangelização consistia principalmente em batizar às pressas escravos antes de embarcá-los. Aliás, todo o mecanismo garantia que eles fossem mantidos bem longe da palavra de Cristo. Os lucros eram reinvestidos em novas campanhas de agressão e deportação.
Reconhecimento tardio
"Apenas em 1839, a Igreja reconheceu os africanos como seres humanos como todos os outros", relembra o historiador de origem nigeriana. Isso foi sancionado em uma Bula de Gregório XVI, na verdade um pouco tardia: o comércio de escravos já tinha sido abolido em quase todos os países entre 1807 e 1818 e os Ingleses já tinham tomado distância desde o final do século XVIII. Dom Onyemechi trabalhou em fontes originais nos arquivos secretos do Vaticano e de Lisboa (para decifrar os manuscritos lusitanos aprendeu a partir do zero o português) e propiciou uma contribuição duradoura (realizada com rotina teutônica todos os dias das 3 às 8 da manhã) na busca da verdade histórica. Em Roma não deve causar desagrado, em vista da atenção do papa Francisco - ele também um jesuíta - com os povos da África. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A Igreja realiza de 12 a 19 de novembro, a Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Trata-se, segundo mensagem do papa Francisco, publicada dia 17 de junho deste ano, de um convite dirigido a todos, independente de sua crença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.
Segundo o santo padre, o amor não admite álibes. “Quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”, diz trecho do texto. Instituído pelo chefe da Igreja Católica na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o primeiro Dia Mundial dos Pobres será celebrado pela Igreja em todo mundo no próximo dia 19 de novembro, 33º domingo do Tempo Comum.
No Brasil, a animação e coordenação das atividades foi delegada à Cáritas Brasileira, um dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por sua experiência na realização Semana da Solidariedade.
Acompanhe as notícias em: www.caritas.org.br
Fonte: http://cnbb.net.br
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PAULO GUEDES
Foi sangrento o mundo da fé. A fúria sagrada dos cruzados. O aço de Toledo nas espadas de Cortez e Pizarro. As fogueiras da Inquisição.
Os 100 anos de guerras religiosas após a reforma protestante. Mas nada que se comparasse em escala às carnificinas da era da razão.
Dos ideais iluministas ao terror jacobino e ao horror das guerras napoleônicas. Do herói romântico e sua “vontade de poder” às guerras mundiais. Da utopia socialista ao terror bolchevique. A civilização foi empurrada à beira da extinção pelo choque de ideologias no século XX. Por isso, o Papa Bento XVI pediu aos brasileiros, em sua despedida, “mais fé e menos ideologia”. Disparou também contra as visões materialistas de um mundo sem fé: “Tanto o capitalismo quanto o marxismo prometeram encontrar o caminho da justiça e falharam.” O marxismo e suas pretensas bases científicas se revelaram não apenas um formidável equívoco intelectual, mas também um trágico experimento de coordenação política, social e econômica. Mas seu apelo a nossos instintos tribais de solidariedade e altruísmo, herança da moralidade dos pequenos bandos e das grandes religiões, é parte da síntese da Grande Sociedade Aberta.
Já o capitalismo é uma extensa ordem de cooperação social cada vez mais abrangente, atingindo agora escala planetária. Criticado por sua impessoalidade, detestado por intelectuais e incompreendido pelas massas, é apenas um espelho que reflete a moralidade dos bilhões de indivíduos em sua complexa rede.
“Nossas dificuldades resultam de que precisamos constantemente ajustar nossas vidas, nossos pensamentos e nossas emoções a dois mundos diferentes, ordenados por regras e moralidades distintas. Se aplicássemos regras de nosso microcosmo (o pequeno bando, a tribo, nossas famílias) ao macrocosmo (a civilização moderna), como nossos instintos e apelos sentimentais exigiriam, destruiríamos a extensa ordem de cooperação econômica e social. E também se aplicássemos as regras impessoais dessa mais abrangente ordem de cooperação aos nossos grupos mais íntimos, nós os destruiríamos”, diz Friedrich von Hayek, em “A pretensão fatal: os erros do socialismo” (1988).
Na definição de Augustin Renaudet, “o humanismo tem uma ética baseada na nobreza humana, na grandeza de seu gênio e no poder de suas criações contra a força bruta da Natureza. Sua essência é a busca das mais elevadas formas de existência pelo esforço ininterrupto. Essa ética baseada na dignidade humana exige da sociedade constante aperfeiçoamento, imensas realizações culturais e um conhecimento sempre maior da Humanidade. Esse maior conhecimento é o fundamento da moralidade individual e coletiva, estabelece as leis, o sistema político e as relações econômicas, fomenta a literatura e a arte”.
Para o humanista que busca o conhecimento científico, o mundo sem fé religiosa não é um mundo sem realizações nem esperança. Como diz Fernand Braudel, em “Uma história das civilizações” (1987), é um mundo com fé e confiança na própria Humanidade, em sua capacidade de modificar e melhorar o destino da espécie. Fonte: O Globo (EDIÇÃO DO DIA 21.05.2007)
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Papa Francisco durante a Missa na Capela da Casa santa Marta. 13/11/2017 13:15
“Escândalos que ferem os corações e matam esperanças e ilusões”, palavras proferidas pelo Papa Francisco na missa matutina celebrada, nesta segunda-feira (13/11), na Capela da Casa Santa Marta.
“É inevitável que aconteçam escândalos”, recordou o Pontífice, retomando as palavras de Jesus no Evangelho do dia, “mas ai daquele que produz escândalos!”. E Jesus adverte os seus discípulos: “Prestem atenção em vocês mesmos!”.
“Ou seja, fiquem atentos a não escandalizar. O escândalo é feio porque o escândalo fere, fere a vulnerabilidade do povo de Deus, fere a fragilidade do povo de Deus e muitas vezes essas feridas são carregadas pro toda a vida. Não somente fere, o escândalo é capaz de matar: matar esperanças, matar ilusões, matar famílias, matar muitos corações.”
“Prestem atenção em vocês mesmos” é uma advertência a todos, sublinhou Francisco, especialmente a quem se diz cristão, mas vive como pagão. Este é “o escândalo do povo de Deus”.
“Muitos cristãos com o seu exemplo distanciam as pessoas, com a sua incoerência, com a própria incoerência: a incoerência dos cristãos é uma das armas mais fáceis que o diabo tem para enfraquecer o povo de Deus e distanciar o povo de Deus do Senhor. Dizer uma coisa e fazer outra.”
Esta é a “incoerência” que faz escândalo, que deve hoje nos fazer perguntar – disse o Papa -: “como é a minha coerência de vida? Coerência com o Evangelho, Coerência com o Senhor?” Francisco citou como exemplo os empreendedores cristãos que não pagam os salários justos e se servem das pessoas para se enriquecerem e também o escândalo dos pastores na Igreja que não cuidam das ovelhas e se afastam.
“Jesus nos diz que não se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro, e quando o pastor é alguém apegado ao dinheiro, escandaliza. E as pessoas se escandalizam: o pastor apegado ao dinheiro. Todo pastor deve se perguntar: como é minha amizade com o dinheiro? Ou o pastor que procura subir, a vaidade o leva a escalar, em vez de ser gentil, humilde, porque a gentileza e a humildade favorecem a proximidade com as pessoas. Ou o pastor que se sente senhor e comanda todos, orgulhoso, e não o pastor servidor do povo de Deus”…
“Hoje pode ser - concluiu Francisco a sua homilia - um bom dia para fazer um exame consciência sobre isso: escandalizo ou não, e como? E assim poderemos responder ao Senhor e nos aproximarmos um pouco mais d’Ele”. Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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O celibato dos padres é intocável. O vento reformista do Papa Bergoglio certamente não sopra nessa direção, e, no horizonte, não há pressupostos para abrir aos padres casados. A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 18-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
"O celibato sacerdotal vai continuar como está." Quem esclareceu definitivamente essa questão foi o próprio Papa Francisco, que quis tranquilizar os bispos italianos reunidos em assembleia no Vaticano.
Há dois dias, depois da leitura do seu discurso sobre a renovação do clero, foi realizada, a portas fechadas, uma espécie de sessão de perguntas e respostas sobre diversos assuntos. Um bispo tomou a palavra para lhe pedir explicações sobre possíveis modificações futuras naquela direção. A resposta do papa foi clara e sem qualquer abertura.
Embora o celibato não seja um dogma, certamente não será este pontífice quem vai enfrentá-lo. Há algum tempo, existem diversos teólogos e correntes de pensamento que pressionam as instituições da Igreja para permitir que os padres se casem.
Quem alimentou esperanças nesse sentido foi Bergoglio no início do seu pontificado, quando, ao retornar de uma viagem, falando com os jornalistas, disse: "A Igreja Católica tem padres casados nos ritos orientais. O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que eu aprecio muito e acho que é um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, sempre há a porta aberta, mas, neste momento, são outros os temas sobre a mesa". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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O que os leigos pedem aos seus sacerdotes, hoje? Nós escolhemos duas vozes, um homem e uma mulher, para responder a esta pergunta.
Interessante o que afirma Marco Tuggia, pedagogo e docente no seminário de Vicenza. Em sua opinião, o processo de formação dos novos padres deveria incluir três áreas.
A primeira é que o sacerdote precisa aprender a "deslocar-se do centro do palco", porque é fundamental que ele "aprenda a construir em conjunto com os outros as decisões a serem tomadas". O povo de Deus, de fato, não é desprovido de experiência e de saberes. O padre é chamado a "facilitar os processos de colaboração e co-projeto”.
A segunda área enfatizada por Tuggia, diz respeito "ao conjunto de competências necessárias para trabalhar concretamente em grupo". O sacerdote deve "saber se posicionar dentro de uma dimensão compartilhada", tanto com outros sacerdotes como com os leigos.
A terceira área contempla à capacidade de ouvir as pessoas: "O sacerdote deveria saber ouvir realmente, por estar livre da preocupação de ter que dar soluções". Mas isso vai exigir uma profunda transformação, porque ele "não seria mais obrigado a estar um passo à frente das pessoas da sua comunidade, mas, finalmente, ao seu lado".
Da mesma opinião é Gina Zordan, vice-presidente do setor de adultos da Ação Católica de Vicenza: "Os sacerdotes deveriam ser capazes de ouvir a vida dos leigos que estão em contato direto com a realidade", preenchendo assim aquela lacuna que às vezes é criada entre as noções adquiridas e a vida real.
Pelo que ouvimos, pode-se deduzir que o seminário é hoje um problema sério e que a formação que proporciona é um campo em reestruturação. Desses seminários saem os sacerdotes que orientarão as comunidades cristãs do amanhã. Abertos à modernidade, mas ancorados a determinados, irrenunciáveis "pontos fixos". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu hoje, domingo, 12 de novembro de 2017, às 12 horas locais de Roma, a habitual cerimónia mariana do Ângelus na Praça S. Pedro, hoje repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo.
Comentando a página do Evangelho (Mt 25, 1-13), deste domingo, trigésimo segundo do tempo comum, Francisco disse que ela, mediante a parábola das dez virgens, indica-nos a condição para entrar no Reino dos céus. As dez virgens, sublinhou o Santo Padre, eram de facto aquelas moças cuja principal tarefa naquela época, era acolher e acompanhar os esposos para a cerimônia do matrimónio, que era realizado durante a noite. Razão pela qual, elas estavam sempre munidas de uma lâmpada.
Ora, acrescentou o Pontífice, a parábola nos diz que cinco destas moças virgens eram sábias e prudentes, enquanto as outras cinco eram simplesmente insensatas. A prova de tudo isso, é o facto que as moças sensatas levaram consigo o óleo, o azeite, para as lâmpadas, enquanto que as insensatas não levaram nada consigo. O esposo demora a chegar e todas elas, seja as insensatas como também as sensatas, adormecem. À meia noite é anunciada a chegada do esposo é só naquele preciso momento é que as moças insensatas deram-se na conta de não terem levado consigo o óleo, o azeite para as lâmpadas, vão então ter com as suas colegas sensatas e lhes dizem: “dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se”. Mas as sensatas responderam: “Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores”. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo: as que estavam preparadas, isto é, as virgens sensatas, entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. As outras virgens insensatas chegaram muito tarde e disseram: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta”. Mas ele respondeu-lhes: “em verdade vos digo: não vos conheço”. Foi assim que elas ficaram então fora.
O que é que Jesus nos quer ensinar com esta parábola? Recorda-nos que devemos estar prontos para o encontro com Ele. Muitas vezes no Evangelho, Jesus exorta-nos à vigilância e o faz também no fim da narração desta página evangélica: “Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. Mas com esta parábola nos diz também que vigiar que não significa somente não adormecer, mas estar preparados; de facto todas as virgens adormeceram antes da chegada do esposo, mas ao acordarem, algumas delas estavam prontas e outras não. Aqui está precisamente o significado do ser sábio, sensato e prudente: trata-se de não esperar o último momento da nossa vida para colaborar com a graça de Deus, mas de fazê-lo já a partir de agora. Quanto seria bom pensarmos o nosso dia como se fosse o último da nossa existência terrena.
A lâmpada, sublinhou Francisco, é o símbolo da fé que ilumina a nossa vida, enquanto que o óleo, o azeite, é o símbolo da caridade que alimenta, torna fecunda e credível a luz da fé. Daí que, acrescentou o Papa, a condição para estarmos prontos ao encontro com o Senhor, não é somente ter a fé, mas termos também uma vida cristã rica de amor para com o próximo.
Se nos deixarmos guiar por aquilo que nos parece mais cômodo, pela procura dos nossos interesses, a nossa vida torna-se estéril, incapaz de dar vida aos outros e não acumulamos nenhuma quantia de azeite para a lâmpada da nossa fé e ela se apagará no preciso momento da vinda do Senhor ou então muito antes até. Se pelo contrário somos vigilantes e procuramos fazer o bem mediante gestos de amor, de partilha, de serviço ao próximo em dificuldade, podemos estar tranquilos enquanto esperamos a vinda do esposo: o Senhor poderá vir em qualquer momento e também o sono da morte não nos espantará, porque temos conosco, a reserva do azeite, acumulado mediante as boas obras quotidianas. A fé inspira a caridade e a caridade cura a fé.
Que a virgem Maria, concluiu dizendo Francisco, nos ajude a tornar a nossa fé sempre mais operosa por meio da caridade, para que a nossa lâmpada possa resplandecer já aqui, no caminho terreno e depois para sempre, durante a festa das núpcias, no paraíso. Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância. Recorda-nos que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher.
O Evangelho lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino. Com o exemplo das cinco jovens “insensatas” que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino.
ATUALIZAÇÃO (EVANGELHO - Mt 25, 1-13)
-A mensagem que Mateus pretende transmitir com esta parábola aos cristãos da sua comunidade (e, no fundo, aos cristãos de todas as comunidades cristãs de todos os tempos e lugares) é esta: nós os crentes, não podemos afrouxar a vigilância e enfraquecer o nosso compromisso com os valores do Reino. Com o passar do tempo, as nossas comunidades têm tendência para se instalar no comodismo, no adormecimento, no descuido, numa vida de fé que não compromete, numa religião de “meias tintas” e de facilidade, num testemunho pouco empenhado e pouco coerente… É preciso, no entanto, que o nosso compromisso com Jesus se renove cada dia. A certeza de que Ele vem outra vez, deve impulsionar-nos a um compromisso ativo com os valores do Evangelho, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e ao compromisso com o Reino.
- Nós, os cristãos do séc. XXI, não somos significativamente diferentes dos cristãos que integravam a comunidade de Mateus… Também percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de instalação, de comodismo, de adormecimento, de pouco empenho. As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, a nossa fragilidade levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e a correr atrás de valores efémeros, que parecem garantir-nos a felicidade e só nos arrastam para caminhos de escravidão e de frustração. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa existência e que não podemos alienar os valores do Evangelho, pois só eles nos mantêm identificados com esse Senhor Jesus que há-de voltar para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, manter-nos atentos e vigilantes, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.
- “Estar preparado” não significa, contudo, ter a “alminha” limpa e sem mancha, para que, quando nos encontrarmos com o Senhor, Ele não tenha nenhuma falta não confessada a apontar-nos e nos leve para o céu… Mas significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso baptismal. “Estar preparado” passa por descobrirmos dia a dia os projetos de Deus para nós e para o mundo e procurar concretizá-los, com alegria e entusiasmo; “estar preparado” passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos irmãos, no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.
- Embora o nosso texto se refira, primordialmente, ao nosso encontro final com Jesus, todos nós temos consciência de que esse momento não será o nosso único encontro com o Senhor… Jesus vem ao nosso encontro todos os dias e reclama o nosso empenho e o nosso compromisso na construção de um mundo novo – o mundo do Reino. Ele faz ecoar o seu apelo na Palavra de Deus que nos questiona, na miséria de um pobre que nos interpela, no pedido de socorro de um homem escravizado, na solidão de um velho carente de amor e de afeto, no sofrimento de um doente terminal abandonado por todos, no grito aflito de quem sofre a injustiça e a violência, no olhar dolorido de um imigrante, no corpo esquelético de uma criança com fome, nas lágrimas do oprimido… O Evangelho deste domingo avisa-nos que não podemos instalar-nos no nosso egoísmo e na nossa autossuficiência e recusar-nos a escutar os apelos do Senhor.
- A história das jovens “insensatas” que se esqueceram do essencial faz-nos pensar na questão das prioridades… É fácil irmos “na onda”, preocuparmo-nos com o imediato, o visível, o efémero (o dinheiro, o poder, a influência, a imagem, o êxito, a beleza, os triunfos humanos…) e negligenciarmos os valores autênticos. Mateus, com algum dramatismo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. O objetivo da catequese de Mateus não é dizer-nos que, se não nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas é alertar-nos para a seriedade com que devemos avaliar as nossas opções, de forma a não perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos à felicidade plena e definitiva.
(Leia a reflexão na íntegra. Clique no link ao lado EVANGELHO DO DIA)
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Papa Francisco durante a Missa na Capela da Casa Santa Marta (10/11/2017). Um caso de corrupção quotidiana. É o que narra o Evangelho de Lucas através da figura do administrador que desperdiça os bens do patrão e que, quando descoberto, ao invés de encontrar um trabalho honesto, continua a roubar com a cumplicidade de outros, “uma verdadeira ‘rede’ de corrupção”, na definição do Papa Francisco, relacionando o episódio com os nossos dias:
"São poderosos eles, hein? Quando fazem ‘redes de corrupção’ são potentes. Chegam a cometer atitudes mafiosas. Esta é a história, não é uma fábula, não é um caso que devemos procurar nos livros de história antiga. Nós a vemos todos os dias nos jornais, todos os dias. Isto acontece também hoje, sobretudo com aqueles que têm a responsabilidade de administrar os bens do povo, não os bens próprios. Com os próprios bens ninguém é corrupto, porque os defende”.
Assim, a consequência que Jesus tira deste Evangelho, observou o Papa, é justamente a maior astúcia dos “filhos deste mundo” em relação aos “filhos da luz”: a sua corrupção maior, a esperteza levada adiante “também com cortesia”, com “luvas de seda”. Francisco questionou se existe a “esperteza cristã”:
"Mas se estes são mais astutos do que os cristãos - mas não vou dizer cristãos, porque também muitos corruptos se dizem cristãos - se eles são mais astutos do que os fiéis a Jesus, eu me pergunto: existe uma astúcia cristã? Há uma atitude para aqueles que querem seguir Jesus, (de modo que), mas que não acabem mal, que não acabem sendo comidos vivos - como minha mãe dizia: “Comidos crus”” – pelos outros? Qual é a astúcia cristã, uma astúcia que não seja pecado, mas que sirva para me levar ao serviço do Senhor e também para ajudar os outros? Existe uma esperteza cristã?"
Sim, há uma “intuição cristã para ir avante sem cair na rede da corrupção” e no Evangelho, explica o Papa, Jesus o indica com algumas contraposições, quando fala, por exemplo, dos cristãos que são como “ovelhas entre lobos” ou “prudentes como as serpentes e simples como a pomba”. Então, o que fazer? Francisco indica três atitudes: a primeira é uma “saudável desconfiança”, estar atentos, isto é, a quem “promete muito” e “fala demais” como “aqueles que dizem a você, “ faça o investimento no meu banco, eu lhe darei juros em dobro”. A segunda atitude é a reflexão, diante das seduções do diabo que conhece nossas fraquezas; e, finalmente, a oração.
"Rezemos hoje ao Senhor para que nos dê essa graça de sermos espertos, cristãos espertos, de termos esta esperteza cristã. Se há uma coisa que o cristão não pode se dar ao luxo de ser é ser ingênuo. Como cristãos, temos um tesouro dentro: o tesouro que é o Espírito Santo. Devemos preservá-lo. E um ingênuo se deixa roubar o Espírito. Um cristão não pode se permitir de ser um ingênuo. Peçamos essa graça da esperteza cristã e da intuição cristã. É também uma boa oportunidade para rezar pelos corruptos. Fala-se de poluição atmosférica, mas também há uma poluição da corrupção na sociedade. Rezemos pelos corruptos: pobrezinhos, que encontrem o caminho para sair daquela prisão na qual eles quiseram entrar!". Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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Na audiência geral desta quarta-feira, (8/11/2017) o Papa deu início a uma nova série de catequese, centrada sobre a Eucaristia, pois que – disse – é fundamental para os cristãos compreender bem o valor e o significado da Santa Missa.
Não podemos esquecer – frisou – o grande número de cristãos que ao longo da história da Igreja – ontem e hoje – resistiram e resistem até à morte para defender a Eucaristia. E deu o exemplo de um grupo de cristãos que no ano 304, no Norte de África, foram detidos porque celebravam a Missa. E à pergunta porque o faziam se era proibido, responderam que “não podiam viver sem o domingo”, ou seja sem celebrar a Eucaristia. E foram mortos por isso, deixando o testemunho de que se pode renunciar à vida terrena, mas não à vida eterna.
E antecipando que Eucaristia significa agradecimento a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo que nos envolve e nos transforma na sua comunhão de amor, o Papa afirmou que nas próximas catequeses, vai debruçar-se sobre a Eucaristia e a Santa Missa, para descobrir como, através deste mistério da fé, resplandece o amor de Deus.
Um dos intentos fortes do Concílio Vaticano II era levar os cristãos a compreender a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo; com esse objetivo, sob a guia do Espírito Santo, deu início a uma adequada renovação da Liturgia, pois é dela que a Igreja incessantemente vive e é graças a ela que se renova. Um tema central, que os Padres Conciliares sublinham, é a formação litúrgica dos fiéis, indispensável para uma verdadeira renovação. E esta é precisamente a finalidade do ciclo de catequeses que hoje tem início:
“Crescer na consciência deste grande dom de Deus que nos deu a Eucaristia. A Eucaristia é um acontecimento maravilhoso no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa “é viver mais uma vez a paixão e morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor se faz presente sobre o altar para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo. O Senhor está ali presente conosco.”
Acontece, porém, muitas vezes, que estamos ali a conversar, a olhar para o lado, distraídos, a achar que a Missa, ou melhor o Padre, é chato, tudo sem nos darmos conta realmente que é o Cristo que está ali. No entanto, se viesse aqui o Presidente da Republica, todos gostaríamos de aproximar dele, de o cumprimentar – disse Francisco que recomendou: “Não vos esqueçais: participar na Missa “é viver mais uma vez a paixão e morte redentora do Senhor”. O Papa convidou depois a pôr-se algumas perguntas simples como, por exemplo, porque fazemos o sinal da cruz e o ato penitencial no início da Missa. Significa que somos redimidos com a Cruz do Senhor; e as leituras, porque estão ali? Porque três leituras aos domingos e duas nos outros dias? Ou então, porque é que a dado momento o sacerdote que preside à celebração diz: “Coração ao alto?” Não diz: “Ao alto os nossos tele móveis para tirar fotos, é!”, Não, é uma coisa feia, eh! E digo que a mim dá tanta tristeza quando celebro aqui na Praça ou na Basílica e vejo tantos tele móveis elevados não só dos fiéis, mas também de alguns padres e mesmo bispos. Mas, por favor! “A Missa não é um espetáculo: é ir ao encontro da paixão, da ressurreição do Senhor. Por isso é que o sacerdote diz: “Ao alto os nossos corações”. O que quer dizer isto? Recordai-vos, nada de tele móveis”
O objetivo do Papa é levar os fiéis a redescobrir o que é essencial, através do que se vê e se toca na celebração dos Sacramentos. A este respeito recordou que a exigência posta pelo Apóstolo São Tomé para crer em Jesus ressuscitado – ou seja, ver e tocar as chagas no corpo de Jesus – nasce do nosso desejo de poder, de algum modo, «tocar» Deus para crer n’Ele. O que São Tomé pede ao Senhor é aquilo de que todos nós sentimos necessidade: vê-Lo e tocar n’Ele, para O reconhecermos.
Os Sacramentos são a resposta de Deus a esta necessidade humana. Sinais do amor de Deus, os Sacramentos, e de forma particular a Celebração Eucarística, são caminhos privilegiados para nos encontrarmos com Ele. Para viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus é fundamental compreender bem o valor e o significado da Santa Missa – rematou o Papa pedindo a Nossa Senhora para nos acompanhar neste novo troço da caminhada em direção à redescoberta da beleza que se esconde na celebração eucarística e que, uma vez, desvendada, dá sentido pleno à vida de cada um de nós. Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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Por Fábio Py
Diante da aurora positiva que embriagou das festividades dos 500 anos da Reforma Luterana, comemorada no dia 31 de outubro deste 2017, muito se disse sobre o valoroso evento. No entanto, convém sair um pouco do espírito utópico-carnavalesco que tomou conta das festividades e olhar mais crítico nas igrejas/memória que se tem no Brasil. Antes de qualquer comemoração, acredito ser importante lembrar das práticas de violências, do racismo, da xenofobia e da homofobia que levam sua grande maioria de igrejas que, no hoje, afirmam-se no espectro da Reforma. Suas violências fundamentalistas e extrermismos alastram centenas de vítimas das demais religiões (principalmente as afro) e nas grandes cidades, seus templos anestesiam ainda mais os clamores dos pobres. Por isso, como teólogo submerso nessa tradição protestante-evangélico brasileira, levantei abaixo vinte elementos antidemocráticos que mereceriam ao menos ser pensados no meio de tão glamorosa festividade. Assim, destaco que:
Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja qualquer!
- Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja que não estivesse 100% preocupada com suas doutrinas;
- Em 500 anos da Reforma, não se construiu uma igreja que pedisse perdão pelo massacre, em conjunto com os governantes, das vítimas das Revoltas Camponesas no âmbito das Reformas dos seiscentos;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez preocupada com os “pequeninos do Reino”, mas sempre com a individualização desarticuladora da fé;
- Em 500 anos da Reforma, não se faz uma igreja que lute pela igualdade de gênero em todas as esferas;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez nenhuma igreja sem preocupação com o Estado e/ou estados nacionais. Ao contrário, o que se percebe são igrejas que se aliam aos governantes e às elites;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez qualquer igreja sem preocupação com os dízimos, ofertas, cartões e cheques no geral;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez qualquer igreja cuja liderança não se preocupasse em se autoproclamar ante aos seus consumidores de fé;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez qualquer igreja preocupada com os que sofrem perseguição de estados, impérios, como fora morto o próprio Jesus, em crucificação pelos romanos;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez qualquer igreja preocupada – seja no Brasil ou na América Latina ou na Europa – com a crítica aos massacres nas colônias contra os povos dos continentes americano, africano e asiático;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja preocupada com a questão da moradia, que obriga milhares de pessoas a acampar na luta pelas reformas Agrária e Urbana;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja realmente preocupada com os moradores de rua;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja realmente preocupada com nossa população carcerária, sem interesse evangelístico;
- Em 500 anos da Reforma, não se vê uma igreja preocupada com a morte de Amarildo (presente!) e outros/outras vitimas das UPPs no Rio de Janeiro;
- Em 500 anos da Reforma, não se vê uma igreja preocupada com a carceragem e a situação de Rafael Braga (entre nós!);
- Em 500 anos da Reforma, não se vê uma igreja em promover a memória de Cícero Guedes (presente!), Regina dos Santos (presente!) e outros (presente! presente! presente!), vítimas do latifúndio escravocrata brasileiro;
- Em 500 anos da Reforma, não se produziu uma igreja realmente preocupada com a violência contra a mulher e engajada contra o feminicídio;
- Em 500 anos da Reforma, não se inventou uma igreja realmente preocupada em acolher integralmente a comunidade LGBTQI;
- Em 500 anos da Reforma, não se testemunhou uma igreja preocupada com a crítica do capital e do imperialismo;
- Em 500 anos da Reforma, não se fez uma igreja que fez autocrítica dos racismos cometidos contra negros, negras, índios e índias;
- Em 500 anos da Reforma, não se construiu uma igreja que não se fale de missão e evangelização, chamariz indecoroso de justificativas imperialistas e colonizadoras;
Por tudo isso, em 500 anos da Reforma, infelizmente, não se desenvolveu uma igreja profundamente ligada ao rito democrático. Uma Reforma que tivesse como verdadeira “missão” a luta contínua por justiça sem qualquer vínculo com os aparatos jurídicos e governamentais.
Agora, no contexto das comemorações pelos 500 anos da Reforma, escutei alguns entusiastas citando o dito do teólogo Gilbertus Voet, ao arvorarem por uma “Igreja reformada sempre se reformando” (“Ecclesia Reformata et Semper Reformada est”). Quando ouvi a citação fui tomado de um arrepio completo. Sim, porque me lembrei das violências recentes contra os terreiros e do histórico vínculo das igrejas com as ditaduras na América Latina. Ocorre que eu, todo protestante, queria algo mais. Sim, (até) reconheço que Reforma Luterana “funcionou” muito bem ao ajustar-se ao Antigo Regime em favor dos governantes, das elites, das burguesias e de seus cleros – por definição, imundos. Assim, por tudo, creio que uma Reforma seja muito pouco. O que se quer não se tem nome. Por isso, o pedido, só por hoje... sem quaisquer citações às Reformas.
*Fábio Py é pós-doutorando no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e colunista no site de Caros Amigos. Fonte: www.carosamigos.com.br
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“Perder a capacidade de sentir-se amado, é perder tudo”. Francisco.
O Papa Francisco celebrou na manhã desta terça-feira (07/11/2017) a missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice falou da capacidade de sentir-se amado, comentando o trecho de Lucas (Lc 14,15-24) da Liturgia de hoje. No texto, a parábola narra um homem que organizou uma grande ceia e convidou muita gente.
Os primeiros convidados não quiseram ir porque não lhes interessava nem o jantar nem as pessoas nem o convite do senhor: estavam ocupados com os próprios interesses, mais importantes do que o convite. Havia quem tinha comprado cinco juntas de bois, um terreno ou quem tinha se casado. Substancialmente, se perguntavam o que tinham a ganhar. Estavam “ocupados”, como aquele homem que mandou construir armazéns para acumular os seus bens, mas morreu na mesma noite. Estavam presos aos interesses a tal ponto que isso os levava a uma “escravidão do Espírito”, isto é, a ser “incapazes de entender a gratuidade do convite”. Uma atitude da qual o Papa adverte:
E se não se entende a gratuidade do convite de Deus, não se entende nada. A iniciativa de Deus é gratuita. Mas para ir a este banquete o que se deve pagar? O bilhete de entrada é estar doente, é ser pobre, é ser pecador… Eles (assim) os deixam entrar, este é o bilhete de entrada: estar necessitado seja no corpo, seja na alma. Mas para a necessidade de cuidado, da cura, ter necessidade de amor …
Portanto, existem duas atitudes: de um lado, a atitude de Deus que não deixa pagar nada e diz, depois, ao servo de conduzir os pobres, os aleijados, bons e maus: se trata de uma gratuidade que “não tem limites”, Deus “recebe todos”, destacou o Papa. De outro, a atitude dos primeiros convidados, que ao invés não entendem a gratuidade. Assim como o irmão mais velho do Filho Pródigo, que não quer ir ao banquete organizado pelo pai para seu irmão que havia ido embora: não entende.
“Mas ele gastou todo o dinheiro, gastou a herança, com os vícios, com os pecados, e o senhor lhe faz festa? E eu que sou católico, praticante, vou a Missa todos os domingos, faço coisas, e para mim nada?’ Esse não entende a gratuidade da salvação, ele acha que a salvação é fruto do “Eu pago e o Senhor me salva”. Pago com isso, com isso, com aquilo... Não, a salvação é gratuita! E se você não entrar nessa dinâmica de gratuidade, você não entende nada. A salvação é um presente de Deus ao qual se responde com outro presente, o presente do meu coração”.
O Papa Francisco retorna ainda sobre aqueles que pensam nos seus próprios interesses, que quando ouvem falar de presentes, sabem que devem fazer, mas imediatamente pensam na “contrapartida”: “Eu lhe darei esse presente” e ele “depois em outra ocasião, irá me dar outro”.
O Senhor, ao invés, “não pede nada em troca”: “somente amor, fidelidade, como Ele é amor e é fiel”, diz o Papa, evidenciando que “a salvação não se compra, simplesmente se entra no banquete”. “Bem-aventurados os que receberão alimento no Reino de Deus": isto é salvação.
Aqueles que não estão dispostos a entrar no banquete, “se sentem seguros”, “salvos do modo deles, fora do banquete”: “eles perderam o sentido de gratuidade - explica Francisco – “o sentido do amor”. “Eles perderam – acrescenta -, algo maior e mais bonito ainda, e isso é muito mal: eles perderam a capacidade de se sentirem amados”.
“E quando você perde - eu não digo a capacidade de amar, porque ela se recupera - a capacidade de se sentir amado, não há esperança, você perdeu tudo. Isso nos faz pensar na escrita na porta do inferno de Dante: “Deixe a esperança”, você perdeu tudo. Devemos pensar na frente deste Senhor: “Porque eu digo, quero que a minha casa fique cheia”, este Senhor, que é tão grande, que é tão amoroso, com a sua gratuidade quer encher a casa. Peçamos ao Senhor que nos salve de perder a capacidade de nos sentir amados”. Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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Londrina (RV) - Os Encontros Intereclesiais das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), de acordo com o Documento 92 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) intitulado “Mensagem ao povo de Deus sobre as comunidades eclesiais de base” são definidos como patrimônio teológico e pastoral da Igreja no Brasil. Desde a realização do primeiro, em 1975, em Vitória (ES) reúnem-se diversas dioceses para troca de experiências e reflexão teológica e pastoral sobre a caminhada das CEBs. O evento congrega bispos, religiosos, assessores e animadores das comunidades.
Com o tema “CEBs e os desafios no mundo urbano” e o lema “Eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-los” (Ex 3,7), o 14º Intereclesial das CEBs ocorrerá em Londrina (PR), nos dias 23 a 27 de janeiro de 2018. O evento pretende reunir representantes de todas as regiões do Brasil, de países da América e de outros lugares para celebrar a diversidade e a beleza de viver o Evangelho de Jesus de Nazaré. Nele também se objetiva a expressão da comunhão entre os fiéis e seus pastores.
Segundo o Arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, anfitrião do próximo encontro, a iniciativa já conta com mais de duas mil pessoas inscritas. Para ele, a temática do evento, que trata a questão da realidade urbana, é necessária e urgente e, por isso, atraiu um grande número de participantes. “Hoje já temos um percentual de mais de 80% dos brasileiros vivendo em cidades, os que nelas não habitam vivem a cultura urbana de qualquer jeito, seja através da televisão, do rádio, da internet, e isso está tomando conta do nosso país”, afirma.
Para Dom Geremias, a Igreja vem de encontro à temática, uma vez que quer debater junto à sociedade a questão dos direitos. “Queremos debater o assunto para que de fato o povo que vive nas cidades possa ter a sua dignidade humana respeitada e acima de tudo possa viver bem e para que isso aconteça entra a questão de uma série de direitos a ser conquistados, como é o caso do acesso à educação, ao transporte, à segurança pública, então são essas as questões que nós estamos enfrentando hoje”, complementa.
Subsídios
Rumo ao 14º Intereclesial das CEBs, o secretariado do evento apresentou os subsídios que irão animar a caminhada das comunidades em 2018. O texto-base que tem como título “CEBs e os Desafios do Mundo Urbano” é dividido no método ver, julgar e agir e, como o próprio nome indica, oferece uma reflexão sobre os desafios vividos no mundo urbano.
O primeiro capítulo do livro traz uma abordagem do processo de urbanização no Brasil, contextualizando a origem das cidades brasileiras, suas dinâmicas e culturas. No segundo capítulo, o texto-base traz uma fundamentação teológica para a ação das CEBs em relação aos desafios da cidade. Já no último capítulo são apontados os problemas mais graves ou mais urgentes pelos animadores de CEBs no Brasil, como a questão da moradia, violência, saúde, educação.
Além do texto-base, também já estão disponíveis para download o cartaz do evento, o cancioneiro e a oração que conduzirá o 14º Intereclesial. Confira no site www.cebsdobrasil.com.br. Fonte: http://br.radiovaticana.va
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Neste domingo,5 de novembro, os bispos das dioceses da Bacia do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo emitiram declaração sobre os dois anos do rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana (MG).
Segundo os bispos, “o rompimento da barragem de Fundão tornou inadiável a reflexão crítica sobre a complexa questão da mineração. Essa tragédia revelou a fragilidade e a grave insuficiência dos critérios utilizados para a definição de novas áreas de mineração, dos métodos utilizados, das técnicas de produção e gestão de barragens, das tecnologias da engenharia de mineração”. A declaração é publicada por Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, 05-11-2017.
Citando o Papa Francisco, os bispos afirmam: “Na raiz dessa tragédia de dimensões incalculáveis, encontra-se a sede desenfreada de lucro a ser obtido a qualquer preço, mesmo causando danos à natureza e ao ser humano: “Isto acontece porque no centro desse sistema econômico está o deus dinheiro e não a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econômico deve estar a pessoa, imagem de Deus […]. Quando a pessoa é deslocada e chega o deus dinheiro dá-se essa inversão de valores […]. Um sistema econômico centrado no deus dinheiro tem também necessidade de saquear a natureza” diz o Papa Francisco, no Discurso aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Roma, no dia 28 de outubro de 2014”.
Eis o texto.
No dia 5 de novembro de 2015, as populações da Bacia do Rio Doce foram brutalmente atingidas pelo maior desastre socioambiental do Brasil, com o rompimento da barragem de Fundão, das mineradoras Samarco-Vale-BHP Billiton, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana-MG. A lama tóxica destruiu comunidades, ceifou vidas, desalojou populações inteiras, devastou o meio ambiente, atingiu o Rio Doce e chegou ao Oceano Atlântico, jogando na incerteza e na insegurança milhares de pessoas.
Como pastores do Povo de Deus, atentos aos “sinais dos tempos” e fiéis à nossa missão evangelizadora, queremos dirigir nossa palavra e nos solidarizar com os atingidos pela lama tóxica que provocou um prejuízo incalculável, que engloba aspectos ambientais, sociais e econômicos,envolve a vida de grande parte da população estabelecida nesta bacia hidrográfica e ultrapassa as localidades situadas às margens do Rio Doce.
Esperar contra toda esperança (Rm 4,18)
Nas localidades atingidas, a lama de rejeitos de minério afetou o sentimento de pertencimento demoradores, povos indígenas, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, areeiros, artesãos, comerciantes, agricultores, pois muitos perderam casas, estilo de vida, memória, postos de trabalho, saúde, segurança e perspectiva de futuro. Mesmo em meio a tanto sofrimento, nós cristãos somos chamados a alimentar a chama da esperança.
Esse crime socioambiental, cujos efeitos repercutem na vida e nas atividades da população desta região, incide fortemente na história da Bacia do Rio Doce. Lamentamos que, passados dois anos, pouco foi feito, sobretudo por parte dos responsáveis, diante do muito que há por fazer. A atuação da Fundação Renova, criada pela Samarco, Vale e BHP Billiton, com o aval do Governo Federal e dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, tem sido insuficiente diante da magnitude das consequências incalculáveis dessa tragédia. Há promessas não cumpridas, o que gera desânimo e descrédito em muitas pessoas. Muitos atingidos não foram reconhecidos como tais, ficando sem receber a devida assistência da empresa responsável pelo rompimento da barragem. É preciso recordar que não se faz justiça sem respeito aos direitos e à dignidade da pessoa humana. Entretanto, até o presente, não houve punição aos culpados, nem pleno ressarcimento às populações atingidas, nem o devido reparo aos danos causados ao meio ambiente.
São conhecidos também outros casos de rompimentos de barragens de contenção de resíduos de minérios ocorridos em Minas Gerais: Itabirito (1986), São Sebastião das Águas Claras (2001), Miraí (2007), Itabirito (2014) e Mariana (2015). A dívida contraída pelas empresas responsáveis ainda não foi plenamente saldada e a atuação dos órgãos públicos não é satisfatória.
Apesar desse quadro sombrio, há pontos luminosos que brilham nos gestos de solidariedade de muitas pessoas e instituições públicas e privadas para minorar o sofrimento causado pelas duras consequências dessa tragédia. A solidariedade alimenta a esperança.
Há princípios éticos que estão sendo feridos especialmente pela irresponsabilidade, negligência e omissão por parte de empresas e de instituições governamentais. Prova disso é a assinatura de acordos referentes a reparação, compensação e indenização dos danos; a reduzida participação das comunidades atingidas nas decisões que lhes dizem respeito;e a falta da devida avaliação sistêmica e estratégica dos impactos provocados. É responsabilidade do Ministério Público e do Poder Judiciário garantir o efetivo respeito aos direitos dos atingidos, o fiel cumprimento da justiça e a devida punição dos responsáveis.
A questão da mineração
O rompimento da barragem de Fundão tornou inadiável a reflexão crítica sobre a complexa questão da mineração. Essa tragédia revelou a fragilidade e a grave insuficiência dos critérios utilizados para a definição de novas áreas de mineração, dos métodos utilizados, das técnicas de produção e gestão de barragens, das tecnologias da engenharia de mineração.
Além disso, a tragédia mostrou a vulnerabilidade da atual legislação socioambiental; a insuficiente fiscalização dos órgãos competentes; a baixa qualidade e a morosidade das ações emergenciais; o despreparo da sociedade e dos governos para planejar, discutir, condicionar, negociar e garantir as estratégias de desenvolvimento centradas na busca da sustentabilidade. Ademais, não é suficientemente considerada a situação em que se encontram as diversas minas de exploração e os altos riscos socioambientais nelas envolvidos. Os grandes empreendimentos minerários têm sido concebidos e gerenciados sem a efetiva consideração sobre a exaustão das jazidas, os processos de fechamento de minas e as alternativas para a diversificação da economia local.
É preciso estender nosso olhar também para o impacto da mineração sobre a água. Trata-se de um bem que é finito e, ao mesmo tempo, essencial para a vida, por isso, de direito universal. A exploração insustentável das atividades mineradoras ameaça esse bem indispensável,prejudicando o meio ambiente, destruindo vegetações, provocando desequilíbrio no regime de circulação de águas superficiais e subterrâneas, modificando essencialmente o lençol freático,causando a destruição de inúmeras nascentes, levando à escassez desse bem precioso e gerando impactos prejudiciais à saúde, à produção de alimentos e à própria vida.
Economia a serviço da vida
Na raiz dessa tragédia de dimensões incalculáveis, encontra-se a sede desenfreada de lucro a ser obtido a qualquer preço, mesmo causando danos à natureza e ao ser humano: “Isto acontece porque no centro desse sistema econômico está o deus dinheiro e não a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econômico deve estar a pessoa, imagem de Deus […]. Quando a pessoa é deslocada e chega o deus dinheiro dá-se essa inversão de valores […]. Um sistema econômico centrado no deus dinheiro tem também necessidade de saquear a natureza” diz o Papa Francisco, no Discurso aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em Roma, no dia 28 de outubro de 2014.
O Papa é incisivo ao afirmar: “A primeira tarefa é pôr a economia a serviço dos povos. Os seres humanos e a natureza não devem estar a serviço do dinheiro. Digamos não a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra […]. A casa comum está sendo saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave […]. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir – pacífica, mas tenazmente – a adoção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendais a Mãe Terra” (Discurso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 9 de julho de 2015).
Ao mesmo tempo em que expressamos nossa solidariedade com os atingidos por essa grande tragédia, olhamos com preocupação para as próximas gerações. O futuro está comprometido! Diante dessa triste e desafiadora realidade, os órgãos governamentais e jurídicos façam valer a justiça social e ambiental; as empresas causadoras da tragédia assumam plenamente suas responsabilidades com o ressarcimento pelos prejuízos causados e a reconstrução da vida humana e do meio ambiente; as populações locais sejam vigilantes e solidárias, buscando sempre a união e participando ativamente nos movimentos eclesiais, sociais e populares comprometidos com a defesa dos direitos e a promoção da vida digna para todos.
Apelo final
Como Bispos das Dioceses da Bacia do Rio Doce, dirigimos este apelo: Apoiem os atingidos pela tragédia do rompimento da barragem de Fundão para que tenham seus direitos respeitados, sua dignidade reconhecida, seus bens ressarcidos e seu protagonismo considerado na busca de soluções que atendam a seus legítimos interesses. Estimulem os que lutam em defesa da “casa comum” para que não desanimem diante dos obstáculos e da prepotência dos grandes e poderosos. Ajudem a salvar o Rio Doce, com tudo o que ele significa para tanta gente em Minas Gerais e no Espírito Santo. Perseverem na luta a favor da vida e da esperança, na certeza de que “a paz é fruto da justiça” (Is 32, 17).
Mariana, 05 de novembro de 2017
Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana-MG
Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória-ES
Dom Rubens Sevilha, Bispo Auxiliar de Vitória-ES
Dom Emanuel Messias de Oliveira, Bispo de Caratinga-MG
Dom Antônio Carlos Félix, Bispo de Governador Valadares-MG
Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, Bispo de Colatina-ES
Dom Marco Aurélio Gubiotti, Bispo de Itabira-MG
Dom Paulo Bosi Dal’Bó, Bispo de São Mateus-ES
Dom Aldo Gerna, MCCJ, Bispo Emérito de São Mateus-ES
Dom Werner Siebenbrock, Bispo Emérito de Governador Valadares-MG
Dom Odilon Guimarães Moreira, Bispo Emérito de Itabira-Fabriciano-MG
Dom Décio Sossai Zandonade, Bispo Emérito de Colatina-ES
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Pessoas no local relataram que o atirador entrou na igreja pouco antes do meio-dia e abriu fogo
Mais de 20 pessoas morreram, e várias ficaram feridas em um ataque a tiros na Primeira Igreja Batista, em Sutherland Springs, uma pequena comunidade da cidade texana de San Antonio, neste domingo (5) – noticiou a imprensa americana.
O comissário do condado de Wilson, Albert Gamez Jr., disse à AFP ter sido informado de um balanço de “27 mortos e mais de 20 feridos”, mas ressaltou que espera uma confirmação formal desses números.
Citando um policial, a ABC News disse que há 20 mortos e 30 feridos. Outros veículos já falam em pelo menos 27 mortos, também segundo fontes da Polícia. O autor dos tiros foi abatido, de acordo com a emissora local KSAT12 em sua página da Internet, citando a Polícia.
Pessoas no local relataram que o atirador entrou na igreja pouco antes do meio-dia e abriu fogo. Testemunhas afirmaram que cerca de 50 pessoas costumam aparecer nesse horário de culto matinal.
Uma criança de dois anos está entre os feridos, informou o site Dallas Morning News. “Que Deus esteja com o povo de Sutherland Springs, Texas. O FBI & agências da lei estão na cena. Estou monitorando a situação do Japão”, tuitou o presidente americano, Donald Trump, em sua primeira reação.
O governador do Texas, Greg Abbott, ofereceu suas condolências às famílias das vítimas. “Nossas orações vão para todos aqueles que foram afetados por esse ato demoníaco. Nossos agradecimentos às forças da ordem por sua resposta”, tuitou Abbott, prometendo detalhes sobre o episódio “o mais rápido possível”.
Uma porta-voz do Connally Memorial Medical Center, nos arredores de Floresville, disse à Fox News que “recebemos vários pacientes do tiroteio”, sem detalhar a quantidade.
Helicópteros e equipes de emergência chegaram à cena do crime, e agentes do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos estavam se dirigindo para o local, declarou o órgão. Este tiroteio ocorre apenas um mês após um atirador em Las Vegas matar 58 pessoas e ferir centenas durante um festival de música a céu aberto.
E acontece dois anos depois que o supremacista branco Dylann Roof entrou em uma igreja historicamente frequentada por fiéis afro-americanos em Charleston, na Carolina do Sul, e matou nove pessoas. https://pt.aleteia.org
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A violência não escolhe hora nem lugar e desta vez o alvo foi uma igreja evangélica no Centro da cidade de Esperança, no Agreste paraibano, que foi invadida por quatro homens armados na noite dessa quinta-feira (2).
De acordo com a Polícia Militar, os criminosos estavam armados e chegaram em duas motos ao local por volta das 20h30, quando anunciaram o assalto e roubaram vários celulares e dinheiro dos fiéis que se encontravam na igreja.
Os policiais foram comunicados do ocorrido, realizaram rondas, mas ninguém foi preso por envolvimento com esta ação.
Também na noite da quinta-feira, um bar foi alvo da ação de criminosos em Esperança. Conforme a polícia, dois homens chegaram a pé ao estabelecimento e roubaram bebidas, relógios, celulares e dinheiro das pessoas que estavam no local.
Assim como na ocorrência da igreja, a polícia realizou rondas na tentativa de localizar e prender os suspeitos, mas eles conseguiram fugir. Fonte: https://paraibaonline.com.br
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