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Conhecida como historiadora, professora, católica e feminista, alguns diriam que a italiana Lucetta Scaraffia também é uma encrenca no Vaticano. Ela é editora-chefe de uma revista mensal do jornal do Vaticano dedicada às mulheres, que, em suas palavras, a estrutura de poder "permitiu que acontecesse" principalmente por não impedir. A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 16-02-2019. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.
Foi um artigo escrito por ela para a revista, que complementa o L'Osservatore Romano mensalmente, que levou o Papa a "quebrar o silêncio" do abuso sexualsofrido pelas freiras por parte de padres e bispos.
Lucetta Scaraffia publicou um artigo na edição de fevereiro do caderno denunciando casos em que as freiras são estupradas ou abusadas por clérigos e depois excluídas de sua ordem religiosa ou forçadas a praticar um aborto caso a relação indesejada resulte numa gravidez - e, às vezes, os dois.
Voltando dos Emirados Árabes para Roma, o Papa Francisco reconheceu que essa dinâmica existe. Segundo o relato de Lucetta a repórteres na quinta-feira, foi a primeira vez que a questão foi abordada abertamente no Vaticano e que, apesar
de nada ter acontecido do reconhecimento do Papa, ela espera que não pare por aí, pois o abuso de irmãs "é uma situação muito grave". O Papa "Francisco está tomando medidas contundentes, como reconhecer que esses crimes existem, [o que] foi muito corajoso”, afirmou. "Até então, a instituição sempre havia negado.”
Lidar com essa situação, para ela, é algo "complexo", por várias razões, como o fato de a maioria desses abusos terem acontecido no passado e de ser quase impossível provar que aconteceram.
Apesar da opinião positiva a respeito de Francisco, quando perguntaram se ela é "feminista", sua resposta foi simplesmente: "Não... Sem exageros”. "Acredito que o Papa é um homem muito político, que entende que as mulheres hoje são uma força que não pode ser ignorada.
Ele já disse isso - serviço não é servidão. Ele é claro nas palavras porque sabe que não podemos continuar como estamos", disse.
Nos últimos meses, foram publicados vários artigos sobre o abuso das irmãs por membros do clero católico, particularmente na França, mas o assunto surgiu em 1993, quando duas freiras francesas falaram dos abusos a que as irmãs missionárias estavam sendo submetidas na África.
O relato mais antigo em língua inglesa foi divulgado pelo National Catholic Reporternos anos 90, citando relatórios internos elaborados por ordens religiosas femininas.
Segundo Lucetta, atualmente, a maioria das acusações no Vaticano é antiga e está engavetada há muitos anos em vários departamentos. "A Igreja nunca aceitou a responsabilidade, porque pensava que conseguiriam esconder se não falassem sobre o assunto”, observa.
Ela destaca, ainda, que não é a favor da ordenação feminina.
O que precisa mudar, para ela, é a mentalidade que equipara sacerdócio e poder. Se as mulheres fossem ordenadas, elas também seriam "corrompidas pelo poder do clericalismo", argumenta. "Para mim, é muito mais importante que as mulheres continuem sendo as que se opõem ao poder", afirmou.
Ela diz que a prioridade continua sendo a questão do abuso. "Nos últimos sete anos, estive em contato com muitas religiosas: recebemos mensagens, conversamos e visitamos essas mulheres. E percebemos que é um problema gigantesco”, revela. "Percebemos que não adianta pedir para as mulheres ocuparem mais lugares na Igreja se no dia a dia muitas delas são vítimas de abuso sexual."
Em relação à investigação das acusações ou à penalização dos abusadores, ela diz que não conhece nenhum caso. Muitas vezes, as freiras é que pagam o preço da situação e são acusadas de "seduzir” os padres e bispos.
Segundo Lucetta, a lei da Igreja dispõe sobre abuso, principalmente se ocorre durante o sacramento da confissão, mas na verdade é mais difícil provar quando as mulheressofrem abuso do que as crianças.
Ela observa que acusar bispos e sacerdotes de crimes que aconteceram no passado pode ser "vergonhoso", porque a lei não é retroativa e é difícil provar. No entanto, "é um problema terrível, e não é uma instituição qualquer - é a Igreja Católica".
"É uma instituição que foi criada a partir de uma vítima, Jesus Cristo", disse. "Há uma grande contradição no seio da Igreja."
Ela desafiou as mulheres a se considerarem protagonistas dentro da Igreja. "Nós, mulheres, jornalistas, especialistas do Vaticano, não achamos que é uma novidade pedir a opinião de uma mulher".
"Vamos tentar não pensar que a Igreja é apenas composta por homens. Por que aceitamos que o conselho consultivo do Papa é formado apenas por homens? Nós somos mais da metade da Igreja, damos apoio e não há nenhuma mulher no 'senado'?"
"Como é possível pensar no futuro da Igreja excluindo as mulheres da discussão?", questionou. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Para os sacerdotes pais, o Vaticano tem regras secretas internas. "Posso confirmar que essas diretrizes existem", disse o porta-voz do Vaticano Alessandro Gisotti ao New York Times. "É um documento interno", acrescentou Gisotti, explicando que aos padres pais é pedido para deixar o sacerdócio "para assumir a responsabilidade como pai, dedicando-se exclusivamente ao filho". O Nyt tomou conhecimento dessas diretrizes por Vincent Doyle, filho de um padre que criou um grupo de apoio chamado "Coping International". A reportagem é publicada por La Repubblica, 19-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.
Doyle relata que a sua organização tem 50.000 usuários em 175 países diferentes. Doyle disse ao Nyt que tomou conhecimento dessas diretrizes em outubro de 2017, quando foram mostradas a ele pelo arcebispo Ivan Jurkovic, o enviado do Vaticano à ONU em Genebra. "Somos realmente chamados 'filhos dos ordenados’ - disse Doyle - fiquei chocado por eles terem uma expressão para isso".
A confirmação chega na véspera da cúpula do Vaticano sobre a proteção dos menores na Igreja, marcada para os dias 21 a 24 de fevereiro. Uma cúpula de quatro dias que prevê apresentações, discussões, vídeos e testemunhos com os presidentes de todas as conferências episcopais de cada parte do mundo. A iniciativa do encontro no Vaticano absolutamente inédita, desejada com força pelo Papa Francisco, terá sobre a mesa o tema extremamente delicado da pedofilia, dos abusos sexuais contra menores. O workshop será inaugurado pelo próprio Bergoglio, que fará uma breve introdução no primeiro dia das discussões.
O encontro, intitulado "A proteção dos menores na igreja", foi apresentado na Sala de Imprensa do Vaticano, enquanto justamente em frente, na Via della Conciliazione, alguns representantes de associações de vítimas dos abusos lançavam um apelo ao papa. "Pedimos que seja posta em prática a tolerância zero – foram suas palavras - cada padre culpado deve ser demitido do estado clerical e também os bispos que acobertaram devem ser expulsos da Igreja." A partir de quinta-feira, portanto, um "novo amanhecer" surgirá, como foi enfatizado várias vezes nesta terça-feira durante a apresentação.
Todas as apresentações, nove ao todo, também serão transmitidas ao vivo por streamingno site do Vaticano, no signo da transparência, um dos pontos-chave em que a reunião está centrada. "Os bispos devem assumir suas responsabilidades - explicou na conferência de imprensa o arcebispo de Chicago, cardeal Blase Cupich. Este é um ponto de virada. Não posso prometer que de hoje em diante não haverá mais abusos, mas as pessoas terão que responder pelo que fazem".
"Devemos romper esse código de silêncio", as palavras do Arcebispo de Malta, Mons. Charles Scicluna, há anos na linha de frente contra a pedofilia na Igreja, que, quando perguntado se o encontro possa se transformar em um buraco na água respondeu: "Nós nunca deixaremos de ter esperança que desta vez dê certo. Jamais devemos desistir de proteger a inocência dos nossos filhos, dos nossos jovens".
Durante os quatro dias de trabalho, também serão organizados encontros privados com as vítimas dos abusos. Os vídeos de seus depoimentos serão transmitidos inclusive antes dos relatos. Alguns deles, além disso, serão publicados on-line no site que vai acompanhar passo a passo a evolução do encontro e onde já estão disponíveis numerosos documentos que acompanham aquele que o próprio Papa Francisco chamou de um "ato de forte responsabilidade pastoral" para enfrentar a chaga da pedofilia, "um desafio urgente do nosso tempo".
Os problemas da Igreja são complexos, como evidencia inclusive o episódio do núncio em Paris, D. Luigi Ventura, que recebeu uma denúncia de assédio sexual e que nesta terça-feira viu chegar uma segunda acusação de igual teor: a segunda vítima, também nesse caso um funcionário da prefeitura de Paris, definiu o que fez Ventura como o "gesto habitual de um predador". Outra vítima fez um apelo ao Vaticano para revogar a imunidade diplomática que protege o núncio". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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1) Oração
Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 8, 22-26)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 22Chegando Jesus e seus discípulos a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e suplicaram-lhe que o tocasse. 23Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? 24O cego levantou os olhos e respondeu: Vejo os homens como árvores que andam. 25Em seguida, Jesus lhe impôs as mãos nos olhos e ele começou a ver e ficou curado, de modo que via distintamente de longe. 26E mandou-o para casa, dizendo-lhe: Não entres nem mesmo na aldeia. - Palavra da salvação.
3) Reflexão Jo 15,9-17
* O Evangelho de hoje conta a cura de um cego. Este episódio da cura forma o início de uma longa instrução de Jesus aos discípulos (Mc 8,27 a 10,45) que, por sua vez, termina com a cura de um outro cego (Mc 10,46-52). No meio deste contexto mais amplo Marcos sugere aos leitores que os cegos de verdade são Pedro e os outros discípulos. Somos todos nós! Eles não entendiam a proposta de Jesus quando este falava do sofrimento e da cruz. Pedro aceitava Jesus como messias, mas não como messias sofredor (Mc 8,27-33). Ele estava influenciado pela propaganda do governo da época que só falava do messias como rei glorioso. Pedro parecia cego. Não enxergava nada e ainda queria que Jesus fosse como ele, Pedro, o queria.
* O evangelho de hoje mostra como foi difícil a cura do primeiro cego. Jesus teve que realizá-la em duas etapas. Igualmente difícil foi a cura da cegueira dos discípulos. Jesus teve que fazer uma longa explicação a respeito do significado da Cruz para ajudá-los a enxergar, pois era a cruz que estava provocando neles a cegueira.
* No ano 70, quando Marcos escreve, a situação das comunidades não era fácil. Havia muito sofrimento, muitas cruzes. Seis anos antes, em 64, o imperador Nero tinha decretado a primeira grande perseguição, matando muitos cristãos. Em 70, na Palestina, Jerusalém estava sendo destruída pelos romanos. Nos outros países, estava começando uma tensão forte entre judeus convertidos e judeus não convertidos. A dificuldade maior era a Cruz de Jesus. Os judeus achavam que um crucificado não podia ser o messias tão esperado pelo povo, pois a lei afirmava que todo crucificado devia ser considerado como um maldito de Deus (Dt 21,22-23).
* Marcos 8,22-26: Cura de um cego.
Trouxeram um cego, pedindo que Jesus o curasse. Jesus o curou, mas de um jeito diferente. Primeiro, ele o levou para fora do povoado. Em seguida, cuspiu nos olhos dele, impôs as mãos e perguntou: Você está vendo alguma coisa? O homem respondeu: Vejo pessoas; parecem árvores que andam! Enxergava só uma parte. Trocava árvore por gente, ou gente por árvore! Foi só na segunda tentativa que Jesus curou o cego e o proibiu de entrar no povoado. Jesus não queria propaganda fácil.
* Como dissemos, esta descrição da cura do cego forma a introdução à longa instrução de Jesus para curar a cegueira dos discípulos, que, no fim, termina com a cura de outro cego, o Bartimeu. Na realidade o cego era Pedro. Somos todos nós. Pedro não queria o compromisso da Cruz! E nós será que entendemos o significado do sofrimento na vida?
* Entre as duas curas de cego (Mc 8,22-26 e Mc 10,46-52), está a longa instrução sobre a Cruz (Mc 8,27 a 10,45). Parece um catecismo, feita com frases do próprio Jesus. Ela fala sobre a cruz na vida do discípulo e da discípula. A longa instrução consta de três anúncios da paixão. O primeiro é de Marcos 8,27-38. O segundo, de Marcos 9,30-37. O terceiro, de Marcos 10,32-45. Entre o primeiro e o segundo, há uma série de instruções para ajudar a entender que Jesus é o Messias Servo (Mc 9,1-29). Entre o segundo e o terceiro, uma série de instruções que esclarecem que tipo de conversão deve ocorrer na vida dos que aceitam Jesus como Messias Servo (Mc 9,38 a 10,31).
Mc 8,22-26: a cura de um cego
Mc 8,27-38: primeiro anúncio da Cruz
Mc 9,1-29: instruções aos discípulos sobre o Messias Servo
Mc 9,30-37: Segundo anúncio da Cruz
Mc 9,38 a 10,31: instruções aos discípulos sobre a conversão
Mc 10,32-45: terceiro anúncio da Cruz
Mc 10,46-52: a cura do cego Bartimeu
O conjunto desta instrução tem como pano de fundo a caminhada da Galiléia até Jerusalém. Desde o começo até o fim desta longa instrução, Marcos informa que Jesus está a caminho de Jerusalém, onde será preso e morto (Mc 8,27; 9,30.33; 10,1.17.32). A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço, desde a Galiléia até Jerusalém. Quem insiste em manter a idéia de Pedro, isto é, do Messias glorioso sem a cruz, nada vai entender e nunca chegará a tomar a atitude do verdadeiro discípulo. Continuará cego, trocando gente por árvore (Mc 8,24). Pois sem a cruz é impossível entender quem é Jesus e o que significa seguir Jesus.
O Caminho do seguimento é o caminho da entrega, do abandono, do serviço, da disponibilidade, da aceitação do conflito, sabendo que haverá ressurreição. A cruz não é um acidente de percurso, mas faz parte deste caminho. Pois num mundo, organizado a partir do egoísmo, o amor e o serviço só podem existir crucificados! Quem faz da sua vida um serviço aos outros, incomoda os que vivem agarrados aos privilégios, e sofre.
4) Para um confronto pessoal
- Todos acreditamos em Jesus. Mas um entende Jesus de um jeito, outro o entende de outro jeito. Qual é, hoje, o Jesus mais comum no modo de pensar do povo? Como a propaganda interfere no meu modo de ver Jesus? O que faço para não cair engano da propaganda?
- O que Jesus pede às pessoas que querem seguI-lo? O que, hoje, nos impede de reconhecer e de assumir o projeto de Jesus?
5) Oração final
SENHOR, quem pode habitar na tua tenda? E morar no teu santo monte Aquele que vive sem culpa, age com justiça e fala a verdade no seu coração. (Sl 14, 1-2)
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1) Oração
Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 8, 14-21)
Naquele tempo, 14Aconteceu que eles haviam esquecido de levar pães consigo. Na barca havia um único pão. 15Jesus advertiu-os: Abri os olhos e acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes! 16E eles comentavam entre si que era por não terem pão. 17Jesus percebeu-o e disse-lhes: Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível? 18Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais? 19Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes cheios de pedaços? Responderam-lhe: Doze. 20E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes? Sete, responderam-lhe. 21Jesus disse-lhes: Como é que ainda não entendeis?
3) Reflexão Mc 8,14-21
* O Evangelho de ontem falava do mal-entendido entre Jesus e os fariseus. O evangelho de hoje fala do mal-entendido entre Jesus e os discípulos e mostra como o “fermento dos fariseus e de Herodes” (religião e governo), tinha tomado conta da cabeça dos discípulos a ponto de eles não entenderem mais nada da Boa Nova.
* Marcos 8,14-16: Cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes
Jesus adverte os discípulos: “Cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes”. Mas eles não entendem as palavras de Jesus. Acham que ele falou assim por eles terem esquecido de comprar pão. Jesus fala uma coisa e eles entendem outra. Este desencontro era resultado da influência insidiosa do “fermento dos fariseus” na cabeça e na vida dos discípulos.
* Marcos 8,17-18ª: As perguntas de Jesus
Diante desta falta quase total de percepção nos discípulos, Jesus faz uma série de perguntas rápidas, sem esperar uma resposta. Perguntas duras que evocam coisas muito sérias e revelam uma total incompreensão por parte dos discípulos. Por incrível que pareça, os discípulos chegaram num ponto em que já não se diferenciavam dos inimigos de Jesus. Anteriormente, Jesus tinha ficado triste com a “dureza de coração” dos fariseus e dos herodianos (Mc 3,5). Agora, os próprios discípulos têm o “coração endurecido” (Mc 8,17). Anteriormente, “os de fora” (Mc 4,11) não entendiam as parábolas, porque “tinham olhos e não enxergavam, ouvidos e não escutavam” (Mc 4,12). Agora, os próprios discípulos já não entendem mais nada, porque “tem olhos e não enxergam, ouvidos e não escutam” (Mc 8,18). Além disso, a imagem do “coração endurecido” evocava a dureza de coração do povo do AT que sempre se desviava do caminho. Evocava ainda o coração endurecido do faraó que oprimia e perseguia o povo (Ex 4,21; 7,13; 8,11.15.28; 9,7...). A expressão “tem olhos e não vêem, ouvidos e não ouvem” evocava não só o povo sem fé, criticado por Isaías (Is 6,9-10), mas também os adoradores dos falsos deuses, dos quais o salmo dizia: “eles têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não ouvem” (Sl 115,5-6).
* Marcos 18b-21: As duas perguntas sobre o pão
* As duas perguntas finais tratam da multiplicação dos pães: Quantos cestos recolheram na primeira vez? Doze! E na segunda vez? Sete! Como os fariseus, os discípulos, apesar de terem colaborado ativamente na multiplicação dos pães, não chegaram a compreender o seus significado. Jesus termina: "E vocês ainda não compreendem?" A maneira de Jesus lançar todas estas perguntas, uma depois da outra, quase sem esperar pela resposta, parece uma ruptura. Revela um desencontro muito grande. Qual a causa deste desencontro?
* A causa do desencontro entre Jesus e os discípulos
* A causa do desencontro entre Jesus e os discípulos não foi a má vontade deles. Os discípulos não eram como os fariseus. Estes também não entendiam, mas neles havia malícia. Eles usavam a religião para criticar e condenar Jesus (Mc 2,7.16.18.24; 3,5.22-30). Os discípulos, porém, eram gente boa. Não tinham má vontade. Pois, mesmo sendo vítimas do “fermento dos fariseus e dos herodianos”, eles não estavam interessados em defender o sistema dos fariseus e dos herodianos contra Jesus. Então, qual era a causa? A causa do desencontro entre Jesus e os discípulos tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas messiânicas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (cf. Mc 15,9.32). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (cf. Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (cf. Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (cf. Jo 4,25; Mc 1,22.27). Outros, um Messias Juiz (cf. Lc 3,5-9; Mc 1,8). Outros, um Messias Profeta (6,4; 14,65). Ao que parece, ninguém esperava pelo Messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1; 49,3; 52,13). Eles não se lembravam de valorizar a esperança messiânica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita confusão de idéias! E é nesta atitude de Servidor que está a chave que vai acender uma luz na escuridão dos discípulos e que vai ajudá-los a se converter. Só mesmo aceitando o Messias como sendo o Servo Sofredor de Isaías, eles seriam capazes de abrir os olhos e de entender o Mistério de Deus em Jesus.
4) Para um confronto pessoal
1) Qual é hoje o fermento dos fariseus e de Herodes para nós? O que significa hoje, para mim, ter o “coração endurecido”?
2) O fermento de Herodes e dos fariseus impedia os discípulos de entender a Boa Nova. Será que hoje a propaganda da televisão nos impede de entender a Boa Nova de Jesus?
5) Oração final
Quando penso: Vacilam-me os pés, sustenta-me, Senhor, a vossa graça. Quando em meu coração se multiplicam as angústias, vossas consolações alegram a minha alma. (Sl 93, 18-19)
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1) Oração
Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 8,11-13)
Naquele tempo, 11Os fariseus vieram e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova. 12Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal. 13Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
3) Reflexão Mc 8,11-13
* A partir de hoje, o evangelho diário retoma a leitura contínua do Evangelho de Marcos, interrompida no dia 5 de março, véspera da quaresma.
* Marcos 8,11-13: Os fariseus pedem um sinal do céu.
O Evangelho de hoje traz uma discussão dos fariseus com Jesus. Como Moisés no Antigo Testamento, Jesus tinha alimentado o povo faminto no deserto, realizando a multiplicação dos pães (Mc 8,1-10). Sinal de que ele se apresentava ao povo como um novo Moisés. Mas os fariseus não foram capazes de perceber o significado da multiplicação dos pães. Eles começam a discutir com Jesus e pedem um sinal, “vindo do céu”. Não tinham entendido nada de tudo que Jesus tinha feito. “Jesus suspira profundamente”, provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tão grande cegueira. E ele conclui: “Nenhum sinal será dado a esta geração!” Deixou-os de lado e foi para o outro banda do lago. Não adianta mostrar uma pintura bonita a quem não quer abrir os olhos. Quem fecha os olhos não pode ver!
* O perigo da ideologia dominante.
Aqui se percebe claramente como o “fermento de Herodes e dos fariseus” (Mc 8,15), a ideologia dominante da época, fazia as pessoas perder a capacidade de analisar com objetividade os acontecimentos. Esse fermento já vinha de longe e tinha raízes profundas na vida do povo. Chegou a contaminar a mentalidade dos próprios discípulos e neles se manifestava de muitas maneiras. A formação que Jesus lhes dava procurava combater e erradicar esse “fermento”. Eis alguns exemplos desta ajuda fraterna de Jesus aos discípulos.
* 1. Mentalidade de grupo fechado. Certo dia, alguém que não era da comunidade, usava o nome de Jesus para expulsar os demônios. João viu e proibiu: “Impedimos, porque ele não anda conosco” (Mc 9,38). João pensava ser o monopólio sobre Jesus e queria proibir que outros usassem o nome dele para realizar o bem. Queria uma comunidade fechada sobre si mesma. Era o fermento de "Povo eleito, Povo separado!". Jesus responde: "Não impeçam!... Quem não é contra é a favor!" (Mc 9,39-40).
* 2. Mentalidade de grupo que se considera superior aos outros. Certa vez, os samaritanos não queriam dar hospedagem a Jesus. A reação de alguns discípulos foi imediata: “Que um fogo do céu acabe com esse povo!” (Lc 9,54). Achavam que, pelo fato de estarem com Jesus, todos deveriam acolhê-los. Pensavam ter Deus do seu lado para defendê-los. Era o fermento de “Povo eleito, Povo privilegiado!”. Jesus os repreende: "Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados" (Lc 9,55)
* 3. Mentalidade de competição e de prestígio. Os discípulos brigavam entre si pelo primeiro lugar (Mc 9,33-34). Era o fermento de classe e de competição, que caracterizava a religião oficial e a sociedade do Império Romano. Ela já se infiltrava na pequena comunidade ao redor de Jesus. Jesus reage e manda ter a mentalidade contrária : "O primeiro seja o último" (Mc 9, 35).
* 4. Mentalidade de quem marginaliza o pequeno. Os discípulos afastavam as crianças. Era o fermento da mentalidade da época, segundo a qual criança não contava e devia ser disciplinada pelos adultos. Jesus os repreende: ”Deixem vir a mim as crianças!” (Mc 10,14). Ele coloca criança como professora de adulto: “Quem não receber o Reino como uma criança, não pode entrar nele” (Lc 18,17).
* Como no tempo de Jesus, também hoje, a mentalidade neoliberal da ideologia dominante renasce e reaparece até na vida das comunidades e das famílias. A leitura orante do Evangelho, feita em comunidade, pode ajudar-nos a mudar em nós a visão das coisas e a aprofundar em nós a conversão e a fidelidade que Jesus pede de nós.
4) Para um confronto pessoal
1) Diante da alternativa: ter fé em Jesus ou pedir um sinal do céu, os fariseus queriam um sinal do céu. Não foram capazes de crer em Jesus. Será que já aconteceu algo assim comigo? Que escolha eu fiz?
2) O fermento dos fariseus impedia os discípulos e as discípulas de perceber a presença do Reino em Jesus. Será que existe algum resto do fermento dos fariseus em mim?
5) Oração final
Vós que sois bom e benfazejo, ensinai-me as vossas leis. (Sl 118, 68)
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Bispo Dom Vilson Dias, da diocese de Limeira, é investigado por extorsão. Solicitação do dinheiro seria para compra de armários para sua própria casa em Guaíra. Ele nega
Gustavo Schmitt e Henrique Gomes Batista
AMERICANA e LIMEIRA - A diocese de Limeira, em São Paulo, já abalada pelo afastamento recente de um padre acusado de assédio sexual, incluindo menores de idade, agora se vê às voltas com outro escândalo, de denúncias de corrupção envolvendo o bispo dom Vilson Dias de Oliveira. Em depoimento na delegacia seccional de Americana, cidade daquela região, o padre emérito Ângelo Francisco Rossi disse anteontem que, em 2012, o bispo dom Vilson lhe pediu R$ 50 mil para pagar a compra de armários para a casa própria do religioso em Guaíra, cidade natal do bispo no norte de São Paulo.
Em depoimento a que O GLOBO teve acesso, o padre Ângelo disse que se recusou a atender ao pedido do superior. Poucos meses depois foi substituído na paróquia da basílica de Americana, onde atuava na ocasião, pelo padre Pedro Leandro Ricardo, alvo das acusações de assédio sexual e também suposto desvio de verbas. Por conta das denúncias, no final de janeiro o padre Leandro foi suspenso de suas funções eclesiásticas por tempo indeterminado. As acusações foram feitas de forma anônima e embasaram a abertura de uma investigação, que corre em sigilo.
O bispo é investigado por casos de extorsão e coação, além de supostamente acobertar denúncias de abuso sexual de menores contra o padre Leandro. Ele nega as acusações. Dom Vilson tem sob seu comando 102 paróquias em 16 municípios paulistas que estão na área de abrangência da diocese de Limeira.
Em nota, a diocese de Limeira e o bispo Dom Vilson informaram que não irão se manifestar, até que o inquérito seja concluído e todas as testemunhas, inclusive as de defesa, sejam ouvidas.
O GLOBO confirmou as informações com fontes que acompanham as investigações, também em segredo de Justiça.
O padre Ângelo narrou que o encontro com dom Vilson ocorreu na casa episcopal de Limeira. Segundo ele, na ocasião, o bispo solicitou que o dinheiro fosse retirado da igreja Santo Antônio de Pádua, em Americana, na época sob o comando de Ângelo.
De acordo com o depoimento, o padre disse ter sido surpreendido pelo pedido, e então levado o assunto à pauta do Conselho Administrativo Financeiro da igreja — órgão composto por representantes da sociedade civil que são fiéis da comunidade.
Na reunião, os conselheiros negaram o pedido de R$ 50 mil ao bispo. Além do depoimento, o padre Ângelo apresentou à polícia uma ata da igreja com o registro desta reunião em 24 de julho de 2012. O padre disse ainda à polícia que o bispo não gostou da notícia de que não receberia o repasse, e que então teria passado a exigir uma contribuição ainda maior, de R$ 150 mil, segundo ele, para obras na diocese de Limeira.
O padre diz ter levado o assunto novamente ao Conselho da igreja, que informou que poderia fazer o repasse se a documentação para a realização das obras estivesse correta. O repasse, porém, não foi à frente. Essa reunião foi registrada em outra ata, de 21 de agosto de 2012, também entregue à polícia.
A polícia ainda questionou o padre sobre uma outra denúncia que envolve o possível sumiço de mais de R$ 1 milhão dos cofres da paróquia Santo Antonio de Pádua. Essa acusação de desvio é atribuída ao seu sucessor, o padre Leandro.
O padre Ângelo confirmou que quando transferiu a administração da igreja Santo Antônio de Pádua ao então padre Leandro, em janeiro de 2013, a instituição tinha R$ 1 milhão em conta bancária. O religioso disse que depois de deixar a paróquia, não acompanhou mais a prestação de contas. Também afirmou que não tem conhecimento de irregularidades que envolvem o padre Leandro. Fonte: https://oglobo.globo.com
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1) Oração
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 8, 1-10)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - 1Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, e não tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse: 2Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer; 3Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe! 4Seus discípulos responderam-lhe: Como poderá alguém fartá-los de pão aqui no deserto? 5Mas ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Sete, responderam. 6Mandou então que o povo se assentasse no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e entregou-os a seus discípulos, para que os distribuíssem e eles os distribuíram ao povo. 7Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuí-los. 8Comeram e ficaram fartos, e dos pedaços que sobraram levantaram sete cestos. 9Ora, os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu. 10E embarcando depois com seus discípulos, foi para o território de Dalmanuta. - Palavra da salvação.
1 Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinham o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2 "Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não têm nada para comer. 3 Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe." 4 Os discípulos disseram: "Onde alguém poderia saciar essa gente de pão, aqui no deserto?" 5 Jesus perguntou: "Quantos pães vocês têm?" Eles responderam: "Sete." 6 Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois pegou os sete pães, agradeceu, partiu-os e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. 7 Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. 8 Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos dos pedaços que sobraram. 9 Eram mais ou menos quatro mil. E Jesus os despediu. 10 Jesus entrou na barca com seus discípulos e foi para a região de Dalmanuta.
3) Reflexão
* O texto do evangelho de hoje traz a segunda multiplicação dos pães. O fio que costura os vários episódios desta parte do evangelho de Marcos é o alimento, o pão. Depois do banquete de morte (Mc 6,17-29), vem o banquete da vida (Mc 6,30-44). Durante a travessia do lago, os discípulos têm medo, porque não entenderam nada do pão multiplicado no deserto (Mc 6,51-52). Em seguida, Jesus declara puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Na conversa de Jesus com a mulher Cananeia, os pagãos vão comer das migalhas que caem da mesa dos filhos (Mc 7,24-30). E aqui no evangelho de hoje, Marcos relata a segunda multiplicação do pão (Mc 8,1-10).
* Marcos 8,1-3: A situação do povo e a reação de Jesus
A multidão, que se juntou ao redor de Jesus no deserto, estava sem comida. Jesus chama os discípulos e coloca o problema: Tenho dó desse povo. Estão três dias comigo e não têm o que comer. Não posso mandá-los de volta para casa, porque alguns deles vieram de longe e poderiam desfalecer pelo caminho! Nesta preocupação de Jesus transparecem duas coisas muito importantes: 1) O povo esqueceu casa e comida e foi atrás de Jesus no deserto! Sinal de que Jesus deve ter sido uma simpatia ambulante, a ponto de o povo andar atrás dele no deserto e ficar com ele durante três dias! 2) Jesus não manda resolver o problema. Ele apenas manifesta a sua preocupação aos discípulos. Parece um problema sem solução.
* Marcos 8,4: A reação dos discípulos: o primeiro mal-entendido
Os discípulos pensam logo numa solução, segundo a qual alguém deve arrumar pão para o povo. Não lhes passa pela cabeça que a solução possa vir do próprio povo. Eles dizem: “Como poderia alguém, aqui no deserto, saciar com pão a tanta gente?” Com outras palavras, eles pensam numa solução tradicional. Alguém deve juntar dinheiro, comprar pão e distribuir ao povo. Eles mesmos percebem que, naquele deserto, esta solução não é viável, mas não vêem outra possibilidade para resolver o problema. Ou seja: se Jesus insiste em não mandar o povo de volta para casa, não haverá solução para a fome do povo!
* Marcos 8,5-7: A solução encontrada por Jesus
Primeiro, ele pergunta quantos pães eles têm: “Sete!” Em seguida, manda o povo sentar-se. Depois, tomou os sete pães, deu graças, partiu-os e deu aos seus discípulos para que os distribuíssem. E fez o mesmo com os peixes. Como na primeira multiplicação (Mc 6,41), a maneira de Marcos descrever a atitude de Jesus lembra a Eucaristia. A mensagem é esta: a participação na Eucaristia deve levar-nos à doação e à partilha do pão com os que não têm pão
* Marcos 8,8-10: O resultado
Todos comeram, ficaram saciados e ainda sobrou! Solução inesperada, nascida de dentro do próprio povo, a partir do pouco que eles mesmos tinham trazido. Na primeira multiplicação, sobraram doze cestos. Aqui, sete. Na primeira, foi para cinco mil pessoas. Aqui, para quatro mil. Na primeira, havia cinco pães e dois peixes. Aqui, sete pães e alguns peixes.
* O perigo da ideologia dominante
Os discípulos pensavam de um jeito, Jesus pensa de outro jeito. No modo de pensar dos discípulos transparece a ideologia dominante, o modo comum de pensar das pessoas. Jesus pensa diferente. Não é pelo fato de uma pessoa andar com Jesus e de viver na comunidade que ela já é santa e renovada. No meio dos discípulos, cada vez de novo, a mentalidade antiga levantava a cabeça, pois o “fermento de Herodes e dos fariseus” (Mc 8,15), isto é, a ideologia dominante, tinha raízes profundas na vida daquele povo. A conversão que Jesus pede vai longe e fundo. Ele quer atingir a raiz e erradicar os vários tipos de “fermento”:
+ o “fermento” da comunidade fechada sobre si mesma sem abertura. Jesus responde: “Quem não é contra é a favor!" (Mc 9,39-40). Para Jesus, o que importa não é se a pessoa faz ou não faz parte da comunidade, mas sim se ela faz ou não o bem que a comunidade deve realizar.
+ o “fermento” do grupo que se considera superior aos outros. Jesus responde "Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados" (Lc 9,55).
+ o “fermento” da mentalidade de classe e de competição, que caracterizava a sociedade do Império Romano e que já se infiltrava na pequena comunidade que estava apenas começando. Jesus responde: "O primeiro seja o último" (Mc 9, 35). É o ponto em que ele mais insistiu e em que mais deu o próprio testemunho: “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45; Mt 20,28; Jo 13,1-16).
+ o “fermento” da mentalidade da cultura da época que marginalizava os pequenos, as crianças. Jesus responde:”Deixem vir a mim as crianças!” (Mc 10,14). Ele coloca criança como professora de adulto: “Quem não receber o Reino como uma criança, não pode entrar nele” (Lc 18,17).
Como no tempo de Jesus, também hoje, a mentalidade neoliberal renasce e reaparece na vida das comunidades e das famílias. A leitura orante do Evangelho, feita em comunidade, pode ajudar-nos a mudar de vida e de visão e a continuar na conversão e na fidelidade ao projeto de Jesus.
4) Para um confronto pessoal
- Mal-entendidos podem ocorrer sempre, com amigos e com inimigos. Qual o mal-entendido entre Jesus e os discípulos por ocasião da multiplicação dos pães? Como Jesus enfrenta todos estes mal-entendidos? Você já teve algum mal-entendido em casa, com os vizinhos ou na comunidade? Como foi que você reagiu? A sua comunidade já enfrentou algum mal-entendido ou conflito com as autoridades do município ou da igreja? Como foi?
- Qual o fermento que hoje impede a realização do evangelho e que deve ser eliminado?
5) Oração final
Senhor, fostes nosso refúgio de geração em geração. Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus. (Sl 89, 1-2)
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A Congregação para a Doutrina da Fé comunicou que o ex-cardeal McCarrick foi declarado culpado por uso impróprio da Confissão e violação do Sexto Mandamento do Decálogo com menores e adultos, com o agravante do abuso de poder. O Papa reconheceu a natureza definitiva desta decisão.
Cidade do Vaticano
O ex-cardeal estadunidense Theodore Edgar McCarrik, 88 anos, foi demitido do estado clerical. A notícia foi divulgada por meio de um Comunicado da Congregação para a Doutrina da Fé. Segue o texto:
“Em data 11 de janeiro de 2019, o Congresso da Congregação para a Doutrina da Fé emitiu o decreto conclusivo do processo penal a Theodore Edgar McCarrick, Arcebispo emérito de Washington, D.C., com o qual o acusado foi declarado culpado dos seguintes delitos perpetrados como clérigo: uso impróprio da Confissão e violação do Sexto Mandamento do Decálogo com menores e adultos, com o agravante do abuso de poder, portanto foi-lhe imposta como sentença a demissão do estado clerical. No dia 13 de fevereiro de 2019 a Sessão ordinária (Feria IV) da Congregação para a Doutrina da Fé examinou os argumentos apresentados no recurso do recorrente e decidiu confirmar o decreto do Congresso. Tal decisão foi notificada a Theodore Edgar McCarrick em data de 15 de fevereiro de 2019. O Santo Padre reconheceu a natureza definitiva, segundo as normas de lei, desta decisão, que torna o caso res iudicata, ou seja, não sujeita a ulterior recurso”.
Reconstrução do caso
Em setembro de 2017, a arquidiocese de Nova York assinalou à Santa Sé as acusações feitas por um homem contra McCarrick de que fora abusado por ele nos anos 1970 quando era adolescente. O Papa determina uma investigação prévia aprofundada , realizada pela arquidiocese de Nova York e na conclusão da qual a relativa documentação foi transmitida à Congregação para a Doutrina da fé. Em junho de 2018 o cardeal secretário de estado Pietro Parolin, sob indicação do Papa Francisco, comunica a McCarrick que naõ poderá mais exercer publicamente o seu ministério sacerdotal. Enquanto isso, no decorrer das investigações vêm à tona graves indícios. Em 28 de Julho de 2018 o Papa aceita sua renúncia do Colégio Cardinalício, ordenando-lhe a proibição do exercício do ministério público e a obrigação de levar uma vida de oração e de penitência.
Em 6 de outubro de 2018, um comunicado da Santa Sé afirma incisivamente: “Tanto abusos como a cobertura dos mesmos não poderão mais ser tolerados e um diverso tratamento para os Bispos que os cometeram ou lhes deram cobertura representa, de fato, uma forma de clericalismo que não será mais aceita”. E reitera o “premente convite” do Papa Francisco “para unir as forças para combater a grave chaga dos abusos dentro e fora da Igreja e para prevenir que tais crimes sejam ulteriormente perpetrados prejudicando os mais inocentes e os mais vulneráveis da sociedade”. Em vista do encontro no Vaticano dos presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo de 21 a 24 de fevereiro de 2019, sublinha por fim as palavras do Papa na Carta ao Povo de Deus: “A única maneira de respondermos a esse mal que prejudicou tantas vidas é vivê-lo como uma tarefa que nos envolve e corresponde a todos como Povo de Deus. Essa consciência de nos sentirmos parte de um povo e de uma história comum nos permitirá reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro” (20 de agosto de 2018). Fonte: www.vaticannews.va
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"Quem conhece o livro diz que o escritor reserva sua crítica mais severa a grandes figuras da Igreja que atacaram essa orientação sexual mas mantém sua própria homossexualidade em sigilo. Uma das "regras" do armário do Vaticano, segundo Frederic Martel, é que quanto mais um cardeal ou bispo denuncia casais ou comportamentos homossexuais, maior a probabilidade de ele próprio ser gay". O artigo é de Christopher Lamb, publicada pela página eletrônica da revista católica britânica, The Tablet, 12-02-2019. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.
No dia em que deve começar a cúpula sobre o abuso sexual convocada pelo Papa Francisco, será publicado um livro bombástico prometendo revelar questões sobre padres gays no Vaticano e a vida dupla de autoridades.
Segundo o livro do sociólogo e jornalista francês Frederic Martel, chamado “In the Closet of the Vatican” (No armário do Vaticano, tradução livre), 80% dos religiosos que trabalham na Cúria Romana são homossexuais – embora não necessariamente sexualmente ativos. Além disso, a obra apresenta detalhes de sua adesão a um silencioso código do “armário”.
Após quatro anos coletando material ao redor do mundo, Frederic Martel, abertamente homossexual e não crente, passou cerca de uma semana por mês em Roma, por vezes em residências dentro do Vaticano ou em propriedades da Santa Sé. Segundo Frederic, foram realizadas 1.500 entrevistas com 41 cardeais, 52 bispos e monsenhores, 45 embaixadores papais ou funcionários diplomáticos, 11 guardas suíços e mais de 200 sacerdotes e seminaristas. O lançamento do livro está previsto para o dia 21 de fevereiro, em 8 idiomas, em 20 países.
A obra chegará às prateleiras enquanto os bispos do mundo todo discutem respostas a casos de abuso sexual clerical.
Para os defensores do livro, Frederic Martel revelará os problemas de uma cultura clerical disfuncional que nega a sexualidade. Outros afirmam que o momento da publicação do livro mais uma vez deve associar injustamente a homossexualidade e o abuso sexual infantil, intensificando uma caça às bruxas contra os padres homossexuais.
Segundo fontes, a pesquisa revela que enquanto há sacerdotes homossexuais que aceitam sua orientação, alguns secretamente mantém relacionamentos, outros têm uma vida dupla, procurando encontros casuais e outros profissionais do sexo, e outros, ainda, negam sua sexualidade. E Frederic argumenta que as batalhas internas da Igreja nas últimas décadas devem ser lidas a partir de um paradigma da homossexualidadeenrustida. Quem conhece o livro diz que o escritor reserva sua crítica mais severa a grandes figuras da Igreja que atacaram essa orientação sexual mas mantém sua própria homossexualidade em sigilo. Uma das "regras" do armário do Vaticano, segundo Frederic Martel, é que quanto mais um cardeal ou bispo denuncia casais ou comportamentos homossexuais, maior a probabilidade de ele próprio ser gay.
Apesar de não se concentrar no abuso sexual infantil, ele alega que a cultura sexual secreta entre os clérigos dificultou a denúncia de padres acusados de cometer abuso. O livro alega que o Papa Francisco tentou romper esse padrão de comportamento condenando os sacerdotes que mantém uma vida "dupla". Ao mesmo tempo, Frederic Martel defende que, assim, a Igreja tornou-se uma estrutura instável para religiosos homossexuais que estão no armário, o que, por sua vez, pode explicar parte da oposição interna enfrentada por Francisco.
Segundo fontes, uma das afirmações mais bombásticas do livro gira em torno do falecido cardeal colombiano Alfonso López Trujillo. O cardeal, que foi presidente do Pontifício Conselho para a Família, e por muitos anos foi conhecido como o principal obstáculo à canonização de Oscar Romero, é apresentado tanto como arquidefensor da doutrina da Igreja em relação a contracepção e homossexualidade quanto como usuário de serviços sexuais masculinos.
Para uma dessas fontes, "nem sempre é fácil distinguir se o autor está se baseando em fatos, boatos, relatos testemunhais ou coisas de que ouviu falar”.
Entre os entrevistados estão o cardeal alemão Walter Kasper, que concorda que algumas pessoas do Vaticano escondem sua sexualidade, mas acrescenta que o mais preocupante não é a orientação sexual, mas se a Igreja está ou não ajudando as pessoas encontrarem o caminho de Deus. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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1) Oração
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 7, 31-37)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 31Jesus deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galileia, no meio do território da Decápole. 32Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão. 33Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva. 34E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Éfeta!, que quer dizer abre-te! 35No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente. 36Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam. 37E tanto mais se admiravam, dizendo: Ele fez bem todas as coisas; fez que ouçam os surdos e falem os mudos. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
No evangelho de hoje, Jesus cura um surdo que gaguejava. Este episódio é pouco conhecido. No episódio da Mulher Cananeia, Jesus ultrapassou as fronteiras do território nacional e acolheu uma mulher estrangeira que não era do povo e com a qual era proibido conversar. A mesma abertura continua no evangelho de hoje.
* Marcos 7,31. A região da Decápole
“Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole”. Decápole significa, literalmente, Dez Cidades. Era uma região de dez cidades ao sudeste da Galileia, cuja população era pagã.
* Marcos 7,31-35. Abrir o ouvido e soltar a língua.
Um surdo gago é levado a Jesus. O jeito de curar é diferente. O povo queria que Jesus apenas impusesse as mãos sobre ele. Mas Jesus foi muito além do pedido. Ele levou o homem para longe da multidão, colocou os dedos nas orelhas e com saliva tocou na língua, olhou para o céu, fez um suspiro profundo e disse: “Éfata!”, isto é, “Abra-se!” No mesmo instante, os ouvidos do surdo se abriram, a língua se desprendeu e o homem começou a falar corretamente. Jesus quer que o povo abra o ouvido e solte a língua!
* Marcos 7,36-37: Jesus não quer publicidade.
“Jesus recomendou com insistência que não contassem nada a ninguém. No entanto, quanto mais ele recomendava, mais eles pregavam. Estavam muito impressionados e diziam: "Jesus faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvir e os mudos falar". Ele proíbe a divulgação da cura, mas não adiantou. Quem teve experiência de Jesus, vai contar para os outros, queira ou não queira! As pessoas que assistiram á cura começaram a proclamar o que tinham visto e resumiram a Boa Notícia assim: "Jesus faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvir e os mudos falar". . Esta afirmação do povo faz lembrar a criação, onde se diz: “Deus viu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31). E evoca ainda a profecia de Isaías, onde este diz que no futuro os surdos vão ouvir e os mudos vão falar (Is 29,28; 35,5. cf Mt 11,5).
* A recomendação de não contar nada a ninguém.
Às vezes, se exagera a atenção que o evangelho de Marcos atribui à proibição de divulgar a cura, como se Jesus tivesse um segredo a ser preservado. Na maioria das vezes que Jesus faz um milagre, ele não pede silêncio. Uma vez até pediu publicidade (Mc 5,19). Algumas vezes, porém, ele dá ordem para não divulgar a cura (Mc 1,44; 5,43; 7,36; 8,26), mas ele obtém o resultado contrário. Quanto mais proíbe, tanto mais a Boa Nova se espalha (Mc 1,28.45; 3,7-8; 7,36-37). Não adianta proibir! Pois a força interna da Boa Nova é tão grande que ela se divulga por si mesma!
* Abertura crescente no evangelho de Marcos
Ao longo das páginas do evangelho de Marcos há uma abertura crescente em direção aos outros povos. Assim, Marcos leva os leitores e as leitoras a abrir-se, aos poucos, para a realidade do mundo ao redor e a superar os preconceitos que impediam a convivência pacífica entre os povos. Na sua passagem pela Decápole, região pagã, Jesus atende ao pedido do povo do lugar e cura um surdo gago. Ele não tem medo de contaminar-se com a impureza de um pagão, pois ao curá-lo, toca-lhe os ouvidos e a língua. Enquanto as autoridades dos judeus e os próprios discípulos têm dificuldades de escutar e entender, um pagão que era surdo e gago passa a ouvir e a falar pelo toque de Jesus. Lembra o cântico do servo “O Senhor Iahweh abriu-me os ouvidos e eu não fui rebelde” (Is 50,4-5). Ao expulsar os vendedores do templo, Jesus critica o comércio injusto e afirma que o templo deve ser casa de oração para todos os povos (Mc 11,17). Na parábola dos vinhateiros homicidas, Marcos faz alusão ao fato de que a mensagem será tirada do povo eleito, os judeus, e será dada aos outros, aos pagãos (Mc 12,1-12). Depois da morte de Jesus, Marcos apresenta a profissão de fé de um pagão ao pé da cruz. Ao citar o centurião romano e seu reconhecimento de Jesus como Filho de Deus, está dizendo que o pagão é mais fiel do que os discípulos e mais fiel do que os judeus (Mc 15,39). A abertura para os pagãos aparece de maneira muito clara na ordem final dada por Jesus aos discípulos, depois da sua ressurreição: ”Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
4) Para um confronto pessoal
- Jesus teve muita abertura para as pessoas de outra raça, de outra religião e de outros costumes. Será que nós cristãos hoje temos a mesma abertura? Será que eu tenho?
- Definição da Boa Nova: “Jesus fez bem todas as coisas!” Sou Boa Nova de Deus para os outros?
5) Oração final
Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. (Sl 95, 1-2)
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Todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25,40).
O Evangelho deixa bem claro que Jesus sempre teve um olhar de compaixão para com os pobres, identificando-se com eles e defendendo-lhes a dignidade (cf. Mt 25, 31-45). Inspirados no testemunho de Jesus, nós, bispos católicos do Regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos no Conselho Episcopal Regional, de 04 a 06 de fevereiro 2019, em Coroatá-MA, analisamos a atual conjuntura social e política do País.
Entre outras questões, constatamos com preocupação a extinção do Ministério do Trabalho, fato que pode ocasionar perdas de direitos dos trabalhadores. Preocupa-nos também a atribuição da demarcação de terras indígenas, anteriormente sob a responsabilidade da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, ao Ministério da Agricultura, cujos dirigentes têm manifestado opiniões, ao nosso ver, contrárias aos direitos fundamentais dos povos indígenas.
Outra preocupação provém de pronunciamentos por parte de membros do Governo Federal, cuja intenção parece ser a de intimidar os militantes do Conselho Indigenista Missionário-CIMI e da Comissão Pastoral da Terra-CPT. Tanto o CIMI como a CPT são organismos importantes na defesa dos direitos dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e dos trabalhadores do campo, direitos esses que são reconhecidos pela Constituição Federal.
No Maranhão, reafirmamos o nosso apoio aos povos indígenas que resistem com coragem à invasão de seus territórios. Também nos solidarizamos com as famílias atingidas pela construção de torres para produção de energia eólica em Paulino Neves, bem como com as famílias prejudicadas com a instalação do linhão para o transporte da energia ali produzida.
Não deixa de ser irônico que pobres pescadores artesanais e pobres camponeses paguem proporcionalmente uma conta maior para a produção dessa energia considerada limpa. A tragédia, acontecida em Brumadinho-MG apenas três anos após aquela outra acontecida em Mariana, nos leva a redobrar a atenção e a reflexão com vista a possíveis tomadas de decisão a respeito das consequências e impactos negativos provenientes da mineração, do transporte e do embarque de minério de ferro em nossa região.
Não podemos também nos esquecer dos tanques de lama vermelha produzidos pela Alumar, e outros projetos, como a expansão do Porto de Itaqui e a criação de camarão, os quais, sem trazer ganhos sociais significativos, colocam em risco o frágil bioma da Ilha de São Luís e dos Campos de Perizes.
Reafirmamos nosso apoio à resistência das comunidades indígenas e quilombolas, à Teia das Comunidades Tradicionais, à ONG Justiça nos Trilhos, entre outras. Colocando a vida de nosso povo sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida e pedindo a graça para sempre imitarmos o exemplo de Jesus Cristo, subscrevemos:
Armando Martín Gutiérrez, bispo de Bacabal
Elio Rama, bispo de Pinheiro
Esmeraldo Barreto de Farias, bispo auxiliar de São Luís Francisco
Lima Soares, bispo de Carolina
José Belisário da Silva, arcebispo de São Luís
José Spiga, administrador diocesano de Viana
José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo
João Kot, bispo de Zé Doca
Rubival Cabral Brito, Bispo de Grajau
Sebastião Bandeira Coêlho, bispo de Coroatá
Sebastião Lima Duarte, bispo de Caxias
Vilsom Basso, bispo de Imperatriz
Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges, bispo emérito de Viana
Fonte: http://www.cnbb.org.br
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Às 15h45 de 26 de janeiro de 2019, o Papa Francisco reuniu na Nunciatura do Panamá 30 jesuítas da província da América Central, que inclui os territórios do Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala. Entre eles, o provincial, p. Rolando Enrique Alvarado López, o mestre de noviços, pe. Silvio Avilez e 18 jovens noviços. Assim que Francisco entrou na sala de reuniões, os jesuítas cantaram a canção "En todo amar e servir", bem conhecida na Companhia de Jesus, e depois saudaram a todos, um por um, antes de se sentar e começar a conversa.. (Antonio Spadaro SI)
Obrigado pela sua visita. Nas minhas viagens gosto de conhecer o "nosso", como costumávamos dizer quando eu era jovem [1] . Quero dizer-lhe uma coisa imediatamente: para as províncias da Companhia que se queixam de não ter noviços ... você, provincial, passa a receita para eles! Pergunte o que você quer, o que lhe interessa, que te intriga. E com base nisso, organizamos o diálogo. Eu não preparei nada. Vejo você ...
Na homilia dirigiu-se aos bispos, depois de ter falado de monsenhor Romero, citou o padre jesuíta. Rutilio Grande . Como é a causa da beatificação do Rutilio?
Eu amo muito Rutilio [2] . Na entrada do meu quarto há uma moldura que contém um pedaço de tela sangrenta de Romero e as notas de uma catequese de Rutilio. Eu era muito dedicado a Rutilio antes mesmo de me familiarizar com a figura de Romero. Quando eu estava na Argentina, sua vida me atingiu, sua morte me tocou. De acordo com as últimas notícias que recebi de pessoas informadas, a declaração do martírio está indo bem. E é uma honra ... Homens desse tipo ... Rutilio, além disso, era o profeta. Ele "converteu" Romero .
Aqui está uma visão: a dimensão da profecia, aquela de quem é um profeta para o testemunho da vida, e não apenas daqueles que são, porque ensinam lições e andam por aí conversando. Ele é um profeta do testemunho. Ele também disse o que tinha a dizer, mas foi o seu testemunho, o do martírio, que em última análise moveu Romero. Foi graça. E então se volte para eles com sua oração.
Você era um mestre novato, não é? Em que anos?
Comecei em fevereiro ou março, não me lembro bem, em 1972. Fiz isso até o dia de Santo Inácio, em 1973, quando assumi o papel de provincial. Então, por um ano e meio.
Para você, que era o mestre de principiantes, faço uma pergunta principal. Hoje, nas primeiras décadas do século XXI, as situações são muito diferentes daquelas convulsionadas na América Latina. Mas há algo que você recomendaria aos seus noviços e que, na sua opinião, deveríamos continuar contando aos noviços agora?
Entre as coisas daqueles momentos que devem ser transferidos para hoje e que permanecem atuais, eu destacaria uma atitude: clareza de consciência. Não há lugar para pessoas dissimuladas: elas não precisam da empresa. Quando você lê as cartas de São Francisco Xavier, você vê o quanto ele mantinha as coisas conhecidas: o que Jesus faz na alma de cada um, e também como o diabo mexe e como o mundo seduz.
Este espírito deve ser combinado com grande confiança. Portanto, o mestre principiante não deve ser uma pessoa medrosa. Deve ser aberto, muito aberto, não deve ter medo de nada, não deve temer nada, e em vez disso deve ser afiado, capaz de dizer: "Cuidado com isso, olhe para aquilo que você me diz que é perigoso; isso é uma graça, continue assim ”. Ele deve saber discernir. Um homem que não tem medo, um homem de discernimento.
Portanto, clareza de consciência. Quando estou com os novatos, eu digo a eles: olha, se você não se acostumar a ser transparente agora, é melhor você sair. Porque as coisas vão ficar ruins. Afastar-se da transparência, talvez devido a uma pequenez, é algo que pode acontecer em todos os processos de crescimento. Mas tenha cuidado porque, se você não fizer isso imediatamente, chegará um tempo em que a Sociedade não saberá o que fazer com essa pessoa, porque o vínculo da fraternidade está quebrado, para sermos companheiros no Senhor. Nesse ponto, a pessoa continuará com truques, desculpas, doenças. De qualquer coisa que lhe permita fazer o que quiser. As pessoas que se comportam assim talvez vão para o céu, claro! Mas que vida má, meu Deus, que vida superficial! Melhor sair e talvez se casar, ter filhos e estar em paz. Mas viva assim,
Eu insistiria muito nisso. É claro que é uma coisa delicada. De fato, o professor envolve uma capacidade de respeito, de não ter medo, de ouvir, de encorajar. Para ser mais exigente.
Isso também pode se aplicar aos superiores. Às vezes você pode ter desejado que a pessoa não tivesse consciência, porque ele tem um problema que você não sabe como resolver. Mas é a clareza de consciência que nos torna jesuítas. Além disso, o jesuíta deve saber que o superior o ama e que o diálogo está em Deus.Em
um livro de entrevistas sobre a vida consagrada que acaba de sair eu conto uma história [3] . Fala-se de um superior. Um menino, um «professor» [4], ele estava em uma certa faculdade espanhola e sua mãe tinha câncer terminal. E na cidade onde morava sua mãe havia outro colégio da Companhia. E um dia, quando o provincial veio visitá-lo, entre outras coisas, o menino lhe disse: "Olha, minha mãe está doente. Ele terá menos de um ano de vida. Eu sei que você tem que mandar um professor para aquela faculdade. Eu gostaria de pedir que você me enviasse; assim estarei na cidade da minha mãe, por isso estarei perto dela nos seus últimos momentos ". O provincial ouviu-o com muito cuidado e respondeu: "Tenho que discernir, tenho que pensar". E o menino foi embora pacificamente.
Isso aconteceu na hora do almoço. O provincial deixaria a manhã seguinte ao amanhecer. O menino passava a tarde normalmente, e à noite parava na capela da mãe, para que tudo corresse bem ... Ficou lá até tarde e, quando foi ao seu quarto, encontrou um envelope do provincial. Ele abriu ... Era uma carta com a data do dia seguinte, em que o provincial lhe disse: «Depois de ter pensado sobre isso na presença do Senhor e ter procurado a sua vontade divina ... [e outras declarações como essa ...], e depois de ter celebrado 'Eucaristia [no dia seguinte!], Acho que você deveria ficar nesta faculdade ". O que aconteceu? O provincial teve que sair cedo e continuou com o trabalho, ele já havia escrito e deixado todas as cartas para o ministro [5], quem deveria entregá-los no dia seguinte. Mas o ministro, vendo que já era tarde da noite e já dormia tudo, os entregou imediatamente.
Aquele jesuíta não deixou a Companhia, mas ele teria todos os motivos para fazê-lo.
Então é verdade que às vezes a clareza de consciência acaba em um contra-testemunho desse tipo, em hipocrisia! Além disso, é jogado com discernimento, com missa, com tudo! Aquele superior não tinha escrúpulos. Ele era do tipo de superiores que estão sempre em equilíbrio, jogando nisso. Superiores do mundo, com o espírito do mundo. E, portanto, mesmo os superiores às vezes não ajudam a ter clareza de consciência, e eles têm a responsabilidade.
O superior deve ser muito humilde, muito fraterno e saber que chegará o dia em que ele deverá abrir sua consciência para outro superior. Eu insisto nisso: transparência. Coloque isso na sua cabeça, concentre-se nisso. Caso contrário, você será um fracasso. Vocês serão inconsistentes jesuítas. Então é melhor sair, melhor ser bons pais da família. Eu não estou fazendo uma tragédia, mas é uma das coisas centrais da sociedade, o que garante o amor por Cristo, o seguimento de Cristo. Eu fui formado assim ...
Como você vê, hoje, a vocação do irmão?
Existem três vocações na Sociedade: coadjutor professos e espirituais e irmão [6]. Em 1974, na época da 32ª Congregação, que começou em 3 de dezembro, havia muita efervescência na igualdade. Pensou-se que a diferença entre coadjutor professo e espiritual era uma injustiça social. Houve alguma infiltração ideológica. Em suma, ele estava tentando fazer com que todos se professassem, então, de acordo com eles, todos seriam iguais. P. Arrupe teve que reagir. Se ela tivesse ido assim, algo da Companhia teria sido perdido. E então surgiu outra visão, também ideológica: que o serviço dos irmãos na empresa era uma espécie de injustiça social. Uma questão de "nível social" foi feita. Como se seu irmão Antonio García, o guardião do museu dos mártires em Nagasaki, fosse um "servo" no sentido clássico e sociológico do termo. Em vez disso, ele era mais sábio do que todos nós juntos aqui! E foi ele quem ajudou muitos com o seu conselho. O irmão é quem tem o mais puro carisma da Companhia: servir. Servir. Servir.
Antes de você cantar En todo amar y servir. O irmão é assim. Betão. Entre os irmãos que conheci, alguns eram "coloridos", eles tinham seus defeitos ... Alguns lutaram muito, lutaram por sua vida religiosa, como heróis, e não foram ajudados o suficiente em suas lutas e dificuldades. Eu me lembro de alguém que tinha uma consciência limpa, mas era um pouco 'dongiovanni'. Aquele pobre irmão se apaixonou o tempo todo. E ele veio com humildade e disse: "Ah, pai, não faço nada além de olhar continuamente para a namorada". Quem sabe, talvez ele nem sequer tenha que se juntar à empresa! Mas eles eram transparentes e capazes de avaliar bem as situações. Aqui existe uma vocação para o serviço de uma maneira diferente: na mesma fraternidade, com a mesma dignidade religiosa, não simplesmente sociológica, como uma vez quiseram considerá-la.
Alguns fizeram comparações e disseram: "O irmão é a mãe". Não, não, não. Isso não é bom. A mãe é a empresa e uma é suficiente. Mas o irmão é aquele que tem a cabeça no concreto, que olha para o concreto, que é conhecido por se mover no concreto, o que quer que ele faça. Como enfermeira, cozinheira, porteira, professora. Tem outra dimensão. Não é necessário avaliar o irmão segundo um perfil sociológico. Isso significa tirar seu serviço de seu próprio contexto.
Entre os irmãos que tivemos na Argentina, alguns tinham suas falhas, é claro, mas eram homens desse calibre. Eu me lembro de um deles, um homem santo. Ele era croata, fugiu de sua terra natal e acabou na Bélgica, em Charleroi, onde ele era mineiro. Ele sempre preservou a devoção. Ele queria se tornar religioso. Ele não sabia onde. Ele emigrou para a Argentina e lá entrou na Companhia. Ele era um homem muito simples. Ele estava encarregado de todo o trabalho de hardware. E, para colocar em termos de hardware, ele possuía a chave para tudo o que acontecia, ele levava as coisas como elas eram, mas ele não abria a boca a menos que o superior lhe pedisse.
Eu conheço tantos quanto ele: eles eram carvalhos. Muitos eram espanhóis que vieram para a Argentina. A província de Loyola era uma "fábrica" de irmãos. Os bascos que vieram até nós, os que eu conhecia, eram todos homens de uma peça.
Por que eu faço todos esses exemplos? Para dizer-lhes que a vocação de um irmão não deve ser considerada do ponto de vista sociológico, mas do ponto de vista do que os irmãos estão de fato em sua vocação específica, como Santo Inácio os queria na Sociedade. Eu não quero exagerar, mas quando eu era provincial, talvez as mais simples e ao mesmo tempo as opiniões mais apropriadas para as ordenações me foram dadas pelos irmãos. Eles disseram: "Sim, mais ou menos ... mas preste atenção a este problema ...". Ou: "Essa pessoa tem certos defeitos, sim, mas ele também tem essa virtude ...". Em suma, nada lhes escapou. Eles tinham um olho especial. Na Companhia, o irmão tem uma grande influência no corpo coletivo e na comunidade. Deve ser promovido, como qualquer jesuíta, para dar o melhor de si mesmo. Mas a promoção não deve basear-se unicamente numa motivação sociológica ou ideológica, como se o irmão precisasse de uma promoção para se sentir uma pessoa! Se ele não se sente uma pessoa, ele deve repensar sua vocação. E o irmão não precisa de cosméticos. Esta vocação não pode ser perdida! Não sei se te respondi.
Estamos no contexto da JMJ e há várias reuniões de jovens. No dia de boas-vindas, no «Cinta Costera», falou sobre a cultura do encontro. Você está convencido de que o encontro é um tema forte para nossos jovens, invadido por tanta cultura da informação. Parece que a reunião é às vezes truncada e essa proximidade é mediada pela rede de computadores.
Veja, o mundo virtual ajuda na criação de contatos, mas não em "reuniões". Às vezes reuniões "de fábrica", seduzindo você com contatos. Aqueles que viram isso bem sob o aspecto filosófico foram Zygmunt Bauman. Ele escreveu seu último livro com seu assessor italiano e morreu enquanto trabalhava no último capítulo. A viúva deu ao assistente, dizendo: "Você termina e publica, coloca também o nome do meu marido", porque era um de seus discípulos e o conhecia bem. E ele publicou em italiano [7] . É chamado líquido Nati , isto é, inconsistente. Mas na tradução alemã o título é Die Entwurzelten , "Sem raízes". Na mentalidade alemã, aqueles que nascem líquidos não têm raízes. Perfeito. Isso mesmo.
O que o mundo puramente virtual faz, se é isolado em si mesmo? Dá-lhe satisfação, dá-lhe um consolo artificial, mas não o mantém unido às suas raízes. Ele envia você para a órbita. Isso tira sua dimensão concreta. Isso corre o risco de ser um mundo de contatos - eu disse aos bispos - mas não é um mundo de reuniões. E isso é perigoso, muito perigoso. E com isso em mente, os jovens devem receber uma direção muito séria. Uma direção a partir da qual eles não devem se sentir desapropriados, mas enriquecidos. Aqueles de vocês que trabalham com jovens, por exemplo em faculdades, têm a tarefa de ajudá-los a se encontrar.
E em que consiste a crise atual do encontro? É uma crise de raízes. A geração de meios - pelo menos na Europa e na minha terra natal - isto é, os pais dos jovens, não tem o poder de transmitir as raízes. Porque são pessoas dilaceradas, muitas vezes em competição com seus filhos. Avós estão dando raízes. Eu ainda estou na hora de fazer isso. As raízes dão a ela as antigas. É por isso que, quando digo que os jovens têm que conhecer pessoas idosas, não expresso uma ideia romântica. Deixe eles conversarem. No começo, os jovens dizem que estão cansados, ficam entediados, ficam em silêncio.
Eu tive a experiência de jovens e grupos de jovens que foram oferecidos a oportunidade de ir e tocar violão para os convidados de um lar de idosos. Eles responderam: "Não, eles são velhos". Mas então, quando foram visitá-los, não quiseram ir. Uma música e depois outra. "Por que você não canta isso para mim?" E "No meu tempo ...", e assim por diante: os antigos despertam ... E eu me refiro ao capítulo 3 do livro de Joel: os velhos sonharão e os jovens profetizarão. Os idosos começam a sonhar, a contar, e os jovens começam a profetizar: não o que os antigos lhes disseram, mas sim os sonhos dos velhos que despertam neles.
Isso é reunião. Isso é realidade. Mas é importante ir às raízes. O que a cultura virtual nos oferece é algo líquido, gasoso, sem raízes, sem tronco, sem nada. O mesmo acontece no campo econômico e financeiro. Nesses dias, eu estava lendo uma notícia na reunião de Davos que a dívida geral dos países é muito maior do que o produto bruto de todos juntos. É como o golpe da corrente de Santo Antônio: os números incham, milhões e bilhões, mas abaixo não há nada além de fumaça, é tudo líquido, gasoso e, mais cedo ou mais tarde, entrará em colapso.
A virtude que hoje é necessária para todos, e especialmente para um jesuíta, é a concretude. Como aquele confessor que tivemos no Colegio Máximo, que confessou à noite. Ele era muito velho. Enquanto fazíamos o exame de consciência, alguns se confessavam e, diante de sua porta, havia sempre uma fila. Ele rapidamente confessou, ele disse algumas palavras. Mas um de nossos camaradas, um tipo angélico, muito espiritual, nos disse um dia que uma vez ele havia confessado a ele e que nunca mais voltaria. "Ele me maltratou, ele me atacou", disse ele. E, claro, ficamos intrigados ... o que esse anjo disse para ser repreendido assim? E ele nos disse: "Comecei a contar-lhe as minhas dificuldades. E ele disse: cuspa o sapo, cuspa o sapo! " Em resumo, ele estava acostumado a ouvir coisas grandes, então quando ele vinha lhe contar coisas angélicas, tão líquidas, ele não acreditava em nada e depois insistia para que ele se revelasse. Concretude!
Mas como ter certeza de que os meninos são concretos? P. La Manna, que agora está no Istituto Massimo, em Roma. Este homem conseguiu concretizar em seu instituto, uma das escolas mais chiques de Roma; ele conseguiu criar um espírito social impressionante com os meninos. Concretude. Através das pequenas coisas etéreas. Vida espiritual concreta. Vida comprometida, concreta. A vida da amizade, concreta. Concretude. É com isso que salvaremos o homem. Mas volto ao diálogo com os antigos: por favor faça antes que seja tarde demais! Porque é uma âncora que pode salvar nossa juventude.
Vendo o testemunho que caracterizou a Companhia de Jesus na América Central, o que você acha que podemos trazer para a Igreja universal?
Na América você foi pioneiro nos anos de lutas sociais cristãs. Você foi pioneiro. Se p. Arrupe escreveu a carta sobre os cristãos e "análise marxista"para falar sobre a realidade da teologia da libertação, é porque havia um jesuíta que estava um pouco confuso. Não com más intenções, mas ele estava confuso, e naquele momento seu pai tinha que consertar as coisas. Devolva-os ao foco. Então, quem condenou a teologia da libertação, condenou todos os jesuítas da América Central. Eu ouvi condenações terríveis. E quem aceitou, aceitou tudo sem fazer distinções. Em qualquer caso, a história ajudou a discernir e purificar. Eles são processos de purificação. Mas se não estou enganado, você foi pioneiro, com seus pecados, com seus erros, mas mesmo assim pioneiros.
Naquela época, um dia peguei o avião para ir a uma reunião. Saí de Buenos Aires, mas como o ingresso era mais barato, parei em Madri e depois fui para Roma. Um bispo da América Central embarcou em Madri. Eu o cumprimentei, ele me cumprimentou; nos sentamos um ao lado do outro e começamos a conversar. Perguntei-lhe sobre a causa de Romero e ele respondeu: "Nós nem sequer falamos sobre isso, apenas não. Seria como canonizar o marxismo ". Foi apenas o prelúdio. Ele continuou nesse ritmo. Também no episcopado havia visões diferentes, havia também aqueles que condenavam a linha da Companhia. E de fato esse bispo passou de criticar Romero a criticar os jesuítas da América Central. Mas ele certamente não era o único a pensar assim. Na época, alguns outros membros da hierarquia eclesiástica estavam muito próximos dos regimes da época, estavam muito "inseridos".
Em uma reunião em Roma, encontrei um provincial, acusado de ser esquerdista. Eu o questionei sobre a teologia da libertação, e ele me deu uma visão muito objetiva e até mesmo crítica de alguns jesuítas, mas me mostrando qual era a direção positiva; para aqueles que viam tudo isso de fora, tudo parecia muito, muito difícil de aceitar. A ideia era que canonizar Romero era impossível porque esse homem não era nem cristão, ele era marxista! E então eles o atacaram. Naquela tempestade também havia boas sementes. Alguns exageraram, sim, mas depois voltaram. Sempre houve exageros.
Alguém disse a ela maior que os outros, é verdade, mas a substância era diferente. Você tem estado cheio dessa revolta. E seria bom se você relesse a história desses homens. Havia pessoas como Rutilio, que nunca pulou, e fez tudo o que ele tinha que fazer. Do ponto de vista ideológico, ele nunca se perdeu e, em vez disso, havia alguém que se sentia um pouco perdido naquelas partes, porque estava apaixonado pela filosofia de certo autor e, com base nisso, releu e interpretou os fatos. Mas são coisas humanas, compreensíveis em circunstâncias difíceis.
As ditaduras que você teve na América Central foram terror. O importante não é ser oprimido pela ideologia de um lado ou de outro, e nem mesmo pelo pior de todos, que é a ideologia asséptica. «Não se intrometer»: esta é a pior ideologia. Foi a atitude daquele bispo que se encontrou no avião, que era um asséptico. Arrupe sobre isso foi muito claro no discernimento que ele fez. Ele defendeu a todos, mas depois corrigiu cada um em particular sobre o que tinha que corrigir, se tivesse que corrigir alguma coisa. Isto é típico do superior, defendendo todos ... E, portanto, a declaração de consciência é importante, porque nela aperte as vinhas apertadas. Esta é minha opinião.
E hoje nós rimos quando nos preocupamos com a teologia da libertação. O que faltava então era a comunicação fora de como as coisas realmente eram. Havia muitas maneiras de interpretá-lo. Certamente, alguns expiraram na análise marxista. Mas vou lhe contar uma coisa engraçada: o grande e perseguido Gustavo Gutiérrez, o Peru, concelebrou a Missa comigo e com o então prefeito da Doutrina da Fé, cartão. Müller. E isso aconteceu porque Müller trouxe para mim como seu amigo. Se alguém naquela época tivesse dito que um dia o prefeito da Doutrina da Fé teria levado Gutiérrez a concelebrar com o Papa, eles o teriam tomado bêbado.
A história é o professor da vida. Você vai aprendendo. Uma das coisas que me fez muito bem em um momento de minha existência foi ler a História dos Papas de Ludwig von Pastor ... um pouco longo, 37 tomos! Eu descobri acima de tudo a era da expulsão da Companhia, mas não só isso. A história nos ensina. Sem ir muito longe, sugiro que leia os quatro volumes de Giacomo Martina, grande professor de Gregoriano, sobre a história da Igreja desde Lutero até os dias atuais. É uma leitura agradável, porque teve uma boa prosa. Ele irá guiá-lo através dos problemas do modernismo ... Use o histórico para entender as situações. Sem condenar as pessoas e sem santificá-las antecipadamente. Não sei se te respondi.
Em breve, alguns de nós faremos a profissão de votos. O que você pode nos dizer?
Que os votos são perpétuos! Eles não são perpétuos para o superior que os recebe, mas para você que os pronuncia, sim [8] . E isso não é brincadeira. Se alguém não se sentir bem, não faça, leve mais tempo. Tentar? Não, não mesmo. De sua parte, eles são perpétuos, por toda a vida.
Jogando para a vida: é uma das coisas mais arriscadas que existem hoje. De fato, estamos em um momento em que o provisório prevalece sobre o definitivo. Sempre. Por exemplo, é dito: "Eu me casei toda a minha vida ... enquanto durar o amor". Em resumo, é como se eu dissesse: "Eu me casei por três ou quatro anos, então, no primeiro conflito, no primeiro esfriamento do amor, procuro outro companheiro". Um bispo visitante disse-me que um jovem advogado, apenas um graduado, vinte e três, zeloso, em grupo, lhe dissera: "Quero ser padre por dez anos!" Aqui está o temporário! Há um livro de José Comblin de quarenta ou cinquenta anos atrás, não rastreável, que se chama O provisório e o definitivo e fala da filosofia da cultura que emerge hoje: a do provisório. Tudo está lá enquanto dura. Enquanto durar o consolo, até que me tratem bem ...
E às vezes a vida não te trata bem, te trata como um delinquente. E se você ama aquele que foi tratado como um criminoso, você não pode deixar de suportar. É definitivo, com tudo o que envolve a "terceira semana" dos Exercícios Espirituais [9] . Com tudo isso significa o diálogo entre as "Duas Bandeiras" [10], que não é uma descoberta cavalheiresca de Inácio, mas é a sua experiência. Isso implica pedir para ser humilhado, sofrer humilhações, pelo amor de Cristo, sem ter dado razão. Os votos são perpétuas, com um estilo de vida que deve ser a dos exercícios, de acordo com o qual você pode enviar para fazer qualquer trabalho, qualquer coisa: tempo ensinando religião para crianças do que para ensinar na universidade, ou fazer, você sabe, o 'balanceador em um circo ... A Companhia pode mandar você para fazer qualquer coisa. Isto é o que quero dizer por definição. O tempo definitivo; o estilo, o dos Exercícios; disponibilidade, para qualquer coisa. Amar e servir, como você cantou no começo. Você não disse para simpatizar e dar uma mão. Amar e servir é o núcleo. Não tenha medo! Coragem.
Eu tenho uma pergunta sobre a enculturação sobre os povos da nossa América. Eu falo na primeira pessoa, porque eu pertenço à cultura maia. O que você acha daqueles padres e bispos diocesanos que buscam aprovar os jovens desde os primeiros momentos de formação? Na prática, infelizmente, o treinamento se torna ofuscado e a identidade é coberta. O que você acha daqueles sacerdotes que não se sentem mais sintonizados com as pessoas de quem vieram?
Minha avó estava muito interessada em catequese. Ele nos explicou que na vida tínhamos que ser humildes e não esquecer que nascemos em uma família humilde. Ela, que era do norte da Itália, nos contou sobre uma família que mandou uma criança para uma universidade em um país italiano. Ele disse que foi um fato que realmente aconteceu. Era uma família de camponeses. O filho não retornou até se formar. Ele não teve a chance de voltar. E uma vez em casa, ele começou a perguntar ao pai: "Qual é o nome dessa ferramenta? E qual é o nome daquele outro? "Esta é a pá, meu filho." "Ah, a pá. E essa outra ferramenta, qual é o nome dela? «O martelo». "Ah, o martelo." Ele crescera lá, mas não conseguia lembrar de nada. "E essa outra ferramenta, qual é o nome dela?" E seu pai lhe disse. Houve também um ancinho. E a criança, distraidamente ele pisou. O ancinho girou e bateu na cabeça dele. E ele exclamou: "Droga, o ancinho!" [Aqui o Papa imita o gesto, provocando hilaridade geral ].
Aqueles que esquecem sua cultura realmente precisam de um raked no rosto. É terrível quando a consagração a Deus nos faz esnobes, faz-nos subir na classe social em direção a um que parece mais educado que o nosso. Todos devem preservar a cultura da qual ele vem, porque a santidade que ele quer alcançar deve basear-se nessa cultura e não em outra. Você que vem dessas culturas, não estrelas em sua alma, por favor! Seja maya até o fim. Jesuíta e maya.
No outro dia p. Lombardi me disse que estava trabalhando na causa da beatificação de Matteo Ricci e me contou sobre a importância de sua amizade com Xu Guangqi [11], o leigo chinês que o acompanhou e que permaneceu secular e chinês, se santificando como chinês e não como italiano como Ricci. Isso é manter a cultura de alguém.
Hoje almocei com os jovens. Eles vieram de todos os lados: de Burkina Faso, da Índia, dos Estados Unidos, da Austrália, da Espanha. Foi lindo. E havia uma garota centro-americana, indígena, que queria usar maquiagem de acordo com suas tradições. Uma pessoa "iluminada", vendo-a assim, teria dito com ironia: aqui está a "indiazinha", toda pintada! Eis que, quando a "pequena india" falou, ela deu um grande golpe àqueles que não respeitam a mãe terra. Essa menina falou, de sua cultura, com uma capacidade tal intelectual que, eventualmente, quando aqueles da Sala de Imprensa me perguntou quem eu poderia trazer para as entrevistas, eu disse traga quem você quiser, mas você tomá-lo, com certeza, porque eles dizem coisas que ninguém diria. Aquela garota, militante, católica, eu acredito que seja professora profissional, ele não perdeu sua cultura, ele fez crescer! Então, aqui está o que eu quero dizer: devemos nos inculturar até o fim.
Em 1985, em nossa faculdade de teologia de São Miguel, fizemos um congresso sobre "A evangelização da cultura e a inculturação da fé" [12].. Aqueles foram os anos de Puebla. Houve intervenções que pareciam escandalosas para alguns. Lembro-me que uma vez fui a Roma para alguns assuntos e visitei a Congregação para o culto divino. Um dos especialistas que lá trabalhava, falando sobre inculturação, me disse: "Estamos progredindo. Agora permitimos que os japoneses reverenciassem o altar em vez de beijá-lo. Porque para eles, beijar não significa nada ». É esta a grande inculturação de um escritório na Cúria? Então é inútil! É você quem deve dizer o que a inculturação é baseada em sua experiência. Mas você, por favor, não mude a cultura. Lembre-se do ancinho.
Como você encontra esta região da América Central e o que podemos fazer?
Você é muito "colorido" ... no melhor sentido, quero dizer. Esta é uma terra de cores. Penso na cultura brasileira, afro-brasileira, como terra de sons, danças, festivais. Em vez disso você é uma terra de cores ... Eu sinto isso assim. É uma terra de cores. É a primeira vez que ponho os pés no Panamá, e falei sobre isso na mesa com o núncio, que me ajudou a encontrar a palavra certa, porque achou que era como eu: aqui há "nobreza". É uma terra de nobreza. Panamá é. Isso me surpreendeu. Você é uma condensação de cores, no sentido mais rico e mais simbólico da palavra. É minha percepção. E certamente aqui para um mestre noviço discernir que pode ser mais difícil, especialmente no momento da inculturação, a expressão colorida de seu povo. Mas é lindo.
Após uma hora de reunião, os líderes da viagem avisam o Papa que é hora de partir. O papa diz para fazer outras duas perguntas breves. Aqui está o primeiro: dos jesuítas, que atitude temos em relação à política?
Hoje, no almoço, uma garota da Nicarágua me fez a mesma pergunta. A doutrina social da Igreja é límpida e tornou-se cada vez mais explícita através de vários pontificados. Sobre isso, o Evangelii gaudium é muito claro . Além disso, o Evangelho é também uma expressão política, porque tende à polis, para a sociedade, para toda pessoa e sociedade, para todas as pessoas como elas pertencem à sociedade. É verdade que a palavra "política" é às vezes até desprezada e entendida apenas como a lógica do partido, do sectarismo político, com tudo o que isso implica na América Latina em matéria de corrupção política, assassinos políticos e assim por diante. Compromisso político com um religioso não significa militar em um partido político. É claro que alguém deve votar, mas a tarefa é ficar acima das partes. Mas não como alguém que lava as mãos, mas como alguém que acompanha as partes para chegar à maturidade, trazendo o ponto de vista da doutrina cristã. Na América Latina nem sempre houve maturidade política.
Aproveito a pergunta para mencionar alguns problemas que, para mim, têm relevância política. O primeiro é o da nova colonização. A colonização não é apenas o que aconteceu quando os espanhóis chegaram e os portugueses tomaram posse da terra. Esta é uma colonização física. Hoje, as colonizações ideológicas e culturais estão na moda, são elas que estão dominando o mundo. Na política, você deve analisar bem o que é a colonização de nossos povos hoje.
O segundo é o da nossa crueldade. Eu disse a um político europeu, que respondeu: "Pai, a humanidade sempre foi assim, só que agora percebemos isso com a mídia". Ele pode estar certo. Mas a crueldade é terrível. Até mesmo as torturas mais refinadas são inventadas, o humano é degradado. Estamos nos acostumando com a crueldade.
O terceiro diz respeito à justiça e é desesperança. Ontem fiquei feliz quando saí do Instituto da Criança, porque vi todo o trabalho que eles fazem lá para reconstruir a vida de pessoas, meninos, meninas muito degradadas por crimes, para reinseri-las. Mas a cultura da justiça aberta à esperança ainda não está bem estabelecida.
No final do encontro, um jesuíta da Nicarágua se aproxima e dá ao Santo Padre uma carta de um menino que está agora na prisão, dizendo: "Ele é um coroinha desde os nove anos de idade e seu grande desejo era vir para o Dia Juventude Mundial ". Então outros jesuítas se aproximaram com presentes. O primeiro foi o que o Panamá chama de "cocobolo", um objeto feito de madeira tropical da América Central, que representa o monograma IHS., apenas da Companhia de Jesus, com o pedido de colocá-lo no lugar onde ele orou pela manhã. O Papa, rindo, diz: "E se eu orar à tarde?" Todos riem. O provincial adverte que será de cor mais escura ao longo do tempo. Então ele foi dado um pano feito com tecidos de vários países da América Central. A bandeira do "Magis", uma iniciativa inaciana envolvendo jovens entre as idades de 18 e 30 anos, também é trazida ao Papa pelos voluntários do "Colegio Javier" do Panamá na JMJ. O papa é convidado a apor uma assinatura na bandeira. A seguir são oferecidos outros presentes pessoais. O encontro, que durou cerca de uma hora e 10 minutos, termina com uma foto e a oração «Ave Maria».
[1] . "Nossa" é uma expressão tradicional dos jesuítas para se indicarem. As "províncias" são os territórios em que a Companhia está dividida no mundo. Os "noviços" são jovens religiosos em sua primeira formação.
[2] . Veja JM Tojeira, "O Martírio de Rutilio Grande", em Civ. Catt. 2015 II 393-406.
[3] . Cf. Papa Francisco, A força da vocação. Vida consagrada hoje. Conversa com Fernando Prado , Bologna, EDB, 2019.
[4] . O "magistério" é uma etapa da formação jesuíta entre o estudo da filosofia e o da teologia. É dedicado ao trabalho apostólico.
[5] . O "ministro" nas casas da Companhia é aquele que cuida da vida concreta da comunidade religiosa, como o responsável pela casa.
[6] . O corpo da Sociedade contempla três vocações. A dos sacerdotes professos é composta por aqueles que pronunciaram os três votos de pobreza, castidade e obediência, e fizeram um voto especial de obediência ao Papa (quarto voto). O segundo é constituído por padres "coadjutores espirituais", que pronunciam apenas os três votos simples. A terceira é a dos irmãos, que são religiosos, não sacerdotes, e pronunciam apenas os três votos simples. A escolha entre o sacerdócio e a vida dos não-sacerdotes religiosos é geralmente feita pelo próprio sujeito no momento de sua entrada na Sociedade. Em alguns casos, a pessoa entra "indiferente" e a escolha é feita depois do discernimento durante o período de noviciado.
[7] . Z. Bauman - Th. Leoncini, nascido líquido , Milão, Sperling & Kupfer, 2017.
[8] . Os "primeiros votos" dos jesuítas, feitos no final do noviciado, são considerados perpétuos para quem os pronuncia. Portanto, eles não são "renovados" a cada três anos, como acontece em outros institutos religiosos. Em vez disso, eles são "lembrados" anualmente até que os "votos finais" sejam proferidos como coadjutores professos, espirituais ou irmãos, no final da formação e, para os sacerdotes, após a ordenação. No entanto, os primeiros graus são solventes simplesmente pelo superior provincial.
[9] . Esta é a terceira etapa dos Exercícios Espirituais, na qual o mistério da Paixão do Senhor é contemplado.
[10] . É uma meditação da "segunda semana" dos Exercícios, antes de avançar para a eleição do estado de vida. Inácio pede para meditar sobre "como Cristo chama e quer todos sob sua bandeira, e Lúcifer, pelo contrário, sob o seu", também "vendo o lugar", isto é, imaginando a "região de Jerusalém como um grande campo, onde o capitão geral do bem é Cristo nosso Senhor; e na região da Babilônia, como é o outro acampamento, onde a cabeça dos inimigos é Lúcifer ". O objetivo é "pedir conhecimento do mal do mau patrão e ajudar a enxergá-lo; e conhecimento da verdadeira vida que o Capitão Supremo e Verdadeiro indica e graça para imitá-lo ".
[11] . Xu Guangqi (1562-1633), de Xangai, conheceu Matteo Ricci e colaborou com ele. Ele recebeu o batismo aos 41 anos e estudou a doutrina cristã em profundidade. Veja A. Jin Luxian, "Xu Guangqi. O companheiro chinês de Matteo Ricci " , em Civ. Catt. Eu 2016 282-297.
[12] . O Padre Bergoglio fez o discurso inaugural e fez a saudação final (cf. JM Bergoglio, "Fé em Cristo e Humanismo", em Civ. Catt. 2015 IV 311-316). Em sua reflexão, ele enfatizou o fato de que as diferentes culturas, fruto da sabedoria dos povos, são um reflexo da Sabedoria de Deus, a sabedoria humana é a contemplação que se origina do coração e da memória dos povos. É um lugar privilegiado de mediação entre o Evangelho e os homens e é fruto do trabalho coletivo ao longo da história. Assim, na tarefa de evangelizar as culturas e de inculturar o Evangelho, a necessidade, por um lado, de uma "sábia contemplação das culturas" e, por outro, de "uma santidade que não teme o conflito e é capaz de constância e paciência »apostólica, vencendo com parresia todo medo e todo "extremismo central". Fonte: www.laciviltacattolica.it
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Rutilio e Romero, o martírio da incompreensão
Em seu último número, a revista "La Civiltà Cattolica" traz o texto integral da conversação do Papa com os coirmãos Jesuítas da América Central durante a JMJ do Panamá. Um colóquio focado no viver a vocação na Compania de Jesus e sobre as raízes a serem oferecidas aos jovens da época "líquida". Um exemplo, a coragem dos mártires Rutilio Grande e Dom Óscar Romero
Alessandro De Carolis, Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano
“A declaração de martírio está bem encaminhada. E é uma honra...” Uma conversação em família, pouco após o almoço começou com esta notícia. Numa sala da Nunciatura apostólica em Cidade do Panamá, no Panamá, em 26 de janeiro passado, penúltimo dia da JMJ, em torno das 15h45, o Papa Francisco encontrou, como faz habitualmente em suas viagens apostólicas internacionais, a comunidade local dos Jesuítas, neste caso, uns 30 coirmãos de toda a América Central, incluindo 18 noviços.
O encontro durou mais de uma hora, com umas dez perguntas e respostas. Algumas delas sobre a vocação e as “virtudes” do jesuíta, outras sobre os jovens e o risco que correm hoje de ser “líquidos” numa época sem raízes. O texto integral do diálogo encontra-se no último número da prestigiosa revista jesuíta “La Civiltà Cattolica”.
O início da conversação concentrou-se sobre duas grandes figuras que Francisco admira incondicionalmente, um Santo recente e um Servo de Deus para o qual está em andamento um processo canônico, ambos assassinados por causa de sua fé.
A profecia do exemplo
A asseguração sobre a “declaração de martírio” com a qual o Papa abriu a conversação diz respeito a Rutilio Grande, o sacerdote jesuíta salvadorenho assassinado em 1977, grande amigo de Dom Romero.
“Quero muito bem a Rutilio”, confessou Francisco, que disse conservar em seu quarto uma moldura com “um pedaço de tela ensanguentada de Romero e as anotações de uma catequese de Rutilio”.
Dois homens, indicou, com “a dimensão da profecia”, a profecia do “testemunho”, onde o martírio sofrido pelo primeiro “converteu” o segundo. Mas o que hoje é claro, explicou o Papa mais adiante, é fruto de uma lenta e sofrida compreensão iniciada na época das “lutas sociais”, quando Evangelho e marxismo se sobrepuseram na Igreja da América Central e do Sul, gerando “exageros” e calúnias inclusive à distância.
O martírio da calúnia
“Hoje, nós idosos rimos de como nos preocupávamos com a teologia da libertação”, mas houve um período em que se confundia, em que a ideia prevalecente “era de que era impossível canonizar Romero porque aquele homem não era nem mesmo cristão, era marxista!” – observou o Papa.
Francisco recordou o bispo centro-americano conhecido no avião que tinha sido taxativo em truncar a canonização de Romero porque “seria como canonizar o marxismo”. “Ouvi coisas terríveis”, mas, como se sabe, reconheceu o Papa, as ditaduras centro-americanas foram “ditaduras do terror”.
“O importante – observou – é não deixar-se subjugar pela ideologia”, inclusive a “pior”, a “asséptica” do não “se intrometa”. E um modelo foi propriamente Rutilio “que jamais se dobrou a fez tudo aquilo que devia ser feito”.
Ir às raízes da crise
Uma pergunta solicitou ao Papa que refletisse sobre a “cultura do encontro”, um dos pontos de força da mensagem dirigida aos jovens da JMJ. Francisco citou um dos livros do filósofo polonês Zygmunt Bauman, falecido dois anos atrás, que na versão portuguesa traz o título “Nascidos em tempos líquidos”, um olhar sobre as gerações pós anos Oitenta.
Os “líquidos”, afirmou o Papa, são filhos do “mundo virtual que ajuda a criar contatos, mas não ‘encontros’”, ou que “fabrica encontros seduzindo com os contatos”, criando uma satisfação “artificial” separada da “dimensão concreta”.
O Papa gosta mais do título da versão alemã da obra “Sem raízes” (“Die Entwurzelten”) porque, afirma, a “crise atual do encontro” é uma “crise de raízes”, ou seja, de jovens imersos numa cultura “gasosa”, “sem tronco”, que não são ajudados nem mesmo pelos pais “porque são pessoas laceradas, muitas vezes em competição com os filhos”.
Para o Santo Padre “são os avós que dão raízes” aos jovens, um conceito muitas vezes repetido. Não se trata de “uma ideia romântica”, a sua eficácia, assegura, foi experimentada em muitas circunstâncias, quando jovens em contato com anciãos pouco depois se encontraram atraídos por suas histórias, por “aquilo que os sonhos dos idosos despertam neles”.
Sim, sim, não, não
Por conseguinte, a palavra que o Papa sugere para os jovens no estado “líquido” é “concretude”. Palavra que, ademais, é a mesma indicada aos jesuítas, qualquer que seja a fase da vocação em que se encontrem. Grande parte do colóquio com os coirmãos tratou aspectos da vida da Companhia de Jesus.
Ofereceu aos futuros jesuítas de hoje a atualidade de um valor proposto no tempo em que, entre 1972 e 73, o jovem Bergoglio era mestre de noviços. Vocês devem ter, disse pausadamente, “clareza de consciência”, não há lugar para os sorrateiros entre os filhos de Santo Ignácio.
E isso vale particularmente para os formadores, homens que devem saber “discernir”, infundir coragem e “não amedrontar-se”. Do contrário, asseverou o Pontífice, se “rompe o vínculo de fraternidade” e se seguirá adiante por meio “de artimanhas, de pretextos, de enfermidades”.
Arriscar a vida
Francisco dispensou palavras intensas para a vocação dos “irmãos”, ou seja, os religiosos não sacerdotes da Companhia de Jesus. Muitos deles, contou, foram “carvalhos”, prontos para o serviço, bem como a um conselho dado aos superiores com lucidez e franqueza.
“O irmão – afirmou – é aquele que tem o carisma genuíno da Companhia: servir. Sirvam. Sirvam”. E aos sacerdotes prestes a fazer os votos perpétuos – “numa época em que o provisório prevalece sobre o definitivo”, o conselho de Francisco é o de “arriscar a vida”, “disponíveis ao que quer” que Deus queira.
Entre suas recomendações permanece inalterada a atitude a ser mantida em relação à política: “colocar-se acima das partes, porém, não como quem lava as mãos, mas como como alguém que acompanha as partes” à luz da Doutrina social da Igreja.
Cuidado com o rastrilho
Uma pergunta instou o Papa a falar sobre a relação entre inculturação e identidade. Francisco a explicou com a breve história de um jovem que após anos de formação acadêmica e depois de diplomar-se voltou para a realidade de sua casa, em meio aos pais camponeses. Um jovem desnorteado, obrigado a perguntar ao pai o nome dos instrumentos agrícolas e atingido no rosto por um rastrilho incautamente pisado por ele mesmo.
Recordando os jovens dos vários continentes com os quais pouco antes tinha estado no almoço – e em particular a experiência de uma jovem indígena apegada a suas tradições, mas que tinha si tornado professora –, o Papa reiterou que é preciso inculturar-se “plenamente” sem jamais tornar-se “esnobe”.
Principalmente os religiosos quando pensam que a consagração os fez elevar-se a uma categoria “mais educada”. Por isso, concluiu Francisco brincando, “quem se esquece da própria cultura precisa realmente de uma rastrilhada no rosto”. Fonte: https://www.vaticannews.va
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"O Cardeal Gerhard Müller, ex-chefe da Doutrina da fé, publicou um Manifesto que parece uma correção dos muitos dos erros doutrinais que Francisco ensinou durante seu pontificado. A intenção do Cardeal era publicar o manifesto em 10 de fevereiro. A data é a véspera do aniversário do anúncio "da renúncia de Bento XVI ao pontificado e, também, "a véspera da ordenação do cardeal para o sacerdócio". No entanto, "um web site polonês quebrou o embargo e o documento foi divulgado hoje". A reportagem é de Paolo Rodari, publiicada por La Repubblica, 09-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.
Com estas palavras o site conservador norte-americano Lifesitenews, o mesmo que em agosto passado veiculou com grande ênfase o pedido de demissão solicitado a Francisco pelo ex-núncio de Washington, Carlo Maria Viganò, lança um "Manifesto da fé" escrito pelo prefeito emérito do ex-Santo Ofício visando contrastar "a crescente confusão sobre a doutrina da fé" e mostra a clara intenção daquele que escreveu o documento de dar sua opinião sobre o que o pontificado em curso deixa, sempre de acordo com quem escreveu o texto, incerto.
Müller nunca menciona o Papa Francisco, mas como as palavras de Lifesitenewsdemonstram, é claro que o objetivo da frente conservadora, da qual ele é uma personalidade proeminente, é "dar testemunho público para a Verdade da revelação" em um momento para a Igreja que ele julga ser "sempre e cada vez mais confusão no ensinamento da fé". Uma confusão, está implícito, que para ele e para os opositores de Francisco é provocada pelo Papa, pelo seu magistério e pelas suas palavras.
Müller não cita Bergoglio, mas busca palavras nos ensinamentos de João Paulo II: "Hoje – afirma – muitos cristãos já nem conhecem mais os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrar mais o caminho que conduz à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua sendo a de levar os homens para Jesus Cristo, luz dos homens. Nesta situação, perguntamo-nos como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma "norma segura para o ensinamento da fé". Foi escrito com o propósito de fortalecer os irmãos e as irmãs na fé, uma fé posta duramente à prova pela 'ditadura do relativismo’.”
Müller em um documento rico em citações eruditas fala do "reaparecimento de antigas heresias", de "anticristo", da igreja como instituição que "transmite com a autoridade de Cristo a revelação divina": ela –escreve – "não é uma associação criada pelo homem, cujo estrutura pode ser modificada por seus membros de acordo com a sua vontade." Das teorias gerais o cardeal alemão passa para a prática. E solta sua opinião sobre os divorciados recasados: "Da lógica interna do Sacramento se compreende que divorciado recasado no foro civil, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente dispostos, não recebam a Sagrada Eucaristia frutuosamente, porque de tal forma esta não os conduz à salvação. Colocar isso em evidência corresponde a uma obra de misericórdia espiritual".
O Cardeal recorda depois como "o reconhecimento dos pecados na sagrada confissão pelo menos uma vez por ano é um dos preceitos da Igreja" e explica que "os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como um ‘sinal desta nova vida’ e que ‘a esse respeito, falar de uma discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma compreensão errônea deste sacramento, que não se refere a um poder terreno, mas à representação de Cristo, o Esposo da igreja".
E depois fala de "lei moral", que "não é um fardo, mas faz parte daquela verdade libertadora através da qual o cristão percorre o caminho da salvação e não deve ser relativizada". Ao mesmo tempo, ataca, mesmo sem citar nomes, os bispos "que preferem agir como políticos ao invés de mestres de fé para proclamar o Evangelho". E o fato de que "a morte torna definitiva a decisão do homem em favor ou contra Deus".
Então conclui: "calar-se sobre estas e outras verdades da fé ou ensinar o contrário é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte com todo vigor. Isso representa a última prova da Igreja, ou seja, ‘uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para seus problemas, ao preço da apostasia da verdade’. É o engano do Anticristo, que vem ‘com todas as seduções da iniquidade, em detrimento daqueles que vão à ruína porque não receberam o amor da verdade para serem salvos’".
Finalmente, aqui está o motivo deste manifesto que parece, para além dos virtuosismos literários, como uma clara tomada de distância do pontificado em curso: "Nós nos empenharemos – afirma - para fortalecer a fé, confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo”. E mais: “Possa Maria, Mãe de Deus, conceder-nos a graça de nos segurarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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1) Oração
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 7, 24-30)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 24Em seguida, deixando aquele lugar, Jesus foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto, 25pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés. 26(Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia.) Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. 27Disse-lhe Jesus: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães. 28Mas ela respondeu: É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos. 29Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha. 30Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* No Evangelho de hoje, veremos como Jesus atende a uma mulher estrangeira de outra raça e de outra religião, o que era proibido pela lei religiosa daquela época. Inicialmente, Jesus não queria atendê-la, mas a mulher insistiu e conseguiu o que ela queria: a cura da filha.
* Jesus vai tentando abrir a mentalidade dos discípulos e do povo para além da visão tradicional. Na multiplicação dos pães, ele tinha insistido na partilha (Mc 6,30-44). Na discussão sobre o puro e o impuro, tinha declarado puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Agora, neste episódio da Mulher Cananéia, ele ultrapassa as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não era do povo e com a qual era proibido conversar. Estas iniciativas de Jesus, nascidas da sua experiência de Deus como Pai, eram estranhas para a mentalidade do povo da época. Jesus ajuda o povo a abrir sua maneira de experimentar Deus na vida.
* Marcos 7.24: Jesus sai do território
No evangelho de ontem (Mc 7,14-23) e de anteontem (Mc 7,1-13), Jesus tinha criticado a incoerência da “Tradição dos Antigos” e tinha ajudado o povo e os discípulos a sair da prisão das leis da pureza. Aqui, em Mc 7,24, ele sai da Galiléia. Parece querer sair da prisão do território e da raça. Estando no estrangeiro, ele não quer ser conhecido. Mas a sua fama já tinha chegado antes. O povo ficou sabendo e faz apelo a Jesus.
* Marcos 7.25-26: A situação
Uma mulher chega perto e começa a pedir pela filha doente. Marcos diz explicitamente que ela era de outra raça e de outra religião. Isto é, era uma pagã. Ela se lança aos pés de Jesus e começa a suplicar pela cura da filha que estava possuída por um espírito impuro. Os pagãos não tinham problema em recorrer a Jesus. Os judeus é que tinham problemas em conviver com os pagãos!
* Marcos 7.27: A resposta de Jesus
Fiel às normas da sua religião, Jesus diz que não convém tirar o pão dos filhos e dar aos cachorrinhos. Frase dura. A comparação vinha da vida em família. Até hoje, criança e cachorro é o que mais tem nos bairros pobres. Jesus afirma uma coisa certa: nenhuma mãe tira o pão da boca dos filhos para dar aos cachorrinhos. No caso, os filhos eram o povo judeu e os cachorrinhos, os pagãos. Na época do AT, por causa da rivalidade entre os povos, um povo costumava chamar o outro povo de “cachorro” (1Sam 17,43). Nos outros evangelhos Jesus explica o porque da sua recusa: “Não fui enviado a não ser para as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15,24). Ou seja: “O Pai não quer que eu atenda à senhora!”
* Marcos 7,28: A reação da mulher
Ela concorda com Jesus, mas amplia a comparação e a aplica ao caso dela: “É verdade, Jesus! Mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa das crianças!” É como se dissesse: “Se sou cachorrinho, então tenho o direito dos cachorrinhos, a saber, as migalhas me pertencem!” Ela simplesmente tirou as conclusões da parábola que Jesus contou e mostrou que, até na casa de Jesus, os cachorrinhos comiam das migalhas que caíam da mesa das crianças. E na “casa de Jesus”, isto é, na comunidade cristã, a multiplicação do pão para os filhos foi tão abundante que estavam sobrando doze cestos (Mc 6,42) para os “cachorrinhos”, isto é, para ela, para os pagãos!
* Marcos 7,29-30: A reação de Jesus:
“Pelo que disseste: Vai! O demônio saiu da tua filha!” Nos outros evangelhos se explicita: “Grande é a tua fé! Seja feito como queres!” (Mt 15,28). Se Jesus atende ao pedido da mulher, é porque compreendeu que, agora, o Pai queria que ele acolhesse o pedido dela. Este episódio ajuda a perceber algo do mistério que envolvia a pessoa de Jesus e como ele convivia com o Pai. Era observando as reações e as atitudes das pessoas, que Jesus descobria a vontade do Pai nos acontecimentos da vida,. A atitude da mulher abriu um novo horizonte na vida de Jesus. Através dela, ele descobriu melhor que o projeto do Pai é para todos os que buscam a vida e procuram libertá-la das cadeias que aprisionam a sua energia. Assim, ao longo das páginas do evangelho de Marcos há uma abertura crescente em direção aos outros povos. Deste modo, Marcos leva os leitores e as leitoras a abrir-se, aos poucos, para a realidade do mundo ao redor e a superar os preconceitos que impediam a convivência pacífica entre os povos. Esta abertura para os pagãos aparece de maneira muito clara na ordem final dada por Jesus aos discípulos, depois da sua ressurreição: ”Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
4) Para um confronto pessoal
- Como você faz, concretamente, para conviver em paz com pessoas de outras igrejas cristãs ou com espíritas? No bairro onde você vive tem gente de outras religiões? Quais? Você conversa normalmente com pessoas de outra religião?
- 2. Qual a abertura que este texto pede de nós, hoje, na família e na comunidade?
5) Oração final
Felizes aqueles que observam os preceitos, aqueles que, em todo o tempo, fazem o que é reto. Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro. (Sl 105, 3-4)
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14 Fevereiro- 2019
Os Santos Cirilo e Metódio nasceram em Salónica, na primeira metade do século IX. Bizantinos de formação, tornaram-se apóstolos dos povos eslavos, na Morávia, atuais repúblicas Checa e Eslovaca, e na Panónia, atual Croácia.
Para eles, traduziram A Bíblia e os livros litúrgicos para a língua paleoeslava, e reuniram discípulos. As suas iniciativas missionárias foram aprovadas pelo Papa Adriano II. Entretanto, Cirilo adoeceu, acabando por morrer na cidade, e sendo sepultado na igreja de São Clemente.
Metódio, ordenado bispo, regressou à Morávia, falecendo aí no ano de 885. Os seus discípulos, expulsos do país, refugiaram-se na Bulgária. Daí a liturgia e a literatura eslava passaram para o reino de Kiev, na Rússia e para todos os países eslavos de rito bizantino. Fonte: http://www.dehonianos.org
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"A Igreja não é conduzida por ditos seletivos gravados em um vídeo com intenções nada evangélicas e de fraca teologia, a Igreja é guiada pela ação do Espírito, e ele é o Espírito da unidade, ele é o Espírito do amor", escreve Cesar Kuzma, teólogo leigo, casado e pai de dois filhos. Doutor em Teologia pela PUC-Rio, onde é professor e pesquisador do Departamento de Teologia. É o atual presidente da SOTER e autor de livros e artigos na área de teologia, dentre eles: “O futuro de Deus na missão da esperança” (Paulinas, 2014); e “Leigos e leigas” (Paulus, 2009).
Eis o artigo.
Com o avanço da internet e na tentativa de encontrar novas formas de evangelizar, novos atores surgem, dentre eles, o que chamamos de “youtubers católicos”, que de um jeito novo, dinâmico e atrativo, pode-se dizer, oferecem questões sobre a fé e, a seu modo, também alimentam a vida pastoral de muitas pessoas. Muitos são os ganhos do uso das novas tecnologias na evangelização, talvez ainda não tão explorados ou, por vezes, não são utilizados de modo apropriado, já que, em alguns casos, as ações decorrentes destas práticas de evangelização aparecem como proselitistas ou insistentes numa militância eclesial, numa espécie de luta contra “hereges” e “inimigos” da Igreja e/ou da sã doutrina. Estranhamente, esta atitude proselitista e de luta contra o outro são contrárias às intenções do Vaticano II que, há pouco mais de 50 anos, insistiu na categoria do diálogo; recentemente, e de modo insistente, o Papa Francisco tem insistido no diálogo com as culturas e com as muitas realidades que nos cercam. Eis um ponto que merece nossa atenção.
Ao tratar sobre o protagonismo destes youtubers católicos e os desafios que se apresentam à Igreja a partir de suas ações, temos a intenção neste artigo de reconhecer e valorizar este trabalho e este modo de evangelizar. Por certo, é um ganho e um serviço, quando o mesmo é feito com integridade, respeito e espírito evangélico e em sentido de comunhão. Para quem acompanha o trabalho destes novos atores da evangelização, não é difícil identificar quem está aqui. No entanto, devido a seguidos ataques e difamações que surgem neste meio, tanto aos que se dirigem à Igreja e aos seus organismos, ao Papa Francisco e a pessoas específicas temos a intenção de chamar a atenção para a ação de alguns youtubers [católicos] que constantemente usam seus espaços para dividir, destruir, difamar e aterrorizar a outros e outras. Do mesmo modo, não é difícil de identificar quem está aqui.
De um tempo para cá, o acesso às informações e a constante vinculação de vídeos e textos pelas redes sociais trouxeram uma nova forma de conexão e de interação entre as pessoas. Agora, todos podem falar e se manifestar, todos podem dizer aquilo que pensam e sentem, todos podem trazer para a sua tela e espaço a intenção ou a face do que dizem ser a verdade. Sim, a verdade. Parece que todos a buscamos, certo? E parece que nos sentimos seguros quando, diante de nós, alguém demonstra estar ou ser a verdade. Mas, o que é a verdade?... Será que é ela mesma que está em tudo o que vem sendo publicado e anunciado pelas redes e novos espaços virtuais [sociais]?... Seriam estes novos youtubers os grandes guardiões da verdade?... Seriam eles os novos mestres do saber da fé, criando novas sumas e tratados?... É algo que nos faz pensar.
Ao nos deparamos com estes novos eventos e efeitos da comunicação, por certo, o questionar-se sobre o real e sobre o irreal, sobre o que é verdadeiro ou não vem à tona e isso vai exigir uma atenção maior de nossas filosofias e teologias. Com certeza, estamos diante de um novo tempo, um instigante tempo, e o avanço da tecnologia e a facilidade com que acessamos e processamos os dados que nos chegam abrem para nós novas perspectivas e apresentam novos desafios.
Contudo, neste universo em que todos podem dizer, fazer, mostrar, dizemos que todos, também, podem se tornar alvos de injúrias e difamação, de perseguição, já que a velocidade do que se transmite é tão forte que torna incapaz a criticidade a respeito do que é apresentado. Os efeitos e a maneira como se produzem os vídeos e como se lançam as informações nos surpreendem pela qualidade e pela perspicácia, mas, ao mesmo tempo, impedem uma profunda inteligibilidade, impedem a interação de quem ouve e de quem fala, trata-se de um caminho único, já que quem está se pronunciando apoia-se na ‘verdade’ e esta é despojada no receptor, que passivo, ouve, acolhe e reproduz, sem intenção ou responsabilidade para com aquilo que é colocado, pois foi apresentado a ele como ‘verdade’.
É um dado, pois, quem vai questionar alguém que se apoia em inúmeros documentos eclesiais, que fala com tanta segurança, que cita autores clássicos, que de maneira rápida desconstrói teologias e filosofias amplamente debatidas e consegue antever as grandes crises, já enumerando e apontando os culpados? Quem questionaria alguém que apresenta todas as respostas, seguro de si, antecipando-se às próprias perguntas, a ponto de calar e fazer concordar aqueles que o ouvem? Sim, não é de hoje que a prática da oratória provoca mudança nas estruturas, altera o comportamento das pessoas e quando bem realizada consegue fazer com que a intenção do que se quer dizer apareça mais do que a verdade ocultada ou ignorada daquilo que se diz. Isso aconteceu na história, aconteceu seguidamente no meio político, no universo religioso e midiático e volta a se repetir hoje, de muitas formas e de um jeito bem articulado. Evidentemente que podemos encontrar muita coisa boa e verdadeira nas redes sociais e nos muitos autores e youtubers que vão surgindo a cada tempo, este é um ganho de nossa época, pois a informação busca aparecer. Não questionamos isso, como dissemos, é um ganho. O aspecto a ser questionado decorre do mau uso deste mecanismo e desta prática, fazendo com que novos agentes da evangelização se transformem em novos “inquisidores”, próprios para destruir e atacar quem pensa ou se comporta diferente, quem não age de acordo com sua proposta ou orientação. Eis um ponto perigoso.
A questão é: ‘a que serve’ e ‘a quem servem’ estes novos youtubers católicos que hoje se lançam como portadores da verdade no mundo religioso [e político], criando para si e em torno a si novos oráculos da revelação? O que está por trás de seus discursos, de sua politização, de seu emaranhado de frases e ditos postados e afirmados sem uma profunda e crítica reflexão? Quem ganha com isso, quando a intenção que parece ser bem clara é a diminuição do outro, a destruição, a difamação, a violência por palavras e gestos, a arrogância e o limitar de questões que parecem se impor?
Não é fácil responder a estas questões, mas o fato é que estamos diante de um evento que segue ganhando grandes proporções, a ponto de terem seus argumentos mais valorizados do que o próprio conteúdo que dizem ter. A interpretação que trazem dos dados, dos eventos, dos documentos e da teologia parece ser uma descoberta nova, dita de modo seletivo e com tom impactante, eloquente, mas que encobre o real conteúdo daquilo que ocorreu, do que foi escrito e do que acontece. Apresenta-se a verdade da fé como algo dado e acabado, impedindo o outro de se portar como outro, no diálogo que deve travar com o criador, que é revelado. Nada se questiona, pois tudo está dado! Olha-se para o céu e se esquece da terra! Olha-se para trás e se esquece o presente e em nenhum momento se espera um futuro. Aprisionam-se em coisas antigas (como as “múmias”, de que fala Francisco), não querem o diálogo, ignoram avanços teológicos e perspectivas abertas pelo Vaticano II, quem dirá pelas Conferências Episcopais e pelas novas teologias.
Rejeitam ou são indiferentes com Francisco. Sua eclesialidade parece ter se estacionado em Bento XVI (tido como figura conservadora, pois não o compreendem como teólogo), ou ainda em João Paulo II, fechando-se totalmente ao novo e aos desafios e novas problematizações de nosso tempo. É como se as grandes questões teológicas que inquietam teólogas e teólogas do mundo fossem supérfluas, então, estes novos atores passam a se articular em cima de expressões e jargões repetidos, que alguns até carecem de boa fundamentação. Diante deles, a teoria da liquidez de Bauman se confirma, pois é o mundo onde navegam e espalham suas convicções, restando aos demais a busca por apoio em algum terreno sólido, obviamente, apresentado por eles. Do modo como falam, parecem odiar os pobres, pois toda a ação social é vista como comunismo ou, como dizem agora, “marxismo cultural”, e lutam contra fantasmas que parecem existir apenas em suas mentes e batalhas virtuais; no entanto, a consequência destas batalhas, os estragos, todos podemos sentir: divisão.
Não é à toa que nos últimos anos os grupos mais conservadores e fundamentalistas se alimentaram desta prática e incentivaram tais ações. Poderíamos voltar alguns anos atrás, todavia, os eventos recentes nos são bem vivos na mente: vimos isso na eleição americana com Trump, vimos isso recentemente na eleição de Bolsonaro no Brasil, vimos isso nos constantes ataques ao Papa Francisco, vimos isso nos ataques contra a CNBB, ao CONIC, ao CIMI, à Pastoral da Terra e a outros organismos e pastorais sociais, vemos isso contra políticos e agentes ligados à causas sociais e aos direitos humanos, vemos isso contra teólogos [da libertação ou não] e acadêmicos, vemos isso na tentativa de desconstruir a imagem de Paulo Freire (reconhecido internacionalmente), vemos isso no ataque à diversidade religiosa, no desrespeito e na violência para com a questão de gênero, vemos isso no obscurantismo frente a Doutrina Social da Igreja, a ponto de alguns destes serem defensores do uso de armas, da violência, da pena de morte, etc (chega a ser absurdo!); isto é, a verdade que dizem apresentar tem traços de violência, de separação, de divisão, é uma roupagem de verdade arrogante que busca aprisionar e não quer libertar aqueles que a encontram. Totalmente ao contrário. É fria e sem vida.
Não sabemos até onde este evento pode ir. Se deve ser ignorado ou não. O fato é que na época da informação a desinformação parece crescer e um grupo muito grande de pessoas parece se tornar vítima desta exploração. Notícias falsas ou interpretadas equivocadamente podem trazer resultados danosos para o andar de nossa sociedade. O mesmo se pode dizer sobre a Igreja e também sobre a teologia. A Igreja não é um conjunto de normas fixas que somos obrigados a seguir, ou na qual escolhemos aquilo que nos cabe; não, ela é vida, ela é povo, ela tem algo novo a oferecer ao mundo e aí está a sua relevância, o seu mistério. Tais pessoas se dizem tão zelosas com a tradição, mas são incapazes de sentir o frescor e a brisa que sopra em nosso tempo, não ouvem os sinais dos tempos e são incapazes de interpretá-los. Se apoiam em ditos passados, mas o presente, de Francisco, parece não fazer parte de suas falas. O grito do povo que sofre parece não ressoar em seus ouvidos. Diante disso, é necessário discernimento, é necessário equilíbrio e sentimento evangélico.
A questão é: a verdade liberta. Toda e qualquer tentativa de aprisioná-la tende ao fracasso.
O ponto é: a Igreja não é conduzida por ditos seletivos gravados em um vídeo com intenções nada evangélicas e de fraca teologia, a Igreja é guiada pela ação do Espírito, e ele é o Espírito da unidade, ele é o Espírito do amor. Onde há unidade, há o Espírito, onde está o Espírito, ali está a Igreja.
Por ora, temos este espaço, este espaço desafiador, questionador. Porém, como nos diz o Papa Francisco, o tempo é superior ao espaço. Por isso, continuamos no seguimento, no seguimento de alguém que nos olha na face e nos faz ver a futura morada que se aproxima, que se despoja e nos faz entender os desafios da presente morada, que revela a sua face nos mais pequeninos, nos pobres, porque deles é o Reino dos céus.
Parabenizamos e agradecemos a todos aqueles e aquelas que fazem do seu trabalho evangelizador um serviço, com seriedade e responsabilidade. Esta é uma prática que constrói. A estes dizemos, continuem! Lamentamos, porém, aqueles e aquelas que usam estes espaços para destruir, para difamar, trajando-se de ovelhas, mas sendo como lobos no meio de nós.
Com as palavras de Francisco, ditas aos jesuítas em 2016, pedimos que Deus nos dê coragem e audácia profética, firmeza e discernimento. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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POR BERNARDO MELLO FRANCO
O governo contra o clero
A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.
O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.
O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.
Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.
Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.
Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.
Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”. A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó. Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com
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1) Oração
Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Marcos 7, 14-33)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 14Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: Ouvi-me todos, e entendei. 15Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem. 16[bom entendedor meia palavra basta.] 17Quando deixou o povo e entrou em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe acerca da parábola. 18Respondeu-lhes: Sois também vós assim ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro, 19porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural? Assim ele declarava puros todos os alimentos. E acrescentava: 20Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. 21Porque é do interior do coração dos homens que procedem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. 23Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O Evangelho de hoje é a continuação do assunto que meditamos ontem. Jesus ajuda o povo e os discípulos a entender melhor o significado da pureza diante de Deus. Desde séculos, os judeus, para não contrair impureza, observavam muitas normas e costumes relacionados com comida, bebida, roupa, higiene do corpo, lavagem de copos, contato com pessoas de outra religião e raça, etc (Mc 7,3-4) Eles eram proibidos de entrar em contato com os pagãos e de comer com eles. Nos anos 70, época de Marcos, alguns judeus convertidos diziam: “Agora que somos cristãos temos que abandonar estes costumes antigos que nos separam dos pagãos convertidos!” Mas outros achavam que deviam continuar na observância destas leis da pureza (cf Col 2,16.20-22). A atitude de Jesus, descrita no evangelho de hoje, ajudava-os a superar o problema.
* Marcos 7,14-16: Jesus abre um novo caminho para o povo se aproximar de Deus
Ele diz para a multidão: “Não há nada no exterior do ser humano que, entrando nele, possa torná-lo impuro!” (Mc 7,15). Jesus inverte as coisas: o impuro não vem de fora para dentro, como ensinavam os doutores da lei, mas sim de dentro para fora. Deste modo, ninguém mais precisa se perguntar se esta ou aquela comida ou a bebida é pura ou impura. Jesus coloca o puro e o impuro num outro nível, no nível do comportamento ético. Ele abre um novo caminho para chegar até Deus e, assim, realiza o desejo mais profundo do povo.
* Marcos 7,17-23: Em casa, os discípulos pedem explicação
Os discípulos não entenderam bem o que Jesus queria dizer com aquela afirmação. Quando chegaram em casa pediram uma explicação. Jesus estranhou a pergunta dos discípulos. Pensava que eles tivessem entendido a parábola. Na explicação aos discípulos ele vai até ao fundo da questão da pureza. Declara puros todos os alimentos! Ou seja, nenhum alimento que de fora entra no ser humano pode torná-lo impuro, pois não vai até o coração, mas vai para o estômago e acaba na fossa. Mas o que torna impuro, diz Jesus, é aquilo que de dentro do coração sai para envenenar o relacionamento humano. E ele enumera: prostituição, roubo, assassinato, adultério, ambição, etc. Assim, de muitas maneiras, pela palavra, pelo toque e pela convivência, Jesus foi ajudando as pessoas a ver e obter a pureza de outra maneira. Pela palavra, purificava os leprosos (Mc 1,40-44), expulsava os espírito impuros (Mc 1,26.39; 3,15.22 etc), e vencia a morte que era a fonte de toda a impureza. Pelo toque em Jesus, a mulher excluída como impura ficou curada (Mc 5,25-34). Sem medo de contaminação, Jesus comia junto com as pessoas consideradas impuras (Mc 2,15-17).
* As leis da pureza no tempo de Jesus
O povo daquela época tinha uma grande preocupação com a pureza. A lei e as normas da pureza indicavam as condições necessárias para alguém poder comparecer diante de Deus e se sentir bem na presença dele. Não se podia comparecer diante de Deus de qualquer jeito. Pois Deus é Santo. A Lei dizia: “Sede santos, porque eu sou santo!” (Lv 19,2). Quem não era puro não podia chegar perto de Deus para receber dele a bênção prometida a Abraão. A lei do puro e do impuro (Lv 11 a 16) foi escrita depois do cativeiro da Babilônia, cerca de 800 anos depois do Êxodo, mas tinha suas raízes na mentalidade e nos costumes antigos do povo da Bíblia. Uma visão religiosa e mítica do mundo levava o povo a apreciar as coisas, as pessoas e os animais, a partir da categoria da pureza (Gn 7,2; Dt 14,13-21; Nm 12,10-15; Dt 24,8-9).
No contexto da dominação persa, séculos V e IV antes de Cristo, diante da dificuldade para reconstruir o templo de Jerusalém e para a própria sobrevivência do clero, os sacerdotes que estavam no governo do povo da Bíblia ampliaram as leis da pureza e a obrigação de oferecer sacrifícios de purificação pelo pecado. Assim, depois do parto (Lv 12,1-8), da menstruação (Lv 15,19-24) ou da cura de uma hemorragia (Lv 15,25-30), as mulheres tinham que oferecer sacrifícios para recuperar a pureza. Pessoas leprosas (Lv 13) ou que entravam em contato com coisas e animais impuros (Lv 5,1-13) também deviam oferecer sacrifícios. Uma parte destas oferendas ficava para os sacerdotes (Lv 5,13).
No tempo de Jesus, tocar em leproso, comer com publicano, comer sem lavar as mãos, e tantas outras atividades, etc.: tudo isso tornava a pessoa impura, e qualquer contato com esta pessoa contaminava os outros. Por isso, as pessoas “impuras” deviam ser evitadas. O povo vivia acuado, sempre ameaçado pelas tantas coisas impuras que ameaçavam sua vida. Era obrigado a viver desconfiado de tudo e de todos. Agora, de repente, tudo mudou! Através da fé em Jesus, era possível conseguir a pureza e sentir-se bem diante de Deus sem que fosse necessário observar todas aquelas leis e normas da “Tradição dos Antigos”. Foi uma libertação! A Boa Nova anunciada por Jesus tirou o povo da defensiva, do medo, e lhe devolveu a vontade de viver, a alegria de ser filho e filha de Deus, sem medo de ser feliz!
4) Para um confronto pessoal
- Na sua vida há costumes que você considera sagrados e outros que considera não sagrados? Quais? Por que?
- Em nome da Tradição dos Antigos os fariseus esqueciam o Mandamento de Deus. Isto acontece hoje? Onde e quando? Também na minha vida?
5) Oração final
Vem do Senhor a salvação dos justos, que é seu refúgio no tempo da provocação. O Senhor os ajuda e liberta; arranca-os dos ímpios e os salva, porque se refugiam nele. (Sl 36)
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Em 1602, chegou ao México, então Nova Espanha, uma delegação de dominicanos, trazendo para o seu seminário um belo crucifixo de tamanho natural, com a imagem de Jesus de alvura impressionante.
Essa imagem foi entronizada no lado esquerdo, próximo à entrada da igreja.
Ali havia um clérigo, o qual dedicava especial devoção àquele Cristo. Não deixava passar um dia sem fazer as orações diante dEle e oscular piedosamente Seus venerandos pés. Certa vez, esse sacerdote atendeu em confissão um homem que declarou ter roubado e matado cruelmente. Ante a revelação de tal crime, o religioso afirmou que Deus perdoaria sempre, desde que restituísse o roubado e se entregasse à justiça, pois não bastava se confessar, mas era também necessário se arrepender e reparar o dano sofrido. O criminoso recusou-se a fazê-lo, retirando-se do confessionário furioso. Temendo ser denunciado, maquinou um pérfido plano para assassinar o sacerdote.
Escondido pelas sombras da noite, furtivamente se introduziu na capela e molhou os pés do Cristo com um poderoso veneno. Ninguém o viu e, sorrateiro como havia chegado, ocultou- se num canto sombrio. No dia seguinte, depois de fazer as orações costumeiras, aproximou-se o padre para beijar os pés da imagem, quando, para seu espanto, ela dobrou os joelhos milagrosamente, levantando os pés, de modo a impedir que estes fossem osculados. Enquanto isso, a imagem absorveu o veneno, em consequência do qual sua cor se tornou negra.
O religioso teve ainda maior surpresa quando ouviu soluços provenientes de alguém oculto atrás de uma coluna. Era o assassino do dia anterior, que ali aguardava o efeito de seu maligno plano. Verdadeiramente arrependido ao testemunhar tão maravilhoso prodígio, em prantos, fez por fim uma sincera confissão e logo em seguida entregou-se à justiça, disposto a pagar por seus crimes.
Desde então, a milagrosa imagem passou a chamar-se “Senhor do Veneno”. Todos concordavam que o Cristo não só havia protegido seu devoto, absorvendo o veneno, mas Seu misericordioso ato também simbolizava como Nosso Salvador toma a Si nossos pecados, estes sim um terrível veneno, que mata a alma, impedindo- a de alcançar a vida eterna.
Anos depois, a imagem foi transferida para a catedral metropolitana. Quando a igreja de Porta Coeli foi entregue aos sacerdotes do rito Greco-melquita em 1952, o pároco desta incumbiu um renomado artista de esculpir uma cópia, a fim de que o “Cristo do Veneno” pudesse ser venerado também na sua igreja de origem. Darío Iallorenzi. Fonte: http://www.arautos.org
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