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Papa rejeita demissão de cardeal francês condenado por encobrir abusos a menores
Francisco invoca a presunção de inocência para Philippe Barbarin, sentenciado a seis meses de prisão, mas o prelado decide se afastar temporariamente do seu cargo na arquidiocese de Lyon

O Papa cumprimenta o cardeal Barbarin, na segunda-feira passada, quando este lhe apresentou seu pedido de demissão. VATICAN MEDIA
Uma decisão do Vaticano, em meio à tormenta que a Igreja atravessa por causa dos escândalos de abusos sexuais contra menores, volta a causar surpresa. Especialmente depois da espetacular demonstração feita na Santa Sé durante a cúpula de fevereiro passado. O papa Francisco, contrariando todos os prognósticos, recusou na segunda-feira a demissão do cardeal francês Philippe Barbarin, condenado a seis meses de prisão por acobertar abusos contra menores dos quais teve conhecimento em 2014 e 2015. Segundo o porta-voz do pontífice, Alessandro Gisotti, Francisco deixou ao cardeal a liberdade de tomar a decisão que considerasse ser mais oportuna, invocando sua presunção de inocência e pensando no bem da arquidiocese. O cardeal anunciou nesta terça-feira que deixará temporariamente o comando da arquidiocese de Lyon.
Barbarin, de 68 anos, disse em nota que decidiu se retirar “por certo tempo” da primeira linha da arquidiocese, embora mantenha formalmente o título de arcebispo de Lyon. “Por sua sugestão [do Papa] e porque a Igreja de Lyon sofre há três anos, decidi me retirar por certo tempo e deixar a condução da arquidiocese a cargo do vigário-geral Yves Baumgarten”, afirmou. Barbarin já havia deixado claro que recorrerá da decisão judicial.
A condenação do cardeal, um dos homens mais poderosos da Igreja Católica na França, representa uma surpresa em seu país e no próprio Vaticano. Ninguém, nem sequer o Papa, a julgar por sua reação, achava que seria condenado. De fato, quando o tribunal de Lyon que examinava o caso intimou como testemunha o cardeal Luis Ladaria, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Vaticano se permitiu invocar a imunidade diplomática do prelado para evitar seu depoimento. Um gesto que contraria completamente a linha de colaboração com a Justiça que o Papa vem propondo aos bispos em seus países e que causou indignação entre as vítimas —especialmente quando o conceito de "tolerância zero" se torna algo tão interpretável.
A reação de Francisco “deixa claro que o problema da pedofilia é a Igreja e é o Papa. Hoje a problemática não está nem nos padres, nem nos cardeais, nem na Igreja francesa, e sim no próprio Papa, que é o responsável pela situação”, disse François Devaux, presidente da associação Palavra Liberada, que agrupa vítimas de pedofilia em Lyon e que foi a responsável por levar o cardeal Barbarin a julgamento.
“Com uma decisão assim, [o Papa] demonstra a incoerência e a ausência de confiabilidade sobre o que possa dizer e fazer” a respeito desse assunto, acrescentou em conversa telefônica. Em relação ao recurso judicial de Barbarin, Devaux se disse confiante. “Não entenderam que isso não muda nada, que é uma questão moral, e não só de justiça”, afirmou.
A decisão do Papa, que segundo Barbarin apelou à "presunção de inocência", coincide com a atitude demonstrada em relação ao cardeal George Pell, ex-ministro de Finanças do Vaticano. Nunca – nem ao ser formalmente processado, nem após ser anunciada sua condenação – ele foi obrigado a se demitir do seu cargo. Na verdade, seu mandato expirou de forma natural, e atualmente, apesar de preso enquanto aguarda o julgamento do recurso em segunda instância, continua sendo cardeal. Uma maioria de pessoas considera no Vaticano que o cardeal australiano é inocente e será absolvido quando tiver "um julgamento justo", sem júri. Além disso, frequentemente se recorda intramuros o caso do ex-arcebispo de Adelaide (sul da Austrália) Philip Wilson, absolvido em segunda instância em dezembro passado. A sensação é semelhante à que predomina agora na Santa Sé com o prelado francês e seu recurso. Nesta segunda-feira, aliás, Francisco se fotografou sorridente com ele e apertando sua mão.
Barbarin anunciou sua intenção de apresentar sua demissão ao papa Francisco em 7 de março, horas depois de o tribunal correcional de Lyon o declarar “culpado por não ter denunciado maus tratos” contra um menor entre 2014 e 2015, anos em que as primeiras vítimas do padre Bernard Preynat o procuraram para relatar abusos sofridos 25 anos atrás e para exigir que o sacerdote não continuasse trabalhando com crianças. Os juízes o condenaram a seis meses de prisão pelo acobertamento, embora tenham permitido que cumpra a pena em liberdade. A sentença foi uma surpresa inclusive para os autores da ação, que foram pela via particular aos tribunais porque o Ministério Público de Lyon se recusou a formalizar queixas —uma postura que reafirmou durante o julgamento, em janeiro passado, por considerar que o crime estava prescrito. Fonte: https://brasil.elpais.com
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1) Oração
Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras, e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzi-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 20, 17-28)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 17Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: 18Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. 19E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará. 20Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. 21Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. 22Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe. 23De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou. 24Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. 26Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. 27E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. 28Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O evangelho de hoje traz três assuntos: o terceiro anúncio da paixão (Mt 20,17-19), o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).
* Mateus 20,17-19: O terceiro anúncio da paixão. Eles estão a caminho de Jerusalém. Jesus vai na frente. Sabe que vão matá-lo. O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Porém, a sua morte não é fruto de um plano já preestabelecido, mas é conseqüência do compromisso assumido com a missão recebida do Pai junto aos excluídos do seu tempo. Por isso, Jesus alerta os discípulos sobre a tortura e a morte que ele vai enfrentar em Jerusalém. Pois o discípulo deve seguir o mestre, mesmo que for para sofrer com ele. Os discípulos estão assustados e o acompanham com medo. Não entendem o que está acontecendo (cf. Lc 18,34). O sofrimento não combinava com a idéia que eles tinham do messias (cf. Mt 16,21-23).
* Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos. Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.
* Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus. Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.
* Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim. Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.
* Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus. Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.
4) Para um confronto pessoal
1) Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?
2) Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?
5) Oração final
Livra-me do laço que me armaram, porque és minha força. Nas tuas mãos entrego meu espírito; tu me resgatas, SENHOR, Deus fiel. (Sl 30, 5-6)
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O culto litúrgico a S. José celebra-se, pelo menos, desde o século IV, quando Santa Helena lhe dedicou uma igreja. No Oriente, celebrava-se, a partir do século IX, uma festa em sua honra. No Ocidente o culto é mais tardio. No século XII, é celebrado entre os Beneditinos. No século XII, é celebrado entre os Carmelitas, que o propagam na Europa.
No século XV, João Gerson e S. Bernardino de Sena são os seus fervorosos propagandistas. Santa Teresa de Jesus era uma devota fervorosa de S. José e muito promoveu o seu culto.José, descendente de David, era provavelmente de Belém. Por motivos familiares ou de trabalho, transferiu-se para Nazaré e tornou-se esposo de Maria. O anjo de Deus comunicou-lhe o mistério da encarnação do Messias no seio de Maria, e José, homem justo, aceitou-o apesar da dura crise por que passou. Indo a Belém para o recenseamento, lá nasceu o Menino Jesus. Pouco depois, teve de fugir com ele para o Egito, donde regressou a Nazaré. Quando Jesus tinha doze anos, vemos José e Maria em Jerusalém, onde perdem o filho e acabam por o reencontrar entre os doutores do templo. A partir deste episódio, os evangelhos nada mais dizem sobre José. É possível que tenha morrido antes de Jesus iniciar a sua vida pública.
Evangelho: Lucas 2, 41-51a
A lei judaica mandava que os primogênitos, sendo sagrados, deviam ser entregues a Deus ou sacrificados. Como o sacrifício humano era proibido, a lei obrigava a fazer uma espécie de troca, de maneira que em vez do menino, era oferecido um animal puro (cordeiros, pombas) (cf. Ex 13 e Lv 12). Lucas parece ter presente que Jesus, primogênito de Maria, era primogênito de Deus. Por isso, com a substituição do sacrifício - oferecem-s duas pombas - é evidenciado o fato de Jesus ser "apresentado ao Senhor", isto é, solenemente oferecido ao Pai. O sentido deste oferecimento só se compreende à luz da cena do calvário, onde Jesus já não pode ser substituído e morrerá como autêntico primogênito, que se entrega ao Pai pela salvação dos homens.
Como pai adotivo, José preocupa-se por tudo quanto diz respeito a Jesus. Embora não lhe seja dado penetrar completamente no mistério das relações de Jesus com o Pai, e também não compreendendo tudo quanto Jesus faz e diz, deixa-se no entanto, conduzir por Deus, com uma fé dócil e silenciosa. A sua máxima, à semelhança da de Jesus e da de Maria, poderia ser: "Ecce servus tuus", eis o teu servo.
Atualização
A Igreja convida-nos, hoje, a voltar-nos para S. José, a alegrar-nos e a bendizermos a Deus pelas graças com que o cumulou. S. José é o "homem justo" (Mt 1, 19). A sua justiça vem-lhe do acolhimento do dom da fé, da retidão interior e do respeito para com Deus e para com os homens, para com a lei e para com os acontecimentos. É o que nos sugere a segunda leitura. Não foi fácil para José aceitar uma paternidade que não era dele e, depois, a responsabilidade de ser o mestre e guia d´Aquele que, um dia, havia de ser o pastor de Israel. Respeito, obediência e humildade estão na base da "justiça" de José. Foi esta atitude interior, no desempenho da sua missão única, que guindaram José ao cume da santidade cristã, junto de Maria, a sua esposa.
As atitudes de José são características dos grandes homens, de que nos fala a Bíblia, escolhidos e chamados por Deus para missões importantes. Embora se considerassem pequenos, fracos e indignos, aceitavam e realizavam a missão, confiando n´Aquele que lhes dizia: "Eu estarei contigo".
José não procurou os seus interesses e satisfações, mas colocou-se inteiramente aos serviços dos que amava. O seu amor pela esposa, Maria, visava unicamente servir a vocação a ela que fora chamada. Deste modo, o casal chegou a uma união espiritual admirável, donde brotava uma enorme e puríssima alegria. Era a perfeição do amor. O amor de José por Jesus apenas visava servir a vocação de Jesus, a missão de Jesus. Para José, o filho não era uma espécie de propriedade a quem impunha uma autoridade e afeto tirânico, como, por vezes, acontece com alguns pais. José sabia que Jesus não era dele, e nada mais desejava do que prepará-lo, conforme as suas capacidades, para a missão de Salvador, como lhe fora dito pelo Anjo.
Por intercessão do nosso santo, peçamos a Deus a fé, a confiança, a docilidade, a generosidade e a pureza do amor para nós mesmos e para quantos têm responsabilidades na Igreja, para que as maravilhas de Deus se realizem também nos nossos dias.
*Leia a reflexão na íntegra acessando ao lado o link: EVANGELHO DO DIA.
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Os textos bíblicos relativos a São José são escassos, mas neste silêncio se encontra a força do esposo de Maria e pai putativo de Jesus. Entrevista ao cardeal Gianfranco Ravasi.
Emanuela Campanile, Mariângela Jaguraba
São José, homem justo e dócil, capaz de ouvir a Deus, é recordado, nesta terça-feira (19/03), como Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja. O seu silêncio que se opõe à palavra “gritada, brutal e agressiva, como estamos acostumados a ver”, explica na entrevista o biblista e presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, “permanece um exemplo e uma advertência constante”.
São José trabalhador, carpinteiro e dormindo são algumas representações do pai putativo de Jesus. “Uma presença bastante limitada”, sublinhou o purpurado, mas em seu silêncio, extremamente eloquente:
Cardeal Ravasi: A figura de São José tem uma presença limitada. Ele está em primeiro plano somente em relação ao início da vida de Jesus. O Evangelho de Mateus dedica-lhe a Anunciação do Anjo, ao contrário de Lucas que dedica a Maria. Podemos dizer que é somente no início absoluto de sua existência, da existência de Cristo, que apare essa figura. Aparece por duas razões e aqui entramos também na questão da “desobediência”. Aparece, em primeiro lugar, porque é ele quem tem essa ascendência, que naturalmente no mundo oriental era bastante vago, com Davi, e portanto dá a linha davídica a Jesus, introduzindo-o no grande rio do messianismo. Por outro lado, é ele quem vive a experiência do vínculo com Maria e dessa surpresa que abala sua vida, e ele se sentiria pronto para romper o vínculo com Maria, como se desobedecesse a esse projeto que tinha construído: de estar junto com essa moça, com essa mulher. Não nos esqueçamos de que José provavelmente não era o idoso representado também no imaginário artístico, iconográfico. Está pronto para interromper esse projeto comum, mas é nessa escolha que irrompe a Anunciação, que muda radicalmente o seu projeto e o torna obediente por excelência: torna-se instrumento fundamental para o reconhecimento de Jesus no contexto social, como pai putativo.
Numa sociedade onde a palavra conta muito, aliás, quanto mais falamos, mais gritamos, o que São José pode nos dizer?
Cardeal Ravasi: Diz uma coisa fundamental porque, diferentemente de muitos outros personagens dos Evangelhos, é um personagem central no início, mas é mudo: não temos uma palavra sequer. Em relação a Maria temos seis frases, digamos cinco frases e um canto, o “Magnificat”. Na verdade, é pouco também para Maria, pois são frases breves as cinco palavras de Maria. Ao contrário, para José temos o silêncio absoluto. Eu diria que o “preferir” é uma lição constante dentro dos Evangelhos, como Jesus prefere os últimos. Como dizia o poeta francês, Paul Valéry, preferir sempre a palavra “moindre”, a menor, a mais delicada em relação à palavra gritada, brutal e agressiva que estamos acostumados a ver no âmbito político, na informática, onde domina não somente a agressividade mas também a vulgaridade. A palavra que é acesa até ficar quente. Sabemos bem que a palavra é uma “criatura viva”: dizia outro poeta francês, Victor Hugo, e como tal pode também ferir, se não às vezes até matar.
O Papa Francisco é muito devoto de São José e tem uma imagem pequena sempre consigo...
Cardeal Ravasi: Sim. É a imagem de São José dormindo. Sabemos que existe também na iconografia. Bassano, por exemplo, representou José dormindo que recebe a anunciação ou recebe os sonhos que, como sabemos, na linguagem bíblica são uma maneira de representar uma comunicação transcendente, espiritual: não é necessariamente tudo o que concebemos através da visão psicanalítica, a leitura onírica com uma interpretação “científica”. Enquanto que para a tradição bíblica, e para toda a antiga tradição oriental, é uma maneira de expressar a profunda experiência religiosa, portanto, uma experiência espiritual, ascética e mística. Essa figura já é significativa, porque José é por excelência o homem que recebe essas mensagens à noite, nos momentos dramáticos da existência de seu filho oficial, seu filho jurídico. É por esse motivo que podemos dizer que seja, mais uma vez, uma figura sugestiva, porque tem a capacidade de ir em profundidade, sem muita conversa. Os evangelhos apócrifos acrescentam muitos detalhes, mas há um evangelho apócrifo chamado “José, o carpinteiro” que representa sua morte, José deitado numa espécie de névoa do fim da vida, que tem Cristo ao seu lado. Ele diz as últimas palavras em relação a Maria: “Eu amei essa mulher com ternura”, e depois morre. Fonte: https://www.vaticannews.va
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Uma ligação especial liga os Papas dos últimos cem anos com a imagem de São José. O “estilo” do esposo de Maria e guardião silencioso de Jesus inspirou de vários modos o ministério petrino dependendo da época e da experiência pessoal.
Cidade do Vaticano
A silhueta de São José estendida no sono, ao lado da mesa onde estuda e assegura as necessidades da Igreja universal, está ali para recordar que também em um sonho pode se esconder a voz de Deus. Papa Francisco tem ao seu lado, desde sempre, nos quartos onde morou e estudou a pequena estátua de São José dormindo.
O “solucionador”
Até hoje a estátua de São José está sobre a sua escrivaninha na Casa Santa Marta. Esta imagem, e a devoção de Francisco por aquilo que representa, teve uma imprevista popularidade mundial quando alguns anos atrás o próprio Papa falou durante o Encontro Mundial das Famílias em Manila.
Uma confidência que revelou uma confiança total na força mediadora do pai putativo de Jesus e uma admiração pelo papel e pelo estilo que José sempre encarnou:
“Amo muito São José, porque é um homem forte e silencioso. Na minha escrivaninha, tenho uma imagem de São José que dorme e, quando tenho um problema, uma dificuldade, escrevo um bilhetinho e meto-o debaixo de São José, para que o sonhe. Este gesto significa: reza por este problema! (Encontro com as famílias em Manila – 16 de janeiro de 2015).
Um nome para muitos Papas
Depois de Pedro, muitos Joãos, Bentos, Paulos, Gregórios, mas nenhum José. Nunca teve um Papa com este nome. Porém, muitos deles, especialmente no último século, o tiveram como nome de Batismo, como se os homens chamados para custodiar Jesus fosse um viático para os homens chamados para custodiar a Igreja. No início do século XX José Melchiorre Sarto torna-se Pio X e mais tarde sobem ao trono de Pedro Angelo José Rocalli, Karol Józef Wojtyla e Joseph Ratzinger. Francisco não se chama José, mas celebra, agradecido, a sua Missa de início de ministério dia 19 de março. Invocações que recordam o discreto modelo que inspira.
Muitos Papas por um nome
As etapas que levaram a Igreja a estabelecer o culto de São José foram muito longas, desde Sisto V que no final do século XV fixou a data da festa para 19 de março até a última decisão de Papa Francisco que, confirmando a vontade Bento XVI, no dia 1º de maio de 2013 decreta o acréscimo do nome de São José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, nas Orações eucarísticas II, III e IV (precedentemente João XXIII tinha estabelecido em 13 de novembro de 1962 a introdução no antigo Cânone romano da Missa, ao lado do nome de Maria e antes dos Apóstolos). Foi também João XXIII, que querendo confiar ao “pai” terreno de Jesus o Concílio Vaticano II, escreveu em 1961 a Carta Apostólica Le Voci, na qual faz um tipo de sumário da devoção a São José sustentada pelos seus predecessores. Não são opacas operações de “burocracia” litúrgica. Por trás de cada novo decreto colhe-se um sentimento e uma consciência eclesial cada vez mais enraizada como por exemplo, como aconteceu a Pio XII, podem chegar a marcar também na vida civil.
Um Santo que trabalha
No dia primeiro de maio de 1955, era um domingo e a Praça São Pedro estava repleta de fiéis. Pio XII faz um discurso enérgico aos presentes exortando todos a se orgulharem da sua identidade cristã frente às ideologias socialistas que pareciam dominar . No final surpreende a multidão com um “presente” que entusiasma todos:
“Para que todos entendam este significado (…) queremos anunciar a Nossa determinação de instituir – como de fato instituímos – a festa litúrgica de São José operário, marcando-a no dia 1º de maio. Trabalhadores e trabalhadoras, agrada-vos o nosso dom? Temos certeza que sim, porque o humilde artesão de Nazaré não só personifica junto a Deus e a Santa Igreja a dignidade do trabalhador, mas é também sempre providente guardião vosso e de vossas famílias” (Festa de S. José Operário – 1º de maio de 1955).
“Papa José” não é possível
Quatro anos mais tarde a Igreja estava sendo guiada por um homem que queria se chamar “Papa José”. Renunciou, disse, porque “não é usado entre os Papas”, mas a explicação revela a nostalgia e a forte devoção que João XXIII tinha por São José:
“Faça com que também os teus protegidos compreendam que não estão sós no seu trabalho, mas saibam descobrir Jesus ao seu lado, acolhê-lo com a graça, custodiá-lo com a fé como tu o fazes. E faça com que em cada família, em cada fábrica, oficina, onde quer que trabalhe um cristão, tudo seja santificado na caridade, na paciência, na justiça, na busca do fazer bem, para que desçam abundantes dons da celeste predileção” (19 de março de 1959)
O homem dos riscos
Paulo VI também não se chama José, mas de 1963 a 1969 em particular, não deixa de celebrar uma Missa na solenidade de 19 de março. Cada homilia torna-se uma peça que forma um retrato pessoal com o qual Paulo VI mostra-se fascinado pela “completa e submissa dedicação” de José à sua missão, do homem “talvez tímido” mas dotado “de uma grandeza sobre-humana que encanta”.
“São José, um homem ‘comprometido’ como se diz agora, por Maria, a eleita entre todas as mulheres da terra e da história, sempre sua virgem esposa, também fisicamente sua mulher, e por Jesus, em virtude da descendência legal, não natural, sua prole. A ele, os pesos, as responsabilidades, os riscos, as preocupações da pequena e singular sagrada família. A ele o serviço, a ele o trabalho, a ele o sacrifício, na penumbra do quadro evangélico, no qual nos agrada contemplá-lo, e certamente, sem dúvida, agora que tudo conhecemos, chamá-lo feliz, bem-aventurado. Isso é Evangelho. Nele os valores da existência humana assumem medidas diferentes daquela que somos acostumados a apreciar: aqui o que é pequeno torna-se grande” (Homilia de 19 de março de 1969).
O esposo sublime
Em 26 anos de pontificado João Paulo II falou de São José em infinitas ocasiões e, sempre disse que rezava intensamente pelo santo todos os dias. Essa devoção se resume no documento que lhe dedica em 15 de agosto de 1989, com a publicação da Exortação Apostólica Redemptoris Custos, escrita 100 anos depois da Quamquam Pluries de Leão XIII. No documento Papa Wojtyla aprofunda a vida de José em vários aspectos principalmente o do matrimônio cristão no qual oferece uma profunda leitura da relações entre os dois esposos de Nazaré.
“A dificuldade de se aproximar ao mistério sublime da sua comunhão esponsal levou todos, desde o século II, a atribuir a José uma idade avançada e a considerá-lo guardião, mais do que esposo de Maria. É o caso de supor, ao invés, que na época ele não fosse um homem idoso, mas que a sua perfeição interior, fruto da graça, o levasse a viver com afeto virginal a relação esponsal com Maria” (Audiência Geral de 1996).
O pai silencioso
De São José não se conhecem as palavras, apenas os silêncios. Bento XVI aprofunda-se na aparente ausência de São José e extrai dela a riqueza de uma vida completa, de um homem fundamental que com seu exemplo sem proclamações marcou o crescimento de Jesus o homem-Deus:
“Um silêncio graças ao qual José, em união com Maria, custodia a Palavra de Deus (…) um silêncio marcado pela oração constante, oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas à sua providência. Não se exagera quando se pensa que do próprio “pai” José, Jesus tenha tomado – no plano humano – a robusta interioridade que é pressuposto da autêntica justiça, a “justiça superior”, que ele um dia ensinará aos seus discípulos”. (Angelus de 2005)
O Santo da ternura
Da pequena “paróquia” de Santa Marta, Papa Francisco refletiu muito sobre o Santo ao qual confia todas suas preocupações. “O homem que custodia, o homem que faz crescer, o homem que leva adiante toda paternidade, todo mistério, mas não pega nada para si”, disse um uma das Missas matutinas. Por fim, em 20 de março de 2017 sublinha que José é o homem que age também quando dorme porque sonha o que Deus quer.
“Hoje gostaria de pedir que nos conceda a todos a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, bonitas, aproximamo-nos do sonho de Deus, daquilo que Deus sonha sobre nós. Que conceda aos jovens — porque ele era jovem — a capacidade de sonhar, de arriscar e de cumprir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E conceda a nós a fidelidade que em geral cresce numa atitude correta, cresce no silêncio e na ternura que é capaz de guardar as próprias debilidades e as dos outros”. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
É Deus, que para remédio e salvação nossa nos ordenais a prática da mortificação, concedei que possamos evitar todo pecado e cumprir de coração os mandamentos do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 6, 36-38)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 36Disse Jesus sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; 38dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* Os três breves versículos do Evangelho de hoje(Lc 6,36-38) são a parte final de um pequeno discurso de Jesus (Lc 6,20-38). Na primeira parte deste discurso, ele se dirige aos discípulos (Lc 6,20) e aos ricos (Lc 6,24) proclamando para os discípulos quatro bem-aventuranças (Lc 6,20-23), e para os ricos quatro maldições (Lc 6,20-26). Na segunda parte, ele se dirige a todos que o escutam (Lc 6,27), a saber, aquela multidão imensa de pobres e doentes, vinda de todos os lados (Lc 6,17-19). As palavras que ele diz a este povo e a todos nós são exigentes e difíceis: amar os inimigos (Lc 6,27), não amaldiçoar (Lc 6,28), oferecer a outra face a quem bate no rosto e não reclamar quando alguém toma o que é nosso (Lc 6,29). Como entender estes conselhos tão exigentes? A explicação nos é dada nos três versículos do evangelho de hoje, nos quais atingimos o centro da Boa Nova que Jesus nos trouxe.
* Lucas 6,36: Ser misericordioso como vosso Pai é misericordioso. As bem-aventuranças para os discípulos (Lc 6,20-23) e as maldições contra os ricos (Lc 6,24-26) não podem ser interpretadas como uma ocasião para os pobres se vingarem dos ricos. Jesus manda ter a atitude contrária. Ele diz: "Amai os vossos inimigos!" (Lc 6,27). A mudança ou conversão que Jesus quer realizar em nós não consiste em virar a mesa apenas para inverter o sistema, pois aí nada mudaria. Ele quer é mudar o sistema. O Novo que Jesus quer construir vem da nova experiência que ele tem de Deus como Pai/Mãe cheio de ternura que acolhe a todos, bom e maus, que faz brilhar o sol para maus e bons e faz chover sobre injustos e justos (Mt 5,45). O amor verdadeiro não depende nem pode depender do que eu recebo do outro. O amor deve querer o bem do outro independentemente do que ele ou ela faz por mim. Pois assim é o amor de Deus por nós. Ele é misericordioso não só para com os bons, mas para com todos, até “para com os ingratos e com os maus” (Lc 6,35). Os discípulos e as discípulas de Jesus devem irradiar este amor misericordioso.
* Lucas 6,37-38: Não julgar para não ser julgado. Estas palavras finais repetem de maneira mais clara o que ele tinha dito anteriormente: “Aquilo que vocês desejam que os outros façam a vocês, vocês devem fazer a eles” (Lc 6,31; cf. Mt 7,12). Se você não deseja ser julgado, não julgue! Se não deseja ser condenado, não condene! Se quiser ser perdoado, perdoe! Se quiser receber uma boa medida, dê uma boa medida aos outros! Não fique esperando até que o outro tome a iniciativa, mas tome você a iniciativa e comece já! E verá que dará certo!
4) Para um confronto pessoal
1) Quaresma é tempo de conversão. Qual a conversão que o evangelho de hoje pede de mim?
2) Você já tentou ser misericordioso como o Pai do céu é misericordioso?
5) Oração final
Ajuda-nos, ó Deus, nosso salvador, pela glória do teu nome, salva-nos e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome. (Sl 78, 9)
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1) Oração
Convertei para vós, ó Pai, nossos corações, a fim de que, buscando o único necessário e praticando as obras de caridade, nos dediquemos ao vosso culto. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 43-48)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 43 Disse Jesus tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. 44Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. 45Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. 46Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? 47Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? 48Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* No evangelho de ontem vimos como Jesus interpretou o mandamento “Não Matarás” para que a sua observância leve à prática do amor. Além de “Não Matarás” (Mt 5,21), Jesus citou outros quatro mandamentos da antiga lei: não cometer adultério (Mt 5,27), não jurar falso (Mt 5,33), olho por olho, dente por dente (Mt 5,38) e, no evangelho de hoje: “Amarás o próximo e odiarás o teu inimigo” (Mt 5,43). Assim, ao todo, por cinco vezes, ele criticou e completou a maneira antiga de observar estes mandamentos e apontou um caminho novo para atingir o objetivo da lei que é a prática do amor (Mt 5,22-26; 5, 28-32; 5,34-37; 5,39-42; 5,44-48).
* Amar os inimigos. No evangelho de hoje, Jesus cita a antiga lei que dizia: “Amarás o próximo e odiarás o teu inimigo”. Este texto não se encontra tal qual no Antigo Testamento. Trata-se mais da mentalidade reinante, segundo a qual o povo não via nenhum problema no fato de uma pessoa ter ódio ao seu inimigo. Jesus discorda e diz: “Mas eu digo Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem!” E ele dá o motivo: “Pois, se amais somente aos que vos amam, que recompensa vocês tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente vossos irmãos, o que é que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como é perfeito vosso Pai que está no céu." E Jesus deu a prova. Na hora de ser crucificado observou o que ensinou.
* Pai, perdoa! Eles não sabem o que fazem! Um soldado prendeu o pulso de Jesus no braço da cruz, colocou um prego e começou a bater. Deu várias pancadas. O sangue espirrava. O corpo de Jesus se contorcia de dor. O soldado, mercenário, ignorante, alheio ao que estava fazendo e ao que estava acontecendo ao redor, continuava batendo como se fosse um prego na parede da casa dele para pendurar um quadro. Neste momento Jesus rezou pelo soldado que o torturava e dirigiu esta prece ao Pai: “Pai, perdoa! Eles não sabem o que estão fazendo!” Amou o soldado que o matava. Por mais que quisessem, a desumanidade não conseguiu apagar em Jesus a humanidade e o amor. Eles o prenderam, xingaram cuspiram no rosto dele, deram soco na cara, fizeram dele um rei palhaço com coroa de espinhos na cabeça, flagelaram, torturaram, o obrigaram andar pelas ruas como um criminoso, teve de ouvir os insultos das autoridades religiosas, no calvário o deixaram totalmente nu à vista de todos e de todas. Mas o veneno da desumanidade não conseguiu alcançar a fonte do amor e da humanidade que brotava de dentro de Jesus. A água do amor que jorrava de dentro era mais forte que o veneno do ódio que vinha de fora. Olhando aquele soldado ignorante e bruto, Jesus teve dó dele e rezou por ele e por todos: “Pai perdoa!” E ainda arrumou uma desculpa: “Eles não sabem o que estão fazendo!” Jesus se fez solidário com aqueles que o torturavam e maltratavam. Era como o irmão que vem com seus irmãos assassinos diante do juiz e ele, vítima dos próprios irmãos, diz ao juiz: “São meus irmãos, sabe, são uns ignorantes. Perdoa. Eles vão melhorar!” Amou o inimigo!
* Ser perfeito como o Pai do céu é perfeito. Jesus não quer simplesmente virar a mesa, pois aí nada mudaria. Ele quer mudar o sistema da convivência humana. O Novo que ele quer construir vem da nova experiência que ele tem de Deus como Pai cheio de ternura que acolhe a todos! As palavras de ameaça contra os ricos não podem ser ocasião para os pobres se vingarem. Jesus manda ter a atitude contrária: "Amai os vossos inimigos!" O amor verdadeiro não pode depender do que eu recebo do outro. O amor deve querer o bem do outro independentemente do que ele ou ela faz por mim. Pois assim é o amor de Deus por nós.
4) Para um confronto pessoal
1) Amar os inimigos. Será que sou capaz de amar os meus inimigos?
2) Contemplar em silêncio Jesus que, na hora de ser morto, amava o inimigo que o matava.
5) Oração final
Felizes os que procedem com retidão, os que caminham na lei do SENHOR. Felizes os que guardam seus testemunhos e o procuram de todo o coração (Sl 118, 1-2)
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Frei Jorge Van Kampen, O. Carm. In Memoriam (*17/04/1932 + 08/08/2013).
Geralmente temos um ouvido muito bom para escutar a nossa voz e a nossa opinião. Mas o que um outro diz, o nosso ouvido enfraquece. No Monte Tabor é Deus que tem a palavra.
Ele nos chama para ouvi-lo. É importante o que ele nos quer comunicar; não é fácil saber o que vem de Deus. É uma fraqueza nossa de querer ouvir a voz de Deus, quando coincide com a nossa opinião.
Como é bom, quando podemos dizer, que Deus nos deu a razão. Mas quem garante esta coincidência? Geralmente não são vozes misteriosas. Podem ser palavras e testemunhas de pessoas, que sabe distinguir o bem e o mal. Na campanha da fraternidade devemos estar atentas o que se diz sobre a vida.
Introdução às leituras.
Deus chama Abrão para realizar um projeto e mostra a grande benção, que este projeto tem para os seus descendentes. Timóteo ficou arrasado com a prisão de Paulo, mas este mostra o grande amor de Jesus que realizou grandes promessas, e insiste conosco: “Levantem-se, não tenhais medo!” A Campanha da Fraternidade nos mostra o grande dom da vida.
Reflexão.
Na vida prática sempre temos uma ideia vaga de Deus. A sua Revelação não é muito clara. Cremos em Deus e por isso sabemos que ele existe. Não precisamos ter vergonha por causa dessa afirmação. Na Bíblia Deus se apresenta por imagens. Jesus diz assim: “Meu Pai” ou “Vosso pai celeste”. O apóstolo João diz: “Deus é amor”. Em toda a Bíblia Deus se apresenta como um amigo fiel, que se promete conosco; como diz João 3,21: “Os que vivem de acordo com a verdade, procurem a luz”, como que quisesse dizer: “Valorize os ensinamentos de Jesus, e você encontra uma luz na caminhada da vida”.
No silêncio do monte Tabor Deus convida para escutá-lo. No silêncio da vida é necessário colocar a nossa antena em direção a Deus. Saibamos escutar a sua palavra?
Resposta à Palavra de Deus.
Terminada a visão, Jesus ficou só. Ele é a nossa palavra. A maneira de praticar a Palavra de Deus sugere, nesta quaresma, a Campanha da Fraternidade: Valorizar a Vida!
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Frei Carlos Mesters, O. Carm.
Dois assuntos ligados entre si: a Transfiguração de Jesus e a questão da volta do profeta Elias. Hoje, muita gente vive esperando pela volta de Jesus e escreve nos muros da cidade: Jesus voltará! Eles não se dão conta de que Jesus já está presente dentro da nossa vida. De vez em quando, como um relâmpago repentino, esta presença se ilumina e transfigura nossa vida.
A fé que você tem em Jesus já lhe proporcionou algum momento de transfiguração e de alegria intensa? Estes momentos de alegria dão força na hora das dificuldades.
Vamos olhar de perto nos seus mínimos detalhes o texto que nos descreve a transfiguração de Jesus (Lucas 9,28-36). Durante a leitura, vamos prestar atenção no seguinte: “Como acontece a transfiguração e qual a reação dos discípulos diante desta experiência?”
LEITURA DO TEXTO LUCAS 9, 28-36
Como acontece a transfiguração e qual a reação dos discípulos diante desta experiência?
Por que o texto apresenta Jesus com vestes resplandecentes conversando com Moisés e Elias? O que Moisés e Elias significam para Jesus? E o que significam para os discípulos?
Qual a mensagem da Voz do Pai para Jesus? E qual para os discípulos?
Como transfigurar, hoje, tanto a vida pessoal e familiar, como a vida comunitária aqui no bairro?
Vamos rezar o salmo que fala da luz de Deus: Salmo 27(26)
A Transfiguração acontece depois do primeiro anúncio da Morte de Jesus (Lc 9,21-22). Este anúncio tinha transtornado a cabeça dos discípulos, sobretudo de Pedro (Mc 8,31-33). (Lucas omite esta passagem sobre Pedro.) Eles tinham os pés no meio dos pobres, mas a cabeça perdida na propaganda do governo e da religião da época (Mc 8,15). Pois, conforme o Antigo Testamento, um condenado à morte na cruz devia ser considerado como um “maldito de Deus” (Dt 21,22-23) e jamais poderia ser o messias! Por isso Pedro reagiu com tanta força contra a cruz (Mc 8,32). A cruz era um impedimento para crer em Jesus. “A cruz é um escândalo!”, assim diziam (1Cor 1,23). A Transfiguração de Jesus ajuda os discípulos a superar o trauma da Cruz. No Evangelho de Lucas, Jesus conversa sobre a sua Paixão e Morte com Moisés e Elias (Lc 9,31).
Nos anos 80, quando Lucas escreve, a Cruz continuava sendo um grande impedimento para os judeus aceitarem Jesus como Messias. Como é que um crucificado, morto como marginal, podia ser o grande messias que o povo esperava há séculos? As comunidades não sabiam como responder às perguntas críticas dos judeus. Um dos maiores esforços dos primeiros cristãos consistia em ajudar as pessoas a perceber que a cruz não era escândalo nem loucura, mas sim expressão do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1,22-31). Lucas dá a sua contribuição neste esforço. Ele usa textos e figuras do Antigo Testamento para descrever a cena da Transfiguração. Assim ele ilumina os fatos da vida de Jesus e mostra que Jesus veio realizar as profecias e que a Cruz era o caminho para a Glória. Assim ajudava as comunidades para entender melhor quem era Jesus e qual a mensagem dele.
Jesus muda de aspecto.
Jesus sobe a uma montanha alta. Lucas acrescenta que ele subiu para rezar (Lc 9,28). Lá em cima, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto com ele aparecem Moisés e Elias. A Montanha alta evoca o Monte Sinai, onde Deus tinha manifestado sua vontade ao povo entregando a lei. As vestes brancas lembram Moisés que ficava fulgurante quando conversava com Deus na Montanha e dele recebia a lei (cf. Ex 34,29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, conversam com Jesus e aprovam o que ele diz e faz. Lucas informa que a conversa de Moisés e Elias é sobre a Morte de Jesus em Jerusalém (Lc 9,31).
Pedro gostou mas não entendeu.
Pedro gostou e quer segurar o momento agradável na Montanha. Ele se oferece para construir três tendas. Lucas diz que Pedro não sabia o que estava dizendo. Falou por falar. E Lucas acrescenta que os discípulos estavam com sono (Lc 9,32). Os discípulos são como nós: têm dificuldade para entender a Cruz!
A voz do céu esclarece os fatos.
A voz do Pai diz: “Este é o meu Filho amado! Ouvi-o!”. A expressão “Filho amado” lembra a figura do Messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1). A expressão “Ouvi-o!” lembra a profecia que prometia a chegada de um novo Moisés (cf. Dt 18,15). Com outras palavras, em Jesus, as profecias do Antigo Testamento estão se realizando. Os discípulos já não podem duvidar. Devem entender que Jesus é realmente o Messias glorioso e que o caminho da glória passa pela cruz. Pois tudo isto já tinha sido anunciado na profecia do Servo sofredor (Is 53,3-9). Moisés e Elias o confirmam. A glória da Transfiguração o comprova. O Pai o garante. Jesus o aceita.
No fim, Lucas diz que, depois da visão, os discípulos vêem só Jesus e ninguém mais. Daqui para frente, Jesus é a única revelação de Deus para nós! Só ele! Jesus é a chave para a gente entender o Antigo Testamento.
Saber guardar o silêncio.
Jesus pedia para não dizerem nada a ninguém até que tivesse ressuscitado dos mortos, mas os discípulos não entenderam. De fato, não entende o significado da Cruz quem não liga o sofrimento com a ressurreição. A Cruz de Jesus é a prova de que a vida é mais forte que a morte.
A volta do profeta Elias.
No Evangelho de Marcos os discípulos querem saber sobre a volta do profeta Elias (Mc 9,11-13). O profeta Malaquias tinha anunciado que Elias devia voltar para preparar o caminho do Messias (Ml 3,23-24). O mesmo anúncio está no livro do Eclesiástico (Eclo 48,10). Então, como Jesus podia ser o Messias, se Elias ainda não tinha voltado? Por isso, os discípulos perguntam: “Por que motivo os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?” (Mc 9,11). A resposta de Jesus é clara: “Elias já veio e fizeram com ele tudo o que quiseram, conforme dele está escrito” (Mc 9, 13). Escrito aonde e o que? Jesus alude à morte violenta de João Batista (cf Mc 6,16.27-28). Nela se realizou a ameaça de morte que Jezabel fez contra Elias, conforme está escrito no livro dos Reis (1 Rs 19,2.10). Com outras palavras, as profecias de Isaías que falam da morte violenta do Messias Servo também se cumprirão.
Instrução sobre a necessidade da fé (Mc 9,14-29).
Ao descer do Monte, Jesus encontra os discípulos tentando inutilmente expulsar o demônio impuro de um menino doente. Anteriormente, eles tinham sido capazes de expulsar demônios (Mc 6,13). Mas, ao que parece, o desencontro crescente entre eles e Jesus tinha enfraquecido sua fé. Jesus teve um desabafo: “Ó geração sem fé! Até quando vou estar com vocês! Até quando vou suportá-los?” (Mc 9,19) De volta em casa, os discípulos perguntaram: “Por que não pudemos expulsá-lo?” Jesus responde: “Essa espécie não pode sair a não ser com oração” (Mc 9,28-29). Só mesmo a oração fortalece a fé do discípulo a ponto de ela ser capaz de expulsar o demônio e de corrigir as idéias erradas sobre Jesus, o Messias. Pois “tudo é possível àquele que crê!” (Mc 9,24)
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Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
A cultura contemporânea é permeada por situações e desafios que provocam uma difusa “emergência educativa”. A educação dos indivíduos e sua formação nos verdadeiros ideais que sustentam e regem a convivência pacífica numa sociedade democrática é desafio que toca quem acredita na construção de um mundo justo e fraterno.
Há o processo educacional acadêmico convencional. Há também um processo que marca a constituição do indivíduo, nem sempre suficientemente considerado pelo ambiente acadêmico. Trata-se da dimensão humana das emoções, hábitos e aspirações, difícil de ser caracterizada.
A educação formal que recolhe informações contribui para o aprimoramento cultural, desenvolvendo valores externos e aquisitivos para o consumo imediato. Já os desafios éticos e comportamentais que implicam as estruturas íntimas da pessoa necessitam de abordagem adequada. É neste âmbito que se encontra o urgente antídoto à violência e à vulgaridade, presente em variados setores da sociedade.
Constata-se o crescente número de órfãos filhos de pais vivos, de adolescentes e jovens que se automutilam, se drogam e se suicidam. Esses números expressam situações complexas diante das quais a sociedade não consegue responder adequadamente.
A tragédia de Suzano requer atenção. Somente com o engajamento de quem acredita nos valores da paz, do respeito e do cuidado de uns para com os outros, será capaz de superar a crescente cultura da violência, promovida por setores da sociedade.
De um lado, a instituição familiar é achincalhada por expressões ideológicas obscuras. De outro, se encontram as instituições de ensino fragilizadas de tal modo que falta o mínimo necessário para que professores e educadores possam levar a bom termo sua missão.
Não se responde à insanidade e à estupidez com bravatas. O momento requer bom senso e disposição para contribuir na promoção de políticas públicas capazes de responder adequadamente às necessidades da sociedade.
Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Fonte: http://www.cnbb.org.br
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1) Oração
Concedei, ó Deus, que vossos filhos se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação desta Quaresma frutifique em todos nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 20-26)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 20 Disse Jesus, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. 21Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. 22Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena. 23Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. 25Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O texto do evangelho de hoje faz parte de uma unidade maior de Mt 5,20 até Mt 5,48. Nela Mateus mostra como Jesus interpreta e explica a Lei de Deus. Por cinco vezes ele repete a frase: "Antigamente foi dito, mas eu vos digo!" (Mt 5,21. 27.33.38.43). Um pouco antes, ele tinha dito: “Não pensem que vim acabar com a Lei e os Profetas. Não vim acabar, mas sim dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17). A atitude de Jesus frente à lei é, ao mesmo tempo, de ruptura e de continuidade. Ele rompe com as interpretações erradas, mas mantém firme o objetivo que a lei quer alcançar: a prática da justiça maior que é o Amor.
* Mateus 5,20: A justiça maior que a justiça dos fariseus. Este primeiro versículo dá a chave geral de tudo que segue no conjunto de Mt 5,20-48. A palavra Justiça aparece nenhuma vez em Marcos, e sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). Isto tem a ver com a situação das comunidades para as quais Mateus escreve. O ideal religioso dos judeus da época era "ser justo diante de Deus". Os fariseus ensinavam: "A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos os seus detalhes!" Este ensinamento gerava uma opressão legalista e trazia muita angústia para as pessoas, pois era muito difícil alguém observar todas as normas (cf. Rom 7,21-24). Por isso, Mateus recolhe palavras de Jesus sobre a justiça mostrando que ela deve ultrapassar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). Para Jesus, a justiça não vem do que eu faço por Deus observando a lei, mas sim do que Deus faz por mim, acolhendo-me como filho ou filha. O novo ideal que Jesus propõe é este: "Ser perfeito com o Pai do céu é perfeito!" (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas da mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa, apesar dos meus defeitos e pecados.
* Por meio de cinco exemplos bem concretos, Jesus vai mostrar como fazer para alcançar esta justiça maior que supera a justiça dos escribas e dos fariseus. Como veremos, o evangelho de hoje traz o primeiro exemplo relacionado com a nova interpretação do quinto mandamento: Não matarás! Jesus vai revelar o que Deus queria quando entregou este mandamento a Moisés.
* Mateus 5,21-22: A lei diz "Não matarás!" (Ex 20,13) Para observar plenamente este quinto mandamento não basta evitar o assassinato. É preciso arrancar de dentro de si tudo aquilo que de uma ou de outra maneira possa levar ao assassinato, como por exemplo, raiva, ódio, xingamento, desejo de vingança, exploração, etc.
* Mateus 5,23-24: O culto perfeito que Deus quer. Para poder ser aceito por Deus e estar unido a ele, é preciso estar reconciliado com o irmão, com a irmã. Antes da destruição do Templo, no ano 70, quando os judeus cristãos participavam das romarias a Jerusalém para fazer suas ofertas no altar e pagar suas promessas, eles sempre se lembravam desta frase de Jesus. Nos anos 80, no momento em que Mateus escreve, o Templo e o Altar já não existem. Tinham sido destruídos pelos romanos. A própria comunidade e a celebração comunitária passam ser o Templo e o Altar de Deus.
* Mateus 5,25-26: Reconciliar. Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é a reconciliação. Isto mostra que, nas comunidades daquela época, havia muitas tensões entre grupos radicais com tendências diferentes e até opostas. Ninguém queria ceder diante do outro. Não havia diálogo. Mateus ilumina esta situação com palavras de Jesus sobre a reconciliação que pedem acolhimento e compreensão. Pois o único pecado que Deus não consegue perdoar é a nossa falta de perdão aos outros (Mt 6,14). Por isso, procure a reconciliação, antes que seja tarde demais!
4) Para um confronto pessoal
1- A reconciliação evangélica nasce a partir da misericórdia. Não é a lei pela lei, mas a vida pela vida.
2- A lei gera relação quando somos interpelados pelo novo mandamento de Jesus- O amor.
5) Oração final
Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica. (Sl 129, 1-2)
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A diocese de Mogi das Cruzes (SP) divulgou na manhã desta quarta-feira, 13 de março, uma nota de pesar aos familiares e vítimas do atentado na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, município que faz parte do território diocesano. Leia na íntegra a nota:
Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo diocesano de Mogi das Cruzes (SP), consternado ao receber as notícias a respeito do atentado aos alunos da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, transmite seu pesar, com expressões de proximidade e conforto, aos familiares dos alunos do colégio, e principalmente, daqueles que choram a perda de seus entes queridos pedindo a Deus para que derrame sobre cada um deles os dons da serenidade espiritual e da esperança cristã, pois, nossa fé se fundamenta nas promessas e na vitória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Enquanto Diocese, todo o clero e fiéis leigos, unimo-nos em oração pelos atingidos neste brutal ataque à Escola Raul Brasil, nas preces pelos falecidos, inclusive pelos autores deste triste ocorrido, pedindo a Deus que os acolha na Sua misericórdia e pela recuperação dos que foram atingidos.
Como filhos do príncipe da Paz, repudiamos qualquer ato de violência, e pedimos a Deus a graça de sermos promotores da paz em nosso país e no mundo.
Com uma saudação fraterna e dolorosa, nós nos unimos a todos.
Mogi das Cruzes, 13 de março de 2019
Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes
Pe. Antônio Robson Gonçalves
Vigário Geral da Diocese de Mogi das Cruzes
Fonte: http://www.cnbb.org.br
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Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor
É inegável a coragem do Papa Francisco ao enfrentar abertamente a questão da pedofilia dentro da Igreja. Fez entregar à justiça civil os pedófilos desde padres, religiosos até Cardeais para serem julgados e punidos. No Encontro em Roma em fins de fevereiro de 2019 para a Proteção dos Menores, o Papa impôs 8 determinações entre as quais a “pedofilia zero” e “a proteção das crianças abusadas”. O comentário é de Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.
O Papa aponta a chaga principal: “o flagelo do clericalismo que é o terreno fértil para todas estas abominações”. Clericalismo aqui significa a centralização de todo o poder sagrado no clero, com a exclusão de outros, que se julga acima de qualquer suspeita e crítica. Ocorre que gente do clero usa esse poder que, de si, deveria irradiar confiança e reverência, para abusar sexualmente de menores.
Entretanto, a meu ver, o atual Papa e os anteriores, não levaram a questão até ao fundo, por razões que abaixo tento esclarecer: a sexualidade e a lei do celibato.
Quanto à sexualidade importa reconhecer que a Igreja-grande-instituição-piramidal alimentou historicamente uma atitude de desconfiança e até negativa face à sexualidade. É refém de uma visão errônea, advinda da tradição platônica e agostiniana. Santo Agostinho via a atividade sexual como o caminho pelo qual entra o pecado original. Por ele, de nascença, cada ser humano se faz portador de uma mancha, de um pecado, sem culpa pessoal, em solidariedade com o pecado dos primeiros pais.
Quanto menos sexo pró-criativo, menos “massa damnata” (massa condenada). A mulher, por ser geradora, introduz no mundo o mal originário. Negava-se a ela a plena humanidade. Era chamada “mas” que em latim significa “homem não completo”. Todo anti-feminismo e machismo na Igreja romano-católica, encontram aqui seu pressuposto teórico.
Daí o alto valor atribuído ao celibato, poque, não havendo relação sexual-genital com uma mulher, não nascerão filhos e filhas. Assim não se transmite o pecado original.
Em todas as análises e condenações feitas sobre a pedofilia não se discutiu ainda o problema subjacente: a sexualidade. O ser humano não tem sexo. Ele é todo inteiro sexuado no corpo e na alma. Ele é tão essencial que por ele passa a continuidade da vida. Mas temos a ver com uma realidade misteriosa e extremamente complexa.
O pensador francês Paul Ricoeur que muito refletiu filosoficamente sobre a teoria psicanalítica de Freud escreveu: “A sexualidade, em seu fundo, permanece, talvez, impermeável à reflexão e inacessível ao domínio humano; talvez essa opacidade faz com que ela não possa ser reabsorvida numa ética nem numa técnica” (Revista Paz e Terran. 5 de 1979 p. 36). Ela vive entre a lei do dia onde vigoram os comportamentos estatuídos e a lei da noite onde funcionam as pulsões livres. Só uma ética do respeito face ao outro sexo e o auto-controle permanente sobre essa energia vulcânica, podem transformá-la em expressão de afeto e de amor e não numa obsessão.
Sabemos como é insuficiente a educação para a integração da sexualidade na formação dos padres nos seminários. Ela é feita longe do contacto normal com as mulheres, o que produz certa atrofia na construção da identidade. Por que Deus criou a humanidade, enquanto homem e mulher (Gn1,27)? Não primeiramente para gerarem filhos. Mas para não ficarem sós e serem companheiros (Gn 2,18).
As ciências da psiqué nos deixaram claro que o homem só amadurece sob o olhar da mulher e a mulher sob o olhar do homem. Homem e mulher são completos mas recíprocos e se enriquecem mutuamente na diferença.
O sexo genético-celular mostra que a diferença entre homem e mulher em termos de cromossomos, se reduz a apenas um cromossomo. A mulher possui dois cromossomos XX e o homem um cromossomo X e outro Y. Donde se depreende que o sexo-base é o feminino (XX), sendo o masculino (XY) uma diferenciação dele. Não há pois um sexo absoluto, mas apenas um dominante. Em cada ser humano, homem e mulher, existe "um segundo sexo". Na integração do "animus" e da "anima", explico, das dimensões do feminino e do masculino presentes em cada pessoa, se gesta a maturidade humana e sexual.
Neste processo, o celibato não é excluído. Pode ser uma opção legítima. Mas na Igreja ele é imposto como pré-condição para ser padre ou religioso. Por outro lado, o celibato não pode nascer de uma carência de amor, mas de uma superabundância de amor a Deus, transbordando aos outros, em especial, aos mais carentes de afeto.
Por que a Igreja romano-católica não abole a lei do celibato? Porque é contraditório à sua estrutura. Ela é, socialmente, uma instituição total, autoritária, patriarcal, machista e hierarquizada. Uma Igreja que se estrutura ao redor do poder sagrado realiza o que C. G. Jung denunciava:”onde predomina o poder aí não há amor nem ternura”. É o que ocorre com o machismo e a rigidez, em parte, na Igreja. Para corrigir esse desvio, o Papa Francisco não se cansa de pregar “a ternura e o encontro afetuoso”. O celibato é funcional à Igreja clerical, só e solitária.
Ao perdurar este tipo de Igreja, não esperemos a abolição da lei do celibato. Ele é útil para ela mas não para os fiéis.
E como fica o sonho de Jesus de uma comunidade fraternal e igualitária? Se vivido, mudaria tudo na Igreja. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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1) Oração
Dai-nos, ó Deus, pensar sempre o que é reto e realizá-lo com solicitude. E como só podemos existir em vós, fazei-nos viver segundo a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 7, 7-12)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 7Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. 8Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á. 9Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? 10E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? 11Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem. 12Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O evangelho de hoje traz um trecho do Sermão da Montanha, a Nova Lei de Deus que nos foi revelada por Jesus. O Sermão da Montanha tem a seguinte estrutura:
1) Mateus 5,1-16: O portão da entrada: as bem-aventuranças (Mt 5,1-10) e a missão dos discípulos: ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,12-16).
2) Mateus 5,17 a 6,18: O novo relacionamento com Deus: A nova justiça (Mt 5,17-48) que não visa mérito na prática da esmola, da oração e do jejum (Mt 6,1-18).
3) Mateus 6,19-34: O novo relacionamento com os bens da terra: não acumular (Mt 6,19-21), não olhar o mundo com olhar doente (Mt 6,22-23), não servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24), não se preocupar com comida e bebida (Mt 6,23-34).
4) Mateus 7,1-23: O novo relacionamento com as pessoas: não reparar no cisco no olho do irmão (Mt 7,1-5); não jogar pérolas aos porcos (Mt 7,6); o evangelho de hoje: não ter medo de pedir as coisas a Deus (Mt 7,7-11); e a Regra de Ouro (Mt 7,12); escolher o caminho difícil e estreito (Mt 7,13-14), tomar cuidado com os falsos profetas (Mt 7,15-20).
5) Mateus 7,21-29: Conclusão; não só falar mas também praticar (Mt 7,21-23); comunidade construída em cima deste fundamento ficará em pé na tempestade (Mt 7,24-27). O resultado destas palavras é uma nova consciência frente aos escribas e doutores (Mt 7,28-29)
* Mateus 7,7-8: As três recomendações de Jesus
Três recomendações: pedir, procurar e bater na porta: "Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês!” Pedir se faz a uma pessoa. A resposta depende tanto da pessoa como da insistência do pedido. Procurar se faz orientando-se por algum critério. Quanto melhor o critério, maior será a certeza de encontrar o que se procura. Bater na porta se faz na esperança de que haja alguém do outro lado dentro da casa. Jesus completa a recomendação oferecendo a certeza da resposta: “Todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta”. Isto significa que quando pedimos a Deus, Ele atende ao nosso pedido. Quando buscamos a Deus, ele se deixa encontrar (Is 55,6). Quando batemos na porta da casa de Deus, ele vai atender.
* Mateus 7,9-11: A pergunta de Jesus ao povo
“Quem de vocês dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe?” Aqui transparece o jeito simples e direto de Jesus ensinar as coisas de Deus ao povo. Falando para pais e mães de família, ele apela para a experiência diária. Nas entrelinhas das perguntas se adivinha a resposta gritada do povo: “Não!” Pois, ninguém dá uma pedra ao filho quando este pede um pão. Não existe mãe nem pai que dá uma cobra quando o filho ou a filha pede um peixe. E Jesus tira a conclusão: “Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o Pai de vocês que está no céu dará coisas boas aos que lhe pedirem." Jesus nos chama de maus para acentuar a certeza de sermos atendidos por Deus quando pedimos algo a Ele. Pois se nós, que não somos santos nem santas, sabemos dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu. Esta comparação tem como objetivo tirar de dentro de nós qualquer dúvida a respeito do resultado da oração feita a Deus com confiança. Deus vai atender! Lucas acrescenta que Deus nos dará o Espírito Santo (Lc 11,13)
* Mateus 7,12: A Regra de Ouro
"Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas." Este é o resumo de todo o Antigo Testamento, da Lei e dos profetas. É o resumo de tudo que Deus nos tem a dizer, o resumo de todo o ensinamento de Jesus. Esta Regra de Ouro encontra-se não só no ensinamento de Jesus, mas também, de uma ou de outra maneira, em todas as religiões. Ela responde ao sentimento mais profundo e mais universal do ser humano.
4) Para um confronto pessoal
1) Pedir, buscar, bater na porta: Como você reza e conversa com Deus?
2) Como você vive a Regra de Ouro?
5) Oração final
A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples. (Sl 18, 8)
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O cardeal australiano George Pell foi condenado a 6 anos de prisão por abusos sexuais. Ele poderá pedir a liberdade condicional depois de 3 anos e 8 meses.
Roberto Piermarini – Cidade do Vaticano
Em dezembro do ano passado, o Cardeal Pell foi considerado culpado de ter abusado sexualmente de dois coristas menores quando era Arcebispo de Melbourne nos anos 90. Prosseguindo com a leitura da sentença, o Juiz da Country Court, Peter Kidd, observou que os abusos cometidos pelo Card. George Pell tiveram "um impacto significativo e duradouro" sobre uma das vítimas, que sofreu uma série de emoções negativas com as quais lutou durante muitos anos, agravadas por problemas de confiança e ansiedade.
Pell sempre confessou a sua inocência e os seus advogados recorrerão nos próximos dias 5 e 6 de junho. Em nome da transparência, o juiz Kidd ordenou a transmissão ao vivo em vários canais da leitura da sentença, que durou mais de meia hora, em nome da "justiça aberta", mas, de acordo com os apoiadores de Pell, trata-se de uma confirmação da campanha midiática contra o cardeal.
A idade avançada do purpurado, de 77 anos, certamente influenciou o veredito, já que Pell arriscou pegar até cinquenta anos, dez para cada acusação, de acordo com a lei australiana. Depois de ler a sentença, o cardeal regressou à prisão de segurança máxima em Melbourne, onde é mantido em regime de isolamento, conforme estabelecido para os culpados de abusos.
Sobre a condenação do Card. Pell, nos últimos dias a Santa Sé havia anunciado a abertura de sua própria investigação canônica pela Congregação para a Doutrina da Fé. Fonte: https://www.vaticannews.va
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1) Oração
Considerai, ó Deus, com bondade o fervor do vosso povo. E, enquanto mortificamos o corpo, sejamos espiritualmente fortalecidos pelos frutos das boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 29-32)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 29Afluia o povo e ele continuou: Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas. 30Pois, como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem o será para esta geração. 31A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque ela veio dos confins da terra ouvir a sabedoria de Salomão! Ora, aqui está quem é mais que Salomão. 32Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo para condenar os homens desta geração, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* Estamos no tempo de quaresma. A liturgia privilegia os textos que possam ajudar-nos na conversão e na mudança de vida. Aquilo que melhor ajuda na conversão são os fatos da história do povo de Deus. No evangelho de hoje, Jesus traz dois episódios do passado: de Jonas e da rainha de Sabá, e os transforma em espelho para o povo olhar nele e descobrir o apelo de Deus à conversão.
* Lucas 11,29: A geração má que pede um sinal. Jesus chama a geração de má, porque ela não quer acreditar em Jesus e vive pedindo sinais que possam legitimar Jesus como enviado de Deus. Mas Jesus recusa dar um sinal, pois, no fundo, se eles pedem um sinal é porque não querem crer. O único sinal que vai ser dado é o sinal de Jonas.
* Lucas 11,30: O Sinal de Jonas. O sinal de Jonas tem dois aspectos. O primeiro é o que afirma o texto de Lucas no evangelho de hoje. Jonas foi um sinal para o povo de Nínive através da sua pregação. Ouvindo Jonas, o povo se converteu. Assim, a pregação de Jesus estava sendo um sinal para o seu próprio povo, mas o povo não dava sinais de conversão. O outro aspecto é o que afirma o evangelho de Mateus por ocasião do mesmo episódio: “Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra” (Mt 12,40). Quando Jonas foi cuspido na praia, ele foi anunciar a palavra de Deus ao povo de Nínive. Da mesma maneira, depois da morte e ressurreição no terceiro dia, A Boa Nova será anunciada ao povo da Judéia.
* Lucas 11,31: A Rainha de Sabá. Em seguida, Jesus evoca a história da Rainha de Sabá que veio de longe para ver Salomão e aprender da sabedoria dele (cf. 1Rs 10,1-10). E por duas vezes Jesus afirma: “E aqui está quem é maior do que Salomão”. “E aqui está quem é maior do que Jonas”.
* Um aspecto muito importante que está por detrás desta discussão entre Jesus os líderes do seu povo é a maneira diferente como ele, Jesus, e os seus adversários se colocavam frente a Deus. O livro de Jonas é uma parábola, que critica a mentalidade daqueles que queriam Deus só para os Judeus. Na história de Jonas, os pagãos se converteram diante da pregação de Jonas e Deus os acolheu na sua bondade e não destruiu a cidade. Quando viu que Deus acolheu o povo de Nínive e não destruiu a cidade, “Jonas ficou muito desgostoso e irado. E rezou a Javé: "Ah! Javé! Não era justamente isso que eu dizia quando estava na minha terra? Foi por isso que eu corri, tentando fugir para Társis, pois eu sabia que tu és um Deus compassivo e clemente, lento para a ira e cheio de amor, e que voltas atrás nas ameaças feitas. Se é assim, Javé, tira a minha vida, pois eu acho melhor morrer do que ficar vivo" (Jonas 4,1-3). Por isso, Jonas era um sinal para os judeus do tempo de Jesus e continua sendo um sinal também para nós cristãos. Pois, imperceptivelmente, como em Jonas aparece também em nós uma mentalidade de que nós cristãos temos uma espécie de monopólio de Deus e que todos os outros devem tornar-se cristãos. Isto seria proselitismo. Jesus não pede que todos sejam cristãos. Ele pede que todos se tornem discípulos (Mt 28,19), isto é, sejam pessoas que como ele, irradiem e anunciem a Boa Nova do amor de Deus para todos os povos ao redor (Mc 16,15).
4) Para um confronto pessoal
1) Quaresma, tempo de conversão. O que deve mudar na imagem que tenho de Deus? Sou como Jonas ou como Jesus?
2) Minha fé está baseada em que? Em sinais ou na palavra do próprio Jesus?
5) Oração final
Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito. (Sl 50, 12-13)
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1) Oração
Olhai, ó Deus, a vossa família e fazei crescer no vosso amor aqueles que agora se mortificam pela penitência corporal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 6, 7-15)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 12perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; 13e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* Há duas redações do Pai Nosso: Lucas (Lc 11,1-4) e Mateus (Mt 6,7-13). Em Lucas, o Pai Nosso é mais curto. Lucas escreve para comunidades que vieram do paganismo. Ele busca ajudar pessoas que estão se iniciando no caminho da oração. Em Mateus, o Pai Nosso está situado no Sermão da Montanha, naquela parte onde Jesus orienta os discípulos na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O Pai Nosso faz parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles já estavam habituados a rezar, mas tinham certos vícios que Mateus tenta corrigir.
* Mateus 6,7-8: Os vícios a serem corrigidos. Jesus critica as pessoas para as quais a oração era uma repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a atender às nossas necessidades. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição de palavras, mas sim da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer o nosso bem e conhece as nossas necessidades antes mesmo das nossas preces.
* Mateus 6,9a: As primeiras palavras: “Pai Nosso” Abbá, Pai, é o nome que Jesus usa para dirigir-se a Deus. Revela a nova relação com Deus que deve caracterizar a vida das comunidades (Gl 4,6; Rm 8,15). Dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”. O adjetivo “nosso” acentua a consciência de pertencermos todos à grande família humana de todas as raças e credos. Rezar ao Pai e entrar na intimidade com ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs pelo pão de cada dia. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como nosso Pai é o fundamento da fraternidade universal.
* Mateus 6,9b-10: Três pedidos pela causa de Deus: o Nome, o Reino, a Vontade. Na primeira parte do Pai-nosso, pedimos para que seja restaurado o nosso relacionamento com Deus. Santificar o Nome: O nome JAVÉ significa Estou com você! Deus conosco. Neste NOME Deus se deu a conhecer (Ex 3,11-15). O Nome de Deus é santificado quando é usado com fé e não com magia; quando é usado conforme o seu verdadeiro objetivo, i.é, não para a opressão, mas sim para a libertação do povo e para a construção do Reino. A Vinda do Reino: O único Dono e Rei da vida humana é Deus (Is 45,21; 46,9). A vinda do Reino é a realização de todas as esperanças e promessas. É a vida plena, a superação das frustrações sofridas com os reis e os governos humanos. Este Reino acontecerá, quando a vontade de Deus for plenamente realizada. Fazer a Vontade: A vontade de Deus se expressa na sua Lei. Que a sua vontade se faça assim na terra como no céu. No céu, o sol e as estrelas obedecem às leis de suas órbitas e criam a ordem do universo (Is 48,12-13). A observância da lei Deus será fonte de ordem e de bem-estar para a vida humana.
* Mateus 6,11-13: Quatro pedidos pela causa dos irmãos: Pão, Perdão, Vitória, Liberdade. Na segunda parte do Pai-nosso pedimos para que seja restaurado o relacionamento entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade para que todos os filhos e filhas de Deus vivam com igual dignidade. Pão de cada dia: No êxodo, cada dia, o povo recebia o maná no deserto (Ex 16,35). A Providência Divina passava pela organização fraterna, pela partilha. Jesus nos convida para realizar um novo êxodo, uma nova maneira de convivência fraterna que garante o pão para todos (Mt 6,34-44; Jo 6,48-51). Perdão das dívidas: Cada 50 anos, o Ano Jubilar obrigava todos a perdoar as dívidas. Era um novo começo (Lv 25,8-55). Jesus anuncia um novo Ano Jubilar, "um ano da graça da parte do Senhor" (Lc 4,19). O Evangelho quer recomeçar tudo de novo! Não cair na Tentação: No êxodo, o povo foi tentado e caiu (Dt 9,6-12). Murmurou e quis voltar atrás (Ex 16,3; 17,3). No novo êxodo, a tentação será superada pela força que o povo recebe de Deus (1Cor 10,12-13). Libertação do Maligno: O Maligno é o Satanás, que afasta de Deus e é motivo de escândalo. Ele chegou a entrar em Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11). Ele nos diz: "Coragem! Eu venci o mundo!" (Jo 16,33).
* Mateus 6,14-15: Quem não perdoa não será perdoado. Rezando o Pai-nosso, pronunciamos a sentença que nos condena ou absolve. Rezamos: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6,12). Oferecemos a Deus a medida do perdão que queremos. Se perdoamos muito, Ele perdoará muito. Se perdoamos pouco, ele perdoará pouco. Se não perdoamos, ele também não poderá perdoar.
4) Para um confronto pessoal
- Jesus falou "perdoai as nossas dívidas". Em alguns países se traduz "perdoai as nossas ofensas". O que é mais fácil: perdoar ofensas ou perdoar dívidas?
- As nações cristãs do hemisfério norte (Europa e USA) rezam todos os dias: “Perdoai as nossas dívidas assim como também nós perdoamos aos nossos devedores”. Mas elas não perdoam a dívida externa dos países pobres do Terceiro Mundo. Como explicar esta terrível contradição, fonte de empobrecimento de milhões de pessoas?
5) Oração final
Glorificai comigo ao Senhor, juntos exaltemos o seu nome. Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores. (Sl 33, 4-5)
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1) Oração
Convertei-nos, ó Deus, nosso salvador, e, para que a celebração da Quaresma nos seja útil, iluminai-nos com a doutrina celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 25, 31-46)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 31Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 32Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, 35porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; 36nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. 37Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? 39Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? 40Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. 41Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. 42Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; 43era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. 44Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? 45E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. 46E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O Evangelho de Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés. Como Moisés, Jesus promulgou a Lei Deus. Como a antiga Lei, assim a nova lei dada por Jesus tem cinco livros ou discursos. O Sermão da Montanha (Mt 5,1 a 7,27), o primeiro discurso, abriu com as oito bem-aventuranças. O Sermão da Vigilância (Mt 24,1 a 25,46), o quinto e último discurso, encerra com a descrição do Juízo Final. As bem-aventuranças descreveram a porta de entrada para o Reino de Deus, enumerando oito categorias de pessoas: os pobres em espírito, os mansos, os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os de coração limpo, os promotores da paz e os perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-10). A parábola do Juízo Final conta o que devemos fazer para poder tomar posse do Reino: acolher os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os sem roupa, os doentes e os prisioneiros (Mt 25,35-36). Tanto no começo como no fim da Nova Lei, estão os excluídos e marginalizados.
* Mateus 25,31-33: Abertura do Juízo final. O Filho do Homem reúne ao seu redor todas as nações do mundo. Separa as pessoas como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. O pastor sabe discernir. Ele não erra: ovelhas à direita, cabritos à esquerda. Jesus não erra. Ele sabe discernir bons e maus. Jesus não julga nem condena (cf. Jo 3,17; 12,47). Ele apenas separa. É a própria pessoa que se julga ou se condena pela maneira como se comportou com relação aos pequenos e excluídos.
* Mateus 25,34-36: A sentença para os que estiverem à direita do Juiz. Os que estão à sua direita são chamados de “Benditos de meu Pai!”, isto é, recebem a bênção que Deus prometeu à Abraão e à sua descendência (Gn 12,3). Eles são convidados a tomar posse do Reino, preparado para eles desde a fundação do mundo. O motivo da sentença é este: "Tive fome e sede, era estrangeiro, nu, doente e preso, e vocês me acolheram e ajudaram!” Esta sentença nos faz saber quem são as ovelhas. São as pessoas que acolheram o próprio Juiz quando este estava faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente e preso. E pelo jeito de falar "meu Pai" e "Filho do Homem", ficamos sabendo que o Juiz é o próprio Jesus. Ele se identifica com os pequenos!
* Mateus 25,37-40: Um pedido de esclarecimento e a resposta do Juiz: Os que acolheram os excluídos são chamados “justos”. Isto significa que a justiça do Reino não se alcança observando normas e prescrições, mas sim acolhendo os necessitados. Mas o curioso é que os próprios justos não sabem quando foi que acolheram Jesus necessitado. Jesus responde: "Toda vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes!" Quem são estes "meus irmãos mais pequeninos"? Em outras passagens do Evangelho de Mateus, as expressões "meus irmãos" e "pequeninos" indicam os discípulos (Mt 10,42; 12,48-50; 18,6.10.14; 28,10). Indicam também os membros mais abandonados da comunidade, os desprezados que não recebem lugar e não são bem recebidos (Mt 10,40). Jesus se identifica com eles. Mas não é só isto. No contexto tão amplo desta parábola final, a expressão "meus irmãos mais pequeninos" se alarga e inclui todos aqueles que na sociedade não têm lugar. Indica todos os pobres. E os "justos" e os "benditos de meu Pai" são todas as pessoas de todas as nações que acolhem o outro na total gratuidade, independente do fato de ser cristão ou não.
* Mateus 25,41-43: A sentença para os que estiverem à sua esquerda. Os que estão do outro lado do Juiz são chamados de “malditos” e são destinados ao fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Jesus usa a linguagem simbólica comum daquele tempo para dizer que estas pessoas não vão entrar no Reino. E aqui também o motivo é um só: não acolheram Jesus faminto, sedento, estrangeiro, nu, doente e preso. Não é Jesus que nos impede de entrar no Reino, mas sim a nossa prática de não acolher o outro, a cegueira que nos impede de ver Jesus nos pequeninos.
* Mateus 25,44-46: Um pedido de esclarecimento e a resposta do Juiz. O pedido de esclarecimento mostra que se trata de gente bem comportada, pessoas que têm a consciência em paz. Estão certas de terem praticado sempre o que Deus pedia delas. Por isso estranham quando o Juiz diz que não o acolheram. O Juiz responde: “Todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram!” A omissão! Não fizeram coisas más! Apenas deixaram de praticar o bem aos pequeninos e de acolher os excluídos. E segue a sentença final: estes vão para o fogo eterno, e os justos para a vida eterna. Assim termina o quinto livro da Nova Lei!
4) Para um confronto pessoal
1) O que mais chamou a sua atenção nesta parábola do Juízo Final?
2) Pare e pense: se o Juízo final fosse hoje, você estaria do lado das ovelhas ou dos cabritos?
5) Oração final
Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos. (Sl 18, 9)
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Às 16h locais, o Papa Francisco, junto com os cardeais e bispos da Cúria Romana, partiu para Ariccia em direção da Casa do Divino Mestre. Ali serão realizados os Exercícios Espirituais pregados pelo monge beneditino Bernardo Francesco Maria Gianni.
Silvonei José - Cidade do Vaticano
“Peço a todos que se recordem na oração de mim e dos colaboradores da Cúria Romana, que nesta noite iniciaremos a semana de Exercícios Espirituais”: é o tweet publicado no perfil do Papa Francisco @Pontifex para recordar o compromisso desta semana na Casa Divino Mestre de Ariccia, nas proximidades de Roma.
O Retiro Espiritual, que se realizará até sexta-feira próxima, dia 15, terá como tema “A cidade dos desejos ardentes: olhares e gestos pascais na vida do mundo”. Este ano, as meditações dos Exercícios Espirituais foram confiadas ao abade Bernardo Francisco Maria Gianni, da Abadia de São Miniato no Monte, Florença.
O abade Padre Bernardo proporá ao Papa e à Cúria Romana 10 meditações, com base no tema central. Serão duas meditações ao dia.
Suspensas as audiências
Durante os cinco dias de Exercícios espirituais serão suspensas todas as audiências pontifícias, inclusive a Audiência geral da quarta-feira, 13 de março, dia em que Francisco completará seis anos da sua eleição à Cátedra de Pedro.
Meditações da Quaresma
Entretanto, no dia 15, o Padre Raniero Cantalamessa, pregador oficial da Casa Pontifícia, iniciará, no Vaticano, suas pregações de Quaresma nas sextas-feiras que precedem a Páscoa do Senhor.
A temática das suas meditações, nas cinco sextas-feiras em preparação à Páscoa, será “Volte para dentro de ti”. As pregações terão lugar, segundo a tradição, na Capela “Redemptoris Mater”, no palácio Apostólico do Vaticano.
Com suas meditações, o Frei capuchinho retomará o pensamento de Santo Agostinho, iniciado nas suas pregações de Advento, sobre o versículo do Salmo 42: “Minha alma tem sede do Deus vivo”. Fonte: https://www.vaticannews.va
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É o martírio "in odium fidei", o fio vermelho-sangue que une Angel Cuartas Cristóbal e seus 5 companheiros de seminário ao segundo grupo de mártires espanhóis assassinados entre 1936 e 1937 e beatificados neste sábado em Oviedo. Na celebração, representando o Papa, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o cardeal Angelo Becciu.
Oviedo
O Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, presidiu, na manhã deste sábado (09/3), à cerimônia de Beatificação de Ángel Cuartas Cristóbal e seus Companheiros Seminaristas mártires, na Catedral de Oviedo, na Espanha.
Ángel Cristóbal Cuartas e seus Companheiros, - o mais velho tinha 25 anos e o mais novo 18 – foram assassinados por ódio à fé no período da famosa Revolução espanhola, entre 1934 e 1939.
Ángel nasceu em 1° de junho de 1910, em Lastres. Seu pai era pescador e sua mãe dona-de-casa. Foi o oitavo de nove filhos. Entrou para o Seminário de Valdediós em 1923 e, seis anos mais tarde, foi transferido para Oviedo, onde estudou Filosofia e Teologia. Era um jovem leal, tímido, respeitoso com seus Superiores, mas também alegre e divertido.
Durante o último ano de Teologia, já diácono e perto da sua ordenação sacerdotal, foi vítima da "Revolução de Outubro de 1934", que causou uma destruição violenta, perseguições, mortes e ferimentos da alma e do corpo.
Muitos padres, freiras, sacerdotes e seminaristas foram assassinados sem julgamento ou sentença, por ignorância católica, ódio, vingança.
Entre estes mártires, que deram a vida por sua fé em Jesus Cristo, em 7 de outubro de 1934, encontrava-se Angel Cristóbal Cuartas e outros Seminaristas, o mais novo tinha 18 anos e o mais velho 25.
Hoje, seus restos mortais, junto com os dos Seminaristas mártires, descansam na Catedral de Oviedo.
Não há maior prova do que dar a vida por aquilo que ama: este é o ensinamento dos mártires, entre os quais contamos os nove novos beatos de hoje, todos muito jovens, que preferiram morrer em vez de se esconder quando eram perseguidos por causa de sua fé. Seminaristas, todos eles, apaixonados pelo Senhor e que já haviam feito uma escolha precisa: oferecer suas vidas a Ele. E eles fizeram isso, até o último sacrifício. Uma escolha de fidelidade a Cristo "que deve ser de ensinamento a todos os sacerdotes a levar a séria o seu chamado", sublinha o cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Fonte: www.vaticannews.va
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