Olhar Jornalístico

FINADOS... Velas são símbolos de uma oração contínua diante de Deus

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Publicado em 03 novembro 2025
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  • O costume de acender velas para os fiéis defuntos,
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No Dia de Finados, 2 de novembro, dezenas de famílias lotam os cemitérios para visitar os jazigos de seus entes queridos e acender velas em sua homenagem. O costume faz com que as fábricas de velas tripliquem suas produções, sendo que as vendas atingem seu pico no mês de outubro, época em que a procura pelo artefato começa a aumentar.

De acordo com Gabriele da Silva Azevedo Gurgel, secretária da “Fábrica de Velas Pedras Vivas”, localizada em Brazlândia (DF), no período normal, o estabelecimento vende cerca de 50 caixas de velas por dia; com o Dia de Finados, o número salta para 200 caixas. Segundo ela, nesse período os funcionários também aumentam suas horas de trabalho para dar conta da demanda. Ela explica ainda que as velas mais procuradas para a ocasião são as comuns, chamadas de “palito” e as “duplex”. “Costumamos falar que o Dia de Finados é como o Natal para a gente, em questão de vendas”, afirma Gabriele.

O costume de acender velas para os fiéis defuntos, segundo a Igreja Católica faz parte do culto da humanidade e revela um ato de homenagem aos entes queridos. Para o assessor da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Faustino Paludo, a iniciativa representa a relação com a fé em Cristo e, o gesto, quando feito por um familiar significa que o ente “está na luz de Deus, plenamente iluminado ou participa da luz plena que é Jesus Cristo ressuscitado”.

As velas, no culto cristão católico, simbolizam o próprio Cristo, Luz do mundo. Elas são símbolos de uma oração contínua diante de Deus “para que queimem continuamente diante do Senhor” (Lev 24,4). A importância de acendê-las na intenção dos falecidos, segundo o frei, se dá no fato de que a oração, simbolizada na vela, seja contínua diante do Senhor. Isso porque depois de rezar e acender a vela, deixa-se na presença do Senhor um símbolo material do pedido, que o perpetuará “continuamente diante do Senhor” (Lev 24,4).

Para quem acha que as velas substituem as orações, frei Faustino alerta para o fato de que os falecidos não precisam do artefato e sim das orações, no entanto as orações e intenções podem ser simbolizadas pela vela. “No gesto de iluminarmos nossas liturgias com velas, estamos querendo dizer que queremos ser luzes e que queremos iluminar, assim como diz Jesus quando afirma que nós somos a Luz do mundo e que nossa luz deve brilhar”, finaliza.

 

“O uso de velas é antiquíssimo na Igreja, de longa tradição. Acompanham a oração pelo seu simbolismo: no Evangelho Jesus nos aconselha a esperarmos por ele com as vestes cingidas (com cordão, significando preparação para a viagem) e nas mãos lâmpadas acesas (simbolizando a fé e a caridade). É um dos símbolos do sacrifício. Claro que não substituem a oração, mas a acompanham. Em uso desde o tempo das catacumbas”, afirma o bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, dom Fernando Âreas Rifan.

Velas virtuais – Em tempos de tecnologia e com a utilização da internet, muitos estão acendendo velas virtuais. Questionado se o hábito tem legitimidade, o arcebispo de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães afirma que o ato depende muito: “Se a pessoa reduz a sua religião e a sua fé a algo virtual e se isola da comunidade, alguma coisa está errada. Caiu no isolamento, no individualismo, no deserto espiritual. A fé nos leva a pertencer. Aliás, é simbolo de pertença. E a igreja vive da pertença e da presença dos seus fiéis. Não se é e nem se vive plenamente o ser igreja, deitado, sentado, diante da tela de um computador, acendendo vela para defuntos”, argumenta. Fonte: https://www.cnbb.org.br

*Letalidades e atrocidades

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Publicado em 30 outubro 2025
  • violência policial
  • atrocidades
  • atrocidades no Rio de Janeiro

Onde o poder público descuida da integridade física dos mais pobres, o regime democrático não passa de uma fachada de papelão esburacada por tiros, chamuscada por pólvora queimada e borrifada de sangue

 

Por Eugênio Bucci

“A ditadura segue presente nas periferias.” A frase estava no pequeno cartaz que me fez companhia na Catedral da Sé, na noite de sábado, 25 de outubro, durante o culto inter-religioso em memória dos 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog. Era um cartaz em papel bem firme, plastificado, quase do tamanho de uma página de jornal como este aqui. De um lado, trazia a foto de Manoel Fiel Filho, o metalúrgico alagoano que foi morto em 1976 pela repressão política da ditadura. Do outro lado, as palavras certeiras sobre a presença destrutiva da violência policial nos bairros mais pobres das metrópoles brasileiras.

Eu levantei o retrato muitas vezes durante o culto. Sempre que um discurso lembrava os desaparecidos ou um dos que tombaram sob tortura, como o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho, eu o erguia. Dezenas de outras pessoas presentes, com pôsteres estampados com outros rostos, também elevavam os seus. O efeito cênico se traduzia em comunicação didática e expressão política: a História existe quando dela não nos esquecemos – e, se dela não nos esquecemos, sabemos tecer o presente. Fora disso, o que resta é a selva. A memória dos crimes perpetrados pelo arbítrio que varreu o País há 50 anos nos ajuda a vencer aqueles que querem reeditá-lo. Por isso dizemos: ditadura, nunca mais.

O problema é que persistem entre nós, até hoje, resquícios da violência de Estado. Voltemos os olhos na direção das periferias.

Anteontem, na terça-feira, a chamada “megaoperação” policial que varreu os complexos do Alemão e da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, a pretexto de combater as atividades criminosas do Comando Vermelho, deixou um saldo tenebroso. Na noite de terça, a contagem oficial chegava a 64 mortes. Quatro das vítimas eram policiais em serviço. Ontem, quando fechei este artigo, o cômputo tinha dobrado, batendo na casa dos 128. Diante da tragédia em progressão, o jornalista Jamil Chade observou: no mesmo dia, morreram em Gaza 104 pessoas.

Todos esses óbitos são inaceitáveis, sob qualquer aspecto, mas a cifra carioca, neste momento, estarrece mais. O Rio é uma cidade em paz, ao menos em tese. No entanto, quem mora em algumas comunidades vive sob permanente estado de terror. Não há outra palavra: estado de terror. Pior ainda, um estado de terror cujo pavio pode ser aceso pela autoridade pública. Pensemos um pouco sobre o que aconteceu na terça-feira. A fúria dos infernos só desabou sobre o chão, daquele jeito, porque as tropas do governo do Estado, com sua movimentação estabanada e sua descoordenação estapafúrdia, precipitaram o caos. As mortes foram causadas diretamente pelos agentes da lei.

Como interpretar o que houve? O que se passa na cabeça dos governantes? Será que não levam em conta as pessoas que moram naquilo que elas tomam como seu teatro de guerra eleitoreira? A autoridade não pensa na segurança de sua gente quando despeja seus soldados espetaculosos e ineficientes sobre as ruelas?

É a inversão total: no Rio de Janeiro dos nossos dias, a farda e os coturnos deflagram o morticínio, em vez de impedi-lo. A frase do cartaz que eu segurava foi, uma vez mais, comprovada pelos fatos: nas periferias, o terror é a lei.

Mas não só nas periferias. Se é assim nas periferias, é assim necessariamente na cidade inteira. É assim não só porque as aulas em toda parte tiveram de ser interrompidas, não só porque o comércio foi fechado e as igrejas baixaram os seus portões de ferro. É assim não só porque uma bala perdida alcança corpos além das fronteiras de classe. É assim, também e principalmente, porque ninguém está a salvo na metrópole se as maiorias podem ser fuziladas a qualquer momento.

Até quando vamos sustentar a ilusão macabra de que um país pode se dividir em dois regimes sem se perder de si mesmo? Ou o Brasil é um só, com direitos iguais para todo mundo, ou não será Brasil nenhum. Ou paramos com esta doença de acreditar que os direitos dos de cima têm precedência sobre os direitos dos de baixo, ou nunca chegaremos a um Estado democrático.

Onde o poder público descuida da integridade física dos mais pobres, o regime democrático não passa de uma fachada de papelão esburacada por tiros, chamuscada por pólvora queimada e borrifada de sangue. Onde o governante despreza a vida de sua gente, o que existe é um antipoder público ou um poder antipúblico: uma extensão descarada do crime, não mais uma construção do espírito.

Repito o número: 128 mortos. Na conta estão os que não tiveram direito a julgamento e os inocentes que iam trabalhar, que passeavam na calçada, que queriam comprar um cigarro. No território onde faleceram não há democracia.

A repercussão na imprensa internacional é a pior possível. Ainda bem. A indignação do mundo, nesta hora, só nos ajuda. Este governo que chacina seu povo, esfacela os fundamentos da cultura democrática e reforça o império da violência ditatorial, este governo que se comporta como um bando de extermínio terá de responder por seus atos. Enquanto isso, a lógica da ditadura marca presença. Fonte: https://www.estadao.com.br

 

*Opinião por Eugênio Bucci

Jornalista e professor da ECA-USP, Eugênio Bucci escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto

*Meu luto vai durar para sempre? Como retomar a vida com a presença dessa ausência

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Publicado em 29 outubro 2025
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Percebi que prolongar a tristeza era uma forma de me manter perto da mãe que eu perdi tão cedo. O luto raramente é linear; giramos em falso, capturados por um rodamoinho de melancolia

 

Todo luto carrega em si uma ambivalência pungente: na ausência concreta de quem amamos, carregamos a presença da dor de lembrar e a angústia de esquecer. Dói lembrar como as segundas-feiras eram acolhedoras começando a semana com jantar e colo de mãe; os conselhos da amiga querida, que davam contorno à nossa vida errante; o cafuné do amor que, com a ponta dos dedos, apaziguava os milhões de pensamentos que hoje, sem ele e sem cafuné, invadem nossas noites.

Mas também dói esquecer: a voz do pai que era razão e perdão ou o aniversário daquele amor que juramos eterno e que a vida interrompeu, levando o companheiro antes do tempo. Como se perder lembranças fosse perdê-los de novo. Como se cada esquecimento confirmasse que a vida segue —mas esvaziada.

Todo mundo que já perdeu alguém importante se sentiu assim: meio desencaixado do mundo, querendo seguir, mas convocado emocionalmente a ficar: com o vazio, com as memórias, com as saudades que nos revisitam sem aviso. Apesar de falarem nas cinco fases do luto, ele raramente é linear. Giramos em falso, capturados por um rodamoinho de melancolia que, de tempos em tempos, nos puxa de volta a esse não lugar. De repente, não mais que de repente, o luto volta como ondas que, por vezes, nos afogam em desesperança, tristeza, solidão —ainda que saibamos que há muita vida, e muitos vivos, nos convidando a seguir.

Finados, que chega no domingo (2), pode ser uma dessas marés que voltam, trazendo um oceano de saudades. Há também o Natal, o aniversário ou o simples tocar da música que era "a de vocês". Eu, que fui atravessada pelo luto muito cedo —perdi minha mãe aos cinco— sei como é difícil se ver às voltas com essa sensação de "será que não vai passar nunca?". Dá medo de transformar a dor em muleta psíquica, em barreira pro mundo, em casulo de identidade. Mas também dá raiva quando o mundo, e nós mesmos, nos cobra seguir em frente, como se fosse possível "superar" a ausência de quem amamos.

bell hooks dizia que o luto prolongado incomoda uma cultura que quer curar rápido. Somos ensinados a sentir vergonha da dor que insiste, como se ela fosse fracasso. Nessa lógica corremos o risco de interpretar mal o convite da psicanálise: Freud dizia que o trabalho do luto consiste em libertar o amor do objeto perdido, para que a vida possa seguir. Seguir, porém, não é esquecer, é ressignificar. Não se trata de deixar de doer, mas de descobrir nossos próprios recursos para acolher a dor e honrar o que fica de quem não fica.

No meu processo analítico, percebi que prolongar a tristeza era, inconscientemente, uma forma de me manter perto da mãe cuja ausência se impôs mais do que a presença. Como se ficar na dor fosse honrar o amor vivido e reviver o vínculo na falta. Vejo o mesmo em viúvos: uma interdição à felicidade, como se ser feliz de novo fosse trair quem já não está.

Com o tempo, entendi que sou também a vida da minha mãe que segue e o reflexo do colo da minha tia Célia, que se foi há um ano. Criei rituais para mantê-las por perto. Da minha mãe fiz uma colcha de retalhos de memórias, costurada com lembranças emprestadas de meu pai e tios. Descobri que "Bennie and The Jets" era sua música e a coloco para tocar quando quero senti-la perto. Se meu coração aperta, adoço o dia com marzipã —seu doce favorito, que hoje é também o meu. Da minha tia, herdei a coragem de nomear sentimentos e aceitar a errância do sentir. Hoje, a cada escuta, afeto e palavra que compartilho com um analisando ou amor, algo dela se transmite em silêncio através de mim. E quando o silêncio dói, mando mensagens de áudio e escuto sua voz de novo. Ritualizar o amor continuamente é uma forma bonita de cuidar da ausência, criando pequenos portais de afeto que se tornam portos seguros.

Permita-se ir devagar. Não espere estar bem para voltar a se abrir. Leve a dor para passear —não para escondê-la, mas para entender que você respira também através dela. Sim, haverá um furo para sempre. Cuide dele com delicadeza. Nada será como antes, mas não precisa ser esvaziado; pode ser apenas diferente. A força está em acolher a dor e permitir que ela conviva com outras emoções.

Talvez o luto te acompanhe sempre, mas não mais como o fim de uma vida, e sim como a forma do amor permanecer. Ele só muda de forma, e é nesse permanecer que a existência se refaz.

E se você também tem um dilema ou uma dúvida sobre suas relações afetivas, me escreva no Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Toda quarta-feira respondo a uma pergunta aqui

Amor Crônico

*Escrita por Carol Tilkian, psicanalista, pesquisadora de relacionamentos e palestrante. Fundadora do podcast e do canal Amores Possíveis e professora da Casa do Saber. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Com 59 corpos levados para praça na Penha, sobe para 123 número de mortos na operação mais letal do Rio

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Publicado em 29 outubro 2025
  • Violência no Rio,
  • Zona Norte do Rio de Janeiro,
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  • tiroteio na zona norte do Rio
  • Violência no complexo da Penha,
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  • confrontos entre policiais e traficantes

Cadáveres teriam sido retirados da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes

 

Por Fabiano Rocha, João Vitor Costa e Paulo Assad — Rio de Janeiro

Ao longo da madrugada e da manhã desta quarta-feira, 59 corpos foram levados até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Os cadáveres foram retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes na megaoperação de terça-feira. Com isso, sobe para 123 o número de mortos na ação mais letal da polícia no estado. Entre os que acompanham a cena predomina o silêncio profundo, enquanto muitos se aproximam para tentar reconhecer os mortos. Pessoas com luvas estão cortando partes das roupas dos mortos para facilitar a identificação. É esse grupo que contabiliza os mortos.

O número de mortos ainda pode aumentar. Segundo a TV Globo, sete corpos foram deixados, também nesta quarta-feira, no Hospital estadual Getúlio Vargas, que concentrou o atendimento aos baleados na megaoperação.

Às 3h, uma fileira de cadáveres começava se formar na Praça São Lucas. Nas horas seguintes mais corpos foram levados até o local. Eles chegaram no endereço transportados em caçambas de caminhonetes e são retirados pelos próprios moradores, antes de serem adicionados à fileira que já soma dezenas de mortos. No início da manhã, por volta de 7h30, mais corpos ainda chegavam à praça.

Corpos enfileirados e silêncio na favela um dia após operação mais letal do RJ

Pouco antes das 8h três rabecões se posicionaram perto dos cadáveres. A maioria deles começou a ser descoberta, enquanto centenas de pessoas acompanhavam a cena.

— Cadê o meu filho? — gritou uma mulher.

Algumas pessoas argumentaram que um dos homens teria se entregado à polícia e, mesmo assim, foi morto.

— Nunca vi isso — diz um morador.

Os moradores da comunidade se aproximam dos mortos e levantam os lençóis e cobertores que os cobriam para ver os seus rostos e reconhecê-los. No entorno, dezenas de pessoas observam a cena e apontam para os corpos, enquanto outros limpam as lágrimas. Em dado momento, os moradores rezaram um Pai Nosso. Uma família se ajoelhou ao redor de um dos mortos:

— Como pode destruir tantas famílias, tantas vidas? E ficar por isso mesmo? — disse a mãe, enquanto passava a mão no rosto do filho morto.

O ativista Raull Santiago esteve entre aqueles que viraram a madrugada em busca de corpos na favela. Na manhã desta quarta-feira, ele publicou um vídeo nas redes sociais enquanto estava na área de mata que liga o Complexo do Alemão ao Complexo da Penha. Santiago, que estava acompanhado de moradores e advogados, descrevia já ter encontrado doze corpos. Na gravação, ele mostrou marcas de sangue espalhadas na terra.

Mãe encontra o filho entre corpos enfileirados: 'Eles não podem destruir tantas vidas'

— Não dormi ainda. Amanheci aqui nesse caos. Não estou achando palavras. Estou com nojo — disse o ativista, que horas depois compartilhou outro vídeo no Instagram, já fora da mata — A ficha está começando a cair. O grito, o choro. E tem mais corpos chegando, os carros acabaram de subir, porque mais pessoas foram encontradas na favela.

 

A operação

A operação ocorreu na terça-feira. Segundo dados oficiais do governo, 60 pessoas morreram, em sua maioria suspeitas de tráfico, além de quatro policiais. Não há confirmação se os corpos levados pelos moradores estão incluídos nesse total, o que pode indicar um número ainda maior de vítimas.

Moradores relatam que ainda haveria mortos no alto do morro, aumentando a apreensão sobre o real tamanho da tragédia. O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou ao g1 que investigará a situação envolvendo os corpos levados pelos moradores. Fonte: https://oglobo.globo.com

Alemão e Penha são alvos de megaoperação para conter avanço do CV; ação tem quatro mortos e quatro baleados, entre eles PM do Bope

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Publicado em 28 outubro 2025
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Objetivo é conter expansão territorial de facção e capturar chefes do tráfico do Rio e de outros estados

 

Por O Globo — Rio de Janeiro

Os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, são alvos de uma operação das polícias Civil e Militar, na manhã desta terça-feira, que mobiliza 2,5 mil homens e tem como objetivo cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, 30 deles de outros estados. Promotores do Ministério Público também participam da ação, que é mais uma fase da Contenção. Quatro suspeitos, dois deles da Bahia, foram mortos, afirmam as autoridades de segurança. Um morador em situação de rua, um homem, uma mulher que estava numa academia e um cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram baleados, segundo o Bom Dia Rio, da TV Globo.

Vinte e três pessoas já foram presas — duas delas estão feridas e foram levadas para o Hospital estadual Getúlio Vargas, informou o telejornal. Entre os presos está o operador financeiro de Edgard Alves de Andrade, o Doca, um dos integrantes da cúpula do CV na Penha. Houve a apreensão de dez fuzis.

Moradores dos conjuntos de favelas, formados por 26 comunidades, usam as redes sociais para relatar intensos tiroteios. Fogo foi ateado em barricadas e foi possível ver colunas de fumaça à distância. Policiais foram atacados por granadas lançadas por drones, afirmou o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, em entrevista ao BDRJ. O telejornal mostrou ainda criminosos fugindo por uma área de mata. Há desvios em linhas de ônibus e unidades de saúde e educação com funcionamento suspenso.

Complexos do Alemão e da Penha são alvos de megaoperação para conter avanço do CV

O policial do Bope baleado foi atingido durante um confronto numa região de mata conhecida como Vacaria. Segundo a PM, ele foi ferido de raspão e levado para o Hospital Central da corporação.

A ação visa a capturar chefes do tráfico do Rio e de outros estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho nos complexos. A operação acontece após de mais de um ano de investigação. A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) obteve mandados de busca e apreensão e de prisão, que são cumpridos.

Participam da Operação Contenção policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) e das unidades operacionais da PM da capital e da Região Metropolitana. A Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, das distritais, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.

Além de aparato tecnológico, como drones, a Operação Contenção conta com dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM, além de ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate.

Participa também da operação o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), que afirma estarem sendo cumpridos 51 mandados de prisão contra traficantes que atuam no Complexo da Penha. De acordo com o Gaeco, por estar perto de algumas das principais vias expressas do Rio e ser ponto estratégico para o escoamento de drogas e armamentos, o Complexo da Penha se tornou uma das principais bases do projeto expansionista do CV, especialmente em comunidades da região de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste carioca. A ação desta terça-feira, destaca o MP, ocorre na sequência de outra operação, no último dia 29 de setembro, contra traficantes da facção que controlam a Gardênia Azul e outras localidades da Zona Sudoeste.

Segundo o MP, Doca é a principal liderança do CV no Complexo da Penha e em comunidades como Gardênia Azul e César Maia, na Zona Sudoeste, e Juramento, na Zona Norte, algumas delas recentemente tomadas da milícia. Segundo a denúncia, também exercem liderança no CV Pedro Paulo Guedes, conhecido como Pedro Bala; Carlos Costa Neves, o Gadernal; e Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão. "Eles emitem ordens sobre a comercialização de drogas, determinam as escalas dos criminosos nas 'bocas de fumo' e nos pontos de monitoramento, e ordenam execuções de indivíduos que contrariem seus interesses", afirma o Gaeco em nota.

  

Impactos

Por causa da operação, 45 unidades de educação municipais fecharam as portas. Vinte e oito delas ficam no Alemão e outras 17, no Complexo da Penha.

Cinco unidades de Atenção Primária que atendem a região da Penha e do Complexo do Alemão suspenderam o início do funcionamento, informou a Secretaria municipal de Saúde. De acordo com a pasta, elas avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Uma clínica da família mantém o atendimento à população, mas suspendeu as atividades externas, como as visitas domiciliares.

De acordo com o Rio Ônibus, 12 linhas de ônibus estão com seus itinerários desviados preventivamente para a segurança de rodoviários e passageiros na Penha e no Complexo do Alemão.

 

Desvios na Penha

721 Vila Cruzeiro x Cascadura

312 Olaria x Candelária

313 Penha x Praça Tiradentes

621 Penha x Saens Peña

622 Penha x Saens Peña

623 Penha x Saens Peña

625 Olaria x Saens Peña

628 Penha x Nova América

679 Grotão x Méier

 

Desvios no Complexo do Alemão

292 Engenho da Rainha x Castelo

311 Engenheiro Leal x Candelária

711 Rocha Miranda x Rio Comprido

 

Forasteiros nas comunidades do Rio

Há duas semanas, os jornais O GLOBO e Extra mostram como o Comando Vermelho intensifica sua presença em outros estados do país, numa estratégia de nacionalização frente ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com elos dentro de presídios federais. Com esse objetivo, o grupo carioca incorpora ou se alia a facções locais, ao mesmo tempo em que abriga, nas comunidades do Rio, traficantes vindos de fora. Em áreas sob domínio da facção no Rio, órgãos de segurança pública fluminenses já identificam a presença de criminosos de 12 estados, como Ceará, Bahia, Rondônia e Minas Gerais. Por outro lado, o CV se espalha por 25 estados e o Distrito Federal.

A migração de bandidos para o Rio é um sistema de “ganha-ganha”: os criminosos de fora que chegam a comunidades como a da Rocinha e as do Complexo do Alemão conquistam proteção, status e novos conhecimentos na cidade; já o CV amplia franquias Brasil afora, incluindo poderio sobre rotas de escoamento de armas e drogas.

— Hoje está muito comum falar de trabalho híbrido ou remoto. O crime faz o mesmo. Eles entenderam que o chefe não precisa mais estar no estado de origem. Ele pode ficar protegido no Rio e tomar as decisões por videochamadas. Isso é muito vantajoso para todos eles. O chefe do tráfico fica num local de difícil acesso para a polícia, e a organização protege seus principais ativos, diminuindo a rotatividade e gerando estabilidade nos negócios, principalmente em estados que fazem fronteira com outros países — disse, dois domingos atrás, o promotor de Justiça Anderson Batista de Oliveira, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Rondônia, um dos estados que têm chefes do tráfico presentes no Rio.

A segunda maior facção do Rio, o Terceiro Comando Puro (TCP), também já adota a expansão pelo Brasil, revela a série Conexões do Crime, do EXTRA. Levantamento do jornal mostrou que a guerra entre CV e TCP, inclusive, já se replica em pelo menos cinco estados (Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará, Bahia e Acre). As facções cariocas vêm disseminando também táticas de ocupação e exploração de territórios, como cobrança de taxas ilegais e venda de sinal clandestino de internet, além de uso de fuzis e montagem de barricadas.  

Na Bahia, a Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou a atuação de organizações fluminenses é investigada e que as apreensões de fuzis aumentaram quase 300%, de 2022 a 2024, quando foram recuperadas 22 e 86 unidades, respectivamente. Somente este ano, 114 foram apreendidos, diz a pasta. Fonte: https://www.globo.com

Homem simula a sua morte para descobrir quantas pessoas iriam ao enterro

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Publicado em 22 outubro 2025
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Indiano Mohan Lal chamou a farsa de 'experimento social'

 

 

Por Fernando Moreira

Um homem de 74 anos encenou a sua morte para descobrir quantas pessoas compareceriam ao seu enterro.

Mohan Lal, militar reformado da Força Aérea Indiana, orquestrou o que ele chamou de um elaborado experimento social, fingindo ter morrido na vila de Konchi (Gaya, Índia).

Jazendo imóvel em um caixão sob uma mortalha, seu corpo foi transportado para um crematório – tudo para testemunhar o nível de atenção que ele receberia. Tudo seguia o roteiro natural, com orações, cânticos religiosos e procissão.

Seu plano deu certo, pois centenas de parentes e amigos – acreditando que o homem de 74 anos havia partido deste mundo – foram à vila para prestar suas últimas homenagens. No entanto, assim que o cortejo fúnebre se aproximava do crematório, o indiano se levantou e revelou à multidão atônita que estava bem vivo.

"Após a morte, as pessoas carregam o esquife um suporte para carregar um caixão, mas eu queria testemunhar pessoalmente e ver quanto respeito e carinho as pessoas me demonstrariam", explicou o idoso, de acordo com o "Daily Mirror". O caso viralizou nesta semana na Índia.

Após a "ressurreição", os enlutados queimaram uma efígie antes de um banquete comunitário ser organizado para toda a vila. Mohan já havia doado um crematório para a vila, permitindo que os moradores continuassem os ritos fúnebres hindus.

Mohan é viúvo há 14 anos e tem três filhos, de acordo com a NDTV.

 

Casos semelhantes

Em junho de 2023, o TikToker belga David Baerten simulou sua morte para testar o afeto da família. Sua filha anunciou o fato nas redes sociais, e amigos e parentes compareceram a um funeral encenado perto de Liège (Bélgica). Baerten então desceu de helicóptero no local, surpreendendo a todos. A pegadinha, compartilhada no TikTok, gerou debate sobre o seu impacto emocional.

Em janeiro do mesmo ano, o diretor funerário Baltazar Lemos, de 60 anos, também fingiu a sua morte e organizou um funeral. Ele publicou uma foto em frente ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e afirmou: "No início desta triste tarde, o comendador Baltazar Lemos nos deixou". Pouco depois, uma nova postagem convidava familiares e amigos a uma "cerimônia de despedida", a ser realizada no dia seguinte, em Curitiba. O velório chamava a atenção por não ter caixão; só havia um arranjo de flores. Em um certo momento, foi puxada a cortina do altar, e de trás dela surgiu o cerimonialista, vivo. Ao todo, 128 pessoas compareceram no funeral de mentira. Fonte: https://extra.globo.com

O desânimo do professor brasileiro

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Publicado em 21 outubro 2025
  • Os professores
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Pesquisa da OCDE mostrou que o docente brasileiro se sente desvalorizado, desprestigiado e desrespeitado, o que deixa o Brasil cada vez mais distante dos patamares mínimos de qualidade

 

Os professores brasileiros se sentem desvalorizados. E esse é um sentimento generalizado. Mas não só isso: esses profissionais, além de desvalorizados, sentem-se desrespeitados e desestimulados. Essa é a síntese da percepção dos docentes da educação básica sobre a sua própria realidade apresentada na mais recente Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A entidade, que reúne países desenvolvidos ou em desenvolvimento, e da qual o Brasil não faz parte, mas é parceiro, ouviu 280 mil professores e diretores de 17 mil escolas em 55 sistemas de ensino do mundo para capturar as impressões desses profissionais sobre o seu dia a dia na educação básica. O levantamento atual da Talis, de 2024, trouxe respostas nada animadoras dos educadores brasileiros, sobretudo quando comparadas às médias dos países-membros da OCDE.

Segundo a Talis, apenas 14% dos professores brasileiros disseram se sentir valorizados pela sociedade, enquanto a média na OCDE é de 22%. Além disso, somente 53,5% dos docentes afirmaram que se sentem valorizados pelos pais e pelas famílias dos estudantes, índice bem abaixo da média da organização, de 65,4%.

E esses professores disseram, ainda, que gastam nada menos do que 21% do seu tempo em sala de aula para manter a disciplina, diante de uma média de 15% na OCDE. Isso significa muito menos tempo para avançar em conteúdos programáticos fundamentais para a formação e a aprendizagem.

Em poucas palavras, o que os professores brasileiros estão dizendo é que não se sentem valorizados, prestigiados nem respeitados por ninguém.

Isso se reflete nas relações trabalhistas. De acordo com a pesquisa da OCDE, apenas 64% desses profissionais têm contratos permanentes nas escolas – bem abaixo da média da organização, de 81% –, enquanto 36% dos professores estão em cargos temporários ou substitutos. É, obviamente, impossível pensar num projeto de educação vigoroso sem um processo de longo prazo. Conforme destacou o relatório da Talis, como qualquer trabalhador, “a maioria dos professores quer segurança no emprego”, mas os cargos temporários, tão comuns no Brasil, implicam “insegurança e imprevisibilidade, o que pode gerar tensão”, prejudicando o desempenho ideal dos profissionais.

Tudo isso, por óbvio, afeta a qualidade da educação, haja vista que, segundo esse mesmo relatório, sistemas educacionais de alto desempenho contam com professores que se sentem valorizados, o que definitivamente não é o caso dos docentes do Brasil. Não à toa, Cingapura, onde 71% dos professores se sentem valorizados pela sociedade, lidera o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), também realizado pela OCDE, enquanto o Brasil ocupa as últimas colocações no programa, com desempenho cronicamente pífio em leitura, Matemática e Ciências.

Mas, além de ter impacto sobre os indicadores de avaliação de qualidade, o sentimento de valorização dos professores pode também ter um efeito positivo sobre a atratividade da profissão e o seu futuro. De acordo com o relatório da OCDE, um maior prestígio social da docência, decerto, atrai mais candidatos qualificados e talentosos, além de ajudar a reter os professores mais experientes. O desprestígio dos professores no Brasil ajuda a entender o baixo interesse pela carreira docente por aqui.

Desvalorizados pelo Estado e muitas vezes também pelas famílias dos estudantes, desrespeitados nas salas de aula e sob contratos de trabalho precários, os professores brasileiros expuseram na pesquisa da OCDE as frustrações que enfrentam no dia a dia da profissão. Trata-se de um diagnóstico desolador, que só evidencia o quão distante o Brasil está dos patamares da educação básica dos países desenvolvidos – que, um dia, o País sonha ser. Fonte: https://www.estadao.com.br

Idosos sem família enfrentam o medo de morrerem sozinhos

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Publicado em 19 outubro 2025
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  • solidão no fim da vida dos idosos
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Especialistas alertam para aumento de casos de autonegligência em idosos solitários com doenças terminais. Enquanto alguns temem a solidão no fim da vida, outros preferem morrer sozinhos e independentes

 

Alguns idosos que viveram sozinhos têm medo de morrerem sem nenhuma companhia; outros preferem assim - Pixabay

 

Judith Graham

The Washington Post

Neste verão, durante um jantar com sua melhor amiga, Jacki Barden levantou um tema desconfortável: a possibilidade de que ela possa morrer sozinha.

"Não tenho filhos, nem marido, nem irmãos", Barden lembra ter dito. "Quem vai segurar minha mão enquanto eu morro?"

Barden, 75, nunca teve filhos. Ela vive sozinha no oeste de Massachusetts desde que seu marido faleceu em 2003. "Você chega a um ponto na vida em que não está mais subindo, está descendo", diz. "Você começa a pensar como será no final."

É algo que muitos idosos que vivem sozinhos —uma população crescente, com mais de 16 milhões em 2023— se perguntam. Muitos têm família e amigos a quem podem recorrer. Mas alguns não têm cônjuge ou filhos, têm parentes que moram longe, ou estão afastados dos familiares restantes. Outros perderam amigos queridos com quem contavam devido à idade avançada e doenças.

Mais de 15 milhões de pessoas com 55 anos ou mais não têm cônjuge ou filhos biológicos; quase 2 milhões não têm nenhum familiar.

Outros idosos se isolaram devido a doenças, fragilidade ou deficiência. Entre 20% e 25% dos idosos que não vivem em casas de repouso não mantêm contato regular com outras pessoas. E pesquisas mostram que o isolamento se torna ainda mais comum à medida que a morte se aproxima.

 

Morrer sozinho é uma preocupação crescente

Pesquisas nacionais não capturam informações sobre quem está com os idosos quando eles morrem. Mas morrer sozinho é uma preocupação crescente à medida que mais pessoas envelhecem sozinhas após a viuvez ou divórcio, ou permanecem solteiras ou sem filhos, segundo demógrafos, pesquisadores médicos e médicos que cuidam de idosos.

"Sempre vimos pacientes que estavam essencialmente sozinhos quando fazem a transição para os cuidados de fim de vida", diz Jairon Johnson, diretor médico de cuidados paliativos e hospice da Presbyterian Healthcare Services, o maior sistema de saúde do Novo México. "Mas eles não eram tão comuns como são agora."

A atenção às consequências potencialmente difíceis de morrer sozinho aumentou durante a pandemia, quando famílias foram impedidas de entrar em hospitais e casas de repouso enquanto parentes idosos morriam. Mas isso saiu amplamente do radar desde então.

Para muitas pessoas, incluindo profissionais de saúde, a perspectiva provoca um sentimento de abandono. "Não consigo imaginar como é, além de uma doença terminal, pensar: 'Estou morrendo e não tenho ninguém'", diz Sarah Cross, professora assistente de medicina paliativa na Escola de Medicina da Universidade Emory.

A pesquisa de Cross mostra que mais pessoas agora morrem em casa do que em qualquer outro ambiente. Enquanto centenas de hospitais têm programas "Ninguém Morre Sozinho", que conectam voluntários com pessoas em seus últimos dias, serviços semelhantes geralmente não estão disponíveis para pessoas em casa.

 

Risco de autonegligência

Alison Butler, 65, é uma doula de fim de vida que vive e trabalha na área de Washington D.C. Ela ajuda pessoas e seus entes queridos a navegar pelo processo de morte. Ela também vive sozinha há 20 anos. Butler admitiu que estar sozinha no fim da vida parece uma forma de rejeição. Ela conteve as lágrimas ao falar sobre possivelmente sentir que sua vida "não importa e não importou profundamente" para ninguém.

Sem pessoas confiáveis por perto para ajudar adultos com doenças terminais, há também um risco elevado de autonegligência e deterioração do bem-estar. A maioria dos idosos não tem dinheiro suficiente para pagar por residências assistidas ou ajuda em casa se perderem a capacidade de fazer compras, tomar banho, se vestir ou se movimentar pela casa.

 

Cuidados de asilos podem não ser uma alternativa

Embora asilos sejam uma alternativa, eles também frequentemente não atendem às necessidades de idosos com doenças terminais que estão sozinhos. Os asilos subsidiados pelo governo americano atendem pessoas cuja expectativa de vida é de seis meses ou menos. Por um lado, menos da metade dos idosos com menos de 85 anos aproveitam os serviços de asilo.

Além disso, "muitas pessoas pensam, erroneamente, que as agências de asilo vão fornecer pessoal no local e ajudar com todos aqueles problemas funcionais que surgem para as pessoas no fim da vida", diz Ashwin Kotwal, professor associado de medicina na divisão de geriatria da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco.

Em vez disso, as agências geralmente fornecem apenas cuidados intermitentes e dependem muito de cuidadores familiares para oferecer a assistência necessária com atividades como banho e alimentação. Alguns asilos nem aceitam pessoas que não têm cuidadores, observa Kotwal.

 

Como você pode ajudar

Shoshana Ungerleider, médica, fundou a End Well, uma organização comprometida em melhorar as experiências de fim de vida. Ela sugere que as pessoas façam esforços concentrados para identificar precocemente idosos que vivem sozinhos e estão gravemente doentes e fornecer-lhes apoio ampliado. Mantedo contato regular com eles por meio de chamadas, vídeo ou mensagens de texto, diz ela.

E não presuma que todos os idosos tenham as mesmas prioridades para cuidados de fim de vida. Eles não têm.

Barden, a mulher de Massachusetts, por exemplo, concentrou-se em se preparar com antecedência: todos os seus arranjos financeiros e legais estão em ordem, e os preparativos para o funeral estão feitos.

"Fui muito abençoada na vida: temos que olhar para trás e ver pelo que temos que ser gratos e não nos fixar na parte ruim", diz ela. Quanto a imaginar o fim de sua vida, ela disse: "Vai ser o que for. Não temos controle sobre nada disso. Acho que gostaria de ter alguém comigo, mas não sei como vai ser."

Algumas pessoas querem morrer como viveram: sozinhas. Entre elas está Elva Roy, de 80 anos, fundadora da Age-Friendly Arlington, no Texas, que vive sozinha há 30 anos após dois divórcios.

Roy disse que pensou muito sobre morrer sozinha e está brincando com a ideia de morte medicamente assistida, talvez na Suíça, se ficar com uma doença terminal. É uma maneira de manter um senso de controle e independência que a sustentou como uma idosa solitária.

"Sabe, eu não quero alguém ao meu lado se eu estiver emaciada, frágil ou doente", diz Roy. "Eu não me sentiria confortada por alguém estar lá segurando minha mão ou enxugando minha testa ou me vendo sofrer. Estou realmente bem com morrer sozinha." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O ‘golpe silencioso’ na internet brasileira

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Publicado em 18 outubro 2025
  • A Liberdade,
  • liberdade,
  • Comitê Gestor da Internet no Brasil,
  • Liberdade de Imprensa,
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  • internet brasileira
  • Comitê Gestor da Internet
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Em nome da ‘modernização regulatória’, eufemismo para centralização estatal, modelo que fez da internet nacional uma referência de liberdade e governança democrática está ameaçado

 

Em sua origem, a internet se apresentou como a tradução digital da própria ideia de democracia. Sua arquitetura aberta e descentralizada nasceu do princípio de que nenhum centro de poder deve controlar o fluxo das ideias. Cada nó tem voz, cada usuário, autonomia, e cada inovação pode surgir de baixo para cima. Essa engenharia da liberdade transformou a rede em espaço global de criação e participação – um espelho virtual dos valores democráticos.

Hoje esse modelo está sitiado. Em nome da “soberania digital”, governos e reguladores erguem muros no ciberespaço. A China exporta sua doutrina de “cibersoberania”, eufemismo para censura e vigilância. A Europa multiplica regulações que inibem a inovação. Os EUA oscilam entre liberdade e nacionalismo tecnológico. O resultado é uma internet fragmentada em arquipélagos digitais. Já o Brasil sempre foi uma ilha de excelência – até agora.

Desde 1995, o País construiu um modelo de governança multissetorial – o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) – que se tornou referência mundial. Nele, governo, academia, empresas e sociedade civil compartilham decisões técnicas e políticas. Dessa experiência nasceram instituições de excelência – NIC.br, Registro.br, IX.br, Cert.br, Cetic.br – que garantem a estabilidade e a segurança da rede. Em 2014, o Marco Civil da Internet consagrou essa filosofia em três pilares: liberdade de expressão, neutralidade de rede e privacidade.

Mas esse modelo está sob ameaça. Nos últimos três anos, a Anatel vem ampliando seu poder sobre o ecossistema digital. A pretexto de realizar uma “modernização regulatória”, a agência revogou a norma 4, que há décadas distinguia os serviços de telecomunicações – sob sua jurisdição – dos serviços de valor adicionado, como a internet. Essa separação foi o alicerce de uma rede livre da lógica centralizadora das telecomunicações. Ao apagá-la, a Anatel abriu caminho para reivindicar controle sobre infraestrutura e serviços fora de seu escopo: pontos de troca de tráfego, domínios, provedores de nuvem.

O movimento culminou no Projeto de Lei 4.557/24, que propõe subordinar à burocracia estatal da Anatel o CGI.br, e com ele a governança de uma rede construída sobre pluralismo e cooperação. A Internet Society advertiu que o projeto mina o modelo que fez do Brasil referência mundial. Como alerta Konstantinos Komaitis, ex-diretor da organização, em artigo em seu blog (www.komaitis.org), trata-se de um “golpe silencioso”, uma tentativa de submeter a rede brasileira à lógica burocrática e centralizadora do Estado.

O modelo brasileiro não apenas funciona: ele inspira confiança. Romper a separação entre telecomunicações e internet é entregar um sistema descentralizado à hierarquia estatal – trocar a colaboração pela autorização, a liberdade pela licença. Submeter a internet à estrutura de uma autarquia é minar o princípio de sua resiliência: o do poder compartilhado, nunca concentrado.

A ofensiva ocorre num ambiente já inclinado ao controle. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal têm ampliado a intervenção do Estado sobre o debate digital. Entre decretos abusivos e decisões judiciais expansivas, o País corre o risco de substituir a pluralidade pela tutela. O que se anuncia, no discurso de “regulação das redes”, é uma burocratização da liberdade movida pelo apetite de fazer do espaço digital mais um instrumento de poder político.

A internet brasileira prosperou porque foi livre. O CGI.br mostrou que é possível combinar inovação e responsabilidade sem sufocar o debate nem subordinar a técnica à política. Essa é a essência da soberania aberta: participar do mundo sem se fechar ao mundo. A alternativa – isolamento regulatório e captura institucional – é seguir o caminho dos que confundem proteção com controle e soberania com obediência.

O Brasil tem diante de si uma escolha. Pode preservar a arquitetura da liberdade que o tornou exemplo global, ou transformar-se em mais um elo da corrente que aprisiona a rede sob um Estado tutelar. Defender o CGI.br é defender a democracia digital – e a real. Porque a internet, em última instância, não é uma infraestrutura: é uma ideia. E essa ideia é liberdade. Fonte: https://www.estadao.com.br 

Ônibus envolvido em acidente com 15 mortos em Pernambuco voltava para cidade da BA; vítimas viajaram para fazer compras

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Publicado em 18 outubro 2025
  • Agreste de Pernambuco,
  • Ônibus envolvido em acidente com 15 mortos em Pernambuco
  • municípios de Paranatama e Saloá,
  • Ônibus tombou na BR-432,
  • Acidente na BR 423
  • vítimas viajaram para fazer compras

Acidente aconteceu na BR-423, entre os municípios de Paranatama e Saloá, em Pernambuco. Veículo voltava para Brumado, no sudoeste da Bahia. Vítimas ainda não foram identificadas.

 

Ônibus tombou na BR-432, em Paranatama, no Agreste de Pernambuco — Foto: Reprodução/WhatsApp

 

Por g1 BA

Ônibus tombou na BR-423, entre os municípios de Paranatama e Saloá, em Pernambuco.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as vítimas são 11 mulheres e quatro homens.

O ônibus saiu Brumado com destino a Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano, e seguia de volta para a Bahia quando sofreu o acidente.

 

O ônibus que tombou e deixou 15 mortos e 17 feridos na BR-423, entre os municípios de Paranatama e Saloá, em Pernambuco, voltava para Brumado, cidade localizada no sudoeste da Bahia.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as vítimas são 11 mulheres e quatro homens. Ainda não há detalhes sobre as identidades delas.

O ônibus saiu Brumado com destino a Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano, e seguia de volta para a Bahia quando sofreu o acidente em um trecho conhecido como Serra dos Ventos.

De acordo com o policial rodoviário federal Luciano Holanda, chefe de Policiamento e Fiscalização da corporação em Garanhuns, cidade próxima a Paranatama, o veículo era um ônibus de turismo e foi fretado para transportar passageiros que tinham viajado da Bahia para fazer compras no Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe.

"Ele foi fretado por uma empresa. Eles tinham um termo de autorização de fretamento que, inclusive, está válido, está vigente, ou seja, não é um ônibus com destino, é um ônibus que fez um frete, contratou, ele recebeu esse termo, essa autorização para o fretamento, para essa viagem específica", afirmou.

Conforme a PRF, os dois motoristas sobreviveram e o que dirigia o veículo no momento do acidente relatou uma falha no freio, o que teria feito ele perder o controle do ônibus. Na lista de passageiros que a polícia teve acesso há trinta nomes, além dos dois motoristas e um guia. Fonte: https://g1.globo.com

Homem que 'jogou' moto contra o irmão tem que ficar a 300 metros da mãe por agressões

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Publicado em 04 outubro 2025
  • ECC,
  • Uberlândia,
  • Encontro de Casais com Cristo,
  • Homem que 'jogou' moto contra o irmão
  • Violência em Uberlândia,
  • Pastoral Familiar,
  • Raiva da família
  • Delegacia da Mulher

Uma medida protetiva foi expedida em 29 de setembro após a vítima ser agredida com tapas, socos e enforcamento. A colisão entre as motos é investigada como tentativa de homicídio, mas suspeito nega que batida foi proposital.

 

Por Gabriel Reis, g1 Triângulo — Uberlândia

A mãe do motociclista que colidiu contra a moto do próprio irmão em Uberlândia, tem uma medida protetiva contra ele desde 29 de setembro, após denunciar agressões.

O documento determina que o suspeito se afaste do lar ou local de convivência com a mãe, ter contato com ela, e se mantenha a pelo menos 300 metros dela.

A batida entre os irmãos foi registrada no Bairro Jardim das Palmeiras, em Uberlândia, na segunda-feira (29). O caso é investigado como tentativa de homicídio.

Segundo a vítima, ele acredita que o irmão tenha provocado o acidente porque ficou com raiva ao descobrir a medida protetiva solicitada pela mãe.

O suspeito, que também não quis ser identificado, disse ao g1 que perdeu o controle da direção e que a batida foi acidental.

A mãe do motociclista de 33 anos que invadiu a contramão e colidiu contra a moto do próprio irmão, de 35, em Uberlândia, tem uma medida protetiva contra ele desde 29 de setembro, após denunciar uma sequência de agressões.

"Há cerca de 20 dias, ele discutiu com ela e a agrediu com tapas, murros, enforcamento e ainda a colocou para fora de casa. A polícia foi chamada, mas ela não quis registrar boletim. No entanto, em 29 de setembro, aconteceu de novo. Peguei minha mãe e fomos até a Delegacia da Mulher, onde ela solicitou a medida protetiva, que foi concedida", disse o irmão do suspeito, que não quis se identificar.

O documento assinado pelo juiz Roberto Bertoldo Garcia determina que o suspeito se afaste do lar ou local de convivência com a mãe, ter contato com ela, familiares exclusivos dela ou testemunhas e se mantenha a pelo menos 300 metros dela.

"Ele ameaça constantemente minha mãe de morte, dizendo que vai matar todo mundo e que não sobrará ninguém vivo. Nunca presenciei diretamente esses momentos, mas minha mãe está muito assustada e tem medo real de que ele cumpra as ameaças", afirmou o irmão.

 

Raiva da família

A batida entre os irmãos foi registrada no Bairro Jardim das Palmeiras, em Uberlândia, na segunda-feira (29). O caso é investigado como tentativa de homicídio.

Segundo a vítima, ele acredita que o irmão tenha provocado o acidente porque ficou com raiva ao descobrir a medida protetiva solicitada pela mãe.

"É horrível saber que meu próprio irmão tentou me matar. Eu só percebi que era ele depois que estava caído no chão".

Imagens de câmeras de monitoramento registraram quando o suspeito invadiu a contramão, acelerou a motocicleta em direção ao irmão e saltou instantes antes da colisão. Veja vídeo acima.

O suspeito, que também não quis ser identificado, disse ao g1 que perdeu o controle da direção e que a batida foi acidental.

"Eu perdi o controle da moto, não tinha intenção de matar. Foi um acidente. Percebi que tinha acontecido porque perdi o controle do veículo, e naquele momento nem sabia que se tratava do meu irmão. Parei para ajudar e perguntei se ele queria chamar a polícia. No entanto, ele tentou me agredir no local, querendo me bater com um capacete e com socos", afirmou.

O homem atingido negou qualquer discussão ou tentativa de agressão após o acidente.

Ferida, a vítima ligou para um amigo e foi levada para a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do Bairro Planalto, onde recebeu atendimento médico e foi liberada para retornar para casa. O homem teve ferimentos nas pernas, no peito e nos braços.

Aos investigadores, a vítima afirmou que a batida entre as motos ocorreu quando ele retornava para casa. De acordo com a Polícia Civil, a motivação para o crime ainda é investigada.

A vítima contou ainda que o irmão tem diversas passagens criminais. Fonte: https://g1.globo.com

Criança sobrevive por dias ao lado dos pais mortos em acidente em rodovia de Pernambuco

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Publicado em 01 outubro 2025
  • Criança sobrevive por dias ao lado dos pais mortos
  • Casal morreu após colidir com cavalo e sair da pista na BR-424,
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  • Acidente na BR-424,
  • Acidentes fatais

Menino de 5 anos foi encontrado nesta segunda (29) por morador próximo ao carro capotado

Casal morreu após colidir com cavalo e sair da pista na BR-424, no agreste do estado

 

O carro foi encontrado nesta segunda-feira (29) às margens da BR-424, em Garanhuns, no agreste de Pernambuco - Divulgação/PRF

 

Rio de Janeiro

Um menino de 5 anos sobreviveu por dias ao lado dos pais mortos após um acidente no quilômetro 95 da BR-424, em Garanhuns, no agreste de Pernambuco.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a suspeita inicial é de que o motorista tenha colidido contra um cavalo, perdido o controle da direção e saído da pista, capotando em seguida.

O carro permaneceu escondido da vista até ser localizado nesta segunda-feira (29), quando um morador da região encontrou a criança próxima ao veículo e acionou os socorristas. O pai, de 31 anos, e a mãe, de 33, morreram no local.

O menino, que estava em uma cadeirinha, resistiu ao impacto e foi encontrado consciente, sem ferimentos aparentes. Para a PRF, o uso do assento foi determinante para que a criança conseguisse sobreviver ao capotamento.

A criança foi encaminhada ao Hospital Dom Moura, em Garanhuns, para avaliação médica.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a corporação foi acionada por volta das 14h desta segunda. Os militares realizaram o desencarceramento dos corpos, que ficaram presos às ferragens, e constataram a morte no local. O menino, já fora do veículo, foi conduzido pela equipe até a unidade hospitalar.

Além dos bombeiros e da PRF, também atuaram na ocorrência o Instituto de Criminalística, a Polícia Militar e a Polícia Civil.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia da 134ª Circunscrição de Garanhuns instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do acidente. A corporação destacou que as vítimas foram encontradas dentro do carro e que a criança foi socorrida e levada ao hospital. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Os muros que nos dividem

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Publicado em 27 setembro 2025
  • Os muros
  • fronteiras
  • ideologias
  • credos diferentes,
  • narrativas distintas,
  • A polarização
  • polarização

Fazer política é construir democracia, ou seja, é saber ultrapassar os muros e ir além da indignação

 

*Por Marco Aurélio Nogueira

Sociedades estão repletas de muros. Alguns são altos, ameaçadores e difíceis de escalar; outros são tão naturais que quase não os percebemos.

Muros separam, desde logo, classes e grupos. Os mais ricos não se misturam com os mais pobres. As classes médias flutuam entre um muro e outro. Migrantes e imigrantes distinguem-se dos locais, permanecendo, em regra, distantes deles, que não os acolhem. Muros segregam. Há inúmeros deles no mundo: Estados, fronteiras, potências, nações, territórios. A desigualdade de renda e de inclusão estampa o muro mais brutal da nossa época.

Muros variam conforme os tempos e as gerações. Em sociedades tradicionais, eles são baixos e compactos: deixam as pessoas com pouca liberdade. Os indivíduos demoram para se soltar de famílias, igrejas, hierarquias, costumes. Sociedades modernas têm muros mais fluidos, as pessoas escapam deles com facilidade, nem por isso deixam de senti-los.

Muros controlam. Os poderosos fazem uso deles para impedir que pessoas se encontrem, elaborem ideias comuns e ajam de acordo com elas. Muros protegem e disciplinam: dificultam que pessoas do interior se exponham aos “perigos” do exterior desconhecido e aprendam a se comportar de uma dada maneira. Geram obediência.

Muros são simbólicos. Separam igrejas e religiões, raças e etnias, opiniões e ideologias. São institucionais e territoriais: fronteiras federativas beneficiam os respectivos entes, distritos fixam direitos e deveres. A burocracia é feita de casinhas trancadas à chave. Os partidos convivem com pequenos muros dentro deles, as direções e as bases, as alas e correntes.

Sociedades complexas são diferenciadas. Hoje, foram abalroadas pela hipermodernidade: globalização, mercados insaciáveis, aceleração, revolução tecnológica. Comportamentos, ideias, ritos, linguagem e valores saíram do lugar. Perdeu-se coesão e solidariedade. Há muros por todos os lados, embora a aparência seja de uma pista sem obstáculos. A política decaiu em qualidade, senso de proporção e responsabilidade. Virou uma corporação e, com isso, se divorciou da sociedade.

As sociedades carecem de instituições que as organizem. A polarização se aprofundou. Na política, o centro ficou opaco, sem sedução. Populistas polarizadores se encarregam de inviabilizá-lo, porque o temem. O discurso de ódio, raiva, desconfiança e indignação tomou conta do cenário. O conflito é a regra, o consenso é a exceção. Há que haver muito empenho e boa cultura política para que os que pensam diferente se unam em torno de algo comum.

Quando a política chega ao extremo de ter dois polos inimigos entre si, a moderação e a conciliação perdem espaço. Pulverizada em redes, a população se intoxica com as narrativas e os vetos recíprocos entre os polos. Fecham-se as frestas para soluções alternativas e projetos de futuro. Tanto faz se a polarização é entre esquerda e extrema direita, democratas e autoritários, conservadores e progressistas. Ela sempre inviabilizará uma união que faça a força. Com a política sendo feita com os mais chegados, os outros sendo tratados como inimigos, não como adversários e eventuais companheiros de viagem.

Hoje, os democratas mais velhos não conseguem dialogar com os democratas mais jovens. O muro geracional atravanca os espaços democráticos.

Fazer de um novo jeito predomina entre os jovens, como sempre aconteceu na passagem das gerações. Ocorre, porém, que os jovens falam outra língua, esposam outros valores e comportamentos. Voltaram-se para dentro de si, colocam-se questões “públicas” condizentes com suas expectativas. Não aceitam e não entendem o que falam os mais velhos. Há uma discrepância no plano da linguagem. De um lado, sobra impaciência, de outro falta atualização.

As novas gerações, por exemplo, não compreendem a ideia da democracia como valor universal; querem uma democracia imediata, que esteja a seu serviço, que absorva suas pulsões particulares. Os mais velhos, ao contrário, pensam que a democracia tem tempos longos e deve ser universalista: direitos iguais para todos, eleições regulares, imprensa livre, negociações exaustivas, consensos mínimos e pactos sempre que possível.

Os democratas estão separados por narrativas distintas, credos diferentes, ideologias e fidelidades cristalizadas. Não entendem a política democrática do mesmo modo. Alguns se empenham para encontrar caminhos que atenuem a polarização, valorizem o equilíbrio fiscal e a boa gestão pública. Outros querem ser revolucionários e se vangloriam dos muros que construíram para si mesmos, atuam em nome de uma “verdade” histórica sustentada por teorias e ideologias envelhecidas, que não conversam com a realidade atual.

Mesmo assim, a sociedade se mexe, como ocorreu em 21 de setembro. Movidas pela indignação cívica, as pessoas não aceitam o que se passa no Congresso. As ruas deram um alerta e um recado. Acenderam uma chama de esperança em favor da ideia de que fazer política é construir democracia, ou seja, é saber ultrapassar os muros e ir além da indignação.

 

*Opinião por Marco Aurélio Nogueira

Professor titular de Teoria Política da Unesp

Fonte: https://www.estadao.com.br

Tiros em escola em Sobral: cinco alunos são baleados; dois morreram

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Publicado em 25 setembro 2025
  • Tiros em escola em Sobral
  • Escola Estadual Luiz Felipe,
  • Dois alunos morreram e três ficaram feridos após serem atingidos por tiros na Escola Estadual Luiz Felipe,
  • Sobral,
  • cinco alunos são baleados
  • Violência em Escolas,
  • Mortes em Escolas,

Os estudantes mortos estavam no pátio da escola quando foram baleados nesta quinta (25). Criminosos fizeram os disparos da calçada da escola.

 

Dois alunos morrem baleados e dois são feridos a tiros em escola em Sobral, no interior do Ceará — Foto: Mateus Ferreira/TV Verdes Mares

 

Por Mateus Ferreira, g1 CE

Dois alunos morreram e três ficaram feridos após serem atingidos por tiros na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral, no interior do Ceará, na manhã desta quinta-feira (25).

As vítimas foram identificadas como Vitor Guilherme, conhecido como VG, e Cláudio.

Os estudantes mortos estavam no pátio da escola quando foram baleados.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida. Vídeos mostram que os criminosos dispararam da calçada, pela grade da escola.

Os três alunos feridos foram levados para uma unidade de saúde por ambulâncias do Samu. Dois deles receberam alta horas depois; um continua internado.

 

Duas pessoas foram mortas e outras duas baleadas em escola em Sobral

Dois alunos foram mortos e três ficaram feridos após serem atingidos por tiros na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral, no interior do Ceará, na manhã desta quinta-feira (25).

As vítimas tinham 16 e 17 anos e foram identificadas como Vitor Guilherme e Cláudio, conforme apurou a reportagem da TV Verdes Mares.

Câmeras de segurança filmaram o momento em que dois criminosos chegam de moto, estacionam em uma rua ao lado, correm até a escola e fazem os disparos da calçada, pela grade. O pátio da escola estava cheio porque os alunos estavam no intervalo entre as aulas.

Já em outras imagens, os dois homens armados aparecem correndo pela Rua Brasil Oiticica em direção à grade da escola. Em seguida, eles dispararam contra um grupo de alunos que estava próximo a uma árvore, enquanto parte dos adolescentes corre em direção ao prédio.

Os três alunos feridos foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levados para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral. No início da tarde, o hospital informou que dois deles receberam alta. O terceiro adolescente permanecia internado até a última atualização desta reportagem.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida. A TV Globo apurou que uma das linhas de investigação é que os crimes tenham elo com uma possível disputa de organizações criminosas.

Na ocorrência, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, uma quantidade de droga, balança de precisão e embalagens foram apreendidas com uma das vítimas.

"A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informa que todos os esforços das Forças de Segurança estão sendo empregados neste momento para localizar e capturar os envolvidos nas mortes de dois adolescentes", afirmou a pasta.

Na quarta-feira (24), houve uma tentativa de homicídio ao lado de outra escola pública em Sobral, no Bairro Sumaré. Não se sabe ainda se os dois crimes estão relacionados.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, disse que enviou a cúpula da Secretaria da Segurança para Sobral para reforçar a investigação do caso. "Externo minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas desse ato tão cruel", disse.

A Secretaria da Educação do Ceará, em nota, lamentou o caso. Não haverá aula na unidade na sexta-feira (26). "A comunidade escolar também contará com suporte dos profissionais de Psicologia da Coordenadoria Regional no retorno às aulas, a partir de análise da escola e da própria Crede", informou.

Já o prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, afirmou que utiliza a Guarda Municipal no entorno da escola para reforçar a segurança e vai fornecer "apoio integral" às famílias atingidas.

 

'Passaram atirando', diz aluno

Um aluno, que conhecia as vítimas, mas faltou à aula nesta quinta, disse que acordou surpreso com a notícia. "Hoje eu não vim, não sei se foi livramento, coincidência, não sei. Mas a gente sempre fica ali [no pátio]. E hoje, falaram que passaram atirando. E quando eu acordei, já foi com a notícia", afirmou.

Outro aluno relatou medo após os tiros. "Não dá nem mais ânimo, assim, de vir, porque a gente vai estar correndo risco, né?". Ele informou que os alunos foram liberados das atividades nesta quinta (25), mas que ele e alguns colegas têm receio de retornar às aulas.

 

Ministro da Educação lamenta caso

O ministro da Educação, Camilo Santana, que é cearense, usou as redes sociais para lamentar o caso. "Recebi com tristeza e indignação a notícia de violência à Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral, no Ceará, que resultou na morte de dois estudantes e deixou outros feridos", disse.

Camilo disse que telefonou para o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e para o prefeito Oscar Rodrigues, colocando toda a estrutura do MEC à disposição.

"Nossas equipes especializadas em situações de crise e violência extrema já acompanham o caso de perto, por meio do Núcleo de Resposta e Reconstrução de Comunidades Escolares", explicou o ministro.

"A hora é de unir forças e trabalharmos, juntos, para preservar a escola como espaço sagrado, lugar de paz e de acolhimento. Meus sentimentos e minha solidariedade às famílias das vítimas, estudantes, professores e toda a comunidade escolar", complementou Camilo.

 

Ministério Público acompanha

Uma comitiva do Ministério Público do Estado do Ceará esteve presente em uma visita à escola no início da tarde desta quinta-feira (25).

Conforme o promotor de Justiça José Borges de Morais, uma das prioridades é promover o acolhimento das vítimas da violência cometida na escola.

O promotor também comentou que o órgão acompanha as investigações policiais para apurar as motivações do ataque.

“O Ministério Público está atuando nesse caso em duas frentes. A primeira delas é exatamente acompanhar as investigações policiais pra poder dar uma resposta estatal forte contra o crime, eventualmente contra o crime organizado. E o Ministério Público vai buscar a responsabilização de todos aqueles que estão envolvidos com esse caso”, afirmou o promotor de Justiça em entrevista à TV Verdes Mares.

 

Caso em Sobral em 2022

Essa não é a primeira vez que uma escola da cidade registra morte de aluno por tiro. Em 2022, um jovem atirou contra três colegas na sala de aula, em outra escola estadual da cidade. Na ocasião, um jovem de 15 anos não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

 

Perfil da escola

A escola é estadual e concentra turmas apenas do ensino médio. São 1.159 alunos e 54 professores, de acordo com o Censo Escolar 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No 3º ano do ensino médio, apenas 38% dos alunos tinham conhecimentos adequados de português em 2023, segundo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Por outro lado, há destaques acadêmicos positivos: no Enem 2024, 9 alunos da escola tiraram 900 pontos ou mais na redação (o máximo, alcançado por pouquíssimos candidatos no Brasil, é de mil pontos). Outros 23 alcançaram pelo menos nota 800.

A escola ofereceu, no 1º semestre de 2025, uma formação em cidadania, visando ao desenvolvimento de relações saudáveis dentro e fora da instituição de ensino. Fonte: https://g1.globo.com

146 defensores ambientais foram mortos ou desapareceram em 2023, aponta ONG

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Publicado em 17 setembro 2025
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  • Santos Dealdina Mbaye,
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  • Comunidades Negras Rurais Quilombolas
  • assassinatos de defensores ambientais

Brasil teve 12 assassinatos registrados e ocupa 4º lugar em ranking mundial. No ano anterior, país tinha sido 2º colocado, com 25 mortes de ambientalistas

 

Agricultores, vaqueiros e fecheiros reconstroem um rancho, protegidos pela polícia militar, na Vereda da Felicidade, um território de fecho de pasto em disputa com grileiros, na zona rural de Correntina, no oeste da Bahia - Lalo de Almeida -

 

Jéssica Maes

São Paulo

Pelo menos 142 ativistas foram mortos e quatro desapareceram em todo o mundo no ano passado defendendo suas terras, comunidades ou o meio ambiente. Desde 2012, o número de defensores mortos ou desaparecidos chega a pelo menos 2.253.

Os dados são do relatório anual da ONG internacional Global Witness e foram divulgados nesta quarta-feira (17). Mais uma vez, os povos indígenas foram vítimas de cerca de um terço dos ataques letais, apesar de constituírem cerca de 6% da população global.

A América Latina segue sendo o lugar mais perigoso para defensores ambientais, com 117 assassinatos em 2024 —o que equivale a oito em cada dez mortes ao redor do globo.

A Colômbia liderou o ranking mundial pelo terceiro ano consecutivo, com 48 assassinatos. Em seguida vem a Guatemala, onde 20 defensores foram mortos no último ano, um aumento expressivo em relação às quatro mortes em 2023.

Ao menos 18 defensores foram mortos no México e 12 no Brasil. As Filipinas registraram sete assassinatos, enquanto Honduras e Indonésia tiveram cinco mortes cada.

Quatro defensores desapareceram em 2024 e não foram encontrados: um no Chile, um em Honduras, um no México e um nas Filipinas.

Os números do ano passado representam uma melhora significativa dos índices brasileiros: em 2023, tinham sido registrados 25 assassinatos de defensores ambientais e o país ocupava o segundo lugar no ranking mundial.

Metade dos mortos em 2024 no Brasil eram pequenos agricultores. Quatro indígenas foram assassinados, assim como um defensor afrodescendente.

A organização destaca, porém, que apesar da redução no número de homicídios, ataques não letais continuam generalizados em todo o país, chamando atenção para os números da Comissão Pastoral da Terra, que registrou 481 casos de tentativa de homicídio, 44% dos quais contra povos indígenas e 27% contra quilombolas.

"Com laços mais estreitos com as terras em que vivemos, nossas práticas tradicionais resultam em um mundo mais sustentável. Ao nos conceder direitos à terra, nosso planeta fica melhor", afirma em comunicado a ativista Selma dos Santos Dealdina Mbaye, coordenadora política na Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas).

"Mas precisamos de mais do que direitos à terra. Muitas vezes, somos vítimas de uma violência indizível. Pelo menos 413 defensores da terra e do meio ambiente foram mortos ou desapareceram no Brasil desde 2012 —36 dos quais eram afrodescendentes", ressalta ela.

Ainda que o relatório não detalhe a motivação das agressões, o documento aponta a constante impunidade como um dos motivadores para os crimes.

O documento também afirma que o setor da mineração é o mais letal, com 29 casos registrados em 2024, seguido de extração de madeira, com oito casos, e agronegócio, com quatro. Obras de infraestrutura, caça ilegal e o setor hidrelétrico também motivaram ataques letais.

Crime organizado, agentes governamentais, milícias, corporações, proprietários de terra e seguranças privados estão entre os atores apontados como perpetradores da violência.

"Defender-se contra a injustiça nunca deveria ser uma sentença de morte", afirma a autora principal do relatório, Laura Furones, em comunicado. "É fundamental que governos e empresas mudem o rumo para defender os direitos dos defensores e protegê-los em vez de persegui-los. Precisamos desesperadamente de defensores para manter nosso planeta seguro. Se virarmos as costas para eles, renunciamos ao nosso futuro." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Hermeto Pascoal, imparável: disco para a esposa, livro e exposição exploram as facetas do bruxo

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Publicado em 14 setembro 2025
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  • Alagoano Hermeto Pascoal,

Hermeto Pascoal, imparável: disco para a esposa, livro e exposição exploram as facetas do bruxo

Biografia e mostra em São Paulo revisitaram a carreira longeva do artista, que morreu aos 89 anos no último sábado

 

Hermeto Pascoal, o multi-instrumentista, morre aos 89 anos

 

Hermeto Pascoal pensava como música. O músico multi-instrumentista sabia estar aberto à inspiração que chega como o vento, como um fluxo contínuo, passava por ele e se transformava em partitura. Aos 87 anos, na última vez que falou com o Estadão, ele não se forçava a fazer música, ela fluía. Se for premeditado, não tem pureza.

O artista alagoano morreu neste sábado, 13 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro.

“Nada é premeditado”, disse ele, ao telefone, para o Estadão, em maio do ano passado. “As coisas vêm até mim, eu não preciso chamar. Comparo o meu sentir com o vento, com a luz, com o sol, o céu, as estrelas. Tudo roda, não para. Pelo contrário, se transforma.”

Não por acaso, as pessoas ao redor do bruxo, como era carinhosamente chamado, já sabem que precisam estar atentas às todas as interações dele. Quando menos se espera, Hermeto podia entregar a um desconhecido uma música escrita em um guardanapo, ou folha de caderno, criada ali na hora. Seus produtores, sempre atentos, são sugeridos a fotografarem cada partitura, para catalogá-la e cadastrá-la.

Talvez um dos trabalhos mais hercúleos da música brasileira atual seja o de catalogação das músicas de Hermeto Pascoal. Durante a pandemia, foram registradas mais de mil músicas em nome dele. Tudo, absolutamente tudo que existe em papel, está acondicionado em um apartamento no bairro do Jabour, na zona oeste do Rio de Janeiro. A poucos metros de distância deste apartamento, Hermeto vive ao lado do filho e nora, Fábio Pascoal e Jeane.

Neste arquivo gigantesco vertical, de gavetas, em que tudo está catalogado, havia um livro de partituras de capa cinza e branca. Um caderno Rialto de 200 páginas, da Casa Manon, icônica loja de instrumentos musicais de uma época boêmia de São Paulo, então localizada na Rua 24 de abril. Ali, estavam 198 partituras de músicas - choros, em sua maioria - criadas por Hermeto Pascoal, entre 4 de setembro de 1999 até 20 de março de 2000.

 

Dona Ilza da Silva, esposa de Hermeto Pascoal por 46 anos, morreu alguns meses depois da última partitura ter sido escrita, em 1º de novembro de 2000.

Há, entre os fãs de Hermeto, aqueles mais ardosos, quase como historiadores do bruxo, quem conhecia o livro. Era chamado de “o livro da Ilza”. Hermeto caminhava para cima e para baixo com o livro e o entregava às pessoas do convívio para que deixassem recados para a esposa nas primeiras folhas. “Amiga eterna em nossos corações”, diz uma dedicatória. “Ilza, que saudade daquela feijoada”, dizia outro.

Se durante a pandemia, o trabalho era catalogar e digitalizar o que havia sido escrito, no mundo pós-Covid, a ideia é colocar esse material no mundo. O primeiro projeto é Pra Você, Ilza, um álbum lançado nesta terça-feira, 28, pela editora Rocinante, em vinil (R$ 165) e nas plataformas de música por streaming.

 

Um álbum de choro, mas não só

Em uma conversa entre o produtor Flavio de Abreu e Fábio Pascoal, filho e percussionista d’O Grupo, nome do conjunto a acompanhar musicalmente Hermeto, durante uma turnê no Japão, em novembro de 2023, o livro dedicado à Ilza foi lembrado.

Em fevereiro de 2024, Hermeto e o Grupo já estavam reunidos no Estúdio Rocinante, na região serrana do estado do Rio, para a gravação das 13 faixas.

Neste disco, Hermeto mostra a maestria. Da folha de partitura, ele tinha uma melodia e harmonia. A partir dali, ele, André Marques (piano), Jota P (saxofone), Itiberê Zwarg (baixo), Ajurinã Zwarg (bateria) e Fábio Pascoal (percussão) criaram cada uma das músicas, seus arranjos, viradas e solos. Como um maestro, Hermeto usa sua musicalidade quase sobrenatural para reger, criar e expandir o que havia criado naquela folha de papel, com fraseados, loopings, e improviso.

“Gravamos neste lugar maravilhoso”, lembra-se Hermeto. “O grupo é muito bom, são músicos intuitivos, com facilidade de escrever as coisas também. Tocamos sem decorar. Fazíamos um pouco, depois quando voltávamos, já era outra coisa. Como digo: a criatividade é como o vento, não para.”

Por limitações físicas, o álbum digital tem três músicas a mais do que a versão em vinil - são elas Voltando Para casa, Na Feira do Jabour e No Topo do Morro de Aracajú - além de algumas pequenas mudanças na ordem das músicas para facilitar a narrativa.

O que costura cada uma das músicas, sobretudo, não é uma linha de raciocínio, com uma história contrata cronologicamente - talvez até porque, com Hermeto Pascoal, nada é tratado de firma linear, com começo, meio e fim.

“O que existe é um olhar sobre o todo. Da imaginação que veio e passou também”, explica Hermeto. ‘É preciso deixar a mente aberta para que essas coisas venham para a gente.”

Pra Você, Ilza então, é um disco sobre sensações e sentimentos. De modo geral, o que emana de cada uma das músicas é leveza, é amor cotidiano, como se Hermeto Pascoal fotografasse momentos de rotina ao lado da esposa com quem teve seis filhos, e transformasse a memória em sentimento, o sentimento em harmonias, notas e melodias. Não por acaso, Voltando Para Casa é cheia da excitação e saudade, enquanto Recordações de Recife é energética e, ao mesmo tempo, saudosa, enquanto Seus Lindos Olhos tenha uma repetição mais demarcada, como se Hermeto quisesse capturar um mesmo olhar recebido de Dona Ilza, algumas vezes nestas cinco décadas de coexistência entre eles.

Na capa, uma foto de Hermeto Pascoal e Ilza, tirada em novembro de 1999. Ela sorri, abraçada por ele, no registro em preto e branco. “É uma foto tirada depois do almoço”, recorda-se ele.

Este álbum não é, de forma alguma, triste ou melancólico. Hermeto acredita que viemos a este planeta com algum propósito. Que o que existe dentro de cada um de nós, a alma, está pronta para voltar para o ludar de onde viemos. “A gente sai de lá, fica um pouco aqui e volta para lá”, ele diz

 

Livro e exposição no Sesc

Não foi premeditado que Hermeto esteja em tantos lugares ao mesmo tempo. Além do álbum de inéditas, o bruxo também é tema da biografia Quebra Tudo!, a Arte Livre de Hermeto Pascoal (Kuarup, 280 pág, R$ 60), de Vitor Nuzzi, e da exposição Ars Sonora – Hermeto Pascoal (Sesc Bom Retiro, Alameda Nothmann, 185 - Campos Elíseos), aberta a partir deste 28 de maio e visitação até 3 de novembro.

Nuzzi, indicado ao prêmio Jabuti pelo livro Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida, fez um trabalho minucioso, com 50 entrevistas, para tentar documentar a riqueza da história de Hermeto, do nascimento em Alagoas, passando pela mudança para o Rio de Janeiro e o início da vida como artista autodidata. De pesquisa intensa, o livro documenta de forma bastante segura a vida e os feitos de Hermeto Pascoal - para um artista que acumula tantas histórias e músicas, um material desse vem bem a calhar.

Já a exposição mostra Hermeto Pascoal na condição de artista plástico, com a curadoria de Adolfo Montejo Navas, com entrada gratuita. Nela, estarão expostos parte do material que passou pelas mãos e anotações de Hermeto, como panos de prato, toalhas de mesa, sacolas, brinquedos, chapéus. Tudo vira partitura ou poesia, sempre.

Nenhuma das duas produções tem a criação vinda da equipe de Hermeto Pascoal, mas isso faz sentido.

Hermeto é, como ele mesmo diz ao Estadão, alguém do agora, do momento, da existência do presente. Isso não significa que ele ignora o passado, claro, mas este esmiuçamento do que passou ele deixa para os outros. Segundo a produção de Hermeto, novos discos vem aí, inclusive novas prensagens de clássicos.

“As pessoas falam do passado como se ele não prestasse”, valia Hermeto. “O passado está segurando eternamente o presente.” Ele respeita o passado, mas deixa-o para trás. Por isso, não para de escrever novas músicas. “Vem fácil porque minha mente está sempre aberta. Deixo ela assim, pronta para receber estas coisas. São intuições”, encerra o músico, como se fosse realmente fácil. Bom, no caso dele, até é. Fonte: https://www.estadao.com.br

'Atiraram na direção da minha cabeça e falaram que não queriam um novo Tim Lopes', conta cinegrafista espancado por traficantes na Vila Aliança André Muzell, do Canal Factual RJ, foi atacado por 15 criminosos armados, teve dentes quebrados e perdeu R$ 40.

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Publicado em 05 setembro 2025
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André Muzell, do Canal Factual RJ, foi atacado por 15 criminosos armados, teve dentes quebrados e perdeu R$ 40 mil em equipamentos; ele recebeu alta e lançou vaquinha para reposição dos materiais

 

O cinegrafista André Muzell, espancado por criminosos durante cobertura da operação na Vila Aliança — Foto: reprodução

 

Por Anna Bustamante

 — Rio de Janeiro

O repórter cinematográfico André Muzell, que trabalha no Canal Factual RJ, foi agredido por traficantes da Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio, durante a cobertura da operação policial que deixou seis mortos nesta quinta-feira na comunidade. Ao GLOBO, André contou ter sido surpreendido por 15 criminosos, que o agrediram, sobretudo, no rosto, fazendo com que ele perdesse dois dentes. Ele foi socorrido no Hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e já recebeu alta, segundo a unidade.

— Chegaram a atirar na minha cabeça, mas a arma falhou. Depois falaram que não queriam um novo Tim Lopes — disse André Muzell.

Segundo o repórter cinematográfico, além de espancá-lo, os criminosos levaram todos seus pertences.

— Eles quebraram meus dois dentes da frente e meu maxilar. Mal consigo falar direito por conta disso. Foram no mínimo 15 minutos me chutando e socando — disse Muzell, que agora busca um tratamento odontológico.

Entre os objetos furtados estavam uma câmera, um capacete, um tripé e um celular, totalizando cerca de R$ 40 mil em prejuízo. Sem condições de arcar com a reposição dos equipamentos de trabalho, o repórter lançou uma vaquinha online para arrecadar recursos e conseguir comprá-los novamente.

André detalhou que registrava imagens dos ônibus incendiados pelos criminosos usados como barricadas, em Senador Camará, na Estrada do Taquaral, quando foi surpreendido por pelo menos 15 homens armados com fuzis, que o ameaçaram.

— Eles chegaram dizendo 'vamos te matar'. Me chutaram e levaram minhas coisas — disse Muzell.

A PM contou que policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) deram apoio ao homem ferido e o levaram para a unidade de saúde.

 

Relembre caso Tim Lopes

A morte do jornalista Tim Lopes, em 2002, chocou o Rio e o país. O gaúcho, então com 52 anos, desapareceu em 2 de junho enquanto fazia uma reportagem sobre abuso de menores e tráfico de drogas em um baile funk da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte. Depoimentos indicaram que ele foi sequestrado, torturado, julgado e executado por traficantes comandados por Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. Seu corpo foi carbonizado numa fogueira de pneus, e somente em 5 de julho exames de DNA confirmaram sua identidade; o enterro ocorreu em 7 de julho.

Entre os restos mortais encontrados, técnicos da UFRJ identificaram DNA de outras três vítimas do tribunal do tráfico. Sete acusados do crime foram presos e levados a julgamento em 2005, incluindo Elias Maluco, condenado a 28 anos e seis meses. Outros envolvidos receberam penas entre 15 e 23 anos e seis meses. A prisão de Elias Maluco ocorreu 109 dias após a morte de Tim Lopes, em 19 de setembro de 2002.

Tim decidiu investigar após denúncias de moradores da Vila Cruzeiro sobre menores sendo obrigadas a participar de bailes funks, usando drogas e se prostituindo. Com mais de 30 anos de carreira, ele já havia sido premiado por reportagens investigativas e frequentemente usava disfarces para revelar injustiças sociais. Formado pela Faculdades Hélio Alonso (Facha), trabalhou em diversos veículos de grande porte e deixou esposa e um filho.

 

Entenda a operação

A ofensiva policial na Vila Aliança transformou a manhã de ontem em cenas de terror para os moradores da região. A Polícia Civil e a Polícia Militar mataram seis suspeitos. No entanto, a ação tinha como principais alvos o traficante Bruno da Silva Loureiro, conhecido como Coronel, e José Rodrigo Gonçalves Silva, o Sabão da Vila Aliança, ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). Ambos seguem foragidos.

Coronel é apontado como mandante do assassinato brutal de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, espancada até a morte após recusar se relacionar com ele em um baile funk na comunidade da Coréia, também na Zona Oeste. Já Sabão é apontado como chefe do tráfico de drogas na Vila Aliança e na Coréia, em Senador Camará.

Segundo as forças de segurança, os seis mortos estavam em uma casa onde criminosos mantinham um pastor e uma criança como reféns. As vítimas foram libertadas em segurança. Além disso, a polícia prendeu duas pessoas e apreendeu quatro fuzis e diversas pistolas.

O intenso tiroteio, que contou com o sobrevoo de helicópteros e a presença de equipes do Bope e da Core, deixou famílias encurraladas em casa e escolas em desespero.

Em uma creche municipal da região, crianças foram registradas deitadas no chão ou encostadas nas paredes para se proteger dos disparos. Relatos em redes sociais também mostraram a dificuldade de pais para buscar os filhos, já que a Secretaria Municipal de Educação informou que a operação começou após o horário de entrada, impossibilitando a saída dos alunos.

Além das trocas de tiros, criminosos montaram barricadas e usaram ao menos seis ônibus para bloquear vias na região, obrigando o desvio de linhas e afetando a rotina de rodoviários e passageiros. A circulação de trens também foi parcialmente suspensa pela Supervia, interrompendo o trecho entre Senador Camará e Augusto Vasconcelos. Ruas importantes da comunidade ficaram interditadas, e o Centro de Operações da Prefeitura recomendou que motoristas evitassem os acessos à Rua Coronel Tamarindo e à Rua Doutor Augusto Figueiredo. Fonte: https://oglobo.globo.com

Pelo menos 21 mil crianças ficaram com deficiência desde o início da guerra em Gaza, alerta comitê da ONU

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Publicado em 04 setembro 2025
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  • 21 mil crianças em Gaza ficaram com algum tipo de deficiência
  • restrições à entrada de ajuda humanitária,
  • Fundação Humanitária de Gaza
  • Centro de Treinamento Comunitário para Gestão de Crises,
  • Fundo das Nações Unidas para a Infância

Mais de 40 mil menores sofreram ferimentos desde o início do conflito; bloqueio israelense dificulta acesso de pessoas com mobilidade reduzida à ajuda humanitária

 

Por O Globo e agências internacionais — Gaza

Pelo menos 21 mil crianças em Gaza ficaram com algum tipo de deficiência desde que a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas teve início, em 7 de outubro de 2023, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD, na sigla em inglês). De acordo com o órgão, cerca de 40,5 mil crianças sofreram “novos ferimentos relacionados à guerra” nos quase dois anos de conflito, sendo que mais da metade desses casos resultou em alguma forma de deficiência.

Entre 7 de outubro de 2023 e 21 de agosto deste ano, pelo menos 157,1 mil pessoas ficaram feridas, e mais de 25% estão em risco de desenvolver limitações permanentes. O relatório também aponta que as ordens de evacuação emitidas por Israel durante a ofensiva do Exército em Gaza eram “frequentemente inacessíveis” para pessoas com deficiência auditiva ou visual, “tornando a evacuação impossível”.

Relatos recebidos pelo comitê indicam que pessoas com deficiência foram forçadas a fugir em condições inseguras e indignas, “rastejando na areia ou no barro sem qualquer assistência para mobilidade”. O CRPD destacou ainda que as restrições à entrada de ajuda humanitária, consequência do bloqueio israelense, têm impacto desproporcional sobre pessoas com deficiência.

“Muitos ficaram sem acesso a alimentos, água potável e saneamento, e dependentes de terceiros para sobreviver”, afirma o relatório.

Embora a Fundação Humanitária de Gaza (GHF, em inglês), financiada pelos Estados Unidos e Israel, possua quatro pontos de distribuição no território, o sistema da ONU que ela substituiu tinha cerca de 400 locais. Obstáculos físicos, como escombros de guerra e a perda de dispositivos de mobilidade sob os destroços, dificultam ainda mais o acesso à ajuda.

 

Crianças em Gaza

O comitê apontou que 83% das pessoas com deficiência perderam seus equipamentos, como cadeiras de rodas, andadores, bengalas, talas e próteses, e a maioria não tem condições de adquirir alternativas. Muitos desses dispositivos são classificados pelas autoridades israelenses como “itens de uso duplo” e, por isso, não entram nas remessas de assistência humanitária.

O CRPD solicitou a entrega de “ajuda humanitária massiva para pessoas com deficiência” afetadas pelo conflito, ao mesmo tempo em que destacou a necessidade de que todos os lados adotem medidas de proteção para impedir “mais violência, danos, mortes e privação de direitos”.

O comitê recomendou que Israel implemente medidas específicas para proteger crianças com deficiência de ataques e protocolos de evacuação que levem em conta suas necessidades. Também deve assegurar que as pessoas com deficiência possam retornar com segurança às suas casas e recebam assistência adequada para isso.

 

Impacto psicológico

Um relatório divulgado no fim de 2024 pela War Child Alliance e pelo Centro de Treinamento Comunitário para Gestão de Crises, com sede em Gaza, destacou o impacto psicológico das ofensivas de Israel sobre as crianças palestinas no último ano. Baseado em uma pesquisa com mais de 500 cuidadores de crianças vulneráveis, 96% das crianças nessas condições sentiam que a morte era iminente, e quase metade (49%) expressou o “desejo de morrer” após ataques israelenses.

Em junho de 2024, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que quase todas as 1,2 milhão de crianças de Gaza precisam de apoio psicológico, especialmente aquelas expostas repetidamente a eventos traumáticos. Uma semana após o anúncio do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em janeiro, o subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Tom Fletcher, disse ao Conselho de Segurança da organização que “uma geração foi traumatizada”.

— Crianças foram mortas, passaram fome e morreram de frio — disse ele. — Algumas morreram antes mesmo de dar seu primeiro suspiro, perecendo junto com suas mães durante o parto. Fonte: https://oglobo.globo.com

Motorista envolvido no acidente que matou dupla Samuel e Mateus é identificado

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Publicado em 03 setembro 2025
  • Motorista que matou dupla Samuel e Mateus é identificado
  • Samuel e Mateus morreram após acidente de motocicleta
  • tragédia na Bahia
  • cidade de Presidente Tancredo Neves,
  • Tragédia em Presidente Tancredo Neves,
  • Josenilson Santana de Almeida,

Motorista envolvido no acidente que matou dupla Samuel e Mateus é identificado

Homem abandonou caminhonete e fugiu após a colisão a com a motocicleta que levava as vítimas, porém foi localizado pela polícia. Ele será interrogado nesta quarta-feira (3).

 

Samuel e Mateus morreram após acidente de motocicleta na Bahia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Por g1 BA e TV Bahia

Motorista envolvido no acidente que matou dupla Samuel e Mateus é identificado

O motorista da caminhonete envolvida na batida que matou a dupla de arrocha Samuel e Mateus, em Presidente Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia, foi identificado e será interrogado nesta quarta-feira (3), dois dias após o acidente. A informação foi divulgada ao g1 pela Polícia Civil (PC).

Os irmãos de 17 e 14 anos estavam com o pai em uma motocicleta, quando aconteceu a tragédia, em um trecho da BR-101. Samuel e Mateus morreram na hora, enquanto o pai deles, Josenilson Santana de Almeida, de 40 anos, ficou em estado grave. Após a batida, o condutor da caminhonete fugiu e abandonou o veículo, depois incendiado por pessoas que estavam no local, revoltadas com o acidente.

O motorista foi identificado na terça-feira (2), mas o delegado José Neri, titular da PC na região, informou que o nome dele e detalhes do ocorrido só serão divulgados quando o homem for ouvido.. A delegacia onde acontecerá o interrogatório, no entanto, não foi divulgada por questão de segurança.

"Vamos primeiro investigar, para saber as circunstâncias do acidente e saber se houve culpa ou dolo eventual, e aí, dependendo de uma coisa ou outra, ele será indiciado", pontuou o policial.

 

Quem eram as vítimas

Samuel Santos de Almeida, de 17 anos, e Mateus Santos de Almeida, 14, tinham apenas uma semana de carreira. Eles viralizaram na internet após publicarem vídeos cantando arrocha.

Dias antes da morte, os dois publicaram um vídeo da primeira gravação que fizeram no estúdio. Eles conseguiram mais de 200 mil seguidores só no Instagram. Também haviam criado um canal em uma plataforma digital para divulgar os trabalhos e fechado contrato com um empresário.

Os irmãos tinham o sonho de cantar com Pablo e com a banda Toque Dez. A vontade foi revelada pelo primo da dupla, Ronaldo Santos, durante o Bahia Meio Dia, telejornal da TV Bahia, na terça-feira.

"É um momento de muita dor, uma perda de dois jovens que estavam empolgados, felizes e todo mundo alegre pelo sucesso que eles vinham fazendo. A gente viu a morte ceifar a vida de dois jovens de uma maneira trágica e terrível", destacou Ronaldo.

Com a repercussão da tragédia, a banda Toque Dez também lamentou o fato nas redes sociais. "Luto por Samuel e Mateus", postou o grupo, usando emojis de lágrimas e coração partido.

Em entrevista à TV Bahia, a diretora da escola onde os meninos estudavam, Neide, relatou ainda que os jovens eram participativos e se destacavam nas atividades culturais.

"Eles cantavam na sala de aula enquanto faziam as atividades e tornavam o ambiente divertido. Eram a alegria da escola".

Os corpos dos cantores foram velados no povoado de Corte de Pedra, em Presidente Tancredo Neves. Uma multidão se reuniu para a despedida, sob aplausos.

Entre as homenagens, estavam camisas confeccionadas por amigos de escola dos irmãos, com fotos e mensagens de luto. A cerimônia seguiu até o final da tarde, quando os dois foram sepultados no cemitério da cidade. Já o pai dos meninos, identificado como Josenilson Santana de Almeida, de 40 anos, segue internado no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus.

 

Luto na cidade

As mortes dos artistas foram lamentadas pela Prefeitura de Presidente Tancredo Neves, onde os adolescentes moravam com a família.

"Neste momento de dor irreparável, nos unimos em oração e sentimentos de conforto a todos os que sofrem com esta perda, pedindo a Deus que conceda força e amparo para enfrentar tamanha tristeza. Samuel e Mateus deixarão saudades e serão sempre lembrados pelo brilho, alegria e sonhos que carregavam", escreveu a gestão.

Por conta do acidente, a prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal e as atividades das oficinas de cultura e esporte na terça. Fonte: https://g1.globo.com

Terremoto deixa ao menos 800 mortos e milhares de feridos no Afeganistão

Detalhes
Publicado em 01 setembro 2025
  • Afeganistão,
  • Terremoto deixa ao menos 800 mortos
  • terremoto de magnitude 6 matou mais de 800 pessoas

 

Soldados e civis carregam vítimas do terremoto para uma ambulância em um aeroporto em Jalalabad, Afeganistão - Stringer/Reuters

 

Cabul | Reuters e AFP

Um terremoto de magnitude 6 matou mais de 800 pessoas e deixou ao menos 2.800 feridos em duas províncias montanhosas no leste do Afeganistão, informou o Ministério do Interior afegão, controlado pelo Talibã, nesta segunda-feira (1º).

Os tremores causaram deslizamento de terras e destruíram aldeias. As autoridades deram início às buscas de sobreviventes nos escombros e na lama, e o número de vítimas ainda pode aumentar.

O terremoto ocorreu próximo à superfície, a apenas oito quilômetros de profundidade —o que, segundo especialistas, pode ser mais devastador. Após o primeiro, outros cinco tremores foram sentidos a centenas de quilômetros.

O desastre, um dos piores do Afeganistão, irá sobrecarregar ainda mais os recursos do país, que enfrenta crises humanitárias. Ao menos quatro províncias do leste —Nangarhar, Nuristão, Laghman e Kunar— foram afetadas pelo tremor.

Em Kunar, uma das mais afetadas, o terremoto causou deslizamento de terras e inundações, e ao menos três aldeias foram arrasadas. A região é pobre e montanhosa.

Muitas áreas do Afeganistão são inacessíveis por estradas, e as aldeias dispersas muitas vezes são feitas de estruturas de barro que são suscetíveis a desmoronamentos.

Socorristas foram enviados da capital Cabul, segundo as autoridades de saúde, para essas regiões remotas. Imagens da agência de notícia Reuters mostram helicópteros transportando vítimas, enquanto moradores ajudavam soldados e médicos a carregar os feridos para ambulâncias.

O epicentro do terremoto foi registrado próximo da cidade de Jalalabad, capital da província de Nangarhar, perto da fronteira com o Paquistão e no limite com a província de Kunar, que foi a mais afetada.

"Todas as nossas equipes foram mobilizadas para acelerar a assistência, para que um apoio abrangente e completo possa ser fornecido", disse o porta-voz do ministério, Abdul Maten Qanee, à Reuters, citando esforços em áreas desde segurança até alimentação e saúde.

O terremoto foi um dos mais mortais do Afeganistão. Em outubro de 2023, ao menos 1.300 pessoas morreram após um terremoto atingir a província de Herat. Um pouco mais de um ano antes, em junho de 2022, tremores de magnitude 6,1 mataram mais de 1.000 pessoas.

Pelo menos 812 pessoas 610 pessoas foram mortas em Kunar e em Nangarhar, segundo as autoridades. Equipes de resgate militares se espalharam pelas duas províncias, disse o Ministério da Defesa em um comunicado, acrescentando que já havia transportado 420 pessoas, entre feridos e mortos, em 40 voos.

"Até agora, nenhum governo estrangeiro entrou em contato para fornecer apoio para trabalhos de resgate ou ajuda", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

No Paquistão, os tremores foram sentidos em vários distritos da província fronteiriça de Khyber Pakhtunkhwa, em partes da província de Punjab, na região da Caxemira administrada pelo país vizinho e até na capital, Islamabad. Até o momento, não foram relatados grandes danos ou vítimas, disseram as autoridades paquistanesas.

Em publicação na rede X, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou que a missão da organização no país está se preparando para ajudar as áreas devastadas pelo tremor.

O Afeganistão é propenso a terremotos, particularmente na cordilheira do Hindu Kush, onde as placas tectônicas indiana e eurasiática se encontram.

O país vive sob a administração do Talibã desde agosto de 2021. Desde então, o grupo tem empregado medidas que refletem sua visão extremista do islã, em especial contra mulheres. No mês passado, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão para líderes do Talibã por perseguição a mulheres.

O Afeganistão enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo. O país passa por uma crise econômica, acentuada após os Estados Unidos decidirem cortar, no início deste ano, o envio de assistência ao país. Países da União Europeia também cortaram ajuda após o retorno do Talibã ao poder. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

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