Olhar Jornalístico

A mensuração do medo

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Publicado em 29 dezembro 2025
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Pesquisa atesta que grande parte dos brasileiros está alterando trajetos e deixando de atender celular na rua por temer violência, com enorme impacto nas relações sociais e na vida política

 

Uma pesquisa recente do Datafolha mensurou o medo: cada vez mais brasileiros estão mudando seus hábitos quando vão para a rua por causa da sensação de insegurança. Quando cidadãos se veem obrigados a adotar táticas de sobrevivência em seu cotidiano, isso significa que a violência venceu.

De acordo com o levantamento, 72% dos entrevistados afirmaram ter alterado algo em sua rotina por temerem a violência. O medo levou 56% dos brasileiros a deixarem de usar o celular nas ruas, em veículos e até mesmo em ambientes fechados fora de casa. Segundo a pesquisa, 36% contaram ter feito outro caminho para o trabalho ou a escola, 31% passaram a andar sem aliança no dedo e 27% pararam de fazer algo prazeroso. Um em cada quatro brasileiros nem sequer sai de casa mais.

Essa sensação de vulnerabilidade generalizada diante da perspectiva da violência urbana atravessa todas as faixas etárias, afeta tanto homens quanto mulheres e é suprapartidária. Segundo a pesquisa, independentemente da idade, no mínimo sete em cada dez brasileiros têm medo da violência. No recorte de sexo, o índice é de 68% entre os homens e chega a 76% entre as mulheres. E tanto quem votou em Luiz Inácio Lula da Silva (70%) como quem votou em Jair Bolsonaro (76%) vive com medo.

Hoje apenas a saúde preocupa mais os brasileiros do que a segurança pública. Segundo o Datafolha, 20% dos entrevistados consideram a saúde o maior problema do País, seguido de 16% que apontam a segurança pública. Aliás, a segurança pública superou até mesmo as aflições do brasileiro em relação à economia – maior preocupação para 11% dos entrevistados.

Tudo isso faz desse tema uma pauta da classe política, que está bastante atenta às demandas do ano eleitoral que se avizinha. São discussões de propostas de legislação para endurecer penas de crimes e também aprimorar o combate ao crime organizado. Não raro, infelizmente, o debate é contaminado pela demagogia.

É difícil falar em qualidade de vida num país cuja população vive amedrontada com a possibilidade de ser assaltada quando sai de casa para trabalhar, estudar e se divertir ou, pior, de ser até vítima de um latrocínio, o roubo seguido de morte. E esse medo, em que pesem as pontuais variações regionais, está disseminado de norte a sul do País.

De acordo com o Datafolha, mudaram algum hábito por temer a violência 74% dos entrevistados do Nordeste, 75% dos do Centro-Oeste/Norte e 76% dos do Sudeste. Significa dizer que três em cada quatro pessoas em 24 das 27 Unidades da Federação se sentem acuadas. A situação é até um pouco melhor no Sul, mas nem por isso menos aflitiva, haja vista que mais da metade (54%) dos entrevistados dessa região disseram também ter alterado algo de sua rotina por medo da violência. Não dá para dizer que essa seja uma sensação de segurança.

Esse índice é particularmente assustador entre os moradores das regiões metropolitanas, onde chega à marca de 80% dos entrevistados. Engana-se quem pensa que morar no interior significa estar em paz: 66% dos entrevistados das pequenas cidades brasileiras também sentem medo da violência.

E esse temor é particularmente mais forte entre as mulheres. Segundo as entrevistadas, 38% delas disseram já ter mudado o caminho; 62% não tiveram coragem de usar o celular em ambiente público; 31% deixaram de fazer algo que lhes dá prazer; e 29% pararam de sair de casa. Em absolutamente todos os hábitos questionados pelo Datafolha as entrevistadas manifestaram sentir mais medo do que os homens, o que indica uma sociedade bastante hostil às mulheres.

O impacto dessa situação é enorme – nas relações sociais, na produtividade e na própria democracia, porque o medo esgarça laços de solidariedade, fere o senso de comunidade e reduz a disposição para aceitar o diferente, que passa a ser visto como ameaça.

Tudo isso colabora para que soluções de força, muitas vezes ao arrepio das leis e dos direitos humanos, sejam consideradas aceitáveis, tornando-se parte de discursos eleitoralmente potentes. Fonte: https://www.estadao.com.br

Dez pessoas morrem em batida entre dois carros na divisa da Bahia com o Espírito Santo

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Publicado em 27 dezembro 2025
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Acidente aconteceu na BR-101, em trecho que fica na cidade de Mucuri, no extremo sul da Bahia. Cidade fica próxima da divisa da Bahia com o Espírito Santo.

 

Por g1 e TV Santa Cruz

Dez pessoas morreram em um acidente entre dois carros neste sábado (27), em um trecho da BR-101 que fica na cidade de Mucuri, no sul da Bahia.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois veículos bateram de frente.

Ainda não há informações sobre o que causou a batida.

Ao menos 10 pessoas morrem em acidente na BR-101, no extremo sul da Bahia

Dez pessoas morreram em um acidente entre dois carros neste sábado (27), em um trecho da BR-101 que fica na cidade de Mucuri, no extremo sul da Bahia. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois veículos bateram de frente.

Ainda não há informações sobre o que causou a batida e as identidades das vítimas não foram divulgadas.

De acordo com a PRF, os veículos pegaram fogo após o acidente e a pista precisou ser interditada.

A cidade de Mucuri fica próxima à divisa do estado da Bahia com o Espírito Santo. Fonte: https://g1.globo.com

Sentimento de solidão pode aumentar nas festas de fim de ano, mesmo ao lado de amigos e familiares.

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Publicado em 21 dezembro 2025
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Solidão é um estado emocional que pode acontecer mesmo em meio a outras pessoas

Especialistas recomendam criar novos rituais e conexões genuínas para enfrentar o período festivo

 

Catarina Pignato/Folhapress

 

Giulia Peruzzo

São Paulo

Uma criança sozinha na noite de Natal. Enquanto todos celebram, ela foi deixada para trás em uma casa vazia. É essa experiência traumática que molda Ebenezer Scrooge, o protagonista de "Uma Canção de Natal", de Charles Dickens, transformando-o num homem amargo que passa a odiar o feriado. Décadas depois, a mesma angústia ressurge como trama principal de "Esqueceram de Mim", franquia natalina em que o menino Kevin é deixado para trás pela família não uma, mas duas vezes.

Os enredos podem ilustrar um medo inconsciente: passar a data associada às tradições em família, união, perdão e amor totalmente sozinho. A psicanalista Carol Romano, autora do livro "Por que as Relações Importam (Tanto)?", da editora Amarilys, afirma que as pessoas estão de fato mais solitárias. Ela cita uma pesquisa global de engajamento no trabalho que constatou que 20% dos participantes relataram solidão. O número de lares com uma pessoa dobrou desde a década de 1960.

Por outro lado, a aproximação das festas de fim de ano pode gerar uma percepção de solidão, que difere de estar sozinho de fato. A solidão é um estado emocional que implica desconexão, explica o psiquiatra Rodrigo Bressan, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Segundo o médico, esse período do ano é propício para essa percepção, já que há uma pressão social pela felicidade, pela celebração e pela gratidão.

"Um monte de gente está com questões difíceis, como distanciamento e conflitos com a família, lidando com transtornos psiquiátricos ou a perda de algum familiar", diz Bressan. A pressão social pode acabar gerando um sentimento de inadequação e culpa por estar sofrendo.

As mídias sociais podem reforçar ainda mais essa sensação, afirma o psiquiatra, já que a maior parte das postagens são de momentos felizes e bonitos, o que gera a impressão de que todo mundo está feliz, menos a pessoa do outro lado da tela.

Para Romano, essa performance que acontece nas redes sociais é a mesma das confraternizações. "Você está reunido com pessoas com as quais não falou o ano inteiro, com as quais não tem uma conexão real", diz. "Então, a cobrança para estar feliz, falando de conquistas e agindo como se tudo estivesse perfeito. As pessoas podem se sentir performando."

Bressan reforça que a sensação de solidão, apesar de não ser por si só depressão, pode estar associada a ela e, por isso, deve ser cuidada. Pode ser algo comum e transitório desse momento do ano, mas, se persistir e se somar à ansiedade, angústia e perda de motivação que dure semanas ou meses, ele recomenda procurar ajuda profissional.

 

Ressignificando a solidão

As pessoas podem estar fisicamente sozinhas, mas ressignificar o momento das festas. Há oito anos, a professora de educação infantil e cantora Jacqueline de Lima Carvalho, 43, se viu sozinha em São Paulo enquanto sua família passaria o fim de ano no Recife. "Eu não ia conseguir voltar para comemorar com eles, então tive a ideia de fazer um encontro em casa com colegas que estavam longe ou com problemas na família."

A prática, chamada de "Natal dos desgarrados" —ou seja, daqueles que estão separados de um grupo—, se popularizou entre pessoas que não conseguem ou não querem se reunir com familiares para a ceia. Jacqueline conta que há pessoas do grupo que se reúnem desde o início, mas a cada ano surgem novos amigos ou pessoas indicadas por amigos.

"Nos últimos anos, apareceram muitas pessoas com conflitos familiares por causa de política", diz. "As pessoas que não se conhecem passam a firmar novas amizades." No dia 24, a festa tem dança, música, bebidas e mesa colaborativa: cada um leva um prato, além de um presente para o sorteio do amigo secreto. O grupo volta a se reunir no dia 25, para a "Ressaca do Peru", para comer as sobras da noite anterior.

Reunir os amigos próximos pode ser uma solução para quem vai passar as festas de fim de ano sozinho, seja qual for o motivo, e não quer se sentir solitário. Para quem vai trabalhar, uma opção é criar rituais com os colegas, como fazer amigo secreto ou compartilhar refeições, diz Romano.

Assim como o trabalho com propósito não gera solidão nessa época, a psicanalista recomenda que quem está sozinho faça trabalhos voluntários e humanitários.

"Nas ciências que estudam bem-estar e felicidade, uma das práticas de emoções positivas é quando você se coloca a serviço do outro num trabalho voluntário ou humanitário. Eu acho inclusive curativo para muita gente que tem esse núcleo mais solitário", diz.

Agora, para aqueles cujo problema é se sentir solitário mesmo em torno de outras pessoas, ela também dá algumas dicas, como tentar se reconectar com os familiares mais distantes em outros momentos antes das festas, em encontros menores e mais intimistas, e criar rituais para aprofundar a conversa, como uma roda de conversa para falar das intenções para o ano. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

ACIDENTE NO SUDOESTE DA BAHIA MATA CASAL E FILHO NATURAIS DE ACOPIARA

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Publicado em 20 dezembro 2025
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Um grave acidente de trânsito registrado nesta sexta-feira (19), na BR-116, nas proximidades do município de Cândido Sales, no sudoeste da Bahia, resultou na morte de três integrantes de uma mesma família natural de Acopiara, no Ceará.

As vítimas são um casal e um filho. Uma outra filha do casal sobreviveu, mas encontra-se internada em estado grave.

De acordo com as primeiras informações, o carro de passeio em que a família viajava colidiu violentamente com um caminhão.

O impacto foi tão intenso que os pais e o filho morreram ainda no local. Equipes de resgate, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) atenderam a ocorrência, e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
As causas do acidente seguem sendo investigadas pelas autoridades competentes. Segundo informações de familiares, a família seguia viagem para Acopiara, onde pretendia passar o Natal e o Ano Novo junto aos parentes.

A tragédia causa grande comoção entre amigos, familiares e toda a comunidade acopiarense. Fonte: https://www.instagram.com/jpaulinhoneto

Batida entre carro e carreta mata gêmeos e mulher na BR-116; menino fica gravemente ferido.

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Publicado em 15 dezembro 2025
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Acidente aconteceu na manhã deste domingo (14), em São Francisco do Glória; segundo os bombeiros, as vítimas não usavam cinto de segurança. Criança de 3 anos foi socorrida e levada para o Hospital São Paulo, em Muriaé.

 

Por g1 Zona da Mata — São Francisco do Glória

Dois gêmeos, de 32 anos, e a esposa de um deles, de 36 anos, morreram em uma batida entre um carro e uma carreta na BR-116, em São Francisco do Glória, na manhã deste domingo (14).

Um menino de 3 anos, filho do casal, ficou gravemente ferido.

Eles seguiam no sentido Muriaé quando o motorista perdeu o controle da direção em um trecho de pista molhada e bateu de frente com a carreta, que trafegava no sentido contrário.

Batida entre carro e caminhão deixa três mortos e uma criança ferida na BR-116

Dois gêmeos, de 32 anos, e a esposa de um deles, de 36, morreram em uma batida entre um carro e uma carreta na BR-116, em São Francisco do Glória, na manhã deste domingo (14). Um menino de 3 anos, filho do casal, ficou gravemente ferido. O acidente ocorreu por volta das 11h20, no km 663 da rodovia.

A Prefeitura de Fervedouro informou que as vítimas que morreram são Katimiller, Jader Peatan e Peron. Em nota, o município lamentou as mortes, informou que a cidade está em luto e se solidarizou com familiares e amigos.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Corpo de Bombeiros, os dois irmãos, a mulher e a criança estavam em um Gol. Eles seguiam no sentido Muriaé quando o motorista perdeu o controle da direção em um trecho de pista molhada e bateu de frente com o veículo de carga, que vinha no sentido contrário. O condutor da carreta não se feriu.

Ainda conforme a PRF e os bombeiros, nenhum dos ocupantes do automóvel usava cinto de segurança. A criança sofreu ferimentos graves e foi socorrida pelo Samu, sendo levada para o Hospital São Paulo, em Muriaé.

A perícia da Polícia Civil esteve no local para apurar as circunstâncias do acidente. Durante o atendimento, o trecho da rodovia ficou parcialmente interditado, com o trânsito fluindo em meia pista. Após a liberação da perícia, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Muriaé. Fonte: https://g1.globo.com

Família é alvo de ataque a tiros na Zona Oeste; carro é fuzilado, casal morre, e bebê está em estado gravíssimo

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Publicado em 09 dezembro 2025
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Por Luana Alves, Rafael Nascimento, g1 Rio e TV Globo

O crime aconteceu na altura do viaduto Oscar Brito, em Campo Grande. Os corpos foram encontrados no canteiro central da pista, no sentido Santa Cruz. Bebê foi socorrido para o Hospital Pedro II.

Um homem e uma mulher foram assassinados a tiros no final da noite desta segunda-feira (8) na Avenida Brasil, na altura do viaduto Oscar Brito, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio.

O casal estava dentro de um carro, acompanhado de um bebê, quando foi atacado.

A criança sobreviveu ao ataque e foi socorrido para o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, passou por cirurgia e está em estado gravíssimo.

Um homem e uma mulher foram assassinados a tiros no final da noite desta segunda-feira (8) na Avenida Brasil, na altura do viaduto Oscar Brito, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. O casal estava dentro de um carro, acompanhado de um bebê, quando foi atacado.

A criança foi baleada em uma das pernas por 2 tiros e está em estado gravíssimo.

De acordo com as Polícias Militar e Rodoviária Federal, o veículo foi encontrado em um canteiro da via, no sentido Santa Cruz, fuzilado.

O bebê que estava no carro sobreviveu ao ataque e foi socorrido e levado por populares para o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz. A direção da unidade informou que a criança passou por cirurgia e está internada em estado gravíssimo. O Conselho Tutelar foi comunicado sobre o caso.

Os corpos do homem, identificado como Yuri Garcez Honorato, e da mulher, que ainda não foi reconhecida, foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu a investigação do caso. A polícia busca esclarecer a motivação do crime e identificar os autores dos disparos. Fonte: https://g1.globo.com

Família fica à deriva e jovem nada por 2 horas em busca de ajuda, no Pará: "O medo era escurecer"

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Publicado em 09 dezembro 2025
  • Família fica à deriva e jovem nada por 2 horas em busca de ajuda
  • Kauã Brenno Ribeiro dos Santos,

Kauã Brenno Ribeiro dos Santos estava em um barco, curtindo o dia com a família, quando a embarcação afundou. Ele, então, decidiu nadar até que encontrou Emerson Goulart, que ajudou a fazer o resgate. "Na água, era um sentimento muito ruim. O tempo ia passando e o medo era escurecer", lembra ele, em entrevista à CRESCER. Conheça a história!

 

Por Amanda Moraes

O que era para ser um dia divertido para a família de Kauã Brenno Ribeiro dos Santos, 19, de Santarém, Pará, se tornou um momento de medo e angústia. Ele estava com os pais, a irmã de 6 anos, a namorada e os amigos curtindo o dia em uma lancha no Rio Arapiuns, no início de novembro, até que o barco começou a afundar. Em menos de um minuto, a família ficou à deriva.

Após algumas horas nadando, Brenno encontrou o piloto de helicóptero Emerson dos Santos Goulart, 45, de Osasco, que estava de férias pescando. Ele subiu no barco e o levou até a sua família. Felizmente, todos foram resgatados em segurança. "Tenho só a agradecer pelo livramento", diz o jovem, em entrevista exclusiva à CRESCER.

Brenno conta que tudo aconteceu muito rápido: o barco enfrentou problemas mecânicos, provavelmente por um erro durante a revisão, antes de embarcarem, conta. Quando perceberam que estava afundando, correram para pegar os coletes salva-vidas e pularam na água. Em cerca de 40 segundos, a lancha estava completamente submersa. "A gente ainda ficou 10 minutos conversando sobre o que fazer, naquela agonia. Aí, eu falei que eu conseguia nadar para pedir ajuda. O pessoal não queria, porque estávamos muito longe [da costa]", lembra Brenno.

Mas ele conseguiu convencer os familiares a deixá-lo ir. "Era a única solução para a gente sair de lá. Se não, passaríamos muito tempo lá, não passava nenhuma lancha. Eu levei um pente rosa cintilante. Caso visse alguma embarcação, poderia sinalizar já que, no meio do rio, tu não é nada. É muito difícil de ver", conta.

Brenno começou a nadar em direção ao que parecia uma ilha. "Eu lembro que tinha um boto que nadava comigo. Chegou um ponto em que eu não via mais minha família, então, eu ficava naquela dúvida: será que eles estão bem? Será que eu volto para ajudar? Eu ficava só orando, só queria chegar logo. O ruim não era nem nadar, era olhar para frente e parecer que estava no mesmo lugar", recorda.

 

'No meio do percurso, comecei a sentir cãibras nas pernas'

Brenno ficou cerca de duas horas nadando até que avistou terra fime. "No meio do percurso, comecei a sentir cãibras nas pernas", lembra. Ele viu o barco de Emerson, que estava pescando, começou a gritar, assobiar e acenar. O piloto lembra desse momento: "Foquei meu olhar para o rio e tive a felicidade de observar muito longe, mas muito longe mesmo, um pequeno ponto preto. Então, pedi para o condutor da lancha para irmos até lá dar uma olhada", conta.

"Na verdade, a gente foi meio que desacreditado, brincando que poderia ser um tronco, um jacaré, alguma coisa assim. Chegando perto, vimos que se tratava de uma pessoa. Deu para ver os braços mexendo, gesticulando", acrescenta. Foi, então, que ele encontrou Brenno. "Estava exausto, tendo fortes cãibras. Ao colocá-lo no barco, ele falou que tinha mais gente na água, estava toda sua família, inclusive crianças. Naquele momento, eu sabia que tínhamos que agir rápido", diz Emerson.

Ele acalmou Brenno e explicou que estavam em dois barcos e se dividiram para começar as buscas. "Sabíamos que não poderíamos demorar por conta do pôr do sol e do nosso combustível, que era limitado. Foi aquela aflição! Não sabíamos como encontrar as pessoas", diz. Felizmente, eles conseguiram localizá-los em pouco tempo. "Foram aproximadamente de 15 a 20 minutos de busca que, para mim, pareceram duas horas. Estavam todos de colete, reunidos. Isso ajudou muito. Essa atitude de não se separar foi fundamental para que a gente conseguisse tirar todos bem da água", afirma.

 

'Tenho só a agradecer pelo livramento'

"Quando encontrei Emerson, fiquei muito feliz porque eu ia atrás dos outros. E fiquei mais alegre ainda quando os encontramos. Deu aquele sentimento de alívio, que nada foi em vão. Na água, era um sentimento muito ruim: o tempo ia passando e o medo era escurecer. Mas quando a lancha apareceu, eu fiquei muito grato a Jesus. Foi um momento de felicidade. A palavra perfeita para isso é milagre", lembra o jovem.

Todos estavam muito cansados, mas ninguém se feriu. "A gente deve olhar para a vida, caiu a ficha de que a gente não é de ferro, não é de aço, a gente vai embora. Tenho só a agradecer pelo livramento", afirma Brenno.

Emerson também ficou muito feliz em ajudar. "Quando chegamos, foi uma euforia total, aquela sensação boa. A gente foi tomado por aquele sentimento de missão cumprida, de agradecer a Deus por tudo ter dado certo, por todos estarem são e salvos", destaca.

 

Viralizou

O vídeo do momento do resgate foi compartilhado por Emerson nas redes sociais e gerou uma enorme repercussão. Muitos internautas elogiaram a coragem de Brenno, que nadou por tanto tempo em busca de ajuda. "Eu gravei para não passar em branco. Postei na minha rede social, que era fechada, mas a minha filha acabou externando e tomou uma proporção enorme", afirma. "A sensação é de gratidão a Deus. Acho que ele que trabalhou naquele momento para que tudo ficasse bem", finaliza. Fonte: https://revistacrescer.globo.com

Epidemia secular: feminicídios explodem no Brasil, reflexo da estrutura violenta da sociedade

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Publicado em 07 dezembro 2025
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Diante dos brutais casos recentes no país, historiadora resgata histórias de mulheres que foram mortas por serem mulheres quando o crime ainda não havia sido tipificado; assassinos alegavam 'legítima defesa da honra' e 'loucura momentânea'

 

 Feminicídios, uma epidemia secular — Foto: André Mello/Editoria de Arte

 

Por Ruan de Sousa Gabriel

 — São Paulo

 

Nas últimas duas semanas, quase que diariamente, uma série de crimes bárbaros chocou o país: em todos, as vítimas eram mulheres — violentadas e mortas por serem mulheres. Em Florianópolis, uma jovem de 21 anos foi estuprada e estrangulada quando se dirigia para uma aula de natação. Em Jaborandi, na Bahia, outra, de 27 anos, foi arrancada do banho e assassinada a tiros pelo ex-namorado. Na Zona Norte do Rio, um servidor público matou a tiros uma professora e uma psicóloga no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã. Em São Paulo, uma mulher foi morta na pastelaria onde trabalhava pelo ex-marido, e uma jovem foi atropelada e, ainda presa no veículo, arrastada pela rua. Ela teve as pernas amputadas e foi internada em estado grave. O suspeito do crime, segundo a família da vítima, teve um breve relacionamento com ela.

Em 2024, o Brasil bateu recorde de feminicídios desde 2015, quando o crime foi tipificado por lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff: 1.492 casos. Só na capital paulista, de acordo com dados coletados pela Globonews, houve 53 feminicídios apenas este ano, o maior número da série histórica. Já no estado de São Paulo, os feminicídios aumentaram 10% desde janeiro, informou o Instituto Sou da Paz. E a ocorrência de assassinatos de mulheres em vias públicas quase dobrou do ano passado para cá: um salto de 33 para 48 ocorrências, no comparativo entre os dez primeiros meses de 2024 e 2025.

A violência contra a mulher também bate recorde na internet. No Rio, as denúncias de perseguição e assédio virtual cresceram mais de 5.000%, passando de 55 para 2.834 na última década, conforme atestou o recentemente divulgado Dossiê Mulher.

A explosão recente no número de crimes, portanto, não é um ponto fora da curva, mas evidência de que o país vive uma epidemia de violência contra a mulher, resultado de séculos de brutalidade social e cultura misógina.

— É inegável que as redes sociais radicalizaram o ódio às mulheres e o feminicídio no Brasil, transformando essas violências em conteúdos altamente rentáveis, inclusive. Mas, se a mudança de escala do alcance dessas notícias é novidade da contemporaneidade, o ódio e a violência contra as mulheres são constitutivos da história brasileira. Isso significa lembrar o que foi e ainda é apagado na nossa história: o desenvolvimento econômico, político e cultural do Brasil ocorreu a partir da desumanização e objetificação das mulheres por meio da exploração colonial, do trabalho escravo, do controle, da vigilância e de toda sorte de violências de seus corpos e mente — enumera a historiadora Patrícia Valim, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). — As mulheres que resistiram às violências e que moldaram a nossa sociedade foram agredidas, mutiladas e mortas.

 

Morta por ser mulher

Patrícia é autora dos textos que resgatam as histórias de mulheres que foram mortas por serem mulheres e ousarem tomar as rédeas das próprias vidas. Os conteúdos narram as violências a que elas foram submetidas, esmiúçam os argumentos mobilizados para defender os assassinos (como a “legítima defesa da honra” e a “loucura momentânea”) e questiona como a sociedade brasileira dos séculos XIX e XX elaborou as histórias dessas mulheres — algumas delas foram transformadas em santas milagrosas ou em assombrações que até hoje vagam sem destino.

Tudo parece tristemente atual. Os textos denunciam ainda a persistência de vícios jurídicos e sociais que, ainda hoje, condenam mulheres à morte. Na avaliação de Patrícia, recordar essas histórias significa humanizar essas mulheres e mostrar que sua existência não se resumiu a serem vítimas de feminicídio.

— Precisamos enfrentar esse “necrotério” de registros para resgatar vidas invisibilizadas de uma forma que desafie a reprodução do feminicídio e o apagamento dessas histórias. O Levante Mulheres Vivas ocupará as ruas dos país inteiro para lembrar essas mulheres e dar um basta a essas violências — diz a historiadora, referindo-se às manifestações que acontecem hoje por todo o Brasil em defesa da vida das mulheres.

 

'Legítima defesa da honra'

Salvador, 20 de abril de 1847. Caía a noite quando João Estanislau da Silva Lisboa, de 27 anos, invadiu a casa de Júlia Clara Fetal, sua ex-noiva. Ele deu um tiro na jugular da moça de 20 anos, tentou matar a mãe dela, a francesa Julie Fetal, e feriu gravemente a mão do desembargador Manoel Vieira Tosta, vizinho que jantava ali e conseguiu chamar a polícia para prender o assassino em flagrante.

O crime repercutiu em jornais do país inteiro. Políticos conservadores alinhavam-se ao clamor popular que exigia justiça e punição exemplar para o assassino. Em defesa do réu, políticos liberais propunham uma pena mais branda e, pela primeira vez, falaram em “legítima defesa da honra”: João Estanislau seria um homem honesto e trabalhador que, por uma “paixão senil”, perdeu momentaneamente a razão no ato do crime.

Criado no julgamento de João Estanislau, o dispositivo da privação da razão foi incluído no Código Republicano de 1890. “Não são criminosos os que se acharem em estado de completa privação dos sentidos e de inteligência no ato de cometer o crime”, afirma o artigo 27, § 4.º, que continuou autorizando a absolvição e a redução das penas mesmo depois de retirado do Código Penal de 1940. A tese da “legítima defesa da honra” teve vida longa nos julgamentos de feminicídios no Brasil.

 

Noivado a jato

Neto de um traficante de escravizados, João Estanislau nasceu em Calcutá, na Índia, e foi criado em Salvador pela mãe, a inglesa Mary Ann. O declínio financeiro não impediu que os dois frequentassem a elite soteropolitana. O rapaz, porém, tornou-se o primeiro da família a precisar trabalhar para viver. Ensinava geografia no Liceu Provincial e dava aulas de inglês. Foi como professor que chegou à casa de Júlia, que recebera a educação típica de uma moça branca e rica da época: tocava piano, costurava, desenhava, falava francês e parecia destinada a se casar com um rapaz do mesmo grupo social. João Estanislau se apaixonou e a pediu em noivado depois da primeira aula.

A notícia de um possível casamento entre a fortuna da noiva e o sobrenome tradicional do noivo atiçou Salvador. Mas Júlia não estava apaixonada. Ela era bonita e cheia de vida; ele era cabisbaixo, tinha mau gênio e colecionava brigas pela cidade. O rompimento definitivo veio quando a jovem conheceu Luiz Antônio Pereira Franco, estudante de Direito do Recife que passava férias na casa vizinha à da família Fetal. Os dois trocavam cartas com o consentimento da mãe dela. Demitido das aulas, recusando-se a aceitar o fim do noivado e se sentindo publicamente traído, João Estanislau jurou vingança. Num fim de tarde de abril, cumpriu a ameaça.

Com julgamento marcado, João Estanislau alegou problemas de saúde e se internou na Santa Casa de Misericórdia para afastar o boato de que planejava fugir. Em 29 de setembro de 1847, dois terços do júri livraram o réu da pena de morte e o condenaram a 12 anos de prisão. A defesa conseguiu que o tribunal reconhecesse o direito de um homem de vingar sua honra. A inovação do julgamento foi interpretar a honra como propriedade inviolável e introduzir o conceito de “loucura momentânea”, capaz de despersonalizar um homem de “bom passado”, cujo crime teria resultado de um ato ocasional de desespero e ciúmes.

João Estanislau continuou ensinando inglês aos filhos da elite baiana, que os levavam ao presídio para as aulas. Ao sair da cadeia, ele assumiu a direção da instituição de ensino mais prestigiada da Bahia, o Colégio São José. Em 1876, publicou o livro “Atlas Elementar”, adotado pelas escolas provinciais e até hoje considerado obra de referência. Hoje, dá nome a uma rua da Baixa dos Sapateiros, em Salvador.

Os restos mortais de Júlia Clara Fetal repousam na Igreja da Graça, na capital baiana. Sua história tem sido contada em verso e prosa e, não poucas vezes, seu desejo de ser livre e se casar com o homem que amava foi usado para justificar seu assassinato. Em “ABC de Castro Alves”, Jorge Amado a descreve como “traiçoeira como a correnteza, gostava de ver pousados no seu rosto os olhos dos homens e de ver presos ao seu sorriso os corações de todos que encontrava”.

Em 2023, 176 anos após o assassinato de Júlia, a tese da “legítima defesa da honra” foi considerada inconstitucional por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, ainda precisa ser erradicada da sociedade brasileira. Fonte: https://oglobo.globo.com

Causa mortis: mulher

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Publicado em 07 dezembro 2025
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Dominação funciona melhor quando não chamamos dominação de dominação

Até hoje a mulher é tratada como território a ser controlado, dominado, delimitado

 

Becky S. Korich

Advogada, escritora e dramaturga, é autora de 'Caos e Amor'

 

As pessoas morrem de doenças, acidentes, desgosto, tiros e de causas naturais. Além das causas que atingem todos, as mulheres morrem também por outra "causa natural": ser mulher. Não é um "mal genético", é um mal da engenharia social.

O que está explodindo nas notícias não são eventos pontuais, não são picos de um gráfico, é uma constante. O roteiro se repete diariamente. Ameaça, grito, humilhação, estupro, espancamento, esfolamento, enforcamento e, muitas vezes, o fim.

O que assusta é que os assassinos não são monstros, são "pessoas comuns". Trabalham, têm família, circulam na rua, sentam ao nosso lado no trabalho e, com frequência assustadora, moram dentro de casa.

O feminicídio é último degrau de uma escada de violências contra a mulher. Quase nunca começa no soco, no tiro, na faca, no fogo. Começa no tom. No "cala a boca", no "você tá exagerando", no "ninguém diz não para mim", no "ela me provocou". Quando essa engrenagem de poder e controle se repete dentro de casa, o filho aprende, o vizinho aprende, o bairro aprende, a cidade aprende, a sociedade aprende, até a mulher aprende.

A brutalidade é tamanha que, às vezes, o homem só não mata porque a mulher não morreu. A violência parece ter ficado mais violenta. Ou talvez já fosse assim, a diferença é que agora há câmeras, há vídeo, há redes, há vozes femininas. Ficamos indignadas com as cenas e seguimos com medo dos próximos capítulos dessa série de horror sem fim. O horror não está só no ato, está também na normalidade.

O sociólogo francês Pierre Bourdieu ajuda a entender a dinâmica através do que ele chama de violência simbólica. Ela não precisa quebrar ossos para quebrar pessoas, porque opera por linguagem, por gestos, por aquilo que vai sendo aceito como "as coisas são assim" e, assim, prepara o terreno para a agressão concreta.

A violência simbólica é esperta: suave, paciente, sutil e, por isso, especialmente eficaz. Ela entra pelas frestas, contamina o ambiente e vira o que os filósofos chamam de "doxa", uma crença sedimentada que ninguém mais questiona. A partir daí, a subordinação passa a se reproduzir sozinha, e o intolerável vira rotina e socialmente aceito.

Até hoje a mulher é tratada como território –a ser controlado, dominado, delimitado. Bourdieu diria: a dominação funciona melhor quando a gente não chama dominação de dominação. Quando chama de "dinâmica do casal". Quando chama de "gênio forte". Quando chama de "ciúme". Quando chama de "crime passional".

Não se trata, portanto, apenas de violência física, trata-se da materialização de um discurso ancestral. Há mais de vinte séculos, Aristóteles já definia a mulher como um "homem incompleto", e a história cuida de adequar essa ideia ao seu tempo.

Cada feminicídio é um lembrete brutal de que falhamos, resultado de uma cadeia de omissões sociais e falhas institucionais. Só leis, por mais rigorosas que sejam, não são suficientes.

A violência simbólica se instala como ar. E quando vira ar, todo mundo respira sem notar. Até que falte ar. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O poder paralelo dos bandidos

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Publicado em 07 dezembro 2025
  • Comando Vermelho
  • O poder dos bandidos
  • Operação Unha e Carne,
  • Delegacia de Combate às Drogas
  • Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
  • Bacellar na Alerj,
  • Rodrigo Bacellar
  • facção criminosa Comando Vermelho

Prisão de políticos acusados de conluio com facções expõe sociedade acuada pelo crime

 

A prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), por suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), é mais uma peça na apuração sobre a eventual infiltração do crime organizado não apenas na economia formal, mas também no poder público. Bacellar é acusado de ter vazado informações sigilosas da investigação policial que há cerca de três meses resultou na prisão do então deputado pelo MDB Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, sob a mesma acusação de envolvimento com o CV.

No fim de semana anterior à prisão, Bacellar ocupava interinamente a cadeira de governador do Estado, substituindo Cláudio Castro (PL), que viajara ao Peru para acompanhar a final da Copa Libertadores. A sucessão direta de Castro por Bacellar, antigos aliados, faz parte de um arranjo político que culminou com a renúncia, em maio, do vice-governador Thiago Pampolha, indicado para o Tribunal de Contas do Estado. Bacellar, que até pouco tempo preparava candidatura a governador em 2026, precisava ganhar visibilidade.

Pelo menos nisso não se pode dizer que tenha fracassado. O deputado nunca esteve tão em evidência quanto nos últimos dias, preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A presumível associação de facções criminosas em atividades econômicas formais e na política institucionalmente constituída também vem ganhando destaque nacional. Em agosto, a Operação Carbono Oculto revelou ligações da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) com fintechs e empresas do setor de combustíveis.

O sequestro da atividade formal pelo crime organizado desafia o Estado Democrático de Direito. Em setembro, quando TH Joias foi preso, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) anunciou uma série de medidas que visavam a reduzir a interferência de traficantes e milicianos nas eleições de 2026. A principal delas é a mudança de endereço de dezenas de seções eleitorais no Estado. Na época, o vice-presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, destacou que eleitores de áreas sob o domínio do crime votam com medo. Ou seja, o eleitor, que parece ter se livrado do voto de cabresto do antigo coronelato político, agora se vê acuado pelo crime.

O ex-deputado TH Joias, aliado de Bacellar na Alerj, é um suspeito reincidente. Em 2017, foi preso pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), acusado de ser articulador do tráfico de drogas e armas do Rio. De acordo com a acusação, lavava dinheiro para as três facções rivais do Rio. Apesar do histórico, concorreu nas eleições de 2022 e conseguiu uma suplência, assumindo o cargo dois anos depois, com a morte do deputado titular. Depois da nova prisão, foi imediatamente expulso do partido.

O controle dos partidos políticos deveria ser rigoroso já no processo de filiação, funcionar como um filtro dos candidatos a cargos eletivos e aumentar ainda mais ao longo dos mandatos. Se o crime está, de fato, conseguindo se embrenhar com tanta facilidade no Estado, é porque, entre outras razões, os partidos têm permitido que criminosos se filiem e usem a política como blindagem e meio de ampliar poder e riqueza. Fonte: https://www.estadao.com.br

Por que é preciso abraçar novas tecnologias ao envelhecer

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Publicado em 25 novembro 2025
  • envelhecer
  • benefícios cognitivos a adultos mais velhos
  • benefícios cognitivos ao interarir com novas tecnologias
  • Tecnologia digital e o cérebro
  • Comportamentos compensatórios

O engajamento com tecnologia, longe de contribuir para a “degeneração cerebral”, pode oferecer benefícios cognitivos a adultos mais velhos

 

Adultos mais velhos podem ter benefícios cognitivos ao interarir com novas tecnologias Foto: Picassology/Adobe Stock

 

Por Richard Sima (The Washington Post)

Você pode achar que passar tempo no smartphone ou no computador faz mal para o cérebro. De fato, “brain rot” — o termo usado como gíria para indicar um declínio mental causado pelo consumo irrefletido de redes sociais ou de lixo digital — foi eleito a “Palavra do Ano” de 2024 pelo Oxford Dictionary.

Mas novas pesquisas sugerem que adultos mais velhos que passam tempo interagindo com tecnologia podem ter um benefício cognitivo.

“Vimos que adultos mais velhos que usam tecnologias de modo geral parecem ter menos diagnósticos de demência, comprometimento cognitivo leve e melhores resultados em medidas cognitivas”, informa Jared Benge, professor associado da Dell Medical School da Universidade do Texas em Austin e autor do artigo — uma meta-análise de 57 estudos — publicado na revista Nature Human Behaviour.

Nos estudos, maior uso de tecnologias digitais do dia a dia, como computadores, smartphones e internet, foi associado a uma redução de 58% no risco de comprometimento cognitivo em pessoas acima de 50 anos.

 

Tecnologia digital e o cérebro

A relação entre cognição e uso de tecnologia provavelmente é bidirecional, afirmaram os pesquisadores: pessoas com cognição saudável tendem a usar mais tecnologia, e pessoas que usam mais tecnologia podem ter melhor cognição no futuro.

Tecnologia é cara, e seu uso pode refletir status socioeconômico, escolaridade ou riqueza — fatores associados a menor risco de demência.

Mas mesmo quando os pesquisadores analisaram estudos que controlavam essas variáveis, incluindo questões de saúde, a associação positiva entre uso de tecnologia e cognição permaneceu.

“O surpreendente é o quanto nossos resultados foram consistentes”, afirma Michael Scullin, professor de psicologia e neurociência na Universidade Baylor e autor da análise. Nenhum estudo encontrou efeitos prejudiciais da tecnologia para a cognição.

Como os estudos eram observacionais, não é possível provar causalidade. Mas estudos longitudinais que acompanharam participantes por cerca de seis anos mostraram que maior uso de tecnologia está associado a melhor saúde cognitiva no futuro.

Embora esses estudos indiquem uma ligação positiva consistente entre uso de tecnologia e saúde cognitiva em adultos mais velhos, isso também traz certos riscos — exposição a golpes financeiros, desinformação e a tentação de mexer no celular ao dirigir, afirmaram os pesquisadores. “Não existe uma resposta simples sobre se esses dispositivos são sempre bons ou sempre ruins”, resume Scullin.

O uso excessivo de tecnologia também pode ter outros custos: esse tempo poderia ser usado para atividades como exercícios ou interações sociais presenciais.

Um estudo de 2023 com mais de 18 mil adultos mais velhos descobriu que, embora usuários regulares da internet tivessem aproximadamente metade do risco de demência em comparação com quem não usa, aqueles com uso muito intenso talvez apresentassem risco maior.

“Demais de qualquer coisa não é bom”, avisa Virginia Chang, professora associada da Escola de Saúde Pública Global da Universidade de Nova York e autora do estudo de 2023.

 

Os três C’s do uso da tecnologia

Há três maneiras pelas quais a tecnologia pode impulsionar a saúde cognitiva. Benge pensa nelas como os “3 C’s”: complexidade, conexão e comportamentos compensatórios.

 

Complexidade

Estudos mostram de forma consistente que desafiar o cérebro com tarefas mentalmente complexas faz bem: palavras cruzadas, hobbies, música, leitura, mais anos de educação formal.

Hoje, temos a amplitude e a profundidade do conhecimento e da cultura humanas ao alcance dos dedos. “Se você tem interesse em aprender algo novo — seja uma nova técnica de marcenaria ou uma ideia acadêmica — você encontra praticamente tudo”, comenta Benge.

Como interagimos com a tecnologia parece importar, segundo um estudo de 2022 com mais de 145 mil pessoas acima de 60 anos. Quem passava mais tempo usando o computador tinha risco 15% menor de demência. Mas quem assistia mais TV — uma atividade de tela geralmente mais passiva — tinha risco 24% maior. Esses padrões se mantiveram independentemente do nível de atividade física.

Ironia: lidar com as frustrações da tecnologia — atualizar softwares, diagnosticar problemas de hardware, instabilidade da internet — também são desafios cognitivos. Embora não sejam “divertidos, são atividades estimulantes para o cérebro”, diz Scullin.

 

Conexão

Tecnologias digitais também podem nos conectar uns aos outros. Conexão social protege contra demência; isolamento e solidão aumentam o risco.

Ligações de longa distância deixaram de ser um luxo caro. E hoje é possível se conectar imediatamente com amigos e familiares por mensagem, e-mail ou chamada de vídeo — um recurso especialmente valioso para adultos mais velhos. Um estudo de 2022 mostrou que o uso da internet traz ainda mais benefícios cognitivos para pessoas idosas que vivem sozinhas.

Curiosamente, estudos sobre redes sociais mostraram resultados mais mistos, em parte porque há menos pesquisas nessa área, observam os pesquisadores.

O uso de computadores, smartphones e internet apresentou associações positivas muito mais consistentes — o que levanta a pergunta sobre se o modo como usamos redes sociais realmente estimula cognitivamente ou promove conexão social, embora sejam necessários mais dados de longo prazo, destaca Scullin.

 

Comportamentos compensatórios

Ao envelhecer, podemos enfrentar dificuldades em habilidades cognitivas como memória, tomada de decisão e navegação.

Tecnologias digitais podem ajudar compensando essas limitações, oferecendo uma “estrutura de apoio” para tarefas diárias. Por exemplo, podemos usar dispositivos digitais para definir lembretes de consultas médicas. E, para navegação, “GPS é realmente revolucionário”, afirma Scullin.

Ter ajuda tecnológica pode prolongar a vida independente mesmo quando a capacidade cognitiva está prejudicada, pontua ele.

 

As incógnitas digitais

Embora haja evidências consistentes de que usar tecnologia digital está associado a benefícios cognitivos para os pioneiros digitais — a primeira geração exposta a computadores, smartphones e internet já na vida adulta — ainda é cedo para saber como crescer ou nascer em um mundo de telas molda o desenvolvimento cerebral e a saúde cognitiva de gerações mais jovens.

“A quantidade de exposição, o tipo de exposição, o momento dessa exposição” provavelmente fará diferença, explica Virginia. Mas “se há algo em que o cérebro é bom, é em se adaptar ao ambiente”, nota Benge. “Tenho pouquíssima dúvida de que veremos mudanças em como o cérebro opera, mas isso faz parte de ser humano.”

 

Boas práticas para usar tecnologias digitais

Aprenda a usar tecnologia do jeito certo

 

Para adultos mais velhos que evitam tecnologias digitais por acharem intimidadoras, há maneiras mais simples de entrar nesse universo.

Mesmo pessoas com comprometimento cognitivo leve conseguem aprender a usar esses dispositivos com instrutores pacientes, o que melhora a vida dos idosos e de seus cuidadores, observaram Scullin e Benge em suas pesquisas.

Muitas vezes, parentes bem-intencionados não são os melhores professores porque a relação pode vir carregada de histórico, dinâmicas familiares e frustrações, informa Scullin. É melhor ter “alguém neutro, treinado para ser realmente paciente com pessoas nessa fase da vida, que não pressuponha conhecimento prévio e que não tenha nenhum histórico com essa pessoa”, afirma.

Em grandes cidades, há organizações com profissionais capacitados para ensinar a usar essas tecnologias a partir do básico, diz ele.

 

Monitore seu próprio uso

Revise seu tempo de tela a cada poucos meses, aconselha Scullin. Muitos celulares mostram essas métricas, e há aplicativos que monitoram o uso no computador.

Esses dados ajudam a avaliar se você está empregando seu tempo da forma que deseja e podem servir como um sinal para redirecionar alguns minutos para outra atividade — como ir mais cedo à academia ou sair ao ar livre, exemplifica ele.

Com as telas, “provavelmente existe um pouco mais de tempo desperdiçado do que gostaríamos”, afirma.

 

Reflita sobre o que você está ganhando com isso

“Essas são ferramentas. Não são uma realidade pré-definida”, define Benge. “Use as ferramentas que são boas para você e evite as que não trazem benefício.”

Você pode tentar um experimento pessoal semelhante ao de testar alergias alimentares: elimine algo por uma ou duas semanas e observe como se sente, orienta Benge. “Se você se autoavaliar de forma sistemática, pode identificar padrões interessantes — tanto no uso quanto nas coisas que funcionam bem para você.”

“Se ajuda você a realizar tarefas, a navegar pela vida, se traz conexão social, se estimula cognitivamente, se você gosta de ler jornal online ou jogar online, acho que tudo isso é positivo”, defende Virginia. “E eu diria apenas: tudo com moderação.” Fonte: https://www.estadao.com.br

Operação no Rio: um fracasso exemplar

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Publicado em 21 novembro 2025
  • Supremo Tribunal Federal,
  • ministro Alexandre de Moraes,
  • Complexo do Alemão,
  • Ministério Público,
  • STF
  • governador Cláudio Castro
  • A Operação Contenção,
  • 121 mortos,

Festejada como exemplo de linha dura, a ação policial mais letal da história, segundo relatório do próprio Estado, falhou em quase tudo e, para piorar, há poucas imagens de câmeras da PM

 

A Operação Contenção, realizada no fim do mês passado nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio, tornou-se um marco para o debate nacional sobre o modelo de segurança pública que o Brasil precisa adotar para enfrentar as organizações criminosas. Se ganhou essa importância, o ideal seria que a mais letal intervenção policial já registrada no País fosse devidamente escrutinada pela sociedade e pelas instituições de controle, como sói acontecer em qualquer democracia constitucional madura.

Mas, não obstante a gravidade da operação – que culminou em 121 mortos, entre eles quatro policiais –, o governador Cláudio Castro (PL) falhou miseravelmente em assegurar as condições mínimas para que as ações dos policiais civis e militares sob seu comando pudessem ser devidamente apuradas, sobretudo pelo Ministério Público, instituição incumbida pela Constituição de exercer o controle externo da atividade policial.

O Relatório Técnico-Probatório enviado pelo governo fluminense ao Supremo Tribunal Federal (STF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, expõe falhas absolutamente inaceitáveis à luz da dimensão daquela operação. Embora Castro classifique a Operação Contenção como um “divisor de águas” no combate às facções criminosas em seu Estado, o próprio relatório entregue por ele ao STF desmonta o discurso oficial. A Secretaria de Segurança Pública do Rio atualizou os números de prisões e apreensões, demonstrando que muitos dos mandados judiciais que originalmente embasaram a operação deixaram de ser cumpridos. Para piorar, a pasta foi incapaz de fornecer o elemento mais básico de qualquer operação policial moderna: o registro audiovisual por meio de câmeras corporais instaladas no fardamento dos agentes.

Dos cerca de 2.500 policiais mobilizados, só uma pequena parte portava câmeras. E, desse contingente já pífio, somente metade dos equipamentos registraram imagens. O restante, segundo o governo fluminense, apresentou falhas técnicas ou teve as baterias descarregadas. É uma explicação que zomba da inteligência alheia. Não há como justificar que um dos maiores Estados do País conduza uma operação policial daquele porte providenciando um número tão minguado de câmeras e, ademais, em prever baterias extras a fim de garantir o pleno funcionamento dos aparelhos. Não se pode condenar quem veja esse erro crasso de planejamento como uma ação deliberada para inviabilizar a reconstrução dos fatos e a identificação de eventuais ilegalidades cometidas pelas forças policiais.

Quando não se sabe exatamente o que aconteceu durante os confrontos, abre-se espaço para a desconfiança na polícia – e isso é péssimo para o Estado de Direito. A ausência das imagens torna-se ainda mais grave diante dos relatos de que corpos teriam sido removidos e manipulados antes da realização de perícia. Em qualquer parte do mundo civilizado, esse tipo de comprometimento da chamada cadeia de custódia seria suficiente para anular a credibilidade de toda a operação. No Brasil, onde o uso de câmeras corporais já foi reconhecido pelo próprio STF como mecanismo indispensável à atividade policial, até para resguardo dos próprios agentes, isso soa como afronta ao Estado de Direito.

A discussão sobre segurança pública, contudo, não se encerra nos eventuais erros da Operação Contenção. A escalada de poder de facções como PCC e Comando Vermelho, que se tornaram, na prática, organizações de caráter mafioso, exige uma abordagem nacional capaz de coordenar políticas públicas, fortalecer investigações e impor limites claros ao uso da força letal.

Se a Operação Contenção se converteu no ponto de partida para essa inflexão tão necessária, torna-se ainda mais imperativo que ela seja analisada com absoluta transparência e rigor. Não há dúvida de que o combate às facções criminosas frequentemente exige confronto. Mas o que diferencia policiais e bandidos é o compromisso inegociável com a legalidade. A sociedade brasileira, exausta tanto da violência cotidiana quanto da omissão histórica do poder público, não clama por vingança, mas por ordem, húmus da paz social. E ordem só se constrói com operações policiais circunscritas aos limites da Constituição. Fonte: https://www.estadao.com.br

Tiroteio interdita avenida Brasil, no Rio, e motoristas e passageiros se escondem atrás dos carros

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Publicado em 16 novembro 2025
  • Avenida Brasil,
  • Terceiro Comando Puro
  • Tiroteio interdita avenida Brasil,
  • TCP
  • principal via expressa do Rio de Janeiro,
  • tiroteio

Ataque aconteceu na manhã deste domingo (16) entre Irajá e Acari, na zona norte

PMs e agentes da Força Nacional trocaram tiros com suspeitos

 

 

Rio de Janeiro

Um tiroteio interditou a avenida Brasil, principal via expressa do Rio de Janeiro, nos dois sentidos na manhã deste domingo (16). A ocorrência aconteceu entre Irajá e Acari, zona norte da cidade.

Policiais militares e agentes da Força Nacional trocaram tiros com suspeitos na via.

Segundo a Polícia Militar, agentes foram acionados para um tentativa de assalto na altura de Acari, dominada pelo TCP (Terceiro Comando Puro).

No local, policiais afirmaram que se depararam com duas pessoas a bordo de uma motocicleta que tentavam interromper o fluxo da avenida Brasil, numa tentativa de arrastão.

Houve troca de tiros e a via ficou fechada. Além da PM, agentes da Força Nacional fizeram buscas entre Acari e Irajá, mas não encontraram os suspeitos. A corporação afirmou que não houve feridos.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram que alguns motoristas tentaram fugir dos tiros pela contramão. Outros motoristas e passageiros que trafegavam pela via deixaram os veículos na pista e se deitaram no chão, tentando se proteger entre os carros e a mureta da avenida.

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio, que monitora o tráfego na cidade, informou às 11h que a avenida Brasil tinha interdições intermitentes no trecho entre Coelho Neto e Irajá. A via foi liberada ao meio-dia.

Em outo ponto da avenida Brasil, na altura de Campo Grande, policiais militares fazem patrulhamento na comunidade da Carobinha. A localidade, que fica às margens da via, é alvo de disputas entre Comando Vermelho e milicianos desde a última semana. Fonte: www1.folha.uol.com.br

O luto na viuvez

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Publicado em 14 novembro 2025
  • Amor da Solidão
  • viúva
  • Ninguém Morre Sozinho
  • O Ano do Pensamento Mágico

Em 'Ninguém Morre Sozinho', Renata Piza não poupa ninguém, nem a si mesma

Livro nos leva a percorrer com a viúva caminhos de dor e culpa, mas também uma grande história de amor

 

 

Livro "Ninguém morre sozinho", de Renata Piza - Arquivo

 

Tatiana Eskenazi

"A vida muda em um instante. Um instante comum." Assim, Joan Didion inicia "O Ano do Pensamento Mágico", relato sobre os meses que se seguiram à morte súbita do marido, John Gregory Dunne, em 30 de dezembro de 2003.

"No dia em que eu morri, lavei roupa no tanque." É com essa frase desconcertante que Renata Piza abre "Ninguém Morre Sozinho" (Editora Gema), em que narra os anos posteriores à morte do marido, o jornalista Daniel Piza. Assim como Dunne, ele também morreu em um 30 de dezembro, oito anos depois.

A coincidência de datas, mais do que uma curiosidade biográfica, revela o ponto de partida comum das duas obras: a impossibilidade de compreender o que acontece quando a morte irrompe na vida em meio aos gestos banais do dia a dia e, com um desastre súbito, desorganiza tudo o que parecia organizado.

Renata ficou viúva muito mais jovem que Didion e talvez dispusesse, à época, de menos ferramentas para enfrentar a viuvez precoce. Ela escreve a partir de uma juventude ferida e de sonhos interrompidos. Didion, por sua vez, perdeu o companheiro de uma vida inteira enquanto vivia o desespero de ver a filha única internada, lutando contra uma infecção generalizada que, dois anos depois, a levaria também.

Apesar das diferenças, é interessante notar os sentimentos comuns a essas duas mulheres — e, provavelmente, a tantas que vivem a viuvez repentina. Não à toa, Renata cita a célebre reflexão de Didion sobre "a questão da autopiedade". Ambas se debatem com o mesmo dilema: como seguir em frente sem transformar a dor em identidade, reconhecendo, ao mesmo tempo, que sucumbir a tudo isso também faz parte do próprio processo de luto.

Historicamente, a viuvez sempre foi mais dura para as mulheres. As cobranças, o machismo, a invisibilidade, a solidão — tudo isso compõe o abismo diante do qual uma mulher pode se ver ao enfrentar a perda, especialmente com filhos pequenos: "...estava sozinha, com duas crianças pra criar. As pessoas se dissiparam, seguiram suas vidas."

Em "Ninguém Morre Sozinho", Renata expõe esse abismo sem filtros. É admirável e comovente o modo como ela lança luz sobre tudo o que há de feio, contraditório e humano num processo de luto.

A Renata do Daniel morre com ele, mas segue vagando, num limbo de dor, dívidas e depressão. "Comecei a me sentir um estorvo, a viúva que ninguém queria encarar. Com medo de que ela pedisse alguma coisa." Percorremos com ela um caminho de raiva, culpa, vergonha e solidão. Uma sequência de vórtices, como bem descreve também Didion, que a tragavam sucessivamente ao centro da perda.

Mas percorremos também, através de seus relatos e das cartas de Daniel, uma grande história de amor. Um amor cuja memória a conduz pela mão, até que a Renata do Daniel também seja enterrada, para que outra possa nascer. "Eu tive o maior amor do mundo durante dez anos da vida, e ele será imortal enquanto eu estiver viva. O luto, entendi, agora também faz parte de mim."

O ano de 2012 de Renata "começou com um enterro errado, na hora errada, no dia errado". O ano do pensamento mágico de Didion começou também com essa sensação de engano de que, a qualquer momento, Dunne voltaria. É a isso que a escritora chama de pensamento mágico: aquele ao qual nos agarramos, que nos mantém de pé, por mais irreal que seja.

Na lógica irracional e profundamente humana do luto, da tentativa de negociar com o impossível, por vezes, acabamos não reconhecendo a nós mesmos. O luto não obedece à razão.

Renata Piza escreve um livro corajoso, sincero, que não romantiza nem suaviza o luto e o que dele emerge. Ao final, diz: "Minha maior sorte, talvez a única, não é amar ou ter sido tão amada…É levantar, mesmo trêmula, mesmo cega, mesmo fazendo uma quantidade vexatória de burradas e recomeçar."

Talvez o luto seja sobre isso —aprender, no limite da perda, a seguir em frente apesar de tudo, até mesmo de si. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O ‘Agente Secreto’ secreta a gente

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Publicado em 13 novembro 2025
  • O Agente Secreto
  • novo filme de Kleber Mendonça Filho,
  • Filmes Brasileiros,

Vá ao cinema. Você vai ver um Pernambuco como não imaginava ser possível, durante um horror difícil de conceber, numa obra sem paralelos

 

Por Eugênio Bucci

A viatura da polícia sai da estrada perrengue e passa a rodar no chão sem calçamento, para contornar o posto de gasolina que é uma biboca, um desterro. Estamos no meio do nada, sob o sol esturricante. Na bomba de gasolina, um Fusca amarelo acaba de ser abastecido. O motorista, camisa branca de manga curta, bem abotoada, tinha ordenado ao frentista barrigudo e suarento: “Pode completar”. Metros adiante, sobre a areia empedrada, um cadáver de pernas abertas, coberto por um papelão, atrai moscas sem rumo e cães sem dono. Fora isso, fede, empesteia o agreste. O ano é 1977. O lugar é Pernambuco.

A radiopatrulha estaciona. Descem dois agentes da lei. Óculos escuros. Nenhum deles dá a mínima para o defunto. O objetivo é outro. O sargento vai até o Fusca, pede a habilitação do moço e começa a implicar. Pergunta do extintor. Avisa que terá de entrar no carro para inspecionar alguma coisa lá dentro. Vai achacar. O tempo se arrasta, morno e seco. A fedentina avança. Quando o sargento fica de costas para a câmera, podemos observar que o cinto de couro escuro foi afivelado às pressas, estirado por cima de um ou dois dos passadores da calça cáqui.

Assim começa O Agente Secreto, o novo filme de Kleber Mendonça Filho, que estreou faz uma semana. Como o cinturão do sargento, o roteiro nem sempre se acomoda bonitinho sob todos os passadores: não cumpre o itinerário protocolar e não obedece às fórmulas narrativas do cinemão comercial. Aqui e ali, passa por fora, deriva, desvia, suprime escalas. Nem tudo é explicado didaticamente, mas tudo flui magistralmente. Você não vai desgrudar o olho da tela. Sua respiração vai ficar presa numa passagem. Seu espírito vai se enternecer na outra. Vá ao cinema. Você será recompensado com uma das maiores proezas do cinema brasileiro, ganhadora dos prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes de 2025.

Os passadores da calça que são deixados por debaixo do cinto, tanto no figurino quanto na trama, não atrapalham, até ajudam. Mais ainda: são necessários. As explicações que ficam para depois acentuam o fio do sentido. A aventura (ou a desventura) é tão bem montada que chega a hipnotizar.

O filme narra a luta de um sujeito (ele mesmo, o motorista do Fusca amarelo) para escapar de uma sentença de morte e fugir do Brasil com o seu filho ainda criança. A mãe do menino está morta. Como foi exatamente que ela morreu, disso a plateia não fica sabendo. Não importa. O protagonista será apoiado por uma senhora rica que pretende salvar-lhe a pele. De onde surgiu a benfeitora? Também não importa.

A vida era irrazoável naqueles tempos de arbítrio. Era uma vida de sombras e omissões. O que menos importava era a congruência. Os esquadrões da morte se misturavam com os destacamentos policiais. Uns e outros faziam “passeios” noturnos em camburões opacos para espancar ou apagar prisioneiros indefesos. O crime e as forças de segurança pública se mesclavam, enquanto a repressão política apadrinhava a corrupção empresarial. Economia estatizada, Estado privatizado. O meganha aparecia na sua frente e tudo o que você queria era chamar um ladrão, mas o ladrão era parte do regime. Os fatos não tinham explicações públicas nem justificativas compreensíveis.

Um acontecimento fatal podia muito bem brotar de uma parede e sumir pela outra, numa noite sem brisa e sem salvação. Era um mundo assombrado, fantasmagórico e endemoniado como um inferno – ou como uma câmara de tortura.

Não surpreende, portanto, que o filme de Kleber Mendonça Filho alcance seu apuro plástico justamente ao jogar com vazios, com elipses tão gritantes quanto as imagens esmeradas e chocantes. Alegorias fantásticas evoluem uma ambiência de realismo mágico. Tiradas surrealistas – como as notícias jornalísticas da “perna cabeluda” açoitando os homossexuais que se beijam na praça durante a madrugada – dialogam com cenas de uma carga erótica espantosa.

Como bem anotou José Geraldo Couto no portal do IMS, O Agente Secreto tem um andamento de thriller político com elementos de gêneros díspares que vão “da comédia de erros ao terror gore (sangue e vísceras), passando pela crônica social e pelo drama familiar”. Tudo isso sem saltos de estilo, sem ranhuras, sem emendas perceptíveis. O efeito final é de uma integridade artística de rara coesão.

Entre outros acertos, o longa-metragem de quase três horas de duração tem a virtude estética e ética de não ter feito concessões de formato. Os tipos humanos são únicos: não se parecem com nada além de si mesmos e não reproduzem padrões industriais de beleza. O que se vê na tela não presta reverência a nenhuma gramática, a não ser aquela que já estava nos filmes anteriores do diretor (muito bons). O modo de encadear o enredo (a voz fílmica que conta a história) tem uma personalidade que não hesita um segundo.

Repito: vá ao cinema. Você vai ver um Pernambuco como não imaginava ser possível, durante um horror difícil de conceber, numa obra sem paralelos, que desconcerta, desnorteia, encanta e sintetiza o que fomos e ainda somos. Fonte: https://www.estadao.com.br

O perigo do jornalismo militante

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Publicado em 12 novembro 2025
  • BBC,
  • jornalistas
  • jornalismo militante
  • The Telegraph,
  • British Broadcasting Corporation
  • O escândalo que derrubou o diretor-geral da BBC
  • Manipulação de informações

Manipulação de informações pela BBC expôs um vício sistêmico: os jornalistas que se creem iluminados já não informam, pregam. E, ao fazê-lo, traem o público e degradam a democracia

 

O escândalo que derrubou o diretor-geral da BBC (British Broadcasting Corporation), Tim Davie, foi mais que um tropeço editorial. A emissora manipulou falas do presidente americano, Donald Trump, num documentário para fazê-las parecer um apelo direto à violência. O episódio somou-se à revelação de que um programa sobre a guerra em Gaza fora narrado, sem aviso ao público, pelo filho de um ministro do Hamas. A BBC, criada há mais de um século para ser sinônimo de imparcialidade, violou a sua razão de ser: a credibilidade. O erro, grave em qualquer redação, é duas vezes pior em uma custeada pelos cidadãos. Quando uma emissora pública mente, o cidadão paga em dobro – com a confiança e com o bolso. E quando a mentira vem de quem se proclama modelo de excelência, ela contamina todo o ecossistema informativo.

O memorando interno do ex-conselheiro editorial da BBC Michael Prescott, divulgado pelo jornal inglês The Telegraph, expôs a anatomia do vício: uma cultura de resistência à crítica, de autocensura e vetos condicionados a tabus progressistas sobre gênero ou raça. A redação tomou o partido da virtude e esqueceu o dever da verdade. A neutralidade é vista como omissão, e a objetividade, como conformismo. A reportagem virou proselitismo. A pauta ambiental virou cruzada, a economia é narrada como denúncia e o noticiário internacional opera sob a convicção de que o Ocidente é sempre o culpado. Da cobertura de Gaza ao aquecimento global, a BBC já não descreve o mundo – evangeliza o público.

Seria reconfortante tratar o episódio como desvio isolado. Mas ele só expõe, em escala nacional, um tumor que vem degenerando o jornalismo no Ocidente. Redações se notabilizam cada vez mais como trincheiras morais onde alguns repórteres atuam como militantes e editores, como curadores da pureza ideológica. O resultado é um jornalismo menos interessado em compreender o mundo e mais empenhado em doutriná-lo. Em amplas camadas, o jornalismo deixou de ser uma busca compartilhada da verdade para se tornar uma catequese da tribo ilustrada.

Há veículos grosseiramente enviesados à direita. Mas a assimetria é gritante. A hegemonia progressista nas redações se disfarça de consciência coletiva. Segundo pesquisa do Reuters Institute, no Reino Unido 77% dos jornalistas se identificam como de esquerda e apenas 11% de direita. No Brasil, segundo pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, a desproporção é ainda maior: 80,7% à esquerda, ante 4% à direita. Um levantamento da The Economist revelou que 17 dos 20 principais veículos dos EUA mimetizam predominantemente o vocabulário do Partido Democrata. A nova ortodoxia editorial não é imposta por governos, é cultivada nas redações.

Quando a imprensa se imagina consciência moral da sociedade, deixa de ser seu espelho e age como seu juiz. Ao invés de serem cronistas do real, muitos jornalistas tornaram-se missionários de suas idealizações. E quanto mais pregam, menos convencem. Em todo o Ocidente, cresce o abismo entre elites midiáticas e público. Uma democracia sem uma imprensa confiável é um corpo sem sistema nervoso. Se a sociedade não confia no jornalismo, torna-se incapaz de distinguir verdade de ruído, informação de propaganda.

Dia após dia, o jornalismo profissional é desafiado a manter seu papel de guardião da verdade factual em meio à torrente de distorções que capturam a atenção no mundo inteiro. Com seu exemplo de antijornalismo, a BBC ajudou a minar a confiança na imprensa, tal como desejam os inimigos das sociedades abertas.

Para recuperar a confiança e cumprir sua missão, o jornalismo precisa de humildade – isto é, precisa voltar a duvidar de si mesmo, e não apenas dos outros. A tarefa da imprensa independente não é salvar o mundo, é apenas descrevê-lo com honestidade. A verdade não pertence a um partido nem a uma causa, pertence ao público. E o jornalismo só o serve enquanto se lembra disso. Porque uma imprensa livre não se degrada quando é atacada por governos, mas quando blinda suas próprias certezas. Não morre quando é silenciada, mas quando deixa de escutar. Fonte: https://www.estadao.com.br

Quem é o adolescente por trás da foto misteriosa do roubo ao Museu do Louvre?

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Publicado em 10 novembro 2025
  • viralizou
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  • foto misteriosa do roubo ao Museu do Louvre
  • roubo ao Museu do Louvre
  • Pedro Elias Garzon Delvaux,
  • Homem do Fedora

No dia do roubo ao Louvre, a foto de um jovem de 15 anos, vestido com elegância, viralizou e despertou uma onda de teorias na internet

 

Pedro Elias Garzon Delvaux (à direita) passa enquanto policiais bloqueiam uma entrada do Louvre após ladrões realizarem um assalto em plena luz do dia Foto: AP Photo/Thibault Camus, File

 

Por Thomas Adamson

Quando Pedro Elias Garzon Delvaux, de 15 anos, percebeu que uma foto sua tirada pela Associated Press no Louvre, no dia do roubo das joias da coroa, havia alcançado milhões de visualizações, sua primeira reação não foi correr para a internet e se revelar.

Muito pelo contrário. Fã de Sherlock Holmes e Hercule Poirot, Pedro vive com os pais e o avô em Rambouillet, a 30 quilômetros de Paris, e decidiu entrar no jogo do suspense mundial.

Enquanto as teorias se espalhavam sobre o desconhecido elegantemente vestido na foto do “Homem do Fedora” - detetive, infiltrado, criação de inteligência artificial - ele decidiu ficar em silêncio e apenas observar.

“Eu não quis dizer imediatamente que era eu”, contou. “Com essa foto existe um mistério, então é preciso deixá-lo durar.”

Pedro Elias Garzon Delvaux (à direita) passa enquanto policiais bloqueiam uma entrada do Louvre após ladrões realizarem um assalto em plena luz do dia Foto: AP Photo/Thibault Camus, File

Na sua única entrevista presencial desde que o registro o transformou em uma curiosidade internacional, Pedro apareceu diante das câmeras da AP em casa praticamente como naquele domingo: usando chapéu fedora, colete Yves Saint Laurent emprestado do pai, paletó escolhido pela mãe, gravata alinhada, calça Tommy Hilfiger e um relógio russo restaurado e marcado pela guerra.

O chapéu fedora, inclinado no ângulo certo, é sua homenagem ao herói da Resistência Francesa Jean Moulin.

Pessoalmente, ele é um adolescente inteligente e bem-humorado que, por acaso, se viu envolvido em uma história de alcance global.

 

Da foto à fama

A imagem que o tornou famoso pretendia apenas registrar uma cena de crime. Três policiais se apoiam em um carro prateado que bloqueia uma entrada do Louvre, horas depois de ladrões realizarem um assalto em plena luz do dia às joias da coroa francesa. À direita, uma figura solitária, vestida com um terno de três peças, passa apressadamente.

A internet fez o resto. “O homem do fedora”, como os usuários o apelidaram, foi retratado como um detetive à moda antiga, um infiltrado, uma ideia para série da Netflix - ou até algo não humano. Muitos estavam convencidos de que ele havia sido gerado por inteligência artificial.

Pedro entendeu o motivo. “Na foto, estou vestido mais como alguém dos anos 1940, e estamos em 2025”, disse ele. “Há um contraste.”

Até alguns parentes e amigos hesitaram em acreditar até notarem sua mãe ao fundo da imagem. Só então tiveram certeza: o detetive falso favorito da internet era, na verdade, um garoto de verdade.

A história real era simples. Pedro, sua mãe e seu avô tinham ido visitar o Louvre.

“Queríamos ir ao Louvre, mas ele estava fechado”, contou. “Não sabíamos que tinha acontecido um assalto.”

Eles perguntaram aos policiais por que os portões estavam fechados. Segundos depois, o fotógrafo da AP Thibault Camus, que registrava o cordão de isolamento, capturou Pedro.

“Quando a foto foi tirada, eu não sabia”, disse Pedro. “Eu só estava passando.”

Quatro dias depois, um conhecido mandou uma mensagem: É você?

“Ela me disse que havia 5 milhões de visualizações”, contou. “Fiquei um pouco surpreso.” Depois, sua mãe ligou dizendo que ele estava no The New York Times. “Não é todo dia”, comentou. Primos na Colômbia, amigos na Áustria, conhecidos da família e colegas de escola começaram a mandar capturas de tela e mensagens.

“As pessoas diziam: ‘Você virou uma estrela’”, disse ele. “Fiquei impressionado que, com apenas uma foto, você possa viralizar em poucos dias.”

 

Um estilo inspirado

O visual que chamou a atenção de dezenas de milhões de pessoas não é uma fantasia improvisada para uma visita ao museu. Pedro começou a se vestir assim há menos de um ano, inspirado pela história do século 20 e por imagens em preto e branco de estadistas elegantes e detetives fictícios.

“Eu gosto de ser chique”, disse ele. “Vou à escola assim.”

Em meio a um mar de moletons e tênis, ele aparece com uma versão moderna de um terno de três peças. E o chapéu? Não, esse tem seu próprio ritual. O fedora é reservado para fins de semana, feriados e visitas a museus.

Na escola onde não há uniforme, seu estilo já começou a se espalhar. “Um dos meus amigos veio esta semana de gravata”, contou.

Ele entende por que as pessoas projetaram nele toda uma persona de detetive: um roubo improvável, um detetive improvável. Ele adora Poirot - “muito elegante” - e gosta da ideia de que um crime incomum exige alguém que também pareça incomum. “Quando algo fora do comum acontece, você não imagina um detetive normal”, disse ele. “Você imagina alguém diferente.”

Esse instinto combina com o mundo de onde ele vem. Sua mãe, Félicité Garzon Delvaux, cresceu em um palácio-museu do século XVIII, filha de um curador e de uma artista - e leva o filho regularmente a exposições.

“Arte e museus são espaços vivos”, disse ela. “A vida sem arte não é vida.”

Para Pedro, a arte e as imagens sempre fizeram parte do cotidiano. Por isso, quando milhões de pessoas projetaram histórias em um único registro dele de chapéu fedora ao lado de policiais armados no Louvre, ele reconheceu o poder de uma imagem — e deixou o mito respirar antes de se revelar.

Ele permaneceu em silêncio por vários dias e depois mudou seu perfil no Instagram de privado para público.

“As pessoas tinham que tentar descobrir quem eu sou”, disse ele. “Aí os jornalistas vieram, e eu contei minha idade. Eles ficaram extremamente surpresos.”

Ele está tranquilo quanto ao que vier a acontecer. “Estou esperando que as pessoas me chamem para filmes”, disse, sorrindo. “Seria muito engraçado.”

Em uma história de roubo e falhas de segurança, o “Homem do Fedora” é um contraponto mais leve — um adolescente que acredita que arte, estilo e um bom mistério fazem parte da vida comum. Uma foto o transformou em símbolo. Conhecê-lo é confirmar que ele é, para alívio de todos, real.

“Sou uma estrela”, ele diz — menos como uma fanfarronice do que como um experimento, como se estivesse experimentando as palavras da mesma forma que experimenta um chapéu. “Vou continuar me vestindo assim. É o meu estilo.” / AP Fonte: https://www.estadao.com.br

Saiba quem era o influenciador caminhoneiro morto em acidente na BR-381.

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Publicado em 10 novembro 2025
  • influenciador caminhoneiro morto em acidente na BR-381
  • Gustavim GMF,
  • Acidentes nas Rodovias,
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  • Gustavi Miranda
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  • influenciador Gustavo Miranda,
  • Gustavo Miranda

Ele transportava uma carreta que levava um carregamento de batata doce quando saiu da pista e caiu em uma ribanceira

 

Por O Globo

O caminhoneiro e influenciador Gustavo Miranda, o Gustavim GMF, de 24 anos, morreu na madrugada de sábado em um acidente na BR-381, em João Monlevade. Ele transportava uma carreta que levava um carregamento de batata doce quando saiu da pista e caiu em uma ribanceira.

A morte do influenciador foi confirmada ainda no local. Gustavi Miranda é natural de Pato de Minas e tinha 243 mil seguidores em seu perfil no Instagram.

Segundo a TV Integração, chovia no momento do acidente. Grávida de quatro meses, a mulher do influenciador também estava no veículo. Ela ficou presa nas ferragens após o acidente, mas foi resgatada e levada para o hospital. Detalhse sobre o seu estado de saúde não foram divulgados.

No Instagram, Miranda compartilhava vídeos e fotos do seu cotidiano como caminhoneiro.

Miranda era filho de Keila Cristina Miranda, assassinada em 2022 pelo marido, em um crime de repercussão no estado. O pai do influenciador foi condenado a 38 anos de prisão. No Instagram, Gustavim GMF fazia publicações em homenagem à mãe. Na mais recente, de 29 de outubro, ele havia escrito "Keila, te amo" na faixa de areia de uma praia.

Amigos e familiares deixaram mensagens homenageando Gustavo Miranda nas publicações do perfil. "Agora você está ao lado dela meu grande amigo  descanse em paz", escreveu um, referindo-se a Keila Miranda. "O reencontro de vocês deve ter sido lindo", comentou outro. "O céu está em festa com sua ida para um lugar melhor, cumpriu e honrou suas lutas que jamais será esquecida por muitos", publicou mais um. Fonte: https://oglobo.globo.com

Ruan Juliet direto da Rocinha: o Rio que o príncipe William não vê

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Publicado em 09 novembro 2025
  • comunidade da Rocinha,
  • Favela da Rocinha,
  • Ruan Juliet
  • a maior favela do Brasil,
  • Rocinha no Rio de Janeiro,
  • A favela
  • Jacques Vanier

O influenciador de 22 anos desmistifica a vida dentro da maior favela do Brasil e revela toda a inteligência, potência e criatividade que as manchetes de jornais não mostram

 

 

Por Redação

“Quem sabe da favela é quem mora aqui”, diz Ruan Juliet. Morador da Rocinha, no Rio de Janeiro, a maior favela do Brasil, com mais de 70 mil habitantes, o criador de conteúdo tem se tornado uma das vozes mais potentes das redes sociais ao mostrar o que é viver dentro de uma comunidade, longe dos estereótipos criados por quem vê tudo de fora. Seu olhar expõe um Rio invisível: aquele que nem os turistas, nem o príncipe William e tampouco quem vive do lado de lá do asfalto costuma ver. “A favela é muito mais do que tiro, porrada e bomba. Aqui tem criatividade, empreendedorismo, inteligência. Gente que não teve oportunidade, mas que é genial. Todo mundo tem curiosidade sobre como é a vida na comunidade, mas sempre foi a galera de fora contando a nossa história. Eu pensei: e se eu transformar meu cotidiano em conteúdo?”, conta.

Com humor, inteligência e um olhar afiado, Ruan mostra o lado criativo, trabalhador e humano da favela – um retrato raro em meio às manchetes que costumam associar o morro à violência e à criminalidade. “Na favela, se faz a engenharia da sobrevivência. Aqui, os pedreiros têm uma inteligência rara e a maioria nunca entrou numa universidade. Mesmo assim, eles constroem tudo: as casas, os becos, os degraus, as rampas. Esses caras já são criativos por natureza. Imagina eles com conhecimento na mão?”, diz.

Mas ainda há muita falta. “Nós, moradores de favela, vivemos num mundo paralelo. Quem é de fora se pergunta: ‘Como conseguem viver assim?’ Fizeram a gente normalizar essa realidade. Vem eleição, vem promessas, e nada muda. Então, se essa é a realidade, a gente cria soluções criativas pra amenizá-la. É o que fazemos todos os dias”, diz. “Na comunidade, a necessidade vem antes do sonho. Dificilmente quem cresce em favela consegue terminar o ensino médio, e não é porque a gente não quer. Aos 14 anos você já precisa abandonar a escola para trabalhar e ajudar a colocar comida em casa. Nos bairros ricos, o sonho vem antes da necessidade”.

No papo com Paulo Lima no Trip FM, o influenciador de 22 anos também reflete sobre o impacto das operações policiais e a urgência de incluir as vozes das comunidades nas decisões do país. “Existem alternativas ao mundo do crime, mas o problema é o jovem da favela ser o que restou pra ele. O frete humano e o mototáxi são trabalhos dignos, mas nascem da ausência do Estado. Se houvesse política pública eficaz, eles nem precisariam existir. O Estado precisa oferecer escolhas que realmente transformem a vida desses jovens”, afirma. “A primeira coisa que precisamos entender é que falhamos como sociedade. Agora, precisamos nos reconstruir. Mas isso só vai acontecer se quem vive nas favelas for incluído nas decisões políticas. Enquanto isso, o país segue dividido, brasileiro contra brasileiro, e a gente não percebe que todo mundo tá perdendo. E quem perde mais, como sempre, é o povo da favela.”

 

Trip. Queria começar te ouvindo sobre a sua origem. De onde vem sua família?

Ruan Juliet.

Eu sou filho de nordestinos – a maioria das favelas do Rio foi construída por nordestinos. Meu pai é de Guarabira, interior, e minha mãe de Queimadas, também do interior. Eu sou carioca, nascido e criado na Rocinha. Meu pai saiu da cidade com 11 anos, muito novo, atrás de emprego. Ele chegou a passar fome, veio pro Rio com o irmão e começou a trabalhar na praia, vendendo cadeira e guarda-sol. Minha mãe, como tantas mães brasileiras, trabalhou a vida inteira como doméstica.

 

E como foi a vida de vocês no começo, dentro da Rocinha? Onde moravam?

 A gente morava de favor na casa de uma amiga da minha mãe, que tinha uma lojinha de costura. Aí minha mãe foi fazendo amizades, desistiu de trabalhar como doméstica e começou a montar um pequeno empreendimento dentro da favela. Eu puxei muito dela. Hoje penso que o meu trabalho na internet vem da inteligência dela, de se virar, criar alternativas. Ela montou uma barraquinha, começou a ganhar um pouquinho de dinheiro e, com isso, saímos da casa de favor e fomos pra onde moro até hoje: um kitnet de 30 m², com quarto, cozinha e banheiro, no Valão. Não é a parte mais pobre da comunidade, mas também não é a mais rica. É o meio.

 

E o nome “Valão” tem a ver com o esgoto? 

Tem. Todo o esgoto da Rocinha passa por aqui. Quando chove, alaga muito. Às vezes não dá pra chegar em casa. Quando o tempo fecha, eu já fico com medo: “Tenho que ir pra casa logo, senão não volto”.

 

Como é a relação da molecada com a escola? Você conseguiu estudar? Terminei a escola, graças a Deus. Mas é importante entender a diferença. Uma criança no Leblon só precisa focar nos estudos. Ela enxerga a escola como uma oportunidade de alavancar a vida, de conseguir uma nova profissão. Dificilmente você vai ver isso na criança da comunidade. Porque ela cresce vendo a mãe, muitas vezes solo, trabalhar 24 por 48, sem tempo nem pra ter contato com o filho. E aí você cresce e não tem comida em casa, às vezes falta. Com 14 ou 15 anos, tem que escolher: estuda ou trabalha pra ajudar em casa, pra pôr comida na mesa, ou pra sair da casa pequena. Eu, por exemplo, nunca tive meu próprio quarto. Então é abandonar a escola e começar a trabalhar. Então dificilmente quem mora na favela consegue terminar o Ensino Médio. Não porque não quer, mas porque o ambiente não permite. Eu não vou pra escola ficar escrevendo enquanto eu tô passando fome. A fome fala primeiro. Você aprende a sonhar depois. Na favela, a necessidade vem antes do sonho. Lá no Leblon, o sonho vem antes da necessidade. São realidades completamente diferentes.

 

Em entrevista ao Trip FM, o ator Jonathan Azevedo contou que o curso de teatro dele custou três dentes. Ele falou que em três situações diferentes, quando estava indo para o no Nós do Morro, projeto que o formou como ator, ele foi abordado e agredido pela polícia. Como é pra você sair da Rocinha pro asfalto? Ainda existe esse medo, essa tensão? 

Eu costumo dizer que também tem muito a ver com autoestima. Pra quem cresce na favela, às vezes falta autoestima pra ir pro Leblon, pra Copacabana… “O que eu vou fazer lá? O meu mundo é aqui”. Porque quando a gente sai, vão olhar diferente pra nós. A polícia para muito: toda vez que eu pego um Uber pra sair da Rocinha, com meu cabelo platinado, o carro é parado. Mas não é só isso. É entrar numa loja e ficar sendo olhado torto, é chegar num restaurante e não se sentir bem. Falta autoestima. O jovem que cresce na favela sente isso na pele.

 

Como foi o começo da sua carreira como criador de conteúdo? 

Sou fruto de um projeto social da comunidade, que tinha aulas de teatro e futebol. Em 2019, depois da pandemia, um influenciador chamado Jacques Vanier visitou o projeto. Ele gostou de mim, começou a me gravar, fazer perguntas. Eu estava de Juliet – o óculos, muito famoso nas favelas aqui do Rio – e comecei a zoar ele, que ele era cowboy, de botina e chapéu. No último dia, ele perguntou ao dono do projeto se podia marcar meu arroba. Eu nem sabia o que era arroba. Quando ele me marcou, ganhei 10 mil seguidores. A partir disso eu fui desenvolvendo, continuei trabalhando na minha barraca e fui gravando devagarzinho.

 

Era uma barraca de eletrônicos, né? 

Isso. Comecei a trabalhar com 12 anos pra ajudar meus pais, vendendo carregador, controle, boneco. Meu sonho era aumentar a barraca dentro da Rocinha – e consegui. Antes das redes sociais, juntei dinheiro e reformei, fiz uma barraca maior. Depois que o Jacques me marcou, comecei a mostrar meu dia a dia, apresentar a Via Apia, a rua principal da Rocinha. Todo mundo sempre teve curiosidade sobre como é a vida na comunidade, mas ninguém daqui tinha voz. Sempre foi a galera de fora contando a nossa história. Aí eu comecei a transformar meu cotidiano em conteúdo. Transformei a Rocinha no palco, trouxe o Brasil e o mundo pra dentro da favela. Falei: vem pra cá, vem conhecer um pouco da nossa realidade, entender como a gente vive, entender que aqui existe muito além do que a galera fala há décadas. Aqui existe muita criatividade, muita gente empreendedora, muita gente inteligente, que às vezes só não teve oportunidade.

 

Você tem um olhar quase de arquiteto, mostrando as lajes, escadas, becos. Existe uma sabedoria enorme em criar a partir da carência. Como você enxerga isso? Daria pra trazer conhecimento técnico pra dentro da favela? 

Ninguém nunca tinha me falado isso, mas eu gosto muito da criatividade. É o conteúdo que eu mais piro em fazer porque realmente acho muito bizarro como que a galera foi dando um jeitinho. Os pedreiros têm uma inteligência muito rara, um conhecimento que eu falo: “Caraca, vocês fizeram alguma faculdade”. Mas a maioria não estudou. Se eu fosse fazer alguma coisa, traria um curso técnico para os pedreiros, porque eu acho que eles poderiam fazer muita diferença para a comunidade, transformando uma rampa, trazendo solução para os becos, para os degraus. Se eles já são criativos por si só, imagina esses caras com conhecimento na mão.

 

Quando comecei a fazer entrevistas no Trip FM, lá atrás, as referências dos jovens de favela eram o futebol, o samba e o crime. O cara queria ser jogador, sambista ou bandido, que era quem tinha ouro, roupa, moto, mulher. Hoje isso mudou? Quem são as referências de um moleque da Rocinha?

Hoje a gente se inspira muito nos MCs, no rap. Além do cabelo platinado, por exemplo, tem o cabelo vermelho, que vem dessa galera. Esse estilo dentro da comunidade acaba dando uma sensação de poder. Se eu ficar só com o cabelo preto, não fico tão cria. Os MCs são uma galera que fala muito hoje com a comunidade.

 

Boa parte do Brasil ainda associa favela ao crime – uma ignorância absurda, mas que ainda existe. Você tenta quebrar isso mostrando a vida real. Como dá pra mudar essa imagem?

Essa visão vem do jeito que a grande mídia sempre tratou a favela e também das ficções que falam sobre ela. Quando comecei a gravar vídeo, além da criatividade, quis mostrar outras pessoas além do Ruan. Não só pessoas que trabalham fora da favela, o famoso CLT, mas profissões que nasceram a partir de necessidades locais. Um exemplo é o frete humano. O caminhão não sobe os becos, então jovens de 15, 20 anos viraram o “elevador” das obras, carregando areia, tijolo, cimento. É a fonte de renda deles. Estou construindo uma casa agora e todo o material é levado por esses jovens trabalhadores. Isso é mostrar para o Brasil a verdadeira realidade dentro da favela, porque as narrativas sempre foram de crime, de porrada. E as outras coisas? E aí a gente precisa se perguntar: será que todo mundo tem as mesmas 24 horas? Será que todo mundo tem o poder de escolha? Será que todo mundo consegue enxergar um caminho? Ou será que realmente o ambiente molda a sua escolha?

 

Recentemente houve uma chacina no Complexo do Alemão, um episódio lamentável. Você fez um vídeo que começa fazendo uma homenagem tanto os policiais mortos quanto os jovens da favela e disse que nada daquilo é bom pra ninguém. Como ficou o clima na Rocinha depois disso?

Foi muito triste. Seja na Rocinha, no Vidigal, na Cidade de Deus, quem mora em favela começa a ficar com medo. A gente pensa: “fizeram lá, daqui a pouco vão vir pra cá”. E se eu estive na rua? E se eu estiver voltando do trabalho? Vidas foram perdidas dos dois lados e nada mudou. A vida segue igual. Ninguém fala do pós-operação: da falta de saneamento, de acessibilidade. A gente falhou como sociedade e precisa se reconstruir. Se é pra fazer política dentro da favela, tem que trazer o povo da favela pras decisões. Passam-se décadas e ainda não temos saneamento básico, mas seguimos discutindo plano de operação. Se ele resolvesse algo, já teria resolvido há muito tempo. Eu sou a favor da segurança, mas não adianta resolver a segurança sem resolver o resto.

 

Pra encerrar, eu queria saber um pouquinho dos seus projetos e do seu trabalho com marcas. Como está a sua situação empresarial? 

Graças a Deus, hoje eu consigo viver só das redes sociais. Demorou três anos pra isso acontecer. Só comecei a ganhar dinheiro no fim de 2022, com o primeiro trabalho. Antes disso uma casa de apostas me ofereceu dez mil reais por seis meses. Eu nunca tinha visto tanto dinheiro, vendia 70 reais por dia numa barraquinha, isso ia mudar um pouco a minha vida. Mas eu recusei. Não posso aceitar algo que vai contra os meus princípios, não posso mentir pro meu povo. Hoje eu não represento só o Ruan, represento a Rocinha e outros jovens de comunidades que acabam se inspirando em mim. A maioria das marcas com as quais eu trabalho estão dentro da comunidade de alguma forma. O Banco 24 Horas traz inclusão financeira, porque é como a gente tem acesso ao dinheiro físico; o iFood virou porta de emprego pros jovens, porque a gente sabe como é, quando você sai da escola com 18 anos e vai entregar um currículo, dificilmente é aceito quando fala onde mora; e a Águas do Rio abriu diálogo com os moradores, tem muita coisa pra mudar, mas já escutou muitas coisas nossas. As redes sociais estão me dando muita coisa, abrindo oportunidades e ,e fazendo conhecer muita gente. Esse papo, por exemplo, abre minha mente pra sair daqui e criar vídeos provocativos, construtivos, que gerem debate. É isso que todos os jovens da favela precisam: oportunidade e contato com outras pessoas e realidades. Fonte: https://revistatrip.uol.com.br

É muito cristão comemorando a morte alheia

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Publicado em 03 novembro 2025
  • Rio de Janeiro
  • Complexo do Alemão,
  • Complexo da Penha,
  • deputado bolsonarista Nikolas Ferreira
  • Nikolas Ferreira
  • deputado Nikolas Ferreira
  • Protesto de moradores da Penha
  • 121 mortos no Rio
  • operação policial no Complexo da Penha e Alemão,

-Nikolas Ferreira classificou ação do Rio como a maior faxina da história

-Uma brutal contradição em relação aos ensinamentos de Jesus

 

 

Protesto de moradores da Penha por conta das mortes após confronto com traficantes durante operação policial no Complexo da Penha e Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli - 31.out.2025/Folhapress

 

Michael França

Ciclista, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, economista pela USP e pesquisador do Insper. Foi visiting scholar nas universidades de Columbia e Stanford

 

Como é de conhecimento comum, o Rio de Janeiro foi palco da operação policial mais letal de sua história. Foram cerca de 121 mortos em uma ação concentrada em comunidades periféricas. E não demorou muito para que a tragédia se tornasse mais um palanque político.

Entre os que comemoraram o saldo de mortes da operação, está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), autodeclarado cristão, que classificou o episódio como "a maior faxina da história do Rio de Janeiro". Sua fala, longe de ser isolada, está inserida na difundida mentalidade de que matar bandidos, sobretudo os pobres, é não apenas justificável, mas desejável.

Entretanto, é curioso quando pessoas que se afirmam cristãs se curvam diante da morte alheia com tamanha empolgação. O mesmo credo que prega o amor aos inimigos e o valor sagrado da vida é rapidamente esquecido dependendo do contexto em que se encontra o cristão.

Isso não é apenas moralmente problemático, mas também interessante politicamente. O cristianismo, no Brasil recente, foi capturado por uma parte da população de uma forma diferente. Tornou-se símbolo de identidade política, embora, em muitos casos, esteja completamente ausente de ética. E agora, a morte também é usada como instrumento político. Ela serve para demonstrar força, sinalizar ação e tranquilizar o eleitorado com sede de justiça rápida.

Porém, o que se viu no Rio de Janeiro foi mais um grande espetáculo. A operação entrou, matou e saiu. A operação teve quatro vidas de policiais perdidas. E depois? Deixar o território novamente para os criminosos? Não houve a intenção de reconstrução do Estado naquele local, nem ocupação duradoura. Houve sangue e manchete. O recado não foi segurança. O recado foi propaganda eleitoral.

Enquanto isso, quem mora nesses territórios segue refém. Refém do tráfico e da milícia. Refém de políticos que se aproveitam da dor e da desordem para conquistar votos com promessas que não chegam às vielas.

Já no espectro ideológico oposto, uma parcela da esquerda, por sua vez, ainda está com significativa dificuldade para lidar com a complexidade do problema. Muitas vezes cai na armadilha de reduzir o debate a determinismos sociais. Como se denunciar a desigualdade bastasse para explicar (e, às vezes, desculpar) a violência. Mas quem vive nas favelas quer mais do que explicações. Eles querem paz, presença do Estado e justiça.

Apesar disso, é importante ter em mente que nenhum país que se pretende civilizado pode normalizar a matança. E nenhum discurso verdadeiramente cristão pode se orgulhar dela. "Felizes os que promovem a paz, pois serão chamados filhos de Deus", dizia o homem da Galileia. Já li a Bíblia inteira três vezes e confesso que não lembro de ter encontrado no Novo Testamento ao menos um versículo que justifique o extermínio de pessoas.

É preciso recuperar a dignidade da vida humana como fundamento. E reconhecer que a segurança não virá com espetáculo. Ela virá com o Estado presente, políticas integradas e respeito ao cidadão. Mesmo aquele cidadão que mora onde a maioria não quer olhar.

O texto é uma homenagem à música "Todos estão surdos", composta por Erasmo Carlos e Roberto Carlos, interpretada por Roberto Carlos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

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