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Nas redes, internautas acreditavam ser pedido por combustível
RIO — A foto de um grupo de pessoas de mãos dadas e cabeças abaixadas, na pista de um posto de gasolina, viralizou nas redes sociais em meio à crise de abastecimento motivada pela greve dos caminhoneiros. A imagem foi feita no último domingo, num posto na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, no bairro Tamarineira, em Recife.
Nas redes, começou a circular a mensagem de que o grupo se reuniu para pedir por gasolina e que pertencia a uma igreja da região. Porém, segundo uma das proprietárias do posto, que pediu para não ser identificada, as pessoas se reuniram no domingo para rezar pelo país.
— Não era nada ligado à igreja, culto ou sobre a gasolina. Falaram que era uma oração para a gasolina chegar, que era contra os caminhoneiros e não tem nada a ver. Estávamos apenas pedindo por um Brasil mais calmo, tranquilo e um futuro maravilhoso. Nos reunimos na pista do posto e mais pessoas foram chegando — disse a proprietária.
Ainda segundo a proprietária, o posto estava sem gasolina no domingo, mas a corrente não foi motivada pela falta de abastecimento. Nesta terça-feira, o EXTRA entrou em contato com o posto às 15h45m e ainda não há previsão para o abastecimento de combustível. Fonte: https://oglobo.globo.com
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“Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”. (Papa Francisco)
A Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, através do seu Ministro Provincial e do seu Definitório, que esteve reunido no Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé – Ceará, em comunhão com o Carisma Franciscano e em solidariedade para com os pobres e trabalhadores do Brasil, decidiu manifestar ao povo de Deus e a sociedade civil onde estamos inseridos, o nosso olhar sobre o momento em que o Brasil e seus brasileiros vivem.
O Brasil, assim como o mundo, passa por um momento de grande confusão social: guerra, intolerância política e religiosa, empobrecimento mundial, fragilização das instituições democráticas, perda de direitos, crise migratória e tráfico humano, desrespeito à dignidade da vida humana nos seus mais variados aspectos,
destruição ambiental, corrupção política e enriquecimento ilícito de uma minoria em detrimento da miséria de milhões de irmãos e irmãs.
Em nosso país estamos assistindo a um dos cenários mais obscuros da nossa jovem democracia: a perda dos diretos dos trabalhadores e trabalhadoras, o aumento da pobreza e da desigualdade social, a violência generalizada atingindo sobre tudo os mais pobres, as mulheres os negros e os jovens, o descrédito da população na instituição política brasileira, a péssima influência da grande mídia como fonte de verdade e manipulação a serviço dos interesses do mercado e do capital.
Há uma desconfiança quase generalizada no modo como o Estado brasileiro manobra a justiça, dos artifícios que se utiliza na busca de soluções para que se promova a paz social no país. Há um contexto de divisão explícita de classe social, de polarização de interesses, de agressão ao espaço democrático, junto à ausência da profecia religiosa, da apatia e do comodismo social.
Diante deste quadro podemos nos perguntar: “quem está pagando o pato?”, sem dúvida são os mais pobres deste país: sem casa, sem trabalho, sem educação, sem saúde e segurança. São os estudantes: sem acesso a escola pública e aos financiamentos que os inseriam nas universidades. Há perda do direito à mobilidade dos brasileiros, sem transporte público de qualidade e a mercê do aumento abusivo dos combustíveis, gerando elevado preço da cesta básica, onerando assim o bolso dos cidadãos.
Apesar de tudo isso, nós brasileiros, pela força das nossas lutas e resistências, não podemos perder a Esperança. Enquanto irmãos menores, queremos ser portadores da Esperança Evangélica que à luz do nosso Carisma nos convoca a ser uma presença profética entre os pobres e a defender os direitos humanos e a justiça social.
Por isso, convocamos em primeiro lugar os nossos frades para que, junto com o
Povo de Deus, possa mais uma vez fazer uma clara opção pelos pobres, sendo uma presença junto aos movimentos sociais, pastorais, grupos paroquiais e família franciscana que lutam pelo direito à Justiça e a Paz.
Convidamos a todos a fazerem uma releitura da situação atual, a partir da ótica de nossa fé e do nosso carisma franciscano, tomando iniciativas concretas que ajudem
na construção de uma sociedade mais justa e fraterna como sinal do Reino de Deus.
Canindé, 25 de Maio de 2018.
Fr. João Amilton dos Santos
Ministro Provincial
Fonte: https://noscaminhosdefrancisco.wordpress.com
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II Conferência do Celam, que aconteceu na Colômbia em agosto de 1968, foi essencial para a recepção do Concílio Vaticano II na América Latina.
A II Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) foi solenemente inaugurada em um sábado, 24 de agosto de 1968, na Catedral Metropolitana de Bogotá, na Colômbia, com discurso do Papa Paulo VI. A notícia foi publicada no jornal O SÃO PAULO à época, com repercussão dos bispos brasileiros que participaram da Conferência.
Entre eles, Dom Avelar Brandão, então Arcebispo de Teresina (PI) e Presidente do Celam, que, ainda no início da Conferência, pediu aos bispos para não adotarem posições radicais. “Somos todos irmãos”, disse o Bispo brasileiro “e a Igreja não pode ter linhas que corram em forma paralela, sem jamais se encontrarem”, afirmou o Bispo.
O fato é que Medellín, Conferência da qual participaram cerca de 4 mil pessoas, foi um marco para a Igreja na América Latina e, com ela, afirma-se que, efetivamente, o Concílio Vaticano II (1962-1965) encontrou espaço nas igrejas particulares latino-americanas.
Em outro texto publicado no O SÃO PAULO , em agosto de 1968, o Cardeal Juan Landazuri Ricketts, então Arcebispo de Lima, no Peru, e um dos três presidentes da reunião do Celam, afirmou: “Por que não o dizer? Nossa mentalidade e formação, nossa maneira de pensar e agir são diversas, inclusive alguns pareçam discordantes, mas, talvez, não é esta a hora da claridade? Estamos reunidos para aplicar o espírito do Vaticano II que continua despertando esperanças por toda parte”.
A continuidade do Concílio Vaticano II e as conclusões da Conferência – que terminou no dia 6 de setembro de 1968 – marcaram uma posição inteiramente inovadora para a Igreja na América Latina.
O Cardeal Rossi, então Arcebispo de São Paulo, também salientou esse sentimento de novidade, quando afirmou em texto publicado no Semanário da Arquidiocese: “Iniciou-se uma nova era na Igreja da América Latina em que o espírito eclesial e de colegialidade episcopal saiu fortalecido em nosso continente. Contribuiu o Brasil com especial quinhão para esse êxito, graças à sua delegação, em que se quis levar em conta também a representatividade das diversas regiões do nosso País”.
UM ANO DE TRANSFORMAÇÕES
Padre José Oscar Beozzo, Doutor em História Social e coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular, recordou também que a Conferência de Medellín aconteceu em um ano de transformações em todo o mundo.
“Já em janeiro de 1968, o mundo surpreendeu-se quando a ofensiva do Tet, no Vietnã, ficou conhecida pela ofensiva às tropas norte-americanas. No Brasil, o regime militar ganhou força nas ruas do País e as prisões e torturas aconteceram de forma violenta, precedendo o Ato AI-5. Já em Praga, na Europa, ficou conhecida a Primavera de Praga, com a liberalização política na Tchecoslováquia. Enfim, Medellín aconteceu no meio desses movimentos em todo o mundo e isso não pode ser ignorado”, salientou Beozzo.
Ele também recordou que o Beato Paulo VI criou a Pontifícia Comissão Justiça e Paz e escreveu a encíclica Populorum Progressio . “Tais ações foram, de alguma maneira, uma resposta aos bispos latino-americanos que pediram ao Papa uma atenção especial da Igreja acerca da realidade latino-americana, sobretudo no que se refere à pobreza e às injustiças sociais”, continuou.
Em 2018, comemora-se os 50 anos da Conferência de Medellín, que significou um ponto de partida para a construção de uma identidade eclesial no continente. Com Medellín, o Concílio Vaticano II teve uma recepção criativa, com raízes espirituais profundas.
‘O episcopado em Medellín assumiu como imperativo de ação a consolidação da justiça, a promoção da paz, a educação libertadora e uma Igreja pobre em defesa dos empobrecidos’
MEMÓRIA, PROFETISMO E ESPERANÇA
Em entrevista à reportagem, Padre Ney de Souza, Professor da PUC-SP e autor do livro “Medellín - memória, profetismo e esperança na América Latina”, publicado pela editora Vozes , afirmou que na América Latina a recepção do Vaticano II aconteceu a partir dos diversos níveis eclesiais. “Em certos momentos com dinamismo maior e em outros com passos lentos. Desde a liturgia até o ecumenismo, perpassando pela eclesiologia, pelo laicato, pelo episcopado e pela formação do clero, não faltaram esforços para consumar o Concílio convocado de maneira imprevista e surpreendente pelo Papa João XXIII.”
Padre Ney recordou que Medellín foi fruto da gestão realizada pelo então Presidente do Celam, Dom Manuel Larrain, Bispo de Talca, no Chile. “A sua intenção era propiciar um aggiornamento (atualização) da Igreja latino-americana, mediante a aplicação do espírito e orientação do Vaticano II. Como se sabe, Dom Larrain faleceu em 1966 e foi Dom Avelar Brandão Vilela, à época Arcebispo de Teresina (PI), que o sucedeu na Presidência do Celam e tocou adiante o projeto”, explicou.
PAULO VI
Padre Ney lembrou que o próprio Papa Paulo VI veio à América Latina para inaugurar a Conferência de Medellín: “Nos três dias previstos para sua estada em Bogotá, realizou 21 alocuções a diferentes públicos. No discurso de abertura da Conferência, o Bispo de Roma frisou que, com sua presença, inaugurava-se ‘um novo período da vida eclesiástica’ na América Latina. Em vias de iniciar as atividades de Medellín, dirigiu-se aos bispos com um claro intuito de orientá-los. Escolheu em sua admoestação três pontos a serem refletidos com o episcopado: espiritual, pastoral e social.”
Padre Ney recordou ainda os principais temas tratados pelo Papa em seu discurso. “No que se refere ao espiritual, Paulo VI instigou os bispos a viverem com intensidade os mistérios divinos antes de dispensá-los aos outros. Na mesma linha, chamou a atenção para certa desconfiança vigente em relação à fé, bem como a adesão a ‘filosofias da moda, muitas vezes tão simplistas quanto confusas’, inclusive de teólogos. Disse, ainda, que cabe ao episcopado, para o bem espiritual dos fiéis, promover a reforma litúrgica e a formação espiritual do povo de Deus”, comentou.
“Na ótica pastoral, o Papa afirmou em sua alocução que ‘encontramo-nos no campo da caridade’. Exortou o episcopado a continuar a reflexão e assegurou que ‘a caridade com o próximo depende da caridade com Deus e os alertou contra as tendências que denomina de secularizantes e pragmáticas do Cristianismo, bem como uma visão dualista da Igreja, em que a carismática prescinde da institucional que já é expressão superada do Cristianismo. Nesse sentido, para aplainar visões distorcidas do Cristianismo, prosseguiu o discurso, duas categorias merecem especial caridade e atenção: os sacerdotes e a juventude. Sem prescindir das outras categorias: ‘trabalhadores do campo, da indústria e similares’”, destacou Padre Ney.
O Padre concluiu sua reflexão falando sobre a situação social extrema que vivia a população na América Latina. “O extremo empobrecimento da população, as injustas condições de vida e a violência institucionalizada que grassavam entre a população era marca que definia a realidade deste território. É nesse sentido que o episcopado em Medellín assumiu como imperativo de ação a consolidação da justiça, a promoção da paz, a educação libertadora e uma Igreja pobre em defesa dos empobrecidos.” Fonte: http://www.osaopaulo.org.br
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Mostrando cada vez mais seu lado “engraçadinho” nas redes sociais, o padre Fabio de Melo aproveitou a crise que o país atravessa para fazer uma piada sobre a greve dos caminhoneiros que parou o Brasil na última semana.
Por meio do seu Twitter pessoal, que conta com mais de 5 milhões de seguidores, o sacerdote da Igreja Católica fez uma indagação sobre como conseguir seu shampoo de maçã verde que está preso no protesto. Aproveitando o ensejo, Melo ainda fez um merchanvelado da marca Jequiti, de Silvio Santos.
“Vontade de chegar perto dos caminhoneiros na Dutra e perguntar quem tá responsável pela carga da Jequiti. Aí eu faço amizade e peço pra ele deixar eu procurar o meu shampoo de maçã verde que tá preso lá”, escreveu Melo. Fonte: https://rd1.com.br
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Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Terminado o tempo pascal com a Solenidade de Pentecostes, a liturgia celebra a Santíssima Trindade. Após proclamar nos santos mistérios que o Pai entregou o Filho por amor ao mundo na potência do Espírito Santo e, no mesmo Espírito Eterno, O ressuscitou dos mortos para nossa salvação, a solenidade de agora é um modo que a Igreja encontra para louvar, engrandecer e adorar, na proclamação exultante, o amor sem fim da Trindade Santa.
Depois de ter celebrado os mistérios da Salvação, desde o nascimento de Cristo (Natal) até a vinda do Espírito Santo (Pentecostes), a liturgia propõe-nos o mistério central de nossa fé: a Santíssima Trindade. Toda a vida da Igreja está impregnada pelo Mistério da Santíssima Trindade. E quando falamos aqui de mistério, não pensemos no incompreensível, mas na realidade mais profunda que atinge o núcleo do nosso ser e do nosso agir.
Mas é Cristo quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11, 27). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-o à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos; e revelou-nos a perfeitíssima Unidade de vida entre as pessoas divinas (Jo 16, 12-15).
O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados continuamente pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo.
Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. No Evangelho deste domingo (cf. Mt 28,16-20), a liturgia ensina que fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e ao terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos, repetimos: “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo”.
Contemplando Jesus Ressuscitado, todo glorificado, todo divinizado na sua natureza humana por obra do Espírito de Deus, nós proclamamos com o Novo Testamento e todas as gerações cristãs, que o nosso Salvador, o nosso Jesus amado, é Deus bendito pelos séculos, enviado pelo Pai, que é Deus, para nossa salvação; enviado na potência do Espírito que é também divino e divinizante, Paráclito que não é algo de Deus, mas alguém de Deus, uma pessoa, na qual o Pai ressuscitou o Filho Jesus e, habitando em nós, dá testemunho da divindade do Pai e do Filho, enche-nos de vida divina, guia-nos, sustenta-nos, ilumina-nos.
Ouçamos as palavras de São Paulo (cf. Rm 8,14-17) na segunda leitura. Davam testemunho das três divinas pessoas: do Pai, que enviando em nós o Espírito do Filho nos faz filhos no bendito e único filho Jesus. Eis o que dizia o apóstolo: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”... Então, eis a nossa fé, que transborda a humana lógica, transcende o balbuciar de nossa pobre linguagem, ultrapassa nossos limitados e tateantes paradigmas: Deus é um só, absolutamente. Enquanto a natureza humana, apesar de genericamente uma só, se multiplica nos indivíduos humanos, a natureza divina é absolutamente una, indivisível e imultiplicável, una não só genérica, mas também numericamente; e, no entanto, essa natureza é, ao mesmo tempo e perfeitamente, Pai, Filho e Santo Espírito.
A natureza divina está todinha no Pai e, também, todinha no Filho e, ainda, todinha no Espírito Santo. A unidade em Deus é incompreensível, absolutamente perfeita e eterna. Assim sendo, em Deus não há três vontades iguais, mas uma só vontade; não há três poderes iguais, mas um só poder, não três consciências iguais, mas uma só consciência. Mais uma vez: Deus é absolutamente UM! E, no entanto, as três pessoas divinas são diversas como costumamos comparar: só o Pai gera, só o Filho é gerado, só o Espírito é a própria geração; só o Pai é o amante, só o filho é o amado, só o Espírito é o amor.
Neste amor que circula de modo eterno, perfeito e feliz, o Pai, eterno amante, tudo criou através do Filho, eterno amado, na potência do Espírito Santo, eterno amor. E, por isso, o mundo existe, as estrelas brilham, a vida brota e, sobretudo, nós existimos. Vimos do Pai, pelo Filho, no Espírito; vivemos no Pai pelo Filho no Espírito; vamos para o Pai, através do Filho no Espírito, Trindade Santa, nossa vida e plenitude eterna. É assim que os cristãos confessam o seu Deus como eterno amor, amor vivo e circulante que, gratuita e livremente, se derrama sobre o mundo e sobre a nossa vida.
Por isso, podemos dizer que Deus é amor e, quem não ama, não conhece a Deus! E toda esta vida divina, amados, nos é dada desde o Batismo, quando fomos mergulhados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; e cresce em nós a cada dia, nos sacramentos e na vida cristã, preparando-nos para nosso destino eterno: plenos do Espírito, sermos totalmente inseridos no Cristo e n’Ele configurados para contemplar eternamente o Pai! Fonte: http://arqrio.org
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Padre José Assis Pereira, João Pessoa/PB.
A solenidade litúrgica da Santíssima Trindade deste domingo guarda uma clara relação com a de Pentecostes, celebrada no último domingo e marca a retomada da segunda etapa do Tempo Comum do Ano Litúrgico.
Hoje celebramos o centro do cristianismo, um mistério, que distingue a religião cristã de todas as outras religiões. Uma verdade fundamental da fé, que expressamos inúmeras vezes por palavras e gestos na sagrada liturgia.
A solenidade da Santíssima Trindade é, antes de mais, um convite a descobrir o verdadeiro rosto de Deus. Deixemo-nos questionar hoje por Moisés: “Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe…? Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações…?” (cf. Dt 4,32-34) e ainda: Em que Deus acreditamos? Qual a imagem de Deus que temos? Qual o rosto do nosso Deus? Qual a imagem do Deus que adoramos? Qual a relação de Deus com os homens? Este Domingo deve ser, sobretudo, para a contemplação e à adoração de um Deus que se apresenta como o único Deus: “Reconhece, pois hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele” (Dt 4,39). Trata-se de um Deus impessoal, mas não abstrato, o absoluto, um Deus próximo, um Deus que fala, mantendo-se transcendente, mas ao mesmo tempo imanente na pessoa de seu Filho Jesus Cristo, mantendo-se único nesta unidade do Espírito que é o Amor. É assim o Deus de Israel e o Deus dos cristãos, sua natureza divina é o Amor, para Ele amar e existir é a mesma coisa. Fonte: https://paraibaonline.com.br
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“Celebrar a Santíssima Trindade representa para a Igreja celebrar a fonte de onde ela emana”, diz o bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini.
Esse mistério central da fé cristã é ressaltado no concílio Vaticano II: a Igreja brota da Trindade. Outra definição bem didática foi escrita pelo bispo teólogo de Ilhéus (BA), já falecido, dom Valfredo Tepe, “o Pai projeta a Igreja, Jesus a funda e o Espírito Santo a administra”.
Neste domingo, 27 de maio, a Igreja celebra a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas e um só Deus verdadeiro. Esta celebração convida os cristãos a rezar e a agradecer o convite que Jesus faz para voltar com ele ressuscitado, para sua pátria: a Trindade.
“Esta celebração nos convida a celebrar a criação que é obra da Trindade, celebrar a humanidade vocacionada à fraternidade e solidariedade: um só é vosso Pai! E eu e o Pai somos um”, destaca dom Cipollini.
Ainda segundo o bispo, de junto do Pai Jesus ressuscitado envia o Espírito Santo que nos santifica e nos torna santificadores deste mundo. “Espírito de Verdade e amor derramado em nossos corações para compreendermos que Jesus é o enviado do Pai e crermos nele, ouvindo e vivendo o que ele nos ensinou”.
O mistério da Trindade que não pode ser entendido porque é um mistério está nas origens da fé viva da Igreja, principalmente através do Batismo. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13; cf. 1Cor 12,4-6; Ef 4,4-6) já pronunciavam os Apóstolos.
Santo Agostinho dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47).
“Trazemos para nossa vida o mistério da Trindade quando conhecemos Jesus que nos revela este mistério e é o caminho para adentrarmos nele. Quando brota em nós a paixão para a unidade e o amor vividos na busca continua da Verdade que se revela em Jesus, aí então o Mistério da Trindade se torna realidade para nós”.
Dom Cipollini ressalta que é preciso aprender a viver a unidade na diversidade unidos pelo amor. “Viver a Trindade é a partir da fé abater tudo o que divide e construir pontes que integram”. Fonte: http://www.cnbb.org.br
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É um caso tremendo, que ajuda a compreender a disseminação do fenômeno que se tornou “um sistema”, além da incapacidade dos pastores de tomar as medidas necessárias para estancá-lo. É um caso que confirma a dramática situação em que caiu a Igreja chilena, cujo episcopado acaba de apresentar em bloco a sua renúncia ao Papa Francisco, para que possa proceder livremente como julgar conveniente na renovação da hierarquia do país. A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 21-05-2018. A tradução é de André Langer.
Entre os bispos que participaram das reuniões que aconteceram no Vaticano e foram convocadas pelo Pontífice estava o bispo de Rancagua, Alejandro Goic, 78 anos, que, de acordo com Il Sismografo, atualmente é o presidente da Comissão Episcopalpara a prevenção dos abusos sexuais perpetrados pelo clero (Conselho Nacional para a Prevenção de Abusos e Acompanhamento das Vítimas). Ao retornar de Romapara sua diocese, situada a cerca de 80 quilômetros de Santiago, capital do país, o prelado viu-se obrigado a tomar uma decisão drástica: suspender do ministério 15 de seus 68 padres (22% do clero diocesano), porque há a suspeita de que estejam envolvidos em uma rede de abusos infantis e de troca de material pedopornográfico.
Alguns dias antes, na cidade de Rancagua, tornou-se público o caso de um pároco que se viu obrigado a confessar que tinha enviado mensagens de conteúdo erótico e fotografias para alguns jovens em que aparecia nu. O Canal 13 da televisão chilena, durante uma documentada investigação, indicou a hipótese da existência de um grupo organizado de sacerdotes diocesanos, uma rede que se faz chamar La familia, cujos membros estariam envolvidos em tráfico on-line de material pedopornográfico.
Elisa Fernández, ex-coordenadora da Pastoral da Juventude, denunciou esta situação, na qual supostamente aproximadamente 12 presbíteros estariam envolvidos, em uma reportagem transmitida na sexta-feira à noite pelo Canal 13: “Eu não sei se posso chamá-la de confraria, seita ou grupo de sacerdotes que têm práticas que não condizem com a condição de padres, e com respeito a jovens, pelo menos na minha época, de entre 15 e 29 anos”, explicou Fernández, que participou ativamente das atividades da Igreja Católica durante 14 anos . Fernández enviou há cerca de um ano e meio uma lista com os nomes dos padres envolvidos ao bispo Goic, mas este não tomou as medidas cabíveis.
Há alguns meses, por essa razão, a mulher criou um perfil no Facebook para se fazer passar por um rapaz de 16 anos chamado Pablo. Ela conseguiu entrar em contato com um dos padres envolvidos, o padre Luis Rubio Contreras, de 54 anos, que caiu na armadilha e enviou ao falso jovem mensagens de conteúdo erótico e uma foto em que aparece completamente nu. Contreras, em entrevista ao Canal 13, admitiu o que tinha feito: “Eu reconheço que fiz isso, sei que é horrível, mas mais do que isso não posso dizer. É um dia de muita tristeza e lamento o que fiz. Estou muito envergonhado”.
Depois deste episódio, o bispo Goic anunciou primeiro a decisão de suspender temporariamente o pároco, mas depois também suspendeu os padres suspeitos de pertencerem à La Familia. Agora cada um deles deve explicar e esclarecer sua posição. Elisa Fernández criticou o bispo por ter esperado tanto tempo para agir, apesar de tê-lo informado quatro vezes sobre a existência da rede de pedofilia.
Dom Goic defendeu-se declarando à televisão chilena que: “Eu não estudei para ser detetive; estudei para ser pastor”. E explicou que não iniciou nenhuma investigação sobre o padre Rubio porque não havia nenhuma “denúncia formal” contra ele. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Prova-se também com a autoridade da Sagrada Escritura que Elias Tesbita, o primeiro fundador desta religião, usou como veste a capa. Com este hábito cobriu seu rosto no monte Horeb quando Deus passou diante dele.
Pôs esta capa sobre Eliseu quando o recebeu por discípulo. Esta capa ou manto era uma veste redonda que cobria o corpo por cima da outra veste e descia do pescoço até a metade das pernas; era aberta na frente e fechada ao redor; era estreita em cima e amplamente aberta em baixo.
Quando Elias se separou de Eliseu para ir ao paraíso de delícias lhe jogou esta capa. Com esta capa Elias ensinou que os monges que abraçam esta religião devem levar por cima do hábito a capa branca da maneira que o Senhor lhe mostrou em profecia; vestidos a Sabac (à maneira de Sabac), pai de Elias. Pois antes que lhe nascesse seu filho Elias Sabac viu em sonhos que uns homens vestidos de branco o saudavam.
Com esta visão foi-lhe anunciado como se vestiriam os imitadores que seu filho teria na vida monástica. Vendo Sabac aqueles varões vestidos de branco, conheceu em espírito os religiosos que seu filho havia de fundar. E os viu vestidos de branco porque seriam imitadores de Elias que era o modelo da forma de viver da vida monástica e o imitariam, não só na íntegra brancura da alma, vivendo uma íntima pureza, mas também na brancura do hábito que usavam por cima da veste que cobria seu corpo.
Levar a capa branca significa que os monges que abraçaram esta profissão devem guardar a pureza de seus pensamentos e desejos junto com a pureza do corpo, segundo o mandamento do Apóstolo ao dizer: “Purifiquemo-nos de tudo que mancha a carne e o espírito, aperfeiçoando nossa santificação com o temor de Deus” (Cor 7, 1), “porque Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santificação”(Tes 4,7).
Elias que foi o primeiro que introduziu entre os monges o uso desta capa branca quis simbolizar com ela que o monge, vestido com sua capa branca, deve conservar intacta a pureza, não só de sua alma, mas também de seu corpo.
Desta veste disse Jó ao Senhor: “me vestiste de pele e de carne” (Jó 10, 11), guarde-a, pois, o monge sempre limpa pela pureza, como está escrito: “em todo o tempo estejam teus vestidos limpos e brancos” (Ecl 9, 8).
*Livro da Instituição dos Primeiros Monges Fundados no Antigo Testamento e que perseveram no Novo por Juan Nepote Silvano, Bispo XLIV de Jerusalém. Traduzido do latim por Aymerico, Patriarca de Antioquia e do latim para o castelhano por um Carmelita Descalço e Carta de São Cirilo Constantinopolitano Traduzida para o castelhano. (Ávila Imprensa e Livraria Vida de Sigirano-1959. Censura da Ordem Imprima-se. Madrid, 6 - XII - 1958.
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Deus é um Pai com entranhas de mãe.
Dom Jaime Veira Rocha, Arcebispo metropolitano de Natal (RN),
Em recente artigo, o arcebispo metropolitano de Natal (RN), dom Jaime Vieira Rocha, refletiu sobre o “Dia das Mães”, celebrado, este ano, no dia 13 de maio. Mesma data em que se celebra o dia de Nossa Senhora de Fátima.
No texto, dom Jaime faz reverência e agradece a todas as mães, mulheres que são guerreiras, destemidas, transmissoras de carinho e de ternura. Ele diz ainda que é preciso amar este ser que doa a vida, que se sacrifica, que suporta as dores, que manifesta suas preocupações e que reza constantemente para que o futuro dos filhos seja um futuro promissor.
E o bispo continua, neste sentido, como não rezar pelas mães que sofrem desprezo, abandono ou que se sentem desanimadas ou cansadas por tudo o que sofrem pelos filhos. Nós o faremos, sobretudo, na celebração da Eucaristia, onde adoraremos e louvaremos o Pai bondoso e cheio de compaixão, Deus que nas mães faz traduzir a sua ternura por toda criatura: “Qual mãe que acaricia os filhos assim vou dar-vos carinho, em Jerusalém é que sereis acariciados” (Is 66,13).
Esse amor de mãe é citado por dom Jaime em várias passagens do Antigo testamento onde o amor de Deus é comparado ao amor de uma mãe no texto de Isaías. Em outro momento, o bispo cita que é possível encontrar outro trecho, no mesmo livro do Profeta, onde se vê que o amor de Deus pelo seu povo supera o amor de mãe, quando esse não existe: “Sião vinha dizendo: ‘O Senhor me abandonou, o Senhor esqueceu-se de mim!’ Acaso uma mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu de ti jamais me esquecerei!” (Is 49,14-15; cf. Sl 27,10).
O bispo relata ainda que indiretamente, Deus é chamado de mãe por Moisés quando manifesta sua queixa ao Senhor: “Acaso fui eu quem concebeu ou deu à luz este povo, para que me digas: ‘Carrega-o no colo, como se fosse uma babá a levar uma criança, até à terra que prometestes a seus pais?’” (Nm 11,12). No cântico de Moisés, reportado em Dt 32, outra vez a comparação com a mãe, usando a imagem da águia: “Qual águia que desperta a ninhada, esvoaçando sobre os filhotes, também Ele estendeu as asas e o apanhou e sobre suas penas o carregou” (Dt 32,11).
Dom Jaime assegura que essa imagem de Deus onde ternura e carinho são seus atributos não devem causar estranheza, pelo contrário, a própria experiência da mãe que temos atesta que Deus é Pai, mas com entranhas de mãe.
O arcebispo de natal ressalta que mesmo sendo conscientes de que o nosso falar sobre Deus é por analogia, isto é, os termos são sempre pobres ou insuficientes, podemos unir ternura materna e amor divino (cf. Sl 27,10; Jr 31,15-20; aproximação às figuras tanto do pai como da mãe. Possíveis traços femininos encontramos em Dt 32,18; Jó 38,8). Podemos citar aqui aquelas palavras tão doces do Papa João Paulo I, na famosa alocução do Angelus do dia 10 de setembro de 1978: “Também nós, que nos encontramos aqui, temos os mesmos sentimentos; somos objeto, da parte de Deus, dum amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papá; mais ainda, é mãe”. É claro, isso não significa que vamos agora chamar Deus de “Mãe” ao invés de “Pai”.
É importante deixar claro, diz dom Jaime, que quando chamamos Deus de “Pai”, estamos seguindo o exemplo de Jesus e precisamos entrar em seu coração. Para Jesus, Deus Pai significa que Ele é amor, sempre amor: “Eu te amo com amor eterno; por isso, guardo por ti tanta ternura” (Jr 31,3), ou ainda: “Mesmo que as serras mudem de lugar, ou que as montanhas balancem, meu amor para contigo nunca vai mudar, minha aliança perfeita nunca há de vacilar – diz o Senhor, o teu apaixonado” (Is 54,10)”.
Dom Jaime finaliza o texto, lembrando que Nossa Senhora foi a escolhida para ser a Mãe do Senhor Jesus, modelo de mulher crente, obediente à Palavra de Deus e que, na liberdade, aceita o plano divino, que é sempre o de tornar o homem e a mulher felizes, porque libertos da escravidão do pecado. Em Maria, a Virgem de Nazaré, Deus realiza e concretiza o seu desejo de comunhão e de amizade com o ser humano, sempre manifestando-lhes ternura e compaixão. Fonte: http://www.cnbb.org.br
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Os meios de comunicação de massa e as redes sociais podem ser usados também pelas religiosas de clausura, mas com “sobriedade e discrição”. A recomendação consta da Instrução da Congregação para a Vida Consagrada Cor Orans, dedicada aos mosteiros de vida contemplativa, “coração orante” da Igreja que, apesar da emergência devido à redução das vocações, conta atualmente com 37.970 religiosas de clausura espalhadas por todo o mundo. A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 15-05-2018. A tradução é de André Langer.
Com o documento publicado hoje, que aplica concretamente a Constituição Apostólica Vultum Dei Quaerere do Papa Francisco (julho de 2016), o dicastério da Santa Sérevoga alguns cânones do Código de Direito Canônico, para estabelecer, entre outras medidas, que quando um mosteiro tem menos de cinco religiosas, perde sua autonomia jurídica em vista da filiação ou de sua supressão, e de modo a não encorajar “o recrutamento de candidatos de outros países com o único objetivo de salvaguardar a sobrevivência do mosteiro”. O documento equilibra a relação entre cada uma das casas religiosas e as federações de mosteiros, reforçando, no respeito da autonomia dos mosteiros, estas “estruturas de comunhão” também em relação às visitas canônicas e à revisão das contas de cada mosteiro.
Em quatro capítulos (dedicados aos temas do mosteiro autônomo, da federação dos mosteiros, da clausura, da formação inicial e permanente), o documento oferece indicações práticas para as contemplativas, começando por duas pequenas ações cotidianas, como o uso dos meios de comunicação e das redes sociais. Todas as religiosas de clausura podem acessá-los, mas somente “com sobriedade e discrição”, explica a Instrução, porque existe o perigo de “esvaziar o silêncio contemplativo quando a clausura se enche de barulhos, de notícias e de palavras”.
A “sobriedade e a discrição” exigidas não têm a ver apenas com os “conteúdos”, mas também com a “quantidade de informações” e com o “tipo de comunicação”, para que “estejam a serviço da formação para a vida contemplativa e das comunicações necessárias”, e não sejam “uma ocasião de dissipação ou de evasão da vida fraterna”. Portanto, “o uso dos meios de comunicação, por razões de informação, de formação ou de trabalho, pode ser consentido no mosteiro, com prudente discernimento, para utilidade comum”, enfatiza a Congregação. A “separação do mundo”, em geral, “deve ser material e efetiva, não apenas simbólica ou espiritual”.
Uma “novidade absoluta” da Instrução, destacou, durante a coletiva de imprensa para a apresentação do documento, o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Mons. José Rodríguez Carballo, é o artigo 45: “Quando em um mosteiro autônomo, as professas de votos solenes chegam ao número de cinco, a comunidade do dito mosteiro perde o direito à eleição da própria superiora. Neste caso, a presidente federal deve informar a Santa Sé em vista da nomeação da Comissão ‘ad hoc’”. Esta é, continuou o franciscano, uma disposição “que seguramente diz respeito a um grande número de mosteiros, aos quais, pois, se pedirá que se cobre consciência da própria realidade, em um diálogo com a Santa Sé e com as figuras de referência previstas pela comissão”.
A Instrução afirma que a autonomia legal de um mosteiro deve “pressupor uma real autonomia de vida, isto é, a capacidade de cuidar da vida do mosteiro em todas as suas dimensões (vocacional, formativa, de governo, relacional, litúrgica, econômica...)”. De fato, esclareceu Carballo, “o dicastério teve que observar em várias oportunidades, com tristeza, a existência de mosteiros que não eram mais capazes de levar adiante uma vida digna, sem que tivessem uma legislação que indicasse quando e como intervir a respeito: ter preenchido esta lacuna legislativa é, certamente, um dos pontos mais importantes e mais aguardados da Instrução”.
O que a Congregação vaticana quer é que “os mosteiros sejam realidades vivas e significativas, evitando prolongar experiências que não têm, razoavelmente, possibilidade de futuro”. A autonomia, portanto, permanece, mas “sob certas condições, seguindo o princípio geral de que à autonomia ‘sui iuris’ corresponda a autonomia real de um mosteiro: se não existir essa autonomia, não pode existir a autonomia jurídica, e então procederá à filiação ou, em alguns casos, infelizmente, inclusive à supressão”.
O documento do Vaticano também especifica particularmente as regras de filiação, “verdadeira novidade do ponto de vista legislativo”, explicou o religioso espanhol: “Preciosa novidade, porque permitirá que muitos mosteiros em dificuldades sejam apoiados e sustentados por outras comunidades mais florescentes, se se abrem em espírito de fé e de comunhão a esta possibilidade de ajuda fraterna, que poderá, por um lado, abrir processos de revitalização e, por outro, preparar um terreno adequado para a transferência e a acolhida das religiosas em caso de fechamento, para que possam continuar a viver sua consagração com dignidade”.
Somente quando se verificar a “ineficácia da filiação”, a Santa Sé dará o “passo, provavelmente grave”, da supressão. Posto que o documento revoga alguns cânones, necessitava-se que o Pontífice, na qualidade de legislador, aprovasse as modificações, o que ele fez em 25 de março passado. As novidades introduzidas pela Cor Orans, disse mons. Carballo, “respondem em grande parte ao que as próprias religiosas pediram”.
A Instrução revoga, além disso, o direito canônico também em relação às Federações de mosteiros, figura introduzida por Pio XII. A intenção do Papa Pacelli com a Constituição Apostólica Sponsa Christi Ecclesia, de 1950, explicou o padre Sebastiano Paciolla, subsecretário da Congregação vaticana, “era manter os mosteiros como realidades autônomas, mas havia o perigo do isolamento entre os diferentes mosteiros, às vezes, inclusive entre os que se encontravam geograficamente próximos. As Federações nasceram para superar esse isolamento. Sendo uma estrutura de comunhão, devia respeitar a autonomia dos mosteiros e toda a normativa em questão era tão forte no respeito da autonomia dos mosteiros que a estrutura de comunhão tinha um reduzidíssimo alcance para ser aplicada e no final cada mosteiro continuava a ser um mundo em si mesmo”.
A Vultum Dei Quaerere do Papa Francisco “não modificou o status dos mosteiros, nem a realidade da Federação, mas equilibrou melhor as relações dentro dessas duas realidades, respeitando” a autonomia jurídica, “mas especificando os critérios de uma autonomia que deve ser real, e não um rótulo”. O texto vaticano de hoje reforça, em particular, a figura da presidente federal (sem dar-lhe ‘superpoderes’, disse Paciolla) e encomenda-lhe o papel de “co-visitadora” por ocasião de visitas canônicas regulares, reforça o papel do Conselho federal e também o da ecônoma federal, que “tem a responsabilidade de implementar o que o Conselho Federal estabelece e colabora com a presidente da Federação, no contexto da visita regular”, para verificar as contas “de cada um dos mosteiros”, identificando os pontos positivos e os pontos críticos, “dados que devem aparecer na relação final da visita”.
Entre as normas gerais, também são esclarecidos os termos da relação entre o mosteiro e o bispo diocesano, que, entre outras coisas, pode tomar decisões “oportunas quando constatar que existem abusos e depois que os chamados feitos à Superiora Maior não surtirem nenhum efeito”. O bispo também intervém “na construção do mosteiro, dando o seu consentimento por escrito antes que se peça a aprovação da Sé Apostólica”, bem como no caso da sua “supressão”. Também tem a “faculdade por justa causa de entrar no claustro e permitir, com o consenso da Superiora Maior, a entrada de outras pessoas”.
O último capítulo do documento do Vaticano trata da formação. Uma das questões que aborda é a constituição de “comunidades monásticas internacionais e multiculturais”, que “manifesta a universalidade de um carisma”: acolher as vocações de outros países, assinala a Congregação vaticana, “deve ser objeto de adequado discernimento”. Um dos critérios da acolhida é a “perspectiva de difundir futuramente a vida monástica em Igrejas particulares nas quais esta forma de seguimento de Cristo não esteja presente”. No entanto, precisa o texto, deve-se “evitar completamente o recrutamento de candidatos de outros países com a única finalidade de salvaguardar a sobrevivência do mosteiro”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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A Conferência dos Bispos do México prometeu buscar uma nova visão pastoral, na qual a Igreja é apresentada como próxima às necessidades do povo, em que os pobres são a prioridade, e os prelados falam profeticamente sobre questões como violência,desigualdade e corrupção entre as elites, que atualmente contam com a hierarquia como aliada. A reportagem é de David Agren, publicada por Catholic News Service, 14-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A conferência apresentou seu plano pastoral no dia 13 de maio, dizendo que ele responde ao estado atual do país e às mudanças sociais. O plano também respondeu a uma admoestação do Papa Francisco, que repreendeu os bispos mexicanos em 2016 por descansarem sobre seus louros, mostrando timidez à medida que a violência aumenta e por não conseguir encontrar a unidade entre eles.
“Reconhecer-nos como ‘Iglesia Pueblo’ (Igreja Povo) traz consigo a necessidade de ajustar e atualizar nossos conceitos teológicos e assumi-los em suas consequências práticas, tanto pessoalmente quanto no interior da vida das nossas comunidades cristãs”, afirma o documento dos bispos, intitulado “Projeto Global de Pastoral 2031-2033”. As datas coincidem com o 500º aniversário da padroeira do país, Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu a São Juan Diego, e o 2.000º aniversário da ressurreição de Cristo.
“Atitudes de individualismo, inveja pastoral, pretensões principescas, arrogância, soberba e comportamentos que contradizem uma vida de comunhão e participação já não têm lugar na vida da Igreja Povo”, afirmam os bispos.
Cerca de 83% do país ainda se identificam como católicos, segundo dados do censo, algo que um editorial da Arquidiocese da Cidade do México observou ao questionar a repreensão do papa aos bispos do México e perguntar quem o aconselhou sobre o discurso.
A conferência dos bispos, no entanto, considerou o discurso como um chamado à ação. Seu texto questionava com franqueza e pesar como um país tão católico e tão fervoroso em sua fé podia entrar em convulsão com violência e tolerar níveis tão chocantes de desigualdade e corrupção.
A repressão aos cartéis de drogas, que começou há 11 anos, ceifou mais de 200 mil vidas e deixou mais de 30 mil pessoas desaparecidas. Embora o México tenha deixado de lado o regime de partido único, as percepções de corrupção aumentaram, mesmo quando o país se tornou mais democrático.
Os bispos muitas vezes preferiram o silêncio sobre assuntos tão complicados ou controversos, em parte devido aos riscos de que os padres estejam entre as vítimas da violência; às vezes os bispos só falaram depois que o governo assumiu a liderança.
“Lamentamos profundamente o desaparecimento e morte de milhares de jovens nos últimos tempos, os feminicídios, verdadeiros rios de sangue novo que correram por nossos povoados e cidades”, diz o documento.
“A introdução de uma narcocultura na nossa sociedade mexicana, de conseguir dinheiro rápido, fácil e de qualquer forma prejudicou profundamente a mente de muitas pessoas”, continua, acrescentando fatores a serem culpados, como “a perda de valores, a desintegração familiar, a falta de oportunidades, os trabalhos mal remunerados, a corrupção galopante em todos os níveis, a ingovernabilidade, a impunidade etc.”.
O documento dos bispos oferece momentos de autocrítica, incluindo um reconhecimento de que não chegou a abordar o abuso sexual clerical. O próprio comportamento dos bispos é levantado, com o reconhecimento de que, “às vezes, parecemos mais juízes, donos ou líderes de uma organização humana do que humildes representantes do projeto do reino de Deus”.
Os bispos acrescentam: “Como bispos, vemos com inquietação que o nosso povo exige um maior acompanhamento espiritual e uma coragem profética especial diante das circunstâncias atuais”.
Outras deficiências reconhecidas incluem o trabalho deles com populações indígenas, jovens e moradores urbanos. Muitos destes últimos se mudaram de bolsões empobrecidos e isolados do México em busca de oportunidades, apenas para “perder suas raízes”, sofrer exclusão e viver em exploração.
“A Igreja se viu sobrecarregada para atender e acompanhar essa multidão desamparada”, diz o documento. A piedade popular tomou conta de muitas partes do México, embora muitos dos batizados entendam pouco sobre a fé. “Há um analfabetismo religioso preocupante em um grande número de fiéis”, dizem os bispos. “Isso se manifesta na superficialidade de seus compromissos sacramentais e na leveza da vivência dos valores do Evangelho em sua vida diária.”
O novo plano pastoral apresenta 193 observações sobre a situação no México, mas também ações para a Igreja mexicana. Os bispos se comprometem a defender os direitos humanos, a proteger os migrantes e a encarnar “a doutrina social da Igreja (...) na formação dos agentes de pastoral”.
O documento também promete fornecer acompanhamento para aqueles que praticam a devoção popular e também para as vítimas de violência; promover a participação nos sacramentos, com ênfase na Eucaristia; e ser “uma Igreja inclusiva, onde se acolha com misericórdia aos casais que voltaram a se casar, os homossexuais, as mães solteiras, os idosos, os indigentes e migrantes, entre outros”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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Agora cabe ao sumo pontífice decidir se aceita todas as renúncias ou somente algumas delas
A limpeza no episcopado do Chile, que há dias estava na cabeça do Papa, começou a ganhar corpo. Depois dos encontros privados mantidos pelo Pontífice nos três últimos dias com os bispos chilenos no Vaticano para apurar responsabilidades pelos casos de abusos sexuais por parte do clero nas últimas décadas, chegou o anúncio. Todos os bispos apresentaram de imediato sua renúncia em bloco e puseram seus cargos à disposição de Francisco “para que livremente decida sobre cada um de nós”.
A partir deste momento, o Papa deverá decidir se aceita todas as renúncias ou somente algumas delas, o que de algum modo confirmaria o grau de envolvimento e responsabilidade de cada prelado nos casos. Este processo poderá prolongar-se no tempo e durar vários dias, semanas e até anos, se o Pontífice decidir levar adiante uma depuração completa da Igreja chilena, que poderia ser progressiva. Agora resta saber o que acontecerá com os bispos cuja renúncia Francisco aceitar e qual será seu destino.
Desde 2015, os casos de abusos no Chile por parte do clero gravitam em torno do nome do bispo de Osorno, Juan Barros, acusado de acobertar os abusos do ex-padre Fernando Karadima. Durante sua recente viagem ao Chile, o Papa defendeu Barros, que sempre negou as acusações. Mas os protestos das vítimas desencadearam a investigação que resultou nesse processo de expurgo. O Papa, que inicialmente havia tachado as acusações de “calúnias”, pediu perdão no voo de regresso a Roma e convidou três das vítimas a irem ao Vaticano. Pouco depois, enviou ao Chile uma missão especial encabeçada pelo arcebispo de Malta para averiguar os casos em profundidade. Barros havia apresentado sua renúncia em duas ocasiões, mas o Pontífice não a aceitou. Desta vez, parece claro que será um dos que deixarão o cargo.
As reuniões com os bispos chilenos no Vaticano terminaram nesta quinta-feira, dia 17. O Papa, por meio de uma carta pública, lhes agradeceu pela “plena disponibilidade que cada um manifestou para aderir e colaborar em todas aquelas mudanças e resoluções que teremos de implementar”, o que indica que a questão está agora completamente nas mãos do Pontífice e que será ele, e não os bispos chilenos, que se encarregará das mudanças e decisões que ocorrerão.
No primeiro dia de encontros Francisco lhes entregou um documento particular de 10 folhas escrito pessoalmente por ele e lhes pediu que meditassem sobre o conteúdo, tendo em vista as próximas reuniões. Um dos presentes vazou o texto para a imprensa e a televisão chilena Tele 13 divulgou o conteúdo da mensagem na íntegra. No documento, o papa confirma mudanças, regeneração e substituições na Igreja chilena; fala de medidas “em curto, médio e longo prazo” para chegar à raiz do problema e “para restabelecer a justiça e a comunhão”; e deixa claro que cabeças cairão, mas ressalta que essas medidas não serão suficientes e será preciso ir à origem da questão.
Segundo Francisco, a gravidade da situação requer aprofundar muito mais. “Os problemas vividos hoje dentro da comunidade eclesial não são solucionados somente abordando os casos específicos e reduzindo-os à remoção de pessoas; isto – e eu digo claramente – é preciso fazer, mas não é suficiente, é preciso ir mais além”, escreveu no documento. Também fala que algo não funciona em todo o corpo eclesiástico. “Seria irresponsável de nossa parte não aprofundar na busca das raízes e das estruturas que permitiram que esses acontecimentos específicos ocorressem e se perpetuassem”, acrescenta.
O texto escrito pelo Papa é fruto do relatório de 2.300 folhas que seus enviados especiais ao Chile, o espanhol Jordi Bertomeu, oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, e Charles J. Scicluna, arcebispo de Malta, lhe entregaram há algumas semanas. Segundo o documento redigido por Francisco para os prelados chilenos, foi confirmado que “para alguns religiosos expulsos de sua ordem por causa da imoralidade de sua conduta e depois de ter sido minimizada a gravidade absoluta de seus atos delitivos (...) foram confiados cargos diocesanos ou paroquiais que implicam contato cotidiano e direto com menores de idade”.
No texto, o Papa adverte que a Igreja do Chile experimentou “uma transformação em seu âmago” e acrescenta que “seu pecado se tornou o centro das atenções”. E também fala de uma série de erros das autoridades da Igreja chilena na hora de investigar e punir os abusos. E das irregularidades nos procedimentos, o tratamento dado às vítimas e o modo de administrar suas denúncias.
As vítimas dos abusos no Chile, que haviam passado alguns dias no Vaticano a convite do papa, não demoraram a expressar sua satisfação. “Fico tremendamente alegre para começar a sanar esta Igreja que não merece esses verdadeiros corruptos e criminosos”, afirmou Juan Carlos Cruz, que na adolescência sofreu abuso do influente sacerdote Fernando Karadima, caso que desatou a crise que a Igreja chilena atravessa atualmente. Fonte: https://brasil.elpais.com
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O evento terminou neste domingo (20). Nem a chuva e o frio afastaram os fiéis do maior evento paroquial do mundo, realizado no Taguaparque.
Os festejos de Pentecostes reuniram 500 mil pessoas em três dias de celebrações, no Taguaparque, em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. Segundo estimativa da Polícia Militar. Nem a chuva e o frio inesperados do fim de semana, atrapalharam a celebração da maior festa paroquial do mundo. O evento começou na sexta-feira (18/5) e terminou no fim da tarde deste domingo (20).
Idealizado pelo padre Moacir Anastácio, da Paróquia São Pedro, a festa ocorre 50 dias depois do domingo de Páscoa, que foi comemorado em 1º de abril deste ano. Nessa ocasião é relembrado o envio do Espírito Santo à Igreja, logo após a ressurreição de Cristo. A intenção é enfatizar a importância de propagar o evangelho em cada canto do mundo.
Nos dois primeiros dias da celebração, 150 mil fiéis participaram da comemoração para fazer orações, pedidos de cura e agradecer graças alcançadas. Apenas neste domingo, 80 mil pessoas foram até o Taguaparque acompanhar os festejos.
A técnica em enfermagem, Patrícia Alves Guimarães, 36 anos, foi uma das participantes dos festejos de Pentecostes. Para ela, essa é uma oportunidade de elevar a fé. “Já vim outras vezes. Hoje, estou aqui com minha família. Trouxe meu esposo, minha filha de 8 anos e meu bebê de 11 meses”, disse ao destacar a importância do evento. “Queremos ensinar o caminho de Deus para nossos filhos. A presença de Deus é fundamental na vida de todo mundo. Há católicos e gente de todas as religiões”, completou.
O encerramento do evento, realizado no fim da tarde deste domingo, contou com celebração de missa pelo padre Moacir. Fonte: /www.metropoles.com
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O Papa Francisco presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Na mesma cerimônia serão também canonizados outros 4 bem-aventurados.
Cidade do Vaticano
Paolo VI e Dom Oscar Arnulfo Romero serão santos no dia 14 de outubro. O anúncio oficial foi comunicado na manhã deste sábado (19/05) pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
O Papa presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Com Papa Giovanni Battista Montini e o arcebispo salvadorenho, serão também canonizados na mesma cerimônia os sacerdotes italianos Francesco Spinelli e Vincenzo Romano, a religiosa alemã Maria Caterina Kasper e a espanhola Nazaria Ignacia March Mesa.
Francisco já havia autorizado a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os Decretos de reconhecimento dos milagres, mas a data e o local foram revelados esta manhã, após o Papa ter presidido a hora média da liturgia das horas e o Consistório com os cardeais residentes e presentes em Roma. Fonte: www.vaticannews.va
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A Festa de Pentecostes, coração do Mistério Pascal, é a Festa do Espírito Santo. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo. No século I tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus.
Nessa festa, eles renovavam os compromissos da Aliança com o Deus Libertador que cuidava do seu Povo que havia saído do Egito, que caminhou pelo deserto e fez aliança com ele através das tábulas da Lei.
No capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos (primeira leitura deste domingo) Lucassitua esta Festa neste dia como uma celebração da nova Aliança que Deus faz com o novo povo de Deus animado pelo Espírito Santo. Ele é a nova Lei que anima a vida dos crentes, das comunidades que iam nascendo. O Espírito gera vida e está sempre presente no coração de cada uma e cada um dos discípulos. Ilumina o caminho da Igreja nascente, e ilumina seu caminhar, como havia dito Jesus: “O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que eu disse a vocês são espírito e vida.” (Jo 6,63).
Jesus tinha prometido aos discípulos e discípulas que não os deixaria órfãos, porque ele voltaria. Também havia dito: “Quem aceita os meus mandamentos e a eles obedece, esse é que me ama. E quem me ama, será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele”. Para compreender suas palavras ele promete o Espírito Santo, “o Advogado que o Pai vai enviar em meu nome, ele ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse.” (cfr Jo 14).
O Espírito Santo é quem ajuda a compreender as palavras de Jesus e a vida que o move a atuar com tanta liberdade. O Espírito é entendimento, força, sabedoria, discernimento, mas, como disse Paulo aos Coríntios, o Espírito é o mesmo.
No texto que lemos hoje, estamos no primeiro dia da semana. É o começo de uma nova semana, mas já está anoitecendo. O dia está desaparecendo no horizonte e a obscuridade começa a reinar: anoitece.
As dificuldades da perseguição e a crueldade da paixão vivida pelo Mestre abatiam os discípulos e discípulas que ainda sofriam suas consequências. Eles sabiam que Jesus estava ressuscitado, mas isso ainda não era uma alegria completa. Não era fácil entender o que havia acontecido. Eles permanecem com as portas fechadas: "estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus".
Essas portas fechadas por medo convidam-nos a perguntar-nos: quais são nossas portas fechadas? Fechamos nossa interioridade, e nossa aparência oculta atitudes, sofrimentos, nossa história, nossa origem?
Fechamos nossas comunidades às mudanças que traz o Espírito, porque nos desestabiliza, nos faz mudar os projetos, nos tira da nossa segurança? Fechamos nossos ouvidos para não escutar sua voz? Tapamos nosso olhar para não ver aquilo que nos compromete?
Obstruímos possíveis aberturas para que nenhum vento possa entrar e esfriar nosso bem-estar? Temos medo do quê? Pessoas, situações, experiências que não queremos viver de novo? Reconhecemo-nos necessitados da força do Espírito e ansiamos por sua presença?
Como a comunidade primitiva, precisamos do Espírito Santo, Espírito que fortaleça, Espírito que nos renove desde nossa mais profunda interioridade.
Apesar de estar com as portas fechadas, Jesus entra e o que oferece primeiro aos discípulos, e também a cada um e cada uma de nós, é sua paz.
A paz do Consolo, a paz da sua presença que nos reúne num só corpo. Uma paz que permanece em nós, serenando os conflitos interiores, pessoais, comunitários ou culturais. Uma paz que não se conquista com a luta, porque é a paz que oferece Jesus Ressuscitado pela força do seu Espírito que sopra sobre nós e nos enche de sua presença:“Jesus soprou sobre eles, dizendo: Recebam o Espírito Santo”.
Neste domingo, peçamos ao Espírito que sopre sobre cada um e cada uma de nóspara renovar-nos por dentro. Que nos encha de sua paz para que sejamos assim comunicadores de sua vida Ressuscitada, que desvende nossos olhos, liberte nossa mente, abra nossos ouvidos e sejamos reconstruídos pela sua Vida.
Por isso, neste domingo de Pentecostes, acolhamos humildemente o Amor do Pai e do Filho que é o Espírito Santo, para colaborar com a obra de Deus: “que todos sejam um, como tu Pai em mi e eu em Ti” (Jo 17,21).
Oração
Peçamos a Jesus que envie sobre todos os cristãos e cristãs, sobre toda a humanidade, seu Espírito Santo. Através desta oração busquemos conhecê-lo e crescer numa relação de amizade com Ele. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
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“A unidade dos cristãos ou a unidade cristã é graça de Deus, é Deus quem faz. E a graça nós alcançamos pela oração”. Assim o bispo de Cornélio Procópio (PR), dom Manoel João Francisco, define a importância da Semana de Oração pela Unidade Cristã, iniciada no domingo, dia 13 de maio.
O bispo, que é membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ensina que a oração toca o coração de Deus, “Ele mesmo nos orientou nesse sentido de que no meio de toda a ação em busca da unidade cristã, a oração é a principal”.
Dom Manoel também destaca na entrevista as reflexões do teólogo Hans Küng sobre o papel das religiões na construção da paz mundial.
Celebrações
Igrejas Católicas, anglicanas, protestantes, ortodoxas e tantas outras estão celebrando desde a Festa da Ascenção do Senhor a Semana de Oração pela Unidade Cristã (Souc), sob o impulso do tema A mão de Deus nos une e liberta” (Ex 15, 1-21).
A Comissão para o Ecumenismo da CNBB incentiva a celebração da semana em todo o Brasil, sejam nos regionais e dioceses que já possuem as comissões correlatas, sejam nas paróquias e comunidades. “O importante é estarmos juntos para pedir o dom da união entre os cristãos”, ressaltou o assessor da Comissão na CNBB, padre Marcus Barbosa Guimarães. Segundo ele, o Conic deve receber ao final dessa semana diversos relatos de celebrações e iniciativas ecumênicas Brasil afora, mas destacou que acontecem atividades na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na baixada fluminense, onde estão as dioceses de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, também na Bahia, em São Paulo e no Paraná.
De acordo com Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), que oferece os materiais para as celebrações destes dias, além das igrejas-membro do conselho, em muitas cidades a Semana de Oração congrega lideranças e membros de outras igrejas, como a Quadrangular, Assembleia de Deus, Metodista, comunidades ortodoxas, entre outras. Também ganha destaque a atividade que acontecerá em Campo Grande (MS), no último dia da Souc: uma concentração no centro da cidade para pedir mais tolerância religiosa com a presença de diversas manifestações de fé, incluindo as de matriz africana.
São igrejas-membro do Conic: Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.
Fonte: ttp://www.cnbb.org.br
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Conferência Episcopal Chilena foi convocada pelo Papa Francisco para analisar os casos de abusos cometidos por membros da Igreja nas últimas décadas.
Tem início esta terça-feira, no Vaticano, o encontro do Papa Francisco com os bispos do Chile sobre a questão dos abusos que se verificaram na Igreja daquele país. Os colóquios se encerram no dia 17 de maio, com a participação de 31 bispos diocesanos e auxiliares e três bispos eméritos.
Coletiva de imprensa
Às vésperas deste encontro, dois bispos chilenos realizaram uma coletiva de imprensa na sede do Vatican News: Dom Fernando Ramos, bispo auxiliar de Santiago e secretário-geral da Conferência Episcopal Chilena, e Dom Juan Ignacio González, bispo de San Bernardo.
Convocados pelo Papa
Citando a carta de convocação do Papa Francisco de 8 de abril passado, Dom Ramos explicou: “Em primeiro lugar, viemos a Roma para receber as conclusões do relatório de Dom Scicluna sobre sua visita ao Chile e também para fazer um discernimento para encontrar medidas a breve, médio e longo prazo para restabelecer a comunhão e a justiça. Estes são os dois grandes temas para os quais o Santo Padre nos convidou com a sua carta”.
Discernimento sobre as responsabilidades
“Esses encontros – prosseguiu Dom Ramos – referem-se às questões de abusos de poder, abusos de consciência e abusos sexuais que se verificaram nas últimas décadas na Igreja chilena, assim como os mecanismos que levaram em alguns casos à ocultação e a graves omissões em relação às vítimas. Um segundo ponto é compartilhar as conclusões que o Santo Padre tirou do relatório de Dom Scicluna. E um terceiro ponto é o convite do Papa a fazer um longo processo sinodal de discernimento para ver as responsabilidades de todos e de cada um nessas feridas terríveis que são os abusos e buscar as mudanças necessárias para que não se repitam mais”.
Dor e vergonha
Dom Ramos então afirmou: “A nossa atitude é de dor e vergonha, em primeiro lugar. Dor porque infelizmente existem as vítimas: existem pessoas que são vítimas de abusos e isso causa profunda dor. E vergonha porque esses abusos aconteceram em ambientes eclesiais que são justamente os locais onde estes tipos de abusos jamais deveriam acontecer”.
Perdão e reparação
Dom Ramos acrescentou: “Devemos pedir perdão 70 vezes 7. Creio que seja um imperativo moral para nós muito grande. O importante é que o pedido de perdão seja realmente reparador”. O prelado concluiu: “Com toda humildade ouviremos o que o Papa nos dirá”; este é “um momento muito importante” para a renovação da Igreja chilena.
Papa Francisco, exemplo para os bispos chilenos
Por sua vez, Dom González disse que os bispos chilenos veem o Papa Francisco como um exemplo por ter admitido os erros, ter pedido perdão e por ter encontrado as vítimas. O ponto central – reiterou – são as vítimas e por isso a Igreja deve fazer obra de reparação, com humildade e esperança, seguindo o ensinamento de Jesus.
Sala de Imprensa
Em comunicado de 12 de maio passado, a Sala de Imprensa afirmou que “é fundamental restabelecer a confiança na Igreja através de bons pastores que testemunhem com sua vida ter conhecido a voz do Bom Pastor e que saibam acompanhar o sofrimento das vítimas e trabalhar de modo determinado e incansável na prevenção dos abusos. O Santo Padre agradece a disponibilidade dos seus irmãos Bispos de se colocar à escuta doce e humilde do Espírito Santo e renova seu chamado ao Povo de Deus no Chile para continuar em estado de oração para que haja a conversão de todos”.
E concluiu: “Não está previsto que o Papa Francisco faça qualquer declaração nem durante nem depois dos encontros, que se realizarão em absoluta confidencialidade.” Fonte: www.vaticannews.va
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