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Quarta-feira, 14 de dezembro, na audiência geral o Papa Francisco propôs mais uma catequese sobre a esperança cristã.
O Santo Padre recordou o profeta Isaías que nos convida a abrirmo-nos à esperança, acolhendo a Boa-Nova da salvação que está a chegar. No fim do exílio na Babilônia, é a possibilidade de Israel reencontrar Deus. O Senhor aproxima-se – assinalou o Papa – e aquele «pequeno resto» que atravessou a crise e que continuou a crer e a esperar poderá ver as maravilhas do Senhor.
O pequeno resto a que se refere Francisco é o pequeno povo que ficou depois do exílio, aquele resto que “no exílio resistiu na fé, que atravessou a crise e continuou a crer e a esperar mesmo no meio da escuridão”.
O Papa na sua catequese sublinhou algumas das palavras do canto de Isaías no capítulo 52:
«O Senhor mostra a força do seu braço poderoso (…) e todos os confins da terra verão o triunfo do nosso Deus». «Diz a Sião: “O rei é o teu Deus!”». Estas palavras mostram a fé num Deus que Se inclina misericordiosamente sobre o homem, para o libertar de tudo o que desfigura nele a imagem de Deus – observou o Santo Padre.
E a plenitude de tanto amor é precisamente o Reino instaurado por Jesus, aquele Reino de perdão e paz que chega no Natal e se realiza definitivamente na Páscoa – declarou.
Os motivos da nossa esperança são estes – disse Francisco – “quando tudo parece perdido, quando, à vista de tantas realidades negativas, torna-se difícil acreditar e vem a tentação de dizer que já nada tem sentido, faz-se ouvir a Boa Nova: Deus está a chegar, para realizar algo de novo, instaurar um Reino de paz, vem trazer liberdade e consolação. O mal não triunfará para sempre, acabará a tribulação”.
Somos chamados a ser homens e mulheres de esperança, que proclamam a vinda deste Reino feito de luz e destinado a todos. “Esta mensagem é urgente!” – lembrou o Papa dizendo que devemos também correr, como o mensageiro sobre os montes de que fala o profeta, porque o mundo não pode esperar, a humanidade tem fome e sede de justiça e de paz.
E a promessa cumpre-se no Menino de Belém, uma criança que nasce “necessitada de tudo” colocada “numa manjedoura”: ali está todo poder do Deus que salva. “É preciso abrir o coração – o Natal é o dia para abrir o coração!” – declarou o Santo Padre.
O Papa afirmou que no Natal é preciso abrir o coração a toda a “pequenez” que está ali naquele Menino. Um Natal que devemos preparar “com esperança neste tempo de Advento”. “É a surpresa de um Deus Menino, de um Deus pobre, de um Deus débil, de um Deus que abandona a sua grandeza para se fazer próximo de cada um de nós” – disse Francisco no final da sua catequese.
Nas saudações destaque para aquela dedicada aos peregrinos de língua portuguesa na qual o Papa fez votos de um “Santo Natal de Jesus, vivido com a mesma fé humilde e obediente de Maria e José”. O Santo Padre pediu para vermos na força do Menino Jesus “a vitória final sobre os poderes arrogantes da terra”.
O Papa Francisco a todos deu a sua benção! http://pt.radiovaticana.va
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Uma velhice fecunda e feliz: é a oração que pede Francisco no dia em que completa 80 anos (17/12). E o Papa comemorou com uma missa concelebrada com os cardeais na Capela Paulina, no Vaticano.
Na homilia, inspirando-se na liturgia do dia, o Papa Francisco pediu a graça da memória. No percurso do Advento, em que a vigilante espera se transforma mais intensa, a liturgia nos faz parar um pouco para ler a origem de Jesus. Fazer memória, olhar para trás para poder prosseguir melhor avante. “Este é o significado da liturgia de hoje: a graça da memória, pedir esta graça. Não esquecer. É próprio do amor não esquecer, ter sob os olhos o bem que recebemos. É próprio do amor olhar para a história: de onde viemos, os nossos pais, os nossos antepassados. O caminho da fé. E esta memória nos faz bem, porque torna mais intensa esta vigilante espera pelo Natal.”
Os pilares da memória cristã
Assim é o caminho para o cristão, explicou o Papa: “Nos fizeram uma promessa, uma promessa que será plena no final, mas se consolida com cada aliança que nós fazemos com o Senhor, aliança de fidelidade, e nos faz ver que não somos nós quem elegemos, nos faz entender que todos nós fomos eleitos. A eleição, a promessa e a aliança são como os pilares da memória cristã.”
Francisco prossegue dizendo que quando ouvimos este trecho do Evangelho, há uma história de grande graça, mas também de pecado. “No caminho, sempre encontramos graça e pecado. Na história de salvação, tem grandes pecadores na lista. E há santos. Nós na própria vida encontraremos o mesmo. Momentos de grande fidelidade ao Senhor, de alegria no serviço e alguns momentos ruins de infidelidade, de pecado, que nos faz sentir a necessidade de salvação. E esta é também a nossa segurança. Porque quando precisamos de salvação, confessamos a fé.”
O Senhor não desilude
Ao parar e olhar para trás, acrescentou o Papa, vemos que o caminho foi belo, que o Senhor não nos desiludiu, que o Senhor é fiel. Vemos também que seja na história, seja na nossa vida, houve momentos de fidelidade e momentos tristes de pecado. “Mas o Senhor, com a mão estendida para nos levantar, vai avante e esta é a vida cristã.”
“Que este caminho jamais nos tire a graça da memória, de olhar para trás e ver tudo aquilo que o Senhor fez por nós e pela Igreja”, pediu por fim o Pontífice. Assim entenderemos porque hoje a Igreja nos faz ler este trecho, que pode parecer “tedioso”, a história de um Deus que quis caminhar com o seu povo e fazer-se, no final, um de nós.
“Que o Senhor nos ajude a retomar esta graça da memória. ‘Mas é difícil, é tedioso, houve tantos problemas......’ Mas a história da Carta aos Hebreus tem uma frase belíssima para as nossas lamentações: fique tranquilo, você ainda não chegou a dar o sangue. Um pouco de humorismo também daquele autor inspirado para nos ajudar a ir avante. Que o Senhor nos dê esta graça.”
Velhice
No final, o Papa agradeceu a presença dos cardeais no dia de seu aniversário e fez uma reflexão sobre a velhice:
“Há alguns dias, me vem à cabeça uma palavra que parece feia: velhice. Assusta. Mas lembro do que disse a vocês em 15 de março, no nosso primeiro encontro. A velhice é sede de sabedoria, esperamos que também para mim seja assim. Também penso em como chegou tão depressa, e penso no poema de Plínio: passo silencioso, e a velhice chega de uma só vez. Mas se pensar como uma etapa da vida para ter alegria, sabedoria e esperança, alguém começa a viver. E penso em outro poema que disse a vocês naquele dia: a velhice é tranquila e religiosa. Rezem para que a minha seja assim: tranquila, religiosa e fecunda e também alegre. Obrigado.” Fonte: http://pt.radiovaticana.va
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Um adolescente com aproximadamente 13 anos do município de Lagoa da Canoa foi executado a tiros, na manhã desta sexta-feira (16) em uma estrada da zona rural de Girau do Ponciano na estrada que dá acesso ao povoado Caldeirões.
Comentários de alguns moradores de Lagoa da canoa, o menor que foi executado por nome de Gabriel, praticava vários furtos e assaltos de mão armada na cidade. Segundo a Polícia Militar, em Girau do Ponciano, o adolescente foi abordado por homens armados A vítima foi atingida por vários disparos na cabeça e morreu no local.
Ainda não há informações sobre o autor do crime nem dos motivos do homicídio. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Arapiraca. Fonte: http://canoense.com
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O pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, chegou à sede da superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, para depor, por volta das 16h desta sexta-feira (16). Ele é um dos alvos da Operação Timóteo, deflagrada hoje pela PF, que investiga irregularidades em cobranças de royalties da exploração mineral.
Malafaia foi levado coercitivamente para depor. Antes de prestar o depoimento, conversou com jornalistas na porta da superintendência e disse que se apresentou espontaneamente.
O pastor diz ser inocente. Exaltado, confirmou ter recebido um cheque no valor de R$ 100 mil de um amigo, que também é pastor, depositado diretamente em sua conta bancária. Ele disse que o valor era uma "oferta" por ter orado por uma pessoa, em 2011, que agora, descobriu fazer parte do esquema criminoso. O valor, segundo ele, foi declarado no Imposto de Renda.
"Em 2013, eu recebi em meu escritório o pastor Michael Abud, meu amigo há mais de 20 anos, sobre um membro da igreja dele, que é empresário, para me dar uma oferta pessoal. Ele me deu uma oferta de R$ 100 mil depositado na minha conta, declarado no Imposto de Renda", disse.
Ao ser indagado sobre o depósito ter sido em sua conta pessoal, e não na da Igreja, Malafaia respondeu que "é muito fácil" fazer essa diferenciação. "Recebo oferta, como vários pastores. Eu fui na igreja desse pastor Abud, que é meu amigo, em 2011. 'Ore aqui por um empresário que está envolvido em negócios'. Eu orei por ele. Em 2013, o Michael Abud me liga e diz: 'Silas, sabe aquele empresário por quem você orou? Ele quer fazer uma oferta pessoal. Eu não recebi oferta só de R$ 100 mil não. Recebo ofertas até maiores e declaro no Imposto de Renda. Não tem nada escondido, não tem nada oculto. A diferença é que as pessoas dão oferta ou para o pastor ou para a instituição. Muito mais na instituição do que para o pastor", disse.
O pastor disse que recebe cheques de altos valores para a igreja e, também, pessoalmente. Valores, de acordo com ele, muitas vezes superior a R$ 100 mil, chegando a R$ 5 milhões.
Malafaia reclamou de ter sido convocado para prestar esclarecimentos hoje. "Não sou bandido, não estou envolvido com corrupção, não sou ladrão. Estou indignado. Que Estado de Direito é esse? Sabe o porquê disso? Porque, há dez dias atrás, eu falei que sou a favor de uma justiça independente, forte, mas não absoluta. Retaliação, é isso? Querem aparecer em cima de mim?", falou em tom alto. "Essa é uma tentativa de denegrir, e tem interesses pessoais, porque eu me posiciono, porque eu me coloco. Isso é uma safadeza, uma molecagem. Estou desafiando a provar que estou envolvido com esses canalhas. Metam eles na cadeia", disse.
Segundo ele, é impossível saber se as pessoas que depositam dinheiro ou fazem doações são criminosos. "Amanhã, um vagabundo qualquer, um bandido qualquer, um traficante qualquer, um canalha qualquer deposita um cheque na minha ou qualquer igreja. E o cara é descoberto. Quer dizer que o pastor é bandido?."
Malafaia deixou a Superintendência da PF por volta das 18h e disse ter prestado todos os esclarecimentos necessários. "Foi tudo esclarecido. O delegado, muito competente, perguntou tudo o que tinha direito. Eu respondi tudo", relatou Malafaia. "Sou suspeito de usar contas da minha instituição? Lembrei-me de ter recebido a visita de um amigo meu, de 20 anos, que levou um membro dele [o empresário] para fazer uma oferta e eu vou desconfiar que o cara está envolvido? Nem ele, o pastor Michael Abud, sabe do envolvimento desse cara, tenho certeza".
Malafaia disse que vai esperar o final das investigações para analisar o que fará sobre o fato de ter sido alvo da operação. "Vou até o final, porque quem é amanhã que vai me dar toda essa mídia se encerrar [a investigação] e vocês falarem: 'olha, pastor, encerraram e não tem nada contra o senhor'? Eu vivo de conceito da opinião pública. Vivo disso. Recebo ofertas de milhares e centenas de milhares das pessoas. E quem é que vai recuperar isso? Quem é que vai recuperar o dano que está me causando e quem vai recuperar a minha honra?"
Indagado por jornalistas se não seria, então, o caso de devolver o dinheiro, de fonte ilegal, que foi depositado em sua conta, Malafaia respondeu: "Se, de fato, é um dinheiro ilícito, é claro que eu devolveria. Não preciso de roubo". No entanto, ele acrescentou que não teria como devolver um dinheiro, fruto de doação, se ele não sabe a origem do dinheiro. "Vou devolver o que, se recebi uma oferta? Ninguém devolve oferta. Você recebe as ofertas e não sabe quem é o cara que dá. Se a Justiça mandar eu devolver um valor, eu vou devolver", disse.
Sobre o fato de, há alguns meses, ter se posicionado no Twitter a favor das conduções coercitivas, principalmente no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pastor Malafaia disse que agora é diferente. "Acho engraçado os esquerdopatas. Quando o Lula foi levado coercitivamente, eu botei no Twitter. Tem que levar. Agora, são quantas denúncias contra o Lula? Essa cambada de corrupto e de PT quer me comparar com isso? É uma afronta. Quem está me denunciando? Quem é que foi preso e disse que eu recebia dinheiro? Querem comparar? Tem que ter lógica, gente", afirmou.
Operação Timotéo
A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Timóteo, com ações em 11 estados e no Distrito Federal. Estão sendo realizadas buscas e apreensões em 52 endereços relacionados a uma organização criminosa investigada por esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral.
"Entre uns dos investigados por esse apoio na lavagem do dinheiro está uma liderança religiosa, que recebeu valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. A suspeita a ser esclarecida pelos policiais é se esse líder religioso pode ter 'emprestado' contas correntes de uma instituição religiosa sob sua influência, com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores", informou a corporação. Fonte: http://noticias.uol.com.br
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Com a Catedral da Sé lotada e sob aplausos, o corpo do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, foi sepultado nesta sexta-feira (16) sob o olhar de autoridades da política e do clero, além de centenas de fiéis. O religioso morreu na última quarta-feira (14), aos 95 anos.
O caixão foi fechado por volta das 14h30 e levado ao altar. Logo depois, foi realizada uma missa de duas horas de duração, encerrada com a condução do corpo à cripta da catedral. A imprensa e o público não puderam acompanhar o sepultamento. A cripta foi aberta ao público logo depois, e o acesso ficaria livre até as 20h desta sexta. Nos próximos dias, poderá ser visitada das 9h às 12h e das 13h30 às 16h30.
O público da despedida a dom Paulo foi, de certa forma, um resumo de sua trajetória. Enquanto do lado de fora da Sé movimentos sociais davam seu adeus em forma de protesto na escadaria da catedral, passavam ao lado do corpo do arcebispo emérito políticos de diferentes campos, assim como alguns dos principais nomes da Igreja Católica no Brasil.
A missa foi aberta pelo cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, e conduzida por diversos integrantes do clero. O cônego Antônio Aparecido Pereira foi muito aplaudido ao lembrar a trajetória de dom Paulo, com destaque para a atenção aos pobres e a luta contra as atrocidades da ditadura militar. Ao encerrar sua fala com o bordão de dom Paulo, "coragem, esperança!", foi ovacionado.
Padres e fiéis se uniram para gritar o nome do arcebispo emérito. Uma cena que, a princípio, caberia mais a uma torcida de futebol. Mas dom Paulo era torcedor fanático do Corinthians, cuja bandeira estava postada logo abaixo do altar.
O ato contou com militantes de movimentos como a Frente Brasil Popular e a União Nacional da Moradia Popular, além de integrantes de pastorais.
Militante desde a década de 80, Evaniza Rodrigues, da União Nacional da Moradia Popular, relembrou o apoio de dom Paulo à causa em 1996, quando a ONU debatia se moradia era ou não um direito humano.
"No Corpus Christi, que é a festa mais importante da arquidiocese, ele colocou como tema o direito à moradia. Daquela torre da catedral desceu uma faixa imensa dizendo: 'Moradia é um direito humano'", conta.
Segundo Evaniza, a Igreja deixou de ser tão atuante na vida das pessoas nos últimos tempos. Ela disse esperar que a Igreja "continue sendo um lugar de acolhida do povo, para o povo se organizar e lutar" contra o desemprego, a reforma da Previdência e o "desmonte das políticas sociais". "Essas seriam lutas que, com certeza, dom Paulo estaria na frente com a gente."
Entre as autoridades, compareceram o governador paulista, Geraldo Alckmin, e o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, ambos do PSDB; o prefeito Fernando Haddad (PT); e o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Numa cena rara, o quarteto dividiu a primeira fila da ala destinada a autoridades.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve no velório na quinta-feira. O presidente Michel Temer (PMDB) não foi ao velório nem ao enterro, mas enviou uma coroa de flores.
Entre as autoridades do clero presentes, estava o arcebispo de Vitória, Dom Luiz Vilela; o arcebispo do Rio, cardeal dom Orani Tempesta; arcebispo emérito do Rio, cardeal dom Eusébio Scheid; o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal dom Sérgio da Rocha e o arcebispo emérito de Aparecida e ex-presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis.
"Paulo nos estimula, como conferência episcopal, a ser uma Igreja profética, isto é, que anuncia a esperança, a vida nova que vem de Jesus, mas que também denuncia as injustiças, a violência, para afirmar a dignidade e os direitos, sobretudo dos mais pobres e fragilizados", disse dom Sérgio.
A missa de exéquias – honras fúnebres – teve duas horas de duração. A catedral, que tem capacidade para 2.300 pessoas está lotada. Uma grande faixa da Pastoral do Povo de Rua foi estendida em meio aos populares que assistem a celebração. Em sua homilia, dom Odilo lembrou o lema de dom Paulo, "de esperança em esperança", e disse que a frase serviu como "fio condutor" de sua vida.
"Esta mesma esperança unida à fé inabalável deu-lhe a sabedoria dos humildes, capazes de reconhecer a dignidade e a beleza de cada criatura, especialmente de cada pessoa humana", disse o cardeal.
O caixão deixou o altar sob muitos aplausos e gritos de "viva dom Paulo".
A cripta onde dom Paulo foi sepultado foi aberta ao público pouco depois da missa. Centenas de fiéis fizeram fila para entrar no local. Nos bancos da catedral, muitos rezavam.
Para dom Odilo, dom Paulo deixa para o momento político de hoje uma mensagem a favor "do que é justo, do que é honesto", do respeito a todos e da defesa dos mais pobres.
Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, disse que a defesa dos direitos humanos feita por dom Paulo continua sendo muito importante. "Quando nós vemos os terrorismos, a Síria, aquelas coisas bárbaras, quanto falta uma voz profética que fale, que não tenha medo, não recue. Claro, nós temos o papa Francisco, que faz isso, mas ele precisa de outras pessoas que se juntem e gritem como ele. Dom Paulo fazia isso. Ninguém o calava, o segurava. Ele ia confiando em Deus e pronto."
Biografia
Paulo Evaristo nasceu em 14 de setembro de 1921 na pequena Forquilhinha, na região de Criciúma, antiga colônia de imigrantes alemães em Santa Catarina. Ele morreu aos 95 anos após sofrer de broncopneumonia.
A exemplo do irmão mais velho, frei Crisóstomo, Paulo Evaristo entrou em um seminário franciscano. Foi professor de Teologia no seminário franciscano de Petrópolis (RJ), onde trabalhou dez anos em favelas, período que descreveria como o mais feliz da vida. Em maio de 1966, foi nomeado bispo auxiliar do então cardeal de São Paulo, dom Agnelo Rossi, que o designou para a região de Santana, na zona norte.
Dedicava-se aos presos da Casa de Detenção do Carandiru e criava núcleos das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), experiência pioneira na arquidiocese, quando, em 1970, tornou-se o novo arcebispo de São Paulo.
Um ano antes, tivera os primeiros contatos com vítimas do regime militar, início da luta em defesa dos direitos humanos que marcaria sua carreira. Designado pelo cardeal para verificar as condições em que se encontravam os frades dominicanos e outros religiosos na prisão, constatou que eles estavam sendo torturados.
Os militares não gostaram da nomeação de dom Paulo. Quando foi elevado a cardeal, em março de 1973, uma das suas primeiras medidas foi criar a Comissão Justiça e Paz, formada por advogados e outros profissionais, para atender pessoas perseguidas pela ditadura. Funcionava na Cúria Metropolitana, sinônimo de refúgio e esperança para as famílias de mortos e de desaparecidos.
Dom Paulo tornou-se um símbolo de resistência contra a ditadura militar e, entre outras ações, denunciou torturas nos quartéis, visitou presos em suas celas e liderou protestos. Fonte: noticias.bol.uol.com.br
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Inspiradas em Dom Paulo, elas estão a serviço da Igreja
Maria Angela, Anita Gomes e Rosina Azevedo, Helena Corazza, Mirian Kolling, Ana Flora Anderson. São mulheres que na quinta-feira, 15, logo pela manhã foram à Catedral da Sé rezar ao lado do corpo do Cardeal Arns, arcebispo emérito de São Paulo, que morreu na quarta-feira, 14, e será sepultado nesta sexta-feira, 16, na cripta da Catedral, após a missa das 15h.
Embora elas tenham convivido com Dom Paulo por motivos diferentes, o que as une é a gratidão por terem tido a oportunidade de conviver com este homem que marcou profundamente a Igreja, a sociedade e a vida de pessoas de uma forma concreta e cheia de significado.
São mulheres fortes, que continuam a luta pela justiça e pelos direitos humanos. E, embora hajam muitas outras como Marina Bandeira, que foi coordenadora da Comissão Justiça e Paz Nacional; Margarida Genevois, a única mulher que trabalhava na Comissão Justiça e Paz de São Paulo; Ruth Maria de Carvalho, uma das primeiras leigas consagradas de São Paulo ou ainda Ana Dias, a esposa de Santo Dias, assassinado durante a ditadura militar, algumas contaram suas experiências à reportagem do O SÃO PAULO.
Irmã Helena Corazza, religiosa paulina
“Trabalhei com Dom Paulo de 1977 até 1980 coordenando um Setor da Arquidiocese. Naquele tempo, tínhamos um empenho de articular as religiosas na pastoral. Uma vez por mês, havia um encontro de todas com ele. Uma preocupação que ele tinha já naquela época era a respeito das migrações, que a Igreja se fizesse presente na vida dos migrantes, evitando o anonimato. Ele também se preocupava muito com a formação para a comunicação do clero. Lembro-me ainda de uma missa na Catedral da qual eu participei, em que ele falou sobre a ditadura e as muitas noites que passou no Departamento de Ordem e Política Social (Dops) para conseguir ver ou falar com algum preso que queria ajudar.”
Irmã Miria Kolling, compositora e cantora
“Ele foi o profeta da esperança. Fico muito comovida porque, quando ele celebrou o Jubileu, o Frei Fabretti e eu compusemos uma missa com a letra do padre Lucio Floro, “De esperança em esperança”. Dom Paulo, defensor dos pobres, amigo do povo como Jesus, deixa para nós essa marca do compromisso e da misericórdia para o mundo.
Maria Angela Borsoi, secretária de Dom Paulo durante 40 anos
“Estou muito alegre e serena em ação de graças, aqui pertinho do nosso Dom Paulo. Agradeço a Deus o privilégio de conhecê-lo a pelo menos 50 anos atrás e ter trabalhado com ele em Santana, quando ele era bispo auxiliar, na equipe de evangelização. Dom Paulo ateou fogo missionário naquele grupo, composto de leigos, religiosos e padres. E fiquei sendo secretária dele, pois naquela época eu era uma das únicas que sabia datilografar e tinha uma máquina portátil. Eles perceberam que eu tinha facilidade para escrever e por isso me convidaram. Quando ele foi nomeado arcebispo de São Paulo, eu então fui me despedi dele, pois achava que não iria continuar o trabalho. Mas ele disse: ‘Como não? Só se você não quiser.’ E eu continuei. São os caminhos de Deus! Hoje, aos 77 anos, percebo tudo o que me foi dado para viver e estou ainda mais feliz, porque a vida de Dom Paulo é de domínio público e a todos os que me perguntarem, essa velha tem muita história para contar.”
Ana Flora Anderson, biblista
“Dom Paulo tinha uma visão à frente do seu tempo. A questão da mulher na Igreja, por exemplo, seja na Comissão de Justiça e Paz, sejam as Consagradas e leigas consagradas. Desde que foi publicada a notícia de sua morte, amigos ingleses que trabalharam na época da ditadura têm me telefonado para saber sobre a vida de Dom Paulo. Ontem recebi um e-mail do diretor no National Catholic Reporter, dos Estados Unidos da América, que foi um jornal que enviou repórteres ao Brasil durante a ditadura dúzias de vezes, para conversar com Dom Paulo.
Irmã Anita Gomes, religiosa vicentina, que trabalhou, a pedido de Dom Paulo, no Amparo Maternal
“Quando ele me mandou para lá, encontrei uma casa que estava desmoronando. Então eu pensei: o que vou fazer aqui? Mas, Dom Paulo me chamou, pôs a mão no meu ombro e nunca mais tirou. Ele arrumou tudo o que podia. Em primeiro lugar, precisava pintar. Então eles chamou um grupo de seminaristas, que ficou um mês pintando e renovou um pouco a estrutura. Dom Paulo viajava muito, mas sempre trazia aquilo que podia para ajudar. Foi uma força, pois sem essa força eu não poderia fazer nada, porque o Amparo Maternal era mal visto pela sociedade, e com ele, aos poucos, essa visão foi mudando. As pessoas não gostavam porque o Amparo acolhia moças pobres que engravidavam e não tinham onde ficar. Lá fiquei por 34 anos, com sua mão sobre meu ombro. Dom Paulo foi um grande pai para o Amparo.”
Maria Helena Lima de Freitas, da ordem franciscana secular e uma das iniciadoras do Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo
“O que eu quero dizer como mãe, mulher e avó é que, quando profetas históricos, como Dom Paulo, têm como apoio os leigos, as mulheres e o povo, nós aprendemos qual o caminho para sermos acolhidos. Eu tive a experiência pessoal de perceber que, quando a instituição abre as portas, nós ajudamos a construir a história do país. Participei do Movimento Constituinte e fui convidada pela Ruth Maria de Carvalho para participar do Conselho de Leigos e isso nos ajudou muito a atuar na cidade. Eu, por exemplo, só fui para os Conselhos de saúde, porque participei destes movimentos dentro da Igreja.” Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Dom Mauro Morelli fala da convivência com o Cardeal Arns
Bispo emérito de Duque de Caxias (RJ) foi auxiliar de Dom Paulo Evaristo Arns na Arquidiocese de São Paulo entre 1975 e 1981
O bispo emérito de Duque de Caxias (RJ), Dom Mauro Morelli, escreveu sobre a convivência com o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, de quem foi bispo auxiliar na Arquidiocese de São Paulo entre 1975 e 1981. Aos 95 anos, Dom Paulo morreu na quarta-feira, 14, e está sendo velado na Catedral da Sé, onde será sepultado, na cripta, nesta sexta-feira, 16, após a missa das 15h.
Abaixo segue a íntegra do texto de Dom Mauro:
Dom Paulo Evaristo, apóstolo da justiça e da paz
Com o coração agradecido uno-me a tantas vozes louvando a Deus pela vida do mestre, pastor e profeta arrebatado hoje para o Reino da Vida.
Em 1968, ocorreu de fato a efetiva separação e ruptura da Igreja com o Estado. Neste contexto, o Papa Paulo VI, em 1970, convoca o Cardeal Rossi a Roma para assumir a Congregação para a Evangelização dos Povos e designa dom Paulo como arcebispo da capital paulista
Franciscano enamorado da Senhora Pobreza e irmão de toda a criatura, historiador e profundo conhecedor da Teologia dos Padres da Igreja dos primeiros séculos, o bispo catarinense Paulo Evaristo fora providencialmente escolhido para um pastoreio que exigiria firmeza na Fé, capacidade de leitura da realidade e determinação. Paulo VI tinha um olhar penetrante.
Com a presidência de Dom Paulo, a regional paulista da CNBB reveste-se de estrutura colegiada promovendo o ministério da coordenação que provoca intenso intercâmbio entre as dioceses, com a participação dos presbíteros e leigos, casais e jovens. Um processo de planejamento pastoral foi inaugurado e instalado como exercício da colegialidade pastoral e da sinodalidade eclesial como instrumento de resposta adequada da evangelização às exigências e provocações da realidade dominada pela ferocidade do Poder Econômico.
Como fruto do diálogo dos bispos com religiosos e religiosas, em assembleia conjunta, firmado o documento “Vida Religiosa na Igreja Particular”. Superando a si mesmo, o episcopado paulista assume a defesa da vida e da dignidade humana com o pronunciamento pastoral contra a tortura: Testemunho de Paz (Documento de Brodosqui), posteriormente reeditado como “Não oprimas teu irmão”.
À frente da arquidiocese de São Paulo, Dom Paulo Evaristo por recomendação do papa Paulo VI, aplicando os princípios da colegialidade pastoral e da sinodalidade encaminha um projeto inovador de Igreja nas grandes cidades em que autonomia e comunhão seriam marcas das estruturas eclesiásticas, não a independência e o isolamento. O colégio episcopal por ele presidido assume a tarefa da formação de nove dioceses com regime especial de comunhão de bens e de responsabilidades. A sinodalidade é vivenciada no processo de planejamento pastoral em que se definiam diretrizes e prioridades. Assim em todas as regiões e em todos os níveis da Igreja Arquidiocesana quatro prioridades tornam-se compromisso da igreja em sua vida e missão: Comunidades Eclesiais de Base, Operação Periferia, Mundo do Trabalho e Direitos Humanos.
O testemunho pessoal de Dom Paulo foi a força que aglutinou as energias da cidadania que não se dobrou diante da repressão violenta e cruel. A coerência de dom Paulo abrindo mão do palácio por uma simples casa, a comunhão de bens por ele praticada e incentivada, a determinação de caminhar de esperança em esperança sem se abater, de tranco em tranco com ousadia e muita coragem, fez dele o pastor amado pelos pobres, oprimidos e perseguidos. Em longos anos como emérito, sem desmerecer os que o sucederam, permaneceu sendo o bispo de São Paulo.
Com a morte de Paulo VI novos ventos sopraram e agitaram a Barca de Pedro. Em tempo de crise a busca de refúgio e de preservação da espécie dá ensejo ao surgimento da centralização e do conservadorismo. A crise atual é mais séria e profunda do que muitos imaginam! Crise civilizatória. Assim perdemos a oportunidade de ser Igreja nos grandes centros urbanos sem esquartejar bairros e ruas, reféns de nossos feudos e estruturas inadequadas
Sinto-me honrado e privilegiado pelos dez anos de fraternidade e companheirismo com o saudoso franciscano pastor das periferias geográficas e existenciais, intrépido defensor da dignidade humana e promotor de democracia, Paulo Evaristo Arns que me ordenou bispo. Nossa jornada começou numa carona que lhe dei em 08.12.69 para o almoço depois da ordenação episcopal do capuchinho Dom Daniel Tomasella, segundo bispo de Marília.
Inúmeras viagens e memórias do meu mestre e irmão bispo Paulo Evaristo. Na comunhão dos santos interceda pela Terra da Santa Cruz neste tempo de trevas. Paz e Bem. Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Axel Zeidler, cônsul-geral da República Federal da Alemanha, e ministro do STF, Ricardo Lewandowiski, estão os que manifestaram pesar pela morte do Cardeal Arns.
Desde o falecimento do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, na quarta-feira, 14, aos 95 anos, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, tem recebido mensagens condolências de diferentes autoridades.
A seguir, algumas das mensagens recebidas:
Axel Zeidler, cônsul-geral da República Federal da Alemanha
Eminentíssimo Senhor Cardeal Dom Odilo Scherer,
Foi com enorme pesar que tomei conhecimento do falecimento do Arcebispo Emérito Dom Paulo Evaristo Arns.
Corajoso lutador pelos direitos humanos e líder em tempos difíceis, Dom Paulo Evaristo Arns será sempre lembrado como amigo do povo. A morte do ‘Cardeal da Esperança’ representa uma enorme perda para o Brasil e para o mundo inteiro.
Gostaria de apresentar minhas sinceras condolências, também em nome de todos os colaboradores do Consulado Geral da República Federal da Alemanhã.
Ricardo Lewandowiski, ministro do Supremo Tribunal de Federal (STF)
Profundamente consternados com o falecimento do Reverendísismo Dom Frei Paulo Evaristo Arns, externamos nossas condolências, desejando que sejam consolados nesta dor. Atenciosamente Yara e Ricardo Lewandowiski. Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Nesta quinta -feira (15), Papa Francisco enviou uma mensagem ao Cardeal Odilo Pedro Scherer por ocasião do falecimento do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns
Em um telegrama enviado hoje à nossa Arquidiocese, o Papa Francisco expressou seu pesar e elevou suas orações pelo falecimento do Cardeal Paulo Evaristo Arns no dia14 de dezembro, aos 95 anos, por causa de uma broncopneumonia. Leia abaixo a mensagem:
Brasília, 15 de dezembro de 2016
Eminência,
Na ausência do Senhor Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’ Aniello, apraz-me transmitir a Vossa Eminência, da parte de Sua Santidade Papa Francisco e do Eminentíssimo Secretário de Estado, as seguintes mensagens:
Emmo e Revmo Dom Odilo Pedro Scherer
Cardeal Arcebispo de São Paulo
Recebida com grande pesar a notícia da morte do venerado irmão Cardeal Paulo Evaristo Arns, venho exprimir –lhe a si e bispos auxiliares, ao clero, comunidades religiosas e fiéis da Arquidiocese de São Paulo, bem como à família do falecido, meus pêsames pelo desaparecimento desse intrépido pastor, que no seu ministério eclesial se revelou autêntica testemunha do Evangelho no meio do seu povo, a todos apontando a senda da verdade, na caridade e do serviço à comunidade em permanente atenção pelos mais desfavorecidos.
Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja tão generoso pastor e elevo fervorosas preces para que Deus acolha na sua felicidade eterna este seu servo bom e fiel, enquanto envio a essa comunidade arquidiocesana que chora a perda do seu amado pastor e à Igreja do Brasil, que nele teve um seguro ponto de referência, e a quantos partilham esta hora de tristeza que anuncia a Ressurreição, uma confortadora bênção apostólica.
Francisco P.P
Tendo sabido do falecimento do Cardeal Paulo Evaristo Arns, desejo testemunhar minhas condolências a Vossa Eminência e toda essa comunidade que ele apascentou durante quase trinta anos, procurando manter alto o farol da fé nos caminhos dos homens, sensível aos fermentos de renovação presentes no contexto eclesial e civil e movido sempre pela preocupação de realizar com fidelidade as orientações conciliares na edificação e consolidação da Igreja. Ao recordar os valiosos serviços por ele prestados à Igreja inteira com grande solicitude pastoral, a minha admiração e fraterna estima tornam-se oração que se une à Vossa pelo falecido Cardeal, invocando junto com o Divino Mestre o Prêmio Reservado aos seus discípulos fiéis. Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado. Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Desembargador conviveu com o Cardeal Arns desde a década de 1970
O Desembargador Antônio Carlos Malheiros, integrante da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, foi um dos primeiros a chegar à Catedral da Sé para o funeral do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que morreu nesta quarta-feira, 14, aos 95 anos de idade.
Amigo de Dom Paulo desde a década de 1970, Malheiros recordou a postura do Cardeal Arns durante o período da Ditadura Militar.
“Ele era proteção para aqueles que eram perseguidos pela ditadura. Dom Paulo era realmente aquele que acolhia, protegia e que nos chamava. Chamava, em primeiro lugar, os membros da justiça e paz para ajudar nessa proteção. Ele nunca se afastava, nunca era omisso, ele sempre presente na nossa frente, no nosso lado, nos orientando e impulsionando na luta dos direitos humanos”.
Malheiros também disse que hoje se sente “um pouco órfão. Ele era um parceiro, um paizão, então a gente se sente um pouco órfão pela partida dele”, um “extraordinário homem, que marcou o século XX no Brasil e no mundo e também o século XXI”.
Para o desembargador, a memória de Dom Paulo deve ser sempre preservada e inspirar ações. “Que a gente procure recuperar sempre as coisas que ele disse, as coisas que fez, aprender essas lições e efetivamente fazer as coisas que ele gostaria que a gente continuasse fazendo ou até mesmo fazê-las pela primeira vez”.
Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Sucessor de Dom Paulo, Cardeal Hummes presidiu segunda missa do funeral de Dom Paulo.
Durante a noite da quarta-feira, 14, com demonstrações de carinho e em clima de comoção, centenas de fiéis estiveram na Catedral da Sé para se despedir do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que morreu aos 95 anos.
Ao longo do funeral, que segue até a tarde da sexta-feira, 16, na Catedral da Sé, têm sido celebradas missas a cada duas horas. A primeira às 20h, foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano, e a segunda, às 22h, pelo Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, que sucedeu a Dom Paulo à frente da Arquidiocese, entre 1998 e 2006.
Dom Cláudio, na homilia, citando o Papa Francisco, recordou que a Igreja cresce mais por atração do que por doutrinação, em especial quando há o testemunho da misericórdia, algo que Dom Paulo fez em vida e por isso agregou tantas pessoas.
“Por que nós admiramos tanto Dom Paulo? Por que nós o veneramos, nós o amamos? Por que ele foi um homem que não apenas falava. Ele falava, sim, e com coragem, mas ele também fazia. A palavra só não leva a nada”, disse, destacando a atuação do Cardeal da Esperança na defesa dos direitos humanos e dos mais pobres. “Ele se distinguiu por sua grande preocupação e amor aos pobres nas periferias”, completou, lembrando que Dom Paulo não media esforços para fazer com que toda a Igreja de São Paulo estivesse junto aos que mais precisavam.
“Ele ia se encontrar essa gente sofrida, abandonada, humilhada. Ele não ia sozinho, mas estimulava seus pares a irem, seus bispos auxiliares a irem com ele, e também os membros das pastorais. A prioridade eram as periferias. Ele pessoalmente ia e o povo o acolhia com grande coração, porque entendia o gesto dele. Claro, ele não podia com uma varinha de mágica mudar a situação deles de um dia para outro, mas o admiravam por estar ali, por não os ter esquecido. Ele os preferia. Ele cuidava de todos, mas com preferencia pelos pobres. Jesus Cristo nos ensinou isto, e Dom Paulo fez isto”, destacou o Cardeal Hummes.
Dom Cláudio também comentou que durante o período militar, Dom Paulo se preocupou em ser solidário às vítimas das diferentes torturas, mas também foi enfático ao denunciar aqueles que as praticavam.
“Ele não tinha medo. Falava, denunciava no mundo, não apenas aqui dentro do Brasil , o que estava acontecendo. Ele sabia que podia sim ser atingido, mas não pensava em si mesmo. Ele estava pensando nessa gente, nessas pessoas que estavam sendo humilhadas, perseguidas, presas e torturadas. E foi isto que a sociedade inteira de São Paulo começou a admirar neste homem”, recordou.
Na conclusão da homilia, Dom Cláudio comentou que ao chegar à Arquidiocese de São Paulo para substituir Dom Paulo, em 1998, procurou manter as principais vias de trabalho do Cardeal Arns. “Foi um grande irmão e um grande amigo. Por isso, também me alegro porque ele hoje está junto de Deus, cumpriu a sua missão, mas por outro lado, sinto uma grande perda”, afirmou.
Fonte: http://www.arquisp.org.br
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Arcebispo emérito de São Paulo morreu nesta quarta-feira (14) aos 95 anos. O sepultamento ocorrerá na Cripta da catedral após missa na sexta (16), às 15h.
Por G1 São Paulo
Dom Paulo Evaristo Arns tem seu lugar assegurado na história de São Paulo e do Brasil
O corpo do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, chegou na noite desta quarta-feira (14) à Catedral da Sé, na região central, onde será velado. Arns morreu no fim desta manhã em decorrência de uma broncopneumonia, aos 95 anos. O cardeal se destacou na luta pelos direitos humanos durante a ditadura militar.
O presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), decretaram luto oficial por três dias pela morte de dom Paulo Evaristo Arns. Durante o período do funeral, acontecerão missas a cada duas horas. O corpo de Dom Paulo será sepultado na sexta-feira (16), após a celebração presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, às 15h.
Arns será o primeiro cardeal enterrado na cripta da Catedral da Sé. No espaço estão sepultados dois arcebispos, 11 bispos, três padres e o cacique Tibiriçá, primeiro cidadão de São Paulo, batizado e catequizado pelos jesuítas. O último arcebispo enterrado no local foi Dom Josephi Gaspar, em 1942. A área foi fechada por volta das 15h e será reaberta para o enterro. Cripta é uma capela subterrânea. O espaço comporta, em média, 80 pessoas, sendo 55 cadeiras fixas e 30 colocadas durante cerimônias.
Cripta da Sé guarda câmaras mortuárias e sarcófagos de bispos e arcebispos em SP
O comunicado da morte de Arns foi feito em nota divulgada pela Arquidiocese de São Paulo. O arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, afirmou em nota que Arns “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”. Cripta comporta, em média, 80 pessoas, sendo 55 cadeiras fixas e mais 30 colocadas no espaço para cerimônias
Luta pelos direitos humanos
Quinto de 13 filhos de imigrantes alemães, Dom Paulo Evaristo Arns nasceu em 1921 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939, e iniciou seus trabalhos como líder religioso em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Formou-se em teologia e filosofia em universidades brasileiras. Ordenado sacerdote em 1945, ele foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde cursou letras, pedagogia e também defendeu seu doutorado.
Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Teve uma atuação marcante na Zona Norte da cidade, região em que desenvolveu inúmeros projetos voltados para a população de baixa renda. Em julho deste ano, foi celebrado os 50 anos de sua ordenação episcopal.
Ao longo de sua trajetória, trabalhou como jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.
Ganhou projeção na militância em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo, e denunciar a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. No mesmo ano, apoiou Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros que estavam sendo pressionados pelo regime militar.
Em 1972 criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderou a publicação do “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime militar que ganhou ampla repercussão à época. Presidiu celebrações históricas na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em memória de vítimas da Ditadura Militar. Dentre eles, do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme, assassinado em 1973, e o ato ecumênico em honra do jornalista Vladimir Herzog, assassinado no DOI-CODI, em São Paulo, em 75.
Atuou contra a invasão da PUC em 1977, em São Paulo, comandada pelo coronel Erasmo Dias, à época secretário de Segurança, e a operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.
Também teve papel importante em favor das vítimas da ditadura na Argentina, em 1976. O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, disse que foi "salvo duas vezes" por dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil. Em 1980, acompanhou a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Em São Paulo, João Paulo II falou no estádio do Morumbi para 200 mil operários.
Em 1983, foi um dos criadores da Pastoral da Criança, com o apoio de sua irmã, Zilda Arns, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti, onde realizava trabalhos humanitários. Em 28 anos de arcebispado, criou 43 paróquias, construiu 1200 centros comunitários, incentivou e apoiou o surgimento de mais de 2000 comunidades eclesiais de base (CEBs) na capital paulista.
Por seus feitos, recebeu inúmeros prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. Dentre eles, o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA), além de 38 títulos de cidadania. Sua biografia foi relatada em dez livros, sendo o mais recente lançado em outubro deste ano, no Tuca, teatro da PUC, na Zona Oeste de São Paulo, durante uma homenagem pelos 95 anos de Dom Paulo.
Arns organizou o Projeto Brasil: Nunca Mais, desenvolvido ao lado do rabino Henry Sobel, Pastor presbiteriano Jaime Wright e equipe, no qual reuniram informações em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM) revelando a extensão da repressão política no Brasil e sistematizada em um livro.
Dom Paulo era corintiano fanático e escreveu o livro "Corintiano Graças a Deus". Fonte: http://g1.globo.com
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Dom Paulo ajudou vítimas de ditaduras de países vizinhos
Dom Paulo Evaristo Arns, morto nesta quarta-feira (14), enfrentava os militares com altivez durante a ditadura. Visitava de surpresa locais onde perseguidos políticos estavam detidos e procurava os generais para denunciar crimes praticados pelo regime. "Ele incomodava muito os militares. Ia pessoalmente [nos presídios e nos gabinetes], não mandava ninguém", afirma Evanize Sydow, uma das biógrafas do arcebispo emérito de São Paulo.
Quando dom Paulo se tornou arcebispo de São Paulo, em 1970, o país vivia o auge da repressão. A Igreja Católica na capital paulista, diz Evanize, estava alheia à situação política. "Era um momento crítico. A igreja de São Paulo estava virada de costas para essas questões. Ele mudou isso, abrigou perseguidos e denunciou crimes da ditadura."
O religioso ajudou, por exemplo, o jurista Helio Bicudo a publicar um livro com denúncias contra o Esquadrão da Morte, grupo de extermínio formado por policiais.
Jornalista e mestre em história, Evanize escreveu com a colega Marilda Ferri o livro "Dom Paulo, um homem amado e perseguido". "Todos os passos dele eram seguidos pelos militares", afirma a biógrafa.
Segundo Evanize, Arns tinha boas relações com generais como Golbery do Couto e Silva e Ednardo D'Ávila Mello, mas era execrado por Emílio Garrastazu Médici, presidente no período mais sangrento da ditadura (1969-1974), e pelo coronel Erasmo Dias, que foi secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
Cone Sul e Fidel Castro
Para a biógrafa, o religioso era a personificação da luta pelos direitos humanos. A atuação dele extrapolou as fronteiras brasileiras. Dom Paulo formou um grupo de apoio a perseguidos políticos pelas ditaduras do Cone Sul, o Clamor. "Ele corria o risco e assumia o apoio, dava proteção. Impressionante como os casos de vários países vinham para São Paulo. As pessoas sabiam que ele colocaria a equipe a serviço para ajudar."
Sua atuação chamou a atenção até mesmo do ditador cubano Fidel Castro, morto no último dia 25 e cujo regime foi acusado de praticar violações aos direitos humanos. "Fidel era grande admirador de dom Paulo, mandou cartas para ele e queria que dom Paulo fosse a Cuba", conta Evanize. O arcebispo respondeu que a visita dependia da Igreja Católica. A viagem nunca foi autorizada.
A biógrafa diz que, antes da ditadura, dom Paulo era um anticomunista "como todos os católicos". Com o golpe de 1964 e a repressão política promovida pela ditadura, o arcebispo mudou de postura e estendeu a mão aos opositores do regime, sem fazer restrições a militantes de esquerda.
No entanto, o religioso, segundo a biógrafa, "nunca se deixou rotular" nem se posicionou ideologicamente. "Ele conversava com todo mundo e nunca se filiou [a partidos]". O arcebispo manteve proximidade, por exemplo, com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). http://noticias.uol.com.br
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