Da sala de comando do Porto do Itaqui, no Maranhão, não se enxerga o fim do extenso trem de carga que chegou pelos trilhos da Ferrovia Norte-Sul. Graças a generosos carregamentos de celulose, óleo e grãos como esse, o porto público mais profundo do Brasil já bateu seu recorde de movimentação anual em 2015, com 20 milhões de toneladas transportadas até novembro. E as perspectivas para 2016 são ainda melhores, com um aumento programado de 40% na capacidade. Mas, a apenas 18 quilômetros do grande polo de desenvolvimento do Estado, mora um povoado de 5.000 famílias acometidas por um surto de sífilis e que, sem acesso a energia elétrica ou sistema de esgoto, não sabiam até este ano o que era uma escova de dentes. A reportagem é de Rodolfo Borges, publicada por El País, 09-12-2015.

Os administradores do Itaqui chegaram à Ilha do Cajual, no município de Alcântara, durante as prospecções para a expansão do porto, e dizem ter se assustado com um cenário digno de século 16. "O Maranhão é um estado riquíssimo, mas com pessoas pobres. O gap é muito grande. Temos de olhar para dentro e fazer uma sintonia", diz Ted Lago, presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). A exemplo de toda a equipe comandada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) — cuja eleição em 2014 deu fim a 50 anos de governos sob a influência da família Sarney —, Lago repete o slogan do chefe: "Coube a um comunista implantar o capitalismo no Maranhão, um Estado onde havia muita mistura entre o público e o privado"...

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/550030-ha-um-ano-sem-a-familia-sarney-maranhao-tenta-deixar-seculo-16

Imagens do efeito de 10 minutos de chuva no centro do Rio de Janeiro. CÂMERA E REPORTAGEM: Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ. Convento do Carmo da Lapa/RJ, 12 de dezembro-2015.  DIVULGAÇÃO: www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com

Wilton, 20, iria se formar em um mês em um curso técnico em administração. Wesley, 25, criava o filho de dois anos com a ajuda da mãe. Roberto, 16, queria ser desenhista e trabalhar com publicidade. Já Cleiton, 18, e Carlos Eduardo, 16, sonhavam em entrar para a Marinha. No sábado (28), saíram juntos para pegar um lanche perto de casa, em Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro. Comemoravam o primeiro salário de Roberto. No caminho, cruzaram com uma patrulha da PM que atirou mais de 50 vezes contra o carro em que estavam.

Os cinco foram criados juntos no Morro da Lagartixa, parte do Complexo de Favelas da Pedreira, uma das regiões mais conflagradas da cidade, localizada a cerca de 40 quilômetros do bairro de Ipanema, na zona sul. Gostavam de jogar bola e videogame e eram descritos pelos amigos como garotos brincalhões, "meninões", nas palavras do chefe de Wesley.

Wesley: trabalhava como servente com o pai

Filho único, Wesley Castro Rodrigues era o que tinha menos tempo para ver os amigos. Subia cedo na segunda-feira para Petrópolis, na região serrana, onde trabalhava como servente de obras ao lado do pai, e voltava apenas na sexta-feira à noite. Ele criava o filho, fruto de um relacionamento com uma ex-namorada, com a ajuda da mãe, Rosilene Rodrigues, em Duque de Caxias, município vizinho ao Rio.

Wilton: havia herdado o Palio branco do pai

Wilton Esteves Domingos Júnior, o Júnior, se considerava irmão de Wesley – sua mãe chegou a namorar o pai do jovem. Era ele quem dirigia o carro, um Pálio branco, herança do pai, morto há pouco mais de um ano devido a problemas de saúde. Em um mês, ele receberia o diploma de um curso técnico de administração e contabilidade. "Ele estava felizão, já tinha até feito as fotos com a beca", lembra o primo, Adenis Oliviera, 21.

Beto: comemorava o primeiro salário

Assim como Wilton, Roberto de Souza Penhatambém estudava administração. O curso de auxiliar era pago pelo supermercado em que ele havia começado a trabalhar há um mês. Ao receber o primeiro contracheque de R$ 400, fez questão de chamar os amigos para sair. Os cinco passaram a tarde no Parque de Madureira, também na zona norte da cidade. Mãe de Roberto, Joselita de Souza diz que ele passava o tempo todo desenhando e queria fazer publicidade. "Ele entendia tudo de computador, desenhava desde criança. Os bonecos dele ganhavam vida."

Carlos: ajudava a mãe a cuidar da irmã

Já Carlos Eduardo da Silva e Cleiton Corrêa de Souza sonhavam em viajar. Carlos havia terminado há pouco tempo um curso de técnico de Petróleo e Gás. Quando não estava na escola, ajudava a mãe a cuidar da irmã mais nova, de cinco anos. Ele queria estudar inglês e tentar entrar para a Marinha.

Cleiton: queria ser marinheiro

Cleiton também se via em alto-mar. Planejava se alistar nas Forças Armadas, para tentar a vida de marinheiro, ainda em janeiro. Enquanto isso, fazia bicos como auxiliar de entregas em caminhões. Morava com a mãe e mais quatro de seus seis irmãos.

Em depoimento, os PMs disseram que foram checar uma denúncia de roubo de caminhão quando criminosos atiraram contra eles. Segundo a Polícia Civil, no entanto, não foi encontrada nenhuma marca de tiros de dentro para fora do carro. Os corpos dos jovens, tombados para dentro do veículo, também contradizem a versão.

Os soldados Thiago Resende Viana Barbosa e Antônio Carlos Gonçalves Filho, o sargento Márcio Darcy Alves dos Santos e o cabo Fabio Pizza Oliveira da Silva, lotados no 41º Batalhão da Polícia Militar (Irajá, zona norte), estão presos desde o começo da semanapelas supostas práticas de homicídio qualificado e fraude processual.

Além de homicídio, os policiais são acusados de fraude processual por suspeita de terem tentado modificar a cena do crime, ato do qual teria participado o quarto policial, que também foi preso. O comando da Polícia Militar exonerou o comandante do 41º Batalhão, tenente-coronel Marcos Netto, "em razão dos últimos lamentáveis acontecimentos envolvendo policiais sob o seu comando".

Durante o enterro de quatro dos cinco jovens, realizado na segunda-feira (30), familiares e amigos seguraram cartazes com os nomes de cada um deles, uma bandeira do Brasil com 50 perfurações, em alusão ao número de tiros disparado contra o carro em que os jovens estavam, e uma pequena placa com a afirmação "A Síria é aqui". Mãe de Cleiton, Mônica Santana Correa precisou ser acudida diversas vezes durante a cerimônia. Com a voz rouca de tanto gritar, questionava: "Que defesa eles tiveram?".

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br

Coisas de arrepiar qualquer cristão ainda acontecem neste país, que se orgulha de não ter censura, mas que instalou um sinônimo chamado "classificação indicativa". Tudo ainda é feito de maneira a enquadrar, com a sutileza que não existia no passado, aquilo que é dito e apresentado. E como este é um mal que grassa país afora, chega a informação da demissão do repórter e apresentador Stoff Vieira, da TV Líder, afiliada da Rede TV!, em Tocantins.

Foi mandado embora porque fez críticas ao governador daquele Estado, Marcelo Miranda, no seu programa "Boa Tarde Cidade". Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista, direto de Bento Rodrigues, distrito de Mariana-MG, fala sobre a tragédia social e ambiental do rompimento da barragem do Fundão da empresa Samarco e a influência das Mineradoras na vida Política e Econômica no Estado de Minas. NOTA: Leia uma carta da Paróquia do Pilar de Ouro Preto-MG sobre a tragédia. Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro 30 de novembro-2015. DIVULGAÇÃO: www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com

Minas Gerais tem 750 barragens para despejo de resíduos, por exemplo, da indústria e de destilarias de álcool. Mas a maioria é utilizada por mineradoras. Levantamento da Fundação Estadual do Meio Ambiente aponta que pelo menos 35 estruturas não tem segurança adequada. Casos como o ocorrido em Mariana, já custaram vidas e muitos danos ao meio ambiente e as comunidades vizinhas.

Em 2001, uma avalancha de rejeitos da Mineração Rio Verde se rompeu em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Cinco operários morreram no acidente que atingiu 43 hectares e assoreou mais de seis quilômetros do leito do Córrego Taquaras.

Em 2007, a barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases rompeu depois de uma forte chuva na cidade de Miraí. na zona da mata mineira. A lama tóxica, com rejeitos de bauxita, seguiu pelo Rio Muriaé e atingiu duas cidades mineiras e quatro cidades do estado do Rio. Cerca de 4 mil moradores ficaram desalojados e ao menos mil e duzentas casas foram atingidas.

Em setembro de 2014, um rompimento em Itabirito, na região central de Minas, causou a morte de três pessoas. Operários faziam a manutenção da barragem desativada quando ela rompeu, por volta das sete e meia da manhã. Toneladas de lama e resto de mineração atingiram veículos e os trabalhadores que foram soterrados.
O deslizamento em Itabirito atingiu também um curso d'água próximo ao local. A empresa responsável pela barragem, a Herculano Mineração, já tinha sido autuada pelo Ministério Público 28 vezes por irregularidades, inclusive por falta de programas de gerenciamento de risco. Fonte: http://www.ebc.com.br

São passadas três semanas da tragédia em Mariana, com o rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco.

Desde então, acompanhamos, consternados, os desdobramentos deste caos social, cultural e ambiental, com perdas humanas, destruição de cidades e vilarejos e enorme desastre ambiental, atingindo dez municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Por onde a lama passou, deixou um rastro de morte e destruição que agora atinge as águas oceânicas, depois de atingir nossos rios, sobretudo o Rio Doce, com consequências imprevisíveis.

Em meio a este cenário de destruição e morte, é preciso destacar a solidariedade do povo local e de todo o Brasil com doações e ações de voluntariado e algumas ações públicas em socorro aos atingidos, vítimas desta tragédia.

É bom lembrar que essa tragédia foi causada por mãos humanas. Ela tem como responsáveis as empresas detentoras da barragem que se rompeu e os governos, através dos órgãos encarregados de fiscalizar o cumprimento das leis que regulam a atividade minerária e o monitoramento da segurança das populações e do meio ambiente.

Agradecemos sua ajuda solidária, nesse primeiro momento, com roupas, água, material de higiene e outros. Recordamos que você pode ajudar fazendo doações em dinheiro, com depósito em contas abertas pela prefeitura de Mariana e pela Arquidiocese de Mariana para ajudar os atingidos desta tragédia.

Nossa Arquidiocese de Mariana, através dos serviços diocesanos e das paróquias, tem acompanhado, de perto, as pessoas e as comunidades atingidas, oferecendo apoio humano/social e religioso; ajudando na organização das vítimas e participando, diretamente, das iniciativas em vista dos passos futuros a serem dados para prover as vítimas em suas necessidades e direitos, também em vista da reconstrução de suas vidas e de suas comunidades.

Esperamos que esta situação não fique impune. Esperamos que as vítimas dessa tragédia sejam ouvidas, ativamente, no processo de reconstrução de suas vidas e de suas comunidades. Esperamos que esta tragédia modifique as leis de licenciamento e fiscalização minerária e nos faça, governos, instituições e sociedade, repensar esse modelo desenvolvimentista de bem estar que coloca o projeto econômico acima do valor da vida humana e do bem viver.

Deus fortaleça os atingidos no processo de reconstrução de suas vidas, para que não desanimem; conceda a todos, comunidades e lideranças, perseverança nas ações de solidariedade e defesa dos interesses dos atingidos. Ele, na ação de seu Santo Espírito, ilumine autoridades e órgãos responsáveis para que seja feita justiça, haja reparação, compensação e indenização diante dos danos causados pelo rompimento da barragem, minorando os sofrimentos e perdas dos atingidos por esta tragédia.

Não somos mais os mesmos, depois desta tragédia; sentimo-nos todos atingidos, somos uma grande família de irmãos e irmãs. Com a confiança quem vem da fé, trazemos a certeza de que desses escombros a vida haverá de brotar. A palavra é de esperança, pois o “menino que vem nesse natal, vem como “luz” para dissipar as “trevas”, vem trazer vida e salvação.

Comunidade Paroquial do Pilar – padres; Danival, Rogério e Pe. Marcelo.

A avalanche de rejeitos gerada em Minas Gerais pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP, causou danos ambientais imensuráveis e irreversíveis. Apesar da lama não ter um teor tóxico, ela pavimentou os mais de 500 km por onde passou devastando, com impacto ainda difícil de calcular completamente para grande parte do ecossistema da região. “Podemos dizer que 80% do que foi danificado lá é perda, não há como pensar em um plano de recuperação ambiental”, explica Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão. O projeto ambiental, da Universidade Federal de Minas Gerais, monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas e trabalha com a revitalização dos principais rios mineiros.

Em entrevista, ele afirmou que a mineração precisa ser reinventada: "Não podemos continuar pensando que podemos fazer modelos do século XVIII em situações do século XXI".

Pergunta. Qual a dimensão do estrago ambiental causado pelo rompimento das barragens?

Resposta. É de uma magnitude que eu diria imensurável a princípio. Há várias situações. A extensão do dano é tal que estamos com a lama chegando na foz do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, a mais de 500 km do local do rompimento da barragem. A avalanche de lama rompeu e despejou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Apesar dessa lama não ter aparentemente uma composição tóxica do ponto de vista químico, a densidade por si é altamente impactante, porque ela foi fazendo um tsunami de rejeitos que por todos os lugares em que passou devastou, matou e impactou. Uma mesma onda produziu três efeitos. Ela devastou, já que arrebentou tudo que viu pela frente, ela impactou porque se consolidou, não foi passageira, se espalhou ao longo de todo esse trajeto. Ela praticamente produziu os três efeitos simultaneamente.

As comunidades que estavam no caminho perderam seu meio de vida, pequenos agricultores tiveram as fazendas devastadas

P. E como fica o ecossistema?

R. A onda foi pavimentando o trajeto, porque aquilo é uma massa com certa densidade, não é essa lama de enchente que é mais rala, ela tem densidade e uma liga, dessa forma foi pavimentando onde passou. Ela ocupou tanto o leito do curso d’água como as margens. Dependendo da região, chegou a uma faixa de 50 a 100 metros para além da borda do rio. As comunidades que estavam no caminho perderam todas as suas propriedades, perderam seu meio de vida, porque tinham pequenos agricultores que tiveram as fazendas devastadas, sem contar todo o prejuízo do ecossistema que substituído. Imagina que o ecossistema aquático foi totalmente ocupado por esse material de rejeitos.

P. E qual situação dos rios da região?

R. Essa tsunami toda chegou rapidamente aos rios. A lama saiu de um afluente, que era o Gualaxu , passou para o Rio do Carmo e atingiu o Doce que é o rio principal, que configura a bacia. Então foi descendo rio abaixo, trazendo outros efeitos, matando todos os peixes já que a densidade da lama retirou o oxigênio da água. Há cenas chocantes de peixes pulando para fora da água. Um quadro absolutamente tétrico, horrível, inimaginável. O rio Doce tinha uma biodiversidade bem diversificada, cerca de 80 espécies diferentes. Todos os sistemas se interligam, tem espécie no fundo do rio outro debaixo de pedra, isso foi tudo alterado, são danos imensuráveis, porque o que perdeu em cada metro que a onda passou é absurdo, você perdeu e terá um reflexo na qualidade e quantidade da diversidade aquática que sobreviveu.

Ou começamos outro modelo ou vamos continuar enterrando biodiversidades, pessoas e histórias.

P. Há uma previsão de recuperação do rio Doce?

R. No caso do rio Doce, como ele é maior, como tem outros afluentes, isso ajuda na recuperação. Acho que em 10 anos talvez ele consiga ter um padrão melhor, mas mesmo assim, dada a dimensão, ainda é uma estimativa que não vai ter como medir.

P. E as comunidades ribeirinhas qual a extensão do dano?

R. Todas as comunidades também ao longo do curso da água tiveram seu abastecimento comprometidos. Quanto mais próximo do rompimento, maior o comprometimento. Essas comunidades vão ficar sem água potável por um tempo que a gente ainda não dá para calcular. Como a intensidade foi diminuindo ao longo do percurso, existe uma tendência que o rio Doce em alguns pontos melhore essa qualidade de uma forma mais rápida. Talvez no prazo de uma semana a água possa ser tratada e distribuída para a população. Mas, em compensação, esse material foi todo sedimentando ao longo do rio. E essa situação pode piorar no próximo período das chuvas, já que grande parte do material que foi despejado pela lama de resíduos vai ser levado para dentro do rio, contribuindo de uma forma absolutamente incalculável para o assoreamento do rio Doce, de importância nacional que esse ano já teve dificuldade para conseguir chegar até a foz nesse época de seca.

São danos imensuráveis na qualidade e quantidade da diversidade aquática que sobreviveu

P. Ou seja a chuva criaria uma nova enxurrada de lama?

R. Sim, pois a chuva vai lavar tudo que está pavimentado. Dessa forma, o monitoramento das águas do rio Doce terão que ser muito frequentes para garantir a qualidade da água e a saúde das pessoas que moram no entorno da região.

P. Há alguma possibilidade de retirar essa lama concretada antes do período chuvoso?

R. Sem chance. Imagina tirar 62 milhões de metros cúbicos de resíduos que se espalharam numa distância de mais de 100 km? Não há como retirar esse material, nem para onde levar. Como isso foi feito ao longo do rio, há lugares que você nem tem acesso. A realidade é que tivemos danos ambientais irreparáveis. Quem vê dá televisão não tem dimensão da real situação do que foi essa situação. Esses danos são irreversíveis. Podemos dizer que 80% do que foi danificado lá é perda, não há como pensar em um plano de recuperação ambiental. Não existe. Esse acidente vai ficar para sempre na história de Minas, será sempre uma cicatriz da questão ambiental do Estado e um alerta para que realmente a gente faça uma gestão ambiental comprometida com a vida e com o meio ambiente. A economia é importante para gerar riqueza, mas ela não tem juízo. Se nós não começarmos a ter mais juízo nessas práticas que a gente faz, nós não vamos ter salvação. Imagina o custo disso além das perdas de vida, de ecossistema, o próprio custo econômica para todos, inclusive para o próprio Estado, é absolutamente impensável você continuar fazendo uma gestão temerária como temos feito no meio ambiente ao longo da história.

A situação pode piorar no  período das chuvas, contribuindo de uma forma  incalculável para o assoreamento do rio Doce

P. Na sua opinião falta fiscalização no setor?

R. Nos últimos 14 anos, já tivemos cinco rompimentos de barragens de magnitude não tão grande como essa, mas que foram impactantes. O que mostra que o nosso sistema está equivocado. Primeiro de tudo temos que entender que isso não foi uma fatalidade, não foi terremoto, cataclismo, isso diz de um projeto. E projetos são de responsabilidade da empresa, isso diz da empresa e da falta de monitoramento do Estado. Falta fiscalização, sim. Imagina em um desastre dessa proporção não havia nenhum plano de contingência, sequer um alarme. Se não fosse por pessoas heroicas anônimas que saíram correndo e avisando sobre o rompimento das barragens, o número de vítimas seria absolutamente maior. Se tivesse acontecido às 4h da manhã então, o efeito dessa tragédia teria quintuplicado. Isso diz muito de uma insustentabilidade ambiental no Estado. Isso desmascara, fala contra tudo aquilo que aparentemente se tenta produzir de propaganda e efeito. Mas um acidente desse porte não existe apenas uma causa, o que tem é uma cadeia de causas. O evento final pode ter sido uma fissura na barragem, mas começa lá trás, no planejamento, no modelo de mineração, no monitoramento e na fiscalização, tudo equivocado. Um conjunto de fatos tem que ser esclarecidos para que Mariana não seja apenas mais um quadro na parede. Ou começamos outro modelo ou vamos continuar enterrando biodiversidades, pessoas e histórias.

Isso não foi uma fatalidade, não foi terremoto, cataclismo, isso diz de um projeto

P. E como mudar esse modelo do qual várias cidades são tão dependentes?

R. A mineração precisa ser reinventada. Já há tecnologias novas e é preciso entender que não se pode minerar em qualquer lugar. Mas acima de tudo, não podemos continuar pensando que podemos fazer modelos do século XVIII em situações do século XXI.

Fonte: http://brasil.elpais.com

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista, do Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro, faz uma série de vídeos sobre o rompimento da barragem da Samarco, Vale e BHP. O vídeo foi gravado em Bento Rodrigues, distrito de Mariana-MG, no dia 28 de novembro-2015. Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro, 28 de novembro-2015.  

Os corpos de Ednaldo Oliveira de Assis, 40, e Daniel Altamiro de Carvalho, 53, funcionários de uma empresa terceirizada da Samarco, foram reconhecidos nesta sexta-feira (27). Com essa identificação, o rompimento da barragem de Fundão, no dia 5 deste mês, em Mariana (MG), passa a ter 11 óbitos.

Conforme informação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o corpo de Assis havia sido encontrado no dia 10 deste mês. Já o de Carvalho foi localizado no dia 15. Ambos estavam no Instituto Médico-Legal de Belo Horizonte.

Outros dois corpos aguardam identificação, e oito pessoas, sendo cinco funcionários e três moradores do subdistrito de Bento Rodrigues, seguem desaparecidos.

Presidente da Samarco depõe

Na manhã desta sexta-feira, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, prestou depoimento na Delegacia Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente, em Belo Horizonte. Ele foi interrogado pelo delegado Aloísio Daniel Fagundes, que não revelou o conteúdo do interrogatório.

"Conseguimos visualizar melhor o organograma e entender as responsabilidades de cada área, o que vai nos direcionar melhor para a busca de outras informações daqui para frente", limitou-se a dizer o delegado, por meio da assessoria da polícia. Na parte da tarde, a bióloga Daviely Rodrigues Silva, gerente de Geotecnica e Hidrogeologia da Samarco, foi ouvida na delegacia. O teor também não foi externado.

Até o momento, onze pessoas foram ouvidas no âmbito do inquérito que investiga o caso. A polícia adiantou que ao menos 60 pessoas serão interrogadas até o fim deste ano. O inquérito já soma 160 páginas. Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br

Policiais civis e militares mataram no ano passado ao menos 3.022 pessoas no país, uma média de oito por dia e um total que supera o de vítimas dos atentados de 11 de setembro nos EUA em 2001, em que 2.977 pessoas morreram.

Os dados fazem parte da 9ª edição do Anuário de Segurança Pública que será lançado semana que vem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG que reúne especialistas em violência urbana. Essas mortes por policiais em 2014 representam crescimento de 37% em relação a 2013, puxado principalmente pelo avanço da letalidade em SP (57,2%) e Rio (40,4%).

A sensação em 2015 é que esse tipo de crime segue em alta nesses dois Estados. Em São Paulo, por exemplo, PMs são os principais suspeitos de comandar a chacina de 19 pessoas em Osasco e Barueri, em agosto. Em outro caso recente em SP, PMs foram presos após o assassinato de dois suspeitos já rendidos na capital –um deles atirado de um telhado.

Esse crime foi registrado em vídeo, assim como no caso desta semana no Rio no qual policiais tentaram forjar um tiroteio diante do corpo de um jovem morto.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

A IGREJA JÁ TEVE 3 PAPAS AFRICANOS MAIS NÃO ERAM NEGROS:  Igreja Católica já teve três papas africanos. Vítor I (189-198), Melquíades (311-314) e Gelásio I (492-496) assumiram numa época de relações estreitas entre a Igreja e o Oriente. Alexandria, Cartago e Hipona eram cidades-chave para o domínio cristão – e cargos relevantes foram destinados a homens dessas regiões. “Até o século 5, houve um forte intercâmbio entre a Itália e o norte da África”, diz o bispo gaúcho Zeno Hastenteufel, especialista em história da Igreja. “Mas, embora fossem africanos, os papas não eram negros.” Devido à mistura de raças na região, é mais provável que eles fossem mestiços – pardos, num termo usado hoje. A confirmação é difícil, pois não há referências da época. “Os primeiros papas só foram retratados séculos depois, em imagens que não passam de uma representação simbólica”, diz o teólogo Fernando Altemeyer, da PUC de São Paulo. Fonte: www.guiadoestudante.abril.com.br

O Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista, do  Carmo da Lapa, Rio de Janeiro, comenta a solidariedade seletiva do facebook em relação aos atentados de Paris enquanto o Brasil e o mundo sofre diversos atentados contra a natureza, a ética e a justiça social.  (Vídeo- 02) Convento do Carmo, Lapa, Rio de Janeiro. 19 de novembro-2015. DIVULGAÇÃO: www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com

As ocupações de escolas da rede estadual paulista de ensino por estudantes, em protesto contra o plano de reorganização imposto pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), com o fechamento anunciado de ao menos 93 escolas, segue ocorrendo na grande São Paulo e no interior do estado. Desde a noite de ontem (16), outras oito escolas foram ocupadas, subindo para 38 o número de unidades ocupadas, até as 10h30 de hoje (17). A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual, 17-11-2015.

Na noite de ontem (16), estudantes ocuparam a E.E. Roger Jules de Carvalho Mange, no extremo leste da capital, contra o fechamento do período noturno, conforme anunciado pela secretaria de Educação.

Pela manhã, a E.E. Godofredo Furtado, em Pinheiros, seguiu o exemplo de outra escola do bairro, a E.E. Fernão Dias Paes, que já completa uma semana de ocupação, iniciada na terça passada (10). Segundo informações dos Jornalistas Livres, a Polícia Militar acompanha pacificamente a ação. Na zona sul da capital, a E.E. Marilsa Garbosa Francisco também foi tomada pelos alunos, após se reunirem em assembleia...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549193-ja-sao-38-escolas-ocupadas-em-sp-contra-a-reorganizacao-de-alckmin