“Fica decretado... Quem votar em corruptos, ficha suja ou coronel da política nas próximas Eleições, não será chamado de cristão”. Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista/RJ. 

Para a organização, medida pode agravar os problemas em áreas como saúde e segurança.

RIO - A Anistia Internacional informou nesta sexta-feira que recebeu com preocupação a publicação do decreto de estado de calamidade pública na situação financeira do estado. De acordo com Atila Roque, diretor executivo da organização, a medida abre espaço para restrições no fornecimento de serviços públicos que podem agravar ainda mais os problemas em áreas como saúde e segurança pública.

“Grandes eventos esportivos não podem acontecer às custas de supressão de direitos. As autoridades do Estado precisam esclarecer para a população quais são os reais impactos dessa medida na vida das pessoas. O que o Rio de Janeiro precisa é de mais e não de menos investimentos para assegurar que as forças de segurança estão preparadas e não vão repetir as violações de direitos humanos que temos documentado durante anos. Não é hora de se esconder atrás de números. As autoridades do Rio de Janeiro tem a responsabilidade de garantir segurança para todos e todas. Falhar nessa responsabilidade, só vai gerar mais dor e sofrimento”, escreveu Atila em nota.

No incío do mês, a Anistia fez um alerta sobre o risco elevado de violações de direitos humanos durante os Jogos Olímpicos. Para a organização, as autoridades brasileiras estão deixando de promover o legado prometido na área de segurança. Fonte: http://oglobo.globo.com

“Rio... A 1ª cidade do Brasil a decretar Estado de Calamidade Pública pela incompetência dos seus governantes. Eita “Brasil” Corrupto”!

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Dois empresários que participaram de encontro com o presidente interino explicam.

Desde que assumiu o Governo, há pouco mais de 20 dias, o presidente interino Michel Temer tem registrado apoio de parte do empresariado brasileiro. Não é à toa. A principal entidade que congrega os empresários brasileiros, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi uma das principais patrocinadoras do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Nesta quarta-feira, Temer se reuniu com 197 empresários levados ao Palácio do Planalto pelo presidente da Fiesp. Dois desses empresários explicaram ao El País que a gestão peemedebistamerece um voto de confiança porque essa é a única opção que há no momento. As entrevistas são de Afonso Benites, publicadas por El País, 08-06-2016.

Eis as entrevistas.

“Não é um apoio cego, é um apoio com cobranças”

Carlos Eduardo Gouvêa é o diretor-presidente da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS).

Como o senhor avalia esse início de gestão Temer?

Entendo que seja uma parada necessária. O Brasil estava totalmente descontrolado, sem governabilidade, os projetos não passavam no Congresso, a economia se ressentido. O setor de saúde, por exemplo, está ainda sofrendo de um problema crônico com falta de investimento, de atenção, desvios de verbas permanentes, em todas as esferas, municipais, estaduais e federal. Se não houvesse uma ruptura da política para o Brasil, entraríamos em um colapso.

Nesse início de trabalho, uma das críticas que o Governo Temer tem recebido é de que ele deu atenção muito forte à equipe econômica, mas nas outras áreas não foram como essa. Como o senhor vê essas críticas?

A área econômica teve uma atenção muito especial. Ele [Temer] montou o Dream Team, sem dúvida. São grandes nomes com respeitabilidade mundial, um caminho muito acertado. Nos outros ministérios, o que se vê é uma negociação política de ocupação dos espaços. Particularmente, entendo que não é o ideal, mas entendo que seja necessário para garantir a governabilidade junto ao Congresso. O que esperamos é que, aquele anúncio de nomear para estatais e para agências reguladoras pessoas técnicas, seja cumprido. Essa postura é fundamental. Infelizmente, nos ministérios teremos de conviver com essa ocupação política, mas os cargos técnicos deverão ser ocupados por profissionais altamente competentes.

Até onde vai esse apoio à gestão Temer? Há um prazo?

Esse é um grande apoio para a retomada do crescimento. Antes de apoiar partido A, B ou C, o que está se apoiando é uma retomada urgente e necessária para o crescimento econômico. Ninguém aguenta mais. Temos um desemprego crescente, as empresas sofrendo com falta de crédito, a imagem do país lá fora completamente prejudicada. Na verdade, não temos opção. Vamos apoiar e cobrar por medidas que sejam efetivas. Não é um apoio cego, é um apoio com cobranças. Não temos mais espaço para tentativa e erro. Temos de fazer o país andar para frente. “Não há dois lados da mesa”

Jairo Cândido é o presidente do Grupo Inbra, que atua na área Defesa.

Por qual razão o grupo que o senhor representa está dando apoio a esse Governo?

Entendemos que temos de chegar a uma situação em que é preciso criar uma expectativa em relação ao Brasil. O principal ponto é esse. Os indícios são de que isso acontecerá. As medidas iniciais mostram que isso deve ocorrer. Ninguém faz milagre. Sem dinheiro não dá para fazer nada.

Nesse início de trabalho, uma das críticas que o Governo Temer tem recebido é de que ele deu atenção muito forte à equipe econômica, mas nas outras áreas não foram como essa. Como o senhor vê essas críticas?

Não concordo. Toda equipe tem de ter uma equipe de notáveis em determinada área. No nosso caso, com esse déficit nas contas públicas [previsão é de 170,5 bilhões de reais para este ano], era preciso se dedicar à área econômica, fundamentalmente. Sem contar o saneamento das empresas estatais, fundos de pensões, bancos de fomento. Tudo isso imaginamos que há uma crítica que dá essa notoriedade. Mas é fundamental que a classe política esteja compondo um Governo. Um Governo democrático não existe sem os políticos.

Até onde vai esse apoio à gestão Temer? Há um prazo?

As coisas do Brasil não estão colocadas em um espaço de tempo. Elas estão colocadas em resultado. E o resultado ainda que não seja completo ele acaba existindo dentro de um arcabouço. Esse arcabouço engloba a solução para o país, dentro de uma gestão de portas abertas, coisas dessa natureza, porque a visão que nós temos é de que se pode trabalhar juntos. O Governo não pode virar às portas para o outro lado. Não há dois lados da mesa, existe um lado só, todos nós temos de trabalhar juntos. Essa é a regra para o país ter sucesso. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

“Nesta segunda 1º de junho aqui em Roma, aí no Brasil já dia 2, visitando as ruinas da Roma antiga dos imperadores romanos e dos Doze Césares, não adianta... Você pode até votar nos coronéis da política, eles podem até enganar, comprar votos, matar e roubar para se manter no poder, mas AMANHÃ A CASA CAI como caiu o maior império do mundo- Roma. Pense nisso”. Frei Petrônio de Miranda, Carmelita e Jornalista/RJ, direto de Roma. (Fotos).

“O maior ignorante não é o analfabeto, mas os “sábios” que defendem políticos corruptos e ladrões”. Frei Petrônio de Miranda, Carmelita e Jornalista/RJ.  

 “O Problema não é ser a favor de Dilma ou de Temer, mas nas próximas eleições continuar votando em políticos corruptos e assassinos dos pobres”. Frei Petrônio de Miranda, Carmelita e Jornalista. 

Com gritos e cartazes, ativistas da causa LGBT protestam contra o governo Michel Temer (PMDB) neste domingo (29), na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. O ato ocorre na Avenida Paulista, na região central, e foi marcado para as 10h, mas cerca de uma hora depois os participantes ainda estão chegando. Eles gritam "Fora, Temer" e "Volta Dilma". Erguendo um cartaz de "Fora Temer", a ativista Phamela Godoy diz que, em duas semanas de governo interino, houve recuo nas conquistas LGBT. "Nós não podemos nos furtar de discutir a agenda política do país. Quando os grupos conservadores avançam, os direitos LGBT são os primeiros a serem atacados", disse.

Phamela cita o fim do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, além da Coordenação de Política LGBT e a redução no orçamento de políticas de prevenção da Aids. "Em um País que não respeita a democracia, não é possível discutir direitos para minorias", afirmou.

Neste ano, a edição da Parada terá como principal bandeira a aprovação da Lei de Identidade de Gênero para travestis e transexuais. Serão 17 trios voltados para o tema. A organização estima que 2 milhões de pessoas participem do evento, que vai terminar com um show no Vale do Anhangabaú.

Para o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, Fernando Quaresma, transexuais são vítimas de "crimes com requintes de crueldade" e excluídos por não poderem usar oficialmente sues nomes sociais. "Ajuda a evitar vários problemas, como evasão escolar, falta de absorção no mercado de trabalho e problemas com a familia", disse.

"Nós queremos dar visibilidade ao segmento 'T'. Não só em São Paulo, em grandes centros, mas principalmente no interior sofre muito com 'LGBTfobia', com o preconceito e a vida à margem da sociedade", afirmou.

Quase mas também destacou a Parada como espaço para discussões políticas e afirmou que "não adianta ter uma estrutura que não é voltada para o povo". "Nós lutamos todos os dias pelos nossos direitos. As pessoas preconceituosas, que tem a 'LGBTfobia' nas veias, não param de trabalhar um dia para quebrar nossos direitos."

Fonte: http://noticias.uol.com.br

A princípio, nada, responderia um idiota da objetividade. Não é bem assim.

Uma adolescente de 16 anos contou que acordou nua domingo no Rio com dezenas de homens ao seu redor. “Mais de 30 [a] engravidou [sic]'', contabilizou um deles na internet, onde foi veiculado vídeo em que o grupo de agressores se regozija com o estupro da garota.

Na quarta-feira, o ator Alexandre Frota foi recebido em audiência pelo ministro da Educação, Mendonça Filho. Um dos líderes do movimento pró-impeachment acompanhava o protagonista de filmes pornô. Frota escreveu: “Estive com o ministro da Educação hoje e pude colocar algumas ideias para ajudar um país que eu amo''. Das ditas ideias constam sugestões fascistoides, inspiradoras da lei que, na terra de Zumbi dos Palmares, permite demitir professor que criticar a escravidão.

Há erros de foco nas críticas ao encontro no Ministério. Elas se salpicam de moralismo ou falso moralismo, devido à atividade profissional do ator. A despeito de o cidadão Frota ser porta-estandarte de valores e atitudes abomináveis, o escândalo mais grave não é dele, e sim de um dos principais mandachuvas do governo Michel Temer.

Mendonça Filho aceitou recepcionar um sujeito que se gabou na televisão por ter feito sexo sem consentimento com uma mãe de santo. Desprezando o eufemismo, estuprando-a. Narrou a “façanha'' diante de gargalhadas do apresentador Rafinha Bastos, aplausos da plateia e urros de admiração nas redes. Ao ser violentada, a mulher desmaiou. Mais tarde, Frota alegou que o relato não passara de ficção, um número de show. Mas, na TV, esclarecera a natureza do “espetáculo'': “Eu contando várias histórias que aconteceram na minha vida''.

Ao reagir a uma servidora pública que o censurou, o ator deu queixa à polícia e publicou na internet, em tom de ameaça: “Você não precisa se desgastar, ativista de merda. Só eu vou falar. Não tenho medo de ativista, de Ministério Público. Não me intimido com você, nem com sua amiguinha nojenta. Se precisar serei, sim, fundamentalista, homofóbico, a porra que for, mas essa onda você não vai surfar. (…) Estou aqui esperando o camburão. Não veio me buscar até agora. Ativista aproveitadora. Enquanto sua página em 43 dias conseguiu 6 mil curtidas, a minha, em 48 horas, teve 11.600 de apoio. Veja bem, o dobro. Eu nunca vou te esquecer. Essa página foi criada para que você sempre se lembre de mim”.

Foi tal ser medieval, protagonista desse episódio conhecidíssimo, de vasta repercussão, que o ministro atendeu de braços abertos. São chapas, companheiros da campanha pelo impeachment da presidente constitucional Dilma Rousseff. Prestigiando Frota, Mendonça Filho endossa a cultura de permissividade. Permissividade com a barbárie, com a cultura do estupro. A cultura em que a mulher é sempre considerada culpada. Como já se observa em manifestações cretinas responsabilizando a jovem pelo crime de que foi vítima.

Prócer do DEM, Mendonça Filho é o tal “Mendoncinha'' citado por Renan Calheiros em conversa gravada por Sérgio Machado. O ex-presidente da Transpetro sentenciou: “Um cara mais corrupto que aquele não existe, Pauderney Avelino''. Renan emendou: “Pauderney Avelino, Mendoncinha''.

O tapete vermelho oferecido a Alexandre Frota é um recado ao Brasil: faça o que fizer, diga o que disser, este governo estará ao seu lado. O ministro dá exemplo. Valoriza quem se vangloria e ri por ter feito o que fez ou falado que fez. Os algozes da adolescente também riram e se vangloriaram. No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos.

Em meio ao barulho provocado por tamanhas insensatez e covardia, a Secretaria dos Direitos Humanos mantém o silêncio sobre a audiência a Alexandre Frota. Ao aceitar o cargo de secretária, Flávia Piovesan chancelou o rebaixamento do status do Ministério, que virou secretaria. Pelo visto, não foi o único rebaixamento. Noutros tempos, Piovesan teria repudiado a presença do ator no Ministério da Educação.

Também noutros tempos, nem tanto tempo assim, a confraternização entre o ministro da Educação _da Educação!_ e Alexandre Frota teria merecido primeiras páginas e ao menos menção nos noticiários televisivos noturnos. Noutros tempos.

Fonte: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br

 

(PORTO VELHO-RO * 27/05/2011. Memória dos 5 anos de Martírio).

Adelino Ramos, 56 anos, dirigente camponês, agricultor, que participou da invasão da fazenda Santa Elina, palco do massacre de Corumbiara (RO), em agosto de 1995, foi assassinado na manhã de 27 de maio de 2011, no distrito de Vista Alegre do Abunã, em Porto Velho (RO), enquanto vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia. Adelino estava acompanhado da esposa e duas filhas quando foi abordado e atingido com cinco tiros.

O homem atirou cinco vezes e continuou andando e se escondeu na mata quando a mulher de Adelino, identificada como Eliana, começou a gritar. Ela está sob proteção policial porque viu o assassino.

Em junho de 2010, durante reunião em Manaus (AM), Dinho chegou a denunciar ao ouvidor agrário nacional, Gercino Silva, sobre as ameaças de morte que sofria.

Era perseguido por latifundiários como um dos líderes do MCC. Ele morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, em Lábrea, no Amazonas, e denunciava a ação de madeireiros.

Segundo a CPT, Dinho e um grupo de trabalhadores reivindicavam uma área na região para a criação de um assentamento. No início do mês de maio, o Ibama iniciou uma operação no local, onde apreendeu madeira e cabeças de gado que estavam em áreas de preservação. A CPT na região acredita que esse foi o motivo da morte do camponês.

O assassinato de Adelino Ramos é o terceiro na Amazônia Legal em menos de uma semana. Na terça-feira 24 de maio, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram mortos a tiros numa estrada vicinal em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

A CPT denuncia que madeireiros estão ameaçando de morte a agricultora Nilcilene Miguel de Lima, de Lábrea, presidente da Associação “Deus Proverá”, no sul do Amazonas. Assentada na região há sete anos, Nilcilene desenvolve atividades de cultivo familiar ligadas à conservação do meio ambiente, da floresta e ao ativismo social.

A rica e exuberante região de Lábrea, na divisa dos estados do Acre, Rondônia e Amazonas, tem sido palco de muitos conflitos nas últimas décadas por causa da luta pela posse terra, principalmente para pecuária e exploração madeireira.

Os então ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Maria do Rosário Nunes (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) divulgaram uma nota sobre o assassinato do líder camponês Adelino Ramos. Eles manifestaram “total repúdio e indignação”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Fonte: https://www.facebook.com/groups/romariadosmartiresdacaminhada2016/permalink/257492531269979/

El pueblo brasileño ha protestado diariamente contra el presidente interino Michel Temer, quien asumió el cargo el 12 mayo luego de que la mandataria Dilma Rousseff, quien fuera separada de su cargo mientras dura el proceso de juicio político. El reportaje es publicado por TeleSur, 08-05-2016.

El gobierno del presidente interino de Brasil, Michel Temer, anunció este martes que revocará la construcción de 11 mil 250 viviendas sociales del programa bandera "Minha Casa, Minha Vida" (Mi Casa, Mi vida), impulsado por los gobiernos progresistas del expresidente Luiz Inácio Lula Da Silva, y continuado por Dilma Rousseff.

El nuevo ministro de Ciudades, Bruno Araújo, fue el encargado de revocar la orden suministrada por Rousseff que autorizaba al banco público Caixa Federal a contratar la construcción de los urbanismos para el programa de viviendas sociales para el pueblo brasileño.

Con la finalidad de atender las necesidades de las comunidades, el gobierno de Rousseff intensificó en los últimos meses las medidas de carácter social. Este decreto de construir viviendas fue publicado días antes de que la Cámara de Senado de Brasil decidiera separar el cargo a la jefa de Estado, Dilma Rousseff, por 180 días e iniciar un juicio político en su contra, consumando un golpe de Estado en la nación suramericana.

En contexto

Michel Temer pasó a ser el presidente interino de Brasil luego de que la mandataria de este país, Dilma Rousseff, elegida con 54 millones de votos populares, fuera separada de su cargo para enfrentar un juicio político, pese a que no existen pruebas de un crimen de responsabilidad.

Tras su investidura, Temer anunció su intención de aplicar medidas neoliberales que apuntan a la apertura hacia el mercado internacional, que para varios analistas permitirá a las grandes petroleras americanas el acceso a los recursos hasta ahora gestionados por Petrobras.

La nueva agenda de Temer incluye aumentar la participación extranjera en los recursos energéticos de Brasil, algo que según él, "comenzará flexibilizando la legislación sobre el modelo productivo del presal". Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

O Itamaraty, sob comando do novo ministro das Relações Exteriores José Serra (PSDB), concedeu passaporte diplomático ao pastor Samuel Cássio Ferreira, da Assembleia de Deus, que está sob investigação na Lava Jato suspeito de lavar dinheiro da propina para Eduardo Cunha (PMDB) por meio de sua igreja, em Campinas. O decreto com a emissão do passaporte foi publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (18).

É a primeira vez, desde o começo da operação, que um investigado sem prerrogativa de foro recebe o benefício dado a autoridades. Na semana passada, o Supremo determinou a remessa das investigações envolvendo Samuel Cássio para o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação em Curitiba.

O Itamaraty informou que o ministério se baseou no terceiro parágrafo do artigo sexto do decreto que regulamenta a concessão dos passaportes diplomáticos. O dispositivo prevê a concessão do documento a pessoas que, embora não estejam relacionadas na lista de quem pode ter o passaporte, "devam portá-lo em função do interesse do país."

O decreto 5.978, de 2006, não prevê a concessão desse tipo de passaporte a líderes religiosos. Entre as pessoas que podem recebê-lo, estão o presidente e o vice-presidente da República, ex-presidentes, governadores, ministros, ocupantes de cargo de natureza especial, militares em missões da ONU, ministros do STF, o procurador-geral da República e juízes brasileiros em tribunais internacionais, dentre outros.

Conforme o próprio Itamaraty, o passaporte diplomático concedido gratuitamente identifica a pessoa que está com ele como "agente do governo". Segundo o ministério, portar esse tipo de documento não concede à pessoa "imunidade diplomática", mas dá privilégios como atendimento preferencial nos postos de imigração e isenção de visto em alguns países.

A igreja de Samuel Cássio, em Campinas, recebeu R$ 250 mil do lobista e delator da Lava Jato Julio Camargo, que admitiu que o pagamento era parte da propina de US$ 5 milhões a Cunha referente a contratos de navios-sonda da Petrobras.

Atualmente Cunha é réu no STF justamente no episódio envolvendo esta propina. O parlamentar afastado nega irregularidades. A defesa de Samuel Cássio Ferreira considera o inquérito contra ele desnecessário. A reportagem tentou falar com a assessoria de Serra, mas ninguém atendeu.

Investigação

Na denúncia, a Procuradoria-Geral da República aponta que o peemedebista teria usado a igreja para operacionalizar o repasse de parte da propina de US$ 5 milhões recebida por ele referente à contratação de dois navios-sonda da Petrobras. O Procurador Rodrigo Janot não fez acusação contra nenhum representante da igreja, presidida pelo pastor Samuel, que agora passa a ser investigado por Sérgio Moro.

Janot detalha as negociações de Cunha e Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção instalado na Petrobras, para receber o pagamento. O procurador afirma que o lobista Julio Camargo, que afirma ter pagado a propina milionária a Eduardo Cunha, foi orientado a fazer 'doações' para a igreja para quitar parte do débito.

A Polícia Federal e a Procuradoria identificaram duas transferências em agosto de 2012 para a Assembleia de Deus via empresas de Júlio Camargo, a Piemonte e a Treviso, no valor de R$ 125 mil cada. O dinheiro teve como destino uma filial da Assembleia de Deus Ministério Madureira em Campinas, no interior de São Paulo. Os repasses tiveram como 'falsa justificativa pagamento a fornecedores', segundo Janot. (Com Estadão Conteúdo). Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br