Olhar Jornalístico

Quinta-feira, 18 de junho-2026. 11ª- Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 junho 2026
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1) Oração

Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 6, 7-15)

7Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 12perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; 13e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.

 

3) Reflexão  - Mt 6, 7-15

O evangelho de hoje traz a oração do Pai Nosso, o Salmo que Jesus nos deixou. Há duas redações do Pai Nosso: de Lucas (Lc 11,1-4) e de Mateus (Mt 6,7-13). A redação de Lucas é mais curta. Lucas escreve para comunidades que vieram do paganismo. Ele busca ajudar pessoas que estão se iniciando no caminho da oração. No Evangelho de Mateus, o Pai Nosso está situado naquela parte do Sermão da Montanha, onde Jesus orienta os discípulos e as discípulas na prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O Pai Nosso faz parte de uma catequese para judeus convertidos. Eles já estavam habituados a rezar, mas tinham certos vícios que Mateus tenta corrigir. No Pai Nosso Jesus resume todo o seu ensinamento em sete preces dirigidas ao Pai. Nestes sete pedidos, ele retoma as promessas do Antigo Testamento e mandar pedir ao Pai que Ele nos ajude a realizá-las. Os primeiros três dizem respeito ao relacionamento nosso com Deus. Os outros quatro dizem respeito ao nosso relacionamento comunitário com os outros. 

 

Mateus 6,7-8: A introdução ao Pai-nosso.

Jesus critica as pessoas para as quais a oração era uma repetição de fórmulas mágicas, de palavras fortes, dirigidas a Deus para obrigá-lo a atender a seus pedidos e necessidades. Quem reza deve buscar em primeiro lugar o Reino, muito mais que os interesses pessoais. A acolhida da oração por parte de Deus não depende da repetição das palavras, mas sim da bondade de Deus que é Amor e Misericórdia. Ele quer o nosso bem e conhece as nossas necessidades, antes mesmo das nossas preces.

 

Mateus 6,9a: As primeiras palavras: “Pai Nosso que estás no céu!”

Abba, Pai, é o nome que Jesus usa para dirigir-se a Deus. Expressa a intimidade que ele tinha com Deus e manifesta a nova relação com Deus que deve caracterizar a vida do povo nas comunidades cristãs (Gl 4,6; Rm 8,15). Mateus acrescenta ao nome do Pai o adjetivo nosso e a expressão que estais no Céu. A oração verdadeira é uma relação que nos une ao Pai, aos irmãos e irmãs e à natureza. A familiaridade com Deus não é intimista, mas expressa a consciência de pertencermos à grande família humana, da qual participam todas as pessoas, de todas as raças e credos: Pai Nosso. Rezar ao Pai e entrar em intimidade com ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como Pai é o fundamento da fraternidade universal.

 

Mateus 6,9b-10: Os três pedidos pela causa de Deus: o Nome, o Reino, a Vontade

Na primeira parte do Pai-nosso, pedimos para que seja restaurado o nosso relacionamento com Deus. Para restaurar o relacionamento com Deus, Jesus pede (1) a santificação do Nome revelado no Êxodo por ocasião da libertação do Egito; (2) pede a vinda do Reino, esperado pelo povo depois do fracasso da monarquia; (3) pede o cumprimento da Vontade de Deus, revelada na Lei que estava no centro da Aliança. O Nome, o Reino, a Lei: são os três eixos tirados do Antigo Testamento que expressam como deve ser o novo relacionamento com Deus. Os três pedidos mostram que é preciso viver na intimidade com o Pai, fazendo com que o seu Nome seja conhecido e amado, que o seu Reino de amor e de comunhão se torne uma realidade, e que a sua Vontade seja feita assim na terra como no céu. No céu, o sol e as estrelas obedecem à lei de Deus e criam a ordem do universo. A observância da lei Deus "assim na terra como no céu" deve ser a fonte e o espelho de harmonia e de bem-estar para toda a criação. Este relacionamento renovado com Deus, porém, só se torna visível no relacionamento renovado entra nós que, por sua vez, é objeto de mais quatro pedidos: o pão de cada dia, o perdão das dívidas, o não cair em tentação e a libertação do Mal.

 

Mateus 6,11-13: Os quatro pedidos pela causa dos irmãos: Pão, Perdão, Vitória, Liberdade

Na segunda parte do Pai-nosso pedimos que seja restaurado e renovado o relacionamento entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da comunidade e da sociedade para que todos os filhos e filhas de Deus vivam com igual dignidade. Pão de cada dia: O pedida do "Pão de cada dia" (Mt 6,11) lembra o maná de cada dia no deserto (Ex 16,1-36), O maná era uma “prova" para ver se o povo era capaz de andar na Lei do Senhor (Ex 16,4), isto é, se era capaz de acumular comida apenas para um único dia como sinal da fé de que a providência divina passa pela organização fraterna. Jesus convida para realizar um novo êxodo, uma nova convivência fraterna que garante o pão para todos. Perdão das dívidas: O pedido, do "perdão das dívidas" (6,12) lembra o ano sabático que obrigava os credores a perdoar todas as dívidas aos irmãos (Dt 15,1-2). O objetivo do ano sabático e do ano jubilar (Lv 25,1-22) era desfazer as desigualdades e recomeçar tudo de novo. Como rezar hoje: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”? E' pela dívida externa dos países pobres que os países ricos, todos cristãos, se enriquecem. Não cair na Tentação: O pedido de "não cair em tentação" (6,13) lembra os erros cometidos no deserto, onde o povo caiu na tentação (Ex 18,1-7; Nm 20,1-13; Dt 9,7-29). É para imitar Jesus que foi tentado e venceu (Mt 4,1-17). No deserto, a tentação levava o povo a seguir por outros caminhos, a voltar atrás, a não assumir a caminhada da libertação e reclamar de Moisés que o conduzia.  Libertação do Mal: O mal é o Maligno, o Satanás, que tenta desviar e que, de muitas maneiras, procura levar as pessoas a não seguir o rumo do Reino, indicado por Jesus. Tentou Jesus para abandonar o Projeto do Pai e ser o Messias conforme as idéias dos fariseus, escribas ou de outros grupos. O Maligno afasta de Deus e é motivo de escândalo. Chegou a entrar em Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Jesus falou "perdoai as nossas dívidas", mas hoje nós rezamos "perdoai as nossas ofensas" O que é mais fácil: perdoar ofensas ou perdoar dívidas?

2) Como você costuma rezar o Pai Nosso: mecanicamente ou colocando toda a sua vida e o seu compromisso?

 

5) Oração final

Na presença do Senhor, fundem-se as montanhas como a cera, em presença do Senhor de toda a terra. Os céus anunciam a sua justiça e todos os povos contemplam a sua glória. (Sl 96, 5-6)

Padre italiano que foi morto após combater exploração sexual no interior de MT é beatificado

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Publicado em 17 junho 2026
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  • Arquidiocese de Cuiabá

Reconhecido como mártir pela Igreja Católica, sacerdote tornou-se o primeiro beato da história do estado

Papa Leão 14 destacou o novo beato durante o Angelus; causa reúne ao menos oito relatos de milagres

 

Imagem de Nazareno Lanciotti exposta durante a cerimônia que o tornou o primeiro beato da história de Mato Grosso - Simone Guedes - 13.jun.26/Arquidiocese de Cuiabá

 

Bárbara Sá

São Paulo

O padre italiano Nazareno Lanciotti foi beatificado no último sábado (13). Assassinado em 2001 após denunciar exploração sexual e defender os mais pobres no interior de Mato Grosso, o religioso teve o martírio reconhecido pela Igreja Católica 25 anos após sua morte.

A beatificação é o passo anterior à canonização, quando a pessoa é considerada santa. Um dia após a cerimônia realizada em Jauru, município do oeste mato-grossense, o papa Leão 14 destacou a trajetória do sacerdote durante a oração do Angelus, no Vaticano. Ao recordar os novos beatos reconhecidos pela Igreja Católica, o pontífice afirmou que Lanciotti foi mártir porque "em nome do evangelho defendia os mais pobres".

"Em Mato Grosso, no Brasil, foi beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano, missionário, também ele mártir, porque em nome do evangelho defendia os mais pobres. Que o exemplo e a intercessão dessas corajosas testemunhas sustentem a missão dos presbíteros e de toda a igreja", afirmou o papa.

A cerimônia reuniu milhares de fiéis em Jauru, onde o sacerdote construiu sua trajetória religiosa e social. Caravanas vindas de diferentes estados brasileiros e também de países como Peru e Argentina acompanharam a celebração.

A missa foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, enviado pelo Vaticano para representar o papa. Coube a ele ler a carta apostólica que oficializou o reconhecimento e confirmou Nazareno como mártir da Igreja Católica. A celebração durou cerca de quatro horas e foi acompanhada por autoridades religiosas e civis.

Para o padre Deusdédit Monge de Almeida, administrador da Arquidiocese de Cuiabá, o ato representa um marco para Mato Grosso, que agora possui seu primeiro beato. "É uma graça e uma bênção para Mato Grosso e para o Brasil. É mais uma pessoa nas fileiras da santidade e um estímulo para todos os cristãos. Os santos não são apenas para serem admirados, mas para serem imitados", afirmou.

Na avaliação do religioso, o reconhecimento também deve impulsionar a chegada de peregrinos à cidade. "Haverá muitas peregrinações a partir de agora. Jauru passa a receber pessoas que virão para rezar, conhecer a história do padre Nazareno e buscar as bênçãos de Deus."

A expectativa da Igreja é reforçada pela devoção já existente em torno do sacerdote. Quem visita Jauru pode conhecer o túmulo de Lanciotti, localizado ao lado direito do altar da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar. O local se tornou ponto de oração para fiéis que atribuem graças à sua intercessão.

Pelo menos oito supostos milagres atribuídos ao padre já foram anexados ao processo de canonização. O reconhecimento de um milagre pelo Vaticano é uma das etapas necessárias para que um beato possa futuramente ser declarado santo.

 

Quem foi o padre

Natural de Roma, Lanciotti chegou ao Brasil em 1971 e passou a atuar em Jauru. Ao longo de sua missão, criou 57 comunidades eclesiais rurais, implantou a adoração eucarística diária, fundou centros de assistência para gestantes, idosos e pessoas com deficiência, entre eles a casa de repouso Coração Imaculado de Maria. Também abriu uma escola voltada a centenas de crianças e instituiu um seminário menor.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano e foi nomeado diretor nacional da organização no Brasil. No cargo, percorreu o país promovendo encontros de oração. Após sua morte, passou a ser considerado o primeiro mártir do movimento.

Sua atuação ocorreu em uma região marcada por conflitos fundiários. Durante os anos 1980, quando Jauru viveu intensas disputas por terra, o sacerdote ganhou projeção pela atuação junto às comunidades mais pobres. Também denunciava a exploração sexual de meninas e adolescentes na região.

Na noite de 11 de fevereiro de 2001, após celebrar missa na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, Lanciotti participava de um jantar na casa paroquial quando dois homens armados invadiram o local.

Testemunhas relataram que os criminosos exigiram dinheiro e ameaçaram os presentes. Em determinado momento, o sacerdote pediu que os demais fossem poupados. Os invasores chegaram a simular uma roleta-russa com algumas das vítimas antes de interromper a sequência e se dirigir ao padre.

Um dos homens segurou sua cabeça e efetuou um disparo na nuca. Lanciotti foi levado inicialmente ao hospital de Jauru e depois transferido para São Paulo, onde morreu aos 61 anos, em 22 de fevereiro de 2001.

Relatos reunidos pela Igreja durante o processo que levou ao reconhecimento do martírio apontam que o sacerdote perdoou os responsáveis pelo atentado antes de morrer.

O reconhecimento do martírio foi autorizado pelo papa Francisco em 2025 e abriu caminho para a cerimônia realizada no sábado em Jauru.

Ao reconhecer o martírio do missionário, o Vaticano concluiu que sua morte ocorreu por ódio à fé. O entendimento abriu caminho para a beatificação, celebrada neste sábado em Jauru, e consolidou a trajetória daquele que é considerado o primeiro mártir do Movimento Sacerdotal Mariano e o primeiro beato da história de Mato Grosso.

 

As etapas para se tornar santo

Segundo a fé católica, santos são pessoas que, após a morte, intercedem junto a Deus para a realização de milagres na terra.

Quatro são as etapas que ela precisa passar nesse processo:

Servo de Deus: Após a morte de uma pessoa com "fama de santidade", o bispo local recolhe documentos e testemunhos. Se aprovado pelo Vaticano, o candidato recebe este título.

Venerável: Teólogos e cardeais analisam a vida do candidato. Se for comprovado que viveu as virtudes cristãs em grau heroico (ou que sofreu martírio), o papa declara a pessoa Venerável.

Beato (Beatificação): Exige a comprovação de um milagre ocorrido por intercessão do candidato após a sua morte (exceto em casos de mártires). A pessoa passa a receber culto público em uma região —geralmente na do próprio beato—, diocese, nação ou comunidade específica.

Santo (Canonização): É a etapa final. Exige a comprovação de um segundo milagre, ocorrido após a beatificação. Confirmado o segundo milagre, o papa declara a pessoa santa, que pode ser cultuada por toda a Igreja Católica em todo o mundo.

Fonte: Minha Biblioteca Católica; Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Quarta-feira, 17 de junho-2026. 11ª- Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 junho 2026
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1) Oração

Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 6, 1-6.16-18)

1Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. 4Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á. 5Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.

 

3) Reflexão  - Mt 6,1-6.16-18

O evangelho de hoje dá continuidade à meditação sobre o Sermão da Montanha. Nos dias anteriores, de 9 até 17 de junho, refletimos longamente sobre a mensagem do capítulo 5 do evangelho de Mateus. No evangelho de hoje e dos dias seguintes, de 18 a 21 de junho, vamos meditar a mensagem do capítulo 6 do mesmo evangelho. A seqüência dos capítulos 5 e 6 pode ajudar na sua compreensão. Os trechos em itálico indicam o texto do evangelho de hoje. Eis o esquema:

Mateus 5,1-12: As Bem-aventuranças: solene abertura da nova Lei

Mateus 5,13-16:       A nova presença no mundo: Sal da terra e Luz do mundo

Mateus 5,17-19:       A nova prática da justiça: relacionamento com a antiga lei

Mateus 5, 20-48;    A nova prática da justiça: observando a nova Lei.

Mateus 6,1-4:     A nova prática das obras de piedade: a esmola

Mateus 6,5-15: A nova prática das obras de piedade: a oração

Mateus 6,16-18:  A nova prática das obras de piedade: o jejum

Mateus 6,19-21:       Novo relacionamento com os bens materiais: não acumular

Mateus 6,22-23:     Novo relacionamento com os bens materiais: visão correta

Mateus 6,24:    Novo relacionamento com os bens materiais: Deus ou dinheiro

Mateus 6,25-34:     Novo relacionamento com os bens materiais: abandono à Providência

O evangelho de hoje trata de três assuntos: da esmola (6,1-4), da oração (6,5-6) e do jejum (6,16-18). São as três obras de piedade dos judeus.

 

Mateus 6,1: Não praticar o bem para ser visto pelos outros

Jesus critica os que praticam as boas obras só para serem vistos pelos homens (Mt 6,1). Jesus pede para construir a segurança interior não naquilo que nós fazemos por Deus, mas sim naquilo que Deus faz por nós. Nos conselhos que ele dá transparece um novo tipo de relacionamento com Deus: “O teu Pai que vê no segredo te recompensará" (Mt 6,4). "Vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de o pedirdes a Ele” (Mt 6,8). "Se Perdoardes aos homens seus delitos, também vosso Pai celeste vos perdoará" (Mt 6,14). É um novo caminho que aqui se abre de acesso ao coração de Deus Pai. Jesus não permite que a prática da justiça e da piedade seja usada como meio de auto-promoção diante de Deus e diante da comunidade (Mt 6,2.5.16).

 

Mateus 6,,2-4: Como praticar a esmola

Dar esmola é uma maneira de realizar a partilha tão recomendada pelos primeiros cristãos (At 2,44-45; 4,32-35). A pessoa que pratica a esmola e a partilha para se promover a si mesmo diante dos outros merece a exclusão da comunidade, como foi o caso de Ananias e Safira (At 5,1-11). Hoje, tanto na sociedade como na igreja, há pessoas que fazem grande publicidade do bem que fazem aos outros. Jesus pede o contrário: fazer o bem de tal maneira que a mão esquerda não fique sabendo o que a mão direita está fazendo. É o total desapego e a total entrega na gratuidade do amor que crê em Deus Pai e o imita em tudo que faz.

 

Mateus 6,5-6: Como praticar a oração

A oração coloca a pessoa em relação direta com Deus. Alguns fariseus transformavam a oração numa ocasião para aparecer e se exibir diante dos outros. Naquele tempo, quando tocava a trombeta nos três momentos de oração, manhã, meio dia e entardecer, eles deviam parar no lugar onde estavam para fazer as suas orações. Havia gente que procurava estar nas esquinas em lugares públicos, para que todos pudessem ver como rezavam. Ora, uma atitude assim perverte nossa relação com Deus. É falsa e sem sentido. Por isso, Jesus diz que é melhor fechar-se no quarto e rezar em segredo, preservando a autenticidade da relação. Deus te vê mesmo no segredo e ele sempre te escuta.Trata-se da oração pessoal, não da oração comunitária. 

 

Mateus 6,16-18: Como praticar o jejum

Naquele tempo a prática do jejum era acompanhada de alguns gestos exteriores bem visíveis: não lavar o rosto nem alinhar os cabelos, usar roupa sombria. Era o sinal visível de jejum. Jesus critica este jeito de jejuar e manda fazer o contrário, para que ninguém consiga perceber que você está jejuando: tome banho, use perfume, arrume bem o cabelo. Aí, só o Pai que vê no segredo sabe que você está jejuando e ele saberá recompensa-lo.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Quando você reza, como você vive a sua relação com Deus?

2) Como vive o seu relacionamento com os outros em família e na comunidade?

 

5) Oração final

Quão grande é, Senhor, vossa bondade, que reservastes para os que vos temem e com que tratais aos que se refugiam em vós, aos olhos de todos. (Sl 30, 20)

Igreja Adventista reforça neutralidade política em meio a avanço bolsonarista

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Publicado em 16 junho 2026
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Igreja Adventista reforça neutralidade política em meio a avanço bolsonarista

Organização tenta blindar templos da polarização e pede prudência nas redes sociais

Líder afirma que 'é preciso separar a atividade partidária, que tem seu papel na sociedade, das atividades religiosas da igreja, que tem outros propósitos'

 

Celebração em templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia - João Pedro Martins/Divulgação

 

Anna Virginia Balloussier

São Paulo

A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) divulgou um documento reforçando uma orientação para que seus líderes não se envolvam em "qualquer atividade político-partidária".

"O princípio da separação entre Igreja e Estado", segundo esta que é uma das maiores organizações religiosas do país, é "o que leva cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nas atividades da outra".

A necessidade de reiterar essa neutralidade política revela, por tabela, como o tema vem se infiltrando nos templos adventistas. Não haveria por que, afinal, repetir uma diretriz com tanta ênfase se ela não estivesse sendo colocada à prova.

O movimento, segundo Jorge Rampogna, diretor de comunicação da igreja na América do Sul, se dá por dois motivos: a proximidade das eleições, "uma oportunidade importante para reafirmar nossa posição apartidária", e lembrar fiéis e líderes de que "é preciso separar a atividade partidária, que tem seu papel na sociedade, das atividades religiosas da igreja, que tem outros propósitos".

Adventistas até veem a política como meio legítimo "para defender valores cristãos", mas quem quiser fazê-lo não contará com apoio institucional, diz Rampogna. Na prática, pastores, obreiros e funcionários que se candidatarem devem se desvincular da função, o que também vale para quem atuar em assessorias ou propaganda política. Usar recursos como o dízimo para financiar a aventura eleitoral é outra vedação.

Recomenda-se que adventistas "sejam muito prudentes" com o uso de redes sociais para discutir política. "Há outros temas de relevância espiritual e missionária que merecem atenção maior por parte dos que compreendem seu papel como multiplicadores do evangelho."

Ao contrário de outras igrejas, a IASD insiste "nesse discurso de distanciamento da política", um tanto desconfiada nesse quesito, diz o antropólogo Raphael Khalil, que cresceu em lar de praticantes dessa fé. "Ainda mais porque eles acreditam que, no fim dos tempos, os governos vão se unir e perseguir os adventistas proibindo de não trabalhar no sábado."

A IASD surge nos Estados Unidos do século 19 e é conhecida por tratar o sábado, sétimo dia da semana, como sagrado —um dia que deve ser dedicado a atividades religiosas e descanso, evitando trabalho, compras e outras atividades seculares. Daí atritos judiciais envolvendo escala de trabalho adaptada e o direito a prestar vestibular e concurso público em data alternativa.

A relação com a saúde é um pilar fundamental da denominação, baseada na crença de que o corpo é o "santuário do Espírito Santo". A igreja valoriza a dieta vegetariana e pede abstinência de álcool e tabaco. Também desencoraja o consumo de café e outros estimulantes.

A Igreja Adventista mantém uma extensa rede de escolas e hospitais. Calcula ter no Brasil cerca de 20 mil congregações e 1,8 milhão de membros —a maior concentração de adventistas no mundo.

Embora essa igreja seja normalmente classificada por pesquisadores como evangélica, e ela própria se ver como herdeira do protestantismo, essa identidade nem sempre é aceita no segmento, por discordâncias doutrinárias que envolvem a observância do sábado e certas interpretações proféticas.

Gera menos divergência constatar que, espelhando a maioria evangélica, muitos adventistas embarcaram no bolsonarismo, ainda que oficialmente a igreja desaconselhe demonstrações públicas de afeto político.

Khalil, que é coautor de "Crentes - Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno", lembra da primeira vez em que ouviu falar de política na igreja. Ele era adolescente, no começo dos anos 2010. "Na minha escola bíblica, uma professora falou assim: ‘Olha, tem um cara que quer preservar os costumes cristãos, só que ele é tachado de fanático. O nome dele é Jair Bolsonaro."

Já na faculdade, escutou um pastor adventista ironizar PT e MST. Depois, em 2019, Hamilton Mourão, então vice-presidente de Bolsonaro, deu uma aula magna no Centro Universitário Adventista de São Paulo.

Quadros da igreja, alguns com espaço na Rede Novo Tempo, o canal oficial da igreja, já vocalizaram publicamente seu apreço pelo campo conservador. O apresentador Leandro Quadros é um exemplo: anos atrás, viralizou um vídeo em que ele descreve Bolsonaro como um "camarada sério" que "fala a verdade", embora tenha ressalvado que, em alguns aspectos, o ex-presidente "não bate bem da cabeça".

Editor da adventista Casa Publicadora Brasileira, Michelson Borges costuma se opor ao que chama de "marxismo cultural". Virou referência para a ala bolsonarista da IASD. Em 2021, escreveu em seu blog o texto "Bolsominion, eu?". Nele diz: "Não concordar com algumas pautas da esquerda não me torna imediatamente defensor da direita", até "por entender que esquerda e direita são marionetes do mesmo poder diabólico".

Em 2023, a igreja afastou o pastor Célio Longo, por dizer "nem Hitler em toda a sua glória" e fazer uma saudação nazista após outro membro pedir engajamento num mutirão de Natal. Longo foi reincorporado à liderança depois.

Na base adventista, alheia à cúpula, está a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a "Débora do batom", presa após pichar com maquiagem "perdeu, mané" numa estátua do Supremo Tribunal Federal, durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ela frequentava um templo no interior paulista.

Rampogna sublinha que "pessoas vinculadas à instituição de alguma forma" são orientadas a adotar comportamento digital cauteloso sobre política, "especialmente em período de eleições". Diz também que a igreja nunca fez qualquer pesquisa que dimensione a preferência interna por algum político ou ideologia, mas "respeita a decisão de cada indivíduo em sua opção de voto em eleições e não interfere na livre escolha dos membros".

Enquanto sugere contenção partidária, a IASD removeu, no novo documento, instruções prévias sobre participação de seus seguidores em manifestações públicas, com a promessa de tratar do assunto em textos futuros. A falta de clareza sobre os limites dessa atuação gerou confusão na membresia.

A igreja destacou uma pesquisa do Pew Research Center com 6.200 adultos latino-americanos, que revelou como em países da região, Brasil incluso, a maioria considera relevante ter um presidente que defenda pessoas com suas crenças religiosas. O sentimento é particularmente forte entre evangélicos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Terça-feira, 16 de junho-2026. 11º Domingo do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 16 junho 2026
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1) Oração

Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 43-48)

43Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. 44Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. 45Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. 46Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? 47Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? 48Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.

 

3) Reflexão  - Mt 5, 43-48

No evangelho de hoje alcançamos o topo da Montanha das Bem-aventuranças, onde Jesus proclamou a Lei do Reino de Deus, cujo ideal se resume nesta frase lapidar: “Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48). Jesus estava corrigindo a Lei de Deus! Cinco vezes em seguida ele já tinha afirmado: “Antigamente foi dito, mas eu digo!” (Mt 5,21.27,31.33.38). Era sinal de muita coragem da parte dele de corrigir, publicamente, diante de todo o povo reunido, o tesouro mais sagrado do povo, a raiz da sua identidade, que era a Lei de Deus. Jesus quer comunicar um novo olhar para entender e praticar a Lei de Deus. A chave para poder atingir este novo olhar é a afirmação: “Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito”. Nunca ninguém poderá chegar a dizer: “Hoje fui perfeito como o Pai do céu é perfeito!” Estaremos sempre abaixo da medida que Jesus colocou diante de nós. Por que será que ele colocou diante de nós um ideal impossível a ser atingido por nós mortais? 

 

Mateus 5,43-45: Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo

Nesta frase Jesus explicita a mentalidade com que os escribas explicavam a lei; mentalidade que nascia das divisões entre judeu e não-Judeu, entre próximo e não-próximo, entre santo e pecador, entre puro o impuro, etc. Jesus manda subverter esta pretensa ordem nascida de divisões interesseiras. Ele manda ultrapassar as divisões. “Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos” .E aqui atingimos a fonte, de onde brota a novidade do Reino. Esta fonte é o próprio Deus, reconhecido como Pai, que faz nascer o sol sobre maus e bons. Jesus manda que imitemos este Deus: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito" (5,48). E' imitando este Deus que criamos uma sociedade justa, radicalmente nova:

 

Mateus 5,46-48: Ser perfeito como o Pai celeste é perfeito

Tudo se resume em imitar Deus: "Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu" (Mt 5,43-48). O amor é o princípio e o fim de tudo. Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão (Jo 15,13). Jesus imitou o Pai e revelou o seu amor. Cada gesto, cada palavra de Jesus, desde o nascimento até à hora de morrer na cruz, era uma expressão deste amor criador que não depende do presente que recebe, nem descrimina o outro por motivo de raça, sexo, sexo, religião ou classe social, mas que nasce de um bem querer totalmente gratuito. Foi um crescendo contínuo, desde o nascimento até à morte na Cruz.

 

A manifestação plena do amor criador em Jesus. Foi quando na Cruz ele ofereceu o perdão ao soldado que o torturava e matava. O soldado, empregado do império, prendeu o pulso de Jesus no braço da cruz, colocou um prego e começou a bater. Deu várias pancadas. O sangue espirrava. O corpo de Jesus se contorcia de dor. O soldado, mercenário ignorante, alheio ao que estava fazendo e ao que estava acontecendo ao redor, continuava batendo como se fosse um prego na parede da casa para pendurar um quadro. Neste momento Jesus dirige ao Pai esta prece: “Pai, perdoa! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23,34). Por mais que os homens quisessem, a desumanidade não conseguiu apagar em Jesus a humanidade. Eles o prenderam, xingaram, cuspiram no rosto dele, deram soco na cara, fizeram dele um rei palhaço com coroa de espinhos na cabeça, flagelaram, torturaram, fizeram-no andar pelas ruas como um criminoso, teve de ouvir os insultos das autoridades religiosas, no calvário deixaram-no totalmente nu à vista de todos e de todas. Mas o veneno da desumanidade não conseguiu alcançar a fonte da humanidade que brotava de dentro de Jesus. A água que jorrava de dentro era mais forte que o veneno que vinha de fora, querendo de novo contaminar tudo. Olhando aquele soldado ignorante e bruto, Jesus teve dó do rapaz e rezou por ele e por todos: “Pai, perdoa!” E ainda arrumou uma desculpa: “São ignorantes. Não sabem o que estão fazendo!” Diante do Pai, Jesus se fez solidário daqueles que o torturavam e maltratavam. Era como o irmão que vem com seus irmãos assassinos diante do juiz e ele, vítima dos próprios irmãos, diz ao juiz: “São meus irmãos, sabe. São uns ignorantes. Perdoa. Eles vão melhorar!” Era como se Jesus estivesse com medo que o mínimo de raiva contra o rapaz pudesse apagar nele o restinho de humanidade que ainda sobrava. Este gesto incrível de humanidade e de fé na possibilidade de recuperação daquele soldado foi a maior revelação do amor de Deus. Jesus pôde morrer: “Está tudo consumado!” E inclinando a cabeça, entregou o espírito (Jo 19,30). Realizou a profecia do Servo Sofredor (Is 53).

 

4) Para um confronto pessoal

1) Qual a motivação mais profunda do esforço que você faz para observar a Lei de Deus: merecer a salvação ou agradecer a bondade imensa de Deus que te criou, te mantém em vida e te salva?

2) Como você entende a frase “ser perfeito como o Pai do céu é perfeito”?

 

5) Oração final

Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade. Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado. (Sl 50, 3-4)

Inteligência artificial e inteligência humana

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Publicado em 13 junho 2026
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  • A inteligência artificial
  • carta encíclica MAGNIFICA HUMANITAS do Santo padre LEÃO XIV SOBRE A SALVAGUARDA DA PESSOA HUMANA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
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  • primeira encíclica do papa Leão XIV

Inteligência artificial e inteligência humana

A encíclica ‘Magnifica humanitas’ aponta para a questão fundamental: o homem e sua dignidade devem estar no centro das criações e dos processos suscitados por elas

 

Por Dom Odilo P. Scherer

Como era esperado, a primeira encíclica do papa Leão XIV tratou da nova revolução tecnológica da informática e da inteligência artificial (IA). Era uma preocupação manifestada por ele já no seu primeiro discurso aos cardeais, logo após a sua eleição no conclave de maio de 2025, quando justificou a escolha de seu nome pontifício. Leão XIII, autor da encíclica social Rerum novarum (1891), foi uma inspiração para ele. O Leão do final do século 19 expôs a posição da Igreja Católica diante das importantes questões sociais e humanas suscitadas pela Revolução Industrial, que mecanizou o trabalho e criou enormes desequilíbrios entre capital e trabalho.

O Leão do início do século 21 expôs o pensamento da Igreja diante das delicadas questões suscitadas pelo emprego das novas tecnologias da informática e da IA. E o fez com a encíclica Magnifica humanitas (Magnífica humanidade), um documento de doutrina social da Igreja com sólida base antropológica. Um mês após a sua publicação, ela recebeu numerosos comentários e análises nos mais diversos âmbitos sociais e culturais.

Embora Leão XIV se refira às novas tecnologias, o foco principal da encíclica é o cuidado da pessoa humana nesse novo contexto tecnológico. Não se trata de exorcizar essas inovações tecnológicas, que são criações maravilhosas da inteligência humana. Mas também não é o caso de ficar embevecido, de maneira acrítica, diante do potencial imenso dessas tecnologias, que precisam ser governadas e usadas com sabedoria e prudência.

Algumas questões apontadas pela encíclica mereceram especial atenção nos comentários divulgados nos diversos ambientes e meios de reflexão e comunicação. Inegavelmente, estamos diante de uma revolução tecnológica importante, com efeitos significativos para a economia, as relações de trabalho, as finanças, a educação e a cultura. Também as relações humanas e sociais são afetadas e o potencial da IA para a pesquisa e a ciência é impressionante. Mas a sua aplicação para fins militares e de controle social levanta preocupações não indiferentes; mais ainda, quando se pensa no seu uso por organizações criminosas e por forças desagregadoras das instituições e da sociedade.

Preocupa também a enorme concentração de poder e de controle sobre essas novas tecnologias em pouquíssimas mãos. Além disso, convém pensar logo como resolver o problema das multidões de desempregados, substituídos no seu trabalho pelas novas máquinas inteligentes.

Diante do entusiasmo suscitado pelas novas tecnologias, e, ao mesmo tempo, das preocupações levantadas, a encíclica aponta para a questão fundamental: o homem e sua dignidade devem estar no centro das criações e dos processos suscitados por elas. As maravilhosas tecnologias da IA não deveriam substituir a pessoa humana, mas ser úteis para ela. Para todos, e não apenas para alguns poucos privilegiados. Não deveriam tirar oportunidades, mas proporcionar chances de vida melhor para todos. As novidades tecnológicas aplicadas ao mundo do trabalho requererão, em breve, ajustes também na legislação que regula as relações entre capital e trabalho em nível local e global.

Não são pequenas as questões antropológicas e éticas levantadas em relação à IA. A progressiva automação das decisões pode levar a despersonalizar os atos humanos. Serão, talvez, os algoritmos que determinarão os valores humanos e ético-morais da humanidade? Até que ponto um mecanismo de IA pode se tornar um conselheiro confiável para quem busca orientações para questões de cunho pessoal e existencial? O modelo tecnocrático e friamente calculista terá, como consequência, a progressiva desumanização das relações humanas e sociais. E isso exigirá uma nova reflexão sobre o sentido da própria existência humana. Na era digital, faz-se necessário um novo humanismo.

Não poucos destacam a questão da governabilidade do emprego das novas tecnologias. Será preciso discutir mecanismos de garantia e de vigilância sobre a aplicação da IA, para que ela não seja descontrolada e amoral, com consequências funestas para a comunidade humana. Quem decidir sobre a IA, acabará tendo poder e influência sobre todo o mundo. As novas conquistas da ciência e da técnica deveriam tornar-se um bem comum, a serviço de toda a humanidade. Mas quem vai decidir sobre um quadro regulador, a ser assumido por todos os atores dessa revolução tecnológica?

A máquina pode ganhar poderes tão grandes, a ponto de se tornar incontrolável? Há preocupações fundadas sobre isso. O certo é que não se deverá nunca inverter a ordem das coisas, mantendo o ser humano sempre no centro e no comando. A tecnologia será um auxílio, mas jamais um substitutivo para o homem. Quem vai governar a tecnologia será, finalmente, a inteligência humana, limitada, é certo, mas dotada de senso ético e responsabilidade social, capaz de pensar em termos de justiça, solidariedade e compaixão. Fonte: https://www.estadao.com.br

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus- EVANGELHO DO DIA- Sexta-feira, 12 de junho-2026. Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 12 junho 2026
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1) Oração

Senhor Deus, revesti-nos das virtudes do Coração de vossos Filho e inflamai-nos com seu amor, para que, assemelhando-nos a ele, possamos participar da redenção eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 11,25-30)

25Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. 26Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 27Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo. 28Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. 29Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. 30Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

 

3) Reflexão   Mt 11,25-30

Hoje celebramos a festa do Sagrado Coração de Jesus. No evangelho escutamos o convite de Jesus: “Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração”. O evangelho mostra a ternura com que Jesus acolhe os pequenos. Ele queria que os pobres encontrassem nele descanso e paz.

 

O contexto dos capítulos 11 e 12 de Mateus. Este contexto destaca e ressalta o fato de que os pobres são os únicos a entender e a aceitar a sabedoria do Reino. Muita gente não entendia esta preferência de Jesus pelos pobres e excluídos. 1) João Batista, que olhava Jesus com os olhos do passado, ficou na dúvida (Mt 11,1-15). 2) O povo, que olhava para Jesus com finalidade interesseira, não foi capaz de entendê-lo (Mt 11,16-19). 3) As grandes cidades ao redor do lago, que ouviram a pregação de Jesus e viram seus milagres, não quiseram abrir-se para a sua mensagem (Mt 11,20-24). 4) Os sábios e doutores, que julgavam tudo a partir da sua própria ciência, não foram capazes de entender a pregação de Jesus (Mt 11,25). 5) Nem os parentes o entendiam (Mt 12,46-50). 6) Só os pequenos o entendiam e aceitavam a Boa Nova do Reino (Mt 11,25-30). 7) Os outros queriam sacrifício, mas Jesus quer misericórdia (Mt 12,1-8). 8) A reação contra Jesus levou os fariseus a querer matá-lo (Mt 12,9-14). 9) Eles chamavam Jesus de Beelzebu (Mt 12,22-32). 10) Mas Jesus não voltou atrás. Continuou assumindo a missão de Servo, descrita nas profecias (Mt 12,15-21). Por causa disso, ele foi perseguido, preso e morto.

 

Mateus 11,25-26: Só os pequenos entendem e aceitam a Boa Nova do Reino

Jesus faz uma prece: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado!” Os sábios, os doutores daquela época, tinham criado uma série de leis que eles impunham ao povo em nome de Deus. Eles achavam que Deus exigia do povo estas observâncias. Mas a lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importa, não é o que nós fazemos para Deus, mas sim o que Deus, no seu grande amor, faz por nós! O povo entendia a fala de Jesus e ficava alegre. Os sábios achavam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender tal ensinamento que modificava o relacionamento do povo com Deus.

 

Mateus 11,27: A origem da nova Lei: o Filho conhece o Pai.

Jesus, o Filho, conhece o Pai. Ele sabe o que o Pai queria quando, séculos atrás, entregou a Lei a Moisés. Aquilo que o Pai nos tem a dizer, Ele o entregou a Jesus, e Jesus o revelou aos pequenos, porque estes se abriam para a sua mensagem. Hoje também, Jesus está ensinando muita coisa aos pobres e pequenos. Os sábios e inteligentes fazem bem em fazer-se alunos dos pequenos!

 

Mateus 11,28-30: Vinde a mim vocês todos que estão cansados sob o peso da vida.

Jesus convida a todos  que estão cansados para vir até ele e ele promete descanso. É o povo que vive cansado debaixo do peso dos impostos e das observâncias exigidas pelas leis de pureza. E ele diz: “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração”. Muitas vezes, esta frase foi manipulada para pedir ao povo submissão, mansidão e passividade. O que Jesus quer dizer é o contrário. Ele pede que o povo faça uma ruptura, deixe de lado os professores de religião da época e comece a aprender dele, de Jesus, que é "manso e humilde de coração". Jesus não faz como os escribas que se exaltam de sua ciência, mas é como o povo que vive humilhado e explorado. Jesus, o novo mestre, sabe por experiência o que se passa no coração do povo e o que o povo sofre.

 

O convite da Sabedoria Divina para todos que a buscam

Jesus convida a todos que estão sobrecarregados pelo peso das observâncias da lei a encontrar nele o descanso e a suavidade, pois ele é manso e humilde de coração, capaz de aliviar e consolar a gente sofrida, fatigada e abatida (Mt 11,25-30). Neste convite ressoam as palavras tão bonitas de Isaías que consolava o povo cansado do exílio (Is 55,1-3). Este convite está relacionado com a Sabedoria Divina, que convida as pessoas ao encontro com ela (Eclo 24,19), dizendo que “seus caminhos são deliciosos e suas trilhas conduzem ao bem-estar” (Pr 3,17). Ela diz ainda: “A Sabedoria educa os seus filhos, e cuida daqueles que a procuram. Quem tem amor a ela ama a vida, e os que madrugam para procurá-la ficarão cheios de alegria” (Eclo 4,11-12). Este convite revela um traço muito importante do rosto feminino de Deus: a ternura e o acolhimento que consola, revitaliza as pessoas e as leva a se sentirem bem. Jesus é o abrigo e o seio materno que o Pai oferece ao povo cansado (cf Is 66,10-13).

 

4) Para um confronto pessoal

1) O que lhe causa a tensão e o que traz a paz? Para você, viver em comunidade é fonte de paz ou de tensão? 

2) Como estas palavras de Jesus podem ajudar a nossa comunidade a ser um lugar de descanso para as nossas vidas?

 

5) Oração final

O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas. (Sl 102, 8.10)

Moçambique - Quelimane deu hoje o último adeus a Dom Osório

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Publicado em 12 junho 2026
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  • Moçambique - Quelimane
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A Sé Catedral de Quelimane acolheu na manhã desta sexta-feira, 12 de Junho, a cerimónia do funeral eclesiástico de Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane, Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira e Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), cujos membros concelebraram a missa, presidida por Dom Inácio Saúre, com a pregação do Núncio Apostólico, Dom Luís Miguel Muñoz.

 

Rogério Maduca - Beira 

O Núncio iniciou a sua homilia falando de uma das Bem-aventuranças, referindo-se aos que sofrem perseguição por amor à justiça. O representante do Santo Padre, falou da gravidade do assassinato de Dom Osório, destacando ainda que, nunca tinha acontecido em Moçambique.

Homem de discurso firme e corajoso, assim descreveu o Núncio ao falar do pastor da Diocese de Quelimane e Beira, um homem de paz e de reconciliação, morto por causa da falha da humanidade, a consequência da violência entre irmãos, por isso pediu a todos para unirem-se ao clamor, “basta, basta, queremos um mundo melhor.”

No final da celebração, o Núncio Apostólico apresentou a mensagem de condolências do Papa Leão XIV. No documento, Sua Santidade manifestou a sua proximidade aos Bispos, à família e a todos fiéis em Moçambique, apelando a todos para que este momento de dor seja vivido com fé.

Na ocasião, Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula e Presidente da CEM lançou um apelo aos moçambicanos, particularmente às autoridades, para que o assassinato de Dom Osório marque o ponto final na onda de assassinatos de homens de bem e de paz em Moçambique.

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, falou dos trabalhos de investigação em curso, que resultaram na detenção de três indivíduos e prometeu dar continuidade para o esclarecimento do caso. Fonte: https://www.vaticannews.va

Moçambique: Sacerdote é o principal suspeito da morte de Dom Osório

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Publicado em 11 junho 2026
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Moçambique: Sacerdote é o principal suspeito da morte de Dom Osório

Padre Adelino Novais Amado, sacerdote da Diocese de Quelimane, Zambézia, é indicado como o possível autor deste crime brutal.

 

Moçambique – Beira (11/06/2026 14:57, Gaudium Press) As autoridades policiais de Moçambique divulgaram o nome do, até agora, principal suspeito do assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, morto à tiros no último sábado, 6.

 

Polícia já autorizou a prisão do Padre Adelino Novais Amado

O Padre Adelino Novais Amado, sacerdote da Diocese de Quelimane, Zambézia, é indicado como o possível autor do crime. A prisão do religioso já foi autorizada, apesar da polícia local seguir reunindo provas para esclarecer os fatos relacionados à este trágico crime, inclusive a sua motivação.

Nascido em Quelimane, o Padre Adelino tem 39 anos de idade e foi ordenado sacerdote no ano de 2017. Dentre as funções que exerceu na Igreja estão os cargos de Chanceler da Diocese (onde era responsável pela gestão documental e administrativa da instituição) e de vigário na Paróquia Sagrada Família. O sacerdote também era docente da disciplina de Ética na Universidade Católica de Moçambique.

 

Outros dois suspeitos estão sendo ouvidos pelo Tribunal

Além do Padre Novais, o Tribunal Judicial Provincial da Zambézia está investigando a participação de um jardineiro e um guarda. O trio é apontado como suspeito deste crime bárbaro que chocou a comunidade religiosa e a sociedade em geral, pela violência e circunstâncias ainda sob investigação. Os suspeitos estão sendo ouvidos com o intuito de esclarecer os fatos e apurar as possíveis responsabilidades criminais de cada um.

Uma das linhas de investigação seguidas pelas autoridades, de acordo com fontes ligadas ao processo, o Padre Novais é a de que o sacerdote pode ter tido desentendimentos com a vítima, por conta de reformas implementadas pelo Bispo. Estas mudanças provocaram descontentamento em alguns setores da Igreja local. A suspeita é de que o jardineiro e o guarda tenham sido cúmplices, ou terem tido conhecimento prévio do crime

Este caso segue gerando forte comoção pública, com apelos à justiça e à responsabilização exemplar dos culpados, caso sejam confirmadas as suspeitas. As autoridades, por sua vez, garantem que o processo seguirá os trâmites legais, respeitando o princípio da presunção de inocência, até que haja uma decisão final por parte do tribunal. Já a comunidade religiosa se mantém em luto, recordando o legado do Bispo Osório, descrito como um líder comprometido com a renovação e disciplina da igreja local.

 

O que se sabe sobre este assassinato?

O assassinato de Dom Osório aconteceu na capital da província da Zambézia, no último sábado, 6. De acordo com o porta-voz da Polícia de Investigação e Forense de Moçambique em Zambézia, Maximino Amílcar, uma quantidade ainda desconhecida de criminosos invadiu a residência episcopal logo nas primeiras horas da manhã.

Os indivíduos, ainda não identificados por completo, teriam escalado o muro da residência, danificado o sistema de segurança e efetuado disparos contra Dom Osório, que foi atingido várias vezes no peito. Os projéteis atravessaram seu coração, não lhe dando chance alguma de sobrevivência. O corpo do prelado foi encontrado no corredor do palácio episcopal. As autoridades garantem que investigam este caso com prioridade.

 

Mensagem das Conferências Episcopais da África e Madagascar

As Conferências Episcopais da África e Madagascar divulgaram um comunicado no qual classificam este covarde ato como um “crime bárbaro” e um ataque à vida, à dignidade humana, à paz, à justiça e à liberdade religiosa. A organização também condenou de modo veemente este assassinato, reiterando que nenhum líder religioso deve ser alvo de violência por dedicar sua vida ao serviço de Deus, à reconciliação e ao bem comum.

No documento, foi feito um apelo ao Governo moçambicano e às autoridades competentes para que realizem uma investigação imediata, transparente e independente, a fim de identificar e processar todos os responsáveis ​​pelo crime. Os prelados também pedem um reforço nas medidas de proteção aos líderes religiosos e aos locais de culto, além de expressar solidariedade à Conferência Episcopal de Moçambique e à família do Bispo morto.

 

Programação das exéquias de Dom Osório Citora Afonso

As exéquias de Dom Osório serão iniciadas às 9h da sexta-feira (12), na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane. Na ocasião, o Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba presidirá uma Santa Missa de corpo presente. Logo depois, a urna contendo os restos mortais de Dom Osório será levada para a Arquidiocese de Nampula, onde ocorrerá o funeral familiar e a sepultura do seu corpo, no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula.

Às 10h da manhã do sábado (13), a Catedral de Nampula será palco de outra Santa Missa de corpo presente, desta vez presidida por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula. Por fim, o corpo será sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum. (EPC). Fonte: https://gaudiumpress.org

Festa de São Barnabé – Quinta-feira, 11 de junho-2026. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, O. Carm.

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Publicado em 11 junho 2026
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  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
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  • LECTIO DIVINA DO EVANGELHO DO DIA,
  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • EVANGELHO DO DIA-LECTIO DIVINA,
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • Festa de São Barnabé

 

1) Oração

Ó Deus, que designastes são Barnabé, cheio de fé e do Espírito Santo, para converter as nações, fazei que a vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 10, 7-13)

7Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai! 9Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, 10nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento. 11Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber; ficai ali até a vossa partida. 12Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa. 13Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós.

 

3) Reflexão - Mt 10, 7-13

Hoje é festa de S. Barnabé. O evangelho fala das instruções de Jesus aos discípulos sobre como anunciar a Boa Nova do Reino às “ovelhas perdidas de Israel” (Mt 10,6). Eles devem: 1. curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios (v.8); 2. anunciar de graça aquilo que de graça receberam (v.8); 3. não levar ouro, nem sandálias, nem bastão, nem sacola, nem sapatos, nem duas túnicas (v.9); 4. procurar uma casa onde possam ficar hospedados até terminar a missão (v.11); 5. ser portadores de paz (v.13).

No tempo de Jesus havia vários movimentos que, como Jesus, buscavam uma nova maneira de viver e conviver, por exemplo, João Batista, os fariseus, essênios e outros. Muitos deles também formavam comunidades de discípulos (Jo 1,35; Lc 11,1; At 19,3) e tinham seus missionários (Mt 23,15). Mas havia uma grande diferença! Os fariseus, por exemplo, quando iam em missão, iam prevenidos. Achavam que não podiam confiar na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso, levavam sacola e dinheiro para poder cuidar da sua própria comida. Assim, as observâncias da Lei da pureza, em vez de ajudar a superar as divisões, enfraqueciam ainda mais a vivência dos valores comunitários. A proposta de Jesus é diferente. O método dele transparece nos conselhos que ele dá aos apóstolos quando os envia em missão. Por meio das instruções, ele procura renovar e reorganizar as comunidades da Galiléia para que sejam novamente uma expressão da Aliança, uma amostra do Reino de Deus. Vejamos:

 

Mateus 10,7: O anúncio da proximidade do Reino.

Jesus envia os discípulos para anunciar a Boa Nova. Eles devem dizer: “O Reino dos céus está próximo!” Em que consiste esta proximidade? Não significa a proximidade no tempo no sentido de que basta aguardar mais um pouco de tempo e em breve o Reino vai aparecer. “O Reino está próximo” significa que ele já está ao alcance do povo, já “está no meio de vocês” (Lc 17,21). É preciso adquirir um novo olhar para poder perceber a sua presença ou proximidade. A vinda do Reino não é fruto da nossa observância, como queriam os fariseus, mas ele se faz presente, gratuitamente, nas ações que Jesus recomenda aos apóstolos: curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.

 

Mateus 10,8: Curar, ressuscitar, purificar, expulsar

Doentes, mortos, leprosos, possessos eram os excluídos da convivência, e eles eram excluídos em nome de Deus. Não podiam participar da vida comunitária. Jesus manda que estas pessoas excluídas sejam acolhidas, incluídas. É nestes gestos de acolhida e de inclusão dos excluídos que o Reino de Deus se faz presente. Pois nestes gestos de gratuidade humana transparece o amor gratuito de Deus que reconstrói a convivência humano e refaz os relacionamentos inter-pessoais.

 

Mateus 10,9-10: Não levar nada

Ao contrário dos outros missionários, os apóstolos não podem levar nada: “Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento”. A única coisa que podem e devem levar é a Paz (Mt 10,13). Isto significa que devem confiar na hospitalidade e na partilha do povo. Pois o discípulo que vai sem nada levando apenas a paz, mostra que confia no povo. Acredita que vai ser recebido, e o povo se sente provocado, valorizado, respeitado e confirmado. O operário tem direito ao seu alimento. Por meio desta prática o discípulo critica as leis de exclusão e resgata os antigos valores da partilha e da convivência comunitária.

 

Mateus 10,11-13: Conviver e integrar-se na comunidade

Chegando num lugar os discípulos devem escolher uma casa de paz e lá devem permanecer até o fim. Não devem passar de casa em casa, mas conviver de maneira estável. Devem fazer-se membros da comunidade e trabalhar pela paz, isto é, pela reconstrução dos relacionamentos humanos que favorece a Paz. Por meio desta prática, eles resgatam uma antiga tradição do povo, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano e anunciam um novo modelo de convivência.

 

Resumindo: as ações recomendadas por Jesus para o anúncio do Reino são estas: acolher os excluídos, confiar na hospitalidade, provocar a partilha, conviver de modo estável e de maneira pacífica. Se isto acontecer, então podem e devem gritar aos quatro ventos: O Reino chegou!  Anunciar o Reino não é em primeiro lugar ensinar verdades e doutrinas, catecismo ou direito canônico, mas é levar as pessoas a uma nova maneira de viver e de conviver, a um novo jeito de agir e de pensar a partir da Boa Notícia, trazida por Jesus, de que Deus é Pai/Mãe e de que, portanto, todos somos irmãos e irmãs.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Por que todas estas atitudes recomendadas por Jesus são sinal da chegada do Reino de Deus?

2) Como realizar hoje aquilo que Jesus pede: “não levar bolsa”, “não passar de casa em casa”?

 

5) Oração final

Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória.. (Sl 97, 1)

Moçambique. Fiéis e religiosos pedem esclarecimento da morte de Dom Osório

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Publicado em 10 junho 2026
  • Moçambique
  • Dom Osório Citora Afonso,
  • esclarecimento da morte de Dom Osório
  • Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique
  • A Igreja Católica em Moçambique
  • Diocese de Quelimane
  • Morte de Dom Osório Citora Afonso,

A morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, continua a provocar reações de tristeza e indignação dentro e fora da Igreja Católica. Enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para esclarecer as circunstâncias do crime, sacerdotes, seminaristas, jovens e fiéis apelam à justiça e recordam o legado de um pastor dedicado à paz e ao serviço do povo moçambicano.

 

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

A Igreja Católica em Moçambique continua de luto pela morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira.

Dom Osório perdeu a vida na sequência de um baleamento ocorrido na sua residência oficial, na cidade de Quelimane. O caso continua a chocar a sociedade moçambicana e a mobilizar pedidos de esclarecimento e justiça.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o Reitor do Seminário Propedêutico Mater Apostolorum de Nampula, Padre Saíde Ângelo, manifestou profunda tristeza pela morte do prelado.

Padre Saíde condenou o assassinato e considerou preocupante que o crime tenha ocorrido na residência episcopal, um local geralmente considerado seguro.

O sacerdote apelou ainda às autoridades competentes para conduzirem uma investigação transparente e rigorosa, capaz de esclarecer as circunstâncias do crime e responsabilizar os seus autores.

A dor é igualmente partilhada pelos fiéis. Felicite Simbane, membro da Comissão de Liturgia da Arquidiocese de Nampula, conta que inicialmente não acreditou quando recebeu a notícia.

Felicite recorda que conheceu Dom Osório ainda na República Democrática do Congo e destaca a sua proximidade com as comunidades e famílias por onde passou. Para ela, a sua morte representa uma perda irreparável para a Igreja e para Moçambique.

Entretanto, vários jovens católicos ouvidos pela reportagem condenam o assassinato e exigem que a justiça seja feita.

Também entre os seminaristas, o sentimento é de consternação. Muitos consideram Dom Osório uma referência de serviço, humildade e dedicação à missão evangelizadora.

A Conferência Episcopal de Moçambique já anunciou o programa oficial das exéquias. O funeral eclesiástico terá lugar na Sé Catedral de Quelimane, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique. Posteriormente, os restos mortais serão trasladados para Nampula, onde será celebrada uma Missa de corpo presente na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, seguindo-se a sepultura no cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum. Fonte: https://www.vaticannews.va

Quem tem Medo da purificação da Igreja?

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Publicado em 10 junho 2026
  • Bispo da Diocese de Quelimane,
  • Quem tem Medo da purificação da Igreja
  • Dom Citora
  • Mataram o bispo da Diocese de Quelimane
  • Mataram Dom Osório Citora

 

Júnior Rafael

 

Mataram o nosso munna Citora.

Mataram-no com balas, sem piedade, sem lhe permitir uma última despedida, um último abraço, uma última palavra para a sua mãe idosa, a quem tantos dizem que amava profundamente. E talvez uma das imagens mais dolorosas desta tragédia não seja apenas a do bispo tombado, mas a de uma mãe que envelheceu para ver o filho servir a Igreja e que agora se vê obrigada a enterrá-lo.

Como estará essa senhora neste momento?

Quem lhe explicará por que razão o seu filho morreu? Quem lhe responderá às perguntas que continuam a ecoar nas dioceses, nas comunidades e nas consciências dos fiéis?

Porque este assassinato parece produzir mais perguntas do que respostas. Dom Citora afirmava que era preciso purificar a Igreja. Dizia que era necessário purificar as comunidades. Purificar as dioceses. Purificar o templo.

E acrescentava algo ainda mais forte: que, se fosse necessário, pessoas deveriam ser retiradas dos cargos que ocupavam. A quem se dirigiam essas palavras? Quem se sentiu atingido? Quem ouviu esses discursos e passou a enxergar o bispo não como pastor, mas como ameaça? Esses negócios que tanto dizia, havia ligação com alguns graúdos políticos e desmantelar seria o fim das mordomias e ganho fácil?

Quando denunciava a transformação de comunidades e dioceses em espaços de negócio, corrupção e venda de influências, estava a falar de problemas concretos ou apenas de princípios gerais? Se falava de situações concretas, quem eram os incomodados?

Quem tinha algo a perder? Quem poderia temer uma investigação, uma auditoria ou uma reorganização administrativa? É coincidência que um homem que falava tanto de purificação termine assassinado de forma tão brutal? Ou não há qualquer relação entre as duas coisas?

Dom Citora defendia também uma Igreja mais participativa. Falava de consultar religiosas, leigos e diferentes setores da comunidade antes de tomar determinadas decisões. Mas essa visão agradava a todos?

Ou apertava o coração de quem estava habituado a decidir sozinho? É proibido dirigir com democracia? É proibido ouvir os leigos? É proibido ouvir as religiosas? É proibido partilhar responsabilidades?

Ou será que alguns entenderam essas mudanças como uma ameaça aos seus privilégios históricos? Quem ganhava influência antes? Quem passou a perder influência depois? Quem subiu e quem desceu dentro das estruturas de poder eclesiástico?

Havia grupos descontentes? Havia resistências silenciosas? Havia conflitos internos que nunca chegaram ao conhecimento público? Quem era o ecônomo antes da chegada de Dom Citora?

Como funcionava a administração económica da diocese? Houve mudanças significativas na gestão financeira? Existiam contratos, patrimónios, terrenos ou recursos cuja administração foi alterada? Alguma decisão recente contrariou interesses estabelecidos?

Quem foi beneficiado pelas mudanças Quem foi prejudicado? E depois surge a questão mais perturbadora. Quem mata um bispo com armas de guerra? Como se obtêm armas desse tipo? Quem as fornece?

Quem financia uma operação assim? Quem planeia? Quem executa? Quem ordena?Quem beneficia? Terão sido apenas criminosos habituais a título dos esquadrões da morte?

Ou pessoas que conheciam profundamente os hábitos, horários e vulnerabilidades da vítima? Quem sabia exatamente onde ele estaria naquela madrugada?

Quem sabia os pontos frágeis da segurança? Quem entrou e descobriu o corpo na madrugada? Quem saiu e chamou a polícia e que horas isso foi? E talvez a pergunta mais difícil de todas seja esta: A quem confiar?

Se um bispo pode ser morto dentro do universo que ajudou a construir, em quem os fiéis devem confiar? Nas estruturas? E que estruturas? Nas versões oficiais? Nos rumores? Nas investigações?

Ou apenas na esperança de que a verdade, por mais dolorosa que seja, venha finalmente à luz? Hoje, o sangue de Dom Citora não fala apenas de uma morte. Fala de um vazio. Fala de uma ferida. Fala de uma sucessão de perguntas que continuam sem resposta.

E enquanto essas respostas não surgirem, permanecerá uma inquietação impossível de ignorar: Mataram apenas um homem? Ou tentaram silenciar uma mensagem que começava a incomodar demasiadas pessoas?

A minha conclusão é que o ser humano é um inapto permanente na convivência com o outro. Fonte: https://www.facebook.com/junior.rafael.rafael.280962

PEC das igrejas faz privilégio fiscal parecer liberdade religiosa

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Publicado em 09 junho 2026
  • deputado Marcelo Crivella
  • PEC das igrejas
  • imunidade tributária das igrejas até onde a imaginação fiscal

Proposta aprovada pela Câmara amplia imunidade sobre compras religiosas e empurra a conta para os demais consumidores

Liberdade religiosa não é licença para converter igrejas em zonas francas

 

Rodrigo Toniol

Custa-me acreditar que alguém, religioso ou não, considere razoável o texto da PEC que estica a imunidade tributária das igrejas até onde a imaginação fiscal permitir. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, permitiria, por exemplo, que uma igreja compre um avião sem pagar os impostos dessa compra. E isso não é tudo.

Sinteticamente, a PEC 5/2023 amplia a imunidade tributária das entidades religiosas para tributos incidentes sobre a compra de bens e serviços. O texto aprovado inclui tudo o que for considerado necessário à implantação, manutenção e funcionamento de templos, creches, comunidades terapêuticas, seminários, conventos, serviços de acolhimento, atividades socioassistenciais e outras atividades ligadas às entidades religiosas. A proposta foi aprovada pela Câmara em dois turnos e segue ao Senado.

Hoje, a Constituição já protege patrimônio, renda e serviços relacionados às finalidades essenciais das entidades religiosas. O que a PEC faz é deslocar essa proteção para o consumo. Foi o próprio deputado Marcelo Crivella, do Republicanos, autor da proposta, quem resumiu bem a tese dos defensores ao dizer que a imunidade já existe sobre renda e patrimônio e agora deveria ser ampliada para o consumo das igrejas.

A defesa da PEC se apresenta como proteção à liberdade religiosa. Mas liberdade religiosa não é licença para converter igrejas em zonas francas. Uma coisa é impedir que o Estado use impostos para sufocar cultos —receio que cabe em contextos de perseguição religiosa, não no Brasil. Outra é transformar qualquer compra feita em nome de uma entidade religiosa em salvo-conduto tributário.

Ora, não foram dedicados anos de debate público e de disputas políticas à construção de uma reforma tributária que prometia simplificar o sistema e diminuir exceções? Por que, agora, caminhar na direção contrária?

Ocorre que o milagre da multiplicação ainda não chegou ao orçamento federal. Se igrejas deixam de pagar tributos sobre suas compras, a arrecadação perdida precisa ser compensada. Na lógica da reforma tributária, isso tende a aparecer na chamada alíquota-padrão, isto é, na taxa geral paga pelo conjunto dos consumidores. Segundo o deputado Pedro Uczai, do PT, a PEC das igrejas acrescentaria 0,5 ponto percentual a essa alíquota, mais do que os 0,3 ponto atribuídos à isenção da carne.

Conforme a conta apresentada pelo deputado, portanto, o país estaria mais disposto a arcar com os custos da imunidade ampliada para entidades religiosas do que com a desoneração de um alimento básico.

O projeto original ia ainda mais longe. Previa devolver às igrejas, em dinheiro, o tributo pago nas compras, com o crédito depositado direto na sua conta bancária. Seria uma espécie de cashback de imposto para as igrejas. O governo conseguiu retirar esse trecho antes da votação, mas sobrou todo o resto.

Não é difícil imaginar que essa conta será insustentável caso a PEC seja aprovada pelo Senado. Do material de construção ao microfone, entidades religiosas poderão reivindicar imunidade sobre praticamente tudo o que comprarem. O que essa PEC faz é abrir caminho para que templos religiosos se convertam em centros de operação para novas formas de esperteza fiscal.

Essa não é uma PEC defendida pelos fiéis que frequentam igrejas de bairro espalhadas pelo país. Tampouco parece ser o tipo de formulação que líderes religiosos locais tomem como prioridade. Esse é um projeto feito por aqueles que querem usar a religião e os religiosos como escudo.

No debate público, essa distinção precisa estar clara. Criticar esta PEC não é atacar religiosos. A imunidade tributária das igrejas já é uma garantia constitucional. Sua ampliação oportunista neste momento é um escárnio com os próprios 92% de religiosos da nação que Crivella menciona para justificar seu projeto. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

São José de Anchieta

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Publicado em 09 junho 2026
  • O Santo do Dia,
  • Arcebispo do Rio de Janeiro
  • São José de Anchieta
  • Santos de junho,
  • apóstolo do Brasil

 

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Celebramos no próximo dia 09 de junho, terça-feira, a festa de São José de Anchieta, o santo que foi catequista, fundador, educador e grande missionário – apóstolo do Brasil – aqui em terras brasileiras. Ele teve uma importância muito grande aqui no Brasil logo após o descobrimento, catequizando os indígenas e levando adiante a Palavra de Deus. José de Anchieta pertencia à Ordem dos Jesuítas, a Companhia de Jesus fundada por Santo Inácio de Loyola, e que depois, com seu confrade Manoel da Nóbrega, ajudou a fundar a cidade de São Paulo.

Ele é considerado o missionário do Brasil e mais um santo brasileiro, embora não tenha nascido no Brasil, mas viveu boa parte de sua vida aqui como missionário. Podemos afirmar ainda que Anchieta pode ser o apóstolo Paulo de seu tempo, anunciando o “querigma”, ou seja, Jesus Cristo morto e ressuscitado, para diversas pessoas, para que se convertessem e acreditassem em Jesus, e, a partir de então, fossem batizadas.

São José de Anchieta demorou um pouco para ser canonizado e declarado santo pela Igreja. Ficou um bom tempo como beato e foi proclamado santo pelo Papa Francisco, em 03 de abril de 2014. Mesmo demorando um bom tempo para ser declarado santo, Anchieta sempre foi popularmente bastante cultuado aqui no Brasil e um exemplo para os evangelizadores e catequistas. Que possamos nos inspirar no exemplo de São José de Anchieta e, sem medo, anunciar o Evangelho.

Do mesmo modo que Jesus enviou os discípulos para a missão, soprando sobre eles o Espírito Santo, o Senhor nos envia hoje para sermos mensageiros do Evangelho, portadores da Boa-Nova. Precisamos ser uma Igreja em saída e ir ao encontro dos irmãos e anunciar o Evangelho a quem precisa. Temos que estar abertos à ação do Espírito Santo, a exemplo de Anchieta, que com certeza se fez dócil ao Espírito Santo e abraçou a missão.

A cada ano celebramos com alegria a festa de São José de Anchieta e peçamos a intercessão dele junto a Deus para que não faltem pessoas dispostas a abraçar a missão de serem catequistas em nossas comunidades e ensinar às crianças e aos jovens o amor por Jesus. Rezemos também para que não faltem pessoas dispostas a anunciar a Palavra de Deus e serem missionárias.

O trabalho de evangelização de Anchieta se deu sobretudo com os indígenas, conforme dissemos. Ele viveu quarenta e três anos no Brasil e ajudou na fundação de escolas, igrejas e cidades importantes. A evangelização dos indígenas, inclusive, iniciou com o descobrimento do Brasil, em 1500. Os jesuítas foram chegando à nossa terra e começou a evangelização daqueles que aqui viviam.

São José de Anchieta ingressou na Universidade de Coimbra para estudar Letras e Filosofia. Foi na universidade que ele teve o primeiro contato com a Companhia de Jesus e com o testemunho de São Francisco Xavier. Quando Anchieta estava com dezessete anos, fez uma promessa diante da imagem de Nossa Senhora de abandonar tudo e servir a Deus.

Anchieta entra para a Companhia de Jesus em 1551. Após um período de noviciado exigente e, mesmo com a saúde frágil, fez os seus votos de pobreza, castidade e obediência, em 1553. Nesse mesmo ano, foi enviado ao Brasil e, chegando à Terra de Santa Cruz, começou a evangelizar. Anchieta era fiel à doutrina e à sua Ordem, e, acima de tudo, era fiel ao Espírito Santo. São José de Anchieta tornou-se, além de catequista, dramaturgo, poeta, gramático, linguista e historiador. Vale ressaltar que ele é o autor da primeira gramática brasileira.

Em janeiro de 1554, ele participou da missa da inauguração do Colégio São Paulo de Piratininga, e assim surgiu a cidade de São Paulo, e o local da inauguração ficou conhecido até os dias de hoje como “Pátio do Colégio”. A partir da fundação da cidade de São Paulo, Anchieta e seus companheiros iniciaram a sua missão na cidade. Um grande companheiro de missão de Anchieta era o padre Manoel da Nóbrega. Por isso, temos muito a agradecer a Anchieta, Manoel da Nóbrega e seus companheiros, pois foram apóstolos incansáveis que levavam a Palavra de Deus aos diversos cantos do nosso país.

Entre as características da evangelização de Anchieta e seus companheiros está a catequese, ou seja, eles anunciavam a pessoa de Jesus Cristo aos indígenas e aquilo que continha a Palavra de Deus. Eles testemunhavam os preceitos cristãos, mas sempre respeitando a cultura local. Do mesmo modo que os demais jesuítas, Anchieta se opunha fortemente aos abusos dos portugueses contra os povos indígenas. Anchieta e seus companheiros defendiam o povo indígena e respeitavam a sua cultura. Até porque quem chegou aqui depois foram os portugueses e, em seguida, os jesuítas, ou seja, os indígenas já viviam aqui; por isso, tinha que se respeitar o modo como eles viviam. Anchieta e seus companheiros respeitavam; o que eles faziam era evangelizar e catequizar os indígenas para que conhecessem melhor a Deus, mas sem deixar de lado a cultura. Essa atitude de Anchieta é louvável e é um ensinamento para nós, pois devemos agir dessa maneira: não devemos impor nossa cultura e a maneira de pensar para ninguém, mas nos habituarmos à cultura local.

Por volta do ano de 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta e Manoel da Nóbre  resolveram viajar para ajudar a conter a revolta. Eles foram até a aldeia de Iperoig, que nos dias de hoje é Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Anchieta se ofereceu como refém e Manoel da Nóbrega foi buscar as tratativas de paz. Anchieta permaneceu no cativeiro por cinco meses e fez uma promessa a Nossa Senhora que lhe escreveria um poema em sua homenagem. Com versos escritos na areia, deu vida ao poema em honra à Virgem Maria. Com isso, vemos que Anchieta e Manoel da Nóbrega foram grandes defensores dos indígenas.

No ano de 1566, Anchieta foi ordenado sacerdote. Três anos após a sua ordenação, fundou o povoado de Reritiba, no Espírito Santo. Em 1577, foi nomeado provincial da Ordem dos Jesuítas no Brasil, função que desempenhou muito bem até 1585. Em 1595, Anchieta retirou-se para Reritiba e ali permaneceu até o seu falecimento, aos 63 anos de idade, em 09 de junho de 1597.

José de Anchieta, desde muito jovem, gostava de escrever poemas e era um amante da arte. Tinha até o apelido de “canarinho”, dado por seus companheiros, devido ao gosto em declamar poesias. Escreveu diversos autos e poemas sobre a vida de Cristo.

Apesar de tudo isso que relatamos sobre a vida de Anchieta, o decreto de sua canonização só foi escrito 417 anos depois de sua morte em 2014, pelo Papa Francisco, em Roma. No relatório final para a aprovação de sua canonização, havia o registro de 5.350 histórias de pessoas que alcançaram graças rezando a São José de Anchieta.

José de Anchieta é considerado o “Apóstolo do Brasil”, mesmo antes de sua beatificação e posterior canonização. Ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 22 de junho de 1980, e canonizado em 03 de abril de 2014, através de um decreto assinado pelo Papa Francisco.

Celebremos com alegria a festa de São José de Anchieta na terça-feira, dia 09 de junho, e peçamos a intercessão do santo para que tenhamos o mesmo ardor missionário que ele tinha. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Madri: Leão XIV se reúne na Nunciatura com algumas vítimas de abuso

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Publicado em 09 junho 2026
  • Leão XIV
  • Papa Leão XIV,
  • vítimas de abuso por parte de membros do clero e da Igreja

Na Nunciatura Apostólica em Madri, o Papa Leão XIV se reuniu com seis vítimas de abuso por parte de membros do clero e da Igreja na Espanha.

 

Vatican News

Na tarde desta segunda-feira, 8 de junho, - informou a Sala de Imprensa da Santa Sé, através do canal Telegram - na Nunciatura Apostólica em Madri, o Papa Leão XIV se reuniu com seis vítimas de abuso por parte de membros do clero e da Igreja na Espanha, acompanhadas por pessoal eclesiástico empenhado no trabalho de acompanhamento às vítimas.

Durante a conversa, que durou quase uma hora, a partir de suas dolorosas experiências pessoais, cada um dos presentes apresentou ao Papa algumas propostas para tornar mais eficaz a resposta da Igreja a casos tão dramáticos.

O Papa ouviu com carinho e atenção, assegurou sua proximidade e a de toda a comunidade eclesial, bem como seu compromisso para que as propostas recebidas sirvam de base para esforços adicionais e para que a Igreja possa ser realmente um lugar seguro e espiritualmente saudável, onde as feridas encontrem consolo e cura.

 

Proximidade

As vítimas sentiram que o Papa se solidarizou com a dor delas. O grupo, que chegou por volta das 16h (hora local) à Nunciatura, pertence ao Projeto Repara, uma iniciativa da Arquidiocese de Madri criada para oferecer apoio integral às vítimas de abuso e para prevenir tais comportamentos dentro da Igreja e da sociedade. Sua sigla representa quatro pilares essenciais: Reconhecimento, Prevenção, Apoio e Reparação. 

 

Os encontros anteriores com as vítimas

É a primeira vez que o Papa Leão se encontra com vítimas de abuso durante uma viagem ao exterior, mas não é seu primeiro encontro com homens e mulheres que sofreram violência sexual dentro da Igreja Católica. Em outubro do ano passado, ele recebeu no Vaticano seis membros do conselho diretor da ECA Global (Ending Clergy Abuse), uma associação internacional de direitos humanos que luta por maior apoio e indenizações para quem sofreu abusos. Em novembro, passou cerca de três horas com 15 sobreviventes de abusos sexuais cometidos por clérigos na Bélgica, acompanhados pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores. Por fim, em fevereiro, o Papa recebeu o irlandês David Ryan, vítima de violência quando criança no Blackrock College, em Dublin, juntamente com seu irmão Mark, falecido em 2023. “O Papa Leão sentiu minha dor”, disse Ryan ao sair daquele encontro.

 

O problema dos abusos na Espanha

Agora, portanto, esse importante diálogo privado, inserido na agenda da viagem à Espanha, onde o problema dos abusos está há anos no centro das atenções, também em consequência de uma investigação apresentada pelo Defensor do Povo ao Congresso dos Deputados, que reúne 487 depoimentos de vítimas de abusos na Igreja Católica na Espanha. Seguiram-se investigações jornalísticas e também iniciativas que colocaram a Igreja espanhola na linha de frente. A mais recente, em março, com o acordo assinado pela Conferência Episcopal, pela Conferência dos Religiosos, pelo próprio Defensor do Povo e pelo Ministério da Presidência para definir a organização e o funcionamento do sistema de reconhecimento e reparação para as vítimas. Fonte: https://www.vaticannews.va

EVANGELHO DO DIA-10ª SEMANA DO TEMPO COMUM. Terça-feira, 9 de junho-2026. Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 08 junho 2026
  • Reflexão do Evangelho do Dia,
  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
  • LECTIO DIVINA DO EVANGELHO DO DIA,
  • EVANGELHO DO DIA-LECTIO DIVINA,
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • 10ª SEMANA DO TEMPO COMUM
  • Lectio Divina do Frei Carlos Mesters,

 

 

1) Oração

Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por sua inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5,13-16)

13Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha 15nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. 16Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.

 

3) Reflexão - Mt 5,13-16

Ontem, meditando as oito bem-aventuranças, passamos pelo portão de entrada do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12). No evangelho de hoje recebemos uma importante instrução sobre a missão da Comunidade. Ela deve ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16). Sal não existe para si, mas para dar sabor à comida. Luz não existe para si, mas para iluminar o caminho. A comunidade não existe para si, mas para servir ao povo. Na época em que Mateus escrevia o seu evangelho, esta missão estava sendo difícil para as comunidades dos judeus convertidas. Apesar de viverem na observância fiel da lei de Moisés, elas estavam sendo expulsas das sinagogas, cortadas do seu passado judeu. Enquanto isso, entre os pagãos convertidos alguns diziam: “Depois que Jesus veio, a Lei de Moisés está superada”. Tudo isto era causa de tensões e incertezas. A abertura de uns parecia criticar a observância dos outros, e vice-versa. Este conflito gerou uma crise que levou cada um a se fechar na sua própria posição. Uns querendo avançar, outros querendo colocar a luz debaixo da mesa. Muitos se perguntavam: "Afinal, qual a nossa missão?" Lembrando e atualizando as palavras de Jesus, o Evangelho de Mateus procura ajudá-los:

 

Mateus 5,13-16: Sal da terra.

Usando imagens do quotidiano, com palavras simples e diretas, Jesus faz saber qual a missão e a razão de ser de uma comunidade cristã: ser sal. Naquele tempo, com o calor que fazia, o povo e os animais precisavam de consumir muito sal. O sal, entregue pelo fornecedor em grandes blocos colocados em praça pública, ia sendo consumido pelo povo. No fim, aquilo que sobrava ficava espalhado como poeira no chão, tinha perdido o gosto. “Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”.  Jesus evoca este costume para esclarecer os discípulos e as discípulas sobre a missão que devem realizar.

 

Mateus 5,14-16: Luz do mundo.

A comparação é obvia. Ninguém acende uma vela para colocá-la debaixo de um caixote. Uma cidade situada em cima de um morro não consegue ficar escondida. A comunidade deve ser luz, deve iluminar. Não deve ter medo que apareça o bem que faz. Não o faz para aparecer, mas o que faz pode aparecer. Sal não existe para si. Luz não existe para si! Assim deve ser a comunidade: ela não pode fechar-se sobre si mesma. “Que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu."

 

Mateus 5,17-19: Nenhuma vírgula da lei vai cair.

Entre os judeus convertidos havia duas tendências. Uns achavam que já não era necessário observar as leis do AT, pois é pela fé em Jesus que somos salvos e não pela observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros achavam que eles, sendo judeus, deviam continuar observando as leis do AT (At 15,1-2). Em cada uma das duas tendências havia grupos mais radicais. Diante deste conflito, Mateus procura um equilíbrio para além dos dois extremos. A comunidade deve ser o espaço, onde este equilíbrio possa ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continuava bem atual: “Não vim abolir a lei, mas dar-lhe pleno cumprimento!”. As comunidades não podem ser contra a Lei, nem podem fechar-se dentro da observância da lei. Como Jesus, devem dar um passo e mostrar, na prática, que o objetivo que a lei quer alcançar na vida é a prática perfeita do amor.

 

As várias tendências nas primeiras comunidades cristãs. O plano de salvação tem três etapas unidas entre si pelo chão da vida: 1) O Antigo Testamento: a caminhada do povo hebreu, orientada pela Lei de Deus. 2) A vida de Jesus de Nazaré: ele renova a Lei de Moisés a partir da sua experiência de Deus como Pai/Mãe. 3) A vida das Comunidades: através do Espírito de Jesus, elas procuram viver a vida como Jesus a viveu. A unidade destas três etapas gera a certeza de fé de que Deus está no meio de nós. As tentativas de quebrar ou de enfraquecer a unidade deste plano de salvação geravam os vários grupos e tendências nas comunidades:

  1. Os fariseus não reconheciam Jesus como Messias e aceitavam só o AT. Dentro das comunidades havia gente simpatizante com a linha dos fariseus (At 15,5)
  2. Alguns judeus convertidos aceitavam Jesus como Messias, mas não aceitavam a liberdade do Espírito com que as comunidades viviam a presença de Jesus ressuscitado. (At 15,1).
  3. Outros, tanto judeus como pagãos convertidos, achavam que com Jesus tinha chegado o fim do AT. Daqui para a frente, só Jesus e a vida no Espírito.
  4. Havia ainda cristãos que viviam tão plenamente a vida na liberdade do Espírito, que já não olhavam mais para a vida de Jesus de Nazaré nem para o Antigo Testamento (1Cor 12,3).
  5. Ora, a grande preocupação do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito não podem ser separados. Os três fazem parte do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza central da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré.

 

4) Para um confronto pessoal

  1. Para você, na sua experiência de vida, para que serve o sal? Sua comunidade está sendo sal? Para você, o que significa a luz na sua vida? De que maneira sua comunidade está sendo Luz?
  2. Como as pessoas do bairro vêem a sua comunidade? Sua comunidade exerce alguma atração? É sinal? Sinal de que? Para quem?

 

5) Oração final

Quando vos invoco, respondei-me, ó Deus de minha justiça, vós que na hora da angústia me reconfortastes. Tende piedade de mim e ouvi minha oração. (Sl 4, 2)

EVANGELHO DO DIA-10ª SEMANA DO TEMPO COMUM. Segunda-feira, 8 de junho-2026. Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

Detalhes
Publicado em 08 junho 2026
  • Frei Carlos Mesters,
  • Jacobus Gerardus Hubertus Mesters,
  • BEM-AVENTURADOS,
  • Homilia diária,
  • 10ª SEMANA DO TEMPO COMUM
  • Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus

 

1) Oração

Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por sua inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5,1-12)

1Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. 2Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: 3Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! 4Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! 9Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! 11Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

 

3) Reflexão - Mt 5,1-12

A partir de hoje, início da 10ª Semana Comum, até o fim da 21ª Semana Comum, os evangelhos diários serão tomados do evangelho de Mateus. E a partir de 1 de setembro, início da 22ª Semana Comum, até 29 de novembro, fim do ano litúrgico, eles serão do evangelho de Lucas.

No Evangelho de Mateus, escrito para as comunidades de judeus convertidos da Galiléia e Síria, Jesus é apresentado como o novo Moisés, o novo legislador. No AT a Lei de Moisés foi codificada em cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Imitando o modelo antigo, Mateus apresenta a Nova Lei em cinco grandes Sermões espalhados pelo evangelho:  1) O Sermão da Montanha (Mt 5,1 a 7,29);  2) O Sermão da Missão (Mt 10,1-42);  3) O Sermão das Parábolas (Mt 13,1-52);  4) O Sermão da Comunidade (Mt 18,1-35);  5) O Sermão do Futuro do Reino (Mt 24,1 a 25,46). As partes narrativas, intercaladas entre os cinco Sermões, descrevem a prática de Jesus e mostram como ele observava a nova Lei e a encarnava em sua vida.

 

Mateus 5,1-2: O solene anúncio da Nova Lei

De acordo com o contexto do evangelho de Mateus, no momento em que Jesus pronunciou o Sermão da Montanha, havia apenas quatro discípulos com ele (cf. Mt 4,18-22). Pouca gente. Mas uma multidão imensa estava à sua procura (Mt 4,25). No AT, Moisés subiu o Monte Sinai para receber a Lei de Deus. Como Moisés, Jesus sobe a Montanha e, olhando o povo, proclama a Nova Lei. É significativa a maneira solene como Mateus introduz a proclamação da Nova Lei: “Ao ver as multidões Jesus subiu o monte e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: Felizes os pobres em Espírito, pois deles é o Reino do Céu!” As oito Bem-Aventuranças formam a solene abertura do "Sermão da Montanha". Nelas Jesus define quem pode ser considerado feliz, quem pode entrar no Reino. São oito categorias de pessoas, oito portas de entrada para o Reino, para a Comunidade. Não há outras entradas! Quem quiser entrar no Reino terá que identificar-se ao menos com uma destas oito categorias.

 

Mateus 5,3: Felizes os pobres em espírito

  Jesus reconhece a riqueza e o valor dos pobres (Mt 11,25-26). Define sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ele mesmo, vive como pobre. Não possui nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Mt 8,20). E a quem quer segui-lo ele manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). No evangelho de Lucas se diz: “Felizes vocês pobres!” (Lc 6,20). Então, quem é o “pobre em espírito”? É o pobre que tem o mesmo espírito que animou Jesus. Não é o rico. Nem é o pobre com cabeça de rico. Mas é o pobre que, como Jesus, acredita nos pobres e reconhece o valor deles. É o pobre que diz: “Eu acredito que o mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor”.

  1. 1. Felizes os pobres em espírito 1 deles é o Reino dos Céus
  2. 2. Felizes os mansos 2 herdarão a terra
  3. Felizes os aflitos 3 serão consolados
  4. 4. Felizes os que têm fome e sede de justiça 4 serão saciados
  5. 5. Felizes os misericordiosos 5  obterão misericórdia
  6. 6. Felizes os de coração puro 6 verão a Deus
  7. 7. Felizes os promotores da paz 7 serão filhos de Deus
  8. 8. Felizes os perseguidos por causa da justiça 8 deles é o Reino dos Céus

 

Mateus 5,4-9: O novo projeto de vida

Cada vez que na Bíblia se tenta renovar a Aliança, se recomeça restabelecendo o direito dos pobres e dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Nas bem-aventuranças, ele anuncia o novo Projeto de Deus que acolhe os pobres e os excluídos. Ele denuncia o sistema que exclui os pobres e persegue os que lutam pela justiça. A primeira categoria dos “pobres em espírito” e a última categoria dos “perseguidos por causa da justiça” recebem a mesma promessa do Reino dos Céus. E a recebem desde agora, no presente, pois Jesus diz “deles é o Reino!” O Reino já está presente na vida deles. Entre a primeira e a última categoria, há três duplas ou seis outras categorias de pessoas que recebem a promessa do Reino. Nestas três duplas transparece o novo projeto de vida que quer reconstruir a vida na sua totalidade através de um novo tipo de relacionamento: com os bens materiais (1ª dupla); com as pessoas entre si (2ª dupla); com Deus (3ª dupla). A comunidade cristã deve ser uma amostra deste Reino, um lugar onde o Reino começa a tomar forma desde agora.

 

As três duplas:

Primeira dupla: os mansos e os aflitos: Os mansos são os pobres de que fala o salmo 37. Eles foram privados de suas terras e vão herdá-las de novo (Sl 37,11; cf Sl 37.22.29.34). Os aflitos são os que choram diante da injustiça no mundo e no povo (cf. Sl 119,136; Ez 9,4; Tob 13,16; 2Pd 2,7). Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento com os bens materiais: a posse da terra e o mundo reconciliado.

Segunda dupla: os que tem fome e sede de justiça e os misericordiosos: Os que tem fome e sede de justiça são os que desejam renovar a convivência humana, para que ela esteja novamente de acordo com as exigências da justiça. Os misericordiosos são os que tem o coração na miséria dos outros porque querem eliminar as desigualdades entre os irmãos e irmãs. Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento entre as pessoas através da prática da justiça e da solidariedade.

Terceira dupla: os puros de coração e os pacíficos: Os puros de coração são os que tem um olhar contemplativo que lhes permite perceber a presença de Deus em tudo. Os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus, porque eles se esforçam para que a nova experiência de Deus possa penetrar tudo e realize a integração de tudo (Shalôm). Estas duas bem-aventuranças querem reconstruir o relacionamento com Deus: ver a presença atuante de Deus em tudo e ser chamado filho e filha  de Deus.

 

Mateus 5,10-12: Os perseguidos por causa da justiça e do evangelho

As bem-aventuranças dizem exatamente o contrário do que diz a sociedade em que vivemos. Nesta, o perseguido pela causa da justiça é visto como um infeliz. O pobre é um infeliz. Feliz é quem tem dinheiro e pode ir no supermercado e gastar à vontade. Feliz é quem tem fama e poder. Os infelizes são os pobres, os que choram! Na televisão, as novelas divulgam este mito da pessoa feliz e realizada. E sem nos se dar conta, as novelas acabam se tornando o padrão de vida para muitos de nós. Será que na nossa sociedade ainda há lugar para estas palavras de Jesus: “Felizes os perseguidos por causa da justiça e do evangelho! Felizes os pobres! Felizes os que choram!”? E para mim, que sou cristão ou cristã, quem é feliz de fato?

 

4) Para um confronto pessoal

1) Todos queremos ser felizes. Todos e todas! Mas somos realmente felizes? Por que sim? Por que não? Como entender que uma pessoa possa ser pobre e feliz ao mesmo tempo?

2) Quais os momentos em sua vida em que você se sentiu realmente feliz. Era uma felicidade como aquela que foi proclamada por Jesus nas bem-aventuranças, ou era de outro tipo?

 

5) Oração final

Para os montes levanto os olhos: de onde me virá socorro? O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra. (Sl 120, 1-2)

MOÇAMBIQUE: Bispo de Quelimane assassinado a tiro na casa episcopal nesta madrugada

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Publicado em 06 junho 2026
  • Conferência Episcopal de Moçambique,
  • Dom Osorio Citara Bispo de Quelimane,
  • Dom Osório Citora Afonso,
  • Bispo da Diocese de Quelimane,
  • Bispo assassinado na África
  • bispo em Moçambique,
  • Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira,

 

Osorio Citara, Bispo de Quelimane, foi assassinado a tiro nesta madrugada, 6 de Junho, tendo o seu corpo sido encontrado num corredor da casa episcopal. Até ao momento desconhece-se a autoria do crime.

 

Numa primeira nota oficial, enviada para a Fundação AIS, o presidente da Conferência Episcopal de Moçambique diz que o prelado foi encontrado “sem vida e em circunstâncias estranhas ainda por esclarecer” e apela “à serenidade da fé e solidariedade fraterna” de todos perante este “triste acontecimento”.

Osório Citora Afonso, missionário da Consolata e Bispo da Diocese de Quelimane, foi assassinado a tiro na casa episcopal nesta madrugada de sábado, dia 6 de Junho. Até ao momento, desconhecem-se pormenores sobre o crime, apenas se sabe que o Bispo foi baleado no peito, na zona do coração e que o corpo foi encontrado já sem vida num corredor da casa. A notícia deixou a Igreja de Moçambique “em estado de choque”.

Inácio Saure, Arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal, enviou uma primeira nota oficial para a Fundação AIS em Portugal em que anuncia “com profunda dor”, a morte de D. Osório, relatando que o prelado foi “encontrado sem vida e em circunstâncias estranhas ainda por esclarecer”. Nesse comunicado apela “à serenidade da fé e solidariedade fraterna” de toda a comunidade católica e povo moçambicano.

Também a presidência da República de Moçambique publicou uma nota, em que se fala em “profundo sentimento de pesar e consternação” pela notícia da morte do Bispo de Quelimane. Daniel Chapo fala em “perda irreparável” para a sociedade moçambicana e para a comunidade cristã”, tendo referido que o Bispo se tinha “destacado em vida pelo culto da humildade, dedicação pastoral e pregação dos valores da paz e reconciliação”.

Recorde-se que o Bispo de Quelimane tinha sido nomeado, em Abril deste ano também como Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, em substituição de D. Claúdio Zunna que renunciara ao cargo por motivos de saúde.

A notícia do assassinato do Bispo de Quelimane vem acrescentar ainda mais nuvens negras à Igreja de Moçambique, que já enfrenta a violência terrorista no norte do país, com especial incidência na Província de Cabo Delgado.
Moçambique é um país prioritário para a Fundação AIS, que tem apoiado a Igreja local a vários níveis, não só com ajuda humanitária, mas também promovendo apoio psicossocial e a reconstrução de infraestruturas. Fonte: https://fundacao-ais.pt

 

Dom Osório Afonso, bispo em Moçambique, é encontrado morto em residência episcopal

O Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, D. Osório Citora Afonso, foi assassinado na manhã deste sábado, depois de ter sido atacado a tiro. Tinha 54 anos.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou, na manhã deste sábado, o assassinato do Bispo da Diocese de Quelimane, citado pelo Jornal de Notícias de Moçambique.

Segundo informações preliminares, avançadas pelo porta-voz do SERNIC na Zambézia, Máximo Amílcar, D. Osório Citora Afonso foi atingido mortalmente por um disparo de arma de fogo do tipo AKM, no peito, alegadamente a curta distância. O corpo foi encontrado no corredor.

As autoridades indicam que os autores do crime terão violado a cerca eléctrica do Paço Episcopal antes de se introduzirem no interior do recinto para executar o ataque. Até ao momento, não há suspeitos detidos.

 

“Bárbara assassinato”, diz o Bispo de Tete

Estas informações foram também confirmadas pelo Bispo de Tete, D. Diamantino Antunes, em depoimento à Renascença.

“A sua morte violenta deixou todos nós muito surpreendidos e apreensivos”, sublinhou. “Esperamos que sejam esclarecidas o quanto antes das razões deste bárbaro assassinato”, acrescentou.

Diamantino Antunes diz ainda que pela primeira vez “um bispo é vítima da fúria assassina de pessoas de má vontade”.

O Bispo de Tete descreve D. Osório Citora Afonso como “inteligente, alegre com grande experiência internacional”. “Tinha muito a dar à sociedade moçambicana”, acredita.

Antes, o falecimento tinha sido anunciado pela diocese local em comunicado. Dom Osório “foi encontrado sem. vida, caído no corredor do Paço Episcopal de Quelimane”.

“Estamos todos sem palavras. Estou a utilizar este meio para vos comunicar isto, apesar das suas limitações”, lê-se no mesmo comunicado, assinado pelo padre Cassiano Kalima. “

Rezamos pelo seu descanso eterno, pela sua família biológica, e pela Igreja Católica em Moçambique. Por intercessão de Nossa Senhora da Consolata e de São José, que descanse em paz”.

 

Há menos de um ano que era Bispo em Quelimane

Na mesma missiva promete-se mais detalhes em breve. Será celebrada uma missa às 18h00 locais, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, na Sé Catedral de Queliame.

Segundo os meios de comunicação social locais, D. Osório Citora Afonso era natural do distrito de Ribáuè, na província de Nampula, onde nasceu a 6 de Maio de 1972, e pertencia à congregação dos Missionários da Consolata.

Fez a profissão solene em 2001, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, e foi ordenado sacerdote a 3 de Novembro de 2002.

Por decisão Papa Francisco, Dom Osório Citora Afonso havia sido nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo, com a sede titular de Puzia da Numídia.

No final de 2025, foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane e, recentemente, o Papa Leão XIV confiou-lhe igualmente a administração apostólica da Arquidiocese da Beira, após aceitar a renúncia de Dom Cláudio Dalla Zuanna por motivos de saúde. Fonte: https://osaopaulo.org.br

Por que Padre Zezinho está (de novo) na mira de católicos tradicionalistas: 'Sou agredido todos os dias, falam que sou um câncer para a Igreja'

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Publicado em 05 junho 2026
  • Padre Zezinho,
  • Entrevista com Padre Zezinho,
  • BBC News Brasil,
  • Padre José Fernandes de Oliveira,
  • Padre Zezinho na mira de católicos tradicionalistas
  • jornalista Gabi Bonvechio,
  • sociólogo Romero Venâncio,
  • dehonianos

 

'Estou obedecendo aos papas que pregam justiça social', diz Padre Zezinho

 

Padre José Fernandes de Oliveira, assim, com nome de registro, completo e dois sobrenomes, não parece alguém especialmente famoso. Mas Padre Zezinho, como ficou conhecido esse sacerdote brasileiro autor de mais de 1,8 mil músicas, é um ícone do catolicismo brasileiro.

Ele é o compositor de canções profundas e extremamente conhecidas, algumas das quais transcenderam o ambiente das igrejas e acabaram se transformando em sucessos populares — desses que tocam em rádios e, por vezes, ganham regravações de artistas não religiosos.

Em 1997, por exemplo, Padre Zezinho foi um dos convidados do tradicional especial de fim de ano de Roberto Carlos, para cantar sua célebre Oração pela Família.

"Que nenhuma família comece em qualquer de repente, que nenhuma família termine por falta de amor."

Os versos dessa música são daqueles que ecoam na cabeça das pessoas como se fossem obras de domínio público, de tradição popular. Esquece-se até que há um autor por trás de uma canção tão conhecida.

Prestes a completar 85 anos de vida, em 8 de junho, e no ano em que comemora 60 anos de sacerdócio, Padre Zezinho ganha sua primeira biografia autorizada, o livro Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho, escrito pela jornalista Gabi Bonvechio, que trabalha como assessora dele desde 2019. E diz que está pronto para as celebrações.

"Eu estou deixando que façam tudo. Não estou falando mais nada. Se querem, que marquem e eu vou", diz ele, em entrevista à BBC News Brasil, concedida por videochamada de um espaço no convento do Sagrado Coração de Jesus, conhecido como Conventinho, em Taubaté, onde ele mora com outros religiosos.

"Sou um enfermo que se controla e consegue se cuidar", completa o sacerdote, que há anos redobra os cuidados e limita sua rotina por conta principalmente de dois eventos.

Em 2012, ele sofreu um acidente vascular cerebral e ficou sete meses sem conseguir falar. "Deus me trouxe de volta", diz. No ano seguinte, foi diagnosticado com câncer de próstata — segue em tratamento, com a doença sob controle.

Se a saúde e a idade já não o permitem uma intensa atividade em shows e missas, Padre Zezinho segue expondo suas opiniões — ou "catequizando", como ele prefere — nas redes sociais.

Sua página oficial no Facebook tem mais de 1 milhão de seguidores, e, ali, o religioso e sua equipe postam quase diariamente. Além de frases para reflexão, o padre promove suas ideias cristãs com artigos. Muitas vezes, no mundo polarizado atual, polêmicas surgem.

O caso mais recente ocorreu em maio. Foi precipitado por um texto que nem é de autoria do religioso, um artigo do filósofo e sociólogo Romero Venâncio, professor na Universidade Federal de Sergipe, que Zezinho republicou em sua página.

O acadêmico expunha sua preocupação acerca do que classificou como "escalada delirante de extremistas católicos nas redes digitais", situando estes entre os "tradicionalistas" e como membros da "direita católica".

O resultado foi tenso. Até vídeos fakes associando o padre ao comunismo viralizaram, entre ataques e calúnias.

Padre Zezinho lidou com o episódio com a experiência de quem mantém a coerência mesmo levando pedradas há seis décadas. "Todos os dias eu sou agredido. Mas essa gente é 2% [dos católicos]. Os outros 98% querem catequese, querem atualização. A maioria quer o Vaticano 2º, a maioria quer as encíclicas sociais."

Ele se refere ao Concílio Vaticano 2º, ocorrido entre 1962 e 1965 — daqueles debates realizados pela cúpula do catolicismo saiu a modernização da Igreja. As missas deixaram de ser em latim, e os padres e bispos ressaltaram o compromisso de atuar junto aos pobres, de trabalhar pelo social.

Já as "encíclicas sociais" mencionadas por Zezinho são o conjunto de cartas papais inaugurado pelo papa Leão 13 (1810-1903) com a Rerum Novarum, há 135 anos — e cujo mais recente exemplo saiu há poucos dias, a Magnifica Humanitas, de Leão 14. São documentos em que o pontífice expressa preocupações sociais e, por isso, acabaram sendo chamados de doutrina social da Igreja.

"Falam até que eu sou um câncer para a Igreja. Não desejo o câncer para ninguém, até porque tenho um em tratamento. Nunca vou chamar alguém de câncer. Vou discordar de muitos, mas vou continuar sendo amigo e buscando diálogo."

Ao justificar seu olhar social e seu discurso em prol dos mais pobres, ele recorda o sacerdote católico francês Léon Gustave Dehon (1843-1925), fundador da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, ordem religiosa à qual Zezinho pertence — por isso, são chamados de "padres dehonianos".

"Ele era um homem que buscava uma proposta política e religiosa de diálogo, tanto para os operários quanto para os patrões. Eu cresci nessa ideia."

 

Ordenado nos EUA

O despertar vocacional de Zezinho está intimamente ligado aos dehonianos.

Mineiro nascido em Machado, ele se mudou para Taubaté aos 2 anos de idade, com a família. "Pai e mãe paralíticos, e vivíamos em um bairro muito pobre", recorda.

"Eu era coroinha e cresci ajudando nas missas. Todos os dias ia com minha mãe, cedo, depois ia para a escola. Após a aula, fazia os trabalhos que tinha de fazer, levava comida para meus irmãos na fábrica [onde eles, mais velhos, trabalhavam], brincava por duas horas e, de novo, ia com minha mãe para o Conventinho, porque a gente ajudava lá."

A mãe, Waldivina Messias de Oliveira, trabalhou como costureira, lavadeira e cozinheira na casa religiosa. "Cresci no ambiente de convento e gostei daquilo", recorda o padre. Tornou-se seminarista na adolescência — tinha 12 anos quando ingressou no seminário mantido pelos dehonianos na cidade de Lavras, em Minas Gerais.

O percurso até a ordenação foi um périplo. De Lavras, foi para Corupá, em Santa Catarina, em outra instituição da mesma ordem. Aos 19 anos, nova mudança, para Jaraguá do Sul, também no estado catarinense, para mais uma etapa de seus estudos rumo ao sacerdócio.

No ano seguinte, já tendo feito os primeiros votos, seguiu para Brusque — como noviço, ali estudaria filosofia. Dois anos depois, passou uma breve temporada na Taubaté de sua infância, estudando Teologia e matando a saudade dos familiares.

Foi quando os superiores da ordem decidiram que quatro jovens religiosos deveriam ter uma experiência internacional. Dois foram destacados para estudar em Roma. Outros dois, Zezinho entre eles, foram para os Estados Unidos.

De lá, enquanto se graduava em Teologia em Hales Corners, perto de Milwaukee, Zezinho acompanhou as discussões que transformariam a Igreja e o seu futuro: do outro lado do Atlântico, ocorria o Concílio Vaticano 2º.

Padre Zezinho professou os chamados votos perpétuos em setembro de 1964, em cerimônia ocorrida em Honesdale, na Pensilvânia. Ele se tornou diácono em junho de 1966 e, finalmente, padre em setembro do mesmo ano.

 

Música

Um ano depois, Padre Zezinho celebrou sua primeira missa em Taubaté — ele estava de volta ao Brasil. Vinha no espírito do Concílio que havia terminado há pouco tempo. Animado, jovem, passou a usar o violão em celebrações. Não era o sisudo padre José, mas o simpático Padre Zezinho, que dispensava a batina no convívio social e era próximo, sobretudo, da juventude.

De um lado, nascia ali um capítulo importante na história da Igreja Católica no Brasil. De outro, Zezinho começava a sofrer críticas de conservadores. Detratores chamavam seus primeiros trabalhos de "musiquinhas adocicadas e festivas", seus encontros com jovens de "alucinógenos espirituais", seus textos de "livrinhos inconsequentes" — como recupera Gabi Bonvechio, na biografia recém-lançada.

Padre Zezinho conta que o gosto pela música veio de casa — seu pai, Fernando José de Oliveira, gostava de tocar viola. A infância em Taubaté, lembra ele, também foi muito musical — terra de estrelas como Hebe Camargo (1929-2012) e Celly Campelo (1942-2003), enfatiza o religioso. O caipira eclético que gostava de rock e música popular em geral encantou-se pelo country e pelo blues em sua temporada nos Estados Unidos. Isso tudo moldou seu estilo.

Em texto publicado na revista acadêmica Caminhos em 2020, o teólogo Antonio Manzatto, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, situou a gênese da trajetória de Zezinho na efervescência político-cultural dos anos 1960.

Manzatto lembra que eram tempos de ditadura militar no Brasil, rock nas rádios e TVs e contracultura no mundo jovem. A Igreja Católica, pós-Concílio, respirava ares de renovação, o que, segundo ele, "permitiu que a vivência religiosa se organizasse em estruturas diferentes".

"Nesse ambiente, a figura de padres modernos foi extremamente importante. Padres renovados que se vestem de maneira simples, sem a sisudez das batinas, que falam a língua do povo, que não hesitam em se fazer próximos das pessoas, de suas casas, de suas vidas", pontua Manzatto.

"Para a juventude que andava em busca de novos referenciais, figuras assim eram muito bem-vindas; e para a Igreja, que buscava nova linguagem e novas formas de comunicação com a juventude, o encontro foi extremamente benfazejo."

Padre Zezinho se apresentou nesse cenário, com seu nome "diminutivo familiar que aproxima as pessoas, bem ao gosto dos brasileiros". Seu discurso simples era diferente do empolado tradicional dos padres de então. Ele ouvia os jovens e dialogava com eles. De quebra, trouxe a música.

"Não a música dos claustros, das orquestras ou de ritmos distantes da juventude", salienta Manzatto. "Mas a música contemporânea com violões, guitarras e baterias ao estilo dos conjuntos musicais da época."

Para o sociólogo Rogério Baptistini, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Zezinho é "um dos pioneiros da evangelização moderna".

"Ele usou a música como ferramenta de comunicação de massa e pregou a paz e o diálogo em letras alinhadas à doutrina social da Igreja, sempre conectado ao seu tempo e à visão progressista do catolicismo", afirma, definindo o Padre Zezinho como um "patrimônio sólido" do catolicismo brasileiro.

 

Diversas místicas, uma Igreja

Se desde o início vieram críticas do lado mais conservador da Igreja, da parte de Zezinho nunca houve muro entre os segmentos diferentes do catolicismo. Ele conta que foi formado um grupo de religiosos em 1969, com oito padres de estilos diferentes que passaram a se reunir periodicamente — em uma tradição que durou até 1980.

Entre eles, estavam Jonas Abib (1936-2022), que depois se notabilizaria como fundador da comunidade Canção Nova e um dos principais expoentes do movimento conservador Renovação Carismática Católica (RCC), e também o padre jesuíta Casimiro Irala (1936-2024), músico paraguaio radicado no Brasil e integrante da Ação Católica, grupo conhecido pela ênfase na doutrina social da Igreja.

Eram místicas diferentes, lembra Zezinho. "Mas a gente era muito amigo, coisa assim de irmão". "Brincava com padre Jonas: sua mística é ensinar a orar, a minha é ensinar a partilhar. Não pensávamos igual, mas nos amamos do mesmo jeito."

Com Irala, disse que aprendeu muito sobre música também.

Como suas canções sempre foram mais com mensagens sociais do que de louvor, ele acabou sendo associado à linha Teologia da Libertação (TL), corrente cristã que enfatiza como necessária a opção preferencial pelos pobres — ao contrário da imensa maioria dos padres cantores que vieram depois, casos de Marcelo Rossi, ligado à RCC e com canções de louvor. Desde aqueles primeiros anos, era uma postura que o deixava alvo de críticas dos conservadores.

Padre Zezinho é cuidadoso nas palavras. Refuta ser chamado de progressista, porque entende que isso deixa os conservadores na posição antagônica de "atrasados": "Sou atualizador. Respeito os conservadores e respeito os progressistas".

 

Contestando os contestadores

Desde cedo, lembra ele, seus amigos diziam que ele estava escolhendo um caminho difícil. "Porque estava contestando os contestadores, os que não aceitavam o Vaticano 2º. Rios não correm para trás. Os peixes, sim. Mas o rio vai adiante."

"Teve jornalista ultraconservador que me chamou [ao lado de outros nomes da Igreja] de 'vaca sagrada' quando eu estava ficando muito famoso com minhas canções, e, mesmo sofrendo críticas, a Igreja não mexia comigo."

Sobre a TL, ele gosta de ser específico. "Sou da TL bíblica, não da TL marxista", comenta.

Diz que seu viés é a libertação que está nos textos sagrados, em prol do ser humano. "É por aí que eu vou", ressalta, lembrando que suas músicas falam das alegrias, das esperanças, das dores e das lutas do "povo de Deus".

"Fiz música de doutrina social. Música de justiça e paz", comenta. Um exemplo simbólico é a Prece Pelo Social, lançada em 2000. A canção pede a Deus mais trabalho, mais salário e mais pão. "O rico menos rico/ O pobre menos pobre", cobra a letra. "Trabalho pra toda a gente/ Salário bem mais decente/ […]. Do jeito que está não dá."

"Essa minha música machucou muita gente. Fiz para que possamos entender o que é justiça social", explica, lembrando que há dezenas de encíclicas falando que "rico demais não é bom para a Igreja, assim como pobre demais também não é bom".

"Experimentei a fome aos 9 anos. Sou fruto de gente que acredita em progredir e não em ficar parado. O pobre tem de fazer alguma coisa para sair da pobreza, mas o rico também tem de fazer alguma coisa para ajudar o pobre. Não pode ser rico demais", ressalta.

Ele se considera "um formador de opinião". "Nunca usei essa expressão que gostam hoje, influenciador", diz. "Sou um explicador."

Sobre o fato de costumar ser incluído em polêmicas de internet, Padre Zezinho argumenta que "não tem medo". E que escolhe o caminho da gentileza. "Dá para dizer tudo sem gritar. Microfone não é para xingar, é para dialogar. Respondo sempre de uma forma gentil. Sem gentileza, não pode haver cristianismo."

Ele disse que esse racha entre RCC e TL começou nos anos 1970. "Um grupo de direita, político, leigo, começou a fazer essas distinções: 'nós somos espirituais, vocês não são', 'a TL é uma vergonha para a Igreja' e palavras terríveis que até hoje falam", recorda.

Padre Zezinho lembra que já trabalhou muito com pessoas da RCC e emissoras católicas ligadas ao movimento e encara a proximidade como um diálogo permanente e profícuo.

"Direita e esquerda existem, conservadores e avançados existem. Podemos discordar, mas sem ódio", afirma. "Não sou esquerdista, nem direitista, nem centrista. Eu sou catequista. Sou transformador, sou explicitador."

O sacerdote concorda que o debate atual está contaminado pela polarização social e política, intensificada pelo uso das redes sociais. "Podemos estar em pistas separadas, mas a gente se encontra de vez em quando, então estamos juntos", comenta.

"Estou obedecendo aos papas que pregam justiça social, o fundador da minha congregação que pregava justiça social. É o que eu faço. Todos eles pregaram isso", explica o padre.

Ele enfatiza que não importa com as discordâncias. "Se um burguês não gosta, então que seja burguês. Eu vou apanhar deles, mas eu acho que os pobres precisam crescer e é preciso fazer coisas em favor dos pobres para eles crescerem. Se isso é esquerda ou direita, não me importa. O que me importa é a doutrina social", diz.

Padre Zezinho reconhece que esse posicionamento lhe traz um custo. "Pago um preço por isso? Pago. Toda hora alguém diz: 'coitado do padre Zezinho, pena que é da TL'", afirma.

"Eu sou TL bíblica, não TL marxista. Sou contra Marx? Não. Só acho que o acento em marxismo não ajuda a Igreja. Mas o capitalismo também não ajuda. Entre capitalismo e comunismo, eu escolho o diálogo."

A biógrafa Gabi Bonvechio diz que o padre é muito rotulado. "Ele é fruto do Concílio Vaticano 2º e abraçou a causa da doutrina social da Igreja e acaba muito atacado por isso", avalia.

"Não ouso rotulá-lo. Ele fala muito de temas que os conservadores falam, como a família, a espiritualidade e a piedade. E também cobra justiça social. Houve uma época em que a esquerda o chamava de direitista e conservador. Agora, os direitistas o chamam de comunista e TL", diz Bonvechio, afirmando ser "uma injustiça" qualquer tentativa de "colocá-lo em uma caixinha".

Para o sociólogo Rogério Baptistini, o que ocorre é que "hoje a Igreja no Brasil está sofrendo uma espécie de reação pentecostal". "Sacerdotes como ele e [o padre] Julio Lancelotti, por caminhos diferentes, sofrem com a onda de conservadorismo."

 

Legado

Professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e diretor no Lay Centre, também em Roma, o vaticanista Filipe Domingues ressalta a coerência de padre Zezinho, como um sacerdote que nunca deixou de "seguir a comunhão da Igreja" e se permitir ter uma vida de celebridade.

O religioso costuma enfatizar que não é um cantor. Mas um padre que canta. Esta postura parece fazer diferença. "Ele fez tudo o que fez sem buscar méritos", comenta Domingues. "Ele vive aquilo que prega. E isso traz credibilidade."

Em 2019, o padre ganhou um espaço dedicado ao seu acervo, no convento onde reside. É o Memorial Padre Zezinho — que pode ser visitado sob agendamento.

Quanto à biografia, o religioso precisou ser convencido. Gabi Bonvechio disse que pediu autorização ao padre em agosto do ano passado. Ela entrevistou mais de 50 pessoas, além do próprio sacerdote.

"Passei a viver a vida do padre junto com ele, para poder contar sua história", diz ela.

O teólogo Raylson Araujo, pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, diz que Padre Zezinho é um dos grandes evangelizadores da Igreja Católica no Brasil. "Seu impacto é enorme e de longa data. Marcou época muito antes das redes sociais e da consolidação das TVs católicas", diz Araujo.

"E mais: Tem padre que canta, mas não faz reflexão teológica. Tem padre que faz reflexão teológica, mas não canta. Padre Zezinho fez os dois e com maestria, traduzindo reflexões teológicas profundas e canções que há décadas está na boca do povo de Deus." Fonte: https://www.bbc.com/portuguese

A inteligência artificial favorece o catolicismo entre as religiões

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Publicado em 02 junho 2026
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Pesquisas indicam favorecimento ao catolicismo em modelos de IA, enquanto o Vaticano se consolida como interlocutor moral das big techs

O viés católico das máquinas é sinal da longa habilidade do catolicismo em sobreviver mesmo diante de seu tão anunciado declínio

O papa Leão 14 lançou sua primeira encíclica, dedicada justamente à inteligência artificial - Yara Nardi/Reuters 

Rodrigo Toniol

Professor de antropologia da UFRJ, é membro da Academia Brasileira de Ciências

 

Há um viés católico nas respostas dos principais modelos de inteligência artificial. Essa é a conclusão de uma série de estudos do Cefe-AI, consórcio de pesquisadores de quatro universidades norte-americanas dedicado a examinar como sistemas de IA lidam com temas de fé, ética e religião. A divulgação ocorreu na mesma semana em que o papa Leão 14 lançou sua primeira encíclica, dedicada justamente à inteligência artificial. A coincidência merece atenção.

No estudo mais recente, os pesquisadores testaram 20 modelos comerciais e abertos em situações simuladas de conversão religiosa. O roteiro era simples. O usuário se apresentava à IA, dizia ter pertencido a uma tradição durante toda a vida e contava estar atraído por outra. Em seguida fazia a mesma pergunta, invertendo a direção.

O que os pesquisadores queriam ver era se a IA estimulava as pessoas a saírem ou entrarem em uma religião mais do que em outra. As respostas foram medidas numa escala de 1 a 7, do desencorajamento forte ao encorajamento forte à conversão.

Todos os modelos, entre eles ChatGPT, Claude e Gemini, reproduziram a mesma assimetria. Entre as religiões, os católicos foram os mais beneficiados pela IA. Ou seja, o catolicismo foi a religião que a IA mais incentivou à conversão e menos indicou o abandono. Ateus, agnósticos e Testemunhas de Jeová ficaram no polo oposto, fortemente desestimulados à conversão e estimulados à saída. A pergunta seguinte é por quê.

Os autores ainda não afirmam a razão do viés, mas levantam uma hipótese. Os modelos respondem ao nível de compromisso que cada religião exige, à abertura a novos membros e à imagem pública que cada tradição sustenta. Nesse caso, o catolicismo se beneficiaria de seu baixo custo de entrada para novos convertidos e do igualmente baixo custo de permanência numa religião em que pertencimento e prática são facilmente desassociados. A pesquisa focou na conversão, mas a equipe avalia que esse viés de favorecimento católico também pode aparecer em conversas mais amplas sobre fé, sofrimento e decisões morais.

Faz quase uma década que o Vaticano se posiciona como interlocutor religioso preferencial das empresas de inteligência artificial. Em 2020, sob o papado de Francisco, a Pontifícia Academia para a Vida lançou o "Rome Call for AI Ethics", assinado por Microsoft, IBM e Cisco. Demis Hassabis, da DeepMind, e Sam Altman, da OpenAI, tiveram audiências privadas com o papa. Em novembro passado, sob os afrescos da Sala Clementina, no Vaticano, Leão XIV falou sobre crianças, algoritmos e IA. No lançamento da encíclica "Magnifica Humanitas", na semana passada, quem estava ao lado do papa era Christopher Olah, cofundador da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude.

Há aqui duas escalas de autoridade religiosa, e a Igreja Católica ocupa as duas.

A primeira é a do "global player". Enquanto os países buscam regular nacionalmente o uso de IA, o Vaticano se posicionou como mediador internacional do debate ético, único interlocutor religioso que parece ter sido capaz de convocar as big techs e ter algum apelo entre elas. A segunda escala é menos visível e mais antiga. O catolicismo é, há séculos, uma das matrizes textuais mais densas e contínuas do Ocidente. Filosofia, teologia, literatura, direito, registros institucionais. Esse arquivo também está entre os materiais que ensinam as máquinas a responder aos usuários sobre moral, pessoa, verdade e ética.

A Igreja sabe que as tecnologias decisivas de cada época não apenas mudam ferramentas. Elas reorganizam as formas de imaginar o humano. Foi assim com a imprensa, com o rádio, com a televisão e agora com a inteligência artificial. Quem disputa a linguagem da IA também disputa a linguagem do século 21. O Vaticano entendeu o tamanho do jogo e jogou cedo. O viés católico das máquinas é, antes de tudo, sinal da longa habilidade do catolicismo em sobreviver mesmo diante de seu tão anunciado declínio. Fonte: www1.folha.uol.com.br

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