Christopher O’Donnell, O. Carm.

Maria foi gradualmente inserida neste mito, ou hagada, de Elias.

Os Primeiros Escritores

A Crônica De inceptione ordinis (cerca de 1324) afirmou que, após a Encarnação, os seguidores de Elias e de Eliseu construíram uma igreja em honra da Bem-aventurada Maria perto da fonte de Elias. Ela assegurava que a partir do tempo do patriarca Aimérico (+ 1196) eles eram conhecidos como Irmãos eremitas da Bem-aventurada Maria do Monte Carmelo.

O quarto capítulo do Speculum de Jean de Cheminot (+ por volta de 1337) afirmava que, como eles, os sucessores de Elias e de Eliseu abraçaram a castidade dedicada ao Senhor. Dois textos do Antigo Testamento, que se tornariam tradicionais na Ordem, eram aplicados à Maria: “Pois lhe será dado o esplendor do Líbano, a beleza do Carmelo e do Saron” (Is 32,2) e “Sua cabeça que se alteia como o Carmelo” (Ct 7,6). Uma memória legendária afirmava que Maria, junto com outras virgens, costumava visitar o lugar dos eremitas por causa de sua santidade e da beleza do lugar: “Era apropriado que a mãe das virtudes honrasse o lugar e os filhos de tal santidade e devoção com sua presença”.

Jean de Cheminot também recordou o oratório em honra da Virgem Maria construído após a Ascensão e que, para distinguir os Carmelitas dos outros, eles eram chamados de “os Irmãos da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria” – um título solenemente reconhecido mais tarde pela Santa Sé. 

Christopher O’Donnell, O. Carm.

Em geral, podemos afirmar que na Ordem Carmelita a vida contemplativa e a experiência mística são frequentemente definidas como tendo características marianas. Maria acompanha os carmelitas contemplativos em sua jornada para a união divina.   Além disso, muitos místicos carmelitas tiveram experiências nas quais Maria tinha seu papel central. Elas são tão comuns que não precisam de elaboração. Podemos tomar como exemplo Santa Teresa d’Ávila. Foi na festa da Assunção em 1561:

Eu refletia sobre os muitos pecados que confessei no passado naquela casa e muitas coisas sobre minha vida infeliz. Um êxtase invadiu-me tão fortemente que quase me arrebatou... Pareceu-me, enquanto estava neste estado, que me vi vestida de um manto branco esplendoroso e brilhante. Mas a princípio, não vi quem me vestia. Depois vi uma Senhora à minha direita e meu pai São José à minha esquerda, pois eles estavam revestindo-se com o manto. Compreendi então que estava limpa de meus pecados...

A beleza que vi em Nossa Senhora era extraordinária, apesar de não ter percebido qualquer detalhe em especial, exceto a forma de seu rosto e que suas vestes eram de um branco muito brilhante, não deslumbrante mas suave... Então, pareceu-me vê-los subir aos céus com uma grande multidão de anjos. Fui deixada em profunda solidão, apesar de tão consolada e elevada e serena em oração e tocada pelo amor, que permaneci algum tempo sem ser capaz de mover-me ou de falar, praticamente fora de mim mesma. Sentia em mim um grande impulso de ser dissolvida em Deus e com emoções semelhantes. E tudo aconteceu de tal modo que nunca poderia duvidar, não importa o quanto tentasse, que era uma visão de Deus.

Aqui, apesar de Maria ser central na experiência, temos uma visão de Deus, levando a uma união mais profunda com Deus. Santa Teresa d’Ávila, numa visão mística em 08 de setembro de 1575 renovou seus votos nas mãos de Nossa Senhora. Ela observa: “Esta visão permaneceu comigo por alguns dias, como se ela estivesse junto a mim, à minha esquerda.”

A cura de Santa Teresinha de Lisieux através do sorriso de Nossa Senhora no Domingo de Pentecostes de 1883, é outro exemplo de uma visão mariana, mas vista como uma ação da misericórdia divina. Este foi o começo de um processo que, cinco anos mais tarde, permitiria que ela entrasse no Carmelo.

Tais experiências místicas são frequentes na história da espiritualidade e não precisam ser consideradas como especificamente carmelitanas,   apesar de também encontradas, e surgindo, da vida do Carmelo.

Christopher O’Donnell, O. Carm.

 Espiritualidade Mariana

Neste ponto, vamos fazer uma pausa no levantamento histórico de nossa herança, para perguntar se podemos falar de nossa herança mariana como uma espiritualidade. Já estudamos as idéias chaves, que chamamos de temas centrais da nossa tradição.

Espiritualidade

Espiritualidade é uma palavra que se tornou um camaleão: ela assume uma nuança diferente quando usada pelas várias escolas ou movimentos identificados por um período, um lugar ou uma instituição (por exemplo, espiritualidade do deserto, medieval, dominicana, francesa). Ela também é aplicada como uma resposta apropriada aos vários estados de vida (por exemplo, espiritualidade de pessoas solteiras, casadas, clérigos, religiosas). Ela pode significar um enfoque sobre alguns aspectos de revelação ou da vida da Igreja, ou pode chamar atenção para a vida de alguns de seus membros (por exemplo, espiritualidade eucarística, litúrgica, libertadora, feminista).

Maria e os místicos carmelitanos

Em geral, podemos afirmar que na Ordem Carmelita a vida contemplativa e a experiência mística são freqüentemente definidas como tendo características marianas. Maria acompanha os carmelitas contemplativos em sua jornada para a união divina.  

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2015/07/uma-presenca-amorosa-maria-e-o-carmelo_15.html

Christopher O’Donnell, O. Carm.

O Escapulário coloca dificuldades específicas para nosso tempo, embora a mais fiel devoção à Nossa Senhora do Monte Carmelo seja sinônimo do Escapulário. A evidência de problemas em todas as áreas deve ser encarada com cuidado.

Não há referências ao Escapulário na Regra ou em Flechas de Fogo, de Nicolas, o Francês. A primeira referência a ele está nas Constituições de Londres, de 1281. Lá encontramos a instrução: “Os Irmãos devem dormir com sua túnica e com o Escapulário sob pena de severa punição”.   A razão para esta severa admoestação é que, naquele tempo, a remoção do hábito era vista como fuga da Ordem. Assim as Instituições dos Primeiros Monges afirma:

Este traje, o capuz/capuchinho e o escapulário são usados ao mesmo tempo pelo monge e mostra que o monge sempre deve, humildemente, levar consigo a obediência e ser completamente obediente a seu superior.

E exige que “eles sejam diligentemente usados dia e noite sem falta”.   As Constituições de Montpelier ordenaram que o novo manto deveria ser aberto na frente para que o Escapulário, o hábito da Ordem, pudesse ser visto. Este regulamento foi repetido na legislação posterior.   Assim, por mais ou menos 150 anos o Escapulário teve mais um sentido cristológico de obediência do que propriamente uma devoção mariana.

Além disso, existe um problema quanto a São Simão Stock. Seu nome aparece pela primeira vez numa lista de priores gerais apenas com Jean Grossi (+ por volta de 1411) e numa necrologia florentina, que não pode ser anterior a 1374.   Nas mais antigas listas de santos, ou Santorale, ele surge como quinto ou sexto prior geral. Estas listas de santos podem ser anteriores ao século XIV mas, como as necrologias, se originam de fontes mais antigas. A festa de São Simão Stock foi celebrada a partir de 1435 em Bordeaux, onde ele morreu, e na Inglaterra. Esta festa foi estendida para toda a Ordem em 1564.

O relato mais antigo da visão do Escapulário está no Sanctorale de Bruxelas, que pode ser datado mais ou menos do final do século XIV, ou seja, um século e meio depois de Simão Stock. Este Sanctorale pode realmente depender de documentos mais antigos, mas eles não foram encontrados. Lemos no relato mais primitivo e antigo da visão:

São Simão era um inglês, um homem de grande santidade e devoção, que sempre pedia à Virgem, em suas orações para favorecer a Ordem com algum privilégio único. A Virgem apareceu a ele segurando o Escapulário em sua mão e dizendo: “Isto é para ti e para os teus um privilégio. Aquele que morrer com ele será salvo”.

Não é possível, através de métodos críticos, estabelecer a historicidade desta visão. A ausência de qualquer referência a ela na extensa e polêmica tradição escrita durante os séculos passados é talvez o único argumento contra a sua autenticidade. Mas é um argumento de peso. Por outro lado, não há qualquer evidência que desaprove a visão, apesar de que tal argumento do silêncio deva ser tratado com certa cautela.

Do ponto de vista dos estudiosos, aqueles que querem afirmar a autenticidade da visão deveriam se esforçar em fornecer provas. Numa perspectiva pastoral, talvez seja melhor não aprofundar os detalhes da visão, mas sim realçar o significado do Escapulário como uma expressão do zelo de Maria e de uma consagração a ela, de acordo com Pio XII, cujos ensinamentos examinaremos num capítulo posterior. O título mariano que melhor justifica o Escapulário é Padroeira, que consideraremos junto com outros no próximo capítulo.

Christopher O’Donnell, O. Carm.

 Evolução da Consciência Mariana da Ordem

A maioria das descobertas registradas no capítulo anterior foram desenvolvidas nos séculos seguintes. A consciência mariana da Ordem evolui rapidamente.  

A Origem da Ordem a partir de Elias

Já observamos que a origem da Ordem a partir de Elias foi claramente afirmada na Rubrica prima das Constituições de 1281. Não é difícil ver como o tema de Elias foi desenvolvido em resposta à oposição a esta nova Ordem, já que ela não tinha um fundador histórico evidente, tal como São Domingos ou São Francisco. Os Irmãos Carmelitas sabiam que tinham ficado no Monte Carmelo por muito tempo. Era uma montanha sagrada, associada a eremitas de tempos muito antigos e, na verdade, com o grande profeta Elias.

Síntese mariana – Bostius

Em sua síntese envolvendo Elias e Maria, Bostius reflete sobre o relacionamento entre as duas figuras fundadoras da Ordem e definiu a prioridade de Maria com respeito aos Carmelitas. Ele usa outros títulos significativos, alguns dos quais são tradicionais e outros ele mesmo desenvolve: Protetora, Mestra, Guia, Amiga, Irmã, Mãe, uma Carmelita.

O Escapulário

Como mencionamos na Introdução, a questão do Escapulário coloca dificuldades específicas para nosso tempo, embora a mais fiel devoção à Nossa Senhora do Monte Carmelo seja sinônimo do Escapulário. A evidência de problemas em todas as áreas deve ser encarada com cuidado.

Não há referências ao Escapulário na Regra ou em Flechas de Fogo, de Nicolas, o Francês. A primeira referência a ele está nas Constituições de Londres, de 1281. Lá encontramos a instrução: “Os Irmãos devem dormir com sua túnica e com o Escapulário sob pena de severa punição”. 

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2015/07/uma-presenca-amorosa-maria-e-o-carmelo_12.html

Maria nossa Irmã - Mulher do coração indiviso ou Virgem puríssima

EMANUELE BOAGA, O.CARM. - AUGUSTA DE CASTRO COTTA, CDP

 1) Observações

1. Este tema tem forte ligação com o tema eliano como a consonância na virgindade entre Elias (fundador da Ordem - successão hereditária) e Maria (também fundadora), entretanto não é necessário que o Mestre entre em detalhes sobre o assunto (que será aprofundado depois do noviciado).

2. Na verdade, o essencial do estudo será a descoberta da beleza de Maria, a Virgem de coração puro, modelo para o Carmelita que deve viver “com o co¬ração puro e a reta consciência”, na escuta e acolhida da Palavra, em total di¬sponibilidade a Deus.

3. Esta imagem surgiu nos séculos XIV-XV, quando se refletia em toda a Igreja sobre o tema da Imaculada Conceição...

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http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2015/07/a-espiritualidade-mariana-da-ordem.html

“Ouve (Papa Francisco), sacode esta Igreja que está enferrujada, falamos isto a sério, fechada em seus templos magníficos e cômodos conventos, conservando com paixão ‘os espaços sagrados’, as propriedades, em uma pregação quase ‘esotérica’ em razão da distância da vida diária das pessoas. Falam de ‘família’ e não fazem ideia de quanto custa preparar um prato de sopa, nem da renda do mês. Dão ‘altas lições de amor familiar’, mas são um ‘clube de eleitos’, segregam, assim como os fariseus, os ‘impuros e desencaminhados’ e proclamam um Deus que pouco tem a ver com aquele que anda sem nada e tudo ao mesmo tempo”.

E ainda: “Você chega a um Equador em crise, um país que há oito anos esteve doente terminal, hoje ainda caminha muito delicado, ainda não pode se valer por si só, as pragas ameaçam o seu corpo estragado pelas misérias acumuladas por séculos. E é preciso dizer aos médicos que o atendam, que compreendam que é preciso levá-lo ao sol, para que faça exercícios, recupere sua força popular, que estão sendo drogadas com receitas tecnocráticas”...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/544373-francisco-sacode-esta-igreja-que-esta-enferrujada