Olhar Jornalístico

*O PROFETA ELIAS: A RESSURREIÇÃO DO FILHO DA VIÚVA (1Rs 17,17-24)

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Publicado em 18 julho 2018
  • Joseph Chalmers,
  • TRÍDUO DE SANTO ELIAS,
  • Frei Joseph Chalmers,
  • A RESSURREIÇÃO DO FILHO DA VIÚVA
  • Profeta
  • Missa de Santo Elias

Frei Joseph Chalmers O. Carm.

Invocação

Ó Pai Misericordioso, tens um cuidado especial para com os pobres e os que sofrem. Teu profeta Elias rezou pela vida do filho da viúva e foi ouvido. Aceita agora meu pedido pela presença de teu Espírito durante este momento de oração e também em minha vida diária, a fim de que a Palavra possa estar sempre em meus lábios e em meu coração. Faço esta oração em nome de Cristo nosso Senhor. Amém.

Texto

Leia o texto atentamente pela primeira vez para compreender o sentido geral e para conhecer a história em detalhes.

1Rs 17,17  Depois disso, aconteceu que o filho dessa mulher, dona da casa, adoeceu e seu mal foi tão grave que ele veio a falecer.

18 Então ela disse a Elias: “Que há entre mim e ti, homem de Deus? Vieste à minha casa para reavivar a lembrança de minhas faltas e causar a morte do meu filho!”

19 Ele respondeu: “Dá-me teu filho.” Tomando-o dos braços dela, levou-o ao quarto de cima onde morava e colocou-o sobre seu leito.

20 Depois clamou a Iahweh, dizendo: “Iahweh, meu Deus, até a viúva que me hospeda queres afligir, fazendo seu filho morrer?”

21 Estendeu-se por três vezes sobre o menino e invocou Iahweh: “Iahweh, meu Deus, eu te peço, faze voltar a ele a alma deste menino!”

22 Iahweh atendeu à súplica de Elias e a alma do menino voltou a ele e ele reviveu.

23 Elias tomou o menino, desceu-o do quarto de cima para dentro da casa e entregou-o à sua mãe, dizendo: “Olha, teu filho está vivo.”

24 A mulher respondeu a Elias: “Agora sei que és um homem de Deus e que Iahweh fala verdadeiramente por tua boca!”.

Ler

Esse texto nos fala de um desafio ainda maior para Deus. Deus já alimentou Elias através dos corvos ou dos árabes, e através dos serviços da viúva, mas agora o que Deus pode fazer diante da morte? Muitos povos antigos pensavam que a morte era um deus, mas esse relato mostra que não existe outro deus a não ser o Senhor. O verdadeiro Deus é o Senhor da vida!

Esse relato acentua a reputação do profeta e estabelece a autoridade de sua palavra. A viúva interpreta a morte de seu filho como uma punição pelos pecados. Essa era a mentalidade da época, também presente no Novo Testamento (cf. Jo 9,2). A viúva pensa que a presença do homem de Deus fez com que Deus lembrasse de seus pecados. Elias se estende sobre o menino. Esse gesto, análogo aos que foram realizados pelo profeta Eliseu (2Rs 4,34) e por São Paulo (At 20,10), simboliza a volta do poder doador da vida de Deus, o verdadeiro artífice do milagre.

No Novo Testamento, o profeta Elias é visto como o precursor de Jesus. Explicita ou implicitamente, o ministério de Elias é visto como um modelo para o ministério de Jesus. Como exemplo, vejamos o milagre de Jesus quando ele ressuscita o filho da viúva de Naim:

“Ele foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele.

12 Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela.

13 O Senhor, ao vê-la, ficou comovido e disse-lhe. ‘Não chores!’

14 Depois, aproximando-se, tocou o esquife, e os que o carregavam pararam. Disse ele, então: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te!’

15 E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe.

16 Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo’.

17 E essa notícia difundiu-se pela Judéia inteira e por toda a redondeza” (Lc 7,1-17).

Refletir

Releia a história de 1Rs 17,17-24.

Aqui estão algumas perguntas que nos ajudarão a refletir sobre o texto. A pergunta fundamental é sempre: o que esse texto significa para mim ou o que Deus está me dizendo nesse momento em especial da minha vida através desse texto?

  1. Você já perdeu alguém bem próximo? Como isso afetou seu relacionamento com Deus?
  2. Você já passou por uma doença grave? Como você se relacionou com Deus durante e após essa experiência?
  3. Que importância você dá a seus pecados? Você acha que eles são um impedimento em seu relacionamento com Deus?
  4. Seu modo habitual de rezar lhe diz alguma coisa sobre seu relacionamento com Deus? Você acha que tem um relacionamento íntimo ou distante de Deus?
  5. Você acha que sua oração foi ouvida? Como você se sentiu quando recebeu uma resposta de Deus?
  6. Você já esteve na presença de um amigo de Deus? Como essa experiência o afetou?

Responder

Que resposta seu coração quer dar a Deus? Talvez uma oração da Bíblia ou da Tradição Cristã possa nos ajudar. Contudo, é sempre bom usar suas próprias palavras. Eis uma oração tirada dos salmos:

Quando te invoco, responde-me, meu justo Deus! Na angústia tu me aliviaste: tem piedade de mim, ouve a minha prece!

3 Ó homens, até quando tereis o coração pesado, e amareis o nada, e buscareis a ilusão?

4 Sabeis que Iahweh faz maravilhas para seu fiel: Iahweh ouve quando eu o invoco.

5 Tremei e não pequeis, refleti no vosso leito e ficai em silêncio.

6 Oferecei sacrifícios justos e confiai em Iahweh.

7 Muitos dizem: “Quem nos fará ver o bem?” Iahweh, levanta sobre nós a luz da tua face.

8 Puseste em meu coração mais alegria do que quando seu trigo e seu vinho transbordam.

9 Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Iahweh, me fazes viver em segurança (Sl 4,2-9).

Repousar

Continuar na jornada espiritual nos introduz num longo processo onde Deus nos recria de acordo com a imagem do Filho. A destruição do “velho eu” é dolorosa, mas o nascimento de um “novo eu” significa que tudo valeu a pena. Se o casulo ou o ovo pudesse sentir, ele certamente não gostaria de ser quebrado. Mas se não fosse quebrado, a borboleta ou a ave não nasceria. Purificação é um outro nome para esse processo. Somos purificados para que possamos receber Deus, que deseja nos preencher com a vida divina. Contudo, somos muito fracos para receber esse dom inestimável. Deus purifica gradualmente nossos sentidos espirituais para nos abrir à vida divina. Na jornada espiritual existem altos e baixos, momentos de luz e de sombras, de força e de fraqueza. Devemos ter paciência e perseverança quando Deus está dando os últimos retoques à obra de arte que é nossa vida. Muitos artistas não gostam de revelar seu trabalho antes de tê-lo terminado. Deus age assim conosco. Normalmente Deus não permite que vejamos o que Ele está realizando em nossas vidas. A oração do silêncio (ver Apêndice I) nos ensina a reservar um espaço para que Deus possa continuar trabalhando em nós, confiantes de que a obra das mãos de Deus será boa. Olhando para a criação, Deus viu que tudo era bom (Gn 1,31a).

Ao libertarmos nossas próprias vidas, podemos repousar em Deus e dar mais espaço à ação divina. A purificação em nossas vidas será lenta. Pois, ao nos tornarmos mais conscientes da presença e da ação de Deus em nossas vidas como a fonte de toda felicidade, estaremos preparados para desmanchar o falso eu que percebemos agora como um grande fardo. Depositamos nossa esperança de felicidade no falso eu. Agora, pouco a pouco, há um desenvolvimento gradual de um auto-esquecimento e de um auto-abandono progressivo, confiando no poder de Deus que nos leva à plenitude da vida humana. Tudo que gostamos ou não, nossos desejos, emergem lentamente numa submissão radical à vontade de Deus, não apenas durante a oração, mas também em toda nossa vida.

Nossas idéias, opiniões e palavras sustentam nosso falso eu e usamos isso para nos convencer de que estamos sempre certos. Há um tempo para deixarmos de lado nossas palavras, até mesmo as mais belas, e nossos pensamentos, mesmo os mais santos. No entanto, é difícil permanecer em silêncio sem pensar em algo em particular. O método de oração apresentado no Apêndice I pode nos ajudar a permanecer em silêncio e a não seguir qualquer distração. O silêncio pode ser vazio e isso não tem um significado cristão, mas o silêncio também pode estar repleto de significado se temos o desejo de estar na presença de Deus e de consentirmos com a ação purificadora e transformadora de Deus diariamente em nossas vidas.

Quando tentamos permanecer em silêncio por algum tempo, estamos sujeitos a distrações. Na oração em segredo, usamos uma palavra sagrada[1]  para voltarmos nosso coração para Deus quando pensamos em outra coisa. A oração em segredo é uma oração de intenção e não de atenção, o que deve ser levado em conta é a vontade e não a imaginação. É importante não julgar nossa própria oração. Se tentarmos rezar com um bom motivo, de estar na presença de Deus aberto à ação divina, essa é a verdadeira oração, mesmo se sentirmos que foi uma completa perda de tempo. Deus pode usar nosso desejo para nossa saúde espiritual. Apenas Deus pode julgar o coração humano e se estamos realmente rezando.

Sugiro que você veja as orientações para a oração em segredo no Apêndice I e tente passar vinte minutos aproximadamente em silêncio. Se você começar a pensar em alguma coisa, volte seu coração mais uma vez para Deus com a palavra sagrada, que é uma palavra curta, sagrada para você, que age como um símbolo de sua intenção de estar na presença de Deus e de seu consentimento com a ação divina em sua vida.

Agir

Apresentamos algumas sugestões de frases tiradas do texto que você pode usar durante o dia como uma lembrança da presença de Deus, mas é sempre melhor usar qualquer coisa que tenha um significado para você:

“homem de Deus?”;

“clamou a Iahweh”;

“Iahweh, meu Deus”;

“eu te peço”;

“teu filho está vivo”;

“a Palavra de Deus é a verdade”;

“Iahweh ouviu sua oração”.

Uma boa árvore produz bons frutos. Se formos fiéis à prática da oração como um relacionamento com Deus, ela produzirá bons frutos em nossa vida. Muitas vezes não experimentamos coisa alguma durante a oração, mas devemos escutar e estarmos atentos à atividade de Deus em todos os momentos de nossa vida. Na história da ressurreição do filho da viúva, o profeta Elias rezou com grande fervor pelo menino. Você se lembra de alguém em especial hoje? Carregue essa pessoa (ou pessoas) em seu coração durante o dia e lembre-se de rezar por ela. Não se esqueça de que Deus está bem perto e sempre escuta o que você diz. “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada” (Jo 14,23).

*Do livro, O Som do Silêncio, de Frei Joseph Chalmers O. Carm. Ex- Prior Geral  da Ordem do Carmo.

[1] Para o conceito “palavra sagrada” neste método de oração, ver especialmente Thomas Keating, Open Mind, Open Heart, cap. 5 & Elizabeth Smith e Joseph Chalmers, A Deeper Love, pp. 36-53.

TERÇA-FEIRA, 17. 1º DIA DO TRÍDUO DE SANTO ELIAS

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Publicado em 18 julho 2018
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  • 1º DIA DO TRÍDUO DE SANTO ELIAS

O Carmo da Lapa, Rio de Janeiro, celebrou nesta terça-feira o 1º Dia do Tríduo de Santo Elias- Pai e Guia do Carmelo. No homilia, o Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, presidente da celebração, falou sobre a importância da amorosidade e sensibilidade a partir da reza-devoção, seja a Nossa Senhora do Carmo ou ao Profeta Elias.

Segundo o Frei, existe muita reza e pouca compaixão e amor ao irmão (a). Elias, em suas atitudes e ações, não era um homem de Deus no sentido de ritos ou palavras, mas de carinho e defesa do próximo mais próximo, seja através da viúva de Sarepta, da vinha de Nabut ou na súplica pela volta da chuva. Portanto, a espiritualidade Eliana Carmelitana nos leva a adesão e contemplação no sentido histórico e não ficar com os pés nas nuvens - oração devocional vazia- descomprometida com a história e com a própria igreja samaritana e acolhedora. 

Amanhã, o presidente da celebração será o Frei Donizetti Barbosa, O. Carm e também será transmitido ao vivo aqui no olhar e nas mídias sociais. 

1º DIA DO TRÍDUO DE SANTO ELIAS, PAI E GUIA DO CARMELO, com Frei Petrônio de Miranda- direto do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro

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Publicado em 17 julho 2018
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TRÍDUO DE SANTO ELIAS: Convite.

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Publicado em 17 julho 2018
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TERÇA-FEIRA 17: 1º Dia do Tríduo de Santo Elias

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Publicado em 17 julho 2018
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FESTA DO CARMO-2018: Homilia do Frei Petrônio.

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Publicado em 16 julho 2018
  • Homilia do Frei Petrônio,
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  • Festa do Carmo 2018,
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AO VIVO-SOLENE COMEMORAÇÃO DE NOSSA SENHORA DO CARMO: Santa Missa com Frei Petrônio de Miranda, direto da Igreja do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro.

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Publicado em 16 julho 2018
  • Nossa Senhora do Carmo,

CARMELO: Um Olhar sobre Maria

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Publicado em 16 julho 2018
  • Temas Marianos
  • Nossa Senhora do Carmo,
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  • Christopher O’Donnell,
  • dogma de sua Maternidade Divina
  • Assunção de Maria

*Frei Christopher O’Donnell, O. Carm.

Doutrina

As grandes verdades sobre Maria foram defendidas no século XIII. O dogma de sua Maternidade Divina tem sido celebrado desde o Concílio de Éfeso (431). A Assunção de Maria está presente na liturgia desde o século VI e sua festa litúrgica teve uma oitava a partir de Leão IV (+ 855). A Virgindade Perpétua de Maria é questão pacífica desde o tempo do Concílio não-ecumênico Lateranense de 649. O quarto Concílio Lateranense usou a frase “Maria sempre virgem” em sua fórmula do Credo para os albigenses e cátaros. Acreditava-se também na Imaculada Conceição, mas muitos teólogos tinham sérias reservas, principalmente os seguidores de Tomás de Aquino. Sua festa começa a ser celebrada na liturgia a partir do século XII. Foi o papa siro-siciliano Sérgio (+ 701) quem estabeleceu uma procissão solene em Roma para quatro grandes festas marianas: o Nascimento de Maria (08 de setembro), a Apresentação (02 de fevereiro), a Anunciação (25 de março) e a Assunção (15 de agosto).

Além dessas verdades de fé, existia uma ampla crença em outras verdades sobre Maria. Em distintos lugares encontramos importantes afirmações sobre a união de Maria com seu Filho na Redenção. Em São Bernardo e, mais tarde, em Santo Alberto Magno e em São Boaventura, encontramos esboços da doutrina da mediação de Maria. O Memorare, atribuído a São Bernardo, tem algumas frases dele mesmo, apesar de em sua forma atual ser do século XV ou mesmo anterior. A maternidade espiritual de Maria, afirmando que ela é nossa Mãe e Mãe da Igreja, foi ensinada com muito mais clareza a partir do século XI, quando teólogos como Anselmo de Lucca (+ 1086) e Rupert de Deutz (+ 1130) começaram a aprofundar a verdade latente na cena aos pés da cruz relatada por João (19,25-28a). A apresentação de Maria como Rainha já estava presente com freqüência nos sermões e nos hinos do século VI. Foi encontrada há muito tempo nas liturgias, tanto do Oriente quanto do Ocidente e tornaram-se marcantes no século XIII.

Devoção

Quando olhamos para as orações e devoções marianas no século XIII encontramos uma grande riqueza. Já existiam então muitos santuários e lugares de peregrinação marianos. Por exemplo, na Inglaterra foram fundados dois antigos santuários: Walsingham (1061) e Glastonbury (do século VII, reconstruído em 1186). O santuário de Einsiedeln, na Suíça, data do século X. Poemas em língua vernácula são encontrados especialmente a partir da metade do século XII.

Existiam muitas devoções a Maria naquele tempo. A coleção de orações de diversos tipos começou no período carolíngio. Uma das mais conhecidas era o Livro das Orações Sagradas (Libellus sacrarum precum), datado do final do século IX, contendo várias orações marianas. Mais tarde, encontramos os Livros das Horas, cuja essência foi o Pequeno Ofício da Bem-aventurada Virgem. Sua origem foi uma devoção adicional (cursus) acrescentada ao Ofício canônico assim como aos ofícios votivos da Bem-aventurada Virgem, que surgiram com os carolíngios. Este material foi reorganizado por São Pedro Damião (+ 1072) e recomendado por ele para uso diário.

Existiam muitos hinos e orações marianas circulando no século XIII, que foram incorporados à liturgia e às orações comunitárias carmelitanas. A primeira parte da Ave Maria já existia mais ou menos a partir do século VII. Era um elemento do Pequeno Ofício e foi recomendada por Pedro Damião para recitação freqüente. O acréscimo do nome “Jesus” pode vir do tempo de Urbano IV (+ 1264), mas a segunda parte da oração (“Santa Maria...”) é do século XV. Os hinos comuns durante esse período incluíam o Ave maris stella que data do século IX. As quatro grandes antífonas marianas já eram conhecidas: Alma redemptoris mater (século XII), Salve regina (talvez do século XI), Ave regina caelorum (século XII) e o Regina coeli (provavelmente do século XIII).

Outras formas mais populares de oração foram encontradas nesta época. As ladainhas marianas surgem mais ou menos no século XI com a Ladainha de Loreto, datando do final do século XII, com 73 invocações. Uma ladainha irlandesa com 76 invocações pode datar do século XII. Da mesma forma, saudações a Maria, muitas vezes repetidas 150 vezes correspondendo ao Saltério (Grusspsalter), começaram a ser usadas a partir de 1130. Estas últimas teriam dado origem ao Rosário, que tomou sua forma atual no começo do século XV. Coleções das Alegrias (cinco) e Dores (sete) de Maria (Marienklagen) também são do século XII. A grande seqüência Stabat Mater é provavelmente do final do século XIII, talvez do franciscano Jacopone da Todi (+ 1306). O costume de dizer três Aves Marias à noite pode datar do século XI. Gregório IX (+ 1241) ordenava que os sinos tocassem para que o povo pudesse oferecer as Aves Marias às Cruzadas. A primeira coleção de legendas sobre Maria apareceu no século XI, o Liber de miraculis santae Dei genetricis Mariae.

As vidas de Maria, muitas vezes baseadas vagamente nos Ofícios, tornaram-se populares no século XII. Irmandades marianas são encontradas a partir da primeira metade do século XIII, especialmente na França e na Itália.

Uma importante área de interesse para a antiga mariologia carmelitana foi ressaltada por E. Boaga. Ela lembra o número de santuários e de lugares sagrados na Palestina que foram associados à Maria nas escrituras, nos apócrifos e nas tradições orais.[i]  Posteriormente, eles nos ajudarão a compreender mais plenamente o significado da escolha de Maria como Protetora do oratório do Monte Carmelo.

A Escravidão de Maria

Finalmente, podemos lembrar o surgimento, no século XI, do que se chamaria mais tarde de “escravidão de Maria”. São Bernardo, por exemplo, chamava-se de pajem de Maria (servuli). Isso pode ser significativo para a difundida ideia carmelitana da vassalagem, que encontraremos posteriormente.

Não só os carmelitas

Como veremos, os carmelitas que foram para a Europa assumiram muitas dessas práticas e crenças existentes. Se nos restringirmos a estudar apenas o que é carmelitano, corremos o risco de subestimar e mesmo de negligenciar uma parte considerável de nossa herança mariana. Em vez disso, devemos tentar ver toda vida mariana dos primeiros frades carmelitanos, das quais apenas algumas partes serão específicas deles mesmos.

Existem diversos paralelos com outras ordens, tais como os cistercienses,[ii]  os cônegos premonstratenses[iii]  e, é claro, os dominicanos.[iv]  Precisamos em primeiro lugar, levantar a questão da identidade carmelitana, descrita particularmente nas primeiras Constituições e títulos da Ordem.

O Século XX

No século XX tivemos o chamado “Movimento Mariano”, um tempo de grande entusiasmo, congressos, escritos, crescimento devocional.[v]  Esse tempo culminou na definição do dogma da Assunção (1950) e no Ano Mariano (1954). Depois disso houve um declínio, apesar do significativo ensinamento do Vaticano II. Com o importante documento de Paulo VI, Marialis cultus (1974) e de João Paulo II, Redemptoris Mater (1987) houve uma gradual recuperação. A partir da metade de 1970 houve uma abundância de trabalhos eruditos, essenciais sob todos os aspectos, de mariologia.[vi]

Na ordem, o ano de 1950 também foi um clímax do século XX com o caloroso endosso do Escapulário por Pio XII na carta Neminem profecto latet.[vii]  Mas os anos seguintes testemunharam algum declínio e falta de energia da parte da Ordem. A historicidade da visão do Escapulário foi submetida a um minucioso exame. Apesar da evidência desta visão ser considerada inadequada por severos estudiosos como Jean de Launoy (+ 1678) e Herbert Thuston (+ 1939), suas opiniões não influenciaram muito a apreciação que a Ordem tinha do Escapulário. Mas os valentes esforços de B. M. Xiberta em defender a autenticidade da visão do Escapulário[viii]  foram gradualmente colocados em dúvida. Foram feitas afirmações mais específicas, que não confortaram aqueles cuja tranqüila certeza anterior sobre a visão do Escapulário tinha sido perturbada.[ix]  O Privilégio Sabatino, baseado numa suposta visão de João XXII foi considerado como uma mentira medieval.[x]  No Próprio da Missa Carmelitana de 1972 não houve festa ou memorial para Simão Stock. A revisão inicial do Calendário para a Igreja Universal, posteriormente, omitiu a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

Mas também houve uma recuperação, um tanto irregular, da consciência mariana carmelitana datando do capítulo geral extraordinário de 1968. Tal capítulo apresentou Maria nos termos do Vaticano II e defendeu o significado do Escapulário.[xi]

Estas questões encontram-se por trás do capítulo geral de 1971 e são, de certo modo, percebidas em alguns encontros do conselho das províncias, congregações gerais e capítulos. A revisão do Missal Romano em 1969 restaurou a celebração de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Para a Ordem Carmelitana a Missa e o Ofício de São Simão Stock foram reintegrados pela Santa Sé em 1979.

Junto a esses desenvolvimentos podemos ver na bibliografia anual no Carmelus que tem havido um crescente interesse na mariologia carmelitana e nos escritos realizados pelos membros da Ordem sobre a Virgem Maria. Em 1989 aconteceram três congressos marianos na Ordem: no Centro Santo Alberto em Roma, Sassone fora de Roma e Nova Iorque. Uma conferência em Reno (1998) foi celebrada pela grande família carmelitana nos Estados Unidos.

Portanto, o tempo atual é apropriado para abordarmos novamente o carisma mariano da Ordem e para apresentá-lo em termos apropriados à Igreja contemporânea. Esse breve trabalho quer examinar as origens e o desenvolvimento do carisma mariano carmelitano. Depois, apresentará a reflexão sobre Maria nos documentos oficiais da Ordem desde o Vaticano II, antes de esboçar algumas perspectivas mariológicas contemporâneas, dentro das quais teremos que expressar nosso carisma.

[i]  E. Boaga, “Irigini Mariane dei carmelitane”, Marianum 53 (1991) 183-198.

[ii]  Ver G. Vitti e M. Falletti, “La devozione a Maria nell’Ordine Cistencense”, Marianum 54 (1992) 287-348.

[iii]  Ver N. L. Reuviaux, “La dévotion à Notre Dame dans l’Ordre de Prémontré” em H. du Manoir, ed., Maria: Etudes sur la sainte Vierge. 8 vols. (Paris: Beauchesne, 1949-1971) 2: 713-720.

[iv]  Ver A. Duval, “La dévotion mariale dans l’Ordre des Frères Prêcheurs” em Du Manoir, Maria 2:737-782.

[v]  Roschini, Maria 4:425-495; R. Laurentin, La question mariale (Paris: Seuil, 1963) = Mary’s Place in the Church (London: Burns and Oates, 1965) cap. 2.

[vi]  Ver subsídio anual de E. R. Carroll em Marian Studies.

[vii]  AAS 42 (1950) 390-391.

[viii]  De visione sancti Simonis Stock (Roma: Carmelite Institute, 1950).

[ix]  C. P. Ceroke, “The Credibility of the Scapular Promise”, Carmelus 11 (1964) 81-123.

[x]  L. Saggi, La “Bolla sabatina”: ambiente, texto, tempo (Roma: Carmelite Institute, 1967); cf. Carmelus 13 (1966) 245-302; 14 (1967) 63-69.

[xi]  AOC 27 (1968) 45, 51.

ABC de Maria

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Publicado em 16 julho 2018
  • Frei Pedro Caxito,
  • Artigos do Frei Pedro Caxito,
  • Flor do meu Carmo

Frei Pedro Caxito O. Carm. In Memoriam ( *31/12/1926  +02/09/ 2009 )             

 

Ave Maria             

Bendita Flor,         

Cheia de Graça,       

De suave odor!        

                         

És toda bela,         

Flor do meu Carmo!    

Grande e singela      

Heróica Virgem,       

 

Íris de paz,          

Judite audaz!         

Lembra-te santa       

Mãezinha-amor:        

 

"Nós do Carmelo,      

Oh! sim! contigo,     

Por ti, em ti         

Queremos ser".     

 

Rege-nos sempre,       

Sempre protege-nos:   

Teus filhos somos.    

Ui! Que serpente!...  

                       

Vem, ó Sem-Mácula,

Xeque lhe dá.

Zele por nós

     

                     Teu Bom-Jesus,                    

Princípio e fim,

Primeiro e último,

O Rei da Luz.

Amém. Jesus!

SOLENE COMEMORAÇÃO DE NOSSA SENHORA DO CARMO: Santa Missa com Frei Petrônio de Miranda, direto da Igreja do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro

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Publicado em 16 julho 2018
  • Ordem Terceira do Carmo da Lapa,
  • Carmo da Lapa,
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa,
  • Festa de Nossa Senhora do Carmo,

16 DE JULHO, O CARMELO TEM UMA MÃE...

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Publicado em 16 julho 2018
  • Carmelo,
  • Monte Carmelo,
  • Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo,
  • Nossa Senhora do Carmo e o Carmelo,

16 de julho. "Os Beneditinos tem São Bento, Os Franciscanos tem São Francisco, os Dominicanos tem São Domingos... Já os Carmelitas tem uma Mãe, Nossa Senhora do Carmo". Salve a Mãe do Carmelo! Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. 

CARMO DA LAPA, RIO DE JANEIRO...

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Publicado em 16 julho 2018
  • Paróquia Nossa Senhora do Carmo,
  • escapulário de Nossa Senhora do Carmo,
  • Devoção a Nossa Senhora do Carmo,
  • Virgem do Escapulário,

Última noite da Novena da Virgem do Escapulário, a Senhora do Carmo.

CACHOEIRA- BA: Última noite da Novena.

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Publicado em 16 julho 2018
  • NOVENA DO CARMO,

Domingo, dia 15. Última Noite da Novena de Nossa Senhora do Carmo. Fotos: Face: Leonardo Marques. 

AO VIVO- ÚLTIMO DIA: 9º DIA DA NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO. Direto do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro.

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Publicado em 15 julho 2018
  • Novena de Nossa Senhora do Carmo,
  • 9º DIA DA NOVENA DA NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM- AO VIVO- COM FREI PETRÔNIO.

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Publicado em 15 julho 2018
  • Missa ao vivo com Frei Petrônio,
  • 15º Domingo do Tempo Comum
  • Homilia do15º Domingo do Tempo Comum

NOVENA 2018: Agradecimento

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Publicado em 15 julho 2018
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro,
  • NOVENA 2018: 4º Dia

8ª NOITE DA NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO. Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, Rio de Janeiro.

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Publicado em 14 julho 2018
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro,
  • 8ª NOITE DA NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

ESCAPULÁRIO: SINAL DE PRIVILÉGIO EXPRESSÃO DO AMOR DE DEUS (1247-1300)

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Publicado em 14 julho 2018
  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
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  • Carmelita Frei Carlos Mesters,
  • Privilégio Sabatino
  • promessa de Nossa Senhora ao Papa João XXII

Frei Carlos Mesters, O. Carm.

São Simão Stock, Superior Geral da Ordem

Os problemas da vida não se resolvem por decreto. As dificuldades continuavam sem solução. Em 1251 Simão Stock, um carmelita da Inglaterra, era o Superior Geral da Ordem. Ele era a favor da nova forma de vida religiosa como mendicantes. Queria que a Ordem estivesse a serviço do povo nas cidades da Europa. Mas não foi fácil para ele manter todos os frades neste novo rumo. Um grande grupo continuava achando que se devia voltar a viver na solidão. Tanto assim, que uns vinte anos depois, no Capítulo Geral de 1272, foi eleito como Superior Geral frei Nicola, chamado o Gálico (francês), que queria que a Ordem seguisse o rumo dos eremitas na solidão. Mas Nicola não teve a aprovação do conjunto dos frades. Ele mesmo não aguentou e renunciou ao mandato. Voltou para o eremitério na ilha de Chipre, onde expressou seu desgosto numa carta chamada "Ignea Sagitta", Flecha de Fogo.

Tudo isto mostra que as dificuldades, tanto internas como externas, eram grandes. Pois até hoje, não é fácil manter o equilíbrio entre ação e contemplação, entre vida de oração no mosteiro e ação pastoral nas cidades, entre vida contemplativa e vida ativa. Simão Stock, para poder enfrentar as dificuldades e resolver os problemas, recorria a Nossa Senhora e insistia em dizer aos confrades: "Temos a veste de Nossa Senhora, somos os seus irmãos, ela é nossa mãe e irmã. Ela nos vai ajudar".

A ele se atribui esta oração tão bonita que rezamos até hoje:

Flor do Carmelo,

Videira florida,

Esplendor do céu,

Virgem Mãe,

Singular,

Doce Mãe,

Mas sempre virgem,

Aos Carmelitas dá os teus favores

Ó Estrela do Mar.

 

Flos Carmeli

Vitis florigera

Splendor coeli

Virgo puerpera

Singularis

Mater Mitis

Sed viri nescia

Carmelitis da privilegia

Stella Maris

A entrega do Escapulário e a grande promessa

Conta a história que Simão Stock teve uma visão, em que Nossa Senhora lhe apareceu, entregou a ela o escapulário e lhe disse: "Recebe, diletíssimo filho, este escapulário da tua Ordem, sinal de minha fraternidade, como privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem morrer com ele revestido não padecerá do fogo do inferno".

Isto aconteceu no ano de 1251. A partir da divulgação desta visão de Nossa Senhora no meio dos frades, o Escapulário tornou-se para eles uma fonte de animação para poder enfrentar todas aquelas dificuldades na segunda metade do século XIII (1250 a 1300). E de fato, estimulados pela fé na proteção de Nossa Senhora, eles não desanimaram. Muito pelo contrário! Conforme os cálculos feitos pelo historiador frei Emanuel Boaga, lá pelo anos de 1300, já havia mais de 150 comunidades Carmelitas espalhadas pelos vários países da Europa. Sinal evidente da proteção de Nossa Senhora. Sinal igualmente de que aqueles primeiros Carmelitas souberam viver e irradiar o carisma do Carmelo e apresentá-lo como ideal atraente para a juventude da época.

Foi a partir da divulgação da visão de Nossa Senhora a Simão Stock, que, aos poucos, o Escapulário começou a destacar-se como um pano distinto, diferente da grande capa branca, para tornar-se o sinal específico dos favores de Nossa Senhora e do amor de Deus para com os Carmelitas.

O Escapulário começou a ter a forma de dois grandes panos de cor marrom, a serem carregados em cima da túnica, ligados entre si, um na frente e outro atrás nas costas. Até hoje, este Escapulário de dois panos de cor marrom faz parte do hábito oficial tanto dos frades como das monjas e das irmãs das Ordens Primeira, Segunda e Terceira e das várias Congregações carmelitanas.

Aos poucos, ao longo dos anos, para facilitar o seu uso para os leigos, o escapulário começou a ter a forma de dois panos pequenos, ligados entre por meio de duas fitas ou cordas; um com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e o outro com a imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Em tempos mais recentes, o escapulário assumiu a forma de uma pequena medalha com a imagem de Nossa Senhora do Carmo de um lado e, do outro lado, a imagem do Sagrado Coração de Jesus.

O assim chamado "Privilégio Sabatino"

Uma tradição antiga dos Carmelitas informa que em 1322, o Papa João XXII teve uma visão em que Nossa Senhora lhe apareceu mostrando o escapulário do Carmo e dizendo:

Quem morrer revestido com este escapulário será libertado das penas do purgatório no sábado após a sua morte. Esta promessa de Nossa Senhora ao Papa João XXII foi chamada de Privilégio Sabatino. Ao longo dos séculos, ela contribuiu muito para a divulgação da devoção ao Escapulário do Carmo e teve uma repercussão enorme na devoção popular através das pinturas e obras de arte de muitas formas e cores.

Na realidade, não se trata de nenhum privilégio. Trata-se simplesmente da fé comum e universal da igreja, a saber: quem vive a sua vida com coerência e confiança não precisa ter medo da morte nem do purgatório. Ele vai direto para o céu e será acolhido por Deus no seu amor.

Os primeiros Carmelitas do século XIII viveram esta convicção. Quando vestiam o escapulário, tinham a certeza: Este manto de Maria, a Mãe de Jesus, é um sinal de que Deus nos protege e nos acolhe no seu amor. Ele não nos deixará na morte, mas nos levará consigo junto dele na vida para sempre. Aliás, na outra vida não existe calendário nem tempo. Na eternidade não existe sequência nem de dias nem de noites. Lá não se calcula o tempo em semanas, meses e anos. Para Deus, um dia é como mil nos e vice-versa (cf. Sl 90,4).

Como o anel no dedo da noiva e do noivo, assim o Escapulário é um sinal. O anel nas mãos dos noivos é o sinal da fé e do amor entre os dois. Mas o anel não garante automaticamente nem o amor e nem a fé. Ele funciona como lembrete permanente do amor e da fé entre os dois e deles pede uma resposta coerente de mútua confiança e amor. O mesmo vale para o escapulário. O simples fato de carregar o escapulário no pescoço não garante automaticamente o céu nem a libertação do purgatório. O Escapulário, este manto de Maria, funciona como lembrete do compromisso que assumimos de viver este amor numa atitude doação a Deus e ao próximo.

As cartas de Santa Teresa para seu amor secreto no século XVI

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Publicado em 14 julho 2018
  • Santa Teresa de Jesus,
  • As cartas de Santa Teresa para seu amor secreto no século XVI
  • cartas de Santa Teresa para seu amor secreto
  • Guarda Civil espanhola,
  • Teresa de Ávila

Guarda Civil espanhola encontra parte de uma correspondência manuscrita da freira com frei Jerónimo Gracián durante uma operação para recuperar obras de arte

Duas cartas manuscritas de Santa Teresa de Jesus recuperadas pela Guarda Civil juntamente com outras 17 obras de arte. 

INÉS MORENCIA EFE

PATRICIA ORTEGA DOLZ

Santa Teresa de Jesus teve outro amor, além de Deus. Um amor mais carnal e menos confessável: Jerónimo Gracián. Ela dirige a Gracián uma de suas duas cartas manuscritas inéditas descobertas durante uma operação da Guarda Civil espanhola, juntamente com outras 17 obras de arte. Santa Teresa já estava com quase 60 anos, mas isso não impediu que se apaixonasse por aquele frade jovem disposto a acompanhá-la na renovação de uma Igreja corroída pela depravação existente naquela época (1578), com freiras corrompidas e frades bêbados envolvidos com prostitutas. A esfera eclesiástica estava mergulhada em duras disputas de poder entre os dois grupos de carmelitas, os calçados e os descalços.

“Para meu padre e mestre, frei Jerónimo Gracián da mãe de Deus, em suas mãos...”, começa a missiva. Teresa de Jesus, também conhecida como Teresa de Ávila, e Gracián tiveram de suportar as fofocas que seu relacionamento provocava em sua comunidade religiosa. Principalmente Gracián: ele acabou fugindo de seus próprios irmãos, os carmelitas descalços, que conseguiram expulsá-lo da Espanha. “Foi perseguido por seguir as ideias de uma mulher, foi capturado por corsários e acabou sendo acolhido por aqueles que tinham sido seus adversários: os carmelitas calçados”, comentou o jornalista e escritor Fernando Delgado, que escreveu um romance baseado na relação entre os dois, Sus Ojos en Mí (“seus olhos em mim”).

 “Em muita graça nos caiu o que respondeu aos calçados sobre o trabalho que eles realizam em Medina e como convencem as freiras a obedecer ao provincial”, escreve Teresa em 19 de agosto de 1578 em Ávila. “Ali está como vigário Valdemoro, que não obteve votos para prior e o provincial o deixou como vigário para que remediasse aquela casa; e ele, desde aquele episódio bem conhecido, está muito mal com a prioresa Alberta. Andam dizendo que terão de servi-lo e muita coisa. As outras morrem de medo dele. Já as dobrou”.

São muitas as preocupações da santa nesse momento. Gracián está em Madri, bem alojado, mas meio escondido e sem ousar apresentar-se ante o núncio Filippo Sega. O frei Juan de la Cruz fugiu da prisão. Ela não sabe disso e continua angustiada pelo destino desse santo. O chefe de sua ordem religiosa, que mantém silêncio absoluto com ela, escreveu uma carta desanimadora para uma freira. Teresa de Ávila tem de tranquilizar as carmelitas de Medina, aterrorizadas pela chegada de Valdemoro, um dos carcereiros de Juan de la Cruz.

As duas cartas foram encontradas quando o Serviço de Proteção da Natureza (Seprona) da Guarda Civil em Valladolid, como parte de suas operações destinadas a proteger o patrimônio histórico e arqueológico, recuperou 19 obras de arte que estavam no mercado ilegal. Entre elas, cinco peças cujo paradeiro era considerado desconhecido pelo arcebispado de Valladolid.

Um antiquário e uma casa de leilões

O dono de um antiquário e o administrador de uma casa de leilões foram os principais investigados por supostos crimes de fraude, receptação e venda ilícita de sete obras de arte do patrimônio histórico.

A Operação Camarim começou em março, quando os agentes do Seprona descobriram que tinha sido vendida em um leilão em Madri uma pintura que poderia corresponder a uma pertencente às Carmelitas Descalças do Convento de São José de Medina de Rioseco (Valladolid), com as quais tanto se preocupava Santa Teresa. A pintura estava incluída tanto no catálogo “Clausuras —O Patrimônio dos Conventos da Província de Valladolid” como no “Catálogo Monumental da Província de Valladolid”—.

Os agentes solicitaram a colaboração do serviço de proteção da Direção Geral de Patrimônio Cultural, do Serviço Territorial de Cultura e Turismo da Junta de Castela e Leão em Valladolid, do Museu Provincial de Valladolid Fabio Nelli, do Governo Provincial de Valladolid e da Delegação Diocesana de Patrimônio do Arcebispado de Valladolid. Houve numerosos contatos, reuniões e trocas de informações com o objetivo de descobrir os supostos delitos penais ou as infrações administrativas e recuperar as peças.

Com isso, foi possível comprovar que a tela leiloada pertencia a uma coleção composta por um total de 174 peças, das quais 28 se encontravam em paradeiro desconhecido desde 2005. As investigações conduziram as autoridades até um antiquário de Valladolid, aonde chegaram por meio de uma casa de leilões de Madri que havia analisado e avaliado a obra. Na ficha do catálogo do leilão foi ocultada a procedência da pintura e alterada sua data de criação. A tela foi localizada e recuperada em Madri, onde foi entregue voluntariamente pelo comprador de boa fé.

Os agentes descobriram, ao inspecionar o estabelecimento, que a obra leiloada tinha sido ocultada com outro nome nos registros. Além disso, durante as inspeções, os investigadores apreenderam sete obras procedentes da coleção, assim como outras sete peças catalogadas.

A análise das informações obtidas permitiu também a localização de outras cinco peças da mesma coleção em edifícios institucionais de Salamanca, Toledo, Viana de Cega e Medina de Rioseco (Valladolid). Estas obras, cujo paradeiro também era considerado desconhecido, são de origem lícita.

Finalmente, outras quatro peças da coleção citada foram entregues voluntariamente pelas freiras do Mosteiro do Coração de Jesus e São José das Carmelitas Descalças. Na investigação também se descobriu que o antiquário tinha vendido ilegalmente outras sete obras da coleção a pessoas desconhecidas.

Do convento ao museu

Todos esses bens fazem parte do patrimônio histórico espanhol, assim como do patrimônio cultural de Castela e Leão, segundo a Lei 16/1985, de 25 de junho de 1985, do Patrimônio Histórico Espanhol e a Lei 12/2002, de 11 de julho de 2002, do Patrimônio Cultural de Castela e Leão.

As obras de arte recuperadas e as que foram cedidas voluntariamente pelas freiras carmelitas foram depositadas no Museu São Francisco de Medina de Rioseco. Esse museu abriga a maioria das obras da coleção da qual fazem parte, incluindo agora as duas cartas manuscritas, assinadas e inéditas de Santa Teresa de Jesus. Fonte: https://brasil.elpais.com

LADAINHA DE NOSSA SENHORA-02

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Publicado em 14 julho 2018
  • Order of Carmelites, Order of the Brothers of the Blessed Virgin Mary of Mount Carmel,
  • LADAINHA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
  • LADAINHA DE NOSSA SENHORA

LADAINHA DE NOSSA SENHORA DO CARMO.

(Antes da Ladainha, cantar um canto a Nossa Senhora do Carmo enquanto o Padre incensa a imagem)

 

Senhor, tende piedade de nós

Cristo, tende piedade de nós

Senhor, tende piedade de nós

Cristo, ouvi-nos

Cristo, atendei-nos

Deus Pai do céu, tende piedade de nós

Deus Filho Redentor do mundo, tende piedade de nós

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós

Mãe de Jesus Cristo, Rogai por nós.

Mãe da Igreja, Rogai por nós.

Mãe e Senhora do Carmelo, Rogai por nós.

Santa Maria do Monte Carmelo, Intercedei por nós

Modelo da família carmelitana, Rogai por nós.

Flor do Carmelo, Rogai por nós.

Estrela do Mar, Rogai por nós.

Nossa Senhora da Subida do Monte Carmelo, Intercedei por nós

Espelho da justiça, Rogai por nós.

Rainha dos Mártires Carmelitas, Rogai por nós.

Rainha de todos os Santos, Rogai por nós.

Rainha do Carmelo, Intercedei por nós

Rainha do Santo Escapulário, Rogai por nós.

Nossa Senhora do Carmo, nossa consolação na hora da morte, Rogai por nós

Nossa Senhora do Carmo, modelo dos missionários, Rogai por nós.

Nossa Senhora do Carmo, perfeito modelo da Boa Nova, Intercedei por nós

Por aqueles desempregados e abandonados, Rogai por nós.

Por aqueles no leito de dor, Rogai por nós

Pelo nosso Santo Padre, o Papa Francisco e seus pastores, Rogai por nós.

Pela nossa comunidade, Intercedei por nós

Pela família carmelitana e os devotos do Escapulário, Rogai por nós.

Pela paz e justiça social em nosso país, Rogai por nós.

Pela paz na cidade do Rio de Janeiro, Rogai por nós.

Pelo ano do Laicato Carmelitano, Intercedei por nós

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Padre: Rogai por nós, Flor e Esplendor do Carmelo.

Todos: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

OREMOS: Venha em nossa ajuda, Senhor, a intercessão da gloriosa e bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo. Concedei-nos, por sua intercessão, chegarmos à verdadeira montanha, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

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