Frei Joseph Chalmers, O.Carm.

             O ano do Jubileu está sendo apresentado como uma oportunidade para a renovação da Igreja inteira. Consequentemente pode ser também uma oportunidade de renovação para toda a Família Carmelitana. Nós só poderemos esperar uma renovação da Igreja, da Ordem, da Congragação e das nossas comunidades se estivermos dispostos a nos renovar também. Esta renovação em si mesma é uma parte importante do trabalho de formação, que é essencial para a vitalidade e a missão da nossa Família Carmelitana. Está claro que o processo de formação dura toda a vida. Assim formação não deve ser apenas um assunto para quem têm uma abundância de formandos(as) no momento. Mas cabe a cada religioso(a) porque é o processo no qual cada um(a) está envolvido(a). As Constituições da Ordem Primeira têm uma inspiração muito boa sobre este assunto. Eis o texto:"A formação carmelita é um processo específico, através do qual a pessoa se identifi­ca com o projeto de vida carmelitana, que consiste em ser uma fraternidade contemplativa no meio do povo.

            Assim, o Carmelita torna-se cada vez mais um discípulo autêntico de Jesus Cristo, parti­cipa da oferta que Ele fez de si mesmo ao Pai e partilha plenamente a Sua missão para o bem da huma­nidade, segundo o carisma específico do Carmelo." ( Const. 117).

            Por isso pelo processo de formação, nós aprendemos a nos identificar completamente com o ideal Carmelita. Isto absolutamente não significa saber algumas orações de Nossa Senhora ou até mesmo poder recitar partes da Regra em latim. Identificar-se complemente com o ideal Carmelita significa fazer com que os valores fundamentais carmelitas se tornem os nossos valores. Acredito piamente que a vocação não é algo imposto de fora em nós, mas é um chamado de Deus para crescermos e para nos tornar o que Deus sabe que nós podemos ser. Se nossa vocação como carmelitas é autêntica, isto significa que nosso caminho para a maturidade humana e cristã é o caminho carmelita. Seremos então fiéis a Jesus Cristo e ao Evangelho quando o formos ao chamado que ele nos fez.

             As mesmas Constituições dizem que os Carmelitas são chamados à maturidade em Jesus Cristo e que por isso devem empenhar-se num processo ininterrupto de conversão do coração e de transformação espiritual (Const. 118). É muito difícil, se não impossível, definir o que seja a maturidade humana e espiritual. Mas acredito que tem algo a ver com o processo por meio do qual os valores exteriores são interiorizados e passam a fazer parte de nós. Por isso gostaria de questionar: os valores carmelitas fazem parte da nossa vida? Temos interiorizado estes valores? Eles realmente são os nossos valores?

             É evidente que se não estiver claro para nós quais são os valores carmelitas fundamentais, que unem homens e mulheres em muitos países e culturas diferentes na chamada Família Carmelita, será muito difícil vivê-los verdadeiramente. Em primeiro lugar, respondendo ao chamado divino, devemos nos empenhar em viver submissos a Jesus Cristo e abraçar o Evangelho como a norma suprema de nossas vidas. Isto significa que Jesus Cristo deve ser a pessoa mais importante em nossas vidas e que busquemos cada dia conhecê-lo melhor para podermos viver a sua mensagem de uma maneira mais profunda. Não é suficiente só conhecer algumas coisas de Jesus Cristo, é necessário também deixar um espaço para ele em nossas vidas e nos "vestir com a mente de Cristo". Deixar espaço para uma outra pessoa em nossa vida significa abrir possibilidade de mudança, porque damos um certo poder para ela. Mas é freqüente pessoas optarem por permanecerem em relações muito superficiais, de forma que a mudança não acontece. Isto também é possível na relação com Cristo. Nossa relação com Jesus Cristo é superficial ou profunda?

             O seguimento a Cristo como religiosos(as) envolve "a plena aceitação das condições que Cristo pede àqueles que que­rem segui-Lo neste gênero de vida", ou seja, a obediência, a pobreza e a castidade (Const. 4). Tentamos conformar nossas vidas à sua e é bom sempre recordar que ele veio para servir e não ser servido. Buscamos servir aos outros de acordo com a vontade de Deus ou fazemos aquilo que gostamos?

             De acordo com a Regra do Carmo devemos dia e noite meditar na lei do Senhor. A nossa tradição nos apresenta dois grandes modelos de inspiração: Nossa Senhora e o Profeta Elias, que deram as boas-vindas à Palavra de Deus nas suas vidas e por quem Deus operou maravilhas. Os e as Carmelitas são conhecidos por sua devoção mariana. Expressões desta devoção são os hinos e as orações a Nossa Senhora, novenas, estátuas bonitas e quadros. Estas expressões variam de acordo com a cultura, mas nada disto é a própria devoção. São sinais externos de uma devoção profunda, mas podem até mesmo não ter qualquer significado, se não representam o que está acontecendo de fato nas vidas das pessoas. Uma verdadeira devoção a Nossa Senhora pelo menos deve incluir a tentativa de imitar as suas virtudes. Isto está claro na Oração depois da Comunhão do dia 16 de julho, Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, que diz: "Deus nosso Pai, a comunhão do precioso Corpo e Sangue do vosso Filho, dom do vosso amor, nos fortifique e nos torne imitadores da Bem-aventurada Virgem Maria, a nós que somos consagrados ao seu serviço”. Orgulhosamente usamos o escapulário que é um símbolo de nosso compromisso de estar a seu serviço e sob sua proteção materna. Quem se veste com o escapulário, deve também se revestir com as virtudes de Maria. As expressões externas de nossa devoção mariana são importantes, mas muito mais importante é o coração da própria devoção. Como é a nossa devoção a Nossa Senhora?

             E nossa relação com o Profeta Elias? Temos orgulho de nossa herança espiritual, mas o que quer dizer na verdade o Profeta Elias para nós hoje? Ele é inspiração para nós também no episódio da caminhada até Monte Horeb, quando debaixo do junípero não tinha vontade de continuar, mas não obstante continuou até a montanha santa onde ele se encontrou com Deus no murmúrio da brisa leve? A sua atividade profética continua nos inspirando hoje? Ele condenou o Rei Acab por causa da sua violenta injustiça contra Nabot. Qual é a nossa reação diante das injustiças que estão presentes em todos os países e culturas? Elias é uma figura histórica interessante e cativante. Mas pergunto: ele é realmente uma inspiração viva para nós hoje?

             Inspirados por Nossa Senhora, nossa Patrona, nossa Mãe e nossa Irmã, e pelo Profeta Elias, vivemos nossa vida “de obséquio a Cristo, empenhando-nos na busca do rosto do Deus vivo (dimensão contemplativa da vida), na fraternidade e no serviço (diakonia) no meio do povo” (Const. 14). A dinâmica do deserto é um elemento vital em nossa espiritualidade e isto envolve um abertura total para Deus e um esvaziamento progressivo de si mesmo (Cf. Const. 15). Qualquer tentativa séria para viver a vida Cristã ou viver estes valores Carmelitas nos conduzirá ao deserto. É verdade que é um lugar muito incômodo, mas também é o lugar propício para nossa salvação, porque é ali que somos libertados de tudo aquilo que não é Deus e onde Deus fala aos nossos corações.

             A caminhada no e pelo deserto é contemplação. É comum ver que se aceita o ideal Carmelita de contemplação somente na teoria, mas não de fato na vida e no coração, porque não se pensa que realmente tenha qualquer coisa a ver com a vida, uma vez que se associa à contemplação idéias enganosas. Ninguém quer ser mergulhado na noite escura de São João da Cruz ou sofrer como Santa Teresinha, mesmo que admire estes dois santos. Assim nós deixamos a contemplação para as monjas enquanto nos dedicamos ao serviço do Povo de Deus nas paróquias, escolas, movimentos, obras sociais, etc. A contemplação não é uma recompensa por se passar longas horas em oração; é o caminho do egoísmo ao puro amor, de uma superficial para uma íntima relação com Deus. A contemplação não é para uma elite mas para todos nós. Para algumas pessoas o caminho da contemplação é dramático, no entanto para a maioria de nós, acontece nos eventos normais da vida diária. Não podemos evitar todo sofrimento nesta caminhada, porque a casca dura do nosso egoísmo deve ser demolida de forma que nós possamos ser libertados(as) para amar como Deus nos amou. A cruz particular que nós precisamos levar é justamente a adaptada para os nossos ombros. A noite escura pela qual nós temos que passar é a adequada exatamente para nós.

             Deus usa todos os elementos de nossa vida para realizar o seu plano em nós. Fomos criados para uma vida de intimidade com Deus; antes de alcançar este ponto, devemos ser purificados de tudo aquilo que não é Deus; nosso egoísmo natural deve ser transformado em puro amor. Ser Carmelita é para nós a forma para viver fielmente os valores de nossa vocação, assim nos tornamos o que Deus quer que nós sejamos. Então a tentativa séria de viver a fraternidade e o serviço no meio do povo é no modo pelo qual Deus desafia as nossas tendências egoísticas. É uma tentação constante evitar estes desafios. Camuflamos o desafio de um encontro com o Deus Vivo, quando transformamos a oração num evento ocasional, no qual fixamos o programa e falamos o tempo todo. Assim não temos que ouvir o que Deus quer nos dizer. A vida humana está direcionada para o encontro final com o Deus da Vida. Não temos como evitar este encontro.

             Assim o principal trabalho de formação em nossas vidas é consentir-nos estar na presença amorosa de Deus e deixar-nos conduzir pela ação divina. É através destes valores Carmelitas que Deus nos transformará. Este é o maior serviço que nós podemos oferecer para a Igreja. Um coração humano que aprendeu como amar verdadeiramente pode anular o ódio de milhões. Santa Teresa de Ávila nos conta que as moradas do conhecimento de si são as primeiras que se atravessa quando a pessoa entra no Castelo Interior e o conhecimento de si é um companheiro essencial para todo de nossa caminhada. (Castelo Interior 1,2,9). Mas o conhecimento de si é muito difícil porque somos tão sutis; podemos nos enganar e racionalizar nossas ações para justificar o que queremos fazer, em lugar de tentar fazer o que Deus quer que nós façamos.

             Viver o valor da fraternidade não é nada fácil, porque as outras pessoas desafiarão nossas idéias e nos pedirão virtudes que não possuímos em abundância. Viver com os outros é muito formativo. Alguém certa vez disse: "eu amo todo o mundo; mas não gosto das pessoas concretas!" Assim podemos recusar viver o valor da fraternidade pelas mais variadas razões, que podem parecer ser perfeitamente boas para nós. "Não se pode viver com a irmã X "; "o povo deste lugar não está com nada, por isso ... "; "a Congregação não se preocupa comigo, assim eu não tenho nada que ver com ela", etc. Usemos de honestidade! Muitas coisas que fazemos, nós fazemos porque queremos. Claro que é possível que o que queremos fazer possa ser de fato o que Deus quer que nós façamos, mas o oposto também é possível.

             Somos chamados a servir. Servir envolve um trabalho, mas nem sempre podemos equiparar nosso trabalho com o serviço que Deus quer de nós. Antes do começo do seu ministério público, Jesus enfrentou uma série de tentações. Ele foi tentado a não enfrentar o desafio da própria vocação e a reivindicar para si privilégios especiais. Ele foi tentado a se vender aos poderes deste mundo e a aceitar aclamação ganhada facilmente. Ele foi tentado para evitar a cruz. No meio destas tentações, Jesus fez as escolhas fundamentais que moldaram a sua vida inteira. A estas opções ele permaneceu fiel até a morte. Quais são as nossas opções fundamentais? Elas estão em sintonia com os valores Carmelitas fundamentais aos quais nos comprometemos viver pela nossa profissão religiosa? Nós estamos tentando ser fiéis a eles?

             Há certas coisas que estão disponíveis e nos ajudam a continuar fiéis ao que prometemos. Uma delas é o encontro diário com Deus no horário dedicado à oração pessoal. Nós os carmelitas da Ordem Primeira em geral não temos mais as estruturas do passado que nos ajudavam diariamente fazer a meditação em comum. Não sei se vocês tinham também esta estrutura no passado ou se a tem no presente. As pessoas maduras propriamente não precisariam destas estruturas, mas precisam dedicar um tempo adequado cada dia para falar com Deus e escutá-lo. Isto é fundamental para qualquer vida espiritual. Santa Teresa de Ávila disse que oração não é nada mais do que um compartilhar íntimo entre amigos; significa dar tempo para estar a sós com Ele, que nós sabemos que nos ama (Vida 8,5). Se não dedicamos tempo para estar com nossos amigos, a relação permanece muito superficial. Talvez perdemos o hábito de simplesmente passar tempo a sós com Deus. Eu encorajo a todas vocês insistentemente para que retomem este hábito, se o abamdonaram. Talvez vocês não são muito atraídas a oração pessoal porque é muito enfadonha. "Muitas vezes, alguns anos, eu me entretinha mais em desejar que acabasse logo a hora que eu tinha determinado para estar em oração e mais ansiosa ainda por escutar o toque do relógio…" (Vida 8,7). Estas são as palavras de Santa Teresa, assim nós estamos em boa companhia em nossas dificuldades!

             Outra coisa muito boa e útil para a caminhada espiritual é o retiro anual. Não sei se vocês organizam ou não estes encontros. Se vocês estão, como Congregação, fazendo um retiro anual em conjunto, meus parabéns! Se não estão, novamente eu as encorajo para utilizar este meio eficiente e eficaz de formação permanente. É uma oportunidade para se renovar e para estar a sós com Deus. A finalidade de nossas vidas é conhecer, amar e servir a Deus. Não estamos esquecendo algo essencial se nunca passamos algum tempo a sós com Deus? Se vocês estão muito ocupadas no serviço de Deus, mas não dedicam nenhum tempo para a oração pessoal e para um retiro anual, então creio que vocês, como Marta, estarão ocupadas com muitas coisas, porém não com o essencial.

             Outra parte importante de nossa formação permanente é rezar comunitariamente e tentar fazer com que isto seja um momento significativo do dia. Rezar com os outros é sempre um apoio para mim. Espero que os outros também se sintam apoiados. Por isso recomendo a oração em comum e que se apoiem mutuamente. Há muitos modos para rezar em comunidade. A Igreja propõe, e nossa Regra enfatiza, a celebração diária da Eucaristia e da Liturgia das Horas. A Igreja, ao nos propor isto, está utilizando sua grande experiência e sabedoria. Sei que para nós, que somos padres, é muito mais fácil do que para vocês ter a missa diária. Nós não precisamos sair de casa ou já é nossa tarefa de todos os dias. Vocês, se não tiverem um bondoso sacerdote que vá ao convento, vocês terão que sair e ir até uma igreja ou capela. Este esforço valerá a pena, como vaale para tantos leigos e leigas, que vocês conhecem.

             O processo de formação dura a vida toda. Estamos a caminho; ainda chegamos lá. Ninguém atingiu a perfeição. Falhamos, pelo menos de vez em quando. Eu não penso que o fracasso seja tão importante. Nosso Deus eleva o humilde. O importante é estar a caminho, é estar tentando viver nossa vocação e permitindo que os valores, que nós aceitamos como fundamentos de nossas vidas, nos modelem continuamente. Estes valores devem desafiar nosso modo de viver, o que fazemos e como reagimos às situações que a vida nos apresenta. Estes elementos mencionados podem nos ajudar muito em nossa caminhada.

             Há um momento em toda vida quando nós nos sentimos como o Profeta Elias, quando se sentou debaixo de um arbusto e não quis continuar a caminhada. Por que deveríamos continuar? É cansaço! No momento de crise temos muitas possibilidades de como enfrentá-la. Podemos nos recusar a nos movermos e ficar exatamente onde estamos, aceitando a mediocridade. Podemos abrir nossos olhos e ver o mensageiro de Deus que se aproxima sob muitos e diferentes disfarces. Podemos aceitar o alimento que ele ou ela nos oferece e continuar nosso caminho para a montanha de Deus.

             Todos nós estamos em formação. Algumas de vocês têm a tarefa sagrada de trabalhar na área da formação inicial. As demais não devem deixá-las sozinhas neste trabalho. Todas devem ajudá-las oferecendo apoio, porém acima de tudo devem tentar ser fiéis à vocação Carmelita e "personificar o que a Ordem exige e o carisma vivente de nossa tradição…" (Const. 120). As formandas precisam ver verdadeiramente exemplos de vida carmelitana. Eles podem aprender algo nos livros. Contudo são vocês, que têm votos solenes, que devem ser exemplos do que significa a vida carmelitana. Vocês estão sendo?

             Por fim que deixar o meu pedido para que Deus as abençoe com muita perseverança e fidelidade! Quero ter a alegria de ver sendo abertos alguns processos de canonização de irmãs desta querida e simpática Congregação, fundada por Frei Casanova para “ir aonde ninguém quer ir”.

 (Conferência dada pelo Prior Geral da Ordem do Carmo às Irmãs Carmelitas Missionárias durante o Capítulo Geral de 1999)

Oração sobre a Campanha da Fraternidade.

(Org. Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.  Rio de Janeiro. 15 de março-2017)

Oração sobre a Campanha da Fraternidade.

(Org. Frei Petrônio de Miranda, O. Carm. 

Rio de Janeiro. 15 de março-2017)

1- INTRODUÇÃO.

(Acolhida. Motivação carmelitana para a oração a partir da CF/2017 e da Espíritualidade Carmelitana. Ex: A Geografia do Monte Carmelo, poêma a noite escura, de São João da Cruz, etc).

MÚSICA: Levanta Elias. (1º Reis, 19, 1-18)

Letra e múisca: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.

Levanta Elias, levanta, é hora de caminhar./ Levanta Elias levanta, é hora de Evangelizar. (bis)

1- No fogo e no furacão, o Senhor aí não está. Na brisa suave Elias, Ele sempre, sempre vai passar. Elias do fogo e da espada, contigo vamos caminhar. Com os olhos de misericórdia, O Senhor vem abençoar.

2-Não basta falar do sagrado, é preciso sempre acreditar. Nas noites escuras da vida, O Senhor vem iluminar. No Monte Carmelo lutastes, O Senhor fostes defender. Agora Elias na dor, Ele vem, vem te Proteger.

3-Na pobre viúva chorando, com fome e seu filho a morrer. O Deus do Profeta Elias, vai logo, logo socorrer. No encontro da brisa suave, buscastes forças pra andar. Ensina-nos ó Santo Elias, na vida peregrinar.

4- Olhando o povo que sofre, sem ter esperança e valor. Mostrai-nos ó Profeta Elias, a nuvenzinha do Senhor. Profetas e Profetisas, souberam Evangelizar. No Monte Carmelo Elias, o Cristo vamos encontrar.

CONHECENDO O BIOMA DO CARMELO

Monte Carmelo é uma montanha na costa de Israel com vista para o Mar Mediterrâneo. O seu nome (Karmel) significa "jardim" ou "campo fértil". A grande cidade israelita de Haifa localiza-se parcialmente sobre o Monte Carmelo, além de algumas outras cidades menores.

Foi neste monte se deu o duelo espiritual entre o profeta Elias e os profetas de Baal. Lá,  o Profeta Elias, Pai Espiritual da Ordem do Carmo, provou aos homens que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus, e não Baal.

Nos tempos bíblicos, o Monte Carmelo servia como uma muralha natural entre o Mar Mediterrâneo e a grande planície (o Vale de Jezreel) onde hoje fica Israel, importante para a defesa do território.

Frequentemente, o monte e seus arredores são citados na Bíblia como exemplo de beleza e fertilidade. “Florescerá abundantemente, jubilará de alegria e exultará; deu-se-lhes a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom; eles verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus.” (Isaías 35.2) Até mesmo o sábio Salomão o usou como símbolo quando queria representar algo belo: “A tua cabeça é como o monte Carmelo, a tua cabeleira, como a púrpura...” (Cântico 7.5)

A farta vegetação e a sua posição estratégica à beira-mar, com uma paisagem de tirar o fôlego até os dias de hoje, confirma a comparação dos grandes autores bíblicos.

Hoje, na região, fica o Parque Carmelo, oficialmente área de preservação ambiental, com alguns dos mais belos espécimes vegetais e animais de Israel.

Cinco Séculos depois de Moisés, Elias, homem de Deus, morou no Monte Carmelo na solidão, vestido com uma larga cintura de pele e de uma peliça, como posteriormente João Batista no tempo de Jesus.

Mais tarde, entre 1206 e 1214, (Sec XII e Sec XIII) um grupo de cristãos seguindo o exemplo de Elias buscavam a solidão e a oração na beleza do Monte Carmelo, vivendo em obséquio de Jesus Cristo. Com os passar dos anos, sob a inspiração geográfica da montanha santa, nasce os Carmelitas ou a Ordem do Carmo.

2- Origens da Campanha da Fraternidade

HINO DA CF 2017

01 – Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra, que nos acolhe, nos alegra e dá o pão. Queremos ser os teus parceiros na tarefa de “cultivar o bem guardar a criação.”

Da Amazônia até os Pampas, do Cerrado aos Manguezais, chegue a ti o nosso canto pela vida e pela paz (2x)

02 – Vendo a riqueza dos biomas que criaste, feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom! E pra cuidar a tua obra nos chamaste a preservar e cultivar tão grande dom.

03 – Por toda a costa do país espalhas vida; São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal: Negros e índios, camponeses: gente linda, lutando juntos por um mundo mais igual.

04 – Senhor, agora nos conduzes ao deserto e, então nos falas, com carinho, ao coração, pra nos mostrar que somos povos tão diversos, mas um só Deus nos faz pulsar o coração.

05 – Se contemplamos essa “mãe” com reverência, não com olhares de ganância ou ambição, o consumismo, o desperdício, a indiferença se tornam luta, compromisso e proteção.

06 – Que entre nós cresça uma nova ecologia, onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim, possam cantar na mais perfeita sinfonia ao Criador que faz da terra o seu jardim.

HISTÓRICO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

A história da Campanha da Fraternidade teve origem alguns anos antes do início do Concílio Ecumênico Vaticano II, quando um pequeno grupo de padres recém-ordenados, sob a coordenação de Dom Eugenio Sales, reunia-se em Natal, cada mês, para rezar e refletir sobre a Igreja e a Pastoral. Daí surgiram várias iniciativas postas em prática, com sucesso. Algumas vieram a ter dimensão nacional. Dentre elas estão o primeiro Regional da CNBB, que abrangia as dioceses da área territorial que ia do Maranhão à Bahia; o primeiro planejamento pastoral, colocando a técnica a serviço do Reino de Deus; a organização sistemática dos trabalhadores em sindicatos rurais, reconhecidos pelo Governo. E, logo a seguir, a primeira Federação dos Trabalhadores Rurais no Rio Grande do Norte; paróquias confiadas a religiosas; as escolas radiofônicas e outras iniciativas, sem esquecer a Campanha da Fraternidade, posteriormente assumida em nível nacional pela CNBB no ano de 1964. A primeira Campanha da Fraternidade ficou restrita à Arquidiocese de Natal, em 1962.

A CAMPANHA DA FRATERNIDADE- 2017.

TEMA: Fraternidade: Biomas brasileiros e a defesa da vida.

Biomas são conjuntos de ecossistemas com características semelhantes dispostos em uma mesma região e que historicamente foram influenciados pelos mesmos processos de formação. No Brasil temos 06 biomas: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Nesses biomas vivem pessoas, povos, resultantes da imensa miscigenação brasileira.

A Igreja Católica há algum tempo, tem sido voz profética a respeito da questão ecológica. Neste início do terceiro milênio, ter uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, sendo mais de 160 milhões vivendo em cidades gera sérias preocupações. O impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produz problemas que põem em risco as riquezas dos biomas brasileiros.

OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO PRESENTE:  (Gênesis, 2, 4b- 15)

Olhar Bíblico.

(Conversar sobre o texto a partir da realidade local, nacional e internacional. Ex: A Seca no Nordeste e na África, a destruição da natureza através da mineradoras).

DADOS:

1º- Mais de 100 mortos em 48h por causa da seca na Somália. segundo a Unicef, A seca  deixou 185.000 crianças em situação à beira da fome, e nos próximos meses espera-se que este número alcance 270.000 crianças. 

2º-A seca atual que aflige o Nordeste teve início em 2012 e se intensificou desde então. Ela já dura cinco anos e é considerada a mais severa em várias décadas.

3º Seca, corrupção e incompetência predomina na região nordeste a décadas! Quanto maior a seca, mais fácil fica controlar politicamente os sertanejos. O Nordeste vive uma das maiores estiagens da história e castiga 12 milhões de pessoas que vivem no semi-árido brasileiro, enquanto R$ 9 bilhões repassados pelo governo para combatê-la se perdem na ineficiência - e até desvios de dinheiro - do poder público.

4º Os recursos minerais são de extrema importância para o desenvolvimento de um determinado local. Os minerais são utilizados como matéria-prima para diversos segmentos do setor industrial, construção civil, além de serem aproveitados como fontes energéticas. No entanto, a extração dos minerais desencadeia uma série de problemas socioeconômicos, afetando diretamente a natureza e a qualidade de vida da população. Exemplo concreto foi a destruição completa do povoado de Bento Rodrigues em Mariana/MG e o excesso de mortes por câncer ou cilicose em Jacobina-BA e nas diversas cidades onde as mineradoras estão destruindo o meio ambiente em nome do progresso.

LOUVAR AO BOM DEUS PELA CRIAÇÃO:  Obrigado Senhor

1-Obrigado, Senhor, porque és meu amigo.
Porque sempre comigo Tu estás a falar.
No perfume das flores, na harmonia das cores

E no mar que murmura o Teu nome a rezar.

Escondido tu estás no verde das florestas,
Nas aves em festa, no sol a brilhar.
Na sombra que abriga, na brisa amiga.
Na fonte que corre ligeiro a cantar.

2-Te agradeço ainda porque na alegria,
Ou na dor de cada dia posso Te encontrar.
Quando a dor me consome, murmuro o Teu nome

E mesmo sofrendo, eu posso cantar.

3- OS CARMELITAS E A DEFESA DA NATUREZA: O Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Ordem do Carmo.

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pode ser considerado uma reserva ecológica ou santuário ecológico, sendo um dos 10 mais importantes no mundo, abrigando espécies raras de plantas da flora brasileira e também de outros países.

Calmo e sereno nos dias de semana, o Jardim Botânico floresce com famílias e música nos fins de semana. É um ótimo local para lazer e contemplar a natureza, abrigando pássaros selvagens como parte do cenário, podendo-se ouvir o canto dos mesmos.

O Jardim Botânico foi fundado por ordem do Príncipe Regente D. João VI, em 1808, com fins de aclimatizar plantas trazidas das Índias Orientais. Uma das primeiras plantas a chegar foi a Palma Mater, uma das três mais antigas palmeiras Imperiais do jardim.

Ao andar pelo Jardim Botânico, um santuário ecológico, tomamos contato com a diversidade da flora brasileira e estrangeira, e com fatos ligados à história do Rio de Janeiro.

O Primeiro Diretor e Pesquisador do Jardim Botânico

Quem visitar o Jardim Botânico, verá o busto de Frei Leandro do Sacramento, Carmelita da Ordem do Carmo. Ele foi o primeiro diretor.

Frei Leandro, O. Carm, era um professor de botânica da antiga Escola Anatômica Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro, tendo sido mundialmente conhecido em função de estudos e pesquisas relativos à flora brasileira. Foi membro da Academias de Ciências de Londres e Munique.

Este diretor e pesquisar catalogou as plantas cultivadas no Jardim Botânico e escreveu vários trabalhos sobre as diferentes espécies ali cultivadas.

PRECES E ORAÇÕES.

A NATUREZA PEDE SOCORRO.

1- A nossa Mata Atlântica constitui a floresta mais ameaçada de extinção na atualidade, possuindo cerca de 25.000 espécies vegetais e quase 200.000 espécies vivas entre vegetais e animais. Em relação ao dia mundial da água, vale a pena lembrar que ela faz parte do patrimônio essêncial do planeta constituindo um bem público e um direito vital para os seres humanos e todas as criaturas. 

Apesar de sua abundância na terra somente o 2,493 % é doce, sendo que o atual estoque mundial de água potável é de aproximadamente 12,5 mil km cúbicos. Seria de bom alvitre ainda tomar consciência que a cada 8 segundos, morre uma criança vitimada de uma doença relacionada a água: disenterias e cólera principalmente. No mundo 80% das enfermidades são contraídas por causa de água poluída ou estancada, (ver o caso da dengue, zika e chikungunha). Outro grave problema é a carência de água para mais de 1.700.000.000 pessoas que moram em áreas de seca permanente, número que poderia dobrar até o ano 2025. 

2- Mais de 4 milhões de aves e cerca de 140 mil macacos foram mortos ou tiveram que se deslocar por causa do desmatamento em unidades de conservação na Amazônia. Os dados são da organização Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.

O estudo divulgado pela instituição mostra que entre 2012 e 2015, de todo o desmatamento na Amazônia, o percentual das ocorrências em unidades de conservação é de 12%. Um dado alarmante, visto que deveriam ser as áreas mais protegidas para conservação de animais e plantas.

PRECES OU ORAÇÕES.

(A Partir do tema da Campanha da Fraternidade, da história do Frei Leandro e da geografia do Monte Carmelo, fazer preces ou orações levando em conta a sustentabilidade e a defesa da natureza. É sempre bom lembrar a realidade local).

CANTO FINAL. (Lado 1 e Lado 2)

Cântico- Louvor das criaturas ao Senhor.

1- Obras do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim! Céus do Senhor, bendizei o Senhor! Anjos do Senhor, bendizei o Senhor!

2-Águas do alto céu, bendizei o Senhor! Potências do Senhor, bendizei O Senhor!  Lua e sol, bendizei o Senhor! Astros e estrelas, bendizei o Senhor!

1-Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor! Brisas e ventos, bendizei o Senhor! Fogo e calor, bendizei o Senhor! Frio e ardor, bendizei o Senhor!

2- Orvalhos e garoas, bendizei o Senhor! Geada e frio, bendizei o Senhor! Gelos e neves, bendizei o Senhor! Noites e dias, bendizei o Senhor!

1- Luzes e trevas, bendizei o Senhor! Raios e nuvens, bendizei o Senhor!
Ilhas e terra, bendizei ao Senhor! Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

2- Montes e colinas, bendizei o Senhor! Plantas da terra, bendizei o Senhor! Mares e rios, bendizei o Senhor! Fontes e nascentes, bendizei o Senhor!

1- Baleias e peixes, bendizei o Senhor! Pássaros do céu, bendizei o Senhor! Feras e rebanhos, bendizei o Senhor! Filhos dos homens, bendizei o Senhor!

2- Filhos de Israel, bendizei o Senhor! Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim! Sacerdotes do Senhor, bendizei o Senhor! Servos do Senhor, bendizei o Senhor!

1- Almas dos justos, bendizei o Senhor! Santos e humildes, bendizei o Senhor! Jovens Misael, Ananias e Azarias, louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

TODOS. Ao Pai e ao Filho e ao espírito Santo louvemos e exaltemos pelos séculos sem fim! Bendito sois, Senhor, no firmamento dos céus! Sois digno de louvor e de glória eternamente!

4- ORAÇÃO FINAL.

(Lembrar dos mártires que foram assassinados no Brasil em defesa da natureza, a exemplo do seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, e a irmã Dorothy, morta em 2005 e vários homens e mulheres anônimos e anônimas que tombaram e continuam tombando por terra ) (Pai nosso, Ave Maria)

 

A vida espiritual - ou vida segundo o Espírito - começa com a iniciativa do Pai, que, mediante o Filho e no Espírito Santo dá a cada homem e a cada mulher sua vida e santidade, chamando cada um a viver uma misteriosa relação de comunhão com as pessoas da Santíssima Trindade. Deus vem a procura de cada pessoa, atraindo-a para si através do seu Filho o Espírito faz com que dirija sua atenção para Ele, escute a sua voz, acolha a sua Palavra, se abra à sua ação transformadora. A procura de Deus por parte de um Carmelita Secular e sua obediência ao senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma resposta, impulsionada pelo Espírito, à sua voz no diálogo fraterno que ele estabelece com cada um pelo Verbo que se fez carne. O caminho de um terceiro começa com o ato de fé que o faz acolher Jesus e o evento pascal, como o sentido da sua vida e o faz deixar-se conduzir por Ele, colocando-o no centro de sua própria vida. Assim enraizados no amor misericordioso de Deus, os Leigos Carmelitas se propõem a subir o Monte Carmelo, cujo cume é Cristo Jesus.

A subida do Monte por parte de um leigo, em primeiro lugar, implica em seguir a Cristo com todo o seu ser e servi- Lo “fielmente com coração puro e total dedicação”. O espírito de Cristo deveria entranhar sua pessoa a ponto de poder repetir com São Paulo, “não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”, de forma que todo seu agir ocorra “sob sua palavra”

Jesus deve tomar-se progressivamente a Pessoa mais importante da sua existência. Isto significa uma relação pessoal, calorosa, afetuosa, constante com Jesus. Tal relação é nutrida pela Eucaristia, vida litúrgica, Sagrada Escritura e pelas várias formas de oração, induzindo o terceiro a reconhecer Jesus no próximo e nos eventos quotidianos, levando-o a testemunhal pelas estradas do mundo a marca indelével de sua presença.

O chamamento do Pai para o seguimento de Cristo por obra vivificante do Espírito Santo, se realiza na plena pertença à Igreja. O terceiro recebe o chamado à santidade pelo sacramento do Batismo que incorpora os seres humanos no Corpo Místico de Cristo. A sua maior dignidade consiste exatamente no gozo da própria vida divina e do amor de Deus derramado em seu coração pelo Espírito. Deste modo em companhia dos demais, segundo a vocação e os dons de cada um, pode contribuir para a grandiosa obra de edificação do único Corpo de Cristo.

A natureza humana, débil e limitada, por causa de suas misérias, deixa-se conduzir pela vontade divina e abraça uma vida de conversão sempre mais profunda envolvendo o ser humano por toda a vida e em todas as dimensões, a conversão implica um radical e novo direcionamento a uma progressiva transformação. Guiados pelo Espírito os terceiros buscam a superação dos obstáculos que encontram nos seus caminhos e evitam tudo aquilo que possa desviá-los da estrada rumo ao cume. Além disso, reconhecendo possíveis limitações e resistências, empenham-se em seguir, sem vacilar e sem desvios, por um caminho gradual rumo aos ideais escolhidos.

A “Subida do Monte” implica a experiência do deserto, no qual “a chama viva do amor” de Deus realiza uma transformação que faz com que o Carmelita Secular se desapegue de tudo, até mesmo da imagem que fez de Deu, purificando-a. Revestindo-se de Cristo, começa a resplandecer como imagem viva de Cristo, nele transformado em nova criatura.

Esta transformação gradual toma o terceiro mais capaz de discernir os sinais dos tempos e a presença de Deus na história, reforçando em si mesmo o sentido de fraternidade e conduzindo a um empenho sério e decisivo em favor da transformação do mundo.

A Ordem do Carmo está presente na Igreja com os frades e com as monjas de vida claustral, as de vida ativa e os seculares, que participam de forma diversa e gradual do carisma e da espiritualidade próprios da Ordem Também os leigos, de fato, podem fazer parte do mesmo chamado à santidade e da idêntica missão do Carmelo A Ordem, reconhecendo a sua vocação, acolhe-os, e organiza-os nas formas e modalidades próprias do seu estado de vida, comunica-lhes as riquezas da própria espiritualidade e tradição, tornando-os ainda participantes dos benefícios espirituais e boas obras realizadas por todos os membros da Família Carmelitana. Para os leigos a forma mais completa e orgânica de incorporação na Ordem do Carmo é a profissão na Ordem Terceira do Carmo, pela qual participam do carisma Carmelita, segundo o seu modo específico e próprio de leigos.

O Carmelo favorece o ingresso de casais, famílias e jovens que desejam conhecer e viver a espiritualidade Carmelita, ainda que sob novas formas, erigindo a Ordem Terceira do Carmo como forma estável e aprovada de agregação, que pode receber um novo influxo vital do confronto com estas novas formas de iniciativa. O carisma Carmelita vivido desde há séculos em diversas culturas e tradições, oferece um caminho seguro para se chegar à santidade compreendida como padrão da vida cristã ordinária.

Seguindo pelo caminho aberto pelo Concilio Vaticano II, o Carmelo explicitou o próprio carisma de forma sintética, expressa nos documentos recentes nos seguintes termos: “viver no obséquio de Jesus Cristo com postura contemplativa que plasma a nossa vida de oração, de fraternidade e de serviço. Reconhecemos na Virgem Maria e no Profeta Elias os modelos inspiradores e paradigmáticos desta experiência de fé, guias seguros na travessia dos árduos caminhos, que levam “ao cume do monte, Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Imagens da Assembleia Eletiva Provincial da Ordem Terceira do Carmo. O evento acontece entre os dias 10-12 de março no Convento do Carmo, da Bela Vista, São Paulo. No vídeo, Frei Petrônio de Miranda, Delegado Provincial. Convento do Carmo, São Paulo. 11 de março-2017.

Imagens da Assembleia Eletiva Provincial da Ordem Terceira do Carmo. O evento acontece entre os dias 10-12 de março no Convento do Carmo, da Bela Vista, São Paulo. No vídeo, conferência do Frei Evaldo Xavier, Superior Provincial. Convento do Carmo, São Paulo. 11 de março-2017.

Os membros da Ordem Terceira reconhecem o Prior Geral como pai espiritual, chefe e vínculo de unidade; recebem da Ordem, orientação e estímulo, destinados a promover, fomentar a concretização dos fins da própria Ordem Terceira do Carmo. Contudo se concede aos próprios leigos uma ampla autonomia de iniciativa e de condução da vida das respectivas fraternidades, segundo os próprios estatutos. São eles mesmos que elegem os seus dirigentes, assistidos espiritualmente e ajudados pela disponibilidade paternal de um sacerdote, Carmelita ou não, ou ainda de um frade ou de uma religiosa Carmelita.

O vínculo fundamental do terceiro com o Carmelo é a profissão. Este empenho traduz-se em uma forma de promessa ou, em alguns casos, conforme um antigo costume, com a emissão dos votos de obediência e de castidade, segundo as obrigações do próprio estado. Deste modo, o terceiro consagra-se mais profundamente a Deus, de modo que possa oferecer-lhe um culto mais intenso. Mediante a profissão o terceiro, na verdade visa intensificar as promessas batismais de amar a Deus sobre todas as coisas e de renunciar a Satanás e às suas seduções. A originalidade desta profissão está nos meios escolhidos para atingir a plena conformidade com Cristo. O Carmelita sabe que comparece diante do Senhor de mãos vazias, mas põe todo seu amor esperanças em Cristo Jesus, que se toma pessoalmente a sua santidade, a sua justiça, o seu amor, a sua coroa. O cerne da mensagem de Jesus - amar Deus com todo o coração e ao próximo como a si mesmo - exige do terceiro uma afirmação constante do primado de Deus, a recusa categórica de servir a dois senhores e a opção prioritária de amar o próximo, combatendo toda a forma de egoísmo de fechamento em si mesmo.

Os valores dos conselhos evangélicos, comuns a todos os cristãos, tomam-se para o terceiro um programa de vida que atinge as esferas do poder, da sexualidade e dos bens materiais. São um auxílio mais forte para não servir falsos ídolos; e conseguir a liberdade de amar Deus e o próximo acima de todo egoísmo. A santidade consiste exatamente neste duplo preceito.

Pela profissão o terceiro assume o compromisso de viver o Evangelho radicalmente, segundo o próprio estado de vida. Ao terceiro é dada a liberdade de emitir a profissão sem os votos, apenas com o propósito de professar a presente Regra, ou também com os votos. Os terceiros que fazem os votos são chamados à obediência aos superiores da Ordem e ao seu assistente espiritual em tudo aquilo que lhes é determinado pela Regra para sua própria vida espiritual. Com o voto de castidade comprometem-se a viver esta virtude de acordo com as obrigações do próprio estado.

Os terceiros reconhecem nos Carmelitas consagrados na vida religiosa uma válida direção espiritual. São acompanhados pelos religiosos em seu caminho rumo a uma vida contemplativa e ativa num mundo sempre mais complexo e exigente, mas que ao mesmo tempo procura avidamente os valores espirituais. Por essa razão os leigos devem ser acompanhados para viverem o carisma do Carmelo em espírito e verdade, abertos à ação do Espírito Santo, e tendendo a uma plena participação e comunhão no carisma e na espiritualidade do Carmelo, tendo em vista uma nova leitura carismática da sua laicidade e uma plena corresponsabilidade no dever de evangelizar e no exercício dos ministérios específicos da vida Carmelita. Deste modo, os Terceiros Carmelitas Seculares tornam-se efetivamente e de pleno direito membros da Família Carmelita.

Os Carmelitas consagrados na vida religiosa reconhecem as vantagens espirituais e o enriquecimento que para a Família Carmelita trazem os fiéis leigos, que, inspirados pelo Espírito Santo, e respondendo a um especial chamado de Deus, livre e espontaneamente se comprometem a viver o Evangelho segundo o espírito do Carmelo. Na verdade, a sua participação pode contribuir, como nos ensinam experiências do passado, com fecundos aprofundamentos de alguns aspectos do carisma, reinterpretando-os e impulsionando a novos dinamismos apostólicos também por meio da “preciosa contribuição da sua secularidade e do seu serviço específico.

Da Regra da Ordem Terceira do Carmo: A Ordem Terceira do Carmo Secular

 

A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo surgiu nos fins do século XII e início do século XIII, a partir de um grupo de homens que, atraídos pelo fascínio evangélico dos Lugares Santos “lá se consagraram Aquele que ali havia derramado o seu sangue em uma vida de penitência e de oração. Estabeleceram-se no Monte Carmelo, junto á Fonte de Elias e receberam, a seu pedido, uma Norma de Vida, de Alberto, Patriarca de Jerusalém (1206-1214) que os constituiu em uma única comunidade de eremitas, reunidos ao redor de um oratório dedicado a Maria. Após as aprovações de Honório III (1226) e Gregório IX (1229), Inocêncio IV (1247) completou seu caminho de fundação e, com algumas alterações dessa Norma de Vida, inseriu-os entre as nascentes Ordens de Fraternidade Apostólica (mendicantes) chamando-os a unir à vida contemplativa a solicitude pela salvação do próximo.

Uma vez estabelecidos na Europa, os frades acolheram leigos, junto aos próprios conventos, os quais, de certo modo, foram considerados Carmelitas. Eram chamados “oblatos” ou “donatos”, visto que doavam os próprios bens aos conventos, passando a depender dos mesmos para o seu sustento. Como na sua maioria eram mulheres, havia necessidade de casas próprias. Também eram chamadas “manteladas” pois traziam um hábito semelhante ao dos frades.

Com o tempo estes leigos organizaram-se em grupos homogêneos, com obrigações análogas às dos frades. A primeira aprovação jurídico-eclesiástica foi por meio da bula pontifícia “Cum Nulla“, de autoria do Papa Nicolau V, de 7 de outubro de 1452. Esta bula lançou as bases da Ordem Segunda e Terceira, com várias etapas de desenvolvimento. A bula autoriza os superiores da Ordem a dirigir vários grupos de mulheres e a explicitar o seu gênero de vida. A concessão contida na bula “Cum Nulla”, foi posteriormente explicitada por outra bula, a “Dum atenta” de Sisto IV, de 28 de novembro de 1476. Estes dois documentos pontifícios são a base da hodierna estrutura da Família Carmelitana.

A bula “Cum Nulla” reconheceu a existência de grupos distintos, com votos solenes ou simples. Paulatinamente algumas dessas mulheres, que podiam também viver sozinhas e fora do convento, identificaram-se como o terceiro grupo da Família Carmelita, razão pela qual começaram a ser chamadas “terceiras” Em 1476, o Papa Sisto IV autorizou a Ordem do Carmo a organizar os seus vários grupos de leigos, como as Ordens Terceiras das demais Ordens Mendicantes.

Simultaneamente surgiam confrarias que solicitavam o gozo dos privilégios do Escapulário. O Prior Geral Teodoro Straccio (1636-1642) desejando resolver a situação, criou uma Ordem Terceira de “continentes” na qual os confrades e irmãs emitiam votos de obediência e de castidade segundo o próprio estado, enquanto os demais seculares ingressavam nas confrarias do Escapulário.

Já nos séculos XIX e XX procurou-se favorecer o aspecto “secular” dos terceiros. Esta dimensão atingiu o ápice na Regra aprovada após o Concílio Vaticano II. Hoje, portanto, os seculares são chamados, na especificidade de sua vocação, a iluminar e a dar o justo valor a todas as realidades temporais, de forma que sejam vividas segundo os valores proclamados por Cristo e em louvor do Criador, do Redentor e Santificador num mundo que parece viver e agir como se Deus não existisse. Espera-se que os leigos Carmelitas sejam colaboradores da nova evangelização que permeia toda a Igreja; por isso procurem superar em si mesmos a separação entre Evangelho e vida. Em sua rica atividade quotidiana, na família, no trabalho e na sociedade, procurem restaurar a unidade de uma vida que encontre no Evangelho inspiração e força para ser vivida em plenitude.

Frei Egídio Palumbo O.Carm

A Regra Carmelitana favorece um equilíbrio entre a vida litúrgica e a oração individual (com este termo indica-se a oração feita na solidão, já que, seja isoladamente, seja comunitariamente, a oração é e deve ser sempre um ato pessoal). Com o decorrer do tempo, sobretudo do século XIV em diante, acentua-se o predomínio da oração individual, sem perder os elementos litúrgicos e a rica tradição eliano-mariana que alimentava a dimensão contemplativa.

A tendência de acentuar o carácter subjetivo da oração individual foi acentuada em algumas reformas do século XV e mais ainda com S. Teresa de Jesus e a sua obra reformadora, com desafios em relação à oração individual meditativo-contemplativa. Para o “primado da comunhão com Deus” privilegia Teresa o “só a sós” da meditação. Coloca assim o acento na oração individual ou meditativa; porém, em Teresa, tal primado abraça também todas as formas possíveis da oração.

Sob a influência desta tendência formaram-se e desenvolveram-se no interior da Ordem três formas privilegiadas e características de oração individual:

- a meditação ou oração mental

- o exercício da presença de Deus

- a oração aspirativa

A meditação

  • Relativamente à meditação como forma específica de oração, os primeiros testemunhos do seu uso como prática individual são do século XIV. Tal uso torna-se geral a partir da metade do século seguinte. O Beato Soreth, nos comentários da Regra Carmelitana escritos em 1459, recorda que a obrigação deste exercício nasce do capítulo VII (= n. 10) da Regra e, tomando um certo método de Ugo de S. Vittore, sublinha também que a meditação não deve ser um fim em si mesma, mas meio e preparação para a oração que se faz seguir da contemplação.
  • Durante quase todo o século XVI a meditação permaneceu entre os carmelitas como um exercício obrigatório de caráter privado. O caso dos religiosos de Portugal, que tomaram desde 1424 o uso da meditação em comum, é isolado. Outras tentativas para introduzir a meditação como ato comum fracassaram na Ordem. Ao mesmo tempo, porém, há autores, entre os quais (Cristovão Silvestrani Brenzone e João Sanz), que desenvolveram mais largamente a reflexão sobre a natureza deste exercício e sugeriram vários métodos para fazê-lo, com referência constante aos aspectos afetivos.
  • É na segunda metade do século XVI que, especialmente na Espanha, inicia-se a difusão da prática da meditação em comum, sob a influência também da corrente espiritual do tempo. Face a isto o prior geral João Batista Rossi sente-se perplexo. Assim, ainda que concedesse licença às comunidades que o solicitavam para o exercício em comum, ele sempre sublinhava que tal prática deve ser assumida como reparação para as transgressões do cap. VII (= n. 10) da Regra, e não pode, ao contrário, ser porta para uma mitigação muito perigosa da mesma Regra.
  • Finalmente, com a aceitação e colocação em prática dos decretos de Clemente VIII, o Capítulo Geral de 1593 promulgou o primeiro decreto para toda a Ordem sobre a meditação em comum: deveria ser feita duas vezes ao dia, pelo tempo de meia hora, depois de Prima e de Vésperas. O Capítulo Geral sucessivo (1598) relatou, ao pé da letra, em suas atas, os decretos clementinos sobre a leitura espiritual e sobre o sermão semanal, enquanto que neste sentido resumiu a parte referente à meditação em comum. Deste modo, cada frei deve fazer quotidianamente um “exercício espiritual com uma escolha própria e seguindo o Espírito”. Nas Constituições promulgadas por Canali em 1626 e nas sucessivas até 1902, este Decreto Clementino sobre a meditação em comum, não foi inserido, sendo o mesmo somente relatado em apêndice, junto a outros decretos pontifícios.
  • Na Congregação de Mântua, a imposição da obrigação da meditação em comum teve início em 1582 com a visita do prior geral Caffardi, mas permaneceu letra morta. Foi aceita somente por insistência de outro prior geral, Enrico Silvio, pela aplicação dos decretos pontifícios de 1596. A norma foi então inserida nas Constituições Mantovanas de 1602.
  • Para os Mosteiros femininos, ao contrário, a legislação em matéria de meditação em comum é fixada desde o final do século XV. O mais antigo documento sobre o assunto são os estatutos de 1481 para as monjas da Congregação Mantovana. Também as constituições observadas desde o final do século XV no mosteiro da Encarnação de Ávila, onde entrou S. Teresa, falam da obrigação da meditação e ainda da meditação feita em comum. No ambiente das monjas essa vem proposta em várias formas:

- Meditação praticada em conexão com o ofício divino no coro, duas vezes ao dia por um período igual de tempo: reflete-se, compulsoriamente, sobre os textos litúrgicos do ofício ou da missa do dia. A meditação em comum dos frades, ao contrário, não parece apresentar frequentemente esta conexão.

- a meditação conectada com a sala de trabalho: o trabalho deveria ser acompanhado da “devoção”, sustentada pela leitura e uma reflexão comum sobre coisas espirituais. Este é outro aspecto que não acontece na vida dos frades, que porém tinham a “leitura espiritual” como exercício independente de outros.

- a meditação, como exercício em si mesmo, interpretada como forma de realização do cap. VII (= n. 10) da Regra. Esta não aparece logo no início, porém, aumenta sucessivamente sua prática (nisto se nota uma influência da “Devotio moderna”), até assumir o caráter comunitário e a fixar para tal exercício um largo espaço de tempo (duas horas para as monjas, uma hora para os padres).

  • Na prática da meditação, sobretudo entre as monjas do século XV até a época recente, particularmente nas Reformas Teresiana e de Touraine, sublinham-se os aspectos psicológico-afetivos (cf. S. Teresa de Jesus, S. João da Cruz, S. Maria Madalena de’ Pazzi, fr. João di São Sansão, Pe. Domingos de S. Alberto, etc., até Pe. Tito Brandsma). Floresce neste contexto uma espiritualidade da Paixão (o sofrer por amor ao Esposo Crucificado) característica de muitas Santas e Santos do Carmelo.
  • Paralelamente à introdução da oração mental floresce uma literatura de formação espiritual e de métodos de oração. Para os tratados sobre a meditação, com exposição também de métodos de oração, devem ser recordados aqueles de João Sanz e Cristovão Silvestrani Brenzone, podendo-se tainda acrescentar os de: Matias Fabri, João Bek, João van Paeschen (nos quais a meditação é vista como peregrinação à Terra Santa, numa forma de primeira “Via Sacra”) , Paulo Ezquerra, Pedro Tomás Saraceni, Paulo Antônio Foscarini, Jerônimo Gracián, etc. Finalmente pode-se lembrar de Domingos di S. Alberto e dos Diretórios dos Noviços da Reforma de Touraine, com a elaboração teórico-prática mais completa dos métodos sistemáticos da oração mental.
  • Entre os Descalços, os autores julgam que a oração sistemática torna-se a forma mais adaptada para realizar a oração contemplativa que conduz à comunhão com Deus.

O exercício da presença de Deus e a oração aspirativa

  • A partir do século XVII esta forma de oração se desenvolve como a mais usual e adaptada para conduzir à união com Deus: ou seja a presença do Senhor na própria vida. É indicada para conservar o próprio espírito contemplativo, em todo o tempo e lugar, também fora do convento. Os autores espirituais descrevem a modalidade e as técnicas concretas, como também oferecem exercícios metódicos diversificados.

Em particular

1) O exercício da presença de Deus significa reportar-se a Ele por meio de atos da memória e de vigilante atenção, com consequente estímulo no afeto, evitando tudo quanto possa desagradar ao Senhor, e melhor ainda praticando tudo o que lhe é agradável.

2) A aspiração é substancialmente uma oração constituída de alguma jaculatória, na qual se exprime ao Senhor os bons afetos e os santos desejos do coração.

3) A oração aspirativa pressupõe o exercício da presença de Deus, como também este encontra seu aperfeiçoamento na mesma oração aspirativa. Deste modo as duas coisas são coincidentes e não se pode, na prática, separar uma da outra.

  • O mais destacado autor sobre o exercício da presença de Deus é o descalço Frei Lourenço da Ressurreição (†1691). Ele ensina a contínua presença amorosa de Deus vivida pela alma com fé pura, abandono total, caridade e fidelidade. Os meios fundamentais para este exercício são indicados pelo mesmo frei Lourenço como “uma grande pureza de vida” (que comporta renúncia de si e primazia do amor), e “fidelidade ao exercício da presença de Deus no próprio ser”. O recolhimento é visto não como uma realidade negativa, mas como abertura ao encontro com Deus, no qual se realizam as virtudes teologais. Frei Lourenço descreve também um exercício ou melhor um “caminho de amor” que conduz à interioridade e à adoração. Coloca-se portanto, na linha da afetividade, tomando uma clara posição contra o intelectualismo. Algumas expressões do autor parecem não valorizar plenamente os exercícios ascéticos e as boas obras, que porém nunca foram negadas por ele.
  • Na Reforma de Touraine, já na primeira metade do século XVII, (e portanto antes de Frei Lourenço), existem exposições sobre este exercício da presença de Deus. Entre os vários autores pode-se lembrar Domingos de S. Alberto.
  • Também, João Sanz (†1606) fala da oração aspirativa como se a mesma fosse uma “teologia mística” com a qual se obtém os raios da luz divina. Para ele esta mística não se realiza através do estudo e das disputas teológicas, mas somente, abrindo-se o coração e alimentando-o com o fogo do amor.
  • Alberto Leoni, da Congregação de Mântua, fala das formas desta oração aspirativa como se fossem flechas de fogo lançadas ao céu.
  • A aspiração, na reflexão dos autores da Reforma de Tourain, é apresentada como meio excelente de viver a união com Deus. É nesta forma que a consideram Felipe Thibault, Domingos de S. Alberto e João de São Sansão. Este último autor oferece uma viva descrição da oração aspirativa, mostrando como ela é apta a conduzir à união mística mais elevada. Para este mesmo autor a aspiração mais que “um diálogo de amor” é “um lançar-se amoroso e inflamado de todo o coração e da mente, pelo qual a pessoa supera prontamente a si mesma e cada coisa criada, unindo-se estreitamente a Deus na vivacidade de sua expressão amorosa”.
  • O método para exercitar-se na presença de Deus e na aspiração é exposto inteiramente nos já citados diretórios dos noviços da Reforma de Touraine. Na perspectiva destes livros, estas duas formas de oração favorecem muito a união harmônica entre o apostolado e a contemplação.

*0 CARMELO A SERVIÇO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO:     Carisma,  Espiritualidade, Missão – apontamentos.

Tradução  por Frei Pedro Caxito, O. Carm. In Memoriam.