Dom João José Costa assume governo pastoral após acolhida de renúncia de dom José Palmeira Lessa.

O papa Francisco acolheu, nesta quarta-feira, dia 18 de janeiro, o pedido de renúncia ao governo pastoral da arquidiocese de Aracaju (SE) apresentado por dom José Palmeira Lessa, em conformidade com cânon 401§ 1 do Código de Direito Canônico. O comunicado da Nunciatura Apostólica no Brasil informa ainda que, em consequência, assume o governo da Igreja particular o atual bispo coadjutor, dom João José Costa.

Dom José Palmeira Lessa completa 75 anos hoje. Ordenado bispo em 24 de agosto de 1982, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), foi bispo auxiliar naquela arquidiocese, acompanhante de Pastorais no regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e na arquidiocese do Rio, bispo de Propriá (SE), responsável pela Cáritas do regional Nordeste 3, além de membro do Conselho Diretor Nacional do Movimento de Educação de Base (MEB). Dom Lessa estava em Aracaju desde 1996, quando foi nomeado coadjutor.

Novo arcebispo

Dom João José Costa é natural de Lagarto (SE), nasceu em 24 de junho de 1958. Membro da Ordem do Carmo, fez sua profissão religiosa em 2 de janeiro de 1986. Foi nomeado bispo da diocese de Iguatu (CE) em 07 de janeiro de 2009. Escolheu o lema “Servo por amor”. Em sua trajetória, dom João José já atuou como conselheiro da Província Carmelita, foi formador nas etapas de Postulantado e Filosofia na Província, trabalhou na Pastoral Carcerária, prestou assistência espiritual na Fazenda Esperança, em Lagarto (SE). Ao ser nomeado bispo, era prior do Convento do Carmo de São Cristóvão (SE). Dom João é o atual presidente da Cáritas Brasileira no período de 2016 a 2019. Fonte: http://www.cnbb.org.br

Do oratório que em sua honra construíram no Monte Carmelo

Os religiosos desta ordem lembravam que Deus havia revelado, de modo especial, na referida visão, como nasceria uma meninazinha que, desde o seio materno, estaria isenta de toda mancha de pecado e, como eles, abraçara livremente a virgindade. Desta Virgem nasceria o Deus-homem (ou melhor, o Homem-Deus).

Observavam como tudo isto já se havia realizado e como o gênero humano, por meio da Virgem, havia recebido do Filho de Deus tão desejado e esperado benefício da chuva, ou seja, da graça divina, e se propuseram honrar, com assídua e especial devoção a esta Virgem há tanto tempo profetizada a seus predecessores, tão esperada e logo apresentada.

Determinaram eleger por Patrona a esta Virgem especial, pois reconheceram que só ela possuía um dom singular parecido com seu Instituto por ser a primeira mulher que abraçou espontaneamente a virgindade. Como os antigos monges que abraçaram esta religião foram os que, por amor de Deus, começaram a viver, por primeiro, a virgindade voluntária e a introduziram entre os varões, do mesmo modo, como já dissemos, a Mãe de Deus foi a primeira que começou depois a introduzir a virgindade entre as mulheres; por isto, como os Religiosos Carmelitas foram os primeiros varões que livremente assumiram viver a virgindade, assim a Virgem Santíssima foi a primeira que entre as mulheres fez voto de virgindade.

Esta igualdade especial entre a Mãe de Deus e os Religiosos Carmelitas em ser as primícias da virgindade voluntária com um voto, muito tempo antes profetizada e por fim realizada, foi a razão pela qual os Carmelitas, enquanto os Apóstolos ainda viviam, chamavam a Virgem Maria sua irmã e, por esta mesma igualdade, chamavam-se a si mesmas de irmãos da Bem-aventurara Virgem Maria.

Não creio que ocorra negar que os membros de uma Ordem Religiosa possam chamar-se com diferentes nomes em tempos determinados e por razões diversas sem que a religião deixe de ser e continuar a mesma. Se negas isto, incorres no erro de que a religião cristã não é agora, entre nós, a mesma que foi no tempo dos Apóstolos e discípulos de Cristo, porque os que, então abraçavam a religião de Cristo, no início de sua pregação e de apóstolos não se chamavam como mesmo nome de agora. Segundo nos disse São Lucas, no princípio, os que abraçavam a doutrina de Cristo se chamavam discípulos e, mais tarde, pela primeira vez em Antioquia, se chamaram cristãos.

Por acaso podemos dizer que a religião cristã era diferente neles do que é agora em nós, porque se chamavam com nomes diferentes? De maneira alguma. Nem deves julgar como absurdo que os Monges que agora vivem no Monte Carmelo são da mesma religião dos que viviam neste monte antes da encarnação do Salvador, embora naquele tempo se chamassem Profetas e Filhos dos Profetas e estes se chamem agora Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria. Chamavam-se, então, como dissemos, Profetas quando cantavam, louvando a Deus, os Salmos e cânticos acompanhando-se de instrumentos musicais.

Quando começou a era evangélica, cessou o rito de cantar a Deus acompanhando-se de todos aqueles instrumentos musicais e se mudou em outro rito como disse o Apóstolo: “Enchei-vos do Espírito Santo falando entre vós e entretendo-vos com salmos, com hinos e canções espirituais cantando e louvando ao Senhor em vossos corações” (Ef 5, 18-19). Como aquele rito antigo de cantar louvores a Deus acompanhando-se de instrumentos musicais já não se usa agora em nossa religião, não se chamam Profetas os que pertencem a esta religião.

Também se chamaram, com muita razão, Filhos dos Profetas quando um Profeta os governava e dirigia, como dissemos; mas agora como nenhum Profeta os governa, deixaram de chamar-se Filhos dos Profetas, como a ninguém que esteja em são juízo lhe ocorrerá dizer que, então, se houvessem chamado Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria quando esta ainda não havia nascido; mas, como se declarou, depois que conheceram a semelhança tão expressiva e tão própria entre eles e a Mãe de Deus por haverem sido os primeiros a oferecer voluntariamente a Deus a virgindade, desde esse tempo se chamaram Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria e em memória da visão que simbolizava o nascimento desta Virgem mostrada em profecia a Santo Elias sob a figura de uma nuvenzinha que subia do mar para o Carmelo, estes monges, no ano 83 da encarnação do Filho de Deus, derrubaram o antigo local chamado Semnion e edificaram uma Capela em honra desta primeira Virgem consagrada a Deus, junto à fonte de Elias no mesmo lugar onde Elias, quando ia orar, viu aquela nuvenzinha como a pegada de um homem que subia do mar para o Carmelo.

Desde este tempo, estes religiosos sempre se reuniam nesta Capela encomendando-se a esta Virgem e rezando todos os dias nas sete horas canônicas a esta Virgem e a seu Filho, com fervorosas orações, súplicas e louvores. Na Capela se reuniam para fazer com simplicidade as exortações e mútuas instruções espirituais e para estudar o modo de salvar as almas.

Esta é a razão pela qual, mesmo os estranhos à Ordem, os chamaram Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

* Livro da Instituição dos Primeiros Monges Fundados no Antigo Testamento e que perseveram no Novo.

Por Juan Nepote Silvano, Bispo XLIV de Jerusalém.

Prova-se também com a autoridade da Sagrada Escritura que Elias Tesbita, o primeiro fundador desta religião, usou como veste a capa. Com este hábito cobriu seu rosto no monte Horeb quando Deus passou diante dele. Pôs esta capa sobre Eliseu quando o recebeu por discípulo.

Esta capa ou manto era uma veste redonda que cobria o corpo por cima da outra veste e descia do pescoço até a metade das pernas; era aberta na frente e fechada ao redor; era estreita em cima e amplamente aberta em baixo. Quando Elias se separou de Eliseu para ir ao paraíso de delícias lhe jogou esta capa.

Com esta capa Elias ensinou que os monges que abraçam esta religião devem levar por cima do hábito a capa branca da maneira que o Senhor lhe mostrou em profecia; vestidos a Sabac (à maneira de Sabac), pai de Elias. Pois antes que lhe nascesse seu filho Elias Sabac viu em sonhos que uns homens vestidos de branco o saudavam.

Com esta visão foi-lhe anunciado como se vestiriam os imitadores que seu filho teria na vida monástica. Vendo Sabac aqueles varões vestidos de branco, conheceu em espírito os religiosos que seu filho havia de fundar. E os viu vestidos de branco porque seriam imitadores de Elias que era o modelo da forma de viver da vida monástica e o imitariam, não só na íntegra brancura da alma, vivendo uma íntima pureza, mas também na brancura do hábito que usavam por cima da veste que cobria seu corpo.

Levar a capa branca significa que os monges que abraçaram esta profissão devem guardar a pureza de seus pensamentos e desejos junto com a pureza do corpo, segundo o mandamento do Apóstolo ao dizer: “Purifiquemo-nos de tudo que mancha a carne e o espírito, aperfeiçoando nossa santificação com o temor de Deus” (Cor 7, 1), “porque Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santificação”(Tes 4,7).

Elias que foi o primeiro que introduziu entre os monges o uso desta capa branca quis simbolizar com ela que o monge, vestido com sua capa branca, deve conservar intacta a pureza, não só de sua alma, mas também de seu corpo.

Desta veste disse Jó ao Senhor: “me vestiste de pele e de carne” (Jó 10, 11), guarde-a, pois, o monge sempre limpa pela pureza, como está escrito: “em todo o tempo estejam teus vestidos limpos e brancos” (Ecl 9, 8).

* Livro da Instituição dos Primeiros Monges Fundados no Antigo Testamento e que perseveram no Novo.

Por Juan Nepote Silvano, Bispo XLIV de Jerusalém.

*Frei Carmelo Cox, O. Carm. In Memoriam.

              Mudamos finalmente para o novo Convento no dia 8 de dezembro p.p. O edifício não está completamente pronto; ainda falta muito, mas pelo menos temos uma moradia mais decente. O construtor é o mesmo do Convento de Belo Horizonte e a distribuição interna tem muito com o de Jaboticabal. Fica um pouco fora do atual centro da cidade e distante uns 12 minutos da igreja matriz. Ao lado do Convento será construída uma grande igreja já começada.

               Depois de assistir às festividades em Paracatu no dia 6 de dezembro, quase todos os presentes resolveram ir a Unaí que fica distante duas horas e meia. Foram escolhidos os mais peritos choferes, pois as contínuas chuvas tinham deixado a estrada bem danificada. Mas todos chegaram sem novidade. No dia 8, Frei Cecílio Bruggeman (5.31) e Frei Justino Velthuis (5.30) foram recebidos pela população pois os dois celebravam o jubileu sacerdotal. Também Sua Excelência D. Raimundo Lui (5.28) estava presente. Formou-se um cortejo de carros rumo à matriz. A chuva começou de novo mas o povo não desanimou. Na matriz Frei Cecílio cantou a Santa Missa e na ocasião usou os paramentos mandados da Holanda. Depois tivemos um lauto almoço oferecido pelo povo e servido no novo Convento. Estiveram presentes 2 Bispos e 21 Padres.

             De tarde às 16h Padre Provincial precedeu à bênção do novo Convento e em seguida foi celebrada a S. Missa. Depois conseguimos sair com a procissão de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Paróquia. Em seguida houve outra Missa cantada. E finalmente à noite no cine local houve uma sessão solene onde discursaram muitos oradores, entre eles o Promotor da Justiça, bem inspirado, D. Raimundo (5.28), D. Eliseu van de Weyer (4.24) e Padre Provincial (5.62). Frei Cecílio (5.31) agradeceu.

D. Raimundo anunciou ao povo que, doravante, a paróquia de Unaí estaria aos cuidados dos padres Carmelitas. (ad nutum S. Sedis). (União, Ano 2, Dezembro de 1964).

*CRÔNICA DA PROVÍNCIA CARMELITANA FLUMINENSE.

*Frei Carmelo Cox, O. Carm. In Memoriam.

 A) - Conforme Baltasar da Silva Lisboa

A Armada saiu de Lisboa, e chegando ao seu destino, os Padres Carmelitas deram logo princípio à pregação do Evangelho, sob os auspícios a favor do Bispo do Brasil, Frei Antônio Barreiros, estabelecendo‑se como as circunstâncias permitiram, até que em 1583 no Capítulo Provincial celebrado em Beja se acordou a fundação do Convento do Carmo de Olinda em 1584, para o qual deu faculdade Jerônimo de Albuquerque Coelho, Capitão e Senhor da Capitania de Pernambuco, de erigir em um sítio que deu a Câmara de Olinda, onde estava edificada a Capela de Santo Antônio. (Anais do Rio de Janeiro, Cap. II - ' 2 - parte). (A.N. Tomo I, Livro 1, Parte 2)

B) - Conforme as Memórias Históricas de Padre Manoel de Sá (10 Parte)

No fim do mês de janeiro do ano de 1580 saiu do Rio de Lisboa a Armada, em que ia por cabo o dito Frutuoso Barbosa, e na sua companhia foram os quatro nomeados Religiosos; e navegando com próspero sucesso chegaram a Pernambuco; onde foram recebidos com demonstrações afetuosas e pias do Clero, e do povo daquela capitania, e dando logo conta da sua chegada àquela terra ao Dom Frei Antônio Barreiros Bispo de todo o Brasil, ele os mandou animar a prosseguirem a empresa, a que iam. A esta deram logo princípio fazendo um grande fruto espiritual, não só na conversão dos gentios mas na reforma das vidas dos já convertidos. E tão excessivo era o zelo com que solicitavam as almas para o céu, que todos os queriam nas suas terras e, para isso lhes ofereciam sítios para assim lograrem das suas virtudes, do que deram parte a este Provincial. Chegou o aviso a ele, e no Capítulo celebrado no Convento da cidade de Beja aos trinta do mês de abril de 1583, em que foi eleito Provincial o M. Revmo. Padre Presentado Frei Pedro Brandão, que foi depois Bispo de Cabo Verde, de quem havemos de dar notícia no Capítulo 1587 destas memórias, se aceitou a fundação de Convento de Olinda.

(20 Parte) O primeiro Convento dos Carmelitas no Brasil é sem dúvida o de Olinda: o qual fundaram os religiosos num sítio, que lhe deram os Oficiais da Câmara; e como nele havia uma Ermida de Sto. Antônio, conserva o mesmo título. Tem este convento uma relíquia do Santo Lenho; uma do osso do nosso glorioso confessor Santo Alberto; e duas de ossos de Sta. Paulina. Na Capela Mor de sua Igreja do lado do Evangelho descansam em humilde sepultura as cinzas daquele grande herói restaurador do mesmo estado João Fernandes Vieira, e ainda que lhe faltem os mármores para o Mausoléu, e não tenha Epitáfio, que declare o heróico de suas ações, tiveram estas a fortuna de serem escritas pela elevada pena do Exmo. Dom Luiz de Menezes Conde de Ericeira. Delas fez também escrito particular intitulado ACastrioto Lusitano, o P. Frei Rafael de Jesus. No cemitério dos Religiosos foi sepultado o Ilmo. Dom Frei Francisco de Lima, Bispo do mesmo estado, e de quem dera notícia o capítulo 1629. Foi este dito convento pela sua antiguidade cabeça da Vigararia; nele assistiram os RR.PP. Vigários Provinciais, até o ano de 1630, em que os holandeses se senhorearam do país. (Memórias Históricas - Cap. XI ' 50 - ' 52). (A.N. Tomo VIII, Livro 20, Parte 1)

C) - Conforme Frei Manoel Baranera Serra.

Tendo, porém, ficado em Pernambuco a expedição de que formavam parte, os Carmelitas recém-chegados aí principiaram a trabalhar como zelosos missionários, não só na conversão dos gentios mas também na reforma de costumes dos já convertidos.

Nesta ocupação de missionários, passaram os Carmelitas o primeiro período ou temporada de sua permanência no Brasil, causando entretanto grande fruto espiritual e atraindo sobre si, pelo talento e virtudes, a estima e admiração de todos que com eles tratavam e mui especialmente dos habitantes da cidade de Olinda, cujos oficiais da Câmara, inspirando‑se nos sentimentos de simpatia e benevolência que o povo manifestava em prol dos Carmelitas, cederam por doação um extenso terreno com capela de Santo Antônio para os ditos Carmelitas se estabelecerem junto da cidade, fundando ali o seu primeiro convento, nestas hospitaleiras plagas do Brasil.

Pelo que o Capítulo Provincial reunido na cidade de Beja, em 30 de abril de 1583, autorizou gostosamente a projetada fundação do Convento de Olinda, para cuja execução no ano seguinte, foi concedida a competente licença por Jerônimo de Albuquerque Coelho, então capitão e senhor da capitania de Pernambuco.

Fica, pois, fora de dúvida que os Religiosos Carmelitas: 11 vieram, para o Brasil em 1580, a convite do Sereníssimo Cardeal Rei D. Henrique e em companhia de Frutuoso Barbosa; 21 que a sua primeira fundação nesta abençoada terra brasileira, foi a do Convento de Olinda, no ano de 1583, em terreno doado pelos Oficiais da Câmara daquela pitoresca e antiga cidade, e 31 os fundadores do dito Convento de Olinda foram Os quatro pré- indicados Religiosos sacerdotes:

Frei Bernardo Pimentel (0.01)

Frei Alberto de Santa Maria (0.03),

Frei Antônio Pinheiro (0.02) e

Frei Domingos Freire (0.04) que, entre eles, era o superior.

(Vide Frei Manoel de Sá AMemórias Históricas@ dos Arcebispos, Bispos e escritores portugueses da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, pág. 32 e 36). (A Ordem Carmelitana no Brasil - Mensageiro do Carmelo - Set. 1916 - Jan. 1917).

 D) - Conforme Frei Maurício Lans

No Capítulo de Beja em 1583 foi decidida a fundação de um Convento em Olinda, Pernambuco. No ano seguinte em 1584, quando Felipe II de Espanha já reinava como Felipe I em Portugal, iniciou-se a fundação com a licença de então Governador de Pernambuco, Jerônimo de Albuquerque Coelho. Esta primeira fundação realizou-se em terras oferecidas pela Prefeitura de Olinda, alí havia uma capela dedicada a Sto. Antônio. Por isso o Padroeiro do Convento foi Santo  Antônio. Daí no decorrer dos tempos iniciaram-se outras fundações de conventos. (Jubileu de Prata, por Frei Maurício Lans, pág.12)  

E) - Conforme Francisco Benedetti.

Em frente ao Recife a armada foi dispersa por uma tempestade e por algum tempo adiou-se o confronto com os franceses. Frutuoso Barbosa voltou para Portugal e os Carmelitas ficaram em Pernambuco. O Governador Jerônimo de Albuquerque lhes fez doação de uma ermida construída em um promontório de Olinda e dedicada a Santo Antônio e a São Gonçalo. As terras próximas foram doadas pelos oficiais da Câmara. Em 1583 o Capítulo provincial confirmou a fundação e entregou sua administração a Frei Pedro Viana (0.08). Construído com o auxílio do povo do lugar, o convento de Santo Antônio foi residência dos superiores do Carmo do Brasil nos primeiros tempos. Assim, os Carmelitas foram o segundo grupo de religiosos a se instalar formalmente na colônia, pouco antes dos beneditinos e franciscanos. Os jesuítas, missionários oficiais da Coroa, já aqui se achavam desde 1544. Foram constituídos como comissariado da Província Lusitana e tinham por comissário o mesmo Frei Pedro Viana.

(A Reforma da Província Carmelitana Fluminense, pág. 7).

F ) -  Conforme F. A. Pereira da Costa

Um pouco afastado do centro do povoado da Vila de Olinda Bjunto à pancada do mar- ficava uma Capela dedicada a Santo Antônio e São Gonçalo, fundada pelo colono Clemente Vaz Moreira, no tempo do governo  do primeiro donatário Duarte Coelho, e junto à qual tinham os seus alojamentos os Padres Carmelitas desde a sua entrada na Capitania, em 1580.

Chegando em 1588 o Padre Frei Pedro Viana (0.08), com a patente de Comissário dos Carmelitas observantes no Brasil e trazendo permissão do donatário Jorge de Albuquerque Coelho, residente em Lisboa, para fundar Conventos de sua Ordem na Capitania, resolveu construir logo um na Vila de Olinda, na própria localidade da residência dos Padres, junto à referida Capela, cuja doação lhe fora conferida por seus proprietários para semelhante fim, por escritura lavrada em 20 de agosto daquele ano de 1588, figurando como doadores Salvador Moreira e seu cunhado Pedro de Matos, como sucessores de Clemente Vaz Moreira, o fundador da Capela e como tais seus proprietários e padroeiros e como aceitante o Padre Frei Pedro Viana, representando os religiosos Carmelitas donatários, na sua qualidade de vigário e comissário da Ordem.

Por este instrumento público lavrado na vila de Olinda pelo Tabelião Cosme Colaço e no qual figuram como testemunhas pessoas qualificadas da colônia, como o capitão mor D. Filipe de Moura, Antônio Rodrigues, Antônio Correia e Bartolomeu Gil, Salvador Moreira e seu cunhado Pedro de Matos doaram a referida Capela B para todo o sempre aos Religiosos Carmelitas para aí fundarem um Convento de sua Ordem, com a condição de que B Aos bem aventurados Santo Antônio e São Gonçalo ficariam no altar mor ao lado de N. Sra. do Carmo, de ser o orago da casa sempre Santo Antônio, de o festejarem anualmente com missa cantada, comemoração do coro, de darem à casa o título de Convento de Santo Antônio do Carmo e de terem os doadores  para si e seus herdeiros e descendentes sepultura na Igreja@.

Aceitas todas aquelas cláusulas pelo Padre Comissário Frei Pedro Viana, no mesmo dia, após a conclusão e assinatura do instrumento da doação, tomou ele posse solene da Capela como consta do competente auto lavrado pelo referido tabelião Cosme Colaço, firmado pelo alcaide mor de Olinda, Bartolomeu Alves Rodrigues e pelas testemunhas o capitão mor Filipe Calvacanti, Antônio Barbalho e Baltasar Leitão. (Continuação  1672) (A Ordem Carmelitana em Pernambuco, pág. 90)

*CRÔNICA DA PROVÍNCIA CARMELITANA FLUMINENSE.

Beato Frei Tito Brandsma, Carmelita, Mártir e Jornalista.

(Tradução: frei Bento Caspers, O. Carm. e Dom Vital Wilderink, O. Carm. Im Memoriam)

Elias, ao se ver abandonado, fugiu para o deserto e, desanimado, jaz prostrado por terra. Aparece-lhe um anjo que lhe ordena comer um pão assado sob cinzas, pão que o próprio anjo lhe dá. Come e recobra as for­ças. Por indicação do anjo, prossegue a caminhada pelo deserto até a montanha santa do Horeb. A Deus se lhe manifesta no sussurro de urna brisa suave. Agora se sabe unido a Deus, vê a Deus diante de si. "Deus vive -   exclama - e estou em sua santa presença". Na confortadora certeza da presença divina, na convicção de estar diante de Deus, põe-se a executar a tarefa que Deus lhe confiara. Quando esta missão lhe permite uma breve trégua, volta a. solidão do Carmelo, a fim de confirmar e fortalecer a sua união com o Senhor, nesse retiro.

Lições contidas no episódio

1- Ao vermos nossa miséria e fraqueza, também nós nos sentimos arniúde desanimados. O mesmo acontece quando vemos a nossa vida aparentemente tão inútil e infrutífera para nós mesmos e para os outros. Mas o anjo de Deus, o anjo da guarda, virá então consolar-nos e encora­jar-nos com as suas inspirações salutares.

2- O pão que o anjo deu de comer a Santo Elias é figura do Pão Ce­lestial da Eucaristia, que nos foi preparado por Jesus na Sagrada Paixão. "Piscis assus Christus est passus" (Peixe assado é Cristo padecido). "Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei".

3- Unidos a Jesus, poderemos também nós atravessar o deserto da vida com Santo Elias, até chegarmos ao monte santo da visão beatífica. "Per aspera ad astra" (Pelas asperezas até os astros).

4- O sussurro da brisa, no silêncio, símbolo da humildade e da man­sidão, representa a voz de Jesus a nos dizer: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para as vossas almas".

5 - Como Santo Elias, devemos ter sempre diante dos olhos do Deus vivo, crer-nos sempre na sua santa presença e assim executar a nossa ta­refa.

6- A fim de guardar e consolidar esta crença - sempre que as nossas atividades o permitirem - devemos refugiar-nos na solidão e no silêncio do Carmelo.

Colóquio com Santo Elias

Alegrar-nos com ele pelo fato de que Deus nos manda o seu anjo, nas horas de dificuldades e desânimo, a fim de indicar-nos o caminho da con­templação divina e a fim de mostrar-nos, no Pão celeste, o alimento capaz de revigorar-nos para andar sem desfalecimento no caminho do deserto. Pedir-lhe que nos alcance a forca necessária para levantar-nos, á palavra do anjo, para comermos o Pão do céu e nos pormos a caminho. Deve ale­grar-nos sobremodo o fato de avistarmos no horizonte a montanha sagra­da, a perspectiva do céu. Sentir como Santo Elias o antegozo do paraíso. Predispor-nos para o exercício da presença de Deus no silêncio do nosso coração. Compenetrar-nos profundamente desta santa presença e viver nela.