Olhar Jornalístico

Semana Santa, Segunda-feira. Evangelho do Dia- Reflexões de Frei Carlos Mesters, O. Carm.

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Publicado em 30 março 2026
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1) Oração

Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 12, 1-11)

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele tinha ressuscitado dos mortos. 2Lá, ofereceram-lhe um jantar. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, então, tomando meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. A casa inteira encheu-se do aroma do perfume. 4Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que entregaria Jesus, falou assim: 5“Por que este perfume não foi vendido por trezentos denários para se dar aos pobres?” 6Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas, porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a! que ela o guarde em vista do meu sepultamento. 8Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis”. 9Muitos judeus souberam que ele estava em Betânia e foram para lá, não só por causa dele, mas também porque queriam ver Lázaro, que Jesus tinha ressuscitado dos mortos. 10Os sumos sacerdotes, então, decidiram matar também Lázaro, 11pois por causa dele muitos se afastavam dos judeus e começaram a crer em Jesus.

 

3) Reflexão

Estamos entrando na Semana Santa, a semana da páscoa de Jesus, da sua passagem deste mundo para o Pai (Jo 13,1). A liturgia de hoje coloca diante de nós o início do capítulo 12 do evangelho de João, que faz a ligação entre o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc.13-21). No fim do "Livro dos Sinais", apareceram com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-21.39) e o perigo que Jesus corria. Várias vezes tentaram matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto assim, que Jesus era obrigado a levar uma vida clandestina, pois podia ser preso a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).

João 12,1-2: Jesus, perseguido pelos judeus, vai à Betânia. Seis dias antes da páscoa, Jesus vai à Betânia na casa das suas amigas Marta e Maria e de Lázaro. Betânia significa Casa da Pobreza. Ele estava sendo perseguido pela polícia (Jo 11,57). Queriam matá-lo (Jo 11,50). Mesmo sabendo que a polícia estava atrás de Jesus, Maria, Marta e Lázaro receberam Jesus em casa e ofereceram um jantar para ele. Acolher em casa uma pessoa perseguida e oferecer-lhe um jantar era perigoso. Mas o amor faz superar o medo

João 12,3: Maria unge Jesus. Durante o jantar, Maria unge os pés de Jesus com meio litro de perfume de nardo puro (cf. Lc 7,36-50). Era um perfume cheiroso, caríssimo, de trezentos denários. Em seguida, ela enxuga os pés de Jesus com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume. Em todo este episódio, Maria não fala. Só age. O gesto cheio de simbolismo fala por si mesmo. Lavando os pés, Maria se faz servidora. Jesus vai repetir o gesto na última ceia (Jo 13,5).

João 12,4-6: Reação de Judas. Judas critica o gesto de Maria. Acha que é um desperdício. De fato, trezentos denários eram o salário de trezentos dias! O salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez! Judas acha que o dinheiro deveria ser dado aos pobres. O evangelista comenta que Judas não tinha nenhuma preocupação com os pobres, mas que era um ladrão. Tinha a bolsa comum e roubava dinheiro. Julgamento forte que condena Judas. Não condena a preocupação com os pobres, mas sim a hipocrisia que usa os pobres para se promover e se enriquecer. Nos seus interesses egoístas, Judas só pensava em dinheiro. Por isso não percebeu o que estava no coração de Maria. Jesus enxerga o coração e defende Maria.

João 12,7-8: Jesus defende a mulher. Judas olha o gasto e critica a mulher. Jesus olha o gesto e defende a mulher: “Deixa-a! Ela o conservou para o dia da minha sepultura!"  Em seguida, Jesus diz: "Pobres sempre tereis, mas a mim nem sempre tereis!"  Quem dos dois vivia mais perto de Jesus: Judas ou Maria? Como discípulo,Judas convivia com Jesus há quase três anos, vinte e quatro horas por dia. Fazia parte do grupo. Maria só o encontrava uma ou duas vezes ao ano, por ocasião das festas, quando Jesus vinha a Jerusalém e visitava a casa dela. Só a convivência sem o amor não faz conhecer. Tolhe o olhar. Judas era cego. Muita gente convive com Jesus e até o louva com muito canto, mas não o conhece de verdade nem o revela (cf. Mt 7,21). Duas afirmações de Jesus merecem um comentário mais detalhado: (1) “Pobres sempre tereis”, e (2) “Ela guardou o perfume para me ungir no dia do meu sepultamento”.

1. “Pobres sempre tereis” Será que Jesus quis dizer que não devemos preocupar-nos com os pobres, visto que sempre vai haver gente pobre? Será que a pobreza é um destino imposto por Deus? Como entender esta frase? Naquele tempo, as pessoas conheciam o Antigo Testamento de memória. Bastava Jesus citar o começo de uma frase do AT, e as pessoas já sabiam o resto. O começo da frase dizia: “Vocês vão ter sempre os pobres com vocês!” (Dt 15,11a). O resto da frase que o povo já conhecia e que Jesus quis lembrar, era este: “Por isso, eu ordeno: abra a mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu indigente, na terra onde você estiver!” (Dt 15,11b). Conforme esta Lei, a comunidade deve acolher os pobres e partilhar com eles seus próprios bens. Mas Judas, em vez de “abrir a mão em favor do pobre” e de partilhar com ele seus próprios bens, queria fazer caridade com o dinheiro dos outros! Queria vender o perfume de Maria por trezentos denários e usá-los para ajudar os pobres. Jesus cita a Lei de Deus que ensinava o contrário. Quem, como Judas, faz campanha com o dinheiro da venda dos bens dos outros, não incomoda. Mas aquele que, como Jesus, insiste na obrigação de acolher os pobres e de partilhar com eles os próprios bens, este incomoda e corre o perigo de ser condenado.

2. "Ela guardou esse perfume para me ungir no dia do meu sepultamento" A morte na cruz era o castigo terrível e exemplar, adotado pelos romanos para castigar os subversivos que se opunham ao império. Uma pessoa condenada à morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois ficava pendurada na cruz até que os animais comessem o cadáver, ou recebia sepultura rasa de indigente. Além disso, conforme a Lei do Antigo Testamento, ela devia ser considerada como "maldita por Deus" (Dt 21, 22-23). Jesus ia ser condenado à morte de cruz, conseqüência do seu compromisso com os pobres e da sua fidelidade ao Projeto do Pai. Não ia ter enterro. Por isso, depois de morto, não poderia ser ungido. Sabendo disso, Maria se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, ela mostra que aceitava Jesus como Messias, mesmo crucificado!  Jesus entende o gesto dela e o aprova.

*  João 12,9-11: A multidão e as autoridades. Ser amigo de Jesus pode ser perigoso. Lázaro corre perigo de morte por causa da vida nova que recebeu de Jesus. Os judeus decidiram matá-lo. Um Lázaro vivo era prova viva de que Jesus era o Messias. Por isso, a multidão o procurava, pois o povo queria experimentar de perto a prova viva do poder de Jesus. Uma comunidade viva corre perigo de vida porque é prova viva da Boa Nova de Deus!

 

4) Para um confronto pessoal

1) Maria foi mal interpretada por Judas. Você já foi mal interpretada alguma vez? Como você reagiu?

2) O que nos ensina o gesto de Maria? Que alerta nos traz a reação de Judas?

 

5) Oração final

O SENHOR é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é quem defende a minha vida; a quem temerei? Ele me dá abrigo na sua tenda no dia da desgraça. Esconde-me em sua morada, sobre o rochedo me eleva. (Sl 26, 1.5)

Jesus histórico e o Cristo da fé não são a mesma pessoa

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Publicado em 30 março 2026
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  • historiador David Flusser
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  • O Jesus histórico e o Cristo da fé
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Sustentação histórica é essencial para cristianismo e judaísmo

Semana Santa e Pessach são celebrados nas mesmas datas

 

Ilustração de Ricardo Cammarota para a coluna de Luiz Felipe Pondé de 30 de março de 2026 - Ricardo Cammarota/Folhapress 

 

Luiz Felipe Pondé

O Jesus histórico e o Cristo da fé (o Jesus Deus) não são a mesma pessoa. O Jesus histórico foi "apenas" um "entusiasta apocalíptico, um curandeiro e um mestre carismático", que morreu na cruz como inimigo de Roma, segundo o historiador Geza Vermes.

Como parte dessa figura histórica, será também essencial conhecer o contexto religioso no qual se deu o nascimento desse movimento apocalíptico conhecido como o judeu-cristianismo, em Israel do século 1º.

Como uma dessas fontes contextuais, o historiador David Flusser descreverá de forma primorosa como a seita conhecida como os "qumranitas" —criadores dos famosos manuscritos do mar Morto, encontrados nas cavernas de Qumran, em Israel, na segunda metade do século 20—, influenciaram muitas das ideias cristãs. Os "qumranitas" já existiam antes do nascimento de Jesus e dele foram contemporâneos, assim como dos primeiros anos da igreja de Jerusalém.

Entre outras, ideias como os filhos da luz versus os filhos das trevas, dos "qumranitas", serão essenciais para a concepção de predestinação da graça no cristianismo, assim como a afirmação forte de que o fim do mundo se aproximava, como acreditava Jesus, e que se manterá como marco escatológico da expectativa cristã do retorno de Cristo.

O Cristo da fé —pedra fundamental do cristianismo como religião histórica— será uma construção social levada a cabo por personagens como Paulo de Tarso, João, o evangelista, e Lucas, o evangelista —que provavelmente escreveu o "Ato do Apóstolos", texto que narra os dias de Jesus na Terra após sua ressurreição e os primeiros anos da nascente igreja cristã, principalmente personagens como Paulo e Pedro. E, finalmente, será também fundamental o Concílio de Niceia em 325 d.C., com suas discussões acerca da substância divina e humana de Cristo.

As cartas de Paulo estabelecerão que Jesus é o Cristo (o messias) que venceu a morte, o salvador universal da humanidade, e não unicamente um messias judeu para os judeus.

Outra fonte que construirá o Cristo da fé será o famoso prólogo do evangelho de João que, ao afirmar que "no princípio era verbo [logos], e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus" e mais adiante "e o verbo se fez carne e habitou entre nós", fundou a cristologia como a ciência que estuda o caráter divino, pré-existente de Jesus, o Cristo.

Esse caráter pré-existente de Cristo implica que o Cristo da fé já existia como espírito antes da geração milagrosa do seu corpo no ventre de Maria. Portanto, ele é incriado. Nele, nada há de "matéria de criatura", como afirmará acerca de si mesma, após a união plena com Deus, a mística herege Marguerite Porete, queimada em Paris em 1º de junho de 1310.

Em 325 d.C., o Concílio de Niceia afirmará, definitivamente, esse Cristo da fé como sendo aquele que tem a mesma substância do Pai, o Deus de Israel. Jesus será, a partir de então, Deus, e o cristianismo uma religião teologicamente unificada. O imperador Constantino foi quem chamou esse concílio dos bispos e dele participou.

Portanto, ao longo desse processo, serão construídas as bases do personagem de Cristo, não apenas do personagem do judeu Jesus, o profeta apocalíptico que, por si, não sustentaria a religião cristã.

Nesse sentido, reflete Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, no seu "Jesus de Nazaré" que, sem o Cristo da fé, o cristianismo teria permanecido como mera heresia judaica, condenada a desaparecer por conta da morte de seu profeta, Jesus, e do parco reconhecimento que ele teve entre seus conterrâneos judeus, como o esperado messias. Noutras palavras, o cristianismo não teria vingado.

Ratzinger não pretende com isso negar a importância do estudo histórico e crítico dos textos que servirão como fonte do cristianismo. Muito pelo contrário, a religião cristã, assim como sua "ancestral", o judaísmo, são religiões para as quais a sustentação histórica é pedra fundamental para sua existência enquanto religião.

Isto é, crer na historicidade das narrativas do Velho Testamento, ou Bíblia hebraica, e do Novo Testamento é essencial para a afirmação teológica de que o Deus único não só escolheu seu povo eleito e se envolveu na história deles, os judeus, como encarnou num deles, o Jesus de Nazaré.

Esta semana é a Semana Santa, na qual os cristãos celebram a paixão e a ressurreição de Cristo. Nesta mesma semana é Pessach, a Páscoa judaica, em que os judeus celebram a fuga da escravidão no Egito. Jesus, o judeu, celebrava este mesmo Pessach na noite que mais tarde ficou conhecida como a Santa Ceia. Boa Páscoa a todos. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

“Aprendi a ser padre nas esteiras dos Macuas”: 51 anos de missão do Pe. José Luzia

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Publicado em 28 março 2026
  • Pe. José Luzia
  • missionário português da Igreja em Nampula,
  • Moçambique
  • Arquidiocese de Nampula

Na Arquidiocese de Nampula (norte de Moçambique), o Padre José Luzia, missionário português com mais de cinco décadas de entrega à Igreja e ao povo moçambicano, assinalou esta sexta-feira, 27 de março de 2026, 51 anos de sacerdócio, recordando momentos marcantes da missão e deixando um apelo aos novos padres para uma Igreja mais próxima, participativa e sem clericalismo.

 

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

Celebrar 51 anos de sacerdócio é, para o missionário português da Igreja em Nampula, continuar a viver a mesma missão de sempre, servir o povo de Deus. Numa entrevista concedida à Rádio Vaticano por ocasião da data, o sacerdote disse que o sacerdócio só faz sentido quando está ao serviço das pessoas, sobretudo das mais necessitadas, sublinhando que a missão da Igreja não se limita apenas aos católicos, mas alcança todos os filhos de Deus.

Ao recordar a sua caminhada, o missionário falou de vários momentos que marcaram a sua vida e também a história de Moçambique, desde a sua chegada ao norte do país, nos finais da década de 1960, até ao período da luta anticolonial, da independência nacional e dos desafios vividos pela Igreja no pós-independência. Ordenado sacerdote em março de 1975, na Quinta-feira Santa, afirmou que procurou sempre viver o ministério em comunhão com o povo, atento às suas dores, esperanças e necessidades concretas.

Uma das expressões mais fortes do seu testemunho foi a afirmação de que “aprendeu a ser padre sentado na esteira dos Macuas”, numa referência à convivência próxima com as comunidades locais, onde encontrou o verdadeiro sentido do serviço missionário. Para ele, a Igreja deve ser um espaço de escuta, participação e comunhão, rejeitando atitudes de superioridade ou distância em relação ao povo.

Na mensagem dirigida aos novos padres e aos jovens que sentem o chamamento vocacional, o missionário apelou a uma vivência sacerdotal humilde, simples e centrada no serviço, defendendo que os padres não devem agir como donos da Igreja, mas como servidores do Evangelho e do povo. Ao olhar para os 51 anos de sacerdócio, disse que a maior alegria continua a ser a possibilidade de testemunhar, com a própria vida, que Jesus Cristo é o alimento de que o mundo mais precisa. Fonte: https://www.vaticannews.va

Sexta-feira, 27 de março-2026. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 27 março 2026
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  • 5ª SEMANA DA QUARESMA

 

1) Oração

Perdoai, ó Deus, nós vos pedimos, as culpas do vosso povo. E, na vossa bondade, desfazei os laços dos pecados que em nossa fraqueza cometemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 10, 31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 31Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedrejar. 32Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais? 33Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus. 34Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)? 35Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada), 36como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus? 37Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. 38Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai. 39Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos. 40Ele se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu. 41Muitos foram a ele e diziam: João não fez milagre algum, 42mas tudo o que João falou deste homem era verdade. E muitos acreditaram nele. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Estamos chegando perto da Semana Santa, em que comemoramos e atualizamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Desde a quarta semana da quaresma, os textos dos evangelhos diários são tirado quase exclusivamente do Evangelho de João, dos capítulos que acentuam a tensão dramática entre, de um lado, a revelação progressiva que Jesus faz do mistério do Pai que o enche por inteiro e, de outro lado, o fechamento progressivo da parte dos judeus que se tornam cada vez mais impenetráveis à mensagem de Jesus. O trágico deste fechamento é que ele é feito em nome da fidelidade a Deus. É em nome de Deus que eles rejeitam Jesus.

Esta maneira de João apresentar o conflito entre Jesus e as autoridade religiosas não é só algo que aconteceu no longínquo passado. É também um espelho que reflete o que acontece hoje. É em nome de Deus que algumas pessoas se transformam em bombas vivas e matam os outros. É em nome de Deus que nós, membros das três religiões do Deus de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, nos condenamos e nos combatemos mutuamente, ao longo da história. É tão difícil e tão necessário o ecumenismo entre nós. Em nome de Deus foram feitas muitas barbaridades e continuam sendo feitas até hoje. A quaresma é um período importante para parar e perguntar qual a imagem de Deus que habita o meu ser?

João 10,31-33: Os judeus querem apedrejar Jesus.  Os judeus apanham pedras para matar Jesus. Jesus pergunta: "Por ordem do meu Pai, tenho feito muitas coisas boas na presença de vocês. Por qual delas vocês me querem apedrejar?" A resposta: "Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus." Querem matar Jesus por blasfêmia. A lei mandava apedrejar tais pessoas.

João 10,34-36: A Bíblia chama todos de Filhos de Deus. Eles querem matar Jesus porque ele se faz passar por Deus. Jesus responde em nome da mesma Lei de Deus: "Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: 'Eu disse: vocês são deuses'? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus?”.

Estranhamente, Jesus diz “a lei de vocês”. Ele deveria dizer “nossa lei”. Por que ele fala assim? Aqui transparece novamente a ruptura trágica entre Judeus e Cristãos, dois irmãos, filhos do mesmo pai Abraão, que se tornaram inimigos irredutíveis a ponto de os cristãos dizerem “a lei de vocês”, como se não fosse mais nossa lei.

João 10,37-38: Ao menos acreditem nas obras que faço.  Jesus torna a falar das obras que ele faz e que são a revelação do Pai. Se não faço as obras do Pai não precisam crer em mim. Mas se as faço, mesmo que vocês não acreditem em mim, acreditem ao menos nas obras, para que você possam chegar a perceber que o Pai está em mim e eu no pai. As mesmas palavras Jesus vai pronunciar para os discípulos na última Ceia (Jo 14,10-11).

João 10,39-42: Novamente querem matá-lo, mas ele escapou das mãos deles.  Não houve nenhum sinal de conversão. Eles continuam achando que Jesus é blasfemo e insistem em querer matá-lo. Não há futuro para Jesus. Sua morte está decretada, mas sua hora ainda não chegou. Jesus sai e atravessa o Jordão para o lugar onde João tinha batizado. Assim mostra a continuidade da sua missão com a missão de João. Ajudava o povo a perceber a linha da ação de Deus na história. O povo reconhece em Jesus aquele que João tinha anunciado.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Os judeus condenam Jesus em nome de Deus, em nome da imagem que eles têm de Deus. Já aconteceu eu condenar alguém em nome de Deus e depois descobrir que eu estava errado?

2) Jesus se diz “Filho de Deus”. Quando eu professo no Credo que Jesus é o Filho de Deus, qual o conteúdo que eu coloco nesta minha profissão de fé?

 

5) Oração final

Eu te amo, SENHOR, minha força, SENHOR, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador; meu Deus, minha rocha, na qual me refugio; meu escudo e baluarte, minha poderosa salvação. (Sl 17, 2-3)

Coleta Nacional da Solidariedade: nosso jejum se converta no bem do próximo

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Publicado em 26 março 2026
  • Solidariedade,
  • Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
  • Coleta Nacional da Solidariedade,
  • gesto concreto de fraternidade
  • Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade

 

A Igreja abre, nos próximos dias, a Semana Santa. E nas celebrações de Domingo de Ramos é realizada a Coleta Nacional da Solidariedade, o gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Nascida com o objetivo de promover a fraternidade e sustentar a ação caritativa da Igreja no Brasil, a Campanha convida a transformar a prática da esmola quaresmal em ação concreta para a mudança da realidade social.

Essa proposta está presente no objetivo de todas as Campanhas da Fraternidade para despertar o senso concreto de fraternidade e caridade na comunidade cristã e em toda a comunidade civil.

O arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, escreveu em artigo publicado no jornal O São Paulo que a oferta ou “gesto concreto de fraternidade”, feito em todas as celebrações católicas do final de semana do Domingo de Ramos, “é mais do que uma esmola ocasional: ele deveria ser a expressão da nossa penitência e conversão quaresmal e da nossa generosa partilha com o próximo”.

E ele exemplifica: “ele poderia representar os cigarros que deixei de fumar como penitência quaresmal; ou a cerveja não tomada; ou algo supérfluo que deixei de comprar; ou aquilo que colocamos de lado ao longo da Quaresma para ser partilhado com o próximo como expressão de nossa penitência e conversão quaresmal”.

 

Expressão da esmola quaresmal

A Coleta Nacional da Solidariedade, realizada em todas as capelas, paróquias, santuários, catedrais do pais, convida à generosidade como expressão da esmola quaresmal.

“Sejamos generosos! Convertamos nosso jejum numa esmola que pode fazer a diferença. O nosso jejum, se ele não se converter em bem do próximo, ele é só economia e dieta, mas para que ele seja mesmo jejum, ele precisa se converter em bem do próximo”, exorta o padre Jean Poul Hansen, secretário executivo de Campanhas da CNBB.

Mesmo as pequenas doações, a esmola da viúva, fazem a diferença no conjunto da grande coleta da solidariedade.

 

“Talvez o meu jejum quaresmal não renda mais que 40, 50 reais. Mas os meus 40, 50 reais, somados aos outros 20, 30, 40, 50 oferecidos em todo o Brasil na Coleta Nacional da Solidariedade podem fazer uma grande diferença para quem sofre. E isso tem sido feito desde a origem da Campanha da Fraternidade”, motiva padre Jean Poul.

 

Fundos de Solidariedade

Os recursos arrecadados na Coleta Nacional da Solidariedade são destinados a dois fundos de solidariedade, conforme definido pela 36ª Assembleia Geral da CNBB, em 1998. O Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) fica com a maior parte dos valores: 60%. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela CNBB. O objetivo desses dois fundos é promover a sustentação da ação social da Igreja Católica no Brasil.

Em 2025, a Coleta Nacional da Solidariedade arrecadou cerca de R$20 milhões.

 

Projetos apoiados pelo FNS

Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) são destinados especialmente ao atendimento a projetos sociais em todas as regiões do país. Esses projetos são avaliados e escolhidos a partir do edital publicado nas primeiras semanas da Páscoa com a definição dos eixos, dos aspectos técnicos, administrativos e jurídicos que devem ser obedecidos para a seleção.

 

Em 2025, o FNS recebeu R$8.268.042,83.

Foram investidos R$7.236.241,90 no apoio a 234 aprovados pelo Conselho Gestor do FNS. Esses projetos beneficiaram diretamente 201.446 pessoas e alcançaram 717.523 de forma indireta. 

Saiba mais sobre os projetos apoiados no Portal da Transparência do FNS.

Além do apoio aos projetos sociais, os recursos do FNS são investidos na manutenção do Departamento Social da CNBB, responsável pela seleção dos projetos apresentados; na produção e distribuição de envelopes da CF; na realização do Seminário de Campanhas e na animação da CF nos Regionais; na realização das reuniões do Conselho Gestor do FNS, na promoção da CF e no pagamento de tarifas bancárias. Fonte: https://www.cnbb.org.br 

Quinta-feira, 26 de março-2026. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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1) Oração

Assisti, ó Deus, aqueles que vos suplicam e guardai com solicitude os que esperam em vossa misericórdia, para que, libertos de nossos pecados, levemos uma vida santa e sejamos herdeiros das vossas palavras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 8, 51-59)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 51Disse Jesus aos Judeus em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte. 52Disseram-lhe os judeus: Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte... 53És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu... e os profetas também. Quem pretendes ser? 54Respondeu Jesus: Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus 55e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra. 56Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria. 57Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão!... 58Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou. 59A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O capítulo 8 parece uma exposição de obras de arte, onde se podem admirar e contemplar famosas pinturas, uma ao lado da outra. O evangelho de hoje traz mais uma pintura, mais um diálogo entre Jesus e os judeus. Não há muito nexo entre uma e outra pintura. É o expectador ou a expectadora que, pela sua observação atenta e orante, consegue descobrir o fio invisível que liga entre si as pinturas, os diálogos. Deste modo vamos penetrando aos poucos no mistério divino que envolve a pessoa de Jesus. 

João 8,51: Quem guarda a palavra de Jesus jamais verá a morte. Jesus faz um solene afirmação. Os profetas diziam: Oráculo do Senhor! Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo!” E a afirmação solene é esta: “Se alguém guardar minha palavra jamais verá a morte!” De muitas maneiras este mesmo tema aparece e reaparece no evangelho de João. São palavras de grande profundidade

João 8,52-53: Abraão e os profetas morreram. A reação dos judeus é imediata: "Agora sabemos que estás louco. Abraão morreu e os profetas também. E tu dizes: 'se alguém guarda a minha palavra, nunca vai experimentar a morte'. Por acaso, tu és maior que o nosso pai Abraão, que morreu? Os profetas também morreram. Quem é que pretendes ser?"  Eles não entenderam o alcance da afirmação de Jesus. Diálogo de surdos..

João 8,54-56: Quem me glorifica é meu Pai. Sempre de novo Jesus bate na mesma tecla: ele está de tal modo unido ao Pai que nada do que ele diz e faz é dele. Tudo é do Pai. E ele acrescenta: "Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vocês dizem que é o Pai de vocês. Vocês não o conhecem, mas eu o conheço. Se dissesse que não o conheço, eu seria mentiroso como vocês. Mas eu o conheço e guardo a palavra dele. Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria." Estas palavras de Jesus devem ter sido como uma espada a ferir a auto-estima dos judeus. Dizer às autoridades religiosas: “Vocês não conhecem o Deus que vocês dizem conhecer. Eu o conheço e vocês não o conhecem!”, é o mesmo que acusa-las de total ignorância exatamente naquele assunto no qual eles pensam ser doutores especializados. E a palavra final encheu a medida: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria”.

João 8,57-59: Não tens 50 anos e já viu Abraão! Tomaram tudo ao pé de a letra mostrando assim que não entenderam nada do que Jesus estava dizendo. E Jesus faz nova afirmação solene: “Em verdade, em verdade digo a vocês: antes que Abraão existisse, EU SOU!” Para quem crê em Jesus, é aqui que alcançamos o coração do mistério da história. Novamente pedras para matar Jesus. Nem desta vez o conseguiram, pois a hora ainda não chegou. Quem determina o tempo e a hora é o próprio Jesus.

 

4) Para um confronto pessoal

 1) Diálogo de surdos entre Jesus e os judeus. Você já teve alguma vez a experiência de conversar com alguém que pensa exatamente o oposto de você e não se dá conta disso?

2) Como entender esta frase: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria” ?

 

5) Oração final

Procurai o SENHOR e o seu poder, não cesseis de buscar sua face. Lembrai-vos dos milagres que fez, dos seus prodígios e dos julgamentos que proferiu. (Sl 104, 4-5)

Terça-feira, 24 de março-2026. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 24 março 2026
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1) Oração

Concedei-nos, ó Deus, perseverar no vosso serviço para que, em nossos dias, cresça em número e santidade o povo que vos serve. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 8, 21-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 21Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir. 22Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir? 23Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado. 25Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro. 26Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo. 27Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. 28Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado. 30Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Na semana passada, a liturgia nos levava a meditar o capítulo 5 do Evangelho de João. Esta semana ela nos confronta com o capítulo 8 do mesmo evangelho. Como o capítulo 5, também o capítulo 8 contém reflexões profundas sobre o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Aparentemente, trata-se de diálogos entre Jesus e os fariseus (Jo 8,13). Os fariseus querem saber quem é Jesus. Eles o criticam por ele dar testemunho de si mesmo sem nenhuma prova ou testemunho para legitimar-se diante do povo (Jo 8,13). Jesus responde dizendo que ele não fala a partir de si mesmo, mas sempre a partir do Pai e em nome do Pai (Jo 8,14-19).

Na realidade, os diálogos são também expressão de como era a transmissão catequética da fé nas comunidades do discípulo amado no fim do primeiro século. Eles refletem a leitura orante que os cristãos faziam das palavras de Jesus como expressão da Palavra de Deus. O método de pergunta e resposta ajudava-os a encontrar a resposta para os problemas que, naquele fim de século, os judeus levantavam para os cristãos. Era uma maneira concreta de ajudar a comunidade a ir aprofundando sua fé em Jesus e sua mensagem.

João 8,21-22: Onde eu vou, vocês não podem me seguir. Aqui João aborda um novo assunto ou um outro aspecto do mistério que envolve a pessoa de Jesus. Jesus fala da sua partida e diz que, para onde ele vai, os fariseus não podem segui-lo. “Eu vou e vocês me procuram e vão morrer no seu pecado”. Eles procuram Jesus, mas não vão encontra-lo, pois não o conhecem e o procuram com critérios errados. Eles vivem no pecado e vão morrer no pecado. Viver no pecado é viver afastado de Deus. Eles imaginam Deus de um jeito, e Deus é diferente do que eles o imaginam. Por isso não são capazes de reconhecer a presença de Deus em Jesus. Os fariseus não entendem o que Jesus quer dizer e tomam tudo ao pé da letra: “Será que ele vai se matar?” 

João 8,23-24: Vocês são aqui de baixo e eu sou lá de cima. Os fariseus se orientam em tudo pelos critérios deste mundo. “Vocês são deste mundo e eu não sou deste mundo!” O quadro de referências que orienta Jesus em tudo que ele diz e faz é o mundo lá de cima, isto é, Deus, o Pai, e a missão que recebeu do Pai. O quadro de referências dos fariseus é o mundo cá de baixo, sem abertura, fechado nos seus próprios critérios. Por isso, eles vivem em pecado. Viver em pecado é não ter o olhar de Jesus sobre a vida. O olhar de Jesus é totalmente aberto para Deus a ponto de Deus estar nele em toda a sua plenitude (cf. Col 1,19). Nós dizemos: “Jesus é Deus”. João nos convida a dizer: “Deus é Jesus!”. Por isso, Jesus diz. “Se vocês não acreditarem que EU SOU, vocês vão morrer em seus pecados”. EU SOU é a afirmação com que Deus se apresentou a Moisés no momento de libertar o seu povo da opressão do Egito (Ex 3,13-14). É a expressão máxima da certeza absoluta de que Deus está no meio de nós através de Jesus. Jesus é a prova definitiva de que Deus está conosco. Emanuel.

João 8,25-26: Quem è você?   O mistério de Deus em Jesus não cabe nos critérios com que os fariseus olham para Jesus. De novo perguntam: “Quem è você?” Eles nada entenderam porque não entendem a linguagem de Jesus. Jesus teria muito a falar a eles a partir de tudo que ele experimentava e vivia em contato com o Pai e a partir da consciência da sua missão. Jesus não se auto-promove. Ele apenas diz e expressa o que ouve do Pai. Ele é pura revelação porque é pura e total obediência.

João 8,27-30: Quando vocês tiverem elevado o Filho do Homem saberão que EU SOU.  Os fariseus não entendem que Jesus, em tudo que diz e faz, é expressão do Pai. Só vão compreendê-lo depois que tiverem elevado o Filho do Homem. “Aí vocês saberão que EU SOU”. A palavra elevar tem o duplo sentido de elevar sobre a Cruz e de ser elevado à direita do Pai. A Boa Nova da morte e ressurreição vai revelar quem é Jesus, e eles saberão que Jesus é a presença de Deus no meio de nós. O fundamento desta certeza da nossa fé é duplo: de um lado, a certeza de que o Pai está sempre com Jesus e nunca o deixa sozinho e, de outro lado, a radical e total obediência de Jesus ao Pai, pela qual ele se torna abertura total e total transparência do Pai para nós

 

4) Para um confronto pessoal

 1) Quem se fecha nos seus critérios e acha que já sabe tudo, nunca será capaz de compreender o outro. Assim eram os fariseus frente a Jesus. E eu frente aos outros, como me comporto?

2) Jesus é radical obediência ao Pai e por isso é total revelação do Pai. E eu, que imagem de Deus se irradia a partir de mim?

 

5) Oração final

SENHOR, escuta minha oração, e chegue a ti meu clamor. Não me ocultes teu rosto no dia da minha angústia. Inclina para mim teu ouvido; quando te invoco, atende-me depressa. (Sl 101, 2-3)

*5º Domingo da Quaresma: Um Olhar

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Publicado em 22 março 2026
  • Evangelho Dominical,
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  • REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA,
  • Homilia do 5º domingo da Quaresma
  • Lázaro
  • amigo de Jesus chamado Lázaro

Na quinta etapa do nosso caminho quaresmal, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à conversão, ao reencontro com Deus, à vida nova. Este é o tempo de desatar os nós que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do nosso comodismo e de abraçar aquela oferta irrecusável de vida que Deus insistentemente nos faz.

O Evangelho oferece-nos – a partir da história de um amigo de Jesus chamado Lázaro – uma magnífica catequese sobre o projeto de vida que Deus tem para o homem. Diz-nos que Jesus veio ao nosso encontro, enviado por Deus, para nos oferecer uma vida que a morte nunca poderá vencer. Àqueles que manifestam interesse em acolher essa vida, Jesus garante-lhes: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Chegamos à vida se ousarmos seguir atrás de Jesus, como discípulos.

 

EVANGELHO – João 11,1-45

INTERPELAÇÕES

 

Há em cada um de nós um desejo insaciável de vida e, por isso, passamos cada instante a lutar por mais e mais vida. Agarramo-nos à ciência e, sobretudo, à medicina para prolongarmos a nossa vida biológica tanto quanto possível. Contudo, apesar de todas as possibilidades que a ciência nos oferece para vencer as dores e enfermidades, deparamo-nos a cada instante com a nossa finitude, os nossos limites, o “tempo curto” da nossa caminhada aqui na terra. Sentimo-nos impotentes diante de uma realidade – a morte – que não podemos controlar e que parece pôr um ponto final nos nossos melhores sonhos, anseios, desejos, projetos e realizações. Porque é que não podemos prolongar para sempre a nossa vida? Porque é que temos de, a certa altura, deixar aqueles que mais amamos? Que vai ser de nós quando se esgotar o nosso tempo aqui na terra? O que podemos fazer diante da realidade da morte? Muitos recusam-se a pensar nestas questões e limitam-se a aproveitar cada instante da existência o melhor possível, sem terem em conta qualquer horizonte futuro. Mas podemos, simplesmente, viver cada dia sem assumirmos uma atitude consciente e responsável sobre o nosso fim último, a realidade que nos espera depois da nossa peregrinação pela terra? Como equacionamos estas questões? Como nos situamos face a elas?

O autor do Quarto Evangelho oferece-nos hoje uma catequese sobre a temática da morte e da vida. A partir dos acontecimentos que enlutaram uma família amiga de Jesus (a morte de um homem chamado Lázaro, um dos membros dessa família), o nosso catequista diz-nos que a nossa vida nesta terra terá um fim e que isso é inevitável. Trata-se de algo que resulta da nossa finitude, dos nossos limites, da nossa debilidade, da nossa condição de criaturas. Mas a incontornável morte biológica não será o nosso fim, a última palavra de Deus sobre nós. Aquilo a que chamamos “morte” será uma espécie de “sono” do qual acordaremos nos braços amorosos do nosso Pai do céu. O crente não sabe mais do que os outros homens, nem tem uns óculos especiais para ver aquilo que os outros homens não conseguem ver; mas o crente aproxima-se da morte física com uma confiança radical na bondade, na misericórdia e no amor de Deus… Portanto, o crente acredita que a morte física não é destruição e aniquilação, mas sim a passagem para Deus, para a vida definitiva. Jesus, depois de dialogar com Marta, irmã de Lázaro, sobre esse horizonte de eternidade, perguntava-lhe: “acreditas nisto?” E nós, acreditamos nisto?

O “catequista” que nos conta a história de Lázaro, está convicto do poder salvador de Jesus. A sua certeza de que Jesus é fonte de vida é tão grande que, a certa altura, põe na boca de Jesus as seguintes palavras: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. O que é “acreditar” em Jesus? É aderir a Ele, escutar e acolher as suas palavras, viver ao seu estilo, assumir os seus valores, segui-l’O no caminho do amor, do serviço, do dom da própria vida. Ora, foi precisamente essa a opção que fizemos no dia do nosso batismo: “acreditar” em Jesus; e, ao fazê-lo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a vida eterna. Já agora: temos vivido de forma coerente com essa opção? Vivemos conscientes de que a fidelidade a Jesus é fonte de vida eterna?

O adeus definitivo a uma pessoa que nos é querida e que a morte nos arrebata mergulha-nos sempre numa dor sem remédio. Porque temos de perder aqueles que amamos e que enchem as nossas vidas de luz? A ausência, a saudade, deixam-nos um enorme vazio, um vazio que não conseguimos preencher senão com lágrimas. É mesmo assim: essas lágrimas são o preço do amor. O próprio Jesus, diante da “partida” do seu amigo Lázaro, chorou. A nossa relação com aquela pessoa que amávamos estará definitivamente terminada? O adeus que lhe dissemos será um adeus até nunca mais? Jesus, depois de chorar pelo seu amigo Lázaro, chegou ao sepulcro onde Lázaro estava e mandou tirar aquela pedra que separava o mundo dos mortos do mundo dos vivos. Queria, talvez, dizer que essa separação não tinha sentido. Avisaram-no de que Lázaro estava morto há quatro dias e que “já cheirava mal”. Jesus limita-se a gritar: “Lázaro, sai para fora”. E, à voz de Jesus, Lázaro sai para fora para mostrar a todos que está vivo. Tem os pés e as mãos “enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário”. Traz consigo os sinais e as ligaduras da morte. No entanto, sai do sepulcro pelo seu próprio pé. Lázaro, sepultado há quatro dias, está vivo. O que é que o nosso “catequista” quer dizer com isto? Simplesmente que os nossos queridos mortos, aqueles de quem nos despedimos e abandonamos num sepulcro, estão vivos! Deus não os abandonou. Conscientes disso, retiremos a “pedra” que nos afasta dos que já partiram. Não os perdemos. Eles estão vivos. De junto de Deus, eles continuam a acompanhar-nos e a amar-nos. Isso não será, para nós, motivo de consolação e de esperança?

Estamos a percorrer o “caminho quaresmal”, o caminho que nos leva em direção à Páscoa, à vida nova, à Ressurreição. É uma boa oportunidade para redescobrirmos o compromisso que assumimos no dia do nosso batismo e para redirecionarmos o sentido da nossa existência. Talvez as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, estejam enfaixados por ligaduras que nos prendem na morte e que nos impedem de sair dos túmulos sujos em que nos deixamos encerrar pelo nosso egoísmo, pelo nosso comodismo, pelo nosso orgulho, pela nossa ambição, pela nossa autossuficiência… Talvez necessitemos de prestar atenção à voz de Jesus que nos chama (“Lázaro, sai para fora”) e que nos convida a começar uma vida nova, uma vida gloriosa e cheia de sentido. Quais são as “ataduras” que nos mantêm agarrados a uma vida de sombras e de escravidões? Nesta Páscoa, estamos dispostos a ressuscitar com Jesus e a passar com Ele da morte para a vida?

*Leia na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.

Vaticano pede que instituições católicas deixem de investir no setor minerador: 'é um pecado'

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Publicado em 21 março 2026
  • Plataforma de Desinvestimento em Mineração
  • cardeal italiano Fabio Baggio,
  • rede ecumênica Igrejas e Mineração da América Latina,
  • documento histórico do papa Papa Francisco sobre ecologia

Iniciativa se inspira na encíclica Laudato Si', documento histórico do papa Papa Francisco sobre ecologia

 

Papa Leão XIV — Foto: Alberto Pizzoli/AFP

 

Por O Globo com AFP

O Vaticano lançou nesta sexta-feira a "Plataforma de Desinvestimento em Mineração", o documento incentiva instituições católicas a deixarem de investir no setor minerador, priorizando áreas mais éticas em relação ao impacto ambiental, chamado. O projeto se baseia na rede ecumênica Igrejas e Mineração da América Latina, que denuncia desde 2013 a violência ligada à expansão da mineração, com o apoio de mais de 40 instituições.

0s coordenadores da iniciativa pediram que organizações católicas rompam vínculos financeiros com o setor minerador, sem detalhar o alcance dessa medida.

— Em muitas regiões do mundo, a expansão da indústria mineradora causou profundas tensões sociais e graves consequências ambientais — afirmou o cardeal italiano Fabio Baggio, número dois do departamento do Vaticano responsável por questões ambientais, durante uma coletiva de imprensa.

O bispo brasileiro Vicente Ferreira também destacou a preocupação com o crescimento da inteligência artificial, que tem provocado uma explosão na demanda por minerais como o cobalto, usado na fabricação de ímãs, baterias e componentes essenciais para servidores de informática.

— A inteligência artificial é um bom exemplo de quantos recursos minerais são consumidos pelas empresas de tecnologia — afirmou o bispo, que pediu a essas companhias que tratem os trabalhadores de forma justa e respeitem o meio ambiente.

Em entrevista ao Vatican News, o bispo brasileiro afirmou que "seria uma contradição da nossa Igreja, que prega a defesa dos mais pobres e a ecologia integral, fazer parceria com empreendimentos que estão destruindo nossos territórios. Isso seria um pecado".

 

Seguindo os passos de Francisco

A iniciativa se inspira na encíclica Laudato Si' (2015), um documento histórico do papa Papa Francisco sobre a proteção ambiental, que desenvolveu o conceito de ecologia integral. Nessa linha, em 2020 o Vaticano já havia pedido que instituições católicas deixassem de investir em indústrias de combustíveis fósseis e armamentos. O papa Papa Leão XIV seguiu o mesmo caminho e defendeu a necessidade de proteger a natureza e os direitos trabalhistas.

— É essencial ouvir a voz das comunidades que sofrem diretamente com as dificuldades e conflitos causados pela exploração mineradora, legal e ilegal — disse o cardeal Baggio, e acrescentou — não podemos nos calar diante de injustiças flagrantes”.

Muitas dessas comunidades, pertencentes às “periferias” das quais o papa Francisco se tornou porta-voz, vivem na América do Sul, África e Ásia. O cardeal Álvaro Ramazzini, bispo na Guatemala, denunciou a exploração de ouro em seu país, onde os lucros vão para países do Norte enquanto a população local sofre com a contaminação por cianeto.

— A questão é fazer governos e empresas entenderem que legalidade nem sempre coincide com justiça — destacou o cardeal. Fonte: https://oglobo.globo.com

Sexta-feira, 20 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 20 março 2026
  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
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  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • Frei Carlos Mesters, O. Carm
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  • Lectio Divina do Frei Carlos Mesters,
  • Frei Carlos Mesters,Frei Carlos Mesters,

 

1) Oração

Ó Deus, que preparastes para nossa fraqueza os auxílios necessários à nossa renovação, dai-nos recebê-los com alegria e vê-los frutificar em nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 7, 1-2.10.25-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 1Jesus percorria a Galiléia. Ele não queria deter-se na Judéia, porque os judeus procuravam tirar-lhe a vida. 2Aproximava-se a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. 10Mas quando os seus irmãos tinham subido, então subiu também ele à festa, não em público, mas despercebidamente. 25Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: Não é este aquele a quem procuram tirar a vida? 26Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo? 27Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja. 28Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou!... Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis. 29Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou. 30Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

Ao longo dos capítulos 1 a 12 do Evangelho de João, vai acontecendo a progressiva revelação que Jesus faz de si mesmo aos discípulos e ao povo. Ao mesmo tempo e na mesma proporção, vai crescendo o fechamento e a oposição das autoridades contra Jesus a ponto de elas decidirem a condenação e a morte de Jesus (Jo 11,45-54). O capítulo 7, que meditamos no evangelho de hoje, é uma espécie de balanço no meio do caminho. Já faz prever como será o desfecho final.

João 7,1-2.10: Jesus decide ira à festa dos Tabernáculos em Jerusalém. A geografia da vida de Jesus no evangelho de João é diferente da geografia nos outros três evangelhos. É mais completa. Conforme os outros evangelhos, Jesus foi apenas uma única vez a Jerusalém, aquela em que ele foi preso e morto. Conforme o evangelho de João, Jesus foi no mínimo duas ou três vezes a Jerusalém para a festa de Páscoa. Por isso sabemos que a vida pública de Jesus durou em torno de três anos. O evangelho de hoje informa que Jesus se dirigiu mais uma vez para Jerusalém, mas não publicamente. Foi às ocultas, pois na Judéia os judeus queriam matá-lo.

Tanto aqui no capítulo 7 como nos outros capítulos, João fala de “judeus”, e de “vocês judeus”, como se ele e Jesus não fossem judeus. Esta maneira de falar reflete a situação da trágica ruptura que ocorreu no fim do primeiro século entre os judeus (Sinagoga) e os cristãos (Ecclesia). Ao longo dos séculos, esta maneira de falar do evangelho de João contribuiu para fazer crescer o anti-semitismo. Hoje, é muito importante tomar distância desta polêmica para não alimentar um antissemitismo. Nunca podemos esquecer Jesus é judeu. Nasceu judeu, viveu como judeu e morreu como judeu. Toda a sua formação é da religião e da cultura dos judeus.

João 7,25-27: Dúvidas dos habitantes de Jerusalém a respeito de Jesus.  Jesus está em Jerusalém e fala publicamente às pessoas que querem ouvi-lo. O povo fica confuso. Sabe que querem matar Jesus e ele anda solto aos olhos de todos. Será que as autoridades reconheceram que ele é o Messias? Mas como é que Jesus pode ser o messias? Todos sabem que ele vem lá de Nazaré, mas do messias, assim se ensinava, ninguém sabe a origem.

João 7,28-29: Esclarecimento da parte de Jesus.  Jesus fala da sua origem. “Vocês sabem de onde eu sou”. Mas o que o povo não sabe é a vocação e a missão que Jesus recebeu de Deus. Ele não veio por própria vontade, mas como todo profeta veio obedecendo a uma vocação, que é o segredo da vida dele. “Eu não vim por mim mesmo. Quem me enviou é verdadeiro, e vocês não o conhecem. Mas eu o conheço, porque venho de junto dele, e foi ele quem me enviou."

João 7,30: Ainda não chegara a hora.  Quiseram prender Jesus, mas ninguém pôs a mão nele, “porque ainda não chegara a sua hora”. No evangelho de João quem determina a hora e o rumo dos acontecimento não são os que detêm o poder, mas é o próprio Jesus. Ele é que determina a hora (cf. Jo 2,4; 4,23; 8,20; 12.23.27; 13,1; 17,1). Mesmo pendurado na cruz, é Jesus quem determina até a hora de morrer (Jo 19,29-30).

 

4) Para um confronto pessoa

 

1) Como eu vivo o meu relacionamento com os judeus? Descobri alguma vez um pouco de antissemitismo dentro de mim? Consegui elimina-lo?

2) Como no tempo de Jesus, hoje em dia, há muitas idéias e opiniões novas sobre as coisas da fé. Como faço? Eu me agarro às idéias antigas e me fecho nelas, ou procuro entender o porque das novidades?

 

5) Oração final

O SENHOR está perto de quem tem o coração ferido, salva os ânimos abatidos. Muitas são as desventuras do justo, mas de todas o SENHOR o livra. (Sl 33)

Megatemplo católico de frei Gilson será construído em terreno de R$ 22 milhões na zona sul de SP

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Publicado em 20 março 2026
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Organização do frade comprou área de 86 mil metros quadrados próximo à estação Bruno Covas

Inspiração é Nossa Senhora de Guadalupe, representação mariana abraçada por movimentos pró-vida

 

Anna Virginia Balloussier

São Paulo

 

Frei Gilson, hoje um dos nomes de maior voltagem do catolicismo brasileiro, com lives de madrugada que arrebatam multidões, está construindo na zona sul de São Paulo um centro dedicado a "contemplação e oração".

O projeto, ainda cercado de discrição, prevê um complexo religioso de grandes proporções, com capela para 500 pessoas, hospedagem para retiros espirituais e espaços inspirados nas aparições de Nossa Senhora de Guadalupe.

Apuração da Folha descobriu documentos imobiliários e registros públicos indicando a localização do empreendimento, que até então era mantida em segredo. Será em um terreno entre os bairros Capela do Socorro e São Rafael.

Frei Gilson confirmou ao jornal o endereço, numa área próxima à estação Bruno Covas-Mendes/Vila Natal da ViaMobilidade. A aquisição, segundo nota enviada por sua assessora, "foi possível graças à generosidade de fiéis de diversas partes do mundo, por meio de doações espontâneas".

Registros do CNPJ mostram que a iniciativa está vinculada à Obra de Nossa Senhora de Guadalupe, organização presidida por Gilson da Silva Pupo Azevedo, nome de batismo do frade. A entidade aparece como responsável por compras recentes de terrenos na zona sul da capital.

Matrículas do 11º Cartório de Registro de Imóveis indicam que a instituição comprou áreas pertencentes à empresa Sítio Montesol Sociedade Civil Agrícola Ltda. Uma das transações envolve um terreno de mais de 86 mil metros quadrados na avenida Cavaleiros de São Lázaro, na região de Capela do Socorro, adquirido por R$ 21,9 milhões no final de 2025.

É um tamanho próximo ao terreno do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Os documentos também registram uma alienação fiduciária associada ao negócio, estipulando o parcelamento do valor em 18 prestações mensais de cerca de R$ 1 milhão cada. É um mecanismo comum em compras financiadas: o imóvel fica como garantia da dívida até que todas as parcelas sejam quitadas.

Em material de divulgação apresentado a fiéis, o futuro complexo é descrito como um "oásis de espiritualidade" voltado à "adoração perpétua 24 horas por dia". A inspiração do projeto nasceu "no coração de dom José Negri", bispo da Diocese de Santo Amaro, que confiou a missão a frei Gilson.

O frade responde a dom Negri na hierarquia católica. O bispo lhe pediu que criasse um projeto "no qual ele pudesse exercer seu carisma de forma mais estruturada dentro da própria diocese, mas com alcance para o Brasil e para o mundo", frei Gilson afirma à reportagem. Acolheu essa proposta "como um chamado de Deus, reconhecendo na voz do bispo a vontade divina para sua vida".

O plano inclui uma capela aberta 24 horas por dia, com capacidade para 500 pessoas. A estrutura também contará com estúdio para gravação do rosário, uma casa para convidados e prédios administrativos.

Outro eixo são os retiros espirituais. O plano é que tenham cerca de 200 quartos individuais para hospedagem de fiéis interessados em períodos de silêncio e oração.

O conjunto também deve abrigar cinco pequenas capelas temáticas dedicadas às aparições de Nossa Senhora de Guadalupe ao indígena Juan Diego, episódio fundador da devoção à Virgem Maria no México.

Juan Diego, de origem asteca, tornou-se peça fundamental na história da Virgem de Guadalupe.

Rezam as lendas mexicanas que, em 1531, ele teve a visão de uma Virgem Maria com pele negra e caiu de joelhos no monte Tepeyac, mesmo pico onde indígenas adoravam sua deusa Tonantzin. Essa imagem desencadeou uma conversão em massa para a fé dos conquistadores espanhóis, e Juan Diego foi feito santo quase meio milênio depois, em 2002, canonizado pelo papa João Paulo 2º.

A escolha da devoção à Virgem de Guadalupe, segundo o frade, está diretamente ligada à sua espiritualidade. "Trata-se do título mariano ao qual ele possui maior devoção", diz sua assessoria. Mariano é tudo o que se relaciona a Maria, mãe de Jesus.

O religioso já tem por hábito invocar "a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, com inúmeros testemunhos de graças e milagres", de acordo com sua equipe. "Há também um fundamento missionário: a Virgem de Guadalupe é reconhecida como a grande evangelizadora das Américas, tendo conduzido à conversão de milhões de indígenas no México, chegando a cerca de 9 milhões de batizados."

O antropólogo Rodrigo Toniol, estudioso do catolicismo, chama atenção para o simbolismo dessa escolha. "Nossa Senhora de Guadalupe, nas últimas três décadas, passou a ser muito mobilizado por grupos de um campo conservador", sobretudo "em relação a direitos sexuais e reprodutivos".

Alçá-la a Virgem Protetora da América Latina é também fortalecer sua imagem como "a santa que protege as vidas diante do perigo do aborto, do perigo do avanço do feminismo etc.", afirma Toniol.

Outro ponto digno de nota, segundo o antropólogo, é como essa fé cristã passou por um momento "veja só, o catolicismo não está morto, ele ressurge com força na internet". Porém, esse movimento não ficou só na vida digital e mantém sua essência como uma "religião de corpo", exigindo o encontro em espaços reais.

Essa transição do ambiente virtual para o mundo offline é comparada à trajetória de figuras como o padre Marcelo Rossi, reforçando uma tradição de evangelização de massa.

O terreno que abrigará o projeto sob batuta de frei Gilson já está "100% pago graças à generosidade de tantos fiéis", diz texto despachado para fiéis no WhatsApp. O frade, aliás, "estará lá com frequência, conduzindo retiros e gravando conteúdos".

Para começar, as obras dependem de aprovações e licenças dos órgãos competentes da prefeitura. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de elaboração técnica e regularização. Não há data prevista para conclusão, mas a diocese trabalha com algo em torno de sete anos.

O centro tem um perfil no Instagram com 255 mil seguidores, e os 12,4 milhões que seguem frei Gilson só nessa rede social também ficam a par das obras. "Juntos alcançamos 38,61% da arrecadação para as três primeiras construções", diz um post publicado nesta segunda (16).

O dinheiro vem de doações de fiéis. A assessoria do frade diz que, até aqui, não há participação de recursos públicos. "Trata-se de uma iniciativa mantida pela fé e pela generosidade de pessoas que acreditam na proposta e reconhecem sua importância para a evangelização."

Outra fonte de renda, uma lojinha virtual, tem quatro produtos anunciados, três deles fora de estoque. O único disponível era um "caderno de meditação" vendido por R$ 39,90. Inspirado, segundo a descrição, "pela ternura maternal de Nossa Senhora de Guadalupe", ele convida o comprador a registrar "orações, reflexões e os movimentos sutis do Espírito em sua vida". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Quarta-feira, 18 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 18 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que recompensais os méritos dos justos e perdoais aos pecadores que fazem penitência, sede misericordioso para conosco: fazei que a confissão de nossas culpas alcance o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 5, 17-30)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33e o seu reino não terá fim. 34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de João è diferente dos outros três. Ele revela uma dimensão mais profunda que só a fé consegue perceber nas palavras e gestos de Jesus. Os Padres da Igreja diziam que o Evangelho de João é “espiritual”, revela aquilo que o Espírito faz descobrir nas palavras de Jesus (cf. Jo 16,12-13). Um exemplo bonito desta dimensão espiritual do evangelho de João é o trecho que meditamos hoje.

João 5,17-18:  Jesus explicita o significado profundo da cura do paralítico. Criticado pelos judeus por ter feito uma cura em dia de sábado, Jesus responde: “Meu Pai trabalha até agora e por isso eu também trabalha!”. Os judeus ensinavam que em dia de sábado não se podia trabalhar, pois até o próprio Deus descansou e não trabalhou no sétimo dia da criação (Ex 20,8-11). Jesus afirma o contrário. Ele diz que o Pai não parou de trabalhar até agora. Por isso, ele, Jesus, também trabalha, mesmo em dia de sábado. Ele imita o Pai! Para Jesus, a obra criadora não terminou. Deus continua trabalhando, sem cessar, dia e noite, sustentando o universo e a todos nós. Jesus colabora com o Pai dando continuidade à obra da criação, para que um dia todos possam entrar no repouso prometido. A reação dos judeus foi violenta. Querem matá-lo por dois motivos: por negar o sentido do sábado e por se dizer igual a Deus.

João 5,19-21: É o amor que deixa transparecer a ação criadora de Deus. Estes versículos revelam algo do mistério do relacionamento entre Jesus e o Pai. Jesus, o filho, vive em atenção permanente diante do Pai. Aquilo que vê o Pai fazer, ele também faz. Jesus é o reflexo do Pai. É a cara do Pai! Esta atenção total do Filho ao Pai, faz com que o amor do Pai possa entrar totalmente no Filho e, através do Filho, realizar a sua ação no mundo. A grande preocupação do Pai é vencer a morte e fazer viver. A cura do paralítico foi uma forma de tirar as pessoas da morte e faze-las viver. É uma forma de dar continuidade à obra criadora do Pai.

João 5,22-23: O Pai não julga, mas confiou o julgamento ao filho. O decisivo na vida é a maneira como nós nos situamos frente ao Criador, pois dele dependemos radicalmente. Ora, o Criador se faz presente para nós em Jesus. Em Jesus habita a plenitude da divindade (cf. Col 1,19). Por isso, é na maneira como nos definimos diante de Jesus, que expressamos nossa posição frente ao Deus Criador. O que o Pai quer é que o conheçamos e honremos na revelação que Ele fez de si mesmo em Jesus.

João 5,24: A vida de Deus em nós através de Jesus. Deus é vida, é força criadora. Onde ele se faz presente, a vida renasce. Ele se faz presente através da Palavra de Jesus. Quem escuta a palavra de Jesus como sendo de Deus já está ressuscitado. Já recebeu o toque vivificante que o leva para além da morte. Já passou da morte para a vida. A cura do paralítico é a prova disso.

João 5,25-29: A ressurreição já está acontecendo. Os mortos somos todos nós que ainda não nos abrimos para a voz de Jesus que vem do Pai. Mas “vem a hora, e é agora, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que o ouvirem viverão”. Com a palavra de Jesus, vinda do. Pai, iniciou-se a nova criação. Ela já está em andamento. A palavra criadora de Jesus vai atingir a todos, mesmo os que já morreram. Eles ouvirão e viverão.

João 5,30: Jesus é o reflexo do Pai. “Por mim mesmo nada posso fazer, eu julgo segundo o que ouço, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas sim a vontade daquele que me enviou”. Esta frase final é o resumo de tudo que foi refletido anteriormente. Esta era a compreensão que as comunidades da época de João tinham e irradiavam a respeito de Jesus.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Como você imagina o relacionamento entre Jesus e o Pai?

2) Como você vive a fé na ressurreição?

 

5) Oração final

O SENHOR é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça. O SENHOR é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)

Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz, em 19 de março

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Publicado em 17 março 2026
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se une ao Papa Leão XIV, no próximo dia 19 de março, Solenidade de São José, para rezar pelo desarmamento e pela paz. Os fiéis de todo o Brasil são convidados para este momento de oração, rezando a prece sugerida pela Rede Mundial de Oração do Papa nas celebrações eucarísticas ou em outros momentos de oração nas comunidades.

A CNBB pede que os fiéis e suas comunidades coloquem em suas intenções as populações atingidas pela violência, para que o Senhor inspire os responsáveis pelas nações a escolherem os caminhos do entendimento, da reconciliação e do respeito à dignidade de todos os povos.

“Que em nossas comunidades se eleve um só clamor a Deus: que os corações sejam desarmados, que as armas se calem e que a paz floresça entre os povos”, sugere a CNBB.

Na sede da Conferência Episcopal, haverá uma programação especial para elevar preces a Deus junto com toda a Igreja. Às 7h30, haverá a oração das Laudes; às 11h30, Missa Solene; e às 16h30, oração do Ofício Divino.

Você pode compartilhar o momento de oração, marcando a CNBB (@cnbbnacional) nos stories do Instagram.

  

Confira a oração:

“Reza com o Papa – Março: Pelo desarmamento e pela paz”

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor da Vida, que moldastes cada ser humano à vossa imagem e semelhança,
acreditamos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra,
para a fraternidade, não para a destruição.

Tu, que saudastes os teus discípulos dizendo: “A paz esteja convosco”,
concede-nos o dom da vossa paz
e a força para torná-la realidade na história.
Hoje elevamos a nossa súplica pela paz no mundo,
pedindo que as nações renunciem às armas
e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.

Desarmai os nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,
para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança
não nasce do controle que alimenta o medo,
mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.

Senhor, iluminai os líderes das nações,
para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte,
parar a corrida ao armamento
e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis.
Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.

Espírito Santo,
fazei de nós construtores fiéis e criativos de paz cotidiana:
em nosso coração, em nossas famílias,
em nossas comunidades e em nossas cidades.

Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação
e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.

Amém.

Fonte: https://www.cnbb.org.br

Terça-feira, 17 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 março 2026
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1) Oração

Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare os corações dos vossos filhos para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 5, 1-16)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 1Houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos. 3Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. 4[Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.] 5Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. 6Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado? 7O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim. 8Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. 9No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. 10E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito. 11Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. 12Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? 13O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior. 15Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado. 16Por esse motivo, os judeus perseguiam Jesus, porque fazia esses milagres no dia de sábado. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão Jo 5,1-16

O Evangelho de hoje descreve como Jesus curou um paralítico que ficou esperando 38 anos por alguém que o ajudasse chegar à água da piscina para poder ser curado! Trinta e oito anos! Diante desta ausência total de solidariedade, Jesus, o que faz? Ele transgride a lei do sábado curando o paralítico. Hoje, com a falência do atendimento às pessoas doentes nos países pobres, muita gente experimenta a mesma falta de solidariedade. Vivem num total abandono, sem ajuda nem solidariedade da parte de ninguém.

João 5,1-2: Jesus vai a Jerusalém . Por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus vai a Jerusalém. Havia ali, perto do Templo, uma piscina com cinco pórticos ou corredores. Naquele tempo, o culto no Templo exigia muita água por causa dos inúmeros animais que eram sacrificados, sobretudo nas grandes festas. Por isso, perto do templo havia várias cisternas, que recolhiam a água da chuva. Algumas delas tinham a capacidade de mais de um milhão de litros de água. Lá por perto, por causa da abundância de água, havia um balneário público, onde os doentes se aglomeravam à espera de ajuda ou de cura. A arqueologia informa que, naquela mesma redondeza do Templo, havia o lugar onde os escribas ensinavam a lei aos estudantes. De um lado, o ensino da Lei de Deus. Do outro lado, o abandono dos pobres. A água purificava o Templo, mas não purificava o povo.

João 5,3-4: A situação dos doentes. Esses doentes eram atraídos pelas águas do balneário. Diziam que um anjo mexia nas águas e o primeiro que nelas descesse depois do mexido do anjo ficava curado. Com outras palavras, os doentes eram atraídos por falsas esperanças. Pois a cura era só para uma única pessoa. Como as loterias de hoje. Só uma única pessoa ganha um prêmio! A maioria só paga e não ganha nada. É nessa situação de total abandono, lá no balneário popular, que Jesus vai encontrar os doentes.

João 5,5-9: Jesus cura em dia de sábado. Bem perto do lugar, onde se ensinava a observância da Lei de Deus, um paralítico ficou 38 anos à espera de alguém que o ajudasse a descer na água para obter a cura. Este fato revela a falta absoluta de solidariedade e de acolhida aos excluídos! O número 38 indicava a duração de uma geração (Dt 2,14). É toda uma geração que não chegou a experimentar solidariedade nem misericórdia. A religião da época já não era capaz de revelar a face acolhedora e misericordiosa de Deus. Diante desta situação dramática, Jesus transgride a lei do sábado e atende o paralítico dizendo: "Toma teu leito e anda!" O homem pegou a sua cama nas costas e foi andando, e Jesus desapareceu no meio da multidão.

João 5,10-13: Discussão do homem curado com os judeus. Logo em seguida, alguns judeus chegam ao local e criticam o homem por ele estar carregando a cama em dia de sábado. O homem nem soube responder quem foi a pessoa que o tinha curado. Não conhecia Jesus. Isto significa que Jesus, passando por aquele lugar dos pobres e doentes, viu aquele fulano, percebeu a situação dramática em que se encontrava e, sem mais, o curou. Não fez a cura para que o homem se convertesse, nem para que acreditasse em Deus. Fez, porque queria ajudá-lo. Queria que ele pudesse experimentar um pouco do amor e de solidariedade através da sua ajuda e bem-querer.

João 5,14-16: O reencontro com Jesus. Andando no Templo no meio da multidão, Jesus encontra o mesmo fulano e lhe diz: "Você está curado! Não deve pecar mais, para que não te aconteça algo pior!" Naquele tempo, o povo dizia: "Doença é castigo de Deus! Se você é paralítico, é sinal de que Deus está de mal com você!" Jesus não concordava com este modo de pensar. Curando o homem, ele estava dizendo o contrário: "Tua doença não é castigo de Deus. Deus está de bem com você!" Uma vez curado, o homem deve manter-se de bem com Deus e não pecar mais, para que não lhe aconteça algo pior! Meio ingênuo, o homem foi dizer aos judeus que tinha sido Jesus quem o curou. Os judeus começam a perseguir Jesus por ele fazer tais coisas em dia de sábado. No Evangelho de amanhã vem a seqüência.

 

4) Para um confronto pessoal

 

  1. Você já passou alguma vez por uma experiência como a do paralítico: ficar tanto tempo sem ajuda? Como é a situação de atendimento aos doentes no lugar onde você mora? Você percebe sinais de solidariedade?
  2. O que tudo isto ensina para nós hoje?

 

5) Oração final

Deus é para nós refúgio e força, defensor poderoso no perigo. Por isso não temos medo se a terra treme, se os montes desmoronam no fundo do mar. (Sl 45, 2-3)

Segunda-feira, 16 de março-2026. 4ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita

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Publicado em 16 março 2026
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  • 4ª SEMANA DA QUARESMA

 

1) Oração

Ó Deus, que renovais o mundo com admiráveis sacramentos, fazei a vossa Igreja caminhar segundo a vossa vontade, sem que jamais lhe faltem neste mundo os auxílios de que necessita. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (João 4,43-54)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 43Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galiléia. 44(Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado na sua pátria.) 45Chegando à Galiléia, acolheram-no os galileus, porque tinham visto tudo o que fizera durante a festa em Jerusalém; pois também eles tinham ido à festa. 46Ele voltou, pois, a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente. 47Ao ouvir que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi a ele e rogou-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer. 48Disse-lhe Jesus: Se não virdes milagres e prodígios, não credes... 49Pediu-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra! 50Vai, disse-lhe Jesus, o teu filho está passando bem! O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu. 51Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e lhe disseram: Teu filho está passando bem. 52Indagou então deles a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe: Ontem à sétima hora a febre o deixou. 53Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: Teu filho está passando bem. E creu tanto ele como toda a sua casa. 54Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar da Judéia para a Galiléia. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão Jo 4, 43-54

Jesus tinha saído da Galiléia, andou pela Judéia, foi até Jerusalém por ocasião da festa (Jo 4,45) e, passando pela Samaria, ia voltar para a Galiléia (Jo 4,3-4). Para os judeus observantes era proibido passar pela Samaria, nem era costume conversar com os samaritanos (Jo 4,9). Jesus não se importa com estas normas que impedem a amizade e o diálogo. Ele ficou vários dias na Samaria e muita gente se converteu (Jo 4,40). Depois disso ele resolveu voltar para a Galiléia.

João 4,43-46ª: O retorno para a Galiléia. Mesmo sabendo que o povo da Galiléia olhava para ele com uma certa reserva, Jesus quis voltar para a sua terra. Provavelmente, João se refere à má acolhida que Jesus recebera em Nazaré da Galiléia. Jesus mesmo tinha dito: “Um profeta não é honrado em sua pátria” (Lc 4,24). Mas agora, diante da evidência dos sinais de Jesus em Jerusalém, os galileus mudaram de opinião e lhe fizeram uma boa acolhida. Jesus voltou para Caná, onde tinha feito o primeiro “sinal” (Jo 2,11). 

João 4,46b-47: O pedido de um funcionário do rei. Trata-se de um pagão. Pouco antes, na Samaria, Jesus tinha conversado com uma samaritana, pessoa herética para os judeus, à qual Jesus revelara sua condição de messias (Jo 4,26). E agora, na Galiléia, ele recebe um pagão, funcionário do Rei, que buscava ajuda para o filho doente. Jesus não se fecha na sua raça nem na sua religião. Ele é ecumênico e acolhe a todos.

João 4,48: A resposta de Jesus ao funcionário. O funcionário queria que Jesus fosse com ele até à casa dele para curar o filho. Jesus responde: “Se vocês não vêem sinais e prodígios vocês não acreditam!”. Resposta dura e estranha. Por que será que Jesus respondeu assim? Qual era o defeito do pedido do funcionário? O que Jesus queria alcançar com esta resposta? Jesus quer ensinar como deve ser a fé. O funcionário do rei só acreditaria se Jesus fosse com ele até à casa dele. Ele queria ver Jesus fazendo a cura. No fundo, esta é e continua sendo a atitude normal de todos nós. Não nos damos conta da deficiência da nossa fé.

João 4,49-50: O funcionário repete o pedido e Jesus repete a resposta. Apesar da resposta dura de Jesus, o homem não se abalou e repetiu o mesmo pedido: “Desça comigo antes que meu filho morra!” Jesus continuou firme. Ele não atendeu ao pedido e não foi com o homem até à casa dele e repetiu a mesma resposta, mas formulada de outra maneira: “Vai! Teu filho vive!” Tanta na primeira resposta como agora na segunda resposta, Jesus pede fé, muita fé. Pede que o funcionário acredite que o filho já esteja curado. E o verdadeiro milagre aconteceu! Sem ver nenhum sinal nem prodígio, o homem acreditou na palavra de Jesus e voltou para casa. Não deve ter sido fácil. Este é o verdadeiro milagre da fé: acreditar sem nenhuma outra garantia a não ser a Palavra de Jesus. O ideal é crer na palavra de Jesus, mesmo sem ver (cf. Jo 20,29). 

João 4,51-53: O resultado da fé na palavra de Jesus. Enquanto o homem vai indo para casa, os empregados lhe vem ao encontro para dizer que o filho estava curado. Ele investigou a hora e descobriu que era exatamente a hora em que Jesus tinha dito: “Teu filho vive!” Ele teve a confirmação da sua fé.

*  João 4,54: Um resumo da parte de João, o evangelista. João termina dizendo: “Este foi o segundo sinal que Jesus fez”. João prefere falar sinal e não milagre. A palavra sinal evoca algo que eu vejo com os olhos, mas cujo sentido profundo só a fé me faz descobrir. A fé é como Raio-X: faz descobrir o que a olho nu não se vê.

 

4) Para um confronto pessoal

 1) Como você vive a sua fé? Confia na palavra de Jesus ou só crê na base de milagres e experiências sensíveis?

2) Jesus acolhe pessoas heréticas e estrangeiras. E eu, como me relaciono com as pessoas?

 

5) Oração final

Cantai hinos ao SENHOR, ó seus fiéis, rendei graças a sua santa memória; porque sua ira dura um instante, a sua bondade, por toda a vida. Se de tarde sobrevém o pranto de manhã vem a alegria. (Sl 29, 5-6)

O Papa no Angelus: a fé pede-nos que abramos os olhos para as feridas do mundo- 4º Domingo da Quaresma.

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Publicado em 15 março 2026
  • Papa no Angelus,
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  • O Papa no Angelus
  • Papa no Angelus dominical
  • Eu sou a luz do mundo
  • Leão XIV no Angelus
  • Leão XVI
  • IV Domingo da Quaresma,
  • abramos os olhos
  • Papa Leão XVI

A fé ajuda-nos a olhar “a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver” e, por isso, pede-nos que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo: disse Leão XIV no Angelus ao meio-dia deste IV Domingo da Quaresma, na alocução que precedeu a oração mariana

 

Raimundo de Lima – Vatican News

Hoje, em particular, face às inúmeras questões que o coração humano se coloca e às dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade. 

 

Foi o que disse o Santo Padre no Angelus, este domingo, 15 de março, na alocução que precedeu a oração mariana rezada com 20 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Leão XVI ateve-se ao Evangelho deste IV Domingo da Quaresma (Jo 9, 1-41), que narra a cura de um homem cego de nascença. Por meio da simbologia deste episódio, explicou, o evangelista João fala-nos do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.

 

"Eu sou a luz do mundo"

Os profetas tinham anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos. O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que «os cegos veem»; e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo». Realmente, prosseguiu o Papa, todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós próprios, aos outros e a Deus na verdade.

Chama a atenção, observou o Pontífice, que se tenha difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, ressaltou, o Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego curado: «Como foi que os teus olhos se abriram?»; e ainda: «Como é que te pôs a ver?».

Brasil e Santa Sé, uma relação estável

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Publicado em 14 março 2026
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  • As relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé

Os 200 anos de relações diplomáticas indicam uma posição de serena maturidade e projetam para o futuro uma colaboração respeitosa e fecunda

 

Por Dom Odilo P. Scherer

Transcorre, neste ano, o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, ente público de direito internacional que representa a Igreja Católica Apostólica Romana, tendo sede no Estado Cidade do Vaticano.

Durante o período colonial, as relações da Santa Sé com o Brasil aconteciam através de Portugal. Mas já em agosto de 1825, após o reconhecimento internacional da independência do Brasil por Portugal, a Santa Sé estabeleceu relações diplomáticas diretamente com o Brasil. Em 23 de janeiro de 1826, o papa Leão XII recebeu as cartas credencias de Mons. Francisco Corrêa Vidigal, primeiro representante diplomático do Brasil na Santa Sé. Desde então, também a Santa Sé mantém seu representante diplomático, conhecido como Núncio Apostólico.

É interessante observar que essas relações diplomáticas permaneceram estáveis e não se romperam mesmo nas mudanças de regime, como em 1870, após a unificação da Itália, quando a Santa Sé ficou sem os Estados Pontifícios; ou após 1889, quando o Brasil passou do regime imperial para o republicano; e, também, quando o governo republicano rompeu unilateralmente o Tratado do Padroado que havia entre o governo imperial e a Santa Sé, estabelecendo a separação nítida entre o Estado e a Igreja.

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé mantiveram-se estáveis no princípio da recíproca autonomia. Durante esses dois séculos, ocorreram visitas de Estado de presidentes da República na Santa Sé e três papas visitaram o Brasil: João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Além da missão propriamente religiosa, a presença e a atuação institucional da Igreja Católica no Brasil têm contribuído para a vida social e cultural do povo brasileiro em diversos âmbitos, como a educação, a saúde, a assistência social e a promoção da cultura.

Um marco importante nas relações diplomáticas bicentenárias entre a Santa Sé e o Estado brasileiro foi a celebração do acordo internacional sobre o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. Após ser longamente estudado e elaborado, o acordo foi assinado em 13 de novembro de 2008 e, em seguida, ratificado pelo Congresso Nacional e promulgado com o Decreto n.º 7.107 do presidente da República, de 11 de fevereiro de 2010. O acordo estabelece diversas formas de colaboração da Igreja com o Estado brasileiro, como nos campos da educação e da cultura, e garante a necessária segurança jurídica para que a Igreja possa desenvolver suas atividades no seio da sociedade.

A constitucionalidade do acordo chegou a ser questionada, mas foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo não anula a separação entre Estado e Igreja nem contradiz o princípio da laicidade do Estado. Ao contrário, consagra esse princípio, na medida em que estabelece um claro reconhecimento formal da existência de ambas as instâncias institucionais, sem desconhecer nem ferir suas legítimas competências e sem estabelecer relações de sujeição ou dependência entre ambas. Restam firmes o reconhecimento das leis comuns do País pela Igreja e a não ingerência do Estado em questões internas da vida da Igreja. Os 200 anos de relações diplomáticas, coroadas pelo acordo de 2008, indicam uma posição de serena maturidade e projetam para o futuro uma colaboração respeitosa e fecunda na construção de uma sociedade mais justa.

A comemoração do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé já teve diversos momentos. No dia 26 de janeiro deste ano, em Roma, a embaixada do Brasil junto da Santa Sé e a Secretaria de Estado promoveram um ato cultural na Pontifícia Universidade Gregoriana sobre as relações entre Igreja e Estado e também fizeram celebrar uma missa em ação de graças, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, na Basílica Lateranense de Roma.

Em Brasília, o bicentenário foi comemorado em Brasília no dia 3 de março passado, numa sessão solene no Congresso Nacional, de casa cheia. No mesmo dia, a Nunciatura Apostólica ofereceu uma recepção para membros do corpo diplomático e outras personalidades. Dois dias depois, a arquidiocese do Rio de Janeiro promoveu o lançamento de um livro de pesquisa histórica sobre o bicentenário, com o título De Leão a Leão, mostrando a evolução nas relações entre o Brasil e a Santa Sé desde Leão XII, em 1826, até Leão XIV, em 2026.

As relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil asseguram o livre exercício da fé e da organização religiosa no Brasil, no pleno respeito à Constituição e aos princípios da liberdade religiosa e da laicidade do Estado; e asseguram à Igreja Católica e suas organizações a possibilidade de oferecer numerosos serviços em benefício da população. Durante esses 200 anos, como observou o cardeal Parolin na sua homilia de 26 de janeiro, “o Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma companheira de viagem que se mostrou atenta às feridas sociais, aos desafios educativos e à promoção da justiça e da paz”. E não há de ser diferente daqui para o futuro. Fonte: https://www.estadao.com.br

Papa Leão XIV destitui bispo acusado de frequentar bordéis e roubar dinheiro de sua igreja

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Publicado em 12 março 2026
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  • Leão XIV aceita renuncia de Dom Emanuel Shaleta

A renúncia do bispo Emanuel Shaleta foi aceita pelo pontífice no mesmo dia em que ele foi libertado da prisão após pagar uma fiança de US$ 125 mil, anunciou o Vaticano.

  

Bispo Emanuel Shaleta. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Por Redação

O bispo de San Diego, nos Estados Unidos, Emanuel Shaleta, foi oficialmente destituído do cargo pelo papa Leão XIV após ser acusado de frequentar bordéis e de roubar centenas de milhares de dólares de sua igreja.

A renúncia do bispo Emanuel Shaleta foi aceita pelo pontífice nessa terça-feira (10), mesmo dia em que ele foi libertado da prisão após pagar uma fiança de US$ 125 mil, anunciou o Vaticano.

'O Santo Padre aceitou o pedido de demissão do cuidado pastoral da eparquia de São Pedro Apóstolo de San Diego dos Caldeus, Estados Unidos da América, apresentado pelo Bispo Emanuel Hana Shaleta', disseram autoridades do Vaticano em um comunicado.

Shaleta, que apresentou sua renúncia ao Papa Leão XIII em janeiro, foi preso em 6 de março no Aeroporto Internacional de San Diego quando tentava embarcar em um voo internacional para a Alemanha com mais de US$ 9 mil em sua bagagem, segundoas autoridades.

Com 69 anos, ele foi acusado de oito crimes de peculato, oito crimes de lavagem de dinheiro e um crime agravado de colarinho branco.

Durante sua audiência de instrução na segunda-feira (9), Shaleta se declarou inocente de 15 acusações de crimes financeiros, mas permaneceu detido na Cadeia do Condado de San Diego após não conseguir pagar a fiança.

O Gabinete do Xerife do Condado de San Diego recebeu a primeira denúncia sobre os supostos crimes de Shaleta em agosto de 2025, quando um funcionário da Igreja Caldeia de São Pedro em El Cajon compartilhou declarações e documentos que mostravam as práticas do bispo.

No mês passado, o portal de notícias católico The Pillar noticiou que o bispo teria desviado pagamentos de aluguel de propriedades da igreja para uso pessoal e, posteriormente, acobertado seus rastros com fundos de caridade.

Investigadores alegam ter descoberto que pelo menos US$ 427 mil estavam faltando nas finanças da igreja, e que o valor pode chegar a US$ 1 milhão.

Junto com o dinheiro desaparecido, foi revelado que Shaleta frequentava regularmente um bordel no México.

Shaleta, natural do Iraque, foi ordenada sacerdotisa pelo Papa João Paulo II em 1984 e ocupou cargos em Detroit e no Canadá. Em 2017, o Papa Francisco nomeou Shaleta para servir como bispo eparquial de São Pedro Apóstolo de San Diego dos Caldeus. Fonte: https://cbn.globo.com

Quinta-feira, 12 de março-2026. 3ª- SEMANA DA QUARESMA- Ano Litúrgico - A. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 12 março 2026
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1) Oração

À medida que se aproxima a festa da salvação, nós vos pedimos, ó Deus, que nos preparemos com maior empenho para celebrar o mistério da Páscoa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Lucas 11, 14-23)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 14Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15Alguns, porém, disseram: “É pelo poder de Beelzebu, o chefe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu. 17Mas, conhecendo seus pensamentos, ele disse-lhes: “Todo reino dividido internamente será destruído; cairá uma casa sobre a outra. 18Ora, se até Satanás está dividido internamente, como poderá manter-se o seu reino? Pois dizeis que é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios. 19Se é pelo poder de Beelzebu que eu expulso os demônios, pelo poder de quem então vossos discípulos os expulsam? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, é porque o Reino de Deus já chegou até vós. 21Quando um homem forte e bem armado guarda o próprio terreno, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura em que confiava e distribui os despojos. 23Quem não está comigo é contra mim; e quem não recolhe comigo, espalha. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O evangelho de hoje é de Lucas (Lc 11,14-23). O texto paralelo de Marcos (Mc 3,22-27) já foi meditado no dia 28 de janeiro deste ano.

Lucas 11,14-16: As diferentes reações diante da expulsão de um demônio. Jesus tinha expulsado um demônio que era mudo. A expulsão provocou duas reações diferentes. De um lado, a multidão do povo que ficou admirado e maravilhado. O povo aceita Jesus e acredita nele. Do outro lado, os que não aceitam Jesus e não acreditam nele. Destes últimos, alguns diziam que Jesus expulsava os demônios em nome de Beelzebu, o príncipe dos demônios, e outros queriam dele um sinal do céu. Marcos informa que se tratava de escribas vindos de Jerusalém (Mc 3,22), que não concordavam com a liberdade de Jesus. Queriam defender a Tradição contra as novidades de Jesus.

Lucas 11,17-22: A resposta de Jesus tem três partes:

1ª parte: comparação do reino dividido (vv. 17-18ª)  Jesus denuncia o absurdo da calúnia escribas. Dizer que ele expulsa os demônios com a ajuda do príncipe dos demônios é negar a evidência. É o mesmo que dizer que a água é seca, e que o sol é escuridão. Os doutores de Jerusalém o caluniavam, porque não sabiam explicar os benefícios que Jesus realizava para o povo. Estavam com medo de perder a liderança. Sentiam-se ameaçados na sua autoridade junto ao povo.

2ª parte: por quem expulsam vossos filhos? (vv.18b-20)  Jesus provoca os acusadores e pergunta: “Se eu expulso em nome de Belzebu, em nome de quem os discípulos de vocês expulsam os demônios? Que eles respondam e se expliquem! Se eu expulso o demônio pelo dedo de Deus, é porque chegou o Reino de Deus!”.

3ª parte: chegando o mais forte ele vence o forte (vv.21-22) Jesus compara o demônio com um homem forte. Ninguém, a não ser uma pessoa mais forte, poderá roubar a casa de um homem forte. Jesus é este mais forte que chegou. Por isso, ele consegue entrar na casa e amarrar o homem forte. Consegue expulsar os demônios. Jesus amarrou o homem forte e agora rouba a casa dele, isto é, liberta as pessoas que estavam no poder do mal. O profeta Isaías já tinha usado a mesma comparação para descrever a vinda do messias (Is 49,24-25). Por isso Lucas diz que a expulsão do demônio é um sinal evidente de que chegou o Reino de Deus.

Lucas 11,23: Quem não está comigo é contra mim.  Jesus termina sua resposta com esta frase: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Em outra ocasião, também a propósito de uma expulsão de demônio, os discípulos impediram um homem de usar o nome de Jesus para expulsar um demônio, pois ele não era do grupo dele. Jesus respondeu: “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” (Lc 9,50). Parecem duas frases contraditórias, mas não são. A frase do evangelho de hoje é dita contra os inimigos que tem preconceito contra Jesus: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa”. Preconceito e não aceitação tornam o diálogo impossível e rompe a união. A outra frase é dita para os discípulos que pensavam ter o monopólio de Jesus: “Quem não é contra vocês é a vosso favor!” Muita gente que não é cristão pratica o amor, a bondade, a justiça, muitas vezes até melhor do que os cristãos. Não podemos excluí-los. São irmãos e parceiros na construção do Reino. Nós cristãos não ´somos donos de Jesus. É o contrário: Jesus é o nosso dono!

 

4) Para um confronto pessoal

1) “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa” Como isto acontece na minha vida?

2) “Não impeçam! Quem não é contra vocês é a vosso favor!” Como isto acontece na minha vida?

 

5) Oração final

Vinde, exultemos no SENHOR, aclamemos o Rochedo que nos salva, vamos a ele com ações de graças, vamos aclamá-lo com hinos de alegria. (Sl 94, 1-2)

Quarta-feira, 11 de março-2026. 3ª- SEMANA DA QUARESMA- Ano Litúrgico - A. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 11 março 2026
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1) Oração

Ó Deus de bondade, concedei que, formados pela observância da Quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho (Mateus 5, 17-19)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 17Disse Jesus aos seus discípulos não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. 18Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei. 19Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus. - Palavra da salvação.

 

3) Reflexão

O Evangelho de hoje (Mt 5,17-19) ensina como observar a lei de Deus de tal maneira que a sua prática mostre em que consiste o pleno cumprimento da lei (Mt 5,17-19). Mateus escreve para ajudar as comunidades de judeus convertidos a superar as críticas dos irmãos de raça que as acusavam dizendo: “Vocês são infiéis à Lei de Moisés”. O próprio Jesus tinha sido acusado de infidelidade à lei de Deus. Mateus traz a resposta esclarecedora de Jesus aos que o acusavam. Assim ele traz uma luz para ajudar as comunidades a resolver seu problema.

Usando imagens do quotidiano, com palavras simples e diretas, Jesus tinha dito que a missão da comunidade, a sua razão de ser, é ser sal e ser luz! A respeito de cada uma das duas imagens ele tinha dado alguns conselhos. Em seguida, vem os três breves versículos do Evangelho de hoje:

Mateus 5,17-18: Nenhuma vírgula da lei vai cair. Havia várias tendências nas comunidades dos primeiros cristãos. Uns achavam que já não era necessário observar as leis do Antigo Testamento, pois é pela fé em Jesus que somos salvos e não pela observância da Lei (Rm 3,21-26). Outros aceitavam Jesus como Messias, mas não aceitavam a liberdade de Espírito com que algumas comunidades viviam a presença de Jesus ressuscitado. Achavam que eles, sendo judeus, deviam continuar observando as leis do AT (At 15,1.5). Havia ainda cristãos que viviam tão plenamente na liberdade do Espírito, que já não olhavam mais nem para a vida de Jesus de Nazaré nem para o AT e chegavam a dizer: “Anátema Jesus!” (1Cor 12,3). Diante destas tensões, Mateus procura um equilíbrio para além dos extremos. A comunidade deve ser o espaço, onde este equilíbrio possa ser alcançado e vivido. A resposta dada por Jesus aos que o criticavam continuava bem atual para as comunidades: “Não vim abolir a lei, mas dar-lhe pleno cumprimento!”. As comunidades não podiam ser contra a Lei, nem podiam fechar-se dentro da observância da lei. Como Jesus, deviam dar um passo e mostrar, na prática, qual o objetivo que a lei quer alcançar na vida das pessoas, a saber, a prática perfeita do amor.

Mateus 5,17-18: Nenhuma vírgula da lei vai cair. E aos que queriam desfazer-se de toda a lei, Mateus lembra a outra palavra de Jesus: “Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu”. A grande preocupação do Evangelho de Mateus é mostrar que o AT, Jesus de Nazaré e a vida no Espírito não podem ser separados. Os três fazem parte do mesmo e único projeto de Deus e nos comunicam a certeza central da fé: o Deus de Abraão e Sara está presente no meio das comunidades pela fé em Jesus de Nazaré que nos manda o seu Espírito.

 

4) Para um confronto pessoal

  

  1. Como vejo e vivo a lei de Deus: como horizonte de liberdade crescente ou como imposição que delimita minha liberdade?
  2. E o que podemos fazer hoje para os irmãos e irmãs que consideram toda esta discussão como ultrapassada e sem atualidade? O que podemos aprender deles?

 

5) Oração final

Glorifica o SENHOR, Jerusalém, louva teu Deus, ó Sião! Porque reforçou as trancas das tuas portas, no teu meio abençoou teus filhos. (Sl 147, 12-14)

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