Olhar Jornalístico

Quem, em nosso país, não está em crise?

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Publicado em 17 fevereiro 2026
  • Rubem Alves,
  • ser de esquerda
  • Fernando Collor de Mello,
  • As duas caixas
  • Herbert de Souza,
  • a indignação é a minha forma de me manter vivo
  • Fernando Pessoa

Mirian Goldenberg

Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"

 

Como disse Betinho, a indignação é a minha forma de me manter vivo

Rubem Alves escreveu "As duas caixas" (27 de abril de 2010) dias antes da minha primeira coluna ser publicada na Folha (1º de junho de 2010). Ele contou que Fernando Pessoa escrevia, lia o que escrevera e se assombrava. "Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto? Isto é melhor do que eu..."

"Coisa parecida acontece comigo. Alguém me mostra um texto e diz que fui eu quem o escreveu. Leio-o, mas não o reconheço. É como se tivesse sido escrito por uma outra pessoa. Mas, à medida em que vou lendo, vou ficando alegre. É um texto bom, melhor do que eu!... Sinto, então, vontade de publicar aquele texto de novo. Se ele surpreendeu a mim, é de se esperar que o mesmo aconteça com os leitores. E por que não?"

Quando reli a coluna "Medíocres ou guerreiros" que escrevi sobre o governo de Fernando Collor de Mello, no Jornal do Brasil de 18 de novembro de 1990, me assombrei com a minha coragem e indignação. E me deu vontade de publicar aquele texto de novo. Por que não?

 

Medíocres ou guerreiros

Vivemos uma época de crises. Dizer isso já virou lugar comum. Crise de valores, crise social, crise econômica, crise política, crise da família, crise individual... Quem, em nosso país, não está em crise?

Pesquisas recentes demonstram que aumentou, vertiginosamente, o número de casos de doenças mentais... Muitos sonham em sair do Brasil, buscando um lugar sem violência ou desemprego. Outros desfazem casamentos para preservar a própria "individualidade". Amor e sexo transformaram-se em artigos de consumo, descartáveis. A palavra "compromisso" é "out". O país está doente. Filhos matam pais. Pais matam filhos. Maridos matam esposas. A mídia manipula facilmente a opinião pública. A desesperança impera soberana.

Decisões e atitudes do governo Collor são aceitas por todos, acriticamente, passivamente. Desde os episódios grotescos e vergonhosos da campanha eleitoral até atos recentes de corrupção descarada. Um governo medíocre, manipulador, corrupto, incompetente e sem nenhuma ética. Com um único mérito: usar e abusar dos veículos de comunicação em massa. Um governo maquiado de moderno e inovador, mas que, na verdade, é vazio de propostas e ideais sociais. E a fachada está ruindo apodrecida precocemente.

E nós, onde ficamos? Qual é a nossa responsabilidade frente a esta situação? "O que fazer?" Somos, sem dúvida, muito mais covardes, medíocres e infelizes do que éramos na época que sabíamos lutar. Quando ser "de esquerda" não era um problema existencial... Hoje vivemos uma profunda crise de identidade. Nossos valores, ideais, estão escondidos, envergonhados, em busca de uma nova definição. Somos pressionados pelo "consenso".

Os guerreiros, os revolucionários de tantos anos, que sabiam gritar, lutar e chorar, não sabem como enfrentar os vermes de caras bonitas e corpos atléticos. Tornamo-nos medrosos, desaprendemos como ousar, criar, acreditar. Como disse Betinho, Herbert de Souza, há algum tempo: "a indignação é a minha forma de me manter vivo". A coragem e a integridade também. O medo, a mediocridade e a resignação são formas de morrer.

Vivemos um momento em que o governo só quer destruir, acabar, aniquilar a cultura, a economia, as universidades, a saúde e, principalmente, a esperança. Nossa única saída é "fugir para a frente", enfrentando essa destruição construindo, reconstruindo, reaprendendo, buscando parceiros nesta enorme tarefa.

Medíocres ou guerreiros... Está em nossas mãos. Quem topa? Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Jovem morre atropelada após subir em caminhão de limpeza no Carnaval de Salvador.

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Publicado em 16 fevereiro 2026
  • Jovem morre atropelada no Carnaval de Salvador
  • Carnaval de Salvador
  • Empresa de Limpeza Urbana de Salvador
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  • Morte no Carnaval de Salvador

Vítima se pendurou no veículo sem autorização, escorregou e caiu sob as rodas, afirma empresa

Limpurb prestou solidariedade e reforçou que prática é proibida

 

Salvador

Uma estudante de 24 anos morreu atropelada por um caminhão de limpeza na madrugada desta segunda-feira (16) na Carnaval de Salvador. O acidente aconteceu no circuito Barra Ondina após a passagem dos últimos trios elétricos, quando equipes realizavam a limpeza da via com um caminhão-pipa.

A Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) informou que a mulher subiu no caminhão sem autorização, escorregou e caiu sobre uma das rodas do veículo. O socorro foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu.

A empresa municipal de limpeza prestou solidariedade aos amigos e familiares da vítima. Também alertou que a prática de subir nos caminhões de limpeza é terminantemente proibida e orienta que as pessoas não subam ou se pendurem nos veículos.

A Limpurb destacou que ainda que seus caminhões operam seguindo protocolos de segurança e que o acesso é restrito a profissionais autorizados. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Mulher é presa em flagrante ao matar o marido a facadas em Lagoa da Canoa

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Publicado em 15 fevereiro 2026
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  • Mulher mata o marido a facadas em Lagoa da Canoa
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  • mulher matou o próprio marido

 

Mulher mata marido a facadas em Lagoa da Canoa - Foto: Josival Meneses/Já É Notícia

 

Por Redação

Uma mulher matou o próprio marido com golpes de arma branca, neste sábado, 14, dentro de um quartinho, em uma localidade conhecida como Alto do Pixuta, nas proximidades da antiga estação e por trás de uma lagoa no município de Lagoa da Canoa, no Agreste do Estado. A vítima morreu no local antes de receber qualquer socorro médico.

De acordo com informações de populares, o casal vivia de favor em um quartinho, nos fundos de uma residência da região e costumava ingerir bebida alcoólica com frequência tanto na antiga estação quanto na casa onde dormiam. Na manhã do crime, os dois teriam iniciado mais uma discussão, que acabou evoluindo para agressão física.

Durante o desentendimento, a mulher teria esfaqueado o companheiro, conhecido como Gaguinho. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda dentro do quartinho.

Segundo relatos de moradores, o casal tinha um histórico de brigas constantes, com agressões mútuas. E após atingir o marido, a suspeita ainda foi até um posto de saúde da cidade pedindo ajuda para socorrê-lo. No entanto, quando as equipes chegaram ao local, o homem já estava em óbito.

A Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão da mulher em flagrante, ainda no local do crime.

Também estiveram presentes equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), responsáveis pela perícia e pelo recolhimento do corpo. Fonte: https://www.jaenoticia.com.br

Nova tragédia em Itumbiara: homem mata a ex-mulher e tira a própria vida

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Publicado em 15 fevereiro 2026
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  • Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara,
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Ex-marido agride a enteada de 15 anos e mata mulher a tiros antes de cometer suicídio, dias após o caso do secretário de Itumbiara

 

Novo caso em Itumbiara é tratado como feminicídio seguido de suicídio Foto: @vidocaofc/Instagram/ND Mais

 

A cidade de Itumbiara, em Goiás, foi palco de uma nova tragédia neste sábado (14). Um homem identificado como Pedro da Costa Queiroz assassinou a ex-esposa a tiros no bairro Jardim Europa, por volta das 16h, antes de tirar a própria vida.

A vítima, Elieser Teodoro da Silva, foi encontrada sem vida dentro de casa. O suspeito chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu.

A Polícia Militar de Goiás informou que a filha da vítima também foi agredida com uma coronhada na cabeça. A adolescente de 15 anos sofreu lesão na região craniana e precisou de atendimento médico. Até o momento, não há maiores detalhes sobre o estado de saúde.

A residência ficará isolada para preservação da cena até a conclusão dos trabalhos periciais. A polícia apreendeu a arma do crime, um revólver calibre .38, e outros pertences do autor.

Segundo o portal Mais Goiás, moradores tentaram prestar socorro ao ouvir os disparos, mas o suspeito armado ordenou que todos se afastassem.

O delegado Felipe Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara, afirmou ao jornal O HOJE que o caso é tratado como feminicídio seguido de suicídio.

“Tudo indica que seja mais um feminicídio seguido de suicídio. A filha da mulher, de 15 anos, foi atingida apenas com a coronhada e encaminhada ao hospital. A princípio, é isso. Mas ainda vamos apurar tudo corretamente”, disse o delegado ao O HOJE.

“A investigação acaba de começar. Estamos acompanhando a perícia aqui no local do crime e, assim que chegarmos à delegacia, vamos instaurar o inquérito e dar continuidade às investigações”, completou.

 

Itumbiara vive nova tragédia após pai matar os próprios filhos nesta semana

O feminicídio ocorre dias após o secretário municipal de Itumbiara, Thales Machado, disparar contra os dois filhos e cometer suicídio na quarta-feira (11). O caso provocou comoção e revolta na cidade de 107 mil habitantes.

Benício Araújo Machado, de 8 anos, foi sepultado neste sábado. Ele teve a morte cerebral confirmada após passar por cirurgia e ser internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara.

O enterro do irmão Miguel, de 12 anos, ocorreu na quinta-feira (12). Ele chegou a ser levado ao HMMC (Hospital Municipal Modesto de Carvalho) na noite do crime, mas não resistiu aos ferimentos.

Thales Machado, de 40 anos, era casado com a filha do prefeito Dione Araújo (União Brasil) e ocupava cargo de confiança na gestão do sogro. Antes de tirar a própria vida, ele teria publicado uma carta aberta acusando a esposa Sarah Araújo de traição.

“Partimos eu e meus meninos que agora são anjos que infelizmente vieram comigo… a todos digo que nunca pensei nisso, foi hoje… todos sabem como sou intenso e verdadeiro e não iria conseguir viver mais com essas lembranças…”, diz o texto.

“Dione meu eterno respeito e admiração e desculpe pelo que fiz… sei que não tem perdão mas foi o q sobrou nesse dia infeliz dos meus 40 anos”, teria escrito Thales.

A mãe das crianças, Sarah Araújo, tem sido alvo de ataques nas redes sociais pela suposta traição. Ela precisou ser escoltada no velório do próprio filho, em que foi hostilizada. A tragédia em Itumbiara acende alerta para violência vicária, quando o agressor usa os filhos para provocar sofrimento e culpabilizar a vítima. Fonte: https://ndmais.com.br

Pai é suspeito de matar filha de 15 anos com machado e depois tirar a própria vida na Bahia

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Publicado em 14 fevereiro 2026
  • Pai é suspeito de matar filha de 15 anos com machado
  • município de Irará
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  • cidade de Irará- BA
  • adolescente foi morta com golpes de machado

Adolescente é morta com golpes de machado em Irará e pai de 39 anos, suspeito do crime, teria tirado a própria vida Foto: Redes sociais/Reprodução/ND Mais

 

De acordo com a polícia, adolescente foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12) em Irará e pai, suspeito do crime, tirou a própria vida

A adolescente Beatriz Alves Moraes, de 15 anos, foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12), no município de Irará (BA). De acordo com informações da Polícia Civil, o corpo da vítima foi encontrado em um terreno baldio.

O pai da menina, Danilo Moraes da Silva, de 39 anos, suspeito de matar a filha, teria tirado a própria vida na sequência. Ele foi encontrado morto em um imóvel da família, em um loteamento residencial da cidade.

A Polícia Civil da Bahia investiga as circunstâncias e a motivação do caso, segundo o programa de televisão Bahia No Ar.

Na madrugada de quinta-feira, outro crime similar chocou o país. Em Itumbiara (GO), o secretário da Prefeitura Thales Machado teria cometido suicídio após atirar contra os dois filhos, que não resistiram.

 

Adolescente é morta com golpes de machado e Prefeitura presta solidariedade

Nas redes sociais, a Prefeitura de Irará lamentou a morte de Beatriz. “Uma pessoa querida por todos, que deixou uma marca de bondade e alegria por onde passou”, escreveu em nota. Fonte: https://ndmais.com.br

Homem empurra cadeirante de prédio e se joga em seguida, no Recife; ambos morreram em decorrência da queda

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Publicado em 14 fevereiro 2026
  • Suicídio,
  • Homem empurra cadeirante de prédio em Recife
  • Jardim de Boa Viagem,
  • Zona Sul do Recife,
  • prédio em Boa Viagem,
  • Edifício Pindorama,

Incidente aconteceu na noite da sexta-feira (13), em edifício que fica próximo ao Segundo

 

Jardim de Boa Viagem, na Zona Sul. Ambos morreram em decorrência da queda.

 

Por g1 Pernambuco, TV Globo

Um homem empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e se jogou em seguida. Ambos faleceram em decorrência da queda.

O incidente ocorreu no Edifício Pindorama, na noite da sexta-feira (13).

A Polícia Civil do Recife investiga as circunstâncias e a motivação do crime, que ainda são desconhecidas.

Um homem de 35 anos empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na noite desta sexta-feira (13). Em seguida, ele se jogou. Os dois morreram em decorrência da queda. Imagens feitas por vizinhos, logo após o crime, mostram a movimentação de policiais na área (veja vídeo acima).

De acordo com apuração da TV Globo, a polícia afirmou que o cadeirante foi arremessado e morreu na hora da queda. Já o homem que o empurrou e depois pulou do prédio chegou a ser encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, no Centro do Recife, mas não resistiu aos ferimentos e chegou morto à unidade de saúde.

A tragédia aconteceu no Edifício Pindorama, que fica na Rua Phaelante da Câmara, próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem. A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência e enviou equipe do 19º Batalhão para isolar a área para atuação do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML).

De acordo com apuração feita pela TV Globo, os homens estavam juntos dentro do apartamento quando um deles, em surto, arremessou o cadeirante. Uma terceira pessoa tentou contê-lo e também quase foi jogada do quarto andar. Porém, antes disso, o homem em surto pulou do prédio. Fonte: https://g1.globo.com

Morre segundo filho baleado por secretário de Governo em Itumbiara (GO)

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Publicado em 14 fevereiro 2026
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  • Thales Machado
  • Sarah Araújo,
  • Investigação de Homicídios de Itumbiara
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Polícia Civil confirma morte de menino de 8 anos; irmão de 12 também não resistiu

Caso é investigado como duplo homicídio seguido de suicídio; prefeitura decreta luto de três dias

 

Thales Machado e seus filhos Benício, 8, e Miguel, 12; segundo a polícia, pai matou as duas crianças e cometeu suicídio - Thales Machado no Instagram

 

Aléxia Sousa

Rio de Janeiro

A Polícia Civil de Goiás confirmou nesta sexta-feira (13) a morte de Benício Araújo Machado, 8, segundo filho do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, 40. O menino estava internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual da cidade desde a noite de quarta-feira (11), quando foi baleado pelo pai, e morreu no final da tarde.

O irmão mais velho, Miguel Araújo Machado, 12, morreu ainda na quinta-feira (12) após ser atingido pelos disparos.

Segundo a investigação, Thales atirou contra os dois filhos no condomínio onde a família morava, na madrugada de quinta, e se matou em seguida. Com a morte do caçula, o caso passou a ser tratado como duplo homicídio seguido de suicídio.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos. A investigação é conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara. Até o momento, segundo a corporação, não há indícios de participação de terceiros.

Durante o enterro de Miguel, no fim da tarde de quinta-feira, a mãe do menino, Sarah Araújo, deixou o cemitério antes do encerramento da cerimônia após relatos de ameaças, segundo testemunhas que pediram para não ser identificadas. De acordo com o portal Mais Goiás, ela precisou de escolta para participar da despedida.

Ainda segundo o site, Sarah entrou no cemitério sob proteção, e o carro que a transportava parou em frente ao local do sepultamento. Amparada por familiares e amigos, acompanhou o cortejo, que teve início às 17h50.

O corpo de Benício será velado a partir das 7h deste sábado (14), na casa do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. O enterro está previsto para o Cemitério Avenida da Saudade, mas o horário ainda não havia sido definido até a última atualização desta reportagem.

Thales era genro do prefeito. Horas antes do crime, publicou nas redes sociais um vídeo ao lado dos filhos, declarando amor aos dois.

A Prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de três dias. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), manifestou pesar nas redes sociais e afirmou que irá à cidade para prestar solidariedade à família.

"A notícia de violência dentro de um lar, sobretudo quando crianças são vítimas, atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto", declarou. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Por que o cristianismo não conseguiu, nem quis, abolir o Carnaval

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Publicado em 12 fevereiro 2026
  • CARNAVAL,
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  • Carnaval e cristianismo
  • Saturnálias e Lupercálias,
  • despedida da carne

Excesso deixou de ser valor ritual e virou 'despedida da carne' sob vigilância moral da Igreja

Cristianismo herdou Saturnálias e Lupercálias, mas as reinterpretou como exceção vigiada antes da Quaresma

 

Foliões desfilam no tradicional bloco do Cordão do Boitatá, na rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro - Fernando Maia - 8.fev.26/Divulgação Riotur

 

Marcelo Rede

É doutor pela Univ. de Paris 1 e professor de história da USP

 

À primeira vista, Carnaval e cristianismo parecem opostos. De um lado, riso, máscaras, excesso, inversão. Do outro, disciplina, penitência, contenção dos desejos. Não é raro ouvir que o Carnaval seria um resíduo pagão tolerado a contragosto pela Igreja. Mas essa explicação é insuficiente.

A história mostra algo mais complexo: o Carnaval não sobreviveu apesar do cristianismo. Ele tomou forma dentro dele, quando o cristianismo precisou decidir como lidar com uma cultura festiva herdada do mundo romano antigo.

Nesse mundo, festas não eram desvios da ordem. Eram parte da própria ordem religiosa. O calendário estava repleto de celebrações nas quais a rotina era suspensa, relativizada ou publicamente ridicularizada. É o caso das Saturnálias, realizadas em dezembro.

Durante essas festas, escravos sentavam-se à mesa com seus senhores, a franqueza era autorizada, a zombaria ganhava estatuto ritual. Máscaras, jogos, bebida e riso não eram desvios tolerados a contragosto. Eram comportamentos esperados.

Outras festas, como as Lupercálias, combinavam purificação, fertilidade e provocação pública. Corridas rituais, nudez parcial, contato corporal e riso faziam parte de um repertório religioso legítimo. Essas práticas tinham data e duração definidas, mas isso não significa que fossem vistas como problemas morais. No politeísmo romano, não havia oposição estrutural entre festa e religião: a exceção fazia parte do funcionamento normal do mundo.

É aqui que ocorre a grande mudança com o cristianismo. Quando ele se torna dominante, a partir do século 4º, não herda apenas um calendário, mas também um problema novo: como conciliar uma moral religiosa baseada na disciplina contínua com práticas festivas que celebravam o corpo, o riso e a inversão das hierarquias?

Nada disso desapareceu de imediato. As populações continuaram a cantar, dançar, usar máscaras. Pregadores cristãos reagiram com veemência. Um exemplo eloquente é o de Cesário de Arles —que se tornaria santo—, no início do século 6º, que repreende fiéis por se fantasiarem com "formas monstruosas", cantarem obscenidades e se comportarem "não como cristãos, mas como pagãos". A força do ataque revela que essas práticas continuavam vivas dentro de comunidades cristãs.

A diferença decisiva não está no fato de que o cristianismo passou a permitir a indisciplina. Está no modo como ele a reinterpretou. No mundo romano, a festa era um valor positivo em si. No cristianismo, ela se torna um problema a ser administrado. A solução não foi multiplicar festas, mas concentrá-las; não foi celebrá-las, mas justificá-las.

O cristianismo reorganizou o tempo de forma radical. Criou longos períodos de disciplina, jejum e penitência, como a Quaresma, e passou a tolerar a exceção apenas como limiar. O Carnaval nasce exatamente aí: não como uma festa autônoma, mas como o último momento antes da renúncia. O excesso deixa de ser um bem ritual e passa a ser um "antes de".

A própria etimologia do termo —associada à "despedida da carne"— revela essa mudança profunda. O Carnaval não é definido pelo que afirma, mas pelo que antecede. Ele existe em função da abstinência, não da celebração. É uma exceção vigiada, moralmente ambígua, sempre à beira da condenação.

Isso não significa, porém, que o Carnaval tenha sido apenas uma válvula de escape controlada pela Igreja. Ao contrário. Justamente por ocupar esse espaço ambíguo, ele se tornou também um terreno fértil para a contestação. Máscaras, sátiras e inversões passaram a ser meios pelos quais a cultura popular tensionava valores e autoridades dominantes. O riso carnavalesco não apenas reforça a ordem: ele a comenta, a critica, às vezes a expõe ao ridículo.

O Carnaval cristão nasce, assim, de uma negociação permanente. De um lado, tentativas de controle, moralização e enquadramento. De outro, práticas populares que insistem em reinventar a festa, ampliando seus sentidos. O resultado não é uma continuidade simples do mundo romano, nem uma criação inteiramente nova, mas um arranjo histórico instável.

Quando olhamos para o Carnaval brasileiro hoje, com sua crítica política, sua criatividade e sua capacidade de expor desigualdades, vemos a persistência dessa tensão antiga. O Carnaval não é apenas um momento em que a ordem "se permite" ser suspensa. É também um espaço em que se diz, por meio do riso, o que a ordem prefere calar.

O cristianismo não acabou com o Carnaval porque percebeu que não podia eliminar a exceção. Mas o transformou profundamente: retirou-lhe a autonomia religiosa e o colocou sob o signo da penitência. Desde então, uma vez por ano, o mundo pode virar de cabeça para baixo, não porque isso seja bom em si, mas porque, mesmo sob vigilância, o riso nunca deixou de encontrar um caminho. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

‘Me senti traído’, afirma Paulo Vieira após vídeo feito com óculos inteligentes sem sua permissão

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Publicado em 08 fevereiro 2026
  • Paulo Vieira
  • óculos inteligentes

Episódio aconteceu em um açougue; humorista descobriu que vídeo de sua conversa com atendente estava no Instagram

 

O humorista Paulo relatou pelo X que um vídeo seu feito sem que ele soubesse foi parar nas redes sociais Foto: Reprodução/X

 

Por Redação

O humorista Paulo Vieira utilizou as redes sociais para relatar um incômodo de privacidade. De acordo com Vieira, um vídeo filmado com óculos inteligentes em que ele aparece em um açougue foi parar no Instagram, sem que ele soubesse que estava sendo gravado.

Segundo ele, a pessoa que o atendeu estava utilizando um óculos com câmera - e que o aparelho não tinha nenhuma indicação de que estava ligado - em geral, dispositivos desse tipo indicam com uma luz na armação caso estejam filmando ou tirando fotos.

Depois da interação, Vieira afirmou que encontrou o vídeo com o conteúdo da conversa em um Reels, do Instagram.

“Eu achei que era só uma conversa entre dois seres humanos, mas, no fim, era a merda da produção de conteúdo”, afirmou Vieira em sua conta do X, neste sábado, 7.

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O humorista ainda respondeu um usuário que alertou sobre a luz que indica que os óculos estão ligados, mas afirmou que muitos usuários têm burlado o sistema de indicação.

“Já tão vendendo o adaptador que esconde a luzinha que mostra que tá filmando”, disse em uma resposta no X.

A falta de privacidade incomodou Vieira, que afirmou que se sentiu traído. Ele ainda reclamou que o açougueiro deveria ter perguntado a ele se tinha a permissão para filmá-lo no momento.

“Parece que postar qualquer coisa insignificante sobre a sua vida não é mais opcional: se você não fizer, vão fazer por você. O açougueiro com os óculos que filma vai contar pro mundo se você comprou acém ou maminha. Sim, eu tenho 180 anos”, publicou. Fonte: https://www.estadao.com.br

Acidente com ônibus de romeiros deixa ao menos 15 mortos em Alagoas.

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Publicado em 03 fevereiro 2026
  • 15 Romeiros mortos em Alagoas
  • 15 pessoas morreram após um ônibus de romeiros
  • Acidente com ônibus de romeiros
  • Acidente na rodovia AL-220,
  • Acidente em São José da Tapera
  • Acidente com Romeiros em Alagoas,
  • Romeiros de Padre Cícero,

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças; veículo tinha aproximadamente 60 ocupantes

 

Gabriela Bento e Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil03/02/26

Ao menos 15 pessoas morreram após um ônibus de romeiros capotar, nesta terça-feira (3), na rodovia AL-220, localizada no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano.

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças.

De acordo com informações preliminares, o ônibus contava com aproximadamente 60 ocupantes. As vítimas sobreviventes foram socorridas e levada para hospitais da região, onde seguem recebendo atendimento médico.

Por conta do acidente, o governador do estado, Paulo Dantas, decretou luto oficial de três dias.

A ocorrência, classificada como um incidente com múltiplas vítimas de alta complexidade, conta com o apoio de aeronaves do Departamento Estadual de Aviação, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas e da Polícia Militar de Alagoas.

Após a ocorrência, o Instituto de Criminalística de Arapiraca foi acionado para periciar o local e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente.

Em nota, a prefeitura de Juazeiro do Norte lamentou o acidente. 

 

Leia na íntegra:

"A Prefeitura de Juazeiro do Norte manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido na manhã desta terça-feira, 3, na rodovia AL-220, envolvendo um ônibus com romeiros que retornavam ao estado de Alagoas após participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias.

Juazeiro do Norte, cidade cuja história é marcada pela fé e pelo acolhimento aos romeiros, recebe essa notícia com imensa tristeza e solidariedade, sentimento que une a gestão municipal e toda a população neste momento de luto.

Diante dessa dolorosa circunstância, a administração municipal expressa suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas e deseja pronta recuperação às pessoas feridas, reafirmando seu respeito, cuidado e apoio a todos os atingidos por essa fatalidade." Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

Autoritarismo antissionista e a universidade

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Publicado em 29 janeiro 2026
  • Autoritarismo antissionista
  • Estudos sobre a Personalidade Autoritária
  • Herbert Marcuse
  • Faculdade de Direito da USP,

Quem defende censura hoje por conveniência política cria, sem perceber, o monstro que amanhã esmagará todos nós

 

Por Matheus Alexandre

Theodor Adorno, em Estudos sobre a Personalidade Autoritária (1950), mostrou que o autoritarismo não é um desvio individual, mas uma estrutura sociopsicológica produzida na vida cotidiana. Indivíduos com predisposições autoritárias tendem à intolerância, à ambiguidade, ao pensamento dicotômico, ao apego a normas absolutas e à dificuldade de lidar com nuances. O autoritarismo, assim, opera como um modelo cognitivo: organiza afetos e julgamentos, predispõe à busca de ordem rígida, à punição do desvio e à conversão de conflitos políticos em batalhas morais contra um “inimigo”.

Embora o autor tenha mirado, naquele momento histórico, o fenômeno da ultradireita autoritária, ainda tentando elaborar sobre o fenômeno do nazismo e do fascismo na Europa, sua obra nos permite perceber que, justamente por se tratar de predisposições sociopsicológicas, essas tendências podem ser mobilizadas por qualquer campo político, independentemente do conteúdo da causa.

Essa leitura aparece claramente nas cartas trocadas entre Adorno e Herbert Marcuse em 1969, quando Adorno identificava no movimento estudantil alemão impulsos que reproduziam, na forma, a mesma lógica autoritária que afirmavam combater. A intolerância ao dissenso, a moralização da política e a crença de que fins justos autorizam métodos coercitivos eram, para ele, sinais de um desvio que ultrapassava fronteiras ideológicas.

No Brasil, onde a memória histórica recente associa a direita à ditadura e a esquerda à resistência democrática, cristalizou-se a crença confortável de que o autoritarismo seria exclusivo da extrema direita. A tradição frankfurtiana, porém, demonstra o contrário: qualquer grupo pode reproduzir práticas de supressão do debate e cerceamento do dissenso quando transforma divergências em ameaças existenciais.

Essa dinâmica se expressa de modo crescente nas universidades brasileiras.

A censura praticada por estudantes da Faculdade de Direito da USP, em novembro de 2025, para impedir a participação de André Lajst num debate sobre o Oriente Médio, afirmando em nota que “sionistas não são bem-vindos nas Arcadas”, deve ser vista como uma ação da maior gravidade. Ela expressa precisamente aquilo que Adorno chamaria de “impulso autoritário”: a substituição do debate pela eliminação do dissenso, a crença de que a justiça da causa autoriza a supressão da fala alheia e a transformação da universidade num espaço de unanimidade obrigatória.

Essa é a lógica que tem orientado o movimento de Boicotes, Desinvestimentos e Sanções a Israel (BDS) em diversos ambientes acadêmicos. Sob o discurso de justiça, o movimento passa a operar segundo o modelo cognitivo autoritário descrito por Adorno: reduz complexidades a dicotomias morais entre “puros” e “culpados”, “legítimos” e “ilegítimos”. Com isso, o debate deixa de se concentrar criticamente nas políticas do Estado de Israel e passa a atingir a própria presença de indivíduos judeus, israelenses, sionistas ou simplesmente dissonantes no espaço universitário.

Quando isso acontece, a política deixa de operar no campo do argumento e passa a funcionar no regime da identidade: pessoas são reduzidas àquilo que se presume que elas representam, e não ao que efetivamente dizem ou fazem.

É nesse contexto que o adjetivo “sionista” se converte numa ferramenta conveniente: uma categoria totalizante que demoniza e distorce o significado do movimento nacional judaico, suspende a singularidade dos indivíduos e legitima agressões simbólicas e materiais. Torna-se um passe-livre moral: basta aplicar o rótulo para justificar alguém como alvo, neutralizar sua fala ou normalizar hostilidades que, em qualquer outro cenário, seriam inaceitáveis – um mecanismo que Eva Illouz (2024) denomina antissemitismo virtuoso. O debate, então, cede lugar a uma lógica de veto identitário, e a estrutura autoritária se impõe: não se discutem ideias; elimina-se quem as porta.

Episódios como esse têm se repetido cotidianamente nas universidades públicas brasileiras. Em 2024, um evento de Relações Internacionais da USP foi alvo de boicote pela simples presença da professora Karina Stange Calandrin. No mesmo ano, na Universidade Federal do Ceará, militantes impediram uma palestra de Michel Gherman ao rotulá-lo como “sionista da IDF”, como se a atribuição de uma identidade presumida bastasse para interditar sua fala.

Os exemplos são inúmeros. É a consolidação da “Escola Sem Partido” da esquerda antissionista.

A universidade, nesse cenário, deixa de ser um espaço para o livre pensamento e passa a ser um espaço para o adestramento. E esse é um caminho perigoso. Quem defende censura hoje por conveniência política cria, sem perceber, o monstro que amanhã esmagará todos nós. A História mostra que dispositivos de silenciamento nunca permanecem nas mãos de quem os criou. É preciso parar isso enquanto há tempo.

 

Opinião por Matheus Alexandre

Mestre e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, ffellow do London Centre for the Study of Contemporary Antisemitism, alumni do ISGAP–Oxford, especialista em produção acadêmica da StandWithUs Brasil, integra o time de pesquisadores em projeto de combate ao antissemitismo da Confederação Israelita do Brasil (Conib) Fonte: https://www.estadao.com.br

O filme que o Oscar ignorou

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Publicado em 28 janeiro 2026
  • SUS
  • Longa argentino 'Belén'
  • Hospital Municipal Fernando Magalhães,
  • Belén
  • Longa argentino 'Belén' mostra jovem que é condenada por aborto espontâneo, numa engrenagem de moralismo e incompetência
  • O mais perverso é que, no Brasil, debate necessário nem existe, mesmo com um governo de esquerda

Longa narra o drama de Belén, jovem de 27 anos presa após sofrer um aborto espontâneo em um hospital público de Tucumán, na Argentina - Reprodução/Prime Video

 

Rio de Janeiro

Um vídeo gravado no início de janeiro dentro do Hospital Municipal Fernando Magalhães, no Rio, mostra mulheres numa situação de extrema vulnerabilidade. Algumas em macas, outras sentadas, choram de dor, têm as roupas encharcadas de sangue. Elas buscam atendimento para a interrupção legal da gestação ou para finalizar uma perda gestacional.

O que aparece ali —maus-tratos e negligência num serviço público dito "de referência"— expõe uma falha que vai além de gestão: é violência institucional. Vale dizer o óbvio, o SUS tem obrigação de atender os casos garantidos pela Constituição, perdas gestacionais e urgências decorrentes de abortos clandestinos. Não cabe dificultar, constranger, interrogar ou agir como polícia.

A realidade brasileira é igual em várias partes do mundo, como mostra um dos filmes mais incômodos do ano, que ficou fora da peneira final do Oscar. Exatamente aquele que deveria ser visto, falado, discutido, esmiuçado. A história retratada em "Belén" é baseada na prisão de uma jovem que sofreu aborto espontâneo. Condenada, tem a vida esmagada por uma engrenagem de moralismo e incompetência. O caso, abraçado por um grupo de mulheres, virou símbolo da luta que legalizou o aborto na Argentina em 2020.

Chorei muito. Não por identificação literal, mas por vergonha de constatar a facilidade com que instituições, respaldadas por leis anacrônicas e que burlam o que deveria ser feito na legalidade, tratam mulheres como criminosas. E isso segue acontecendo no Brasil em larga escala: não só no desfecho extremo de uma prisão, mas no varejo da humilhação, do atraso deliberado para impedir procedimentos, do julgamento; tudo isso como métodos de coerção e de controle.

O mais perverso é que, no Brasil, nem debate existe, mesmo com um governo de esquerda. Aborto foi empurrado para a gaveta do que Brasília chama, com eufemismo, de "pauta de costumes". Por covardia política, Lula e parlamentares progressistas evitam o tema para não comprar briga com bancadas conservadoras e não pagar o preço eleitoral. As mulheres que paguem. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

O dever de cuidado das plataformas digitais

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Publicado em 28 janeiro 2026
  • plataformas digitais
  • Marco Civil da Internet
  • o Marco Civil da Internet,
  • Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014)
  • Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021),

Se, como acusam alguns, o Supremo queria criar um mecanismo para silenciar ideias e opiniões incômodas, ele falhou feio

 

Por Nicolau da Rocha Cavalcanti

Advogado, mestre e doutorando em Direito Penal pela USP

 

Naquele que foi provavelmente o julgamento mais discutido no ano passado – sobre o art. 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) –, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu a responsabilidade das plataformas digitais pela “indisponibilização imediata de conteúdos que configurem as práticas de crimes graves previstas no seguinte rol taxativo”. Considerada necessária por muitos, a decisão suscitou em outros forte apreensão pelos riscos à liberdade de expressão envolvidos. Especialmente por incluir, no rol taxativo, os crimes contra a democracia: “Condutas e atos antidemocráticos que se amoldem aos tipos previstos nos artigos 286, parágrafo único, 359-L, 359-M, 359-N, 359-P e 359-R do Código Penal”.

O dever de cuidado das plataformas digitais tem, no entanto, alcance bem mais restrito do que se imagina, seja em sua eficácia, seja em seus riscos. Aplicado nos termos da decisão do STF, ele não impediria a circulação da imensa maioria das publicações consideradas golpistas no âmbito dos processos do 8 de Janeiro, como também não restringe a liberdade de expressão. Se, como acusam alguns, o Supremo queria criar um mecanismo para silenciar ideias e opiniões incômodas, ele falhou feio. Três são as razões para essa conclusão.

Segundo a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021), “não constitui crime (...) a manifestação crítica aos Poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais”.

Manifestação ácida, dura, virulenta ou deseducada não é crime contra a democracia. E o mesmo ocorre com a atividade jornalística, tanto investigativa como opinativa. Também não é crime contra a democracia “a reivindicação de direitos e garantias constitucionais”. Ou seja, nada disso pode ser barrado pelas plataformas, uma vez que a sistemática criada pelo Supremo se baseia na tipificação penal da Lei 14.197/2021.

Segunda razão. O STF não incluiu, no rol que é taxativo, o crime de incitação aos tipos penais contra a democracia (art. 286, caput do Código Penal), mas tão somente aquele previsto no parágrafo único: “Incorre na mesma pena quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os Poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade”.

Por força da própria decisão do STF, não está no dever de cuidado das plataformas impedir a publicação de conteúdo que configure, por exemplo, incitação a golpe de Estado, se não envolver as Forças Armadas. Incitar um crime não é o mesmo que praticá-lo. O provedor de aplicações de internet deve impedir apenas as publicações que configurem, em si mesmas, “condutas e atos antidemocráticos que se amoldem aos tipos previstos” na Lei 14.197/2021.

Excluindo os crimes de incitação de animosidade envolvendo as Forças Armadas e de violência política psicológica, é muito difícil que conteúdos na internet configurem, por si sós, a prática dos outros crimes contra a democracia previstos no rol taxativo. Os crimes de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito exigem violência ou grave ameaça. O de sabotagem envolve destruição ou inutilização de “meios de comunicação ao público, estabelecimentos, instalações ou serviços destinados à defesa nacional”. É implausível que uma publicação na internet possa, por si mesma, preencher tais molduras proibitivas.

Talvez alguém pondere: mas as publicações na internet podem contribuir para a prática de crimes contra a democracia, inserindo-se em contexto de participação criminosa. De fato, o Código Penal prevê: “Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade” (art. 29). Segundo o STF, as publicações questionando as urnas eletrônicas integraram a estratégia da tentativa de golpe do 8 de Janeiro.

No entanto, ações de participação criminosa – por exemplo, dirigir o carro num assalto a banco ou enviar mensagens que disseminam desconfiança nas instituições – dependem de análise contextual caso a caso, o que ultrapassa o dever de cuidado das plataformas digitais. O fato de posts contra as urnas eletrônicas terem sido usados em uma tentativa de golpe não faz com que todos os futuros posts sobre o tema devam ser enquadrados como condutas criminosas. Eis a terceira razão: a sistemática criada pelo STF não abarca condutas a priori atípicas, cuja ilicitude, para ser identificada, demanda investigação.

Se essa restrita aplicabilidade suscita tranquilidade em muitos, cabe também advertir: a proteção da democracia por meio do dever de cuidado das plataformas é um tanto fictícia. Aqui, a questão não é apenas sobre os termos da decisão do STF. Por mais ativo que seja o Judiciário, preenchendo o que enxerga ser omissão do Legislativo, não existe defesa efetiva da democracia sem participação da sociedade. Temos, portanto, muito a trilhar no campo da educação cívica. Fonte: https://www.estadao.com.br 

As militâncias ideológicas são da mesma ordem do fanatismo religioso

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Publicado em 18 janeiro 2026
  • Revolução Francesa
  • As militâncias ideológicas
  • adesão ideológica
  • haters
  • Religião Apocalíptica
  • Missa Negra, Religião Apocalíptica e a Morte da Utopia

O componente irracional é o que move a adesão ideológica

Não é o desejo de melhorar o mundo, mas o gosto por sangue

 

Ilustração de Ricardo Cammarota para coluna de Luiz Felipe Pondé - 18 de janeiro de 2026 - Ricardo Cammarota/Folhapress

 

Quem ainda crê que os movimentos políticos modernos e as ideologias nascem do cérebro racional da espécie é ignorante ou mentiroso. Tais movimentos e suas militâncias são da mesma ordem do fanatismo religioso. Por isso, pouco adianta tentar argumentar com tais agentes. Esse ato seria semelhante a argumentar com um enxame.

Este fato explica, pelo menos em parte, a estupidez que circula pelas redes sociais entre os "haters" engajados na polarização. O nível mais alto de inteligência que atravessa essa cultura de bactérias, que são as redes, é aquele que caracteriza os movimentos répteis.

O filósofo britânico John Gray lançou em 2007 "Black Mass, Apocalyptic Religion and the Death of Utopia", que agora está sendo relançado no Brasil como "Missa Negra, Religião Apocalíptica e a Morte da Utopia".

Quem conhece sua obra sabe que o filósofo britânico é um duro crítico do mito do progresso. Concordo com Gray que o progresso é um mito, afora os avanços tecnológicos desde a descoberta de como fazer o fogo. Mas, no que se refere ao comportamento humano, à moral e à política, a ideia de progresso desde o Iluminismo é idiota. Entretanto, o número de iludidos que nele creem nunca para de crescer.

Outro traço do pensamento de Gray é sua suspeita de que os animais, no seu "silêncio", são mais sábios do que nós. Aliás, seu livro "Silêncio dos Animais" é um dos mais belos que já li.

A tese da sua "Missa Negra" é que todas as crenças políticas revolucionárias modernas são derivadas de crenças apocalípticas judaicas e cristãs. Mesmo passando pela secularização, a tara com o fim do mundo tal como conhecemos e o surgimento do "novo mundo perfeito" permanece. E não só esse aspecto foi mantido.

Todos sabemos que as narrativas apocalípticas são marcadas pela violência, mortes do que são maus, sobrevida dos eleitos. Como não pensar na Revolução Francesa ou na Russa? Ou na Revolução Islâmica Iraniana?

Gray deixa claro que mesmo nas crenças ideológicas liberais, marcadas pela ideia de aperfeiçoamento incremental do mundo, permanece a ideia de que o "mercado" salvará o mundo e os homens. O otimismo liberal de mercado é, também, um filhote da tara apocalíptica. Daí, a aceitação que os incapazes de lidar bem com a lógica da eficiência e da competição do mercado não têm méritos para viver no novo mundo da riqueza material.

O que sustenta as posições ideológicas do mundo contemporâneo são taras irracionais religiosas secularizadas. Lendo essa coisa chamada "comentários", na sua imensa maioria, vemos a pequena miséria humana na sua forma explícita.

Sabemos que a justificativa dessa prática na mídia não tem nada a ver com "princípios democráticos", mas, apenas, sim, trata-se de princípios de marketing. Há que dar voz aos consumidores, mesmo que a maior parte do que circula por esse "ecossistema" seja puro lixo. Do ponto de vista do conteúdo, não faria nenhuma falta. Os "comentários" são um parquinho para crianças raivosas, com raras exceções.

O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue. Se não fosse isso, por que tantos revolucionários sempre gozaram com a palavra "terror"? A paixão pelo terror é a paixão política essencial em questão.

Como diz Gray, com os movimentos políticos modernos, a tara apocalíptica, que na Antiguidade, era essencialmente um traço de indivíduos periféricos e esquisitos da miserável sociedade israelita do período do Segundo Tempo sob domínio romano, em si periférica, hoje se fez "mainstream".

Discute-se em aulas na universidade, escreve-se em livros de autores com PhD, encena-se em peças de teatro com aprovação da crítica regadas a vinho caro em restaurantes descolados, apresenta-se em programas de debates da televisão e podcasts, enfim, as taras com o fim do mundo tal como conhecemos e a criação de um mundo novo e perfeito são tratadas como ciência social, histórica e política.

Profetas do terror como Marx, Lênin, Foucault, entre outros, recebem o tratamento de "especialistas" nas sociedades dos homens, quando, na realidade, não entendem patavina acerca de quem vai à feira comprar ovos e tomates para comer em suas casas de pobres.

A ideia de que existe um componente moral significativo na espécie humana pode ser inconsistente. Veja, por exemplo, a indiferença de grande parte da imprensa e dos países para com os mortos iranianos. Um blábláblá aqui, outro ali. Cadê toda aquela indignação? E as bandeiras? A verdade é que os aiatolás podem matar à vontade. O mundo é um circo de horrores e continuará sendo.  Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Funcionário de ONG é torturado e morto por milicianos em Rio das Pedras

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Publicado em 15 janeiro 2026
  • Violência no Rio,
  • Zona Oeste do Rio
  • Funcionário de ONG é torturado e morto por milicianos
  • o corpo de Jonathan Batista foi exibido pelas ruas da comunidade,
  • milicianos em Rio das Pedras,
  • Delegacia de Homicídios,
  • Associação de Moradores de Rio das Pedras,
  • Instituto Médico-Legal

Segundo a polícia, vítima teve o corpo exibido pelas ruas da comunidade. O crime ocorreu em meio ao aumento da violência e do controle imposto pela milícia na região.

 

o corpo de Jonathan Batista foi exibido pelas ruas da comunidade, em um crime que chocou moradores e reforçou o clima de medo na região. — Foto: Reprodução TV Globo

   

Por Adriana Cruz, Gabriela Moreira, RJ2

Jonathan Batista, de 33 anos, foi torturado e morto por milicianos em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.

O corpo de Jonathan foi exibido pelas ruas da comunidade, em um crime que chocou moradores e reforçou o clima de medo na região.

Uma das linhas de investigação aponta que Jonathan foi morto porque milicianos desconfiaram que ele seria usuário de drogas e mantinha contato com o tráfico.

Um funcionário de uma ONG que presta serviços para o Governo do Estado do Rio de Janeiro foi torturado e morto por milicianos em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a polícia, após o assassinato, o corpo de Jonathan Batista foi exibido pelas ruas da comunidade, em um crime que chocou moradores e reforçou o clima de medo na região.

Jonathan trabalhava havia três anos em um projeto do governo do estado voltado para idosos, o programa 60+ Reabilita, e era conhecido e querido por moradores de Rio das Pedras. No Instituto Médico-Legal (IML), a irmã de Jonathan descreveu a personalidade do irmão.

“O Jonathan era um menino, um rapaz, um homem de boa índole. O Jonathan era uma pessoa alegre, bondoso, prestativo. Era o melhor tio que duas crianças poderiam ter”, disse ela.

 

Investigação

Segundo a Delegacia de Homicídios, uma das linhas de investigação aponta que Jonathan foi morto porque milicianos desconfiaram que ele seria usuário de drogas e mantinha contato com o tráfico.

A irmã da vítima afirmou que o corpo apresentava sinais de tortura. “Meu irmão sofreu muito, meu irmão estava amarrado”.

Uma segunda linha de investigação indica que o assassinato pode ter sido cometido para atingir a Associação de Moradores de Rio das Pedras, onde Jonathan também prestaria serviços.

“O Jonathan trabalhava tanto internamente na associação, na parte de reabilitação, que tem a parte de fisioterapia, fazendo os planejamentos, como também externamente na comunidade, tirando fotos dos locais que estão prejudicados para poder fazer obras”, explicou a irmã.

Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, quatro homens participaram da morte de Jonathan. Entre eles estaria um dos chefes da milícia local, Kauã de Oliveira Teles.

Ele assumiu parte do controle da organização criminosa depois que o irmão, Gerlan Anacleto de Oliveira, foi preso em 2023. Ainda de acordo com a polícia, a região também é controlada por Taillon Barbosa, que está preso.

A Delegacia de Homicídios esteve em Rio das Pedras nesta quarta-feira (14) colhendo informações para avançar nas investigações.

 

Milícia aumentou o controle

Na semana passada, uma operação da Delegacia de Descoberta de Paradeiros encontrou em Rio das Pedras um cemitério clandestino onde teriam sido enterrados pelo menos 14 corpos de vítimas da milícia.

Pessoas estavam enterradas em covas rasas, sem identificação. Duas ossadas foram localizadas e encaminhadas para perícia.

Moradores relataram à reportagem que, desde a descoberta do cemitério clandestino, a vigilância da milícia sobre a população se intensificou. Segundo os relatos, os criminosos aumentaram as rondas diárias e passaram a exigir a senha dos celulares de moradores para fiscalizar conversas e ligações.

O governo do estado informou que pretende ocupar Rio das Pedras nos próximos meses. A ação atende a uma exigência do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou a elaboração de um plano de reocupação de territórios dominados pelo crime organizado.

Abalada, a irmã de Jonathan lamentou a violência no local onde ele morava.

“O Jonathan era uma pessoa que você não via a maldade que tá acontecendo no mundo. Mas, infelizmente, o lugar aonde ele se encontrava morando é um lugar onde a maldade está em tudo”. Fonte: https://g1.globo.com

Master, jornalismo e a nudez das redes sociais

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Publicado em 14 janeiro 2026
  • Redes sociais,
  • O Poder das Redes Sociais,
  • internet e as redes sociais,
  • Efeitos das redes sociais
  • seguidores nas redes sociais
  • postagens nas redes sociais
  • influenciadores do Banco Master
  • Banco Master
  • O jornalismo vende,
  • O jornalismo

Receber dinheiro, de maneira sigilosa, para emitir uma opinião não é crime. Mas qual valor deve ter essa opinião?

 

Por Nicolau da Rocha Cavalcanti

Com pena de reclusão de dois a seis anos e multa, a Lei dos Crimes Financeiros (Lei 7.492/1986) tipifica o crime de desinformação financeira: “Divulgar informação falsa ou prejudicialmente incompleta sobre instituição financeira” (art. 3º). Faz sentido, portanto, que as autoridades policiais investiguem eventual ocorrência de crime nas publicações de influenciadores digitais sobre o Banco Master e o Banco Central (BC).

De toda forma, a simples conduta de publicar, mediante pagamento, mensagens favoráveis ao Banco Master, questionando a ação do BC, não se enquadra no crime do art. 3º da Lei 7.492/1986, especialmente por força dos elementos subjetivos previstos no tipo penal. Entre os requisitos, o influenciador teria de saber que está divulgando uma informação falsa ou prejudicialmente incompleta. Situação diversa é a de quem, caso se comprove a existência de uma coordenação de publicações, orquestrou e executou a campanha de desinformação. Também não se pode descartar a ocorrência de crimes contra a honra das autoridades atacadas.

No entanto, mais do que uma questão penal, o episódio dos influenciadores do Banco Master joga luz sobre a fragilidade informativa do mundo digital. Receber dinheiro, de maneira sigilosa, para emitir uma opinião não é crime. Mas qual valor deve ter essa opinião? Qual é a atenção que essa pessoa merece receber de nossa parte? Quanto tempo deveríamos dedicar a escutar quem recebe dinheiro para falar de uma empresa, com o pacto de nunca revelar o recebimento desses valores?

Certamente, podemos questionar esses influenciadores. Estão sendo leais ao seu público? São transparentes com seus seguidores? Todavia, em vez de apontar o dedo acusando-os por seu comportamento nas redes sociais, penso que é mais produtivo aproveitar esse episódio para avaliar nossos próprios hábitos de consumo de informação. E para ajudar a que muitas pessoas no nosso entorno repensem suas práticas.

Contra todos os perigos relativos à ação de influenciadores influenciados por pagamento oculto, temos à disposição o jornalismo. Sua dinâmica de produção de informação é completamente diferente, com critérios éticos consolidados e procedimentos de checagem e revisão, propiciando condições objetivas de imparcialidade. Há erros nos jornais? Sem dúvida. Mas não há conluio com o erro. De forma institucional, com método e a participação de várias pessoas, checa-se, apura-se, corrige-se.

Acostumamo-nos a ter duas medidas de avaliação. Com certeza, ignoraríamos uma matéria jornalística se soubéssemos que o jornalista foi pago, com dinheiro ou presentes, para falar bem de um produto, serviço ou empresa. Essa matéria não seria jornalismo e uma conduta assim geraria a imediata demissão do seu autor. No entanto, não temos habitualmente nenhum problema em consumir – em dedicar tempo a, em ser influenciado por – publicações nas redes sociais cuja única razão de existir foi o pagamento que o influenciador recebeu da empresa mencionada.

O jornalismo vende, sim, publicidade. Mas a publicidade nos jornais tem regras estritas, públicas e consolidadas, regras estas cujo sentido é assegurar que o leitor possa diferenciar, com facilidade, desde o primeiro contato, o que é jornalismo e o que é publicidade. Há um cenário normativo – separando opinião, informação e publicidade – criado precisamente para prever, identificar e evitar situações de conflito de interesse. A dinâmica das redes sociais é outra, diametralmente oposta.

Tudo está pensado para eliminar as distinções entre opinião, informação e publicidade, para tornar invisíveis os conflitos de interesse.

Não quero romantizar ou idealizar o jornalismo. Valho-me aqui da perspectiva da Justiça criminal, mas certamente outras áreas terão seus próprios exemplos, suas respectivas dores. Ao atuar na defesa dos direitos de pessoas investigadas e acusadas, a advocacia criminal vê e sente diariamente várias deficiências e contradições do jornalismo: vazamentos seletivos, dados descontextualizados, confusões entre lei e moral, fragilidade epistêmica de alguns escândalos – às vezes, baseados em recortes de delações feitos por uma das partes interessadas! Tudo isso tensiona os princípios da presunção de inocência e da imparcialidade dos julgamentos. Como adverte Vittorio Manes, numa Justiça midiática, o réu é um “culpado aguardando julgamento”. No entanto, nada disso desqualifica a atividade jornalística e suas regras. A resolução dos problemas citados – o compromisso constante de combatê-los e reduzir seus danos – passa por viver com mais rigor, e não menos, os critérios de apuração do jornalismo, por resgatar, num eterno retorno, o que é a notícia, sua umbilical conexão com o interesse público.

Não há democracia sem transparência, sem liberdade de expressão. Como também não há democracia com ingenuidades. As redes sociais não são o pináculo da autenticidade, da livre e genuína expressão de ideias. Há muito dinheiro envolvido. São muitos os interesses em ação. Como o jornalismo bravamente tem mostrado.

 

Opinião por Nicolau da Rocha Cavalcanti

Advogado, mestre e doutorando em Direito Penal pela USP

Fonte: https://www.estadao.com.br

Qual é o limite para se ter esperança?

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Publicado em 13 janeiro 2026
  • Esperança,
  • Ter Esperança,
  • A Esperança,

Preconceito e falta de informação alimentam desespero em vez de uma chance genuína

Mesmo após décadas sem avanços relevantes, pessoas com lesões medulares graves podem vislumbrar nova possibilidade: a polilaminina

 

O nascer do sol sobre o rio Marajó, no Pará - Mathilde Missioneiro/Folhapress

 

Pessoas com deficiência talvez formem o grupo que mais consegue compreender o impacto da sentença "você será desse jeito para sempre". Nunca mais vai andar, nunca mais vai ver, nunca mais vai poder isso, jamais irá fazer aquilo.

E não são apenas profissionais de saúde os mensageiros do desespero eterno, algo que até tem mudado e se sensibilizado, de certa maneira, nos últimos tempos. A própria sociedade acabou incorporando o modo de pensar que vidas "malacabadas" são estáticas e que é preciso agir com delicadeza com "eles".

Persiste um pensamento de que é necessário ter muito cuidado para não magoar corações que já convivem com um sentimento de fim da linha devido suas questões sensoriais, motoras, psíquicas ou intelectuais.

Diante de um quadro assim, como falar de esperança em um cenário que supostamente se vive no fundo do poço, onde foi tão difícil se conformar com as dúzias de limitações de uma existência tida como incompleta, triste e digna de ser protegida, inclusive de possíveis ilusões de que algo poderá melhor.

É fato que mercadores de ilusões seguem firme agindo em fragilidades humanas, não exclusivas de pessoas com deficiência, mas presentes em todos os que padecem por dores e ausência e também por preconceitos, exclusões, desamparos e incompreensões.

Facilmente se encontram métodos milagrosos para dar "a melhor educação para crianças autistas", chás que fazem surdo ouvir e cego ver, robôs de papelão capazes de ser verdadeiras pernas para gente com questões de mobilidade.

Sim, há quem se agarre em fiapos para cozer mantos que prometem proteger das desgraceiras do mundo. Mas o desespero, geralmente, não tem parentesco legítimo com a esperança.

Ele tem na alma a desinformação, a falta de autoestima, o abandono, a mentira, o dinheiro selvagem. Ela tem um frescor de boa intenção, um lastro com a realidade, a doçura da explicação, a mão dada com a fé.

Já me deparei muitas vezes com a esperança usando trajes de enganação e me gabo, ao longo da minha trajetória profissional, não ter celebrado métodos que não dialogam com o íntimo, com o de dentro para fora, com a escuta do que é melhor para mim e não o melhor para a acomodação do outro.

O povo que não vê, não anda, não escuta e é ruim da caixola, tem poucas chances de viver a esperança de maneira tranquila porque precisa dar tempo demais para simplesmente estar na escola, no trabalho, na família, no bar e na rua. Porque vão achar que ele está se agarrando em nuvens. Porque é mais fácil investir na contenção de seus quadrados do que no avanço transformador que os leve mais perto da plenitude.

Pessoas que tiveram lesões medulares graves e se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas –uma das mais desafiadores condições de estar vivo--, que não tiveram em décadas novidades científicas contundentes para a evolução de seus quadros, podem, sim, ter esperança num novo e promissor vindouro, possível medicamento, a polilaminina (com todas as ressalvas, para ninguém ficar chateado).

Não penso que exista uma promessa de que todo o mundo abandonará suas companheiras de rodas, suas muletas e andadores do dia para a noite. Penso que há uma nova porta, construída com cuidado, inteligência, método e conhecimento, onde se lê no tapetinho de entrada: bem-vindo, aqui mora a esperança. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Tragédia anunciada.

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Publicado em 12 janeiro 2026
  • Organização Mundial da Saúde,
  • cuidar da saúde mental brasileira,
  • Reforma Psiquiátrica Brasileira
  • Manicômio Colônia de Barbacena
  • Sistema Único de Saúde

A realidade é que falhamos em cuidar da saúde mental brasileira, apesar de a intenção do discurso ser justamente oposta

 

Opinião por Alaor Carlos de Oliveira Neto

Coordenador do serviço de psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

No Rio Grande do Sul, um homem de 29 anos foi morto em casa por policiais militares acionados pela família, que se encontrava com o rapaz em surto psicótico. Informações dadas pela mãe da vítima indicam um longo histórico de tratamento para dependência de cocaína e transtorno de personalidade borderline, além de episódios anteriores de desorganização comportamental. A família, sem referências claras de cuidado, buscava ajuda para contê-lo, não um desfecho trágico.

Na Paraíba, um rapaz de 19 anos foi morto por uma leoa ao entrar deliberadamente em sua jaula. Dados iniciais indicam uma vida marcada por desestrutura social e familiar, além de um histórico de acompanhamento em saúde mental. Seu gesto extremo é um retrato evidente de sofrimento psíquico profundo, potencializado por vulnerabilidades múltiplas, ausência de suporte e falhas sucessivas nas redes de proteção.

Apesar de acontecerem em contextos distintos, os dois casos recentes evidenciam a necessidade urgente de fortalecer o sistema de saúde mental brasileiro e reconhecer que episódios como esses não são exceções, mas parte de um cenário recorrente.

Também é impossível ignorar outro fator que compõe esse cenário: o preconceito que ainda existe em uma parcela significativa da população ao reconhecer um problema de saúde mental e, sobretudo, ao pedir ajuda.

A Reforma Psiquiátrica Brasileira (consolidada pela Lei 10.216/2001) representou um avanço inegável nos direitos humanos, substituindo o modelo focado em manicômios pelo cuidado em base comunitária. No entanto, prevaleceu no texto um viés muito mais sociológico do que técnico e, 20 anos depois, assistimos ao crescimento do número de pessoas em situação de rua e o aumento expressivo de transtornos mentais graves sem acompanhamento adequado. Caminhamos, assim, na contramão da tendência mundial, que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2020, diminuiu em 36% a taxa global de suicídio, o Brasil, segundo o Ministério da Saúde, aumentou em 43% a taxa entre 2010 e 2019. Trata-se de um alerta contundente de que algo não funcionou como deveria.

O processo de fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos ocorreu numa velocidade muito superior à criação de serviços substitutivos tanto na rede pública quanto na privada. Nas duas últimas décadas, o Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu cerca de 25 mil leitos especializados, uma redução superior a 50% da capacidade instalada que existia na virada do milênio.

A existência de tratamento humanizado é um ponto pacífico sobre a reforma, mas a realidade não se importa com as imposições de qualquer caráter ideológico e a consequência disso foi que muitos pacientes graves ficaram sem referência de tratamento adequado. Com isso, serviços públicos sem aparato, nem treinamento adequado como a segurança pública, por exemplo, são pressionados diariamente com demandas da ordem da saúde mental.

Outro ponto crítico é a resistência, ainda presente em alguns setores do debate, a práticas terapêuticas baseadas em evidências. A eletroconvulsoterapia, por exemplo, continua alvo de desinformação, apesar de ser considerada, internacionalmente, um dos tratamentos mais eficazes para depressão grave refratária. Hoje, no Brasil, é simplesmente impossível registrar um novo aparelho de eletroconvulsoterapia e o procedimento não tem um código de faturamento específico na tabela padrão do SUS, que remunere adequadamente o hospital pelo custo da anestesia e da equipe, inviabilizando sua realização na maior parte do País e elitizando a prática do procedimento, o que fere diretamente o princípio de universalização do tratamento em saúde.

Em alguns serviços de saúde mental, ainda há debates marcados por visões ideológicas que podem gerar resistência a determinadas abordagens, como o uso de medicação ou a definição clara de responsabilidades técnicas. Parte desse posicionamento é influenciada por um passado de instituições psiquiátricas que, até os anos 80, funcionaram como verdadeiros espaços de exclusão. No entanto, modelos como o antigo Manicômio Colônia de Barbacena (MG) foram oficialmente descontinuados há mais de 30 anos no País; o desafio atual é atualizar a discussão à luz das necessidades contemporâneas de cuidado.

A realidade é que falhamos em cuidar da saúde mental brasileira, apesar de a intenção do discurso ser justamente oposta. Que tenhamos a coragem de tratar o problema de saúde com o aparato da ciência, da técnica e da responsabilidade coletiva. Os dois jovens mencionados neste texto perderam suas vidas em meio a esse vácuo assistencial. Não há liberdade alguma na loucura; ao contrário, poucas prisões são tão profundas e tão dolorosas quanto a de quem sofre sem acesso a tratamento adequado. O debate precisa avançar com urgência para que histórias como essas deixem de ser tragédias anunciadas. Fonte: https://www.estadao.com.br 

Cearense morre em hospital dias após perder pai, mãe e irmão em acidente na Bahia.

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Publicado em 05 janeiro 2026
  • Acidente na Bahia,
  • Cândido Sales,
  • Acidentes em Cândido Sales,
  • cidade de Cândido Sales,
  • sudoeste da Bahia

Vítima estava no carro que bateu de frente com um caminhão no dia 19 de dezembro, durante uma viagem de São Paulo para Acopiara.

Cearense morre em hospital dias após perder pai, mãe e irmão em acidente na Bahia

 

Maria Eduarda morreu 16 dias após acidente na Bahia que matou seu pai, mãe e irmão. — Foto: Reprodução 

 

Por Redação g1 CE

Uma jovem cearense morreu neste domingo (4), 16 dias após perder o pai, a mãe e o irmão em um acidente na BR-116, próximo à cidade de Cândido Sales, no sudoeste da Bahia.

A vítima, identificada como Maria Eduarda Silva Barbosa, estava no carro com a família, em viagem de São Paulo para Acopiara, no centro-sul do Ceará, onde planejavam passar as festas de fim de ano.

No trajeto, o veículo bateu de frente com um caminhão, no dia 19 de dezembro.

Hélio da Silva, de 46 anos, Iriza Silva, de 44 anos e um filho pequeno do casal morreram no local. Já Maria Eduarda, foi socorrida em estado grave e estava internada em um hospital de Cândido Sales (BA), mas não resistiu aos ferimentos.

A família era natural de Acopiara, mas residia há algum tempo em São Paulo.

Uma jovem cearense morreu neste domingo (4), no hospital, 16 dias após perder o pai, a mãe e o irmão em um acidente na BR-116, próximo à cidade de Cândido Sales, no sudoeste da Bahia.

A vítima, Maria Eduarda Silva Barbosa, 18 anos, estava no carro com a família, em viagem de São Paulo para Acopiara, no centro-sul do Ceará, onde planejavam passar as festas de fim de ano. No trajeto, o veículo bateu de frente com um caminhão, no dia 19 de dezembro.

Hélio da Silva, de 46 anos, Iriza Silva, de 44 anos e um filho pequeno do casal morreram no local. Já Maria Eduarda, foi socorrida em estado grave e estava internada em um hospital de Cândido Sales (BA), mas não resistiu aos ferimentos.

A família era natural de Acopiara, mas residia há algum tempo em São Paulo. Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) relatou que uma das suspeitas era que a colisão tivesse sido ocasionada por uma ultrapassagem perigosa. Fonte: https://g1.globo.com

Quem eram as seis vítimas da mesma família que morreram em acidente ao voltar da praia no Paraná

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Publicado em 30 dezembro 2025
  • Acidentes de final de ano,
  • Acidente em Rolândia
  • Casal, três filhos e um sobrinho morreram após colisão com caminhão na PR-170,
  • Florestópolis,
  • Acidente mata 6 pessoas na PR 170
  • seis vítimas da mesma família que morreram em acidente ao voltar da praia no Paraná

Casal, três filhos e um sobrinho morreram após colisão com caminhão na PR-170, em Rolândia.

 

 

Família morreu no local do acidente — Foto: Arquivo pessoal

 

Por Kathulin Tanan, Mayala Fernandes, g1 PR e RPC Londrina

As vítimas são o casal Alexandre Cordeiro e Adriana da Silva Souza Cordeiro, os filhos Miguel de Souza Cordeiro, dois bebês gêmeos de 10 meses, e o sobrinho Elano Gabriel de Oliveira.

A família morava em Florestópolis, no norte do estado. Alexandre trabalhava com serviços de tornearia e solda.

O acidente aconteceu na madrugada desta terça-feira (30), por volta das 4h30, na PR-170, em Rolândia, no norte do Paraná.

Foram identificadas as seis pessoas da mesma família que morreram em um acidente de trânsito enquanto voltavam de uma viagem ao litoral do Paraná.

As vítimas são o casal Alexandre Cordeiro e Adriana da Silva Souza Cordeiro, os filhos Miguel de Souza Cordeiro, dois bebês gêmeos de 10 meses - que não tiveram os nomes divulgados - e o sobrinho Elano Gabriel de Oliveira.

A família morava em Florestópolis, no norte do estado. Alexandre trabalhava com serviços de tornearia e solda.

O acidente aconteceu na madrugada desta terça-feira (30), por volta das 4h30, na PR-170, em Rolândia, no norte do Paraná. O carro em que a família estava bateu de frente com um caminhão no sentido do distrito de São Martinho.

O caminhão seguia de Birigui, no interior de São Paulo, para Mandaguari, no Paraná, e transportava pintinhos. No veículo estavam o motorista e um passageiro. O passageiro não se feriu. O motorista foi socorrido e levado ao hospital.

As causas da colisão ainda serão investigadas. A perícia esteve no local e os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina. Fonte: https://g1.globo.com

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