Olhar Jornalístico

Padre foi extorquido por golpistas antes de se matar em MG, diz polícia; sacerdote pediu R$ 9 mil a amigos

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Publicado em 10 março 2023
  • Paróquia de Santa Bárbara em Fervedouro
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  • Padre foi extorquido por golpistas

Corpo de Douglas Ferreira Leita, de 35 anos, será sepultado na tarde desta sexta-feira em Conceição de Ipanema, sua cidade natal. Morte gerou comoção de fiéis e colegas de clero

 

Por Arthur Leal

Padre Douglas, durante cerimônia da Diocese de Caratinga (MG). Sacerdote foi achado morto e pode ter sido vítima de golpistas Reprodução

A Polícia Civil de Minas Gerais já sabe que o padre Douglas Ferreira Leite, de 35 anos, se matou após ter sofrido uma tentativa de extorsão de "golpistas profissionais". Por enquanto, nenhum suspeito foi identificado, mas as investigações continuam. O corpo do sacerdote foi encontrado nesta quinta-feira, na cidade de Miradouro, com sinais de enforcamento, dois dias após seu desaparecimento ter sido registrado na delegacia. Poucas horas antes de morrer, ele havia pedido dinheiro emprestado a dois amigos, nos valores de R$ 5 e R$ 4 mil, sem dar maiores explicações, e apresentava comportamento estranho.

— Ele pegou dinheiro com duas pessoas, que já identificamos, em valores aproximados de R$ 5 e R$ 4 mil e estava sendo extorquido. Temos essa confirmação, mas ainda não podemos revelar muitos detalhes — revelou ao GLOBO o delegado Glaydson Ferreira, à frente do caso. — Seriam golpistas profissionais, o que dificulta a identificação.

O corpo do padre Douglas foi liberado ainda nesta quinta-feira pelo Instituto Médico Legal e o velório começou à meia-noite na Paróquia de Santa Bárbara, em Fervedouro (MG), sob forte emoção de fiéis. Uma missa foi realizada no início da manhã, às 7h, e às 15h ele será sepultado em Conceição de Ipanema, sua cidade natal, para onde está sendo levado em cortejo. Antes, às 13h, a Diocese de Caratinga realiza missa de exéquias.

Em nota publicada nesta quinta-feira, a Polícia Civil afirmou que o corpo do padre, cujo desaparecimento foi registrado dois dias antes, em Fervedouro, foi localizado em Miradouro. Em vídeo, o delegado Glaydson narrou o que se sabe até agora. Segundo ele, nenhuma linha de investigação é descartada por enquanto.

— Na quarta-feira, por volta de 19h30, nós fomos informados do desaparecimento do padre Douglas e imediatamente comparecemos ao local. Iniciamos as investigações, onde verificamos que o padre, na terça-feira, por volta de 10h30, saiu da cidade de Fervedouro, juntamente com seu amigo, também padre, em direção a São Francisco do Glória. A princípio, teriam almoçado no local e ele, por volta de 11h45, teria retornado de carro, sentido a Fervedouro, não sendo mais visto — conta o delegado. — Iniciamos investigações com a finalidade de localizar o corpo e, durante diligências, verificamos que estava justamente em um lugar próximo de onde o veículo que o padre utilizava foi abandonado, na cidade de Miradouro, próximo a um restaurante.

O investigador confirma que uma das possibilidades é de que o padre tenha sido vítima de extorsão antes de seu assassinato.

— O que poderia ter gerado a motivação nós ainda estamos investigando, mas tomamos conhecimento de que o padre, dias antes de seu sumiço, teria pegado quantias em dinheiro emprestadas, o que poderia levar a crer que ele estaria sendo extorquido ou outro delito — concluiu.

 

Dinheiro emprestado

A reportagem conversou com o padre Agrimaldo José Teixeira, da Paróquia São Francisco de Assis. Ele disse que, da última vez em que o padre Douglas foi visto, ele havia pedido dinheiro emprestado a um outro padre amigo, e estaria preocupado em pagar uma terceira pessoa que estaria cobrando esta quantia dele.

— O padre Fernando esteve com ele na terça-feira pela manhã e almoçou com ele. Foi depois desse almoço que ele sumiu. Ele comentou comigo que notou que ele estava um pouco estranho, preocupado, e disse que depois explicaria tudo — conta o padre Agrimaldo. — Como eles eram muito amigos, eram da mesma cidade (Conceição de Ipanema-MG), foram ordenados na mesma paróquia, o padre Douglas tinha proximidade e amizade com ele, e pediu dinheiro emprestado. Mas não explicou para que seria esse dinheiro. Parece que alguém estava cobrando ele por algum motivo.

 

Diocese publica nota de pesar

"A Diocese de Caratinga (MG) comunica, com grande pesar, o falecimento do Pe. Douglas Ferreira Leite, até então Vigário Paroquial da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro.

O Pe. Douglas estava desaparecido desde o final da manhã do último dia 7 de março, quando havia sido visto pela última vez.

Na tarde de hoje, 9 de março de 2023, foi encontrado sem vida no município de Miradouro – MG.

Na firme esperança da ressurreição, bendizemos a Deus por seu frutuoso ministério sacerdotal, vivido com zelo e ardor, ao longo deste um ano e seis meses, desde sua ordenação presbiteral, no dia 15 de agosto de 2021.

Solidários aos familiares do Pe. Douglas, amigos e paroquianos, rezemos por seu descanso eterno ao lado do Cristo Bom Pastor, a quem serviu com tanto amor e doação. Pe. Douglas Ferreira Leite". Fonte: https://oglobo.globo.com

Mais um padre chegou ao seu Calvário...

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Publicado em 10 março 2023
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  • Mais um padre chegou ao seu Calvário
  • os Padres são como os aviões que só viram notícia depois que caem
  • Pe. Wagner Souza

 

Pe. Wagner Souza

Diocese de Itaguaí RJ

A notícia do desaparecimento e hoje da morte do jovem irmão, Padre Douglas da diocese de Caratinga em Minas Gerais, faz tornar ainda mais evidente a figura do Sacerdote dos nossos tempos.

Infelizmente, ele não é o primeiro e nem faz muito tempo que tivemos conhecimento de um Padre encontrado depois de dias, sem vida e com suspeita de auto-extermínio no Brasil. Como diz o Papa Francisco, os Padres são como os aviões que só viram notícia depois que caem.

De fato, nenhum de nós observa e reconhece a maravilha de voar e chegar rápido de um canto a outro, sem preocupação com congestionamento ou qualquer interrupção nas estradas. Voamos e vemos aviões o tempo todo e nos parece normal, até descobrirmos que eles caem e muitas vezes, caem porque precisam de manutenção, passam por tribulações que não são capazes de superar e etc.

Assim são os Padres. Nós os vemos semanalmente ou diariamente prontos a nos servir, num mesmo lugar e no nosso horário, sempre disponível para satisfazer nossas preferências, afinal de contas hoje é possível escolher. Então se esse padre não me agrada eu mudo de Igreja e vou à Missa e passo a admirar o padre da outra Paróquia, enquanto ele não me contraria, porque se o fizer eu mudo novamente, afinal as opções são muitas...

Do outro lado, existe o Bispo ou o Superior, o Clero ou a Congregação, que muitas vezes acabam não percebendo que excedem nas cobranças, exigem muito e oferecem pouco. Esperam produção, obra funcionando, Igreja cheia e caixa alto, nada mais. Não importa a saúde, não importa o humor, nem muito menos o que se vive... Ficou Padre, precisa trabalhar. Tem que corresponder ao esperado e se virar.

Vida pessoal, perseguição no Seminário e depois, as reclamações do povo, indiferença por parte dos irmãos e a vida tem que continuar. Não importa o que aconteça, tem que celebrar, atender o povo, pregar bem e ai se alguém reclamar! Todos terão razão. Só o Padre que não.

Uma hora, essa cruz pesa.

Nem sempre se consegue manter o ânimo.

O brilho das velas se apagam, a Igreja se esvazia e na solidão da casa ou do quarto se percebe que a indiferença e a solidão se cruzaram e esta é a cruz a ser levada adiante.

Não importa como, com a ajuda de quem ou de que forma, é preciso ir, para que não se perca o ministério, as condições para a vida digna, enfim... O prestígio que se adquiriu com o Sacerdócio, através da Igreja.

Alguns se tratam, outros desistem e vão embora...

E, infelizmente existem os que por medo da vida que virão a viver, chegando ao seu limite, no ponto mais alto, desistem de tudo, inclusive deste mundo.

Uma pena!

Mas, devemos aproveitar desses sinais. Enxergar com atenção esta realidade e nos demorar um pouco mais nesse cenário, para fazermos algumas perguntas:

O que é um padre?

Para que serve?

Quando precisamos dele?

Qual sua real importância?

E Como podemos ajudar?

De que maneira podemos apoiar?

A partir disso, eu penso que as figuras de Cirineu e Verônica, podem nos inspirar a não permitir que o Calvário seja o fim. Mas, que dali mesmo morrendo com Cristo, seus Ministros ressurjam para uma vida nova de fato.

Pense nisso.

Reze isso!

Seja você Bispo, Padre, Religioso, Consagrado ou Leigo.

O Padre é importante para você. Fonte: https://www.facebook.com/wagner.souza.7923

Pelo menos sete mortos após tiroteio em centro de Testemunhas de Jeová em Hamburgo

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Publicado em 10 março 2023
  • Testemunhas de Jeová em Hamburgo
  • Hamburgo
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  • distrito de Gross Borstel,
  • culto das Testemunhas de Jeová
  • norte da Alemanha,

O suposto autor do ataque, ex-membro desta denominação religiosa, também foi encontrado morto.

 

Elena G. Sevillano

A polícia alemã está investigando o tiroteio ocorrido na noite desta quinta-feira em um centro religioso das Testemunhas de Jeová na cidade de Hamburgo, no norte da Alemanha, que causou a morte de pelo menos sete pessoas -segundo alguns meios de comunicação seriam oito- e um número ainda indeterminado de feridos, vários deles gravemente. A estas vítimas mortais, segundo as investigações da Polícia, acresce a do alegado autor do atentado, também ele falecido e cujo corpo foi encontrado no local. O homem, entre 30 e 40 anos, era ex-membro desta confissão religiosa, noticiou o jornal alemão Der Spiegel. A motivação para o ataque é desconhecida neste momento. As autoridades darão uma coletiva de imprensa ao meio-dia em Hamburgo para oferecer detalhes da investigação.

O tiroteio começou depois das 21h. Nessa altura, começaram a ser recebidos os primeiros pedidos de socorro aos Bombeiros e à Polícia. Um grande número de ambulâncias e serviços de emergência foram enviados para a área. Os primeiros agentes chegaram muito rápido porque estavam próximos ao local. Eles ouviram um último tiro enquanto entravam no prédio e mais tarde encontraram uma pessoa sem vida no segundo andar, que acreditam ser o agressor, disse à televisão na madrugada o porta-voz da polícia presente no local, Holger Vehren.

O ataque ocorreu em um centro de culto das Testemunhas de Jeová na rua Deelböge, no distrito de Gross Borstel, ao norte da cidade. Toda a área foi isolada, com ruas e rodovias cortadas. Durante as primeiras horas, as forças de segurança pediram aos cidadãos que não abandonassem as suas casas e se refugiassem num edifício caso estivessem na rua. Já ao amanhecer, a situação havia se acalmado e a Polícia informou que o perigo para os transeuntes havia passado.

O local de culto das Testemunhas de Jeová onde ocorreu o tiroteio é um prédio de três andares localizado em uma rua de seis pistas em uma área esparsa de casas baixas. Os habitantes desta zona foram alertados através de uma aplicação de telemóvel que avisa para situações de emergência e que neste caso reportou “perigo extremo”. Segundo a mídia local, às sete da noite foi realizada uma cerimônia no Salão do Reino - nome com que esta confissão se refere aos seus locais de culto - à qual compareceram muitas pessoas.

A Polícia de Hamburgo ainda não forneceu um número definitivo de vítimas e simplesmente garante que “várias pessoas ficaram gravemente feridas; alguns morreram." As primeiras informações em sua conta no Twitter indicavam que uma operação em grande escala estava sendo realizada com muitas tropas no local e que ofereceriam mais informações assim que estivessem disponíveis. "Até agora, não há informações confiáveis ​​sobre o motivo do crime", diz o relato oficial, que pede aos cidadãos que não compartilhem fatos não verificados e não espalhem boatos.

As imagens mostraram na noite de ontem uma grande concentração de ambulâncias e viaturas policiais e dezenas de agentes em frente ao prédio, alguns deles com uniformes e armas de grupos de operações especiais. Muitos casacos estavam pendurados em um cabideiro no hall do prédio, o que poderia indicar que algum tipo de evento ou reunião estava acontecendo lá dentro com muitos participantes.

“Más notícias de Hamburgo”, disse o chanceler alemão Olaf Scholz em sua conta no Twitter na sexta-feira. Ele descreveu o ataque como um "ato brutal de violência". "Meus pensamentos estão com as vítimas e suas famílias", acrescentou, agradecendo o trabalho das forças de segurança. A notícia do ocorrido no centro é "chocante", disse o prefeito de Hamburgo, Peter Tschentscher, também em sua conta na rede social. “Minhas mais profundas condolências às famílias das vítimas. Os serviços de emergência estão a trabalhar a toda a velocidade para localizar o autor ou autores e esclarecer o que aconteceu", acrescentou.

Em uma declaração no site da comunidade, as Testemunhas de Jeová se declararam "profundamente afetadas pelo terrível tiroteio". “Nossas mais profundas condolências às famílias das vítimas e testemunhas oculares traumatizadas. Os ministros da igreja local estão fazendo todo o possível para ajudá-los neste momento difícil", disseram na nota. Fonte: https://elpais.com

 

*Elena G. Sevillano

É correspondente do EL PAÍS na Alemanha. Antes, lidava com informações judiciais e econômicas e fazia parte da equipe de Investigação. Como especialista em saúde, acompanhou a crise do coronavírus e co-escreveu o livro Estado de Alarma (Península, 2020). É formada em Tradução e Jornalismo pela UPF e mestre em Jornalismo pela UAM/El País.

Corpo de padre que estava desaparecido há dois dias é encontrado no interior de Minas

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Publicado em 09 março 2023
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Douglas Leite foi visto pela última vez na manhã de terça-feira (7). Diocese de Caratinga emitiu nota de pesar após corpo ser encontrado às margens da BR-116.

 

Por g1 Zona da Mata — Fervedouro

A Polícia Civil e a Diocese de Caratinga confirmaram a localização do corpo de Douglas Ferreira Leite, padre mineiro que estava desaparecido desde a manhã de terça-feira (7). O vigário, de 35 anos, atuava na Paróquia de Santa Bárbara, em Fervedouro.

O carro do sacerdote, um fusca, também foi encontrado nesta quinta-feira (9), próximo ao município de Miradouro.

Conforme informações da Polícia Civil, na terça, ele se deslocava de Fervedouro para São Francisco do Glória, em um trajeto de pouco mais de 10km. Ele teria saído de casa por volta das 10h30 e visto pela última vez por volta das 11h45.

Na tarde desta quarta (9), a Diocese de Caratinga publicou uma nota nas redes sociais confirmando o falecimento do religioso. Nascido em Conceição de Ipanema, na região do Vale do Rio Doce, ele foi ordenado em agosto de 2021.

Investigações

O caso está sendo investigado pela 34ª Delegacia de Polícia de Miradouro, com apoio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Muriaé.

Ao g1, a Polícia Civil confirmou o encontro do corpo, nas proximidades onde o veículo foi localizado, em uma área de mata, próximo a um riacho às margens de BR-116, em Miradouro. Populares teriam sido os primeiros a localizarem o cadáver.

Os investigadores não descartam a possibilidade de suicídio.

A hipótese mais provável, e que ainda depende de verificação conclusiva, conforme a polícia, é que ele vinha sendo vítima de um golpe de extorsão e foi chantageado pelo criminoso. Fonte: https://g1.globo.com

NOTÍCIAS SOBRE O CASO

 

Padre desaparece após pedir dinheiro emprestado a outro religioso em Minas

Religioso atua na paróquia de Santa Bárbara, em Fervedouro, na Zona da Mata mineira. Desaparecimento foi comunicado pela Diocese de Caratinga

Bruno Luis Barros

O padre Douglas Ferreira Leite, de 35 anos, que atua na paróquia de Santa Bárbara, no município de Fervedouro, na Zona da Mata mineira, está desaparecido desde a manhã da última terça-feira (7/3).

A informação é do bispo Dom Emanuel Messias de Oliveira, em comunicado oficial emitido nessa quarta-feira (8/3) pela Diocese de Caratinga, no Vale do Rio Doce. Um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento foi aberto ainda ontem. 

Conforme apurado pela reportagem junto à diocese, o religioso havia saído com destino ao município de Divino, onde participaria de um mutirão de confissões. Mas ele não chegou à cidade. O carro dele foi encontrado pelas autoridades policiais às margens da BR-116, em Miradouro.

Ao jornal Estado de Minas, o padre Agrimaldo José Teixeira comentou que o religioso havia pegado um dinheiro emprestado com outro padre da paróquia Santa Helena, no município de Caputira. “Ele não revelou o que faria com esse valor, mas parecia muito preocupado com alguma coisa”, disse. 

Natural de Conceição de Ipanema, padre Douglas Ferreira foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 2021 pelo bispo Dom Emanuel Messias de Oliveira, da Diocese de Caratinga. Ele começou a atuar na paróquia de Santa Bárbara em dezembro do ano passado. Anteriormente, ele conduzia as missas em Divino. 

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil não deu mais informações, mas disse que o caso foi encaminhado à 34ª delegacia em Miradouro, onde a investigação está sendo conduzida. Fonte: https://www.em.com.br

 

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A Arquidiocese de Mariana solidariza-se com a Diocese de Caratinga (MG), pertencente à Província Eclesiástica de Mariana, pelo falecimento do Padre Douglas Ferreira Leite.

“Eu te tomei pela mão direita: Não tenha medo, eu mesmo o ajudarei” (Is 41,13)

A Diocese de Caratinga (MG) comunica, com grande pesar, o falecimento do Pe. Douglas Ferreira Leite, até então Vigário Paroquial da Paróquia de Santa Bárbara de Fervedouro.

O Pe. Douglas estava desaparecido desde o final da manhã do último dia 7 de março, quando havia sido visto pela última vez. Na tarde de hoje, 9 de março de 2023, foi encontrado sem vida no distrito de Bicuíba, em Miradouro – MG.

Na firme esperança da ressurreição, bendizemos a Deus por seu frutuoso ministério sacerdotal, vivido com zelo e ardor, ao longo deste um ano e seis meses, desde sua ordenação presbiteral, no dia 15 de agosto de 2021.

Solidários aos familiares do Pe. Douglas, amigos e paroquianos, rezemos por seu descanso eterno ao lado do Cristo Bom Pastor, a quem serviu com tanto amor e doação.

Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo Diocesano

Fonte: https://arqmariana.com.br

Deus está em alta

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Publicado em 06 março 2023
  • transcendente
  • Deus Existe,
  • Frossard,

A religião, sintoma de alienação na geração passada, ganha espaço nos dias que correm, sobretudo no mundo dos jovens

 

Carlos Alberto Di Franco

O jornalista Carlos Alberto Di Franco escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto

Hoje vou tratar de um assunto diferente. Talvez surpreendente nas páginas de um jornal: Deus está em alta. Isso mesmo. A nostalgia de valores transcendentes é patente. No Brasil e na camada mais jovem da população. Impressiona-me, e muito, o nível intelectual da moçada. Uma turma bem situada na vida profissional, mas que busca um sentido mais profundo para a sua vida. É curioso. Quando parece que o materialismo prático está ganhando de goleada, o jogo vira. Sempre foi assim na bimilenária experiência do cristianismo.

Relembro, aqui, um caso antológico: a experiência de um conhecido jornalista francês. Corria o dia 8 de julho de 1935: um rapaz de 20 anos que estava à procura de um amigo, com quem tinha combinado jantar, entrava, por engano, numa capela de Paris. Chamava-se André Frossard. Era filho do líder sindical L. O. Frossard, jornalista e primeiro-secretário do Partido Comunista Francês. Dizia-se “cético e ateu de extrema esquerda. Ainda mais do que cético, ainda mais do que ateu, indiferente e ocupado em coisa bem diversa do que um Deus que nem pensava mais negar”. Cinco minutos depois, saía de lá “católico, apostólico, romano, (...) transportado, levantado, retomado e envolvido pela onda de uma alegria inexaurível”.

O impacto existencial dessa conversão ficou registrado num livro que ocupou muito tempo as listas dos best-sellers: Deus Existe, Eu O Encontrei. André Frossard, jornalista de prestígio, cronista do Figaro, redator-chefe da revista Temps Présent e, de 1988 até sua morte, em 1997, membro da Academia Francesa de Letras, faz parte daquela estirpe de intelectuais que cinzelam a cultura dos povos.

Trata-se de um livro estimulante, quase interativo. O autor, armado de uma coragem afiada e de um bom humor cativante, assume um desafio inusitado. Frossard condensa, em 47 “questões”, cerca de 2 mil perguntas que lhe foram feitas por estudantes franceses. Em cada questão, expõe primeiro as objeções, assumindo lealmente o ponto de vista crítico, e depois formula respostas que extrai da sua “experiência da fé”. Por que viver? Ciência e fé são compatíveis? Deus é da esquerda ou da direita? A fé e o Big Bang. A bioética. A aids. O sofrimento humano. A liberdade. Eis, respingados ao acaso, alguns dos temas que compõem um mosaico de grande atualidade jornalística.

A liberdade, adverte Frossard, “não consiste em fazer o que se tem vontade, mas também o que não se quereria, por bom senso, por respeito aos outros e muitas vezes por amor, primeiro princípio de tudo aquilo que é, foi ou será”.

Num mundo tantas vezes dominado por uma visão utilitária e hedonista, Frossard rasga o generoso horizonte da autêntica liberdade. De fato, poucas ideias gozam, da parte dos homens em geral, de apreço tão imediato e universal quanto a liberdade, mas nem todos se aprofundam igualmente na sua essência. Muitos se conformam com uma concepção superficial desse conceito: a liberdade sugere-lhes simples espontaneidade, ausência de compromissos, e isso já é suficiente. Na sua defesa da liberdade, contudo, Frossard não fica num conceito descomprometido, mas mergulha na raiz existencial da liberdade: o amor.

A liberdade, para ele, tem uma vertente transcendental, uma orientação para Deus. Não é que a liberdade deixe de ser uma realidade humana para se tornar só ou principalmente um conceito de tipo religioso. Bem ao contrário. Precisamente por dizer respeito a Deus e ao fim último da vida, essa concepção da liberdade é radicalmente humana.

O livro de Frossard é de grande atualidade. O pêndulo da História aponta o reencontro do homem com suas raízes genuínas, sua inquieta peregrinação rumo ao Criador. Na verdade, a busca de Deus é um fato sociológico. A religião, sintoma de alienação na geração passada, ganha espaço nos dias que correm, sobretudo no mundo dos jovens.

Jornalistas competentes, imunes ao vírus da superficialidade, sabem decifrar o fenômeno religioso. Outros, reféns de um sectarismo anacrônico, sucumbem à patologia dos chavões. Alguns, por exemplo, equivocadamente imaginam que o influxo cristão sobre os assuntos temporais não deveria existir. Gostariam de ver a Igreja reduzida a uma espécie de ONG da boa vontade. A História, no entanto, demonstra que a Igreja sempre será “sinal de contradição”. E os seus seguidores, embora iguais aos demais, são ao mesmo tempo instrumentos de transformação.

A aparente tensão entre o cristão, cidadão do mundo, mas não refém do mundanismo, tem levantado uma falsa contraposição entre convicção e liberdade. Estabelece-se uma absurda incompatibilidade entre realidades que deveriam caminhar juntas. Entre uma pessoa de fé e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O fanático impõe, empenha-se em aliciar. A pessoa de fé, ao contrário, assenta serenamente em seus valores. Por isso a sua convicção não a move a impor, mas estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros as ideias que acredita dignas de serem compartilhadas.

A invulgar cultura do autor – seu tom coloquial, sem formalismo – e a sinceridade das suas reflexões são algumas notas características de um texto estimulante.

*JORNALISTA. E-MAIL: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Fonte: https://www.estadao.com.br

Papa Francisco pede 'sacrifício' e passa a cobrar aluguel de cardeais no Vaticano

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Publicado em 02 março 2023
  • Vatican News,
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  • Papa Francisco pede 'sacrifício'
  • ministério da Cúria Romana
  • Secretaria de Finanças do Vaticano
  • isenção de pagamento de aluguel de cardeais,
  • aluguel de cardeais,

Pontífice cita gravidade de contexto econômico e demanda ação do alto escalão da Igreja Católica

 

O Papa Francisco revogou a isenção de pagamento de aluguel de cardeais, que agora precisarão custear sua própria moradia pagando os preços de mercado. Outros altos funcionários que não são isentos, mas recebem subsídio, não receberão mais o auxílio.

Segundo o Vatican News, o pontífice pediu um "sacrifício extraordinário para destinar maiores recursos à missão da Santa Sé" diante do "contexto econômico atual, que é particularmente grave". Além dos cardeais, são afetados pela medida chefes de dicastérios (espécie de ministério da Cúria Romana), presidentes, secretários, subsecretários, dirigentes e cargos equivalentes, o que inclui também auditores do Tribunal da Rota Romana.

As novas regras foram resumidas em um documento escrito por Maximino Caballero Ledo, leigo que comanda a Secretaria de Finanças do Vaticano e se reuniu com o papa no último dia 13. A decisão não foi comunicada oficialmente, embora tenha sido informada pelo Vatican News, o portal de notícias oficial do Vaticano. Uma alta autoridade da Santa Sé também confirmou à agência Reuters o teor da medida.

A decisão não altera os contratos imobiliários vigentes, que continuam com isenções e subsídios até seu término e só poderão ser renovados respeitando as novas regras —exceções devem ser autorizadas diretamente por Francisco. Também não está claro como os preços serão calculados, especialmente em relação a apartamentos que ficam dentro do Vaticano.

Há dois anos, o papa emitiu um decreto para cortar em 10% salários de cardeais e clérigos da Santa Sé com o objetivo de evitar demissões diante do agravamento da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19.

Em 2020, Francisco tomou medidas para tornar mais transparentes fundos de caridade, em movimento para apertar o controle sobre as finanças do Vaticano e tentar contornar escândalos financeiros a compra de imóveis de luxo. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

DIOCESE DE AMPARO/SP: Nota de Falecimento

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Publicado em 02 março 2023
  • NOTA DE FALECIMENTO,
  • Diocese de Amparo,
  • padre Jamil Antônio da Costa,
  • padre Jamil
  • Padre Morre

 

É com imenso pesar que a Diocese de Amparo, através da sua Cúria Diocesana, informa o falecimento do padre Jamil Antônio da Costa, aos 42 anos.

Natural de Caconde - SP. Foi ordenado diácono no dia 26 de junho de 2011, na Basílica Nossa Senhora da Conceição, em sua cidade natal, aos 31 anos de idade. Em dezembro do mesmo ano recebeu o Sacramento da Ordem, das mãos de Dom Davi Dias Pimentel, então bispo da Diocese de São João da Boa Vista. Nesta exerceu o ministério sacerdotal colaborando no exercício de vigário paroquial.

Em 2012 iniciou sua missão ministerial na Diocese de Amparo como pároco da Paróquia São João Batista, em Amparo, a qual ficou à frente por 6 anos. No ano de 2018 foi transferido, assumindo como pároco a Paróquia Santa Rita de Cássia, em Itapira, onde permaneceu exercendo seu caminhar na Fé. Contribuiu como assessor eclesiástico diocesano do Movimento Legião de Maria, e atuava como assessor da Pastoral da Educação na Diocese.

O padre Jamil nos últimos meses realizava um tratamento oncológico, o qual o levou ao óbito nesta quarta-feira (01), no Hospital AC Camargo, em São Paulo.

Que Nossa Senhora da Imaculada Conceição receba seu filho devoto em seus braços, e acolha os corações de seus amigos e familiares.

Maiores informações sobre a Missa Exequial, velório e sepultamento serão dadas posteriormente assim que definidas. Fonte: https://www.instagram.com/diocesedeamparo

QUARESMA: TEMPO DE JEJUAR

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Publicado em 28 fevereiro 2023
  • Jejuar,
  • jejuar nas sextas-feiras da Quaresma,
  • penitência
  • Arcebispo do Rio de Janeiro
  • Dai-lhes vós mesmos de comer
  • TEMPO DE JEJUAR

 

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Estamos no início da Quaresma. Uma das características do tempo da Quaresma é a penitência, sobretudo no comer e no beber. Tal penitência pode consistir numa simples abstinência, que é renúncia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refeições de modo total ou parcial. É muito importante a prática de tal forma de penitência. Aliás, eram o jejum e a abstinência que, na Igreja Antiga, davam uma fisionomia própria ao tempo quaresmal. 

É necessário compreender o sentido profundo que o cristianismo dá a essas práticas, para não ficarmos numa atitude superficial, às vezes até folclórica ou, por ignorância pura e simples, desprezarmos algo tão belo e precioso no caminho espiritual do cristão. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A ideia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes, nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.  

A prática do jejum, impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: “A vida é minha; faço como eu quero!” A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O alimento é uma de nossas necessidades básicas, um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A abstenção do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa força de vontade, aguçando nossa capacidade de vigilância, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tendência é ir atrás de nossos instintos, de nossas tendências, de nossa vontade desequilibrada. Aliás, essa é a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: “não vou me reprimir; não vou me frustrar”, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e às paixões mais contrárias ao Evangelho e de amor pelo próximo.  

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração! 

O jejum tem também a função de nos unir a Cristo, no seu período de quarenta dias no deserto. Quaresma de Cristo, quaresma do cristão. Faz-nos, assim, participantes da paixão do Senhor, completando em nós o que faltou à cruz de Jesus. O cristão jejua por amor a Cristo e para unir-se a ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. É uma união com o Senhor que não envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas também o corpo. É o homem todo, a pessoa na sua totalidade que se une ao Cristo. Nunca é demais recordar que o cristianismo não é uma religião simplesmente da alma, mas atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, também o corpo reza, também o corpo luta para colocar-se no âmbito da vida nova de Cristo Jesus. Também o corpo necessita, como o coração, ser esvaziado do vinagre dos vícios para ser preenchido pelo mel, que é o Espírito Santo de Jesus. 

 O jejum e a abstinência, fazem-nos recordar aqueles que passam privação, sobretudo a fome, abrindo-nos para os irmãos necessitados. Há tantos que, à força, pela gritante injustiça social em nosso País, jejuam e se abstêm todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, tão concreta, tão real, tão dolorosa! Por isso mesmo, na tradição mística e ascética da Igreja, o jejum e a abstinência devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo, já não é mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. É por isso que os pobres, antigamente, nos dias de jejum, pediam nas portas o “meu jejum”. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irmãos. Neste ponto, é enorme a insistência seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros séculos do cristianismo). 

Resta-nos, agora, passar da teoria à prática. Seja nossa Quaresma rica do jejum e da abstinência, enriquecidos com o bem da caridade fraterna, da esmola, que se efetiva na atenção e preocupação ativa e concreta pelos pobres de todas as pobrezas, sempre em sintonia com a Campanha da Fraternidade: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14,16). Fonte: https://www.cnbb.org.br

INDO COM JESUS AO DESERTO!

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Publicado em 24 fevereiro 2023
  • Quaresma,
  • tempo de Quaresma,
  • 1º Domingo da Quaresma,
  • Homilia 1º Domingo da Quaresma,
  • Jejum na Quaresma,
  • Dom Eurico dos Santos Veloso
  • Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
  • percurso quaresmal,

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG) 

 

No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo – com fidelidade – os seus projetos. Indo com Jesus ao deserto, aprendemos com Ele a vencer as ciladas da maldade, do demônio e a reafirmar nossa adesão ao Deus de amor e de bondade que nos leva pela sua mão. 

A primeira leitura – Gn 2,7-9;3,1-7 –  afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho e de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte. A figura da serpente, o tentador se manifesta aos nossos primeiros pais, de maneira ardilosa e vil, para induzir-lhes ao erro. Invertendo o mandamento apresentado por Deus, que tinha como finalidade preservar a vida humana e a integridade espiritual, a serpente sugere que Deus é um ser invejoso. E assegura que, caso comessem do fruto proibido, o homem e a mulher seriam como Deus. O resultado é aquilo que São Paulo desenvolve na segunda leitura de hoje: pelo pecado, a morte entrou no mundo. Os seus efeitos se estenderam a todos os homens, pois todos pecaram. 

A segunda leitura – Rm 5,12-19 – propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projetos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena e definitiva. Se por meio da transgressão de um só homem o gênero humano fora relegado à morte, é também por meio de um só homem, Jesus Cristo, que o dom gratuito, isto é, a graça de Deus, é derramado de  maneira vigorosamente mais abundante e superior sobre todos. Ora, se o pecado cometido por nossos primeiros pais resultou em condenação, o dom da graça, derramado por Jesus Cristo, resultou em justificação. Tudo isso, alcançado pelo preço de seu sangue, em perfeita obediência ao Pai. 

O Evangelho – Mt 4,1-11 – apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou – de forma absoluta – uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projetos. A Palavra de Deus garante que, na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido; e que toda a tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica e que o cristão deve, firmemente, rejeitar. Jesus venceu as tentações, as quais cederam outrora Adão e Eva, para nos devolver a possibilidade real de viver com Deus nesta vida e, depois, participar da vida divina nova e eternamente. Para tanto, precisamos vencer todas as tentações, simbolizadas pelas três propostas apresentadas pelo Tentador de Cristo. Revestido e guiado pelo Espírito Santo, Jesus  jejuou 40 dias e 40 noites – como Moisés em Ex 34,28 – e teve fome, como todo ser humano. Foi tentado e nunca cedeu às impertinências do Maligno. Jesus é provado no deserto e durante sua vida terrena sua condição de Filho e Messias até vencer completamente o mal, entregando-se na Cruz. 

Jesus nos ensina como superar as propostas enganadoras da sociedade moderna: as tentações do combate simplicista da fome, da sujeição à ambição do lucro e do uso mágico da religião e de Deus. 

Que o percurso quaresmal, em clima de sinodalidade eclesial, nos ajude a bem vivenciar nossa vocação cristã. O vigor do nosso testemunho cristão consiste em assimilar a Palavra de Deus. É ela que nos permite vencer as tentações da autorrefencialidade, da propagação dos discursos de ódio – dos quais podemos nos tornar agentes, potencializando-os nas redes sociais – , da adesão à lógica da competição, da indiferença ao clamor dos descartados que gritam por vida digna. 

Vençamos as tentações! Jesus continua nos chamando a adentrar ao deserto da nossa alma para vencer as forças demoníacas que só podem ser vencidas pela nossa abertura à Palavra da Salvação! 

Um dos gestos concretos deste domingo, bem como de toda a Quaresma, está em sintonia com a Campanha da Fraternidade em prol do combate à fome com a nossa atitude prática de oração que se transforma em ação, dando de comer a quem tem fome, a ser generoso, sobretudo neste tempo de graça, penitência e conversão. Fonte: https://www.cnbb.org.br

QUARESMA- 2023: CAMPANHA DA FRATERNIDADE

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Publicado em 21 fevereiro 2023
  • tempo de Quaresma,
  • Dai-lhes voz mesmos de comer

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

A Igreja Católica no Brasil, mesmo recebendo muitas críticas desleais, é uma entidade religiosa preocupada com a identidade espiritual das pessoas, mas também a vida em sua total dignidade. Justamente por isto que, a partir de 1962, vem realizando, todo ano, a Campanha da Fraternidade. Seu objetivo ultrapassa os limites da instituição para contribuir com o bem espiritual e social das pessoas. 

Muitas dessas Campanhas têm uma conotação realmente social, quase como contrapartida em relação a uma cultura que não valoriza os brasileiros como tais. A Igreja procura chegar junto para ajudar na reflexão do povo. É o que acontece neste ano de 2023, com o tema “Fraternidade e Fome”, num momento em que a fome no país tem chegado a patamares muito preocupantes.  

A oração da Quaresma precisa se transformar em ação para diminuir o sofrimento de tantas pessoas. Estamos diante de um desafio, quando o lema bíblico diz: “Dai-lhes voz mesmos de comer” (Mt 14,16). E o Brasil tem condição de sarar essa ferida angustiante da fome, usando os próprios recursos. A Campanha da Fraternidade não resolve o problema, mas é espaço de reflexão sobre o tema. 

O ser humano é “ser vivente”, que depende da natureza, da fertilidade do “jardim do Édem” (cf. Gn 2,7-8), onde deve existir fartura de alimento e o necessário para a sobrevivência. Ninguém deveria morrer de fome e nem passar fome em terras brasileiras com tantos recursos naturais e capacidade humana para o trabalho. A Campanha quer mostrar que alguma coisa está errada neste cenário. 

É interessante uma frase bíblica, que diz: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte” (Rm 5,15). O problema da fome no Brasil não seria fruto de transgressões e de pouca visão social e fraterna de muitos? Não é por falta de alimento, porque o país é privilegiado no setor da agricultura. Talvez a culpa, se assim podemos dizer, não estaria numa política mal gerida? 

Diz que Jesus “jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome” (Mt 4,2). Muitos brasileiros jejuam muito mais, chegando até morrer por isso. É uma das realidades que precisa sensibilizar a todos, porque o direito à vida não pode ser privilégio de uns em detrimento de outros. Por isto a Campanha da Fraternidade quer provocar a capacidade da partilha fraterna. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Igrejas armam blocos evangélicos para lutar contra 'trevas de Carnaval'

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Publicado em 19 fevereiro 2023
  • Assembleia de Deus Vitória em Cristo,
  • igrejas evangélicas
  • blocos evangélicos
  • neopentecostalismo brasileiro
  • pastor Eric Vianna,

Ensaio da bateria da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro - Tércio Teixeira/Folhapress

 

Fiéis e pastores colocam o bloco de Deus na rua, mas estratégia divide opiniões entre as denominações

 

Anna Virginia Balloussier

SÃO PAULO

Mal se avizinhava o Carnaval e soava o alarme dentro das igrejas evangélicas: corram para as montanhas! Bom, não precisava ser literalmente montanhas, mas a praxe entre fiéis era procurar retiros cristãos para se blindar do clima de profanação desvairada que eles acreditavam tomar conta das ruas.

Mas espera aí, não foi Jesus Cristo quem disse "ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura"? Qual o sentido em bater em retirada justamente na semana mais convidativa ao pecado da carne e outros tantos?

Nenhum, concluíram em 2006 membros de uma igreja então novata no neopentecostalismo brasileiro. Criada menos de uma década antes, já famosa por usar pranchas de surf como púlpito, a Bola de Neve lançou naquele ano sua bateria, a Batucada Abençoada, lembra o pastor Eric Vianna, 48.

"O que era a igreja antes? Ela se reunia em acampamentos cristãos durante o Carnaval. Mas a retirada da igreja entregava a cidade para toda sorte de malignidades que acontece durante o período", disse em depoimento. "Jesus nos diz que somos a luz do mundo, e não existe melhor momento de brilhar a luz do que nas trevas de Carnaval."

O fuzuê momesco, afirma o pastor à Folha, é impulsionado por "muitas pessoas que vivem suas vidas como se não houvesse amanhã e extrapolam seus limites como se fosse o último dia de suas vidas". Aí já viu: disparam os índices de acidente de carro, criminalidade, gravidez indesejada e problemas de saúde.

"A intenção da Batucada Abençoada é mostrar que existe uma opção para isso", diz o pastor. "Mostrar que é possível se divertir e se alegrar sem a necessidade de aditivos como bebidas alcoólicas ou drogas, e sem as consequências que perduram até mesmo pelo resto da vida."

A Bola de Neve ainda é exceção. A maioria das igrejas vê com maus olhos a incorporação de elementos seculares, externos à religiosidade evangélica, ainda que na melhor das intenções —essa seria usar as armas do inimigo contra ele e expandir ainda mais a evangelização, como propõe o pastor Eric.

Um artigo do pastor e conferencista Renato Vargens no Pleno News, portal conservador acompanhado por crentes, resume bem esse repúdio à ideia de meter Deus no meio da festa pagã.

"Com o intuito de pregar o Evangelho no Carnaval, evangélicos de denominações diferentes criaram blocos e até mesmo escolas de samba cujo objetivo final é pregar aos foliões. Segundo os sambistas de Jesus, essa é uma maneira de evangelizar os perdidos que se encontram absortos em iniquidade e que precisam desesperadamente de Cristo."

Ledo engano, diz Vargens. "O que me preocupa efetivamente não é o desejo de evangelizar, tampouco a vontade de pregar as Boas Novas da Salvação Eterna aos que se perdem, e sim a forma escolhida para o desenvolvimento dessa missão."

Por mais nobre que seja o motivo, adotar símbolos carnavalescas "abre portas ao mundanismo, paganismo e à ausência de santidade", e isso não é bom, argumenta. "A Igreja foi chamada para pregar Cristo e o arrependimento de pecados e não um tipo de evangelho palatável, cujo foco principal é a satisfação humana." Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Card. Steiner apresenta a Campanha da Fraternidade em Manaus

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Publicado em 17 fevereiro 2023
  • Campanha da Fraternidade,
  • QUARTA-FEIRA DE CINZAS,
  • Campanha da Fraternidade 2023
  • apresentação da Campanha da Fraternidade 2023
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  • Cardeal Leonardo Steiner
  • Cardeal Steiner

“A fome é consequência de um sistema económico que nos atinge no Brasil, um descaso em relação aos pobres", são palavras do Cardeal Leonardo Steiner na coletiva de apresentação da Campanha da Fraternidade 2023

 

Vatican News

A Campanha da Fraternidade acompanha a vida da Igreja do Brasil durante a Campanha da Fraternidade desde há quase 60 anos. Um tempo para refletir e encontrar caminhos de conversão em torno a realidades presentes na sociedade brasileira. Em 2023, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Fome”, e como lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

No Brasil 33 milhões de pessoas passam fome, uma realidade que também está presente na cidade de Manaus, denunciou o Cardeal Leonardo Steiner em coletiva de imprensa. Uma campanha que tem a sua história, segundo o Arcebispo de Manaus que acontece no “tempo da conversão, o tempo da penitencia, o tempo do jejum, o tempo da esmola, essa tentativa de nos aprofundarmos no Mistério Salvífico de Deus em Jesus Cristo, na sua Paixão, Morte e Ressurreição”.

Dom Leonardo insistiu em que “a Campanha da Fraternidade deseja entrar nessa dinâmica de conversão, de mudança, de transformação”. O Cardeal afirmou que “comer não é um direito, comer faz parte do humano, é mais do que direito. Sem comer o ser humano não subsiste, não vive”. Ele denunciou o que está a acontecer com o Povo Yanomami, que “por falta de comida, por uma desnutrição enorme, eles perdem o ânimo e a capacidade de viver, eles perdem o desejo de viver, perdem o desejo de ser”.

A fome é uma realidade preocupante em um país que em 2022 só 41,3% dos domicílios no Brasil tinham seus moradores em segurança alimentar, o que faz com que mais de 58% dos domicílios brasileiros, 125 milhões de pessoas, vivessem em algum nível de insegurança alimentar, sendo 15,5% os que conviviam com a fome, 33 milhões, um número repetido por 3 vezes pelo cardeal. Ele disse esperar que “essa Campanha da Fraternidade nos desperte”, chamando a entender que “ninguém é excluído do amor de Deus”, algo que contrasta com o fato de que “nós estamos deixando irmão e irmãs a passar fome”.

Uma realidade que “é consequência de um sistema económico que nos atinge no Brasil, um descaso em relação aos pobres”, ressaltou Dom Leonardo. Uma situação que tinha sido superada no passado, definindo a situação atual como uma amostra de que no Brasil “estamos perdendo a fraternidade, estamos perdendo a capacidade humana de nos ajudarmos, de nos auxiliarmos, de termos emprego suficiente para todos, de termos um sistema econômico que seja a favor de todas as pessoas e não apenas do sistema de mercado”. Diante disso ele chamou a refletir, mas também a realizar ações concretas em favor das pessoas que passam fome.

Algo que demanda “um pacto global na sociedade, entre as instituições, Igreja, mas também os governos, as empresas” em vista da superação da fome, segundo o Padre Geraldo Bendaham. Ele insistiu em que “tem saída, tem caminhos, a gente precisa mudar”, buscando uma economia solidária onde ocorra a partilha. O Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus ligou a questão da fome com outras realidades, água, saneamento básico, educação...

O Padre Geraldo chamou a refletir sobre o desperdício de alimentos, algo que quer ser expressado no fato da Arquidiocese de Manaus realizar o lançamento da Campanha, que será realizado na Quarta-feira de Cinzas, no entorno da feira, abrindo assim as atividades que irão levar às comunidades a aprofundar nesse tema ao longo da Quaresma. Junto com isso, ele denunciou que “a sociedade tem criatividade, capacidade para superar a fome”, demandando políticas públicas que ajudem a superar a fome e fazer com que as desigualdades desapareçam no Brasil, um país que tem alimentos, mas onde muitas pessoas passam fome, algo que considera vergonhoso e que deve ser levado a sério pelos governos, “porque se trata de pessoas, seres humanos, nossos semelhantes”.

A Igreja de Manaus vem realizando diferentes iniciativas para ajudar a superar a fome, segundo o diácono Afonso Brito. Durante a pandemia a Arquidiocese ajudou 100 mil pessoas a superar a fome, um trabalho que continua e que está sendo coordenado pela Caritas Arquidiocesana e as Caritas Paroquiais. O objetivo é ajudar às famílias que passam fome a ter o mínimo possível, algo que é realizado com a doação de pessoas anônimas e de instituições públicas.

O Cardeal Steiner colocou como algo necessário “discutirmos e refletirmos sobre o sistema econômico que tem levado tantas pessoas a esse estado de fome”. Ele ressaltou outros elementos relacionados com a fome, como é a educação, a saúde, a cultura, os espaços de lazer. Manaus é um cidade onde é possível apalpar a fome, insistiu o Arcebispo, com situações muito difícil, uma realidade que se repete nas periferias das cidades brasileiras. Diante disso, ele disse esperar que a Campanha da Fraternidade possa ajudar a “abrir os olhos das pessoas, para que haja mais partilha, mas também haja uma reflexão e uma discussão sobre o próprio sistema econômico e a falta de políticas públicas que tem levado a essa situação”. Fonte: https://www.vaticannews.va

QUARESMA: TEMPO DE RENOVAÇÃO

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Publicado em 17 fevereiro 2023
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  • Campanha da Fraternidade 2023
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  • Evangelho de São Mateus,

 

Dom Jaime Vieira Rocha 

Arcebispo de Natal (RN)

 

Prezados/as leitores/as, 

A Igreja, dentro do Ano Litúrgico, dará uma pausa no Tempo Comum, neste ano na 7ª semana, dia 22 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, para iniciar outro tempo litúrgico, o Tempo da Quaresma. Serão 40 dias de experiência de conversão, de exortação para que o nosso espírito esteja purificado para celebrar o centro do Ano Litúrgico: a Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, este ano a 9 de abril. Viveremos, como Igreja no Brasil, a experiência da Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e fome” e lema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). 

O Tempo da Quaresma é pura graça para nós. Não se trata de fazer violência ao nosso corpo, de atitudes grosseiras com a nossa condição humana. Pelo contrário, trata-se de cuidar de nossa vida para que entendamos o imenso amor de Deus por nós, manifestado em Jesus Cristo. Trata-se de um tempo em que somos chamados a nos desvencilhar do que é supérfluo, do que nos maltrata, nos humilha e nos deixa nas trevas, humilhando e maltratando nossos semelhantes e até a nossa casa comum. É uma verdadeira graça de conversão, de fortalecer-nos para enfrentarmos as tentações que nos fazem andar sem sentido num mundo marcado por tantas orientações desnorteadoras.  

Neste ano em que somos conduzidos pelo Evangelho de São Mateus, Ano A, a Palavra de Deus nos apresentará a atitude de Jesus de vencer as tentações na força da Palavra. O Tempo da Quaresma é tempo de deixar que a Palavra nos fortaleça, nos anime e nos faça compreender que a vida é graça e vocação. Jesus vence as tentações com a firmeza de quem conta sempre com Deus. Eis o que dá sentido ao nosso caminhar de fé: Deus está sempre conosco. Contamos sempre com Ele. Depois, a Palavra nos iluminará com a transfiguração de Jesus. Queremos ser purificados? Ouçamos a voz da nuvem que envolveu Pedro, Tiago e João, no monte Tabor: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!”. A experiência da conversão nos coloca nesta escuta da voz do Pai. Diante de tantas vozes dissonantes, confusas, cheias de engano, a voz do Pai é agregadora, clara, certa e cheia de ternura. No terceiro domingo da Quaresma, o encontro de Jesus com a samaritana nos expõe a dinâmica da conversão: Jesus nos encontra, dialoga conosco. Ele revela a verdade de nossa vida. Não é motivado pelo desejo de humilhar-nos, de fazer-nos envergonhados, ou ainda, de maltratar-nos. O ditado “a verdade doi”, não se aplica a Jesus em relação à verdade de quem somos – Ele não entristeceu a samaritana – antes, a fez propagadora de sua mensagem. A conversão não nos faz grosseiro, amargos, tristes. Quaresma não significa encobrir o rosto, tornando nosso olhar terrificado ou apavorado. Saímos renovados quando encontramos a luz que é Jesus. No quarto domingo da Quaresma, a cura do cego de nascença nos lembra que Jesus nos liberta das trevas e nos faz homens e mulheres cheios de luz, capazes de ver a graça libertadora do Crucificado por amor. No último domingo da Quaresma, antes de entrarmos na Semana Santa, tendo como início o Domingo de Ramos, a Palavra nos apresentará a ressurreição de Lázaro. Cristo é a ressurreição e a vida. Ninguém morrerá se está com Ele. E mesmo aqueles que já experimentaram a morte, estes estão vivos para sempre com Ele.  

Durante os 40 dias desse tempo de penitência temos a graça de refletir sobre o que é a nossa vida, qual o sentido da vida, o que nos motiva a viver. Como membros da comunidade de Jesus, a Liturgia quaresmal nos levará a uma intensa experiência de retiro, isto é, de podermos fazer silêncio e escutar a voz de Deus que continua clamando: “Hoje, não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor” (Sl 94, Antífona). Eis o primeiro e fundamental modo de viver a Quaresma: “ouvir a voz do Senhor”. A sua é uma voz que esclarece nossas ideias, aponta o caminho certo e seguro, revela o sentido da vida e dá motivos para viver e ser no mundo imagem de Deus. Fonte: https://www.cnbb.org.br

Novo endereço de 'quentinhas' para moradores de rua de SP deixa vizinhança em meio a briga entre igreja e prefeitura.

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Publicado em 15 fevereiro 2023
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  • Mooca,
  • Núcleo de Convivência São Martinho de Lima
  • 42 mil moradores de rua em São Paulo
  • Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social
  • Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua

Padre Júlio Lancelotti é alvo de queixas mesmo sendo contra mudança e tendo denunciado irregularidades na gestão do imóvel, que prefeitura nega. Levantamento mostra que capital tinha, no ano passado, 42.240 pessoas nas ruas

 

Por Laura Mariano* e Elisa Martins — São Paulo

Hugo Martins e Júnior dependem do Núcleo São Martinho e não aprovam mudança: “quem mora ali não nos quer” Maria Isabel Oliveira

A cena se repete todos os dias: uma fila que atravessa o salão principal e sai para a rua se forma para a distribuição de café da manhã e almoço em um prédio na Mooca, na Zona Leste da capital paulista. Cerca de 600 pessoas são beneficiadas com o fornecimento gratuito de refeições, muitas vezes a única que receberão no dia. O programa é encabeçado pelo padre Júlio Lancelotti, reconhecido por seu trabalho com a população de rua, mantido pela prefeitura, e referência em São Paulo. Mas está prestes a sofrer uma mudança de endereço que causa apreensão no padre, nos assistidos e nos novos vizinhos.

Até o fim da semana, o governo municipal planeja transferir o serviço do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima da Rua Siqueira Cardoso para a Rua Padre Adelino. A distância de um local a outro é de apenas 400 metros. Mas a polêmica em torno disso é grande, e envolve o descontentamento da população de rua e de vizinhos do novo local, e críticas e denúncias de irregularidade pelo padre Lancelotti, que a prefeitura nega.

— Como vamos atender a todas as pessoas se o número de comidas distribuídas cairá de 600 para 400? O local não nos comporta. Tem muito carro, o galpão é menor e a população de rua será ainda mais marginalizada — critica o padre. — Nem a vizinhança nem os atendidos querem essa mudança drástica.

Lancelotti afirma receber ameaças de pessoas que atribuem a ele a mudança:

— Estou sendo responsabilizado por algo que também não quero.

Moradores de um albergue em Água Rasa, Hugo Martins e Júnior buscam alimento todos os dias no Núcleo São Martinho. Os dois fazem coro às críticas.

— O lugar novo não comporta a gente, e quem mora ali não nos quer perto — diz Júnior.

Para os dois, o melhor seria continuar “onde o atendimento já funciona”. Hugo reclama que a realocação contribuirá para que a discriminação aumente.

 

42 mil nas ruas

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua mostrou que, no ano passado, 42.240 pessoas moravam nas ruas de São Paulo. O número é 30% superior ao do censo da prefeitura, que estimou essa população em 32 mil pessoas.

O novo prédio que abrigará o serviço do Núcleo São Martinho de Lima ainda está fechado. Na tarde de ontem, operários trabalhavam no local. Eles se mostraram incomodados e tiraram fotos da reportagem.

Já os vizinhos do novo endereço organizam um abaixo-assinado com comerciantes para que a mudança seja revertida. Morador da rua Padre Adelino há cinco anos, Sandro Ricardo afirma que a ida do núcleo dificultará a circulação no local, impactará o comércio e a segurança.

— Mudei da região central para cá justamente pelo medo de ser assaltado, de me deparar com pontos de tráfico, e para conseguir andar livremente. Essa região tem hospitais, creches, escolas, mercados e conjuntos habitacionais novos. Não tem cabimento essa mudança — reclama Sandro.

Outro comerciante, que não quis se identificar, diz ter receio de ter que fechar seu negócio que funciona na mesma rua há 35 anos:

— Tenho medo de renovar meu contrato de locação. Já ouvi falar de pessoas que não conseguiram vender seus imóveis por aqui por causa dessa decisão da prefeitura. Você acha mesmo que o cliente vai chegar, ver a desorganização do São Martinho aqui ao lado e estacionar o carro?

A polêmica vai além da oposição de assistidos e moradores. Segundo Lancelotti, há irregularidades não esclarecidas em relação à locação e às condições do prédio atual, sobre as quais que ele diz questionar a prefeitura desde 2020.

De acordo com o religioso, a administração municipal aluga o imóvel desde 2015 por R$ 28.150,48 mensais para as atividades do Núcleo São Martinho de Lima. Até novembro de 2019, esse valor era repassado aos antigos proprietários, que então ofereceram o imóvel à Caixa Econômica Federal para o pagamento de uma dívida. O padre afirma, porém, que durante oito meses os aluguéis continuaram sendo pagos aos donos anteriores.

Ele conta que questionou a gestão de Bruno Covas, à época prefeito de São Paulo, sobre a locação. O padre afirma que recebeu a informação de que assim que a prefeitura tomou conhecimento da alteração de titularidade do prédio suspendeu o pagamento do aluguel aos antigos proprietários.

— Poderiam dar mil justificativas, mas o que explica um pagamento num valor tão alto por oito meses? Quantas pessoas no Brasil recebem esse valor por mês? Não é a maioria do povo. Eu acho muito grave. A gente acaba achando que é até mais um caixa dois por aí. Sigo buscando respostas para isso — afirma.

 

Vistoria e propriedade

Procurada pelo GLOBO, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou dois motivos para a mudança de endereço. O primeiro seria “em virtude da necessidade de reparos estruturais no imóvel atual constatada pela Coordenação de Engenharia e Manutenção”, após um vistoria feita em maio de 2022. Depois, acrescentou que a nova sede já estava “sendo providenciada desde abril do ano passado”, quando o novo proprietário do prédio onde funciona atualmente o serviço, e que teria adquirido o imóvel através de penhora da Caixa, fez uma solicitação do imóvel, que era locado diretamente pela pasta.

A secretaria afirmou ainda que o novo endereço terá capacidade para 400 pessoas e “continuará realizando a distribuição de café da manhã e almoço, além de manter as atividades já desenvolvidas”.

“Não haverá diminuição do atendimento para os conviventes do Núcleo de Convivência São Martinho. Atualmente, o serviço distribui até 800 refeições e atende entre 450 a 500 pessoas por dia”, completou o órgão em nota.

*Estagiária sob a supervisão de Elisa Martins. Fonte: https://oglobo.globo.com

A solidariedade da presidência da CNBB a Dom Álvarez, condenado a 26 anos de prisão

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Publicado em 15 fevereiro 2023
  • CNBB,
  • Dom Álvarez,

"Em prece, a CNBB suplica o fortalecimento dos nicaraguenses na busca pelo respeito e pela dignidade. Fraternal e solidária, reza, por nosso irmão bispo, dom Rolando Álvarez, condenado a 26 anos de prisão".

 

Vatican News

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na tarde desta segunda-feira, 13 de fevereiro, uma mensagem na qual reafirma sua comunhão com a Igreja Católica no mundo inteiro, em especial com a Igreja que está na Nicarágua. “Em prece, a CNBB suplica o fortalecimento dos nicaraguenses na busca pelo respeito e pela dignidade. Fraternal e solidária, reza, por nosso irmão bispo, dom Rolando Álvarez, condenado a 26 anos de prisão”, diz um texto do documento.

 

Mensagem da Presidência da CNBB

Brasília-DF, 13 de fevereiro de 2023

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), comprometida com a defesa dos direitos humanos e repudiando qualquer gesto ou decisão que neguem estes mesmos direitos, reafirma sua comunhão com a Igreja Católica no mundo inteiro, em especial a Igreja que está na Nicarágua.

Onde a humanidade sofre é também dor e sofrimento da Igreja no Brasil.

A fé cristã é místico-profética, exigindo de cada discípulo e discípula de Jesus uma santa indignação frente aos cenários de desrespeito à vida, de desconsideração da sacralidade humana, templo vivo do Espírito Santo de Deus.

Em prece, a CNBB suplica o fortalecimento dos nicaraguenses na busca pelo respeito e pela dignidade. Fraternal e solidária, reza, por nosso irmão bispo, dom Rolando Álvarez, condenado a 26 anos de prisão.

A cada pessoa seja concedida a liberdade de se expressar com responsabilidade e viver sua fé. As autoridades de todo o mundo, da América Latina e, especialmente, da Nicarágua, possam se sensibilizar.

Ninguém seja indiferente à injustiça.

“Se os profetas se calarem, as pedras falarão” (Lc 19,40).

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Fonte: CNBB/ https://www.vaticannews.va

CARTA ABERTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE AO PADRE MOACIR PINTO.

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Publicado em 03 fevereiro 2023
  • CARTA ABERTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE AO PADRE MOACIR PINTO.
  • indígenas yanomamis
  • PADRE MOACIR PINTO
  • morte dos indígenas yanomamis
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Dom Paulo Bosi Dal’Bó, o corpo clérigo da Diocese de São Mateus-ES e o povo santo de Deus vem a público repudiar as declarações de ofensas e de humilhação pública sofridas pelo Pe. Moacir Pinto durante uma homília no dia 01/02/2023 nos festejos de Nossa Senhora dos Navegantes, na Paróquia de Guriri, em São Mateus. Na ocasião, o Padre Moacir refletia sobre a situação de abandono e morte dos indígenas yanomamis no estado de Roraima, quando o Sr. Eliezer Nardoto o confrontou afirmando que ele estava fazendo campanha político/partidária dentro da Igreja.

Diante desse fato, é importante lembrar e ressaltar que toda a ação profética da Igreja em defesa da VIDA é fundamentada nas sagradas escrituras, na Doutrina Social da Igreja e no testemunho de tantos homens e mulheres de fé que doaram seu sangue para defender outras vidas. A proteção da VIDA não é pautada em nenhum viés de cunho ideológico ou partidário, uma vez que a VIDA é um dom de Deus e todo aquele que se sente cristão e é cristão tem o compromisso de defendê-la, independente do país, continente ou hemisfério que a VIDA estiver sendo ameaçada.

Dessa forma, Dom Paulo Bosi Dal’bó, o Clero e o povo santo de Deus se solidarizam com o Pe. Moacir e ratificam sua pregação profética em defesa da VIDA dos indígenas yanomamis.

Que Deus nos ilumine e nos abençoe na missão em defesa da vida!

São Mateus, 03 de fevereiro de 2023.

 

Dom Paulo Bosi Dal’Bó

Bispo da Diocese de São Mateus.

Fonte: http://diocesedesaomateus.org.br

3 DE FEVEREIRO: SÃO BRÁS, BISPO DE SEBASTE E MÁRTIR

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Publicado em 03 fevereiro 2023
  • São Brás,
  • Protetor da garganta,
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  • protetor dos otorrinolaringologistas,
  • Brás

Brás, Escola de Novgorod 

Sobre a vida de São Brás - protetor da garganta e dos otorrinolaringologistas, dos pecuaristas e das atividades agrícolas -dispomos de poucas notícias: a única coisa certa era a sua fé em Cristo, que manteve até à morte por decapitação, após cruéis torturas indescritíveis.

 

Bispo e médico

A tradição diz que Brás era natural de Sebaste, na Armênia, onde passou a sua juventude, dedicando-se, sobretudo, aos estudos de Medicina.

Ao tornar-se Bispo, entregou-se aos cuidados físicos e espirituais do povo, realizando, segundo a tradição, até curas milagrosas.

Naqueles anos, as condições de vida dos fiéis da fé cristã pioraram por causa dos contrastes entre o imperador do Oriente, Licínio, e do Ocidente, Constantino, que causaram novas perseguições. Brás, para fugir das violências, refugiou-se em uma caverna, no Monte Argeu, onde viveu na solidão e na oração, guiando a sua Igreja, apesar da distância, com mensagens secretas.

 

O milagre da garganta

Porém, Brás foi encontrado e preso pelos guardas do governador Agrícola e levado a julgamento. Ao longo do caminho, encontrou uma mãe desesperada, com seu filhinho nos braços, que estava sendo sufocado por um espinho ou isca de peixe cravado em sua garganta. O bispo abençoou-o e a criança recobrou imediatamente a saúde. Este fato, porém, não foi suficiente para poupá-lo do martírio, após torturas atrozes, que não conseguiram mudar seu espírito.

 

O naufrágio das relíquias

Com a sua morte, São Brás foi enterrado na catedral de Sebaste, mas, em 723, parte dos seus restos mortais foi transferida para Roma. No entanto, durante a viagem, uma tempestade repentina fez com que as relíquias permanecessem em Maratea, na costa da atual região italiana da Basilicata. Esta terra, na verdade, ainda hoje mantém uma grande devoção a São Brás.

 

O culto de São Brás

São Brás é um dos santos, cuja fama de santidade chegou a muitos lugares e, por isso, é venerado em quase todas as partes do mundo.
O milagre da garganta, que realizou em uma criança, é recordado no dia 3 de fevereiro, com um rito litúrgico particular, durante o qual o sacerdote abençoa a garganta dos fiéis com duas velas cruzadas diante da garganta. Fonte: https://www.vaticannews.va

CNBB EMITE NOTA EM SOLIDARIEDADE AOS YANOMAMI: “AS DORES DE CADA INDÍGENA SÃO TAMBÉM DA IGREJA”

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Publicado em 31 janeiro 2023
  • CIMI,
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  • dom Walmor Oliveira de Azevedo
  • CNBB EMITE NOTA EM SOLIDARIEDADE AOS YANOMAMI
  • povo Yanomami

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta terça-feira, 31 de janeiro, uma nota intitulada “Em defesa dos povos originários” motivada pela realidade vivida pelo povo Yanomami que, segundo o documento, é a “síntese da ofensiva contra os direitos dos povos indígenas agravada nos últimos anos”. A realidade, segundo a nota, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI)  em seu relatório anual.

De acordo com a nota da presidência da CNBB, “a realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro”.

Essa realidade, defende a Conferência, deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. “A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente”, reitera o documento. 

Na nota, a CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. A CNBB pede ainda que “diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça”.

A CNBB reforça que a Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. “As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta”. Conheça, abaixo, a íntegra da nota

 

Em defesa dos povos originários

A ofensiva contra os direitos dos povos indígenas, agravada nos últimos anos, foi denunciada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em seu relatório anual. A realidade vivida pelo povo Yanomami é, pois, síntese do que apresenta o relatório do CIMI. Os povos originários, integrados à natureza, têm sido desrespeitados de modo contumaz, a partir da ganância, da exploração predatória do meio ambiente, que propaga a morte em nome do dinheiro.

Essa realidade deve despertar santa indignação no coração de cada pessoa, especialmente dos cristãos, que não podem fazer da defesa da vida uma simples bandeira a ser erguida sob motivação ideológica. A vida tem que ser efetivamente defendida, não apenas em uma etapa específica, mas em todo o seu curso. E a defesa da vida humana é indissociável do cuidado com o meio ambiente.

A CNBB pede às autoridades um adequado tratamento dedicado ao povo Yanomami e a cada comunidade indígena presente no território brasileiro. Diante da gravidade do que se verifica no Norte do País, das mortes, principalmente de crianças e de idosos, sejam apontados os responsáveis, para que a justiça prevaleça. O genocídio dos Yanomamis seja capítulo nunca esquecido na história do Brasil, para que não se repita crime semelhante contra a vida de nossos irmãos.

A Igreja Católica no Brasil está unida ao povo Yanomami, solidariamente, com sua rede de comunidades de fé. As dores de cada indígena são também da Igreja, que, a partir de sua doutrina, do magistério do Papa Francisco, vem ensinando a importância dos povos originários na preservação do planeta.

O momento é de tristeza e desolação, mas a Igreja Católica continuará a trabalhar, intensificando sempre mais as suas ações, em união com muitos segmentos da sociedade e do poder público, para que prevaleça a esperança, confiante de que cada Yanomami será respeitado em sua dignidade de filho e filha de Deus.

Brasília-DF, 31 de janeiro de 2023

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

 

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB.

Fonte: https://www.cnbb.org.br

Transfobia é mal interreligioso que vai do terreiro à igreja

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Publicado em 30 janeiro 2023
  • Dia da Visibilidade Trans,
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Transfobia é mal interreligioso que vai do terreiro à igreja

Transgêneros contam, no Dia da Visibilidade Trans, suas experiências de preconceito em casas de fé

 

 

A reverenda trans Alexya Salvador - Eduardo Anizelli - 6.jun.18/Folhapress

 

Anna Virginia Balloussier

SÃO PAULO

Há algo que une todas as principais religiões do Brasil, e não estamos falando do amor a Deus ou a deuses, seja qual for sua crença. Aliás, amor não tem qualquer espaço aqui. A transfobia é uma fístula que lacera relações sociais em múltiplas casas de fé, do terreiro à igreja.

Mesmo religiões tidas como trincheira contra o preconceito com pessoas LGBTQIA+ têm um histórico de marginalizar transgêneros, apontam cinco deles às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado neste domingo (29).

A modelo Ariadna Arantes, 38, primeira trans no Big Brother Brasil, fez um desabafo no dia seguinte à data que celebrou a causa em 2020. "Estou sofrendo intolerância dentro da própria religião."

Havia acabado de ser iniciada no candomblé. Virou notícia: a ex-BBB de saião, blusa e turbante brancos. Mas muita gente, inclusive nos terreiros, torceu o nariz. Se a biologia não lhe fez mulher desde sempre, ela não podia se vestir como uma, alegavam.

"Vocês são o que, professores de anatomia?", Ariadna esbravejou. Luyza Nogueira dos Santos, 24, já viu esse filme antes, e passou por maus bocados antes de conseguir seu final feliz.

Ela conhece o preconceito desde pequena. Andou com fé primeiro numa igreja pentecostal, e depois na Igreja Católica, onde chegou a fazer a primeira comunhão. Voltou a ser evangélica porque os católicos lhe pareciam mais certinhos, e ela "sentia falta do transe".

Até que se descobriu médium ao receber no templo o Caboclo Laço de Ouro, uma entidade da umbanda, diz. Os fiéis em volta se horrorizaram. "Acordei lavada de óleo de unção dos pés à cabeça."

Foi aí que Luyza encontrou a religiosidade afrobrasileira, mas sem se encontrar por completo nela, não num primeiro momento. Tinha uma tia de santo, uma parente espiritual, que apanhou com sandália da avó de santo porque havia chegada maquiada na casa.

"Era travesti declarada, mas dentro do terreiro a tratavam pelo nome morto [o que recebeu ao nascer], e vestia roupas ditas masculinas", conta.

Luyza ainda não havia feito a transição de gênero e vivia sendo amolada para se assumir gay. Mas ela era uma mulher, não um homem homossexual. E se sentia desconfortável com regras como não poder baixar entidades femininas. "Até que uma pomba-gira pegou minha cabeça, a Maria Navalha do Cabaré."

Conta que recebia ameaças, inclusive físicas, toda vez que aparecia com trajes femininos, como tranças de cabelo ou uma saia.

Para Ronan Gaia, 28, que escreveu uma tese de mestrado sobre mulheres trans no candomblé, a religiosidade afrobrasileira não está isenta de preconceitos que encharcam toda a sociedade.

"Em alguns terreiros, sobretudo os mais tradicionais, apenas mulheres dançam o xirê, ritual que antecede a evocação dos orixás. Mulheres trans são excluídas desse processo, e homens trans, inseridos".

E esse é só um exemplo. O corpo é fundamental para o rito candomblecista, diz Gaia. Daí um destaque maior para a biologia, como se os orixás só compreendessem o gênero a partir do sistema reprodutor com que a pessoa nasceu.

Para o pesquisador, ainda que reproduzam dinâmicas transfóbicas, os terreiros são redes importantes para acolher a população trans.

É como a reverenda trans Alexya Salvador, 42, vê muitas das chamadas igrejas inclusivas. Elas, ao contrário da maioria do meio evangélico, não percebem a identidade LGBTQIA+ como pecado. O problema é que esses templos não discriminam o fiel trans, mas nem sempre o aceita na liderança, diz.

Vide a amiga Jacque Chanel, que escolheu seu nome mesclando Jackie Kennedy com a grife de luxo. Após ter sua ordenação como pastora negada por uma igreja que se dizia livre de preconceitos, ela abriu a Séforas, pioneiro templo trans.

Hoje líder na Igreja da Comunidade Metropolitana, Alexya cresceu na Igreja Católica. Fora dela, era saco de pancadas de colegas. Piores que os hematomas na carne, só os deixados na alma por padres que excluíam os LGBTQIA+ da "obra de Deus".

A psicóloga e pesquisadora Cris Serra, 49, é católica praticante. E diz mais. "Foi justamente a minha experiência de sagrado a partir da sacralidade do meu corpo que permitiu que eu compreendesse minha experiência para além dessa norma cis-heterossexual tão dominante", afirma.

Ela hoje usa o pronome feminino para se referir a si, mas gosta "quando a fronteira fica confusa" e lhe tascam o masculino. Cris se define como pessoa não binária. Entende-se portanto como trans, sem se identificar com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.

Sabe da longa ficha corrida do Vaticano na transfobia. Recentemente, um post nas redes sociais ilustrou bem do que Cris está falando: lamentava "ver travecão comungando" nas missas modernas.

Papa Francisco, nesse sentido, emite sinais dúbios. Na quarta (25), declarou que a homossexualidade não é crime, mas é pecado. Imagina então o que acham deles, se perguntam os transgêneros.

Em 2016, o pontífice disse que a teoria de gênero, "grande inimiga" do casamento tradicional e da família, quer propagar a "colonização ideológica". Alas conservadoras da Igreja vibraram.

O mesmo Francisco já recepcionou um homem trans em audiência e lavou os pés de uma travesti numa Quinta-Feira Santa. "Para além de encarar com otimismo ou pessimismo gestos do papa", diz Cris, "trata-se de construir uma Igreja com ênfase mais no acolhimento pastoral e menos em teologias normativas e descoladas das realidades concretas das pessoas".

Lembra de dom Luciano Bergamin, bispo-emérito de Nova Iguaçu (RJ). Certo dia, veio até ele o pai de uma jovem trans, "muito atordoado com a situação da filha, chamando-a várias vezes pelo nome morto, masculino". O bispo, "com bom humor, perguntou como era o nome dela e, rindo e alegando estar surdo, fez o grupo todo repetir o nome [feminino] várias vezes, cada vez mais alto".

Ser homossexual, em casos extremos, já rendeu pena de morte em nações de maioria muçulmana. Não que trans sejam plenamente aceitos, mas a transfobia pode ser mais branda a depender do país, aponta a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, coordenadora do Gracias (Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos), da USP.

O Irã permite a cirurgia de redesignação sexual desde 1983. Há inclusive relatos de gays pressionados a mudar de sexo para escapar da execução pelo Estado, isso porque as autoridades religiosas toleram a ideia de que uma pessoa nascida no corpo errado, mas não de relações homoafetivas.

Já os pares religiosos de Lilyth Ester Grove, 31, se incomodava menos "quando eu era bicha", segundo essa antropóloga judia. Até ela perceber que não era um homem gay e fazer a transição de gênero. Aí já era demais.

No fim, a comunidade judaica reflete a sociedade como um todo, diz Lilyth. "Sobre o Brasil em particular, a visão da travesti é muito precarizada. Somos vistas como apenas trabalhadoras de sexo, barraqueiras. É mais aceitável ser um homem gay do que uma pessoa trans."

Para Alexya, a pastora evangélica, a força maior que transgêneros podem mostrar "é que nossos corpos também são templos de Deus". Os incomodados que se mudem. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

SER IGREJA DOS BEM-AVENTURADOS.

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Publicado em 27 janeiro 2023
  • BEM-AVENTURADOS,
  • Dom Adimir Antonio Mazali
  • SER IGREJA DOS BEM-AVENTURADOS
  • Mandamentos da Igreja

Dom Adimir Antonio Mazali

Bispo de Erexim (RS) 

 

Minha saudação aos irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Ao celebrarmos o 4º. Domingo do Tempo Comum, refletimos a centralidade da proposta de Jesus, ou seja, o Reino de Deus expresso no texto das Bem-aventuranças como programa de vida a todo cristão. Todos chamados a ser bem-aventurados, sinônimo de santidade e compromisso na construção do Reino. 

Caríssimos irmãos e irmãs! Jesus Cristo propõe uma vida de santidade e esta não se vive no isolamento, na indiferença, no individualismo. Esta é uma proposta de vida de fé em comunidade. Uma comunidade que forma a Igreja, que tem por missão aperfeiçoar os meios para facilitar a vivência cristã no caminho da salvação. Por isso, quero aproveitar mais uma vez, neste retorno de férias, na retomada das atividades paroquiais, no início de um novo ano, refletir sobre os Mandamentos da Igreja, e, como tenho dito com frequência, muitas vezes eles estão esquecidos por nós. Eles nos indicam a importância de nossa participação consciente na comunidade cristã e na vivência dos valores do Reino de Deus inaugurado por Jesus Cristo. 

Em breve explicação que retomo do ano passado, os Mandamentos da Igreja são: 

 

1-Participar da missa inteira aos domingos e dias santos de guarda: Este é um compromisso para todos os cristãos que tem uso da razão, entendendo a importância da missa e da comunidade, consciente de ser pecado a não participação por preguiça ou qualquer desculpa que não se justifique. A pandemia passou e é tempo de participar; 

 

2-Confessar-se ao menos uma vez cada ano: Esta confissão é o mínimo que se pede ao cristão, mas que consciente deve buscar mais vezes ao longo do ano. A confissão também é curativa para a alma e nos restaura na graça de Deus. Confessar é sinal de confiança na misericórdia de Deus por nós e compromisso de vida nova; 

 

3-Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição: A Eucaristia é um mistério de fé e de amor. É o centro da nossa participação na vida de Cristo e a Igreja nos aponta para a importância de comungar frequentemente. A Eucaristia é o alimento para a vida eterna. Deve ser, como disse o Beato Carlo Acutis, “nossa autoestrada para o céu”; 

 

4-Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Mãe Igreja: isto é, na quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa. Aprendemos a controlar nossos impulsos e desejos e compartilhamos do sofrimento de Cristo e de nossos irmãos e irmãs, com quem devemos partilhar a nossa própria vida; 

 

5-Doar o Dízimo, segundo o costume: O dízimo é expressão de comunhão eclesial; da capacidade madura de partilhar com a vida da comunidade. O dízimo não é pagamento, mas doação segundo a generosidade do coração. Este possui a dimensão religiosa, expressão de gratidão a Deus; a dimensão eclesial para a manutenção das celebrações e da vida da comunidade paroquial; a dimensão missionária e evangelizadora da Igreja, e a dimensão caritativa que tem como preocupação a ajuda aos mais necessitados. 

Prezados irmãos e irmãs. Entendemos que os Mandamentos da Igreja são orientações que nos ajudam a viver o valor do bem comum e da comunidade cristã, como resposta aos desafios de hoje. Eles ajudam na construção de um mundo de bem-aventurados, sinais do Reino de Deus. 

Que Maria, a fiel discípula de Jesus e primeira Bem-Aventurada, nos ensine a fazermos a vontade de seu Filho Jesus e a empenharmo-nos mais no cumprirmos dos Mandamentos da Igreja como mediação para as bem-aventuranças do Evangelho.  

Que Deus abençoe a todos e um bom domingo. Fonte: https://www.cnbb.org.br

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