A pilhagem nazista dos sinos das igrejas mudou o som da Europa.
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Enquanto os sinos das igrejas tocam e anunciam o Ano Novo, os historiadores afirmam que a pilhagem de mais de 150 mil sinos durante a Segunda Guerra Mundial deixou uma ‘lacuna sonora’ na paisagem europeia

O Waakklok, ou sino do relógio, em Utrecht. Ele tocava quando os portões da cidade estavam prestes a fechar ou abrir. O sino foi levado para a Alemanha e devolvido após a guerra Foto: Desiré Van Den Berg/The New York Times
Por Nina Siegal (The New York Times)
Em uma entrada do diário no verão de 1943, Anne Frank escreveu que havia perdido toda a noção do tempo. Os sinos da torre mais alta da igreja de Amsterdã, a Westertoren, bem ao lado de seu esconderijo no sótão de uma casa à beira do canal, haviam parado de tocar.
“Há uma semana, estamos todos um pouco confusos sobre o tempo, desde que nosso querido e precioso sino da Westertoren foi aparentemente levado para uso industrial”, escreveu ela em 10 de agosto de 1943, “e não sabemos exatamente que horas são, nem se é dia ou noite”.
A jovem, em seu isolamento aterrorizado, recebeu a notícia de que os ocupantes nazistas na Holanda estavam confiscando sinos de igrejas em todo o País para derretê-los e fabricar armas e munições. “Ainda tenho alguma esperança de que eles inventem algo que lembre um pouco o relógio para a vizinhança”, acrescentou ela.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler tomou cerca de 175.000 sinos de igrejas em toda a Europa, para extrair seus componentes metálicos, principalmente cobre e estanho.
A grande maioria deles, cerca de 150.000 sinos, nunca foi devolvida às igrejas. Muitos foram destruídos no processo de remoção, derretidos e convertidos em munições, e milhares acabaram nos chamados Glockenfriedhöfe, ou cemitérios de sinos.
A destruição dos sinos das igrejas, considerada um crime de guerra durante o Tribunal de Nuremberg de 1945 e um ato de sacrilégio pela Igreja Católica Romana, é um aspecto menos conhecido da pilhagem nazista. Muitas cidades e vilas que durante séculos tinham medido suas vidas pelo toque diário dos sinos das igrejas ficaram em silêncio.
Significado psicológico
O confisco teve um impacto imediato na vida dos europeus comuns, que mediam o tempo pelos sinos das igrejas, que normalmente tocavam uma vez a cada quarto de hora e tocavam melodias a cada hora.
“Isso marca o ritmo dos dias das pessoas, o ritmo de suas vidas”, disse Kirrily Freeman, professora de história da St. Mary’s University em Halifax, Nova Escócia, que escreveu extensivamente sobre o uso militar de metais, incluindo sinos, durante a Segunda Guerra Mundial. “É algo que reúne as pessoas para eventos importantes da vida, casamentos, batismos, funerais.”
Os sinos das igrejas nos países europeus tinham “significado pessoal, familiar, comunitário e talvez até psicológico” para grande parte do público que frequentava a igreja, acrescentou Freeman. “Perder isso, não voluntariamente, e especialmente porque muitas vezes foi feito de forma violenta e no contexto da ocupação, bem, as consequências seriam enormes.”
A perda musical, de acordo com a historiadora Carla Shapreau, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos Europeus da Universidade da Califórnia, Berkeley, e fundadora do Lost Music Project, deixou “uma lacuna sonora no panorama europeu”.
Levou quase duas décadas para que a maioria desses sinos fosse substituída, disse Rainer Schütte, historiador e curador de sinos do Museu Klok and Peel em Asten, na Holanda, um museu dedicado à história dos sinos e carrilhões (uma experiência musical mais intensa tocada em teclado).
“Em muitos lugares, eles se empenharam em fazer novos sinos e, às vezes, também adicionaram carrilhões”, disse Schütte. “Muitas vezes, os carrilhões eram introduzidos como uma espécie de memorial para as vítimas da guerra.” Sinos comemorativos também eram dados como presentes, como o Netherlands Carillon em Arlington, Virgínia, que os holandeses enviaram como um sinal de gratidão pela ajuda americana durante e após a Segunda Guerra Mundial.
A destruição dos sinos durante a guerra também teve um lado positivo, dando aos campanólogos a oportunidade de estudar os sinos da Europa e impulsionando as fundições de sinos a melhorar sua qualidade e timbre. Em 1960, quando “quase todos os sinos haviam sido devolvidos às suas torres”, disse Schütte, “as fundições conseguiram aumentar seu nível de produção, tanto em quantidade quanto em qualidade dos sinos”.
Uma “corrida pela qualidade dos sinos” no pós-guerra, acrescentou ele, levou a grandes avanços na campanologia. “Eles estavam analisando questões como: ‘Como podemos melhorar os sinos? Precisamos mudar o perfil ou a forma do sino? Quais são as melhores condições para pendurar os sinos — torres abertas ou fechadas?’”
Perdas datam de 1700
Sinos de igreja de qualidade variável eram criados na Europa desde o início da Idade Média por fundições que alternavam entre dois tipos de produção: canhões em tempos de guerra e sinos em períodos de paz. Como ambos exigiam cobre e estanho, a escassez de metal muitas vezes significava que os sinos eram fundidos para a fabricação de armas.
A apreensão nazista de sinos na Alemanha e, posteriormente, na Europa ocupada, começou com um decreto de Hermann Göring, o segundo no comando de Hitler, intitulado “Recuperação de todos os sinos para fins de guerra”, em 15 de março de 1940. Mais tarde, os países ocupados pelos nazistas foram obrigados a fazer um inventário de seus sinos e classificá-los por data, sendo “D” o mais antigo — fabricado antes de 1740 — e “A” o mais recente.
Os sinos fundidos antes de 1450 não foram confiscados, mas aqueles a partir de 1700 foram removidos e enviados para locais de fundição na Alemanha. As regiões dentro dos novos domínios do Terceiro Reich, como o Protetorado da Boêmia e Morávia (Tchecoslováquia ocupada) e a Alsácia-Lorena, que os alemães anexaram após a derrota da França, foram os primeiros alvos da remoção dos sinos.
Após a invasão da Holanda e da Bélgica em maio de 1940, os dois países, famosos por seus carrilhões, receberam instruções de Berlim para entregar 75% de seus sinos. Os holandeses se opuseram à medida e conseguiram algumas concessões.
Mas a promulgação de uma nova regulamentação nacional no outono de 1942 deu início à confiscação em massa dos sinos das igrejas holandesas, que foi realizada sob a direção de P.J. Meulenberg, membro do partido nazista holandês, o NSB.
Ele logo ganhou o apelido de “Bell Peter” (Pedro Sino). No início de 1944, ele já havia removido milhares de sinos das torres das igrejas em todo o país, de acordo com registros do Instituto NIOD para Estudos sobre Guerra, Holocausto e Genocídio, em Amsterdã.
Até então, os sinos eram um elemento fundamental da vida comunitária nas cidades holandesas, disse Wouter Iseger, músico e historiador holandês que escreveu um livro sobre os sinos saqueados de sua cidade, Utrecht: “Os sinos das igrejas eram importantes quando havia um incêndio ou uma tempestade se aproximando, ou quando algumas guildas eram convocadas para se reunir. Em Utrecht, tínhamos um sino que tocava todos os dias quando os portões da cidade se abriam e fechavam”.
Quando os nazistas invadiram a Holanda, a maior igreja de Utrecht, a Dom Tower, baixou os sinos da igreja de 1505 e 1506 e os cobriu com sacos de areia para protegê-los. Eles foram marcados com um “M”, que ainda é visível hoje. Durante toda a guerra, aquela torre permaneceu em silêncio, disse Iseger.
Percival Price, músico, compositor e especialista em campanologia nascido no Canadá, da Universidade de Michigan, descobriu que a Alemanha perdeu 102.500 sinos para o esforço de guerra, dos quais 90.000 eram “irrecuperáveis como sinos”.
Entre os países ocupados pelos nazistas, a Polônia teve cerca de 20.800 sinos de igreja destruídos.
Após o fim da guerra, em 1945, os Aliados descobriram o maior cemitério de sinos no porto de Hamburgo, onde cerca de 10.000 sinos permaneciam no cais. Price viu o conjunto de sinos de toda a Europa como uma “oportunidade única para condições controladas de pesquisa”.
Seu relatório e análise subsequentes “criaram um banco de dados das propriedades tonais dos sinos sobreviventes, usando instrumentação osciladora eletrônica”, disse Andrea McCrady, professora adjunta de música na Carleton University em Ottawa, Ontário, onde atua como Dominion Carillonneur do Peace Tower Carillon. “A qualidade da afinação moderna” e outros ajustes que facilitaram a execução, acrescentou ela, levaram a “apresentações mais expressivas”.
Preservando seu ofício
Da mesma forma, campanólogos europeus como Bert van Heuven e os fabricantes de sinos holandeses Tuur Eijsbouts e André Lehr reviveram uma tradição de fabricação de sinos que estava praticamente adormecida há séculos.
Os novos sinos foram afinados com mais precisão, disse Schütte, “para que pudessem tocar uma gama mais ampla de músicas”.
“O panorama ou a paisagem sonora dos sinos teria sido mais rico em 1960 do que em 1940, devido ao crescimento dos sinos, mas também ao número de torres e igrejas”, disse ele.
Anne Frank escreveu algumas vezes em seu diário sobre os sinos da igreja Westerkerk, de acordo com o estudioso holandês da Segunda Guerra Mundial David Barnouw. Em fevereiro de 1944, ela descreveu ter ouvido “um sino” tocando “Erect of Body, Erect of Soul” (Erguido de Corpo, Erguido de Alma) e, um mês depois, ela sentiu como se estivesse participando de um casamento ao ouvir o som dos sinos ao lado.
Gertjan Broek, pesquisador da Casa de Anne Frank, disse que os sinos da Westertoren nunca ficaram totalmente em silêncio durante a guerra. Frank pode ter acrescentado esse elemento para dar um efeito dramático, disse ele, baseando-se em notícias que ela tinha acesso pela imprensa clandestina da resistência.
O maior sino da Westerkerk foi confiscado no início de 1943 e devolvido em julho, mas só voltou a tocar em novembro daquele ano. O carrilhão da igreja, de 1658, nunca foi removido.
De acordo com os registros de Price, dos 9.000 sinos que existiam na Holanda antes da guerra, 4.660 nunca foram devolvidos às torres das igrejas. Frank, junto com sua família, foi descoberta em 4 de agosto de 1944 e deportada para um campo de extermínio nazista, onde morreu.
Quando a Holanda foi libertada em maio de 1945, os moradores de Amsterdã se reuniram ao redor da Westerkerk, enquanto a bandeira holandesa era hasteada na torre e o hino nacional tocava no antigo carrilhão. Fonte: https://www.estadao.com.br
O SANTO DO DIA- 27 DE DEZEMBRO: S. João, apóstolo e evangelista.
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"O discípulo que Jesus amava": assim João se autodefine, simplesmente, em seu Evangelho. Ele tinha razão em definir-se desta maneira, porque assumiu uma das funções mais importantes na história da salvação, além, naturalmente, de Maria, que Jesus lhe confiou, pessoalmente, quando estava agonizante na cruz: "eis o teu filho" e "eis a tua mãe". Desde então, João levou Maria consigo e cuidou dela como "a pessoa mais querida"; o elo de união entre os dois era, precisamente, a pureza e a vida virginal, que ambos viveram.
Dados históricos
São várias as fontes históricas, que dão detalhes sobre a vida do evangelista e apóstolo. Algumas são apócrifas, como outro Evangelho, que, segundo alguém, devem ser atribuídas precisamente à sua pena. Sabemos que João era o mais novo entre os Doze e o que viveu mais que todos.
João era natural da Galileia, de uma região às margens do Lago de Tiberíades. Por isso, era de uma família de pescadores. Seu pai se chamava Zebedeu e sua mãe Salomé. Seu irmão, Tiago, chamado Maior, também foi apóstolo. Jesus sempre se referia a ele e estava no meio dos poucos, que O acompanham, nas ocasiões mais importantes: por exemplo, quando ressuscitou a filha de Jairo, na sua Transfiguração sobre o Monte Tabor e durante a sua agonia no Getsêmani. Durante a Última Ceia, João ocupou um lugar de honra, à direita do Senhor, em cujo ombro encostou a cabeça, como gesto de carinho.
Naquele momento, o Espírito Santo infundiu-lhe a sabedoria, com a qual pôde escrever o seu Evangelho na velhice. João foi o único que esteve aos pés da Cruz, além de Maria, com a qual passou os três dias antes da ressurreição; foi também o primeiro a chegar ao túmulo vazio, após o anúncio de Maria Madalena. Porém, deixou Pedro entrar por primeiro, por respeito e por ser mais velho. Desde então, transferiu-se com Maria para Éfeso, onde começou a sua pregação do Evangelho na Ásia Menor.
Parece que João sofreu pela perseguição de Domiciano e foi exilado para a ilha de Patmos. Depois, com a chegada de Nerva, retornou para Éfeso, onde terminou seus dias, com mais de cem anos, por volta do ano 104.
"A flor dos Evangelhos"
Assim foi chamado o Evangelho escrito por João, também denominado "Evangelho espiritual" ou “Evangelho do Logos”, graças à perfeição da sua linguagem teológica e à invenção do termo polissêmico "Logos", para indicar Jesus, com diversos significados: "Palavra", "diálogo" , "projeto", "Verbo".
Além disso, em seu Evangelho, a palavra “crer” é citada 98 vezes, porque somente assim se podia atingir o Coração de Jesus: acreditar na liberdade e aceitar a graça, como demonstra o discípulo amado de Jesus.
O Evangelho de São João é altamente mariano, não tanto pela enorme quantidade de referências à Virgem Maria, mas pela graça especial de ter conhecido seu Filho, mais do que qualquer outra pessoa, e por desvendar o mistério de Cristo. No entanto, Maria aparece apenas duas vezes na narração de João: nas Bodas de Caná e no Calvário.
A narrativa das Bodas de Caná é de particular importância: naquela ocasião, deu-se o primeiro encontro de Jesus com João. No entanto, a vocação de João – que, com André, já era discípulo de João Batista – ocorreu, provavelmente, em Betânia, às margens do rio Jordão. Ao ver Jesus chegar, Batista o saudou como "Cordeiro de Deus". O evangelista João ficou tão impressionado com aquele encontro, a ponto de recordar até a hora em que ocorreu: a décima hora, ou seja, às 16 horas. Doravante, não pôde não seguir a Jesus.
Todavia, além do alto valor teológico, o Evangelho de João se diferenciou dos Sinópticos pela sua ênfase à humanidade de Cristo, que emerge pelos detalhes de algumas narrativas, como: “sentar-se cansado”, “derramar lágrimas por Lázaro” ou “sentir sede na Cruz”.
Apocalipse e Cartas de João
São João escreveu também três Cartas e o Apocalipse, o único Livro profético do Novo Testamento. As Escrituras se concluem com este Livro e, conforme o significado do seu próprio nome - "revelação" - indica a mensagem concreta de esperança, que traz consigo. Assim, de qualquer maneira, coloca um ponto final no diálogo entre Deus e o homem. Desde então, coube à Igreja falar e interpretar a ação de Deus no âmbito da História, até ao seu retorno definitivo à Terra, no fim dos tempos. Nesse sentido, o Apocalipse é também uma "profecia".
Quanto às três Cartas ou Epístolas de São João, escritas, provavelmente, em Éfeso, são Cartas sobre o amor e a fé, que visam defender algumas Verdades espirituais fundamentais, contra o ataque das doutrinas gnósticas.
Eis o “prólogo” inimitável do Evangelho de João:
«No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou» (João 1:1-18). Fonte: https://www.vaticannews.va
Igreja determina auditoria financeira em paróquia de padre Júlio, que afirma tratar-se de 'rotina'
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Integrantes da arquidiocese dizem que dom Odilo Scherer determinou procedimento e agora busca proteger Lancellotti
Religioso afirma que procedimento é feito mensalmente
Padre Julio Lancellotti distribui pães a moradores de rua no Centro Comunitario Santa Dulce dos Pobres (da Paroquia Sao Miguel Arcanjo) na rua Sapucaia, na Mooca - Eduardo Knapp/Folhapress
A Arquidiocese de São Paulo determinou uma auditoria financeira na paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, que é liderada há 40 anos pelo padre Júlio Lancellotti.
A decisão foi do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. Segundo integrantes da igreja, o procedimento está sendo realizado em função de informações que o cardeal arcebispo teria recebido sobre o funcionamento da paróquia.
Lancellotti, no entanto, afirma que se trata de um procedimento de rotina, feito todos os meses nas mais diversas paróquias da cidade.
''Auditoria financeira tem sempre", afirma ele.
Como revelou a coluna, Scherer determinou que Lancellotti não transmita mais missas ao vivo, suspenda todas as suas atividades em redes sociais e pode retirá-lo da paróquia.
As celebrações eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), mantida por sindicatos, pelo portal ICL e pelo YouTube.
A medida, drástica, teria sido tomada para proteger o padre Júlio.
O próprio religioso afirmou à coluna que "Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção".
Questionado se concordava com a decisão, ele respondeu que tem "apenas que obedecer".
Lancellotti, que se dedica especialmente à população de rua de São Paulo, é alvo comum de parlamentares e políticos de direita, especialmente de integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre).
Apesar de ser pressionado há muitos anos para afastar o padre de suas atividades, dom Odilo Scherer sempre resistiu às investidas. Desta vez, no entanto, tomou a decisão de afastá-lo da mídia.
A iniciativa do cardeal gerou ampla repercussão, com o padre Júlio colhendo diversas manifestações de solidariedade.
Depois que a coluna revelou as medidas contra o religioso, mais de 40 organizações que atuam com a população em situação de rua enviaram nesta terça-feira (16) uma carta ao cardeal pedindo a revisão da decisão nas redes sociais.
No documento, as organizações afirmam que a limitação da manifestação pública do padre afeta redes de solidariedade e o debate sobre a pobreza extrema na cidade. Scherer pode retirar o padre da paróquia em que atua há 40 anos, na Mooca, ainda neste ano. Lancellotti afirmou que recebeu o pedido como um "tempo de recolhimento" e disse que irá obedecer.
A articulação a favor do padre é liderada pelo Instituto GAS, ONG que atua há dez anos no atendimento direto à população vulnerável em ruas e favelas de São Paulo e que é parceira histórica do padre Júlio. O grupo também é fundador dos movimentos Na Rua Somos Um e Solidariedade Não É Crime. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
‘Reafirmo minha obediência à Arquidiocese’, diz padre Júlio Lancellotti após veto às redes sociais
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Religioso não poderá mais transmitir missas ao vivo e vai se afastar de atividades nas plataformas virtuais. Arquidiocese diz que não irá se manifestar
Padre Júlio Lancelotti Foto: Felipe Rau/Estadão
Por Gonçalo Junior
“Reafirmo minha pertença e obediência à Arquidiocese de São Paulo”, afirmou o padre Júlio Lancelotti ao comentar sobre não poder mais transmitir missas ao vivo e se afastar temporariamente das atividades nas redes sociais.
A mudança ocorre após determinação da Arquidiocese de São Paulo. Procurada, ela disse que não irá se manifestar sobre o assunto.
A missa do último domingo, 14, foi a última a ser transmitida, segundo informado pelo próprio Lancelotti durante a celebração. “Agradeço a todos que ajudaram na transmissão dessa missa desde a pandemia. Hoje é a última vez que a missa está sendo transmitida. Até que haja ordem em contrário, a partir do domingo que vem, a missa será só presencial. Não terá mais transmissão”, anunciou o religioso.
As celebrações eram transmitidas ao vivo pela Rede TVT (TV dos Trabalhadores), mantida por sindicatos, pelo portal ICL e pelo YouTube.
Em nota enviada ao Estadão, o religioso acrescentou que as “redes sociais não estão movimentadas por um período de recolhimento temporário”.
Coordenador da Pastoral do Povo da Rua, o padre seguirá na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Belenzinho, zona leste, onde atua há quase 40 anos. Seu foco é pastoral com populações de rua, adolescentes infratores e crianças com HIV.
Quem é o padre Júlio Lancelotti
Júlio Lancelotti é uma figura conhecida nacionalmente pelo trabalho que realiza, há mais de 40 anos, com a população em situação de rua na capital paulista.
Paulistano nascido no bairro do Brás, Lancellotti é também o padre responsável pela Paróquia de São Miguel Arcanjo, da Mooca, desde 1986, onde começou o trabalho pastoral com populações de rua, menores infratores e crianças com HIV.
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O padre tem sido alvo frequente de criticas de políticos nas redes sociais pelo trabalho com a população de rua.
Tachado de “padre esquerdista” por políticos de direita, Júlio Lancellotti chegou a ser alvo de ataques nas redes sociais e de ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara.
Após uma dessa onda de ataques, ele chegou a receber ligação de apoio do papa Francisco, que morreu em abril deste ano. O pontífice recomendou que ele não desanimasse do trabalho para auxílio dos pobres, mesmo diante de todas as dificuldades.
Um dos políticos mais próximos de Lancelotti é Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência no governo Lula. Fonte: https://www.estadao.com.br
3º- Domingo do Advento – Ano A: A Alegria no Senhor
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Continuamos, nesta terceira etapa do “caminho do advento”, a preparar a vinda do Senhor. Chamado “domingo Gaudete”, este terceiro domingo do advento convida-nos à alegria: a vinda do Senhor aproxima-se; a nossa libertação está cada vez mais perto.
Na primeira leitura um profeta anónimo anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilónia, que estão a acabar os anos de tristeza e que vão finalmente chegar os tempos novos da alegria e da esperança. Porquê? Porque Deus “aí está para fazer justiça”. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo, em procissão triunfal, possa regressar a Sião. Deus nunca desiste dos seus queridos filhos.
No Evangelho, o próprio Jesus define a missão que o Pai lhe confiou quando o enviou ao encontro dos homens: dar vista aos cegos e tirá-los da escuridão onde se afundam, libertar os coxos de tudo aquilo que os impede de caminhar, curar os leprosos e reintegrá-los na família de Deus, abrir os ouvidos dos surdos que vivem fechados no seu mundo autossuficiente, devolver a vida àqueles que se sentem às portas da morte, anunciar aos pobres a “Boa Notícia” do amor de Deus. Com Jesus, o Reino de Deus chegou à vida e à história dos homens.
Na segunda leitura um tal Tiago, que se apresenta como “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, avisa os pobres, vítimas das prepotências dos poderosos, que o Senhor, o “juiz” dos homens, está a chegar para fazer justiça. A sua vinda irá libertá-los da opressão a que têm estado sujeitos. Enquanto esperam, os pobres devem colocar a sua confiança em Deus e continuar a percorrer, com fidelidade e sem desânimo, o seu caminho que têm à frente.
EVANGELHO – Mateus 11, 2-11
INTERPELAÇÕES
No belo texto de Mateus que a liturgia deste terceiro domingo do Advento nos propõe, o próprio Jesus apresenta-se como o Messias que veio ao mundo para cumprir as promessas de Deus, para derrotar o mal e para abrir para os homens um caudal de vida abundante. A sua presença inaugura uma nova era, um mundo onde se rasgam caminhos novos para os deserdados, os abandonados, os injustiçados, os que não conhecem a alegria, os que vivem mergulhados nas trevas, os que caminham sem esperança, os que não têm voz nem vez. Esta maravilhosa história do Messias de Deus, contada por Mateus, não é uma história vivida e cumprida num tempo já fechado, com princípio, meio e fim há mais de dois mil anos; mas é uma história que continua a escrever-se hoje, para nós que vivemos no séc. XXI. Jesus continua a vir ao nosso encontro, a inundar de vida nova o nosso mundo velho, a curar as nossas feridas, a oferecer-nos generosamente a salvação de Deus. Estamos disponíveis para O acolher? Estamos efetivamente interessados em romper as velhas cadeias que nos prendem para abraçar essa vida nova e plena que Jesus nos vem oferecer?
Jesus, depois de ter terminado o Seu caminho na terra, reentrou na glória do Pai. No entanto, quando se despediu daqueles homens e mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia a Jerusalém e que tinham sido testemunhas de tudo o que Ele disse e fez, pediu-lhes que fossem, no mundo, os arautos da salvação de Deus. Hoje, mais de dois mil anos depois, isto é conosco. Nós, discípulos e testemunhas de Jesus, dedicamo-nos a fazer as obras que Ele fazia? Os “cegos”, encerrados nas trevas do egoísmo e do erro, podem contar conosco para saírem da escuridão e encontrarem a luz libertadora de Deus? Os “coxos”, incapazes de caminhar sozinhos, podem contar conosco para se verem livres daquilo que os limita e os impede de ir em frente, em direção a uma vida com sentido? Os “leprosos”, marginalizados e excluídos por uma sociedade que não tem lugar para todos, podem contar conosco para serem novamente acolhidos à mesa familiar dos filhos de Deus? Os “surdos”, fechados no seu mundo de autossuficiência e de silêncio, podem contar conosco para descobrirem a beleza do diálogo e da comunhão? Os “mortos”, os que vivem mergulhados no desespero e já desistiram de viver, podem contar conosco para aprenderem a sonhar com um amanhã de esperança? Os “pobres”, privados de recursos necessários para terem uma vida digna, podem contar conosco para se defenderem da miséria que lhes rouba a dignidade? Deus pode contar conosco para curar as feridas do mundo?
João, o “Batista”, aquele de quem Jesus disse que era “o maior entre os filhos de mulher”, reaparece-nos todos os anos neste tempo de Advento para nos ajudar a preparar a chegada do Messias. A sua verticalidade e coerência, a sua integridade e fortaleza, o seu compromisso firme com a verdade, o seu estilo de vida simples e desprendido, o seu desprezo pelos bens materiais, a sua indiferença pela vida cómoda e fácil, o seu “jeito” de remar contra a corrente, a sua decisão irrevogável de fazer a voz de Deus ecoar no mundo dos homens, interpelam-nos fortemente. João é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la com fidelidade. A nossa vida e o nosso testemunho profético cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade de João? Sentimos que o “estilo” de vida de João nos pode inspirar a viver de uma forma mais verdadeira? Captando a mensagem de João, estamos dispostos a uma mudança radical na nossa forma de estar na vida, a fim de que Jesus possa “caber” no nosso projeto?
Talvez resulte um pouco chocante ouvirmos dizer que, a certa altura, João teve dúvidas sobre a messianidade de Jesus. Aquele Jesus que antes queria falar da misericórdia de Deus do que da Sua ira, que acolhia os pecadores e se sentava com eles à mesa, que não condenava ninguém nem ameaçava com castigos terríveis, não encaixava na conceção que João tinha do “ungido de Deus”. No entanto, ao questionar Jesus (“és Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”), João assumiu uma posição de profunda honestidade. Quis saber, quis perceber o projeto de Jesus. Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas inamovíveis, que estão absolutamente certos das suas verdades e dos seus dogmas, do que daqueles que procuram honestamente, em diálogo com os seus irmãos, as respostas às questões que a vida todos os dias coloca. Como nos comportamos quando vemos que a realidade que nos cerca não coincide exatamente com as nossas ideias feitas? Entrincheiramo-nos atrás das nossas certezas e disparamos contra o mundo, ou procuramos sinceramente escutar aqueles que nos rodeiam, compreender as visões diferentes e encontrar, a partir daí, o caminho que conduz à verdade?
*Leia a reflexão na integra, clique ao lado no EVANGELHO DO DIA.
Papa recebe convite oficial para visitar o Santuário Nacional de Aparecida
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Entre a série de audiências da manhã deste sábado (13/12), Leão XIV recebeu o arcebispo de Aparecida/SP, dom Orlando Brandes. Na oportunidade, ele entregou um convite oficial para que o Papa conheça o Santuário Nacional de Aparecida/SP. Em seguida, a delegação brasileira ainda formada por missionários redentoristas e representantes da TV Aparecida, que comemora 20 anos de fundação, visitou as dependências da Rádio Vaticano - Vatican News.
Vatican News
O Papa Leão XIV cumpriu uma manhã intensa de audiências neste sábado (13/12). Entre elas, o Pontífice recebeu o arcebispo de Aparecida/SP, dom Orlando Brandes, acompanhado dos missionários redentoristas Pe. Marlos Aurélio da Silva, superior provincial da Província Nossa Senhora Aparecida; Pe. Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida, e Ir. Alan Patrick Zuccherato, diretor de arte e pastoral da TV Aparecida, além da jornalista e apresentadora da TV Aparecida, Camila Morais, e de Silvonei José da Rádio Vaticano/Vatican News. A audiência privada foi em razão das comemorações dos 20 anos da TV de Nossa Senhora.

O arcebispo já tinha se encontrado com Leão XIV na quarta-feira (10/12), quando saudou o Pontífice ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro. Neste sábado (13/12), a audiência privada foi a oportunidade para entregar ao Pontífice: uma imagem de Nossa Senhora Aparecida das mãos de Pe. Marlos; um pergaminho com um convite de dom Orlando para conhecer o Santuário Nacional; uma miniatura de televisão, símbolo de comemoração dos 20 anos da TV Aparecida, bem como um fotolivro da série “Desafios da Igreja”, a produção mais premiada do canal católico, que aborda a Doutrina Social da Igreja em seu eixo central; pelas mãos do Pe. Eduardo Catalfo foram entregues exemplares da Revista de Aparecida, parte essencial da missão de evangelizar pelos meios de comunicação da Família dos Devotos. Fonte: https://www.vaticannews.va
Padre some antes de missa e é achado morto na casa paroquial
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O padre ainda chegou a ser levado ao Hospital São Vicente de Paulo, mas não resistiu
O padre Júlio César Agripino (foto em destaque), de 38 anos, foi encontrado desacordado na Casa Paroquial de Carmo do Rio Claro, no Sul de Minas, na noite dessa sexta-feira (5/12). Ele celebraria uma missa às 19h, na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, mas não apareceu no horário, o que preocupou funcionários e fiéis.
Quando chegaram ao local, funcionários da igreja encontraram o sacerdote caído no quarto. O Serviço de Atendimento foi acionado imediatamente.
Júlio César ainda chegou a ser levado ao Hospital São Vicente de Paulo, mas não resistiu. A causa da morte foi confirmada como infarto.
A ausência do padre na celebração causou estranheza porque, segundo fiéis, ele era extremamente pontual. O atraso incomum levou a paróquia a buscá-lo na Casa Paroquial.
Na manhã deste sábado (6/12), missas de corpo presente foram celebradas em homenagem ao religioso. Fiéis lotaram a Igreja Matriz para se despedir. Um cortejo seguiu pela praça principal até a saída da cidade, de onde o corpo foi levado para Guaxupé, onde o padre nasceu.
Em nota, a paróquia lamentou profundamente a perda: “Sua vida foi um testemunho de fé e amor pela Igreja. Nossas orações estão com seus familiares e amigos, que ele pastoreou com carinho. Descansa, bom e fiel servo, na paz de Cristo.”
A Prefeitura de Carmo do Rio Claro também manifestou pesar nas redes sociais, afirmando que a morte do padre “deixa um vazio na comunidade” e prestando solidariedade à família, amigos e aos fiéis que acompanhavam o trabalho de Júlio César. Fonte: https://www.metropoles.com
NOTA DE FALECIMENTO
PADRE JÚLIO AGRIPINO
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso
entre os esplendores da luz perpétua.
Descansem em paz. Amém.
Com fiel confiança na misericórdia divina e na Ressurreição em Cristo Jesus, a Diocese de Guaxupé comunica com doloroso pesar a Páscoa Eterna de nosso irmão, Padre Júlio César Agripino, aos 38 anos.
O presbítero atualmente exercia seu ministério como pároco na comunidade paroquial de Nossa Senhora do Carmo, em Carmo do Rio Claro.
Padre Júlio era natural de Guaxupé e filho do casal Antônia Agripino e Marcos Agripino (este in memoriam).
Em breve, informaremos sobre o velório, a missa exequial e o sepultamento. Fonte: https://guaxupe.org.br
*2º- DOMINGO DO ADVENTO: Um Olhar de Conversão.
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Preparamo-nos para celebrar o nascimento de Jesus. Na segunda etapa do “”, a liturgia refere-se à razão da vinda de Jesus ao encontro dos homens: Ele vem concretizar as promessas de Deus e inaugurar um mundo novo, radicalmente diferente desse mundo velho que conhecemos, cheio de ódios, de conflitos, de mentiras, de violências, de guerras. A Palavra de Deus que escutamos neste domingo pede-nos que acolhamos esse Menino de braços abertos e que aceitemos o desafio que Ele nos faz para integrar a comunidade do Reino de Deus.
Na primeira leitura, o profeta Isaías propõe, com a linguagem de um poeta e a convicção de um profeta, o projeto que Deus se propõe realizar em favor do Seu povo: no tempo oportuno irá chegar um “ungido” de Javé, nascido da família do rei David, que inaugurará um reino de justiça e de paz sem fim. Nesse mundo belo e harmonioso que então nascerá, “o lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora”. Esta janela de sonho permite-nos entrever, ao longe, o Menino de Belém.
No Evangelho, João Baptista deixa um aviso a todos aqueles que vão procurá-lo no vale do rio Jordão: a concretização do Reino de justiça e de paz, outrora anunciado por Deus, está próxima. Para acolher o enviado de Deus, é necessário primeiro “converter-se”. Converter-se é abandonar os caminhos sem saída em que se anda e “voltar para trás”, ao encontro de Deus. Os que aceitarem fazer esse “caminho de conversão”, estarão preparados para acolher o Reino de Deus e para fazer parte da comunidade do Messias.
Na segunda leitura o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Roma, lembra-lhes algumas das exigências que resultam do compromisso que assumiram com Cristo. Sendo, junto dos seus concidadãos, o rosto visível de Cristo, eles devem dar testemunho de união, de harmonia, de fraternidade, acolhendo e ajudando os irmãos mais débeis e sendo sinais desse mundo novo que Cristo veio inaugurar.
LEITURA I – Isaías 11, 1-10
INTERPELAÇÕES
É muito belo o “mundo” sonhado pelo profeta-poeta Isaías. No entanto, mais de 2.700 anos depois, essa bela utopia parece continuar infinitamente distante da realidade com que lidamos todos os dias. Guerras infindáveis, de uma violência inaudita, deixam por todo o lado um rasto de sofrimento e morte; os poderosos, os donos do mundo, multiplicam as injustiças e as arbitrariedades sobre os mais frágeis e moldam as leis de acordo com os seus interesses; o consumismo, a ambição desmedida, a exploração descontrolado dos recursos naturais, a procura do bem-estar a qualquer custo, têm-nos levado a excessos impensáveis na relação que mantemos com a natureza e colocam a humanidade sob a ameaça de catástrofes devastadoras; uma boa parte da humanidade vive muito abaixo do limiar da pobreza e não tem acesso ao pão de cada dia, a cuidados básicos de saúde, à instrução, a uma vida digna… Como lidamos com tudo isto? Que valor damos à promessa feita por Deus através de Isaías, uma promessa tantas e tantas vezes reiterada, ao longo da história dos homens, por outras vozes proféticas? Ainda alimentamos a esperança nesse mundo novo prometido por Deus?
Para nós, cristãos, Jesus Cristo é o “Messias”, o “rebento que brotou das raízes” de Jessé, o descendente de David que Deus ungiu com o Espírito e enviou ao mundo para propor aos homens o prometido “reino” de justiça, de paz, de fraternidade, de vida abundante. Jesus, com palavras e com gestos, falou-nos do “Reino de Deus” e lançou a semente desse “reino” no coração dos homens. Temos levado a sério a proposta que Jesus nos veio trazer? A semente que Jesus veio lançar à terra foi acolhida nos nossos corações e tem dado frutos abundantes? Sentimo-nos verdadeiramente comprometidos com a construção do Reino de Deus? Lutamos objetivamente contra tudo aquilo que, nestes dias que nos tocou viver, gera injustiça, violência, mentira, maldade, sofrimento e morte? Somos nós também – tal como Jesus foi – anunciadores desse mundo novo de justiça e de fraternidade que Deus quer continuar a propor aos homens?
Neste tempo de advento – o tempo em que nos preparamos para celebrar a vinda de Jesus à história dos homens – faz sentido questionarmo-nos sobre aquilo que ainda nos impede de acolher Jesus e a proposta que Ele, por mandato de Deus, nos veio trazer. O que é que temos de mudar na nossa mentalidade, na nossa forma de ver o mundo e os outros, na nossa forma de atuar, nos valores sobre os quais vamos edificando a nossa existência, para que se torne realidade o mundo sonhado por Deus? Há alguma coisa na nossa vida que esteja a ser obstáculo para que Jesus chegue até nós e para que possamos acolher a Sua proposta?
EVANGELHO – Mateus 3, 1-12
INTERPELAÇÕES
João, o “Batista”, o profeta que veio preparar os homens para a chegada de Jesus coloca-nos hoje diante de um desafio fundamental: “convertei-vos”. Esta é, segundo João, a forma adequada de preparar o caminho para que Jesus possa vir encontrar-se conosco. O que significa exatamente converter-se? Sentir arrependimento por ter procedido mal? Fazer penitência para “reparar” os próprios pecados? Cumprir com mais fidelidade as práticas religiosas tradicionais? Dedicar mais tempo à oração? “Converter-se”, no seu mais genuíno sentido bíblico, é abandonar os caminhos que nos levam para longe de Deus (os caminhos do egoísmo, da autossuficiência, do orgulho, da preocupação com os bens materiais) e voltar para trás, ao encontro de Deus; é aproximar-se novamente de Deus, voltar a escutar Deus, passar a viver de acordo com as indicações de Deus; é tomar a decisão de viver ao estilo de Jesus, no amor, na partilha, no serviço, no perdão, no dom de si próprio a Deus e aos irmãos; é acolher o Reino de Deus e procurar torná-lo uma realidade no mundo. Só quem está disposto a percorrer este “caminho” pode acolher o Senhor que vem. Todos nós precisamos, mais ou menos, de redirecionar a nossa vida: abandonar os caminhos que não nos levam a lado nenhum e a dirigir-nos novamente para Deus. Estamos disponíveis, neste tempo de advento, para percorrer este caminho de conversão?
A interpelação de João, o “Batista”, não resulta apenas das palavras que ele diz; mas resulta, também, da forma como ele se apresenta, do seu estilo de vida, dos valores que transparecem na sua pessoa. João traja uma veste tecida com pelos de camelo e um cinto de cabedal à volta dos rins; o seu vestuário não tem nada a ver com as roupas finas dos sacerdotes que frequentam o templo ou dos cortesãos que circulam pelo palácio de Herodes Antipas. João alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre, desses pobres alimentos que encontra nos lugares desolados que frequenta, e que não têm nada a ver com as iguarias delicadas servidas nos banquetes da gente rica. João é um homem austero, desprendido das realidades materiais, que não dá demasiada importância às coisas fúteis e efémeras, que vive voltado para o essencial e para os valores perenes. A sua prioridade é o anúncio da chegada iminente do “Reino dos céus”. Ora, o “Reino” é despojamento, simplicidade, amor total, partilha, dom da vida… São esses valores que ele procura anunciar, com palavras e com atitudes. E nós, quais são os valores que nos fazem “correr”? Quais são as nossas prioridades? Os nossos valores são os valores do “Reino” ou são esses valores efémeros e fúteis a que a sociedade dá tanta importância, mas que não trazem nada de duradouro e de verdadeiro à vida dos homens?
Os fariseus e os saduceus consideravam que o desafio da conversão apresentado por João, o “Batista”, não lhes dizia respeito. Eles eram “filhos de Abraão”, membros do povo eleito, viviam de acordo com a Lei e, portanto, não precisavam de mudar nada nas suas vidas: tinham a salvação assegurada. João, no entanto, avisa-os de que essa falsa confiança não lhes servirá de nada se não estiverem permanentemente dispostos a acolher os desafios de Deus. A salvação não é um “direito” conquistado pelo nascimento ou por um qualquer ato institucional; não é algo que é garantido pelo facto de termos o nosso nome inscrito no livro de registos de batismo de uma qualquer paróquia… A salvação é um dom gratuito de Deus, mas implica da nossa parte uma adesão a Deus e à oferta que Ele nos faz. Implica, portanto, uma vida coerente com os valores de Deus e com a graça que nos foi dada no dia do nosso batismo. Estamos conscientes disso? Vivemos e caminhamos atentos aos desafios de Deus?
João anuncia a chegada próxima de Alguém mais forte do que ele, que vem batizar “no Espírito Santo e no fogo”. A catequese cristã sempre entendeu que esse “Alguém” é Jesus. Ser batizado em Cristo é aceitar o convite para integrar a família de Deus, revestir-se de Cristo e identificar-se com Ele, receber o Espírito e deixar-se conduzir por Ele, passar a integrar a comunidade da salvação e comprometer-se a dar testemunho da vida de Deus. Nós, os que fomos batizados em Cristo, levamos isto a sério? Vivemos de forma coerente com a nossa condição de batizados? Sentimo-nos família de Deus? Identificamo-nos com Jesus e seguimo-l’O no caminho que Ele nos aponta? Vivemos atentos às indicações do Espírito? Somos membros de uma Igreja viva e colocamos ao serviço da comunidade os dons que recebemos? Damos testemunho da vida de Deus no meio dos outros homens e mulheres com os quais nos cruzamos todos os dias?
*Leia na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.
Comissão Petrocchi: não ao diaconato feminino, embora o julgamento não seja definitivo.
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Publicado o relatório elaborado pelo cardeal com o resultado dos trabalhos: exclui-se a possibilidade de prosseguir na direção da admissão das mulheres ao diaconato entendido como grau do sacramento da ordem, embora no momento não seja possível “formular um julgamento definitivo, como no caso da ordenação sacerdotal”. Sim à instituição de novos ministérios para favorecer a sinergia entre homens e mulheres.
Vatican News
“O status quaestionis em torno da pesquisa histórica e da investigação teológica, consideradas em suas implicações mútuas, exclui a possibilidade de prosseguir na direção da admissão de mulheres ao diaconato entendido como grau do sacramento da ordem. À luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério eclesiástico, esta avaliação é forte, embora não permita, até o momento, formular um julgamento definitivo, como no caso da ordenação sacerdotal”.
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Este é o resultado alcançado pela segunda comissão presidida pelo arcebispo emérito de Áquila, cardeal Giuseppe Petrocchi, que, a pedido do Papa Francisco, examinou a possibilidade de proceder com a ordenação de mulheres diaconisas e concluiu seus trabalhos em fevereiro passado. É o que consta no relatório de sete páginas que o cardeal enviou a Leão XIV em 18 de setembro, e que agora torna-se público a pedido do Papa.
Na primeira sessão de trabalhos (2021), a comissão estabeleceu que "a Igreja reconheceu em diferentes épocas, em diferentes lugares e de várias formas o título de diácono/diaconisa referido às mulheres, atribuindo-lhe, porém, um significado não unívoco”. Em 2021, por unanimidade, o debate teológico levou à afirmação de que “o aprofundamento sistemático sobre o diaconato, no âmbito da teologia do sacramento da ordem, levanta questões sobre a compatibilidade da ordenação diaconal das mulheres com a doutrina católica do ministério ordenado”. Também por unanimidade, a comissão se manifestou a favor da instituição de novos ministérios que “possam contribuir para a sinergia entre homens e mulheres”.
Na segunda sessão de trabalhos (julho de 2022), a comissão aprovou (com 7 votos a favor e um contra) a formulação relatada integralmente no início deste artigo, que exclui a possibilidade de prosseguir na direção da admissão de mulheres ao diaconato como grau do sacramento da ordem, mas sem formular hoje “um julgamento definitivo”.
Por fim, na última sessão de trabalhos (fevereiro de 2025), após o Sínodo ter permitido a quem quisesse enviar sua contribuição, a comissão examinou todo o material recebido. “Embora as contribuições recebidas fossem numerosas, as pessoas ou grupos que enviaram seus trabalhos eram apenas 22 e representavam poucos países. Consequentemente, embora o material seja abundante e, em alguns casos, habilmente argumentado, não pode ser considerado como a voz do Sínodo e muito menos do povo de Deus como um todo”.
O relatório resume os prós e os contras. Os favoráveis argumentam que a tradição católica e ortodoxa de reservar a ordenação diaconal (mas também a presbiteral e episcopal) apenas aos homens parece contradizer "a condição de igualdade entre homem e mulher como imagem de Deus ", "a igual dignidade de ambos os gêneros, baseada neste dado bíblico", a declaração de fé de que: "Já não há judeu nem grego, nem escravo e livre, homem e mulher, porque todos vós sois ‘um’ em Cristo Jesus" (Gálatas 3, 28), e o desenvolvimento social "que prevê igualdade de acesso, para ambos os gêneros, a todas as funções institucionais e operacionais".
Por outro lado, foi apresentada esta tese: "A masculinidade de Cristo, e portanto a masculinidade daqueles que recebem a ordem, não é acidental, mas parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo. Alterar essa realidade não seria um simples ajuste do ministério, mas uma ruptura do significado nupcial da salvação." Este parágrafo foi submetido à votação e recebeu cinco votos a favor de sua confirmação com essa formulação, enquanto os outros cinco membros votaram pela sua anulação.
Com 9 votos a favor e um contra, foi formulado o desejo de que seja ampliado “o acesso das mulheres aos ministérios instituídos para o serviço da comunidade (...), garantindo assim também um reconhecimento eclesial adequado à diaconia dos batizados, em particular das mulheres. Esse reconhecimento se revelará um sinal profético, especialmente onde as mulheres ainda sofrem situações de discriminação de gênero”.
Em suas conclusões, o cardeal Petrocchi destaca que existe “uma intensa dialética” entre duas orientações teológicas. A primeira afirma que a ordenação do diácono é para o ministério e não para o sacerdócio: “Esse fator abriria caminho para a ordenação de diaconisas”. A segunda, por outro lado, insiste “na unidade do sacramento da ordem sagrada, junto com o significado esponsal dos três graus que o constituem, e rejeita a hipótese do diaconato feminino: observa, além disso, que se fosse aprovada a admissão de mulheres ao primeiro grau da ordem, seria inexplicável a exclusão dos demais”. Por isso, segundo o cardeal, é indispensável, para prosseguir com o estudo, “uma análise crítica rigorosa e ampliada conduzida sobre o diaconato em si mesmo, ou seja, sobre sua identidade sacramental e sua missão eclesial, esclarecendo alguns aspectos estruturais e pastorais que atualmente não estão totalmente definidos”. De fato, há continentes inteiros nos quais o ministério diaconal é “quase inexistente” e outros onde ele atua com atividades que muitas vezes “coincidem com os papéis próprios dos ministérios laicais ou dos ministrantes na liturgia”. Fonte: https://www.vaticannews.va
Sexta-feira, 5 de dezembro-2025. 1ª Semana do Advento. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Despertai, Senhor, vosso poder e vinde, para que vossa proteção afaste os perigos a que nossos pecados nos expõem e a vossa salvação nos liberte. Vos que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 9, 27-31)
Naquele tempo, 27Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: Filho de Davi, tem piedade de nós! 28Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: Credes que eu posso fazer isso? Sim, Senhor, responderam eles. 29Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé. 30No mesmo instante, os seus olhos se abriram. Recomendou-lhes Jesus em tom severo: Vede que ninguém o saiba. 31Mas apenas haviam saído, espalharam a sua fama por toda a região. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
Novamente, o evangelho de hoje coloca diante de nós o encontro de Jesus com a miséria humana. Jesus não se retrai nem se esquiva. Ele acolhe as pessoas e na sua acolhida cheia de ternura revela o amor de Deus.
Dois cegos seguem Jesus e gritam: “Filho de Davi, tem piedade de nós!”. Jesus não gostava muito deste título Filho de Davi. Ele chegou a criticar o ensinamento dos escribas que diziam que o Messias devia ser filho de Davi: “Se o próprio Davi o chama Senhor, como pode ser seu filho? (Mc 12,37).
Chegando em casa, Jesus pergunta aos cegos: “Vocês acreditam que eu possa fazer isso?” Eles respondem: “Sim, Senhor!” Uma coisa é ter a doutrina correta na cabeça, outra é ter a fé correta no coração e nos pés. A doutrina dos dois cegos não era muito correta, pois eles chamam Jesus de Filho de Davi. Mas Jesus não se importa se o chamam assim. Ele quer saber se eles tem a fé correta.
Ele toca nos olhos e diz: “Aconteça conforme a fé de vocês!” Imediatamente, os olhos se abriram. Apesar de não terem a doutrina correta, os dois cegos tinham uma fé correta. Hoje muita gente está mais preocupada com a doutrina correta do que com a fé correta.
Vale a pena anotar um pequeno detalhe de hospitalidade. Jesus chega em casa e os dois cegos também entram com ele na casa dele, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eles se sentem em casa na casa de Jesus! E hoje? Uma religiosa dizia: “Hoje, a situação do mundo é tal que fico desconfiada até dos pobres!” Mudou muito, de lá para cá!
Jesus pede para não divulgar o milagre. Mas a proibição não adiantou muito. Os dois saíram e espalharam a Boa Notícia. Anunciar o Evangelho, isto é, a Boa Notícia, é partilhar com os outros o bem que Deus nos faz na vida.
4) Para um confronto pessoal
Dia 2 de dezembro-Evangelho do Dia- com Frei Carlos Mesters, O. Carm: Para um confronto pessoal- Para um confronto pessoal
- Será que tenho alguma Boa Notícia de Deus na minha vida a partilhar com os outros?
- Em que ponto eu insisto mais: em ter doutrina correta ou em ter a fé correta?
5) Oração final
Vou cantar para sempre a bondade do SENHOR; anunciarei com minha boca sua fidelidade de geração em geração. (Sl 88, 1)
Quinta-feira, 4 de dezembro-2025. 1ª Semana do Advento. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Despertai, ó Deus, o vosso poder e socorrei-nos com a vossa força, para que vossa misericórdia apresse a salvação que nossos pecados retardam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 7, 21.24-27)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 24Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz a parte final do Sermão da Montanha. O Sermão da Montanha é uma nova leitura da Lei de Deus. Começa com as bem-aventuranças (Mt 5,1-12) e termina aqui com a casa na rocha.
Trata-se de adquirir a verdadeira sabedoria. A fonte da sabedoria é a Palavra de Deus expressa na Lei de Deus. A verdadeira sabedoria consiste em ouvir e praticar a Palavra de Deus (Lc 11,28). Não basta dizer “Senhor, Senhor!” O importante não é falar bonito sobre Deus, mas sim fazer a vontade do Pai e, desse modo, ser uma revelação do seu amor e da sua presença no mundo.
Quem ouve e pratica a palavra constrói a casa sobre a rocha. A firmeza da casa não vem da casa em si, mas vem do terreno, da rocha. O que significa a rocha? É a experiência do amor de Deus que se revelou em Jesus (Rom 8,31-39). Tem gente que pratica a palavra para poder merecer o amor de Deus. Mas amor não se compra nem se merece (Cnt 8,7). O amor de Deus se recebe de graça. Praticamos a Palavra não para merecer, mas para agradecer o amor recebido. Este é o terreno bom, a rocha, que dá segurança à casa. A segurança verdadeira vem da certeza do amor de Deus! É a rocha que nos sustenta na hora das dificuldades e das tempestades.
O evangelista encerra o Sermão da Montanha (Mt 7,27-28) dizendo que a multidão ficou admirada com o ensinamento de Jesus, pois "ele ensinava com autoridade, e não como os escribas". O resultado do ensino de Jesus é a consciência crítica do povo com relação às autoridades religiosas da época. Admirado e agradecido, o povo aprovava os ensinamentos tão bonitos e tão diferentes de Jesus.
4) Para um confronto pessoal
- Sou dos que dizem “Senhor, Senhor”, ou dos que praticam a palavra?
- Observo a lei para merecer o amor e a salvação ou para agradecer o amor e a salvação de Deus?
5) Oração final
Dá, Senhor, tua salvação! Dá, Senhor, tua vitória Bendito o que vem em nome do Senhor! (Sl 117, 25-26a)
Quarta-feira, 03 de dezembro-2025. 1ª Semana do Advento. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Senhor Deus, preparai os nossos corações com a força da vossa graça, para que, ao chegar o Cristo, vosso Filho, nos encontre dignos do banquete da vida eterna e ele mesmo nos sirva o alimento celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 15, 29-37)
Naquele tempo, 29Jesus saiu daquela região e voltou para perto do mar da Galiléia. Subiu a uma colina e sentou-se ali. 30Então numerosa multidão aproximou-se dele, trazendo consigo mudos, cegos, coxos, aleijados e muitos outros enfermos. Puseram-nos aos seus pés e ele os curou, 31de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam, daqueles aleijados curados, de coxos que andavam, dos cegos que viam; e glorificavam ao Deus de Israel. 32Jesus, porém, reuniu os seus discípulos e disse-lhes: Tenho piedade esta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho. 33Disseram-lhe os discípulos: De que maneira procuraremos neste lugar deserto pão bastante para saciar tal multidão? 34Pergunta-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Sete, e alguns peixinhos, responderam eles. 35Mandou, então, a multidão assentar-se no chão, 36tomou os sete pães e os peixes e abençoou-os. Depois os partiu e os deu aos discípulos, que os distribuíram à multidão. 37Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que restaram, encheram sete cestos. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O evangelho de cada dia é como o sol que se levanta. Sempre o mesmo sol, todos os dias, a alegrar a vida e a fertilizar as plantas. O maior perigo é a rotina. A rotina mata o evangelho, e apaga o sol da vida.
São sempre os mesmos elementos que compõem o quadro do evangelho: Jesus, a montanha, o mar, a multidão, os doentes, os necessitados, os problemas da vida. Apesar de já bem conhecidos, como o sol de cada dia, estes mesmos elementos sempre trazem uma nova mensagem.
Como Moisés, Jesus sobe a montanha e o povo reúne ao redor. Eles trazem consigo seus problemas: os doentes, os coxos, aleijados, cegos, mudos, tantos... Não são os grandes, mas os pequenos. Eles são o começo do novo povo de Deus que se reúne ao redor do novo Moisés. Jesus cura a todos.
Jesus chama os discípulos. Ele sente compaixão do povo que não têm o que comer. Para os discípulos, a solução deve vir de fora: “Onde conseguir pão para tanta gente?” Para Jesus, a solução deve vir de dentro do povo: “Quantos pães vocês têm?” –“Sete e uns peixinhos”. Com este pouco Jesus matou a fome de todos, e ainda sobrou. Se houvesse partilha hoje, não haveria fome no mundo. Sobrava, e muito! Realmente, um outro mundo é possível!
A narração da multiplicação dos pães evoca a eucaristia e dela revela o valor, ao dizer: “Jesus tomou o pão em suas mãos, deu graças, o partiu e deu aos seus discípulos”.
4) Para um confronto pessoal
- Jesus teve compaixão. Existe compaixão em mim pelos problemas da humanidade? Faço algo?
- Os discípulos esperam a solução de fora. Jesus desperta para a solução de dentro. E eu?
5) Oração final
O Senhor nosso Deus chegará com poder e encherá de luz os seus fiéis. (Is 40,10; cf. 34,5)
Por que o catolicismo importa aos incrédulos?
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O que interessa a uma parte da opinião pública não é a espiritualidade católica, mas a disputa por seu capital simbólico
Por Marcos Lopes
Passado o luto pela morte do papa Francisco e a eleição de Leão XIV, cabe um balanço da discussão sobre a religião no momento atual, tendo ao fundo o ruído dos eventos e à frente um silêncio sobre o futuro do catolicismo.
As dúvidas acerca dos resultados do Conclave surgiram com a escolha do nome pontifício. Para um comentarista com gosto esportivo, a tática leonina sinalizaria uma derrota do plantel progressista. Isso porque o último papa com esse nome, Leão XIII (1810-1903), teria sido um anticomunista, posicionando-se contra os movimentos do proletariado e a favor da burguesia industrial. A escolha do colégio cardinalício indicaria a inclinação conservadora do novo papa. Enquanto isso, suas primeiras manifestações públicas eram consideradas anódinas por um teólogo da libertação.
Por outro lado, parte dos conservadores via, na eleição do cardeal Prevost, a continuidade do legado de Francisco, não hesitando em rotulá-lo de marxista. Uma outra ala, surpresa com a escolha dos cardeais, manifestava um “voto de confiança” no resultado do conclave. Para esse grupo, a Igreja seria um parlamento e Leão XIV seu primeiro-ministro.
Os rótulos atribuídos ao escolhido são suficientes para explicar a tradição católica? E por que uma parte da opinião pública que não se identifica com ela, e mesmo a rejeita, se preocupa com uma religião que dá sinais de exaustão, enquanto assiste à ascensão dos evangélicos? Por que importaria, senão para os católicos, saber o que pensa o novo papa sobre ecologia, gênero, racismo, etc.? Tais discussões revelam mais sobre as crenças da modernidade do que sobre a relevância do catolicismo e suas possíveis contradições.
Alguns dirão que a Igreja não é um condomínio fechado, cabendo-lhe responder não só por seus quase 2 bilhões de seguidores, como também pelos efeitos de suas manifestações entre os incrédulos e os adeptos de outras religiões. Num mundo que oscila entre a crença ruidosa na transcendência, isto é, que confunde louvor com gritos, como se Deus fosse uma entidade com dificuldades auditivas, e a militância semiculta, incapaz de compreender uma tradição milenar, o que a Igreja Católica ainda tem a oferecer? Há um clamor pela atualização de seus dogmas e costumes para que ela se pareça mais com o mundo secular. Para cumprir um determinado ideal de justiça social, muitos insatisfeitos, que não são membros da Igreja e tampouco acreditam nela, exigem-lhe reformas estruturais.
No fundo, projetam-se em Leão XIV nossos ressentimentos e esperanças. O que interessa a uma parte da opinião pública não é a espiritualidade católica, mas a disputa por seu capital simbólico, com o objetivo de alinhá-lo a agendas seculares. A religião tornou-se uma arena tanto para os que desejam preservar o status quo quanto para as pessoas ávidas por mudanças radicais.
Estamos longe dos esforços intelectuais presentes no debate entre Jürgen Habermas e o cardeal Joseph Ratzinger (depois papa Bento XVI), ocorrido em 2004, quando se discutiram os fundamentos morais do Estado democrático. A discordância não os impediu de consentirem que é possível, na modernidade, um diálogo entre fé e razão. Já na conferência “Fé e Saber” (2001), Habermas admitia que a religião detinha uma “reserva semântica” para um diagnóstico crítico do tempo presente. Com essa expressão, ele argumentava que os conteúdos da fé cristã, por exemplo, ainda contribuiriam para se pensar o mundo contemporâneo.
Na conferência, Habermas abordava o acontecimento decisivo que foi o 11 de setembro de 2001 (o ataque às Torres Gêmeas, em Nova York) recusando-se a vê-lo apenas como expressão do atraso tecnológico e do comportamento fanático de um grupo de terroristas. Ao contrário das manifestações atuais, que operam com a dicotomia “conservador e progressista”, o filósofo alemão pensava fé, política e razão da perspectiva de uma tensão dialética: termos que não constituiriam uma antítese irreconciliável, mas que estabeleceriam uma relação complexa.
As cartas trocadas entre o filósofo Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Martini, publicadas ao longo de 1995 na revista italiana Liberal, também confrontaram os valores seculares e cristãos. Nesse diálogo epistolar, foram apresentados aos leitores os principais desafios éticos do Ocidente. A frase provocativa do cardeal Martini (“A Igreja não satisfaz expectativas, celebra mistérios”), a propósito do papel da mulher no catolicismo, era uma confissão e, sobretudo, o reconhecimento da finalidade da instituição religiosa.
Ao simplificarmos o debate acerca da religião, considerando a eleição de Leão XIV o resultado de uma disputa entre conservadores e progressistas, corre-se o risco de não entender o verdadeiro papel da fé nas sociedades laicas. Mas o perigo maior é reduzir as representações do sagrado à medida das nossas paixões morais, bloqueando com isso tanto a discussão democrática como, sobretudo, a compreensão das possibilidades e limites da tolerância religiosa.
Opinião por Marcos Lopes
Professor de Literatura Geral e Comparada na Unicamp, é coordenador do Centro de Estudos de Literatura, Teorias do Fenômeno Religioso e Artes Fonte: https://www.estadao.com.br
Terça-feira, 02 de dezembro-2025. 1ª Semana do Advento. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Sede propício, ó Deus, às nossas súplicas, e auxiliai-nos em nossa tribulação. Consolados pela vinda do vosso Filho, sejamos purificados da antiga culpa.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 10, 21-24)
Naquele tempo, 21Naquela mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado. 22Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 23E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, 24pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O texto de hoje revela o fundo do coração de Jesus, o motivo da sua alegria. Os discípulos tinham ido em missão e, na volta, partilham com Jesus a alegria da sua experiência missionária (Lc 10,17-21).
O motivo da alegria de Jesus é a alegria dos amigos. Ao ouvir a experiência deles e ao perceber a sua alegria, Jesus também sente uma profunda alegria. A causa da alegria de Jesus é o bem-estar dos outros.
Não é uma alegria superficial. Ela vem do Espírito Santo. O motivo da alegria é que os discípulos e as discípulas experimentaram algo de Deus durante a sua experiência missionária.
Jesus os chama “pequenos”. Quem são os “pequenos”? São os setenta e dois discípulos (Lc 10,1) que voltaram da missão: pais e mães de família, rapazes e moças, casados e solteiros, velhos e jovens. Eles não são doutores. São pessoas simples, sem muito estudo, mas que entendem as coisas de Deus melhor do que os doutores .
“Sim, Pai, assim é do teu agrado!” Frase muito séria. É do agrado do Pai que os doutores e os sábios não entendam as coisas do Reino e que os pequenos as entendam. Portanto, se os grandes quiserem entender as coisas do Reino, devem fazer-se discípulos dos pequenos!
Jesus olha para eles e diz: “Felizes vocês!” E por que são felizes? Porque estão vendo coisas que os profetas quiseram ver, mas não conseguiram. O que ele viram? Eles perceberam a ação do Reino nas coisas comuns da vida: curar doentes, alegrar os aflitos, expulsar os males da vida.
4) Para um confronto pessoal
- Coloco-me na posição do povo: eu me considero dos pequenos ou dos doutores? Por que?
- Coloco-me na posição de Jesus: qual a raiz da minha alegria? Superficial ou profunda?
5) Oração final
“Eu vos louvo, ó Pai, porque escondestes os mistérios do reino aos sábios e os revelou aos pequeninos”. (cf. Lc 10, 21)
Segunda-feira, 1º de dezembro-2025. 1ª Semana do Advento. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Senhor nosso Deus, dai-nos esperar solícitos a vinda do Cristo, vosso Filho. Que ele, ao chegar, nos encontre vigilantes na oração e proclamando o seu louvor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 8, 5-11)
Naquele tempo, 5Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica: 6Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito. 7Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei. 8Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. 9Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz... 10Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel. 11Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó, - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O Evangelho de hoje é um espelho. Ele evoca em nós as palavras que dizemos durante a Missa na hora da comunhão: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Olhando no espelho deste texto, ele sugere o seguinte:
A pessoa que procura Jesus é um pagão soldado do exército romano que dominava e explorava o povo. Não é a religião nem o desejo de Deus, mas sim a necessidade e o sofrimento que o levam a procurar Jesus. Jesus não tem preconceito. Não faz exigência prévia, mas acolhe e atende ao pedido do oficial romano.
A resposta de Jesus surpreende o centurião, pois ela ultrapassa a expectativa. O centurião não esperava que Jesus fosse até à casa dele. Ele se sente indigno: “Não sou digno!” Sinal de que considerava Jesus como uma pessoa muito superior.
O centurião expressa sua fé em Jesus dizendo: “Diga só uma palavra e o meu empregado estará curado”. Ele crê que a palavra de Jesus possa fazer a cura. De onde ele tirou esta fé tão grande? Da sua experiência profissional como centurião! Pois quando um centurião dá suas ordens, o soldado obedece. Deve obedecer! Assim ele imagina Jesus: basta Jesus dizer uma palavra, e as coisas acontecem conforme a palavra. Ele crê que a palavra de Jesus tem força criadora.
Jesus ficou admirado e elogiou a fé do centurião. A fé não consiste em aceitar, repetir e decorar uma doutrina, mas sim em crer e confiar na pessoa de Jesus.
4) Para um confronto pessoal
- Colocando-me na posição de Jesus: como atendo e acolho as pessoas de outra religião?
- Colocando-me na posição do centurião: qual a experiência pessoal que me leva a crer em Jesus?
5) Oração final
Lembra-te de mim, Senhor, pelo amor do teu povo, visita-me com teu auxílio salvador; para eu sentir a felicidade dos teus eleitos, e me alegrar com a alegria do teu povo e me gloriar com tua herança. (Sl 105, 4-5)
Papa Leão XIV visita as Irmãs Carmelitas da Theotokos
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Na noite deste domingo, 30/11, o Papa fez uma visita de trinta minutos às Irmãs Carmelitas da Theotokos, em Harissa. Humildade, oração e sacrifício foram as características da vocação contemplativa que o Pontífice destacou às religiosas.
Vatican News
O Papa Leão XIV visitou o Mosteiro das Irmãs Carmelitas da Theotokos, em Harissa, na noite de seu primeiro dia no Líbano (30/11), logo após o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Presidencial.
Segundo informou a Sala de Imprensa da Santa Sé, ao chegar ao mosteiro o Pontífice cumprimentou cada religiosa individualmente e recebeu a saudação das superioras das duas comunidades. Em suas breves palavras, recordou a importância dessas três atitudes fundamentais da vida carmelita — humildade, oração e sacrifício — e incentivou as irmãs a perseverarem no testemunho silencioso que sustenta espiritualmente a Igreja.
O encontro, que teve duração de aproximadamente meia hora, concluiu-se com a recitação do Pai-Nosso em conjunto e, em seguida, o Papa Leão concedeu a bênção às irmãs carmelitas contemplativas. Fonte: https://www.vaticannews.va
*1º- DOMINGO DO ADVENTO
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Iniciamos hoje a caminhada do advento. Ao longo dos próximos dias, passo a passo, iremos preparar o caminho para que Jesus possa vir ao nosso encontro e nós possamos reconhecê-l’O e acolhê-l’O quando Ele chegar. A Palavra de Deus que escutaremos nestes dias vai ajudar-nos a balizar esse caminho. A liturgia deste primeiro domingo do advento diz-nos: “vigiai”, “estai atentos”, “não vos deixeis adormecer”. Seria dramático se, por comodismo, por desleixo, por indiferença, por distração, perdêssemos a oportunidade de acolher Aquele que vem libertar o mundo e imprimir um dinamismo novo à história dos homens.
EVANGELHO – Mateus 24, 37-44
INTERPELAÇÕES
Os evangelhos registaram, de diversas formas, uma das mais profundas preocupações de Jesus em relação aos seus discípulos: que eles, com o decorrer do tempo, deixassem enfraquecer o entusiasmo inicial, perdessem a capacidade de se sentirem provocados pelo Evangelho, se instalassem numa fé “morna” e numa religião rotineira, se acomodassem numa “zona de conforto” sem exigência nem risco, cedessem ao facilitismo e ao “deixa andar” da maioria. Por isso, Jesus não se cansava de recomendar-lhes: “vigiai”, “vivei despertos”, “estai sempre preparados”. Jesus tinha razão: o grande perigo que nos espreita é precisamente essa conformação e esse adormecimento que nos roubam a capacidade de sermos “sal da terra e luz do mundo”. O cansaço, a monotonia, a preguiça, o conformismo vão enfraquecendo a nossa decisão, o nosso compromisso, a nossa capacidade de dar testemunho profético e de nos empenharmos na construção do Reino de Deus. Enquanto discípulos de Jesus, enviados por Ele a anunciar e a construir o Reino de Deus, como nos sentimos: entusiasmados e comprometidos, ou acomodados e desanimados? Continuamos atraídos por Jesus e pelo seu projeto, ou vivemos distraídos por todo o tipo de questões secundárias? Ainda temos vontade de seguir atrás de Jesus e de viver ao seu estilo, ou vivemos tranquilamente e sem exigência, vogando simplesmente ao sabor da corrente?
“Vigiar” é, antes de mais, vivermos atentos a Deus. É procurarmos a cada instante escutar o seu chamamento, os apelos que Ele nos faz, os desafios que Ele constantemente nos deixa; é encontrarmos tempo e espaço para dialogarmos com Deus; é procurarmos compreender a vontade de Deus a nosso respeito e obedecermos àquilo que Ele nos pede; é não permitirmos que outros deuses tomem conta do nosso coração e da nossa vida. “Vigiar” é não perdermos de vista Jesus, esforçarmo-nos por viver ao seu estilo, segui-l’O sem hesitações no caminho do amor e do dom da vida; é insistirmos em ver a vida como Jesus a via, em olhar os nossos irmãos com o olhar de Jesus, em compreender o mundo com a compreensão de Jesus; é nunca desistirmos de sonhar com Jesus o “sonho” do Reino de Deus e empenharmo-nos a cada instante em torná-lo realidade; é deixarmo-nos interpelar constantemente pelo Evangelho, assentarmos a nossa vida de todos os dias sobre os valores que ele aponta. Deus é, a cada instante, o centro da nossa existência? Vivemos constantemente atentos ao caminho que Jesus nos aponta?
“Vigiar” é, também, “olhar com olhos de ver” o mundo que nos rodeia. Muitas vezes vivemos numa alegre inconsciência, anestesiados pelo nosso conforto e bem-estar, isolados no nosso pequeno mundo, sem repararmos nas realidades que nos cercam e sem nos preocuparmos com os problemas que afligem os nossos irmãos. Concentramo-nos apenas nos nossos interesses particulares, nas nossas preocupações pessoais, nos nossos projetos estreitos. Caminhamos indiferentes à sorte dos pobres, dos abandonados, dos “pequeninos”, daqueles cuja voz nunca se faz ouvir, daqueles que os acidentes da vida e a maldade dos homens atiraram para a berma da estrada da vida. Para não nos desgastarmos nem incomodarmos, preferimos ignorar tudo aquilo que desfeia o mundo e que traz sofrimento à vida dos homens. Jesus aprovaria uma opção deste tipo? Podemos alhear-nos das realidades do mundo e do sofrimento dos nossos irmãos como se isso não nos dissesse respeito?
Começamos hoje a nossa caminhada de advento. Não se trata de um “caminho” geográfico, mas sim de um “caminho” espiritual. Ao longo deste “caminho” preparamo-nos para acolher o Senhor que vem. Nesta primeira etapa do caminho do advento, a palavra-chave que a liturgia nos propõe é “vigiai”. Não podemos continuar distraídos, a perder tempo com coisas sem valor, a enterrarmo-nos na lama dos caminhos que não levam a nenhum lado, a deixar-nos enredar em interesses mesquinhos e fúteis. Se insistirmos em continuar a olhar para o chão, provavelmente iremos passar pelo Senhor que vem ao nosso encontro sem o reconhecer e sem o acolher. Talvez seja boa ideia fazermos uma lista das coisas que tolhem os nossos passos, que nos roubam a liberdade, que não deixam espaço no nosso coração para o Senhor que vem… Comprometemo-nos a elaborar essa lista? Iremos cortar da nossa vida tudo aquilo que nos impede de caminhar ao encontro de Jesus?
*Leia na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.
Apelos do Advento
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Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
O ano novo na espiritualidade cristã católica começa com o Tempo do Advento, que prepara a humanidade para o Natal do Senhor. Este “ano novo” é precedido da festa litúrgica de Cristo Rei do Universo, inscrevendo no caminho existencial de cada pessoa um horizonte transformador: viver a serviço da vida plena, pela oferta de si, a exemplo do Mestre Jesus que tem sua realeza vivida no “trono” da cruz, seu altar de oblação, com a coroa de espinhos. A cruz, que se torna trono, e a coroa de espinhos remetem à obediência amorosa de Cristo ao desígnio redentor e salvífico de Deus. Assim, o tempo do Advento, para além dos enfeites e das luzes, é período litúrgico celebrativo com riquezas abundantes, expressas em ritos, gestos e, sobretudo, na proclamação da Palavra de Deus. Riquezas que devem tocar profundamente a dimensão existencial do ser humano, sempre carente de qualificação.
Viver o tempo do Advento é oportunidade imperdível para se acolher o convite à conversão, iluminando-se com as luzes da esperança que vêm de uma experiência com força de transformação. Essa vivência contribui para que sejam alcançadas novas respostas humanas, sociais e políticas capazes de ajudar a sociedade a tornar-se mais justa, igualitária, a caminho do Reino de Deus. A espiritualidade do Advento permite um qualificado investimento para que seja encontrado o sentido autêntico do viver humano, possibilitando correções inadiáveis na conduta cidadã. Inspira, assim, nova postura na relação com a casa comum e com o semelhante, marcada pela solidariedade. O tempo do Advento constitui, pois, um percurso espiritual para efetivar o que se expressa nos votos natalinos. O percurso espiritual que se inicia pede dedicação à oração, à escuta de Deus, a partir da vivência da Novena de Natal, das celebrações nas comunidades de fé, de um olhar compassivo e interpelante dirigido aos pobres. Trilhar inadequadamente esse percurso leva ao risco de se experimentar ou de se acentuar um vazio existencial. Significa reduzir a beleza e riqueza do tempo de conversão à apenas uma busca exagerada por comidas, bebidas e compras que expressam um extravagante consumismo.
Vivenciar inadequadamente o tempo do Advento e o Natal tem um preço alto cobrado por meio das lacunas e perdas para o ano litúrgico que se inicia e, consequentemente, com atrasos e contradições no dia a dia do ano civil. Sem a adequada dedicação à espiritualidade, a violência social se recrudesce, a desigualdade se agrava, a gananciosa depredação do meio ambiente avança ainda mais. A sociedade fica, cada vez mais, desfigurada. A espiritualidade é tempero que não pode faltar nos empreendimentos, nos programas e projetos de vida. Sua ausência é responsável pela falta de sabedoria para se efetivar escolhas, pois não se consegue discernir o que é essencial à construção de um tempo novo, no horizonte do sonho de Deus para a humanidade. O horizonte do Advento interage, pois, com incontáveis campos da vida, promovendo incidências na dimensão pessoal e no contexto social.
Vale refletir sobre a força da espiritualidade no enfrentamento dos desafios da sociedade, engolida por uma avalanche de disputas, ganâncias e mesquinhez. Esses males podem ser enfrentados a partir de um princípio cristão que dissipa a avidez: a caridade. A caridade se fortalece no horizonte de uma festa em que ser “bem alimentado” significa servir aos outros, sobretudo aos pobres, mais do que a si mesmo. Um exercício que possibilita importante aprendizado: saber dar, a cada um, a sua justa medida. Investir na espiritualidade é caminho que ilumina no horizonte a esperança de uma vida eterna. Ao mesmo tempo, é remédio aos apegos e à valorização irracional dos bens terrenos, consequência do distanciamento de Deus que adoece o ser humano e perpetua condutas perversas.
O mundo padece quando o amor é reduzido a um conjunto de interesses, sem qualquer espaço para se viver renúncias e aprender a amar Deus sobre todas as coisas, comprometendo a prática do amor fraterno e universal. A falta de abertura ao amor genuíno impede o coração humano de alcançar a nobreza que o protege de se deixar dominar pelos males da corrupção e da manipulação, que levam a irreparáveis perdas sociais, políticas e humanitárias. Preparar-se bem para celebrar o Natal e vivê-lo adequadamente são exercícios que sublinham essencial convicção: a prioridade de cada pessoa deve ser seguir Cristo, pela singular força transformadora que o encontro com Ele proporciona. É preciso reconhecer o gesto nobre de Jesus, que vem ao encontro da humanidade. Natal é a festa de seu nascimento, da encarnação do Verbo de Deus. Bem preparado e celebrado, Natal é a consciência renovada de que Deus está sempre por perto, na interioridade de cada ser humano.
O tempo do Advento é convite para exercitar o diálogo com Deus em Jesus Cristo, procurando ouvi-Lo, com o coração aberto. Nesse diálogo, partilhar com Jesus sobre os próprios projetos, negócios, sonhos e sofrimentos, lembrando que Deus não costuma falar a almas que não lhe falam. Advento é tempo de consolidar Cristo como fundamento da própria vida. Assim, a celebração do Natal será fecundada pela experiência de reencontrar Aquele que vem ao encontro da humanidade, para ajudá-la a reconhecer o caminho da vida. É necessário preparar-se para compreender, em profundidade, o verdadeiro sentido do amor de Deus pela humanidade, escolhendo ir a Ele, que vem ao encontro de todos. Na condição de peregrinos, é tempo de alimentar a esperança. Uma esperança que vence escravidões pesadas, gera humildade e ajuda o coração humano a superar o medo, fonte para a soberba e a mesquinhez.
Alimentar a esperança no tempo do Advento possibilita fazer do Natal uma nova página para a vida, livre de amarras que desqualificam a existência humana, chamada à nobreza do amor. Advento é tempo de pedir a Deus, a exemplo dos orantes que se inscreveram na história, bastante vida para reconstruir, em cada um, o templo de Deus, manjedoura do Menino Jesus, restaurando as ruínas humanas e, ao mesmo tempo, encontrando um abrigo seguro em Deus, que sempre vem! Fonte: https://www.cnbb.org.br
Sexta-feira, 28 de novembro-2025. 34ª Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 21, 29-33)
Naquele tempo, 29Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores. 30Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão. 31Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus. 32Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra. 33Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
O evangelho de hoje traz as recomendações finais do Discurso Apocalíptico. Jesus insiste em dois pontos: (1) na atenção a ser dada aos sinais dos tempos (Lc 21,29-31) e (2) na esperança, fundada na firmeza da palavra de Jesus, que expulsa o medo e o desespero (Lc 21,32-33)..
Lucas 21,29-31: Olhem a figueira e todas as árvores
Jesus manda olhar a natureza: "Olhem a figueira e todas as árvores. Vendo que elas estão dando brotos, vocês logo sabem que o verão está perto. Vocês também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo que o Reino de Deus está perto”. Jesus pede para a gente contemplar os fenômenos da natureza para aprender deles como ler e interpretar as coisas que estão acontecendo no mundo. O aparecimento de brotos na figueira é um sinal evidente de que o verão está chegando. Assim, o aparecimento daqueles sete sinais é uma prova de “que o Reino de Deus está perto!” Fazer este discernimento não é fácil. Uma pessoa sozinha não dá conta do recado. É refletindo juntos em comunidade que a luz aparece. E a luz é esta: experimentar em tudo que acontece um apelo para a gente nunca se fechar no momento presente, mas manter o horizonte aberto e perceber em tudo que acontece uma seta que aponta para além dela mesma em direção ao futuro. Mas a hora exata da chegada do Reino, porém, ninguém sabe. No evangelho de Marcos, Jesus chega a dizer: "Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai!" (Mc 13,32).
Lucas 21,32-33:
“Eu garanto a vocês: tudo isso vai acontecer, antes que passe esta geração. O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão. Esta palavra de Jesus evoca a profecia de Isaías que dizia: "Todo ser humano é erva e toda a sua beleza é como a flor do campo: a erva seca, a flor murcha, quando sobre elas sopra o vento de Javé; a erva seca, a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus se realiza sempre” (Is 40,7-8). A palavra de Jesus é fonte da nossa esperança. O que ele disse vai acontecer!
A vinda do Messias e o fim do mundo
Hoje, muita gente vive preocupado com o fim do mundo. Alguns, baseando-se numa leitura errada e fundamentalista do Apocalipse de João, chegam a calcular a data exata do fim do mundo. No passado, a partir dos “mil anos”, mencionados no Apocalipse (Ap 20,7), se costumava repetir: “De 1000 passou, mas de 2000 não passará!” Por isso, na medida em que o ano 2000 chegava mais perto, muitos ficavam preocupados. Teve até gente que, angustiada com a chegada do fim do mundo, chegou a cometer suicídio. Mas o ano 2000 passou e nada aconteceu. O fim não chegou! A mesma problemática havia nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Elas viviam na expectativa da vinda iminente de Jesus. Jesus viria realizar o Juízo Final para encerrar a história injusta do mundo cá de baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do Novo Céu e da Nova Terra. Achavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas gerações. Muita gente ainda estaria viva quando Jesus fosse aparecer glorioso no céu (1Ts 4,16-17; Mc 9,1). Havia até pessoas que já nem trabalhavam mais, porque achavam que a vinda fosse coisa de poucos dias ou semanas (2Tes 2,1-3; 3,11). Assim pensavam. Mas até hoje, a vinda de Jesus ainda não aconteceu! Como entender esta demora? Nas ruas das cidades, a gente vê pintado nas paredes Jesus voltará! Vem ou não vem? E como será a vinda? Muitas vezes, a afirmação “Jesus voltará” é usada para meter medo nas pessoas e obrigá-las a frequentar uma determinada igreja!
No Novo Testamento a volta de Jesus sempre é motivo de alegria e de paz! Para os explorados e oprimidos, a vinda de Jesus é uma Boa Notícia! Quando vai acontecer esta vinda? Entre os judeus, as opiniões eram variadas. Os saduceus e os herodianos diziam: “Os tempos messiânicos já chegaram!” Achavam que o bem-estar deles durante o governo de Herodes fosse expressão do Reino de Deus. Por isso, não queriam mudança e combatiam a pregação de Jesus que convocava o povo a mudar e a converter-se. Os fariseus diziam: “A chegada do Reino vai depender do nosso esforço na observância da lei!” Os essênios diziam: “O Reino prometido só chegará quando tivermos purificado o país de todas as impurezas”. Entre os cristãos havia a mesma variedade de opiniões. Alguns da comunidade de Tessalônica na Grécia, apoiando-se na pregação de Paulo, diziam: “Jesus vai voltar logo!” (1 Tes 4,13-18; 2 Tes 2,2). Paulo responde que não era tão simples como eles imaginavam. E aos que já não trabalhavam avisa: “Quem não quiser trabalhar não tem direito de comer!” (2Tes 3,10). Provavelmente, eram uns preguiçosos que, na hora do almoço, iam mendigar a comida na casa do vizinho. Outros cristãos eram de opinião que Jesus só voltaria depois que o evangelho fosse anunciado no mundo inteiro (At 1,6-11). E achavam que, quanto maior o esforço de evangelizar, mais rápido viria o fim do mundo. Outros, cansados de esperar, diziam: “Ele não vai voltar nunca! (2 Pd 3,4). Outros, baseando-se em palavras do próprio Jesus, diziam acertadamente: “Ele já está no meio de nós!” (Mt 25,40).
Hoje acontece o mesmo. Tem gente que diz: “Do jeito que está, está bem, tanto na Igreja como na sociedade”. Eles não querem mudança. Outros esperam pela volta imediata de Jesus. Outros acham que Jesus só voltará através do nosso trabalho e anúncio. Para nós, Jesus já está no nosso meio (Mt 28,20). Ele já está do nosso lado na luta pela justiça, pela paz, pela vida. Mas a plenitude ainda não chegou. Por isso, aguardamos com firme esperança a libertação plena da humanidade e da natureza (Rm 8,22-25).
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus pede para olhar a figueira, para contemplar os fenômenos da natureza. Na minha vida já aprendi alguma coisa contemplando a natureza?
2) Jesus disse: “O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão”. Como encarno estas palavras de Jesus em minha vida?
5) Oração final
Feliz quem mora em tua casa: sempre canta teus louvores. Feliz quem encontra em ti sua força e decide no seu coração a santa Viagem. (Sl 83)
Quinta-feira, 27 de novembro-2025. 34ª Semana do Tempo Comum. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.
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1) Oração
Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Lucas 21, 20-28)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20Quando virdes que Jerusalém foi sitiada por exércitos, então sabereis que está próxima a sua ruína. 21Os que então se acharem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade retirem-se; os que estiverem nos campos não entrem na cidade. 22Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito. 23Ai das mulheres que, naqueles dias, estiverem grávidas ou amamentando, pois haverá grande angústia na terra e grande ira contra o povo. 24Cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos pagãos, até se completarem os tempos das nações pagãs. 25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. 26Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. 27Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. 28Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação. - Palavra da salvação.
3) Reflexão Lucas 21, 20-28
No evangelho de hoje continua o Discurso Apocalíptico que traz mais dois sinais, o 7° e o 8°, que deverão ocorrer antes da chegada do fim dos tempos ou melhor antes da chegada do fim deste mundo para dar lugar ao novo mundo, ao “novo céu e à nova Terra” (Is 65,17). O sétimo sinal é a destruição de Jerusalém e o oitavo é o abalo da antiga criação.
Lucas 21,20-24. O sétimo sinal: a destruição de Jerusalém.
Jerusalém era para eles a Cidade Eterna. E agora ela estava destruída! Como explicar este fato? Será que Deus não deu conta do recado? Difícil para nós imaginar o trauma e a crise de fé que a destruição de Jerusalém causou nas comunidades tantos dos judeus como dos cristãos. Aqui cabe uma breve observação sobre a composição dos Evangelhos de Lucas e de Marcos. Lucas escreve no ano 85. Ele usou o evangelho de Marcos para compor a sua narrativa sobre Jesus. Marcos escrevia no ano 70, o mesmo ano em que Jerusalém estava sendo cercada e destruída pelos exércitos romanos. Por isso, Marcos escreveu dando uma dica ao leitor: “Quando virdes a abominação da desolação instalada onde não devia estar - (aqui ele abre um parêntesis e diz) “que o leitor entenda!” (fecha parêntesis) - então, os que estiverem na Judéia devem fugir para as montanhas”. (Mc 13,14). Quando Lucas menciona a destruição de Jerusalém, já fazia mais de quinze anos que Jerusalém estava em ruínas. Por isso, ele omitiu o parêntesis de Marcos. Lucas diz: "Quando vocês virem Jerusalém cercada de acampamentos, fiquem sabendo que a destruição dela está próxima. Então, os que estiverem na Judéia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando nesses dias, pois haverá uma grande desgraça nessa terra e uma ira contra esse povo. Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações. Jerusalém será pisada pelos pagãos, até que o tempo dos pagãos se completa". Ao ouvirem Jesus anunciar a perseguição (6° sinal) e a destruição de Jerusalém (7° sinal), os leitores das comunidades perseguidas do tempo de Lucas concluíam: “Este é o nosso hoje! Estamos no 6° e no 7° sinal!”
Lucas 21,25-26: O oitavo sinal: mudanças no sol e na lua. Quando será o fim?
No fim, após ter ouvido falar de todos estes sinais que já tinham acontecido, ficava esta pergunta: “O projeto de Deus avançou muito e as etapas previstas por Jesus já se realizaram. Estamos agora na sexta e na sétima etapa. Quantas etapas ou sinais será que ainda faltam até que chegue o fim? Será que falta muito?” A resposta vem agora no 8° sinal: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E na terra, as nações cairão no desespero, apavoradas com o barulho do mar e das ondas. Os homens desmaiarão de medo e ansiedade, pelo que vai acontecer ao universo, porque os poderes do espaço ficarão abalados”. O 8° sinal é diferente dos outros sinais. Os sinais no céu e na terra são uma amostra de que está chegando, ao mesmo tempo, o fim do velho mundo, da antiga criação, e o início da chegada do novo céu e da nova terra. Quando a casca do ovo começa a rachar é sinal de que o novo está aparecendo. É a chegada do Mundo Novo que está provocando a desintegração do mundo antigo. Conclusão: falta muito pouco! O Reino de Deus já está chegando. Dá para aguentar!
Lucas 21,27-28: A chegada do Reino de Deus e a aparição do Filho do Homem.
“Então eles verão o Filho do Homem vindo sobre uma nuvem, com poder e grande glória. Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima.” Neste anúncio, Jesus descreve a chegada do Reino com imagens tiradas da profecia de Daniel (Dn 7,1-14). Daniel diz que, depois das desgraças causadas pelos reinos deste mundo, virá o Reino de Deus. Os reinos deste mundo, todos eles, tinham figura de animal: leão, urso, pantera e besta-fera (Dn 7,3-7). São reinos animalescos, desumanizam a vida, como acontece com o reino neo-liberal até hoje! O Reino de Deus, porém, aparece com o aspecto de Filho de Homem, isto é, com aspecto humano de gente (Dn 7,13). É um reino humano. Construir este reino que humaniza, é a tarefa do povo das comunidades. É a nova história que devemos realizar e que deve reunir gente dos quatro cantos do mundo. O título Filho do Homem é o nome que Jesus gostava de usar. Só nos quatro evangelhos o nome aparece mais de 80 (oitenta) vezes! Toda dor que suportamos desde agora, toda luta em favor da vida, toda perseguição por causa da justiça, tudo é dor de parto, semente do Reino que vai chegar no 8° sinal.
4) Para um confronto pessoal
1) Perseguição das comunidades, destruição de Jerusalém. Desespero. Diante dos acontecimentos que hoje fazem o povo sofrer eu me desespero? Qual a fonte da minha esperança?
2) Filho do Homem é o título que Jesus gostava de usar. Ele queria humanizar a vida. Quanto mais humano, tanto mais divino, dizia o Papa Leão Magno. No meu relacionamento com os outros sou humano? Humanizo?
5) Oração final
O SENHOR é bom, eterno é seu amor e sua fidelidade se estende a todas as gerações. (Sl 99, 5)
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