Olhar Jornalístico

OLHAR CARMELITANO SOBRE CAMOCIM DE SÃO FÉLIX-PE.

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Publicado em 09 setembro 2013

Fotos e fatos do encerramento da Festa de São João Batista, bairro do Campo, Camocim de São Félix. Fonte: Face...

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ORDEM DO CARMO: Olhar Carmelitano.

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Publicado em 08 setembro 2013

Com o tema; “Uma palavra de esperança e de salvação” (Const. 24): viver o carisma e a missão do Carmelo, hoje. A Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem do Monte Carmelo- Carmelitas, do dia 02 a 21 de setembro-2013, realiza o Capítulo Geral em Roma, Itália. Veja outras fotos. Clique aqui:

https://www.facebook.com/olharjornalistico/media_set?set=a.635713223128214.1073741834.100000686270175&type=1 (É necessário ter uma conta no facebook)

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*23º Domingo do Tempo Comum: A prioridade e as renúncias para seguir Jesus (Lucas 14,25-33)

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Publicado em 08 setembro 2013

Ildo Bohn Gass, biblista do CEBI.

O evangelho da liturgia deste final de semana apresenta Jesus colocando as condições fundamentais para quem quer segui-lo no caminho da cruz. Diante da prioridade do seguimento, todo o resto se torna relativo.

E nós hoje

Certamente, as exigências de Jesus nos questionam quando nossa ação evangelizadora está voltada mais para as "massas" e não tanto para o "fermento", isto é, o engajamento radical em favor da justiça e da partilha, da gratuidade e da superação de preconceitos.

É evidente que Jesus não recusa ninguém. Ele mesmo acolheu com ternura um homem muito rico. Porém, não deixou de lhe mostrar que o caminho da felicidade passa pela partilha (Lucas 18,18-23). Também foi comer na casa de um ladrão confesso. Mas deixou claro que ele se tornaria discípulo do reino na medida em que devolvesse o que roubara e partilhasse outro tanto com os pobres (Lucas 19,1-10)...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2013/09/23-domingo-do-tempo-comum-ano-c.html

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*ORDEM DO CARMO: CAPÍTULO GERAL- 2013. SASSONE - ITÁLIA

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Publicado em 07 setembro 2013

Frei Evaldo Xavier Gomes, O. Carm.

Primeiro dia

ABERTURA DIA 03/09/2013

O Capítulo Geral foi aberto com uma missa presidida pelo P. Geral, Fernando Millán, concelebrada pelos membros do Conselho Geral e padres capitulares. Após a missa todos, vestindo o hábito e capa branca, se dirigiram em procissão para a sala capitular. Ao longo do percurso se cantou a ladainha dos santos carmelitas e o veni creator. A procissão foi aberta pelo ícone de Nossa Senhora e dos padroeiros do Capítulo Geral. Fr. Joseph Chalmers foi eleito Presidente do Capítulo.

 TARDE

1-Leitura da Carta do Papa Francisco para o Prior Geral da Ordem por ocasião da celebração do Capítulo Geral (texto em anexo). Em sua mensagem o Papa sugere três “fios condutores” para a realização do Capítulo Geral...

*Leia na íntegra. Clique aqui:

http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2013/09/ordem-do-carmo-capitulo-geral-2013.html

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Trump violenta cidadãos, os fatos e a democracia

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Publicado em 27 janeiro 2026
  • democracia,
  • A execução de Alex Pretti
  • agentes federais em Minneapolis,
  • Alex Pretti

A execução de Alex Pretti expõe um governo que avilta a verdade e instrumentaliza a máquina pública para intimidar adversários, cruzando a linha entre o Estado de Direito e o terror de Estado

 

A morte de Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos sem antecedentes criminais, baleado por agentes federais em Minneapolis, marca um ponto de inflexão na escalada repressiva do governo de Donald Trump. Não se trata de mais um acidente trágico num ambiente político inflamado. Trata-se de um caso em que a violência estatal colide frontalmente com princípios elementares do Estado de Direito.

Durante um protesto, ao tentar intervir depois que uma mulher foi derrubada por forças federais, Pretti foi atingido por spray de pimenta, imobilizado e cercado no chão. No momento crucial, Pretti segurava apenas o celular com que filmava a ação dos agentes. Ele portava legalmente uma arma de fogo, mas não a empunhava. A arma foi identificada e retirada. Ainda assim, os agentes dispararam dez tiros. Mesmo diante dessas imagens, autoridades federais apressaram-se em descrevê-lo como ameaça letal, agressor e “terrorista” em potencial – pedindo ao público que desconfiasse não apenas de seus instintos morais, mas de seus próprios olhos.

Essa reação é ainda mais ultrajante que o próprio episódio. Ao substituir investigação por estigmatização, o governo não apenas se esquivou de responsabilidade como reforçou uma lógica perigosa: a de que agentes armados podem agir com ampla margem de impunidade, desde que o Poder Executivo forneça a cobertura narrativa necessária.

A escalada não surgiu do nada. A crise migratória foi, durante anos, tratada com complacência por administrações democratas, em descompasso com a percepção da maioria da população. Esse vazio de autoridade ajudou a alimentar o apelo eleitoral de soluções maximalistas e retóricas de combate. Some-se a isso a imprudência de vozes que, em nome da resistência, flertaram com discursos de obstrução e confronto às forças federais. Ainda assim, convém ser claro: esses fatores ajudam a explicar o contexto, mas nem de longe absolvem o governo que hoje detém o poder e o exerce de forma letal.

Operações ostensivas, agentes mascarados, uso rotineiramente desproporcional da força, retórica de guerra interna e normalização da exceção compõem um padrão. Não é preciso recorrer a analogias extremas para reconhecer traços de regimes totalitários que suprimem liberdades não abolindo leis, mas reinterpretando-as de modo a esvaziar seu conteúdo. O governo Trump passou a empregar terror de Estado como método de governo, não apenas para impor políticas, mas para produzir medo difuso, permanente e imprevisível.

Quando o Executivo transforma adversários políticos, manifestantes ou simples observadores em “inimigos internos”, o efeito é literalmente letal. A confiança pública se dissolve. O direito de protesto torna-se risco pessoal. Até o porte legal de uma arma – ferrenhamente defendido pelo movimento Maga – deixa de ser garantia constitucional e passa a ser pretexto para execução sumária. A fronteira entre aplicação da lei e truculência política se torna indistinta.

Uma política migratória eficaz exige autoridade, sim, mas autoridade legítima, limitada, sujeita a controle. A força sem responsabilidade não protege. Apenas amedronta. E o medo é combustível instável para qualquer democracia.

Há saídas. A primeira é óbvia: investigações independentes, transparência plena, cooperação com autoridades estaduais e responsabilização individual. A segunda é institucional: limites claros às operações federais, identificação obrigatória de agentes, uso efetivo de câmeras corporais, supervisão externa real. A terceira é política: abandonar a lógica da provocação permanente e reconhecer que governar não é testar até onde o poder pode ir sem ser contido. O Congresso – em especial os republicanos sensatos – precisa constranger o governo.

A história americana oferece inúmeros exemplos de correção de rota após abusos estatais. Mas todos exigiram coragem institucional. Se o assassinato de Alex Pretti – como o de Renee Good antes dele – não provocar essa reação, o precedente estará estabelecido.

O poder legítimo não se mede pela força das armas, mas pela disposição de responder por cada tiro. Fonte: https://www.estadao.com.br

Sintonia fina entre Lula e Leão XIV

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Publicado em 23 janeiro 2026
  • Lula e Leão XIV
  • O Brasil e o Vaticano
  • relações diplomáticas entre o Brasil e o Vaticano,
  • O Brasil e o Vaticano comemoram hoje 200 anos de relações diplomáticas,

O Brasil e a Santa Sé celebram 200 anos de relações diplomáticas em um momento de convergência de preocupações entre Lula e o Papa Leão XIV

 

Lula e o Papa Leão XIV — Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

 

Por Janaína Figueiredo

 — Buenos Aires

O Brasil e o Vaticano comemoram hoje 200 anos de relações diplomáticas, em momentos de enormes desafios globais e, segundo confirmam fontes diplomáticas e posicionamentos do Papa Leão XIV e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, forte sintonia entre ambos. Para dar apenas um exemplo, o governo brasileiro e o Sumo Pontífice foram convidados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar do chamado “Conselho da Paz”, uma iniciativa que parecia inicialmente destinada a supervisionar a reconstrução pós-guerra de Gaza, mas que poderia ir além do enclave. Em Brasília e no Vaticano, fontes afirmam que em ambos os casos a tendência é dizer “não” ao republicano.

No caso do governo brasileiro, as fontes foram mais taxativas: “Existe zero possibilidade de que sejamos parte disso.” No Vaticano, a coluna apurou que Leão XIV, nascido nos EUA, dificilmente se arriscaria a sofrer uma avalanche de questionamentos, sobretudo internos. Oficialmente, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e número 2 do Vaticano, disse a jornalistas que “estamos considerando isso a fundo, e acho que é um assunto que requer tempo para reflexão e resposta”.

Hoje, Parolin celebrará uma missa em português pelos 200 de relações diplomáticas entre o Brasil e o Vaticano, na Basílica de Santa Maria Maior (onde está sepultado do Papa Francisco), com a presença de cardeais brasileiros, entre eles Dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo de Porto Alegre, e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Durante sua visita ao Vaticano, o ministro se encontrará com a Comunidade Santo Egídio (atuante na mediação de conflitos, sobretudo na África); com a Ordem de Malta, que tem uma extensa rede de atenção, sobretudo de caráter humanitário; e com o cardeal Parolin.

O Brasil e o Vaticano mantêm relações diplomáticas desde 23 de janeiro de 1826, quando o papa Leão XII recebeu as cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, que havia sido enviado a Roma pelo imperador Pedro I para efetuar gestões em favor do reconhecimento da independência, proclamada em 1822.

Na visão do embaixador Everton Vieira Vargas, essa relação vive um de seus melhores momentos. O embaixador destacou em conversa com a coluna a convergência sobre temas comuns e de preocupação de ambos os Estados, entre eles o futuro do multilateralismo, a busca da paz e de um mundo mais justo.

Talvez uma das poucas divergências entre Leão XIV e Lula seja sobre o papel da líder opositora venezuelana María Corina Machado, recebida recentemente pelo Pontífice. O presidente brasileiro nunca quis ter contato com María Corina, vista por seu governo como um obstáculo para uma transição democrática no país.

No discurso do Papa aos membros do corpo diplomático acreditado junto ao Vaticano, nos primeiros dias de janeiro, Leão XIV afirmou que “preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está sendo substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados.

A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”. Sintonia fina com o Planalto. Fonte: https://oglobo.globo.com

Arthur Lira e filho entregam motos sorteadas no interior de Alagoas: 'Dividimos, eu e painho'

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Publicado em 14 janeiro 2026
  • Teotônio Vilela,
  • Arthur Lira
  • deputado Arthur Lira
  • filho de Arthur Lira
  • Arthur Lira e filho
  • Álvaro Lira
  • São Miguel dos Campos,
  • Codevasf

Apesar de as motocicletas terem sido entregues com seus nomes, o deputado alegou não ter custeado a compra. Álvaro Lira é pré-candidato a deputado federal no estado

 

Moto com nome de Arthur Lira entregue em Teotônio Vilela (E) e moto entregue com nome de Álvaro Lira em São Miguel dos Campos (D) — Foto: Reprodução/Instagram

 

Por Yago Godoy

 — Rio de Janeiro

 

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e seu filho, Álvaro Lira, entregaram motocicletas a cidadãos alagoanos em sorteios de Natal realizados por prefeituras do interior do estado. Na cidade de São Miguel dos Campos, na última quinta-feira, eles compareceram presencialmente ao evento para conceder os prêmios. No dia seguinte, em Teotônio Vilela, apesar de não terem ido ao município, as motos sorteadas continham seus nomes colados em um papel.

Na cidade de Teotônio Vilela, a cerca de 90 km de Maceió, as cinco motos sorteadas também tinham os nomes do prefeito, Peu Pereira (PP), do deputado estadual Fernando Pereira (PP) e do ex-prefeito Joãozinho Pereira. Fernando e Joãozinho são irmãos, e também primos do ex-presidente da Câmara.

Já em São Miguel, o maior prêmio foi um carro que continha o brasão da prefeitura. As motos estavam em nome de Fernando e Álvaro, que ocupa o cargo de gestor administrativo da cidade e é pré-candidato a deputado federal por Alagoas. Na segunda-feira passada, contudo, quando o sorteio foi realizado, a mesma moto estava com o nome de Lira.

— A gente deu uma dividida na moto, eu e painho, e ano que vem eu fui convocado para ser duas. Uma minha e uma dele — brincou Álvaro, em conteúdo publicado pelo município nas redes sociais.

Em seu perfil oficial, o filho de Lira afirmou que "mais do que prêmios, entregamos esperança, alegria e gratidão a quem faz a cidade crescer". Durante seu discurso no palco do evento, ele também ressaltou estar alegre por entregar os prêmios e "fortalecer a época natalina":

— Muita alegria de estarmos aqui entregando esses prêmios, que já foram sorteados, que vocês já foram ganhadores, mas hoje se concretiza. Está sendo premiado um carro pela prefeitura, uma moto pelo deputado estadual Fernando Pereira, e uma moto dividida, minha com meu pai — frisou.

Ao GLOBO, a assessoria de Lira alegou que, apesar das manifestações, eles não custearam a compra das motos sorteadas, e o uso do nome de Álvaro "teve caráter meramente informal":

"Tratou-se de evento promocional realizado pela Associação Comercial junto com a prefeitura local. O uso do nome de Álvaro Lira no material exposto teve caráter meramente informal, apenas para identificar quem realizaria o sorteio do produto", diz o deputado em nota.

Em São Miguel, que possui 51.990 habitantes e fica a 50 km da capital, foram disponibilizados R$ 200 mil em prêmios em parceria com mais de 100 lojistas. A 15° edição do "Natal Premiado" movimentou cerca de 400 mil cupons na cidade, conforme informações divulgadas pela prefeitura, e ofertou itens como televisões, camas, eletrodomésticos e prêmio em dinheiro. Procurada pelo GLOBO, a gestão municipal ainda não se manifestou.

Nas redes sociais, Lira escreveu que a ação "movimenta o comércio local, incentiva os comerciantes e leva benefícios diretos para a população", com todo o valor investido sendo revertido "para a economia de São Miguel". Ainda nas redes, o prefeito George Clemente (MDB) também afirmou que "o comércio sai fortalecido".

"Uma ação que movimenta o comércio local, incentiva os comerciantes e leva benefícios diretos para a população. Quando iniciativas assim acontecem, todo mundo ganha: quem vende, quem compra e a cidade como um todo", publicou Lira.

 

'Lugar especial no coração'

Com 38.053 habitantes, Teotônio Vilela sorteou 97 prêmios no evento "Natal dos Sonhos", que também contou com ampla divulgação nas redes sociais. Os cupons eram garantidos a cada R$ 30 reais em compras em lojas locais.

O sorteio e a entrega dos prêmios foram no mesmo dia, somente com a presença de Peu. Em um painel de LED, além dos estabelecimentos descritos como "parceiros", as fotos de Álvaro, Joãozinho, Fernando e Lira apareciam como "apoio". Os políticos também receberam agradecimentos do prefeito, em sua rede social, por "tornarem o sonho possível".

Lira e Álvaro compareceram a Teotônio no final de dezembro para participarem da inauguração da pavimentação, de um auditório e de um espaço esportivo. Eles aproveitaram para entregar cestas básicas aos moradores e compartilharam fotos da visita nas redes, além de o deputado publicar que a cidade "tem um lugar especial no coração".

"Cada retorno aqui é marcado por carinho, respeito e pela certeza de que vale a pena trabalhar por essa gente tão acolhedora", escreveu Lira.

Em nota enviada ao GLOBO, a Prefeitura de Teotônio Vilela informou que o sorteio é realizado há duas décadas e "conta historicamente com o apoio e a participação de autoridades públicas e lideranças políticas". Em relação aos deputados, a gestão afirmou que eles participaram "sem qualquer vínculo institucional com a organização do evento ou com a prefeitura", comparecendo "de forma informal e voluntária".

"A prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência, com o fortalecimento da economia local e com a valorização de iniciativas que promovem desenvolvimento, geração de renda e participação popular", diz o comunicado.

 

Grupo Pereira e Codevasf

Além dos sorteios realizados, os políticos costumam aparecer juntos em eventos e inaugurações locais. Enquanto era presidente da Câmara, conforme reportagem do GLOBO, Lira destinou R$ 1,1 milhão em emendas parlamentares para uma obra de pavimentação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), à época comandada justamente por Joãozinho.

O motivo foi a colocação de paralelepípedos em ruas da localidade conhecida como Atoleiro, no município de Junqueiro, pela empresa Grupo Pereira. A organização tem como sócias Zirlene Pereira, mãe de Joãozinho e Fernando, e sua irmã, a ex-deputada Jó Pereira.

Àquela altura, Joãozinho afirmou que não houve pagamento ao Grupo Pereira, enquanto Lira argumentou que "avaliar o uso de um maquinário, se faz parte da obra ou se foi utilizado apenas para ilustrar uma ação" não fazia parte de suas "funções institucionais". Fonte: https://oglobo.globo.com

 

Digo, logo existo

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Publicado em 07 janeiro 2026
  • Martin Luther King,
  • penso, logo existo
  • Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
  • Einstein
  • Mandela,

A questão é que, ultimamente, no Brasil, estamos com medo de falar e de escrever. Tememos a patrulha

 

Por Basilio Jafet

Diretor do Grupo Jafet, é vice-presidente de relações institucionais do Secovi-SP

 

Tempos em que dizer o que se pensa se tornou arriscado autorizam a variação da famosa máxima filosófica “penso, logo existo”, de René Descartes, para “digo, logo existo”.

Enquanto o “penso” estabelece a certeza da existência do sujeito a partir da consciência da sua própria atividade mental (o pensamento e a dúvida), a afirmação “digo” pode ser interpretada sob perspectivas que enfatizam a importância da linguagem e da interação social na constituição da existência humana.

O indivíduo só se torna plenamente existente no momento em que se expressa e é reconhecido pelos outros. O ato de dizer é o que o insere no mundo social e cultural.

A linguagem não é apenas um reflexo passivo do pensamento. O ato de dizer é performativo; ele estrutura e nomeia a nossa realidade, dando forma ao que pensamos. Se não dizemos, a nossa ideia permanece inarticulada e “não existe” no domínio público. E, enquanto o pensamento é abstrato e interno, o dizer é o passo para a ação. A fala concretiza a intenção, exigindo que o sujeito organize o seu pensamento e o lance para o mundo exterior.

Os grandes saltos civilizatórios da humanidade resultaram de pensamentos e palavras que lhes deram materialidade. Personalidades que moldaram a história do mundo só o fizeram porque puderam manifestar-se. Esse processo, por óbvio, não afastou o contraditório, os questionamentos e mesmo as perseguições. Mas elas falaram. E transformaram. E impulsionaram a evolução dos homens, das máquinas, do trabalho, da vida.

O que seria de nós se Confúcio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Newton, Darwin, Marx, Nietzsche ou Einstein não tivessem se expressado livremente? E o que dizer de vozes como Gandhi, Mandela, Luther King e tantos outros cujas palavras revolucionaram valores e a História?

É certo que a liberdade de expressão não foi facilmente conquistada. Em boa parte do tempo, falar contra reis, chefes ou dogmas religiosos podia levar a punições severas – muitas vezes até à morte – e infelizmente ainda é assim em alguns pontos do planeta.

A prática da liberdade de expressão tem raízes na Grécia antiga, mas só se consolidou como direito universal a partir do século 18.

Atenas tinha o conceito da “franqueza”, que permitia aos cidadãos falar abertamente nas assembleias. Mas era restrita: mulheres, estrangeiros e escravizados não tinham esse direito. No Império Romano havia algum espaço para críticas, especialmente no Senado, mas imperadores autoritários limitavam duramente o que se podia dizer. Já na Idade Média, a liberdade de expressão praticamente inexistiu. Igrejas e monarquias controlavam fortemente ideias e discursos.

Com o renascimento e o iluminismo (séculos 15-18), ao lado do crescimento da imprensa e da filosofia, veio a valorização da livre circulação de ideias. Autores como John Milton (1608-1674) e John Locke (1632-1704) defenderam tolerância e liberdade de expressão.

A Revolução Gloriosa na Inglaterra (1688) e a Revolução Francesa (1789), acompanhada da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, trouxeram enunciados formais sobre esse direito. A Constituição dos EUA (1791), com a Primeira Emenda, foi um marco jurídico de proteção à liberdade de expressão.

A partir do século 19, esse direito foi sendo incorporado em muitas constituições e, no mundo contemporâneo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), após a 2.ª Guerra Mundial, o sacramentou.

No Brasil, a Constituição de 1988 prevê a liberdade de expressão como direito fundamental consagrado em diversos dispositivos, principalmente no Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais. O inciso IX do artigo 5.º – que é um dos pilares do Estado Democrático de Direito –, estabelece: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”

Como o exercício da liberdade de expressão deve ser harmonizado com a proteção da dignidade da pessoa humana, a Carta Magna também impõe limites e responsabilização em casos de violação da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. Ainda, vedação a manifestações que constituam calúnia, difamação, injúria, incitação ao ódio ou a atividades ilícitas.

Vencemos séculos para conquistar o direito de pensar e dizer. Nessa trajetória, construímo-nos mutuamente e aprendemos a responder pelas ideias que tornamos públicas.

A questão é que, ultimamente, no Brasil, estamos com medo de falar e de escrever. Tememos a patrulha. Passamos a policiar rotineiras conversas por WhatsApp com familiares e amigos, pois a simples troca de mensagens, e mesmo contar piadas em locais públicos, pode levar a condenações ou prisões. Ficou perigoso se expressar. Submetemo-nos à autocensura, muito pior que a censura.

Aceitar tal condição é retroceder. É ressuscitar as sombrias épocas em que, mergulhados em escuridão, sussurrávamos sentimentos, opiniões e sonhos de liberdade. O silêncio é a manifestação mais comum da omissão, cujo preço a história irá nos cobrar. Fonte: https://www.estadao.com.br 

A conta da ideologia petista

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Publicado em 06 janeiro 2026
  • Lula,
  • DONALD TRUMP,
  • presidente americano Donald Trump,
  • Venezuela
  • presidente Luiz Inácio Lula da Silva
  • ideologia petista
  • A queda de Nicolás Maduro,
  • política externa de Lula

Deposição de Maduro expõe as contradições da política externa de Lula, marcada por anos de complacência com a ditadura chavista e agora premida pela necessidade de preservar a relação com os EUA

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colhe os frutos de uma política externa mais orientada por afinidades ideológicas do que por princípios democráticos e valores universais, como a defesa dos direitos humanos. A queda de Nicolás Maduro, deposto por uma ação militar dos EUA, colocou o chefe de Estado e de governo brasileiro diante de um dilema que ele próprio ajudou a construir: como condenar uma flagrante violação do Direito Internacional sem despertar a ira de Washington e, ao mesmo tempo, sem ter de prestar contas pelo apoio político a uma das mais brutais ditaduras do continente?

A reação inicial de Lula à captura de Maduro foi reveladora. Em postagem nas redes sociais, o petista criticou o método empregado pelo presidente Donald Trump, evitando cuidadosamente mencionar o nome do antigo “companheiro”. A cautela é compreensível. Em ano eleitoral no Brasil e nos EUA, Trump não hesitará em transformar eventuais divergências externas em instrumentos de pressão, inclusive por meio de novas rodadas de sanções econômicas ou políticas. O problema é que o cálculo estratégico de Lula não tem o condão de apagar um passado marcado por complacência, quando não por endosso, ao regime chavista.

A despeito de o Brasil não ter sido determinante, sob as perspectivas militar e econômica, para sustentação de Maduro – papel desempenhado pela China e pela Rússia –, os governos lulopetistas foram esteios do regime na esfera política ao oferecer respaldo simbólico à ditadura que arruinou a Venezuela. Como líder da potência regional, Lula sempre relativizou a repressão violenta aos dissidentes, a destruição institucional do país, a debacle econômica e o êxodo de milhões de venezuelanos, compondo um constrangedor coro regional de solidariedade a um regime que há muito já não escondia seu vezo autoritário.

Após a fraude na eleição de 2024, atestada por instituições insuspeitas, como o Centro Carter, o Brasil limitou-se a um distanciamento protocolar. O petista chegou a ser humilhado pelo ditador que apoiou por anos. Maduro, convém lembrar, não só atacou a lisura do sistema eleitoral brasileiro, como ainda recomendou que Lula tomasse um “chá de camomila” depois de o presidente brasileiro ter dito que ficou “assustado” ao ouvir Maduro dizer que, caso ele perdesse a eleição, haveria um “banho de sangue” na Venezuela. Ainda assim, a ambiguidade prevaleceu. Em janeiro de 2025, quando Maduro assumiu um mandato ilegítimo, Lula não compareceu ao simulacro de posse, mas enviou uma representante diplomática, gesto que acabou por legitimar, na prática, um governo nascido da fraude e da força.

Recorde-se ainda que, nos primeiros meses de seu terceiro mandato, Lula estendeu o tapete vermelho para Maduro em Brasília. Em declarações públicas, o petista relativizou o conceito de democracia, chegando a afirmar que a Venezuela, ora vejam, teria “mais eleições do que o Brasil”. Em outra vergonhosa passagem, Lula disse haver “excesso de democracia” no país vizinho. São declarações que não resistem ao contraste com a realidade factual e revelam a visão instrumental que Lula e o PT têm da democracia – tolerável apenas quando serve aos propósitos de aliados ideológicos.

Lula agora tenta se equilibrar entre a crítica ao atropelo das normas internacionais, o que de fato ocorreu, e a necessidade de preservar a aproximação com Trump, que culminou na suspensão do tarifaço imposto ao Brasil e no fim de sanções aplicadas a autoridades brasileiras. A dificuldade, para o presidente brasileiro, é disfarçar altivez depois de anos de alinhamento político com a ditadura chavista.

Lula terá de fazer muito mais do que publicar notas genéricas sobre soberania e autodeterminação dos povos. Precisará reconhecer, explicitamente, os erros de uma política externa que deliberadamente fechou os olhos para a barbárie ao lado em nome da afinidade ideológica com o chavismo. A democracia não é um conceito “relativo” nem jamais foi “excessiva” na Venezuela – muito ao contrário. Enquanto não o fizer, Lula seguirá refém de suas contradições, pagando o preço político e moral da cumplicidade histórica com uma das maiores tragédias humanitárias da América Latina. Fonte: https://www.estadao.com.br

Os fins, os meios e o dia seguinte na Venezuela

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Publicado em 04 janeiro 2026
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  • Nicolás Maduro,
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  • Venezuela
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  • O ditador Nicolás Maduro

Depor Maduro tira de cena um notório tirano, mas os fins não justificam os meios. E sem transição institucional democrática, a força que derruba ditadores corrói a ordem que alega proteger

 

A captura de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA não desperta lamento quanto ao destino do ditador, mas isso não equivale a endossar os meios empregados pelo presidente Donald Trump. Maduro era um governante ilegítimo, após fraudar eleições, e sustentava seu regime por meio do aparelhamento do Estado, da criminalização da oposição, da repressão violenta da sociedade civil e do colapso deliberado da economia venezuelana. Sua queda, em si, não é o problema. O problema começa quando se supõe que a Venezuela tornou-se um país democrático da noite para o dia.

A política externa é sempre um exercício de tensão entre fins e meios, entre o poder e a legitimidade. Derrubar um tirano pode ser um objetivo defensável. Transformar operações extraterritoriais unilaterais em prática recorrente, conduzidas sem transparência institucional, à margem do Direito Internacional – a rigor, da própria ordem jurídica dos EUA – e anunciadas como espetáculo político, é outra coisa. Bons fins não dispensam prudência; exigem-na. Quando a exceção vira método, o êxito tático cobra seu preço estratégico.

A legalidade, aqui, não é um fetiche jurídico nem um álibi progressista. É um instrumento de contenção do próprio poder. Governos que agem sem limites claros podem vencer batalhas pontuais, mas enfraquecem o sistema que afirmam proteger. A história recente oferece exemplos suficientes de como a eficiência inicial pode ocultar déficits duradouros de legitimidade, corroendo alianças e incentivando respostas oportunistas de adversários. Nesse sentido, causa espanto a intenção declarada por Trump de manter a Venezuela sob governo dos EUA “até que uma transição adequada possa ocorrer”.

O maior teste da operação militar norte-americana está menos no que ocorreu na madrugada de ontem, e mais no que se segue. Quem governa a Venezuela no dia seguinte? Com que autoridade? Sustentado por quais instituições? A queda de um regime em grande medida personalista não dissolveu automaticamente as redes que o sustentavam: militares cooptados, milícias armadas, economias ilícitas e atores externos interessados no vácuo de poder. Libertação sem governança costuma ser apenas uma pausa entre desordens.

Há, é verdade, um dado relevante. Diferentemente de outros colapsos recentes, a Venezuela dispõe de uma oposição com legitimidade eleitoral reconhecida e amplo apoio social. Isso é um ativo raro. Mas ativos políticos não se convertem sozinhos em estabilidade. Transições bem-sucedidas exigem pactos, previsibilidade, reconstrução institucional e justiça – não revanche. Democracias não nascem de operações especiais; nascem de regras aceitas – inclusive, e sobretudo, por quem perde.

No plano global, a questão é ainda mais ampla. A ordem internacional não se desgasta apenas por discursos revisionistas, mas quando práticas excepcionais passam a se repetir sem critérios estáveis. O risco não é apenas erosão gradual do Direito Internacional, mas a substituição brutal de normas por decisões ad hoc, calibradas pela conveniência política do momento. Não surpreende que a primeira reação da comunidade internacional tenha sido de assombro, seguido da defesa de uma “transição pacífica e democrática, com respeito à Carta da ONU”, como pediu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O argumento oficial do combate ao narcotráfico e da segurança energética tampouco resolve o dilema. Quando esses critérios são aplicados de forma seletiva, conforme a conveniência política, perdem força normativa. Força usada sem coerência produz obediência momentânea, não estabilidade duradoura.

Nada disso equivale a defender o status quo. A Venezuela precisava de uma saída. A questão é se a forma escolhida amplia ou reduz as chances de que essa saída resulte em algo melhor. De um ponto de vista democrático liberal, o juízo final recai menos sobre a audácia da ação, e mais sobre suas consequências institucionais. O que separa uma transição democrática de um novo impasse de consequências imprevisíveis não é a força empregada, mas a capacidade de transformar poder em ordem. Esse é o desafio que começa agora. Fonte: https://www.estadao.com.br 

Estudantes são impedidos de exibir vídeos de Bolsonaro em peça sobre fake news no interior de SP

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Publicado em 21 dezembro 2025
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  • Fake news bolsonaristas
  • Fake news e política
  • calúnias e fake news
  • coordenador pedagógico da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de São José do Rio Preto
  • Faperp
  • Jean-Pierre Martinez,
  • francês Jean-Pierre Martinez,
  • Casa de Cultura Dinorath do Valle,

Grupo de teatro em São José do Rio Preto protestou após decisão da direção da Casa de Cultura. Alunos denunciaram censura e prefeitura fala em "pedido de cumprimento das regras".

 

Beta Cunha, professora de teatro — Foto: Reprodução/TV TEM

 

Por g1 Rio Preto e Araçatuba, TV TEM

Estudantes de teatro da Casa de Cultura Dinorath do Valle, em São José do Rio Preto (SP), foram proibidos de exibir vídeos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma peça sobre fake news na pandemia.

A decisão foi tomada na sexta-feira (19), após a direção do teatro ser informada, durante um ensaio, sobre o teor político do material.

A montagem, baseada em texto do autor francês Jean-Pierre Martinez, discutia notícias falsas que circularam na pandemia e os impactos para os brasileiros.

Estudantes de teatro da Casa de Cultura Dinorath do Valle, em São José do Rio Preto (SP), foram proibidos de exibir vídeos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma peça sobre fake news na pandemia. A decisão foi tomada pela direção do espaço na sexta-feira (19), após ser informada, durante um ensaio, sobre o teor político do material.

A montagem, baseada em texto do autor francês Jean-Pierre Martinez, discutia notícias falsas que circularam na pandemia e os impactos para os brasileiros. Para contextualizar o cenário nacional, os alunos haviam selecionado vídeos polêmicos de Bolsonaro, como declarações sobre vacinas e a frase “não sou coveiro” ao comentar as mortes pela Covid-19.

Segundo a professora Beta Cunha, o coordenador pedagógico da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de São José do Rio Preto (Faperp) e o diretor do teatro, Nelson Castro, informaram que os vídeos não poderiam ser exibidos. A ordem, segundo eles, teria partido do secretário da Cultura, Robson Vicente. Ele foi empossado em janeiro pelo prefeito Coronel Fábio Candido (PL).

A Faperp é responsável pelos cursos realizados na Casa de Cultura, em parceria com a secretaria municipal. As aulas são públicas e gratuitas.

Frustrados, os estudantes decidiram protestar durante a apresentação. Sempre que um vídeo deveria aparecer, um integrante avisava o público: “este vídeo foi censurado” e explicava o conteúdo barrado. Ao fim do espetáculo, o grupo fez uma manifestação relatando o ocorrido.

Em nota, o secretário de Comunicação, Ricardo Nonato, disse que o regimento interno do teatro veta manifestações políticas ou religiosas em eventos institucionais, como formaturas dos núcleos culturais. Segundo ele, não houve proibição, mas pedido de cumprimento das regras.

Apesar da justificativa, alunos e frequentadores lembram que peças com temas políticos já foram apresentadas no espaço, o que reacendeu o debate sobre os limites entre normas internas e possíveis casos de censura à liberdade de expressão artística. Fonte: https://g1.globo.com

A feitiçaria digital nas eleições do ano que vem

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Publicado em 27 novembro 2025
  • DONALD TRUMP,
  • presidente americano Donald Trump,
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A feitiçaria digital terá um peso gigantesco e, sem regramentos, poderá conturbar todo o processo

 

Por Eugênio Bucci

As especulações sobre a corrida eleitoral de 2026 já comparecem aos jornais. São as interrogações de sempre (só mudam os personagens). Quem será o candidato da direita? A família Bolsonaro vai apoiar ou vai investir no racha? Do lado do governo, qual é a extensão dos acordos partidários em prol da reeleição de Lula? Essa aliança terá forças de centro ou vai se restringir ao campo da esquerda?

Por certo, essas perguntas importam e devem ser consideradas. Contudo, o fator que tem maior potencial de impacto não vem merecendo a atenção devida: a tecnologia das plataformas sociais. Como as ferramentas digitais atuarão? E a inteligência artificial (IA)? Teremos boas normas para regular a batalha nas redes? Teremos fiscalização eficiente ou o jogo sujo vai grassar? Ainda não há respostas, é claro, mas uma certeza já podemos assumir: a feitiçaria digital terá um peso gigantesco e, sem regramentos, poderá conturbar todo o processo. Poderá mesmo viciá-lo de modo irreversível.

Vejamos o que aconteceu nas eleições da Índia no ano passado. Lá, os eleitores recebiam telefonemas de uma espécie de robô de telemarketing que falava com a voz do candidato, num expediente que se mostrou bastante eficaz. No Brasil vai ser igual? Se vierem vozes das nuvens, elas dirão apenas amenidades? Ou vão distribuir calúnias? E as deepfakes?

Se a inércia prevalecer e não houver prevenção, o cenário vai se complicar – o Brasil poderá se converter num laboratório avançado para o que há de pior. Tempos atrás, circulou por aqui, amplamente e muito à vontade, a falsa notícia de que o governo federal mandara distribuir uma mamadeira cujo bico teria o formato do órgão sexual masculino. Não, não foi piada de mau gosto. Aquilo foi um tsunami que varreu boa parte da confiabilidade do debate eleitoral, com prejuízos cívicos incalculáveis.

Desta vez, o que vem pela frente poderá não ter aparência de piada, mas de devastação, e não será surpresa. Desde 2016, quando a Cambridge Analytica usou dados pessoais de clientes do Facebook para assediar votantes no Reino Unido e nos Estados Unidos, sabemos que, na era digital, a manipulação prima pela perversidade mais torpe. E hoje as ferramentas são mais poderosas, mais temíveis.

Para complicar as coisas, as chamadas big techs mudaram de atitude. Para pior. Antes, elas mantinham uma certa pose de imparcialidade. Agora, chafurdam no partidarismo mais furibundo. Não que Apple, Google, Meta ou Amazon vão sair por aí subindo em palanques. Elas não precisam. Basta que façam vista grossa para o malfeito.

Há três precedentes que confirmam o risco. Primeiro precedente: há dois anos, em maio de 2023, a seção brasileira do Google deixou de lado a boa educação e disparou ataques frontais, em sua página oficial, contra a aprovação do Projeto de Lei 2.630 (o PL das Fake News), que seria votado por aqueles dias na Câmara Federal. De repente, uma empresa estrangeira de comunicação passou a interferir abertamente numa decisão do parlamento brasileiro, e levou a melhor – o PL 2.630 foi engavetado. É verdade que, no final de janeiro de 2024, a Polícia Federal enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório acusando o Google de “abuso de poder econômico”, mas, passados mais de seis meses desde a agressão, o mal já tinha sido perpetrado.

Segundo precedente: em janeiro deste ano, após a eleição de Donald Trump, Mark Zuckerberg, dono da Meta – a proprietária do Facebook, do Instagram e do WhatsApp –, vestiu uma camiseta preta, como a dos fascistas da década de 1920, e gravou um pronunciamento prometendo combater no mundo inteiro qualquer tentativa de regulação das plataformas (ele chama a regulação de “censura”). Zuckerberg abandonou de vez o discurso de que o Facebook seria uma cândida “praça pública”, sem preferências por um lado ou outro, e assumiu o lado das bandeiras de Donald Trump. Falou com um agente internacional do autoritarismo trumpista.

Terceiro precedente: em 2024, Elon Musk, o ser humano mais rico do planeta, dono do X (ex-Twitter), virou cabo eleitoral do obscurantismo. Durante a campanha presidencial nos Estados Unidos, subia no palanque para sortear dinheiro entre eleitores do candidato republicano. Depois, na festa de posse de Trump, foi ao púlpito e fez duas vezes a saudação nazista, na frente das câmeras do mundo inteiro. Para ele, o gesto que simboliza holocausto e totalitarismo é signo de celebração.

As tais big techs, que não escondem mais sua preferência por líderes identificados com o trumpismo, são hoje o maior aparelho de propaganda da extrema direita mundial. Não duvide por um segundo. A depender delas, as feitiçarias virão e, se encontrarem espaço, promoverão danos impensáveis. Os bajuladores digitais de Donald Trump vão tentar presenteá-lo com avanços da extrema direita no Brasil, mesmo sabendo que estrangeiros não podem se intrometer em eleições gerais de um país soberano.

As chances de que tentem fazer do Brasil um laboratório da feitiçaria digital são grandes. Que a democracia brasileira siga se cuidando. Fonte: https://www.estadao.com.br

 

Opinião por Eugênio Bucci

Jornalista e professor da ECA-USP, Eugênio Bucci escreve quinzenalmente na seção Espaço Aberto

Ao determinar prisão de Bolsonaro, Moraes cita 'violação' de tornozeleira e vigília convocada por Flávio

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Publicado em 22 novembro 2025
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  • senador Flávio Bolsonaro
  • Carla Zambelli
  • ex-presidente Jair Bolsonaro
  • prisão de Bolsonaro,
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  • ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro,
  • Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal
  • tornozeleira eletrônica

Ministro do STF afirma que não era possível manter domiciliar

 

 O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa, onde está em prisão domiciliar — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/03-09-2025

 

Por Mariana Muniz

 — Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro por garantia da ordem pública e, na decisão, diz que não era mais possível manter a domiciliar. Além disso, disse que a tornozeleira eletrônica dele foi violada no início deste sábado.

"O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Cortea ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho", diz a decisão.

O ministro afirma que foram adotados todos as medidas possíveis para a manutenção da prisão domiciliar inclusive com monitoramento integral e destacamento de equipes da Polícia Federal e Polícia Penal do Distrito Federal e realização de escoltas policiais para deslocamentos.

"Não se mostrando possível, porém, a manutenção desse aparato para cessar o periculum libertatis do réu", acrescentou.

 

Vigília convocada por Flávio

A PF alegou risco para a ordem pública ao pedir a prisão e citou a convocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para uma vigília na noite deste sábado no condomínio onde Bolsonaro mora, em Brasília. Para a PF, havia risco de aglomeração, risco para terceiros e o próprio preso.

Moraes afirma que "a eventual realização da suposta 'vigília' configura altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar decretada e põe em risco a ordem pública e a efetividade da lei penal".

O ministro do STF diz que o vídeo gravado por Flávio Bolsonaro "incita o desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias Instituições, demonstrando que não há limites da organização criminosa na tentativa de causar caos social e conflitos no País, em total desrespeito à DEMOCRACIA.

"O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga do réu", afirmou.

 

Fuga de aliados

Moraes ainda usou a fuga dos deputados federais Carla Zambelli (PL-SP), que foi para a Itália, e de Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi para os Estados Unidos.

"Não bastassem os gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro acima mencionados, é importante destacar que o corréu Alexandre Ramagem Rodrigues, a sua aliada política Carla Zambelli, ambos condenados por esta Suprema Corte; e o filho do réu, Eduardo Nates Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal, também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal", diz a decisão.

O ministro Alexandre de Moraes também apontou a distância entre a casa do ex-presidente, que fica no Jardim Botânico de Brasília, e a Embaixada dos Estados Unidos. Segundo Moraes, o percurso entre os dois locais, estimado em 13 quilômetros, poderia ser feito em cerca de 15 minutos.

 

Sem algemas

No mandato de prisão preventiva, Moraes disse que a prisão deveria ser cumprida no início da manhã deste sábado "observando que a medida deverá ser cumprida com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática".

Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A medida não se trata do cumprimento de pena por tentativa de golpe de Estado, mas de uma medida cautelar.

Moraes cita, no mandato de prisão que Bolsonaro foi condenado pelos crimes de liderar organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de patrimônio tombado.

 

Trama golpista

No caso da trama golpista, a Primeira Turma da Corte o considerou culpado, por quatro votos a um, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático, organização criminosa, dano contra o patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado. Os ministros que votaram a favor foram Alexandre de Moraes, o relator do processo, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Apenas o ministro Luiz Fux divergiu.

Além dele, foram condenados como integrantes do núcleo central da trama golpista os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada; e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que teve o processo suspenso pela Câmara até o fim do mandato quanto aos crimes de dano ao patrimônio e deterioração de patrimônio tombado.

O julgamento terminou em setembro, e os advogados recorreram. Após os recursos serem negados, o STF determinou o trânsito em julgado, fase que dá início ao cumprimento da pena,

Os ministros do Supremo que participaram do processo consideram que Bolsonaro foi o líder político e intelectual do grupo que planejou e colocou em prática planos para impedir a posse do presidente Lula.

 

Defesa de Bolsonaro

Bolsonaro confirma que se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para discutir alternativas ao resultado eleitoral de 2022, mas alega que apenas discutiu instrumentos previstos na Constituição, como o estado de defesa ou de sítio.

— Se nós fôssemos prosseguir no estado de sítio ou até mesmo de defesa, as medidas seriam outras. Na ponta da linha é que teriam outras instituições envolvidas. Agora, não tinha clima, não tinha oportunidade e não tínhamos uma base minimamente sólida para se fazer qualquer coisa. E repito, só foi conversado essas outras hipóteses constitucionais tendo em de vista o TSE ter fechado as portas para a gente com aquela multa lá — afirmou Bolsonaro ao STF, em junho, durante seu interrogatório.

Sua defesa alegou ao STF que as conversas não podem ser consideradas crimes e que poderiam ser classificadas, no limite, como "atos preparatórios", que não podem ser punidos, já que não houve a decretação de nenhuma medida.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde agosto, medida relacionada a uma investigação sobre a atuação de seu filho Eduardo Bolsonaro para coagir a Justiça por meio da articulação de sanções pelo governo de Donald Trump contra a economia brasileira e contra autoridades do Supremo Tribunal Federal e do governo federal. Eduardo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e virou réu no STF.

A prisão domiciliar foi decretada após o descumprimento das medidas cautelares determinadas pela Corte no curso daquele processo, além da alegação, pela Polícia Federal, de risco de fuga.

Inicialmente, em julho, Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro deveria usar tornozeleira eletrônico e estava proibido de usar redes sociais e de sair de casa de noite e nos fins de semana. O ex-presidente também ficou impedido de conversar com Eduardo.

Pouco mais de duas semanas depois, o ministro determinou a prisão domiciliar, alegando que Bolsonaro "ignorou e desrespeitou" as obrigações impostas. A decisão ocorreu após o ex-presidente participar, por telefone, de duas manifestações em apoio à anistia para os envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro. Registros dessas participações foram publicados por seus filhos em redes sociais, o que, para Moraes, foi uma tentativa de burlar a proibição de uso das plataformas. Fonte: https://oglobo.globo.com

Ex-deputado do PT Paulo Frateschi é morto a facadas pelo filho durante briga familiar em São Paulo

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Publicado em 07 novembro 2025
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  • ex-deputado estadual Paulo Frateschi
  • Paulo Frateschi
  • Tragédia familiar,
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Ex-parlamentar do PT e a esposa, Yolanda Maux, foram atacados por Francisco Frateschi

 

Por Lucas Guimarães, Daniel Biasetto e Samuel Lima

 — Rio de Janeiro e São Paulo

   

O ex-deputado estadual Paulo Frateschi (PT-SP), 75 anos, foi morto a facadas pelo próprio filho, Francisco Frateschi, de 34 anos, durante um desentendimento familiar ocorrido nesta quinta-feira em São Paulo. A informação foi confirmada pelo GLOBO por uma pessoa próxima da família e lideranças do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

O ex-parlamentar foi atingido por facadas, na cabeça e braços, e foi socorrido e levado ao Hospital das Clínicas. A mulher de Frateschi, Yolanda Maux Vianna, também ficou ferida ao tentar intervir na briga — ela sofreu uma fratura no braço e foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Lapa.

Testemunhas relataram que o conflito ocorreu dentro da residência da família, na zona oeste da capital. Ainda não há detalhes sobre o que teria motivado o desentendimento. O filho foi preso. Ele é ocenanógrafo formado pela USP e mora em Paraty, no Rio de Janeiro.

Ex-presidente estadual do PT e amigo pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Frateschi já havia enfrentado duas tragédias familiares. Em 2002, perdeu o filho Pedro, de 7 anos, em um acidente na rodovia Carvalho Pinto, em Guararema (SP). Um ano depois, em 2003, o filho Júlio, de 16 anos, também morreu em um acidente de carro na rodovia Rio-Santos, entre Paraty e Angra dos Reis. O velório do jovem contou com a presença de Lula, ministros e lideranças do PT, em um gesto de solidariedade ao então dirigente petista.

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a agressão teria ocorrido em um episódio de surto. Frateschi teve parada cardiorrespiratória e foi encaminhado ao Hospital das Clínicas da USP. O local passa por perícia e a ocorrência está sendo registrada no 91º DP.

 

Quem foi Paulo Frateschi

Ex-deputado estadual e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Paulo Frateschi teve trajetória marcada pela militância política. Integrou Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de luta armada contra a ditadura militar, o que levou à sua prisão em 1969. Detido e torturado por seis meses, sua libertação tornou-se um símbolo da resistência ao regime.

Frateschi foi presidente estadual do PT paulista durante a ascensão do partido à presidência da República e ocupou o cargo de secretário de Relações Governamentais na gestão do prefeito Fernando Haddad, em 2014. Era professor por formação.

Nos anos mais recentes, mobilizou caravanas em favor da candidatura do presidente Lula. Em março de 2018, ao transitar com ele por Chapecó (SC), foi atingido por uma pedrada desferida por agressores contra o então candidato. O petista seria impedido de ir às urnas e cederia lugar a Haddad naquela campanha, vencida por Jair Bolsonaro (PL).

No ano seguinte, ao comentar a prisão de Lula, de quem era amigo pessoal, classificou o caso como “perseguição política”, comparando-o à repressão vivida nos Anos de Chumbo.

 

Tragédia repercute no meio político

"É com profunda tristeza que comunicamos o falecimento do ex-presidente do PT Paulista e ex-deputado estadual Paulo Frateschi, companheiro e dedicado militante do nosso partido", afirma nota divulgada pelo PT. "Durante toda a sua trajetória, nosso companheiro demonstrou coragem, integridade e compromisso com o PT e pela busca de um país mais justo".

Segundo o partido, o militante deixa "legado marcado pela luta pela justiça e pela inclusão" e uma "lacuna irreparável entre amigos, familiares, companheiras e companheiros de luta".

Parlamentares do PT também lamentaram a morte nas redes sociais. "Um militante leal, íntegro e comprometido com a construção de um país mais justo e democrático", escreveu Rui Falcão, deputado federal paulista e ex-presidente nacional do partido. "Torturado pela ditadura , não recuou. No PT Estadual, fomos da mesma Executiva. E assim viramos amigos. Meu profundo pesar e solidariedade a todos os familiares", afirmou o colega Arlindo Chinaglia.

"Companheiro querido, homem fraterno e referência de compromisso público e político no Brasil", definiu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), de quem Frateschi foi secretário na prefeitura de São Paulo. "Foi defensor incansável da democracia, com coragem e determinação".

O deputado estadual paulista Emídio de Souza, um dos fundadores do PT, disse estar "devastado pela notícia" e disse que "Paulão" foi um "militante exemplar, sempre somando na luta por justiça". Jaques Wagner, senador pela Bahia e ex-ministro, disse que Frateschi foi um "quadro histórico" do PT e "será sempre um exemplo de alguém que jamais abriu mão do compromisso de lutar por um Brasil melhor e mais justo para todos nós". Fonte: https://oglobo.globo.com

Lula se encontra com papa Leão XIV no Vaticano, fala sobre a fome e faz convite para a COP 30

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Publicado em 13 outubro 2025
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  • primeira-dama Janja da Silva

Presidente desembarcou em Roma no domingo (12) para participar da Semana Mundial da Alimentação, liderada por organismo multirateral da ONU.

 

 

Lula se encontra com Papa — Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

 

Por Aline Freitas, Afonso Ferreira, Ana Flávia Castro, g1 — Brasília

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta segunda-feira (13) com papa Leão XIV, no Vaticano. A informação foi divulgada em comunicado oficial da Santa Sé.

Lula desembarcou em Roma neste domingo (12) para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, principal evento anual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A visita do presidente marca as comemorações pelos 80 anos de criação da FAO e ocorre em um momento simbólico, meses após o anúncio da saída do Brasil do Mapa da Fome.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva se reuniram nesta segunda-feira (13) com o papa Leão XIV, no Vaticano.

Na ocasião, Lula parabenizou o pontífice pela liderança na Igreja Católica e aproveitou a ocasião para convidá-lo a participar da COP 30, que será realizada em novembro, em Belém (PA).

"Convidei-o a vir à COP30, considerando a importância histórica de realizarmos uma Conferência do Clima pela primeira vez no coração da Amazônia. Por conta do Jubileu, o Papa nos disse que não poderá participar, mas garantiu representação do Vaticano em Belém", prosseguiu.

Lula desembarcou em Roma neste domingo (12) para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, principal evento anual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A visita do presidente marca as comemorações pelos 80 anos de criação da FAO e ocorre em um momento simbólico, meses após o anúncio da saída do Brasil do Mapa da Fome, de acordo com o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025), divulgado em julho.

"Falei ao Papa sobre minha participação hoje no encontro da FAO e como em dois anos e meio tiramos pela segunda vez o Brasil do Mapa da Fome. E, agora, estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza", afirmou o presidente em uma rede social, após o encontro.

Ainda na segunda-feira (13), também na sede da FAO, o presidente Lula encerrará a Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Ele vai inaugurar o espaço que sediará o Mecanismo de Apoio da Aliança, que funcionará como o secretariado da iniciativa.

Em conversa com jornalistas na última quarta-feira (8), o coordenador-geral de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério das Relações Exteriores, ministro Saulo Arantes Ceolin, afirmou que a presença de Lula nos eventos reforça a relação histórica e estratégica entre o Brasil e a FAO.

“O objetivo principal da viagem é esse: prestigiar o Fórum e, sobretudo, comemorar o aniversário da organização, que é tão importante e com a qual o Brasil mantém uma relação robusta há décadas", disse Ceolin.

 

Primeiro encontro com o papa

Esta é a primeira vez que Lula se reúne com o papa Leão XIV, sucessor do papa Francisco. O encontro entre os dois líderes estava sendo costurado pelo governo brasileiro nos últimos dias.

Segundo fontes do Itamaraty, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, duas vezes por telefone durante a última semana. A reunião entre Lula e o papa Leão XIV também foi articulada com a embaixada brasileira na Itália junto à Santa Sé.

"Parabenizei o Santo Padre pela Exortação Apostólica Dilexi Te e a sua mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que precisa ser lido e praticado por todos".

Lula também disse que o pontífice pretende visitar o Brasil em um momento oportuno.

"Será muito bem recebido, com o carinho, o acolhimento e a fé do povo brasileiro. Lembrei que ontem tivemos uma demonstração imensa dessa fé no Círio de Nazaré e nas comemorações do Dia de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil".

A última ida de Lula para Roma foi em abril deste ano, para participar do velório do papa Francisco, que faleceu em 21 de abril, aos 88 anos, após um acidente vascular cerebral (AVC) e em decorrência de uma insuficiência cardíaca.

Além de Lula e Janja, também participaram do encontro os ministros Mauro Vieira, Wellington Dias e Paulo Teixeira, a senadora Ana Paula Lobato, a presidenta da Embrapa Silvia Massruhá e o embaixador do Brasil junto ao Vaticano, Everton Veira. Fonte: https://g1.globo.com

O Brasil ganha quando o bolsonarismo perde

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Publicado em 29 setembro 2025
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  • bolsonarismo
  • presidente Lula da Silva,

Não estão sendo dias fáceis para Bolsonaro e sua grei, após uma série de reveses políticos e judiciais. É possível que o bolsonarismo se recupere, mas, enquanto isso, o País respira melhor

 

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu fiel amigo blogueiro, Paulo Figueiredo, e outros empedernidos soldados bolsonaristas até que tentaram disfarçar o desconforto e entoar uma mensagem triunfante, mas os últimos dias sacramentaram uma tendência inquestionável: a sucessão de derrotas políticas deixou o bolsonarismo ainda mais enfraquecido e isolado. Pode-se atribuir seus reveses a uma suposta perseguição política do Judiciário, a uma eventual traição do Centrão, ao nono círculo do inferno de Dante, a uma maré de azar ou aos efeitos tardios do Mercúrio retrógrado passado, mas nada disso esconde o essencial, isto é, está-se diante de uma espiral descendente que atormenta o bolsonarismo. E quando este perde, é o Brasil que ganha.

A malaise bolsonarista chegou ao ápice na Assembleia-Geral da ONU, onde Donald Trump fez a inesperada declaração sobre a “excelente química” que sentiu nos poucos segundos de conversa que teve com o presidente Lula da Silva. Trump não só mencionou o demiurgo petista de forma positiva, depois de jamais citá-lo em declarações anteriores, como anunciou um encontro entre os dois e nem sequer citou o nome de Jair Bolsonaro. Pode não dar em nada, mas o gesto já é o suficiente para promover algo impensável até aqui – um canal de diálogo e negociação entre os dois mandatários. É tudo o que os Bolsonaros mais abominam, já que, dispostos a tudo em nome dos interesses do mito fundador do bolsonarismo, usaram seus contatos no governo americano para chantagear o Brasil e suas instituições.

Mas houve mais. As mais recentes manifestações de rua, por exemplo, mostraram o tamanho da insatisfação dos brasileiros contra a blindagem de parlamentares ante investigações criminais e a concessão de anistia “ampla, geral e irrestrita” a Jair Bolsonaro e outros golpistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se é um erro reduzir os protestos a um triunfo da esquerda, também é um erro negar que o número de manifestantes em todas as capitais no fundo mostrou que Bolsonaro não é mais senhor das ruas. A eloquência da reação popular arrefeceu ainda mais o entusiasmo do Congresso para a anistia – uma agenda que já deveria estar sepultada – e para proteger a si mesmo.

Além disso, a Procuradoria-Geral da República denunciou o deputado Eduardo Bolsonaro por “coação” na Ação Penal 2.668, que julga a trama golpista; o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a tentativa do PL de blindar o filho “Zero Três” das ausências às sessões da Casa, um dos caminhos possíveis para cassar-lhe o mandato; o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo que pede a sua cassação por agir contra os interesses brasileiros, trabalhar a favor de sanções dos EUA a autoridades brasileiras, atacar o STF e incitar a ruptura democrática; e partidos do Centrão vêm fazendo acenos a uma candidatura à Presidência que não leve o sobrenome Bolsonaro.

O infortúnio parece evidente e não é fruto apenas das circunstâncias externas. É resultado sobretudo dos próprios erros e da fadiga nacional com esses inconformados com a democracia. Recorde-se que Bolsonaro se elegeu num tsunami conservador e antissistema. Entre outras bandeiras, propunha o amor à Pátria contra a ordem globalista que violava a soberania nacional e a rejeição à velha política, vista como corrupta. Acreditou quem quis. Em sua cruzada, trabalhou para minar a Justiça Eleitoral, sucumbiu à velha política, atacou a democracia, tentou dar o golpe e foi vencido, limitado pelos diques de contenção das instituições democráticas. A partir daí, o bolsonarismo se restringiu a uma pauta única: livrar o seu principal líder do julgamento e da cadeia. Nada mais lhe importa – nem mesmo a Pátria.

Ainda é válida a velha máxima cunhada pelo ex-governador mineiro Magalhães Pinto, segundo a qual política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou. Não está escrito nas estrelas, portanto, nem que o calvário bolsonarista prosseguirá nem que seus métodos conseguirão seduzir alguém fora do mais restrito grupo de liberticidas inconsequentes. Mas considerando a atual direção e ritmo dos ventos, o Brasil pode começar a vislumbrar como real a chance de se ver livre dessa força política reacionária e destrutiva que tanto mal vem fazendo ao País. Fonte: https://www.estadao.com.br

O Senado não fez mais que a obrigação

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Publicado em 25 setembro 2025
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  • PEC da Blindagem,
  • A Câmara dos Deputados

Ao rejeitar a PEC da Blindagem, o Senado apenas enterrou o monstrengo fuzilado pela sociedade indignada – que deve permanecer alerta, pois o espectro do corporativismo criminoso segue vivo

 

A Câmara dos Deputados escreveu uma das páginas mais vergonhosas da história republicana ao aprovar a chamada “PEC da Blindagem” – ou da “Impunidade”, ou da “Bandidagem”, como queiram. Com ela, os deputados, a título de defender prerrogativas parlamentares, assinaram um pacto de autoproteção criminosa. Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou in totum, por 26 votos a 0, a aberração. Fez bem – mas não fez mais do que a obrigação.

A proposta exumava, em versão ainda mais obscena, o sistema de licença prévia do Congresso para processar parlamentares, mecanismo que vigorou entre 1988 e 2001 e que resultou em quase 300 pedidos de investigação barrados – contra apenas um autorizado. A impunidade de Hildebrando Pascoal, o “deputado da motosserra”, acusado de comandar homicídios brutais e de envolvimento com o narcotráfico, é o emblema desse período de vergonha. Foi justamente para pôr fim a essa era de impunidade que se aprovou a Emenda Constitucional n.º 35/2001. A Câmara, duas décadas depois, quis ressuscitar o cadáver político da licença prévia, pervertendo não só os mais elementares princípios republicanos, mas também o simples bom senso.

Não parava aí. A PEC previa que as decisões sobre prisão em flagrante e formação da culpa fossem tomadas em votação secreta pelo plenário – devolvendo ao submundo o que a Emenda Constitucional n.º 76/2013 havia trazido à luz da transparência. Estendia foro privilegiado a presidentes de partidos, cargo sem função estatal. E hipertrofiava a inviolabilidade parlamentar, tornando-a salvo-conduto absoluto contra qualquer responsabilização. Imunidade pervertida em impunidade, prerrogativa degenerada em privilégio.

Alguns deputados tentaram traficar a falácia de que se tratava de resgatar o “texto original” da Constituição. É um sofisma pernicioso. O dispositivo da licença prévia foi concebido em um contexto de transição democrática, para resguardar os mandatos depois de duas décadas de cassações arbitrárias promovidas pelo regime militar. Hoje, num regime democrático consolidado, o artifício não protege a democracia, mas os corruptos; não defende a liberdade de representação, mas facilita a infiltração do crime organizado no Parlamento. A pretexto de restaurar uma letra morta, a Câmara seviciou o espírito da Constituição.

A indecência foi aprovada com articulação consciente do Centrão e a cumplicidade covarde do presidente da Casa, Hugo Motta. Não houve engano, não houve distração: houve dolo legislativo. O súbito surto de “arrependimento” de alguns deputados, após a reação das ruas e das redes sociais, é oportunismo puro. “Ninguém votou sem saber”, como lembrou o senador Otto Alencar. As desculpas posteriores, de petistas a bolsonaristas, foram apenas exercícios performáticos de marketing de danos.

Coube à sociedade o papel de verdadeiro freio. O recado das multidões nas ruas foi contundente: os brasileiros não toleram um Congresso acima da lei. O Senado, sensível ao custo político das eleições majoritárias e pressionado pela opinião pública, agiu como barreira. Seja pela virtude de alguns ou por instinto de sobrevivência de todos, os senadores rasuraram uma das páginas mais vergonhosas da história do Congresso. Mas não há como apagá-la.

Que ela sirva de lição. A “PEC da Blindagem” não foi acidente, mas sintoma de um padrão corrosivo: o corporativismo voraz que converte o Legislativo em condomínio de interesses privados, blindado contra a Justiça e a sociedade. Esse mesmo espírito explica o uso predatório das emendas orçamentárias, a conivência com “devedores contumazes” ou vendetas contra o Banco Central. É a lógica de um poder capturado, divorciado da nação que deveria representar.

Arquivar a PEC foi o primeiro passo. O segundo é cobrar responsabilidades de quem a patrocinou e blindar – agora sim, de forma legítima – a Constituição contra novos truques regimentais que disfarçam privilégios como “prerrogativas”. A sociedade mostrou que não está anestesiada. A democracia só se sustenta quando a lei vale para todos. E igualdade perante a lei não se negocia. Fonte: https://www.estadao.com.br

É isto uma democracia?

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Publicado em 19 setembro 2025
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A pretexto de reagir ao assassinato de um ativista conservador, Trump coloca a máquina do Estado contra quem ele considera dissidente. É um desastre moral para o outrora ‘farol da democracia’

 

O tiro que matou o ativista conservador Charlie Kirk acertou em cheio a jugular da democracia liberal americana. O atentado foi um ataque ao mecanismo que permite cidadãos resolverem conflitos sem se ferirem: a palavra. “Quando as pessoas param de conversar, é aí que você tem violência.” Essa verdade, dita pelo próprio Kirk, deveria guiar a reação. Em vez disso, o que se vê é o emprego do aparato persecutório do Estado para punir quem fala o que desagrada. É uma violação legal e um desastre moral.

A esquerda iliberal há anos equipara palavras a “violência”, cria categorias elásticas como “discurso de ódio” e aplaude o cancelamento. O resultado está à vista nas universidades: uma geração treinada a ver o dissenso como agressão e disposta a aceitar a agressão como resposta ao dissenso. Pesquisas mostram que um em três estudantes considera justificável “em alguns casos” usar violência para impedir um orador. Essa corrosão ajuda a explicar por que tantos celebraram a morte de um adversário. Eles merecem reprovação moral e contestação pública, não linchamentos digitais.

Seria de se esperar da direita um contrapeso. Mas o que se vê é o trumpismo copiar o manual que condenava. No país cuja Suprema Corte definiu que mesmo ideias odiosas são protegidas pela Primeira Emenda, salvo em caso de risco de violência claro e iminente, a secretária de Justiça prometeu “ir atrás” de quem praticar “discursos de ódio”. O vice-presidente incentiva patrulhas virtuais contra os que zombaram da tragédia. O chefe da agência reguladora de radiodifusão ameaça cassar licenças para constranger emissoras. E o próprio presidente volta a mover ações bilionárias contra jornais e jornalistas, e fala em classificar entidades civis como “terroristas” ou em revogar isenções fiscais por motivos políticos. Isso não é justiça. É justiçamento e perseguição.

Adicionando insulto à agressão, tal comportamento trai o legado de Kirk da maneira mais brutal. Seu trabalho – controvertido no conteúdo, claro no método – era interpelar, ouvir, responder, insistir. Mas a direita trumpista aproveita-se do luto como combustível para uma cruzada punitiva, equiparando palavras a violência para justificar coerção oficial. O resultado previsível é mais silêncio forçado, mais ressentimento, mais incentivos a soluções de força. Repressão não desarma radicais; oferece-lhes a narrativa de mártir e empurra moderados para a autocensura.

Uma sociedade livre precisa de dois princípios gêmeos: tolerância máxima ao discurso e tolerância zero à violência. O primeiro não é um favor ao “nosso lado”; é um seguro democrático para todos, especialmente minorias e dissidentes. Foi essa aposta que fez dos EUA uma exceção: nazistas e comunistas podem marchar; fanáticos, insultar; artistas, ultrajar – e a resposta legítima é crítica, protesto, sátira, boicote e mais discurso. O segundo princípio protege o primeiro: quem ameaça, agride, bloqueia palestras ou destrói propriedade para calar o outro deve ser contido e punido, com o rigor da lei.

Os americanos sabem, por amarga experiência, que a censura não reduz ódio; empurra-o para subterrâneos onde se radicaliza. E sabem, por tradição constitucional, que “discurso de ódio” não é categoria jurídica. O caminho civilizado é outro: proteger a praça pública, reforçar a segurança de eventos controversos, punir quem recorra à força e recusar que governos, de esquerda ou de direita, transformem o gosto do príncipe em lei. Há espaço para decência privada – inclusive demitir quem viola códigos internos –, mas não para a polícia das opiniões.

O futuro da democracia americana dependerá da capacidade de lideranças e instituições de rejeitar o iliberalismo, venha de onde vier. Isso exige, mais do que decretos e coletivas, coragem cívica. Coragem de suportar o abjeto sem criminalizá-lo; de discutir com quem erra sem destruí-lo; de lembrar, em meio ao trauma, que o antídoto da violência é mais debate, não menos. Quem quiser honrar a vítima, que honre o princípio pelo qual viveu e morreu: a máxima tolerância à opinião e a intolerância absoluta à violência. Fonte: https://www.estadao.com.br

A Câmara esbofeteia o Brasil

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Publicado em 18 setembro 2025
  • Proposta de Emenda à Constituição,
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Ao aprovar PEC da Blindagem, Câmara transforma mandatos em escudos de impunidade, violenta a Constituição, trai a representação popular e abre as portas do Congresso para o crime organizado

 

A Câmara escreveu uma das páginas mais vergonhosas de sua história ao aprovar, no dia 16 passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, a chamada PEC da Blindagem. Como se sabe, pretende-se tornar deputados e senadores praticamente inimputáveis ao impedir que sejam investigados, processados e até presos em flagrante por crime inafiançável sem que para tanto haja licença prévia de suas respectivas Casas Legislativas. Há poucos dias, o Estadão revelou que entre 1988 e 2001, período em que a licença prévia vigorou no País, só uma mísera vez o Congresso autorizou que um de seus membros fosse investigado pelos crimes de que foi acusado. O que reinou foi o espírito de corpo, quando não o compadrio.

Não satisfeitos em esbofetear a sociedade legislando escancaradamente em causa própria, mais de 340 deputados ainda violentaram a Constituição em seu princípio mais elementar – a igualdade de todos perante a lei. Até para os padrões desta legislatura é espantosa a desfaçatez com que a Câmara traiu sua missão de ser “a tribuna onde a Nação fala”, para lembrar Ruy Barbosa, um gigante do Parlamento brasileiro. Sob a falsa justificativa de proteger o mandato parlamentar de supostos “abusos” e “atropelos” que teriam sido cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os deputados decidiram colocar-se acima da lei, nada menos, furtando-se em responder pelos crimes que vierem a cometer.

Nesse sentido, a PEC da Blindagem, que bem poderia ser chamada de PEC da Impunidade, deve ser vista como um ataque frontal à democracia representativa. Se promulgada, estará criado o ambiente no qual bandidos poderão ficar impunes apenas porque lograram obter um mandato eletivo. Deputados de todos os matizes ideológicos, do governo e da oposição, deram-se as mãos para escarnecer dos eleitores.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), um anão diante da grandeza institucional do seu cargo, abusou da má-fé e afrontou a inteligência alheia em seu discurso em defesa da PEC da Blindagem. Em tom solene que mal escondia a desfaçatez, Motta ignorou a história da Nova República e distorceu o contexto da Assembleia Nacional Constituinte disseminando a lorota de que a Casa, ora vejam, só estaria restaurando o texto original da Carta de 1988. É preciso recordar, então, que o dispositivo da licença prévia, àquela época, era a resposta idealizada a um momento da vida nacional totalmente distinto. O Brasil mal havia saído de uma ditadura militar. Os constituintes originários buscavam proteger o mandato parlamentar de eventuais arbitrariedades em uma transição de regime ainda em andamento.

A realidade hoje é completamente diferente. O regime democrático está consolidado. Parlamentares já têm assegurada pela Lei Maior a inviolabilidade civil e penal por suas opiniões, palavras e votos. Ademais, há quase 40 anos, o País não estava assolado pela infiltração de organizações criminosas de caráter mafioso no sistema político nem tampouco pela rapinagem de recursos bilionários do Orçamento por meio de emendas parlamentares – é contra a investigação desses desvios que os deputados querem se proteger.

Como se nada disso bastasse, a PEC da Blindagem ainda é um convite para que membros de facções como o PCC e o Comando Vermelho entrem no Congresso pela porta da frente. Se antes as organizações criminosas já exploravam o mandato de maus parlamentares como espécie de casamata em defesa de seus interesses no Legislativo, agora têm o incentivo adicional para financiar candidaturas de seus próprios gângsteres e, assim, blindá-los do alcance da lei sem intermediários. O que a Câmara aprovou, portanto, foi um programa de fomento à criminalidade política no País.

Agora resta torcer para que o Senado se erga como o adulto na sala desta república tão maltratada e enterre de vez a ignomínia que passou na Câmara, resgatando alguma aura de decência para o Congresso perante a opinião pública. A democracia brasileira estará novamente sob risco se a Casa Alta for cúmplice de uma delinquência política, nada menos. Não à toa, a eleição para o Senado no ano que vem tem despertado a atenção de muita gente – não necessariamente gente bem-intencionada. Fonte: https://www.estadao.com.br

 

O que falta para cassar Eduardo?

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Publicado em 16 setembro 2025
  • Supremo Tribunal Federal,
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  • mandato de Eduardo Bolsonaro

Se tolerar a apologia de uma ação militar dos EUA contra o Brasil feita pelo filho de Bolsonaro, a Câmara dará uma banana para o País e se assumirá como valhacouto de canalhas

 

A cada dia em que preserva o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um impatriota que se homizia nas prerrogativas de deputado licenciado, a Câmara falha miseravelmente em cumprir sua missão de honrar a representação popular, essência da democracia representativa. Sob risco de ser tida como cúmplice das ações de lesa-pátria perpetradas por esse traidor do Brasil, a Casa precisa, de uma vez por todas, livrar-se de um estorvo que trabalha dia e noite para desmoralizá-la.

Por mais óbvia que seja, a pergunta se impõe: afinal, o que falta para a cassação de Eduardo Bolsonaro? Sua mais recente infâmia, que decerto não será a última, foi endossar uma ameaça feita poucos dias atrás pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que os EUA, pasme o leitor, poderiam enviar “caças F-35 e navios de guerra” ao Brasil em represália à condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Ora, se a apologia de uma intervenção militar estrangeira contra o País não se enquadra como quebra do decoro parlamentar, o vale-tudo está autorizado e a transformação da Câmara em um valhacouto de canalhas é mera questão de tempo.

As ações de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil nos EUA são tão perniciosas que fazem até seu pai, um dos piores deputados que já passaram pela Câmara desde 1824, parecer um bufão. Indagado sobre o risco de brasileiros inocentes serem mortos nessa hipotética ação militar norte-americana para evitar que seu pai vá para a cadeia, o ainda deputado reagiu com absoluto descaso, afirmando que “pessoas inocentes já estão se ferindo” – em referência aos golpistas condenados pelo ataque do 8 de Janeiro, entre eles seu pai. Eduardo Bolsonaro não apenas relativiza o sofrimento real que uma guerra, ainda que hipotética, imporia à população brasileira, como rebaixa a atividade parlamentar a um exercício de má-fé baseado no egoísmo e no desprezo pela vida humana.

Seu caso é o mais aviltante, mas não é exceção. Carla Zambelli (PL-SP), outra criminosa condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fugiu do País para escapar da pena e está presa na Itália, onde aguarda o término do processo de extradição para o Brasil. É mais uma que permanece deputada a despeito do extenso rol de atos que protagonizou contra a dignidade parlamentar. Seu correligionário Alexandre Ramagem (PL-RJ), também um criminoso condenado pelo STF, há de ter o mandato cassado em cumprimento do art. 55, inciso VI, da Constituição assim que a sentença penal condenatória transitar em julgado.

A mera possibilidade de deputados desse jaez seguirem detentores de mandato parlamentar é um atentado contra a dignidade e a credibilidade da Casa de Ulysses Guimarães, de resto já tão abaladas por outra gama de malfeitos de seus membros. A higienização institucional, portanto, não é apenas um dever político da Câmara, é uma necessidade democrática. Nesse sentido, o paralelo histórico é incontornável. Em 1999, o então deputado Jair Bolsonaro escapou da cassação depois de ter defendido o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso e ter pregado, reiteradas vezes, o fechamento do Congresso. A Câmara, à época, trilhou o caminho da indulgência. É ocioso descrever as consequências da pusilanimidade.

A cassação de Eduardo Bolsonaro, portanto, impõe-se como uma questão de honra institucional, apreço pela democracia representativa e respeito pelo Regimento Interno e pela Constituição. Não deve ser objeto de conchavos partidários entabulados nas sombras nem de cálculos eleitorais oportunistas. A Câmara não pode se apequenar diante de comportamentos que atentam contra valores republicanos dos mais comezinhos. A resposta às ignomínias do sr. Eduardo Bolsonaro deve ser clara, pública e altiva: há limites que não podem ser ultrapassados no exercício da representação parlamentar – e a defesa de uma intervenção militar estrangeira é um desses limites intransponíveis.

A sociedade não pode assistir passivamente a seus representantes conspirarem contra o próprio país. Se a Câmara não agir agora, a História cobrará, como já cobrou no passado, o preço dessa inaceitável omissão. Fonte: https://www.estadao.com.br 

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