Olhar Jornalístico

Coronavírus: pastor que chamou epidemia de 'histeria' morre após participar de carnaval

Detalhes
Publicado em 07 abril 2020
  • epidemia

Coronavírus: pastor que chamou epidemia de 'histeria' morre após participar de carnaval

Landon Spradlin, de 66 anos, viajara para pregar no carnaval de Nova Orleans; pouco após compartilhar postagens criticando a mídia e comparando Covid-19 a gripe suína, era levado ao hospital.

 

O pastor Spradlin (no meio, de boné) e Jean (no teclado) tocando durante o mardi gras — Foto: Arquivo pessoal

 

O pastor Landon Spradlin não estava preocupado com o coronavírus quando viajou a Nova Orleans, nos Estados Unidos, para pregar durante o mardi gras — o festival de carnaval celebrado em março na cidade americana. Um mês depois, Landon, de 66 anos, estava morto.

Após o festival, quando já tinha sintomas da doença, o pastor postou nas redes sociais sobre a "histeria" em relação à Covid-19. Em 13 de março, compartilhou no Facebook uma postagem em que as mortes por Covid-19 eram comparadas às da gripe suína e que trazia números falsos.

A postagem também sugeria que o presidente Donald Trump fora tratado de forma "desigual" pela mídia, na comparação com o ex-presidente Barack Obama, e que as notícias sobre a doença eram um complô para prejudicar a imagem de Trump. No mesmo dia, mais cedo, em uma coletiva de imprensa, o próprio presidente americano tinha dito algo parecido.

Agora, a família de Landon — mulher e cinco filhos — esperam que a pandemia causada pela covid-19 passe, para poderem realizar um velório em memória ao ente falecido.

Por enquanto, houve apenas um enterro no qual poucas pessoas compareceram, incluindo um guitarrista de blues que tocou ao lado do caixão.

"Ele amava rir, amava tocar guitarra", lembra uma das filhas de Ladon, Jesse Spradlin. "Era o melhor homem do mundo."

 

Pregação no festival

Há pouco mais de um mês, Landon, que tinha 66 anos, foi de carro com sua esposa Jean da casa deles na Virgínia para o Estado da Louisiana, a 1,5 mil km de distância. Ele viu o mardi gras como uma oportunidade de, através da música, "salvar as almas de algumas das centenas de milhares de pessoas" que estariam nas ruas.

Duas de suas filhas, que vieram do Texas, também o acompanharam.

"Sua missão era ir a pubs, clubes noturnos e bares para tocar blues e se conectar com os músicos, falando do amor de Jesus", conta a filha Jesse, de 28 anos.

"O mardi gras em Nova Orleans é como a Times Square em Nova York durante o ano novo", diz ela. "É um mar de gente bebendo e festejando. Ele falou muito, riu. Estava à vontade."

Spradlin tocava guitarra desde os quatro anos de idade e, em 2016, foi incluído no Hall da Fama do Blues de Virgínia. A religião, diz a família, o salvou o alcoolismo e do vício em drogas que o acometeram aos 20 e poucos anos.

Nos anos mais recentes, o pastor estava realizando o sonho de pregar através da música — e sua experiência difícil com drogas o tornava mais próximo de pessoas que se sentem tristes e excluídas, algo com o qual ele conseguia se identificar.

No mardi gras, a banda da família tocou em uma praça movimentada, sem perceber a ameaça à qual estavam expostos. Eles não foram os únicos. Ainda que já tivesse passado um mês desde o primeiro caso confirmado de coronavírus nos Estados Unidos, o mardi gras foi adiante normalmente.

As autoridades locais agora acusam o governo americano de negligência e da falta de esforços coordenados para evitar novas contaminações.

Entre os casos suspeitos na Lousiania, estava Spradlin, mas exames apontaram resultado negativo para a covid-19. Foi quando postou nas redes sociais sobre a "histeria" em torno do vírus.

'Eu apenas disse: você precisa chegar em casa. Mas ele não conseguiu'

Landon Isaac, 32, filho do pastor, me contou que ele e o pai haviam conversado e concordado sobre o que consideravam ser um frenesi irracional e um medo do vírus motivado, talvez, pelo ano eleitoral nos Estados Unidos.

"Quero destacar que papai não achava que era uma farsa, ele sabia que era um vírus real", diz Landon Isaac.

"Mas ele publicou aquela postagem porque estava frustrado com mídia propagando o medo como principal forma de comunicação."

Em meados de março, porém, a saúde do pastor Spradlin subitamente piorou. Ele e sua esposa decidiram fazer, mesmo assim, a longa viagem de volta para casa, de Nova Orleans à Virgínia.

"Falei com meu pai cinco minutos antes de ele desmaiar, na Carolina do Norte", lembra o filho do pastor. "Posso dizer que percebi a respiração dele ficando ruim. Eu apenas disse: você precisa chegar em casa. Mas ele não conseguiu."

Spradlin foi levado a um hospital na Carolina do Norte, onde descobriram que seus dois pulmões tinham sido fortemente afetados por uma pneumonia. Neste momento, seu teste para coronavírus também deu positivo.

Após oito dias em uma unidade de terapia intensiva (UTI), o pastor morreu.

"É como se papai fosse nossa coluna de apoio e alguém a derrubasse. Parece que o teto está caindo sobre todas as nossas cabeças agora", lamenta Landon Isaac. Por dias, Isaac e suas quatro irmãs tiveram que se comunicar com a mãe pela porta de vidro da casa dela. O pequeno funeral veio depois do fim da quarentena da esposa do pastor, Jean.

"Nunca pensamos que nosso pai fosse morrer por causa disso. Mas ele não era o tipo de pessoa a viver apenas de medo, deixando que sua alegria de vida fosse roubada", diz Jesse Spradlin.

 

Polarização política e coronavírus

Ela diz que o pai desconfiava da mídia, o que contribui para o pouco caso que fazia dos perigos do coronavírus.

"Fiquei frustrada pela mídia ser muito pautada por uma agenda política — de todos os lados. Sinto que a questão do coronavírus se transformou em algo de 'partido contra partido', em vez de uma nação sob Deus", diz ela.

Para Jesse, a polarização política, que atingiu também a mídia americana, torna difícil saber em que acreditar. De fato, é impressionante como a opinião de cada americanos sobre a pandemia praticamente varia conforme sua posição política. Pesquisas mostram que os republicanos estão mais inclinados a pensar que há uma reação exagerada ao coronavírus; já os democratas, que a situação não está sendo levada a sério o suficiente.

Jesse sente que a magnitude da crise que tirou a vida de seu pai indica que estas disputas não podem mais continuar assim.

"Ainda há muitas notícias pautadas por uma agenda política, mesmo que as pessoas estejam morrendo", diz ela.

"Isso está afetando nosso país e, a menos que comecemos a agir como uma nação, não encontraremos realmente uma solução. Mas, para que isso aconteça, é necessária uma certa humildade." Fonte: https://g1.globo.com

Evangelho do dia com Frei Carlos Mesters, O. Carm., terça-feira, 7 de abril-2020.

Detalhes
Publicado em 07 abril 2020
  • EVANGELHO DO DIA,
  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
  • Biblista Frei Carlos Mesters,
  • Semana Santa,
  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

2) Leitura do Evangelho  (João 13, 21-33.36-38)

21Depois de dizer isso, Jesus ficou interiormente perturbado e testemunhou: “Em verdade, em verdade, vos digo: um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem estava falando. 23Bem ao lado de Jesus estava reclinado um dos seus discípulos, aquele que Jesus mais amava. 24Simão Pedro acenou para que perguntasse de quem ele estava falando. 25O discípulo, então, recostando- se sobre o peito de Jesus, perguntou: “Senhor, quem é?” 26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der um bocado passado no molho”. Então, Jesus molhou um bocado e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do bocado, Satanás entrou em Judas. Jesus, então, lhe disse: “O que tens a fazer, faze logo”. 28Mas nenhum dos presentes entendeu por que ele falou isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus estava dizendo: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa para os pobres. 30Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, Jesus disse: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, Deus também o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo eu ainda estou convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’. 36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, não podes seguir-me agora; mais tarde me seguirás”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei minha vida por ti!” 38Jesus respondeu: “Darás tua vida por mim? Em verdade, em verdade, te digo: não cantará o galo antes que me tenhas negado três vezes. Palavra da salvação

 

3) Reflexão

Estamos na terça feira da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à prisão e à condenação de Jesus. Os textos não trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, mas também relatam as traições e negações dos próprios discípulos que possibilitaram a prisão de Jesus pelas autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus. 

João 13,21: O anúncio da traição.  Depois de ter lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e de ter falado da obrigação que temos de lavar os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comoveu profundamente. E não era para menos. Enquanto ele estava fazendo aquele gesto de serviço e de total entrega de si mesmo, ao lado dele um discípulo estava tramando a maneira de como traí-lo naquela mesma noite. Jesus expressa a sua comoção e diz: “Em verdade lhes digo: um de vocês vai me trair!” Não diz: “Judas vai me trair”, mas “um de vocês”. É alguém do círculo da amizade dele que vai ser o traidor”.

João 13,22-25: A reação dos discípulos.  Os discípulos levam susto. Não esperavam por esta declaração tão séria de que um deles seria o traidor. Pedro faz um sinal a João para ele perguntar a Jesus qual dos doze iria cometer a traição. Sinal de que eles nem sequer desconfiavam quem pudesse ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles ainda não tinha chegado à mesma transparência de Jesus para com eles (cf. Jo 15,15). João se inclinou para perto de Jesus e perguntou: “Quem é?”

João 13,26-30: Jesus indica Judas.  Jesus disse: é aquele a quem vou dar um pedaço de pão umedecido no molho. Ele pegou um pedaço de pão, molhou e deu a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam fazer entre si. E Jesus disse a Judas: “O que você tem que fazer, faça logo!” Judas tinha a bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e de dar esmolas para os pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anúncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: “Até o meu amigo, em quem eu confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair” (Sl 41,10; cf. Sl 55,13-15). Judas percebeu que Jesus estava sabendo de tudo (Cf. Jo 13,18). Mesmo assim, não voltou atrás, e manteve a decisão de trair Jesus. É neste momento que se opera a separação entre Judas e Jesus. João diz que o satanás entrou nele. Judas levantou e saiu. Ele entrou para o lado do adversário (satanás). João comenta: “Era noite”. Era a escuridão.

João 13,31-33: Começa a glorificação de Jesus.   É como se a história tivesse esperado por este momento da separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entraram em Judas quando ele decidiu de executar o que estava tramando. Neste mesmo momento se fez luz em Jesus que declara: “Agora o Filho do Homem foi glorificado, e também Deus foi glorificado nele. Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo!”  O que vai acontecer daqui para frente é contagem regressiva. As grandes decisões foram tomadas, tanto da parte de Jesus (Jo 12,27-28) e agora também da parte de Judas. Os fatos se precipitam. E Jesus já dá o aviso: “Filhinhos, é só mais um pouco que vou ficar com vocês”. Falta pouco para que se realize a passagem, a Páscoa.

João 13,34-35: O novo mandamento.  O evangelho de hoje omite estes dois versículos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.

João 13,36-38: Anúncio da negação de Pedro. Junto com a traição de Judas, o evangelho traz também a negação de Pedro. São os dos dois fatos que mais contribuíram para o sofrimento de Jesus. Pedro diz que está disposto a dar a vida por Jesus. Jesus o chama à realidade: “Você dar a vida por mim? O galo não cantará sem que me renegues três vezes”. Marcos tinha escrito: “O galo não cantará duas vezes e você já me terá negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando de manhã cedo o primeiro galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os galos estão cantando. Pedro é mais rápido na negação do que o galo no canto.

 

4) Para um confronto pessoal

1) Judas, amigo, torna-se traidor. Pedro, amigo, torna-se negador. E eu?

2) Colocando-me na situação de Jesus: como enfrenta negação e traição, o desprezo e a exclusão?

 

5) Oração final

És tu, Senhor, a minha esperança, és minha confiança, SENHOR, desde a minha juventude. Sobre ti me apoiei desde o seio materno, desde o colo de minha mãe és minha proteção; em ti está sempre o meu louvor. (Sl 70, 5-6)

Semana Santa: Um Olhar de São Gregório Nacianceno.

Detalhes
Publicado em 04 abril 2020
  • Domingo de Ramos,
  • Homilia da Semana Santa
  • Semana Santa 2020
  • São Gregório Nacianceno

Um dos Pais da Igreja do século IV, Gregório Nacianceno, foi um homem de vasta cultura e um grande teólogo. É venerado tanto na Igreja Latina (católicos ) como nas igrejas orientais ( ortodoxos).

Em um dos seus célebres sermões, São Gregório, convida-nos a entrar na Páscoa e faz isso de forma um tanto " teatral ": Pede-nos para nos identificarmos com algum dos personagens da Paixão e, daí, convida-nos a uma atitude vital e espiritual de fé. É uma "técnica" (muito plástica, muito visual, mas também profunda) que depois seguiram outros grandes mestres espirituais posteriormente.

 

"Se você é Simão Cirineo, pegue sua cruz e siga Cristo.

Se você está crucificado com ele como um ladrão, como o bom ladrão confia em seu Deus.

Se por ti e pelos teus pecados Cristo foi tratado como um malfeitor, foi para que tu chegasse a ser justo.

Adora aquele que por você foi crucificado, e, mesmo que você seja crucificado por sua causa, tire proveito do seu mesmo pecado e compre com a morte a sua salvação.

Entra no paraíso com Jesus e descobre quais bens você tinha privado.

Contempla a formosura daquele lugar e deixe que, fora, fique morto o murmurador com suas blasfêmias.

Se você é José de Arimateia, reclama o corpo do Senhor a quem o crucificou, e faça sua a xxpiação do mundo.

Se você é Nicodemo, aquele que de noite adorava Deus, venha enterrar o corpo, e junte-o com pomadas.

Se você é uma das duas marias, ou Salomé, ou Joana, chora desde o amanhecer; procure ser o primeiro a ver a pedra tirada, e você verá também talvez os anjos ou até mesmo Jesus..."

Domingo de Ramos deve ser celebrado de modo especial em tempos de coronavírus

Detalhes
Publicado em 04 abril 2020
  • CNBB,
  • Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ,
  • Domingo de Ramos,
  • Uma Prece em tempos de Coronavirus
  • tempos de coronavírus
  • Domingo de Ramos online

Domingo de Ramos deve ser celebrado de modo especial em tempos de coronavírus

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida a todos a viverem de forma muito especial o Domingo de Ramos durante a quarentena do coronavírus. Cada um e cada família, em suas casas, são chamados a celebrar o próximo domingo com fé e esperança. Por isso, A CNBB propõe cinco pontos para ajudar os fiéis na celebração do Domingo de Ramos.

 

Vamos celebrar o Domingo de Ramos?

1- Rezar pedindo a graça de bem viver a Semana Santa, ainda que em recolhimento em casa.

2- Colocar no portão ou na porta de casa (em lugar bem visível) alguns ramos. Marcar a casa é uma característica do povo de Deus.

3- Participar das celebrações transmitidas pela televisão ou pelas redes sociais.

4- Comprometer-se a, no futuro, participar ativamente da Coleta da Campanha da Fraternidade. Com ela, ajudamos os mais pobres.

5- Motivar pelas redes sociais, telefonemas ou outros meios que mantenham o distanciamento social, outras pessoas a também celebrarem o domingo de Ramos desse mesmo modo. Fonte: http://www.cnbb.org.br

 

Vaticano confirma seis casos de coronavírus

Detalhes
Publicado em 03 abril 2020
  • Papa Francisco,
  • Casa Santa Marta,
  • coronavírus
  • Religião e Coronavirus
  • Vaticano confirma seis casos de coronavírus
  • coronavírus no Vaticano

Santa Sé garante que o Papa não é um dos positivos, embora um dos contagiados viva na mesma residência do Pontífice

 

O coronavírus também chegou ao Vaticano. A Santa Sé registrou seis casos positivos, segundo divulgou em um comunicado. Um deles, na residência em que o Papa vive. Trata-se de um funcionário da Secretaria de Estado, o principal órgão do Governo do Vaticano, que compartilha a casa com Francisco, contraiu o vírus e está internado em observação em um hospital em Roma. O religioso tinha entrado em isolamento voluntário assim que apresentou alguns sintomas da doença.

O porta-voz do pontífice, Matteo Bruni, confirmou que foram ativadas as medidas de segurança e, entre outras coisas, desinfetados os espaços pelos quais o paciente infectado havia passado. Além disso, foram feitos testes nas pessoas com quem ele teve contato nos dias anteriores. Todos os moradores da Casa Santa Marta, a residência onde o Papa vive, deram negativo e um funcionário que trabalha com o doente na Secretaria de Estado deu positivo. Em suma, foram feitos 170 testes e nem o Papa nem seus colaboradores próximos estão contaminados, segundo Bruni.

O Papa mora em um pequeno apartamento dentro dessa residência de cinco andares e cerca de 130 quartos na qual vivem padres e prelados que trabalham no Vaticano, onde residem cerca de 500 pessoas. No início de seu pontificado, Francisco renunciou às luxuosas acomodações em que os papas habitavam no Palácio Apostólico.

Desde algumas semanas atrás, quando contraiu um resfriado que o obrigou a cancelar grande parte de seus atos, ele praticamente vive em isolamento voluntário em seu apartamento e quase nunca frequenta as áreas comuns da residência, como a sala de jantar, o que costumava fazer. Faz as refeições em seu quarto. Segundo o jornal italiano Il Messaggero, Francisco está tranquilo em relação à sua saúde pessoal e se recusou a deixar sua atual residência. “Não vou embora de Santa Marta”, disse a seus colaboradores.

Ele também não celebra missas nem nenhum tipo de ato com a presença de fiéis. Mantém seus compromissos semanais fixos, como a oração do Angelus aos domingos ou a catequese às quartas-feiras, mas os celebra a portas fechadas e são transmitidos ao vivo em vídeo pela mídia do Vaticano. Se mantém alguma reunião com bispos ou cardeais, faz isso respeitando o protocolo de prevenção e as distâncias de segurança.

Os museus do Vaticano e a Praça de São Pedro estão fechados ao público desde os dias 8 e 10 de março, respectivamente, como precaução para impedir a propagação do vírus. Grande parte dos funcionários da Santa Sé trabalham em casa.

Francisco reza na capela da própria residência de Santa Marta a maioria das missas que celebra pelos doentes da Covid-19, suas famílias, o pessoal de saúde que ajuda a aliviar a emergência e por todas as pessoas que estão lutando contra a pandemia.

Na sexta-feira, ele deu uma histórica benção Urbi et Orbi à cidade e ao mundo, sozinho, na praça São Pedro totalmente vazia, à meia-luz, envolta em silêncio e sob chuva incessante. Em uma cerimônia sem precedentes no Vaticano, o Pontífice também presidiu uma oração extraordinária para invocar o fim da pandemia, diante de diferentes símbolos religiosos, incluindo um crucifixo que foi levado em procissão em 1522 pelos bairros de Roma para pedir o fim da peste que assolava a cidade.

“Fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e violenta. Percebemos que estávamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados; mas, ao mesmo tempo, importantes e necessários, todos chamados a remar juntos, todos necessitados de confortar um ao outro", disse Francisco. Fonte: https://brasil.elpais.com

AO VIVO- CARMO DE ANGRA/RJ. Em tempo de Coronavirus, uma prece (Quinta-feira, 2).

Detalhes
Publicado em 02 abril 2020
  • A Palavra do Frei Petrônio,
  • Angra dos Reis,
  • Carmo de Angra
  • A Palavra do Frei Petrônio ao Vivo,
  • coronavírus
  • Religião e Coronavirus

AO VIVO- CARMO DE ANGRA/RJ. Em tempo de Coronavirus, uma prece por você nesta quinta-feira, dia 2.  www.instagram.com/freipetronio

A ressurreição nos dias de angústia e morte

Detalhes
Publicado em 02 abril 2020
  • ressuscitou,
  • Sinais de Ressurreição,
  • A ressurreição nos dias de angústia e morte
  • Marinella Perroni,
  • Coronavirus e ressurreição
  • Ressurreição e Covid-19
  • Páscoa e coronoavirus
  • Páscoa e pandemia

"A Páscoa está se aproximando, mas hoje mais do que nunca, angústia, desesperança e morte não podem ser classificadas como uma rápida passagem obrigatória em direção à radiante manhã da vitória. O tríduo pascal continuará por longos dias e talvez meses, e teremos que nos perguntar seriamente sobre a advertência de Jesus: 'Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão sinal do profeta Jonas' (Lc 11,29). Palavras dirigidas não a todos, mas aos crentes. Nada será concedido à necessidade de magia mais que de profecia. Nem será o calendário litúrgico que decidirá quanto tempo devemos permanecer este ano na escuridão do ventre da baleia", escreve Marinella Perroni, teóloga e biblista, fundadora da Coordenação das Teólogas Italianas, autora de vários livros, professora no Pontifício Ateneu Santo Anselmo de Roma, em artigo publicado por Il Regno, 28-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

A Páscoa se aproxima, mas o calendário litúrgico e o da epidemia são diferentes: os rigores e o tempo suspenso de uma Quaresma que tomou a cara da quarentena continuará. Então, que sinal há para nós? O sinal de Jonas.

Acrescentar palavras às palavras talvez não deva ser feito. Nem se pode ter a pretensão que as próprias palavras sejam merecedoras de escuta e reflexão mais do que as dos outros. Ainda assim, aquelas vestimentas cor de rosa que alguns presbíteros usaram para celebrar online a Eucaristia no quarto domingo da Quaresma, enviaram um sinal: a Páscoa está chegando. Porque, quando a Quaresma era um período de rígido jejum e privações evidentes, a liturgia convidava a fazer uma interrupção: o roxo dava lugar ao rosa, o canto de entrada se abria com palavras de alegria, era permitido suspender os rigores do jejum para depois repartir para o último trecho de estrada em direção à celebração da mãe de todos as festas, a Páscoa.

Esse sinal ecoa neste tempo blindado, nessa sucessão de dias que são todos iguais, todos pendurados, como a aranha na tela, com poucos fios sutis: a Páscoa está se aproximando, mas não podemos interromper os rigores de uma Quaresma que tomou o nome e as características de uma interminável quarentena, nem sabemos se celebraremos a Páscoa, uma vez que as antigas celebrações religiosas serão impedidas, mas também nos serão proibidos os novos ritos de transumância consumista.

Ministros e ministras de um mundo que já mudou.

Apesar disso, o tumulto de vozes continua a crescer. Elas se perseguem e tentam se sobrepor umas às outras como nunca antes, em uma sarabanda de sinos, megafones, mídia tradicional e novas redes sociais já entupidas de rosários, missas, mil formas diferentes de pregação bíblica ou de exortações espirituais. Chama a atenção a estrondosa oscilação entre reexumações de arcaicas superstições, tão pouco cristãs, e pueris tentativas de recuperar terreno contra a ciência que se impõe com palavras de sabedoria e, ainda mais, com o testemunho de operadores e profissionais da saúde, verdadeiros “ministros” de um mundo já mudado: testemunho em grego se diz martyria, e seu serviço às vezes atinge o martírio; seu “ministério”, aliás, não prevê discriminações, mas vê alinhados na primeira fila tanto homens como mulheres.

Talvez as Igrejas terão que refletir sobre esses homens e mulheres que se parecem com José de Arimateia e Nicodemos, dois discípulos que tiraram na cruz “o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com especiarias” (Jo 19,40) . Esperamos ser capazes de fazê-lo, quando finalmente vermos o final desta “hora” em que a morte parece mais forte do que qualquer esperança, e seremos solicitados a testemunhar que acreditar na ressurreição não significa acreditar no retorno à vida de um cadáver.

Estão se delineando novas formas de sacramentalidade laica, e podemos nos orgulhar disso, porque, se é verdade que a ciência contribuiu e contribui muito para o crescimento da expectativa de vida, é igualmente verdade que, para a beleza e qualidade de vida deram e dão uma contribuição essencial o Evangelho de Jesus, com sua tensão para o Reino de justiça e paz e com seu comando da diaconia, e todos aqueles homens e mulheres que o anunciaram e testemunharam.

 

O sinal do qual repartir

A Páscoa está se aproximando, mas hoje mais do que nunca, angústia, desesperança e morte não podem ser classificadas como uma rápida passagem obrigatória em direção à radiante manhã da vitória. O tríduo pascal continuará por longos dias e talvez meses, e teremos que nos perguntar seriamente sobre a advertência de Jesus: “Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão sinal do profeta Jonas” (Lc 11,29). Palavras dirigidas não a todos, mas aos crentes. Nada será concedido à necessidade de magia mais que de profecia. Nem será o calendário litúrgico que decidirá quanto tempo devemos permanecer este ano na escuridão do ventre da baleia.

Os tempos de fé certamente não são os da epidemia. Por essa razão, no entanto, mesmo sem missas ou passeios, é Páscoa se pudermos entender que apenas um é agora o sinal a partir do qual recomeçar: não devemos procurar entre os mortos aquele que é vivo. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Padres percorrem as ruas das cidades do Brasil levando o Santíssimo Sacramento

Detalhes
Publicado em 01 abril 2020
  • Coronavírus e Missa
  • Padres percorrem as ruas das cidades do Brasil levando o Santíssimo Sacramento

 

Com muitos fiéis seguindo a recomendação de não ir às missas e celebrações para evitar aglomerações de pessoas, por conta do coronavírus, muitos padres estão improvisando maneiras de levar esperança a quem está em casa. O portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conversou com alguns deles para saber sobre suas experiências.

O pároco da Catedral Nossa Senhora de Belém, da diocese de Guarapuava (PR), padre Jean Patrik Soares, por exemplo, percorreu diversas ruas do centro da cidade, em carro aberto, levando o Santíssimo em procissão. No primeiro momento, ele afirmou ter se sentido solitário, pois muitas casas estavam com portas e janelas fechadas. Também afirmou sentir certa rejeição de algumas pessoas. “Elas não entendiam o que estava acontecendo, o que era aquilo”, explica.

O padre contou que percorreu as ruas com um carro de som com músicas de adoração, com o sino tocando. E que foi só depois, aos poucos, que as pessoas começaram a sair nas portas, nas janelas. “Foi um momento de muita emoção. Muitas pessoas se ajoelhavam, choravam, estendiam as mãos como se quisessem pegar”, disse.

Na oportunidade, o padre também passou pela região dos hospitais, onde, de acordo com ele, muitas pessoas acenaram das janelas, das portas. “O retorno principal eu tive depois com as redes sociais, nós tivemos mais de duas mil pessoas, acompanhando ao vivo, a ação”, contou.

Ele explica que o retorno foi positivo, pois muitas pessoas mandaram fotos e mensagens dizendo que estavam o acompanhando de suas casas. “Ao mesmo tempo em que eu me sentia sozinho ali com Jesus, por outro lado eu tive a alegria de saber que eu não estava sozinho, pois muitas pessoas estavam em sintonia, em conexão comigo, conectados virtualmente, mas principalmente na fé”, finalizou.

Em Natal, no Rio Grande do Norte, o padre Carlos Sávio da Costa Ribeiro, pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Impossíveis, percorreu todas as ruas da paróquia com o Santíssimo Sacramento. Ele diz ter ficado emocionado com a comoção das pessoas que estão há um tempo em quarentena. “Quando eu ia passando com o Santíssimo, eu percebia esse desejo, essa vontade de se fazer presente para poder ver e chegar mais próximo da Eucaristia”, conta.

Ele disse que foi encorajado a percorrer as ruas após pedidos dos próprios fiéis que frequentam as missas. “Muitos deles me diziam que estavam com muitas saudades de poder ir à missa, de se encontrar com os irmãos, de comungar, de dar um abraço nas pessoas que gostam e que, de certa forma, convivem com eles”, disse.

O padre levou cinco horas para percorrer as ruas com o Santíssimo em cima de um carro. “As pessoas iam se colocando nas calçadas, muitas delas fizeram altares em suas portas com imagens, alguns prepararam pétalas de flores e quando o carro ia passando iam jogando na rua para acolher o Santíssimo, muitos se ajoelharam, acenaram”, disse.

Para ele, o momento foi muito especial, de muita oração e presença. “Jesus saiu da Igreja e como pastor foi em busca das suas ovelhas”, finalizou.

Em Aparecida, São Paulo, o padre Gustavo Geraldo Pereira Ângelo dos Santos, Vigário da Paróquia de São Roque, também percorreu as ruas da cidade com o Santíssimo Sacramento. “Nós percorremos todas as comunidades, as principais ruas de todas elas. Foi uma experiência muito gratificante, da presença de Deus em nosso meio”, disse. Ainda de acordo com ele, a intenção foi a de justamente fazer com que as pessoas sentissem Jesus andando no meio delas e abençoando suas casas.

Também o padre Sedemir de Melo, da Paróquia do Divino Espírito Santo, da cidade de Camboriú (SC), contou sua  experiência ao motivar as pessoas a saírem em seus portões e janelas, por meio de uma rádio local, para acompanhar a passagem do Santíssimo Sacramento. Fonte: http://www.cnbb.org.br

Armas vencedoras: bênçãos e intercessão com sobrevoos às cidades

Detalhes
Publicado em 31 março 2020
  • coronavírus
  • Religião e Coronavirus
  • pandemia
  • pandemia do coronavírus
  • pandemia de coronavírus
  • Covid-19 e religião
  • arquidiocese de São Luís
  • padre Roney Rocha Carvalho,
  • dom Alberto Taveira Corrêa

Em tempos de coronavírus: algumas arquidioceses do Brasil têm promovido iniciativas para abençoar as cidades que a compõem. São utilizadas as armas vencedoras, como disse o Papa: a oração e o serviço silencioso

 

Cidade do Vaticano

Na intenção pela saúde e proteção do povo de Deus e no propósito de estar sempre próxima, a Igreja busca alternativas para não deixar os fiéis desamparados e sem esperanças diante da pandemia do novo coronavírus. Após a bênção Urbi et Orbi do Papa Francisco, na última sexta-feira, 27, algumas arquidioceses do Brasil têm promovido iniciativas para abençoar as cidades que a compõem. São utilizadas as armas vencedoras, como disse o Papa: a oração e o serviço silencioso.

 

Quem sobrevoava era Jesus Sacramentado

Em Goiânia (GO), o arcebispo, dom Washington Cruz, sobrevoou a capital e a região metropolitana com o Santíssimo Sacramento: “Jesus Cristo, ressurreição e vida, nos faça firmes e fortes na fé e nos conceda o dom da cura, o dom de vencer essa pandemia…”, disse em vídeo antes da viagem.

Nesta segunda-feira (30), dom Washington comentou a experiência de conceder a bênção no território da arquidiocese: “Foi uma experiência da minha pequenez, da minha nulidade. Quem estava sobrevoando Goiânia era Jesus Sacramentado. Eu era apenas um instrumento que o carregava. O importante era ele, que, com certeza abençoou Goiânia, os arredores, a arquidiocese, o Brasil e o mundo”.

 

Nossa Senhora de Nazaré

Em Belém (PA), a ação contou com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do estado do Pará e considerada Rainha da Amazônia, a mesma imagem que é utilizada durante o Círio no mês de outubro. No helicóptero, o reitor da basílica mariana, padre Luiz Carlos Maria Gonçalves, e o casal coordenador do Círio, Albano e Ana Paula Martins, rezaram o terço “suplicando as bênçãos e proteção da Virgem de Nazaré”, de acordo com vídeo partilhado nas redes sociais.

“Uma feliz iniciativa do Círio de Nazaré conduziu-nos a realizar essa viagem, esse giro com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré num helicóptero”, comentou o arcebispo de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa. Para ele, foi uma experiência muito positiva que conduziu as pessoas à oração, “que ajudou muita gente a sentir a proteção de Nossa Senhora dentro deste momento tão exigente, tão difícil”.

Dom Alberto considera que, ao lado de tantas outras iniciativas, a ação ajudou a manter o clima de fé e de confiança nesse momento. “Desejo que muitas outras iniciativas nos ajudem a lutar com as armas mais poderosas que temos: a oração, a penitência, o jejum, a caridade, que são as armas da Quaresma e que podem nos ajudar-nos a vencer esse desafio”, afirmou.

 

Nossa Senhora da Vitória em São Luís

 Na manhã desta segunda-feira, 30, ação semelhante foi promovida pela arquidiocese de São Luís (MA). A imagem de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade e da catedral metropolitana, sobrevoou a capital na intercessão para que “Deus que nos livre do mal que assola o Brasil e o mundo” (imagem ao lado). Durante o trajeto, os fiéis foram convidados a rezar o terço, “formando assim, uma grande corrente de oração na cidade”.

O sobrevoo foi uma iniciativa da Catedral da Sé, e a imagem foi conduzida pelo pároco, padre Roney Rocha Carvalho, passando pelas cidades de Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Panaquatira e Raposa, além dos bairros da capital maranhense: Araçagy, Ponta D’Areia, Centro Histórico, Anjo da Guarda, Maracanã, Cidade Operária e encerrando no Aeroporto Cunha Machado.

 

Serviço silencioso

A ação, além de ser uma iniciativa pastoral da Igreja, também se insere no rol de iniciativas movidas pela caridade silenciosa. Em Goiânia, a iniciativa foi viabilizada pelo Santuário de Adoração Perpétua Sagrada Família, por meio da oferta de uma família da comunidade. Já na capital paraense, uma empresa de táxi aéreo disponibilizou a aeronave para o sobrevoo à região. (Fonte: cnbb.org.br) https://www.vaticannews.va

AO VIVO- MISSA DIRETO DE ANGRA DOS REIS/RJ.

Detalhes
Publicado em 28 março 2020
  • A Palavra do Frei Petrônio ao Vivo,
  • MISSA DIRETO DE ANGRA DOS REIS

AO-VIVO CARMO DE ANGRA DOS REIS/RJ: Uma Prece em tempos de Coronavirus. (Sexta-feira, 27 de março-2020).

Detalhes
Publicado em 27 março 2020
  • A Palavra do Frei Petrônio,
  • A Palavra do Frei Petrônio ao Vivo,
  • Ordem Terceira do Carmo de Angra dos Reis,
  • Uma Prece em tempos de Coronavirus

A Palavra do Frei Petrônio- Ao vivo- Direto do Convento do Carmo de Angra dos Reis/RJ. Sexta-feira, 27 de março-2020. Nos siga também aqui: www.instagram.com/freipetronio www.twitter.com/freipetronio

BÊNÇÃO URBI ET ORBI: “Abraçar o Senhor para abraçar a esperança”.

Detalhes
Publicado em 27 março 2020
  • Papa Francisco,
  • Mensagem e Benção Urbi et Orbi
  • Coronavírus e Missa
  • COVID-19
  • pandemia do coronavírus
  • Bênção Urbi et Orbi
  • pandemia do coronavíru

Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é "diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar :que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente".

 

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

(27/03/2020)  Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.

Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.

E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.

“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador…  Nos vimos amedrontados e perdidos.”

 

Estamos todos no mesmo barco

Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.

Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”

 

A ilusão de pensar que continuaríamos saudáveis num mundo doente

Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.

“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”

O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.”  

 

A heroicidade dos anônimos

Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.

“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.

A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

 

Temos uma esperança

Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”

Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:

 “Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus.”

Ao final da homilia, o Pontífice adorou o Santíssimo e concedeu a bênção Urbi et Orbi, com anexa a Indulgência Plenária. Fonte: https://www.vaticannews.va

Silêncio, serviço e doação: o legado da religiosa brasileira que faleceu na Itália, vítima do Covid-19

Detalhes
Publicado em 27 março 2020
  • vítima do Covid-19
  • Passionistas de São Paulo da Cruz,
  • Irmã Edite Terezinha Bortolini

Por causa das medidas restritivas para controlar a difusão do coronavírus na Itália, a cerimônia de despedida de Ir. Edite Bortolini nesta sexta-feira (27) não será celebrada dentro da Igreja. Do Brasil, amigos e familiares lembram da missão de mais de 60 anos da religiosa, há quase 20 atuando junto às Passionistas de São Paulo da Cruz, na Vila Montanina, região do Vêneto.

 

Andressa Collet – Cidade do Vaticano

“Irmã Edite, entre tantas qualidades que tinha, uma delas era o silêncio, a doação, o serviço. Era uma pessoa muito prática, de espírito administrativo. Ela renovou, transformou aquelas casas, porque, na realidade são três: temos a Casa Grande, construída por Antônio Fogazzaro, uma casa histórica muito bonita; temos a Escola da Infância e temos o Bom Pastor – uma casa que acolhe pessoas idosas autônomas. Ali, Irmã Edite, além da sua presença silenciosa, alegre e doada, ela era uma excelente administradora. E, quem conheceu aquela casa, e quem a conhece hoje, vê as grandes qualidades da Irmã Edite.”

Que descreve a Irmã Edite Bortolini é a Ir. Elsa Rodrigues, que também faz parte da Congregação Passionistas de São Paulo da Cruz e a conheceu durante os 6 anos em que esteve na Vila Montanina. A grande estrutura católica é um lugar adequado para repouso espiritual, mas também atua a serviço da comunidade e pela educação das crianças.

“Irmã Edite foi uma pessoa muito significativa para a nossa Comunidade da Montanina. Nós ficamos sabendo da sua passagem através da Congregação que estava continuamente em contato conosco.”

 

A vida e história da religiosa gaúcha

 Irmã Edite Terezinha Bortolini completaria 82 anos no próximo sábado, 28 de março. Vítima do coronavírus, a gaúcha, da cidade de Garibaldi, veio a falecer em 23 de março na Itália, onde atuava há quase 20 anos, na Vila Montanina, na pequena cidade de Velo d’Astico, na província de Vicenza, região do Vêneto.

Na comunidade, em que foi superiora até agosto de 2019, Ir. Edite foi responsável por transformar a casa que acolhia os idosos, o que veio a se tornar meta de turismo religioso e para as férias de verão das famílias, através da rica história cultural e de fé, onde atuam religiosas das mais diferentes nacionalidades.

 

Controle sanitário e de isolamento

 Para conter a difusão do coronavírus, a imprensa local divulgou que os procedimentos de controle sanitário e de isolamento já foram feitos para a proteção de quem vive na comunidade e dos frequentadores da estrutura. A própria Escola de Infância já estava fechada há quase um mês.

 

O adeus aos familiares do Brasil

 Ainda no início do ano, Irmã Edite esteve no Brasil para visitar familiares nas cidades de Canoas e Garibaldi, no Rio Grande do Sul. A sobrinha Lores Bortolini Affonso, que mora em Curitiba, no Paraná, contou que foi uma estadia de momentos muito felizes, inclusive para confraternizar com os irmãos e brincar com sobrinhos-netos.

Lores chegou a falar com a tia um dia antes de ser diagnosticada com a doença, quando já estava em estado febril: “o vírus foi fatal para ela, que já estava debilitada”, contou Lores. Por causa das medidas restritivas do Covid-19, a cerimônia de despedida não será celebrada dentro da Igreja. Impossibilitados de se despedir de Ir. Edite, Lores antecipa que os familiares estarão presentes de coração no funeral, marcado para esta sexta-feira (27), no Cemitério de Velo d’Astico:

“Irmã Edite, minha tia, esteve aqui no Brasil de janeiro e até dia 12 de fevereiro, visitando seus irmãos, seus sobrinhos, parentes e amigos, onde viveu momentos de intensa alegria junto conosco. E, feliz, retornou à Itália onde ela tinha uma missão. Havia prometido a ela que neste ano eu iria visitar e ficar um tempo com ela. Infelizmente (emocionada), não será possível. Farei a visita ao seu túmulo. É triste não poder estar junto, mas eu creio que o exemplo que ela deixa de viver os seus votos religiosos, durante mais de 60 anos, deixa o exemplo de obediência, de fé, de verdadeiro espírito de caridade e de oblação, de entrega e de jamais fazer a própria vontade.” Fonte: https://www.vaticannews.va

Mais de 60 padres já morreram de Covid-19 na It

Detalhes
Publicado em 26 março 2020
  • Padres,
  • Religião e Coronavirus
  • COVID-19
  • Mais de 60 padres já morreram de Covid-19 na Itália

"Entre as mais de 6 mil vítimas da Covid-19 na Itália, pelo menos 66 são padres católicos, com idades entre 45 e 104 anos – e isso apenas entre os presbíteros diocesanos, isto é, aqueles ligados ao bispo local e não a uma congregação religiosa. Um terço deles são da Diocese de Bergamo, no norte da Itália, região que está no epicentro da pandemia do novo coronavírus no país.

As dioceses de Milão, Parma, Cremona e Piacenza-Bobbio perderam seis padres cada uma – incluindo, na última delas, os padres gêmeos Mario e Giovanni Boselli, de 87 anos. Entre os presbíteros religiosos mortos pelo coronavírus, cujo número total não é conhecido, se conta inclusive um padre xaveriano de Parma que atuou durante décadas como missionário na periferia de Belém do Pará e em Abaetetuba. Nicola Masi tinha 92 anos e morreu no dia 13 de março.

Em Roma, dois conventos femininos foram isolados. Em um deles, das irmãs angélicas de São Paulo, 19 das 21 freiras foram diagnosticadas com Covid-19. No outro, das irmãs camilianas, são 60 as religiosas com coronavírus. As camilianas, aliás, administram cinco hospitais na Itália, dos quais três estão concentrados em assistir as vítimas da pandemia.

“Em todas as nossas estruturas há irmãs enfermeiras que nesse período arriscam a própria vida com abnegação”, disse a secretária-geral da congregação e diretora de um dos hospitais, irmã Lancy Ezhupara, ao Vatican News. “Nós, filhas de São Camilo, fazemos um quarto voto, além dos três votos clássicos de pobreza, obediência e castidade: o voto de servir os doentes ainda que custe a própria vida. Talvez nos últimos anos, para muitas de nós, esse quarto voto esteve um pouco ofuscado, mas hoje ele voltou com força a ter toda a sua extrema atualidade”.

Uma história em especial tem se destacado nos últimos dias: a do padre Giuseppe Berardelli, da Diocese de Bergamo, que teria morrido depois de renunciar ao uso do respirador para cedê-lo a alguém mais jovem. Embora Berardelli de fato tenha dito, antes de seu quadro se agravar, que “se dependesse de mim, eu preferiria que em vez de mim fossem curados e salvos os mais jovens”, o episódio do respirador não corresponde à realidade.

Jornais locais atribuíram a informação a um funcionário do hospital de Lovere, na província de Bergamo, em que o padre de 72 anos esteve internado e onde morreu, na noite entre 15 e 16 de março. O jornal La Repubblica, porém, disse que a Diocese de Bergamo informou que a história não era verdadeira. O jornal Avvenire, que pertence à Conferência Episcopal Italiana, também desmentiu o episódio.

A morte de Berardelli causou comoção em Casnigo, na mesma província, onde ele era pároco. Ao saber da morte do padre, na segunda-feira (16), a população do município foi às sacadas homenageá-lo com um aplauso. “Era uma pessoa simples, franca, de enorme gentileza e disponibilidade em relação a todos, fiéis e não fiéis”, disse o prefeito de Casnigo, Giuseppe Imberti, a um veículo local. “Era amado por todos”.

Como em todos os outros casos, não houve um funeral para Berardelli. A Conferência Episcopal Italiana pediu que todos os bispos do país dediquem um momento do próximo dia 27 a visitar, sozinhos, um cemitério de suas dioceses, para um momento de recolhimento, oração e bênção." Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

Itália. O coronavírus e os xaverianos de Parma: “Todos os dias, um de nós morre. Por favor, ajudem-nos”

Detalhes
Publicado em 26 março 2020
  • O coronavírus e os xaverianos de Parma
  • Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras,
  • xaverianos
  • morte dos xaverianos com coronavirus
  • xaverianos e coronavirus

 

Um deles, quase todos os dias há duas semanas, morre em silêncio na cama do seu quarto. Eles vão embora rezando entre os lençóis da “casa”, a sede internacional dos xaverianos em Parma, Itália, quartel-general dos missionários acostumados a dar a volta ao mundo para levar ajuda e que, agora, talvez por dias demais, estão trancados entre quatro paredes e morrendo. A reportagem é de Giacomo Talignani, publicada por La Repubblica, 24-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Chegamos a 13 mortos em 15 dias. Não é normal”, diz o Pe. Rosario Giannattasio, superior regional da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Estrangeiras, (Nota do IHU: conhecidos como padres xaverianos, com presença também no Brasil), ao telefone com o La Repubblica.

Ele fala dos mortos, do isolamento, de “zero contato com o exterior, para não colocar os jovens e os outros em risco”. Sequer a equipe externa, na sede de Parma, continua trabalhando.

“Estamos sozinhos, todos fechados aqui. A comida chega até nós por um elevador. Comemos a dois metros de distância um do outro. Rezamos. Ficamos doentes e morremos. Mas agora alguém tem que vir nos ajudar.”

Porque, além dos mortos, há também uma dezena de doentes. “Cerca de seis no andar abaixo de onde eu estou agora, e mais cinco, eu acho. Ninguém fez os testes aqui dentro, nunca. Estamos ficando pela metade. Não posso dizer que é o coronavírus. Mas o que você quer que seja? Falta o oxigênio, eles não respiram. Aqui ninguém fez os exames.”

Ele explica que tudo “começou há cerca de 15 dias: os primeiros doentes, depois os primeiros sacerdotes que começaram a morrer. Entre nós, que devemos ser cerca de 50 missionários aqui, se excluirmos o pessoal, contamos normalmente quatro a cinco mortes por ano, no máximo seis. Agora, foram 13 em poucos dias. Não sei o que dizer. Quase todos morreram aqui, apenas alguns no hospital”, explica ele com a voz embargada.

Entre os últimos que faleceram, estão o Pe. Stefano Coronese (88 anos), desde sempre próximo do mundo dos escoteiros, e o Pe. Gerardo Caglioni (73 anos), conhecido pelas suas missões no México e em Serra Leoa.

Antes deles, lemos na longa lista no site dos xaverianos o adeus aos padres Luigi Masseroni, Giuseppe Scintu, Gugliemo Saderi, Giuseppe Rizzi, Piermario Tassi, Vittorio Ferrari, Enrico Di Nicolò, Corrado Stradiotto, Pilade Giuseppe Rossini, Nicola Masi e outros ainda.

São todos sacerdotes que passaram a vida nos lugares mais distantes do mundo para levar conforto e depois voltaram para Parma, para a grande sede, “para continuar as suas vidas. A idade média dos xaverianos é 75 anos – conta o Pe. Rosario –, e muitos deles vieram para cá depois de terem viajado por 40, até 50 anos. E agora foram embora assim, no silêncio dos seus quartos”.

Houve silêncio desde o início, mais de duas semanas atrás. Depois das primeiras mortes, os xaverianos contam que intuíram que algo estava errado. Então, a equipe de serviço foi mandada para casa. Também foi mandada embora uma enfermeira “talvez positiva para o coronavírus”. Nada de cozinheiros, assistentes, equipe de limpeza e lavanderia ou dos escritórios das missões estrangeiras: todos os “empregados” da sede não podiam mais entrar, até mesmo por causa dos decretos do governo.

“Fechamos tudo e nos fechamos dentro.” Assim, criou-se lá, entre os corredores e os quartos, um “lazaretto”, sem praticamente nenhum médico, “exceto um de nós, um missionário que completou 25 anos em Bangladesh”. Um elevador com comida cozinhada por uma empresa de catering traz a comida.

“Quanto ao resto, nos viramos entre nós, mas a situação piorou. Agora precisamos de ajuda, que alguém venha. Também escrevemos para o prefeito, dissemos às autoridades. Precisamos de uma intervenção rápida. Venham higienizar, porque está claro que o vírus circula aqui.”

Ele explica que, há alguns dias, não tendo visto ainda “ninguém que se apresentasse aqui para nos ajudar, mesmo que um médico tenha vindo depois, decidimos falar com a mídia, dizer o que está acontecendo. Digam, vocês também, que precisamos de uma mão. Daqui nós não saímos. Lá fora, há 15 rapazes do seminário, os estudantes de teologia: não queremos correr o risco de encontrá-los, de infectá-los. Mas precisamos de alguém que venha nos tratar, nos salvar”, confessam os últimos salvadores de almas que permaneceram na sede. Fonte: https://www.vaticannews.va

Coronavírus: salesianos lamentam morte do vigário apostólico de Gambella (Etiópia)

Detalhes
Publicado em 26 março 2020
  • Religião e Coronavirus
  • COVID-19
  • vigário apostólico de Gambella
  • Dom Angelo Moreschi,
  • bispo Moreschi
  • Mortes de Padres pelo coronovirus

Como prefeito e como vigário apostólico, Dom Angelo Moreschi, SDB sempre encarnou a predileção salesiana pelos pequenos, acompanhando-a com um espírito prático e um forte zelo apostólico.

A comunidade salesiana em todo o mundo lamenta a morte do vigário apostólico de Gambella (Etiópia), Dom Angelo Moreschi, SDB, falecido na quarta-feira, 25 de março, em Brescia (Itália), devido à infecção do Covid-19.

O arcebispo Moreschi nasceu em Nave (BS) em 13 de junho de 1952 e frequentou o noviciado salesiano em Albarè. Professou seus primeiros votos religiosos em 1º de setembro de 1974 e os votos perpétuos em Cremisan (Israel) em 15 de agosto de 1980, sendo ordenado sacerdote em 2 de outubro de 1982 em Brescia.

Enviado em missão à Etiópia, serviu como pároco e diretor em Dilla (1991-2000), ocupando o cargo de Conselheiro Provincial da então Visitadoria África na Etiópia-Eritreia (1998-2001).

Em 16 de novembro de 2000, foi nomeado prefeito apostólico de Gambella; em 5 de dezembro de 2009, a prefeitura foi elevada a vicariato, quando então foi nomeado bispo titular da Diocese de Elefantaria da Mauritânia e vigário apostólico de Gambella, recebendo a consagração episcopal em 31 de janeiro de 2010.

Em sua missão, inicialmente como prefeito e depois como vigário apostólico, Dom Moreschi sempre encarnou a predileção salesiana pelos pequenos, acompanhando-a com um espírito prático e um forte zelo apostólico.

Ele costumava visitar os povoados ao longo do Rio Baro em um veículo  4 x 4 muito velho, ou de lancha quando as estradas estavam inundadas, e logo ao chegar, começava a distribuir biscoitos multivitamínicos para as crianças desnutridas.

O bispo Moreschi deixa essa terra depois ter servido por 46 anos  como salesiano aos jovens, aos pobres e ao seu rebanho de almas: 38 como sacerdote e como bispo por mais de 10 anos.

(ANS - Agência de Informação Salesiana/Brescia). Fonte: https://www.vaticannews.va

Presidente da CNBB reforça apelo para que as pessoas não saiam de casa

Detalhes
Publicado em 25 março 2020
  • Presidente da CNBB,
  • Organização Mundial da Saúde,
  • coronavírus
  • Religião e Coronavirus
  • pandemia
  • pandemia do coronavírus
  • não saia de casa
  • Tedros Ghebreyesus,

O pedido das autoridades para que a população não saia de casa tem sido reiterada vezes reforçado por causa da pandemia que tem avançado no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ritmo de transmissão está acelerado.

“A pandemia está se acelerando”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, nesta segunda-feira (23). Segundo ele, quase todos os países do mundo já registraram mais de 300 mil casos de infecção por Covid-19.

 

Em homilia em missa rezada hoje, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repudiou o discurso em cadeia nacional de tv do presidente Jair Bolsonaro proferido na noite de terça feira, 24 de março. Segundo ele, a autoridade do Executivo nacional minimizou o que é preciso ser realizado, com responsabilidade, por todos.

“À pandemia da covid-19 não pode se compor com mais uma pandemia de irresponsabilidade, inconsequência e falta de sentido humanístico e respeitoso para com a dignidade humana“, afirmou.

Dom Walmor reforçou mais uma vez o apelo. “Fique em casa. Esta é a indicação das autoridades sanitárias competentes e sensatas. Trabalhemos tudo que podemos para ajudar a construir uma sociedade justa e fraterna. Os trabalhos precisam ser mantidos com as condições necessárias, resguardando e cuidado da vida de cada um de nós”, reforçou. Veja, no vídeo, abaixo a íntegra da sua fala.

O presidente da CNBB exigiu dos três poderes uma ação tendo em vista a construção de uma nova ordem social e política adequada. Do Executivo, disse esperar um grande projeto de contingência cujo objetivo é minimizar os impactos na vida dos pobres. Do Legislativo, disse que a Igreja espera, em todas as esferas, a corajosa postura de mostrar com exemplos que possam modificar o caminho da sociedade brasileira. E da Suprema Corte disse esperar a garantia e a defesa da ordem constitucional. Segundo ele, a Igreja no Brasil e a sociedade estão dispostas a ser solidárias e contribuir de forma humanística, abrindo mão de muitas coisas.

Diante dessa realidade, a Igreja no Brasil tem se mobilizado e apelado para que as pessoas cumpram a quarentena. O Arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia divulgado (abaixo) um vídeo, no último sábado, no qual apelou para que a população não saia de casa.

“É hora de colaborar. Vamos ter entre nós, agora, marcando o tecido da nossa cidadania uma atitude de solidariedade como bom samaritano, viu sentiu compaixão e cuidou dele. Não saia de casa, vamos colaborar. Do contrário, pagaremos um alto preço. O preço alto que já estamos pagando será ainda mais amargo, por isso vamos colaborar, não saia de casa”, diz dom Walmor na mensagem. Fonte: http://www.cnbb.org.br

Padre com coronavírus morre após doar respirador para jovem com Covid-19

Detalhes
Publicado em 24 março 2020
  • COVID-19
  • Padre com coronavirus
  • padre italiano infectado pelo novo coronavírus morreu
  • Hospital Lovere,
  • Frei Don Giuseppe Berardelli,
  • Padres e coronavirus

Um padre italiano infectado pelo novo coronavírus morreu nesta terça-feira, 24, após doar o respirador que usava na UTI para um paciente mais jovem que também lutava contra a Covid-19. Frei Don Giuseppe Berardelli, de 72 anos, era padre na igreja de Casnigo, uma pequena vila que fica a 64km de Milão. Conforme o canal italiano "Sky News", ele estava internado no Hospital Lovere, em Bergamo, uma das áreas mais atingidas na Itália.

De acordo com informações do hospital, ele se recusou a usar o respirador que seus paroquianos haviam comprado. Ao invés disso, o padre decidiu doar para um jovem que ele não conhecia. Um obituário escrito no site "Araberara" descreveu o padre como uma pessoa que "ouvia a todos, que sabia como ouvir. Qualquer um que aparecia diante dele sabia que podia contar com sua ajuda".

O frei era apaixonado por motos e sempre era visto pelas ruas da cidade em cima do veículo. De acordo com a prefeita de Fiorano, Clara Poli, Don Giuseppe Berardelli era "uma grande pessoa".

"Me lembro dele em sua velha moto Guzzi. Ele adorava sua moto e, quando era visto passando, estava sempre alegre e cheio de entusiasmo. O frei deu paz e alegria para nossas comunidades", disse.

De acordo com as informações, sua paróquia perto de Bérgamo havia comprado o dispositivo especialmente para o padre infectado porque há falta de equipamento adequado nos hospitais da região. Don Giuseppe Berardelli, no entanto, insistiu em passar o dispositivo vital para um paciente mais jovem.

 

Até agora, pelo menos 60 padres católicos morreram na Itália

Até o momento, pelo menos 60 padres católicos morreram do vírus Corona na Itália. Muitos haviam respondido ao apelo do Papa Francisco e queriam ajudar os fiéis em tempos difíceis. Bergamo, no norte da Itália, é particularmente afetado pela atual emergência. Fontes: https://www.reportermt.com.br; https://www.oe24.at

 

AO VIVO- CARMO DE ANGRA DOS REIS/RJ: Uma Prece em tempos de coronavirus

Detalhes
Publicado em 23 março 2020
  • Angra dos Reis,
  • A Palavra do Frei Petrônio ao Vivo,
  • Ao Vivo no Facebook,
  • Ao Vivo com Frei Petrônio,
  • coronavírus
  • Coronavírus e Missa

A nossa prece em forma de música para todos nós que estamos em quarentena. E que o senhor nos ajude a passar nesta noite escura. Carmo de Angra dos Reis/RJ. Segunda-feira, 23 de março-2020. www.instagram.com/freipetronio

Hóstias na mão, infectados na missa e o diabo: as religiões diante da pandemia na América Latina

Detalhes
Publicado em 23 março 2020
  • coronavírus
  • Coronavírus e Missa
  • Religião e Coronavirus
  • as religiões diante da pandemia na América Latina
  • Andrés Manuel López Obrador,

Os cultos e seus líderes têm um papel decisivo para os fiéis que buscam orientação e consolo em meio à crise; suas reações na região variam entre a prevenção e a inconsciência

 

Na manhã de quarta-feira, durante sua entrevista coletiva diária, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, tirou do bolso um par de amuletos religiosos com a oração “Pare, inimigo, que o coração de Jesus está comigo” −e disse que esses eram seus escudos contra o coronavírus, além da honestidade e do combate à corrupção. Seu gesto como líder de um dos países mais devotos da América Latina, e um dos que adotaram menos medidas preventivas diante da pandemia global de Covid-19, ilustra perfeitamente o conflito que as crenças individuais representam para o gerenciamento de crises coletivas: em uma situação que exige o acatamento em massa de critérios científicos para reduzir o risco, fomentar o pensamento mágico ou crenças pessoais a partir de uma posição de poder pode ter consequências nefastas.Os encontros religiosos já foram identificados como focos de contágio em dois países que tinham um número relativamente baixo de casos. Há uma semana, a Malásia anunciou que pelo menos 190 pessoas contraíram o coronavírus ao participar de uma oração em massa em uma mesquita. Foi o maior aumento de casos registrado no país, e lembrou o episódio que fez com que o número de infectados na Coreia do Sul disparasse em fevereiro, quando uma mulher conhecida como Paciente 31 assistiu a dois serviços da Igreja Shincheonji de Jesus −mesmo depois de ter febre− e provocou a infecção de mais de mil pessoas.

López Obrador não foi o único líder político a se encomendar às divindades: na segunda-feira, em um ato oficial, o presidente colombiano, Iván Duque, pediu proteção a Nossa Senhora de Chiquinquirá, padroeira da Colômbia, para superar a crise. Na sexta-feira, a mídia local informou que o Governo da Costa Rica planejava, em conjunto com autoridades da Igreja Católica, levar uma imagem da padroeira costa-riquenha, Nossa Senhora dos Anjos, em sobrevoo por todo o país.

Enquanto os Governos da América Latina se debatem entre proteger o que puderem de suas economias ou proteger mais a saúde de seus cidadãos, os cultos religiosos e seus líderes continuam tendo um papel decisivo para milhões de fiéis que buscam consolo e orientação em meio à crise, maior ainda do que os alertas da Organização Mundial da Saúde para a necessidade de que as pessoas se isolem, evitem aglomerações e fiquem em quarentena caso tenham viajado para áreas de alto contágio. A Paciente 1 da Colômbia foi a uma igreja quatro dias depois de voltar da Itália, e nos domingos posteriores os templos voltaram a ficar cheios. No domingo passado, na Cidade do México, a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, um centro de peregrinação mundial, estava repleta como sempre. No Brasil, algumas das igrejas evangélicas mais poderosas afirmaram que não planejam suspender suas reuniões −mas no Estado de São Paulo a Justiça tornou essa medida obrigatória, proibindo cultos e missas. Na Nicarágua, os bispos parecem mais preocupados que os governantes. À medida que aumentam os casos de Covid-19 na região, os cultos começaram a reagir. Para o bem e para o mal.

 

‘É uma tática de Satanás’

No Brasil de Jair Bolsonaro, seus seguidores mais leais espalharam a ideia de que, como disse o presidente, a pandemia de coronavírus é uma “histeria”. Um deles é o todo-poderoso Edir Macedo, fundador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Trata-se de uma das principais instituições evangélicas neopentecostais do Brasil, com várias ramificações na América Latina e Europa. No domingo passado, Macedo divulgou pelo WhatsApp um vídeo no qual afirma que não há motivos para que as pessoas fiquem “apavoradas com algo que não condiz com a realidade”. Além de acusar a mídia de levar “o pavor a populações e nações”, o líder da IURD, empresário multimilionário e dono da segunda maior rede de televisão do Brasil, disse que “por trás dessa campanha toda do coronavírus existem interesse econômicos".

Macedo inicia o vídeo dizendo que tem “excelentes notícias” e recomenda o depoimento do patologista Ben Schmidt, que divulgou notícias falsas sobre a Covid-19 no YouTube. “Meu amigo e minha amiga, não se preocupe com o coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás. Satanás trabalha com o medo, o pavor. Trabalha com a dúvida”, afirma o pregador. “E quando as pessoas ficam apavoradas, com medo, em dúvida, a pessoas ficam fracas, débeis e suscetíveis. Qualquer vento que tiver é uma pneumonia para elas”, acrescenta.

Depois que o vídeo de Schmidt foi removido do YouTube, Macedo apagou o dele de suas redes sociais. Mas divulgou outro vídeo, no qual pede aos evangélicos que não busquem notícias sobre a pandemia e as recomendações médicas, e sim leiam a Bíblia para que “a palavra de Deus” os salve de qualquer doença. No Brasil, onde se registra a maior quantidade de casos de coronavírus na América Latina, outros líderes religiosos, como Silas Malafaia, da Assembleia de Deus −uma das maiores instituições evangélicas do país−, disseram que manteriam suas cerimônias, apesar do coronavírus. Malafaia, no entanto, acabou voltando atrás e anunciou sexta-feira a suspensão dos cultos. Porém, neste domingo, foi ao Twitter publicar um texto que dizia “A imaginação é a metade da doença; a tranquilidade é a metade do remédio; e a paciência é o primeiro passo para a cura”.

 

A Paciente 1 da Colômbia e sua visita a uma igreja

Em 1º de março, como em qualquer domingo de culto, a igreja cristã La Casa Sobre la Roca, em Bogotá, estava lotada de fiéis. Duas mil pessoas se reuniram naquele dia para um dos três encontros que o grupo religioso realiza por dia. Entre elas estava a Paciente 1 da Colômbia. A jovem de 19 anos tinha chegado de Milão quatro dias antes e assistiu ao culto sem saber que estava infectada. Sentou-se no segundo bloco da nave central e compartilhou com outros fiéis um ritual de pão e vinho que se realiza na igreja.

“Uma pessoa que esteve no terceiro serviço de domingo passado, assintomática, testou positivo para coronavírus”, disse dias depois a seus seguidores o pastor Alejandro Llanos, enquanto projetava um mapa da localização. Pediu que quem se sentou perto dela informasse seus dados e sintomas para a brigada de emergência da instituição, para que esta os repassasse ao Instituto Nacional de Saúde (INS). Embora a igreja tenha sido “transparente”, como contou um dos fiéis, seus membros ficaram com medo. “Ao saber da notícia, decidi não entrar na igreja porque tinha gripe e, é claro, fiquei preocupado”, contou Hernán Restrepo, que toca piano nesse templo. Ele foi a um hospital e o descartaram por não ter viajado recentemente nem compartilhado diretamente com a Paciente 1. O músico não foi submetido a exame, mas decidiu se isolar por conta própria. O Instituto Nacional de Saúde recebeu os dados de pelo menos cem paroquianos com sintomas, mas não confirmou se alguém foi infectado.Esse foi o sinal de alerta sobre o risco desse tipo de encontros em um país tão religioso como a Colômbia, onde há pelo menos 6.864 igrejas evangélicas e 4.000 paróquias católicas que poderiam ser focos de infecção pelo coronavírus. No entanto, nos domingos posteriores, esses lugares voltaram a ficar cheios. As igrejas se ampararam em um comunicado do Ministério do Interior que sugeriu que “as comunidades religiosas e / ou atos litúrgicos que ultrapassem 500 fieis” organizem “espaços dentro de seus lugares de culto para atender a essa capacidade”. As igrejas com mais recursos reforçaram a limpeza dos assentos e entregaram bactericida na entrada. A Conferência Episcopal recomendou receber a hóstia nas mãos, mas manteve, para quem quiser, a opção de recebê-la na boca. Nas capitais, as pessoas optaram por eliminar o cumprimento da paz. Mas não foi assim em todos os lugares. Através das redes sociais, fiéis perguntaram onde podiam denunciar sacerdotes que apertavam as mãos sem medo na hora da saudação da paz e obrigavam seus paroquianos a ir à missa. E um pastor evangélico convidou a violar medidas de proteção. “Esse vírus cometeu um erro e foi mexer com a igreja, por isso está condenado à extinção em até 30 dias. Todas as igrejas devem ficar abertas, pois são a esperança da sociedade”, disse.

Com o passar dos dias, algumas igrejas tomaram decisões mais radicais. Embora agora o Governo colombiano permita a reunião de no máximo 50 pessoas, há igrejas que cancelaram todos os seus encontros. A Arquidiocese de Bogotá suspendeu todas as missas abertas ao público e só fará as de defuntos e bodas, com grupos de poucas pessoas que entrarão por uma porta lateral. “Dói em nossa alma, mas é necessário pela vida e pela saúde dos colombianos”, disse o cardeal Rubén Salazar ao anunciar a medida. Tiveram de usar o argumento de que “o Papa já fez isso e nos dá o exemplo” para convencer os fiéis que insistiam em ir.

 

“A saudação da paz será feita inclinando a cabeça”

Os fiéis mexicanos que buscarem na fé as respostas para o coronavírus terão de esperar, pelo menos, duas semanas. Como tantas outras cerimônias que reúnem uma grande quantidade de pessoas, as missas foram suspensas. A Igreja Católica anunciou que, para evitar possíveis infecções, foram cancelados também retiros religiosos, assembleias, congressos, jornadas de oração e catequese. Em um comunicado, a Conferência Episcopal mexicana recomendou que seus sacerdotes transmitam suas cerimônias pela Internet enquanto durar a crise.

Embora as igrejas possam fechar as portas sem grandes inconvenientes, a maior resistência para que as recomendações científicas se imponham sobre a tradição vem das celebrações populares. Especificamente, a procissão da Semana Santa realizada anualmente em Iztapalapa, uma cidade vizinha da capital, que foi cancelada. A representação teatral da crucificação, que pretende ser catalogada pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade, reúne dezenas de atores que se preparam todos os anos para a representação durante o Domingo de Ramos e a Segunda-Feira de Páscoa.

Os organizadores e as autoridades tiveram de realizar uma mesa de diálogo em um dos bairros “pesados” da capital para conter a indignação pelo cancelamento, e chegaram a um acordo para fazer a representação sem público. O argumento para não cancelar a celebração foi o de que ela é realizada ininterruptamente há 176 anos e que foi precisamente uma epidemia de cólera, em 1843, que deu origem a uma procissão em homenagem ao Senhor do Santo Sepulcro, que os organizadores prometeram repetir todos os anos. Uma procissão que hoje reúne mais de um milhão de pessoas durante dois dias.

Na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, a missa foi celebrada normalmente até domingo passado. Tudo ocorreu de acordo com a liturgia clássica até que, no momento da saudação da paz, uma voz soou pelos alto-falantes: “Não vamos fazer a saudação da paz apertando as mãos, bastará uma breve inclinação da cabeça; a sagrada comunhão será na mão. Os que vão comungar estenderão a mão esquerda para receber a hóstia consagrada e a levarão à boca com a direita, diante de quem entregou a comunhão”.

 

A cautela religiosa e a imprudência oficial na Nicarágua

Os bispos da Nicarágua pediram aos devotos que na Sexta-Feira Santa não haja beijos no ritual de Adoração da Cruz. Na verdade, que não haja nenhum contato físico com as imagens de santos para evitar a propagação do coronavírus, que está se espalhando rapidamente pela América Central.

Evitar o tradicional beijo na cruz de Cristo é uma das medidas anunciadas pela Conferência Episcopal da Nicarágua para as celebrações da Semana Santa, uma tradição profundamente enraizada no país. Embora as celebrações não tenham sido canceladas, o clero limitou todos os ritos que envolvam contato físico. Foi feito um apelo específico para que os fiéis mais vulneráveis ao coronavírus −“maiores de 60 anos, grávidas e crianças”− não participem presencialmente das missas e procissões, e sim fiquem em suas casas e acompanhem as cerimônias pelas redes sociais ou pela mídia.

O cardeal Leopoldo Brenes recomendou que nas liturgias exista uma distância de um metro entre os assistentes. “Que a saudação da paz seja feita sem o aperto de mãos. Que a santa hóstia seja entregue na mão”, acrescentou.

Na direção contrária às medidas adotadas pela Igreja Católica, o Governo sandinista conclamou a população a participar das atividades da Semana Santa e do “Plano Verão 2020”, promovido pela vice-presidenta Rosario Murillo.

“Ao afirmar que mantemos todos os nossos planos, nós nos referimos a tudo que foi descrito nas circulares anteriores, e reforçamos a presença natural, de acordo com a fé do nosso povo, em todos os cultos, tradições e eventos religiosos próprios da temporada”, ordenou Murillo. O Instituto Nicaraguense de Turismo anunciou que serão realizadas 80 atividades durante a Semana Santa, incluindo missas campais, shows e festivais.

No dia 14, o Governo sandinista surpreendeu o mundo ao realizar em Manágua uma marcha, denominada Caminhada do Amor em Tempos de Covid-19. A mídia local informou que nem o presidente Daniel Ortega nem Murillo participaram da caminhada. Fonte: https://brasil.elpais.com

Pág. 225 de 692

  • 220
  • 221
  • 222
  • 223
  • 224
  • 225
  • 226
  • 227
  • 228
  • 229
  • Está em...  
  • Home
  • Home
  • Vídeo Cast
  • Social
  • Religião
  • Política
  • Artigos Carmelitas
  • Pensamentos do Frei Petrônio
  • Homilia do Papa Francisco




La santa ede
DOM
global times
Band News fm
Direitos humanos
folha
vatican
brasil el pais
dehonianos
Blog do Frei Petronio
CNBB
Estadao
Twitter frei
fotos que falam
CBN
GREENPEACE
CRB nacional

Voltar ao topo

© 2026 Olhar Jornalístico