Olhar Jornalístico

CARMELITAS: O LOUVOR DA CELA

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Publicado em 15 janeiro 2019
  • Santos Carmelitas,
  • Oração,
  • contemplação,
  • OS CAMINHOS DA ORAÇÃO,
  • A ORAÇÃO NO CARMELO

de: “A flecha de fogo” de Nicolau “Gallus” (ano 1270 )

Na cela nos é mostrado o tesouro inestimável, e incomparável de contemplação cheia de perfume, de maneira que, desprezadas totalmente as cousas caducas da terra, a nossa alma se consome inteiramente no desejo fervente da contemplação; ... na cela recebemos as verdadeiras delicias do paraíso que de tal modo deleitam e restauram o nosso homem interior, que o seu desejo ao mesmo tempo aumenta a nossa sede e é saturado.

CONGRESSO DOS LEIGOS CARMELITAS EM ROMA: Álbum

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Publicado em 18 setembro 2018
  • Ordem Terceira do Carmo,
  • CONGRESSO DOS LEIGOS CARMELITAS

Veja o álbum. Clique aqui:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.2142538992445622&type=1&l=b8699c44ca

UM PADRE...

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Publicado em 20 março 2018
  • Padres,
  • Padre,

De um manuscrito medieval

 

Um padre deve ser, ao mesmo tempo,

pequeno e grande,

de espírito nobre, como de sangue real,

simples e espontâneo como um colono,

um herói no domínio de si,

um homem que lutou com Deus,

uma fonte de santificação,

um pecador que Deus perdoou,

senhor de seus desejos,

um servidor humilde para os tímidos e fracos,

que não se rebaixa diante dos poderosos,

mas se curva diante dos pobres, discípulos de seu senhor,

chefe de rebanho,

um mendigo de mãos largamente abertas,

um portador de inumeráveis dons,

um homem no campo de batalha,

uma mãe para confortar os doentes,

com a sabedoria da idade e a confiança de um menino,

voltado para o alto, os pés na terra,

feito para a alegria, experimentado no sofrimento,

longe de toda a inveja, que vê longe,

que fala com franqueza,

um  inimigo da preguiça, sempre fiel,

tão diferente de mim

RETIRO DO PAPA: Nona Meditação: Escutar a sede das periferias

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Publicado em 22 fevereiro 2018
  • Retiro do Papa Francisco,
  • Retiro do Papa 2018,
  • Padre José Tolentino Mendonça,
  • A periferia está no DNA,
  • padre Tolentino,
  • São João Crisóstomo,

Na nona reflexão proposta ao Papa Francisco e à Cúria romana, o padre Tolentino recordou que as periferias “não são somente lugares físicos, são também pontos internos da nossa existência, são lugares da alma que têm necessidade de serem pastoreados”.

Cidade do Vaticano

A periferia está no DNA do cristão e é um horizonte no qual a Igreja deve redescobrir-se. Com estas palavras o padre José Tolentino Mendonça iniciou sua reflexão na tarde desta quinta-feira. “Onde está o meu irmão?”. A partir desta pergunta de Deus contida no Livro de Gênesis, nasce a nona reflexão dos Exercícios Espirituais ao Papa e à Cúria, dedicada ao tema “escutar a sede das periferias”.

O convite do sacerdote português é o de “olhar com olhos bem abertos a realidade do mundo ao nosso redor” e de procurar o nosso irmão entre os pobres e os últimos do mundo, não separando a “sede espiritual” da “sede literal”.

“ Um dos critérios para entender o que é “centro” e o que é “periferia” no mundo, é de fato o acesso à água, direito inalienável da pessoa. ”

Como já afirmado na Laudato Si e reiterado pelos dados das organizações internacionais, três pessoas em cada dez, ou seja, cerca de 2 bilhões de seres humanos, não têm a possibilidade de desfrutar de água potável.

Uma multidão literalmente sedenta, diante da qual se “torna urgente adotar uma autêntica conversão de estilos de vida e do coração”, “que vá em direção contrária à cultura do descarte e da desigualdade social”. Enquanto os países ricos desperdiçam os seus recursos, de fato, “os outros vivem no suplício”.

Jesus “homem periférico”

Neste contexto, “a Igreja não deve ter medo de ser profética e de colocar o dedo na chaga” e não pode que não confrontar-se com as periferias do mundo. “Um discípulo de Jesus deve saber disto com convicção”, antes de tudo porque “o próprio Jesus é um homem de periferia”.

Não era cidadão romano, nem fazia parte da elite judaica, nasceu na periferia da Judeia, por sua vez periferia de Israel e do Império. E se dirige às periferias, dando dignidade aos doentes, oprimidos, pobres, estrangeiros e pecadores:

“ A periferia está no DNA do cristão, o aproxima de seu contexto originário, mas também ao seu programa. É uma chave indispensável para a sua hermenêutica espiritual e existencial. Em todas as épocas permanecerá, para a experiência cristã, o lugar privilegiado onde encontrar e reencontrar Jesus. ”

O próprio cristianismo é depois, pela sua natureza, uma “realidade periférica”.

Vitalidade do projeto cristão está nas periferias

Pode-se ver isto concretamente onde os centros das cidades tornaram-se “um polo de atividades burocráticas e comerciais” e “uma vitrine do passado” para os turistas, enquanto “a vitalidade do projeto cristão se joga nas periferias”, “onde frequentemente não há nem mesmo a presença de uma igreja de alvenaria e onde tudo é mais precário, rarefeito, improvisado”.

“ Para a Igreja, a periferia é portanto um horizonte e não um problema e é onde pode sair de si mesma e redescobrir-se. ”

A escolha do encontro com as periferias não é unicamente um imperativo da caridade, é uma mobilização histórica e geográfica, que consente o encontro com aquilo que o cristianismo foi e com aquilo que ele é. Também as periferias da Igreja têm sede: de serem ouvidas.

Como advertia São João Crisóstomo, a Igreja deve evitar o “terrível cisma” entre “o que separa o sacramento do altar, do sacramento do irmão, o que perigosamente dissocia o sacramento da eucaristia do sacramento do pobre”.

Periferias como lugares da alma

As periferias existenciais, todavia, não são somente econômicas, conclui padre Mendonça, “e sabemos todos como entre nós e quem está ao nosso lado, existem frequentemente distâncias infinitas a serem abraçadas e vencidas”.

Por isto a humanidade deve ser abraçada, e mesmo que não consigamos impedir as lágrimas no rosto do próximo, podemos oferecer a ele um lenço e dizer “estou aqui”, “não estás sozinho”.

As periferias, de fato, “não são somente lugares físicos, são também pontos internos da nossa existência, são lugares da alma que têm necessidade de serem pastoreados”. Fonte: http://www.vaticannews.va

*Naquele túmulo: Homenagem ao 1º Ano de Falecimento do meu pai.

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Publicado em 04 novembro 2017
  • Frei Petrônio de Miranda,
  • Poemas do Frei Petrônio,
  • Poemas sobre a Morte,
  • Manoel Artur de Miranda,
  • 1 Ano da Morte de Manoel Artur de Miranda,
  • túmulo,

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 3 de novembro-2017.

 

Naquele túmulo frio

Descansa um homem que em vida aqueceu vidas

Naquele túmulo prisioneiro de corpos

Descansa um homem que libertou vidas

Naquele túmulo escuro e cinzento

Descansa um homem que iluminou uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo com o lenho da cruz

Descansa um homem temente a Deus

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo silencioso

Descansa um homem que valorizou as palavras

Se ele é santo? É sim, senhor!

  

Naquele túmulo de ossos e lagrimas

Descansa um justo que fez da justiça o seu hino

Naquele túmulo de terra e barro

Descansa um agricultor que da terra tirou o seu ganha pão

Naquele túmulo de fétidas carnes

Descansa um homem que, com suor e lagrimas, uniu uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo com pedras e terra

Descansa um homem que abriu caminhos

Naquele túmulo de mistério incompreensível

Descansa um homem que foi um livro aberto

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo sem brilho e sem cor

Descansa um homem que deu cores a vida

Naquele túmulo impenetrável

Descansa um homem misericordioso, atencioso e amigo

Naquele túmulo símbolo do desengano da vida

Descansa um homem que fez da vida um canto de louvor

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo expressão do nada 

Descansa um homem que fez tudo por todos

Naquele túmulo berço sepulcral

Descansa um homem que cativou vidas com um sorriso

Naquele túmulo de silêncio perpétuo

Descansa um homem silencioso, atencioso e sincero

Se ele é santo? É sim, senhor!

O seu nome é Manoel Artur de Miranda. 

*Manoel Artur de Miranda  (*15/10/1930 + 03/11/2016)  

OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO PRESENTE: Capítulo.

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Publicado em 28 janeiro 2017
  • Província Carmelitana de Santo Elias,
  • Capítulo Provincial 2017,
  • Olhar o passado com os pés no presente,
  • Embu das Artes, Casa de Retiro Emaús de Itapecerica da Serra,


OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO PRESENTE: Capítulo. por olharjornalistico

FREI PETRÔNIO DE MIRANDA NA RÁDIO VATICANA: Entrevista.

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Publicado em 01 agosto 2016

Cidade do Vaticano (RV) - A Ordem Carmelita é uma ordem que surgiu no final do século XI, na região do Monte Carmelo, na Palestina. Homens e mulheres de oração, os membros da Ordem são religiosos/as e leigos/as contemplativos. Definem sua missão como “Seguir Jesus Cristo, na Contemplação, na Fraternidade e na Missão Profética, inspirando-se em Elias e Maria, um mundo em transformação, a serviço da Vida e da Esperança”. Mas as obras sociais não ficam de lado.

O Frei Petrônio Miranda, que leva em peregrinação neste Ano Eliano Missionário a imagem do Profeta Elias, ressalta o trabalho da Associação São Martinho, entidade filantrópica que atua desde 1984 na área da infância e juventude no Rio de Janeiro. Ouça a entrevista.

Clique aqui:

http://br.radiovaticana.va/news/2016/07/29/carmelitas_contempla%C3%A7%C3%A3o_e_obras_sociais/1238138

Passada a euforia do Carnaval, como lidar com o medo de ficar só?

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Publicado em 18 fevereiro 2026
  • solidão,
  • A Solidão,
  • Silêncio e solidão
  • euforia do Carnaval,
  • medo de ficar só
  • O medo da solidão
  • medo da solidão
  • Pós Carnaval,

Sentimento que surge nesse 'primeiro dia do ano' talvez não seja apenas ressaca emocional

É delicioso viver encontros catárticos na festa, mas esse não é o único caminho para começar um bom samba a dois

 

Como lidar com o medo de ficar só que chega com tudo após o Carnaval? - Fizkes - 23.mai.24/Adobe Stock

 

"Ah, Mrs. Dalloway, sempre dando festas para evitar o silêncio", provoca Peter, amigo íntimo da protagonista de Virginia Woolf. A frase me vem à cabeça quando penso em nossa relação ambígua com a celebração e a evitação.

Quando alguém que nos conhece bem sugere que nossas festas talvez evitem o silêncio, não está condenando o encontro, está interrogando sua função. Porque há uma diferença sutil, e profundamente psíquica, entre gregarismo e escapismo. O primeiro é movimento em direção ao outro; o segundo, movimento para longe de si.

Nós, brasileiros carnavalescos, sabemos bem o que é rebolar nesta corda-bamba que é a tal linha fina entre o lançar-se ao mundo e o fugir de si. Sabemos fazer da rua um palco de êxtase e conexão. E é lindo que saibamos. A catarse coletiva, o delírio compartilhado, a fantasia que veste o corpo e suspende por alguns dias as hierarquias da vida ordinária não são mero adorno.

A psicanálise sustenta que não existe desejo sem fantasia. Não amamos o real cru; amamos através das cenas e narrativas que montamos pra dar contorno ao que nos falta. Fantasiar, assim, não é fugir da vida, é condição do vínculo.

O problema surge quando nos tornamos reféns do excesso. Quando a euforia funciona menos como celebração e mais como tampão contra a angústia que retorna, inevitável, nas cinzas da quarta. E, pior, quando passamos a acreditar que só somos desejáveis e amáveis enquanto estamos fantasiados com um excesso de amor próprio e autoestima: leves, bem-resolvidos, propositivos, brilhantes como a purpurina que ilumina a pele e encobre as sombras. É delicioso viver encontros intensos e catárticos na festa? Claro. Mas é esse o único caminho para começar um bom samba a dois? Jamais.

O medo da solidão que chega nesse "primeiro dia do ano" talvez não seja apenas ressaca emocional. E sim o retorno do que vinha sendo estancado não apenas nos dias de folia, mas no modus operandi de nossos tempos: multitarefas, produtivos, acelerados, viciados em emoções intensas e recompensas rápidas —essa nação dopamina que, ao maximizar ganhos, contatos e prazer, começa a patologizar o medo, a angústia, o tédio, o desinvestimento.

Traços profundamente humanos que são suprimidos pelo ideal de eu contemporâneo. Lacan já dizia que o superego moderno não proíbe o gozo; ele ordena que gozemos, que sejamos intensos, performáticos, emocionalmente resolvidos e sexualmente livres. Aprisionamos assim nossos retraimentos, dúvidas e dívidas emocionais temendo que elas sejam lidas como falhas morais e como indícios de que somos produtos afetivos com baixo valor simbólico.

Quando patologizamos o medo da solidão, nos sentimos duplamente condenados: por estarmos sós e por sermos "fracos". Como se o medo evidenciasse nossa falha em viver a solitude idealizada —autossuficiente e instagramável— e não a solidão real, que dói e revela nossa dependência estrutural do outro.

Somos seres de vínculo. Ao invés de perseguir a autossuficiência como ideal, desapegue dela. Você tem medo de ficar sozinho? Não fique. Peça e ofereça companhia. Busque colos de amigos, familiares, colegas de trabalho ou ioga. Conte sobre seus medos e nomeie seus desejos. E pergunte os do outro também. Falar sobre o que nos falta e ouvir as faltas alheias nos lembra que faltas não são falhas.

Ao invés de querer matar o medo, mate sua hiperexigência e se permita estar em boas companhias, mesmo quando não estiver bem. Esse movimento acalma o fantasma da solidão eterna e a fantasia de que se você estiver "pesado emocionalmente" ninguém vai te aguentar. Teste os vínculos, se jogue em quem se interessa por você e veja que eles sustentam.

Que possamos tirar as máscaras não para nos expor indiscriminadamente, mas para escolher melhor nossos laços. Que o medo não nos empurre para qualquer braço romântico apenas para silenciar o vazio. Que ele também não nos faça revisitar antigos fantasmas só para não atravessar o deserto do novo.

Ainda assim, permita-se querer um amor romântico. Diga que quer. Peça para ser apresentado. Circule por espaços que te interessam. Converse no estado em que estiver. Não espere a alma purpurinada. Faça contato visual. Divida uma referência, um pensamento, um desabafo honesto de quem está angustiado ou de mau humor.

Talvez o gesto mais subversivo depois do Carnaval não seja seguir beijando a três, mas pedir companhia sem performance. E, se pudermos levar algo do Carnaval para a vida que começa agora, que seja a abertura aos encontros e aos acasos —mas sem a exigência de estarmos prontos para o bloco. Que possamos sustentar o desejo de vínculos que nutram, apoiem, curem. E possamos honrar o medo de não encontrá-los. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Quem, em nosso país, não está em crise?

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Publicado em 17 fevereiro 2026
  • Rubem Alves,
  • ser de esquerda
  • Fernando Collor de Mello,
  • As duas caixas
  • Herbert de Souza,
  • a indignação é a minha forma de me manter vivo
  • Fernando Pessoa

Mirian Goldenberg

Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"

 

Como disse Betinho, a indignação é a minha forma de me manter vivo

Rubem Alves escreveu "As duas caixas" (27 de abril de 2010) dias antes da minha primeira coluna ser publicada na Folha (1º de junho de 2010). Ele contou que Fernando Pessoa escrevia, lia o que escrevera e se assombrava. "Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto? Isto é melhor do que eu..."

"Coisa parecida acontece comigo. Alguém me mostra um texto e diz que fui eu quem o escreveu. Leio-o, mas não o reconheço. É como se tivesse sido escrito por uma outra pessoa. Mas, à medida em que vou lendo, vou ficando alegre. É um texto bom, melhor do que eu!... Sinto, então, vontade de publicar aquele texto de novo. Se ele surpreendeu a mim, é de se esperar que o mesmo aconteça com os leitores. E por que não?"

Quando reli a coluna "Medíocres ou guerreiros" que escrevi sobre o governo de Fernando Collor de Mello, no Jornal do Brasil de 18 de novembro de 1990, me assombrei com a minha coragem e indignação. E me deu vontade de publicar aquele texto de novo. Por que não?

 

Medíocres ou guerreiros

Vivemos uma época de crises. Dizer isso já virou lugar comum. Crise de valores, crise social, crise econômica, crise política, crise da família, crise individual... Quem, em nosso país, não está em crise?

Pesquisas recentes demonstram que aumentou, vertiginosamente, o número de casos de doenças mentais... Muitos sonham em sair do Brasil, buscando um lugar sem violência ou desemprego. Outros desfazem casamentos para preservar a própria "individualidade". Amor e sexo transformaram-se em artigos de consumo, descartáveis. A palavra "compromisso" é "out". O país está doente. Filhos matam pais. Pais matam filhos. Maridos matam esposas. A mídia manipula facilmente a opinião pública. A desesperança impera soberana.

Decisões e atitudes do governo Collor são aceitas por todos, acriticamente, passivamente. Desde os episódios grotescos e vergonhosos da campanha eleitoral até atos recentes de corrupção descarada. Um governo medíocre, manipulador, corrupto, incompetente e sem nenhuma ética. Com um único mérito: usar e abusar dos veículos de comunicação em massa. Um governo maquiado de moderno e inovador, mas que, na verdade, é vazio de propostas e ideais sociais. E a fachada está ruindo apodrecida precocemente.

E nós, onde ficamos? Qual é a nossa responsabilidade frente a esta situação? "O que fazer?" Somos, sem dúvida, muito mais covardes, medíocres e infelizes do que éramos na época que sabíamos lutar. Quando ser "de esquerda" não era um problema existencial... Hoje vivemos uma profunda crise de identidade. Nossos valores, ideais, estão escondidos, envergonhados, em busca de uma nova definição. Somos pressionados pelo "consenso".

Os guerreiros, os revolucionários de tantos anos, que sabiam gritar, lutar e chorar, não sabem como enfrentar os vermes de caras bonitas e corpos atléticos. Tornamo-nos medrosos, desaprendemos como ousar, criar, acreditar. Como disse Betinho, Herbert de Souza, há algum tempo: "a indignação é a minha forma de me manter vivo". A coragem e a integridade também. O medo, a mediocridade e a resignação são formas de morrer.

Vivemos um momento em que o governo só quer destruir, acabar, aniquilar a cultura, a economia, as universidades, a saúde e, principalmente, a esperança. Nossa única saída é "fugir para a frente", enfrentando essa destruição construindo, reconstruindo, reaprendendo, buscando parceiros nesta enorme tarefa.

Medíocres ou guerreiros... Está em nossas mãos. Quem topa? Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Jovem morre atropelada após subir em caminhão de limpeza no Carnaval de Salvador.

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Publicado em 16 fevereiro 2026
  • Jovem morre atropelada no Carnaval de Salvador
  • Carnaval de Salvador
  • Empresa de Limpeza Urbana de Salvador
  • estudante morreu atropelada no Carnaval de Salvador
  • Carnaval de Salvador 2026,
  • Morte no Carnaval de Salvador

Vítima se pendurou no veículo sem autorização, escorregou e caiu sob as rodas, afirma empresa

Limpurb prestou solidariedade e reforçou que prática é proibida

 

Salvador

Uma estudante de 24 anos morreu atropelada por um caminhão de limpeza na madrugada desta segunda-feira (16) na Carnaval de Salvador. O acidente aconteceu no circuito Barra Ondina após a passagem dos últimos trios elétricos, quando equipes realizavam a limpeza da via com um caminhão-pipa.

A Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador) informou que a mulher subiu no caminhão sem autorização, escorregou e caiu sobre uma das rodas do veículo. O socorro foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu.

A empresa municipal de limpeza prestou solidariedade aos amigos e familiares da vítima. Também alertou que a prática de subir nos caminhões de limpeza é terminantemente proibida e orienta que as pessoas não subam ou se pendurem nos veículos.

A Limpurb destacou que ainda que seus caminhões operam seguindo protocolos de segurança e que o acesso é restrito a profissionais autorizados. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Mulher é presa em flagrante ao matar o marido a facadas em Lagoa da Canoa

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Publicado em 15 fevereiro 2026
  • Lagoa da Canoa,
  • Violência em Lagoa da Canoa,
  • Cidade de Lagoa da Canoa,
  • Lagoa da Canoa-AL,
  • Mulher mata o marido a facadas em Lagoa da Canoa
  • Alto do Pixuta,
  • mulher matou o próprio marido

 

Mulher mata marido a facadas em Lagoa da Canoa - Foto: Josival Meneses/Já É Notícia

 

Por Redação

Uma mulher matou o próprio marido com golpes de arma branca, neste sábado, 14, dentro de um quartinho, em uma localidade conhecida como Alto do Pixuta, nas proximidades da antiga estação e por trás de uma lagoa no município de Lagoa da Canoa, no Agreste do Estado. A vítima morreu no local antes de receber qualquer socorro médico.

De acordo com informações de populares, o casal vivia de favor em um quartinho, nos fundos de uma residência da região e costumava ingerir bebida alcoólica com frequência tanto na antiga estação quanto na casa onde dormiam. Na manhã do crime, os dois teriam iniciado mais uma discussão, que acabou evoluindo para agressão física.

Durante o desentendimento, a mulher teria esfaqueado o companheiro, conhecido como Gaguinho. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda dentro do quartinho.

Segundo relatos de moradores, o casal tinha um histórico de brigas constantes, com agressões mútuas. E após atingir o marido, a suspeita ainda foi até um posto de saúde da cidade pedindo ajuda para socorrê-lo. No entanto, quando as equipes chegaram ao local, o homem já estava em óbito.

A Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão da mulher em flagrante, ainda no local do crime.

Também estiveram presentes equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML), responsáveis pela perícia e pelo recolhimento do corpo. Fonte: https://www.jaenoticia.com.br

Nova tragédia em Itumbiara: homem mata a ex-mulher e tira a própria vida

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Publicado em 15 fevereiro 2026
  • feminicídio
  • Itumbiara
  • Nova tragédia em Itumbiara
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  • A cidade de Itumbiara,
  • tragédia em Itumbiara
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  • Pedro da Costa Queiroz assassinou a ex-esposa
  • Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara,
  • violência vicária

Ex-marido agride a enteada de 15 anos e mata mulher a tiros antes de cometer suicídio, dias após o caso do secretário de Itumbiara

 

Novo caso em Itumbiara é tratado como feminicídio seguido de suicídio Foto: @vidocaofc/Instagram/ND Mais

 

A cidade de Itumbiara, em Goiás, foi palco de uma nova tragédia neste sábado (14). Um homem identificado como Pedro da Costa Queiroz assassinou a ex-esposa a tiros no bairro Jardim Europa, por volta das 16h, antes de tirar a própria vida.

A vítima, Elieser Teodoro da Silva, foi encontrada sem vida dentro de casa. O suspeito chegou a ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu.

A Polícia Militar de Goiás informou que a filha da vítima também foi agredida com uma coronhada na cabeça. A adolescente de 15 anos sofreu lesão na região craniana e precisou de atendimento médico. Até o momento, não há maiores detalhes sobre o estado de saúde.

A residência ficará isolada para preservação da cena até a conclusão dos trabalhos periciais. A polícia apreendeu a arma do crime, um revólver calibre .38, e outros pertences do autor.

Segundo o portal Mais Goiás, moradores tentaram prestar socorro ao ouvir os disparos, mas o suspeito armado ordenou que todos se afastassem.

O delegado Felipe Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara, afirmou ao jornal O HOJE que o caso é tratado como feminicídio seguido de suicídio.

“Tudo indica que seja mais um feminicídio seguido de suicídio. A filha da mulher, de 15 anos, foi atingida apenas com a coronhada e encaminhada ao hospital. A princípio, é isso. Mas ainda vamos apurar tudo corretamente”, disse o delegado ao O HOJE.

“A investigação acaba de começar. Estamos acompanhando a perícia aqui no local do crime e, assim que chegarmos à delegacia, vamos instaurar o inquérito e dar continuidade às investigações”, completou.

 

Itumbiara vive nova tragédia após pai matar os próprios filhos nesta semana

O feminicídio ocorre dias após o secretário municipal de Itumbiara, Thales Machado, disparar contra os dois filhos e cometer suicídio na quarta-feira (11). O caso provocou comoção e revolta na cidade de 107 mil habitantes.

Benício Araújo Machado, de 8 anos, foi sepultado neste sábado. Ele teve a morte cerebral confirmada após passar por cirurgia e ser internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara.

O enterro do irmão Miguel, de 12 anos, ocorreu na quinta-feira (12). Ele chegou a ser levado ao HMMC (Hospital Municipal Modesto de Carvalho) na noite do crime, mas não resistiu aos ferimentos.

Thales Machado, de 40 anos, era casado com a filha do prefeito Dione Araújo (União Brasil) e ocupava cargo de confiança na gestão do sogro. Antes de tirar a própria vida, ele teria publicado uma carta aberta acusando a esposa Sarah Araújo de traição.

“Partimos eu e meus meninos que agora são anjos que infelizmente vieram comigo… a todos digo que nunca pensei nisso, foi hoje… todos sabem como sou intenso e verdadeiro e não iria conseguir viver mais com essas lembranças…”, diz o texto.

“Dione meu eterno respeito e admiração e desculpe pelo que fiz… sei que não tem perdão mas foi o q sobrou nesse dia infeliz dos meus 40 anos”, teria escrito Thales.

A mãe das crianças, Sarah Araújo, tem sido alvo de ataques nas redes sociais pela suposta traição. Ela precisou ser escoltada no velório do próprio filho, em que foi hostilizada. A tragédia em Itumbiara acende alerta para violência vicária, quando o agressor usa os filhos para provocar sofrimento e culpabilizar a vítima. Fonte: https://ndmais.com.br

Pai é suspeito de matar filha de 15 anos com machado e depois tirar a própria vida na Bahia

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Publicado em 14 fevereiro 2026
  • Pai é suspeito de matar filha de 15 anos com machado
  • município de Irará
  • Irará- BA
  • Suicídio em Irará- BA
  • Pai é suspeito de matar filha de 15 anos
  • cidade de Irará- BA
  • adolescente foi morta com golpes de machado

Adolescente é morta com golpes de machado em Irará e pai de 39 anos, suspeito do crime, teria tirado a própria vida Foto: Redes sociais/Reprodução/ND Mais

 

De acordo com a polícia, adolescente foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12) em Irará e pai, suspeito do crime, tirou a própria vida

A adolescente Beatriz Alves Moraes, de 15 anos, foi morta com golpes de machado na noite de quinta-feira (12), no município de Irará (BA). De acordo com informações da Polícia Civil, o corpo da vítima foi encontrado em um terreno baldio.

O pai da menina, Danilo Moraes da Silva, de 39 anos, suspeito de matar a filha, teria tirado a própria vida na sequência. Ele foi encontrado morto em um imóvel da família, em um loteamento residencial da cidade.

A Polícia Civil da Bahia investiga as circunstâncias e a motivação do caso, segundo o programa de televisão Bahia No Ar.

Na madrugada de quinta-feira, outro crime similar chocou o país. Em Itumbiara (GO), o secretário da Prefeitura Thales Machado teria cometido suicídio após atirar contra os dois filhos, que não resistiram.

 

Adolescente é morta com golpes de machado e Prefeitura presta solidariedade

Nas redes sociais, a Prefeitura de Irará lamentou a morte de Beatriz. “Uma pessoa querida por todos, que deixou uma marca de bondade e alegria por onde passou”, escreveu em nota. Fonte: https://ndmais.com.br

Homem empurra cadeirante de prédio e se joga em seguida, no Recife; ambos morreram em decorrência da queda

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Publicado em 14 fevereiro 2026
  • Suicídio,
  • Homem empurra cadeirante de prédio em Recife
  • Jardim de Boa Viagem,
  • Zona Sul do Recife,
  • prédio em Boa Viagem,
  • Edifício Pindorama,

Incidente aconteceu na noite da sexta-feira (13), em edifício que fica próximo ao Segundo

 

Jardim de Boa Viagem, na Zona Sul. Ambos morreram em decorrência da queda.

 

Por g1 Pernambuco, TV Globo

Um homem empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e se jogou em seguida. Ambos faleceram em decorrência da queda.

O incidente ocorreu no Edifício Pindorama, na noite da sexta-feira (13).

A Polícia Civil do Recife investiga as circunstâncias e a motivação do crime, que ainda são desconhecidas.

Um homem de 35 anos empurrou um cadeirante do quarto andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na noite desta sexta-feira (13). Em seguida, ele se jogou. Os dois morreram em decorrência da queda. Imagens feitas por vizinhos, logo após o crime, mostram a movimentação de policiais na área (veja vídeo acima).

De acordo com apuração da TV Globo, a polícia afirmou que o cadeirante foi arremessado e morreu na hora da queda. Já o homem que o empurrou e depois pulou do prédio chegou a ser encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, no Centro do Recife, mas não resistiu aos ferimentos e chegou morto à unidade de saúde.

A tragédia aconteceu no Edifício Pindorama, que fica na Rua Phaelante da Câmara, próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem. A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência e enviou equipe do 19º Batalhão para isolar a área para atuação do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML).

De acordo com apuração feita pela TV Globo, os homens estavam juntos dentro do apartamento quando um deles, em surto, arremessou o cadeirante. Uma terceira pessoa tentou contê-lo e também quase foi jogada do quarto andar. Porém, antes disso, o homem em surto pulou do prédio. Fonte: https://g1.globo.com

Morre segundo filho baleado por secretário de Governo em Itumbiara (GO)

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Publicado em 14 fevereiro 2026
  • Suicídio,
  • Goiás,
  • Thales Machado
  • Sarah Araújo,
  • Investigação de Homicídios de Itumbiara
  • Itumbiara

Polícia Civil confirma morte de menino de 8 anos; irmão de 12 também não resistiu

Caso é investigado como duplo homicídio seguido de suicídio; prefeitura decreta luto de três dias

 

Thales Machado e seus filhos Benício, 8, e Miguel, 12; segundo a polícia, pai matou as duas crianças e cometeu suicídio - Thales Machado no Instagram

 

Aléxia Sousa

Rio de Janeiro

A Polícia Civil de Goiás confirmou nesta sexta-feira (13) a morte de Benício Araújo Machado, 8, segundo filho do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, 40. O menino estava internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual da cidade desde a noite de quarta-feira (11), quando foi baleado pelo pai, e morreu no final da tarde.

O irmão mais velho, Miguel Araújo Machado, 12, morreu ainda na quinta-feira (12) após ser atingido pelos disparos.

Segundo a investigação, Thales atirou contra os dois filhos no condomínio onde a família morava, na madrugada de quinta, e se matou em seguida. Com a morte do caçula, o caso passou a ser tratado como duplo homicídio seguido de suicídio.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos. A investigação é conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios de Itumbiara. Até o momento, segundo a corporação, não há indícios de participação de terceiros.

Durante o enterro de Miguel, no fim da tarde de quinta-feira, a mãe do menino, Sarah Araújo, deixou o cemitério antes do encerramento da cerimônia após relatos de ameaças, segundo testemunhas que pediram para não ser identificadas. De acordo com o portal Mais Goiás, ela precisou de escolta para participar da despedida.

Ainda segundo o site, Sarah entrou no cemitério sob proteção, e o carro que a transportava parou em frente ao local do sepultamento. Amparada por familiares e amigos, acompanhou o cortejo, que teve início às 17h50.

O corpo de Benício será velado a partir das 7h deste sábado (14), na casa do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. O enterro está previsto para o Cemitério Avenida da Saudade, mas o horário ainda não havia sido definido até a última atualização desta reportagem.

Thales era genro do prefeito. Horas antes do crime, publicou nas redes sociais um vídeo ao lado dos filhos, declarando amor aos dois.

A Prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de três dias. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), manifestou pesar nas redes sociais e afirmou que irá à cidade para prestar solidariedade à família.

"A notícia de violência dentro de um lar, sobretudo quando crianças são vítimas, atinge em cheio a família e coloca todo o nosso Estado de luto", declarou. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Por que o cristianismo não conseguiu, nem quis, abolir o Carnaval

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Publicado em 12 fevereiro 2026
  • CARNAVAL,
  • Carnaval 2026
  • Carnaval e cristianismo
  • Saturnálias e Lupercálias,
  • despedida da carne

Excesso deixou de ser valor ritual e virou 'despedida da carne' sob vigilância moral da Igreja

Cristianismo herdou Saturnálias e Lupercálias, mas as reinterpretou como exceção vigiada antes da Quaresma

 

Foliões desfilam no tradicional bloco do Cordão do Boitatá, na rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro - Fernando Maia - 8.fev.26/Divulgação Riotur

 

Marcelo Rede

É doutor pela Univ. de Paris 1 e professor de história da USP

 

À primeira vista, Carnaval e cristianismo parecem opostos. De um lado, riso, máscaras, excesso, inversão. Do outro, disciplina, penitência, contenção dos desejos. Não é raro ouvir que o Carnaval seria um resíduo pagão tolerado a contragosto pela Igreja. Mas essa explicação é insuficiente.

A história mostra algo mais complexo: o Carnaval não sobreviveu apesar do cristianismo. Ele tomou forma dentro dele, quando o cristianismo precisou decidir como lidar com uma cultura festiva herdada do mundo romano antigo.

Nesse mundo, festas não eram desvios da ordem. Eram parte da própria ordem religiosa. O calendário estava repleto de celebrações nas quais a rotina era suspensa, relativizada ou publicamente ridicularizada. É o caso das Saturnálias, realizadas em dezembro.

Durante essas festas, escravos sentavam-se à mesa com seus senhores, a franqueza era autorizada, a zombaria ganhava estatuto ritual. Máscaras, jogos, bebida e riso não eram desvios tolerados a contragosto. Eram comportamentos esperados.

Outras festas, como as Lupercálias, combinavam purificação, fertilidade e provocação pública. Corridas rituais, nudez parcial, contato corporal e riso faziam parte de um repertório religioso legítimo. Essas práticas tinham data e duração definidas, mas isso não significa que fossem vistas como problemas morais. No politeísmo romano, não havia oposição estrutural entre festa e religião: a exceção fazia parte do funcionamento normal do mundo.

É aqui que ocorre a grande mudança com o cristianismo. Quando ele se torna dominante, a partir do século 4º, não herda apenas um calendário, mas também um problema novo: como conciliar uma moral religiosa baseada na disciplina contínua com práticas festivas que celebravam o corpo, o riso e a inversão das hierarquias?

Nada disso desapareceu de imediato. As populações continuaram a cantar, dançar, usar máscaras. Pregadores cristãos reagiram com veemência. Um exemplo eloquente é o de Cesário de Arles —que se tornaria santo—, no início do século 6º, que repreende fiéis por se fantasiarem com "formas monstruosas", cantarem obscenidades e se comportarem "não como cristãos, mas como pagãos". A força do ataque revela que essas práticas continuavam vivas dentro de comunidades cristãs.

A diferença decisiva não está no fato de que o cristianismo passou a permitir a indisciplina. Está no modo como ele a reinterpretou. No mundo romano, a festa era um valor positivo em si. No cristianismo, ela se torna um problema a ser administrado. A solução não foi multiplicar festas, mas concentrá-las; não foi celebrá-las, mas justificá-las.

O cristianismo reorganizou o tempo de forma radical. Criou longos períodos de disciplina, jejum e penitência, como a Quaresma, e passou a tolerar a exceção apenas como limiar. O Carnaval nasce exatamente aí: não como uma festa autônoma, mas como o último momento antes da renúncia. O excesso deixa de ser um bem ritual e passa a ser um "antes de".

A própria etimologia do termo —associada à "despedida da carne"— revela essa mudança profunda. O Carnaval não é definido pelo que afirma, mas pelo que antecede. Ele existe em função da abstinência, não da celebração. É uma exceção vigiada, moralmente ambígua, sempre à beira da condenação.

Isso não significa, porém, que o Carnaval tenha sido apenas uma válvula de escape controlada pela Igreja. Ao contrário. Justamente por ocupar esse espaço ambíguo, ele se tornou também um terreno fértil para a contestação. Máscaras, sátiras e inversões passaram a ser meios pelos quais a cultura popular tensionava valores e autoridades dominantes. O riso carnavalesco não apenas reforça a ordem: ele a comenta, a critica, às vezes a expõe ao ridículo.

O Carnaval cristão nasce, assim, de uma negociação permanente. De um lado, tentativas de controle, moralização e enquadramento. De outro, práticas populares que insistem em reinventar a festa, ampliando seus sentidos. O resultado não é uma continuidade simples do mundo romano, nem uma criação inteiramente nova, mas um arranjo histórico instável.

Quando olhamos para o Carnaval brasileiro hoje, com sua crítica política, sua criatividade e sua capacidade de expor desigualdades, vemos a persistência dessa tensão antiga. O Carnaval não é apenas um momento em que a ordem "se permite" ser suspensa. É também um espaço em que se diz, por meio do riso, o que a ordem prefere calar.

O cristianismo não acabou com o Carnaval porque percebeu que não podia eliminar a exceção. Mas o transformou profundamente: retirou-lhe a autonomia religiosa e o colocou sob o signo da penitência. Desde então, uma vez por ano, o mundo pode virar de cabeça para baixo, não porque isso seja bom em si, mas porque, mesmo sob vigilância, o riso nunca deixou de encontrar um caminho. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

‘Me senti traído’, afirma Paulo Vieira após vídeo feito com óculos inteligentes sem sua permissão

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Publicado em 08 fevereiro 2026
  • Paulo Vieira
  • óculos inteligentes

Episódio aconteceu em um açougue; humorista descobriu que vídeo de sua conversa com atendente estava no Instagram

 

O humorista Paulo relatou pelo X que um vídeo seu feito sem que ele soubesse foi parar nas redes sociais Foto: Reprodução/X

 

Por Redação

O humorista Paulo Vieira utilizou as redes sociais para relatar um incômodo de privacidade. De acordo com Vieira, um vídeo filmado com óculos inteligentes em que ele aparece em um açougue foi parar no Instagram, sem que ele soubesse que estava sendo gravado.

Segundo ele, a pessoa que o atendeu estava utilizando um óculos com câmera - e que o aparelho não tinha nenhuma indicação de que estava ligado - em geral, dispositivos desse tipo indicam com uma luz na armação caso estejam filmando ou tirando fotos.

Depois da interação, Vieira afirmou que encontrou o vídeo com o conteúdo da conversa em um Reels, do Instagram.

“Eu achei que era só uma conversa entre dois seres humanos, mas, no fim, era a merda da produção de conteúdo”, afirmou Vieira em sua conta do X, neste sábado, 7.

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O humorista ainda respondeu um usuário que alertou sobre a luz que indica que os óculos estão ligados, mas afirmou que muitos usuários têm burlado o sistema de indicação.

“Já tão vendendo o adaptador que esconde a luzinha que mostra que tá filmando”, disse em uma resposta no X.

A falta de privacidade incomodou Vieira, que afirmou que se sentiu traído. Ele ainda reclamou que o açougueiro deveria ter perguntado a ele se tinha a permissão para filmá-lo no momento.

“Parece que postar qualquer coisa insignificante sobre a sua vida não é mais opcional: se você não fizer, vão fazer por você. O açougueiro com os óculos que filma vai contar pro mundo se você comprou acém ou maminha. Sim, eu tenho 180 anos”, publicou. Fonte: https://www.estadao.com.br

Acidente com ônibus de romeiros deixa ao menos 15 mortos em Alagoas.

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Publicado em 03 fevereiro 2026
  • 15 Romeiros mortos em Alagoas
  • 15 pessoas morreram após um ônibus de romeiros
  • Acidente com ônibus de romeiros
  • Acidente na rodovia AL-220,
  • Acidente em São José da Tapera
  • Acidente com Romeiros em Alagoas,
  • Romeiros de Padre Cícero,

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças; veículo tinha aproximadamente 60 ocupantes

 

Gabriela Bento e Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil03/02/26

Ao menos 15 pessoas morreram após um ônibus de romeiros capotar, nesta terça-feira (3), na rodovia AL-220, localizada no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano.

Segundo o governo do estado, entre os mortos estão cinco homens, sete mulheres e três crianças.

De acordo com informações preliminares, o ônibus contava com aproximadamente 60 ocupantes. As vítimas sobreviventes foram socorridas e levada para hospitais da região, onde seguem recebendo atendimento médico.

Por conta do acidente, o governador do estado, Paulo Dantas, decretou luto oficial de três dias.

A ocorrência, classificada como um incidente com múltiplas vítimas de alta complexidade, conta com o apoio de aeronaves do Departamento Estadual de Aviação, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas e da Polícia Militar de Alagoas.

Após a ocorrência, o Instituto de Criminalística de Arapiraca foi acionado para periciar o local e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente.

Em nota, a prefeitura de Juazeiro do Norte lamentou o acidente. 

 

Leia na íntegra:

"A Prefeitura de Juazeiro do Norte manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido na manhã desta terça-feira, 3, na rodovia AL-220, envolvendo um ônibus com romeiros que retornavam ao estado de Alagoas após participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias.

Juazeiro do Norte, cidade cuja história é marcada pela fé e pelo acolhimento aos romeiros, recebe essa notícia com imensa tristeza e solidariedade, sentimento que une a gestão municipal e toda a população neste momento de luto.

Diante dessa dolorosa circunstância, a administração municipal expressa suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas e deseja pronta recuperação às pessoas feridas, reafirmando seu respeito, cuidado e apoio a todos os atingidos por essa fatalidade." Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

Autoritarismo antissionista e a universidade

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Publicado em 29 janeiro 2026
  • Autoritarismo antissionista
  • Estudos sobre a Personalidade Autoritária
  • Herbert Marcuse
  • Faculdade de Direito da USP,

Quem defende censura hoje por conveniência política cria, sem perceber, o monstro que amanhã esmagará todos nós

 

Por Matheus Alexandre

Theodor Adorno, em Estudos sobre a Personalidade Autoritária (1950), mostrou que o autoritarismo não é um desvio individual, mas uma estrutura sociopsicológica produzida na vida cotidiana. Indivíduos com predisposições autoritárias tendem à intolerância, à ambiguidade, ao pensamento dicotômico, ao apego a normas absolutas e à dificuldade de lidar com nuances. O autoritarismo, assim, opera como um modelo cognitivo: organiza afetos e julgamentos, predispõe à busca de ordem rígida, à punição do desvio e à conversão de conflitos políticos em batalhas morais contra um “inimigo”.

Embora o autor tenha mirado, naquele momento histórico, o fenômeno da ultradireita autoritária, ainda tentando elaborar sobre o fenômeno do nazismo e do fascismo na Europa, sua obra nos permite perceber que, justamente por se tratar de predisposições sociopsicológicas, essas tendências podem ser mobilizadas por qualquer campo político, independentemente do conteúdo da causa.

Essa leitura aparece claramente nas cartas trocadas entre Adorno e Herbert Marcuse em 1969, quando Adorno identificava no movimento estudantil alemão impulsos que reproduziam, na forma, a mesma lógica autoritária que afirmavam combater. A intolerância ao dissenso, a moralização da política e a crença de que fins justos autorizam métodos coercitivos eram, para ele, sinais de um desvio que ultrapassava fronteiras ideológicas.

No Brasil, onde a memória histórica recente associa a direita à ditadura e a esquerda à resistência democrática, cristalizou-se a crença confortável de que o autoritarismo seria exclusivo da extrema direita. A tradição frankfurtiana, porém, demonstra o contrário: qualquer grupo pode reproduzir práticas de supressão do debate e cerceamento do dissenso quando transforma divergências em ameaças existenciais.

Essa dinâmica se expressa de modo crescente nas universidades brasileiras.

A censura praticada por estudantes da Faculdade de Direito da USP, em novembro de 2025, para impedir a participação de André Lajst num debate sobre o Oriente Médio, afirmando em nota que “sionistas não são bem-vindos nas Arcadas”, deve ser vista como uma ação da maior gravidade. Ela expressa precisamente aquilo que Adorno chamaria de “impulso autoritário”: a substituição do debate pela eliminação do dissenso, a crença de que a justiça da causa autoriza a supressão da fala alheia e a transformação da universidade num espaço de unanimidade obrigatória.

Essa é a lógica que tem orientado o movimento de Boicotes, Desinvestimentos e Sanções a Israel (BDS) em diversos ambientes acadêmicos. Sob o discurso de justiça, o movimento passa a operar segundo o modelo cognitivo autoritário descrito por Adorno: reduz complexidades a dicotomias morais entre “puros” e “culpados”, “legítimos” e “ilegítimos”. Com isso, o debate deixa de se concentrar criticamente nas políticas do Estado de Israel e passa a atingir a própria presença de indivíduos judeus, israelenses, sionistas ou simplesmente dissonantes no espaço universitário.

Quando isso acontece, a política deixa de operar no campo do argumento e passa a funcionar no regime da identidade: pessoas são reduzidas àquilo que se presume que elas representam, e não ao que efetivamente dizem ou fazem.

É nesse contexto que o adjetivo “sionista” se converte numa ferramenta conveniente: uma categoria totalizante que demoniza e distorce o significado do movimento nacional judaico, suspende a singularidade dos indivíduos e legitima agressões simbólicas e materiais. Torna-se um passe-livre moral: basta aplicar o rótulo para justificar alguém como alvo, neutralizar sua fala ou normalizar hostilidades que, em qualquer outro cenário, seriam inaceitáveis – um mecanismo que Eva Illouz (2024) denomina antissemitismo virtuoso. O debate, então, cede lugar a uma lógica de veto identitário, e a estrutura autoritária se impõe: não se discutem ideias; elimina-se quem as porta.

Episódios como esse têm se repetido cotidianamente nas universidades públicas brasileiras. Em 2024, um evento de Relações Internacionais da USP foi alvo de boicote pela simples presença da professora Karina Stange Calandrin. No mesmo ano, na Universidade Federal do Ceará, militantes impediram uma palestra de Michel Gherman ao rotulá-lo como “sionista da IDF”, como se a atribuição de uma identidade presumida bastasse para interditar sua fala.

Os exemplos são inúmeros. É a consolidação da “Escola Sem Partido” da esquerda antissionista.

A universidade, nesse cenário, deixa de ser um espaço para o livre pensamento e passa a ser um espaço para o adestramento. E esse é um caminho perigoso. Quem defende censura hoje por conveniência política cria, sem perceber, o monstro que amanhã esmagará todos nós. A História mostra que dispositivos de silenciamento nunca permanecem nas mãos de quem os criou. É preciso parar isso enquanto há tempo.

 

Opinião por Matheus Alexandre

Mestre e doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, ffellow do London Centre for the Study of Contemporary Antisemitism, alumni do ISGAP–Oxford, especialista em produção acadêmica da StandWithUs Brasil, integra o time de pesquisadores em projeto de combate ao antissemitismo da Confederação Israelita do Brasil (Conib) Fonte: https://www.estadao.com.br

O filme que o Oscar ignorou

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Publicado em 28 janeiro 2026
  • SUS
  • Longa argentino 'Belén'
  • Hospital Municipal Fernando Magalhães,
  • Belén
  • Longa argentino 'Belén' mostra jovem que é condenada por aborto espontâneo, numa engrenagem de moralismo e incompetência
  • O mais perverso é que, no Brasil, debate necessário nem existe, mesmo com um governo de esquerda

Longa narra o drama de Belén, jovem de 27 anos presa após sofrer um aborto espontâneo em um hospital público de Tucumán, na Argentina - Reprodução/Prime Video

 

Rio de Janeiro

Um vídeo gravado no início de janeiro dentro do Hospital Municipal Fernando Magalhães, no Rio, mostra mulheres numa situação de extrema vulnerabilidade. Algumas em macas, outras sentadas, choram de dor, têm as roupas encharcadas de sangue. Elas buscam atendimento para a interrupção legal da gestação ou para finalizar uma perda gestacional.

O que aparece ali —maus-tratos e negligência num serviço público dito "de referência"— expõe uma falha que vai além de gestão: é violência institucional. Vale dizer o óbvio, o SUS tem obrigação de atender os casos garantidos pela Constituição, perdas gestacionais e urgências decorrentes de abortos clandestinos. Não cabe dificultar, constranger, interrogar ou agir como polícia.

A realidade brasileira é igual em várias partes do mundo, como mostra um dos filmes mais incômodos do ano, que ficou fora da peneira final do Oscar. Exatamente aquele que deveria ser visto, falado, discutido, esmiuçado. A história retratada em "Belén" é baseada na prisão de uma jovem que sofreu aborto espontâneo. Condenada, tem a vida esmagada por uma engrenagem de moralismo e incompetência. O caso, abraçado por um grupo de mulheres, virou símbolo da luta que legalizou o aborto na Argentina em 2020.

Chorei muito. Não por identificação literal, mas por vergonha de constatar a facilidade com que instituições, respaldadas por leis anacrônicas e que burlam o que deveria ser feito na legalidade, tratam mulheres como criminosas. E isso segue acontecendo no Brasil em larga escala: não só no desfecho extremo de uma prisão, mas no varejo da humilhação, do atraso deliberado para impedir procedimentos, do julgamento; tudo isso como métodos de coerção e de controle.

O mais perverso é que, no Brasil, nem debate existe, mesmo com um governo de esquerda. Aborto foi empurrado para a gaveta do que Brasília chama, com eufemismo, de "pauta de costumes". Por covardia política, Lula e parlamentares progressistas evitam o tema para não comprar briga com bancadas conservadoras e não pagar o preço eleitoral. As mulheres que paguem. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

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