Olhar Jornalístico

Instituição da Sagrada Eucaristia

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Publicado em 18 abril 2019
  • Semana Santa,
  • Quinta-feira Santa,
  • Tríduo Pascal,
  • Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
  • Instituição da Sagrada Eucaristia

Foto: A SEMANA SANTA NA PROVÍNCIA CARMELITANA DE SANTO ELIAS- CARMELITAS: Dia da Paixão de Cristo na Escola Maria Montessori. (Quarta-feira, 17 de abril-2019)

(A Escola Maria Montessori, mantida pela Associação Educacional Carmelitana Maria Montessori, é uma das instituições de ensino mais tradicionais e respeitadas do Distrito Federal. Foi construída em julho de 1970, apenas 10 anos após a fundação de Brasília. Fonte: http://www.escolamontessori.com.br )

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

O Tríduo Pascal é aberto com a Missa da Ceia do Senhor. Nossa atenção neste dia sagrado de Quinta-Feira Santa está voltada para o altar do Senhor. O altar está no centro da casa sagrada, a nossa Catedral Metropolitana, casa de Deus, casa de irmãos e irmãs que se unem para a mais perfeita comunhão.

Somos o Povo de Deus, Igreja Santa, um povo que celebra a vida em comunhão, com Deus e com os seus irmãos, mediados por sua Igreja, que a todos congrega em um único espírito, o Espírito de Deus.

Nesta noite somos chamados a colocar no centro de nossa reflexão o testamento de Cristo com quem o Senhor não deixa aos seus discípulos uma herança material ou espiritual, mas a Si mesmo; Ele deixa Seu Corpo em sacrifício e Seu Sangue derramado para a salvação do mundo.

A Última Ceia de Jesus, da qual fazemos memória nesta liturgia sagrada, isto é a sua morte na cruz, que meditaremos na Sexta-Feira Santa à tarde, e a sua ressurreição (iniciando com a grande e solene Vigília Pascal), constituem os momentos de um mesmo mistério, o da Páscoa de Cristo, isto é, a sua passagem deste mundo para o mundo do Pai. Uma passagem dolorosa e alegre.

Quantas luzes, quantas vozes, quanta criatividade ao redor deste altar. Porém, também somos advertidos por Jesus: se, portanto, trouxerdes a sua oferta ao altar e aí se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe seu presente lá diante do altar e vá primeiro se reconciliar, (cf. Mt 5, 23 -24). Seria místico, farisaico, vaidoso e enganoso, distrair-se desta responsabilidade. O altar é o lugar do nosso encontro fraterno. Na mesa sagrada Jesus invariavelmente nos dá um compromisso: Vem, e verás (cf. Jo 1, 39). Quem tem sede venha a mim e beba (cf. Jo 7, 37).

Em muitas ocasiões Jesus quis significar este convívio, como o sinal do Reino de Deus, que está próximo. Convivência a partir da qual não exclui os pecadores para celebrar seu retorno ou para favorecê-lo.

Ao instituir o sacramento da Eucaristia, Jesus diz: “Este é o meu corpo que é dado por vós”. “É como se ele estivesse dizendo: eu me coloco a seu serviço. O apóstolo Pedro se recusa a lavar os pés e essa atitude de Cristo lhe dá a oportunidade de explicar o verdadeiro significado de seu gesto incomum. Um gesto que vai muito além de uma razão de natureza humana ou um desejo de oferecer um exemplo, mas lembra a necessidade de ser "salvo"”.

Jesus, em outras palavras, diz a São Pedro que ele não pode salvar a si mesmo por si mesmo, que ele não pode pensar em vencer o egoísmo e o pecado com sua própria força, mas ele deve aceitar a salvação que o Senhor lhe deu por meio do sacrifício.

Ao privilegiar este gesto, humilde e solene ao mesmo tempo realizado por Jesus, o evangelista nos revela o sentido profundo da Eucaristia e da cruz. Nós não celebramos a Eucaristia porque é um belo ritual, mas para entrar na própria lógica do dom do amor de Cristo ao homem e para que o sacrifício de Cristo invada toda a nossa vida.

Este é o caso de Levi, que passou em um instante do banco de seus ofícios para a mesa com Jesus, (cf Mc 2,13-15). Assim foi com Zaqueu e muitos outros: Jesus sentou-se à mesa com os seus amigos.

Há proximidade neste gesto, há intimidade, há amizade. Há declarações inéditas de amor; tome e coma; tome e beba. Ao redor da mesa, naquela noite, houve um começo, olhares atônitos, depois cheios de amor, como os nossos.

Se lá estivéssemos naquela noite, certamente estaríamos inebriados de tanto amor ao lado do amado, o nome está oculto; mas poderia ser cada um de nós reunidos para celebrar esta santa ceia.

Do altar de mármore ao altar incandescente de amor, um altar de carne, vivo e palpitante. Ao redor do altar com audácia. O altar é, portanto, o lugar onde Jesus se entrega, faz uma refeição, Ele é o cordeiro imolado.

Hoje também recordamos os cristãos primitivos, especialmente os mártires eles nos antecederam neste relacionamento de amor. As relíquias dos mártires estão preservadas no mármore do altar; são cristãos que corresponderam a este amor, com amor e por isso deram suas vidas por Jesus.  

Quem se senta à mesa de Jesus aprende a fazer de sua vida um presente, uma oblação. Aprende a dar a vida no cotidiano. O altar é uma mesa onde celebramos a imolação do Cordeiro: há aqueles que têm flores e luzes, aqueles que espalham toalhas de mesa, aqueles que espalham fragrâncias e incenso. Sobre tudo, há aqueles que doam suas vidas, neste altar, todo os dias.

Há ministros e há o sacerdote que age “in persona Christi”. Também há altares sem toalhas de mesa, sem flores, sem adornos e cobertos de pó. Há altares em torno dos quais não há mais coroas, nem canções, nem luzes, altares sobre os quais o sacerdote não se levanta há anos. Sem a Eucaristia não há Igreja.

Estamos no ano sacerdotal arquidiocesano e somos chamados a agradecer a Deus pela beleza de ser sacerdote, de ter um chamado do sacerdócio na família, na comunidade, na Igreja. De ser testemunho credível do Cristo Ressuscitado e se exercer o seu ministério na mansidão, na caridade, na misericórdia, gastando o seu ministério em favor de santificar o povo de Deus, sendo construtores de pontes e caminhando ao encontro dos que estão afastados: sacerdotes que ajudam o povo santo de Deus a crescer na caridade, no amor e na misericórdia. Lembro, os padres de nosso presbitério, da sadia amizade presbiteral: sejamos homens que possamos louvar as virtudes daqueles que chegam ao nosso encontro e dos nossos próprios colegas. A boa fama das pessoas é uma obrigação que cada padre deve zelar no seu ministério, porque como bom pai da comunidade, o presbítero é aquele que primeiro acolhe. O padre é aquele que cura as feridas do outro. A lealdade de uma ação apostólica fortalece a caminhada sacerdotal. O padre é aquele que vive a amizade samaritana para com todos.

Em volta da mesa está o futuro; a nossa aproximação é uma prefiguração da unidade dos filhos de Deus. Em uma forma estilizada, nosso destino é antecipado; tornar-se a família dos filhos de Deus. O altar, um vislumbre do futuro.

Ao redor do altar estamos como pecadores, mas no processo de conversão. Com o fardo de nossos trabalhos e nossos relacionamentos nem sempre é fácil, mas buscamos estar reconciliados.

Na Quinta-feira Santa aparece um sinal mais visível e fascinante em um grau elevado de significação e demonstração radical do amor de Deus: o gesto do lava pés. O Senhor quer que subamos ao altar purificados. Não nos sintamos humilhados pelo convite para a confissão de nossas falhas. Seria mais humilhante nos declararmos irresponsáveis pelo pecado.

Altar, lugar do relacionamento amoroso e sincero com o Senhor; Ele quer que sejamos fiéis nesta comunhão de irmãos que todos os dias, todos os domingos conforme nos pede a santa Mãe Igreja.

Estamos em sua casa, ao redor do altar para celebrar a mais perfeita comunhão sagrada, a memória do Senhor. Não por preceito, mas por amor. É indispensável, então, reconstruir a verdadeira relação com Jesus. “Todos os olhos estavam fixos nele”. (cf Lc 4, 20), Também os sacerdotes, são chamados a manter o olhar fixo em Jesus; de modo especial, são sacerdotes porque, como bem sabemos, a vitalidade e fecundidade como pastores nascem e se fortalecem justamente na íntima união com Jesus Cristo.

Os sacerdotes, pastores do rebanho, são os trabalhadores da vinha, e devem primeiro deixar-se converter; para de fato fazerem a experiência de Jesus Cristo e com Jesus Cristo, sempre com o olhar fixo Nele.

O testemunho sacerdotal faz com que o povo, também viva esta mesma experiência de intimidade e encontro pessoal com o Senhor, (cf. Hb 12, 1-13). O profeta Isaías descreve algumas características do ungido do Senhor indicando o estilo de vida.

Jesus atrai sobre si a figura do Messias, do ungido do Senhor e, diante de todos, declara, quase com um manifesto programático, sua vocação e missão no mundo. O Sacerdote é chamado a dar a sua vida por Jesus através do seu ministério, um ministério da caridade.

Esta é a liberdade, não um “sim” formal, mas o sim generoso e sincero, um Sim à vida, iluminado por aquele magnifico Sim de Maria, que hoje encoraja e revigora o Sim ministerial a serviço do altar, para dar a vida em favor do Povo, por amor, como fez Jesus Cristo o eterno e grande sacerdote do Pai.

A Santa Missa “in Coena Domini”, isto é, no banquete sagrado da ceia, recorda aquela Última Ceia do Senhor com os seus discípulos, na qual lhes deu o mandamento do amor, depois de terem lavado os pés e instituído os sacramentos da Eucaristia, e das Ordens Sagradas.

“Aos seus discípulos, Jesus deixa uma ordem, um convite:" Faça isso em memória de mim”. A palavra “memória” na Sagrada Escritura tem um significado muito particular. Não significa apenas comemorar, mas fazer-se presente, atualizar.

A Eucaristia, portanto, não é uma comemoração pura da Paixão e da Morte de Jesus, mas é uma atualização para nós hoje, do sacrifício de Cristo na Cruz - a Eucaristia alimenta a vida da Igreja na certeza inabalável de que ela não está sozinha nas tribulações e provações.

Estamos conscientes de que apesar dos acontecimentos dramáticos da história, a Igreja é incessantemente apoiada e guiada pelo amor onipotente do seu Senhor.

Verdadeiramente na Eucaristia, Cristo fez a promessa que fez aos seus discípulos de uma maneira incrível e extraordinária, antes de retornar ao Pai: “Eis que estou contigo todos os dias até o fim do mundo”.

A Eucaristia é a presença de Deus em nosso meio. O texto do Evangelho termina com estas palavras: “Eu vos dei este exemplo, para que, como eu fiz, também vós deveis fazer”.

E assim, toda vez que celebramos a sagrada Eucaristia, a humanidade se reconcilia com Deus, a lei do amor é escrita novamente no coração do homem, a nova criatura é regenerada.

Vivemos em comunhão com Deus e com nossos irmãos, encontramos força na jornada, muitas vezes difícil, porém, devemos sempre lembrar que nos tornamos participantes da vida eterna, a alegria que dissolve a tristeza e floresce no coração da Igreja.

Agradecemos ao Senhor por este imenso presente, aprendemos a desfrutar da sua presença entre nós e a deixar-nos transformar pelo seu amor. Nossa Gratidão aos irmãos e amados sacerdotes pelo SIM dado no cotidiano da vida e do ministério sagrado. Fonte: Fonte: http://arqrio.org

Bons pastores

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Publicado em 18 abril 2019
  • Padres,
  • Cardeal Orani João Tempesta,
  • Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
  • Bons pastores

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Quinta-feira Santa de manhã é um momento solene e especial celebrativo em nossa Arquidiocese. Além da bênção dos óleos dos enfermos e do batismo e a consagração do óleo do crisma temos a renovação dos compromissos sacerdotais dos padres. É um belo encontro dos padres da arquidiocese, ao final do tempo quaresmal, e, antes de iniciar o tríduo pascal, de marcar o momento com a unidade e fraterna comunhão entre nós vivendo os compromissos que um dia fizemos em nossa ordenação presbiteral. Desde manhã já começam a chegar e às 8h30min iniciaremos a grande celebração. Momento marcante em nossa vida diocesana. É a chamada Missa do Crisma. Nessa celebração Eucarística Solene, comemoramos a instituição do sacerdócio ministerial em torno ao Bispo Diocesano e concelebrada por todos os Bispos Auxiliares e todo o Presbitério: é o momento forte de afeto presbiteral e de unidade do presbitério com o seu Bispo Diocesano.

Recordo o texto do Evangelho desse dia: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos” (Lc 4, 18). 

Nesse contexto agradeço de coração a todos os presbíteros pela unidade e pela missão desempenhada nessa grande cidade, tão sofrida e martirizada por tantos acontecimentos. Junto com uma grande ação de graças por tudo o que vivemos nestes tempos e pelo empenho de todos e de cada um partilho algumas reflexões nestes tempos tão difíceis da história do nosso tempo. Junto dos queridos padres em suas comunidades quero compartilhar algumas preocupações de meu coração de Bispo Diocesano para com os padres e para com toda a comunidade arquidiocesana.

Apresento algumas reflexões que podem nos ajudar em nossa conversão pessoal e comunitária nestes dias em que estamos para iniciar o Tríduo Pascal e celebrar a Páscoa do Senhor Ressuscitado:

1-Proximidade:o presbítero é um homem que deve ser próximo do seu Bispo Diocesano, dos seus irmãos no presbitério e de todo o povo santo de Deus. É nossa vocação ser ponte, unirmos a comunidade. Nesse sentido é oportuna a advertência do Papa Francisco: “A proximidade, amados irmãos, é a chave do evangelizador, porque é uma atitude-chave no Evangelho (o Senhor usa-a para descrever o Reino). Já temos por adquirido que a proximidade é a chave da misericórdia, pois não seria misericórdia senão fizesse sempre de tudo, como boa samaritana, para eliminar as distâncias. Mas penso que precisamos de assumir melhor o fato de que a proximidade é também a chave da verdade; não só da misericórdia, mas também a chave da verdade. Podem-se eliminar as distâncias na verdade? Certamente. Com efeito, a verdade não é só a definição que permite nomear situações e coisas mantendo-as à distância com conceitos e raciocínios lógicos. Não é só isso. A verdade é também fidelidade (emeth), aquela que te consente de designar as pessoas pelo seu próprio nome, como o Senhor as designa, antes de as classificar ou definir «a sua situação». A propósito, existe o hábito – mau, não é? – da «cultura do adjetivo»: este é assim, este é assado… Não! Este é filho de Deus. Depois, terá virtudes ou defeitos; mas digamos a verdade fiel da pessoa e não o adjetivo feito substância” (https://www.acidigital.com/noticias/homilia-do-papa-francisco-na-missa-do-crisma-de-quinta-feira-santa-67635, último acesso em 05 de abril de 2019.)

2-Ajudemo-nos no caminho da santidade:observamos que na sociedade líquida em que vivemos existe a tentação de condenar as pessoas. Há uma desconfiança generalizada e as pessoas não aceitam dialogar. Não se tem mais apreço pela verdade fática dos acontecimentos e muitas vezes a maledicência fica generalizada pelas mídias digitais disseminando mentiras que, repetidas maledicentemente, se tornam verdades. O Papa Francisco nos lembra da necessidade de nos dedicarmos ao ofício do Confessionário e ao imperioso sacramento da Reconciliação: “A proximidade na Confissão, podemos meditá-la contemplando a passagem da mulher adúltera (cf. Jo 8, 3-11). Lá se vê claramente como a proximidade é decisiva, porque as verdades de Jesus sempre aproximam e se dizem (podem-se dizer sempre) face a face. Fixar o outro nos olhos – como o Senhor, quando Se levanta depois de ter estado de joelhos junto da adúltera que queriam lapidar, e lhe diz «também Eu não te condeno» (8, 11) – não é ir contra a lei. E pode-se acrescentar «de agora em diante não tornes a pecar», não com um tom que pertence à esfera jurídica da verdade-definição (o tom de quem deve determinar quais são as condições da Misericórdia divina), mas com uma frase dita na área da verdade-fiel que permita ao pecador olhar em frente e não para trás. O tom justo deste «não tornes a pecar» é o do confessor que o diz disposto a repeti-lo setenta vezes sete.” (https://www.acidigital.com/noticias/homilia-do-papa-francisco-na-missa-do-crisma-de-quinta-feira-santa-67635, último acesso em 05 de abril de 2019.)

3-A ternura do Bom Pastor:o padre é chamado a ser um servidor da comunidade e para isso doa sua vida ao Senhor. O padre é chamado a acolher a todos, em especial os pecadores, os pobres, os humilhados, os descartados, os que vivem em situação de risco. E a acolhida é prenha de ternura, como a ternura do Cristo Bom Pastor. Assim nos ensina e dá testemunho o Papa Francisco: “O sacerdote vizinho, que caminha no meio do seu povo com proximidade e ternura de bom pastor (e, na sua pastoral, umas vezes vai à frente, outras vezes no meio e outras vezes ainda atrás), as pessoas não só o veem com muito apreço; mas vão mais além: sentem por ele qualquer coisa de especial, algo que só sentem na presença de Jesus. Por isso, reconhecer a nossa proximidade não é apenas…mais uma coisa. Com efeito nisso se decide se queremos tornar Jesus presente na vida da humanidade ou se, pelo contrário, O deixamos no plano das ideias, encerrado em belas letras, quando muito encarnado nalgum bom hábito que pouco a pouco se torna rotina.” (https://www.acidigital.com/noticias/homilia-do-papa-francisco-na-missa-do-crisma-de-quinta-feira-santa-67635, último acesso em 05 de abril de 2019.)

4-O cuidado alegre e generoso com os mais pobres e necessitados:uma das ações fundamentais do ministério presbiteral é socorrer os que passam dificuldades. Vimos nestes dias de tantos sofrimentos a missão da Igreja, com os padres a frente, cuidando de tantas situações dolorosas. Muitos padres e muitas comunidades puderam testemunhar, nos episódios das últimas enchentes, com o caos que se estabeleceu em nossa cidade na primeira semana de abril próximo passado, da proximidade com os mais pobres e com os que perderam vidas e pertences com as chuvas. Não só as chuvas, mas, também, os desabamentos de prédios em nossa cidade, com vários mortes e muitos desabrigados. Isso é colocar-se ao lado dos que sofrem. Ensina o Papa Francisco que: “Coração trespassado do Senhor: integridade suave, humilde e pobre, que atrai todos a Si. D’Ele devemos aprender que, anunciar uma grande alegria àqueles que são muito pobres, só se pode fazer de forma respeitosa e humilde, até à humilhação. Não pode ser presunçosa a evangelização; não pode ser rígida a integridade da verdade, porque a verdade fez-Se carne, fez-Se ternura, fez-Se criança, fez-Se homem, fez-Se pecado na cruz (cf. 2 Cor 5, 21). O Espírito anuncia e ensina «a verdade completa» (Jo 16, 13), e não tem medo de a dar a beber aos goles. O Espírito diz-nos, em cada momento, aquilo que devemos dizer aos nossos adversários (cf. Mt 10, 19) e ilumina-nos sobre o pequeno passo em frente que podemos dar naquele momento. Esta integridade suave dá alegria aos pobres, reanima os pecadores, faz respirar aqueles que estão oprimidos pelo demônio”. (https://www.acidigital.com/noticias/texto-completo-homilia-do-papa-francisco-na-missa-do-crisma-de-quinta-feira-santa-21615, último acesso em 14 de abril de 2019.)

5-Sacerdotes que sejam testemunhas da misericórdia do Senhor: Os presbíteros manifestam a misericórdia do Evangelho. Esse é o programa do Pontificado do Papa Francisco e deve ser, depois de termos celebrado o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, uma meta para todos os presbíteros: “Como sacerdotes, somos testemunhas e ministros da Misericórdia cada vez maior do nosso Pai; temos a doce e reconfortante tarefa de a encarnar como fez Jesus que «andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando» (At 10, 38), de mil e uma maneiras, para que chegue a todos. Podemos contribuir para inculturá-la, a fim de que cada pessoa a receba na sua experiência pessoal de vida e possa, assim, compreendê-la e praticá-la – de forma criativa – no modo de ser próprio do seu povo e da sua família. (https://www.acidigital.com/noticias/texto-completo-homilia-do-papa-durante-a-missa-do-crisma-desta-quinta-feira-santa-51369, último acesso em 10 de abril de 2019.)

6-Promotores da cultura do Encontro: “é próprio do ministério presbiteral proporcionar, com a vida e o ministério presbiteral, um encontro do fiel com o Senhor: O primeiro âmbito onde vemos que Deus Se excede numa Misericórdia cada vez maior, é o do encontro. Ele dá-Se totalmente e de um modo tal que, em cada encontro, passa diretamente à celebração duma festa. Na parábola do Pai Misericordioso, ficamos estupefatos ao ver aquele homem que corre, comovido, a lançar-se ao pescoço de seu filho; vendo como o abraça e beija e se preocupa por lhe pôr o anel que o faz sentir-se igual, e as sandálias próprias de quem é filho e não um assalariado; e como, em seguida, põe tudo em movimento, mandando que se organize uma festa.” (https://www.acidigital.com/noticias/texto-completo-homilia-do-papa-durante-a-missa-do-crisma-desta-quinta-feira-santa-51369, último acesso em 10 de abril de 2019.) 

Diante de tantas atividades pastorais que os presbíteros exercem na sua missão própria, da oração comum da Igreja pela oração da Liturgia das Horas, pela celebração do sacramento da Eucaristia diária, em favor do povo Santo de Deus; quero agradecer o generoso ministério sacerdotal e a encorajar a todos a anunciar o Evangelho do Senhor Ressuscitado para todas as pessoas. Neste ano vocacional sacerdotal este é um grande sinal que entusiasma as novas gerações. Gastar a sua vida para tornar Jesus Ressuscitado mais amado, seguido e testemunhado nesta grande cidade. As dificuldades próprias da violência, da exploração, da falta de paz devem animar o nosso coração de pastores a caminhar lado a lado com o povo, compartilhando suas alegrias e suas dores, e que as suas tristezas sejam consoladas para que testemunhemos a misericórdia do Senhor Ressuscitado.

Peço que os presbíteros levem meu abraço de uma Santa e abençoada Páscoa para todos os fiéis de suas comunidades. Trago a todos e a cada um em meu coração de Bispo Diocesano e, na oração diária, os acompanho com o afeto do meu coração e o máximo do que posso fazer para que possamos levar a missão que o Senhor e a Igreja espera de cada um de nós, de sermos única e exclusivamente, à exemplo do Senhor, Bons Pastores: “À imagem do Bom Pastor, o presbítero é um homem de misericórdia e de compaixão, está perto do seu povo e é servidor de todos. Quem quer que se encontre ferido na própria vida pode encontrar nele atenção e escuta... O sacerdote é chamado a aprender isto, a ter um coração que se comove... Hoje podemos pensar a Igreja como um «hospital de campo». É necessário curar as feridas, e elas são numerosas. Há tantas chagas! Existem muitas pessoas feridas por problemas materiais, por escândalos, até na Igreja... Pessoas feridas pelas ilusões do mundo... Nós, sacerdotes, devemos estar ali, próximos destas pessoas. Misericórdia significa, antes de tudo, curar as feridas.” (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-12/papa-francisco-sacerdocio.html, último acesso em 10 de abril de 2019)

Que sejamos expressões da ternura divina e que caminha sempre ao encontro do outro para que ele se enamore do Ressuscitado! Abençoada Páscoa a todos! Fonte: http://arqrio.org

AO VIVO- MISSA COM FREI PETRÔNIO. Quarta-feira, 17 de abril-2019. Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, Rio de Janeiro.

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Publicado em 18 abril 2019
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  • AO VIVO- MISSA COM FREI PETRÔNIO

SEMANA SANTA: O significado de cada dia

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Publicado em 17 abril 2019
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  • celebrações litúrgicas da Semana Santa,
  • A Semana Santa

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

Terça-feira Santa
A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre, no caminho, a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que, a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

Quarta-feira Santa
Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem, de uma igreja ou local determinado, com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto,  esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.

Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Sexta-feira Santa

A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra  – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal –  Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando, na oração e no jejum, Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

Domingo da Ressurreição
É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.

Com informação dos Jovens Conectados. Fonte: http://www.cnbb.org.br

SEMANA SANTA: Quarta-feira, 17 de abril-2019. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 17 abril 2019
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  • 17 de abril

1) Oração

Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz, para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (Mateus 26, 14-25)

14Um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se eu vos entregar Jesus?” Combinaram trinta moedas de prata. 16E daí em diante, ele procurava uma oportunidade para entregá-lo. 17No primeiro dia dos Pães sem fermento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal. 20Ao anoitecer, Jesus se pôs à mesa com os Doze. 21Enquanto comiam, ele disse: “Em verdade vos digo, um de vós me vai entregar”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a perguntar-lhe: “Acaso sou eu, Senhor?” 23Ele respondeu: “Aquele que se serviu comigo do prato é que vai me entregar. 24O Filho do Homem se vai, conforme está escrito a seu respeito. Ai, porém, daquele por quem o Filho do Homem é entregue! Melhor seria que tal homem nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”. Palavra da salvação.

3) Reflexão

Ontem o evangelho falou da traição de Judas e da negação de Pedro. Hoje, fala novamente da traição de Judas. Na descrição da paixão de Jesus do evangelhos de Mateus acentua-se fortemente o fracasso dos discípulos. Apesar da convivência de três anos, nenhum deles ficou para tomar a defesa de Jesus. Judas traiu, Pedro negou, todos fugiram. Mateus conta isto, não para criticar ou condenar, nem para provocar desânimo nos leitores, mas para ressaltar que o acolhimento e o amor de Jesus superam a derrota e o fracasso dos discípulos! Esta maneira de descrever a atitude de Jesus era uma ajuda para as Comunidades na época de Mateus. Por causa das freqüentes perseguições, muitos tinham desanimado e abandonado a comunidade e se perguntavam: "Será que é possível voltar? Será que Deus nos acolhe e perdoa?" Mateus responde sugerindo que nós podemos romper com Jesus, mas Jesus nunca rompe conosco. O seu amor é maior do que a nossa infidelidade. Esta é uma mensagem muito importante que colhemos do evangelho durante a Semana Santa.

Mateus 26,14-16: A Decisão de Judas de trair Jesus. Judas tomou a decisão, depois que Jesus não aceitou a crítica dos discípulos a respeito da mulher que gastou um perfume caríssima só para ungir Jesus (Mt 26,6-13). Ele foi até os sacerdotes e perguntou: “Quanto vocês me pagam se eu o entregar?” Combinaram trinta moedas de prata. Mateus evoca as palavras do profeta Zacarias para descrever o preço combinado (Zc 11,12). Ao mesmo tempo, a traição de Jesus por trinta moedas evoca a venda de José pelos seus próprios irmãos, avaliado pelos compradores em vinte moedas (Gn 37,28). Evoca ainda o preço de trinta moedas a ser pago pelo ferimento a um escravo (Ex 21,32).

Mateus 26,17-19: A Preparação da Páscoa.  Jesus era da Galiléia. Não tinha casa em Jerusalém. Ele passava as noites no Horto das Oliveiras (cf. Jo 8,1). Nos dias da festa de páscoa a população de Jerusalém triplicava por causa da quantidade enorme de peregrinos que vinham de toda a parte. Não era fácil para Jesus encontrar uma sala ampla para poder celebrar a páscoa junto com os peregrinos que tinham vindo com ele desde a Galiléia. Ele manda os discípulos encontrar uma pessoa em cuja casa decidiu celebrar a Páscoa. O evangelho não oferece ulteriores informações e deixa que a imaginação complete o que falta nas informações. Era um conhecido de Jesus? Um parente? Um discípulo? Ao longo dos séculos, a imaginação dos apócrifos soube completar a falta de informação, mas com pouca credibilidade.

Mateus 26,20-25: Anúncio da traição de Judas. Jesus sabe que vai ser traído. Apesar de Judas fazer as coisas em segredo, Jesus está sabendo. Mesmo assim, ele faz questão de se confraternizar com o círculo dos amigos, do qual Judas faz parte. Estando todos reunidos pela última vez, Jesus anuncia quem é o traidor. É "aquele que põe a mão no prato comigo". Esta maneira de anunciar a traição acentua o contraste. Para os judeus a comunhão de mesa, colocar juntos a mão no mesmo prato, era a expressão máxima da amizade, da intimidade e da confiança. Mateus sugere assim que, apesar da traição ser feita por alguém muito amigo, o amor de Jesus é maior que a traição!

O que chama a atenção é a maneira de Mateus descrever estes fatos. Entre a traição e a negação ele colocou a instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29): a traição de Judas, antes (Mt 25,20-25); a negação de Pedro e a fuga dos discípulos, depois (Mt 25,30-35). Deste modo, ele destaca para todos nós a inacreditável gratuidade do amor de Jesus, que supera a traição, a negação e a fuga dos amigos. O seu amor não depende do que os outros fazem por ele.

4) Para um confronto pessoal

1) Será que eu seria capaz de ser como Judas e de negar e trair a Deus, a Jesus, aos amigos e amigas?

2) Na semana santa é importante eu reservar algum momento para compenetrar-me da inacreditável gratuidade do amor de Deus por mim.

5) Oração final

Quero louvar com um cântico o nome de Deus e exaltá-lo com ações de graças; “Vede, humildes e alegrai-vos! Vós que buscais a Deus, vosso coração reviva! Pois o SENHOR atende os pobres, não despreza os seus cativos. (Sl 68, 31.33-34)

Perspectiva e leitura latino-americanas do vaticano II

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Publicado em 16 abril 2019
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WILSON DALLAGNOL

Cabe traduzir o acontecimento do Vaticano II para a realidade eclesial e teológica latino-americana. As novidades e os ventos novos do Concílio repercutiram profundamente no contexto dos povos da América Latina e do Terceiro Mundo. É importante perceber que o pobre e a situação de pobreza e de subdesenvolvimento vão influenciar no modo de ser e agir da Igreja. A vida ameaçada e os direitos humanos negados vão encontrar na consciência da Igreja um espaço muito grande. A caminhada das CEBs e a reflexão teológica, por parte dos teólogos da libertação, vão contribuir em muito para a ação orgânica da Igreja.

“Tradução” do Vaticano II para a América Latina

A Igreja Latino-americana, articulada em torno do CELAM, procura "traduzir" o Concílio Vaticano II para o contexto latino-americano (cf. DM 14, II, 4.6). As Igrejas do continente latino-americano seguiram muito de perto "as pegadas da renovação conciliar"[1], sobretudo nas assembleias do CELAM de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992). Merece especial destaque a 2a. CELAM, realizada no pós-Concílio e que traduziu o "espírito" do Vaticano II para a realidade e para a Igreja deste Continente.

"A Assembléia de Medellín, partindo da análise estrutural da realidade latino-americana, abriu caminhos para uma aplicação mais concreta das exigências conciliares na situação de injustiça vivida pelos povos do Continente"[2].

Na Conferência de Medellín, graças à intuição de alguns bispos, foi possível assumir a opção pelos pobres, procurando tornar a Igreja acessível aos mais humildes e fazer com que a ação evangelizadora da Igreja desse prioridade à libertação dos pobres e olhasse com maior profundidade a urgência de transformar a sociedade marcada pela injustiça[3]. Segundo Jon Sobrino, "Medellín sente a obrigação ética e a necessidade teórica de remeter-se ao povo pobre"[4]. Este voltar ético e teórico também remete ao Povo de Deus e à Igreja, onde a hierarquia começa a ser a voz dos sem voz.

"É fato inegável que o episcopado latino-americano produziu recentemente um abundante e inovador corpo doutrinal. Mas o mais inovador é que ao elaborá-lo se referiu aos pobres, ao Povo de Deus, não somente como a seu destinatário nem só como ocasião para sua agenda doutrinal, mas como àqueles cuja realidade e cuja fé deve ser posta em palavra doutrinal...

"Medellín, só para lembrar o símbolo mais notável do magistério latino-americano, analisou à luz da revelação divina, da doutrina do Vaticano II, de João XXIII e de Paulo VI, a situação do continente latino-americano e a resposta cristã da Igreja a essa situação..."[5].

 É perceptível que existe uma autoridade doutrinal do povo pobre que está expressa em todos os documentos da Igreja latino-americana. Sem os pobre, a doutrina é genericamente correta, mas ineficaz[6].

A centralidade do pobre

O pobre passou a ocupar lugar central na reflexão e a ação da Igreja latino-americana. Aqui se quer destacar a centralidade do pobre como um autêntico lugar teológico:

"O que ocorre é que os pobres se convertem no 'autêntico lugar teológico da compreensão da verdade e da práxis cristã e por isto também da constituição da Igreja' (Jon Sobrino). Um lugar teológico  que obriga a recolocar a questão de Deus e das imagens que dele fazemos, quando não levamos devidamente em conta este lugar. Que obriga a recolocar a questão de Jesus Cristo e das imagens que dele fazemos, quando esquecemos esta 'imagem de Cristo' que são os pobres deste mundo. E, o que aqui nos interessa mais diretamente, obriga a recolocar a questão da Igreja"[7].

Compreender a verdade da fé, para a teologia latino-americana, é necessariamente passar pelo pobre. Este lugar teológico (hermenêutico), assumido como ponto de partida, obriga a recolocar uma série de temas e posicionamentos sob outra perspectiva. O documento conclusivo da 3a. CELAM, em Puebla, destacou o potencial evangelizador dos pobres (DP 1147). Eles evangelizam pela sua interpelação de justiça e, ao mesmo tempo, pelo que crêem, também evangelizam de forma positiva. Seu jeito de ser concretiza a Boa Notícia do Reino de Deus[8].

"Sabe-se que um bom grupo de padres conciliares, depois de o 'Povo de Deus' ter sido assumido como ponto de partida para a eclesiologia conciliar, pensou ser preciso dar um passo a mais na concretização do tema: se se quisesse responder 'à inspiração de Deus e às expectativas dos homens' seria preciso colocar 'o mistério de Cristo nos pobres e a evangelização dos pobres como o centro e a alma do trabalho doutrinal e legislativo deste concílio"[9].

O lugar social, a partir do qual se faz a leitura teológica, ganha importância, pois a Igreja se vê obrigada a levá-lo a sério, uma vez que Jesus atuou no meio de seu povo[10]. Ali assume uma atitude permanente de serviço e de testemunho da verdade, abdicando do julgamento e da dominação.

"Na Igreja, o mais importante é o povo simples, porque é à 'gente simples' que Deus revela os segredos do Reino (Lc 10, 21) e para que este povo seja protagonista na Igreja é que existem todos os carismas. Mas não se deve olhar apenas para o interior da Igreja, para se entender isso. Pelo contrário, é preciso olhar primariamente para o povo pobre e oprimido como tal, pois é a partir dele, antes de mais nada, que tem sentido o profetismo eclesial"[11].

 É o dinamismo popular da Igreja que lhe dá força carismática, capacidade inventiva e criativa. É das bases, muitas vezes reduzidas ao silêncio, que brota o potencial renovador e libertador, o qual dá sangue novo a todo o corpo eclesial. Parece ser daí que surge o novo de onde nasce a Igreja e de onde se busca o verdadeiro sujeito eclesial[12]. Este sujeito não pode ser reduzido ao silêncio, pois silenciá-lo significa calar e abafar as “sementes dos Verbo” que são lançadas pelo Espírito em todas as partes do mundo. No respeito ao sujeito do sensus fidei, que é o sensus fidelium, está aquela obediência criativa que deve seguir em toda a Igreja.

"A Igreja do futuro será uma Igreja que se construirá de baixo para cima, por meio de comunidades de base de livre iniciativa e associação. Temos de fazer todo o possível para não impedir este desenvolvimento, mas antes promovê-lo e orientá-lo corretamente"[13].

A Igreja e a teologia latino-americanas defrontam-se com um povo crucificado, com quem é preciso identificar-se, isto com a finalidade de entender o caráter sacerdotal da Igreja[14]. Isto torna possível a solidariedade. Sem ela a Igreja não será a Igreja de Jesus.

"Esta comunhão com o Crucificado 'é praticada ali, onde os cristãos se sentem solidários com os homens que, na sociedade, vivem manifestamente à sombra da cruz: os pobres, os incapazes, os marginalizados, os prisioneiros e os perseguidos' (Jürgen Moltmann). E não há comunhão com o Crucificado sem a constante interpelação para que 'toda a Igreja se ponha na periferia, na impotência dos pobres, aos pés de um Deus crucificado, para, a partir daí, alimentar a esperança cristã e propiciar a necessária eficácia da ação da Igreja' (Jon Sobrino)"[15].

Senso comum da vida e direitos fundamentais

Muitas vezes causa certa surpresa a alguns ouvidos menos atentos quando, do senso comum da vida brotam verdadeiras maravilhas. Fala-se aqui do testemunho vivido e manifestado pelo povo simples. Sua sabedoria brota espontaneamente e revela a riqueza da grande Revelação de Deus entre os seus filhos.

O sociólogo e educador Hugo Asmann faz uma série de questões que tocam a consciência da Igreja e do fazer teológico, a partir do senso comum da vida:

"Que acontece com o senso comum dos cristãos empobrecidos quando assumem afoitamente sua identidade eclesial, quando se declaram o novo jeito de toda a Igreja ser e, nessa desinibição eclesial, falam a bispos e padres da importância dos novos ministérios que eles mesmos geram desde as bases? Que acontece com as limitadas, mas vitais motivações do senso comum quando são elevadas à consciência de que Deus está com a gente, declarando teologais as relações históricas do cotidiano, na medida em que se entretece nelas a luta por uma sociedade mais fraterna e justa? Que acontece com a sensação de interioridade dos pobres quando se sentem 'em casa' na Igreja e interiorizam que são os privilegiados do Reino? Que acontece com o auto-apreço e a dignidade moral dos oprimidos quando removem, em suas celebrações penitenciais, velhos entulhos do moralismo centrado exclusivamente na boa ou má intenção das consciências individuais, e descobrem a dimensão social do pecado estrutural numa sociedade fundada na injustiça? Que acontece com os recursos explicativos de que se vale o senso comum quando a base se apropria da Bíblia e a começa chamar de espelho da vida do povo e alimento na luta?"[16].

A cotidianidade dos oprimidos, seu direito à sobrevivência, ao prazer e à alegria de viver, são elementos que se revestem de profunda dose de respeito. Isto está presente no senso comum e alimentam a esperança e a fé[17]. O certo é que lá no coração do senso comum lateja a fé que quer desabrochar e que dá à existência dos pobres um alento de esperança libertária.

A caminhada das CEBs

As CEBs são uma novidade histórica na caminhada da Igreja. É neste novo jeito de ser Igreja que alguns teólogos identificaram um sujeito privilegiado de mediação eclesial e de salvação.

Para Leonardo Boff, os encontros intereclesiais de CEBs evidenciam que não há portadores exclusivos da inteligência da fé. No mundo e submundo dos pobres é possível encontrar muitas surpresas. Ao expor as características da Igreja neste caminhar com os pobres diz que ela é Povo de Deus, Koinonia e ministerialidade[18]. Os portadores da inteligência da fé são aqueles que concretizam a verdade revelada em Jesus Cristo. Estes portadores, estreitamente vinculados às CEBs, possuem uma fé vivida, ligada à vida e visceralmente comprometida com a libertação do povo[19]. Este elemento é determinante quando se trata de organizar a Igreja e colocá-la em relação com a sociedade. Isto, muitas vezes, obriga a rever as estruturas de serviço da Igreja e o jeito de os cristãos atuarem nas estruturas da sociedade contemporânea.

As CEBs têm gerado um dinamismo novo no que se refere à participação dos fiéis nas decisões da Igreja[20]. Esta questão toca no problema (e solução) do poder de regime e de magistério na Igreja[21]. A prática das CEBs, desde o conselho comunitário de pastoral até a Assembléia Diocesana, têm ajudado a superar diversos desencontros a nível de Igreja[22]. Acontece que elas ajudam a superar o exercício piramidal de poder, levando ao poder-serviço. Elas não dispensam e nem menosprezam a ação das atuais autoridades da Igreja, mas as redimensionam, buscando sempre a decisão na participação e na comunhão[23].

Os méritos da Teologia da Libertação

A Teologia da Libertação surge exatamente no contexto das CEBs para refletir sua prática eclesial e política. É outro evento que vem contribuir para um maior dinamismo da vida da Igreja e sua caminhada com os pobres. Ela recolhe o sensus fidei, a vida do povo, sua realidade, sua luta por libertação. Está próxima e visceralmente ligada ao sensus fidelium. A partir dele é que reflete qual é o Plano de Deus e os mais diferentes temas teológicos.

"Acostumados, por mais de um século, a analisar pormenorizadamente 'o caráter histórico dos fatos salvíficos', não nos fixamos com a mesma atenção no 'caráter salvífico dos fatos históricos'. É mérito da Teologia da Libertação ter-se centrado neste ponto de vista, e ter descoberto, a partir deste sinal dos tempos, que a pobreza injusta da maior parte da humanidade revela este terrível paradoxo: de, 'com freqüência, os que se dizem cristãos são responsáveis por muitos dos males que se abatem sobre os mais pobres, ao mesmo tempo em que os que se dizem não-crentes se dedicam verdadeiramente e até com sacrifício total à libertação dos mais pobres e oprimidos' (Ignacio Ellacuría). Basta este exemplo para compreender a importância decisiva, para a fé cristã, deste dever permanente da alegria de perscrutar a fundo os sinais dos tempos"[24].

Os fatos históricos passam a ser sinais dos tempos que muito têm a dizer para os cristãos, à consciência da Igreja e para a própria teologia. É na Gaudium es Spes é que se encontra a referência e a valorização destes sinais, os quais precisam ser perscrutados e interpretados à luz do Evangelho (GS 4). É exatamente deles que é possível conhecer e entender o mundo. Eles permitem ouvir as esperanças, aspirações e o caráter dramático que muitas pessoas vivem.

“Movido pela fé, conduzido pelo Espírito do Senhor que enche a orbe da terra, o Povo de Deus esforça-se por discernir nos acontecimentos, nas exigências e nas aspirações de nossos tempos, em que participa com os outros homens, quais sejam os sinais verdadeiros da presença ou dos desígnios de Deus. A fé, com efeito, esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do homem. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas” (GS 11, &1).

É exatamente um mérito da Teologia da Libertação ser capaz de estar atenta a estes sinais de libertação que estão presente no cotidiano da vida do povo. E é particularmente a partir do povo simples, excluído, empobrecido e pobre que a Teologia da Libertação encontrou seu desenvolvimento.

Ao apontar as perspectivas da Teologia da Libertação, Libânio e Murad dizem que ela está ligada ao destino dos pobres[25]. É quando ela olha o reverso da história e nele é capaz de decifrar a força histórica dos pobres, como prediletos de Deus.

Concluindo este capítulo, é possível afirmar que o Concílio Vaticano II foi um marco histórico na vida da Igreja e da teologia. A participação do Povo de Deus ganha novo ânimo na elaboração das questões de fé e na liturgia. Há um resgate dos sensus fidelium, como sujeito eclesial, sendo sua valorização uma das facetas positivas do evento conciliar.

A relação sensus fidei – sensus fidelium – teologia – magistério da Igreja passam por uma nova perspectiva, mais dialógica e interativa, pois a eclesiologia do Vaticano II respeita a ação competente e qualificada do sensus fidelium, em sua dimensão histórica, o que gera mais comunhão e participação na vida da Igreja e na relação com o mundo e a sociedade. Assim é que se compreende melhor a questão da infalibilidade in credendo e in docendo.

Quando o Vaticano II é “traduzido” para a realidade da Igreja latino-americana, nota-se um confirmar da caminhada feita por muitas Comunidades Eclesiais de Base, bem como o estímulo a muitas iniciativas pastorais junto ao povo. O pobre passa a ter um lugar central na ação da Igreja e na reflexão teológica, com destaque especial para a CEBs e o desabrochar de muitas reflexões teológicas oriundas da Teologia da Libertação.

 

[1]Cf. CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (1999-2002), n. 30.

[2]Idem. Ibid., n. 46.

[3]Cf. José COMBLIN. Os Cristãos Rumo ao Século XXI, pg. 33.

[4]Jon SOBRINO. Ibid., pg. 61.

[5]Idem. Ibid., pg. 60.

[6]Cf. Idem. Ibid., pg. 61.

[7]R. VELASCO. Ibid., pg. 428; ver  também Érico J. HAMMES. “Filii in Filio”: A divindade de Jesus como Evangelho da filiação no seguimento. Um estudo em J. Sobrino. Dissertatio Universitatis Gregorinae, Roma, 1995, pg. 100-103.

[8]Cf. Jon SOBRINO. Ibid., pg. 66.

[9]R. VELASCO. Ibid., pg. 248.

[10]Idem. Ibid., pg. 311.

[11]Idem. Ibid., pg. 373.

[12]Cf. Idem Ibid., pg. 378.

[13]K. RAHNER. In R. VELASCO. Ibid., pg. 379.

[14]Cf. R. VELASCO. Ibid., pg. 340.

[15]Idem. Ibid., pg.  340

[16]Hugo ASMANN. CEBs: quando a vivência da Fé remexe o senso comum dos pobres, pg. 568.

[17]Cf. Idem. Ibid., pg. 568.

[18]Cf. Antônio da SILVA PEREIRA. Participação dos fiéis nas decisões da Igreja(I), pg. 463.

[19]Cf. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja: Consciência e práxis das CEBs(V). pg. 72.

[20]Cf. Idem. Participação dos fiéis nas decisões da Igreja(I),. pg. 447. "Notamos que a participação dos fiéis nas decisões da Igreja, a nível de CEBs, apesar de não ser ainda total, é já de alguma maneira uma tônica nas CEBs". Idem. Ibid., pg. 449.

[21]Cf. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja a luz do Código de Direito Canônico(III), pg. 773.

[22]CF. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja: Consciência e práxis das CEBs(V). pg. 71.

[23]Cf. Idem. Ibid., p. 81.

[24]R. VELASCO. Ibid., pgs. 306-307.

[25] Cf. J. B. LIBÃNIO e A. MURAD. Introdução à Teologia, pg. 191.

WILSON DALLAGNOL

Cabe traduzir o acontecimento do Vaticano II para a realidade eclesial e teológica latino-americana. As novidades e os ventos novos do Concílio repercutiram profundamente no contexto dos povos da América Latina e do Terceiro Mundo. É importante perceber que o pobre e a situação de pobreza e de subdesenvolvimento vão influenciar no modo de ser e agir da Igreja. A vida ameaçada e os direitos humanos negados vão encontrar na consciência da Igreja um espaço muito grande. A caminhada das CEBs e a reflexão teológica, por parte dos teólogos da libertação, vão contribuir em muito para a ação orgânica da Igreja.

“Tradução” do Vaticano II para a América Latina

A Igreja Latino-americana, articulada em torno do CELAM, procura "traduzir" o Concílio Vaticano II para o contexto latino-americano (cf. DM 14, II, 4.6). As Igrejas do continente latino-americano seguiram muito de perto "as pegadas da renovação conciliar"[1], sobretudo nas assembléias do CELAM de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992). Merece especial destaque a 2a. CELAM, realizada no pós-Concílio e que traduziu o "espírito" do Vaticano II para a realidade e para a Igreja deste Continente.

"A Assembléia de Medellín, partindo da análise estrutural da realidade latino-americana, abriu caminhos para uma aplicação mais concreta das exigências conciliares na situação de injustiça vivida pelos povos do Continente"[2].

Na Conferência de Medellín, graças à intuição de alguns bispos, foi possível assumir a opção pelos pobres, procurando tornar a Igreja acessível aos mais humildes e fazer com que a ação evangelizadora da Igreja desse prioridade à libertação dos pobres e olhasse com maior profundidade a urgência de transformar a sociedade marcada pela injustiça[3]. Segundo Jon Sobrino, "Medellín sente a obrigação ética e a necessidade teórica de remeter-se ao povo pobre"[4]. Este voltar ético e teórico também remete ao Povo de Deus e à Igreja, onde a hierarquia começa a ser a voz dos sem voz.

"É fato inegável que o episcopado latino-americano produziu recentemente um abundante e inovador corpo doutrinal. Mas o mais inovador é que ao elaborá-lo se referiu aos pobres, ao Povo de Deus, não somente como a seu destinatário nem só como ocasião para sua agenda doutrinal, mas como àqueles cuja realidade e cuja fé deve ser posta em palavra doutrinal...

"Medellín, só para lembrar o símbolo mais notável do magistério latino-americano, analisou à luz da revelação divina, da doutrina do Vaticano II, de João XXIII e de Paulo VI, a situação do continente latino-americano e a resposta cristã da Igreja a essa situação..."[5].

 É perceptível que existe uma autoridade doutrinal do povo pobre que está expressa em todos os documentos da Igreja latino-americana. Sem os pobre, a doutrina é genericamente correta, mas ineficaz[6].

A centralidade do pobre

O pobre passou a ocupar lugar central na reflexão e a ação da Igreja latino-americana. Aqui se quer destacar a centralidade do pobre como um autêntico lugar teológico:

"O que ocorre é que os pobres se convertem no 'autêntico lugar teológico da compreensão da verdade e da práxis cristã e por isto também da constituição da Igreja' (Jon Sobrino). Um lugar teológico  que obriga a recolocar a questão de Deus e das imagens que dele fazemos, quando não levamos devidamente em conta este lugar. Que obriga a recolocar a questão de Jesus Cristo e das imagens que dele fazemos, quando esquecemos esta 'imagem de Cristo' que são os pobres deste mundo. E, o que aqui nos interessa mais diretamente, obriga a recolocar a questão da Igreja"[7].

Compreender a verdade da fé, para a teologia latino-americana, é necessariamente passar pelo pobre. Este lugar teológico (hermenêutico), assumido como ponto de partida, obriga a recolocar uma série de temas e posicionamentos sob outra perspectiva. O documento conclusivo da 3a. CELAM, em Puebla, destacou o potencial evangelizador dos pobres (DP 1147). Eles evangelizam pela sua interpelação de justiça e, ao mesmo tempo, pelo que crêem, também evangelizam de forma positiva. Seu jeito de ser concretiza a Boa Notícia do Reino de Deus[8].

"Sabe-se que um bom grupo de padres conciliares, depois de o 'Povo de Deus' ter sido assumido como ponto de partida para a eclesiologia conciliar, pensou ser preciso dar um passo a mais na concretização do tema: se se quisesse responder 'à inspiração de Deus e às expectativas dos homens' seria preciso colocar 'o mistério de Cristo nos pobres e a evangelização dos pobres como o centro e a alma do trabalho doutrinal e legislativo deste concílio"[9].

O lugar social, a partir do qual se faz a leitura teológica, ganha importância, pois a Igreja se vê obrigada a levá-lo a sério, uma vez que Jesus atuou no meio de seu povo[10]. Ali assume uma atitude permanente de serviço e de testemunho da verdade, abdicando do julgamento e da dominação.

"Na Igreja, o mais importante é o povo simples, porque é à 'gente simples' que Deus revela os segredos do Reino (Lc 10, 21) e para que este povo seja protagonista na Igreja é que existem todos os carismas. Mas não se deve olhar apenas para o interior da Igreja, para se entender isso. Pelo contrário, é preciso olhar primariamente para o povo pobre e oprimido como tal, pois é a partir dele, antes de mais nada, que tem sentido o profetismo eclesial"[11].

 É o dinamismo popular da Igreja que lhe dá força carismática, capacidade inventiva e criativa. É das bases, muitas vezes reduzidas ao silêncio, que brota o potencial renovador e libertador, o qual dá sangue novo a todo o corpo eclesial. Parece ser daí que surge o novo de onde nasce a Igreja e de onde se busca o verdadeiro sujeito eclesial[12]. Este sujeito não pode ser reduzido ao silêncio, pois silenciá-lo significa calar e abafar as “sementes dos Verbo” que são lançadas pelo Espírito em todas as partes do mundo. No respeito ao sujeito do sensus fidei, que é o sensus fidelium, está aquela obediência criativa que deve seguir em toda a Igreja.

"A Igreja do futuro será uma Igreja que se construirá de baixo para cima, por meio de comunidades de base de livre iniciativa e associação. Temos de fazer todo o possível para não impedir este desenvolvimento, mas antes promovê-lo e orientá-lo corretamente"[13].

A Igreja e a teologia latino-americanas defrontam-se com um povo crucificado, com quem é preciso identificar-se, isto com a finalidade de entender o caráter sacerdotal da Igreja[14]. Isto torna possível a solidariedade. Sem ela a Igreja não será a Igreja de Jesus.

"Esta comunhão com o Crucificado 'é praticada ali, onde os cristãos se sentem solidários com os homens que, na sociedade, vivem manifestamente à sombra da cruz: os pobres, os incapazes, os marginalizados, os prisioneiros e os perseguidos' (Jürgen Moltmann). E não há comunhão com o Crucificado sem a constante interpelação para que 'toda a Igreja se ponha na periferia, na impotência dos pobres, aos pés de um Deus crucificado, para, a partir daí, alimentar a esperança cristã e propiciar a necessária eficácia da ação da Igreja' (Jon Sobrino)"[15]. 

Senso comum da vida e direitos fundamentais

Muitas vezes causa certa surpresa a alguns ouvidos menos atentos quando, do senso comum da vida brotam verdadeiras maravilhas. Fala-se aqui do testemunho vivido e manifestado pelo povo simples. Sua sabedoria brota espontaneamente e revela a riqueza da grande Revelação de Deus entre os seus filhos.

O sociólogo e educador Hugo Asmann faz uma série de questões que tocam a consciência da Igreja e do fazer teológico, a partir do senso comum da vida:

"Que acontece com o senso comum dos cristãos empobrecidos quando assumem afoitamente sua identidade eclesial, quando se declaram o novo jeito de toda a Igreja ser e, nessa desinibição eclesial, falam a bispos e padres da importância dos novos ministérios que eles mesmos geram desde as bases? Que acontece com as limitadas, mas vitais motivações do senso comum quando são elevadas à consciência de que Deus está com a gente, declarando teologais as relações históricas do cotidiano, na medida em que se entretece nelas a luta por uma sociedade mais fraterna e justa? Que acontece com a sensação de interioridade dos pobres quando se sentem 'em casa' na Igreja e interiorizam que são os privilegiados do Reino? Que acontece com o auto-apreço e a dignidade moral dos oprimidos quando removem, em suas celebrações penitenciais, velhos entulhos do moralismo centrado exclusivamente na boa ou má intenção das consciências individuais, e descobrem a dimensão social do pecado estrutural numa sociedade fundada na injustiça? Que acontece com os recursos explicativos de que se vale o senso comum quando a base se apropria da Bíblia e a começa chamar de espelho da vida do povo e alimento na luta?"[16].

A cotidianidade dos oprimidos, seu direito à sobrevivência, ao prazer e à alegria de viver, são elementos que se revestem de profunda dose de respeito. Isto está presente no senso comum e alimentam a esperança e a fé[17]. O certo é que lá no coração do senso comum lateja a fé que quer desabrochar e que dá à existência dos pobres um alento de esperança libertária.

A caminhada das CEBs

As CEBs são uma novidade histórica na caminhada da Igreja. É neste novo jeito de ser Igreja que alguns teólogos identificaram um sujeito privilegiado de mediação eclesial e de salvação.

Para Leonardo Boff, os encontros intereclesiais de CEBs evidenciam que não há portadores exclusivos da inteligência da fé. No mundo e submundo dos pobres é possível encontrar muitas surpresas. Ao expor as características da Igreja neste caminhar com os pobres diz que ela é Povo de Deus, Koinonia e ministerialidade[18]. Os portadores da inteligência da fé são aqueles que concretizam a verdade revelada em Jesus Cristo. Estes portadores, estreitamente vinculados às CEBs, possuem uma fé vivida, ligada à vida e visceralmente comprometida com a libertação do povo[19]. Este elemento é determinante quando se trata de organizar a Igreja e colocá-la em relação com a sociedade. Isto, muitas vezes, obriga a rever as estruturas de serviço da Igreja e o jeito de os cristãos atuarem nas estruturas da sociedade contemporânea.

As CEBs têm gerado um dinamismo novo no que se refere à participação dos fiéis nas decisões da Igreja[20]. Esta questão toca no problema (e solução) do poder de regime e de magistério na Igreja[21]. A prática das CEBs, desde o conselho comunitário de pastoral até a Assembléia Diocesana, têm ajudado a superar diversos desencontros a nível de Igreja[22]. Acontece que elas ajudam a superar o exercício piramidal de poder, levando ao poder-serviço. Elas não dispensam e nem menosprezam a ação das atuais autoridades da Igreja, mas as redimensionam, buscando sempre a decisão na participação e na comunhão[23].

Os méritos da Teologia da Libertação

A Teologia da Libertação surge exatamente no contexto das CEBs para refletir sua prática eclesial e política. É outro evento que vem contribuir para um maior dinamismo da vida da Igreja e sua caminhada com os pobres. Ela recolhe o sensus fidei, a vida do povo, sua realidade, sua luta por libertação. Está próxima e visceralmente ligada ao sensus fidelium. A partir dele é que reflete qual é o Plano de Deus e os mais diferentes temas teológicos.

"Acostumados, por mais de um século, a analisar pormenorizadamente 'o caráter histórico dos fatos salvíficos', não nos fixamos com a mesma atenção no 'caráter salvífico dos fatos históricos'. É mérito da Teologia da Libertação ter-se centrado neste ponto de vista, e ter descoberto, a partir deste sinal dos tempos, que a pobreza injusta da maior parte da humanidade revela este terrível paradoxo: de, 'com freqüência, os que se dizem cristãos são responsáveis por muitos dos males que se abatem sobre os mais pobres, ao mesmo tempo em que os que se dizem não-crentes se dedicam verdadeiramente e até com sacrifício total à libertação dos mais pobres e oprimidos' (Ignacio Ellacuría). Basta este exemplo para compreender a importância decisiva, para a fé cristã, deste dever permanente da alegria de perscrutar a fundo os sinais dos tempos"[24].

Os fatos históricos passam a ser sinais dos tempos que muito têm a dizer para os cristãos, à consciência da Igreja e para a própria teologia. É na Gaudium es Spes é que se encontra a referência e a valorização destes sinais, os quais precisam ser perscrutados e interpretados à luz do Evangelho (GS 4). É exatamente deles que é possível conhecer e entender o mundo. Eles permitem ouvir as esperanças, aspirações e o caráter dramático que muitas pessoas vivem.

“Movido pela fé, conduzido pelo Espírito do Senhor que enche a orbe da terra, o Povo de Deus esforça-se por discernir nos acontecimentos, nas exigências e nas aspirações de nossos tempos, em que participa com os outros homens, quais sejam os sinais verdadeiros da presença ou dos desígnios de Deus. A fé, com efeito, esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do homem. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas” (GS 11, &1).

É exatamente um mérito da Teologia da Libertação ser capaz de estar atenta a estes sinais de libertação que estão presente no cotidiano da vida do povo. E é particularmente a partir do povo simples, excluído, empobrecido e pobre que a Teologia da Libertação encontrou seu desenvolvimento.

Ao apontar as perspectivas da Teologia da Libertação, Libânio e Murad dizem que ela está ligada ao destino dos pobres[25]. É quando ela olha o reverso da história e nele é capaz de decifrar a força histórica dos pobres, como prediletos de Deus.

Concluindo este capítulo, é possível afirmar que o Concílio Vaticano II foi um marco histórico na vida da Igreja e da teologia. A participação do Povo de Deus ganha novo ânimo na elaboração das questões de fé e na liturgia. Há um resgate dos sensus fidelium, como sujeito eclesial, sendo sua valorização uma das facetas positivas do evento conciliar.

A relação sensus fidei – sensus fidelium – teologia – magistério da Igreja passam por uma nova perspectiva, mais dialógica e interativa, pois a eclesiologia do Vaticano II respeita a ação competente e qualificada do sensus fidelium, em sua dimensão histórica, o que gera mais comunhão e participação na vida da Igreja e na relação com o mundo e a sociedade. Assim é que se compreende melhor a questão da infalibilidade in credendo e in docendo.

Quando o Vaticano II é “traduzido” para a realidade da Igreja latino-americana, nota-se um confirmar da caminhada feita por muitas Comunidades Eclesiais de Base, bem como o estímulo a muitas iniciativas pastorais junto ao povo. O pobre passa a ter um lugar central na ação da Igreja e na reflexão teológica, com destaque especial para a CEBs e o desabrochar de muitas reflexões teológicas oriundas da Teologia da Libertação.

[1]Cf. CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (1999-2002), n. 30.

[2]Idem. Ibid., n. 46.

[3]Cf. José COMBLIN. Os Cristãos Rumo ao Século XXI, pg. 33.

[4]Jon SOBRINO. Ibid., pg. 61.

[5]Idem. Ibid., pg. 60.

[6]Cf. Idem. Ibid., pg. 61.

[7]R. VELASCO. Ibid., pg. 428; ver  também Érico J. HAMMES. “Filii in Filio”: A divindade de Jesus como Evangelho da filiação no seguimento. Um estudo em J. Sobrino. Dissertatio Universitatis Gregorinae, Roma, 1995, pg. 100-103.

[8]Cf. Jon SOBRINO. Ibid., pg. 66.

[9]R. VELASCO. Ibid., pg. 248.

[10]Idem. Ibid., pg. 311.

[11]Idem. Ibid., pg. 373.

[12]Cf. Idem Ibid., pg. 378.

[13]K. RAHNER. In R. VELASCO. Ibid., pg. 379.

[14]Cf. R. VELASCO. Ibid., pg. 340.

[15]Idem. Ibid., pg.  340

[16]Hugo ASMANN. CEBs: quando a vivência da Fé remexe o senso comum dos pobres, pg. 568.

[17]Cf. Idem. Ibid., pg. 568.

[18]Cf. Antônio da SILVA PEREIRA. Participação dos fiéis nas decisões da Igreja(I), pg. 463.

[19]Cf. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja: Consciência e práxis das CEBs(V). pg. 72.

[20]Cf. Idem. Participação dos fiéis nas decisões da Igreja(I),. pg. 447. "Notamos que a participação dos fiéis nas decisões da Igreja, a nível de CEBs, apesar de não ser ainda total, é já de alguma maneira uma tônica nas CEBs". Idem. Ibid., pg. 449.

[21]Cf. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja a luz do Código de Direito Canônico(III), pg. 773.

[22]CF. Idem. Participação dos leigos nas decisões da Igreja: Consciência e práxis das CEBs(V). pg. 71.

[23]Cf. Idem. Ibid., p. 81.

[24]R. VELASCO. Ibid., pgs. 306-307.

[25] Cf. J. B. LIBÃNIO e A. MURAD. Introdução à Teologia, pg. 191.

SEMANA SANTA: Terça-feira, 16 de abril-2019. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 16 abril 2019
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  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • Homilia da Semana Santa
  • 16 de abril

1) Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 13, 21-33.36-38)

21Depois de dizer isso, Jesus ficou interiormente perturbado e testemunhou: “Em verdade, em verdade, vos digo: um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem estava falando. 23Bem ao lado de Jesus estava reclinado um dos seus discípulos, aquele que Jesus mais amava. 24Simão Pedro acenou para que perguntasse de quem ele estava falando. 25O discípulo, então, recostando- se sobre o peito de Jesus, perguntou: “Senhor, quem é?” 26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der um bocado passado no molho”. Então, Jesus molhou um bocado e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do bocado, Satanás entrou em Judas. Jesus, então, lhe disse: “O que tens a fazer, faze logo”. 28Mas nenhum dos presentes entendeu por que ele falou isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus estava dizendo: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa para os pobres. 30Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, Jesus disse: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, Deus também o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo eu ainda estou convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’. 36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, não podes seguir-me agora; mais tarde me seguirás”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei minha vida por ti!” 38Jesus respondeu: “Darás tua vida por mim? Em verdade, em verdade, te digo: não cantará o galo antes que me tenhas negado três vezes. Palavra da salvação

3) Reflexão

*  Estamos na terça feira da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à prisão e à condenação de Jesus. Os textos não trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, mas também relatam as traições e negações dos próprios discípulos que possibilitaram a prisão de Jesus pelas autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus. 

*  João 13,21: O anúncio da traição.  Depois de ter lavado os pés dos discípulos (Jo 13,2-11) e de ter falado da obrigação que temos de lavar os pés uns dos outros (Jo 13,12-16), Jesus se comoveu profundamente. E não era para menos. Enquanto ele estava fazendo aquele gesto de serviço e de total entrega de si mesmo, ao lado dele um discípulo estava tramando a maneira de como traí-lo naquela mesma noite. Jesus expressa a sua comoção e diz: “Em verdade lhes digo: um de vocês vai me trair!” Não diz: “Judas vai me trair”, mas “um de vocês”. É alguém do círculo da amizade dele que vai ser o traidor”.

*  João 13,22-25: A reação dos discípulos.  Os discípulos levam susto. Não esperavam por esta declaração tão séria de que um deles seria o traidor. Pedro faz um sinal a João para ele perguntar a Jesus qual dos doze iria cometer a traição. Sinal de que eles nem sequer desconfiavam quem pudesse ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles ainda não tinha chegado à mesma transparência de Jesus para com eles (cf. Jo 15,15). João se inclinou para perto de Jesus e perguntou: “Quem é?”

*  João 13,26-30: Jesus indica Judas.  Jesus disse: é aquele a quem vou dar um pedaço de pão umedecido no molho. Ele pegou um pedaço de pão, molhou e deu a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam fazer entre si. E Jesus disse a Judas: “O que você tem que fazer, faça logo!” Judas tinha a bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e de dar esmolas para os pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anúncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: “Até o meu amigo, em quem eu confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair” (Sl 41,10; cf. Sl 55,13-15). Judas percebeu que Jesus estava sabendo de tudo (Cf. Jo 13,18). Mesmo assim, não voltou atrás, e manteve a decisão de trair Jesus. É neste momento que se opera a separação entre Judas e Jesus. João diz que o satanás entrou nele. Judas levantou e saiu. Ele entrou para o lado do adversário (satanás). João comenta: “Era noite”. Era a escuridão.

*  João 13,31-33: Começa a glorificação de Jesus.   É como se a história tivesse esperado por este momento da separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entraram em Judas quando ele decidiu de executar o que estava tramando. Neste mesmo momento se fez luz em Jesus que declara: “Agora o Filho do Homem foi glorificado, e também Deus foi glorificado nele. Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo!”  O que vai acontecer daqui para frente é contagem regressiva. As grandes decisões foram tomadas, tanto da parte de Jesus (Jo 12,27-28) e agora também da parte de Judas. Os fatos se precipitam. E Jesus já dá o aviso: “Filhinhos, é só mais um pouco que vou ficar com vocês”. Falta pouco para que se realize a passagem, a Páscoa.

*  João 13,34-35: O novo mandamento.  O evangelho de hoje omite estes dois versículos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.

*  João 13,36-38: Anúncio da negação de Pedro. Junto com a traição de Judas, o evangelho traz também a negação de Pedro. São os dos dois fatos que mais contribuíram para o sofrimento de Jesus. Pedro diz que está disposto a dar a vida por Jesus. Jesus o chama à realidade: “Você dar a vida por mim? O galo não cantará sem que me renegues três vezes”. Marcos tinha escrito: “O galo não cantará duas vezes e você já me terá negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando de manhã cedo o primeiro galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os galos estão cantando. Pedro é mais rápido na negação do que o galo no canto.

4) Para um confronto pessoal

1) Judas, amigo, torna-se traidor. Pedro, amigo, torna-se negador. E eu?

2) Colocando-me na situação de Jesus: como enfrenta negação e traição, o desprezo e a exclusão?

5) Oração final

És tu, Senhor, a minha esperança, és minha confiança, SENHOR, desde a minha juventude. Sobre ti me apoiei desde o seio materno, desde o colo de minha mãe és minha proteção; em ti está sempre o meu louvor. (Sl 70, 5-6)

NOTRE-DAME: Os principais fatos históricos sobre a catedral de Notre-Dame, consumida pelo fogo em Paris

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Publicado em 15 abril 2019
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  • Notre-Dame, consumida pelo fogo em Paris

A Catedral de Notre-Dame, com mais de 850 anos, foi consumida pelo fogo nesta segunda-feira

Ao longo dos seus mais de 850 anos de existência, a Catedral de Notre-Dame, em Paris, viu passarem pelo trono francês três dezenas de reis, sobreviveu à Revolução Francesa, coroou Napoleão Bonaparte como imperador, testemunhou a ascensão da República na França e resistiu a duas guerras mundiais.

Atingida pelo fogo nesta segunda-feira, a igreja era uma das mais famosas do mundo e um dos principais pontos turísticos da França. A causa do incêndio ainda não é conhecida. Uma grande operação está em curso para controlar as chamas, mas o porta-voz da administração da catedral afirmou que tudo está queimando e "não restará nada" da parte de madeira da estrutura.

Um dos elementos mais memoráveis da catedral são suas gárgulas, esculturas com aspecto animalesco monstruoso.

As estátuas eram usadas na Idade Média para ornar desaguadouros - canos projetados para fora do telhado que ajudam a escoar água das chuvas. Acreditava-se que elas protegiam a catedral contra espíritos malévolos.

As gárgulas de Notre-Dame faziam parte do projeto arquitetônico desde o período medieval, mas haviam sido removidas, até que novos exemplares foram acrescentados à fachada durante a grande restauração feita no século 19, segundo o livro The Gargoyles of Notre-Dame: Medievalism and the Monsters of Modernity (As Gárgulas de Notre-Dame: o Medievalismo e os Monstros da Modernidade, em tradução livre).

Recentemente, muitas haviam sido substituídas por tubos de plástico, pois estavam muito corroídas, o que tornava perigoso mantê-las no alto do edifício.

Abaixo, a BBC News Brasil lista os principais fatos históricos sobre a catedral.

Igreja completou 850 anos em 2013

A catedral de Notre-Dame começou a ser construída em 1163, por decisão de Maurice de Sully, bispo de Paris.  A ideia era erguer uma catedral dedicada à Virgem Maria. Por isso, o nome Notre-Dame - "Nossa Senhora", em francês. O lançamento da pedra fundamental teria ocorrido na presença do Papa Alexandre III.

A catedral, de estilo gótico, fica localizada no coração de Paris, a Île de la Cité - uma ilha no rio Sena, considerada o berço da antiga vila de Paris.  Em 2013, a igreja completou 850 anos de existência. O fato foi marcado por um ano de comemorações na França, que contou com restaurações, exposições e um simpósio científico.

Construção levou 180 anos

A catedral de Notre-Dame só foi completamente concluída 180 anos depois do início da construção. Porém, já por volta de 1250 estavam erguidas as duas torres da fachada. Mesmo antes de terminada, a obra em construção já atraía cavaleiros medievais que, durante as Cruzadas, iam ao local rezar e pedir proteção antes de partir para o Oriente.

Em 2013, a catedral completou 850 anos de existência

Escavações abaixo da Notre-Dame revelaram vestígios de cidade romana

O local onde fica a catedral foi um dia uma cidade romana chamada Lutécia. Escavações realizadas no terreno sugerem que havia na área um possível templo pagão romano, dedicado a Júpiter. A estrutura teria sido substituída por uma igreja cristã, anterior à construção de Notre-Dame.  Parte das escavações deram origem a um museu, a Cripta Arqueológica, que podia ser visitada nos subterrâneos da Notre-Dame, indicando como era a vida no Império Romano. 

 

Foi pilhada durante a Revolução Francesa e quase demolida

A última vez em que a catedral sofreu grandes danos foi durante a Revolução Francesa (1789-1799). Neste período, a igreja foi pilhada, e uma torre do século 13 foi desmantelada. Também foram destruídas 28 estátuas da galeria dos reis e de todas as grandes esculturas dos portais, com exceção do Virgem do Trovão, localizada no entrada do claustro.

Durante esta época, a igreja foi transformada em um tempo do Culto à Razão, uma espécie de religião da nova República. Em seu interior, as estátuas da Virgem Maria foram substituídas por esculturas da Deusa da Liberdade, e cruzes foram removidas.

Alguns de seus sinos originais da torre norte foram derretidos durante a revolução para a fabricação de balas de canhão. Os substitutos, fabricados no século 19, eram considerados "desafinados" e foram trocados em 2013 para marcar seu aniversário de 850 anos. A catedral chegou a ser usada como um depósito durante a revolução e quase chegou a ser demolida, antes de voltar a ser um templo católico, em 1801.

A coroação de Napoleão

Apesar de muito antiga e imponente, a catedral de Notre-Dame só passou a abrigar importantes celebrações francesas com a ascensão de Napoleão Bonaparte, que escolheu a igreja para ser coroado imperador da França, em 2 de dezembro de 1804. 

Para receber a cerimônia, a Notre-Dame precisou passar por alguns processos de recuperação - já que, antes disso, estava vivendo um processo de degradação. A coroação de Napoleão foi posteriormente retratada em uma grande pintura, com 10 metros de largura e 6 metros de altura - encomendada pelo próprio imperador. Hoje no Museu do Louvre, a obra retrata Napoleão coroando sua esposa como imperatriz.  A obra foi pintada por Jacques-Louis David, nomeado por Napoleão como pintor oficial do império.

 

'O Corcunda de Notre Dame', romance de Victor Hugo

O romance histórico O Corcunda de Notre-Dame, do escritor francês Victor Hugo, foi publicado em 1831, e ajudou a popularizar a catedral no mundo todo com a história do tocador de sinos corcunda Quasímodo.

Seu título original era Notre-Dame de Paris, já que o livro não se concentrava apenas no personagem do corcunda, mas descrevia a antiga catedral em dois capítulos inteiros e ilustrava a sociedade medieval da Paris e os diversos tipos que convivam nela, dos pedintes à nobreza.

A história se passa no século 15. Nas torres góticas da catedral vive Quasímodo, abandonado ao nascimento por sua mãe nos degraus de Notre-Dame. Ele é adotado então pelo arquidiácono Claude Frollo. Desprezado por sua aparência e vítima de agressões frequentes, ele é visto com empatia por Esmeralda, uma linda dançarina cigana a quem ele passa a devotar toda as suas atenções.

Esmeralda, no entanto, também atraiu a atenção do sinistro Frollo e quando ela rejeita suas tentativas de aproximação para favorecer o Capitão Phoebus, Frollo cria um plano para destruí-la. Quasímodo tenta impedi-lo. Mas o fim é trágico para todos.

Em seu romance Victor Hugo descreve o péssimo estado de conservação da construção gótica na época. A pressão criada pela popularização da obra literária ajudou a fazer com que a catedral fosse restaurada entre 1844 e 1864.

Arrecadação de fundos em 2018

No ano passado, a catedral de Notre-Dame lançou um pedido urgente de arrecadação de fundos para recuperar sua estrutura, que estava começando a desmoronar. O valor necessário para a restauração era estimado em 150 milhões de euros.

"Partes da catedral podem cair. É um grande risco", afirmou Michel Picot, responsável pela campanha, em entrevista à BBC em 2018. Além de elementos decorativos, como esculturas e pinturas, partes da estrutura da catedral também estavam ameaçadas. A agulha (estrutura mais alta da igreja), por exemplo, precisou ser reforçada com uma braçadeira de emergência.

"É uma joia única, a nível mundial, então eu acredito que pedir ajuda, não mendigar, é a melhor coisa a se fazer. Não é um monumento da França, é um monumento mundial", falou Picot. Fonte: https://www.bbc.com

Incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame, em Paris

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Publicado em 15 abril 2019
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A polícia isolou a área e está retirando os turistas que estavam dentro da construção medieval. Torre desmoronou em meio às chamas.

Um grande incêndio atingiu a catedral de Notre-Dame, em Paris, nesta segunda-feira (15), um importante símbolo da cidade.

O fogo foi relatado primeiro por usuários em redes sociais. Não está claro ainda o que o causou, mas pode estar relacionado a uma obra que vinha sendo feita no telhado. A emissora France 2 disse que a polícia está tratando o caso como um acidente.

Não há feridos até o momento, de acordo com Laurent Nunez, secretário de Estado no Ministério do Interior. "Um incêndio terrível está acontecendo na Catedral de Notre-Dame. Os bombeiros de Paris estão tentando dominar as chamas (...) Peço a todos que respeitem o perímetro de segurança", escreveu a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, no Twitter.

A polícia isolou a área e está retirando os turistas que havia dentro da catedral. Pouco mais de uma hora depois do início do fogo, procuradoria de Paris abriu uma investigação para averiguar as causas do incêndio, informou o jornal "Le Figaro".

Obras

Uma grande operação dos bombeiros está tentando controlar as chamas, que afetam sobretudo a torre central da catedral, visitada por milhares de pessoas todos os dias.

Também há chamas saindo das duas torres dos sinos, de acordo com testemunhas no local. O incêndio pode estar ligado às obras que vinham sendo feitas no telhado do edifício. A torre central estava rodeada por um andaime. Imagens postadas em rede social mostram que uma parte dela caiu em meio às chamas. Testemunhas afirmam que o telhado também desmoronou:

A turista Kassia Rouan, que estava no parque adjacente à catedral no momento do incêndio, afirmou que "quando os bombeiros chegaram, já havia muitas chamas vindo do teto" da catedral.

"Nós vimos muita fumaça, pensamos que era por causa das obras que estão fazendo. Cada vez tinha mais e mais [fumaça]. Fomos para a frente e fomos afastados para evitar que fôssemos afetados pela fumaça. Vimos as chamas saindo da catedral. Muito triste ", relatou a turista.

A brasileira Mariana Souza, de 33 anos, estava em frente à catedralminutos antes do prédio ser atingido pelo incêndio. "A gente saiu de lá, cinco minutos depois olhamos para trás e o negócio [estava] pegando fogo. Não ouvi nenhum barulho, só vimos muita fumaça mesmo", contou.

O presidente Emmanuel Macron foi até o local e comentou o incêndio no Twitter.

“A catedral Notre-Dame vítima das chamas. Emoção de toda uma nação. [Envio] pensamentos para todos os católicos e todos os franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite de ver queimar essa parte de nós", escreveu.

O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou horror em relação ao caso. "Que horrível assistir ao incêndio gigante na Catedral de Notre-Dame em Paris. Talvez tanques de água aéreos pudessem ser usados para apagá-lo. É preciso agir rápido!" escreveu no Twitter.

A Defesa Civil francesa afirmou, porém, que não pode utilizar aviões cortafogo. Pelas redes sociais, o órgão informou que o despejo de água por aeronaves do tipo "poderia levar ao colapso integral da estrutura".

Famosa no mundo todo

Situada na pequena ilha chamada Île de la Cité, em Paris, a catedral fica rodeada pelas águas do rio Sena. Não é a igreja mais antiga, nem a maior ou a mais alta do mundo, mas certamente é uma das mais famosas.

Testemunha dos mais importantes eventos na história da França, desde sua fundação a catedral testemunhou o nascimento de 80 reis, dois imperadores e cinco repúblicas. Ela também assistiu à participação da França em duas guerras mundiais.

Como reporta a rede BBC, suas famosas gárgulas, que protegem a construção contra espíritos malévolos, testemunharam glórias e tragédias ao longo dos séculos. A Notre-Dame por exemplo foi saqueada e quase demolida durante a Revolução Francesa.

Mas o monumento, erguido em homenagem a Nossa Senhora - daí o nome, Nossa Senhora de Paris -, sobreviveu a tudo isso.

A catedral começou a ser construída em 1163 e só foi concluída 180 anos depois. Mesmo antes de terminada, a obra em construção já atraía cavaleiros medievais que, durante as Cruzadas, iam a Notre Dame rezar e pedir proteção antes de partir para o Oriente. Em 1431, com as obras já concluídas, foi entre suas paredes que um menino de dez anos, de saúde delicada - Henrique 6º, da Inglaterra -, foi coroado rei da França.

E em 1804, ao som dos tubos do grande órgão da catedral, Napoleão foi coroado imperador dentro dela. Fonte: https://g1.globo.com

Semana Santa ainda serve para o Século XXI?

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Publicado em 15 abril 2019
  • Semana Santa,
  • A Semana Santa
  • Arcebispo de Juiz de Fora

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo de Juiz de Fora

A Semana Santa é a semana mais importante para o mundo cristão. É quando celebramos a Páscoa da Ressurreição e, para isso, meditamos sobre a forma com que isto aconteceu na vida de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus. Não é somente um homem, não é apenas um mestre, mas é homem e Deus verdadeiros. Como homem, assumiu todas as dores e sofrimentos da humanidade. Como Deus, foi capaz de vencer a morte e ressuscitar. E esta grande graça é transmitida a todos nós, todos aqueles que n’Ele acreditam. Nós também vamos morrer, mas vamos ressuscitar com Ele, pela força d’Ele.

A Semana Santa celebra esses mistérios e, por isso, passa pela reflexão da dor, dos sofrimentos, das injustiças. Cristo sofreu em três aspectos. O aspecto físico – torturas, crucifixão e morte; o aspecto moral – humilhação e desprezo; e o aspecto espiritual – mesmo na cruz sentiu o abandono espiritual. ‘Meu Pai, meu Pai, por que me abandonaste?’ (cf. Mc 15,34). Mas, na verdade, não era o abandono do Pai, era assumir, em sua vida, aquilo que pode acontecer com muitas pessoas, o estado de abandono.

O homem atual precisa olhar para Cristo, cuja mensagem principal é o amor. ‘Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo seu irmão’ (cf. Jo 15,13). Muitas vezes vivemos uma cultura de ódio, de vingança, de disputa. A cultura de Cristo é a cultura do amor. Por isso, saber sofrer, morrer e viver com amor é uma das mensagens mais importantes que o homem do século XXI deve aprender. A dor e o sofrimento são realidades da vida, ninguém pode delas escapar. E, por isso, quando nós vemos Cristo sofrer da forma que sofreu, e da maneira com que assumiu o sofrimento e a morte, nós aprendemos com Ele a lição mais importante para a vida.

Celebrar a Semana Santa tem um grande significado para a humanidade no século XXI ou em qualquer outro tempo em que possamos viver: a humanidade tem fases, e em todas essas fases históricas a mensagem de Cristo tem um sentido não só importante, mas indispensável. Se o homem não aprender a lição de Cristo, nunca será homem verdadeiro. O homem que exclui a Deus não é homem inteiro. Por isso, celebrar esses mistérios, os mais importantes da nossa fé, tem uma grande importância, de fato, para todos nós que vivemos nessa época de progressos tão significativos e às vezes de lacunas tão dolorosas na nossa vida humana, na nossa relação com o próximo e com Deus.

A Páscoa é a passagem. Passagem da morte para a vida, passagem de uma situação negativa para uma situação positiva, passagem de uma vida de pecado para uma vida na graça de Deus.

Celebrar os mistérios da Semana Santa, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, significa apresentar Jesus como Deus que continua nos salvando. O ato salvador de Cristo não está preso a um determinado momento da história. Ele é perpétuo, por isso ele vai tendo efeitos nos vários momentos históricos da vida da humanidade. Fonte: http://www.cnbb.org.br

SEMANA SANTA: Segunda-feira, 15 de abril-2019. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 15 abril 2019
  • Reflexão do Evangelho do Dia,
  • EVANGELHO DO DIA,
  • Frei Carlos Mesters,
  • Biblista Frei Carlos Mesters,
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  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • EVANGELHO DO DIA-LECTIO DIVINA,
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • 15 de abril

1) Oração

Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do vosso Filho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 12, 1-11)

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele tinha ressuscitado dos mortos. 2Lá, ofereceram-lhe um jantar. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, então, tomando meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. A casa inteira encheu-se do aroma do perfume. 4Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que entregaria Jesus, falou assim: 5“Por que este perfume não foi vendido por trezentos denários para se dar aos pobres?” 6Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas, porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a! que ela o guarde em vista do meu sepultamento. 8Os pobres, sempre os tendes convosco. A mim, no entanto, nem sempre tereis”. 9Muitos judeus souberam que ele estava em Betânia e foram para lá, não só por causa dele, mas também porque queriam ver Lázaro, que Jesus tinha ressuscitado dos mortos. 10Os sumos sacerdotes, então, decidiram matar também Lázaro, 11pois por causa dele muitos se afastavam dos judeus e começaram a crer em Jesus.

3) Reflexão

*  Estamos entrando na Semana Santa, a semana da páscoa de Jesus, da sua passagem deste mundo para o Pai (Jo 13,1). A liturgia de hoje coloca diante de nós o início do capítulo 12 do evangelho de João, que faz a ligação entre o Livro dos Sinais (cc 1-11) e o Livro da Glorificação (cc.13-21). No fim do "Livro dos Sinais", apareceram com clareza a tensão entre Jesus e as autoridades religiosas da época (Jo 10,19-21.39) e o perigo que Jesus corria. Várias vezes tentaram matá-lo (Jo 10,31; 11,8.53; 12,10). Tanto assim, que Jesus era obrigado a levar uma vida clandestina, pois podia ser preso a qualquer momento (Jo 10,40; 11,54).

*  João 12,1-2: Jesus, perseguido pelos judeus, vai à Betânia. Seis dias antes da páscoa, Jesus vai à Betânia na casa das suas amigas Marta e Maria e de Lázaro. Betânia significa Casa da Pobreza. Ele estava sendo perseguido pela polícia (Jo 11,57). Queriam matá-lo (Jo 11,50). Mesmo sabendo que a polícia estava atrás de Jesus, Maria, Marta e Lázaro receberam Jesus em casa e ofereceram um jantar para ele. Acolher em casa uma pessoa perseguida e oferecer-lhe um jantar era perigoso. Mas o amor faz superar o medo

*  João 12,3: Maria unge Jesus. Durante o jantar, Maria unge os pés de Jesus com meio litro de perfume de nardo puro (cf. Lc 7,36-50). Era um perfume cheiroso, caríssimo, de trezentos denários. Em seguida, ela enxuga os pés de Jesus com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume. Em todo este episódio, Maria não fala. Só age. O gesto cheio de simbolismo fala por si mesmo. Lavando os pés, Maria se faz servidora. Jesus vai repetir o gesto na última ceia (Jo 13,5).

*  João 12,4-6: Reação de Judas. Judas critica o gesto de Maria. Acha que é um desperdício. De fato, trezentos denários eram o salário de trezentos dias! O salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez! Judas acha que o dinheiro deveria ser dado aos pobres. O evangelista comenta que Judas não tinha nenhuma preocupação com os pobres, mas que era um ladrão. Tinha a bolsa comum e roubava dinheiro. Julgamento forte que condena Judas. Não condena a preocupação com os pobres, mas sim a hipocrisia que usa os pobres para se promover e se enriquecer. Nos seus interesses egoístas, Judas só pensava em dinheiro. Por isso não percebeu o que estava no coração de Maria. Jesus enxerga o coração e defende Maria.

*  João 12,7-8: Jesus defende a mulher. Judas olha o gasto e critica a mulher. Jesus olha o gesto e defende a mulher: “Deixa-a! Ela o conservou para o dia da minha sepultura!"  Em seguida, Jesus diz: "Pobres sempre tereis, mas a mim nem sempre tereis!"  Quem dos dois vivia mais perto de Jesus: Judas ou Maria? Como discípulo,Judas convivia com Jesus há quase três anos, vinte e quatro horas por dia. Fazia parte do grupo. Maria só o encontrava uma ou duas vezes ao ano, por ocasião das festas, quando Jesus vinha a Jerusalém e visitava a casa dela. Só a convivência sem o amor não faz conhecer. Tolhe o olhar. Judas era cego. Muita gente convive com Jesus e até o louva com muito canto, mas não o conhece de verdade nem o revela (cf. Mt 7,21). Duas afirmações de Jesus merecem um comentário mais detalhado: (1) “Pobres sempre tereis”, e (2) “Ela guardou o perfume para me ungir no dia do meu sepultamento”.

*  1. “Pobres sempre tereis” Será que Jesus quis dizer que não devemos preocupar-nos com os pobres, visto que sempre vai haver gente pobre? Será que a pobreza é um destino imposto por Deus? Como entender esta frase? Naquele tempo, as pessoas conheciam o Antigo Testamento de memória. Bastava Jesus citar o começo de uma frase do AT, e as pessoas já sabiam o resto. O começo da frase dizia: “Vocês vão ter sempre os pobres com vocês!” (Dt 15,11a). O resto da frase que o povo já conhecia e que Jesus quis lembrar, era este: “Por isso, eu ordeno: abra a mão em favor do seu irmão, do seu pobre e do seu indigente, na terra onde você estiver!” (Dt 15,11b). Conforme esta Lei, a comunidade deve acolher os pobres e partilhar com eles seus próprios bens. Mas Judas, em vez de “abrir a mão em favor do pobre” e de partilhar com ele seus próprios bens, queria fazer caridade com o dinheiro dos outros! Queria vender o perfume de Maria por trezentos denários e usá-los para ajudar os pobres. Jesus cita a Lei de Deus que ensinava o contrário. Quem, como Judas, faz campanha com o dinheiro da venda dos bens dos outros, não incomoda. Mas aquele que, como Jesus, insiste na obrigação de acolher os pobres e de partilhar com eles os próprios bens, este incomoda e corre o perigo de ser condenado.

*  2. "Ela guardou esse perfume para me ungir no dia do meu sepultamento" A morte na cruz era o castigo terrível e exemplar, adotado pelos romanos para castigar os subversivos que se opunham ao império. Uma pessoa condenada à morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois ficava pendurada na cruz até que os animais comessem o cadáver, ou recebia sepultura rasa de indigente. Além disso, conforme a Lei do Antigo Testamento, ela devia ser considerada como "maldita por Deus" (Dt 21, 22-23). Jesus ia ser condenado à morte de cruz, conseqüência do seu compromisso com os pobres e da sua fidelidade ao Projeto do Pai. Não ia ter enterro. Por isso, depois de morto, não poderia ser ungido. Sabendo disso, Maria se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, ela mostra que aceitava Jesus como Messias, mesmo crucificado!  Jesus entende o gesto dela e o aprova.

*  João 12,9-11: A multidão e as autoridades. Ser amigo de Jesus pode ser perigoso. Lázaro corre perigo de morte por causa da vida nova que recebeu de Jesus. Os judeus decidiram matá-lo. Um Lázaro vivo era prova viva de que Jesus era o Messias. Por isso, a multidão o procurava, pois o povo queria experimentar de perto a prova viva do poder de Jesus. Uma comunidade viva corre perigo de vida porque é prova viva da Boa Nova de Deus!

4) Para um confronto pessoal

1) Maria foi mal interpretada por Judas. Você já foi mal interpretada alguma vez? Como você reagiu?

2) O que nos ensina o gesto de Maria? Que alerta nos traz a reação de Judas?

5) Oração final

O SENHOR é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é quem defende a minha vida; a quem temerei? Ele me dá abrigo na sua tenda no dia da desgraça. Esconde-me em sua morada,  sobre o rochedo me eleva. (Sl 26, 1.5)

Domingo de Ramos: Jesus só precisou de um jumentinho

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Publicado em 13 abril 2019
  • Evangelho Dominical,
  • Domingo de Ramos,
  • Jesus e o jumentinho
  • Procissão de Ramos
  • Evangelho do Domingo de Ramos

“E levaram o jumentinho a Jesus” (Lc 19,35). A reflexão bíblica é elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o evangelho do Domingo de Ramos - Ciclo C (14/04/2019) que corresponde ao texto bíblico de Lucas 19,28-40.

Eis o comentário.

Celebramos hoje o chamado “Domingo de Ramos”, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Nada de mobilizações, nada de comissão de preparação da festa; não teve um mestre de cerimônias para que tudo acontecesse dentro das normas estabelecidas; não pediu que a polícia lhe acompanhasse, nem guarda-costas para sua segurança pessoal. Jesus nunca buscou as grandes manifestações populares. A improvisação contou com a espontaneidade do povo simples e, como tal, nada de grandes solenidades, de aparato espetacular. Para Jesus, bastava-lhe um jumentinho. O resto ficou a cargo da iniciativa da multidão que se uniu a Ele, enfeitando o caminho e entoando hinos messiânicos.

Todos sabemos que as “mudanças profundas e duradouras” na sociedade não vem de cima, mas de baixo, a partir da solidariedade e da identificação de vida com os últimos deste mundo. Ali, nas periferias e nas margens, há uma esperança latente e alentadora daqueles que se empenham por imprimir um movimento novo à história; é nele que está a semente de uma vida diferente, criativa e mais promissora.

E Jesus foi o ponto de partida de uma ousada mudança na história da humanidade.

Os evangelistas sinóticos relatam a vida pública de Jesus como uma subida das “periferias” até a capital política e religiosa. E Jesus “entra” em Jerusalém, montado num jumentinho e aclamado por seus seguidores. Escolhe um jumentinho como símbolo de um messianismo de paz e simplicidade. Nada, portanto, de uma manifestação espetacular; Ele rompe com a imagem de um triunfador e despoja-se de todo indício de poder. Jesus, presença de vida nos povoados, vilas e campos, quer levar vida a uma cidade que carregava forças de morte em seu interior. Ele quer pôr o coração de Deusno coração da grande cidade; deseja recriar, no coração da capital, o ícone da nova Jerusalém, a cidade cheia de humanidade e comunhão, o lugar da justiça e fraternidade...

Mantos colocados como tapetes pelo solo, ramos de oliveira e palmas e tudo o que saía de dentro das pessoas: o canto, o grito de louvor, as vivas, os aplausos. O povo simples faz as coisas de maneira simples, mas que se tornam simpáticas, festivas. Além disso, Jesus não precisava mais que isso.

Jesus não quis entrar em Jerusalém como os conquistadores militares, mas como o homem simples, como o Salvador simples. Porque, para Jesus era uma entrada que queria ser como uma nova oferta de salvação à cidade de Jerusalém, e a salvação não é oferecida com títulos de grandeza; isso sim, ela é oferecida com cantos, danças, alegria. Jesus quer que todos descubram a novidade do Evangelho com vibração e com sentido festivo; quando Ele nos oferece o dom salvação, faz com alegria e é também com alegria que somos chamados a acolhê-lo.

Como mensageiro de paz, chegou Jesus a Jerusalém montado num jumentinho. Não precisava de soldados e nem de instituições de violência para se defender. Sem armas de guerra, sem um possante cavalo, sem poderes e nem ambições..., mas montado num jumentinho de paz; um jumentinho emprestado e novo, não domado, pois Jesus não possuía nem um jumentinho.

O texto de Lucas supõe que Jesus tinha conhecidos naquela região, à entrada da aldeia (Betfagé). O jumentinho não era seu, mas contava com amigos que o emprestaram.

Este jumentinho é símbolo da vida campesina e pacífica, animal do pobre; é conhecida sua resistência na lida do cotidiano do campo: carrega peso, lavra a terra, suporta longas viagens.... Não é animal para a guerra e nem para alimentar a vaidade daqueles que querem demonstrar seu poder diante dos outros. Jesus se serve de um jumentinho para dizer que não quer se impor pelas armas e pela força; seu senhorio é diferente, retomando as tradições campesinas de seu povo.

Como o jumentinho não tem arreio, nem apetrechos (é um jumentinho novo, nunca montado), os discípulos estendem seus próprios mantos na garupa, para que assim Jesus pudesse montar com dignidade e, sobre sua garupa, pudesse entrar na cidade, descendo pelo Monte das Oliveiras.

Jesus chegou a Jerusalém de maneira pacífica, mas muito provocadora, pois instaurar o Reino como Ele propunha implicava um desafio para o sistema imperial de Roma e para a política sacerdotal do templo.

Que Jesus era uma pessoa desconcertante, não resta dúvida. Continuamente Ele assumia atitudes que desconcertavam a todos, ou realizava alguns gestos que causavam assombro... Sempre evitou grandes manifestações que poderiam se prestar a enganos e equívocos em torno à sua pessoa.

Quando quiseram fazê-lo rei, escapou e se refugiou na montanha. Como é que agora, o primeiro dia de sua última semana, lhe ocorre armar um rebuliço? Como profeta, Jesus toma consciência que agora já não é mais o momento dos discursos, mas dos gestos; já não é o momento das palavras, mas dos fatos; já não é o momento de esconder-se, mas de mostrar a cara; já não é o momento das prudências, mas dos riscos; já não é o momento de ocultar sua messianidade, mas de proclamá-la.

A Igreja também necessita de gestos, mas de gestos evangélicos. Muito mais que grandes discursos, a Igreja necessita de gestos simples que o povo entenda, viva e sinta.

Temos demasiados “exibicionismos clericais” que tem pouco a ver com a simplicidade de Jesus; temos grandes solenidades, que possivelmente são bem-intencionadas, mas que expressam pouco da simplicidade e da pobreza de Jesus.

Com frequência confundimos nossa vitalidade cristã com as grandes massas em torno às grandes figuras da Igreja. Medimos nossa fé pelas estatísticas daqueles que assistem a essas grandes manifestações. E logo, todos somos conscientes de que tudo continua igual, que as grandes massas não vão mudar depois dos grandes aplausos e vivas.

Jesus mesmo viveu essa experiência. Essa mesma multidão que hoje o acompanha, dentro de uns dias pedirá que o crucifiquem. Os entusiasmos massivos têm muito pouco de personalização da fé. É mais o sentimentalismo do momento que uma experiência profunda do Evangelho.

Jesus não fundou uma Igreja de grandes massas. Pelo contrário, falou de uma Igreja “pequeno rebanho”, “sal e fermento”, esvaziada de vaidades e carregada de simplicidade.

Não estamos insistindo em demasia no prestígio da Igreja? Não estamos por demais preocupados com uma Igreja que brilha, em vez de uma Igreja simples, pobre e despojada? Não temos na Igreja “carros possantes” em excesso e pouquíssimos jumentinhos?


Para meditar na oração

Nosso zelo e amor pelo Evangelho e pela semente do Reino que nele está contida, deve favorecer o advento de uma “Nova Jerusalém”; é preciso cuidar o coração, esvaziá-lo, limpá-lo, aquecê-lo, transformá-lo em humilde receptáculo, para que o Espírito do Senhor possa ali pousar e nele habitar como num ninho acolhedor, transmitindo-lhe vida, luz, calor, paz, ternura...

- Como você descreve sua “Jerusalém interior”: cidade da paz e do encontro ou cidade da intolerância e da violência? Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

A Cruz de Jesus ontem... A Cruz hoje.

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Publicado em 13 abril 2019
  • Quaresma,
  • tempo de Quaresma,
  • A CRUZ DE JESUS,

A Cruz de Jesus

Letra e música: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.

Eis a cruz ó madeiro sagrado, eis a cruz ó altar consumado, eis a cruz, eis a cruz, de Jesus.

1-No Monte das Oliveiras Ele sente a aflição, está em silêncio e desolação. Meu Pai afasta de mim essa dor, mas não seja feita a minha vontade mas/ Do Senhor (bis)

2-Judas Iscariotes traiu meu Salvador, ô quanto sofrimento ó quanta dor. No coração de Pedro a noite chegou, nega o Filho de Deus/ O Salvador. (bis)

3- Ele foi julgado e condenado com desamor, e logo Pilatos Barrabás soltou. Cuspiam

Nele e diziam salve o Rei dos Judeus, batiam em sua cabeça/ Ô quanto dor. (bis) 

4-No caminho do calvário as santas mulheres encontrou, no caminho do calvário Verônica aflita/ As lágrimas enxugou. (bis)

5-Para o calvário a cruz Ele carregou, Simão Cirineu logo o ajudou. Para o calvário a cruz Ele carregou, a sua santa Mãe/ O consolou. (bis)

6-No suplício da cruz Dimas suplicou, e o perdão dos pecados ele ganhou. Pobre Filho de Deus homem da dor, os pecados de Dimas/ Ele deletou. (bis)

7-No alto da cruz Ele foi condenado, no alto da cruz Ele foi abandonado, no madeiro Ele sente uma grande dor, os pregos e a lança o/ Sangue jorrou. (bis)

8- No alto da cruz Ele gritou, meu Deus, meu Deus por que/ Me abandonou. O que fizeram com o meu Senhor, fazem todos os dias, ô/ Quanta horror. (bis)

Sábado, 13 de abril-2019. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 13 abril 2019
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  • Artigos do Frei Carlos Mesters,
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  • Biblista Frei Carlos Mesters,
  • LECTIO DIVINA DO EVANGELHO DO DIA,
  • Evangelho do Dia com Frei Carlos Mesters,
  • Lectio Divina com Frei Carlos Mesters,
  • 5ª SEMANA DA QUARESMA

1) Oração

Ó Deus, vós sempre cuidais da salvação dos homens e nesta Quaresma nos alegrais com graças mais copiosas. Considerai com bondade aqueles que escolhestes, para que a vossa proteção paterna acompanhe os que se preparam para o batismo e guarde os que já foram batizados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 11, 45-56)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 45Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara. 47Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. 48Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. 49Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! 50Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação. 51E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, 52e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos. 53E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida. 54Em consequência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos. 55Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar. 56Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no templo: Que vos parece? Achais que ele não virá à festa? - Palavra da salvação.

3) Reflexão João

*  O evangelho de hoje traz a parte final do longo relato da ressurreição de Lázaro em Betânia, na casa de Marta e Maria (João 11,1-56). A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal (milagre) de Jesus no evangelho de João e é também o ponto alto e decisivo da revelação que ele vinha fazendo de Deus e de si mesmo.

*  A pequena comunidade de Betânia, onde Jesus gostava de hospedar-se, reflete a situação e o estilo de vida das pequenas comunidades do Discípulo Amado no fim do primeiro século lá na Ásia Menor. Betânia quer dizer "Casa dos pobres". Eram comunidades pobres de gente pobre. Marta quer dizer "Senhora" (coordenadora): uma mulher coordenava a comunidade. Lázaro significa "Deus ajuda": a comunidade pobre esperava tudo de Deus. Maria significa "amada de Javé": era a discípula amada, imagem da comunidade. O episódio da ressurreição de Lázaro comunicava esta certeza: Jesus traz vida para a comunidade dos pobres. Jesus é fonte de vida para todos que nele acreditam.

*  João 11,45-46: A repercussão do sétimo Sinal no meio do povo

Depois da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-44), vem a descrição da repercussão deste sinal no meio do povo. O povo estava dividido. “Muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele”. Mas outros “foram ao encontro dos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito.  Estes últimos fizeram a denúncia. Para poder entender esta reação negativa de uma parte do povo é preciso levar em conta que a metade da população de Jerusalém dependia em tudo do Templo para poder viver e sobreviver. Por isso, dificilmente eles iriam apoiar um desconhecido profeta da Galiléia que criticava o Templo e as autoridades. Isto também explica como alguns se prestavam para ser informantes das autoridades.

*  João 11,47-53: A repercussão do sétimo Sinal no meio das autoridade

A notícia da ressurreição de Lázaro fez crescer a popularidade de Jesus. Por isso, os líderes religiosos convocam o conselho, o sinédrio, a autoridade máxima, para discernir o que fazer. Pois, “esse homem está realizando muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele; os romanos virão e destruirão o Templo e toda a nação”. Eles tinham medo dos romanos. De fato, o passado, desde a invasão romano em 64 antes de Cristo até à época de Jesus, já tinha mostrado várias vezes que os romanos reprimiam com toda a violência qualquer tentativa de rebelião popular (cf Atos 5,35-37). No caso de Jesus, a reação romana poderia levar à perda de tudo, inclusive do Templo e da posição privilegiada dos sacerdotes. Por isso, Caifás, o sumo sacerdote, decide: “É melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer”. E o evangelista faz este bonito comentário: “Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote nesse ano, profetizou que Jesus ia morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir juntos os filhos de Deus que estavam dispersos”. Assim, a partir deste momento, os líderes, preocupados com o crescimento da liderança de Jesus e motivados pelo medo dos romanos, decidem matar Jesus.

*  João 11,54-56: A repercussão do sétimo Sinal na vida de Jesus

O resultado final é que Jesus tinha que viver como clandestino. “Ele não andava mais em público entre os judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto. Foi para uma cidade chamada Efraim, onde ficou com seus discípulos”. A páscoa estava próxima. Nessa época do ano, a população de Jerusalém triplicava por causa do grande número de peregrinos e romeiros. A conversa de todos era em torno de Jesus: "Que é que vocês acham? Será que ele não vem para a festa?" Da mesma maneira, na época em que foi escrito o evangelho, no fim do primeiro século, época da perseguição do imperador Domiciano (81 a 96), as comunidades cristãs que traziam a vida para os outros viam-se obrigadas a viver na clandestinidade. 

*  Uma chave para entender o sétimo sinal da ressurreição de Lázaro

Lázaro estava doente. As irmãs Marta e Maria mandaram chamar Jesus: "Aquele a quem amas está doente!" (Jo 11,3.5). Jesus atende ao pedido e explica aos discípulos: "Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por nela seja glorificado o Filho de Deus!" (Jo 11,4) No evangelho de João, a glorificação de Jesus acontece através da sua morte (Jo 12,23; 17,1). Uma das causas da sua condenação à morte vai ser a ressurreição de Lázaro (Jo 11,50; 12,10). Muitos judeus estavam na casa de Marta e Maria para consolá-las da perda do irmão. Os judeus, representantes da Antiga Aliança, só sabem consolar. Não trazem vida nova.. Jesus é que vai trazer vida nova! Assim, de um lado, a ameaça de morte contra Jesus! De outro lado, Jesus chegando para vencer a morte! É neste contexto de conflito entre vida e morte, que se realiza o sétimo sinal da ressurreição de Lázaro.

Marta diz que crê na ressurreição. Os fariseus e a maioria do povo também acreditavam na Ressurreição (At 23,6-10; Mc 12,18). Acreditavam, mas não a revelavam. Era apenas fé na ressurreição no fim dos tempos e não na ressurreição presente na história, aqui e agora. Esta fé antiga não renovava a vida. Pois não basta crer na ressurreição que vai acontecer no final dos tempos, mas tem que crer que a Ressurreição já está presente aqui e agora na pessoa de Jesus e naqueles que acreditam em Jesus. Sobre estes a morte já não tem mais nenhum poder, porque Jesus é a "ressurreição e a vida". Mesmo sem ver o sinal concreto da ressurreição de Lázaro, Marta confessa a sua fé: "Eu creio que tu és o Cristo, o filho de Deus que vem ao mundo" (Jo 11,27).

Jesus manda tirar a pedra. Marta reage: "Senhor, já cheira mal! É o quarto dia!"(Jo 11,39).  Novamente, Jesus a desafia apelando para a fé na ressurreição, aqui e agora, como um sinal da glória de Deus: "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" (Jo 11,40). Retiraram a pedra. Diante do sepulcro aberto e diante da incredulidade das pessoas, Jesus se dirige ao Pai. Na sua prece, primeiro, faz ação de graças: "Pai, dou-te graças, porque me ouviste. Eu sabia que tu sempre me ouves!" (Jo 11,41-42). Jesus conhece o Pai e confia nele. Mas agora ele pede um sinal por causa da multidão que o rodeia, para que possa acreditar que ele, Jesus, é o enviado do Pai. Em seguida, ele grita em alta voz, grito criador: "Lázaro, vem para fora!" E Lázaro veio para fora (Jo 11,43-44). É o triunfo da vida sobre a morte, da fé sobre a incredulidade! Um agricultor comentou: "A nós cabe retirar a pedra! E aí Deus ressuscita a comunidade. Tem gente que não quer tirar a pedra, e por isso a comunidade deles não tem vida!"

4) Para um confronto pessoal

1) O que significa para mim, bem concretamente, crer na ressurreição?

2) Parte do povo aceitava Jesus, parte não aceitava. Hoje, parte do povo aceita a renovação da igreja, e parte não aceita. E eu?

5) Oração final

Ouvi, nações, a palavra do SENHOR, anunciai às terras distantes; dizei: ‘Aquele mesmo que dispersou Israel vai reuni-lo novamente e dele cuidará qual pastor do seu rebanho.’ Pois o SENHOR libertou Jacó, livrou-o do poder de outro mais forte. (Jr 31, 10-11)

Sexta-feira, 12 de abril-2019. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 12 abril 2019
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  • 5ª SEMANA DA QUARESMA
  • 11 de abril

1) Oração

Perdoai, ó Deus, nós vos pedimos, as culpas do vosso povo. E, na vossa bondade, desfazei os laços dos pecados que em nossa fraqueza cometemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 10, 31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 31Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedrejar. 32Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais? 33Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus. 34Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)? 35Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada), 36como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus? 37Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. 38Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai. 39Procuraram então prendê-lo, mas ele se esquivou das suas mãos. 40Ele se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu. 41Muitos foram a ele e diziam: João não fez milagre algum, 42mas tudo o que João falou deste homem era verdade. E muitos acreditaram nele. - Palavra da salvação.

3) Reflexão

*  Estamos chegando perto da Semana Santa, em que comemoramos e atualizamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Desde a quarta semana da quaresma, os textos dos evangelhos diários são tirado quase exclusivamente do Evangelho de João, dos capítulos que acentuam a tensão dramática entre, de um lado, a revelação progressiva que Jesus faz do mistério do Pai que o enche por inteiro e, de outro lado, o fechamento progressivo da parte dos judeus que se tornam cada vez mais impenetráveis à mensagem de Jesus. O trágico deste fechamento é que ele é feito em nome da fidelidade a Deus. É em nome de Deus que eles rejeitam Jesus.

*  Esta maneira de João apresentar o conflito entre Jesus e as autoridade religiosas não é só algo que aconteceu no longínquo passado. É também um espelho que reflete o que acontece hoje. É em nome de Deus que algumas pessoas se transformam em bombas vivas e matam os outros. É em nome de Deus que nós, membros das três religiões do Deus de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, nos condenamos e nos combatemos mutuamente, ao longo da história. É tão difícil e tão necessário o ecumenismo entre nós. Em nome de Deus foram feitas muitas barbaridades e continuam sendo feitas até hoje. A quaresma é um período importante para parar e perguntar qual a imagem de Deus que habita o meu ser?

*  João 10,31-33: Os judeus querem apedrejar Jesus.  Os judeus apanham pedras para matar Jesus. Jesus pergunta: "Por ordem do meu Pai, tenho feito muitas coisas boas na presença de vocês. Por qual delas vocês me querem apedrejar?" A resposta: "Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus." Querem matar Jesus por blasfêmia. A lei mandava apedrejar tais pessoas.

*  João 10,34-36: A Bíblia chama todos de Filhos de Deus. Eles querem matar Jesus porque ele se faz passar por Deus. Jesus responde em nome da mesma Lei de Deus: "Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: 'Eu disse: vocês são deuses'? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus?”.

*  Estranhamente, Jesus diz “a lei de vocês”. Ele deveria dizer “nossa lei”. Por que ele fala assim? Aqui transparece novamente a ruptura trágica entre Judeus e Cristãos, dois irmãos, filhos do mesmo pai Abraão, que se tornaram inimigos irredutíveis a ponto de os cristãos dizerem “a lei de vocês”, como se não fosse mais nossa lei.

*  João 10,37-38: Ao menos acreditem nas obras que faço.  Jesus torna a falar das obras que ele faz e que são a revelação do Pai. Se não faço as obras do Pai não precisam crer em mim. Mas se as faço, mesmo que vocês não acreditem em mim, acreditem ao menos nas obras, para que você possam chegar a perceber que o Pai está em mim e eu no pai. As mesmas palavras Jesus vai pronunciar para os discípulos na última Ceia (Jo 14,10-11).

*  João 10,39-42: Novamente querem matá-lo, mas ele escapou das mãos deles.  Não houve nenhum sinal de conversão. Eles continuam achando que Jesus é blasfemo e insistem em querer matá-lo. Não há futuro para Jesus. Sua morte está decretada, mas sua hora ainda não chegou. Jesus sai e atravessa o Jordão para o lugar onde João tinha batizado. Assim mostra a continuidade da sua missão com a missão de João. Ajudava o povo a perceber a linha da ação de Deus na história. O povo reconhece em Jesus aquele que João tinha anunciado.

4) Para um confronto pessoal

1) Os judeus condenam Jesus em nome de Deus, em nome da imagem que eles têm de Deus. Já aconteceu eu condenar alguém em nome de Deus e depois descobrir que eu estava errado?

2) Jesus se diz “Filho de Deus”. Quando eu professo no Credo que Jesus é o Filho de Deus, qual o conteúdo que eu coloco nesta minha profissão de fé?

5) Oração final

Eu te amo, SENHOR, minha força, SENHOR, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador; meu Deus, minha rocha, na qual me refúgio; meu escudo e baluarte, minha poderosa salvação. (Sl 17, 2-3)

AO VIVO- SANTA MISSA COM FREI PETRÔNIO. Quinta-feira, 11 de abril-2019.

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Publicado em 12 abril 2019
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Quinta-feira, 11 de abril-2019. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 11 abril 2019
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  • 11 de abril

1) Oração

Assisti, ó Deus, aqueles que vos suplicam e guardai com solicitude os que esperam em vossa misericórdia, para que, libertos de nossos pecados, levemos uma vida santa e sejamos herdeiros das vossas palavras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 8, 51-59)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 51Disse Jesus aos Judeus em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte. 52Disseram-lhe os judeus: Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte... 53És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu... e os profetas também. Quem pretendes ser? 54Respondeu Jesus: Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus 55e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra. 56Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria. 57Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão!... 58Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou. 59A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo. - Palavra da salvação.

3) Reflexão

*  O capítulo 8 parece uma exposição de obras de arte, onde se podem admirar e contemplar famosas pinturas, uma ao lado da outra. O evangelho de hoje traz mais uma pintura, mais um diálogo entre Jesus e os judeus. Não há muito nexo entre uma e outra pintura. É o expectador ou a expectadora que, pela sua observação atenta e orante, consegue descobrir o fio invisível que liga entre si as pinturas, os diálogos. Deste modo vamos penetrando aos poucos no mistério divino que envolve a pessoa de Jesus. 

*  João 8,51: Quem guarda a palavra de Jesus jamais verá a morte. Jesus faz um solene afirmação. Os profetas diziam: Oráculo do Senhor! Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo!” E a afirmação solene é esta: “Se alguém guardar minha palavra jamais verá a morte!” De muitas maneiras este mesmo tema aparece e reaparece no evangelho de João. São palavras de grande profundidade

*  João 8,52-53: Abraão e os profetas morreram. A reação dos judeus é imediata: "Agora sabemos que estás louco. Abraão morreu e os profetas também. E tu dizes: 'se alguém guarda a minha palavra, nunca vai experimentar a morte'. Por acaso, tu és maior que o nosso pai Abraão, que morreu? Os profetas também morreram. Quem é que pretendes ser?"  Eles não entenderam o alcance da afirmação de Jesus. Diálogo de surdos..

*  João 8,54-56: Quem me glorifica é meu Pai. Sempre de novo Jesus bate na mesma tecla: ele está de tal modo unido ao Pai que nada do que ele diz e faz é dele. Tudo é do Pai. E ele acrescenta: "Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vocês dizem que é o Pai de vocês. Vocês não o conhecem, mas eu o conheço. Se dissesse que não o conheço, eu seria mentiroso como vocês. Mas eu o conheço e guardo a palavra dele. Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria." Estas palavras de Jesus devem ter sido como uma espada a ferir a auto-estima dos judeus. Dizer às autoridades religiosas: “Vocês não conhecem o Deus que vocês dizem conhecer. Eu o conheço e vocês não o conhecem!”, é o mesmo que acusa-las de total ignorância exatamente naquele assunto no qual eles pensam ser doutores especializados. E a palavra final encheu a medida: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria”.

*  João 8,57-59: Não tens 50 anos e já viu Abraão! Tomaram tudo ao pé de a letra mostrando assim que não entenderam nada do que Jesus estava dizendo. E Jesus faz nova afirmação solene: “Em verdade, em verdade digo a vocês: antes que Abraão existisse, EU SOU!” Para quem crê em Jesus, é aqui que alcançamos o coração do mistério da história. Novamente pedras para matar Jesus. Nem desta vez o conseguiram, pois a hora ainda não chegou. Quem determina o tempo e a hora é o próprio Jesus.

4) Para um confronto pessoal

1) Diálogo de surdos entre Jesus e os judeus. Você já teve alguma vez a experiência de conversar com alguém que pensa exatamente o oposto de você e não se dá conta disso?

2) Como entender esta frase: “Abraão, o pai de vocês, alegrou-se porque viu o meu dia. Ele viu e encheu-se de alegria” ?

5) Oração final

Procurai o SENHOR e o seu poder, não cesseis de buscar sua face. Lembrai-vos dos milagres que fez, dos seus prodígios e dos julgamentos que proferiu. (Sl 104, 4-5)

Quarta-feira, 10 de abril-2019. 5ª SEMANA DA QUARESMA. Evangelho do dia- Lectio Divina- com Frei Carlos Mesters, Carmelita.

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Publicado em 10 abril 2019
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1) Oração

Ó Deus de misericórdia, iluminai nossos corações purificados pela penitência. E ouvi com paternal bondade aqueles a quem dais o afeto filial. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (João 8, 31-42)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João - Naquele tempo, 31Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; 32conhecereis a verdade e a verdade vos livrará. 33Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres? 34Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. 35Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. 36Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois a raça de Abraão; mas quereis matar-me, porque a minha palavra não penetra em vós. 38Eu falo o que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai. 39Nosso pai, replicaram eles, é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 40Mas, agora, procurais tirar-me a vida, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus! Isso Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras de vosso pai. Retrucaram-lhe eles: Nós não somos filhos da fornicação; temos um só pai: Deus. 42Jesus replicou: Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou. - Palavra da salvação.

3) Reflexão

*  No evangelho de hoje, continua a reflexão sobre o capítulo 8 de João. Em forma de círculos concêntricos, João vai aprofundando o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Parece repetição, pois ele sempre torna a falar do mesmo assunto. Na realidade, é o mesmo assunto, mas é cada vez num nível mais profundo. O evangelho de hoje aborda o tema do relacionamento de Jesus com Abraão, o Pai do povo de Deus. João procura ajudar as comunidades a compreender como Jesus se situa dentro do conjunto da história do Povo de Deus. Ajuda-as a perceber a diferença que existe entre Jesus e os judeus, pois também os judeus e aliás todos nós somos filhos e filhas de Abraão.

*  João 8,31-32: A liberdade que nasce da fidelidade à palavra de Jesus. Jesus afirma aos judeus: "Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês". Ser discípulo de Jesus é o mesmo que abrir-se para Deus. As palavras de Jesus são na realidade palavras de Deus. Elas comunicam a verdade, pois fazem conhecer as coisas do jeito que elas são aos olhos de Deus e não aos olhos dos fariseus. Mais tarde, durante a última Ceia, Jesus ensinará a mesma coisa aos discípulos. 

*  João 8,33-38: O que é ser filho e filha de Abraão? A reação dos judeus é imediata: "Nós somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: 'vocês ficarão livres'?” Jesus rebate fazendo uma distinção entre filho e escravo e diz: "Quem comete o pecado, é escravo do pecado. O escravo não fica para sempre na casa, mas o filho fica aí para sempre. Por isso, se o Filho os libertar, vocês realmente ficarão livres”. Jesus é o filho e vive na casa do Pai. O escravo não vive na casa. Viver fora de casa, fora de Deus, é viver em pecado. Se eles aceitarem a palavra de Jesus poderão tornar-se filhos e terão a liberdade. Deixarão de ser escravos. E Jesus continua: “Eu sei que vocês são descendentes de Abraão; no entanto, estão procurando me matar, porque minha palavra não entra na cabeça de vocês”. Em seguida aparece bem clara a distinção: “Eu falo das coisas que vi junto do Pai; vocês também devem fazer aquilo que ouvem do pai de vocês”. Jesus lhes nega o direito de dizer que são filhos de Abraão, pois as obras deles dizem o contrário.

*  João 8,39-41a: Um filho de Abraão pratica as obras de Abraão. Eles insistem em afirmar: “Nosso Pai è Abraão!” como se quisessem apresentar a Jesus o documento de sua identidade. Jesus rebate: "Se vocês são filhos de Abraão, façam as obras de Abraão. Agora, porém, vocês querem me matar, e o que eu fiz, foi dizer a verdade que ouvi junto de Deus. Isso Abraão nunca fez. Vocês fazem a obra do pai de vocês”. Nas entrelinhas, ele sugere que o pai deles é satanás (Jo 8,44). Sugere que são filhos da prostituição.

*  João 8,41b-42: Se Deus fosse pai de vocês, vocês me amariam, porque eu saí de Deus. Usando palavras diferentes, Jesus repete a mesma verdade: “Quem é de Deus escuta as palavras de Deus”. A origem desta afirmação vem de Jeremias que disse: “Colocarei minha lei em seu peito e a escreverei em seu coração; eu serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais precisará ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: "Procure conhecer a Javé". Porque todos, grandes e pequenos, me conhecerão - oráculo de Javé. Pois eu perdoo suas culpas e esqueço seus erros” (Jr 31,33-34). Mas eles não se abriram para esta nova experiência de Deus, e por isso não reconhecem Jesus como o enviado do Pai.

4) Para um confronto pessoal

1) Liberdade que se submete totalmente ao Pai. Existe algo assim em você? Conhece pessoas assim?

2) Qual a experiência mais profunda em mim que me leva a reconhecer Jesus como o enviado de Deus?

5) Oração final

Bendito és tu, Senhor, Deus dos nossos pais, sejas louvado e exaltado para sempre! Bendito seja o teu nome santo e glorioso! Sejas louvado e exaltado para sempre! (Dn 3, 52)

Bispo defende a própria mãe de agressão do presidente das Filipinas, e Facebook suspende sua conta

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Publicado em 09 abril 2019
  • CIMI,
  • Facebook,
  • Facebook suspende conta do bispo das Filipinas
  • Dom Pablo Virgilio David,
  • presidente Rodrigo Duterte,

 

Depois de defender a própria mãe de um ataque do presidente Rodrigo Duterte, um bispo das Filipinas teve seu perfil no Facebook temporariamente suspenso. A reportagem é de Charles Collins, publicada em Crux, 07-04-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há muito tempo, Dom Pablo Virgilio David, bispo de Kalookan, é um crítico da brutal campanha do presidente contra o tráfico de drogas, que grupos de direitos humanos dizem que levou a milhares de assassinatos extrajudiciais.

Duterte sempre repreendeu o bispo pelas críticas, chegando a ameaçá-lo com a decapitação em novembro do ano passado e insinuando que ele era um usuário de drogas que rouba as coletas das missas. Mais tarde, David confirmou que recebeu ameaças de morte anônimas após as declarações do presidente.

No dia 2 de abril, o presidente chamou David de “filho de uma prostituta” – um epíteto comum de Duterte, que ele também usou no passado para descrever o Papa Francisco e Barack Obama.

“Esse David, ele não faz nada além de reclamar”, disse o presidente. “Você sabe, se você for um padre e quiser me criticar – David, é melhor você ouvir, seu filho de uma prostituta –, saia do púlpito. Não use a sua religião.”

No dia seguinte, David postou uma homenagem à sua mãe, Bienvenida Siongco David, que morreu no ano 2000, em seu perfil pessoal no Facebook. “Ela é a mulher que o presidente do nosso país chamou de prostituta em seu discurso ontem. Ele me chamou de filho de uma prostituta por supostamente atacá-lo no púlpito da Igreja, o que eu nunca fiz. O púlpito nunca é para esse propósito. A menos, é claro, que ele pense que pedir o fim da violência e do assassinato extrajudicial na minha diocese equivale a atacá-lo”, escreveu o bispo.

David falou da fortaleza de sua mãe durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial, do seu apoio à carreira de seu marido no serviço público e de seus esforços para cuidar de seus 13 filhos depois que ela ficou viúva aos 58 anos de idade.

“Ela conseguiu criar um sociólogo, um arquiteto/urbanista, dois advogados, um engenheiro civil, um corretor imobiliário, um banqueiro, um tecnólogo médico, um enfermeiro de cuidados intensivos, um bispo, um nutricionista, um dentista e um economista. Seus esforços não foram em vão; nenhum de seus filhos se tornou um fardo para o país”, continuou o bispo.

“A nossa família não espera que ninguém no governo dê a ela o reconhecimento por sua imensa contribuição na construção da nação. Mas também não esperamos que alguém insulte a sua memória e a chame de prostituta. ELA NÃO MERECE ISSO”, escreveu ele.

Na quinta-feira, o Facebook bloqueou a sua conta, acusando-o de “phishing” – ou seja, de tentar acessar os dados pessoais de uma pessoa por meios fraudulentos. “Eu fui bloqueado. Recebi alguns conselhos sobre como reativar a conta”, disse David ao CBCPNews, o serviço oficial de notícias da Conferência Episcopal.

O Facebook possui muitos sistemas antiphishing automatizados, e as contas podem ser bloqueadas temporariamente por diversos motivos, inclusive se um grande número de pessoas denunciar um usuário por cometer tal prática. Isso pode tornar o perfil de uma pessoa vulnerável a uma campanha coordenada de falsas denúncias de atividade de phishing.

O perfil do bispo foi restaurado mais tarde naquele dia.

Duterte tem estado em desacordo com a Igreja Católica do país desde antes de assumir o cargo em 2016. Duterte alegou ter sido abusado por um padre quando frequentava a Davao High School, uma instituição administrada pelos jesuítas, no fim dos anos 1950.

Em 24 de março, o presidente disse que seria “um mundo melhor” se todos os padres molestadores fossem “mortos hoje à noite”. No mesmo discurso, Duterte também chamou os bispos da nação de “filhos da puta”, que “servem aos ricos e à elite, aos donos de bancos e de outros negócios”.

Em dezembro, o presidente chegou a pedir que as pessoas “matem [os bispos], esses tolos não servem para nada. Tudo o que eles fazem é criticar”. Seu porta-voz disse que o presidente estava usando “hipérboles” e “faz certas declarações de efeito dramático”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

O NOVO BEATO DA IGREJA: Padre Donizetti. Reportagem do "Jornal Nacional", do dia 8 de abril-2019

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Publicado em 09 abril 2019
  • Pe. Donizetti novo Beato
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