Olhar Jornalístico

‘Medo é a palavra que define Paraisópolis hoje’, lamenta padre

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Publicado em 10 março 2020
  • Arthur Stabile e Pedro Ribeiro Nogueira,
  • padre Luciano Borges Basílio,

Luciano Borges, que atua há 13 anos na favela, fala sobre os impactos da morte de jovens sobre a comunidade e a sensação de insegurança entre os moradores. A reportagem é de Arthur Stabile e Pedro Ribeiro Nogueira, publicada por Ponte, 09-03-2020.

Nascido no Rio de Janeiro, o padre Luciano Borges Basílio, 45 anos, atua há 13 anos como pároco da Paróquia São José, que fica localizada em Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo. “Em Paraisópolis tudo é muito”, afirma, referindo-se tanto ao tamanho dos problemas quanto à grandiosidade de seus moradores: “Esta comunidade, formada 99% por nordestinos, tem uma acolhida espetacular”.

Desde 1º de dezembro, o rebanho que o padre Luciano conduz passou a conviver com um de seus momentos mais difíceis, com o massacre de 9 jovens ocorrido após a ação da PM no baile funk da DZ7, em 1º de dezembro, e o sequestro e assassinato de três jovens por desconhecidos, em 6 de fevereiro.

A resposta natural da população, explicou o padre, é o medo. “A sensação é de insegurança. Medo talvez seja a palavra que mais bem define Paraisópolis”, resumiu o religioso, que cobra mais participação do poder público nos becos e vielas nos quais propaga sua fé.

De acordo com Luciano, o poder público tem sido omisso mesmo depois das mortes. “Muito falou-se desde o massacre e, até agora, pouco se fez”, criticou. Segundo ele, até mesmo a PM deixou Paraisópolis, atua só no entorno, o que “gera distanciamento e não a relação de confiança”. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

Abusos na Igreja. O prior da Grande Cartuxa sai do seu silêncio

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Publicado em 02 março 2020
  • abusos sexuais
  • Mosteiros
  • Vida Religiosa
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  • Dysmas de Lassus
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  • os abusos em comunidades religiosas
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  • Risques et dérives de la vie religieuse
  • Riscos e excessos da vida religiosa,
  • Monges

Dysmas de Lassus recebeu La Vie em seu mosteiro da Grande Cartuxa, no momento em que publica um livro, fruto de suas reflexões sobre os abusos em comunidades religiosas. A entrevista é de Sophie Lebrun, publicada por La Vie, 26-02-2020. A tradução é de André Langer.

Este ano, não caiu neve. Dificilmente pode ser encontrada em lugares ao redor das falésias do Grand Som, que se lançam em direção ao céu, erguendo-se a 2.026 metros. Aos seus pés, os vários edifícios do mosteiro da Grande Cartuxa, paredes brancas que sustentam telhados cinzentos, estendem-se em um canto do vale. Apesar das muitas placas indicando “Área de silêncio”, inscritos acima do desenho sumário de um monge, os golpes de martelo em barras de ferro ecoam de uma parede rochosa a outra. “Estamos em um prédio classificado como monumento histórico; sempre há trabalho”, explica Dysmas de Lassus, prior-geral da Ordem dos Cartuxos, que nos recebe em frente ao grande portal vermelho de seu mosteiro.

Fato excepcional, o homem de túnica branca e sobrancelhas espessas nos leva além da inscrição gravada em preto em uma placa de madeira “O mosteiro está fechado para visitas”. Nós entramos na Grande Cartuxa. Uma vez transposta a pesada porta de madeira com uma fechadura impressionante – “Ela também é classificada como um monumento histórico”, diz o prior, divertido –, devemos parar. Na nossa frente, um jardim com caminhos de cascalho cercados por sebes, que leva a um enorme edifício de quatro andares.
Em algumas famílias da região, ainda se fala das visitas pelos longos corredores abandonados repletos de mistérios, quando, na primeira parte do século XX, os irmãos estavam exilados na Itália após serem expulsos pelo Estado francês. Não vamos além de quatro dobradiças enferrujadas, gravadas em pedra. “Aqui começa a clausura”, desculpa-se dom Dysmas, ainda mais triste pelo fato de uma mulher não poder atravessá-la, quando um homem teria uma chance...

Teremos que nos contentar com as palavras excepcionais desse religioso normalmente dedicado a uma vida de solidão e de silêncio. Sentado nas poltronas de uma bela sala de estar, sob o olhar de São Bruno, fundador do local e da Ordem dos Cartuxos, Michel de Lassus, que escolheu o nome do Bom Ladrão do Evangelho como nome de religião, confia-se longamente à La Vie, por ocasião do lançamento do seu livro, Risques et dérives de la vie religieuse (Cerf).

 

Eis a entrevista.

 

Por que você toma a palavra hoje?



Não decidi falar, nem escrever sobre os abusos da vida religiosa: isso se impôs a mim. Depois de me tornar prior da Grande Cartuxa em 2014, tive um intercâmbio epistolar que me levou a encontrar uma mulher em perigo; fiquei comovido com o seu testemunho. Eu li as cartas de outras pessoas, e novas vítimas me pediram entrevistas. Em nossa regra, especifica-se que não fazemos direção espiritual: não foi isso que eu fiz, mas posso ter sido uma pessoa que se dispôs a escutar aquelas – principalmente religiosas ou irmãs mais idosas – que não encontraram um ouvido atento. Diante da coerência entre os relatos de abusos em comunidades muito diferentes, fui percebendo aos poucos que estávamos enfrentando um problema sério.

 

Estamos, portanto, diante de uma situação histórica?

A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica indica que, em 2018, 3,8% dos institutos em todo o mundo foram objeto de uma visita apostólica e, portanto, apresentam alguma preocupação. É, ao mesmo tempo, pouco... e muito; se não é preciso dizer que tudo está indo mal, segue sendo um número anormalmente alto. Os abusos espirituais não são novos – são humanos e sempre existiram –, mas não vejo que sejam tantos como os que estamos vivendo hoje.

Atualmente, há a descoberta de um lado totalitário nos fenômenos com os quais somos confrontados. Abordamos muito a questão dos abusos sexuais de menores – é uma bênção que saímos do silêncio sobre esse assunto –, a tal ponto que, nesse sentido, acho que podemos nos orgulhar da Igreja na França e da maneira como ela reage. Eu não teria dito isso antes de 2019... O campo das violências sexuais contra pessoas adultas em um ambiente eclesial permanece menos conhecido. Quanto aos abusos espirituais, são pouco compreendidos e difíceis de compreender.

Minha reflexão somou-se à de outros líderes religiosos na França. Presidente da Conferência Monástica da França, o padre abade da abadia de Maylis, François You, organizou dois anos de estudos sobre os abusos em 2016 e 2017, tendo sido confrontado com o problema. No ano passado, ele propôs que a assembleia regular dos superiores monásticos fosse realizada na Grande Cartuxa para que eu pudesse participar. Não estávamos preparados para receber 40 pessoas ao mesmo tempo! Foi um momento de trocas importantes para uma tomada de consciência geral. Lembro-me das palavras introdutórias de François You: foram os superiores de comunidade que fabricaram situações de abusos, sem sempre ter más intenções. Todos nós podemos estar em risco com esse câncer, por isso é melhor saber do que se trata.

Quais são os sintomas desse “câncer”?

Esta doença é primeiramente tornada visível pelo estado daquelas e daqueles que saem da vida religiosa danificados e destruídos. Ouvi essa frase terrível deles: “Não sei mais quem eu sou”. É totalmente anormal! Existem altos e baixos na vida religiosa, como em toda parte; mas quando dizemos que não encontramos mais o sentido da vida, a urgência da situação deve saltar aos nossos olhos.

Tendo sido mestre de noviços durante 20 anos, deparei-me com um jovem religioso assaltado por pensamentos suicidas. Na mesma noite, enviei-o para a casa de um amigo para que não ficasse sozinho. Quando, atordoado pelo testemunho de uma mulher que acompanhava as irmãs que saíam de uma comunidade – todas, quase sem exceção, tiveram a ideia de pôr um fim às suas vidas –, transmiti as informações para os líderes da Igreja, que estimo em muitos aspectos, não houve nenhuma reação... O grau de anestesia é colossal!


Quais são as causas desta doença generalizada?

A mais fácil de identificar é uma estrutura piramidal construída em torno de um superior. Ele recebe todas as comunicações, limitando, ou mesmo impedindo, um diálogo aprofundado entre os membros da comunidade. O desvio se situa então no nível do controle. A isso se pode acrescentar a injunção à transparência, um terreno escorregadio que leva ao controle dos pensamentos. José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, destaca o risco de um instituto se considerar superior aos demais, insistindo no papel de “salvador da Igreja” que ele teria recebido.

Esses elementos podem existir em vários graus, e uma graduação devemos ter em mente. Mas quando entram no espírito das pessoas, não conseguem mais lutar, perdem gradualmente a consciência do que é a discrição – no sentido monástico do termo, ou seja, a capacidade de discernir, o poder de fazer uma escolha livre. Elas não sabem mais o que é uma interioridade realizada. Alguns lutam com isso; no entanto, se uma pessoa dentro de uma comunidade desviante pode perceber elementos intuitivamente, ela não pode se convencer a si mesma. Sozinhos, chegamos a pensar que estamos errados, que somos a fonte do problema, que entendemos mal; porque você não pode estar certo contra todos. Nós, então, abdicamos diante dos outros, diante da autoridade.

 

Na vida religiosa, a relação com a autoridade é importante. Como isso chega a ser uma alavanca de perigo?

A maneira de exercer a autoridade geralmente é uma história de transmissão. Como escoteiro jovem, depois oficial de reserva como chefe de seção nas montanhas durante o meu serviço militar, fui recebendo pontos de referência. Foi observando dom André, meu prior durante 20 anos, que me forjou nessa área. Os cartuxos têm nove séculos de tradição – é uma herança pesada, mas oferece uma estabilidade que garante uma grande segurança. Nas novas comunidades, é mais livre, mas não mais fácil. Frequentemente, a estrutura de controle é criada por medo de perder o poder, no nascimento do instituto. No entanto, quando o fundador ou fundadora a cria – não necessariamente por maldade –, a segunda geração a herda: ou a questiona ou a continua de forma idêntica, repetindo os erros do passado.

É difícil questionar sua herança…

Essa dificuldade está aninhada na passagem de uma aventura quase familiar das origens a uma estrutura maior. Eu venho de um ambiente marinho, e uma imagem expressa bem essa realidade: fazer windsurf e comandar um porta-aviões não são atividades realizadas da mesma maneira. Em um pequeno grupo, seguimos as ideias do fundador e tudo é discutido. Quando o grupo cresce, não podemos continuar assim. Os capítulos entre membros e as formações adaptadas a todos tornam-se indispensáveis; as opiniões divergentes são expressas, o movimento de todos torna-se mais lento. Isso permite que a autoridade permaneça suficientemente descentralizada e o espírito do instituto não se perca. A flexibilidade do início dá lugar a uma estrutura mais pesada que não é ruim em si mesma: um porta-aviões é mais pesado que uma prancha de windsurf, e não podemos fazer nada sobre isso! É certo que não é mais suficiente que o fundador ou seus sucessores estalem os dedos para que o conjunto se mova... mas é mais saudável. Todo poder deve requerer um contrapoder; a expressão de contrapesos e de resistências é um dos elementos de equilíbrio.

 

Na história da vida religiosa, os fundadores sempre tiveram um lugar de destaque?

O padre Jean-Marie Gueullette me disse que, para os dominicanos, de cuja ordem ele fez parte, São Domingos foi quem a iniciou. Ele não minimizou sua importância, mas não o apresentou como uma figura gigantesca. O fenômeno do superdimensionamento do fundador é, a meu ver, um reflexo moderno. No entanto, quando se tende a um culto da personalidade, o Espírito Santo tem grandes dificuldades em passar...

Como abordar a questão da obediência?

Há um problema em apreender a obediência na Igreja. Historicamente, passamos de um extremo ao outro sobre esse assunto. Com o Concílio Vaticano II, uma concepção excessivamente rígida da obediência foi questionada; todos concordamos em que a mudança era necessária. Entretanto, o medo de um excesso de regras levou à falta de regras, geralmente com a consequência de que a pessoa que tem mais influência se impõe. Isso, combinado com um desejo de vida no Espírito Santo, pode ter gerado a delegação a uma pessoa uma autoridade que ela não deveria ter.

Nos antigos institutos religiosos, sabemos que o voto de obediência é sempre feito em um contexto. Um beneditino promete obedecer ao seu abade... na medida em que ele se expressa nos limites da regra. Obedecer é um agir: ninguém pode impor um pensamento pela obediência. Isso parece simples, mas podemos ver hoje quantos deslizes em direção aos abusos ocorreram devido ao esquecimento desses fatos tão óbvios. O religioso que obedece sempre guarda uma inteligência e uma responsabilidade. Nenhuma injunção à unidade – muito culpabilizante – deve eliminar o discernimento próprio. Eu costumava dizer aos noviços que só se obedece se quiser. Isso é bastante óbvio em nossa ordem, porque vivemos em solidão. Ninguém monitora o que cada um faz na sua cela – e ninguém deveria. Na vida religiosa, prometemos obediência a Deus através de uma autoridade humana, um prior, um mestre de noviços. Este “através” é fundamental.

Quais são os remédios para os desvios na vida religiosa?

Penso que os desvios sectários ocorrem quando não procuramos mais formar as pessoas, mas corremos atrás de um modo de funcionamento unitário, plano. Ora, o centro da vida religiosa é ajudar seus membros a estar “nas profundezas de Deus”, antes de serem filhos da comunidade. Eles devem então sentir essa liberdade na comunidade, mesmo que não sejam independentes dela: liberdade de expressar suas discordâncias, liberdade de sair sem se ver professar todos os tipos de catástrofes se ainda não estiver comprometido.
O primeiro passo na cura é entender a doença que estamos enfrentando. Técnico por temperamento, penso que mostrar os mecanismos abre a porta para uma consciência do que não é “normal”. Depois, é preciso querer mudar. Os elementos de um desvio sectário se assemelham a uma teia de aranha, com pontos de cruzamento: remova um e o resto desmorona. Por exemplo, para mudar uma estrutura piramidal prejudicial, basta querer mudar, mesmo que as consequências de pequenas transformações nos modos de ação ancorados em uma comunidade e nas pessoas sejam assustadoras. Isso pode levar tempo. É preciso muito para se acostumar com a ideia de um padre agressor. Também é necessário muito para aceitar a ideia de que uma comunidade, mesmo reconhecida e bem estabelecida, possa abrigar abusos em seu interior.

Querer ouvir as vítimas já é uma brecha no sistema abusivo. Nas últimas comunicações do Papa Francisco sobre os abusos – a Carta ao Povo de Deus, a carta apostólica Vós sois a luz do mundo –, ouvi um verdadeiro apelo à libertação da palavra. E que, diante disso, todos nos sintamos envolvidos. É também por isso que meu livro faz parte de um verdadeiro serviço de Igreja.


Diante das revelações dos abusos envolvendo o Jean Vanier, como lidar com um sentimento de prostração?

Antes do meu livro tomar forma, eu já tinha alinhavado minhas reflexões em um texto que constitui minha primeira etapa para escrever sobre os desvios na vida religiosa. Ele circulou em comunidades cristãs e círculos religiosos. Um dia, recebi uma carta de uma superiora de uma antiga ordem me relatando tudo de bom que esse texto, dado em leitura às irmãs, havia produzido. O texto não tinha sido escrito para elas, mas essa superiora achou importante questionar as formadoras de sua província, mesmo que não estivessem em situação de desvio sectário. Afirmo que se tem a capacidade interna, na vida religiosa, de se questionar.

Também estamos vendo congregações duramente atingidas se transformando. Os Irmãos de São João estão fazendo um trabalho interessante a esse respeito: questionar seu fundador, no espaço de seis anos, continua sendo um grande passo adiante em pouco tempo – mesmo que a consideração das vítimas tenha sido bem mais longa. Mas olhe as Fraternidades de Jerusalém: ao final do relato de uma vítima do seu fundador, elas lançaram uma investigação e um pedido de testemunho. Isso teria sido impensável há alguns anos.

 

Este trabalho de escrita teve algum efeito sobre sua própria vida religiosa?

Admito que realmente teve um impacto na minha vida, nos últimos quatro anos, até porque eu não gosto de escrever! Depois, porque este assunto é doloroso. No entanto, sei qual é a vida dos cartuxos e constato, desde que sou prior, que não é mais aquela que eu levo. Estou constantemente em comunicação para garantir a governança da ordem.

Como é a vida de um cartuxo “normal”?

Se tudo correr bem, parece uma bela história de amor, como toda a vida religiosa! É a única coisa que pode justificar uma vida como a nossa; caso contrário, a solidão se torna isolamento. Eu costumava dizer que um cartuxo deveria ser – e às vezes é – o homem menos sozinho do mundo, porque nosso objetivo é estar sempre com Deus. O silêncio e a solidão são apenas os meios para chegar lá.

Esta vida, no entanto, não se parece com a imagem que as pessoas têm dela. Luto sem qualquer eficácia contra a ideia de que ficamos sem peso, quase suspensos “entre o céu e a terra”, como disse Robin Bruce Lockart em um de seus livros. Quando você está em uma comunidade, sente especialmente os pés na lama! Temos uma vida muito próxima da normalidade, com ciúmes, raivas, tempos de fraternidade, também discussões. Porque não somos nem eremitas nem completamente silenciosos.

 

Alguém que entra na cartuxa experimenta uma discrepância entre o ritmo da sociedade que ele está deixando e a sua vida?

A diferença entre o mundo e a nossa vida é colossal. Guardo em mim uma lembrança inesquecível do meu primeiro Natal na cartuxa, aos 21 anos: sou de uma família numerosa e, naquela noite, estava sempre muito cercado de pessoas. Aqui, não há nada antes do dia 26 de dezembro. Foi um choque. Aqueles que se juntam a nós hoje não têm problemas em ficar sem telefone, sem internet. A verdadeira dificuldade decorre da fragilidade das psicologias, que são encontradas com muito mais frequência do que antes. O engajamento “para sempre” não é mais adquirido na sociedade. Os perfis que encontramos enfrentam situações familiares fragmentadas, percursos pouco lineares. A questão da fidelidade até o fim da vida é muito mais complicada para eles entenderem. Nós reforçamos a formação inicial, porque eles trazem consigo um pouco do “bazar” deste mundo que nem sempre os estruturou bem. Mas alguns descobrem o coração da nossa vida.

É uma vida bonita, porque tudo o que a habita tem um sentido. Quantas pessoas hoje levam uma vida sem sentido? Depois, é um longo caminho, porque conosco, os cartuxos, o Senhor não tem pressa. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

FAPCOM: Pés Trocados.

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Publicado em 03 novembro 2019
  • Jornalismo,
  • Jean Wyllys,
  • deputado federal Jean Wyllys,
  • transexuais
  • João W. Nery,
  • Fapcom- Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação
  • cirurgia de redesignação sexual no Brasil,
  • Deputado Jean Wyllys,
  • primeiro homem transexual,

“Pés Trocados”- Trabalho de conclusão de curso de Bacharelado em Comunicação Social com Habilitações em Jornalismo, Rádio, TV e Internet na Fapcom- Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação -  é um documentário que visa explorar a questão social e estética que visa explorar a questão social e estética da cirurgia de mudanças de sexo e troca do nome de registro no Brasil. Dramas comuns na vida das pessoas transexuais. Um Filme de José Petrônio, Charles Godini, Jhonny Rodrigues, Maria Bonfim e Michael Batista. São Paulo- 2013. Divulgação: Rio de Janeiro-2019.

Imagem que verte mel: Reportagem

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Publicado em 07 maio 2019
  • Diocese de São José do Rio Preto,
  • Imagem que verte mel
  • Igreja do Carmo da Esplanada
  • imagem de da Senhora de Fátima que verte mel,

ACREDITE SE QUISER!... Imagem de Nossa Senhora verte mel
(Reportagem do Olhar Jornalístico direto da Igreja do Carmo da Esplanada/SP no último dia 5 de maio/ 2019. 

HISTÓRICO DA IMAGEM

Feita de gesso, a imagem foi trazida de Fátima (Portugal) em 1991, para a cidade de Mirassol, São Paulo. (Diocese de São José do Rio Preto) No dia 13 de maio de 1993 começou a lacrimejar mel. Em cada região, seu corpo apresenta uma manifestação diferente. A imagem já foi tema de reportagem do Fantástico, na Rede Globo. Além de mel, dos olhos da Virgem Santíssima saem também azeite e sal. 
Cientistas de várias universidades brasileiras e americanas já estudaram a imagem para tentar encontrar uma explicação para o mel e azeite que a mesma verte, mas definiram o fenômeno como “sem explicação natural”. 
A Igreja Católica ainda não reconhece o acontecimento como milagre, mas o que se sabe, com depoimentos, é que muitos fiéis depositando seus pedidos aos pés da Santa, já conseguiram graças e bênçãos especiais. 
No dia 13 de maio de 1993 esta imagem “chorou” pela primeira vez somente lágrimas.
No dia 13 de maio de 1994 ela chorou sal.
No dia 22 de maio de 1994 ela chorou mel.
No dia 27 de maio de 1994 ela chorou azeite.
De 1994 até os dias de hoje, em cada lugar que passa seu corpo apresenta uma manifestação diferente: ora chorando lágrimas, mel, sal, azeite.
A imagem já foi tema de reportagem do Fantástico.
Cientistas de várias Universidades brasileiras e americanas já estudaram a imagem para tentar encontrar uma explicação para o mel, azeite, sal e lágrimas que a imagem verte, mas definiram como “sem explicação natural.
No ano de 2017 a Imagem Milagrosa foi enviada para ser restaurada numa empresa em São Paulo, que depois de muitas tentativas, por meses seguidos, não conseguiram pintá-la novamente por a mesma não cessou de verter mel ficando assim uma cor escura semelhante a cor da imagem da padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida. O fato aconteceu exatamente no ano em que se celebrava o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima e os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba.
São muitos os depoimentos de fiéis que, depositando seus pedidos aos pés da Imagem Milagrosa ou usando do mel que verte da mesma, já conseguiram graças, milagres e bênçãos especiais. Fontes: www.facebook.com/paroquiaasb; http://regiaonoroeste.com

bênçãos especiais. Fontes: www.facebook.com/paroquiaasb; http://regiaonoroeste.com

#PROVÍNCIA300: Missa com Frei Petrônio em Unaí-MG.

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Publicado em 27 abril 2019
  • Carmo de Unaí,
  • PROVÍNCIA300

RESGATANDO A HISTÓRIA DE LAGOA DA CANOA/AL: Dom José Maurício da Rocha

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Publicado em 10 abril 2019
  • Lagoa da Canoa,
  • Dom José Maurício da Rocha
  • Vá se queixar ao Bispo de Bragança
  • cidade de Bragança Paulista
  • Bispo filho de Lagoa da Canoa
  • Padres de Lagoa da Canoa
  • primeiro bispo diocesano de Corumbá

“Vá se queixar ao Bispo de Bragança”

A influência e o poder do primeiro chefe da Diocese de Bragança

Poucas pessoas foram tão poderosas quanto ele na cidade de Bragança Paulista. Monarquista, conservador e defensor ferrenho da moral e dos bons costumes, Dom José Maurício da Rocha não pensava duas vezes antes de acionar as maiores autoridades do país em busca de preservar os seus interesses e os da Igreja.

A autoridade do primeiro de bispo de Bragança Paulista era algo sem comparação. Ninguém, nem mesmo o prefeito da cidade, ousava contrariar sua vontade.

A influência de Dom José Maurício era tanta que ultrapassou as fronteiras da Diocese. Bem relacionado, gozava de muito prestígio na vida política e social do país, a ponto de se atribuir a ele a origem do jargão: “Vá se queixar ao Bispo de Bragança”. Dizem que era isso que ouviam políticos e empresários quando não conseguiam algum objetivo junto às autoridades.

José Maurício da Rocha nasceu na cidade de Lagoa da Canoa (AL), em 18 de junho de 1885. De família tradicional, realizou seus primeiros estudos na sua terra natal e depois ingressou no Seminário de Olinda.

Foi ordenado sacerdote, em 29 de junho de 1908, na Catedral de Maceió, com dispensa, por ter apenas vinte e três anos de idade. Imediatamente, foi nomeado professor do Seminário Menor de Maceió, e secretário da Cúria Diocesana. Em 10 de maio de 1919, foi nomeado, pelo Papa Bento XV, bispo diocesano de Corumbá. Tomou posse em diocese isolada, com pouco patrimônio e poucos padres. Teve que fazer muitas viagens penosas pelo sertão, em lombo de burros, para realizar visitas às paróquias e comunidades. Permaneceu em Corumbá até 1927, quando foi transferido para a recém-criada Diocese de Bragança Paulista. Fez de sua posse um dos maiores eventos da história da cidade.

Além do rigor e da dedicação à formação dos padres, governou com visão empreendedora. Multiplicou em pouco tempo o patrimônio da diocese, transformando-a em uma das mais poderosas do Estado de São Paulo. Gostava de investir em imóveis e incentivava as doações dos fiéis.

Suas virtudes como administrador e intelectual (produziu diversos artigos, cartas pastorais, discursos e homilias inesquecíveis muito prestigiadas pela Igreja) entravam em contradição com seus ideais políticos. Era defensor incondicional da monarquia, embora tenha tido sempre boas relações com republicanos. Uma de suas grandes preocupações com a modernidade era a “dissolução dos costumes”.

Dom José permaneceu à frente da Diocese de Bragança por 40 anos. Morreu em 24 de novembro de 1969. Antes do enterro, corpo ficou exposto à visitação pública por dois dias. Bragança recebeu visitas pessoas de diversas partes do país e de autoridades como o Cardeal Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo; Dom Humberto Mozzoni, então Núncio Apostólico no Brasil, o ex-presidente Jânio Quadros, o general Milton Tavares e o Ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva. Fonte: http://braggente.blogspot.com

A Pancada da vó: História de Família.

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Publicado em 28 março 2019
  • Carmelitas,
  • Pastoral da Família,
  • ECC,
  • Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo,
  • Governador Valadares,
  • História de Família
  • Frei Pedro Jansen,
  • 300 Anos da Província Carmelitana de Santo Elias
  • 300 Anos da Província Carmelitana Fluminense

Frei Pedro Jansen, O. Carm. In Memoriam (*07/02/1938 + 22/06/2010)

O fato que vou narrar se deu há 30 anos. Data exata não sei mais. O lugar foi Governador Valadares, na estrada do seminário. A pancada jamais esqueci e a muita gente transmiti. Quer saber o que foi que aconteceu?

Na diocese as reuniões do bispo com os padres eram feitas no  seminário. Ficava na periferia da cidade a uns cinco quilômetros do centro. O encontro ocupou o dia todo e terminou no começo da noite. Para não enfrentar sozinho mais de 150 Km. em estrada de chão, para chegar em casa, resolvi dormir no seminário. No dia seguinte, bem cedo, entrei no carro e desci a rampa do seminário e entrei na estrada que vinha da roça para o centro. De imediato vi 3 figuras femininas: uma senhora com idade de vó, uma senhora de meia idade e uma jovem de uns 15 anos. Cada uma carregava uma cesta com produtos de horta, verduras e legumes. Hesitei, mas parei o carro e ofereci carona, caso fossem para o centro. Elas se entreolharam e olharam para mim e a vó decidiu: nós vamos aceitar.

A conversa mexeu nos assuntos corriqueiros de sol e chuva, das dificuldades da vida e das alegrias. Curioso, eu não pude deixar de perguntar de onde vinham e para onde iam. Outra vez a vó conduziu a conversa: tinha um sítio, traziam verduras para vender no mercado, porque com a filha viúva, a neta para criar, abandonada pelo marido, era isso o meio de sobreviver. Refleti sobre o que a vó tinha dito e arrisquei um palpite: “Vó, na falta de homem no sítio, porque a senhora não vende a terra, muda para a cidade. A filha poderá se empregar, a neta poderá estudar e a senhora cuida da casa.

Quando a vó ouviu a palavra vender ela se mexeu na poltrona, virou para mim e disse.

“Meu senhor, vosmecê não falou por mal, mas eu não posso vender a terra. A mulher que vive agora com meu marido, não ama “ele”. Quem amo meu marido sou eu. Ela aproveita dele, enquanto tiver algum recurso e saúde. No dia em que ele- meu marido- ficar doente, ela vai abandonar “ele”. E então, quando isto acontecer, sem a terra eu não vou poder cuidar dele. Porque, quem ama meu marido sou seu.”

É inútil dizer que eu esperava todas as respostas, menos a que eu acabava de ouvir. Foi como um pancada na cabeça.

Logo chegamos no ponto em que elas deviam descer do carro. Agradeceram a carona e me desejaram muita felicidade. Retribui os votos. Sozinho, tive que parar o carro para me recuperar da pancada que a vó me tinha dado. Eu, como padre e religioso, me senti pequeno, vencido. Agradeci a Deus aquele testemunho de fé e de amor.

Não sei se a vó precisou realizar o que o seu compromisso de fidelidade lhe inspirava. Sei que nunca ouvi história semelhante. pude conta-la apropriadamente muitas vezes, no decorrer da minha vida e nos diversos lugares em que cheguei a morar.

Para a Semana da Família seria uma bênção se tivesse uma centena de vós deste tipo, dando pancada por aí.

HISTÓRIAS CAÍDAS DO CÉU... A CANOA

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Publicado em 19 março 2019
  • Histórias caídas do céu
  • História de vida
  • humildade

Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro: Companheiro, você entende de leis?  Não – Responde o barqueiro. E o advogado compadecido: É pena, você perdeu metade da vida! A Professora muito social entra na conversa: Seu barqueiro sabe ler e escrever? Também não – Responde o remador. Que pena! – Condói-se a mestra! – Você perdeu metade da vida!  Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco. O canoeiro preocupado, pergunta: Vocês sabem nadar? Não! – Respondem eles rapidamente. Então é uma pena – Concluiu o barqueiro – Vocês perderam toda a sua vida!”

MORAL DA HISTÓRIA...

O que você acha que nos ensina esta história?...

CARMELITAS: O LOUVOR DA CELA

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Publicado em 15 janeiro 2019
  • Santos Carmelitas,
  • Oração,
  • contemplação,
  • OS CAMINHOS DA ORAÇÃO,
  • A ORAÇÃO NO CARMELO

de: “A flecha de fogo” de Nicolau “Gallus” (ano 1270 )

Na cela nos é mostrado o tesouro inestimável, e incomparável de contemplação cheia de perfume, de maneira que, desprezadas totalmente as cousas caducas da terra, a nossa alma se consome inteiramente no desejo fervente da contemplação; ... na cela recebemos as verdadeiras delicias do paraíso que de tal modo deleitam e restauram o nosso homem interior, que o seu desejo ao mesmo tempo aumenta a nossa sede e é saturado.

CONGRESSO DOS LEIGOS CARMELITAS EM ROMA: Álbum

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Publicado em 18 setembro 2018
  • Ordem Terceira do Carmo,
  • CONGRESSO DOS LEIGOS CARMELITAS

Veja o álbum. Clique aqui:

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UM PADRE...

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Publicado em 20 março 2018
  • Padres,
  • Padre,

De um manuscrito medieval

 

Um padre deve ser, ao mesmo tempo,

pequeno e grande,

de espírito nobre, como de sangue real,

simples e espontâneo como um colono,

um herói no domínio de si,

um homem que lutou com Deus,

uma fonte de santificação,

um pecador que Deus perdoou,

senhor de seus desejos,

um servidor humilde para os tímidos e fracos,

que não se rebaixa diante dos poderosos,

mas se curva diante dos pobres, discípulos de seu senhor,

chefe de rebanho,

um mendigo de mãos largamente abertas,

um portador de inumeráveis dons,

um homem no campo de batalha,

uma mãe para confortar os doentes,

com a sabedoria da idade e a confiança de um menino,

voltado para o alto, os pés na terra,

feito para a alegria, experimentado no sofrimento,

longe de toda a inveja, que vê longe,

que fala com franqueza,

um  inimigo da preguiça, sempre fiel,

tão diferente de mim

RETIRO DO PAPA: Nona Meditação: Escutar a sede das periferias

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Publicado em 22 fevereiro 2018
  • Retiro do Papa Francisco,
  • Retiro do Papa 2018,
  • Padre José Tolentino Mendonça,
  • A periferia está no DNA,
  • padre Tolentino,
  • São João Crisóstomo,

Na nona reflexão proposta ao Papa Francisco e à Cúria romana, o padre Tolentino recordou que as periferias “não são somente lugares físicos, são também pontos internos da nossa existência, são lugares da alma que têm necessidade de serem pastoreados”.

Cidade do Vaticano

A periferia está no DNA do cristão e é um horizonte no qual a Igreja deve redescobrir-se. Com estas palavras o padre José Tolentino Mendonça iniciou sua reflexão na tarde desta quinta-feira. “Onde está o meu irmão?”. A partir desta pergunta de Deus contida no Livro de Gênesis, nasce a nona reflexão dos Exercícios Espirituais ao Papa e à Cúria, dedicada ao tema “escutar a sede das periferias”.

O convite do sacerdote português é o de “olhar com olhos bem abertos a realidade do mundo ao nosso redor” e de procurar o nosso irmão entre os pobres e os últimos do mundo, não separando a “sede espiritual” da “sede literal”.

“ Um dos critérios para entender o que é “centro” e o que é “periferia” no mundo, é de fato o acesso à água, direito inalienável da pessoa. ”

Como já afirmado na Laudato Si e reiterado pelos dados das organizações internacionais, três pessoas em cada dez, ou seja, cerca de 2 bilhões de seres humanos, não têm a possibilidade de desfrutar de água potável.

Uma multidão literalmente sedenta, diante da qual se “torna urgente adotar uma autêntica conversão de estilos de vida e do coração”, “que vá em direção contrária à cultura do descarte e da desigualdade social”. Enquanto os países ricos desperdiçam os seus recursos, de fato, “os outros vivem no suplício”.

Jesus “homem periférico”

Neste contexto, “a Igreja não deve ter medo de ser profética e de colocar o dedo na chaga” e não pode que não confrontar-se com as periferias do mundo. “Um discípulo de Jesus deve saber disto com convicção”, antes de tudo porque “o próprio Jesus é um homem de periferia”.

Não era cidadão romano, nem fazia parte da elite judaica, nasceu na periferia da Judeia, por sua vez periferia de Israel e do Império. E se dirige às periferias, dando dignidade aos doentes, oprimidos, pobres, estrangeiros e pecadores:

“ A periferia está no DNA do cristão, o aproxima de seu contexto originário, mas também ao seu programa. É uma chave indispensável para a sua hermenêutica espiritual e existencial. Em todas as épocas permanecerá, para a experiência cristã, o lugar privilegiado onde encontrar e reencontrar Jesus. ”

O próprio cristianismo é depois, pela sua natureza, uma “realidade periférica”.

Vitalidade do projeto cristão está nas periferias

Pode-se ver isto concretamente onde os centros das cidades tornaram-se “um polo de atividades burocráticas e comerciais” e “uma vitrine do passado” para os turistas, enquanto “a vitalidade do projeto cristão se joga nas periferias”, “onde frequentemente não há nem mesmo a presença de uma igreja de alvenaria e onde tudo é mais precário, rarefeito, improvisado”.

“ Para a Igreja, a periferia é portanto um horizonte e não um problema e é onde pode sair de si mesma e redescobrir-se. ”

A escolha do encontro com as periferias não é unicamente um imperativo da caridade, é uma mobilização histórica e geográfica, que consente o encontro com aquilo que o cristianismo foi e com aquilo que ele é. Também as periferias da Igreja têm sede: de serem ouvidas.

Como advertia São João Crisóstomo, a Igreja deve evitar o “terrível cisma” entre “o que separa o sacramento do altar, do sacramento do irmão, o que perigosamente dissocia o sacramento da eucaristia do sacramento do pobre”.

Periferias como lugares da alma

As periferias existenciais, todavia, não são somente econômicas, conclui padre Mendonça, “e sabemos todos como entre nós e quem está ao nosso lado, existem frequentemente distâncias infinitas a serem abraçadas e vencidas”.

Por isto a humanidade deve ser abraçada, e mesmo que não consigamos impedir as lágrimas no rosto do próximo, podemos oferecer a ele um lenço e dizer “estou aqui”, “não estás sozinho”.

As periferias, de fato, “não são somente lugares físicos, são também pontos internos da nossa existência, são lugares da alma que têm necessidade de serem pastoreados”. Fonte: http://www.vaticannews.va

*Naquele túmulo: Homenagem ao 1º Ano de Falecimento do meu pai.

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Publicado em 04 novembro 2017
  • Frei Petrônio de Miranda,
  • Poemas do Frei Petrônio,
  • Poemas sobre a Morte,
  • Manoel Artur de Miranda,
  • 1 Ano da Morte de Manoel Artur de Miranda,
  • túmulo,

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita e Jornalista.

Convento do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. 3 de novembro-2017.

 

Naquele túmulo frio

Descansa um homem que em vida aqueceu vidas

Naquele túmulo prisioneiro de corpos

Descansa um homem que libertou vidas

Naquele túmulo escuro e cinzento

Descansa um homem que iluminou uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo com o lenho da cruz

Descansa um homem temente a Deus

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo silencioso

Descansa um homem que valorizou as palavras

Se ele é santo? É sim, senhor!

  

Naquele túmulo de ossos e lagrimas

Descansa um justo que fez da justiça o seu hino

Naquele túmulo de terra e barro

Descansa um agricultor que da terra tirou o seu ganha pão

Naquele túmulo de fétidas carnes

Descansa um homem que, com suor e lagrimas, uniu uma família

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo simples

Descansa um homem que valorizou as pequenas coisas

Naquele túmulo com pedras e terra

Descansa um homem que abriu caminhos

Naquele túmulo de mistério incompreensível

Descansa um homem que foi um livro aberto

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo sem brilho e sem cor

Descansa um homem que deu cores a vida

Naquele túmulo impenetrável

Descansa um homem misericordioso, atencioso e amigo

Naquele túmulo símbolo do desengano da vida

Descansa um homem que fez da vida um canto de louvor

Se ele é santo? É sim, senhor!

 

Naquele túmulo expressão do nada 

Descansa um homem que fez tudo por todos

Naquele túmulo berço sepulcral

Descansa um homem que cativou vidas com um sorriso

Naquele túmulo de silêncio perpétuo

Descansa um homem silencioso, atencioso e sincero

Se ele é santo? É sim, senhor!

O seu nome é Manoel Artur de Miranda. 

*Manoel Artur de Miranda  (*15/10/1930 + 03/11/2016)  

OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO PRESENTE: Capítulo.

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Publicado em 28 janeiro 2017
  • Província Carmelitana de Santo Elias,
  • Capítulo Provincial 2017,
  • Olhar o passado com os pés no presente,
  • Embu das Artes, Casa de Retiro Emaús de Itapecerica da Serra,


OLHAR O PASSADO COM OS PÉS NO PRESENTE: Capítulo. por olharjornalistico

FREI PETRÔNIO DE MIRANDA NA RÁDIO VATICANA: Entrevista.

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Publicado em 01 agosto 2016

Cidade do Vaticano (RV) - A Ordem Carmelita é uma ordem que surgiu no final do século XI, na região do Monte Carmelo, na Palestina. Homens e mulheres de oração, os membros da Ordem são religiosos/as e leigos/as contemplativos. Definem sua missão como “Seguir Jesus Cristo, na Contemplação, na Fraternidade e na Missão Profética, inspirando-se em Elias e Maria, um mundo em transformação, a serviço da Vida e da Esperança”. Mas as obras sociais não ficam de lado.

O Frei Petrônio Miranda, que leva em peregrinação neste Ano Eliano Missionário a imagem do Profeta Elias, ressalta o trabalho da Associação São Martinho, entidade filantrópica que atua desde 1984 na área da infância e juventude no Rio de Janeiro. Ouça a entrevista.

Clique aqui:

http://br.radiovaticana.va/news/2016/07/29/carmelitas_contempla%C3%A7%C3%A3o_e_obras_sociais/1238138

Homicídios dos não homicidas

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Publicado em 01 novembro 2026
  • crime de feminicídio,
  • homicídios
  • Homicídios dos não homicidas
  • homicidas

Situação específica tem contribuído para os homicídios daqueles que não possuem razão subjetiva para matar: matam porque estão portando arma

 

Por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira

O crime é um fenômeno humano, impregnado de influências individuais e das advindas do meio social. Ele não se encontra apartado e distante da coletividade. Surge no seu seio e nele recebe estímulos e circunstâncias que podem fazer com que ele pareça justificável para quem o pratica.

Como fato social e próprio do homem, qualquer cidadão poderá vir a cometê-lo ou ser acusado de tê-lo cometido. Podemos nos considerar imunes à prática de certos delitos, especialmente os de caráter infamante que atingem valores superiores ditados e amparados por arraigados preceitos éticos e morais, rigorosamente protegidos pelo ordenamento penal. São as agressões às crianças; os crimes sexuais; os praticados contra as camadas menos favorecidas; a tortura; os de intensa crueldade; os contra os idosos e tantos outros.

A indagação que se poderá fazer refere-se àqueles delitos que atingem o bem de maior magnitude que é a vida humana. Embora seja um paradoxo o homicídio, assim como aqueles crimes contra a incolumidade física, por serem crimes de ímpeto, são os que denotam um menor grau de periculosidade. A morte fruto de um arroubo momentâneo não apresenta indícios de premeditação fria e calculada. Há sempre uma provocação que leva à reação, em regra imediata, instantânea. Seguida, na maioria das vezes, pelo arrependimento.

Homicidas há, também, que mesmo com ação pré-ordenada, não são motivados por inclinações criminosas. Homens e mulheres de imaculada conduta e não afeitos a desvios de conduta recebem motivações insuperáveis para cogitarem e executarem a morte alheia. São sentimentos que amadurecem, crescem e ocupam seus espíritos com exclusividade. Ciúmes, inveja, ambição, rejeição, traição, desprezo e abandono podem corroer a vontade e afrouxar os freios inibitórios. Todos injustificáveis para matar, mas presentes na mente de quem mata, pois sua vontade de reagir está debilitada. Há uma vulnerabilidade de todos nós em relação às condutas agressivas ou homicidas, conduzidos por ímpetos irrefreáveis ditados por contextos diversos. São fatores que podem conduzir ao paroxismo, anulando o domínio interior.

Uma situação específica tem contribuído para os homicídios daqueles que não possuem nenhuma razão subjetiva para matar. Os que matam por e para nada. Matam porque estão portando arma. Esse é um fator decisivo e crucial. Estivessem desarmados, a vida alheia permaneceria intacta.

Houve época em que se fez uma eficiente campanha de desarmamento. Milhares de revólveres e congêneres foram entregues às autoridades. De repente, armar o povo passou a ser a meta de uma irracional, estúpida e insensata campanha deflagrada pelo Poder Executivo incentivada e aplaudida por parte do Parlamento. A desvairada e obscena campanha armamentista deve estar a serviço de algum interesse escuso ou simplesmente atender a impulsos destrutivos de psicopatas. Seres desprovidos de amor pelo próximo.

Essa repulsiva sandice, como plano de governo, tem ocasionado milhares de mortes. Mata-se e morre-se sem saber a razão. Trânsito; insignificantes discussões; um mero empurrão; uma palavra mal posta e outras quinquilharias interrompem uma existência. Não houvesse arma à mão, a vida continuaria.

O desarrazoado argumento utilizado pelos armamentistas é a defesa própria. Pífio e mentiroso. Caso estejam se referindo à defesa num assalto, a cretinice aumenta. Nenhum assaltante dá aviso prévio: “Olhe, vou roubar”. Assim, mesmo estando armada, a vítima é pega de surpresa. Caso tente pegar sua arma, morre. Na melhor das hipóteses, perde o revólver e assim municia o criminoso.

Citarei uma experiência pessoal como advogado, quando um cliente, autor de um homicídio contra uma jovem, após breve discussão, tendo ela feito um gesto de desprezo e pouco caso com os ombros, disparou sua arma. Disse-me: “Dr. Mariz, se eu não estivesse armado, eu não a teria matado”. Completou que teria dado um tapa, um pontapé e nada mais. É óbvio: sem um revólver não teria atirado. No entanto, a obviedade é relativa. Ele poderia estar portando uma arma, mas não acioná-la.

No entanto, o simples fato de estar armado, em face de uma banal provocação, o estimulou a responder com uma agressão desproporcional e letal. Em verdade, em alguns, a arma desperta instintos primários de destruição. Outros, desprovidos de controle emocional, insegurança pessoal, complexo persecutório ou de inferioridade encontram na arma um instrumento de poder.

Na realidade, ao lado desses homicidas que agem sem causa e são desprovidos de passado criminoso, no banco dos réus, deveriam estar outros. Os agentes políticos, membros do Executivo e do Legislativo que são os criminosos da sombra, instigadores, fomentadores de um morticínio que cada vez mais se alastra.

Cobertos pelo manto das instituições, pois a elas pertencem, homens públicos não se vexam por estarem alguns a serviço de interesses escusos. Outros simplesmente são psicopatas que atuam para destruir, desprovidos de sentimentos altruísticos e de amor ao próximo. Fonte: https://www.estadao.com.br

Vídeo mostra o momento em que mulher é morta a facadas após discussão em Santana do Ipanema

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Publicado em 31 outubro 2026
  • mulher é morta a facadas após discussão em Santana do Ipanema
  • feminicídio no Sertão de Alagoa,
  • Violência no Sertão de Alagoa,
  • feminicídio no Sertão
  • advogada Juliana Nunes
  • Juliana Nunes
  • feminicídio em Santana do Ipanema
  • feminicídio em no nordeste,

 

Imagens de circuito de segurança registraram o ataque na noite desta sexta-feira (30); crime ocorreu no Sertão de Alagoa

Nas imagens, é possível ver o momento em que o agressor ataca a vítima em plena via pública, acertando-a com diversos golpes até que ela caia no chão sem reação.

As gravações mostram a brutalidade da agressão diante de estabelecimentos comerciais na área urbana.

O homicídio ocorreu logo após um desentendimento entre as partes, gravado por testemunhas que estavam no local.

Em outro vídeo, a mulher aparecia tentando se soltar do homem enquanto afirmava repetidamente que ele a estava machucando ao segurar seus braços.

A Polícia Militar foi acionada para isolar a cena do crime e está em busca do criminoso. Fonte: https://www.gazetaweb.com

 

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Durante uma conversa com o pai do homem preso pelo feminicídio que chocou Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, a deputada federal e advogada Juliana Nunes ouviu o relato do familiar sobre a tentativa de evitar a morte da vítima.

Na ocasião, o pai do acusado afirmou que tentou impedir a tragédia, chegando a mandar que ela pagasse para tentar evitar o crime.

Durante a conversa, Juliana Nunes reforçou seu compromisso com a defesa das mulheres, afirmando que estará sempre na luta pelos direitos e pela proteção das mulheres de Alagoas e de todo o Brasil.

A deputada também destacou que o acusado deverá responder pelo feminicídio e pagar perante a Justiça pelo ato cometido.

O caso segue causando comoção e indignação. O Portal G5 acompanha os desdobramentos. Fonte: https://www.instagram.com/portalg5.noticias

Uma desigualdade especialmente cruel

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Publicado em 11 outubro 2026
  • desigualdades sociais,
  • exclusão no Brasil
  • 14,4 milhões de pessoas com deficiência física,
  • Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil
  • A exclusão,
  • analfabetismo entre brasileiros
  • Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Um estudo do IBGE mostrou que a exclusão no Brasil pode ser ainda mais desumana com as pessoas com deficiência, deixando-as às margens da educação, do mercado de trabalho e da cidadania

 

Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência atestou como o Brasil, que já é muito desigual, pode ser ainda mais excludente com uma parcela significativa de sua população.

Ao compilar dados do Censo 2022 e de outras pesquisas, o informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil revelou algo perturbador: apesar do discurso oficial de inclusão social, o País está distante de promover a igualdade.

No Brasil, são 14,4 milhões de pessoas com deficiência física, visual, auditiva ou intelectual – ou seja, 7,3% da população. Nada menos do que 3,9 milhões desses brasileiros vivem com duas ou mais dessas condições concomitantemente. E, infelizmente, boa parte deles ainda é empurrada para as margens da sociedade.

Segundo o informativo do IBGE, essa exclusão começa bem cedo, e dentro de casa. Enquanto 21,5% dos brasileiros com 2 a 17 anos vivem numa residência somente com a mãe ou a madrasta, chega a 30,1% o porcentual de indivíduos com deficiência nas mesmas condições. Portanto, o estudo confirmou em números o que pode ser visto no dia a dia das famílias: o cuidado com os filhos pesa mais sobre as mulheres.

É por isso que é tão comum ver mães com filhos nos braços em filas Brasil afora em busca de tratamento e assistência. Para piorar, essas mães e seus filhos são vítimas de algo ainda mais cruel: o abandono de pais e padrastos, que, segundo o relatório do IBGE, deixam suas famílias por causa de “sentimentos de rejeição às pessoas com deficiência” – ou seja, o preconceito ou a incapacidade de lidar com a situação.

E, se falta suporte em casa, tampouco sobra na escola. Enquanto o analfabetismo entre brasileiros com idade entre 15 e 29 anos na população em geral é de 1%, a taxa sobe a 12,2% quando se trata de pessoas com deficiência na mesma faixa etária. Desigualdade semelhante se repete em todas as idades estudadas.

No Brasil, as desigualdades vão se arrastando e se aprofundando ao longo da vida. Prova disso é que o nível de ocupação das pessoas com deficiência é de 29%, ante uma taxa de 56% entre as pessoas sem deficiência. E sua renda mensal média é de R$ 2.053, o equivalente a 71% da renda da população em geral.

A exclusão, portanto, não parece ser excepcional. Sem acesso à educação em virtude da falta de acessibilidade nas escolas, do despreparo dos professores para acolher os alunos e da ausência de um projeto pedagógico efetivamente inclusivo, o círculo é vicioso: a formação precária afasta as pessoas com deficiência dos melhores postos de trabalho, sobrecarregando, na velhice, a Seguridade Social.

A taxa de pobreza das pessoas com deficiência e das pessoas sem deficiência é praticamente igual, girando em torno de um terço da população. Isso ocorre porque mais de 40% das pessoas com deficiência têm mais de 60 anos, e boa parte delas recebe parcelas previdenciárias ou assistenciais, sobretudo o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Já na parcela mais jovem, o abismo se abre: 60,9% das crianças de 2 a 14 anos de idade com deficiência vivem na pobreza, contra 52,5% das crianças sem deficiência.

Em que pese o Estatuto da Pessoa com Deficiência estar em vigor há uma década, o Brasil, como mostrou o informativo do IBGE, tem fracassado com esses brasileiros em praticamente todas as dimensões de suas vidas, privando-os de educação de qualidade, do acesso ao mercado de trabalho, de bens de consumo e serviços, do acesso à internet e da participação política, entre tantos outros direitos.

Como se vê, são muitos os obstáculos ainda a serem superados para a conquista da cidadania plena. E não bastassem o preconceito e a discriminação, as pessoas com deficiência têm contra si um poderoso adversário: a má vontade do Estado brasileiro. Fonte: https://www.estadao.com.br

Humildade, generosidade e magnanimidade

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Publicado em 07 outubro 2026
  • Não mentir,
  • Mansidão e humildade,
  • Não existe humildade sem humilhação,
  • falar da ética
  • magnanimidade

Talvez seja preciso dar um passo atrás e falar da ética de outro ponto de vista: aspirações, ideais e qualidades humanas

 

Por Nicolau da Rocha Cavalcanti

Parece evidente que precisamos, no Brasil, falar mais de ética: nas escolas, nas universidades, nas famílias, nas empresas, nos partidos políticos, nas entidades de classe, nos órgãos estatais. Falar do valor da verdade e da honestidade, recordando a todos – sobretudo às novas gerações – a importância de ser íntegro. Atuar eticamente tem um custo, especialmente se o ambiente está acostumado a um patamar moral baixo, tolerando comportamentos equivocados e ridicularizando quem busca agir de forma íntegra.

Sim, podemos e devemos falar mais de ética. Mas temo que seja insuficiente falar do dever-ser ético. Talvez seja preciso dar um passo atrás e falar da ética de um outro ponto de vista. Não apenas de obrigações, limites e regras, mas de aspirações, ideais e qualidades humanas admiráveis: das virtudes. Penso aqui na humildade, na generosidade e na magnanimidade. Sem essas três virtudes, a ética fica um pouco manca, postiça, superficial.

Uma observação. Falar de ética não é dividir o mundo entre “bons” e “maus” – visão binária não apenas falsa, mas que costuma ser tolerante com os erros ocultos dos “bons”. É falar das nossas carências e limitações, assim como das nossas aspirações, dos nossos melhores sonhos, daquilo que verdadeiramente pode nos realizar.

Falar de ética nunca é indolor. É tocar em nossas contradições, em nossos enganos, individuais e coletivos. Um exemplo. Ter o enriquecimento como a principal meta profissional não é eticamente neutro, como se fosse uma opção a mais, entre outras possíveis. Tal escolha expressa uma peculiar hierarquia vital de valores, na qual os bens materiais ganham ascendência sobre outros bens humanos.

Em si, o dinheiro não tem nenhum desvalor ético. Pode ser meio para muitas coisas louváveis: mais tempo livre, mais convivência com as pessoas que amamos, mais modos de contribuir com o desenvolvimento da nossa família, mais oportunidades de servir à sociedade. A questão é o sentido que lhe damos. Normalizar o enriquecimento como o grande propósito vital é limitante, com efeitos sobre todo o tecido social, a começar por reduzir a sensibilidade para as questões éticas.

Na tarefa de resgate da ética, seria muito positivo voltar a falar de humildade nas escolas, nas famílias, nas empresas. Humildade não é depreciar-se, pensar mal de si. É andar na verdade, é ter uma avaliação justa sobre si mesmo. Talvez seja uma das qualidades mais admiráveis: a serenidade de saber seu justo valor, sem a comichão de alardear méritos, competências e títulos. Por contraste, como é desagradável quem se acha superior aos outros, seja em razão do patrimônio, da origem familiar, da formação acadêmica, do cargo ou do currículo profissional.

Humildade é ter consciência dos nossos pontos cegos, das nossas limitações cognitivas. Ou seja, viver essa virtude inclui respeitar as posições divergentes, as sensibilidades diversas, as diferentes propostas de resolução das questões públicas. Como alertou Isaiah Berlin, pretensões de certeza exclusiva conduzem a atitudes autoritárias, com a tentativa de impor as próprias ideias à coletividade. O bom funcionamento da democracia demanda uma ética da modéstia intelectual.

O mundo contemporâneo também está necessitado da virtude da generosidade. Trata-se de um binômio admirável: a capacidade de enxergar o outro, com suas necessidades concretas e a liberdade interior de dar, de ir além do estritamente devido. É a compreensão madura de que, ao nosso lado, está uma pessoa, uma comunidade, uma sociedade carente da nossa participação. Mais do que cumprir determinadas regras – como se o itinerário fosse idêntico para todos –, a ética consiste em entender a dinâmica profunda das relações humanas, sentindo-se instado a contribuir, a somar, a ajudar. A não ser indiferente às dores e carências da outra pessoa.

Vinculada a essas duas virtudes está a magnanimidade. Ao reconhecer serenamente quem se é e ao estar desprendido de si, quem é magnânimo – quem tem a alma grande – aspira a realizações grandes, isto é, a processos e resultados à medida da dignidade humana. Não apenas quer ter poder, riqueza ou fama, mas almeja deixar um legado de serviço, de alegria, de respeito, capaz de transformar muitas vidas. E precisamente porque seus sonhos são grandes, sabe que sozinho é impotente e vê a necessidade de conviver e de congregar esforços com muitas outras pessoas.

Queremos mais verdade e mais honestidade na vida pública? Falemos mais dos deveres de não mentir, de não ser corrupto ou de não ignorar os conflitos de interesse. Mas não deixemos que a ética seja reduzida a seus limites mínimos. Busquemos, cada um dentro do seu personalíssimo caminho, que a ética esteja presente na vida real, sendo mais humildes, mais generosos, mais magnânimos.

Não é uma competição por performance ou por aplauso. É outra lógica, incrivelmente mais bonita, mais entusiasmante, mais fecunda. É procurar viver – em sua plenitude, em sua leveza, também em seus riscos – em conformidade com a dignidade humana. Fonte: https://www.estadao.com.br

Sobe para seis número de mortos após ônibus com romeiros cair em ribanceira no interior de SP; criança está entre vítimas

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Publicado em 21 setembro 2026
  • ônibus com romeiros cair em ribanceira no interior de SP
  • Subiu para 6 o número de mortos no acidente com um ônibus
  • Itumirim
  • Rodovia Doutor Avelino Júnior,
  • Acidente na Rodovia Doutor Avelino Júnior,
  • Acidente com romeiros para Aparecida

Ônibus saiu de MG na noite de sábado (19) com destino a Aparecida (SP); o motorista ficou ferido e também foi levado para atendimento médico.

 

Ônibus caiu em uma ribanceira de aproximadamente 15 metros na Rodovia Doutor Avelino Júnior, em Cruzeiro (SP). — Foto: Gabriel Guimarães/Rede Vanguarda

 

Por g1 Vale do Paraíba e Região

Subiu para 6 o número de mortos no acidente com um ônibus que caiu em uma ribanceira neste domingo (20), em Cruzeiro (SP).

O veículo transportava romeiros de MG para Aparecida (SP). O motorista perdeu o controle da direção e o ônibus caiu em ribanceira de 15 metros.

Equipes de resgate levaram as vítimas para hospitais regionais. O motorista testou negativo no etilômetro e a polícia analisa as documentações do condutor e do veículo.

 

Subiu para seis o número de mortos no acidente com um ônibus de excursão que caiu em uma ribanceira na manhã deste domingo (20), em Cruzeiro (SP). O veículo transportava romeiros que saíram do distrito do Rosário, em Itumirim (cerca de 30 km de Lavras), com destino a Aparecida (SP).

Inicialmente, cinco mortes haviam sido confirmadas no local. Uma sexta vítima morreu posteriormente na Santa Casa de Cruzeiro, segundo o tenente Vinícius de Souza Rocha, comandante de pelotão da Polícia Militar Rodoviária.

O acidente aconteceu na Rodovia Doutor Avelino Júnior, próximo ao limite entre São Paulo e Minas Gerais. Segundo o policial, o motorista perdeu o controle da direção por motivos que ainda serão esclarecidos e o ônibus caiu em uma ribanceira de aproximadamente 15 metros.

Uma força-tarefa formada por equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foi mobilizada para o resgate. As vítimas foram encaminhadas para hospitais da região, entre eles as Santas Casas de Cruzeiro, Guaratinguetá e Lorena.

Segundo o tenente Vinícius, o motorista ficou ferido e também foi levado para atendimento médico. Após o resgate, ele foi submetido ao teste do etilômetro, que teve resultado negativo.

 

Samu confirma seis mortes

Segundo informações preliminares do Samu, seis pessoas morreram no acidente. Cinco óbitos foram constatados no local e uma vítima morreu posteriormente no pronto-socorro de Cruzeiro. Entre as vítimas, estão:

Homem, 47 anos, natural de Lavras (MG);

Homem, 74 anos, natural de Itumirim (MG);

Homem, de aproximadamente 50 anos, ainda sem identificação e sem documentos;

Mulher, 63 anos, natural de Itumirim (MG);

Criança, de aproximadamente 10 anos, ainda sem identificação e sem documentos;

Mulher, sem idade informada, ainda sem identificação e sem documentos, que morreu no pronto-socorro de Cruzeiro.

 

Ônibus levava romeiros para Aparecida

Segundo apuração, o ônibus saiu de Lavras por volta das 22h de sábado (19). O veículo transportava moradores de Lavras e de cidades vizinhas que participavam de uma excursão de romeiros com destino a Aparecida.

A empresa responsável pelo ônibus é a Botelhos Viagens, de Lavras. Segundo uma familiar ouvida pelo g1, o motorista é proprietário da empresa e ficou ferido no acidente. A esposa dele foi para Cruzeiro na manhã deste domingo em busca de informações sobre as vítimas.

 

Investigação

Segundo o tenente Vinícius, depois do atendimento inicial às vítimas, a Polícia Militar Rodoviária passou a verificar as circunstâncias do acidente e a documentação do motorista e do veículo.

“Uma das etapas do atendimento da ocorrência é a verificação das circunstâncias documentais, tanto do condutor quanto do veículo”, afirmou o policial.

Entre os pontos que serão analisados está a documentação necessária para o transporte de passageiros.

Três equipes permanecem empenhadas na identificação e qualificação das vítimas nos hospitais para levantar informações sobre o estado de saúde e a gravidade dos ferimentos. A perícia também esteve no local do acidente.

 

Governo de SP manifesta pesar

O Governo de São Paulo lamentou o acidente e informou que equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) atuam no local.

Segundo o governo estadual, o tráfego ficou por um período em sistema de pare e siga no sentido norte, sem registro de congestionamento.

O governo informou ainda que as informações sobre a ocorrência serão atualizadas após a conclusão do atendimento. Fonte: https://g1.globo.com

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