ORDEM TERCEIRA DO CARMO: Convite
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"Para vir a possuir tudo ..."
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São João da Cruz, Carmelita.
"Para vir a gostar de tudo,
você não quer gostar de nada.
Para vir a possuir tudo,
não quer possuir nada em nada.
Para vir a ser tudo,
não quer ser algo em nada.
Para conhecer tudo,
Não quer saber nada em nada.
Para chegar ao que você não gosta,
Você deve ir para onde não gosta.
Para chegar ao que você não conhece,
Você deve ir onde você não sabe.
Para chegar ao que você não tem,
Você tem que ir onde você não tem.
Para chegar ao que você não é,
Você deve ir para onde não está.
Quando você percebe algo,
Você deixa de se jogar no todo.
Por vir totalmente ao todo
Você deve negar-se completamente em tudo.
E quando você chegar,
Você deve tê-lo sem querer nada.
Porque, se você quiser ter algo em tudo,
você não tem seu tesouro puro em Deus ".
SAN JUAN DE LA CRUZ: Noche Oscura
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14 DE DEZEMBRO: SÃO JOÃO DA CRUZ, PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA
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*Dom Frei Francisco de Sales Alencar Batista, O. Carm. Bispo de Cajazeiras-PB.
Ant. Vinde, Subamos ao Monte do Senhor, ao Monte, que Deus escolheu para sua morada, e onde só habita a honra e a glória de Deus!
Cântico I Tb 13,8-11.13-14ab.15-16ab
Ação de Graças pela libertação do povo
Mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, a brilhar com a glória de Deus. (Ap 21,10-11)
_8 Dai graças ao senhor, vós todos, seus eleitos! *
Celebrai dias de festa e rendei-lhe homenagem!
_9 Jerusalém, Cidade Santa, o Senhor te castigou *
Por teu mau procedimento, pelo mal que praticaste.___
VIGÍLIAS
_10 Dá louvor ao teu Senhor com as tuas obras, *
para que ele novamente arme em ti a sua tenda,
_ Reúna em ti os deportados, alegrando-os sem fim! *
Ame em ti todo infeliz, pelos séculos sem fim!
=11 Resplenderás qual luz brilhante até os extremos desta
terra; † virão a ti nações de longe, dos lugares mais distantes,*
invocando o santo Nome, trazendo dons ao rei do Céu.
_ Em ti se alegrarão as gerações das gerações *
e o nome da Eleita durará por todo o sempre:
_13 Então te alegrarás pelos filhos dos teus justos, *
todos unidos, bendizendo ao Senhor, o Rei eterno.
_14 Haverão de ser ditosos todos quantos que te amam, *
encontrando em tua paz sua grande alegria.
=15 Ó minh’ alma, vem, bendize ao Senhor, o grande
Rei, † 16 pois será reconstruída sua casa em Sião, *
que para sempre há de ficar pelos séculos sem fim!
Cântico II Is 2,2-3
Todas as nações virão para a caso do Senhor
Os reis da terra levarão a sua glória e a honra à Cidade Santa de Jerusalém (Ap 21,24).
_2 Eis que vai acontecer no fim dos tempos, *
que o Monte, onde está a casa do Senhor,
_ será erguido muito acima dos outros montes *
e elevado bem mais alto que as colinas; ___
_ para ele acorrerão todas as gentes, *
3 muitos povos chegarão ai, dizendo:
- “Vinde, subamos à Montanha do Senhor, *
vamos à casa do senhor Deus de Israel, ___
_ para que ele nos ensine seus caminhos *
e trilhemos todos nós suas veredas,
_ pois de Sião a sua Lei há de sair: *
Jerusalém espalhará sua Palavra.
Cântico III Jr 7,2-7
Corrigi vossa conduta e vos farei habitar neste lugar
Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só depois volta para apresentar a tua oferta. (Mt 5,24).
_2 Escutai a palavra do Senhor, *
todos vós de Judá, que aqui entrais
_ por estas portas, a fim de adorar *
ao senhor e prostrar-vos diante dele.
=3 Assim fala o Senhor, Deus do Universo: †
“Corrigi vossa vida e conduta, *
e aqui vos farei sempre morar!
=4 Não confieis em palavras mentirosas, †
repetindo: “É o Templo do senhor! *
É o Templo, é o Templo do Senhor!”
_5 Se, porém, corrigirdes vossa vida *
e emendardes o vosso proceder,
_ se entre vós praticardes a justiça, *
se o estrangeiro, igualmente, respeitardes,
_6 não oprimirdes o órfão e a viúva *
nem disserdes calúnia contra o próximo
= nem o sangue inocente derramardes †
nem correrdes atrás de falsos deuses, *
para vossa desgraça e perdição,
=7 neste lugar vos farei sempre morar, †
na terra, que dei a vossos pais *
desde sempre e por toda a eternidade!”
VIGÍLIAS
Ant. Vinde, Subamos ao Monte do Senhor, ao Monte, que Deus escolheu para sua morada, e onde só habita a honra e a glória de Deus!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João ( Jo 12,35-36a.44b-50)
Eu, a Luz, vim ao mundo
Naquele tempo, 35Jesus respondeu: “Por pouco tempo a luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos envolvam. Quem caminha ns trevas não sabe para onde vai. 36Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz, para que vos torneis filhos da luz”. 44Então em alta voz disse Jesus: “Quem crê em mim, não é em mim que ele crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50E eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”. Palavra da Salvação!
Hino Te Deum
Oração
Senhor, Nosso Deus, que inspirastes a São João da Cruz extraordinário amor à Cruz e perfeita abnegação de si mesmo, concedei que, imitando o seu exemplo, cheguemos á contemplação eterna da vossa glória. Por N.S.J.C.
Bendigamos ao Senhor!
*LITURGIA DAS HORAS- DO PRÓPRIO DA ORDEM DOS IRMÃOS DA BEM-AVENTURADA E SEMPRE VIRGEM MARIA
*Atualidade de São João da Cruz para a mística e para os místicos: Alguns pontos.
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Frei Bruno Secondin, O. Carm.
Por muito tempo se considerou São João como um dos mestres no âmbito da Mística graças aos seus textos, às suas introspecções teológicas, à descrição que faz dos elementos distintivos da experiência do divino autêntica, imediata, sublime. E assim ele permanece até hoje, ao menos para aqueles que compreendem a mística como um tema, que se deve desenvolver com argumentação lógica e clareza de passagens e "conteúdos" experienciais. Com efeito, quando os "tratadistas" da espiritualidade entram no capítulo final da mística e dos seus fautores, São João está entre os autores fundamentais, que servem de sustento.
Podemos até dizer que alguns temas não podem ser explicados sem a direção plena de João da Cruz. Limito-me a dar um elenco daquilo que todos afirmam como importante. A sua linguagem sobre as purificações ativas e passivas dos sentidos e do espírito por meio das "noites", a sua ênfase sobre a função da afetividade no processo de transformação e união com Deus, o caminho da fé mais como experiência radical do que como adesão a idéias e dogmas, a riqueza do seu léxico simbólico e parabólico e a sua capacidade de criar uma "sugestão" inspiradora, a relativização e mesmo desconfiança diante da multiforme fenomenologia corpórea ou mental dos estados místicos, o sentido da transcendência e, portanto, da incapacidade de se exprimir nos confrontos do encontro com Deus.
Apresentemos agora alguns exemplos para demonstrar a sua possível atualidade no campo da mística e nos problemas que lhe dizem respeito.
Um exemplo: a imagem de um "Deus mudo", seja no sentido que a linguagem com que Deus se exprime é essencial e total ao mesmo tempo (cfr. a famosa expressão de 2S 22,7), seja no sentido da vida de fé, que deve passar pela prova do "silêncio de Deus", que chega até às fímbrias do ateísmo, da perda de sentido da vida, da tribulação interior sem luz nem esperança. Em um contexto de experiência religiosa contaminada por muitas "mensagens" e "visões", com propostas de experiências místicas, onde a "cruz" e o "vazio" são como que expulsos a priori, São João recorda que a autenticidade do encontro com Deus é comprovada pelo que é essencial no seu divino comunicar-se, pela ausência de palavras humanas adequadas para transmitir os conteúdos da experiência e pela presença da obscuridade dolorosa e da purificação profunda.
Exemplo, que ainda é inspirador para os dias de hoje, é o seu "procurar ajuda" nas Escrituras e na Igreja para poder "explicar-se" com palavras: refiro-me ao famoso prólogo da Subida (prólogo nº 2). Não é tanto o cuidado de ortodoxia ou de coerência com a fé católica que está em jogo, mas muito mais uma outra verdade, quer dizer: a palavra bíblica é o lugar de origem, decisivo, no qual o Absoluto se expressa, se fez "Palavra" no tempo. O místico, portanto, não pode estar senão em conformidade com esta linguagem originária, em profunda analogia com ela e por ela intimamente condicionado: e por este caminho será autêntico. E além disto deve estar em comunhão com a grande tradição viva da Palavra, que é a vida da Igreja: assim a sua singularidade se derrama na universalidade, enquanto assume os seus horizontes e oferece a própria contribuição como membro de um organismo vivo.
Um exemplo ainda: o seu escrever doxologicamente. Escreve não em função de alguma publicação ou para testemunhar as próprias convicções teóricas ou para expor à luz as experiências próprias. Antes escreve como complementar exercício de mistagogia e direção espiritual muito específica, pressionado por exigências de fazer entender melhor aquilo que a linguagem da poesia permite intuir, mas não é capaz de explicar. Temos de recuperar esta convicção, que nos parece às vezes não positiva: João da Cruz é parcial nos seus temas e nos seus tratados, é ocasional, é incompleto. Isto porque decidiu acompanhar de maneira eficaz o desenvolvimento de situações concretas, os estados particulares desta ou daquela alma. O seu escrever é confissão mais do que teoria abstrata e, por isso, a linguagem é muitas vezes entretecida de paradoxos, parábolas, interrupções, oximoros, suspensões.
A ligação entre poeta e escritor não é vista, antes de tudo, em termos de forma literária, mas de processos experienciais. A anchura y copia (amplitude e abundância) da experiência encontram forma principalmente numa expressão simbólica e poética, e depois, às vezes, numa explicação e numa linguagem discursivo-escolástica. Compreender de veras a São João, ou melhor, transformar-se de leitores em discípulos seus, significa repercorrer em marcha atrás o itinerário genético, isto é, da prosa para a poesia, até o momento da experiência da comunhão com Deus. Trata-se de passar da posição lógica, ascética, moral para a posição estética, simbólico-poética e para a "mística" como experiência do mistério de Deus. Muito perigoso seria reduzir São João da Cruz a um manual de modo de usar; ele faz, ao contrário, solicitações para o face a face com Deus, sem redes nem anteparos, para a vertigem do encontro e para as tribulações da participação da vida divina. Quanto a isto oferece um bom contributo o método citado da leitura dinâmica estrutural.
Como último exemplo quero acenar ao relacionamento entre São João da Cruz e Santa Teresa: as histórias e historietas todos conhecemos. Gostaria de chamar a atenção para um ponto chave diferente: Teresa de Jesus era da opinião de que muitas dificuldades na vida espiritual provêm da falta de conhecimento doutrinal por parte do diretor e, por isso mesmo, antepunha o diretor sábio ao diretor santo. João da Cruz, pelo contrário, estava convencido de que os acontecimentos lamentáveis nascem da falta de experiência autêntica. Quanto a esta visão dos fatos, cada um provavelmente partia da sua situação pessoal: João tinha feito ótimos estudos e conhecia, portanto, os riscos de uma ciência, que incha; Teresa era quase autodidata e padecia de um estranho fascínio pelos teólogos.
Um e outra, parece-me, tinham uma palavra de atualidade e de verdade. A devoção sem um mínimo de solidez doutrinal e teológica sofre o risco de estabelecer-se sobre veredas secundárias: e nisto Teresa tinha razão. Mas também a ciência abundante, sem o sustento de um coração cheio de amor e sem uma prática coerente e generosa, corre o risco de não ser atingida pela verdadeira moção transformadora do Espírito. Por isto João da Cruz é abraçado não somente como "teólogo", que doutrina, mas como testemunha de uma verdade: no coração da "doutrina" não pode estar senão o processo de transformação sempre aberto a novos horizontes. E assim a sua função de mestre não é tanto a de oferecer contribuições teológicas bem tematizadas, mas a de demonstrar que a teologia verdadeira é aquela que percorre veredas desconhecidas, que escuta o Deus Mudo, e que não tem senão palavras poéticas, parabólicas e simbólicas para anunciá-Lo, mas não profana a sua comunicação com uma enxurrada de palavras humanas.
Paradoxalmente a grandeza de São João da Cruz não consiste no desdobrar-se em detalhes, mas no ter sabido esconder o mistério conhecido, no ter reconhecido e testemunhado o risco da palavra que obscurece e profana, o risco da explicação que empobrece e torna esvanecida a realidade íntima. Os seus ensinamentos sobre mística aprendem-se quando não fazemos da sua herança uma espécie de enchirídion de teologia espiritual, mas antes de tudo uma contestação da nossa necessidade de deixar tudo claro, de explicar, de classificar.
*A MÍSTICA NO SÉCULO XX: TEORIAS E EXPERIÊNCIAS : A presença de São João da Cruz
ORDEM TERCEIRA DO CARMO DA LAPA/RJ: Convite.
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Missa de vestição do hábito na Ordem Terceira do Carmo. Amanhã, dia 10 de dezembro-2017, às 8h na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro- AO VIVO- Pelo youtube, facebook e olhar jornalístico.
Imaculada: A grandeza de Maria está na sua simplicidade
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Frei Jorge Van Kampen, Carmelita. In Memoriam. (*17/04/1932 + 08/08/2013)
Na festa de Nossa Senhora da Conceição o Evangelho de Lucas chama Maria com um novo nome: “Alegre-te, jovem amada e favorecida por Deus. O Senhor está contigo”. No Antigo Testamento, às vezes, um profeta poderia ser chamado: amado e favorecido por Deus, mas nunca foi chamado assim como se fosse um nome próprio. Aqui vemos, que Maria é chamada assim por ela ser um Templo da presença de Deus. E isto só poderia ser porque, como disse o anjo: A sombra do Espírito de Deus estará sobre ti”.
Liturgia da Palavra:
Deus quer a vida para as suas criaturas e não a morte violenta (Gen. 3,9-20) e criou o homem e a mulher para uma vida feliz (Ef. 1,3 -12). Por isso Deus veio restaurar o sentido da vida pelo exemplo de Maria (Luc. 1,26-38).
Reflexão.
A grandeza de Maria está na sua simplicidade e modéstia. Talvez seja exatamente a modéstia, que fez Maria tão grande para nós. Quem lê a Bíblia com fé, encontra em Maria um modelo. Maria foi sempre uma mulher impressionante. “Feliz porque acreditou, o que vai acontecer o que Deus falou”, diz Lucas. Sabemos pouco sobre Maria, mas o pouco que sabemos, é suficiente. É uma mulher, que estava pronta para tudo. Ela sentia, aonde ela devia estar. Já grávida, fez uma caminhada difícil para atender sua parente Izabel, que estava prestes a dar a luz. Não era uma visita obrigatória ou de cortesia, mas ela está simplesmente a disposição, para atender a pessoa que necessita da sua ajuda. “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim conforme a palavra de Deus”. Quando nós dizemos, que ela está cheia de graça, dizemos ainda pouco. Encontrar-se com Maria é uma benção. O dialogo do anjo com Maria é uma riqueza de modéstia e, ao mesmo tempo, de sublimidade.
Resposta à Palavra de Deus.
Convertidos e consagrados a Deus podemos contar com Maria: O senhor fez em mim maravilhas; santo é o seu nome.
IMACULADA: Frei Adailson.
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OLHAR CARMELITANO: A Regra e os Leigos Carmelitas
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Frei Joseph Chalmers, O.Carm. Ex- Prior Geral
A Regra de Santo Alberto é um documento carismático que está no princípio de todas as formas de vida carmelita. Neste breve texto estão os elementos essenciais do carisma carmelita em sua fase inicial. Estes elementos foram plenamente trabalhados através dos anos seguintes e a tradição carmelita foi enriquecida pelas vidas de um grande número de pessoas e especialmente por nossos santos. Toda pessoa que é chamada a viver de acordo com o modo carmelita dá sua contribuição para a tradição e a transmite para os outros.
Os religiosos carmelitas têm Constituições por meio das quais a Regra de Santo Alberto é aplicada às condições dos dias de hoje. Do mesmo modo, a Ordem Terceira tem a sua Regra. A primeira versão que conhecemos foi publicada em 1675 por Filipe da Visitação. Existem rumores de que, originalmente, ela foi redigida pelo Bem-aventurado João Soreth em 1455, o que é improvável. A atual Regra da Ordem Terceira, como as Constituições dos religiosos, busca fazer a ligação entre o ideal carmelita e a realidade atual daqueles que se empenham em vivê-la. Nestes últimos anos houve discussões e estudos, a nível nacional e internacional, com o objetivo de atualizar a Regra da Ordem Terceira. Espero que, em breve, estejamos em posição de apresentar um texto adequado à Santa Sé, para posterior aprovação e publicação.
Por todo mundo existem muitos padres diocesanos e diáconos permanentes que são membros da Ordem Terceira. A vocação deles é diferente da maioria dos leigos. No entanto, para todos os membros, a espiritualidade carmelita é a inspiração na vivência que eles têm da mensagem do Evangelho em sua vida diária.
A Regra da Ordem Terceira define a missão dos leigos carmelitas, que está enraizada no batismo e pelo qual cada cristão partilha no mesmo sacerdócio de Cristo, na sua dignidade real e em seu ministério profético. Os leigos exercem estas funções participando plenamente da vida da Igreja e aplicando os benefícios da liturgia em sua vida diária. Desta forma eles contribuem para a santificação do mundo.
Dentro desta vocação batismal comum, alguns leigos são chamados a participar do carisma de uma família religiosa particular. Professar como membro leigo carmelita é uma repetição intensificada de nossas promessas batismais. Entrando na Ordem eles assumem para si o carisma carmelita, que é profundamente marcado pela oração. Portanto, a oração, tanto litúrgica quanto pessoal, é uma parte vital e integrante da vida do leigo carmelita. A participação, diária se possível, na celebração da Eucaristia, é a fonte da vida espiritual e da fecundidade apostólica. O ofício divino, como uma partilha na oração de Cristo, é encorajado pelo leigo carmelita e também é uma fonte de grande ajuda na jorna espiritual. A oração pessoal é vital para a vida dos leigos carmelitas e os meios tradicionais, encontrados na espiritualidade carmelita, são especialmente enfatizados. Acima de tudo temos a lectio divina, a escuta orante da Palavra do Senhor, que quer nos abrir para um relacionamento íntimo com Deus, em e através de Jesus Cristo. A devoção a Nossa Senhora é marcante para o leigo carmelita, porque ela é a Mãe do Carmelo.
Como todos os carmelitas, o leigo carmelita é chamado a alguma forma de serviço, parte integrante do carisma dado à Ordem por Deus. Os leigos têm a missão de transformar a sociedade secular. Eles podem fazer isto de diferentes formas, de acordo com suas possibilidades. O grande exemplo para a ação profética é Elias, cuja atividade se origina numa profunda experiência de Deus.
A fraternidade também é um elemento essencial do carisma carmelita. Os leigos carmelitas podem criar comunidade de várias formas: em suas próprias famílias, onde a igreja doméstica pode ser encontrada; em suas paróquias, onde cultuam a Deus com os demais paroquianos tomando parte plenamente nas atividades da comunidade; em sua comunidade carmelita leiga na qual encontram apoio para a jornada espiritual; no local de trabalho e no lugar onde moram. Estes últimos necessitam do testemunho daqueles que estão comprometidos com o amor ao próximo, como Cristo nos ensinou, contribuindo assim para a transformação do mundo de acordo com o plano de Deus.
A contemplação é o que cimenta os outros elementos do carisma. Como todos os membros da Família Carmelitana, os leigos carmelitas são chamados a crescer no relacionamento com Cristo até se tornarem seus amigos íntimos e, como tais, ser uma poderosa influência transformadora no mundo. A assistência tradicional para o desenvolvimento da contemplação está muitas vezes ausente de nosso mundo, que é marcado pela atividade frenética. Portanto, os leigos carmelitas devem encontrar tempo, para deixar de lado os cuidados da vida diária por um instante e permitir que Deus fale a seus corações em silêncio. Fortalecidos por este alimento, eles podem continuar sua jornada e olhar para o mundo com novos olhos. Os contemplativos podem ver a presença de Deus em situações improváveis. Deus sempre nos precede e está presente em qualquer situação antes de chegarmos. É nosso dever descobrir a presença de Deus nas coisas que nos rodeiam e proclamar esta presença para nosso mundo.
*RUMO À TERRA DO CARMELO: UMA CARTA DO PRIOR GERAL PARA FAMÍLIA CARMELITANA POR OCASIÃO DO 550º ANIVERSÁRIO DA BULA “CUM NULLA”
O OLHAR DO FREI SÍLVIO FERRARI, CARMELITA.
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“Os Políticos corruptos são a praga daninha da sociedade. Consciência, minha gente! Não eleja ou reeleja corruptos. Não seja conivente com os canalhas”. Frei Sílvio Ferrari, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro. Fonte: Facebook (www.facebook.com/freipetros)
CARMO DA LAPA- CONVITE
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OLHAR CARMELITANO: O Carmelo e a Esperança-02
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Frei Joseph Chalmers O. Carm. Ex- Prior Geral
Recordem-se da experiência de Elias. Apenas obteve a vitória para Yahvé, a rainha Jezabel o ameaçou e imediatamente as preocupações dentro de Elias o desanimaram e foi-se ao deserto, lugar tradicional de silêncio. Deus fala a Elias através do anjo para que possa continuar seu caminho. Elias tem dificuldade para ouvir a voz de Deus no meio de todos seus problemas, pero finalmente é levado até o Horeb. Quando chega, Deus lhe pergunta o que está fazendo. Elias responde que está cheio de zelo pela glória do Senhor, Deus dos exércitos; ele diz a Deus que é o único fiel em todo Israel. Deus não responde a isto, mas que diz-lhe que suba à montanha. Ali, Elias encontra Deus, pero não do modo que ele esperava, nem sequer do modo que sua tradição religiosa lhe havia ensinado a esperar Deus. Elias deve calar todas as vozes internas que lhe dizem que Deus é assim e assado, para poder receber verdadeiramente a Deus. Quando Elias se encontra com Deus, na modo que Deus se manifesta e não como ele esperava, está aberto a escutar a verdade que o livra das ilusões. Ele pensava que Deus necessitava dele porque era o último profeta que restava. Deus responde-lhe que há outros 7000 profetas que não se ajoelharam ante Baal. Então, liberado de suas ilusões, recebe uma nova missão da parte de Deus, que será cumprida por seu discípulo Eliseu, que recebe uma porção dupla do seu espírito.
Na nossa viagem de fé há momentos em que, seja em âmbito individual ou Provincial, somos levados ao deserto. Às vezes caminhamos pelo deserto seguindo a chamada de Deus e, outras, estamos nele por causa das circunstâncias. O deserto é árido e pode ser um lugar espantoso. O quê significa esta experiência? Temos feito o possível para ser fiéis à chamada de Cristo e segui-lo. Temos trabalhado em Paróquias ou Colégios durante muitos anos e, contudo, por algum motivo o futuro nos parece obscuro. Os sacerdotes e os religiosos perderam seu status social na sociedade e vem a tentação de não seguir adiante porque não vale a pena. Deus, então, nos envia um mensageiro. Este mensageiro pode aparecer de qualquer forma e nos anima a comer e beber porque a viagem é longa. Somos convidados a comer o pão da vida e a beber nos poços do Carmelo, quer dizer, na tradição carmelita, que deu vida a tantas gerações antes de nós, e isto por causa da vida nova que está surgindo em muitas partes da Ordem. Talvez estejamos rígidos por demais para reconhecer tudo isto, então o mensageiro de Deus nos anima de novo a comer e beber. É um grande desafio reconhecer o que Deus está nos dizendo em nossa vida diária e, sobretudo, reconhecer a voz de Deus através da voz inesperada de outra pessoa.
Não sei se Deus provoca tudo o que sucede ao nosso redor, porém creio firmemente que Deus está no meio dos acontecimentos, bons ou maus. Deus utiliza tudo, pequeno ou grande, bom ou mau, para desafiar nosso modo normal de estar no mundo, da mesma forma que desafiou Elias para que abandonasse todas as expectativas que tinha sobre o modo como devia ir ao seu encontro. Estas expectativas estavam profundamente enraizadas em Elias e também nossas expectativas estão profundamente enraizada em nós. Antes que podamos receber a Deus, tal como Ele realmente é, temos que aprender a abandonar todas estas coisas. É um processo doloroso, uma verdadeira noite escura, mas essencial, a fim de que possamos chegar à luz do dia e estar preparados para o encontro com Deus.
Nossa tradição carmelita fala de uma viagem de transformação. Os acontecimentos da vida não estão desprovidos de significado. No centro de todo acontecimento, Deus nos está chamando para dar um passo adiante no caminho. Deus nos está chamando a dar um passo adiante em nossa maneira normal de julgar os outros, inclusive nós mesmos e as situações, para começar a ver as coisas da perspectiva de Deus. O fim da nossa viagem é nossa transformação, a fim de estar em condições de ver as coisas como se tivéssemos os olhos de Deus e amar tudo o que vemos como se tivéssemos o coração de Deus. Necessitamos comer e beber porque de outra forma a viagem será demasiada longa para nós. Encontramos o alimento diário para a viagem na celebração da Eucaristia, na meditação da Palavra de Deus e na nossa tradição carmelita.
Nossa fé, esperança e caridade, as três virtudes cristãs fundamentais, estão ao início da nossa viagem, baseadas no que temos aprendido dos outros. Os motivos humanos para crer, esperar em Deus e amar como Cristo mandou, não são suficientes em nossa viagem. Podemos esquecer tudo, pois a viagem é muito precária e o seu final não é certo; podemos recusar o mensageiro e ficarmos onde estávamos ou, podemos continuar a viagem no meio da noite. Um elemento essencial para a nossa viagem para a transformação é a noite escura. Esta nunca foi entendida como algo deprimente ou impossível, mas como um convite para abandonar nossos modos humanos e limitados de pensar, amar e agir, a fim de que podamos pensar, amar e agir segundo os modos divinos.
São João da Cruz descreve de maneira magistral os diversos elementos da noite, mas estes não são iguais para todos. Cada pessoa experimenta a noite de um modo diferente, pois está posta para ajudar ao indivíduo em sua purificação. A noite escura não é um castigo pelo pecado ou pelas infidelidades, mas é um sinal da proximidade de Deus. A noite escura é a obra de Deus e conduz à plena libertação da pessoa humana. Por este motivo teríamos que dar as boas-vindas à noite, a pesar da dor e da confusão. A noite escura não é somente para pessoas individuais, mas para os grupos ou sociedades interas.
A viagem de transformação é habitualmente longa porque a purificação e a mudança da pessoa humana são muito profundas. Esta não é somente uma mudança de idéias ou de opinião, é uma completa transformação em nossa relação com o mundo que nos rodeia, com os outros e com Deus. Existe um provérbio: não julgue nenhuma pessoa até não tenha caminhado um quilômetro e meio com sapatos dela. Jesus disse aos seus seguidores que não julguem e o motivo é muito simples: não podemos ver as cosas da perspectiva de outra pessoa e por isso não conhecemos os motivos de suas ações. O processo de transformação cristã conduz a pessoa humana a uma mudança profunda de perspectiva: do seu ponto de vista, ao ponto de vista de Deus. Isto inclui uma purificação profunda e um esvaziamento de todos os nossos apegos para que possamos ser cheios de Deus.
Certamente devemos planejar e trabalhar para sua realização. Temos de fazer tudo isto numa atmosfera de oração para tratar de discernir a vontade de Deus e não somente o que quer a maioria, ou pior, o que nós queremos fazer de maneira egoísta. Inclusive se oramos antes de tomar as decisões, não há uma garantia de êxito. Sabemos por amarga experiência como surgem problemas para invalidar nossos planos e obstaculizar nossas intenções.
Esta experiência não deve tornar-nos em fatalistas, negando os planos para o futuro porque tememos o fracasso. Temos um chamado a trabalhar com Jesus Cristo para a construção do Reino de Deus. Para chegar a converter-nos em cidadãos do Reino de Deus, temos que mudar. Deus está realizando uma obra prima na vida de cada um de nós e está levando a cabo o seu desígnio de salvação através do nosso trabalho ou do trabalho da Província. Um artista não gosta de mostrar sua obra antes que esteja acabada, por isso não podemos ver o que Deus está fazendo antes do tempo apropriado. Deus está trabalhando em nosso mundo e em nossa vida. Cooperemos com Deus e continuemos a nossa viagem até a transformação. A Virgem nos acompanha nesta viagem como nossa Mãe, Irmã e Patrona. No duvidemos: “Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais penetrou no coração do homem o que Deus preparou para os que o amam.” (1 Cor. 2,9).
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