Eremitas, as mulheres do deserto
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Elas se chamavam Macrina, Paula,Sabiniana, Teodora, Olímpia, Eugenia,Marcela, Vitalina e muitas outras ainda. O seu número era considerável: o testemunho de Paládio, autor da História Nausíaca, do século IV, indica o seu número em até mesmo 3.000. Só no mosteiro egípcio deTabennisi, contavam-se nada menos do que 400 coabitantes juntas. São as Madres do deserto. A versão "rosa" do mais célebre e famoso movimento monástico iniciado porAntônio (250-356), egípcio, que se estabeleceu não muito longe do Sinai. A reportagem é de Lorenzo Fazzini, publicada no jornal Avvenire, 24-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um fenômeno pouco conhecido, o das mulheres que deixaram tudo para buscar a Deus na solidão de um deserto. Uma experiência que, infelizmente, ao longo dos anos, foi posta entre parênteses também no mundo cristão, como aconteceu com outras experiências religiosas femininas.
E que, em vez disso, possui uma peculiaridade própria profunda, também para hoje, como testemunha Gabriele Ziegler no seu recente texto Madri del deserto. Eremite del primo Cristianesimo (Libreria Editrice Vaticana, 160 páginas).
São muitas as novidades que Ziegler evidencia na sua pesquisa. Acima de tudo, ela traça os elementos característicos e plausivelmente unitários dessas mulheres eméritas: entre eles, a capacidade, embora vivendo uma experiência de isolamento, de serem solidárias na sua busca ascética de Deus: "As Madres do deserto não eram combatentes solitárias; ao contrário, estavam em relação com as irmãs e se aconselhavam com elas".
Franqueza e perspicácia nas relações com seus pares do sexo masculino caracterizavam essas figuras femininas, que poderíamos definir como viris, exceto pelo fato de que esse termo ainda as encapsularia em clichês típicos de uma visão masculina.
No entanto, um exemplo disso é este trecho tirado dos testemunhos sobre Sarrha, mulher que, afirma a coleção de vidas femininas Meterikon, "viveu na luxúria durante 15 anos", depois foi eremita no Nilo durante 60 anos: "Segundo a natureza, sou mulher, mas não o sou nos pensamentos", disse ela em um debate com dois homens. Uma maneira de afirmar a paridade de valores intelectuais em relação aos Padres.
O conhecido monge e escritor Anselm Grün assinala, no seu prefácio, que a experiência das eremitas constituiu uma ruptura (para melhor) no mundo antigo na questão da igualdade de gêneros: "Em relação aos filósofos gregos, que desconheciam às mulheres a capacidade de filosofar, os Padres da Igreja e os primeiros monges reconhecem nas mulheres a mesma energia necessária para a ascese".
Outro elemento unificante dessa experiência era a qualificação que era atribuída a essas mulheres: quem escolhia a ermida era chamada de "amma", ou "uma mulher sábia que pode acompanhar as outras no percurso de vida. As Madres do deserto se tornaram algo como parteiras espirituais que ajudaram outras a amadurecer na alma e a fazer o seu caminho de vida", escreve Ziegler.
Um exemplo dessa estatura humana e espiritual é encontrada em Olímpia: como jovem noiva de Nebridius, tesoureiro do imperador Teodósio, ela foi ordenada diaconisa com menos de 40 anos. Foi discípula de João Crisóstomo e manteve com ele inúmeros intercâmbios epistolares.
Falávamos antes de algumas características dessas mulheres embebidas de modernidade. Dentre elas, destaca-se o elemento de uma sexualidade reconciliada. Testemunha disso, por exemplo, é o caso de Paulo, o primeiríssimo eremita, que se estabeleceu no Monte Gherit, perto do Mar Vermelho, que viveu entre 228 e 341: quando ficou paralisado, foi cuidado e auxiliados apenas por mulheres. "Desse modo – escreve Ziegler – ele esclarece que a plena castidade não envolve a tentativa de se isolar de todo tipo de sexualidade". autora observa como "as Madres do deserto não admitiram que uma mulher fosse considerada, a priori, como uma tentadora, como Eva. Sustentadas pela sua experiência e pelo debate com mulheres provadas pelo deserto, elas demonstraram que essa funesta identificação não é verdadeira".
E até mesmo a abstinência sexual não era considerada como um absoluto imprescindível: "Qualquer forma de ascese não tem valor em si mesma: o parâmetro para uma vida que seja sustentável e que nos torne sustentáveis para os outros é o do amor".
Ainda sobre as experiências do deserto e da vida dos Padres, é preciso assinalar outro livro muito recente, editado pelo escritor Ermanno Cavazzoni (a partir de seu Il poema dei lunatici, Federico Fellini produziu o filme La voce della luna): Gli eremiti del deserto (Quodlibet, 144 páginas), leva o leitor, especialmente o pós-secular, ou seja, aquele que olha com desencanto para o mundo, a redescobrir a capacidade mística daqueles homens que abandonaram o mundo para buscar a Deus de forma solitária.
Aqui, também, os números nos falam de um povo: só no deserto etíope, contavam-se 600, enquanto 5.000 eram os estimados na região de Alexandria do Egito.
Os Padres do deserto se tornaram, desse modo, presenças magnéticas para o povo (Hilarion, por exemplo, gozava de uma fama em todo o Oriente, a tal ponto que "não conseguia ficar escondido. Muitos o conheciam por ouvir dizer ou pessoalmente") em termos de ajudas, milagres e capacidade de se tornar pontes com o divino. Com um "anticarreirismo" eclesiástico preciso, que tem traços realmente curiosos e interessantes.
Amônio, quando quiseram torná-lo bispo da cidade, pegou algumas tesouras e cortou-se uma orelha: "Vejam que eu não posso ser bispo, porque a lei proíbe fazer sacerdote quem não tem uma orelha". Mas as pessoas voltaram à pressão, e ele chegou a dizer que também se cortaria a língua se tentassem fazê-lo subir à dignidade episcopal.
Quando se falar de Padres, também se descobrem elementos de grande modernidade: lendo episódios da vida deAntônio, descobre-se que eles consideravam as tentações de caráter sexual como menos perigosas, enquanto o caruncho da soberba era o perigo de que a alma mais deveria se proteger. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
CARMELITAS: Como abelhas do Senhor
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Frei Emanuele Boaga, O. Carm In Memoriam e irmã Augusta de Castro Cotta, CDP
Na base da oração-contemplação vivida no Carmelo encontramos a experiência e o modo de entendê-la dos eremitas que, no final do século XII e nos primeiros decênios do século seguinte, viviam à imitação do Profeta Elias, no Monte Carmelo, perto da fonte chamada de Elias, - “Em pequenas celas, semelhantes a alvéolos, como abelhas do Senhor, recolhendo o mel divino da doçura espiritual” (Jacques de Vitry) - esforçando-se continuamente para assimilar o modo de ser de Cristo.
2- Esta atitude dos primeiros carmelitas vem codificada na Vitae Formula (depois Regra do Carmo), pelo santo Patriarca de Jerusalém, Alberto de Vercelli, no bem fundamentado discurso sobre a oração, elemento primordial e fundante da vida carmelitana, juntamente com a fraternidade e a diaconia.
26 DE MAIO: Corpus Christi despedaçado.
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Por Frei Petrônio de Miranda, Padre e Jornalista Carmelita. Convento do Carmo, São Paulo. 06 de maio-2012
Atualização: Convento do Carmo, Lapa, Rio de Janeiro. 19 de junho-2014. Festa de Corpus Christi.
Ouça o áudio. Clique aqui:
Veja o vídeo. Clique aqui:
Ó Jesus no ventre materno
Em Maria a gerar.
Olha para as mães grávidas
Sem família e sem um lar.
Junta todos os pedaços,
De sangue, suor e dor.
Ó meu Jesus Eucarístico,
Vem mostrar o teu amor!..
*Leia na íntegra. Clique aqui:
http://www.mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2014/06/corpus-christi-despedacado.html
O Papa adverte os bispos sobre novas ordens religiosas
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O Papa Francisco advertiu, na última sexta-feira, os bispos para que consultem o Vaticano antes de aprovar novas ordens religiosas, sob o risco de que a máxima hierarquia católica anule suas decisões. A reportagem é publicada por 20 Minutos, 20-05-2016. A tradução é de André Langer.
De acordo com uma lei publicada na sexta-feira, o objetivo é garantir que os novos institutos religiosos cumpram todos os critérios das ordens religiosas, especialmente que tenham um “carisma” ou um espírito fundacional únicos e que seus membros pratiquem a pobreza, a castidade e a obediência.
Anteriormente, exigia-se dos bispos que consultassem o Vaticano sobre novas solicitações, mas não havia consequências caso não o fizessem. Mas agora, suas decisões podem ser invalidadas.
Em geral, as ordens religiosas começam como pequenos “institutos de vida consagrada” que recebem a aprovação de um bispo local para que operem em sua diocese. Com o tempo, se atraírem mais membros, podem solicitar ao Vaticano que lhe outorgue reconhecimento pontifício, como a Companhia de Jesus ou os Missionários da Caridade.
Kurt Martens, professor de Direito Canônico na Universidade Católica da América, disse que a nova lei pretende evitar que “aconteçam desastres” quando um bispo aprovar um novo instituto religioso sem fazer as comprovações pertinentes.
Embora Francisco tenha muito interesse em descentralizar a tomada de decisões da Igreja aos bispos, Martens sublinhou que a Santa Sé tem muita experiência a oferecer. Disse que a nova lei parece buscar um “equilíbrio saudável”.
A nova lei centra-se nas primeiras etapas da aprovação da Igreja de novas ordens religiosas. Ela foi publicada no momento em que o Vaticano está lidando com um novo escândalo na ordem Sadalitium Christianae Vitae, com sede no Peru, que recebeu a aprovação diocesana em 1994 e o reconhecimento pontifício em 1997.
O Vaticano nomeou recentemente o seu ex-segundo hierarca a cargo das ordens religiosas, o arcebispo Joseph Tobin, para que supervisione reformas na ordem Sodalitium depois que uma comissão de ética interna descobriu que os jovens recém ingressados eram vítimas de abusos físicos, psicológicos e sexuais, segundo a agência de notícias católica.
A agência, cujo diretor executivo é um membro do Sodalitium, disse que a comissão encontrou uma cultura interna de “disciplina e obediência extrema ao fundador”, um eufemismo paralelo a outro escândalo similar, ocorrido nosLegionários de Cristo, com sede na Cidade do México. Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
O CARMO DE BARBACENA: Frei Petrônio.
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Qual a imagem que você tem de Deus?
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Frei Carlos Mesters, O. Carm.
João teve que ir à rodoviária receber a irmã do tio do pai dele. Visto que ele não conhecia a pessoa, deram a ele uma foto. Quando chegou o ônibus, João foi conferindo as pessoas, fotografia na mão. Só um pequeno detalhe. A foto era de 45 anos atrás. No fim, por último, sai do ônibus uma senhora de idade. João pergunta, mostrando a foto: “Por acaso, a senhora viu se esta pessoa estava no ônibus?” Ela olhou, sorriu e disse: “Sou eu!” João olhou a pessoa conferiu com a foto e disse: “A senhora pode enganar os outros, mas não a mim!” Deixou a dona na rodoviária, voltou para casa e disse: “Pai, ela não chegou não. Acho que perdeu o ônibus!”. Foi a foto antiquada que impediu a João de reconhecer a tia na rodoviária.
Nós temos muitas fotos antiquadas de Deus na cabeça que bloqueiam tudo e nos impedem de reconhecer a presença de Deus na rodoviária da vida. Há pessoas que identificam Deus com a imagem que dele têm na cabeça. Não permitem que alguém a coloque em dúvida, pois é a sua segurança. Elas não se dão conta de que toda imagem de Deus é apenas uma imagem, uma metáfora, um símbolo, mas não é Deus. Deus é maior. Deus não pode ser identificado com nenhuma imagem, seja ela qual for (1Tim 6,16). Ultrapassa tudo que nós possamos imaginar. Esse tipo de fundamentalismo é uma tentativa de obrigar a Deus a ser como nós queremos que Ele seja para nós.
O problema da imagem de Deus em nós
O que mais dificulta a descoberta da mensagem da Bíblia é a imagem de Deus que nos orienta na vida e determina nosso olhar. Todos temos, dentro de nós, uma imagem de Deus. Até os ateus! Se eles se dizem ateus, é porque não concordam com uma determinada imagem de Deus. No fundo, era a imagem que o professor universitário se fazia de Deus, que o levou a ver a Bíblia como um livro infantil. A imagem de Deus se transmite, não só pelo que informamos sobre Deus através de doutrinas, mas também e sobretudo pelo que transmitimos através das atitudes que tomamos. Mesmo sem falar de Deus, dele somos um reflexo. Algo se comunica.
Um ex-drogado disse uma vez: “Fui criado na religião católica. Hoje não participo mais. Meus pais eram muito praticantes e queriam que nós, os filhos, fôssemos como eles. A gente era obrigado a ir à igreja sempre, todos os domingos e festas. E quando não ia, eles diziam: "Deus castiga!” Eu ia a contragosto, e quando fiquei adulto, deixei de ir. Fui deixando aos poucos. Eu não gostava do Deus dos meus pais. Não conseguia entender como é que Deus, criador do mundo, ficava em cima de mim, menino da roça, ameaçando com castigo e inferno. Eu gostava do Deus do meu tio que não pisava na igreja, mas que, todos os dias sem falta, comprava o dobro de pão, de que ele mesmo precisava, para dar para os pobres!"
SANTO ELIAS EM BARBACENA: Convite.
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Festa da Santíssima Trindade
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Um só Deus em três pessoas... Ao adotar o dogma da Trindade, os cristãos dos primeiros séculos não escolheram o caminho da facilidade! O que significa, então, crer na Trindade? A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
Os primeiros cristãos mostraram uma audácia muito grande, ao darem início à fé na Trindade. Digo «dar início», porque foi preciso muito tempo, até que esta fé encontrasse a sua fórmula definitiva. Ela ia contra o senso comum e parecia estar reinventando o politeísmo. Muitos cristãos, muitas vezes, nem se lembram da Trindade, quer dizer, de Deus em Si mesmo. Quando imaginamos Deus como uma espécie de super-homem infinitamente poderoso, ou como uma força à qual nada pode resistir, estamos em plena regressão, de volta a imagens espontâneas e primitivas do divino. Foram necessárias todas as Escrituras bíblicas para nos fazer passar do Deus solitário e monolítico ao Deus «sociedade», ao Deus comunhão, ou seja, ao Deus que em si mesmo é amor. Esta generosidade interna é que tornou possível a criação, a menos que se considere esta conforme o modelo artesanal, do oleiro moldando a argila, imagem que a Bíblia utiliza, explora e ultrapassa. O Novo Testamento é que nos dará a última revelação. As Escrituras, no entanto, não fazem contas: não lemos nelas, jamais, que «Deus é três». A Trindade veio até nós de uma reflexão dos primeiros séculos do cristianismo.
Deus Pai, Filho, Espírito
Em nossos textos, não encontramos de fato esta formulação, de «um Deus em três pessoas». Vemos, no entanto, serem nomeados muitas vezes o Pai, o Filho e o Espírito. Dentre muitos outros textos, podemos citar 2 Coríntios 13,13, que reúne os três em uma só fórmula: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!» São três «Pessoas» que se fazem apenas Um. Em São João, ouvimos Jesus dizer muitas vezes: «O Pai e eu somos Um.» João 14,9-10 recapitula bem todos estes textos. Filipe pede que Jesus lhe mostre o Pai e Jesus responde: «Tu não me conheces, Filipe? Quem me vê, vê o Pai… Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim?» Quanto ao Espírito, Ele é o sopro mesmo de Deus, a realidade pela qual Deus se comunica. O que irá soprar aos discípulos não será a sua própria palavra. Enviado pelo Pai em nome do Cristo, «o Espírito Santo vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse» (versículo 26). O Sopro traz a Palavra e se faz um só com ela. É um pouco o que acontece conosco, quando falamos. O envio do Filho e do Espírito de filiação até aos homens é, portanto, o que está na base da reflexão eclesial sobre a Trindade. O «dogma» é, antes de tudo, a experiência dos primeiros cristãos, dos primeiros crentes. É bom que se diga imediatamente que o fato de se fazer uma conta e dizer «Ele é Três» não é desprovido de significado. A ideia que fazemos de Deus se transformou.
Tudo é relações
A origem de tudo o que existe, e que chamamos de Deus, é relações. Não como se fossem seres já existentes e que, num segundo tempo, estabelecessem pontes entre si. Não! A «substância» de Deus é, se podemos dizer assim, relação, intercâmbio. Resulta daí que o universo inteiro, feito à sua imagem, é também relações. Não poderia jamais dizer «eu» se não tivesse à minha frente um «tu» de quem me distinguir. Temos aí, pois, a diferença entre as pessoas. Mas onde está a unidade necessária à nossa semelhança divina? Pois bem, quando o Espírito se faz presente, todos os «Eu» se tornam um «Nós» e formamos um só corpo, construído em nossas diferenças. Somos, nós mesmos, relações. O que há em nossos músculos vem-nos do sol, dos sais minerais, da água e do fogo. E tudo isto nos foi dado pela relação de nosso pai e nossa mãe. O que há em nossa inteligência nos vem em primeiro lugar do contato com os nossos pais e, em seguida, da linguagem, das nossas leituras, do ensinamento recebido e da cultura na qual nos banhamos. Só existimos por causa destes liames e entrelaçamentos que mantemos com os outros. Com referência a Deus, dizemos Pai, Filho e Espírito. É preciso repetir que estas são palavras que não devem ser tomadas em seu sentido habitual: elas ultrapassam infinitamente tudo de que podemos ter experiência.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br
ELIAS PEREGRINO EM MINAS GERAIS: Um olhar.
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Agradecemos ao Revmo Sr. Pároco Da paroquia de Santa Cruz de Minas-MG, o Pe. Pedro Wierman, pela acolhida tão generosa, a imagem do nosso pai, Santo Elias. Agradecemos também aos nossos irmãos carmelitas que nos representaram tão bem. Obrigada a todos. Fonte: Raquel/ Facebook.
"Ignorar o pobre é desprezar a Deus", diz papa Francisco
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Catequese abordou a parábola do Rico e Lázaro retratada no Evangelho de Lucas
“A Palavra de Deus pode reviver um coração murcho e curá-lo de sua cegueira. O rico conhecia a Palavra de Deus, mas não deixou que ela entrasse em seu coração, não a escutou, então foi incapaz de abrir os olhos e ter compaixão pelo pobre”, disse o papa Francisco, na catequese da quarta-feira, 19 de maio.
Os peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro, acompanharam a meditação semanal, que tratou da parábola do Rico e Lázaro (Lc 16, 10-31). Durante a catequese, Francisco recordou que a figura de Lázaro representa o grito silencioso dos pobres de todos os tempos e a contradição de um mundo onde imensa riqueza e recursos estão nas mãos de poucos.
“Ignorar o pobre é ignorar Deus! Isto devemos aprender bem: ignorar o pobre é desprezar Deus”, lembrou o papa.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Eu gostaria de refletir com vocês hoje sobre a parábola do homem rico e do pobre Lázaro. A vida dessas duas pessoas parece se desenrolar em vias paralelas: as suas condições de vida são opostas e totalmente sem comunicação. A porta da casa do rico está sempre fechada aos pobres, que está lá fora tentando comer alguma sobra da mesa do rico. Esse veste roupas de luxo, enquanto Lázaro estava coberto de feridas; o rico todos os dias tem um banquete luxuoso, enquanto Lázaro está morrendo de fome. Somente os cachorros cuidavam dele e vinham lamber-lhe as feridas. Esta cena lembra a repreensão dura do Filho no juízo final: “Tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, eu estava […] nu e não me vestistes” (Mt. 25,42 a 43). Lázaro representa bem o grito silencioso dos pobres de todos os tempos e a contradição de um mundo onde imensa riqueza e recursos estão nas mãos de poucos.
Jesus diz que um dia aquele homem rico morreu: os pobres e os ricos morrem, têm o mesmo destino, como todos nós, não há exceções a esta regra. E então aquele homem se volta a Abraão, pedindo-lhe com o título de “pai” (vv. 24,27). Portanto, ele afirma ser seu filho, pertencente ao povo de Deus. Mas na vida não mostrou nenhuma consideração por Deus, mas tornou-se o centro de tudo, trancado em seu próprio mundo de luxo e desperdício. Excluindo Lázaro, não teve qualquer consideração nem ao Senhor nem à sua lei. Ignorar o pobre é ignorar Deus! Isto devemos aprender bem: ignorar o pobre é desprezar Deus. Há uma particularidade que deve ser observada nessa parábola: o rico não tem nome, apenas o adjetivo: “o rico”; enquanto o nome do pobre é repetido cinco vezes e “Lázaro” significa “Deus ajuda”. Lázaro, encontrando-se na frente da porta, é um chamado vivo para que o rico se lembre de Deus, mas o rico não acolhe esse chamado. Será condenado, portanto, não por sua riqueza, mas por ser incapaz de sentir compaixão de Lázaro e socorrê-lo.
Na segunda parte da parábola, encontramos Lázaro e o homem rico após a morte (vv. 22-31). Daqui em diante a situação se inverte: Lázaro foi levado pelos anjos ao céu a Abraão, o rico se precipita em meio aos tormentos. Em seguida, o rico “olhou para cima e viu ao longe Abraão, e Lázaro ao seu lado.” Ele parece ver Lázaro pela primeira vez, mas suas palavras o contradizem: “Pai Abraão, diz – tenha misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar a ponta do seu dedo e me refrescar a língua, porque estou atormentado nesta chama”. Agora o rico reconhece Lázaro e pede ajuda, enquanto em vida, fingia não vê-lo. Quantas vezes as pessoas fingem não ver os pobres! Para eles, os pobres não existem. Antes negou-lhe até mesmo as sobras de sua mesa e agora pede o que beber! Ainda assim, ele acredita que pode reivindicar direitos por sua condição social. Declarando impossível atender seu pedido, o próprio Abraão fornece a chave de toda a história: ele explica que o bem e o mal foram distribuídos para compensar a injustiça terrena, e a porta que separava em vida o rico e o pobre, é transformada em “um grande abismo.” Enquanto Lázaro estava em sua casa, para o rico havia uma chance de salvação, abrir a porta, ajudar Lázaro, mas agora que estão mortos, a situação se tornou irreparável. Deus não foi nunca chamado diretamente, mas a parábola adverte claramente: a misericórdia de Deus para conosco é proporcional à nossa misericórdia para com o próximo. Quando esta falta, quando não tem lugar no nosso coração fechado, ela não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração aos pobres, a porta está fechada. Mesmo para Deus. E isso é terrível.
Neste ponto, o homem rico pensa nos seus irmãos, que estão suscetíveis de ter o mesmo destino, e pede que Lázaro retorne ao mundo para avisá-los. Mas Abraão responde: ‘Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos.’ Para converter a nós mesmos, não devemos esperar acontecimentos milagrosos, mas abrir o coração à Palavra de Deus, que nos chama a amar Deus e o próximo. A Palavra de Deus pode reviver um coração murcho e curá-lo de sua cegueira. O rico conhecia a Palavra de Deus, mas não deixou que ela entrasse em seu coração, não a escutou, então foi incapaz de abrir os olhos e ter compaixão pelo pobre. Nenhum mensageiro e nenhuma mensagem pode substituir o pobre que encontramos na estrada, porque neles encontramos o próprio Jesus: “Tudo o que você fizer ao menor destes meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25: 40), diz Jesus. Então na reversão das fortunas que a parábola descreve está escondido o mistério da nossa salvação, em que Cristo une a pobreza à misericórdia. Queridos irmãos e irmãs, ouvindo esse Evangelho, todos nós, junto aos pobres da terra, podemos cantar com Maria: “Depôs poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; Ele encheu os famintos com coisas boas, despediu os ricos de mãos vazias “(Lc 1,52-53). Fonte: http://www.cnbb.org.br
Mulher padre: nunca?
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“Não parece que o Novo Testamento, tomado isoladamente, permita resolver, de forma clara e definitiva, o problema do possível acesso das mulheres ao presbiterato”,
O ensinamento de Jesus
Se considerarmos o ambiente social e cultural em que Jesus viveu, seus ensinamentos e comportamento com relação às mulheres, são surpreendentes, pela novidade.
A Mãe de Jesus à Igreja
Os evangelistas Mateus e, mais ainda, Lucas puseram claramente o papel insubstituível de sua mãe, Maria. Ela incorpora e vive os valores de feminilidade apresentados no Antigo Testamento. Maria é a mulher "nova" de um povo "novo". É ela que dá à luz a Cristo, homem "novo", de um povo "novo" (cf. Apocalipse).
Condição social das mulheres na revelação bíblica
Condição eclesial da mulher
Antigo Testamento. De acordo com a opinião quase unânime dos exegetas, as mulheres podiam oferecer sacrifícios e participar na liturgia, mas, aos poucos, as tarefas relacionadas com a liturgia foram sendo confiadas unicamente aos homens da tribo de Levi.
Novo Testamento. Jesus cercou-se de mulheres que o seguiam e serviam. São elas que recebem o encargo de anunciar a ressurreição. O quarto evangelho enfatiza seu papel de testemunhas. Maria Madalena será chamada, pela tradição, de "apóstola dos apóstolos". Enquanto o cristianismo se difundia, as mulheres iam assumindo papéis consideráveis. Podemos lembrar: Lídia, a mãe de Marcos e Priscila, Evodia, Síntique. Das 27 pessoas que Paulo agradece ou saúda no último capítulo da Carta aos Romanos, 9 ou talvez 10 são mulheres. Paulo menciona explicitamente uma mulher "diácono" da Igreja de Cencréia (Rm 16,1-2). Nas Cartas Pastorais, as mulheres indicadas após os bispos e diáconos tinham provavelmente o "status" de diáconas (cf. 1Tm 3,11)...
*Leia na íntegra. Clique aqui:
http://mensagensdofreipetroniodemiranda.blogspot.com.br/2016/05/mulher-padre-nunca.html
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