Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mt 10, 1-7)
1Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade. 2Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. 3Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. 4Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. 5Estes são os Doze que Jesus enviou em missão, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não ireis ao meio dos gentios nem entrareis em Samaria; 6ide antes às ovelhas que se perderam da casa de Israel. 7Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo.
3) Reflexão Mateus 10,1-7
No capítulo 10 do Evangelho de Mateus começa o segundo grande discurso, o Sermão da Missão. Mateus organizou o seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus ou como um novo “pentateuco” com seus cinco livros. Por isso, o seu evangelho traz cinco grande discursos ou ensinamentos de Jesus, seguidos por partes narrativas, nas quais ele descreve como Jesus praticava o que tinha ensinado nos discursos. Eis o esquema:
Introdução: nascimento e preparação do Messias (Mt 1 a 4)
Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7)
Narrativa Mt 8 e 9
Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10)
Narrativa Mt 11 e 12
Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13)
Narrativa Mt 14 a 17
Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18)
Narrativa 19 a 23
Sermão da vinda futura do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25)
Conclusão: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).
O evangelho de hoje traz o início do Sermão da Missão, no qual se acentuam três assuntos: (1) o chamado dos discípulos (Mt 10,1); (2) a lista dos nomes dos doze apóstolos que vão ser os destinatários do sermão da missão (Mt 10,2-4); (3) o envio dos doze (Mt 10,5-7).
Mateus 10,1: O chamado dos doze discípulos
Mateus já tinha falado do chamado dos discípulos (Mt 4,18-22; 9,9). Aqui, no começo do Sermão da Missão, ele traz um resumo: “Então Jesus chamou seus discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos maus, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade”. A tarefa ou missão do discípulo é seguir Jesus, o Mestre, formando comunidade com ele e realizando a mesma missão de Jesus: expulsar os espíritos maus, curar qualquer tipo de doença e enfermidade. No evangelho de Marcos, eles recebem a mesma dupla missão, formulada com outras palavras: Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3,14-15). 1) Estar com ele, isto é, formar comunidade, na qual Jesus é o eixo. 2) Pregar e ter poder para expulsar demônio, isto é, anunciar a Boa Nova e combater o poder do mal que estraga a vida do povo e aliena as pessoas. Lucas diz que Jesus rezou a noite toda e, no dia seguinte, chamou os discípulos. Rezou a Deus para saber a quem escolher (Lc 6,12-13).
Mateus 10,2-4: A lista dos nomes dos doze apóstolos.
Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Por exemplo, Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também tinha o nome de Levi (Mc 2,14), que é outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos sete têm nome que vem do tempo dos patriarcas. Dois se chamam Simão; dois, Tiago; dois, Judas; um, Levi! Só tem um com nome grego: Filipe. Isto revela o desejo do povo de refazer a história desde o começo! Seria como hoje numa família bem brasileira, na qual todos os filhos têm nomes do tempo dos índios Raoni, Ubiratan, Jussara, etc, e só têm nome americano Washington. Vale a pena pensar nos nomes que hoje damos para os filhos. Como eles, cada um de nós é chamado por Deus pelo nome.
Mateus 10,5-7: O envio ou missão dos doze apóstolos para as ovelhas perdidas de Israel.
Depois de ter enumerado os nomes dos doze, Jesus os envia com estas recomendações: "Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. Nesta única frase há uma tripla insistência em mostrar que a preferência da missão é para com a casa de Israel: (1) Não tomar o caminho dos pagãos, (2) não entrar nas cidades samaritanas, (3) ir primeiro para as ovelhas perdidas de Israel. Aqui transparece uma resposta à dúvida dos primeiros cristãos em torno da abertura para os pagãos. Paulo, que afirmava com tanta firmeza a abertura para os pagãos, concorda em dizer que a Boa Nova trazida por Jesus devia ser anunciada primeiro aos judeus e, depois, aos pagãos (Rom 9,1 a 11,36; cf. At 1,8; 11,3; 13,46; 15,1.5.23-29). Mais adiante, no mesmo evangelho de Mateus, na conversa de Jesus com a mulher cananéia, acontecerá a abertura para os pagãos (Mt 15,21-29).
O envio dos apóstolos para todos os povos. Depois da ressurreição de Jesus, há vários episódios do envio dos apóstolos não só para os judeus, mas para todos os povos. Em Mateus: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estarei com convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). Em Marcos: “Ide por todo mundo, proclamai a Boa Nova a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 15-16). Em Lucas: "Assim está escrito: O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. E vocês são testemunhas disso. (Lc 24,46-48; At 1,8) João resume tudo nesta frase: “Como Pai me enviou, eu envio vocês!” (Jo 20,21) :
4) Para um confronto pessoal
Você já pensou no significado do seu nome? Já perguntou a seus pais por que motivo lhe deram o nome que você tem? Você gosta do seu nome?
Jesus chama os discípulos. O seu chamado tem uma dupla finalidade: formar comunidade e ir em missão. Como vivo esta dupla finalidade na minha vida?
5) Oração final
Recorrei ao Senhor e ao seu poder, procurai continuamente sua face. Recordai as maravilhas que operou, seus prodígios e julgamentos por seus lábios proferidos. (Sl 104, 4-5)
Escritor e ensaísta, autor de "Notas sobre a Esperança e o Desespero" e “A Era do Niilismo”. É doutor em filosofia pela USP
As críticas às religiões são largamente conhecidas, inclusive suas matrizes. Segundo Freud, um religioso é infantil e regressivo porque não consegue lidar com o desamparo estrutural da condição humana. Adere a seres imaginários, derivados da expectativa infantil de proteção dos pais, a fim de ser cuidado por esses seres.
Segundo Nietzsche, a crítica se refere à covardia diante da indiferença cósmica e o decorrente ressentimento moral e religioso. Se, para Freud, falta maturidade à pessoa religiosa, para Nietzsche, falta coragem. O abandono cósmico é insuportável, como dizia o escritor grego Nikos Kazantzakis, um leitor aguerrido de Nietzsche.
Segundo Feuerbach, o religioso é um alienado das próprias potências que ele aloca imaginariamente nos deuses —em Cristo, no caso do cristianismo, especificamente. Para o autor, toda teologia é antropologia filosófica.
Segundo Marx, não muito longe do Feuerbach, o religioso é um alienado que outorga ao clero e sua instituição os poderes sobre si mesmo, sua sociedade e sobre o mundo. Mas, para nosso profeta do fim do capitalismo, essa alienação é material, visto que pagamos por ela. Compramos das religiões o ópio que nos deixará incapazes de enfrentar a vida com nossos próprios recursos. Toda religião é um delírio que nos custa dinheiro, em algum momento.
Segundo Epicuro, o mote da adesão aos deuses é o medo deles. Tememos o poder deles sobre nossas vidas, sejam vidas terrenas e históricas, sejam vidas depois da morte. Ao afirmar seu atomismo materialista, Epicuro nos livrava do terror dos deuses para com a vida após a morte, já que a alma seria puro ar que saia pela boca no último suspiro, portanto, mortal.
Quem sabe, se perdêssemos o medo dos deuses, perceberíamos que nada de ruim nos aconteceria —de ruim digo, algo diferente do que sempre nos acomete. O medo seria o afeto religioso por excelência.
Com Spinoza, aprendemos a suspeitar do caráter político das religiões —que o Marx, "doutor em Epicuro", herdou como parte de sua crítica às religiões. Se para Freud era o desamparo, para o Nietzsche a indiferença cósmica, para o Feuerbach e Marx era alienação, para Spinoza, era uma forma de política do medo.
Segundo alguns darwinistas, as religiões são traços evolucionários que se caracterizam por delírios imaginários organizados objetivamente e que foram adaptativos desde sempre. Seja para temermos os deuses maus, seja para pedirmos ajuda para os bons, as religiões nada mais seriam do que um polegar opositor metafísico.
Segundo o antropólogo Clifford Geertz, as religiões são "apenas" sistemas culturais de sentido como quaisquer outros. Humano, demasiado humano.
Entretanto, tais críticas em nada arranharam, até hoje, a fé e a adesão da maior parte dos seres humanos a sistemas religiosos dos mais variados tipos.
Apesar da reconhecida validade de todas essas análises, pessoalmente, sinto que a crítica freudiana é a mais letal e aponta para um elemento complicador, principalmente nos tipos de adesão mais radical a sistemas religiosos. Esse complicador é o vínculo entre a vida psicológica enquanto tal e a dita vida espiritual.
Onde ficaria a fronteira entre eventos estritamente psicológicos ou psicopatológicos e eventos de ordem espiritual-religiosa? Se você tem uma adesão dura a alguma religião que explicaria transtornos de comportamento a partir de uma semântica espiritual-religiosa, a fronteira, seguramente, poderia ficar borrada.
Se a adesão a sistemas religiosos significa, como pensava Freud, algum tipo de regressão psíquica a estágios mais "primitivos" —no sentido psicanalítico, ou seja, mais próximos da infância psíquica—, na lida com o desamparo e suas consequências, tais como medo, insegurança, sentimento de abandono, estresse material grave, doenças, ou mesmo algum tipo de dependência absoluta tardia, a tendência seria que esta adesão religiosa se caracterizasse por ser inatingível aos esforços da razão.
A conclusão é que, em sendo as religiões sistemas abertos de interpretação —não há limite para a interpretação religiosa dos fatos porque a religião implica teorias absolutamente dissociadas de qualquer teste racional ou empírico—, suas explicações podem devorar os eventos da vida, atribuindo sentido espiritual a tudo.
A crítica de Marx tem aqui também seu lugar. Qualquer serviço espiritual, principalmente se envolve atos de magia, custa dinheiro, muito dinheiro. Quando as religiões assumem as explicações para os sofrimentos psíquicos, as religiões vendem sua falsa cura para nós, os infelizes. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br
Um documento assinado pelo cardeal-prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé define como “ato de natureza cismática” o rito celebrado em 1º de julho. Em uma nota explicativa, são detalhadas as consequências da grave sanção canônica.
Vatican News
Os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay (respectivamente, sagrante principal e co-sagrante), bem como os bispos recém-consagrados Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, incorreram ipso facto na excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica por terem realizado “um ato de natureza cismática”, ou seja, a “consagração episcopal de quatro presbíteros sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice”. É o que se lê no decreto assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e referendado pelos dois secretários do mesmo Dicastério. Trata-se da conclusão, infelizmente anunciada, que chega vinte e quatro horas após a solene cerimônia celebrada em Écône, na Suíça, na manhã de 1º de julho de 2026.
O decreto de excomunhão e a nota explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé
O decreto do antigo Santo Ofício estabelece que, ao realizar a consagração, tanto os consagrantes quanto os consagrados incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico. É o doloroso desfecho, consequência da decisão tomada pelos lefebvrianos contra a vontade expressa repetidamente por Leão XIV. A excomunhão coloca novamente em situação de separação da Igreja de Roma tanto os bispos quanto os sacerdotes pertencentes à Fraternidade São Pio X. Quanto aos fiéis leigos, devem ser considerados excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade. Mais detalhes estão contidos em uma “Nota Explicativa”, publicada pelo Dicastério simultaneamente ao decreto de excomunhão, reproduzida integralmente a seguir.
A Nota do Dicastério
Desde os tempos de São Paulo VI até os mais recentes diálogos realizados neste Dicastério, as numerosas tentativas de reconduzir à plena comunhão com a Igreja Católica os membros do movimento iniciado por Dom Marcel Lefebvre revelaram-se infrutíferas. Essa situação agravou-se ainda mais em razão das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre e em manifesta violação do direito canônico.
Por isso, este Dicastério, no fiel exercício das funções que lhe foram confiadas, considera necessário reconhecer que tal ato configurou o delito de cisma, com as correspondentes consequências canônicas para os ministros sagrados e os fiéis leigos envolvidos. Com efeito, como já foi declarado em 1988, “tal desobediência — que implica uma rejeição prática do Primado Romano — constitui um ato cismático” (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ecclesia Dei, n. 3).
Na Suíça, na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi realizada a celebração presidida pelos bispos de Galarreta e Fellay, com o rito da consagração episcopal.
Diante disso, estabelece-se o seguinte:
1-Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X encontram-se em situação de cisma e, portanto, devem ser considerados cismáticos (cf. Ecclesia Dei, 5 c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa sobre a excomunhão por cisma incorrida pelos aderentes ao movimento do Bispo Marcel Lefebvre, 24.08.1996, nn. 5-6), estando sujeitos à excomunhão prevista pelo direito (cân. 1364 § 1 do Código de Direito Canônico).
2- No que diz respeito aos fiéis leigos, devem ser considerados cismáticos e excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X nas condições estabelecidas pela Nota Explicativa do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos de 1996 (cf. ibidem, n. 7), ainda em vigor e assumida por este Dicastério.
A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem ...
3- Adverte-se, por fim, o santo Povo de Deus de que os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram ilicitamente os sacramentos e que o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos.
A Igreja, como mãe solícita, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejarem retornar à plena comunhão. Os núncios apostólicos disporão dos procedimentos que os ordinários poderão utilizar nos diversos casos.Por fim, exortam-se todos os fiéis a permanecer firmes na comunhão com o Romano Pontífice, com os bispos em comunhão com ele e com toda a Igreja (cf. Lumen Gentium, 22; cân. 751 do Código de Direito Canônico), abstendo-se de participar das celebrações e atividades promovidas pela referida Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Fonte: https://www.vaticannews.va
Na Suíça, na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi realizada a celebração presidida pelos bispos de Galarreta e Fellay, com o rito da consagração episcopal. Milhares de pessoas estiveram presentes. O superior Pagliarani: “um dia histórico; eventuais punições ou censuras contra este ato não têm nenhum valor para nós”.
Salvatore Cernuzio – Vatican News
A túnica de Cristo, aquela que o Papa Leão, em uma última e comovente carta de 29 de junho, pedia para “não rasgar”, acabou sendo rasgada. Em Ecône, na Suíça, na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, nesta manhã de quarta-feira, 1º de julho, os lefebvrianos, seguidores de dom Marcel Lefebvre, ordenaram quatro novos bispos. Fizeram isso sem mandato pontifício, embora os novos bispos tenham respondido afirmativamente à fórmula litúrgica: “Habetis mandatum apostolicum?”.
Eles agiram assim, reivindicando a necessidade de garantir a continuidade e a própria sobrevivência da congregação, apesar das tentativas de diálogo da Santa Sé e das advertências para que não se procedesse a um cisma por parte do cardeal Victor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e do próprio Leão XIV na carta de dois dias atrás.
A celebração em Ecône
Mais de mil padres, religiosos e religiosas, juntamente com outros 15 mil leigos, participaram da celebração, que teve início nesta manhã às 9h (hora local) em uma estrutura branca ao lado do seminário da FSSPX. O evento foi transmitido ao vivo em seis idiomas no site oficial, onde, nos últimos dias, foi iniciada uma contagem regressiva para a cerimônia, acompanhada também de brindes e outros eventos.
Os quatro bispos ordenados hoje são: Pascal Schreiber, suíço, 53 anos, ordenado sacerdote em Ecône em 1998; Michael Goldade, natural de Dakota do Norte e criado no Kansas (EUA); Michel Poinsinet de Sivry, 42 anos, e Marc Happier, 36 anos, ambos franceses. Impuseram-lhes as mãos, em um ato que prevê a excomunhão latae sententiae, dom Alfonso de Galarreta, primeiro consagrante, e dom Bernard Fellay, co-consagrante, ou seja, os bispos ainda vivos dos quatro que foram ordenados em 30 de junho de 1988 por Lefebvre.
O discurso do superior Pagliarani
No início da liturgia, o superior da Fraternidade São Pio X, padre Davide Pagliarani, leu um breve discurso no qual afirmou: “estamos prontos a pagar qualquer preço para salvar a Igreja”. O superior da Fraternidade falou de uma “circunstância totalmente excepcional”, uma vez que “desde o Concílio Vaticano II até hoje as autoridades da Igreja manifestam uma atitude contrária à fé e agem contra a sagrada tradição”. É um “dever gravíssimo”, segundo Pagliarani, o de “transmitir a graça do episcopado a esses sacerdotes”. “Consideramos que eventuais punições ou censuras contra este ato não têm nenhum valor”, acrescentou. Para os lefebvrianos, comentou por fim seu líder, hoje é, portanto, “um dia histórico” e “uma festa”. Para a Igreja universal, ao contrário, é um dia em que se renova uma ferida. A da divisão. Fonte: https://www.vaticannews.va
Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mt 8, 28-34)
28Quando Jesus chegou à outra margem, à terra dos gadarenos, foram ao encontro dele dois homens possuídos pelo demônio. Saíam do meio dos túmulos e eram muito selvagens, de modo que ninguém podia passar por esse caminho. 29Então eles gritaram: "Que é que há entre nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?" 30Havia, ao longe, uma grande manada de porcos que estavam pastando. 31Os demônios suplicavam: "Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos." 32Jesus disse: "Podem ir." Os demônios saíram, e foram para os porcos; e eis que toda a manada se atirou monte abaixo para dentro do mar e morreu afogada. 33Os homens que guardavam os porcos saíram correndo, foram à cidade e contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então toda a cidade saiu ao encontro de Jesus. Vendo-o, começaram a suplicar que Jesus se retirasse da região deles.
3) Reflexão
O evangelho de hoje acentua o poder de Jesus sobre o demônio. No nosso texto, o demônio ou o poder do mal é associado com três coisas: 1) Com o cemitério, o lugar dos mortos. A morte que mata a vida! 2) Com o porco, que era considerado um animal impuro. A impureza que separa de Deus! 3) Com o mar, que era visto como símbolo do caos de antes da criação. O caos que destrói a natureza. O evangelho de Marcos, de onde Mateus tirou a sua informação, ainda associa o poder do mal a um quarto elemento que é a palavra Legião, (Mc 5,9), nome dos exércitos do império romano. O império que oprimia e explorava os povos. Assim se compreende como a vitória de Jesus sobre o demônio tinha um alcance enorme para a vida das comunidades dos anos setenta, época em que Mateus escreve o seu evangelho. Elas viviam oprimidas e marginalizadas, pela ideologia oficial tanto do império romano como do farisaísmo que se renovava. O mesmo significado e alcance continua válido para nós hoje.
Mateus 8,28: O poder do mal oprime, maltrata e aliena as pessoas
Este versículo inicial descreve a situação do povo antes da chegada de Jesus. Na maneira de descrever o comportamento dos dois endemoninhados, o evangelista associa o poder do mal com cemitério e morte. É um poder mortal sem rumo, ameaçador, descontrolado e destruidor, que mete medo em todos. Priva a pessoa da consciência, do autocontrole e da autonomia.
Mateus 8,29: Diante da simples presença de Jesus o poder do mal se desmorona e se desintegra
Aqui se descreve o primeiro contato entre Jesus e os dois possessos. É a desproporção total. O poder, que antes parecia tão forte, se derrete e se desmancha diante de Jesus. Eles gritam: "Que é que há entre nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?" Sentem que perderam o poder.
Mateus 8,30-32: O poder do mal é impuro e não tem autonomia nem consistência
O demônio não tem poder sobre os seus próprios movimentos. Só consegue ir para dentro dos porcos com a permissão de Jesus! Uma vez dentro dos porcos, estes se precipitam no mar. Na opinião do povo, o porco era símbolo da impureza que impedia o ser humano de relacionar-se com Deus e sentir-se acolhido por Ele. O mar era símbolo do caos que existia antes da criação e que, conforme a crença da época, continuava ameaçando a vida. Este episódio dos porcos que se precipitam no mar é estranho e difícil de ser entendido. Mas a mensagem é muito clara: diante de Jesus, o poder do mal não tem autonomia nem consistência. Quem crê em Jesus já venceu o poder do mal e já não precisa ter medo
Mateus 8,33-34: A reação do povo do lugar
Alertado pelos empregados que tomavam conta dos porcos, o povo do lugar veio ao encontro de Jesus. Marcos informa que eles viram “o endemoninhado sentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5,15). Mas eles ficaram sem os porcos! Por isso, pedem a Jesus para ir embora. Para eles, os porcos eram mais importantes que o ser humano que acabava de ser devolvido a si mesmo.
A expulsão dos demônios. No tempo de Jesus, as palavras demônio ou satanás, eram usadas para indicar o poder do mal que desviava as pessoas do bom caminho. Por exemplo, quando Pedro tentou desviar Jesus, ele foi Satanás para Jesus (Mc 8,33). Outras vezes, aquelas mesmas palavras eram usadas para indicar o poder político do império romano que oprimia e explorava o povo. Por exemplo, no Apocalipse, o império romano é identificado com “Diabo ou Satanás” (Ap 12,9). Outras vezes ainda, o povo usava as mesmas palavras para indicar os males e as doenças. Assim se falava em demônio ou espírito mudo, espírito surdo, espírito impuro, etc. Havia muito medo! No tempo de Mateus, segunda metade do primeiro século, o medo dos demônios estava aumentando. Algumas religiões, vindas do Oriente, divulgavam um culto aos espíritos. Elas ensinavam que gestos errados nossos podiam irritar os espíritos, e estes, para se vingar de nós, podiam impedir nosso acesso a Deus e privar-nos dos benefícios divinos. Por isso, através de ritos e despachos, rezas fortes e cerimônias complicadas, o povo procurava acalmar esses espíritos ou demônios, a fim de que não prejudicassem a vida humana. Estas religiões, em vez de libertar o povo, alimentavam nele o medo e a angústia. Ora, um dos objetivos da Boa Nova de Jesus era ajudar o povo a se libertar deste medo. A chegada do Reino de Deus significou a chegada de um poder maisforte. Jesus é “o homem mais forte” que chegou para amarrar o Satanás, o poder do mal, e roubar dele a humanidade prisioneira do medo (cf. Mc 3,27). Por isso, os evangelhos insistem tanto na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demônio, sobre o Satanás, sobre o pecado e sobre a morte. Era para animar as comunidades a vencer este medo do demônio! E hoje, quem de nós pode dizer: “Eu sou totalmente livre”? Ninguém! Então, se não sou totalmente livre, alguma parte em mim é possuída por outros poderes. Como expulsar estes poderes? A mensagem do evangelho de hoje continua válido para nós.
4) Para um confronto pessoal
O que está oprimindo e maltratando o povo, hoje? Por que, hoje, em certos lugares, se fala tanto em expulsão de demônio? Será que é bom insistir tanto no demônio? O que você acha?
Quem de nós pode dizer que é totalmente livre ou liberto? Ninguém! Então, somos todos um pouco possessos, possuídos por outros poderes que ocupam algum espaço dentro de nós. Como fazer para expulsar este poder de dentro nós e de dentro da sociedade?
5) Oração final
O Senhor é clemente e misericordioso, lento para a ira e rico de graça. O Senhor é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas. (Sl 144, 8-9)
Écône (Suíça) (AFP) – A Fraternidade São Pio X celebrou na segunda-feira a ordenação de novos sacerdotes, apenas dois dias antes de poder desencadear um cisma total com Roma, ao consagrar seus próprios bispos.
O grupo católico dissidente ultratradicionalista está em rota de colisão com o Vaticano – e pessoas do mundo todo têm vindo para ver isso.
"É extraordinário. É um momento muito esperado, uma dádiva", disse Maria, mãe do padre Pelayo Muskett Bunge, um sacerdote argentino que acabara de ser ordenado.
Ele e os outros quatro novos padres — um argentino, um belga, um espanhol e um francês — impuseram as mãos sobre a cabeça de seus entes queridos para lhes conferir as primeiras bênçãos sacerdotais.
Milhares de fiéis se aglomeraram ao redor deles após assistirem à cerimônia de quatro horas, realizada sob um calor escaldante em um campo em Econe, uma vila no vale do Ródano, no sudoeste alpino da Suíça, ao pé das montanhas, perto do seminário da congregação.
A Fraternidade São Pio X é um grupo de católicos fundamentalistas que se opõe veementemente às reformas liberais da Igreja Católica impostas pelo Concílio Vaticano II na década de 1960.
A irmandade foi fundada pelo controverso bispo francês Marcel Lefebvre em 1970.
"Realizamos ordenações sacerdotais todos os anos", mas desta vez elas assumem um significado especial devido à "perspectiva de consagrações episcopais" na quarta-feira, explicou Alexandre Maret, de 41 anos, um paroquiano suíço que conhecia Lefebvre, falecido em 1991 aos 85 anos.
"O que ele nos explicou naquela época ainda é relevante hoje: a batalha doutrinária praticamente não mudou", acrescentou.
A comunidade segue uma interpretação rigorosa da tradição doutrinal e litúrgica e condena o ecumenismo, trabalhando por uma maior união com outras tradições cristãs.
A sociedade afirma estar presente em mais de 75 países nos seis continentes, com mais de 750 sacerdotes e quase meio milhão de fiéis.
Em 1988, consagrou ilicitamente quatro bispos, resultando em excomunhão imediata da Igreja Católica Romana – medida revogada em 2009.
No entanto, a sociedade está se preparando para repetir o ato de dissidência na quarta-feira.
A igreja pretende consagrar quatro novos bispos – dois franceses, um americano e um suíço – argumentando que só lhe restam dois bispos, e que são eles os responsáveis pela ordenação de novos sacerdotes.
'Evento crucial'
"É um evento crucial para os nossos tempos na Igreja", disse Samuel Putz, um leigo americano de 26 anos que mora na mesma cidade do Kansas que o padre Michael Goldade, o sacerdote americano que será consagrado bispo.
"Sem o trabalho da sociedade – os bispos, os padres, os irmãos e as irmãs da sociedade – estaríamos numa situação muito mais difícil."
Em Éconé, cerca de 150 sacerdotes participaram da cerimônia de segunda-feira, que foi marcada por esplendor litúrgico, cores púrpura e dourada.
A missa — celebrada em latim, com exceção da homilia — alternou entre longos silêncios e hinos.
Antes de receberem a ordenação, os cinco futuros sacerdotes e os três aspirantes a diáconos deitaram-se de bruços no chão enquanto a Ladainha dos Santos era cantada em latim.
Para o Vaticano, consagrar um bispo sem o consentimento do papa constitui um ato direto de insubordinação.
Isso resulta na excomunhão automática dos bispos envolvidos – tanto os recém-consagrados quanto os consagrantes – e é classificado como um "ato cismático".
"Continuamos a defender a fé e acreditamos que a Igreja já não a pratica da forma como Jesus a instituiu. É certamente por isso que" a sociedade "incomoda o Vaticano", disse Marie Desclos, uma jovem leiga francesa que viajou de Toulouse para assistir à ordenação de seu primo como diácono.
"Se é aceito, por exemplo, que os bispos na China sejam escolhidos pelo governo chinês, por que não podemos fazer o mesmo?", perguntou Isabel Masuda, de 65 anos, de Buenos Aires.
'Nós amamos o papa'
A ordenação é uma "alegria" para os fiéis, mas a oposição do Vaticano "é dolorosa porque nos consideramos verdadeiramente membros plenos da Igreja. Amamos a Igreja, amamos o Papa", disse Maret.
Putz pensava da mesma forma.
"Ver tanta resistência por parte do Santo Padre é doloroso. Dói mesmo. É muito triste. É devastador", disse ele.
Embora influente em certos círculos conservadores, continua sendo um grupo minoritário dentro da Igreja Católica Romana e seus aproximadamente 1,3 bilhão de fiéis.
"Neste momento, parece que já não estamos em sintonia. O que dizemos já não é compreendido em Roma", disse o bispo Bernard Fellay, da Fraternidade de Roma, dirigindo-se aos fiéis na segunda-feira.
"(Mas) não estamos fazendo nada além de reiterar o que a Igreja vem dizendo há séculos." Fonte: https://www.france24.com
A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem mandato pontifício, que constituiria um novo ato cismático
Vatican News
Como havia anunciado nos últimos dias ao encontrar os jornalistas em Castel Gandolfo, o Papa Leão enviou um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo que não prossiga com a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para a manhã de 1º de julho, em Écône, na Suíça.
“Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro. A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.”
“Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.”
“A Igreja – lê-se ainda na carta papal, redigida em francês e dirigida ao Superior-Geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani – está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo. Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.”
O Papa, portanto, pede mais uma vez aos lefebvrianos que renunciem a levar adiante o ato cismático das consagrações episcopais sem mandato pontifício. É significativo que o argumento mais forte apresentado na carta seja o bem das almas dos fiéis da Fraternidade São Pio X, uma vez que tal ato tornaria ilícitos e, em alguns casos (como na confissão sacramental e no matrimônio) também inválidos os sacramentos celebrados. Fonte: https://www.vaticannews.va
Segundo reportagem assinada por Raul Senda, a Diocese atravessava alegados conflitos internos, disputas patrimoniais e processos disciplinares, num contexto que continua sob investigação oficial
Beira, Moçambique, 28 de Junho de 2026 (Hanif CRV – Media | "Verdade pela Verdade") – O homicídio de Dom Osório Citora Afonso, bispo da Diocese de Quelimane, continua envolto em muitas perguntas e poucas respostas oficiais. Enquanto a investigação criminal prossegue, uma extensa reportagem publicada pelo semanário Savana, na edição de 26 de Junho de 2026, da autoria do jornalista Raul Senda, descreve um ambiente de alegados conflitos internos que, segundo o jornal, antecedeu um dos crimes mais marcantes da história recente da Igreja Católica em Moçambique.
Importa esclarecer, desde o início, que os elementos apresentados nesta matéria resultam da investigação jornalística do Savana e não representam conclusões oficiais das autoridades, que continuam a apurar as circunstâncias do homicídio.
MUITO PARA ALÉM DA NOITE DO CRIME
Segundo o Savana, compreender o assassinato de Dom Osório Citora implica olhar para acontecimentos que vinham ocorrendo no interior da Diocese muito antes do crime.
A reportagem descreve um ambiente de crescente tensão, marcado por alegadas divergências administrativas, conflitos disciplinares e disputas relacionadas com a gestão do património da Igreja.
Ainda de acordo com o jornal, Dom Osório teria iniciado um processo de reorganização da Diocese, procurando reforçar mecanismos de controlo interno, disciplina e transparência na administração dos bens e atividades da instituição.
Segundo a investigação, essas iniciativas terão provocado descontentamento em determinados sectores ligados à estrutura diocesana.
CONDUTA DE ALGUNS MEMBROS DO CLERO SOB ESCRUTÍNIO
Grande parte da investigação publicada pelo Savana centra-se em alegadas irregularidades envolvendo alguns membros do clero da Diocese de Quelimane.
Segundo a reportagem assinada por Raul Senda, Dom Osório Citora teria encontrado situações que considerava incompatíveis com a missão da Igreja, incluindo alegadas violações das normas e disciplina eclesiásticas, sinais exteriores de riqueza considerados desproporcionais aos rendimentos conhecidos de alguns sacerdotes e outras práticas que motivaram processos internos de averiguação.
A investigação refere igualmente alegações relacionadas com relações pessoais incompatíveis com o estado clerical, bem como suspeitas de gestão e utilização indevida de bens pertencentes à Diocese.
Contudo, parte da edição do Savana consultada pelo Hanif CRV – Media apresenta falhas de impressão que impedem a leitura integral de alguns trechos. Por essa razão, optámos deliberadamente por não reproduzir determinados pormenores cuja confirmação integral não foi possível efetuar.
Importa igualmente sublinhar que todas estas informações decorrem da investigação jornalística publicada pelo Savana e não constituem, até ao momento, conclusões oficiais da investigação criminal em curso.
ALEGADAS DISPUTAS PELO PATRIMÓNIO DA DIOCESE
Outro dos aspectos centrais destacados pelo Savana diz respeito à gestão do património da Diocese de Quelimane.
Segundo a reportagem, Dom Osório Citora teria desencadeado um processo destinado à recuperação de escolas, imóveis, viaturas e outros bens que, alegadamente, estariam a ser utilizados ou administrados de forma contrária aos interesses da Diocese.
A investigação descreve ainda alegadas disputas internas relacionadas com esse património, envolvendo diferentes membros ligados à estrutura diocesana.
OUTRAS SITUAÇÕES REFERIDAS NA REPORTAGEM
A investigação do Savana menciona ainda alegações envolvendo outros membros da Diocese, incluindo referências a processos disciplinares e a denúncias relacionadas com comportamentos alegadamente incompatíveis com as normas da Igreja Católica.
O jornal refere igualmente que algumas dessas situações já estariam a ser objeto de averiguações internas antes do assassinato de Dom Osório Citora.
À data desta publicação, não existe confirmação oficial de que qualquer uma dessas alegações tenha ligação direta ao homicídio.
A NOITE EM QUE O BISPO FOI ASSASSINADO
Segundo a reconstrução apresentada pelo Savana, Dom Osório Citora encontrava-se na residência episcopal na noite do crime, depois de ter convivido com outros sacerdotes.
A reportagem descreve que, após o jantar, cada um recolheu aos respectivos aposentos.
Horas mais tarde, o bispo seria encontrado sem vida.
Ainda segundo o jornal, alguns elementos recolhidos durante as primeiras diligências levantaram dúvidas sobre a dinâmica do crime, aspectos que continuam sob investigação pelas autoridades competentes.
A INVESTIGAÇÃO OFICIAL CONTINUA
Até ao momento, as autoridades moçambicanas ainda não divulgaram oficialmente quem são os autores materiais ou eventuais mandantes do homicídio, nem confirmaram qualquer motivação para o crime.
Assim, todas as alegações constantes da investigação publicada pelo Savana devem ser entendidas como elementos de uma investigação jornalística independente, permanecendo distintas das conclusões que venham a ser apresentadas pela investigação criminal.
UM CASO QUE CONTINUA A INTRIGAR O PAÍS
Independentemente do desfecho das investigações, a morte de Dom Osório Citora constitui um dos acontecimentos mais impactantes da história recente da Igreja Católica em Moçambique.
A reportagem do Savana acrescenta novos elementos ao debate público e descreve um contexto interno complexo que, segundo o jornal, antecedeu o homicídio. Contudo, caberá exclusivamente às autoridades determinar se algum desses factos possui, ou não, relação com o crime.
Até lá, muitas perguntas continuam sem resposta.
NOTA EDITORIAL
Factos desta natureza inserem-se num processo investigativo ainda em curso, cujos desenvolvimentos poderão esclarecer não apenas as circunstâncias do homicídio, mas também o contexto institucional em que ocorreu. A distinção entre investigação jornalística e investigação criminal permanece essencial para uma compreensão rigorosa deste caso.
NOTA DE APOIO
O Hanif CRV – Media é um projeto de jornalismo freelancer, independente e sem financiamento institucional fixo. A sua continuidade depende do envolvimento consciente de leitores, parceiros e instituições.
O projeto encontra-se igualmente disponível para colaborações, serviços de comunicação, produção de conteúdos, soluções gráficas e iniciativas de divulgação e publicidade.
Para referência, os apoiantes podem, se assim o desejarem, indicar "APOIO CRV" na descrição da transferência.
2025 | Curadoria: Mahamad Hanif Mussa | Com apoio de ferramentas de escrita digital
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.+258 84/87 5728092
Fontes: Reportagem "Os bastidores do assassinato do bispo de Quelimane", publicada pelo semanário Savana, edição de 26 de Junho de 2026, da autoria de Raul Senda; informações públicas disponíveis à data da publicação
Foto: Captura de tela/reprodução da edição do Savana
Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mt 8,18-22)
18Certo dia, vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago. 19Nisto aproximou-se dele um escriba e lhe disse: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20Respondeu Jesus: As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. 21Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai. 22Jesus, porém, lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos.
3) Reflexão
Durante três semanas, meditamos os capítulos 5 a 8 do evangelho de Mateus. Dando seqüência à meditação do capítulo 8, o evangelho de hoje trata das condições do seguimento de Jesus. Jesus decidiu ir para o outro lado do lago e uma pessoa pediu para poder segui-lo (Mt 8,18-22).
Mateus 8,18: Jesus manda passar para o outro lado do lago
Jesus tinha acolhido e curado todos os doentes que o povo havia trazido até ele (Mt 8,16). Muita gente juntou-se ao redor dele. À vista desta multidão, Jesus decidiu ir para a outra margem do lago. No evangelho de Marcos, do qual Mateus tirou grande parte das suas informações, o contexto é outro. Jesus acabava de terminar o discurso das parábolas (Mc 4,3-34) e dizia: “Vamos para o outro lado!” (Mc 4,35), e, do jeito que ele estava no barco, de onde tinha feito o discurso (cf. Mc 4,1-2), os discípulos o levaram para o outro lado. De tão cansado que estava, Jesus deitou e dormiu em cima de um travesseiro (Mc 4,38).
Mateus 8,19: Um doutor da Lei quer seguir Jesus
No momento em que Jesus decide fazer a travessia do lago, um doutor da lei se aproxima e diz: "Mestre, eu te seguirei aonde quer que fores”. Um texto paralelo de Lucas (Lc 9,57-62) trata do mesmo assunto, mas de um jeito um pouco diferente. Conforme Lucas, Jesus tinha decidido ir para Jerusalém onde seria preso e morto. Tomando o rumo de Jerusalém, ele entrou no território da Samaria (Lc 9,51-52), onde três pessoas pedem para poder segui-lo (Lc 9,57.59.61). Em Mateus, que escreve para judeus convertidos, a pessoa que quer seguir Jesus é um doutor da lei. Mateus acentua o fato de uma autoridade dos judeus reconhecer o valor de Jesus e pedir para ser discípulo. Em Lucas, que escreve para pagãos convertidos, as pessoas que querem seguir Jesus são samaritanos. Lucas acentua a abertura ecumênica de Jesus que aceita também não judeus como discípulos.
Mateus 8,20: A resposta da Jesus ao doutor da Lei
A resposta de Jesus é idêntica tanto em Mateus como em Lucas, e é uma resposta muito exigente que não deixa dúvidas: "As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". Quem quer ser discípulo de Jesus deve saber o que faz. Deve examinar as exigências e calcular bem, antes de tomar uma decisão (cf. Lc 14,28-32). “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33).
Mateus 8,21: Um discípulo pede para poder enterrar o falecido pai
Em seguida, alguém que já era discípulo pede licença para poder enterrar seu falecido pai: "Senhor, deixa primeiro que eu vá sepultar meu pai". Com outras palavras, ele pede que Jesus adie a travessia do lago para depois do enterro do pai. Enterrar os pais era um dever sagrado dos filhos (cf Tb 4,3-4).
Mateus 8,22: A resposta de Jesus
Novamente, a resposta de Jesus é muito exigente. Jesus não adiou sua viagem para o outro lado do lago e diz ao discípulo: "Siga-me, e deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos”. Quando Elias chamou Eliseu, ele permitiu que Eliseu voltasse para casa para despedir-se dos pais (1Reis 19,20). Jesus é bem mais exigente. Para entender todo o alcance da resposta de Jesus convém lembrar que a expressão Deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos era um provérbio popular usado pelo povo para significar que não se deve gastar energia em coisas que não tem futuro e que não tem nada a ver com a vida. Um provérbio assim não pode ser tomado ao pé da letra. Deve-se olhar o objetivo com que foi usado. Assim, aqui no nosso caso, por meio do provérbio Jesus acentua a exigência radical da vida nova para qual ele chama as pessoas e que exige abandonar tudo para poder seguir Jesus. Descreve as exigências do seguimento de Jesus.
Seguir Jesus. Como os rabinos da época, Jesus reúne discípulos e discípulas. Todos eles "seguem Jesus". Seguir era o termo que se usava para indicar o relacionamento entre o discípulo e o mestre. Para os primeiros cristãos, Seguir Jesus significava três coisas muito importantes, ligadas entre si:
Imitar o exemplo do Mestre: Jesus era o modelo a ser imitado e recriado na vida do discípulo e da discípula (Jo 13,13-15). A convivência diária permitia um confronto constante. Na "escola de Jesus" só se ensinava uma única matéria: o Reino, e este Reino se reconhecia na vida e na prática de Jesus.
Participar do destino do Mestre:. Quem seguia Jesus devia comprometer-se com ele e "estar com ele nas sua provações" (Lc 22,28), inclusive nas perseguições (Mt 10,24-25) e na cruz (Lc 14,27). Devia estar disposto a morrer com ele (Jo 11,16).
Ter a vida de Jesus dentro de si: Depois da Páscoa, à luz da ressurreição, o seguimento assume esta terceira dimensão: "Vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20). Trata-se da dimensão mística do seguimento, fruto da ação do Espírito. Os cristãos procuravam refazer em suas vidas o caminho de Jesus que tinha morrido em defesa da vida e foi ressuscitado pelo poder de Deus (Fl 3,10-11).
4) Para um confronto pessoal
1) Ser discípulo, discípula, de Jesus. Seguir Jesus. Como estou vivendo o seguimento de Jesus?
2) As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. Como viver hoje esta exigência de Jesus?
5) Oração final
Compreendei bem isto, vós que vos esqueceis de Deus: não suceda que eu vos arrebate e não haja quem vos salve. Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus. (Sl 49, 22-23)
O tempo passa. As manchetes diminuem. O debate público arrefece. Mas a pergunta permanece: o que aconteceu ao caso de Dom Osório Citora?
Terá sido apenas mais um crime que mobiliza a indignação nacional durante alguns dias e, depois, desaparece na poeira do tempo? Ou estaremos diante de uma investigação que, embora silenciosa, caminha para revelar toda a verdade?
Foram anunciadas detenções. Três pessoas foram apontadas como suspeitas. Mas será que isso basta para tranquilizar a sociedade? Os três detidos representam o fim da investigação ou apenas o início de uma rede mais complexa? Agiram sozinhos? Havia alguém por detrás? Quem planeou? Quem financiou? Quem ordenou? Quem tinha interesse na morte de um bispo?
Responder a essas perguntas não é alimentar teorias. É exigir que a justiça cumpra o seu papel.
O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique apelou para que o caso fosse investigado "com serenidade". É um apelo sensato. A justiça não pode ser conduzida pela emoção nem pela pressão das redes sociais. Mas a serenidade pode coexistir com a transparência? Pode coexistir com a prestação de contas? Pode coexistir com o direito que os cidadãos têm de saber em que ponto se encontra uma investigação que abalou o país?
Ou será que, entre nós, serenidade passou a ser confundida com silêncio? E o silêncio... a quem serve? Serve à justiça? Serve à verdade? Serve à família da vítima? Serve à Igreja? Serve ao povo moçambicano? Ou serve apenas àqueles que esperam que o tempo faça desaparecer aquilo que a investigação ainda não conseguiu explicar?
Há uma inquietação que cresce sempre que um caso mediático perde espaço no debate público. Não porque se queira condenar alguém antes dos tribunais, mas porque a memória coletiva conhece este roteiro. Casos que começam com grande impacto acabam, muitas vezes, mergulhados numa espécie de nevoeiro institucional, onde quase ninguém sabe o que aconteceu, quem foi responsabilizado ou por que razão tudo deixou de ser notícia.
Quanto tempo é razoável esperar por respostas? Meses? Anos? Décadas? Existe um prazo aceitável para que a sociedade permaneça sem conhecer a verdade sobre um crime desta dimensão?
Os macuas perguntam, com razão: será que as suas dores têm menos urgência? Será coincidência que casos que os atingem pareçam caminhar lentamente? Ou será apenas uma perceção alimentada pelo histórico de processos inconclusivos?
As perguntas tornam-se ainda mais inevitáveis quando se recorda o caso de Mahamudo Amurane. O tempo passou, governos passaram, promessas foram feitas, mas, para muitos cidadãos, a sensação de justiça incompleta permanece.
Será que estamos condenados a colecionar casos emblemáticos sem desfecho convincente? Quem mata em Moçambique? Quem manda matar? Quem recruta os executores? Quem protege os mandantes?Quem ganha quando a verdade nunca chega ao conhecimento público?
E, sobretudo, quem perde? Perde a família da vítima. Perde a Igreja. Perde a confiança dos cidadãos. Perde o Estado. Perde a própria justiça.
Há quem diga, em tom de ironia amarga, que existe um "curandeiro" especializado em arrefecer os casos mais quentes do país. Não se trata de acreditar em feitiços. Trata-se de uma metáfora para descrever uma realidade que muitos percebem: investigações que começam com intensidade, mas que, aos poucos, deixam de produzir informações, deixam de prestar contas e acabam engolidas pelo esquecimento.
Até quando aceitaremos que o tempo substitua a verdade? Até quando o silêncio será confundido com estabilidade? Até quando a ausência de respostas será apresentada como normalidade?
A justiça não precisa falar todos os dias. Mas também não pode desaparecer. O silêncio institucional prolongado produz um efeito perverso: alimenta rumores, enfraquece a confiança nas instituições e abre espaço para que a especulação ocupe o lugar dos fatos.
O caso de Dom Osório Citora não é apenas sobre a morte de um bispo. É um teste à capacidade do Estado de demonstrar que nenhum crime grave ficará sem resposta, independentemente da posição social da vítima ou da influência dos possíveis envolvidos.
Porque um país não se mede apenas pela forma como investiga os seus crimes. Mede-se, sobretudo, pela coragem de chegar à verdade, mesmo quando ela incomoda. E enquanto essa verdade não vier à luz, as perguntas continuarão a ecoar mais alto do que as respostas. Afinal, quem tem medo da verdade? Fonte: https://www.facebook.com/junior.rafael.rafael.280962
A morte de Dom Osório Afonso continua a levantar questões profundas que interpelam a consciência de todos os fiéis e da sociedade.
As investigações apontam suspeitas para o padre Adelino Novais Amado, antigo Chanceler da Diocese de Quelimane, vigário da Paróquia Sagrada Família e docente de Ética na Universidade Católica de Moçambique, bem como para um guarda e um jardineiro que trabalhavam na residência episcopal e que se encontram entre os detidos. Perante estes factos, importa recordar que a justiça deve seguir o seu curso e que todos beneficiam da presunção de inocência.
Contudo, se vier a confirmar-se que o assassinato de Dom Osório está ligado ao combate à corrupção e às reformas que procurava implementar na Diocese, estaremos perante uma realidade profundamente chocante: um pastor que poderá ter sido vítima por procurar a verdade, a transparência e a boa administração dos bens da Igreja.
A Igreja não pode ser refúgio para interesses obscuros nem para quem coloca a ambição pessoal acima da missão de servir Deus e o próximo. A fé exige coerência, a autoridade exige responsabilidade e os cargos eclesiais exigem exemplaridade.
Que a memória de Dom Osório Afonso seja uma inspiração para todos aqueles que lutam pela verdade. E que a justiça apure os factos com rigor, sem privilégios, sem receios e sem impunidade. A verdade pode ser atacada, mas nunca poderá ser assassinada. Fonte: https://www.facebook.com/augustooolivera
Às 18h da hora italiana (13h do Horário de Brasília) da próxima quarta-feira (01/07) será publicado o documentário em três idiomas (inglês, italiano e espanhol) nos canais do Vatican News. Já para os jornalistas credenciados na Sala de Imprensa da Santa Sé, a obra será exibida em pré-estreia na Filmoteca Vaticana no mesmo dia, às 17h da hora italiana.
Vatican News
Depois de “León de Perú” e “Leo from Chicago”, a Rádio Vaticana – Vatican News lança “Leone a Roma”, um novo documentário que retrata os anos vividos por Robert Francis Prevost, atual Papa Leão XIV, na Cidade Eterna. Um período de cerca de 20 anos que vai desde a chegada à Itália vindo dos EUA em 1981, passando pelos anos à frente da Ordem de Santo Agostinho por dois mandatos, até a nomeação como prefeito do Dicastério para os Bispos e a criação cardinalícia em 2023. Anos de estudos, amizades, viagens, passeios, encontros, reuniões, peregrinações, trabalho. Tudo contado por meio de imagens e vídeos inéditos e pelas vozes de confrades, colegas de estudo, velhos amigos, membros da Ordem Agostiniana ou do Dicastério para os Bispos.
“Leone a Roma” completa, assim, a série de produções da mídia vaticana destinada a aprofundar a figura e a vida do Pontífice, iniciada com o documentário “León de Perú”, lançado em junho de 2025, sobre os anos de missão no país sul-americano, seguida por “Leo from Chicago”, lançado em novembro de 2025, sobre as raízes americanas de Prevost.
Trata-se de uma produção da Direção Editorial do Dicastério para a Comunicação. Foi realizado pelos jornalistas Felipe Herrera-Espaliat, Salvatore Cernuzio e Tiziana Campisi, com edição de imagens de Jaime Vizcaíno Haro e Stefano Anella.
Às 18h do horário italiano de quarta-feira, 1º de julho, o documentário será publicado no canal do YouTube do Vatican News, inicialmente em três idiomas (inglês, italiano e espanhol), e também divulgado por meio da mídia internacional que solicitar o material. Para os jornalistas credenciados na Sala de Imprensa da Santa Sé, está prevista, também na quarta-feira, às 17h, uma exibição em pré-estreia na Filmoteca do Vaticano. https://www.vaticannews.va
Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que formais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 8, 1-4)
1Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu. 2Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante dele, dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me. 3Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado. No mesmo instante, a lepra desapareceu. 4Jesus então lhe disse: Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.
3) Reflexão - Mt 8,1-4
Nos capítulos 5 a 7 ouvimos as palavras da nova Lei proclamada por Jesus no alto da Montanha. Agora, nos capítulos 8 e 9, Mateus mostra como Jesus praticava aquilo que acabava de ensinar. Nos evangelhos de hoje (Mt 8,1-4) e de amanhã (Mt 8,5-17), vamos ver de perto os seguintes episódios que revelam como Jesus praticava a lei: a cura de um leproso (Mt 8,1-4), a cura do servo do centurião romano (Mt 8,5-13), a cura da sogra de Pedro (Mt 8,14-15) e a cura de inúmeros doentes (Mt 8,14-17).
Mateus 8,1-2: O leproso pede: “Senhor, basta querer para eu ser curado!”
Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Quem tocasse nele também ficava impuro! Por isso, os leprosos deviam viver afastados (Lv 13,45-46). Mas aquele leproso teve muita coragem. Ele transgrediu as normas da religião para poder entrar em contato com Jesus. Chegando perto, ele diz: Se queres, podes curar-me! Ou seja: “Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!” Esta frase revela duas doenças: 1) a doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus.
Mateus 8,3: Jesus tocou nele e disse: Quero! Seja purificado
Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, antes de dizer qualquer palavra, ele toca no leproso. É como se dissesse: “Para mim, você não é um excluído. Não tenho medo de ficar impuro tocando em você. Eu te acolho como irmão!” Em seguida, cura a lepra dizendo: Quero! Seja curado! O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um novo rosto de Deus, transgride as normas da sua religião e toca no leproso.
Mateus 8,4: Jesus manda o homem conversar com os sacerdotes
Naquele tempo, para um leproso poder ser readmitido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura confirmado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado. Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Reintegra a pessoa na convivência fraterna. O evangelho de Marcos acrescenta que o homem não se apresentou aos sacerdotes. Pelo contrário, “assim que partiu, (o leproso) começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos (Mc 1,45). Por que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade? É que ele tinha tocado no leproso e tornou-se impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época. Por isso, agora, o próprio Jesus era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. Mas Marcos mostra que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a Jesus! Subversão total! O recado que Marcos nos dá é este: para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que impedem a fraternidade e a vivência do amor. Mesmo que isto traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.
Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o anima por dentro! Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino. Ele mesmo é uma amostra, um testemunho vivo do Reino, uma revelação de Deus. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida.
4) Para um confronto pessoal
1) Em nome da Lei de Deus, os leprosos eram excluídos e não podiam conviver. Na nossa igreja existem costumes e normas não escritas que, até hoje, marginalizam pessoas e as excluem da convivência e da comunhão. Você conhece pessoas assim? Qual a sua opinião a respeito disso?
2) Jesus teve coragem de tocar no leproso. Você teria essa coragem?
5) Oração final
Bendirei o Senhor em todo tempo, seu louvor estará sempre na minha boca. Eu me glorio no Senhor, ouçam os humildes e se alegrem. (Sl 33, 2-3)
O valor de 100 mil euros doi enviado aos líderes da Igreja do país latino-americano por meio da Esmolaria Pontifícia. O estado costeiro de La Guaira foi o mais atingido, descrito peloapresidente interina Rodríguez como uma "zona de desastre". Dom Pablo Modesto González Pérez: "Estamos sem eletricidade e todos fomos afetados. Muitas paredes do seminário desabaram."
O Papa Leão XIV, por meio da Esmolaria Apostólica, destinou 100 mil euros para a Igreja na Venezuela, como uma primeira ajuda emergencial às vítimas do terremoto. A informação foi divulgada na tarde desta quinta-feira. O montante foi definido após conversas com o núncio no país, dom Alberto Ortega Martín, arcebispo titular de Midila, e o arcebispo de Caracas, dom Raúl Biord Castillo. No entanto, será dada atenção constante às necessidades do povo venezuelano, que serão atendidas nos próximos dias, conforme orientação da Igreja local.
Estado de emergência
A presidente interina, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional após dois fortes tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, atingirem o país. Os tremores foram sentidos em diversas áreas, incluindo a capital, Caracas, provocando pânico entre a população e danos significativos à infraestrutura. Os tremores também foram registrados no norte do Brasil: Manaus, Boa Vista, Belém e Macapá.
Até o momento, os balanços preliminares apontam pelo menos 188 mortos e 1.520 feridos, embora os números tendem a aumentar à medida que as equipes de resgate avançam nas buscas. A região de La Guaira, a mais atingida, foi declarada zona de desastre. A área ficou sem energia elétrica e muitas pessoas passaram a noite nas ruas ou procurando sobreviventes sob os escombros. Em sua mensagem à nação, Rodriguez informou que a série de fortes terremotos danificou dezenas de prédios, incluindo residenciais, na capital Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira, Aragua, Carabobo e Falcón.
O dado que causa profunda angústia é o número de pessoas desaparecidas, que está em constante crescimento: primeiro 10.000, agora cerca de 40.000 pessoas parecem estar desaparecidas. O medo que toma conta de todos é que eventualmente o número de mortos se aproxime, como um pesadelo, da estimativa feita de improviso pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos: entre 1.000 e 100.000 vítimas.
Após os fortes tremores da noite passada, pelo menos mais dois tremores menores foram sentidos na Venezuela: um de magnitude 4,5 e outro de 4,4. No entanto, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, existe a probabilidade de que ocorra um tremor secundário de magnitude 5,0 ou superior nas próximas semanas.
Buscas por desaparecidos e solidariedade internacional
O governo decretou estado de emergência e mobilizou forças de socorro para as áreas mais afetadas, enquanto aeroportos, linhas de metrô e outros serviços públicos tiveram operações interrompidas. Equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros em busca de sobreviventes, enquanto especialistas avaliam a extensão total dos prejuízos causados pelos tremores.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetia, localizado perto de Caracas, foi fechado devido aos “graves danos” causados pelo terremoto. As aulas estão suspensas por vários dias. O Ministério da Educação informou que algumas escolas serão utilizadas como abrigos e centros de coleta de doações. "Pedimos à nossa população que mantenha a calma", disse Rodríguez, solicitando aos profissionais de saúde que se dirijam aos hospitais para prestar assistência aos feridos. A infraestrutura petrolífera da Venezuela, por sua vez, não foi danificada pelo terremoto, segundo a agência de notícias britânica Reuters.
A Cruz Vermelha Venezuelana informou que sua sede foi gravemente danificada, mas que enviou equipes de resgate para as áreas mais afetadas, alertando para os riscos de fortes tremores secundários.
Equipes de resgate especializadas, coordenadas pelas Nações Unidas, estão a caminho da Venezuela para participar das buscas por pessoas presas sob os escombros após o duplo terremoto que atingiu o país, anunciou a presidente interina Delcy Rodríguez. Governos de diversos países ofereceram ajuda, dos Estados Unidos à Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, El Salvador, México, Panamá e Uruguai, além de Portugal, Itália, Catar, Espanha e Índia. O Catar já enviou equipes de ajuda humanitária, que devem chegar à Venezuela amanhã, juntamente com equipes do México e de El Salvador.
O Ministério da Defesa espanhol, por exemplo, está se preparando para enviar 54 socorristas da USAR, uma unidade de elite da Unidade Militar de Emergência (UME), altamente especializada na busca e resgate de pessoas presas em ambientes urbanos. Sua principal tarefa é localizar, estabilizar e resgatar vítimas presas sob estruturas desabadas, em espaços confinados ou em cenários de grandes desastres.
A França enviará imediatamente "uma equipe de 85 socorristas franceses especializados em operações de resgate e limpeza", informou no X o presidente francês, Emmanuel Macron, enquanto os Países Baixos anunciaram o envio de uma equipe de resgate. O governo holandês informou que destinará cerca de 2 milhões de euros para o envio da equipe, que contará com socorristas, cães e equipamentos.
A Suíça, por sua vez, enviará 80 socorristas, 8 cães farejadores e 18 toneladas de suprimentos de emergência para a Venezuela para auxiliar nas operações de busca e resgate, anunciou o Ministério das Relações Exteriores suíço.
Já a Alemanha está pronta para disponibilizar até seis aeronaves de transporte A400M, que poderiam ser usadas para transportar pessoal e suprimentos para a Venezuela, mas também para facilitar operações de transporte aéreo dentro do país, explicou Boris Pistorius por meio do canal do Ministério da Defesa no WhatsApp.
Prédios desabados e incêndios em Catia la Mar
Catia La Mar, no estado de La Guaira, pode ser o epicentro do desastre causado pelo terremoto que devastou Caracas e a região centro-norte do país. Numerosos relatos nas redes sociais descrevem a devastação generalizada nessa cidade litorânea, com prédios completamente destruídos ao longo da Avenida El Ejército, além de outras estruturas totalmente desabadas e veículos soterrados sob os escombros. Entre os prédios mais danificados estão a Escola Naval, edifícios residenciais em Playa Grande e vários quarteirões do complexo residencial Hugo Chávez, onde também ocorreram incêndios, provavelmente causados pela explosão de botijões de gás.
Testemunhas: "Durou dois minutos, foi como um filme de terror"
Muitos venezuelanos estavam em casa quando os terremotos atingiram o país durante a tarde, em um feriado. "Tudo estava caindo sobre nós. Os televisores estavam no chão. Parecia um filme de terror. Além disso, durou cerca de dois minutos, ou pelo menos foi o que me pareceu", contou à imprensa local uma moradora da Avenida Bolívar, em Catia, a oeste de Caracas. A mulher descreveu a confusão inicial antes de perceber a magnitude do evento. "A princípio, pensamos que estivesse chovendo muito, mas depois descobrimos que as caixas d'água no telhado haviam se rompido devido ao impacto do abalo", disse ela.
Terremoto mais forte em 126 anos
Além dos danos materiais e das vítimas, os terremotos geraram preocupação internacional devido à possibilidade de fortes réplicas e ao elevado potencial destrutivo do evento.
Um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou este terremoto como o mais forte registrado na parte norte do país nos últimos 126 anos. O evento sísmico é comparável em intensidade apenas ao terremoto histórico de magnitude 7,7 registrado em outubro de 1900.
Especialistas atribuem a violência do evento à pouca profundidade do epicentro, estimada entre 10 e 13 quilômetros. De acordo com a análise técnica, "a liberação de energia ocorreu superficialmente no sistema de falhas que forma o limite sul da placa do Caribe com a placa sul-americana (o eixo de deformação que conecta os sistemas de falhas de Bocona e San Sebastián)". Essa combinação de alta magnitude e pouca profundidade desencadeou um movimento sísmico excepcional, cujas ondas se propagaram por uma grande distância. O tremor foi relatado a mais de 160 quilômetros de distância, atingindo a capital venezuelana e também afetando distintamente as regiões vizinhas da Colômbia e região norte do Brasil.
Em 1967, um terremoto matou 200 pessoas na Venezuela
Os terremotos que atingiram a Venezuela trouxeram à memória, entre os venezuelanos, o terremoto de 1967 que devastou a capital, Caracas. Naquela época, um terremoto de magnitude 6,6 destruiu vários prédios na cidade e matou mais de 200 pessoas. Áreas residenciais de Caracas, como Altamira e Los Palos Grandes, também foram severamente afetadas. Fonte: https://www.vaticannews.va
Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que formais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 7, 21-29)
21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? 23E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! 24Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína. 28Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina. 29Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas.
3) Reflexão - Mt 7,21-29
O Evangelho de hoje traz a parte final do Sermão da Montanha: (1) não basta falar e cantar, é preciso viver e praticar (Mt 7,21-23). (2) A comunidade construída em cima do fundamento da nova Lei do Sermão da Montanha ficará em pé na hora da tempestade (Mt 7,24-27). (3) O resultado das palavras de Jesus nas pessoas é uma consciência mais crítica com relação aos líderes religiosos, os escribas (Mt 7,28-29).
Este final do Sermão da Montanha desenvolve algumas oposições ou contradições que continuam atuais até nos dias de hoje: (1) Há pessoas que falam continuamente de Deus, mas se esquecem de fazer a vontade de Deus; usam o nome de Jesus, mas não traduzem em vida sua relação com o Senhor (Mt 7,21). (2) Há pessoas que vivem na ilusão de estarem trabalhando para o Senhor, mas no dia do encontro definitivo com Ele, descobrem, tragicamente, que nunca o conheceram (Mt 7,22-23). As duas parábolas finais do Sermão da Montanha, da casa construída sobre a rocha (Mt 7,24-25) e da casa construída sobre a areia (Mt 7,26-27), ilustram estas contradições. Por meio delas Mateus denuncia e, ao mesmo tempo, tenta corrigir a separação entre fé e vida, entre falar e fazer, entre ensinar e praticar.
Mateus 7,21: Não basta falar, é preciso praticar
O importante não é falar bonito sobre Deus ou saber explicar bem a Bíblia para os outros, mas é fazer a vontade do Pai e, assim, ser uma revelação do seu rosto e da sua presença no mundo. A mesma recomendação foi dada por Jesus àquela mulher que elogiou Maria, sua mãe. Jesus respondeu: “Felizes os que ouvem a Palavra e a põem em prática” (Lc 11,28).
Mateus 7,22-23: Os dons devem estar a serviço do Reino, da comunidade.
Havia pessoas com dons extraordinários como, por exemplo, o dom da profecia, do exorcismo, das curas, mas elas usavam os dons para si mesmas, fora do contexto da comunidade. No julgamento, elas ouvirão uma sentença dura de Jesus: "Afastem-se de mim vocês que praticam a iniqüidade!". Iniqüidade é o oposto de justiça. É fazer com Jesus o que alguns doutores faziam com a lei: ensinavam mas não praticavam (Mt 23,3). Paulo dirá a mesma coisa com outras palavras e argumentos: “Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria”. (1Cor 13,2-3).
Mateus 7,24-27: A parábola da casa na rocha.
Ouvir e praticar, esta é a conclusão final do Sermão da Montanha. Muita gente procurava sua segurança nos dons extraordinários ou nas observâncias. Mas a segurança verdadeira não vem do prestígio nem das observâncias, não vem de nada disso. Ela vem de Deus! Vem do amor de Deus que nos amou primeiro (1Jo 4,19). Seu amor por nós, manifestado em Jesus ultrapassa tudo (Rom 8,38-39). Deus se torna fonte de segurança, quando procuramos praticar a sua vontade. Aí, Ele será a rocha que nos sustenta na hora das dificuldades e das tempestades.
Mateus 7,28-29: Ensinar com autoridade
O evangelista encerra o Sermão da Montanha dizendo que a multidão ficou admirada com o ensinamento de Jesus, porque "ele ensinava com autoridade, e não como os escribas". O resultado do ensino de Jesus é a consciência mais crítica do povo com relação às autoridades religiosas da época. Suas palavras simples e claras brotavam da sua experiência de Deus, da sua vida entregue ao Projeto do Pai. O povo estava admirado e aprovava os ensinamentos de Jesus.
Comunidade: casa na rocha
No livro dos Salmos, frequentemente encontramos a expressão: “Deus é a minha rocha e a minha fortaleza... Meus Deus, rocha minha, meu refúgio, meu escudo, força que me salva...”(Sl 18,3). Ele é a defesa e a força de quem nele acredita e busca a justiça (Sl 18,21.24). As pessoas que confiam neste Deus, tornam-se, por sua vez, uma rocha para os outros. Assim, o profeta Isaías faz um convite ao povo que estava no cativeiro: "Vocês que estão à procura da justiça e que buscam a Deus! Olhem para a rocha da qual foram talhados, para a pedreira da qual foram extraídos. Olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, sua mãe” (Is 51,1-2). O profeta pede para o povo não esquecer o passado. O povo deve lembrar como Abraão e Sara pela fé em Deus se tornaram rocha, começo do povo de Deus. Olhando para esta rocha, o povo devia criar coragem para lutar e sair do cativeiro. Do mesmo modo, Mateus exorta as comunidades para que tenham como alicerce a mesma rocha (Mt 7,24-25) e possam, dessa maneira, elas mesmas ser rocha para fortalecer os seus irmãos e irmãs na fé. Este é o sentido do nome que Jesus deu a Pedro: “Você é Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,18). Esta é a vocação das primeiras comunidades, chamadas a unir-se a Jesus, a pedra viva, para tornarem-se, também elas, pedras vivas pela escuta e pela prática da Palavra (Pd 2,4-10; 2,5; Ef 2,19-22).
4) Para um confronto pessoal
1) Como a nossa comunidade equilibra oração e ação, louvor e prática, falar e fazer, ensinar e praticar? O que deve melhorar na nossa comunidade, para que ela seja rocha, casa segura e acolhedora para todos?
2) Qual a rocha que sustenta a nossa Comunidade? Qual o ponto em que Jesus mais insiste?
5) Oração final
Ajudai-nos, ó Deus salvador, pela glória de vosso nome; livrai-nos e perdoai-nos os nossos pecados pelo amor de vosso nome. (Sl 78, 9)
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 23, a Operação Miragem, contra supostas fraudes no Banco Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões contra investigados, como é o caso do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, dono do banco.
A suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário. A reportagem busca o contato com a defesa dos investigados.
Entre os alvos das buscas, estão dirigentes do Digimais, como é o caso do bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja. Os executivos do banco Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero também foram alvos de buscas. O bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil.
A PF ainda cumpre buscas em endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, donos da ID, gestora dos fundos do Digimais. Eles são suspeitos de ajudar na maquiagem contábil.
A Polícia Federal afirma que após Edir Macedo assumir o controle do banco, ele passou a focar em crédito consignado e financiamento de veículos. Houve, segundo a PF, um breve período de crescimento e depois uma “severa” deterioração, com prejuízos expressivos.
Entre 2023 e 2024, então, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI.
Segundo a PF, a emissão dos CDBs atrelada à “posterior decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição”.
De acordo com investigadores, o banco passou a fazer “sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID.
Essa manobra, de acordo com a PF, teve o “o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação consubstancia fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”.
Uma dessas operações foi apontada pela própria auditoria independente que o banco é obrigado a contratar para entregar suas demonstrações financeiras ao Banco Central. A holding de Edir Macedo, que controla o banco, comprou R$ 741 milhões das cotas que o Digimais tinha em participação de um Fundo de Direitos Creditórios chamado Hermon.
O Hermon não é dono de um ativo rentável a curto prazo. O fundo comprou o direito a receber uma indenização judicial obtida por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia foi encampada - ou seja, teve o seu controle acionário assumido - pela ditadura de Getúlio Vergas, em 1940, no processo de criação da Vale do Rio Doce.
A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas - e seus herdeiros legais - em valores atualizados equivalentes a 7 mil ações da Vale. O fundo estima ter R$ 2,2 bilhões a receber. A ação judicial é dos anos 1990 e o cálculo do pagamento gera controvérsia na Justiça, o que pode levar anos a ser resolvido.
Segundo a Polícia Federal, com uso de uma longa teia de fundos da ID adquiriu esses ativos por R$ 71 milhões, mas diversas reavaliações de seu patrimônio inflaram esse valor para R$ 741 milhões. Fonte: https://www.estadao.com.br
Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que formais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 7,1-5)
1Não julgueis, e não sereis julgados. 2Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos. 3Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? 4Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? 5Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.
3) Reflexão - Mt 7,1-5
No evangelho de hoje, 23 de junho, continuamos a meditação sobre o Sermão da Montanha que se encontra nos capítulos 5 a 7 do evangelho de Mateus. Nos dias 9 a 21 de junho, vimos os capítulos 5 e 6. De hoje até 26 de junho, veremos o capítulo 7. Estes três capítulos 5, 6 e 7 oferecem uma idéia de como era a catequese nas comunidades dos judeus convertidos na segunda metade do primeiro século lá na Galiléia e Síria. Mateus juntou e organizou as palavras de Jesus para ensinar como devia ser a nova maneira de viver a Lei de Deus.
Depois de ter explicado como restabelecer a justiça (Mt 5,17 a 6,18) e como restaurar a ordem da criação (Mt 6,19-34), Jesus ensina como deve ser a vida em comunidade (Mt 7,1-12). No fim, ele traz algumas recomendações e conselhos finais (Mt 7,13-27). Aqui segue um esquema de todo o sermão da Montanha:
Mateus 5,1-12: As Bem-aventuranças: solene abertura da nova Lei
Mateus 5,13-16: A nova presença no mundo: Sal da terra e Luz do mundo
Mateus 5,17-19: A nova prática da justiça: relacionamento com a antiga lei
Mateus 5,20-48: A nova prática da justiça: observando a nova Lei.
Mateus 6,1-4: A nova prática das obras de piedade: a esmola
Mateus 6,5-15: A nova prática das obras de piedade: a oração
Mateus 6,16-18: A nova prática das obras de piedade: o jejum
Mateus 6,19-21: Novo relacionamento com os bens materiais: não acumular
Mateus 6,22-23: Novo relacionamento com os bens materiais: visão correta
Mateus 6,24: Novo relacionamento com os bens materiais: Deus ou dinheiro
Mateus 6,25-34: Novo relacionamento com os bens materiais: confiar na providência
Mateus 7,1-5: Nova convivência comunitária: não julgar
Mateus 7,6: Nova convivência comunitária: não desprezar a comunidade
Mateus 7,7-11: Nova convivência comunitária: confiança em Deus gera partilha
Mateus 7,12: Nova convivência comunitária: a Regra de Ouro
Mateus 7,13-14: Recomendações finais: escolher o caminho certo
Mateus 7,15-20: Recomendações finais: o profeta se conhece pelos frutos
Mateus 7,21-23: Recomendações finais: não só falar, também praticar
Mateus 7,24-27: Recomendações finais: construir a casa na rocha
A vivência comunitária do evangelho (Mt 7,1-12) é a pedra de toque. É onde se define a seriedade do compromisso. A nova proposta da vida em comunidade aborda vários aspectos: não reparar no cisco que está no olho do irmão (Mt 7,1-5), não jogar as pérolas aos porcos (Mt 7,6), não ter medo de pedir as coisas a Deus (Mt 7,7-11). Estes conselhos vão culminar na Regra de Ouro: fazer ao outro aquilo que você gostaria que o outro fizesse a você (Mt 7,12). O evangelho de hoje traz a primeira parte: Mateus 7,1-5.
Mateus 7,1-2: Não julguem, e vocês não serão julgados
A primeira condição para uma boa convivência comunitária é não julgar o irmão ou a irmã, ou seja, eliminar os preconceitos que impedem a convivência transparente. O que significa isto no concreto? O evangelho de João dá um exemplo de como Jesus vivia em comunidade com os discípulos. Jesus diz: “Eu não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Jesus é um livro aberto os para os seus companheiros. Esta transparência nasce da sua total confiança nos irmãos e irmãs e tem a raiz na sua intimidade com o Pai que lhe dá a força para abrir-se totalmente aos outros. Quem assim convive com os irmãos e as irmãs, aceita o outro do jeito que o outro é, sem preconceitos, sem impor-lhe condições prévias, sem julga-lo. Aceitação mútua sem fingimento e total transparência! Este é o ideal da nova vida comunitária, nascida da Boa Nova que Jesus nos trouxe de que Deus é Pai/Mãe e que, portanto, todos somos irmãos e irmãs uns dos outros. É um ideal tão difícil e tão bonito e atraente como aquele outro: ”Ser perfeito como o Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48).
Mateus 7.3-5: Vê o cisco e não percebe a trave
Em seguida, Jesus dá um exemplo: “Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho? Ou, como você se atreve a dizer ao irmão: 'deixe-me tirar o cisco do seu olho', quando você mesmo tem uma trave no seu? Hipócrita, tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem para tirar o cisco do olho do seu irmão". Ao ouvir esta frase, costumamos pensar logo nos fariseus que desprezavam o povo como ignorante e se consideravam a si mesmos melhores que os outros (cf. Jo 7,49; 9,34). Na realidade, a frase de Jesus serve para todos nós. Por exemplo, hoje, muitos de nós católicos pensamos que somos melhores que os outros cristãos. Achamos até que os outros são menos fiéis ao evangelho do que nós católicos. Olhamos o cisco no olho dos nossos irmãos e não enxergamos a enorme trave de orgulho prepotente coletivo nos nossos olhos. Esta trave é a causa por que, hoje, muita gente tem dificuldade de crer na Boa Nova de Jesus.
4) Para um confronto pessoal
1) Não julgar o outro e eliminar os preconceitos: qual a experiência pessoal que eu tenho neste ponto?
2) Cisco e trave: qual a trave em mim que dificulta minha participação na vida em família e em comunidade?
5) Oração final
Dirige-me na senda dos teus mandamentos, porque nela está minha alegria. Inclina meu coração para teus testemunhos e não para a avareza. (Sl 118, 35-36)
Na Bíblia encontramos com frequência o imperativo divino “não tenhais medo”. É muito confortador saber que Deus encoraja a comunidade e cada pessoa em particular a resistir, não se dobrar diante dos desafios, continuar o caminho em meio às dificuldades, assumir uma missão mesmo que se reconheça incapaz. Neste domingo, Jesus se dirige aos discípulos e por três vezes diz: “Não tenhais medo!” (Jeremias 20,10-13, Salmo 68(69), Romanos 5,12-15 e Mateus 10,26-33).
O medo é uma dimensão natural da vida. Desde a infância experimentamos medos que depois se revelam imaginários e desaparecem; depois emergem outros que têm fundamento concreto e precisam ser enfrentados e superados. Ainda temos um medo mais profundo, do tipo existencial, que por vezes termina em angústia fruto de um vazio. Jesus é ciente desta condição humana.
Jesus sabe que seus discípulos, diante de situações reais de ameaça à integridade física e a questionamentos sobre as convicções de fé, poderão ser tomados pelo medo. Se forem ceder a ele ficarão paralisados, não irão testemunhar o que creem e nem anunciarão aos outros a boa nova do Evangelho. Jesus, ao enviar os discípulos, foi muito honesto com eles avisando dos perigos e dificuldades que teriam na missão. Mas também, apresenta os argumentos para não terem medo e viverem com coragem e serenidade a vida cristã. O que Jesus diz aos discípulos está dirigindo também aos cristãos de todos os tempos. No texto do evangelho apresenta as razões para não terem medo e depois recomenda a necessidade de dar testemunho como sinal de confiança.
Em primeiro lugar, afirma que “nada há de encoberto que não seja revelado”. O Evangelho adquire transparência mesma nas piores circunstâncias. Deus vai fazer conhecido o que está escondido, pois tudo está sob mão de Deus. A seguir afirma, que não “tenham medo daqueles matam o corpo, mas não podem matar a alma!” O corpo pode ser sofrer violência e ser exterminado, mas o princípio vital, a alma, a liberdade interior não está sob o domínio de quem mata. O terceiro argumento é a providência divina. Ao lembrar que Deus cuida dos pardais e de cada cabelo, muito mais vai dar atenção a cada pessoa.
Se não há razões para se dobrar diante das ameaças humanas, diante de Deus cada discípulo deve cultivar o “temor de Deus”. Este sim, é sadio e necessário. O “temor de Deus” é um dos dons do Espírito Santo, que as Escrituras definem como o “princípio da sabedoria”, coincide com a fé em Deus, com o sagrado respeito pela autoridade de Deus sobre a vida do mundo. Quem teme a Deus está tranquilo até em meio as tempestades.
Se o medo paralisa, a presença amiga e protetiva de Deus lança o discípulo em missão. “Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pais que está nos céus”. Testemunhar, declarar Jesus Cristo no mundo não é feito somente de palavras, mas pertencer a ele com o coração e a vida. É fazer isto com alegria pois se está oferecendo algo muito valioso ao mundo.
Sete séculos antes de Jesus falar aos discípulos, temos o testemunho do profeta Jeremias. Ele experimentou na própria carne o peso da missão profética. Resistiu diante do chamado de Deus para assumir a missão de profeta. Argumenta que era jovem e não sabia falar. Mesmo assim o Senhor lhe respondeu: “Para onde eu te enviar, irás, e o que eu te mandar, falarás. Não tenhas medo, pois eu estarei contigo para te livrar” (1,8). No texto da liturgia hodierna, o profeta confessa que há muitos que o injuriam, espalham medo ao redor, fazem falsas denúncias, querem fazê-lo tropeçar. Confessa a certeza que o Senhor está com ele e que os planos dos malvados serão conhecidos. Por fim convida: “Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus”.
Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 6,24-34)
Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: 24Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza. 25Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? 27Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? 28E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. 29Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. 30Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. 33Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. 34Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.
3) Reflexão - Mt 6,24-34)
O evangelho de hoje nos ajuda a rever o relacionamento com os bens materiais e trata de dois assuntos de tamanho desigual: (1) nosso relacionamento com o dinheiro (Mt 6,24) e nosso relacionamento com a Providência Divina (Mt 6,25-34). Os conselhos dados por Jesus suscitam várias perguntas de difícil resposta. Por exemplo, como entender hoje a afirmação: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24)? Como entender a recomendação de não nos preocupar com comida, bebida e roupa (Mt 6,25)?
Mateus 6,24: Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
Jesus é muito claro na sua afirmação: “Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". Cada um, cada uma, terá que fazer uma escolha. Terá que se perguntar: “Quem eu coloco em primeiro lugar na minha vida: Deus ou o dinheiro?” Desta escolha dependerá a compreensão dos conselhos que seguem sobre a Providência Divina (Mt 6,25-34). Não se trata de uma escolha feita só com a cabeça, mas de uma escolha bem concreta de vida que envolve as atitudes.
Mateus 6,25: Jesus critica a preocupação demasiada com comida e roupa
Esta crítica de Jesus até hoje provoca muito espanto no povo, pois a grande preocupação de todo pai e mãe de família é com comida e roupa para os filhos. O motivo da crítica é que a vida vale mais do que comida e o corpo vale mais do que a roupa. Para esclarecer sua crítica Jesus traz duas parábolas: dos passarinhos e das flores.
Mateus 6,26-27: A parábola dos passarinhos: a vida vale mais que a comida
Jesus manda olhar os passarinhos. Não semeiam, não têm armazém, e no entanto sempre têm o que comer, porque o Pai do céu os alimenta. “E vocês valem mais que os passarinhos!” O que Jesus critica é quando a preocupação pela comida ocupa todo o horizonte da vida das pessoas, não deixando mais espaço para se experimentar e saborear a gratuidade da fraternidade e da pertença ao Pai. Por isso, criminoso é o sistema neo-liberal que obriga a grande maioria das pessoas a viverem 24 horas por dia preocupadas com comida e roupa, e que provoca na outra pequena minoria rica uma ânsia de comprar e de consumir a ponto de não deixar mais espaço para outra coisa. Jesus diz que a vida vale mais do que os bens de consumo! O sistema neoliberal impede a vivência do Reino
Mateus 6,28-30: A parábola dos lírios: o corpo vale mais que a roupa
Jesus manda olhar as flores, os lírios do campo. Com que elegância e beleza Deus as veste! “Ora, se Deus veste assim o capim, quanto mais a vocês, pessoas fracas na fé!” Jesus coloca um lembrete nas coisas da natureza, para que, vendo as flores e o capim, a gente se lembre da missão que temos de lutar pelo Reino e de criar uma convivência nova que possa garantir comida e roupa para todos.
Mateus 6,31-32: Não ser como os pagãos
Jesus retoma a crítica contra a preocupação demasiada com comida, bebida e roupa. E conclui: “São os pagãos que se preocupam com tudo isso!” Deve haver uma diferença na vida dos que têm fé em Jesus e dos que não tem fé em Jesus. Os que tem fé em Jesus partilham com ele a experiência de gratuidade de Deus como Pai, Abba. Esta experiência da paternidade deve revolucionar a convivência. Deve gerar uma vida comunitária que seja fraterna, semente de nova sociedade.
Mateus 6,33-34: O Reino em primeiro lugar
Jesus aponta dois critérios: “Buscar primeiro o Reino” e “Não preocupar-se com o dia de amanhã”. Buscar em primeiro lugar o Reino e a sua justiça significa buscar realizar a vontade de Deus e permitir que Deus possa reinar em nossas vidas. A busca de Deus se traduz concretamente na busca de uma convivência fraterna e justa. Onde houver esta preocupação pelo Reino, nascerá uma vida comunitária em que todos viverão como irmãos e irmãs e ninguém mais passará necessidade. Aí não haverá mais preocupação com o dia de amanhã, isto é, não haverá mais preocupação em acumular.
Buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justice
O Reino de Deus deve ser o centro de toda a nossa preocupação. O Reino pede uma convivência, onde não haja acumulação e sim partilha, para que todos possam ter o necessário para viver. O Reino é a nova convivência fraterna, em que cada pessoa se sente responsável pela outra. Esta maneira de ver o Reino ajuda a entender melhor as parábolas dos passarinhos e das flores, pois para Jesus a Providência Divina passa pela organização fraterna. Preocupar-se com o Reino e a sua justiça é o mesmo que preocupar-se em aceitar Deus como Pai e em ser irmão e irmã uns dos outros. Frente ao crescente empobrecimento causado pelo neoliberalismo econômico, a saída concreta que o evangelho nos apresenta e os pobres encontraram para a sua sobrevivência é a solidariedade e a organização.
* Uma faca afiada na mão de uma criança pode ser arma mortal. Uma faca afiada na mão de uma pessoa amarrada com cordas é arma que salva. Assim são as palavras de Jesus sobre a Providência Divina. Seria anti-evangélico dizer a um pai de famílias desempregado, pobre, com oito filhos, e mulher doente: "Não se preocupe com o que vai comer e beber! Por que ficar preocupado com roupa e saúde?" (Mt 6,25.28). Isto só podemos dize-lo quando nós mesmos, imitando a Deus como Jesus, nos organizarmos entre nós para realizar a partilha dos bons, garantindo assim ao irmão a sobrevivência. Do contrário seríamos como os três amigos de Jó que, para defender a Deus, contavam mentiras sobre a vida humana (Jó 13,7). Seria “leiloar um órfão e traficar um amigo" (Jóַ 7,27). Na boca do sistema dos ricos, estas mesmas palavras podem ser armas mortais contra os pobres. Na boca do pobre, elas podem ser uma saída real e concreta para uma convivência melhor, mais justa e mais fraterna.
4) Para um confronto pessoal
Como eu entendo e vivo a confiança na Providência Divina?
Como cristãos temos a missão de dar uma expressão concreta àquilo que nos anima por dentro. Qual a expressão que estamos dando à nossa confiança na Divina Providência?
5) Oração final
Indicai-me, Senhor, o caminho dos teus decretos e o seguirei até o fim. Dai-me inteligência pra que observe a tua lei e a guarde com todo o coração. (Sl 118)
Exatamente 44 anos atrás, o futuro Leão XIV era ordenado sacerdote na Capela de Santa Mônica, na Piazza del Santo Uffizio. A Diocese de Roma envia seus melhores votos: "Continuamos edificados por sua dedicação diária à busca da paz."
Vatican News
A poucos passos do Vaticano, na capela de Santa Mônica, há 44 anos, Robert Prevost, então com 27 anos, era ordenado sacerdote. Cinco anos antes, ele havia ingressado na Ordem de Santo Agostinho e professado votos solenes em 1981. Em setembro daquele ano, chegou a Roma, ao Colégio Internacional de Santa Mônica, para estudar direito canônico na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum).
Alguns meses mais tarde, sua ordenação teve lugar em um lugar que mais tarde se tornaria muito familiar para ele. Prevost, de fato, viveu no Prédio do Santo Ofício desde 2023 e, naquele mesmo ano, no consistório de 30 de setembro, o Papa Francisco o nomeou cardeal, designando-o para a diaconia de Santa Mônica.
“Sou o vosso servo”
O santinho para aquele ocasião reproduzia um ícone russo do século XV representando a Última Ceia. As palavras escolhidas eram do Sermão 399 de Santo Agostinho: “Para mim alimentar todos vocês com pão comum é algo que não posso fazer. Mas esta Palavra é a sua porção. Eu os alimento da mesma mesa que me alimenta. Sou o vosso servo".
As felicitações da "sua" diocese
Em uma mensagem de felicitações enviada pela Diocese de Roma, da qual é Bispo, lê-se: “Estamos conscientes da delicadeza do seu ministério e somos edificados pela sua dedicação diária ao anúncio do Reino e à busca da paz”. “Nós o sustentamos– está escrito no texto – com renovado afeto e com a oração de todo o Povo Santo de Deus, invocando para o senhor a força desarmada dos humildes. Que a Santíssima Virgem do Divino Amor o proteja e abençoe o seu ministério”. Fonte: https://www.vaticannews.va
Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
2) Leitura do Evangelho (Mateus 6, 19-23)
19Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. 20Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. 21Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração. 22O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. 23Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!
3) Reflexão - Mt 6, 19-23
No evangelho de hoje continuamos nossa reflexão sobre o Sermão da Montanha. Anteontem e ontem refletimos sobre a prática das três obras de piedade: esmola (Mt 6,1-4), oração (Mt 6,5-15) e jejum (Mt 6,16-18). O evangelho de hoje e de amanhã trazem quatro recomendações sobre o relacionamento com os bens materiais, explicitando assim como viver a pobreza da primeira bem-aventurança: (1) não acumular (Mt 6,19-21); (2) ter a visão correta dos bens materiais (Mt 6,22-23); (3) não servir a dois senhores (Mt 6,24); (4) abandonar-se à providência divina (Mt 6,25-34). O evangelho de hoje trata das duas primeiras recomendações: não acumular bens (6,19-21) e não olhar o mundo com olhos doentes (6,22-23).
Mateus 6,19-21: Não acumular tesouros na terra
Se, por exemplo, hoje na TV é dado o aviso de que vai faltar açúcar e café no próximo mês, todos vamos comprar o máximo possível de café e de açúcar. Acumulamos, porque não confiamos. Nos quarenta anos de deserto, o povo foi provado para ver se era capaz de observar a lei de Deus (Ex 16,4). A prova consistia nisto: ver se eles eram capazes de recolher só o necessário de maná para um único dia e de não acumular para o dia seguinte. Jesus diz: "Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões assaltam e roubam. Ajuntem riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam”. O que significa ajuntar tesouros no céu? Trata-se de saber onde coloco o fundamento da minha existência. Se o coloco nos bens materiais desta terra, sempre corro o perigo de perder o que acumulei. Se coloco o fundamento em Deus, ninguém vai poder destruí-lo e terei a liberdade interior de partilhar com os outros os bens que possuo. Para que isto seja possível e viável, é importante que se crie uma convivência comunitária que favoreça a partilha e a ajuda mútua, e na qual a maior riqueza ou tesouro não é a riqueza material, mas sim a riqueza ou o tesouro da convivência fraterna nascida a partir da certeza trazida por Jesus de que Deus é Pai/Mãe de todos. Onde está o teu tesouro (riqueza), aí está o teu coração.
Mateus 6,22-23: A lâmpada do corpo é o olho
Para entender o que Jesus pede é necessário ter olhos novos. Jesus é exigente e pede muita coisa: não acumular (6,19-21), não servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo (6,24), não se preocupar com comida e bebida (6,25-34). Estas recomendações exigentes tratam daquela parte da vida humana, onde as pessoas tem mais angústias e preocupações. É também a parte do Sermão da Montanha, que é a mais difícil de se entender e de praticar. Por isso Jesus diz: "Se teu olho estiver doente, ....". Alguns traduzem olho doente e olho são. Outros traduzem olho mesquinho e olho generoso. Tanto faz. Na realidade, a pior doença que se possa imaginar é uma pessoa se fechar sobre si mesma e sobre seus bens e confiar só neles. É a doença da mesquinhez! Quem olha a vida com este olhar viverá na tristeza e na escuridão. O remédio para curar esta doença é a conversão, a mudança de mentalidade e de ideologia. Colocando o fundamento da vida em Deus, o olhar se torna generoso e a vida toda se torna luminosa, pois faz nascer a partilha e a fraternidade.
Jesus quer uma mudança radical. Quer a observância da lei do ano sabático, onde se diz que, na comunidade dos que crêem, não pode haver pobres (Dt 15,4). A convivência humana deve ser organizada de tal maneira que já não seja necessário uma pessoa se preocupar com comida e bebida, roupa e moradia, saúde e educação (Mt 6,25-34). Mas isto só é possível se todos buscarem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6,33). O Reino de Deus é permitir que Deus reine e tome conta: é imitar Deus (Mt 5,48). A imitação de Deus leva à partilha justa dos bens e ao amor criativo, que gera fraternidade verdadeira. A Providência Divina deve ser mediada pela organização fraterna, Só assim é possível jogar fora toda a preocupação pelo dia de amanhã (Mt 6,34).
4) Para um confronto pessoal
1) Jesus disse: “Onde está tua riqueza, aí estará o teu coração”. Onde está minha riqueza: no dinheiro ou na fraternidade?
2) Qual a luz que está nos meus olhos para olhar a vida, os acontecimentos?
5) Oração final
Porque o Senhor escolheu Sião, ele a preferiu para sua morada. É aqui para sempre o lugar de meu repouso, é aqui que habitarei porque o escolhi. (Sl 131, 13-14)