- Detalhes
Província Carmelitana de Santo Elias
2018: Ano do Laicato Carmelitano
Comissão Provincial para Ordem Terceira
Tema: Em Obséquio de Jesus Cristo
Lema: Uma Família sem Fronteiras
Relação entre Frades e Leigos na Ordem do Carmo (algumas notas)
Frei Bruno Secondin, O. Carm.
Somos filhos de um grande movimento laical, que deu muitos frutos semelhantes ao nosso. Hoje nos damos conta de que estas experiências de uma Igreja em transformação, dentro da qual surgiu a nossa família. O projeto da Regra reflete e se insere nesta situação: movimentos de leigos, pregadores, penitentes, peregrinos, fraternos e pobres.
Naquele tempo não havia ainda uma visão da Igreja bem estruturada como hoje. E isso si vê no projeto da Regra. Transparecem algumas estruturas- patriarcal, os padre, os chefes das Igrejas, tradição jurídica (Eleição), etc.
Porem no fundo tudo é horizontal – fraterno – essencial. O modelo principal: é aquilo de Jerusalém (palavra – fraternidade – oração – eucaristia – asceses – partilha – templo no meio. Misturado com outros modelos: ex. o modelo Paulino de Antioquia: abertura – acolhida – outra forma de partilhar os bens – trabalho – respeito das pessoas – visão multicultural.
Alguns dos grandes horizontes: a luta espiritual – trabalho manual – palavra unida às relações de comunidade.
O dom do lugar pela fundação – O transporte pobre (Igreja pobre é o sentido do texto no original) – acolhida generosa e atenta – a casa dos acolhedores – os viageiros no mar – os trabalhadores – o samaritano da conclusão.
A falta em geral da mentalidade clerical: tudo deve favorecer a fraternidade, o respeito da diversidade, a centralidade dos valores essenciais. Não há preocupação da agregação dos leigos: porque desde o início a mentalidade, a perspectiva, a visão era “laical” num sentido medieval (nossa distinções rígidas ainda não existiam). A intenção era a volta a grande tradição, unindo a sabedoria do passado com a própria experiência e a nova espiritualidade “evangélica-laical” (propositum dos cruzados e dos leigos penitentes).
Outro elemento interessante é a confiança na fidelidade madura de cada um: respeito – exceções – valores mais que disciplina. A mesma inspiração do Profeta Elias não clericalizava o projeto: permaneceu aberto; foi só por causa da “clericalização” sucessiva, que tudo si mudou afastando a vida dos frades da vida do povo e da mentalidade da origem.
A tradição de ampliar a família religiosa concedendo a agregação (fraternitas) era anterior à nossa aparição. Se usavam palavras como: donatos, oblatos, rendidos, familiares. Nas outras Ordens havia várias formas e grupos. No Carmelo nos primeiros séculos há várias experiências, mas uma só família com diferentes estados de vida.
1452: é o ano do reconhecimento da existência das “monjas” e dos grupos da Terceira Ordem (privilegiados). O destaque e a diferencia se consolida definitivamente.
Vale a pena repensar de novo a riqueza e o valor da situação “laical” das origens, especialmente hoje, em uma Igreja que se dá conta do valor teológico, evangelizador da existência laical. Tudo isto está pedindo uma nova interpretação do sentido mesmo do carisma. Ele não pode ser considerado como “monopólio” de uma Ordem ou de uma Congregação; é bem da Igreja, e o Espirito Santo está convocando diretamente os leigos a vive-lo e a fazê-lo fecundo na Igreja. Isso nos ajuda a recuperar a história primitiva: a intenção não era de fundar uma “ordem”, mais de estabilizar uma experiência simples, fraterna, pobre, aceitada pela autoridade eclesial. Não foi o desejo de distinguir-se que está no fundo da Regra, mais uma estabilidade clara, no propositum vivido.
PROJETOS DO ANO DO LAICATO CARMELITANO:
1º- Valorização da Missão e do papel do leigo na Ordem Terceira do Carmo, em nossas Paróquias/ Conventos e Santuários.
(Será confeccionada uma medalha/ Diploma para contemplar os leigos que fizeram e fazem história em nossas casas e sodalícios. Cada paróquia, convento ou sodalício, passe os nomes com antecedência dos leigos (No máximo 3 por comunidade). Sugerimos que a entrega seja na Festa de Nossa Senhora do Carmo)
2º- Missão Carmelitana com frades e leigos
-Sugerimos que a Província retome a dimensão missionária da nossa história, missão esta que marcou as nossas vidas.
-Seja em nossas paróquias ou paróquias/dioceses que nos convidarem. Para tal, pedimos que o governos provincial estude esta possibilidade, tendo em vista a atual visão de Igreja do Papa Francisco em seus documentos e homilias no incentivo diário da chamada “Igreja em saída”.
Sugestão de período de Missão:
Julho ou dezembro
2º- Regionalizar no mês de agosto grandes encontros/ eventos dos Sodalícios na região sudeste (São Paulo e Rio); Minas e Bahia.
3º- Formação sob a ótica do Ano do Laicato Carmelitano para priores e formadores dos 37 Sodalícios no Conventão, São Paulo.
Data: 9,10,11 de março.
4º - Lançamento de um CD com cantos carmelitas do Ano do Laicato
5º Publicar o Devocional do Leigo Carmelita
6º- Publicação de um livreto com roteiros bíblicos para os sodalícios a partir da regra e da nossa espiritualidade (Frei Victor Kruger, Frei Martinho, Frei Carlos Mesters e Frei Gilvander)
7º- Retomar a ideia de Dom Vital no Eremitério Fonte de Elias, enquanto lugar de unidade, fraternidade e contemplação para a família carmelitana.
8-Congresso Internacional para os Leigos Carmelitas 2018
Roma (Sassone) - Itália
A partir de 15 de setembro (dia da chegada)
Até 21 de setembro (dia da partida)
(Vaga para a Província, 20)
9º- Convivência Fraterna, Orante e contemplativa Carmelitana em Jacareí- SP para os Sodalícios e leigos carmelitas de nossas paróquia e conventos.
Data: Retiro 26, 27 e 28 de novembro
CONVIVÊNCIA FRATERNA, ORANTE E CONTEMPLATIVA CARMELITANA NO EREMITÉRIO FONTE DE ELIAS.
Três dias no Eremitério Fonte de Elias no Alto do Rio das Pedras em Lídice, distrito de Rio Claro, Rio de Janeiro.
Os leigos, sobre a orientação do Delegado Provincial, Frei Petrônio de Miranda, O. Carm, serão os protagonistas nesta nova experiência de “Retiro Carmelita”, desde a preparação da alimentação até nos momentos de orações e reflexões.
O principal objetivo- Além da convivência carmelitana- é valorizar a missão laical a partir da vida de cada um: Seu olhar, sua experiência e vivência na Ordem Terceira do Carmo ou em nossas Paróquias.
Para os frades que desejarem fazer essa experiência de três dias com os leigos, favor agendar com antecedência. Teremos duas vagas para os frades e 8 para os leigos. A diária será de R$ 150, 000.
Abril
20, 21 e 22
(Sexta, sábado e domingo).
Maio
18, 19 e 20
(Sexta, sábado e domingo).
Junho
15, 16 e 17
(Sexta, sábado e domingo)
Agosto
24, 25 e 26
(Sexta, sábado e domingo)
“Somos filhos de um grande movimento laical, que deu muitos frutos semelhantes ao nosso. Hoje nos damos conta de que estas experiências de uma Igreja em transformação, dentro da qual surgiu a nossa família”. Frei Bruno Secondin, O. Carm.
- Detalhes
HOMENAGEM DO OLHAR: 80 Anos do Frei Gabriel Haamberg, O. Carm, do Carmo de Mogi das Cruzes, São Paulo.
- Detalhes
- Detalhes
- Detalhes
- Detalhes
- Detalhes
- Detalhes
VEJA O ÁLBUM. Clique aqui:
- Detalhes
ASSEMBLEIA DOS CARMELITAS: De 29 de janeiro a 2 de fevereiro-2018 em Jundiaí, São Paulo: O Primeiro Frade a chegar foi o Frei Victor Octávio Kruger Júnior, O. Carm, (foto), do Carmo de Salvador- BA (Atualmente ele reside com seu o irmão em Jaboticabal-SP em tratamento de saúde). Acompanhe tudo aqui no Face e no Olhar.
- Detalhes
- Detalhes
Frei Petrônio de Miranda, O. Carm.
Convento do Carmo da Bela Vista, São Paulo. 21 de janeiro – 2018
(Veja o álbum . Clique aqui:
Nos últimos três dias estive no Convento do Carmo de Mogi das Cruzes, São Paulo. Lá, convivi com os confrades- Frei Gabriel, Frei Marcelo de Jesus, Frei Marcelo Aquino- e os noviços neo-professos.
Depois da caminhada de um ano, os quatro jovens professaram nas mãos do Prior Provincial, Frei Evaldo Xavier, O. Carm, os Votos Evangélicos de Pobreza, Castidade e Obediência. Óbvio que tudo foi regado a emoção, carinho e amor à Espiritualidade Carmelitana Mariana e Eliana.
Eu também tive a alegria de presenciar no dia de hoje, domingo, a entrada de 10 jovens noviços para iniciar a caminhada 2018. Na cerimônia de abertura o seu mestre formador, Frei Marcelo de Jesus, O. Carm e o Padre Provincial, entregaram uma cruz para cada jovem; “Como vocês veem, na cruz não tem o Cristo, significa que todos vocês devem estar em seu lugar cada dia do noviciado”, afirmou o Frei Marcelo de Jesus, O. Carm.
Estar na cruz crucificado no lugar de Cristo? Ave Maria!... Tudo parece muito bonito e espiritual, afinal eles- os noviços- após serem revestidos pelo hábito carmelita ficaram de fato parecendo uns “santinhos”. Bem... Acho que a mensagem do confrade vai muito além de uma frase piedosa.
Ficar na cruz no lugar de Cristo é poder passar pelas noites escuras do noviciado, afinal eles são humanos e não anjos, como tal, vão ter que enfrentar o lado... Digamos, menos espirituoso de cada um.
Ficar na cruz no lugar de Cristo é perceber que a vida no Carmelo vai além de um pedaço de pena morrom ou do romantismo dos encontros vocacionais. Não, não... A nossa marca é profundamente marcada pelas vezes proféticas ao longo dos 800 anos, pela amorosidade e contemplação inserida na realidade concreta vivenciada pelos nossos santos e santos.
Ficar na cruz no lugar do Cristo é perceber que o caminho da perfeição se constrói com o “feijão” e com o “arroz” diário e não com os pés nas nuvens esquecendo a realidade atual do Brasil profundamente marcada pela violência, consumismo, fome e desemprego.
Ficar na cruz no lugar de Cristo é deixar de lado toda visão Carmelitana vazia e descomprometida e entrar no espírito “Vacare Deo”, ou seja, esvaziar-se de tudo que impede o encontro com Deus e ver a realidade com os olhos da fé mesmo quando todos só conseguem olhar o caos nós, carmelitas, “Devemos ver o mundo com Deus no fundo”, como dizia o Beato e Jornalista, Frei Tito Brandsma.
Ficar na cruz no lugar de Cristo é ter a coragem de caminhar rumo ao Monte Carmelo atravessando os desertos da vida, muitas vezes marcado pela incompreensão dos irmãos de comunidade e do próprio formador e, na brisa suave de Elias-nosso Pai e Guia- recarregar as nossas baterias.
Ficar na cruz no lugar de Cristo é não ter medo de olhar no espelho e enxergar o lado humano e limitado. Afinal, o período do noviciado vai muito além de belas orações ou ritos, ele acontece nas relações diárias pautada pelas experiências “santas” e “pecadoras” de cada noviço.
Enfim, toda aproximação com o sagrado- Cristo Crucificado- nos transforma em pessoas mais humanas. Impossível sentirmos a sua presença e sermos arrogantes, prepotentes, mentirosos, vaidosos e descomprometidos com os pobres que padecem nos becos, vielas e favelas desse imenso Brasil.
Ao finalizar o nosso olhar sobre os “Santos” e “Imaculados” noviços de Mogi das Cruzes, São Paulo, podemos afirmar que O NOVICIADO É UMA ESCOLA DE HUMANIDADE. Uma Boa caminhada para todos vocês e lembre-se! Ser carmelita é ser apenas humano, o resto é pura fantasia.
Pág. 46 de 72




