Olhar Jornalístico

*5º Domingo da Quaresma: Um Olhar

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Publicado em 22 março 2026
  • Evangelho Dominical,
  • Reflexão do Evangelho do Dia,
  • EVANGELHO DO DIA,
  • ressurreição,
  • REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA,
  • Homilia do 5º domingo da Quaresma
  • Lázaro
  • amigo de Jesus chamado Lázaro

Na quinta etapa do nosso caminho quaresmal, a Palavra de Deus continua a desafiar-nos à conversão, ao reencontro com Deus, à vida nova. Este é o tempo de desatar os nós que nos prendem à morte, de sair dos cantos sombrios do nosso comodismo e de abraçar aquela oferta irrecusável de vida que Deus insistentemente nos faz.

O Evangelho oferece-nos – a partir da história de um amigo de Jesus chamado Lázaro – uma magnífica catequese sobre o projeto de vida que Deus tem para o homem. Diz-nos que Jesus veio ao nosso encontro, enviado por Deus, para nos oferecer uma vida que a morte nunca poderá vencer. Àqueles que manifestam interesse em acolher essa vida, Jesus garante-lhes: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. Chegamos à vida se ousarmos seguir atrás de Jesus, como discípulos.

 

EVANGELHO – João 11,1-45

INTERPELAÇÕES

 

Há em cada um de nós um desejo insaciável de vida e, por isso, passamos cada instante a lutar por mais e mais vida. Agarramo-nos à ciência e, sobretudo, à medicina para prolongarmos a nossa vida biológica tanto quanto possível. Contudo, apesar de todas as possibilidades que a ciência nos oferece para vencer as dores e enfermidades, deparamo-nos a cada instante com a nossa finitude, os nossos limites, o “tempo curto” da nossa caminhada aqui na terra. Sentimo-nos impotentes diante de uma realidade – a morte – que não podemos controlar e que parece pôr um ponto final nos nossos melhores sonhos, anseios, desejos, projetos e realizações. Porque é que não podemos prolongar para sempre a nossa vida? Porque é que temos de, a certa altura, deixar aqueles que mais amamos? Que vai ser de nós quando se esgotar o nosso tempo aqui na terra? O que podemos fazer diante da realidade da morte? Muitos recusam-se a pensar nestas questões e limitam-se a aproveitar cada instante da existência o melhor possível, sem terem em conta qualquer horizonte futuro. Mas podemos, simplesmente, viver cada dia sem assumirmos uma atitude consciente e responsável sobre o nosso fim último, a realidade que nos espera depois da nossa peregrinação pela terra? Como equacionamos estas questões? Como nos situamos face a elas?

O autor do Quarto Evangelho oferece-nos hoje uma catequese sobre a temática da morte e da vida. A partir dos acontecimentos que enlutaram uma família amiga de Jesus (a morte de um homem chamado Lázaro, um dos membros dessa família), o nosso catequista diz-nos que a nossa vida nesta terra terá um fim e que isso é inevitável. Trata-se de algo que resulta da nossa finitude, dos nossos limites, da nossa debilidade, da nossa condição de criaturas. Mas a incontornável morte biológica não será o nosso fim, a última palavra de Deus sobre nós. Aquilo a que chamamos “morte” será uma espécie de “sono” do qual acordaremos nos braços amorosos do nosso Pai do céu. O crente não sabe mais do que os outros homens, nem tem uns óculos especiais para ver aquilo que os outros homens não conseguem ver; mas o crente aproxima-se da morte física com uma confiança radical na bondade, na misericórdia e no amor de Deus… Portanto, o crente acredita que a morte física não é destruição e aniquilação, mas sim a passagem para Deus, para a vida definitiva. Jesus, depois de dialogar com Marta, irmã de Lázaro, sobre esse horizonte de eternidade, perguntava-lhe: “acreditas nisto?” E nós, acreditamos nisto?

O “catequista” que nos conta a história de Lázaro, está convicto do poder salvador de Jesus. A sua certeza de que Jesus é fonte de vida é tão grande que, a certa altura, põe na boca de Jesus as seguintes palavras: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá”. O que é “acreditar” em Jesus? É aderir a Ele, escutar e acolher as suas palavras, viver ao seu estilo, assumir os seus valores, segui-l’O no caminho do amor, do serviço, do dom da própria vida. Ora, foi precisamente essa a opção que fizemos no dia do nosso batismo: “acreditar” em Jesus; e, ao fazê-lo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a vida eterna. Já agora: temos vivido de forma coerente com essa opção? Vivemos conscientes de que a fidelidade a Jesus é fonte de vida eterna?

O adeus definitivo a uma pessoa que nos é querida e que a morte nos arrebata mergulha-nos sempre numa dor sem remédio. Porque temos de perder aqueles que amamos e que enchem as nossas vidas de luz? A ausência, a saudade, deixam-nos um enorme vazio, um vazio que não conseguimos preencher senão com lágrimas. É mesmo assim: essas lágrimas são o preço do amor. O próprio Jesus, diante da “partida” do seu amigo Lázaro, chorou. A nossa relação com aquela pessoa que amávamos estará definitivamente terminada? O adeus que lhe dissemos será um adeus até nunca mais? Jesus, depois de chorar pelo seu amigo Lázaro, chegou ao sepulcro onde Lázaro estava e mandou tirar aquela pedra que separava o mundo dos mortos do mundo dos vivos. Queria, talvez, dizer que essa separação não tinha sentido. Avisaram-no de que Lázaro estava morto há quatro dias e que “já cheirava mal”. Jesus limita-se a gritar: “Lázaro, sai para fora”. E, à voz de Jesus, Lázaro sai para fora para mostrar a todos que está vivo. Tem os pés e as mãos “enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário”. Traz consigo os sinais e as ligaduras da morte. No entanto, sai do sepulcro pelo seu próprio pé. Lázaro, sepultado há quatro dias, está vivo. O que é que o nosso “catequista” quer dizer com isto? Simplesmente que os nossos queridos mortos, aqueles de quem nos despedimos e abandonamos num sepulcro, estão vivos! Deus não os abandonou. Conscientes disso, retiremos a “pedra” que nos afasta dos que já partiram. Não os perdemos. Eles estão vivos. De junto de Deus, eles continuam a acompanhar-nos e a amar-nos. Isso não será, para nós, motivo de consolação e de esperança?

Estamos a percorrer o “caminho quaresmal”, o caminho que nos leva em direção à Páscoa, à vida nova, à Ressurreição. É uma boa oportunidade para redescobrirmos o compromisso que assumimos no dia do nosso batismo e para redirecionarmos o sentido da nossa existência. Talvez as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, estejam enfaixados por ligaduras que nos prendem na morte e que nos impedem de sair dos túmulos sujos em que nos deixamos encerrar pelo nosso egoísmo, pelo nosso comodismo, pelo nosso orgulho, pela nossa ambição, pela nossa autossuficiência… Talvez necessitemos de prestar atenção à voz de Jesus que nos chama (“Lázaro, sai para fora”) e que nos convida a começar uma vida nova, uma vida gloriosa e cheia de sentido. Quais são as “ataduras” que nos mantêm agarrados a uma vida de sombras e de escravidões? Nesta Páscoa, estamos dispostos a ressuscitar com Jesus e a passar com Ele da morte para a vida?

*Leia na íntegra. Clique no link ao lado- EVANGELHO DO DIA.

Eles se amaram em Auschwitz e só se reencontraram 70 anos depois. Agora, um livro conta sua história

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Publicado em 21 março 2026
  • Auschwitz,
  • campo de concentração de Auschwitz,
  • Segunda Guerra Mundial,
  • campos de concentração de Auschwitz
  • Eles se amaram em Auschwitz
  • jornalista Keren Blankfeld
  • a impressionante história de David Wisnia
  • Helen Zipora Spitzer,
  • A história de Zippi e David

Eles se amaram em Auschwitz e só se reencontraram 70 anos depois. Agora, um livro conta sua história

 

A jornalista Keren Blankfeld, americana nascida no Brasil, país para onde seus avós emigraram após a Segunda Guerra Mundial, relata a improvável história de David e Zippi e seu emocionante reencontro antes da morte

 

 

Helen Zipora Spitzer, apelidada de Zippi, e David Wisnia em fotos do livro 'Eles Se Amaram em Auschwitz'. Foto: Serjão Carvalho/Estadão

 

Por Julia Queiroz

A jornalista Keren Blankfeld acabara de ouvir a impressionante história de David Wisnia. Judeu sobrevivente do Holocausto, ele perdeu a família, passou anos no campo de concentração de Auschwitz, conseguiu fugir e foi resgatado pelo exército americano. Ela estava prestes a deixar o apartamento de David, achando que já tinha uma história completa em mãos, quando ele acrescentou: " Ah, e eu tinha uma namorada que eu conheci em Auschwitz".

Keren pausou, tirou o casaco e sentou-se novamente. “Como assim namorada? Eu não conheço muitas histórias de Auschwitz, mas eu sei que não era um lugar onde estava tendo namoro”, disse ela. David jurou que era verdade, que era uma mulher muito especial, uma designer gráfica. Keren ficou nervosa. O homem já tinha lá seus 90 anos. Será que estava se confundindo?

Mas era verdade. “Ele me mostrou um livro que foi escrito sobre ela pelo Museu do Holocausto de Washington. Vários historiadores a entrevistaram. Existia até um livro sobre como ela conseguiu sobreviver lá ajudando os nazistas enquanto era prisioneira”, diz a jornalista.

A mulher era Helen Zipora Spitzer, apelidada de Zippi, e ela era realmente tudo aquilo: nascida na Eslováquia, havia estudado artes gráficas em uma época em que isso ainda era raro. Ao ser capturada pelos nazistas e levada para Auschwitz, começou a prestar serviços no campo, como pintar uniformes, cartazes e listas.

Lá, conheceu David. Se apaixonaram. “Ela era uma mulher superinteressante, forte, sete anos mais velha do que ele. Uma mulher que sabia o que queria e ia atrás”, descreve Keren. O relacionamento floresceu em segredo, mas não sobreviveu à separação. Depois da guerra, foi preciso mais de 70 anos para que eles se reencontrassem.

Agora, essa história é contada em detalhes no livro Eles Se Amaram em Auschwitz, escrito por Keren Blankfeld e publicado no Brasil pela editora Planeta, com tradução de Wélida Muniz.

 

Herança de família

Para a autora, a vontade de escrever sobre sobreviventes do Holocausto também era uma vontade de entender melhor a própria família. Seus quatro avós eram refugiados que escaparam da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Vieram parar aqui mesmo, em São Paulo, onde ela nasceu.

Aos 12 anos, ela e a família se mudaram para os Estados Unidos. Ela vive lá desde então. Fala um português quase perfeito, marcado por um leve sotaque. Estudou Relações Internacionais e Inglês na Universidade Tufts e Jornalismo na Universidade de Columbia (atualmente também é professora da instituição). Aos poucos, a jornalista começou a entrevistar os próprios avós para conhecer sua história.

Keren Blankfeld, autora de 'Eles se amaram em Auschwitz'. Foto: Maya Barki/Divulgação

Ela trabalhou na Forbes, onde entrevistou grandes empresários e até o presidente dos EUA, Donald Trump, antes de ele ser eleito, mas queria mesmo descobrir histórias como as de seus parentes.

“Comecei a pesquisar o que aconteceu com refugiados que vieram depois da Segunda Guerra para os EUA, numa época que era bem difícil entrar aqui, e onde eles estão agora, como é a vida deles, como se acostumaram com esse mundo diferente. Foi assim que eu descobri o David Wisnia”, explica.

Depois daquele primeiro encontro com o sobrevivente, ela sabia que tinha descoberto uma história única. A primeira apuração deu a origem a um artigo publicado em 2019 no The New York Times - na época, a reportagem também foi traduzida e publicada pelo Estadão; leia aqui. Mas Karen queria ampliar a história.

Conduziu várias entrevistas com David até o ano de 2021, quando ele morreu, aos 94 anos. Zippi, por outro lado, já havia partido quando Keren descobriu a história. Ela morreu em 2018, aos 99 anos. Foi um desafio, porque a jornalista precisava construir uma imagem dessa mulher mesmo sem conhecê-la.

“Procurei tudo o que tinha sobre ela e conversei com todos os historiadores que a conheceram”, diz. Zippi não teve filhos, mas Keren chegou a entrevistar uma sobrinha neta. Também mergulhou em centenas de documentos e relatos sobre o Holocausto que cruzavam com a história de Zippi e David, livros de memórias de outros sobreviventes, registros de jornais da época, tudo que ajudasse a construir o relato mais verdadeiro possível sobre a história do casal.

“Tem algumas partes no livro que são mais poéticas, mas mesmo essas partes são fatos. Eu não quis colocar ficção nenhuma porque eu senti que no momento que você coloca uma ‘ficçãozinha’, isso já faz o leitor questionar tudo”, afirma a escritora. Ao mesmo tempo, ela queria que a história pudesse ser lida como um romance, não como uma grande aula de história.

A autora já estava no processo de revisão do livro quando recebeu um “presente” que ajudou a criar a voz de Zippi em seu livro: uma professora universitária da Carolina do Norte havia encontrado um manuscrito escrito por Zippi. “Tinha mais de 100 páginas e ela tirou fotos de cada uma e me mandou naquele dia mesmo. Enlouqueci. Então, no fim, cheguei ter uma coisa escrita com a voz da Zippi e isso foi incrível.”

 

A história de Zippi e David

 

O livro 'Eles Se Amaram em Auschwitz', de Keren Blankfeld. Foto: Serjão Carvalho/Estadão

Zippi chegou a Auschwitz em 1942; David foi transferido para o campo poucos meses depois dela. A jovem tinha perdido a avó, sua principal figura materna, e o irmão e o noivo haviam sido capturados pelos alemães. A família de David morreu no gueto de Varsóvia.

Pela função que exercia no campo, Zippi não era uma prisioneira comum, podia se locomover mais do que outros presos. Não demorou também para que os nazistas descobrissem que David tinha um talento excepcional como cantor, o que também lhe rendeu pequenos privilégios, inclusive um trabalho em um prédio que os nazistas chamavam de “sauna”.

Foi lá que eles se viram pela primeira vez. Trocaram olhares que, aos poucos, viraram conversas. “Eles começaram a ter um caso. Se viam uma vez por mês e começou bem devagar, passando bilhetes. Era superperigoso porque eles nem podiam escrever. Se fossem pegos, seriam punidos”, explica Keren.

Em determinado momento, David e Zippi decidiram que os encontros eram perigosos demais. E combinaram que, se sobrevivessem, se encontrariam em Varsóvia após o fim da guerra.

Mas David foi enviado ao campo de Dachau - seria morto, mas conseguiu acertar um guarda com um pá e fugir. Se escondeu até ser encontrado pelo exército americano. Então foi “adotado” pelos soldados, levado aos Estados Unidos, prestando serviços para a organização. Não voltou a Varsóvia.

Zippi foi transferida para os campos de Ravensbrück e Malchow. Também conseguiu escapar: ela alterou as listras vermelhas que deveria ter pintado em seu uniforme e no de uma amiga, fugindo e se misturando entre a população local que seria transferida. Voltou a Varsóvia, esperou, mas logo percebeu que David não apareceria. Anos depois, se casou e foi morar nos Estados Unidos

 

O reencontro

David descobriu que Zippi estava viva por meio de amigos em comum e, ao longo dos anos, recebeu atualizações sobre ela. Ele tentou contato com ela pela primeira vez em 2006, mas foi só em 2016 que o reencontro ocorreu. Eles viviam a apenas duas horas de distância: ele em Levittown, na Pensilvânia; ela em Manhattan, em Nova York.

David foi acompanhado de dois de seus netos. Zippi vivia apenas com uma cuidadora. Para a surpresa de Keren, o encontro foi gravado pelos netos. Era a prova mais física que ela tinha da história do casal. “O neto me deu a gravação e eu ouvi eles conversando um com o outro. Foi uma coisa incrível ouvir a voz dela”, diz.

David estava nervoso. Sabia que Zippi já tinha quase 100 anos. “Ele tinha medo de não ser reconhecido. Quando eles chegaram lá, ela estava deitada e no começo não o reconheceu mesmo.” Então David se aproximou e falou: “Zippi, sou eu, David.”

“Os olhos dela brilharam e ela o reconheceu imediatamente. O neto [de David] falou que essa foi uma coisa espantosa para ele. O jeito que eles se conectaram e começaram a conversar como se não tivesse passado o tempo. Eu a ouvi conversar como uma menina: ‘Você ainda acha que eu estou bonita? Você lembra como eu era linda?’”, conta a autora.

Foi o único encontro que tiveram. David sabia que Keren transformaria a história em um livro, mas morreu antes de ver o trabalho completo. “O que é incrível nessa história é o jeito que a humanidade não desaparece”, afirma a jornalista. “Tentaram apagar e destruir essas pessoas, transformá-las em números. Não eram mais pessoas. Mas quando a Zippi e o David estavam juntos, eles cantavam. Eles se lembravam de como era a vida antes. Eles eram gente.”

 

Eles Se Amaram em Auschwitz

Autora: Keren Blankfeld

Tradução: Wélida Muniz

Editora Planeta (400 págs,. R$ 89,90 | E-book: R$62,90)

Fonte: https://www.estadao.com.br

Vaticano pede que instituições católicas deixem de investir no setor minerador: 'é um pecado'

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Publicado em 21 março 2026
  • Plataforma de Desinvestimento em Mineração
  • cardeal italiano Fabio Baggio,
  • rede ecumênica Igrejas e Mineração da América Latina,
  • documento histórico do papa Papa Francisco sobre ecologia

Iniciativa se inspira na encíclica Laudato Si', documento histórico do papa Papa Francisco sobre ecologia

 

Papa Leão XIV — Foto: Alberto Pizzoli/AFP

 

Por O Globo com AFP

O Vaticano lançou nesta sexta-feira a "Plataforma de Desinvestimento em Mineração", o documento incentiva instituições católicas a deixarem de investir no setor minerador, priorizando áreas mais éticas em relação ao impacto ambiental, chamado. O projeto se baseia na rede ecumênica Igrejas e Mineração da América Latina, que denuncia desde 2013 a violência ligada à expansão da mineração, com o apoio de mais de 40 instituições.

0s coordenadores da iniciativa pediram que organizações católicas rompam vínculos financeiros com o setor minerador, sem detalhar o alcance dessa medida.

— Em muitas regiões do mundo, a expansão da indústria mineradora causou profundas tensões sociais e graves consequências ambientais — afirmou o cardeal italiano Fabio Baggio, número dois do departamento do Vaticano responsável por questões ambientais, durante uma coletiva de imprensa.

O bispo brasileiro Vicente Ferreira também destacou a preocupação com o crescimento da inteligência artificial, que tem provocado uma explosão na demanda por minerais como o cobalto, usado na fabricação de ímãs, baterias e componentes essenciais para servidores de informática.

— A inteligência artificial é um bom exemplo de quantos recursos minerais são consumidos pelas empresas de tecnologia — afirmou o bispo, que pediu a essas companhias que tratem os trabalhadores de forma justa e respeitem o meio ambiente.

Em entrevista ao Vatican News, o bispo brasileiro afirmou que "seria uma contradição da nossa Igreja, que prega a defesa dos mais pobres e a ecologia integral, fazer parceria com empreendimentos que estão destruindo nossos territórios. Isso seria um pecado".

 

Seguindo os passos de Francisco

A iniciativa se inspira na encíclica Laudato Si' (2015), um documento histórico do papa Papa Francisco sobre a proteção ambiental, que desenvolveu o conceito de ecologia integral. Nessa linha, em 2020 o Vaticano já havia pedido que instituições católicas deixassem de investir em indústrias de combustíveis fósseis e armamentos. O papa Papa Leão XIV seguiu o mesmo caminho e defendeu a necessidade de proteger a natureza e os direitos trabalhistas.

— É essencial ouvir a voz das comunidades que sofrem diretamente com as dificuldades e conflitos causados pela exploração mineradora, legal e ilegal — disse o cardeal Baggio, e acrescentou — não podemos nos calar diante de injustiças flagrantes”.

Muitas dessas comunidades, pertencentes às “periferias” das quais o papa Francisco se tornou porta-voz, vivem na América do Sul, África e Ásia. O cardeal Álvaro Ramazzini, bispo na Guatemala, denunciou a exploração de ouro em seu país, onde os lucros vão para países do Norte enquanto a população local sofre com a contaminação por cianeto.

— A questão é fazer governos e empresas entenderem que legalidade nem sempre coincide com justiça — destacou o cardeal. Fonte: https://oglobo.globo.com

Megatemplo católico de frei Gilson será construído em terreno de R$ 22 milhões na zona sul de SP

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Publicado em 20 março 2026
  • Religião,
  • Mídias e Religião,
  • frei Gilson
  • Megatemplo católico de frei Gilson
  • rede social e Religião,

Organização do frade comprou área de 86 mil metros quadrados próximo à estação Bruno Covas

Inspiração é Nossa Senhora de Guadalupe, representação mariana abraçada por movimentos pró-vida

 

Anna Virginia Balloussier

São Paulo

 

Frei Gilson, hoje um dos nomes de maior voltagem do catolicismo brasileiro, com lives de madrugada que arrebatam multidões, está construindo na zona sul de São Paulo um centro dedicado a "contemplação e oração".

O projeto, ainda cercado de discrição, prevê um complexo religioso de grandes proporções, com capela para 500 pessoas, hospedagem para retiros espirituais e espaços inspirados nas aparições de Nossa Senhora de Guadalupe.

Apuração da Folha descobriu documentos imobiliários e registros públicos indicando a localização do empreendimento, que até então era mantida em segredo. Será em um terreno entre os bairros Capela do Socorro e São Rafael.

Frei Gilson confirmou ao jornal o endereço, numa área próxima à estação Bruno Covas-Mendes/Vila Natal da ViaMobilidade. A aquisição, segundo nota enviada por sua assessora, "foi possível graças à generosidade de fiéis de diversas partes do mundo, por meio de doações espontâneas".

Registros do CNPJ mostram que a iniciativa está vinculada à Obra de Nossa Senhora de Guadalupe, organização presidida por Gilson da Silva Pupo Azevedo, nome de batismo do frade. A entidade aparece como responsável por compras recentes de terrenos na zona sul da capital.

Matrículas do 11º Cartório de Registro de Imóveis indicam que a instituição comprou áreas pertencentes à empresa Sítio Montesol Sociedade Civil Agrícola Ltda. Uma das transações envolve um terreno de mais de 86 mil metros quadrados na avenida Cavaleiros de São Lázaro, na região de Capela do Socorro, adquirido por R$ 21,9 milhões no final de 2025.

É um tamanho próximo ao terreno do Allianz Parque, estádio do Palmeiras.

Os documentos também registram uma alienação fiduciária associada ao negócio, estipulando o parcelamento do valor em 18 prestações mensais de cerca de R$ 1 milhão cada. É um mecanismo comum em compras financiadas: o imóvel fica como garantia da dívida até que todas as parcelas sejam quitadas.

Em material de divulgação apresentado a fiéis, o futuro complexo é descrito como um "oásis de espiritualidade" voltado à "adoração perpétua 24 horas por dia". A inspiração do projeto nasceu "no coração de dom José Negri", bispo da Diocese de Santo Amaro, que confiou a missão a frei Gilson.

O frade responde a dom Negri na hierarquia católica. O bispo lhe pediu que criasse um projeto "no qual ele pudesse exercer seu carisma de forma mais estruturada dentro da própria diocese, mas com alcance para o Brasil e para o mundo", frei Gilson afirma à reportagem. Acolheu essa proposta "como um chamado de Deus, reconhecendo na voz do bispo a vontade divina para sua vida".

O plano inclui uma capela aberta 24 horas por dia, com capacidade para 500 pessoas. A estrutura também contará com estúdio para gravação do rosário, uma casa para convidados e prédios administrativos.

Outro eixo são os retiros espirituais. O plano é que tenham cerca de 200 quartos individuais para hospedagem de fiéis interessados em períodos de silêncio e oração.

O conjunto também deve abrigar cinco pequenas capelas temáticas dedicadas às aparições de Nossa Senhora de Guadalupe ao indígena Juan Diego, episódio fundador da devoção à Virgem Maria no México.

Juan Diego, de origem asteca, tornou-se peça fundamental na história da Virgem de Guadalupe.

Rezam as lendas mexicanas que, em 1531, ele teve a visão de uma Virgem Maria com pele negra e caiu de joelhos no monte Tepeyac, mesmo pico onde indígenas adoravam sua deusa Tonantzin. Essa imagem desencadeou uma conversão em massa para a fé dos conquistadores espanhóis, e Juan Diego foi feito santo quase meio milênio depois, em 2002, canonizado pelo papa João Paulo 2º.

A escolha da devoção à Virgem de Guadalupe, segundo o frade, está diretamente ligada à sua espiritualidade. "Trata-se do título mariano ao qual ele possui maior devoção", diz sua assessoria. Mariano é tudo o que se relaciona a Maria, mãe de Jesus.

O religioso já tem por hábito invocar "a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, com inúmeros testemunhos de graças e milagres", de acordo com sua equipe. "Há também um fundamento missionário: a Virgem de Guadalupe é reconhecida como a grande evangelizadora das Américas, tendo conduzido à conversão de milhões de indígenas no México, chegando a cerca de 9 milhões de batizados."

O antropólogo Rodrigo Toniol, estudioso do catolicismo, chama atenção para o simbolismo dessa escolha. "Nossa Senhora de Guadalupe, nas últimas três décadas, passou a ser muito mobilizado por grupos de um campo conservador", sobretudo "em relação a direitos sexuais e reprodutivos".

Alçá-la a Virgem Protetora da América Latina é também fortalecer sua imagem como "a santa que protege as vidas diante do perigo do aborto, do perigo do avanço do feminismo etc.", afirma Toniol.

Outro ponto digno de nota, segundo o antropólogo, é como essa fé cristã passou por um momento "veja só, o catolicismo não está morto, ele ressurge com força na internet". Porém, esse movimento não ficou só na vida digital e mantém sua essência como uma "religião de corpo", exigindo o encontro em espaços reais.

Essa transição do ambiente virtual para o mundo offline é comparada à trajetória de figuras como o padre Marcelo Rossi, reforçando uma tradição de evangelização de massa.

O terreno que abrigará o projeto sob batuta de frei Gilson já está "100% pago graças à generosidade de tantos fiéis", diz texto despachado para fiéis no WhatsApp. O frade, aliás, "estará lá com frequência, conduzindo retiros e gravando conteúdos".

Para começar, as obras dependem de aprovações e licenças dos órgãos competentes da prefeitura. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de elaboração técnica e regularização. Não há data prevista para conclusão, mas a diocese trabalha com algo em torno de sete anos.

O centro tem um perfil no Instagram com 255 mil seguidores, e os 12,4 milhões que seguem frei Gilson só nessa rede social também ficam a par das obras. "Juntos alcançamos 38,61% da arrecadação para as três primeiras construções", diz um post publicado nesta segunda (16).

O dinheiro vem de doações de fiéis. A assessoria do frade diz que, até aqui, não há participação de recursos públicos. "Trata-se de uma iniciativa mantida pela fé e pela generosidade de pessoas que acreditam na proposta e reconhecem sua importância para a evangelização."

Outra fonte de renda, uma lojinha virtual, tem quatro produtos anunciados, três deles fora de estoque. O único disponível era um "caderno de meditação" vendido por R$ 39,90. Inspirado, segundo a descrição, "pela ternura maternal de Nossa Senhora de Guadalupe", ele convida o comprador a registrar "orações, reflexões e os movimentos sutis do Espírito em sua vida". Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Um ano difícil para o jornalismo

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Publicado em 18 março 2026
  • Jornalismo,
  • Alexandre de Moraes,
  • Ministro de Justiça Alexandre de Moraes,
  • paixões partidárias
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  • Desafios Jornalístico,

A pressão virá de todos os lados: do poder, das milícias digitais, das paixões partidárias

Enquanto houver alguém disposto a apurar, checar, publicar e aguentar o tranco, haverá também a realidade

 

 

Mariliz Pereira Jorge

Jornalista e roteirista

 

Em 2026, ninguém mais tem a ilusão de que basta publicar uma notícia bem apurada para que a realidade, por si, se imponha. Fazer jornalismo com rigor é como entrar num ringue onde metade da plateia está disposta a aplaudir se o mensageiro da notícia confirmar suas crenças e a outra é capaz de arrancar-lhe os dentes se seus ídolos forem expostos. A profissão segue viva, mas o ambiente está cada vez mais bruto.

O episódio que envolve integrantes do STF, especialmente Alexandre de Moraes, é um retrato didático dessa deformação. O ministro foi alçado por parte da esquerda à condição de herói civilizatório. As pessoas adoram um salvador. É bom que fique claro: não fez nada além da sua obrigação em relação às ameaças contra a democracia —a mesma que insulta diante de algumas ações questionáveis. Bastou uma reportagem incômoda para que ressurgissem os "véios do zap" progressistas, que adoram vestir a fantasia da superioridade moral, mas agora se dedicam a atacar jornalistas, como Malu Gaspar, em vez de enfrentar a realidade. O método é sempre o mesmo, muda apenas o CEP ideológico.

E o cerco não é só retórico. No Maranhão, um jornalista teve celular e computador apreendidos pela PF após reportagens sobre Flávio Dino, em decisão autorizada por Moraes. No caso de Lauro Jardim, mensagens indicaram um plano de agressão física. Entre o linchamento digital, a pressão institucional e o risco concreto de violência, o recado deixa de ser sutil —são ameaças objetivas ao exercício da profissão.

Cresce o número de leitores que não buscam informação, mas um espelho para suas crenças. Consomem notícia não para entender o mundo, mas para reencontrar o próprio reflexo. Jornalista bom, para esses, é aquele que confirma a fé da seita; o resto é vendido ou inimigo. Será um ano ainda mais difícil para o jornalismo.

A pressão virá de todos os lados —do poder, das milícias digitais, das paixões partidárias. Por isso, seguimos firmes. Enquanto houver alguém disposto a apurar, checar, publicar e aguentar o tranco, haverá também algo cada vez mais raro: a realidade. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz, em 19 de março

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Publicado em 17 março 2026
  • CNBB,
  • Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ,
  • Hino de São José,
  • Solenidade de São José,
  • 19 de março
  • Papa Leão XIV,
  • Reze com a CNBB pelo desarmamento e pela paz,

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se une ao Papa Leão XIV, no próximo dia 19 de março, Solenidade de São José, para rezar pelo desarmamento e pela paz. Os fiéis de todo o Brasil são convidados para este momento de oração, rezando a prece sugerida pela Rede Mundial de Oração do Papa nas celebrações eucarísticas ou em outros momentos de oração nas comunidades.

A CNBB pede que os fiéis e suas comunidades coloquem em suas intenções as populações atingidas pela violência, para que o Senhor inspire os responsáveis pelas nações a escolherem os caminhos do entendimento, da reconciliação e do respeito à dignidade de todos os povos.

“Que em nossas comunidades se eleve um só clamor a Deus: que os corações sejam desarmados, que as armas se calem e que a paz floresça entre os povos”, sugere a CNBB.

Na sede da Conferência Episcopal, haverá uma programação especial para elevar preces a Deus junto com toda a Igreja. Às 7h30, haverá a oração das Laudes; às 11h30, Missa Solene; e às 16h30, oração do Ofício Divino.

Você pode compartilhar o momento de oração, marcando a CNBB (@cnbbnacional) nos stories do Instagram.

  

Confira a oração:

“Reza com o Papa – Março: Pelo desarmamento e pela paz”

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor da Vida, que moldastes cada ser humano à vossa imagem e semelhança,
acreditamos que nos criastes para a comunhão, não para a guerra,
para a fraternidade, não para a destruição.

Tu, que saudastes os teus discípulos dizendo: “A paz esteja convosco”,
concede-nos o dom da vossa paz
e a força para torná-la realidade na história.
Hoje elevamos a nossa súplica pela paz no mundo,
pedindo que as nações renunciem às armas
e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.

Desarmai os nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença,
para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajudai-nos a compreender que a verdadeira segurança
não nasce do controle que alimenta o medo,
mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.

Senhor, iluminai os líderes das nações,
para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte,
parar a corrida ao armamento
e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis.
Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.

Espírito Santo,
fazei de nós construtores fiéis e criativos de paz cotidiana:
em nosso coração, em nossas famílias,
em nossas comunidades e em nossas cidades.

Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação
e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.

Amém.

Fonte: https://www.cnbb.org.br

NOTA DE PEZAR: MORRE PADRE DA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO.

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Publicado em 06 março 2026
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Com profundo pesar, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro comunica o falecimento do Padre Celso Lima Ferreira Júnior, ocorrido no dia 5 de março de 2026.

Nascido em 19 de junho de 1987, o Padre Celso foi ordenado presbítero em 8 de dezembro de 2018, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, colocando sua vida e seu ministério a serviço do Evangelho e do povo de Deus. Desde sua ordenação, exerceu o sacerdócio com dedicação generosa, espírito missionário e profunda entrega à missão que lhe foi confiada pela Igreja.

Jovem sacerdote, destacou-se pelo ardor pastoral, pela proximidade com os fiéis e pela disponibilidade no serviço às comunidades. Sua atuação sacerdotal foi marcada também por sua participação e incentivo à Renovação Carismática Católica, realidade eclesial na qual encontrou importante expressão de sua espiritualidade e de seu compromisso evangelizador.

Como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Paciência, dedicava-se com zelo e cuidado pastoral ao acompanhamento do povo de Deus, procurando conduzir a comunidade no caminho da fé, da comunhão e da esperança cristã.

Neste momento de dor, a Arquidiocese do Rio de Janeiro une-se em oração, confiando à infinita misericórdia de Jesus Cristo, o Bom Pastor, a vida e o ministério do Padre Celso. Ao mesmo tempo, manifesta sua solidariedade e proximidade espiritual aos seus familiares, amigos, irmãos no sacerdócio e a todos os fiéis que partilharam de sua caminhada e de seu ministério pastoral. As informações sobre as exéquias serão divulgadas oportunamente.

Na esperança da Ressurreição, pedimos a Deus que conceda ao seu servo fiel o descanso eterno e o acolha em sua paz.

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: https://radiocatedral.org.br

 

Eles não são um número, eles são pessoas e sangram.

 

Hoje recebemos mais uma notícia que pesa sobre o coração da Igreja Católica. O presbítero Celso Lima, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, foi encontrado sem vida. A notícia já me causou estranheza: a informação oficial, rasa, sem a causa da morte. Isso geralmente já entrega, indiretamente, a morte de uma pessoa que se entregou a um abismo que, em algum momento, sorriu para ela — e ela acreditou que ele a salvaria da dor, por vezes inominável. A morte do Pe. Celso ocorreu ontem, dia 5 de março.

Quando um padre morre por suicídio, não é apenas mais uma vida que se perde. É mais uma pessoa em silêncio sepulcral que se junta ao coro dos dilacerados e silenciados, que entoam no seio da Igreja o "Hino da Dor" que pedia amparo.

Há muitas camadas por trás de situações como essa. Elas começam ainda no acompanhamento vocacional, passam pela formação, pelo amadurecimento humano, afetivo e espiritual, e continuam ao longo do exercício do ministério. Nesse caminho surgem exigências pastorais intensas, solidão institucional, solidão afetiva, expectativas muitas vezes desproporcionais e poucas estruturas consistentes de cuidado emocional.

Alguns dados ajudam a compreender melhor esse cenário. Estudos realizados nos Estados Unidos indicam que cerca de 24% dos padres relatam ter vivido episódios de depressão ao longo do ministério. Pesquisas internacionais também apontam níveis significativos de esgotamento emocional, com aproximadamente um em cada cinco sacerdotes apresentando sinais elevados de burnout. Em alguns levantamentos, entre 4% e 5% dos padres afirmam ter experimentado pensamentos suicidas em algum momento da vida ministerial.

No Brasil os estudos ainda estão avançando. Não existem levantamentos epidemiológicos amplos sobre suicídio entre presbíteros, mas registros públicos indicam que, entre 2016 e 2023, ao menos quarenta padres morreram dessa forma. Isso sem contabilizar os inúmeros casos que são subnotificados.

São números fragmentados, mas já suficientes para nos estarrecer.

As redes sociais também mudaram a forma como essas tragédias chegam até nós. As notícias circulam com velocidade, alcançam comunidades inteiras e chegam também aos próprios padres, religiosos e religiosas — inclusive àqueles que já estão atravessando momentos de fragilidade psíquica e emocional.

A literatura científica descreve o efeito Werther, um fenômeno em que a exposição repetida a notícias de suicídio pode aumentar o risco entre pessoas vulneráveis.

Mas o que mais me incomoda e ecoa nas últimas semanas é uma pergunta ainda mais profunda.

Há poucos dias, a religiosa Irmã Nádia Gavanski foi brutalmente abusada sexualmente e assassinada no Paraná. Um crime de uma gravidade imensa, que deveria ter nos mobilizado profundamente. No entanto, a repercussão foi pequena.

Enquanto isso, não é raro observar mobilizações muito mais intensas nas redes quando determinados temas ganham visibilidade pública, inclusive causas legítimas como a proteção dos animais.

Não se trata de diminuir nenhuma dessas causas. A violência, em qualquer forma, é moralmente inaceitável. Mas talvez seja necessário nos perguntarmos se, em algum ponto, nossa sensibilidade coletiva não esteja com a visão turva. Quando a dor humana, seja ela qual for e de quem for, já não nos mobiliza com a mesma intensidade de outras causas, algo em nossa hierarquia de compaixão precisa ser revisto.

Antes de serem padres, religiosos ou religiosas, eles são pessoas.

Carregam histórias, fragilidades, medos, cansaços, noites difíceis, dúvidas que nem sempre podem ser ditas em voz alta. Tudo porque sangrar dói, mas sangrar sozinho e sem apoio dói ainda mais.

Não. Eles não são um número.

E quando um deles chega ao ponto de não conseguir mais permanecer entre nós, talvez a pergunta mais honesta que possamos fazer não seja apenas porque isso aconteceu.

Talvez devamos nos perguntar se, em algum momento do caminho, nós falhamos ou viramos o rosto para esses nossos irmãos de carne e espírito enquanto sangravam. E, enquanto Igreja, cristãos, mas antes de tudo enquanto seres humanos, não fizemos nada para estancar e acolher tanta dor e tanto sangue.

Hoje, esse texto é em memória do Pe. Celso Lima, que tenho certeza que construiu inúmeras memórias e tocou inúmeros corações com seu ministério — enquanto homem e presbítero. Mas não aguentou, sangrou demais. Amanhã ou depois de amanhã o outro texto será para quem?

 

Vinícius Schumaher

Psicólogo Clínico

CRP 06/135859

vschumaher.com.br

Diocese de Votuporanga - SP

 

Doutrina católica sobre suicídio

O padre Lício de Araújo Vale, especialista em suicídio e referência nacional no tema, disse à ACI Digital, que antes do Concílio Vaticano II a Igreja não permitia fazer exéquias para um suicida. O Código de Direito Canônico de 1917 “proibia ritos fúnebres para as pessoas que tinham se matado, porque naquela época se tinha a concepção de que por elas terem se exterminado, havia um pecado contra o quinto mandamento e, portanto, estavam condenadas eternamente. Não matar, era não matar a si mesmo e não matar o outro”, explicou.

“A doutrina católica continua a mesma. O suicídio continua sendo um ato moral grave, sério. Ninguém pode realmente tirar a própria vida, porque atenta contra a própria vontade de Deus. Somos criados por Deus, recebemos o dom da vida desde a concepção até a morte natural”, continuou o padre da diocese de São Miguel Paulista (SP).

“Porém, a nossa igreja, doutrina, dialoga com as ciências e hoje as ciências, tanto a psicologia, como a psiquiatria e a suicidiologia, afirmam que a grande maioria das pessoas que atenta contra a própria vida, não quer matar a sua vida, mas quer matar a sua dor, a sua dor mental, a sua dor emocional, que para aquela pessoa, beira as raias do insuportável”.

“Portanto, se a pessoa quer matar a sua dor e não a sua vida, em tese, ela não tem a intenção de pecar contra o quinto mandamento”, alega o padre. “Para que haja pecado, há que haver intenção, sem intenção, não existe pecado”.

Ele diz que “a grande maioria dos casos, e sobretudo do suicídio de padres e na população em geral, não está ligada ao aspecto moral. Não existe, na grande maioria dos casos, a intenção livre, moral, de pecar contra o quinto mandamento, de desobedecer por vontade própria o quinto mandamento”.

“Por isso, hoje a doutrina católica, no número 2283 do CIC diz textualmente: “Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida”.

 

Quem cuida também precisa ser cuidado

Segundo o padre Lício, o sofrimento psíquico entre padres costuma ser silencioso e difícil de perceber. “O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Nem sempre o sofrimento psicológico aparece de forma visível, mas ele é muito presente em profissões marcada pelo cuidado constante, que é, por exemplo a nossa missão sacerdotal, missão de cuidado constante com o nosso povo. Por isso, quem cuida, também precisa ser cuidado”.

Segundo ele, os fiéis podem ajudar observando mudanças de comportamento.
“A desmotivação, o isolamento do padre, um certo comportamento depressivo. O povo pode ajudar acolhendo e motivando o padre a se cuidar.”

 

43 padres morreram por suicídio em dez anos no Brasil

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

Padre Lício acompanha as estatísticas sobre o tema e diz que “de agosto de 2016 a fevereiro de 2026, 43 padres católicos morreram por suicídio no Brasil”.
“A depressão não tratada é um dos grandes fatores de risco para o suicídio”, disse. “Não estou dizendo que toda pessoa deprimida chegará ao suicídio, mas é preciso cuidar”.

Embora o número de suicídio entre padres tenha crescido nos últimos anos, ele lembra que a média nacional também aumentou. “A média nacional é de 14,2 suicídios por 100 mil habitantes, enquanto entre padres a média é de 4,3 mortes por ano. A maioria dos casos envolve padres diocesanos”.

Para o especialista em suicídio, é preciso quebrar o tabu e vencer o preconceito com o cuidado da saúde mental. “Esse preconceito existe tanto no nível da sociedade, quanto ao nível do clero. Cuidar da saúde mental, buscar ajuda com profissionais de saúde mental, psicólogos, psiquiatras e mesmo direção espiritual, podem ser fatores importantes para diminuição destas ocorrências”.

 

Fatores de risco específicos para sacerdotes

“Os três grandes fatores de risco para o suicídio em padres são: o estresse ocupacional, a solidão e a cobrança excessiva de si mesmo”, disse o padre. Ele citou um estudo de 2008 que afirma que “o sacerdócio é uma das profissões mais estressantes do mundo”, marcada por longas jornadas e pouco tempo para descanso ou autocuidado.

“Vivem muito o papel sacerdotal, de entrega da vida aos outros, mas esquecem do descanso, esquecem do autocuidado, que o próprio Jesus vai recomendar a seus discípulos”, disse,

Soma-se a isso a solidão, já que “a grande parte dos padres mora sozinha e tem poucos vínculos afetivos verdadeiros; as pessoas gostam do padre, mas poucos se relacionam com a pessoa do padre. E muitas vezes, também por questões pessoais, pastorais, dificuldade de relacionamento, os próprios padres vão se isolando”.

A pressão constante e cobrança excessiva de si mesmo completa o quadro: “nós nos cobramos muito. O povo cobra. A Igreja cobra. É muita pressão”.

“Para vencer isso, para vencer esses fatores de risco, é importante que a gente tenha relações fraternas, que a gente não se cobre tanto, que a gente se perceba também humano, podendo fragilizar e buscando ter relações humanas, afetivas, verdadeiras. E volto a insistir, é importante que nós padres possamos, além da dimensão psicológica, buscarmos ter uma vida crescente de oração, de espiritualidade e, se possível, um bom orientador, um bom diretor espiritual”, concluiu.

 

O que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o suicídio

  1. Cada qual é responsável perante Deus pela vida que Ele lhe deu, Deus é o senhor soberano da vida; devemos recebê-la com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação das nossas almas. Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela.
  2. O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo.
  3. Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, sobretudo para os jovens, o suicídio assume ainda a gravidade do escândalo. A cooperação voluntária no suicídio é contrária à lei moral.

Perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave duma provação, dum sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida.

  1. Não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida. Fonte: https://www.acidigital.com

Itinerários Quaresmais

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Publicado em 04 março 2026
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  • arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo,
  • Itinerários Quaresmais

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

 

Toda meta, antes de ser alcançada, pede que seja trilhado um itinerário, passo a passo, até que se alcance o objetivo almejado. Nesta mesma perspectiva, para bem celebrar os mistérios da Páscoa e alcançar uma vida nova, é preciso seguir o caminho de um tempo especial na vida cristã: a Quaresma, com o seu propósito de inspirar a conversão de corações. A reabilitação espiritual é um propósito urgente e sempre necessário, pois alicerça a qualificação da condição humana, ancorando-a em valores e princípios ético-morais. Essa urgência torna-se ainda mais evidente com as derrocadas institucionais e a perda de credibilidade dos órgãos e pessoas públicas, empurrando ainda mais a sociedade aos fracassos e às demoras, com prejuízos aos contextos social, político, ambiental e em todo tipo de relacionamento – familiar, público e institucional.  

Um exemplo muito completo e instigante de itinerário para este tempo da Quaresma é apresentado pelo profeta Isaías, que ecoa a voz de Deus ao indicar a necessidade de destruir os instrumentos de opressão, deixar os hábitos autoritários e a linguagem maldosa, tão comumente empregada, de modo covarde, para se buscar autopromoção ou alimentar o desejo patológico de destruir o semelhante. O itinerário profético lembra a importância de oferecer acolhimento, com o coração aberto, ao indigente, aos necessitados. Os gestos de generosidade levam a um resultado alvissareiro: o brilho da própria luz nas trevas, dissipando o que obscurece a vida por uma luminosidade como o meio-dia. Desdobra-se, pois, a promessa do Senhor que conduzirá a vida de quem solidariamente age. Os generosos têm a sua sede saciada, superando a aridez da própria vida. Experimentam o revigorar do próprio corpo, de modo comparável a um jardim bem regado a partir da fonte de águas que jamais secarão. A Quaresma é um itinerário a ser percorrido reafirmando sempre mais o compromisso de agir com limpidez e honestidade. A partir desse compromisso inegociável, pode-se reconstruir o que hoje é apenas ruínas antigas, respeitando fundamentos edificados em gerações passadas. 

O silêncio quaresmal é também itinerário de grande relevância para oferecer quietude ao próprio coração. Uma quietude qualificante muitas vezes perdida no barulho e na dispersão deste tempo. Assim como o corpo se restaura pelo sono e pelo repouso indispensáveis, a alma e o espírito se restauram pelo silêncio, devolvendo ao ser humano virtudes preciosas, enfraquecidas pelos barulhos de muitas conversas, de dispositivos eletrônicos, de redes sociais. A falta de silêncio causa muitos adoecimentos na atualidade. A Quaresma leva a um deserto que não deve ser temido e não significa fuga das pessoas. Ao contrário: é lugar aonde se vai para aprender como encontrá-las, alcançando mais qualidade nos relacionamentos, revestindo-os de fraternidade solidária.  

Sem o silêncio próprio do tempo quaresmal, se permanece na superficialidade e no comprometimento da qualidade pessoal, são perdidas escolhas adequadas, não se consegue oferecer a palavra certa, no momento certo. Ilusoriamente, pensa-se que o sucesso é alcançado simplesmente com o vigor físico ou intelectual. Desconsidera-se o valor essencial e maior do vigor espiritual, alicerce e alavanca para desempenhos que fazem a diferença. É uma verdadeira tragédia abandonar o caminho que leva ao desenvolvimento espiritual. Um desvio que pode levar o ser humano a se perder no domínio da perversidade, distanciando-se de um modo de viver autêntico, generoso. Sem vigor espiritual, toma conta um exagerado medo de sofrer, um pânico que desespera vidas e banaliza fundamentos essenciais ao viver qualificadamente. Trata-se de verdadeira corrosão que precipita vidas e projetos na superficialidade, nas disputas e na maldade. O preço pago é muito alto e amargo. Para se conquistar envergadura moral e espiritual importa dedicar-se ao silêncio contemplativo. Um exercício que possibilita a escuta interior, aquela que conta e tem mais força que tagarelices e opiniões sem qualidade.  

Entre os itinerários quaresmais inclui-se aquele vivido ao lado dos pais e dos familiares. O contexto familiar é escola que ajuda os filhos na busca pela experiência da fé. Educar para a fé é legado e herança da mais alta importância, pois inspira atitudes orientadas pelo sentido nobre da solidariedade. Itinerários quaresmais, pelo acompanhamento do Mestre e Senhor Jesus, na sua paixão e morte, ensinam a amar a própria pobreza, realidade que, de alguma maneira, une todos os seres humanos, nas perspectivas espiritual ou material. Ele, Cristo, amou a sua pobreza, ao morrer na cruz, como oferta ao seu Pai para enriquecer a humanidade com os tesouros de sua infinita misericórdia. O itinerário quaresmal, assim, fortalece o ser humano na inevitável luta travada em sua própria interioridade, permitindo-o alcançar a vitória pela graça de Deus. Nessa busca interior, o ser humano encontra o que amar de verdade em si mesmo, ponte para o amor aos outros.  

Todos passam pela necessidade de passar por um real processo de transformação para renovar-se espiritual e interiormente. Um caminho essencial por vezes percorrido de modo equivocado, sem os cuidados necessários. O itinerário quaresmal, na sua dinâmica própria, tem uma pedagogia essencial para que ninguém se perca. A sabedoria partilhada pelo Beato Columba Marmion ajuda a viver bem esse itinerário: Assim como a terra tem de passar pela morte do inverno e o grão de trigo tem de morrer antes de produzir frutos, assim a alma humana tem de passar na prensa da tentação e da fraqueza para ser revestida por Cristo de sua virtude e de sua vida divina. Não se pode correr o risco de deixar passar o tempo da quaresma, ignorando a sua especialidade. Isto significa perder a chance de conquistar um novo tempo para a própria vida. Todos são convocados a se inscrever nos itinerários da quaresma e, assim, conquistar mais qualidade humana e espiritual. O renascimento ansiado pelo coração humano pede a vivência deste tempo de itinerários quaresmais. Fonte: https://www.cnbb.org.br

CF: mais de 60 anos unindo fé, solidariedade e compromisso social; em 2026, a moradia volta ao centro do debate

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Publicado em 09 fevereiro 2026
  • Concílio Vaticano II,
  • dom Eugênio de Araújo Sales
  • Como surgiu a Campanha da Fraternidade
  • Campanha da Fraternidade 2026,
  • Fraternidade e Moradia
Por Larissa Carvalho | Ascom CNBB

 

Criada há mais de seis décadas, a Campanha da Fraternidade (CF) se consolidou como uma das principais iniciativas evangelizadoras e sociais da Igreja no Brasil. Realizada todos os anos durante a Quaresma, a ação mobiliza comunidades católicas em todo o país para unir oração, reflexão e atitudes concretas em favor dos mais vulneráveis. Em 2026, o tema escolhido retoma um desafio histórico do país: o direito à moradia digna.

 

Como surgiu a Campanha da Fraternidade?

A Campanha da Fraternidade nasceu na Quaresma de 1962, em Nísia Floresta (RN), por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales. Desde o início, foi pensada como uma mobilização ampla, com tempo determinado e arrecadação financeira, uma verdadeira campanha de solidariedade voltada à promoção da fraternidade cristã por meio da ajuda aos mais necessitados.

No ano seguinte, a experiência foi ampliada para as três dioceses do Rio Grande do Norte e mais 13 dioceses do Nordeste, alcançando grande adesão, especialmente em Fortaleza (CE), sob o impulso de dom José de Medeiros Delgado.

Ainda em 1963, durante o Concílio Vaticano II, os bispos brasileiros decidiram levar a iniciativa para todo o país. A decisão foi comunicada por dom Helder Camara, então secretário-geral da CNBB. Assim, em 1964, a CF passou a ser realizada em âmbito nacional, sob os cuidados da Cáritas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Desde então, tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha, alcançando comunidades em todos os cantos do Brasil.

 

Por que a CF aborda temas sociais?

A fraternidade é o foco permanente da Campanha. Já o tema anual busca iluminar situações concretas em que essa fraternidade está ameaçada ou ausente, exigindo conversão pessoal e transformação social.

Ao longo dos anos, a CF passou a ter um caráter formativo e participativo, ajudando a construir consciência cristã e cidadã. Além da reflexão, mantém o chamado “gesto concreto”: a Coleta Nacional da Solidariedade.

Do valor arrecadado, 60% permanecem nas arquidioceses, formando os Fundos Arquidiocesanos de Solidariedade, que apoiam projetos locais. Os outros 40% compõem o Fundo Nacional de Solidariedade, destinado a iniciativas sociais em todo o Brasil.

Dessa forma, fé e ação caminham juntas, fortalecendo a dimensão sociocaritativa da Igreja.

 

CF 2026: Fraternidade e Moradia

A cada ano, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (CONSEP) acolhendo as sugestões vindas dos regionais, dos organismos do Povo de Deus, das Ordens e Congregações Religiosas e dos fiéis leigos e leigas, escolhem um tema e um lema para chamar a atenção sobre uma situação que, na sociedade atual, necessita de conversão, em vista da fraternidade, do bem comum. 

Para 2026, acolhendo sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, os bispos escolheram o tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

A proposta convida os cristãos a refletirem sobre a realidade habitacional do país. Embora a moradia digna seja um direito garantido pela Constituição, milhões de brasileiros ainda vivem sem casa ou em condições precárias.

Atualmente 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada e 328 mil pessoas vivem em situação de rua.

Para a Campanha, a moradia digna é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem ela, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. A CF 2026 quer estimular comunidades, poder público e sociedade civil a buscar soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional e fortalecer políticas públicas de habitação.

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não tem um teto, por quê?”

 

A moradia já foi tema da CF em 1993

Esta não é a primeira vez que a Igreja coloca a questão da moradia em destaque. Em 1993, a Campanha da Fraternidade trouxe o tema “Moradia” e o lema “Onde moras?” (Jo 1,39).

Naquele ano, a CF denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre a “cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, marcada por favelas, cortiços, ocupações e moradias precárias.

A reflexão apontou problemas como especulação imobiliária; má distribuição do solo urbano; falta de saneamento e investimentos públicos; crescimento de favelas em áreas de risco e histórico de exclusão habitacional das populações pobres.

Entre as propostas estavam a regularização de áreas ocupadas, construção de moradias populares, subsídios habitacionais, infraestrutura urbana e fortalecimento de associações comunitárias e da Pastoral da Moradia.

A edição de 1993 reafirmou o compromisso evangélico da Igreja com os mais pobres e defendeu a casa própria como condição básica para a dignidade, a vida familiar e o exercício da cidadania.

 

Fé que se transforma em ação

Ao retomar a temática da moradia em 2026, a Campanha da Fraternidade reforça sua missão histórica: transformar a espiritualidade quaresmal em compromisso concreto com a justiça social.

Mais do que uma iniciativa anual, a CF segue sendo um convite permanente à conversão do coração e das estruturas, para que a fraternidade se torne realidade na vida do povo brasileiro. Fonte: https://www.cnbb.org.br

A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ

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Publicado em 07 fevereiro 2026
  • Frei Petrônio de Miranda,
  • Rio de Janeiro
  • Arquidiocese do Rio de Janeiro,
  • Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro,
  • Mensagem do Frei Petrônio de Miranda,
  • Pensamentos do Frei Petrônio de Miranda,
  • PROFETISMO
  • A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ
  • Religião e Profetismo,

A CONTEMPLAÇÃO QUE NASCE DA CRUZ: “EU VI E OUVI A AFLIÇÃO DO MEU POVO” (Ex 3,7) – Testemunho a partir de Vicente de Carvalho, Rio de Janeiro, RJ

Frei Petrônio de Miranda, O. Carm., Prior da Comunidade

(Com colaboração de Frei Gilvander Luiz Moreira, O. Carm)

    

“Violência! Opressão!”, bradava com veemência o profeta Jeremias, ao ser reprimido no seu sagrado direito de profetizar. Após ser torturado e preso, o profeta Jeremias, ao ser solto, não abaixou a cabeça e denunciou o sacerdote Fassur, administrador-chefe do templo, dizendo na cara dele: “Seu nome não será mais Fassur, mas Terror-ao-redor”. Este contexto de brutal violência física, psicológica, social, econômica, política e religiosa existia na época do profeta Jeremias (Jer 20,8-9,5) e atualmente é o que presenciamos em várias partes do Brasil e do mundo, especialmente no estado do Rio de Janeiro. E neste contexto desempenhar a missão de evangelização e denunciar a corrupção, a idolatria e opressão dos pobres se tornou um desafio imenso. 

Eis alguns dados que não podem ser vistos friamente, pois por trás de números dramáticos estão milhares de pessoas e famílias destroçadas e violentadas. No estado do Rio de Janeiro, 124 jovens de bairros periféricos (favelas) foram mortos pela Polícia militar e civil no ano de 2025; 167 mortos e 188 feridos nos últimos três anos por balas perdidas. Dia 28 de outubro de 2025 aconteceu o maior massacre da história do Rio de Janeiro em uma megaoperação das polícias militar e civil: 121 mortos – algumas fontes dizem que foram 126 mortos - nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, RJ. O Instituto Médico Legal demonstrou que quase todos os mortos tinham sinais de execução. A população encontrou na mata ao lado da favela 70 corpos que foram colocados expostos em praça pública da comunidade. Cenas de guerra, barbárie, terror.

Vários Deputados, vereadores, prefeitos, governadores e juízes presos com envolvimento no mundo do tráfico nos últimos anos três anos. Comunidades entregue ao terror, ao medo e a morte. Vários padres foram obrigados a fecharem as igrejas por ordens de traficantes. Trabalhadores, mães e a população em geral com medo. “Aqui todo mundo tem olhos, mas não veem; tem ouvidos, mas não ouvem, pois se verem e denunciarem, se ouvirem e denunciar, morrem”. Eis uma regra para sobreviver no meio de fogo cruzado entre traficantes, milícias e o aparato repressor do Estado.

Estes dados retratam uma cidade completamente dominada por uma elite dominante, encastelada no Estado e nas grandes empresas que lucram e acumulam capital semeando violência no meio das comunidades periféricas. É Noite Escura. “O Rio de Janeiro!” Muitas vezes fica difícil encontrar a pequena luz no fim do túnel ou dentro do túnel e falar de Esperança em tal realidade que clama aos céus e mais parece uma sexta-feira da Paixão que um Domingo da Ressurreição.

O povo encurralado por um Estado cúmplice da violência, que mais faz campanha eleitoral com sangue humano. Ou seja, autoridades políticas ordenam repressão e a realização de massacres para angariar votos, pois sabem que os controladores maiores do tráfico não moram nas favelas, mas em bairros nobres e usam terno e gravata, via de regra. Entretanto, diante da insegurança social, situação em que as pessoas podem ser assaltadas ou receber uma bala perdida a qualquer momento, muitos são induzidos a acreditar que com repressão se conquistará segurança pública. Ledo engano! Políticos de direita e de extrema-direita se elegem e se reelegem e durante seus mandatos impedem justas e necessárias políticas públicas que de fato podem asfixiar o tráfico e as milícias, e construir um projeto popular de sociedade com justiça, respeito, paz e solidariedade.

Nós, Frades Carmelitas da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Vila Kosmos, no Rio de Janeiro, RJ, nos últimos dois anos, após os conflitos entre traficantes, milicianos e polícia, recolhemos 69 balas caídas em nossa Comunidade Conventual. Não são flores de Santa Teresinha que recolhemos em nosso claustro, mas balas (cápsulas) letais de metralhadoras e fuzis, que só chegam aos morros com a cumplicidade de autoridades do Estado.  No meio deste fogo cruzado, a nossa Paróquia sofre as consequências de uma guerra civil não declarada na chamada “cidade maravilhosa”.

Neste contexto de sofrimento humano retratado no Poema A Noite Escura, de São João da Cruz, todos os dias enquanto carmelitas passamos pela purificação dos sentidos, da vocação carmelitana e da nossa próxima existência se protegendo contra as balas, os arrastões e a violência que apavora e aterroriza a todos nós, frades Irmãos(as) da Ordem Terceira do Carmo e paroquianos, procurando ser uma fonte de paz e serenidade para o povo Deus que vem até nós desesperado buscando um conforto espiritual e uma paz que dê sentido ao chamado carmelitano em uma realidade de terror.

As nossas atividades Missionárias e Pastorais foram ajustadas no que se refere os horários, seja as Festividades da Novena e Festa de Nossa do Carmo e até mesmo os horários normais das Missas e outras atividades para proteger as famílias que nos procura. Se antes tínhamos procissão e Missão, hoje se tornou impossível. As ruas estão fechadas com proteção dos próprios moradores para tentar barrar a entrada de traficantes e milicianos. Por sua vez a Polícia, também envolvida no mundo do crime, não garante proteção ou segurança. “Aqui os traficantes nos protegem, graças a Deus! Ninguém vem mexer com a gente”, nos relatam moradores que confiam mais nos jovens do tráfico do que na Polícia.

Em 2023 pelo menos 35 ônibus foram incendiados contra uma ação policial que resultou na morte do sobrinho de um miliciano. Cada bairro, morro ou região tem os seus “donos” e quando são ameaçados pelo Estado transformam o Rio de Janeiro em uma verdadeira Guerra. Desde o ano de 2023, 25 crianças e adolescentes inocentes foram mortas por balas perdidas.

“Sofrer não faz mal, desde que nos sintamos amados”. Este pensamento de São Tito Brandsma, Mártir Carmelita da 2ª Grande Guerra, podemos confirmar com certeza diariamente aqui no Rio de Janeiro através do carinho do povo de Deus para com o Carmelo. Às vezes, acordamos às 5 horas da manhã com o barulho de tiros e de helicópteros sobrevoando a nossa Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Ficamos apreensivos, nervosos e tristes, mas somos amados pelo povo e isso nos fortifica para continuarmos em Missão a partir da Regra do Carmo e do nosso compromisso assumindo e falando pelo grande Profeta Elias, “Zelo zelatus sum pro Domino Deo exercituum“.

Enquanto carmelitas, somos presença não apenas de reza ou sacramentos, mas também de apoio psicológico, afetivo e humano por meio dos voluntários da Associação Beneficente São Martinho ao longo dos últimos 30 anos. Destacamos ainda as diversas campanhas sociais em favor das famílias vitimadas pela pobreza e pela violência nos morros.

Diante de tais dados e testemunho o que podemos dizer do nosso Profetismo e da nossa Espiritualidade Mariana? Impossível colocar em prática o tripé do Carisma/Espiritualidade dos Carmelitas – Contemplação, Fraternidade e Profetismo – se nos omitirmos e permanecermos em ambientes seguros, tranquilos de classe média, que são oásis na sociedade brasileira com brutal desigualdade. Temos que levar a sério as origens do Carmelo – mendicância – em tempos de teocracia que usava e abusava do nome de Deus e de textos bíblicos para fortalecer uma Igreja Instituição rica e que sustentava senhores feudais. O contexto de violência nos interpela para levarmos a sério o testemunho dos profetas Elia que, no meio das viúvas de Sarepta – marginalizadas – se tornou presença solidária e denunciava com atitudes de vida a idolatria que justificava a exploração dos pobres. A dupla porção do testamento espiritual herdada pelo profeta Eliseu de Elias indica que o discípulo deve superar o mestre e ser coerente empunhando a bandeira da profecia em estreita sintonia com a contemplação e na fraternidade ad intra e ad extra. Sentimos também um apelo para levarmos a sério o testemunho de Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, tão bem retratado pelo Evangelho de Lucas no Cântico de Maria, que resgata a fina flor da experiência dos profetas e profetisas desde as parteiras do Egito, Moisés, Ana e todas as mulheres profetisas da Bíblia, que testemunharam a utopia do Deus da vida: “dispersar os soberbos de Coração, derrubar do trono os poderosos e elevar os humildes; saciar os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53)

Como ser uma fonte de Esperança e conforto para quem chora a morte neste cenário de Guerra? Frei Sérgio Gorgen, franciscano, agente de pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), cofundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), alguns dias antes da sua travessia para a vida em plenitude, escreveu: “Vivi em situações de muita dor (até hoje ecoam nos meus ouvidos o choro de crianças com fome nos barracos de acampamento e até me dói no mais fundo de mim a dor de enterrar crianças que morriam de fome) e muita tensão em tantos e tantos conflitos vividos, mas os tempos de alegria e confraternização foram infinitamente maiores. Não tive o direito de ter crise, nem vocacional, nem espiritual, nem de confiança no futuro, embora em meu interior, tenha passado por várias e tantas, porque sentia a responsabilidade e o peso do hábito de São Francisco sobre os ombros na vocação que abracei. E desde aquele dia em que, num conflito de terra na ocupação da Fazenda Anonni, em que a Brigada Militar avançava em direção ao povo e uma mulher puxou minha camisa e me disse “Frei, o senhor não vai fazer nada?” e eu, cheio de vergonha, avancei do meio do povo e fui para frente dos policiais, incapaz de dizer uma única palavra, abri os braços e parei bem próximo a eles – e as crianças com flores na mão, me seguiram e os policiais pararam - desde aquele dia, perdi também o direito à omissão.”

Resposta ou receita para resolver tal realidade não temos, o que podemos afirmar é que choramos com o povo, sonhamos com o povo, rimos com o povo e buscamos cicatrizar as nossas e as suas feridas por meio da Eucaristia, da convivência fraterna e do olhar para cruz, certos de que a cruz não é só sofrimento, mas de luz, de resistência miúda que insiste a cada dia em viver.

Perfis pagos igualam política e fofoca nas redes

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Publicado em 06 fevereiro 2026
  • deepfakes
  • política e fofoca
  • influenciadores
  • política mídias sociais

Prática de contratar influenciadores é crime de rápida resposta

Plataformas avançam sem regulação, com risco para as eleições de outubro

 

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques - Gustavo Moreno - 12.fev.25/Divulgação STF

 

Ao lado da inteligência artificial, cada vez mais usada para espalhar mentiras com deepfakes realistas e vídeos fabricados e manipulados, a contratação de influenciadores digitais é outro alerta de risco para o período eleitoral que se aproxima.

É preciso que o ministro Nunes Marques fique esperto. Em junho, ele se tornará o primeiro indicado por Bolsonaro ao STF a assumir o controle do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que enfrentou uma campanha de difamação e descrédito durante os quatro anos do ex-presidente, com ataques sem provas às urnas eletrônicas.

Crime facilitado pelas plataformas, de rápida resposta e difícil identificação, a prática de contratar perfis para beneficiar políticos, empresários e subcelebridades já foi constatada pela Justiça. O desenrolar do casoMaster mostrou que agências de publicidade procuraram donos de contas oferecendo pagamentos de até R$ 2 milhões pela postagem de vídeos contra o Banco Central. O STF autorizou a abertura de inquérito para apurar a rede de influenciadores a serviço de Daniel Vorcaro, com páginas de grande alcance (mais de 70 milhões de seguidores no país), não por acaso ligadas a empresas de apostas.

revista Piauí revelou que perfis de fofoca no Instagram, acostumados à dieta de barracos, surras e traições conjugais envolvendo os famosos do momento, começaram, da noite para o dia, a fazer elogios ao governador Tarcísio de Freitas, à isenção de IPVA em São Paulo e à inauguração do Rodoanel.

O uso das redes avança, sem regulação. Com lições de empreendedorismo e linguagem agressiva, Pablo Marçal provou em 2024 –até mais do que Bolsonaro em 2018– que elas calam fundo nos eleitores. Divulgador de fakes hoje condenado e inelegível, Marçal é carta fora do baralho, virou um reles palpiteiro. Deixou, no entanto, a suspeita de que políticos e influenciadores são duas categorias em processo de simbiose.

Por mais espantosas que sejam as ações e declarações de Trump, há um pessoal que só enxerga o cabelo laranja. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br

Papa: as Bem-aventuranças são a luz que ilumina a penumbra da história

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Publicado em 01 fevereiro 2026
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  • As Bem-Aventuranças,
  • Evangelho das bem-aventuranças
  • IV Domigo do Tempo Comum,
  • Domingo das Bem-Aventuranças,

No Angelus dominical, o Papa comentou o Evangelho deste IV Domigo do Tempo Comum, que apresenta a página das Bem-aventuranças. "É assim que Jesus ilumina o sentido da história: não aquela escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza salvando os oprimidos", afirmou o Pontífice

 

Vatican News

O Papa se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro para a oração do Angelus neste primeiro domingo de fevereiro. Comentando o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12), proposto pela liturgia do dia, Leão XIV as definiu como "uma página esplêndida da Boa Nova que Jesus anuncia a toda a humanidade". Com efeito, "elas são luzes que o Senhor acende na penumbra da história, revelando o projeto de salvação que o Pai realiza por meio do Filho, com o poder do Espírito Santo".

No monte, Cristo entrega aos discípulos a nova lei, não aquela escrita em pedras, mas nos corações. É uma lei que renova a nossa vida, explicou o Papa, tornando-a boa, mesmo quando para o mundo parece fracassada e miserável. Na perseguição, Deus é fonte de redenção; na mentira, é âncora da verdade. Por isso, Jesus proclama: «Exultai e alegrai-vos».

 

A esperança a quem o mundo descarta

Estas bem-aventuranças, prosseguiu, permanecem um paradoxo apenas para aqueles que acreditam que Deus é diferente do modo como Cristo o revela. Quem espera que os prepotentes continuarão sempre senhores da terra, surpreende-se com as palavras do Senhor.

 

“Quem se acostuma a pensar que a felicidade pertence aos ricos, pode acreditar que Jesus é um iludido. Mas a ilusão está precisamente na falta de fé em Cristo: Ele é o pobre que com todos partilha a sua vida, o manso que persevera na dor, o construtor da paz perseguido até à morte na cruz.”

"É assim que Jesus ilumina o sentido da história: não aquela escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza salvando os oprimidos", disse ainda o Santo Padre. Ele doa esta esperança em primeiro lugar a quem o mundo descarta como caso perdido.

 

Não consolação distante, mas graça constante!

"Queridos irmãos e irmãs, as Bem-aventuranças tornam-se para nós então uma prova de felicidade, levando-nos a perguntar-nos se a consideramos como uma conquista que se compra ou um dom que se partilha; se a depositamos em objetos que se consomem ou em relações que nos acompanham. Na verdade, é 'por causa de Cristo' e graças a Ele que a amargura das provações se transforma na alegria dos redimidos: Jesus não fala de uma consolação distante, mas de uma graça constante que sempre nos sustenta, principalmente na hora da aflição."

As Bem-aventuranças exaltam os humildes e dispersam os soberbos, concluiu o Santo Padre, pedindo a intercessão da Virgem Maria. Fonte: https://www.vaticannews.va 

'Nos fazia chorar quase todo dias': como lidar com chefes tóxicos

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Publicado em 31 janeiro 2026
  • autoritarismo,
  • chefes tóxicos
  • ambiente de trabalho tóxico
  • chefe acidental

Relatos de funcionários mostram os efeitos da toxicidade no ambiente de trabalho e na saúde mental

Especialistas explicam como diferenciar um mau chefe de um chefe realmente tóxico e dão dicas para se proteger

 

Rachel McAdams estrela Socorro!, que aborda o conflito entre um chefe tóxico e uma funcionária - Getty Images via BBC

 

Yasmin Rufo

BBC News Brasil

O emprego em uma pequena agência de relações públicas no Reino Unido parecia ideal: equipe unida, clientes importantes e a chance de construir uma carreira promissora.

O que Maya (nome fictício) não tinha previsto era que tudo isso vinha acompanhado de uma "chefe tóxica" que estabelecia "padrões impossivelmente altos" e repreendia publicamente os funcionários que não os atingiam.

"Ela costumava chamar a atenção das pessoas na frente de toda a equipe, lançando insultos como 'você é burro?' e 'este trabalho é uma porcaria'", conta ela à BBC.

Maya diz que o comportamento de sua gerente frequentemente ultrapassava os limites da gestão de desempenho e se transformava em ataques pessoais.

Ela cita o exemplo de uma colega que comentou que havia contratado um personal trainer para se preparar para o casamento e foi surpreendida com a foto de uma "noiva gorda" deixada pela chefe na mesa dela.

Alguns meses depois de começar no emprego, Maya percebeu que "todos os meus colegas choravam quase diariamente".

A equipe adoecia com frequência "devido a problemas de saúde mental", diz ela. Maya acabou saindo do emprego.

 

Tóxico ou um conflito de personalidades?

O caso dela não é isolado —pesquisas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um chefe ruim.

Mas nem todo mau chefe é tóxico, e entender a diferença é importante, afirma Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute.

Muitos líderes se enquadram em uma categoria que o instituto chama de "chefe acidental", em que as pessoas são promovidas por suas habilidades técnicas em vez de sua capacidade de liderança.

Nesses casos, o mau comportamento geralmente é resultado de inexperiência ou de incerteza, e não motivado pela intenção.

Um chefe tóxico, diz ela, é diferente, pois "deliberadamente não demonstra empatia e, muitas vezes, também não tem autoconhecimento".

"Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais", explica Francke.

O impacto vai além de conflitos de personalidade, criando ansiedade que pode prejudicar tanto a saúde mental quanto o desempenho dos funcionários.

"Se você sente um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade", afirma ela.

Josie (nome fictício) conta que passou anos trabalhando para uma chefe que a mantinha sob constante vigilância.

"Ela me ligava, mandava mensagens e áudios sem parar o dia todo, das 7h da manhã às 22h", diz Josie à BBC. "Mesmo nos dias em que não estava trabalhando, ela queria saber onde eu estava o tempo todo."

Ela também tirava projetos de Josie e os dava para outras pessoas, além de excluir membros da equipe dos almoços em grupo.

Hannah (nome fictício) contou à BBC que era humilhada regularmente por sua chefe enquanto trabalhava para uma grande rede de supermercados.

Certa vez, ela chegou a um evento corporativo usando o mesmo suéter que um dos convidados.

"Minha chefe me obrigou a tirar o suéter e trabalhar no evento de regata em novembro (quando faz frio na Inglaterra)", afirma ela à BBC. "Me senti uma idiota, Foi humilhante."

A tensão entre chefe tóxico e funcionário é explorada no recente filme Socorro!. No thriller com humor sarcástico os dois são forçados a confrontar questões não resolvidas no ambiente de trabalho depois de ficarem presos juntos em uma ilha deserta após um acidente de avião.

Em entrevista no lançamento do filme, a atriz Rachel McAdams, que interpreta a funcionária, disse que já passou por ambientes de trabalho difíceis e se lembra de um chefe particularmente ruim em um trabalho temporário durante um verão.

"Eu simplesmente pedi demissão", ela afirmou. "E meu conselho seria tentar uma demissão silenciosa, se possível, e, caso contrário, tentar praticar um pouco de meditação."

 

Como lidar com um chefe tóxico

Muitas vezes, contudo, pedir demissão não é uma opção até que apareça outra vaga. Nesses casos, ou para quem quer tentar lidar com a situação antes de tomar uma decisão definitiva, Francke compartilha recomendações que podem ser úteis:

Conte para alguém: encontre um mentor fora da sua linha hierárquica direta que entenda a organização e possa oferecer conselhos de forma honesta e independente.

Confronte o chefe sobre o comportamento dele: não faça isso de surpresa, mas marque uma reunião e exponha suas preocupações com calma, de maneira formal, apresentando exemplos específicos. Se seus colegas também forem afetados, considerem abordar o assunto de forma conjunta para mostrar o impacto mais amplo. Seu chefe pode não perceber o dano que está causando com seu comportamento.

Proteja-se: estabeleça limites, priorize seu bem-estar e crie um espaço fora do trabalho. Pode ser difícil, mas aprender a se distanciar da situação ajudará você a recuperar a perspectiva e planejar os próximos passos.

Use o RH com cautela: se sua organização tem um bom Recursos Humanos (RH), você certamente pode confiar nele, mas vale a pena verificar se o departamento tem um histórico de lidar com comportamentos inadequados em vez de ignorá-los.

Saiba quando recorrer a medidas mais drásticas: se o comportamento for abusivo ou representar um risco reputacional para a empresa, pode ser necessário abrir um processo formal de denúncia, mas esse pode ser um passo difícil, por conta do temor de represálias. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br 

Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo- Agenda do Prior General para janeiro de 2026

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Publicado em 09 janeiro 2026
  • Província Carmelitana Fluminense,
  • Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo,
  • padre Desiderio García Martínez,
  • Capítulo dos Carmelitas 2025
  • Capítulo da Província Carmelitana Fluminense

 

Pe. Desiderio García Martínez, O. Carm., Prior Geral, tem a seguinte agenda prevista para janeiro de 2026:

 

8 de janeiro de 2026 : Visita ao Mosteiro Carmelita de Carpineto Romano (RM). Encontro com a Irmã M. Valentina Rita Rossin, Presidente da Federação das Irmãs Magdalena de' Pazzi dos mosteiros italianos da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Maria do Monte Carmelo.


12 e 13 de janeiro de 2026 : Encontro com os Priores Provinciais, Comissários Gerais e Delegados Gerais da Europa.


18 a 23 de janeiro de 2026:  Capítulo Provincial da Província de Pernambuco (Brasil).
25 a 30 de janeiro de 2026 : Capítulo Provincial da Província do Rio de Janeiro (Brasil). Fonte: https://ocarm.org

Noite Santa- Nova música do Frei Petrônio

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Publicado em 23 dezembro 2025
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  • Gaspar, Melchior e Baltazar,
  • Os Santos Reis Magos
  • Noite Santa
  • Melchior
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  • Nasceu Jesus

Noite Santa

Letra e Música: Frei Petrônio de Miranda, O. Carm

Rodovia Presidente Dutra- A Caminho de São Paulo- 1º de Março/ 2024. Complemento, 4 de dezembro-2025.

 

 

1-Quem foi que falou? Eu ouvi falar. A Estrela brilhou, vamos caminhar, seguindo Melchior, Baltasar e Gaspar, o Filho de Deus, vamos adorar.

 

2-Chegando em Belém, vamos cantar, com os santos pastores, adorar. Gloria a Deus nas alturas, vamos gritar! Entre os animais, Ele vai estar.

 

3-Olhando a família, sempre a pensar, Maria feliz com Jesus a brincar. O Filho de Deus entre nós está, louvores cantemos, a Paz vai reinar.

 

4- Esperança ó Esperança, vem renascer, esta pequena chama  reacender. Nesta noite santa nada a temer, Ele está entre nós para defender.

 

5-Que cessem as trevas e a falta da fé, nossos olhos brilham ó São José. Com Francisco de Assis vamos adorar, nesta manjedoura, vamos nos curvar.

 

6-Crianças nas Guerras com fome a morrer, ó Menino Deus, vem proteger. Famílias chorando a peregrinar, dormindo nas ruas sem pão e sem lar.

 

7-Mulheres Marias, sempre a gritar, o feminicídio entre nós está. Derruba os muros da separação, liberta os jovens de toda prisão.

 

Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas

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Publicado em 22 dezembro 2025
  • Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI
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Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI; outras três ficaram feridas

Acidente aconteceu na noite de domingo (21), em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas estavam no mesmo veículo.

 

Três pessoas morrem em colisão entre dois carros em rodovia do PI

 

Por Gabriely Corrêa*, g1 PI

Um homem de 51 anos e duas passageiras morreram em um acidente entre dois carros de passeio na BR-316, na noite de domingo (21).

Outras três vítimas ficaram gravemente feridas. Elas foram encaminhadas ao Hospital de Urgência de Teresina.

Segundo a PRF, a principal suspeita é de que um dos carros trafegava na contramão.

Três pessoas morreram e outras três ficaram gravemente feridas em uma colisão entre dois carros na noite de domingo (21), na BR-316, em Miguel Leão, a 88 km de Teresina. As vítimas fatais estavam no mesmo veículo.

O acidente aconteceu por volta das 20h15, no km 80,4 da rodovia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a suspeita é que um dos carros trafegava na contramão.

Entre os mortos estão um homem de 51 anos, uma mulher de 24 anos e outra pessoa do sexo feminino ainda não identificada.

Já entre os feridos estão um homem de 39 anos, uma mulher de 32 anos e outra pessoa do sexo feminino não identificada. Todos ficaram gravemente feridos.

O Corpo de Bombeiros ajudou no resgate das vítimas. Em seguida, elas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levadas ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Após a perícia, o Instituto Médico Legal (IML) removeu os corpos do local. Fonte: https://g1.globo.com

O Presépio como escola de fé

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Publicado em 15 dezembro 2025
  • o significado do presépio
  • CARTA APOSTÓLICA SIGNUN ADMIRÁVEL DO SANTO PADRE FRANCESCO SOBRE O SIGNIFICADO E O VALOR DO PRESÉPIO
  • O VALOR DO PRESÉPIO
  • CARTA DO PAPA SOBRE O O VALOR DO PRESÉPIO
  • fazer o presépio é convidar Jesus a entrar na nossa vida
  • Arcebispo de Santa Maria
  • AS MENSAGENS DO PRESÉPIO
  • O Presépio

 

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)

 

Quando chegam os primeiros dias do Advento, minha memória sempre retorna àquela cena doméstica que marcou a minha infância: meu pai começando a preparar o material para o presépio. Era quase um ritual. Enquanto minha mãe cuidava da árvore, que nós chamávamos de “pinheirinho” meu pai assumia a missão de transformar um canto da sala da casa numa pequena Belém. E ele fazia isso de modo pedagógico, envolvendo os filhos na construção da gruta, como quem ensina um ofício sagrado. 

Lembro-me do cuidado dele ao tingir a serragem que seria a grama do presépio, espalhando os tons de verde para dar mais vida ao cenário. Depois, vinham os papéis pintados à mão, pacientemente amassados e moldados, para parecerem pedras reais. A gruta se erguia devagar, entre risos, poeira colorida, pincéis, cola e aquela expectativa que só as crianças conhecem. Meu pai também cuidava das luzes, porque – como ele dizia – a manjedoura precisava brilhar, mas brilhar com humildade. 

Meu pai partiu cedo. Mas, até hoje, nos dias que antecedem o Natal, é como se suas mãos continuassem ali, ensinando, orientando, construindo. Essa memória não é apenas lembrança; é formação. Foi ali, naquele presépio simples, que aprendi que a fé se transmite pelos olhos, pelas mãos, pelo convívio, pelo amor concreto de uma família que prepara o coração para o Natal. Montar o presépio era mais que montar um cenário: era aprender a viver o Nascimento de Jesus Cristo. 

 

O presépio como escola de fé 

É nesse espírito que o Papa Francisco escreveu a carta apostólica Admirabile Signum, recordando ao mundo a importância de manter viva essa tradição. Segundo ele, o presépio é um “sinal admirável”, capaz de reacender a memória da fé e tocar o coração. O presépio nos educa porque fala através dos símbolos e desperta aquela ternura que nos aproxima de Deus. 

De fato, montar o presépio hoje é um gesto contracultural. Em meio à pressa, ao consumo exacerbado e à superficialidade das imagens, o presépio nos obriga a parar e contemplar. Ele devolve profundidade ao Natal, lembrando que o centro da festa não é a árvore iluminada nem os presentes, mas o Deus que se faz pequeno numa manjedoura. O presépio é uma miniatura da humildade divina — um Evangelho moldado em figuras simples. 

Cada peça carrega significados que atravessam gerações. Os pastores representam os pobres e esquecidos que Deus coloca em primeiro lugar. Os Magos lembram a universalidade da fé, que abraça todos os povos. A luz discreta nos conta que a esperança não entra no mundo com estrondo, mas com suavidade. A gruta evoca nossas próprias sombras, que Cristo vem iluminar. E no centro, sempre, o Menino – tão frágil que cabe no colo, tão grande que sustenta o mundo. 

 

Tradição que se torna missão 

Por isso, montar o presépio é também criar memória espiritual. É oferecer às crianças — como fez meu pai — a herança de uma fé concreta, vivida, encarnada. O presépio instalado na casa se torna catequese visual: fala de proximidade, simplicidade, humildade e amor. 

O Papa Francisco destaca que o presépio toca o coração mesmo de quem não participa da vida da Igreja. Ele revela a ternura de Deus e recorda que a fé cristã nasce da contemplação de um mistério que se entrega. Por isso, o presépio não é apenas tradição; é anúncio. Ele evangeliza porque emociona. Ele ensina porque comove. Ele reúne porque desperta comunhão. E quando as mãos das crianças ajustam a gruta, quando colocam a serragem, quando alinham as figuras, um aprendizado precioso se transmite: o Natal começa no coração. Fonte:  https://www.cnbb.org.br

O que Leão XIV diz em sua biografia sobre mulheres, fiéis LGBTQIA+ e escândalos de abuso na Igreja

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Publicado em 26 novembro 2025
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Papa afirma que casamento é entre homem e mulher, mas também condena uso político dessa discussão

Papa Leão XIV assina biografia escrita por Elise Ann Allen Foto: Reprodução/Twitter Elise Ann Allen

 

A nova biografia “Leão XIV: Cidadão do Mundo, Missionário do Século XXI” oferece o retrato mais completo até agora do primeiro papa americano, um líder que, aos 70 anos, assumiu o trono de São Pedro com a ambição de reduzir polarizações e devolver serenidade a uma Igreja de 1,4 bilhão de fiéis.

Escrita pela jornalista Elise Ann Allen, do portal católico Crux, a obra se baseia em três horas de entrevistas realizadas em julho e na convivência que ela desenvolveu com o então Robert Prevost desde 2018, quando ele ainda era bispo no Peru.

A biografia acompanha a trajetória de Leão XIV desde a infância em Chicago até sua eleição no Vaticano, e revela um pontífice cauteloso, avesso aos holofotes, mas disposto a definir pessoalmente a narrativa de sua própria história. As conversas ocorreram na Villa Barberini, residência papal de verão, e depois na moradia provisória do papa na Santa Sé, enquanto os aposentos oficiais passavam por reforma.

Apesar do estilo reservado, Leão XIV expõe no livro algumas das posições mais importantes de seu pontificado. Ele afirma não ter intenção de ordenar mulheres, embora garanta que continuará nomeando lideranças femininas para cargos-chave da igreja, e diz estar aberto a ouvir opiniões divergentes. Também reforça que acolherá “todos, todos, todos”, inclusive fiéis LGBTQIA+, mas sem alterar a doutrina católica sobre sexualidade ou casamento.

“O casamento é para um homem e uma mulher”, diz Leão, que define “família” como “pai, mãe e filhos”. Ao mesmo tempo, ele condena o uso político dessa discussão e lamenta que, em alguns círculos europeus, bênçãos pastorais estejam sendo transformadas em rituais que extrapolam o que a Igreja ensina.

Leão XIV descreve a crise de abusos sexuais como um dos temas mais dolorosos da Igreja que exige proximidade com as vítimas, mas alerta que o drama dos abusos não pode se tornar o único foco dos católicos: “A grande maioria dos padres e religiosos nunca abusou de ninguém”.

O papa também aborda a geopolítica mundial. Sobre a Faixa de Gaza, classifica as cenas de sofrimento como “terríveis” e afirma temer que o mundo se torne insensível ao drama humano. Diz que a Santa Sé, por ora, não considera possível declarar tecnicamente se há um genocídio em curso.

Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV afirma não querer interferir na política de seu país natal, nem mesmo em relação ao presidente Donald Trump, embora não fuja de conversas quando se trata de temas urgentes. / COM INFORMAÇÕES DO THE WASHINGTON. Fonte: https://www.estadao.com.br

Cardeal Tempesta: somos chamados a superar o ódio, a vingança e a indiferença

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Publicado em 29 outubro 2025
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  • Cidade do Rio de Janeiro,
  • Orani João, Cardeal Tempesta,
  • Complexos do Alemão
  • Cardeal Tempesta
  • cardeal Orani
  • Violência na Penha,

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre os últimos acontecimentos na capital fluminense. “Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos”.

Silvonei José – Vatican News

Um fato sem precedentes sacudiu nesta terça-feira a cidade do Rio de Janeiro. Uma grande operação envolvendo todas as forças de segurança do Rio de Janeiro prendeu mais de 80 suspeitos de integrar o CV (Comando Vermelho) e resultou na morte de ao menos 64 pessoas.

As pessoas foram mortas durante ação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, sendo quatro policiais (dois militares e dois civis), segundo a Polícia Civil. De acordo com informações da imprensa local, outras nove pessoas foram baleadas, sendo três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares. Entre os mortos, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.

Ação mobilizou 2.500 policiais militares e civis para cumprir mandados de busca e apreensão nos dois Complexos na capital fluminense. A ação - segunda a imprensa - é resultado de um ano de investigação envolvendo, também, o Ministério Público do Rio de Janeiro na tentativa de atingir lideranças do CV.

O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta emitiu uma nota sobre o que ocorreu. Eis a íntegra da mesma:

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)

 

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje vivemos um dia muito difícil no Rio de Janeiro. Com profundo pesar, acompanhamos os trágicos acontecimentos deste dia, em que tantas vidas foram ceifadas. A violência e o medo têm ferido o coração da nossa cidade e tirado a paz de muitos lares. Diante dessa dolorosa realidade, como Pastor desta Igreja, não posso deixar de expressar minha dor por tanto sofrimento e de reafirmar que a vida e a dignidade humana são valores absolutos. A vida humana é dom sagrado de Deus e deve ser sempre defendida e preservada.

Quero elevar minhas preces e minha profunda solidariedade às famílias que choram a perda de seus entes queridos. Que Cristo, o Príncipe da Paz, envolva cada coração ferido com Sua ternura, restaure a esperança e faça brotar, mesmo entre as lágrimas, a certeza de que o amor é mais forte do que a morte. Que Ele transforme a dor em fé e a saudade em semente de vida nova.

Somos chamados, como discípulos de Cristo, a ser construtores da paz, a superar o ódio, a vingança e a indiferença que corroem o tecido social. É urgente que unamos nossas forças pela reconciliação, pelo respeito mútuo e, sobretudo, pela proteção da vida, pela promoção da justiça e pela construção de uma sociedade pacífica, que promova a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais pobres e vulneráveis.

Mesmo diante do caos, creio firmemente que o amor e o bem são mais fortes que qualquer violência. Peço a cada um que seja instrumento dessa paz. Não podemos alimentar o ódio, nem responder com indiferença. O Rio de Janeiro nasceu com vocação para a alegria e a acolhida. Que, com fé e perseverança, possamos devolver à nossa cidade o brilho da paz e a força da fraternidade. E, como diz o hino da nossa cidade: “Que Deus te cubra de felicidade — Ninho de sonho e de luz.”

Convido a todos a permanecerem firmes na oração e na construção da paz. Que nossas palavras e atitudes sejam sementes de reconciliação, e que cada gesto de amor seja um passo rumo a uma cidade mais fraterna e justa. Que o Senhor da vida converta nossos corações, cure as feridas da violência e nos faça instrumentos de Sua PAZ. Que Maria, Rainha da Paz, interceda por nossa cidade, por nossas autoridades e por todas as famílias atingidas pela tragédia de hoje.

Invoco, sobre todos, a bênção de Deus, sinal de esperança e consolo neste momento de dor.

Orani João Cardeal Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: https://www.vaticannews.va

Congresso Carmelita- Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa

Detalhes
Publicado em 06 agosto 2025
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  • Rumo ao Monte Carmelo

1º - Congresso da Família Carmelitana do Brasil. 2-3 de agosto 2025, Aparecida, São Paulo.

 

Apontamentos da Conferência da Teresa Matos de Sousa, irmã do Sodalício da Vila Kosmos- Vicente de Carvalho/RJ. Tema: Rumo ao Monte Carmelo em Comunidade: Um olhar para a vida fraterna na Espiritualidade da Ordem Terceira do Carmo.

 

 

 “O Carmelita que não ora é falso Carmelita”.

 “A contemplação tem que me levar ao encontro do próximo”.

 “Na contemplação eu encontro o meu próximo”.

 “Se a contemplação não me leva ao encontro do irmão, isso não é contemplação”

 “O Carmelita tem que juntar, não separar”

 “O amor ao próximo é um caminho que nos ajuda a encontrar Deus”.

 “Se você deixar o Espírito Santo agir na vida, você faz coisa que até você dúvida e se pergunta: Será que fui eu mesmo que fiz isso”?

 “Se a Palavra de Deus não me faz uma pessoa melhor, essa Palavra é nula”.

 “A Eucaristia tem que ser constante, se ela for diária, Graças a Deus”.

 “A oração sai e vai ao encontro do nosso próximo, ela não é estática”.

 “Não é possível sermos orantes e contemplativos sem ficarmos sensíveis as pessoas”.

 “Na vida muitas vezes temos que engolir as desavenças da vida e depois de engolir aproveita e faz uma oração”.

 “Se os nossos filhos se tornassem carmelitas não ficaríamos preocupados com o futuro do nosso Sodalício”. 

“Não somos carmelitas apenas na Igreja, nas reuniões ou nos congressos. Em casa temos que provar a nossa carmelitíssima”.

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